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1 ALICIA MOURA - UEFS Circulação uteroplacentária, feto-placentária fetal e neonatal Irrigação do útero: artérias e veias uterinas; Sangue ejetado no espaço interviloso pelas artérias espiraladas; Retorno pelas veias uterinas; PA materna ejeta o sangue em jatos no espaço interviloso; Alterações na PA materna; Ocorre através das vilosidades coriônicas; Substâncias necessárias ao desenvolvimento fetal Recebe produtos do metabolismo fetal Mãe-feto As artérias e veias endometriais da decídua basal, se abrem, fazendo com que o sangue materno chegue, ou seja, drenado do espaço interviloso. Cerca de 80 a 100 artérias endometriais espiraladas da decídua basal se abrem na capa citotrofoblástica, onde o fluxo sanguíneo é pulsátil e lançado em jatos por força de pressão. Esse sangue altamente oxigenado e cheio de nutrientes terá pressão mais alta que a do espaço interviloso, sendo jorrado em direção à placa coriônica. Com a diminuição gradativa dessa pressão, o sangue flui lentamente ao redor das vilosidades, 2 ALICIA MOURA - UEFS garantindo a troca de produtos metabólicos e gasosos com o sangue fetal. Das vilosidades coriônicas, o sangue segue por vasos cada vez mais calibrosos, passandopassando pela placa coriônica e chegando ao feto através de uma veia umbilical através do cordão umbilical. Note que a veia umbilical transporta sangue ricamente oxigenado e rico em nutrientes da placenta para o feto. Feto – mãe O sangue pouco oxigenado e rico em excretas deixa o feto através do cordão umbilical e é transportado por duas artérias umbilicais. Na região onde o cordão umbilical se une à placenta, essas artérias, dividem-se em vários ramos dispostos radialmente, as artérias coriônicas, que se ramificam livremente na placa coriônica antes de entrar na vilosidade coriônica. O sangue fetal e o sangue materno ficam próximos graças a um sistema arteriocapilar-venoso (Fig. 5 -A), formado pelos vasos sanguíneos, dentro das vilosidades coriônicas, fornecendo uma grande área para que ocorram trocas gasosas e metabólicas. Geralmente, não há mistura entre o sangue materno e o fetal, mas pequenas quantidades de sangue fetal podem passar para o sangue materno por pequenos defeitos que vez ou outra acontecem na membrana placentária. O sangue fetal então, passa dos capilares das vilosidades coriônicas para o espaço interviloso, sendo captado pelas veias endometriais que se abrem na capa citotrofoblástica e retornando para a circulação materna. 3 ALICIA MOURA - UEFS 4 ALICIA MOURA - UEFS Membrana placentária ou barreira placentária Conjunto de tecidos que separa a circulação materna da fetal; Permite a passagem de água, o2, nutrientes, hormônios, anticorpos e agentes nocivos. A membrana placentária é uma estrutura responsável em separar o sangue materno do fetal. É composta, até a 20ª semana (Fig.5 –B), pelo sincíciotrofoblasto, citotrofoblasto, tecido conjuntivo das vilosidades e endotélio dos capilares fetais. Após a 20ª semana (Fig. 5 –C), ocorrem algumas alterações celulares no citotrofoblasto, que acaba por perder grandes quantidades de células em várias áreas das vilosidades, deixando apenas o 5 ALICIA MOURA - UEFS sincíciotrofoblasto, e consequentemente, a membrana placentária passa a ser formada por três camadas, tornando-se atenuada e fina. A membrana placentária age como barreira somente quando a molécula é de tamanho, configuração e carga específicos. Alguns metabólitos, toxinas e hormônios, embora presentes na circulação materna, não atravessam a membrana placentária em quantidades suficientes para afetarem o embrião/feto. No entanto, a maioria das drogas e outras substâncias presentes no plasma materno ultrapassa a membrana placentária, atingindo o plasma fetal. Com o avanço da gestação, a membrana placentária torna-se progressivamente mais fina de modo que o sangue presente em diversos capilares fetais torna-se extremamente próximo ao sangue materno no espaço interviloso (Fig. 6). 6 ALICIA MOURA - UEFS 7 ALICIA MOURA - UEFS 8 ALICIA MOURA - UEFS Estruturas do sistema circulatório fetal A placenta Uma veia umbilical Duas artérias Desvios Forame oval Ducto arterioso Ducto venoso Existem três estruturas vasculares importantes na transição da circulação fetal para a neonatal: ducto venoso, forame oval e ducto arterial. Circulação fetal (Figura 1) O sangue oxigenado chega da placenta através da veia umbilical. Ao se aproximar do fígado o sangue passa diretamente para o ducto venoso, um vaso fetal que comunica a veia umbilical com a veia cava inferior. Percorrendo a veia cava inferior, o sangue chega ao átrio direito e é direcionado através do forame oval para o átrio esquerdo. Assim, neste compartimento o sangue com alto teor de oxigênio vindo da veia cava se mistura com o sangue pouco oxigenado vindo das veias pulmonares, já que os pulmões extraem oxigênio e não o fornece. O ducto arterial, ao desviar o sangue da artéria pulmonar para a artéria aorta, protege os pulmões da sobrecarga e permite que o ventrículo direito se fortaleça para a sua total capacidade funcional ao nascimento. Circulação neonatal de transição (Figura 2): Após o nascimento o ducto arterial, o ducto venoso, o forame oval e os vasos umbilicais não são mais necessários. 9 ALICIA MOURA - UEFS Figura 1 10 ALICIA MOURA - UEFS Figura 2 11 ALICIA MOURA - UEFS Importância dos desvios O ducto venoso: maior parte do sangue da veia umbilical vá para o fígado e se mescle com o sangue da veia cava, levando-o para o coração; O forame oval: mais da metade do sangue que do AD atravessa para o AE, evitando a circulação pulmonar; O ducto arterioso: desvio do circuito pulmonar. Alterações circulatórias a partir do nascimento Termino do fluxo sanguíneo através dos vasos umbilicais da placenta; Fechamento dos desvios; Aumento da circulação pulmonar; Diminuição da resistência pulmonar. Circulação de transição Forame oval: fechamento anatômico em ate 5 anos. Com o aumento do fluxo sanguíneo pulmonar e à perda do fluxo sanguíneo da veia umbilical, a pressão no átrio direito diminui, enquanto que a pressão no átrio esquerdo aumenta. Com isso, o sangue que entra no átrio esquerdo fecha funcionalmente o forame oval por pressionar a valva do forame oval contra o septo secundário– septum secundum. Entretanto, durante os primeiros dias de vida, esse fechamento é reversível. A aposição constante leva gradualmente à fusão dessas duas estruturas em cerca de um ano, porém, em 20% dos casos, um fechamento anatômico perfeito nunca ocorrerá, acarretando o que se chama de forame oval pérvio. Ducto arterial: fechamento anatômico em te 12 semanas. Esta ligação temporária entre o tronco pulmonar e o arco da aorta, se fecha quase que imediatamente após o nascimento através da contração de sua parede muscular. Essa contração é mediada pela bradicinina, uma substância vasoconstritora potente de músculo liso liberada pelos pulmões durante a insuflação inicial, porém acredita-se que a sua obliteração completa ocorra 12 ALICIA MOURA - UEFS pela proliferação de sua túnica intima e leva cerca de 1 a 3 meses. No adulto, o ducto arterial dará origem ao ligamento arteriosoDucto venoso: fechamento anatômico em ate 3 semanas. O ducto venoso se fecha após o fechamento da veia umbilical, e quando obliterado formará, no adulto, o ligamento venoso. Inicio da respiração do RN Persistência do ducto arterioso Anomalia mais comum do sexo feminino; Associado a outros defeitos cardíacos; Infecção materna por rubéola; Bebês prematuros e nascidos em altas altitudes; Peso abaixo de 1.750 g. Compressão do cordão umbilical e desprendimento da placenta Estimulação da quimiorreceptores Diminuição da pO2 do PH Aumento da pCO2