Prévia do material em texto
História e teoria da arquitetura e do urbanismo Balizamentos históricos gráfico comparativo da duração das sucessivas culturas e períodos culturais ocidentais. As zonas vermelhas indicam o período de atividade e desenvolvimento mais intenso, e as cores mais claras, períodos de crescimento ou declive. Tabela cronológica 6000 5000 Pré-histórica Mesopotâmica Egípcia Minóica Grega Romana Paleocristã e bizantina Medieval Gótica Renascentista Barroca Século XVIII Século XIX Século XX (Norte da Europa) Suméria Babilônica Assíria Persa 1000 a.C. d.C. 3000 10004000 02000 2000 Século XX “Tanto as cidades quanto os edifícios passaram por transformações fundamentais, mais do que em qualquer outra época do passado. (...) o patrimônio imobiliário produzido desde 1900 ultrapassou a soma total dos edifícios que existiram até então na história da humanidade.” Cohen, Jean-Louis. O futuro da arquitetura desde 1889. Século XIX Estação ferroviária, loja de departamentos... Século XX torres de escritórios e apartamentos, conjuntos habitacionais, galpões abrigando fábricas e shoppings centers, além de uma ampla variedade de infraestruturas, de represas a aeroportos. Contradizendo o historiador Nikolaus Pevsner, autor da famosa frase “um abrigo de bicicletas é uma construção; a Catedral de Lincoln é uma obra de arquitetura”, os programas mais prosaicos passaram a ser considerados merecedores de atenção estética. Mudanças Arquitetura bastante diversificada: a liberdade introduzida pelo Neoclassicismo e o Movimento Romântico promoveram o revivescimento de outros estilos históricos, incluindo o Gótico, Grego, Islâmico, Egípcio, Bizantino, Paleo-cristão, somados a invenções criativas, como os estilos Chinesice, Japonismo, Mourisco e Indu. O Progresso no século XIX Sezincote, 1805 - Gloucestershire, Reino Unido Samuel Pepys Cockerell (1754-1827) Pavilhão Real, 1818-21 - Brighton, Reino Unido John Nash (1752-1835) Primeira Igreja Presbiteriana de Nashville, 1848 - Nashville, EUA William Strickland (1788-1854) Portões do cemitério New Haven, 1837 - New Haven, EUA Henry Austin (1804-1891) Medical College of Virginia, 1854 - Richmond, EUA Thomas S. Steward (1806-1889) Alguns dos principais nomes: Karl Schinkel (Alemanha), Thomas Jefferson (EUA), John Soane (Inglaterra) e Benjamin Henry Latrobe (EUA e Inglaterra). Neoclassicismo Altesmuseum, 1823-28 - Berlim, Alemanha Karl Schinkel (1781-1841) Rotunda do Bank of England, 1788 - Londres, Inglaterra John Soane (1753-1837) Neue Wache, 1817-18 - Berlim, Alemanha Karl Schinkel (1781-1841) Catedral católico-romana, 1805-18 - Baltimore, EUA Benjamin Henry Latrobe (1766-1820) Capitólio do Estado da Virginia, 1785-89 - Richmond, EUA Thomas Jefferson (1743-1826) Ligado ao Romantismo, influenciado pelo período medieval, contrasta com os estilos clássicos dominantes na época. Alguns dos principais nomes: Augustus Welby Northmore Pugin (Inglaterra) e Eugène-Emmanuel Viollet-le-Duc (França). Historicismo gótico Comparação de cidade antiga com moderna, extraída de Contrasts (1841) A.W.N. Pugin (1812-1852) Trinity Church, 1839-46 - Nova York, EUA Richard Upjohn (1802-1878) Auditório com estrutura de ferro, extraído de Entretiens 1863-72 Eugène-Emmanuel Viollet-le-Duc (1814-1879) Escola de arquitetura francesa, extramente influente ao longo do século XIX, produzindo principalmente obras públicas. Os alunos aprendiam a interpretar o programa de necessidades, a entender as relações hierárquicas dos diferentes espaços e a distribui-los simetricamente ao longo dos eixos principais, e em seguida secundários, enfatizando o percurso ou deslocamento pelos espaços ao longo dos eixos e em três dimensões. Em segundo plano ficava a roupagem eclética que era aplicada posteriormente, apesar das extraordinárias habilidades de ornamentação fazerem parecer o contrário. As escolas de arquitetura norte-americanas, que surgiram no século XIX, se baseavam no currículo da École des Beaux-Arts, influenciando a arquitetura do país. École des Beaux-Arts Richard Morris Hunt (1827-1895) foi o primeiro norte-americano a frequentar a École des Beaux-Arts, em Paris - França. Os magnatas industriais (novos-ricos) queriam casas que imitassem as mansões européia, e Hunt era o mais apto a fornecer os projetos desejados. École des Beaux-Arts The Breakers, 1892-95 - Newport, Rhode Island, EUA Richard Morris Hunt (1827-1895) Residência urbana na Fifth Avenue, 1894 - Nova York, EUA Richard Morris Hunt (1827-1895) Fachada neoclássica do Metropolitan Museum of Art, 1895 - Nova York, EUA Richard Morris Hunt (1827-1895) Base da Estátua da Liberdade, 1880 - Nova York, EUA Richard Morris Hunt (1827-1895) Richard Morris Hunt usou sua influência para que o projeto da Feira Mundial de Chicago (1893) como um todo seguisse a linha da École des Beaux-Arts. Os edifícios principais, ao encargo de diferentes firmas de arquitetura, foram distribuídos ao redor de um grande Pátio de Honra. O edifício administrativo, com a enorme cúpula, foi projetado por Hunt. Para que houvesse unidade no conjunto, decidiu-se pela inspiração no Renascimento, utilizando o reboco pintado de branco, resultando no nome “Cidade Branca”. École des Beaux-Arts Feira Mundial de Chicago, 1893 - Chicago, EUA Richard Morris Hunt (1827-1895) A feira de 1893 contribuiu muito para a difusão do estilo ornamentado e monumental da École de Beaux-Arts como sendo o mais adequado para edificações norte-americanas importantes e projetos cívicos. Por todo o país foram construídas estações ferroviárias, museus de arte, prefeituras, agências de correio e igrejas imitando a Cidade Branca. École des Beaux-Arts Casas Villard, 1882-85 - Nova York, EUA McKim, Mead e White Biblioteca Pública de Boston, 1887-95 - Boston, EUA McKim, Mead e White Pennsylvania Station 1902-11 - Nova York, EUA McKim, Mead e White Aço = liga de ferro com pouco carbono e outros metais. A partir de 1875 o aço começou a substituir o ferro fundido e o ferro batido na construção, já que sua resistência à compressão e à tração superava a do ferro e pela produção ser mais barata. O progresso do aço Ponte Eads, 1869-74 - Saint Louis, EUA - primeira ponte de aço construída nos EUA James B. Eads (1820-1887) 4 pilares de pedra 3 arcos feitos com tubos de aço, interconectados por travamento triangulado Seçoes do arco construídas em balanço, partindo dos pilares até o fechamento. Ponte do Brooklyn, 1869-83 - Nova York, EUA J.A. e W.A. Roeblling Estação Marple, c. 1890 - Manchester, Inglaterra Fios de aço galvanizado (c/ zinco) trançados. Cada cabo contém mais de 5 mil fios, compactados e envolvidos com uma espiral contínua de aço mais macio. Inicialmente, o aço foi usado em dormentes ferroviários e obras de engenharia. No século XIX o ferro e o aço não eram admirados por suas características como elemento arquitetônico, por isso foram usados originalmente em edificações industriais utilitárias (como indústrias têxteis, galpões e estufas). Estufas - construção feita para preservar as espécies tropicais levadas ao Reino Unido. Aplicações do ferro e do aço na arquitetura Casa das Palmeiras, 1845-47 - Londres, Inglaterra Decimus Burton e Richard Turner Joseph Paxton (1801-1865) era paisagista por formação, mas com experiência e habilidade para construir estufas usando vidro e ferro. Revolucionou a arquitetura com o projeto para abrigar a primeira feira mundial moderna, em Londres, em 1851. Estrutura de ferro e vidro com 564,18m de extensão, sendo que os materiais chegavam no local pré- montados em painéis, fazendo com que a montagem ganhasse uma velocidade sem precedentes. Aplicações doferro e do aço na arquitetura Palácio de Cristal, 1851 - Londres, Inglaterra Joseph Paxton (1801-1865) Henri Labrouste (1801-1875), arquiteto francês. Aplicações do ferro e do aço na arquitetura Biblioteca de Santa Genoveva, 1842-50 - Paris, França Henri Labrouste (1801-1875) Sala de leitura da Biblioteca de Santa Genoveva fachada neoclássica arcos plenos de ferro fundido abóbadas de berço Biblioteca Nacional (sala de leitura), 1858-68 - Paris, França Henri Labrouste (1801-1875) 9 cúpulas em alvenaria tradicional, com quase 10,6m de diâmetro cada. iluminação através de óculos esbeltas colunas de ferro fundido Gustave Eiffel (1832-1923), projetista francês. Aplicações do ferro e do aço na arquitetura Viaduto Garabit, 1880-84 - Garabit, França Gustave Eiffel (1832-1923) Torre Eiffel, 1889 - Paris, França Gustave Eiffel (1832-1923) Estrutura mais alta do mundo até 1930 = 307,8m arco de entrada da Exposição Internacional de Paris - 1889 Uso de fachadas em ferro fundido e estruturas independentes produzidas em massa. . Características plásticas - os detalhes podiam ser fundidos usando moldes e repetidos quantas vezes fossem necessários. . Resistência ao fogo. (1871 - grande incêndio Chicago) Fachada em ferro fundido, séc. XIX - SoHo - Nova York, EUA Distritos inteiros feitos com fachada em ferro fundido - distrito SoHo - Nova York, EUA Aplicações do ferro e do aço na arquitetura Desenvolvidos a partir de 1865 por aquitetos de Nova York e, a seguir, de Chicago, como resposta ao aumento do preço do solo urbano e ao desejo das empresas de ficar perto de centros já estabelecidos. Inovações técnicas - componentes estruturais produzidos em massa, elevador de segurança e técnicas de proteção contra incêndio. Os primeiros arranha-céus Edifício Home Insurance Company, 1883-85 - Chicago, EUA William Le Baron Jenney (1832-1907) térreo - paredes de alvenaria portante pavimentos superiores - estrutura de metal Ferro - até o 5o andar Aço - a partir do 6o andar Os arquitetos que produziram os edifícios altos de Chicago entre 1875 e 1925 são coletivamente denominados de Escola de Chicago. Escola de Chicago Edifício Monadnock, 1890-91 - Chicago, EUA Daniel H. Burnham (1846-1912) e John W. Root (1850-1891) Edifício Reliance, 1894-95 - Chicago, EUA Daniel H. Burnham (1846-1912) e John W. Root (1850-1891) Movimento das Artes e Ofícios (Arts & Crafts) Meados do século XIX - defendia o artesanato criativo como alternativa à mecanização e à produção em massa. Foi influenciado pelas ideias do romântico John Ruskin e liderado pelo socialista e medievalista William Morris. No livro “As Pedras de Veneza”, Ruskin expõe as sete “lâmpadas” ou princípios da grande arquitetura: Lâmpada do Sacrifício - “foi feito com prazer?” Lâmpada da Verdade - qualidade moral para se construir de modo exemplar Lâmpada do Poder - força estética do sublime Lâmpada da Beleza - natureza como fonte das ordens arquitetônicas Lâmpada da Vida - expressão externa da mente humana Lâmpada da Memória - arquitetura permanente Lâmpada da Obediência - urge que não se criem novos estilos, pois o Românico Italiano e o Gótico seriam os únicos modelos adequados. Movimento das Artes e Ofícios (Arts & Crafts) William Morris fundou a firma Morris, Marshall, Faulkner and Company, em 1862. Objetos para interiores e vida cotidiana: papéis de parede, vitrais, carpetes, tecidos e móveis. Papel de parede de “Alcachofra” , de John Henry Dearle para William Morris & Co, 1897 Estampa feita para tecido - Pavão e Dragão, William Morris, 1878 Estampa feita para tecido, William Morris, 1876 Casa Vermelha, 1890-91 - Bexleyheath, Inglaterra - projetada para William Morris Philip Webb (1831-1915) Art Nouveau (ou Jugendstil) Na última década do século XIX, surgiu um novo movimento artístico que reuniu as mais diversas tendências: as ideias da industrialização, do Movimento Artes e Ofícios, da arte oriental, das artes decorativas e das iluminuras medievais. Principais manifestações: arquitetura e objetos ornamentais Vitral, Louis Comfort Tiffany (1908) Luminária, Louis Comfort Tiffany (1904-15) Art Nouveau Principais elementos: ferro e vidro Preservar o contato do artista com a natureza Casa Tassel, Victor Horta. Bruxelas, 1893. Entrada de uma estação do metrô de Paris, Hector Guimard Casa Batló, Antoni Gaudí. Barcelona, 1875-77 Brasil - primeira metade do século XIX 1808 - chegada da família real portuguesa no Brasil. 1816 - chega ao Rio de Janeiro a Missão Artística Francesa, chefiada por Joachi Lebreton. Alguns dos artistas que faziam parte da Missão: . Nicolas-Antoine Taunay . Jean-Baptiste Debret . Auguste-Henri-Victor Grandjean Montigny Grupo responsável pela criação da Escola Real das Ciências, Artes e Ofícios, em 1826 transformada em Academia Imperial de Belas-Artes 1822 - Independência do Brasil = mudanças significativas, recriando a estrutura da província. Morro de Santo Antônio, 1816 - Rio de Janeiro Nicole-Antoine Taunay (1755-1830) Índios atravessando um riacho ( o caçador de escravos), c. 1820 - óleo sobre tela (80 x 112 cm) - São Paulo (MASP) Jean-Baptiste Debret (1768-1848) Temas principais: os costumes brasileiros, retratos da família real, paisagens brasileiras no século XIX... Missão Artística Francesa Ponte de Santa Ifigênia, aquarela (1827) Jean-Baptiste Debret (1768-1848) Coroação de Dom Pedro I, Imperador do Brasil Arquitetura Neoclássica Brasileira Na arquitetura, a Missão Francesa adotou o estilo neoclássico e abandonou o barroco. Fachada da Academia Imperial de Belas-Artes Rio de Janeiro (1826) Auguste-Henri-Victor Grandjean Montigny Solar dos Marqueses de Itamarati Rio de Janeiro (1826) José Maria Jacinto Rebelo Brasil - segunda metade do século XIX Prosperidade econômica - fazendas de café. Estabilidade política - D. Pedro II -- incentivo às letras, ciências e artes. A fotografia chega ao Brasil (descobertas científicas na área ótica e química convergiram para a produção de fotografias no início do século XIX). Charles Hartt no cais do Trapiche, Marc Ferrez, 1875 Rua São Bento, Militão Augusto de Azevedo, 1862 (14 x 21,6 cm) São Paulo Construção da rede ferroviária: 1866 - São Paulo Railway (Santos - Jundiaí) 1875 - Sorocabana 1877 - São Paulo - Rio de Janeiro (futura Central do Brasil) Postal da Estação da Luz, inaugurada em 1901 Postal da Estação Julio Prestes, inaugurada em 1938 São Paulo Com a intensificação da onda imigratória, São Paulo tornou-se um pólo central no mercado de trabalho. 1888 - Inauguração da Hospedaria dos Imigrantes Postal da Hospedaria dos Imigrantes, inaugurada em 1888