Prévia do material em texto
LABORATORIO DE DIREITO PRIVADO - Prof Benedita ATIVIDADE 01 ROBERTA MENDES BASTOS - TIA 41462084 MARIA VICTORIA FERNANDES - TIA 3151 1. Elabore a petição inicial que atenda aos interesses de TULIO MARCOS. EXCELENTÍSSIMO JUÍZO DE DIREITO DA VARA ÚNICA DE FAMÍLIA E SUCESSÕES DA COMARCA DE CAMPINAS/SP AÇÃO NEGATÓRIA DE PATERNIDADE C.C RETIFICAÇÃO DO REGISTRO CIVIL TULIO MARCOS, brasileiro, casado, mêcanico, inscrito no CPF nº 120.120.120-00, e RG nº 50.877.999, não possui endereço eletrônico, residente e domiciliado a Rua Frei Antonio de Pádua, 100, Guanabara, Campinas/SP, vêm, por intermédio da Defensoria Pública do Estado de São Paulo Ceará, perante Vossa Excelência, propor AÇÃO NEGATÓRIA DE PATERNIDADE, cumulado com pedido de MODIFICAÇÃO NO REGISTRO CIVIL DE NASCIMENTO, em desfavor de LETICIA CRUZ MARCOS, nascida no dia 01 de janeiro de 2018 , menor impúbere, sem RG e CPF, representada por sua genitora ANTONIA CRUZ, brasileira, solteira, vendedora, inscrita no CPF nº 403.678.288-63, e RG nº 50.877.469, não possui endereço eletrônico, residente e domiciliada na Av Brasil, 1200, Guanabara, Campinas/SP, pelos fatos e fundamentos jurídicos adiante aduzidos: DA GRATUIDADE DA JUSTIÇA O Requerente é pobre na acepção jurídica do termo, e desta forma não possui condições de arcar com os encargos resultantes do processo sem prejuízo de seu sustento, em conformidade com declaração de hipossuficiência anexa. Assim sendo, requerer concessão a princípio, do benefício da gratuidade da justiça, nos moldes do art. 98 da Lei 13.105/2015, bem como o art. 5º, LXXIV da Constituição Federal. DAS PRERROGATIVAS DA DEFENSORIA PÚBLICA Por oportuno, válido esclarecer que o Defensor Público possui a prerrogativa de representação da parte, em feito administrativo ou judicial, independentemente de mandato, ressalvados os casos para os quais a lei exija poderes especiais; e intimação pessoal, inclusive quando necessário, mediante entrega dos autos com vista, em qualquer processo e grau de jurisdição ou instância administrativa, contando-se lhes em dobro todos os prazos, consoante o art. 44 (para a DPU) ou art. 128 (para as Defensorias Estaduais), da Lei Complementar nº 80/94. DO NÃO INDEFERIMENTO Trata-se o Requerido de indivíduo economicamente hipossuficiente e juridicamente vulnerável, não possuindo endereço eletrônico nos termos do art. 319, II do CPC, bem como não possui todas as informações acerca da parte adversa. Não obstante, a fim de garantir o total e pleno acesso à justiça, de acordo com o disposto no art. 319, §§ 2º e 3º da Lei 13.105/2015, a ausência de tais informações na inicial não implicam o indeferimento da mesma. DA REALIZAÇÃO PRÉVIA DE AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO Requer a realização prévia de conciliação, com o propósito de celeridade processual, bem como, uma resolução pacifica entre as partes sem o desgaste advindo do dispêndio processual, nos termos do artigo 319, VII, da Lei 13.105/2015. DOS FATOS O requerente e a mãe da requerida mantiveram um relacionamento durante dois meses, posteriormente por motivos particulares, o requerido e a mãe da requerida optaram por cessar com o vínculo amoroso. Transcrito o tempo necessário de uma gestação, a mesma procurou o requerido alegando estar grávida, onde o autor de boa-fé reconheceu como legítima a filha, vindo a registrá-la em seu nome, agindo de boa índole, sem precaver-se acerca da legítima paternidade. Diante disso o autor passou a cumprir com seus deveres paternos, no entanto sem constituir uma relação de cunho afetivo com a mesma, nem com sua mãe, pagando uma pensão mensal para a criança, em auxílio de seu sustento. Salienta-se, o fato de que o mesmo nunca construiu uma relação afetiva com a menor impúbere, mantendo sempre um certo distanciamento da própria em vista da relação efêmera com a mãe e de certa desconfiança com relação a efetiva paternidade. Em virtude disso, decorrido em torno de oito meses após o nascimento da menor, o autor começou por conta própria perceber na criança traços semelhante ao de um outro funcionário da empresa de mecânica, Sr Joao da Silva, cujo Antonia também teve um relacionamento. A fim de produzir prova da inexistência de vínculo biológico com a Requerida, o Autor chegou a propor a realização de exame de DNA, o que, contudo, não foi aceito pela genitora do Requerido, o que somente corroborou as convicções do Requerente acerca da inexistência de paternidade biológica em relação ao réu. É fato, ademais, que, atualmente, o Requerente não mantém qualquer contato com a criança, situação, inclusive, que é reforçada por atitudes da genitora, que tem se negado a permitir o contato do menor com o Autor. Portanto, hodiernamente, sequer existe vínculo afetivo entre as partes. Assim, para corrigir a situação, considerando que incorreu em erro, já que não é o pai biológico do réu, o Requerente propõe a presente demanda, com os seguintes objetivos: Seja negada a existência de vínculo paterno-filial biológico e afetivo entre Leticia e seu pai registral Tulio Marcos. DO DIREITO Dispõe a Constituição Federal, em seus artigos abaixo transcritos, o seguinte: Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. § 6º - Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção, terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação. Art. 229. Os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores, e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade. Dispõe o Código Civil Brasileiro, em seus artigos abaixo transcritos, o seguinte: Art. 1604. Ninguém pode vindicar estado contrário ao que resulta do registro de nascimento, salvo provando-se erro ou falsidade do registro. Art. 1605. Na falta, ou defeito, do termo de nascimento, poderá provar-se a filiação por qualquer modo admissível em direito: I – quando houver começo de prova por escrito, proveniente dos pais, conjunta ou separadamente; II – quando existirem veementes presunções resultantes de fatos já certos. Art. 1.606. A ação de prova de filiação compete ao filho, enquanto viver, passando aos herdeiros, se ele morrer menor ou incapaz. Art. 1607. O filho havido fora do casamento pode ser reconhecido pelos pais, conjunta ou separadamente. Dispõe a lei nº 8.069/90 – Estatuto da Criança e do Adolescente -, em seu artigo abaixo transcrito, o seguinte: Art. 27. O reconhecimento do estado de filiação é direito personalíssimo, indisponível e imprescritível, podendo ser exercido contra os pais ou seus herdeiros, sem qualquer restrição, observado o segredo de Justiça. A jurisprudência do Egrégio Tribunal de Justiça do DF e Territórios demonstra a existência de inúmeros precedentes judiciais que permitem a investigação da paternidade biológica da criança ou adolescente, como se pretende nesta demanda, conforme apontam as ementas abaixo colacionadas: CIVIL. FAMÍLIA. AÇÃO NEGATÓRIA DE PATERNIDADE. EXAME DE DNA. INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO AFETIVO. EXCLUSÃO DA PATERNIDADE. 1. É direito do pai registral esclarecer suas dúvidas acerca da paternidade legalmente assumida no curso de relacionamento estável. 2. Comprovada a exclusão genética do suposto pai, após realização de exame de DNA, a lei faculta ao indigitado pai a sua exclusão do registro de nascimento daqueles que, até então, supunha ser geneticamente seus filhos. 3. É certo que a paternidade não cinge-se em vínculo meramente biológico, porém, para que se imponha ao pai registral o dever de continuar a haver como seus, filhos de outrem, os quais descobriu somente após o exame de DNA que não o são, é imprescindível que entre supostopai e filhos haja vínculo afetivo, amparado em afetuosa convivência. 4. A paternidade socioafetiva deriva de convívio amigável e afetuoso entre pais e filhos, não podendo ser imposta ao pai registral que nunca conviveu com os filhos por ele assumidos no passado e que enganosamente supunha serem seus. 5. Recurso conhecido e provido. (20070710146908APC, Relator NILSONI DE FREITAS, 2ª Turma Cível, julgado em 24/03/2010, DJ 15/04/2010 p. 66) CIVIL. DIREITO DE FAMÍLIA. NEGATÓRIA DE PATERNIDADE. EXAME DE DNA. ASSUNÇÃO DA PATERNIDADE COM MULHER QUE O DECLARANTE MANTEVE RELACIONAMENTO. RECONHECIMENTO DE PATERNIDADE MEDIANTE ERRO. PATERNIDADE SÓCIO-AFETIVA. REQUISITOS. INEXISTÊNCIA. 1. De cediço conhecimento que o erro é "uma noção inexata sobre um objeto, que influencia a formação da vontade do declarante, que a emitirá de maneira diversa da que a manifestaria se dele tivesse conhecimento exato (...). Para viciar a vontade e anular o ato negocial, este deverá ser substancial, escusável e real. Escusável, no sentido de que há de ter por fundamento uma razão plausível ou ser de tal monta que qualquer pessoa de atenção ordinária seja capaz de cometê-lo (...). Real, por importar efetivo dano para o interessado. O erro substancial é erro de fato por recair sobre circunstancia de fato, ou seja, sobre as qualidades essenciais da pessoa ou da coisa" (Maria Helena Diniz, Código Civil Anotado, 1997, p. 109). 2. In casu, presente o erro em que incidiu o Requerente ao emitir, de boa fé a mais não poder, declaração de vontade consistente em reconhecer a paternidade de uma criança que supunha ser seu filho, por haver confiado na genitora do menor com quem manteve relacionamento e que lhe fez acreditar ser ele o pai biológico do Requerido. 3. A adoção à brasileira é um reconhecimento voluntário da paternidade, quando não existe vínculo biológico, que se aproxima da paternidade adotiva, embora não se submeta ao devido processo legal. 3.1 Parentesco civil, no Código Civil antigo, sempre foi havido como aquele oriundo somente de adoção, mas o atual Código Civil, ao referir-se, de maneira aberta, ao parentesco civil como aquele que resulta de outra origem que não seja a consangüinidade, possibilita outras interpretações. 3.2 Parentesco civil é aquele oriundo de relação sócio-afetiva, que não se restringe à adoção. 3.3 E dentre tais relações sócio-afetivas estão aquelas antes vistas, em que um homem registra filho alheio como seu. 3.4 Para que exista a paternidade sócio-afetiva, é necessário o preenchimento de dois requisitos: a) inexistência de vício de consentimento; b) que o pai trate o filho como seu, de modo a assim ser havido em sociedade. 4. No caso dos autos, o autor foi induzido em erro; mantinha um relacionamento com a mãe do menor, e por isso assumiu a paternidade, ainda que com desconfiança. 4.1 A criança cresceu e as diferenças externaram-se mais evidentes tendo então o autor resolvido colocar uma pá de cal sobre o assunto quando então realizou exame DNA, cujo resultado já era esperado: negativo. 5. Não se pode impor os deveres de cuidado, carinho e sustento a alguém que não sendo pai biológico, também não deseja ser pai sócio-afetivo. 6. Precedente da Casa. 6.1 "1 - O exame de DNA, dada a precisão de seu resultado, é prova que, confirmando ou não a paternidade, não pode ser desconsiderada, mesmo que o suposto pai, por erro, tenha registrado a criança como filho. 2 - Não há paternidade sócio-afetiva se o suposto pai, iludido pela mãe, fez o registro de nascimento da criança acreditando que essa era sua filha, máxime e se inexistiu convivência por tempo suficiente para que haja afeto entre o pai e a criança, de forma que a filha, tratada como tal, seja criada e educada pelo pai. 3 - Omissis. 4 - Apelação provida em parte." (TJDF, 6ª Turma Cível, Apelação Cível nº 2007015010145-8 APC DF, Relator Desembargador Jair Soares, DJ 25/06/2008, pág. 82). 7. Precedente do C. STJ. 7.1 "Direito civil. Família. Recurso especial. Ação negatória de paternidade. Exame de DNA. - Tem-se como perfeitamente demonstrado o vício de consentimento a que foi levado a incorrer o suposto pai, quando induzido a erro ao proceder ao registro da criança, acreditando se tratar de filho biológico. - A realização do exame pelo método DNA a comprovar cientificamente a inexistência do vínculo genético, confere ao marido a possibilidade de obter, por meio de ação negatória de paternidade, a anulação do registro ocorrido com vício de consentimento. - A regra expressa no art. 1.601 do CC/02, estabelece a imprescritibilidade da ação do marido de contestar a paternidade dos filhos nascidos de sua mulher, para afastar a presunção da paternidade. - Não pode prevalecer a verdade fictícia quando maculada pela verdade real e incontestável, calcada em prova de robusta certeza, como o é o exame genético pelo método DNA. - E mesmo considerando a prevalência dos interesses da criança que deve nortear a condução do processo em que se discute de um lado o direito do pai de negar a paternidade em razão do estabelecimento da verdade biológica e, de outro, o direito da criança de ter preservado seu estado de filiação, verifica-se que não há prejuízo para esta, porquanto à menor socorre o direito de perseguir a verdade real em ação investigatória de paternidade, para valer-se, aí sim, do direito indisponível de reconhecimento do estado de filiação e das conseqüências, inclusive materiais, daí advindas. Recurso especial conhecido e provido. REsp878954/RS, Ministra Nancy Andrighi, DJ 28/05/2007 p. 339). 8. Recurso conhecido e provido.(20080310087594APC, Relator JOÃO EGMONT, 6ª Turma Cível, julgado em 20/01/2010, DJ 10/03/2010 p. 134) No caso vertente, emerge indiscutível dos fatos narrados que a certidão de nascimento da menor contém declaração falsa e eivada de erro (falsa representação da realidade) por ocasião do registro de nascimento do menor no que se refere à sua paternidade. Constatada a falsidade e o erro que motivaram a declaração inserida na certidão de nascimento da parte requerida, impõe-se sua anulação. SÍNTESE DOS PEDIDOS Ante o exposto, a parte Requerente postula a esse egrégio Juízo: a) a concessão dos benefícios da assistência judiciária integral e gratuita, por declarar que não possui condições econômico-financeiras de contratar um advogado sem prejuízo ao seu sustento e ao de sua família (Lei nº 1.060/50, art. 4º, § 1º); b) a citação do Requerido, para que tome ciência da demanda e a conteste, caso queira, sob pena de incidência dos efeitos materiais e processuais da revelia; c) a designação de audiência de conciliação, instrução e julgamento, caso haja oposição do requerido aos pedidos formulados, promovendo-se a colheita de prova oral (depoimento pessoal da genitora do requerido, sob pena de confissão, e oitiva de testemunhas ora arroladas anexo II); d) a realização de exame pericial de DNA, às expensas do Poder Público, em relação ao qual as partes deverão ser intimadas para comparecimento, na data e horário designados, ao Instituto XXXXXX e) o julgamento de procedência dos pedidos para que seja reconhecida a inexistência de vínculo paterno-filial biológico e afetivo entre XXXXXX e seu pai registral XXXXX; f) transitada em julgado a sentença, a expedição de mandado de averbação, para que se procedam às alterações registrais necessárias. O Requerente pleiteia, desde já, provar o alegado através de todos os meios de prova em direito admitidos, pelo to pessoal da genitora do menor, sob pena de confesso, bem assim oitiva das testemunhas arroladas (anexo I). Atribui-se à causa o valor de R$ 998,00 (novecentos e noventa e oito reais) Com essas brevíssimas considerações, Pede deferimento. Campinas, 14 de Agosto de 2019 Advogado/OAB ANEXO I ROL DE TESTEMUNHAS: (1) - (2) - (3) - 2. Apresente as disposições legais e comente-as 2.1) Dispõe a Constituição Federal, em seus artigos abaixo transcritos, o seguinte: Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade,o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. § 6º - Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção, terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação. Consiste na garantia e formação de políticas públicas para a proteção á vida da criança e do adolescente (C/A) desde a concepção (teoria concepcionista), sendo este filho havidos ou não do casamento e sem designação discriminatória. Art. 229. Os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores, e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade. A ponderação do dever familiar presente no artigo, prevê a garantia constitucional da reparação por danos morais, pressupõe o reexame do conjunto fático-probatorio, já debatido pelas instancias ordinárias e exaurido pelo STJ. Dispõe o Código Civil Brasileiro, em seus artigos abaixo transcritos, o seguinte: Art. 1604. Ninguém pode vindicar estado contrário ao que resulta do registro de nascimento, salvo provando-se erro ou falsidade do registro. Art. 1605. Na falta, ou defeito, do termo de nascimento, poderá provar-se a filiação por qualquer modo admissível em direito: I – quando houver começo de prova por escrito, proveniente dos pais, conjunta ou separadamente; II – quando existirem veementes presunções resultantes de fatos já certos. Art. 1.606. A ação de prova de filiação compete ao filho, enquanto viver, passando aos herdeiros, se ele morrer menor ou incapaz. Art. 1607. O filho havido fora do casamento pode ser reconhecido pelos pais, conjunta ou separadamente. Dispõe a lei nº 8.069/90 – Estatuto da Criança e do Adolescente -, em seu artigo abaixo transcrito, o seguinte: Art. 27. O reconhecimento do estado de filiação é direito personalíssimo, indisponível e imprescritível, podendo ser exercido contra os pais ou seus herdeiros, sem qualquer restrição, observado o segredo de Justiça. 3. Indique o prazo para defesa e se são contados em dias uteis. Indique e a partir de que data inicia-se a contagem do prazo. Indique os fundamentos legais. R = O prazo para defesa e de 15 dias, Com a nova sistemática uma relevante modificação, está contida no artigo 219do NCPC, a qual legisla sobre a contagem dos prazos, que são contados em dias úteis e não mais de forma corrida, além de que exclui-se o primeiro dia e inclui-se o dia final. 4. Apresente 3 (três) jurisprudências de outros estados e 01 do estado de São Paulo. Comente-as SP DIREITO DE FAMÍLIA. AÇÃO NEGATÓRIA DE PATERNIDADE. EXAME DE DNA. AUSÊNCIA DE VÍNCULO BIOLÓGICO. PATERNIDADE SOCIOAFETIVA. RECONHECIMENTO. "ADOÇÃO À BRASILEIRA". IMPROCEDÊNCIA DO PEDIDO. 1. A chamada "adoção à brasileira", muito embora seja expediente à margem do ordenamento pátrio, quando se fizer fonte de vínculo socioafetivo entre o pai de registro e o filho registrado, não consubstancia negócio jurídico vulgar sujeito a distrato por mera liberalidade, tampouco avença submetida a condição resolutiva consistente no término do relacionamento com a genitora. 2. Em conformidade com os princípios do Código Civil de 2002 e da Constituição Federal de 1988, o êxito em ação negatória de paternidade depende da demonstração, a um só tempo, da inexistência de origem biológica e também de que não tenha sido constituído o estado de filiação, fortemente marcado pelas relações socioafetivas e edificado na convivência familiar. Vale dizer que a pretensão voltada à impugnação da paternidade não pode prosperar quando fundada apenas na origem genética, mas em aberto conflito com a paternidade socioafetiva. 3. No caso, ficou claro que o autor reconheceu a paternidade do recorrido voluntariamente, mesmo sabendo que não era seu filho biológico, e desse reconhecimento estabeleceu-se vínculo afetivo que só cessou com o término da relação com a genitora da criança reconhecida. De tudo que consta nas decisões anteriormente proferidas, dessume-se que o autor, imbuído de propósito manifestamente nobre na origem, por ocasião do registro de nascimento, pretende negá-lo agora, por razões patrimoniais declaradas. 4. Com efeito, tal providência ofende, na letra e no espírito, o art. 1.604 do Código Civil, segundo o qual não se pode "vindicar estado contrário ao que resulta do registro de nascimento, salvo provando-se erro ou falsidade do registro", do que efetivamente não se cuida no caso em apreço. Se a declaração realizada pelo autor, por ocasião do registro, foi uma inverdade no que concerne à origem genética, certamente não o foi no que toca ao desígnio de estabelecer com o infante vínculos afetivos próprios do estado de filho, verdade social em si bastante à manutenção do registro de nascimento e ao afastamento da alegação de falsidade ou erro. 5. A a manutenção do registro de nascimento não retira da criança o direito de buscar sua identidade biológica e de ter, em seus assentos civis, o nome do verdadeiro pai. É sempre possível o desfazimento da adoção à brasileira mesmo nos casos de vínculo socioafetivo, se assim decidir o menor por ocasião da maioridade; assim como não decai seu direito de buscar a identidade biológica em qualquer caso, mesmo na hipótese de adoção regular. Precedentes. 6. Recurso especial não provido. (STJ - REsp: 1352529 SP 2012/0211809-9, Relator: Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, Data de Julgamento: 24/02/2015, T4 - QUARTA TURMA, Data de Publicação: DJe 13/04/2015) GO APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO NEGATÓRIA DE PATERNIDADE. PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA AFASTADA. EXAME DE DNA NEGATIVO. AUSÊNCIA DE VÍNCULO BIOLÓGICO. FILIAÇÃO SOCIOAFETIVA NÃO COMPROVADA. PROCEDÊNCIA DO PEDIDO INAUGURAL. SENTENÇA MANTIDA. 1 - Não há se falar em cerceamento do direito de defesa dos réus/recorrentes, pois o advogado deles foi devidamente cadastrado no SPG e enviada nova publicação ao Diário da Justiça para que tivesse ciência dos atos praticados no processo, assim como designação de audiência de instrução e julgamento, tanto que o causídico apresentou petição na sequência e compareceu ao ato realizado, ocasião em que foi colhido depoimento pessoal da genitora dos recorrentes, revelando que tinha ciência do resultado do exame de DNA, sem nada alegar quanto contraprova. 2 - O resultado negativo da perícia genética, por si só, não exclui a necessidade de produção de outras provas, a fim de se verificar a existência ou não de relação socioafetiva eventualmente formada entre pai e filhos registrários, sendo imprescindível para a procedência do pedido negatório e a reversão do respectivo registro que haja dilação probatória nesse sentido. 3 - No caso, constatada a ocorrência de erro, eis que o autor/apelado, pai registral, por desconhecimento das circunstâncias, agiu de modo que não seria a sua vontade, impõe-se a anulação da paternidade constante no registro civil. Ademais, encontrando-se ausentes os elementos essenciais da posse de estado de filiação, consistentes na solidariedade afetiva entre pai e filhos e reconhecimento social respectivamente, incabível se mostra o reconhecimento da paternidade socioafetiva, apta à manutenção do registro. APELAÇÃO CÍVEL CONHECIDA E DESPROVIDA. (TJ-GO - APL: 02301657520158090040, Relator: Sandra Regina Teodoro Reis, Data de Julgamento: 26/02/2019, 6ª Câmara Cível, Data de Publicação: DJ de 26/02/2019) RJ APELAÇÃO CIVEL. AÇÃO NEGATÓRIA DE PATERNIDADE COM PEDIDO ANULAÇÃO DE REGISTRO. EXAME DE DNA EXCLUDENTE DA PATERNIDADE BIOLÓGICA. INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO SOCIOAFETIVO. VÍCIO DE VONTADE CARACTERIZADO. PARTE RÉ QUE JÁ ALCANÇOU A MAIORIDADE. 1. Restou incontroverso nos autos que o réu, nascido em 24/01/1999, foi registrado pelo autor como seu filho, em 08/02/1999, pretendendo o autor a declaração negatória da paternidade e a anulação do respectivo registro, com baseem alegado vício de vontade quanto a este ato, tendo em vista o resultado negativo em exame de DNA. 2. Além da prova cabal de exclusão da paternidade biológica, restou também comprovado pelos laudos de estudo social e psicológico que não foi construído vínculo de filiação socioafetiva entre o pai registral e o réu, uma vez que este último foi criado pela avó materna, sem contato com o apelante. 3. Por outro lado, não há nenhuma prova nos autos de que o autor teria, de fato, consciência de que não era o pai biológico do réu na época do registro, nem ao menos qualquer evidência que permita inferir que o autor teria tal conhecimento, a corroborar o fundamento da sentença, de reconhecimento livre e espontâneo da paternidade. 4. A situação em comento é um tanto sui generis na medida em que o apelante não é pai biológico e nem afetivo do apelado que, por sua vez, já alcançou a maioridade, não se justificando maior excesso de zelo em sua proteção legal. 5. Neste contexto, não é razoável impor às partes a manutenção de uma ficção registral, com sérias e possíveis consequências sociais e patrimoniais negativas, especialmente para o autor, sem qualquer fundamento biológico ou afetivo que o justifique, vislumbrando-se ainda a verossimilhança das alegações autorais acerca da configuração do vício de vontade quanto ao ato de registro de paternidade, como também entendeu o Ministério Público em seu parecer recursal. PROVIMENTO DO RECURSO, POR MAIORIA. (TJ-RJ - APL: 00143605020108190206 RIO DE JANEIRO SANTA CRUZ REGIONAL 3 VARA DE FAMILIA, Relator: Des(a). CARLOS SANTOS DE OLIVEIRA, Data de Julgamento: 06/11/2018, VIGÉSIMA SEGUNDA CÂMARA CÍVEL) RS AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO NEGATÓRIA DE PATERNIDADE CUMULADA COM PEDIDO DE ANULAÇÃO DE REGISTRO CIVIL. DETERMINAÇÃO DE REALIZAÇÃO DE EXAME DE DNA. DESCABIMENTO. 1. Mostra-se descabida a realização de exame de DNA visando averiguar a paternidade biológica quando a parte reconheceu espontaneamente a paternidade da filha pois, ao tempo da concepção e do nascimento da menor, era casado com a genitora da mesma, e não logrou demonstrar a ocorrência vício de consentimento. 2. Descabe determinar a realização de exame de DNA quando a parte propõe a ação visando exonerar-se do encargo alimentar, por ter mera dúvida acerca da existência ou não do liame biológico. Recurso provido. (Agravo de Instrumento Nº 70067675769, Sétima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Sérgio Fernando de Vasconcellos Chaves, Julgado em 16/03/2016). (TJ-RS - AI: 70067675769 RS, Relator: Sérgio Fernando de Vasconcellos Chaves, Data de Julgamento: 16/03/2016, Sétima Câmara Cível, Data de Publicação: Diário da Justiça do dia 21/03/2016) 5. Pesquise e traga o pronunciamento do STF ou STJ para o caso em tela. o STJ sedimentou o entendimento de que, em conformidade com os princípios do Código Civil de 2002 e da Constituição Federal de 1988, o sucesso da ação negatória de paternidade, depende da demonstração, a um só tempo: a) da inexistência de origem biológica; b) de que não tenha sido constituído o estado de filiação socioafetiva, edificado, na maioria das vezes, pela convivência familiar; e c) demonstração inequívoca de vício de consentimento do pai registral no momento do registro. Portanto, é de rigor a Improcedência da Ação Negatória de Paternidade, ainda que com DNA negativo, quando houver a Paternidade Socioafetiva. Importante notar que o conceito de Família evoluiu, refletindo tal mudança, por óbvio, também no Direito de Família. Na legislação civil brasileira há três hipóteses de parentalidade socioafetiva: a decorrentes de adoção, a de inseminação artificial e a posse de estado de filiação. A possibilidade do reconhecimento da paternidade socioafetiva está no artigo 1.593, do Código Civil de 2.002, que prescreve: "o parentesco é natural ou civil, conforme resulte de consanguinidade ou outra origem". Essa possibilidade não existia no Código Civil de 1916 que fazia distinções entre os membros da família e trazia qualificações diferenciadas para as pessoas unidas sem casamento e aos filhos havidos dessas relações. Tal tema foi objeto da V Jornada de Direito Civil, realizada pelo Conselho da Justiça Federal em 2011, . Enunciado 519: "Art. 1.593. O reconhecimento judicial do vínculo de parentesco em virtude de socioafetividade deve ocorrer a partir da relação entre pai (s) e filho (s), com base na posse do estado de filho, para que produza efeitos pessoais e patrimoniais". A parentalidade socioafetiva é objeto de diversas e constantes decisões judiciais e da própria decisão do STF quanto ao tema 622 de repercussão geral, do dia 22 de setembro de 2016, que reconheceu a prevalência da paternidade socioafetiva em detrimento da paternidade biológica. Assim ementada: STF - TEMA - 622 = "RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. DIREITO CIVIL. AÇÃO DE ANULAÇÃO DE ASSENTO DE NASCIMENTO.INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE. IMPRESCRITIBILIDADE. RETIFICAÇÃO DE REGISTRO. PATERNIDADE BIOLÓGICA. PATERNIDADE SOCIOAFETIVA. CONTROVÉRSIA GRAVITANTE EM TORNO DA PREVALÊNCIA DA PATERNIDADE SOCIOAFETIVA EM DETRIMENTO DA PATERNIDADE BIOLÓGICA. ART. 226, CAPUT, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. PLENÁRIO VIRTUAL. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. (STF - 22.9.2016) Importante frisar, por oportuno, que a Paternidade Socioafetiva não exime de responsabilidade o pai biológico, conforme decidiu o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 898060, com repercussão geral reconhecida, que deu origem ao" Tema 622 "supra. Pesquisamos e reunimos julgados do STJ, com a finalidade de demonstrar o posicionamento reiterado daquele Superior Tribunal de Justiça acerca da questão apresentada. Vejamos: JURISPRUDÊNCIA: Caso 01 = Herdeira biológica propôs ação de investigação de paternidade c/c anulação de registro de nascimento com intuito de anular 8 (oito) registros de nascimento de filhos"ilegítimos"reconhecidos por seu pai, entre os anos de 1950 e 1980, porquanto frutos de relações extraconjugais entabuladas"à margem da lei". Os filhos foram registrados no período em que o pai, falecido em 1994 (autor da herança), ainda era casado com a mãe da autora, de quem somente se divorciou em 1993. A autora alegou que os atos registrais de nascimentos não representariam a verdade real dos fatos, pois a paternidade teria sido afastada pela prova pericial (DNA), motivo pelo qual pugnou pela anulação dos registros de nascimento dos requeridos, que a seu ver, estariam atrelados exclusivamente aos vínculos genéticos. A sentença julgou improcedente o pedido de anulação dos registros civis, tendo em vista a configuração da filiação socioafetiva, o que foi mantido nos seguintes termos: RECURSO ESPECIAL. PROCESSO CIVIL. DIREITO DE FAMÍLIA. AÇÃO NEGATÓRIA DE PATERNIDADE CUMULADA COM ANULATÓRIA DE REGISTRO DE NASCIMENTO. VÍCIO DE CONSENTIMENTO. INEXISTÊNCIA. RELAÇÃO SOCIOAFETIVA. CONFIGURAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA CONTRÁRIA. ÔNUS DE QUEM ALEGA. ART. 333 DO CPC/1973. SÚMULA Nº 7/STJ. 1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 1973 (Enunciados Adm. nºs 2 e 3/STJ). 2. A retificação do registro de nascimento depende da configuração de erro ou falsidade (art. 1.604 do Código Civil/2002) em virtude da presunção de veracidade decorrente do ato, bem como da inexistência de relação socioafetiva preexistente entre pai e filho. 3. A paternidade socioafetiva não foi impugnada pela autora, a quem incumbia o ônus de desconstituir os atos praticados por seu pai biológico, à luz do art. 333, I, do CPC/1973. 4. O Tribunal local manteve incólumes os registros de nascimentos em virtude da filiação socioafetiva, circunstância insindicável nesta instância especial em virtude do óbice da Súmula nº 7/STJ. 5. Recurso especial não provido. (REsp 1730618/RJ, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 22/05/2018, DJe 30/05/2018) Caso 02 = Companheiro registra como seu filho da companheira, sabendo não ser o pai biológico, a famosa" adoção à brasileira ". Decorrido o tempo, questiona judicialmenteessa paternidade, alegando a falta de vínculo biológico ante o resultado negativo do exame de DNA. Ocorre, no entanto, que restou comprovado o vínculo de afeto consolidado pela convivência familiar: RECURSO ESPECIAL. AÇÃO NEGATÓRIA DE PATERNIDADE. RECONHECIMENTO ESPONTÂNEO DA PATERNIDADE PELO COMPANHEIRO DA MÃE. INEXISTÊNCIA DE ERRO SUBSTANCIAL QUANTO À PESSOA. FORMAÇÃO DA PATERNIDADE SOCIOAFETIVA. IMPOSSIBILIDADE DE ANULAÇÃO DO REGISTRO. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA NÃO COMPROVADA. 1. (...). 2. A" adoção à brasileira ", ainda que fundamentada na" piedade "e muito embora seja expediente à margem do ordenamento pátrio, quando se fizer fonte de vínculo socioafetivo entre o pai de registro e o filho registrado, não consubstancia negócio jurídico sujeito a distrato por mera liberalidade, tampouco avença submetida a condição resolutiva, consistente no término do relacionamento com a genitora. 3. Em conformidade com os princípios do Código Civil de 2002 e da Constituição Federal de 1988, o êxito, em ação negatória de paternidade, depende da demonstração, a um só tempo, da inexistência de origem biológica e também de que não tenha sido constituído o estado de filiação, fortemente marcado pelas relações socioafetivas e edificado, na maioria das vezes, na convivência familiar. 4. Nos casos em que inexistente erro substancial quanto à pessoa dos filhos reconhecidos, não tendo o pai falsa noção a respeito das crianças, não será possível a alteração desta situação, ainda que seja realizada prova da filiação biológica com resultado negativo. 5. Em linha de princípio, somente o pai registral possui legitimidade para a ação na qual se busca impugnar a paternidade - usualmente denominada de ação negatória de paternidade -, não podendo ser ajuizada por terceiros com mero interesse econômico. (REsp 1412946/MG, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 17/03/2016, DJe 22/04/2016) 6. A interposição recursal com base na alínea c do permissivo constitucional exige a demonstração analítica da alegada divergência, fazendo-se necessária a transcrição dos trechos que configurem o dissenso e a menção às circunstâncias que identifiquem os casos confrontados. 7. Recurso especial provido. (REsp 1333360/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 18/10/2016, DJe 07/12/2016) No mesmo sentido: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CIVIL E PROCESSUAL CIVIL (CPC/1973). FAMÍLIA. AÇÃO NEGATÓRIA DE PATERNIDADE E DE ANULAÇÃO DE REGISTRO DE NASCIMENTO. 1. Controvérsia em torno da presença dos requisitos legais para a desconstituição da paternidade declarada em desacordo com a verdade biológica. 2. Possibilidade, segundo a orientação jurisprudencial desta Corte, de desconstituição do registro de nascimento quando baseado em vício de consentimento e uma vez afastada a existência de filiação sociofetiva, como verificado no caso dos autos. 3. Inviabilidade do acolhimento da pretensão recursal fundada na alegação de que não houve erro a comprometer a manifestação de vontade do pai registral, por demandar o reexame de matéria fático-probatória dos autos. 4. Razões do agravo interno que não alteram as conclusões da decisão agravada acerca da atração dos óbices dos enunciados das Súmulas n.ºs 07 e 83/STJ.5. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO.(AgInt no REsp 1531311/DF, Rel. Min.PAULO DE TARSO SANSEVERINO, 3a Turma, DJe 05/09/2018); - Caso 03 = Controvérsia acerca do reconhecimento da ilegitimidade dos filhos/ sucessores do suposto pai da recorrente, para o pleito de ajuizamento de negatória de paternidade a qual servirá, eventualmente, para anulação do registro de nascimento dessa, com base em vício de consentimento do pai registral. RECURSO ESPECIAL - AÇÃO NEGATÓRIA DE PATERNIDADE OBJETIVANDO A ANULAÇÃO DE REGISTRO DE NASCIMENTO - ILEGITIMIDADE ATIVA DOS HERDEIROS DO DE CUJUS PARA A AÇÃO NEGATÓRIA DE PATERNIDADE - EXAME DE DNA NEGATIVO - PREPONDERÂNCIA DA PATERNIDADE SOCIOAFETIVA - VÍCIO DE CONSENTIMENTO NÃO COMPROVADO. INSURGÊNCIA DA RÉ. 1. Somente o pai registral tem legitimidade ativa para impugnar o ato de reconhecimento de filho, por ser ação de estado, que protege direito personalíssimo e indisponível do genitor. Precedentes. 2. A paternidade biológica feita constar em registro civil a contar de livre manifestação emanada do próprio declarante, ainda que negada por posterior exame de DNA, não pode ser afastada em demanda proposta exclusivamente por herdeiros, mormente havendo provas dos fortes laços socioafetivos entre o pai e a filha, não tendo o primeiro, mesmo ciente do resultado do exame de pesquisa genética, portanto, ainda em vida, adotado qualquer medida desconstitutiva de liame. Precedentes. 2.1. A divergência entre a paternidade declarada no assento de nascimento e a paternidade biológica não autoriza, por si só, a desconstituição do registro, que somente poderia ser anulado, uma vez comprovado erro ou falsidade, o que no caso, inexistiu, ocorrendo, apenas, mera alegação de vícios por parte dos recorridos. 3. Recurso especial provido, a fim de julgar extinto o processo, sem resolução do mérito, ante a ilegitimidade ativa dos autores, nos termos da sentença, a qual fica desde já restabelecida. (REsp 1131076/PR, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 06/10/2016, DJe 11/11/2016) 6. Pronuncie-se quanto ao prazo e a forma de defesa de TULIO MARCOS caso ANTONIA CRUZ tivesse intentado ação de alimentos grávidos. Após o recebimento da inicial deferida, o réu terá um prazo de 5 (cinco) dias para oferecer defesa (conforme art. 7o da lei de alimentos gravídicos) que poderá negar suposta paternidade. No entanto, tal negativa não impede a fixação dos alimentos e nem a manutenção do seu pagamento.