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Grécia Antiga Período Pré-Homérico (séculos XX - XII a.C.) Período Homérico (séculos XII - VIII a.C.) Período Arcaico (séculos VIII - VI a.C.) Período Clássico (séculos V - IV a.C.) Democracia Ateniense Esparta e Atenas Mito e Filosofia na Grécia Antiga A origem da Filosofia Aristóteles A CONTRIBUIÇÃO DE HERÓDOTO E DE TUCÍDIDES PARA A HISTORIOGRAFIA Civilização de Roma HELENISMO E CULTURA GREGA A INVASÃO MACEDÔNICA Grécia Antiga Grécia Antiga é a época da história grega que se estende do século XX ao século IV a.C. Política Quando falamos em Grécia Antiga não estamos nos referindo a um país unificado. Na verdade, eram um conjunto de cidades que compartilhavam a língua, costumes e algumas leis. No entanto, muitas delas eram até inimigas entre si como foi o caso de Atenas e Esparta. De todos as maneiras, no Período Clássico, os gregos procuraram cultivar a beleza e a virtude desenvolvendo as artes da música, pintura, arquitetura, escultura, etc. Dessa maneira, acreditavam que os cidadãos seriam capazes de contribuir para o bem-comum. Estava lançada, assim, a democracia. Sociedade Cada polis tinha sua própria organização social. Algumas, como Atenas, admitiam a escravidão, por dívida ou guerras. Por sua vez, Esparta, tinha poucos escravos, mas possuíam os servos estatais, que pertencia ao governo espartano. Ambas cidades tinham uma oligarquia que os governava que também eram os proprietários das terras cultiváveis. Também em Atenas verificamos a figura dos estrangeiros chamados metecos. Só era cidadão quem nascia na cidade e por isso, os estrangeiros não podiam participar das decisões políticas da polis. Economia A economia grega se baseava em produtos artesanais, a agricultura e o comércio. Os gregos faziam produtos em coro, metal e tecidos. Estes davam muito trabalho, pois todas as etapas de produção - desde a fiação até o tingimento - eram demoradas. Os cultivos estavam dedicados às vinhas, oliveiras e trigo. A isto somavam-se à criação de animais de pequeno porte. O comércio estava presente e afetava toda sociedade grega. Para realizar as trocas comerciais se usava a moeda "dracma". Havia tanto o pequeno comércio do agricultor, que levava sua colheita ao mercado local, quanto o grande comerciante, que possuía barcos que faziam toda rota do Mediterrâneo. Religião Templo Partenon, dedicado à deusa Atenas, protetora da cidade de mesmo nome A religião da Grécia Antiga era politeísta. Ao receber a influência de vários povos, os gregos foram adotando deuses de outros lugares até constituir o panteão de deuses, ninfas, seres humanos que alcançavam a imortalidade e deuses que perdiam sua condição imortal.As estórias dos deuses serviam de ensinamento moral à sociedade, e também para justificar atos de guerra e de paz. Os deuses também interferiam na vida cotidiana e, praticamente, havia uma deidade para cada função. Cultura A cultura grega está intimamente ligada à religião. A literatura, a música e o teatro contavam os feitos dos heróis e de sua relação com os deuses que viviam no Olimpo. As peças teatrais eram muito populares e todas as cidades tinham seu palco onde eram encenadas as tragédias e comédias. A música era importante para alegrar banquetes civis e acompanhar atos religiosos. Os principais instrumentos eram a flauta, tambores e harpas. Esta última era utilizada para ajudar os poetas a recitarem suas obras. Igualmente, os esportes faziam parte do cotidiano grego. Por isso, para celebrar a aliança entre as diferentes polis, organizavam-se competições nos tempos de paz. A primeira delas foi realizada em 776 a.C, na cidade de Olímpia e daí seria conhecida como Jogos Olímpicos, ou simplesmente, Olimpíadas. Resumo da História A história da Grécia Antiga está dividida em quatro períodos: Pré-Homérico (séculos XX - XII a.C.) Homérico (séculos XII - VIII a.C.) Arcaico (séculos VIII - VI a.C.) Clássico (séculos V - IV a.C.) Período Pré-Homérico (séculos XX - XII a.C.) A Grécia antiga se formou da miscigenação dos povos Indo-Europeus ou arianos (aqueus, jônios, eólios, dórios). Eles migraram para a região situada no sul da península Balcânica, entre os mares Jônico, Mediterrâneo e Egeu. Acredita-se que por volta de 2000 a.C. chegaram os aqueus, que viviam num regime de comunidade primitiva. Depois de estabelecerem contato com os cretenses, de quem adotaram a escrita, se desenvolveram, construíram palácios e cidades fortificadas. Organizaram-se em vários reinos liderados pela cidade de Micenas. Daí o nome Civilização Aqueia de Micenas. Depois de aniquilarem a civilização cretense, dominaram várias ilhas do Mar Egeu. Destruíram Troia, cidade rival. Porém, no século XII a.C. foi destruída pelos dórios, que impuseram um violento domínio sobre toda a região, arrasaram as cidades da Hélade e provocaram a dispersão da população, o que favoreceu a formação de várias colônias. Este fato é conhecido como a 1ª diáspora grega. Período Homérico (séculos XII - VIII a.C.) As invasões dóricas provocaram um retrocesso das relações sociais e comerciais entre os gregos. Em algumas regiões surgiram o genos – comunidade formada por numerosas famílias, descendentes de um mesmo ancestral. Nessas comunidades, os bens eram comuns a todos, o trabalho era coletivo, criavam gado e cultivavam a terra. Tudo era dividido entre eles, que dependiam das ordens do chefe comunitário, chamado Pater, que exercia funções religiosas, administrativas e jurídicas. Com o aumento da população e o desequilíbrio entre a população e o consumo, os genos começaram a desagregar. Muitos começaram a deixar o genos e procurar melhores condições de sobrevivência, iniciando o movimento colonizador por boa parte do Mediterrâneo. Esse movimento que marca a desintegração do sistema gentílico é chamado de 2ª diáspora grega. Esse processo resultou na fundação de diversas colônias, entre elas: Bizâncio, mais tarde Constantinopla, e atual Istambul; Marselha e Nice, hoje na França; Nápoles, Tarento, Síbaris, Crotona e Siracusa, conhecidas em conjunto como Magna Grécia, no sul da atual Itália e na Sicília. Período Arcaico (séculos VIII - VI a.C.) Exemplo de Polis grega no qual o templo ficava no lugar mais alto da cidade O Período Arcaico se inicia com a decadência da comunidade gentílica. Nesse momento, os aristocratas resolvem se unir criando as frátrias (irmandades formadas por indivíduos de vários genos). Estas se uniram formando tribos. As tribos construíram, em terrenos elevados, as cidades fortificadas chamadas acrópoles. Estavam nascendo as cidades – Estados (pólis) gregas. Atenas e Esparta serviram de modelo para as demais polis grega Esparta era uma cidade aristocrática, fechada às influências estrangeiras e uma cidade agrária. Os espartanos valorizavam a autoridade, a ordem e a disciplina. Tornou-se um Estado militarista e foi uma cidade de escassa realização intelectual. Por sua vez, Atenas dominou durante muito tempo o comércio entre gregos e, em sua evolução política, conheceu várias formas de governo: monarquia, oligarquia, tirania e democracia. Atenas simbolizou o esplendor cultural da Grécia Antiga. Período Clássico (séculos V - IV a.C.) O início do Período Clássico foi marcado pelas Guerras Médicas, entre as cidades gregas e os persas, que ameaçavam o comércio e a segurança das pólis. Após as guerras, Atenas tornou-se líder da Confederação de Delos, uma organização composta por várias cidades-Estados. Estas deviam contribuir com navios e dinheiro para manter a resistência naval contra uma possível invasão estrangeira. O período da hegemonia ateniense coincidiu com a prosperidade econômica de Atenas, com o esplendor cultural da Grécia. Nesta época, a filosofia, o teatro, a escultura e a arquitetura atingiram sua maior grandeza. Pretendendo impor também sua hegemonia no mundo grego, Esparta compôs com outras cidades-Estados a Liga do Peloponeso e declarou guerra a Atenas em 431 a.C. Depois de 27 anos de lutas, Atenas foi derrotada. Anos mais tarde, Esparta perdeu a hegemonia para Tebas e duranteesse período a Grécia foi conquistada pelos exércitos da Macedônia. O período no qual os gregos estiveram sob o domínio do Império Macedônico, ficou conhecido como período helenístico. Grécia foi governada pelo imperador Felipe II e em seguida por seu filho Alexandre Magno, que conquistou um grande império. A fusão da cultura grega com a ocidental recebeu o nome de Cultura Helenística. Democracia Ateniense A Democracia Ateniense foi um regime político criado e adotado em Atenas, no período da Grécia Antiga. Ela foi essencial para a organização política das cidades-estados grega, sendo o primeiro governo democrático da história. O termo “Democracia” é formado pelo radical grego “demo” (povo) e de “kratia” (poder), que significa “poder do povo”. Resumo Anterior a implementação da Democracia em Atenas, a cidade-estado era controlada por uma elite aristocrática oligárquica denominada de “eupátridas” ou “bem nascidos”, os quais detinham o poder político e econômico na polis grega. Entretanto, com o surgimento de outras classes sociais (comerciantes, pequenos proprietários de terra, artesãos, camponeses, etc.), as quais pretendiam participar da vida política, a aristocracia resolve rever a organização política das cidades-estados, o que mais tarde resultou na implementação da “Democracia”. De tal maneira, por volta de 510 a.C. a democracia surge em Atenas através da vitória do político aristocrata grego Clístenes. Considerado o "Pai da Democracia", ele liderou uma revolta popular contra o último tirano grego, Hípias, que governou entre 527 a.C. e 510 a.C.. Após esse evento, Atenas foi dividida em dez unidades denominadas chamadas “demos”, que era o elemento principal dessa reforma e, por esse motivo, o novo regime passou a se chamar “demokratia”. Atenas possuía uma democracia direta, onde todos os cidadãos atenienses participavam diretamente das questões políticas da polis. De tal modo, Clístenes, baseada nas legislações anteriormente apresentadas por Dracon e Solon, iniciou reformas de ordem política e social que resultariam na consolidação da democracia em Atenas. Como forma de garantir o processo democrático na cidade, Clístenes adotou o “ostracismo”, onde os cidadãos que demostrassem ameaças ao regime democrático sofreriam um exílio de 10 anos. Isso impediu a proliferação de tiranos no governo grego. Sendo assim, o poder não estava somente concentrado na mão dos eupátridas. Com isso, os demais cidadãos livres maiores de 18 anos e nascidos em Atenas poderiam participar das Assembleias (Eclésia ou Assembleia do Povo), embora as mulheres, estrangeiros (metecos) e escravos estavam excluídos. Diante disso, podemos intuir que a democracia ateniense não era para todos os cidadãos sendo, portanto, limitada, excludente e elitista. Estima-se que somente 10% da população desfrutavam dos direitos democráticos. Além de Clístenes, Péricles deu continuidade à política democrática. Ele foi um importante democrata ateniense que permitiu ampliar o leque de possibilidades para os cidadãos menos favorecidos. Por volta de 404 a.C., a democracia ateniense sofreu grande declínio, quando Atenas foi derrotada por Esparta na Guerra do Peloponeso, evento que durou cerca de 30 anos. Características da Democracia Ateniense Democracia direta Reformas políticas e sociais Reformulação da antiga Constituição Igualdade perante a lei (isonomia) Igualdade de acesso aos cargos públicos (isocracia) Igualdade para falar nas Assembleias (isegoria) Direito de voto aos cidadãos atenienses Diferenças entre a Democracia Grega e Democracia Atual A democracia ateniense foi um modelo político que fora copiado por várias sociedades antigas, e que influencia até hoje o conceito de democracia no mundo. No entanto, a democracia atual é um modelo mais avançado e moderno da democracia ateniense, em que todos os cidadãos (maiores de 16 ou 18 anos), inclusive mulheres, podem votar e aceder a cargos públicos, sem que seja excludente e limitada. Além disso, na democracia ateniense, os cidadãos tinham uma participação direta na aprovação das leis e nos órgãos políticos da polis, enquanto na democracia atual (democracia representativa) os cidadãos elegem um representante. Esparta e Atenas As cidades de Esparta e Atenas se formaram durante o período Arcaico, no contexto da formação das primeiras polis gregas. Esse processo se consolidou entre 700 a.C. a 500 a. C. quando os Genos (tribos) nômades se tornaram sedentários. Mesmo que se denominassem Helenos e compartilharem de alguns costumes e tradições, como as divindades e os privilégios à aristocracia local, os gregos eram totalmente independentes entre si. Eles possuíam diferenças marcantes, o que não permite afirmarmos a existência de uma nação grega. E, dentre todas as cidades, Esparta e Atenas constituíram as duas maiores antíteses da Grécia Antiga. Observe que, a sociedade espartana já havia se tornado uma potência grega em torno de 520 a.C., quando dominava a Liga do Peloponeso. Foi nessa época que começaram os atritos com Atenas. Em 510 a.C., Cleômenes de Esparta tenta vencer os atenienses, mas é derrotado. Contudo, alguns anos mais tarde, em 480 a.C., estas duas cidades irão se unir contra o rei Xerxes, do Império Persa, com Atenas esmagando sua força naval e Esparta destroçando suas forças terrestres. Apesar de saírem vitoriosas contra os persas, as rivalidades entre as potências gregas aumentam gradativamente. Atenas começa a despontar como a maior potência marítima da Grécia, após a criação da Liga de Delos, o que deu início a Guerra do Peloponeso, em 432 a.C. Nela, Esparta se sagrou vitoriosa em 404 a.C., todavia, o desgaste provocado pelo confronto enfraqueceu as duas cidades. Isso possibilitou a dominação de Tebas, em 370 a.C., a qual se torna a potência dominante até a conquista da Grécia pelo o rei Filipe, da Macedônia, em 338 a.C.. Principais Características de Esparta Esparta (ou Lacedemônia) surgiu em torno de 1200 a.C., quando os Dórios, que dominavam técnicas de metalurgia para fabricar ferro, conquistaram o sul do Peloponeso. Em 700 a.C., eles já haviam derrotados seus inimigos e conquistaram toda a península, transformando-os em vassalos e escravos. Isso deu a Esparta uma grande quantidade de terras férteis, o que facilitou o seu isolamento e lhe garantiu a alcunha de xenófobos (aversão aos estrangeiros). Sobre sua educação, esta começava aos 7 anos de idade para os homens e aos 12 para as mulheres. Basicamente, seu treinamento se resumia na preparação física e psicológica, de cunho militarista, para transformar os homens em poderosos e obedientes guerreiros. Por sua vez, as mulheres também eram treinadas para o combate, e sua educação as preparavam para conduzir todos os assuntos domésticos na ausência dos maridos. Além disso, elas eram bem vindas nas assembleias e nas competições desportivas. Os únicos a terem direitos políticos na sociedade espartana eram os descendentes diretos dos dórios. Eles eram servidos pelos periecos, descendentes dos aqueus conquistados que praticavam o comércio e artesanato. Por fim, a base da sociedade era composta pelos hilotas, escravos capturados durante as guerras. Politicamente, Esparta dividia o poder entre dois reis (Diarquia), um militar e outro religioso, que governavam respeitando as decisões da Gerúsia, (conselho composto por 28 anciãos com mais de 60 anos); e a Apela (conselho formado por espartanos acima de 30 anos). Principais Características de Atenas A cidade de Atenas foi estabelecida pelos Jônios por volta de 1600 a.C, na região da península Ática. Outros povos creto-micênicos, como aqueus, jônios e eólios também compuseram o seu povo. Como não possuíam terras férteis para agricultura, os atenienses se dedicaram à pesca e ao comércio marítimo. Aproveitaram de sua posição geográfica estratégica para desenvolver o comércio de trigo, uva e azeitona e cerâmica com as colônias gregas no Mar Mediterrâneo e na Ásia menor. Mais equilibrados, os atenienses conciliavam o desenvolvimento físico e mental durante a educaçãode seus cidadãos, a qual era um privilégio das famílias mais abastadas. Eles valorizavam grandemente a arte e a literatura, o que transformou Atenas no centro cultural da Grécia e berço da Filosofia Ocidental e da Democracia. Contudo, as mulheres não desfrutavam muito dessa educação, uma vez que eram criadas para serem dóceis e submissas, prendadas apenas para as atividades domésticas cotidianas. Atenas conheceu um sistema monárquico de governo até os séculos VIII-VII a.C., quando se instaurou a Democracia. Seu governo era essencialmente uma Oligarquia (Governo de poucos), na qual as famílias eram mais importantes conforme sua proximidade na linha de parentesco com os fundadores da cidade. Assim, os grandes proprietários de terra (eupátridas) ficavam com as melhores propriedades, enquanto aqueles mais distantes na linha de parentesco (georgóis) ficavam com propriedades menores. Por sua vez, os artesões especializados (demiurgos) não possuíam terras e status e osThetas eram a base da sociedade, podendo, muitas vezes, serem sujeitados à escravidão. O governo em Atenas emanava da Eclésia, uma assembleia popular, onde participavam apenas os cidadãos do sexo masculino, com mais de dezoito anos, com ao menos dois anos de serviço militar e filhos de um pai nascido na polis. Mito e Filosofia na Grécia Antiga Quando paramos para refletir sobre a origem desse modo de pensar, sistemático e conceitual, e de olhar a realidade, que denominamos Filosofia, inevitavelmente nos deparamos com essas questões e somos obrigados a nos reportar ao mundo grego do século X ao VI antes de Cristo. Ao analisarmos esse período da sociedade grega percebemos que a partir de um determinado momento, devido a várias condições históricas, começa a surgir um novo modo de pensar e entender a realidade. Entretanto, se em um determinado momento surge ou começa a surgir um novo modo de pensar, isso significa que existia um outro modo prévio. Essa outra maneira de abordar a realidade era justamente o pensamento mítico. A origem das epopéias gregas Os dois grandes nomes que representam o pensamento mítico grego são: Homero, “autor” da Ilíada e da Odisséia, e Hesíodo, autor de Os trabalhos e os dias e da Teogonia. Muitos estudiosos questionam até que ponto as epopéias homéricas é resultado do trabalho de um único autor ou se é uma compilação. Enfim, se realmente foram feitas por Homero. Contudo, o que nos interessa aqui não é tanto essa questão, mas sim explicitar em que medida o contato com essas obras nos ajudam a compreender as características do pensamento mítico. A origem das epopéias gregas se dá num contexto de derrocada da civilização micênica ou aqueana que fora invadida pelos dórios mais ou menos no século XII a.C. A sociedade micênica, formada por penínsulas e ilhas, era constituída por famílias principescas, uma pluralidade de clãs e, do ponto de vista da estrutura geográfica, possuía um determinado tipo de relevo que beneficiava a ligação com outras regiões através do mar. Assim, as condições físicas, geográficas, colaboravam para que este povo tivesse uma certa vocação para o mar, tornando-se ele uma grande via de comércio e comunicação, de aventuras e histórias imaginárias. Ora, os dórios, cuja origem étnica era a mesma que dos aqueus, vindo do norte invadiram e dominaram a região habitada por estes, pois tinham uma certa superioridade no uso dos utensílios e na fabricação e uso de armas de ferro. As invasões dóricas, portanto, provocaram uma migração de grupos de aqueus em direção às ilhas e costa da Ásia Menor, resultando na criação de colônias cujo objetivo era preservar a identidade do grupo, suas instituições, tradições e organização social. Com o tempo se estabelece as novas condições de vida e de mentalidade. As epopéias são justamente a primeira expressão dessa nova realidade. Ou seja, o homem grego procurou cantar por meio da poesia o declínio das antigas formas de viver e pensar e o surgimento de uma nova situação. As epopéias são o resultado da mistura de lendas jônicas e eólias, incorporando relatos sobre viagens marítimas e outros elementos advindos do contato do mundo grego com a cultura de outros povos. Disso tudo se conservaram a Ilíada (que trata da ira de Aquiles tendo como pano de fundo a guerra de Tróia) e a Odisséia (que canta a história de Odisseu e sua tentativa de voltar para casa) entre o século X e VIII a.C. Contudo, somente no século V ocorrerá o estabelecimento da edição dos poemas de Homero. Tanto a Ilíada como a Odisséia tinham um núcleo duro que foi recebendo acréscimos, especificando, assim, o aumento e tamanho dos poemas. Referente a Hesíodo, também não se tem muitas certezas sobre sua vida (final do século VIII e início do VII). O pai de Hesíodo tinha uma empresa de navegação e ao falir atravessou o mar Egeu voltando para a Beócia, sua terra de origem. Ao morrer, o pai deixou a Hesíodo e ao seu irmão Perses algumas terras. Na divisão dos bens Hesíodo achou que fora trapaceado pelo irmão. Essa polêmica é importante porque, provavelmente, servirá de tema para o seu poema Os trabalhos e os dias e para a sua visão um tanto pessimista sobre o ser humano. Escreveu vários poemas, dos quais restaram apenas alguns fragmentos. Inteiros há apenas a Teogonia (que trata da origem dos deuses, havendo um germe do princípio da causalidade) e Os trabalhos e os dias (que procura justificar a condição humana). A estrutura do pensamento mítico Ao lermos, por exemplo, a Ilíada e a Teogonia temos condições de perceber alguns traços fundamentais do pensamento mítico. Ou seja, a interferência dos deuses nos assuntos humanos, atuando diretamente ou criando situações; a capacidade de transformação dos deuses, seus poderes e sua relação com a natureza etc. Na Ilíada temos a cólera de Aquiles sendo cantada num cenário muito específico, a guerra de Tróia. Ora, qual a origem da guerra de Tróia e da ira de Aquiles? Houve uma festa no Olimpo e uma deusa (Éris, da discórdia) não foi convidada. Ressentida, ela jogou uma maçã no recinto onde ocorria a festa no meio das deusas com a inscrição “para a mais bela”. A deusa Hera, Atena e Afrodite começaram a discutir quem era a mais bela, pois todas queriam ficar com a maçã. Zeus vendo a situação decidiu que um mortal escolheria quem ficaria com a maçã. O escolhido foi Páris, um troiano que tinha visitado Esparta cujo rei era Menelau, o qual era casado com Helena, mulher pela qual Paris se apaixonara. As deusas, tomando ciência da decisão de Zeus, tentam convencer Páris a encolhê-las oferecendo, cada uma a seu modo, algo diferente. Hera ofereceu o comando. Atena a vitória e o heroísmo. Afrodite a ajuda para seduzir Helena. Páris escolheu Afrodite e essa, então, seduz Helena e ela é raptada por Páris. Uma expedição é organizada para trazer Helena de volta e a partir disso começa a guerra de Tróia. Vê-se, assim, que do ponto de vista do mito homérico, a origem de uma guerra entre os humanos tem por origem um problema entre os deuses. Referente a ira de Aquiles vemos algo semelhante. O sacerdote de Apolo foi solicitar aos aqueus (gregos) que devolvessem sua filha que tinha sido presa. O sacerdote foi humilhado por Agamenon que lhe recusou o pedido. O sacerdote foi então orar ao deus Apolo reclamando que sempre lhe serviu e que precisaria que ele fizesse algo, pois foi humilhado. Apolo furioso houve as lamúrias de seu sacerdote e durante nove dias ataca o exército dos aqueus. Aquiles, inspirado pela deusa Hera, convoca uma assembléia, a fim de saber a origem da fúria do deus e descobre que Agamenon não quis devolver a filha do sacerdote de Apolo. Aquiles e os outros propõem, então, que ele devolva a moça a seu pai. Entretanto, Agamenon diz que só devolverá o seu prêmio se Aquiles lhe entregar o seu, que também é uma mulher. Aquiles fica enfurecido porque perde sua amada e decide não batalhar mais a favor dos gregos. Portanto, a cólera de Aquiles também está relacionada com um problema que ocorreu com um deus, ou seja, devido a uma intervenção divina navida humana. Além de intervirem nos assuntos humanos, os deuses também interferem na natureza fazendo chover, trovejar, os cavalos falarem, maremotos. Isso mostra que os eventos naturais não são naturais do ponto de vista da mitologia, mas sim sobrenaturais, pois os deuses os provocam. Ademais os deuses também se transformam, mudam a aparência, como a deusa Atena se apresenta na figura de um lanceiro para convencer alguém a lançar uma flecha contra Menelau. Ademais, os deuses se relacionam entre si parecendo-se com os humanos e às vezes se ferem violentamente. Há, portanto, a presença de uma emotividade que os aproxima muito dos humanos. Enfim, percebe-se desde o começo do poema que a deusa é quem canta. O poeta fala como que emprestando sua voz. Há, portanto, uma íntima relação do poeta com as Musas. Essas não ajudam Homero a lembrar coisas que ele estava esquecendo, pois não se trata de ajudá-lo a recordar algo que estivesse na sua memória individual e que ele tenha visto algum dia. Elas trazem ao poeta algo que ele não viu e nem sabia. Ou seja, elas trazem a ele um saber que ele não tinha como adquirir por si mesmo, a ver um passado que nunca vimos, uma verdade que não tínhamos acesso. Daí a relação do poeta, em especial Homero, com a cegueira e a adivinhação, pois a pessoa que é cega parece desenvolver mais sua memória. Ora, qual o valor, então, da verdade da fala do poeta? Essa questão aparece de maneira mais explícita na Teogonia de Hesíodo. No proêmio parece se por o tema da verdade do poema, algo totalmente novo. Nesses versos aparece a figura das Musas que vieram ensinar um belo canto a Hesíodo, o qual estava com suas ovelhas. Desta maneira, as Musas garantirão a veracidade do poema, pois tornam a palavra do poeta sagrada, justamente porque as palavras têm relação com alguma divindade. Contudo, ao mesmo tempo, Hesíodo se identifica com sua obra assumindo-a, expondo aí um elemento de subjetividade. Encontramos, assim, em Hesíodo, uma certa continuidade com os poemas homéricos, porém há também algumas diferenças. Ele fala de um tempo que não é o tempo da Ilíada e da Odisséia. A primeira divindade mencionada no poema é Zeus, apesar dele não ser o primeiro na ordem cronológica. Talvez porque a Teogonia seja, segundo Cornford, um hino a Zeus. O fato de Eros já aparecer desde o começo indica, provavelmente, uma preocupação com a questão causal e lógica, pois se a maioria dos deuses são gerados por meio de relações sexuais, então se faz necessário sua presença desde o início. Na Ilíada há uma sistematização e explicação dos eventos naturais como responsabilidades dos deuses. A Teogonia também é uma cosmogonia, pois explicar a geração dos deuses para Hesíodo, é também explicar a geração do cosmos, porque há uma identificação entre deuses e seres naturais, às vezes. Desta maneira, quando olhamos os poemas de Homero e Hesíodo, vemos um modo de pensar no qual o fabuloso, o fantástico, o imemorial e a total intervenção dos deuses na vida humana e na natureza, está muito presente. Todavia, a partir de um determinado momento esse modo de entender o mundo e pensá-lo começa a entrar em crise, e começa a surgir uma nova matriz de pensamento que recebeu o nome de Filosofia. A origem da Filosofia Muitos estudiosos discutem o processo de nascimento da Filosofia na Grécia, dando origem a várias teses opostas. Ou seja, apesar de ter data e local de nascimento (final do século VII e início do século VI nas colônias gregas da Jônia na Ásia Menor) a origem da Filosofia não é um fato simples, mas objeto de muitas controvérsias. De um lado, por exemplo, temos a tese orientalista que defende a origem oriental da Filosofia e do outro lado temos a tese do milagre grego que sustenta a total originalidade dos gregos. Essa discussão é sustentada e estimulada principalmente, na Antigüidade, por Diógenes Laércio que defendia a criação da Filosofia pelos gregos sem pegarem nada dos orientais. Ainda segundo ele, os gregos deram origem não só ao pensamento filosófico, mas à própria humanidade. Vemos, assim, a tese do milagre se apresentando. Milagre justamente por ser algo repentino e pela originalidade, não podendo ser explicado pela relação de causa e efeito, mas sim resultado do gênio helênico. A teoria orientalista, entretanto, procura mostrar os empréstimos que o pensamento grego fez das culturas orientais. Para o orientalista, portanto, a Filosofia é uma mera continuação de um passado oriental. Enquanto para o ocidentalista a Filosofia é uma invenção totalmente nova e própria do Ocidente. Muitos estudiosos vêem um certo exagero nas duas teses, pois podemos e devemos reconhecer que os gregos tiveram contato com muitas culturas orientais pegando muitas coisas dessas tradições. Mas por outro lado também existiu a originalidade grega, porque eles operaram uma mudança qualitativa em tudo aquilo que pegaram do Oriente. Outro ponto que também produz controvérsias sobre a origem da Filosofia diz respeito à relação entre Mito e Filosofia. A relação entre pensamento mítico e pensamento filosófico é de continuidade ou ruptura radical. Segundo John Burnet a Filosofia nasce quando as velhas explicações míticas da realidade já não podiam explicar mais nada. Assim, o pensamento filosófico só poderia aparecer numa região onde não houvesse a influência da mitologia Contudo, F. M. Cornford procura mostrar como a estrutura dos Mitos está presente nos filósofos posteriores. Ou seja, os filósofos não apenas fazem um uso dos termos da mitologia, mas efetuam um empréstimo conceitual. A Filosofia, portanto, herda e usa o conteúdo do Mito que continuaria a circunscrever o pensamento racional. Para Jean-Pierre Vernant, que criticou a idéia de ruptura, a crítica de Cornford a Burnet foi importante. Porém, devemos nos afastar da sua idéia de que a Filosofia diz a mesma coisa que o Mito só que de forma diferente. É preciso analisar em quais condições históricas a Filosofia surgiu. Para Vernant o grande acontecimento que colaborou para o nascimento da Filosofia e da sua diferença em relação ao Mito foi um acontecimento político, isto é, o aparecimento da Polis. Vernant mostra que na civilização micênica a figura do rei e do palácio é fundamental, pois tudo gira em torno do palácio real: a vida econômica, social, religiosa, etc. Contudo, na medida em que essa soberania micênica entra em crise isso vai produzir alterações sociais importantes, pois um novo modelo de organização social se estabelecerá aos poucos. Com o advento da Polis o universo espiritual, a mentalidade das pessoas começa a mudar. Agora, a assembléia, a praça pública, a agorá, passa a ter uma importância muito grande. A lei deve, agora, ser expressão da vontade da comunidade humana e não dos deuses. Para isso é preciso ter um ambiente onde possa se debater livremente, onde as pessoas possam dar suas opiniões e ter o direito à palavra. Todavia, nas assembléias públicas também se exigiam que os participantes demonstrassem e justificassem racionalmente as suas propostas. Assim, vemos que essa nova organização social, com esse novo ambiente, colaborou profundamente para o surgimento da Filosofia na Grécia. Os pré-socráticos Segundo Vernant, porque surge no contexto da Polis, a Filosofia nascente ao se questionar sobre o mundo natural projetará sobre ele a Polis. Isto é, o vocabulário político, jurídico, social será usado para explicar o mundo natural. Os primeiros filósofos queriam saber de onde tudo vem e para onde tudo vai nesse processo de geração e perecimento das coisas. Na investigação desse processo eles queriam saber, também, se algo permanecia. Esse fundo perene de onde tudo brotaria epara onde tudo voltaria, do qual tudo é constituído, é o que eles chamavam de phýsis. Todavia, ao refletiram sobre essa phýsis, os primeiros filósofos já demonstram um distanciamento no seu modo de pensar em relação ao Mito. Tales de Mileto ao pensar, segundo Aristóteles, que todas as coisas estão cheias de deuses quer dizer o que com essa frase? Num primeiro momento, parece que estárepetindo o pensamento mítico, pois se tudo está cheio de deuses significa que os deuses é que determinam tudo e continuam a interferir no modo de ser das coisas. Entretanto, talvez devamos nos perguntar o que é um deus. Se um deus é um tipo de ser dotado de poder e independência, e se as coisas estão cheias de deuses, então, elas não dependem mais dos deuses, pois o princípio de ser e movimento delas está nelas próprias. Portanto, temos aqui um pensamento bem distinto do pensamento de Homero e Hesíodo. Anaximandro ao dizer que: “princípio dos seres era o ilimitado. Pois donde a geração é para os seres, é para onde também a corrupção se gera segundo o necessário; pois concedem eles mesmos justiça e deferência uns aos outros pela injustiça, segundo a ordenação do tempo”, queria expressar o que, um pensamento mítico? Parece que não. Ao analisarmos esse fragmento, notamos que para Anaximandro as coisas parecem surgir por separação dos contrários do princípio originário, que é o ilimitado. Isso configuraria uma injustiça que precisaria ser reparada, ou seja, o fato do cosmos ter nascido da separação dos opostos com o ilimitado aponta uma injustiça que precisa ser expiada. Os contrários tendem a quererem se impor uns aos outros e a injustiça também estaria presente nisso. O tempo é o juiz justamente porque põe fim ao domínio de um em favor do outro. Já que o mundo surgiu pela cisão dos contrários, o que configura uma injustiça porque é como se os contrários quisessem ocupar o lugar que só pertence ao ilimitado, então essa injustiça será reparada pela morte do próprio mundo. Ora, o grau de abstração do raciocínio de Anaximandro é muito claro e bem distinto dos elementos presente no discurso mítico. Considerações finais Ao analisarmos a estrutura do Mito na Grécia e também a estrutura do discurso filosófico no início da Filosofia, percebemos uma diferença entre esses dois modos de pensar. O que temos são dois modos de entender e explicar o mundo bem distinto. Para a Filosofia a razão com suas regras é fundamental, pois o pensamento contraditório é sinal de afastamento do real. A questão da coerência interna do discurso é essencial para a Filosofia. As causas naturais são importantíssimas para se entender os fenômenos naturais e a própria vida humana sem recorrer aos deuses. Enquanto que, para o discurso mítico, o fabuloso, o fantástico é algo normal. A natureza não possui estrutura própria e os humanos dependem totalmente da divindade. O contraditório não é problema, pois a verdade é entendida de uma outra maneira. Ora, refletir sobre Mito e Filosofia na Grécia talvez seja interessante pelo simples fato de que esse estudo nos dá a chance de parar e perguntar: há algum um modo de pensar e entender o mundo que, sozinho, dê conta da experiência humana no seu todo? Aristóteles Aristóteles classificou e sistematizou o pensamento filosófico alcançado até então, iniciando o período sistemático da Filosofia Antiga. Aristóteles operou significativas mudanças na Filosofia Antiga, produzida na região da Grécia. Tal produção filosófica já havia passado pelos períodos cosmológico (pré-socrático) e antropológico (socrático) e iniciava, então, o seu período sistemático. Os estudos aristotélicos influenciaram pensadores medievais da Escolástica, principalmente Alberto Magno e Tomás de Aquino. Também foram influenciados por ele filósofos empiristas da Modernidade, que retomaram a ideia de que o conhecimento também é obtido por meio da prática, operando uma radical e mais completa elaboração da tese do conhecimento como fruto dos sentidos corpóreos e das experiências práticas. Aristóteles também estudou Lógica, Metafísica, Política, Ética, Ciências Naturais (tendo escrito tratados sobre Biologia e Física), Retórica e Estética. Quem foi Aristóteles? Aristóteles nasceu na cidade de Estagira, na Macedônia, em 384 a.C. Foi um dos três grandes filósofos da Grécia Antiga, tendo convivido e estudado com Platão. Sabe-se que, em sua juventude, teve uma sólida formação em ciências, o que influenciou bastante a sua produção filosófica. Ainda jovem, o filósofo foi para Atenas, onde conheceu o seu mestre Platão e foi estudar na Academia — centro de estudos e discussões sobre Filosofia e Política fundado pelo professor de Aristóteles nos arredores de Atenas. Após anos de estudos na Academia, Aristóteles passou a lecionar na instituição, aprofundando-se em seus estudos sobre temas da Filosofia Platônica (de forte inspiração socrática) — que iam de conhecimentos de Ética e Política até questões como o conhecimento da verdade e a formação das ideias. Na medida em que estudava tais temas, Aristóteles formulava as suas próprias teorias, o que o levou a um afastamento intelectual das ideias platônicas e marcou uma cisão muito grande dele com o seu mestre, representada na valorização do conhecimento empírico. Contam as suas biografias que, na ocasião da morte de Platão, Aristóteles (que já lecionava há muito tempo na Academia) esperava um cargo de gestão na instituição de ensino. Ao não receber esse cargo, o pensador desligou-se da Academia e partiu de Atenas para a cidade de Artaneus, na Ásia Menor, tornando-se consultor e conselheiro político entre os anos de 347 e 343 a.C. Nesse último ano, ele resolveu retornar à Macedônia e, na ocasião, tornar-se preceptor de Alexandre, herdeiro do império macedônico. Em 335 a.C., na ocasião da posse de Alexandre como imperador devido à morte de seu pai, Aristóteles seguiu de volta para Atenas e fundou, em um local próximo à cidade, o seu Liceu — um centro de estudos de filosofia e esportes para os jovens atenienses. Principais ideias →Sistematização: Antes de Aristóteles, os estudos de Filosofia compreendiam uma mistura de Astronomia, Física, Matemática, Cosmologia, Política, Ética, Estética, Retórica, entre outras áreas do conhecimento. O filósofo foi o primeiro a classificar e a sistematizar essas áreas, desenvolvendo estudos específicos sobre cada tema. →Política e Ética: Aristóteles foi um defensor do sistema político democrático pelo qual Atenas já havia passado, tendo escrito um livro sobre isso. Também escreveu tratados de Ética, em que afirmava a necessidade da busca de uma moderação das ações humanas baseada na prudência, para que a vida em sociedade levasse os cidadãos à felicidade. →Metafísica: Tendo aprimorado os estudos platônicos sobre o assunto e, em certa medida, afastando-se um pouco das ideias de seu mestre, Aristóteles escreveu um tratado de dez livros chamado “Estudos de Filosofia Primeira”, que, mais tarde, seria conhecido por “Metafísica”. Esses estudos, segundo o próprio filósofo, tratavam sobre o ser em geral, ou seja, seriam uma espécie de ciência geral, mãe de todas as ciências. →Lógica: Aristóteles fundamentou as primeiras noções da Lógica Clássica, baseada na argumentação e na Retórica. Em seus estudos, que buscavam algumas noções metafísicas, como a divisão das categorias do que se fala, ele buscou uma forma de linguagem que fosse formalmente válida e que buscasse argumentos que fossem fundamentados em premissas. Surgiu aí a noção de silogismo. →Empirismo: Sendo o primeiro filósofo a fundamentar a necessidade do conhecimento prático advindo da observação e da atenção aos sentidos do corpo, Aristóteles deixou em seu legado intelectual o conhecimento empírico, que mais tarde ressoaria na Filosofia Escolástica e na Filosofia Moderna, chamando a atenção dos pensadores para o entendimento dos efeitos do mundo com base em suas causas. Isso representou um afastamento do modelo de conhecimento platônico, baseado na busca intelectual pela Ideia, que seria pura, eterna e imutável. Platão considerava que o conhecimento advindo dos sentidos seria imperfeito e enganador. Na pintura apresentada abaixo, o pintor renascentista Rafael Sânzio mostra essa discordância entre os dois pensadores ao compor a cena com Platão apontando para cima, como quem aponta para o Mundo das Ideias, e Aristóteles com a mão espalmada para o chão, como quem defende que o conhecimento estáaqui, no mundo material. Obras Das 22 obras deixadas por Aristóteles, especula-se que algumas podem ter sido, na verdade, compilações e anotações de seus alunos do Liceu tiradas durante as aulas do mestre. Os historiadores não sabem, ao certo, a autoria correta dessas obras, com exceção das principais. A seguir, estão selecionados alguns dos principais escritos de Aristóteles: Metafísica: conjunto de dez livros, escritos como “Estudos de Filosofia Primeira” e reunidos e renomeados mais tarde por Andrônico de Rodes como “Metafísica”. Tratavam de um conhecimento geral sobre o ser e como o conhecemos, ou seja, uma espécie de ciência geral que tinha como objeto o próprio ser e não recortes dele (como a Matemática é um recorte do ser que estuda apenas as relações numéricas — uma parte de todo o ser). Categorias: pequeno livro sobre Lógica que apresenta a necessidade da classificação e separação de conceitos diferentes para o tratamento de assuntos diferentes, a fim de que equívocos sejam evitados. Seria uma espécie de distinção das diversas categorias do pensamento. Physica: tratado de oito livros com observações de Aristóteles sobre a Ciência da Natureza. Da alma, ou Sobre a alma: escritos sobre a noção dos antigos de alma, que equivale, para nós, à noção de mente. O filósofo trata de assuntos relacionados a como o ser humano constitui-se com base em sua personalidade e a como essa alma atua na distinção entre nós e os outros animais. Ética a Nicômaco: livro que fala sobre Ética expondo as noções de virtude, racionalidade prática (uma racionalidade voltada para o cotidiano e o convívio político) e eudaimonia (uma noção dos gregos antigos de que haveria um guia — a consciência — para as nossas ações). Política: livro em que o pensador defendeu as suas teses sobre a organização política das cidades, baseada na ação ética individual e no exercício da democracia, além de um conjunto de fatores que levariam os cidadãos à vida perfeita. Resumo Nasceu em Estagira, na Macedônia; Interessou-se por Ciências da Natureza; Foi discípulo de Platão, aluno e professor da Academia; Foi professor do imperador Alexandre, o Grande; Fundou a sua escola filosófica em Atenas, o Liceu; Sistematizou e separou o conhecimento filosófico da Antiguidade; Escreveu sobre diversos assuntos, como Ética, Política, Ciência, Metafísica e Lógica. A CONTRIBUIÇÃO DE HERÓDOTO E DE TUCÍDIDES PARA A HISTORIOGRAFIA Ao tomar como referência a mente de gregos como Platão e Pitágoras não é possível identificar a memória grega como histórica, ao contrário do que se levar em consideração a mente de Heródoto e Tucídides que muito se interessaram por fazer História. Ora um diferente do outro, porém com aspecto em comum, respeitando os limites de suas contemporaneidades. No entanto, a questão está voltada para a contribuição que os gregos, em especial Heródoto e Tucídides, deram para a historiografia, propondo formas diferentes de se fazer história, o que leva os seus sucessores, seguidores ou não, a analisarem essas formas e acatarem ou não como modelo. Arnaldo Momigliano já dizia: “O que me parece ser tipicamente grego é a atitude crítica com relação ao registro de acontecimentos, isto é, o desenvolvimento de métodos críticos que nos permitem distinguir entre fatos e fantasias” (MOMIGLIANO, 2004, p.55). Os historiadores gregos tiveram e tem papel tão importante que muitos de seus sucessores utilizaram e utilizam o método crítico, não fazendo da história um empilhamento de fatos sem apreciação e compreensão. Heródoto nasceu no litoral asiático, em Helicarnasso que estabelecia relações comerciais e políticas com a Grécia para onde se mudou. Em Atenas ele conquistou a simpatia de muitos ao contrário de Tucídides que já nasceu em Atenas, exerceu importantes cargos, mas não agradou tanto, principalmente depois da batalha dos peloponésios. Ele foi exilado e no exílio escreveu muitos de seus registros. Heródoto viajou por vários lugares, inclusive testemunhou a guerra entre persas e gregos, passou por todo o Egito, Babilônia, Fenícia, enfim por outras partes do Oriente registrando suas belezas, crenças e costumes dos mais variados povos. Heródoto foi sucessor de Hecateu e a este se atribui alguns aspectos da narrativa de Herodoteana até mesmo presentes no Livro II, onde ele demonstra não ver nada de sobre humano nos relatos a respeito de Herácles que ele distingue como deus e como herói. É perceptível que, sob o fascínio de seu predecessor, Heródoto faz uso da crítica a partir da análise dos fatos, os compara, buscando uma verdade histórica. Para ele era preciso buscar a verdade, mas também era fundamental preservar a tradição. Nó Livro II, por exemplo, Heródoto registra tudo que vê e que ouve sobre o Egito. Viaja pelo Nilo e descreve o seu curso, bem como fala sobre as cidades-estado e das populações ribeirinhas. Há uma peculiaridade na forma de fazer história dele. É observável nas entrelinhas de sua obra a fidelidade com a veracidade das informações, e deixa claro a fonte de onde as tirou, especificando os fatos que ele mesmo testemunhou. Além disso, ele utiliza de sua argumentação crítica, mostrando sua opinião sobre o que escreveu e compara com outros locais que já havia passado: “Então o que eu disse até agora a respeito do Nilo é bastante. Mas vou me alongar em minhas observações a respeito do Egito, pois em parte alguma há tantas maravilhas por lá e em todas as terras restantes não há tantas obras de inexprimível grandeza para ser vista; por isso falarei sobre ele.” ( II, 35) Embora expresse sua opinião, faça críticas, a prioridade de Heródoto, ao contrário de Hecateu, é registrar e em segundo lugar separar aquilo que viu com os próprios olhos daquilo que apenas ouviu: “Até agora, tudo o que eu disse é resultado de minha própria visão, julgamento, e investigação” (II, 99). E ele continua: “De agora em diante eu registrarei as crônicas egípcias de acordo com o que eu escutei, acrescentando alguma coisa de acordo com o que eu mesmo vi” (II, 99). A historiografia Herodoteana permite ao leitor dar ou não créditos ao que ele está escrevendo em determinado trecho de seu discurso. E também indica, implicitamente o grau de confiabilidade dos fatos registrados. Como diz Momigliano, “é bastante claro que Heródoto optou por construir a sua história fundamentando-se em evidência oral e que seu próprio método repousa nesse tipo de evidência e não na documentação escrita” (MOMIGLIANO, 2004, p.65). Isto se dá devido a dificuldade em recolher a documentação, já que os arquivos eram praticamente inacessíveis e não existiam. As narrativas de Heródoto são narrativas simples, agradáveis e que atrai a atenção dos leitores. São narrativas elaboradas com muita pesquisa e paciência. Momigliano resume a importância do método herodoteano: “O método de Heródoto é o do homem que não quer suprimir o que não está em seu poder entender ou corrigir; ao mesmo tempo permite à humanidade – ou a uma boa parte dela – espelhar-se em seu relato.” (MOMIGLIANO, 2004, p. 66) Não é atoa o seu reconhecimento pelos seus contemporâneos Sófocles e Aristófanes e pela historiografia atual. Assim que ele passa a ser reconhecido como pai da História. No entanto, houve historiadores que o criticaram, inclusive Tucídides e muitos de seus sucessores. Eles criticaram a leviandade de Heródoto e denunciaram suas mentiras. Tucídides foi o principal culpado dessa rejeição do método teórico herodoteano pelo fato de trazer uma forma inovada para os estudos históricos. Tucídides não viajou como seu predecessor, até mesmo porque ele ficou mais de 20 anos exilado, seus registros foram mais internos e menos abrangentes. Ele pode ser considerado um historiador político, pois esteve voltado as guerras que teve que enfrentar como um Ateniense. Por ser um homem comprometido com a vida política repugna a atitude de Heródoto em certos momentos, por vê-lo como um “cosmopolita bem-humorado”. Esse é um dos motivos da reação de Tucídides contra Heródoto, e o outro motivo é a busca pela certeza históricana obra herodoteana. Para esse grande historiador (Tucídides) o presente era a base para compreender o passado, e este seria o início do processo político. Para ele o presente era o único momento que poderíamos encontrar verdade, informações confiáveis, e portanto a investigação histórica deveria começar do hoje e não do ontem. Ao examinar os registros dele verifica-se proximidades e distanciamentos da obra de Heródoto, como por exemplo a confiança em seus olhos e ouvidos e depois nos de testemunhas confiáveis, entretanto ele não assumia a responsabilidade pelo que escrevia e raras vezes indicava as fontes de informações. “De modo geral, Tucícidides permanecia como modelo de historiador verídico. Tucídides salvou a História de tornar-se prisioneira dos cada vez mais influentes retóricos que se preocupavam mais com as palavras do que com a verdade.” (MOMIGLIANO, 2004, p. 7) Muitos de seus contemporâneos recorreram a uma historiografia filosófica com o discurso retórico que acabou abalando a confiabilidade no método de Tucícides, embora fossem poucos daquela época, o que não permitiu menosprezar a sua importância. A narrativa de Tucídides é caracterizada por dar-lhe um aspecto de uma simples crônica, ela demonstra confiabilidade e não deixa lacunas. É uma narrativa analítica e a cronologia precisa é um diferencial da época. A batalha de Mantinéia é registrada com precisão, onde ele descreve minuciosamente os costumes lecedemônios. Heródoto e Tucídides: dois grandes historiadores e fonte de inspiração para seus sucessores, assim como o próprio Heródoto seguiu Hecateu e como Políbio seguiu Tucídides. Como diz Momigliano: “Se Heródoto era a contemplação ingênua, fresca do passado, Tucídides era o representante de uma análise mais refletida e experiente dos destinos humanos” (MOMIGLIANO, 2004, p.82). Hoje, sabe-se que ambos tiveram fundamental acuidade para a historiografia. Rivais na Antiguidade, mas parceiros na fundação da pesquisa histórica. O mito da fundação de Roma Diz a lenda que Roma foi fundada no ano 753 a.C. por Rômulo e Remo, filhos gêmeos do deus Marte e da mortal Rea Sílvia. Ao nascer, os dois irmãos foram abandonados junto ao rio Tibre e salvos por uma loba, que os amamentou e os protegeu. Por fim, um pastor os recolheu e lhes deu os nomes de Rômulo e Remo. Depois de matar Remo numa discussão, Rômulo deu seu nome à cidade. A história, por sua vez, nos diz que algumas tribos de origem sabina e latina estabeleceram um povoado no monte Capitolino, junto ao rio Tibre. A Monarquia Num período lendário, Roma foi governada por sete reis que tinham poder absoluto. O Senado, formado por chefes de família, os aconselhava. Por volta de 575 a.C., os reis etruscos dominaram Roma e influenciaram decisivamente o início da civilização romana. Ditaram leis prudentes em favor do artesanato e do comércio, com os quais Roma adquiriu grande importância. Aos poucos, porém, esses reis deram lugar a outros monarcas, violentos e tirânicos, que desprezavam as opiniões do Senado. A república e seus magistrados As famílias patrícias que formavam o Senado, temerosas de perder seu poder diante da tirania dos reis, os expulsaram e proclamaram a República. Esta se baseava em três órgãos: o Senado, os magistrados e as Assembléias, simbolizados pela conhecida sigla S.P.Q.R. (Senatus Populusque Romanus, ou seja, "Senado e povo romano"). O trabalho dos escravos Em conseqüência das guerras de expansão, os escravos em Roma eram muito numerosos. Não eram considerados seres humanos, mas sim propriedades e, portanto, eram explorados e vendidos como mercadorias. Seu trabalho, no artesanato e na agricultura, era decisivo para a produção de bens necessários para a sociedade. Podiam comprar a sua liberdade ou então serem libertados pelo proprietário. A partir do século II a.C., sucederam-se diversas rebeliões de escravos, como a comandada por Espártaco. O exército romano O Império Romano dependia de um exército forte e bem organizado, que realizava as campanhas de expansão e defendia as fronteiras. Os legionários eram a base do exército romano; a maioria deles eram voluntários. Para entrar no exército era imprescindível ser cidadão romano. O exército estruturava-se em legiões de seis mil soldados, cada uma dividida em dez cortes. A religião romana A religião romana foi formada combinando diversos cultos e várias influências. Crenças etruscas, gregas e orientais foram incorporadas aos costumes tradicionais para adaptá-los às novas necessidades do povo. O Estado romano propagava uma religião oficial que prestava culto aos grandes deuses de origem grega, porém com nomes latinos, como por exemplo, Júpiter, pai dos deuses; Marte, deus da guerra, ou Minerva, deusa da arte. Em honra desses deuses eram realizadas festas, jogos e outras cerimônias. Os cidadãos, por sua vez, buscavam proteção nos espíritos domésticos, chamados lares, a quem rendiam culto dentro de casa. O Edito de Milão de Constantino estabeleceu a liberdade de culto aos cristãos, encerrando as violentas perseguições. No século IV d.C., o cristianismo tornou-se a religião oficial, por determinação do imperador Teodósio. A arte romana Inspirada no modelo grego, a arte romana incorporou as formas e as técnicas de outras culturas do Mediterrâneo. Roma destacou-se na arquitetura com grandes edifícios privados e públicos. Entre os privados, incluem-se as casas e as residências coletivas. Os públicos dividem-se em religiosos (templos), administrativos e comerciais (basílicas) e lúdicos (teatro, anfiteatro e circo). O espírito prático de Roma reflete-se no urbanismo e nas grandes obras de engenharia, como estradas e aquedutos. A cidade de Roma no século I a.C. No século I a.C., Roma passou por uma transformação espetacular, tornando-se uma cidade repleta de confortos, com casas comerciais, jardins e edifícios monumentais. Construíram-se numerosas residências e locais de diversão – como o Coliseu – e foram feitas grandes melhorias no sistema de esgotos e nos aquedutos da cidade. A crise do Império Romano A partir do século III, o Império Romano entrou em declínio. Com o fim das guerras de conquista, esgotou-se a principal fonte fornecedora de escravos. Teve início a crise do escravismo que abalou seriamente a economia, fez surgir o colonato e provocou o êxodo urbano. Além disso, houve disputas pelo poder e as legiões diminuíram. Enfraquecido, o Império Romano foi dividido em dois e a parte ocidental não resistiu às invasões dos bárbaros germânicos no século V. HELENISMO E CULTURA GREGA A hegemonia ateniense sobre a Grécia negava a concepção política do particularismo das cidades-estados. A ideia de nacionalidade, para os antigos gregos, estava ligada à sua Polis de origem e não ao conceito de nação. Em suma: a ação centralizadora de Atenas opunha-se à noção de Pólis. Os desejos imperiais de Atenas enfrentavam forte oposição por parte das principais cidades-estados da Grécia, principalmente no que dizia respeito à Esparta e suas aliadas, que formaram a Liga do Peloponeso, para combater a Confederação de Delos. Inicialmente, o imperialismo ateniense buscou as terras litorâneas do Mar Egeu; contudo, seu próprio crescimento fez com que o Mediterrâneo Ocidental passasse a ser uma área atrativa. Na região, havia inúmeras cidades: Siracusa, por exemplo, mantinha um próspero comércio que chegava à Grécia através de Corinto, uma Polis atrelada à Esparta. Por conseguinte, o imperialismo ateniense, agora voltado ao ocidente, entrava em choque com Corinto e isso agravava suas relações com os espartanos. O apoio ateniense ao levante de Córcira, colônia de Corinto, foi estopim para que toda a Confederação do Peloponeso entrasse em guerra com Atenas. Em 431 a.C., tinha início a Guerra do Peloponeso, que duraria 28 anos. Na primeira fase do conflito, de 431 a 421 a.C., houve um relativo equilíbrio entre atenienses e espartanos. Nesse período, Esparta e seus aliados bloquearam, por terra, a Ática, forçando Atenas a buscar suprimentos por mar, principalmentena Ásia Menor. Tal bloqueio fez com que a população da Ática fosse concentrada no interior dos muros de Atenas. Isso, além de dificultar o abastecimento dos atenienses, piorou as condições sanitárias de Atenas, propiciando a ocorrência de várias epidemias que vitimaram grandes contingentes humanos, inclusive Péricles. Em 421 a.C., foi assinada a Paz de Nícias, que deveria ser mantida por 50 anos. Entretanto, Atenas retomou sua política imperialista e elaborou planos para atacar Siracusa. Tal proposta, concebida pelo general Alcebíades, enfrentou feroz oposição dos aristocratas de Atenas, simpáticos à causa espartana. Irritado, Alcebíades refugiou-se em Esparta, onde delatou os planos atenienses que, por essa razão, fracassaram. Em represália, Esparta desfechou uma poderosa ofensiva que, após impor inúmeras derrotas à Atenas, culminou, em 404 a.C., com a vitória definitiva de Esparta na batalha de Égos - Pótamus. A derrota de Atenas significou o início da hegemonia espartana sobre a Grécia. Em primeiro lugar, as elites espartanas destruíram a democracia grega, impondo o governo dos 30 tiranos; além disso, Esparta buscou estabelecer seu império através de uma crescente intervenção nos assuntos internos das outras cidades-estados. O expansionismo espartano, cuja ambição agora era controlar o comércio do mediterrâneo oriental, levou a novos choques com o Império Persa. Pouco a pouco, Esparta conheceu uma desestabilização interna. O crescimento do número de seus escravos, sempre dispostos a levantes, provocou novas necessidades militares destinadas a preservar a dominação política dos esparciatas. Na Anatólia, o recuo dos espartanos possibilitou a retomada da região pelo Império Persa. O enfraquecimento de Esparta fez com que Atenas e Tebas se aliassem, buscando aniquilar a hegemonia então exercida pelos militaristas espartanos. Cada vez mais, proliferavam revoltas dos escravos em Esparta. Em 371 a.C., na batalha de Leuctras, os tebanos, comandados por Pelópidas e Epaminondas, expulsaram as tropas espartanas da Grécia Setentrional. Logo em seguida, a cidade de Tebas apoiou a independência da Messênia em relação a Esparta e conquistou a Tessália. Tinha início a curta hegemonia tebana sobre a Grécia. Em 362 a.C., Tebas e Esparta aliaram-se e derrotaram Tebas. As lutas internas desorganizaram o mundo grego: nenhuma Pólis tinha mais condições de impor sua hegemonia à Grécia, que foi vítima de um "vazio de poder". Como bem observam os analistas das relações internacionais, a política detesta o "vazio", pois sempre alguma nação vai ocupá-lo. Era chegada a vez dos macedônios. A INVASÃO MACEDÔNICA A Macedônia, localizada no norte da Grécia, aproveitou-se do enfrauecimento grego e seu rei Filipe II, admirador da cultura grega, preparou um poderoso exército com o objetivo de conquistar o território helênico. De início, Filipe II buscou fomentar as rivalidades entre as cidades gregas; em seguida, subornou as elites helênicas. Uma das mais famosas frases do rei macedônico explicava sua política: "não há fortaleza que resista a um burro carregado de ouro". Essas atitudes de Filipe II provocaram a reação do mais famoso orador grego, que por sinal era gago, Demóstenes, que em seus discursos, conhecidos como Filípicas tentou alertar o povo contra as intenções do rei da Macedônia. Tudo em vão, pois em 338 a.C., as falanges macedônicas venceram os gregos na batalha de Queroneia. A Grécia perdia sua independência e tinha início o período Helenístico. O expansionismo iniciado por Filipe II teve continuidade com seu filho Alexandre, o Grande, que consolidou a dominação da Grécia e conquistou praticamente todas as regiões compreendidas entre o Egito e o Império Persa. A Macedônia tornou-se o maior império até então formado, que só seria suplantado por Roma séculos depois. Com muita habilidade, Alexandre respeitou as instituições políticas e religiosas e fomentou matrimônios entre seus assessores com moças das elites das regiões conquistadas. Ele próprio se casou com uma nobre persa. Atuando dessa maneira, Alexandre, que se apresentava como libertador das regiões conquistadas, evitou levantes que pudessem solapar seu expansionismo. O imperialismo macedônico levou a cultura grega à África, ao Oriente Médio e à Ásia Menor; paralelamente trouxe dessas regiões influências culturais. Essa fusão de culturas gerou o Helenismo, que teve como centros as cidades de Pérgamo e Alexandria. Em síntese: o helenismo foi essa mescla de culturas, do Ocidente e do Oriente, que gerou uma nova realidade cultural de cunho misto e sincrético. Após a morte de Alexandre, seu império foi dividido em três partes: o Reino da Síria, abrangendo a Ásia Menor, a Síria e a Mesopotâmia, controlado pela dinastia Selêucida; o Reino do Egito, compreendendo, além do próprio Egito, a Arábia e parte da Palestina, sob dominação da família dos Ptolomeus; e o Reino da Macedônia, englobando a Grécia e sob o controle do general Antígono. A Índia e a Pérsia, por seu turno, readquiriram sua independência. O mundo grego, em seguida, seria conquistado pelos romanos; ao longo da Idade Média seria a sede do Império Bizantino; depois, faria parte do Império Turco - Otomano, recuperando sua plena autonomia somente em meados do século XIX.