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para RM de Crânio O Guia Definitivo Avisos Legais REDISTRIBUIÇÃO Você concorda que não irá copiar, redistribuir ou explorar comercialmente qualquer parte deste documento sem a permissão expressa da autora. AUTORIA Joice Brandão COLABORAÇÃO Bruna Casprechen @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia SUMÁRIO 03 04 05 10 20 31 36 Sobre m im . . . I n tr od ução Anatom ia Esc lerose Múlt ip l a Demênc ia Para l is i a de Be l l Plane j amen to Sumário @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 4 Sobre mim... Olá galera da radiologia!!! Meu nome é Joice Brandão, sou técnica em radiologia e responsável pelo SIMPLIFICANDO RESSONÂNCIA. Sou completamente apaixonada pela área e tive meu primeiro contato com a ressonância há 11 anos. No início me deparei com materiais complexos e de difícil compreensão para aplicar no meu dia a dia. Pensando nisso, decidi compartilhar parte do meu caderno de estudo, onde anotei tudo que aprendi desde meus tempos de estágio até hoje de uma maneira simples e fácil de entender. 03 @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 5 04 Introdução A ressonância é um exame não invasio capaz de gerar imagens detalhadas dos tecidos que ajudam a identificar diversas patologias. O objetivo deste e-book não é dissecar a patologia, mas sim, ajudá-lo a identificar o protocolo adequado, as estruturas anatômicas relevantes e quais sequências de imagem são indispensáveis ao diagnóstico por imagem do crânio, visto que há inúmeras formas de estudá-lo o crânio. Via de regra, todo serviço de diagnóstico tem um protocolo rotina, Isto é, sequências que são capazes de fornecer informações adequadas para o diagnóstico das patologias mais comuns. Entretanto há algumas indicações clínicas que exigem o estudo da patologia com sequências extras ou especiais. É o caso da esclerose múltipla, demência e paralisia de Bell por exemplo. Calma, sabemos que é muita informação, por isso vou simplificar para você. Presta atenção... Primeiro você precisa saber de que se trata a indicação, quais os sintomas e quais sequências são capazes de identificar essa patologia. Não se esqueça também de que você precisa identificar quais estruturas a doença em questão afeta, e ter certeza que as incluiu em seu exame de ressonância magnética. @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 6 Anatomia 01 @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 7 Estruturas Anatômicas Relevantes SAGITAL T1 Ponte Hipófise Joelho do Corpo Caloso Medula Oblonga Corpo Caloso Cerebelo Mesencéfalo Esplênio do Corpo Caloso 06 SAGITAL T1 Hipocampo Lobo Temporal @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 8 Estruturas Anatômicas Relevantes SAGITAL T1 Giro do Cíngulo Ventrículo Quiasma Óptico Tálamo IV Ventrículo SAGITAL T1 Órbita Sulco Parieto-occipital Sulco do Cíngulo Nervo Óptico Seio Maxilar Ventrículo Lateral 07 @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 9 AXIAL T1 AXIAL DRIVE Estruturas Anatômicas Relevantes Cabeça do Núcleo Caudado Tálamo Ventrículo Lateral (Atrium) Fórnix (Septo Pelúcido) Cápsula Externa Putamen Joelho do Corpo Caloso Córtex (Contorno Cinzento) Substância Branca Nervo Trigêmeo VIII Nervo Craniano (Vestibular) VII Nervo Craniano (Facial) 08 @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 10 Estruturas Anatômicas Relevantes CORONAL T2 Ponte III Ventrículo Corpo Caloso Ventrículo Lateral Hipocampo Tálamo Ouvido Interno Putamen Cabeça do Núcleo Caudado Hipófise 09 @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 11 Esclerose Múltipla 02 @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 12 11 Conceito É uma doença autoimune neurológica que acomete o sistema nervoso, provocando alterações sensitivas, motoras, cerebelares, visuais, cognitivas e até esfincterianas dependendo do sítio afetado. Mais de uma região pode ser afetada por vez. A doença incide predominantemente em pessoas com idade entre 15 e 45 anos. Patologicamente, caracteriza-se pelo desenvolvimento de lesões desmielinizantes inflamatórias da substância branca, que ocorrem quando o próprio sistema imunológico passa a atacar a bainha de mielina, que é incumbida de proteger as estruturas responsáveis pela transmissão dos impulsos nervosos. Sintomas Fique atento se o paciente relata mais de um episódio dos sintomas. A esclerose múltipla clássica acontece em um modelo surto-remissão, Isto é, pode haver melhora espontânea e reaparecimento dos sintomas um tempo depois. É importante conhecer os sintomas para que a anamnese seja bem feita e o protocolo adequado seja escolhido. As lesões inflamatórias interrompem o fluxo das sinapses nervosas. Normalmente o paciente apresenta sintomas diferentes, dependendo da área afetada. Os surtos ou recorrência acontecem quando um sintoma reaparece ou piora, podem durar dias ou semanas. @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 13 12 A doença também pode se apresentar de forma progressiva e agressiva em alguns casos. Fique atento aos seguintes sinais durante a anamnese e pergunte ao seu paciente, se ele tem sofrido fadiga, episódios de dormência e formigamento das extremidades. Certifique-se se ele queixa dor ou queimação facial de apenas um ou ambos os lados, isso pode indicar lesão do nervo trigêmeo. Perda de força, dificuldade para andar, espasmos ou rigidez muscular são os sintomas motores mais comuns. Podem aparecer sintomas visuais como visão dupla, borrada ou até manchas escuras no centro da visão se houver comprometimento do nervo óptico. Recapitulando os principais sintomas: fadiga, diplopia, alterações da marcha, paresia, vertigem, neuralgia do trigêmeo, perda de sensibilidade dos membros, incontinência urinária, depressão e até alterações da fala. Memória e raciocínio também podem ser afetados dependendo da progressão da doença. Sequências Fundamentais O objetivo, mais uma vez, não é dar uma aula de sequência de imagens. Esse é assunto para outra oportunidade. Já comentamos que as placas de desmielinização podem comprometer qualquer área do sistema nervoso, mas há uma preferência pelo corpo caloso e adjacências. @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 14 FLAIR Além das sequências de rotina, você precisa incluir pelo menos um SAGITAL FLAIR fino. Esse plano permite uma melhor visualização das lesões em formas de labaredas da coroa radiada ou dedos de Dawson. (IMAGEM) O FLAIR é uma sequência fundamental, já que é capaz de inverter, apagar, o sinal do líquor e ainda manter uma ponderação pesada em T2. Ao inverter o sinal do líquor as lesões desmielinizadas ficam em evidência, ou seja, elas brilhamjá que estão hidratadas devido à gliose e a ausência de mielina. Apesar do seu alto valor prático, lesões justacorticais podem passar despercebidas nessa sequência, já que o sinal dessas lesões podem se confundir com o córtex. Estas são melhor observadas nas sequências com ponderação T2. SAGITAL FLAIR 13 @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 15 14 SAGITAL FLAIR @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 16 15 T2 O tecido lesionado tem alto sinal em T2 e se destaca em relação ao contraste da substância branca de sinal mais baixo. Entretanto falha ao demonstrar lesões periventriculares (que são melhor identificadas no FLAIR) e da medula espinhal já que o alto sinal do líquor pode se mesclar ao sinal da lesão. Por isso sequências ponderadas por densidade de prótons são preferidas no estudo das colunas, justamente porque o líquor tem menor intensidade de sinal nessa ponderação do que em T2. Córtex Substância Branca Lesão Desmielinizante Líquor Hiperintenso AXIAL T2 SAGITAL T2 @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 17 Substância Branca Lesão de Esclerose Massa Cinzenta Líquor Hipointenso AXIAL T1 SEM CONTRASTE T1 Algumas lesões vistas em T2 com alto sinal podem ser observadas também em T1, porém com hipossinal. Aqui as lesões aparecem apagadas, são descritas como “buracos negros” e possuem aspecto ovalado com sinal semelhante ao do córtex. Algumas dessas lesões podem desaparecer com o tempo quando estão associadas à edema ou desmielinização. Entretanto, quando há perda axional, as lesões são permanentes e não desaparecem com o passar do tempo. Lesões hiperintensas em T1 indicam atrofia cerebral e progressão da doença. Placas ativas são identificadas com o uso do contraste nas sequências ponderadas em T1. O realce pode ser difuso, mas frequentemente é incompleto na região periférica da lesão. O realce por gadolíneo indica que houve quebra da barreira hematoencefálica, mostrando que há atividade da doença. Se não houver impregnação do meio de contraste, significa que, ou já houve recuperação da barreira ou a lesão é antiga. O realce acontece porque há uma reação inflamatória causada pela destruição da mielina. 16 A Lesão de esclerose tem edema associado, que é água, por isso apaga. @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 18 SAGITAL T1 PÓS CONTRASTE AXIAL T1 PÓS CONTRASTE Realce periférico incompleto do contraste Lesão subcortical identificada após o uso de contraste SAGITAL T1 PÓS CONTRASTE Realce periférico do contraste Realce difuso do contraste AXIAL T1 PÓS CONTRASTE 17 @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 19 AXIAL DIFUSÃO MTC (Contraste por Magnetização Transversa) Contraste ou imagem por magnetização transversa é uma técnica de imagem ponderada em T1 pós contraste que permite diferenciar desmielinização de inflamação, tornando possível identificar algumas lesões que não aparecem em outras sequências de imagem convencionais do protocolo. Difusão As áreas desmielinizadas brilham na difusão, o que indicam água presa no tecido, nas áreas de gliose. Quando há hipersinal, entendemos que há restrição molecular à difusão. Só pra que entenda melhor, observe que o líquor nos ventrículos é hipointenso, ou seja, ele apaga, justamente porque a água é livre. 18 @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 20 DIR (Recuperação de Dupla Inversão) É uma sequência de imagens relativamente nova capaz de suprimir tanto o sinal do líquor quanto da substância branca, oferecendo melhor delimitação das placas. AXIAL DIR AXIAL DIR 19 @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 21 Demência 03 @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 22 Conceito Imagino que você deve estar pensando: “Nossa, é muita informação!” E é mesmo. Mas vou tornar o processo mais simples pra você. Lembre-se de que o objetivo aqui é saber como executar um excelente exame que atenda tanto o médico radiologista quanto o paciente. Por isso vou te ensinar a importância da ressonância para o estudo das demências e o que muda em relação ao protocolo rotina. Demência pode ser definida como uma síndrome caracterizada pela perda progressiva de memória, associada a déficit de funções cognitivas e comportamentais. Podem ser classificadas como degenerativas (não reversíveis) e não degenerativas (reversíveis). O exame de ressonância tem papel crítico para análise e pode apontar perda do tecido cerebral, que são característicos da demência, mas não é usado como método único para diagnóstico, sendo indicado correlacionar com exames anatomopatológicos para diagnóstico definitivo. De todas as formas de demência, quatro são as mais comuns: Demência de Alzheimer (DA), demência vascular (DV), demência do lobo frontotemporal (DFT) e demência com corpos de Lewy (DCL). 21 @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 23 Sintomas É importante frisar que sua história clínica faz toda a diferença para o radiologista, uma vez que o ajuda a direcionar sua atenção. Por isso é importante que você entenda quais são os principais sintomas que um paciente com quadro demencial apresenta. O primeiro sintoma que costuma aparecer é o esquecimento de fatos recentes. Você perceberá com frequência que o paciente com suspeita de demência, relata episódios de desorientação espacial, ou seja, não consegue identificar onde está. Aspectos cognitivos ligados ao hipocampo normalmente são prejudicados em função da sua atrofia. Os sintomas aparecem de forma quase imperceptível e pioram lenta e progressivamente. Não se esqueça de verificar se há distúrbios de linguagem e de alucinações. Estes sintomas aparecem com o progresso da doença. Confira também se o paciente é diabético ou hipertenso, essa informação ajuda o médico a diferenciar lesões hiperintensas que aparecem mais evidentes no FLAIR. Sintomas relacionados ao AVC, também são importantes constar na história visto que pode desencadear uma demência vascular. Portanto, não deixe de perguntar se houve episódios de dormência a esquerda ou a direita do corpo, dificuldades da fala, alterações da marcha ou se há história prévia de AVC. 22 @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 24 23 CORONAL OBLÍQUO AO HIPOCAMPO SAGITAL T1 É importante ressaltar que depressão, apatia, isolamento social também fazem parte dos sintomas e estão associados à demência do lobo frontotemporal. Recapitulando os principais sintomas: Esquecimento e raciocínio prejudicado, incapacidade gradual de realizar tarefas simples e cotidianas, confusão mental, dificuldades na fala e alterações comportamentais ou de personalidade. À medida que a doença evolui, pode haver perda das funções motoras, esfincterianas e dificuldade para deglutir. Sequências Fundamentais A demência de Alzheimer caracteriza-se principalmente pela atrofia do lobo temporal medial, onde se encontra o hipocampo, e do córtex cerebral. Seu diagnóstico por imagem dispensa contraste e baseia-se principalmente na avaliação da largura da fissura coroide e altura do hipocampo em um CORONALT1 oblíquo, perpendicular ao eixo longo do hipocampo. A avaliação do sulco do hipocampo é fundamental para o diagnóstico. @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 25 24 Vamos entender o que é essa atrofia na imagem de ressonância. SAGITAL T1 NORMAL SAGITAL T1 Hipocampo Normal Atrofia do Hipocampo Ventrículo Lateral Dilatado CORONAL T1 Hipocampo Normal Hipocampo Atrofiado @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 26 25 Sulco Cingulado Sulco Central Lóbulo Central Sulco Marginal Precuneus Sulco Parieto Occipital Case courtesy of A.Prof Frank Gaillard, Radiopaedia.org, rID: 47208 Ressalta-se que a doença de Alzheimer precoce apresenta relevante atrofia cortical posterior, por isso estuda-se também na imagem os sulcos cingulado posterior e parieto occipital para avaliar tamanho e grau de atrofia do precuneus e superfície cortical do lobo parietal. Sulco Parieto Occipital Sulco Cingulado Precuneus @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 27 26 Cérebro Neurorehabil. 2015 Mar; 8 (1): 1-10. Cérebro Neurorehabil. 2015 Mar; 8 (1): 1-10. Cérebro Neurorehabil. 2015 Mar; 8 (1): 1-10. Cérebro Neurorehabil. 2015 Mar; 8 (1): 1-10. (B) Doença isquêmica de pequenos vasos (também conhecida como acidente vascular cerebral isquêmico subcortical) Não raro, a doença de Alzheimer está associada à Demência Vascular (DV) que é causada, sobretudo por múltiplos infartos tanto corticais quanto lacunares. Esses pequenos infartos acontecem de forma gradual e muitos pacientes nem o percebem até que a soma de todos eles comecem a produzir sintomas. O paciente sofre uma lenta deteriorização. Diabetes, hipertensão e fumo são importantes fatores de risco. Nessa doença, é possível observar focos de hiper sinal em T2 no tálamo, gânglios da base e substância branca. @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 28 27 Demência frontotemporal afeta principalmente o comportamento social do paciente e sua compreensão das palavras, bem como o reconhecimento visual. Aqui o principal papel da ressonância é identificar atrofia focal em lobos temporais. A sequência de eleição aqui é o T1, dada sua capacidade de melhor descrever a anatomia. Por isso é capaz de analisar melhor perda focal do volume da substância branca. @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 29 28 A quarta forma mais conhecida de demência é a Demência com Corpos de Lewy (DCL). Os sintomas mais comuns são alucinações, parkinsonismo, movimentos oculares rápidos e quedas sem explicações. Portanto, lembre- se de incluir essas perguntas em seu questionário. Sua história clínica também deve mencionar se há distúrbios de sono. Mais uma vez a sequência com ponderação T1 ganha relevância em RM. Aqui o paciente apresenta menor atrofia focal, típica do hipocampo e lobos temporais mediais do que é possível observar no CORONAL T1 do paciente com Alzheimer. O AXIAL T1 aqui é particularmente importante para avaliar atrofia cortical e subcortical, corpo estriado, substância inominada, hipotálamo e mesencéfalo dorsal. É importante que você entenda que os sinais da Demência com Copors de Lewy são muito sutis na imagem por ressonância, entretanto a clínica do paciente existe e deve ser levada e consideração. @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 30 29 Agora vamos ao protocolo... Sequências ponderadas em T1 oferece melhor descrição anatômica e torna possível avaliar perda de volume regional. Se possível fazer sequência 3D para reconstrução de todos os planos. Sequências com ponderação T2 são mais eficientes no estudo dos gânglios da base (núcleo caudado putamen e etc.) e estruturas da fossa posterior, já que o FLAIR neste caso deixa a desejar. FLAIR Pode se adquirido em 3D a fim de ser reconstruído em outros planos ou AXIAL para estudo de isquemia de pequenos vasos da substância branca. DIFUSÃO/ADC Ajuda na identificação de desmielinização do infarto. SWI É uma sequência de ponderação gradiente especialmente útil para diagnóstico de micro-hemorragia, depósito de ferro e perda de sina da substância negra que está associado ao Parkinson. @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 31 30 ESPECTROSCOPIA A espectroscopia do giro do cíngulo também tem alto valor diagnóstico. A espectroscopia não gera imagens como as outras sequências. Gera um gráfico capaz de quantificar certas substâncias químicas da composição do encéfalo. Porém, dada a complexidade do assunto, vamos precisar de um capítulo só para falar de espectro. Portanto será assunto para outra oportunidade. Bom, agora que você entende o valor diagnóstico de cada sequência fica mais fácil fazer o seu exame . No final deste e-book, você vai encontrar o planejamento de imagens com uma descrição clara e simples de como angular cada corte para que seu exame seja diferenciado. Eu o fiz assim para que você possa acessar de forma rápida sempre que precisar e tirar sua duvidas. Mas antes, vamos estudar como a paralisa de Bell pode afetar seu protocolo de exame. @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 32 Paralisia De Bell 04 @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 33 32 Conceito Agora que você já sabe como planejar um exame para esclerose e demência, vamos entender como planejar um exame que avalie os nervos cranianos. Vamos pegar como exemplo a paralisia de Bell que é caracterizada pela perda temporária ou permanente da mímica facial. É causada por uma inflamação do VII nervo craniano que passa dentro do conduto auditivo interno que está situado logo abaixo do nervo trigêmeo. Essa inflamação pode causar sintomas que a princípio simulam um AVC, por isso a Ressonância Magnética é fundamental, já que na imagem, o AVC e a inflamação do nervo se apresentam de forma completamente diferente. VIII Nervo Craniano (Vestibular) VII Nervo Craniano (Facial) @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 34 33 Sintomas Eu sei que parece difícil e complicado, mas vou facilitar para que você. Como vimos, o pedido e a história clínica definem o protocolo e o planejamento do exame, portanto, é fundamental você compreender quais são os sintomas mais importantes dessa patologia para então identificar o protocolo adequado. Os sintomas envolvem paralisia parcial ou total da musculatura facial. Para sua história clínica, você precisa entender que há sintomas leves, moderados e graves. Os sintomas mais leves envolvem uma paralisia discreta e pouco perceptível. À medida que evolui é possível notar certa dificuldade de movimentar músculos que envolvem olhos e boca, como fechamento incompleto da pálpebra e movimento imperfeito dos lábios. Observe enquanto conversa com seu paciente, se há assimetria facial evidente tanto em repouso quanto em movimento ou ausência de rugas. Em casos gravíssimos há paralisia total da musculatura facial. @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 35 34 Sequências Fundamentais e PlanejamentoAlém do protocolo tradicional de rotina, você precisa de uma imagem que ofereça detalhe e alta resolução capaz de demonstrar os nervos cranianos que são estruturas finas e minúsculas. Neste caso, o AXIAL T2 fino é a sequência que melhor atende a necessidade. Se você trabalha em um equipamento PHILIPS, você pode escolher entre as sequências T2* BALANCE ou DRIVE. Equipamentos GE oferecem o AXIAL FIESTA para esta finalidade. No SIEMENS você vai encontrar a mesma sequência de imagem nomeada com True FISP. Presta atenção! A imagem precisa ser adquirida no plano AXIAL. Neste caso você vai usar um CORONAL que evidencie os ouvidos e alinhar os cortes paralelos ao conduto auditivo interno, exatamente como na imagem abaixo: AXIAL 3D DRIVE @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 36 35 Sequências Fundamentais e Planejamento O diagnóstico final da patologia em questão é dado nas sequências pós contraste onde é possível notar um realce focado no aspecto lateral do conduto auditivo interno. AXIAL T1 SEM CONTRASTE CORONAL T1 COM CONTRASTE AXIAL T1 COM CONTRASTE @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 37 05 Planejamento de Crânio @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 38 Planejando o AXIAL 37 @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 39 Planejando o CORONAL 38 @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 40 39 Planejando o SAGITAL @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 41 Planejando o Hipocampo 40 No AXIAL não esqueça de conferir o alinhamento dos ouvidos para garantir simetria das demais estruturas encefálicas @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 42 41 Planejando Nervos Cranianos e Ouvidos @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia 43 42 @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia REFERÊNCIAS As informações aqui contidas tiveram como ponto de partida o meu próprio caderno de anotações. Entretanto foi necessário o estudo profundo de diversos artigos e livros para que as informações fossem passadas com a maior clareza possível. Portanto, para facilitar o entendimento não fiz nenhuma referência direta no texto, mas estou disponibilizando aqui abaixo todos os links e livros pesquisados. Westbrook, Catherine Ressonância magnética: aplicações práticas / Ctherine Westbrook, Caroline Kaut Roth, John Talbot; [tradução de Mariângela Vidal Sampaio Fernandes]. – [Reimpr.] – Rio de Janeiro : Guanabara Koogan, 2016. Ressonância Magnética – O Livro-Texto do European Magnetic Resonance Forum, Quinta Edição Copyright© 2004 by Livraria Santos Editora Comércio e Importação Ltda. Barker, Peter B.; Gillard, Jonathan H.; Waldman, Adam D. Ressonância Magnética Em Neurorradiologia Clínica –Técnicas Fisiológicas e Funcionais -2ª Ed. 2014. Editora Revinter https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2647854/ https://pmj.bmj.com/content/92/1088/333 https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2647854/ http://www.radiologyassistant.nl/en/p43dbf6d16f98d/dementia-role-of-mri.html http://www.ajnr.org/content/33/10/1836 https://pmj.bmj.com/content/92/1088/333 https://radiopaedia.org/articles/neurodegenerative-mri-brain-an-approach?lang=us https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2647854/ http://radiologyassistant.nl/en/p43dbf6d16f98d/dementia-role-of-mri.html http://www.radiologyassistant.nl/en/p4f49ef79818c2/shoulder-mr-anatomy.html http://radiology-anatomy.blogspot.com/ http://w-radiology.com/lentiform-nucleus.php https://www.youtube.com/watch?v=RC_6Qik5KOg&index=2&list=PLJKvxVM15Mhd6nIBoQThu1Xn0- osN_B4U https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2647854/ http://repositorio.unifesp.br/handle/11600/15276 http://www.medicinanet.com.br/conteudos/revisoes/1191/paralisia_facial_periferica.htm http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-282X2001000500016 https://www.minhavida.com.br/saude/temas/demencia https://drauziovarella.uol.com.br/entrevistas-2/demencias-entrevista/ https://sbnr.org.br/o-uso-da-neuroimagem-no-diagnosticos-da-demencias/ http://www.medicinanet.com.br/conteudos/revisoes/1341/demencias.htm https://pebmed.com.br/imagem-nas-demencias-onde-estamos-e-para-onde-iremos/ 44 43 @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia @simplificandoressonancia /simplificandoressonancia simplificandoressonancia simplificandoressonancia.com Conecte-se comigo Se você ainda não teve a oportunidade de assinar as minhas redes sociais, não deixe de fazer isso agora para não perder nenhum detalhe. 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