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1 Raul Bicalho – MedUfes 103 
 
 
Introdução: 
 Quando falamos de sistema urinário, logo se pensa na produção de urina, que ocorre por um processo de 
filtração do sangue. Sendo assim, o foco da aula será nessa filtração e nos componentes que são necessários para que 
ela aconteça, porém é importante lembrar que esse sistema possui outras funções além dessa, como a manutenção 
das moléculas circulantes no sangue, principalmente se referindo a um controle eletrolítico, a um balanço de sais, o 
que influencia na manutenção da pressão arterial. 
 O sistema urinário é composto por 2 rins, 2 ureteres, bexiga e uretra. Os rins produzem uma urina que se 
espera ser hipertônica em relação ao tecido adjacente, mas que não haja uma interação entre eles, visto que a 
característica hipertônica da urina ia desidratar esses tecidos. Sendo assim, depois que sai do rim, a urina tem que 
transitar por estruturas constituídas por um epitélio de transição, chamado assim porque a forma de sua célula varia 
de cúbica (com a bexiga vazia) a pavimentosa (com a bexiga cheia), dependendo da situação. Esse epitélio é 
impermeável (não permitindo a interação entre a urina dentro com os tecidos adjacentes) e se estende até a parte 
proximal da uretra, sendo a parte mais distal/terminal dessa estrutura constituída por um epitélio de revestimento 
estratificado pavimentoso (que já permite a interação com os tecidos). 
 Uma outra função bastante importante do rim é a retenção de substâncias essenciais (alguns sais, glicose, 
proteínas e água) dependendo da necessidade, feita por uma reabsorção seletiva nos túbulos do néfron, visto que a 
filtração que ocorre anterior a isso é muito permeável, ou seja, leva além das estruturas que precisam ser eliminadas, 
algumas que são essenciais para o organismo. Nesse sentido, outra função do rim é a eliminação de refugos, ou seja, 
tudo aquilo que é desnecessário porque está em excesso no organismo, além de restos metabólicos (principalmente 
do metabolismo proteico). Esse sistema possui também importante função na regulação e manutenção da composição 
e volume do líquido extracelular. Ainda, ocorre também uma manutenção do equilíbrio ácido-base, especialmente 
pela secreção no TCD (túbulo contorcido distal) que vai eliminar o excesso de ácido/base (excreção de H+ e 
bicarbonato). A síntese e secreção de eritropoetina (também produzida na medula, controla produção de eritrócitos) 
e renina (enzima responsável pela quebra do angiotensinogênio) também é feita pelos rins (função endócrina). 
 
 
 
Rim: 
 Órgão muito importante para se diferenciar córtex de 
medula, visto que ocorrem processos diferentes em cada uma 
dessas partes. O rim tem um formato de feijão, é localizado na 
parede posterior do abdome, possui a glândula suprarrenal 
superposta a ele, tem um hilo côncavo onde entram a artéria renal 
e vasos linfáticos e saem a veia renal e os ureteres (pelve renal). 
 Esquematicamente, o rim possui uma cápsula de tecido 
conjuntivo denso não modelado, uma região cortical, uma região 
medular e estruturas de condução da urina já constituídas de 
epitélio de transição (cálices menores, cálice maior, pelve renal e 
ureter). 
 Na região medular, apenas nas pirâmides renais se 
encontram estruturas tipicamente da medula, sendo que há entre 
elas projeções do córtex para dentro da medula (coluna renal), 
onde se encontra tecido igual ao da região cortical. 
HISTOLOGIA B – AULA 7 – SISTEMA URINÁRIO / Prof. Marcos 
 
Não confundir a renina daqui do sistema urinário com a renina do estômago, que também é chamada de 
quimosina, enzima que processa o quimo, especialmente o leite (coagulação do leite). 
 
2 Raul Bicalho – MedUfes 103 
 
OBS.: A cápsula é frouxamente aderida no córtex, por isso em lâminas histológicas normalmente vemos esse aspecto. 
 
Resumo da fisiologia: 
O sangue é levado ao rim para realizar tanto a 
oxigenação dos tecidos renais quanto a filtração sanguínea. A 
Artéria Renal penetra o rim pelo hilo, daí se divide em Artérias 
Lobares (rim pode ser dividido em lobos, onde cada um é 
constituído por uma pirâmide renal e tecido cortical ao redor 
dela, em média 12 lobos por rim). Essa Artéria Lobar 
(Interlobar) passa entre um lobo e outro até chegar no limite 
entre o córtex e medula, onde troca de direção, virando 
artérias que caminham nesse limite (base das pirâmides 
renais), chamadas de Artérias Arqueadas/Arciformes, que 
emitem Artérias Interlobulares (entre os lóbulos do rim). Estas, 
por sua vez, emitem ramos que dão as arteríolas aferentes dos 
glomérulos renais, onde o sangue é filtrado. Esse glomérulo é 
uma estrutura capilar que permite a filtração do sangue, que 
continuará na circulação saindo dali por arteríolas eferentes, 
formando posteriormente a rede capilar peritubular. 
Os glomérulos são estruturas de capilares fenestrados (buracos no tamanho de uma albumina). Conforme esse 
tufo capilar tem uma força da pressão arterial e da pressão osmótica, que empurra o sangue na direção das fenestras, 
o sangue começa a ser filtrado, ultrapassando todas as barreiras e caindo no 
espaço de filtração em forma de filtrado (não é mais chamado de sangue). 
É perceptível que a Arteríola Eferente trabalha com um menor volume de 
sangue do que a Arteríola Aferente, visto que grande quantidade de material foi 
“perdido” pelo processo de filtração. É importante lembrar que nem todas 
moléculas passam pelas fenestras do glomérulo, sendo assim, continua um sangue 
com um pouco menos de água e sal, mas com todas as suas células preservadas. 
O filtrado que chegou no espaço de filtração está no espaço oco do 
corpúsculo renal (glomérulo renal + cápsula de Bowman), mais precisamente no 
polo urinário do corpúsculo (o outro polo é o vascular onde entram e saem as 
arteríolas). Resumindo, o glomérulo refere-se unicamente aos capilares, já a 
cápsula é a estrutura que os envolve, a união dessas estruturas é chamada de 
M: Mácula Densa 
S: Espaço Urinário 
P: Folheto parietal da cápsula de Bowman 
 
3 Raul Bicalho – MedUfes 103 
corpúsculo renal. É importante lembrar que o corpúsculo é encontrado exclusivamente na região cortical. 
Como dito antes, a filtração do glomérulo é altamente permeável, logo, quando o filtrado começa seu trajeto 
no túbulo contorcido proximal, já há uma necessidade de reabsorver tudo aquilo que é importante para o organismo. 
Por exemplo, a água (grande 
quantidade), as proteínas (100%), sal (grande 
quantidade) e o açúcar (100%) vão voltar para a 
circulação sanguínea a partir da luz do TCP. Isso 
acontece pelos capilares peritubulares (vêm das 
arteríolas eferentes) que ficam em volta desse 
sistema de túbulos, recebendo todo o material 
essencial que estava no filtrado, restando 
apenas substâncias que devem mesmo serem 
eliminadas (desnecessárias). Para isso ocorrer, 
as células do TCP precisam ter um grande 
investimento em mitocôndrias e uma série de 
bolsas que vão fazer esse transporte da luz do 
túbulo para os vasos sanguíneos. O TCP é muito 
maior que o TCD, sendo assim, num corte 
histológico percebe-se muito mais do proximal 
que do distal (como se fossem praticamente 7 
proximais para 1 distal), porém apenas pelas 
voltas que os túbulos dão, aparecendo o mesmo 
mais de uma vez numa lâmina histológica (a 
proporção real é, logicamente, 1 TCP para cada 
1 TCD). O TCP também é uma estrutura exclusiva 
do córtex e ajuda na identificação dessa região, 
visto que possuem uma coloração muito 
característica dada pelas muitas mitocôndrias. 
 
 
 Do TCP, o filtrado vai fazer um caminho primeiramente descendentepor uma estrutura chamada de Alça de 
Henle, que é composta por túbulos retos, um proximal espesso, depois um túbulo fino descendente, um túbulo fino 
ascendente e novamente um túbulo espesso, agora ascendente, até chegar no TCD. A alça de Henle está presente no 
córtex e na medula, porém quando está no córtex sempre está relacionada a outra estrutura (raio medular, vai explicar 
depois), então considera-se a alça uma estrutura puramente medular. 
 Para entender a importância da alça, é importante lembrar que o filtrado que chega no espaço de filtração do 
corpúsculo renal, chega isotônico ao sangue. Conforme esse filtrado passa pelo TCP, onde há a reabsorção de 
substâncias, continua isotônico, visto que junto da reabsorção do sal, há a reabsorção da água. Porém, a medula do 
rim tem uma característica altamente hipertônica (“salgada”), então conforme o filtrado desce na Alça de Henle, ele 
vai entrando em contato com um ambiente extremamente salgado (quanto mais para a direção da medula mais 
salgado). Além disso, a parte descendente da alça é permeável tanto à água quanto ao sal, sendo assim, o filtrado 
quando está na região mais baixa da alça, está com muito sal adquirido do meio externo, mas com falta de água 
perdida para esse meio externo, tornando-se isotônico a esse tecido da medula, porém, hipertônico em relação ao 
sangue. Entretanto, a parte ascendente da alça é impermeável à água, portanto nessa subida os sais são eliminados 
para a medula (inclusive contribui para manutenção desse tecido como “salgado”) do filtrado e a água não consegue 
sair/entrar, fazendo com que o filtrado fique hipotônico em relação ao sangue. Essa atuação da alça, então, é 
importante para não deixar o equilíbrio eletrolítico dependente simplesmente de diferença de concentração, mas 
também com uma regulação hormonal (ADH/ALDOSTERONA). 
Prova prática: Diferenciar TCD de Alça de Henle Urina pronta cai no cálice menor 
 
4 Raul Bicalho – MedUfes 103 
 Esse filtrado hipotônico passa então pelo TCD e precisa passar pelo ducto coletor e sair do néfron como urina 
hipertônica, para isso, alguns processos devem acontecer nesse final do trajeto. 
 No ducto coletor é necessária a ação do hormônio ADH (Antidiurético), que atua com a abertura de canais de 
água, permitindo a passagem controlada dela de volta para a medula, regulando a quantidade de água/sal, 
economizando o máximo de água e liberando somente o sal que está em excesso no organismo. É importante 
considerar que o álcool é um inibidor de ADH, portanto quando há o consumo dessa substância, fecham-se os canais 
de água, resultando numa urina abundante e hipotônica. Esse mecanismo ajuda a entender também a ressaca, visto 
que ocorre uma grande desidratação. Essa produção excessiva de urina também faz com que substâncias essenciais 
comecem a ser eliminadas acidentalmente, visto que todo o processo está afetado, por exemplo a glicose, podendo 
levar a um quadro de coma alcoólico. 
 Há nefróns com Alça de Henle curtas (néfrons corticais), que apenas filtram o sangue, mas não tem capacidade 
de produzir urina hipertônica. Apenas os nefróns justamedulares conseguem, visto que suas alças são maiores e 
sofrem a influência do tecido salgado da medula, ocorrendo os processos mencionados acima. 
 É importante mencionar que o néfron termina quando termina o túbulo contorcido distal, ou seja, o ducto 
coletor não faz parte do néfron, inclusive, o mesmo ducto serve para diversos néfrons diferentes. 
 Quanto à estrutura morfológica: 
 No córtex, circula 90% do sangue, espera-se encontrar corpúsculos renais (glomérulo + cápsula de Bowman), 
túbulo contorcido proximal, túbulo contorcido distal e ducto coletor. Na medula, espera-se encontrar a alça de Henle 
e o ducto coletor. 
 O córtex é dividido em raios medulares e 
labirintos corticais. O raio medular é formado por alças 
de Henle e ductos coletores, chama-se raio medular 
porque é constituído de estruturas que se espera 
encontrar na medula. O espaço entre 2 raios medulares 
se chama labirinto cortical, que é formado por 
corpúsculos renais, túbulos contorcidos proximais e 
distais. Há uma pequena porção de ductos coletores no 
labirinto cortical (chamada de túbulo coletor por alguns 
autores) ligando o TCD ao ducto coletor no raio medular, 
mas que pode ser desconsiderada (de acordo com o 
professor). 
 
Um lobo do rim é formado por uma pirâmide renal 
(da medula) e o tecido cortical adjacente a ele. Já um lóbulo 
é formado por metade de um labirinto cortical, um raio 
medular no meio e a metade de outro labirinto cortical do 
outro lado. Essas divisões são importantes para o 
entendimento da circulação sanguínea, que sempre passa 
entre os lobos (artérias interlobares) e lóbulos (artérias 
Interlobulares). 
R: Corpúsculo renal 
M: Raio Medular 
Juliana Geller – 103 
 
5 Raul Bicalho – MedUfes 103 
 A medula é dividida em medula interna e externa, já a externa ainda é dividida em zona interna e externa. Essa 
divisão é feita simplesmente em relação à presença de alça de Henle fina ou espessa ou as duas. A medula interna só 
possui Alça de Henle fina. Na medula externa, a zona externa só possui alça de Henle espessa, já a zona interna possui 
tanto alças finas quanto espessas. Néfrons justamedulares chegam até a medula interna, já os corticais ficam limitados 
à medula externa. 
 
 
 A pirâmide renal é uma estrutura da medula com sua base voltada para a junção córtico-medular e seu ápice 
se projetando no cálice menor numa área cribiforme/crivosa onde a porção terminal dos ductos coletores (as vezes 
nomeada de ductos de Bellini) pingam fora do tecido renal, já caindo na pelve, no caso inicialmente nos cálices 
menores. Nas paredes laterais da pirâmide encontra-se tecido cortical. 
 Aparelho de filtração do rim: 
 Ocorre no corpúsculo renal, que é formado pelo glomérulo renal e pela Cápsula de Bowman. 
 O glomérulo é um tufo capilar de capilares fenestrados sem diafragma, o que o torna muito permeável. Ainda 
assim, existe lâmina basal das células endoteliais. 
 A cápsula possui um folheto parietal e um folheto visceral. A parede visceral é a que vai estar em contato 
íntimo com os capilares, é feita de células chamadas de podócitos, que vão abraçar o capilar e constituir mais um 
componente da barreira. Esse podócitos apresentam processos/prolongamentos primários que emitem 
prolongamentos secundários. No momento que esses prolongamentos fecham/envolvem o capilar, eles se tornam 
mais uma barreira. Além disso, os podócitos também vão emitir uma lâmina basal, que juntamente com a lâmina basal 
Pelve renal 
 
6 Raul Bicalho – MedUfes 103 
do endotélio formará a membrana basal. Além disso, essas células possuem um diafragma que une um prolongamento 
secundário a outro. 
 Resumindo, os componentes da barreira de filtração são: o endotélio fenestrado sem diafragma, a membrana 
basal bastante espessa (lâmina basal do endotélio + 
lâmina basal dos podócitos) e os prolongamentos 
secundários dos podócitos com seus diafragmas. São 
todas essas camadas que o filtrado deve passar para 
“sair do sangue”. 
 A membrana basal é formada pelas lâminas 
basais do endotélio e do podócito, sendo assim é 
bastante espessa e acaba formando uma lâmina rara 
externa, uma lâmina rara interna e uma lâmina densa 
entre elas. As lâminas raras são menos elétron-densas, 
a interna fica entre as células endoteliais e a lâmina 
densa, já a externa fica entre a densa e o folheto 
visceral da cápsula. Sendo assim, essa membrana basal 
tem uma carga negativa, o que faz uma repulsão de 
cargas negativas, por isso proteínas (carregadas 
negativamente) têm uma dificuldade maior de serem 
perdidas nesse processo de filtração.Essa membrana, 
então, funciona como um filtro, que pode “entupir”, 
por isso é necessário ser fagocitado constantemente, o 
que é feito por uma célula chamada de messangial. 
 
 
7 Raul Bicalho – MedUfes 103 
 Além de fazer a fagocitose da membrana basal (para sua renovação), as células mesangiais apresentam 
filamentos de actina e miosina no citoesqueleto, portanto são contráteis. Então também servem para, além de dar 
suporte, controlar o fluxo de sangue através do glomérulo. Nesse sentido, essas células são sensíveis a ações de 2 
fatores, o fator natriurético (das células do coração, secretado quando a pressão sanguínea está alta, indicando para 
que a célula mesangial relaxe e a filtração e diurese aumentem, tendendo a diminuir a pressão) e a Angiotensina II 
(que é secretado quando a pressão sanguínea está baixa, estimulando a célula mesangial a contrair, diminuindo a 
filtração e a diurese, tendendo a aumentar a pressão). 
 Função dos túbulos renais: Como já dito, ocorrem eventos de absorção ativa (ex.: sódio) e passiva (ex.: água), 
mas também ocorrem eventos de secreção (substâncias são jogadas para dentro do túbulo). 
 Histologia: 
 O TCP é caracterizado 
por apresentar células muito 
grandes, que são bastante ricas 
em mitocôndrias para produzir 
energia para que uma grande 
quantidade de transportadores 
de superfície sejam capazes de 
tirar substâncias da luz do 
túbulo e levá-las em direção ao 
sangue nos capilares 
peritubulares. Quando se olha o 
corte histológico, não se 
consegue contar todos os 
núcleos de tão grande a célula 
por estarem fora do plano de 
corte. Ainda, há uma grande 
interdigitação entre essas 
células porque a membrana 
basolateral é um local de transporte intenso. O túbulo possui também uma borda em escova, microvilosidades 
bastante intensas para aumentar a eficiência de absorção. Isso tudo dá um aspecto muito particular para ele. 
Importante falar que a sua luz parece obliterada por conta das microvilosidades e dos processos laboratoriais para se 
obter a lâmina histológica. Lembrar também que é bastante corado pela presença de muitas mitocôndrias. A absorção 
ocorre muito mais intensamente no TCP (65% da água, acompanha o sódio), possui bombas de sódio/potássio para 
absorver o sódio e o Cl- acaba também acompanhando, mas por uma questão de carga. 
As microvilosidades (mais presentes no TCP) possuem um glicocálice, rico em enzimas digestivas, ajudando na 
eficiência da internalização/retorno das substâncias. 
 
Eletromicrografia de túbulo 
contorcido proximal de rato. 
Microvilosidades 
 
8 Raul Bicalho – MedUfes 103 
 A alça de Henle já perde essa característica de muitas microvilosidades. A luz das alças finas e espessas são 
iguais em tamanho, o que muda entre elas é a célula, sendo bem grande na espessa e bem achatada na fina. 
 Já no tubúlo contorcido distal aí sim tem muito menos microvilosidades (luz mais livre no corte), tendo uma 
especialização mais na manutenção do sódio sobre a ação do hormônio aldosterona. 
 
 
 Sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona: 
 
 
 
 No TCD, o efeito mais importante que acontece é a troca de sódio por potássio por conta da ação da 
aldosterona. Por isso, temos que entender o sistema renina-angiotensina-aldosterona. 
 
9 Raul Bicalho – MedUfes 103 
 É importante lembrar que o TCD 
passa por trás de seu próprio corpúsculo, 
quando ele faz isso forma uma estrutura 
chamada mácula densa, é a sua parede com 
as células e núcleos mias achatados, o que dá 
um efeito de ser uma região mais escura na 
lâmina histológica. Essa estrutura serve para 
perceber o conteúdo luminal, ou seja, a 
quantidade de sódio passando no TCD, para 
avaliar se está baixa ou alta. 
 Quando a quantidade de sódio no 
TCD está baixa, a mácula densa manda sinais 
(adenosina, ADP...) para o vaso sanguíneo 
(arteríola eferente). Essa arteríola possui m. 
liso na sua túnica média, essas células 
musculares lisas vão se chamar células justaglomerulares, que irão produzir, armazenar e secretar renina (ou 
angiotensinoginase), que cairá na corrente sanguínea e fará com que o angiotensinogênio (principalmente do pulmão) 
seja convertido em angiotensina. 
 Os componentes que formam o aparelho justaglomerular são: a mácula densa, células justaglomerulares 
(secretam renina) e células mesangiais extraglomerulares (não se sabe a função exata, acredita-se que é para suporte). 
 Esse aparelho é ativado em condições de baixa ingestão de sódio e em casos de hemorragia (perda de sangue), 
visto que o organismo interpreta que tem pouco sódio circulando. Logo, a urina não pode ser tão hipertônica quanto 
o normal, para economizar o sódio, visto que provavelmente a pressão está baixa e é necessário aumentá-la. 
 Uma vez que os sinais de ativação são emitidos (pela mácula densa ao perceber pouco sódio no TCD), as células 
justaglomerulares secretam renina que quebra o angiotensinogênio para formar angiotensina I, que possui poder 
vasoconstritor baixo, mas que forma a Angiotensina II pela ação da ECA (Enzima Conversora de Angiotensina). A 
angiotensina II sim é um forte vasoconstritor, aumentando por si só a pressão arterial. Além disso, ela atua sobre as 
células do córtex da adrenal, aumentando a produção de Aldosterona, que vai atuar no TCD aumentando a reabsorção 
de sódio e, consequentemente, água, fazendo com que o organismo elimine menos dessas substâncias (diminui a 
diurese) e aumentando a pressão arterial. 
 
 Suprimento sanguíneo medular: 
 As arteríolas eferentes do néfrons justamedulares não formam plexo capilar peritubular e sim emitem ramos 
para irrigar a medula. Os túbulos desses néfrons vão estar envoltos de capilares peritubulares vindos de outros néfrons 
(corticais). 
 Sendo assim, a arteríola eferente dos néfrons justamedulares segue um caminho descendente formando um 
Vaso Reto (A. Reta) que irriga a medula e sobe como outro Vaso Reto (V. Reta) para fazer a drenagem. São vasos 
altamente permeáveis para não “roubarem” o sódio da medula hipertônica e atrapalhar na regulação do sódio na 
urina. Nesse sentido, a artéria reta desce com o sangue ganhando sódio do tecido medular até atingir estado isotônico, 
porém, em compensação na volta do sangue pela veia reta, o sódio é devolvido para o tecido medular quase 
inteiramente, não interferindo no sistema de regulação da urina pela Alça de Henle já mencionada. 
 
OBS.: Vários remédios de pressão alta funcionam inibindo a ECA, deixando a angiotensina apenas no seu tipo I 
(fraco vasoconstritor) para permitir que o sódio seja excretado em maior quantidade. 
OBS. 2: Lembrar que aldosterona atua no TCD; já ADH atua no ducto coletor. 
 
 
10 Raul Bicalho – MedUfes 103 
 Resumo do suprimento sanguíneo: 
 No córtex: Artéria renal → Ramos interlobares → Artérias Arqueadas → Artérias Interlobulares → Arteríolas 
Aferentes → Glomérulo → Arteríola Eferente → Capilares Peritubulares → Veias Estreladas → Veias Interlobulares 
→ Veias Arqueadas → Veias Lobares → Veia Renal. 
 Na medula: Artéria renal → Ramos interlobares → Artérias Arqueadas → Artérias Interlobulares → 
Arteríolas Aferentes → Glomérulo → Arteríola Eferente → Vasos Retos (Desce Artéria, Sobe Veia) → Veias 
Interlobulares → Veias Arqueadas → Veias Lobares → Veia Renal. 
 
Vias excretoras: 
 Depois da urina estar formada, ela goteja pelo ápice da pirâmide no cálice menor. O caminho é: Cálice Menor 
→ Cálice Maior → Pelve Renal → Ureter → Bexiga → Uretra. 
 As vias excretoras até a metade da uretra possuem epitélio de transição 
(impermeável) que não vai permitir trocas com os tecidos adjacentes, mantendo 
a urina hipertônica. No final da uretra já ocorreepitélio de revestimento porque 
o contato com a urina é muito rápido. 
 De uma maneira geral, essas estruturas têm uma camada mucosa 
(epitélio de transição com membrana plasmática organizada em placas) e logo 
abaixo tecido conjuntivo frouxo. Alguns autores consideram o tecido conjuntivo 
da bexiga como denso na lâmina própria. 
 Tanto no ureter quanto na bexiga terá presença de musculatura lisa para 
condução da urina (peristaltismo). Os ureteres têm a musculatura disposta no 
início apenas em 2 camadas: 1 longitudinal (externa) e 1 circular (interna), mas 
no final com 1 camada longitudinal a mais ficando disposta em 3 camadas, 
característica que permanecem na bexiga. 
 
 
 
 
 
 
Epitélio de transição 
Bexiga 
Ureter

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