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2012 TÓPICOS ESPECIAIS Prof. Laurise Pugues 1a Edição Copyright © UNIASSELVI 2012 Elaboração: Prof. Laurise Pugues Revisão, Diagramação e Produção: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial. Impresso por: P978t Pugues, Laurise Tópicos especiais / Laurise Pugues. Indaial : Uniasselvi, 2012. 216 p. : il. Inclui bibliografia. ISBN 978-85-7830-519-2 1. Contabilidade. I. Centro Universitário Leonardo da Vinci. CDD 657 III ApresentAção Caro (a) Acadêmico (a), Apresentamos, neste Caderno de Estudos, temas específicos e importantes para os profissionais da área contábil, incluindo questões sobre ética, em especial, a profissional; além de algumas legislações específicas para a profissão. Abordamos também o Terceiro Setor e a responsabilidade social e ambiental. É muito importante conhecer os assuntos que serão tratados neste caderno, assuntos relacionados a questões éticas, pois no dia a dia, você poderá enfrentar situações que vão além do seu conhecimento técnico, envolvendo aspectos que dependem do seu entendimento pessoal sobre determinada situação. E para não incorrer em erros, você deve ter pleno conhecimento do Código de Ética Profissional do Contador, que lhe ajudará a tomar decisões, seguindo os preceitos éticos apresentados no referido Código e evitando que possa ser penalizado por condutas inadequadas. Outro desafio para os profissionais da contabilidade é conhecer o Terceiro Setor, e saber que esse novo segmento está em crescimento e é uma nova oportunidade de atuação. Também é importante salientar que para o(a) contador(a) que possui conhecimento nas áreas de finanças, controladoria, custos, orçamento, entre outras, é possível prestar um serviço adequado às entidades sem finalidade de lucros, na sua atividade, auxiliando na prestação de contas e na tomada de decisão. O(A) contador(a) tem que ter ainda o conhecimento da responsabilidade social e ambiental, que hoje está muito mais presente nas empresas, que estão cada vez mais preocupadas com a questão da sustentabilidade, e por isso, a necessidade de estar atento sobre essas questões. Portanto, caro(a) acadêmico(a), este Caderno de Estudos traz conhecimentos sobre áreas importantes para o profissional da contabilidade, que deve sempre buscar as novidades do mercado. Espero que aproveitem ao máximo o conteúdo apresentado nesta disciplina e bons estudos! Profª Laurise Pugues IV Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades em nosso material. Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo. Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto em questão. Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa continuar seus estudos com um material de qualidade. Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – ENADE. Bons estudos! NOTA V VI VII UNIDADE 1 - ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL .............................................................1 TÓPICO 1 - ÉTICA GERAL .................................................................................................................3 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................3 2 CONCEITO DE ÉTICA ......................................................................................................................4 3 ÉTICA E FILOSOFIA .........................................................................................................................5 4 TRANSPARÊNCIA, ÉTICA E GESTÃO ........................................................................................7 RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................13 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................14 TÓPICO 2 - OBJETO, OBJETIVO E CAMPO DE APLICAÇÃO DA ÉTICA .............................17 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................17 2 O SIGNIFICADO DA ÉTICA NA CONDUTA HUMANA........................................................17 3 ÉTICA E MORAL ................................................................................................................................18 RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................23 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................24 TÓPICO 3 - O PROFISSIONAL DA CONTABILIDADE E A ÉTICA .........................................27 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................27 2 IMPORTÂNCIA DA ÉTICA NA FORMAÇÃO DA PROFISSÃO CONTÁBIL ....................27 2.1 ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL DA CONTABILIDADE ......................................................27 2.2 O PAPEL DO PROFISSIONAL DA CONTABILIDADE NA SOCIEDADE ..........................32 2.3 PROBLEMAS ÉTICOS RELACIONADOS COM O PROFISSIONAL DA CONTABILIDADE 34 3 A ÉTICA E SUA INFLUÊNCIA NO MERCADO DE TRABALHO DO PROFISSIONAL DA CONTABILIDADE ................................................................................................................................37 RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................38 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................39 TÓPICO 4 - CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DO CONTADOR......................................41 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................41 2 CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DO CONTADOR .........................................................41 2.1 CONCEITO .....................................................................................................................................41 2.2 OBJETIVO .......................................................................................................................................42 2.3 MUDANÇAS OCORRIDAS NO CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DO CONTADOR 42 3 CAPÍTULOS DO CÓDIGO DE ÉTICAPROFISSIONAL DO CONTADOR ........................43 ..............................................................................................................................................................43 3.1 CAPÍTULO I – OBJETIVO ............................................................................................................43 3.2 CAPÍTULO II – DOS DEVERES E DAS PROIBIÇÕES .............................................................43 3.3 CAPÍTULO III – DO VALOR DOS SERVIÇOS PROFISSIONAIS .........................................47 3.4 CAPÍTULO IV – DOS DEVERES EM RELAÇÃO AOS COLEGAS E À CLASSE ................48 3.5 CAPÍTULO V – DAS PENALIDADES .......................................................................................49 RESUMO DO TÓPICO 4......................................................................................................................50 sumário VIII AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................52 TÓPICO 5 - CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE E CONSELHOS REGIONAIS DE CONTABILIDADE .........................................................................................................................57 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................57 2 CONSELHOS DE CONTABILIDADE ...........................................................................................58 2.1 CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE .......................................................................58 2.2 CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE ....................................................................60 3 EXAME DE SUFICIÊNCIA ...............................................................................................................60 4 LEGISLAÇÕES ESPECÍFICAS ........................................................................................................62 RESUMO DO TÓPICO 5......................................................................................................................66 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................67 TÓPICO 6 - NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE PROFISSIONAIS .................69 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................69 2 ESTRUTURA DAS NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE ..................................69 3 NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE PROFISSIONAIS – NBC P ....................70 3.1 NORMAS PROFISSIONAIS DE AUDITOR INDEPENDENTE - NBC PA ..........................70 3.2 NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE - NBC PP – PERITO CONTÁBIL ..........73 3.3 NORMAS PROFISSIONAIS DO AUDITOR INTERNO - NBC PI .........................................76 3.4 NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE – NBC PA 12 – EDUCAÇÃO PROFISSIONAL CONTINUADA ..............................................................................................76 3.5 NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILDADE NBC PA 13 – Normas sobre o Exame de Qualificação Técnica para Registro no Cadastro Nacional de Auditores Independentes (CNAI) do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) ............................................................77 RESUMO DO TÓPICO 6......................................................................................................................79 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................80 UNIDADE 2 - TERCEIRO SETOR .....................................................................................................83 TÓPICO 1 - TERCEIRO SETOR .........................................................................................................85 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................85 2 CONCEITO ..........................................................................................................................................85 3 CLASSIFICAÇÃO DAS ENTIDADES DO TERCEIRO SETOR ...............................................88 3.1 ASSOCIAÇÕES ..............................................................................................................................89 3.2 FUNDAÇÕES .................................................................................................................................90 4 TITULAÇÕES E CERTIFICAÇÕES ENTIDADES DO TERCEIRO SETOR ..........................91 4.1 ORGANIZAÇÕES SOCIAIS – OS ...............................................................................................91 4.2 ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL DE INTERESSE PÚBLICO (OSCIP) ...............91 5 A QUESTÃO DO LUCRO NO TERCEIRO SETOR ....................................................................95 LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................97 RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................99 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................100 TÓPICO 2 - ASPECTOS LEGAIS APLICADOS AO TERCEIRO SETOR 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................103 2 A CONSTITUIÇÃO FEDERAL E AS ENTIDADES DO TERCEIRO SETOR ........................103 3 TRIBUTAÇÃO NO TERCEIRO SETOR ........................................................................................104 3.1 IMUNIDADE ..................................................................................................................................104 3.2 ISENÇÃO ........................................................................................................................................105 3.3 DIFERENÇA ENTRE IMUNIDADE E ISENÇÃO ....................................................................106 3.4 REQUISITOS MÍNIMOS PARA OBTENÇÃO DA IMUNIDADE E ISENÇÃO ...................107 IX RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................109 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................110 TÓPICO 3 - A CONTABILIDADE APLICADA NO TERCEIRO SETOR ..................................113 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................113 2 NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE TÉCNICAS - NBC T 10 (DOS ASPECTOS CONTÁBEIS ESPECÍFICOS EM ENTIDADES DIVERSAS) ......................................................114 2.1 NBC T 10, ITEM NBC T 10.4 – FUNDAÇÕES ...........................................................................114 2.2 NBC T 10, ITEM NBC T 10.18 – ASPECTOS CONTÁBEIS ENTIDADES SINDICAIS E ASSOCIAÇÕES DE CLASSE ........................................................................................................114 2.3 NBC T 10, ITEM NBC T 10.19 – ENTIDADES SEM FINALIDADE DE LUCROS ...............115 3 PRINCIPAIS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS .......................................................................115 3.1 BALANÇO PATRIMONIAL ........................................................................................................116 3.2 DEMONSTRAÇÃO DO SUPERÁVIT OU DÉFICIT DO EXERCÍCIO ..................................117 3.3 DEMONSTRAÇÃO DOS LUCROS E PREJUÍZOS ACUMULADOS....................................117 3.4 DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO SOCIAL .................117 3.5 DEMONSTRAÇÃO DAS ORIGENS E APLICAÇÕES DE RECURSOS ................................118 3.6 DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA .............................................................................118 4 NOTAS EXPLICATIVAS ...................................................................................................................118 5 ELENCO DE CONTAS ......................................................................................................................119 RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................120 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................121 TÓPICO 4 - A GESTÃO CONTÁBIL PARA ORGANIZAÇÕES DO TERCEIRO SETOR .....123 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................123 2 INFORMAÇÃO CONTÁBIL ............................................................................................................123 3 CARACTERÍSTICAS DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL ............................................................124 4 PROCEDIMENTOS CONTÁBEIS ..................................................................................................124 4.1 CONTABILIZAÇÃO DE DOAÇÕES, SUBVENÇÕES E CONTRIBUIÇÕES .......................126 4.2 CONTABILIZAÇÃO DE GRATUIDADES.................................................................................127 4.3 CONTABILIZAÇÃO DE CUSTOS ..............................................................................................128 4.4 CONTABILIZAÇÃO DE DEPRECIAÇÃO ................................................................................129 4.5 CONTABILIZAÇÃO DE CONTRATOS, CONVÊNIOS E TERMOS DE PARCERIA .........129 5 AUDITORIA ........................................................................................................................................136 RESUMO DO TÓPICO 4......................................................................................................................138 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................139 TÓPICO 5 - PRESTAÇÃO DE CONTAS ...........................................................................................141 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................141 2 IMPORTÂNCIA DA PRESTAÇÃO DE CONTAS .......................................................................141 3 ELEMENTOS DA PRESTAÇÃO DE CONTAS ............................................................................142 RESUMO DO TÓPICO 5......................................................................................................................147 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................148 UNIDADE 3 - RESPONSABILIDADE SOCIAL E AMBIENTAL ................................................151 TÓPICO 1 - NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE TÉCNICA – NBCT15 INFORMAÇÕES DE NATUREZA SOCIAL E AMBIENTAL .......................................................153 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................153 2 CONCEITO E OBJETIVOS ...............................................................................................................153 3 INFORMAÇÕES A SEREM DIVULGADAS ................................................................................154 RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................158 X AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................159 TÓPICO 2 - RESPONSABILIDADE SOCIAL .................................................................................161 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................161 2 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA...........................................................................................161 3 CONCEITO ..........................................................................................................................................162 4 RESPONSABILIDADE SOCIAL NO BRASIL E NO MUNDO ................................................163 5 DIMENSÕES DA RESPONSABILIDADE SOCIAL ...................................................................166 RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................167 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................168 TÓPICO 3 - RESPONSABILIDADE AMBIENTAL ........................................................................171 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................171 2 CONTABILIDADE AMBIENTAL ...................................................................................................172 2.1 EVOLUÇÃO DA CONTABILIDADE AMBIENTAL ................................................................173 2.2 ATIVOS E PASSIVOS AMBIENTAIS ..........................................................................................174 2.3 GASTOS, CUSTOS E DESPESAS AMBIENTAIS ......................................................................174 3 GESTÃO AMBIENTAL .....................................................................................................................176 RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................177 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................178 TÓPICO 4 - BALANÇO SOCIAL .......................................................................................................181 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................181 2 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA...........................................................................................181 3 BALANÇO SOCIAL NO BRASIL E NO MUNDO ......................................................................182 4 BALANÇO SOCIAL COMO INSTRUMENTO DA QUALIDADE ÉTICA E TRANSPARÊNCIA ................................................................................................................................184 4.1 USUÁRIOS DO BALANÇO SOCIAL .........................................................................................184 4.2 ELABORAÇÃO DO BALANÇO SOCIAL .................................................................................186 4.3 INDICADORES CONSTANTES NO BALANÇO SOCIAL .....................................................188 5 MODELOS DE BALANÇO SOCIAL ..............................................................................................189 5.1 MODELO IBASE ............................................................................................................................190 5.2 MODELO DO INSTITUTO ETHOS ............................................................................................191 RESUMO DO TÓPICO 4......................................................................................................................194AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................195 TÓPICO 5 - DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO ...................................................197 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................197 2 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA...........................................................................................198 3 ESTRUTURA DA DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO .....................................198 4 A DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO NO BRASIL ...........................................199 5 A IMPORTÂNCIA DA DVA NA GESTÃO DAS EMPRESAS .................................................199 6 USUÁRIOS DAS INFORMAÇÕES DA DVA ...............................................................................200 7 PONTOS CONFLITANTES DA DVA ............................................................................................200 RESUMO DO TÓPICO 5......................................................................................................................202 AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................203 REFERÊNCIAS .......................................................................................................................................205 1 UNIDADE 1 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • entender o conceito de ética e sua relação com a filosofia; • conhecer a ética de maneira geral, seu objeto, objetivo e campo de aplicação; • verificar a importância do profissional da contabilidade em um contexto ético; • compreender o Código de Ética Profissional do Contador; • conhecer o funcionamento do Conselho Federal de Contabilidade e dos Conselhos Regionais de Contabilidade; • verificar as principais Normas Brasileiras de Contabilidade Profissionais. Esta unidade está dividida em seis tópicos. No primeiro, você encontrará o con- ceito de ética, evidenciando o seu surgimento e sua relação com a filosofia, além de aspectos éticos relacionados com a transparência e gestão. No segundo tópico, evidenciamos a questão da ética e da moral na conduta humana, assim como o objeto, objetivo e campo de aplicação da ética. No terceiro tópico, apresentamos a importância da ética para o profissional da contabilidade e seu papel na so- ciedade, demonstrando quais os problemas éticos mais recorrentes. No quarto tópico, abordamos o Código de Ética Profissional do Contador, seu objetivo e mu- danças ocorridas no referido Código com a aprovação da Resolução 1.307/2010, bem como os capítulos que fazem parte do referido Código de Ética. No tópico cinco, trazemos informações sobre o Conselho Federal de Contabilidade e Con- selhos Regionais de Contabilidade, estrutura e finalidades. Ainda, neste tópico, apresentamos informações sobre o Exame de Suficiência. Por fim, no sexto tópico, abordamos a estrutura das Normas Brasileiras de Contabilidade. Em cada tópico, você encontrará atividades que o(a) ajudarão a compreender os conteúdos apre- sentados. TÓPICO 1 – ÉTICA GERAL TÓPICO 2 – OBJETO, OBJETIVO E CAMPO DE APLICAÇÃO DA ÉTICA TÓPICO 3 – O PROFISSIONAL DA CONTABILIDADE E A ÉTICA TÓPICO 4 – CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DO CONTADOR TÓPICO 5 – CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE E CONSELHOS REGIONAIS DE CONTABILIDADE TÓPICO 6 – NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE PROFISSIONAIS 2 3 TÓPICO 1 UNIDADE 1 ÉTICA GERAL 1 INTRODUÇÃO Neste tópico iniciaremos nosso aprendizado abordando o conceito de ética, que está relacionado com a filosofia. De acordo com Lisboa (2007, p. 23), pode-se “definir ética como sendo um ramo da filosofia que lida com o que é moralmente, bom ou mau, certo ou errado”. Contudo, essa questão é muito mais ampla, envolvendo outras situações que serão abordadas durante os estudos dessa unidade. A ética também está relacionada com a questão de transparência, que nos dias atuais, tanto se tem falado sobre isso, quer seja na Administração Pública, nas empresas ou outros ambientes, que envolvam questões relacionadas à prestação de contas. Para o IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa) “a boa Governança proporciona aos proprietários (acionistas ou cotistas) a gestão estratégica de sua empresa e a monitoração da direção executiva” (IBGC, 2011). Entre os valores do IBGC estão transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa. Para o IBGC (2011) transparência é “mais que a obrigação de informar é o desejo de disponibilizar para as partes interessadas as informações que sejam de seu interesse e não apenas aquelas impostas por disposições de leis ou regulamentos”. Desta forma, a transparência permite que exista um clima de confiança, tanto internamente, quanto nas relações da empresa com terceiros. As empresas não devem se restringir à informação para o seu desempenho econômico-financeiro, mas contemplar também outros fatores (inclusive intangíveis) que permitem conduzir a ação gerencial, além da criação de valor (IBGC, 2011). Portanto, a gestão reflete a maneira pela qual os gestores estão conduzindo as empresas, se for de forma transparente, provavelmente, é uma empresa que se preocupa com questões éticas. UNIDADE 1 | ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL 4 NOTA Caro(a) acadêmico(a)! Para aprofundar os conteúdos, sugerimos a leitura dos valores apresentados pelo IBGC. Disponível em: <http://www.ibgc.org.br. A seguir, apresentamos uma discussão sobre o conceito de ética, a relação ética e filosofia e por fim a transparência, ética e gestão. 2 CONCEITO DE ÉTICA Pensar no que é ética, parece ser bastante simples, pois seria apenas decidir se determinada situação é certa ou errada, porém vivemos em uma sociedade, e diariamente, nos relacionamos com outras pessoas. Essa relação faz com que apareçam conflitos, por que cada indivíduo possui suas crenças e valores, e o que para uma pessoa parece ser certo, para outra pode não ser. Por esse motivo, faz-se necessário conhecer o significado da palavra ética, que etimologicamente, vem do grego “ethos” e significa hábitos ou costumes, forma de vida adquirida ou conquistada pelo homem, ou seja, refere-se a padrões de conduta. Lisboa (2007) menciona que as palavras ética e moral em termos etimológicos possuem a mesma base, ou seja, hábitos e costumes. Vazquez (1999) complementa, é “a ciência que estuda a moral ou o comportamento moral dos homens (cidadãos) em sociedade. É a teoria da moral”. Desta forma, podemos perceber que a ética se apresenta sempre por normas, cuja base está na moral. Essas normas éticas servem de parâmetros para os atos dos indivíduos e da sociedade. TÓPICO 1 | ÉTICA GERAL 5 Lembre-se do seu manual, “não basta saber, tem que saber fazer”, por isso, a partir do que acabamos de relatar, sugiro que leia o caso a seguir apresentado e explique como seria sua ação nesse caso. Lembre-se de que essa atividade é para ser discutida com os colegas. A partir da reflexão sobre a atitude do Sr. Airton, apresente a sua opinião sobre a questão apresentada. ATENCAO Estudo de Caso Airton trabalha na Indústria de refrigeradores FREEZO há 14 anos. Ele é gerente de compras, na atual função há dez anos. O salário de Airton é de R$ 4.000,00. A direção da empresa está satisfeita com ele, já que nenhum setor da fábrica tem reclamado da falta de peças. Tal presteza no fornecimento é o resultado de uma política de aproximação com os fornecedores “à moda japonesa”: ele mantém uma amizade pessoal com todos eles, costumando até adquirir peças para estoque, quando aqueles estão com dificuldadespara faturar. No natal de 2010, Airton recebeu duas passagens aéreas para Paris, ida e volta, em voos de primeira classe. Elas foram presente de Rosa, gerente de vendas da LINATE, indústria de peças para refrigeradores, a principal fornecedora da FREEZO. As passagens foram brindadas para que ele e a esposa descansassem do ano fatigante que terminava. De pronto, Airton foi até seu diretor de compras. Salientou que estava indeciso sobre a utilização ou não da passagem, tendo em vista ser ela presente de um fornecedor. Achava ele que, se aceitasse, estaria sendo antiético com a empresa. Embora parabenizasse Airton pela atenção em comunicar-lhe o fato, o diretor não sabe o que opinar, pois seu gerente de compras é, para ele, de absoluta confiança, além do que não quer interferir em sua vida pessoal. A opinião do diretor torna-se mais difícil à medida que a FREEZO não tem um Código de ética. Como agir no caso? Após a discussão sobre o conceito de ética, apresentamos no próximo item a relação ética e filosofia. 3 ÉTICA E FILOSOFIA A questão ética já vem sendo discutida há bastante tempo, pois envolve padrões comportamentais de acordo com cada grupo de pessoas, na própria UNIDADE 1 | ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL 6 Como sugestão, faça a leitura do capítulo 3, do livro “Convite à filosofia” de Marilena Chauí, que aborda os Campos de investigação da filosofia de forma clara e com linguagem acessível esses quatro períodos da filosofia grega. ATENCAO sociedade, sempre buscando entender os conflitos de interesse da forma mais adequada possível. Contudo, é interessante saber que a ética está relacionada à filosofia, conforme evidenciado por Chauí (2010) nos quatro grandes períodos da filosofia grega, demonstrando a mudança de conteúdo e seu enriquecimento no decorrer destes períodos: 1) Período pré-socrático ou cosmológico, período que vai do século VII ao final do século V a.C., neste momento a filosofia preocupa-se com a origem do mundo e as causas das transformações na natureza. 2) No próximo período, que é o socrático ou antropológico (final do século V e todo século IV a.C.), começam a serem investigadas as questões humanas, ou seja, a ética, a política e as técnicas, buscando saber qual é o lugar do homem no mundo. 3) Chauí (2010, p. 48) descreve o terceiro período como sistemático, que vai do século IV ao final do século III a.C, “quando a filosofia busca reunir e sistematizar tudo quanto foi pensado pela cosmologia e pelas investigações sobre a ação humana na ética, na política e nas técnicas.” É neste período que se desenvolvem a teoria do conhecimento, a psicologia e a lógica. 4) O último período chama-se helenístico ou greco-romano (final do século III a.C. até o século VI d.C.). Foi o período mais longo e abrange o domínio de Roma e foi quando surgiu o cristianismo. A filosofia preocupou-se neste momento, principalmente, com questões éticas, conhecimento e relações entre homem e natureza e destes dois com Deus. (CHAUI, 2010) Portanto, caro(a) acadêmico(a) a ética já vem sendo discutida há vários anos e se iniciou com os filósofos. TÓPICO 1 | ÉTICA GERAL 7 Além disso, considerando o pensamento filosófico dos antigos, a ética possui três grandes princípios da vida moral, conforme Chauí (2010): 1. por natureza, os seres humanos aspiram ao bem e à felicidade, que só podem ser alcançados pela conduta virtuosa; 2. a virtude é uma excelência alcançada pelo caráter, tanto assim que a palavra grega que a designa é aretê, que quer dizer “excelência”. É a força interior do caráter que consiste na consciência do bem e na conduta definida pela vontade guiada pela razão, pois cabe a esta última o controle sobre instintos e impulsos irracionais descontrolados, que existem na natureza de todo ser humano. 3. a conduta ética é aquela na qual o agente sabe o que está e o que não está em seu poder realizar, referindo-se, portanto, ao que é possível e desejável para um ser humano. Saber o que está em nosso poder significa, principalmente, não se deixar arrastar pelas circunstâncias nem pelos instintos, nem por uma vontade alheia, mas afirmar nossa independência e nossa capacidade de autodeterminação. (CHAUI, 2010, p. 389). Dessa forma, percebe-se que quando a pessoa tem uma conduta ética, ela sabe exatamente o que faz e o que não faz, agindo de acordo com sua consciência, independente dos outros. Essa pessoa tem em sua consciência a razão que guia suas atitudes, não o deixando praticar ações de modo impulsivo ou de maneira descontrolada. A partir disso, podemos identificar que ética e transparência andam juntas e estão relacionadas com a gestão das empresas. Os gestores são responsáveis pela administração das empresas e devem ser os primeiros a dar exemplo desenvolvendo uma prática de gestão guiada pela consciência de cada um e de uma forma racional, conforme será abordado no próximo item. 4 TRANSPARÊNCIA, ÉTICA E GESTÃO A palavra ética tem sido muito mencionada ultimamente em vários segmentos e níveis. São muitas as situações nas quais se comenta que não houve uma postura ética ou que as pessoas envolvidas não agiram de forma ética. Como vimos anteriormente, pode-se dizer que ética é uma ciência que estuda a moral dos atos dos seres humanos, e envolve virtudes, comportamentos e inclusive o meio em que as pessoas estão envolvidas. Ser ético é uma característica importante e envolve outros valores como ser honesto, assumir decisões, ser sensato e justo. As pessoas é que fazem as organizações e são essas pessoas que tomam decisões e representam as empresas. UNIDADE 1 | ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL 8 Agora, caro(a) acadêmico(a) pare e pense qual das respostas você escolheria nos dois testes, propostos por Leão (2009): 1) Imagine que você tem que optar por um fornecedor para um projeto. Indique qual o seu critério de escolha: a) Menor preço. b) Mais qualificado. c) Aquele que você tem uma boa relação. 2) Supondo que sua empresa tem políticas explícitas que não lhe permitem receber presentes de fornecedores, você age de que forma ao receber um mimo: a) recebe o presente, afinal, é só uma lembrança; b) respeita na íntegra a política e, de forma elegante, devolve o presente; c) pede que o presente seja enviado para sua casa. Já pensou sobre o assunto? A melhor escolha em ambas as questões, seria a alternativa “b”, pois ser ético também é ser imparcial, é fazer uma escolha, na qual você pode assumir sua decisão em público. É avaliar cada decisão que será tomada considerando os seus riscos. As pessoas são responsáveis por atitudes e comportamentos que podem significar o sucesso ou fracasso das empresas. Em um mercado altamente competitivo, outras características estão sendo observadas, pois um erro ou imprudência de um profissional pode ocasionar grandes prejuízos para as entidades, porém existem fatores externos que influenciam nas decisões. Nesse sentido, Arruda (2009, p. 6) menciona que “no mundo dos negócios, a ética analisa ações individuais, sistemas organizacionais e a influência de macrofatores, que não dependem da liderança de uma empresa: tecnologia, acordos internacionais, sistemas econômicos, entre outros.” Por esse comentário, percebe-se que os gestores algumas vezes estão sujeitos a elementos externos, o que os afastam das questões éticas, e que em algumas situações acabam sendo responsáveis por grandes escândalos, tais como ocorreram com a Enron, WorldCom ou Parmalat, entre outras. Essas empresas tentaram enganar seus investidores em potencial por meio da maquiagem das demonstrações contábeis, ocasionando a preocupação com a divulgação e uso de informações relevantes para as companhias abertas. Por esse motivo, as empresas passaram a se preocupar muito mais com a transparência de suas ações. TÓPICO 1 | ÉTICA GERAL9 Alledi Filho e Quelhas (2009) esclarecem que um estudo realizado por Simon Zadek em 2004 revelou que: Por conta dos escândalos recentes envolvendo grandes corporações como Enron e Parmalat, as empresas aprenderam que têm muito a ganhar com a transparência. Ela deixou de ser uma opção ética ou um programa de marketing para se tornar um item fundamental para a sobrevivência das organizações. (ALLEDI FILHO; QUELHAS, 2009, p. 14). Ainda neste estudo, Alledi Filho e Quelhas (2009) divulgam que a empre- sa British Petroleum (BP), companhia de energia, foi considerada a mais transpa- rente dentre as 100 maiores empresas do mundo. A empresa revelou em seu site informações que não são consideradas agradáveis, ou seja, demonstrou na inter- net para quem quisesse acessar informações de que ocorreram 1.604 acidentes de trabalho em 2003, sendo que 20 empregados morreram, representando um núme- ro de mortes maior que no ano anterior, além de informar que a quantidade de óleo despejado no meio ambiente cresceu em 30%. Esses fatos negativos estavam expostos juntamente com questões positivas. Portanto, a empresa demonstrou de forma transparente tanto fatos positivos, quanto negativos. Para Tapscott e Ticoll (2005) apud Alledi Filho e Quelhas (2009 p. 2), “a transparência vai muito além da obrigação de revelar informações financeiras bá- sicas. As pessoas e instituições que interagem com as empresas estão ganhando um acesso sem precedentes a todo tipo de informações sobre o comportamento, as operações e o desempenho corporativos.” A transparência nos conduz a informações relevantes e que podemos con- fiar, conforme mencionam Jesus e Alberton (2007, p. 68) de que “a transparência diz respeito a informações relevantes e confiáveis relativas às atividades da em- presa, à análise dos resultados e da posição financeira, bem como às perspectivas futuras da empresa, entre outras.” Portanto, a credibilidade de uma organização pode estar relacionada com a prática de valores como a honestidade, integridade, respeito com as pessoas envolvidas em todo processo e transparência. Contudo, nada disso é possível se as pessoas que fazem parte do processo não tenham princípios e valores que pos- sam garantir a sustentabilidade para a empresa. Whitaker (2007) explica que o ser humano não é um mero fator de produ- tividade, mas sim o principal elemento da empresa. E complementa: UNIDADE 1 | ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL 10 UNI Imagino que você já esteja estudando há algum tempo, por esse motivo para se distrair um pouco, vamos fazer um teste! São algumas questões simples do dia a dia. Basta você responder sim ou não. Depois discuta suas respostas com os colegas e seu tutor. QUADRO 1 – TESTE Sim Não 1. Ao sair de um supermercado, você percebe que a caixa lhe deu R$ 50,00 a mais de troco. Você volta e devolve o dinheiro? 2. Você bebeu demais em uma festa e suspeita que esteja acima do limite legal para dirigir. Você volta dirigindo para casa? 3. Você encontrou uma brecha para sonegar imposto de renda, escondendo parte do seu rendimento. Você faz isso? 4. O estacionamento do shopping está lotado – exceto pelas vagas reservadas a deficientes físicos. Você estaciona o carro numa dessas vagas? 5. Você descobre que é possível fazer um “gato” da sua TV por assinatura pagando apenas um ponto. Você faz isso? 6. Você precisa de envelopes e canetas em casa. Você os pega na empresa em que trabalha? Pequenas, médias e grandes empresas que desejarem se projetar no mundo corporativo deverão levantar a bandeira da ética, que trans- parecerá nas ações de seus acionistas, executivos, auditores, colabo- radores, clientes e parceiros. As pessoas é que serão éticas ou não. As empresas no desenvolvimento de suas atividades revelarão o caráter das pessoas que as representam. (WHITAKER, 2007, p. 1). Dessa forma, pode-se perceber a relação entre ética, transparência e ges- tão, no momento em que as empresas demonstram estarem mais preocupadas com questões ambientais e sociais, qualidade de seus produtos, entre outros, es- tão sendo mais transparentes e éticas. A questão da transparência evidencia uma postura responsável e ética com as diversas situações que fazem parte do cotidia- no das empresas, sejam elas positivas e negativas. TÓPICO 1 | ÉTICA GERAL 11 Este teste foi realizado pelo Instituto Gerp, em dez capitais brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Curitiba, Recife e Belém, sendo que o objetivo foi testar a noção de certo e errado em situações que podem ocorrer diariamente com as pessoas. A pesquisa constatou que no geral, os brasileiros não se saíram mal (WHITAKER, 2011). Essa pesquisa foi autorizada pelo Sr. Sérgio Charlab, editor-chefe da Revista Seleções Reader’s Digest, sendo a matéria publicada na revista de agosto de 2005. Esse teste de honestidade constava no final da matéria constante na revista e o gabarito é a sua própria consciência. (WHITAKER, 2011). FONTE: Instituto Gerp (Whitaker, 2011). 7. Você encontra uma carteira na rua com R$ 100,00 sem endereço do dono. Você entrega a carteira numa delegacia? 8. Você vê o marido/a mulher de sua melhor amiga/seu melhor amigo andando de mãos dadas com um estranho. Você se sente obrigado a contar ao seu amigo(a)? 9. As toalhas do banheiro do hotel em que você está hospedado são muito bonitas e de boa qualidade. Você coloca uma delas na mala e a leva para casa? 10. Está chovendo e você espera pelo ônibus numa longa fila. Quando o ônibus chega, você percebe que não há lugar para todos e você não vai conseguir entrar se não passar a frente das pessoas. Você fura a fila? 11. Você está dirigindo, voltando para casa, às 21 horas e a rua está quase vazia. Você excede o limite de velocidade em 20 km/h para chegar a sua residência mais rápido? 12. Um amigo oferece a você, de graça, uma cópia ilegal de um caro software de computador. Você o aceita e o instala no seu? UNIDADE 1 | ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL 12 Para fechamento deste tópico indico como sugestões um documentário e um filme. O documentário é “Os mais espertos da sala”, que aborda a queda de uma das maiores empresas norte-americanas (Enron) após a descoberta de um esquema fraudulento de “maquiagem” contábil. E o filme é “A Firma” que aborda a história sobre um jovem advogado que vai trabalhar com um alto salário e diversas vantagens em uma firma em Memphis. Porém, logo descobre que a empresa onde trabalha está envolvida com lavagem de dinheiro da Máfia e que todos os advogados que saíram ou tentaram sair da firma morreram precocemente, de forma misteriosa. O filme questiona o código de ética, que mantêm em sigilo a relação do advogado com o cliente. ATENCAO 13 Neste tópico, você estudou: • Que o conceito de ética, parece ser bastante simples, pois seria apenas decidir se determinada situação é certa ou errada, contudo vai muito além, pois diariamente, nos relacionamos com outras pessoas e precisamos muitas vezes nos adaptar ao meio em que vivemos. • A ética apresenta-se sempre por normas, cuja base está na moral e que essas normas éticas servem de parâmetros para os atos dos indivíduos e da sociedade. • A ética surgiu com grandes filósofos e está dividida em quatro períodos (pré- socrático, socrático ou antropológico, sistemático e o helenístico ou greco- romano). • As empresas são constituídas por seres humanos, que são responsáveis pelo desenvolvimento das mesmas. A condução das empresas depende da conduta das pessoas e principalmente, de seus gestores que tomam decisões e estas devem estar baseadas na ética, pois desta forma suas ações serão apresentadas de forma transparente. RESUMO DO TÓPICO 1 14 AUTOATIVIDADE Vamos agora fixar o conteúdo que aprendemos, respondendo a algumasquestões: a) Com base no que você estudou, apresente um pequeno texto evidenciando o seu entendimento sobre ética. b) A ética ou moralidade das pessoas ou grupos não consiste meramente no que elas fazem costumeiramente, mas no que elas pensam que é correto fazer, ou são obrigadas a isso (LISBOA, 2007). Pense sobre essa questão e apresente sua ideia sobre isso. c) Transparência e gestão devem estar alinhadas. Você concorda com essa afirmativa, explique os motivos. d) Leia a situação a seguir e avalie a atitude de Miriam quanto aos aspectos éticos. Personagens: I- Miriam Silva, controller da Lex S. A., empresa nacional de grande porte. II- Fred Valverde, diretor econômico e de relações com mercado da Lex S. A. III- José Montenegro, marido de Miriam. Fred Valverde comunicou a Miriam o resultado da reunião de diretoria ocorrida naquela manhã de terça-feira: a empresa teria que realizar as receitas orçadas e levantar capital de giro, o quanto antes, pois estava zerada. Miriam avaliava que não havia condições, no momento, de levantar capital de giro através de empréstimo, já que suas demonstrações contábeis não demonstravam bons números. Na última demonstração de resultado do exercício, o montante das receitas de vendas efetivas era bastante inferior ao valor orçado informado ao banco. Fred sugeriu à Miriam que revisasse as despesas já lançadas, pois poderiam existir valores mal dimensionados. A ideia era aumentar o valor do lucro do exercício, de forma a poder apresentar uma situação mais confortável ao banco. Fred propôs ainda que se mantivesse o valor das vendas em aberto até o final do mês. Após submeter as demonstrações contábeis à auditoria externa, Miriam comunicou a Fred que os auditores recomendaram que a empresa reduzisse o valor da parcela do inventário para que este refletisse seu real valor. O chefe de Miriam, pensando no desejado capital de giro, negou-se a acatar recomendação dos auditores. 15 Já em casa com seu marido, José, que era gerente de outra empresa na cidade, Miriam comentou: “Eles estão me pedindo para manipular informações. Sinto-me dividida. De um lado, sou a consciência da empresa e, de outro, sou plenamente leal a meus superiores.” José disse-lhe, então, que todas as empresas manipulam as informações contábeis, de alguma forma. Acrescentou que, quando a empresa se recuperasse da má-fase, tudo estaria bem. Ele lembrou o quanto o salário de Miriam era importante para o estilo de vida que levavam e que ela não devia tomar qualquer atitude que resultasse na perda do emprego. Miriam decidiu seguir a orientação de seu chefe e o conselho de seu marido. FONTE: LISBOA, 2007. 16 17 TÓPICO 2 OBJETO, OBJETIVO E CAMPO DE APLICAÇÃO DA ÉTICA UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO Neste tópico abordamos o significado da ética na conduta humana, o objeto, objetivo e campo de aplicação da ética. 2 O SIGNIFICADO DA ÉTICA NA CONDUTA HUMANA Para identificar o significado da ética na conduta humana, é necessário esclarecer antes a que se refere conduta humana, ela nos remete a questão da consciência de cada ser humano. Lacerda (2010, p. 12) menciona que o “certo ético é um certo moral, é o ato correto, é agir bem, independentemente de o ato estar ou não de acordo com leis e códigos”. Lacerda (2010) menciona ainda que a atitude tanto pode ser ilegal e boa, quanto legal e má. O autor cita como exemplo um país onde a prática do aborto é legalizada, nesse caso essa prática é possível, porém para quem é católico esse ato continua sendo reprovado, por uma questão moral. No entanto, nos locais onde o aborto continua sendo ilegal, dependendo da situação a interrupção da gravidez seria um ato correto. Portanto, em qualquer situação a ética está sempre relacionada com a conduta, e qualquer regra de conduta está relacionada com a vontade do ser humano, ou seja, sua capacidade de fazer escolhas, dependendo das circunstâncias. (LACERDA, 2010). Podemos complementar essa questão, mencionando que a sociedade na qual a pessoa está inserida também vai influenciar na sua conduta, sendo que essas normas de conduta já fazem parte de determinada sociedade, de maneira própria e informal. UNIDADE 1 | ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL 18 Lacerda (2010, p. 13) esclarece que “a conduta de cada individuo em uma sociedade deve ter como objetivo final e referência contribuir para que essa coletividade como um todo possa ser mais agradável”. Essa questão também é abordada por Lisboa (2007) quando menciona que é necessário estabelecer um padrão de comportamento que apesar de não satisfazer uma pessoa individualmente, atende a toda a sociedade. Essa conduta também está relacionada com a atividade profissional, e muitas vezes a conduta verdadeiramente ética vai além dos deveres da Ética propriamente relacionada com a profissão. Lacerda (2010) cita o exemplo de um motorista de taxi, na qual o passageiro esquece a carteira em seu carro. Se o motorista devolve a carteira à autoridade policial, o mesmo está apenas cumprindo suas obrigações profissionais. Contudo, se o taxista devolvesse a carteira diretamente ao proprietário a ação seria mais ética. Utilizando ainda esse exemplo o mesmo taxista também teria a opção de não entregar a carteira nem para o proprietário, nem para a autoridade policial, o que seria outra possibilidade que envolveria uma questão de conduta. Lisboa (2007, p. 23) cita que a questão ética sempre envolve decisões sobre aquilo que é moralmente mais aceito ou condenável. Diante disso, também apresenta outras situações, como por exemplo: “Em casos extremos, há empresários que chegam a afirmar que, se não sonegarem impostos, não conseguirão assegurar a continuidade da empresa. A despeito da verdade ou inverdade da afirmação, é certo que o empresário vive um conflito de interesses: sonegar ou não o imposto de renda”. Pelo que percebemos, a conduta do ser humano também envolve a questão moral, que será abordada no próximo item. 3 ÉTICA E MORAL As questões apresentadas anteriormente envolvem a questão de conduta dos seres humanos e esta conduta está ligada com a moral. Lisboa (2007, p. 23) comenta sobre a situação do “empresário que opta por sonegar impostos como meio de assegurar a sobrevivência de sua empresa, esse empresário estará causando um prejuízo tanto moral quanto financeiro, a grande número de pessoas, um prejuízo coletivo”. TÓPICO 2 | OBJETO, OBJETIVO E CAMPO DE APLICAÇÃO DA ÉTICA 19 Diante disso, podemos dizer que o comportamento do empresário é o objeto da ética, enquanto que a influência do comportamento deste empresário na sociedade, ou seja, o prejuízo com a sonegação de impostos para a sociedade é o objetivo. Conforme Lisboa (2007, p. 22), o objeto e objetivo da ética são: A Ética, enquanto ramo do conhecimento tem por objeto o comportamento humano no interior de cada sociedade. O estudo desse comportamento, com o fim de estabelecer os níveis aceitáveis que garantam a convivência pacífica dentro das sociedades e entre elas, constitui o objetivo da Ética. Assim, pode-se definir ética como sendo um ramo da filosofia que lida com o que é moralmente bom ou mau, certo ou errado. Com relação ao campo de aplicação, Lisboa (2007) menciona que a ética pode ser vista sob dois pontos distintos, o primeiro enquanto explicação do comportamento humano, em um determinado momento, justificando as ações que resultaram daquele comportamento e o segundo, sendo fonte para que regras de comportamento sejam estabelecidas frente a situações concretas, neste caso possibilita reduzir conflitos de interesse na sociedade ou até mesmo eliminá-los. Chauí (2010) apresenta outras situações das nossas vidas que nos deixam em dúvida sobre qual a decisão devemos tomar. Contudo, muitas vezes essa decisão não está relacionadacom o senso moral, que para Chauí (2010, p. 379) são “nossos sentimentos quanto ao certo e errado, ao justo ou injusto”, mas estão relacionados com a nossa consciência moral, que “não se limita aos nossos sentimentos morais, mas se refere também a avaliações de conduta que nos levam a tomar decisões por nós mesmos, a agir em conformidade com elas e a responder por elas perante os outros.” (CHAUI, 2010, p. 381). Para ficar mais claro, apresentamos dois exemplos evidenciados por Chauí (2010), conforme segue: O primeiro exemplo é o caso de uma pessoa querida, com uma grave doença, da qual não existe mais solução, uma vez que a pessoa está mantendo- se viva por meio de aparelhos, sendo que a pessoa está inconsciente. Neste caso, seria melhor deixá-la morrer? É possível desligarmos os aparelhos? Não temos o direito de fazer isso? O que seria o correto? O nosso segundo exemplo é a situação de um pai de família desempregado com vários filhos pequenos e a esposa doente. Neste caso, esse pai recebe uma proposta de emprego que vai ser muito rentável, porém ele precisa agir de forma UNIDADE 1 | ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL 20 desonesta, cometendo irregularidades com o intuito de beneficiar seu chefe. Nesta situação, esse pai deve aceitar o emprego, mesmo sabendo de todas as condições que lhe são impostas? Ou deve recusar e ver seus filhos passando fome e não tendo condições de auxiliar no tratamento de sua esposa? Desta forma, por esses dois exemplos, demonstramos que a decisão pode ir muito além do que é certo ou errado, justo ou injusto, exigindo uma avaliação de conduta, que terá conseqüências para nós e para os outros. TÓPICO 2 | OBJETO, OBJETIVO E CAMPO DE APLICAÇÃO DA ÉTICA 21 LEITURA COMPLEMENTAR SER OU NÃO SER ÉTICO? EIS A QUESTÃO! A questão ética, em seu aspecto teórico, é simples. Levando em conta valores e regras de comportamento, decidimos entre o certo e o errado, entre o bem e o mal e entre o que é bom e o que é mau. O problema é a efetiva prática da conduta ética, especialmente em nossa sociedade atual que sofre a influência dos seguintes fatores: o relativismo; a falsa noção de que aquilo que a maioria faz deve estar certo; o fenômeno da “diluição da responsabilidade”. Quando alguém é questionado por agir ou pensar de maneira diversa ao senso comum, normalmente se justifica afirmando que age ou pensa da forma que bem entende, pois tudo é relativo. Quando se critica uma obra reconhecida por sua beleza – os afrescos de Michelangelo na Capela Sistina, por exemplo - sob a argumentação de que “gosto não se discute”, percebe-se o quanto o relativismo – doutrina filosófica que se baseia na relatividade do conhecimento e repudia qualquer verdade e valor absoluto - pode ser nocivo à sociedade. O relativismo, ao partir do pressuposto de que todo ponto de vista é válido, rejeita a tradição, os critérios acadêmicos, os ideais de verdade e racionalidade e os próprios valores e regras do comportamento ético. Além da nocividade dessa teoria que invadiu a sociedade, a falsa noção de que aquilo que a maioria faz deve estar certo vem perigosamente confundindo as pessoas no campo da ética. “Mas saber o que é certo ou errado nunca pode ser a mesma coisa que saber o que é mais usual. Se fosse demonstrado que o preconceito racial é muito difundido, isso não o tornaria eticamente aceitável. Embora outras pessoas fraudem o imposto de renda, isso não torna moralmente defensável que você o faça” (Jostein Gaarder, “O livro das Religiões”). Ora, a ética não se orienta pelo que a maioria diz, nem busca o que é. Em vez disso, a ética busca o que “deve ser” e se orienta por regras aceitas universalmente, tais como o mandamento do amor – “ama a teu próximo como a ti mesmo” - e o princípio da reciprocidade – “trata os outros como gostaria de ser tratado”. UNIDADE 1 | ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL 22 Note-se, também, que embora a base da ética seja o senso de responsabilidade, em virtude do fenômeno da “diluição da responsabilidade”, quase ninguém a assume realmente, seja no aspecto individual ou no aspecto coletivo, este identificado como a solidariedade. “Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre em nosso espírito sofrer pedras e setas com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja, ou insurgir-nos contra um mar de provações e em luta pôr-lhes fim? Morrer. dormir: não mais.” O angustiante dilema do príncipe Hamlet – vingar ou não a morte de seu pai - retratado na célebre frase da peça teatral de mesmo nome, escrita por William Shakespeare, serve como pano de fundo e inspiração em qualquer lugar e momento onde ocorram conflitos de consciência, dilemas existenciais e reflexões éticas. Hoje, personificado de príncipe da Dinamarca – Hamlet -, e como ele também incomodado por fantasmas – o dele era o de seu pai assassinado, o meu é o da injustiça e desigualdade que flagelam, excluem e marginalizam – proponho algumas reflexões. Ser ou não ser ético? Agir ou não agir de maneira ética? Eis as questões que todos os membros de nossa sociedade, especialmente os poucos detentores das riquezas – patrimônio e conhecimento - devem responder. Fala-se muito e pouco se pratica a ética. E isto porque a atitude ética, ao priorizar o interesse coletivo ao individual, envolve a partilha das riquezas. Porém os políticos, empresários, profissionais e acadêmicos em vez de agir, protegem seus bolsos com discursos vazios, continuando a vitimar a população carente e vulnerável com suas omissões. FONTE: Rodrigo Mendes Pereira. Disponível em: <http://www.eticaempresarial.com.br/artigos. asp>. Acesso em: 6 out. 2011. 23 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você viu que: • A conduta humana está relacionada com a vontade do ser humano, de acordo com suas escolhas. Essa conduta também pode ser influenciada pela sociedade em que a pessoa está inserida. • O objeto da ética é o comportamento humano, o objetivo da ética é o estudo desse comportamento de modo a garantir a convivência na sociedade. O campo de aplicação da ética pode ser visto sob dois aspectos, o primeiro enquanto explicação do comportamento humano, em um determinado momento, justificando as ações que resultaram daquele comportamento e o segundo, sendo fonte para que regras de comportamento sejam estabelecidas frente a situações concretas. Neste caso possibilita reduzir conflitos de interesse na sociedade ou até mesmo eliminá-los. • Diferença entre senso moral e consciência moral, sendo que o primeiro são nossos sentimentos quanto ao certo e errado, enquanto que a segunda não se limita aos nossos sentimentos morais ou senso moral, mas a avaliação de determinadas situações que nos conduzem a tomar uma decisão que pode ou não ser aceita ou aprovada pela sociedade. 24 AUTOATIVIDADE 1 A conduta humana pode ser entendida como uma questão da consciência de cada ser humano. Tendo em vista que o objeto da ética é o comportamento humano e o objetivo da ética é o estudo desse comportamento de modo a garantir a convivência na sociedade. Responda qual é a relação entre ética e conduta humana. 2 Com base em um exemplo apresentado por Chauí (2010), na qual um pai de família desempregado com vários filhos pequenos e a esposa doente recebe uma proposta de emprego que vai ser muito rentável, porém ele precisa agir de forma desonesta, cometendo irregularidades com o intuito de beneficiar seu chefe. Analisando essa situação, explique qual a diferença entre senso moral e consciência moral. 3 Com relação ao objeto, objetivo e campo de aplicação da ética, analise as seguintes sentenças: I – O objeto da ética é o estudo do comportamento humano no interior de cada sociedade, com o fim de estabelecer os níveis aceitáveis que garantam a convivência pacífica dentro das sociedades e entre elas. II – O comportamento humanono interior de cada sociedade é o objeto da ética. III – A ética pode ser vista sob dois pontos distintos, o primeiro enquanto explicação do comportamento humano, em um determinado momento, justificando as ações que resultaram daquele comportamento e o segundo, sendo fonte para que regras de comportamento sejam estabelecidas frente a situações concretas, neste caso possibilita reduzir conflitos de interesse na sociedade ou até mesmo eliminá-los, esse é o campo de aplicação da ética. IV – O objetivo da ética é o estudo desse comportamento de modo a garantir a convivência na sociedade. Agora, assinale a alternativa CORRETA: 25 ( ) Somente a afirmativa I está correta. ( ) Somente a afirmativa III está correta. ( ) As afirmativas I, II e III estão corretas. ( ) As afirmativas II, III e IV estão corretas. 26 27 TÓPICO 3 O PROFISSIONAL DA CONTABILIDADE E A ÉTICA UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO O profissional da contabilidade tem um importante papel na sociedade, pois além de desenvolver suas atividades com competência e dedicação, prestando serviços de forma adequada e correta, esse profissional deve desempenhar seu exercício com zelo, diligência e honestidade. (Resolução CFC 803/96). Quando o profissional da contabilidade desempenha de forma adequada suas tarefas em uma empresa ou em uma organização contábil, prestando um serviço confiável e seguro, várias pessoas estão se beneficiando com essa atitude: famílias prosperam, empresas crescem, além de permitir o desenvolvimento do país. Da mesma forma, quando o profissional da contabilidade atua de maneira inadequada, suas atitudes podem prejudicar a sociedade de maneira geral. Sendo assim, ressaltamos a importância de que as atividades desempenhadas pelos profissionais da contabilidade sejam desenvolvidas seguindo preceitos éticos. Neste tópico, abordaremos inicialmente, o campo de atuação do profissional da contabilidade, as diversas possibilidades em que o profissional pode atuar, seu papel na sociedade, além de problemas éticos que os profissionais podem se envolver. 2 IMPORTÂNCIA DA ÉTICA NA FORMAÇÃO DA PROFISSÃO CONTÁBIL Para falar sobre a ética na formação da profissão contábil, primeiro apresenta-se quem é esse profissional e após o seu campo de atuação. A partir daí tratamos da importância desse profissional para o desenvolvimento das empresas e do país, e por fim os problemas de conduta que podem acontecer com esses profissionais. 2.1 ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL DA CONTABILIDADE Para entender quem é o profissional da contabilidade, é necessário apresentar o artigo 1º da Resolução CFC nº 1.167, de 2009, que dispõe sobre o registro profissional dos contabilistas. 28 UNIDADE 1 | ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL Art. 1º - Somente pode exercer a profissão contábil, em qualquer modalidade de serviço ou atividade, segundo normas vigentes, o contabilista registrado em Conselho Regional de Contabilidade. O parágrafo único deste artigo estabelece que integram a profissão contábil os profissionais habilitados como Contadores e Técnicos em Contabilidade. Portanto, somente podem atuar na profissão os profissionais que concluírem o curso de Técnico em Contabilidade, ou seja, nível médio e aqueles que concluírem o curso superior de ciências contábeis. Atualmente, mais um requisito é exigido, refere-se ao exame de suficiência, uma prova que deve ser feita por estes profissionais para que possam obter o registro profissional e finalmente atuar na profissão. Essa exigência surgiu com a aprovação da Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010, que em seu artigo 76, alterou o artigo 12º do Decreto-Lei nº 9.295, de 1946, conforme apresentado no quadro a seguir. QUADRO 2 – LEGISLAÇÃO (MUDANÇAS) Decreto-Lei nº 9.295/46 Lei nº 12.249/10 Art. 12 - Os profissionais a que se re- fere este Decreto-Lei somente poderão exercer a profissão depois de regular- mente registrados no órgão competen- te do Ministério da Educação e Saúde e no Conselho Regional de Contabili- dade a que estiverem sujeitos. Art - 12 Os profissionais a que se refere este Decreto-Lei somente poderão exercer a profissão após a regular conclusão do curso de Bacharelado em Ciências Con- tábeis, reconhecido pelo Ministério da Educação, aprovação em Exame de Sufici- ência e registro no Conselho Regional de Contabilidade a que estiverem sujeitos. FONTE: Decreto-Lei nº 9.295/46 e Lei nº 12.249/10. Desta forma, a partir dessa alteração, os profissionais devem realizar o exame e após fazerem sua inscrição no Conselho Regional de Contabilidade com jurisdição no local onde o Contabilista tenha seu domicílio profissional. (Resolução CFC nº 1.167/09). Domicílio profissional é o local em que o profissional exerce a totalidade ou a parte principal das suas atividades profissionais, pode ser como autônomo, empregado, sócio de Organização Contábil ou servidor público. (Resolução CFC nº 1.167/09). DICAS Caro(a) acadêmico(a)! No tópico 5, abordaremos com mais profundidade o exame de suficiência. TÓPICO 3 | O PROFISSIONAL DA CONTABILIDADE E A ÉTICA 29 O profissional da contabilidade (contador ou técnico em contabilidade), estando de posse do seu registro profissional, pode atuar em diversas áreas, respeitando os limites de cada categoria. O campo de aplicação da contabilidade é o das entidades econômico- ad ministrativas. São aquelas que para atingirem seus objetivos sejam eles, econômicos ou sociais utilizam bens patrimoniais e necessitam de um órgão administrativo, que pratica os atos de natureza econô mica necessários a seus fins. A contabilidade como ciência tem vasta aplicação para apuração de resulta dos, registro e interpretação destes, sendo utilizada por todas as entidades que desejem obter lucro ou não. Há um sistema contábil específico para cada tipo de informação que se pretenda obter. As principais áreas de atuação são, conforme Marion (2006): 1. Contabilidade Fiscal - participa do processo de elaboração de informa ção para o fisco, e é responsável pelo planejamento tributário da em presa. Essa área de atuação possui uma remuneração bastante atrativa para os profissionais de primeiro nível. 2. Contabilidade Pública - área de controle e gestão das finanças públicas. Este é um campo que possui bastante mercado de trabalho. 3. Contabilidade de Custos – Relaciona-se com o cálculo e interpretação dos custos de bens industrializados. Fornece importantes informações na formação de preço da empresa. 4. Contabilidade Gerencial - voltada para a melhor utilização dos recursos econômicos da empresa, por meio de adequado controle dos insumos efetuado por um sistema de informação gerencial. O controller é um dos profissionais com melhores remunerações no mercado. 5. Auditoria - por meio de empresas de auditoria ou de setores internos da organização, controla a confiabilidade das informações e a legalidade dos atos praticados pelos administradores. O profissional tem uma remuneração bastante atrativa. Atividade privativa de contador. 6. Perícia Contábil - atua na elaboração de laudos em processos judiciais ou extrajudiciais. Área de atuação exclusiva do contador. 7. Contabilidade Financeira - responsável pela elaboração e consolidação das demonstrações contábeis para fins externos. É a contabilidade geral necessária a todas as empresas. 8. Análise Econômico-financeira - denominação moderna para a análise de balanços. Atua na elaboração de análises da situação patrimonial de uma organização com base em seus relatórios contábeis. UNIDADE 1 | ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL 30 Além das áreas citadas anteriormente, é importante destacar algumas áreas emergentes em que existe grande perspectiva de crescimento profissional. Es sas áreas poderão vir a ser um grande campo de trabalho: 1. ContabilidadeAtuarial - responsável pela contabilidade de fundos de pensão e empresas de previdência privada. 2. Contabilidade Ambiental - responsável por informações sobre o impac to ambiental da empresa no meio ambiente. 3. Contabilidade Social - dimensionando o impacto social da empresa, com sua agregação de riqueza e seus custos sociais, produtividade, distribuição da riqueza etc. UNI Se você já está estudando a mais de uma hora, que tal levantar, dar uma volta e tomar um copo d’água! O profissional contábil, no exercício de sua profissão, poderá atuar em diversas áreas pertinentes, em entidades públicas ou privadas. A figura a seguir ilustra algumas das possibilidades. (MARION, 2006, p. 35): TÓPICO 3 | O PROFISSIONAL DA CONTABILIDADE E A ÉTICA 31 FONTE: Marion (2006). FIGURA 1 – ÁREAS DE ATUAÇÃO PROFISSIONAL CONTADOR VISÃO GERAL DA PROFISSÃO CONTÁBIL ESPECIALIZAÇÃO Na Empresa Independente (Autônomo) No Ensino Órgão Público Planejador Tributário Analista Financeiro Contador Geral Cargos Administr. Auditor Interno Contador de Custo Contador Gerencial Contador Internacional Auditor Independente Consultor Empresário Contábil Perito Contábil Investig. de Fraude Professor Pesquisador Escritor Parecerista Conferencista Contador Público Agente Fisc. de Renda Diversos Conc. Públ. Tribunal de Contas Oficial Contador Orientador dos Processos Tributários/ICMS/IR/ e outros, bem como o Especialista em Funções, Incorporações e Cisões. Analista de Crédito, Desempenho, Mercado de Capitais, Investimentos, Custos. Poderá especializar-se e, Contabilidade: Rural, Hospitalar, Fiscal, Imobiliária, Hotelaria, Industrial, Securitária, de Condomínio, Comercial, de Empresas Transportadoras, Bancária, Pública, de Empresas de Turismo, de Empresas Mineradoras, Corporativas. Área Financ., Com. Exterior, CIO (Chief Financial Officer), Executivo, Logística. Auditoria de Sistema, Auditoria de Gestão, Controle Interno. Custos de Empresa, Prestadoras de Serviços, Custos Industriais, Análise de Custos, Orçamentos, Custos do Serviço Público. Controladoria, Contabilidade Internacional, Cont. Ambiental, Cont. Estratégica, Controladoria Estratégica, Balanço Social, Accountabilty Contador que se especializa em Legislação Internacional: IFRS Especialização em Sistemas, Tributos, Custos. Expert em Avaliação de Empresas, Tributos, Comércio Exterior, Informática, Sistemas, Custos, Controladoria, Qualidade Total, Planej. estratégico, Orçamento. Escritório de contabilidade, "Despachanre" (Serviços Fiscais, Depart. Pessoal...), Centro de Treinamento. Perícia Contábil, Judicial, Fiscal, Extrajudicial. Detecta o lado "podre" da empresa. Empresas na Europa e EUA contratam às vezes até semestralmente esses serviços. Cursos Técnicos, Cursos Especiais (In Company, Concursos Públicos...), Carreira Acadêmica (mestre,doutor...). Pesquisa Autônoma (Recursos FAPESP, CNPq, Empresas...), Fundação de Pesquisa (Fipecafi, FIA, FIPE,...) Pesquisas para Sindicatos, Instituições de Ensino, Órgãos de Classe Há revistas/boletins que remuneram os escassos escritores contábeis, Livros didáticos e técnicos, Articulista Contábil/ Financeiro/Tributário para jornais, revisão de livros. Docente e Pesquisador com currículo notável. Parecer sobre: laudo pericial, causa judicial envolvendo empresas, avaliação de empresas, questões contábeis. Palestra em Universidades, Empresas, Convenções, Congressos. Gerenciar as finanças dos órgãos públicos. Agente fiscal de Municípios, Estado e União. Controlador de Arrecadação, Contador do Ministério Público da União, Fiscal do Ministério do trabalho, Banco Central, Analista de Finanças e Controle. Controladoria, Fiscalização, Parecerista, Analista Contábil, Auditoria Pública, Contabilidade Orçamentária. Polícia militar, exército, contador e auditor com a patente de general de divisão. UNIDADE 1 | ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL 32 Pela figura anterior é possível verificar que a atuação do profissional da contabilidade é bastante ampla, podendo atuar em empresas nos diversos segmentos, também sendo autônomo, ou seja, de forma independente, sendo empresário em uma organização contábil, ou na área de auditoria ou perícia. Para Marion (2006), a auditoria é “o exame, a verificação da exatidão dos procedimentos contábeis.” A auditoria pode ser externa, na qual o profissional não é empregado da empresa que está realizando o trabalho de auditoria ou interna, quando o profissional é empregado da empresa, sendo responsável pelos controles internos da empresa. (MARION, 2006). Na perícia, o profissional atua em processos judiciais, quando solicitado pela Justiça. Tanto o auditor, quanto o perito são atribuições exclusivas do contador, o técnico em contabilidade não pode atuar nestas áreas. Pode atuar ainda, na área do ensino, sendo professor, tanto em nível médio quanto superior, ou pesquisador entre outros. Além disso, pode desenvolver atividades na área pública, e neste caso, o profissional precisa realizar concurso público. Algumas modificações na forma de atuação dos profissionais da contabilidade foram ocasionadas com o advento da Lei nº 11.638 de 2007, que alterou e revogou alguns dispositivos da Lei nº 6.404 de 1976. Sendo assim, é possível que exista uma melhora no campo de atuação dos contadores e técnicos em contabilidade, porém eles precisam estar atualizados para entender as modificações ocorridas. 2.2 O PAPEL DO PROFISSIONAL DA CONTABILIDADE NA SOCIEDADE A importância do papel do profissional da contabilidade pode ser percebida há muitos anos, todavia, a forma como a contabilidade é utilizada e modificada ao longo dos anos. Segundo Iudícibus (2004), a origem da contabilidade surgiu com os primeiros sinais objetivos da existência de contas mencionados por alguns historiadores, aproximadamente 2.000 anos a.C. A contabilidade teve uma lenta evolução até o surgimento da moeda, porém a preocupação dos homens com as propriedades e riquezas era uma constante e continua sendo até hoje. À medida que as atividades foram se tornando mais complexas e ampliando suas dimensões de atuações, o instrumento de avaliação da situação patrimonial, ou seja, a contabilidade teve que se adaptar. (IUDÍCIBUS, 2004). Percebe-se que a contabilidade vem sendo necessária ao longo dos anos e, consequentemente, seus profissionais que são os responsáveis pela elaboração dessas informações que são utilizadas pelos gestores, também são importantes. TÓPICO 3 | O PROFISSIONAL DA CONTABILIDADE E A ÉTICA 33 Com relação ao profissional da contabilidade, Marion (2006) informa que sua função básica é a de produzir informações que sejam úteis aos usuários da Contabilidade para fins de tomada de decisões. Marion (2006) ressalta ainda, que “em nosso país, em alguns segmentos de nossa economia, principalmente, na pequena empresa, a função do contador foi distorcida (infelizmente), estando voltada exclusivamente para satisfazer às exigências do fisco.” Contudo, percebe- se que essa imagem aos poucos está mudando, verificando-se que os empresários estão utilizando as informações prestadas pela contabilidade como auxilio na tomada de decisões. (MARION, 2006). É aconselhável que os gestores das organizações compreendam a utilidade da informação contábil e de suas limitações. Os presidentes e diretores de empresas, os administradores de hospitais e de escolas, os gerentes de vendas e os políticos ficam mais bem preparados para exercer suas funções quando conseguem entender razoavelmente as informações contábeis e delas fazerem uso. (OLIVEIRA et al., 2009). Oliveira et al. (2009, p. 2) mencionam ainda que: Quanto mais os gestores souberem de Contabilidade, melhor poderão planejar e controlaras atividades de sua organização e suas subunidades. Ficarão prejudicados em seu relacionamento com partes de dentro e de fora da empresa se seu entendimento de Contabilidade for superficial ou confuso. No mundo atual, o profissional contábil precisa estar apto a enfrentar o dinamismo dos negócios, que exige criatividade e capacidade de transformar em ação todo o conhecimento adquirido. (PERTUZATTI; MELLO, 2005). Pertuzatti e Mello (2005, p. 4) abordam que: A visão do contador de hoje não se restringe à técnica, seu papel na sociedade é muito mais amplo. Na busca desse perfil, o profissional contábil também realizará sua função de responsabilidade social, cumprindo com suas atribuições de forma ética e confiável, conquistando melhor valorização no mercado de trabalho. Ainda sobre essa questão, Sá (2005) esclarece que não se constrói um conceito profissional pleno, se não houver uma conduta também adequada. Sá (2005, p. 138) complementa ainda que “a profissão, pois, pode enobrecer pela ação correta e competente, pode também ensejar a desmoralização, através da conduta inconveniente, com a quebra de princípios éticos.” No próximo item abordaremos problemas éticos que podem decorrer de atitudes inadequadas dos profissionais da contabilidade. 34 UNIDADE 1 | ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL 2.3 PROBLEMAS ÉTICOS RELACIONADOS COM O PROFISSIONAL DA CONTABILIDADE O profissional da contabilidade tem que ter domínio da contabilidade, legislação e conhecimentos técnicos inerentes a sua área de atuação, como por exemplo, auditoria, perícia, custos, entre outras. Contudo, é de extrema importância que esse profissional também possua comportamento adequado perante seus clientes, colegas de classe e a própria sociedade. Conforme Handel (1994, p. 20): Não é possível nem permissível a um profissional ter todos os conhecimentos técnicos para exercer com maestria a profissão contábil se este mesmo profissional não desenvolver suas atividades baseado num comportamento ético em relação aos demais colegas e terceiros interessados. A profissão contábil exige profissionais que além de estarem preparados tecnicamente, possam executar suas atividades com honestidade, zelo, sigilo, competência, prudência, humildade e imparcialidade. Esses são alguns requisitos necessários para que os profissionais apresentem um resultado positivo para seus clientes, e conseqüentemente, para a sociedade. São muitos problemas que o profissional enfrenta em seu dia a dia e suas ações dependendo da forma como são conduzidas acabam impactando nas decisões de seus clientes. Silva (2003, p. 31) comenta que “nem sempre o profissional que está atendendo seu cliente, aplicando todos os conhecimentos e meios disponíveis para resolver os problemas apresentados, estará se comportando eticamente, se ao fornecer a melhor solução, não esteja adotando todos os princípios e regras da moral”. Franco (1991, p. 273) menciona ainda: Uma das marcas distintivas da profissão contábil é a sua responsabilidade para com o público. É salutar lembrar que os contadores são mais notados por serem honestos do que por serem confiáveis. Como contadores, precisamos reconhecer que nosso comportamento ético é envolvido não apenas pelo que vemos como ético, mas pelo que é visto por terceiros que nos observam. Na conduta dos profissionais da contabilidade, podemos observar alguns problemas identificados pelo Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul – CRCRS tais como apropriação indébita, concorrência desleal, acobertamento a leigos, adulteração de informações contábeis, que são problemas que envolvem o profissional e terceiros. Esses itens são considerados infrações, na qual os profissionais podem ser penalizados pelo Código de Ética e/ ou disciplinar. TÓPICO 3 | O PROFISSIONAL DA CONTABILIDADE E A ÉTICA 35 Conselho Regional de Contabilidade de Santa Catarina – CRCSC cita algumas infrações éticas cometidas pelos profissionais da contabilidade no desenvolvimento do exercício profissional, tais como: retenção abusiva, danificação ou extravio de livros ou documentos contábeis comprovadamente entregues aos cuidados do contabilista, inexecução de serviços contábeis, adulteração ou manipulação fraudulentas na escrita ou em documentos, com o fim de favorecer a si mesmo ou a clientes, apropriação indébita, incapacidade técnica, aviltamento de honorários e concorrência desleal, entre outros. (CRCSC, 2011). IMPORTANT E Caro(a) Acadêmico(a)! É importante conhecer o significado de Aviltamento de honorários e concorrência desleal. Na sequência, apresentamos esses conceitos, conforme o CRCSC (2011). Aviltamento de honorários ocorre quando um profissional oferece seus serviços por preço bem inferior ao ofertado pelos demais profissionais atuantes no seu mercado específico. Deve ser levado em consideração o tipo de atividade desenvolvida pelo cliente “disputado”, além da região em que deverá de ser prestado o serviço. Concorrência desleal pode ser caracterizada pela propaganda desabonadora que um profissional faça de outro colega. Poderá ocorrer na oferta de serviços de forma promocional, como por exemplo: “seja nosso cliente e ganhe três meses de horários de graça”. É importante observar que neste caso o profissional ou empresa de Contabilidade pode até estar cobrando honorários superiores aos dos outros colegas, porém, por tratar-se de “oferta”, certamente cativará clientes em detrimento dos demais. A concorrência desleal pode ser caracterizada também como propaganda enganosa, como por exemplo: “seja nosso cliente e não pague imposto de renda”. Para seu conhecimento, o Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul apresenta anualmente seu relatório de Fiscalização, ou seja, sua atuação durante o exercício. No relatório de 2010 foram apresentados os Autos de Infração lavrados em 2010, ou seja, foram instaurados 597 processos, dos quais se destacam as infrações de maior incidência, conforme quadro a seguir: 36 UNIDADE 1 | ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL QUADRO 3 – INFRAÇÕES Infração Quantidade Apropriação indébita 10 Deixar de elaborar contratos de prestação de serviços 55 Deixar de elaborar escrituração contábil 76 Emissão de decores com valores divergentes 2 Emissão de decores sem base legal 356 Exercício da profissão contábil com registro baixado 15 Exercício ilegal da profissão - leigos 12 Incapacidade técnica 15 Inexecução de serviços 14 Irregularidades de registro cadastral de sociedade e escritório individual 68 Irregularidades relativas às NBCs 3 Prática de atos irregulares/adulteração ou manipulação de documentos 13 Retenção de livros e documentos de clientes 17 FONTE: CRCRS (2011). Pelo quadro anterior verificamos que uma das maiores incidências no estado do Rio Grande do Sul é a emissão de decores (Declaração comprobatória de rendimentos) emitida pelos profissionais sem base legal. No ano de 2010, foram julgados pelo TRED/RS (Tribunal Regional de Ética e Disciplina do Rio Grande do Sul) e pelo Plenário 1.012 processos, sendo que as decisões estão apresentadas no quadro a seguir: QUADRO 4 – DECISÕES Decisões Quantidade Arquivamentos 331 Multas 506 Suspensões 74 Advertências reservadas 161 Censuras reservadas 102 Censuras públicas 31 FONTE: CRCRS (2011). É preciso observar que um processo pode resultar em mais de uma decisão, por exemplo, multa e advertência reservada, a primeira é uma sanção disciplinar, enquanto a segunda é ética. Salienta-se que as penalidades de multa e suspensão estão relacionadas com questões disciplinares, enquanto que advertência reservada, censura reservada e censura pública são penalidades decorrentes de transgressão ao Código de Ética. TÓPICO 3 | O PROFISSIONAL DA CONTABILIDADE E A ÉTICA 37 3 A ÉTICA E SUA INFLUÊNCIANO MERCADO DE TRABALHO DO PROFISSIONAL DA CONTABILIDADE O mercado de trabalho do profissional da contabilidade vem crescendo, ultimamente, e esse crescimento pode ser influência da maneira como o profissional está sendo visto pela sociedade atual, não apenas como um guarda livros, mas um profissional atuante e participante nas decisões das empresas, auxiliando seus clientes e prestando para a sociedade um serviço mais adequado. Apesar disso, para que o profissional possa permanecer no mercado de trabalho é preciso desempenhar a atividade com seriedade, compromisso, dedicação entre outras características consideradas essenciais para atuar na profissão escolhida. Conforme menciona Farias e Lima (2009, p. 3): Independentemente da área escolhida para atuação, o contabilista deve ter consciência de todas as suas responsabilidades, de forma que, somente conhecer o código de ética profissional não é suficiente para o bom desempenho da atividade, mas sim exercê-lo em sua plenitude se torna elemento imprescindível ao correto profissional. Não basta possuir um diploma de curso superior e ter conhecimentos técnicos, pois a incapacidade ou inabilidade do profissional ferem a doutrina moral e causam prejuízos tanto para o profissional, quanto para demais pessoas envolvidas. (FARIAS; LIMA, 2009). Desta forma, para que o mercado de trabalho receba o profissional da contabilidade de maneira adequada, o mesmo deve também cumprir com seus compromissos da melhor maneira possível, respeitando o código de ética e mantendo-se sempre atualizado. 38 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você viu que: • O profissional da contabilidade é formado pelo Curso Técnico em contabilidade, em nível médio e pelo contador, com formação em nível superior. • Somente poderão exercer a profissão, os profissionais que concluírem o curso, realizarem o exame de suficiência e após a inscrição no Conselho Regional de Contabilidade. • As principais áreas de atuação são: contabilidade fiscal, contabilidade pública, contabilidade de custos, contabilidade gerencial, auditoria, perícia, contabilidade financeira, análise econômico-financeira, entre outras. • A contabilidade atuarial, contabilidade ambiental e contabilidade social apresentam perspectivas de crescimento. • Atualmente, o profissional da contabilidade não se restringe apenas à parte técnica. O perfil do profissional está mudando, deixando de prestar informações apenas ao Fisco, para produzir informações úteis para a tomada de decisão, desempenhando sua atividade de maneira ética e confiável, evidenciando uma imagem positiva do profissional. • O profissional da contabilidade, além de ter o conhecimento técnico, da legislação e da contabilidade também deve ter um comportamento adequado com as pessoas envolvidas em seu trabalho (clientes, empregados, colegas e sociedade). • O CRCSC cita algumas infrações éticas cometidas pelos profissionais da contabilidade no desempenho do exercício profissional, tais como: retenção abusiva, danificação ou extravio de livros ou documentos contábeis comprovadamente entregues aos cuidados do contabilista, inexecução de serviços contábeis, adulteração ou manipulação fraudulenta na escrita ou em documentos, com o fim de favorecer a si mesmo ou a clientes, apropriação indébita, incapacidade técnica, aviltamento de honorários e concorrência desleal, entre outros. • Na conduta dos profissionais da contabilidade, o Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul – CRCRS evidencia os seguintes problemas: apropriação indébita, concorrência desleal, acobertamento a leigos, adulteração de informações contábeis, que são problemas que envolvem o profissional e terceiros. Esses itens são considerados infrações, na qual os profissionais podem ser penalizados pelo Código de Ética e/ou disciplinar. 39 AUTOATIVIDADE 1 O profissional da contabilidade tem que ter domínio da contabilidade, legislação e conhecimentos técnicos inerentes a sua área de atuação, como por exemplo, auditoria, perícia, custos, entre outras. Porém, é importante que esse profissional também possua comportamento adequado perante seus clientes, colegas de classe e a própria sociedade. Qual a importância, para a sociedade, do profissional da contabilidade desempenhar suas atividades com zelo, dedicação e honestidade? 2 A Resolução CFC nº 1.167, de 2009, dispõe sobre o registro profissional dos contabilistas, sendo que somente pode exercer a profissão contábil o contabilista registrado em Conselho Regional de Contabilidade. Atualmente podem desempenhar a profissão contábil os contadores e técnicos em contabilidade. Qual é a diferença entre ambos? 3 A aprovação da Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010, em seus artigos 76 e 77, trouxe alterações no Decreto-Lei nº 9.295, de 1946. Segundo a Lei nº 12. 249/10, quais os requisitos necessários para que o profissional da contabilidade possa exercer a profissão? 4 Os profissionais devem realizar o exame de suficiência e após fazerem sua inscrição no Conselho Regional de Contabilidade com jurisdição no local onde o Contabilista tenha seu domicílio profissional, conforme a Resolução CFC nº 1.167/09. O que significa domicílio profissional? 5 Na conduta dos profissionais da contabilidade, existem infrações que são cometidas por esses profissionais. Cite três exemplos de infrações éticas cometidas pelos profissionais da contabilidade. 6 Com relação às principais áreas de atuação do profissional da contabilidade. Associe os itens, utilizando o código a seguir: I – Contabilidade Fiscal. II – Contabilidade Pública. III – Contabilidade de Custos. IV – Auditoria. V – Perícia Contábil. ( ) Participa do processo de elaboração de informa ção para o fisco, e é responsável pelo planejamento tributário da em presa. Essa área de atuação possui uma remuneração bastante atrativa para os profissionais de primeiro nível. ( ) Fornece importantes informações na formação de preço da empresa. ( ) Atua na elaboração de laudos em processos judiciais ou extrajudiciais. ( ) Atua na área de controle e gestão das finanças públicas. ( ) Por meio de empresas ou de setores internos da organização, controla a confiabilidade das informações e a legalidade dos atos praticados pelos administradores. 40 Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: ( ) I – III – IV – V – II. ( ) I – II – III – V – IV. ( ) I – III – V – II – IV. ( ) III – I – II – V – IV. 41 TÓPICO 4 CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DO CONTADOR UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO É importante destacar que não adianta apenas o conhecimento técnico. Algumas vezes percebemos que existem profissionais que não estão preocupados em desenvolver seu trabalho com seriedade e honestidade, respeitando as condutas éticas. Um bom trabalho é resultado da competência, aliado com uma conduta adequada, que não traga prejuízos ao seu cliente, colegas e até mesmo a sociedade. Por esse motivo, é necessário caro(a) acadêmico(a), que você tenha conhecimento do Código de Ética Profissional e suas implicações caso o mesmo não seja seguido. Sendo assim, este tópico tem por objetivo apresentar a Resolução CFC 803/96 que aborda o Código de Ética Profissional, seu objetivo e os capítulos que o compõem, além de apresentar as principais alterações no referido Código, ocasionadas pela Resolução CFC 1.307/10. Evidenciando ainda, as penalidades que o profissional estará sujeito, caso não atenda ao disposto no referido Código. 2 CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DO CONTADOR 2.1 CONCEITO O primeiro Código de Ética da profissão contábil surgiu em 1970. Em 10/10/1996, a Resolução CFC nº 803 aprovou o Código de Ética Profissional do contabilista, que em seu próprio texto menciona que após 26 anos de existência (1970 a 1996) foi necessáriauma atualização dos conceitos éticos na área da atividade contábil, devido à intensificação do relacionamento do profissional da Contabilidade com a sociedade e com o grupo profissional, por isso ocorreu a aprovação da Resolução CFC nº 803/96. 42 UNIDADE 1 | ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL Em 2010, novamente, o Código de ética é alterado pela Resolução CFC nº 1.307, trazendo novas modificações, sendo que a primeira alteração está no título do Código de Ética Profissional do Contabilista que passou a ser Código de Ética Profissional do Contador, e não mais do contabilista. Contudo, apesar das alterações ocorridas, o Código de Ética continua servindo para a classe Contábil. Segundo Koliver (1997, p. 27) “ética profissional, embora inscrita na ética geral, é de natureza especifica, porquanto somente alcança os membros de determinada profissão e trata das relações que estes mantêm com terceiros, inclusive com os colegas de profissão, em razão do exercício profissional”. Portanto, o Código de Ética Profissional do Contador, apresenta um conjunto de normas de conduta que estabelecem o padrão de comportamento para os membros de uma determinada categoria profissional, conferindo aos seus integrantes credibilidade e valorização profissional. 2.2 OBJETIVO A Resolução CFC nº 1.307/2010 estabelece em seu artigo 2º, que o artigo 1º da Resolução 803/1996 passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 1º Este Código de Ética Profissional tem por objetivo fixar a forma pela qual se devem conduzir os Profissionais da Contabilidade, quando no exercício profissional e nos assuntos relacionados à profissão e à classe. O Código de Ética Profissional evidencia como deve ser a conduta dos profissionais da contabilidade, assegurando uma convivência pacifica entre os integrantes da profissão, permitindo que a profissão tenha credibilidade, evitando desvios de conduta, além de normatizar as relações dos profissionais com colegas, clientes, empregadores, entidades de classe, governo e toda a sociedade. A seguir são abordadas as principais mudanças ocorridas no Código de Ética Profissional trazidas pela Resolução CFC nº 1.307/2010. 2.3 MUDANÇAS OCORRIDAS NO CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DO CONTADOR A Resolução CFC 803/96 não foi revogada, apenas alterada pela Resolução CFC nº 1.307/2010. Dentre as alterações ocorridas no Código de Ética, a primeira consta no artigo 1º da Resolução CFC nº 1.307/2010, na qual o Código de Ética Profissional do Contabilista – CEPC passa a apresentar a denominação de Código de Ética TÓPICO 4 | CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DO CONTADOR 43 Profissional do Contador – CEPC, alterando a palavra contabilista para contador, conforme mencionado no início deste tópico. 3 CAPÍTULOS DO CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DO CONTADOR A seguir, apresentamos os cinco capítulos do Código de Ética Profissional do Contador. 3.1 CAPÍTULO I – OBJETIVO O objetivo do Código de Ética Profissional, conforme o artigo 2º, da Resolução CFC nº 1.307/2010, que alterou o artigo 1º da Resolução CFC nº 803/1996, passa a ter o seguinte objetivo: Este Código de Ética Profissional tem por objetivo fixar a forma pela qual se devem conduzir os Profissionais da Contabilidade, quando no exercício profissional e nos assuntos relacionados à profissão e à classe. 3.2 CAPÍTULO II – DOS DEVERES E DAS PROIBIÇÕES Os deveres e proibições dos profissionais são abordados nos artigos 2º, 3º, 4º e 5º da Resolução CFC nº 803/1996. Para um melhor entendimento das alterações realizadas pela Resolução CFC nº 1.307/2010, apresenta-se o quadro a seguir, em que consta a redação anterior da Resolução 803/1996 e a nova redação, conforme a Resolução CFC nº 1307/2010: 44 UNIDADE 1 | ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL QUADRO 5 – ALTERAÇÕES DA RESOLUÇÃO Resolução CFC nº 803/1996 Nova redação da Resolução CFC nº 803/1996, com as alterações realizadas pela Resolução CFC nº 1.307/2010 Art. 2º São deveres do Contabi- lista. Art. 2º São deveres do Profissional da Con- tabilidade. (Artigo 3º da Resolução CFC nº 1.307/2010). Artigo 2º I – exercer a profissão com zelo, diligência, honestidade, obser- vada toda a legislação vigente e resguardados os interesses de seus clientes e/ou empregado- res, sem prejuízo da dignidade e independência profissionais. Artigo 2º I – exercer a profissão com zelo, diligência, honestidade e capacidade técnica, observa- da toda a legislação vigente, em especial aos Princípios de Contabilidade e as Normas Bra- sileiras de Contabilidade, e resguardados os interesses de seus clientes e/ou empregadores, sem prejuízo da dignidade e independência profissionais. (Artigo 4º da Resolução CFC nº 1.307/2010). Não existia. X – cumprir os Programas Obrigatórios de Educação Continuada estabelecidos pelo CFC. (Artigo 5º da Resolução CFC nº 1.307/2010). Não existia. XI – comunicar, ao CRC, a mudança de seu do- micílio ou endereço e da organização contábil de sua responsabilidade, bem como a ocorrên- cia de outros fatos necessários ao controle e fis- calização profissional. (Artigo 6º da Resolução CFC nº 1.307/2010). Não existia. XII – auxiliar a fiscalização do exercício pro- fissional. (Artigo 7º da Resolução CFC nº 1.307/2010). FONTE: Resolução CFC nº 803/1996, com as alterações realizadas pela Resolução CFC nº 1.307/2010. No quadro anterior apresentamos as modificações no artigo 2º relativo aos deveres dos profissionais, no quadro a seguir são apresentadas as proibições, constantes no artigo 3º. QUADRO 6 – PROIBIÇÕES Resolução CFC nº 803/1996 Nova redação da Resolução CFC nº 803/1996, com as alterações realizadas pela Resolução CFC nº 1.307/2010 Art. 3º No desempenho de suas funções, é vedado ao Contabilista. Art. 3º No desempenho de suas funções, é vedado ao Profissional da Contabilidade. (Artigo 8º da Resolução CFC nº 1.307/2010). TÓPICO 4 | CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DO CONTADOR 45 Art. 3º I – anunciar, em qualquer modali- dade ou veículo de comunicação, conteúdo que resulte na dimi- nuição do colega, da Organiza- ção Contábil ou da classe, sendo sempre admitida a indicação de títulos, especializações, serviços oferecidos, trabalhos realizados e relação de clientes. Art. 3º I – anunciar, em qualquer modalidade ou veículo de comunicação, conteúdo que re- sulte na diminuição do colega, da Organi- zação Contábil ou da classe, em detrimento aos demais, sendo sempre admitida a in- dicação de títulos, especializações, serviços oferecidos, trabalhos realizados e relação de clientes. (Artigo 9º da Resolução CFC nº 1.307/2010). Art. 3º XIII – aconselhar o cliente ou o empregador contra disposições expressas em lei ou contra os Prin- cípios Fundamentais e as Normas Brasileiras de Contabilidade edi- tadas pelo Conselho Federal de Contabilidade. Art. 3º XIII – aconselhar o cliente ou o empregador contra disposições expressas em lei ou con- tra os Princípios de Contabilidade e as Nor- mas Brasileiras de Contabilidade editadas pelo Conselho Federal de Contabilidade. (Artigo 10º da Resolução CFC nº 1.307/2010). Art. 3º XX – elaborar demonstrações contábeis sem observância dos Princípios Fundamentais e das Normas Brasileiras de Contabili- dade editadas pelo Conselho Fe- deral de Contabilidade. Art. 3º XX – executar trabalhos técnicos contábeis sem observância dos Princípios de Conta- bilidade e das Normas Brasileiras de Con- tabilidade editadas pelo Conselho Federal de Contabilidade. (Artigo 11º da Resolução CFC nº 1.307/2010). Não existia. Art. 3º XXIII – Apropriar-se indevidamente de va- lores confiados a sua guarda. (Artigo 12º da Resolução CFC nº 1.307/2010). Não existia. Art. 3º XXIV – Exercer a profissão demonstrando comprovada incapacidade técnica. (Artigo 13º da Resolução CFCnº 1.307/2010). Não existia. Art. 3º XXV – Deixar de apresentar documentos e informações quando solicitado pela fiscali- zação dos Conselhos Regionais. (Artigo 14º da Resolução CFC nº 1.307/2010). FONTE: Resolução CFC nº 803/1996, com as alterações realizadas pela Resolução CFC nº 1.307/2010. Com base no quadro anterior, podemos perceber que além das proibições existentes até hoje, outras foram criadas, como por exemplo, a apropriação indevida de valores confiados à guarda do profissional, em que não existia previsão no Código de Ética até o momento. Além disso, quando o profissional 46 UNIDADE 1 | ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL apresenta incapacidade técnica, ou não apresenta documentos e informações quando solicitado pela fiscalização dos conselhos regionais também foram previstos atualmente. No quadro a seguir, vamos observar como era o artigo 4º da Resolução 803/1996 e como ficou com a entrada em vigor da Resolução CFC 1.307/10. QUADRO 7 – MODIFICAÇÕES DA RESOLUÇÃO Resolução CFC nº 803/1996 Nova redação da Resolução CFC nº 803/1996, com as alterações realizadas pela Resolução CFC nº 1.307/2010 Art. 4º O Contabilista poderá publicar re- latório, parecer ou trabalho técni- co-profissional, assinado e sob sua responsabilidade. Art. 4º O profissional da contabilidade poderá publicar relatório, parecer ou trabalho téc- nico-profissional, assinado e sob sua res- ponsabilidade. (Artigo 15º da Resolução CFC nº 1.307/2010). FONTE: Resolução CFC nº 803/1996, com as alterações realizadas pela Resolução CFC nº 1.307/2010. No artigo 4º podemos verificar que a alteração foi apenas na denominação contabilista para profissional da contabilidade. O artigo 5º refere-se ao contador, quando perito, assistente técnico, auditor ou árbitro. Neste artigo, foi realizada uma alteração no inciso VII, conforme apresentado no quadro a seguir: QUADRO 8 – MODIFICAÇÕES DA RESOLUÇÃO Resolução CFC nº 803/1996 Nova redação da Resolução CFC nº 803/1996, com as alterações realizadas pela Resolução CFC nº 1.307/2010 Art. 5º VII – assinalar equívocos ou diver- gências que encontrar no que con- cerne à aplicação dos Princípios Fundamentais e Normas Brasileiras de Contabilidade editadas pelo CFC. Art. 5º VII – assinalar equívocos ou divergências que encontrar no que concerne à aplicação dos Princípios de Contabilidade e Nor- mas Brasileiras de Contabilidade editadas pelo CFC. (Artigo 16º da Resolução CFC nº 1.307/2010). FONTE: Resolução CFC nº 803/1996, com as alterações realizadas pela Resolução CFC nº 1.307/2010. TÓPICO 4 | CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DO CONTADOR 47 Portanto, no artigo 5º, inciso VII houve apenas uma adequação da denominação Princípios Fundamentais para Princípios de Contabilidade. A seguir, abordamos o capítulo III, do valor dos serviços profissionais. 3.3 CAPÍTULO III – DO VALOR DOS SERVIÇOS PROFISSIONAIS O valor a ser cobrado pelos serviços profissionais deve obedecer a algumas condições constantes no Código de Ética em seus artigos 6º, 7º e 8º. No quadro a seguir, apresentamos estes artigos antes e depois das alterações. QUADRO 9 – MODIFICAÇÕES DA RESOLUÇÃO Resolução CFC nº 803/1996 Nova redação da Resolução CFC nº 803/1996, com as alterações realizadas pela Resolução CFC nº 1.307/2010 Art. 6º O Contabilista deve fixar previa- mente o valor dos serviços, por contrato escrito, considerados os elementos seguintes: I – a relevância, o vulto, a comple- xidade e a dificuldade do serviço a executar; II – o tempo que será consumido para a realização do trabalho; III – a possibilidade de ficar impedi- do da realização de outros serviços; IV – o resultado lícito favorável que para o contratante advirá com o serviço prestado; V – a peculiaridade de tratar–se de cliente eventual, habitual ou perma- nente; VI – o local em que o serviço será prestado. Art. 6º O Profissional da Contabilidade deve fixar previamente o valor dos serviços, por contrato escrito, considerados os elemen- tos seguintes: I – a relevância, o vulto, a complexidade e a dificuldade do serviço a executar; II – o tempo que será consumido para a realização do trabalho; III – a possibilidade de ficar impedido da realização de outros serviços; IV – o resultado lícito favorável que para o contratante advirá com o serviço prestado; V – a peculiaridade de tratar–se de cliente eventual, habitual ou permanente; VI – o local em que o serviço será prestado. (Artigo 17º da Resolução CFC nº 1.307/2010). 48 UNIDADE 1 | ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL Art. 7º O Contabilista poderá transferir o contrato de serviços a seu cargo a outro contabilista, com a anuência do cliente, sempre por escrito. Parágrafo Único – O contabilis- ta poderá transferir parcialmente a execução dos serviços a seu car- go a outro Profissional da Conta- bilidade, mantendo sempre como sua a responsabilidade técnica. Art. 7º O Profissional da Contabilidade poderá transferir o contrato de serviços a seu car- go a outro profissional, com a anuência do cliente, sempre por escrito, de acordo com as normas expedidas pelo Conselho Federal de Contabilidade. Parágrafo Único – O Profissional da Con- tabilidade poderá transferir parcialmen- te a execução dos serviços a seu cargo a outro Profissional da Contabilidade, mantendo sempre como sua a responsa- bilidade técnica. (Artigos 18º e 19º da Resolução CFC nº 1.307/2010). Art. 8º É vedado ao contabilista ofe- recer ou disputar serviços profissio- nais mediante aviltamento de hono- rários ou em concorrência desleal. Art. 8º. É vedado ao Profissional da Con- tabilidade oferecer ou disputar serviços profissionais mediante aviltamento de honorários ou em concorrência desleal. (Artigos 20 da Resolução CFC nº 1.307/2010). FONTE: Resolução CFC nº 803/1996, com as alterações realizadas pela Resolução CFC nº 1.307/2010. Observamos que nos artigos 6º, 7º e 8º, que abordam o valor dos serviços prestados, a principal alteração está relacionada com a denominação de contabilista para profissional da contabilidade. 3.4 CAPÍTULO IV – DOS DEVERES EM RELAÇÃO AOS COLEGAS E À CLASSE Além dos deveres do profissional da contabilidade que lhe são inerentes, o profissional ainda possui deveres em relação aos colegas e à classe, que estão descritos no capítulo IV da Resolução do CFC nº 803/1996 e que também foi alterado pela Resolução CFC nº 1.307/2010. As alterações referem-se apenas à denominação de contabilista para profissional da contabilidade. Este capítulo esclarece que os profissionais da contabilidade devem ter uma conduta em relação aos colegas baseada em princípios de consideração, respeito, apreço e solidariedade, permitindo uma condição harmoniosa entre os integrantes da classe contábil. Entre as normas de conduta em relação aos colegas, podemos citar: TÓPICO 4 | CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DO CONTADOR 49 não fazer referências que prejudiquem os demais colegas, não se apropriar de trabalhos ou iniciativas dos colegas, da qual o profissional não tenha participado, além de evitar desentendimentos com o colega que o substituir. Estas questões de maneira geral envolvem o comportamento do profissional, permitindo uma convivência adequada em sociedade, além do respeito pelos colegas. 3.5 CAPÍTULO V – DAS PENALIDADES O capítulo relativo às penalidades é um item importante, pois está relacionado ao fato de que se o profissional da contabilidade não seguir a forma determinada pelo Código de Ética, exercendo suas atividades dentro dos preceitos da sociedade, não cumprindo sua função de forma honesta, responsável, justa e competente, entre outros atributos, o mesmo poderá sofrer sanções. No caso do profissional da contabilidade cometer uma infração ao Código de Ética,será instaurado um processo pelo Conselho Regional de Contabilidade, que fará o julgamento do mesmo, funcionando como Tribunal Regional de Ética e Disciplina. Contudo, o profissional poderá apresentar defesa no prazo estipulado, podendo o mesmo ter seu processo arquivado ou ser penalizado. As penalidades previstas pelo Código de Ética são: • Advertência reservada. • Censura reservada. • Censura pública. As penalidades começam com uma advertência reservada, podendo chegar à censura pública, conforme a gravidade da transgressão. O Código de Ética ainda prevê no parágrafo único do artigo 12, que são consideradas como atenuantes na aplicação das sanções éticas, conforme segue: • Ação desenvolvida em defesa de prerrogativa profissional. • Ausência de punição ética anterior. • Prestação de relevantes serviços à contabilidade. 50 RESUMO DO TÓPICO 4 Neste tópico, você viu que: • O primeiro Código de Ética dos profissionais da contabilidade surgiu em 1970, após vinte e seis anos, foi aprovada a Resolução CFC nº 803/96, atualizando conceitos éticos e em 2010 foi aprovada a Resolução CFC nº 1.307, incluindo alguns artigos e alterando outros. • O Código de Ética dos profissionais da contabilidade é um conjunto de normas de conduta que estabelece um padrão de comportamento para os membros de uma determinada categoria profissional. • Entre as alterações na Resolução CFC 803/96 promovidas pela Resolução CFC nº 1.307/10 estão as que seguem: Art. 2° Deveres do profissional da contabilidade. I – exercer a profissão com zelo, diligência, honestidade e capacidade técnica, observada toda a legislação vigente, em especial aos Princípios de Contabilidade e as Normas Brasileiras de Contabilidade, e resguardados os interesses de seus clientes e/ou empregadores, sem prejuízo da dignidade e independência profissionais. X – cumprir os Programas Obrigatórios de Educação Continuada estabelecidos pelo CFC. (novo) XI – comunicar, ao CRC, a mudança de seu domicílio ou endereço e da organização contábil de sua responsabilidade, bem como a ocorrência de outros fatos necessários ao controle e fiscalização profissional. (novo) XII – auxiliar a fiscalização do exercício profissional. (novo) Art. 3º No desempenho de suas funções, é vedado ao Profissional da Contabilidade. I – anunciar, em qualquer modalidade ou veículo de comunicação, conteúdo que resulte na diminuição do colega, da Organização Contábil ou da classe, em detrimento aos demais, sendo sempre admitida a indicação de títulos, especializações, serviços oferecidos, trabalhos realizados e relação de clientes. XIII – aconselhar o cliente ou o empregador contra disposições expressas em lei ou contra os Princípios de Contabilidade e as Normas Brasileiras de Contabilidade editadas pelo Conselho Federal de Contabilidade. XX – executar trabalhos técnicos contábeis sem observância dos Princípios de Contabilidade e das Normas Brasileiras de Contabilidade editadas pelo Conselho Federal de Contabilidade. XXIII – Apropriar-se indevidamente de valores confiados a sua guarda. (novo) XXIV – Exercer a profissão demonstrando comprovada incapacidade técnica. (novo) XXV – Deixar de apresentar documentos e informações quando solicitado pela fiscalização dos Conselhos Regionais. (novo) 51 Art. 4º O profissional da contabilidade poderá publicar relatório, parecer ou trabalho técnico-profissional, assinado e sob sua responsabilidade. Art. 5º VII – assinalar equívocos ou divergências que encontrar no que concerne à aplicação dos Princípios de Contabilidade e Normas Brasileiras de Contabilidade editadas pelo CFC. Art. 6º O Profissional da Contabilidade deve fixar previamente o valor dos serviços, por contrato escrito considerados os elementos seguintes: I – a relevância, o vulto, a complexidade e a dificuldade do serviço a executar; II – o tempo que será consumido para a realização do trabalho; III – a possibilidade de ficar impedido da realização de outros serviços; IV – o resultado lícito favorável que para o contratante advirá com o serviço prestado; V – a peculiaridade de tratar-se de cliente eventual, habitual ou permanente; VI – o local em que o serviço será prestado. Art. 7º O Profissional da Contabilidade poderá transferir o contrato de serviços a seu cargo a outro profissional, com a anuência do cliente, sempre por escrito, de acordo com as normas expedidas pelo Conselho Federal de Contabilidade. Parágrafo Único – O Profissional da Contabilidade poderá transferir parcialmente a execução dos serviços a seu cargo a outro Profissional da Contabilidade, mantendo sempre como sua a responsabilidade técnica. Art. 8º É vedado ao Profissional da Contabilidade oferecer ou disputar serviços profissionais mediante aviltamento de honorários ou em concorrência desleal. • As penalidades previstas pelo Código de Ética são: Advertência reservada, Censura reservada e Censura pública. • São consideradas como atenuantes na aplicação das sanções éticas: ação desenvolvida em defesa de prerrogativa profissional, ausência de punição ética anterior e prestação de relevantes serviços à Contabilidade. 52 AUTOATIVIDADE Responda às questões a seguir: 1 O primeiro Código de Ética dos profissionais da contabilidade surgiu em 1970. Mais tarde foi aprovada a Resolução CFC nº 803/96, atualizando conceitos éticos e em 2010 foi aprovada a Resolução CFC nº 1.307, incluindo alguns artigos e alterando outros. Contudo o objetivo do Código de Ética Profissional do Contabilista permanece. Qual é o objetivo do Código de Ética? 2 A transgressão de preceito do Código de Ética Profissional do Contabilista constitui infrações em que devem ser aplicadas penalidades? Com relação às penalidades previstas no Código de Ética Profissional, marque a resposta correta: a) ( ) Advertência reservada, censura reservada e censura pública. b) ( ) Advertência reservada, censura reservada e multa. c) ( ) Advertência reservada, advertência pública e censura pública. d) ( ) Advertência reservada e suspensão do exercício da profissão. 3 Dentre as opções de penalidades por transgressão prevista no Código de Ética Profissional do Contabilista é INCORRETO a: a) ( ) Censura pública. b) ( ) Censura reservada. c) ( ) Advertência pública. d) ( ) Advertência reservada. 4 O Código de Ética Profissional prevê no parágrafo único do artigo 12 algumas situações que são consideradas atenuantes na aplicação das sanções éticas. Sobre as atenuantes, analise as seguintes sentenças: I – São consideradas atenuantes: falta cometida em defesa de prerrogativa profissional, advertência reservada e prestação de relevantes serviços à contabilidade. II – São consideradas atenuantes: prestação de relevantes serviços à contabilidade, falta cometida em defesa de prerrogativa profissional e censura reservada. III – São consideradas atenuantes: prestação de relevantes serviços à contabilidade, ausência de punição ética anterior e censura pública. IV – São consideradas atenuantes: falta cometida em defesa de prerrogativa profissional, ausência de punição ética anterior e prestação de relevantes serviços à contabilidade. Agora, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Somente a afirmativa I está correta. b) ( ) Somente a afirmativa II está correta. c) ( ) Somente a afirmativa III está correta. 53 d) ( ) Somente a afirmativa VI está correta. 5 Conforme a legislação vigente que regula o exercício profissional, o contabilista poderá ser penalizado por infração legal ao exercício da profissão. Assinale a opção que NÃO corresponde à penalidade ético-disciplinar aplicável. a) ( ) Advertência pública. b) ( ) Advertência reservada. c) ( ) Cassação do exercício profissional. d) ( ) Suspensão temporária do exercício da profissão.Obs.: Questão retirada do exame de suficiência 2011 para contadores e técnicos em contabilidade. 6 Um contabilista, em razão do enquadramento de empresa cliente em regime de tributação simplificado, resolve elaborar a escrituração contábil em regime de caixa. A atitude do contabilista: a) ( ) Está em desacordo com os Princípios de Contabilidade e consiste em infração ao disposto no Código de Ética Profissional do Contabilista, qualquer que seja o porte da empresa. b) ( ) Está em desacordo com os Princípios de Contabilidade, mas não consiste em infração ao disposto no Código de Ética Profissional do Contabilista, qualquer que seja o porte da empresa. c) ( ) Não consiste em infração ao disposto no Código de Ética Profissional do Contabilista e está em conformidade com os Princípios de Contabilidade, caso a empresa em questão seja uma microempresa. d) ( ) Não consiste em infração ao disposto no Código de Ética Profissional do Contabilista, mas está em desacordo com os Princípios de Contabilidade, caso a empresa em questão seja uma microempresa. Obs.: Questão retirada do exame de suficiência 2011 para contadores e técnicos em contabilidade. 7 Com relação ao comportamento dos profissionais da Contabilidade, analise as situações hipotéticas apresentadas nos itens a seguir e, em seguida, assinale a opção CORRETA: I – Um contabilista iniciante contratou um agenciador de serviços para atuar na captação de clientes. Para cada cliente captado, o agenciador irá receber 1% dos honorários acertados. II – Em razão de sua aposentadoria, o contabilista transferiu seus contratos de serviço para seu genro, também contabilista. Os clientes foram contatados um a um, por telefone, e se manifestaram de acordo com a mudança. III – Um perito contador, indicado pelo juiz para atuar em uma questão relativa a uma dissolução de sociedade, recusou-se a assumir o trabalho por não se achar capacitado. De acordo com as três situações acima descritas, o comportamento do profissional 54 da Contabilidade está em DESACORDO com os deveres descritos no Código de Ética Profissional do Contabilista nos itens: a) ( ) I, II e III. b) ( ) I e II, apenas. c) ( ) I, apenas. d) ( ) II e III, apenas. Obs.: Questão retirada do exame de suficiência 2011 para contadores e técnicos em contabilidade. 8 Determinado cliente decidiu substituir o contabilista responsável pela contabilidade de sua empresa. Uma vez ocorrida a mudança, é CORRETO afirmar que o profissional substituído: a) ( ) Deixará de ser responsável a partir do momento em que são encaminhados ao cliente o último balancete, os documentos e os livros sob sua guarda. b) ( ) Poderá, a seu critério, informar ao profissional substituto as informações necessárias ao bom desempenho de suas novas atribuições. c) ( ) Deverá informar ao profissional substituto somente os dados cadastrais necessários ao bom desempenho de suas novas atribuições. d) ( ) Deverá informar ao profissional substituto os fatos que devem ser de seu conhecimento, para o bom exercício de suas funções. Obs.: Questão retirada do exame de suficiência 2011 para contadores e técnicos em contabilidade. 9 Um profissional da Contabilidade, devidamente inscrito no Conselho Regional de Contabilidade de sua jurisdição, foi selecionado para assumir a contabilidade de uma empresa em 19.1.2011. A empresa estava com as demonstrações contábeis, preparadas por outro profissional, prontas para publicação, faltando apenas a assinatura do contabilista responsável. O profissional recém- contratado está em dúvida se pode assinar as referidas demonstrações contábeis, uma vez que não foi responsável pela sua elaboração. Entre as opções a seguir, assinale aquela que serve de apoio à decisão do contabilista. a) ( ) Considerando que o contabilista é responsável técnico, ele passa a ser responsável pela assinatura de todos os documentos contábeis independente de quem os elaborou. b) ( ) No desempenho de suas funções, é vedado ao contabilista assinar documentos ou peças contábeis elaborados por outrem, alheio à sua orientação, supervisão e fiscalização. c) ( ) O profissional poderá assinar as peças contábeis preparadas por outrem, uma vez que conhece a idoneidade do colega que elaborou tais demonstrações contábeis, mesmo que não as tenha analisado. d) ( ) Uma vez que as demonstrações contábeis foram elaboradas por uma equipe de técnicos e foi auditada, o profissional poderá assinar as referidas demonstrações. 55 Obs.: Questão retirada do exame de suficiência 2011 para contadores e técnicos em contabilidade. 10 Com base no Código de Ética Profissional do Contabilista, o proprietário de uma organização contábil que contrata um profissional não habilitado para desenvolver trabalhos de contabilidade: a) ( ) Não infringe o Código de Ética Profissional do Contabilista desde que a responsabilidade pelos trabalhos efetuados seja, exclusivamente, do contabilista. b) ( ) Não infringe o Código de Ética Profissional do Contabilista por ser item não regulamentado. c) ( ) Infringe o Código de Ética Profissional do Contabilista porque os compromissos assumidos perante o cliente não são passíveis de serem executados por terceiros. d) ( ) Infringe o Código de Ética Profissional do Contabilista, já que o contratado não está habilitado ao exercício profissional. Obs.: Questão retirada do exame de suficiência 2011 para contadores e técnicos em contabilidade. 11 O Código de Ética Profissional do Contabilista tem por objetivo fixar: a) ( ) A forma pela qual se deve conduzir os contabilistas quando do exercício profissional. b) ( ) A tabela de honorários do contabilista. c) ( ) As Normas e os Princípios de Contabilidade que orientem o exercício profissional. d) ( ) As prescrições de ordem constitucional necessárias ao exercício da profissão. Obs.: Questão retirada do exame de suficiência 2011 para contadores e técnicos em contabilidade. 56 57 TÓPICO 5 CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE E CONSELHOS REGIONAIS DE CONTABILIDADE UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO Neste tópico apresenta-se a estrutura do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e dos Conselhos Regionais de Contabilidade (CRCs), assim como sua finalidade. Para demonstrar a importância de toda estrutura do CFC e dos CRCs apresentamos o quadro a seguir que evidencia a quantidade de contadores e técnicos em contabilidade em todo o Brasil, no período de 2004 a 2010. QUADRO 10 – QUANTIDADES DE CONTADORES E TÉCNICOS EM CONTABILIDADE NO BRASIL ANO CONTADOR TÉCNICO EM CONTABILIDADE TOTAL GERALMASCULINO FEMININO MASCULINO FEMININO 2004 104.978 61.692 131.846 60.503 359.019 2005 115.512 74.291 134.847 65.679 390.329 2006 119.846 79.825 129.975 64.942 394.588 2007 123.173 82.551 129.026 64.588 399.338 2008 127.594 85.433 128.292 64.234 405.553 2009 130.239 88.797 127.268 64.307 410.611 2010 161.850 130.540 129.877 73.317 495.584 FONTE: CFC, (2011). No quadro a seguir também disponibilizamos a quantidade de escritórios individuais, empresários individuais e sociedades no Brasil, no mesmo período (2004 a 2010). 58 UNIDADE 1 | ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL QUADRO 11 – QUANTIDADES DE ESCRITÓRIOS INDIVIDUAIS, EMPRESÁRIOS NO BRASIL ANO ESCRITÓRIO INDIVIDUAL EMPRESÁRIO INDIVIDUAL SOCIEDADE TOTAL GERAL 2004 46.835 21.172 68.007 2005 43.528 21.620 65.148 2006 44.194 21.421 65.615 2007 44.746 22.275 67.021 2008 46.039 23.341 69.380 2009 47.095 26.156 73.251 2010 46.972 1.759 27.552 76.283 FONTE: CFC, (2011) Neste tópico ainda será abordada a questão do exame de suficiência, necessário para a obtenção do registro nos CRCs. 2 CONSELHOS DE CONTABILIDADE O Conselho Federal de Contabilidade(CFC) é considerado uma Autarquia Especial Corporativa, sendo criado pelo Decreto-Lei nº 9.295, de 27 de maio de 1946. Esse decreto é considerado a lei de regência da profissão. No referido Decreto-Lei constam a estrutura, organização e funcionamento do Conselho Federal, complementado pela Resolução CFC 960/03 que aprova o Regulamento Geral dos Conselhos de Contabilidade. (CFC, 2011). O Conselho Federal de Contabilidade é constituído por um representante de cada estado e do Distrito Federal, ou seja, cada Conselho Regional de Contabilidade, em um total de 27 integram o referido Órgão. (CFC, 2011). A seguir, apresenta-se de forma mais ampla o Conselho Federal de Contabilidade e o Conselho Regional de Contabilidade. 2.1 CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE A sede do Conselho Federal de Contabilidade é o Distrito Federal, ao qual ficam subordinados os Conselhos Regionais. (art. 3º do Decreto-Lei nº 9.295/46). O Conselho Federal de Contabilidade, nos termos da legislação vigente, TÓPICO 5 | CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE E CONSELHOS REGIONAIS DE CONTABILIDADE 59 tem por finalidade orientar, normatizar e fiscalizar o exercício da profissão contábil, por meio dos Conselhos Regionais de Contabilidade, cada um em sua base jurisdicional, nos Estados e no Distrito Federal. Também tem a função de decidir, em última instância, os recursos de penalidade imposta pelos Conselhos Regionais, além de regular acerca dos princípios contábeis, do cadastro de qualificação técnica e dos programas de educação continuada, bem como editar Normas Brasileiras de Contabilidade de natureza técnica e profissional. (CFC, 2011). A Resolução CFC nº 960, de 2003, estabelece em seu artigo 10 que o Conselho Federal de Contabilidade seja constituído por 1 (um) membro efetivo de cada Conselho Regional de Contabilidade e respectivo suplente, eleitos na forma da legislação vigente. Portanto, o Conselho Federal de Contabilidade é composto por 27 conselheiros efetivos e 27 conselheiros suplentes. A composição do CFC e dos Conselhos Regionais obedece a proporção de 2/3 (dois terços) de contadores e 1/3 (um terço) de técnicos em contabilidade, que são eleitos para um mandato de 4 (quatro) anos, com renovação a cada dois anos, de forma alternada, por 1/3 (um terço) e 2/3 (dois terços). (Parágrafo único. Artigo 10. Resolução CFC nº 960/03). A cada dois anos, os Conselhos (Federal e Regionais) realizam eleições para mudança de 1/3 (um terço) de sua composição, e após dois anos, nova modificação acontece, porém para alteração de 2/3 (dois terços). As eleições em nível Federal ocorrem de forma secreta e pessoal de um colégio eleitoral, composto por um representante de cada Conselho Regional. Enquanto, que nos Conselhos Regionais, a votação é por voto secreto, pessoal, direto e obrigatório de todos os contadores e técnicos em contabilidade, com registro ativo e em situação regular para o exercício da profissão contábil. O Plenário do Conselho Federal é composto pelo Presidente, Vice- Presidente de Desenvolvimento Profissional e Institucional, Vice-Presidente Administrativo, Vice-Presidente de Fiscalização, Ética e Disciplina, Vice- Presidente de Registro, Vice-Presidente Técnico, Vice-Presidente de Controle Interno e Vice-Presidente de Desenvolvimento Operacional, que farão parte do Conselho Diretor, juntamente, com um conselheiro, Técnico em Contabilidade, eleito pelo Plenário. (CFC, 2011). Compete ao Conselho Diretor acompanhar a execução dos trabalhos técnicos e administrativos do CFC, apreciar seu desempenho e formular sugestões para o aprimoramento do Sistema CFC/CRCs, além disso, as reuniões do Conselho Diretor ocorrem, mensalmente e, extraordinariamente, sempre que convocadas. (CFC, 2011). Destaca-se ainda, que o Conselho Federal na busca de atender às necessidades da classe contábil, entidades sindicais e estudantis, e desta forma prestando um serviço a toda a sociedade, desenvolve projetos e programas, 60 UNIDADE 1 | ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL tais como: Excelência na Contabilidade, Visitas Escolares, Difusão Cultural, CRE (Comitê Administrador do Programa de Revisão Externa de Qualidade), Educação Profissional Continuada, Mulher Contabilista, O CFC em um Dia, Contabilizando o Sucesso, Integração, ISO 9001:2008, Responsabilidade Socioambiental e Programa de Voluntariado da Classe Contábil. (CFC, 2011). ESTUDOS FU TUROS Caro(a) acadêmico(a)! Para aprimorar os seus conteúdos, sugerimos que você acesse o site do Conselho Federal de Contabilidade para conhecer os programas e projetos. Disponível em: <http://www.cfc.org.br>. 2.2 CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE As principais finalidades dos Conselhos Regionais de Contabilidade são fiscalizar o exercício da profissão, efetuar o registro dos profissionais e das empresas de serviços contábeis. Assim como no Conselho Federal de Contabilidade, o Plenário dos Conselhos Regionais de Contabilidade é composto por 27 conselheiros efetivos e 27 conselheiros suplentes, observada a proporção de 2/3 (dois terços) de contadores e 1/3 (um terço) de técnicos em contabilidade. Os Conselhos Regionais de Contabilidade possuem as mesmas finalidades (fiscalização e registro) em todos os Estados, porém cada um poderá ter serviços e informações que atendam aos profissionais de sua região. 3 EXAME DE SUFICIÊNCIA O exame de suficiência foi instituído inicialmente pela Resolução CFC nº 853/99, e após sua aprovação foram realizadas 10 (dez) edições do exame de suficiência, duas vezes por ano, no período de 2000 a 2004, em março e setembro, após o período de formatura dos cursos de ciências contábeis. Sendo assim, o primeiro exame foi realizado em 26 de março de 2000 e o último em setembro de 2004. Durante o período em que ocorreu o exame de suficiência, segundo Koliver (2006), ocorreram inúmeras manifestações contrárias à obrigatoriedade de realização desse exame. Ainda conforme Koliver (2006), em virtude dessa TÓPICO 5 | CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE E CONSELHOS REGIONAIS DE CONTABILIDADE 61 situação foi elaborado um Projeto de Lei nº 2485/2003, do Sr. Deputado Atila Lira propondo a aprovação em Exame de Suficiência destinado a comprovar o nível de conhecimento indispensável para o exercício da profissão aos contadores e técnicos em contabilidade. Koliver (2006) esclarece que o projeto tramitou normalmente e em 23 de novembro de 2005, o Projeto de Lei, com nº 39 foi aprovado pelo Plenário do Senado, porém em 15 de dezembro de 2005, o Projeto foi totalmente vetado. De acordo com Koliver (2005): Como o exame de suficiência representou a comprovação da insuficiência da formação, o fato contrariou diretamente os interesses de muitas entidades de ensino, e o resultado foi o surgimento de uma grande quantidade de ações civis públicas buscando a eliminação da obrigatoriedade da aprovação no exame para a obtenção de registro em Conselho Regional de Contabilidade. Ao final, o exame foi proibido em um Estado e tornado opcional em outros sete, incluindo São Paulo, o que inviabilizou seus objetivos maiores. (KOLIVER, 2005, p. 9). Por esse motivo, o último exame de suficiência foi realizado em setembro de 2004. Passados seis anos do último exame realizado, devido às alterações introduzidas pelos artigos 76 e 77 da Lei nº 12.249, de 11/06/2010 no Decreto-Lei nº 9.295/46, o bacharel em Ciências Contábeis e o técnico em contabilidade devem prestar o exame de suficiência a partir de 2011. Portanto, o artigo 12 do Decreto-Lei nº 9.295/46 passou a vigorar com a seguinte redação: Os profissionais a que se refere este Decreto-Lei somente poderão exercer a profissão após a regular conclusão do curso de bacharelado em Ciências Contábeis, reconhecido pelo Ministério da Educação, aprovação em Exame de Suficiência e registro no Conselho Regionalde Contabilidade a que estiverem sujeitos. (DECRETO-LEI nº 9.295/46). Desta forma, a partir dessa lei, os profissionais que concluírem o curso de Ciências Contábeis são obrigados a realizar o exame de suficiência e serem aprovados para poderem obter o registro profissional. O conceito de exame de suficiência é definido por Koliver (1999, p. 751) “prova de equalização destinada a comprovar a posse de conhecimentos médios, consoante os conteúdos programáticos desenvolvidos no Bacharelado em Ciências Contábeis e no curso Técnico em Contabilidade, e constitui condição para o registro profissional”. A Lei nº 12.249/10 trouxe ainda outra inovação, nesse mesmo artigo, § 2º “Os técnicos em contabilidade já registrados em Conselho Regional de Contabilidade e os que venham a fazê-lo até 1º de junho de 2015 têm assegurado 62 UNIDADE 1 | ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL o seu direito ao exercício da profissão.” Por esse inciso, percebe-se que os técnicos em contabilidade terão o seu direito ao exercício profissional até a data anteriormente mencionada. 4 LEGISLAÇÕES ESPECÍFICAS Nesse item são abordadas algumas resoluções importantes para o conhecimento do profissional da contabilidade. Registro Profissional dos Contabilistas (Resolução CFC nº 1.167, de 27/03/2009) Essa resolução aborda o exercício da profissão contábil e seu registro profissional, determinando em seu artigo 1º que somente poderá exercer a profissão contábil, em qualquer modalidade ou atividade, o contabilista registrado em Conselho Regional de Contabilidade. Entende-se por contabilista, o contador (profissional que concluiu o curso superior) e o técnico em contabilidade (profissional que cursou o nível médio). Os contadores e técnicos em contabilidade devem fazer o seu registro profissional no CRC da jurisdição no local onde esse profissional tenha seu domicílio profissional. Conforme o parágrafo único, artigo 2º, da referida Resolução, domicílio profissional “é o local em que o contabilista exerce ou de onde dirige a totalidade ou a parte principal das suas atividades profissionais, seja como autônomo, empregado, sócio de Organização Contábil ou servidor público”. Essa Resolução menciona em seu artigo 3º, que o registro profissional pode ser: Registro Definitivo Originário, Registro Definitivo Transferido, Registro Provisório, Registro Provisório Transferido e Registro Secundário. A Resolução aborda o texto da seguinte forma: § 1º Registro Definitivo Originário é o concedido pelo CRC da jurisdição do domicílio profissional aos portadores de diploma de Bacharel em Ciências Contábeis ou diploma/certificado de Técnico em Contabilidade, devidamente registrado, fornecido por estabelecimento de ensino, ou certidão de inteiro teor expedida por órgão competente. § 2º Registro Definitivo Transferido é o concedido pelo CRC da jurisdição do novo domicílio profissional ao portador de Registro Definitivo Originário. § 3º Registro Provisório é o concedido pelo CRC da respectiva jurisdição ao requerente formado no curso de Ciências Contábeis ou de Técnico em Contabilidade que ainda não esteja de posse do diploma ou certificado registrado no órgão competente. § 4º Registro Provisório Transferido é o concedido pelo CRC da jurisdição do novo domicílio profissional ao portador de Registro TÓPICO 5 | CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE E CONSELHOS REGIONAIS DE CONTABILIDADE 63 Provisório. § 5º Registro Secundário é o concedido por CRC de jurisdição diversa daquela onde o Contabilista possua Registro Definitivo Originário, Definitivo Transferido, Provisório ou Provisório Transferido, sem alteração do seu domicílio profissional. (ARTIGO 3º, RESOLUÇÃO CFC nº 1.167, DE 27/03/2009). Outra questão importante a salientar é que os profissionais podem ter seu registro profissional cancelado em função de três situações, conforme consta no artigo 22 da Resolução 1.167/09: I- falecimento do Contabilista; II- aplicação de penalidade de cancelamento do Registro Profissional transitada em julgado; e III- apresentação de documentos falsos, quando estes forem exigidos para a concessão do Registro Profissional, apurado por processo administrativo transitado em julgado. Nestes três casos, o profissional terá seu registro profissional cancelado. No caso de falecimento, os débitos existentes são cancelados automaticamente. Para o profissional (contador ou técnico em contabilidade) que por algum motivo não tenha mais a intenção de atuar na área, portanto, quando ocorrer a interrupção ou cessação de suas atividades na área contábil, o mesmo deve solicitar a baixa do seu registro. Solicitando a baixa, o profissional não necessita pagar a anuidade, caso contrário, a anuidade continuará sendo cobrada, mesmo que o profissional não esteja atuando. (Artigo 27 da Resolução 1.167/09). O profissional não poderá constar como sócio, titular ou responsável técnico de organização contábil ativa estando com registro profissional baixado. Salienta-se que o artigo 32 da mesma resolução trata sobre a suspensão do registro profissional: Suspensão é a cessação temporária da habilitação para o exercício da atividade profissional, decorrente da aplicação de penalidade transitada em julgado ou por decisão judicial, cuja contagem de prazo se dará nos termos da normatização vigente. (RESOLUÇÃO nº 1.167/09). Em decorrência de processo instaurado no Conselho e após a decisão de suspensão, o mesmo deve fazer o depósito de sua carteira de identidade profissional e a partir desse momento começará a contar o prazo de suspensão. 64 UNIDADE 1 | ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL LEITURA COMPLEMENTAR Artigos 76 e 77 da Lei nº 12.249/10, que alteraram alguns artigos do Decreto-Lei nº 9.295/46 Art. 76. Os arts. 2º, 6º, 12, 21, 22, 23 e 27 do Decreto-Lei nº 9.295, de 27 de maio de 1946, passam a vigorar com a seguinte redação, renumerado-se o parágrafo único do art. 12 para § 1º: “Art. 2º A fiscalização do exercício da profissão contábil, assim entendendo-se os profissionais habilitados como contadores e técnicos em contabilidade será exercida pelo Conselho Federal de Contabilidade e pelos Conselhos Regionais de Contabilidade a que se refere o art. 1º.” (NR) “Art. 6º .......................................................................... f) “regular acerca dos princípios contábeis, do Exame de Suficiência, do cadastro de qualificação técnica e dos programas de educação continuada; e editar Normas Brasileiras de Contabilidade de natureza técnica e profissional.” (NR) “Art. 12. Os profissionais a que se refere este Decreto-Lei somente poderão exercer a profissão após a regular conclusão do curso de Bacharelado em Ciências Contábeis, reconhecido pelo Ministério da Educação, aprovação em Exame de Suficiência e registro no Conselho Regional de Contabilidade a que estiverem sujeitos. § 1º ............................................................................... § 2º Os técnicos em contabilidade já registrados em Conselho Regional de Contabilidade e os que venham a fazê-lo até 1º de junho de 2015 têm assegurado o seu direito ao exercício da profissão.” (NR) “Art. 21. Os profissionais registrados nos Conselhos Regionais de Contabilidade são obrigados ao pagamento da anuidade. ............................................................................................. § 2º As anuidades pagas após 31 de março serão acrescidas de multa, juros de mora e atualização monetária, nos termos da legislação vigente. § 3º Na fixação do valor das anuidades devidas ao Conselho Federal e aos Conselhos Regionais de Contabilidade, serão observados os seguintes limites: I - R$ 380,00 (trezentos e oitenta reais), para pessoas físicas; II - R$ 950,00 (novecentos e cinquenta reais), para pessoas jurídicas. § 4º Os valores fixados no §3º deste artigo poderão ser corrigidos anualmente pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - IPCA, calculado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE.” (NR) “Art. 22. Às empresas ou a quaisquer organizações que explorem ramo dos serviços contábeis é obrigatório o pagamento de anuidade ao Conselho Regional da respectiva jurisdição. § 1º A anuidade deverá ser paga até o dia 31 de março, aplicando-se, após essa data, a regra do § 2o do art. 21. ...................................................................................” (NR) “Art. 23. O profissional ou a organização contábil que executarem serviços contábeis em mais de um Estado são obrigados a comunicar previamente ao Conselho Regional de Contabilidade no qual são registrados o local onde 65 serão executados os serviços.” (NR)“Art. 27. As penalidades ético-disciplinares aplicáveis por infração ao exercício legal da profissão são as seguintes: a) multa de 1 (uma) a 10 (dez) vezes o valor da anuidade do exercício em curso aos infratores dos arts. 12 e 26 deste Decreto-Lei; b) multa de 1 (uma) a 10 (dez) vezes aos profissionais e de 2 (duas) a 20 (vinte) vezes o valor da anuidade do exercício em curso às empresas ou a quaisquer organizações contábeis, quando se tratar de infração dos arts. 15 e 20 e seus respectivos parágrafos; c) multa de 1 (uma) a 5 (cinco) vezes o valor da anuidade do exercício em curso aos infratores de dispositivos não mencionados nas alíneas a e b ou para os quais não haja indicação de penalidade especial; d) suspensão do exercício da profissão, pelo período de até 2 (dois) anos, aos profissionais que, dentro do âmbito de sua atuação e no que se referir à parte técnica, forem responsáveis por qualquer falsidade de documentos que assinarem e pelas irregularidades de escrituração praticadas no sentido de fraudar as rendas públicas; e) suspensão do exercício da profissão, pelo prazo de 6 (seis) meses a 1 (um) ano, ao profissional com comprovada incapacidade técnica no desempenho de suas funções, a critério do Conselho Regional de Contabilidade a que estiver sujeito, facultada, porém, ao interessado a mais ampla defesa; f) cassação do exercício profissional quando comprovada incapacidade técnica de natureza grave, crime contra a ordem econômica e tributária, produção de falsa prova de qualquer dos requisitos para registro profissional e apropriação indevida de valores de clientes confiados a sua guarda, desde que homologada por 2/3 (dois terços) do Plenário do Tribunal Superior de Ética e Disciplina; g) advertência reservada, censura reservada e censura pública nos casos previstos no Código de Ética Profissional dos Contabilistas elaborado e aprovado pelos Conselhos Federal e Regionais de Contabilidade, conforme previsão do art. 10 do Decreto-Lei nº 1.040, de 21 de outubro de 1969.” (NR) Art. 77. O Decreto-Lei nº 9.295, de 27 de maio de 1946, passa a vigorar acrescido do seguinte art. 36-A: “Art. 36-A. Os Conselhos Federal e Regionais de Contabilidade apresentarão anualmente a prestação de suas contas aos seus registrados.” FONTE: Disponível em: <http://www.crcsp.org.br/portal_novo/legislacao_contabil/resolucoes/ Lei12249.htm>. Acesso em: 6 out. 2011. 66 RESUMO DO TÓPICO 5 Neste tópico, você viu que: • O Conselho Federal de Contabilidade é uma Autarquia Especial Corporativa, criado pelo Decreto-Lei nº 9.295/46. É constituído por um representante de cada Conselho Regional de Contabilidade, considerando cada Estado e o Distrito Federal, em um total de 27. • O Conselho Federal de Contabilidade tem por finalidade orientar, normatizar e fiscalizar o exercício da profissão contábil, por meio dos Conselhos Regionais de Contabilidade, cada um em sua base jurisdicional, nos Estados e no Distrito Federal. Também tem a função de decidir, em última instância, os recursos de penalidade imposta pelos Conselhos Regionais, além de regular acerca dos princípios contábeis, do cadastro de qualificação técnica e dos programas de educação continuada, bem como editar Normas Brasileiras de Contabilidade de natureza técnica e profissional. • A composição do CFC e dos Conselhos Regionais obedece a proporção de 2/3 (dois terços) de contadores e 1/3 (um terço) de técnicos em contabilidade, que são eleitos para um mandato de 4 (quatro) anos, com renovação a cada dois anos, de forma alternada, por 1/3 (um terço) e 2/3 (dois terços). • Os Conselhos Regionais de Contabilidade tem a finalidade de fiscalizar o exercício da profissão e efetuar o registro dos profissionais e das empresas de serviços contábeis. • O plenário dos Conselhos Regionais de Contabilidade é composto por 27 conselheiros efetivos e 27 conselheiros suplentes, observada a proporção de 2/3 (dois terços) de contadores e 1/3 (um terço) de técnicos em contabilidade. • O exame de suficiência tornou-se obrigatório a partir de 2011, por meio da Lei nº 12.249/10, para os profissionais da contabilidade como requisito para a obtenção do registro profissional. • Para os técnicos em contabilidade já registrados em Conselho Regional de Contabilidade e os que venham a fazê-lo até 1° de junho de 2015 têm assegurado seu direito ao exercício da profissão, conforme a Lei nº 12.249/10. • A Resolução CFC nº 1.167/09 aborda o registro profissional dos contabilistas, que pode ser: registro definitivo originário, definitivo transferido, provisório, provisório transferido e secundário. • O profissional da contabilidade que por algum motivo deixar de atuar na profissão deve solicitar a baixa do seu registro. 67 AUTOATIVIDADE Responda às questões com base na legislação profissional. 1 Qual é a lei de regência da profissão contábil? 2 Quais são as categorias profissionais da contabilidade existentes atualmente? 3 Quais são as principais atribuições dos conselhos regionais de contabilidade? 4 Quais são os tipos de registro profissional? 5 Em que consiste o registro secundário, originário e transferido? 6 Em que casos se dá o cancelamento do registro profissional? 7 Em que casos se dá a baixa do registro profissional? 8 Cite as penalidades aplicadas aos infratores da legislação profissional. (ética e disciplinar). 68 UNIDADE 1 | ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL 69 TÓPICO 6 NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE PROFISSIONAIS UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO Neste tópico é abordada a estrutura das Normas Brasileiras de Contabilidade, que são classificadas em profissionais e técnicas. Serão tratadas apenas as profissionais, sendo que as técnicas não serão objeto de estudo deste livro. Ressalta-se que a Resolução CFC nº 1.329, de 18 de março de 2011, trouxe alterações nas siglas e numerações de normas, interpretações e comunicados técnicos. No texto a seguir, os títulos são apresentados com a denominação atual, porém após se menciona a designação anterior. 2 ESTRUTURA DAS NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE A Resolução CFC nº 1.328, de 18 de março de 2011, dispõe sobre a estrutura das Normas Brasileiras de Contabilidade. Essa resolução foi publicada tendo em vista, principalmente o processo de convergência das Normas Brasileiras de Contabilidade aos padrões internacionais, bem como atualização e edição de novas normas, além da redefinição e revisão da atual estrutura das Normas Brasileiras de Contabilidade, de maneira que a mesma se apresente alinhada e convergente aos padrões internacionais. De acordo com o artigo 2º dessa Resolução, “As Normas Brasileiras de Contabilidade classificam-se em Profissionais e Técnicas.” Ainda de acordo com o parágrafo único deste artigo, as “Normas Brasileiras de Contabilidade, sejam elas Profissionais ou Técnicas, estabelecem preceitos de conduta profissional e padrões e procedimentos técnicos necessários para o adequado exercícioprofissional.” (Resolução CFC nº 1.328/11). 70 UNIDADE 1 | ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL Portanto, as Normas Brasileiras de Contabilidade podem ser Profissionais e Técnicas e apresentam, respectivamente, a seguinte denominação NBC P e NBC T. O artigo 3º determina que as Normas Brasileiras de Contabilidade Profissionais se estruturam conforme segue: I – Geral – NBC PG – são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas indistintamente a todos os profissionais de Contabilidade; II – do Auditor Independente – NBC PA – são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas, especificamente, aos contadores que atuam como auditores independentes; III – do Auditor Interno – NBC PI – são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas especificamente aos contadores que atuam como auditores internos; IV – do Perito – NBC PP – são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas especificamente aos contadores que atuam como peritos contábeis. (Resolução CFC 1.328/11). NOTA Caro(a) Acadêmico(a)! Tendo em vista que as Normas Brasileiras de Contabilidade Técnicas não são objeto desse estudo, e a sua estrutura consta no artigo 4º da Resolução CFC 1.328/11, sugiro a leitura do referido artigo desta Resolução, no site do CFC, resoluções. Disponível em: <http://www.cfc.org.br>. 3 NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE PROFISSIONAIS – NBC P Neste item, abordaremos as principais Normas Brasileiras de Contabilidade Profissionais relativas ao auditor interno e independente, perito, educação continuada e exame de qualificação técnica para registro no Cadastro Nacional de auditores Independentes (CNAE). 3.1 NORMAS PROFISSIONAIS DE AUDITOR INDEPENDENTE - NBC PA (A Resolução CFC nº 1.329/11 alterou a sigla e a numeração desta Norma de NBC P1 para NBC PA). As Normas Profissionais de Auditor Independente estão disponíveis na Resolução CFC 821/97, que está dividida em 12 itens, porém alguns foram TÓPICO 6 | NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE PROFISSIONAIS 71 modificados por outras resoluções, que serão devidamente evidenciadas: 1.1.1) Competência técnico-profissional – evidencia que o profissional deve manter-se sempre atualizado, em especial com relação à área de auditoria. A resolução determina que: O contador, na função de auditor independente, deve manter seu nível de competência profissional pelo conhecimento atualizado dos Princípios Fundamentais de Contabilidade e das Normas Brasileiras de Contabilidade, das técnicas contábeis, especialmente na área de auditoria, da legislação inerente à profissão, dos conceitos e técnicas administrativas e da legislação específica aplicável à entidade auditada. (RESOLUÇÃO nº 821/97). 1.1.2) Independência – refere-se à capacidade da empresa de auditoria para emitir relatórios ou pareceres de auditoria de forma imparcial, sem a influência de Terceiros. “Entende-se como independência o estado no qual as obrigações ou os interesses da entidade de auditoria são, suficientemente, isentos dos interesses das entidades auditadas para permitir que os serviços sejam prestados com objetividade”. (Resolução CFC nº 1.267/09). O item 1.2 e seus subitens, que trata sobre a independência foram revogados pela Resolução CFC nº 1.267/09, de 10 de dezembro de 2009. 1.1.3) Responsabilidade do Auditor na execução dos trabalhos – Em resumo, esse item explica que o auditor deve ter cuidado e zelo na realização de seus trabalhos e no momento de expor suas conclusões, além disso, deve ser imparcial ao emitir sua opinião sobre as demonstrações contábeis. Também não deve ser objetivo do exame das demonstrações contábeis a descoberta de fraudes, porém o mesmo deve considerar essa possibilidade. 1.1.4) Honorários – para estabelecer os honorários, o auditor deve fazer uma avaliação dos serviços, considerando alguns fatores, tais como: a) a relevância, o vulto, a complexidade, e o custo dos serviços a executar; b) o número de horas estimadas para a realização dos serviços; c) a peculiaridade de tratar-se de cliente eventual, habitual ou permanente; d) a qualificação técnica dos profissionais que irão participar da execução dos serviços; e e) o lugar em que os serviços serão prestados, fixando, se for o caso, como serão cobrados os custos de viagens e estadas. (RESOLUÇÃO CFC nº 821/97). Os honorários também devem estar documentados (carta-proposta ou documento equivalente), sendo elaborados antes do início da execução do trabalho. 1.1.5) Guarda da documentação – conforme a Resolução CFC nº 821/97, para fins 72 UNIDADE 1 | ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL de fiscalização do exercício profissional, o auditor deve conservar em boa guarda, pelo prazo de 5 (cinco) anos, a partir da data de emissão do seu parecer, toda a documentação, papéis de trabalho, relatórios e pareceres relacionados com os serviços realizados. 1.1.6) Sigilo – Esse item foi revogado pela Resolução CFC nº 1.100/07, de 30 de agosto de 2007. Contudo, o sigilo profissional do auditor independente deve ser observado nas seguintes relações: “entre o Auditor Independente e a entidade auditada; entre os Auditores Independentes; entre o Auditor Independente e os organismos reguladores e fiscalizadores; e entre o Auditor Independente e demais terceiros.” O auditor ainda deve observar que somente pode divulgar informações a terceiros sobre a entidade auditada ou trabalho realizado, quando autorizado por escrito pela administração da entidade. 1.1.7) Responsabilidade pela utilização do trabalho do Auditor interno – “A responsabilidade do auditor não será modificada, mesmo quando o contador, na função de auditor interno, contribuir para a realização dos trabalhos.” (RESOLUÇÃO CFC nº 821/97). 1.1.8) Responsabilidade pela utilização do trabalho de especialistas – Este item foi alterado pela Resolução CFC 1.023 de 15/04/2005. Nesta situação, o auditor pode utilizar especialistas para a evidência de seus trabalhos de auditoria. Segundo a Resolução CFC nº 1.023/05, “a expressão ‘especialista’ significa um indivíduo ou empresa que detenha habilidades, conhecimento e experiência em áreas específicas não relacionadas à contabilidade ou auditoria.” 1.1.9) Informações anuais aos Conselhos Regionais de Contabilidade – Até 30 de junho de cada ano, o auditor deve enviar informações ao CRC (sobre seus clientes, relação dos nomes do seu pessoal técnico, além da relação de clientes, cujos honorários representem mais de 10% do faturamento anual). As informações enviadas aos Conselhos serão resguardadas de sigilo. 1.1.10) Educação Continuada – O auditor independente deverá comprovar a participação em programa de educação continuada durante o exercício de sua atividade, regulamentado pelo CFC. 1.1.11) Exame de Competência Profissional – Para que o auditor independente possa exercer sua atividade deverá participar de exame de competência profissional, regulamentado pelo CFC. 1.1.12) Manutenção dos Líderes da Equipe de auditoria – a cada intervalo menor ou igual a cinco anos consecutivos as lideranças da equipe de trabalho de auditoria devem obedecer a uma rotação, que somente devem retornar à referida equipe após um intervalo mínimo de três anos. Esse rodízio tem por objetivo evitar que os mesmos profissionais de liderança permaneçam na equipe de auditoria de uma mesma entidade auditada, por um longo período. TÓPICO 6 | NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE PROFISSIONAIS 73 IMPORTANT E Caro(a) Acadêmico(a)! As resoluções que alteraram a Resolução CFC nº 821/97 são muito extensas e por esse motivo ficaria muito cansativa a apresentação das mesmas neste material, portanto, sugiro que façam download dos referidos arquivos para que possam fazer a leitura na integra dessas resoluções, observando suas alterações. Elas estão no site do CFC, resoluções. Disponível em: <http://www.cfc.org.br>.3.2 NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE - NBC PP – PERITO CONTÁBIL (A Resolução CFC nº 1.329/11 alterou a sigla e a numeração desta Norma de NBC P2 para NBC PP) A Resolução do CFC nº 1.244, de 10 de dezembro de 2009, aprova a NBC PP 01 do Perito Contábil. Essa norma determina procedimentos para os contadores que atuam na condição de perito. Conforme a referida Resolução, “perito é o contador regularmente registrado em Conselho Regional de Contabilidade, que exerce a atividade pericial de forma pessoal, devendo ser profundo conhecedor, por suas qualidades e experiências, da matéria periciada.” Essa Norma abrange os seguintes itens: 3.2.1. Competência profissional – é importante que o profissional mantenha um adequado nível de conhecimento da ciência contábil, das Normas Brasileiras de Contabilidade, além da Legislação relativa à profissão contábil e principalmente estar sempre atualizado com relação à atividade de perícia. 3.2.2. Habilitação profissional – A habilitação profissional deve ser comprovada pelo perito por meio de Declaração de Habilitação Profissional – DHP (A resolução CFC nº 871/ 00 aborda sobre a DHP). 3.2.3. Educação continuada – “O perito, no exercício de suas atividades, deve comprovar a participação em programa de educação continuada, na forma a ser regulamentada pelo Conselho Federal de Contabilidade.” (RESOLUÇÃO nº 1.244/09). 3.2.4. Independência – é importante que o perito evite interferências que possam constrangê-lo em seu trabalho. O mesmo não deve admitir que qualquer fato, pessoa ou situação possa comprometer sua independência na realização de sua atividade. 3.2.5. Impedimento e suspeição – São situações que podem impossibilitar o perito de exercer, regularmente, suas funções ou realizar suas atividades de pericia 74 UNIDADE 1 | ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL em processos judicial ou extrajudicial, assim como arbitral. O impedimento pode ser legal ou técnico-científico. O impedimento legal é quando o “perito-contador nomeado ou escolhido deve se declarar impedido quando não puder exercer suas atividades com imparcialidade e sem qualquer interferência de terceiros”. (RESOLUÇÃO nº 1.244/09) Também são exemplos de impedimento legal, as seguintes situações: a) for parte do processo; b) tiver atuado como perito contador contratado ou prestado depoimento como testemunha no processo; c) tiver mantido, nos últimos dois anos, ou mantenha com alguma das partes ou seus procuradores, relação de trabalho como empregado, administrador ou colaborador assalariado; d) tiver cônjuge ou parente, consangüíneo ou afim, em linha reta ou em linha colateral até o terceiro grau, postulando no processo ou entidades da qual esses façam parte de seu quadro societário ou de direção; e) tiver interesse, direto ou indireto, mediato ou imediato, por si, por seu cônjuge ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou em linha colateral até o terceiro grau, no resultado do trabalho pericial; f) exercer cargo ou função incompatível com a atividade de perito-contador, em função de impedimentos legais ou estatutários; g) receber dádivas de interessados no processo; h) subministrar meios para atender às despesas do litígio; e i) receber quaisquer valores e benefícios, bens ou coisas sem autorização ou conhecimento do juiz ou árbitro. (RESOLUÇÃO nº 1.244/09). O impedimento técnico-científico a ser declarado pelo perito “decorre da autonomia, estrutura profissional e da independência que devem possuir para ter condições de desenvolver de forma isenta o seu trabalho.” (RESOLUÇÃO nº 1.244/09). São motivos de impedimento técnico-científico: a) a matéria em litígio não ser de sua especialidade; b) a constatação de que os recursos humanos e materiais de sua estrutura profissional não permitem assumir o encargo; cumprir os prazos nos trabalhos em que o perito-contador for nomeado, contratado ou escolhido; ou em que o perito-contador assistente for indicado; c) ter o perito-contador da parte atuado para a outra parte litigante na condição de consultor técnico ou contador responsável, direto ou indireto em atividade contábil ou em processo no qual o objeto de perícia seja semelhante àquele da discussão, sem previamente comunicar ao contratante. (RESOLUÇÃO nº 1.244/09). A suspeição ocorre quando “após, nomeado, contratado ou escolhido verificar a ocorrência de situações que venham suscitar suspeição em função da sua imparcialidade ou independência e, desta maneira, comprometer o resultado do seu trabalho em relação à decisão.” (RESOLUÇÃO nº 1.244/09). 75 São alguns exemplos de suspeição: ser amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer das partes, ser parceiro, empregador ou empregado de alguma das partes, entre outros. 3.2.6. Sigilo – o perito deve manter o sigilo das informações que tenha tido acesso, sendo proibido divulgá-las, a não ser por decisão legal. Este dever permanece mesmo que o profissional tenha que se desligar do trabalho antes de tê-lo concluído. 3.2.7. Responsabilidade – no momento em que o perito aceita a execução de perícias contábeis judiciais e extrajudiciais, assim como arbitral, o mesmo deve conhecer as responsabilidades sociais, éticas, profissionais e legais a que está sujeito. 3.2.8. Zelo profissional – está relacionado com o cuidado que o perito deve realizar suas atividades, principalmente, em relação à sua conduta, documentos, prazos, tratamento as pessoas envolvidas, com o objetivo de realizar um trabalho com fé pública. 3.2.9. Esclarecimentos – “Em defesa de sua conduta técnica profissional, o perito deve prestar esclarecimentos sobre o conteúdo do laudo pericial contábil ou do parecer pericial contábil, em atendimento a determinação do juiz ou árbitro que preside o feito ou a pedido das partes.” (RESOLUÇÃO nº 1.244/09). 3.2.10. Utilização de trabalho de especialista – é possível a utilização de trabalho de especialistas em outras áreas, no caso em que a matéria-objeto da perícia assim o requeira. Neste caso, a responsabilidade pelo trabalho executado é do especialista que realizou a atividade determinada. 3.2.11. Honorários – Assim como na auditoria, a elaboração da proposta de honorários elaborada pelo perito deve considerar os seguintes fatores: a relevância, o vulto, o risco, a complexidade, a quantidade de horas, o pessoal técnico, o prazo estabelecido, a forma de recebimento e os laudos IMPORTANT E Caro(a) Acadêmico(a)! Da mesma forma que a Resolução CFC nº 821/97, a Resolução CFC nº 1.244/09 também é muito extensa, por esse motivo citamos os principais itens e apresentamos uma breve informação. Dessa forma, sugiro que façam download da referida resolução nº (1.244/09) e façam a sua leitura na integra. A mesma está no site do CFC, resoluções. Disponível em: <http://www.cfc.org.br>. 76 interprofissionais, entre outros fatores.3.3 NORMAS PROFISSIONAIS DO AUDITOR INTERNO - NBC PI (A Resolução CFC nº 1.329/11 alterou a sigla e a numeração desta Norma de NBC P3 para NBC PI) A Resolução CFC nº 781, de 24 de março de 1995, aprova as normas profissionais relacionadas ao auditor interno. Essa norma está dividida em seis itens: competência técnico-profissional, autonomia profissional, responsabilidade do auditor interno na execução dos trabalhos, relacionamento com profissionais de outras áreas, sigilo e cooperação com auditores independentes. A seguir, faremos um breve resumo sobre cada item, porém sempre lembrando sobre a importância de realizar a leitura na integra da resolução que aborda este assunto (Resolução CFC nº 781/95). 1.1.1) Competência Técnico-Profissional – Da mesma forma que o auditor independente e o perito, o auditor interno deve estar sempre atualizado com relação às Normas Brasileiras de Contabilidade, técnicas contábeis, legislação inerente a profissão, principalmente relacionadasà sua área de atuação. 1.1.2) Autonomia Profissional – o auditor interno deve sempre preservar a sua autonomia profissional, independente de sua posição funcional. 1.1.3) Responsabilidade do auditor interno na execução dos trabalhos – Este item está relacionado com a execução e conclusão dos seus trabalhos, que deve ser sempre realizado com cuidado, zelo e imparcialidade. A sua responsabilidade também está vinculada a sua área de atuação. Além disso, caso tenha uma equipe, estes devem ter capacidade e treinamento para executar as atividades. 1.1.4) Relacionamento com profissionais de outras áreas – é permitida a realização de atividades de forma compartilhada com profissionais de outras áreas, caso seja necessário. 1.1.5) Sigilo – Em nenhuma hipótese, o auditor interno deve divulgar informações que tomou conhecimento durante o seu trabalho para terceiros, sem que a Entidade autorize. O auditor interno deve manter o sigilo das informações após o término do vínculo empregatício ou contratual. 1.1.6) Cooperação com o auditor independente – O auditor interno deve apresentar seus papéis de trabalho ao auditor independente, quando o mesmo solicitar. 3.4 NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE – NBC PA 12 – EDUCAÇÃO PROFISSIONAL CONTINUADA (A Resolução CFC nº 1.329/11 alterou a sigla e a numeração desta Norma de NBC P4 para NBC PA 12) A Resolução CFC nº 1.146, de 12 de dezembro de 2008, aprova a nova redação da NBC PA 12 Educação Profissional Continuada. O objetivo desta 77 norma é regulamentar as atividades que os contadores com registro em Conselho Regional de Contabilidade (CRC), inscritos no Cadastro Nacional de Auditores Independentes (CNAI); aqueles com cadastro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM); aqueles que exercem atividades de auditoria nas instituições financeiras, nas sociedades seguradoras e de capitalização e em entidades abertas de previdência complementar; aqui denominados auditores independentes e os demais contadores que compõem o seu quadro funcional técnico devem cumprir com relação à Educação Profissional Continuada. Desta forma, os auditores, conforme descritos no parágrafo anterior devem buscar conhecimentos técnicos, com o objetivo de melhorar a qualidade de suas atividades de auditoria de demonstrações contábeis. Portanto, esses profissionais devem cumprir 96 pontos de Educação Profissional Continuada por triênio, conforme Tabela de Pontuação constante na Resolução CFC nº 1.146/08, a partir do Triênio 2009 a 2011. É obrigatório que seja feita a comprovação de no mínimo 20 pontos por ano, ou seja, não é possível fazer toda a pontuação em um único exercício. Cabe salientar que as entidades que exercem atividades de Educação Profissional Continuada recebem a denominação de capacitadoras. São consideradas capacitadoras segundo a Resolução: • Conselho Federal de Contabilidade (CFC); • Conselhos Regionais de Contabilidade (CRCs); • IBRACON - Instituto de Auditores Independentes do Brasil; • Instituições de Ensino Superior credenciadas pelo MEC; • instituições de especialização ou desenvolvimento profissional que ofereçam cursos ao público em geral; • federações, sindicatos e associações da classe contábil; • empresas de auditoria independente ou organizações contábeis que propiciem capacitação profissional; e • autoridades supervisoras. Das capacitadoras apresentadas o CFC, os CRCs, as federações, os sindicatos e as associações da classe contábil, o IBRACON, a CVM, a SUSEP, o BCB e as Instituições de Ensino Superior reconhecidas pelo MEC são capacitadoras natas, ou seja, por sua natureza não necessitam realizar nenhum tipo de registro. 3.5 NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILDADE NBC PA 13 – Normas sobre o Exame de Qualificação Técnica para Registro no Cadastro Nacional de Auditores Independentes (CNAI) do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) (A Resolução CFC nº 1.329/11 alterou a sigla e a numeração desta Norma de NBC P5 para NBC PA 13) 78 A Resolução nº 1.109, de 29 de novembro de 2007, aborda o Exame de Qualificação Técnica para registro no Cadastro Nacional de Auditores Independentes (CNAI) do Conselho Federal de Contabilidade. Esse exame tem por objetivo verificar o nível de conhecimento e a competência técnico-profissional exigida para atuação na área de Auditoria Independente. Este exame é um dos requisitos para que o contador faça sua inscrição no Cadastro Nacional dos Auditores Independentes (CNAI) do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) com o objetivo de atuar na área de auditoria independente. 79 RESUMO DO TÓPICO 6 Neste tópico, você estudou que: • As Normas Brasileiras de Contabilidade são classificadas em Profissionais e Técnicas, recebendo a denominação de NBC P e NBC T, respectivamente. • A resolução CFC nº 1.329, de 18 de março de 2011, trouxe alterações nas siglas e numerações de Normas, Interpretações e Comunicados Técnicos. • As Normas Brasileiras de Contabilidade se estruturam em: Geral – NBC PG (são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas indistintamente a todos os profissionais de Contabilidade), Auditor Independente – NBC PA (são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas, especificamente, aos contadores que atuam como auditores independentes), Auditor Interno – NBC PI (são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas especificamente aos contadores que atuam como auditores internos) e do Perito – NBC PP (são as Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas especificamente aos contadores que atuam como peritos contábeis). 80 AUTOATIVIDADE 1 Por qual período o auditor independente deve conservar a guarda dos documentos? Marque a alternativa CORRETA: a) ( ) Pelo prazo de 2 anos, a partir da data de emissão de seus parecer, de toda a documentação, papéis de trabalho, relatórios e pareceres relacionados com os serviços realizados. b) ( ) Pelo prazo de 3 anos, a partir da data de emissão de seus parecer, de toda a documentação, papéis de trabalho, relatórios e pareceres relacionados com os serviços realizados. c) ( ) Pelo prazo de 4 anos, a partir da data de emissão de seus parecer, de toda a documentação, papéis de trabalho, relatórios e pareceres relacionados com os serviços realizados. d) ( ) Pelo prazo de 5 anos, a partir da data de emissão de seus parecer de toda a documentação, papéis de trabalho, relatórios e pareceres relacionados com os serviços realizados. 2 O perito contador nomeado ou escolhido deve se declarar impedido quando não puder exercer suas atividades com imparcialidade e sem qualquer interferência de terceiros. Marque a situação que indica impedimento legal: a) ( ) Ser amigo íntimo de qualquer das partes. b) ( ) Ser inimigo capital de qualquer das partes. c) ( ) Tiver atuado como perito contador contratado ou prestado depoimento como testemunha no processo. d) ( ) Ser parceiro, empregador ou empregado de alguma das partes. e) ( ) Houver qualquer interesse no julgamento da causa em favor de alguma das partes. 3 Qual é a quantidade de pontos por triênio e por ano que o auditor independente deve comprovar para fins da educação profissional continuada? Marque a alternativa CORRETA: a) ( ) 5 pontos. b) ( ) 10 pontos. c) ( ) 15 pontos. d) ( ) 20 pontos. e) ( ) 25 pontos. 4 A seguir apresentam-se entidades que exercem atividades de Educação Profissional Continuada, que recebem a denominação de capacitadoras. Analise as alternativas e responda à questão a seguir. I – Conselho Federal de Contabilidade (CFC). II – IBRACON - Instituto de Auditores Independentes do Brasil. III – Instituições de especialização ou desenvolvimento profissional que ofereçam cursos ao público em geral. IV – Instituições de Ensino Superior credenciadas pelo MEC. V – Empresas de auditoria independente ou organizações contábeisque propiciem capacitação profissional. Dentre as alternativas apresentadas anteriormente, marque aquela que 81 apresenta apenas exemplo de capacitadoras natas: a) ( ) I, II e III. b) ( ) I, II e IV. c) ( ) I, III e IV. d) ( ) I, III e V. e) ( ) II, III e IV. 5 Com relação aos honorários que devem ser estabelecidos pelo auditor independente, o mesmo deve fazer uma avaliação dos serviços considerando alguns fatores. Partindo desse pressuposto, classifique V para as sentenças verdadeiras ou F para as falsas: ( ) Oferta ou disputa de serviços profissionais mediante a concorrência desleal. ( ) A relevância, o vulto, a complexidade e o custo dos serviços a executar. ( ) O número de horas estimadas para a realização dos serviços. ( ) O preço médio que está sendo praticado pelos concorrentes, podendo estabelecer valores até 20% (vinte por cento) abaixo dos valores referidos na tabela de honorários. ( ) A peculiaridade de tratar-se de cliente eventual, habitual ou permanente. Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) F – F – F – V – V. b) ( ) F – F – V – V – F. c) ( ) F – V – V – F – V. d) ( ) F – V – F – F – V. 6 O profissional que trabalha na área de perícia está sujeito a algumas situações de impedimento e suspeição. Associe os itens, utilizando o código a seguir: I – Impedimento legal. II – Impedimento técnico-científico. III – Suspeição. ( ) Ocorre quando o perito após, nomeado, contratado ou escolhido, verificar a ocorrência de situações que possam prejudicar sua imparcialidade ou independência, comprometendo o resultado do seu trabalho em relação à decisão, como por exemplo, no caso de ser amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer das partes. ( ) Decorre da autonomia, estrutura profissional e da independência que devem possuir para ter condições de desenvolver de forma isenta o seu trabalho. ( ) Decorre quando o perito não puder exercer suas atividades com imparcialidade e sem qualquer interferência de terceiros. Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) III – II – I. b) ( ) II – III – I. c) ( ) I – II – III. d) ( ) I – III – II. 82 83 UNIDADE 2 TERCEIRO SETOR OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS Esta unidade tem por objetivos: • verificar a importância do Terceiro Setor para a sociedade; • conhecer a classificação das entidades do Terceiro Setor; • identificar os aspectos legais e contábeis relacionados ao Terceiro Setor; • compreender a importância do profissional contábil para esse setor, assim como as principais legislações referentes ao Terceiro Setor; • verificar a importância da informação contábil e os procedimentos contábeis para as entidades do Terceiro Setor; • compreender a importância da prestação de contas e seus principais elementos. Para que possamos alcançar os objetivos propostos, passaremos por cinco tópicos nesta unidade que visam à compreensão dos conteúdos abordados. TÓPICO 1 – TERCEIRO SETOR TÓPICO 2 – ASPECTOS LEGAIS APLICADOS AO TERCEIRO SETOR TÓPICO 3 – A CONTABILIDADE APLICADA NO TERCEIRO SETOR TÓPICO 4 – A GESTÃO CONTÁBIL PARA ORGANIZAÇÕES DO TERCEIRO SETOR TÓPICO 5 – PRESTAÇÃO DE CONTAS 84 85 TÓPICO 1 TERCEIRO SETOR UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Neste tópico, o tema abordado é o Terceiro Setor, porém antes de falar no seu conceito, é importante também falar de outros dois setores (o primeiro e o segundo). Neste tópico, falaremos ainda da classificação das entidades do Terceiro Setor, das titulações e certificações e a questão do lucro. 2 CONCEITO O panorama econômico atual apresenta três setores distintos, que auxiliam na movimentação da economia e permitem o crescimento da sociedade, que são o primeiro, segundo e o terceiro setor. (ARAÚJO, 2009). O primeiro setor é representado pelo Estado, ou organizações governamentais, que são constituídas segundo Tachizawa (2007) por órgãos da administração direta (federal, estadual e municipal), além de órgãos da administração indireta, empresas públicas e sociedades de economia mista. Suas características são as seguintes: • Recursos oriundos dos tributos e de financiamentos. • Aplicação integral destes recursos na infraestrutura e no bem-estar da sociedade, além das demais funções inerentes ao Estado. Portanto, a atividade do estado, conforme Araujo (2009, p. 1) tem por “objetivo cumprir com suas finalidades básicas”. Já o segundo setor é representado pelas sociedades, ou seja, empresas privadas. Estas por sua vez possuem as seguintes características: • Visam o lucro. • Recursos oriundos da própria atividade (operação) e de financiamentos. UNIDADE 2 | TERCEIRO SETOR 86 • Aplicação do resultado (lucro), observada a Lei das S. A., distribuído aos investidores, enquanto que para as limitadas, conforme designação dos sócios. O terceiro setor, que é o objeto de estudo deste tópico é representado pelas entidades sem fins lucrativos. Entre suas características, destacamos as seguintes: • Não visam ao lucro. • Recursos oriundos da própria atividade, de doações (governo ou sociedade) e de financiamentos. • Aplicação integral destes recursos na própria atividade que foi instituída, de acordo com o estatuto. • Não distribui o resultado aos associados. Desta forma, a diferença entre as empresas e as entidades do Terceiro Setor pode ser resumida conforme segue: Empresa => o desempenho se relaciona à lucratividade. Entidades do Terceiro Setor => servem a uma causa (missão). É possível perceber que uma das principais diferenças entre as empresas (segundo setor) e as entidades do Terceiro Setor está na questão do lucro. ESTUDOS FU TUROS Caro(a) acadêmico(a)! A questão do lucro nas entidades do Terceiro Setor será abordada novamente no item 4, desse Tópico 1. Contudo, para Parceiros Voluntários (2009), quando se conceitua o Terceiro Setor em relação aos outros dois, essa é uma definição insuficiente e não aborda aspectos fundamentais que caracterizam o Terceiro Setor. Diante disso, Parceiros Voluntários (2009) apresenta um conceito com base em um estudo realizado entre o Centro de Estudos da Sociedade Civil da Universidade Johns Hopkins e o Departamento de Estatística da ONU conforme segue: O Terceiro Setor ou setor não lucrativo é definido como formado por (a) organizações que (b) são sem fins lucrativos e que, por lei, não distribuem qualquer excedente que possa ser gerado para seus donos ou controladores; (c) são institucionalmente separadas do governo, (d) são autogeridas e (e) não compulsórias. (PARCEIROS VOLUNTÁRIOS, 2009, p. 11) Mais uma vez, o conceito faz menção ao fato dessas entidades não possuírem fins lucrativos, ou seja, não fazem distribuição de lucros. TÓPICO 1 | TERCEIRO SETOR 87 Ainda sobre o conceito do Terceiro Setor, apresentamos outros conceitos que abordam essa questão. Fernandes (2005) resume-o no seguinte conceito: Terceiro Setor é composto de organizações sem fins lucrativos, criadas e mantidas pela ênfase na participação voluntária, num âmbito não governamental, dando continuidade às práticas tradicionais da caridade, da filantropia e do mecenato e expandindo o seu sentido para outros domínios, graças, sobretudo à incorporação do conceito de cidadania e de suas múltiplas manifestações na sociedade civil. (FERNANDES, 2005, p. 27). É importante, caro(a) acadêmico(a), que você entenda o que significam essas três palavras mencionadas no conceito de Fernandes (2005), que são caridade, filantropia e mecenato. Caridade está relacionada com a memória religiosa medieval e dá ênfase ao aspecto da doação, filantropia contrapõe-se à caridade religiosa, enquanto mecenato é o apoio generoso às artes e ciências. (IOSCHPE, 2000, p. 26 apud ARAUJO, 2009,p. 2 grifo nosso). Para Kisil (2005) há generalizações para o Terceiro Setor, mencionando que existe uma grande variedade de organizações que estão colocadas sobre o mesmo rótulo. Kisil (2005) menciona ainda que o “termo ‘organização não governamental’, ou ONG, cobre uma variedade de organizações muito diferentes, como sindicatos, instituições religiosas, fundações, partidos políticos, organizações esportivas e grupos comunitários, até organizações de desenvolvimento”. Comparando as entidades do Terceiro Setor com outros tipos, Kisil (2005) menciona algumas características, que já foram citadas no início deste tópico, que são: • não possuem fins lucrativos, sendo organizações voluntárias; • de maneira total ou parcial, são formadas por pessoas que se organizam voluntariamente; • os integrantes do corpo técnico normalmente são profissionais com forte comprometimento com o social, além de se identificarem com a organização por razões filosóficas; • são organizações orientadas para a ação e geralmente são próximas às comunidades; • são organizações que fazem a ligação entre o cidadão comum e as entidades que podem participar na solução dos problemas que essas organizações defendem. Ainda com relação às características do Terceiro Setor, apresenta-se o quadro a seguir, conforme Olak e Nascimento (2009): UNIDADE 2 | TERCEIRO SETOR 88 QUADRO 12 – CARACTERÍSTICAS DO TERCEIRO SETOR Características do Terceiro Setor 1. Objetivos institucionais Provocar mudanças sociais. 2. Principais fontes de recursos finan- ceiros e materiais Doações, subvenções e prestação de ser- viços comunitários. 3. Lucro Meio para atingir os objetivos institucio- nais e não um fim. 4. Patrimônio/Resultados Não há participação/distribuição aos provedores. 5. Aspectos sociais e tributários Normalmente são imunes ou isentas. 6. Mensuração do Resultado Social Difícil de ser mensurado monetária e economicamente. FONTE: Adaptado de: Olak e Nascimento (2009, p. 7). O quadro resume alguns pontos importantes sobre as características do terceiro setor, abordando os objetivos dessas entidades, suas principais fontes de recursos, a questão do lucro, seu patrimônio e resultados, aspectos sociais e tributários, além da dificuldade de mensurar monetariamente e economicamente o resultado social. 3 CLASSIFICAÇÃO DAS ENTIDADES DO TERCEIRO SETOR O Código Civil Brasileiro (Lei nº 10.406) em seu art. 44 estabelece que são pessoas jurídicas de direito privado: I – As Associações II – As sociedades III – As Fundações IV – As Organização Religiosas V – Os Partidos Políticos Dentre essas, as formas mais comuns de organizações que podem ser constituídas como organizações do Terceiro Setor são as associações ou fundações. A seguir apresentamos algumas regras definidas pelo Código Civil com relação às associações e fundações. TÓPICO 1 | TERCEIRO SETOR 89 IMPORTANT E Associações e Fundações são consideradas as formas mais comuns de organizações do Terceiro Setor. 3.1 ASSOCIAÇÕES O art. 53 do Código Civil estabelece que “constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos.” E em seu parágrafo único menciona que “Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos.” No art. 54 consta que o estatuto das associações deve conter: I - a denominação, os fins e a sede da associação; II - os requisitos para a admissão, demissão e exclusão dos associados; III - os direitos e deveres dos associados; IV - as fontes de recursos para sua manutenção; V – o modo de constituição e de funcionamento dos órgãos deliberativos; VI - as condições para a alteração das disposições estatutárias e para a dissolução. VII – a forma de gestão administrativa e de aprovação das respectivas contas. (Lei nº 10.406. Código Civil) Conforme Araújo (2009) para a constituição de uma associação é necessário: a) assembleia geral de criação da organização; b) aprovação dos estatutos; c) eleição dos membros da diretoria; d) posse dos membros da diretoria; e) lavratura das atas das reuniões e f) registro dos atos constitutivos. No caso da dissolução de uma associação deve ser obedecido o que consta no artigo 61 do Código Civil, que menciona o que segue: [...] dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas as cotas ou frações do patrimônio da associação, será destinada no estatuto à outra associação ou organização assemelhada. Portanto, no Código Civil constam as regras para criação, funcionamento e dissolução das associações. UNIDADE 2 | TERCEIRO SETOR 90 3.2 FUNDAÇÕES Segundo Szazi (2003, p. 37), as fundações caracterizam-se por ser “um patrimônio destinado a servir, sem intuito de lucro, a uma causa de interesse público determinada, que adquire personificação jurídica por seu instituidor”. Além disso, Araújo (2009) menciona que uma fundação pode ser por iniciativa individual, não sendo necessária a reunião de várias pessoas para constituí-la. O Código Civil também aborda regras para a constituição, alteração do estatuto e extinção de uma fundação, entre outros. A constituição das fundações consta no artigo 62 do Código Civil na qual estabelece que: [...] o instituidor fará por meio de escritura pública ou testamento dotação especial de bens especificando o fim a que se destina. Além disso, em seu parágrafo único consta que somente poderão ser constituídas para fins religiosos, morais, culturais ou de assistência. Salientamos, ainda que o controle e fiscalização das fundações é de responsabilidade do Ministério Público. A extinção de uma Fundação consta no artigo 69 do Código Civil, e isso acontece “Nos casos de tornar-se ilícita a atuação, ou vencido o prazo de existência, o Ministério Público ou qualquer interessado promoverá a sua extinção e destinando o patrimônio à outra fundação, por determinação do juiz, observado as disposições em contrário.” Desta forma, percebe-se que a fundação é constituída por escritura pública ou testamento, com base em um patrimônio inicial apresentado pelo instituidor. Araújo (2009) esclarece ainda que após a destinação dos bens, é preciso o registro efetivo da fundação, que acontece após a aprovação do estatuto pelo Ministério Público, que passa pelo Cartório de Notas para escritura de sua instituição, seguido de registro dessa escritura em Cartório de Registro de Pessoa Jurídica. Logo após acontecem os registros nos demais órgãos públicos. Os dois próximos itens, que são Organizações Sociais (OS) e Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) são titulações concedidas às organizações do Terceiro Setor, ou seja, para associações e fundações. Faz- se necessária essa referência, pois atualmente essas denominações são muito utilizadas e podem ocorrer alguns equívocos com relação à terminologia. TÓPICO 1 | TERCEIRO SETOR 91 IMPORTANT E Caro(a) Acadêmico(a)! É importante entender que associações e fundações são organizações do Terceiro Setor, ou seja, possuem personalidade jurídica, enquanto que Organizações Sociais (OS) e Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) são titulações concedidas para essas associações e fundações, e não uma nova forma de organização do Terceiro Setor. 4 TITULAÇÕES E CERTIFICAÇÕES ENTIDADES DO TERCEIRO SETOR 4.1 ORGANIZAÇÕES SOCIAIS – OS Segundo Araújo (2009, p. 20) organização Social é “uma organização do terceiro setor (associação ou fundação), cuja função social é cumprida com o apoio do estado.” A Lei nº 9.637, de 15 de maio de 1998, aborda sobre as Organizações Sociais. A sua existência é atrelada à concessão de título público (Título de Organização Social), que é concedido pelo Estado mediante o cumprimento de condições impostas por ele. Portanto, não se constitui em uma nova categoriade organizações do terceiro setor. Olak e Nascimento (2009, p. 17) mencionam que “podem ser classificadas como organizações sociais as pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, cujas atividades sejam dirigidas ao ensino, à pesquisa científica, ao desenvolvimento tecnológico, à preservação do meio ambiente, à cultura e à saúde.” 4.2 ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL DE INTERESSE PÚBLICO (OSCIP) A Lei nº 9.790, de 23 de março de 1999, dispõe sobre a qualificação de pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), além de instituir e disciplinar o termo de parceria e outras providências. O artigo 3º da referida lei, estabelece que: a qualificação instituída por essa lei, somente será conferida às pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, cujos objetivos sociais tenham pelo menos uma das seguintes finalidades: UNIDADE 2 | TERCEIRO SETOR 92 I - promoção da assistência social; II - promoção da cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico e artístico; III - promoção gratuita da educação, observando-se a forma complementar de participação das organizações de que trata esta Lei; IV - promoção gratuita da saúde, observando-se a forma complementar de participação das organizações de que trata esta Lei; V - promoção da segurança alimentar e nutricional; VI - defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção do desenvolvimento sustentável; VII - promoção do voluntariado; VIII - promoção do desenvolvimento econômico e social e combate à pobreza; IX - experimentação, não lucrativa, de novos modelos sócio-produtivos e de sistemas alternativos de produção, comércio, emprego e crédito; X - promoção de direitos estabelecidos, construção de novos direitos e assessoria jurídica gratuita de interesse suplementar; XI - promoção da ética, da paz, da cidadania, dos direitos humanos, da democracia e de outros valores universais; XII - estudos e pesquisas, desenvolvimento de tecnologias alternativas, produção e divulgação de informações e conhecimentos técnicos e científicos que digam respeito às atividades mencionadas neste artigo. (ARTIGO 3º LEI Nº 9.790/99). Parágrafo único - a dedicação às atividades nele previstas configura-se mediante a execução direta de projetos, programas, planos de ações correlatas, por meio da doação de recursos físicos, humanos e financeiros, ou ainda pela prestação de serviços intermediários de apoio a outras organizações sem fins lucrativos e a órgãos do setor público que atuem em áreas afins. Esta lei apresenta ainda um novo instrumento jurídico, denominado: Termo de Parceria, que significa um instrumento firmado entre o Poder Público e as entidades qualificadas como Organizações da Sociedade Civil de Interesse público com a finalidade de formar um vínculo de cooperação entre as partes para o fomento e a execução das atividades de interesse público, que estão previstas no artigo 3º dessa Lei, mencionado anteriormente. (OLAK e NASCIMENTO, 2009). O quadro a seguir, demonstra algumas características das Organizações Sociais (OS) e das Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP): QUADRO 13 – CARACTERÍSTICAS DAS ORGANIZAÇÕES SOCIAIS (OS) E DAS ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL DE INTERESSE PÚBLICO (OSCIP) Organizações Sociais (OS) Organizações da Sociedade Civil de Inte- resse Público (OSCIP) Criada pela Lei nº 9.637/98. Criada pela Lei nº 9.790/99. Não tem fins lucrativos, são de di- reito privado, com objetivos simila- res. Não tem fins lucrativos, são de direito pri- vado, com objetivos similares. TÓPICO 1 | TERCEIRO SETOR 93 FONTE: Adaptado de: Araujo (2009) e Olak e Nascimento (2009). Podem se beneficiar de recursos públicos. Podem se beneficiar de recursos públicos. Não significa uma nova forma, ou um novo tipo de organização do terceiro setor, mas um título confe- rido por um ato formal de reconhe- cimento do poder público. São organizações do terceiro setor que, por intermédio da lei, relacionam-se com o Es- tado por meio de termo de parceria, ou seja, são organizações parceiras do Estado. O contrato de gestão é que regula- menta as relações com o poder Pú- blico. A OS tem a gestão de certo patrimônio público que é cedido pelo Estado. O Termo de Parceria é o instrumento firma- do com o Poder Público. Indica que recur- sos públicos podem ser destinados a uma entidade, mas a gestão do patrimônio não deve ter ingerência do Poder Público. Percebemos pelo quadro anterior que existem algumas semelhanças, porém não são a mesma coisa, além disso, lembramos que ambas são qualificações ou titulações para organizações do Terceiro Setor. NOTA A seguir são apresentadas outras certificações que estão previstas na legislação brasileira, entre elas Declaração de Utilidade Pública Federal (UPF), Registro no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) e Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS). Além das OSCIP e OS existem outras certificações e titulações previstas na Legislação brasileira, tais como: • Título de Utilidade Pública Federal É uma certificação vinculada ao exercício predominante de atividades de educação, pesquisa científica, culturais ou filantrópicas. (GIFE, 2009). Em nível federal, a declaração de utilidade pública federal é regulamentada pela Lei nº 91, de 28 de agosto de 1935, o Decreto nº 50.517, de 2 de maio de 1961 e Lei nº 6.639, de 8 de maio de 1979 e Decreto nº 60.931, de 4 de julho de 1967. Esse título é concedido pelo Ministério da Justiça. Segundo o Sindicato das Instituições Beneficentes, Filantrópicas e Religiosas do Estado de SP – SINBFIR (2011), as entidades que obtêm o título de UNIDADE 2 | TERCEIRO SETOR 94 utilidade pública federal podem obter os seguintes benefícios federais: - certificado de Fins Filantrópicos junto ao Conselho Nacional de Assistência Social; - isenção do recolhimento da quota patronal para o INSS; - gozo das isenções das contribuições sociais; - possibilidade de receber benefícios e subvenções da União; - permitir às pessoas físicas e jurídicas a dedução no Imposto de Renda de doações sem nome da entidade; - realização de sorteios autorizados pelo Ministério da Fazenda. • Título de Utilidade Pública Estadual Esse título é conferido pelo Estado e está previsto em legislação específica de cada Estado. • Título de Utilidade Pública Municipal Esse título depende de cada município, que fará a elaboração de uma lei para a concessão do mesmo. • Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) - As organizações sem fins lucrativos que atuem especificamente nas áreas da saúde, educação e/ou assistência social, conforme definido no art. 1º da Lei nº 12.101/09 podem obter esse certificado, que é concedido pela União. Art. 1º A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (Lei nº 12.101/2009). A conceituação e abrangência destas áreas são apresentadas na Constituição Federal, conforme segue: Capítulo III – Educação, seção I: Art. 205 – Educação, direito de todos e dever do estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Capítulo II – Saúde, seção II: Art. 196 – A saúde é direito de todos e dever do estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem àredução do risco de doenças e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. Capítulo II – Assistência Social, seção IV: TÓPICO 1 | TERCEIRO SETOR 95 Art. 203 - A assistência social será prestada a quem dela necessitar independente de contribuição à seguridade social. E tem por objetivos: I- a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice; II - amparo às crianças e adolescentes carentes; III - promoção a integração ao mercado de trabalho; IV - a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária; A seguir, destacam-se alguns itens que uma organização que possui o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) está obrigada: a) possuir declaração de Utilidade Pública Federal; b) possuir registro no Conselho Nacional de Assistência Social; c) estar inscrita no Conselho de Assistência Social do município, estado ou Distrito Federal da sede; d) comprovar atuação em assistência social, educação, saúde ou defesa de direitos dos beneficiários da Lei Orgânica de Assistência Social - LOAS; e) comprovar a não remuneração dos cargos deliberativos, consultivos ou fiscais; entre outros. (GIFE, 2009). A Legislação relativa ao Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) que as entidades devem obedecer é a constante nas seguintes legislações: • Lei Orgânica da Saúde – Lei nº 8.080/90 • Lei da Seguridade Social – Lei nº 8.212/91 e Decreto nº 3.048/1999 • Lei Orgânica da Assistência Social – Lei nº 8.742/93 • Decreto nº 6.308/2007 – Entidades e organizações de assistência social • Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009 • Decreto nº 7.237, de 20 de julho de 2010 • Demais portarias, resoluções e instruções normativas. 5 A QUESTÃO DO LUCRO NO TERCEIRO SETOR Neste ponto faremos uma abordagem sobre a questão do lucro no terceiro setor. Para Hudson (1999, p. 1) apud Araújo (2009, p. 5) “as organizações participantes do terceiro setor possuem duas características que as diferem das demais: não distribuem lucro, como fazem as organizações pertencentes ao setor privado, nem estão sujeitas ao controle estatal, como as organizações do setor público.” Vamos conversar neste momento sobre a questão do lucro, que é objeto deste item, porém não a finalidade para as entidades do terceiro setor. O fato de não distribuir lucros indica que essas entidades não devem obter benefícios financeiros, sendo que o termo lucro deve ser substituído por superávit ou no caso de prejuízo por déficit, demonstrando que no caso de existir alguma sobra de UNIDADE 2 | TERCEIRO SETOR 96 valores, o mesmo deverá ser reinvestido na entidade para benefícios da mesma. Desta forma, a utilização do termo lucro não é muito bem vista nesse setor, uma vez que remete à ideia de exploração com atividade mercantil, o que não seria o caso para essas entidades. Complementando essa ideia, Fernandes (2005) menciona que nos Estados Unidos, a expressão Terceiro Setor costuma ser usada de maneira paralela a outras expressões, destacando-se duas: organizações sem fins lucrativos e organizações voluntárias, a primeira indica que os benefícios financeiros não podem ser distribuídos entre seus diretores e associados e a segunda complementa a primeira, indicando que essas organizações existem por um ato de vontade de seus fundadores e duram por causa das adesões e contribuições que também são voluntárias. A seguir apresentamos um texto que nos traz algumas reflexões sobre o Terceiro Setor. TÓPICO 1 | TERCEIRO SETOR 97 LEITURA COMPLEMENTAR TERCEIRO SETOR: UMA ANOMALIA DO CAPITAL? Luiz Carlos Merege Os estudos acadêmicos sobre o Terceiro Setor não conseguem explicar satisfatoriamente sua origem e natureza. Uma visita à literatura norte-americana permite constatar que os autores chamam a atenção para o fato do setor não distribuir lucros o que seria sua principal característica do ponto de vista econômico quando comparado com o setor privado. Outra teoria afirma que as organizações existiriam para prover bens públicos para uma demanda originada em segmentos da população que não são atendidos por organizações governamentais. Pode-se citar uma terceira abordagem denominada de teoria da falha de contrato, que explica a existência das organizações do Terceiro Setor devido à confiança que os doadores teriam na qualidade dos serviços que elas prestam, o que significaria o melhor e mais adequado uso dos recursos. Uma vez que os doadores não podem verificar se os valores transferidos a uma creche privada realmente significam um bom atendimento e temendo transferir tais recursos que eles poderiam ir parar no bolso do proprietário (uma falha de contrato), eles teriam mais confiança em uma organização do Terceiro Setor, uma vez que é movida por uma missão e pelo fato de não poder distribuir o excedente a diretores ou associados. Nesta última teoria, os autores deixam transparecer que o cidadão imbuído de um espírito solidário não tem confiança nas organizações privadas, que são colocadas como pouco éticas no uso de recursos de terceiros. A leitura de tais estudos nos remete para uma interessante reflexão sobre as particularidades das organizações do Terceiro Setor, que curiosamente são contrastantes com a natureza das organizações capitalistas. Em primeiro lugar, como muitos autores sinalizam, elas contrariam a regra de apropriação do excedente pelos proprietários dos meios de produção, de fundamental importância para a acumulação do capital e que se constitui na própria natureza do capitalismo. Na realidade elas possuem uma finalidade pública. Elas podem gerar um excedente ou uma sobra de recursos, mas tal resultado não pode ser apropriado por dirigentes ou associados, o que caracterizaria um procedimento condenável, já que a razão de existência das organizações do Terceiro Setor é a prestação de um serviço público e não o enriquecimento de algumas pessoas. Daí serem obrigadas a aplicarem todo o excedente gerado em atividades de atendimento ao público. Outra característica importante é que as organizações do Terceiro Setor não se constituem em propriedade de ninguém. Elas na realidade pertencem aos cidadãos, ou seja, a sua propriedade é coletiva. Devido a essa característica, o patrimônio das organizações do Terceiro Setor também pertence à coletividade e isto pode ser constatado nos estatutos dessas organizações, onde obrigatoriamente UNIDADE 2 | TERCEIRO SETOR 98 deve ficar explícito que se a organização encerrar as suas atividades o patrimônio deve ser transferido para uma organização similar para continuar a ser utilizado na prestação de um serviço público. Outra característica que contraria as regras do sistema capitalista é que as pessoas estão dispostas a trabalhar em uma organização do Terceiro Setor sem receber uma remuneração, ou seja, voluntariamente. Não se tem notícias de trabalho voluntário nas organizações privadas e muito menos em órgãos governamentais. Já ocorreram tentativas de se organizar o trabalho voluntário em prefeituras, mas as experiências foram frustrantes. Se a população paga impostos para receber os serviços públicos, torna-se ilógico que o contribuinte seja ele próprio um fornecedor de serviço. No setor privado o trabalho voluntário também não faz sentido uma vez que se estaria trabalhando gratuitamente para que alguém, no caso proprietários ou acionistas, se apropriasse do resultado. No setor privado, algumas empresas têm criado programas de voluntariado com seus colaboradores, mas que prestam tais serviços para uma organização do Terceiro Setor. Talvez a origem do Terceiro Setor esteja vinculada ao desejo do ser humano de colocar em prática princípios e valores humanitários,o que só seria possível em um tipo de organização que apresenta características completamente distintas das organizações capitalistas típicas. Não distribuem o excedente, pertencem à sociedade e agregam pessoas que aceitam trabalhar pelo prazer de servir ao próximo. Na realidade o Terceiro Setor se constitui em uma opção humanitária à lógica selvagem do capital. Seria ele o embrião de uma nova sociedade pautada por novos princípios e pela lógica do bem comum? O seu rápido e explosivo desenvolvimento parece refletir a opção universal de cidadãos pela construção desse novo mundo. FONTE: MEREGE, Luiz Carlos. Coordenador do Centro de Estudos do Terceiro Setor - CETS da FGV-EAESP, do curso de Administração para Organizações do Terceiro Setor e do Projeto Censo do Terceiro Setor do Pará, 2006. 99 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico, você estudou que: • O primeiro, segundo e terceiro setor são representados, respectivamente, pelo Estado ou organizações governamentais, empresas privadas e entidades sem fins lucrativos. • Terceiro Setor é formado por organizações sem fins lucrativos, em que as principais fontes de recursos são doações, subvenções e prestação de serviços comunitários. O lucro é um meio para os objetivos institucionais, portanto deve ser reinvestido na entidade. • São organizações do terceiro setor: as associações e fundações. • Associação é a união de pessoas que se organizam para fins não econômicos, devendo seguir alguns requisitos para sua constituição, tais como: assembleia geral de criação, aprovação dos estatutos, eleição e posse dos membros da diretoria, lavratura das atas das reuniões e registros dos atos constitutivos. • Fundação é caracterizada por ser um patrimônio doado por determinada pessoa, por escritura pública ou testamento, com o objetivo de servir a uma causa de interesse público determinado sem a intenção de obter lucro. Podem ser constituídas apenas para fins religiosos, morais, culturais ou de assistência. • Organizações Sociais (OS), Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), Utilidade Pública Federal (UPF), Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) e Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) são certificações e titulações concedidas para as associações e fundações, não sendo consideradas novas formas de organizações do Terceiro Setor. • As entidades do Terceiro Setor possuem a característica de não distribuírem lucro, indicando que essas entidades não devem obter benefícios financeiros. O lucro ou prejuízo devem ser substituídos, respectivamente, por superávit ou déficit. 100 AUTOATIVIDADE 1 Complete as lacunas da sentença a seguir. Em um contexto atual observa-se a existência de três setores distintos, o primeiro, o segundo e o terceiro, sendo que cada um possui características específicas, mas que se relacionam entre si. O ____________ distribui dividendos como forma de remunerar o capital investido, e é formado por capitalistas, pessoas físicas ou jurídicas, que investem capital ou trabalho em entidades, cujo fim precípuo é promover um aumento desse capital por meio da obtenção de resultados positivos entre a aplicação e a alocação de recursos, ou seja, o retorno que as operações da entidade podem oferecer. As organizações do ____________ possuem duas características principais que as diferem das demais: não distribuem lucro, nem estão sujeitas ao controle estatal. O ____________ diz respeito a uma ideia de Estado, cuja conotação jurídica é dada pelo Estado. Agora assinale a alternativa CORRETA: ( ) primeiro – segundo – terceiro. ( ) primeiro – terceiro – segundo. ( ) segundo – terceiro – primeiro. ( ) segundo – primeiro – terceiro. 2 As associações e fundações são organizações do Terceiro Setor e podem receber titulações, desde que atendidas determinadas condições exigidas por quem está concedendo. Cabe lembrar que não são consideradas novas formas de organizações do Terceiro Setor. Com relação a esses títulos, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) Organização Social é uma organização do terceiro setor e sua função social ocorre com o auxílio do estado, por meio de um contrato de gestão. ( ) Organização Social é uma organização do terceiro setor que, por intermédio da lei, relaciona-se com o Estado por meio de termo de parceria, ou seja, são organizações parceiras do Estado. ( ) Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) não significa uma nova forma, ou um novo tipo de organização do terceiro setor, mas um título conferido por um ato formal de reconhecimento do Poder Público. Possuem contrato de gestão com o Poder Público. ( ) Termo de parceria é um instrumento firmado entre o Poder Público e as entidades que são qualificadas como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público, possibilitando a formação de um vínculo de cooperação entre as partes. Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: 101 ( ) V – F –V – F. ( ) V – F – F – V. ( ) F – V – F – V. ( ) F – F – V – V. 3 O artigo 44 do Código Civil Brasileiro estabelece que são pessoas jurídicas de direito privado: as associações, as sociedades, as fundações, as organizações religiosas e os partidos políticos. Contudo, as formas mais comuns de organizações do Terceiro Setor são as associações ou fundações. Diante disso, podemos definir que associação é: ( ) União de pessoas que se organizam para fins econômicos. ( ) União de pessoas que se organizam para fins não econômicos. ( ) Para criação de uma associação, o seu instituidor fará por escritura pública ou testamento, dotação especial de bens livres, especificando o fim a que se destina, e declarando, se quiser, a maneira de administrá-la. ( ) N. d. a. 102 103 TÓPICO 2 ASPECTOS LEGAIS APLICADOS AO TERCEIRO SETOR UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Neste momento, vamos apresentar alguns aspectos legais referentes às organizações do Terceiro Setor para que você as conheça melhor. Neste tópico, abordaremos sobre a Constituição Federal e as Entidades do Terceiro Setor, além da tributação nesse Setor que envolve a questão da imunidade e isenção, evidenciando a diferença entre ambos e seus requisitos mínimos para que se possa obtê-las. 2 A CONSTITUIÇÃO FEDERAL E AS ENTIDADES DO TERCEIRO SETOR As entidades do terceiro setor podem ser amparadas pelos seguintes benefícios: imunidade tributária e isenção fiscal, ou seja, isenção de impostos e contribuições. Esses benefícios são concedidos pelo Poder Público no sentido de reconhecer o trabalho realizado por essas entidades, além de incentivar a criação de novas associações e fundações, permitindo a sobrevivência das que já estão atuando (CFC, 2008). A Constituição Federal estabelece em seu artigo 150 que é vedado à União, Estados, Distrito Federal e Municípios instituir impostos sobre: (a) patrimônio, renda ou serviços uns dos outros; (b) templos de qualquer culto; (c) patrimônio, renda ou serviço dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; (d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. Portanto, o item “c” do artigo 150 aborda a questão da imunidade, enquanto que a isenção é abordada na Constituição Federal, em seu artigo 151, II, na qual é proibida a instituição de isenções de tributos pela União, relativas a tributos de competência dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. UNIDADE 2 | TERCEIRO SETOR 104 ESTUDOS FU TUROS As entidades do terceiro setor podem obter isenção e/ou imunidade, que serão abordadas no próximo item Tributação no Terceiro Setor. 3 TRIBUTAÇÃO NO TERCEIROSETOR Conforme mencionado anteriormente, as entidades do terceiro setor são contempladas com os benefícios de imunidade e isenção, que serão abordados a seguir. 3.1 IMUNIDADE Imunidade, portanto, é uma limitação constitucional ao poder de tributar, estabelecida no art. 150, VI, “c” e art. 195, §7º, Constituição Federal. Retomando o art. 150, VI, “c”: (c) patrimônio, renda ou serviço dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; De acordo com o disposto no artigo 150, VI, c, são imunes aos impostos as instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, não podendo o Governo instituir impostos sobre associações ou fundações que tenham por finalidade o ensino e à assistência social. Olak e Nascimento (2009) mencionam que os partidos políticos, suas fundações e entidades sindicais obedecem às leis que regem as respectivas espécies. Desta forma, interessa para esse estudo a imunidade das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos. Podemos acrescentar que a imunidade dessas instituições está vinculada ao fato de serem “sem fins lucrativos”. O CFC (2008) menciona que a norma não é muito clara sobre a identificação do que seria uma instituição de educação e de assistência social, como acontece com as fundações instituídas por partidos políticos. Complementa ainda, esclarecendo que as instituições de educação que podem se beneficiar da imunidade são as que prestam serviços de educação de ensino fundamental, médio ou superior. Com relação ao termo “assistência social”, esse é amplo, podendo abranger saúde, previdência e assistência social, propriamente dita. (CFC, 2008). Já o artigo 195, § 7º, estabelece que “são isentas de contribuição para a TÓPICO 2 | ASPECTOS LEGAIS APLICADOS AO TERCEIRO SETOR 105 seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.” No quadro a seguir, apresentamos um resumo dos impostos em nível federal, estadual e municipal que não podem ser cobrados de entidades imunes: QUADRO 14 – RESUMO DOS IMPOSTOS FEDERAL ESTADUAL MUNICIPAL Imposto de Renda – IR Imposto sobre Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de serviços – ICMS Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza – ISS Impostos sobre Produtos Industrializados – IPI Imposto sobre a Proprieda- de de Veículos Automoto- res – IPVA Imposto sobre a Pro- priedade Territorial Ur- bana – IPTU Imposto Territorial Rural – ITR Imposto sobre a Transmis- são Causa Mortis ou Doação de Bens e Direitos – ITCD Imposto sobre a Trans- missão Inter Vivos de Bens Imóveis – ITBI Imposto sobre exporta- ções – IE Imposto sobre importa- ções – II Imposto sobre operações financeiras – IOF FONTE: Araújo, (2009). O quadro, portanto, apresenta um resumo por esferas de governo em que as organizações do Terceiro Setor estão imunes. 3.2 ISENÇÃO A isenção é uma espécie de renúncia fiscal ou exclusão do crédito tributário, conforme consta no artigo 175, I, do Código Tributário Nacional. Araújo (2009) explica que “a isenção tributária ocorre quando a não incidência de tributos decorre de lei infraconstitucional e depende, por isso, da vontade do instituidor do referido tributo”. Desta forma, de acordo com suas competências tributárias, cada esfera de governo pode determinar as isenções que entender necessárias, devendo estar prevista em Lei. UNIDADE 2 | TERCEIRO SETOR 106 3.3 DIFERENÇA ENTRE IMUNIDADE E ISENÇÃO Não devemos confundir imunidade com isenção, uma vez que imunidade está prevista na Constituição, sendo uma limitação ao poder de tributar e isenção é temporária e precisa estar definida em lei. Para Tiisel (2007), tanto na imunidade quanto na isenção, o resultado obtido é a exoneração tributária concedida às entidades do terceiro setor, tendo em vista os relevantes serviços públicos prestados à sociedade. Ainda sobre as diferenças, podemos salientar que a imunidade tem caráter permanente, pois somente será alterada com modificações na Constituição Federal, enquanto que isenção é temporária, podendo no momento de sua concessão ser delimitado o prazo de vigência, pois decorre de lei. (CFC, 2008). A isenção pode alcançar todos os tipos de tributos (impostos, taxas, contribuições de melhorias, empréstimos compulsórios e contribuições especiais), desde que cada esfera de Governo (federal, estadual e municipal) determine, pois são eles que possuem condições de legislar sobre a isenção de tributos que são de sua competência. Para finalizar, Custódio (1972) apud Olak e Nascimento (2009) menciona que: As duas expressões não se confundem: a imunidade tem por fonte, sempre, a Constituição; a isenção provém de lei. Imune é aquele que se acha fora do alcance da entidade tributante, por expressa disposição constitucional, ao passo que isento é o que, abrangido pela esfera do poder tributante, onerável em princípio, foi libertado da obrigação, por expressa disposição legal. (CUSTÓDIO, 1972 apud OLAK; NASCIMENTO, 2009, p. 51) NOTA Percebeu a diferença entre isenção e imunidade? Portanto, é possível perceber a distinção entre imunidade e isenção, e por meio do quadro a seguir, apresenta-se a distinção entre as duas, segundo Araújo (2009). TÓPICO 2 | ASPECTOS LEGAIS APLICADOS AO TERCEIRO SETOR 107 QUADRO 15 – DISTINÇÃO ENTRE IMUNIDADE TRIBUTÁRIA E ISENÇÃO TRIBUTÁRIA IMUNIDADE ISENÇÃO É quando ao setor público é vedado cobrar tributos de certa pessoa ou em determinada situação. As imunidades estão descritas na Constituição Fede- ral, não estando sujeitas a mudanças nos Estados, DF ou Municípios, so- mente sendo alteradas mediante alte- ração na Constituição. Ocorre quando o governo decide incen- tivar uma atividade, deixando de exercer seu direito de tributar alguém ou algu- ma situação, por meio de Lei Ordinária. Essa vontade do Estado torna vulnerá- veis os casos de isenções de tributação a mudanças políticas ou administrativas, pela simples mudança da lei que insti- tuiu a isenção. FONTE: Araújo, (2009). A seguir apresentamos os requisitos para obtenção da imunidade e da isenção. 3.4 REQUISITOS MÍNIMOS PARA OBTENÇÃO DA IMUNIDADE E ISENÇÃO Para que as entidades do terceiro setor possam obter a imunidade ou isenção é necessário que sejam obedecidos alguns requisitos, na qual é preciso observar de forma conjunta os artigos 9º e 14º do Código Tributário Nacional. (ARAÚJO, 2009, p. 38). O Código Tributário Nacional em seu artigo 9º, inciso IV, item c menciona o que segue: Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I - instituir ou majorar tributos sem que a lei o estabeleça, ressalvado, quanto à majoração, o disposto nos artigos 21, 26 e 65; II - cobrar imposto sobre o patrimônio e a renda com base em lei posterior à data inicial do exercício financeiro a que corresponda; III - estabelecer limitações ao tráfego, no território nacional, de pessoas ou mercadorias, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais; IV - cobrar imposto sobre: a) o patrimônio, a renda ou os serviços uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; (Redação dada pela Lei Complementar nº 104, de 10.1.2001). d) papel destinado exclusivamente à impressão de jornais, periódicos e livros. (Código Tributário Nacional). UNIDADE 2 | TERCEIRO SETOR 108 O artigo 14 também do Código TributárioNacional menciona os requisitos necessários para que as entidades elencadas no artigo 9º, inciso IV, alínea c, possam obter a imunidade. Araújo (2009) apresenta de forma resumida esses requisitos, conforme segue: • a instituição deve estar caracterizada como sendo de educação ou de assistência social; • deve estar caracterizado ausência de fins lucrativos no exercício de suas atividades; • a imunidade deve estar limitada aos impostos que incidam sobre o patrimônio, a renda e os serviços que se relacionem com as finalidades essenciais da entidade; • a entidade necessita aplicar todos os seus recursos integralmente no país e em seus objetivos institucionais; • no caso de encerramento das atividades, fusão, incorporação ou cisão a outra entidade que se enquadre nos requisitos para usufruir da imunidade, e • manter a escrituração contábil regular de suas atividades e cumprimento das obrigações acessórias. (ARAÚJO, 2009, p. 39). Araújo (2009) menciona que os requisitos para obtenção da isenção são os mencionados nas normas infraconstitucionais concedentes de isenção. Dessa forma, no caso das isenções devem ser observadas as exigências definidas pelas esferas federal, estadual e municipal. 109 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você estudou que: • As entidades do Terceiro Setor podem se beneficiar de imunidade e/ou isenção fiscal. • As imunidades estão definidas pela Constituição Federal e somente podem ser alteradas mediante modificação na Constituição Federal. • A isenção ocorre quando o governo decide incentivar uma atividade, deixando de exercer seu direito de tributar alguém ou alguma situação, por meio de Lei Ordinária. • A imunidade tem por fonte sempre a Constituição, enquanto que a isenção provém de lei. 110 AUTOATIVIDADE 1 As entidades do Terceiro Setor podem obter benefícios, previstos na Constituição ou concedidos pelos Entes Públicos. Diante disso, escreva quais são esses benefícios e explique a diferença entre eles. 2 As entidades do Terceiro Setor estão imunes à cobrança de determinados impostos, portanto, cite dois impostos de cada esfera de governo (federal, estadual e municipal) que não podem ser cobrados dessas entidades. 3 Para que as entidades do Terceiro Setor possam obter os benefícios de imunidade e isenção é necessário que elas atendam a alguns requisitos para sua obtenção. Associe os itens, utilizando o código a seguir: I – Imunidade. II – Isenção. ( ) Depende de normas infraconstitucionais para sua concessão. ( ) A instituição deve estar caracterizada como sendo de educação ou de assistência social. ( ) A entidade precisa aplicar todos os seus recursos de forma integral no país e em seus objetivos institucionais. ( ) Devem ser observadas as exigências definidas pelas esferas federal, estadual e municipal. ( ) Manter a escrituração contábil regular de suas atividades e cumprimento das obrigações acessórias. Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: ( ) II – II – I – II – I. ( ) II – I – I – II – I. ( ) I – II – II – II – I. ( ) II – II – II – II – I. 4 As entidades do Terceiro Setor desenvolvem atividades que possuem características sociais e, portanto, auxiliam o estado e também a sociedade. Dessa forma, são contempladas com os benefícios de imunidade e isenção. Sobre imunidade e isenção, analise as seguintes sentenças: I – Imunidade é uma limitação constitucional ao poder de tributar. II – Isenção é uma espécie de renúncia fiscal ou exclusão do crédito tributário. III – Apesar dos relevantes serviços públicos prestados à sociedade, as entidades do Terceiro Setor não conseguem obter exoneração tributária. IV – A imunidade é quando o governo decide incentivar uma atividade e cria uma lei que institui a imunidade, enquanto a isenção está descrita na Constituição Federal. V – Manter a escrituração contábil regular das atividades das entidades do Terceiro Setor, além do cumprimento das obrigações acessórias, é um requisito para a obtenção da imunidade. Agora, assinale a alternativa CORRETA: 111 ( ) As afirmativas I, II e III estão corretas. ( ) As afirmativas II, III e IV estão corretas. ( ) As afirmativas I, II e V estão corretas. ( ) As afirmativas III, IV e V estão corretas. 112 113 TÓPICO 3 A CONTABILIDADE APLICADA NO TERCEIRO SETOR UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Embora exista uma diversidade de atuação das organizações do Terceiro Setor, tais como saúde, educação e assistência social, destaca-se a obrigatoriedade de atender a algumas legislações, conforme apresentado a seguir: • Lei nº 6.404/76, Lei nº 11.638/07 e Lei nº 11.941/09. • Princípios Fundamentais de Contabilidade. • Normas Brasileiras de Contabilidade: NBC T 10.4 – Fundações, NBC T 10.18 – Aspectos Contábeis Entidades sindicais e Associações de Classe e NBC T 10.19 – Entidades sem finalidade de lucro. • Estrutura específica das Demonstrações Contábeis do Terceiro Setor. • Demais legislações: LOAS, LSS, CF, CTN, entre outras. Sendo assim, este tópico visa apresentar o estudo das principais normas brasileiras de contabilidade que abordam aspectos contábeis relacionados com entidades do Terceiro Setor, que são a NBC T 10.4 – Fundações, a NBC T 10.18 – Aspectos Contábeis Entidades sindicais e Associações de Classe e NBC T 10.19 Entidades sem finalidade de lucro, além das principais demonstrações contábeis. As Leis nº 6.404/76 e 11.638/07 e os Princípios Fundamentais de Contabilidade estabelecem diretrizes que devem ser seguidas por todas as organizações, por esse motivo não serão objetos de estudo. UNI Olá! Já está muito cansado? Antes de iniciarmos o assunto relacionado às Normas Profissionais, que tal fazer uma parada? 114 UNIDADE 2 | TERCEIRO SETOR 2 NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE TÉCNICAS - NBC T 10 (DOS ASPECTOS CONTÁBEIS ESPECÍFICOS EM ENTIDADES DIVERSAS) A NBC T 10 trata dos Aspectos Contábeis de Entidades Diversas, e a Resolução CFC nº 837, de 22 de fevereiro de 1999, aprovou o item NBC T 10.4 relativo a fundações. 2.1 NBC T 10, ITEM NBC T 10.4 – FUNDAÇÕES Esta norma estabelece critérios e procedimentos específicos de avaliação, trata sobre registro contábil, além da estruturação das demonstrações contábeis para as fundações. Estas são organizações destinadas a fins de interesse coletivo (art. 11 da Lei de Introdução ao Código Civil e art. 16 e outros do Código Civil) e podem ser “fundação pública de natureza jurídica de direito público” ou “pessoas jurídicas de direito privado”. São compostas por um grupo de pessoas de maneira organizada, e, por esse motivo também são consideradas entidades econômicas, com existência distinta de cada um dos indivíduos ou entidades que as compõem, com capacidade jurídica para exercer direitos e obrigações patrimoniais, econômicos e financeiros. (item 10.4.1.1 da NBC T 10.4). Esta norma também aborda em seu item 10.4.3.1 sobre as demonstrações contábeis, que vamos apresentar mais adiante no item 3 que trata das principais demonstrações contábeis. 2.2 NBC T 10, ITEM NBC T 10.18 – ASPECTOS CONTÁBEIS ENTIDADES SINDICAIS E ASSOCIAÇÕES DE CLASSE A Resolução CFC nº 838, de 2 de março de 1999, aprova a NBC T 10 – Dos aspectos contábeis Específicos em Entidades diversas, o item: NBC T 10.18, Entidades Sindicais e Associações de Classe. Conforme o item 10.18.1.1, esta norma estabelece critérios e procedimentos específicos de avaliação de registros contábeis e de estruturação das demonstrações contábeis das Entidades Sindicais e Associações de Classe. Também se aplica às entidades sindicais de todos os níveis, sejam confederações, centrais, federações e sindicatos; a quaisquer associações de classe e a outras denominações que possam ter, abrangendo tanto as patronais como as de trabalhadores. Requisitobásico é aglutinarem voluntariamente pessoas físicas ou jurídicas, conforme o caso, unidas em prol de uma profissão ou atividade comum. TÓPICO 3 | A CONTABILIDADE APLICADA NO TERCEIRO SETOR 115 A Resolução CFC nº 852/99, de 25 de agosto de 1999, alterou a redação dada ao item 10.18.1.2 que estabelece: “Não estão abrangidos por esta Norma os Conselhos Federais, Regionais e Seccionais de profissões liberais, criados por lei federal, de inscrição compulsória para o exercício legal de uma profissão.” Portanto, esta norma não se aplica ao Conselho Federal de Contabilidade e aos Conselhos Regionais de Contabilidade. 2.3 NBC T 10, ITEM NBC T 10.19 – ENTIDADES SEM FINALIDADE DE LUCROS A Resolução CFC nº 877, de 18 de abril de 2000, aprova a NBC T 10 – Dos aspectos contábeis específicos em entidades diversas, o item 10.19 – Entidades sem finalidade de lucros. Dentre algumas considerações que são apresentadas nessa norma, está o fato de que quando houver resultado positivo nas entidades sem finalidade de lucros, o mesmo não pode ser destinado aos detentores do patrimônio líquido. Além disso, denomina-se o lucro ou prejuízo, de superávit ou déficit, respectivamente, e com relação à conta capital, a mesma deve ser substituída por Patrimônio Social. (item 10.19.1.3 e 10.19.3.2 da NBC T 10.19). Lembramos que para essas entidades também devemos seguir as orientações que são dadas para as demais empresas, respeitando algumas peculiaridades como é o caso do capital que denominamos de patrimônio social e o lucro que deve ser considerado de superávit ou o prejuízo que chamamos de déficit. 3 PRINCIPAIS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS As entidades do Terceiro Setor apresentam terminologias diferentes das demais empresas que seguem a contabilidade mercantil. As demonstrações contábeis para as entidades sem finalidade de lucros devem seguir a NBC T 3 (conceito, conteúdo, estrutura e nomenclatura das demonstrações contábeis) e a NBC T 6 (divulgação das demonstrações contábeis). Contudo, convém lembrar que a NBC T 3 e a NBC T 6 foram revogadas pela Resolução CFC nº 1.283, de 2 de junho de 2010, tendo em vista que estes assuntos estão inseridos em normas que já foram convergidas. Desta forma, inicialmente, devemos observar as legislações que estão em vigor, começando com a Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, que altera a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e que trata em seu artigo 176, o que segue: 116 UNIDADE 2 | TERCEIRO SETOR Art. 176. Ao fim de cada exercício social, a diretoria fará elaborar, com base na escrituração mercantil da companhia, as seguintes demonstrações financeiras, que deverão exprimir com clareza a situação do patrimônio da companhia e as mutações ocorridas no exercício: I - balanço patrimonial; II - demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados; III - demonstração do resultado do exercício; e IV – demonstração dos fluxos de caixa; e (Redação dada pela Lei nº 11.638, de 2007); V – se companhia aberta, demonstração do valor adicionado. (Incluído pela Lei nº 11.638, de 2007). A Lei nº 11.638/07 incluiu o § 6º, que estabelece “A companhia fechada com patrimônio líquido, na data do balanço, inferior a R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais) não será obrigada à elaboração e publicação da demonstração dos fluxos de caixa.” NOTA A NBC T 3 e a NBC T 6 foram revogadas pela Resolução CFC 1.283 de 02 de junho de 2010, tendo em vista que estes assuntos estão inseridos em normas que já foram convergidas, por esse motivo sugerimos a visita ao site www.cfc.org.br – resoluções. A seguir abordaremos cada Demonstração contábil com as modificações pertinentes a essas entidades. 3.1 BALANÇO PATRIMONIAL O Balanço patrimonial continua sendo uma das principais demonstrações contábeis para conhecer a situação patrimonial e financeira das empresas, inclusive para as entidades sem fins lucrativos. Observamos ainda, que o balanço patrimonial deve ter seu ativo dividido em circulante e não circulante, sendo este último (ativo não circulante) composto pelo ativo realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível. Já o passivo divide-se em circulante e não circulante, sendo que neste último classifica-se o exigível a longo prazo, além do patrimônio líquido. Para as entidades do terceiro setor, apresentamos, no quadro a seguir, algumas diferenças que podem ser observadas na contabilidade mercantil e na contabilidade do Terceiro Setor: TÓPICO 3 | A CONTABILIDADE APLICADA NO TERCEIRO SETOR 117 QUADRO 16 DIFERENÇAS ENTRE CONTABILIDADE MERCANTIL E DO TERCEIRO SETOR Contabilidade mercantil Contabilidade do terceiro setor Patrimônio Líquido Patrimônio Líquido Social Capital social Patrimônio Social Fundo Patrimonial Social Fundos Específicos Reservas (Capital e lucros) Doações e Subvenções Patrimoniais Lucros ou Prejuízos Superávit ou Déficit FONTE: Adaptado de: Olak e Nascimento (2009) Portanto, quando elaborarmos o Balanço patrimonial de uma entidade do Terceiro Setor, também devemos observar as peculiaridades desse setor, conforme consta no Quadro 16. 3.2 DEMONSTRAÇÃO DO SUPERÁVIT OU DÉFICIT DO EXERCÍCIO Nas empresas que têm por objetivo obter lucro, essa demonstração evidencia o resultado que as atividades desenvolvidas pela empresa proporcionam para os proprietários da empresa, ou seja, lucro ou prejuízo. Para as entidades do Terceiro Setor o objetivo é evidenciar todas as atividades desenvolvidas pelos gestores dessas entidades durante um determinado período de tempo. (OLAK; NACIMENTO, 2009). É por esse motivo que os termos “lucros” ou “prejuízos” são alterados para superávit ou déficit para essas entidades, pois demonstram o resultado das atividades desenvolvidas pelas entidades do terceiro setor. 3.3 DEMONSTRAÇÃO DOS LUCROS E PREJUÍZOS ACUMULADOS Essa demonstração evidencia as variações ocorridas na conta de lucros ou prejuízos acumulados. Contudo, nas Entidades do Terceiro Setor não há necessidade de elaborá-la, uma vez que se apresenta a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido Social. 3.4 DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO SOCIAL Conforme Olak e Nascimento (2009), a Demonstração das Mutações do Patrimônio líquido é obrigatória somente para as companhias abertas, porém é uma demonstração que pode ser bastante útil, pois apresenta informações sobre 118 UNIDADE 2 | TERCEIRO SETOR a movimentação nas diversas contas do patrimônio líquido. Sendo assim, para as entidades do Terceiro Setor também pode ser muito útil, pois explica as variações ocorridas no patrimônio líquido social. 3.5 DEMONSTRAÇÃO DAS ORIGENS E APLICAÇÕES DE RECURSOS Segundo a Lei nº 11.638/07, essa Demonstração não é mais obrigatória para as empresas em geral, sendo substituída pela Demonstração do Fluxo de Caixa. Contudo, para as entidades do Terceiro Setor a mesma continua sendo exigida, com base na NBC T 10.19. Conforme Olak e Nascimento (2009, p. 76) “se no campo empresarial a DOAR já foi substituída pela DFC, é certo que isso ocorrerá também nas entidades sem fins lucrativos; é só uma questão de tempo”. 3.6 DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA A Demonstração do Fluxo de Caixa tornou-se obrigatória para as empresas em geral, com o advento da Lei nº 11.638/07. Essa demonstração evidencia a origem do dinheiro e como foi gasto durante o período. Para Olak e Nascimento (2009) a demonstração do fluxo de caixa serve como um instrumento de apoio para a tomada de decisão e auxílio no controle gerencial tanto para as empresas em geral, quanto para as entidades sem fins lucrativos. 4 NOTAS EXPLICATIVAS As notas explicativas são parte integrante das Demonstrações Contábeis, ou seja, não são demonstrações contábeis, mas explicam o que está apresentado nessas demonstrações. De acordo com Araújo(2009, p. 59), as notas explicativas “incluem informações sobre as práticas contábeis não explicitadas nas outras demonstrações, mas que impactam a análise da situação econômica e financeira da organização.” Para o Terceiro Setor, as notas explicativas devem atender a suas especificidades. A seguir, descrevemos alguns exemplos de notas explicativas: • Descrição dos registros da entidade nos organismos públicos competentes. • Composição da estrutura administrativa. • Mecanismos de prestação de contas. TÓPICO 3 | A CONTABILIDADE APLICADA NO TERCEIRO SETOR 119 • Relacionamentos com outras entidades, inclusive com partes relacionadas. • Localização e área de atuação da entidade. • Missão e programas sociais executados pela entidade. • Descrição de eventuais restrições impostas à atuação da entidade por parte do Poder Público ou de doador. • Descrição da estrutura organizacional e como as decisões são tomadas. • Revisão das atividades e programas da entidade no contexto da sua estratégia. • Reserva financeira que a entidade está constituindo para propósitos futuros. • Doações significativas recebidas no período ou com perspectivas futuras a receber. • Considerações sobre a política financeira da entidade, incluindo o risco. • Garantias cedidas. • Contencioso com o poder público, donatários ou aportadores de recursos. • Gratuidades concedidas e recebidas. Portanto, essas são algumas informações que seria importante que fossem apresentadas, no caso de entidades do Terceiro Setor. 5 ELENCO DE CONTAS O plano de contas serve de guia para o profissional da contabilidade realizar os lançamentos contábeis. Conforme Araújo (2009), o plano de contas é composto por elenco de contas e um manual que indica a função e o funcionamento de cada uma das contas, permitindo padronizar os procedimentos de registros contábeis para os seus usuários. O elenco de contas é uma relação de contas, a estrutura que dá origem ao plano de contas. É uma parte do plano de contas e necessita seguir uma estrutura de acordo com as normas e práticas contábeis vigentes. (OLAK; NASCIMENTO, 2009, p. 79). Salientamos ainda que o plano de contas das entidades do Terceiro Setor diferencia-se das demais empresas mercantis pela nomenclatura das contas e em alguns casos na estrutura. Contudo, cabe lembrar que a estrutura deve obedecer a Lei nº 6.404/76 e a Lei nº 11.638/07. Com relação às contas, cabe lembrarmos também sobre o que é a função e o funcionamento das contas na contabilidade. A função das contas pode ser entendida como a descrição da sua finalidade e sua função na contabilidade, como por exemplo, a conta caixa, na qual sua função é a de registrar a movimentação de entrada e saída de dinheiro. Já o funcionamento da conta refere-se ao detalhamento do que deve ser registrado a crédito e a débito em cada uma. Voltando ao exemplo da conta caixa, que será debitada quando ocorrer ingresso de dinheiro proveniente de algum recebimento, e será creditada quando ocorrer a retirada do dinheiro do caixa para o pagamento de algum compromisso da empresa. 120 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você estudou que: • Para as entidades do Terceiro Setor é importante que sejam observadas as NBC T (Normas Brasileiras de Contabilidade Técnicas): NBC T 10.4 – Fundações, NBC T 10.18 – Aspectos Contábeis Entidades sindicais e Associações de Classe e NBC T 10.19 – Entidades sem finalidade de lucros. • A elaboração do balanço patrimonial para as entidades do Terceiro Setor apresentam algumas diferenças com relação às demais empresas e devem ser apresentadas da seguinte forma: • o patrimônio líquido é considerado patrimônio líquido social; • o capital social é denominado patrimônio social; • as reservas (capital e lucros) são consideradas doações e subvenções patrimoniais; • e os lucros ou prejuízos devem ser denominados superávit ou déficit. • A demonstração do superávit ou déficit demonstra o resultado das atividades desenvolvidas pelas entidades do Terceiro Setor. • A demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados não necessita ser elaborada, pois as entidades do Terceiro Setor não devem manter lucros ou prejuízos acumulados. • A demonstração das mutações do patrimônio líquido social explica as variações ocorridas no patrimônio líquido social. • A demonstração das origens e aplicações de recursos continua sendo exigida para as entidades do Terceiro Setor. • A demonstração do fluxo de caixa serve como um instrumento de apoio para a tomada de decisão e auxílio no controle gerencial, tanto para as empresas em geral quanto para as entidades do Terceiro Setor. 121 AUTOATIVIDADE 1 As entidades do Terceiro Setor, assim como as empresas do segundo setor, necessitam das informações contábeis para a gestão dessas empresas. Dessa forma, uma das maneiras de conhecer a situação econômica e financeira. tanto das entidades do terceiro setor, quanto das empresas em geral, são as demonstrações contábeis. Diante dessa situação, indique as demonstrações contábeis que as entidades do Terceiro Setor devem elaborar. 2 A Demonstração do Fluxo de Caixa tornou-se obrigatória para as empresas em geral com a entrada em vigor da Lei nº 11.638/07. De que maneira a Demonstração do Fluxo de Caixa pode auxiliar os gestores das entidades do Terceiro Setor? 3 As entidades do Terceiro Setor devem ter a contabilidade regular e consequentemente elaborar as principais demonstrações contábeis, que são o Balanço Patrimonial, a Demonstração do Superávit ou Déficit do exercício, a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido Social, a Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos e a Demonstração do Fluxo de Caixa. Associe os itens, utilizando o código a seguir: I – Balanço Patrimonial. II – Demonstração do Superávit ou Déficit do Exercício. III – Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido Social. IV – Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos. V – Demonstração do Fluxo de Caixa. ( ) Não é mais uma demonstração obrigatória para as empresas em geral, porém para as entidades do terceiro setor continua sendo exigida. ( ) Seu objetivo é evidenciar as atividades desenvolvidas pelos gestores durante um determinado período. ( ) Evidencia a entrada e saída de dinheiro. ( ) É uma das principais demonstrações contábeis e permite conhecer a situação patrimonial e financeira das entidades. ( ) Apresenta informações sobre a movimentação nas diversas contas do patrimônio líquido social. Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: ( ) IV – II – V – I – III. ( ) II – III – IV – I – V. ( ) I – II – IV – III – V. ( ) III – II – V – I – IV. 4 As notas explicativas fazem parte das demonstrações contábeis, apresentando explicações sobre determinadas situações constantes nas demonstrações contábeis. Sobre as notas explicativas analise as seguintes sentenças: 122 I – As notas explicativas são consideradas demonstrações contábeis. II – As notas explicativas incluem informações sobre as práticas contábeis não explicitadas nas demonstrações contábeis, e não impactam a análise da situação econômica e financeira das entidades. III – Para as entidades do Terceiro Setor as notas explicativas devem atender suas especificidades. IV – São exemplos de notas explicativas: mecanismo de prestação de contas, localização e área de atuação da entidade, doações significativas recebidas no período ou com perspectivas futuras a receber. Agora, assinale a alternativa CORRETA: ( ) Somente a afirmativa III está correta. ( ) Somente a afirmativa II está correta. ( ) As afirmativas I e II estão corretas. ( ) As afirmativas III e IV estão corretas. 123 TÓPICO 4 A GESTÃO CONTÁBIL PARA ORGANIZAÇÕES DO TERCEIRO SETOR UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO A contabilidade, no que diz respeitoa sua prática no Terceiro Setor, ainda deverá avançar muito. Observa-se que ainda existe pouca literatura que trate deste tema de uma forma objetiva e simplificada para os profissionais da contabilidade. Acredita-se que um dos fatores que causa pouco interesse por este tema ainda está relacionado à característica destas organizações, que em boa parte vivem de doações. Outro fator importante a ser considerado é que essas entidades, muitas vezes, enfrentam dificuldades financeiras em virtude da escassez de recursos e essa situação obriga que seus gestores apliquem os recursos da melhor maneira possível. Para tanto, destacamos a importância da informação contábil possibilitando uma melhor gestão dos recursos e consequentemente tomada de decisões mais adequadas. 2 INFORMAÇÃO CONTÁBIL A informação contábil é a base para a tomada de decisões e pode ser expressa de diversas maneiras, podendo ser por meio das demonstrações contábeis, planilhas, pareceres, relatórios, além disso, deve atender às necessidades dos diversos usuários dessa informação. Padoveze (2003), esclarece ainda que a informação terá valor quando for entendida pelas pessoas que tomam decisões, assim como se a mesma for relevante para essas decisões. Para o Terceiro Setor, conforme Cruz (2010, p. 8), “informação contábil relevante é aquela que influencia a decisão do investidor social (doador) por capacitá-lo a prever os resultados das atividades da organização em termos de cumprimento da missão.” Dessa forma, as informações contábeis recebidas pelos gestores devem ser relevantes e possíveis de serem utilizadas na tomada de decisão. 124 UNIDADE 2 | TERCEIRO SETOR IMPORTANT E A informação contábil quando apresentada de maneira correta é muito importante para a tomada de decisões dos gestores das entidades do Terceiro Setor, pois possibilita que apliquem os recursos disponíveis da melhor maneira possível. A seguir apresentamos algumas características necessárias à informação contábil. 3 CARACTERÍSTICAS DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL O profissional da contabilidade é responsável por apresentar a informação contábil de forma que atenda às necessidades dos gestores. Para tanto, uma das principais características da informação contábil é a mensuração econômica das transações, ou seja, todos os eventos que ocorrem na empresa devem ser medidos em termos de valores. (PADOVEZE, 2003, p. 8). Padoveze (2003) ainda apresenta outras características necessárias à informação contábil para que seja aceita por todos na empresa. Essas características são: • o beneficio da informação deve ser maior que o seu custo; • compreensibilidade, ou seja, ser compreensível para quem utiliza; • útil, deve ter utilidade para quem decide; • relevante e confiável; • consistente, permitindo a comparabilidade com as informações de outros períodos. No próximo item apresentamos alguns exemplos de procedimentos contábeis. 4 PROCEDIMENTOS CONTÁBEIS Com relação às Entidades do Terceiro Setor, salientamos que a contabilidade deve ser apresentada por segmento (saúde, educação e assistência social), nos casos em que atue em mais de uma das áreas mencionadas. A seguir apresentamos os registros contábeis previstos nas Normas Brasileiras de Contabilidade, com relação às fundações (NBC T 10.4), Entidades Sindicais e Associações de Classe (NBC T 10.18) e Entidades sem finalidade de lucros (NBC T 10.19). TÓPICO 4 | A GESTÃO CONTÁBIL PARA ORGANIZAÇÕES DO TERCEIRO SETOR 125 Fundações De acordo com a NBC T 10.4, as fundações devem constituir provisão em montante suficiente para cobrir as perdas esperadas com base em estimativas de seus prováveis valores de realização e baixar os prescritos, incobráveis e anistiados. Com relação às doações e contribuições para custeio são contabilizadas em conta de receita, enquanto que as doações e subvenções patrimoniais são contabilizadas no patrimônio social. (NBC T 10.4). As receitas de doações e contribuições para custeio são consideradas realizadas quando da emissão de nota de empenho ou da comunicação dos doadores, conforme o caso, devendo ser apropriadas, em bases mensais, de acordo com os períodos a serem beneficiados, quando estes forem identificáveis. (NBC T 10.4). Entidades Sindicais e Associações de Classe A NBC T 10.18 que trata sobre as entidades sindicais e associações de classe estabelece, com relação ao registro contábil, que “as receitas de contribuições baseadas em estatuto, ou em documento equivalente, aquelas derivadas de legislação específica e as demais, bem como as despesas, devem ser registradas em obediência aos Princípios Fundamentais de Contabilidade, sempre considerado o tempo decorrido e a periodicidade mensal.” As Entidades Sindicais e Associações de Classe também devem constituir provisão em montante suficiente para cobrir as perdas esperadas, com base em estimativas de seus prováveis valores de realização, e baixar os prescritos, incobráveis e anistiados. (NBC T 10.18). Entidades Sem Finalidade de Lucros Com relação aos registros contábeis para as entidades sem finalidade de lucros, conforme estabelecido na NBC T 10.19, “As receitas e despesas devem ser reconhecidas, mensalmente, respeitando os Princípios Fundamentais de Contabilidade, em especial os Princípios da Oportunidade e da Competência.” As entidades sem finalidade de lucros devem constituir provisão em montante suficiente para cobrir as perdas esperadas, com base em estimativas de seus prováveis valores de realização, e baixar os valores prescritos, incobráveis e anistiados. (NBC T 10.19). As doações, subvenções e contribuições para custeio são contabilizadas em contas de receita, enquanto que as doações, subvenções e contribuições patrimoniais, inclusive as arrecadadas na constituição da entidade, são contabilizadas no patrimônio social. (NBC T 10.19). As receitas relativas a doações, subvenções e contribuições para custeio ou investimento devem ser registradas mediante documento hábil. 126 UNIDADE 2 | TERCEIRO SETOR Outro ponto importante, com relação aos registros contábeis, é que eles devem evidenciar as contas de receitas e despesas, superávit ou déficit, de forma segregada, quando identificáveis por tipo de atividade, tais como educação, saúde, assistência social, técnico-científica e outras, bem como comercial, industrial ou de prestação de serviços. (NBC T 10.19). A NBC T 10.19 aborda ainda “o valor do superávit ou déficit do exercício deve ser registrado na conta Superávit ou Déficit do Exercício, enquanto não aprovado pela assembleia dos associados; e, após a sua aprovação, deve ser transferido para a conta Patrimônio Social.” Para exemplificar melhor a questão dos registros contábeis, abordaremos agora alguns exemplos de contabilização específica para as entidades do Terceiro Setor, conforme o Manual de Procedimentos Contábeis para Fundações e Entidades de Interesse Social. (CFC, 2008). 4.1 CONTABILIZAÇÃO DE DOAÇÕES, SUBVENÇÕES E CONTRIBUIÇÕES As doações normalmente são a principal fonte de recursos para as entidades do Terceiro Setor e podem ser feitas em dinheiro, gêneros alimentícios, equipamentos ou outros ativos (CFC, 2008). A contabilização das doações, subvenções e contribuições, conforme observado pela norma pode ser de duas formas: Doação: Para custeio – registrada em conta de receita. Patrimoniais – registrada no patrimônio líquido social. Para custeio D caixa ou bancos (conta patrimonial) C Receita de doações e/ou subvenções (conta de resultado/receitas) No caso da doação, subvenção ou contribuição ocorrer na forma de bens patrimoniais, conforme apresentado no próximo exemplo, o registro da doação, subvenção ou contribuições é feito em conta do patrimônio líquido social. Conforme o CFC (2008), para atender à exigência da NBC T 10.19, em queevidencia que “as doações, subvenções e contribuições patrimoniais, inclusive as arrecadadas na constituição da entidade, são contabilizadas no patrimônio social”. TÓPICO 4 | A GESTÃO CONTÁBIL PARA ORGANIZAÇÕES DO TERCEIRO SETOR 127 Patrimoniais D imobilizado (conta patrimonial) C Doações, subvenções ou contribuições (conta patrimônio líquido social) 4.2 CONTABILIZAÇÃO DE GRATUIDADES Neste ponto, falaremos sobre as gratuidades recebidas, ressaltando que as entidades do Terceiro Setor têm por principal atividade a prestação de serviços de interesse social para a sociedade, fato que justifica os incentivos fiscais de imunidade e isenção. Conforme CFC (2008), são exemplos de gratuidade a prestação de serviço não oneroso, “a concessão de bolsas de estudo, a distribuição de cestas básicas, a doação de roupas e medicamentos à população carente, entre outros.” Para Araújo (2009) essas gratuidades devem ser apresentadas em notas explicativas, de forma a atender a NBC T 10.19. Araújo (2009) complementa mencionando que: Tem sido comum o entendimento que essa situação deve ser registrada no sistema contábil da OTS, considerando despesa de tributo pelo reconhecimento da existência do mesmo como se devido fosse, em contrapartida a tributos a recolher; pelo reconhecimento da isenção ou imunidade, consideram receita de gratuidade de tributo em contrapartida a tributo a recolher, a débito dessa conta. (ARAÚJO, 2009, p. 84). Observa-se que Araújo (2009) entende que o registro dessa forma deve ser evitado, uma vez que a entidade é imune ou isenta, e, portanto, não possui passivo, da mesma forma, não existe despesa, nem receita. Contudo, essa gratuidade é importante para a gestão das entidades, porém para efeitos patrimoniais não provocam impactos, pois não são consideradas nem receitas, nem despesas com tributos. O CFC (2008) menciona que é importante considerar a classificação da gratuidade, considerando que um é consumo de ativo na geração do benefício a ser cedido gratuitamente e o outro é a quantificação monetária do serviço ofertado. Para essas duas formas, uma das alternativas de registro contábil é a classificação como despesas do exercício (conta de resultado). Nessa questão, o CFC (2008) apresenta a mesma opinião de Araújo (2009) que “para alguma corrente de pensamento, essa classificação pode não ser confortável, em função do entendimento conceitual corrente de que despesa está diretamente associada ao esforço de geração da receita.” Portanto, caso a gratuidade concedida seja considerada uma renúncia de receita, é possível dizer que se assemelha ao consumo de ativo, sendo assim o registro pode ser feito da seguinte forma: 128 UNIDADE 2 | TERCEIRO SETOR Pelo consumo de ativo na geração do serviço objeto da gratuidade Débito – Despesa (conta de resultado). Crédito – Ativo (conta patrimonial). Pela prestação do serviço objeto da gratuidade Débito – Ativo (conta patrimonial). Crédito – Receita (conta de resultado). Pela colocação do serviço à disposição do beneficiário (assistido) Débito – despesa (conta de resultado). Crédito – Ativo (conta patrimonial). A sugestão do CFC (2008) para a contabilização da renúncia fiscal dos tributos é a mesma apresentada por Araújo (2009): Contabilização do imposto de renda da pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro líquido como se devidos fossem: Débito – despesa (conta de resultado). Crédito – passivo (conta patrimonial). Contabilização do reconhecimento da imunidade ou isenção do imposto de renda da pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro líquido: Débito – passivo (conta patrimonial). Crédito – gratuidade (conta de resultado). 4.3 CONTABILIZAÇÃO DE CUSTOS Para o CFC (2008, p. 72) “a contabilidade de custos é importante na segregação dos custos indiretos entre as atividades captação de recursos e os programas desenvolvidos pela entidade.” Salienta ainda, a importância em separar em atividades-fim e atividades-meio, estas últimas podem estar relacionadas com a administração geral da entidade ou à obtenção de fundos. A partir daí separam-se as despesas com atividades-fim e as despesas com atividades-meio. (CFC, 2008). O CFC (2008) evidencia ainda a importância de ter um único sistema de custos com o fim de elaborar as demonstrações contábeis, quando um doador ou financiador faz imposições com relação à alocação de custos indiretos. Neste item não apresentaremos exemplo de contabilização de custos, pois dependerá do sistema utilizado pela entidade. TÓPICO 4 | A GESTÃO CONTÁBIL PARA ORGANIZAÇÕES DO TERCEIRO SETOR 129 4.4 CONTABILIZAÇÃO DE DEPRECIAÇÃO A depreciação refere-se aos bens registrados no imobilizado das entidades, porém não existem normas específicas sobre como a depreciação deve ocorrer. Entretanto, é possível utilizar o mesmo método que seguem as empresas do Segundo Setor, ou seja, a tabela sugerida pela Receita Federal (ARAÚJO, 2009, p. 86). Convém lembrar que a forma de avaliação para o imobilizado das empresas sofreu modificações, com o advento da Lei nº 11.638/37 e demais legislações pertinentes sobre esse assunto. Contudo, para as entidades do Terceiro Setor ainda não existe regulamentação sobre o tema. Portanto, a contabilização continua sendo a mesma. Para CFC (2008, p. 75) “não existe razão para deixar de utilizar o processo de depreciação, inclusive em relação aos bens doados.” Registro da depreciação: Débito – Despesa de Depreciação (conta de resultado). Crédito – Depreciação Acumulada (conta de ativo). 4.5 CONTABILIZAÇÃO DE CONTRATOS, CONVÊNIOS E TERMOS DE PARCERIA Para fins contábeis, os contratos, convênios e termos de parceria são os documentos que servem tanto para o registro da operação, quanto para definir quais os documentos contábeis devem ser adotados. (OLAK; NASCIMENTO, 2009). O CFC (2008) define convênios, contratos e termos de parceria conforme segue: [...] convênios são firmados com entidades públicas e não admitem cláusula de remuneração. [...] contratos podem ser firmados tanto com entidades públicas como privadas e admitem remuneração. [...] termos de parceria são firmados entre órgãos públicos e entidades que possuem a qualificação de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público. (CFC, 2008, p.75). É preciso ainda observar nos contratos, convênios e termos de parceria a forma de prestação de contas e a remuneração. (CFC, 2008). Olak e Nascimento (2009), com base nos registros contábeis apresentados pelo CFC (2008) apresentam o exemplo a seguir: 130 UNIDADE 2 | TERCEIRO SETOR O Instituto Verdes Mares (IVM) recebe da Fundação Mar Azul (FMA) a quantia de R$ 80.000,00 para desenvolver um projeto educacional na área do meio ambiente. No convênio está prevista remuneração (a título de taxa de administração do projeto) de 5% sobre o valor conveniado, a ser pago no final do contrato, já incluído no valor do convênio. Diante dessa situação, apresentam-se os registros contábeis: Recebimento de recursos de convênio Débito – Bancos conta Movimento Recursos com Restrição – Fundação Mar Azul (Conta de ativo) R$ 80.000,00 Crédito – Recursos de Projetos (conta de passivo) R$ 80.000,00 Receita de remuneração do contrato – na contabilidade da entidade Débito – Bancos conta Movimento – Recursos Livres (conta de ativo) R$ 4.000,00 Crédito – Receita (conta de resultado) R$ 4.000,00 Aplicação financeira de recursos de entidade (quando permitido) Débito – Aplicações Financeiras de Liquidez Imediata Recursos com Restrição - Fundação Mar Azul (conta de ativo) R$ 30.000,00 Crédito – Bancos conta Movimento Recursos com Restrição – Fundação Mar Azul (conta de ativo) R$ 30.000,00 Rendimento líquido da aplicação financeira de recursos de entidade Débito – AplicaçõesFinanceiras de Liquidez Imediata Recursos com Restrição - Fundação Mar Azul (conta de ativo) R$ 500,00 Crédito – Recursos de Projetos Recursos de Entidade Privada Nacional (conta de passivo) R$ 500,00 Resgate de aplicação financeira Débito – Bancos conta Movimento Recursos com Restrição – Fundação Mar Azul (Conta de ativo) R$ 30.500,00 Crédito – Aplicações Financeiras de Liquidez Imediata Recursos com Restrição - Fundação Mar Azul (conta de ativo) R$ 30.500,00 Aplicação de recursos ao longo do convênio Débito – Recursos de Projetos (conta de passivo – conta retificadora) Aplicação de recursos de Entidade Privada Nacional R$ 71.500,00 Crédito – Bancos conta Movimento Recursos com Restrição – Fundação Mar Azul (conta de ativo) R$ 71.500,00 Despesa de remuneração do contrato – na contabilidade do convênio Débito – Recursos de Projetos (conta do passivo – conta retificadora) Aplicação de recursos de Entidade Privada Nacional – R$ 4.000,00 Crédito – Bancos conta Movimento Recursos com Restrição – Fundação Mar Azul (conta de ativo) R$ 4.000,00 Baixa pelo recebimento da remuneração do contrato – na contabilidade da entidade Débito – Bancos conta Movimento Recursos sem Restrição (conta de ativo) R$ 4.000,00 TÓPICO 4 | A GESTÃO CONTÁBIL PARA ORGANIZAÇÕES DO TERCEIRO SETOR 131 Crédito – Remuneração de convênios a receber Fundação Privada Nacional (conta de ativo) R$ 4.000,00 Prestação de contas de convênio e contrato – pelos recursos aplicados Débito – Recursos de Projetos Recurso de Entidade Privada Nacional (conta de passivo – Recursos de Entidade) R$ 5.000,00 Crédito – Recursos de Projetos Aplicação de recurso de Entidade Privada Nacional (conta de passivo – conta redutora – Recursos Aplicados) R$ 5.000,00 Prestação de contas de convênio e contrato – devolução de recursos não aplicados Débito – Recursos de Projetos Recurso de entidade Privada Nacional (Conta de passivo – Recursos de Entidade) R$ 5.000,00 Crédito – Bancos conta Movimento Recursos com Restrições – Fundação Mar Azul (conta de ativo) R$ 5.000,00 NOTA Caro(a) acadêmico(a)! É importante aprofundar seus conteúdos sobre a questão dos procedimentos contábeis para entidades do Terceiro Setor, portanto, sugerimos a leitura do Manual de Procedimentos Contábeis para Fundações e Entidades de Interesse Social, Capítulo V – Gestão Contábil, que está disponível em <www.cfc.org.br>. Até este momento, estudamos exemplos de contabilização de alguns itens importantes para as Entidades do terceiro setor, tais como contabilização de doações, subvenções e contribuições, depreciação, gratuidades e convênios, contratos e termos de parceria. A seguir, apresentamos alguns exemplos de contabilização de maneira mais ampla para entidades do Terceiro Setor, sendo esse exemplo adaptado de Araújo (2009). A associação Todo Mundo Alegre apresenta no mês de outubro de 2010, os seguintes eventos contábeis: 1) Recebimento de mensalidades de associados no valor de R$ 60.000,00. D – caixa R$ 60.000,00 C – Receita de Mensalidades R$ 60.000,00 2) Recebimento de doação (sem restrições) de pessoa jurídica para manutenção das atividades, no valor de R$ 50.000,00, em dinheiro. D – caixa R$ 50.000,00 C – Receita de doações R $ 50.000,00 132 UNIDADE 2 | TERCEIRO SETOR 3) Valor referente despesa com água, R$ 600,00 (reconhecimento da despesa) D – Despesa com água R$ 600,00 C – Companhia de água a pagar R$ 600,00 4) Recebimento de um veículo (O km) como doação (sem restrições), no valor de 45.000,00. D – veículo R$ 45.000,00 C – Subvenções/donativos (conta de patrimônio liquido) R$ 45.000,00 5) Valor referente despesa com telefone, R$ 350,00 (reconhecimento da despesa). D – Despesa com telefone R$ 350,00 C – Empresa de Telefone a pagar R$ 350,00 6) Recebimento de doação (sem restrições) de um lote ações do Banco Estadual S.A., no valor de R$ 12.000,00. D – investimento R$ 12.000,00 C – Subvenções/donativos (conta de patrimônio líquido) R$ 12.000,00 7) Valor da folha de pagamento, salários a pagar no mês de outubro, no valor de R$ 30.000,00 (reconhecimento da despesa). D – Despesa de salários R$ 30.000,00 C – Salários a pagar R$ 30.000,00 8) Valor do FGTS a recolher no mês de outubro, no valor de R$ 2.400,00 (R$ 30.000,00 x 8%). D – Despesa com FGTS R$ 2.400,00 C – FGTS a pagar R$ 2.400,00 9) Valor provisão de férias (1/12 + 1/3) => 2.500,00 + 833,33. (R$ 30.000/12 = R$ 2.500,00) e (R$ 2500/3 = 833,33). D – Desp. c/prov. Férias R$ 3.333,33 C – Prov. Férias R$ 3.333,33 10) Valor provisão de 13º Salário (1/12) 30.000,00 / 12 = 2.500,00. D – Desp. c/prov. 13º Sal. R$ 2.500,00 C – Prov. 13º Salário R$ 2.500,00 11) Registro do reconhecimento da contribuição patronal (25,5%) à previdência social (somente registro) – (entidade filantrópica); (R$ 30.000 x 25,5%). D – Despesa c/ cota patronal INSS R$ 7.650,00 C – Cota patronal INSS (passivo) R$ 7.650,00 12) Contabilização do reconhecimento do benefício do não pagamento da contribuição patronal (R$ 30.000,00 X 25,5%). D – Cota patronal INSS (passivo) R$ 7.650,00 C – Gratuidade (conta de resultado) R$ 7.650,00 TÓPICO 4 | A GESTÃO CONTÁBIL PARA ORGANIZAÇÕES DO TERCEIRO SETOR 133 13) Valor referente depreciação do mês de out/2010, no valor de R$ 6.000,00. D – Desp. c/depreciação R$ 6.000,00 C – Depreciação Acumulada R$ 6.000,00 14) Valor referente despesa com luz, R$ 950,00 (reconhecimento da despesa). D – Despesa com luz R$ 950,00 C – Companhia de luz a pagar R$ 950,00 15) Compra de material de expediente a prazo no valor de R$ 120,00. D – Despesa com Mat. Expediente R$ 120,00 C – Fornecedor R$ 120,00 16) Valor depósito em conta bancária, Banco do Brasil, no valor de R$ 50.000,00. D – Banco c/movimento R$ 50.000,00 C – Caixa R$ 50.000,00 17) Valor serviço voluntário, para a reforma da sede da associação no valor de R$ 600,00. D – Despesa com serviços voluntários R$ 600,00 C – Gratuidade (conta de resultado) R$ 600,00 18) Recebimento de doação em dinheiro, sem restrição, de pessoa jurídica para manutenção das atividades no valor de R$ 80.000,00. D – Caixa R$ 80.000,00 C – Receita de Doações R$ 80.000,00 19) Compra de material de consumo, no valor de R$ 30.000,00, em dinheiro. D – Estoque R$ 30.000,00 C – Caixa R$ 30.000,00 20) Aquisição de móveis e utensílios em duas duplicatas, R$ 2.000,00 cada, vencíveis em 30 e 60 dias. D – Móveis e utensílios R$ 4.000,00 C – Fornecedor R$ 4.000,00 Total R$ 393.153,33 R$ 393.153,33 A seguir apresentamos os razonetes das contas anteriormente mencionadas e seus respectivos saldos: 134 UNIDADE 2 | TERCEIRO SETOR 135 Na sequência apresentamos o balancete da associação Todo Mundo Alegre, no final de outubro: CONTAS DEVEDOR CREDOR CAIXA R$ 110.000,00 BANCO R$ 50.000,00 ESTOQUES R$ 30.000,00 INVESTIMENTOS R$ 12.000,00 MÓVEIS E UTENSILIOS R$ 45.000,00 VEÍCULOS R$ 4.000,00 DEPRECIAÇÃO ACUM R$ 6.000,00 CIA. DE ÁGUA A PAGAR R$ 600,00 TELEFONE A PAGAR R$ 350,00 CIA. DE LUZ A PAGAR R$ 950,00 SALÁRIOS A PAGAR R$ 30.000,00 FORNECEDORES R$ 4.120,00 PROVISÃO PARA FÉRIAS R$ 3.333,33 FGTS A PAGAR R$ 2.400,00 PROVISÃO PARA 13º SALÁRIOS R$ 2.500,00 SUBVENÇÕES R$ 57.000,00 RECEITA MENSALIDADES R$ 60.000,00 RECEITA DOAÇÕES R$ 130.000,00 GRATUIDADES R$ 8.250,00 DESPESA SALÁRIOS R$ 30.000,00 DESPESA ÁGUA R$ 600,00 DESPESA TELEFONE R$ 350,00 DESPESA LUZ R$ 950,00 DESPESA COTA PATRONAL R$ 7.650,00DESPESA FGTS R$ 2.400,00 DESPESA PROVISÃO FÉRIAS R$ 3.333,33 DESPESA PROVISÃO 13º R$ 2.500,00 DESPESA SERV. VOLUNT. R$ 600,00 DESPESA MAT. EXPEDIENTE R$ 120,00 DESPESA DEPRECIAÇÃO R$ 6.000,00 TOTAL R$ 305.503,33 R$ 305.503,33 136 5 AUDITORIA A auditoria divide-se em interna e externa. Neste item abordaremos de forma breve a auditoria externa ou independente, na qual o auditor, baseado em conjunto de procedimentos, verifica se as demonstrações contábeis estão adequadas, além de permitir a emissão de um parecer, que se chama “Parecer dos Auditores Independentes”. Assim como a auditoria é importante para as empresas em geral verificarem a adequação de suas demonstrações contábeis, para o terceiro setor, a auditoria também é necessária. Chiaratti e Pinto (2011) mencionam que a auditoria para o Terceiro Setor tem uma significativa importância, além de ser relevante, pois como essas entidades têm um cunho social, a auditoria traz credibilidade e transparência, uma vez que certifica suas ações sociais por meio da validação dos números constantes nas demonstrações contábeis. Salientamos que com a publicação da Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009, a auditoria passou a ser obrigatória para as Entidades Beneficentes de Assistência Social, conforme artigo 29 da referida lei: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I – não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; II – aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; III – apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS; IV – mantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância com as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; V – não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; VI – conserve em boa ordem, pelo prazo de 10 (dez) anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem e a aplicação de seus recursos e os relativos a atos ou operações realizados que impliquem modificação da situação patrimonial; 137 VII – cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; VIII – apresente as demonstrações contábeis e financeiras devidamente auditadas por auditor independente legalmente habilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade quando a receita bruta anual auferida for superior ao limite fixado pela Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006. Também devem ser observados os Decretos nº 7.237, de 20 de julho de 2010 e 7.300, de 14 de setembro de 2010, que também abordam a questão de auditoria. Salientamos que a auditoria é importante, principalmente, para quem recebe recursos federais, porém a auditoria não é obrigatória para todas as entidades do Terceiro Setor. 138 RESUMO DO TÓPICO 4 Este tópico abordou principalmente a questão dos registros contábeis. A seguir apresentamos uma síntese do que foi apresentado neste tópico: • A importância da informação contábil para as empresas em geral e também para as entidades do Terceiro Setor, na qual as informações contábeis a serem apresentadas para os gestores devem ser relevantes e possíveis de serem utilizadas para a tomada de decisão. • Algumas características da informação contábil são: o beneficio maior que seu custo, compreensível, útil, relevante, confiável e consistente, entre outras. • Foram apresentados os registros contábeis constantes na NBC T 10.4 – Fundação, NBC T 10.18 – Entidades sindicais e Associações de Classe e NBC T 10.19 – Entidades sem finalidade de lucros. • Alguns exemplos de contabilização, tais como: • Doações, subvenções e contribuições. • Gratuidades. • Depreciação. • Convênio, contratos e termos de parceiras. • A importância da auditoria para as entidades do terceiro setor. 139 AUTOATIVIDADE 1 Caro(a) Acadêmico(a)! Neste tópico apresentamos a importância da informação contábil para as empresas em geral e também para as entidades do Terceiro Setor como base para a tomada de decisões dos gestores. Diante disso, você entende que as entidades do terceiro setor estão utilizando as informações contábeis de forma adequada, principalmente, com o intuito de divulgar aos potenciais investidores sociais sobre a utilização dos recursos arrecadados? 2 No contexto das entidades do Terceiro Setor, comente sobre o papel do profissional de contabilidade e do auditor. 3 Com relação às características da informação contábil que podem ser consideradas adequadas para o bom entendimento de todos os usuários, podemos considerar: ( ) Ter um custo, maior que o beneficio, ser compreensível e relevante. ( ) Ser adequada, inconsistente e relevante. ( ) Ter um beneficio maior que o seu custo, irrelevante e inconsistente. ( ) Ser útil, compreensível, relevante e confiável. 4 Indique as contas a débito e a crédito de cada registro contábil e indique se a conta é patrimonial ou de resultado: a) Contabilização de serviços voluntários: D/C CONTA Patrimonial/Resultado D/C CONTA Patrimonial/Resultado D/C CONTA Patrimonial/Resultado b) Contabilização da contribuição à previdência social como se devida fosse (registro do reconhecimento da contribuição patronal): c) Contabilização do reconhecimento do benefício do não pagamento da contribuição patronal 140 d) Contabilização de doação para custeio: D/C CONTA Patrimonial/Resultado D/C CONTA Patrimonial/Resultado e) Contabilização de doação de bens: 5 Os registros contábeis são de significativa importância para os profissionais da contabilidade, que devem ser elaborados com cuidado para que no final as demonstrações contábeis sejam apresentadas de forma a permitir que os usuários possam utilizá-las para a tomada de decisões. Partindo desse pressuposto, classifique em V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) O registro contábil do reconhecimento de uma despesa de água é: D Despesa com água Resultado C Companhia de água a pagar Patrimonial ( ) O registro contábil do reconhecimento de uma despesa de água é: ( ) Aquisição de veículos, à vista, em dinheiro: ( ) Valor depósito em conta bancária, Banco do Brasil: D Despesa com água Patrimonial C Companhia de água a pagar Resultado D Veículos Patrimonial C Duplicatas a pagar Patrimonial D Banco c/movimento Patrimonial C Caixa Patrimonial Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: ( ) V – F – F – V. ( ) V – F –V – F. ( ) F – F –V – V. ( ) V – V –V – F. 141 TÓPICO 5 PRESTAÇÃO DE CONTAS UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO O número de entidades do Terceiro Setor no Brasil é bastante significativo, segundo pesquisa realizada em parceria entre o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), IPEA (Instituto de Pesquisa Econômicas e Aplicadas), a ABONG (Associação Brasileira de ONGs) e o GIFE (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas), com base em dados do Cadastro de Empresas – CEMPRE de 2005 existemhoje no Brasil 338 mil organizações sem fins lucrativos. (ABONG, 2011). Portanto, esse número indica que o Brasil possui muitas entidades no Terceiro Setor e essa quantidade de organizações movimenta muitos empregos e atividades em diversas áreas, seja educação, saúde ou assistência social. Com isso, é importante que essas entidades demonstrem de forma transparente a utilização dos recursos que ingressam nessas organizações. As entidades do Terceiro Setor utilizam tanto recursos públicos, quanto privados e para demonstrar a forma como esses recursos estão sendo aplicados, assim como os resultados atingidos existe a prestação de contas, que tem por objetivo demonstrar de maneira clara e transparente a utilização e aplicação destes recursos. Desta forma, neste tópico, apresentamos a importância da prestação de contas para essas entidades, assim como os principais elementos que devem constar na prestação de contas. 2 IMPORTÂNCIA DA PRESTAÇÃO DE CONTAS O CFC (2008, p. 80) menciona que a prestação de contas é uma das principais obrigações das pessoas que administram as Entidades do Terceiro Setor. Além disso, esclarece que prestação de contas é o “conjunto de documentos e informações disponibilizados pelos dirigentes das entidades aos órgãos 142 UNIDADE 2 | TERCEIRO SETOR interessados e autoridades, de forma a possibilitar a apreciação, conhecimento e julgamento das contas e da gestão dos administradores das entidades, segundo as competências de cada órgão e autoridade, na periodicidade estabelecida no estatuto social ou na lei.” Os administradores que se preocupam em apresentar às partes interessadas como o dinheiro está sendo aplicado na organização demonstram uma gestão ética e transparente, comprometida com a sociedade. Nesse sentido, destacamos a importância do gestor social, que assume novos desafios e necessita estar preparado para desempenhar funções de gestão. Conforme Teodósio (2004) apud Figueiredo e Araújo (2009, p. 183) “enquanto o gestor privado se caracteriza pela agressividade e competitividade para o alcance de metas do seu negócio, o gestor social é guiado no dia a dia por critérios voltados à promoção social de suas ações e à valorização dos indivíduos envolvidos em suas atividades, sejam eles o público-alvo beneficiário de suas políticas sociais, sejam os contratados e voluntários envolvidos em suas ações.” Portanto, existe uma clara distinção entre gestor privado e gestor social, porém o gestor social precisa estar preparado para atuar nessas entidades, e principalmente, divulgar com transparência as ações desenvolvidas na mesma. 3 ELEMENTOS DA PRESTAÇÃO DE CONTAS As entidades do Terceiro Setor podem buscar recursos públicos e/ou privados, portanto, para a apresentação da prestação de contas desses recursos, vai depender do que será solicitado em cada órgão ou empresa que aportou os recursos nessas entidades. Contudo, o CFC (2008) relaciona alguns elementos necessários para a prestação de contas, tais como: • Relatório de atividades – é um documento que apresenta as atividades desenvolvidas pela entidade durante o período de gestão, além de elementos que comprovem a realização das atividades descritas. • Demonstrações contábeis – Balanço patrimonial, demonstração do Superávit ou Déficit do Exercício, Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos e Demonstração das Mutações do Patrimônio Social são as demonstrações contábeis que normalmente são exigidas, também devem estar assinadas por profissional da contabilidade devidamente habilitado, juntamente, com o representante legal da Entidade. • Informações bancárias – pode ser exigida a relação das contas bancárias da entidade e/ou cópias dos extratos bancários ou documento equivalente emitido pelo banco, comprovando os saldos das contas correntes, sendo importante a conciliação bancária. • Inventário patrimonial – é a relação de todos os bens móveis e imóveis que integram o patrimônio da entidade, devendo ter identificação e características TÓPICO 5 | PRESTAÇÃO DE CONTAS 143 dos bens. • Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ – a elaboração e entrega dessa declaração é obrigatória para as entidades. Caso não seja apresentada, a entidade pode perder os benefícios já adquiridos. • Relação Anual de Informações Sociais – RAIS – é necessária a RAIS impressa e o recibo de entrega, caso a entidade não possua empregados, deve ser apresentado a RAIS negativa. • Parecer do Conselho Fiscal – a existência ou não de conselho fiscal deve estar prevista no estatuto da entidade. Caso exista, o parecer do Conselho Fiscal deve ser anexado a prestação de contas, porém não existindo, poderá ser anexada ata de deliberação da prestação de contas do órgão deliberativo máximo da entidade. • Parecer e relatório de auditoria independente – é uma exigência que pode ser feita pelo Poder Público, por aportadores de recursos ou ainda estar prevista no estatuto. • Cópia de convênio, contrato e parceria – caso exista convênio, contrato e parceria realizados com órgãos públicos ou privados, deve ser anexado cópia destes documentos. Estes são alguns elementos da prestação de contas e o que representam que foram relacionados pelo CFC. Contudo, conforme mencionado anteriormente, a relação de documentos para a prestação de contas dependerá da solicitação pelos aportadores de recursos. 144 UNIDADE 2 | TERCEIRO SETOR LEITURA COMPLEMENTAR Ética e Transparência: Duas importantes ferramentas na captação de recursos Uma entidade tem de ter transparência total. Faz parte de sua missão divulgar resultados e disseminar aprendizados Célia Cruz Existem grandes particularidades entre o setor privado e o Terceiro Setor como histórias, cultura e práticas. Enquanto no setor privado a informação é privada e fonte do seu poder, no Terceiro Setor, aquele das organizações sem fins lucrativos, a informação tem de ser pública e deve ser compartilhada com outras organizações. Se no setor privado o pagamento de percentual sobre valores captados, bônus e distribuição dos lucros funciona como motivador profissional, no Terceiro Setor não se permite a distribuição de lucros – na prática, eles não existem – é raro o pagamento de bônus e o comissionamento sobre a captação de recursos não é uma prática aceita. Isso nos remete a duas questões básicas referentes ao trabalho de captação de recursos no Terceiro Setor, que têm merecido cada vez mais atenção das Organizações da Sociedade Civil: a ética e a transparência. Uma entidade sem fins lucrativos, de interesse público, tem de ter transparência total. Faz parte de sua missão divulgar resultados e disseminar aprendizados para outras entidades. Deve mostrar claramente para os doadores e para a sociedade não apenas de onde vieram os recursos, mas também como o dinheiro foi aplicado, qual o benefício social gerado e que prática podem ser multiplicadas. Hoje, época em que a sociedade já começa a cobrar das empresas privadas a apresentação de balanços sociais, esquece-se de cobrar das OSCs suas informações financeiras. Infelizmente as OSCs são maravilhosas em compartilhar informações sobre tudo, mas sobre dinheiro, não. Muitas não têm qualquer tipo de relatório. Algumas têm medo de dizer quem as financia, com receio de que organizações congêneres busquem recursos nos mesmos financiadores. Essa falta de transparência acaba sendo um dos grandes obstáculos ao aumento da captação de recursos pra causas sociais. De um lado, o doador raciocina da seguinte forma: se não sabe de que maneira seus recursos foram aplicados, se não se sente capaz de vislumbrar resultados, não tem estímulo TÓPICO 5 | PRESTAÇÃO DE CONTAS 145 para doas mais. De outro, as OSCs não sabem para quem pedir, quanto e em que momento,informações estas que, publicadas em relatórios de outras entidades, contribuiriam para o melhor desenvolvimento do processo de captação de todo o Terceiro Setor. Transparência, no entanto, não significa apenas apresentação de relatórios financeiros. Significa fidelização do doador, comprometimento e corresponsabilidade na gestão dos recursos. Quando o doador e o receptor geram juntos os recursos, o resultado é o maior benefício social. É um processo lento, que faz parte do desenvolvimento institucional. Mas que constrói patrimônios inestimáveis: a sustentabilidade da organização em longo prazo: a transformação do doador em um investidor social consciente da importância de seu gesto e do benefício que está sendo gerado: a busca pela eficiência e eficácia no uso dos recursos: a implementação de inovações. Doadores e organizações receptoras de recursos devem maximizar seus resultados e benefícios com este relacionamento que está sendo construído. Mas, sem dúvida alguma, o maior beneficiário desta parceria e corresponsabilidade é o impacto social que podemos obter dos projetos realizados em conjunto para a criação de uma sociedade mais justa e sustentável. Há alguns pontos que costumamos apontar para as empresas e famílias que buscam o Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), pedindo apoio no desenvolvimento do seu investimento social. Em geral, elas já estão suficientemente sensibilizadas para a importância da doação. O IDIS avalia em conjunto a clareza da causa com que o doador quer contribuir para, então, analisar em que entidade e em que missão os recursos serão investidos. O próximo passo é avaliar a idoneidade das organizações selecionadas. Responder a esses mesmos pontos pode ajudar as ONGs a refletirem se estão no caminho certo em relação à transparência. Antes de tentar captar recursos, é fundamental que a ONG possa responder sim às seguintes perguntas: • Está aberta a visitas pessoais de seus doadores e conselheiros? • Possui conselho e diretoria atuantes? Está realizando eventos voltados para a capacitação dos conselheiros? • Possui um bom planejamento de projetos, realizados com o envolvimento da equipe, com orçamento claro e cronograma de atividades detalhado? • Realiza auditoria independente? • Realiza e divulga relatório de atividade e balanços financeiros? Se a ONG for capaz de responder sim a tudo isso, é sinal de que tem clareza suficiente sobre o que fazer. Está na hora de conhecer então o que não fazer, ou seja: quais os procedimentos considerados não éticos no processo de captação de recursos para o Terceiro Setor. Um dos pontos mais polêmicos diz respeito à remuneração do captador 146 UNIDADE 2 | TERCEIRO SETOR de recursos. É preciso compreender que esta é uma função particular do Terceiro Setor. O captador de recursos não é um vendedor de projetos, mas alguém que, em nome de uma instituição sem fins lucrativos, com bons projetos desenvolvidos, com suas habilidades, contatos e know how, poderá levantar os recursos necessários para realizar uma causa social e, assim, atingir sua missão. Muitos nos perguntam se o captador de recursos pode ser comissionado. A discussão parece lógica sob o olhar do setor privado, que permite o comissionamento. Respondo simplesmente que o setor sem fins lucrativos possui uma lógica distinta que, aos poucos, vai se tornando padrão, com peculiaridades como: • Não aceitar comissionamento sobre valores arrecadados em nome de uma organização • Não repassar ou levar consigo os contatos que foram adquiridos em nome desta mesma organização • Alocar todos os recursos doados na finalidade para a qual a doação foi destinada. São valores e princípios éticos que regem este setor sem fins lucrativos e de interesse público. Quando trabalhamos por uma missão e solicitamos recursos a uma organização sem fins lucrativos, não estamos pedindo em benefício próprio, mas em nome da missão de uma instituição, que tem credibilidade. Assim, se o pedido é feito em nome da missão, cada centavo arrecadado tem de ser utilizado nela. Assim como os outros profissionais que trabalham no Terceiro Setor, o captador de recursos deve ser remunerado por um salário fixo e pela motivação da missão que realiza. Nunca por comissão. FONTE: REVISTA FILANTROPIA – Captação de Recursos, n. 1, julho/agosto de 2002. 147 RESUMO DO TÓPICO 5 Chegamos ao final desta segunda unidade, e você estudou que: • Prestação de contas é uma das principais obrigações dos gestores que administram as entidades do Terceiro Setor. • Prestação de contas é um conjunto de documentos e informações que possibilita aos interessados a apreciação, conhecimento e julgamento das contas, assim como permite conhecer a gestão dos administradores das entidades. • Os documentos e informações que serão exigidos na prestação de contas dependem do que será solicitado em cada órgão ou empresa que aportou recursos nas entidades. 148 AUTOATIVIDADE 1 A prestação de contas é uma das principais obrigações dos gestores que administram as entidades do Terceiro Setor. Dessa forma, explique qual a finalidade da prestação de contas no Terceiro Setor. 2 As entidades do Terceiro Setor buscam recursos em diversas fontes de captação, podem ser privadas ou públicas, sendo que a prestação de contas para esses investidores vai depender da solicitação de cada um. Contudo, existem alguns elementos que são considerados importantes e necessários para a prestação de contas. Cite esses elementos. 3 Para a prestação de contas é importante que as entidades do Terceiro Setor observem alguns elementos que são considerados necessários apresentar na prestação de contas permitindo transparência e clareza na utilização dos recursos. Associe os itens, utilizando o código a seguir: I – Relatório de atividades. II – Demonstrações contábeis. III – Inventário patrimonial. IV – Parecer e relatório de auditoria independente. ( ) Balanço patrimonial, demonstração do Superávit ou Déficit do Exercício, Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos e Demonstração das Mutações do Patrimônio Social são as demonstrações contábeis que normalmente são exigidas, também devem estar assinadas por profissional da contabilidade devidamente habilitado, juntamente, com o representante legal da entidade. ( ) É uma exigência que pode ser feita pelo Poder Público, por aportadores de recursos ou ainda estar prevista no estatuto. ( ) É um documento que apresenta as atividades desenvolvidas pela entidade durante o período de gestão, além de elementos que comprovem a realização das atividades descritas. ( ) É a relação de todos os bens móveis e imóveis que integram o patrimônio da entidade, devendo ter identificação e características dos bens. Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: ( ) III – I – IV – II. ( ) I – II – III – IV. ( ) II – I – IV – III. ( ) II – IV – I – III. 4 Sobre os elementos necessários para a prestação de contas, conforme o Conselho Federal de Contabilidade, analise as seguintes sentenças: 149 I – Relatório anual de Informações Sociais deve ser impressa, juntamente, com o recibo de entrega. Caso a entidade não possua funcionários, deve ser apresentada a RAIS negativa. II – O parecer do Conselho Fiscal deve ser anexado à prestação de contas, caso a entidade tenha um Conselho Fiscal. III – A elaboração e entrega da declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica não é obrigatória para as entidades. IV – O relatório de atividades é um documento que apresenta as atividades desenvolvidas pela entidade durante o período de gestão, além de elementos que comprovem a realização das atividades descritas. Agora, assinale a alternativa CORRETA: ( ) Somente a afirmativa III está correta. () As afirmativas I e II estão corretas. ( ) As afirmativas I, II e IV estão corretas. ( ) Somente a afirmativa IV está correta. 150 151 UNIDADE 3 RESPONSABILIDADE SOCIAL E AMBIENTAL OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta Unidade, você será capaz de: • conhecer a Norma Brasileira de Contabilidade Técnica – NBC T15, informações de natureza social e ambiental; • compreender o conceito de Responsabilidade Social e Ambiental; • entender o contexto empresarial da Responsabilidade Social; • identificar as dimensões da Responsabilidade Social; • compreender o balanço social como instrumento de medição do desempenho social da empresa e seu compromisso com a comunidade; • abordar a importância da Demonstração do Valor Adicionado. Está unidade está dividida em cinco tópicos, sendo que, em cada um deles, você encontrará atividades visando à compreensão dos conteúdos apresentados. TÓPICO 1 – NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE TÉCNICA – NBC T 15 INFORMAÇÕES DE NATUREZA SOCIAL E AMBIENTAL TÓPICO 2 – RESPONSABILIDADE SOCIAL TÓPICO 3 – RESPONSABILIDADE AMBIENTAL TÓPICO 4 – BALANÇO SOCIAL TÓPICO 5 – DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO 152 153 TÓPICO 1 NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE TÉCNICA – NBCT15 INFORMAÇÕES DE NATUREZA SOCIAL E AMBIENTAL UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Conhecer as Normas Brasileiras de Contabilidade faz parte do dia a dia da atividade do profissional da área contábil. Nessa perspectiva é importante que o profissional compreenda a Norma Brasileira de Contabilidade Técnica – NBC T 15 que aborda as informações de natureza social e ambiental, sendo uma importante regulamentação que existe sobre o tema, abordando conceitos que definem a responsabilidade social empresarial. A NBT 15 estabelece procedimentos para evidenciação de informações de natureza social e ambiental, com o objetivo de demonstrar à sociedade a participação e a responsabilidade social das empresas. (CFC, 2008). Desta forma, os principais tópicos que podem ser considerados relevantes na apresentação de informações relativas à sociedade e ao meio-ambiente são evidenciados por essa norma. A NBC T 15 aborda a geração e distribuição de riqueza, os recursos humanos, a interação da entidade com o ambiente externo e a interação com o meio ambiente, sendo que estes tópicos constituem as bases legais que orientam a elaboração do Balanço Social, de acordo com a NBCT 15. Tendo em vista, que o profissional da contabilidade pode agregar valor a sua atividade por meio da demonstração do balanço social, é interessante que saiba elaborá-la, e ao mesmo tempo possa estar de acordo com a norma específica. 2 CONCEITO E OBJETIVOS A resolução CFC nº 1.003, de 06 de setembro de 2004, aprova a NBC T 15, que trata das informações de natureza social e ambiental. Como se divide essa norma? A NBC T 15 está dividida em três itens principais, que são: UNIDADE 3 | RESPONSABILIDADE SOCIAL E AMBIENTAL 154 15.1. Conceituação e Objetivos 15.2. Informações a serem divulgadas e 15.3. Disposições Finais Desta forma, o primeiro item da NBC T 15 refere-se à conceituação e objetivos da referida Norma. Assim, a NBC T 15 apresenta os procedimentos para que sejam divulgadas as informações de natureza social e ambiental das empresas em geral, sendo o objetivo divulgar para a sociedade de que forma a entidade está participando na sociedade, assim como sua responsabilidade social. (Resolução nº CFC 1.003/04). 3 INFORMAÇÕES A SEREM DIVULGADAS O segundo item da Norma evidencia as informações a serem divulgadas pelas entidades. Conforme visto anteriormente, é neste item que a NBC T 15 menciona quatro tópicos que devem ser divulgados, que são a geração e distribuição de riqueza, os recursos humanos, a interação da entidade com o ambiente externo e a interação com o meio ambiente. A seguir vamos abordar cada um dos tópicos anteriormente mencionados, sendo o primeiro a geração e distribuição de riqueza, que trata do conceito do valor adicionado. Este assunto consta na NBC TG 9. De acordo com o CFC (2008), a demonstração do valor adicionado é uma demonstração contábil destinada a evidenciar de forma concisa, os dados e as informações do valor da riqueza gerada pela entidade em determinado período e a sua distribuição. ESTUDOS FU TUROS Caro(a) Acadêmico(a)! No Tópico 5, abordaremos novamente a Demonstração do Valor Adicionado. O segundo tópico trata dos recursos humanos, na qual a norma estabelece os critérios que devem influenciar a remuneração do corpo funcional e os benefícios a serem concedidos. Esse tópico é também subdividido em outros que elencam além dos benefícios, a composição, a faixa etária, e o nível de ensino dos recursos humanos, que compõem as organizações. Além disso, devem ser apresentados ainda os processos trabalhistas movidos contra a entidade. Desta forma, a NBC T 15, neste tópico, determina que no caso de ser elaborado balanço social pela empresa, a mesma deve apresentar os seguintes itens: • Remuneração bruta segregada por empregados, administradores, terceirizados e autônomos. TÓPICO 1 | 155 • Relação entre maior e menor remuneração da entidade considerando os empregados e administradores. • Gastos com encargos sociais. • Gastos com alimentação. • Gastos com educação (excluindo educação ambiental). • Gastos com transportes. • Gastos com previdência privada. • Gastos com saúde. • Gastos com segurança e medicina do trabalho. • Gastos com cultura. • Gastos com capacitação e desenvolvimento profissional. • Gastos com creches ou auxílios-creche. • Participação nos resultados ou lucros. (CFC, 2008, p. 271). Na composição dos recursos humanos devem ser evidenciadas ainda as informações relativas: • Total de empregados no final do exercício. • Total de admissões. • Total de demissões. • Total de estagiários no final do exercício. • Total de empregados portadores de necessidades especiais no final do exercício. • Total de prestadores de serviços terceirizados no final do exercício. • Total de empregados por sexo. (CFC, 2008, p. 272). Com relação à classificação por faixa etária, segundo a NBC T 15, deve ser da seguinte forma: • Menores de 18 anos. • De 18 a 35 anos. • De 36 a 60 anos. • Acima de 60 anos. (CFC, 2008, p. 272). E quanto à segregação por nível de escolaridade, deve obedecer à seguinte classificação: • Analfabetos. • Com ensino fundamental. • Com ensino médio. • Com ensino técnico. • Com ensino superior. • Pós-graduação. (CFC, 2008, p. 272). Segundo Marques (1978) apud Tinoco (2008), elaborar um balanço social é, efetivamente descrever seu pessoal, como foi a evolução dessas pessoas, as diversas categorias que o compõe, e as condições em que trabalham, ou seja, a relação deste parceiro privilegiado com os outros membros de interesses. Portanto, divulgar informações relacionadas ao corpo funcional é importante para demonstrar a relação da empresa com o ambiente interno. UNIDADE 3 | RESPONSABILIDADE SOCIAL E AMBIENTAL 156 O Conselho Federal de Contabilidade já divulga seu balanço social desde 2006, sendo que seu Balanço Socioambiental do exercício de 2010 está dividido em cinco capítulos: Gestão Institucional, Gestão de Pessoas, Gestão de Registro e Fiscalização, Gestão Socioambiental e Balanço Socioambiental em Dados, aliando os projetos de gestão ligados ao Registro e Fiscalização do Sistema CFC/CRCs a outros voltados a questões socioambientais. (CFC, 2011). Ainda no tópico dos recursos humanos, segundo a NBCT 15, devem ser apresentadas as informações relativas aos processos trabalhistas contra entidade e devem evidenciar: • Número de processos trabalhistas movidos contra a entidade. • Número de processos trabalhistas julgados procedentes. • Número de processos trabalhistasjulgados improcedentes. • Valor total de indenizações e multas pagas por determinação da justiça. (CFC, 2008, p. 272-273). Portanto, mesmo que esse seja um assunto que não evidencie uma situação positiva para a empresa, é importante que a divulgue, demonstrando sua responsabilidade com essas questões. O terceiro tópico da norma é a interação da entidade com o ambiente externo que relaciona a empresa com a comunidade em que se encontra, e sua relação com os seus clientes. Quanto à sua relação com a comunidade, devem ser evidenciados os investimentos em: • Educação, exceto a de caráter ambiental. • Cultura. • Esporte e lazer, não considerados os patrocínios com finalidade publicitária. • Alimentação. (CFC, 2008, p. 273). Estas informações comprovam o envolvimento social da empresa, demonstrando sua participação em projetos e ações que beneficiam a sociedade. Quanto a sua interação com os clientes, deve ser evidenciado no Balanço social: • Número de reclamações recebidas diretamente na entidade. • Número de reclamações recebidas por meio de órgão de proteção e defesa do consumidor. • Número de reclamações recebidas por meio da justiça. • Número de reclamações atendidas em cada instância arrolada. • Montante de multas e indenizações a clientes, determinadas por órgãos de proteção e defesa do consumidor, ou pela justiça. • Ações empreendidas pela entidade para sanar ou minimizar as causas ou reclamações. (CFC, 2008, p. 273). TÓPICO 1 | 157 Neste tópico da NBCT 15 é possível informar ainda os critérios de responsabilidade social da empresa para a seleção dos seus fornecedores. O ultimo tópico da NBCT 15 diz respeito à interação da entidade com o meio ambiente, e são evidenciados: • Investimentos e gastos com manutenção nos processos operacionais para a melhoria do meio ambiente. • Investimentos e gastos com a preservação e/ ou recuperação de ambientes degradados. • Investimentos e gastos com a educação ambiental para empregados, terceirizados, autônomos e administradores da entidade. • Investimentos e gastos com educação ambiental para a comunidade. • Investimentos e gastos com outros projetos ambientais. • Quantidade de processos ambientais, administrativos e judiciais movidos contra a entidade. • Valor das multas e das indenizações relativas à matéria ambiental, determinadas administrativa e/ou judicialmente. • Passivos e contingências ambientais. (CFC, 2008, p. 273-274). Trata-se de informações que demonstram o grau de responsabilidade social das empresas no desempenho de suas atividades. A empresa socialmente responsável deve apresentar através do Balanço Social os investimentos realizados na manutenção e preservação do meio ambiente. Diante disso, podemos observar como é importante seguir as determinações da NBC T15 para a elaboração do Balanço Social, pois a mesma traz muitas informações que auxiliam na questão de transparência das atividades desenvolvidas pelas empresas. O último item que são as disposições finais estabelece que seja possível incluir outras informações, caso a entidade entenda que sejam relevantes. Também menciona que a Demonstração das Informações de Natureza Social e Ambiental é de responsabilidade técnica do profissional da contabilidade, devidamente registrado no Conselho Regional de Contabilidade. E por fim, essa demonstração deve ser revisada por auditor independente. 158 RESUMO DO TÓPICO 1 Caro acadêmico (a), chegamos ao final do Tópico 1. Vamos fazer um breve resumo do que foi estudado até o momento. • A resolução CFC nº 1.003, de 06 de setembro de 2004, aprovou a NBC T 15, que trata das informações de natureza social e ambiental. Essa Norma é dividida em três itens principais, que são: 15.1. Conceituação e Objetivos, 15.2 – Informações a serem divulgadas e 15.3 – Disposições Finais. • O primeiro item que é a conceituação e objetivos esclarece os procedimentos para que sejam evidenciadas as informações de natureza social e ambiental, sendo seu objetivo demonstrar para todos que fazem uso dessas informações, como está sendo a participação e responsabilidade social da empresa. • O segundo item que se refere às informações a serem divulgadas, está dividido em quatro subitens, que são: geração e distribuição de riqueza, os recursos humanos, a interação da entidade com o ambiente externo e a interação com o meio ambiente. Dentro de cada um desses subitens devem ser observadas as informações a serem divulgadas, conforme estabelecido na NBC T 15. • O item relativo às disposições finais menciona que a critério da entidade podem ser incluídas outras informações, que sejam consideradas relevantes e que não constam no item 15.2 informações a serem divulgadas. A Demonstração das Informações de Natureza Social e Ambiental é de responsabilidade técnica do profissional da contabilidade, devidamente registrado no Conselho Regional de Contabilidade e também devem ser revisadas por auditor independente. 159 AUTOATIVIDADE 1 A resolução CFC nº 1.003, de 6 de setembro de 2004, aprova a NBC T 15, que trata das informações de natureza social e ambiental. Essa Norma está dividida em três tópicos principais. Associe os itens, utilizando o código a seguir: I – Conceituação e objetivos. II – Informações a serem divulgadas. III – Disposições finais. ( ) Refere-se a itens importantes que devem ser apresentados pelas entidades em geral, evidenciando questões relacionadas à composição do quadro de funcionários, classificação por faixa etária e nível de escolaridade, entre outros dados necessários para que a sociedade conheça a empresa. ( ) A Demonstração das Informações de Natureza Social e Ambiental são de responsabilidade técnica do profissional da contabilidade, devidamente registrado no Conselho Regional de Contabilidade. Além disso, devem ser revisadas por auditor independente. ( ) A NBC T 15 tem por objetivo divulgar para a sociedade de que forma a entidade está participando na sociedade, assim como sua responsabilidade social. Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: ( ) I – II – III. ( ) I – III – II. ( ) II – III – I. ( ) III – II – I. 2 Complete as lacunas da sentença a seguir: O item da NBC T 15 relacionado às disposições finais estabelece que possam ser incluídas outras informações, caso a entidade entenda que sejam ____________. A Demonstração das Informações de Natureza Social e Ambiental são de responsabilidade técnica do ____________, devidamente registrado no Conselho Regional de Contabilidade. E por fim, essa demonstração deve ser revisada por ____________. Agora, assinale a alternativa CORRETA: ( ) relevantes - profissional da contabilidade - auditor independente. ( ) relevantes - contador – técnico em contabilidade. ( ) irrelevantes - profissional da contabilidade - auditor independente. ( ) irrelevantes – técnico em contabilidade - auditor independente. 3 No item “informações a serem divulgadas” da NBC T 15 consta o tópico relacionado aos recursos humanos que devem ser divulgados. Com relação aos recursos humanos, analise as seguintes sentenças: 160 I - Na composição dos recursos humanos devem ser evidenciadas informações relativas ao total de empregados no final do exercício, de admissões, de demissões, de estagiários no final do exercício, de empregados portadores de necessidades especiais no final do exercício, de prestadores de serviços terceirizados no final do exercício e de empregados por sexo. II - Não é necessário apresentar informações relativas aos processos trabalhistas contra entidade, não necessitando evidenciar número de processos trabalhistas movidos contra a entidade ou número de processos trabalhistas julgados procedentes. III - Na segregação por nível de escolaridade, não há necessidade de obedecer a umaclassificação específica. IV - Com relação à classificação por faixa etária, segundo a NBC T 15 deve ser da seguinte forma: menores de 18 anos, de 18 a 35 anos, de 36 a 60 anos e acima de 60 anos. Agora, assinale a alternativa CORRETA: ( ) As afirmativas II e III estão corretas. ( ) As afirmativas I e IV estão corretas. ( ) As afirmativas I e III estão corretas. ( ) As afirmativas II e VI estão corretas. 161 TÓPICO 2 RESPONSABILIDADE SOCIAL UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Podemos iniciar esse tópico pensando o que você entende por Responsabilidade Social? Segundo Ashley (2002), responsabilidade social está relacionada com o compromisso que uma organização deve ter para com a sociedade, de forma que seus atos e atitudes afetem de maneira positiva, a comunidade. Agindo de maneira proativa e coerente no que tange o seu papel na sociedade, assim como a devida prestação de contas. Você concorda com essa opinião? Podemos mencionar que existem algumas questões fundamentais relacionadas à responsabilidade social, que são: preocupação com as pessoas, ética em todas as ações, preocupação com o meio ambiente e com a sociedade, sustentabilidade e dignidade humana. Você acredita que há alguma melhoria para a empresa que possui estas práticas? Pense em empresas que você conhece e que se preocupam com as questões fundamentais mencionadas anteriormente. Não precisa responder nesse momento. Quem sabe até o final desse tópico seja possível responder essa questão, caso você não saiba ainda. A seguir apresentamos algumas questões históricas que contribuíram para o surgimento da responsabilidade social. Após o conceito, a responsabilidade social no Brasil e no mundo, por fim as dimensões da responsabilidade social. 2 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA A responsabilidade social é um tema que, há muito tempo vem sendo discutido no mundo. A necessidade das empresas assumirem compromisso de natureza econômico e social, além da otimização e maximização dos lucros surgiu devido a vários motivos. Segundo alguns autores, a ideia da responsabilidade 162 UNIDADE 3 | RESPONSABILIDADE SOCIAL E AMBIENTAL social foi introduzida pela primeira vez, a partir dos anos 30 nos Estados Unidos. Conforme Tinoco (2008) foi uma época marcada pela guerra do Vietnã quando o uso de armas sofisticadas prejudicava o homem e o meio ambiente e fez com que a sociedade norte-americana refletisse sobre o papel social das empresas, levando em conta o que podem produzir ou não. Assim, nesta época, começaram as primeiras reivindicações para exigir um desempenho social das entidades financeiras. Podemos dizer que as empresas pioneiras na prestação de contas à sociedade estavam nos Estados Unidos, além disso, também foi lá que surgiram os investidores sociais, que aplicavam seus próprios recursos em projetos de interesse público. A França foi o primeiro país a tornar obrigatória a apresentação dos investimentos sociais das empresas com mais de 300 funcionários. Hoje, outros países exigem a apresentação do balanço social, como, por exemplo, Alemanha, Holanda, Bélgica, Espanha, Inglaterra e Portugal. (MESTRINER, 2001). No Brasil, a origem da responsabilidade social ocorreu na década de 70, com a criação da Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresas (ADCE). 3 CONCEITO As empresas que se preocupam com responsabilidade social não estão apenas pensando em obter lucro, mas procuram desenvolver programas que atendam às questões éticas, de meio ambiente, com os funcionários, ou seja, com todos os envolvidos. Normalmente, quando se fala em responsabilidade social, percebe-se que ela está vinculada a questões de ética e de transparência das empresas, permitindo que todos os envolvidos (stakeholders) estejam satisfeitos com a atuação das empresas. Nesse sentido, o Instituto Ethos (2011) define responsabilidade social empresarial da seguinte forma: Responsabilidade social empresarial é a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais que impulsionem o desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras, respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais. (INSTITUTO ETHOS, p. 2). O conceito de responsabilidade social também pode estar relacionado com a cultura, além da ética e de valores morais, conforme menciona Ashley (2005), na qual esclarece que essas três questões não podem estar separadas da responsabilidade social empresarial. A responsabilidade ética envolve normas, padrões ou expectativas para atender os diversos públicos envolvidos e correspondem a valores morais. Esses valores morais correspondem a crenças pessoais relacionadas aos comportamentos que são considerados corretos ou incorretos, de forma individual ou em relação aos demais. (ASHLEY, 2005, p. 5). TÓPICO 2 | RESPONSABILIDADE SOCIAL 163 Ashley (2005, p. 127) esclarece que “a ética é mais sistematizada e corresponde a uma teoria de ação rigidamente estabelecida. A moral, em contrapartida, é concebida menos rigidamente, podendo variar de acordo com o país, o grupo social, a organização ou mesmo o individuo em questão”. Portanto, mesmo que tenham significados diferentes, os dois conceitos (ética e moral) se complementam, sendo possível inferir que dependendo dos valores de uma organização, assim será o seu comportamento ético. Costa (1998) apud Ashley (2005) menciona que a ética acaba afetando tanto os lucros, quanto a credibilidade das entidades, influenciando inclusive a sobrevivência da economia global. Então, conforme o comportamento ético das organizações assim será suas relações, que acabarão influenciando em toda a economia. DICAS Como sugestão, que tal ver o filme “Quanto vale ou é por quilo”. É um filme brasileiro e aborda a questão da responsabilidade social. Depois converse com seu Professor- Tutor Externo e colegas, sobre a sua percepção sobre a história apresentada no filme. 4 RESPONSABILIDADE SOCIAL NO BRASIL E NO MUNDO O tema responsabilidade social no mundo vem sendo discutido há muito tempo, porém tem recebido maior destaque nas últimas cinco décadas. (XAVIER; SOUZA, 2004). Para Costa e Souza (2004), as primeiras bases que deram origem à responsabilidade social já iniciaram com os movimentos sociais trabalhistas na Europa, principalmente, na Alemanha, na década 1920. Os trabalhadores lutavam por melhores condições de trabalho. Na época da Revolução Industrial, eles tinham salários miseráveis, trabalhavam 14 horas diárias, com pequenos intervalos e péssimas condições de higiene. Foi a partir deste momento que os trabalhadores começaram a se organizar e a lutar pelos seus direitos. Outro fato importante e que evidenciou o início da conscientização da questão social pelas empresas, foi o caso de Henry Ford, comentado por Toldo (2002) apud (KRAEMER, 2005, p. 4) em que a questão da responsabilidade corporativa tornou-se evidente com “o julgamento na justiça americana do caso de Henry Ford, presidente acionista majoritário da Ford Motor Company e seu grupo de acionistas liderados por John e Horace Dodge, que contestavam a ideia de Ford”. O principal objetivo da empresa era beneficiar seus acionistas não podendo ser direcionado para outras finalidades, como fez Ford, que decidiu investir na capacidade de produção, aumento de salários, entre outros benefícios, ao invés de 164 UNIDADE 3 | RESPONSABILIDADE SOCIAL E AMBIENTAL distribuir parte dos dividendos. Registra-se que a exclusividade de atendimento aos acionistas começou a ser questionada durante a Segunda Guerra Mundial, ocasionando modificações nos Estados Unidos (KRAEMER, 2005). Salienta-se que o tema passou a ser discutido por estudiosos,que passaram a influenciar na preocupação das empresas em relação à questão social, assim como a divulgação das ações sociais para a sociedade. (KRAEMER, 2005). Numa visão mais abrangente, Kreitlon (2004) apresenta em três fases da história, os fatores que contribuíram para a emergência da responsabilidade social, conforme segue: De 1930 a 1960: as consequências da crise de 1929 despertaram a consciência, o desejo dos administradores das empresas de melhorarem a sua imagem, já que os grandes lucros ganhos por estes suscitavam a ira da população. Neste mesmo período, existia certa cobrança dos adeptos do socialismo para que o Estado cumprisse o seu papel em relação à justa distribuição das riquezas. Por isso a responsabilidade social naquela época se delimitava apenas à criação de empregos, produção de bens e serviços úteis, garantia da segurança do ambiente e do trabalho. Era apenas a era da ética pessoal na condução dos negócios que incentivava a responsabilidade do indivíduo, ou seja, uma responsabilidade de consciência social que não envolvia a empresa como um todo. De 1960 a 1980: foi uma época marcada por grandes contestações e turbulência social, a sociedade começou a reivindicar a atuação das empresas principalmente em questões relativas à poluição, emprego, discriminação racial, natureza do produto comercializado entre outros. Foram publicados vários artigos que questionavam o papel das empresas na sociedade, entre eles o artigo “The social responsability of business is increase its profits”, escrito por Friedman em 1970. A ideia que dominava até o período anterior, quando a responsabilidade era apenas do indivíduo é substituída pela responsabilidade corporativa, ou seja, o desenvolvimento da sociedade passa a depender também de outros agentes entre estes: as empresas. (NETO; FROES, 2001 apud KREITLON 2004). De 1980 até o presente: No início dos anos 80, consolidou-se uma abordagem “Business and society”, na qual a empresa e a sociedade são vistas como uma rede de relações e de interesses. Foi neste período que surgiu a teoria dos stakeholders de Fremann, publicada em 1984. Ele defendeu a ideia de que as empresas devem deixar a postura de ter apenas compromissos para com os acionistas por uma nova tendência, ou seja, tem que ter uma relação com o conjunto de suas partes interessadas, inclusive os funcionários e a comunidade onde elas estão atuando. Nesta nova forma, a responsabilidade da empresa para com a sociedade passa a ter uma abrangência maior, envolvendo tanto o contexto interno quanto o externo. Portanto, a responsabilidade social deve ser compartilhada por todos os integrantes da empresa, e demonstrada em suas atitudes, nos produtos oferecidos, na relação com os fornecedores, os clientes e outras empresas, conforme Otriz (1993, apud AZEVEDO 2006). O quadro a seguir, apresentado por Gomes (1998) demonstra a vresponsabilidade social interna e externa das empresas. TÓPICO 2 | RESPONSABILIDADE SOCIAL 165 QUADRO 17 – RESPONSABILIDADES SOCIAIS DA EMPRESA INTERNAS EXTERNAS • Criação de riqueza. • Oferecer produtos úteis à sociedade; • Contribuir para o desenvolvimento de seus participantes. • Assegurar a continuidade da empresa. • Preocupação com a degradação do meio ambiente. • Diminuição dos postos de trabalho. • Problemas relacionados com salubri- dade. • Falta de meio para difusão e forma- ção cultural. • Inexistência de legislação ambiental e o seu descumprimento. FONTE: Gomes, (1998). O quadro anterior evidencia a preocupação que as empresas devem ter para proporcionar uma boa relação entre a razão de existência delas e os meios utilizados para o alcance dos objetivos estabelecidos. A continuidade das entidades no mercado depende da sua capacidade de relacionar os recursos existentes disponíveis nas empresas e de que forma atuam, preservando e servindo a comunidade onde elas se encontram. No Brasil, o movimento da responsabilidade social iniciou com a publicação da carta de princípios dos dirigentes cristãos de empresa, em 1965, pela Associação de Dirigentes Cristãos de Empresas do Brasil (ADCE Brasil). A Fundação Instituto de Desenvolvimento Empresarial e Social (FIDES) também elaborou, na década de 80, um modelo de divulgação das atividades sociais. Essas organizações foram uma das primeiras a abordarem o tema de responsabilidade social no Brasil. Porém, conforme alguns autores a ideia da responsabilidade social começou no Brasil com o trabalho de Hebert de Souza na sua luta contra a fome e a miséria. Em 1981, o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas - IBASE foi fundado com o objetivo de radicalização da democracia e a afirmação de uma cidadania ativa. (IBASE, 2011). Os trabalhos do Betinho, no Brasil, deram início às campanhas para a publicação de relatórios das empresas brasileiras para prestarem contas do que fazem pela qualidade de vida, tanto dentro quanto fora da organização. O Instituto ETHOS foi criado em 1998, implementando o conceito de Ética e de responsabilidade social no meio empresarial. (ETHOS, 2011). No momento atual, uma das principais características que se percebe é uma postura rígida dos clientes, voltada à expectativa de interagir com organizações que sejam éticas, com boa imagem institucional no mercado e que atuem de forma responsável com relação ao meio ambiente. (TACHIZAWA, 2007). 166 UNIDADE 3 | RESPONSABILIDADE SOCIAL E AMBIENTAL Desta forma, cada vez mais as empresas estão percebendo a necessidade de adotar práticas de responsabilidade social. Diante disso, é preciso abordar as dimensões da responsabilidade social, ou seja, os diferentes públicos ou partes interessadas da empresa, que será tratado no próximo item. 5 DIMENSÕES DA RESPONSABILIDADE SOCIAL As empresas possuem diferentes relações, tanto com o público interno, quanto externo. Essas relações recebem o nome de stakeholders e podem ser consideradas as diferentes relações existentes com as empresas, ou seja, são dimensões da responsabilidade social interna e externa. Para Melo Neto e Froes (2001) essas são duas dimensões (interna e externa) já são conhecidas, porém podemos dizer que existe mais uma dimensão, que é o comportamento ético das empresas. A ética deve conduzir as ações das empresas e exercer influência sobre a responsabilidade social interna e externa delas, pois conduz as atitudes dos empresários que vão influenciar diretamente os empregados, assim como ações que serão percebidas pelo público externo. Na dimensão interna, segundo Melo Neto e Froes (2001) a ética empresarial permite criar, disseminar e institucionalizar “valores” que irão se refletir em práticas gerenciais, por meio de atitudes e comportamento dos gestores. De forma semelhante, os valores praticados internamente terão influência nas ações externas da empresa. Podemos dizer ainda que uma empresa pode ser considerada socialmente responsável quando suas ações proporcionam valores aos seus stakeholders, conforme apresentado a seguir: • Funcionários: ambiente agradável, condições de saúde e educação. • Clientes: qualidade dos produtos, confiança e segurança. • Meio ambiente: proteção ambiental, respeito à legislação e boa conduta. • Sociedade: impacto do negócio para a comunidade em que atua. • Acionistas: resultado positivo. • Governo: pagamento dos impostos e desenvolvimento de ações que permitam o crescimento do município, estado e/ou país. • Fornecedores: tratar os fornecedores com compromisso e respeito. 167 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você viu que: • As empresas pioneiras na prestação de contas à sociedade surgiram nos Estados Unidos, assim como os primeiros investidores, ou seja, aqueles que investiram seus recursos em projetos de interesse público. • O primeiro país a tornar obrigatória a apresentação dos investimentossociais em empresas com mais de 300 funcionários foi a França. • A criação da ADCE (Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresas) marca a origem da Responsabilidade Social no Brasil na década de 70. • Responsabilidade social empresarial é a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais que impulsionem o desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras, respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais. (ETHOS, 2011). • São consideradas dimensões da Responsabilidade social as diferentes relações que a empresa possui, tais como: funcionários, clientes, comunidade, acionistas, entre outros. Essas relações são denominadas stakeholders. 168 AUTOATIVIDADE 1 Complete as lacunas da sentença a seguir. Responsabilidade social ____________ é a forma de gestão que se define pela relação ____________ e ____________ da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais que impulsionem o desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras, respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais. Agora, assinale a alternativa CORRETA: ( ) empresarial - ética - oportuna. ( ) empresarial - ética - transparente. ( ) pessoal - lucros - perdas. ( ) pessoal - lucros - prejuízos. 2 A responsabilidade social pode ser entendida como um compromisso da empresa com relação à sociedade em geral, ao meio ambiente e demais relações que a entidade possui. Esse compromisso pode ser entendido em duas dimensões: interna e externa. Interna quando o foco é o público interno da empresa (empregados e dependentes) e externo quando o foco é o entorno da empresa, ou seja, a comunidade em que a empresa está inserida. Essas relações ou dimensões da responsabilidade social são os stakeholders. Associe os itens, utilizando o código a seguir: I – Acionistas. II – Funcionários. III – Clientes. IV – Sociedade. ( ) Investimentos na qualificação (programas internos de treinamento e capacitação), em programas de remuneração e participação nos resultados. ( ) Programas sociais que incentivam áreas de educação, saúde e assistência social. ( ) Verificar o resultado positivo que a empresa oferece. ( ) Buscam produtos que tenham qualidade, e que seja uma empresa confiável. Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: ( ) I – II – III – IV. ( ) II – III – I – IV. ( ) II – IV – I – III. ( ) III – IV – II – I. 3 Com relação à responsabilidade social, existem algumas questões fundamentais que estão relacionadas a essa prática, tais como: preocupação com a sociedade, com meio ambiente, com ética e transparência. Diante 169 disso, a entidade que se preocupa com essas questões tem maiores chances de se manter no mercado, frente à competitividade acirrada existente no mercado, explique o motivo. 4 A responsabilidade social está relacionada com a sua continuidade no mercado e depende da sua capacidade de se relacionar com o seu ambiente interno e externo. Comente de que forma poderia ser a atuação das entidades em relação à preservação do meio ambiente e a comunidade em seu entorno. 170 171 TÓPICO 3 RESPONSABILIDADE AMBIENTAL UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO O meio ambiente é uma questão cada vez mais discutida na nossa sociedade, não sendo mais uma discussão apenas dos ambientalistas, mas de todos. Existem muitas campanhas alertando para a conscientização do planeta, mas isso parece não ser o suficiente para fazer com que a sociedade cuide do meio ambiente. Cada vez mais se torna necessário que tenhamos consciência sobre o futuro do nosso planeta e nesse contexto estão inseridas as empresas. Nos dias de hoje é mais comum ver empresas preocupadas em cuidar do ambiente, pois conforme vimos anteriormente, o meio ambiente é uma das dimensões da responsabilidade social. E para as organizações que se preocupam com a responsabilidade social e possuem valores éticos e morais, cuidar do meio ambiente é uma questão que faz parte das suas estratégias. Para Nossa (2002, p. 14) “é crescente o número de empresas que investem em programas ambientais porque estão descobrindo que poluir significa desperdiçar, não ter eficiência e perder a competitividade”. Desta forma, estão investindo em procedimentos que reduzem o impacto na natureza, ou seja, reciclagem de materiais, análise do ciclo de vida do produto, redução de emissão de efluentes líquidos e gasosos, entre outros. (NOSSA, 2002). Complementando essa questão, Tachizawa (2007) esclarece que: Imagem da empresa, liderança e tradição no mercado, até então, eram suficientes para atrair e manter a colaboração dos melhores executivos. Daqui para frente evolui-se para uma situação em que, antes de fechar um contrato de trabalho, os profissionais mais capacitados querem ter a certeza de que a organização oferece desafios, oportunidades de desenvolvimento, plano de carreira e um bom ambiente de trabalho. Conferem, ainda, se o comportamento social e os valores éticos da organização são compatíveis com os seus e dedicam especial atenção a consistentes e criativas políticas de remuneração. (TACHIZAWA, 2007, p. 62). UNIDADE 3 | RESPONSABILIDADE SOCIAL E AMBIENTAL 172 Sendo assim, apenas ser remunerado de forma satisfatória não é mais suficiente, as empresas necessitam estar adequadas à nova realidade que envolve questões sociais, éticas e ambientais. A seguir, falaremos um pouco sobre a contabilidade ambiental, que, conforme Ferreira (2003) “não se refere a uma nova contabilidade, mas a um conjunto de informações que relatem adequadamente, em termos econômicos, as ações de uma entidade que modifiquem seu patrimônio”. É apenas uma especialização, não outra contabilidade. 2 CONTABILIDADE AMBIENTAL Conforme vimos anteriormente, o meio ambiente é uma das dimensões da responsabilidade social, e, portanto, uma questão que deve ser discutida nas empresas. Diante dessa preocupação, é importante que os profissionais da contabilidade conheçam essa questão ambiental e com seu domínio da área contábil, esses profissionais podem auxiliar as empresas a identificar melhor o impacto da preservação ou não do meio ambiente no resultado das organizações. Ferreira (2003) apresenta um exemplo que ilustra de forma clara a questão dos custos ambientais e nos ajuda a pensar sobre o assunto. O exemplo refere-se à produção de calçados, em que Ferreira (2003) descreve as etapas desse processo: 1) O primeiro momento refere-se ao matadouro, em que a autora menciona que já ocorre algum tipo de poluição, caso os dejetos não sejam tratados de forma adequada. 2) A segunda etapa ocorre no curtume, onde o couro é tratado, sendo utilizada muita química para curtir o couro. Nessa etapa, Ferreira (2003) comenta que “a química dos curtumes costuma ir para os rios.” 3) A terceira etapa é quando o couro tratado é enviado para uma indústria de calçados, que neste caso também utiliza química (tinta). 4) A quarta etapa seria o consumo propriamente dito que, inicialmente não causa danos ao meio ambiente. (FERREIRA, 2003). 5) O quinto momento é quando deixamos de usar o sapato, sendo que dependendo de como for feito o descarte, pode poluir ou não o meio ambiente. Ferreira (2003, p. 21) encerra esse exemplo, comentando que: “se em nenhum momento essa poluição foi reconhecida, o dono do curtume teve seu lucro aumentado, porém o custo da recuperação foi socializado com a população local. O mesmo se repete em todo o processo, até o sapato ser jogado fora.” Por isso, percebe-se a importânciade identificar os custos e prevenir os danos que possam causar ao meio ambiente, o que no futuro se torna uma atitude positiva, visto que prevenindo, a empresa pode evitar o pagamento de possíveis multas. TÓPICO 3 | RESPONSABILIDADE AMBIENTAL 173 2.1 EVOLUÇÃO DA CONTABILIDADE AMBIENTAL Ferreira (2003) apresenta um breve retrospecto histórico sobre a preocupação com o meio ambiente, que apresentamos a seguir: • A preocupação com o meio ambiente passou a ter repercussão a partir dos anos 70, quando o problema passou de uma visão local para globalizada. • Em 1972, ocorreu a primeira Conferência Mundial sobre Meio Ambiente em Estocolmo, com repercussão internacional, sendo que nessa fase se inicia a conscientização sobre os problemas do meio ambiente. • Em 1975 foi realizado um Seminário Internacional de Educação em Belgrado, na qual surgiu a Carta de Belgrado. A proposta desse documento é de que qualquer ação de preservação ambiental deveria, inicialmente, passar por uma educação ambiental. • Em 1988, em Estocolmo, realizou-se outra reunião. • Em 1992, na ECO-92, no Rio de Janeiro, foi produzido um documento conhecido por Agenda 21, sendo referência na implantação de programas e políticas de governos e de empresas de todo mundo. Esse documento foi assinado por 170 países. É a partir da ECO-92 e do aumento dos problemas com o meio ambiente que começaram a surgir discussões sobre o assunto, com o objetivo, principalmente, de buscar a melhoria dos processos contábeis e consequentemente, auxiliar os gestores sobre aspectos financeiros relacionados ao meio ambiente. (FERREIRA, 2003). Outro fator importante a ser mencionado é com relação à legislação ambiental cada vez mais rígida e que pode prejudicar o resultado das organizações. Ben (2005) menciona que a legislação ambiental passou a cobrar medidas que minimizem os impactos gerados por atividades que possam prejudicar o meio ambiente. É importante que as empresas desenvolvam formas de monitorar como está lei está sendo cumprida, também devem dar atenção especial sobre a destinação e tratamento dos resíduos que são gerados, assim como sobre decisões relacionadas com os impactos provocados pela atividade operacional da organização. (BEN, 2005). A contabilidade responsável pela elaboração de informações que auxiliam seus gestores para a tomada de decisões. Possui condições de contribuir e atender às demandas das empresas que necessitam planejar os custos com o meio ambiente. A seguir vamos verificar a questão dos ativos, passivos, gastos, custos e despesas ambientais. UNIDADE 3 | RESPONSABILIDADE SOCIAL E AMBIENTAL 174 2.2 ATIVOS E PASSIVOS AMBIENTAIS Com relação aos ativos ambientais, Tinoco e Kraemer (2004) apud Ben (2005, p. 7) esclarecem que “ativos ambientais são os bens adquiridos pela companhia que têm como finalidade controle, preservação e recuperação do meio ambiente. Esse tipo de gasto deve ser contabilizado na forma de imobilizado.” Ben (2005) apresenta alguns exemplos de ativos ambientais, ressaltando que as empresas devem classificar suas atividades, conforme a realidade de cada uma: • Clientes Ambientais - Referem-se a duplicatas a receber que se originam de vendas a prazo de resíduos reciclados, sucatas e de prestação de serviços ambientais. • Participações em Fundos de Investimentos Ambientais - Contempla as aplicações de recursos em Fundos Ambientais de caráter permanente. • Equipamentos Ambientais - Conta representativa de investimentos em equipamentos com o objetivo de minimizar problemas ambientais, reduzir o consumo de água e de resíduos etc. (BEN, 2005, p. 7). Podemos perceber que são contas classificadas no ativo e que estão relacionadas com o controle ou prevenção de possíveis agressões ao meio ambiente, ou até mesmo para a recuperação de danos que já foram ocasionados. No caso do passivo ambiental, Kraemer (2005) explica que “representa toda e qualquer obrigação de curto e longo prazo, destinadas única e exclusivamente a promover investimentos em prol de ações relacionadas à extinção ou amenização dos danos causados ao meio ambiente, inclusive percentual do lucro do exercício, com destinação compulsória, direcionado a investimentos na área ambiental”. A questão ambiental para as empresas também pode ser vista como uma responsabilidade social, em que a organização demonstra suas obrigações com o controle e prevenção de danos que podem ser causados ao meio ambiente. 2.3 GASTOS, CUSTOS E DESPESAS AMBIENTAIS Os gastos podem ser entendidos como custos e despesas ambientais, e nem sempre são de fácil identificação, pois não existe uma padronização para definição dos custos ou despesas. Bergamini Junior (1999) menciona que os custos ambientais compreendem: [...] os gastos referentes ao gerenciamento, de maneira responsável, dos impactos da atividade empresarial no meio ambiente, assim como outros custos incorridos para atender aos objetivos e exigências ambientais de órgãos de regulação, devendo ser reconhecidos a partir do momento em que forem identificados. (BERGAMINI JUNIOR, 1999, p. 6). TÓPICO 3 | RESPONSABILIDADE AMBIENTAL 175 Os custos ambientais estão relacionados com a gestão ambiental, ou seja, o planejamento de ações que evitem o pagamento de multas e indenizações a terceiros, assim como recuperação de áreas que foram prejudicadas pelas atividades da empresa. Tinoco e Kraemer (2004 apud Braga e Maciel, 2006) classificam os custos ambientais em externos e internos: Externos: são os custos que podem incorrer como resultado da produção ou existência da empresa. São difíceis de mensurar em termos monetários e geralmente estão fora dos limites da empresa. Exemplos: esgotamento de recursos naturais, danos e impactos causados à natureza, disposição de dejetos a longo prazo etc. Internos: são os custos que estão relacionados com a linha de frente da empresa e incluem os custos de prevenção e manutenção e são mais fáceis de serem identificados. Exemplos: gestão de dejetos, treinamento ambiental, certificação ambiental, manutenção relacionada ao meio ambiente etc. (TINOCO E KRAEMER, 2004 apud BRAGA E MACIEL, 2006, p. 6). Hansen e Mowen (2003, p. 567) também mencionam que os custos ambientais estão relacionados com a “criação, detecção, correção e prevenção da degradação ambiental”. Por esse motivo, esses custos podem ser divididos em quatro categorias: custos da prevenção, custos de detecção, custos das falhas internas e custos das falhas externas. Resumindo a questão dos custos ambientais está relacionada a atividades de planejamento para identificar como prevenir os danos que podem ser causados ao meio ambiente, como determinar se os processos e atividades estão cumprindo as legislações ambientais. Também é preciso identificar os custos das falhas que existem internamente, e que ainda não ocasionaram danos ao meio ambiente, assim como os custos das falhas externas que estão relacionados aos danos que já ocorreram no meio ambiente. (HANSEN; MOWEN, 2003). As despesas ambientais, conforme Ribeiro (2005) apud Braga e Maciel (2006), podem ser consideradas como gastos com o gerenciamento ambiental, que foram consumidos no período e incorridos na área administrativa da empresa. Complementando, para Ribeiro (2005, p. 50) apud Braga e Maciel (2006) são exemplos de despesas de natureza ambiental administrativas: • Investimentos ambientais de natureza permanente: móveis e utensílios, os quais darão origem às despesas de depreciação de imobilizados; • Salários, depreciação, material de escritório etc., incorridos em função das atividades da empresa que estejam relacionadas com o meio ambiente; • Quantidade de horas trabalhadas e de insumos consumidos: no departamento de recursos humanos na seleção, recrutamento e treinamento do pessoal dessaárea; no departamento de compras na pesquisa, seleção e aquisição de itens necessários; no departamento financeiro referente ao pagamento de aquisições e serviços relacionados a essa área. (BRAGA E MACIEL, 2006, p. 6). UNIDADE 3 | RESPONSABILIDADE SOCIAL E AMBIENTAL 176 No caso dos investimentos ambientais de natureza permanente como no exemplo de móveis e utensílios citado por Braga e Maciel (2006) geram a despesa de depreciação e por estar relacionada com investimentos de natureza ambiental serão consideradas despesas administrativas, mas de natureza ambiental. Portanto, são valores relacionados à área administrativa, mas que foram utilizados para a gestão ambiental. 3 GESTÃO AMBIENTAL A gestão ambiental pode ser considerada uma ferramenta que irá auxiliar na sustentabilidade das organizações, permitindo o desenvolvimento de projetos que contribuam para a preservação do meio ambiente. Ferreira (2003, p. 52) esclarece que a gestão do meio ambiente é responsável por implementar programas de: “preservação ambiental, redução da emissão de resíduos, auditoria ambiental.” Esses fatores juntos auxiliam na gestão ambiental, possibilitando uma melhor utilização dos recursos naturais e consequentemente, permitindo a sustentabilidade das empresas. O Objetivo maior da gestão ambiental, conforme Ferreira (2003, p. 41) deve ser o de “propiciar benefícios à empresa que superem, anulem ou diminuam os custos das degradações, causados pelas demais atividades da empresa e, principalmente, pela área produtiva”. Hansen e Mowen (2003) explicam que a gestão ambiental responsável é um foco importante para muitas empresas. Salientam que muitas gastam volumes expressivos de recursos em atividades ambientais a cada ano. Porém, muitas vezes, as decisões ambientais são tomadas com pouco apoio do sistema de informações da gestão de custos. O que normalmente acontece é que as decisões ambientais são tomadas apenas para cumprir os regulamentos ambientais. Diante disso, torna-se clara a importância das organizações possuírem gestão ambiental, pois permite que as empresas possam analisar melhor suas atividades e seus custos, possibilitando tomar decisões mais adequadas. 177 RESUMO DO TÓPICO 3 Caro(a) acadêmico(a)! Vamos fazer uma revisão do que foi estudado neste tópico: • O assunto meio ambiente está cada vez mais discutido na sociedade. • O meio ambiente é uma das dimensões da responsabilidade social. • Aplicar recursos no meio ambiente não deve ser considerado custo, mas, sim, um investimento que a entidade está fazendo para sua sustentabilidade. • Contabilidade ambiental é uma especialização para o profissional da contabilidade que precisa estar preparado para atuar nessa área. Não é uma nova contabilidade. • Ativos ambientais são bens adquiridos pela empresa destinados ao controle, prevenção e recuperação do meio ambiente. • Passivos ambientais são obrigações de curto e longo prazo direcionadas para ações que vão reduzir ou extinguir os danos causados ao meio ambiente. • Custos ambientais são gastos relacionados à gestão do meio ambiente, com o objetivo de realizar um melhor gerenciamento dos impactos da atividade empresarial no meio ambiente, evitando multas e indenizações. • Despesas ambientais também estão relacionadas com o gerenciamento do meio ambiente, porém referem-se à área administrativa. • Gestão ambiental são planos de ações com o objetivo de preservar o meio ambiente evitando problemas futuros. 178 AUTOATIVIDADE 1 As empresas que buscam uma gestão com responsabilidade ambiental têm por objetivo reduzir os danos causados ao meio ambiente, promovendo melhores condições. Normalmente, as empresas dependem de recursos ambientais para desenvolver suas atividades. Diante dessa situação qual o papel do profissional da contabilidade para auxiliar nessa gestão? 2 As empresas buscam a sustentabilidade no mercado e para tanto é importante que utilizem ferramentas para melhorar essa questão, e uma delas chama-se gestão ambiental. O que é gestão ambiental? 3 O meio ambiente é uma questão que está sendo bastante discutida na nossa sociedade, sendo assim, as empresas estão mais preocupadas em cuidar do meio ambiente. Partindo desse pressuposto, classifique em V para sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) Cuidar do meio ambiente pode ser entendido como uma questão de responsabilidade social. ( ) Para as empresas que investem em programas ambientais é possível obter um retorno positivo, com maior eficiência e aumento da competitividade. ( ) Contabilidade ambiental é uma outra contabilidade. ( ) Contabilidade ambiental é um conjunto de informações que evidencia, em termos econômicos, as ações de uma entidade que modificam seu patrimônio. Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: ( ) V – V – V – V. ( ) V – F – V – V. ( ) V – V – F – V. ( ) F – V – F – V. 4 Na contabilidade ambiental existem ativos e passivos ambientais, além de gastos, custos e despesas. Associe os itens, utilizando o código a seguir: I – Ativos ambientais. II – Passivos ambientais. III – Custos ambientais. IV – Despesas ambientais. ( ) Podem ser divididos em internos e externos e são gastos referentes ao gerenciamento, de maneira responsável, dos impactos da atividade empresarial no meio ambiente. ( ) Toda e qualquer obrigação de curto e longo prazo, destinadas única e exclusivamente a promover investimentos em favor de ações que eliminem 179 ou amenizem os danos causados ao meio ambiente. ( ) Bens adquiridos pela companhia que têm como finalidade controle, preservação e recuperação do meio ambiente. ( ) Gastos com o gerenciamento ambiental, que foram consumidos no período e incorridos na área administrativa da empresa. Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: ( ) III – II – I – IV. ( ) II – III – I – IV. ( ) III – I – II – IV. ( ) III – II – IV – I. 180 181 TÓPICO 4 BALANÇO SOCIAL UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO O balanço social é uma demonstração que visa divulgar a responsabilidade social das organizações. É um instrumento que vem sendo discutido no mundo e proporciona aos seus usuários informações sobre a gestão social relacionada às políticas internas voltadas aos empregados; à distribuição da riqueza, que é apresentada por meio da Demonstração do Valor Adicionado – DVA; às contribuições à sociedade; e da divulgação da postura das organizações em relação ao meio ambiente. Tinoco (2008) menciona que a partir da década de 60, principalmente, na Europa e Estados Unidos, os trabalhadores começaram a exigir das organizações informações relativas ao desempenho econômico e social, especialmente, em relação a emprego. Devido à discussão da responsabilidade social, teve origem o balanço social, na França, em 1977, demonstrando em especial os recursos humanos. A seguir aborda-se um pouco mais sobre a questão histórica do balanço social. 2 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA O balanço social surgiu com a crescente demanda, por parte da sociedade, de informações a respeito dos impactos que as atividades empresariais exerciam sobre os trabalhadores, a sociedade, a comunidade e o meio ambiente. (TENÓRIO, 2004). Essa demonstração tem sido utilizada para apresentar a comunidade em geral às ações feitas pelas empresas que beneficiam a sociedade, ou seja, a participação delas em projetos educacionais, de saúde, assistência social, ambiental, assim como doações para entidades sociais. Conforme Kroetz (2000), o Balanço social representa a demonstração de gastos das organizações no desenvolvimento humano, social e ecológico destinado aos gestores, funcionários e à comunidade. UNIDADE 3 | RESPONSABILIDADE SOCIAL E AMBIENTAL 182 A seguir, apresentamosa evolução do balanço social no Brasil e no mundo. 3 BALANÇO SOCIAL NO BRASIL E NO MUNDO Primeiro falaremos sobre o balanço social no mundo, após mostraremos o do Brasil. No mundo, a primeira empresa a elaborar um relatório de suas atividades sociais foi a empresa Alemã STEAG, porém o primeiro balanço social a ser publicado foi o da empresa Singer na França em 1972. Cinco anos depois desta primeira publicação, o Balanço social passa a ser exigido das empresas, que possuem mais de 750 funcionários através da Lei nº 77.769, de 12 de julho de 1977. Por isso, a França tornou-se o primeiro país do mundo a possuir Lei sobre o assunto. Essa Lei foi colocada em prática em 1979 e exigiu das empresas com 300 funcionários a sua publicação. Entre outros dados relevantes, essa lei contemplava informações relativas a emprego, remuneração e encargos sociais, relações profissionais, formação profissional entre outros. (TINOCO 2008). Tinoco (2008) destaca ainda que a Holanda publicava relatórios como jornal interno da empresa ou junto com os relatórios anuais dos acionistas visando informar as condições de trabalho. Nesse país não havia a obrigatoriedade do balanço social. A Lei nº 141, de 14 de novembro de 1985, aprovou a implantação do Balanço Social em Portugal, com vigência a partir de 1986. Kroetz (2000) apresenta as características desta lei: obrigatoriedade para todas as empresas públicas e para as empresas privadas com mais de 100 empregados, com informações relativas à área de recursos humanos, sendo o balanço social apresentado em forma de formulário. No Brasil, conforme Trevisan (2002), o primeiro balanço social a ser publicado foi da empresa Nitrofertil, em 1984, na Bahia. Na década de 80, também foi publicado o balanço de Sistema Telebras. É importante ressaltar que essas primeiras publicações de balanço social visavam ao mesmo objetivo: tornar pública a responsabilidade social empresarial, ou seja, trazer informações relativas ao compromisso da empresa para com a sociedade e o meio ambiente entre outros. Tais informações são endereçadas a um grupo especial de pessoas com quem a empresa quer construir e manter grandes vínculos, que são chamados de usuários do Balanço social. A evolução do Balanço Social no Brasil advém da iniciativa de organizações, pesquisadores e políticos, entre os quais se destacam: Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresas - ADCE, sociólogo Herbert de Souza, IBASE, Deputadas Marta Suplicy, Sandra Starling e Maria da Conceição Tavares. TÓPICO 4 | BALANÇO SOCIAL 183 Kroetz (2000) relata que mesmo com todos os trabalhos realizados anteriores a década de 90, o cenário alterou-se através do sociólogo Herbert de Souza que, com a ajuda do Instituto Brasileiro de Análises Sociais-econômicas (IBASE), implantou um modelo de Balanço Social que pudesse ser utilizado no país, despertando o interesse de algumas empresas em elaborá-lo. Entre as empresas pioneiras destacam-se: Abril S/A; Companhia Aços Especiais Itabira (ACESITA), Azaleia S/A, Grupo Gerdau, RBS, Rio Grande Energia (RGE), entre outras de diversos ramos. De Luca (1998) ressalta que no Brasil a ideia de elaboração do balanço social foi defendida em 1997, pelas deputadas federais, Marta Suplicy, Maria da Conceição Tavares e Sandra Starling, que apresentaram um projeto de lei, que obrigaria as empresas privadas com mais de 100 funcionários e também às empresas públicas, a publicarem o balanço social, porém o mesmo nem chegou a ser votado. Existem projetos de lei em andamento no país para que a publicação do balanço social seja efetivamente regulamentada e obrigatória, porém ainda não tem aprovação. (KROETZ, 2000). O Conselho Federal de Contabilidade (CFC) aprovou, em 2004, a resolução CFC no 1.003/04 que trata da NBC T 15 – Informações de Natureza Social e Ambiental. Tal norma conceitua e enumera as informações que devem ser divulgadas com relação à responsabilidade social e ambiental das entidades. ESTUDOS FU TUROS Caro(a) acadêmico(a)! A NBC T 15 Informações de Natureza Social e Ambiental já foi apresentada no Tópico 1. Lembra? No quadro a seguir, apresenta-se o enfoque dado pelos países na elaboração do balanço social: QUADRO 18 – BALANÇO SOCIAL - PANORAMA INTERNACIONAL País Balanço Social – Enfoque Estados Unidos Ênfase para os consumidores, clientes e a sociedade em geral; qua- lidade dos produtos, controle de poluição, contribuição da empresa às obras culturais, transporte coletivo e outros benefícios à coletivi- dade; abordagem de caráter ambiental. Holanda Enfoque para informações sobre as condições de trabalho. Suécia Ênfase nas informações para os empregados. UNIDADE 3 | RESPONSABILIDADE SOCIAL E AMBIENTAL 184 FONTE – Luca, (1998, p. 25) Alemanha Enfoque às condições de trabalho e aos aspectos ambientais. Inglaterra Forte discussão sobre Responsabilidade Social e grandes pressões para divulgação mais ampla dos relatórios sociais. França Enfoque para informações aos empregados; nível de emprego, re- muneração, condições de trabalho e formação profissional. Conforme se verifica no quadro anterior, o enfoque dado às informações de Responsabilidade Social varia entre os países da Europa, porém prevalece o enfoque ao público interno, ou seja, nas relações com os trabalhadores, que são informações que foram exigidas quando do surgimento do balanço social. 4 BALANÇO SOCIAL COMO INSTRUMENTO DA QUALIDADE ÉTICA E TRANSPARÊNCIA O balanço social é elaborado pelas empresas com o objetivo de descrever uma realidade existente nas entidades aos usuários das informações, por esse motivo, o balanço social deve ser elaborado de forma que todos os interessados entendam de forma clara e transparente as realizações da empresa. No momento, em que as empresas apresentam informações que vão além do seu resultado (lucro ou prejuízo), preocupando-se com a prestação de contas e divulgando informações relativas ao corpo funcional, a comunidade em seu entorno, entre outras informações, essas empresas demonstram uma atitude ética. Carvalho (1990, p. 62) apud Tinoco (2008) menciona que o balanço social pode auxiliar para modificar a imagem de uma empresa perante o seu público, tanto interno quanto externo. Portanto, são informações relevantes e que contribuem para que a sociedade conheça as atitudes da empresa, demonstrando ética e transparência. Uma empresa ética e socialmente responsável deve tratar todos os seus stakeholders de maneira igual e justa. A seguir, abordamos os interessados nas informações constantes do balanço social, ou seja, os usuários desse instrumento. 4.1 USUÁRIOS DO BALANÇO SOCIAL A elaboração do Balanço social é dirigida aos seus usuários para que estes tomem conhecimento das diferentes ações realizadas pela entidade. Estes usuários são todas as pessoas que interagem com a empresa. Conforme o IBASE (2011), o Balanço social é direcionado aos fornecedores e investidores da organização no sentido de afirmar a sua capacidade de assumir as suas responsabilidades, TÓPICO 4 | BALANÇO SOCIAL 185 aos clientes leva em conta a qualidade dos produtos e/ou serviços oferecidos, e também se direciona ao Estado, pois contribui na formulação de políticas públicas. Para apresentar informações que atendam às necessidades dos usuários do balanço social é preciso que essas informações sejam apresentadas de maneira clara, não se deve entender como um instrumento de publicidade, mas seu objetivo deve ser a apresentação da atuação social da entidade. Conforme Tinoco (2008, p.34), o balanço social tem por objetivo ser equitativo e comunicar informações para que satisfaça a necessidade de quem precisa, destacando de maneira explícita os benefícios trazidos de maneira geral. A seguir apresentamos os principais usuários do balanço social e as respectivas informaçõesdirecionadas a cada um deles, conforme Kroetz (2000). Trabalhadores - Informações que revelam a influência que a entidade exerce sobre a sociedade, divulgarem ações desenvolvidas em benefício do Quadro funcional, além de construir um conjunto de características que representam o perfil de seus funcionários (faixa etária, nível de absenteísmo, faixas salariais, qualificação, escolaridade, etc.). Acionistas – As informações constantes no balanço social devem complementar as demonstrações contábeis e financeiras, registrando as ações na área social e ecológica, permitindo segurança na tomada de decisão em relação a seus investimentos. Diretores e Administradores – Contribui para o controle, planejamento e tomada de decisões nas organizações, permitindo identificar tendências e oportunidades internas e externas, permitindo ações capazes de melhorar os dois ambientes. Fornecedores – São informações que demonstram as ações na área social e ecológica, aumentam a confiabilidade em relação à organização com a qual efetuam as transações. Clientes – Estes terão a oportunidade de conhecer as políticas e diretrizes da entidade, suas ações sociais e ecológicas, relação com os funcionários, permitindo ao cliente traçar um perfil da organização, e assim, ao adquirirem produtos ou serviços terão maior tranquilidade. Sociedade – O balanço social desenvolve-se com a intenção de dar suporte à sociedade, deixando a mesma informada sobre as ações favoráveis e desfavoráveis, internas e externas, decorrentes das atividades desenvolvidas. Governo – Surge como um instrumento de apoio para o planejamento e a tomada de decisões governamentais, poderá ainda, desencadear um banco de dados, confiável, possibilitando informações preciosas por segmentos, atividades, região, permitindo o desenvolvimento estratégico no setor público, como os planos plurianuais, orçamentos. UNIDADE 3 | RESPONSABILIDADE SOCIAL E AMBIENTAL 186 Concorrentes – Projeta-se o nível de competitividade, as novas tendências, distribuição do mercado, formas de desenvolvimentos, financiamentos que a entidade divulgadora apresentará para a sociedade. Sindicatos – As informações contidas no balanço social servem para aprimorar as negociações com a classe empresarial, e ainda, verificam as ações desenvolvidas na área social, mais precisamente a respeito do quadro de associados. Percebe-se que para cada grupo, a informação tem um enfoque diferente. Para alguns são apresentadas informações relativas às ações e projetos desenvolvidos, para outros as informações permitem divulgar as ações na área social e ecológica. Devido ao grande número de usuários, a utilidade da informação divulgada no balanço social depende da relevância de como os dados são tratados e apresentados. Para Tinoco (2008), o grande desafio consiste em estabelecer o que é relevante e útil, para quem e em que situações uma informação pode ser ou não relevante e útil. Para prestar informação àqueles que precisam e tendo em vista que são muitos os usuários, o balanço social deve evidenciar os aspectos econômico- sociais de forma clara para alcançar o objetivo pelo qual foi redigido. 4.2 ELABORAÇÃO DO BALANÇO SOCIAL Ao elaborar o balanço social é preciso atender à necessidade de informar aos seus diferentes usuários o grau de responsabilidade social que as empresas têm, evidenciando o seu desempenho em relação aos projetos sociais e ambientais. O balanço social é um meio de dar transparência às atividades corporativas, de modo a ampliar o diálogo da organização com a sociedade, uma ferramenta de gestão pela qual a empresa atende a seus compromissos estabelecidos em relação à responsabilidade social (ETHOS, 2011). A seguir mencionamos alguns objetivos apresentados por Kroetz (2000) para que o balanço social seja elaborado: • demonstrar as contribuições da empresa à qualidade de vida das comunidades, por meio de indicadores econômicos e sociais; • abranger as relações com os usuários das informações do balanço social, melhorando o grau de confiança da sociedade na entidade; • medir os impactos das informações, perante a comunidade dos negócios, sobre o futuro da entidade, marca e imagem, evidenciando juntamente com as demais demonstrações contábeis, a estratégia de sobrevivência e crescimento da organização e TÓPICO 4 | BALANÇO SOCIAL 187 • servir de instrumento para negociações trabalhistas entre a direção da organização e sindicatos. De acordo com o Kroetz (2000), esses objetivos devem ser facilmente visualizados no balanço social, porém existem alguns limites essenciais na escolha das informações a serem divulgadas. É também importante relembrar que permanece o grande desafio de saber diferenciar as informações relevantes daquelas que não o são. (TINOCO, 2008). Outro ponto importante a salientar e que se faz necessário é que a elaboração do balanço social precisa seguir uma metodologia. Embora não exista um modelo padrão para a sua divulgação, pois a sua elaboração depende de imaginação e criatividade das pessoas que trabalham nas empresas, existe uma estrutura que pode ser usada como base. Esse guia de elaboração contribui para a estratégia de ação a ser empreendida e os passos essenciais a serem dados. (ETHOS, 2011). Essas metodologias devem ser aplicadas nas informações coletadas nas diversas áreas da empresa. Tinoco (2008) menciona que as principais informações que entram na elaboração do balanço social emanam de três fontes que são: o departamento de pessoal, de contabilidade e de sistema de informação. O departamento de pessoal é o setor que trata com os funcionários desde sua admissão na empresa até o desligamento fornecendo informações em tudo que se refere à movimentação, planejamento, controle, comportamento, evolução, treinamento, formação e desenvolvimento. O departamento de Contabilidade é o setor que elabora e divulga os relatórios contábeis, registra os fatos administrativos mensuráveis financeiramente. Esse setor traduz a situação patrimonial da empresa e fornece informações que atendem às necessidades de seus diferentes usuários, internos e externos. É também um instrumento de gestão que faz uma síntese dos resultados, confrontando despesas e receitas, preço de venda e custo dos produtos fabricados. O departamento de sistema de informação é a peça fundamental do sistema gerencial da entidade promovendo informações monetárias e não monetárias destinadas às atividades e decisões dos níveis operacional, tático e estratégico. Podemos perceber que o departamento de contabilidade é um importante aliado na elaboração do balanço social, juntamente, com os demais setores, mencionados anteriormente. Também se verifica que não existe uma uniformidade em relação aos dados a serem publicados no balanço social, porém nos departamentos citados anteriormente constam dados que possibilitam a avaliação da atuação social das entidades. UNIDADE 3 | RESPONSABILIDADE SOCIAL E AMBIENTAL 188 4.3 INDICADORES CONSTANTES NO BALANÇO SOCIAL Segundo Tinoco (2008), o balanço social procura utilizar o máximo dos indicadores disponíveis nos diversos departamentos das organizações, sendo a sua função básica reunir esses indicadores e dar-lhes um tratamento adequado em termos de transparência para os agentes sociais. Tinoco (2008) destaca que é possível extrair uma quantidade significativa de indicadores do balanço social. Quanto aos indicadores de caráter econômico, Tinoco (2008) menciona que podem ser: • valor adicionado por trabalhador; • relação entre salários pagos ao trabalhador em relação ao valor adicionado; • relação entre salários e a receita bruta da empresa; • contribuição do valor adicionado da empresa para o produto interno bruto; • produtividade social da empresa; carga tributária da empresa em relação a seu valoradicionado etc. (TINOCO, 2008, p. 41). São indicadores que traduzem a geração e distribuição de riqueza na empresa. O balanço social deve demonstrar além das ações e projetos sociais, informações relativas aos recursos financeiros. Quanto aos indicadores de caráter social, podem ser: • evolução do emprego na empresa; • promoção dos trabalhadores na escala salarial da empresa; • relação entre a remuneração do pessoal em nível de gerência e os operários; • participação e evolução do pessoal por sexo e instrução; • classificação do pessoal por faixa etária; • classificação do pessoal por antiguidade na empresa; • nível de absenteísmo; • benefícios sociais concedidos (médico, odontológico, moradia, educação); • política de higiene e segurança no trabalho; • política de proteção a meio ambiente etc.( TINOCO, 2008, p. 41). Esses indicadores fornecem informações relativas ao corpo funcional em relação aos benefícios concedidos e também a participação da empresa em projetos ambientais. Tinoco (2008) destaca ainda dentro das classificações do pessoal que podem ser elaboradas, as seguintes: • volume total de empregados no fim de cada exercício; • pessoas ocupadas, segundo a categoria profissional e sexo; • pessoas ocupadas, segundo sexo e instrução; • pessoas ocupadas, segundo a idade; • pessoas ocupadas, segundo o tempo de trabalho na empresa; • pessoas ocupadas, segundo o estado civil e raça; • pessoas ocupadas, segundo a nacionalidade; • pessoas ocupadas, por tipo de contrato de trabalho, tempo integral, temporário, parcial, optantes ou não do FGTS; • pessoas ocupadas por estabelecimento e distribuição especial. (TINOCO, 2008, p. 45). TÓPICO 4 | BALANÇO SOCIAL 189 Para Costa e Souza (2004), os indicadores mais utilizados, nos últimos anos para elaboração do balanço social, são aqueles que são propostos pelo IBASE. Destacam-se: • indicadores sociais internos: são os investimentos da empresa na melhoria da qualidade de vida de seus funcionários com alimentação, previdência privada, saúde, educação, cultura, treinamento, creches, participação nos lucros e outros benefícios; • indicadores sociais externos: são os investimentos da empresa para a comunidade como habitação, educação, lazer e cultura, bem como os valores correspondentes aos tributos gerados na esfera federal, estadual e municipal; • indicadores ambientais: são os investimentos no monitoramento da qualidade dos resíduos de despoluição e conservação dos recursos ambientais, campanhas ecológicas e de educação sócio ambiental para a sociedade; • indicadores do corpo funcional: são informações sobre a quantidade de funcionários efetivos, terceirizados, mulheres, com mais de 45 anos, estagiários, portadores de deficiência ou necessidades especiais e negros que trabalham na empresa; • informações relevantes quanto ao exercício da cidadania empresarial: são informações não contidas nos indicadores anteriores como relação entre a maior e a menor remuneração, número de acidentes de trabalho durante o ano, normas de trabalho observadas pela empresa e o valor adicionado. (ETHOS, 2005 apud COSTA, SOUZA, 2004, p. 9). Portanto, o IBASE propõe a elaboração do balanço social a partir desses indicadores, ou seja, são demonstrados os investimentos da empresa para os funcionários, a comunidade, meio ambiente, além de outras informações relevantes. Negra, Teixeira e Carmo, (2002 apud Costa e Souza, 2004) salientam que segundo o projeto de Lei nº 3.116, o balanço social deve contemplar indicadores de faturamento e lucro, indicadores laborais, indicadores do corpo funcional segmentando a ação social das empresas. 5 MODELOS DE BALANÇO SOCIAL Para a divulgação do balanço social, os modelos mais conhecidos são o modelo do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE), o modelo do Instituto Ethos e existe um modelo internacional que é o Global Reporting Iniciative (GRI). ESTUDOS FU TUROS Caro(a) acadêmico(a)! Ao final desse item, você encontrará um texto sobre esses dois modelos nacionais (IBASE e ETHOS), além do modelo de uso internacional, que são as diretrizes para relatórios de sustentabilidade, da Global Reporting Initiative (GRI). UNIDADE 3 | RESPONSABILIDADE SOCIAL E AMBIENTAL 190 A seguir apresentamos os dois modelos nacionais que podem ser utilizados para elaborar o balanço social: o IBASE e o Instituto Ethos. 5.1 MODELO IBASE O modelo do IBASE, conforme as informações disponíveis no site da Instituição é um demonstrativo pelo qual as empresas apresentam à sociedade informações sobre investimentos internos e externos, em relação a ações de responsabilidade social empresarial. (IBASE, 2011). O modelo apresenta uma planilha que compõe os indicadores quantitativos que destacam os gastos das empresas para investimentos em projetos sociais e ambientais. Também constam os indicadores qualitativos que apresentam as informações mais abrangentes sobre a maneira como a empresa gera as suas ações de responsabilidade social. No quadro a seguir, apresentamos os diferentes indicadores que constam no balanço social do modelo IBASE, segundo Frey (2005): QUADRO 19 – DEMONSTRATIVO DO BALANÇO SOCIAL MODELO IBASE 1. Base de cálculo - receita líquida - resultado operacional - folha de pagamento bruta Dados apresentados em valores mone- tários, relativos ao ano em questão e ao ano anterior. 2. Indicadores sociais internos Valores monetários, comparados indi- vidualmente com a folha de pagamento bruta e com a receita líquida. As infor- mações são relativas a dois anos. 3. Indicadores sociais externos Valores monetários, comparados indi- vidualmente com a receita operacional e com a receita líquida. As informações são relativas a dois anos. 4. Indicadores ambientais Valores monetários, comparados indi- vidualmente com a receita operacional e com a receita líquida. As informações são relativas a dois anos. 5. Indicadores do corpo funcional Dados numéricos relativos a dois anos. 6. Informações relevantes quanto ao exercício da cidadania empresarial Composto por opções de múltipla esco- lha, também relativo a dois anos. 7. Outras informações Espaço destinado para avaliação quali- tativa. FONTE: Frey, (2005, p. 70) TÓPICO 4 | BALANÇO SOCIAL 191 5.2 MODELO DO INSTITUTO ETHOS O Instituto Ethos (2011) apresenta um Guia para Elaboração do Balanço Social e Relatório de Sustentabilidade, com o objetivo de indicar os principais elementos na elaboração do balanço social, além de apresentar diretrizes gerais que podem auxiliar as empresas a organizar e a comunicar as informações relacionadas aos desafios da estratégia socioambiental, assim como a questão ética das operações. O guia está dividido em quatro partes, conforme Instituto Ethos (2001): Apresentação – consta a mensagem do presidente, o perfil do empreendimento e o setor da economia. Empresa – apresenta-se a missão, visão, princípios e valores da empresa e a governança corporativa. Atividade empresarial – contém um diálogo com as partes interessadas, os indicadores do desempenho econômico, social e ambiental. Anexos – apresenta-se o balanço. Cabe ressaltar que não é um modelo fixo, mas um guia de elaboração que pode ser usado como base para orientar as empresas na publicação de uma ferramenta de responsabilidade social. Existe ainda um modelo internacional, que é o Global Reporting Iniciative (GRI, iniciative global para apresentação relatório), que foi lançado em 1997 pela CERES (Coalition for Environmentally Responsible Economies). Esse modelo apresenta orientações sobre relatórios de desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentáveis, sendo que quase 300 empresas já adotaram esse modelo para a publicação dos seus balanços, sendo quatro empresas brasileiras. Conforme o Instituto Ethos (2011): A GlobalReporting Initiative (GRI) é uma organização não governamental internacional, com sede em Amsterdã, na Holanda, cuja missão é desenvolver e disseminar globalmente diretrizes para a elaboração de relatórios de sustentabilidade utilizadas voluntariamente por empresas do mundo todo. Desde seu início, em 1997, a GRI tem focado suas atividades no desenvolvimento de um padrão de relatório que aborde os aspectos relacionados à sustentabilidade econômica, social e ambiental das organizações. (INSTITUTO ETHOS, 2011, p. 1) Para alcançar esse objetivo, o GRI criou diretrizes para elaboração do relatório de sustentabilidade. As orientações também devem seguir os princípios da GRI. Estes princípios são: UNIDADE 3 | RESPONSABILIDADE SOCIAL E AMBIENTAL 192 • Materialidade, diz respeito à relevância das informações para se tornar um indicador que reflita os impactos econômicos, ambientais e sociais significativos da organização. • Inclusão dos stakeholders consiste na identificação de seus stakeholders, explicando no relatório as medidas que foram tomadas em respostas a seus interesses. • Contexto sustentabilidade em que o relatório deverá apresentar o desempenho da organização em um contexto mais amplo, envolvendo a sustentabilidade. Permite identificar de que forma a organização contribui para a melhoria das condições econômicas, ambientais e sociais de forma geral. • Abrangência deve apresentar indicadores relevantes, refletindo os impactos econômicos, ambientais e sociais, possibilitando que os stakeholders verifiquem o desempenho da organização. TÓPICO 4 | BALANÇO SOCIAL 193 LEITURA COMPLEMENTAR PRINCIPAIS MODELOS Há três modelos-padrão de balanço social, ou relatório de sustentabilidade, disponíveis no Brasil, dois nacionais – um deles proposto pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e o outro pelo Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social – e um internacional, sugerido pela Global Reporting Initiative (GRI). Todos visam definir as informações mínimas a serem publicadas para dar transparência às atividades da empresa. Algumas organizações produzem relatórios com formato próprio, geralmente definido por sua área de comunicação, os quais não contêm as informações exigidas por nenhum dos modelos-padrão. 1. Modelo Ibase Lançado em 1997, o Balanço Social Modelo Ibase inspira-se no formato dos balanços financeiros. Expõe, de maneira detalhada, os números associados à responsabilidade social da organização. Em forma de planilha, reúne informações sobre a folha de pagamentos, os gastos com encargos sociais de funcionários e a participação nos lucros. Além disso, detalha as despesas com controle ambiental e os investimentos sociais externos nas diversas áreas — educação, cultura, saúde etc. 2. Guia de Elaboração de Balanço Social do Instituto Ethos Baseado num relato detalhado dos princípios e das ações da organização, este guia incorpora os Indicadores Ethos de Responsabilidade Social Empresarial e a planilha proposta pelo Ibase, sugerindo um detalhamento maior do contexto das tomadas de decisão em relação aos problemas encontrados e aos resultados obtidos. 3. Diretrizes para Relatórios de Sustentabilidade, da Global Reporting Initiative (GRI) Este modelo, considerado o mais completo e abrangente, conta com princípios para definição adequada do conteúdo do relatório e para garantir a qualidade da informação relatada, indicadores de desempenho e protocolos técnicos com metodologias de compilação, fontes de referências etc. Considerado o padrão internacional de relatórios de sustentabilidade, o modelo GRI está em sua terceira versão, a chamada G3, e já se encontra disponível em português. FONTE: Disponível em: <www.ethos.org.br>. Acesso em: 18 jan. 2012. 194 RESUMO DO TÓPICO 4 Neste tópico foram apresentados alguns esclarecimentos sobre balanço social. A seguir faremos um breve resumo sobre o assunto estudado: • O balanço social surgiu com a crescente demanda por parte da sociedade, de informações relacionadas aos impactos que as atividades empresariais exerciam sobre os trabalhadores, sociedade, meio ambiente, entre outros. • As empresas americanas, na década de 60 foram as pioneiras a apresentar informações sociais, evidenciando além das informações econômico e financeira. • O balanço social é uma demonstração que visa tornar pública a responsabilidade social da empresa, ou seja, suas atividades sociais e ambientais desenvolvidas pela empresa fortalecendo o vínculo entre a empresa, sociedade e meio ambiente. • Os usuários do balanço social são todas as pessoas que interagem com a empresa. Entre os usuários do balanço social, citamos: trabalhadores, acionistas, diretores e administradores, fornecedores, clientes, sociedade, governo, concorrentes e sindicatos. • A elaboração do balanço social visa atender à necessidade de informar aos seus diferentes usuários o grau de responsabilidade social que as empresas possuem. • Cabe à empresa a escolha dos indicadores sociais que melhor avaliem internamente a sua prática de responsabilidade social. • Os indicadores de caráter econômico traduzem a geração e distribuição de riqueza da empresa, tais como valor adicionado por trabalhador, relação entre salários pagos ao trabalhador em relação ao valor adicionado, relação entre salários e as receitas brutas, entre outros. • Os indicadores sociais demonstram a evolução do emprego na empresa, promoção dos trabalhadores na escala salarial da empresa, entre outros. • É possível ter classificação do pessoal por volume total de empregados no fim de cada ano, pessoas ocupadas por categoria profissional, sexo, instrução, idade, tempo de trabalho, estado civil, entre outras informações. • Os modelos de balanço social são o do IBASE e o Instituto Ethos, no Brasil. O GRI (Global Reporting Infinitive) é um modelo internacional. 195 AUTOATIVIDADE 1 Complete as lacunas da sentença a seguir. O ____________ é uma demonstração que visa divulgar a responsabilidade social das organizações, proporcionando aos seus usuários informações sobre a gestão social relacionada às políticas internas voltadas aos ____________, à distribuição da riqueza, que é apresentada por meio da ____________, as contribuições à sociedade, e da divulgação da postura das organizações em relação ao meio ambiente. Agora, assinale a alternativa CORRETA: ( ) balanço social – empregados – demonstração do valor adicionado. ( ) balanço social – empregados – demonstração do resultado do exercício. ( ) balanço patrimonial – empregadores – demonstração do valor adicionado. ( ) balanço social – empregadores – demonstração do fluxo de caixa. 2 Os usuários do balanço social necessitam de diferentes informações que satisfaçam a necessidade de cada um. Associe os itens, utilizando o código a seguir: I – Trabalhadores. II – Acionistas. III – Fornecedores. IV – Sindicatos. ( ) As informações contidas no balanço social servem para aprimorar as negociações com a classe empresarial. ( ) As informações constantes no balanço social devem complementar as demonstrações contábeis e financeiras, registrando as ações na área social e ecológica, permitindo segurança na tomada de decisão em relação a seus investimentos. ( ) As informações revelam a influência que a entidade exerce sobre a sociedade, além de construir um conjunto de características que representam o perfil (faixa etária, nível de absenteísmo, faixas salariais, qualificação, escolaridade, etc.). ( ) As informações demonstram as ações na área social e ecológica, aumentam a confiabilidade em relação à organização com a qual efetuam as transações. Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: ( ) I – III – II – IV. ( ) II – III – I – IV. ( )IV – II – I – III. ( ) IV – III – II – I. 3 Para a elaboração do balanço social é importante que seja seguida uma metodologia, embora não exista um modelo padrão especifico. Contudo, 196 as informações principais necessárias para a elaboração do balanço social são obtidas de departamentos existentes na empresa. Partindo desse pressuposto, classifique em V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) Os três principais departamentos da empresa que fornecem informações para a elaboração do balanço social são o departamento de recursos humanos, contabilidade e sistema de informações. ( ) O departamento de pessoal é o setor que elabora e divulga os relatórios contábeis, registrando os atos e fatos administrativos. ( ) O departamento de contabilidade é o setor que trata com os funcionários, fornecendo informações sobre movimentação, planejamento, controle e desenvolvimento. ( ) O departamento de sistema de informação não é peça fundamental do sistema gerencial da entidade, promovendo apenas informações monetárias e não monetárias. Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: ( ) F – F – F – F. ( ) V – F – F – V. ( ) F – F – F – V. ( ) V – F – F – F. 4 Os indicadores fornecem informações relativas ao público interno e externo, meio ambiente, além de outras informações relevantes. Com relação aos indicadores propostos pelo IBASE, analise as seguintes afirmativas. I – Indicadores sociais internos são os investimentos da empresa na melhoria da qualidade de vida de seus funcionários como alimentação, previdência privada, saúde, educação, cultura, treinamento, creches, participação nos lucros e outros benefícios. II – Indicadores do corpo funcional são informações relativas ao exercício da cidadania empresarial: são informações não contidas nos indicadores anteriores como relação entre a maior e a menor remuneração, número de acidentes de trabalho durante o ano, normas de trabalho observadas pela empresa e o valor adicionado. III – Indicadores sociais externos são os investimentos da empresa para a comunidade como habitação, educação, lazer e cultura, bem como os valores correspondentes aos tributos gerados na esfera federal, estadual e municipal. IV – Indicadores ambientais são os investimentos no monitoramento da qualidade dos resíduos de despoluição e conservação dos recursos ambientais, campanhas ecológicas e de educação sócio ambiental para a sociedade. Agora, assinale a alternativa CORRETA: ( ) Somente a afirmativa I está correta. ( ) Somente a afirmativa IV está correta. ( ) As afirmativas I, II e III estão corretas. ( ) As afirmativas I, III e IV estão corretas. 197 TÓPICO 5 DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Com a aprovação da Lei nº 11.638/07, a Demonstração do Valor Adicionado tornou-se obrigatória no conjunto das demonstrações contábeis que devem ser elaboradas e divulgadas pelas empresas de capital de aberto. (Artigo 176 V da Lei nº 11.638/07). A resolução CFC nº 1.138, de 28 de novembro de 2008, aprova a NBC TG 09 - Demonstração do Valor Adicionado. É importante mencionar que essa Norma denominava-se NBC T 3.7, porém a Resolução CFC nº 1.329/11 alterou a sigla e a numeração para NBC TG 09, assim como de outras normas. Essa Norma (NBC TG 09) tem por objetivo determinar critérios que servem para a elaboração e apresentação da Demonstração do Valor Adicionado – DVA, que é um dos elementos que compõem o Balanço Social das empresas. A finalidade da Demonstração do Valor Adicionado é evidenciar a riqueza criada pela empresa e sua distribuição em um determinado período de tempo. (Resolução CFC nº 1.138). A seguir apresenta-se um pouco da história dessa demonstração, sua estrutura, com base na legislação, a importância dessa demonstração para a gestão, assim como os usuários das informações apresentadas na DVA. IMPORTANT E Lembra que você já fez a disciplina de Estrutura das Demonstrações Contábeis? Portanto, já estudou a forma de elaborar a Demonstração do Valor Adicionado. Por esse motivo nesse tópico não vamos retomar a elaboração da DVA, mas relembrá-lo de alguns aspectos importantes sobre essa demonstração e dar ênfase na legislação. UNIDADE 3 | RESPONSABILIDADE SOCIAL E AMBIENTAL 198 2 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA Tinoco (2008) menciona que são poucas as empresas que publicam a Demonstração do Valor Adicionado, porém com o advento da Lei nº 11.638/07, é provável, que uma maior quantidade de empresas publique essa demonstração. A publicação da Demonstração do Valor Adicionado iniciou a partir de publicações da Telebrás e algumas de suas controladas, em 1990, da CMTC (Companhia Municipal de Transportes Coletivos de São Paulo) em 1991 e do Banespa em 1992. (TINOCO, 2008). Conforme Tinoco (2008) essas demonstrações tinham um aspecto comum entre elas, ou seja, o fato de serem divulgadas na forma de relatório de administração ou notas explicativas às demonstrações contábeis e não na forma de uma demonstração, que estaria sujeita à auditoria. Hoje, já avançamos, uma vez que já consideramos que a Demonstração do Valor Adicionado deve ser apresentada como parte das demonstrações contábeis divulgadas ao final de cada exercício, sendo inclusive obrigatória sua publicação para as empresas de capital aberto. Logo estão sujeitas a um controle maior e com isso os usuários das informações contábeis possuem maior segurança nas informações apresentadas. 3 ESTRUTURA DA DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO Com a obrigatoriedade de elaboração e publicação da Demonstração do Valor Adicionado juntamente com as demais demonstrações contábeis que devem ser divulgadas no final de cada exercício para as entidades que possuem a forma jurídica de sociedade por ações, capital aberto, e outras entidades, que a lei estabelecer é importante observar o que a Resolução CFC nº 1.138/07 aborda sobre esse assunto. Ressalta-se que a norma menciona ainda que sua elaboração é recomendada para todas as entidades que divulgam demonstrações contábeis. A Resolução CFC nº 1.138/07 traz três modelos de Demonstração do Valor Adicionado, um modelo que se aplica às empresas em geral, outro para as instituições financeiras bancárias e um terceiro para as seguradoras. NOTA Mais uma vez, caro(a) acadêmico(a)! É importante você fazer uma leitura da NBC TG 09 – Demonstração do Valor Adicionado (Resolução CFC 1.138/2008), em que você vai encontrar os três modelos de DVA mencionados anteriormente. Disponível em:<http://www. cfc.org.br>. Acesso em: 10 out. 2011. TÓPICO 5 | DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO 199 4 A DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO NO BRASIL As primeiras evidências de apresentação da DVA, conforme mencionado anteriormente ocorreram em 1990 com a Telebrás e algumas de suas controladas, depois a Companhia Municipal de Transportes Coletivos de São Paulo (CMTC) e o Banespa. (TINOCO, 2008). Oliveira e Alves (2003) mencionam que a Comissão de Valores Monetários em seu Parecer de Orientação 24/92, em relação às sociedades de capital aberto, abordava os avanços na qualidade da informação e divulgação das demonstrações contábeis, esclarecendo que seria uma forma de apresentar uma melhor informação aos usuários das demonstrações contábeis. Atualmente, ressaltamos a importância da Lei nº 11.638/07 e devido à convergência das Normas, salientamos a existência da Resolução CFC nº 1.138/08. 5 A IMPORTÂNCIA DA DVA NA GESTÃO DAS EMPRESAS Cada vez mais os usuários das demonstrações contábeis necessitam de informações que evidenciem a realidade na qual as empresas estão inseridas, demonstrando informações úteis para a sociedade e demais stakeholders. Nesse sentido, a Resolução CFC nº 1.138/08 menciona que a DVA proporciona o conhecimento de informações de natureza econômicae social aos investidores e demais usuários dessa Demonstração, oferecendo a possibilidade de uma melhor avaliação das atividades da entidade. Consta ainda na Resolução CFC nº 1.138/08 que: “a decisão de recebimento por uma comunidade (Município, Estado e a própria Federação) de investimento pode ter nessa demonstração um instrumento de extrema utilidade e com informações que, por exemplo, a demonstração de resultado por si só não é capaz de oferecer.” Portanto, as informações apresentadas na primeira parte da DVA são relativas à geração do valor adicionado e na segunda a distribuição do Valor Adicionado (TINOCO, 2008), portanto vão além do resultado (lucro ou prejuízo) apresentado na Demonstração do Resultado Exercício. Cabe evidenciar o conceito de valor adicionado e insumo adquirido de terceiros, segundo a Resolução CFC nº 1.138/08. Valor adicionado representa a riqueza criada pela empresa, de forma geral medida pela diferença entre o valor das vendas e os insumos adquiridos de terceiros. Inclui também o valor adicionado recebido em transferência, ou seja, produzido por terceiros e transferido à entidade. Insumo adquirido de terceiros representa os valores relativos às aquisições de matérias-primas, mercadorias, materiais, energia, serviços etc. UNIDADE 3 | RESPONSABILIDADE SOCIAL E AMBIENTAL 200 que tenham sido transformados em despesas do período. Enquanto permanecerem nos estoques, não compõem a formação da riqueza criada e distribuída. (Resolução CFC nº 1.138/08). Portanto, o profissional da contabilidade que tem conhecimento das informações contábeis que servem de base para a elaboração da DVA pode proporcionar uma Demonstração de qualidade e que sirva aos interesses dos gestores. 6 USUÁRIOS DAS INFORMAÇÕES DA DVA Da mesma forma que o Balanço social, a Demonstração do Valor Adicionado é apresentada para os stakeholders, ou seja, aos diversos usuários dos relatórios contábeis, que já foram apresentados anteriormente. Conforme Tinoco (2008) o objetivo principal da DVA é fornecer informações a diversos grupos participantes nas operações. De acordo com a Resolução CFC nº 1.138/08 a DVA deve permitir que os usuários das demonstrações contábeis possam obter informações relativas à riqueza criada pela entidade em determinado período e a forma como essas riquezas foram distribuídas. 7 PONTOS CONFLITANTES DA DVA A DVA é relativamente nova, sendo normal que existam pontos conflitantes e que gerem dúvidas na sua elaboração. Entre questões polêmicas Tinoco (2008, p. 68) destaca: “depreciação, INSS do empregador, equivalência patrimonial, remuneração e encargos com pessoal, impostos, remuneração do capital e provisão para contingências, são os mais importantes”. Tinoco (2008, p. 68) complementa que “na elaboração da Demonstração do Valor Adicionado, ainda existem muitos pontos geradores de conflitos, mesmo em países onde sua apresentação é mais utilizada, e isso se deve basicamente à falta de uma harmonização para essa demonstração”. Contudo, com a publicação da Resolução CFC nº 1.138/2008, que visa atender ao processo de convergência às normas internacionais, já estamos caminhando para uma uniformização das informações que são apresentadas na Demonstração do Valor Adicionado. Salientamos que a Norma aborda alguns casos especiais, relativo à: Depreciação de itens reavaliados ou avaliados ao valor justo (fair value), ajustes de exercícios anteriores, ativos construídos pela empresa para uso próprio, distribuição de lucros relativos a exercícios anteriores e substituição tributária. TÓPICO 5 | DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO 201 NOTA Caro(a) acadêmico(a)! Para aprofundar os seus conteúdos, sugerimos a leitura da NBC TG 09 – Demonstração do Valor Adicionado (Resolução CFC 1.138/2008). Disponível em: <http://www.cfc.org.br>. 202 RESUMO DO TÓPICO 5 Neste tópico, você estudou que: • A Demonstração do Valor Adicionado tornou-se obrigatória no conjunto das demonstrações contábeis que devem ser elaboradas e divulgadas pelas empresas de capital aberto, conforme a Lei nº 11.638/07. • A resolução CFC 1.138, de 28/11/2008, aprovou a NBC TG 09 sobre a demonstração do valor adicionado. Nessa norma consta objetivo, alcance e apresentação, definições, características das informações da DVA, formação da riqueza, casos especiais (alguns exemplos), além de modelos que devem ser entendidos como indicativos, objetivando maior transparência. Esses modelos são para empresas em geral, instituições financeiras bancárias e seguradoras. • Demonstração do valor adicionado é um dos elementos que compõem o Balanço Social das empresas, sendo sua finalidade evidenciar a riqueza criada pela empresa e sua distribuição em um determinado período de tempo. • A estrutura da Demonstração do Valor Adicionado deve obedecer à Resolução do CFC 1.138, de 28/11/2008. • Para a gestão das empresas, a Demonstração do Valor Adicionado é importante, pois proporciona o conhecimento de informações de natureza econômica e social aos investidores e demais usuários dessa demonstração. 203 AUTOATIVIDADE 1 A Demonstração do Valor Adicionado é importante, pois traz informação relativa ao valor agregado, ou seja, valor total da produção de bens e serviços de determinado período, menos o custo dos recursos adquiridos de terceiros, necessários a essa produção, além de evidenciar a forma pela qual este valor está sendo distribuído entre os diferentes grupos sociais. Sobre a Demonstração do Valor Adicionado, analise as seguintes sentenças: I – A Demonstração do Valor Adicionado não precisa ser elaborada, nem divulgada pelas empresas de capital aberto. II – A Demonstração do Valor Adicionado é regida, atualmente, pela NBC T 3.7. III – A Demonstração do Valor Adicionado tem por finalidade evidenciar a riqueza criada pela empresa e sua distribuição em um determinado período de tempo. IV – A resolução CFC nº 1.138/2008 aprovou a NBC TG 09 sobre a Demonstração do Valor Adicionado. Agora, assinale a alternativa CORRETA: ( ) As afirmativas I e II estão corretas. ( ) As afirmativas III e IV estão corretas. ( ) As afirmativas I e IV estão corretas. ( ) As afirmativas II e III estão corretas. 2 Complete as lacunas da sentença a seguir. A resolução CFC nº 1.138/ traz três modelos de demonstração do valor adicionado, sendo eles: ____________, ____________ e ____________. Agora, assinale a alternativa CORRETA: ( ) empresas em geral - partidos políticos - organizações não governamentais. ( ) empresas em geral - seguradoras - organizações não governamentais. ( ) empresas em geral - instituições financeiras bancárias - organizações não governamentais. ( ) empresas em geral - instituições financeiras bancárias - seguradoras. 3 Complete as lacunas da sentença a seguir. A Demonstração do Valor Adicionado divide-se em duas partes, na primeira parte refere-se a ____________ do valor adicionado e na segunda a ____________ do valor adicionado, portanto vão além do resultado apresentado na ____________. Agora, assinale a alternativa CORRETA: ( ) geração – distribuição – demonstração do resultado do exercício. ( ) geração – distribuição – demonstração do fluxo de caixa. ( ) distribuição – geração – demonstração do resultado do exercício. ( ) distribuição – geração – demonstração do fluxo de caixa. 204 205 REFERÊNCIAS ALLEDI FILHO, Cid; QUELHAS, Osvaldo Luis Gonçalves. Transparência nos negócios a partir do diálogo. Transparência nos negócios e nas organizações: os desafios de uma gestão para a sustentabilidade. Osvaldo Luis Gonçalves Que- lha... [et al] organizadores – São Paulo: Atlas, 2009. ARAUJO, Osório Cavalcante. Contabilidade para organizações do terceiro setor. São Paulo: Atlas, 2009. ARRUDA, Maria Cecília Coutinho de. A ética