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ABENUR ANTUNES RODRIGUES 
 
 
 
 
 
 
“SÍNDROME DE ESTOCOLMO”: SUA IMPORTÂNCIA NO 
GERENCIAMENTO DE CRISES. 
 
 
 
 
 
 
Monografia apresentada como requisito 
parcial para obtenção do título de 
Especialista em Administração em 
Segurança Pública, no curso de Pós-
graduação “latu Sensu” em Administração 
em Segurança Pública, da Universidade 
do Sul de Santa Catarina. 
 
 
 
 
 
 
FLORIANÓPOLIS, 1999 
ABENUR ANTUNES RODRIGUES 
 
 
 
 
 
 
 
“SÍNDROME DE ESTOCOLMO”: SUA IMPORTÂNCIA NO 
GERENCIAMENTO DE CRISES. 
 
 
 
 
 
 
 
Monografia apresentada como requisito 
parcial para obtenção do título de 
Especialista em Administração em 
Segurança Pública, no curso de Pós-
graduação “latu Sensu” em Administração 
em Segurança Pública, da Universidade do 
Sul de Santa Catarina. Orientador: 
professor Ms José Luiz Gonçalves da 
Silveira. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Florianópolis, 1999 
 
 
ABENUR ANTUNES RODRIGUES 
 
 
 
 
“SÍNDROME DE ESTOCOLMO”: SUA IMPORTÂNCIA NO 
GERENCIAMENTO DE CRISES. 
 
 
 
 
Monografia apresentada como requisito parcial para obtenção do título de 
Especialista em Administração em Segurança Pública, no Curso de Pós-
graduação “latu Sensu” em Administração em Segurança Pública, da 
Universidade do Sul de Santa Catarina, pela Banca formada pelos professores: 
 
 
Orientador: --------------------------------------------------- 
 CAP PM José Luiz Gonçalves da Silveira 
 Chefe da Divisão de Pesquisa - DE/PMSC 
 
 
 --------------------------------------------------- 
 Professora Ms Vanessa Francalacci 
UFSC 
 
 
 ---------------------------------------------------- 
 TEN CEL PM Nilo Sérgio Campos 
 
 
 
 
 
Florianópolis, 27 de setembro de 1999 
 
 
RESUMO 
 
 
 O presente trabalho monográfico foi desenvolvido de forma a definir, 
com base na literatura especializada, o que é a “Síndrome de Estocolmo”, em 
que situações ela ocorre e como ela contribui para o gerenciamento de crises. 
 “Síndrome de Estocolmo” é uma perturbação de ordem psicológica, 
paralela à chamada “transferência”, termo que a psicologia usa para se referir ao 
relacionamento que se desenvolve entre um paciente e o psiquiatra, e que 
permite que a terapia tenha sucesso. 
A transferência psicológica ocorre em ambas as direções. Tanto o tomador de 
refém como os reféns desenvolvem afinidades entre si, devido ao alto grau de 
estresse originado nessas situações. As pessoas quando estão vivendo 
momentos cruciais costumam se apegar a qualquer coisa que lhe indique a 
saída. 
 Crise é uma resposta a uma situação ansiogênica e desagradável que é 
experimentada como um estado doloroso. Por isso, tende a mobilizar reações 
poderosas, para ajudar a pessoa a aliviar o desconforto e retornar ao estado de 
equilíbrio emocional existente anteriormente. 
 A “Síndrome de Estocolmo” é um poderoso fator na resolução de 
situações críticas na medida em que contribui para que não ocorra um desfecho 
trágico. Quando as pessoas envolvidas no gerenciamento da crise conhecem 
seus efeitos e aplicam esses conhecimentos de forma a possibilitar seu 
desenvolvimento, aumentam, em muito, a possibilidade do sucesso na operação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DEDICATÓRIA 
 
À minha esposa Jaira Maria, aos filhos 
Kátia Júlia e Alexandre, como 
reconhecimento pelo apoio e aos 
colegas de turma pela satisfação de suas 
companhias durante o curso. 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
 
CAPÍTULOS 
 
 
I - Introdução..................................................................................................... 1 
1.1 - Problema.................................................................................................. 1 
1.2 - Justificativa.............................................................................................. 1 
1.3 - Objetivo do estudo.................................................................................. 1 
1.3.1 - Objetivo geral....................................................................................... 2 
1.3.2 - Objetivo específico............................................................................... 2 
1.4 - Metodologia............................................................................................ 3 
 
II - Revisão da Literatura.................................................................................. 4 
2.1 - Crise......................................................................................................... 4 
2.2 - Gerenciamento de crises........................................................................... 7 
 
III - Interpretação Doutrinária........................................................................... 9 
3.l - Características doutrinárias........................................................................ 9 
3.1.1 - Origem................................................................................................. 9 
3.1.2 - Bilateralidade...................................................................................... 12 
3.1.3 -Unilateralidade..................................................................................... 13 
3.1.4 - Posição do FBI.................................................................................... 14 
3.1.5 - Afeição ao Carrasco........................................................................... 15 
3.1.6 - Dualidade.......................................................................................... 15 
3.1.7 - Instalação............................................................................................ 16 
3.1.8 - Período de instalação........................................................................... 18 
3.1.9 - Estocolmização do negociador............................................................. 18 
3.1.10 Troca de reféns.................................................................................... 19 
3.1.11 Substituição do negociador................................................................. 20 
3.1.12 Exemplos de instalação da síndrome................................................... 23 
 
IV - Interpretação Psicológica.......................................................................... 26 
 
V - Apresentação de casos............................................................................. 29 
5.1 - Caso “France Air Lines”.......................................................................... 29 
5.2 - Caso Banestado...................................................................................... 30 
5.3 - Caso Flávia............................................................................................. 30 
 
Considerações Finais....................................................................................... 32 
Referências Bibliográficas............................................................................... 33 
Bibliografia..................................................................................................... 34 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
I - INTRODUÇÃO 
 
 
 
Nas situações críticas o fator tempo é o maior aliado da polícia na busca 
da solução negociada e pacífica. Na medida em que o tempo for passando uma 
série de acontecimentos atuam positivamente em apoio à atividade policial.Após alguns minutos de extenuante pressão, com a tomada de reféns, os 
causadores do evento começam a raciocinar e perceber a realidade que os 
circunda. Com isso diminui o perigo de ocorrer mais violência contra aqueles 
que estão no cativeiro. 
O instinto de sobrevivência faz com que cada um dos reféns considere a 
própria vida como a mais importante. 
O estabelecimento da conversa com o negociador faz fluir a 
agressividade dos primeiros momentos e quanto mais tempo passar neste 
primeiro contato, melhor para o ambiente. 
O favorecimento da instalação da Síndrome de Estocolmo é o exemplo 
mais clássico do que o tempo pode fazer na mente, não somente nos tomadores 
de reféns, mas também em suas vítimas. 
 
1.1 - PROBLEMA 
 
 A “Síndrome de Estocolmo” constitui fator que favoreça o gerenciamento 
da crise? 
A indagação descreve claramente o problema que consistiu em pesquisar 
na bibliografia especializada o que é a “Síndrome de Estocolmo”, em que 
situações ela ocorre e em que contribui para a resolução de situações críticas. 
 
1.2 - JUSTIFICATIVA 
 
 A pesquisa visa demonstrar a importância do conhecimento do assunto 
por parte daqueles que têm por obrigação constitucional enfrentar situações 
críticas, tais como policiais civis, federais e militares, bem como integrantes das 
forças armadas dentro de suas esferas de atribuições e competências. 
 Parte-se do pressuposto que a missão dos órgãos encarregados de 
enfrentar essas situações são preservar vidas e cumprir a lei. 
 Hoje não mais se admite a improvisação, o jeitinho ou a habilidade 
pessoal da autoridade encarregada de solucionar tais situações, até bem pouco 
tempo um tanto quanto esporádicas dentro da realidade criminal brasileira. 
 
1.3 - OBJETIVO DO ESTUDO 
 
 O trabalho monográfico é desenvolvido de forma a definir, com base na 
literatura especializada: 
 a) O que é a “Síndrome de Estocolmo”; 
 b) Em que situações ela ocorre; 
 c) Como ela contribui para o gerenciamento de crises. 
 
1.3.1 - OBJETIVO GERAL 
 
 a) Demonstrar a importância do assunto; 
b) Difundir nos meios policiais e acadêmicos o resultado de investigações 
sobre o estudo do relacionamento interpessoal entre os protagonistas de 
situações críticas. 
 
1.3.2 - OBJETIVO ESPECÍFICO 
 
 Possibilitar aos policiais que terão que enfrentar situações críticas a 
oportunidade de entender e aplicar estes conhecimentos de forma a obter o 
melhor resultado possível. 
 
1.4 - METODOLOGIA 
 
 Este trabalho se caracteriza como um estudo exploratório, de caráter 
informativo, dentro de uma abordagem qualitativa e quantitativa, onde para 
verificar a problemática realizou-se pesquisa bibliográfica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
II - REVISÃO DA LITERATURA 
 
 
 
2.1 - CRISE 
 
 A palavra crise, originária do latim “crisis”, conforme FERREIRA 
(1987), possui várias definições, dentre elas destacamos: 
a) Manifestação violenta e repentina de ruptura de equilíbrio; 
b) Manifestação violenta de um sentimento; 
c) Estado de dúvidas e incertezas; 
d) Fase difícil, grave, na evolução das coisas, dos fatos, das idéias; 
e) Momento perigoso ou decisivo; 
 f) Lance embaraçoso; 
g) Tensão, conflito. 
 MONTEIRO (1995 ), dá a seguinte definição para crise: 
 “Evento ou situação crucial que exige uma resposta especial da polícia a 
fim de assegurar uma solução aceitável” 
 Observa-se que na definição de crise foi ressaltada a expressão “da 
polícia”, numa clara alusão ao fato de que a responsabilidade de gerenciar e 
solucionar as situações de crise é exclusivamente da polícia. A utilização de 
religiosos, psicólogos, elementos da mídia e outros na condução e resolução de 
crises é inteiramente inconcebível, apesar de inúmeros precedentes, 
principalmente na recente crônica policial brasileira. 
 Fazendo uso da definição acima pode-se dizer que crise é uma situação 
que exige uma ação policial especial e fora dos padrões gerais, ou seja, 
necessita o emprego de técnicas e táticas especializadas. 
 MONTEIRO (1995), Delegado da Polícia Federal e instrutor da 
Academia Nacional de Polícia, estabelece as seguintes características da crise: 
 a) Imprevisibilidade; 
 b) Compressão de tempo; 
 c) Ameaça de vida; 
d) Postura organizacional não rotineira; 
e) Planejamento analítico especial e capacidade de implementação; 
f) Considerações legais especiais. 
 Assim compreendidas: 
 a) Imprevisibilidade: A crise ocorre inesperadamente e o gerente do evento 
crítico na maioria das vezes é pressionado por circunstâncias súbitas. 
 b) Compressão de tempo: Os eventos críticos sempre terão como característica 
a exiguidade de tempo para a tomada de decisões. O evento pode se prolongar 
por semanas ou até meses, mas as decisões do gerente na maioria dos casos 
deverão ser tomadas de imediato. 
 c) Ameaça à vida: Nos eventos críticos, a ameaça à vida diz respeito a todos 
os envolvidos nestes, ou seja, reféns, tomadores de refém, populares e policiais. 
 d) Postura organizacional não rotineira: As situações de crise fogem da rotina 
profissional, são situações excepcionais na vida dos envolvidos, obrigando a 
Polícia a desenvolver padrões operacionais especiais para estes eventos. 
 e) Planejamento analítico especial e capacidade de implementação: Os 
eventos críticos exigem do gerente um planejamento tático e técnico 
diferenciado, sendo este o motivo de ter-se dentro dos organismos policiais 
pessoas especializadas no atendimento desse tipo de ocorrência. Além da 
preparação humana especial, é necessário organização logística voltada para o 
evento crítico, ou seja, uma capacidade de implementação do planejado. 
f) Considerações legais especiais: As situações de crise exigirão do 
gerente tomada de decisões imediatas, dentre elas, por exemplo, o emprego de 
“força letal” (uso do grupo especializado em ações táticas), o que pode ou não 
ser concedido aos tomadores de refém, o direito ou não de intervenção de 
pessoas leigas no assunto (juizes, promotores de justiça, advogados, familiares, 
religiosos e etc.) Tais decisões deverão ser tomadas sempre dentro da 
legalidade, porém nunca esquecendo da situação especialíssima do caso. 
 As situações mais comuns de crise na esfera policial são: 
 a) Seqüestro; 
 b) Rebelião em estabelecimento carcerário; 
 c) Roubo a banco; 
d) Invasão de terra. 
 Nas situações acima apontadas, a existência de reféns é um fato, sendo 
nestas ocasiões em que podemos identificar ou não, o surgimento da “Síndrome 
de Estocolmo”. CABRAL (1996) sintetiza aspectos gerais sobre a crise e sua 
evolução. 
 “Evoluem assustadoramente as crises. Esse fato e, de modo especial, a 
prática de manter pessoas como reféns, obriga-nos a avaliar de maneira mais 
profunda o assunto e leva-nos a tomar providências voltadas para o combate a 
esse tipo de delito, já que é um problema que em todo o país a todos aflige. Este 
problema não é privilégio do Brasil e vem ocorrendo nas mais diversas partes 
do mundo.” 
 Considerando o apresentado conclui-se que para a solução aceitável de 
uma crise é fundamental a elaboração de um plano, onde estejam presentes 
normas com vistas à implementação de medidas que abordem o atendimento de 
eventos críticos, evitando-se assim, interferências impulsivas e amadoras. 
 
2.2 - GERENCIAMENTO DE CRISESConhecendo-se o que seja crise no sentido “latu sensu” e “strictu sensu” 
passa-se agora a discorrer sobre o gerenciamento da mesma, analisando a 
doutrina do gerenciamento de crises universalmente aceita e utilizada pelas 
unidades policiais mais bem preparadas do mundo. 
 MONTEIRO (1995) define gerenciamento de crise como sendo: “O 
processo de identificar, obter, aplicar os recursos necessários à antecipação, 
prevenção e resolução de uma crise” 
 O gerenciamento de crises pode ser descrito como um processo racional e 
analítico de resolver problemas baseados em probabilidades. 
 O gerenciamento de crises são princípios que obrigatoriamente lidam, 
sob compressão de tempo, com os mais complexos problemas sociais, 
econômicos, políticos, ideológicos e psicológicos do homem, no momento e que 
tais sentimentos se manifestam de forma destrutiva. 
 THOMÉ (1998), em sua obra “A Solução Policial e Gerenciada das 
Situações Críticas” com grande propriedade sintetiza o ato de gerenciar em 
quatro pontos: 
 a) Ter a exata conotação de dirigir e regular a crise, possibilitando que sejam 
convergentes todos os pontos surgidos durante o processo; 
 b) Tornar realidade coletiva todas as maneiras de pensar que surgem durante 
o episódio; 
 c) Considerar os aspectos legais presentes para justificar a ação policial; 
 d) Executar planejamento com o superior objetivo e interesse de 
preservar a vida. 
 O gerenciamento de uma crise tem início com as medidas tomadas pelo 
policial que primeiro tomar conhecimento da situação crítica, daí a necessidade 
de todo policial ter noções básicas sobre o assunto. Caberá a este policial: 
 a) Comunicar a ocorrência da situação crítica aos seus superiores; 
 b) Isolar o ponto crítico em dois perímetros; 
 c) Colher a maior quantidade de dados possíveis sobre o evento crítico 
(número de reféns, número de tomadores de refém, armamento, condições de 
saúde dos reféns, e etc.); 
 d) Impedir qualquer tentativa de ação violenta por parte de policiais, 
populares ou dos próprios tomadores de refém; 
 e) Repassar todos os dados e informações escolhidas ao gerente da crise. 
 Como foi citado anteriormente, o policial que primeiro tomar 
conhecimento do evento crítico, dentre outras medidas, providenciará o 
isolamento do local em dois perímetros, que serão chamados de interno e 
externo. 
 Entre o perímetro interno e o local da crise tem-se uma área chamada zona 
estéril, tendo acesso a esse local apenas as pessoas diretamente envolvidas no 
gerenciamento, que necessitem adentrar ao local, como exemplos pode-se citar: 
médicos, grupo especializado em ações táticas e, excepcionalmente, os 
negociadores. 
 Entre o perímetro interno e o externo existe a área restrita. Nessa área 
estarão instalados os comandos do grupo de negociações e do grupo 
especializado em ações táticas, além do gerente da crise. 
 
 
 
 
 
III - INTERPRETAÇÃO DOUTRINÁRIA 
 
 
3.1 - CARACTERÍSTICAS DOUTRINÁRIAS 
 
 
3.1.1 - ORIGEM 
 
 Segundo o Capitão BOLZ JÚNIOR (1987), do Departamento de Polícia 
de Nova Iorque, essa Síndrome nada mais é do que “um mecanismo de 
tolerância, tão involuntário quanto respirar”. Ainda segundo o mesmo autor, a 
expressão “Síndrome de Estocolmo”, foi criada pelo Dr. Harvey Schlossberg, 
um detetive policial que mais tarde se tornou psicólogo clínico. Tal 
denominação ocorreu, segundo Frank Bolz, de uma crise ocorrida em 
Estocolmo, na Suécia. 
 Uma pessoa armada entrou no Banco de Crédito de Estocolmo e tentou 
praticar um roubo. Com a chegada da polícia, o assaltante tomou três mulheres 
e um homem como reféns e entrou com eles no caixa-forte do banco, exigindo 
da polícia que trouxesse ao local um antigo cúmplice, que se encontrava na 
prisão. Atendido nessa exigência, o assaltante e o seu companheiro mantiveram 
os reféns em seu poder durante seis dias, no interior da caixa-forte, tendo ao 
final desse tempo se entregado sem resistência. 
 Ao saírem da caixa-forte, os quatro reféns usaram seus próprios corpos 
como escudos para proteger os dois bandidos de qualquer tiro da polícia, ao 
mesmo tempo em que pediram aos policiais para não atirarem. 
 Mais tarde, ao ser entrevistada pela mídia, uma das jovens que estivera 
como refém expressou seu sentimento de muita simpatia para com um dos 
tomadores de reféns, chegando a dizer que esperaria até o dia que ele saísse da 
cadeia para se casarem. Muitas pessoas ficaram chocadas ao ouvirem isso, 
chegando mesmo a imaginar que tivesse havido algum envolvimento sexual 
entre aquela moça e o tomador de refém, durante o tempo em que ficaram 
confinados no interior da caixa-forte. 
 Mas, na verdade, não ocorrera nenhum contato sexual ou relacionamento 
amoroso. Muito pelo contrário, por várias vezes, durante a crise, o tomador de 
refém exibira a referida moça com uma arma sob o queixo, aos policiais. 
Soube-se, também que, a certa altura, ao desconfiarem que a polícia pretendia 
jogar gás lacrimogêneo no interior da caixa-forte, os tomadores de reféns 
amarraram o pescoço dos reféns aos puxadores das gavetas de aço dos cofres 
ali existentes. Com isso pretendiam responsabilizar a polícia por algum virtual 
enforcamento dos reféns, causado pelo pânico que adviria com o lançamento do 
gás no interior da caixa-forte. 
 Apesar de todas essas ações violentas, a jovem desenvolveu sentimentos 
de profunda amizade para com um dos tomadores de reféns, fato esse que até 
mesmo ela considerou inexplicável. Havia, portanto, outras razões que 
motivaram aquele inesperado sentimento de amor e simpatia da jovem para com 
o seu ex-algoz. 
 Com a repetição desses fenômenos em vários outros casos semelhantes, 
os estudiosos do assunto chegaram à conclusão de que a 
“Síndrome de Estocolmo” era uma perturbação de ordem psicológica, paralela à 
chamada “transferência”, termo que a Psicologia usa para se referir ao 
relacionamento que se desenvolve entre um paciente e o psiquiatra, e que 
permite que a terapia tenha sucesso. O paciente precisa acreditar que o médico 
pode ajudá-lo a fim de que o tratamento tenha êxito, e como resultado desse 
esforço, o paciente desenvolve o fenômeno da “transferência”. 
 As pessoas, quando estão vivendo momentos cruciais, costumam se 
apegar a qualquer coisa que lhe indique a saída, e é exatamente isso que ocorre 
com os reféns e os tomadores de reféns. Por ocasião de um evento crítico, tanto 
uns como outros estão sob forte tensão emocional. 
 Por essa razão, os reféns passam conscientemente a desejar que tudo dê 
certo para os tomadores de reféns, isto é, que eles consigam o dinheiro do 
resgate, que lhes sejam satisfeitas todas as exigências e que, afinal, possam 
fugir em paz, deixando os reféns com vida. 
 Nesse processo mental, os reféns passam a considerar como totalmente 
indesejável toda e qualquer intervenção policial e, freqüentemente, os próprios 
valores sedimentados ao longo da vida costumam ser questionados e até 
mudados por essas pessoas. Dessa ânsia desesperada pelo bom sucesso dos 
tomadores de reféns para a simpatia, a admiração, e até mesmo o amor ou bem-
querer, é um passo. 
 Trata-se de um fenômeno através do qual tomadores de reféns e reféns 
passam a ter relacionamento amistoso e, com o tempo, criam em torno do 
incidente um campo de amizade que dificulta a ação policial, mas, ao mesmo 
tempo, diminui o risco dos tomadoresde reféns matarem os reféns. 
 O termo “Síndrome de Estocolmo” foi criado pelo Dr. HARVEY 
SCHLOSSBERG em virtude de um assalto praticado em agosto de 1973, contra 
o Banco de Crédito de Estocolmo, pelos assaltantes Jan Erick Olson e Clark 
Olofsson que ficaram seis dias trancafiados no cofre do referido banco com 
quatro reféns ( um homem e três mulheres). 
 Ao final do sexto dia, os marginais se renderam sem resistência e, em 
juízo, para surpresa geral, os reféns depuseram em favor de seus captores que, 
mesmo assim, foram condenados e, mais tarde, já cumprindo pena, um dos 
meliantes veio a contrair matrimônio com uma de suas reféns. 
 Pode-se dizer que não existe qualquer divergência quanto ao fato da 
“Síndrome de Estocolmo” ser função direta do tempo decorrido durante o 
contato meliante-refém. Segundo FUSELIER e NOESNER (1990), agentes do 
FBI especializados no gerenciamento de crises, o tempo é o melhor 
consolidador da proteção psicológica conferida aos reféns pela referida 
Síndrome. 
 
3.1.2 - BILATERALIDADE 
 
 Essa Síndrome não atinge apenas reféns. 
 Também os causadores do evento crítico, pelo fato de serem seres 
humanos vivendo um momento crucial, estão sujeitos aos seus efeitos. Para os 
tomadores de reféns, os reféns são a sua tábua de salvação, o seu passaporte 
para a liberdade e o grande anteparo que os protege das balas da polícia. Nessas 
condições é inevitável que os tomadores de reféns passem a desenvolver 
sentimentos de proteção, de cuidado, e até de amor e carinho para com os 
reféns. 
 Como resultado disso, os reféns passam a gozar de uma proteção 
psicológica cuja principal conseqüência é o não cumprimento de prazos fatais 
por parte dos tomadores de reféns. Instalada a Síndrome, é quase impossível 
que algum dos reféns venha a ser executado simplesmente porque as 
autoridades não estão atendendo essa ou aquela exigência. 
 Entretanto, alguma divergência existe quanto ao fato da “Síndrome de 
Estocolmo” ser bilateral, ou seja, será que a Síndrome realmente criaria um 
campo de amizade entre as partes (tomador de refém-refém) ou este fenômeno 
verifica-se apenas sobre as vítimas em cativeiro (reféns)? 
 De um modo geral, a doutrina do mundo ocidental, principalmente a 
inglesa, admite a bilateralidade da Síndrome. A Scotland Yard chega a citar o 
exemplo de uma tomada de reféns onde negociou-se por quarenta e dois dias 
consecutivos obtendo-se êxito absoluto no final desse último dia. Isso significa 
dizer que não existe limite de tempo para uma negociação. Na verdade, deve-se 
estendê-la ao máximo a fim de se atingir metas tais como a completa instalação 
da Síndrome, o cansaço e a desmotivação dos tomadores de reféns no que 
concerne à conquista de seus objetivos. 
 
3.1.3 - UNILATERALIDADE 
 
 Porém, a polícia israelense discorda dessa doutrina, basicamente por dois 
motivos: 
 a) Nem sempre é possível estender as negociações indefinidamente, por isso 
exigiria o isolamento de áreas que, muitas vezes, se traduzem em centros vitais 
da economia de uma cidade, de um estado e, até mesmo do país, inviabilizando, 
portanto, o congelamento prolongado de suas atividades; 
 b) A Polícia Israelense acredita que se após noventa e seis horas de 
negociações não for possível vislumbrar um resultado favorável para a situação, 
deverá ocorrer o assalto. Entretanto, existem outras inúmeras considerações que 
devem ser levadas em conta na tomada dessa decisão. 
 Segundo ZOLTAK (1990), chefe superintendente da Unidade de 
Negociações da Polícia de Israel, também formado em psicologia, a partir da 
nonagésima sexta hora de negociação a “Síndrome de Estocolmo” passa a se 
manifestar de forma tão intensa que ela acaba se transformando num verdadeiro 
transtorno à ação policial, principalmente quando se opta pelo assalto (última 
alternativa tática), pois, segundo os israelenses, ao contrário do que se pensa, a 
“Síndrome de Estocolmo” é unilateral, ou seja, não passa de um sentimento de 
gratidão do refém para com o seqüestrador em razão do meliante ter em suas 
maõs o poder de vida ou morte sobre os reféns resolvendo, contudo, pela 
preservação das vidas em questão, o que faz com que os reféns passem a 
encarar o seqüestrador como uma pessoa boa, amável e gentil que, na verdade, 
não passa de mais uma vítima de sua sociedade opressora. 
 
3.1.4 - POSIÇÃO DO FBI 
 
 De acordo com o FBI, na cabeça dos reféns, sua libertação depende do 
atendimento às exigências dos tomadores de reféns. Por essa razão os reféns 
passam a desejar que tudo dê certo para os tomadores de reféns a fim de que 
aqueles logrem êxito em seu intento de liberdade. 
 Em conseqüência, os reféns passam a considerar totalmente indesejável 
toda e qualquer intervenção policial, pois em suas mentes começa a se 
processar uma inversão de valores onde a ação policial ( ou de qualquer outra 
autoridade envolvida no conflito) é a única responsável pela situação 
constrangedora e de alto risco vivenciada pelos reféns. 
 O FBI também defende a idéia da bilateralidade da Síndrome quando 
afirma que a mesma atinge tanto os reféns como os tomadores de reféns, pois 
para estes os reféns são a sua tábua de salvação, o seu passaporte para a 
liberdade e o grande anteparo que os protege das armas da polícia. Portanto, 
sob estas condições, é inevitável que os tomadores de reféns passem a 
desenvolver sentimentos de proteção, cuidado e carinho para com os reféns. 
 A maior desvantagem da Síndrome seria o fato dos reféns 
transformarem-se num grande óbice para a ação policial, principalmente se for 
necessária a atuação do time tático de assalto (empreendimento da última 
alternativa tática), ou seja, os reféns poderão agir contrariamente às orientações 
dos policiais no momento do assalto, podendo, inclusive, investirem contra os 
agentes da lei, em defesa dos meliantes. 
 Idêntica posição assume os Departamentos de Polícia da Unidades 
Confederadas dos Estados Unidos da América, especialmente suas Special 
Weapons and Tactics - SWAT (armas e táticas especiais). 
 
3.1.5 - AFEIÇÃO AO CARRASCO 
 
Segundo SYMONDS (1984), psiquiatra nova-iorquino expert em vítimas do 
terrorismo, a vítima de um seqüestro normalmente conclui: “ele poderia ter me 
matado, mas não o fez. Portanto, sou-lhe grato. É precisamente neste instante 
que nasce a “Síndrome de Estocolmo”, ou seja, o afeto da vítima por seu 
carrasco. 
 
3.1.6 - DUALIDADE 
 
 Frente a tantas colocações, surge a seguinte pergunta: Qual a doutrina a 
seguir? A Israelense ou a ocidental? Na verdade, ambas estão corretas, se 
analisadas sob a ótica individual de cada um dos segmentos. Entretanto, a tese 
mais defendida é aquela segundo a qual a unilateralidade ou a bilateralidade da 
Síndrome será determinada por uma avaliação criteriosa de três variáveis: 
a) Houve contato entre as partes (contato pós-captura)? 
b) Qual a intensidade desses contatos? 
 c) O número de reféns e o número de seqüestradores. 
 Obviamente, toda e qualquer análise, não poderá desprezar os chamados 
fatores impeditivos do estabelecimento da Síndrome, bem como o fato do 
criminoso ou do grupo criminoso enquadrar-se como profissional ou amador. 
 Também é importante frisar que a bilateralidade da Síndrome não é 
motivo para se acreditar que os reféns estarão totalmente livres de qualquer tipo 
de violência por parte dos meliantes. Num determinado momento crítico pode 
ocorrer, por exemplo, uma simples hesitação momentânea quanto à execuçãodireta ou quanto ao cumprimento de uma ordem de execução de um refém. 
Todavia, esta simples hesitação, por si só, pode ser a diferença entre a vida e a 
morte de um refém. 
 
3.1.7 - INSTALAÇÃO 
 
Logicamente, os reféns reagem diferentemente quando encaram a realidade de 
terem sido pegos como reféns, mas com o tempo, menos que maltratados 
rudemente pelos assaltantes, os reféns tendem a desenvolver um conjunto 
comum de sentimentos: 
a) Os reféns começam a ter um sentimento positivo em relação ao 
tomador de refém; 
 b) Os reféns começam a desenvolver sentimentos negativos em relação às 
autoridades; 
 c) O tomador de refém começa a ter sentimentos positivos em relação aos 
reféns; 
 d) Todos os reféns não serão afetados no mesmo grau, mas certamente a 
Síndrome irá paulatinamente se estabelecer. 
 No estabelecimento da “Síndrome de Estocolmo ocorre definitivamente 
uma aproximação física entre o tomador de refém e a vítima, onde a eminência 
do risco de vida promove o estado crítico supracitado. 
 Conforme SYMONDS (1984), psiquiatra nova-iorquino, o 
estabelecimento da Síndrome, sob sua visão, segue a linha da unilateralidade, 
ou seja, a vítima desenvolve um afeto de trânsito único dirigido ao agressor. 
Utiliza mecanismos de defesa adaptáveis. Não vislumbra processo patológico 
em si. 
 Focando a pessoa de um tomador de refém, podemos inferir, pela prática, 
que aspectos narcisistas de personalidade são evidentes e que a 
supervalorização do poder projetada neste núcleo narcísico do tomador por 
parte do refém proporciona combinação importante para o desencadeamento e 
manutenção desta Síndrome, assim estabelecendo uma equação necessária para 
o desenvolvimento da mesma. 
 Nos estudos realizados para o esclarecimento e resolução da Síndrome 
ficaram lapsos de entendimento que, ainda hoje, merecem um melhor 
aprofundamento. 
 Cabe atentar-se aos equívocos ocorridos frente à busca de entendimentos 
para o aprofundamento deste fenômeno, pois não podemos nos basear em 
alguns desfechos ocorridos após o estabelecimento desta Síndrome, como o 
caso de Patrícia Hearst, a herdeira de uma das maiores cadeias de jornal e 
revistas dos Estados Unidos, onde psiquicamente já havia, certamente, o 
desenvolvimento de uma estrutura de personalidade comprometida que se 
incrementou com o ocorrido. 
 Pode-se inferir que em várias situações de tomada de reféns houve a 
utilização de mecanismos, entre eles o da negação, com o objetivo de aplacar a 
ansiedade gerada pela situação crítica, conseqüentemente regredindo 
defensivamente a estágios anteriores, vivenciando conflitos primitivos e 
deslocando o poder paterno ao tomador, nesta situação com o agressor. Assim, 
o tipo de relação transferencial e já intensidade com a qual a mesma irá se 
estabelecer, dependerá dos traços de caráter particulares de cada um. E os 
desfechos adaptáveis a situações ou os patológicos estarem referenciados no 
exposto acima. 
 
 
3.1.8 - PERÍODOS DE INSTALAÇÃO 
 
 E a partir de quando se instala a “Síndrome de Estocolmo”? A 
experiência tem demonstrado que o fenômeno leva de 15 a 45 minutos para 
começar a se manifestar, tendendo a crescer e a se sedimentar num determinado 
patamar, logo nas primeiras horas de evolução. Esse lapso de 15 a 45 minutos 
iniciais representam o tempo necessário para que os causadores da crise 
consigam obter o total controle da situação no interior do ponto crítico, 
dominando todos os reféns, posicionando-os da forma mais conveniente e 
neutralizando possíveis reações ou resistências por parte de alguém mais afoito 
ou desesperado. 
 A “Síndrome de Estocolmo” é uma constante em toda e qualquer crise, 
embora apresente graus de intensidade que variam de caso a caso, a depender 
dos seguintes fatores: 
 a) Grau de risco ou ameaça (quanto maior o risco, mais rápida e 
intensamente se desenvolve a Síndrome); 
 b) Estado de saúde mental dos tomadores de reféns. Está comprovado 
que os psicopatas e os fanáticos religiosos dificilmente desenvolvem a 
Síndrome, daí a razão da letalidade dos eventos que envolvem esse tipo de 
pessoas; 
 c) Condicionamento mental das pessoas. Quem intencionalmente se 
condiciona a não desenvolver a Síndrome, geralmente obtém êxito; 
d) A proximidade física entre as pessoas. Quanto mais exíguo for o 
ambiente, melhor se desenvolve o fenômeno. 
 
 
 
 
3.1.9 - ESTOCOLMIZAÇÃO DO NEGOCIADOR 
 
 Até mesmo o negociador é suscetível de ser contagiado por essa 
Síndrome, sendo comum os casos de negociadores que se envolveram 
emocionalmente com os tomadores de reféns, a tal ponto que chegaram a se 
tornarem autênticos defensores das exigências daqueles e empedernidos 
adversários da opção de uso da força letal. 
 Cabe ao gerente da crise o cuidado de diagnosticar a tempo esse contágio 
e providenciar a imediata substituição do negociador. 
 
3.1.10 - TROCA DE REFÉNS 
 
A troca de reféns é uma idéia que deve ser abolida, pois ela contribui para a 
quebra da proteção psicológica oferecida pela Síndrome. 
 Essa quebra se deve à entrada. no ponto crítico, de um “extraneus”, isto é, 
alguém que não estava ali desde os primeiros momentos. 
 Esse “extraneus” passa então a inspirar desconfiança a todos os que ali se 
encontram, por serem desconhecidos os seus planos e intenções, ao aceitar 
passar à difícil condição de refém. Não somente os tomadores de reféns, mas 
também os reféns não costumam aceitar os novatos com muita simpatia, pois 
geralmente se sentem na condição de preteridos, por não terem sido os 
escolhidos para serem trocados. 
 A lei da sobrevivência faz com que cada um dos reféns considere a 
própria vida como a mais importante. 
 A negociação, como vimos, é um processo que se desenvolve durante 
todo o curso da crise. Ela é um fenômeno espontâneo, sendo uma necessidade 
imperiosa tanto para as autoridades policiais como para os causadores do 
evento crítico. 
 Estes últimos, particularmente, sentem uma carência absoluta de que o 
processo de negociação não tenha solução de continuidade. 
 
3.1.11 - SUBSTITUIÇÃO DO NEGOCIADOR 
 
Somente para exemplificar, durante a rebelião de presos ocorrida no dia 13 de 
novembro de 1989, na Penitenciária Central do Estado do Paraná, houve um 
determinado momento em que os bandidos estavam muito agitados, 
pressionando para que as exigências fossem atendidas imediatamente, a tal 
ponto que estava se tornando impossível qualquer diálogo entre eles e as 
autoridades. 
 Surgiu então a idéia de se cortar as comunicações , retirando-se os 
“plugs” das tomadas dos dois telefones internos que estavam sendo utilizados 
para as negociações. Esse corte de ligações foi mantido por aproximadamente 
15 minutos. Resultado: ao se religarem os telefones, retomando-se os contatos 
com os tomadores de reféns, observou-se que eles ficaram apavorados com a 
interrupção, tornando-se mais sucetíveis e maleáveis a partir de então. 
 Essa necessidade de continuidade das negociações, imperiosa tanto para 
as autoridades como para os tomadores de reféns, faz com que determinadas 
cautelas sejam tomadas, quando for preciso realizar a substituição do 
negociador. A substituição do negociador, seja por motivo de cansaço, de 
incompatibilidade, ou qualquer outro, deve ser cercada de muita habilidade, 
dando-se disso clara ciência aos tomadores de reféns, podendo ser alegados 
problemas de saúde, sono, doença ou qualquer outro havido com o negociador.Essa troca será bem menos traumática se, desde o início da negociação, o 
negociador e seu substituto atuarem conjuntamente nos contatos com os 
tomadores de reféns. Isso, com certeza, dispensará maiores cautelas na hora da 
substituição, além de proporcionar uma continuidade do fluxo de informações, 
o que não ocorreria tão naturalmente se a função de negociador fosse assumida 
por um policial que “pegou o bonde andando”. 
 Não deve o comandante da cena de ação esquecer que, quando as 
negociações estão fluindo sem maiores obstáculos, isso é um bom sinal de que 
os causadores do evento crítico estão contraindo os efeitos da “Síndrome de 
Estocolmo” com relação aos negociadores, condição essa que pode ser 
prejudicada com uma troca abrupta de negociador. 
 Nessa abordagem desenvolvida sobre a negociação, ao longo deste 
capítulo, resta-nos ainda tratar do chamado negociador não-policial. 
 Segundo FUSELIER (1988), “a menos que haja razões específicas em 
contrário, os negociadores devem ser recrutados dentre policiais com 
treinamento apropriado”. É justamente dessas “razões específicas em 
contrário”, referidas acima, que vamos nos ocupar agora. Existem, 
efetivamente, situações em que a figura do negociador não policial não somente 
é inafastável, como aparece como sendo a única alternativa viável de 
negociação. Geralmente, isso ocorre nos casos de extorsão mediante seqüestro, 
em que a família do seqüestrado é a primeira a ser contatada pelos 
seqüestradores. Esses contatos iniciais, quase sempre feitos por telefone, 
contêm invariavelmente a exigência preliminar de que a polícia se mantenha 
afastada do caso. 
 Tal situação praticamente inviabiliza o exercício da negociação por parte 
da polícia, porquanto aos tomadores de reféns só interessa que ela se mantenha 
afastada do evento. Nessas situações, a doutrina recomenda aos organismos 
policiais que adotem a postura de se afastarem do caso, desde que formalmente 
solicitados pela família da vítima. 
 Esse afastamento, todavia, deve ser realizado mediante o esclarecimento 
explícito de duas condições aos familiares: em primeiro lugar, que a polícia se 
manterá afastada somente enquanto durar o cativeiro do ente seqüestrado e, em 
segundo lugar, que a polícia põe à disposição da família todos os seus recursos 
para viabilizar o bom êxito da crise, orientando os negociadores não-policiais, 
para evitar que eles sejam vítimas de golpes de espertalhões (que se aproveitam 
do evento para se passarem pelos seqüestradores e abocanharem o resgate), e 
preparando o terreno para que uma possível entrega do resgate ocorra sem 
incidentes ( que podem ser causados involuntariamente pela própria polícia, se 
estiver completamente desinformada sobre o assunto. 
 Essa assessoria da polícia aos negociadores não-policiais, em casos dessa 
natureza, é indispensável, sendo também uma boa estratégia para desmascarar 
seqüestros forjados por ricaços inescrupulosos, que simulam tais situações com 
o objetivo de sanearem as suas finanças, uma prática hediorna, que, 
infelizmente, tem começado a se difundir no Brasil. 
 O problema da “Síndrome de Estocolmo” vem quando a negociação se 
quebra e a unidade tática tem que entrar em ação. Qualquer informação vinda 
dos reféns pode ser falsa. 
 Essa falsa informação pode ser delineada ou ser dada de forma 
inconsciente. 
 Quando o grupo especializado em ações táticas coloca um plano de ação 
em movimento esses planos podem não contar com nenhuma assistência (ajuda) 
dos reféns. A Síndrome pode fazer com que os reféns se oponham a qualquer 
comando dados pelos policiais de resgate.. 
 No evento em que os reféns foram maltratados, qualquer informação 
obtida deles pode ser exagerada, tais como as armas usadas ou intenções 
estabelecidas pelos assaltantes. É importante que tais informações não sejam 
aceitas como um fato, mas sim como uma possibilidade. 
 Informação exagerada poderia causar uma reação exagerada por parte dos 
membros da equipe, porque eles poderiam esperar muito mais ameaça do que 
realmente existe. 
 Um outro ponto para se manter em mente é que o próprio negociador não 
é totalmente imune a Síndrome. Por esta razão é importante que o negociador 
não seja integrante da unidade de assalto. Toda e qualquer comunicação entre o 
negociador e esses grupos devem ocorrer através do posto de comando. 
 Explorada, inteligentemente, a “Síndrome de Estocolmo” pode realmente 
ajudar a atingir o último objetivo, que é a liberação segura dos reféns. O 
conhecimento do fenômeno para a gerência da crise é muito importante, 
principalmente para o negociador. Bem aproveitada, a Síndrome poderá ser 
instrumento poderosíssimo e poderá ser fator determinante para o resultado. 
 Deve-se conhecer os seus efeitos que são fortes e impressionantes. Há 
uma sensibilidade muito grande, criando um sentimento de querer bem, querer 
proteger, que se desenvolve principalmente entre o causador e a vítima. O 
negociador, por vezes, consegue instalar a Síndrome com maior rapidez ao 
estimular contatos entre tomadores de reféns e reféns. 
 A Síndrome é tão involuntária quanto o batimento cardíaco, 
transformando-se na maior proteção psicológica que pode ocorrer numa 
situação crítica. 
 Através desse fenômeno as pessoas que encontram-se no ponto crítico 
conquistam certa estabilidade o que é muito importante para a resolução da 
crise. 
 As pessoas, de uma forma geral, não conhecem a Síndrome, daí decorre 
sua instalação com tranqüilidade. Todas as pessoas que estão envolvidas direta 
ou indiretamente poderão se contaminar, inclusive aquelas que acompanham o 
processo através dos meios de comunicação. 
 O primeiro indício de que o negociador está estocolmizado é quando ele 
começa a advogar a favor do tomador de refém e reagir às determinações do 
Gerente da crise. 
 
3.1.12 EXEMPLOS DE INSTALAÇÃO DA SÍNDROME 
 
 Um comovente relato de instalação da Síndrome é apresentado pelo 
doutor Frank Oschberg quando narra a experiência de um refém dos South 
Mollucans, em dezembro de 1975, Gerard Vaders, editor de jornal, na faixa de 
50 anos de idade. 
 “Na segunda noite, ele me amarrou novamente para ser um escudo vivo e 
deixou-me naquela posição por 7 horas. O mais psicopata ficava me dizendo: 
tua hora chegou. Faz tuas orações. Eles tinham me escolhido para a terceira 
execução... Pela manhã, quando soube que ia ser executado, pedi para falar com 
Prins (um outro refém) para dar-lhe uma mensagem destinada a minha família. 
Eu queria explicar minha situação familiar. Meu filho adotivo, cujos pais 
tinham sido mortos, não se dava bem com minha mulher e naquela época eu 
passava por uma crise no casamento. Havia outras coisas também. De alguma 
forma, achava que tinha falhado como se humano. Expliquei tudo isto e os 
terroristas fizeram questão de ouvir-me. Quando o Senhor Vaders terminou 
sua conversa com o Senhor Prins e se disse pronto para morrer, o terrorista 
disse: Não, um outro vai primeiro” 
 
 O Doutor Oschberg notou que o senhor Vaders não era mais um símbolo 
sem face. Era humano. Na frente de seus executores, ele se transformou de um 
símbolo a ser executado em um ser humano respeitado. Tragicamente, eles 
selecionaram outro passageiro. 
O senhor Vaders continua a explicar os efeitos da Síndrome sobre ele: 
 
“temos que lutar contra um certo sentimento de piedade pelos Mollucans. Sei 
que não é natural, mas de alguma maneira eles se tornam humanos. Davam-nos 
cigarros e cobertores. Mas também tínhamos noção que leram assassinos.Tenta-
se sufocar isto em nosso consciente e eu sabia disto. Ao mesmo tampo eles 
também eram vítimas. Com o tempo eles seriam tão vítimas quanto nós, até mais. 
Víamos que o moral deles desmoronava. Vivenciávamos a desintegração de suas 
personalidades. O crescimento do desespero. As coisas fugindo por seus dedos. 
Não podíamos ajudar. Só sentir pena. Com pessoas que começaram sentindo-se 
deuses invencíveis, inexpugnáveis, acabaram diminuídos, desesperados, sentindo 
que tudo foi em vão.” 
 
 Através do estudo desse fenômeno compreende-se como o tomador de 
refém encontra mais facilidade em causar dor nas suas vítimas quando as 
mesmas permanecem desumanizadas. Quando vítimas e algozes ficam juntos 
em um local, um prédio, um trem ou um avião desenvolve-se um processo de 
humanização. Quando um refém consegue criar empatia, mantendo sua 
dignidade, pode diminuir a agressividade do tomador de refém. Com o passar 
do tempo e o desenvolvimento de acontecimentos positivos, aumentam as 
chances de sobrevivência dos reféns. 
 Outro exemplo clássico da instalação da Síndrome ocorreu nos campos de 
concentração da II Guerra Mundial, nos quais prisioneiros desumanizados 
identificavam-se com os guardas nazistas a ponto de imitar seus uniformes e 
suas ações opressivas (Kapos). 
 Estes casos foram descritos por BETTLEREIN (1964), um psicanalista 
que foi prisioneiro de um destes campos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
IV - INTERPRETAÇÃO PSICOLÓGICA 
 
 
 Segundo ZANI e LEMOS (1996), “Síndrome de Estocolmo” é uma 
perturbação de ordem psicológica, paralela à chamada “transferência” que é o 
termo que a psicologia usa para se referir ao relacionamento que se desenvolve 
entre um paciente e o psiquiatra, e que permite que a terapia tenha sucesso. O 
paciente precisa acreditar que o médico pode ajudá-lo a fim de que o tratamento 
tenha êxito, e como resultado desse esforço, o paciente desenvolve o fenômeno 
da “transferência”. 
 A “Síndrome de Estocolmo” parece ser uma resposta emocional e 
automática, provavelmente inconsciente ao trauma de ter sido uma vítima. 
 Este fenômeno pode servir de várias maneiras ao negociador. A 
transferência psicológica ocorre em ambas as direções. Isto é, o tomador de 
refém pode desenvolver afinidades pelos reféns. Devido ao alto grau de estresse 
originado em uma situação crítica, laços emocionais podem se desenvolver 
rapidamente. 
 As pessoas quando estão vivendo momento cruciais, costumam se apegar 
a qualquer coisa que lhe indique a saída, e é exatamente isso que ocorre com os 
reféns e os tomadores de reféns. Por ocasião de um evento crítico, tanto uns 
como outros estão sob forte tensão emocional. Por essa razão os reféns passam 
conscientemente a desejar que tudo dê certo para os tomadores de reféns, isto é, 
que eles consigam o dinheiro do resgate, que lhes sejam satisfeitas todas as 
exigências e que, afinal, possam fugir em paz, deixando os reféns com vida. 
 Nesse processo mental, os reféns passam a considerar como totalmente 
indesejável toda e qualquer intervenção policial e, freqüentemente, os próprios 
valores sedimentados ao longo da vida costumam ser questionados e até 
mudados por essas pessoas. Dessa ânsia desesperada pelo bom sucesso dos 
tomadores de reféns para a simpatia, a admiração, ou bem-querer, é um passo. 
 Sabe-se que no processo de desenvolvimento psíquico humano são 
esperadas situações de crise, as quais podem-se classificar em evolutivos e 
acidentais. A “Síndrome de Estocolmo” seria considerada acidental. Por 
definição, crise é uma resposta a uma situação ansiogênica e desagradável que é 
experimentada como um estado doloroso. Por isso, tende a mobilizar reações 
poderosas, para ajudar a pessoa a aliviar o desconforto e retornar ao estado de 
equilíbrio emocional existente anteriormente. Se isto acontece, a crise pode ser 
superada mas, além disso, a pessoa poderá desenvolver o aprendizado 
adaptativo que o habilite a utilizá-lo no futuro. Com este objetivo, a psique 
lança mão de defesas efetuadas pelo Ego perante os perigos advindos do Id, do 
Superego e da realidade externa. 
 Denomina-se defesas como uma série de ações reativas, carregadas de 
ansiedade, que objetivam o alívio do perigo e procuram manter a homeostase 
intrapsíquica. 
 Entende-se que tais mecanismos de defesa classificam-se de duas 
formas: as chamadas defesas bem sucedidas, que produzem a cessação daquilo 
que se rejeita e as chamadas defesas ineficazes que provocam a repetição do 
processo de rejeição, buscando proteger-se de estímulos internos e externos 
impedindo o afloramento dos impulsos rejeitados. 
 Não se deve perder de vista que os mecanismos de defesa não 
representam por si processo patológico por excelência. Eles intervêm, 
habitualmente, na busca do ajustamento, adaptação e equilíbrio da 
personalidade. Contudo, verificam-se estruturas defensivas típicas em 
determinados quadros psicopatológicos. Atenta-se que as diferenças entre o 
normal e o patológico estão assentadas no grau de intensidade, variedade e a 
freqüência com que se utilizam os mecanismos de defesa, ocorrendo uma 
ligação entre a conduta defensiva e o contexto situacional onde ela acontece. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
V - APRESENTAÇÃO DE CASOS 
 
 
5.1 - CASO “FRANCE AIR LINES” 
 
 Como exemplo cita-se o seqüestro de um avião da France Air Lines, em 
1976, que, ao decolar do aeroporto de Atenas, foi desviado para Entebe, em 
Uganda, por terroristas da Frente Popular para a Libertação da Palestina. No 
momento em que a SAVAT (unidade especializada do exército israelense) 
iniciou o assalto tático, ainda na parte externa ao local de cativeiro, o terrorista 
que vigiava os reféns mais de perto, virou-se em direção aos mesmos com sua 
metralhadora como se fosse atirar. Entretanto, a primeira pessoa com a qual o 
terrorista se deparou foi o refém que, momentos antes, havia travado um 
diálogo com ele sobre qual seria a diferença entre o referido terrorista, que era 
alemão, e os seus antepassados nazistas, pois apesar do terrorista ter alegado 
estar defendendo uma causa nobre, ele era, como na época da Segunda Grande 
Guerra, mais um alemão com uma arma na mão exterminando judeus. 
 Tais colocações por parte do refém provocaram uma certa confusão na 
cabeça do terrorista que acabou hesitando no seu intento de execução dos 
reféns. Tal hesitação, que não durou mais que cinco segundos, foi o suficiente 
para que o SAVAT penetrasse no cativeiro e alvejasse o terrorista alemão sem 
que o mesmo tivesse tempo de, sequer, ferir um único refém. 
 Nota-se, portanto, que não se está lidando com uma ciência exata, mas 
com emoções e sentimentos diversos que, por sua própria natureza, são 
extremamente subjetivos, razão pela qual acredita-se ser extremamente 
imprudente e perigoso estabelecer conceitos definitivos e perfeitamente 
mensuráveis. 
 
5.2 - CASO BANESTADO 
 
 Em 1987, durante um assalto à agência do banco BANESTADO, em 
Londrina/PR, os assaltantes, com a chegada inopinada da polícia, fizeram como 
reféns dezenas de pessoas que se encontravam no interior do bando. 
 Ao final da crise, que durou quase três dias, os assaltantes lograram fugir, 
levando consigo todo o produto do roubo. 
 Todos os reféns liberados sofreram os efeitos da “Síndrome de 
Estocolmo”, tendo feito muitos elogios aos assaltantes, descrevendo-os como 
pessoas “muito simpáticas,, educadas e inteligentes”.Um capitão da PM/PR que, juntamente com uma jovem foi levado como 
refém durante a fuga, narrou-nos que durante o trajeto da fuga, no interior do 
veículo, a jovem pôs de lado toda a pudícia e ofereceu-se a um dos bandidos, 
dizendo-lhe que se apaixonara por ele e que gostaria de fazer amor com ele, ali 
ou em qualquer lugar, pois temia que ele viesse a morrer e ela não pudesse 
realizar esse desejo. 
 
5.3 - CASO FLÁVIA 
 
 Mais recentemente, em junho de 1991, a estudante carioca Flávia de 
Oliveira Teixeira foi seqüestrada na ilha do Governador, no Rio de Janeiro. 
Liberada após três dias de cativeiro e mediante o pagamento de milhares de 
dólares como resgate, ela apresentou sintomas bastante evidentes de que 
desenvolveu o fenômeno da “Síndrome de Estocolmo”. 
 Segundo noticiado na mídia, a ex-refém não estava revoltada pela 
violência que sofreu e, ao contrário, fez defesa apaixonada de seus 
seqüestradores, que, segundo ela, eram “gente de bom coração, fruto de uma 
sociedade gananciosa”. 
 A referida jovem, desenvolveu até uma especial relação de carinho para 
com um dos seqüestradores, de nome Jorge, que, como ela própria narra, ficou 
apaixonado e chegou a se deitar ao seu lado, no tapete, e lhe acariciou os 
cabelos durante o cativeiro. 
 Segundo ela, foi também esse seqüestrador que lhe deu um anel de prata, 
que ela agora usa na mão direita e não pretende mais tirar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
 
 
 A presente monografia visou demonstrar que a “Síndrome de Estocolmo” 
é um fator importantíssimo no gerenciamento de crises. O gerente, os 
negociadores, o pessoal do grupo especializado em ações táticas, enfim, todos 
aqueles que de uma forma ou de outra efetivamente contribuem para que as 
situações críticas tenham um desfecho favorável, contam com esses preciosos 
conhecimentos que, se bem aplicados, podem contribuir em muito para a 
preservação da vida dos reféns, bem como da dos tomadores de reféns e 
policiais. 
 A justificativa desta monografia foi o de demonstrar a importância do 
conhecimento do assunto por parte daqueles que têm por obrigação 
constitucional enfrentar situações críticas. 
 No desenvolvimento do trabalho monográfico pôde-se concluir que o 
refém e o tomador de refém, quando em situações críticas, adquirem mudanças 
comportamentais evidentes, mudanças essas denominadas como sendo 
“Síndrome de Estocolmo”. 
 Por ser, em decorrência da conclusão de nossos estudos, uma 
manifestação bilateral, ou seja, que atinge tanto o tomador de refém como o 
refém, consideramos que a manifestação da referida Síndrome em uma situação 
de crise é fator favorável ao seu gerenciamento. 
 Através dessas circunstâncias conclui-se que o trabalho dos policiais 
envolvidos é facilitado na medida em que conhecem os efeitos da Síndrome e 
aplicam esses conhecimentos na resolução de ocorrências com reféns. 
 
 
 
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