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RESUMO CCGA Cirurgias de cabeça Oftalmologia Patologia cirúrgica oftálmica de grandes animais Microoftalmia: É um olho que não desenvolveu, onde esse olho é afuncional, podendo ser de origem congênita ou adquirida Ex: trauma ** Teste de reflexo de ameaça: animal não corresponde Teste de schirmer: avalia a produção de lágrimas. Cavalo normal: 20ml/min, não pode ser menor que 5ml/min. Ausência de produção de lagrima em cavalos pode ser de origem neurológica ou traumática Catarata: É a opacidade da lente ou cristalino do olho, estrutura essa que é responsável pela projeção da imagem na retina. Pode ser de origem congênita, juvenil, senil e traumática. E o sinal clinico é a perda da capacidade visual. Tratamento apenas cirúrgico através da sua remoção cirúrgica, e o procedimento de eleição é a técnica de FACOEMULSIFICAÇÂO (mais usada) ou Facectomia extracapsular (FEC) A cirurgia: incisões mínimas na córnea com auxílio de um microscópico cirúrgico Fragmentação e aspiração da catarata Após a remoção da catarata, uma lente intraocular de acrílico dobrável é implantada No final na cirurgia, apenas 2 pontos de sutura são aplicados na córnea Pós-operatório: colírios por 10 dias e uso de colar protetor. Entrópio: É a inversão da pálpebra superior e inferior para dentro, podendo ser de origem congênita, adquirida ou espástica. Os sinais clínicos são: Epífora (perda ou alteração da drenagem normal das lágrimas pelas vias lacrimais, geralmente em consequência de um processo inflamatório ou obstrutivo) Fotofobia (animal pisca constantemente) Blefaroespasmo (Espasmos involuntários dos músculos da pálpebra) Ceratite (inflamação da córnea) Úlcera de córnea Conjutivite Tratamento = pregueamento sem incisão para potros jovens até 2 meses RESUMO CCGA Cirúrgico: Incisão elíptica, retirada de um flape de pele na proximidade do entrópio, e sutura com pontos separados. Ectrópio: É a eversão da pálpebra superior ou inferior, deixando à mostra a conjuntiva. Os sinais clínicos são: Epífora, conjuntivite crônica e uveíte Tratamento: É de eleição cirúrgica, com a retirada de excesso de pele palpebral para correção de posicionamento. Úlcera de córnea: Lesão erosiva da córnea com exposição ou não das células de descemet. Pode ocorrer por traumas, corpos estranhos, entrópio, conjuntivite infecciosa e diminuição de lágrima. Sinais Clínicos: Epífora, acúmulo de secreção mucopurulenta, blefaroespasmo, uveíte, dor, fotofobia. Diagnóstico: Inspeção com ou sem o auxílio da fluoresceína (invade o estroma pq na ulcera é hidrofílico (absorve liquido e cora de verde) Tratamento clinico: - Soro autólogo, instilar duas gotas a cada 4 horas. - Regencel pomada, passar uma fina camada a cada 6 horas - Ocufen colirio, instilar duas gotas a cada 4 horas - Não utilizar corticoide. Técnica: incisão em V, cortar-se o excesso de pele (flape), traciona e junta as bordas da ferida cirúrgica, suturando-as juntas; RESUMO CCGA Tratamento cirúrgico: recobrimento com a 3ª pálpebra associado com tratamento clínico. Ceratotomia em grade Neoplasia de terceira pálpebra: Sinais Clinicos: Epífora, blefaroespasmo, fotofobia, dor, aumento de volume com protrusão da terceira pálpebra com aumento irregular de superfície. Traumas diversos Exoftalmia: Esbugalhamento dos olhos, fazendo com que se dilatem para fora da cavidade ocular em um ou ambos os olhos. Perfuração: É causada por objetivos perfurantes, onde se tem uma ferida física ou química na cavidade ocular . Enucleação em grandes animais A enucleação é a retirada de todo globo ocular, deixando o tecido adiposo e os músculos, indicada em casos de traumas irreversíveis e glaucomas. A exenteração é a retirada de todo globo ocular e tecidos perioculares da cavidade orbital (músculos, tecido adiposo e glândula lacrimal), é indicado em casos de neoplasias e pan- oftalmite. Preparação cirúrgica: o animal deve estar com cabresto e preso em um tronco com a cabeça segura de um lado, os pelos devem ser tosados ao redor dos olhos e o local cirúrgico deve ser esfregado e então é feita a anestesia local pela infiltração retrobulbar. O bloqueio retrobulbar de quatro pontos é realizado injetando através das pálpebras, tanto na direção dorsal como ventral, e nos cantos medial e lateral. Técnica cirúrgica: Pálpebras presas por pinças para campo ou suturadas. RESUMO CCGA Incisão transpalpebral ao redor da órbita à 1 cm da margem da pálpebra Dissecção em 360° ao redor da órbita até o aspecto caudal, evitando penetrar a conjuntiva palpebral Retirada do globo ocular Fechamento da pele com sutura simples interrompida, com fio inabsorvivel sintético ou absorvível (animal a pasto) Obstrução esofágica Causas: ingestão de alimentos inadequados; sabugo de milho, manga e laranja são os mais encontrados. Outras causas: estenoses congênitas; ou adquiridas (cirúrgicas ou traumáticas). Sinais clínicos: Dificuldade de deglutir, regurgitamento de alimento pela via nasal ou local, pode fazer falsa via e causar uma pneumonia, desidratação e inquietação (esticar o pescoço) Imediatos: Refluxo nasal de alimento, saliva e agua, extensão cervical frequente, inquietação (em ruminantes timpanismo). Tardios: emagrecimento, desidratação, inquietação, pneumonia por aspiração. Tratamento: depende do estado que o animal se encontra ESOFAGOTOMIA Definição: Incisão da musculatura esofágica, chegando na luz do esôfago Esofagectomia: retirada de uma porção do esôfago Indicações: obstruções, perfurações, que levam a perda da função. Cuidados pré-operatórios: O animal adulto deve estar em jejum de 12 a 18 horas, e para animais jovens, jejum de 4 a 8 horas. Anatomia cirúrgica: O esôfago em sua porção cervical, encontra-se à esquerda da linha média, dorsalmente a traqueia. Após a bifurcação da traqueia, ele se encontra mais à direita, até o estomago. Estruturas: adventícia, muscular, sub-mucosa e mucosa. RESUMO CCGA Tipos de acesso Esôfago cervical: linha média ventral cervical Esôfago torácico: base do coração cranial ou caudal, ao lado direiro Técnica cirúrgica Esofagotomia: - Tente isolar o esôfago com campos umedecidos, ordenhe o esôfago e isole com pinças de Doyen (não esmagadoras) - Faça dois pontos de reparo para dar apoio, faça a incisão em cima do corpo estranho e sempre sentido longitudional Sutura em dois planos: primeiro pegando mucosa e submucosa, utilizando sutura interrompina SWIFT, e depois muscular e adventícia também interrompida simples. Sutura em um plano: pega-se a mucosa, submucosa, muscular e adventícia, fazendo pontos simples separados. Fios absorvíveis ou não absorviveis monofilamentosos e teste de vazão. Esofagotomia Esofagorrafia Esofagectomia - Isolar o esôfago com campos umedecidos, ordenhar e utilizar pinças não esmagadoras. - Colocar fios de reparo para sustentação e alinhamento - Fazer excisão da área com lesão - Sugar conteúdo - Sutura (fio absorvível monofilamentar) - Teste de vazão RESUMO CCGA Descorna em bovinos e caprinos Descorna de bovinos: É indicado para facilitar o manejo, estética e pós-trauma. Descorna em bezerros: Realizar em até 2 meses de idade com: Pomadas causticas (cuidadopara não queimar o animal) Ressecção com material cortante ou com ferro incandescente Ideal sob anestesia na fossa temporal entre o orelha e o chifre. Lindocaína 4ml, 2,2mg/kg de banamine 4mg/kg de tramal (analgésico). Técnica cirúrgica de descorna em bovinos adultos Incisão na crista nucal passando pela porção posterior e anterior da base do chifre, se unindo e se estendendo pela região temporal Divulsiona-se o subcutâneo, afastando bem a pele e expondo bem a base do chifre Com a utilização do fio de gigle ou de uma serra para metais, faz-se a ressecção do chifre no sentido médio posterior para a porção antero lateral, onde é realizada a torção do pedículo cornual Realiza-se limpeza da região dos sinos e colocado pó antibiótico ou spray Sutura-se com pontos simples, X ou em U separados, após corrigir os retalhos cutâneos. Pós-operatório: Antibióticos (penicilina 10 a 20 ml/kg), curativos e antinflamatórios (banamine 2,2mg/Kg) RESUMO CCGA Orquiectomia em equinos e bovinos Indicações em equinos: - Facilitar o manejo - Características indesejáveis (criptorquidismo e hérnia umbilical) - Neoplasias testiculares - Torção do cordão espermático - Hérnia inguino-escrotal - Traumas irreparáveis - Orquite e epididimite Indicações em bovinos: - Melhoramento de carcaça - Atender ao mercado consumidor (carne com cobertura adequada de gordura e coloração rosada) - Melhor proporção dianteiro- traseiro Exame pré-cirúrgico: avaliar corretamente o animal, fazer a palpação dos testículos e observar se tem hérnia Descorna em caprinos Técnica cirúrgica Anestesia infiltrativa ou geral - Incisão ao redor de ambos cornos, rebatendo a pele na medida do possível - Seccionar na base dos cornos - Cobrir os seios expostos com pomada e pó cicatrizante - Enfaixar com atadura para evitar miíase e possui entrada de material estranho ** diferença na descorna de bovinos e caprinos, é que em caprinos não tem pele pra suturar, e a cura é feita por segunda intenção** *complicações- sinusite RESUMO CCGA Considerações anestésicas: anestesia local (EGG 1og/100kg e ditomidina sedação e analgesia) para o animal não sentir dor Posicionamento: estação (bovino) ou decúbito (lateral esquerdo-equino) Técnica em bovinos: Uso de bordizo (técnica fechada) Remoção do ápice da bolsa Duas incisões laterais a rafe Emasculador Burdizzo Técnica equinos: Aberta, fechada e semi aberta. RESUMO CCGA Cuidados no pós-operatório: Anti-inflamatório – banamine 1,1mg/kg de 12 em 12hrs Antibiótico – penicilina 10-20ml UI/kg ** colocar dedo dentro da ferida pra retirar coagulo (desemborcar) para auxiliar na cicatrização, iodo povidine e repelente. - ducha para involução de edema - Profilaxia do tétano e de infecções - Curativos: 2 vezes ao dia, passar antisséptico e repelente - Exercícios leves para ajudar na drenagem Complicações: - Hemorragias - Hidrocele (edema da túnica vaginal) - Edema excessivo (impede exposição de pênis) - Evisceração - Miíases - Funiculite Abordagem clínica e cirúrgica de feridas cutâneas em grandes animais Feridas: traumatismo aberto, com solução de continuidade, podendo atingir tecido subcutâneo e planos mais profundos. - agente traumático - fluxo sanguíneo interrompido - Alteração de sensibilidade e contaminação em diversos graus ** ferida contaminada não contamina** Etiologia: Feridas incisas: instrumento cortante Solução de continuidade de forma linear (bordas regulares) Pouco traumatismo nos tecidos vizinhos Dor pouco intensa inicialmente, hemorragia maior Feridas lacerantes: mais comuns em equinos Causadas por objetos angulares (cerca de arame farpado, mordidas...) Bordas irregulares Danos aos tecidos subjacentes RESUMO CCGA Feridas perfurantes: Feridas pequenas de profundidade variável Perda tecidual mínima com acometimento de estruturas mais profundas Classificação segundo o grau de contaminação microbiana Ferida limpa: feridas assépticas, sem microrganismos * cria no centro cirúrgico* Ferida limpa contaminada: feridas com contaminação menina e que podem ser resolvidas cirurgicamente, se ocorrida há menos de seis horas entre o trauma e o atendimento Cirurgia envolvendo sistema respiratório, gastrointestinal e urogenital *porém depende do que causou a ferida. Ex: mordedura* Ferida contaminada: feridas ocorridas há mais de seis horas entre o trauma e o atendimento, com contaminação grosseira e/ou corpos estranhos, porém sem sinais de infecção. Ferida suja (infectada): ferida com presença do agente infeccioso no local, com intensa reação inflamatória e destruição de tecidos, podendo ter pus. Cicatrização das feridas Fase de coagulação: Vasoconstrição local para diminuir a hemorragia local. Fase de inflamação: vasodilatação para chegada das células inflamatórias Migração de leucócitos para sitio da lesão Inicia debridamento (monócitos/macrófagos) Fase de proliferação: Fibroplasia- proliferação de fibroblastos (deposito de colágeno) e angiogênese Neovascularização: fornece oxigênio e metabólicos para nutrir tecido de reparação que prolifera na região superficial da ferida Tecido de granulação (neovasos+ fibroblastos) – consiste em vasos sanguíneos neoformados, fibroblasto e colágeno. Fase de contração: Fibroblastos- miofibroblastos= aproximam margens da ferida (contração) Fase de remodelação: Elementos reparativos da cicatrização são transformados para tecido maduro. Tipos de cicatrização Cicatrização por primeira intenção: RESUMO CCGA Fechamento primário retardado (antes do tecido de granulação): Fechamento secundário (após tecido de granulação): Cicatrização por segunda intenção: - Tempo ocorrido, grau de contaminação, perda tecidual Tratamentos de feridas Avaliação inicial: Exame físico completo do paciente: sinais vitais, extensão lesões Determinar a causa- determinara conduta Suprimento sanguíneo bordas ferid - Isolar ferida de contaminantes e preparar a pele vizinha - Tricotomia ampla, lavagem sob pressão e preparação antisséptica para avaliação precisa mesma e estruturas adjacentes Iodopovidine 10% (diluição 0,2%), Clorexidine 2%, água oxigenada - Debridamento cirúrgico: remoção seletiva de tecido necrosado - Exploração da ferida: procura de corpos estranhos (ferida puntiforme) - Antibióticos (tópicos e sistêmicos): pomadas podem ser oclusivas, promovendo crescimento anaeróbico. Pós podem atuar como corpos estranhos. - Agentes fitoterápicos/ homeopáticos: Triticum vulgare (bandvet) estimula mitose, migração fibroblastos, angiogênese e colágeno. - Agentes fitoterápicos: babosa (aloe vera) cicatrizante e antinflamatório Barbatimão, calêndula, própolis, mel, óleo de copaíba Açúcar: - Hiperosmolaridade do açúcar altera a disponibilidade de água na ferida em níveis para evitar o crescimento de M.O - Diminui edema local, melhora oxigenação (diminui congestão vascular), debrida tecidos mortos e desvitalizados, estimula macrófagos, maturação de tecidode granulação. RESUMO CCGA - Profilaxia de tétano (equinos) - Antinflamatórios não esteroides - Escolha pelo método de cicatrtização Causa da ferida, tempo decorrido desde o trauma, grau de contaminação e tamanho do ferimento. Fechamento da ferida: Fatores a serem considerados 1. tempo decorrido desde a lesão ( 6 a 8hr) 2. grau de contaminação 3. quantidade de dano tecidual 4. integridade do debridamento 5. suprimento sanguíneo da ferida (determinar extensão de tec. Inviável) 6. extensão de tensão ou espaço morto 7. localização da ferida (cuidado com tensão excessiva em regiões distais) Complicações na cicatrização cutânea equina Formação de tecido de granulação exuberante que ultrapassa as cordas da ferida – desafio para MV Em casos de opção por cicatrização por segunda intenção Principais causas: - Localização= feridas em regiões distais de membros e em regiões articulares cicatrizam mais lentamente devido à movimentação constante- baixas taxas de epitelização e contração. - Movimentação constante - Persistência de inflamação ou infecção - Tensão na pele ao redor da lesão - Bandagens compressivas= reduz tensão de 02 no tecido, estimulando angiogênese e proliferação de fibroblastos. Opções terapêuticas: - Corticosteróides - Agentes cáusticos: sulfato de cobre, alúmen de potássio, ácido nitricco,... Desvantagem= induzem à necrose de tecido epitelial em migração, formação de costas de difícil remoção. A necrose aumenta a resposta inflamatória crônica, com novo pico de proliferação celular, aumentando o tecido de granulação e sua recidiva. - Excisão cirúrgica do tecido de granulação na tentativa de chegar ao nível das bordas cutâneas. - Ketanserina: controle efetivo do tecido de granulação exuberante, acelera a contração e epitelização da ferida. - Laser e ozonioterapia Diagnóstico diferencial: Ptiose Habronemose Sarcóide Carcinoma epidermóide RESUMO CCGA Curativos Absorção de exsudatos leito da ferida Manter umidade Redução edema e hemorragia Impedir colonização bacteriana Resistência mecânica Imobilização ferida Ataduras Materiais para aplicação de ataduras Camadas básicas- camada de contato (primária) - camada intermediária (secundária) - camada externa (terciária) Camada de contato: usada para debridar os tecidos, administrar medicações, formar selagem oclusiva sobre a ferida. Deve minimizar dor e evitar perda excessiva fluidos corporais Aderente seca: - presença de tecido necrosado solto e material estranho ou exsudato na superfície da ferida. - gaze seca absorve o exsudato e se adere ao tecido necrosado - desvantagens= remoção dolorosa, possibilidade de células viáveis serem removidas junto com resíduos necrosados e possibilidade de ressecamento da ferida Não aderente: - usadas quando a ferida se encontra em fase de reparo da cicatrização ou não há resíduos necrosados - A camada não aderente retêm a umidade para promover a epitelização e impedir a desidratação do leito ferida - gaze impregnada com pomada antibiótica Camada intermediária: deve ser absorvente, remover e reter agentes prejudiciais provenientes da superfície da férias. Serve para acolchar a ferida contra traumatismos, sustenta-la para evitar movimentos e segurar a camada de contato contra o ferimento Pode usar algodão absorvente, malha tubular ou faixas - Pressão inicialmente aplicada da extremidade distal da ferida Camada externa: Mantêm as outras camadas no lugar e proteção contra contaminação externa. Deve-se usar esparadrapos, faixa elástica.