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Direito Constitucional 
e Administrativo
Material Teórico
Responsável pelo Conteúdo:
Prof. Dr. Tercius Zychan de Moraes
Revisão Textual:
Prof.ª Dr.ª Selma Aparecida Cesarin
O Direito Administrativo e Seus Princípios
• Direito Administrativo e Seus Princípios;
• Princípio da Legalidade;
• Princípio da Impessoalidade;
• Princípio da Moralidade;
• Princípio da Publicidade;
• Princípio da Eficiência;
• Princípios Decorrentes.
• Entender o que vem a ser os princípios jurídicos que norteiam as atividades a serem 
desempenhadas pela Administração Pública, estando eles expressos na Constituição de 
1988, ou sendo decorrentes destes;
• Apreciar cada um dos princípios e como eles vinculam as condutas adotadas pelos órgãos 
da Administração Pública e por seus agentes;
• Compreender que os princípios permitem à Administração Pública, bem como aos admi-
nistrados, terem a exata compreensão da aplicação do rol de normas administrativas que 
lhes afetam.
OBJETIVOS DE APRENDIZADO
O Direito Administrativo 
e Seus Princípios
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem 
aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua 
formação acadêmica e atuação profissional, siga 
algumas recomendações básicas: 
Assim:
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e 
horário fixos como seu “momento do estudo”;
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo;
No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos 
e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam-
bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua 
interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;
Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus-
são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o 
contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e de 
aprendizagem.
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Determine um 
horário fixo 
para estudar.
Aproveite as 
indicações 
de Material 
Complementar.
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
Não se esqueça 
de se alimentar 
e de se manter 
hidratado.
Aproveite as 
Conserve seu 
material e local de 
estudos sempre 
organizados.
Procure manter 
contato com seus 
colegas e tutores 
para trocar ideias! 
Isso amplia a 
aprendizagem.
Seja original! 
Nunca plagie 
trabalhos.
UNIDADE O Direito Administrativo e Seus Princípios
Direito Administrativo e Seus Princípios
Antes de compreendermos melhor o que são os Princípios do Direito Admi-
nistrativo e sua relevância para esse ramo do Direito, vamos conhecer o que 
são princípios.
No Dicionário Eletrônico Aurélio, o significado de princípio é:
[...] o primeiro impulso dado a uma coisa; origem; o que constitui a matéria; o que entra na 
composição de algo; regras ou conhecimentos fundamentais e mais gerais.
Não muito diferente é o que encontramos no Dicionário Eletrônico Michaelis:
[...] momento em que uma coisa tem origem; aquilo do qual alguma coisa procede na ordem 
do conhecimento ou da existência; característica determinante de alguma coisa; regras ou 
código de (boa) conduta pelos quais alguém governa a sua vida e as suas ações; lei, doutrina 
ou acepção fundamental em que outras são baseadas ou de que outras são derivadas.
Ex
pl
or
Fonte: http://bit.ly/2LYyCly e http://bit.ly/2JD8xah
Ambos os significados trazem, com relação aos princípios, que eles têm por 
escopo ser a base de alguma coisa, ou seja, um fundamento que deve orientar a 
concepção de algo.
Para o Direito, os princípios são tão relevantes a ponto de serem apreciados pela 
Ciência da Hermenêutica Jurídica como método interpretativo de um Sistema Ju-
rídico ou de um ramo do Direito específico desse sistema. Trata-se da denominada 
“Interpretação Principiológica”.
Um conceito do que vem a ser um “princípio” para o Direito pode ser extraído 
das palavras de Celso Antônio Bandeira de Melo:
Mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele, disposição 
fundamental que se irradia sobre diferentes normas compondo-lhes o 
espírito e sentido servido de critério para sua exata compreensão e inteli-
gência, exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema nor-
mativo, no que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico. (MELO, 
2009, p. 882-3)
No Direito Administrativo, para alguns, os princípios têm relevância fundamen-
tal, pois o Estado possui uma série de deveres-poderes não sujeitos a qualquer ato 
de disposição.
Nesse caso, estão seus órgãos e agentes vinculados ao cumprimento de imposições 
legais, mas, por vezes, a própria norma jurídica que orienta a postura do Estado per-
mite uma certa liberalidade para o cumprimento dessas mesmas deliberações legais, ou 
seja, o agente público tem a possibilidade ou a alternativa de qual postura possa adotar.
Nesse caso, os Princípios serão a “bússola” que irá orientar a conduta que a 
Administração Pública tem de seguir.
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A respeito dessa característica, cabe destacar Marçal Justen Filho:
Pode-se dizer, então, que os princípios desempenham função normativa 
relevante no tocante ao regime de direito administrativo. Com algum 
exagero, poder-se-ia afirmar que os princípios possuem influência mais 
significativa no direito administrativo do que no direito privado. Assim se 
passa porque a autoridade pública é investida de poderes que não existem 
no relacionamento entre particulares. (JUSTEN FILHO, 2016, cap. 4)
Como a conduta da Administração Pública é vinculada ao mandamento le-
gal, o agente público que representa o Estado não tem margem alguma para 
estender a interpretação a ser dada a determinado princípio, mesmo por que os 
princípios afetos à Administração Pública estão definidos no Caput do Artigo 37 
de nossa Constituição:
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Pode-
res da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedece-
rá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade 
e eficiência e, também, ao seguinte:
Muitos doutrinadores, a partir do estudo desses Princípios Gerais, desenham a exis-
tência de outros princípios, que recebem a denominação de “Princípios decorrentes”.
São decorrentes os princípios que vinculam a Administração Pública, estando 
previstos em Legislação infraconstitucional, como, por exemplo, o Princípio da Mo-
tivação, que possui previsão na Lei nº 9784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o 
Processo Administrativo no âmbito da União, mais precisamente, em seu Artigo 2º:
Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princí-
pios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalida-
de, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse 
público e eficiência.
Podemos constatar que, no mencionado dispositivo de Lei, encontramos outros 
princípios decorrentes, como o Princípio da Razoabilidade e da Proporcionalidade, 
bem como reafirma os Princípios Constitucionais já mencionados do Artigo 37 da 
Constituição, destacando-se certos Princípios que são verdadeiras garantias consti-
tucionais na preservação de direitos fundamentais, como a ampla defesa, o contra-
ditório e a segurança jurídica.
A partir daqui, vamos iniciar nossos estudos de forma específica comrelação aos 
Princípios Gerais da Administração Pública:
L EGALIDADE
I MPESSOALIDADE
M ORALIDADE
P UBLICIDADE
E FICIÊNCIA
Figura 1
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UNIDADE O Direito Administrativo e Seus Princípios
Princípio da Legalidade
Em um Estado Democrático de Direito, a Legalidade é fundamental para de-
limitar os poderes-deveres do Estado, principalmente, no que tange aos direitos 
fundamentais.
Nesse sentido, a imposição e o total respeito às normas legislativas são pre-
ponderantes, tanto na garantia e na preservação de direitos dos indivíduos ou 
da coletividade quanto na apuração e na imputação de responsabilidade quando 
descumpridos os mandos da Lei, seja de Norma Constitucional, seja de Legisla-
ção infraconstitucional.
A legalidade pode ser encontrada em nossa Constituição como instrumento de 
garantia aos direitos fundamentais, como delineia o Artigo 5º, Inciso II:
Art.5º (...)
II – ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão 
em virtude de lei;
Entretanto, não podemos ter o mesmo entendimento do Princípio da Legalidade 
como o que a Administração Pública está afeto, devendo nosso entendimento se 
pautar da seguinte forma: “Enquanto o particular pode ter qualquer comportamen-
to, desde que não seja proibido pela Lei, a Administração Pública somente poderá 
atuar nos limites delegados a ela pela Lei”.
Por exemplo, determinado dono de uma Empresa pretende adquirir mobiliário 
de escritório para um Setor dela. Ele pode avaliar, dentro das opções que o Mercado 
oferece, adquirindo os móveis que quiser, por sua condição financeira e interesse.
Já no tocante ao administrador público, o comportamento deve ser diverso, haja 
vista que por imposição legal, ele deverá promover o adequado procedimento lici-
tatório para buscar a proposta de Mercado que seja mais vantajosa para a Adminis-
tração Pública, como determina o inciso XXI do Artigo 37 da Constituição Federal:
Art. 37 [...]
XXI – ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços, 
compras e alienações serão contratados mediante processo de licitação 
pública que assegure igualdade de condições a todos os concorrentes, 
com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as 
condições efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual somente per-
mitirá as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à 
garantia do cumprimento das obrigações.
Outro exemplo refere-se à atividade dos Serviços Públicos Notariais e Registrais, 
embora eles desempenhem uma atividade delegada pelo Estado, o Supremo Tri-
bunal Federal reconhece a natureza de serviço público sui generis, das atividades 
realizadas pelas denominadas “Serventias Extrajudiciais”, comumente chamadas de 
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“Cartórios”, como pode ser constatado na jurisprudência dessa douta Corte, no 
relatório do Ministro Carlos Aires Brito, ao julgar a Ação Direta de Inconstituciona-
lidade nº 3151.
Dessa forma, as atividades desenvolvidas por tais “Cartórios” devem cumprir ri-
gorosamente os preceitos legais relativos à sua atividade, como trata o Artigo 236. 
parágrafo primeiro. de nossa Constituição. ao determinar:
Art. 236. Os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter 
privado, por delegação do Poder Público.
§ 1º Lei regulará as atividades, disciplinará a responsabilidade civil e 
criminal dos notários, dos oficiais de registro e de seus prepostos, e defi-
nirá a fiscalização de seus atos pelo Poder Judiciário (grifo nosso).
Nesse caso, a Lei que regulará a atividade deve ser rigorosamente seguida, 
sob pena de responsabilidade, aplicando-se, no caso da responsabilidade civil, 
os mesmos critérios quando dos danos causados pelos agentes públicos, nos 
termos do Artigo 37, § 6º, ou seja, a denominada responsabilidade civil objetiva, 
que não prevê a necessidade da demonstração do dolo ou culpa em provocar o 
dano, mas somente o resultado e o nexo de causalidade da conduta do agente 
público, ou seja, a Administração Pública deverá reparar o dano, mas podendo 
agir regressivamente contra o agente público provocador do dano na hipótese 
de culpa dele.
Art. 37 [...]
§ 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado pres-
tadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, 
nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso 
contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.
Sobre essa questão, observemos a seguir, a decisão proferida pelo Superior Tri-
bunal de Justiça, quando do julgamento de Recurso Especial de nº 200802048019, 
cujo relator foi o iminente Ministro Herman Benjamin:
“ADMINISTRATIVO. DANOS MATERIAIS CAUSADOS POR TITU-
LAR DE SERVENTIA EXTRAJUDICIAL. ATIVIDADE DELEGADA. 
RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DO ESTADO. 1. Hipótese em 
que o Tribunal de origem julgou procedente o pedido deduzido em 
Ação Ordinária movida contra o Estado do Amazonas, condenando-
-o a pagar indenização por danos imputados ao titular de serventia. 
2. No caso de delegação da atividade estatal (art. 236, § 1º, da Constitui-
ção), seu desenvolvimento deve se dar por conta e risco do delegatário, 
nos moldes do regime das concessões e permissões de serviço público. 
3. O art. 22 da Lei 8.935/1994 é claro ao estabelecer a responsabili-
dade dos notários e oficiais de registro por danos causados a terceiros, 
não permitindo a interpretação de que deve responder solidariamente o 
ente estatal. 4. Tanto por se tratar de serviço delegado, como pela nor-
ma legal em comento, não há como imputar eventual responsabilidade 
pelos serviços notariais e registrais diretamente ao Estado. Ainda que 
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UNIDADE O Direito Administrativo e Seus Princípios
objetiva a responsabilidade da Administração, esta somente responde 
de forma subsidiária ao delegatário, sendo evidente a carência de ação 
por ilegitimidade passiva ad causam. 5. Em caso de atividade nota-
rial e de registro exercida por delegação, tal como na hipótese, a res-
ponsabilidade objetiva por danos é do notário, diferentemente do que 
ocorre quando se tratar de cartório ainda oficializado. Precedente do 
STF. 6. Recurso Especial provido”. (RESP 200802048019, HERMAN 
BENJAMIN , STJ – SEGUNDA TURMA, 19/05/2010)
Importante destacar, com relação ao Princípio da Legalidade que, em nosso Sis-
tema Jurídico, podemos encontrar duas espécies de Normas Legislativas.
A primeira são as denominadas normas primárias, sendo consideradas, a partir 
da Constituição Federal, todas as outras que integram a atividade típica do Poder 
Legislativo, enumeradas no Artigo 59 de nossa Constituição.
No que tange às segundas, serão estas consideradas como as normas jurídicas que 
permitem à Administração Pública (Poder Executivo) dar concretude às determina-
ções constantes nas normas primárias, por intermédio de deliberações aos órgãos, 
aos agentes, a fim de dar conformidade do cumprimento das decisões legislativas.
Podemos considerar como normas secundárias os Decretos, as Resoluções, as 
Portarias, as Ordens de Serviço e outros atos normativos do Poder Executivo, que 
tenham a finalidade descrita.
Princípio da Impessoalidade
O Princípio da Impessoalidade possui íntima relação com o Princípio da Igual-
dade, ou seja, impede condutas que provoquem desequilíbrio de tratamento dos 
administrados, sejam eles pessoas físicas, sejam jurídicas.
Desse modo, a Administração Pública não poderá, por intermédio de seus ór-
gãos ou agentes, dar tratamento diverso ao da Lei, pois somente ela, em consonân-
cia com a Constituição, pode promover qualquer medida discriminatória.
Um exemplo seria a possibilidade de dar acesso aos hipossuficientes assessoria 
jurídica integral e gratuita, como prescreve a Constituição Federal:
Art. 5º [...]
LXXIV – o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que 
comprovarem insuficiência de recursos;
Hipossuficiente: Diz-sede ou pessoa que é economicamente muito humilde, que não 
é autossuficiente. Ex
pl
or
Fonte: http://bit.ly/2M3ESZc
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Como conceito de tal Princípio, podemos aproveitar, o descrito por Odete 
Medauar:
Com o princípio da impessoalidade, a Constituição visa obstaculizar atu-
ações geradas por antipatias, simpatias, objetivos de vingança, represá-
lias, nepotismo, favorecimentos diversos, muito comuns em licitações, 
concursos públicos, exercício do poder de polícia. Busca, desse modo, 
que predomine o sentido de função, isto é, a ideia de que os poderes 
atribuídos finalizam-se ao interesse de toda a coletividade, portanto a 
resultados desconectados de razões pessoais. (MEDAUAR, 2016, cap. 7)
A impessoalidade é uma faceta da isonomia, sob o ponto de vista específico da 
aplicação da Lei pelo Estado. Todos são iguais perante o Estado, o que não impede 
discriminações contempladas na Norma Constitucional ou Legal, ou seja, onde a 
Norma Legal não discriminou, é vedada a introdução de inovações diferenciadoras.
O princípio da impessoalidade guarda certa relação com dois outros princípios 
gerais da administração, que são os Princípios da Moralidade e da Publicidade.
Temos de admitir que configura uma imoralidade, ou comportamento improbo, 
qualquer atuação da Administração que tenha por objetivo, sem que exista previsão 
legal, adotar qualquer comportamento que venha a desatender o interesse público, 
isto é, a promoção do bem-comum, sendo, cabível, para salvaguardar qualquer di-
reito afetado, o emprego, por exemplo do Mandado de Segurança:
Art. 5º (...)
LXIX – conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líqui-
do e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o 
responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou 
agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público;
Com relação ao princípio da Publicidade a a ligação dele com o da Impessoali-
dade, ela se dá por intermédio da necessária publicidade dos atos da Administração 
Pública, tornando-os de conhecimento amplo e os sujeitando ao acompanhamento 
por parte da população, bem como de órgãos de controle e de missão constitucio-
nal de defesa dos interesses do próprio Estado e da Sociedade, como é o caso do 
Ministério Público.
Desse modo, por exemplo, qualquer cidadão pode fazer uso de um remédio 
constitucional, indicado para anular atos lesivos ao patrimônio público e à morali-
dade administrativa, como é o caso da Ação Popular, prevista no Artigo 5º, Inciso 
LXXIII, de nossa Constituição Federal:
Art. 5º [...]
LXXIII – qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular 
que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que 
o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao 
patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, 
isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência;
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UNIDADE O Direito Administrativo e Seus Princípios
Vejamos um exemplo: suponhamos que um determinado chefe do Poder Execu-
tivo de certo município pretenda atingir o patrimônio de um desafeto. Para tanto, 
inicia um processo de desapropriação, tendo como base uma das possibilidades 
descritas no Artigo 5º, Inciso XXIV, regulamentado pelo Decreto-Lei nº 3365, de 
21 de junho de 1941:
Art. 5º (...)
XXIV – a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por 
necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante 
justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos 
nesta Constituição;
Assim, devido à publicidade do feito, gera-se, nesse exemplo, a possibilidade de 
alegar a quebra do Princípio da Impessoalidade, pelo desprezo total ao interesse 
público, associada, ainda, à quebra do Princípio da Moralidade, sujeitando o admi-
nistrador público às medidas legais pertinentes, tais como, Mandado de Segurança, 
Ação Civil Pública, Lei de Improbidade Administrativa etc.
Princípio da Moralidade
Uma das expectativas da população, de modo geral, é de que as condutas prati-
cadas pela Administração Pública, por seus órgãos ou agentes, sejam efetivamente 
voltadas ao interesse público, sem qualquer lastro de satisfação diversa dele.
Como destinatário do bem-comum que, como já dissemos, refere-se à concre-
tização, à proteção e à ampliação dos direitos fundamentais, a população espera 
que a conduta da Administração Pública seja justa e totalmente fundada em uma 
postura de total honestidade.
Como acentua Marçal Justen Filho:
O princípio da moralidade exige que a atividade administrativa seja de-
senvolvida de modo leal e que assegure a toda a comunidade a obtenção 
de vantagens justas. Exclui a aplicação do provérbio de que o fim justifica 
os meios. (JUSTEN FILHO, 2016, cap. 4)
Para a efetivação de uma postura justa e honesta, a Administração deve pautar-
-se em posturas de equilíbrio e “bom senso”, para ter aceitabilidade mediana da 
coletividade, na proteção dos interesses coletivos.
Por exemplo, determinado Estado apresenta dificuldades financeiro-orçamentá-
rias para dotar os serviços de saúde de condições mínimas para atendimento, pois 
ora faltam medicamentos, ora não existem insumos hospitalares.
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Ao mesmo tempo, pretende-se construir uma nova sede administrativa para o 
Executivo Estadual, para a qual serão destinados “bilhões” de recursos públicos na 
edificação de prédios suntuosos. 
Tal conduta aparenta ser uma ação desequilibrada por parte da Administração 
Pública, tanto com relação aos custos e à satisfação do bem-comum, pois um direito 
fundamental de extrema relevância está sendo deixado de lado em prol de edifica-
ções, talvez desnecessárias.
O Princípio da Moralidade exige dos que compõem a Administração Pública um 
comportamento “probo”, ou seja, honesto.
Essa honestidade não se funda tão somente em uma expectativa de com-
portamento, mas também na Legalidade, na Impessoalidade, na Eficiência e na 
Transparência que deve existir em qualquer postura a ser assumida e efetivada 
por essa Administração.
Essa ressalva é reconhecida pela atual Constituição Federal, ao prever que com-
portamentos ímprobos por parte dos integrantes da Administração Pública sejam res-
ponsabilizados, como preconiza o parágrafo 4º, do Artigo 37 de nossa Constituição:
Art. 37 (...)
§ 4º Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos 
direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens 
e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem 
prejuízo da ação penal cabível.
Atualmente, a Lei nº 8429, de 2 de junho de 1992, é a norma jurídica que ti-
pifica as condutas consideradas ímprobas, bem como delimita as sanções cabíveis.
Vale ressaltar que é incorreto nominar as condutas de improbidade descritas na 
Lei, como “crimes de improbidade administrativa”, até porque se trata de uma ação 
não julgada pela Jurisdição Penal do Estado.
Com relação a eventuais ilícitos penais, eles devem ser apreciados, na conformi-
dade da distribuição de competência firmada em Lei.
A expectativa com relação à probidade é tão relevante e imperiosa no nosso Es-
tado Democrático de Direito a ponto de o texto constitucional firmar que pode ser 
considerado “crime de responsabilidade do Presidente da República” quando este 
pratica atos contrários a um comportamento ético esperado por parte dele, como 
é o caso da improbidade:
Art. 85. São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da Repú-
blica que atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, contra:
(...)
V – a probidade na administração;
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UNIDADE O Direito Administrativo e Seus Princípios
Princípio da Publicidade
Em um Estado Democrático de Direito, como é o caso do Brasil, uma das cara-
terísticas, com relação ao exercício do Poder desse Estado, está definida, demodo 
claro e objetivo, em nossa Constituição Federal, no Parágrafo único do Artigo 1º:
Art. 1º (...)
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio 
de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.
Assim, uma das formas do exercício desse poder é a soberania popular, que 
inclui a relação do povo com a gestão do Estado, em que todas as posturas dele 
devem ser de amplo conhecimento do dono do “Poder”, ou seja, do povo.
Para a garantia dessa condição de soberania popular, com relação à postura 
Estatal, a Constituição estabelece o seguinte:
Art. 5º (...)
XXXIII – todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações 
de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que se-
rão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalva-
das aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e 
do Estado;
Mas com relação à publicidade dos atos praticados pelos gestores da Administra-
ção Pública, de qualquer nível hierárquico, deve tão somente incidir sobre o desem-
penho de suas posturas frente à Administração, não sendo admitida qualquer inva-
são à vida privada e à intimidade das pessoas, que se trata de direito fundamental 
firmado no inciso X do Artigo 5º da Constituição:
Art. 5º [...]
X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das 
pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral 
decorrente de sua violação;
Com relação ao acesso de informações de caráter pessoal que conste de Bancos 
de Dados de caráter público, a Constituição Federal de 1988, criou um remédio 
jurídico específico, denominado de Habeas data:
Art. 5º [...]
LXXII – conceder-se-á habeas data:
a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do 
impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades go-
vernamentais ou de caráter público;
b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo 
sigiloso, judicial ou administrativo;
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Princípio da Eficiência
O denominado Princípio da Eficiência, que alguns autores preferem chamar 
de Princípio da Eficácia, para diferenciar sua aplicação na gestão privada, foi in-
serido no Artigo 37 de nossa Constituição, pelo denominado Poder Constituinte 
de Reforma, por intermédio da Emenda Constitucional de nº 19, de 4 de junho 
de 1998.
Para muitos, trata-se de uma forma de sedimentar, na Administração Pública, 
princípios empregados na gestão privada, que tem objetivo garantir a melhor efi-
cácia na gestão pública dos recursos disponíveis, transformando-os em um melhor 
resultado para satisfação direta ou indireta dos direitos fundamentais.
Marçal Justen Filho retrata essa mesma percepção ao tecer comentários sobre 
esse princípio:
Veda-se o desperdício ou a má utilização dos recursos destinados à satis-
fação de necessidades coletivas. É necessário obter o máximo de resulta-
dos com a menor quantidade possível de desembolsos. (JUSTEN FILHO, 
2016, cap. 4)
Alguns autores criticam a inserção do Princípio da Eficiência entre os Prin-
cípios Gerais da Administração, já que ser eficiente na gestão dos recursos 
públicos, garantindo melhor bem-estar à coletividade, está ligado ao Princípio 
da Moralidade. Assim, ser eficiente é o que moralmente se espera da Adminis-
tração Pública.
Princípios Decorrentes
Com a apreciação do Princípio da Eficiência, damos por concluída a análise dos 
Princípios Gerais e Constitucionais da Administração Pública. 
Cabe, a partir daqui, fazermos a análise dos denominados Princípios Decorren-
tes ou, como são chamados por alguns, Princípios por Extensão.
Princípio da Finalidade
Este princípio coaduna com as pretensões do indivíduo ou da coletividade quan-
to às condutas a serem adotadas pela Administração Pública, ou seja, esta deve a 
todo momento perseguir a satisfação dos direitos fundamentais.
Tal princípio, busca vínculo com os princípios gerais da impessoalidade e da 
moralidade, vez que todos os atos da Administração devem estar direcionados aos 
interesses públicos (difusos ou coletivos), bem como devem ser dotados de justiça e 
igualdade, o que o se liga ao Princípio da Moralidade.
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UNIDADE O Direito Administrativo e Seus Princípios
Princípio da Proporcionalidade
Este princípio é muito reconhecido no Direito europeu e está envolto na adoção 
de posturas fundadas em uma legalidade, mas que precisam ser avaliadas com rela-
ção às consequências que a Administração Pública pode provocar.
É um necessário juízo de valor, um “pesar na balança” as consequências legais 
decorrentes de certa medida administrativa adotada.
Muito bem afirma Marçal Justen Filho sobre tal Princípio:
Uma das peculiaridades do princípio da proporcionalidade consiste no 
reconhecimento de que a solução jurídica não pode ser produzida por 
meio do isolamento do aplicador em face da situação concreta. Não é 
possível extrair a solução pelo simples exame de textos legais abstratos. 
O intérprete tem o dever de avaliar os efeitos concretos e efetivos poten-
cialmente derivados da adoção de certa alternativa. (JUSTEN FILHO, 
2016, cap. 3)
Princípio da Razoabilidade
Muitos confundem o Princípio da Razoabilidade com o Princípio da Propor-
cionalidade, mesmo porque o segundo pode ser a aplicação do primeiro, isto é, 
o Princípio da Razoabilidade está ligado à interpretação do que é permitido pelo 
alcance da norma legal, o que possibilita à Administração Pública fazer uma avalia-
ção sobre a real postura a ser despertada frente a uma situação concreta.
Marçal Justen Filho esclarece:
A técnica da interpretação conforme reflete uma manifestação do chama-
do princípio da razoabilidade, que preconiza ser a interpretação jurídica 
uma atividade que ultrapassa a mera lógica formal. Interpretar signifi-
ca valer-se do raciocínio, o que abrange não apenas soluções rigorosa-
mente lógicas, mas especialmente as que se configuram como razoáveis. 
(JUSTEN FILHO, 2016, cap. 3)
Princípio da Boa-fé
Alguns autores estendem o entendimento de tal Princípio, denominando-o Prin-
cípio da Confiança do Administrado na Administração Pública, sendo também vis-
to como Princípio da Presunção de Legitimidade.
Tal princípio parte da concepção de que os atos praticados pela Administração 
Pública, por intermédio de seus agentes, são dotados de boa-fé.
Por exemplo, o registro de Escritura Pública, em um Cartório de Registro de 
Imóveis, a partir do momento que são apresentados ao Oficial do Cartório do Re-
gistro os documentos pertinentes e este promover sua prenotação, presumem-se 
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dotadas de boa-fé as informações apresentadas, sendo que, em caso de o registro 
não exprimir a autenticidade, poderá o interessado promover Ação Ordinária para 
que tal registro seja anulado.
Os preceitos que justificam tal exemplo estão transcritos nos Artigos 1246 e 
1247 do Código Civil de 2002:
Art. 1.246. O registro é eficaz desde o momento em que se apresentar 
o título ao oficial do registro, e este o prenotar no protocolo.
Art. 1.247. Se o teor do registro não exprimir a verdade, poderá o inte-
ressado reclamar que se retifique ou anule.
Parágrafo único. Cancelado o registro, poderá o proprietário reivindicar 
o imóvel, independentemente da boa-fé ou do título do terceiro adquirente.
Princípio da Segurança Jurídica
Trata-se de uma expectativa do cumprimento por parte dos administrados de 
que as decisões oriundas da Administração Pública devem estar sedimentadas por 
certa estabilidade, não sendo possível atingir atos jurídicos perfeitos já realizados 
e consagrados.
O Princípio da Segurança Jurídica, trata-se de verdadeiro direito fundamental, 
pois possui previsão no Caput do Artigo 5º de nossa Constituição:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer nature-
za, garantindo-seaos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a 
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e 
à propriedade, nos termos seguintes: (grifo nosso).
Além dessa previsão, a estabilidade nas relações jurídicas entre a Administração 
e Administrados pode ser vista no Artigo 5º, Inciso XXXVI, que trata da imutabili-
dade do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada:
Art. 5º (...)
XXXVI – a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito 
e a coisa julgada;
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UNIDADE O Direito Administrativo e Seus Princípios
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Leitura
A tutela da boa-fé objetiva no Direito Administrativo
http://bit.ly/2JDdeAE
A Boa-Fé do Administrado e do Administrador como Fator Limitativo da Discricionariedade Administrativa
http://bit.ly/2JAd9Oh
Constituição Federal de 1988
http://bit.ly/2LUKnti
O princípio da segurança jurídica no Direito Administrativo Brasileiro
http://bit.ly/2JB6enT
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Referências
ARAÚJO, L. A. D.; NUNES JÚNIOR, V. S. Curso de Direito Constitucional. 
9.ed. São Paulo: Saraiva, 2005
BASTOS, C. R. Curso de Direito Constitucional. 2.ed. São Paulo: Saraiva. 2001.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 out. 1988. Se-
nado Federal. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br>.
DALLARI, D. de A. Elementos de Teoria Geral do Estado. 3.ed. São Paulo: 
Saraiva, 2013.
DE CICCO, C.; GONZAGA, A. de A. Teoria Geral do Estado e Ciência Política. 
São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 2015. (E-Book)
FERREIRA FILHO, M. G. Curso de Direito Constitucional. 33.ed.rev.atual. São 
Paulo: Saraiva, 2007.
JUSTEN FILHO, M. Curso de Direito Administrativo. São Paulo: Editora Revista 
dos Tribunais, 2018. (E-Book)
KELSEN, H. Teoria geral do direito e do Estado. 3.ed. Tradução de Luis Carlos 
Borges. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
MEDAUAR, O. Direito Administrativo. 4.ed. São Paulo: Editora Revista dos 
 Tribunais, 2003. (E-Book)
MELLO, O. A. B. de. Princípios Gerais de Direito Administrativo. Rio de Janeiro : 
Forense, 1969. v. 1.
MELO, C. A. B. Curso de Direito Administrativo. 26.ed. São Paulo: Malheiros. 
2009.
MONTESQUIEU, C. de S. O Espírito das Leis. Introdução. Tradução e notas de 
Pedro Vieira Mota. 7.ed. São Paulo: Saraiva: 2000.
MORAES, A. de. Constituição do Brasil Interpretada. 5.ed. São Paulo: Atlas, 2005.
_________. Direito Constitucional. 27.ed. São Paulo: Atlas, 2011.
SILVA, J. A. da. Curso de Direito Constitucional Positivo. São Paulo: Malheiros, 
2013.
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