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ANOREXIA
Amanda Cassiano Archanjo
Karyna Costa Oliveira Vieira
Maria Keila Pereira Barros
Thauane Lima de Oliveira
TRANSTORNOS ALIMENTARES
● A maioria dos casos de transtornos alimentares são doenças que acometem, 
principalmente, adolescentes e mulheres jovens, tendo suas primeiras 
manifestações na infância e na adolescência.
● Os transtornos alimentares possuem uma causa com muitos fatores 
envolvidos, composta de predisposições genéticas, socioculturais e 
vulnerabilidades biológicas e psicológicas. Os fatores predisponentes dos 
transtornos alimentares são categorizados em três grupos: individual, 
familiar/hereditário e sociocultural.
ANOREXIA
● Anorexia Nervosa (AN) é um transtorno alimentar onde há limitação dietética 
auto imposta, padrões bizarros de alimentação, acentuada perda e 
manutenção do peso abaixo do mínimo considerado normal e um pavor 
intenso da obesidade. Manifesta-se com maior frequência em mulheres (8 a 
10 vezes mais), com início na puberdade (0,5 a 1% das adolescentes).
PREVALÊNCIA E INCIDÊNCIA
● Estudos com metodologias e amostras diversas dificultam a obtenção de 
dados epidemiológicos mais acurados. De uma forma geral, a prevalência de 
AN varia entre 0,5 e 3,7%. (Guideline, 2000).
● Em extensa revisão de estudos epidemiológicos, estima que, entre mulheres, 
a incidência de AN é de aproximadamente 8 por 100 mil indivíduos e, em 
homens, seria de menos de 0,5 por 100 mil indivíduos por ano. (Nielsen, 
2001).
NO BRASIL
● Entretanto, no Brasil, são raros os estudos que dimensionam o problema na 
população sob risco, bem como os serviços públicos de saúde que atendem 
os TA. Estudos internacionais apontam escassez de informações disponíveis 
para orientar os profissionais no tratamento da AN. Os trabalhos que se 
dedicam ao ponto de vista dos doentes apontam que, para estes, a AN não 
significa exclusivamente uma preocupação com a alimentação e o peso, mas 
uma forma de lidar com a complexidade das relações sociais, sendo 
surpreendente que os tratamentos ainda invistam em uma perspectiva 
individualista de cuidado.
Desafios da atenção à AN na adolescência: 
Desafios da atenção à anorexia nervosa na adolescência: etnografia em serviço público de saúde no Rio de Janeiro, Brasil
● Novembro de 2011 e setembro de 2013
● Atendimento acompanhado pelos pais.
● Acordos travados entre o profissional de 
saúde e a adolescente.
● Sentimento de impotência dos 
profissionais de saúde. (Rompimento)
● desencontros entre exigências da equipe 
e as condições sociais da adolescente e 
de sua família para cumpri-las.
● “Férias das adolescentes”, “cansam” do 
tratamento, desistências temporárias, 
recaídas.
● Conflitos familiares - relação entre pais e 
filhos e entre famílias e equipe consomem 
emocionalmente os profissionais de saúde 
( Intensidade - Desgaste).
● (psicologia, clínica médica, nutrição, 
psiquiatria) - Repetição.
● As queixas dos adolescentes podem ser 
concebidas pelos adultos como 
secundárias, subjetivas, irrelevantes e 
fruto de uma “fase difícil” do ciclo de vida.
● Tentativas de suicídio - Vista como algo 
pra chamar a atenção.
DEPOIMENTOS
(respira fundo) eu acho que quando você começa a querer obrigar “você tem!”, é ruim! Pressionar... Porque a gente já 
sente uma pressão da gente, porque a gente sabe que é ruim! [...] então, tem uma pressão das pessoas, da sociedade e a 
gente ser pressionado pra melhorar uma coisa que a gente não controla, já é mais difícil. É muita pressão!
Eu acho legal quando você coloca pessoas que já passaram por isso... Porque eu lembro na minha primeira consulta [...] 
você já tá com medo, aí você vê uma pessoa que melhorou! Já é uma esperança sabe? Você vê que não é só você que 
sofre com aquilo... (Natasha, 16 anos)
Seria legal ter umas meninas que já passaram por isso e se curaram, estão bem, seguindo com a vida, sem se preocupar 
com a aparência. [...] Pra gente ver que é possível! (Silvia, 16 anos)
Eu vi uma garota aqui uma vez, aquela garota parecia uma caveira de verdade! Assim, eu tenho um problema, mas talvez 
eu ajude ela... (Ester, 13 anos)
Acho que o que funcionaria era não fazerem do tratamento uma forma de punição [...] se elas vieram pra cá e for uma 
série de perguntas, uma coisa séria, um ambiente hostil, não vai funcionar! (Yasmin, 17 anos)
FORMAS DE TRANSMISSÃO
● Fatores hereditários e sociais desempenham um papel importante no 
desenvolvimento de anorexia nervosa. O desejo de ser magro prevalece na 
sociedade ocidental e a obesidade é considerada pouco atraente, insalubre e 
indesejável. Mesmo antes da adolescência, as crianças estão conscientes 
dessas atitudes e mais da metade de todas as mulheres adolescentes segue 
uma dieta ou adotam outras medidas para controlar o peso...
FORMAS DE TRANSMISSÃO
● … No entanto, apenas uma porcentagem muito reduzida dessas jovens 
desenvolve anorexia nervosa. Outros fatores, como a suscetibilidade 
psicológica e a composição genética, provavelmente predispõem certas 
pessoas a desenvolverem anorexia nervosa. Em regiões com autêntica 
escassez de alimentos, a anorexia nervosa é rara. (DSM - IV -TR “Richard E. 
Kreipe, M.D”.
TRATAMENTO PREVENÇÃO E CONTROLE
● Os conceitos técnico-científicos de “acolhimento” e “vínculo” são metas do 
Sistema Único de Saúde (SUS). Visam a prover um serviço usuário-centrado 
que ofereça qualidade nas redes de saúde de atenção primária, secundária e 
terciária, resolubilidade às demandas do usuário e assistência integral à 
população atendida. O acolhimento presente na atenção básica de saúde 
pode ser agrupado em três dimensões: “postura”, “técnica” e “acesso” (Silva 
Júnior & Mascarenhas, 2004).
TRATAMENTO PREVENÇÃO E CONTROLE
● O SUS apresenta esforços para a construção de vínculos saudáveis entre 
profissionais de saúde e usuários do serviço, para que haja um acolhimento 
promissor e um tratamento de qualidade. No entanto, nota-se que as 
relações entre os pacientes com AN/BN e os profi ssionais de saúde 
apresentam dificuldades, por causa da recusa dos pacientes em se 
submeterem ao tratamento (Campbell & Aulisio, 2012). 
● A anorexia precisa ser tratada 
de acordo com o princípio de 
integralidade na assistência à 
saúde, pois foca as suas ações 
em atividades de promoção, 
proteção e recuperação da 
saúde (Ministério da Saúde, 
2006).
● O serviço precisa além de oferecer atividades de difusão de saberes, 
prevenção, promoção e reabilitação, ele proporciona também o atendimento 
multidisciplinar, assistindo o paciente em suas dimensões psíquicas, orgânicas e 
sociais. É, portanto, um serviço que busca assegurar aos indivíduos a atenção à 
saúde dos níveis mais simples aos mais complexos, da atenção curativa à 
preventiva, bem como a compreensão biopsicossocial dos usuários atendidos, 
imersos em suas coletividades (Ministério da Saúde, 1993). Apesar de alguns 
pontos a melhorar, como a articulação com outros serviços que poderiam 
qualificar ainda mais a assistência, visa a efetivar o conceito técnico-científico de 
articulação intersetorial previsto nas diretrizes do SUS. Almeja, pois, reconhecer 
e buscar parcerias externas à unidade e ao setor de saúde, para suprir 
deficiências do serviço em prol de um melhor acolhimento (Burlandy, 2009). 
O Manual de Atenção à Saúde do Adolescente da Secretaria de Saúde da cidade 
de São Paulo traz como tema as “Características do profissional e a relação 
médico-adolescente”, fornecendo as recomendações abaixo, que podem ser 
estendidas a todos os profissionais de saúde:
● Atender adolescentes requer interesse, tempo e experiência profissional. Para obter uma consulta 
frutífera, é fundamental o bom relacionamento médico/adolescente,unicamente possível se o 
médico GOSTAR de trabalhar com jovens, pois estes têm uma sensibilidade apurada e logo 
percebem falta de interesse ou empatia. O profissional deve mostrar competência, firmeza e 
autoridade sem, no entanto, parecer autoritário. O médico deve escutar mais do que falar e não 
julgar ou dar palpite. Mas deve esclarecer e informar onde for necessário, sempre com retidão, 
honestidade e veracidade, o que é diferente de advertir. [...] O adolescente deve identificar-se como 
sendo ele o cliente, mas, por outro lado, pais e/ou responsáveis não poderão permanecer à 
margem do atendimento, pois poderão beneficiar-se com informações e esclarecimentos.
ATENDIMENTO NUTRICIONAL
● O Nutricionista é o profissional capacitado para propor modificações do 
consumo, padrão e das atitudes alimentares, que nos TA estão alterados. O 
atendimento nutricional tem como objetivos: recuperar e/ou manter um peso 
adequado, estabelecer padrões alimentares saudáveis, minimizar as práticas 
alimentares inadequadas e os comportamentos inapropriados para controle 
de peso e melhorar as atitudes alimentares e os distúrbios de imagem 
corporal. 
ATENDIMENTO NUTRICIONAL
● São ensinados conceitos de alimentação saudável, tipos, funções e fontes 
dos nutrientes, recomendações nutricionais, consequências da restrição 
alimentar e das purgações.
● Em um segundo momento, aborda-se a relação que o paciente estabelece 
com os alimentos e com seu corpo, no sentido de fazê-lo perceber os 
significados que atribui a eles.
● O tratamento nutricional para AN prevê ganho de peso durante a internação.
RECUPERAÇÃO
● A anorexia nervosa acarreta, em geral, uma série de complicações orgânicas 
como queda de cabelo, pele seca, hipotensão arterial, intolerância ao frio, 
anemia, problemas renais, infertilidade, hipotermia, convulsões, indução de 
osteoporose severa em idade precoce, além de complicações emocionais, 
como depressão, desânimo e tristeza (CÓRDAS et al., 2004; CARVALHO, 
2008).
RECUPERAÇÃO
● As taxas de recuperação são variáveis, estimando-se que em torno de 30% 
a 40% se recuperam totalmente, não apresentando outros episódios da 
doença. Outros 30% a 40% têm evolução mediana, oscilando entre períodos 
de melhora e recidiva, podendo evoluir para a bulimia nervosa (CÓRDAS et 
al., 2004). 
● O restante tem curso grave, com complicações físicas e psicológicas. Em 
função destas e da comum ocorrência de suicídios, a letalidade pode chegar 
a 20% (CÓRDAS et al., 2004; CARVALHO, 2008).
OBRIGADA

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