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fachadas e juntas de dilatação

Revista acadêmica — Espaço Científico (CEULS/ULBRA, v.14 n.º2, 2013) reúne editorial, normas e sete artigos sobre revestimentos cerâmicos e juntas; horticultura na recuperação de condenados; estratégias de resumo; uso de laptops na escola; aconselhamento pastoral (terapia breve); gestão pública/terceiro setor; disponibilidade de P no solo.

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ESPAÇO CIENTÍFICO
Revista do CEUL de Santarém
Vol. 14 – Nº2 – 2013
ISSN 1518-5044
ESPAÇO CIENTÍFICO
Indexador: Latindex
Comissão Editorial
Celso Shiguetoshi Tanabe
Maria Sheyla Cruz Gama
Maria Viviani Escher Antero
Comissão Científica
Carmen Tereza Velanga – UNIR
Damião Pedro Meira Filho – IFPA
Felipe Schaedler de Almeida – UFRGS
Francisco dos Santos Rocha – CEULM/ULBRA
Gilbson Santos Soares – CEULS/IFPA
Izabel Alcina Evangelista Soares – CEULS/UEPA
José Ricardo Geller – CEULS/OAB
Lidiane Nascimento Leão – UFOPA
Luiz Fernando Gouveia e Silva – UEPA
Maria Lilia Imbiriba Sousa Colares – UFOPA
Maria Marlene Escher Furtado – UFOPA
Marialina Corrêa Sobrinho – CEULS/IESPES
Paula Chistina Figueira Cardoso – USP
Robinson Severo – UFOPA
Rosângela Maria Lima de Andrade CEULS/
ULBRA/IESPES
Sylviane Beck Ribeiro – UNIR
Troy Patrick Beldini – UFOPA
Wallinhgton de Araujo Gabler – UFOPA
Correspondência
Av. Sergio Henn, 1787, Bairro Diamantino
CEP: 68025-000 – Santarém/PA
Fone/Fax: (93) 3524.1055
E-mail: pesquisa.stm@ulbra.br
EDITORA DA ULBRA
Diretor: Astomiro Romais
Coord. de periódicos: Roger Kessler Gomes
Capa: Everaldo Manica Ficanha
Editoração: Isabel Kubaski
PORTAL DE PERIÓDICOS DA ULBRA
Gerência: Agostinho Iaqchan
Matérias assinadas são de responsabilidade dos 
autores. Direitos autorais reservados. Citação 
parcial permitida, com referência à fonte.
COMUNIDADE EVANGÉLICA
LUTERANA SÃO PAULO
Presidente
Adilson Ratund
Vice-Presidente
Jair de Souza Junior
Reitor
Marcos Fernando Ziemer
Pró-Reitor de Planejamento 
e Administração
Romeu Forneck
Pró-Reitor Acadêmico 
Ricardo Willy Rieth
Pró-Reitor Adjunto de Ensino Presencial
Pedro Antonio González Hernández
Pró-Reitor Adjunto de Ensino a Distância
Pedro Luiz Pinto da Cunha
Pró-Reitor Adjunto de Pós-Graduação, 
Pesquisa e Inovação 
Erwin Francisco Tochtrop Júnior
Pró-Reitor Adjunto de Extensão 
e Assuntos Comunitários 
Valter Kuchenbecker
Capelão Geral 
Pastor Lucas André Albrecht
CENTRO UNIVERSITÁRIO 
LUTERANO DE SANTARÉM
Diretor Geral
Ildo Schlender
Capelão
Rev. Maximiliano Wolfgramm Silva
Coordenador de Ensino
Celso Shiguetoshi Tanabe
Coordenadora de Pesquisa, 
Pós-Graduação e Extensão
Maria Viviani Escher Antero
Setor de Processamento Técnico da Biblioteca Martinho Lutero – ULBRA/Canoas
E77	 Espaço	Científico	:	revista	do	Centro	Universitário	Luterano	de	Santarém	/	Universidade	
Luterana do Brasil. – N. 1 (jan./jun. 2000)- . – Canoas : Ed. ULBRA, 2000- .
v. ; 27 cm.
Semestral.
ISSN 1518-5044
1.	Pesquisa	científica	–	periódicos.	2.	Ciência	e	tecnologia	–	periódicos.	I.	Universidade	
Luterana do Brasil. II. Instituto Luterano de Ensino Superior de Santarém.
CDU 5/6(05)
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Sumário
3 Editorial
4 Revestimentos cerâmicos de fachadas e juntas de movimentação: caracterização 
e prevenção de patologias
Amanda Neves Lima, Paulo Henrique Lobo Neves
18 Produzir para transformar: a horticultura como forma de recuperação e 
profissionalização de condenados
Paulo Henrique Dias Barbosa
33 A percepção de alunos do ciclo básico universitário sobre as estratégias de 
produção de resumo: um estudo de caso em Santarém-PA
Paula Cristina Galdino de Oliveira, Maria Sheyla Gama (Orientadora)
43 Mídias tecnológicas na educação: o uso do laptop na Escola Municipal de Ensino 
Fundamental Irmã Leodgard Gausepohl
Lúcia Maria Maia Pimentel, Rosângela Maria Lima de Andrade
65 Aconselhamento pastoral: Apontamentos sobre o uso da “Terapia Breve com foco 
na Solução” no cuidado de pessoas em estado depressivo
Maximiliano Wolfgramm Silva
81 O novo modelo de gestão pública brasileira: uma análise do terceiro setor
Izabel Evangelista, Mara Jeane Dantas da Silva Costa
105 Disponibilidade de P no solo e na solução do solo em diferentes tipos de uso na 
região do planalto santareno no ano de 2012
Renata de Andrade Coelho, Juliano Gallo, Raimundo Cosme de Oliveira Junior, 
Celso Tanabe, Paulo Henrique Barbosa, Isabel Cristina Tavares Martins, Edson 
Reis, Gilbson Soares, Daniel Rocha de Oliveira, Ellen Pinon
122 Normas editoriais
Editorial
O Centro Universitário Luterano de Santarém – CEULS busca com mais um 
número da Revista Espaço Científico a “qualidade e constância, os caminhos que 
devem e podem levar ao desenvolvimento regional sustentável, com responsabilidade 
ambiental e equidade social”.
Como Instituição de Ensino Superior entende-se que a dinâmica da 
investigação deve ser socializada e que estas levem conhecimentos as mais distantes 
comunidades.
Neste sentido a revista oportuniza a comunidade acadêmica e científica apresentar 
suas pesquisas e revisões em diferentes áreas do conhecimento.
Nesta edição o leitor encontra sete artigos que expressam de forma relevante 
resultados de trabalhos que possam enriquecer as suas leituras.
Sejam bem vindos e convidados para apresentar seus relatórios de pesquisa neste 
espaço aberto à publicação.
Comissão Editorial
Espaço Científico Santarém v.15, n.2 p.4-17 2014
Revestimentos cerâmicos de fachadas e 
juntas de movimentação: caracterização e 
prevenção de patologias
Amanda Neves Lima
Paulo Henrique Lobo Neves
RESUMO
Ao longo dos tempos, o revestimento cerâmico tornou-se mais que um item de decoração ou 
acabamento. Com novas tecnologias aplicadas à técnica milenar da produção da cerâmica, obteve-
se um elemento que passou a ser, na maioria das vezes, indispensável na construção civil. A alta 
resistência às mais diversas condições ambientais, tem sido uma das principais razões pela qual os 
edifícios têm utilizado este tipo de material. Apesar das inúmeras qualidades que o uso do sistema de 
revestimento cerâmico de fachadas pode apresentar, a incidência das manifestações patológicas tem 
sido cada vez mais comum, onerando os custos até mesmo em edifícios recentes. Estas ocorrências 
preocupam os construtores e as grandes empresas de fabricação de cerâmica. Neste trabalho são 
apresentadas ações que podem eliminar ou ao menos minimizar a incidência desses problemas, os 
quais exigem uma adequada tecnologia de produção que resulte em um revestimento com maior 
capacidade de absorver deformações, o que vem sendo obtido principalmente pelo emprego de 
materiais mais adequados e de detalhes construtivos, tais como juntas de movimentação e telas 
de reforço.
Palavras-chave: Revestimentos cerâmicos. Fachadas. Patologias. Juntas de Movimentação.
ABSTRACT
Throughout the ages, the ceramic coating has become more than a decorative item or finish. 
With new technologies applied to the ancient technique of ceramics production, we obtained a factor 
which has become, in most cases, indispensable in construction. The high resistance to various 
environmental conditions, has been one of the main reasons why the buildings have used this type 
of material. Despite numerous qualities that the use of ceramic tile façade system can provide, the 
incidence of pathological manifestations have been increasingly common , burdening costs even 
in newer buildings. These occurrences concern to builders and major companies manufacturing 
ceramic. In this work actions that can eliminate or at least minimize the incidence of these problems 
requires adequate production technology that results in a coating with a higher capacity to absorb 
deformation , which has been achieved mainly by the use of suitable materials and construction 
details are presented such as movement joints and screens reinforcements .
Keywords: Ceramic Coatings. Facades. Pathologies. Together Movement.
Amanda Neves Lima é Especialista e Engenheira Civil.
Paulo Henrique Lobo Neves é Engenheiro Civil, IFPA, Professor do CEULS ULBRA.
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 5
1 INTRODUÇÃO
O desempenho do sistema de revestimento cerâmico de fachadade um 
empreendimento depende da relação de todos os materiais e suas técnicas de aplicação 
específica para aquela situação de projeto. 
Todavia, a NBR 13529 diz que o sistema de revestimento é o “conjunto formado 
por revestimento de argamassa e acabamento decorativo, compatível com a natureza 
da base, condições de exposição, acabamento final e desempenho, previstos em 
projeto.”
Conforme Ribeiro e Barros (2010), o revestimento de fachada complementa 
as funções da vedação vertical, da qual faz parte, juntamente com as alvenarias e as 
esquadrias. Além destas, também desempenha funções de proteção contra a ação de 
agentes de deterioração, contribuindo para a estanqueidade da água e para o isolamento 
termoacústico; e constitui o acabamento, exercendo funções estéticas, de durabilidade 
e de valorização econômica. 
Para garantir a eficiência dos revestimentos cerâmicos, é necessário considerar-se 
vários fatores: a apropriação dos materiais ao tipo de uso, a qualidade e o planejamento 
dos serviços de assentamento e a manutenção após a aplicação de acordo com o uso a 
que se destina (REBELO, 2010).
O objetivo deste trabalho é analisar a vantagem do uso dos revestimentos cerâmicos, 
que apresentam grande durabilidade e menor necessidade de manutenção e identificar 
as patologias associadas às fachadas, principalmente quando estes revestimentos põem 
em risco a vida de pessoas, por exemplo, no caso de descolamentos de placas.
2 METODOLOGIA
Este estudo está fundamentado em trabalhos publicados disponíveis sobre o 
assunto, que enfocam o uso dos revestimentos cerâmicos nas fachadas das edificações 
e os cuidados para as possíveis ocorrências patológicas, assim como as ações para 
minimizar tais problemas.
3 REVESTIMENTOS CERÂMICOS DE FACHADAS
3.1 Origem e características da matéria-prima
A indústria cerâmica possui um contexto histórico milenar, em vista da facilidade 
da extração da matéria-prima (argila). Desde a antiguidade, o homem utiliza a argila 
para confecção de potes, tendo descoberto que o aquecimento tornava rígida essa argila, 
originando o metódo do cozimento, utilizado até hoje nas indústrias cerâmicas.
Espaço Científico v.15, n.2, 20146
O revestimento cerâmico também vem sendo utilizado há muitos séculos para 
revestir paredes e pisos. Utilizado apenas pela nobreza, os antigos artesãos ceramistas 
fabricavam as placas para decorar os grandes palácios e construções nobres.
Segundo a ABCERAM (Associação Brasileira de Cerâmica), a abundância de 
matérias-primas naturais, fontes alternativas de energia e disponibilidade de tecnologias 
práticas embutidas nos equipamentos industriais, fizeram com que as indústrias 
cerâmicas brasileiras evoluíssem rapidamente.
As placas cerâmicas são obtidas basicamente da moldagem, secagem e queima da 
argila ou alguma mistura contendo argila. Além disso, em seu processo de fabricação 
é feita a esmaltação e sua decoração.
3.2 Funções e classificação dos revestimentos
As principais vantagens de utilização de revestimentos cerâmicos em fachadas 
são: a durabilidade do material; facilidade de limpeza e manutenção; qualidade do 
acabamento final; proteção dos elementos de vedação; isolamento térmico e acústico; 
estanqueidade à água e aos gases; segurança ao fogo; e aspecto visual e estético 
agradável.
A qualidade e durabilidade de uma superfície com revestimento cerâmico está 
fundamentada em conceitos relacionados ao planejamento e escolha do revestimento; 
qualidade do material de assentamento; qualidade da construção e do assentamento e 
manutenção.
É fundamental que o consumidor esteja ciente de que a absorção de água, bem 
como as resistências mecânicas (impacto, compressão, flexão), a abrasão, a gretagem, 
os choques térmicos, o frio intenso e a formação de manchas por ataques químicos 
variam de forma acentuada, de um produto para outro.
É preciso ter especial cuidado com a escolha da cerâmica a ser aplicada, 
especialmente no que se refere à absorção de água. Observado o seguinte quadro, os 
produtos cerâmicos estão enquadrados em cinco grupos principais.
TABELA 1 –	Classificação	dos	Revestimentos	Cerâmicos	quanto	à	absorção	de	água.
PRODUTO ABSORÇÃO DE ÁGUA ( % )
CARACTERÍSTICA 
DA ABSORÇÃO 
PORCELANATO 0 a 0,5 quase nula 
GRÉS (“PASTILHA”) 0,5 a 3 baixa 
SEMI - GRÉS 3 a 6 média 
SEMI - POROSO 6 a 10 média alta 
POROSO 10 a 20 alta
Fonte: NOGUEIRA, Sylvio. 2010.
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 7
O ladrilho porcelânico de grés ou pastilha e o porcelanato apresentam-se como 
os melhores produtos, sob o ponto de vista da absorção de água, obviamente que os 
demais quesitos, citados na tabela, devam ser considerados, atenta e cuidadosamente, 
na escolha final do produto.
As funções dos revestimentos cerâmicos de fachadas são proteger a edificação 
das ações de chuvas, sol e vento, preservando-se assim sua estrutura, alvenaria, bem 
como dar um acabamento arquitetônico ao conjunto.
A escolha do revestimento cerâmico para fachadas deve ocorrer no projeto 
arquitetônico da edificação, levando-se em conta vários aspectos da construção e sua 
localização geográfica.
A localização geográfica é um fator importante na hora de escolher o revestimento 
correto. Se for uma região chuvosa, deverá ser aplicado um revestimento de maior 
resistência à água, com as características que já foram citadas acima, mesmo que seja 
em uma região com pouca chuva a escolha deve seguir a norma técnica brasileira 
NBR 13755/1996. Devem também ter fácil limpeza e não podem perder sua coloração 
original com a ação da luz solar.
O vento também é um importante fator, pois sua ação, levando-se em consideração 
principalmente em cidades com maior índice de poluição, pode causar a oxidação dos 
revestimentos cerâmicos em maior intensidade, atuando em conjunto com as chuvas.
3.3 Execução de revestimento cerâmico de fachadas
No presente estudo, avalia-se os revestimentos aplicados em fachadas, que para 
maior aproveitamento do uso, deve-se respeitar as normas de colocação. 
O revestimento cerâmico deve possuir juntas especiais, segundo a NBR-13755, 
também chamadas juntas de movimentação ou de dessolidarização. Para Nogueira 
(2010), tais juntas devem ser abertas, no corpo da parede, até o plano dos tijolos, 
formando painéis de apropriadas dimensões, de acordo com projeto específico ou 
catálogo do fabricante. 
O objetivo fundamental do emprego de juntas no sistema de revestimento cerâmico 
de fachada está relacionado principalmente ao aumento da capacidade de absorver 
deformações. Porém, além dos quesitos funcionais, este elemento necessariamente 
precisa ser estanque e manter a integridade física do revestimento, contribuindo assim 
para a manutenção da estética ao longo da vida útil do edifício. 
Espaço Científico v.15, n.2, 20148
FIGURA 1 – Representação esquemática do sistema de revestimento cerâmico.
(1) representa o substrato; (2) é a argamassa de preparo do substrato, usualmente denominada chapisco; (3) 
corresponde	à	argamassa	de	regularização,	denominada	emboço;	(4)	é	a	argamassa	colante	industrializada	de	
fixação	das	placas	cerâmicas	e	(5)	corresponde	ao	conjunto	formado	pelas	peças	cerâmicas	e	a	argamassa	de	
preenchimento das juntas de assentamento. 
Fonte: Mansura, A. P.; Nascimento, O. L.; Mansura, H. S., 2012. p.19.
O assentamento deverá ser efetuado com argamassa pré-fabricada, do tipo 
colante, para superfícies externas, observando-se, com extremo rigor, as instruções do 
fabricante, inclusive as condições climáticas durante o trabalho, quantidades de massa 
em função da velocidade de aplicação, formação de película, ferramental próprio, 
tempos de cura, etc. 
 Os rejuntes, entre as peças, também devem ser pré-fabricados, de alta adesividade 
e aditivados com polímeros, para que possam exercer sua função em cada painel 
formado pelas juntas, sem sofreresmagamento.
 Após completa cura dos assentamentos e rejuntes, as superfícies devem ser 
hidrofugadas, ou seja, devem receber vedação ou impermeabilização especial, incolor 
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 9
e penetrante, com preferência para produtos à base de silano ou siloxano. Vale advertir 
contra o uso de repelentes superficiais siliconados, formadores de película, pois estes 
são fotossensíveis e desagregam sob ação do sol, podendo ocasionar, no futuro, graves 
problemas para as fachadas. 
Por fim, as juntas de movimentação devem ser limpas, desengorduradas, usando-se 
metiletilcetona e evitando-se o thinner; e vedadas com mástique de silicone, pigmentado, 
de elasticidade permanente.
Além das etapas, anteriormente descritas, devem ser observados, na contratação 
do colocador, os seguintes requisitos: 
a) firma especializada, com fartas referências de clientes anteriores;
b) responsável técnico (CREA), integrando o contrato social da empresa;
c) adequados equipamentos de proteção individual e de segurança;
d) comprovação de seguros (vida e danos), para empregados e terceiros;
e) transcrição, no corpo do contrato, de todas as especificações, tanto de produtos 
como dos procedimentos técnicos anteriormente descritos.
4 PATOLOGIAS
As patologias dos revestimentos cerâmicos são anomalias que podem surgir logo 
após o assentamento, ou após algum tempo de uso. As anomalias mais comuns são o 
descolamento e as fissuras. Conforme Chaves (2009). Para diminuir o aparecimento 
desses problemas, deve-se conhecer a origem e identificar esses defeitos. Assim, as 
patologias são classificadas em:
•	 Congênitas	-	Originárias na fase de projeto em decorrência do desrespeito às 
tecnologias normatizadas pela ABNT, de falhas de especificações de material 
e no detalhamento e especificação inadequada dos revestimentos.
• Construtivas - Quando os assentadores não dominam a tecnologia e os 
responsáveis pela obra não controlam corretamente os procedimentos 
produtivos.
• Adquiridas - Ocorrem durante a vida útil dos revestimentos, resultam de 
agressões do meio ambiente, ou decorrentes de falta de manutenção ou 
manutenção inadequada, ou ainda, de agressões ao revestimento, em função 
de instalação de outros sistemas nas edificações danificando as placas, 
rejuntamentos e por via de consequência desencadeando patologias.
• Acidentais - Caracterizadas situações não previstas que causem impactos que o 
revestimento não seja capaz de suportar, tais como incêndio e movimentações 
estruturais não previstas.
Espaço Científico v.15, n.2, 201410
4.1 Principais manifestações patológicas
Dentre as principais patologias dos revestimentos cerâmicos de fachadas podem-se 
destacar os destacamentos de placas; as trincas, gretamento e fissuras; as eflorescências 
e deterioração das juntas. 
4.1.1 Destacamentos
Segundo Fontenelle e Moura (2004), os destacamentos são caracterizados pela 
perda de aderência das placas cerâmicas do substrato ou da argamassa colante, quando 
as tensões surgidas no revestimento cerâmico ultrapassam a capacidade de aderência 
das ligações entre a placa cerâmica e argamassa colante e/ou emboço. 
O primeiro sinal desta patologia é a ocorrência de um som oco nas placas 
cerâmicas, ou ainda nas áreas em que se observa o estufamento da camada de placas 
cerâmicas e rejuntes, seguido do destacamento destas áreas, que pode ser imediato ou 
não. Devido à maior probabilidade de acidentes envolvendo os usuários e os custos 
para seu reparo, esta patologia é considerada mais séria. Geralmente, estas patologias 
ocorrem nos primeiros e últimos andares do edifício, devido ao maior nível de tensões 
observados nestes locais. 
As principais causas destas manifestações patológicas são:
a) ausência de detalhes construtivos em projeto específico, no caso, contravergas 
e juntas de dessolidarização; 
b) deformação lenta da estrutura de concreto armado, variações de umidade e de 
temperatura;
c) instabilidade do suporte, devido à acomodação do edifício como um todo;
d) utilização da argamassa colante já aberta, após o vencimento delimitado pelo 
fabricante; 
e) assentamento sobre superfície contaminada;
f) imperícia ou negligência da mão-de-obra na execução e/ou controle dos 
serviços (assentadores, mestres e engenheiros). 
Uma outra forma de se evitar a ocorrência deste tipo de patologia, além de corrigir 
todos os passos mencionados anteriormente, seria evitar a execução dos revestimentos 
cerâmicos em uma fase da construção em que o suporte ainda esteja recém executado, 
evitando-se assim as retrações que podem ocasionar tensões não consideradas no projeto 
do revestimento cerâmico. 
A recuperação desta patologia é extremamente trabalhosa e, na maior parte das 
vezes, cara também, já que o reparo localizado nem sempre é suficiente para acabar 
com o problema, que volta a ocorrer em outras áreas do revestimento cerâmico. Muitas 
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 11
vezes, a solução é a retirada total do revestimento, podendo-se chegar até ao emboço 
e refazer todas as camadas.
4.1.2 Trincas, gretamento e fissuras 
Estas patologias aparecem por causa da perda de integridade da superfície da placa 
cerâmica, que pode ficar limitada a um defeito estético, no caso de gretamento, ou pode 
evoluir para um destacamento, no caso de trincas (FONTENELLE e MOURA, 2004).
As trincas são rupturas da placa cerâmica provocadas por esforços mecânicos, 
que causam a separação destas placas em várias partes; podem ter aberturas superiores 
a 1 mm. As fissuras são rompimentos nas placas cerâmicas, com aberturas menores 
que 1 mm e que não causam a ruptura total das placas. Já o gretamento é uma série de 
aberturas inferiores a 1 mm e que ocorre na superfície esmaltada dos revestimentos 
cerâmicos, dando a ele uma aparência de teia de aranha. 
Estas patologias também ocorrem normalmente nos primeiros e últimos andares 
do edifício, geralmente pela falta de especificação de juntas de movimentação e detalhes 
construtivos adequados. A inclusão destes elementos no projeto de revestimento e o uso das 
argamassas bem dosadas ou colantes podem evitar o aparecimento destes problemas.
O Quadro 1, a seguir, aponta as principais causas das ocorrências deste tipo de 
deformação, inclusive suas principais características.
QUADRO 1 –	Causas	das	trincas,	gretamento	e	fissuras	.
Causas das trincas, 
gretamentos e fissuras
Descrição
Dilatação e retração das 
placas cerâmicas 
Este problema ocorre quando há variação térmica e/ou de 
umidade (a expansão por umidade é uma característica limitada 
em 0,6 mm/m pela NBR 13818). Estas variações geram um 
estado de tensões internas que, quando ultrapassam o limite de 
resistência da placa cerâmica, causam trincas e fissuras e, quando 
ultrapassam o limite de resistência da camada de esmalte, 
causam gretamento. 
Deformação estrutural 
excessiva 
Esta deformação do edifício pode criar tensões na alvenaria 
que, quando não são completamente absorvidas, podem ser 
transferidas aos revestimentos. Estes, por sua vez, podem não 
resistir ao nível de tensões, rompendo -se e, muitas vezes, 
destacando -se do substrato. 
Ausência de detalhes 
construtivos 
A falta de alguns detalhes construtivos, tais como vergas, 
contravergas nas aberturas de janelas e portas, pingadeiras nas 
janelas, platibandas e juntas de movimentação, podem ajudar a 
dissipar as tensões que chegam até os revestimentos. 
Espaço Científico v.15, n.2, 201412
Causas das trincas, 
gretamentos e fissuras
Descrição
Retração da argamassa 
de fixação 
Este problema ocorre quando se usa argamassa de fixação dosada 
em obra em vez de argamassa colante industrializada. A retração 
da argamassa causada pela hidratação do cimento podem 
causar um aperto ou “beliscão” na placa cerâmica que, por 
estarfirmemente aderente à argamassa, pode tornar a superfície 
convexa e tracionada, causando gretamento, fissuras ou 
mesmo trincas nas placas cerâmicas. 
Fonte: Campante; Baía (2003, apud FONTENELLE; MOURA; 2004, p.8).
4.1.3 Eflorescência 
Esta manifestação patológica é evidenciada pelo surgimento, na superfície do 
revestimento, de depósitos cristalinos de cor esbranquiçada, comprometendo a aparência 
do revestimento. Estes sais em contato com o ar solidificam, causando depósitos. 
Segundo Fontenelle e Moura (2004), estes depósitos surgem quando os sais 
solúveis nas placas de cerâmicas, nos componentes da alvenaria, nas argamassas 
de emboço, de fixação ou de rejuntamento são transportados pela água utilizada na 
construção ou vinda de infiltrações, através dos poros dos componentes de revestimento 
(placas cerâmicas não esmaltadas, rejuntes).
Em algumas situações, como em ambientes constantemente molhados e com 
alguns tipos de sais de difícil secagem, estes depósitos apresentam-se como uma 
exsudação na superfície. 
Não haverá ocorrência deste problema, quando eliminado qualquer um 
desses fatores: sais solúveis, presença de água ou porosidade do componente de 
revestimento. 
Algumas precauções podem ser tomadas para evitar a eflorescência: 
a) reduzir o consumo de cimento Portland na argamassa de emboço ou usar 
cimento com baixo teor de álcalis; 
b) utilizar placas cerâmicas de boa qualidade, ou seja, queimadas em altas 
temperaturas, que elimina os sais solúveis de sua composição e a umidade 
residual; 
c) garantir o tempo necessário para secagem de todas as camadas anteriores à 
execução de revestimento cerâmico. 
Para a remoção dos depósitos nas áreas já comprometidas com a ocorrência deste 
problema, pode-se recorrer a uma simples lavagem da superfície do revestimento, o 
que geralmente é suficiente para a eliminação dos depósitos, mas eles podem voltar a 
ocorrer, principalmente se as condições continuarem propícias. Com o passar do tempo, 
porém, o problema tende a diminuir, na medida em que os sais forem eliminados. Para 
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 13
Fontenelle e Moura (2004), durante a limpeza do revestimento cerâmico, deve-se evitar 
o uso de ácido muriático. Caso seja necessário seu uso, fazê-lo em concentrações baixas 
e em pequena quantidade, enxaguando muito bem a superfície após seu uso. 
4.1.4 Deterioração das juntas de assentamento
Este problema, apesar de afetar diretamente as argamassas de preenchimento das 
juntas de assentamento (rejuntes) e de movimentação, compromete o desempenho dos 
revestimentos cerâmicos como um todo, já que estes componentes são responsáveis pela 
estanqueidade do revestimento cerâmico e pela capacidade de absorver deformações. 
Os sinais de que está ocorrendo uma deterioração das juntas são perda de estanqueidade 
da junta e envelhecimento do material de preenchimento. 
A perda da estanqueidade pode iniciar-se logo após a sua execução, através de 
procedimentos de limpeza inadequados. Estes procedimentos de limpeza podem causar 
deterioração de parte do material aplicado, como ácidos e bases concentrados, que, 
somados aos ataques de agentes atmosféricos agressivos e/ou solicitações mecânicas por 
movimentações estruturais, podem causar fissuração ou trincas, bem como infiltração 
de água. 
O envelhecimento das juntas entre componentes, por serem preenchidas com 
materiais à base de cimento, normalmente não representa grandes problemas, já que 
o cimento é um material de excelente durabilidade, desde que bem executado. Sua 
deterioração é observada quando na presença de agentes agressivos, como a chuva ácida 
ou aparecimento de fissuras. Quando estes rejuntes possuem uma quantidade grande de 
resinas, deve -se considerar que estas são de origem orgânica e podem envelhecer, além 
de perder a cor, caso sejam responsáveis pela coloração das juntas de assentamento. 
As juntas de movimentação são preenchidas com selantes à base de poliuretano, 
polissulfetos, silicone, dentre outros. Estes materiais de origem orgânica apresentam 
durabilidade variadas, geralmente em torno de 5 anos, embora existam materiais no 
mercado que possuem garantia de 20 anos. Sua deterioração é causada também por 
microorganismos, razão pela qual, após o período de garantia, devem ser inspecionados 
e trocados. 
As maneiras de se evitar a ocorrência desta patologia estão diretamente ligadas ao 
controle da execução do rejuntamento ou preenchimento das juntas de movimentação, 
bem como à escolha de materiais de preenchimento que atendam aos requisitos de 
projeto. 
4.2 As juntas de movimentação – recuperação e prevenção 
para as patologias
Tratando-se de tecnologia da construção, o termo junta tem o conceito além de 
união, sobretudo, tem o sentido de separação. É com esse sentido que a junta é definida 
Espaço Científico v.15, n.2, 201414
por Filho Neto (2005, apud RIBEIRO e BARROS, 2010, p.61) como sendo uma 
“abertura estreita, fenda ou rebaixo que se deixa longitudinalmente entre duas pecas 
ou elementos construtivos, com a finalidade de separá-los” 
Segundo Ribeiro e Barros (2010), as juntas constituem-se em elementos 
construtivos que devem ser dotados de mecanismo de funcionamento e desempenho 
determinados.
Quando considerado seu aspecto funcional, as juntas podem ser consideradas 
um elemento construtivo presente entre dois outros elementos paralelos, cuja função é 
proporcionar a união entre estes e o acabamento da sua junção. Ou podem ser concebidas 
com a função de acomodar os movimentos diferenciais entre os dois elementos paralelos. 
Nesse caso, são denominadas juntas de movimentação. 
Em revestimentos aderidos de fachadas, a função principal das juntas de 
movimentação é minimizar a propagação de esforços neles atuantes e que provêm, 
geralmente, dos elementos com os quais se conectam (estrutura, parede, revestimento) 
e do seu comportamento intrínseco diante das ações do meio ambiente (variação de 
temperatura e umidade, por exemplo). Nesse caso, é função das juntas minimizar as 
tensões introduzidas no revestimento. O emprego desse detalhe construtivo objetiva 
evitar patologias, como o aparecimento de fissuras ou até mesmo o destacamento de 
partes do revestimento. 
Para Ribeiro e Barros (2010), a constituição de cada tipo de junta de movimentação 
varia de acordo com sua função no sistema de revestimento cerâmico, e os principais 
elementos que podem estar presentes na junta são o limitador de profundidade ou a fita 
isoladora e o selante, os quais, de uma maneira ou de outra, interagem com o substrato. 
“Pode-se dizer que as superfícies laterais da junta de movimentação, nas quais o 
selante vai aderir, constituem seu substrato, que é constituído pelas diversas camadas 
que compõem o sistema de revestimento e podem ser porosas ou não” (RIBEIRO e 
BARROS, 2010, p.67).
Quanto à função, as juntas de movimentação podem ser classificadas em:
• Junta de trabalho - interrompe a superfície do revestimento nas regiões em 
que houver descontinuidades no substrato, com a função principal de acomodar 
os movimentos da sua base suporte, sobretudo aqueles resultantes da interação 
vedação-estrutura.
•	 Junta	de	transição	- interrompe as camadas de acabamento e fixação e tem 
como função principal permitir a transição entre materiais com diferentes 
características térmicas na fachada. 
• Junta de contorno - a função é separar as interfaces entre o revestimento 
cerâmico e outros elementos construtivos adjacentes.
• Junta de dessolidarização - a função é dessolidarizar a camada de acabamento 
da base. Além disso, permite dissipar de tensões pela subdivisão de áreas 
extensas de revestimentos.
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 15
As juntas de movimentação são classificadas, quanto ao seu tratamento, em juntas 
seladas e juntas pré-formadas. 
•	 Juntas	seladas	- sãopreenchidas por selante em um estado não-curado. Os 
selantes de poliuretano e de silicone são os mais recomendados para uso em 
revestimentos cerâmicos de fachadas, sobretudo por serem mais resistentes 
ao intemperismo e apresentarem melhor capacidade de deformação que os 
selantes acrílicos.
•	 Juntas	pré-formadas	-	são preenchidas por material celular comprimido dentro 
da junta. Podem ser feitas com material selante pré-formado extruturado ou 
com selante pré-formado moldado, sendo a segunda opção bastante utilizada 
para recuperação de juntamente deterioradas.
Como são parte do subsistema de revestimentos cerâmicos de fachadas, as 
juntas de movimentação devem satisfazer aos requisitos de desempenho relacionados 
à durabilidade, dissipação de tensões, estanqueidade e estética.
Há uma tendência de fazer as juntas de movimentação bem estreitas e de aumentar 
as distâncias entre elas, a fim de reduzir o impacto visual na arquitetura do edifício. 
Essa tendência pode causar conflitos na função de acomodação dos movimentos e 
resistência às tensões.
Para Ribeiro e Barros (2010), as falhas mais comuns nas juntas de movimentação 
são a perda de adesão; falha de coesão; escorrimento; dobramento e intrusão; deformação 
excessiva; ataque químico; desgaste precoce e desagregação. Existem diversos fatores 
que podem ocasionar essas falhas nas juntas selantes, como deficiência de projeto e 
especificação das juntas; escolha incorreta do selante; aplicação sobre o susbstrato 
contamidado ou úmido; temperatura inadequada para aplicação; defeitos na preparação 
da superfície ou aplicação do selante; ocorrência de movimentações não previstas, etc.
O conhecimento existente sobre tecnologia de produção de juntas de movimentação 
seladas destaca a importância da realização de um criterioso projeto de revestimentos 
de fachadas e dimensionamento das juntas.
A fase inicial do projeto de revestimentos é constituída por um conjunto 
de informações sobre a obra objeto do projeto de revestimento. O projetista de 
revestimentos deve reunir informações que possibilitem o seu entendimento acerca 
dos fatores que originam movimentos na fachada do edifício e que lhe permita fazer a 
previsão do comportamento potencial das camadas de revestimento em razão daqueles 
fatores e, por consequência, o comportamento da própria junta. 
O dimensionamento de juntas consiste na definição do posicionamento e das 
dimensões da abertura da junta (largura e profundidade). Recomenda-se que sejam 
feitas juntas horizontais a cada pavimento, coincidindo com o fundo da laje ou da 
viga, na região de fixação da alvenaria à estrutura; as juntas verticais também são 
localizadas preferencialmente nos encontros entre a alvenaria e a estrutura. Tanto as 
juntas horizontais, quanto as verticais, podem ser empregadas às juntas de trabalho ou 
Espaço Científico v.15, n.2, 201416
juntas de dessolidarização. A escolha deverá ser feita pelo projetista, que deverá levar 
em consideração a melhor opção para o edifício em análise.
O selante é o material responsável pelo cumprimento da maior parte das funções 
da junta; assim, sugere-se iniciar a seleção dos materiais pela sua determinação e, em 
seguida, escolhe-se os demais, que deverão ser compatíveis com ele. Para a escolha 
do selante, deve-se levar em consideração os catálogos dos materiais, informações 
de fornecedores, verificação de edificações vizinhas, ensaios laboratoriais, etc. Essas 
informações ajudam na definição do material a ser utilizado.
Após a definição do tipo de selante, o projetista deve fornecer ao executor as 
informações necessárias para a aquisição e aplicação do selante, as quais consistem 
em informações gerais sobre os produtos, propriedades necessárias durante a aplicação 
e propriedades de uso.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A partir do estudo sobre revestimentos de fachada, fica evidenciada a necessidade 
de uma série de procedimentos que influenciam na durabilidade e desempenho das 
placas cerâmicas.
Mesmo nos edifícios mais recentes, vários tipos de patologias podem ser 
identificados; isso se deve à corrente falta de qualificação e certificação de mão de obra, 
além da verificação do material a ser utilizado para o assentamento das placas. Outro 
motivo para o surgimento de patologias é a falta de projeto específico de fachada.
Este trabalho também proporcionou maior conhecimento sobre as principais 
manifestações patológicas, e ainda enfatizou a prevenção destas patologias, a partir de 
cuidados específicos para cada anomalia e a introdução de juntas de movimentação, 
para o melhor desempenho da função dos revestimentos de fachada e diminuição das 
anomalias.
Afirma-se ainda que uma das considerações mais importantes a que se pode chegar 
após a conclusão deste trabalho é a importância de fiscalização adequada e a presença 
do responsável técnico especializado na obra, pois são fundamentais para atender a 
qualidade, o desempenho e o custo final determinado para cada projeto. 
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<http://www.abeceram.org.br>. Acesso em: 23 abr 2014. 
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___.NBR 13529: Revestimento de paredes e tetos de argamassas inorgânicas - 
Terminologia. Rio de Janeiro, 1995.
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RIBEIRO, Fabiana Andrade; BARROS, Mercia Maria Semensato Bottura de. Juntas 
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2010.
Espaço Científico Santarém v.15, n.2 p.18-32 2014
Produzir para transformar: a 
horticultura como forma de recuperação e 
profissionalização de condenados
PauloHenrique Dias Barbosa
RESUMO
O sistema carcerário brasileiro passa por um momento muito delicado, resultado de 
processos de desleixo da administração pública e de pré-conceitos da sociedade.Assim sendo, a 
laborterapia, sendo ela baseada na agricultura ou não, é uma alternativa para reduzir a situação 
trágica encontrada nos presídios e outras instituições carcerárias brasileiras, através de atividades 
que busquem a recuperação, transformação e profissionalização do condenado. O objetivo do 
projeto de extensão foi trabalhar junto aos reclusos da Associação de Proteção e Assistência aos 
Condenados (APAC) visando à instalação e manejo de uma horta comunitária para o consumo 
interno, buscando a valorização do recuperando e de seu trabalho, ao mesmo tempo em que se 
promove a discussão e práticas de educação ambiental. O projeto foi realizado por meio de aulas 
expositivas, dinâmicas e práticas em campo.Os impactos do trabalho foram positivos, tendo 
aumentado o número de participantes do projeto ao longo do ano, além do gasto com verduras e 
alguns legumes diminuir consideravelmente, reduzindo em até 90% o gasto da associação com 
compra de verduras folhosas.
Palavras-chave: Extensão, valorização humana, horta comunitária.
ABSTRACT
The Brazilian prison system passes through a very delicate moment, there sultof carelessness 
processes of public administration and the society preconception. Thus, the work therapy, being 
base donagricultureornot, is an alternative toreducethetragic situation found in other Brazilian 
prisons and penitentiary institutions through activities that seek recovery, transformation and 
professionalization of the condemned. The purpose of the extension project was to work with 
the inmatesof the Association for the Protection and Assistanceto Condemned ( APAC ) for the 
installation and management of a community garden for domestic consumption , seeking convicts 
recovery and their work , while that promotes discussion and practice of environmental education 
. The project was actualized by expository classes, dynamic and practical lessons on the field. The 
impacts of the project were positive, with increased number of project participants throughout the 
year, in additiontospending some vegetable sand legumes decreased considerably, reducingupto 
90 % of the expense associated with buy ingleafy greens.
Keywords: extension, humanenhancement, communityGarden . 
Paulo Henrique Dias Barbosa é Engenheiro Agrônomo do INCRA/SR30 e Professor Assistente do curso de 
Agronomia do Centro Universitário Luterano de Santarém – CEULS/ULBRA - Av. Marechal Rondon, 3438, casa 
B, Santarém, PA. CEP 68040-328. E-mail: phdbarbosa@hotmail.com. 
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 19
INTRODUÇÃO
Comecei a trabalhar na laborterapia da APAC sem muito interesse. Aos poucos 
fiz um pequeno barco e fui descobrindo como eu era importante, que podia fazer 
muito mais e melhor. Que podia ser feliz e fazer minha família feliz. As idéias de 
vingança e de ódio que tinha anteriormente foram cedendo espaço à criatividade e 
à paz. A serenidade passou a ser meu lema. O trabalho me modificou inteiramente, 
dando-me o sentido da responsabilidade. Descobri que não tenho vocação para 
viver atrás das grades e que o trabalho engrandece o ser humano. Tudo isso foi 
descoberto nas mesas de laborterapia.” (Depoimento de um recuperando – R.D.C 
– descrito no Livro “Vamos matar o Criminoso?” de Mário Ottoboni)
O objetivo de iniciar a discussão do projeto com a passagem acima é mostrar, já de 
início, a importância da laborterapia na recuperação e transformação do indivíduo.
O sistema carcerário brasileiro passa por um momento muito delicado, resultados 
de processos de desleixo da administração pública e de pré-conceitos da sociedade. 
Atualmente, segundo o Ministério da Justiça (BRASIL, 2010), estão registradas 473.626 
pessoas em cárcere no Brasil, sendo que a capacidade máxima seria de 294.684 pessoas. 
Esse quadro mostra a total falta de estrutura e de qualidade de vida dentro dos presídios, 
como superlotação das celas, falta de assistência médica, social, profissional, jurídica 
e educacional, alimentação e condições higiênicas precárias, entre outros. 
Assim sendo, a laborterapia, sendo ela baseada na agricultura ou não, é uma 
alternativa para reduzir a situação trágica encontrada nos presídios e outras instituições 
carcerárias brasileiras, através de atividades que busquem a recuperação, transformação 
e profissionalização do condenado (CEZARIO et al., 2009).
O trabalho como elemento transformador
Seguindo essa linha atuação, o projeto foi realizado junto à Apac, uma entidade 
civil dedicada à recuperação e reintegração social dos condenados a penas privativas 
de liberdade, cujo trabalho baseia-se em um método de valorização humana vinculada 
à evangelização. Procuram também, em uma perspectiva mais extensa, a proteção da 
sociedade e a promoção da justiça. A Associação é amparada pela Constituição Federal 
para atuar nos presídios e age como entidade auxiliar na execução e administração do 
cumprimento das penas nos regimes fechado, semi-aberto e aberto (FBAC, 2010). 
O objetivo da Apac é promover a humanização das prisões, sem perder de vista 
a finalidade punitiva da pena. Seu propósito é evitar a reincidência no crime e oferecer 
alternativas para o condenado se recuperar.
A Apac distingue-se do sistema carcerário comum sob vários aspectos, 
especialmente na co-responsabilidade do condenado em sua recuperação e nas 
assistências espiritual, médica, psicológica, educacional e jurídica prestadas a ele 
pela comunidade. Outro importante diferencial do Método, segundo Alvim (2009) é o 
Espaço Científico v.15, n.2, 201420
estabelecimento de uma disciplina rígida, caracterizada por respeito, ordem, trabalho 
e o envolvimento da família do sentenciado. O Método Apac é composto por doze 
elementos, que devem ser adotados de forma conjunta e articulada para obtenção de 
êxito no trabalho de recuperação dos condenados, sendo o trabalho um deles. No regime 
fechado tem-se a função de recuperação; no semi-aberto, profissionalização e, regime 
no aberto, de inserção social (ALVIM, 2009).
Perspectivas do Trabalho Prisional no Brasil
O trabalho prisional como um todo se insere em um contexto atual e amplamente 
discutido em diversas áreas do conhecimento científico, principalmente nas ciências 
sociais aplicadas e na saúde. Porém, as atividades laborterápicas com ênfase na 
agricultura são pouco discutidas no ambiente prisional, havendo diversas lacunas sobre 
a influência dessas práticas na recuperação de condenados.
Segundo Carvalho e Baldin (2005) o trabalho prisional, da forma que é aplicado 
hoje na maioria dos centros de detenção do Brasil, não possui um viés que busca a 
profissionalização e ressocialização do condenado, sendo necessária uma reorganização 
de todo sistema carcerário brasileiro. De acordo com as autoras, as modificações 
seriam pautadas a partir de deficiências endógenas, ou seja, os projetos partiriam das 
necessidades dos presidiários e não as necessidades se enquadrariam nos projetos que 
são impostos. Junior (2008), em seu trabalho sobre a dignidade da pessoa humana, 
também enfatiza essa questão da reformulação do sistema, porém tratando de outro 
problema, que é o trabalho prisional influenciando a perda da dignidade da pessoa. O 
autor mostra que as condições de reclusão do sistema penitenciário não promovem a 
recuperação do condenado, além de contribuírem para derrocar ainda mais a pessoa. 
A dignidade da pessoa humana é um dos direitos a todos os brasileiros descritos na 
constituição, inclusive àqueles em estado de reclusão (Art.1º, inciso III; art.5º, inciso 
XLIX, da CF/88).
Outro enfoque que se dá ao trabalho prisional pelas atividades de laborterapia, 
são as atividades com o objetivo de realizar terapias com os condenados visandoà 
transformação e ressocialização dos mesmos e de profissionalizá-los para atuarem no 
mercado de trabalho (CEZARIO et al., 2009). Segundo o Código Penal Brasileiro, 
“A execução penal tem por objetivo efetivar as disposições de sentença ou decisão 
criminal e proporcionar condição para a harmônica integração social do condenado e 
do internado.” (artigo 1º da Lei nº 7.210/84 da lei de execução penal)
Porém, o que se vê na realidade é muito distante dessa descrição. Segundo Adorno 
(1993), o sistema penitenciário brasileiro é muito precário e não oferece, quase sempre, 
qualquer tipo de possibilidade do indivíduo ali inserido se recuperar e se reintegrar à 
sociedade. Diversos problemas, presentes em grande parte dos presídios brasileiros, 
podem ser citados como superlotação das celas, falta de assistência médica, social, 
profissional, jurídica e educacional, alimentação e condições higiênicas precárias, 
entre outros. Esse emaranhado de problemas gera como consequências fugas, 
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 21
rebeliões, agressões entre os condenados, transmissão de doenças (causadas por más 
condições de higiene, por insetos e roedores, sexualmente transmissíveis, etc.), tráfico 
de drogas, exploração humana e outros. Dessa forma, o indivíduo que é sentenciado a 
uma pena, além de não se recuperar, fica exposto a todas as condições ideais para se 
“especializar na criminalidade”, visto que não há, praticamente, programas educacionais 
e profissionalizantes dentro dos presídios, sendo esses uma forma eficiente de diminuir 
todos esses problemas. Cezario et al. (2009) em seu trabalho sobre a relação entre 
queixas de cansaço e dores pelos condenados da Penitenciária Estadual de Maringá 
e as atividades laborterápicas desenvolvidas, chegou à conclusão de que as mesmas 
tinham relação com as posições ergonômicas durante as atividades, devido à falta de 
estrutura e espaço para a realização das atividades, e não com as atividades, pois, todos 
os condenados preferiam participar das mesmas a ficarem ociosos. 
De acordo com as conclusões desse trabalho e de vários outros relacionados ao 
tema é perceptível a unanimidade em relação à utilização de estruturas apropriadas 
ao desenvolvimento adequado das práticas laborterápicas, a fim de proporcionarem 
os objetivos esperados, ou seja, promover a transformação e profissionalização do 
indivíduo (COSTA e BRATKOWSKI, 2007). 
Além de estruturas apropriadas à realização das atividades laborterápicas, são 
necessários articuladores e interventores que saibam atuar adequadamente no ambiente 
prisional, buscando a partir das necessidades do grupo a formulação das atividades 
(CARVALHO E BALDIN, 2005). Porém, Presno Amodeo (2007), em seu trabalho 
sobre as armadilhas na participação, mostra a complexidade e a multidimensionalidade 
dos processos participativos, ou seja, como alguns processos ditos participativos podem 
apresentar como formas de evidenciar e aumentar relações de poder dentro de grupos 
sociais, sendo muito importante a preparação do agente responsável pelas atividades 
no grupo.
Trabalho prisional, laborterapia e recuperação
A utilidade e a produtividade do trabalho, ao longo da história, passaram a ser 
em grande parte das relações, uma medida de valor financeiro e de troca de serviços 
(CARVALHO E BALDIN, 2005), porém, aplicado de forma adequada, é uma solução 
para diminuir os problemas sociais presentes nos presídios e outros centros de detenção 
de todo o país, efetivando sua função o seu valor social (LEAL, 2004). 
O trabalho prisional pode ser ou não remunerado, caracterizando-se, geralmente, 
por atividades internas como limpeza, manutenção de máquinas, organização de 
documentos e livros, lavagem de roupas, etc, e, em alguns centros de reclusão, são 
prestados serviços para instituições terceirizadas, como empresas e órgãos públicos 
(CEZARIO et al., 2009).
Segundo Dejours (1992), o trabalho traz ao recluso um sentimento de valorização 
do seu esforço aumentando sua auto-estima, além de capacitar e habilitar os condenados 
Espaço Científico v.15, n.2, 201422
em atividades variadas, sendo uma forma a mais de inclusão no mercado profissional. 
O trabalho como laborterapia (ou terapia ocupacional) pode ser exercitado através do 
artesanato, música, agricultura e outros trabalhos manuais, sendo muito importante no 
processo de recuperação do indivíduo, principalmente, quando o mesmo está ainda em 
regime totalmente fechado. Nesse período, de acordo com Guimarães Júnior (2005) é 
necessário que o condenado descubra primeiramente seus próprios valores como ser 
humano, que aumente sua auto-estima e que transforme todos os seus sentimentos 
negativos, como raiva, vingança e ódio em sentimentos positivos, como compaixão, 
tolerância e bondade, sendo a laborterapia uma forma de incentivar essa transformação. 
Após essa fase, o recuperando estará mais preparado para se reintegrar à comunidade 
local e às atividades que serão desenvolvidas na mesma.
Como mencionado anteriormente, a laborterapia é qualquer atividade com 
o objetivo terapêutico e profissional ao mesmo tempo. Dessa forma, as atividades 
relacionadas à agricultura também podem desempenhar um papel laborterápico, pois, 
auxiliam na recuperação e profissionalização do indivíduo, através de atividades 
de jardinagem, arborização, ornamentação, horticultura entre outros. Essas práticas 
permitem que o recuperando tenha contato com a terra e com seres vivos, instigando 
nele mesmo o sentido de ser útil e de valorização da vida (BINKOWSKI; NICOLAUD, 
2007)
Partindo de todas as premissas anteriores, o objetivo geral desse projeto de 
extensão foi trabalhar junto aos reclusos da Associação de Proteção e Assistência aos 
Condenados (Apac), visando à instalação e manejo de uma horta comunitária para 
o consumo interno, buscando a valorização do recuperando e de seu trabalho, ao 
mesmo tempo em que se promove a discussão e práticas de educação ambiental. Os 
objetivos específicos foram os seguintes: pesquisar fontes de material didático para a 
realização das atividades descritas; elaborar, organizar e preparar materiais de simples 
compreensão, no intuito de facilitar e aumentar o interesse dos recuperandos aos temas 
abordados; instalar e manejar uma horta comunitária; abordar temas relacionados 
à sustentabilidade ambiental, como reaproveitamento de resíduos, uso da água, 
importância da fauna e flora, tendo como aplicação prática as atividades relacionadas à 
horta comunitária; facilitar as atividades em equipe, através de dinâmicas e atividades de 
campo que promovam a importância da cooperação e do trabalho em grupo; capacitar 
os recuperandos, por meio de atividades práticas e palestras, para os manejos de horta, 
utilizando procedimentos e manejos sustentáveis; articular os resultados obtidos com 
a sociedade e a comunidade acadêmica através de simpósios, mostras e outros tipos 
de eventos. 
MATERIAIS E MÉTODOS
Inicialmente foi feita uma pesquisa entre os recuperandos sobre o conhecimento 
á respeito dos temas propostos pelo projeto. Essa pesquisa foi realizada através 
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 23
de conversas informais e dinâmicas de grupo, suscitando a familiarização entre os 
estudantes participantes e os recuperandos.
A próxima fase consistiu em levantar e organizar os materiais didáticos que 
foram utilizados nas palestras, atividades práticas, e dinâmicas. A abordagem do tema 
relacionado à educação ambiental foi feita através de palestras, dinâmicas e aplicação 
prática durante a realização das atividades na horta comunitária. Os recursos utilizados 
foram cartilhas informativas, fotografias, gravuras, desenhos, revistas específicas e 
gerais, livros e jogos. Todo o material didático foi formulado de acordo com grau de 
escolaridade dos condenados, visando gerar mais interesse dos mesmos pelos temas 
propostos,bemcomo mais participação do grupo durante as atividades. Os temas 
inicialmente escolhidos para serem abordados nas palestras e nas dinâmicas, de forma 
prática na horta comunitária, foram meio ambiente e sociedade; o ser humano como 
agente de modificação do ambiente; meio ambiente e políticas públicas; agricultura 
sustentável; recursos hídricos e utilização consciente da água; produção e reutilização do 
lixo e outros resíduos domésticos para a utilização na agricultura; olericultura (cultivo 
de hortaliças) básica; produção de adubos orgânicos através de resíduos caseiros; 
preparação e utilização de caldas; plantio de hortaliças por sementes e mudas; tratos 
culturais em hortaliças (poda, replantio, transplantio, etc.); irrigação; colheita e pós-
colheita de hortaliças. As dinâmicas, que tiveram o cunho de estimular e facilitar o 
trabalho em grupo e cooperação entre os recuperandos foram feitas sempre em grupos, 
sejam eles menores ou maiores. As palestras e algumas dinâmicas foram realizadas 
e discutidas em grupos grandes, pois, essas objetivaram promover a interação e 
articulação entre todos os indivíduos. Já para as atividades práticas na horta e algumas 
palestras foram formados grupos menores, no intuito de não ocorrer dispersão e 
consequentemente favorecer o aprendizado.
A abordagem dos temas relacionados especificamente à implantação e manejo 
de hortas foi feitas em duas etapas: 1) Durante as palestras e dinâmicas como citado 
anteriormente, onde foram apresentadas, de uma forma simplificada e interativa, 
informações teóricas sobre as culturas, sua implantação, manejo e cuidados na colheita, 
pós-colheita, etc.; 2) Atividades práticas (LUZ, 1998): Nessa etapa, os temas abordados 
nas palestras e dinâmicas foram colocados em prática, além da discussão de outros 
aspectos que foram abordados somente em campo, como tipos de solos e umidade, 
interpretação do ambiente, desenvolvimento das plantas (raízes e parte aérea) e outras 
abordagens que aconteceram durante a realização do projeto .
A fase seguinte consistiu em definir quais culturas seriam implantadas na horta 
comunitária. Inicialmente, foram utilizadas as seguintes variedades (EPAMIG, 2007), 
que foram modificadas ao longo do projeto por sugestões dos recuperandos:
Horta: Cebolinha (Alliumschoenoprasum), Salsa (Petroselinumcrispum), Cenoura 
(Daucuscarota), Alface (Lactuca sativa), Almeirão (Cichoriumintybus), Couve-flor 
(Brassicaoleraceavar.botrytis), Couve-comum (Brassicaoleraceavar.acephala), 
Repolho (Brassicaoleraceavar.capitata), Abóbora (Cucurbita moschata), Beterraba 
(Beta vulgarisvar. crassa)
Espaço Científico v.15, n.2, 201424
As sementes e as mudas foram adquiridas através de compra (utilização da 
bolsa de extensão) em estabelecimentos especializados e de doações desses próprios 
estabelecimentos ou de setores relacionados ao tema da Universidade Federal de Viçosa 
ou de produtores rurais.
A próxima fase consistiu em manejar de forma sustentável a produção, com 
utilização de caldas, adubos de resíduos orgânicos produzidos na própria Apac, tratos 
culturais, irrigação, colheita, conservação pós-colheita, como já descrito.
As fases foram colocadas de forma cronológica somente para efeito de 
entendimento, porém todas as fases aconteceram simultaneamente ou de forma 
intercalada. 
DISCUSSÃO
Inicialmente a proposta era trabalhar a implantação de uma horta comunitária 
através de práticas ambientalmente sustentáveis com todos os recuperandos da 
Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac), porém, ao começar o 
trabalho foram encontrados alguns contratempos (parte intrínseca da extensão) que 
tiveram que ser contornada. 
Dentro da Apac existem três modelos de sistema: o regime fechado, onde o recluso 
não tem contato fora da instituição e é privado de alguns espaços dentro da própria 
Apac; o regime semi-aberto (extra e intramuros) onde o recluso tem algum contato fora 
da instituição e liberdade de utilizar todos os espaços dentro da instituição; e o regime 
aberto, onde o recluso fica na Apac somente à noite e finais de semana. De acordo 
com a metodologia utilizada na associação, os reclusos de diferentes regimes devem 
manter o mínimo possível de contato, então o projeto teve que ser realizado somente 
um grupo, visto que o espaço para a horta era pequeno. Foi definido trabalhar com o 
regime semi-aberto,pois o mesmo recebe um número bem menor de voluntários do 
que o fechado e também pelo fato do projeto ter um caráter profissionalizante, sendo, 
a curto prazo, mais urgente para regime semi-aberto.
Como os reclusos do regime semi-aberto poderiam a qualquer momento serem 
liberados para trabalharem fora da Apac, percebeu-se desinteresse por parte da maioria 
deles durante as atividades. Além do fato de estarem na expectativa de saírem, eles 
estavam acompanhando o projeto porque eram obrigados. A regularidade nas aulas 
também era um problema, pois, alguns reclusos trabalhavam também na marcenaria e 
na padaria da Associação, ocorrendo, algumas vezes, presença de apenas dois reclusos 
nas atividades.
Em uma reunião com o coordenador da Apac, alguns pontos no projeto foram 
modificados: 1) Os reclusos do regime fechado que se interessassem pelo projeto 
poderiam participar das atividades. Para o projeto tomar forma de curso sem perder 
o seu objetivo, foram utilizados materiais doados pelo Centro de Produções Técnicas 
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 25
(CPT) sobre implantação e cultivo de hortas caseiras e mais alguns materiais à parte. 
Utilizando esse material, ao final do curso os reclusos receberiam um certificado de 
conclusão do mesmo (após realização de uma prova); 2) A carga horária presencial na 
Apac para a realização do curso não poderia exceder seis horas semanais, pois, existem 
vários outros projetos (voluntários ou não) sendo realizados na Associação que também 
precisavam ser executados. Como o planejado eram 12 horas semanais, as demais 
horas foram utilizadas para preparo das atividades e para a leitura de bibliografias 
pertinentes ao tema.
Em relação à estrutura de trabalho, todo material requisitado para a realização 
da horta (esterco, sementes, pá, enxada, etc.) e das aulas (quadro-negro, giz, DVD, 
televisão, sala de aula e materiais escolares) foram adquiridos pela própria Apac, 
através de doações ou de recurso financeiro próprio. O esterco para adubação foi 
doado pelo Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Viçosa, as mudas 
de couve com os funcionários do Campo Experimental do curso de Agronomia 
(Departamento de Fitotecnia) e os demais produtos foram comprados pela instituição. 
Foram adquiridas, para a implantação da horta, sementes de Alface, Almeirão, 
Mostarda, Abóbora, Moranga, Salsa, Cebolinha, Beterraba, Cenoura, Couve-flor e 
Repolho. Como o espaço da horta não era muito grande as espécies foram cultivadas 
de forma intercalada, sendo que os recuperandos escolheram quais hortaliças seriam 
cultivadas primeiro.
Após nove semanas que a horta foi implantada,os recuperandos começaram a 
colher algumas verduras, como alface, almeirão e mostarda, cebolinha e salsa. As 
hortaliças produzidas foram utilizadas no consumo interno da associação e o pouco 
excedente foi doado para algumas famílias carentes.
Quando se iniciou o projeto não havia nada plantado no terreno destinado a horta, 
havendo somente muitos entulhos e pedras por toda a área. Ao final do mesmo estavam 
cultivados dois canteiros com alface, um com couve, um com beterraba e cenoura, um 
com e mostarda, um com salsinha, cebolinha e azedinho e alguns pés de berinjela.
Os impactos do projeto foram positivos, pois, as atividades se iniciaram com 
poucos recuperandos (cinco) e no final doze estavam participando e mais três estavam 
interessados em participar. Além disso, o gasto com verduras e alguns legumes diminuiu 
consideravelmente, pois, a hortaproduzia constantemente, diminuindo em 90% os 
gastos com folhosas e até 60% com as outras hortaliças.
Pouco antes do encerramento do projeto a Apac passou a ter uma barraca na Feira 
que acontece todo sábado em Viçosa, onde os produtores rurais da região comercializam 
seus produtos. Nessa barraca seriam vendidos todos os artigos produzidos na padaria 
(pães recheados, salgadinhos, bolo, biscoitos, etc.), na marcenaria (mesas, cadeiras, 
enfeites, etc.) e na parte de artesanato (enfeites de madeira, papel, cera, vidro, etc.). 
Antes de encerrar o projeto alguns recuperandos já estavam cultivando algumas plantas 
ornamentais e chás e temperos em vasos para comercializarem na barraca também.
Espaço Científico v.15, n.2, 201426
CONCLUSÕES
Durante a graduação, na maioria das vezes, os alunos são preparados somente 
para atuar na pesquisa ou só no ensino, sendo que a extensão e a interação entre os três 
pilares acabam não sendo abordados. Porém, projetos como esse são uma forma se ter 
essa interação, pois, ao mesmo tempo que ocorre a atuação extensionista, é necessária a 
interação com a pesquisa científica e com métodos de ensino. Nesse aspecto, o projeto da 
Apac foi excepcional. O aprendizado foi extremamente amplo, tanto na extensão quanto 
na pesquisa e no ensino. No entanto, o maior aprendizado desse projeto foi entender 
um pouco o significado da expressão valorização da pessoa humana. É importante 
não somente aprender, mas também viver, experiência essa vivenciada na troca de 
sentimentos, na quebra de preconceitos e na construção de um novo paradigma.
O projeto poderia ter continuidade, mas não seria necessário. Em teoria (e 
logicamente o que deve ser colocado em prática), um projeto de extensão não é um 
projeto assistencialista, visto que, o objetivo da extensão é auxiliar na construção dos 
meios e não levar aos fins. Ao longo dos onze meses algumas sementes foram plantadas e 
é completamente possível acreditar que os conhecimentos sobre a implantação e manejo 
sustentável da horta foram e continuarão sendo construídos entre os recuperandos, 
mantendo continuamente a produção da mesma.
Como extensão é feita de elos e parcerias, não se pode deixar de agradecer a 
todos os recuperandos da Apac (Senhor Carlito, Juscelino, Nandino, Marcos, Sidnei, 
Eduardo, Leacir, Jacinto, Guilherme, Willian e Senhor Aristides, João Carlos, Senhor 
Antônio) pela paciência, compreensão e, principalmente, por dar uma aula prática 
sobre o verdadeiro sentido da frase de Mário Ottoboni que diz: “Todo homem é maior 
que seu erro”.
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Nacional de Política Criminal e Penitenciária, Brasília, 1(2): 63-87, jul/dez 1993.
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APÊNDICES
FIGURA 1 –	Terreno	destinado	à	horta	no	início	do	projeto.
Fonte: Paulo Henrique Dias Barbosa.
Espaço Científico v.15, n.2, 201428
FIGURA 2 – Início das atividades na horta.
Fonte: Paulo Henrique Dias Barbosa.
FIGURA 3 – Organização da horta em canteiros.
Fonte: Paulo Henrique Dias Barbosa.
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 29
FIGURA 4 – Organização e demarcação dos canteiros.
Fonte: Paulo Henrique Dias Barbosa.
FIGURA 5 – Plantio de mudas de cebolinha no canteiro.
Fonte: Paulo Henrique Dias Barbosa.
Espaço Científico v.15, n.2, 201430
FIGURA 6 – Crescimento das hortaliças (Alface e Cebolinha em destaque).
Fonte: Paulo Henrique Dias Barbosa.
FIGURA 7 – Recuperandos em atividades de manejo da horta (8 semanas de projeto).
Fonte: Paulo Henrique Dias Barbosa.
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 31
FIGURA 8 – Recuperandos Eduardo, Sr.Carlito, Edilson, Sidnei, Marcos e Willian (Direita para esquerda).
Fonte: Paulo Henrique Dias Barbosa.
FIGURA 9 – Canteiro de alface no ponto de colheita.
Fonte: Paulo Henrique Dias Barbosa.
Espaço Científico v.15, n.2, 201432
FIGURA 10 – Recuperando Nadino colhendo beterrabas.
Fonte: Paulo Henrique Dias Barbosa.
Espaço Científico Santarém v.15, n.2 p.33-42 2014
A percepção de alunos do ciclo básico 
universitário sobre as estratégias de 
produção de resumo: um estudo de caso em 
Santarém-PA
Paula Cristina Galdino de Oliveira
Maria Sheyla Gama (Orientadora)
RESUMO
O presente estudo visou abordar as predisposições de alunos do ciclo básico de uma 
instituição particular, de Santarém-PA, com o foco na efetivação do processamento de leitura, 
mais especificamente as estratégias em geral, conforme pressupostos teórico-práticos constantes 
em Solé, 1998; Kleiman, 1999; Dias (2006); Machado, Lousada e Abreu-Taderlli (2004). A 
metodologia constitui-se de uma abordagem quali-quantitativa, visto que o intento foi verificar 
as estratégias metacognitivas de leitura utilizadas pelos discentes para produção de resumo, 
procurando identificar aquelas que necessitam de maior investimento pedagógico. Para isso, foi 
desenvolvido como instrumento de coleta de dados um questionário semiestruturado, que permitiu 
um estudo exploratório. Os resultados mostram que, no geral, aproximadamente a metade dos 
alunos investigados conhece ou faz uso de estratégias metacognitivas indispensáveis à produção 
de resumo, como a visualização do texto por completo, a identificação de título, subtítulos, autor, 
gênero textual, data de publicação. Verifica-se que boa parte dos alunos realiza uma leitura geral 
para confirmação das hipóteses, bem como a observância de cada parágrafo, buscando identificar 
seus tópicos síntese. Por outro lado, notou-se também que há dificuldade na identificação das ideias 
principais, visto que a grande maioria, no destaque das ideiasprincipais, afirmam frisar exemplos, 
justificativas, informações facilmente deduzíveis, ou seja, dão relevo a ideias secundárias e não 
principais. Percebeu-se ainda o conhecimento, por uma parte significativa de alunos, de outras 
estratégias metacognitivas, como buscar explicitar a relação estabelecida entre as ideias principais 
e ainda identificar os atos verbais do autor do texto lido, que, por sua vez, é um indicativo de uma 
leitura adulta, acadêmica de fato. O estudo, ainda em andamento, busca cruzar os dados, mediante 
a atuação das variáveis que os condicionaram.
Palavras-chave: Estratégias de leitura; Percepção acadêmica; Produção de resumo.
ABSTRACT
The present study aimed to address the predispositions of students in the basic cycle of a 
particular institution, Santarém-PA, with a focus on effective processing of reading, specifically 
the strategies in general, as the theoretical-practical constants in Solé, 1998; Kleiman, 1999; Dias 
(2006); Machado, Lousada-Taderlli and Abreu (2004). The methodology consists of qualitative 
and quantitative approach, since the intent was to verify the metacognitive reading strategies used 
Paula Cristina Galdino de Oliveira é Especialista em Metodologia do Ensino Superior (CEULS/ULBRA), Graduada 
em Letras E-mail: paula.oliveyra@gmail.com.
Maria Sheyla Gama é Profa. Msc. e Coordenadora dos Cursos de Letras – Habilitação em Letras-Língua 
Portuguesa e Habilitação em Letras-Língua Inglesa no Centro Universitário Luterano de Santarém - CEULS/
ULBRA. E-mail: sheylagama@yahoo.com.br.
Espaço Científico v.15, n.2, 201434
by students to produce short, trying to identify those who need further educational investment. 
Therefore, it was developed as a tool for data collection, a semi-structured questionnaire, which 
allowed an exploratory study. The results show that, overall, about half of the students surveyed 
know or makes use of metacognitive strategies essential for the production of short, as the text 
display altogether, identifying title, subtitle, author, genre, release date . It appears that most of the 
students held a general reading for confirmation of hypotheses, and observance of each paragraph 
in order to identify their topics synthesis. Moreover, it was noted that there is also difficulty in 
identifying the main ideas, since the vast majority, the highlight of the main ideas, examples stress 
claim, justifications, easily derivable information, in other words, emphasize the main ideas and 
not secondary. It was noticed even knowledge, for a significant portion of students from other 
metacognitive strategies, such as seeking to clarify the relationship between the main ideas, and 
identify the verbal acts of the author of the text read, which, in turn, is a indicative of an adult 
reading, academic apparel. The study, still in progress, looking across the data, by operating 
variables that conditioned. 
Keywords: Reading strategies; Perception academic; Production summary.
1 INTRODUÇÃO
O ato de ler, após passar por diversas percepções, é compreendido atualmente 
não apenas como uma atividade linguística e cognitiva, em que nesta se realiza 
operações mentais/interpretativas, e naquela se mobiliza conhecimentos sobre o 
léxico, a morfossintaxe e a semântica. O processamento de um texto, seja em termos 
de produção textual ou de leitura, constitui-se também uma atividade sociointerativa, 
visto se ativar todo um conhecimento de mundo e um conhecimento sociointeracional. 
Segundo Koch (1998), tais conhecimentos compreendem os objetivos verbalizados 
nos diversos gêneros textuais e mesmo do próprio objetivo de leitura em um dado 
momento; englobam ainda as normas gerais de comunicação, denominadas em Grice 
(1969 apud Koch, 1998) de máximas – quantidade de informação necessária, gênero 
textual e linguagem adequada ao contexto de interação etc.; o conhecimento da estrutura 
composicional do gênero textual que se está lendo ou produzindo; e o conhecimento 
de diversos recursos para assegurar a compreensão e a aceitação do texto. Assim, 
no processo de interação entre leitor e texto, mobiliza-se não apenas conhecimentos 
linguísticos e textuais, mas psicossociais e interacionais.
Kleyman (1989), ao discorrer sobre a complexidade dos processos envolvidos 
na leitura, afirma que o processo de leitura não é “linear e serial, passo a passo, desde 
o olho até a memória [...]” (1989, p.17). Mas, pelo contrário, o leitor é engajado, 
antecipa o material até a formação de uma imagem, porque sua decisão de pausar ou 
fixar em determinado fragmento, pauta-se não apenas pelo que acaba de ler na página, 
porém inclui seu conhecimento sobre os recursos linguísticos, o assunto e tantos outros 
sistemas de conhecimentos. Pode-se inverter no caminho, e partir do todo, “da síntese” 
para a análise das unidades, a fim de se verificar hipóteses. E, deste modo, a leitura é 
vista como um “processo interativo”, visto que os diversos conhecimentos do leitor se 
imbricam em todo momento com o explícito e implícito no material sociolinguístico 
para chegar à compreensão. 
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 35
Nesta interação complexa entre leitor e texto, entram em ação as estratégias 
de leitura, que, segundo Solé (1998, 71), são “procedimentos de ordem elevada que 
envolvem o cognitivo e o metacognitivo”. As estratégias cognitivas dizem respeito às 
ações inconscientes no ato de leitura, como ativação do conhecimento de mundo, do 
conhecimento linguístico e textual. As metacognitivas implicam controlar e regular 
ações, isto é, explicitar objetivos da leitura, ações para detectar e corrigir falhas na 
compreensão, lembrar o que se lê, entre outros objetivos. Solé (1998) ainda propõe 
estratégias metacognitivas para antes – estabelecer objetivos e previsões, ativar 
conhecimento prévio...-, durante - fazer novas previsões, relacionar a nova informação 
ao conhecimento prévio; resumir as ideias do texto...- e após a leitura - identificar ideia 
principal, elaboração de resumo, e formulação e resposta de perguntas. 
Como se observa, e Solé (1998) também salienta, é difícil delimitar precisa e 
claramente o que vem antes, durante e depois, visto que estas estratégias se relacionam 
intimamente, sendo de grande orientação, na escolha e uso delas, o(s) objetivo(s) 
específico(s) que o leitor possui. 
Na educação superior, pode-se dizer que o objetivo geral da leitura é estudar/
aprender/construir conhecimento. Neste intuito, desdobram-se os específicos, isto é, 
lê-se, em geral, para fazer um resumo, uma resenha, um debate, um seminário, uma 
socialização, uma avaliação escrita ou oral que, por sua vez, atendem a objetivos outros, 
específicos ao domínio de cada componente curricular de um curso superior, que pode 
ir ao encontro do saber comparar, atribuir valor, identificar, caracterizar, posicionar-se 
criticamente, etc. A linguagem é por si mediadora, na concepção de Vygotsky e tantos 
outros. Rojo (2004), por exemplo, afirma: 
[...] ser letrado e ler na vida e na cidadania é muito mais que isso: é escapar da 
literalidade dos textos e interpretá-los, colocando-os em relação com outros textos 
e discursos, de maneira situada na realidade social; é discutir com os textos, 
replicando e avaliando posições e ideologias que constituem seus senti-dos; é, 
enfim, trazer o texto para a vida e colocá-lo em relação com ela. 
A partir dessa compreensão é que podem ser validadas quaisquer estratégias de 
leitura, as quais devem superar o nível da compreensão e atingir o posicionamento 
interdiscursivo. A universidade, ou a escola, reveste-se dessa valorosa condição, a de 
promover a troca de ideias, as contraposições e a constituição da subjetividade ancorada 
na mediação, via ato de ler, escrever, falar, ouvir. Nesse sentido, ressaltamos que o 
objetivo da leitura no âmbito escolar diz respeito à produção própria do conhecimento, a 
partirdo diálogo com aquele (s) que escreve(m). Realizar um resumo, compreendemos, 
é importante, não apenas para identificar a ideia principal, mas fundamentalmente 
realizamos resumos para confrontá-los com outras ideias e, assim, valorá-las, com o 
intuito de buscar o posicionamento próprio, a resposta própria. 
Espaço Científico v.15, n.2, 201436
É na concepção de leitura descrita acima, é que este trabalho focaliza a leitura com 
o fim de auxiliar na elaboração do gênero resumo acadêmico. Esse gênero textual é 
frequentemente solicitado do estudante universitário e, muitas vezes, também se constitui 
em uma das estratégias de compreensão ou da leitura para aprender, a qual faz parte da 
vida escolar e acadêmica. Além disso, a sua produção envolve diversas capacidades e 
estratégias, como compreensão global do texto, identificação e reformulação das ideias 
centrais, apagamento de informações secundárias, identificação de atos verbais do autor 
do texto, entre outras (KLEIMAN, 1989; MACHADO; LOUSADA, 2004).
Portanto, é fato que o domínio de diversas estratégias de leitura, mesmo quando 
se trata de apenas resumir um texto, é relevante ao acadêmico de qualquer curso, 
especialmente àqueles que estão ingressando. Parte-se da hipótese de que, em geral, a 
maioria desses alunos tem dificuldades em leitura e, por conseguinte, para produzir um 
resumo. Embora tenham produzido resumos na educação básica e predominantemente 
tenham lido no intuito de estudar/aprender, possivelmente ainda não o façam de maneira 
satisfatória, visto que essas finalidades implicam diversas habilidades. Acredita-se 
também que essa dificuldade se deve ao rarefeito tratamento didático emprestado à 
leitura na educação básica, em que possivelmente estratégias de compreensão leitura não 
tenham sido elucidadas, ignorando-se os diversos parâmetros condicionantes – gênero 
textual, objetivo de leitura etc. Além disso, por outro lado, a pesquisa constituiu-se 
relevante também ao docente universitário, especialmente àquele que é responsável 
pelas disciplinas básicas, denominadas, em geral, de Comunicação e Expressão (ou 
Língua Portuguesa) e Instrumentalização Científica (ou Metodologia Científica), visto 
que nestas tem-se o dever de propiciar aos acadêmicos iniciantes o desenvolvimento 
da leitura e da produção textual de gêneros do âmbito acadêmico. 
Assim, a partir dessas considerações, e trazendo-as para o contexto universitário 
do município de Santarém, focaram-se as estratégias metacognitivas de leitura utilizadas 
pelos acadêmicos para a elaboração do gênero resumo; e também, implicitamente, quais 
estratégias de leitura metacognitivas ainda necessitavam adquirir ou desenvolver neste 
propósito comunicativo.
Assim, a pesquisa teve como objetivo geral verificar quais estratégias 
metacognitivas de leitura aplicadas à elaboração de resumos acadêmicos necessitavam 
de maior atenção do professor universitário que tem a função de trabalhar a leitura e a 
produção de textos acadêmicos. E especificamente visou identificar as estratégias de 
leitura voltadas à elaboração de resumo e as utilizadas por acadêmicos ingressantes; 
verificar quais estratégias metacognitivas de leitura voltadas à elaboração de resumo 
precisam ser adquiridas e/ou desenvolvidas por acadêmicos ingressantes.
2 PROCEDIMENTOS METODOLóGICOS DA PESqUISA
A pesquisa foi realizada no primeiro semestre de 2012, em uma Instituição 
de Ensino Superior – IES - particular, localizada no município de Santarém, Pará. 
Assim, uma pesquisa de campo, na qual, segundo Teixeira (2011, p. 118), as perguntas 
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 37
direcionam-se aos atores, neste caso, acadêmicos no 1º semestre de graduação, cursando 
disciplina(s) do Ciclo Básico. A pesquisa contou com 67(sessenta e sete) acadêmicos 
ingressantes, correspondendo a uma amostra de aproximadamente 15% (quinze por 
cento). O número de sujeitos voluntários atendeu aos critérios da pesquisa, visto que 
a mesma é exploratória e não determinística. 
O estudo procedeu a uma abordagem quali-quantitativa, visto que seu intento foi 
verificar as estratégias metacognitivas de leitura utilizadas pelos discentes na leitura 
para produção de resumo, bem como as que necessitavam de aprimoramento. Para 
isso, teve como instrumento de coleta de dados um questionário semiestruturado, 
caracterizado por conter questões fechadas de uma opção e de múltiplas escolhas e 
questões discursivas abertas que permitem ao entrevistador captar a perspectiva dos 
participantes (TEIXEIRA, 2011). 
As questões objetivas foram analisadas estatisticamente, sendo apresentadas em 
forma de gráficos, e estudadas e interpretadas a partir do marco teórico adotado. Quanto 
às discursivas, foram analisadas qualitativamente através da técnica de “análise ídeo-
central” de TEIXEIRA (2011), que, sendo uma modalidade de análise do conteúdo, 
visa evidenciar ideias nucleares, ou melhor, “ideias-chave” dos discursos. Assim, após 
reunir as ideias-chave, podem-se ressignificá-las, reagrupando-as em outros núcleos 
de sentido (TEIXEIRA, 2011).
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO: A PERCEPÇÃO 
DE DISCENTES DO CICLO BÁSICO SOBRE AS 
ESTRATÉGIAS DE LEITURA PARA A PRODUÇÃO DE 
RESUMO
No intuito de investigar o conhecimento dos discentes sobre as estratégias de 
leitura voltadas a produção do resumo acadêmico, a parte específica do questionário foi 
dividida em três subpartes, compreendendo questões sobre a percepção dos discentes 
quanto aos fatores influenciadores na escolha de estratégias de leitura; a familiaridade 
com o gênero resumo e textos do universo acadêmico; e as estratégias de leitura 
utilizadas no objetivo de produzir um resumo acadêmico antes, durante e depois da 
leitura; e ainda, por fim, uma questão aberta sobre como o/a docente poderia elucidar 
estas estratégias para eles. 
Tendo em vista o enfoque deste artigo nas estratégias para a produção de resumo, 
destacaremos apenas os dados relativos ao uso das estratégias de compreensão para 
antes, durante a após a leitura, propostas em Solé (1998), e mais a observação de 
outros aspectos próprios do resumo, baseados sobretudo em Machado, Lousada e 
Abreu-Tardelli (2004). 
No que diz respeito às estratégias antes da leitura, na questão 2.3.1.1. “Você 
visualiza o texto por completo (isto é, passa os olhos pelo texto) a fim de levantar ideias 
sobre a temática/o conteúdo?”, os resultados mostram que um número expressivo o faz 
Espaço Científico v.15, n.2, 201438
com certa frequência, 30%, sempre e 46%, quase sempre. Observa-se que, no geral, um 
percentual significativo já realizava esta estratégia, mesmo não tendo consciência, até 
então, do ato como estratégia de leitura. Ainda relacionada a essa estratégia, perguntou-
se se o discente visualizava o texto buscando observar/identificar o gênero de texto, 
época de produção, título(s) e subtítulo(s), imagens e os demais aspectos expostos, a 
qual mostra que os itens mais notados referem a aspectos linguísticos/textuais (Koch, 
1998): gênero textual (14%), título(s) e subtítulos (15%), as imagens – se houver (15%), 
a linguagem (14%), e a extensão do texto(15%); e os menos notados compreendem 
sobretudo aspectos interacionais: autor e seu papel social (5%), o meio de circulação 
do texto (6%), e data de publicação de texto (5%). Percebe-se, assim, que ainda se 
está na superfície do texto – mesmo em se tratando de uma breve análise - e pouco se 
nota as condições subjacentes de produção e circulação, as quais também influenciam 
na compreensão e mais ainda na percepção da intenção do autor do lido, dando pistas 
neste sentido.
Essas questões compreendem o sistema/conhecimento linguístico descrito em 
KOCH (1998), em que cada sistema de conhecimento implica um conjunto de ações, 
sejam inconscientes – quando se classifica apenas como estratégia cognitiva - sejam 
de modo consciente, controlando acompreensão - quando se classifica apenas como 
estratégia metacognitiva -, e o gráfico aponta que quase metade dos sujeitos faziam 
uso de modo metacognitivo desta estratégia. Os dados confirmam o consenso entre os 
autores sobre a leitura não ser linear e sequencial, mas que muitas vezes se parte do 
todo para as unidades, fazendo primeiro um levantamento de predições, hipóteses e 
depois de confirmação, verificação das inferências levantadas.
Das estratégias durante a leitura, questionados se primeiro faziam uma leitura 
geral para ter uma compreensão global do texto: 37%, “sempre”; e 28%, “quase 
sempre”, observando-se, portanto, um reconhecimento das habilidades de verificação 
de hipóteses. Questionou-se ainda se, após essa compreensão global do texto, liam 
cada parágrafo atentamente, buscando destacar as ideias principais, sublinhando e 
fazendo alterações, ao que assinalaram: 42%, “sempre”; 28%, “quase sempre”; 23%, 
“raramente”; 5%, “nunca, logo faço o resumo”; e 2% não marcaram nenhuma das 
alternativas. 
Os dados mostram que a maioria busca executar esta estratégia de identificar 
tópicos frasais. Por outro lado, questionados sobre o que sublinhavam e anotavam 
no destaque das ideias principais, processo este denominado por alguns autores 
de sumarização - em que se buscam as ideias principais, ignorando-se exemplos, 
justificativas... -, apenas 12% assinalaram unicamente a assertiva “destaco (grifando, 
anotando...) somente as ideias principais, excluindo/ignorando informações facilmente 
deduzíveis, fragmentos que indicam explicação, exemplos, justificativas...”. 
Deste modo, um número quase insignificante, 12% (doze por cento), domina esta 
estratégia. Apesar de vários sujeitos terem marcado a alternativa “5”, cerca de 20% 
(vinte por cento), estes marcaram também outra(s) alternativa(s), contradizendo-se, 
portanto. Isto nos permite inferir que um número significativo dos sujeitos tem ciência 
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 39
desta estratégia, porém muitos destes ainda não sabem identificar a ideia principal, 
distinguindo-as das secundárias. Ou seja, a maioria não domina esta estratégia, apenas 
a conhece, mas não sabe como executá-la. 
Somando-se a essa necessidade de perceber as ideias centrais, é preciso ainda, 
para se fazer um resumo, identificar na leitura do texto as relações de sentido entre elas 
(isto é, de causa/consequência, de explicação, conclusão etc.), sobretudo observando as 
palavras-conectivo que as ligam (pois, mas, também...), ao que obteve-se: 19% assinalou 
“sempre”; 48%, “quase sempre”; 27%, “raramente”; e 6%, “nunca”. Percebe-se que a 
maioria tem o cuidado de buscar perceber as relações de sentido, o que também indica 
um conhecimento textual, linguístico e uma maturidade em perceber os efeitos de 
sentido provocado pelos recursos linguísticos empregados pelo autor. 
Investigou-se ainda se o acadêmico “na leitura do texto, busca identificar os atos 
verbais do autor (isto é, identifica se o autor afirma, nega, define, classifica, enumera, 
argumenta, enfatiza, acredita, duvida...)”, assinalaram: 17%, “sempre”; 53%, “quase 
sempre”; 27%, raramente, e 3% nunca.
Essa estratégia de leitura, segundo Kleiman (1996), revela uma maturidade 
do “leitor adulto”, visto envolver análise dos verbos, dos tópicos discursivos... 
Assim, os dados nos mostram que um significativo percentual se encontra numa fase 
amadurecimento, pois, mesmo que esses sujeitos ainda não executem satisfatoriamente 
esta estratégia, o fato é que eles mostram ter o conhecimento da importância desta 
ação. A complexidade da ação nos permite inferir também que tal conhecimento foi 
elucidado no ensino superior, visto que já haviam estudado o gênero resumo na disciplina 
Comunicação e Expressão quando o questionário foi aplicado. 
Sobre as estratégias para após a leitura do texto do autor (SOLÉ, 1998), perguntou-
se se reliam o texto do autor para confirmar se os grifos, as anotações, reformulações 
etc. expressavam fielmente o que o autor expunha no texto, ao que assinalaram: 34%, 
“sempre”; 34%, “quase sempre”, 29% “raramente” e 3% “nunca”. Ou seja, esta 
estratégia de revisar o texto para confirmar os sentidos construídos é utilizada com 
frequência pela maioria dos discentes. Isso também é um indicativo de certa maturidade 
no ato de ler, pois se trata de uma avaliação do próprio texto, em que tendo em vista 
as características do gênero resumo, faz-se necessário revisá-lo considerando o texto 
lido para a produção resumo.
Ao analisar os resultados, percebemos que os discentes dão relevo aos fatores 
linguísticos e textuais, estes, de fato, são os primeiros a serem percebidos, como 
divulgam Kleiman (2002) e Solé (1998) em suas pesquisas. Esses aspectos também 
são assinalados na questão discursiva sobre os fatores condicionantes na leitura e na 
questão fechada sobre as dificuldades que mais sentiam ao resumir um texto, onde as 
mais perceptíveis foram a linguagem, a identificação da intenção do autor e a relação 
/ comparação das informações do texto com as de outros autores.
Nota-se, então, que há um avanço no ensino de algumas das estratégias antes da 
leitura – estabelecimento das relações de sentido entre as ideias, identificação dos atos 
Espaço Científico v.15, n.2, 201440
verbais do autor - mas ainda é muito necessário trabalhar o aprimoramento delas. O que 
também se evidencia nas estratégias durante a leitura, em que vale chamar a atenção ao 
fato da maioria assinalar fazer leitura geral para ter uma compreensão global do texto, 
bem como ler atentamente cada parágrafo para perceber os tópicos frasais. O que é um 
bom caminho para qualidade da compreensão. Entretanto, no destaque das ideias-chave 
do texto, a maioria se contradisse afirmando destacar “só as ideias principais”, ao mesmo 
tempo em que assinalavam o destaque de informações facilmente inferíveis, exemplos, 
explicações..., informações consideradas secundária no texto e, por isso, excluídas no 
processo de sumarização (Machado, Lousada e Abreu-Tardelli, 2004).
Assim, é preciso o docente do ensino superior explicitar ainda mais o processo 
de sumarização, visto que a educação básica não deu conta de ensiná-los eficazmente, 
como constatam algumas pesquisas (Solé, 1999; Kleiman, 2002).
4 CONCLUSÃO
Conforme discutido nesta pesquisa, compreender texto não é simples identificação 
de significados, muito menos memorização de informações, nem um “jogo de 
adivinhação”. Para além disso, é um processo complexo que compreende notar ideias 
centrais, estabelecer relações entre várias informações, relacionando à outras leituras 
e conhecimentos já possuídos, levantar, confrontar e confirmar hipóteses, perceber a 
intenção do autor etc. Kleiman (1989), contundentemente, afirma ser a compreensão 
um ato complexo de “caráter multi-facetado, multi-dimensionado”, envolvendo o 
engajamento de muitos fatores, linguísticos e extralinguísticos.
Os resultados mostram que, no geral, aproximadamente uma metade conhece ou 
faz uso de estratégias metacognitivas de leitura indispensáveis à produção de resumo, 
em que se verificou a realização de ações importantes para a produção de resumo, como: 
visualizar o texto por completo, buscando observar título, subtítulos, autor, gênero 
textual, data de publicação, para ativar o conhecimento prévio sobre a temática do 
texto expressa no título e sob que ideologia; realizar uma leitura geral para confirmação 
das hipóteses, bem como a observância de cada parágrafo, buscando identificar seus 
tópicos frasais. Por outro lado, notou-se também que há dificuldade na identificação 
das ideias principais, visto a grande maioria assinalar que, no destaque das ideias 
principais, destacava exemplos, justificativas, informações facilmente deduzíveis, 
ou seja, dão relevo a ideias secundárias e não principais, conforme as classificam as 
autoras Machado, Lousada eAbreu-Taderlli (2004). Assim, conclui-se que sabem da 
importância de identificar as ideias principais, entretanto pouquíssimos (12%) sabem 
quais são essas ideias principais a destacar. Portanto, é preciso que o docente as elucide 
ainda mais no ensino superior, principalmente, os que atuam no Ciclo Básico.
Contudo, percebeu-se ainda o conhecimento de outras estratégias metacognitivas 
que, em geral, são elucidadas somente no ensino superior, como buscar explicitar a 
relação estabelecidas entre as ideias principais, e, ainda identificar os atos verbais do 
autor do texto lido, que, por sua vez, é um indicativo de uma leitura adulta, acadêmica 
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 41
de fato. Além disso, acresce-se ainda a releitura do texto pela maioria dos discentes 
(34% afirmou fazê-lo sempre e outros 34% a fazê-lo quase sempre), para confirmar os 
grifos, enfim a construção dos sentidos a partir do texto.
Conclui-se, assim, que há um conhecimento das estratégias de leitura a serem 
realizadas para a produção de resumos no âmbito acadêmico, porém é possível progredir 
ainda mais no domínio de algumas delas, por exemplo, saber distinguir informações 
centrais de secundárias, identificar os atos verbais do autor entre outras. Contudo, esse 
avanço um tanto incipiente é compreensível, visto que a aprendizagem é um processo, 
cujo domínio leva tempo e prática. Além disso, representa um avanço desses discentes 
no ensino superior, visto que em geral são poucos os que entram na educação superior 
conhecendo e dominando tais estratégias. Pode-se inferir, logo, que tal conhecimento 
foi adquirido, sobretudo nas disciplinas do Ciclo Básico, visto que têm essa função de 
“nivelar”. No entanto, faz-se necessário que os docentes do ensino superior continuem 
elucidando tais estratégias, criando situações para exercitá-las, pois como é sabido, o 
aprimoramento da leitura e da escrita é um processo que vem com a prática constante 
dessas atividades.
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Espaço Científico Santarém v.15, n.2 p.43-64 2014
Mídias tecnológicas na educação: o uso 
do laptop na Escola Municipal de Ensino 
Fundamental Irmã Leodgard Gausepohl
Lúcia Maria Maia Pimentel
Rosângela Maria Lima de Andrade
RESUMO
Este estudo teve por objetivo analisar a utilização de mídias tecnológicas na educação, através 
do uso do laptop na Escola Irmã Leodgard Gausepohl. Utilizou-se como metodologia as pesquisas 
bibliográfica e de campo, através de aplicação de questionários a professores e alunos do 5º Ano. 
Verificou-se que a maioria dos professores que participaram da formação continuada do Programa 
Um Computador por Aluno (PROUCA) utilizam o computador UCA como um recurso de apoio 
pedagógico em suas aulas, duas vezes por semana. Consideram importante a utilização das mídias 
tecnológicas em prol da melhoria da qualidade de ensino, relatando a necessidade da continuação 
de sua formação no PROUCA. O impacto da implantação do programa foi positivo, visto que o 
uso do computador UCA fez com que os alunos adquirissem habilidades e competências, como 
senso crítico, autonomia, socialização, criatividade, entre outros. As dificuldades da implantação do 
programa devem-se aos problemas de fornecimento de energia elétrica e à rede de acesso a internet. 
95% dos alunos não têm computadores em sua residência, tendo acesso ao equipamento somente 
na escola para fazer os trabalhos escolares. 90% já utilizaram o laptop do PROUCA, aprendendo 
jogos matemáticos, produção de textos, tirar fotografias e a acessar a internet. Relataram como 
dificuldade, o acesso aos programas e ao próprio laptop. Consideram que a aula com o laptop é 
boa, favorecendo o aprendizado dos conteúdos. Porém, para melhorar as aulas, seria necessário que 
aumentassem o tempo de duração das aulas com o laptop. Concluiu-se, portanto, que a implantação 
do PROUCA na Escola Irmã Leodgard é de muita relevância, visto que possibilitou acesso aos 
alunos e professores ao mundo digital.
Palavras-chave: PROUCA. Inclusão digital. Aprendizado.
ABSTRACT
This study aimed to analyze the use of technological media in education, through the use of 
the laptop in Sister School Leodgard Gausepohl. Was used as a methodology to bibliographic and 
field, through the application of questionnaires to teachers and students of the 5th year. Research 
has found that most teachers participated in continuing education of PROUCA using the UCA 
computer as a resource teaching support in their classes, twice a week. Important to consider the 
use of technological media in order to improve the quality of teaching, reporting the need for further 
training in PROUCA. The impact of the implementation of the program was positive, since the 
use of the computer meant that UCA students acquire skills and competencies, exemplifying the 
critical sense, autonomy, socialization, creativity, among others. The difficulties of implementing 
the program is due to problems of electricity supply and internet access network. 95% of students 
Lúcia Maria Maia Pimentel é Professora da Rede Municipal de Ensino, Especialista em Informática e as Novas 
Tecnologias Educacionais.
Rosângela Maria Lima de Andrade é Socióloga, Mestre, Professora do Ceuls Ulbra.
Espaço Científico v.15, n.2, 201444
do not have computers at home, having access to the equipment only in school, using to do their 
homework. 90% have used the laptop PROUCA, learning mathematical games, writing papers, 
taking pictures, and access the internet. Reported as difficulty, access to programs and the laptop 
itself. Consider that the class with the laptop is good, favoring the learning of content. However, 
to enhance lessons, it would be necessary to increase the duration of the classes with the laptop. It 
was concluded, therefore, that the implementation of the School Sister PROUCA Leodgard is very 
relevant,since allowed access to students and teachers to the digital world. 
Keywords: PROUCA. Digital inclusion. Learning.
1 INTRODUÇÃO
Desde a sua descoberta e em seu processo de evolução, os recursos tecnológicos 
são utilizados, com a intenção de aprimorar a capacitação profissional de mão-de-obra 
produtiva na sociedade. No contexto educacional, ressalta-se que essa ferramenta vem 
sendo cada vez mais aplicada como estratégia e instrumento no processo de ensino-
aprendizagem. Através do computador, alunos e professores podem visualizar, pesquisar, 
contextualizar, construir e ter acesso a novos conhecimentos, além de exercitar e 
relacionar os conteúdos vistos em sala de aula com o seu cotidiano.
O uso de tais recursos não se limita a centros de excelência, como nas regiões 
brasileiras economicamente mais desenvolvidas. Em cidades do interior da Amazônia, 
a inserção dessa ferramenta tecnológica já se faz presente, embora de maneira tímida. 
Estudar a realidade da inserção do computador como recurso pedagógico em instituições 
de ensino formal localizados na Amazônia é necessário e urgente enquanto diagnóstico 
que possibilita a construção de futuras políticas educacionais, nas diferentes esferas 
(Federal, Estadual e Municipal).
Neste contexto, considera-se de grande relevância realizar este estudo sobre o 
PROUCA – Programa Um Computador por Aluno, em Santarém – Pará, especificamente 
na Escola Municipal de Ensino Fundamental Irmã Leodgard Gausepohl, tendo-se por 
objetivo maior analisar a utilização de mídias tecnológicas na educação, através do uso 
do laptop na escola acima citada. 
2 MÉTODOS
Utilizou-se como metodologia, a pesquisa bibliográfica em obras de autores 
consagrados na temática, e a de campo, através de aplicação de questionários a dez 
professores e a setenta alunos, estudantes do 5º Ano do Ensino Fundamental dos turnos 
matutino e vespertino.
A Escola Municipal de Ensino Fundamental Irmã Leodgard Gausepohl encontra-se 
localizada na área urbana, aproximadamente a 50 metros do Rio Tapajós, no Bairro do 
Uruará, no Município de Santarém no Estado do Pará, situada na Rua Uruará S /N. Foi 
inaugurada no dia 03 de março de 2003. É uma escola da Rede Municipal de Ensino, 
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 45
mantida pela Prefeitura Municipal de Santarém através da Secretaria Municipal de 
Educação e Desporto – SEMED.
Quanto à natureza dos dados a pesquisa teve enfoque quanti-qualitativo. É 
considerada uma pesquisa quantitativa, pois utilizou como instrumento de coleta de 
dados a aplicação de questionário, com questões fechadas. Segundo Teixeira (2007, 
p. 136), a pesquisa quantitativa “utiliza a descrição matemática como uma linguagem, 
ou seja, a linguagem matemática é utilizada para descrever as causas de um fenômeno, 
as relações entre as variáveis, etc.”. No enfoque qualitativo, segundo Teixeira (2007, 
p. 124) “o pesquisador procura reduzir a distância entre a teoria e os dados, entre o 
contexto e a ação, usando a lógica da análise fenomenológica, isto é, da compreensão 
dos fenômenos pela sua descrição e interpretação”.
3 UTILIZAÇÃO DAS MÍDIAS TECNOLóGICAS NA 
EDUCAÇÃO
Segundo Silva (2008), a inserção da Informática na Educação chegou como uma 
sugestão de mudança no contexto educacional e nas práticas pedagógicas. Ao fazermos 
a analogia da educação com outros setores da sociedade, constatamos que a escola é a 
única onde as inovações, por vezes, demoram a acontecer.
Foi exatamente pensando nestas inovações que o Programa Nacional de 
Informática na Educação (ProInfo) em parceria com o Ministério de Educação 
e Cultura (MEC) e a Secretaria de Educação a Distância (SEED) idealizaram 
a proposta de introdução da Informática na Educação, com o objetivo de que 
os computadores sejam utilizados como ferramentas educativas de suporte ao 
trabalho docente, visando à construção de novos ambientes de aprendizagem e, 
simultaneamente, a melhoria da qualidade da educação (SILVA, 2008, p. 68)
Quanto à educação, dependendo da maneira como a informática é utilizada, 
pode ser concebida como modo sistemático ou como abordagem sistêmica. O primeiro 
consiste em modos de aplicação, instrução que provoca estímulos de inovação de 
modo convencional (apenas repetindo aquilo que de algum modo já é desenvolvido 
sem ao auxilio da informática), um meio de reprodução de conhecimento, de resolução 
de práticas do cotidiano, em menos espaços e menos tempo, sendo deste modo uma 
utilização Instrucionista.
Segundo Chaves (1998), a preparação do professor deve leva-lo a assumir um 
novo papel no ensino, como pesquisador adaptado à sociedade da informação, que vê 
a informática, especialmente o computador, como meio de facilitar a aprendizagem. 
Essa ferramenta provoca, desafia, contagia o aluno a aprender e saber mais, criando 
ambientes e possibilidades de aprendizagem.
Espaço Científico v.15, n.2, 201446
O computador é um exemplo desses recursos tecnológicos, é um meio que 
dissemina não somente informações, mas também progresso, além de trazer prazer 
ao homem, contribuindo para solução de problemas nos diversos ramos da sociedade 
(econômico, social, científico). 
No caso do Brasil, a implantação de uma política pública de informatização teve 
início na década de setenta, em pleno período de ditadura militar. Tal processo ocorreu 
em meio a interesses políticos e econômicos, que associou a informática a uma “questão 
de segurança nacional e desenvolvimento” (ANDRADE; LIMA, 1993, p.32). Para isso, 
foi assegurada uma reserva de mercado para a indústria de computadores, cuja política 
era controlada pela Secretaria Especial de Informática- SEI.
A partir da década de 80, foram realizadas ações que visavam a levar os 
computadores para as escolas públicas de Educação Básica, cujo marco inicial foi 
o “I Seminário de Informática na Educação”, realizado em Brasília no ano de 1981, 
caracterizado por atividades de pesquisas relacionadas ao uso do computador no 
processo educativo. Como resultados desse seminário, foram feitas recomendações 
para a introdução da informática na Educação:
a) as atividades da informática educativa devem ser balizadas por valores 
culturais, sociopolíticos e pedagógicos da realidade brasileira;
b) os aspectos técnico-econômicos devem ser equacionados não em função das 
pressões de mercado, mas dos benefícios socioeducacionais;
c) não se deve considerar o uso dos recursos computacionais como nova panacéia 
para enfrentar os problemas da educação;
d) deve haver a criação de projetos-piloto de caráter experimental com implantação 
limitada, objetivando a realização de pesquisa sobre a utilização da informática 
no processo educacional (BRITO; PURIFICAÇÃO, 2008, p. 71).
Em dezembro de 1981, o Ministério da Educação e Cultura (MEC), assim 
denominado à época, divulgou um documento intitulado “Subsídios para implantação da 
informática na Educação”, gerando instrumentos legais para a criação de uma Comissão 
Nacional de Informática na Educação. O documento foi aprovado pela Presidência da 
Republica, no entanto, a comissão só veio a ser criada em dezembro de 1983.
Segundo Azevedo (2009), em março de 1983, o Ministério da Educação (MEC) 
criou o Centro de Informática Educativa (CEINFOR) sob responsabilidade da Fundação 
de Televisão Educativa (FUNTEVE), um órgão que como o Secretaria de Informática 
(SEINFOR) criada em 1981, possuía funções semelhantes, tais como, fornecer subsídios 
para implantação e fiscalização de programas de informática na educação. Mas, em 
julho de 1983, o Comitê Executivo da Comissão Especial Informática Educativa nº 
11/1983 aprovou o Projeto Brasileiro de Informática na Educação (EDUCOM) com 
objetivo de “(...) realizar estudos e experiências de Informática na Educação, formar 
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 47
recursos humanos para o ensino e pesquisa e criar programas de informáticapor meio 
de equipes multidisciplinares” (AZEVEDO, 2009, p.63). 
A informatização da educação foi e continua sendo irreversível, isso possibilita 
o acesso, sem sair de casa ou da escola, às mais diversas culturas, possibilitando-se 
uma autonomia educacional mediada pela tecnologia e os diversos benefícios que a 
informática tem oferecido para o ensino no mundo todo, como, por exemplo, o auxílio 
nas etapas iniciais da vida escolar e acesso a pesquisas realizadas no mundo inteiro.
Desde a criação da máquina de imprimir não houve tão grande impulso no 
potencial para encorajar a aprendizagem tecnicizada. Há, porém, outro lado: 
paradoxalmente, a mesma tecnologia possui o potencial de destecnicizar a 
aprendizagem. Se isto ocorresse, eu contaria como uma mudança muito maior 
do que o surgimento, em cada carteira, de um computador programado para 
conduzir o estudante através dos passos do mesmo velho currículo. Contudo, não 
é necessário sofismar sobre que mudança tem o maior alcance. O que é necessário 
é reconhecer que a grande questão no futuro da Educação é se a tecnologia 
fortalecerá ou subverterá a tecnicidade do que se tornou o modelo teórico e, numa 
grande extensão, a realidade da Escola. (PAPERT, 2008, p. 55)
O computador e seus recursos possibilitam colocar os alunos em uma posição 
ativa de descobridores e construtores do seu próprio conhecimento e um ambiente 
de aprendizagem que respeita suas diferenças individuais, na medida em que utiliza 
diferentes meios e formatos no tratamento e apresentação da informação.
Chaves e Papert citados por Gonçalves (2011) relatam que foram criados vários 
programas para utilização da informática na educação: o primeiro é a Instrução 
Programada (CAI); o segundo Simulação e Jogos; o terceiro, Pacotes e Aplicativos e o 
quarto, o LOGO. Tornou-se um consenso entre todos os pesquisadores e acabou gerando 
conflitos. A partir deste programa, surgiram outros, conforme informa a autora.
Em meados dos anos de 1990 surge uma nova forma de trabalho, o kidlink, como 
se fosse a internet. Trata-se de uma rede mundial de crianças e adolescentes até 
15 anos, feita por voluntários que no Brasil era coordenado pela Professora da 
PUC – Rio Maria Lucena, da Rede Nacional de Pesquisas (RNP), do CNPq 
(GONÇALVES, 2011, p. 365-66).
Através desta ferramenta, a professora busca incentivar as crianças e adolescentes 
a utilizarem a internet como fonte de educação, e não só de entretenimento.
No século XXI, a internet e o computador deixaram de ser somente uma máquina 
de realizar as etapas de processamento de informações ou somente dispositivos que 
Espaço Científico v.15, n.2, 201448
executam tarefas. A informação, a tecnologia e o conhecimento passaram a caminhar 
juntos em função da manipulação das informações voltadas para o bem-estar social.
No ensino, a informática passa a ser vista como uma nova expressão humana, 
permitindo ao aluno a possibilidade de conhecer diferentes obras, em diversas partes 
do mundo através das redes e de conexões. Essa visão abriu espaço para vários estudos, 
como de Valente (2006), entre outros, referentes aos diferentes processos de ensino 
e aprendizagem, podendo ser desenvolvidos nos sistemas de ensino. O resultado é 
caracterizado pelo surgimento de tendências de ensino, tais como o Instrucionismo e 
o Construcionismo.
4 A INSERÇÃO DAS MÍDIAS TECNOLóGICAS NA 
ESCOLA IRMÃ LEODGARD GAUSEPOHL
As ações pedagógicas, sua previsão, construção e aplicação, considerando a 
realidade do programa UCA, estão pautadas, segundo o Ministério da Educação - Brasil 
(2010), em seu relatório de sistematização do projeto pré-piloto, em conhecimento da 
ferramenta (Laptop), planejamento de atividades com foco na interdisciplinaridade e 
no projeto político pedagógico (PPP) da escola. Dentro das inovações que o currículo 
e o planejamento escolar ganham nesse cenário tecnológico/educativo, percebe-se 
uma mudança nas competências, que agora agregam valores como a cibertextualidade, 
logicidade, sensorialidade, sociabilidade, entre outros.
4.1 Percepção dos professores sobre o PROUCA
Participaram da pesquisa dez professores, todos do gênero feminino, na faixa 
etária de 36 a 58 anos, com formação em Pedagogia, exercendo o Magistério há mais 
de dez anos. Foram escolhidos estes professores por atuarem no 5º Ano do Ensino 
Fundamental.
Indagou-se aos professores se participaram da formação continuada do PROUCA, 
verificando-se que 80% dos docentes afirmaram ter recebido essa formação. Porém, 
20% informaram não ter recebido, conforme descrito no gráfico 01.
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 49
GRáFICO 1 – Formação continuada para os professores do PROUCA.
80%
20%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
80%
Sim
Não
Fonte: as autoras.
Indagou-se se o professor já trabalhava na Escola Irmã Leodgard quando o 
Projeto UCA foi implantado, verificando-se que 60% dos docentes já trabalhavam 
na instituição durante a implantação do projeto e 40%, não trabalhavam, conforme 
descrito no gráfico 02.
GRáFICO 2 – Professores trabalhavam na escola durante a implantação do PROUCA.
60%
40%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
Sim
Não
Fonte: as autoras.
A respeito de o professor utilizar o computador UCA como um recurso de 
apoio pedagógico em suas aulas, observou-se que todos (100%) utilizam este recurso 
pedagógico em sala de aula, conforme descrito no gráfico 03.
Espaço Científico v.15, n.2, 201450
GRáFICO 3 – Professores utilizam o UCA como recurso pedagógico 
100%
0%
0%
20%
40%
60%
80%
100%
Sim
Não
Fonte: as autoras.
A respeito da frequência com o professor utiliza o computador UCA na sala de 
aula, verificou-se que 60% dos docentes utilizam até 02 vezes por semana e 40%, 01 
vez por semana, conforme descrito no gráfico 04.
GRáFICO 4 – Frequência do uso do UCA como recurso pedagógico. 
40%
60%
0% 0% 0%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60% 01 vez por semana
Até 02 vezes por
semana
Até 03 vezes por
semana
Até 04 vezes por
semana
Todos os dias
Fonte: as autoras.
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 51
Indagados a respeito de outras mídias tecnológicas que o professor usa na sala de 
aula, além do laptop, verificou-se que 40% dos docentes utilizam o computador; 30%, 
o Microsystem; 20%, TV, e 10%, DVD, conforme descrito no gráfico 05.
GRáFICO 5 – Outras mídias tecnológicas utilizadas como recurso pedagógico.
40%
30%
20%
10%
0%
5%
10%
15%
20%
25%
30%
35%
40%
Computador
Microsystem
TV
DVD
Fonte: as autoras.
Solicitou-se que os professores citassem alguma atividade que fizeram com uso 
das mídias digitais, obtendo-se como respostas:
Com os alunos, uso o computador para reforçar o que eles estão estudando. Eu 
uso o computador para fazer pesquisas, máquina digital e o celular para registrar 
as atividades desenvolvidas em sala de aula (Professor 01).
Utilizo vídeos educativos e músicas (Professor 02).
Uso jogos, digitação de texto, continhas, entre outros (Professor 03).
Para pesquisa e produção textual (Professor 04).
Aulas em vídeos, aulas com músicas, pesquisas na internet e no laboratório 
(Professor 05). 
Pode-se observar que os professores utilizam as mídias tecnológicas para auxiliar 
no desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem em sala de aula, aumentando o 
interesse dos alunos nas matérias ensinadas.
Indagou-se se o professor acha importante o uso das mídias digitais na sua prática 
educativa, obtendo-se como respostas:
Espaço Científico v.15, n.2, 201452
Sim, porque hoje no mundo não tem como ficar alheio a essas tecnologias, e 
mesmo as crianças tem mais interesse para aprender (Professor 06).
Acho importante, sim, pois observo que com o uso das mídias, as aulas tornam-se 
mais atraentes e prazerosas, e comisso auxiliando no aprendizado dos nossos 
alunos (Professor 07).
Sim, porque estimula o aluno a pensar, ele tem mais vontade de descobrir, 
pesquisar. (Professor 08).
Sim, porque os alunos ficam mais motivados para realizarem as atividades 
propostas (Professor 09).
Sim, pois as aulas ficaram mais dinâmicas e atraentes, o aluno fica mais motivado 
em aprender (Professor 10). 
A importância da utilização das mídias tecnológicas fica evidente nas respostas 
apresentadas pelos professores, visto que buscam a utilização das ferramentas em prol 
da melhoria da qualidade de ensino e como forma de prender a atenção dos alunos no 
que está sendo ensinado.
A respeito de como o professor vê a formação dos professores na escola, referente 
ao PROUCA, estes responderam que:
No meu ponto de vista acredito que é bom, apesar de ser um pouco complexo para 
aqueles que ainda não conseguem dominar bem os aplicativos (Professor 01).
Acredito que deve ter sido muito bom, porém eu não tive a oportunidade de 
participar, pois estava ausente da escola. Mas minha opinião é de que possa ter 
continuidade essas formações (Professor 02).
A formação é boa, pois colabora com a nossa formação profissional e pessoal 
(Professor 03).
Vejo a formação como algo importante para o desenvolvimento e enriquecimento 
das aulas com os alunos (Professor 04).
Foi muito importante, porém não se deu mais continuidade, apenas ocorrendo 
oficinas sobre os aplicativos (Professor 05). 
A formação continuada dos professores, principalmente em se tratando do 
PROUCA, é de muita relevância, como pode ser constatado pelas respostas recebidas, 
porém, os docentes afirmam que é necessário continuar essa formação para que não se 
perca a utilidade desta ferramenta.
Quanto aos impactos causados na escola com a efetivação do PROUCA, os 
professores responderam que:
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 53
Logo que começou foi muito difícil, pois quase todos nós, professores, não 
sabíamos mexer, já para os alunos ficaram cercados de curiosidade, pois nem 
todos tinham contato com um computador (Professor 06).
Observo que causou um impacto pelo lado positivo, pois quebrou um pouco a 
rotina da escola, motivando a linguagem tecnológica e motivou até o professor 
a ir mais a fundo nos conhecimentos tecnológicos (Professor 07).
No primeiro momento, foi a falta de uma formação adequada aos professores 
que até então não tinham nenhuma formação em relação ao programa (Professor 
08).
Em primeiro lugar, a preocupação dos professores em dominar os programas 
tecnológicos a fim de repassarem com segurança às informações aos seus alunos 
(Professor 09). 
Os principais impactos foram na mudança das rotinas de sala de aula; quebra no 
modelo de ensino, agora temos o laptop como recurso pedagógico; alunos mais 
motivados e o surgimento da linguagem digital (Professor 10). 
Na percepção dos professores, o impacto do PROUCA foi muito positivo, pois 
possibilitou a utilização de uma ferramenta presente na rotina diária das grandes 
cidades e atualmente se torna realidade também nas comunidades mais afastadas destes 
grandes centros.
Indagados se o uso do computador UCA fez com que os alunos adquirissem 
habilidades e competências, verificou-se que todos (100%) concordam com essa 
afirmativa, conforme descrito no gráfico 06.
GRáFICO 6 – Os alunos adquiriram habilidades e competências.
100%
0
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
80%
90%
100%
Sim
Não
Fonte: as autoras.
Espaço Científico v.15, n.2, 201454
A respeito de quais habilidades e competências foram adquiridas com o uso do 
computador UCA, verificou-se que 21% dos docentes consideram que foi o senso crítico; 
18%, autonomia. Para outros 18%, socialização; 15%, criatividade. Para outros 15%, 
linguagem digital e para 13%, colaboração, conforme descrito no gráfico 07.
GRáFICO 7 – Habilidades e competências adquiridas com o uso do computador UCA.
15%
18%
13%
15%
21%
18%
0%
5%
10%
15%
20%
25%
Criatividade
Autonomia
Colaboração
Linguagem digital
Senso crítico
Socialização
Fonte: as autoras.
Indagados se houve uma evolução efetiva na aprendizagem dos alunos tendo em 
vista o uso do laptop do PROUCA, os professores relataram que:
Sim, pois com os computadores os alunos passaram a fazer suas pesquisas com 
frequência e com rapidez e puderam ter acesso a outros conhecimentos que eram 
encontrados apenas em livros e como não gostam de ler, ficava oculto. Hoje é 
diferente (Professor 01).
Acredito que sim, pois o PROUCA tem como ferramenta o laptop que é um 
recurso que desperta no aluno o interesse em manusear, até porque ele tem a 
oportunidade de ter um laptop por aluno (Professor 02).
Houve uma evolução, mas não foi muito, até pelo fato do computador não ser 
usado todos os dias, pois a estrutura física da escola (energia) não colabora para 
o uso do laptop (Professor 03). 
Sim, pois o programa oferece o laptop como recurso didático que desperta o 
interesse de aprendizagem nos alunos, através da pesquisa e visualização dos 
assuntos, principalmente dos jogos didáticos (Professor 04).
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 55
Sim, uma vez que os alunos são curiosos e vão aos poucos adquirindo habilidades, 
através do computador, com os jogos, os aplicativos são fundamentais no 
processo ensino aprendizagem (Professor 05).
Os professores opinaram que a evolução foi efetivada através da melhoria do 
conhecimento dos alunos, visto que puderam adentrar em um novo universo, que é o 
mundo globalizado, tendo acesso a programas de computadores, e também à internet, 
que possibilitou o acréscimo de novos saberes ligados ao que estavam aprendendo em 
sala de aula.
O Projeto UCA tem por objetivo promover a inclusão digital. Indagou-se sobre o 
que o professor considera inclusão digital, obtendo-se as seguintes respostas:
É incluir na prática pedagógica atividades onde o professor possa estar usando 
computador, datashow, DVD, TV, microsystem, ao invés de usar somente o 
quadro e o giz (Professor 06).
Para mim, inclusão digital é como já diz o nome, é incluir e oportunizar a 
tecnologia às diferentes camadas sociais. Mas entendemos que ainda existem 
milhões de pessoas que ainda não tem essa oportunidade de desfrutar desse 
recurso tecnológico (Professor 07). 
A inclusão digital é a acessibilidade das pessoas às tecnologias de informação e 
comunicação – TICs, para melhorar a sua qualidade de vida, possibilitando as 
condições de acesso a todos os lugares, seja físico ou virtual (Professor 08).
Inclusão digital é o conhecimento que o indivíduo deve ter a respeito dos recursos 
tecnológicos que fazem parte do seu dia-a-dia (Professor 09).
É inserir a sociedade na era digital, dar oportunidade a quem não tem acesso ao 
uso do computador em sua rotina diária (Professor 10).
Na percepção dos professores, inclusão ocorre quando todos podem ter acesso 
ao que está sendo oferecido, oportunizando ao aluno a se envolver com a realidade do 
mundo atual, que é um mundo digital.
Solicitados que comentassem sobre o que dificulta o PROUCA na escola, 
desde a sua implantação e outros aspectos que considerar importante, os professores 
responderam:
Acredito que o que dificulta o PROUCA na escola é a falta de estrutura na sala 
de aula, pois as tomadas não prestam e mesmo as instalações elétricas não são 
adequadas (Professor 01).
Espaço Científico v.15, n.2, 201456
Vejo que o PROUCA é um bom projeto dentro da escola, porém vejo que 
a ausência de internet ainda deixa muito limitada a utilização desse recurso 
tecnológico (Professor 02). 
As oportunidades de formação continuada de professores são poucas nas mídias 
digitais e a falta de uso do laptop nas aulas. O uso do laptop é insuficiente nas 
aulas (Professor 03).
Apoio da SEMED, além da falta de infra-estrutura,como por exemplo, energia 
elétrica (Professor 04).
Os principais problemas são a falta de internet para pesquisas; formação docente 
que deve ser continuada na escola; quedas de energia; falta de infraestrutura nas 
salas; apoio da SEMED para o programa; falta de acompanhamento da Secretaria 
de Educação (Professor 05). 
Na opinião dos professores, as dificuldades são de ordem estrutural, já que o 
prédio da escola não está totalmente estruturado para receber uma tecnologia como o 
PROUCA, visto que há constantes oscilações de energia, a rede elétrica ainda é antiga, 
e a internet não funciona como deveria.
4.2 Percepção dos alunos sobre o PROUCA
Quanto ao perfil dos alunos do 5º Ano, dos turnos matutino e vespertino da Escola 
Irmã Leodgard, que participaram da pesquisa, verificou-se, quanto ao sexo, que 55% 
dos participantes são do sexo masculino e 45%, do sexo feminino, conforme descrito 
no gráfico 08.
GRáFICO 8 – Sexo dos alunos participantes da pesquisa.
55%
45%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
Masc
Fem
Fonte: as autoras.
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 57
Quanto à faixa etária, verificou-se que 37% dos alunos estão na faixa etária de 11 
a 12 anos; 23%, entre 09 a 10 anos; 22%, de 13 a 14 anos e 18%, de 15 anos e acima, 
conforme descrito no gráfico 09.
GRáFICO 9 – Faixa etária dos alunos participantes da pesquisa.
23%
37%
22%
18%
0%
5%
10%
15%
20%
25%
30%
35%
40%
09 a 10 anos
11 a 12 anos
13 a 14 anos
15 anos e acima
Fonte: as autoras.
Indagados se utilizam computadores em sua residência, verificou-se que 95% dos 
alunos relataram que não utilizam e somente 5% relataram ter acesso ao computador 
em sua residência, conforme descrito no gráfico 10.
GRáFICO 10 – Utilizam computador em sua residência.
5%
95%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
80%
90%
100%
Sim
Não
Fonte: as alunas.
Espaço Científico v.15, n.2, 201458
Indagou-se em que local o aluno tem acesso ao computador, verificando-se que 
75% dos alunos utilizam computador somente na escola; 20%, no cyber e 5%, em sua 
casa, conforme descrito no gráfico 11.
GRáFICO 11 – Local onde utilizam o computador.
75%
5%
20%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
80%
Na escola
Em casa
No cyber
Fonte: as autoras.
Ao serem indagados sobre o motivo para usarem o computador, verificou-se que 
70% dos alunos utilizam para trabalhos escolares; 20%, para pesquisas na internet e 
10% utilizam para jogos/diversão, conforme descrito no gráfico 12.
GRáFICO 12 – Motivo para utilizar o computador. 
20%
10%
70%
0%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
Pesquisas na internet
Jogos/diversão
Trabalhos escolares 
Outros
Fonte: as autoras.
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 59
Indagou-se aos participantes da pesquisa se já utilizaram os laptops na escola, 
verificando-se que 90% dos alunos já utilizaram o laptop, porém, 10% relataram não 
ter utilizado o laptop até o presente momento, conforme descrito no gráfico 13.
GRáFICO 13 – Utilização do laptop na escola. 
90%
10%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
80%
90%
Sim
Não
Fonte: as autoras
Indagou-se a respeito do que o aluno já aprendeu a fazer com o uso dos laptops 
na sala de aula, obtendo-se como resposta:
A fazer textos, e os jogos de matemática, aprendendo a conhecer as operações 
(Aluno 01).
A digitar os textos e também utilizar para pesquisar na internet (Aluno 02).
Eu já aprendi os jogos de matemática, e outros jogos que a professora mostrou 
(Aluno 03).
Eu aprendi os jogos de matemática e também a abrir a produção do texto e a 
fechar o computador (Aluno 04).
A fazer produção textual, jogos de matemática, tirar fotos e entrar na internet 
(Aluno 05).
Participaram da pesquisa, 70 alunos do Ensino Fundamental, porém, devido às 
respostas serem muito parecidas elencaram-se somente cinco respostas de cada tópico 
para expressar as afirmações dos alunos. Pode-se observar que os discentes aprenderam 
os jogos de matemática, a produzir textos, tirar fotografias e acessar a internet.
Espaço Científico v.15, n.2, 201460
A respeito da dificuldade no manuseio do laptop, os alunos responderam:
Eu tenho dificuldade para jogar, pois os números aparecem muito rápido (Aluno 
06).
Minha dificuldade é achar o que preciso na internet, porque aparece muita coisa 
que não é o que o professor pediu (Aluno 07).
Eu ainda não sei entrar na internet, e tirar foto no laptop (Aluno 08).
Eu tenho dificuldade de salvar os textos e a entrar na internet (Aluno 09).
A minha dificuldade é quando o computador trava (Aluno10).
As dificuldades apresentadas pelos alunos se devem ao fato de a maioria não ter 
acesso anteriormente ao computador e por isso apresentam alguns problemas no acesso 
aos programas e ao próprio laptop.
Indagou-se como o aluno vê a aula com o laptop, verificando-se que para 65% 
dos docentes é uma aula boa. Para 20%, regular e para 15%, é uma aula cansativa, 
conforme descrito no gráfico 14.
GRáFICO 14 – Aula com o laptop.
65%
15%
20%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
Boa
Cansativa
Regular
 Fonte: as autoras.
Indagados se as atividades nos laptops favorecem o aprendizado dos conteúdos, 
verificou-se que 85% dos alunos responderam que favorece, porém 15% responderam 
que somente às vezes, conforme descrito no gráfico 15.
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 61
GRáFICO 15 – As atividades no laptop favorece as aulas.
85%
0%
15%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
80%
90%
Sim
Não 
Às vezes
Fonte: as autoras.
A respeito do que falta para melhorar as aulas com os laptops, verificou-se que 
70% dos alunos consideram que é mais tempo de duração das aulas. Para 20%, acesso 
a outros aplicativos e 10%, acesso à internet, conforme descrito no gráfico 16.
GRáFICO 16 – O que falta para melhorar as aulas com laptop.
10%
70%
20%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
Acesso a internet
Mais tempo de
duração das aulas
Outros aplicativos
Fonte: as autoras.
Espaço Científico v.15, n.2, 201462
Para finalizar, indagou-se sobre a relação dos alunos com a professora de 
informática, verificando-se que 70% dos docentes consideram boa e 30% consideram 
ótima, conforme descrito no gráfico 17.
GRáFICO 17 – Relação com a professora de informática.
70%
0%
30%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
Boa 
Regular
Ótima
Fonte: as autoras.
5 CONCLUSÃO
A adoção das mídias tecnológicas em sala de aula traz para os educandos muitos 
caminhos a percorrer e para isso é preciso a presença do professor, pois é ele quem 
vai dinamizar todo este novo processo de ensino-aprendizagem por intermédio dessa 
ferramenta, explorando-a ao máximo com criatividade, conseguindo o intuito maior 
da Informática Educativa: mudança, dinamização, envolvimento, por parte do aluno 
na aprendizagem.
Nos resultados obtidos na pesquisa de campo com os professores, pode-se 
perceber que todos os participantes da pesquisa utilizam o computador UCA como um 
recurso de apoio pedagógico em suas aulas, porém somente duas vezes por semana. 
Também utilizam computador, Microsystem, TV e DVD, visando ao desenvolvimento 
do processo ensino-aprendizagem em sala de aula. Consideram importante a utilização 
das mídias tecnológicas em prol da melhoria da qualidade de ensino. Os docentes 
consideram importante a formação continuada, principalmente no PROUCA. Todos 
os professores concordam que o uso do computador UCA fez com que os alunos 
adquirissem habilidades e competências, como o senso crítico, autonomia, socialização, 
criatividade, linguagem digital e colaboração. Relataram que a evolução foi efetivada 
Espaço Científico v.15,n.2, 2014 63
através da melhoria do conhecimento dos alunos, visto que puderam adentrar em um 
novo universo, que é o mundo globalizado. Estes docentes consideram que a inclusão 
ocorre quando todos podem ter acesso ao que está sendo oferecido, oportunizando ao 
aluno a se envolver com a realidade do mundo atual, que é um mundo digital. Porém, 
relataram que as dificuldades da implantação do programa na escola são de ordem 
estrutural, devido aos problemas de energia elétrica e internet.
Os alunos que participaram da pesquisa são do 5º Ano, dos turnos matutino e 
vespertino da Escola Irmã Leodgard, a maioria do sexo masculino, na faixa etária de 09 
a 15 anos. 95% dos discentes não têm computadores em sua residência, tendo acesso 
ao equipamento somente na escola, utilizando para fazer os trabalhos escolares. 90% 
já utilizaram o laptop do PROUCA, aprendendo os jogos matemáticos, produção de 
textos, tirar fotografias, e acessar a internet. Relataram como dificuldade o acesso aos 
programas e ao próprio laptop. Consideram que a aula com o laptop é boa, favorecendo 
o aprendizado dos conteúdos, porém, para melhorar as aulas, seria necessário que 
aumentassem o tempo de duração das aulas com o laptop. 
Concluiu-se, portanto, que a implantação do PROUCA na Escola Irmã Leodgard 
é de muita relevância, visto que possibilitou acesso aos alunos e professores ao mundo 
digital, auxiliando na construção de um sujeito autônomo e livre, porém é necessário que 
os cursos de formação dos professores, para atuarem na disciplina, formem os futuros 
docentes levando-os a refletir sobre a necessidade de usar este instrumento como uma 
metodologia capaz de criar condições de reflexão e, ainda, capaz de fazer com que o 
aprender se torne mais prazeroso.
REFERÊNCIAS
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MEC/OEA, 1993.
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geografia: desafios e perspectivas. Dissertação (Mestrado em Geografia) – Programa de 
Pós-graduação, Universidade Federal da Grande Dourados, Dourados, 2009.
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2010. Relatório digitalizado. Disponível em www.uca.gov.br/institucional/downloads/.../
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GONÇALVES, Claudia Cristine Souza Appel. O professor e a formação para utilização 
do laboratório de informática: revisitando uma trajetória na região metropolitana de 
Curitiba entre 1998 e 2010. Dissertação (Mestrado em Educação). Curitiba: Universidade 
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Espaço Científico v.15, n.2, 201464
handle/1884/26853/dissertacao_Claudia%20final.pdf?sequence=1>. Acesso em: 15 jul 
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PAPERT, Seymour. A máquina das crianças: repensando a escola na era da informática. 
Porto Alegre: Artmed, 2008. 
SILVA. Mozart Linhares da. Novas tecnologias: educação e sociedade na era da 
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TEIXEIRA, Elizabeth. As	três	metodologias: acadêmica, da ciência e da pesquisa. 4. 
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VALENTE, José Armando. Formação de Educadores para o uso da informática na 
escola. Campinas, São Paulo: UNICAMP/NIED, 2006.
Espaço Científico Santarém v.15, n.2 p.65-80 2014
Aconselhamento pastoral: Apontamentos 
sobre o uso da “Terapia Breve com foco na 
Solução” no cuidado de pessoas em estado 
depressivo
Maximiliano Wolfgramm Silva
RESUMO
O presente artigo tem como objetivo apontar para os principais pressupostos da abordagem 
denominada Terapia Breve com Foco na Solução, enfatizando suas potencialidades na atividade 
de aconselhamento pastoral cristão. Ele parte do pressuposto de que o exercício da atividade de 
aconselhamento pastoral não deve ser confundido com a atividade profissional da psicoterapia, mas 
entende que a natureza do ofício pastoral também envolve o cuidado com as pessoas num sentido 
que vai além do espiritual, de maneira que o ministro religioso também pode ser um promotor de 
saúde psicológica e emocional. Para explicitar-se os pressupostos da Terapia Breve com Foco na 
Solução no aconselhamento pastoral, abordar-se-á de maneira sucinta o cuidado com pessoas em 
estado depressivo, uma das condições que mais levam pessoas a buscar aconselhamento.
Palavras-chave: aconselhamento pastoral – terapia breve – foco na solução – depressão
ABSTRACT
The present essay intends highlight the main assumptions of the approach known as Solution-
focused Brief Therapy, emphasizing its potentialities for the Christian pastoral counseling activity. 
It presupposes that the exercise of the pastoral office must not be confused with professional 
psychotherapy, but at the same time, it understands that the nature of the pastoral office also 
involves caring for people in a sense that goes beyond spiritual needs, so in that way the religious 
minister can also promote psychological and emotional health. In order to give a framework to the 
presuppositions of the Solution-focused Brief Therapy, the article will briefly work on its use on 
the treatment of those in a depressive condition, especially because that is one of the most common 
reasons that make people look for counseling.
Key words: pastoral counseling – brief therapy – focus on solution – depression
 INTRODUÇÃO
Aconselhamento é o tipo de atividade pastoral da qual não se pode fugir. Por 
sua função de cura d`almas, o pastor não faz uma escolha entre o aconselhar e o não 
aconselhar, “mas entre aconselhar de maneira disciplinada e hábil ou aconselhar de 
modo indisciplinado e inábil” (Collins, 1998, p.11). Sendo assim, o ministro de Deus 
que quer ser encontrado fiel (1 Coríntios 4.2) deve dedicar-se de maneira consciente e 
intencional a esta área de sua atividade.
Maximiliano Wolfgramm Silva é Doutorando em Teologia pelo Concordia Seminary de St. Louis, EUA. Capelão 
e Professor do CEULS ULBRA
Espaço Científico v.15, n.2, 201466
Mesmo que cada vez mais pastores evangélicos possuam formação de nível 
superior, abordagens baseadas em modelos freudianos exigem formação acadêmica 
específica e disponibilidade de tempo para atendimento, condições não existentes para a 
maioria dos pastores. Diante disto, o presente trabalho tem como objetivo refletir sobre 
o papel da Terapia Breve com Foco na Solução (doravante, TBFS) no aconselhamento 
pastoral, com especial foco no cuidado com pessoas em estado depressivo, situação 
que, frequentemente, leva pessoas a buscarem auxílio pastoral.
É importante ressaltar que não se tem aqui a intenção de reduzir as abordagens 
ao aconselhamento pastoral a uma opção, mas apresentar uma alternativa que encara 
de maneira espontânea e natural o amadurecimento do cristão (Kollar, 1997, p. 7). 
Também não se pretende esgotar toda a abrangência da TBFS, trabalhar em exaustão 
suas implicações ou deixar transparecer que não existem críticas à abordagem. Almeja-
se, sim, contribuir para que esta abordagem se torne mais conhecida entre pastores, o que 
irá provocar um maior estudo e reflexão sobre a mesma em meios religiosos brasileiros. 
Também reconhece-se o fato de que pastores não são psicólogos ou terapeutas (a 
não ser aqueles, o que não é incomum, que dispõem desta formação específica), mas 
ministros, servos, que possuem como fundamento de sua compreensão de mundo e de 
sua ação pastoral a fé em Cristo e que devem ser competentes para reconhecer seus 
próprios limites, especialmente encaminhando para especialistas aqueles que necessitam 
de cuidadoprofissional específico. Portanto, não se confunde aqui o aconselhamento 
pastoral que acontece nas milhares de comunidades cristãs espalhadas pelo país com 
o exercício profissional da psicoterapia.
Com o objetivo de explicitar os pressupostos da TBFS, este artigo irá refletir, 
mesmo que de maneira sucinta, sobre o seu uso no cuidado de pessoas em estado 
depressivo. Acredita-se que a importância contemporânea do tema depressão é 
inegável, o que faz dele um excelente veículo para abordagem da TBFS.
Que o bondoso Deus ilumine e capacite a todos seus pastores nesta importante 
tarefa, para que todos sejam “bons despenseiros da multiforme graça de Deus” 
(1 Pe 4.10b).
1 TERAPIA BREVE COM FOCO NA SOLUÇÃO – 
REFLEXÕES INTRODUTóRIAS E PRESSUPOSTOS 
BÁSICOS1
1.1 Mudando paradigmas
De maneira geral, o ser humano opera dentro de valores morais que diferenciam 
o certo do errado, o bom do ruim, o aceitável do não aceitável, o eficaz do ineficaz. As 
1 Grande parte do que segue nos próximos capítulos é uma exposição resumida do trabalho de Charles Allen 
Kollar respaldada por outros estudos/obras. Kollar soube articular de maneira habilidosa os pressupostos e a 
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conceptualizações mentais que fundamentam estes valores morais, os valores em si e as 
regras e normas internas que deles brotam podem ser chamados de paradigmas. São estes 
paradigmas que estabelecem aquilo que cada um considera apropriado ou inapropriado, 
servindo de base para as decisões que cada pessoa precisa tomar diariamente. Apesar 
de seu óbvio papel positivo, o fato é que muitas pessoas aprisionam a si mesmas em 
paradigmas que limitam sua visão de mundo e realidade, impedindo que percebam e 
façam bom uso de novas alternativas que podem ser tão ou mais eficazes do que as já 
conhecidas. A história está repleta de evidências de como paradigmas podem limitar 
a compreensão humana de mundo e realidade. A oposição experimentada por Galileu 
ao tentar expor sua teoria do heliocentrismo é um exemplo disto. Obviamente, sua 
teoria também era limitada, mas abria caminho para uma compreensão mais ampla do 
universo e de nosso lugar nele.
Muitos estudiosos temem que pastores, em seu trabalho como conselheiros dentro 
de suas congregações, estejam presos a paradigmas que limitam sua atuação enquanto 
conselheiros (Kollar, 1997, p. 17). Isto porque a prática do aconselhamento pastoral tem 
muitas vezes sido reduzida a um método que põe em foco o problema. Nesta prática 
busca-se a raiz do problema, não importando o quanto isto custe emocionalmente ou 
quanto tempo leve. Sem negar a validade do modelo freudiano, é importante afirmar 
que existem outras maneiras de lidar com desafios emocionais e psicológicos. A esta 
altura torna-se importante esclarecer algo: não se nega aqui a compreensão cristã que 
afirma que a raiz dos males humanos está no maior de todos os seus problemas, o 
pecado, o afastamento de Deus. Para o cristianismo bíblico, o reconhecimento do pecado 
(problema) é o primeiro passo ao arrependimento. No entanto, só o reconhecimento 
do pecado não é suficiente. Do ponto de vista do Cristianismo a solução para este 
problema (o pecado) não está em compreendê-lo em todas as suas minúcias, mas sim 
na Nova Vida oferecida por Cristo, no perdão que Ele dá, no seu amor incondicional, 
os quais se manifestam na possibilidade de viver esta Nova Vida em Cristo já agora, 
e de maneira plena na eternidade. Aqui está presente a dinâmica Lei e Evangelho, tão 
marcante na teologia luterana e fundamental para a prática pastoral confessional. A 
Lei de Deus mostra qual é o problema, mas a solução para o mesmo não se encontra 
na Lei em si, mas no doce Evangelho de Jesus.
O que a TBFS propõe é uma mudança do paradigma que afirma que a solução 
de um problema passa, necessariamente, pela compreensão de todas as suas raízes 
passadas. Aponta-se, então, para uma abordagem que enfatiza o futuro sem o problema 
e que mantém o foco nas ferramentas presentes que contribuirão para a construção desta 
realidade futura que carrega em si a poderosa motivação característica da esperança, 
especialmente quando se tem em vista a problemática da depressão. Isto porque
“[h]ope is an antidote to depression. The future doorway helps counselees to 
project their faith onto the future, thus creating a more hopeful expectation. 
prática	da	TBFS	com	a	atuação	do	pastor	enquanto	conselheiro.	Dr.	Kollar	é	conselheiro	profissional,	terapeuta	
familiar e de casais e pastor da Innovation Church in Cresco, CA.
Espaço Científico v.15, n.2, 201468
Solution oriented brief pastoral counseling makes them more sensitive to God’s 
view of the future; this new vision produces hope. The past takes on a new 
meaning as counselees begin to view it as a part of life’s learning process. It 
is instructive rather than shameful, educational rather than traumatic. (Kollar, 
1999, p. 62)”2
O que Kollar propõe aqui é uma mudança de paradigmas, a qual tem o poder de 
transformar a maneira como cada um compreende a sua própria realidade. Quando o 
assunto é mudança de paradigmas, a palavra metanoia (do grego bíblico, normalmente 
traduzida para o português por arrependimento – Mateus 3.8, por exemplo) traz uma 
comparação, no mínimo, interessante. O sentido original, mais literal da palavra 
metanoia, é mudança de mente. Conceito presente na retórica, religião e psicologia, 
metanoia refere-se a processos de mudança vivenciados pelo ser humano, seja na 
expressão de seus pensamentos ou em sua relação consigo mesmo. A ideia básica 
presente é de mudança. Portanto, metanoia pode ser compreendida como entender 
as coisas de uma maneira diferente. Do ponto de vista cristão é deixar de lado o foco 
em si próprio e focar em Deus e seu amor revelado em Cristo Jesus. Foi justamente 
por vivenciar esta mudança de paradigma em sua própria vida que o ateu convertido 
C. S. Lewis, autor de As Crônicas de Nárnia (entre outros), afirmou: “I believe in 
Christianity as I believe that the sun has risen: not only because I see it but because by 
it I see everything else” (Lewis, 1952, p. 215). 3
Mudança de paradigma está fortemente presente no relato bíblico. A história 
bíblica é um constante dizer de Deus: “Não é do teu jeito, é do meu”. Em 2 Coríntios, 
por exemplo, Paulo fala a respeito de uma maneira completamente nova de perceber 
a vida, uma mudança extraordinária de paradigma. Diz ele: 
“E ele (Jesus) morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si 
mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou... e, assim, se alguém 
está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram 
novas (2 Coríntios 5.15, 17 ARA).”
 
A mensagem de Jesus muda a maneira como se encara a vida, muda paradigmas 
pessoais, e aqui se percebe o quanto é importante o papel do pastor enquanto conselheiro. 
É num conselheiro cristão comprometido com a verdade cristã que aquele que busca 
2 “Esperança é um antídoto para depressão. A visão do futuro ajuda o aconselhando a projetar sua fé para 
o futuro, criando desta maneira uma expectativa mais esperançosa. Aconselhamento pastoral orientado 
para a solução torna as pessoas mais sensíveis para a visão de Deus do futuro; e esta nova visão produz 
esperança.	O	passado	assume	um	novo	significado	a	medida	em	que	o	aconselhando	começa	a	vê-lo	como	
uma parte do processo de aprendizado da vida. Ele é instrutivo ao invés de vergonhoso, educacional ao invés 
de traumático.”
3 “Eu acredito no cristianismo assim como eu acredito que o sol nasceu: não apenas porque eu o vejo mas por 
que por meio dele eu vejo todo o resto.”
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ajuda encontrará orientação no amadurecimento de sua fé, amadurecimento este que 
influenciará o seu processo de mudança de paradigmas.
1.2 Linguagem deficiente e a mudança de paradigma
A atuaçãode muitos conselheiros está fortemente enraizada numa cultura 
psicopatológica. Pode-se entender psicopatologia como a área do conhecimento que lida 
com as doenças da mente (psico: alma/ser; patologia: estudo, tratado sobre o sofrimento). 
Apesar de sua popularização, esta abordagem apresenta, com certa frequência, o 
que pode ser chamado de linguagem deficiente. Kollar explica isto ao afirmar que a 
linguagem patológica com frequência falha em identificar as capacidades e os objetivos 
daqueles que estão passando por estados depressivos, apresentando abordagens que 
focam em traços negativos e em problemas (Kollar, 1997, p. 33). Desta maneira, uma 
abordagem puramente psicopatológica pode muito facilmente levar ao rótulo. Assim, 
desenvolve-se a tendência de focar o problema. A dificuldade, então, é que muitas vezes 
a vida da pessoa que busca ajuda acaba se voltando para o problema em si. Isto se 
torna mais evidente quando se tem em mente abordagens que valorizam grandemente 
a necessidade de se reconhecer e vivenciar emoções, por mais fortes, intensas e até 
mesmo angustiantes que elas sejam. A este respeito, alertam Cade e O’Hanlon:
“It is our belief that, while an acknowledgment of the existence of a variety of strong 
emotions can be highly therapeutic in helping people feel validated and understood, 
it may not be helpful or therapeutic to encourage the continued expression of 
emotions, particularly those that have been ‘labeled’ in ways that perpetuate a sense 
of hopelessness or helplessness. (Cade & O’Hanlon. 1993, p. 48)”4
Em sua pesquisa, Huber caminha nesta mesma direção, questionando as bases 
empíricas de abordagens tradicionais. Ele afirma que
“A common assumption of many traditional approaches to counseling is that 
there are deep, underlying causes not readily perceivable to the untrained eye 
that cause client complaints. Presenting complaints are seen as ‘symptoms’ – 
only the tip of the iceberg. Indeed, the very word symptom implies that what 
clients complain of is not the ‘real issue’ but only the outward manifestation of 
some underlying dysfunction. This iceberg theory comes from medicine, where 
treating symptoms can be inadequate or even dangerous. This, however, has been 
4 “Nós acreditamos que, enquanto que um reconhecimento da existência de uma variedade de emoções fortes 
pode ser altamente terapêutico no ajudar pessoas a se sentirem validadas e compreendidas, possa não ser 
útil ou não terapêutico encorajar a expressão continuada de emoções, particularmente aquelas que têm sido 
‘rotuladas’ em maneiras que perpetuam um senso de desespero ou desamparo.”
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transferred to counseling based on tradition, not empirical evidence (Huber & 
B., 1993, p. 46).5
Reconhecer o problema é parte integrante do processo, mas a solução para 
o mesmo pode estar fora deste problema. Por isso Kollar fala da necessidade de 
reconhecer-se as pressuposições que subjazem perguntas comuns em abordagens 
terapêuticas tradicionais. A TBFS entende que a solução não está, necessariamente, 
numa compreensão profunda do problema ou nos padrões que o mantém. Por isto, ao 
invés de perguntar “Qual é a raiz do problema?” ou “O que mantém o problema?”, 
uma abordagem com foco na solução irá perguntar “Como podemos criar soluções 
trabalhando junto com o aquele que aconselhamos?”. Obviamente, perguntas que 
buscam criar soluções também revelam pressuposições, mas estas pressuposições não 
levam a uma linguagem deficiente (Kollar, 1997, p. 44). 
1.3 Significado é percepção
De maneira geral, as pessoas estão engajadas num processo de busca pelo sentido 
das coisas, da vida, de sua própria existência. O ser humano anseia por compreender sua 
realidade existencial. No entanto, esta compreensão da realidade passa, necessariamente, 
por um processo mental. Tal processo está intrinsicamente ligado à maneira como 
nosso corpo, através dos sentidos, transforma a realidade em informações e a como o 
cérebro interpreta estas informações. O cérebro não apenas registra informação nua e 
crua. Ao receber os mais variados “dados” colhidos pelos sentidos, o cérebro também 
os interpreta, especialmente construindo conexões com experiências anteriores. Neste 
processo, o que é interpretado da realidade é o que se torna realidade. Com base nesta 
compreensão, Cade e O’Hanlon falam a respeito da necessidade de diferenciar-se evento 
de significado. De acordo com eles, 
 “Things and events are limited to sensory-based observations and descriptions of 
what we perceive, or remember perceiving, through our various senses; what is 
happening, or has happened. Meanings are interpretations, conclusions, beliefs, 
and attributions that are derived from, imposed upon, or related to these perceived 
things and events. (Cade & O’Hanlon. 1993, p. 31)”6 
5 “Uma pressuposição comum de muitas das abordagens ao aconselhamento é de que existem causas imersas 
e profundas que não são prontamente percebidas por olhos destreinados, as quais causam as queixas do 
cliente. As queixas apresentadas são vistas como ‘sintomas’ – apenas a ponta do iceberg. Certamente, a 
própria palavra sintoma implica que a queixa do cliente não é realmente o que está em questão, mas é apenas 
a manifestação externa de alguma disfunção imersa. Esta teoria do iceberg vem da medicina, onde tratar os 
sintomas pode ser inadequado ou até mesmo perigoso. Isto, contudo, foi transferido para o aconselhamento 
baseado na tradição, e não na evidência empírica.”
6 “Coisas e eventos são limitados a observações e descrições sensoriais daquilo que percebemos, ou lembramos 
perceber,	 através	de	nossos	diversos	 sentidos;	 o	que	está	acontecendo,	 ou	aconteceu.	Significados	e	
interpretações, conclusões, crenças e atribuições são derivadas de, impostas sobre e relacionadas a estas 
coisas e eventos percebidos.”
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O que se sabe do mundo é o que se experiencia dele/nele bem como a maneira 
como esta experiência é mentalmente processada. A memória humana não guarda apenas 
fatos de um evento, mas também os significados e sentimentos que são adjacentes a eles. 
A cultura, a educação familiar, a história de vida de cada um, a situação econômica/
social, tudo contribui para a maneira como as pessoas dão significado à realidade 
(externa e interna), o que as torna muito diferentes umas das outras. Cada ser humano 
é único, com vivências e experiências únicas, e o conselheiro precisa reconhecer e 
respeitar esta unicidade. Ao mesmo tempo, precisa estar ciente que percepções da 
realidade podem ser recriadas à medida que se está ciente do processo mental envolvido. 
Neste processo de busca de compreensão da realidade, muitos paradigmas são criados 
e muitos deles podem atrapalhar ou até mesmo impedir que a pessoa viva a vida em 
toda sua potencialidade. Aqui, a mudança de paradigmas se torna necessária. Mudar 
paradigmas é mudar a percepção de mundo e, consequentemente, mudar o significado 
que é dado a este mundo e às experiências que nele são vividas. A percepção que 
um indivíduo tem dos eventos define o que é realidade para ele. Portanto, uma nova 
percepção de realidade pode ser criada ou, com a ajuda de um conselheiro, co-criada. 
Muito da alegria da vida depende de como a vida é percebida/compreendida, e até 
mesmo de como percebe-se/compreende-se o significado de “ser alegre”.
1.4 Pressupostos norteadores
À medida em que este capítulo aproxima-se de sua conclusão, torna-se necessário 
afirmar quais pressupostos sustentam a TBFS. Kollar, cujo trabalho é base para este 
artigo, instrui o conselheiro cristão a ter em mente os seguintes pressupostos norteadores, 
quando engajado numa abordagem baseada na TBFS (Kollar, 1997, p. 69-89).
1. Deus já está em atividade na vida daquele que busca orientação e ajuda no 
aconselhamento pastoral. Deus já esteve e está envolvido navida dele antes 
que ele venha ao pastor. Quando a realidade da atividade de Deus é assumida, 
começa-se a procurar por pistas desta atividade. Mudanças recentes, a fé, 
bênçãos recebidas, força em momentos difíceis, exceções ao problema em 
questão – tudo isto ajuda a descobrir o que o Espírito tem feito. 
2. Problemas complexos não necessariamente exigem soluções complexas. 
Uma simples mudança se foco pode trazer solução para os problemas que são 
apresentados (ver ponto 3, abaixo).
3. É necessário encontrar exceções ao problema, pois isto ajuda a criar soluções. 
Ao serem encontradas, estas exceções precisam ser enfatizadas e valorizadas, 
de maneira que se tornem significativas para aquele que busca ajuda. Deve-se 
valorizar a exceção ao problema, mas também a capacidade que aquele que 
busca ajuda tem em fazer as coisas de uma maneira diferente.
4. As pessoas estão sempre num processo de mudança. Se uma sessão de 
aconselhamento é conduzida na perspectiva de que uma mudança irá ocorrer, 
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aquele que busca ajuda será positivamente influenciado. Aqui é importante 
lembrar que mudanças pequenas geram mudanças maiores. Quando um pai 
muda a maneira como ele expressa seu amor, ele pode estar mudando a vida 
de seu filho por completo.
5. Aquele que busca ajuda do pastor é o expert a respeito de sua própria vida, é 
ele quem define onde ele quer chegar. Objetivos definidos por conselheiros 
podem, por vezes, permanecer obscuros ao que busca orientação e apoio pelo 
simples fato de não terem sido definidos por ele mesmo. Sendo assim, ele 
poderá não se dedicar tanto a alcançar estes objetivos por estes não serem dele, 
mas sim do conselheiro. Quando a pessoa é reconhecido como o expert em 
sua vida, os recursos que há nela são valorizados, bem como suas habilidades. 
Quando o objetivo é definido por ela, e quando ela e o conselheiro trabalham 
juntos neste objetivo, as chances de sucesso são grandes. Aquele que busca 
ajuda define seus objetivos, mas é importante que o pastor conselheiro o ajude 
a clarificar estes objetivos.
6. O pastor e aquele que ele aconselha buscam soluções juntos. Juntos eles devem 
criar um perspectiva da realidade que possibilite a mudança.
7. A pessoa que busca ajuda não é o problema, o problema é que é. Novamente 
percebe-se a dificuldade causada pela linguagem deficiente. Há uma diferença 
enorme entre se dizer “Você é uma pessoa depressiva” e “Você está em um 
estado depressivo”. O cristão não é inimigo de si mesmo, mas do pecado, que 
habita nele (Romanos 7.11, 15-17, 20).
8. A pessoa que busca auxílio precisa estar desejando a mudança. O conselheiro 
necessita buscar maneiras de encorajar esta pessoa a tornar-se um participante 
no processo de aconselhamento. Isto se consegue em grande parte trabalhando 
os objetivos manifestos pela pessoa e valorizando qualquer nível de cooperação 
que esteja sendo demonstrado. No entanto, é importante lembrar que, por vezes, 
quando não há nenhuma cooperação, outras atitudes devem ser tomadas, como 
encaminhar aquele que busca ajuda a um outro pastor ou a um especialista.
9. O foco do conselheiro está direcionado às soluções. Para que isto aconteça, 
Kollar sugere três regras para que o conselheiro se mantenha concentrado na 
solução:
Primeira Regra: “Se não está quebrado, não concerte!” Esta regra lembra que se 
deve procurar trabalhar em direção daquilo que a pessoa quer. O conselheiro não pode 
cair na armadilha de tentar definir os objetivos. Aquele que busca ajuda e orientação é 
o especialista em sua própria vida.
Segunda regra: “A partir do momento em que se sabe o que está funcionando, 
faz-se mais disto!” É a maximização do positivo.
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Terceira Regra: “Se não está funcionando, pare e faça algo diferente!” Ações 
que não trazem resultados acabam, na maioria das vezes, reforçando o problema. Aqui 
não vale o ditado popular “Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.” 
Tendo então sido construída uma visão geral da TBFS, é tempo de refletir sobre 
o seu uso no cuidado de pessoas em estado depressivo. É do que trata o próximo 
capítulo.
2 TBFS, DEPRESSÃO E ACONSELHAMENTO PASTORAL
Apesar da grande preocupação manifesta nos dias de hoje em relação à depressão, 
ela não é novidade desta geração. Já no século IV a. C. o médico grego Hipócrates 
a diagnosticou, denominando-a melancolia. No entanto, fatores específicos de nossa 
geração parecem ter agravado seus efeitos, tornado-a mais comum. Um estudo da 
Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que aproximadamente 350 milhões 
de pessoas no mundo sofrem de depressão.7 No Brasil, estudos indicam que mais de 
10 milhões de brasileiros sofrem de depressão, sendo que ela é a segunda causa de 
incapacidade para o trabalho.8 Pesquisa feita com base nas informações registradas 
no Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS) indica que 
nos últimos 16 anos o número de mortes causadas por depressão cresceu 700%.9 Os 
números aqui relatados nos dão uma ideia da importância do tema.
Numa perspectiva geral, a depressão caracteriza-se por um tom de tristeza 
acompanhado de sentimentos de desamparo e pouca auto-estima. Envolve insegurança, 
incapacidade para enfrentar problemas e desespero. Todos os aspectos da vida 
emocional, cognitiva, fisiológica, comportamental, social e espiritual podem ser 
afetados. Nos estados depressivos moderados ou em fase inicial, o indivíduo tenta 
ativamente aliviar seu sofrimento, solicitando por vezes a ajuda de outras pessoas. À 
medida que a depressão se torna mais profunda, o indivíduo se entrega por sentir-se 
incapaz de superar sua dificuldade.
 “O deprimido não só sente-se mal como é também, tipicamente, seu pior inimigo, 
podendo servir-se dessa frase específica ao descrever a si próprio. Tendências 
auto-destruidoras ou masoquistas, assim como depressivas, coexistem com 
frequência no mesmo indivíduo (Macknnon, 1992, p. 150).”
7 Acessado em 26/01/2015. < http://veja.abril.com.br/noticia/saude/mais-de-350-milhoes-de-pessoas-tem-
depressao-diz-oms>
8 Acessado em 26/01/2015. <http://www.senado.gov.br/senado/portaldoservidor/jornal/jornal90/comportamento_
carreira.aspx>
9 Acessado em 26/01/2015. <http://www.senado.gov.br/senado/portaldoservidor/jornal/jornal90/comportamento_
carreira.aspx>
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Um sombrio estado de ânimo se faz presente na vida. O desconforto em ter outros 
à volta, frequentemente, leva a pessoa em estado depressivo a atividades socialmente 
isoladas ou passivas. Tal comportamento contribui para crises em relacionamentos, 
as quais intensificam o estado de depressão. “A pessoa depressiva almeja o amor dos 
outros, mas falha em corresponder de modo a compensar o companheiro ou em reforçar 
a relação” (Macknnon, 1992, p. 150).
São comportamentos comuns a pessoas depressivas:
“Mudança no apetite e no peso (em geral diminuição); alteração nos hábitos 
relacionados com o sono: insônia, ou desejo de dormir exagerado; fadiga ou falta 
de energia; perda de interesse pelas atividades cotidianas; diminuição do desejo 
sexual; incapacidade de concentração, dificuldade para recordar coisas ou tomar 
decisões; sentimentos de extrema tristeza, desespero, culpa, auto-reprovação ou 
falta de auto-estima; idéias de suicídio. (Como Superar a Depressão. Cristo Para 
Todas as Nações, p. 4.)”
Depressão é também apontada como uma das piores formas de sofrimento, por 
causa do imenso sentimento de vergonha, indignidade e falta de esperança que ela 
acarreta. Para muitos, a depressão
“can seem worse than terminal cancer, because most cancer patients feel loved 
and they have hope and self-esteem. Many depressed patients have told me, 
in fact, that they yearned for death and prayed every night that they would get 
cancer, so they could die in dignitywithout having to commit suicide. (Burns, 
1999, p. XXX)”10
Em diferentes níveis, todos passam por estados depressivos. A intensidade está 
ligada a situações específicas de vida bem como à maneira como as pessoas lidam 
com estas situações. As causas da depressão são variadas, indo de problemas genéticos 
a traumas não resolvidos. No entanto, muitos especialistas concordam que o atual 
estilo de vida contribui de maneira significativa para o desenvolvimento de estados 
depressivos.
“O grande crescimento urbano que rompe os laços familiares leva à perda de 
senso comunitário e do mútuo entendimento, e produz efeitos indesejados, como o 
ruído, a contaminação ambiental, a intensidade do tráfego e a tensão... a depressão 
10 “pode parecer pior do que câncer terminal, porque a maioria dos pacientes com câncer se sentem amados e 
eles têm esperança e auto-estima. Muitos pacientes depressivos já me contaram, em fato, que eles queriam 
morrer	e	que	oravam	todas	as	noites	para	ficarem	com	câncer,	pois	assim	eles	poderiam	morrer	com	dignidade	
sem ter que cometer suicídio.”
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 75
é a forma mais comum de dor emocional... (Como Superar a Depressão. Cristo 
Para Todas as Nações, p. 3)”
Pessoas em estado depressivo têm se tornado tão comuns que ministros religiosos 
precisam estar fortemente preparados para lidar com elas. Mesmo que sessões de 
terapia já estejam sendo realizadas e até mesmo o uso de drogas tenha sido indicado 
por especialistas, um acompanhamento pastoral apropriado é uma ferramenta 
importantíssima para lidar-se até mesmo com a depressão mais severa. Isto porque a 
visão cristã e os conceitos ontológicos nela presentes contribuem para a construção de 
uma visão madura da realidade, a qual reconhece as mazelas do mundo e da vida, mas 
fundamenta-se numa esperança edificante e numa fé libertadora.
2.1 Foco no futuro – Uma mensagem de esperança
A depressão está intimamente ligada ao sentimento de desespero. Por outro lado, 
a mensagem bíblico-cristã é uma mensagem de esperança. A Bíblia diz: “Porque Deus 
amou ao mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito, para que todo o que nele 
crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16). Esta mensagem de esperança, 
que aponta para uma realidade onde “o” problema não mais existe, é um poderoso 
instrumento para lidar com pessoas sem esperança. Como parte essencial de seu 
ministério, pastores manuseiam a Palavra de Deus, uma Palavra de esperança que traz 
o consolo do próprio Deus. Portanto, sendo uma terapia baseada na solução, que olha 
com acuro para o presente e orientada para o futuro, em muitos aspectos a TBFS se 
identifica com o que o Cristianismo ensina e confessa. Aos que se sentem rodeados por 
um passado de sofrimentos, Jesus dá um conforto atual com sua presença, bem como 
uma perspectiva futura sem o problema. Ele diz, “Vinde a mim, todos os que estais 
cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mateus 11.28).
As church counselors, our task is to cocreate with the counselee a reality in 
which there is an opportunity for positive change. We can do this by recognizing 
the writing of the Spirit in his past or present situation, or through cocreating 
a future in which the problem does not dominate. We minister through what 
God has already been doing and seek to move the counselee forward toward his 
goal… any change in how the counselee perceives the problem may result in a 
reevaluation of the experience of the problem. (Kollar, 1997, p. 82)”11 
11 “Enquanto conselheiros cristãos, nossa tarefa é co-criar juntamente com o aconselhando uma realidade na 
qual há uma oportunidade para uma mudança positiva. Nós podemos fazer isto reconhecendo as marcas do 
Espírito no seu passado ou no seu presente, ou co-criando um futuro no qual o problema não mais domina. 
Nós ministramos através do que Deus já tem feito e procuramos mover o aconselhando em direção deste 
objetivo... qualquer mudança em como o aconselhando percebe o problema pode resultar em uma re-avaliação 
da experiência do problema.”
Espaço Científico v.15, n.2, 201476
Não se pode deixar o passado definir quem se é ou quem se irá ser. Na perspectiva 
cristã todos são simul justus et peccator. Contudo, o aconselhamento pastoral deve levar 
as pessoas a criar um senso de quem elas são e de quem elas podem ser em Cristo. Ao 
caminhar-se nesta direção, é preciso estar ciente de que, em grande parte, o cuidado 
pastoral não implica na eliminação do sofrimento de alguém, mas em ajudar a pessoa 
a interpretar seu sofrimento à luz da cruz de Jesus (Eyer, 1994, p. 24).
 “Suffering puts us at the foot of the cross, beside parishioners, where together 
both sufferers discover the meaning of the cross and the peace that does ‘pass 
all human understanding.’ Defeat is the way of the cross, but ironically, defeat 
acknowledged in faith becomes victory (Eyer, 1994, p. 33).”12
2.2 Ouvidos atentos
O ensinar de Jesus é um constante convite a amar. Amar ao que procura 
por orientação e ajuda é aceitá-lo e valorizá-lo pelo que ele é e, algumas vezes, 
desconsiderando o que ele faz. O bom conselheiro pode ser um instrumento de 
transformação à medida que ele transparece empatia e o firme desejo de estar ao lado, 
orientando e ajudando. Os fundamentos da TBFS estão num conselheiro comprometido 
no cuidado com aquele que necessita e busca orientação e ajuda. Portanto, o pastor está 
com o necessitado sempre e, especialmente, em seu sofrimento. Ele faz isto ouvindo-o 
com acuro e atenção. Apesar de a TBFS procurar mudar o foco para uma abordagem 
baseada na solução, deve-se sempre dar importância ao que as pessoas têm a dizer. 
Isto porque
“[l]istening carefully is important for validating clients’ feelings and personal 
reality as well as for establishing rapport. Solution-focused therapists, however, 
listen with a type of ‘third ear’ approach. That is, they listen for things not 
emphasized by client, such as times that the client’s life is going well and the 
problem is absent. They also listen for strengths and resiliencies clients may 
not notice in themselves. They then proceed to direct the conversation toward 
strengths and solutions. (Franklin & Moore, 1999, p. 34)”13
Neste processo de ouvir é muito importante dar ao que busca orientação e ajuda 
a certeza de que ele está sendo ouvido. Resumir o que foi dito e pedir por detalhes 
12 “O	sofrimento	nos	coloca	ao	pé	da	cruz,	ao	lado	dos	congregados,	onde	juntos	descobrimos	o	significado	
da cruz e a paz que ‘excede todo entendimento humano.’ Derrota é o caminho da cruz, mas ironicamente, 
derrota reconhecida em fé se transforma em vitória.” 
13 “Ouvir com atenção é importante por validar os sentimentos do cliente e sua realidade pessoal, bem como 
por estabelecer uma relação. Terapeutas focados na solução, ouvem com um tipo de ‘terceiro ouvido’. Isto 
é, eles ouvem coisas não enfatizadas pelo cliente, tais como tempos em que a vida do cliente esta bem e o 
problema ausente. Eles também ouvem as forças e resiliências que os clientes podem não ter notado em si 
mesmos. Eles então procedem de maneira a dirigir a conversa em direção das forças e soluções.”
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 77
e esclarecimentos ajuda muito neste processo. No aconselhamento e em qualquer 
relação somente ouvir o outro não é suficiente. Aquele que procura conselho no pastor 
precisa saber que ele está sendo ouvido, e o conselheiro precisa deixar isto claro, 
conscientemente (Cade & O’Hanlon, 1993, p. 43).
Sharp sugere seis posturas para uma linguagem corporal intencional que facilita 
um ouvir atento: sorriso, postura/atitude de aceitação ao que é dito, corpo inclinado 
para frente, toque, contato visual e aceno com a cabeça. Ele afirma que
“utilizing these intentional postures and gestures strengthens the cords of rapport 
and stimulates a positive interaction in thecounseling relationship. As rapport 
is established, the caregiver introduces solution based counseling methods to 
draw the emphasis away from problems and toward solutions. (Sharp, 1999, 
p. 75)” 14
O pastor conselheiro precisa estar consciente de que a comunicação estabelecida 
entre e ele e aquele que procura sua orientação vai muito além das palavras que são 
ditas. Na verdade, muitas vezes os significados mais profundos são transmitidos de 
maneira não verbal. Tal consciência contribuirá para um aconselhamento propositivo 
e pró-ativo, características essenciais na TBFS.
2.3 É importante agir em direção à solução
O objetivo da TBFS é promover uma crescente funcionalidade o mais rápido 
possível. Para alcançar isto, aqueles que procuram ajuda pastoral precisam ter objetivos 
presentes e futuros. O aconselhamento precisa associar recursos presentes a atividades/
tarefas futuras, rever falhas percebidas e prover sugestões para um sucesso futuro. 
Ao mesmo tempo em que se respeita as ideias e decisões daquele que busca ajuda, é 
necessário ajudá-lo a definir o que ele quer em vez do que ele não quer. Sentimentos 
são e devem ser respeitados, mas precisa-se enfatizar a ação. Isto porque a TBFS 
entende que demanda menos esforço agir em direção à construção de um sentimento 
do que sentir-se disposto para esta ou aquela ação (Kollar, 1999, p. 125). A ação irá 
representar de maneira visível a realidade da mudança, e isto ajuda a manter o foco no 
futuro. E então, quando uma mudança acontecer, por menor que ela seja, ela precisa 
ser valorizada. Isto porque pequenas mudanças contribuem na necessária mudança de 
paradigmas que consegue perceber que o futuro pode ser diferente, não necessariamente 
porque o problema será extirpado da mente, mas também porque é possível aprender-se 
a lidar com ele de maneiras diferentes. Em seu sucessso de vendas “Feeeling Good: 
The New Mood Therapy,” David Burns explica conceitos de terapia cognitiva de 
14 “utilizar estas posturas e gestos intencionais fortalece o relacionamento e estimula uma interação positiva no 
aconselhamento. Na medida em que a relação é estabelecida, o conselheiro introduz métodos baseados na 
solução para colocar a ênfase longe do problema e em direção das soluções.”
Espaço Científico v.15, n.2, 201478
maneira popular, e lá ele também fala da importância de valorizar-se qualquer mudança 
alcançada. Questiona ele
 “Do you know why virtually any meaningful activity has a decent chance of 
brightening your mood? If you do nothing, you will become preoccupied with 
the flood of negative, destructive thoughts. If you do something, you will be 
temporarily distracted from that internal dialogue of self-denigration (Burns, 
1999, p. 94).”15
2.4 É necessário buscar exceções ao problema
No cuidado de pessoas em estado depressivo, encontrar exceções ao problema é 
uma ferramenta poderosa. O fato de que há exceções mostra que é possível viver sem 
o problema (ou viver de maneira satisfatória apesar do desafio que a vida apresenta). 
Uma agradável viagem com o filho adolescente não é apenas uma folga para as brigas, 
mas é uma prova de que é possível viver sem elas.
No entanto, algumas vezes pessoas não serão capazes de encontrar exceções. 
Nestes casos pode-se, momentaneamente, concordar com seus sentimentos para depois 
perguntar a respeito do que elas têm feito para evitar que as coisas piorem.
 “Such questions ask counselees to go inside themselves and evaluate how they 
have been able to keep things from deteriorating further. When asked what they 
are doing to manage when things are so bad, counselees may be able to identify 
some reasons even when they are just getting by. Once they respond with an 
example of how they have managed, or why things are not worse, pastoral 
counselors can follow up with clarifying questions: How has that been helpful to 
you? What will it take to make that happen more often? (Kollar, 1999, 64)”16
Portanto, aconselhamento também é descobrimento. É trazer para a vida das 
pessoas conceitos/realidades que elas não conhecem ou são incapazes de reconhecer. É 
apontar para aquilo que está oculto aos olhares dominados por paradigmas limitadores 
ou embaçados pelas cicatrizes de inúmeros fracassos. É apontar para o fato de que há 
vida, e onde ela existe há esperaça.
15 “Você	sabe	porque	virtualmente	qualquer	atividade	significativa	tem	uma	boa	chance	de	melhorar	o	seu	humor?	
Se	você	não	faz	nada,	você	ficará	ocupado	com	a	enchente	de	pensamentos	negativos	e	destruidores.	Se	
você faz algo, você estará temporariamente distraído daquele diálogo interno de auta-degeneração.”
16 “Perguntas como estas fazem os aconselhando irem para dentro de si mesmos e avaliar o quanto eles têm 
sido capazes de impedir que as coisas deteriorassem mais. Quando são perguntados pelo que eles têm 
feito	para	se	conduzir	quando	as	coisas	estavam	tão	ruins,	aconselhandos	podem	ser	capazes	de	identificar	
algumas razões mesmo quando eles estão apenas ‘sobrevivendo’. Quando eles então respondem com um 
exemplo de como eles tem se conduzido, ou do porque de as coisas não estão pior, conselheiros pastorais 
podem	apresentar	perguntas	que	esclareçam	o	que	foi	dito:	Como	isto	tem	ajudado	você?	O	que	é	necessário	
para	que	isto	aconteça	com	mais	freqüência?”
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 79
CONCLUSÃO
O aconselhamento deve auxiliar pessoas a viver de maneira independente. 
Pastores não criam pessoas dependentes do conselheiro, mas dependentes de Deus. 
Na perspectivia cristã, é em Deus que estão todos os recursos para a vida emocional, 
física e espiritual. Portanto, o pastor conselheiro capacita pessoas a cuidarem de suas 
próprias vidas sabendo que todas as coisas estão nas mãos de Deus. Pastores, enquanto 
cura d`almas, ajudam pessoas em sua caminhada de maturidade na fé. Momentos de 
alegria e contentamento bem como situações de insatisfação e tristeza são vivências 
intrínsecas à natureza humana (O’Hanlon & Weiner-Davis, 1989, p. 178), portanto, 
sua existência deve ser encarada de maneira natural. Neste sentido parece caminhar a 
Oração da Serenidade: “Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária para aceitar 
as coisas que não podemos modificar, coragem para modificar aquelas que podemos, 
e Sabedoria para distinguir umas das outras.” Também neste sentido caminha a TBFS, 
reconhendo os desafios intrínsecos à realidade humana, mas com um foco na real 
possibilidade de vivermos vidas satisfatórias. Este é o testemunho deixado por Paulo, 
cuja profunda mudança de paradigma pela qual passou em sua conversão possibilitou 
que ele construísse, sob a ação do Espírito Santo, uma visão existencial serena, que 
reconhecia os desafios da vida e os vivia sob cruz de Cristo, focando naquilo que lhe 
dava sentido de vida e consequente satisfação interior (Filipenses 4.11-13). 
Isto nos mostra que a serenidade concedida pelo Evangelho de Criso é algo 
essencial para a vida e para o aconselhamento pastoral. A TBFS partilha dos mesmos 
pressupostos que sustentam esta perspectiva de vida. Obviamente, esta abordagem não 
é a espada salvadora que irá superar todos os desafios presentes no aconselhamento 
pastoral, mas o estudo e uso desta abordagem com certeza representarão uma importante 
ferramenta nas mãos daqueles que cuidam das filhas e dos filhos de Deus a eles 
confiados.
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Espaço Científico Santarém v.15, n.2 p.81-121 2014
O novo modelo de gestão pública brasileira: 
uma análise do terceiro setor
Izabel Evangelista
Mara Jeane Dantas da Silva Costa
RESUMO
O presente resumo tem como objetivo promover reflexões a respeito das diferentes 
configurações assumidas pelo Estado no contexto do novo modelo de gestão das políticas públicas 
brasileiras, assumido após a sua regulamentação na Constituição Federal de 1988 no que se refere 
ao enfrentamento da questão social. Analisaram-se os novos rumos da gestão pública brasileira 
e o papel do terceiro setor dentro dessa nova gestão, onde se procura estimular a inserção dos 
diversos segmentos sociais no processo de tomada de decisão e da implementação das políticas 
sociais. Inicialmente, as reflexões foram realizadas em relação às questões conceituais de Política 
Pública, a seguir refletimos sobre questões ideológicas presentes na tarefa do estado decidir e 
executar as políticas públicas, no que se refere à sociedade, política e estado; depois, enveredamos 
por definições e explanações sobre o terceiro setor e esboçamos o novo modelo de gestão das 
políticas públicas no contexto brasileiro; finalmente, trouxemos as contribuições que Organizações 
Não-Governamentais como Asas de Socorro trazem a esse novo modelo de gestão das políticas 
públicas. Utilizamos a pesquisa explicativa, tendo como procedimento a pesquisa bibliográfica, 
pesquisa documental, bem como a pesquisa de levantamento. Fez-se uma coleta de dados através 
de estudo e análise de referencial teórico, reflexões e avaliação de programas e projetos do terceiro 
setor, na ONG Asas de Socorro.
Palavras - chave: Estado. Sociedade Civil. Terceiro Setor. Asas de Socorro.
ABSTRACT
This present summary has as its objective to promote reflection about the different 
configurations assumed by the State in the context of the new management model of Brazilian 
public policies that was put into place after its regulations in the Federal Constitution of 1988, in 
what is referred to as confronting social issues. The new directions of Brazilian public management 
were analyzed and the role of third sector organizations within this new management, which 
seeks to encourage the integration of various social groups in the decision-making process and in 
the implementation of these social policies. Initially these reflections were realized in regard to 
conceptual issues of Public Policy, following which we reflect on the ideological issues present in 
the task of the State to decide and implement public policies, as it relates to society, politics and 
the state, after which we will endeavor to define and explain the third sector. We will then outline 
the new model of public policy management in the Brazilian context and finally we will bring in 
the contributions that Non-Governmental Organizations such as Wings of Help (Asas de Socorro) 
bring to this new management model of public policies. We will use explanatory research and using 
procedures of bibliographic research, documentary research, and survey research. A collection of 
Izabel Evangelista é Docente do Centro Universitário Luterano de Santarém/ CEULS/ULBRA. E-mail: izalcina@
bol.com.br 
Mara Jeane Dantas da Silva Costa é Assistente Social, aluna da Pós-Graduação em Gestão de Políticas Públicas 
no Centro Universitário Luterano de Santarém/PA CEULS/ULBRA. E-mail: mara.dantas@asasdesocorro.org.br
Espaço Científico v.15, n.2, 201482
data was made through study and analysis of the theoretical framework, reflection and evaluation 
of programs and projects in the third sector, with the NGO Wings of Help(Asas de Socorro).
Keywords: State. Civil Society. Third Sector. Wings of Help(Asas de Socorro). 
INTRODUÇÃO 
Analisar sobre os novos rumos da Gestão Pública Brasileira e o papel do Terceiro 
Setor nesse novo modelo tendo como apoio ao estudo a Organização Não-Governamental 
(ONG) Asas de Socorro, inserida nesse contexto, é a pretensão desse trabalho, não no 
sentido de esgotar o assunto, mas o texto é essencialmente provocativo. O nosso 
estudo quer identificar se é possível conjugar os modelos da gestão governamental e 
da sociedade civil no sentido de contribuir para uma maior compreensão do processo 
de ampliação da participação da população nos assuntos públicos e ao mesmo tempo 
refletir algumas questões ideológicas que estariam por traz da iniciativa governamental 
de dividir com os segmentos da população a tarefa de decidir e executar políticas 
públicas, além de mostrar as mudanças institucionais trazidas para esse novo modelo 
de gestão pública brasileira e analisar como o Terceiro Setor e a ONG Asas de Socorro 
têm contribuído nessa nova política de gestão pública brasileira. 
1 POLÍTICA PÚBLICA
1.1 Definindo conceitos
Políticas Públicas são as respostas, muitas vezes resultado de coerção, que o 
sistema político entrega para a sociedade para atender as necessidades sociais da 
população – Assistência Social, Saúde, Educação, Habitação entre outras. 
Por diversas vezes, o processo de configuração de uma política pública é 
apresentado por atores sociais ou políticos que estejam interessados, direta ou 
indiretamente, na tomada de alguma decisão pública para responder a uma situação 
específica. 
Assim, percebemos que o interesse público é pressuposto da legitimidade de 
toda política pública. 
As políticas públicas não-governamentais são condição cada vez mais usual 
nas sociedades onde o Estado é neoliberal. São políticas que atendem ao interesse 
público, tendencionam responder a necessidades sociais, são submetidas ao debate e 
participação popular, porém são propostas, formuladas e executadas por organizações 
não pertencentes ao aparelho de Estado.
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 83
2 qUESTÕES IDEOLóGICAS NA REDEFINIÇÃO 
ESTATAL NA TAREFA DE DECIDIR E EXECUTAR 
POLÍTICAS PÚBLICAS
2.1 Sociedade, política e estado
O Estado é uma sociedadeque se constitui de um grupo de indivíduos unidos e 
organizados permanentemente para realização de um objetivo comum. Assim, ela é 
também uma sociedade política porque sua organização é determinada por leis próprias 
que obedecem a uma hierarquia que podemos chamar de governantes e governados 
para fins de um bem público ou comum (AZAMBUJA, 1998, p. 2). 
O Estado, para atingir o bem público, emprega diversos meios que variam 
conforme as épocas, os povos, os costumes e as culturas. Por consequência, esse Estado 
terá que ter autoridade e poder, cuja manifestação concreta é a força (ibid, p. 21). 
Existem entendimentos de que foi no início do Século XVII que se deu o 
surgimento da sociedade civil. Os primeiros teóricos simpatizantes da teoria liberal 
defendiam a liberdade civil e religiosa e a não-intervenção do Estado na economia.
Na sociedade burguesa, ou seja, no capitalismo da época, o Estado que é a 
representação do poder político, e a sociedade civil, representando o conjunto das 
relações econômicas, eram separados. É, porém, na sociedade civil em que há os 
conflitos para o Estado administrar, pois a sociedade civil representa a esfera das relações 
entre os indivíduos, grupos e classes (ARANHA e MARTINS, 1993, p. 260). 
O conceito de Estado e sociedade civil sofreu modificações ao longo do tempo. 
A distinção entre Estado e sociedade civil, formulada no começo do século 
XVII, é restabelecida por Hegel (1770-1831), segundo o qual era o Estado que 
fundava a sociedade civil. Mais tarde, Marx vai afirmar que é a sociedade civil 
que orienta o Estado, desde sua formação à criação e consolidação de suas leis 
(GONÇALVES, 2006, p. 43).
Na visão marxista, é a estrutura econômica que determina o Estado e não o 
contrário, e o Estado é parte essencial dessa estrutura porque a garante. Assim, da 
mesma forma como o Estado escravista garantiu a reprodução da escravatura, o Estado 
capitalista garantirá o domínio das relações de produção capitalistas, a reprodução 
ampliada do capital e a acumulação. Portanto, a crise do Estado afeta a economia 
(GONÇALVES, 2006, p.43). 
A Crise do modelo capitalista de produção ocorre com a quebra da Bolsa de Nova 
Iorque em 1929, quando novas medidas foram tomadas para encaminhar o liberalismo 
Espaço Científico v.15, n.2, 201484
a uma nova tendência, que pode ser chamado de liberalismo social, onde o papel do 
Estado na economia é revisto.
A partir daí o Estado começa a sua intervenção de forma decisória na produção 
e distribuição de bens, apontando-se para uma forte tendência em direção ao Welfare 
State, ou seja, ao Estado de Bem-Estar social, que “pode ser definido como sendo 
aquele Estado que garante tipos mínimos de renda, alimentação, saúde, habitação, 
educação, assegurados a todos os cidadãos, não como caridade, mas como direito 
político” (DRAIBE ,1988, p. 52)
Neste modelo de Estado, figurava em seu projeto a busca de uma sociedade 
equitativamente mais justa, diminuindo as distorções de um mercado regido por suas 
próprias regras e delineamentos, mesmo sendo capitalista e com características liberais. 
No Brasil, o Estado de Bem-Estar Social não foi o Estado da classe trabalhadora, mesmo 
que beneficiando grande parte dos trabalhadores assalariados, através da melhoria das 
condições de vida. Esse Estado combinou medidas de caráter social, porém sem perder 
seu caráter paternalista.
O Estado Social assumiu para BRESSER PEREIRA “três formas: a do Estado 
do Bem-Estar nos países desenvolvidos, principalmente na Europa, a do Estado 
Desenvolvimentista nos países em desenvolvimento, e a do Estado Comunista nos países 
em que o modo de produção estatal tornou-se dominante” (BRESSER PEREIRA,1999, 
p.11).
O Estado brasileiro transformou-se em um Estado Social-Burocrático na medida 
em que, para promover o bem-estar social e o desenvolvimento econômico, contratou 
diretamente, como seus funcionários públicos, profissionais técnicos como professores, 
médicos, enfermeiras, assistentes sociais, artistas, etc.
BRESSER PEREIRA (1999, p. 15-16), diz que
O Brasil como a maioria dos países do mundo apresentam diminuição progressiva 
e acentuada do papel dos Governos Nacionais, como provedores de bem-estar 
social em decorrência da incapacidade destes em conseguir suportar o cada vez 
mais pesado ônus da proteção social generalizada.
Muitos foram os fatores que contribuíram, portanto, para que o modelo de 
produção do Estado de Bem Estar Social, perdesse força e descentralizasse suas funções, 
direcionando para dividir com a sociedade civil organizada esta responsabilidade.
A decadência do Estado do Bem Estar Social faz com que surja o Estado 
Regulado como um novo modelo. Diante do novo quadro, a proposta Neoliberal é de 
uma manutenção de um Estado forte que seja capaz de romper com o poder sindical e 
controlar a emissão de dinheiro. Esta nova proposta também almeja a redução drástica 
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 85
nos gastos sociais e a sua saída das questões econômicas que defende a idéia de que 
deveriam ser reguladas pelo próprio mercado.
FIGUEIREDO (2004, p. 55) afirma que
[...] neste modelo de Estado que vem sendo implantado no Brasil desde a década 
de 1990, o Governo deixa de intervir em áreas importantes da economia nacional 
e delega a prestação de serviços públicos a empresas privadas. De provedor, o 
Estado passa a Regulador, estabelecendo-se uma nova relação entre os cidadãos 
e o Governo.
O Estado, portanto, deixa de ser o único executor de políticas públicas, 
especialmente as sociais e começa a priorizar o seu papel de Articulador, Fomentador 
e Regulador destas políticas. Conseqüentemente, cresce a participação de outros atores 
da sociedade, tais como a Iniciativa Privada e a Sociedade Civil Organizada, conhecido 
como Terceiro Setor.
Assim, o Primeiro Setor (Estado) passa a descentralizar suas atividades 
fundamentais, no que diz respeito às políticas sociais, delegando esta função ao Segundo 
Setor (mercado) e ao Terceiro Setor (sociedade civil organizada). 
FIGUEIREDO (2004, p. 78) complementa dizendo que:
Desde que o Estado se deu conta que não tem recursos para os investimentos 
necessários, conduziu a execução de serviços públicos, processo de transferência 
para o setor privado da execução de serviços públicos. Mas o fato de determinados 
serviços ou atividades públicas serem prestados por empresas privadas e 
pelo Terceiro Setor não modifica a sua natureza pública. O Estado conserva 
responsabilidade e deveres em relação a sua prestação adequada desses serviços 
ou atividades.
Este novo modelo regulatório de Estado propõe que concepções desenvolvidas na 
atividade econômica privada estendam-se ao setor dos serviços públicos, incumbindo 
ao Estado, portanto, desempenhar atividades diretas apenas nos setores em que a 
atuação da iniciativa privada colocar em risco valores coletivos, ou for insuficiente 
para propiciar sua plena realização. 
Justem Filho (2003, p. 59) contribui dizendo que “O Estado deve manter a 
participação no âmbito da segurança, da educação e da seguridade social, evitando a 
mercantilização de valores fundamentais.” 
Espaço Científico v.15, n.2, 201486
2.2 O terceiro setor e suas definiçoes
O Terceiro Setor é uma força iniciada nas bases da sociedade civil, com propostas 
concretas, capacidade mobilizadora e de pressão junto às diferentes esferas de poder, 
visando suprir demandas que o Estado não consegue mais atender. 
Podemos, portanto conceituar o Terceiro Setor como “O conjunto de organismos, 
organizações ou instituições sem fins lucrativos dotados de autonomia e administração 
própria que apresentam como função e objetivo principal atuar voluntariamente junto 
à sociedade civil visando ao seu aperfeiçoamento” (GONÇALVES, 2006, p. 101). 
Não se pode negar a importância do terceiro setor na prestação de serviçospúblicos. 
Os entes que integram o terceiro setor são entes privados, não vinculados à 
organização centralizada ou descentralizada da Administração Pública, e não 
almejam, entre seus objetivos sociais, o lucro e que prestam serviços em áreas 
de relevante interesse social e público (ibd, p. 50).
Simone de Castro Carvalho Coelho (apud GONÇALVES, 2006, p. 101) conceitua 
terceiro setor como sendo:
[...] as organizações da sociedade civil que não objetivam lucratividade, tendo a 
sua base material separada do aparelho estatal, de quem mantêm certo grau de 
autonomia e são organizadas em torno de um objetivo comum. A elas podem 
ser atribuídas também a flexibilidade e a eficiência do mercado com a equidade 
e uma certa previsibilidade do Estado. 
José Eduardo Sabo Paes (2003, p. 88) também traz preciosa contribuição à 
definição do terceiro setor:
[...], o terceiro setor é aquele que não é público e nem privado, no sentido 
convencional desses termos; porém, guarda uma relação simbiótica com ambos. 
Ou seja, o Terceiro Setor é composto por organizações de natureza “privada” (sem 
o objetivo do lucro) dedicadas à consecução de objetivos sociais ou públicos, 
embora não sejam integrantes do governo (Administração Estatal).
Quando se caracteriza o terceiro setor como “aquilo que não é público nem 
privado”, podemos entender que há organizações que podem ser consideradas como 
de utilidade pública com capacidade de auxiliar o Estado no cumprimento de seus 
deveres e, ao mesmo tempo, com atuação efetiva em ações sociais buscando benefícios 
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 87
coletivos públicos, com atenção, contudo, para as grandes desigualdades vigentes no 
país e para a incapacidade do Estado em desempenhar com eficiência as atividades 
que lhe são atribuídas. 
Há uma necessidade de fazer a diferenciação entre os benefícios coletivos que 
caracterizam o Terceiro Setor, dos benefícios públicos, e os autores Silva e Aguiar (apud 
GONÇALVES, 2006, p.102), chamam a nossa atenção para isso:
[...] Muitas organizações do terceiro setor visam promover benefícios coletivos 
privados. Este caso corresponde ao de organizações visando ajuda mútua que 
pretendem defender interesses de um grupo restrito de pessoas, sem considerável 
alcance social. As organizações de caráter público, de outro lado, estão voltadas 
para o atendimento de interesses mais gerais da sociedade, produzindo bens ou 
serviços que tragam benefícios para a sociedade como um todo. 
É importante destacar, porém que, as organizações de benefícios mútuos ou 
privados assumem um caráter público, quando suas interferências na sociedade buscam 
um bem coletivo, de acordo com Fernado Tenório (2001, p. 7):
[...] Essas Organizações não fazem parte do Estado, nem a ele estão vinculadas, 
mas se revestem de caráter público na medida em que se dedicam a causas e 
problemas sociais e em que, apesar de serem privadas, não têm como objetivo 
o lucro, e sim o atendimento das necessidades da sociedade.
Apresentar o terceiro setor (PAES, 2003, p. 88) é entender que estas instituições 
que o compõe são conseqüências de novos grupos da sociedade civil e dos movimentos 
sociais. Assim, além de interlocutores, são instrumentos para a efetivação de uma 
nova dinâmica social e democrática, onde as relações são orientadas pelos laços de 
solidariedade entre os indivíduos, o espírito de voluntariado e o consenso na busca do 
bem comum. 
COSTA (2004 apud GONÇALVES 2006, p. 104) contribui dizendo que o terceiro 
setor: 
[...] São organizações que atendem demandas sociais e atuam em diversos 
segmentos da sociedade, concentrando certo grau de organização e trabalho 
voluntário. Podem atuar diretamente na prestação de serviços ou na defesa de 
direitos, funcionando normalmente como associações, sindicatos, fundações, 
ONGs diversas, igrejas, dentre outros. Então, este Setor compreende desde as 
instituições mais simples até aquelas que movimentam milhões de reais e têm 
grande repercussão nacional em suas ações.
Espaço Científico v.15, n.2, 201488
É fato inequívoco que a presença do terceiro setor no cenário brasileiro é ampla 
e diversificada, com organizações variando em tamanho, grau de formalização, 
volume de recursos, objetivo institucional e forma de atuação. Com representações de 
organizações não-governamentais, fundações de direito privado, entidades de assistência 
social e de benemerência, entidades religiosas, associações culturais, educacionais, 
etc. Tal diversidade é resultante da riqueza e pluralidade da sociedade brasileira e dos 
diferentes marcos históricos nas relações entre o Estado e o mercado (GONÇALVES; 
2006, p. 104).
Tal diversidade do terceiro setor o torna complexo e heterogêneo, recheado 
de organizações sem fins lucrativos e com fins públicos, do qual fazem parte tanto 
associações comunitárias como fundações que se articulam com redes locais, nacionais 
e internacionais. As suas ações vão desde os direitos humanos, quanto questões 
ambientais, desenvolvimento local e até implementação de programas e serviços da 
Política da Assistência Social, educação etc.
Estudos de Lester Salamon (1997 apud GONÇALVES, 2006, p. 108) dizem que 
o terceiro setor é: 
[...] um setor variado e complexo que engloba grandes universidades e pequenas 
entidades filantrópicas, cantinas de distribuição de sopas aos sem-teto e 
respeitáveis instituições culturais, organizações de direitos humanos e associações 
profissionais, entre muitas outras. E abrange entidades não governamentais que 
expressam a sociedade civil organizada em busca de soluções próprias para 
suas necessidades e problemas, objetivando o interesse público em diversas 
áreas e segmentos (sejam elas associações, fundações de direito privado, ONGs, 
entidades religiosas) trata-se de um novo arranjo institucional que foge da lógica 
do Estado e do mercado e, que determina uma nova relação entre a Sociedade e 
o Estado, tem se mostrado capaz de ser determinante para a mobilização social 
e de transformação da realidade em que está inserida, não importando o nome 
a que se faz referência, seja Terceiro Setor, setor sem fins lucrativos, setor da 
sociedade civil, setor do voluntário, setor do social-econômico, setor ONG, 
setor de caridade, etc. 
 Considera-se ainda que (FISHER, 2002 apud GONÇALVES, 2006, p. 108) 
o terceiro setor está relacionado de forma tênue com as instituições estrangeiras – 
fundações, agências multilaterais e escritórios locais das ONGs internacionais. A 
ajuda filantrópica emergencial externa tem uma presença absolutamente marginal na 
economia brasileira, ao contrário do que ocorre em muitas nações em desenvolvimento. 
Porém,
A importância de sua atuação é ressaltada pela introdução de conhecimentos 
inovadores, produção de informação, formação e capacitação de pessoas, que 
alavancam ações diferenciadas de desenvolvimento. Embora a atuação de ajuda 
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 89
direta às populações em situação de exclusão social seja localizada e pontual, 
não se pode negar que contribuem para a redução dos déficits sociais e para o 
fortalecimento da atuação de entidades locais. 
Queremos ainda salientar que, conforme Salamon e Anheier (1997 apud 
GONÇALVES, 2006, p. 109), pode-se afirmar que o terceiro setor é composto por 
entidades de interesse social sem fins lucrativos (associações e fundações de direito 
privado), as quais possuem algum grau de institucionalização organizacional, com 
autonomia e administração próprias, isto é autogovernadas, e possuem quase sempre 
participação voluntária. 
Entendendo assim, as organizações que fazem parte deste setor apresentam as 
cinco características seguintes:
a) organizadas: são estruturadas, pois possuem certo nível de formalização de 
regras e procedimentos, ou algum grau de organização permanente. Ficam, 
portanto,excluídas as organizações sociais que não apresentam uma estrutura 
interna formal; 
b) privadas: estas organizações não têm nenhuma relação institucional com 
governos, embora possam dele receber recursos; 
c) não distribuidoras de lucros: nenhum lucro gerado pode ser distribuído entre 
seus proprietários ou dirigentes. O que importa é o destino dado aos fins 
lucrativos que porventura possam existir, os quais deverão ser empregados na 
atividade fim da entidade; 
d) autônomas: possuem os meios para controlar sua própria gestão, não sendo 
controladas por entidades externas; 
e) voluntárias: envolvem um grau significativo de participação voluntária 
(trabalho não-remunerado). A participação de voluntários pode variar entre 
organizações e de acordo com a natureza da atividade por ela desenvolvida 
(ibid, p. 109). 
Sobre a questão do voluntariado, preciosa é a contribuição de SELMA FROSSARD 
COSTA (2003 apud GONÇALVES, 2006, p. 109) quando diz:
[...] O voluntariado já vem dando a sua contribuição significativa no âmbito das 
políticas sociais. O que tem mudado, nesse novo contexto conjuntural,é a forma 
de exercer e de compreender a ação voluntária. Percebemos que muitos ainda 
não têm clareza das mudanças conjunturais e determinantes de um novo perfil 
de voluntário. Defendemos a idéia de que ele necessita ser treinado e preparado 
para o exercício do voluntariado, frente às peculiaridades da atual conjuntura 
social, econômica e política, seja em qual frente for o trabalho a ser desenvolvido. 
Espaço Científico v.15, n.2, 201490
Da mesma forma que ao funcionário que atua nessas instituições devem ser 
proporcionados espaços de capacitação e atualização, o voluntário também 
necessita ser alvo de processos de desenvolvimento de competências.
3 O NOVO MODELO DE GESTAO DE POLÍTICAS 
PÚBLICAS BRASILEIRO
Entendemos como necessária uma reflexão crítica dos processos de gestão que 
vem sendo desenhado no campo das políticas públicas e sociais, principalmente no que 
se refere à parceria do Estado com o as entidades do terceiro setor.
Importantes mudanças ocorreram com a redemocratização do País, no fim da 
década de 80, dentre estes a instituição da nova Constituição, em 1988, também 
conhecida como a Constituição Cidadã, e o movimento da sociedade brasileira. Neste 
novo quadro, as políticas sociais vão se direcionar para a universalização e garantia dos 
direitos sociais, para a descentralização político-administrativa e para a participação 
popular.
De acordo com Cunha (2002, p. 11) “As elites econômicas, passaram a admitir, 
os limites do mercado como regulador natural e fizeram um resgate do papel do Estado 
como mediador civilizador, ou seja, com poderes políticos de interferência nas relações 
sociais”. 
A Constituição Brasileira de 1988, refletindo a ampla mobilização social que 
a precedeu, instituiu oficialmente o sistema de seguridade social, baseado no tripé - 
previdência, saúde e assistência social. 
No artigo 195, da Constituição Brasileira, ficou definido que financiamento da 
seguridade social seria feito por toda a sociedade, através de recursos orçamentários da 
União, dos Estados e dos Municípios, além das contribuições sociais de empregadores 
(folhas de salários, faturamento e lucros), de trabalhadores e de receitas de concursos 
e prognósticos (loterias).
Essa normatização, para Cunha (ibid, p. 14) teve grande importância no que se 
refere às políticas que integram o sistema, pois, a partir da Constituição de 1988, foi 
reconhecido o direito à proteção social, devida pelo Estado como universal (a todo 
cidadão), independentemente de contribuição prévia ao sistema e estabeleceu estruturas 
organizativas de caráter democrático para seu funcionamento (conselhos, fundos, 
comissões, conferências etc). 
A proteção social passa a ser incondicional, independente de contribuições 
pessoais que caracterizavam o sistema até então vigente. 
Importante destacar ainda que os novos direitos constitucionais regulamentados 
em 1988 garantiram novos direitos sociais para a população em diversas áreas como 
saúde, educação, assistência social etc. na medida em que inseriu a participação da 
sociedade civil, através dos conselhos gestores, na sua formulação e controle. Esses 
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 91
conselhos, passaram a ser considerados canais de participação, com a abertura de novos 
padrões de interação entre governo e sociedade na gestão de políticas públicas.
A década de 1990 foi uma década marcada pelo conflito entre os diversos atores 
que representavam segmentos sociais como as áreas da criança e do adolescente, 
da seguridade social, da saúde, da assistência social, da educação e da previdência 
social e que lutavam pela implementação de políticas públicas que concretizassem os 
direitos sociais conquistados e assegurados em lei e combatiam as restrições políticas 
e econômicas impostas para sua implementação.
A Constituição Federal de 1988 estabeleceu vários objetivos a serem alcançados, 
que podem ser vislumbrados no art. 3º:
Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: 
I – construir uma sociedade livre, justa e solidária; 
II – garantir o desenvolvimento nacional; 
III – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais 
e regionais; 
IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, 
idade e quaisquer outras formas de discriminação (BRASIL, 1988). 
Estes objetivos devem ser perseguidos e concretizados, devendo, toda a estrutura 
de Estado servir à obtenção destes preceitos regulatórios. 
A nova lei regulamenta que o Estado deve criar as condições necessárias para 
que os indivíduos tenham desenvolvidas as suas aptidões físicas, morais e intelectuais, 
vivendo de forma harmônica e solidariamente em sociedade. 
Várias são as teorias sobre a questão de qual é competência do Estado: algumas 
entendem que o Estado deve fazer quase tudo, outras afirmam que o Estado deve reduzir 
sua atividade ao mínimo e deixar aos indivíduos o máximo de atribuições. 
Para Gonçalves (2006, p. 79), pode-se afirmar que, 
As políticas públicas no Brasil se desenvolvem em duas frentes: políticas públicas 
de natureza social e de natureza econômica, ambas com um sentido complementar 
e uma finalidade comum, que é de impulsionar o desenvolvimento da Nação, 
através da melhoria das condições gerais de vida de todos os cidadãos. 
Políticas Públicas e Políticas governamentais são formas divergentes de 
interlocução e de práticas, por isso é muito importante compreender o papel que a 
sociedade civil deve assumir no estado democrático moderno.
Espaço Científico v.15, n.2, 201492
Potyara Pereira (2001, p. 222) nos dá uma dica:
[...] A palavra ‘pública’, que acompanha a palavra ‘política’, não tem identificação 
exclusiva com o Estado, mas sim com o que em latim se expressa como res 
publica, isto é, coisa de todos, e, por isso, algo que compromete simultaneamente, 
o Estado e a sociedade. É, em outras palavras, ação pública, na qual, além do 
Estado, a sociedade se faz presente, ganhando representatividade, poder de 
decisão e condições de exercer o controle sobre a sua própria reprodução e 
sobre os atos e decisões do governo e do mercado. É o que preferimos chamar 
de controle democrático exercido pelo cidadão comum, porque é controle 
coletivo, que emana da base da sociedade, em prol da ampliação da democracia 
e da cidadania. 
As Políticas Públicas expressam e incorporam as necessidades e interesses gerais 
da população. Elas são traduzidas em demandas e problemas sociais que se constituem 
em objetos das decisões na esfera pública e que dão origem a programas e projetos de 
atenção às reivindicações, na direção da cidadania. 
As Políticas governamentais revelam pouca preocupação com a igualdade 
dos cidadãosno acesso à qualidade do atendimento a direitos universais, quando os 
países são orientados por traços sólidos do neoliberalismo, este caracterizado pelas 
desigualdades sociais. É observada muitas vezes a incapacidade desses governos 
transformarem as políticas governamentais em políticas públicas. 
Muitas vezes as políticas governamentais, formam um desenho fragmentado, 
burocratizado e centralizado, revelando-se mais como uma estratégia de governo do 
que em uma política públicas. E até que essa política alcance o cidadão que realmente 
necessita das políticas do governo, este é obstruído pela burocracia e mediação de 
técnicos que muitas vezes podem desvirtuar os objetivos previstos. Essa obstrução 
está associada à ausência de vontade política dos governos ou de pessoas que estão em 
posição de poder, para atender as reivindicações que não são, necessariamente, aquelas 
ligadas aos seus interesses. Ou mesmo aquelas que foram feitas apenas para produzir e 
consolidar uma marca de governo, pouco valorizando as demandas das forças populares 
(GONÇALVES, 2006, p. 80).
Foi a partir da Constituição de 1988 que as políticas públicas no Brasil inscreveram 
princípios e práticas mais democráticas, e a questão social e as políticas sociais ganharam 
novos contornos na sua dimensão pública, embora haja ainda um longo caminho a se 
percorrer a fim de evitar que essas políticas públicas sejam reduzidas à dimensão das 
contingências de governo e das políticas de momento.
Com a Carta Magna de 1988, o País ganhava garantias de direitos sociais: é quando 
o terceiro setor brasileiro emergiu, mesmo que, paradoxalmente, a política neoliberal 
divulgasse um discurso do Estado Mínimo e uma ação de sucateamento das políticas 
sociais. Foram enfatizadas ações prioritárias na busca de novas formas de articulação 
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 93
com a sociedade civil e o mercado, envolvendo a participação das ONG’s, comunidade 
organizada e setor privado na execução de serviços públicos e na introdução de novas 
formas de gestão nas organizações do estado, para garantir agilidade e efetividade, na 
busca da superação da burocratização e hierarquia dos processos de decisão.
Gonçalves (ibid, p. 147) nos acrescenta que “O Estado passou, então, a incentivar 
gradativamente a ação voluntária e a ascensão das organizações da sociedade civil para 
assumirem o enfrentamento da questão social.” Temos, porém que ressaltar que esse 
processo foi implantado de fora para dentro, gerando interpretações equivocadas acerca 
da atuação do terceiro setor na área social e tendo como conseqüência deturpações que 
comprometem a legalidade, o protagonismo e a competência de suas ações.
Estas interpretações equivocadas fazem com que o terceiro setor seja visto como 
aquele que pretende substituir o Estado no enfrentamento da questão social. Além 
do problema conceitual e de delimitação, o terceiro setor no Brasil também enfrenta 
uma carência de pesquisas. Poucos são os dados que informam o número de pessoas 
ocupadas, beneficiadas, recursos investidos e número de parcerias realizadas.
A Associação Brasileira das Organizações Não-Governamentais – ABONG 
descreve o que as organizações da sociedade civil se propõem a realizar:
[...] Acreditam que frente à atual incompetência do Estado, alguém tem que fazer 
alguma coisa. No entanto, é necessário abrir espaço para outro tipo de enfoque 
que vem sendo construído há anos sem a visibilidade que merece na mídia e no 
debate público. São ações realizadas no campo da educação popular, formação e 
assessoria de movimentos sociais. Trabalhos de entidades que não se propõem a 
assumir o papel do Estado, nem a realizar ações superficiais e momentâneas, mas 
sim a atuar na esfera pública, fortalecendo iniciativas e esforços de lideranças 
comunitárias em se fazer ouvir, na reivindicação frente ao poder público por 
direitos sociais e não por benesses (ABONG – Associação Brasileira das 
Organizações Não-Governamentais, Boletim da Cidadania, de 05/05/2004). 
Além disso, a Norma Operacional Básica - NOB esclarece que, “ao Estado cabe, 
manter relações com a sociedade civil organizada na busca da ampliação da oferta de 
bens transferidos à população, não se eximindo de suas responsabilidades e nem se 
revestindo de caráter autoritário e antidemocrático, desconsiderando a atuação destas 
organizações na sociedade”. (NOB/99 – Norma Operacional Básica). 
O Papel do Terceiro Setor nada mais é do que atuar na área social, buscando o 
fortalecimento de direitos, não retirando o papel do Estado no cumprimento da execução 
dos direitos sociais. Merege e Barbosa (2001, p. 56), afirmam que o terceiro setor 
representa uma parceria com o Estado, ou seja, uma forma de participação popular na 
gestão administrativa.
GONÇALVES (2006, p. 95), citando valiosa contribuição de PAES, nos diz que:
Espaço Científico v.15, n.2, 201494
No Brasil, estudos sobre o fortalecimento da sociedade civil organizada, 
especificamente sobre a participação de novos atores na formulação e execução 
de políticas públicas, ainda são muito recentes. Contudo, a expansão e o trabalho 
realizado por esses grupos indicam que os padrões tradicionais de articulação e 
diferenciação da sociedade civil tiveram, nas últimas décadas, um grande impulso 
e mudança dos padrões tradicionais.
Importante se faz destacar que o terceiro setor no Brasil vem se consolidando como 
reflexo direto da ação, da generosidade, da solidariedade da própria sociedade civil. 
Apesar de tantas incertezas sobre as organizações de terceiro setor, há sentimento 
de que há um espaço que se diferencia do governamental e do privado e que está 
crescendo de forma acentuada, ganhando maior atenção da mídia, dos núcleos e centros 
de estudos e de profissionais em busca de uma colocação no mercado de trabalho.
O crescimento das entidades não governamentais e o compartilhamento da gestão 
das políticas públicas refletem espaços democráticos de controle social dessas políticas, 
como também o lugar dos gestores das políticas públicas tanto no âmbito municipal 
como estadual, porém é muito importante uma verificação se esse compartilhamento 
está realmente a serviço dos direitos sociais, da eficiência na operação, da equidade que 
os usuários tanto almejam nos serviços prestados entre tantos outros aspectos.
Pesquisar e indagar esse novo modelo de gestão é reconhecer o papel dessas 
entidades na implementação e desenvolvimento das políticas públicas brasileiras.
4 O PAPEL DA ONG ASAS DE SOCORRO NO NOVO 
MODELO DE GESTAO
As organizações sem fins lucrativos são extremamente diversificadas. Sérios 
problemas conceituais aliados ao tratamento jurídico que essas organizações recebem 
das estruturas legais nacionais fazem com elas sejam difíceis de serem identificadas 
em cada lugar.
Durante muitas décadas, políticos tanto de esquerda quanto da direita foram 
tendenciosos a minimizar o papel destas instituições. Os da esquerda queriam justificar 
a expansão do Estado de Bem-Estar social e os da direita, para justificar ataques ao 
Estado como o destruidor de instituições mediadoras privadas. É difícil se saber, portanto 
se o rápido crescimento destas instituições é algo novo, ou foi simplesmente um setor 
longamente ignorado (SALAMON,1998, P. 6). 
A evidência do aumento das instituições do terceiro setor pelo mundo é 
incontestável. SALAMON (ibid,p.6) prossegue:
[...] uma pesquisa de 1982 junto a organizações sem fins lucrativos provedoras de 
serviços sociais em 16 comunidades norte-americanas indicou que 65% haviam 
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 95
sido criadas após 1960. O número de associações privadas disparou de modo 
semelhante na frança, com mais de 54 mil criadas somente em 1987.[...]esse 
fenômeno é ainda mais marcante nos países em desenvolvimento, em que cerca 
de 4.600 organizações voluntárias de países desenvolvidosestão em atividade, 
apoiando cerca de 20 mil organizações não-governamentais nativas[...]cerca de 
100 mil comunidades eclesiais de base, erguidas sobre grupos locais de ação, 
eram identificadas no Brasil, na década de 80.
Tomamos a Associação Asas de Socorro que foi fundada no Brasil em 1955 e 
estruturada em 1964, como uma associação sem fins lucrativos, com prazo de duração 
indeterminado, de caráter beneficente, filantrópico, cultural, educativo, religioso, de 
assistência social, e de direitos humanos, regida por um estatuto social e pela legislação 
aplicável, com seus atos constitutivos registrados.
A organização teve início no ano de 1945 nos Estados Unidos, logo após a 
Segunda Guerra Mundial. Com a denominação de “Missionary Aviation Fellowship” 
(MAF) ela se desenvolve como uma ONG de cunho religioso e caracteriza-se pelo 
uso de aeronaves em seus trabalhos de evangelização e desenvolvimento social, hoje, 
principalmente nas comunidades tradicionais da Amazônia brasileira, especialmente 
nos estados de Roraima, Amazonas, Rondônia e Pará. 
Na sua estratégia de estruturar a Missão MAF - Asas de Socorro em território 
brasileiro, algumas atitudes foram tomadas. Asas de Socorro estrutura sua sede em 
Anápolis/GO, onde estava o final da estrada de ferro e havia algumas estradas de acesso; 
ao norte do país, onde quase não havia nada, constitui-se numa área central em relação 
à operação dos aviões das diversas organizações que precisassem trazer seus aviões 
para manutenção; também, havia naquela cidade o Hospital Evangélico Goiano, que 
em parceria com Asas de Socorro, planejava criar um trabalho na área de assistência 
social com os norte-americanos, fato este que nunca se concretizou. 
Em 1985, inicia um trabalho na área social, denominado “AMDE” (Assistência 
Médico-Dentária e Evangelística), que tinha como objetivo intensificar o trabalho na 
região Amazônica e interior de Goiás. Este projeto “desenvolve-se entre grupos étnicos, 
comunidades ribeirinhas e comunidades Kalungas”. (ano e página). 
Os trabalhos iniciados privilegiam grupos que tiveram pouco ou quase nenhum 
contato com órgãos governamentais e pesquisadores, como por exemplo Tinhanha (GO). 
Segundo informações documentais da instituição, na pesquisa de campo realizada em 
maio de 1998, as informações relatavam, por exemplo, que não havia luz elétrica. As 
pessoas viviam da agricultura de subsistência, e o único meio de transporte era o cavalo. 
Eram pessoas que não viviam tão distantes assim da cidade grande, mas que, devido ao 
seu isolamento, não receberam ou não se enquadraram nos costumes citadinos.
Uma vez por ano, eles recebiam a Equipe do AMDE. Pessoas de todos os cantos 
vinham para serem atendidos. Algumas pessoas andavam o dia todo, com seus filhos para 
receberem atendimento. Em um local improvisado, a céu aberto, recebiam noções de 
Espaço Científico v.15, n.2, 201496
educação bucal, por exemplo, como escovar os dentes (noções dadas principalmente para 
as crianças), tratamento dentário, medição da pressão, etc. era uma clínica móvel. 
Esta comunidade é uma entre vários casos no Brasil, que vivem em condições 
de “carência” reforçando a idéia do abandono do governo local em amparar através de 
assistência social e benfeitorias estas comunidades, passando, pois, a tutela aos órgãos 
não-governamentais, como é o caso de Asas de Socorro.
O Projeto AMDE caminha através de pessoas voluntárias, membros de igrejas 
variadas, formadas na área de saúde (médicos, enfermeiros, odontólogos, etc.) que 
se unem para atender várias comunidades tradicionais pelo Brasil. Este projeto 
ampliou suas ações ao longo dos seus 29 anos de trabalho se transformando numa 
Superintendência de Projetos Sociais, onde as ações buscam além dos atendimentos 
básicos de saúde uma inserção em ações de Cidadania para com os comunitários. 
Atualmente, Asas de Socorro está presente na região norte com bases de operações 
aéreas com a finalidade de assistir as áreas isoladas e remotas. Também a organização 
desenvolve ações de saúde, socorro emergencial e apoio no desenvolvimento de 
comunidades no estado do Amazonas e Pará, com o objetivo de facilitar o acesso de 
ações de promoção social em áreas remotas para a garantia de direitos fundamentais 
destas comunidades isoladas, com atenção especial a criança e ao adolescente. 
Em seu quadro de colaboradores, trabalhando de forma integral no departamento 
de Projetos Sociais, existem enfermeiros, pedagogos, odontólogos, administradores, 
assistentes sociais e outros.
Há uma preocupação com a verificação de dados das comunidades, antes mesmo 
da primeira ação acontecer, através de diagnósticos e acordos de parcerias com as 
lideranças comunitárias locais, igrejas ou mesmo organizações governamentais 
presentes. Dentre os trabalhos atualmente planejados para ações de asas de socorro, 
estão incluídos: Relatório dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) de controle de 
doenças crônicas, Relatório de monitoramento dos encaminhamentos, realização e 
relatório da clínica móvel - atendimentos odontológicos e CPO-D(Dentes Cariados, 
Perdidos e Obturados), Busca de informações de saúde da comunidade na Secretaria 
Municipal de Saúde, Visitas domiciliares pela equipe do Projeto em conjunto com os 
ACS, relatório de resolutividade dos casos encaminhados, relato e criação de comitês, 
reuniões comunitárias e atas das reuniões dos líderes, diagnóstico rápido participativo no 
início do ano comparado ao do final do ano, Oficinas CLAVES (Trabalho de Prevenção 
aos maus tratos e violência sexual contra crianças e adolescentes), Oficinas Ciranda 
Cidadã, Consulta ao Conselho Tutelar e ao Comitê Comunitário de Proteção a Criança 
e ao Adolescente e diversas outras ações.
No ano de 2013, 280 profissionais voluntários de saúde participaram dessas 
“clínicas móveis de saúde”, nas comunidades tradicionais do Estado do Pará e 
Amazonas, e 800 outros voluntários também estiveram presentes em mais de 20 viagens 
por esses estados onde o projeto Asas de Socorro tem atuado.
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 97
O que se observa é que a interlocução com a gestão pública do município onde 
comunidade está inserida ainda é um desafio para Asas de Socorro. Nas últimas viagens 
realizadas por comunidades tradicionais da Amazônia, entre os estados do Pará e 
Amazonas, entre os meses de junho a setembro de 2014, observamos (empiricamente) 
que as ações entre a gestão pública e a ONG Asas de Socorro se dão sob uma espécie de 
disputa “velada”. Há posicionamentos críticos e preconceituosos em ambos os lados. A 
gestão pública “defende” que as ações de ONG’s são pontuais e, portanto, não geram 
mudanças significativas, principalmente no que se refere às ações de saúde, por outro 
lado, ONG’s como Asas de Socorro percebem algumas ações públicas, escassas, assim 
como técnicos que não se envolvem com a população.
Assim, os “beneficiários” da assistência social continuam sendo tratados a partir 
das suas carências, submetidos a procedimentos burocráticos e de controle, que, mais 
uma vez, reforçam a distância entre pobres e cidadãos em nossa sociedade. Para se 
construir uma cidadania, são necessárias práticas sociais que representam a possibilidade 
de construção de um espaço para cultivar a responsabilidade pessoal, a obrigação mútua 
e a cooperação voluntária, redefinindo as relações entre Estado e Sociedade.
O desafio será compreender que, apesar de as ações do terceiro setor se mostrarem 
relevantes, como alternativa para o atendimento às necessidades sociais coletivas, ele 
não deve ser visto como a única via possível para satisfação dessas necessidades. Isso 
porque é impossível pensar numa total isenção do Estado nas questões sociais.
Em várias das ações pode-se unir a gestão pública e a sociedade civil organizada, 
rendendo aos cidadãos das comunidades tradicionais da Amazônia riqueza nasatenções 
e, principalmente, ações que propiciam transformação.
A necessidade da inclusão dos vários atores sociais no processo de deliberação na 
gestão pública brasileira é “gritante” e será fato que a inclusão deste novo modelo de 
gestão ganhará novos contornos e dimensões, pois se contraporá à forma centralizadora 
e autoritária que por vários anos evidenciou-se na estrutura política brasileira (ROCHA, 
2009).
CONCLUSÃO
A gestão das políticas públicas brasileira precisa ser compreendida a partir de 
um novo modelo de intervenção e do enfrentamento da questão social. Os atores que 
a operam precisam de conhecimentos e competências para intervir e gerir de forma 
crítica e inovadora, pois político e público são relações contraditórias e conflituosas, 
principalmente no que se refere a políticas sociais. 
A questão social sempre foi desempenhada pelo Estado, utilizando-se de políticas 
públicas com o objetivo de controlar e desmobilizar a sociedade. Neste novo modelo 
de gestão de política pública brasileira, o terceiro setor poderia influenciar para o 
desenvolvimento de uma cidadania ativa, se inserido nos conselhos, como garante a 
constituição de 1988, para defender os interesses coletivos através da participação crítica 
Espaço Científico v.15, n.2, 201498
e efetiva. É possível, portanto, que neste novo modelo de gestão de políticas públicas, 
o Estado e a sociedade civil possam andar lado a lado para execução de cidadania.
O crescimento e fortalecimento do terceiro setor na economia não anula e nem 
substitui o papel do Estado.
É necessário que as políticas públicas quer sejam executadas pelo setor público, 
ou pelo terceiro setor, como a ONG Asas de Socorro, contemplem todos os cidadãos, 
desorganizados ou não, pois estes não podem ser punidos pela ausência da oferta dos 
bens públicos.
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Espaço Científico v.15, n.2, 2014100
ANEXOS
Algumas ações (em fotos) de Asas de Socorro
FIGURA 1 – Primeira Equipe do Projeto AMDE composta por: Porfírio de Andrade Neto (Médico), Jolia Sampaio 
(Dentista), Cristiane Pinto Ferreira (Enfermeira) e Lélis Fachini Filho (Piloto de Asas de Socorro) em viagem 
realizada no dia 24 de Junho de 1985 no interior de Goiás e Pará.
Fonte: arquivo particular de Asas de Socorro - Brasil.
FIGURA 2 – Atendimento Médico.
Fonte: arquivo pessoal.
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 101
FIGURA 3 – Atendimento odontológico.
Fonte: arquivo pessoal.
FIGURA 4 – Capacitação de Lideranças Comunitárias.
Fonte: arquivo pessoal.
Espaço Científico v.15, n.2, 2014102
FIGURA 5 – Saúde Bucal - Crianças.
Fonte: arquivo pessoal.
FIGURA 6 – Formação de Comitês Comunitários.
Fonte: arquivo pessoal.
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FIGURA 7 – Entrega, Instalação e Treinamento de Bio-Filtros de Areia p/ comunidades s/ água potável.
Fonte: arquivo pessoal.
FIGURA 8 – Saúde da Mulher.
Fonte: arquivo pessoal.
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FIGURA 9 –	Oficinas	com	Adolescentes.
Fonte: arquivo pessoal.
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Disponibilidade de P no solo e na solução do 
solo em diferentes tipos de uso na região do 
planalto santareno no ano de 2012
Renata de AndradeCoelho
Juliano Gallo
Raimundo Cosme de Oliveira Junior
Celso Tanabe
Paulo Henrique Barbosa
Isabel Cristina Tavares Martins
Edson Reis
Gilbson Soares
Daniel Rocha de Oliveira
Ellen Pinon
RESUMO
A disponibilidade de fósforo no solo é um fator que interfere diretamente na sua absorção 
pelas plantas. O objetivo deste estudo foi analisar a disponibilidade de P na solução do solo e no 
solo, no ano de 2012, no planalto santareno, em quatro diferentes tipos de uso e em diferentes 
profundidades. Para coleta da solução do solo, utilizaram-se 48 lisímetros instalados em quatro 
profundidades distintas sendo em 10, 20,40 e 90 cm de profundidade, em diferentes tipos de uso 
sendo área de agricultura mecanizada cultivada com soja, área manejada como “roça de toco” 
cultivada com milho, área manejada como “roça de toco” cultivada com mandioca e área de pousio 
com vegetação secundária em estágio médio o avançado de regeneração, também denominada de 
capoeira Em cada área foram dispostos aleatoriamente 12 lisímetros sendo três repetições de cada 
profundidade. As coletas foram realizadas em quatro campanhas com inicio em abril e término 
em agosto de 2012. Para identificar a disponibilidade do Fósforo no solo foram realizadas coletas 
de quatro amostras simples de solos nas mesmas áreas, próximas aos locais de coleta da solução 
do solo, resultando em amostras compostas das profundidades de 10, 20, 40 e 90 cm. Para análise 
Renata de Andrade Coelho é Engenheira agrônoma, Empresa Agrosanta, Rod. BR 163 km 20, Santarem-PA.
Juliano Gallo é Engenheiro agrônomo, INCRA, professor do curso de Agronomia do CEULS, Santarem-PA.
Raimundo Cosme de Oliveira Junior é Engenheiro agrônomo, coordenador do curso de Agronomia do CEULS, 
pesquisador da Embrapa Amazonia Oriental, NAPT Medio Amazonas, Santarem-PA.
Celso Tanabe é Engenheiro agrícola, professor do CEULS, Santarem-PA.
Paulo Henrique Barbosa é Engenheiro agrônomo, INCRA, professor do curso de Agronomia do CEULS, Santarem-
PA.
Isabel Cristina Tavares Martins é Engenheira mecânica, professora do curso de Agronomia do CEULS e 
coordenadora adjunta, Santarem-PA.
Edson Reis é Engenheiro agrônomo, BASA, professor do curso de Agronomia do CEULS, Santarem-PA.
Gilbson Soares é Biólogo, professor do curso de Agronomia do CEULS, Santarem-PA.
Daniel Rocha de Oliveira é Médico veterinário, ADEPARá, professor do curso de Agronomia do CEULS, 
Santarem-PA.
Ellen Pinon é Engenheira agrônoma, IFPA campus Santarem, professora do curso de Agronomia do CEULS, 
Santarem-PA.
Espaço Científico v.15, n.2, 2014106
do solo foi utilizado e extrator Melhich - 1. Posteriormente os resultados obtidos mostram que a 
disponibilidade de fosforo na solução do solo é muito inferior ao fósforo extraído do solo.
Palavras-chave: Solução do solo. Análises de Fósforo. Disponibilidade de P.
ABSTRACT
The availability of soil phosphorus is a factor that directly interferes with its absorption by 
plants. The aim of this study was to analyze the availability of P in soil solution and soil, in the 
year 2012, on the Santarem plateau in four different types of uses and at different depths. To collect 
soil solution was used 48 lisímeter installed at four different depths and at 10, 20.40 and 90 cm 
depth in different use being mechanized area cultivated with soybeans, managed area as “fields 
of play with corn, managed area as” fields of play with cassava and fallow area with secondary 
vegetation at the intermediate stage to advanced regeneration, also called capoeira In each area 
were randomly arranged 12 lisímeters with three replicates of each depth. Samples were collected 
in four campaigns with start in April and finish in August 2012. Multiparameter Photometer. To 
identify the availability of phosphorus in the soil samples were taken from four single samples 
of soils in the same areas, close to the sites of collection of soil solution, resulting in composite 
samples from depths of 10, 20, 40 and 90 cm. For soil analysis was used and extractor Melhich 
1.Subsequently the results show that the availability of phosphorus in the soil solution is much 
lower than phosphorus soil.
Keywords: Soil solution. Analysis of phosphorus. availability of P.
INTRODUÇÃO
O fósforo é um dos componentes essenciais e um dos elementos mais críticos para 
a nutrição dos seres vivos, logo após o nitrogênio. A quantidade disponível de fósforo no 
solo é muito baixa, não atendendo as necessidades das plantas. Em particular, o Brasil 
apresenta um dos solos mais velhos do mundo, contendo altos teores de componentes 
que retêm fósforo, competindo assim com as raízes das plantas. Como consequência, 
muitas vezes, quantidades em excesso de adubos fosfatados devem ser aplicadas ao 
solo para satisfazer as necessidades das plantas (NAHAS, 1991). Com o aumento do 
uso dos fosfatos naturais reativos e outros tipos de fosfatos como de esterco ou matéria 
orgânica, a avaliação da eficiência da aplicação do fertilizante é importante no manejo 
da adubação fosfatada (NOVAIS, R.F. et al., 2007).
Diferentes grupos de microrganismos participam da transformação dos nutrientes, 
tornando-se disponíveis nas plantas. Um grupo de microrganismos, constituído por 
bactérias e fungos, tanto favorecem a solubilização de compostos insolúveis de fósforo 
como atua no transporte dele para dentro das plantas (NAHAS, 1991).
O fósforo (P) é essencial para as plantas, nenhum outro nutriente pode substituí-
lo. É considerado um dos três nutrientes primários, juntamente com o Nitrogenio 
(N) e o Potássio (K). Seu papel é imprescindível na produção de energia (ATP) para 
o metabolismo das plantas, na respiração e na fotossíntese (NOVAIS, R.F. et al., 
2007).
É também componente estrutural dos ácidos nucléicos de genes e cromossomos, 
assim como de muitas coenzimas, fosfoproteínas e fosfolipídeos. As limitações na 
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 107
disponibilidade de P no início do ciclo vegetativo podem resultar em restrições no 
desenvolvimento, das quais a planta não se recupera posteriormente, mesmo aumentando 
o suprimento de P a níveis adequados. O suprimento adequado de P é, pois, essencial 
desde os estádios iniciais de crescimento da planta (MENGEL & KIRKBY, 1987). 
É o segundo elemento critico, de alta demanda no tecido vivo; é de carência geral, 
constituindo-se em preocupação a manutenção das safras agrícolas para o futuro, devido 
ao esgotamento das jazidas (NAHAS, 1991).
Em virtude disso, diversas formas químicas de fosforo no solo, que contribuem 
para a nutrição das plantas, dificultam a obtenção de métodos de laboratório para a 
avaliação de sua disponibilidade. O fosforo no solo se apresenta na forma mineral 
e orgânica, fazendo parte de compostos com cálcio, ferro e alumínio, em solução, 
adsorvido de forma trocável aos coloides e grande parte pode ser adsorvido também 
de forma não trocável (não disponível às plantas ). A fração que se encontra adsorvida 
de forma reversível é liberada de forma muito lenta em comparação com os cátions 
trocáveis (Robinson & Syers, 1990;Sanyal & Datta, 1991).
No Brasil, dois extratores são empregados, dependendo da região: o Mehlich e a 
Resina. O método do extrator de Mehlich 1 já foi estudado por Rheinheimer et al. (2004) 
e é conhecida pela CFS-RS/SC (1994), pois no enquadramento dos teores de fósforo 
em classes de disponibilidade, separa os grupos de solos em função dos teores de argila, 
atribuindo aos mais argilosos menor valor para o nível crítico. Porém, observa-se que 
este extrator também é sensível à depleção do fósforo disponível. 
A água é um componente dinâmico e sensível às trocas ambientais, funcionando 
como um solvente e como um agente de transporte para outros elementos presentes no 
solo (RANGER; NYS, 1994). Ela auxilia de forma decisiva na descrição dos processos 
atuais de formação do solo e no monitoramento de alterações naturaise/ou induzidas, o 
que nem sempre é possível pela análise da fase sólida (BARTOLI et al., 1981; VEDY; 
BRUCKERT, 1982; UGOLINI et al., 1987, 1988; JAMET et al., 1996; QUIDEAU; 
BOCKHEIM, 1996). 
As soluções de solos são coletadas de diversas maneiras, a exemplo daquelas que 
se realizam por técnicas destrutivas ou por alguma forma de lisímetro, as quais vão 
gerar composições químicas diferenciadas (ROSS; BARTLETT, 1990).
Lisímetros constituem o método mais comum para a coleta de soluções do solo no 
campo (estudos in situ). Embora a instalação de lisímetros provoque um certo grau de 
perturbação do solo, é assumido que com o tempo este solo retornará para as condições 
da pré-instalação desses lisímetros. O período de tempo necessário para isso não pode 
ser definido de forma generalizada. Shepard e outros (1990) registraram que os efeitos 
das perturbações podem durar dois anos ou até mais. O que vai definir esse tempo é o 
tipo de solo, os cuidados tomados e o tipo de lisímetro.
A palavra lisímetro, como definida pelo Merriam-Webster Collegiate Dictionary 
(1996), refere-se apenas a dispositivos capazes de coletar a água de percolação que 
passa através do solo. Nos estudos de solução do solo, o conceito é ampliado, incluindo 
Espaço Científico v.15, n.2, 2014108
também água presa ao solo a tensões maiores que o potencial matricial de água no solo. 
Por isso, na profusão de nomes recebidos por instrumentos construídos com o intuito 
de coletar solução de solo in situ, todos são aqui denominados de lisímetros, de tensão 
ou de tensão-zero (COLE, 1958; HAINES et al., 1982; NEARY; TOMASSINI, 1985; 
ZABOWSKI; UGOLINI, 1990; MILLER et al., 1992; TITUS et al., 2000).
O solo é uma massa porosa, com parte dos espaços vazios normalmente 
ocupados pela água. Na realidade, não se trata de água pura, mas de uma solução que 
contém diversos solutos que influem no desenvolvimento das plantas. Mesmo em um 
ecossistema em estado natural, ocorrem modificações de umidade e temperatura em 
decorrência de variações climáticas que influenciam os processos físico-químicos e 
biológicos do solo, modificando algumas características, tais como: umidade do solo, 
atividade microbiológica, teor e composição da matéria orgânica, complexo argilo-
húmico, capacidade de troca catiônica e lixiviação de nutrientes (CHAVES, et al., 
1991).
O fosforo movimenta-se muito pouco na maioria dos solos, ele geralmente 
permanece onde é colocado pela intemperização dos minerais ou pela adubação. Quase 
todo fosforo movimenta-se no solo por difusão, um processo lento e de pouca amplitude, 
que depende de humidade do solo. Condições de seca reduzem drasticamente a difusão 
(NOVAIS, R.F.et al.,2007.). (Segundo SILVA, et al., 1996), outros fatores que afetam 
a disponibilidade do fosforo é a quantidade de argila pois elas fixam mais fosforo, 
como o tipo de solo da Região do Planalto Santareno que possui altas concentração 
de óxidos e hidróxidos de ferro e alumínio e é uma região com alta pluviosidade e altas 
temperaturas fazendo que a disponibilidade de P seja afetada.
Em virtude disso, este trabalho tem por objetivo analisar a disponibilidade de 
P na solução do solo do Planalto Santareno nas diversas profundidades do solo e em 
quatro áreas diferentes, sendo de suma importância para se verificar a distribuição, as 
fases, os fatores e a disponibilidade para os vegetais, e além de seu valor intrínseco, 
serão de utilidade para o estimulo a pesquisa nessa área.
MATERIAL E MÉTODOS
Localização da área
A área de estudo está localizada no Município de Santarém, comunidade Morada 
Nova, em uma propriedade rural denominada de Sítio Paraiso e sua sede está sob as 
coordenadas geográficas latitude -01 47’10” e longitude -52 56’ 17”. Toda área da 
propriedade caracteriza-se como ambiente de terra firme, também denominada de 
Planalto Santareno. O solo que ocorre na área é denominado de Latossolo Amarelo 
Distrófico (Segundo SILVA, et al, 1995). Nas áreas de coleta da solução do solo 
apresenta-se quatro situações distintas, sendo: área de agricultura mecanizada cultivada 
com soja sendo 42 hectares onde foram dois anos seguidos da mesma cultura e no ultimo 
ano foi feita calagem com calcário dolomítico, área com “roça de toco” cultivada com 
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 109
milho 1.5 hectares área de primeiro ano onde utilizou-se a queima , área com “roça de 
toco” cultivada com mandioca 1hectare também área de primeiro ano com queima e 
área de pousio cinco anos, com vegetação secundária em estágio médio a avançado de 
regeneração, também denominado de capoeira 10 hectares.
Coleta do Material
As coletas da Solução do solo foram realizadas por meio de lisímetros (tubo de 
PVC rígido acoplado a uma capsula porosa (PARIZEK & LANE, 1970) Figura 1a e 
b) em profundidade de 10, 20, 40 e 90 cm com três repetições, no período de março 
de 2012 a agosto do mesmo ano.
Em cada área foram distribuídos, aleatoriamente, 12 lisímetros, somando 48 
extratores no total.
FIGURA 1 – (a) Lisímetro de sucção; (b) – Lisímetros instalados.
Fonte: PARIZEK & LANE, 1970.
Toda a solução presente em cada lisímetro fora retirada e acondicionada em 
frascos de 100 ml, devidamente identificados com nome da área (milho, mandioca, 
soja ou capoeira), profundidade de coleta (10, 20, 40 ou 90 cm) e o numero do frasco 
para sua devida identificação, posteriormente enviada ao laboratório de química para 
ser submetida à analise e verificação do fosforo.
O equipamento, os reagentes, os materiais utilizados e o procedimento foram 
realizados no laboratório de Quimica do Ceuls Ulbra Santarém.
Para a análise da solução do solo foi utilizado o equipamento Photometer 
Multiparameter HI83200 (Figura 2) e o reagente HI 93713-0.
Espaço Científico v.15, n.2, 2014110
FIGURA 2 – Solução analisada por Photometer Multiparameter HI83200 e equipamentos utilizados.
Fonte: Renata de Andrade Coelho.
Após todo esse procedimento obteve-se o resultado do fosforo na solução do 
solo de cada área sendo que todos os dados gerados foram armazenados em planilhas 
e digitalizados para posterior análise dos resultados de disponibilidade.
Após as coletas da solução do solo, voltou-se ao campo para coletar amostras 
compostas de solo nos mesmos locais de uso, próximo dos lisímetros nas profundidades 
de 10, 20, 40 e 90 cm, para cada amostra composta foram quatro amostras simples. Foi 
utilizado trado Holandês para a retirada de solo.
Após coletadas as amostras foram secas ao ar, homogeneizadas e peneiradas em 
peneira de 0,2 m. De cada área foi coletada uma amostra de 0,5 kg de solo (Figura 3) e 
posteriormente realizada análise para verificação do ter de P por extração com Solução 
de Mehlich-1, após o procedimento realizou-se a leitura do P por Espectrofotômetro 
600 Plus (figura 4). O experimento foi conduzido por dois dias.
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 111
FIGURA 3 – Amostras acondicionadas em sacos plásticos.
Fonte: Renata de Andrade Coelho.
 
FIGURA 4 – Espectrofotômetro 600 Plus para analisar P no solo.
Fonte: Renata de Andrade Coelho.
Espaço Científico v.15, n.2, 2014112
A disponibilidade de P na solução do solo foram submetidos a análise de variância 
quando o experimento obteve no mínimo dois resultados para assim fazermos a média 
das soluções do solo por Teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade que são 
realizadas pelo programa ASSISTAT Versão 7.6 beta (2011). As médias seguidas pela 
mesma letra não diferem estatisticamente entre si
TABELA 1 – Media obtida por teste de Tukey a 5% na capoeira.
Médias e medidas capoeira
Prof Médias n° de amostra
10 cm 0.022 anr = 5
20 cm 0.012 a nr = 4
40 cm 0.022 a nr = 5
90 cm 0.014 a nr = 9
P*- Fosforo na solução
TABELA 2 – Media obtida por teste de Tukey a 5% na mandioca.
Médias e medidas mandioca
Prof Médias n° de amostra
10 cm 0.038 a nr = 5
20 cm 0.015 a nr = 4
40 cm 0.020 a nr = 2
90 cm 0.021 a nr = 6
P*- Fosforo na solução
TABELA 3 – Media obtida por teste de Tukey a 5% na soja.
Médias e medidas soja
Prof Médias n° de amostras
10 cm 0.035 a nr = 2
20 cm 0.018 a nr = 5
40 cm 0.017 a nr = 8
90 cm 0.023 a nr = 8
P*- Fosforo na solução
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 113
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Os resultados obtidos neste experimento são discutidos em dois subitens. O 
primeiro (Tabela 1) trata dos resultados referentes à disponibilidade de P na solução 
do solo durante abril a agosto de 2012, coletados por lisímetros. O segundo (Tabela 
2) refere-se à disponibilidade de P no solo obtidos por extrator de Mehlich 1, coleta 
realizado em setembro de 2012, onde se verificou a diferença da disponibilidade de 
fósforo no solo em relação a solução do solo
Disponibilidade de P na solução do solo 
Os resultados da disponibilidade de P na solução do solo durante os cinco meses de 
coleta nas quatro áreas de produção e em profundidade diferentes mostram que não há 
grande diferença quanto à resposta de disponibilidade do fosforo. Nas áreas, não foram 
aplicadas doses de fosforo e nem houve algum tratamento diferente nas culturas. 
A Tabela 1 mostra os valores disponíveis da solução do solo obtidos em campo. 
Observa-se que na cultura de milho não se pode realizar análise estatística, pois, 
na profundidade de 10 cm, foi obtida apenas uma amostra da solução do solo não 
sendo o suficiente para se realizar a media para o resultado. Já nas culturas de soja e 
mandioca observou que a disponibilidade não ultrapassa 0,07mg.dm³, na capoeira, essa 
disponibilidade chega apenas a 0,06mg.dm³.
TABELA 4 – Teores de fósforo na solução do solo, em mg.dm³, extraídos por lisimetros nas camadas de 10, 20, 
40 e 90 cm de profundidade do solo durante abril a agosto de 2012. Análise estatística.
Espaço Científico v.15, n.2, 2014114
Nas condições em que foram feitas os experimentos, nas Figuras 5 e 6, verifica-
se que os resultados da disponibilidade de P na solução do solo não ultrapassam 
0,04 mg.dm³. Nas culturas observou-se que na primeira profundidade de 10 cm a 
disponibilidade é mais acentuada e na profundidade de 20 cm essa disponibilidade tem 
um decréscimo. A cultura de milho e na capoeira na camada de 40 cm a disponibilidade 
de P faz um retorno, já na soja esse retorno só ocorre na camada de 90 cm. A capoeira 
se mostrou a menor disponibilidade não chegando nem a 0,025 mg.dm³; apesar dessa 
cultura apresentar o maior numero de amostras coletadas no campo, suas disponibilidades 
são as menores não ultrapassando 0,06mg.dm³ verificado na Tabela 1.
 FIGURA 5 – Disponibilidade de P na solução do solo na cultura da soja e do milho.
FIGURA 6 – Disponibilidade de P na solução do solo na cultura da mandioca e capoeira.
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 115
Na Figura 7 observaram-se todas as disponibilidades de P na solução do solo 
das quatro áreas. 
FIGURA 7 – Disponibilidade de P na solução do solo nas quatro áreas de produção.
O ânion fosfato (H2PO4-2) se encontra na solução do solo em baixíssimas 
concentrações. A extração da solução do solo não é uma tarefa fácil de realizar, pois a 
retirada da água presente no sistema que está em equilíbrio com as outras fases envolve 
a aplicação de uma grande força ou utilização de uma grande massa de solo, pois o 
volume de solução envolvido é muito pequeno e é necessária a extração de um volume 
razoável para a quantificação dos íons (MALAVOLTA e KLIEMANN, 1984).
Espaço Científico v.15, n.2, 2014116
O caso da capoeira, que se mostrou com a menor disponibilidade de P, pode ser 
explicado. Segundo Neptune et al. (1975), como a concentração de matéria orgânica é 
muito mais intensa o Po (P orgânico) lábil é utilizado por organismos e plantas devido 
à carência de Pi (P inorgânico) lábil no solo, acarretando a sua imobilização. 
Disponibilidade de P no solo 
Na Tabela 2 são apresentados os teores de fósforo disponível no solo, estimados 
pelos extratores Mehlich 1. As amostras foram coletadas no mesmo local próximo dos 
lisímetros nas profundidades de 10, 20, 40 e 90 cm. Para cada amostra composta foram 
quatro amostras simples.
 Os resultados obtidos mostram que os teores de P no solo são muito mais 
superiores que na solução comparando a sua quantidade Q com sua disponibilidade.
TABELA 5 – Teores de fósforo no solo, em (ppm) , extraídos pelo método Mehlich 1, nas camadas de 10, 20, 40 
e 90 cm de profundidade do solo em setembro de 2012 obtendo 4 amostras compostas e 16 amostras simples 
de cada área em cada profundidade. 
Cultura Prof. (cm) P(ppm)*
Soja 10 2,76
20 3,24
40 3,00
90 1,76
Milho 10 2,25
20 2,00
40 3,98
90 4,46
Mandioca 10 3,76
20 3,49
40 5,20
90 3,00
Capoeira 10 2,49
20 1,76
40 1,51
90 2,25
*- Extração por Melhich 1.
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 117
Pelos resultados é possível observar que os teores de fósforo total no solo em 
todas as áreas de cultivo são semelhantes.
Nas Figuras 8 e 9 no caso da soja observa-se que houve um aumento da 
disponibilidade de P nas três primeiras profundidades de 10, 20 e 40 cm havendo um 
decréscimo na última camada de 90 cm. Já no milho, ocorreu o inverso da soja na 
última camada de 90 cm, onde o teor de P chega a 4,46 ppm.. 
Na cultura da mandioca houve uma disponibilidade acentuada nas quatro 
profundidades chegando à profundidade de 40cm ate 5,20 ppm. Embora o fósforo não 
seja extraído em grandes quantidades pela mandioca, maior importância adquire sua 
aplicação, pois os solos brasileiros em geral, e em particular os cultivados com mandioca, 
normalmente classificados como marginais, são pobres nesse nutriente. Por esta razão, 
é grande a resposta da cultura à adubação fosfatada (MALAVOLTA e KLIEMANN, 
1984). A capoeira se mostrou com a menor disponibilidade.
FIGURA 8 – Disponibilidade de P no solo na cultura da soja e do milho.
Fonte: Eng. Agro. Juliano Gallo.
Espaço Científico v.15, n.2, 2014118
FIGURA 9 – Disponibilidade de P no solo na cultura da mandioca e capoeira.
Fonte: Eng. Agro. Juliano Gallo.
FIGURA 10 – Disponibilidade de P no solo nas quatro áreas de produção extraídas por Mehlich.
Fonte: Eng. Agro. Juliano Gallo.
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 119
Na Figura 10, observaram-se todas as disponibilidades de P no solo das quatro 
áreas. O extrator de Melhich 1 (H2SO4 0,0125 molLˉ¹ + HCL 0,05 mol Lˉ¹ ) age 
solubilizando a fração P. A presença de SO4²ˉ no extrator desloca o H2PO4ˉ facilmente 
trocável e reduz sua readsorção na superfície dos colóides do solo durante o processo 
de extração, além de solubilizar as formas recém precipitadas de P com Ca, Fe e Al. 
Já na solução, os teores de P encontrados se referem apenas à fase liquida aquosa do 
solo retirada que são extremamente pequenas não ocorrendo nenhum fator para a sua 
solubilização (ALVAREZ V. et al., 1999). Por este fato pode-se verificar uma das 
grandes diferenças de P nos dois casos.
CONCLUSÕES 
A disponibilidade de P na solução do solo, tanto nas áreas de soja, mandioca e 
capoeira nas diferentes profundidades (10, 20, 40 e 90 cm) não apresentaram diferença 
estatística significativa.
REFERÊNCIAS
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Espaço Científico Santarém v.15, n.2 p.122-125 2014
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ao sistema Autor-Data (conforme NBR 10520/2002 da ABNT), pelo qual as citações 
são indicadas pelo sobrenome do autor seguido da data de publicação, separados por 
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esta deverá seguir a data, separada por vírgula. 
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deve vir no final do texto, e seguir as orientações da NBR 6023/2002, da ABNT. Nas 
referências com mais de três autores, cita-se o primeiro seguido da expressão et al., 
respeitando-se uma só orientação em todo o artigo. Até três autores, citam-se os três. 
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Espaço Científico v.15, n.2, 2014124
serial title word abbreviations (Abreviação de títulos de periódicos) – 1984. Todas as 
referências devem ser alinhas à margem esquerda do texto.
ALGUNS EXEMPLOS DE REFERÊNCIAS
Livro
CORMEN, Thomas H. Algoritmos: teoria e prática. Traduzido por Vandenberg 
D. de Souza. Rio de Janeiro: Elsevier, 2002. 916p.
Capítulo de livro
DUTRA, Loreni Bruch. O papel do pedagogo na atualidade In: COLARES, 
Maria Lília Imbiriba Sousa (Org.). Colóquios temáticos em educação: polêmicas da 
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Meio eletrônico
BONENTE, Daniele; COSTA, Rosana Gisele C. P. da; RESQUE JÚNIOR, Felipe. 
Análise do padrão de desmatamento no município de Rurópolis, na área de influência 
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DE SENSORIAMENTO REMOTO, 13, 2007, Florianópolis. Anais eletrônicos… 
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Monografia em meio eletrônico
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Periódico
GRINOVER, Ada Pelegrini. A defesa penal e sua relação com a atividade 
probatória. Revista Brasileira de Ciências Criminais, São Paulo, ano 10, n.40, p.91-
104, out./dez. 2002.
Espaço Científico v.15, n.2, 2014 125
Tese
TANABE, Celso Shiguetoshi. Viabilidade da análise exergética na elaboração de 
tarifas de energia elétrica. 1997. 72f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Agrícola) 
– Curso de Engenharia Agrícola, Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, 1998.
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