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AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE 
Sandra Célia Muniz Magalhães
8 
 
APRESENTAÇÃO 
 
Caro (a) cursista(a) 
 
Bem vindos ao Curso de Agente Comunitário de Saúde! 
 
O Agente Comunitário de Saúde tem importante papel no atual modelo de saúde 
proposto pelo Sistema único de Saúde – SUS. Este profissional é peça 
fundamental na integração entre os serviços de saúde da atenção primária e a 
comunidade, ou seja, é o elo entre a população que necessita dos serviços de 
saúde e o sistema de saúde. 
 
São diversas as atividades atribuídas a ele no seu cotidiano, assim é necessário 
que esteja capacitado para atuar como agente de transformação das 
comunidades sob sua responsabilidade. É fundamental que esteja capacitado e 
atento aos desafios de se deparar com o desconhecido. Após a qualificação 
esperamos que estejam preparados para serem verdadeiros agentes de 
promoção e vigilância em saúde, pois só assim, poderão contribuir para a 
melhoria das condições de vida das pessoas. 
 
Seu trabalho é extremamente importante tanto para assegurar o direito à saúde 
às populações, principalmente as mais carentes que não conhecem os seus 
direitos e não tem acesso aos serviços de saúde, como para fazer cumprir as 
metas do governo federal como, por exemplo, em relação à redução da 
mortalidade materna e neonatal. 
 
A profissão do Agente Comunitário de Saúde é regulamentada pela LEI Nº 
11.350, de 5 de outubro de 2006, que transforma a Medida Provisória n° 297 de 
2006 em lei. O ACS é um profissional da área de saúde integrante da equipe de 
saúde da família, que exerce serviços exclusivamente no âmbito do SUS. Realiza 
atividades de prevenção de doenças e promoção da saúde sob a supervisão do 
gestor federal, estadual ou municipal. Suas ações se restringem a atendimentos 
9 
 
domiciliares ou comunitários, individuais ou coletivos, desenvolvidos em 
conformidade com as diretrizes do SUS. 
 
Este material didático tem como objetivo fornecer subsídios para o 
desenvolvimento do trabalho do Agente Comunitário de Saúde na perspectiva dos 
princípios e diretrizes do Sistema único de Saúde - SUS. 
 
Neste curso aborda-se as temáticas relacionadas aos aspectos da promoção da 
saúde, implementação do SUS, Atenção Primária à Saúde e orientação para o 
trabalho do Agente Comunitário de Saúde. 
 
Para o cursista, o conhecimento desses elementos é essencial para que tenha 
uma visão crítica da realidade, pois só assim será possível olhar o mundo de 
forma consciente e responsável, podendo utilizar esse conhecimento como 
estratégia geradora de melhorias em prol das comunidades que ficarão sob sua 
responsabilidade. 
 
Ao elaborar esse material, procurou-se problematizar diversas questões que se 
referem à promoção da saúde. O material didático foi elaborado de forma que 
possibilite um estudo mais dinâmico e prazeroso e que o leve a compreender os 
grandes desafios próprios dessa profissão. 
 
Esse curso compreende um total de 400 h/aula. Para contemplar os objetivos do 
curso, optamos por distribuir o conteúdo em sete unidades, cada unidade está 
dividida em tópicos. 
 
A Unidade I, “Discussão Teórica: Evolução da Promoção da Saúde”, 
apresenta uma discussão sobre a evolução da Promoção da Saúde e os seus 
reflexos no sistema público de saúde brasileiro, as causas e consequências da 
implementação desse novo modelo de reorientação assistencial. Apresenta ainda 
uma abordagem sobre a categoria geográfica território na visão de diversos 
autores e as relações de poder na organização do sistema de saúde. 
10 
 
A Unidade II, denominada “O Sistema Único de Saúde - SUS” conceitua SUS, 
apresenta as principais leis e normas que compõem esse sistema, aspectos da 
sua implementação, seus princípios e diretrizes. 
 
Na Unidade III, “Principal porta de entrada no sistema de serviços de saúde”, 
foi trabalhado a Atenção Primária à Saúde, além das questões relacionadas ao 
Programa Saúde da Família e a composição das equipes de saúde. 
 
Na Unidade IV “Agente Comunitário de Saúde - ACS” discutimos os elementos 
pertinentes a essa profissão, como origem, função, perfil e a descrição das 
competências. 
 
Na Unidade V “As atribuições do Agente Comunitário de Saúde” é 
apresentada as atribuições e o papel do Agente Comunitário de Saúde na equipe 
de saúde da família. 
 
Na Unidade VI “Orientações gerais para preenchimento das fichas de 
cadastramento” são fornecidas instruções para o preenchimento das fichas de 
uso dos Agentes Comunitário de Saúde. 
 
E por fim, na Unidade VII “Acompanhando os ciclos de vida das famílias” 
apresentamos o contexto das famílias, os ciclos de vida, principais cuidados com 
as crianças, a saúde do adolescente, do adulto e do idoso e por fim discutimos 
algumas doenças de acompanhamento prioritário. 
 
 Em cada unidade aparecem dicas de estudo, curiosidades e sugestões de filmes 
e documentários, como também sites e textos complementares que comporão a 
base para a realização das atividades. As sugestões e dicas estão localizadas 
junto ao texto, aparecendo com os seguintes ícones. 
11 
 
 
 
Para finalizar, uma mensagem para você que terá como missão cuidar de toda 
uma comunidade. 
 
 
O segredo é não cuidar das borboletas e sim cuidar do jardim para que elas 
venham até você. (MÁRIO QUINTANA) 
 
 
Bons estudos! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
12 
 
UNIDADE I 
 
1 – DISCUSSÃO TEÓRICA: EVOLUÇÃO DA PROMOÇÃO DA SAÚDE 
 
1.1 - A Promoção da Saúde e os reflexos no sistema público de saúde 
brasileiro 
 
Antes de iniciarmos a exposição das atividades do Agente Comunitário de saúde - 
ACS é preciso que você entenda de que forma e a partir de quando a promoção 
da saúde passou a fazer parte do debate das questões relacionadas à saúde, 
afinal de contas o ACS não é um agente de prevenção das doenças e promoção 
da saúde? Assim, é necessário que você saiba definir promoção da saúde e 
compreenda os caminhos percorridos até chegar ao modelo de saúde vigente no 
Brasil. 
 
Desde 1920 há uma preocupação com a promoção da saúde da população. De 
acordo com Mendes (2012) a moderna visão de Atenção Primária à Saúde - APS 
teve surgimento em 1920 no Reino Unido, quando Dawson sugeriu que o sistema 
de atenção à saúde fosse organizado em diversos níveis: 
13 
 
 
 
O relatório elaborado por Dawson descreveu as funções de cada nível de atenção 
e as relações que deveriam existir entre eles, influenciando diversos países do 
mundo. Esse documento resultou no texto alicerce para a regionalização dos 
sistemas de atenção à saúde organizado em bases populacionais. Sigerist em 
1946 dá continuidade à discussão, ou seja, se propõe a aprofundar a abordagem 
(BRASIL, 2007b). Nestes estudos são definidas quatro tarefas essenciais à 
medicina: 
 
Serviços domiciliares 
Centros de saúde 
secundários 
Serviços suplementares Hospitais de ensino 
Centros de saúde 
primários 
14 
 
 
. 
 
 
Leavell e Clark também contribuíram com os avanços no entendimento da 
promoção da saúde quando em 1965 descrevem o padrão da história natural das 
doenças e apresentam os níveis de prevenção primária, secundária e terciária. A 
promoção da saúde incluída no nível de prevenção primária mostra que a 
preocupação não é apenas com a doença, mas também com as formas de 
aumentar a saúde e o bem-estar geral. Diversos fatores são essenciais para a 
melhoria das condições de vida e consequentemente da saúde da população, 
especialmente o acompanhamento sistemático das famílias, orientando quanto a 
melhor forma de higiene,alimentação e cuidados com o próprio corpo, função que 
na atualidade é realizada pelos Agentes Comunitários de Saúde. 
 
Becker (2001) apresenta algumas atividades que possibilitariam a promoção da 
saúde na visão de Leavell e Clark: 
 
 
 
Promoção 
da saúde 
prevenção 
das doenças 
reabilitação 
recuperação 
15 
 
 Boa nutrição; 
 Atendimento às necessidades afetivas; 
 Educação sexual; 
 Orientação pré-nupcial e parental; 
 Boas condições de moradia; 
 Trabalho e lazer; 
 Exames periódicos e; 
 Educação para a saúde. 
 
O conceito de promoção da saúde que aparece no modelo da história natural da 
doença, proposto por Leavell e Clark é centralizado no indivíduo, dentro do 
modelo biomédico (considera apenas os fatores biológicos como causas das 
doenças), por isso não consegue alcançar a resolutividade sobre doenças que 
necessitam focalizar a atenção nos ambientes, nas condições sociais e nos 
estilos de vida. Assim, é necessário ampliar as discussões e definir de forma mais 
abrangente o conceito de promoção da saúde (BRASIL, 2007b). 
 
Porém, o melhor esclarecimento sobre a promoção da saúde está no relatório 
elaborado por Marc Lalonde (Ministro da Saúde e bem-estar do Canadá) que em 
1974, lança um documento com o nome “Uma nova perspectiva da saúde de 
canadenses”. Esse relatório informa que a boa saúde é o alicerce sobre o qual o 
progresso social é construído, e que uma nação com pessoas saudáveis pode ser 
a resposta para o desenvolvimento (LALONDE, 1974). 
 
Esse documento apresenta um estudo sobre a avaliação das causas das doenças 
e das mortes no Canadá e dos fatores que afetavam o nível de saúde no país, 
dividindo os fatores que afetam a saúde das pessoas e das populações em quatro 
grupos: 
 
 Biologia humana; 
 Meio ambiente; 
 Estilo de vida e; 
 Organização dos serviços de saúde. 
16 
 
As propostas decorrentes desse documento contribuíram universalmente com o 
conceito de promoção da saúde ao sugerirem ações necessárias à resolução de 
problemas, propondo a unificação dos diversos segmentos da sociedade: 
 
I) Profissionais de saúde; 
II) Instituições de saúde; 
III) Comunidade científica; 
IV) Sistema Educacional; 
V) Governos municipais, estaduais e federais; 
VI) Setor empresarial e sindicatos; 
VII) Associações voluntárias e; 
VIII) Sociedade em geral. 
 
 
 Figura 1 – União de todos os setores 
 
 
 
 
 
Fonte: Ciência e Saúde – XXI 
 
 
 
 
 Fonte: Ciência e saúde XXI 
 
 
O moderno sistema de saúde que se encontra em vigor no Brasil teve como base 
os estudos realizados em diversas regiões do mundo e, principalmente, seguindo 
a proposta do documento Lalonde (1974), que deu origem, também, às 
conferências de Alma-Ata e Ottawa, as quais foram determinantes na elaboração 
 
17 
 
de importantes documentos, como a Declaração de Alma-Ata e a Carta de 
Ottawa, que são a base da saúde pública em quase todos os países do mundo. 
 
A partir das conclusões do relatório Lalonde e das cartas das conferências 
internacionais de saúde que se seguiram, o conceito de promoção da saúde foi 
sendo consolidado e colocado como referência fundamental para a maioria dos 
sistemas de saúde no mundo. Becker (2001, p. 42) afirma que “[...] a partir destas 
conferências, a promoção da saúde passou a ser cada vez mais considerada nas 
políticas de saúde de diversos países” (QUADRO 1). 
 
 
 Quadro 1 - Principais conferências internacionais da OMS desde 1970 
Ano Documento Tema Local 
1977 30ª Assembleia Mundial da Saúde 
Saúde Para Todos no Ano 
2000 
... 
1978 
Declaração de Alma-Ata (Conferência 
Internacional sobre Cuidados de 
Saúde Primários) 
Saúde Para Todos no Ano 
2000 
ex-URSS 
1986 
Carta de Ottawa (1ª Conferência 
Internacional sobre Promoção da 
Saúde) 
Promoção da Saúde nos 
Países Industrializados 
Canadá 
1988 
Declaração de Adelaide (2ª 
Conferência Internacional sobre 
Promoção da Saúde) 
Promoção da Saúde e Políticas 
Públicas Saudáveis 
Austrália 
1991 
Declaração de Sundsvall (3ª 
Conferência Internacional sobre 
Promoção da Saúde) 
Promoção da Saúde e 
Ambientes Favoráveis à Saúde 
Suécia 
1997 
Declaração de Jacarta (4ª Conferência 
Internacional sobre Promoção da 
Saúde) 
Promoção da Saúde no Século 
XXI 
Indonésia 
2000 
Declaração do México (5ª Conferência 
Internacional sobre Promoção da 
Saúde) 
Promoção da Saúde: Rumo a 
Maior Equidade 
México 
2005 
Carta de Banguecoque (6ª 
Conferência Internacional sobre 
Promoção da Saúde) 
Promoção da Saúde num 
Mundo Globalizado 
Tailândia 
Fonte: Meireles, 2008. Org.: Magalhães, 2012 
 
Na Conferência de Alma-Ata é preconizado que a saúde é: 
 
18 
 
[...] o estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não 
simplesmente a ausência de doença ou enfermidade - é um direito 
humano fundamental, e que a consecução do mais alto nível possível de 
saúde é a mais importante meta social mundial, cuja realização requer a 
ação de muitos outros setores sociais e econômicos, além do setor 
saúde. (DECLARAÇÃO DE ALMA-ATA, 1978) 
 
 
Chama a atenção, ainda, para diversas lacunas existentes no setor de saúde, e 
que impedem o desenvolvimento econômico e social das nações. Um ponto 
destacado foi a desigualdade no estado de saúde entre os povos, ou seja, entre 
países desenvolvidos e em desenvolvimento e mesmo dentro dos próprios 
países. Também se destacou que os povos têm o direito e o dever de participar 
do planejamento e execução do cuidado com a sua saúde. 
 
Na Declaração de Alma-Ata é ressaltado que os cuidados primários com a saúde 
são essenciais, com base em metodologias e tecnologias práticas, cientificamente 
bem fundamentadas e socialmente aceitáveis, para que todos os sujeitos tenham 
acesso a ela. Dessa forma, a participação de todos os cidadãos, de maneira 
ininterrupta, constituirá em alicerce para o desenvolvimento econômico, social, 
político e cultural. Enfim, os cuidados primários com a saúde refletem 
positivamente em todos os setores da sociedade, repercutindo no 
desenvolvimento de todas as nações. Na Declaração é destacada ainda 
elementos essenciais para uma boa qualidade de vida, como: 
 
 
I) Educação; 
II) Métodos de prevenção e controle; 
III) Promoção da distribuição de alimentos e da nutrição; 
 IV) Serviços de saneamento básico; 
V) Cuidados de saúde materno-infantil, incluindo o planejamento familiar; 
VI) Imunização contra as principais doenças infecciosas; 
VII) Prevenção e controle de doenças localmente endêmicas; 
VIII) Tratamento apropriado de doenças e lesões comuns e; 
IX) Fornecimento de medicamentos essenciais. 
 
19 
 
Na Declaração de Alma-Ata, todos, sejam governos, Organização Mundial de 
Saúde - OMS, Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), outras 
organizações internacionais, entidades multilaterais e bilaterais, organizações 
governamentais, agências financeiras, todos que direta ou indiretamente se 
envolvam no campo da saúde, bem como toda a comunidade mundial, são 
convocados a apoiar o compromisso com os cuidados primários de saúde para 
que fosse atingida a meta de “saúde para todos os povos do mundo até o ano 
2000”. Destaca também, que o direcionamento dos recursos mundiais gastos em 
armamento e conflitos militares poderá ser canalizado e mais bem utilizado nos 
“Cuidados primários de saúde”. 
 
Após mais de trinta anos da Conferência e treze anos apósa data prevista para o 
alcance dessa meta, sabemos que apesar dos avanços ocorridos, ainda há muito 
a ser feito em termos de cuidados primários com a saúde, principalmente nos 
países em desenvolvimento. A Conferência de Alma-Ata, juntamente com a 1ª 
Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde (OTTAWA, 1986), 
apresentaram os fundamentos para o moderno conceito de promoção da saúde. 
 
A Carta de Ottawa incorporou as ideias de que os sistemas de atenção à saúde 
deveriam dar início aos cuidados primários em saúde, indicados no relatório 
Lalonde e na carta de Alma-Ata. De acordo com a Carta de Ottawa (1986): 
 
Promoção da saúde é o nome dado ao processo de capacitação da 
comunidade para atuar na melhoria de sua qualidade de vida e saúde, 
incluindo uma maior participação no controle deste processo. Para atingir 
um estado de completo bem-estar físico, mental e social os indivíduos e 
grupos devem saber identificar aspirações, satisfazer necessidades e 
modificar favoravelmente o meio ambiente. A saúde deve ser vista como 
um recurso para a vida, e não como objetivo de viver. Nesse sentido, a 
saúde é um conceito positivo, que enfatiza os recursos sociais e 
pessoais, bem como as capacidades físicas. Assim, a promoção da 
saúde não é responsabilidade exclusiva do setor saúde, e vai para além 
de um estilo de vida saudável, na direção de um bem-estar global. 
 
 
Consta na Carta de Ottawa que a saúde engloba alguns pré-requisitos, como: 
20 
 
 
 
 
Um dos focos da promoção da saúde é o alcance da equidade, ou seja, da 
diminuição das diferenças no estado de saúde das populações, assegurando 
oportunidades e recursos igualitários para que se tenha acesso à saúde através 
de bases sólidas, como: 
 
 
 
Paz 
Alimentação 
Recursos 
sustentáveis 
Justiça 
social 
Renda 
Habitação Educação 
Ecossistema 
estável 
Equidade 
Oportunidades que permitam fazer escolhas por uma vida mais 
sadia 
 Ambientes favoráveis 
Acesso à informação, a experiências e habilidades na vida 
21 
 
Na Carta de Ottawa fica claro que, para que ocorra a promoção da saúde, é 
necessária uma atuação intersetorial, envolvendo todos os setores da sociedade 
para além do setor saúde: 
 
 
 
 
Enfim todos têm o dever de se envolver em busca de um bem comum, levando 
em consideração as características de cada local. Os programas para a promoção 
da saúde devem levar em consideração as diferenças regionais tanto 
socioeconômicas, quanto culturais. 
 
As sugestões descritas nessa Carta, na direção da construção de ambientes 
favoráveis à saúde são: 
 
 
I) A conservação dos recursos naturais deveria ser de responsabilidade 
de todas as nações; 
II) Mudanças nos modos de vida, de lazer e de trabalho; 
III) Reforçar a ação comunitária; 
IV) Desenvolver habilidades pessoais e reorientar os serviços de saúde. 
 
Indústria e mídia 
Setor saúde e 
outros setores 
sociais e 
econômicos 
Governo 
Organizações 
voluntárias e não-
governamentais 
Autoridades locais 
22 
 
Por fim, na Carta de Ottawa (1986) é destacado que “Cuidado, holismo e ecologia 
são temas essenciais no desenvolvimento de estratégias para a promoção da 
saúde”. 
 
Para saber mais sobre a trajetória do debate sobre a promoção da saúde 
leiam “As Cartas da Promoção da Saúde”, documento elaborado pelo 
Ministério da Saúde que apresentam na íntegra as cartas das principais 
conferências realizadas no mundo. No site a seguir você encontrará essas 
cartas. 
<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cartas_promocao.pdf>. 
 
 
Enfim, a definição de promoção da saúde foi sendo modificada ao longo do 
tempo, agrupando novas variáveis e ganhando maior abrangência. Na atualidade, 
entendemos promoção da saúde integrada a diversos fatores como: 
 
I) Vida; 
II) Saúde; 
III) Solidariedade; 
IV) Equidade; 
V) Democracia; 
VI) Cidadania; 
VII) Desenvolvimento; 
VIII) Participação e; 
IX) Parceria. 
 
 
Sendo assim, devem ser levadas em consideração não só as ações do Estado, 
mas também, cada indivíduo deve ser responsável pelo desenvolvimento de 
habilidades pessoais, além da reorientação do sistema de saúde e de parcerias 
intersetoriais (BUSS, 2003). 
 
23 
 
A realização da 8ª Conferência Nacional de Saúde, em 1986, no Brasil, cujo 
slogan era “Saúde como direito de todos e dever do Estado”, representou 
avanços na discussão da saúde no país. Pela primeira vez na história brasileira, a 
sociedade civil organizada participou dos debates que envolvem a saúde. O 
resultado da mobilização social foi muito importante, pois a partir dessa 
mobilização, foi elaborado um documento apresentando as principais deficiências 
da saúde brasileira naquele período. Os apontamentos contidos nele serviram de 
base para a implantação do Sistema Unificado e Descentralizado de Saúde 
(SUDS) e a elaboração da Constituição da República Federativa do Brasil, de 
1988 (BRASIL, 2007a). 
 
No Relatório final da 8ᵃ Conferência Nacional de Saúde, ocorrida em 1986 em 
conformidade com a Organização Mundial de Saúde, é descrito que a saúde é 
resultado de diversos fatores como: 
 
 
 Condições de alimentação 
 
 Habitação 
 
 Educação 
 
 Renda 
 
 Meio ambiente 
 
 Trabalho 
 
 Transporte 
 
 Emprego 
 
 Lazer 
 
 Liberdade 
 
 Acesso e poder da terra 
 
 Acesso a serviços 
 
 
24 
 
Para saber mais sobre saúde leiam na íntegra o Relatório final da 8ᵃ 
Conferência Nacional de Saúde no site: 
<http://conselho.saude.gov.br/biblioteca/Relatorios/relatorio_8.pdf>. 
 
Assim, a Constituição Federal Brasileira (BRASIL, 1988) confirma essas ideias, 
passando a ser um marco na história da saúde no que se refere aos direitos dos 
cidadãos brasileiros. No Artigo 196, é destacado que a saúde é um direito de 
todos e por isso, é dever do Estado garanti-lo “[...] mediante políticas sociais e 
econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao 
acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e 
recuperação” (BRASIL, 1988). 
 
Na organização da saúde que vigora na atualidade é possível prever danos e 
riscos à saúde a partir do diagnóstico sobre a situação e as condições de vida da 
população em áreas delimitadas, assim o território passou a ter múltiplas divisões 
e funcionalidades, porém com um mesmo objetivo, o de oferecer assistência, 
proporcionando melhorias na qualidade de vida e saúde da população. 
 
Para melhor compreensão de como a vida acontece no território que ficará sob 
sua área de atuação, a seguir será realizada uma abordagem sobre essa 
categoria que atualmente é bastante utilizada nas ações de saúde. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
25 
 
1.2 Território e promoção da saúde 
 
“onde você mora é importante para sua saúde, para 
além de quem você é”. 
 
 (KAWACHI; BERKMAN, 2003) 
 
 
 
No campo da saúde, os espaços são representados por conjuntos de territórios e 
lugares onde os acontecimentos ocorrem ao mesmo tempo, e suas repercussões 
são sentidas em sua totalidade de maneira diferente. Assim, é essencial que o 
ACS reconheça o território em uma visão de saúde que leve em consideração não 
apenas o corpo, mas que compreenda o processo saúde doença no contexto da 
vida (LIMA, 2013, S/P). 
 
Deste modo, o território deve ser construído socialmente da relação entre os 
sujeitos sociais e o lugar, e dependendo da forma como é construído, esse 
território será propício a saúde ou a doença. Portanto, é necessário que as ações 
de saúde sejam direcionadaslevando em consideração a realidade de cada 
território e a vida cotidiana, pois, ela expressa cultura, valores, projetos e desejos 
de sujeitos individuais e coletivos (LIMA, 2013). 
 
O conhecimento do território é essencial para uma boa gestão dos serviços de 
saúde, pois, somente através de informações precisas, os gestores poderão 
direcionar as ações adequadas para a resolução de problemas em áreas 
específicas. Para o conhecimento da real situação de saúde da população de um 
território é necessário delimitar uma base territorial, pois, a partir dessa base é 
possível caracterizar a população, e seus problemas de saúde, além de 
possibilitar a criação de uma relação de responsabilidade entre os serviços de 
saúde e sua população adscrita (MONKEN, 2003, p.16). 
 
Na saúde pública, mais especificamente na atenção primária à saúde, são 
utilizadas diversas estratégias para promover a saúde em territórios previamente 
26 
 
delimitados. A partir da territorialização, os profissionais da saúde poderão 
compreender melhor os territórios adscritos, as fragilidades dos lugares e das 
pessoas contidos nele. E se as políticas públicas estiverem voltadas para a 
efetivação de programas e projetos para a melhoria da saúde da população 
baseado nesse território usado, poderá haver resultados melhores se comparado 
a essa mesma análise sobre outro território sem essa configuração. 
 
Uma das principais ferramentas para o reconhecimento socioambiental de um 
território está no Planejamento Estratégico Situacional - PES1, pois, a partir da 
realização do diagnostico situacional das condições de vida e saúde de uma 
população em um espaço delimitado, ou seja, quando há o reconhecimento e 
mapeamento do território pelos Agentes Comunitários de Saúde, “o planejamento 
é processado e materializado por meio de informações territorializadas acerca da 
situação de saúde e condições de vida da população” (GONDIM ET AL, 2007, 
p.15). Esse processo de territorialização permitirá a compreensão das relações 
estabelecidas, além de qualificar o grau de vulnerabilidade da população adscrita. 
 
Em outros países do mundo como Finlândia, Inglaterra, Suécia, Costa Rica e 
Cuba, também é utilizada a dimensão territorial como base da estruturação dos 
sistemas de saúde. Essa estruturação tem dado bons resultados, melhorando à 
eficiência e resolutividade dos serviços prestados à população desses países. 
 
O território como processo, ou seja, um espaço em constante construção, que é 
resultado da dinâmica social, nunca está acabado, estará sempre sendo 
construído e reconstruído. Por isso a aplicação dos sistemas de serviços de 
saúde nesse território é importante, já que, os distritos sanitários são estruturados 
em uma base conflituosa e complexa devido a diversidade dos territórios que 
podem ser encontrados em um determinado espaço. Temos como exemplo disso, 
os territórios indígenas (FIGURA 2), que possuem características próprias 
 
1 PES foi proposto originalmente por Carlos Matus ( Matus, 1989; Rivera 1989)como possibilidade social e 
histórica, contemplando simultaneamente a formulação de políticas, o planejamento e a programação dentro 
de um esquema teórico- metodológico de planificação situacional para o desenvolvimento dos Sistemas 
Locais de saúde. 
27 
 
(cultura, valores, modo devida). Essa diversidade deve ser levada em 
consideração na realização do planejamento de ações nesse território. 
 
 Figura 2- Distrito Sanitário Especial Indígena 
 
 Fonte: Portal da Saúde, 2013 
 
 
Vejam a forma de territorialização do Distrito Sanitário Especial Indígena – DSEI 
que é a unidade gestora descentralizada do Subsistema de Atenção à Saúde 
Indígena – SasiSUS. É um modelo de organização de serviços que considera o 
modo de vida da população indígena. Cada território pode apresentar 
características física, política, econômica, social, ambiental e cultural bastante 
diferenciada, o que exige tratamento diferente para cada um. A Figura 3, por 
exemplo, é um registro geográfico do bairro Bom Jesus e Nossa Senhora 
Aparecida em Pirapora-MG. Observem que essa figura tem algumas das 
informações necessárias para compreender melhor esses dois bairros. No canto 
inferior à direita aparece o nome da localidade, da instituição a data da 
elaboração e outros dados. No canto inferior esquerdo aparece um quadro que 
28 
 
apresenta essa localidade em relação a outras e a distância entre elas. No centro 
da figura estão à área detalhada da localidade com ruas, canais, rios, além de 
outros detalhes importantes para o reconhecimento do território. 
 
 Figura 3 – Croqui do bairro Nossa Senhora Aparecida 
 
 Fonte: Costa, 2014 
 
O conhecimento do território de atuação do ACS é essencial para o cumprimento 
das diretrizes do Sistema Único de Saúde – SUS, quanto à universalidade, 
29 
 
integralidade, equidade e descentralização da saúde. De acordo com Souza 
(2003, p. 69), é imprescindível ter conhecimento da localização dos equipamentos 
de saúde, onde e como vivem os pacientes. “Em que condições? Se ele vive mal, 
o que adianta cuidá-lo em um centro de saúde modelo e exemplar? É preciso 
cuidar do lugar onde o cidadão vive, não apenas lá onde ele procura o serviço 
médico-hospitalar”. 
 
Não basta ter um setor de saúde que funcione bem para que o município seja 
saudável, é necessário a informação para a análise territorial, tais como “Os 
centros de saúde, por exemplo, que informação detém? Onde são armazenadas? 
Apenas na Secretaria da Saúde? E os demais aspectos da vida que implicam na 
qualidade da saúde e da vida das pessoas, como integrá-los”? Dessa forma, sem 
o conhecimento do território não poderá existir vínculo, acolhimento, 
hierarquização ou responsabilização (SOUZA, 2003, p. 70). 
 
Os diversos territórios, seja na escala nacional, estadual, regional ou municipal, 
possuem características próprias a cada um e, apesar de serem considerados 
territórios sanitários, necessitam ser fragmentados em outros territórios para a 
construção de redes de atenção à saúde mais eficazes e de qualidade. 
 
As mesorregiões, por exemplo, são constituídas por microrregiões sanitárias 
compostas por municípios próximos, que prestam a sua população os serviços de 
atenção primária e secundária (média complexidade). O arranjo das redes de 
atenção à saúde é organizado assim por que 97% do total de ações de um 
sistema de serviços de saúde são demandados pela atenção primária e 
secundária, sendo de responsabilidade de cada município oferecer no mínimo a 
atenção primária à população, funcionando de acordo com o critério de divisão 
territorial definida em cada município. Nesse arranjo de atenção à saúde, os 
serviços de atenção terciária, ou seja, os serviços de alta complexidade são 
ofertados no território macrorregional sanitário (MINAS GERAIS, 2004). 
Observem o exemplo da mesorregião do Norte de Minas Gerais (FIGURA 3). 
Alguns municípios ofertam os serviços de alta complexidade hospitalar ou 
30 
 
ambulatorial, enquanto outros oferecem serviços de média complexidade, e todos 
são obrigados a oferecer pelo menos a atenção primária. 
 
 
 
Nessa nova organização é possível prever danos e riscos à saúde a partir do 
diagnóstico sobre a situação e as condições de vida da população em áreas 
delimitadas, assim o território passou a ter múltiplas divisões e funcionalidades, 
porém com um mesmo objetivo, o de oferecer assistência, proporcionando 
melhorias na qualidade de vida e saúde da população. 
31 
 
 
Atividades para facilitar a aprendizagem1) Qual o sistema de Atenção à saúde sugerido por Dawson em 1920 e o que 
resultou do relatório elaborado por ele? 
 
2) Quais as tarefas essenciais à medicina definidas por Sigerist em 1946? 
 
3) Cite as atividades que possibilitariam a promoção da saúde na visão de 
Leavell e Clark. 
 
4) Comente sobre o modelo da história natural das doenças de Leavell e 
Clark. 
 
5) Qual a contribuição da proposta Lalonde para a promoção da saúde? 
 
6) Cite as principais conferências internacionais da Organização Mundial de 
Saúde a partir de 1970. 
 
7) Comente sobre a Conferência de Alma-Ata. 
 
8) A carta de Ottawa escrita em 1986 define a Promoção de Saúde como: 
 
(a) Um processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria 
das sua qualidade de vida e saúde, incluindo uma maior participação no 
controle deste processo; 
 
(b) É um processo de tratamento em casos de doenças e acidente de 
carros; 
 
(c) É uma ação isolada do setor de saúde; 
 
(d) A promoção da saúde é entendida como ação compartilhada entre os 
indivíduos e a equipe de saúde para parar de fumar. 
 
9) Na carta de Ottawa é descrita que a saúde engloba alguns pré-requisitos. 
Quais sejam: 
32 
 
(a) Paz, equidade, educação e recursos sustentáveis; 
(b) Habitação e renda; 
(c) Alimentação, justiça social, ecossistema estável; 
(d) Todas as alternativas estão corretas. 
 
 
10) Quais as bases consideradas sólidas para o alcance da equidade segundo 
a Carta de Ottawa? 
 
11) Na Carta de Ottawa consta que deve haver uma atuação intersetorial para 
que ocorra a promoção da saúde: 
 
a) Quais os setores devem ser envolvidos? 
b) Quais as sugestões são fornecidas para que ocorra a construção de 
ambientes favoráveis à saúde? 
 
c) O que se entende por promoção da saúde na atualidade? 
 
12) A 8ª Conferência Nacional de Saúde, realizada no Brasil em 1986, trouxe 
grandes avanços na discussão sobre saúde. Comente sobre os resultados 
dessa conferência e a descrição que é dada a saúde. 
 
13) Explique o que o autor quis dizer ao afirmar que é fundamental o 
reconhecimento do território em uma visão de saúde que leve em 
consideração não apenas o corpo, sendo necessário compreender o 
processo saúde doença no contexto da vida. 
 
14) De acordo com o texto, quais os territórios podem ser formados além do 
território nacional? 
 
15) Explique a frase: O conhecimento do território é essencial para uma 
boa gestão dos serviços de saúde. 
 
 
 
33 
 
UNIDADE II 
 
 
2- O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE – SUS 
 
2.1 O que é o SUS? 
 
O SUS - Sistema Único de Saúde é o conjunto de ações e serviços de saúde, 
prestados por órgãos e instituições públicas federais, estaduais e municipais, pelo 
setor privado e por organizações não-governamentais por meio de contratos e 
convênios. Está organizado em redes regionalizadas e hierarquizadas com 
direção única em cada esfera do governo. 
 
2.2 Legislação 
2.2.1 Constituição Federal de 1988 
 
O Artigo 196, da Constituição Federal de 1988 assegura que todo cidadão 
brasileiro tem direito à saúde, ou seja: 
 
[...] a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantida através de 
políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e 
de outros agravos, assim como, ao acesso universal e igualitário às 
ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação (CF, 
1988). 
 
 
Para saber mais: leiam os textos Título VIII - “Da Ordem Social”, Capítulo II -“Da 
Seguridade Social” na Seção II - “Da Saúde” – artigos 196 a 200, Disponível em: 
< http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm>. 
 
 
 
 
 
34 
 
2.2.1 Lei nº 8080/90 (Lei orgânica de saúde) 
 
O SUS é regulamentado pela Lei 8080/90, que dispõe sobre as condições para a 
promoção, proteção e recuperação da saúde, bem como a organização e o 
funcionamento dos serviços de saúde. Vigora em todo o território nacional. 
 
De acordo com essa lei, são fatores determinantes da saúde: 
 
 
 a alimentação; 
 a moradia; 
 o saneamento básico; 
 o meio ambiente; 
 o trabalho; 
 a renda; 
 a educação; 
 o transporte; 
 o lazer e; 
 o acesso aos bens e serviços essenciais; 
 
 
A Lei nº 8080/90 dispõe ainda sobre a organização dos serviços de saúde, que 
devem ser de forma regionalizada e hierarquizada sendo exercida pelo Ministério 
da Saúde no âmbito da União e na esfera dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios, pela Secretaria de Saúde ou órgão equivalente. Os Municípios podem 
instituir consórcios para o desenvolvimento dos serviços de saúde. 
 
2.2.3 Lei n.º 8.142/1990 
 
Dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do Sistema Único de 
Saúde - SUS e sobre as transferências intergovernamentais de recursos 
financeiros na área da saúde. 
 
35 
 
Todos os estados e municípios necessitam ter conselhos de saúde compostos por 
representantes do governo, dos usuários do SUS, dos prestadores de serviços, 
dos gestores e dos profissionais de saúde. Esses conselhos são responsáveis 
pela fiscalização dos recursos públicos aplicados na saúde. Outra forma de 
participação social na gestão da saúde é através das Conferências de Saúde que 
devem ocorrer a cada quatro anos, tendo a representação de diversos segmentos 
da sociedade com o intuito de avaliar a situação de saúde e sugerir diretrizes para 
a formulação da política de saúde. 
 
 
2.3 Normas Operacionais Básicas – NOB/SUS 
 
As Leis 8080/90 e 8142/90 são reguladoras do Sistema único de Saúde, 
entretanto outros instrumentos legais como as normas foram indispensáveis para 
a reorientação e reorganização da gestão do sistema de saúde e no 
gerenciamento dos recursos financeiros no âmbito estadual e municipal. 
 
De acordo com documento “Para entender a gestão do SUS” (2003, p. 27-28) a 
Norma Operacional Básica 01/91 - NOB/91 teve como principais pontos: 
 
 A equiparação dos prestadores públicos e privados, no que se refere à 
modalidade de financiamento que passa a ser, em ambos os casos, por 
pagamento pela produção de serviços; 
 A centralização da gestão do SUS no nível federal (INAMPS); 
 O estabelecimento do instrumento de convênios como forma de 
transferência de recursos do INAMPS para os Estados, Distrito Federal e 
Municípios. 
 
 São considerado “municipalizados” dentro do SUS, os municípios 
que atenderem alguns pré-requisitos básicos, quais sejam: 
 
(a) A criação dos Conselhos Municipais de Saúde; 
(b) A criação do Fundo Municipal de Saúde; 
36 
 
(c) O Plano Municipal de Saúde aprovado pelos respectivos Conselhos; 
(d) A Programação e Orçamentação da Saúde (PROS) como detalhamento do 
Plano de Saúde; 
(e) A contrapartida de recursos para a saúde do seu orçamento;29 
(f) Constituição de Comissão de Elaboração do Plano de Carreira, Cargos e 
Salários (PCCS) com o prazo de dois anos para a sua implantação. 
 Instituição da Unidade de Cobertura Ambulatorial (UCA) destinada a 
reajustar os valores a serem repassados aos Estados, Distrito Federal e 
Municípios. A cobertura ambulatorial anual é obtida da multiplicação do 
valor da UCA pela população de cada unidade da federação; 
 Modificação do sistema de pagamento aos prestadores de serviços 
(entidades filantrópicas, hospitais universitários, entidades contratadas e 
conveniadas) com a implementação do Sistema de Informações Ambulatoriais 
do SUS (SIA/SUS). 
 
2.3.1 Norma Operacional Básica 01/93 
 
Essa norma foi editada pela Portaria GM/MS nº 545, de 20 de maio de 1993. 
Representou um avançomaior na descentralização em decorrência da 
Conferência Nacional de Saúde realizada em 1992 e que teve como tema central 
“A Municipalização é o Caminho”. Principais pontos da norma: 
 
 Criação da transferência regular e automática (fundo a fundo) do teto 
global da assistência para municípios em gestão semiplena; 
 Habilitação dos municípios como gestores; 
 Definição do papel dos Estados de forma frágil, mas esses, ainda assim, 
passam a assumir o papel de gestor do sistema estadual de saúde; 
 Constituição das Comissões Intergestores Bipartite (de âmbito estadual) e 
Tripartite (nacional) como importantes espaços de negociação, pactuação, 
articulação, integração entre gestores (BRASIL, 2003). 
 
 
 
37 
 
2.3.2 - Norma Operacional Básica 01/96 
 
 
A NOB/96 foi instituída com o fim de promover e consolidar o exercício pleno do 
poder público municipal e do Distrito Federal, da função de gestor da atenção à 
saúde dos seus munícipes, redefinindo as responsabilidades dos Estados, do 
Distrito Federal e da União. 
 
Atenção: Essa responsabilidade não exclui o papel da família, da comunidade e 
dos próprios indivíduos, na promoção, proteção e recuperação da saúde. 
 
O aperfeiçoamento da gestão do SUS implica também em uma reordenação do 
modelo de atenção à saúde, redefinindo: 
 os papéis de cada esfera governamental com direção única; 
 os instrumentos gerenciais para que municípios e estados passem a ser 
gestores do SUS; 
 os mecanismos e fluxos de financiamento, redução progressiva e continua 
da remuneração por produção de serviços e ampliação das transferências 
de caráter global, fundo a fundo, com base em programações ascendentes, 
pactuadas e integradas; 
 a prática do acompanhamento, controle e avaliação no SUS, superação 
dos mecanismos tradicionais, centrados no faturamento de serviços 
produzidos, e valorização dos resultados provenientes de programações 
com critérios epidemiológicos e desempenho com qualidade; 
 os vínculos dos serviços com os seus usuários, privilegiando os núcleos 
familiares e comunitários, criando, assim, condições para uma efetiva 
participação e controle social (BRASIL, 2003). 
 
 
2.3.3 A Norma Operacional de Assistência à Saúde NOA/SUS 01/2001 
 
Institucionalizada pela portaria nº 95, de 26 de janeiro de 2001, a Norma 
Operacional de Assistência à saúde no Art. 1° indica: 
38 
 
 a ampliação das responsabilidades dos municípios na Atenção Básica; 
 a definição do processo de regionalização da assistência; 
 a criação de mecanismos para o fortalecimento da capacidade de gestão 
do Sistema Único de Saúde e procede à atualização dos critérios de 
habilitação de estados e municípios. 
2.3.4 Norma Operacional da Assistência - NOAS/SUS 01/2002 
 
Essa norma foi instituída pela portaria GM/MS nº 373, de 27 de fevereiro de 2002 
e consta as principais alterações em relação a NOAS/SUS 01/2001. Foram 
mantidas as modalidades das NOBS anteriores, porém: 
 
 Amplia as responsabilidades dos municípios na Atenção Básica; 
 Estabelece o processo de regionalização como estratégia de 
hierarquização dos serviços de saúde e de busca de maior equidade; 
 Cria mecanismos para o fortalecimento da capacidade de gestão do 
Sistema Único de Saúde e procede à atualização dos critérios de 
habilitação de estados e municípios e; 
 Transforma a Gestão Plena da Atenção Básica - GPAB em Gestão Plena 
da Atenção Básica Ampliada (GPAB-A). 
 
No que se refere ao financiamento do SUS, é de responsabilidade dos três níveis 
governamentais. Os recursos federais são repassados a Estados e municípios 
através de transferências diretas do Fundo Nacional de Saúde aos fundos 
estaduais e municipais, conforme determina o decreto nº 1.232, de 30 de agosto 
de 1994 que dispõe sobre as condições e a forma de repasse regular e 
automático de recursos do Fundo Nacional de Saúde para os fundos de saúde 
estaduais, municipais e do Distrito Federal. Além das transferências do Fundo 
Nacional de Saúde, os fundos estaduais e municipais recebem contribuições de 
seus próprios orçamentos, sendo ainda de acordo com regras definidas na esfera 
estadual, promovidos repasses de recursos próprios aos fundos municipais de 
saúde. 
 
 
39 
 
2.4 Surgimento do SUS 
 
O SUS surgiu como conquista da luta da população por direito à saúde. O 
movimento sanitário, formado por médicos, enfermeiros, trabalhadores de 
sindicatos, donas de casa, entre outros, ocorrido na década de 1970 e 1980, 
objetivava criar um novo sistema público de saúde que garantisse o atendimento 
da população. 
 
A finalidade desse novo modelo de atendimento era modificar o quadro brasileiro 
da saúde vigente até aquele momento. No Box 1 é apresentado o sistema público 
de saúde antes e depois da implantação do Sistema único de Saúde – SUS. 
 
 
 Box 1 – Antes e depois da implantação do SUS 
Antes do SUS Depois do SUS 
 O sistema público de saúde 
atendia a quem contribuía para 
a previdência social. Quem não 
tinha dinheiro dependia da 
caridade e da filantropia; 
 Era centralizado e de 
responsabilidade federal, sem a 
participação dos usuários; 
 A assistência era médico-
hospitalar; 
 A saúde significava ausência de 
doenças; 
 30 milhões de pessoas tinha 
acesso aos serviços de saúde. 
 O sistema público de saúde 
passa a ser para todos sem 
discriminação. Desde a 
gestação e por toda a vida a 
atenção integral à saúde é 
um direito; 
 Descentralizado, 
municipalizado e participativo 
com 77 mil conselheiros de 
saúde; 
 Promoção, proteção, 
recuperação e reabilitação; 
 Saúde é qualidade de vida; 
 140 milhões de pessoas têm 
no SUS o seus único acesso 
à saúde. 
 Fonte: Adaptado do Ministério da Saúde, 2008 
40 
 
 Como perceberam o sistema público de saúde antes do SUS era bem diferente 
do que foi implantado depois do SUS. Nesse novo sistema são previstos 
princípios e diretrizes que definem e norteiam a formulação da Política Nacional 
de Saúde. Os princípios fundamentais dos SUS são a universalidade, a 
integralidade e a equidade e as diretrizes são a descentralização e a participação 
social. 
 
2.4.1 Princípios e Diretrizes do SUS? 
 
 UNIVERSALIDADE: significa que o atendimento do SUS deve ser 
universal, ou seja, todos têm direito a serem atendidos sem distinções ou 
restrições. As ações e os serviços de saúde para a promoção, proteção e 
recuperação deve ser oferecida sem nenhum custo. 
 
 INTEGRALIDADE: o SUS tem o compromisso público de oferecer a 
atenção necessária à saúde das pessoas e das coletividades de modo 
completo, em todos os níveis de complexidade. 
 
 EQUIDADE: O SUS deve disponibilizar a todos os cidadãos brasileiros, 
independente de sexo, etnia, religião, idade ou situação de emprego, o 
direito a mesma assistência à saúde de acordo com as necessidades de 
cada um. 
 
 PARTICIPAÇÃO SOCIAL: a sociedade tem o direito e o dever de 
participar das gestões públicas em geral e da saúde pública em particular, 
sendo que o poder público tem o dever de garantir as condições para a 
participação da comunidade. 
 
 DESCENTRALIZAÇÃO: é o processo de transferência de 
responsabilidades de gestão para os municípios. As três esferas de 
governo (federal, estadual e municipal), terão atribuições comuns e 
competências específicas na formulação das políticas de saúde, no 
planejamento, operacionalização e controle social. 
41 
 
Os princípios e diretrizes do SUS revelam-se como uma proposta bem 
estabelecida, pois garantem o acesso de todos os brasileiros à promoção, 
proteçãoe recuperação da saúde, de forma integral, sem distinção de classes 
sociais, sexo, etnia, religião, idade ou poder aquisitivo. Dessa forma é 
considerado um dos melhores sistemas de saúde do mundo, sendo referência 
para diversos países. No organograma 1 é apresentado o modelo institucional do 
SUS. 
 
 Figura 3 - Modelo institucional do SUS 
 
 
Nos procedimentos estratégicos do SUS, o município representa o local onde é 
tomada grande parte das decisões no âmbito das políticas de saúde, na 
perspectiva da descentralização. Essas decisões são tomadas em consenso com 
a Secretaria Municipal de Saúde, Colegiado regional e Conselho Municipal de 
Saúde. 
42 
 
O princípio da organização hierárquica de atuação do SUS seguiria a lógica do 
reconhecimento das necessidades e da dinâmica socioeconômica da população, 
que, por sua vez, participa da construção e reconstrução do território, 
possibilitando o conhecimento deste. Dessa forma, Barcellos e Monken (2007, p. 
234) colocam que: 
As práticas de saúde avançam para a integração das ações curativas, 
promocionais e preventivas, de forma que as intervenções sobre os 
problemas sejam também sobre as condições de vida das populações, e 
a regionalização e hierarquização dos serviços contemplam a 
organização dos estabelecimentos, delimitando uma base territorial, ou 
seja, uma área de atuação – da unidade de saúde, da equipe do médico 
da família, do agente de controle de endemias [...]. 
 
 
O Ministério da Saúde esclarece que os gestores municipais e estaduais é que 
devem realizar o levantamento dos instrumentos de atendimento que possuem e 
determinar o tipo de serviço que será oferecido por cada um. Além disso, 
 
Após a análise da potencialidade, traçam um plano regional de serviços. 
O acerto ou pactuação irá garantir que o cidadão tenha acesso a todos 
os tipos de procedimentos de saúde. Na prática, uma pessoa que 
precisa passar por uma cirurgia, mas o seu município não possui 
atendimento hospitalar, será encaminhada para um hospital de 
referência em uma cidade vizinha (BRASIL, 2011
c
, p.14). 
 
 
As formas de repasse de recursos aos municípios através do Piso da Atenção 
Básica (PAB), calculado com base no total da população da cidade, além de 
outras maneiras de angariar recursos para a saúde, como a adesão a programas 
federais, são formas de assegurar aos moradores de cada município o 
atendimento necessário, como consta na proposta do SUS. 
 
 
Atenção: Para entender toda a estrutura do SUS acesse o “SUS de A a Z”: 
<http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/sus_3edicao_completo.pdf> 
 
 
 
 
43 
 
Atividade para facilitar a aprendizagem 
 
Responda as questões a seguir 
 
1) Como era a política de saúde antes de 1988? 
 
2) Quem tinha direito a assistência? 
 
3) Quem regulava o sistema de saúde? 
 
4) Você sabe como surgiu o SUS? 
 
5) O que significa SUS? 
 
6) Quando o SUS foi criado? 
 
7) Qual é a finalidade do SUS? 
 
8) Quais os seus princípios e diretrizes? 
9) Cite as principais leis do SUS. 
10) Comente sobre as Normas que regulamentam o SUS. 
 
 
 
 
 
 
 
44 
 
UNIDADE III 
 
3- PRINCIPAL PORTA DE ENTRADA NO SISTEMA DE SERVIÇOS DE SAÚDE 
 
3.1 - Atenção Primária à Saúde 
 
A Atenção Primária à Saúde, também conhecida como Atenção Básica é o 
primeiro nível de atenção em saúde. É composta por um conjunto de ações, de 
caráter individual e coletivo, que engloba a promoção e a proteção da saúde, a 
prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação, a redução de 
danos e a manutenção da saúde. O seu objetivo é impactar positivamente a 
saúde das coletividades através de uma atenção integral à saúde (MS, 2009). 
 
 
A Atenção Primária à Saúde é a porta de entrada do cidadão ao sistema de 
saúde. É através dela nas Unidades Básicas de Saúde - UBS, nas Unidades 
Básicas de Saúde Fluviais, nas Unidades Odontológicas Móveis (UOM) e 
nas Academias de Saúde que a população passa a ter acesso à rede integrada 
de saúde. 
 
De acordo com as diretrizes do SUS, todos os municípios do estado devem 
oferecer a sua população a Atenção Primária à Saúde - APS, preferencialmente 
próxima às residências dos usuários. As APS têm importante papel na rede de 
atenção à saúde, pois através da Atenção Primária é possível: 
 
45 
 
 
Fonte: Adaptado de Marques et al., 2009. 
 
 
Conforme já foi dito, as Unidades Básicas de Saúde são a “porta de entrada” da 
população para o atendimento da população. A figura a seguir mostra que o 
primeiro atendimento deve ser na UBS, lá o paciente é avaliado por um 
profissional de saúde, a seguir é feito o diagnóstico do procedimento a ser 
realizado, e só depois o paciente é encaminhado para o atendimento no local 
adequado, ou seja, dependendo do caso, o indivíduo é direcionado para os 
hospitais, para o centro de enfermagem, para a atenção domiciliar, para o 
laboratório especializado, ou para outro setor de saúde que seja adequado as 
necessidades do paciente. 
 
Dar atenção 
integral às 
pessoas 
Evitar as causas de 
mortes súbitas 
Reduzir os 
atendimentos nos 
prontos-socorros 
Atuar com intervenções 
curativas, reabilitação, 
prevenção e promoção de 
saúde 
Diminuir os custos 
de atendimento à 
saúde 
46 
 
 
 Fonte: MS, 2009 
 
A Atenção Primária à Saúde deve ocorrer de forma abrangente, para que se torne 
realmente a melhor maneira de acesso da população a esse sistema. O Programa 
Saúde da Família em funcionamento desde 1994 é uma das formas de 
organização da APS. O programa tem modificado o modo de vida de muitas 
comunidades e originado diversos benefícios não só para a população como 
também para o sistema de saúde que tem diminuído os gastos com 
atendimentos. 
 
3.2 Programa Saúde da Família 
 
O Programa Saúde da Família - PSF teve início com a criação do Programa dos 
Agentes Comunitários de Saúde - PACS em 1991, criada para tentar reduzir a 
mortalidade materna – infantil. Sua expansão se deu principalmente a partir de 
1995, atingindo 2,5 milhões de pessoas coberta pelo programa, sendo 
47 
 
acompanhada por 724 equipes de profissionais com dedicação exclusiva aos 
pacientes dos territórios adscritos (GOULART, 2007). 
 
Nesse contexto, o Ministério da Saúde define alguns requisitos primordiais que 
devem ser seguido pela Estratégia Saúde da Família - ESF como prioridades para 
o bom desempenho e funcionamento dos serviços realizados a população nas 
áreas adscritas. Isto é, os profissionais do programa devem intervir sobre os 
fatores de risco a saúde da comunidade; as práticas de saúde devem ser 
humanizadas através de vínculos estabelecidos entre os profissionais de saúde e 
a população, dentre outros (BRASIL, 2007). 
 
O PSF desde a sua implementação tinha o intuito de fortalecer o processo de 
descentralização do SUS através da compreensão de oferta da atenção básica na 
comunidade, criando, sobretudo, um elo entre os profissionais e os usuários. 
Esta relação se fortalece por este programa estar presente em localidades onde 
não existiam os serviços disponibilizados por ele. A diferença desse programa dos 
demais é que anteriormente os serviços eram realizados na comunidade e 
atualmente os serviços são realizados com a comunidade (SOUZA, 1999). 
 
O PSF incorpora os princípios da universalidade e equidade, sendo a principal 
alternativa para o modelo assistencial. Assim sendo, o mercado não seria o 
principal critério para organizar e distribuir os serviços, mas, sobretudo, oplanejamento será realizado de acordo com as necessidades apresentadas pela 
população. 
 
O PSF passou por varias etapas nos processos de implementação até se 
constituir como um programa capaz de modificar a realidade da saúde pública 
brasileira. No ponto de vista institucional, alguns marcos foram importantes para a 
sua trajetória, como por exemplo, a articulação entre as universidades e as 
secretarias de saúde para a criação dos polos de capacitação em saúde da 
família; a parceria com a comunidade solidaria; a abertura de linhas de 
financiamento junto ao Reforço à Reorganização do SUS - REFORSUS e o 
48 
 
estabelecimento do Pacto da Atenção Básica entre o MS, gestores estaduais e 
municipais. 
 
Do ponto de vista normativo e financeiro, o PSF foi influenciado por algumas 
portarias e outros instrumentos do MS que foram importantes para o 
desenvolvimento do programa, tais como a Norma Operacional Básica do SUS de 
1996. Goulart (2007) informa que a NOB 96 apresentou perspectivas de 
mudanças no modelo assistencial, principalmente quanto aos incentivos e 
organização do programa. Tais mudanças estão orientadas para: 
 
 A busca da integralidade; 
 A incorporação do modelo dominante ao modelo epidemiológico; 
 A associação dos processos individualizados para um modelo de atenção 
centrado na qualidade de vida das pessoas e no ambiente de vivencia e; 
 A incorporação de projeto de ações, das pessoas, do meio ambiente e dos 
compartimentos interpessoais 
 
Outro fator importante foi à implantação do Piso da Atenção Básica – PAB que 
acarretou a transferência de recursos federais dentro de uma modalidade 
automática (fundo a fundo), além de exigirem que as equipes estivessem 
integradas a rede municipal, ou que se desenvolvessem estratégias similares de 
garantia de integralidade da assistência. Na NOB 96 resguarda também que além 
desses requisitos colocados pelo PAB, ainda era necessário manter atualizada 
todas as informações referente a produção de serviços do PSF, caso contrário, 
resultaria na suspensão dos créditos respectivos (LIMA, MACHADO, 2000). 
Sobre este viés, Goulart (2007, p.109) coloca também que: 
Nesse momento, a atenção básica ganhou destaque e 
centralidade na política de saúde. Foram realizadas importantes 
ações, tais como, a assinatura do Pacto da Atenção Básica, a 
edição do respectivo manual, a incorporação do DAB a SPS, e a 
própria formulação da NOAS. Ocorreu também a elaboração e a 
divulgação das linhas estratégicas para o quadriênio 1999 – 2002, 
mostrando o delineamento cada vez maior de um rumo 
estratégico para o PSF. 
 
49 
 
Também foi proporcionada pela NOB 96 a definição de um valor per capta 
mínimo, definido de acordo com a quantidade de procedimentos realizados no 
ano anterior, resultando também um acréscimo nas transferências dos recursos 
cedidos a assistência da atenção básica, mesmo nos municípios que tinham 
dificuldades de apresentar produção suficiente de procedimentos. Foi estipulado 
ainda segundo Goulart (2007, p.94 - 95), “um valor de 10,00 por habitantes por 
ano, possibilitando homogeneização das transferências para o conjunto de 
municípios”. 
 
Esses recursos concedidos ao PSF foram também acrescentados pela portaria 
1.329 de novembro de 1999 (Brasil, 1999), que por meio da cobertura 
populacional oferecida pelas Equipes Saúde da Família, passam a ser critério de 
definição para o incentivo a ser pago por equipe. De acordo com a população 
coberta o incentivo chega a ser de até 7% (GOULART, 2007). 
 
Quanto aos processos de avaliação dos resultados da implantação e 
desenvolvimento do PSF segundo a pesquisa denominada “Avaliação da 
Implantação e funcionamento do PSF2” realizada pelo MS, Goulart (2007), coloca 
que os resultados formalmente só foram divulgados no ano 2000, ou seja, foram 
avaliados os seis primeiros anos de funcionamento do PSF. A avaliação ocorreu 
mediante consultas por correio a um conjunto de 1219 municípios e 3119 equipes 
de saúde da família em 24 estados. Os resultados encontrados no ponto de vista 
da gestão do programa balizaram em; pouca participação dos gestores estaduais; 
carência quanto aos incentivos financeiros, materiais e técnicos por parte da SES. 
 
No ponto de vista das políticas de recursos humanos, a maioria dos médicos e 
enfermeiros contratados não tinham vínculos com o lugar, ou seja, a maioria deles 
 
2 A pesquisa “Avaliação da Implantação e Funcionamento do Programa Saúde da Família 
– PSF”, realizada pelo Ministério da Saúde entre abril e julho de 1999, identificou que 
83% dos municípios pesquisados haviam implantado o programa entre 1997 e 1998. 
Apenas nos estados do Ceará e de Santa Catarina havia um número maior de municípios 
com implantação anterior a 1997 (BRASIL, 2000). Um ano depois, em dezembro de 
1999, o PSF estava implantado em 1.870 municípios nas 27 unidades federadas 
(BRASIL, 2000 p. 17). 
 
50 
 
não residiam no município e nem mesmo no próprio estado. Também havia falha 
nas contratações de profissionais de saúde, sendo que a maioria dos processos 
seletivos eram realizados com alto grau de informalidade, além de existir muitos 
contratos temporários e de prestação de serviços para os profissionais médicos e 
enfermeiros (GOULART, 2007). 
 
Quanto aos processos de trabalho dos profissionais do PSF, a noção de território 
como categoria de análise estava presente em cerca de 80% dos casos; Os 
prontuários de famílias implantadas registravam aproximadamente 70%, sendo 
que 43% dos profissionais atuavam a menos de um ano no programa, 
constatando alta rotatividade dos profissionais. 
 
Embora, a pesquisa tenha constatado um desgaste com as atividades do PSF 
devido aos vínculos empregatícios precários, carência de suporte e materiais para 
as atividades cotidianas, dificuldades de acesso ao local de trabalho entre outros. 
Ainda assim, foi bastante expressivo o aumento da oferta na maioria dos 
procedimentos característicos da atenção básica com a implantação do programa 
(GOULART, 2007). 
 
Goulart (2007, p.108) coloca que; 
A expansão do PSF e a adesão numérica progressiva do programa aos 
municípios esta relacionado também pelo aprofundamento de aspectos 
mais qualitativos. Dados, por exemplo, pelo fato de que o arcabouço 
normativo e doutrinário disponível havia se adensado bastante e também 
pela inquestionável adesão ao SUS, revelada por uma verdadeira 
“explosão” de habilitações de municípios as condições de gestão da 
NOB 96. 
 
 
Embora, os números de adesão ao PSF por municípios brasileiros tenham 
revelado aumento significativo, ainda há preocupação quanto à efetividade 
desses programas, principalmente quanto às ações desenvolvidas por este. 
Goulart (2007, p.102) coloca ainda que “a questão do PSF, mesmo diante de 
avanços incontestáveis, ainda carece de experimentar apreciáveis saltos de 
qualidade”, tais como, flexibilizar o programa, intensificar a assessoria e 
orientação aos gestores, principalmente quanto às orientações aos profissionais 
51 
 
para o desenvolvimento de um trabalho mais humanizado, e com mais 
participação da sociedade nas decisões a serem tomada. 
 
A principal estratégia para o bom funcionamento da APS é a saúde da família, 
assim é primordial que a família tenha um atendimento completo, ou seja, equipes 
multidisciplinares trabalhando de forma integrada devem oferecer todos os tipos 
de atendimento pautadas pelos princípios da atenção primária que é a 
integralidade, a qualidade, a eqüidade e a participação social. O vínculo 
estabelecido pelas equipes de saúde da família com a população possibilita queestes se comprometam e se responsabilizem por melhorar o seu ambiente e 
consequentemente a saúde da comunidade. 
 
3.2.1 Composição das Equipes de Saúde da Família 
 
 um médico; 
 um enfermeiro; 
 um auxiliar de enfermagem ou técnico de enfermagem e; 
 Agentes Comunitários de Saúde – ACS (no máximo 12 por equipe) 
 
 
Outros profissionais poderão compor a equipe, como por exemplo, profissionais 
de Odontologia: cirurgião-dentista, auxiliar de saúde bucal e/ou técnico em saúde 
bucal, dependendo do gestor municipal. 
 
Outros serviços disponibilizados a população pelo SUS, diz respeito aos serviços 
da medicina alternativa. Em 2006 foi criada pela Portaria GM nº 971/2006 a 
Política Nacional de práticas Integrativas e Complementares no SUS, essa 
política compreende atendimento gratuito em serviços de fitoterapia, acupuntura, 
plantas medicinais e homeopatia. É preciso que o ACS se informe se esses 
serviços estão disponíveis no território sob sua responsabilidade para que ofereça 
aos moradores como alternativa de prevenção e tratamento de doenças que 
52 
 
possam afetar a população. Alguns desses profissionais prestam seus serviços 
nos Núcleos de Apoio à Saúde da Família – NASF. 
 
Os Núcleos de Apoio à Saúde da Família – NASF foram criados em 2008 para 
contribuir com a melhoria dos problemas de saúde. Esses núcleos são 
constituídos por profissionais de diversas áreas como nutricionista, psicólogo, 
farmacêutico, assistente social, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, 
fonoaudiólogo, médico acupunturista, médico ginecologista, médico homeopata, 
médico pediatra e médico psiquiatra. Esses profissionais trabalham em parceria 
com as equipes da estratégia Saúde da Família – eSF. Os ACS devem se 
informar se há vinculação da sua equipe a algum NASF e de que forma se dá a 
articulação entre eles. Esse conhecimento é necessário para que os pacientes 
sob sua responsabilidade sejam direcionados para o NASF, caso necessite do 
atendimento de algum profissional desse núcleo (BRASIL, 2009). 
 
O organograma a seguir detalha o funcionamento dos serviços de saúde em uma 
Unidade Básica de Saúde e a organização das equipes de atenção primária no 
atendimento da demanda espontânea. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
53 
 
Figura 4: Fluxograma para a organização do processo de trabalho das equipes de 
atenção primária para o atendimento da demanda espontânea 
 
Fonte: Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção 
Básica, 2011 - Adaptação: MAGALHÃES, 2014 
54 
 
OBS.: O fluxograma é apenas uma ferramenta de orientação das equipes, não 
devendo ser algo fixo. Sempre que necessário deve ser adaptado a realidade de 
cada local. O que importa é o acesso da população aos serviços de saúde 
sempre que tiverem necessidade. 
 
 
 
Atividade para facilitar a aprendizagem 
 
 
1) O que você entende por Atenção Primária à Saúde? 
2) O que é PACS? E qual é o seu objetivo? 
3) Qual a relação da Atenção Primária à Saúde com o PACS/PSF? 
4) Onde são definidas as ações da atenção primária a saúde? 
5) O que é PSF? E qual é o seu objetivo? 
6) Quais os profissionais que fazem parte da equipe do PSF? 
7) Qual é a importância do PACS/PSF para o sistema de saúde? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
55 
 
UNIDADE IV 
 
4- AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE 
 
4.1 Quem é o agente comunitário de saúde? 
 
 
 
O Agente comunitário de saúde é o elo de ligação entre a população que 
necessita dos serviços de saúde e o sistema de saúde. De acordo com Marques e 
Padilha (2004, p. 348): 
 
O profissional agente comunitário de saúde atua no apoio aos indivíduos 
e coletivos sociais, realizando atividades de promoção da saúde e 
prevenção de agravos, por meio de ações educativas e de 
acompanhamento a indivíduos, famílias e grupos, mobilizando práticas 
de promoção da vida em coletividade e de desenvolvimento de 
interações sociais. Estas características apontam para uma 
singularidade e especificidade profissional, que o situa na interface 
intersetorial da saúde, ação social, educação e meio ambiente. Para o 
setor saúde, a formação do agente comunitário requer, então, a 
identificação técnica, ética e humanística das competências que ele deve 
desenvolver para a realização de seu trabalho. 
 
56 
 
O trabalho do agente comunitário de saúde é extremamente importante tanto para 
assegurar o direito à saúde às populações, principalmente as mais carentes que 
não conhecem os seus direitos e não tem acesso aos serviços de saúde, como 
para fazer cumprir as metas do governo federal como, por exemplo, em relação à 
redução da mortalidade materna e neonatal. 
 
A profissão do Agente Comunitário de Saúde é regulamentada pela Lei Nº 11.350, 
de 5 de outubro de 2006, que transforma a Medida Provisória n° 297 de 2006 em 
lei. O ACS é um profissional da área de saúde integrante da equipe de saúde da 
família, que exerce serviços exclusivamente no âmbito do SUS. Realiza 
atividades de prevenção de doenças e promoção da saúde sob a supervisão do 
gestor federal, estadual ou municipal. Suas ações se restringem a atendimentos 
domiciliares ou comunitários, individuais ou coletivos, desenvolvidos em 
conformidade com as diretrizes do SUS. 
 
No parágrafo único do Artigo 3° consta que são atividades desenvolvidas pelo 
ACS: 
I - a utilização de instrumentos para diagnóstico demográfico e sócio-
cultural da comunidade; 
II - a promoção de ações de educação para a saúde individual e coletiva; 
III - o registro, para fins exclusivos de controle e planejamento das ações 
de saúde, de nascimentos, óbitos, doenças e outros agravos à saúde; 
IV - o estímulo à participação da comunidade nas políticas públicas 
voltadas para a área da saúde; 
V - a realização de visitas domiciliares periódicas para monitoramento de 
situações de risco à família; e 
VI - a participação em ações que fortaleçam os elos entre o setor saúde 
e outras políticas que promovam a qualidade de vida. 
 
 
Podemos observar que é papel do ACS fazer o levantamento demográfico e 
sociocultural da população, ou seja, quantos são, quantos do sexo masculino e 
quantos do sexo feminino. Qual a faixa etária dos moradores, renda, 
57 
 
escolaridade, etnia. É também papel do ACS promover ações de educação para a 
saúde do indivíduo e da coletividade. Registrar a ocorrência de nascimentos, de 
óbitos, das doenças e de outros agravos que ocorrem na comunidade sob sua 
responsabilidade. 
 
Faz parte ainda das atividades do ACS, estimular a população da sua área de 
atuação à participar das políticas públicas voltadas para a área da saúde. Realizar 
visitas periódicas nos domicílios para monitorar a situação das famílias quanto a 
situação de riscos. E por fim, participar de ações para fortalecimento do elo entre 
o setor de saúde e outras políticas para promoção da qualidade de vida (FIGURA 
5). 
 
 Figura 5 - Academia ao ar livre no bairro Ibituruna 
 
 Autor: MAGALHÃES, 2013 
 
 
A Lei Nº 11.350, destaca no Art. 6o alguns requisitos a serem preenchidos pelo 
ACS para a sua contratação: 
 
58 
 
Ser morador da área onde exercerá suas atividades desde a data da publicação 
do edital do processo seletivo público; haver concluído, com aproveitamento, 
curso introdutório de formação inicial e continuada; e haver concluído o ensino 
fundamental (Esse requisito só é válido para iniciante, ou seja, se não estiverem 
exercendo atividades de ACS). 
 
O fato de ser morador da área onde exercerá suas atividades, e,portanto 
conhecido da maioria dos moradores da comunidade, facilitará o trabalho do ACS, 
pois a sua proximidade se traduzirá em relação de confiança. Outro ponto positivo 
é que por ser residente da comunidade conhece praticamente todos os problemas 
que a envolvem. Isso irá favorecer o diagnóstico ambiental e possibilitar a ação do 
poder público local. De acordo com documento do Ministério da Saúde (2009, p. 
24): 
 
Sua ação favorece a transformação de situações-problema que afetam a 
qualidade de vida das famílias, como aquelas associadas ao 
saneamento básico, destinação do lixo, condições precárias de moradia, 
situações de exclusão social, desemprego, violência intrafamiliar, drogas 
lícitas e ilícitas, acidentes etc. 
 
 
O conhecimento profundo da área de atuação dos ACS é fundamental na 
organização das ações dos serviços de saúde, contribuindo com os gestores 
públicos e atuando como vigilantes da saúde da comunidade. 
 
Se você pretende realizar um bom trabalho, deve: 
 
59 
 
 
Fonte: Adaptado de Ministério da Saúde, 2005. 
 
 
O conhecimento do território onde irá atuar é essencial para enxergar além dos 
problemas e para conhecer também as potencialidades sociais e econômicas, 
pois a partir delas você poderá contribuir para modificar a realidade local, 
intervindo e incentivando o crescimento dos indivíduos e consequentemente da 
comunidade. Lima (2013, S/P) pontua que “Em uma abordagem de saúde que vá 
além da visão do corpo e busca compreender o processo saúde-doença no 
contexto da vida, o reconhecimento do território é fundamental”. Porém, para 
que isso ocorra é necessário que o ACS seja ativo e tenha iniciativa, goste de 
aprender coisas novas. É preciso também que seja observador, para que perceba 
como vivem as pessoas e se o ambiente que as cerca é propício à saúde ou a 
doença. Mas principalmente, é preciso que você seja ético, tenha respeito pelas 
pessoas e por seus colegas de trabalho, já que estará sempre em convívio com 
outros profissionais da área da saúde. 
 
 
Atenção: A ética deve fazer parte da vida de qualquer profissional, porém quando 
se trata especificamente de profissões das quais deve existir uma relação de 
confiança, como é o caso dos ACSs, o cuidado deve ser redobrado, pois um 
pequeno deslize pode comprometer o trabalho desenvolvido por toda a equipe. 
Conhecer o território 
Conhecer não só os 
problemas, mas também 
as potencialidades 
sociais e econômicas 
Ser ativo e ter iniciativa 
Gostar de aprender 
coisas novas 
Agir com respeito e ética 
perante a comunidade e 
os demais profissionais 
Observar as pessoas, as 
coisas, os ambientes 
60 
 
4.2 A origem da função de agente comunitário de saúde 
 
A função de Agente Comunitário de Saúde não é nova, sendo bastante utilizada 
em outros países como Canadá que em 1920 utiliza de Organizações Não 
Governamentais - ONGs e grupos religiosos para treinar indivíduos no auxilio aos 
movimentos de organização comunitária nas Américas. Na América Latina foi 
impulsionado pelo apoio financeiro de agências internacionais aos Ministérios da 
Saúde da América do Sul para a capacitação dos trabalhadores com vista a 
exercerem atividades de cuidados básicos com a saúde da população. Outro fator 
que deu impulso a criação da função de ACS, foi o fato de que médicos e 
enfermeiros eram profissionais que oneravam o setor de saúde, além do fato de 
não se disponibilizarem a realizar trabalhos na área rural e na periferia, assim, o 
trabalho do ACS poderia sanar esses problemas (NASCIMENTO, 2008). 
 
No Brasil, a origem do profissional Agente Comunitário de Saúde ocorreu a partir 
de 1987, como estratégia de melhoria das condições de saúde da população 
nordestina. O trabalho foi iniciado com 6.000 mulheres do sertão do Ceará, 
selecionadas entre as mulheres pobres, que já fossem conhecidas e respeitadas 
pela comunidade, independente de escolaridade. A capacitação dessas mulheres 
para as ações era realizada em três dias sob a supervisão de um profissional de 
saúde (ÁVILA, 2011). As ações se constituíam basicamente de: 
 
 Busca ativa das gestantes para fazer o pré-natal e encaminhar a 
maternidade; 
 Incentivo ao aleitamento materno; 
 Levar as crianças para vacinarem; 
 Orientar sobre a higiene da criança e do domicílio. 
 
O programa que era emergencial, devendo findar com o período da seca, passa a 
ser contínuo, perdendo a característica de emergencial devido a melhoria dos 
indicadores de saúde, principalmente no que se refere aos indicadores de saúde 
infantil. Ávila (2011, p. 163) afirma que: 
61 
 
A melhoria observada nos indicadores de saúde infantil, tais como a 
queda da mortalidade, consequência da redução do número de óbitos 
por pneumonia, sarampo e desidratação, as três principais causas de 
óbito infantil no Ceará, e a maior cobertura vacinal, mostrou que o 
caminho estava certo. [...] O programa perdeu a característica 
emergencial e passou a ser usado como estratégia de disseminação das 
ações básicas de saúde materno-infantil, caracterizadas, então, como 
ações simplificadas e de baixo custo [...]. 
 
 
O sucesso do programa repercutiu tão positivamente nas ações de saúde, que 
logo após o cessar do programa de emergência foi institucionalizado o Programa 
Agentes de Saúde, criado pelo Decreto no 19.945, de janeiro de 1989, e 
regulamentado, posteriormente, pela Portaria n° 232/92 e Decreto no 23.079, de 
fevereiro de 1994. A institucionalização do programa no Ceará foi pioneira no 
Brasil, pois apesar de já existir em outros países ou estados brasileiros faltava-
lhes a institucionalização e a universalização (ÁVILA, 2011). 
 
O trabalho de Agentes Comunitários de Saúde já adotado em outros países e 
alguns estados brasileiros como Ceará, Pernambuco, Maranhão, Goiás, Mato 
Grosso, São Paulo e Rio de Janeiro foi posteriormente disseminado para outros 
estados, funcionando inicialmente como programa institucionalizado em alguns 
estados da região norte e nordeste, sendo difundido posteriormente para outras 
regiões brasileiras (ÁVILA, 2011). 
 
 
4.3 Perfil de Competências Profissionais do Agente Comunitário de Saúde 
 
 
A formação permanente dos trabalhadores em saúde, como também das demais 
áreas e da população é de responsabilidade do Departamento de Gestão da 
Educação em Saúde – DEGES e da Secretaria de Gestão do Trabalho e da 
Educação em Saúde –SGTES do Ministério da Saúde - MS. São esses órgãos 
que propõem e formulam as políticas que se refere a educação profissional 
desses trabalhadores com vistas a articulação intersetorial, levando em 
consideração as diretrizes do SUS. 
 
62 
 
Assim, é de incumbência do DEGES expor a todos os segmentos que discutem 
as políticas de saúde notadamente os envolvidos com os Programas Saúde da 
Família - PSF e Programa Agentes Comunitários de Saúde - PACS, o Perfil de 
Competências Profissionais do Agente Comunitário de Saúde. Conceituando 
competência profissional, o Ministério da Saúde apud Zarifian (1999), a descreve 
como: 
 
[...] capacidade de enfrentar situações e acontecimentos próprios de um 
campo profissional, com iniciativa e responsabilidade, segundo uma 
inteligência prática sobre o que está ocorrendo e com capacidade para 
coordenar-se com outros atores na mobilização de suas capacidades. 
 
 
Esse documento foi elaborado com a finalidade de apresentar o perfil profissional 
do ACS as instituições que formam profissionais utilizando programas político-
pedagógico de formação e desenvolvimento com base “[...] em conhecimentos, 
atitudes e habilidades que gerem crítica, reflexão, compromisso e sensibilidade, 
segundoas competências esperadas deste trabalhador da equipe de saúde” 
(BRASIL, 2013). 
 
Para elaboração do referido documento foram levados em consideração diversos 
aspectos como as normas do SUS, aspectos relacionados a diversidade de 
atividades do ACS, a Lei que criou a profissão de ACS (10.507/2002) e o decreto 
que fixou as diretrizes de trabalho para esses profissionais (3189/1999), a 
valorização da singularidade profissional do ACS e a necessidade de promover a 
qualificação profissional com certificado de validade nacional. 
 
Através da Portaria GM/MS nº 1.886/97, é estabelecida as atribuições do Agente 
Comunitário de Saúde, e o exercício de suas atividades são fixadas pelo Decreto 
Federal nº 3.189/99, dando possibilidade a proposição qualitativa de suas ações. 
Esse fato demonstra um perfil profissional que reúne diversas atividades de 
promoção da saúde, de prevenção de doenças, de mobilização de recursos e 
práticas sociais de promoção da vida e cidadania, além de orientar indivíduos, 
grupos e comunidades, por meio da educação popular em saúde e 
acompanhamento de famílias (BRASIL, 2013). 
63 
 
As competências que compõem o perfil profissional do ACS foram estabelecidas 
levando em consideração as singularidades e especificidades do seu trabalho. É 
necessário aptidão para a realização de determinadas atividades em um contexto 
técnico-profissional e sociocultural determinado. Dessa forma, as competências 
indicadas para o ACS expressam uma dimensão da realidade de seu trabalho e 
representam eixos estruturantes de sua prática em cada uma delas. A 
competência profissional incorporou ainda três dimensões, quais sejam: o saber-
conhecer, o saber-ser e o saber-fazer, expressas nas habilidades (saber-fazer), 
nos conhecimentos (saber-conhecer) e nas atitudes (saber-ser) (BRASIL, 2013). 
 
Em documento do Ministério da Saúde (2013, S/P), é destacado que a dimensão 
saber-ser (produção de si) atende a todas as competências, sendo considerada 
transversal, é expressa por habilidade crítica, reflexiva e mudança ativa em si 
mesmo e nas suas práticas. Além disso, incorpora: 
 
 
a) interagir com os indivíduos e seu grupo social, com coletividades e a 
população; 
 
b) respeitar valores, culturas e individualidades ao pensar e propor as 
práticas de saúde; 
 
c) buscar alternativas frente a situações adversas, com postura ativa; 
 
d) recorrer à equipe de trabalho para a solução ou encaminhamento de 
problemas identificados; 
 
e) e) levar em conta pertinência, oportunidade e precisão das ações e 
procedimentos que realiza, medindo-se pelos indivíduos, grupos e 
populações a que refere sua prática profissional; 
 
f) colocar-se em equipe de trabalho em prol da organização e eficácia 
das práticas de saúde; 
 
g) pensar criticamente seus compromissos e responsabilidades como 
cidadão e trabalhador. 
 
 
 
E por fim, a dimensão saber-fazer (domínio prático) e a dimensão saber-conhecer 
(domínio cognitivo) referentes a cada competência dimensionam a atuação desta 
categoria profissional. 
 
64 
 
Quadro 2 - Descrição das competências profissionais do Agente Comunitário de 
Saúde nas dimensões saber-fazer e saber-conhecer 
Competência Atuação 
Integração da equipe de saúde com a 
população local. 
 
Desenvolver ações que busquem a 
integração entre as equipes de saúde e a 
população adscrita à unidade básica de 
saúde, considerando as características e 
as finalidades do trabalho de 
acompanhamento de indivíduos e grupos 
sociais ou coletividades. 
Planejamento e avaliação Realizar, em conjunto com a equipe, 
atividades de planejamento e avaliação 
das ações de saúde no âmbito de 
adscrição da unidade básica de saúde. 
Promoção da saúde Desenvolver, em equipe, ações de 
promoção da saúde visando à melhoria da 
qualidade de vida da população, à gestão 
social das políticas públicas de saúde e ao 
exercício do controle da sociedade sobre o 
setor da saúde. 
Prevenção e monitoramento de risco 
ambiental e sanitário 
Desenvolver ações de prevenção e 
monitoramento dirigidas às situações de 
risco ambiental e sanitário para a 
população, conforme plano de ação da 
equipe de saúde. 
Prevenção e monitoramento a grupos 
específicos e morbidades 
Desenvolver ações de prevenção e 
monitoramento dirigidas a grupos 
específicos e a doenças prevalentes, 
conforme definido no plano de ação da 
equipe de saúde e nos protocolos de 
saúde pública. 
Fonte: Adaptado de Ministério da Saúde, 2013 
 
Atenção: O documento completo sobre o perfil de competências 
Profissionais do Agente Comunitário de Saúde encontra-se disponível no 
site: 
 < http://portal.saude.gov.br/portal/sgtes/visualizar_texto.cfm?idtxt=23095>. 
 
 
 
 
 
 
 
65 
 
Atividade para facilitar a aprendizagem 
 
1) O agente comunitário de saúde trabalha com promoção e prevenção da saúde 
na atenção básica, o trabalhador de saúde que é o elo entre a comunidade e a 
unidade de saúde. São atribuições do ACS: 
 
a) Atendimento médico-assistencial, executar ações de vigilância sanitária e 
epidemiológicas, Fazer atendimentos de urgência, participar do planejamento e 
organizar os processos de trabalho na unidade, etc. 
 
b) Executar ações de vigilância epidemiológica e sanitária dentro de sua 
competência, atendimento de grupo, consultas de enfermagem, ações de 
assistência aos diversos grupos, etc. 
 
c) Realizar mapeamento da área de atuação, cadastrar famílias de sua micro 
área, realizar mensalmente as visitas domiciliares às famílias de sua 
responsabilidade, participar do processo educativo levado às famílias, incentivar a 
participação comunitária, etc. 
 
 d) Realizar visitas domiciliares, discussão de casos com a equipe, criar vínculo 
com a população, atividades específicas da função (curativos, administração de 
medicamentos, vacinas, inalação, etc.). 
 
 e) Prescrever imunobiológicos especiais para crianças em caso de serem 
portadoras de quadros clínicos especiais ou que apresentarem eventos adversos 
graves após a imunização. 
 
 
2) A Estratégia Saúde da Família (ESF) é um modo de organização dos serviços 
de Atenção Primária à Saúde peculiar do Sistema Único de Saúde Brasileiro. Em 
relação à Estratégia Saúde da Família avalie os itens abaixo. 
 
66 
 
I. É função da ESF ações de prevenção, enquanto as ações de cura e tratamento 
passam a ser responsabilidade da atenção secundária e terciária. 
II. A ESF é destinada ao atendimento da classe de baixa renda. 
III. A Equipe de Saúde da Família deve atuar sem área definida, pois desta forma 
pode abranger um número maior de pessoas. 
IV. É função do médico da equipe de saúde da família participar do processo de 
territorialização, realizar cuidados em saúde na unidade de saúde, domicílio e 
espaços comunitários, e realizar atividades de demanda espontânea e 
programada. 
 
Marque o item correto. 
 
a) Apenas I está correta 
b) Apenas II está correta 
c) Apenas IV está correta 
d) Apenas I e III estão corretas 
e) Apenas II e IV estão corretas 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
67 
 
UNIDADE V 
 
5 - As atribuições do agente comunitário de saúde 
 
O homem não nasce, vive, sofre e morre de maneira idêntica 
nas várias partes do mundo. 
(BUDIN,1843). 
 
O trabalho do Agente Comunitário de Saúde é antes de tudo, um trabalho de 
construção. Para construir juntamente com a comunidade um lugar melhor para 
se viver, ou seja, um ambiente saudável, o ACS necessita conhecer a 
comunidade, seus problemas, como também as potencialidades locais. E 
principalmente conhecer as pessoas dacomunidade, seu modo de vida, suas 
condições socioeconômica, seus anseios, seus problemas e suas prioridades. 
Lima (2013, S/P) afirma que “A maioria dos problemas de saúde não estão 
relacionados à biologia do corpo; de modo geral, estão relacionados as más 
condições de vida (desemprego, à violência familiar, habitação inadequada, falta 
de acesso aos serviços de saúde)”. Assim, é necessário que o ACS conheça com 
profundidade os problemas das comunidades para subsidiar a gestão da saúde 
nesse local. 
 
Para realizar esse trabalho o ACS vai necessitar de alguns instrumentos básicos. 
A seguir são apresentados os instrumentos de trabalho do ACS. 
 
 
68 
 
 
 
 
5.1 A visita domiciliar 
 
Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, 
no trabalho, na ação-reflexão. PAULO FREIRE. 
 
A visita domiciliar é a primeira atividade realizada pelo ACS para desenvolver o 
seu trabalho junto à comunidade. Todas as tarefas desenvolvidas por eles são de 
grande importância para modificar positivamente a área sob sua 
responsabilidade. Entretanto a visita domiciliar é fundamental para o 
desenvolvimento desse trabalho, pois é através dela que conhecerá as famílias, 
fará o cadastramento, o acompanhamento e o trabalho de orientação 
A entrevista 
a visita domiciliar 
o cadastramento 
das famílias 
o mapeamento 
da comunidade 
as reuniões 
comunitárias 
69 
 
educacional, para ensinar as famílias formas de prevenção de doenças e riscos e 
promoção da saúde. De acordo com o Ministério da Saúde (2009, p. 46): 
A visita domiciliar é a atividade mais importante do processo de trabalho 
do agente comunitário de saúde. Ao entrar na casa de uma família, você 
entra não somente no espaço físico, mas em tudo o que esse espaço 
representa. Nessa casa vive uma família, com seus códigos de 
sobrevivência, suas crenças, sua cultura e sua própria história. 
 
 
É fundamental que na primeira visita domiciliar o ACS saiba a forma de se 
aproximar e o tipo de abordagem que deve ser feita. É importante que tenha 
discernimento o bastante para conhecer as pessoas e saber lidar com as 
diferenças. O ACS deve agir sempre corretamente, sua interação com a 
comunidade deve ocorrer independente da cultura, crenças religiosas, situação 
socioeconômica, etnia, orientação sexual ou deficiência física. A habilidade é uma 
qualidade imprescindível a esse profissional, pois deverá saber quando e de que 
forma deverá abordar cada pessoa da comunidade sob sua área de atuação. 
 
 
Atenção: O primeiro contato fará toda a diferença no trabalho que irá realizar, 
pois dependendo da conduta adotada terá a confiança da pessoa de forma 
imediata, fator primordial para o bom andamento dos trabalhos. 
 
 
A relação de confiança entre o ACS e as famílias visitadas não podem ser 
confundidas, o profissional deve saber distinguir o lado profissional do pessoal, 
ainda que por vezes se envolva com as questões familiares. “Recomenda-se que 
o ACS estabeleça um bom vínculo com a família, mas saiba dissociar a sua 
relação pessoal do seu papel como agente comunitário de saúde” (BRASIL, 2009, 
p. 47). 
 
Na primeira visita é importante perguntar se você pode ser recebido naquele 
horário. Além disso, é imprescindível que você se apresente adequadamente 
dizendo: 
 
70 
 
 Seu nome; 
 Onde trabalha e a importância do seu trabalho e; 
 O motivo da sua visita. 
 
 
Atenção: Para que a sua visita domiciliar tenha êxito, é necessário um 
planejamento prévio. Qualquer atividade deve ser planejada antes de ser 
executada, é preciso saber qual a finalidade da visita, o que perguntar, quanto 
tempo terá para a visita e o que não deve fazer na primeira visita. 
 
 
Quanto à periodicidade das visitas, toda família deve receber a visita do ACS 
uma vez por mês, porém há casos em que essa regra não se aplica. Pois vai 
depender da necessidade de cada grupo familiar, ou seja, alguns necessitam 
mais de orientação, outros menos. Em alguns casos as visitas devem ser de 
acordo com as prioridades, que são definidas juntamente com o 
instrutor/supervisor, como por exemplo, pacientes em situação de risco: 
 
 Recém-nascido com peso menor que dois quilos e meio; 
 Criança com desnutrição; 
 Recém-nascido que não amamenta no peito; 
 Criança com doenças graves; 
 Gestantes com algum problema de saúde, por exemplo, hipertensa, 
diabética, cardíaca, entre outros; 
 Pessoas com outras enfermidades que inspiram mais cuidados, 
exemplificando tuberculose, hanseníase, hipertensão; 
 Famílias isoladas por barreiras geográficas e ou culturais; 
 
 
Atenção: na primeira semana de vida do bebê, ele deve receber atenção 
especial, isso que dizer que as visitas devem ser intensificadas, o mesmo vale 
para as mães puérperas. 
 
71 
 
De acordo com o Ministério da Saúde (2009), a visita domiciliar nos fornece 
diversas informações sobre a comunidade e os moradores, pois possibilita: 
 
 Identificar os moradores por sexo, faixa etária, por raça; 
 
 Diagnosticar os casos de gravidez, de desnutrição, pessoas com 
deficiência; 
 
 Conhecer as condições de moradia, de saneamento básico, de trabalho, os 
hábitos dos moradores, as crenças, os costumes, as principais doenças; 
 
 Os principais problemas da comunidade; 
 
É possível ainda: 
 
 Orientar os moradores sobre hábitos saudáveis, serviços de saúde 
disponíveis e a forma de acesso; 
 
 Identificar as famílias com necessidades especiais como puérperas, recém-
nascidos, idosos, acamados e pessoas portadoras de deficiências; 
 
 Desenvolver ações para a integração entre a equipe de saúde e a 
população da sua área de ocupação; 
 
 Instruir sobre medidas de prevenção das doenças e promoção da saúde; 
 
 Ensinar à população a forma correta de uso de medicamentos e; 
 
 Realizar os registros das atividades realizadas para subsidiar os sistemas 
de saúde. 
 
 
72 
 
Ao terminar a visita domiciliar o Agente Comunitário de Saúde deve fazer uma 
análise geral do seu trabalho para detectar possíveis falhas, momento em que 
verificará se adquiriu todas as informações necessárias. Essa análise é 
fundamental para o planejamento das próximas visitas, os erros e falhas que 
aconteceram nessa visita servirão de exemplo para que não ocorra nas próximas 
e os acertos devem ser seguidos como exemplo. 
 
5.2 Cadastramento das famílias 
 
O cadastramento das famílias da microárea sob responsabilidade de cada Agente 
Comunitário de Saúde é a etapa inicial das suas atividades. É a partir do 
cadastramento que o ACS conhecerá a população por sexo e faixa etária, 
característica muito importante para a detecção de algumas doenças que 
acometem mais crianças do que adultos, ou mais mulheres que homens. Essas 
informações são muito importantes para o planejamento da saúde. Cada território 
de atuação do ACS deve ter no máximo 750 pessoas e o cadastramento é 
realizado através de fichas que serão apresentadas em tópico específico 
(BRASIL, 2009). 
 
Após o cadastramento das famílias, será possível ter uma visão geral do território 
sob sua responsabilidade. Informações essenciais para o desenvolvimento das 
atividades são levantadas nesse momento. Veja a seguir a lista de algumas delas: 
 
 A Composição familiar; 
 A presença de população indígena ou quilombola residindo nesse território; 
 A escolaridade dos moradores; 
 O acesso ao saneamento básico: água tratada, coleta de resíduos sólidos, 
rede de esgoto, drenagem pluvial e controle de vetores; 
 O número de pessoas por sexo e idade; 
 As condições de moradia; O número de pessoas desempregadas; 
 As doenças relatadas pelas famílias. 
73 
 
No cadastramento é possível ainda obter informações gerais sobre a área de 
atuação do ACS, tais como as instituições públicas e privadas e estabelecimentos 
comerciais, escolar, hospitalar, postos de saúde, praças, igrejas, cemitério, 
barreiras geográficas, entre outros. Esse conhecimento é fundamental para o 
mapeamento do território. 
 
Outras informações são relevantes para que o ACS desenvolva um bom trabalho. 
Conforme destacado anteriormente, é seu papel conhecer as especificidades de 
cada família e estar atento à forma de tratar cada sujeito, pois há uma diversidade 
de pessoas com modos de vida, crenças, valores, culturas distintas, todos devem 
ser tratados com respeito, não devendo ser feita críticas ou comentários de 
qualquer espécie sobre esse fato. Por exemplo, o indígena que possui modo de 
vida bastante diferente da maioria das pessoas, ainda que não esteja habitando 
suas aldeias, na maioria das vezes continuam a exercer o modo de vida a que 
estavam acostumados, é preciso que seja tratado também de forma diferenciada 
dos demais. De acordo com o Ministério da Saúde (2009, p. 41): 
 
 
É necessário considerar que o indígena nem sempre tem domínio da 
língua portuguesa, podendo entender algumas palavras em português, 
sem compreender a informação, a explicação dada ou mesmo a 
pergunta realizada. É importante observar e tentar perceber se estão 
entendendo e o que estão entendendo, cuidando para não constrangê-
los. O esforço de comunicação deve ser mútuo de modo a promover o 
diálogo. 
 
 
Ao finalizar o cadastramento você terá a real situação da comunidade, seus 
problemas de saúde, anseios da população, potencialidades local e os problemas 
da comunidade em geral, enfim, um retrato do território cadastrado, o que 
certamente é extremamente importante para o planejamento e organização das 
ações, como também importante subsídio na gestão dos serviços de saúde da 
comunidade. 
 
Obs.: A ficha de cadastramento preenchida ficará com você e sempre que 
necessário ou a cada mês você a levará a Unidade de Saúde para planejamento 
74 
 
do seu trabalho e organização das atividades. “Os dados desse cadastramento 
devem ser de conhecimento de toda a equipe de saúde” (MS, 2009, p.41). 
 
 
5.3 Mapeamento do território 
 
O mapeamento é uma estratégia fundamental para aumentar o conhecimento do 
território e diminuir a margem de erros nas atividades propostas. A espacialização 
dos componentes que fazem parte da comunidade, as ruas, casas, escolas, 
serviços de saúde, pontes, córregos e todos os obstáculos que poderão dificultar 
a circulação das pessoas facilita a orientação das atividades a serem realizadas 
nele. “O mapa deve ser uma ferramenta indispensável para seu trabalho. É o 
desenho de toda sua área/território de atuação” (BRASIL, 2009, p.43). 
 
Não é necessário que você seja um desenhista especializado, basta que coloque 
no papel símbolos que representem as localidades mais expressivas, como a 
escola, a igreja, o cemitério, barreiras geográficas, como rios que atravessam os 
bairros e praças. O ACS em todo o desenvolvimento de suas atividades contará 
sempre com a ajuda dos colegas da Unidade Básica de Saúde, portanto não 
precisará se preocupar com a confecção do mapa. Outra importante contribuição 
poderá vir dos moradores da comunidade que conhecem bem o local e auxiliará 
na demarcação dos principais pontos. 
 
Para a confecção do mapa, é necessário que você tenha conhecimento de 
algumas regras, para que o seu mapa seja bastante útil ao seu trabalho. No box 1 
constam algumas informações essenciais nesse processo. 
 
 
 
 
 
 
75 
 
Box 2 – Habilidades para a construção do mapa 
 
Existe algumas regras essenciais para que o mapa tenha utilidade. Por isso, ao 
construí-lo você desenvolve importantes habilidades: 
 
Limites 
 
- são pontos de referência que separam a sua área de outra área. Ex: rio, serra, 
uma rua, ponte e outros. No mapa estes limites são representados por linhas ou 
traços. 
 
Pontos Cardeais 
 
– são elementos que dão a direção e orientam em relação ao que está no norte, 
sul, leste e oeste. No mapa o ACS deverá indicar onde está o norte, pois isto vai 
orientar a posição correta do seu mapa evitando, por exemplo, que ele seja 
desenhado de cabeça para baixo. 
 
Noção de distância 
 
– é fundamental para reproduzir de forma reduzida, no mapa, o que existe na 
comunidade. Se o Centro de Saúde fica no final da rua, é ali que você coloca o 
símbolo que representa o Centro. Se a escola fica de um lado da rua e a padaria 
do outro, é assim que deve desenhar no seu mapa. Cada símbolo ocupa, no 
mapa, o lugar daquilo que ele representa. 
 
 
 
Noção de direção 
 
– é importante representar os locais tendo por referência os pontos cardeais. O 
que fica ao Norte é desenhado ao Norte. O que fica a Oeste é desenhado a 
Oeste, e assim por diante. Para saber onde ficam os pontos cardeais, a maneira 
mais simples é verificar onde o sol nasce, ali fica o Leste. Você então aponta o 
seu braço direito para onde o Sol nasce e o braço esquerdo para onde ele se põe, 
Oeste. Nessa posição, de braços abertos, a pessoa está de frente para o Norte e 
de costas para o Sul. 
 
 
Noção de conjunto dos problemas de saúde 
 
– é importante identificar, no mapa, os problemas de saúde da micro área. É como 
se você colocasse no papel aqueles inúmeros problemas das famílias que lhe 
vêm a mente o tempo todo, em busca de uma solução. Assim todos os principais 
problemas podem ser visualizados ao mesmo tempo. Isso facilita a sua análise e 
principalmente a tomada de decisões, ou seja, onde, quando e como a equipe irá 
agir. 
 
Na construção do seu mapa inteligente é importante incluir os seguintes serviços: 
76 
 
prefeitura, ou sub prefeituras, distritos; unidades básicas de saúde; equipes de 
saúde da família; hospitais; escolas; creches; igrejas e centros religiosos; 
delegacias e postos policiais; quadras de esporte, campo de futebol; ruas 
principais, rios, córregos, lagoas, várzeas; estabelecimentos comerciais e 
indústrias; pontos de ônibus; casa de parteira, da benzedeira, da curandeira; 
barreiras geográficas, morros, encostas matas e outros aspectos importantes. 
Fonte: Minas Gerais, 2012 
 
 
Para demonstrar os pontos de referência do território sob sua responsabilidade, 
você vai necessitar de alguns símbolos para identifica-los, na Figura 6 constam 
algumas figuras que podem ser utilizados para a identificação no mapa. 
 
 
 Figura 5 – Símbolos de identificação no mapa 
 
 
 Fonte: Matos, 2006 
 
 
Os mapas elaborados pelo Agente Comunitário de Saúde, não precisa ser um 
belo desenho, porém é necessário que seja compreensível, que todos os 
apontamentos esteja claro para que ao utilizá-lo consiga realmente enxergar os 
pontos que deseja intervir naquele momento, veja a seguir o desenho de um 
território no município de Bocaiúva, onde o ACS elaborou o mapa de acordo com 
as suas necessidades, nele aparece as micro áreas delimitadas por cores 
diferentes para situá-lo. 
77 
 
 Figura 6 – Exemplo de Mapa de Território de ACS 
 
 Fonte: Souto, 2010 
 
 
O mapeamento facilita as atividades do ACS, pois a partir dele é possível detectar 
os pontos a serem trabalhados com maior rapidez e eficiência. São diversos 
pontos a serem analisados: 
 
 Identificação dos caminhos que levará ao destino com mais facilidade; 
 
 Identificação das barreiras geográficas que impedem o acesso dos 
moradores aos serviços de saúde (rios, morros, mata cerradaetc.); 
 
 O conhecimento da realidade local contribuirá para o planejamento com 
vistas à resolução dos problemas de saúde com eficiência; 
 
 Possibilitará agilizar as visitas diárias; 
 
 É possível distinguir e identificar os locais de risco (morros, áreas sem 
saneamento básico, lixões); 
 
78 
 
 Marcar com símbolos os locais de moradia de grupos prioritários: 
gestantes, idosos, hipertensos, diabéticos, pessoas acamadas, crianças 
menores de cinco anos, pessoas com deficiência, usuário de drogas, 
pessoas com hanseníase ou tuberculose etc. 
 
 
 
Para saber mais acesse: 
 
<http://www.youtube.com/watch?v=9fNLZp4r_40&list=PL9E509996961ABADD&index=12> 
Agentes em ação: Mapeamento, desenhando a sua área. 
Vídeo da série Agentes em Ação, explica como montar os mapas da comunidade 
para que o o Agente possa planejar suas ações e trabalhar da melhor forma. 
 
 
5.4 Reuniões Comunitárias 
 
Onde quer que haja mulheres e homens, há sempre o que 
fazer, há sempre o que ensinar, há sempre o que aprender. 
 
PAULO FREIRE 
 
 
Outro importante papel do Agente Comunitário de Saúde é o de educador. É 
através da ação educativa que o ACS partilha o seu saber e aprende com a 
comunidade o saber local. Essas ações se iniciam nas visitas domiciliares, 
podendo se estender posteriormente nas reuniões comunitárias realizadas tanto 
nas Unidades Básicas de Saúde, como nas escolas, nas igrejas, nos espaços das 
associações de bairros, ou outro local onde a comunidade costuma se reunir. 
 
Essas reuniões são fundamentais, pois é nesse momento que ocorrem as trocas 
de experiências e decisões relevantes, construídas ente a equipe de saúde da 
família e os moradores da sua área de atuação. Essas ações são organizadas e 
realizadas não só pelo ACS, mas por toda a equipe. É preciso que vocês saibam 
79 
 
qual a metodologia mais apropriada para trabalhar com cada grupo, qual a 
linguagem será mais viável para dialogar com os moradores. 
 
As atividades pensadas juntamente com os moradores serão recebidas com mais 
facilidade pela comunidade, pois se sentem parte do processo. Isso aumentará a 
autoestima, por participarem das decisões que dizem respeito à saúde da 
comunidade, além do que a sua participação é essencial para delinear melhor as 
prioridades do território sob sua responsabilidade, afinal de contas ninguém 
melhor que os habitantes de uma área para conhecer suas necessidades e 
prioridades. 
 
De acordo com o Ministério da Saúde (2009) as atividades educativas fazem 
parte do processo de trabalho de todos os membros da equipe e para o seu 
desenvolvimento é aconselhável diversos procedimentos, tais como: 
 
 Divulgar é uma etapa importantíssima nesse processo. A notícia deve ser 
espalhada para o máximo de pessoas que for possível através de cartazes, 
e nas reuniões de Associação de bairros, nas escolas, igrejas, ou seja, nos 
lugares mais frequentados pela comunidade; 
 
 Realizar reuniões com atividades lúdicas que possibilite aos participantes 
se apresentarem e se integrarem ao grupo naturalmente; 
 
 Exposição do tema que será discutido de forma que fique claro as 
necessidades e expectativas de todos; 
 
 Adaptação da pauta da discussão dependendo das necessidades do 
momento; 
 
 A participação de todos deve ser sempre estimulada, pois se sentir parte 
do trabalho, aumentará o interesse para que dê certo. 
 Os conhecimentos, crenças e valores do grupo, como também os mitos, 
tabus e preconceitos, devem ser identificados e os moradores devem ser 
80 
 
estimulados a refletirem sobre os mesmos. Entretanto, é preciso o devido 
cuidado para não agir com preconceitos quanto à cultura ou religião; 
 
 Deve ser estimulado o autoconhecimento e autocuidado, fato que 
contribuirá para uma melhor qualidade de vida; 
 
 Proporcionar um ambiente favorável à relatos e experiências que expresse 
sentimentos e dúvidas com naturalidade; 
 
 Conduzir a reunião de forma que todos se expressem, e que não seja uma 
reunião que sirva apenas para discussão de problemas pessoais de 
determinados sujeitos; 
 
 Fazer uso dos recursos didáticos disponíveis como cartazes, recursos 
audiovisuais, bonecos, balões, entre outros; 
 
 Sintetizar os assuntos discutidos e apresentar para o esclarecimento das 
dúvidas que surgirem; 
 
 
A seguir são apresentadas algumas das habilidades indispensáveis ao 
profissional de saúde segundo o Ministério da Saúde: 
 
81 
 
 
 
O profissional de saúde deve ser habilidoso o bastante para lidar com os diversos 
grupos de pessoas com quem conviverá cotidianamente, entre essas habilidades 
estão à capacidade para se comunicar, utilizando uma linguagem acessível a 
todos, ou seja, clara e objetiva. A gentileza também deve ser imprescindível à 
essa profissão, pois sendo simples e amável, conquistará a confiança e 
dificilmente receberá um não. O acolhimento às pessoas faz parte do novo 
modelo de atenção à saúde, saber ouvir, colocar-se no lugar do outro. 
Certamente encontrará indivíduos com crenças e valores diferentes dos seus, é 
fundamental que seja tolerante com essas pessoas. O conhecimento profundo 
sobre o assunto que discutirá lhe dará tranquilidade para debatê-lo, portanto, 
estude bastante antes de discutir determinados assuntos. É necessário ainda ter 
conhecimentos técnicos e se tiver dificuldades, tenha humildade para solicitar 
ajuda e se orientar caso não saiba sanar alguma dúvida. 
 
Faz-se necessária sempre que possível à oferta de materiais impressos, 
acompanhados da explicitação da importância do acompanhamento ininterrupto 
na Unidade Básica de Saúde. 
 
 
 
Capacidade de 
comunicação 
Linguagem 
acessível, simples e 
precisa 
Acolhimento 
Ser gentil Torência 
Ter conhecimento 
do assunto 
82 
 
5.5 Participação da comunidade 
 
O Agente Comunitário de Saúde tem o dever de garantir a participação da 
comunidade no planejamento das ações de saúde. O ACS deve participar e 
contribuir na organização dos conselhos locais de saúde, além de estimular os 
moradores a participarem desses conselhos. Os representantes da comunidade 
como os presidentes das associações de bairro podem contribuir fornecendo aos 
conselheiros de saúde informações, dados e ações que já são desenvolvidas na 
comunidade e que vem trazendo resultados positivos (MS, 2009). 
 
Conforme já apontado anteriormente, os moradores, principalmente os mais 
antigos conhecem bem as deficiências e a maioria dos problemas da comunidade 
podendo ser de grande valia as informações oferecidas, além do que se sentirão 
importantes participando do planejamento das ações para melhoria do seu 
território, fato que será fundamental para o desenvolvimento dos trabalhos da 
equipe de saúde. 
 
Cada pessoa da comunidade sabe alguma coisa, sabe fazer alguma 
coisa e sabe dizer alguma coisa diferente. São os saberes, os fazeres e 
os dizeres da comunidade. A comunidade funciona quando existe troca 
de conhecimentos entre todos. Cada um tem um jeito de contribuir, e 
toda contribuição deve ser considerada e valorizada. Você tem de estar 
muito atento a tudo isso (MS, 2009, p. 56). 
 
 
Para que as necessidades de saúde de uma população sejam supridas 
adequadamente é preciso que haja a intersetoriedade, ou seja, a integração dos 
serviços de saúde a outros órgãos públicos, pois a articulação de políticas, 
programas e ações contribuem para a melhoria da saúde. Somente o setor de 
saúde não consegue garantir a saúde de uma população ou de um território, é 
preciso que todos se envolvam. Dar exemplos 
 
O ACS juntamentecom a equipe do programa de saúde, os moradores da 
comunidade e o envolvimento de outros setores poderão modificar as condições 
de vida de uma população ou mesmo de uma determinada área. Determinar 
83 
 
conjuntamente as prioridades da comunidade e criar estratégias para a efetivação 
dessas prioridades. Dar exemplos 
 
5.6 Planejamento 
 
O planejamento é fundamental para o desenvolvimento de qualquer tarefa, no 
caso da atenção à saúde, ele é vital para o bom andamento das atividades em 
prol da melhoria das condições ambientais do território sob sua responsabilidade 
e consequentemente da saúde da população. 
 
As atividades e ações para a sua área de atuação devem ser planejadas por você 
juntamente com a equipe de profissionais de saúde, porém deve ter o 
envolvimento da comunidade. Conforme discutido anteriormente, quem bem 
conhece a comunidade com todos os seus problemas e potencialidades são os 
moradores, é essencial a participação deles em todo o processo. 
 
Saiba que esse planejamento deve ser contínuo, ou seja, em todas as etapas. É 
preciso ainda que a sua execução seja devidamente acompanhada, sempre que 
necessário as ações devem ser retomadas e se necessário reformuladas, sendo 
imprescindível que seja avaliado os seus resultados para verificar se todas as 
metas foram cumpridas e se os objetivos foram alcançados. 
 
 
Atenção: “De modo geral, o planejamento é um instrumento de gestão que visa 
promover o desenvolvimento institucional, objetivando melhorar a qualidade e 
efetividade do trabalho desenvolvido” (BRASIL, 2009, P. 62). 
 
 
5.6.1 Etapas do planejamento 
 
Para realizar o planejamento são necessárias diversas etapas: o diagnóstico, o 
plano de ação, a meta, a estratégia, os recursos, o cronograma, a execução, o 
acompanhamento e a avaliação. 
84 
 
 
O diagnóstico é a etapa inicial do planejamento, pois é preciso conhecer todas as 
características da comunidade como ponto de partida. Para realizar essa etapa, 
você pode utilizar diversas formas de abordagem, as entrevistas são um bom 
caminho, quando poderão instigar o sujeito entrevistado a falar. A entrevista pode 
ser individual ou com grupo focal, quando será reunida uma quantidade maior de 
pessoas para responderem questões sobre a comunidade. Outra ferramenta 
bastante utilizada é o questionário, que possibilitará levantar os dados da 
população. Outros mecanismos podem também ser usados, como a observação. 
De acordo com o Ministério da Saúde (2009, p. 64), “O diagnóstico da 
comunidade nada mais é do que uma leitura da realidade local”. 
 
Após conhecer todas as características da comunidade, é chegada a hora de 
partir para a ação. A equipe de saúde juntamente com a comunidade irá definir 
qual o melhor plano de ação para a resolução dos problemas que foram 
identificados e que são passíveis de intervenção, uma vez sanados esses 
problemas, é possível que a saúde da população tenha ganhos consideráveis. A 
partir do plano de ação as atividades da equipe de saúde e dos moradores da 
comunidade irá ter um direcionamento único, pois todos trabalharão em prol do 
alcance dessa meta. 
 
Definido o plano de ação a etapa seguinte é estabelecer as estratégias 
disponíveis para o alcance da meta. Qual o melhor método a ser utilizado? Qual a 
técnica mais adequada para essa etapa? Qual é o papel de cada um? São 
questões que devem ficar muito claras, e cada um deve entender qual a sua 
responsabilidade e também o melhor método e a melhor técnica para desenvolver 
a atividade que lhe coube nesse processo. 
 
É preciso ainda levantar os recursos necessários para a realização das 
atividades, recursos físicos, humanos, materiais e financeiros. A etapa seguinte 
será estipular um cronograma. É preciso organizar a estratégia dentro do tempo 
disponível. 
 
85 
 
E por fim, executa-se o plano de ação, que nada mais é do que colocar em prática 
o que foi panejado. De agora em diante basta monitorar e avaliar todas as etapas 
do plano. Após o término da execução, deve-se analisar os resultados e auxiliar a 
reprogramação das ações e se necessário realizar novo diagnóstico ou reformular 
o já existente (Brasil, 2009). 
 
Conforme já discutido você deve ter o maior número possível de informações 
sobre a comunidade na qual vai realizar o seu trabalho, para isso, por vezes 
necessitará fazer registros em 04 (quatro) fichas: Ficha A – cadastramento das 
famílias; Ficha B – acompanhamento de gestantes; Ficha C – Cartão da Criança; 
e Ficha D – registro das atividades diárias do ACS. A seguir você terá orientação 
de como preencher essas fichas. 
 
 
5.7 O papel do Agente Comunitário de Saúde na equipe de saúde 
 
Para que haja uma organização da saúde da população de um determinado 
território, é necessário que cada trabalhador saiba o que se deve fazer, dividindo 
assim suas responsabilidades e funções. 
 
No quadro a seguir estão algumas das tarefas específicas e outras comuns entre 
seus colegas, profissionais de outras áreas, da equipe da unidade de saúde. 
Afinal, todos atuam com o mesmo propósito perante a comunidade e no mesmo 
campo da saúde. 
 
Analise o quadro seguinte e conheça as atividades sob sua responsabilidade na 
sua unidade de saúde. 
 
 
 
86 
 
 Quadro 3 - Ações da Equipe de Saúde 
 Profissionais 
 
Ações 
ACS Aux/Téc. 
Enfermagem 
Enferm
eiro 
Médico ACE Cirurgião-
dentista 
Téc. 
Saúde 
Bucal 
Aux. 
Saúde 
Bucal 
Realizar 
planejamento 
X X X X X X X X 
Prescrever 
medicamentos 
 X* X X** 
Realizar visita 
domiciliar 
X X X X X X X X 
Orientação sobre 
higiene bucal 
X X X X X X X X 
Escutar/acolher o 
usuário 
X X X X X X X X 
Realizar 
cadastramento 
das famílias*** 
X 
Realizar avaliação X X X X X X X 
Realizar consulta 
médica 
 X 
Realizar consulta 
de enfermagem 
 X 
Realizar consulta 
odontológica 
 X 
Aplicação de 
larvicida 
 X 
Realizar ações de 
educação em 
Saúde 
X X X X X X X X 
Legenda: 
 
* Enfermeiro – pode prescrever observando a legislação vigente. 
**Cirurgião-dentista – pode prescrever observando a legislação vigente. 
*** Realizar cadastramento das famílias é uma atribuição do ACS, mas pode ser 
desenvolvida pelos demais membros da equipe de saúde 
 
Fonte: adaptado de Ministério da Saúde, 2009. 
 
 
 
 
 
87 
 
Atividades para facilitar a aprendizagem 
 
1) Quais as atribuições básicas dos ACS (agentes comunitários de saúde)? 
 
(a) realização do cadastramento das famílias; 
(b) realização de visitas domiciliares; 
(c) acompanhar o crescimento e desenvolvimento das crianças de 0 (zero) a 05 
(cinco) anos; 
(d) Todas as respostas estão corretas. 
 
 
2) Assinale a alternativa correta: 
 
O agente comunitário de saúde precisa de alguns instrumentos de trabalho, para 
conhecer melhor as necessidades da comunidade. Os instrumentos mais 
utilizados são: 
 
(a) entrevista, visita domiciliar, mapeamento da comunidade; 
(b) instrumentos de primeiros socorros, exame físico; 
(c) reuniões comunitárias, cadastramento das famílias; 
(d) as alternativas a e c estão corretas. 
 
 
3) A visita domiciliar é uma das atividades que o Agente Comunitário de Saúde 
realiza. Assinale qual o objetivo desta atividade. 
 
(a) Identificar as pessoas que estão bem de saúde e as que não estão, e 
conhecer os principais problemas de saúde das pessoas; 
(b) Conhecer as condições de moradia, de trabalho, os hábitos, as crenças, os 
costumes, os valores, e descobrir o que as pessoasprecisam saber para 
cuidar melhor de sua saúde; 
(c) Ajudar as pessoas a refletirem sobre os seus problemas de saúde e ajudá-
las a organizar suas ações para tentar resolvê-las. Identificar as famílias 
88 
 
que precisam de um acompanhamento mais próximo e mais frequente e 
ensinar às pessoas medidas simples de prevenção e orientá-las a usar 
corretamente os medicamentos. 
(d) Todas as alternativas estão corretas. 
 
4) O que é diagnóstico comunitário? 
 
(a) É conhecer as doenças da comunidade. 
(b) É conhecer as igrejas, os centros esportivos e as pessoas que frequentam 
os postos de saúde. 
(c) É identificar os problemas, as necessidades, os recursos de uma 
comunidade. 
(d) O agente comunitário de saúde não realiza diagnóstico comunitário. 
 
5) O cadastramento das famílias fornece informações como: 
 
(a) Saber quantas e quais são as pessoas que o agente comunitário de saúde vai 
acompanhar, quais as suas idades, seus problemas de saúde e condições de 
moradia e saneamento; 
(b) Conhecer as condições de vida das famílias que vai acompanhar; 
(c) Preencher várias fichas somente para o controle do número de pessoas e 
arquiva-las semanalmente; 
(d) As alternativas A e B estão corretas. 
 
6) Uma forma de aumentar os conhecimentos sobre a comunidade é trabalhar 
com mapas. O mapa é um desenho que representa no papel, o que existe nos 
lugares: as ruas, o correio, o posto policial, os rios, as pontes, os córregos e 
outras coisas importantes. Com base neste texto, assinale a alternativa correta: 
 
(a) Os mapas são importantes, pois eles permitem que se conheça melhor a 
realidade das comunidades para que se possa planejar como resolver os seus 
problemas de saúde com mais eficácia; 
89 
 
(b) No mapa temos informações sobre o território ocupado pela comunidade, 
sendo que esta realidade não pode ser transformada; 
(c) O mapa do agente comunitário de saúde não ajuda no diagnóstico de saúde 
da comunidade; 
(d) Todas as alternativas estão corretas; 
 
7) Um morador machuca o pé e pergunta a você, ACS, o que fazer. O que você, 
ACS, faria? 
 
I – Faria o curativo no pé dele. 
II – Informaria os melhores remédios para a cura. 
III – Encaminharia o morador para a unidade de saúde, para avaliação de um 
enfermeiro. 
IV – Não faria nada, afinal, não é sua função cooperar para a recuperação da 
saúde da sua comunidade. 
Está(ão) CORRETA(S) a(s) afirmativa(s): 
 
a) I e II, somente. 
b) IV, somente. 
c) III, somente. 
d) II e III, somente. 
 
8) Um agente comunitário de saúde identificou um caso suspeito de tuberculose 
em uma família visitada. Qual o procedimento correto a ser tomado por esse 
agente? 
 
a) Encaminhar a pessoa para a unidade básica de saúde para fazer o 
diagnóstico; 
b) Trazer a medicação para a pessoa e orientá-la a maneira correta de como 
tomá-lo; 
c) Orientar a pessoa dos cuidados para não transmitir a doença aos outros 
membros da família; 
d) Solicitar que os familiares separem talheres e pratos da pessoa para evitar 
o contágio. 
 
 
 
 
 
90 
 
9) Ao verificar situações de maus tratos em uma criança da comunidade, agentes 
comunitários de saúde devem: 
 
a) Se omitir devido ao código de ética da instituição; 
b) Levar o caso a policia segundo estatuto da criança e adolescente; 
c) Levar o caso para a tutoria municipal; 
d) Levar o caso para o conselho tutelar. 
 
10) A senhora A.M.A. relatou ao agente comunitário de saúde que realizava visita 
em seu domicílio que sua filha (20 dias de vida) apresenta cólicas. São 
orientações que podem ser feitas neste caso, exceto: 
 
a) Orientar para que a mãe e familiares não confundam a necessidade de 
sugar, que melhora por um tempo as cólicas, como a fome; 
b) Para aliviar as cólicas por alguns momentos, orientar para fazer 
massagens na barriga no sentido dos ponteiros do relógio e movimentar 
as pernas em direção à barriga. 
c) Orientar a mãe a não usar medicamentos sem orientação da equipe. 
d) Fazer compressas secas e frias, aconchegar o bebê no colo da mãe 
também podem ajudar a acalmar a dor. 
 
11) Numa comunidade, um Agente Comunitário de Saúde nota grande quantidade 
de lixo nas ruas, poluição das águas, esgoto a céu aberto e crianças circulando 
descalças. Diante da situação nesse espaço, as pessoas ali estão expostas a 
qual das doenças? 
 
a) Leptospirose; 
b) Febre amarela; 
c) Raiva; 
d) Esquistossomose; 
 
12) Em visita a uma residência próxima à UBS de sua área de assistência, um 
Agente Comunitário de Saúde constatou em uma das crianças da casa sintomas 
similares ao quadro de infecção respiratória aguda (IRA). Neste caso, o agente 
deverá: 
 
a) Prescrever uma inalação / nebulização com broncodilatadores ou 
expectorantes para a criança; 
b) Orientar os pais a procurar um médico particular para prescrição de 
antibiótico específico para o quadro; 
c) Encaminhá-la ao serviço de saúde mais próximo; 
d) Explicar que o quadro trata-se de uma virose e que depois de 7 dias os 
sintomas somem. 
91 
 
13) Em sua Visita Domiciliar, o Agente Comunitário de Saúde verifica a carteira de 
vacinação de um recém nascido, esta carteira deve conter as seguintes vacinas: 
 
a) BCG e Hepatite B; 
b) Pólio e BCG; 
c) Pólio e Pneumocócica 10; 
d) Triviral e BCG. 
 
 
14) O ACS, ao fazer suas visitas, realiza em maior intensidade a promoção da 
saúde e orientações para prevenção de doenças. Que ações e/ou orientações 
poderia fazer aos portadores de diabetes? 
 
I – Poderia orientar a mudanças de hábitos de vida, ligadas à alimentação e a 
prática de atividade física rotineira. 
II – Deve registrar, em sua ficha de acompanhamento, o diagnóstico de diabetes 
de cada membro da família. 
III – Deve estimular que os pacientes se organizem em grupos de ajuda mútua, 
como, por exemplo, rodas de conversa, grupos de caminhada, trocas de receita, 
técnicas de autocuidado, entre outros. 
IV - Fazer busca ativa de faltosos as consultas agendadas na unidade. 
Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s): 
a) I e III, apenas. 
b) II, apenas. 
c) Todas estão erradas. 
d) Todas estão corretas. 
15) Para promoção de saúde, em hipertensão, quais dos itens abaixo, você 
mencionaria como sendo fator de risco para essa doença: 
 
I – Idade. 
II – Cor do cabelo. 
III – Raça. 
IV – História familiar. 
V- Bairro em que mora. 
 
Estão CORRETOS: 
a) I, II e IV, apenas. 
b) I, III e IV, apenas. 
c) II, III, IV e V, apenas. 
d) II, IV e V, apenas. 
92 
 
16) Na saúde da criança, um fator muito importante são as vacinas em dia. Um 
morador interessado nesse assunto lhe questiona sobre qual é a função da vacina 
BCG em um recém-nascido. Você, então CORRETAMENTE afirma: 
 
a) A BCG protege o bebê contra as formas graves da tuberculose, uma 
doença contagiosa causada por bactéria que atinge principalmente os 
pulmões e que, se não tratada, provoca problemas respiratórios, fraqueza, 
perda de peso e até a morte. 
 
b) A BCG protege o bebê contra as formas graves de varicela, uma doença c
ontagiosa. 
c) A BCG protege o bebê contra as formas graves do vírus da gripe, que, se 
não tratada, provoca problemas respiratórios e fraqueza. 
d) A BCG protege o bebê contra as formas graves de diarréia que provocam f
raqueza, perda de peso e até a morte do bebê. 
 
17) Ainda muito interessado, o morador questiona sobre quais doenças a vacina 
da tríplice viral (SRC) protege uma criança. Você então responde 
CORRETAMENTE: 
 
a) Sarampo, Rota Vírus e Coqueluche. 
b) Sarampo, Rubéola e Caxumba. 
c) Surto degripe, Rinite e Caxumba. 
d) Sarampo, Rubéola e Coqueluche. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
93 
 
UNIDADE VI 
 
6 - Orientações gerais para preenchimento das fichas de cadastramento. 
 
6.1 - Ficha A 
 
As informações registradas na Ficha A irão para a Secretaria de Saúde do 
município, posteriormente para a Secretaria de Saúde do Estado e por último para 
o Departamento de Atenção Básica do Ministério da Saúde. Através desta, o 
governo federal passa a ter uma noção básica de como anda a realidade da 
saúde das pessoas nos municípios brasileiros e com isso realiza um estudo mais 
aprofundado para fins de criação de projetos para fortalecer a Política Nacional de 
Atenção Básica. 
 
 
 
 
 
 
1 – Identificação da Ficha – Ficha A 
2- Faz referência à Secretaria Municipal de Saúde e ao Sistema de Informação 
de Atenção Básica - SIAB 
6 
1 2 3 4 5 
7 
8 9 
10 11 12 13 
94 
 
3- Deve-se escrever o endereço da família 
4- Escreve-se o número da casa 
5- Os dois quadrinhos no espaço com as letras UF (Unidade da Federação) 
devem ser preenchidos com as letras referentes à sigla do Estado. Exemplo: 
MG. 
 
6- Deve ser escrito o nome do bairro. 
 
7- Escreve-se o CEP, que é a sigla de Código de Endereço Postal. 
 
8- Deve ser escrito o código do município. Esse número consta no site do Instituto 
Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. 
 
9- Código do segmento. Fornecido pela Secretaria Municipal de Saúde 
Secretaria. 
 
10- Código da área. Fornecido pela Secretaria Municipal de Saúde. 
 
11- Código da microárea. Fornecido pela Secretaria Municipal de Saúde. 
 
12- Nesse espaço deve ser escrito o número da família. Exemplo: 001, 002, 
003.....010....013...020 até 099, depois 100...110.....até a última família. 
 
13- Coloque a data. O dia, o mês e o ano. 
 
Os campos do verso da Ficha A tem como característica analisar a situação de 
moradia, saneamento e outras informações importantes acerca da família. 
 
 
 
95 
 
 
 
 
 
 
 
1- A seta aponta o campo referente ao tipo de casa, logo a seguir são 
discriminados os tipos que podem ser de tijolo/adobe, de taipa revestida, 
de taipa não revestida, de madeira, de material aproveitado ou outro tipo 
de material, nesse caso deve ser especificado o tipo de casa. Na frente de 
cada informação tem um quadrinho, onde você deve fazer um X de acordo 
com o tipo de casa encontrado. 
 
2- O número 2 diz respeito ao tipo de tratamento da água utilizada no 
domicílio, se é fervida, filtrada, clorada ou sem nenhum tratamento. Da 
mesma forma você deve assinalar com um X o quadrinho na frente da 
opção informada pelos moradores. 
1 
2 
5 
4 
3 
96 
 
3- O número 3 se refere à forma de abastecimento de água no domicílio, se é 
pela rede geral, de poço ou nascente, ou se é de outra forma. Assinale na 
frente a forma de abastecimento. 
 
4- Aqui você deve assinalar a forma de destinação das fezes e urina do 
domicílio, se é pelo sistema de esgoto, se é por fossa ou se é lançada a 
céu aberto. 
 
5- No número 5 você deve assinalar o quadrinho destinado a forma de 
destinação do lixo no domicílio, se é coletado, queimado/enterrado ou 
jogado a céu aberto. 
 
 
O quadro a seguir apresenta outras informações sobre a família visitada, esses 
 dados complementarão o cadastro familiar. 
 
 
 
1 2 
3 
4 
5 6 
7 
8 
97 
 
1- É para que seja informado se alguém da família possui plano de saúde, 
coloque sim ou não. 
 
2- Se sim, coloque o número de pessoas que são cobertas pelo plano. 
 
3- Caso positivo informe o nome do plano de saúde. 
 
4- Informe se a família participa de algum grupo comunitário, colocando um X 
no quadradinho na frente do ítem, cooperativa, grupo religioso, 
associações ou se participam de outros grupos, especificar qual. 
 
5- Assinalar com um X os meios de transportes que eles mais usam, ônibus, 
caminhão, carro, carroça, se utilizarem outros, especificar quais. 
 
6- Assinalar com X o quadrinho correspondente aos meios de comunicação 
mais utilizados pela família, rádio, televisão, ou outros meios de 
comunicação. 
 
7- Há também de informar quais tipos de socorro àquela família está 
acostumada a procurar ao necessitar de atendimento no caso de doenças, 
hospital, unidade de saúde, benzedeira, farmácia, se utilizar outros meios, 
especificar quais. 
 
8- E por fim, vem o espaço para que seja descrita observações que 
considerem importantes a respeito da saúde daquela família. 
 
 
 
 
 
98 
 
6.2 - Cadastramento e acompanhamento da Ficha B 
 
No quadro abaixo, está a Ficha B-GES onde o Agente Comunitário de Saúde 
deverá cadastrar as gestantes com o objetivo de acompanhar mensalmente seu 
estado de saúde. A cada visita, seus dados são atualizados nessa ficha, que fica 
em posse do Agente Comunitário de Saúde, sendo discutida mensalmente com o 
enfermeiro instrutor/supervisor. 
 
 
 
 
 
 
1 
7 
6 
5 2 
3 
4 
99 
 
1- Aquí é necessário colocar o identificador do município, coloque um número 
em cada quadrinho. Obs.: esse número poderá ser fornecido a você pelos 
enfermeiros ou pela própria instituição. 
2 Nesse espaço coloque o número da unidade. 
3 Coloque nesse quadro o número da área. 
4 Aqui coloque o número da microárea. 
5 Coloque aqui o ano em que você está fazendo o cadastro. 
 
6 Esse espaço é para ser colocado o nome do Agente Comunitário de Saúde. 
 
 7 A área apontada pela seta ligada ao número 7 se destina a identificação da 
gestante, nome, endereço, data da última regra, data provável do parto, data da 
vacina, estado nutricional, data da consulta de pré-natal, fatores de risco, 
resultado da gestação e data da consulta de puerpério. Estão descritos os meses 
de gestação para que você coloque as informações ou assinale com o X, veja o 
modelo. Se tiver dificuldade peça ajuda a um colega que já tenha experiência. 
 
A seguir contêm a Ficha B-HA, que é usada para o cadastramento dos 
hipertensos, para que haja seu acompanhamento mensal. 
Só serão cadastradas as pessoas com diagnóstico médico estabelecido. Os 
casos de suspeita devem ser encaminhados imediatamente à Unidade Básica de 
Saúde para que seja realizada uma consulta médica. Após tal procedimento, o 
Agente Comunitário de Saúde cadastra e faz o acompanhamento do hipertenso. 
 
100 
 
 
 
1- Aqui é necessário colocar o identificador do município, coloque um número 
em cada quadrinho. Obs.: esse número poderá ser fornecido a você pelos 
enfermeiros ou pela própria instituição. 
2 Nesse espaço coloque o número da unidade. 
3 Coloque nesse quadro o número da área. 
4 Aqui coloque o número da microárea. 
5 Coloque aqui o ano em que você está fazendo o cadastro. 
 
6 Esse espaço é para ser colocado o nome do Agente Comunitário de Saúde. 
 
 7 A área apontada pela seta ligada ao número 7 se destina a identificação do 
hipertenso, nome, endereço, sexo, idade, se é fumante ou não, e as demais 
informações como se faz dieta, toma a medicação, se faz exercícios físicos, se 
7 
1 2 3 
4 5 6 
101 
 
faz a aferição da pressão arterial e a data da última consulta, todos esses itens 
estão descritos com o quadrinho na frente, uns para que você assinale com um X 
e outros para que você preencha com as informações corretas, veja o modelo. 
 
A seguir contêm a Ficha B-DIA, que é usada para o cadastramento dos 
diabéticos, para quehaja seu acompanhamento mensal. 
Só serão cadastradas as pessoas com diagnóstico médico estabelecido. Os 
casos de suspeita devem ser encaminhados imediatamente à Unidade Básica de 
Saúde para que seja realizada uma consulta médica. Após tal procedimento que o 
Agente Comunitário de Saúde cadastra e faz o acompanhamento do diabético. 
Os casos de diabetes gestacional não devem ser cadastrados nessa ficha. 
 
 
 
 
7 
1 2 
3 
4 
5 6 
102 
 
1- Aqui é necessário colocar o identificador do município, coloque um número 
em cada quadrinho. Obs.: esse número poderá ser fornecido a você pelos 
enfermeiros ou pela própria instituição. 
2 Nesse espaço coloque o número da unidade. 
3 Coloque nesse quadro o número da área. 
4 Aqui coloque o número da microárea. 
5 Coloque aqui o ano em que você está fazendo o cadastro. 
 
6 Esse espaço é para ser colocado o nome do Agente Comunitário de Saúde. 
 
 7 A área apontada pela seta ligada ao número 7 se destina a identificação do 
hipertenso, nome, endereço, sexo, idade, se faz dieta, se usa insulina, se faz 
exercícios físicos, se toma hipoglicemiante oral e a data da última consulta, todos 
esses itens estão descritos com o quadrinho na frente, uns para que você 
assinale com um X e outros para que você preencha com as informações 
corretas, veja o modelo. 
 
A Ficha B-TB e a ficha B-HAN servem respectivamente para o acompanhamento 
mensal de pessoas com tuberculose e hanseníase. Sendo atualizadas as fichas a 
cada visita dos Agentes Comunitários de Saúde, que também terão a posse das 
fichas para que sejam revisadas periodicamente pelo enfermeiro 
instrutor/supervisor. 
 
É válido ressaltar que sempre que se cadastrar um novo caso, seja de gestante, 
hipertenso, diabético, seja de pacientes com tuberculose ou hanseníase, o Agente 
Comunitário de Saúde deve levar o caso para que seja discutido com o 
enfermeiro instrutor/supervisor, sempre solicitando auxílio para o preenchimento e 
acompanhamento dos casos. 
 
 
103 
 
6.3 - Orientações para preenchimento da Ficha C – cópia das informações 
pertinentes da Caderneta da Criança 
 
Nesta parte iremos explicar a Ficha C, que é o instrumento utilizado para o 
acompanhamento da criança. Trata-se de uma coleta de informações pertinentes 
da Caderneta da Criança, uma cópia padronizada pelo Ministério da Saúde e 
utilizada pelos diversos serviços de saúde. Toda família que tenha uma criança 
menor de cinco anos deve possuir essa caderneta, que servirá como fonte de 
dados que serão coletados pelos Agentes Comunitários de Saúde. As Cadernetas 
se distinguem em dois modelos distintos, sendo uma para criança de sexo 
masculino e outra para a criança de sexo feminino. O ACS deve transcrever para 
o seu cartão sombra/cartão espelho, os dados registrados na Caderneta da 
Criança. 
 
Se a família não possuir a Caderneta, o Agente Comunitário de Saúde deverá 
preencher o cartão sombra baseando-se nas informações referidas, e 
posteriormente orientar a família a procurar a unidade de saúde em que realizou 
as vacinas para providenciar a 2ª via. 
 
6.4 - Orientações para preenchimento da Ficha D – registro de atividades, 
procedimentos e notificações 
 
No quadro a seguir está a Ficha D, que é utilizada por todos os profissionais da 
equipe de saúde. Cada profissional tem obrigação de entregar uma Ficha D 
preenchida ao final do mês. O preenchimento desse instrumento deve ser diário, 
onde é levado em conta os dias efetivos de trabalho em cada mês. 
 
O primeiro quadro da ficha será preenchido pelo Agente Comunitário de Saúde 
com a ajuda do enfermeiro de sua unidade de saúde, uma vez que, é o 
responsável pelo seu trabalho e que realizará a orientação e a supervisão. 
 
104 
 
 
 
 
 
 
 
 
1- Aqui é necessário colocar o identificador do município, coloque um número 
em cada quadrinho. Obs.: esse número poderá ser fornecido a você pelos 
enfermeiros ou pela própria instituição. 
2 Coloque o número do segmento 
3 Nesse espaço coloque o número da unidade. 
 4 Aqui coloque o número da área. 
5 Coloque aqui o número da microárea. 
 
6 Esse espaço é para ser colocado o nome do profissional de Saúde. 
 
 7 A área apontada pela seta ligada ao número 7 se destina a identificação do 
ano. 
 
 8 Coloque nesse espaço o mês. 
1 2 
3 4 5 
6 7 8 
105 
 
A ficha é única para todos os profissionais, portanto, no verso da ficha (quadro 
abaixo) o Agente Comunitário de Saúde irá anotar apenas o que for especifico do 
seu trabalho. 
 
 
No quadro acima, onde está destinado a informar sobre os “Procedimentos”, o 
ACS irá registrar apenas nas duas últimas linhas quantas reuniões e quantas 
visitas domiciliares foram realizadas. 
As reuniões quer dizer que você irá registrar o número de reuniões realizadas por 
você, que contaram com a participação de 10 ou mais pessoas, com uma duração 
mínima de 30 minutos. Tendo o objetivo de obter informações, discutir estratégias 
de superação de problemas de saúde ou com a finalidade de contribuir para a 
organização comunitária. 
Onde se encontra Visita domiciliar quer dizer que o ACS irá registrar todas as 
visitas domiciliares que foram realizadas, por qualquer que seja a finalidade. 
Ao iniciar o quadro “Notificações” (quadro abaixo), há três linhas onde o ACS 
deve anotar as notificações feitas sobre as crianças menores de dois anos que 
tiveram diarreia e infecções respiratórias agudas. 
 
1 
106 
 
 
 
 
 
< 2a – Menores de dois anos que tiveram diarreia – registrar o número de 
crianças com idade até 23 meses e 29 dias que tiveram um ou mais episódios de 
diarreia, nos 15 dias anteriores à visita domiciliar. 
< 2a – Menores de dois anos que tiveram diarreia e usaram terapia de reidratação 
oral (TRO) – registrar o número de crianças com idade de até 23 meses e 29 dias 
que tiveram diarreia nos 15 dias anteriores à visita domiciliar e usaram solução de 
reidratação oral (soro caseiro ou soro de reidratação oral – SRO – distribuído pela 
Unidade de Saúde ou comprados na farmácia). Não anotar as crianças que 
utilizaram somente chás, sucos ou outros líquidos. 
< 2a – Menores de dois anos que tiveram infecção respiratória aguda – registrar o 
número de crianças com idade até 23 meses e 29 dias que tiveram infecção 
respiratória aguda nos 15 dias anteriores à visita domiciliar. 
 
1 
107 
 
No quadro a seguir, o ACS deve anotar as Hospitalizações, deverá preencher 
esse quadro toda vez que tomar conhecimento de qualquer caso de 
hospitalização de pessoas da comunidade onde atua, no mês de referência ou no 
mês anterior. 
 
 
 
 
Nesta ficha deve-se registrar: 
1- A data da hospitalização. 
 
2- O nome do paciente. 
 
3- O endereço completo da pessoa que foi hospitalizada. 
 
4- O sexo do paciente. 
 
5- A idade em anos completos, se a pessoa for menor de um ano, registrar a 
idade em meses. 
 
6- Registrar a causa da hospitalização informada pela família ou obtida por 
meio de laudos médicos. 
 
7- O nome do hospital onde a pessoa foi internada. 
 
2 
3 4 5 
6 7 
1 
108 
 
Seguindo como base a ficha anterior, o quadro a seguir refere-se à ficha de 
Óbitos, onde o ACS deve anotar todo óbito ocorrido no mês de referência e no 
anterior em sua área de atuação. 
 
 
 
 
 
Nesta ficha deve-se registrar: 
 
1- A data do óbito. 
 
2- O nome completo da pessoa falecida. 
 
3- O endereço completo da pessoa falecida. 
 
4- O sexo do paciente. 
 
5- A idade em anos completos, se apessoa for menor de um ano, registrar a 
idade em meses. 
 
6- Registrar a causa do óbito informada pela família ou obtida por meio de 
laudos médicos. 
 
 
1 
2 
3 
4 
5 6 
109 
 
Atividade para facilitar a aprendizagem 
 
1) Sabe-se que um instrumento muito importante utilizado pelo ACS para compor 
o Sistema de Informações de Atenção Básica são as fichas de cadastramentos, 
assinale a alternativa correta. 
 
(a) Ficha A é usada para registro das atividades diárias do ACS. 
(b) Ficha B é usada para acompanhamento da gestante. 
(c) Ficha D é usado para o Cartão da Criança. 
(d) Ficha C é usada para o relatório condensado final. 
 
2) A ficha de cadastramento das famílias “ficha A” instrumento utilizado pelo 
agente comunitário de saúde em seu trabalho discrimina a população em: 
 
a) Menores e maiores de 10 anos; 
b) Menores e maiores de 15 anos; 
c) Menores e maiores de 20 anos; 
d) Menores e maiores de 25 anos. 
 
 
3) O ACS, por meio de uma ficha de cadastro específica, colhe uma série de 
informações que tornam possível a identificação da realidade na qual as famílias 
estão inseridas. O reconhecimento dessas realidades subsidia 
o planejamento das ações, priorizando necessidades e adequando recursos. A 
mesma identifica situações como saúde, moradia, saneamento e nível 
socioeconômico dessas famílias. Essas informações correspondem a: 
 
a) Ficha GES; 
b) Ficha B – HÁ; 
c) Ficha C; 
d) Ficha B; 
e) Ficha A. 
 
 
 
 
 
 
110 
 
UNIDADE VII 
 
7 - ACOMPANHANDO OS CICLOS DE VIDA DAS FAMÍLIAS 
7.1 A família 
A família influencia de forma significativa a vida das pessoas. É na família que 
adquirimos os primeiros ensinamentos, é através dela que absorvemos valores, 
usos e costumes que formarão a nossa personalidade e a bagagem emocional 
para a vida. Dessa forma, a família é o principal foco do Agente Comunitário de 
Saúde. 
 
É necessário que o ACS identifique e compreenda a formação e o funcionamento 
de cada grupo, é preciso estar atento à diversidade familiar que existe na 
atualidade e intervir sempre que necessário levando em consideração as 
especificidades de cada um. Para a identificação é necessário o levantamento de 
alguns elementos: 
 
 Grau de parentesco entre os membros da família; 
 
 Os membros agregados; 
 
 A função de cada membro na família; 
 
 Os valores, preconceitos, costumes e religiosidade, principalmente os que 
podem interferir no cuidado com a saúde; 
 Presença de conflitos entre os membros da família e como são resolvidos 
esses conflitos; 
 
 Os tipos de trabalho de seus membros; 
 
 O papel do homem e da mulher na família; 
 
 Quem exerce o papel de liderança na família; 
 
 Se todos os membros da família possuem documentos: Certidão de 
Nascimento, CPF, Carteira de Identidade, Carteira de Trabalho, ou outros 
que favoreçam a consolidação de sua cidadania. 
 
 
111 
 
A Estratégia Saúde da Família tem a incumbência de cuidar dos indivíduos e das 
famílias ao longo do tempo, ou seja, saúde para toda a vida. Para efetivar as 
ações de promoção da saúde foi definido que em todo o território nacional deveria 
ser dada atenção especial a: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Posteriormente foram definidas outras áreas de acordo com prioridades e 
pactuações. 
 
7.1.1 Ciclos de vida 
 
A Atenção Primária a Saúde deve abranger toda a família, assim é comum a 
divisão em ciclos de vida, levando em consideração o princípio da integralidade, 
ou seja, quase sempre existem crianças, adultos e idosos no ciclo familiar e todos 
Eliminação da hanseníase 
Controle da tuberculose 
Controle da hipertensão arterial 
Controle do diabetes mellitus 
Eliminação da desnutrição 
infantil 
Saúde da criança, da mulher e 
do idoso 
Saúde bucal 
Promoção da saúde 
112 
 
devem receber atendimento de forma integral. A seguir os principais ciclos de 
vida: 
 
7.1.1.1. Principais cuidados com a criança 
 
É prioritário no trabalho do ACS a atenção à criança, pois com cuidados básicos 
poderá diminuir a mortalidade e o adoecimento. Algumas ações como vaciná-las 
nas datas previstas, buscar ativamente aqueles que faltam às consultas e as 
vacinas, ensinar a prevenir os acidentes na infância, incentivar ao aleitamento 
materno, podem prevenir as doenças e promover à saúde. 
 
7.1.1.1.1 Triagem neonatal 
 
Em 2001, o Ministério da Saúde implementa o Programa de Triagem Neonatal – 
PTN que é uma política pública de saúde que possui a função de realizar a 
triagem neonatal, consistindo na detecção dos casos suspeitos, confirmação 
diagnóstica, acompanhamento e tratamento dos casos identificados de algumas 
doenças congênitas estando entre estas a doença falciforme. 
No PTN diversas doenças podem ser detectadas através do teste do pezinho, da 
orelhinha e do olhinho. Algumas enfermidades se descobertas precocemente 
podem dar respostas bastante positivas em relação ao retardo mental, cegueira e 
surdez. 
 
Para eficácia do PTN é necessário que a cada ano seja aumentado o número de 
triagens realizadas para que se possa identificar os indivíduos afetados. O teste 
do pezinho, por exemplo, é de responsabilidade da família e deve ser realizado 
pelo recém-nascido – RN até o 5º dia de vida, desta forma é necessário a 
conscientização social para que ocorra a eficácia da política, cabe ao ACS 
sensibilizar a população da importância desses testes para a melhor qualidade de 
vida das crianças/futuros adultos. 
 
 
113 
 
7.1.1.1.2. Teste do pezinho 
 
Diversas doenças podem ser detectadas através do teste do pezinho, entre elas, 
Fenilcetonúria, Hipotireoidismo Congênito, Fibrose Cística, Anemia Falciforme e 
outras Hemoglobinopatias, e a Deficiência da Biotinidase. Estas são doenças 
congênitas, de herança genética, que, se diagnosticadas e tratadas 
precocemente, possibilitam o desenvolvimento normal das crianças afetadas. É 
um teste gratuito e obrigatório que deve ser realizado no momento da alta 
hospitalar. Sendo um direito garantido através da Portaria 822/2001, todo recém-
nascido tem o direito ao exame e os casos com diagnóstico positivo tem o direito 
ao tratamento. Com essa ação de fácil acesso, é possível desonerar o estado 
através da redução dos gastos, que podem ocorrer por toda a vida, pois o teste 
previne a deficiência intelectual e a evolução de outras doenças graves no bebê, 
o que evita também problemas sociais, econômicos e emocionais para a família e, 
para a comunidade ( http://www.fepe.org.br/cepe.html). 
 
Biotinidase: Deficiência de uma enzima que reaproveita uma vitamina chamada 
biotina e que resulta na falta desta vitamina. As crianças com esta deficiência 
podem ter convulsões, fraqueza muscular, erupções na pele, queda de cabelo, 
acidez no sangue e deficiência imunológica. 
 
http://www.fepe.org.br/cepe.html 
114 
 
7.1.1.1.3 Teste da Orelhinha 
Um dos sentidos importantíssimos para o desenvolvimento do bebê é a audição, 
assim, o teste da orelhinha é fundamental para detectar problemas dessa ordem 
logo ao nascer evitando que o problema se intensifique e traga maiores prejuízos 
futuros, como prejuízos no desenvolvimento emocional, cognitivo, social e de 
linguagem. O teste da orelhinha ou Triagem Auditiva Neonatal é realizado já no 
segundo ou terceiro dia de vida do bebê. 
O exame é realizado colocando uma sonda acoplada a um computador na orelha 
do bebê que emite e recebe sons e recolhe as respostas que a orelha interna do 
bebê produz. 
 
 
 http://www.fepe.org.br/cepe.html115 
 
7.1.1.1.4 Teste do olhinho 
 
O teste do olhinho ou do reflexo vermelho consiste em um teste para detectar e 
prevenir doenças oculares. É feito através de uma caneta oftalmológica colocada 
pelo médico no olho do bebê para observação do reflexo que vem das pupilas. O 
teste é importantíssimo para detectar e tratar precocemente doenças, evitando 
assim complicações futuras. 
 
Fonte: 
http://www.google.com.br/imgres?imgurl=&imgrefurl=http%3A%2F%2Fwww.coneoftalmo.
com.br 
 
 
Você ACS precisa ter todas essas informações para orientar as futuras mães a 
importância de realizar todos os exames necessários para prevenir as doenças e 
promover a saúde dos seus filhos. 
 
 
 
116 
 
7.1.1.2. Acompanhando o crescimento e desenvolvimento da criança 
 
Conforme já apontado anteriormente, uma das prioridades da equipe de saúde da 
família é acompanhar o crescimento e desenvolvimento da criança (puericultura), 
assim deve ser acompanhado pelo ACS durante a visita domiciliar. A criança deve 
ser acompanhada pela equipe desde o seu nascimento até os 10 anos de idade. 
Existe na rede de atenção primária um cronograma de acompanhamento 
periódico de uma equipe multiprofissional (médico, enfermeiro, nutricionista), onde 
cada um tem o seu papel na avaliação do crescimento (crescimento do corpo, 
peso e altura) e desenvolvimento (amadurecimento das funções do corpo) da 
criança nessa etapa de sua vida. 
 
7.1.1.3. Caderneta de Saúde da Criança 
 
Uma equipe de trabalho do Ministério da Saúde elaborou uma Caderneta de 
Saúde da Criança, nela consta todas as informações necessárias para que você 
ACS saiba como acompanhar a saúde, crescimento e desenvolvimento da 
criança, assim, é importante que você tenha uma cópia dessa caderneta. Na 
caderneta consta um espaço com todas as informações da criança, nome, 
endereço, data de nascimento, nome dos pais. 
 
Consta ainda na caderneta informações sobre o registro de nascimento da 
criança, a lei que determina a gratuidade de registro a pessoas carentes, todos os 
documentos necessários para o registro, os direitos da criança e dos pais. Dados 
sobre a gravidez, o parto, o puerpério. A importância e dificuldades da 
amamentação, dicas de alimentação saudável, saúde bucal, ocular e auditiva, 
calendário de vacina, enfim, todas as informações necessárias para o 
acompanhamento da criança. 
 
117 
 
 
 Atenção: acesse a caderneta no site: 
< http://189.28.128.100/nutricao/docs/geral/caderneta_saude_da_crianca.pdf > 
 
 
É importante que você ACS tenha conhecimento do calendário básico de 
vacinação da criança para que possa orientar as mães. A seguir é apresentado 
esse calendário. 
118 
 
 
 
(1) Hepatite B: a 1ª dose deve ser administrada na maternidade nas primeiras 12 horas de vida do 
recém-nascido, ou no primeiro contato com a unidade de saúde. São 3 doses, com intervalos de 
30 dias da 1ª dose para a 2ª dose e 6 meses da 1ª dose para a 3ª dose. 
 
(2) Vacina tetravalente: 3 doses - aos 2, 4 e 6 meses de idade - e dois reforços com a Tríplice 
Bacteriana (DTP). Primeiro reforço aos 15 meses e o segundo entre 4 e 6 anos de idade. 
(3) VORH: em situações especiais, pode ser dada a partir de 1 mês e 15 dias e até 6 semanas de 
vida. Em geral, a 1ª dose é recomendada aos 2 meses para uso simultâneo com as demais 
vacinas da idade e reduzir a ida aos postos de vacinação. 
 
(4) VORH: a 2ª dose pode ser administrada a partir de 3 meses e 7 dias e até 24 semanas de 
vida, mas recomenda-se faze-lo aos 4 meses para uso simultâneo com outras vacinas da idade e 
reduzir a ida aos postos de vacinação. O intervalo mínimo entre a 1ª e a 2ª dose deve ser de 4 
semanas. 
 
(5) Febre amarela: indicada a partir dos 09 meses de idade, para pessoas que residem ou que irão 
viajar para as áreas de risco (estados: AC, AM, AP, PA, RO, RR, TO, MT, MS, GO, DF, MA, MG e 
119 
 
alguns municípios dos estados: PI, BA, SP, PR, SC e RS). Recomenda-se vacinar 10 dias antes 
da viagem e reforço a cada 10 anos. O ES, deixou de ser área de risco potencial de acordo com 
as novas recomendações do MS/2008/2009 por não apresentar evidência de circulação do vírus 
por 5 anos. 
 
 
 
7.1.1.2 Saúde do Adolescente 
 
 
Para os serviços de saúde, a faixa etária que compreende a adolescência é de 10 
a 19 anos, apesar de que para a lei brasileira é de 12 a 18 anos. Os direitos da 
criança e do adolescente são assegurados pela Lei nº 8.069, de 13/7/1990 
(BRASIL, 1990). 
 
A LEI Nº 8.069, de 13 de julho de 1990, mais conhecida como Estatuto da Criança 
e do Adolescentes dispõe sobre a proteção integral da Criança e do Adolescente. 
Nos Art. 3° e 4° consta que: 
 
Art. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos 
fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção 
integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros 
meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o 
desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições 
de liberdade e de dignidade. 
Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do 
poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos 
direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao 
esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao 
respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária. 
 
 
120 
 
 
 
 
Para direcionar o desenvolvimento pleno das crianças, adolescentes e jovens foi 
criado o Programa Saúde na Escola (PSE), do Ministério da Saúde e do Ministério 
da Educação instituído em 2007 pelo Decreto Presidencial nº 6.286. 
 
Esse programa envolve ações compartilhadas e corresponsáveis que funcionam 
por meio de Grupos de Trabalho Intersetoriais (GTI) abrangendo práticas de 
promoção de saúde e de prevenção de agravos e de doenças, o que contribui 
significativamente para o fortalecimento do desenvolvimento integral, 
possibilitando o enfrentamento das vulnerabilidades e propiciando à comunidade 
121 
 
escolar o enfrentamento das vulnerabilidades que afetam o desenvolvimento 
pleno de crianças, adolescentes e jovens brasileiros (MS, 2007). 
 
 
Para saber mais acesse: <http://dab.saude.gov.br/portaldab/pse.php> 
 
 
7.1.1.3 Saúde do adulto 
 
Com os avanços científicos e tecnológicos e consequentemente melhorias nas 
condições de vida, aumenta-se a expectativa de vida da população. Nesse 
contexto é necessária a prevenção das doenças e promoção da saúde, para que 
essa população viva com boa qualidade de vida e envelheça de forma saudável. 
 
Como estratégia para a melhoria das condições de vida e reflexo na saúde, o 
governo brasileiro tem investido em programas que abrangem a saúde do adulto, 
ou seja, do homem, da mulher e doenças como hanseníase, tuberculose, 
diabetes mellitus, hipertensão arterial que são as que mais atingem essa faixa 
etária (20 a 59 anos). 
 
 
7.1.1.3.1 Saúde do homem 
 
No que se refere à saúde do homem, verificamos que estes ao contrário das 
mulheres, não tem o devido cuidado com a sua saúde, além de serem mais 
expostos aos riscos de adoecimento. Diversos fatores contribuem para que os 
homens estejam mais propícios a adoecer que as mulheres, os hábitos não 
saudáveis como o sedentarismo, o excesso de gordura na alimentação, a 
obesidade e a violência por causas externas (brigas, acidentes no trânsito, 
assassinatos, homicídios etc.). Diante disso é fundamental que esse quadro seja 
revertido e para isso, é preciso que seja sensibilizado para a importância da 
prevenção e tratamento das doenças. E isso é papel do ACS, direcionar os 
homens asUnidades Básicas de Saúde da comunidade. 
122 
 
Os principais problemas que atingem os homens nessa faixa etária são: disfunção 
erétil, mais conhecida como impotência sexual, que por vezes pode estar 
relacionada a problemas psicológicos como ansiedade, depressão e culpa ou 
pode ser de origem orgânica, como hipertensão, diabetes, alterações hormonais 
ou uso de drogas (álcool, fumo, antidepressivos, maconha, heroína, cocaína, 
entre outros). 
 
Outra doença comum no homem é o câncer de próstata, mais comum entre os 
homens com idade superior a 50 anos ou proveniente de história familiar, se o pai 
ou irmão tiver sido acometido pela doença a probabilidade de adoecer é maior. 
Dessa forma é importante que o homem faça consultas periódicas para que no 
caso de vir a adoecer seja descoberta precocemente. 
 
O câncer de pênis é outra doença que pode atingir o homem, porém é uma 
doença rara, podendo atingi-los a partir dos 50 anos, o que não quer dizer que 
não possa ocorre em indivíduos mais jovens. Está mais ligada às condições de 
higiene intima e as condições socioeconômicas e instrucionais. 
 
7.1.1.3.2 Saúde da mulher 
 
No que se refere à saúde da mulher, estão à sua disposição atendimento integral 
nas diversas etapas de sua vida, através de programas disponibilizados no 
sistema de saúde nacional. Os serviços de saúde disponibilizados vão desde o 
exame clínico ginecológico, à reprodução (planejamento familiar, pré-natal, parto 
e puerpério). O alcance vai além disso, pois é prioridade da Atenção Primária à 
Saúde também o atendimento a pacientes com câncer de colo de útero e mama. 
 
 
123 
 
 
Fonte: <http://www.politicasenegocios.com.br/noticias/Monte_Horebe/dia-da-saude-da-
mulher-em-monte-horebe-a5191.html> 
 
Desde 1996 o planejamento familiar é regulamentado através da Lei 9.263/1996, 
que regula o & 7° do art. 226 da Constituição Federal, que trata do planejamento 
familiar onde reza no Art. 1º que “O planejamento familiar é direito de todo 
cidadão”. 
 
Consta ainda nessa Lei no Art. 3° que o planejamento familiar faz parte do 
conjunto de ações de atenção à mulher, ao homem ou ao casal, oferecendo 
atendimento global e integral à saúde, sendo de responsabilidade do Sistema 
124 
 
Único de Saúde a garantia desse serviço em toda a rede de serviços através de 
programa de atenção integral à saúde, em todos os seus ciclos vitais, que inclua, 
como atividades básicas: 
 
 I - a assistência à concepção e contracepção; 
 II - o atendimento pré-natal; 
 III - a assistência ao parto, ao puerpério e ao neonato; 
 IV - o controle das doenças sexualmente transmissíveis; 
 V -o controle e prevenção do câncer cérvico-uterino, do câncer de 
mama e do câncer de pênis. 
 
As principais causas de mortes nas mulheres são doenças cardiovasculares, com 
destaque para o infarto do miocárdio; Acidente Vascular Cerebral – AVC; As 
neoplasias (câncer) principalmente o de mama, de pulmão e de colo de útero; 
Doenças do aparelho respiratório, sobretudo as pneumonias; Doenças 
endócrinas, nutricionais e metabólicas, destacando-se o diabetes. As causas 
externas também fazem parte dessas causas. 
 
Para reduzir as doenças que atingem o sexo feminino diversos livros e cartilhas 
são disponibilizadas pelo Ministério da Saúde para informar as mulheres e 
profissionais da saúde sobre a melhor forma de prevenir as doenças e promover a 
saúde, entre eles: 
 
I) Cartilha Direitos Sexuais, Direitos Reprodutivos e Métodos 
Anticoncepcionais (2009) 
II) II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres (2008) 
III) Manual dos Comitês de Mortalidade Materna (2007) 
IV) Plano Integrado de Enfrentamento da Feminização da Epidemia de 
AIDS e outras DST (2007) 
V) Plano Nacional de Políticas para as Mulheres (versão compacta - 2006) 
VI) Pré-Natal e Puerpério: atenção qualificada e humanizada (2006) 
VII) Assistência em Planejamento Familiar: manual técnico (2002 - 1ª parte) 
VIII) Assistência em Planejamento Familiar: manual técnico (2002 - 2ª parte) 
IX) Cadernos de Atenção Básica – Controle dos Cânceres do Colo do 
Útero e da Mama. 
125 
 
Atenção, neste site encontrará os livros e cartilhas citados e outros que poderão 
contribuir para que conheça mais sobre os programas direcionados à saúde da 
mulher. 
 http://portal.saude.gov.br/portal/saude/visualizar_texto.cfm?idtxt=25185&janela=1 
 
 
O Agente Comunitário de Saúde deve orientar a mulher a realizar o autoexame 
das mamas, pois câncer se detectado precocemente terá maior chance de cura. 
O autoexame deve ser realizado uma vez por mês (uma semana após a 
menstruação). As mulheres que se encontram na menopausa ou que fazem uso 
de anticoncepcionais sem interrupção devem realizar o autoexame em um mesmo 
dia de cada mês, escolhido aleatoriamente. Deve ainda incentivar as mulheres a 
realizar o exame preventivo do câncer cérvico uterino (PCCU) conhecido também 
como exame citopatológico de colo uterino ou Papanicolau. 
 
Todas as mulheres que tem ou já teve atividade sexual deve fazer o exame de 
prevenção, principalmente encontrando-se na faixa etária dos 25 a 64 anos. O 
exame deve ser feito uma vez por ano, se em dois exames consecutivos o 
resultado for normal pode ser realizado de três em três anos daí por diante. As 
mulheres grávidas também devem realizar o exame, sem prejuízo algum. 
 
A orientação para a realização do exame é de que a mulher 48 horas antes do 
exame não deve ter relações sexuais de forma alguma, assim como não deve 
utilizar nenhum medicamento vaginal e anticoncepcionais locais ou duchas 48 
horas antes do exame. O exame não pode ser realizado quando estiver 
menstruada, para não alterar o resultado do exame. 
 
 
7.1.1.3.3- Saúde do idoso 
 
Com os avanços da medicina, assim como a melhoria das condições de vida da 
população, percebemos um aumento na expectativa de vida nas últimas décadas, 
assim é necessária a criação de estratégias para que as pessoas envelheçam 
126 
 
com saúde. Para que isso ocorra, é preciso que essa faixa etária da população 
receba atenção especial, pensando nisso o Ministério da Saúde tem investido em 
programas de atenção integral ao idoso. O NAISI - Núcleo de Atenção Integral à 
Saúde do Idoso, foi implementado em 1992 dando ênfase à promoção da saúde, 
reabilitação, prevenção e tratamento de agravos à saúde desta faixa populacional. 
O objetivo do Programa é: 
 
 Desenvolvimento de ações de promoção de saúde para a 
população idosa; 
 Promover campanha de vacinação direcionada aos idosos; 
 Incentivar a integração com as demais faixas etárias; 
 Inserir os idosos nos diversos programas: PAISA (programa do 
adulto), PECD (programa de diabetes), hipertensão arterial, 
NAISM ( Mulher), automassagem e terapias corporais e o 
Programa de Prevenção de Osteoporose. 
 
 
 
O ACS deve atentar para algumas ações que poderão promover a saúde do 
idoso, portanto, observe a sua caderneta, veja se as vacinas estão em dia, 
promova hábitos saudáveis, oriente-os quanto ao ambiente seguro e a prevenção 
de quedas, ensine-os a usar corretamente os medicamentos e a cuidar da saúde 
bucal e, procure meios de inseri-los na política de Assistência Social. 
 
 
7.2. Algumas doenças de acompanhamento prioritário 
 
 
5.2.1 Hanseníase 
5.2.2 Tuberculose 
5.2.3 Diabetes Mellitus 
5.2.4 Hipertensão arterial 
 
 
7.2.1 Hanseníase 
 
A hanseníase é uma doença infectocontagiosa, crônica, de evolução lenta, 
causada pelo Mycobacterium leprae (bacilo de Hansen). O bacilo tem a 
127capacidade de infectar grande número de pessoas, porém é baixa a quantidade 
de pessoas que adoecem, pois necessitam ter baixa imunidade para 
desenvolverem a doença. O contato direto e prolongado com o doente em 
ambiente fechado, com pouca ventilação e pouca luz solar, aumenta as chances 
de a pessoa se infectar com o bacilo da hanseníase, que é transmitida através do 
ar, por meio de gotículas contendo os bacilos expelidos pelo doente ao tossir, 
espirrar ou falar. Ao inalar essas gotículas, o indivíduo sadio pode ser infectado e 
vir a desenvolver a doença, ou seja, nem todos os infectados desenvolvem a 
hanseníase, que está condicionada à baixa imunidade da pessoa. É uma doença 
de notificação compulsória e investigação obrigatória. A doença afeta 
predominantemente a pele, com a revelação de manchas que alteram a 
sensibilidade do doente, atinge ainda os nervos periféricos e membranas 
mucosas (BRASIL, 2010). 
 
É uma doença, que quando diagnosticada e tratada adequadamente tem cura. 
Entretanto pode trazer grandes danos à saúde se diagnosticada e tratada 
tardiamente, pois pode deixar lesões nos olhos, nas mãos e nos pés. As lesões 
mais graves podem incapacitar fisicamente os doentes. Ao iniciar o tratamento, 
em poucas semanas o paciente deixa de ser transmissor da hanseníase. Assim, é 
importante que o ACS esteja atento nas visitas domiciliares tentando detectar tal 
enfermidade nas famílias visitadas e encaminhá-las para exames e tratamento se 
necessário. 
 
 
7.2.2 Tuberculose 
 
A Tuberculose é uma doença infectocontagiosa causada por um micro-organismo 
denominado Mycobacterium tuberculosis, popularmente conhecido como Bacilo 
de Koch (BK). As espécies que constituem o complexo da Mycobacterium 
tuberculosis são diversas: a) M. tuberculosis; b) M. bovis; c) M. africanum;e d) M. 
microti. O principal reservatório é o homem, podendo ser também, em regiões 
específicas, o gado bovino e raramente primatas, aves e outros mamíferos. Uma 
128 
 
pessoa com baciloscopia positiva tem a capacidade de infectar em média de 10 a 
15 pessoas no decorrer de um ano (BRASIL, 2002). 
 
A transmissão da doença é por via aérea, na maioria dos casos. Ocorre através 
da inalação de gotículas contendo os bacilos expelidos pelo doente com 
tuberculose ativa de vias respiratórias (pulmonar ou laríngea) ao tossir, espirrar ou 
falar. Os doentes bacilíferos são a principal fonte de transmissão da doença. Já 
os doentes de tuberculose pulmonar com baciloscopia negativa, mesmo 
apresentando positividade na cultura, podem também ser transmissores da 
enfermidade, entretanto não é tão arriscada a transmissão quanto no primeiro 
caso. Já as formas de tuberculose exclusivamente extrapulmonar não transmitem 
a doença. Como a tuberculose é transmitida enquanto o doente estiver eliminando 
bacilos, a partir do momento que der início ao tratamento, gradativamente vai 
perdendo a capacidade de transmissão, o que pode ocorrer em poucos dias. Na 
verdade, nem todos os infectados desenvolvem a moléstia, que está condicionada 
à baixa imunidade da pessoa. Sendo assim, indivíduos infectados com o vírus da 
imunodeficiência humana - HIV, ou acometidos por outras doenças 
imunodepressoras, desnutrição, diabetes, silicose, usuários de drogas, entre 
outros, são mais suscetíveis à doença. Os principais sintomas de tuberculose 
pulmonar são: tosse persistente, febre vespertina, suores noturnos, falta de 
apetite, perda de peso, fraqueza, dor no tórax e escarro com sangue (BRASIL, 
2010). 
 
O diagnóstico é realizado após a suspeita de tuberculose através dos seguintes 
exames: Baciloscopia do escarro, também conhecido como BAAR (Bacilos Álcool-
Ácido Resistentes), cultura de escarro, raio X de tórax, teste tuberculínico com 
Derivado Purificado da Proteína - PPD e outros exames como biópsia de gânglio, 
punção-biópsia pleural, exame do líquo, dependendo do caso e da localização da 
doença. 
 
A detecção dos casos de tuberculose pulmonar é considerada a etapa mais 
importante das medidas de controle da doença, pois, quanto mais precoce for 
diagnosticada e tratada adequadamente, mais fácil será a quebra da cadeia de 
129 
 
transmissão da enfermidade. É válido lembrar que é fundamental a busca efetiva 
dos Sintomáticos Respiratórios - SR para evitar a disseminação da doença, sendo 
papel da saúde pública a investigação e identificação de indivíduos com tosse 
igual ou superior a três semanas. Ressalta-se que estudos apontam que a 
definição de três semanas pode ser considerada ideal dependendo do país e até 
mesmo da população a ser investigada. Por exemplo, quanto à chamada 
população de risco, ou seja, prisioneiros, moradores de rua, imunodeprimidos, 
entre outros, deve ser reduzido o tempo de três para duas semanas de tosse para 
serem considerados Sintomáticos Respiratórios - SR.. Essa busca é 
extremamente importante e deve ser priorizada, pois são altas as porcentagens 
dos casos de tuberculose da forma pulmonar que chegam a 90% dos casos 
detectados e, destes, 60% são bacilíferos (BRASIL, 2010, p. 17). É importante 
que o ACS faça a busca do sintomático Respiratório – SR permanentemente. 
 
O ACS deve ainda ficar atento também no que se refere a vacina BCG pois atribui 
poder protetor às formas graves da doença. No Brasil, a vacina BCG é indicada 
prioritariamente para as crianças de 0 a 4 anos de idade, sendo obrigatória para 
menores de um ano. 
 
7.2.3 Diabetes mellitus 
 
São dois os tipos de diabetes mais frequentes, o tipo 1 que atinge cerca de 10% 
dos casos e o tipo 2 que atinge 90% dos casos. 
 
 
O tipo 1 é mais complexo, pois necessita do uso diário de insulina para controlar o 
nível de glicemia no organismo. Pode ocorrer de forma progressiva rápida ou 
lenta, a primeira acomete principalmente crianças e adolescentes e a segunda, 
geralmente adultos. Já o tipo 2 ocorre na maioria das vezes após os 40 anos, 
sendo controlada quase sempre com dietas, atividades físicas e ou medicamento 
oral. 
 
130 
 
O ACS deve sensibilizar os moradores do território sob sua atuação a importância 
da prevenção para a redução dos casos novos de diabetes na comunidade. 
Diversos fatores podem contribuir para essa redução, como por exemplo, manter 
o peso ideal, alimentação adequada, fazer atividade física regularmente, realizar 
exames de laboratório periodicamente quando fizer parte de família com histórico 
de casos da doença. 
 
 
7.2.4 Hipertensão arterial 
 
A hipertensão arterial ou pressão alta é uma enfermidade que ataca os vasos 
sanguíneos, coração, cérebro, olhos e pode causar paralisação dos rins. Quando 
a medida da pressão se mantém frequentemente acima de 140 por 90 mmHg 
pode ocorrer acometimento desses órgãos. A pressão considerada normal é 
aquela que, na média, é igual ou inferior a 12 por 8, ou seja, máxima em 120 
milímetros e mínima em 80 milímetros de mercúrio (mmHg). 
Valores entre 12 por 8 e 14 por 9 são considerados limítrofes, ou pré-hipertensão, 
e podem merecer tratamento em alguns casos, conforme recomendação médica. 
 
 
Atenção: O Ministério da Saúde informa que após os 55 anos, mesmo as pessoas 
com pressão arterial normal têm 50% de chance de desenvolver a hipertensão. 
Para confirmar se uma pessoa está com hipertensão arterial, é necessária a 
verificação por diversas vezes, de forma correta, com aparelhos calibrados e 
profissionais capacitados. Portanto, o ACS deve observar com mais atenção essa 
faixa etária e encaminhá-los para consulta e posterior acompanhamento contínuo. 
 
Diversos fatores influenciam os níveis da pressão arterial, apesar de que em 90% 
dos casos, a doença é herdada dos pais.O uso do fumo, consumo de bebidas 
alcoólicas, obesidade, estresse, grande consumo de sal, níveis altos de 
colesterol, falta de atividade física, sedentarismo, menor acesso aos cuidados de 
saúde e nível educacional são possíveis fatores associados. Alguns estudos 
mostram que a incidência é maior na raça negra, que aumenta com a idade, é 
maior entre homens e mulheres com até 50 anos, é maior em diabéticos e em 
131 
 
quem tem histórico familiar de hipertensão. A prevenção é feita com o 
controlando-se o peso, adotando hábitos alimentares saudáveis, reduzindo o 
consumo de bebidas alcoólicas, abandonando o tabagismo e praticando atividade 
física regularmente (BRASIL, 2013). 
Atenção: A Organização Mundial de Saúde (OMS) informa que, quem é 
hipertenso e não faz o controle adequado pode ter uma redução na expectativa 
de vida de até 16 anos e seis meses. 
 
 
Atividade para facilitar a aprendizagem 
 
1) De que forma a família influencia a vida das pessoas? 
 
2) Quais são as prioridades da Estratégia Saúde da Família na efetivação 
das ações de promoção da saúde? 
 
3) Quais são as principais ações do ACS para prevenir as doenças e 
promover a saúde das crianças? 
 
4) Quais as doenças que podem ser identificadas através da triagem 
neonatal? 
 
5) Quais os principais problemas que afetam a saúde do homem e da 
mulher na faixa etária entre 20 e 59 anos? 
 
6) Quais as ações devem ser desenvolvidas pelo ACS para promoção da 
saúde do idoso? 
 
7) Cite as doenças de acompanhamento prioritário e como o ACS deve agir 
com os pacientes com essas doenças. 
 
 
 
132 
 
Referências 
 
ARAÚJO, Marise Helena de; AUGUSTO, Lia Giraldo da Silva. Conceito de 
território e implicações para a saúde e o desenvolvimento sustentável. 2004. 
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138 
 
GLOSSÁRIO DE TERMOS EM SAÚDE PÚBLICA 
 
 
 
 Glossário completo disponível em <www.crfsp.org.br/.../doc.../43-cartilha-da-comissao-de-
saude-publica.ht.> 
 
 
 
Agente Comunitário de Saúde (ACS): É o profissional que desenvolve ações que buscam a 
integração entre a equipe de saúde e a população adscrita à UBS. O elo entre o ACS e a 
população é potencializado pelo fato desse agente morar na comunidade. Tem como atribuição o 
exercício de atividades de prevenção das doenças e agravos e de vigilância à saúde por meio de 
visitas domiciliarese ações educativas individuais e coletivas, nos domicílios e na comunidade, 
sob normatização do município e do Distrito Federal, de acordo com as prioridades definidas pela 
respectiva gestão e as prioridades nacionais e estaduais pactuadas. O ACS utiliza instrumentos 
para diagnóstico demográfico e sociocultural das famílias adscritas em sua base geográfica 
definida, a microárea. Estes instrumentos são o cadastro atualizado de todas as pessoas de sua 
microárea e o registro para fins exclusivos de controle e planejamento das ações de saúde, de 
nascimentos, óbitos, doenças e outros agravos à saúde. A partir daí, ele é capaz de orientar as 
famílias quanto à utilização dos serviços de saúde disponíveis e de traduzir para as UBS a 
dinâmica social da população assistida, suas necessidades, potencialidades e limites, bem como 
identificar parceiros e recursos existentes que possam ser potencializados pelas equipes. O ACS 
desempenha um papel-chave na ESF, estando presente tanto em comunidades rurais e periferias 
urbanas quanto em municípios altamente urbanizados e industrializados. O ingresso desse 
trabalhador no SUS dar-se-á por meio de processo seletivo público (EC nº 51) ou por concurso 
público. 
 
Atenção à saúde: É tudo que envolve o cuidado com a saúde do ser humano, incluindo ações e 
serviços de promoção, prevenção, reabilitação e tratamento de doenças. No SUS, o cuidado com 
a saúde está ordenado em níveis de atenção, que são a básica, a de média complexidade e a de 
alta complexidade. Essa estruturação visa à melhor programação e planejamento das ações e 
serviços do sistema. Não se deve, porém, considerar um desses níveis de atenção mais relevante 
que outro, porque a atenção à saúde deve ser integral. Nem sempre um município necessita ter 
todos os níveis de atenção à saúde instalados em seu território para garantir a integralidade do 
atendimento à sua população. Particularmente no caso dos pequenos municípios, isso pode ser 
feito por meio de pactos regionais que garantam às populações dessas localidades acesso a todos 
os níveis de complexidade do sistema. A prioridade para todos os municípios é ter a atenção 
básica operando em condições plenas e com eficácia. 
 
Atenção Básica à Saúde: A Atenção Básica caracteriza-se por um conjunto de ações de saúde, 
nos âmbitos individual e coletivo, que abrange a promoção e a proteção da saúde, a prevenção de 
agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação e a manutenção da saúde. É desenvolvida por 
meio do exercício de práticas gerenciais e sanitárias democráticas e participativas, na forma de 
trabalho em equipe, dirigidas a populações de territórios bem delimitados, pelas quais assume a 
responsabilidade sanitária, considerando a dinamicidade existente no território em que vivem 
essas populações. Utiliza tecnologias de elevada complexidade e baixa densidade, que devem 
resolver os problemas de saúde de maior frequência e relevância em seu território. É o contato 
preferencial dos usuários com os sistemas de saúde. Orienta-se pelos princípios da 
universalidade, da acessibilidade e da coordenação do cuidado, do vínculo, da continuidade, da 
integralidade, da responsabilização, da humanização, da equidade e da participação social. A 
Atenção Básica tem a SF como estratégia prioritária para sua organização, de acordo com os 
preceitos do SUS, e tem como fundamentos: possibilitar o acesso universal e contínuo a serviços 
de saúde de qualidade e resolutivos, caracterizados como a porta de entrada preferencial do 
sistema de saúde, com território adscrito de forma a permitir o planejamento e a programação 
descentralizada, em consonância com o princípio da equidade; efetivar a integralidade em seus 
vários aspectos, a saber: integração de ações programáticas e demanda espontânea; articulação 
das ações de promoção à saúde, prevenção de agravos, vigilância à saúde, tratamento e 
reabilitação, trabalho de forma interdisciplinar e em equipe, e coordenação do cuidado na rede de 
139 
 
serviços; desenvolver relações de vínculo e responsabilização entre as equipes e a população 
adscrita, garantindo a continuidade das ações de saúde e a longitudinalidade do cuidado; valorizar 
os profissionais de saúde por meio do estímulo e do acompanhamento constante de sua formação 
e capacitação; realizar avaliação e acompanhamento sistemático dos resultados alcançados, 
como parte do processo de planejamento e de programação; e estimular a participação popular e 
o controle social. 
 
Conferências municipais de saúde: Reúnem, de forma ampla, usuários, trabalhadores, 
prestadores e gestores do SUS, para discutir e refletir sobre as condições de saúde da população 
e a gestão do SUS, expressando posições e votando questões orientadoras do sistema. Os 
municípios devem manter em funcionamento um CMS e realizar as conferências municipais de 
saúde, que possuem o papel preponderante de avaliar a situação da Saúde e propor diretrizes 
para a formulação das políticas locais de Saúde. Seguindo a orientação descentralizadora do 
SUS, são de suma importância, por estarem mais próximas do usuário do serviço de saúde. 
 
Conselheiros de saúde: Denominação comum aos integrantes titulares e suplentes dos 
Conselhos de Saúde das distintas esferas de gestão do SUS. Podem pertencer a qualquer dos 
segmentos que compõem os Conselhos de Saúde, quais sejam: gestores, prestadores de 
serviços, trabalhadores ou usuários do sistema. Possuem mandatos por tempo determinado e 
devem ser democraticamente eleitos, garantindo sua legitimidade e representatividade. As 
posições que sustentam nos conselhos devem ser negociadas com seus representados e, 
portanto, devem traduzir o ponto de vista do seu segmento. Atualmente, estima-se que existam 
mais de 100 mil conselheiros de saúde em todo o país. 
 
Conselho Municipal de Saúde (CMS): É um órgão colegiado de caráter permanente, 
deliberativo, normativo e fiscalizador das ações e serviços de saúde no âmbito do SUS, no 
município. Atua na formulação e proposição de estratégias e no controle da execução das políticas 
de saúde, inclusive em seus aspectos econômicos e financeiros. São constituídos por participação 
paritária de usuários (50%), trabalhadores de saúde (25%), representantes do governo e 
prestadores de serviços (25%), cujas decisões devem ser homologadas pelo chefe do poder 
legalmente constituído. Para que um conselho funcione de forma adequada, é necessário que seja 
representativo e tenha legitimidade, além das condições previstas pela lei. Os usuários são 
escolhidos por membros de seu segmento, com direito a voz e voto. A participação é voluntária e 
não remunerada. As reuniões do CMS são mensais e abertas para toda a população, com direito a 
voz. 
 
Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass): Órgão que congrega os secretários de 
saúde dos estados e do Distrito Federal e seus substitutos legais, tendo por finalidade operar o 
intercâmbio de experiências e informações entre seus membros, assegurando a implementação 
dos princípios e diretrizes constitucionais e da legislação complementar da saúde brasileira, na 
implementação de ações e serviços de saúde. Promove o pleno exercício das responsabilidades 
das secretarias de saúde, no que diz respeito às políticas de saúde, junto aos órgãos dos 
governos federal e municipal, ao Poder Legislativo e às entidades da sociedade. Realiza diligência 
para que as secretarias de saúde dos estados e do Distrito Federal participem da formulação e 
tomada de decisões que digam respeito ao desenvolvimento dos sistemas de saúde nas unidades 
federadas, em conjunto com o MS. Assegura às secretarias municipais de saúde ou órgãos 
municipais equivalentes, por meio da direção do Conselho ou Associação de Secretários 
Municipais de Saúde de cada unidade federada, a participação em todas as decisões que digam 
respeito ao desenvolvimento dos sistemas municipais ou intermunicipaisde saúde. Encaminha 
aos órgãos competentes propostas para equacionar os problemas da área de Saúde em todo o 
território nacional, estimulando e intercambiando experiências quanto ao funcionamento dos 
conselhos de saúde, promovendo estudos e propondo soluções aos problemas relativos ao 
desenvolvimento da área da Saúde. Orienta e promove a realização de congressos, conferências, 
seminários e outros encontros tendentes ao aperfeiçoamento das atividades do setor. Mantém 
intercâmbio com órgãos e entidades nacionais e estrangeiras de interesse para a Saúde. Sua 
diretoria é eleita em assembleias anuais. 
 
Conselho Nacional das Secretarias Municipais de Saúde (Conasems): Entidade não 
governamental, sem fins lucrativos, criada com o objetivo de representar as Secretarias Municipais 
140 
 
de Saúde. Sua importância no cenário político brasileiro deve-se à constatação de que cabe, 
prioritariamente, ao município, a prestação de serviços de saúde, com a cooperação técnica e 
financeira dos estados e da União; conclusão baseada no entendimento de que é no município 
onde as necessidades de saúde da população podem ser dimensionadas de perto. Nesse sentido, 
nada mais importante do que a existência de uma entidade que represente as Secretarias 
Municipais de Saúde, atuando: na formulação de políticas públicas intersetoriais e de saúde; na 
disputa política em espaços nacionais de pactuação federativa e de implementação compartilhada 
das políticas públicas; no intercâmbio de experiências entre os municípios e com outros países, e 
na propagação dos princípios da universalidade, equidade e integralidade da saúde. Na condição 
de representante das 5.562 secretarias municipais de Saúde do Brasil, o Conasems participado 
Conselho Nacional de Saúde (CNS), órgão deliberativo do SUS, e da CIT, que reúne a 
representação dos três entes federados: o MS, o Conass e o Conasems. Na CIT, são definidas 
diretrizes, estratégias, programas, projetos e alocação de recursos do SUS. O Conasems mantém, 
ainda, os Núcleos Temáticos, espaços onde secretários municipais de saúde e assessores 
reúnem-se para discutir políticas, realizar estudos e preparar informações e pareceres para 
decisão dos colegiados. Os participantes dos Núcleos Temáticos têm assento nas comissões e 
grupos de trabalho tripartites do SUS. Realiza o Congresso Anual Conasems, que reúne, 
presencialmente, todos os secretários municipais de Saúde para discutir temas de interesse dos 
gestores municipais e definir orientações para o trabalho de representação do Conasems e, a 
cada dois anos, eleger a diretoria do órgão. 
 
Conselhos de Saúde: Os conselhos de saúde são órgãos colegiados deliberativos e 
permanentes do SUS, existentes em cada esfera de governo e integrantes da estrutura básica do 
MS, das secretarias de saúde dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, com composição, 
organização e competência fixadas pela Lei nº 8.142/90. Atuam na formulação e proposição de 
estratégias, e no controle da execução das políticas de saúde, inclusive em seus aspectos 
econômicos e financeiros. Suas decisões devem ser homologadas pelo chefe do poder legalmente 
constituído, em cada esfera de governo. As regras para composição dos conselhos de saúde são, 
também, estabelecidas no texto legal, devendo incluir representantes do governo, prestadores de 
serviços, trabalhadores de saúde e usuários, sendo a representação dos usuários paritária (50%) 
em relação ao conjunto dos demais segmentos. A criação dos conselhos deve ser objeto de lei ou 
decreto, em âmbito municipal ou estadual. O CNS (regulado pelo Decreto nº 99.438, de 1990) 
estabeleceu recomendações para constituição e estruturação dos conselhos estaduais e 
municipais de saúde, quais se- jam: garantia de representatividade, com a escolha dos 
representantes feita pelos próprios segmentos; distribuição da composição, sendo 50% usuários, 
25% para trabalhadores de saúde e 25% para gestores e prestadores de serviços; eleição do 
presidente entre os membros do Conselho. Os conselheiros são indicados pelas entidades a que 
pertencem, mediante discussão ampliada entre os pares ou outras entidades e movimentos afins. 
Recomenda-se, ainda, que não haja coincidência de mandatos entre membros dos conselhos e 
governantes, como forma de minimizar a possibilidade de rupturas bruscas nas políticas 
implementadas. Desde a edição das Leis Orgânicas da Saúde (Leis nº 8.080/90 e nº 8.142/90), a 
existência e o funcionamento dos conselhos de saúde são requisitos exigidos para a habilitação e 
o recebimento dos recursos federais repassados “fundo a fundo” aos municípios. Essa exigência 
foi reforçada pela Emenda Constitucional nº 29/00. 
 
Descentralização: É o processo de transferência de responsabilidades de gestão para os 
municípios, atendendo às determinações constitucionais e legais que embasam o SUS e que 
definem atribuições comuns e competências específicas à União, estados, Distrito Federal e 
municípios. 
 
Financiamento do SUS: As ações e serviços de saúde, implementados pelos estados, municípios 
e Distrito Federal, são financiados com recursos próprios da União, estados e municípios e de 
outras fontes suplementares de financiamento, todos devidamente contemplados no orçamento da 
seguridade social. Cada esfera governamental deve assegurar o aporte regular de recursos ao 
respectivo fundo de saúde, de acordo com a Emenda Constitucional nº 29/00. As transferências, 
regulares ou eventuais, da União para estados, municípios e Distrito Federal estão condicionadas 
à contrapartida destes níveis de governo, em conformidade com as normas legais vigentes (Lei de 
Diretrizes Orçamentárias e outras). Esses repasses ocorrem por meio de transferências “fundo a 
fundo”, realizadas pelo FNS diretamente para os estados, Distrito Federal e municípios, ou pelo 
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Fundo Estadual de Saúde aos municípios, de forma regular e automática, propiciando que 
gestores estaduais e municipais contem com recursos previamente pactuados, no devido tempo, 
para o cumprimento de sua programação de ações e serviços de saúde. As transferências 
regulares e automáticas constituem a principal modalidade de transferência de recursos federais 
para os estados, municípios e Distrito Federal, para financiamento das ações e serviços de saúde, 
contemplando as transferências “fundo a fundo” e os pagamentos diretos a prestadores de 
serviços e beneficiários cadastrados de acordo com os valores e condições estabelecidas em 
portarias do MS. As transferências voluntárias são, por sua vez, entregas de recursos correntes ou 
de capital a outra esfera da federação para cooperação, auxílio ou assistência financeira não 
decorrente de determinação constitucional, legal, ou que se destine ao SUS. 
 
Financiamento municipal do SUS: Os municípios devem destinar ao SUS 15% da totalidade da 
arrecadação do Imposto Sobre Serviços (ISS), Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU), Imposto 
de Transmissão Intervivos, Imposto de Renda incidente na fonte sobre rendimentos pagos, 
inclusive por suas autarquias e fundações, transferências do Fundo de Participação dos 
Municípios, transferências do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), transferências 
do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre exportações, transferências do Imposto 
sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e transferências do Imposto sobre a 
Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). Além disso, os municípios recebem repasses por 
meio de transferências “fundo a fundo”, regulares e automáticas e voluntárias oriundas dos 
estados e da União. A transferência dos recursos destinados à execução da atenção básica, aos 
procedimentos de média e alta complexidade e às ações específicas de programas e incentivos do 
MS observa as condições de gestão, bem como as qualificações de estados e municípios aos 
respectivos programas e incentivos, de acordocom regulamentação específica. Os repasses 
ocorrem independentemente de convênios ou instrumentos similares e se destinam ao 
financiamento das ações e serviços do SUS. Se determinado município deixa de atender aos 
requisitos estabelecidos pela lei na administração dessas verbas, perde sua habilitação para geri-
las, e elas passam a ser administradas, respectivamente, pelos estados ou pela União. 
 
Integralidade: É um princípio fundamental do SUS. Garante ao usuário uma atenção que abrange 
as ações de promoção, prevenção, tratamento e reabilitação, com garantia de acesso a todos os 
níveis de complexidade do Sistema de Saúde. A integralidade também pressupõe a atenção 
concentrada no indivíduo, na família e na comunidade (inserção social) e não em um recorte de 
ações ou enfermidades. 
 
Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF): Os NASF reúnem profissionais de diversas áreas 
de Saúde, como médicos (acupunturistas, homeopatas, ginecologistas, pediatras e psiquiatras), 
profissionais de educação física, nutricionistas, farmacêuticos, assistentes sociais, fisioterapeutas, 
fonoaudiólogos, psicólogos e terapeutas ocupacionais. O objetivo dos núcleos é ampliar a 
abrangência e o escopo das ações da atenção básica, bem como sua resolubilidade por meio do 
apoio matricial às ESFs. Os NASFs não se constituem em porta de entrada do sistema, e devem 
atuar de forma integrada à rede de serviços de saúde, a partir das demandas identificadas no 
trabalho conjunto com as ESFs, buscando instituir a plena integralidade do cuidado físico e mental 
aos usuários do SUS por intermédio da qualificação e complementaridade do trabalho das ESFs. 
 
Pacto de Gestão do SUS: É uma das três dimensões do Pacto pela Saúde, estabelece as 
responsabilidades de cada ente federado do SUS, de forma clara e inequívoca, diminuindo 
competências concorrentes e estabelecendo diretrizes em aspectos como descentralização, 
regionalização, financiamento, planejamento, Programação Pactuada e Integrada (PPI), 
regulação, participação social e gestão do trabalho e da educação na Saúde. Extingue as antigas 
formas de habilitação estabelecidas pela NOB/SUS nº 96 e na NOAS/SUS nº 01/02, substituídas 
pela assinatura do Termo de Compromisso de Gestão. 
 
Pacto da Atenção Básica: Instrumento de pactuação de metas para indicadores de base 
epidemiológica criado em 1999 pelo MS com o objetivo de monitorar e avaliar as ações 
desenvolvidas no âmbito da atenção básica em todo o território nacional. Representou uma 
experiência pioneira do Departamento de Atenção Básica no sentido de definir indicadores para 
acompanhamento da Atenção Básica nos municípios habilitados conforme a NOB nº 01/96, 
descritos no Manual para a Organização da Atenção Básica. Com a publicação das diretrizes 
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operacionais do Pacto pela Saúde em fevereiro de 2006, avançou-se na unificação dos processos 
de pactuação de indicadores no âmbito do MS, sendo que, a partir de 2007, os indicadores da 
Atenção Básica passaram a compor o conjunto de indicadores deste Pacto. 
 
Pacto pela Saúde: O Pacto pela Saúde reúne um conjunto de reformas institucionais pactuadas 
entre as três esferas de gestão (União, estados e municípios) e tem o objetivo de promover 
inovações nos processos e instrumentos de gestão, visando a alcançar maior eficiência e 
qualidade das respostas do SUS. O Pacto pela Saúde redefine as responsabilidades de cada 
gestor em função das necessidades de saúde da população e na busca da equidade social. A 
adesão se dá pela construção do Termo de Compromisso de Gestão (TCG), que substitui os 
processos de habilitação das várias formas de gestão anteriormente vigentes e estabelece metas 
e compromissos para cada ente da federação. O Pacto pela Saúde engloba o Pacto pela Vida, O 
Pacto em Defesa do SUS e o Pacto de Gestão. O documento de diretrizes operacionais foi 
pactuado na reunião da CIT do dia 26 de janeiro de 2006, aprovado na reunião do CNS do dia 9 
de fevereiro de 2006, formalizado pela Portaria GM/MS nº 399/06 e regulamentado pela Portaria 
GM/MS nº 699/06. 
 
Piso de Atenção Básica (PAB): O PAB consiste em um montante de recursos financeiros 
federais destinados à viabilização de ações de Atenção Básica à saúde e compõe o Teto 
Financeiro do Bloco Atenção Básica. O PAB é composto de uma parte fixa (PAB fixo) destinada a 
todos os municípios, e de uma parte variável (PAB variável), que consiste em montante de 
recursos financeiros destinados a estimular a implantação das seguintes estratégias nacionais de 
reorganização do modelo de atenção à saúde: SF; ACS; Saúde Bucal (SB); Compensação de 
Especificidades Regionais; NASF, Saúde Indígena (SI); e Saúde no Sistema Penitenciário. Os 
repasses dos recursos dos PABs fixos e variáveis aos municípios são efetuados em conta aberta 
especificamente para essa finalidade, com o objetivo de facilitar o acompanhamento pelos 
Conselhos de Saúde no âmbito dos municípios, dos estados e do Distrito Federal. 
 
Regionalização: Um dos princípios que orientam a organização do SUS definidos pela 
Constituição Federal Brasileira e pela Lei Orgânica da Saúde (Lei nº 8.080/90). Constitui eixo 
estruturante do Pacto de Gestão do SUS, definido pela CIT, de 26 de janeiro de 2006, e aprovado 
pelo CNS, em 9 de fevereiro de 2006, o que evidencia a importância da articulação entre os 
gestores estaduais e municipais na implementação de políticas, ações e serviços de saúde 
qualificados e descentralizados, que possibilitem acesso, integralidade e resolutividade na atenção 
à saúde da população. A regionalização deve orientar a descentralização das ações e serviços de 
saúde. Neste processo são identificadas e constituídas as regiões de saúde – espaços territoriais 
nos quais serão desenvolvidas as ações de atenção à saúde objetivando alcançar maior 
resolutividade e qualidade nos resultados, assim como maior capacidade de cogestão regional. Os 
principais instrumentos de planejamento da regionalização são o PDR, o PDI e a PPI. A política de 
regionalização prevê a formação dos colegiados de gestão regionais que tenham a 
responsabilidade de instituir processo de planejamento regional que defina prioridades e pactue 
soluções para organizar a rede de ações e serviços de atenção à saúde das populações locais. 
 
Saúde da criança: A organização da atenção à saúde dirigida a esse segmento (que compreende 
crianças do nascimento ao décimo ano de vida) inclui o desenvolvimento de ações que atendem 
às necessidades específicas desse público. 
 
Saúde da Família (SF): A Estratégia de Saúde da Família visa à reorganização da Atenção 
Básica no país, de acordo com os preceitos do SUS. Além dos princípios gerais da Atenção 
Básica, a Estratégia Saúde da Família deve: ter caráter substitutivo em relação à rede de Atenção 
Básica tradicional nos territórios em que as Equipes de SF atuam; atuar no território, realizando 
cadastramento domiciliar, diagnóstico situacional, ações dirigidas aos problemas de saúde de 
maneira pactuada com a comunidade onde atua, buscando o cuidado dos indivíduos e das 
famílias ao longo do tempo, mantendo sempre postura proativa frente aos problemas de saúde-
doença da população; desenvolver atividades de acordo com o planejamento e a programação 
realizados com base no diagnóstico situacional e tendo como foco a família e a comunidade; 
buscar a integração com instituições e organizações sociais, em especial em sua área de 
abrangência, para o desenvolvimento de parcerias; e ser um espaço de construção de cidadania. 
 
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Saúde da Mulher: As políticas do SUS voltadas à saúde da mulher têm por finalidade a 
responsabilização do sistema pela promoção da qualidade de vida da população feminina, 
estimulando esse segmento a ampliar seus conhecimentos sobre seus direitos, na área da Saúde, 
e conhecimentos sobre sexualidade e cuidados com o corpo. Desenvolvida sob a coordenação da 
ÁreaTécnica de Saúde da Mulher do MS, a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da 
Mulher contempla ações de promoção da saúde, prevenção e tratamento dos principais agravos e 
problemas de saúde que afetam as mulheres, como o câncer de colo do útero, câncer de mama, 
gravidez de alto risco, violência contra a mulher, dentre outros. Em 2004, o MS lançou o Pacto 
Nacional pela Redução da Mortalidade Materna e Neonatal, cuja meta principal é reduzir em pelo 
menos 15% os índices de mortes de mulheres e de bebês com até 28 dias de vida, até o final de 
2007. O MS tem uma série de ações na área da Saúde da Mulher, em parceria com outros 
departamentos e áreas técnicas, para realização de projetos especiais como Saúde da População 
Indígena (Funasa), DST/Aids, Saúde da Mulher Trabalhadora (SGTES e Área Técnica de Saúde 
do Trabalhador). Possui como Saúde da Mulher Negra (Secretaria Especial de Políticas de 
Promoção da Igualdade Racial - SEPPIR) e Violência contra a Mulher (Secretaria Especial de 
Políticas para Mulheres e Secretaria Nacional de Segurança Pública). 
 
Saúde da população idosa: Política que objetiva, no âmbito do SUS, garantir atenção integral à 
saúde da população idosa, enfatizando o envelhecimento familiar, saudável e ativo e fortalecendo 
o protagonismo dos idosos no Brasil (Portaria nº 1.395/99). São diretrizes importantes para a 
atenção integral à saúde do idoso: 1) promoção do envelhecimento saudável; 2) manutenção e 
reabilitação da capacidade funcional; 3) apoio ao desenvolvimento de cuidados informais. O 
envelhecimento saudável compreende ações que promovem modos de viver favoráveis à saúde e 
à qualidade de vida, orientados pelo desenvolvimento de hábitos como: alimentação adequada e 
balanceada, prática regular de exercícios físicos, convivência social estimulante, busca de 
atividades prazerosas e/ou que atenuem o estresse, redução dos danos decorrentes do consumo 
de álcool e tabaco e diminuição significativa da automedicação. Promover o envelhecimento 
saudável significa, entre outros fatores, valorizar a autonomia e preservar a independência física e 
psíquica da população idosa, prevenindo a perda de capacidade funcional ou reduzindo os efeitos 
negativos de eventos que a ocasionem. Além disso, garantir acesso aos instrumentos diagnósticos 
adequados, medicação e reabilitação funcional. É importante qualificar os serviços de saúde para 
trabalhar com aspectos específicos da saúde da pessoa idosa (como a identificação de situações 
de vulnerabilidade social, a realização de diagnóstico precoce de processos demenciais, a 
avaliação da capacidade funcional, etc.). O sistema formal de atenção à saúde precisa atuar como 
parceiro da rede de suporte social do idoso (sistema de apoio informal), auxiliando na otimização 
do suporte familiar e comunitário e fortalecendo a formação de vínculos de corresponsabilidade. 
Cabe, portanto, à gestão municipal da saúde desenvolver ações que objetivem a construção de 
uma atenção integral à saúde dos idosos em seu território. No âmbito municipal, é fundamental 
organizar as equipes de SF e a atenção básica, incluindo a população idosa em suas ações (por 
exemplo: atividades de grupo, promoção da saúde, hipertensão arterial e diabetes mellitus, 
sexualidade, DST/Aids). Seus profissionais devem estar sensibilizados e capacitados a identificar 
e atender às necessidades de saúde dessa população. 
 
Unidades da atenção básica: Compõem a estrutura física básica de atendimento aos usuários 
do SUS. Devem ser prioridade na gestão do sistema, porque, quando funcionam adequadamente, 
a comunidade consegue resolver, com qualidade, a maioria dos seus problemas de saúde. A 
prática comprova que a atenção básica deve ser sempre prioritária, pois possibilita uma melhor 
organização e funcionamento também dos serviços de média e alta complexidade. Estando bem 
estruturada, ela reduzirá as filas nos prontos-socorros e hospitais, o consumo abusivo de 
medicamentos e o uso indiscriminado de equipamentos de alta tecnologia. Isso porque os 
problemas de saúde mais comuns passam a ser resolvidos nas UBS, deixando os ambulatórios de 
especialidades e hospitais cumprirem seus verdadeiros papéis, o que resulta em maior satisfação 
dos usuários e utilização mais racional dos recursos existentes. As UBS podem variar em sua 
formatação, adequando-se às necessidades de cada região. Podem ser: 1) unidade de Saúde da 
Família: unidade pública específica para prestação de assistência em atenção contínua 
programada nas especialidades básicas e com equipe multidisciplinar para desenvolver as 
atividades que atendam às diretrizes da Estratégia Saúde da Família do MS. Quando a equipe 
funcionar em unidade não específica, deverá ser informado o serviço/classificação; 2) posto de 
saúde: unidade destinada à prestação de assistência a uma determinada população, de forma 
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programada ou não, por profissional de nível médio, com a presença intermitente ou não do 
profissional médico; 3) centro de saúde/unidade básica de saúde: unidade para realização de 
atendimentos de atenção básica e integral a uma população, de forma programada ou não, nas 
especialidades básicas, podendo oferecer assistência odontológica e de outros profissionais de 
nível superior. A assistência deve ser permanente e prestada por médico generalista ou 
especialistas nessas áreas. Pode ou não oferecer Serviços Auxiliares de Diagnóstico e Terapia 
(SADT) realizados por unidades vinculadas ao SUS e pronto atendimento 24 horas; 4) unidade 
móvel fluvial: barco/navio, equipado como unidade de saúde, contendo, no mínimo, um consultório 
médico e uma sala de curativos, podendo ter consultório odontológico; 5) unidade terrestre móvel 
para atendimento médico/odontológico: veículo automotor equipado, especificamente, para 
prestação de atendimento ao paciente; 6) unidade mista: unidade de saúde básica destinada à 
prestação de atendimento em atenção básica e integral à saúde, de forma programada ou não, 
nas especialidades básicas, podendo oferecer assistência odontológica e de outros profissionais, 
com unidade de internação, sob administração única. A assistência médica deve ser permanente e 
prestada por médico especialista ou generalista; 7) ambulatórios de unidade hospitalar geral: o 
município deve garantir em seu orçamento recursos para a construção, ampliação e reforma das 
suas unidades. O MS destina, anualmente, via convênios (Fundo Nacional de Saúde), recursos 
que podem ser utilizados para esse fim. 
 
Vigilância em saúde: A vigilância em saúde abrange as seguintes atividades: a vigilância das 
doenças transmissíveis, a vigilância das doenças e agravos não transmissíveis e dos seus fatores 
de risco, a vigilância ambiental em saúde e a vigilância da situação de saúde. A adoção do 
conceito de vigilância em saúde procura simbolizar uma abordagem nova, mais ampla do que a 
tradicional rática de vigilância epidemiológica.

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