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6o. ano Volume 1 ooo Geografia Livro didático Geografia para entender o mundo 21 2 Cartografia – diversas formas de representar o espaço 22 Representação artística Imagem ampliada Fora de escala numérica Escala numérica Formas em proporção Imagem microscópica Coloração artificial Coloração semelhante à natural Fora de proporção O projeto gráfico atende aos objetivos da coleção de diversas formas. As ilustrações, os diagramas e as figuras contribuem para a construção correta dos conceitos e estimulam um envolvimento ativo com os temas de estudo. Sendo assim, fique atento aos seguintes ícones: © W ik im ed ia C om m on s/ Br iti sh M us eu m 1 Geografia para entender o mundo 1. Escolha duas das paisagens apresentadas e faça uma descrição de cada uma delas, destacando suas principais características. 2. Estabeleça relações entre as duas paisagens que você escolheu, escrevendo as semelhanças e diferenças existentes entre elas. © Sh ut te rs to ck /M ag ic O fL ig ht © Sh ut te rs to ck /Q ua lit y M as te r © Sh ut te rs to ck /A er ov ist a Lu ch tfo to gr af ie © Sh ut te rs to ck /J oh n E He in tz Jr © Sh ut te rs to ck /Q ua lit y M as te r • Paisagem montanhosa na Polônia, setembro de 2016 • Área central da Cidade do Cabo, África do Sul, 2016 • Colheitadeira retirando trigo em área rural nos Estados Unidos, 2016 • Vista aérea de duas usinas termelétricas e um parque eó- lico no porto de Roterdam, Países Baixos, 2016 2 Como você verificou nas imagens da abertura do capítulo, há uma grande diversidade de paisagens em nosso planeta. Por meio da análise dessas imagens, podemos perceber o quanto tais paisagens são diferentes umas das outras. Cada uma é única, pois apresenta suas particularidades. Entretanto, também é possível verificar que elas, muitas vezes, se relacionam entre si, contribuindo de sua maneira para a forma- ção do espaço geográfico. Você já prestou atenção na grande quantidade de lugares diferentes que frequenta em seu dia a dia? Pensou sobre as características de cada um deles, como e quando surgiram ou foram construídos, na diver- sidade de materiais utilizados, nas pessoas presentes? São perguntas que podemos fazer quando pensa- mos em geografia e que nos ajudam a compreender os lugares nos quais vivemos. Observe, por exemplo, a quantidade de objetos existentes na sala de aula que são fundamentais para que esta possa funcionar de forma satisfatória, tais como: carteiras, quadro, armário, mesa do professor, lixeira, itens de alimentação, entre outros. Percebemos, assim, que, no interior da escola, há diversos objetos que foram produzidos por meio do trabalho de diferentes pessoas e em locais distintos e distantes: extração de minérios e corte de árvores para a produção dos móveis; produção de cimento, areia e tijolos para a construção do prédio; indústrias que fabricam materiais de limpeza necessários a fim de que a escola esteja sempre limpa e em condições de receber os alunos, etc. Há ainda as relações humanas e sociais envolvendo as pessoas que frequentam a escola, desde alunos e pais até professores e demais funcionários, cada qual interagindo com diferentes lugares que influenciam sua vida. Neste capítulo, vamos discutir os principais conceitos utilizados nos estudos geográficos, os quais nos ajudarão a entender como os lugares são formados e de que modo se articulam. Estudar os diversos lu- gares e as paisagens do planeta, seja nosso bairro, um país, seja uma região distante, é importante para compreendermos tanto nosso entorno quanto o mundo em que vivemos. Objetivos • Compreender o espaço geográfico por meio do reconhecimento dos principais conceitos da Geografia: paisagem; lugar; escala geográfica; região; território. • Perceber o espaço geográfico como produto das relações entre os seres humanos e destes com a natureza. • Reconhecer seu papel como agente de produção do espaço geográfico. • Desenvolver um olhar crítico sobre a realidade que o cerca. © Sh ut te rs to ck /V ol od ym yr G oi ny k A paisagem da Antártica, continente mais gelado do planeta, é diferente das que encontramos no Brasil, mesmo naqueles lugares onde é possível nevar ocasionalmente. Na Antártica, a maior parte das paisagens é coberta pela neve durante o ano inteiro. Apenas cientistas e pesquisadores passam períodos variáveis, mais ou menos longos, nas estações de pesquisa. 3 • Agricultura contemporânea em Mogi das Cruzes, SP, 2009• Agricultura no início do século XX, em Charqueadas, RS, entre 1938 e 1945 Fu nd aç ão G et úl io V ar ga s/ Co le çã o Gu st av o Ca pa ne m a © Sh ut te rs to ck /A lf Ri be iro Espaço geográfico: natureza e sociedade em constante transformação Os lugares por onde você passa e que frequenta cotidianamente não existem por acaso. Eles foram construídos pela sociedade no decorrer do tempo. Foram gerações de pessoas que interagiram com a na- tureza, utilizando-a e extraindo dela seus recursos por meio de muito trabalho. Esse processo contínuo de transformação teve início nos primórdios da humanidade e se estende até os dias atuais de maneira cada vez mais intensa. Estudos de arqueologia indicam que diferentes sociedades começaram a desenvolver agricultura em dis- tintas regiões do globo entre, aproximadamente, 10 mil e 7 mil anos atrás, difundindo essa prática a partir de então. Antes disso, nossos antepassados eram nômades e viviam, basicamente, da coleta. A expansão da agricultura possibilitou o desenvolvimento de técnicas que foram sendo aprimoradas. Com o decorrer do tempo e a evolução da agricultura, as sociedades passaram a produzir mais do que precisavam para sua subsistência, ocasionando excedentes de produção. Dessa forma, não era necessário que tantas pessoas estivessem envolvidas na tarefa de buscar alimentos e muitos passaram a se dedicar ao desenvolvimento de técnicas e equipamentos que proporcionassem melhor desempenho e maior con- forto para a realização dessa atividade. Assim, iniciou-se a fixação da humanidade, em geral, nos lugares onde havia disponibilidade de água doce (rios). Com isso, entre 5 mil e 4 mil anos atrás, em diversas partes do mundo, as primeiras aglomerações humanas permanentes se formaram, constituindo as aldeias e, mais tarde, as vilas e cidades. A partir do aperfeiçoamento e da difusão de novas técnicas, a capacidade de produção ampliou-se e, consequentemente, o espaço natural passou a ser transformado de maneira mais profunda e rápida. O desenvolvimento da agricultura impulsionou a produção de excedentes e permitiu aos seres huma- nos se fixarem permanentemente em certos locais. Com o surgimento das cidades, a aglomeração das pes- soas propiciou que cada um se dedicasse àquilo que fazia melhor, o que deu origem à divisão do trabalho. Dessa forma, os trabalhadores podiam se especializar em determinado tipo de tarefa, como plantar (agricultores), cuidar dos rebanhos (pastores), construir casas (arquitetos e construtores), confeccionar ob- jetos de madeira (marceneiros), entre outros. Há pouco mais de 200 anos, no século XVIII, uma nova revolução técnica veio complementar as gran- des transformações trazidas pelo surgimento da agricultura e, depois, das cidades. Trata-se da Revolução Industrial, que tornou possível que a fabricação e o transporte de mercadorias se multiplicassem, gerando a produção em massa, que, ainda hoje, permite que lojas e mercados estejam sempre repletos com os mais diversos artigos de consumo. Observe, nas imagens a seguir, as transformaçõesdas paisagens rurais no uso de diferentes técnicas. 6o. ano – Volume 14 Atualmente, existem grandes centros urbanos nos quais muitas pessoas trabalham em diversas ativi- dades econômicas, mas sem relação direta com a produção de alimentos. Isso significa que, em cerca de 10 mil anos, a humanidade desenvolveu imensa habilidade de adaptação ao meio natural para suprir suas necessidades, criando-se uma complexa organização social. Como verificamos, a modernização das técnicas intensificou a transformação do espaço natural por parte das sociedades que se desenvolveram. Essa relação entre a sociedade e o meio natural é o que constitui o espaço geográfico, objeto de estudo da área de Geografia. Compreender o espaço geográfico e a sua forma- ção nos diferentes contextos e sociedades é muito importante para entender a realidade que nos cerca. Quando você percorre os vários trajetos do seu dia a dia, passa por diversas construções, como casas, prédios, ruas, muros, cercas, praças, viadutos, escolas e hospitais. Essas e outras obras refletem as transfor- mações espaciais promovidas pelos seres humanos ao longo do tempo. Os seres humanos desenvolveram a capacidade de promover grandes alterações no meio onde vivem e, por isso, devem ser responsáveis nas ações que praticam. Mesmo transformações feitas com o objetivo de melhorar o ambiente, muitas vezes, podem trazer consequências indesejáveis, como poluição de rios, desmatamentos, extinção de espécies animais e vegetais, além de formação de áreas insalubres e outros problemas que cada vez mais prejudicam sociedades pelo planeta. • Loja em rua comercial de São Paulo, SP, 2007 • Linha de produção de uma fábrica de motores em Camaçari, BA, 2015 © Sh ut te rs to ck /A lf Ri be iro Pu lsa r I m ag en s/ Pa ul o Fr id m an Pu lsa r I m ag en s/ Lu ci an a W hi ta ke r Fo to ar en a/ Ca rlo s E ze qu ie l V an no ni • Córrego poluído em São Gonçalo, RJ, em 2016, incêndio florestal em Alto Paraíso, GO, em 2016 e aterro irregular em Recife, PE, 2014 Mesmo que essa não seja a intenção, muitas vezes as alterações que os seres humanos impõem à natureza geram danos ambientais graves e de difícil reparação, como poluição dos rios, queimadas e lixões. Pu lsa r I m ag en s/ An dr e Di b Para que possamos compreender claramente como as sociedades constroem o espaço geográfico, é necessário entender mais alguns conceitos que serão estudados a seguir: paisagem, lugar, escala, região e território. Geografia 5 geografia Defina, nas linhas a seguir, o que é espaço geográfico bem como a importância de compreender sua formação. As paisagens e sua importância no estudo do espaço geográfico Quando pensamos em uma paisagem, em geral imaginamos uma cena que nos dá prazer em observar, como o surgimento do Sol no horizonte ou uma região de montanhas com uma vegetação exuberante, certo? Porém, para o estudo da Geografia, a paisagem vai muito além da beleza que uma vista pode proporcionar. Trata-se do conjunto de elementos naturais e culturais – ou artificiais, isto é, construídos pelos seres humanos – que está diante de nossos olhos. A paisagem também pode ser percebida por outros sentidos, como o olfato, a audição e o tato. Ou seja, podemos interpretá-la tanto por seus elementos visuais quanto por odores, sons e texturas. É por meio das paisagens que temos o primeiro contato com um lugar que ainda não conhecemos e é observando-as e percebendo-as com atenção que podemos identificar e interpretar características impor- tantes desses locais. Analise as imagens a seguir. Ki no .co m .b r/ M ar co A nt on io S a © Sh ut te rs to ck /L uz R os a © Sh ut te rs to ck /L ub os la v T ile s Pu lsa r I m ag en s/ Jo ão P ru de nt e • Nesses exemplos de paisagens, a primeira mostra uma grande cidade, São Paulo, SP, em 2016; a segunda, a zona rural de Cândido Sales, BA, em 2016; a terceira, uma paisagem na Áustria em 2016; por fim, vemos uma paisagem do Parque Estadual de Itaúnas em Conceição da Barra, ES, 2015 6o. ano – Volume 16 As paisagens apresentam elementos naturais, aqueles formados pela natureza, e elementos culturais, aqueles construídos pela ação das sociedades. Em algumas delas, os elementos naturais podem prevalecer e, em outras, os culturais têm maior destaque. Nos locais que concentram maior número de pessoas e atividades econômicas, como as grandes cidades do Brasil e de diversos outros países industrializados, esses elementos construídos estão pre- sentes de forma bastante característica. A quantidade de veículos, edifícios e objetos produzidos ou planejados pelos seres humanos é muito grande e ocupa quase todo o espaço. Mesmo elementos encontrados na natureza, independentemente da interferência humana, como as plantas ou os cursos de água (rios e lagos), são adaptados às necessidades humanas. Nesse sentido, podem ser vistos como sendo, também, elementos culturais. Também há, em todos os continentes, áreas nas quais a presença humana é inexistente ou escassa, em razão das condições naturais adversas (climas muito frios ou relevos muito íngremes, por exemplo), além de possibilidades limitadas de exploração econômica, como é o caso de desertos, altas montanhas ou ilhas distantes. Mesmo essas áreas, no entanto, sofrem impactos das ações das sociedades. A adaptação humana a variados tipos de ambientes somente foi possível em virtude do uso das téc- nicas desenvolvidas por diversos povos para ampliar sua capacidade de sobrevivência e exploração de ambientes extremos. Ou seja, o desenvolvimento da técnica ampliou o espaço geográfico, o conjunto de lugares habitados pelas pessoas e/ou aproveitados por elas de alguma forma. Essas transformações nas paisagens, que influenciam as características culturais dos grupos humanos, também são realizadas com grande intensidade pelos povos originários. Trata-se dos povos nativos ou indígenas dos diversos continentes que, cada qual à sua maneira, mantêm seus modos de vida próprios e, muitas vezes, suas línguas originais. Nem por isso, entretanto, devemos pensar que são imutáveis ou que não interajam com outras culturas e tecnologias modernas. Leia, no texto da página seguinte, como as transformações tecnológicas recentes afetaram de modo distinto duas populações nativas de áreas desérticas, os Beduíno na Arábia Saudita e os Navajo nos Estados Unidos (região sudoeste), e como essas populações modificaram suas próprias maneiras de trans- formar as paisagens onde vivem. © Sh ut te rs to ck /V ito ria no Ju ni or Nessa imagem de Goiânia, capital de Goiás, vemos diversos elementos culturais, como prédios e construções, por um lado, e elementos naturais, como as árvores e a água, que foram manejados para que se adaptassem às necessidades sociais de lazer e bem-estar público, de outro. Por isso, esses elementos também podem ser vistos como culturais. Imagem de 2017. Geografia 7 Saiba + WICANDER, Reed; MONROE, James S. Fundamentos de Geologia. Tradução de Harue Ohara Avritcher. Revisão técnica de Maurício Antônio Carneiro. São Paulo: Cengage Learning, 2009. p. 356-357. Saiba + Vivendo nos desertos [...] Talvez o deserto mais desolado seja o Rub’al Khali, na Arábia Saudita. O Rub’al Khali é o lar dos beduínos, um povo nômade, que sobreviveu e, até recentemente, floresceu na paisagem do deserto. [...] Mas o número de beduínos tem diminuído muito nos últimos anos, à medida que os mais jovens têm sido absorvidos nas sociedades estabelecidas nos centros e cidades. Um dos principais vetores para essa mudança culturalna Arábia Saudita tem sido o sim- ples jipe. Em lugar de depender de camelos para o transporte, o beduíno usa frequentemen- te os jipes. Alguns dos veículos foram doados pelo governo saudita, que é rico pelas receitas advindas do petróleo e quer que os beduínos desistam de seu estilo de vida nômade para que seus filhos possam frequentar a escola. Manter e colocar combustível em um jipe não é como manter camelos, e a mudança na vida trazida pelo jipe liga mais e mais beduínos às cidades. [...] Em séculos passados, os camelos que pertenciam aos beduínos permitiam que os mu- çulmanos de lugares distantes cruzassem o deserto em sua peregrinação aos locais santos do Islã. Transportar peregrinos era um dos principais negócios dos beduínos, geração após geração. [...] Agora, aviões e ônibus levam peregrinos muçulmanos para onde eles precisam ir, e os camelos perderam muito de seu valor [...]. A maior parte dos camelos, atualmente, é mantida como animais de estimação em lugar de animal para o trabalho. A cultura beduína está mudando rapidamente como resultado de todos esses padrões diferentes de vida que divorcia o beduíno do próprio deserto. No sudoeste americano, a tribo navajo oferece um exemplo diferente de população que vive no deserto e que se adaptou melhor aos tempos modernos e à tecnologia. Os navajos são uma grande tribo com aproximadamente 200 mil membros. A reserva dos navajos é a maior dos Estados Unidos, ocupando partes de três estados: Arizona, Novo México e Utah. Durante o último milênio, os navajos têm vivido em áreas desérticas do Platô de Colo- rado, criando gado, principalmente carneiro, cultivando algumas áreas e continuando tam- bém com seus estilos anteriores de vida de colhedores e caçadores. Mantendo esses padrões de trabalho, muitas famílias navajo vivem em pequenas aldeias ou simplesmente sozinhas nos desertos. Diferentemente dos beduínos, os navajos não são nômades – uma importante distinção entre os dois povos. Hoje muitas famílias de navajos continuam a viver como vive- ram sempre, como pastoras de ovelhas e pequenos fazendeiros. Elas usam veículos e rádios para ajudar em seu trabalho, mas permanecem atadas aos mesmos pedaços do deserto que os seus ancestrais usaram. A tribo navajo tira sua renda dos recursos naturais da terra tribal e do turismo. Os jovens da tribo estão crescentemente expostos à cultura moderna por meio da internet e da televisão. Até agora, no entanto, os membros das tribos têm sido capazes de preservar sua língua e as tradições culturais básicas, mesmo que eles as misturem com tecnologias modernas. Em resumo, parece que a vasta extensão do deserto ao redor das famílias isoladas de navajos e seu compromisso com a terra os têm ajudado a manter as ligações com as suas tradições do deserto. Ra qs on u. 2 01 7. D ig ita l. 6o. ano – Volume 18 Olhar geográfico 1. Com base na descrição presente no texto Vivendo nos desertos (página anterior), quais as principais diferenças entre as modificações nas tradições dos povos nativos indicados? Cite ao menos duas dife- renças. 2. Quais as diferenças que as mudanças nas atividades praticadas pelos povos citados no texto impuse- ram sobre as paisagens desérticas? 3. Observe as imagens apresentadas e indique se elas são paisagens predominantemente naturais ou se nelas prevalecem os elementos culturais. ki no .co m .b r/ To m A lv es © Sh ut te rs to ck /A lf Ri be iro Pu lsa r I m ag en s/ Al ex an dr e Ca pp i ( ) Predominantemente natural ( ) Predominantemente cultural ( ) Predominantemente natural ( ) Predominantemente cultural ( ) Predominantemente natural ( ) Predominantemente cultural 4. Quais são as principais diferenças que se podem notar entre as paisagens transformadas pelo desen- volvimento da agropecuária e aquelas modificadas pelo desenvolvimento das grandes cidades? Men- cione ao menos três características de cada tipo de paisagem. • Rio Novo no Parque Nacional do Jalapão, TO, 2014 • Cruzamento entre duas movimentadas avenidas no centro de São Paulo, SP, 2016 • Vista aérea de plantação de euca- liptos em Jundiaí, SP, 2014 Geografia 9 • Rua residencial em Curitiba, PR, 2015, certamente um lugar fa- miliar para seus habitantes • Local conhecido como Rua Coberta, onde há comércio e apresentações culturais no centro de Gramado, RS, 2016 Pu lsa r I m ag en s/ Lu ci an a W hi ta ke r Pu lsa r I m ag en s/ Ge rs on G er lo ff A relação entre os lugares Em nosso dia a dia e ao longo da vida, frequentamos muitos espaços geográficos diferentes. Em alguns deles, como nossas casas, nos sentimos mais à vontade, pois conhecemos cada detalhe; em outros, como locais públicos ou de trabalho e estudo, nem tanto, por isso nos comportamos de acordo com certas regras. É importante saber que o entendimento do que determinado lugar significa ou representa para cada um é particular, pois depende da percepção individual. Ou seja, o lugar é um espaço de identidade, vivên- cia e convivência no cotidiano das pessoas. As diferentes porções do espaço geográfico constituem nossos espaços de vivência, os quais conhe- cemos bem e onde são desenvolvidas relações de amizade, como o bairro ou a rua nos quais moramos; outros são lugares de passagem, compartilhados por pessoas que transitam por ali, como certas vias ou ruas das cidades. Há lugares considerados sagrados, onde as pessoas praticam suas religiões, como tem- plos e igrejas; lugares de trabalho, como empresas e instituições públicas; entre outros exemplos possíveis. Um mesmo lugar pode ser de trabalho para alguns e de vivência para outros, ou até constituir simulta- neamente um local de trabalho e de vivência. A escola, por exemplo, pode adquirir diferentes significados para alunos, professores, coordenadores, diretores, seguranças, zeladores e demais funcionários. Neste momento, você deve estar em um lugar que lhe seja bastante familiar, como sua casa ou sua escola, desenvolvendo atividades habituais, como estudar ou fazer as tarefas. Olhando à sua volta, poderá ver um grande número de objetos que caracterizam a função desse lugar. Os objetos ao seu redor têm uma história, isto é, foram produzidos em um local (próximo ou distante) e, para sua confecção, foram utilizadas diferentes matérias-primas. Após sua produção final, eles foram transportados até um ponto de venda, onde alguém os comprou para que chegassem ao ambiente no qual você está agora. 6o. ano – Volume 110 Na gráfica, são gerados vários exemplares do livro. Observando os detalhes do lugar onde se vive, é possível perceber que existe grande inter-relação de locais diferentes e distantes. Um exemplo disso é este livro que você está lendo agora. Para chegar aonde está neste momento, ele passou por um longo processo envolvendo vários locais e pessoas, desde a extração da madeira e sua transformação em papel até as empresas onde os textos e imagens foram concebidos. Ou seja, o lugar onde você vive se completa com a participação de pessoas e objetos de outros locais próximos ou distan- tes, uma vez que, de forma mais ou menos direta, os lugares estão praticamente todos conectados. Observe a sequência de ilustrações a seguir, que mostra como é realizada a produção de um livro. O uso de energia está presente em todo o processo de confecção do livro. A madeira é processada em fábricas e transformada em papel. Uma ou mais pessoas são responsáveis pela escrita do livro. Área de reflorestamento de onde é extraída a matéria-prima para a fabricação do seu livro. Há uma indústria que fabrica as tintas que serão usadas na produção do livro. Editores, cartógrafos e iconógrafos (profissionais que trabalham com a imagem)são responsáveis por verificar o material escrito e dar sugestões para sua melhoria. Há um sistema complexo de transporte que leva o livro pronto até você. DK O E st úd io . 2 01 7. D ig ita l. + Zoom Geografia 11 • Você percebe alterações nas paisagens de seu dia a dia? Sempre estão acontecendo mudanças nos lugares que você frequenta. Algumas ocorrem em um ritmo mais rápido, outras, de maneira mais lenta. Isso porque o espaço geográfico está em constante mutação. Para comprovar que há altera- ções no seu espaço de vivência, vamos realizar uma entrevista. Solicite a um adulto que conheça o lugar onde você mora há mais tempo que responda a algumas perguntas. Pode ser algum conhecido ou familiar, seus avós, tios, ou até mesmo pais ou irmãos mais velhos. Em seguida, registre as respostas da forma mais completa possível. a) Há quanto tempo conhece o lugar? b) Em sua opinião, o lugar mudou muito ou pouco? c) Quais foram as principais mudanças que notou? d) O lugar era melhor antes ou agora? Por quê? e) Que outros locais influenciaram as transformações que ocorreram nesse lugar? De que forma? Conforme você pôde perceber no exemplo que relata como é feito seu livro didático, há vários lugares envolvidos na produção de um único objeto: desde o local de onde é extraída a matéria-prima, passando por onde é gerada a energia utilizada na produção, além das pessoas que pensam os conteúdos e textos que serão usados, as que pesquisam as fotos, as que criam as ilustrações, os cartógrafos, que produzem os mapas, além de todo um sistema de transporte, responsável por levar o livro até você. São muitos os lugares que se relacionam direta e indiretamente para que possamos desfrutar dos confortos da sociedade moderna. Do local ao global: conexões em múltiplas escalas geográficas Como você verificou, o desenvolvimento das técnicas possibilitou aos seres humanos ocupar e transfor- mar tanto o espaço geográfico do planeta quanto aqueles espaços que vivenciamos, onde realizamos nos- sas atividades diárias. Além disso, não somente o desenvolvimento mas também a difusão cada vez maior de máquinas e equipamentos e a descoberta de novas técnicas médicas, entre outros avanços, trouxeram mais qualidade de vida e a tornaram mais longa. Para se ter uma ideia, até cerca de 200 anos atrás, as formas mais comuns de deslocamento por dis- tâncias consideráveis eram por meio de trens, navios e cavalos. Atualmente, podemos viajar centenas de quilômetros em uma hora a bordo de aeronaves. © Sh ut te rs to ck /F as tta ilw in d Gl ow im ag es /A la m y St oc k Ph ot o/ Ni al l F er gu so n Você já parou para pensar na evolução da tecnologia nos últimos tempos? Entre as duas fotos passaram-se menos de 200 anos. Olhar geográfico 6o. ano – Volume 112 Os avanços da tecnologia tornaram muitos lugares, antes isolados, mais conectados entre si e com o restante do planeta. Por exemplo, na primeira metade do século XX, era comum que, para atravessar a dis- tância entre duas cidades vizinhas quaisquer, fosse necessário andar em um veículo conduzido por animais de carga, como bois ou cavalos, por um trecho de 20 a 30 quilômetros de estrada de terra durante um dia quase inteiro, caso o tempo estivesse bom. Atualmente, o mesmo percurso pode levar menos de uma hora com um veículo motorizado em uma estrada asfaltada. Dessa maneira, distâncias antes consideradas longas, por exigirem dias para ser atravessadas, hoje são percorridas em uma ou duas horas de voo por uma moderna aeronave, assim como mercadorias produzi- das em locais distantes chegam às prateleiras dos mais diversos estabelecimentos comerciais diariamente. Podemos dizer, portanto, que a modernização dos meios de transporte fez as distâncias entre os lugares parecerem cada vez menores. Além dos meios de transporte, outro setor que contribuiu muito para aproximar os lugares foi o de comunicação. Com a internet e o telefone, principalmente, as pessoas de cidades afastadas podem conver- sar de forma quase instantânea. E com a comunicação também se espalha a informação. No entanto, é preciso considerar que ainda há locais onde os avanços e as conexões com o restante do planeta não são tão facilitados. Em diversas localidades da África, da América Latina e da Ásia, a ele- tricidade é limitada ou simplesmente inexistente e, mesmo em grandes cidades, há grandes grupos sem acesso ou com acesso restrito à internet e à telefonia móvel. Dessa forma, quando analisamos os fenômenos geográficos, podemos considerá-los em diversas esca- las, ou seja, estudar tanto com base na realidade de um bairro, de um país, quanto na de um continente. A escala geográfica se refere, portanto, ao tamanho da realidade ou do fenômeno que está sendo ana- lisado. Se for a realidade de uma cidade específica, por exemplo, trata-se de uma análise em escala local; se for um fenômeno que abrange todo o planeta, como o do comércio internacional, estaremos fazendo uma análise em escala global. Atividades GLOBAL CONTINENTAL NACIONAL ESTADUAL LOCAL Observe a imagem a seguir e, com base no que está representado, faça o que se pede. No esquema, verificamos círculos conten- do outros círculos, todos com um centro em comum. Cada um deles representa uma escala de análise que pode ser en- contrada na geografia. Considerando o planeta Terra, pense em uma localidade que exemplifique cada nível do esquema apresentado e registre-as. Geografia 13 Região: um recorte do espaço Você já deve ter ouvido e mesmo lido muitas vezes a palavra “região”. Em nosso cotidiano, é comum utilizá-la seguida de algum indicativo de localização ou de característica particular, como “região monta- nhosa”, “região mais rica” ou “mais pobre”, “região de tal cidade”, “região mais fria”, “região leste”, entre outros exemplos. Em geral, utilizamos essa palavra para designar uma área que se diferencia das demais ao seu redor em razão de determinado aspecto. Portanto, a região é sempre uma subdivisão do espaço geográfico, um recorte que abrange somente certa área. Regionalizar é dividir o espaço. Por outro lado, também é agrupar um conjunto de área considerando semelhanças internas (como relevo, língua, história, entre outros fatores), diferenciando-a, assim, das demais. Podemos regionalizar o mundo, por exemplo, de acordo com seus continentes: nesse caso, as grandes porções de terra emersa que compõem os continentes serão consideradas regiões. bacias hidrográficas: áreas banhadas, cada uma delas, por um rio principal e pelos rios menores que deságuam no respectivo rio principal. Cada um dos continentes pode ser novamente regionalizado de formas diferentes: isso vai depender dos objetivos da regionalização. Se a finalidade for, por exemplo, entender a dinâmica da natureza ou das paisa- gens naturais de um continente, estudaremos regionalizações estabelecidas de acordo com aspectos natu- rais, tais como características ou tipos climáticos de suas distintas porções; formações vegetais; hidrografia, ou seja, as bacias hidrográficas; entre outros. Se o intuito for realizar uma regionalização cultural, podemos considerar os países de acordo com as línguas faladas, por exemplo. É o que acontece quando nos referimos à América Latina, formada majoritaria- mente por países de línguas latinas (português e espanhol) e à América Anglo-Saxônica, formada por Estados Unidos e Canadá, países que têm o inglês, língua de origem anglo-saxônica, como idioma oficial. Isso apesar das exceções, como países na América Latina em que se fala inglês, ou o Canadá, que tem o francês, língua latina, como uma de suas línguas oficiais, além do inglês. Já se o objetivo for auxiliar no planejamento e na gestão pública de um país, a regionalização poderá ser feitade acordo com critérios político-administrativos, como é o caso das regiões estabelecidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE. Na maioria dos casos, porém, as regionalizações se darão em decorrência de mais de um tipo de critério. Planisfério: divisões dos continentes Ta lit a Ka th y Bo ra Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 7. ed. Rio de Janeiro, 2016. p. 34. Adaptação. 6o. ano – Volume 114 Cartografar 1. Explique o que torna os dois mapas diferentes, apesar de representarem o mesmo espaço. 2. Escreva três regiões de cada um dos mapas. 3. Comparando os limites estaduais do Brasil com a regionalização político-administrativa feita pelo IBGE e com a regionalização por bacias hidrográficas, a que conclusões você pode chegar sobre suas áreas e seus limites? 4. Marque a alternativa de acordo com os critérios básicos usados para a delimitação das regiões em cada um dos mapas. Brasil: divisão regional do IBGE: ( ) humano ( ) natural Brasil: grandes bacias hidrográficas: ( ) humano ( ) natural Brasil: divisão regional do IBGE Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 7. ed. Rio de Janeiro, 2016. p. 94. Adaptação. Brasil: grandes bacias hidrográficas Fonte: IBGE. Atlas nacional do Brasil. Rio de Janeiro, 2000. Disponível em: <http://mapas.ibge.gov.br/images/pdf/mapas/mappag99.pdf>. Acesso em: 18 ago. 2016. Adaptação. Ta lit a Ka th y Bo ra Ta lit a Ka th y Bo ra Observe estes mapas e responda às perguntas. Geografia 15 Jeremias Heaton contou ao Bristol He- rald Courier que ele e sua filha recente- mente viajaram para uma pequena região montanhosa entre o Egito e o Sudão cha- mada Bir Tawil. Nenhum país reivindica o território. Heaton, então, diz que plantou uma bandeira desenhada por sua filha de 7 anos para que ele pudesse se tornar um rei. E, mais importante, com a medida, sua filha Emily poderia ser uma princesa. Eles cha- maram a área de reino do Sudão do Norte. • O possível, porém muito pouco provável, futuro rei com sua “princesa” apresentam a bandeira do que viria a ser uma nova monarquia africana Gl ow im ag es /A P/ Br ist ol H er al d Co ur ie r/ Da vi d Cr ig ge r Apropriação do espaço: o território Para compreender o conceito de território, analise a notícia a seguir, que é o relato da história de um pai que decidiu tentar criar um território para sua filha, onde se formaria um novo país. Região de Bir Tawil Ta lit a Ka th y Bo ra Fonte: O GLOBO. Disponível em: <http://oglobo.globo. com/mundo/homem-acha-territorio-que-nao-de- nenhum-pais-anuncia-reinado-para-que-sua-filha-seja- princesa-13256932>. Acesso em: 20 jul. 2017. Adaptação. Reúnam-se em grupo e leiam o texto a seguir. Homem acha território que não é de nenhum país e anuncia reinado para que sua filha seja princesa + Zoom NOVA YORK – Um americano afirma ter reivindicado um reino na África para que sua filha possa ser uma princesa. 6o. ano – Volume 116 Reflita sobre o caso relatado no texto e, em seguida, responda às questões propostas. 1. O que o estadunidense Jeremias Heaton afirma ter encontrado? 2. Qual o objetivo de Heaton? 3. Segundo a professora Sheila Carapico, o que seria necessário para que o estadunidense conseguisse poder político sobre esse território? 4. Agora, imagine que você descobriu uma porção de terra que não pertence a nenhum país e fez dela seu território. Que nome você daria a esse novo país caso ele pudesse ser constituído? 5. Desenhe, no espaço abaixo, uma bandeira para representar o “seu país”. A Organização das Nações Unidas, mais conheci- da pela sigla ONU, é uma organização internacional que contava, até o início de 2017, com 193 Estados- -membros. Visa facilitar a cooperação entre eles para alcançar a paz e a prosperidade ao redor do planeta, mas esse objetivo, muitas vezes, é dificultado pelos in- teresses divergentes e rivalidades entre os países. HOMEM acha território que não é de nenhum país e anuncia reinado para que sua filha seja princesa. Disponível em: <http://oglobo.globo. com/mundo/homem-acha-territorio-que-nao-de-nenhum-pais-anuncia-reinado-para-que-sua-filha-seja-princesa-13256932>. Acesso em: 20 jul. 2017. Sheila Carapico, professora de ciências políticas e estudos internacionais da Univer- sidade de Richmond, diz que Heaton não teria o controle político sobre a terra sem o reconhecimento legal de países vizinhos, as Nações Unidas e outros grupos. Heaton afirma que espera obter o aval do Sudão e do Egito, para reconhecer seu reino. Geografia 17 A história contada no texto anterior é bastante ilustrativa. Por meio dela, é possível perceber que o território, no caso a região de Bir Tawil, situada entre o Egito e o Sudão, é um elemento muito importante para a formação de um país. É provável que Heaton não consiga realizar o sonho de sua filha de se tornar uma princesa, pois os países limítrofes, os vizinhos Sudão e Egito, dificilmente concordariam com isso. Tampouco a Organização das Nações Unidas (ONU) e outras organizações internacionais. Mas, com base na leitura da matéria, você saberia definir o que é um território e quais elementos o compõem? Releia o texto e observe as imagens (o mapa e a foto), buscando informações que o ajudem a responder a essas questões. Conforme podemos verificar, um território é formado quando se estabelece uma relação de posse ou controle sobre certa porção de terra. Além disso, há limites ou fronteiras que delimitam suas áreas de abrangência e as separam dos territórios vizinhos, como mostram as linhas que demarcam os países no mapa. Também é necessária uma organização política, determinada pelo modo de governo. O Brasil, por exemplo, rege seu território com um sistema de governo democrático e presidencialista, no qual os cidadãos do país escolhem aqueles que vão representá-los, por meio de votação. No caso relatado na matéria, o novo país seria uma monarquia, uma vez que se criaria um reinado, na qual quem comandaria as leis seriam o rei e a princesa. Pu lsa r I m ag en s/ Ge rs on G er lo ff © Sh ut te rs to ck /R .M . N un es O Palácio do Planalto, localizado em Brasília, no Distrito Federal, é a sede do governo brasileiro. É nele que funciona o centro do Poder Executivo, representado pelo presidente da República e seu vice. • Placas demarcam a fronteira entre Uruguai e Brasil, no município de Chuí, RS, 2010 6o. ano – Volume 118 Retomando, é importante compreender que o território é uma porção delimitada do espaço terrestre, na qual se estabelece uma re- lação de poder, ou seja, um grupo define regras ou vários grupos ne- gociam regras. Tais regras devem valer para toda a área que o território em questão abrange. Existem territórios legais, reconhecidos por meio de tratados, como os dos 193 Estados-membros que formam a ONU, mas nem to- dos correspondem, necessariamente, a países. Por exemplo, há áreas rurais dirigidas por empresas ou cooperativas proprietárias; áreas flo- restais destinadas a grupos indígenas; zonas afastadas controladas por grupos terroristas; parques naturais para visitação turística, pes- quisa científica, entre outras atividades não predatórias; ou mesmo áreas urbanas comandadas por criminosos. Bi bl io te ca d a Pr es id ên ci a da R ep úb lic a/ Fo tó gr af o De sc on he ci do Pu lsa r I m ag en s/ Ru be ns C ha ve s A ciência geográfica é pensada considerando-se o espaço geográfico, isto é, lugares, regiões e territórios representados por diferentes escalas, perceptíveis por meio de suas paisagens. Dessa forma, o estudoda Geografia, ao analisar as relações entre distintas porções do planeta (lugares, territórios, regiões) e as diferentes escalas geográficas (cidade, país, região fronteiriça que abrange partes de dois países, continente ou região de um continente), possibilita perceber as complexas conexões, tanto entre as sociedades entre si como entre estas e a natureza. Todos esses casos são exemplos de territórios, isto é, espaços apropriados por alguém ou algum grupo, de modo temporário ou permanente. É importante notar que cada um desses grupos tem uma maneira de se relacionar com seus territórios, ora mais aberta, ora mais fechada, alguns mais autoritários, outros mais democráticos, uns acessíveis à maioria, outros acessíveis apenas a certos grupos ou pessoas em especial. Essas diferentes relações refletem as distintas formas como as pessoas estabelecem víncu- los com seu espaço. Estudando Geografia • Placa indicando a proibição à entrada em território indígena Xucuru Kariri, em Palmeira dos Índios, AL, 2015 A Constituição Federal de 1988 é o livro que contém as regras básicas, incluindo nossos direitos e deveres, que deverão ser seguidas em todo o território nacional brasileiro. É considerada a lei fundamental e suprema do país. Geografia 19 Complete os quadros a seguir de acordo com os conceitos estudados neste capítulo. Formado a partir da transformação constante da natureza pela sociedade. Espaço de identidade, vivência e convivência no cotidiano das pessoas. Marque os termos relativos ao conceito de lugar. ( ) Particular ( ) Complementar ( ) Geral ( ) Global ( ) Local ( ) Regional ( ) Nacional ( ) Cotidiano ( ) Passado ( ) Presente Imagem que captamos com nossa visão e demais sentidos, ponto de partida da análise que fazemos de todos os lugares por onde passamos. Os elementos das paisagens podem ser classificados em: Porção de espaço definida com base em uma relação de poder. Extensão de espaço constituído de áreas que mantêm alguma característica em comum, conforme o critério de agrupamento. Organize as ideias Hora de estudo 20 1. Explique a importância do conceito de paisa- gem para o estudo da Geografia. 2. Explique o significado da afirmação “Cada lugar é único”. 3. As alterações que os seres humanos promovem nos lugares trazem apenas consequências posi- tivas? Explique. 4. Em sua opinião, que ações as pessoas podem praticar para assegurar uma melhor qualidade de vida em seus lugares de vivência? 5. Cite algumas consequências resultantes das evoluções tecnológicas para as sociedades. 6. Cite exemplos em que há relações de poder estabelecidas, considerando diversas escalas re- gionais. 7. O que é espaço geográfico? 8. Qual a importância da Constituição Federal para o território brasileiro? 9. Observe novamente os mapas da página 15 e responda às questões. a) Em qual região estão localizados o município e a unidade da federação nos quais você vive, de acordo com a divisão regional do IBGE? b) Em qual grande bacia hidrográfica fica o município onde você mora? 10. Pensando na unidade da federação onde você mora como um território, responda às questões. a) Com qual ou quais outras unidades da fede- ração tem limites? b) Faz fronteira com algum outro país? Qual ou quais? c) Pesquise na internet a localização do muni- cípio onde você mora e escreva, nas linhas abaixo, os municípios vizinhos que compar- tilham os limites com ele. 21 22 2 Você já tentou imaginar como seria o mundo se não houvesse mapas para nos orientar? Que tipo de dificuldades teríamos? Pense sobre o assunto e registre as conclusões a que você chegou. Cartografia – diversas formas de representar o espaço © Sh ut te rs to ck /2 xS am ar a. co m 23 O que é e para que serve um mapa? Você já pôde perceber que os mapas são representações grá- ficas da superfície terrestre que servem para localizar, orientar e informar. Eles reproduzem a su- perfície curva do planeta, ou uma parte dela, em uma superfície plana, como uma folha de pa- pel ou a tela de um computador. Os mapas podem ser, por vezes, confundidos com desenhos que também representam o espaço geográfico. Os mapas técnicos, no entanto, aqueles feitos por Objetivos • Reconhecer a utilidade histórica dos mapas para a sociedade, bem como identificar a presença da Cartografia no cotidiano, principalmente na atualidade, com o uso de novos recursos e mídias. • Conhecer fatos importantes a respeito do desenvolvimento da Cartografia. • Compreender os sistemas de orientação e localização, especialmente o de coordenadas geográ- ficas e sua aplicação em Sistema de Posicionamento Global (GPS). • Desenvolver a habilidade de ler mapas e seus elementos básicos (tema, legenda, escala). Certamente, sem os mapas seria bem mais difícil saber ou decidir qual direção seguir e qual distância percorrer para chegar a determinado local, por exemplo. Isso porque o mapa é uma representação gráfica da superfície da terra, portanto uma forma de comunicação visual. Por meio dele, obtemos informação e nos localizamos no espaço. Assim, esse recurso nos possibilita ler, descrever e interpretar o espaço geográfico. Chamamos de Cartografia o conjunto de conhecimentos necessários à produção de mapas e outras formas de representação, sendo o cartógrafo o profissional técnico responsável por sua produção. As representações cartográficas estão entre as maneiras mais práticas de se retratar o espaço geográfico e os diversos aspectos nele existentes. Porém, para ler e interpretar mapas de forma satisfatória, são necessários alguns conhecimentos específicos com os quais você entrará em contato a partir das próximas páginas. 23 ©Wikimedia Commons VERMEER, Johannes. O geógrafo. 1669. 1 óleo sobre tela: color., 51,6 cm × 45,4 cm. Museu Städel, Frankfurt. O quadro do pintor holandês Vermeer (1632-1675) retrata um período em que a Cartografia passou por um grande desenvolvimento tecnológico, impulsionando e sendo impulsionada pelos avanços nas técnicas de navegação. • c) Visão vertical • b) Visão oblíqua Como você pôde perceber, as ilustrações retratam o mesmo edifício de três modos diferentes. A ima- gem a mostra o ponto de vista de quem está ao lado do objeto ou em frente a ele, ou uma visão lateral ou horizontal. A imagem b representa o ponto de vista de quem está em uma posição diagonal em relação ao objeto, ou uma visão oblíqua. A imagem c, por sua vez, revela o ponto de vista de quem olha de cima do objeto, ou uma visão vertical, a mesma utilizada para a elaboração de mapas técnicos. cartógrafos profissionais, caracterizam-se pelo compromisso com a precisão e a exatidão, além da presença de elementos como escala, fonte e legenda, que serão aprofundados mais adiante. Em geral, os mapas representam o ponto de vista de alguém que observa de cima para baixo, ou seja, uma visão vertical, como se a área mapeada fosse sobrevoada. Observe por quantos ângulos diferentes podemos visualizar um prédio, por exemplo. Em seguida, analise as imagens. • a) Visão horizontal Di vo . 2 01 7. D ig ita l. 6o. ano – Volume 124 Cartografar Observe as representações a seguir e responda às questões propostas. Brasil: político Ta lit a Ka th y Bo ra Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 7. ed. Rio de Janeiro 2016. p. 90. Adaptação. Patrimônios naturais e culturais do Brasil © Sh ut te rs to ck /D en is Cr ist o 1. Você reconhece alguns dos elementos representados na imagem da esquerda? Quais? 2. E no mapa da direita, o que você pode reconhecer? 3. As informações representadas nas imagens têm as mesmas característicase funções? Quais as princi- pais diferenças? 4. As duas imagens podem ser consideradas mapas técnicos? Justifique sua resposta. 5. Qual das imagens você utilizaria para se orientar em uma viagem interestadual, ou seja, entre duas unidades da federação? Geografia 25 Como você pôde notar, ambas as imagens da atividade reproduzem o contorno do território brasileiro. No entanto, apenas a da direita nos fornece informações sobre a dimensão do território nacional, das uni- dades da federação, da localização das capitais, entre outras. A imagem da esquerda basicamente representa, de modo artístico e exagerando nos tamanhos, alguns patrimônios do Brasil. Porém, ela não poderia nos orientar e/ou localizar no espaço, pois sua finalidade é apenas mostrar alguns elementos culturais e naturais do nosso país e de seu território, sem compromisso de trazer seus nomes ou sua posição exata. Como veremos com mais detalhes, um mapa técnico apresenta alguns elementos essenciais à sua leitura, como linhas imaginárias de orientação, que denominamos “coordenadas geográficas”, além de título, legenda e escala. Mas, antes, vamos verificar como os mapas se transformaram com o desenvolvi- mento da humanidade até chegar ao atual nível técnico. De Ga-Sur aos mapas digitais Antes mesmo de inventarem a escrita, os seres humanos já utilizavam os mapas para registrar e transmi- tir informações por meio de símbolos gráficos. Praticamente todas as culturas conhecidas, tanto na atuali- dade quanto no passado, desenvolveram formas de mapeamento. Não é possível identificar com precisão a data de confecção dos primeiros mapas, pois eles foram feitos há milhares de anos, em materiais frágeis – como argila, cascas de árvores ou paredes de cavernas – que não resistiram à ação do tempo. Um dos mapas mais antigos de que se tem conhecimento foi encontrado na região da Mesopotâmia, en- tre os rios Tigre e Eufrates, onde atualmente fica o Iraque. Muito pequeno (7 cm × 8 cm), representa elementos da região e foi confeccionado em argila por volta de 2 500 a.C., ou seja, há mais de 4 500 anos. Como es- tava nas ruínas da antiga cidade de Ga-Sur quando o acharam, recebeu o nome de “Mapa de Ga-Sur”. Nos últimos 5 mil anos, a Cartografia evoluiu muito, contando com a contribuição de diversas culturas. A aproximação das relações entre povos da Europa e da Ásia, a partir do século XIII, ampliou o aprimoramento e a precisão dos mapas. Muitos conhecimentos sobre geometria e di- mensão da Terra, por exemplo, foram desenvolvidos por diversos povos em vários continentes, enquanto a bússola, uma invenção chinesa, foi trazida ao Oci- dente possivelmente por navegantes árabes e india- nos, sendo, mais tarde, aperfeiçoada por europeus. Essas trocas de saberes, com a contribuição técnica de diversos instrumentos, possibilitaram que os ma- pas atingissem uma precisão cada vez maior. bússola: pequeno instrumento utilizado para navegação que orienta os viajantes acerca das direções a seguir. É equipado com uma agulha que se move apontando para o norte magnético. Atualmente, o pequeno Mapa de Ga-Sur é considerado um dos mais antigos de que se tem conhecimento. © Sh ut te rs to ck /T rif f © W ik im ed ia C om m on s/ Br iti sh M us eu m 6o. ano – Volume 126 tecnologias náuticas: conjunto de técnicas utilizadas para navegação. O mapa-múndi de Mercator, datado de 1587, representou grande avanço para a Cartografia, principalmente para a orientação das embarcações. Os planisférios atuais, embora contenham distorções, podem apresentar uma precisão muito maior quanto ao contorno e à proporção dos continentes. Você consegue reconhecer o Brasil no mapa? Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 7. ed. Rio de Janeiro, 2016, p. 16. Adaptação. © Sh ut te rs to ck /g al lim au fry Entre os séculos XV e XVIII, os europeus realizaram grandes expedições oceânicas que percorreram praticamente todo o globo. Trata-se do período conhecido como “Grandes Navegações”, no qual foram desenvolvidas muitas das atuais tecnologias náuticas e cartográficas que possibilitaram aos viajantes chegar a lugares distantes e empreender uma série de conquistas territoriais. Foi a partir dessa época, apro- ximadamente, que o contorno dos continentes passou a ser mapeado de forma mais precisa. Compare o mapa a seguir com um planisfério atual, como os presentes nas páginas 14 ou 29 (ou mes- mo em seu material de apoio, na página 2), para perceber melhor essa evolução. A tecnologia do século XX possibilitou a produção de mapas a partir de satélites, colocando-os na palma de nossas mãos. A internet tornou os mapas acessíveis a boa parte da população. Por isso, atualmente, eles são muito consultados na rede mundial de computadores. Os avanços tecnológicos dos séculos XIX e XX possibilitaram a ob- tenção de imagens da Terra vistas do alto utilizando balões, depois aviões e até mesmo foguetes. Estes lançaram satélites por meio dos quais foram obtidas imagens cada vez mais detalhadas do planeta visto do espaço. Dessa forma, o desenvolvimento da tecnologia ae- roespacial deu à Cartografia um novo dinamismo, tornando mais fácil a comparação entre imagens de épocas distintas, por exemplo, para verificar suas alterações com atualizações bastante rápidas. © Sh ut te rs to ck /A rth ur St oc k Geografia 27 A Cartografia na era digital Além de projetar os mapas fora do papel, a evolução tecnológica possibilitou que fossem produzidos de novas formas, tornando-os mais precisos, interativos e de atualização mais rápida. Com o desenvolvimento de computadores e diversos aparelhos digitais, os mapas extrapolaram o papel e, hoje, encontram-se também nas telas de equipamentos eletrônicos. Grande parte dos mapas consultados por técnicos ou até mesmo por pessoas comuns, que fazem deles diversos usos, seja para se localizar, seja para conhecer melhor o lugar onde vivem, já não é mais impressa em papel. Estão disponíveis nos diversos tipos de monitores, desde telas de celulares até tablets, compu- tadores e televisores. Algumas tecnologias contemporâneas estão exercendo importante papel na evolução e popularização da Cartografia em todo o mundo. Vamos conhecê-las? Responda às questões a seguir. 1. O que são mapas? 2. Como é chamado o técnico responsável pela produção de mapas? 3. Cite três exemplos de algumas das técnicas, dos instrumentos e/ou outras contribuições que foram de- senvolvidas nos últimos 5 mil anos e que possibilitaram o aprimoramento da Cartografia. Atividades Uma técnica em especial foi e ainda é de grande utilidade para a Cartografia, por unir duas tecnologias modernas de grande utilidade visual: a aviação e a fotografia. Enquanto a primeira nos proporciona ampla visualização das paisagens, a segunda nos permite registrá-las para utilização posterior. Por isso, muitos dos mapas atuais são elaborados por meio de análises de fotografias aéreas em série. Veja abaixo como funciona essa técnica. A câmara instalada no avião registra a área sobrevoada em uma sequência de fotografias que se complementam. As imagens obtidas são encaminhadas ao laboratório, onde são corrigidas as sobreposições, com aparelhos e técnicas específicas; em seguida, servem de base para produzir mapas que mostram detalhes das áreas fotografadas. Essa técnica, portanto, é empregada quando as áreas representadas são de pequena extensão. Na imagem à direita, fotografia aérea do Parque Envigado, na Colômbia, 2012. Di vo . 2 01 0. D ig ita l. © Fl ic kr /J ua n Fe lip e Co rre a Es co ba r 6o. ano – Volume 128 Os mapas na internet Há diversos tipos de mapas na internet, os quais propiciam às pessoas maior conhecimento doespaço geográfico onde vivem e de outros lugares distantes. Contudo, é necessário sempre estar atento às informações dispo- níveis na grande rede mundial de computadores, pois, ao aumentar o acesso e o compartilhamento de informações e ideias por inúme- ros usuários ao redor do país e do mundo todo, ampliou-se tam- bém a divulgação de informações que muitas vezes podem estar incorretas. Por isso, é preciso priorizar aquelas que vêm de fontes profissionais, como sites de entidades governamentais, instituições de ensino e pesquisa ou pesquisadores vinculados a institutos reco- nhecidos. É bastante fácil, atualmente, obter informações sobre questões sociais e ambientais por meio de diver- sas instituições governamentais oficiais, bem como por empresas e associações de pessoas, entre diversas outras entidades. Encontramos, ainda, dados disponíveis sobre mortalidade infantil, consumo de petróleo, emissão de gás carbônico, quantidade média de nascimentos, etc. Fo lh ap re ss /D an ilo V er pa Fonte: BANCO MUNDIAL. Usuários de internet (para cada 100 habitantes). Disponível em: <http://data.worldbank.org/ indicator/IT.NET.USER.P2/countries?display=map>. Acesso em: 4 nov. 2016. Adaptação. Usuários de internet (para cada 100 habitantes) O NU Muitas fontes são de instituições internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e suas agências. Desse modo, diversas informações estão disponíveis apenas em língua estrangeira, geralmente em inglês, sendo importante aprender outros idiomas como forma de ampliar a possibilidade de acesso a elas. • Sala de monitoramento da Agência Nacional de Telecomunicações que permite identificar, em tempo real, os problemas na prestação de serviço de suas operadoras, em imagem de 2014 • Planisfério de usuários de internet no mundo, disponível original- mente em inglês por meio do site do Banco Mundial O Banco Mundial é um dos muitos órgãos oficiais a disponibilizar dados e informações sobre diversas questões mundiais. Na imagem, quanto mais escura a tonalidade do azul, maior a proporção de usuários de internet no país representado. Geografia 29 GPS – Sistema de Posicionamento Global O desenvolvimento da tecnologia aeroespacial possibilitou o lançamento de satélites artificiais capazes de realizar diversas tarefas de monitoramento da superfície da Terra. Entre essas tec- nologias, destaca-se o Sistema de Posicionamento Global (na sigla em inglês: GPS – Global P ositioning System). Composto de uma rede de, no mínimo, 24 satélites artificiais, ele foi desenvol- vido pelo governo estadunidense a partir da década de 1960. O Sistema de Posicionamento Global é uma tecnologia que permite localizar com precisão pontos sobre a superfície terrestre. Por meio dele, pode-se determinar instantanea- mente a posição de um objeto em qualquer parte do pla- neta. É constituído por pequenos aparelhos que funcionam como receptores portáteis, recolhendo informações dos sa- télites e efetuando diversos cálculos. Nesses aparelhos, que também são conhecidos simples- mente como GPS, são inseridos mapas, nos quais se destacam as vias de circulação, como ruas, rodovias, estradas de terra e rios, principalmente. • Imagem ilustrativa da distribuição dos satélites de GPS Os satélites são posicionados de forma que todas as partes do planeta fiquem cobertas pelo sinal de pelo menos três deles. O tamanho proporcional dos satélites no desenho está aumentado a fim de facilitar a visualização. Os dados cartográficos e de posicionamento fornecidos pelo sistema são de grande utilidade em diversas áreas. Podem calcular, por exemplo, as melhores rotas, evitar congestionamentos e otimizar gastos de tempo e de combustível, além de possibilitar a diminuição do número de acidentes de trân- sito. Em empresas de logística de transportes, o GPS possibilita o melhor planejamento de viagens e a localização instantânea da frota, aumentando a segurança e a pontualidade das entregas. Na agricultura, as informações obtidas pelo GPS colaboram para que seja possível calcular áreas e quantidade produzi- da de cultivo determinado. © Sh ut te rs to ck /T on el lo Ph ot og ra ph y © Sh ut te rs to ck /A nd re y_ Po po v Com a popularização do Sistema de Posicionamento Global e da internet, os mapas passaram a estar mais presentes no dia a dia das pessoas, por isso é importante estudar essa área de conhecimento. Di vo . 2 01 0. D ig ita l. A Cartografia e os aparelhos de GPS atualmente ajudam as pessoas no desenvolvimento de tarefas simples, como o deslocamento diário. São variados os modelos de receptores de GPS disponíveis no mercado brasileiro, atendendo a diversos tipos de usos. Vão dos topográficos, utilizados no mapeamento de alta precisão, aos esportivos e automobilísticos. 6o. ano – Volume 130 1. A era da internet proporcionou uma grande popularização dos mapas. Mencione uma vantagem ocasionada por essa realidade, citando, também, uma desvantagem ou um risco dela decorrente. 2. Utilizando a rede mundial de computadores, a internet, acesse o site do Instituto Brasileiro de Geo- grafia e Estatística, o IBGE e, na aba “geociências”, clique em “mapas estaduais”. Em seguida, clique em “mapas políticos dos estados” e acesse a unidade da federação onde você mora. a) Imprima o mapa e cole uma cópia dele no caderno. b) Nas linhas a seguir, descreva as principais informações representadas no mapa (por exemplo, que ci- dades aparecem, unidades da federação que fazem divisa com a sua, capital, que rios e estradas estão presentes, etc.). 3. Indique o desenho a seguir que melhor representa o funcionamento do Sistema de Posicionamento Global, também conhecido pela sigla GPS. ( ) ( ) ( ) Ilu st ra çõ es : D iv o. 2 01 7. D ig ita l. Geografia 31 Sistema de orientação Por meio da observação do movimento aparente do Sol (aparente porque, na verdade, é a Terra que realiza o movimento de rotação de oeste para leste) é que se originam as direções básicas de nosso sistema de orientação. Como sabemos, o Sol aparece e se põe todos os dias aproximadamente nas mesmas direções. Ou seja, aparece a leste, ou oriente, e se põe a oeste, ou ocidente. Com base nisso, podem ser definidos dois eixos de orientação: o eixo leste-oeste e o norte-sul. Por meio da ilustração a seguir, é possível compreender melhor esses eixos básicos e aprender a encon- trar as direções aproximadas, a partir da posição do seu corpo em relação ao movimento aparente do Sol. Norte Nordeste Leste Sudeste Sul Sudoeste Oeste Noroeste © Sh ut te rs to ck /A na to ly M as le nn iko v • Rosa dos ventos, símbolo utilizado para localizar pontos cardeais e colaterais Incorporada ao fundo da bússola, a rosa dos ventos tornou-se, com esse instrumento, importante para navegação de grandes distâncias e deslocamentos em geral. Lu iz M ou ra . 2 01 0. D ig ita l. Norte, sul, leste e oeste são conhecidos como “pontos cardeais” ou “direções cardeais”. Além deles, existem quatro posições intermediárias conhecidas como “pontos colaterais” ou “dire- ções colaterais”. São elas: nordeste (entre norte e leste); sudeste (entre leste e sul); sudoeste (entre sul e oeste); e noroeste (entre oeste e norte). A rosa dos ventos é uma forma de representação gráfica que permite a visualização dos pontos cardeais e colaterais, como você pode observar na imagem. Na maioria dos mapas, a rosa dos ventos in- dica que, na parte superior da imagem, está o norte. Trata-se de um padrão estabelecido no mundo todo, mas não é o único correto. O im- portante é orientar corretamente o mapa, istoé, indicar a direção exata dos pontos cardeais. • A ilustração representa uma criança se orientando com o corpo Note que, uma vez que o Sol surge à direita dela, esta é aproximadamente a direção leste; à esquerda está aproximadamente o oeste; à frente da criança, na direção do seu olhar, fica aproximadamente a direção norte; e, atrás dela, está a direção aproximada do sul. 6o. ano – Volume 132 Localizando os lugares: o sistema de coordenadas geográficas 90º norte 90º sul Polo Norte Trópico de Câncer (23º 27’ norte) Círculo Polar Ártico (66º 33’ Norte) Linha do Equador (0º) Trópico de Capricórnio (23º 27’ Sul) Círculo Polar Antártico (66º 33’ sul) Polo Sul Meridiano de Greenwich HemisférioNorte HemisférioSul HemisférioOriental HemisférioOcidental Para resolver a questão da localização de um ponto no planeta, foi desenvolvido, no decorrer dos séculos, o sistema de coorde- nadas geográficas. Trata-se de um sistema de linhas imaginárias traçadas sobre o planeta que formam uma malha com a qual é possível localizar, com precisão, qualquer ponto na su- perfície terrestre. É constituído por dois componentes: as li- nhas horizontais (sentido leste-oeste) denomi- nadas de “paralelos” e que indicam a latitude; e as linhas verticais (sentido norte-sul) chama- das de “meridianos”, que apontam a longitude. Observe a ilustração. Conexões Polo magnético não é polo geográfico Os polos geográficos da Terra são os pontos interceptados pelo eixo imaginário de rotação de nosso planeta. Assim, temos os polos geográficos norte e sul. Conforme verificamos, a bússola é um instrumento muito importante para a navegação, já que sua agulha aponta sempre aproximadamente para o norte, facilitando que se encontrem as demais direções, com o auxílio da rosa dos ventos. Dizemos que aponta aproximadamente, porque, na realidade, a agulha da bússola não indica os polos geográficos da Terra, mas, sim, os polos magnéticos. Estes têm localização variável com o decorrer dos anos e das décadas, mas, em geral, situam-se relativamente próximo aos polos geográficos, também chamados de “polos verdadeiros”. Observe a ilustração para compreender melhor. Fonte: WICANDER, Reed; MONROE, James S. Fundamentos de Geologia. São Paulo: Cengage Learning, 2009. p. 31. Polo norte magnético Linha do Equador Polo norte geográfico (ou verdadeiro) Polo sul magnético Polo sul geográfico (ou verdadeiro) Ilu st ra çõ es : D iv o. 2 01 0. D ig ita l. Essa diferença entre o eixo dos polos geográficos, ou verda- deiros, o qual é utilizado para a confecção de mapas, e o eixo dos polos magnéticos, cujo norte é apontado pelas bússolas, pro- duz um pequeno desvio entre o norte da bússola e o norte dos mapas. Por esse motivo, para deslocamentos de longas distân- cias que exigem maior exatidão, além do mapa convencional, é necessário contar com mapas especiais e cálculos. Isso somente em casos de deslocamentos grandes e precisos. Para uso coti- diano e pequenos trechos, essa diferença é desprezível, sendo possível utilizar a bússola sem problemas. • Principais linhas que formam a rede de coordenadas geográficas Di vo . 2 01 0. Di git al. Geografia 33 A latitude de um paralelo é medida considerando-se seu ângulo em relação ao plano equatorial, ou a distância, em graus, da Linha do Equador. A seguir, vamos verificar separadamente os dois tipos de linhas imaginárias que formam a rede de coor- denadas geográficas: os paralelos e os meridianos. Os paralelos e as latitudes Os paralelos são linhas imaginárias paralelas à Linha do Equador, a qual é a referência de latitude zero. Eles dão a volta no globo em diferentes latitudes, o que faz com que tenham diferentes medidas, sendo cada vez menos extensos até os polos. O esquema a seguir representa um corte da Terra e demonstra de que modo são definidos os paralelos. Como você pode observar, a latitude varia de 0º na Linha do Equador a 90º nos polos. Porém, a medi- da somente está completa quando se indica, além de seu valor em graus, o hemisfério onde está situada, ao norte ou ao sul do Equador. Isso porque essa linha divide o globo em dois hemisférios: o Norte, também chamado de Setentrional; e o Sul, ou Meridional. Dessa forma, os paralelos determinam a latitude de um lugar. Consequentemente, esta pode ser defi- nida como a distância, em graus, de um ponto até a Linha do Equador. Se, por exemplo, um navio está situado na latitude de 45º sul, sabemos que ele está em algum local no paralelo que se encontra a 45 graus ao sul. Veja como fica representada, no planisfério, essa latitude. No entanto, como esse paralelo contorna todo o planeta, é necessária mais uma referência para lo- calizar um ponto utilizando a rede de coordenadas geográficas. Plano equatorial Polo Norte 90º N Equador 0º Latitude 20º 40º 60º 80º Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 7. ed. Rio de Janeiro, 2016. p. 34. Adaptação. Ta lit a Ka th y Bo ra Planisfério: hemisférios Norte e Sul Di vo . 2 01 0. D ig ita l. 6o. ano – Volume 134 Latitudes e temperatura: as zonas térmicas da Terra Conforme a posição em relação à Linha do Equador, isto é, à latitude, a superfície terrestre recebe a ener- gia solar com intensidades diferentes. Assim, dependendo do ponto em que um objeto está em relação a essa linha, ou seja, do fato de estar situado em uma latitude mais ao norte ou mais ao sul, ele receberá mais ou menos calor ao longo do ano. Desse modo, as áreas localizadas em latitudes mais baixas, mais perto da Linha do Equador, são mais quentes que aquelas mais próximas dos polos ou das altas latitudes. Isso ocorre em razão da forma aproxi- madamente esférica da Terra, como você pode conferir na imagem a seguir. Zonas térmicas da Terra Trópico de Câncer Círculo Polar Ártico Linha do Equador Trópico de Capricórnio Círculo Polar Antártico As zonas intertropicais, que se situam entre o Equador e os trópicos, recebem luz solar com forte intensidade por certo período e são áreas quentes durante a maior parte do ano. As zonas polares, situadas além dos círculos polares, são as áreas mais frias do globo. Durante parte do ano, passam dias sem receber a luz solar, enquanto, durante outra parte, o Sol fica dias sem se pôr. As zonas temperadas são as que se situam entre os trópicos e os círculos polares. Apresentam as quatro estações bem definidas, mas os raios solares sempre incidem de maneira inclinada. Di vo . 2 01 3. D ig ita l. A temperatura à superfície terrestre depende diretamente do ângulo com o qual os raios solares incidem sobre a área considerada. Quando esse ângulo de incidência é inclinado, a energia solar é dispersa. Quando os raios são mais diretos, o calor se concentra mais, pois atinge uma área menor. As regiões situadas na Zona Intertropical recebem os raios solares de forma mais direta. Porém, quanto mais nos deslocamos, tanto para o norte quanto para o sul, a temperatura tende a diminuir nas zonas tem- peradas e principalmente nas zonas polares, pois a intensidade da energia solar recebida é mais baixa. Isso porque o ângulo de incidência dos raios solares é menor nessas regiões, como mostra a ilustração. + Zoom 1. De acordo com sua experiência, em que momento do dia sentimos as temperaturas mais elevadas? Como você percebeu isso? 2. Agora escreva um embasamento para sua resposta, considerando o formato e os movimentos da Terra, bem como a latitude em que você se encontra. Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 7 ed. Rio de Janeiro, 2016. Adaptação. Atividades Separando as zonas térmicas do planeta, como você pode ver, existem mais duaslinhas imaginárias em cada hemisfério: os trópicos e os círculos polares. O Trópico de Capricórnio, no Hemisfério Sul, e o Trópico de Câncer, no Hemisfério Norte, são linhas que delimitam as áreas mais quentes do planeta ou a Zona Intertropical, in- cluindo a Linha do Equador. Já o Círculo Polar Ártico, no Hemis- fério Norte, e o Círculo Polar Antártico, no Hemisfério Sul, delimitam as áreas mais frias do planeta, as zonas polares que ficam além de seus limites. Entre os trópicos e os círculos po- lares, temos zonas de temperatura in- termediária ou zonas temperadas. Geografia 35 Os meridianos e as longitudes Os meridianos são arcos que ligam os polos geo- gráficos da Terra, sendo, portanto, perpendiculares aos paralelos. Estes são horizontais, enquanto os me- ridianos são verticais. Diferentemente dos paralelos, têm sempre o mes- mo comprimento e formam arcos de “meia-volta” no planeta. Observe a ilustração que representa um corte da Terra e demonstra como são definidos os meridianos. Por marcar a longitude zero do planeta, o meri- diano que passa por Greenwich, nos arredores de Londres, capital do Reino Unido, também pode ser denominado “Meridiano Principal”. Divide o globo, portanto, em dois hemisférios: o Leste ou Oriental e o Oeste ou Ocidental. Outra diferença entre os paralelos e os meridia- nos é que, enquanto aqueles marcam latitudes, que vão de 0 a 90 graus ao sul ou ao norte do Equador, os meridianos marcam longitudes, as quais vão de 0 a 180 graus, a leste ou a oeste do Meridiano de Greenwich, o que totaliza os 360º de circunferência do planeta. A longitude de um lugar é definida pela distância em graus desde o Meridiano de Greenwich até um ponto qualquer na superfície terrestre. Para cada um deles, existe, no lado oposto do globo, um antimeridiano. Se um navio, por exemplo, está situado na longitude 45º oeste, sabemos que ele se encontra em algum local do arco que vai do Polo Sul ao Polo Norte, a 45 graus a oeste do Meridiano de Greenwich. Observe a representação dessa longitude no planisfério a seguir. Polo Sul Polo Norte Longitude 20º 40º 60º 80º 100º Meridiano de Greenwich 0º Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 7. ed. Rio de Janeiro, 2016. p. 34. Adaptação. Planisfério : hemisférios Leste e Oeste Ta lit a Ka th y Bo ra Di vo . 2 01 0. D ig ita l. A longitude de um ponto sobre a superfície da Terra é medida pelo seu ângulo em relação ao Meridiano de Greenwich. Ele recebe esse nome por passar sobre o observatório astronômico de Greenwich, nos arredores de Londres. 6o. ano – Volume 136 Cartografar Cruzamento das coordenadas Como você viu, os paralelos e os meridianos são perpendiculares uns aos outros. Assim, por um lado, é possível traçar quantos paralelos quisermos numa variação de 0 a 90 graus ao norte ou ao sul do Equador, totalizando 180 graus. Por outro lado, também podemos traçar quantos meridianos quisermos, numa va- riação de 180 graus a leste ou a oeste de Greenwich, totalizando 360 graus. Dessa forma, paralelos e meridianos se cruzam em qualquer ponto do globo sem exceção, permitindo obter a localização precisa de qualquer objeto. É necessário apenas conhecer os graus correspondentes à latitude e à longitude, além dos hemisférios Norte/Sul e Leste/Oeste. Observe como se dá a determinação de um ponto na superfície da Terra por meio do mapa-múndi a seguir, que mostra a localização exata de um navio a 45º sul (latitude) e 45º oeste (longitude). Você sabe em qual hemisfério você vive? Norte ou Sul, Leste ou Oeste? Encontre, se preciso com ajuda da internet, as coordenadas geográficas do município onde mora e registre-as nas linhas a seguir. Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 7. ed. Rio de Janeiro, 2016. p. 34. Adaptação. Ta lit a Ka th y Bo ra Planisfério: localização exata do navio Geografia 37 Fusos horários Como efeito importante do movimento de rotação da Terra, a marcação das horas é diferente em cada local da superfície terrestre. Neste exato momento, o Sol está aparecendo em algum lugar do planeta e se pondo em outro, de forma ininterrupta. Para compreender esse processo, vamos utilizar um pouco de geometria, considerando a forma esférica do planeta. Assim, um objeto com formato circular, ou aproximadamente circular, como a Terra, tem uma circunferência de 360 graus (ou 360º). Como um dia completo apresenta 24 horas de duração, a cada 15º da circunferência do globo, há uma hora diferente do dia, como você pode observar na ilustração. Portanto, os fusos horários nada mais são que um conjunto de faixas imaginárias, em forma de arcos, com uma medida de 15º de longitude cada um, o que corresponde a uma hora. Como a Terra realiza o mo- vimento de rotação no sentido oeste para les- te, o Sol aparece primeiramente para os locais situados a leste, ou ao oriente. Por isso, cada faixa de fuso nessa direção marca suas horas com uma hora de antecedência em relação aos que se encontram a oeste ou a ocidente. Meridiano de Greenwich ou Meridiano Principal Polo Norte Linha do Equador (0º) Polo Sul 7° 30 ’ 7° 30 ’ HemisférioNorte HemisférioSul Batalha-naval geográfica Que tal participar de uma “batalha” simulada usando as coordenadas geográficas? Para isso, utilize os mapas disponíveis no material de apoio e distribua as bases de acordo com o número indicado nas legendas deles. No mapa superior, preencha as posições correspondentes à localização de suas bases nos oceanos. Faça sua marcação sempre em uma coordenada geográfica, ou seja, no cruzamento de um paralelo com um meridiano, e mantenha as unidades próximo a seus similares (por exemplo, os cinco depó- sitos de suprimentos devem se localizar em coordenadas vizinhas a pelo menos um depósito de su- primento). Nesse mesmo mapa, marque os disparos dados pelo seu opositor: um círculo para os tiros errados, e um X para aqueles que atingirem suas bases. No mapa inferior, você sinalizará os seus disparos e as bases que alvejou usando os mesmos símbolos (círculo para os errados, e um X para os que acertou). Para indicar os disparos simulados feitos por você, use as coordenadas geográficas. Jogos geográficos Di vo . 2 01 0. D ig ita l. Dividindo-se a circunferência da Terra (360º) pelo número de horas que um dia contém (24 horas), chega-se ao resultado de 15º de faixa de fuso para cada hora do dia. Na imagem, um dos fusos horários que passa pela faixa central do território brasileiro está destacado. Você saberia dizer quantas horas adiantadas ou atrasadas estão as cidades desse fuso horário em relação àquele cujo centro é o Meridiano de Greenwich? 6o. ano – Volume 138 Conferência Internacional do Meridiano, 1884: o estabelecimento do meridiano e antimeridiano principais Não existe um fator natural que coloque Greenwich como centro de referência para padrões de horas ou de longitudes do mundo. Como a Terra apresenta um formato esférico, qualquer meridiano, a princípio, poderia exercer essa função. Por muito tempo, até meados do século XIX, foi isso o que aconteceu: cada país estabelecia seu próprio meridiano de referência zero, geralmente passando pela capital ou pela faixa central do território. No en- tanto, esse descompasso entre diferentes horas ao redor do globo, sem um método que fosse capaz de calcular os horários em diferen- tes locais, obrigava as pessoas a fazer pesquisas e consultas para se informar sobre horários em outras localidades com as quais tivessem alguma relação, familiar, de comércio, amizade ou qualquer compromisso. Também gerava dificuldades para aqueles que precisavam viajar por longas distâncias. Por esse motivo, em 1884 ocorreu uma conferência em Washington, capital dosEstados Unidos, na qual foi aprovada uma proposta que padronizava o sistema de hora mundial, tendo como referência o Meridiano de Greenwich. Do lado oposto a ele no globo, a linha de 180 graus (também conhecida como antimeridiano de Greenwich) funcionaria como divisor das datas na Terra, sendo denominada “Linha Internacional de Data”, identifica- da também pela sigla LID. Essa linha passa pelo Oceano Pacífico e, para se adaptar às condições de algumas ilhas da região, sofreu desvios. Quando é cruzada de leste para oeste, acrescenta-se um dia no calendário, ocorrendo o oposto quando se atravessa em sentido contrário. Conexões ©G oo gle ea rth /D ata SI O, N OA A, U .S. N av y, NG A, G EB CO /Im ag e La nd sa t/C op em icu s/I ma ge IB CA O O Meridiano de Greenwich define a porção central do fuso inicial. Assim, à medida que as faixas de fuso se posicionam a leste (oriente), acrescenta-se uma hora em relação a Greenwich e, à medida que as faixas se posicionam a oeste (ocidente), reduz-se uma hora. Dessa forma, se, por exemplo, são exa- tamente 18 horas em Madri, cidade localizada no fuso inicial, saberemos que em Moscou, situada três faixas de fuso a leste, serão 21 horas. Simultaneamente, em Brasília, que está três faixas de fusos a oeste, serão 15 horas. Observe os fusos horários, o Meridiano de Greenwich e a Linha Internacional de Data no mapa presente na página 2 do material de apoio e visualize como isso funciona simultaneamente no mundo todo. Também podemos perceber que os fusos utilizados pelos países não obedecem precisamente aos limites estabelecidos pelos meridianos, pois sofrem desvios de acordo com as fronteiras políticas. Isso ocorre para facilitar o cotidiano das sociedades. Desse modo, podemos dizer que há os fusos horários teóricos, representados na ilustração da página 38, e os fusos horários práticos ou civis, expostos no mapa no material de apoio (“Planisfério: fuso horário civil ou prático”), que são aqueles adotados como referências de horários oficiais pelos governos dos países. Geografia 39 Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 4. ed. Rio de Janeiro, 2007. p. 91. Adaptação. Brasil: fuso horário civil de 1913 até 2008 Ta lit a Ka th y Bo ra Brasil: fuso horário civil de 2008 até 2013 Devido ao tamanho de seus territórios, há países, como Índia, Austrália, Estados Unidos ou Rússia, en- tre outros, que adotam horários diferentes para determinadas regiões em relação à capital. No Brasil, isso também ocorre. Nos últimos anos, o país passou por algumas alterações em seus horários oficiais, as quais podem ser compreendidas por meio dos mapas a seguir. Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro, 2012. p. 91. Adaptação. Além das adaptações práticas feitas de acordo com as especificidades do local, é necessário considerar que, em de- terminadas épocas do ano, países como o Brasil e vários outros adotam o adiantamento de uma hora, conhecido como “horário de verão”, a fim de economizar energia. Brasil: fuso horário civil Ta lit a Ka th y Bo ra Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 7. ed. Rio de Janeiro, 2016. p. 91. Adaptação. 6o. ano – Volume 140 Olhar geográfico 1. Com base no mapa do fuso horário civil do Brasil, na página 40, resolva as questões a seguir. a) Um cientista que mora em Brasília e estuda o desmatamento na região amazônica do país precisa viajar de sua cidade à capital do Acre para fazer trabalhos de campo. Levando em consideração que seu voo sai às 22 horas de Brasília e tem 3 horas de duração, que horas o cientista deve desem- barcar no local de sua chegada? b) Um jovem universitário estuda no Mato Grosso e precisa falar com sua família, que vive no Tocantins. Sabendo que seus pais estarão em casa a partir da 20 horas, em qual horário ele deve fazer a ligação? 2. Agora que você verificou como funciona o sistema de fusos horários, utilize novamente o mapa pre- sente na página 2 de seu material de apoio para resolver estes problemas: a) Os gerentes regionais de duas unidades produtoras de uma grande multinacional devem realizar uma videoconferência para tratar de estratégias de produção conjunta. Uma das unidades está localizada em Los Angeles, nos Estados Unidos, e a outra, na cidade de Johanesburgo, na África do Sul. Em que horário os gerentes da unidade de Johanesburgo deverão estar a postos para que a videoconferência seja realizada às 8 h 00 min de Los Angeles? b) O lançamento mundial de um novo e aguardado jogo para videogame será feito na cidade de Pequim (capital da China), à 0 h 00 do dia 1º. de janeiro, quando será disponibilizado para download. Calcule o horário em que o jogo estará disponível em cada cidade a seguir. Sydney – Austrália: Roma – Itália: Rio de Janeiro – Brasil: Cidade do México – México: Geografia 41 Principais elementos de um mapa Os mapas devem apresentar alguns elementos básicos, como o título, a legenda e a escala. Para com- preender as informações que um mapa traz, é necessário atentar a esses elementos. A orientação, em geral indicada pela rosa dos ventos, e a fonte, que nos mostra a origem das informações, também são elementos importantes. Observe, no infográfico a seguir, a descrição dos elementos básicos de um mapa. Brasil: divisão política Ta lit a Ka th y Bo ra B Ta lit a Ka th y Bo ra Título: informa o local, ou a área, e o tema representado no mapa Orientação: possibilita estabele- cer as referências espaciais no mapa. Geralmente, é representada pela rosa dos ventos ou por uma seta apontando o norte Escala: indica quantas vezes o tamanho da área representada foi reduzido proporcionalmente Fonte: mostra a origem das informações apresentadas, que podem ser obtidas em livros, atlas, sites, entre outras referências Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 7. ed. Rio de Janeiro, 2016. p. 90. Adaptação. p Legenda: apresenta um conjunto de símbolos (linhas, traços, desenhos, etc.) e cores que representam as informações mostradas no mapa Com a compreensão do significado dos elementos, é possível obter uma leitura completa de um mapa. Um desses elementos, porém, merece tratamento especial em razão de sua importância e dificuldade, já que envolve cálculos matemáticos: a escala cartográfica. 6o. ano – Volume 142 A escala cartográfica No capítulo anterior, você estudou que a escala geográfica se refere ao tamanho de um fenômeno ou de uma área que seja analisada geograficamente, por exemplo: um país (escala nacional) ou uma cidade (escala local ou municipal). Agora, você vai verificar como se utiliza outro tipo de escala: a escala cartográfica, que é a proporção entre as dimensões reais de determinada área ou objeto e as dimensões de sua representação (como uma maquete, ou um mapa). Como vimos, um mapa nos mostra uma parte ou a totalidade da superfície terrestre em um plano, como um papel ou a tela do computador. Para representar algo de dimensões tão grandes, como o planeta Terra ou um país, é necessário retratar os aspectos da superfície (como continentes, territórios de países, etc.) de forma reduzida e com menos detalhes (ruas e casas não são representadas, por exemplo). Já se o mapa reproduzir superfícies menores, como uma cidade, a redução não será tão grande, e mais detalhes poderão ser representados (como ruas, avenidas e quadras ou quarteirões). Essa redução das di- mensões da realidade no mapa é feita por meio da escala cartográfica. A escala pode ser definida, então, como a proporção entre as medidas reais e aquelas representadas no mapa. Indica, portanto, o quanto as medidas reais foram reduzidas na representação. A escala nãoestá presente apenas em mapas. Modelos de carros e aviões em miniatura, por exemplo, também apresentam a indicação de quantas vezes são menores que o objeto real. No exemplo das fotos, as informações são fornecidas na parte de baixo do brinquedo: o veículo de tipo “Classical Bus”, do ano de 1962, foi reduzido em 32 vezes. Isso significa que o objeto é uma réplica 32 vezes menor que o original no qual ele se baseia. Há dois tipos de escala cartográfica: a numérica, reproduzida em forma de fração (como no caso da miniatura do “Classical Bus”); e a gráfica, reproduzida por meio de uma barra graduada. Com base em qualquer uma delas, você poderá determinar medidas reais utilizando apenas o mapa, uma régua e al- guns cálculos matemáticos. A escala numérica É representada por uma fração que indica a relação entre a unidade medida no mapa (sempre no valor de 1) e a unidade medida no terreno. Por exemplo, se a área de um terreno representado em um mapa é 100 vezes menor que a real, a escala será determinada pela fração 1:100. Esta deve ser lida como “um por cem”. O número 1 é o numerador, e o número 100 é o denominador da escala. Esse exemplo, contudo, é pouco usual, já que uma distância curta, como a de 1 quilômetro, ocuparia uma superfície de 10 metros para sua representação. P. Im ag en s/ Pi th P. Im ag en s/ Pi th Geografia 43 Uma escala mais comum é a de 1:100 000, que se lê “um por cem mil”. Significa que cada centímetro no mapa representa cem mil centímetros do terreno que se deseja retratar, ou seja, um quilômetro. Na representação da escala numérica, não existe necessariamente uma unidade de medida, mas se costuma utilizar o centímetro como referência. Para facilitar o cálculo, transformamos o denominador em outras unida- des de medida, principalmente em metros e quilômetros. Observe, no quadro a seguir, as equivalências das unidades de medida. cm (centímetro) dm (decímetro) m (metro) dam (decâmetro) hm (hectômetro) km (quilômetro) 1 0 0 0 0 0 Cada zero à direita do número corresponde a uma nova medida. Portanto, 10 centímetros equivalem a 1 decímetro; 100 centímetros equivalem a 1 metro, e assim por diante, até chegar a 100 000 centímetros, equivalendo a 1 quilômetro, ou 1 km. Logo 1: 100 000 significa um centímetro para cada um quilômetro. No mapa da página 42 (“Brasil: divisão política”), por exemplo, a escala é 1: 45 000 000, ou 1 por 45 milhões. Para converter isso em quilômetros, precisamos eliminar 5 zeros à direita, o que resulta que cada centímetro no mapa representa 450 quilômetros do espaço geográfico brasileiro. Dessa forma, calculamos uma distância real representada no mapa medindo a distância entre dois pon- tos em centímetros na representação e, em seguida, multiplicando pelo fator da escala. Por exemplo, Rio Branco (capital do Acre) está a 1 centímetro de Porto Velho (capital do estado de Rondônia) no mapa; por- tanto, essas cidades estão a cerca de 450 quilômetros de distância em linha reta. Do mesmo modo, Porto Velho está a cerca de 3,7 centímetros de Campo Grande (capital do Mato Grosso do Sul), o que significa que a distância em linha reta entre as duas cidades é dada, em quilômetros, pela multiplicação de 3,7 x 450, cujo resultado é 1 665 quilômetros. É importante perceber que, quanto menor for o valor do denominador (lembre-se de que, por convenção, o numerador será sempre igual a 1), mais detalhado será o mapa. Por outro lado, a área representada será menor. Assim, em escalas reduzidas, por exemplo 1/160 000 000, cada centímetro na representação equivale a 160 milhões de centímetros na realidade, ou 1 600 km. Estas, por sua vez, são utilizadas para reproduzir grandes áreas ou mesmo toda a superfície terrestre. Atividades Utilizando o mapa do Brasil que se encontra na página 3 do material de apoio, determine as dis- tâncias aproximadas entre as capitais, tanto na representação como na realidade. Depois, complete o quadro a seguir inserindo as informações solicitadas. Lembre-se de atentar à medida, pois, quanto maior for a sua exatidão, mais preciso será o resultado. Capital 1 Capital 2 Medida no mapa em centímetros Medida real em quilômetros Belém – PA Rio de Janeiro – RJ Porto Alegre – RS Porto Velho – RO Salvador – BA Recife – PE Boa Vista – RR São Luís – MA Fortaleza – CE Cuiabá – MT 6o. ano – Volume 144 Conexões Planta de um apartamento © Sh ut te rs to ck /O pk a Escala 1:10 Escala gráfica Uma escala também pode ser representada de forma gráfica, ou seja, por meio de uma barra dividida em espaços regulares, mais ou menos como se fosse uma régua. Nesse tipo de escala, o tamanho de cada interva- 10 km 30 km0 10 1 cm = 10 km 20 100 km 300 km0 100 1 cm = 100 km 200 100 000 km 300 000 km0 100 000 1 cm = 100 000 km 200 000 • Três exemplos de escala gráfica Como é possível observar, cada fração da barra, independentemente de quão grande ou pequena seja, representa uma mesma medida na realidade, o que torna mais fácil o uso desse tipo de escala. lo representa a medida no mapa, normalmente representada em quilômetros. A parte inicial da barra, em geral, é dividida em porções menores, o que facilita a definição de medidas re- lativamente pequenas. Diferentemente da escala numérica, a escala gráfica tem uma medida dada, como metros ou quilô- metros. Observe os exemplos ao lado. A escala gráfica apresenta a vantagem de ser mais sim- ples e não exigir cálculos de transferência de medidas. Outra vantagem é que, se houver uma ampliação ou redução no mapa, ela não perde a validade: enquanto a escala numérica tem seu valor alterado, a gráfica, ainda que sofra alterações em seu tamanho, mantém proporção entre a barra e a medi- da que ela representa. Plantas Quando queremos representar maiores detalhes, como casas, apartamentos, quadras ou quarteirões, uti- lizamos escalas consideradas grandes (em geral, no mínimo 1: 100 e, no máximo, 1: 10). Essas representações são um tipo especial de mapas: as plantas. Elas são muito úteis para profissionais envolvidos com a administração de ambientes domésticos ou comerciais, como engenheiros e arquitetos. Também auxiliam órgãos públicos que trabalham com plane- jamento de espaços urbanos, como os bairros. Veja, no exemplo, uma planta que representa um aparta- mento na escala 1:10. Geografia 45 1. O que é a escala cartográfica e qual a sua função? 2. Qual a diferença entre as escalas numérica e gráfica? 3. Converta as medidas que estão em centímetros para quilômetros. a) 5 600 000 cm = b) 500 000 cm = c) 126 300 000 cm = 4. Escreva por extenso as escalas a seguir. a) 1: 25 000 000 = b) 1: 3 000 = c) 1: 125 = 5. Um piloto deve sobrevoar três cidades em um dia. De acordo com o seu mapa, com escala de 1: 200 000, a primeira cidade fica a 12 cm de distância do ponto onde ele está. A segunda fica a 6 cm da primeira cidade, e a última fica a 22 cm da segunda. Quantos quilômetros o piloto deverá sobrevoar no dia? 6. Observe as escalas gráficas a seguir e registre suas respectivas escalas numéricas. a) 20 km 0 20 40 60 km 1 cm = 20 km = b) 250 km 0 250 500 750 km 1 cm = 250 km = c) 10 km 0 10 20 30 km 1 cm = 10 km = Atividades 6o. ano – Volume 146 Cartografar Responda às questões. 1. Qual a principal informação apresentada pelo mapa? 2. Escreva o nome de três unidades da federação que apresentam os maiores percentuais de domicílios com geladeira. 3. Escreva o nome de três unidades da federação que apresentam os menores percentuais de domicílios com geladeira. 4. Há algum padrão ou algo em comum na distribuição dos dois grupos citados nas questões anteriores? Escreva o que você percebeu. Brasil: domicílioscom geladeira (2011) Ta lit a Ka th y Bo ra Fonte: IBGE. Domínios particulares permanentes, por posse de geladeira. Disponível em: <http://seriesestatisticas.ibge.gov.br/ series.aspx?no=6&op=0&vcodigo=PD279&t=domicilios-particulares-permanentes-posse-geladeira>. Acesso em: 9 fev. 2015. Adaptação. Mapas temáticos Podemos classificar os mapas considerando o que eles representam, ou seja, com base nos tipos de informação que eles nos fornecem. Por exemplo, um mapa do Brasil que apresente o número de domi- cílios com geladeira pode ser enquadrado no grupo dos mapas socioeconômicos, uma vez que mostra uma característica social e econômica. Já os mapas que representam elementos naturais ou fenômenos ambientais podem ser classificados como mapas físicos. Além de econômicos e sociais (como grau de industrialização ou renda per capita) e físicos (como vege- tação ou climático), os mapas podem conter dados culturais (como língua falada em países de determina- do continente), históricos (como antigas divisões territoriais) e políticos (como atuais divisões territoriais), entre outros temas possíveis. Geografia 47 5. Relacione cada um dos títulos ao mapa correspondente. a) Brasil: político b) Brasil: clima c) Brasil: unidades de conservação d) Brasil: redes de transporte Ta lit a Ka th y Bo ra Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 7. ed. Rio de Janeiro, 2016. Adaptação. Fonte: CONTI, J.B.; Furlan, S.A. Geoecologia: o clima, os solos e a biota. In: ROSS, Jurandyr L. S. (Org.). Geografia do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2005. p. 107. Adaptação.Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 7. ed. Rio de Janeiro, 2016. Adaptação. Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 7. ed. Rio de Janeiro, 2016. Adaptação. 6o. ano – Volume 148 As convenções cartográficas As legendas dos mapas são representadas por meio do uso de diferentes símbolos. Para facilitar a compreensão de seus significados, foi criado um sistema de símbolos utilizados nas representações car- tográficas. Esse sistema possibilita a leitura das informações contidas nos mapas por qualquer pessoa em qualquer parte do mundo, mesmo com algumas variações sutis. As cores utilizadas para os diferentes níveis de altitude, que você pode conferir em um mapa físico do Brasil, são um exemplo de convenção cartográfica. No quadro a seguir, há alguns dos principais símbolos convencionados. Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 7. ed. Rio de Janeiro, 2016. p. 28. Adaptação. Entre os mapas temáticos mais utilizados, há um tipo que apresenta diversas finalidades: os mapas topo- gráficos, cuja função é registrar as irregularidades da superfície terrestre. É o que veremos a seguir. Convenções Geografia 49 Como o relevo é mapeado? 450 m 450 m 400 m 400 m 300 m 300 m 200 m 200 m 100 m 100 m Nível do mar Nível do mar Encosta suave Encosta íngreme Níveis altimétricos Cor 0 – 100 m 100 m – 200 m 200 m – 300 m 300 m – 400 m 400 m – 500 m Ilu st ra çõ es : D iv o. . 2 2 01 7. D ig ita l. Podemos perceber as formas do relevo considerando a diferença de altitude existente entre as áreas, dos mais elevados cumes aos terrenos mais baixos, em geral localizados nos litorais. Ao nível do mar, dize- mos que a altitude é de 0 metro. À medida que nos dirigimos aos pontos culminantes do terreno, a altitude aumenta. No mapa “Brasil: físico” a seguir, por exemplo, podemos observar as diferenças altimétricas, ou seja, di- ferenças de altitude entre as porções do território nacional. Com base em um código de cores, que vai de tons de verde, para as áreas de menor altitude, até o vermelho-escuro ou marrom, para os picos de maior altitude, é possível visualizar quais áreas são mais altas ou mais baixas no território nacional, passando, ainda, por tons de amarelo e alaranjado para áreas intermediárias. Isso também é notado no perfil topográ- fico, abaixo do mapa, o qual representa as variações na altitude em uma trajetória reta que, supostamente, seguisse a linha preta traçada sobre o mapa. Ter conhecimento das formas de relevo é muito impor- tante para o planejamento dos locais de ocupação humana e dos tipos de usos do solo. Por esse motivo, é fundamental representar as diferenças altimétricas e as irregularidades do relevo em mapas, isto é, as variações de altura entre pontos e áreas distintas. Isso é possível por meio de linhas imaginárias que unem pontos de mesma altitude no relevo e definem cotas altimétricas, denominadas de “curvas de nível”. Veja como funciona esse sistema na ilustração. Ela de- monstra como se representa o perfil topográfico de um morro. Na parte superior, vemos que o morro é dividido em diferentes faixas de altitude, enquanto na parte de baixo estas são projetadas no papel, na forma de curvas de nível. Por fim, as diferentes faixas são representa- das em cores que correspondem a dife- rentes altitudes. Cada uma das linhas simboliza uma cota altimétrica e é denominada “isolinha”, sendo, no caso da ilustração, representada em intervalos de 100 metros. O topo está situado no ponto a 450 metros. À direita, a encosta é mais íngreme (inclinada) e, por isso, as curvas de nível estão mais próximas. Já na encosta à esquerda, a inclinação é mais suave e, por isso, as curvas de nível estão mais distantes. Podemos concluir, então, que terrenos muito planos apresentam curvas de nível mais distantes umas das outras. Na ilustração a seguir, temos a comparação do desenho de uma paisagem em visão oblíqua ou diago- nal, de um lado, e o seu mapeamento topográfico, de outro. Observe-a. Fonte: CHRISTOPHERSON, Robert W. Geossistemas: uma introdução à Geografia Física. Porto Alegre: Bookman, 2012. p. 690. Adaptação. 6o. ano – Volume 150 Brasil: físico Ta lit a Ka th y Bo ra Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 7. ed. Rio de Janeiro, 2016. Adaptação. 1 500 1 000 500 0 1 500 1 000 500 0 4 000 3 500 3 000 2 500 2 000 1 500 1 000 500 0 m SO NE km Pantanal Mato-Grossense Ri o Pa ra gu ai Ri o Sã o Fr an ci sc o Ba . d e To do s- os -S an to s Ri o da s Co nt as Sa . d os C ai ap ós Sa . d e St a. M ar ta Sa . d os P in he iro s Sa . G er al d e Go iá s Sa . d o Es pi nh aç o Sa . G er al Br as íli a Exagero vertical: 200 vezes Planalto Central Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. Rio de Janeiro, 2009. Adaptação. Geografia 51 1. Na página 4 do material de apoio, há um recorte de uma carta topográfica, cuja escala é de 1/50 000 e que representa, por meio de curvas de nível, detalhes importantes do terreno. Observe os detalhes da carta e faça as atividades a seguir. a) Qual é a maior altitude registrada? b) Liste algumas referências próximas do local mais elevado da representação. c) Qual é a altitude mais baixa registrada na carta? d) Liste algumas referências do local menos elevado da representação. e) Qual a cota altimétrica entre as curvas de nível? 2. Sobre o mapa “Brasil: físico”, na página 51, e o perfil topográfico que o acompanha, responda às ques- tões a seguir. a) Qual a principal informação apresentada no mapa? b) De acordo com o mapa, onde estão as regiões de menor altitude em nosso país? c) Onde estão as regiões com altitude mais elevada? d) O que representa o perfil topográfico abaixo do mapa? Atividades 6o. ano – Volume 152 Hora de estudo 53 Complete o quadro utilizando os termos a seguir. título – mapas – coordenadas geográficas – sistema de orientação – cartógrafos – mapas temáticos – legenda – fusos horáriosRepresentações do espaço e de suas características físicas e humanas que podem ser elaboradas com base em critérios técnicos. Profissionais que elaboram e produzem mapas. Classificação dos mapas com base nas características das informações representadas. Entre os mais utilizados, podem-se citar o econômico, o social, o ambiental, o cultural, etc. Localizado geralmente na parte superior do mapa. Apresenta dados sobre o lugar e traz o tipo de informação representada. Apresenta as informações fundamentais para a compreensão do conteúdo de um mapa por meio das convenções cartográficas. Realizado, em geral, com auxílio de uma rosa dos ventos, indica as direções dos pontos cardeais e seus variantes em relação ao espaço real representado no mapa. Sistema de linhas imaginárias traçadas sobre o planeta que formam uma malha com a qual é possível localizar, com precisão, qualquer ponto na superfície terrestre. Conjunto de faixas imaginárias, em forma de arcos, com uma medida de 15 graus de longitude cada um, o que corresponde a uma hora. 2. Qual a relação entre os pontos cardeais e o movimento aparente do Sol? 1. Complete a rosa dos ventos com os pontos cardeais e colaterais. Organize as ideias Geografia 3. Escreva o ponto colateral que fica entre os pontos cardeais indicados. a) Entre norte e leste: b) Entre sul e oeste: c) Entre oeste e norte: d) Entre leste e sul: 4. Relacione as colunas. ( 1 ) Paralelos ( ) É a distância medida em graus da Linha do Equador até um ponto qualquer na superfície terrestre. Pode ser ao norte ou ao sul. ( 2 ) Meridianos ( ) É a distância, medida em graus, do Meridiano de Greenwich até um ponto qualquer na superfície terrestre. Pode ser a leste ou a oeste. ( 3 ) Latitude ( ) São linhas imaginárias paralelas à Linha do Equador que circundam a Terra somando 90º em cada hemisfério, Norte e Sul. ( 4 ) Longitude ( ) São arcos imaginários que ligam os polos geográficos norte e sul em um total de 180º em cada hemisfério, Leste e Oeste. O inicial é chamado de “Greenwich”. 5. Consulte o mapa-múndi e preencha as lacunas do quadro a seguir. Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 7. ed. Rio de Janeiro, 2016. p. 32. Adaptação. Mapa-múndi: coordenadas geográficas Ta lit a Ka th y Bo ra Ponto Latitude Longitude Ponto Latitude Longitude A 30º N E 60º S 30º S 60º L F 30º L C 0º G 60º O 0º 30º O H 60º N 6. Com base em seus conhecimentos sobre Cartografia, responda às questões propostas. a) Explique o que é o Sistema de Posicionamento Global e como ele funciona. b) Apresente algumas utilidades do Sistema de Posicionamento Global. c) De que forma a internet contribuiu para a popularização dos mapas? d) Que cuidado devemos ter ao consultar mapas na internet? 54 Capítulo 2 – Página 38 Jogos geográficos – Batalha-naval geográfica Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 7. ed. Rio de Janeiro, 2016. p. 32. Adaptação. Ta lit a Ka th y Bo ra 6o. ano – Volume 1 Material de apoio 1 Geografia Capítulo 2 – Páginas 27, 39 e 41 Fusos horários, Meridiano de Greenwich e Linha Internacional de Data Fo nt e: IB G E. A tla s g eo gr áf ic o es co la r. 7. e d. R io d e Ja ne iro , 2 01 6. p . 3 5. A da pt aç ão . Marilu de Souza Pl an is fé ri o: fu so h or ár io c iv il ou p rá ti co Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 7. ed. Rio de Janeiro, 2016. p. 90. Adaptação. Capítulo 2 – Página 44 Desafio Brasil: político Ta lit a Ka th y Bo ra 6o. ano – Volume 1 Material de apoio 3 Geografia Capítulo 2– Página 52 MINISTÉRIO do Planejamento e coordenação geral. Fundação IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia – Departamento de Cartografia. Carta do Brasil – ESC. 1:50 000 – Borrazópolis: Folha. SF-22-Y-D-V4.