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FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL

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Programa de Pós-Graduação EAD
UNIASSELVI-PÓS
FUNDAMENTOS DA 
EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Autoras: Daniela Viviani 
 Rosimar Bizello Müller
CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI
Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito
Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC
Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090
Reitor: Prof. Dr. Malcon Tafner
Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol
Coordenador da Pós-Graduação EAD: Prof. Norberto Siegel
Equipe Multidisciplinar da
Pós-Graduação EAD: Profa. Hiandra B. 
Götzinger Montibeller
 Profa. Izilene Conceição Amaro Ewald
 Profa. Jociane Stolf
Revisão de Conteúdo: José Constantino Sommer
Revisão Gramatical: Tereza Pfiffer Franco
Diagramação e Capa:
Centro Universitário Leonardo da Vinci
Copyright © Editora Grupo UNIASSELVI 2009
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri
 UNIASSELVI – Indaial.
370
V859f Viviani, Daniela.
 Fundamentos da Educação Ambiental / Daniela 
 Viviani [e] Rosimar Bizello Müller. Centro 
 Universitário Leonardo da Vinci. – Indaial: Grupo
 UNIASSELVI, 2009.x ; 137 p.: il.
	 	 		Inclui	bibliografia.	
 ISBN 978-85-7830-213-9
 1. Educação Ambiental 2. Meio Ambiente
 I. Centro Universitário Leonardo da Vinci.
 II. Núcleo de Ensino a Distância III. Título
É mestranda pela Universidade Federal de 
Santa Catarina (UFSC), especialista em Educação 
Ambiental (2007) pela Faculdade do SENAC - FATEC 
(Florianópolis - SC). Possui graduação (licenciatura 
plena)	em	Geografia	(2001)	pela	Universidade	Federal	de	
Santa	Catarina	(UFSC),	bacharelado	em	Geografia	(2003)	
também pela Universidade Federal de Santa Catarina 
(UFSC). Atualmente, atua como Tutora do Curso de 
Geografia	do	NEAD	 (Núcleo	de	Ensino	a	Distância)	do	
Centro Universitário Leonardo da Vinci (UNIASSELVI). 
Rosimar Bizello Müller
Possui graduação em Ciências Biológicas, 
pela Fundação Universidade Regional de 
Blumenau (2004) e mestrado em Biologia Vegetal, 
pela Universidade Federal de Santa Catarina (2007). 
Atualmente, atua como Tutora do Curso de Ciências 
Biológicas	 do	 NEAD	 (Núcleo	 de	 Ensino	 a	 Distância)	 do	
Centro Universitário Leonardo da Vinci (UNIASSELVI). 
Tem	 experiência	 na	 área	 de	 Botânica,	 com	 ênfase	
em	 Ecofisiologia	 Vegetal,	 atuando	 principalmente	
nos seguintes temas: micropropagação vegetal e 
germinação	de	pteridófitas.
Daniela Viviani
Sumário
APRESENTAÇÃO ............................................................................ 7
CAPÍTULO 1
Fundamentos	da	Ecologia ............................................................ 9
CAPÍTULO 2
Evolução	Socioambiental	e	Desenvolvimento	Econômico .... 31
CAPÍTULO 3
A	Crise	Ambiental ......................................................................... 67
CAPÍTULO 4
Histórico	da	Educação	Ambiental ............................................. 99
APRESENTAÇÃO
 
Olá, vamos iniciar mais uma disciplina! 
Contaminação dos cursos de água, poluição atmosférica, devastação 
de	 florestas,	 caça	 indiscriminada,	 uso	 excessivo	 de	 agrotóxicos,	 falta	 de	
gerenciamento adequado para o excesso de lixo produzido... Você já notou 
alguns desses exemplos de agressões ao meio ambiente em sua cidade ou 
região? Provavelmente, sim! E as soluções para essas questões ambientais, são 
percebidas com a mesma facilidade? Nosso relacionamento com a natureza, que 
teve início com um mínimo de interferência nos ecossistemas, hoje está baseado 
numa forte pressão exercida sobre os recursos naturais. Assim, é indispensável 
nossa mudança de comportamento em relação à natureza, sendo que a Educação 
Ambiental (EA) surge como uma ferramenta e/ou estratégia para enfrentarmos a 
crise ambiental, e, por que não dizer, social e cultural que estamos vivendo.
Durante nosso estudo sobre os Fundamentos da Educação Ambiental, no 
primeiro capítulo você terá a oportunidade de relembrar e/ou conhecer os conceitos 
básicos da Ecologia para, ao longo do estudo desta disciplina, avaliar o alto grau 
de interdependência que existe entre os diversos componentes da biosfera. E, 
dessa forma, valorizar o papel da Educação Ambiental para a manutenção de um 
ambiente de suporte para os recursos naturais e, consequentemente, para nós.
No segundo capítulo, veremos o processo evolutivo das relações entre 
sociedade	 e	 a	 natureza,	 verificando	 como	 o	 conceito	 de	 natureza	 foi	 sendo	
produzido, principalmente a partir dos avanços da ciência, resultando em 
significativas	 rupturas	 nas	 relações	 sociais	 e	 na	 relação	 sociedade-natureza.	
Entre outros aspectos, também analisaremos as transformações socioambientais 
aliadas ao desenvolvimento econômico, percebendo as razões que conduzem as 
empresas	e	o	setor	público	a	investirem	em	gestão	ambiental	e	responsabilidade	
socioambiental.
No	 terceiro	 capítulo,	 estudaremos	 as	 configurações	 da	 crise	 ambiental	
na atualidade e as razões que levaram a este confronto entre meio ambiente e 
desenvolvimento. Vamos conhecer a amplitude desta crise, através dos problemas 
ambientais	globais,	e	verificar	a	urgência	de	um	processo	contínuo	de	Educação	
Ambiental (EA), envolvendo todos os setores sociais. 
Para	finalizar,	 no	quarto	e	último	capítulo	desta	disciplina,	 você	conhecerá	
os princípios básicos da Educação Ambiental e a evolução dos movimentos 
ambientalistas, bem como suas diferentes formas de manifestação. Analisaremos, 
ainda, as tendências da Educação Ambiental no que tange, principalmente, 
à sustentabilidade, como uma nova perspectiva para conduzir as relações 
sociedade-natureza.
Bons estudos!!
As autoras
CAPÍTULO 1
Fundamentos	da	Ecologia
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo, você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
 9 Definir	Ecologia	e	conhecer	os	principais	conceitos	relacionados	ao	tema.
 9 Identificar	as	relações	existentes	entre	os	seres	vivos	e	entre	eles	e	o	ambiente	
natural.
 9 Compreender a complexidade dessas relações e reconhecer a interdependência 
que existe entre os componentes de um ecossistema.
11
Fundamentos da EcologiaCapítulo 1
Contextualização
 Ao começarmos nossos estudos, gostaríamos de fazer-lhe uma pergunta: 
Você conhece a origem da palavra ecologia? Derivada de duas palavras gregas: 
óikos (casa) e logos	 (estudo),	 ecologia	 significa	 literalmente	 o	 “estudo	 da	 casa”.	
Preocupada em estudar as relações existentes entre os seres vivos e destes com o 
meio ambiente, a Ecologia é uma área que está em pleno desenvolvimento e torna-
se cada vez mais importante, devido à interferência humana sobre os ecossistemas. 
 Entender a complexidade das relações que existem entre o meio biótico 
(seres vivos) e destes com o meio abiótico (fatores que atuam sobre os seres 
vivos, tais como: luz, temperatura, tipo de solo, salinidade, variações de pressão 
da água e do ar, entre outros, é uma ferramenta fundamental para gerar mudança 
de atitude diante dos problemas ambientais que nos cercam.
Vamos	fazer	uma	pausa	e	refletir	sobre	os	problemas	ambientais!	
Na sua região, quais problemas ambientais são mais inquietantes? 
A coleta do lixo? A ausência de programas de reciclagem? Excesso 
de poluição? Você sabe a dimensão do desequilíbrio ecológico que 
a ausência de um programa de coleta seletiva e reciclagem, por 
exemplo, pode trazer para o meio ambiente?
Os	 desequilíbrios	 ecológicos,	 observados	 nos	 últimos	 tempos,	 podem	 ser	
amenizados à medida em que passamos a conhecer a estrutura e o funcionamento 
dos ecossistemas e nos tornamos capazes de adotar procedimentos racionais de 
utilização dos recursos naturais.
Você lembra do conceito de ecossistema? Ecossistema é 
uma unidade ecológica importante, pois equivale à somatória dos 
componentesbióticos e os componentes abióticos. 
Assim, neste capítulo, você terá a oportunidade de relembrar e/ou conhecer 
os conceitos básicos da Ecologia para, ao longo do estudo desta disciplina, 
avaliar o alto grau de interdependência existente entre os diversos componentes 
da biosfera. E, dessa forma, valorizar o papel da Educação Ambiental para 
a manutenção de um ambiente de suporte para os recursos naturais e, 
consequentemente, para nós.
12
Fundamentos da educação ambiental
O meio ambiente e a ecologia passaram a ser uma preocupação 
em todo o mundo, em meados do século XX. Porém, foi ainda no século 
XIX , por volta de 1869, que o biólogo alemão, Ernst Haeckel, propôs 
pela primeira vez o termo ecologia. (TOWNSEND; BEGON; HARPER, 
2006). Segundo Pinto-Coelho (2000, p. 12): 
Apesar de seu desenvolvimento rápido, a ecologia ainda pode 
ser considerada uma soft science, assim como a economia, 
para a qual ainda não existe uma fundamentação teórica 
rígida. Não é de se estranhar, portanto, que a ecologia seja 
definida	de	diferentes	formas,	segundo	diferentes	autores.
O termo soft science, segundo Pinto-Coelho (2000), refere-se a 
uma ciência juvenil ainda sem corpo teórico rigidamente determinado.
Contudo, tendo em vista que o objetivo deste capítulo é trazer a 
você	uma	noção	básica	sobre	esta	ciência,	vamos	defini-la,	de	acordo	
com o que foi proposto pelo próprio fundador do termo. Parafraseando 
Ernest	Haeckel,	podemos	descrever	ecologia	como	o	estudo	científico	
das interações entre organismos e deles com o ambiente (TOWNSEND; 
BEGON; HARPER, 2006).
Assim,	 a	 importância	 de	 conhecermos	 os	 fundamentos	 desta	
ciência consiste em entendermos que fazemos parte do meio ambiente. 
Somos seres participantes de todas essas interações, sejam elas com 
outros organismos ou, principalmente, com o meio físico. 
Atualmente, temos ouvido e lido muito sobre problemas ambientais 
e, com certeza, neste momento você deve ter se lembrado de vários, 
certo? Porém, pouco se tem feito efetivamente para solucionar, ou pelo 
menos amenizá-los. Precisamos mudar nossas atitudes e entender 
que a preservação dos ecossistemas e dos recursos naturais está 
intimamente ligada à nossa sobrevivência. E a condição sine qua 
non para isto se resume em educação; precisamos urgentemente de 
educação ambiental para todos.
Segundo	Fernandez	(2004,	p.	13),	“Mais	do	que	nunca,	é	preciso	conhecer	
e	 entender	 para	 conservar.	Mas	 para	 conservar	 é	 preciso	 também	 amar”.	 Sob	
esta ótica, vamos compreender que exercemos um papel importante sobre 
os ecossistemas, seja como agentes transformadores ou conservadores dos 
recursos naturais.
Por volta de 1869, 
que o biólogo 
alemão, Ernst 
Haeckel, propôs 
pela primeira vez o 
termo ecologia.
Parafraseando 
Ernest Haeckel, 
podemos descrever 
ecologia como o 
estudo científico 
das interações 
entre organismos 
e deles com o 
ambiente.
 Somos seres 
participantes 
de todas essas 
interações, sejam 
elas com outros 
organismos ou, 
principalmente, 
com o meio físico.
13
Fundamentos da EcologiaCapítulo 1
Você	 já	 leu	 o	 livro	 “O	 poema	 imperfeito:	 crônicas	 de	Biologia,	
conservação	da	natureza	e	seus	heróis”?	Seu	ponto	de	partida	é	o	
de que só se pode conservar a natureza se isto for feito para o bem 
da própria natureza. Esta obra apresenta, em textos independentes, 
mas	relacionados,	reflexões	sobre	o	papel	do	homem	nas	extinções	
pré-históricas e sobre a vida de importantes cientistas subestimados 
ao longo da história da ciência. (FERNANDEZ, F. A. dos Santos. O 
poema imperfeito: crônicas de Biologia, conservação da natureza, e 
seus heróis. 2. ed. Curitiba: Universidade Federal do Paraná, 2004.)
Níveis	de	Organização
A Ecologia, assim como as demais ciências, subdivide seu objeto de estudo para, 
dessa forma, facilitar a compreensão das partes que compõem o todo. Para Odum e 
Barret (2007), talvez a melhor maneira de delimitar a ecologia moderna seja 
considerar o conceito de níveis de organização. 
Em cada nível, ocorrem interações com o ambiente físico, 
formando sistemas funcionais característicos. Podemos entender nível 
como um conjunto de entidades, sejam elas moléculas, genes, células, 
tecidos, órgãos, ou mesmo, espécies agrupadas, de forma hierárquica 
com uma escala crescente de complexidade. Para Ricklefs (2003, p. 
2),	 “Cada	sistema	ecológico	menor	é	um	subconjunto	de	um	próximo	
maior e, assim, os diferentes tipos de sistemas ecológicos formam uma 
hierarquia	de	tamanho”.	Observe	a	figura	1	e	veja	um	exemplo	de	níveis	
de organização biológica.
Figura 1 – Níveis de organização biológica
Fonte: Disponível em: <http://www.editorasaraiva.com.br/EDDID/CIENCIAS/
explorando/images/7_niveis_org.jpg>. Acesso em: 8 maio 2009.
Cada sistema 
ecológico menor 
é um subconjunto 
de um próximo 
maior, e assim, 
os diferentes 
tipos de sistemas 
ecológicos formam 
uma hierarquia de 
tamanho”.
14
Fundamentos da educação ambiental
A ecologia preocupa-se, principalmente, com os níveis de organização 
situados acima do organismo: população – comunidade – ecossistema - biosfera 
(ODUM;	 BARRET,	 2007).	 Porém,	 “estudos	 de	 natureza	 ecofisiológica	 ou	
compartamental estão frequentemente voltados ao acompanhamento individual 
dos	organismos	dentro	de	uma	população”.	(PINTO-COELHO,	2000,	p.	14).
Neste tópico, vamos analisar os níveis de organização a partir dos que são 
considerados os principais objetos de estudo da Ecologia e conceituar alguns 
termos importantes. Se você parar por alguns instantes para observar a natureza 
à sua volta, poderá perceber que os organismos não existem de forma isolada. 
Além de estabelecerem uma série de relações entre si, os indivíduos relacionam-
se também com o meio em que vivem. 
O conjunto desses indivíduos da mesma espécie e que vivem em uma 
determinada área forma uma população. Esta população, por sua vez, também 
não se encontra totalmente isolada de outras, sendo que, um conjunto de 
populações forma uma comunidade. Essas comunidades interagem com fatores 
físicos, químicos e climáticos do meio onde vivem, para formar os ecossistemas. 
Por	fim,	o	conjunto	de	todos	os	ecossistemas	forma	a	biosfera. 
Vamos	 recordar	a	definição	de	espécie: trata-se um conjunto 
de indivíduos capazes de se reproduzirem, gerando descendentes 
férteis.
Ricklefs	 (2003)	 considera	 a	 biosfera	 o	 sistema	 ecológico	 final,	 no	 qual	 os	
ecossistemas estão todos interligados. Podemos concluir, então, que a biosfera, 
lugar onde encontramos vida no planeta, é o maior sistema biológico.
Você conhece a teoria de Gaia? James Lovelock e Lynn 
Margulis formularam a teoria de Gaia que, na mitologia grega, quer 
dizer deusa Terra. Segundo esta teoria, os organismos, além de 
interagirem	entre	si	e	com	o	meio	abiótico,	são	capazes	de	modificar	
o meio, tornando-o mais adequado a sua sobrevivência. Ou seja, a 
Terra seria um grande organismo vivo, capaz de produzir energia 
para seu perfeito funcionamento e de se autorregular.
15
Fundamentos da EcologiaCapítulo 1
Acesse: http://www.if.ufrgs.br/public/ensino/vol6/n3/v6_n3_
a4.htm. Neste site,	você	vai	encontrar	um	artigo,	cujo	título	é	“Um	
olhar	epistemológico	sobre	a	transposição	didática	da	teoria	Gaia”.	
Este texto, que estará disponível também no material de apoio da 
disciplina,	faz	uma	abordagem	sobre	a	cientificidade	da	teoria	de	
Gaia e contribui para uma apreciação crítica do papel que esta 
teoria poderia desempenhar no ensino de Biologia e no tratamento 
do	tema	transversal	“meio	ambiente”.
Componentes	Estruturais	de	um	
Ecossistema
Ao estudarmos a organização do mundo vivo, por meio dos níveis 
de organização, percebemos que a biosfera é formada pelo conjunto dos 
ecossistemas. O ecossistema é, portanto, uma unidade de estudo, em Ecologia,em que se busca entender como esse sistema ecológico funciona e de que 
maneira se mantém em equilíbrio.
Um ecossistema pode apresentar dimensões muito variáveis. 
Podemos citar, como exemplo de sistema ecológico, a Floresta 
Amazônica ou uma lagoa. Independente do tamanho, fatores bióticos 
e abióticos são os componentes estruturais básicos de qualquer 
ecossistema e estão intimamente inter-relacionados. Em todos eles 
ocorre troca de matéria e energia. Além disso, cada ecossistema faz 
intercâmbio	 de	 matéria	 e	 energia	 com	 ecossistemas	 vizinhos.	 Para	
Ricklefs (2003, p. 3)
A	 importância	 da	 troca	 de	 matéria	 entre	 os	 ecossistemas	
dentro da biosfera é acentuada pelas consequências globais 
das atividades humanas. Por exemplo, os rejeitos agrícolas e 
industriais se espalham para bem longe dos seus pontos de 
origem, afetando todas as regiões da terra.
Na seção a seguir, veremos os componentes estruturais que compõem os 
ecossistemas.
Fatores bióticos 
e abióticos são 
os componentes 
estruturais básicos 
de qualquer 
ecossistema e 
estão intimamente 
inter-relacionados.
16
Fundamentos da educação ambiental
Componentes	Bióticos
 
Os componentes bióticos em um ecossistema são formados por todos os 
seres vivos que ali se encontram. Podemos dividir esses componentes em dois 
grandes grupos, de acordo com o modo pelo qual se alimentam ou obtêm energia:
• autótrofos: representados pelos seres fotossintetizantes e 
quimiossintetizantes, sendo considerados os produtores dos ecossistemas;
• heterótrofos: representados pelos consumidores e decompositores.
Você se lembra do termo quimiossintetizante? Este termo refere-
se	aos	organismos	que	sintetizam	seu	alimento	orgânico	a	partir	de	
energia	obtida	em	reações	de	oxirredução	de	substâncias	minerais.	
Para saber mais sobre essas reações, acesse o site: http://educar.
sc.usp.br/quimapoio/nox.html.
 
Assim, os componentes bióticos de um ecossistema em equilíbrio 
são produtores, consumidores e decompositores. 
Os seres vivos precisam de energia para manter seu organismo 
em funcionamento e é por meio dos alimentos que conseguem essa 
energia. Os produtores (na sua maioria vegetais) são seres vivos 
que conseguem produzir seu próprio alimento, a partir de compostos 
inorgânicos	obtidos	do	meio	ambiente.	
Você lembra o processo da fotossíntese? É por este processo 
que	 as	 plantas	 sintetizam	 seu	 próprio	 alimento	 orgânico,	 a	 partir	
de	 compostos	 inorgânicos	 simples	 (gás	 carbônico,	 água	 e	 sais	
minerais), na presença de luz (fonte de energia). E de quebra, ainda 
absorvem o gás carbônico em excesso no ar.
 Os consumidores,	seres	heterotróficos,	não	possuem	essa	capacidade	de	
produzir seu próprio alimento. Assim, eles se alimentam de produtores ou então 
de outros consumidores. 
Os componentes 
bióticos de um 
ecossistema 
em equilíbrio 
são produtores, 
consumidores e 
decompositores.
17
Fundamentos da EcologiaCapítulo 1
Os consumidores podem ser:
- primários, quando se alimentam de produtores, como é o caso 
dos herbívoros;
- secundários, quando se alimentam de consumidores primários, 
como os carnívoros;
- terciários, quando se alimentam de consumidores secundários, 
constituindo	 o	 terceiro	 nível	 trófico	 e,	 assim,	 sucessivamente	
(figura	2).
 Os decompositores, importantes componentes dos ecossistemas, são 
consumidores que se nutrem de animais e plantas mortos. Representados por 
organismos microscópicos (bactérias e fungos), sua função é a reciclagem da 
matéria	 orgânica	 através	 da	 decomposição.	 Por	 meio	 deste	 processo,	 esses	
recicladores	 da	 natureza	 restituem	 compostos	 inorgânicos	 ao	 meio	 ambiente,	
tornando-os novamente disponíveis para os produtores.
Figura	2	–	Componentes	bióticos	e	níveis	tróficos
Fonte: As autoras
Os	níveis	tróficos,	mostrados	na	figura	2,	representam	os	elos	de	
uma	cadeia	alimentar.	Esta	classificação	(em	I,	II,	III,	e	assim	por	diante)	
está diretamente relacionada segundo a fonte de energia assimilada.
Os componentes 
abióticos são 
fatores químicos 
e/ou físicos que 
atuam diretamente 
sobre os seres 
vivos.
18
Fundamentos da educação ambiental
O	 termo	 trofismo	 ou	 trófico	 é	 de	 origem	 grega	 (trophe) e 
significa	alimentação.	Voltaremos	a	falar	sobre	níveis	tróficos	quando	
abordarmos	cadeia	alimentar	e	fluxo	de	energia.
Componentes	Abióticos
Os componentes abióticos são fatores químicos e/ou físicos que atuam 
diretamente sobre os seres vivos. Podemos citar, como exemplos: água, temperatura, 
salinidade,	luminosidade,	tipo	de	solo,	pH,	etc.	Em	resumo,	são	os	fatores	“sem	vida”,	
presentes	no	meio	ambiente.	Ricklefs	(2003,	p.	23)	afirma	a	respeito:	
Frequentemente falamos do vivo e do não-vivo como opostos. 
Mas, embora possamos facilmente distinguir entre esses 
dois grandes reinos do mundo natural, eles não existem 
isoladamente um do outro. A vida depende do mundo físico. Os 
seres vivos também afetam o mundo físico: solo, atmosfera, 
lagos e oceanos, e muitas rochas sedimentares devem suas 
propriedades em parte às atividades das plantas e animais.
Nesta interdependência, que ocorre entre os componentes bióticos e abióticos, 
os seres vivos vivem em uma busca constante das condições adequadas à sua 
sobrevivência. É necessário, muitas vezes, tolerar extremos de temperatura, 
luminosidade	e	outros	fatores	físicos	que	influenciam	seu	crescimento,	reprodução,	
características, além de sua distribuição por diferentes locais.
Para	aprofundar	o	conteúdo	 relacionado	aos	 fatores	abióticos,	
sugerimos a leitura do capítulo 2, do livro A economia da natureza. 
Este capítulo traz informações sobre o ambiente físico e explora os 
atributos do ambiente que trazem mais consequências para a vida. 
(RICKLEFS, R. E. A economia da natureza. 5. ed. Rio de Janeiro: 
Guanabara Koogan, 2003).
Atividade de estudo
Analise	a	importância	de	conhecermos	a	estrutura	e	o	funcionamento	
dos ecossistemas.
19
Fundamentos da EcologiaCapítulo 1
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Cadeia,	Teia	Alimentar	e	Fluxo	
de	Energia
A energia e a matéria (necessárias para que um ser vivo realize 
suas atividades vitais) são basicamente obtidas através dos alimentos. 
Assim,	a	“[...]	sequência	das	relações	tróficas	pela	qual	a	energiapassa	
através	do	ecossistema	é	chamada	de	cadeia	alimentar”.	(RICKLEFS,	
2003,	p.	118).		O	fluxo	energético	que	ocorre	em	uma	cadeia	alimentar	
é sempre no sentido:
A “[...] sequência 
das relações 
tróficas pela 
qual a energia 
passa através 
do ecossistema 
é chamada de 
cadeia alimentar”. 
(RICKLEFS, 2003, 
p. 118). 
20
Fundamentos da educação ambiental
Isso	 porque	 são	 os	 produtores	 os	 únicos	 capazes	 de	 produzir	 alimento,	
conforme vimos anteriormente. 
Você	 deve	 estar	 pensando:	 “...	 essas	 relações	 alimentares	 que	 ocorrem	
na	 natureza	 não	 são	 tão	 simples	 assim”.	 Seu	 pensamento	 está	 correto!	 Em	
um ecossistema, existem várias cadeias alimentares que se interconectam, 
formando uma verdadeira rede complexa de transferência de matéria e energia, a 
qual	chamamos	de	teia	alimentar	(figura	3).	Perceba	que	as	relações	tróficas	que	
ocorrem na natureza correspondem à teia; a cadeia alimentar só existe como uma 
parcialidade	da	teia	para	fins	didáticos.
Lembrando:	 níveis	 tróficos	 são	 os	 elos	 que	 compõem	 uma	
cadeia alimentar. Assim, se tomarmos, como exemplo, uma cadeia 
alimentar simples, composta por produtores, herbívoros e carnívoros, 
os	 produtores	 ocupam	 o	 primeiro	 nível	 trófico.	Os	 herbívoros,	 que	
são	 os	 consumidores	 primários,	 formam	 o	 segundo	 nível	 trófico	 e	
os carnívoros (consumidores secundários) formam o terceiro nível 
trófico.	Observe	novamente	a	figura	2.
Figura 3 - Teia alimentar
Fonte: Disponível em: <http://www.rainhadapaz.com.br/projetos/ciencias/ecologia/
bonito/Cap%20II/Ex%20de%20Teia%20alimentar.JPG>. Acesso em: 10 maio 2009.
21
Fundamentos da EcologiaCapítulo 1
A cada transferência que ocorre, ou a cada passagem de nível 
trófico,	 parte	 da	 energia	 perde-se	 sob	 a	 forma	 de	 calor	 e	 parte	 é	
utilizada pelo organismo na realização dos processos vitais. Assim, 
quanto menor a cadeia alimentar, ou quanto mais próximo o organismo 
estiver do início da cadeia, maior será a energia disponível à população 
(ODUM, 1988). Seguindo este pensamento, podemos concluir que 
o	 fluxo	 de	 energia	 é	 decrescente	 (diminui	 a	 cada	 nível	 trófico)	 e	
unidirecional já que essa energia liberada não é reaproveitada. 
Veja	 na	 figura	 4	 como	 Odum	 representou	 o	 fluxo	 de	 energia	
através	 de	 um	 diagrama,	 mostrando	 três	 níveis	 tróficos.	 Segundo	
Ricklefs (2003, p. 118):
Para	 cada	 nível	 trófico,	 este	 diagrama	 mostra	
uma caixa representando a biomassa (ou seu 
equivalente energético) de todos os organismos 
que	 compõem	 aquele	 nível	 trófico	 num	
determinado momento. Por exemplo, uma caixa 
poderia representar todas as plantas ou todos os 
herbívoros em um dado ecossistema. Sobrepostas 
a estas caixas estão as vias que representam o 
fluxo	de	energia	através	daquele	nível	trófico.
Figura	4	–	Modelo	universal	de	E.	P.	Odum	do	fluxo	de	energia	ecológico.	
Fonte: Ricklefs (2003, p. 119)
Fique	atento	ao	observar	a	figura	4,	que	apresenta:
(a)	um	único	nível	trófico;	
(b) representação de uma cadeia alimentar.
Quanto menor a 
cadeia alimentar, 
ou quanto 
mais próximo o 
organismo estiver 
do início da cadeia, 
maior será a 
energia disponível 
à população o 
fluxo de energia 
é decrescente 
(diminui a cada 
nível trófico) e 
uni-direcional já 
que essa energia 
liberada não é 
reaproveitada. 
22
Fundamentos da educação ambiental
Através	 deste	 fluxograma,	 percebemos	 a	 maneira	 pela	 qual	 o	 fluxo	 de	
energia	 diminui	 a	 cada	 nível	 trófico	 sucessivo.	 Como	 vimos,	 a	 energia	 segue	
um caminho unidirecional, não podendo mais ser reutilizada pelos organismos. 
Porém, a matéria sempre é reaproveitada através dos ciclos biogeoquímicos, que 
possibilitam este caminho cíclico da matéria na natureza.
Podem ser considerados alguns dos principais ciclos: o da água, do carbono, 
do oxigênio e do nitrogênio. Não iremos adentrar no campo destes ciclos, porém, 
segue	uma	dica	do	Leo	para	que	a	construção	do	seu	conhecimento	não	fique	
limitada a estas páginas.
 
Acesse o site: http://www.iqsc.usp.br/iqsc/servidores/docentes/
pessoal/mrezende/arquivos/EDUC-AMB-Ciclos-Biogeoquimicos.pdf. 
Neste endereço eletrônico, você encontrará um material de estudo 
intitulado	“A	importância	da	compreensão	dos	ciclos	biogeoquímicos	
para	 o	 desenvolvimento	 sustentável”.	 O	 objetivo	 deste	 material	
é propiciar ao leitor conhecimento básico a respeito dos ciclos 
biogeoquímicos. O arquivo estará disponível também no material de 
apoio da disciplina.
Atividade de estudo:
Construa duas cadeias alimentares. De uma delas você participa 
como consumidor primário, e da outra, como consumidor terciário. 
Responda: em qual delas você obtém maior quantidade de energia e 
por que isso ocorre?
1ª cadeia (você como consumidor primário):
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Fundamentos da EcologiaCapítulo 1
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2ª cadeia (você como consumidor terciário):
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Relações	Ecológicas
	Desde	 o	 início	 deste	 capítulo,	 temos	 ressaltado	 a	 importância	 de	
compreendermos as relações existentes entre os seres vivos e destes com o 
meio onde vivem. É fato que os organismos não vivem de maneira isolada nos 
24
Fundamentos da educação ambiental
ecossistemas, muito pelo contrário, estabelecem uma série de relações. 
Neste tópico, vamos conhecer importantes interações que podem ser 
observadas entre os seres vivos. Para Odum (1988, p. 233):
Uma população muitas vezes afeta o crescimento ou a taxa 
de mortalidadede outra população. Assim, os membros de 
uma população podem alimentar-se de membros de outra 
população, competir por alimento, excretar dejetos nocivos 
ou interferir de alguma outra forma com a outra população. 
Igualmente, as populações podem ajudar uma à outra, a 
interação sendo ou unidirecional ou recíproca.
Essas	 interações	 podem	 ser	 classificadas	 em	 harmônicas, 
quando não há prejuízo para nenhum dos indivíduos da associação; 
ou desarmônicas, nas quais pelo menos um indivíduo da associação 
sofre	 algum	 tipo	 de	 desvantagem.	 Além	 desta	 classificação,	
percebemos que essas relações ocorrem entre indivíduos da mesma 
espécie,	 	 classificadas	como	 intraespecíficas,	ou,	entre	 indivíduos	de	
espécies	 diferentes,	 classificadas	 como	 interespecíficas.	Acompanhe	
como	essas	relações	estão	esquematizadas,	na	figura	5.
Figura 5 – Relações ecológicas
Fonte: As autoras
Vejamos,	de	uma	maneira	simplificada,	o	que	ocorre	em	cada	uma	dessas	
relações (LOPES; ROSSO, 2005):
Essas interações 
podem ser 
classificadas em 
harmônicas, quando 
não há prejuízo 
para nenhum dos 
indivíduos da 
associação, ou 
desarmônicas, 
onde pelo menos 
um indivíduo da 
asso-ciação sofre 
algum tipo de 
desvantagem. Além 
desta classificação, 
podemos perceber 
que essas relações 
podem ocorrer 
entre indivíduos da 
mesma espécie, 
classificadas 
como intra-
específicas, ou, 
entre indivíduos de 
espécies diferentes, 
classificadas como 
interespecíficas.
25
Fundamentos da EcologiaCapítulo 1
a) Harmônicas entre espécies diferentes
• Mutualismo:	ambos	os	organismos	se	beneficiam	e	mantêm	uma	relação	de	
dependência. Exemplo: liquens (fungos e algas).
• Inquilinismo: um indivíduo geralmente obtém proteção quando está 
associado	 a	 outro,	 sem	 lhe	 causar	 prejuízo.	 Exemplo:	 plantas	 epífitas	
(bromélias e árvores).
• Protocooperação: assim como no mutualismo, nesta associação ambos os 
organismos	se	beneficiam,	entretanto,	podem	viver	separadamente.	Exemplo:	
pássaros que pousam sobre o gado nas pastagens para se alimentar dos 
carrapatos.
• Comensalismo: nesta associação, assim como no inquilinismo, apenas um 
organismo	se	beneficia,	 sem	causar	prejuízo	ao	outro.	A	diferença	é	que	o	
comensalismo sempre ocorre em busca de alimento. Exemplo: o tubarão e a 
rêmora, que se aproveita dos restos da presa atacada pelo tubarão.
Atenção,	 para	 não	 confundir!	 As	 plantas	 epífitas,	 como	 as	
bromélias, não podem ser confundidas com as plantas parasitas, 
como	 o	 cipó-chumbo,	 que	 você	 verá	 adiante.	 No	 epifitismo	
(inquilinismo), que é uma relação harmônica, uma das espécies se 
fixa	e/ou	se	abriga	na	outra	sem	lhe	causar	prejuízo.	
b) Harmônicas dentro da mesma espécie
• Colônias: associação de indivíduos da mesma espécie unidos 
anatomicamente. Exemplo: corais.
• Sociedades: associação de indivíduos da mesma espécie, separados 
anatomicamente. Exemplo: insetos sociais, como abelhas, formigas, cupins.
c) Desarmônicas entre espécies diferentes
• Competição Interespecífica: nesta relação, duas ou mais populações de 
espécies diferentes apresentam nichos ecológicos semelhantes e disputam os 
mesmos	recursos	do	meio,	quando	ele	não	é	suficiente	para	todos.	Exemplo:	
diferentes espécies que disputam pelo mesmo alimento.
• Predação: ocorre quando um indivíduo captura e mata o outro, de outra 
espécie, para se alimentar. Exemplo: gaviões, que comem cobras.
• Parasitismo: o parasita vive no corpo de um hospedeiro (indivíduo de outra 
26
Fundamentos da educação ambiental
espécie), do qual retira seu alimento. Exemplo: cipó-chumpo; vírus e vermes, 
em humanos.
• Amensalismo: nesta relação, os indivíduos de uma população secretam 
substâncias	 que	 inibem	 o	 crescimento	 de	 indivíduos	 de	 outras	 espécies.	
Exemplo: ação antibiótica de certos fungos, que impedem o crescimento de 
bactérias (penicilina).
d) Desarmônicas dentro da mesma espécie
• Competição intraespecífica:	 assim	 como	 na	 competição	 interespecífica,	
nesta relação os indivíduos da mesma espécie competem por recursos 
naturais	 (alimento,	 luz,	espaço)	não	disponíveis	em	quantidades	suficientes	
no seu habitat.
• Canibalismo: o indivíduo mata o outro da mesma espécie para se alimentar.
Algum termo lhe pareceu estranho neste tópico? Vamos 
esclarecer dois conceitos importantes da Ecologia: 
- habitat é	o	lugar	específico	onde	uma	determinada	espécie	pode	
ser encontrada; 
- nicho ecológico é o conjunto de atividades que um organismo 
desempenha no ecossistema, ou seja, seu papel no sistema 
ecológico (relações alimentares, como se reproduz, seus hábitos, 
estratégias de sobrevivência, etc) (RICKLEFS, 2003).
• As mais raras espécies. Nesta obra, a autora focaliza as espécies 
e os habitats raros, exóticos e ameaçados de extinção. Apresenta 
o	mico-leão-dourado,	 das	 florestas	 brasileiras,	 as	 focas-monjas,	
no	Pacífico,	e	as	borboletas	monarcas,	entre	outras.	Analisa	os	
ecossistemas em extinção da Amazônia, da Flórida e o do Japão. 
(ACKERMAN, Diane. As mais raras espécies. Rio de Janeiro: 
Bertrand do Brasil, 2002.)
• A teia da vida: uma	nova	compreensão	científica	dos	sistemas	
vivos. Neste livro, Capra propicia uma síntese de descobertas 
científicas	 recentes,	 como	 a	 teoria	 da	 complexidade,	 a	 teoria	
Gaia, a teoria do caos e outras explicações das propriedades de 
organismos, sistemas sociais e ecossistemas. Abandonando um 
27
Fundamentos da EcologiaCapítulo 1
pouco as análises metafísicas, Capra apresenta uma inspirada 
descrição dos processos biológicos, químicos, físicos e até 
sociais, que regem a intrincada teia da vida. Com casos simples, 
exemplifica	 a	 complexa	 dinâmica	 envolvida	 nos	 processos	 de	
todos os seres vivos, inclusive o homem. (CAPRA, Fritjof. A teia 
da vida: uma	nova	compreensão	científica	dos	sistemas	vivos.	6.	
ed. São Paulo: Cultrix, 2001). 
Atividade de estudo:
Em um passeio pela zona rural, você pode observar muitas relações 
ecológicas acontecendo simultaneamente. Ao longo deste passeio, 
procure anotar suas observações. Veja suas anotações:
- bois e gafanhotos alimentando-se de capim;
- orquídeas, liquens e erva-de-passarinho, em troncos de árvores;
- lagartos caçando insetos;
- ao lado de vários cupinzeiros, aves retirando carrapatos do dorso 
dos bois;
Com base no que acabamos de estudar e no que você observou em 
seu	passeio,	identifique:
a) Exemplos de parasitismo: _______________________________
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28
Fundamentos da educação ambiental
b)	Exemplos	de	relação	interespecífica,	em	que	ambas	as	espécies	
se	benefici-am: __________________________________________
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c)	Exemplos	de	relação	harmônica	intraespecífica: ______________
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29
Fundamentos da EcologiaCapítulo 1
Algumas	Considerações
Neste capítulo, resgatamos os principais conceitos da Ecologia, partindo 
do início da utilização do termo, até chegar às relações que ocorrem entre os 
organismos. Vimos que o mundo vivo se organiza através de níveis e que 
o ecossistema, unidade básica no estudo da Ecologia, é constituído por 
componentes bióticos (seres vivos) e abióticos (fatores químicos e físicos que 
atuam diretamente sobre os seres vivos).
Você também pode observar, durante o estudo deste capítulo, que as 
relações alimentares que ocorrem entre os organismos são bastante complexas, 
formando	 verdadeiras	 teias	 alimentares.	 E	 que,	 enquanto	 o	 fluxo	 de	matéria	 é	
cíclico na natureza, o de energia é decrescente e unidirecional.
O estudo da Ecologia não se esgota com as informações e conhecimentos 
tratados neste capítulo. Tópicos, como: ciclos biogeoquímicos, transferência de 
matéria	e	energia,	dinâmica	das	populações,	são	alguns	exemplos	do	que	você	
vai encontrar no estudo aprofundado desta ciência. Se esta introdução ao estudo 
despertou	 seu	 interesse,	 busque	mais	 conhecimento!	 Veja	 as	 bibliografias	 que	
foram citadas e leia mais sobre o assunto.
 
No próximo capítulo, você acompanhará a evolução socioambiental e o 
desenvolvimento	 econômico.	 Neste	 âmbito,	 analisaremos	 o	 processo	 evolutivo	
das relações entre sociedade e natureza e você terá a oportunidade de perceber, 
entre outras coisas, as transformações socioambientais recentes aliadas ao 
desenvolvimento econômico atual.
Referências
FERNANDEZ, F. A. dos S. O poema imperfeito: crônicas de Biologia, 
conservação da natureza, e seus heróis. 2. ed. Curitiba: Universidade Federal do 
Paraná, 2004.
LOPES, S.; ROSSO, S. Biologia. São Paulo: Saraiva, 2005.
ODUM, E. O. Ecologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1988.
ODUM, E. P.; BARRET, G. W. Fundamentos de ecologia. São Paulo: Thomson, 
2007.
30
Fundamentos da educação ambiental
PINTO-COELHO, R. M. Fundamentos em ecologia. Porto Alegre: Artmed, 2000.
RICKLEFS, R. E. A economia da natureza. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara 
Koogan, 2003.
TOWNSEND, C. R.; BEGON, M.; HARPER, J. L. Fundamentos em Ecologia. 2. 
ed. Porto Alegre: Artmed, 2006.
CAPÍTULO 2
Evolução	Socioambiental	e	
Desenvolvimento	Econômico	
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo, você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
 9 Compreender o processo evolutivo das relações entre sociedade e a natureza.
 9 Verificar	 como	 o	 conceito	 de	 natureza	 foi	 sendo	 produzido,	 principalmente	
a	 partir	 dos	 avanços	 da	 ciência,	 resultando	 em	 significativas	 rupturas	 nas	
relações sociais e na relação sociedade-natureza.
 9 Identificar	 as	 razões	 que	 contribuíram	 para	 o	 surgimento	 da	 Revolução	
Industrial.
 9 Identificar	a	relação	existente	entre	o	desenvolvimento	industrial,	o	crescimento	
exponencial do uso dos recursos naturais e a degradação ambiental.
 9 Analisar as transformações socioambientais aliadas ao desenvolvimento 
econômico. 
 9 Perceber	as	razões	que	conduzem	as	empresas	e	o	setor	público	a	investirem	
em gestão ambiental e responsabilidade socioambiental. 
32
Fundamentos da educação ambiental
33
Evolução Socioambiental e Desenvolvimento Econômico Capítulo 2
Contextualização
Antes de tentar compreender o desenvolvimento do ser humano, faremos 
primeiramente, algumas considerações sobre a formação do nosso planeta. 
A idade da Terra, como já sabemos, é calculada em cerca de 4,5 bilhões de 
anos. Se compararmos o tempo de existência do ser humano, aproximadamente 
1,5	milhões	de	anos,	com	a	idade	da	Terra,	verificaremos	que	a	nossa	presença,	no	
que	tange	ao	tempo	geológico	é	“insignificante”.		Por	outro	lado,	ambientalmente	
falando, as ações promovidas pelo ser humano, ao longo de seu processo 
evolutivo,	são	indubitavelmente	significativas.	
Precisamos	 ter	 em	 mente	 que	 o	 espaço	 geográfico	 que	 conhecemos	
atualmente é resultado de um longo e intenso processo de transformações que 
ocorreram	e	continuam	ocorrendo.	Você	saberia	 identificar	algumas?	Pense	um	
pouco sobre as transformações. Agora vejamos. 
O planeta Terra, ao longo da sua idade geológica, sofreu várias 
transformações e/ou acontecimentos. Podemos citar, por exemplo, 
as	 mudanças	 climáticas,	 as	 atividades	 vulcânicas,	 a	 presença	 de	
terremotos, alteração do nível do mar, glaciações, separação dos 
continentes, entre outras. Na verdade, são ocorrências cíclicas, que 
acontecem	de	“tempos	em	tempos”	(bilhões,	milhões	e/ou	milhares	de	
anos),	as	quais	evidenciam	que	o	planeta	Terra	é	um	planeta	dinâmico,	
ou	que	a	“Terra	é	viva”.	
Esses	 acontecimentos,	 sem	 dúvida,	 interferiram	 na	 formação	 e/
ou	 transformação	da	superfície	 terrestre,	como	 também	 influenciaram	
a origem e a distribuição dos seres vivos. Assim, ao longo do processo 
evolutivo da Terra, muitas espécies surgiram, se transformaram, se 
adaptaram às mudanças climáticas ou simplesmente desapareceram. 
Por outro lado, apesar de sabermos da ciclicidade natural do nosso 
planeta, não podemos negligenciar a ação antrópica (ação do 
homem),	 que	 também	 influencia	 na	 antecipação	 e/ou	 intensidade	 de	
determinados fenômenos, como é o caso do aquecimento global. 
A ciência geológica, para obter uma melhor compreensão dos 
acontecimentos e/ou transformações que ocorreram no planeta, 
divide a história da Terra em eras geológicas, que correspondem a 
grandes intervalos de tempo divididos em períodos que, por sua vez, 
são subdivididos em épocas e idades. Cada uma dessas subdivisões 
corresponde a algumas importantes alterações ocorridas no processo 
evolutivo da Terra. 
A ciência 
geológica, para 
obter uma melhor 
compreensão dos 
acontecimentos e/
ou transformações 
que ocorreram 
no planeta, divide 
a história da 
Terra em eras 
geológicas, que 
correspondem a 
grandes intervalos 
de tempo divididos 
em períodos que, 
por sua vez, são 
subdivididos em 
épocas e idades. 
Cada uma dessas 
subdivisões 
corresponde 
a algumas 
importantes 
alterações 
ocorridas no 
processo evolutivo 
da Terra. 
34
Fundamentos da educação ambiental
Na sua opinião, a atuação do ser humano, enquanto agente 
modificador	e/ou	transformador,	é	recente?	
O	Desenvolvimento	do	Ser	Humano
 A partir do momento que o ser humano estabeleceu-se no planeta, há 
aproximadamente1,5 milhões de anos, passou a interferir na natureza de forma 
completamente diferente das demais espécies. Como vimos anteriormente, a 
presença do homem no planeta é muito recente, representando aproximadamente 
0,001% do tempo geológico. 
Todavia,	 os	 seres	 humanos	 geraram	 impactos	 significativos	 na	 natureza,	
principalmente quando deixaram de ser nômades e tornaram-se sedentários; ou 
seja,	fixaram	território.	Enquanto	nômades,	não	geravam	impactos	significativos	no	
ambiente, pois se alimentavam principalmente de raízes, sementes, caça e pesca; 
ademais, estavam em constante processo migratório. Contudo, a descoberta 
das técnicas de cultivo e a domesticação de alguns animais possibilitaram sua 
sedentarização e	ampliação	da	produção	do	espaço	geográfico. Vejamos. 
 
 Os pôlderes, encontrados na Holanda, podem ser considerados um dos casos 
mais conhecidos de domesticação e/ou dominação da paisagem natural. Para você 
ter uma ideia, em meados do século XI, diques e canais de escoamento da água 
foram	construídos	na	região.	Inicialmente,	o	intuito	era	proteger	as	áreas	litorâneas	
dos efeitos das inundações durante o período de maré alta. Séculos depois, 
principalmente a partir do século XIX, vários pôlderes, cercados por diques, foram 
construídos, visando também à formação de planícies de terra seca e fértil, o que 
ampliaria a área cultivável da região. Este processo continua até os dias atuais.
De acordo com o dicionário Geológico-Geomorfológico de 
Guerra e Guerra (1997), pôlderes é a denominação dada aos solos 
lamacentos da costa baixa da Holanda, que foram conquistados ao 
mar.
Através das descobertas de fósseis, chegou-se a uma provável teoria de 
que a origem e a disseminação dos grupos humanos iniciaram na África Oriental 
35
Evolução Socioambiental e Desenvolvimento Econômico Capítulo 2
(ver	figura	6)	e,	a	partir	daí,	 tenham	migrado	para	outras	regiões.	As	migrações	
ocorreram em várias direções, associadas a vários fatores, como as secas 
prolongadas e as glaciações. 
Aproximadamente 9,5 ou 10 mil anos atrás, os oceanos se elevaram, 
atingindo níveis similares aos atuais (POP, 2004). Assim, muitas populações 
ficaram	 isoladas.	 Neste	 período,	 a	 disseminação	 dessas	 populações	 já	 tinha	
atingido a Europa, Ásia, Oceania e América. O isolamento das populações 
ocasionou não só um desenvolvimento muito diferenciado das demais espécies, 
mas também, possibilitou uma diferenciação cultural. Observe no mapa as rotas 
de migração do Homo sapiens. Veja que da África o Homo sapiens migra para o 
continente europeu, continente asiático e a Oceania. 
Figura 6 - Rotas de migração do Homo Sapiens desde a 
África e a migração máxima do Homo Erectus.
Fonte: Gassós (2007, p.12)
Gradativamente as populações nômades tornaram-se sedentárias; podemos 
dizer	 que	 foi	 uma	 fase	 de	 transição	 “cultural”.	 Segundo	 alguns	 historiadores,	
esta fase corresponde à passagem do período Paleolítico (caracterizado pelas 
sociedades nômades) para o período Neolítico (caracterizado pelas sociedades 
sedentárias).	Neste	 último	 período,	 o	 homem	passou	 a	 interferir	 decisivamente	
no meio ambiente. Diversas mudanças ocorreram, entre as quais se destaca a 
36
Fundamentos da educação ambiental
concentração de algumas inovações, o que caracterizou a chamada Revolução 
Neolítica (GASSÓS, 2007). Neste período, o homem conseguiu controlar melhor o 
uso	do	fogo	(ver	figura	7),	assim	como	aprendeu	a	transformar	argila	em	cerâmica.	
Mais tarde, aprendeu a fundir metais e a utilizá-los como ferramentas mais 
resistentes	e	eficientes	para	a	realização	de	possíveis	tarefas	que	asseguravam	
a sua sobrevivência. A agricultura e a domesticação dos animais também foram 
gradativamente aprimoradas.
Figura 7 - Veja o que aconteceu quando o homem controlou o fogo
Fonte: Gassós (2007, p.10)
O período Neolítico é comumente demarcado entre 8.000 e 
3.700 a.C. (GASSÓS, 2007). 
A	 figura	 a	 seguir	 procura	 explicar	 os	 vários	 fatores	 que	 permitiram	 a	
Revolução Neolítica. Observe.
37
Evolução Socioambiental e Desenvolvimento Econômico Capítulo 2
Figura 8 - Fatores que favoreceram a Revolução Neolítica
Fonte: Gassós (2007, p.14)
Não podemos deixar de ressaltar que a invenção da cerâmica surgiu como 
consequência direta do desenvolvimento da agricultura, pois os excedentes 
das colheitas necessitavam ser armazenados em recipientes. As técnicas para 
a	produção	da	cerâmica	exigiam	um	 tempo	maior	para	a	secagem	do	material,	
e as sociedades nômades não dispunham desse tempo; ademais, era difícil o 
transporte dos alimentos nesses recipientes, pois eram passíveis de se quebrar e 
pesados para serem levados em seus deslocamentos. 
No que concerne à agricultura, acreditamos que as atividades tenham 
surgido nos vales e várzeas, principalmente do rio Nilo, no Egito, nos rios Tigre 
e	Eufrates,	na	Mesopotâmia,	nos	rios	Amarelo	e	Azul,	na	China	e	nos	rios	Indo	e	
Ganges, na Índia. (POINTING, 1995). Aliás, as civilizações estabelecidas nestas 
áreas eram denominadas de civilizações fluviais (ARANHA, 2006). Essas 
áreas	eram	consideradas	privilegiadas	para	a	fixação	do	homem	e	o	consequente	
desenvolvimento da agricultura, visto que as inundações frequentes auxiliavam na 
fertilidade do solo. 
Podemos concluir que a sedentarização de grupos humanos está diretamente 
associada ao desenvolvimento da agricultura. Assim, o ser humano passou a 
38
Fundamentos da educação ambiental
ampliar a produção do seu espaço, necessitando cada vez mais de áreas para 
o cultivo de produtos agrícolas e também para a criação de animais e/ou o 
desenvolvimento da pecuária. 
Dessa forma, a natureza selvagem, ou natureza primeira, formada por 
objetos naturais, foi sendo substituída ou transformada pelas novas técnicas que 
surgiram	com	a	evolução	do	ser	humano,	fazendo	emergir	a	natureza	artificial	e/
ou natureza segunda. Neste contexto:
a promoção do homem animal a homem social deu-se quando 
ele	começou	a	produzir.	Produzir	significa	tirar	da	natureza	os	
elementos indispensáveis à reprodução da vida. A produção, 
pois, supõe uma intermediação entre o homem e a natureza, 
através das técnicas e dos instrumentos de trabalho inventados 
para o exercício desse intermédio. (SANTOS, 2004, p.202).
É claro que, a partir do momento em que os grupos humanos evoluíram 
em suas formas de produção, ocorreu também uma mudança na relação da 
sociedade com a natureza. Esta era vista de maneira diferenciada em cada 
período histórico. Para você ter uma ideia, as sociedades nômades viam a 
natureza como algo sagrado, na qual todos os seres vivos pertenciam ao mesmo 
mundo; não havia separação entre espírito e matéria, entre natureza animada e 
inanimada (POINTING, 1995). De acordo com este autor, essa ideia corresponde 
ao que denominamos, hoje, de visão sacralizada da natureza. 
Algumas dessas sociedades, ainda que submetidas ao ritmo da natureza, 
provocaram uma mudança fundamental na maneira de se relacionarem com ela. 
Isso	significou	uma	mudança	no	modo	de	pensar,	 e	assim,	uma	outra	 ideia	de	
natureza passou a ser construída, a partir, principalmente, do momento em que se 
tornaram sedentários.
Assista	ao	filme	“A guerra do fogo”, dirigido por Jean-Jacques 
Annaud,	1981.	O	filme	 refere-se	a	dois	grupos	de	hominídeos	pré-
históricos: um que cultuava o fogo como algo sobrenatural e outro 
que dominava a tecnologia de fazer o fogo. 
39
Evolução Socioambiental e Desenvolvimento Econômico Capítulo 2
A	Revolução	Científica	e	sua	
relação	com	a	Natureza
As sociedades primitivas viam a natureza como algo sagrado. À medida 
que estas evoluíam e, principalmente. com o avanço das técnicas de produção 
utilizadas, a relação com a natureza também era alterada. 
O perído do Renascimento pode ser considerado um exemplo de mudança 
sócio-culturale econômica de algumas sociedades. Caso você não lembre, o 
Renascimento é o nome que se dá a um movimento e/ou período de grande 
mudanças	culturais	e	científicas,	que	se	intensificou	na	Europa.	entre	os	séculos	
XIV e XVI. 
Não	 podemos	 deixar	 de	 ilustrar	 algumas	 obras	 de	 arte	 magníficas	 de	
grandes pintores italianos do Renascimento, como Michelangelo Buonarroti, 
Leonardo da Vinci, Rafael Sanzio e Sandro Botticelli. Antes, é importante destacar 
que as cidades italianas, a exemplo de Gênova, Veneza e Florença, durante 
os séculos XIV e XVI, acumularam grandes riquezas oriundas do comércio. 
Os ricos comerciantes italianos começaram a investir nas artes, incentivando o 
desenvolvimento artístico e cultural. Posteriormente este movimento cultural 
espalhou-se por vários países da Europa, como por exemplo, a Inglaterra, 
Espanha, Portugal, França e Países Baixos. 
Contemple algumas das obras de arte do Renascimento. 
Figura 9 - Nascimento de Vênus. Obras de Sandro Botticelli
Fonte: Obras do Renascimento. 
Disponível em: <http://www.grupoescolar.com/a/b/981ED.jpg>. Acesso em: 17 set. 2009.
40
Fundamentos da educação ambiental
Figura 10 - À esquerda, temos o quadro de Mona Lisa de Leonardo da 
Vinci. À direita a obra de Michelangelo, escultura de Pietá.
Fonte: Disponível em: <http://www.girafamania.com.br/artistas/personalidade_
leonardo.html>. e <https://goo.gl/0ZVYVg>. Acesso em: 17 set. 2009.
Gostou? Pesquise outras obras, e saiba mais sobre estes e 
outros grandes pintores do Renascimento, acessando o site: 
http://www.suapesquisa.com/renascimento/pintores_renascentistas.htm
Dando continuidade ao que falávamos sobre o Renascimento, este período 
é caracterizado pela retomada dos valores da cultura greco-romana, ou seja, 
da cultura clássica. O Renascimento é considerado um importante período de 
transição, envolvendo as estruturas feudo capitalistas.
De acordo com Aranha (2006), o retorno às fontes da cultura greco-
romana, sem a intermediação dos comendadores medievais, foi uma maneira de 
secularizar o saber, ou seja, desvinculá-lo da parcialidade religiosa, para torná-lo 
mais humano. Assim:
o olhar humano desvia-se do céu para a terra, ocupando-se 
mais com as questões do cotidiano. A curiosidade, aguçada 
para a observação direta dos fatos, redobrou o interesse pelo 
corpo e a natureza circundante. Nos estudos de medicina, 
ampliaram-se os conhecimentos de anatomia com a prática 
de dissecação de cadáveres humanos, até então proibidos 
pela Igreja. O sistema heliocêntrico de Copérnico construiu 
uma nova imagem de mundo. Nas artes em geral [...] houve 
criação intensa, e a Itália se destacou como centro irradiador 
41
Evolução Socioambiental e Desenvolvimento Econômico Capítulo 2
da nova produção cultural. Ainda quando persistiam assuntos 
religiosos, a visão adquiria um viés humanista, prevalecendo 
temas tipicamente burgueses (ARANHA, 2006, p.124).
Na Renascença, acentuou-se a busca pela individualidade, caracterizada 
pela	confiança	no	poder	da	razão	para	estabelecer	os	próprios	caminhos.	Segundo	
Aranha	 (2006,	 p.	 164),	 “o	 espírito	 de	 liberdade	 e	 crítica	 opunha-se	 ao	 princípio	
da	 autoridade”.	Este	maior	 senso	 crítico,	 exigido	 pelo	 humanismo,	 possibilitou	 ao	
homem uma observação mais detalhada dos fenômenos naturais, ao invés de 
renegá-los	à	interpretação	da	Igreja.	“O	individualismo,	como	nova	forma	de	viver,	
deu	um	vigoroso	impulso	à	oposição	sociedade-natureza.”	(BRÜGGER,	1994,	p.	57).
As	 transformações	 econômicas	 que	 vinham	 ocorrendo,	 desde	 o	 final	 da	
Idade Média, com o desenvolvimento das atividades artesanais e comerciais dos 
burgueses,	influenciaram	a	maneira	de	pensar	do	humanismo	(ARANHA,	2006).	
Segundo a mesma autora, a Revolução Comercial do século XVI caracterizou-
se pelo novo modelo de produção capitalista, o que alavancou a decadência do 
feudalismo (riqueza baseada na posse de terras) e, de certa forma, alterou a 
relação homem-natureza. De acordo com Aranha (2006, p.124-125):
por exemplo, ao destruir as fortalezas do castelo, a pólvora 
fragilizou ainda mais a nobreza feudal; a imprensa e o papel 
ampliaram	a	difusão	da	cultura;	a	bússola	permitiu	aumentar	
as	distâncias	com	maior	segurança:	o	caminho	para	as	Índias	
e a conquista da América, no século XV, alargaram o horizonte 
geográfico	 e	 comercial	 e	 possibilitaram	 o	 enriquecimento	 da	
burguesia. 
O período do Renascimento é marcado pelas invenções e viagens 
ultramarinas, decorrentes da grande necessidade de ampliar os negócios da 
burguesia europeia. Observe, no mapa, o percurso das viagens ultramarinas. Veja 
que o Brasil era uma das rotas das viagens ultramarinas. 
42
Fundamentos da educação ambiental
Figura 11 - Viagens Ultramarinas.
 Fonte: Disponível em: <http://www.curso-objetivo.br/vestibular/roteiro_
estudos/imagens/re_500anos_1.jpg>. Acesso em: 17 set. 2009.
É claro que, com as conquistas de novos horizontes e a ampliação 
das	 riquezas,	 o	 espaço	 geográfico	 gradativamente	 sofreu	 alterações	
nas suas paisagens, ou seja, a natureza foi sendo substituída pela 
paisagem cultural e/ou humanizada. 
É preciso considerar ainda que as inovações durante o período 
do	Renascimento	 influenciaram	até	mesmo	a	religião,	com	a	crítica	à	
estrutura	 autoritária	 da	 Igreja,	 centrada	 no	 poder	 papal.	 	 “Interesses	
políticos nacionalistas e de natureza econômica sustentavam os 
movimentos de ruptura representados pelo luteranismo, pelo calvinismo 
e	pelo	anglicanismo”.	(ARANHA,	2006,	p.	125).	
Para muitos, a obra de Nicolau Copérnico (século XVI), foi 
considerada	 um	 impulso	 para	 a	 Revolução	 Científica.	 Em	 sua	 obra,	
Copérnico defende matematicamente um modelo de cosmo, em que 
o Sol é o centro do universo (teoria Heliocêntrica) e a Terra, um astro 
que girava em torno do Sol. A teoria Heliocêntrica de Copérnico rompeu 
com a teoria Geocêntrica de Cláudio Ptolomeu do século II, para quem 
a Terra era o centro do universo. Tal mudança representou uma das 
rupturas mais marcantes daquele período, o que culminou com o início 
da modernidade, pois a nova teoria estabelecida era contrária a uma 
teoria que reinava, aproximadamente, há vinte séculos e constituía a 
maneira do homem medieval pensar e ver o mundo. 
É preciso 
considerar ainda 
que as inovações 
durante o período 
do Renascimento 
influenciaram 
até mesmo a 
religião, com a 
crítica à estrutura 
autoritária da 
Igreja, centrada 
no poder papal. 
“Interesses 
políticos 
nacionalistas 
e de natureza 
econômica 
sustentavam 
os movimentos 
de ruptura 
representados 
pelo luteranismo, 
pelo calvinismo 
e pelo 
anglicanismo”. 
(ARANHA, 2006, 
p. 125).
43
Evolução Socioambiental e Desenvolvimento Econômico Capítulo 2
A	figura	a	seguir	ilustra	as	duas	teorias,	observe-as.
Figura 12 - Teoria Geocêntrica e Teoria Heliocêntrica 
Fonte: Obras do Renascimento. Disponível em: <http://www.escolas.trendnet.
com.br/sjosesbc/renascimento/obras.htm>. Acesso em: 17 set.2009.
Foi o astrônomo grego Aristarco de Samos que apresentou pela 
primeira vez, no século III a.C., a teoria Heliocêntrica. Foi o astrônomo 
Nicolau Copérnico ( século XVI) e, posteriormente, Galileu Galilei ( 
século	XVII),	que	desenvolveram	e	deram	sustentação	científica	para	a	
teoria heliocêntrica. 
Muitos	 foram	 os	 pensadores,	 astrônomos,	 teólogos,	 filósofos,	
matemáticos, que contribuíram com várias e diferentes ideias, 
responsáveis	por	profundas	mudanças,	no	que	tange	à	visão	científica	
do séc. XVII. Podemos dizer que duas grandes transformações 
determinaram	a	Revolução	Científica:	a	primeira	pode	ser	relacionada	à	
cosmologia, com a qual Galileu conseguiu provar a teoria heliocêntrica 
de Copérnico, graças às observações feitas com o uso do telescópio; 
bem	 como	 a	 ideia	 deum	 universo	 infinito	 (de	 Nicolau	 de	 Cusa	 e	
Giordano Bruno) e a concepção de que os corpos celestes estão em 
movimento, inclusive, que a Terra gira em torno do Sol. A segunda 
transformação refere-se à ideia de ciência prática, ativa, oposta à 
ciência observadora dos antigos. Nesta, a matemática se fazia presente como 
linguagem da física, proposta por Galileu sob inspiração de Platão e Pitágoras, 
e	contrária	à	concepção	de	Aristóteles.	Posteriormente,	Isaac	Newton	“aprimora”	
uma ciência físico-matemática em um sistema mais teórico. Assim, muitas das 
teorias	revolucionárias	influenciaram	e	representaram	profundas	modificações	na	
forma	do	homem	“ver”	a	natureza.
Foi o astrônomo 
grego Aristarco 
de Samos que 
apresentou pela 
primeira vez, no 
século III a.C., a 
teoria Heliocêntrica. 
Foi o astrônomo 
Nicolau Copérnico 
( século XVI) e, 
posteriormente, 
Galileu Galilei ( 
século XVII), que 
desenvolveram e 
deram sustentação 
científica para a 
teoria heliocêntrica.
44
Fundamentos da educação ambiental
No	período	do	Renascimento	Cultural	e	Científico	(séculos	XVI	e	
XVII),	a	Igreja	Católica	ainda	controlava	a	produção	cultural	e	científica,	
e defendia a teoria do Geocentrismo. Galileu Galilei, por defender a 
teoria do Heliocentrismo, foi condenado à Inquisição. Para se livrar da 
morte, Galileu negou o Heliocentrismo diante do tribunal. Porém, não 
deixou de defender essa teoria e continuou fazendo suas pesquisas. 
Para você ter uma ideia, o antropocentrismo (homem é o centro e 
modelo	do	mundo)	influenciou	a	ciência	nos	séculos	XVI	e	XVII.		Para	
os renascentistas, o homem era a mais bela e perfeita obra da natureza. 
Podemos	 exemplificar	 tal	 concepção	 a	 partir	 da	 figura	 do	 “Homem	
Vitruviano”,	 de	 Leonardo	 da	Vinci,	 que	 representa	 a	 divina	 proporção	
através do raciocínio matemático, sendo considerado um modelo ideal 
para	 todo	 o	 ser	 humano.	As	 proporções	 do	 “Homem	 Vitruviano”	 são	
perfeitas e inserem o conceito clássico e divino de beleza. Leonardo 
da	Vinci	procurou	unir,	nesta	figura,	a	ciência	e	a	arte.	Atente	para	os	
detalhes	da	figura	do	“Homem	Vitruviano”.	
Figura 13 – Homem Vitruviano.
Fonte:	Disponível	em:<http://hugolapa.files.wordpress.
com/2009/07/vitruviano.jpg>.Acesso em: 17 set. 2009.
No período do 
Renascimento 
Cultural e Científico 
(séculos XVI e 
XVII), a Igreja 
Católica ainda 
controlava a 
produção cultural 
e científica, e 
defendia a teoria 
do Geocentrismo. 
Galileu Galilei, por 
defender a teoria 
do Heliocentrismo, 
foi condenado à 
Inquisição. Para 
se livrar da morte, 
Galileu negou o 
Heliocentrismo 
diante do tribunal. 
Porém, não deixou 
de defender essa 
teoria e continuou 
fazendo suas 
pesquisas. 
45
Evolução Socioambiental e Desenvolvimento Econômico Capítulo 2
O ser humano já não era igual à natureza, mas, oposto a ela, ou seja, passou 
a dominá-la, principalmente com o uso de técnicas e máquinas, como sugere o 
pensamento	do	filósofo	Francis	Bacon:	
[...] se os homens tivessem empreendido os trabalhos 
mecânicos	 unicamente	 com	 as	 mãos,	 sem	 o	 arrimo	 e	 a	
força dos instrumentos, do mesmo modo que, sem vacilação 
atacaram as empresas do intelecto, com quase apenas 
as forças nativas da mente, por certo muito pouco se teria 
alcançado, ainda que dispusessem para seu labor de seus 
extremos recursos. (BACON, 1979, p.6). 
Na verdade, Francis Bacon defende o uso de máquinas e técnicas para a 
dominação da natureza, o que, sem esses meios, para ele seria praticamente 
impossível.
 A natureza existia para servir o ser humano, e, com o desenvolvimento da 
ciência, este poderia dominá-la. Descartes (1998, p. 80) considerava que:
[...] conhecendo a força e as ações do fogo, da água, do ar, dos 
astros, dos céus e de todos os outros corpos que nos cercam, 
tão distintamente como conhecemos os diversos misteres de 
nossos	artífices,	poderíamos	empregá-los	da	mesma	maneira	
em todos os usos para os quais são adequados, e, assim, 
tornar-nos como que senhores e possuidores da natureza.
As	 revoluções	científicas	não	se	 limitaram	às	ciências	aplicadas,	
mas também atingiram várias outras ciências, como por exemplo, a 
Biologia (seleção das espécies), Geologia (idade da Terra), Astronomia 
(o Sol é o centro do universo), entre outras. 
De	 acordo	 com	 Perri	 (2002),	 a	 Revolução	 Científica	 substituiu	
a cosmologia medieval e estabeleceu o método (a observação e 
experimentação rigorosa e sistemática) como uma maneira essencial de 
“revelar”	os	segredos	da	natureza.	“No	Ocidente,	um	número	crescente	
de pensadores sustentava que a natureza era um sistema mecânico, 
governado	 por	 leis	 que	 podiam	 ser	 expressas	 matematicamente.”	
(PERRI, 2002, p. 282). 
Podemos	 dizer	 que,	 a	 partir	 do	 renascimento,	 “se	 consolidaram	
mais do que nunca as ‘leis da natureza’, que existem independentemente 
das paixões humanas. A natureza pode ser então tratada com objetividade 
e	 o	 homem	 se	 tornou	 o	 sujeito	 absoluto,	 em	 oposição	 à	 natureza,	 o	 objeto”.	
(BRÜGGER,	1994,	p.	57).
É importante destacar que, no século XVIII, uma nova corrente de 
pensamento começou a tomar conta da Europa. Esta corrente defende novas 
formas de conceber o mundo, a sociedade, a ciência e as instituições. O 
As revoluções 
científicas não 
se limitaram às 
ciências aplicadas, 
mas também 
atingiram varias 
outras ciências, 
como por exemplo, 
a Biologia (seleção 
das espécies), 
Geologia (idade da 
Terra), Astronomia 
(o Sol é o centro 
do universo), entre 
outras. 
46
Fundamentos da educação ambiental
chamado movimento iluminista aparece, nesse período, como um desdobramento 
de concepções já desenvolvidas no Renascimento, quando os princípios de 
individualidade e razão ganharam espaço, nos séculos iniciais da Idade Moderna.
Assim, a noção de natureza foi se alterando nas diferentes culturas e 
períodos. Na verdade, a relação entre a sociedade e a natureza são construções 
sociais e históricas. 
Atividade de estudo:
Após	este	estudo,	como	você	justificaria	a	mudança	da	relação	entre	
a sociedade e a natureza?
 No início do capítulo, vimos que, a partir do momento em que o homem 
deixou de ser nômade e se tornou sedentário, passou a ocasionar transformações 
significativas	na	natureza.	Estudaremos	agora	outros	momentos	que	ocasionaram	
profundas	mudanças	no	espaço	geográfico.	
A	Revolução	Industrial	e	a	
Subordinação	da	Natureza
O	 espaço	 geográfico,	 produzido	 e	 organizado	 pela	 sociedade	 humana,	
estabelece relações sociais, culturais, políticas e econômicas. Três momentos 
importantes	modificaram	profundamente	o	espaço	geográfico	natural	no	decorrer	
da história humana. O primeiro, já mencionado anteriormente, quando o homem 
desenvolveu a agricultura e a domesticação dos animais, abandonando o 
nomadismo, tornando-se sedentário, estabelecendo novas relações sociais (você 
acompanhou esta alteração no início do capítulo). O segundo momento deu-se 
com a Revolução Industrial, marcada por profundas transformações no espaço, 
pois, próximo às fábricas, surgiram bairros operários, abertura de ruas para o 
escoamento de matérias-primas e mercadorias. E um terceiro momento, associado 
ao segundo, quando acontece o desenvolvimento de novas tecnologias 
disponíveis no mercado mundial nas diversas atividades econômicas, alterando 
assim, cada vez mais, as relações sócio-espaciais. A partir disso:
[...] a sociedade se transforma em espaço através de sua 
redistribuição	sobre	as	formas	geográficas,	e	isto	ela	o	faz	em	
benefício de alguns e em detrimento da maioria; ela também 
47
Evolução Socioambiental e Desenvolvimento Econômico Capítulo 2
o faz para separar os homens entre si, atribuindo-
lhes um espaço segundo um valor comercial: e o 
espaço-mercadoria vaiaos consumidores como 
uma função de seu poder de compra. (SANTOS, 
2004, p.262).
 
A	distribuição	e	a	redistribuição	da	sociedade	no	espaço	geográfico	
exigem cada vez mais estudos que possibilitem compreender e 
reconhecer os agentes transformadores e transformados no contexto 
sócio-espacial.	Essa	mesma	sociedade	pode,	então,	identificar	“o	lugar	
que cabe a cada um, seja como organizador da produção e donos dos 
meios	 de	 produção,	 seja	 como	 fornecedor	 de	 trabalho”	 .	 (SANTOS,	
2004, p.262).
O modo de produção capitalista, segundo Mamigonian (1982) 
teve	início	com	a	manufatura,	cujos	prenúncios	ocorreram	por	volta	dos	
séculos	XIV	e	XV,	nas	cidades	italianas	e,	posteriormente,	flamengas;	
porém, a era capitalista data do século XVI, com o surgimento das 
manufaturas, na Inglaterra. De acordo com o autor, o que diferenciava a 
manufatura do artesanato era a organização do processo de produção, 
que consistia na divisão do trabalho manual. Por alguns séculos, a 
manufatura	manteve-se	como	único	fator	de	progresso	econômico.	
Observe	as	duas	figuras	abaixo.	
Figura 14 – Artesões confeccionando violinos.
Fonte:	Disponível	em:	<http://s3.amazonaws.com/lcp/palyndrome/myfiles/lutheria.jpg>.	
Acesso em: 17 set. 2009.
A distribuição e 
a redistribuição 
da sociedade no 
espaço geográfico 
exigem cada vez 
mais estudos 
que possibilitem 
compreender 
e reconhecer 
os agentes 
transformadores 
e transformados 
no contexto 
sócio-espacial. 
Essa mesma 
sociedade pode, 
então, identificar 
“o lugar que cabe 
a cada um, seja 
como organizador 
da produção e 
donos dos meios 
de produção, seja 
como fornecedor de 
trabalho”. (SANTOS, 
2004, p.262).
48
Fundamentos da educação ambiental
Figura 15 – Tecelões confeccionando tecidos.
Fonte: Disponível em: <http://www.planetaeducacao.com.br/novo/imagens/artigos/
historia/revolucao_industrial_03.jpg>. Acesso em: 17 set. 2009.
Observou	as	figuras?	O	que	diferencia	uma	imagem	da	outra?	Na	primeira	
imagem, temos o trabalho puramente artesanal e, na segunda imagem, a 
manufatura.
Posteriormente,	com	“a	maciça	expropriação	de	camponeses independentes, 
a acumulação interna e externa de capital e a abertura de mercados mundiais 
(século	XVI	e	XVIII)	permitiram	ao	capitalismo	inglês	realizar	a	revolução	industrial”	
.(MAMIGONIAN, 1982, p.38-39). 
Os camponeses transformados em operários, embora 
recebendo salários, eram submetidos a regimes de exploração 
extremada, trabalhando em média 16 por dia.
O que você sabe e/ou lembra sobre a primeira Revolução Industrial? Qual 
a relação da Primeira Revolução Industrial com as questões ambientais? Pense 
um pouco.
49
Evolução Socioambiental e Desenvolvimento Econômico Capítulo 2
A primeira Revolução Industrial deu-se por volta de 1750, e teve como 
emblemas	a	máquina	a	vapor,	a	indústria	têxtil	e	as	ferrovias.	Com	o	surgimento	
das	 fábricas,	 ocorreram	 profundas	 modificações	 nas	 relações	 de	 produção	
e de trabalho, assim como, nas relações sócio, econômico-ambientais. Com a 
invenção da máquina a vapor, as fábricas, que se situavam anteriormente às 
margens dos rios (força hidráulica), passaram por um novo estágio, deixaram de 
ser uma simples fábrica de manufatura, para se tornarem maquinofaturas. São as 
chamadas	indústrias,	cuja	produção	sofreu	uma	grande	ampliação,	assim	como	a	
localização industrial ganhou novos horizontes. 
 Para você ter uma ideia, a atividade industrial iniciada na Inglaterra difundiu-
se por outros países europeus, atingindo, posteriormente, os EUA e o Japão. 
Esta	 fase	 do	 capitalismo	 foi	 marcada	 pela	 indústria	 e	 a	 livre	 concorrência.	 “A	
concorrência entre as empresas capitalistas, as lutas operárias por aumentos 
salariais, a escassez de mão de obra assalariada (como nos EUA até a guerra civil), 
as	guerras	entre	os	países	capitalistas	determinaram	os	avanços	 tecnológicos.”	
(MAMIGONIAN, 1982, p.39). Neste processo, a natureza primeira e/ou natural, 
como diria Milton Santos (2004), vai gradativamente sendo substituída pela 
natureza segunda e/ou cultural. 
 Para Milton Santos (2004), a mecanização possibilitou que a ciência 
assumisse a feição de força produtiva, separada do trabalho e a serviço do capital. 
Ademais,	de	acordo	com	o		mesmo	autor,	à	medida	que	a	indústria	foi	descobrindo	
que a ciência podia ser cada vez mais uma força produtiva, foi submetendo a 
produção de conhecimentos à mesma divisão de trabalho a que estava sujeita 
a produção de mercadorias. Para Rosenberg (2006), o papel da ciência foi 
determinante no ritmo do progresso técnico. Nesse contexto, a natureza passou a 
ser	vista	como	um	“objeto”	de	exploração	capitalista.			
No que concerne ainda ao período da primeira Revolução Industrial, 
Rosenberg	e	Birdzell	Júnior	(1986)	destacam	que,	entre	1750	e	1880,	ocorreram	
mudanças	 revolucionárias	 na	 indústria	 e	 nos	 transportes	 ocidentais,	
e estas foram atribuídas a um fenômeno organizacional e a dois 
fenômenos tecnológicos. Perceba que o primeiro foi a mudança na 
organização da produção, da oficina do artesão para a fábrica, 
assumindo	 formas	diferentes,	 conforme	a	 indústria.	Com	 relação	aos	
dois	 fenômenos	 tecnológicos,	 o	 primeiro	 “foi	o aumento enorme do 
uso do vapor e da energia hidráulica na produção fabril e a aplicação 
do	 transporte	 em	 terra	 e	 na	 água”	 (ROSENBERG;	BIRDZELL,	 1986,	
p.154).	 Nas	 indústrias	 de	 ferro	 e	 tecido,	 a	 Revolução	 Industrial	 foi	
marcada pela produção de bens, com emprego de energia tirada do 
carvão e aplicada através de motores e maquinaria movida a vapor. 
A	segunda	mudança	tecnológica	“foi	a substituição da madeira pelo 
Nas indústrias 
de ferro e tecido, 
a Revolução 
Industrial foi 
marcada pela 
produção de bens, 
com emprego de 
energia tirada do 
carvão e aplicada 
através de motores 
e maquinaria 
movida a vapor
50
Fundamentos da educação ambiental
ferro e o aço na fabricação de maquinaria e outros produtos. Essa substituição 
mudou	 o	 tamanho,	 duração,	 	 precisão	 e	 	 complexidade	 mecânica	 de	 larga	
variedade	 de	 produtos,	 desde	 máquinas	 de	 costura	 a	 navios”	 (ROSENBERG;	
BIRDZELL, 1986, p.154).
Como você pode perceber, realmente foram mudanças revolucionárias na 
indústria	e	nos	transportes	ocidentais,	e,	consequentemente,	na	sociedade	em	geral.
 
Por outro lado, à medida que a manufatura cedia lugar às fábricas, estas 
eram organizadas de acordo com os princípios empresariais. Os produtos 
desenvolvidos nas fábricas abasteciam um extenso mercado, por vezes incerto, 
firmando	 livremente	 contratos	 a	 longo	 prazo,	 exigindo	 investimentos	 pesados	
de	 capital	 fixo	 e	 usando	 dinheiro	 emprestado	 em	 escala	 liberal.	 Assim,	 as	
dificuldades	financeiras	tornavam-se	cada	vez	maiores	no	círculo	das	empresas	
afetadas.	À	medida	que	a	Revolução	Industrial	e	as	modificações	concomitantes	
na organização do comércio e transporte se espalhavam para outros países, 
estes passaram a apresentar o fenômeno dos ciclos econômicos, já familiar na 
Inglaterra.	Além	do	mais,	à	medida	que	as	 indústrias	e	o	comércio	se	tornavam	
dependentes	dos	mercados	financeiros	e	de	investimentos,	as	crises	começavam	
a ser seguidas de períodos de liquidação nos círculos industriais e mercantis 
(MITCHELL, 1984). 
O processo de industrialização ocasionou um aumento da população 
urbana,	 e	 as	 cidades	 foram	 gradativamente	 sofrendo	modificações.	 	A	mão	 de	
obra	operária	amontoava-se	em	quartos	e	porões	desconfortáveis,	em	subúrbios	
sem condições sanitárias. As cidades tornavam-se cada vez mais sujas e envoltas 
numa	atmosfera	“cinzenta”.	Tente	imaginar	essa	situação	deprimente.
Os problemas não param por aí. Veja que, em decorrência da industrialização, 
o	processo	de	urbanização	foi	intenso,	o	que	resultou	num	“caos	social”.	Doençascomo a peste negra e a cólera alastraram-se por toda Inglaterra, oriundas da 
poluição das águas dos rios e do ar. A expectativa de vida variava muito nas 
cidades industrializadas do século XVIII, na Inglaterra e França. Para Perry (2002), 
a proliferação das doenças era tão intensa, devido aos esgotos a céu aberto, à 
fumaça das fábricas, à água poluída e à sujeira nas ruas, que muitas crianças não 
chegavam aos 5 anos de idade. Para muitos adultos, a expectativa de vida era 
em	média	de	36	anos.	A	figura	que	segue	ilustra	a	pobreza	de	um	dos	bairros	de	
Londres, no século XVIII. Observe-a.
51
Evolução Socioambiental e Desenvolvimento Econômico Capítulo 2
Figura 16 – Rua de um Bairro pobre de Londres.
Fonte: Benévolo (1999). Disponível em: <http://urbanidades.arq.br/
imagens/2007/46ababa5573c_8E67/LondresRevolucaoIndustrial.jpg>.
Acesso em: 17 set. 2009
Assim, emergem as primeiras preocupações com as 
transformações	do	espaço	geográfico	e	as	questões	ambientais.	
Um exemplo típico de poluição, oriundo da Revolução Industrial, 
foi	 a	 poluição	 do	 rio	Tâmisa,	 que	 atravessa	 Londres	 (Inglaterra).	Até	
o	começo	do	século	XX,	o	Tâmisa	era	um	dos	 rios	mais	poluídos	do	
mundo. Atualmente, é um modelo de despoluição. O processo de 
despoluição teve início em 1952. 
Nesse contexto de desenvolvimento industrial, não só o meio 
ambiente passou por profundas transformações, mas também afetou 
a própria população. A falta de políticas de urbanização e a falta de um 
modelo econômico (capitalismo) justo comprometiam a dignidade dos 
trabalhadores e sua possibilidade de uma vida digna.
O	filósofo	Aristóteteles	(IV	a.C.)	afirmou	que	no	dia	em	que	as	
máquinas trabalhassem sozinhas não precisaríamos de escravos. 
Contudo, o desejo de que a tecnologia libertaria o ser humano da 
exploração do trabalho não ocorreu. Na sua opinião, que motivos 
justificam	tal	fracasso?
Um exemplo típico 
de poluição, oriundo 
da Revolução 
Industrial, foi a 
poluição do rio 
Tâmisa, que 
atravessa Londres 
(Inglaterra). Até o 
começo do século 
XX, o Tâmisa 
era um dos rios 
mais poluídos do 
mundo. Atualmente, 
é um modelo 
de despoluição. 
O processo de 
despoluição teve 
início em 1952.
52
Fundamentos da educação ambiental
Continuando nosso estudo, não podemos deixar de falar que a agricultura, 
segundo Perry (2002), gradativamente tornou-se uma empresa capitalista, cuja 
produção passou a ser destinada ao mercado (agricultura empresarial), e não 
mais ao consumo da família (agricultura de subsistência). Uma nova estrutura 
econômica	 formava-se:	as	 terras	não	eram	mais	 “comunais”,	 o	que	ocasionou	
um exército de desempregados dependentes (PERRY, 2002). Segundo o mesmo 
autor, o crescimento populacional e o aumento da produtividade agrícola também 
auxiliaram no desenvolvimento do processo de industrialização. O enorme 
crescimento	 populacional	 da	 Europa	 no	 século	 XVIII	 forneceu	 à	 indústria	mais	
consumidores e também mão de obra para o trabalho. 
O uso comunal da natureza remonta às origens do homem. 
Ninguém era, no sentido jurídico da palavra, dono da terra. O homem 
retirava dela tudo o que necessitava (produtos da caça, pesca, coleta, 
etc) sem que se considerasse seu proprietário. As terras comunais 
eram de uso comum, ou seja, não existia dono, todos podiam fazer 
uso dela. 
Como sabemos, a fase pré-industrial é caracterizada pelo equilíbrio 
demográfico,	 ou	 seja,	 elevadas	 taxas	 de	mortalidade	e	 de	 natalidade	 (nasciam	
muitos e morriam muitos). A fase transicional (Revolução Industrial) é marcada 
pela redução da mortalidade devido principalmente ao avanço da medicina, que 
favoreceu a diminuição das epidemias e as melhores condições de higiene e 
saúde.	A	fase	evoluída	ou	chamada	de	terceira	fase	é	um	período	de	transição	(pós	
Revolução	Industrial),	com	a	retomada	do	equilíbrio	demográfico,	principalmente	
nos países desenvolvidos, com baixas taxas de natalidade e mortalidade.
Atividade de estudo:
Agora que você já sabe um pouco mais sobre a Primeira Revolução 
Industrial, descreva algumas das mudanças ocorridas no espaço 
geográfico	e	suas	respectivas	consequências	ao	meio	ambiente.	
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Evolução Socioambiental e Desenvolvimento Econômico Capítulo 2
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Será que tais consequências ambientais poderiam ter sido 
evitadas? 
Indicamos	a	leitura	do	texto	intitulado	“Transição	demográfica	
e	o	crescimento	populacional”	disponível	no	site: http://educacao.
uol.com.br/geografia/ult1701u12.jhtm,	para	que	você	possa	estudar	
um	pouco	mais	sobre	as	fases	demográficas	ao	longo	dos	últimos	
séculos (atreladas principalmente ao processo de industrialização), 
assim como a teoria de Thomas Malthus. 
A partir da metade do século XIX, novas tecnologias e formas de 
produção foram sendo rapidamente descobertas e incorporadas pelos países 
industrializados, marcando a segunda Revolução Industrial. A produção 
industrial	 passou	a	 crescer	 em	 ritmo	acelerado,	 a	 fim	de	atender	 os	 prósperos	
mercados consumidores em expansão, nos centros urbanos, assim como a 
demanda por recursos naturais, fonte de matéria-prima para os diferentes 
segmentos industriais que começavam a emergir. O surgimento do automóvel, no 
final	do	século,	foi	outro	elemento	importante,	criando	uma	nova	cultura	industrial,	
social e ambiental.
54
Fundamentos da educação ambiental
Outro momento importante para a economia global e expansão do capitalismo 
foi a chamada Revolução Técnico-científica, que corresponde ao período 
de maior índice de modernização da atividade industrial pós-Segunda Guerra 
Mundial. Na década de 1950, americanos e russos lançaram uma verdadeira 
corrida espacial. Esta, por sua vez, induziu à busca de novas tecnologias, muitas 
delas	criadas	para	fins	militares.	Foram	adaptadas	ao	setor	civil,	desencadeando	
uma proliferação de produtos desenvolvidos em outros setores, como a 
biotecnologia,	microeletrônica,	química	fina	e	informática.	
A	 Revolução	 Técnico-científica	 acentuou	 o	 processo	 de	 modernização	
da produção calcada nas inovações. É importante ressaltar que a expansão 
do capitalismo, com as chamadas revoluções industriais, ocorreu de maneira 
diferenciada em todo o mundo, como também em períodos diferentes. A 
consolidação da Revolução Industrial e do sistema capitalista no mundo ocidental 
constituiu, assim, a imposição de novas relações entre ser o humano, natureza e 
produção. Para Polanyi (1985, p. 180):
a produção é a interação do homem e da natureza; se este 
processo deve ser organizado pela intermediação de um 
mecanismoregulador de troca, é necessário então que o 
homem e a natureza acompanhem este funcionamento; eles 
devem ser submetidos à oferta e à demanda, isto é, eles 
devem ser tratados como mercadorias, como bens produzidos 
para a venda. Do homem (sob o nome de trabalho), da 
natureza (sob o nome de terra) tudo poderia ser feito para ser 
negociado.
 
Nesse contexto de industrialização, a natureza deveria seguir o ritmo da 
produção, e não o contrário. Com os avanços em todas as áreas de conhecimento, 
foi possível consolidar, no plano econômico, a ideia de que natureza era aquilo que 
seria	útil	e	passível	de	ser	transformado	pelos	diferentes	processos	de	produção.	
No	fim	do	século	XIX,	as	críticas	ao	modo	industrial	de	exploração	deram	origem	
ao que hoje conhecemos como Ecologia (você estudou no capítulo 1). 
Não	 deixe	 de	 assistir	 ao	 filme	 “Tempos	 modernos”	 do	 diretor	
Charlin Chaplin.
O	filme	 refere-se	 à	 vida	 na	 sociedade	 industrial	 e	 urbana	 dos	
Estados Unidos, nos anos 1930, caracterizada pela produção, com 
base no sistema de linha de montagem e especialização do trabalho. 
É	uma	crítica	à	 “modernidade”	e	ao	capitalismo,	 representado	pelo	
modelo de industrialização, em que o operário é engolido pelo 
poder	do	capital,	 cujo	objetivo	é	o	 lucro.	O	filme	 trata	 também	das	
desigualdades entre a vida dos pobres e da burguesia. Procura 
55
Evolução Socioambiental e Desenvolvimento Econômico Capítulo 2
mostrar que uma sociedade capitalista, que explora o proletariado, 
alimenta também todo conforto e diversão para burguesia. É uma 
ótima crítica ao sistema capitalista e ao seu respectivo modelo de 
produção.
Qual o seu posicionamento sobre os avanços técnico-
científicos	e	 sua	 relação	com	a	natureza?	É	possível	 que	haja	um	
desenvolvimento econômico sem comprometer a natureza?
A	Sociedade	Pós-Moderna:	
Globalização	e	Meio	Ambiente
	Você	conseguiu	entender	e	compreender	o	estudo	que	fizemos	até	o	presente	
momento		com	relação	à	produção	e/ou	transformação	do	espaço	geográfico?	
Lembre-se	 de	 que	 o	 espaço	 geográfico	 contemporâneo	 é	 resultado,	
principalmente, das transformações promovidas pela Revolução Industrial em 
suas	 diferentes	 etapas,	 assim	 como	 o	 modo	 de	 vida	 atual	 é	 reflexo	 direta	 e	
indiretamente das inovações tecnológicas. 
					A	 indústria	 foi	 responsável	pelas	grandes	 transformações	urbanas,	pela	
multiplicação de diversos ramos de serviços que caracterizaram a sociedade 
moderna e pelo desenvolvimento dos meios de transporte e comunicação, que 
atualmente interligam o espaço mundial. Também foi responsável pelo aumento 
da produção agrícola. Com a Revolução Industrial, criou-se um novo modo de 
vida,	com	novos	hábitos	de	consumo,	ocorrendo	assim	uma	nova	estratificação	
da	sociedade	e	uma	mudança	significativa	de	sua	relação	com	a	natureza.
 Neste contexto, emerge o chamado processo de globalização, que trouxe 
diversas	 mudanças	 de	 paradigmas	 para	 as	 sociedades	 contemporâneas	 e	
provocou transformações nos diversos segmentos da vida humana e na economia 
mundial. 
	Mas,	a	final,	o	que	é	a	globalização.	Você	saberia	conceituá-la?	Tente.
Conseguiu? Vamos tentar conceituar. A globalização é um fenômeno social 
56
Fundamentos da educação ambiental
que atinge a escala global. Consiste principalmente na integração econômica, 
social, cultural e política entre vários países. Sua origem é atrelada às várias 
transformações e/ou evoluções dos modos de produção. Os avanços dos meios 
de	transporte	e	as	telecomunicações	contribuíram	para	a	“redução”	de	distâncias	
entre pessoas e o acesso às mercadorias ou produtos, bem como a rapidez ao 
acesso das informações no mundo todo, estreitando as relações comerciais 
entre os países e as empresas. As multinacionais ou transnacionais contribuíram 
fortemente para a efetivação do processo de globalização, por ampliarem o 
desenvolvimento de atividades em diferentes territórios, como por exemplo, a 
Coca-Cola, NiKe, McDonald´s, Citröen, entre outras. 
Mas, será que a globalização abarca todas as classes sóciais? Preste 
atenção na charge.
Figura 17 – Festa da Globalização. 
Fonte:	Disponível	em:	<http://portaldoestudante.files.wordpress.com/2008
/07/louisarmstrong1.jpg>. Acesso em: 16 set. 2009.
A que conclusão você chegou?
Podemos dizer que a globalização é uma fase avançada do capitalismo. E, 
como sabemos, o capitalismo visa lucros. A globalização emergiu justamente para 
atender e ampliar as necessidades do sistema capitalista, principalmente nos 
países desenvolvidos, nos quais o consumo interno já estava saturado. 
Uma característica importante da globalização é a busca pelo barateamento 
do	processo	produtivo	pelas	indústrias.	Muitas	delas	produzem	suas	mercadorias	
em	vários	países,	com	o	objetivo	de	reduzir	os	custos.	As	indústrias	instalam-se	
em países onde a mão de obra, a matéria-prima e a energia são mais baratas. Um 
tênis, por exemplo, pode ser projetado nos EUA, mas produzido na China, com 
matéria-prima do Brasil, e comercializado em diversos países do mundo.
57
Evolução Socioambiental e Desenvolvimento Econômico Capítulo 2
Atualmente, vivemos em uma sociedade extremamente 
consumista, onde todos (ou quase todos) têm acesso a tudo 
(quase tudo). Quando você realizar o estudo do caderno de 
Gestão Ambiental, conhecerá sobre a Pegada Ecológica, que trará 
uma abordagem sobre o quanto de área (hectares) o ser humano 
precisaria para produzir e processar o que ele consome e descarta. 
Será que a globalização ocasiona consequências negativas ao meio 
ambiente? Pense um pouco. 
Os	 efeitos	 da	 globalização	 no	 meio	 ambiente,	 sem	 dúvida,	 são	 muitos.	A	
ampliação da economia mundial tem causado à natureza sérias consequências, 
como por exemplo, a super exploração dos recursos naturais renováveis e não 
renováveis, o aumento de todo tipo de resíduos, a perda da biodiversidade e 
um aumento do consumo energético devido ao sistema de transporte a longas 
distâncias	levando	bens	e	mercadorias,	a	poluição	dos	rios,	o	aquecimento	global	
(você verá no próximo tópico), entre outros.
A problemática ambiental acrescenta novos e importantes elementos para 
a análise crítica dos efeitos da globalização. Daly (apud ROMEIRO,1999, p.148) 
chama a atenção para:
duas ordens de problemas: a primeira se refere aos 
impactos sócio-ambientais locais (degradação ambiental e/
ou esgotamento precoce de recursos naturais) que podem 
resultar das diferenças entre países em termos do grau de 
internalização dos custos sociais e ambientais. Países com 
baixo grau de internalização desses custos teriam vantagens 
comparativas	 inaceitáveis,	 o	 que	 justificaria	 a	 introdução	 de	
tarifas protetoras compensatórias. As multinacionais, por seu 
turno, escaparam das obrigações comunitárias, tornando-se 
internacionais o que, dado a inexistência de uma comunidade 
internacional, as torna praticamente isentas de qualquer 
compromisso comunitário. Seria necessário, portanto, 
criar um governo internacional capaz de controlá-las ou 
renacionalizar o capital, colocando-o novamente sob controle 
das comunidades nacionais. A segunda ordem de problemas 
provocada pela expansão excessiva do comércio internacional 
diz respeito à escala das atividades econômicas, além dos 
limites	geográficos	de	cada	país.
 Contudo, à medida que ocorrem os avanços tecnológicos e a ampliação da 
economia	mundial,	mais	se	fará	necessário	produzir	em	nosso	espaço	geográfico	
para,	assim,	atingir	as	necessidades	da	economia	mundial.	 Isso	significa	que	a	
natureza vai se transformando em natureza segunda e/ou natureza cultural, como 
58
Fundamentos da educação ambiental
já	mencionamos	anteriormente.	Não	há	dúvida	de	que	as	inovações	tecnológicas,	
uma das condições da globalização, possibilitam uma constante renovação 
e tambéminovação de produtos no mercado mundial. Isso desperta o desejo 
das pessoas para o novo - o produto moderno. É claro que o mesmo avanço 
tecnológico que produz conforto e praticidade à sociedade global (principalmente 
para	quem	dispõe	de	maiores	recursos	financeiros)	também	produz	a	degradação	
ambiental, a ponto de comprometer a sociedade vigente e as sociedades futuras. 
Veja alguns exemplos que podem ser citados em decorrência das profundas 
transformações ocorridas no meio ambiente, associadas ao intenso processo de 
globalização: a poluição da atmosfera e o aumento da liberação de gás carbônico 
(CO2), oriundo principalmente dos combustíveis fósseis, a exemplo do petróleo, 
que ainda hoje é a principal fonte energética utilizada no mundo; o chamado 
aquecimento global, que está associado à emissão dos combustíveis fósseis; o 
acentuado desmatamento para ampliação das áreas urbanas e a ampliação das 
atividades agropecuárias, como ó caso da Floresta Amazônica; as enchentes, os 
deslizamentos, associados à ocupação irregular do solo, e as áreas impróprias 
para moradia, entre vários outros exemplos. 
Para	 refletir	 sobre	 a	 questão	 do	 consumismo,	 do	 mercado	
global, a formação de identidade e o marketing, leia o poema de 
Carlos	 Drummond	 de	 Andrade	 “Eu,	 etiqueta”.	 Você	 pode	 conferir	
o poema no site: http://projetos.educacional.com.br/paginas/
pp/47080001/3854/t132.html
Atividade de estudo:
Verifique	 na	 sua	 região	 e/ou	 cidade	 a	 ocorrência	 de	 problemas	
ambientais. Investigue a gênese dos problemas, as consequências, 
as ações que têm sido realizadas no intuito de amenizá-los. 
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Evolução Socioambiental e Desenvolvimento Econômico Capítulo 2
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A	Gestão	Ambiental	e	a	
Responsabilidade	Socioambiental
Você sabe o que é responsabilidade socioambiental? 
A responsabilidade surge como derivação de uma obrigação 
anterior, que o responsável deixou de observar. É noção peculiar a 
todas	as	 relações	 jurídicas.	Visa	assegurar	a	observância	de	alguma	
obrigação existente, seja porque se assumiu tal obrigação, ou em 
decorrência de um fato ocorrido ou praticado. (AGNOL, 2009).
Etimologicamente, o termo responsabilidade deriva de 
responsável, que se origina do latim responsus, particípio passado 
do verbo respondere,	 que	 significava	 na	 época responder,	 afiançar,	
prometer e pagar (AGNOL, 2009).
Ainda, de acordo com o autor, num contexto geral, a responsabilidade 
exprime a obrigação de responder por alguma coisa, revelando o dever 
Etimologicamente, 
o termo 
responsabilidade 
deriva de 
responsável, que 
se origina do 
latim responsus, 
particípio 
passado do verbo 
respondere, que 
significava na 
época responder, 
afiançar, prometer 
e pagar (AGNOL, 
2009).
60
Fundamentos da educação ambiental
jurídico em que se coloca a pessoa, seja em virtude de contrato, seja em face de fato 
ou omissão que lhe sejam imputáveis, para satisfazer a prestação convencionada 
ou para suportar as sanções legalmente previstas.
Com a percepção de que os recursos naturais poderiam se esgotar com a 
ação predadora do ser humano, emerge a Responsabilidade socioambiental. 
Isso, porque ocorriam com frequência muitos acidentes industriais, cuja 
intensidade não só colocava a vida dos trabalhadores em risco, como, também, 
gerava degradação dos recursos naturais, que eram fontes de matéria-prima para 
a	 própria	 indústria.	 Estudos	 revelaram	 a	 nocividade	 de	 gases	 poluentes	 e	 seu	
efeito sob as condições de vida da população. 
Podemos citar vários exemplos de acidentes industriais e/ou ambientais, tais 
como:	o	acidente	nuclear	de	Chernobyl	(1986),	na	Ucrânia;	o	acidente	de	Bophal	
(1984), na Índia; o acidente de Cubatão (1984), em São Paulo; e o acidente com o 
Césio	-137	(1987),	em	Goiânia;	e	outros.	
Você provavelmente já ouviu falar do maior acidente nuclear da 
história, o acidente de Chernobyl, ocorrido em 26 de abril de 1986, 
por falha humana. O acidente produziu uma gigantesca nuvem 
radioativa, que atingiu a antiga União Soviética, Europa Oriental, 
Escandinávia e Reino Unido. Saiba mais sobre este acidente nuclear 
acessando o seguinte site: 
http://www.oarquivo.com.br/portal/ index.php/polemica/
historia/52-o-acidente-nuclear-de-chernobyl 
Acesse também o site:	 http://www.library.com.br/Filosofia/
acidindu.htm, cujo artigo aborda alguns dos acidentes industriais 
significativos	na	história	da	humanidade.
Outra indicação de leitura é o livro Acidentes industriais: o 
custo do silêncio, de Michell LLory. O autor faz uma análise inovadora 
dos	maiores	acidentes	industriais	dos	últimos	anos.
Atividade de estudo:
Propomos que você pesquise e descreva (tipo, origem, consequências, 
área de abrangência, etc) algum tipo de acidente industrial ocorrido na 
61
Evolução Socioambiental e Desenvolvimento Econômico Capítulo 2
sua região e/ou estado. Se não houver, você pode optar por algum tipo 
de acidente industrial nacional e/ou internacional. 
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Assim, a responsabilidade socioambiental corresponde a um compromisso 
de empresas que atuam na vanguarda, atendendo à crescente conscientização 
da sociedade, principalmente nos mercados mais sólidos e/ou desenvolvidos. Diz 
respeito à necessidade de revisar os modos de produção e padrões de consumo 
vigentes, de tal modo que o sucesso empresarial não seja alcançado a qualquer 
preço, mas ponderando-se os impactos socioambientais decorrentes da atuação 
administrativa	de	cada	indústria	e/ou	empresa.
Para melhor entendermoso conceito de responsabilidade socioambiental, 
precisamos compreender os conceitos de responsabilidade social (lembra do 
caderno de Responsabilidade Social?) e responsabilidade ambiental, pois foi da 
junção destes dois conceitos que emergiu a Responsabilidade Socioambiental. 
Sendo assim, a Responsabilidade Social é entendida como aquela que cuida dos 
interesses das pessoas em sentido amplo. 
Comumente, essa responsabilidade tem a forma de distribuição 
de	 renda	 feita	 como	 filantropia.	As	 motivações	 que	 levam	 os	 sócios	
das	empresas	a	praticar	a	 filantropia	 são	suas	convicções	morais	ou	
religiosas. 
A responsabilidade ambiental se originou com a percepção de 
que os recursos naturais podem se esgotar com a ação devastadora 
do ser humano. 
O Conselho Mundial para o Desenvolvimento Sustentável 
(WBCDS ou CEBDS, no Brasil – www.cebds.org.br), primeiro organismo 
Comumente, essa 
responsabilidade 
tem a forma de 
distribuição de 
renda feita como 
filantropia. As 
motivações que 
levam os sócios 
das empresas 
a praticar a 
filantropia são suas 
convicções morais 
ou religiosas.
62
Fundamentos da educação ambiental
internacional puramente empresarial com ações voltadas à sustentabilidade, em 
1998,	definiu	responsabilidade	socioambiental	como	o	compromisso	permanente	
dos empresários em adotar um comportamento ético e contribuir para o 
desenvolvimento econômico, melhorando, simultaneamente, a qualidade de vida 
de seus empregados e de suas famílias, da comunidade local e da sociedade 
como um todo (LEME, 2006). Pode também ser entendida como um sistema de 
gestão,	 adotado	 por	 empresas	 públicas	 e	 privadas,	 cujo	 objetivo	 é	 promover	 a	
responsabilidade social e a preocupação com a responsabilidade ambiental.
Com	 a	 internacionalização	 do	 capital,	 as	 indústrias	 passaram	 a	 utilizar	
intensamente os recursos naturais, sem a menor preocupação com as eventuais 
consequências. A partir dos anos 1970, surgem os movimentos ambientalistas 
(veremos no capítulo 4), na tentaviva de evitar essa excessiva exploração dos 
recursos	 naturais.	 Algumas	 indústrias,	 no	 intuito	 de	 continuar	 competitivas	 no	
mercado e ganhar a credibilidade da população mundial, procuraram adaptar-
se às novas exigências ou tendências de responsabilidade socioambiental, 
implantando programas de Gestão Ambiental. A exemplo disso, muitas delas 
optaram	pela	escolha	de	programas,	como	a	ISO	14001,	ou	a	norma	britânica	BS	
7750,	que	têm,	como		um	dos	principais	objetivos,	a	busca	pelo	“desenvolvimento	
sustentável”.
Ei, vejam, novamente eu preciso aparecer... É muita informação, 
certo?	Então,	para	você	não	ter	dúvidas,	entenda	um	pouquinho	mais	
sobre as normas ISO 14001 e BS 7750.
A	 Norma	 BS	 7750	 especifica	 os	 requisitos	 para	 o	
desenvolvimento, implantação e manutenção de sistemas de gestão 
ambiental, que visem garantir o cumprimento de políticas e objetivos 
ambientais	definidos	e	declarados.
A ISO 14001 é uma norma, internacionalmente aceita, que 
define	os	requisitos	para	estabelecer	e	operar	um	Sistema	de	Gestão	
Ambiental.
O programa BS 7750 ou ISO 14001, após implantado, concede à empresa 
um selo de padrão internacional (ISO 14001) e designa várias normas de Gestão 
Ambiental, que devem ser rigidamente seguidas pelas empresas que, de tempos 
em tempos, são auditadas pelos órgãos competentes. Podemos citar, como 
exemplo, o caso da empresa Electrolux do Brasil, que substituiu a pintura líquida 
(de seus refrigeradores e lavadoras) para a pintura a pó (para não agredir a 
63
Evolução Socioambiental e Desenvolvimento Econômico Capítulo 2
camada de ozônio). Desenvolveu também um projeto de recuperação de um lago 
que pertence ao seu parque fabril. Outras empresas também podem ser citadas, 
como a Boticário, que desenvolve projetos ambientais; a Petrobrás, que investe no 
desenvolvimento de programas ambientais; a Vale do Rio Doce, entre tantas outras.
Atividade de estudo:
Você conhece e/ou já ouviu falar de alguma empresa e/ou instituição 
que desenvolve a responsabilidade ambiental? Descreva a mudança 
adotada pela empresa e/ou instituição.
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Algumas	Considerações
Compreender	a	“produção”	do	espaço	geográfico	mundial	significa	entender	
as formas de organização econômica, política e social, que orientam as relações 
da sociedade com a natureza e as relações entre os homens. No mundo 
contemporâneo,	 nenhum	elemento	 da	 natureza	 ficou	 imune	 à	 interferência	 das	
64
Fundamentos da educação ambiental
atividades humanas. A degradação ambiental tornou-se cada vez mais evidente ao 
longo do processo evolutivo do ser humano, principalmente a partir das revoluções 
industriais. A dicotomia entre o meio ambiente e a economia é cada vez maior, 
ou seja, a economia tem pressa e a natureza necessita de paciência. Assim, 
temos assistido recentemente à incorporação, por parte de diversas empresas, 
da	 responsabilidade	 socioambiental,	 a	 fim	 de	 evitar	 tragédias,	 como	 as	 que	
exemplificamos	 anteriormente.	 Na	 verdade,	 a	 responsabilidade	 socioambiental	
deve ser um compromisso permanente, não somente dos empresários, mas 
de toda a sociedade, no que tange à adoção de um comportamento ético, que 
contribua para o desenvolvimento sócioeconômico, o qual, por sua vez, garanta 
qualidade de vida para todos, inclusive para o meio ambiente.
Referências
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adv.br/artigos/2005/alencarjoaodallagnol/responsabilidadeambiental.htm>. 
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BACON, Francis. Novum organum. 2. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1979
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Ciências Humanas – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2006. 
MAMIGONIAN, A. Tecnologia e desenvolvimento desigual no centro do 
sistema capitalista - E.U.A. e Japão. In: ANAIS - AGB, Porto Alegre, 1982.
65
Evolução Socioambiental e Desenvolvimento Econômico Capítulo 2
MITCHELL, W. C. Os ciclos econômicos e suas causas. São Paulo: Abril 
Cultural, 1984. 
PERRI, M. Civilização ocidental:uma história concisa. 3. ed. São Paulo: Martins 
Fontes, 2002.
POINTING, C. História verde do mundo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 
1995.
POLANYI, K. A grande transformação: as origens da nossa época. Rio de 
Janeiro: Campus, 1985.
POP, J.H. Geologia Geral. 5. ed. Rio de Janeiro: JC Editora, 2004. 
ROMEIRO, A.R. Globalização e meio ambiente. Texto para discussão, n. 
91, nov. 1999. Unicamp, 1999. Disponível em: <http://www.eco.unicamp.br/
Downloads/Publicacoes/TextosDiscussao/texto91.pdf>. Acesso em: 03 jul. 2009.
ROSENBERG, N. R.; BIRDZELL JÚNIOR, L. E. J. A história da riqueza do 
Ocidente: a transformação Econômica no Mundo Industrial. Rio de Janeiro: 
Record, 1986.
SANTOS, M. Por uma geografia nova. 6. ed. São Paulo: Editora da 
Universidade de São Paulo, 2004.
66
Fundamentos da educação ambiental
CAPÍTULO 3
A	Crise	Ambiental
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo, você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
 9 Compreender	as	múltiplas	razões	da	crise	ambiental	da	atualidade,	associadas	
às inter-relações das condições socioespaciais, políticas, econômicas e 
culturais.
 9 Conhecer a amplitude da crise ambiental através dos problemas ambientais 
globais.
 9 Verificar	a	urgência	da	Educação	Ambiental	como	uma	ação	e/ou	medida	para	
amenizar os problemas ambientais.
68
Fundamentos da educação ambiental
69
A Crise AmbientalCapítulo 3
Contextualização
Grande parte da degradação ambiental e, consequentemente, da crise 
ambiental que estamos vivenciando estão diretamente relacionadas ao 
desrespeito às leis, à falta de conscientização e de punição para quem comete 
algum crime ambiental e à maneira irresponsável com que o ser humano vem 
utilizando os recursos naturais.
Como,	 enfim,	 poderemos	 nos	 comportar	 para	 conseguirmos	 viver	 em	
harmonia	 e	 equilíbrio	 em	 prol	 de	 um	 mundo	 “sustentável”?	 Pensando	 no	
planeta como um organismo vivo, onde os diversos ecossistemas vivem e têm a 
necessidade de serem equilibrados, como você percebe a atual crise ambiental? 
Que atitudes devem ser adotadas para alcançarmos um estágio onde as 
sociedades possam ser ditas sustentáveis? 
	Assim,	 ao	 longo	 deste	 capítulo,	 estudaremos	 as	 configurações	 da	 crise	
ambiental na atualidade e as razões que levaram a este confronto entre meio 
ambiente e desenvolvimento. Vamos conhecer a amplitude desta crise através 
dos	problemas	ambientais	globais	e	verificar	a	urgência	de	um	processo	contínuo	
de Educação Ambiental (EA) envolvendo todos os atores sociais. Ao término deste 
estudo, veremos que este processo deve ser globalizado e tem papel fundamental 
na tomada de ações e/ou medidas para amenizar os problemas ambientais já 
instalados, bem como promover uma transformação profunda no modo de pensar 
e agir da humanidade.
Configurações	da	Crise	
Ambiental	na	Atualidade
No capítulo 2, você pôde compreender o processo evolutivo das 
relações	 entre	 sociedade	 e	 natureza,	 verificando	 que	 o	 conceito	 de	
natureza foi sendo produzido, principalmente, a partir dos avanços da 
ciência,	 resultando	 em	 significativas	 rupturas	 nas	 relações	 sociais	 e	
na relação sociedade-natureza. Observamos também, neste estudo, 
a relação existente entre o desenvolvimento industrial, o crescimento 
exponencial do uso dos recursos naturais e a degradação ambiental. 
Traçadas essas relações, percebemos que a crise ambiental 
tem suas origens na ilusão de domínio sobre a natureza e na cultura 
exacerbada do ter sobre o ser. Foi baseada nesta concepção que 
a humanidade conduziu sua relação com o meio ambiente e com 
Traçadas 
essas relações, 
percebemos que 
a crise ambiental 
tem suas origens 
na ilusão de 
domínio sobre 
a natureza e na 
cultura exacerbada 
do ter sobre o ser. 
Foi baseada nesta 
concep-ção que 
a humanidade 
conduziu sua 
relação com o 
meio ambiente e 
com seus próprios 
seme-lhantes.
70
Fundamentos da educação ambiental
seus próprios semelhantes. O conhecimento adquirido pelos homens ao longo 
dos	 tempos	 certamente	 trouxe	 importantes	 avanços	 científicos,	 tecnológicos	
e econômicos. Porém, ao mesmo tempo, ocorreu o aumento dos problemas 
socioambientais, resultantes do uso irracional e inconsequente dos recursos 
naturais. Em Santos e Machado (2004, p. 81) lemos:
Indubitavelmente a sociedade atual caracteriza-se pelo 
avanço	 técnico-científico	 e	 informacional	 que	 lhe	 confere	
peculiaridades nunca antes imaginadas. É predominantemente 
urbana,	 da	 comunicação	 instantânea,	 das	 distâncias	
reduzidas, da robótica, da cibernética. Em contrapartida, é a 
sociedade do ter em detrimento do ser, da rapidez frenética, 
da competição acirrada, e, porque não dizer, marcada por 
profundas crises.
A crise ambiental, foco de nossa conversa, repercute e se impõe 
de forma cada vez mais concreta perante a sociedade que, aos poucos, 
vem se conscientizando deste grave problema que põe em risco a 
sobrevivência de todas as espécies.
Franco (2005, p. 25) relata que:
o mundo desperta, repentinamente, assustado diante de 
alarmantes catástrofes naturais e de previsões ainda mais 
assustadoras. Toma consciência de que o desenvolvimento, 
a todo custo perseguido, apresenta efeitos colaterais distintos 
daqueles conhecidos.
Você já observou que algumas catástrofes naturais não ocorrem 
mais tão longe de nós? Procure lembrar-se de eventos que até 
pouco tempo nunca ocorriam na sua região e que começaram a se 
tornar frequentes. Para quem é de Santa Catarina, o início pode ser 
o Furacão Catarina que atingiu o Sul do Estado em março de 2004 e 
deixou um rastro de destruição em 40 cidades catarinenses.
Franco (2005) traz uma nota interessante a respeito de 
como nossa Civilização percebe o desenvolvimento. Observe: 
o	 termo	 “desenvolvimento”,	 em	 nossa	 Civilização,	 costuma	 ser	
tradicionalmente utilizado sob um enfoque eminentemente capitalista, 
cujo indicador normalmente está vinculado ao crescimento econômico 
ou, quando muito, tecnológico; e mesmo neste, considerado somente 
se estiver voltado à produção de riquezas.
Franco (2005, p. 
25) relata que “o 
mundo desperta, 
repentinamente, 
assustado diante 
de alarmantes 
catástrofes naturais 
e de previsões 
ainda mais 
assustadoras. Toma 
consciência de que 
o desenvolvimento, 
a todo custo 
perseguido, 
apresenta 
efeitos colaterais 
distintos daqueles 
conhecidos”.
71
A Crise AmbientalCapítulo 3
Assim, veiculados por todos os meios de comunicação, os problemas 
ambientais e as agressões ao meio ambiente tornaram-se cada vez mais 
frequentes	e	visíveis	nas	últimas	décadas,	o	que	pode	ter	contribuído	para	este	
processo	aparente	de	conscientização	da	“questão	ambiental”.	Desmatamentos,	
queimadas, descarte de lixo (doméstico, hospitalar, industrial, entre outros), 
diariamente depositados em locais impróprios e sem qualquer tipo de tratamento, 
uso excessivo de agrotóxicos, são alguns exemplos de como o homem vem se 
relacionando, ao longo da história, com o meio ambiente. 
E por falar em lixo...veja a seguinte manchete: Brasil investiga 
contêineres de lixo enviados da Grã-Bretanha. Parece mentira, mas 
não é! A solução para o excesso de lixo produzido pelos países 
“ricos”	e	a	 falta	de	gerenciamento	ambiental	adequado	para	seus	
resíduos sólidos é a exportação! Leia a reportagem no site da BBC 
Brasil. Nele você encontrará outras reportagens relacionadas. 
Acesse: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/07/090717_
lixotoxicobrasilbg.shtml
Se	 fizéssemos	uma	analogia	 das	 relações	 que	acontecem	entre	
os organismos, nos ecossistemas, com a relação do homem e o meio 
ambiente, poderíamos dizer que o homem, ao longo de sua história, 
estabeleceu com o meio ambiente uma relação desarmônica de 
parasitismo, na qual atua como parasita.Extrai dele o que deseja sem 
se	preocupar	com	a	saúde	de	seu	hospedeiro,	ou	seja,	do	sistema	que	
sustenta a sua vida (ODUM; BARRET, 2007).
Como vimos em outros momentos, no decorrer desta disciplina, 
a crise ambiental não surgiu de uma hora para outra e, sim, há 
muito tempo. E se agravou especialmente no período da Revolução 
Industrial, quando começaram de fato as agressões ao meio ambiente. 
Este quadro de degradação ambiental, que caracteriza a crise, nada 
mais é do que o conjunto de ações danosas que nós mesmos viemos 
cometendo ao longo de nossa existência. 
Indiscutivelmente, não se trata somente de uma crise ambiental, 
mas de uma crise da sociedade no ambiente, uma crise de valores, de 
percepção. Para Santos e Machado (2004), a sociedade do século XXI 
tem dois grandes desafios: o primeiro deles é conseguir produzir de forma 
sustentável, lembrando que existe o dever ético de garantir o abastecimento 
para as futuras gerações; neste caso, trata-se de investir em pesquisas e novas 
Se fizéssemos 
uma analogia 
das relações que 
acontecem entre 
os organismos, 
nos ecos-sistemas, 
com a relação 
do homem e o 
meio ambiente, 
poderíamos dizer 
que o homem, 
ao longo de 
sua história, 
estabeleceu com 
o meio ambiente 
uma relação 
desarmônica de 
parasitismo, na 
qual atua como 
parasita.
72
Fundamentos da educação ambiental
tecnologias, colocando-as a serviço da conservação, recuperação e preservação 
dos recursos naturais. O segundo desafio consiste em distribuir de forma 
equitativa a produção, tendo a necessidade de desenvolver mecanismos 
eficientes	para	acabar	com	a	miséria	de	cerca	de	20%	da	população	mundial.
Observe a comparação que Miller (apud BRAGA et al., 2002, p. 2) faz a 
respeito de nosso planeta:
Nosso planeta pode ser comparado a uma astronave, 
deslocando-se a cem mil quilômetros por hora pelo espaço 
sideral, sem possibilidade de parada para reabastecimento, 
mas	dispondo	de	um	eficiente	sistema	de	aproveitamento	de	
energia solar e de reciclagem de matéria. Existem atualmente, 
na	astronave,	ar,	água	e	comida	suficientes	para	manter	seus	
passageiros.	Tento	em	vista	o	progressivo	aumento	do	número	
desses passageiros, em forma exponencial, e a ausência de 
portos para reabastecimento, pode-se vislumbrar, a médio e 
longo prazos, problemas sérios para a manutenção de sua 
população.
Atividade de estudo:
Qual	a	sua	opinião	frente	a	esta	comparação	de	Miller?	Reflita	sobre	
isso!
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73
A Crise AmbientalCapítulo 3
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Esta analogia proposta por Miller parece bastante pertinente, tendo em 
vista os dados que temos a respeito do crescimento populacional. No entanto, 
deixaremos este assunto para o próximo tópico, no qual o aumento da população 
é apontado como um dos problemas ambientais globais.
Para Braga et al. (2002), os principais componentes da crise ambiental estão 
representados	na	figura	18.	São	eles:	população,	recursos	naturais	e	poluição.
Figura 18 – Relação entre os principais componentes da crise ambiental.
Fonte: Adaptado de Braga et al. (2002)
Desta forma, o nível da qualidade de vida que temos depende, diretamente, 
do	 equilíbrio	 entre	 os	 vértices	 do	 triângulo	 que	 acabamos	 de	 observar.	 Um	
aumento na população, sem qualquer tipo de controle, por exemplo, certamente 
causará um desequilíbrio neste sistema. A demanda por recursos naturais será 
maior para suprir as necessidades vitais dessa população que, inevitavelmente, 
acabará gerando algum tipo de poluição.
 
Como seres integrantes do meio ambiente que somos, temos o dever de utilizar 
todo	o	avanço	tecnológico	e	científico	que	conquistamos	ao	longo	das	gerações	e	
aproveitar esta era da informação globalizada em que vivemos para criar formas 
efetivas de promover um meio ambiente equilibrado. Superar a crise ambiental 
implica não somente conciliar desenvolvimento econômico e social com a proteção 
do meio ambiente. É necessário, acima de tudo, mudança verdadeira no modo de 
pensar e agir da humanidade. No próximo tópico abordaremos, de forma isolada, 
alguns dos problemas ambientais que se apresentam em escala global.
74
Fundamentos da educação ambiental
Dica	 de	 leitura!	 Escrito	 por	 Jean	 Dorst,	 a	 obra	 “Antes	 que	 a	
natureza	morra”,	lançada	em	1998,	continua	a	ser	uma	leitura	básica	
para os que querem compreender as causas da crise ambiental do 
século XX. Trata do meio de vida e de como a sociedade foi educada 
para o trabalho e para a super-produção, resquícios da Revolução 
Industrial,	 aflorando	 a	 preocupação	 com	 a	 preservação	 do	 meio	
ambiente e a discussão sobre a qualidade de vida, e os efeitos 
causados pelas políticas de industrialização e produção de bens, 
adotados pelos países da Europa . DORST, J. Antes que a natureza 
morra. São Paulo: Edgard Blucher, 1998.
Atividade de estudo:
Como você descreveria a relação entre os componentes 
apresentados	na	figura	18:	população,	poluição	e	recursos	naturais?
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75
A Crise AmbientalCapítulo 3
Problemas	Ambientais	Globais
Como vimos no tópico anterior, começamos a perceber que a crise ambiental 
tem suas origens no modo de vida que adotamos, no qual, valorizamoso ter em 
relação ao ser. Essa mudança do modo de vida e de valores adotados é muito 
bem relatada por Franco (2005, p. 27): 
O modo de vida e valores adotados encontram clara explicação 
diante da história da Civilização Ocidental, remontando a 
eras mais remotas, quando o homem via-se como parte 
da natureza, adotando outras formas de relacionamento 
com esta, considerando-a, em alguns casos, como sagrada 
e sua transição para uma concepção eminentemente 
antropocêntrica, onde o homem passa a entender-se como 
elemento externo e mais, para o qual tudo foi criado.
A partir desse momento, em que passamos a não nos enxergarmos mais 
como parte integrante da natureza, inicia-se um processo de degradação 
ambiental e cultural. Cabe dizer nesse momento que, embora essa percepção das 
origens da crise comece a ser compreendida pela humanidade, a crise ambiental 
que estamos vivendo normalmente é atribuída a fatores externos, como:
[...] excesso de emissões gasosas, poluição das águas e do 
solo	por	efluentes	e	por	 resíduos	provenientes,	dentre	outros,	
do crescente processo de produção e de consumo, poluição do 
ar pela emissão excessiva de poluentes gasosos, [...] explosão 
demográfica	e	da	necessidade	de	aumento	de	áreas	urbanas	
e rurais – para plantio ou pecuária – bem como da crescente 
demanda de matéria-prima necessariamente extraída da 
natureza, acarretando, portanto, dizimação de grandes áreas de 
vegetação nativa e o desaparecimento de grande quantidade 
de animais e vegetais (FRANCO, 2005, p. 27).
Conscientes do processo histórico que levou à crise ambiental que hoje 
vivemos, vamos analisar alguns aspectos causais relevantes que contribuíram e 
vem	contribuindo	para	aumentar	a	crise.	Os	vértices	do	 triângulo	que	
você acabou de ver no tópico anterior, como causas da crise ambiental, 
serão	 tratados	 isoladamente	 agora.	 Além,	 é	 claro,	 das	 “mudanças	
climáticas”	que	temos	presenciado	em	todo	planeta.
O	Aumento	Da	População
 
No	topo	do	triângulo,	como	um	dos	componentes	da	crise	ambiental,	
está a população. Como dissemos anteriormente, o crescimento 
populacional está diretamente relacionado ao aumento da demanda de 
recursos naturais e à geração de resíduos lançados no meio ambiente.
Como dissemos 
anteriormente, 
o crescimento 
populacional 
está diretamente 
relacionado ao 
au-mento da 
demanda de 
recursos naturais 
e à geração de 
resíduos lançados 
no meio ambiente.
76
Fundamentos da educação ambiental
 De acordo com dados da ONU (apud	BRAGA	et	al.,	2002,	p.	2),	“a	população	
mundial cresceu de 2,5 bilhões em 1950 para 6 bilhões no ano 2000 e, atualmente, 
a	taxa	de	crescimento	está	em	aproximadamente	1,3	por	cento	ao	ano”.	Lembrando	
a	analogia	da	astronave	que	vimos	anteriormente,	 isso	significa	que,	a	cada	ano,	
milhões de novos passageiros embarcam nela e, como você lembra, não há paradas 
para reabastecimento, o que torna esse aumento populacional preocupante.
Os dados da ONU, apresentados no parágrafo anterior, são 
do documento Revison of the World Population Estimates and 
Projections. Acesse o endereço eletrônico http://www.undp.org/ e 
veja outras informações do United Nations Development Programme 
(Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). A ONU 
tem ainda o PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio 
Ambiente), responsável por catalisar a ação internacional e nacional 
para a proteção do meio ambiente no contexto do desenvolvimento 
sustentável. Acesse o site e leia mais sobre este programa: http://
www.onu-brasil.org.br/agencias_pnuma.php
Desastres ecológicos, extinções de espécies, perda irreparável 
da biodiversidade, surgimento de novas doenças, mudanças 
climáticas, poluição do ar, água e solo, escassez de alimentos, 
ecossistemas em desequilíbrio, são fatores que levam à diminuição 
da qualidade de vida. 
Os fatores que o Leo acabou de nos mostrar podem se agravar com 
o crescimento exponencial da população. Dados da ONU (apud SANTOS; 
MACHADO, 2004, p. 82) revelam que:
[...] a população mundial, em 2050, poderá atingir 10,9 
bilhões de pessoas, ou seja, um aumento real de 78% sobre o 
número	atual	de	habitantes.	Além	disso,	o	número	de	pessoas	
com mais de 60 anos deve triplicar nesse mesmo período, 
chegando a 25% da população mundial.
Este crescimento populacional é maior nos países menos desenvolvidos, 
os chamados países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos. Devido às altas 
taxas de crescimento nessas nações, a situação de desequilíbrio tende a se 
agravar ainda mais (BRAGA et al., 2002).
77
A Crise AmbientalCapítulo 3
Para calcularmos o aumento da população, observamos a 
diferença entre a taxa de natalidade e a taxa de mortalidade. Um fator 
muito importante relacionado ao aumento populacional observado ao 
longo	dos	últimos	 tempos	é,	 justamente,	 a	 redução	 considerável	 das	
taxas de mortalidade. Para Braga et al. (2002, p. 3):
A partir da Revolução Industrial, a tecnologia 
proporcionou uma redução da taxa de mortalidade, 
responsável pelo aumento da taxa de crescimento 
populacional anual, apesar de a taxa de natalidade 
estar se reduzindo desde aquela época até os dias 
atuais. 
Se traçarmos uma linha, ao longo da história das civilizações, 
perceberemos que as pressões exercidas sobre o meio ambiente se 
intensificaram,	 tornando-o	 cada	 vez	mais	 frágil.	Diante	desses	dados	
e dessa perspectiva de crescimento populacional, a situação pode se 
agravar	ainda	mais.	Será	que	os	recursos	naturais	disponíveis	serão	suficientes	
para	 garantir	 a	 sobrevivência	 dos	 “passageiros	 da	 astronave”	 que	 aumentam	
a cada ano? Se pensarmos a longo prazo, a redução da taxa de crescimento 
populacional é imprescindível para garantir a sobrevivência e restabelecer o 
equilíbrio necessário.
A	Exploração	dos	Recursos	Naturais
Vamos ver agora alguns aspectos relacionados à exploração dos 
recursos naturais. Ao longo de todo estudo, você leu muitas vezes esta 
expressão:	“uso	inadequado	dos	recursos naturais”,	“preservação	dos	
recursos naturais”,	 “disponibilidade	 dos	 recursos naturais”.	 Mas	 o	
que	 isto	significa	 realmente?	Braga	et	al.	 (2002,	p.	4)	definem	 recurso	
natural	como	“[...]	qualquer	 insumo	de	que	os	organismos,	populações	
e ecossistemas necessitam para sua manutenção. Portanto, recurso 
natural	 é	 algo	 útil”.	 Assim,	 o	 termo	 está	 diretamente	 relacionado	 a	
desenvolvimento e economia, como concebidos pelo sistema sócio-
econômico. Quando algo é chamado de recurso é porque pensamos na 
sua	utilidade	e	não	na	 sua	 importância	 intrínseca	 (como	natureza,	 ser	
vivo, entre outros).
Sendo assim, água, ar, minerais, biomassa, vento, combustíveis, 
entre outros, são exemplos de recursos naturais.
Recurso natural 
como “[...] qualquer 
insumo de que 
os organismos, 
populações e 
ecossistemas 
necessitam para 
sua manutenção. 
Portanto, recurso 
natural é algo útil”. 
A partir da 
Revolução 
Industrial, a 
tecnologia 
proporcionou uma 
redução da taxa 
de mortalidade, 
responsável pelo 
aumento da taxa 
de crescimento 
populacional anual, 
apesar de a taxa 
de natalidade estar 
se reduzindo desde 
aquela época até 
os dias atuais.
78
Fundamentos da educação ambiental
Relembrando novamente o capítulo 2, você pode compreender 
o processo evolutivo das relações entre sociedade e natureza e as 
rupturas que aconteceram nessas relações ao longo da história. O 
homem deixou de ser nômade para tornar-se sedentário e, a partir 
disso, aprendeu a cultivar a terra e passou a acumular uma quantidade 
cada	 vez	maior	 de	 riquezas	 e	 de	 bens.	 Esta	 cultura	 do	 acúmulo	 de	
riqueza e de um consumo cada vez maior de bens e serviços hoje faz 
parte dos costumes de qualquer sociedade e economia no mundo.
Acompanhando o aumento da produção e o crescimento econômico, 
vieram os impactosnegativos da humanidade sobre o meio ambiente. 
Se conseguirmos transpor nosso pensamento imediatista e projetarmos 
essa situação para algumas décadas à frente, estes impactos negativos 
podem levar a uma deterioração irreversível das reservas de recursos 
naturais, prejudicando desta forma o desempenho e a prosperidade das 
economias.	Porém,	isso	não	quer	dizer	que	não	possa	existir	“harmonia”	
entre os recursos naturais e o desenvolvimento econômico.
Recursos naturais e economia interagem de modo bastante 
evidente, uma vez que algo é recurso na medida em que sua 
exploração é economicamente viável. Exemplo dessa situação 
é o álcool, que antes da crise do petróleo de 1973 apresentava 
custos de produção extremamente elevados ante os custos de 
exploração de petróleo. Hoje, no Brasil, apesar da diminuição do 
Proálcool, o álcool ainda pode ser considerado um importante 
combustível para automóveis e um recurso natural estratégico 
e	de	alta	significância,	devido	a	sua	possibilidade	de	renovação	
e consequente disponibilidade. Sua utilização efetiva depende 
de análises políticas e econômicas que poderão ser revistas 
sempre que necessário. (BRAGA et al., 2002, p. 5).
Assim, podemos dizer que atrás do conceito de recurso natural 
temos intrinsecamente relacionados o meio ambiente, a economia e 
a	 tecnologia.	A	questão	ambiental	 reside	no	 fato	de	que,	nas	últimas	
décadas, o uso irracional e inadequado desses recursos provocou uma 
série de problemas ambientais agravando a atual crise. É por isso que 
o nível de degradação dos recursos naturais e o nível de crescimento 
econômico de uma nação estão intimamente relacionados.
Na disciplina de Gestão Ambiental, você verá, no capítulo 4, os principais 
problemas associados à exploração dos recursos naturais frente aos modelos 
econômicos tradicionais e perceberá que a conservação de recursos naturais 
envolve várias questões políticas, econômicas, culturais, entre outras. Neste 
mesmo capítulo, o autor abordará a questão da Pegada Ecológica, através da 
qual é possível mensurar a quantidade de recursos naturais que precisamos para 
sustentar nosso estilo de vida, o que inclui a cidade e a casa onde moramos, os 
A questão 
ambiental reside 
no fato de que, nas 
últimas décadas, 
o uso irracional 
e inadequado 
desses recursos 
provocou uma 
série de problemas 
ambientais 
agravando a atual 
crise.
O homem deixou 
de ser nômade 
para tornar-se 
sedentário e, 
a partir disso, 
aprendeu a cultivar 
a terra e passou 
a acumular uma 
quantidade cada 
vez maior de 
riquezas e de bens.
Impactos negativos 
podem levar a 
uma deterioração 
irreversível das 
reservas de 
recursos naturais, 
prejudicando 
desta forma o 
desempenho e a 
prosperidade das 
economias.
79
A Crise AmbientalCapítulo 3
móveis que temos, as roupas que usamos, o transporte que utilizamos, aquilo 
que comemos, o que fazemos nas horas de lazer, os produtos que compramos, e 
assim por diante. 
Assim, a pegada ecológica corresponde ao tamanho das áreas 
produtivas de terra e de mar, necessárias para gerar produtos, 
bens e serviços que sustentam determinados estilos de vida (mas 
também para dar conta dos descartes). E, como podemos perceber, 
a demanda e, consequentemente, o consumo dos recursos naturais 
podem variar muito entre países, cidades, e, até mesmo, entre 
pessoas. Acesse o site da WWF – Brasil, e leia mais sobre a pegada 
ecológica: http://www.wwf.org.br/wwf_brasil/pegada_ecologica/. 
Os	 recursos	 naturais	 podem	 ser	 classificados	 em	 renováveis	 e	 não-
renováveis,	como	você	pode	observar	na	figura	19.
Figura	19	–	Classificação	dos	recursos	naturais
Fonte: Adaptado de Braga et al. (2002)
Um fato interessante a ser ressaltado, neste momento, é que o uso 
inadequado desses recursos pode tornar um recurso renovável em não-renovável, 
“[...]	quando	a	taxa	de	utilização	supera	a	máxima	capacidade	de	sustentação	do	
sistema”.	(BRAGA	et	al.,	2002,	p.	5).	É	nesse	momento	que	a	exploração	destes	
recursos naturais se torna um dos problemas ambientais globais, tratados nesse 
tópico: quando o homem não respeita o tempo natural e necessário de renovação 
dos recursos na natureza. 
80
Fundamentos da educação ambiental
Em várias ocasiões deste estudo, você leu a expressão 
“questão	 ambiental”.	 O	 que	 você	 entende	 por	 essa	 expressão?	
A questão ambiental são os problemas relacionados ao intenso 
processo de degradação do meio ambiente e dos recursos naturais. 
Estes problemas e situações estão, em grande parte, atrelados às 
atividades	 humanas,	 devido	 à	 intensificação	 do	 desenvolvimento	
econômico	 e	 crescimento	 populacional	 observados	 nos	 últimos	
tempos.
Atividade de estudo:
1) Com relação aos recursos naturais, que acabamos de estudar no 
tópico	anterior,	 faça	uma	pesquisa,	a	fim	de	 identificar	e	 relacionar	
as vantagens e desvantagens na utilização de dois tipos de recursos 
naturais: o petróleo (recurso natural não-renovável) e o álcool 
combustível (recurso natural renovável). 
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2) Faça uma pesquisa sobre os recursos naturais que são usados 
como fontes de energia limpa. Conceitue o termo energia limpa, 
apresente quais são os principais tipos existentes e de que forma é 
81
A Crise AmbientalCapítulo 3
utilizada. Através desta pesquisa, faça uma análise sobre a utilização 
dessas fontes de energia, apontando seus prós e contras. Como 
dica, construa uma tabela, organizando essas informações.
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A	Poluição	Ambiental	
Ao passo que fazemos uso dos recursos naturais, 
automaticamente geramos algum tipo de poluente. Ao escutar ou ler o 
termo	“poluição”,	o	que	lhe	vem	à	mente?	Quais	são	as	imagens	que	
você automaticamente produz ao pensar em um ambientepoluído? A 
poluição pode ser conceituada como alterações, de ordem antrópica, 
nas características físicas, químicas ou biológicas da atmosfera, 
litosfera ou hidrosfera. Essas alterações causam ou podem causar 
prejuízos	à	saúde,	afetar	a	sobrevivência	ou	as	atividades	dos	seres	
humanos e outras espécies (BRAGA et al., 2002).
Mas,	como	essa	poluição	é	quantificada?	A	poluição	está	ligada	
à quantidade ou à concentração de um determinado poluente. Assim, 
são estabelecidos padrões e indicadores de qualidade do ar, água e 
solo, para que seja possível o controle da poluição de acordo com a 
legislação ambiental.
A poluição pode 
ser conceituada 
como alterações, 
de ordem antrópica, 
nas características 
físicas, químicas 
ou biológicas da 
atmosfera, litosfera 
ou hidrosfera. 
A poluição está 
ligada à quantidade 
ou à concentração 
de um determinado 
poluente. Assim, 
são estabelecidos 
padrões e 
indicadores de 
qualidade do ar, 
água e solo, para 
que seja possível o 
controle da poluição 
de acordo com a 
legislação ambiental.
82
Fundamentos da educação ambiental
Figura	20	–	Classificação	das	fontes	poluidoras
Fonte: Adaptado de Braga et al. (2002)
Como	 podemos	 perceber,	 a	 partir	 da	 análise	 da	 figura	 20,	 os	
efeitos da poluição podem ser localizados, regionais ou globais. Os 
mais conhecidos e fáceis de serem percebidos são os de efeito local ou 
regional, que normalmente ocorrem em lugares onde a concentração de 
pessoas é maior, ou então, em áreas com grande atividade industrial.
Veremos agora alguns efeitos globais em virtude do excesso de 
poluição no ambiente.
a) Chuvas Ácidas
As chuvas ácidas são um dos maiores problemas ambientais da 
atualidade. Desde a Revolução Industrial, com o aumento da emissão 
de gases poluentes na atmosfera, este fenômeno vem aumentando 
devido à solubilização de alguns gases cuja hidrólise seja ácida. 
Vale lembrar que as chuvas normais possuem um pH levemente 
ácido, em torno de 5,6 unidades. Essa acidez é causada pela 
dissociação do CO2 em água, formando um ácido fraco, conhecido 
como ácido carbônico, mas também de outros gases. Assim, chuva 
ácida é toda chuva que possui um valor de pH abaixo de 4,5 unidades 
(BENETTI, 2009).
Os efeitos da 
poluição mais 
conhecidos e 
fáceis de serem 
percebidos são 
os de efeito local 
ou regional, que 
normalmente 
ocorrem em 
lugares onde a 
concentração de 
pessoas é maior, 
ou então, em 
áreas com grande 
atividade industrial.
A camada de 
ozônio é um escudo 
natural da Terra que 
nos protege dos 
efeitos nocivos dos 
raios solares, em 
especial os raios 
ultravioleta (UV).
83
A Crise AmbientalCapítulo 3
Este fenômeno provoca o desequilíbrio nos ecossistemas. Um exemplo disso é 
o	aumento	do	pH	da	água,	modificado	pelas	chuvas	ácidas.	Esta	alteração	do	meio	
aquático é nociva às mais diversas formas de vida, sendo que algumas espécies de 
peixe, por exemplo, não são tolerantes a esta diminuição do pH. Vegetais também 
sofrem as consequências da chuva ácida e muitos microrganismos, 
presentes no solo e responsáveis pela sua fertilidade, são destruídos em 
virtude do aumento da acidez, além de problemas econômicos e sociais. 
b) Destruição da Camada de Ozônio
A camada de ozônio é um escudo natural da Terra que nos 
protege dos efeitos nocivos dos raios solares, em especial os raios 
ultravioleta (UV). Situada entre 10 e 50 km de altitude, a camada de 
ozônio é uma região onde se concentra o ozônio molecular (O3). A 
redução	 acelerada	 desta	 área	 da	 atmosfera	 ficou	 conhecida	 como	
“buraco	na	camada	de	ozônio”.
O	 gás	CFC	 (Cloro	 Flúor	 Carbono)	 é	 o	 grande	 responsável	 pela	
degradação do ambiente em escala global e pela destruição da camada 
de ozônio. Ao atingir a faixa de concentração da camada de ozônio, 
as moléculas de CFC rompem-se sob a ação dos raios ultravioleta e 
liberam cloro, que reage com o ozônio, formando oxigênio comum. 
Acesse o site http://videoseducacionais.cptec.inpe.br/ e 
assista a um vídeo que mostra como ocorre a destruição da 
camada de ozônio. Este vídeo é um dos que estão na lista do 
tema Mudanças Climáticas. Navegue neste site e assista a outros 
vídeos relacionados às mudanças ambientais globais. 
Ainda sobre a camada de ozônio:
O buraco na camada de ozônio sobre a Antártida estabilizou-se 
desde 2000, mas ainda demorará décadas para se regenerar 
e fechar, o que pode ocorrer a partir de 2065. Apesar da 
estabilização, ainda não há sinais de uma recuperação sobre 
o pólo sul, embora o climatólogo americano David J. Hofmann, 
da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos EUA 
(NOAA),	afirme	que,	caso	continue	a	tendência	atual,	o	buraco	
poderia começar a se fechar a partir do ano 2030. (FOLHA 
ONLINE, 2009).
O gás CFC (Cloro 
Flúor Carbono) é o 
grande responsável 
pela degradação 
do ambiente em 
escala global e 
pela destruição da 
camada de ozônio. 
Ao atingir a faixa 
de concentração da 
camada de ozônio, 
as moléculas de 
CFC rompem-se 
sob a ação dos 
raios ultravioleta 
e liberam cloro, 
que reage com o 
ozônio, formando 
oxigênio comum.
84
Fundamentos da educação ambiental
Com o objetivo de amenizar este problema ambiental global, 
diversos países, inclusive o Brasil, assinaram o Protocolo de 
Montreal, em que todos se comprometeram em reduzir e deixarem 
de produzir e consumir os CFCs, em um determinado prazo 
pré-estipulado (COIMBRA; TIBURCIO, 2006). Este protocolo 
surgiu diante do aumento do buraco na camada de ozônio e suas 
consequências para a vida na Terra. Assim, a humanidade vai 
tentando, ao longo de sua existência, remediar os problemas 
ambientais que ela mesma cria.
Sugestão de leitura! O Instituto Brasil PNUMA, como Comitê 
Brasileiro do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, 
tem como uma de suas atividades a promoção e participação em 
atividades de educação e conscientização ambiental. Leia o texto 
Camada de Ozônio, escrito por Ricardo Daher - Secretário Executivo 
do PNUMA. Basta acessar: http://www.brasilpnuma.org.br/pordentro/
saibamais_ozonio.htm.
c) Mudanças Climáticas - Aquecimento Global
Para iniciarmos nosso diálogo, precisamos entender que o 
clima é um conjunto de condições meteorológicas (temperatura, 
umidade, chuvas, pressão e ventos) que mantêm características 
comuns em uma determinada região. Além disso, as variações no 
clima	fazem	parte	da	dinâmica	ambiental	do	planeta.
As causas reais das mudanças climáticas não são unanimidade 
perante	 a	 comunidade	 científica.	 Embora	 não	 haja	 unicidade	
entre os discursos, estudos apontam a ação antrópica, associada 
às variações cíclicas naturais, como um dos principais fatores 
relacionados às mudanças climáticas.
 
Segundo Souza e Camargo (2006), as mudanças climáticas já 
afetam o cotidiano de bilhões de pessoas de forma impossível de 
ser ignorada:
Para iniciarmos nosso 
diálogo, precisamos 
entender que o clima é 
um conjunto de condi-
ções meteorológicas 
(temperatura, umidade, 
chuvas, pressão e 
ventos) que mantêm 
característi-cas comuns 
em uma determinada 
região. Além disso, 
as variações no clima 
fazem parte da dinâ-
mica ambiental do 
planeta.
Com o objetivo 
de amenizar este 
problema ambiental 
global, diversos 
países, inclusive o 
Brasil, assinaram o 
Protocolo de Montreal, 
em que todos se 
comprometeram em 
reduzir e deixa-rem de 
produzir e consumir 
os CFCs, em um 
determinado prazo pré-
estipulado (COIMBRA; 
TI-BURCIO, 2006). 
85
A Crise AmbientalCapítulo 3
Pela primeira vez desde que começaram as medições, no 
século XIX, o termômetro chegou aos 40 graus em diversas 
regiões temperadas da Europa e dos Estados Unidos. A 
Somália foi castigada pelas enchentes mais devastadoras 
do	últimomeio	século.	A	calota	gelada	do	Ártico	ficou	60	400	
quilômetros quadrados menor – ou seja, uma área equivalente 
a duas vezes o estado de Alagoas virou água e ajudou a 
elevar o nível dos oceanos. Na China, segundo o relatório, a 
pior temporada de ciclones em uma década resultou em 1 000 
mortes e 10 bilhões de dólares em prejuízos. Na Austrália, o 
décimo ano seguido de seca impiedosa agravou o processo 
de	desertificação	do	solo	e	desencadeou	 incêndios	florestais	
com	 virulência	 nunca	 vista.	 Sabe-se	 que	 o	 relatório	 final	 da	
Organização Meteorológica Mundial, a ser divulgado em 
fevereiro, prevê o desaparecimento total do gelo no Ártico 
durante os meses de verão já a partir de 2040. Isso pode 
significar	a	extinção	do	urso-polar	em	seu	habitat.	
Se pensarmos que todas essas catástrofes acontecem em decorrência do 
aumento	 de	 apenas	 1	 grau	 na	 temperatura	média	 do	 planeta,	 nos	 últimos	 100	
anos, é, no mínimo, assustador imaginarmos as consequências do aumento 
previsto para o ano de 2100, que, segundo o relatório do Intergovernmental Panel 
on Global Climate, financiado	 pelas	Nações	Unidas,	 terá	 um	acréscimo	 de	 até	
5,8ºC	(KERR	apud	KRÜGER,	2001).	
Se analisarmos a história da vida de nosso planeta, realmente 
veremos que em 4,5 bilhões de anos ocorreram mudanças climáticas 
radicais, com períodos de estabilidade seguidos de glaciações. Assim, 
essas mudanças climáticas de causas geológicas são normais e 
cíclicas. Porém, não podemos esquecer que a composição química 
da	 atmosfera	 também	 influencia	 o	 clima	 e	 que,	 desde	 a	 Revolução	
Industrial, a emissão de gases de efeito estufa, responsáveis pelo 
aquecimento global, vem aumentando consideravelmente, como já 
vimos em outros momentos desta disciplina. Veja o que diz Eerola 
(2003, p. 7):
Os dados de medições meterológicas de temperaturas 
existentes cobrem um período de apenas aproximadamente 
cem anos, ou seja, parte do período industrial. Porém, cem 
anos é um período completamente desprezível do ponto de 
vista geológico. Vivemos atualmente em um período posterior 
à glaciação que terminou somente há 10.000 anos. Estamos 
caminhando rumo a uma nova glaciação que ocorrerá daqui 
a 23.000 anos. Portanto, estamos em um período interglacial, 
quando as temperaturas podem oscilar ciclicamente entre mais 
altas	e	mais	baixas.	Esta	alternância	é	completamente	natural.	
Porém, levando-se em conta estas medições, existem dois 
fatos sobre as mudanças climáticas: a temperatura média e o 
teor de dióxido de carbono estão em ascensão mundialmente. 
[...] Ao não se conhecer outras fontes naturais de dióxido de 
Se analisarmos 
a história da vida 
de nosso planeta, 
realmente veremos 
que em 4,5 bilhões 
de anos ocorreram 
mudanças 
climáticas radicais, 
com períodos 
de estabilidade 
seguidos de gla-
ciações. 
86
Fundamentos da educação ambiental
carbono ativas ao mesmo tempo, a conclusão lógica ao que 
os pesquisadores chegaram, foi que estes aumentos dever 
ser provocados pelo homem. [...] Mesmo assim, existem 
evidências de que estes teores em ascensão não são devidos 
apenas à atividade antrópica. Existe uma correlação forte com 
algumas outras fontes de dióxido de carbono e o aumento de 
temperaturas	 globais,	 como	 oceanos	 e	 atividade	 vulcânica,	
por exemplo. 
Nos	 últimos	 tempos	 temos	 ouvido	 muito	 sobre	 o	 aumento	 da	
temperatura média mundial, aumento do efeito estufa e a expressão 
“aquecimento	global”.	Na	certa,	você	já	deve	ter	lido	alguma	manchete	
ou reportagem a respeito deste fenômeno. Este aumento da 
temperatura da atmosfera é causado pela excessiva emissão de gases 
poluentes, principalmente dióxido de carbono, que formam uma espécie 
da	“capa”	em	torno	da	Terra.	Esses	gases	absorvem	parte	da	radiação	
solar;	consequentemente,	o	calor	fica	retido,	não	sendo	liberado	para	o	
espaço, ocasionando o chamado efeito estufa.
Não podemos nos esquecer de que o efeito estufa é um 
fenômeno natural e vital para a manutenção da vida na Terra. Ele 
é responsável por temperaturas mais amenas e adequadas que 
permitem esta grande biodiversidade do nosso Planeta. Se não fosse 
ele, a Terra seria aproximadamente 33ºC mais fria! 
Os gases de estufa, assim chamados por serem os 
intensificadores	 deste	 fenômeno	 são,	 principalmente:	 dióxido	
de carbono (CO2), metano (CH4), óxido nitroso (N2O), CFC`s 
(clorofluorcarbonetos).
 
Dessa forma, medidas de preservação dos ecossistemas e uso 
de energias que não poluam o meio ambiente devem fazer parte dos 
programas de desenvolvimento de todas as Nações. 
Este aumento 
da temperatura 
da atmosfera é 
causado pela 
excessiva emissão 
de gases poluentes, 
principalmente 
dióxido de carbono.
Medidas de 
preservação dos 
ecossistemas e 
uso de energias 
que não poluam 
o meio ambiente 
devem fazer parte 
dos programas de 
desenvolvimento de 
todas as Nações. 
87
A Crise AmbientalCapítulo 3
Acesse o site: http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/meio_
ambiente_brasil/clima/painel_intergovernamental_de_mudancas_
climaticas/ e leia os relatórios divulgados sobre as mudanças 
climáticas. O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas 
(IPCC – sigla em inglês) é o órgão das Nações Unidas responsável 
por	produzir	informações	científicas	sobre	as	mudanças	climáticas.
Benetti (2009) relata algumas consequências do aquecimento global:
• derretimento das calotas polares, acarretando o aumento do nível dos 
oceanos,	o	que	causará	inundações	em	cidades	litorâneas;
• alterações no regime das chuvas (menor pluviosidade em determinadas 
regiões e maior em outras);
• doenças que hoje são típicas de uma determinada região, como a malária e a 
febre amarela, poderão atingir regiões onde hoje não são encontradas;
• desertificação	de	áreas	que	hoje	são	campos	ou	florestas;
• extinção de espécies;
• grandes incêndios.
Torna-se evidente que, para não piorar ainda mais a situação, precisaríamos 
parar de lançar na atmosfera gases como dióxido de carbono, metano e óxido 
nitroso,	resultantes	da	atividade	humana.	Cabe	à	intensificação	do	efeito	estufa	a	
maior responsabilidade pelo aumento da temperatura global. 
 
 Nesta batalha pela redução da emissão de gases poluentes temos, de um 
lado, países desenvolvidos e altamente industrializados, detentores de um grande 
poderio econômico; porém, os maiores poluidores. Do outro lado, países em 
desenvolvimento, que poluem em uma escala menor, mas sofrem igualmente as 
consequências da emissão excessiva de gases poluentes. Você verá, no capítulo 
4 desta disciplina, detalhes sobre o Tratado de Quioto, que propôs a redução 
das	emissões	de	gases	causadores	da	 intensificação	do	efeito	estufa.	Segundo	
Coimbra e Tiburcio (2006, p.163):
O Tratado de Quioto entrou em vigor em fevereiro de 
2005, reconhecido por 55 países industrializados. Porém, 
o	maior	 poluidor	 do	mundo,	 os	Estados	Unidos,	 ficou	 fora	
do tratado, alegando que teria consequências negativas 
em seu desempenho econômico caso diminuísse suas 
emissões em 7%.
88
Fundamentos da educação ambiental
Essa	postura	é	uma	prova	de	que,	embora	exista	uma”frágil”consciência	da	
humanidade sobre a crise ambiental instalada no planeta, indicando que iniciamos 
o processo de mudança de pensamento, verdadeiramente ainda não mudamos 
nossa forma de agir. Precisamos consolidar a ideia de que o desenvolvimento 
econômico está altamente ligado às políticas de preservação do meio ambiente e 
a uma gestão planejada de nossos recursos naturais.
Sessão	 de	 cinema!	 Assista	 ao	 filme	 “Uma	 Verdade	
Inconveniente”,	 de	 Albert	 Gore.	 Neste	 filme,	 o	 ex-vice-presidente	
dos Estados Unidos, Al Gore, apresenta uma análise da questão do 
aquecimento global, mostrando os mitos e equívocos existentes em 
torno do tema e também possíveis saídas para que oplaneta não 
passe por uma catástrofe climática nas próximas décadas. 
Atividade de estudo:
“Uma	 Verdade	 Inconveniente,	 o	 documentário	 protagonizado	 pelo	
ex-vice-presidente dos EUA se agarra a clichês e pouco acrescenta 
ao debate sobre aquecimento global. Diante desse problema, que 
perturba, incomoda e preocupa, entrar no cinema para assistir 
a Uma verdade inconveniente, do diretor Davis Guggenheim, 
gera	 expectativas	 de	 que	 o	 filme	 contribua	 para	 ampliar	 a	
questão, multiplicar suas nuances e produzir novas percepções 
e sensibilidades. Mas as opções de Uma verdade inconveniente 
pouco	 contribuem	 nessa	 direção.	 Um	 filme-palestra,	 repleto	 de	
clichês, tais como a ideia de que o aquecimento global é um problema 
moral e não político; a apresentação da ciência como conhecimento 
superior a outras formas de conhecimento, que nos oferecerá sempre 
as alternativas certas; o mito da natureza intocada; e a noção de 
consenso sobre o problema. Ao repetir esses chavões, que há mais 
de dez anos povoam as discussões ambientais sem acrescentar 
muito,	aproveita	pouco	do	que	a	arte	do	cinema	possibilita.	O	filme	
provocou	 reações	de	 cientistas,	 que	o	 consideram	pouco	 confiável	
e alarmante; de cineastas, especialmente documentaristas, que o 
avaliaram	como	pobre,	nas	relações	entre	realidade-ficção-verdade,	
além	de	 ficarem	 indignados	 com	o	Oscar	 da	Academia	 de	Artes	 e	
Ciências	 Cinematográficas	 de	 Hollywood	 que	 o	 documentário	
89
A Crise AmbientalCapítulo 3
recebeu; e ambientalistas que atacaram a visão reducionista, que o 
filme	apresenta,	da	complexidade	sociopolítica	da	questão”.		
Fonte: DIAS, Susana. Uma verdade inconveniente. 
Revista Eletrônica de Jornalismo Científico.
Disponível em: <http://www.comciencia.br/comciencia/handler.
php?section=8&edicao=22&tipo=resenha>.Acesso em: 17 set. 2009.
1)	Você	 concorda	 com	a	 crítica	apresentada?	Reflita	 e	expresse	a	
sua	opinião	sobre	o	filme!
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2)	 O	 que	 é	 e	 como	 acontece	 o	 chamado	 “efeito	 estufa”?	 Qual	 a	
relação entre efeito estufa e aquecimento global? 
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90
Fundamentos da educação ambiental
O meio ambiente em debate. Nesta obra, o autor aborda vários 
assuntos pertinentes ao nosso estudo, como por exemplo: ecologia, 
meio ambiente, poluição, chuva ácida, efeito estufa, buraco na 
camada de ozônio, poluição urbana, impactos sociais e culturais, 
entre outros. Veja a referência completa: BRANCO, S. M. O Meio 
Ambiente em Debate. São Paulo: Moderna, 1999.
É inegável a contribuição do homem no aumento dos níveis 
de dióxido de carbono e outros gases poluentes na atmosfera. 
Sabemos que, ao longo da história, ocorreram muitas mudanças 
no meio ambiente, na paisagem e no clima, e, em decorrência 
dessa evolução, a paisagem que vemos hoje não será a mesma 
do futuro. Assim também o nível de desenvolvimento, com uma 
economia baseada no uso de combustíveis fósseis e outros 
recursos não renováveis, não será mais possível. É bastante 
arriscado continuarmos com nossos hábitos, sem preocupação com 
as consequências de nossas ações sobre o meio ambiente. 
Enquanto	 vivemos	 e	 “aguardamos”	 	 novas	 transformações	
ambientais globais, temos o dever de usar toda inteligência e 
tecnologia alcançadas ao longo de nossa evolução, para atenuar 
nossa	 influência	sobre	essas	mudanças	climáticas.	De	que	forma	
poderemos fazer isso? Aprendendo a reciclar, reduzindo o consumo 
de combustíveis fósseis, buscando fontes alternativas de energias, 
aproveitando recursos naturais renováveis, como a energia eólica, 
respeitando o meio ambiente e promovendo Educação Ambiental 
para todos de forma interdisciplinar, como veremos no próximo 
tópico.
Acesse o site http://veja.abril.com.br/301206/p_138.html e leia a 
reportagem 7 megassoluções para um megaproblema. Boa leitura!
Do nicho ao lixo: ambiente, sociedade e educação. Este volume 
apresenta ampla discussão de um assunto de grande atualidade: a 
questão ambiental. Os autores fazem uma exposição dos problemas 
ambientais - chuva ácida, inversão térmica, camada de ozônio, 
É inegável a 
contribuição do 
homem no aumento 
dos níveis de dióxido 
de carbono e outros 
gases poluentes na 
atmosfera.
É bastante arriscado 
continuarmos com 
nossos hábitos, sem 
preocupação com as 
con-sequências de 
nossas ações sobre o 
meio ambiente. 
Enquanto vivemos e 
“aguardamos” novas 
transformações 
ambientais globais, 
temos o de-ver de usar 
toda inteligência e 
tecnologia alcançadas 
ao longo de nossa 
evolução, para atenuar 
nossa influência sobre 
essas mudanças 
climáticas.
91
A Crise AmbientalCapítulo 3
efeito estufa, aterros sanitários, desmatamentos - e discutem 
a possibilidade do processo de evolução técnica, econômica 
e	 social	 que	 tantas	 modificações	 impõe	 à	 vida	 do	 planeta.		
SCARLATO, F. C.; PONTIN, J. A. Do nicho ao lixo: ambiente, 
sociedade e educação. São Paulo: Atual, 1992.
d) A Perda da Biodiversidade 
O grande desequilíbrio ecológico gerado pelo homem, através de 
suas ações, afeta não somente a si, como às diversas outras formas 
de vida. A atual crise ambiental está diretamente relacionada também 
a uma crise da biodiversidade, uma vez que a harmonia entre os 
componentes bióticos e abióticos de um ecossistema é fundamental 
para permitir e manter a vida no nosso planeta.
Os componentes bióticos e abióticos de um ecossistema foram 
estudados no capítulo 1 desta disciplina – Fundamentos da Ecologia. 
Se necessário, retorne a ele e relembre os conceitos. 
Segundo Franco (2005, p. 21):
O	 grande	 desafio,	 atualmente	 enfrentado,	
reside exatamente em proteger a diversidade 
da vida, através de adequada interpretação dos 
instrumentos legais existentes calcados nos 
conhecimentos	 científicos	 disponíveis.	 Grande	
parte dessa diversidade concentra-se em áreas 
florestais,	 representando	 um	 dos	 principais	 focos	
de biodiversidade do planeta, tendo, portanto, sua 
proteção,	 especial	 importância	 na	 busca	 de	 uma	
solução para a crise ambiental.
O termo biodiversidade pode ser entendido em vários níveis, desde gens 
atéecossistemas, assim como toda a diversidade biológica existente, ou seja, 
a diversidade da vida. Isso inclui todos os seres vivos, desde os organismos 
microscópicos mais simples, até os mais complexos, como os seres humanos. 
Segundo o Decreto 2.519/98, o termo biodiversidade está conceituado em seu 
art. 2º como: 
A variabilidade de organismos vivos de todas as origens, 
compreendendo, dentre outros, os ecossistemas terrestres, 
marinhos e outros ecossistemas aquáticos e os complexos 
O grande desafio, 
atualmente 
enfrentado, reside 
exatamente 
em proteger a 
diver-sidade da 
vida, através 
de adequada 
interpretação dos 
instrumentos legais 
exis-tentes.
A atual crise 
ambiental está 
diretamente 
relacionada 
também a 
uma crise da 
biodiversidade, 
uma vez que a 
harmonia entre 
os componentes 
bióticos e abióticos 
de um ecossistema 
é fundamental para 
permitir e manter 
a vida no nosso 
planeta.
92
Fundamentos da educação ambiental
ecológicos de que fazem parte; compreendendo ainda 
a diversidade dentro de espécies, entre espécies e de 
ecossistemas.
	Para	entendermos	a	importância	e	o	tempo	do	homem	na	história	evolutiva	
da biodiversidade, precisamos fazer uma rápida análise, desde o surgimento da 
Terra há 4,5 bilhões de anos atrás até os dias atuais. Aproximadamente um bilhão 
de anos após o surgimento da Terra foi que gradualmente se estabeleceram as 
condições ambientais favoráveis ao surgimento das primeiras células, como pode 
ser	observado	na	figura	21.
Figura 21 – Eras geológicas condensadas em 24 horas.
Fonte: Disponível em: <http://www.jornaljovem.com.br/edicao13/
images/13_eras_geologicas01_000.jpg>. Acesso em: 03 ago. 2009.
Diante	 da	 análise	 desta	 figura	 e	 conforme	 você	 estudou	 no	 capítulo	 2	
desta disciplina, podemos perceber que a participação do homem na história, 
se	pensarmos	no	 tempo	geológico,	é	praticamente	 insignificante	em	relação	ao	
período e processo evolutivo da vida na Terra. Entretanto, não se pode dizer o 
mesmo em relação à sua participação para a rápida perda da biodiversidade, que 
presenciamos na atual crise.
Dentre os fatores que se encontram diretamente relacionados à crise da 
biodiversidade, e que são causa direta de sua deterioração, podemos citar ações 
93
A Crise AmbientalCapítulo 3
antrópicas, como: poluição do solo, da água e da atmosfera; alterações climáticas; 
introdução de espécies exóticas; exploração de espécies vegetais e animais; 
devastação ou alteração de ambientes naturais; entre outros (FRANCO, 2005).
Alguns problemas ambientais já estudados neste capítulo, como por 
exemplo, chuva ácida e aquecimento global, são consequências da ação 
danosa humana sobre o meio ambiente e responsáveis por parte da degradação 
da	 biodiversidade.	 A	 devastação	 e	 a	 fragmentação	 de	 florestas,	 por	 meio	 de	
desmatamentos e queimadas, também acarretam o desaparecimento de um 
grande	número	de	espécies.	Franco	(2005,	p.	38)	ressalta	que	“A	fragmentação	
dos habitats constitui, juntamente com a destruição destes, uma das principais 
causas da perda da biodiversidade no planeta, por tornar inviável a perpetuação, 
condenando	à	extinção	um	incontável	número	de	espécies	animais	e	vegetais”.	
Na disciplina de Gestão Ambiental, no capítulo 4, o professor 
autor abordará a questão da valoração ambiental como uma 
alternativa de preservação. Se forem atribuídos valores monetários 
aos	 recursos	 naturais,	 capazes	 de	 refletir	 sua	 escassez,	 sua	
preservação será mais provável.
 O descaso com que o ser humano vem tratando do recurso natural água 
também é fator de preocupação e responsável pela perda da diversidade biológica. 
Interferências	 nos	 ciclos	 hidrológicos	 e,	 principalmente,	 inúmeras	 formas	 de	
poluição desse recurso, são ações que afetam não somente o ser humano, mas 
também todos os demais seres vivos, tendo em vista que a água é um elemento 
indispensável à sobrevivência de todas as espécies da biosfera.
Quando se diz que água é essencial à vida, é porque 
sem ela não existe respiração, reprodução, fotossíntese, 
quimiossíntese, habitats e nichos ecológicos para a maioria 
das espécies existentes. A sua ausência ou contaminação 
implica (em) forma de poluição cujas consequências não são 
outras senão degradar diretamente a própria vida (FIORILLO; 
RODRIGUES apud FRANCO, 2005, p. 133).
Dessa forma, a perda contínua da biodiversidade é um forte indicador do 
desequilíbrio existente entre as necessidades humanas e a capacidade de suporte 
da natureza. Como vimos em outro momento deste capítulo, o crescimento 
populacional e o uso proporcional e excessivo dos recursos naturais tornam 
evidentes os limites de sustentabilidade dos processos naturais.
94
Fundamentos da educação ambiental
Estamos	 vivendo	 um	 momento	 de	 extrema	 importância	 diante	 da	 crise	
ambiental, quando temos a opção de seguir dois caminhos: podemos continuar a 
utilização desenfreada dos recursos naturais para atender nossas necessidades 
imediatas, acarretando danos talvez irreversíveis, ou podemos implementar 
medidas alternativas para a conservação da biodiversidade e utilizá-la de forma 
sustentável, o que pode ser alcançado através de um processo emergente de 
Educação Ambiental, como veremos no próximo tópico.
A	Emergência	da	Educação	Ambiental
Diante dos fatos apresentados e da crise ambiental abordada 
neste capítulo, quando falamos na emergência da Educação Ambiental 
(EA),	estamos	dando	a	esse	processo	de	educação	o	grande	desafio	
de transformar cidadãos passivos e alheios à situação, em grandes 
defensores do meio ambiente. A mudança no modo de pensar e 
agir, fundamentais para reverter a desarmonia entre homem e meio 
ambiente, será, em grande parte, conseguida através de um processo 
efetivo de EA. 
 Você terá a oportunidade de acompanhar, no capítulo 4, o 
surgimento da EA (como resposta à preocupação da sociedade com o 
futuro) e analisar as tendências deste processo educativo na busca da 
sustentabilidade, como uma nova perspectiva nas relações sociedade-
natureza. 
Vendo a EA como uma das possíveis estratégias para o 
enfrentamento da crise social e cultural que estamos vivendo, 
Sorrentino et al. (2005, p. 287) relatam:
A urgente transformação social de que trata a educação 
ambiental visa à superação das injustiças ambientais, da 
desigualdade social, da apropriação capitalista e funcionalista 
da natureza e da própria humanidade. [...] A educação 
ambiental,	 em	específico,	 ao	 educar	 para	 a	 cidadania,	 pode	
construir a possibilidade da ação política, no sentido de 
contribuir para formar uma coletividade que é responsável 
pelo mundo que habita.
Essa	 emergência	 da	 conscientização	 “ecológica”,	 em	 que	
sociedade e natureza não sejam mais vistas como dissociáveis e 
sim, como partes intrinsecamente relacionadas do todo, e como 
responsabilidade de cada indivíduo perante o coletivo, é condição 
importante a ser alcançada através da EA.
Diante dos fatos 
apresentados e 
da crise ambiental 
abordada neste 
capítulo, quando 
falamos na 
emergência 
da Educação 
Ambiental (EA), 
estamos dando 
a esse processo 
de educação o 
grande desafio 
de transformar 
cidadãos passivos 
e alheios à 
situação, em 
grandes defensores 
do meio ambiente.
A educação 
ambiental, em 
específico, ao 
educar para 
a cidadania, 
pode construir 
a possibilidade 
da ação política, 
no sentido de 
contribuir para 
formar uma 
coletividade que é 
responsável pelo 
mundo que habita.
95
A Crise AmbientalCapítulo 3
Dada a complexidade dos problemas socioambientais, a EA se apresenta 
como	 um	 grande	 desafio,	 o	 que	 implica	 utilizar	 novas	 estratégias	 de	 ação	 e	
novos padrões de conduta, baseados em uma nova relação ética, com enfoque 
ambiental (BENETTI, 2009).Na	 disciplina	 de	 “A	 Inserção	 Curricular	 da	 EA	 e	 a	 Formação	
de	 Professores”,	 que	 você	 verá	 mais	 adiante,	 estudaremos	 a	
importância	 da	EA	dentro	 do	 contexto	 do	 ensino	 formal.	Porém,	 seja	
a	EA	desenvolvida	no	âmbito	dos	currículos	escolares,	ou	de	maneira	
não-formal, através de ações de natureza educativa que visem à 
capacitação dos indivíduos, tornando-os aptos a agir em defesa da 
qualidade ambiental, nós a temos como uma arma importante a ser 
utilizada contra a crise ambiental. 
Neste	momento,	sugerimos	que	você	faça	a	leitura	da	“Carta	do	
Chefe	Seattle”.	Em	1854,	“O	Grande	Chefe	Branco”	em	Washington	
fez uma oferta por uma grande área de território indígena e 
prometeu	uma	“reserva”	para	os	índios.	A	resposta	do	Chefe	Seattle,	
reproduzida na íntegra neste endereço, tem sido considerada 
uma das declarações mais belas e profundas já feitas sobre o 
meio-ambiente. Acesse: http://boasaude.uol.com.br/lib/ShowDoc.
cfm?LibDocID=3981&ReturnCatID=1773. Este documento estará 
disponível também no material de apoio da disciplina. Consulte-o!
Em busca da dimensão ética da educação ambiental. Esse 
livro defende o resgate da humildade, do respeito e do diálogo com 
a Natureza, para a compreensão dos problemas ambientais que 
estamos	vivenciando.	Ao	longo	dos	últimos	300	anos,	a	Natureza	foi	
transformada em mero objeto de manipulação à disposição da razão 
humana.	A	visão	das	paisagens	e	dos	lugares	de	modo	mecânico	e	
sem vida levaram a uma completa separação entre seres humanos e 
meio ambiente. Atento a esses problemas, o autor desenvolve nessa 
obra uma ética de parceria com a Natureza, em educação ambiental, 
uma simbiose na qual os elementos se combinam num regime de co-
participação e integração. GRUN, M. Em busca da dimensão ética 
da educação ambiental. Campinas: Papirus, 2007.
Temos como uma 
arma importante a 
ser utilizada contra 
a crise ambiental.
96
Fundamentos da educação ambiental
Algumas	Considerações
Uma possibilidade real de reversão da crise ambiental consiste em 
promovermos uma profunda transformação no pensar e no agir da humanidade, 
sendo a Educação Ambiental a força propulsora desta transformação. Quando 
percebermos que os recursos naturais são parte integrante da nossa vida, 
e não apenas algo que utilizamos como mercadoria para satisfazer nossas 
necessidades, muitas vezes imediatistas, talvez consigamos reduzir em muito 
nossos impactos negativos sobre o meio ambiente. 
 A espécie humana, pela primeira vez na história, pode ter o poder de 
contribuir	 de	 forma	 significativa	 às	 mudanças	 globais.	 Independente	 dos	
causadores reais das mudanças climáticas, as consequências da crise ambiental, 
como aquecimento global, mudanças climáticas promovendo grandes períodos 
de estiagem ou chuva excessiva, aumento das doenças, o perigo eminente da 
falta de água potável, perda da biodiversidade, entre tantos outros, podem ser 
minimizadas. Para tanto, é necessário a mudança também globalizada de 
pensamento e atitude por parte da humanidade. Só assim será possível amenizar 
os problemas, a ponto de garantir a nossa sobrevivência e assegurar para as 
gerações futuras um ambiente saudável.
	Para	 concluir	 nossa	 reflexão,	 reescrevemos	 algumas	 linhas	 extraídas	 da	
“Carta	do	chefe	Seattle”:	“[...]	Tudo	o	que	acontece	à	Terra	–	acontece	aos	filhos	
da	Terra.	O	homem	não	teceu	a	teia	da	vida	–	ele	é	meramente	um	fio	dela.	O	
que	quer	que	ele	faça	à	teia,	ele	faz	a	si	mesmo	[...]”.	Pense	nisso	e	seja	um	ator	
social consciente de suas responsabilidades perante o coletivo.
Referências
CARTA	do	chefe	Seattle”.	Disponível	em:		<http://boasaude.uol.com.br/lib/
ShowDoc.cfm?LibDocID=3981&ReturnCatID=1773>. Acesso em: 17 set. 2009.
BENETTI, L. B. Recursos naturais, meio ambiente e desenvolvimento. 
Indaial: Asselvi, 2009.
BRAGA, B. et al. Introdução à engenharia ambiental. São Paulo: Prentice Hall, 
2002.
BRASIL. Decreto Lei n. 2.519, de 16 de março de 1998. Promulga a Convenção 
sobre Diversidade Biológica, assinada no Rio de Janeiro, em 05 de junho de 
97
A Crise AmbientalCapítulo 3
1992. Disponível em: <http://www.lei.adv.br/2519-98.htm>. Acesso em: 03 ago. 
2009.
BURACO da camada de ozônio pode fechar a partir de 2065. Folha Online, 
21 abr. 2004. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/ambiente/
ult10007u553819.shtml>. Acesso em: 01 jul. 2009.
COIMBRA, P. J.; TIBÚRCIO J. A. M. Geografia: uma análise do espaço 
geográfico.	3.	ed.	São	Paulo:	Harbra,	2006.
EEROLA, T. T. Mudanças Climáticas Globais: passado, presente e futuro. 2003. 
Disponível em: <http://homologa.ambiente.sp.gov.br/proclima/artigos_
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teefuturo.pdf>. Acesso em: 30 jun. 2009.
FRANCO, J. G. de O. Direito ambiental matas ciliares. Curitiba: Juruá, 2005.
KRÜGER,	E.	L.	Uma	abordagem	sistêmica	da	atual	crise	ambiental.	
Desenvolvimento e Meio Ambiente, n. 4, p. 37-43, jul./dez. 2001. Disponível 
em: <http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/made/article/viewFile/3038/2429>. 
Acesso em: 05 jun. 2009.
ODUM, E. P.; BARRET, G. W. Fundamentos de ecologia. São Paulo: Thomson, 
2007.
SANTOS, V. L. dos; MACHADO, L. M. C. P. A crise ambiental na sociedade atual: 
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SORRENTINO,	M.	et	al.	Educação	ambiental	como	política	pública.	Educação 
e Pesquisa, São Paulo, v. 31, n. 2, p. 285-299, maio/ago. 2005. Disponível em: 
<http://www.scielo.br/pdf/ep/v31n2/a10v31n2.pdf.>. Acesso em: 26 abr. 2009.
SOUZA, O. de.; CAMARGO, L. Sete megassoluções para um megaproblema. 
Veja on-line, ed. 1989, 30 dez. 2006. Disponível em: <http://veja.abril.com.
br/301206/p_138.html>. Acesso em: 30 jun. 2009.
98
Fundamentos da educação ambiental
CAPÍTULO 4
Histórico	da	Educação	Ambiental
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo, você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
 9 Conhecer os princípios básicos da Educação Ambiental.
 9 Compreender a evolução dos movimentos ambientalistas, bem como as 
diferentes formas de manifestação.
 9 Compreender o surgimento da Educação Ambiental como resposta à 
preocupação da sociedade com o futuro.
 9 Analisar as tendências da Educação Ambiental, no que tange principalmente 
à sustentabilidade, como uma nova perspectiva para conduzir as relações 
sociedade-natureza.
100
Fundamentos da educação ambiental
101
Histórico da Educação AmbientalCapítulo 4
Contextualização
A maioria dos problemas ambientais, poderiam ser evitados se a Educação 
Ambiental	 (EA)	 e	 a	 consequente	 conscientização	 ecológica	 fizessem	 parte	
da formação das gerações passadas. O conhecimento do contexto histórico 
e cultural da visão homem-natureza torna-se importante, pois nos permite 
compreender	 as	 evoluções	 empíricas	 e,	 posteriormente,	 cientificas	 da	
representatividade da natureza. 
Como vimos no capítulo 2, o homem foi produzindo, transformando e 
construindo	 o	 espaço	 geográfico.	 Os	 interesses	 e	 as	 necessidades	 dos	 seres	
humanos não foram sempre os mesmos em todos os lugares e em todos os 
tempos.	Conforme	 as	 sociedades	 foram	 se	modificando,	 criando	 novas	 e	mais	
complexas formas de sobrevivência, novos espaços foram construídos. Muitos 
deles eram relacionados com os tipos de paisagens e o pensamento sobre as 
mesmas nos diferentes séculos. Tendo por base o estudo que já efetuamos, 
você consegue traçar uma linha do tempo com os principais momentos e/
ou	 acontecimentos	 responsáveis	 pelas	 mudanças	 no	 espaço	 geográfico	 e,	
consequentemente, os problemas ambientais? Tente fazer isso.
Lamentavelmente, a ausência da EA no contexto histórico cultural dahumanidade nos coloca hoje em uma exponencial crise ambiental. Uma das 
mais importantes consequências dessa crise ambiental é a percepção de que a 
vulnerabilidade da natureza à ação do homem exige inesperadas dimensões de 
responsabilidade socioambiental, não presentes anteriormente pelo campo da 
ética	(GRÜN,	1996).	De	acordo	com	esse	autor,	com	a	ampliação	ética,	criam-se	
condições para os seres humanos se sentirem moralmente responsáveis pelo seu 
comportamento em relação à natureza. 
Nesse contexto, a EA é um componente essencial, de forma articulada, 
em todos os níveis e modalidades do processo educativo, no que diz respeito à 
preservação e à conservação do meio ambiente. Vamos então ao estudo sobre a 
EA. Neste capítulo, inicialmente, estudaremos os conceitos e princípios da E A; 
a seguir, veremos o surgimento da EA, os movimentos ambientalistas, os eventos 
importantes realizados sobre o meio ambiente. Finalizaremos nosso estudo com a 
EA e a sustentabilidade.
102
Fundamentos da educação ambiental
Conceitos	e	Princípios	da	Educação	
Ambiental
Você saberia conceituar o que é Educação Ambiental? Pense um pouco.
Existem	várias	definições	sobre	a	Educação	Ambiental.	Vamos	compreender	
e tentar conceituar a EA do ponto de vista de alguns autores, eventos que 
ocorreram sobre o meio ambiente e/ou órgãos responsáveis pelo assunto. 
 Em 1975, no Seminário Internacional sobre EA, que aconteceu em Belgrado, 
promovido pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, 
a Ciência e a Cultura), foi produzido um documento, A carta de Belgrado, que 
define	como	meta	da	EA	o	desenvolvimento	de	uma	população	mundial	consciente	
do meio ambiente e dos problemas ambientais. Uma população que disponha 
de conhecimento, habilidade, criatividade, atitude e compromisso, na busca 
por soluções para os problemas ambientais. Um trabalho que deve acontecer 
coletivamente.	 Pensar	 na	 EA	 coletivamente,	 sem	 dúvida	 seria	 o	 ideal	 para	
tentarmos amenizar e/ou solucionar os problemas ambientais. Você concorda?
Vejamos	 como	a	EA	 foi	 definida	 na	Conferência	 sub-regional	 de	EA	para	 a	
Educação Secundária, realizada em Chosica, no Peru, em 1976. Nesta conferência, 
ficou	definido	que	a	EA	assume	a	posição	de	promover	conhecimento	dos	problemas	
ligados ao meio ambiente, associados a uma visão global; preconiza também a 
ação educativa permanente, em que a comunidade educativa toma consciência de 
sua realidade global, do tipo de relações que os seres humanos estabelecem entre 
si e com a natureza, dos problemas derivados das ditas relações e suas causas. 
E ainda, a EA desenvolve, mediante uma prática educativa dos educandos com 
a comunidade, valores e atitudes que promovem um comportamento dirigido à 
transformação socioambiental. Atualmente, será que ocorre uma prática educativa 
eficaz	no	que	concerne	a		essa	transformação	socioambiental?
Em 1977, na Conferência Intergovernamental sobre Educação para o 
Ambiente,	 realizada	 em	Tbilisi	 (Geórgia),	 a	 EA	 foi	 definida	 como	 um	 processo	
de reconhecimento de valores e conceitos, objetivando o desenvolvimento das 
habilidades	 e	 modificando	 as	 atitudes	 em	 relação	 ao	 meio,	 para	 entender	 e	
apreciar as inter-relações entre os seres humanos, suas culturas e seus meios 
biofísicos.	A	EA	ficou	entendida	como	uma	prática	de	tomada	de	decisões	e	ética,	
que conduzem a uma qualidade de vida melhor para todos. É importante você 
saber, embora abordaremos este assunto mais adiante, que esta conferência foi 
decisiva para a ampliação da EA. 
103
Histórico da Educação AmbientalCapítulo 4
Você provavelmente já ouviu falar da Agenda 21. Caso não saiba o que é, 
não se preocupe. Estudaremos sobre isto mais adiante. Vejamos como a EA é 
definida	no	capítulo	36	da	Agenda	21.	A	EA	é	um	processo	que	tem	como	meta	
o desenvolvimento de uma população consciente e preocupada com o meio 
ambiente e com os problemas que lhes são associados. 
De acordo com a Lei n° 9.795, de 27 de abril de 1999, que dispõe sobre a 
EA no Brasil, entende-se por EA os processos por meio dos quais o indivíduo 
e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes 
e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso 
comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade. 
Ainda, de acordo com a mesma, a EA é um componente essencial e permanente 
da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os 
níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não-formal. 
Indubitavelmente, a EA deveria atingir todos os níveis 
educacionais; contudo, no caso do Brasil, será que isso ocorre 
efetivamente? Ou a EA é competência exclusiva da educação 
formal?	Reflita.
Atividade de estudo:
Verifique,	 na	 sua	 na	 cidade	 e/ou	 região,	 o	 desenvolvimento	 de	
práticas educativas voltadas à EA, que abarcam todos os níveis de 
educação (formal e não-formal). 
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104
Fundamentos da educação ambiental
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Você saberá mais sobre a lei n° 9.795 no caderno de Inserção 
Curricular da Educação Ambiental e a Formação de Professores. 
Contudo, caso queira antecipar o estudo e saber na íntegra sobre 
esta lei, acesse o site:
http://www.planalto.gov.br/ccivil/Leis/L9795.htm
 
Para	 o	CONAMA	 (Conselho	Nacional	 do	Meio	Ambiente),	 a	 EA	 é	 definida	
como um processo de formação e informação orientado para o desenvolvimento 
da consciência crítica sobre as questões ambientais, e de atividades que levem à 
participação das comunidades na preservação do equilíbrio ambiental. 
CONAMA é o órgão consultivo e deliberativo do Sistema 
Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA), instituído pela Lei nº 
6.938/81, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, 
regulamentada pelo Decreto 99.274/90.
Vejamos como a EA é entendida na opinião de alguns autores; depois, 
gostaríamos de saber a sua opinião.
 
 Para Gonçalves (1990), a EA não deve ser entendida como um tipo especial 
de educação. Refere-se a um longo e contínuo processo de aprendizagem, com 
a qual todos os indivíduos e instituições (escola, família, e comunidade) devem 
estar envolvidos. Este processo de aprendizagem precisa ser crítico, criativo e 
político, com a preocupação de transmitir conhecimentos a partir da discussão e 
avaliação feitas pelo aluno, da sua realidade individual e social, na comunidade 
em que vive. Ainda de acordo com Gonçalves (1990), a EA é um processo de 
105
Histórico da Educação AmbientalCapítulo 4
aprendizagem que visa esclarecer conceitos e fomentar valores éticos, com o 
intuito de desenvolver atitudes racionais,responsáveis e solidárias entre os seres 
humanos e o meio ambiente. 
A	EA	pode	ser	definida,	de	acordo	com	Guimarães	(1995),	como	uma	ação	
interdisciplinar, conduzida para a resolução de problemas locais. 
[...] a EA é participativa, comunitária, criativa e valoriza a ação. 
É uma educação crítica da realidade vivenciada, formadora 
da cidadania. É transformadora de valores e atitudes através 
da construção de novos hábitos e conhecimentos, criadora 
de uma nova ética, sensibilizadora e conscientizadora para 
as relações integradas ser humano/sociedade/natureza 
objetivando o equilíbrio local e global, como forma de 
obtenção da melhoria da qualidade de todos os níveis de vida. 
(GUIMARÃES, 1995, p.28). 
Na visão de Keim (1984), em nível interdisciplinar e extraescolar, a EA visa 
estimular vivências que, provavelmente, poderão nortear as reações futuras da 
população mundial, desenvolvendo ações favoráveis à vida e não apenas aos 
interesses econômicos. 
Lima (1984) ressalta o paradoxo da EA, diante de uma educação voltada 
para os objetivos essencialmente econômicos, segundo a qual será preciso 
substituir a competitividade pela solidariedade. Para a mesma autora, a EA 
necessita	de	uma	postura	crítica	e	um	conhecimento	a	partir	de	uma	reflexão	da	
realidade vivenciada pelo indivíduo. O objetivo maior da EA é a promoção de um 
comportamento adequado à proteção ambiental, com novos valores, dos quais a 
participação do indivíduo é o princípio fundamental. (LIMA, 1984). 
Para	Leonardi	(1997),	a	definição	de	EA	é	muito	influenciada	pelas	diversas	
formas de se compreender o próprio meio ambiente (a questão biológica, cultural, 
política e econômica). 
Como	você	pôde	perceber,	muitas	 são	as	definições	 sobre	a	EA.	Podemos	
dizer, ainda, que há diferentes abordagens da questão ambiental na educação. Para 
Brügger	 (1994,	p.	32),	por	exemplo,	 “por	 trás	dessas	abordagens	ou	 tendências,	
existem	 diferentes	 pressupostos	 filosóficos	 e	 práticas	 pedagógicas”	 no	 que	 se	
refere	às	questões	ambientais.	Contudo,	não	resta	dúvida	da	 importância	da	EA.	
Por	isso,	é	fundamental	a	participação	da	comunidade	(ONGs,	instituições	públicas	
e privadas, dentre outros.) no que concerne à construção de valores sociais (moral, 
ética, dignidade, respeito, solidariedade), capazes de transformar o comportamento 
humano em relação ao ambiente em que vive. A disseminação de conhecimentos e 
experiências e o engajamento das comunidades em atividades práticas podem ser 
meios	de	construir	ou	reconstruir	a	cidadania,	principalmente	no	âmbito	ambiental.	
106
Fundamentos da educação ambiental
O esquema a seguir sintetiza importantes fatores que a EA procura 
contemplar e/ou estão inseridos no seu contexto. Observe. 
Figura 22 – Educação Ambiental em rede.
Fonte: DELEVATTI, D. Sociedade e Meio Ambiente. Disponível em: <http://www.
comitepardo.com.br/images/dionei_organograma.gif>. Acesso em: 16 set. 2009.
Você conseguiu compreender que a EA corresponde a uma interdependência 
entre os fatores econômicos, políticos, ambientais, sociais e espaciais?
Assim, concluímos esta seção, destacando que a EA pode ser considerada 
como: - uma ação política, no intuito de promover uma transformação social através 
da	 reflexão	crítica	sobre	os	problemas	ambientais;	 -	uma	ação	mobilizadora	de	
conhecimentos	 técnico-científicos	 que	 envolvam	 várias	 disciplinas,	 como	 forma	
de compreender as relações sócionaturais; - uma maneira de privilegiar as 
diferenças étnico-culturais dos povos, bem como, seus conhecimentos sobre o 
meio onde estão inseridos; - uma forma de possibilitar o desenvolvimento de uma 
consciência ética e participativa dos indivíduos no que concerne à preservação e 
à conservação do meio ambiente.
Atividade de estudo:
Como	você	definiria	a	Educação	Ambiental?	
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107
Histórico da Educação AmbientalCapítulo 4
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O	Surgimento	da	Educação	Ambiental
Podemos dizer que a educação para o meio ambiente está atrelada à 
Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, realizada em 
Estocolmo, em 1972. Para Reigota (1994), desta conferência emerge a EA, pois 
uma das resoluções deixava claro que o cidadão deve ser educado para a solução 
dos problemas ambientais. 
Segundo Brügger (1994), a partir dessa conferência, a UNESCO 
(Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e 
o PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), em 1975, 
lançaram o PIEA (Programa Internacional de Educação Ambiental). Dentre as 
atividades do PIEA que mais contribuíram para uma conscientização internacional 
sobre a EA, destacaram-se uma série de reuniões internacionais e regionais que 
culminaram na Conferência Intergovernamental de Tbilisi (URSS), em 1977. 
Atualmente o PIEA encontra-se desativado.
Embora algumas tentativas de promover uma educação para o meio ambiente 
antecedem	 a	 este	 período,	 a	 EA	 surge	 oficialmente,	 nesse	 contexto,	 como	 uma	
forma	de	resolver	os	chamados	problemas	ambientais	(BRÜGGER,	1994).
108
Fundamentos da educação ambiental
Percebe-se a presença de estudos sobre a EA já em 1864, com a publicação do 
livro	“O	homem	e	a	natureza:	ou	geografia	física	modificada	pela	ação	do	homem”,	
do autor George Perkin Marsh (DIAS, 2004). Na obra, o autor faz uma abordagem 
sobre o esgotamento dos recursos naturais realizados pelo homem, e acrescenta 
que, se estes recursos não dispusessem de cuidados quanto ao seu uso excessivo, 
logo a sociedade poderia desaparecer, como aconteceu com outras civilizações 
mais antigas, por exemplo, a civilização maia. Cinco anos depois, Ernst Haeckel 
propõe o termo ecologia (você	estudou	no	capítulo	1)	para	definir	os	estudos	que	
são realizados sobre as relações entre as espécies e seu ambiente. 
Alguns exemplos evidenciam, embora bastante embrionária, a EA já na 
segunda metade do século XIX. Você, muito provavelmente, já ouviu falar do 
Parque Nacional de Yellowstone, nos Estados Unidos. Saiba que sua criação data 
de 1872 e foi o primeiro parque nacional do mundo a ser criado. Duas décadas 
depois,	em	1896,	o	Brasil	cria	seu	primeiro	parque	estadual,	o	“Parque	da	Cidade”	
em São Paulo. Em 1937, surge a criação do Parque Nacional de Itatiaia e do 
Parque Nacional do Iguaçu, em 1939, também no Brasil. 
Todavia, essa preocupação com as questões ambientais não foram 
levadas em conta, uma vez que as atenções estavam voltadas ao crescimento 
e desenvolvimento econômico capitalista. Assim quando, em 1952, a cidade de 
Londres enfrentou uma de suas maiores crises ambientais, houve uma retomada 
das questões ambientais na Inglaterra (DIAS, 2004). Segundoo mesmo autor, 
nesta crise ambiental, o ar da cidade se tornou tão denso devido à poluição, que 
cerca de 1.600 pessoas morreram.
A imagem a seguir nos dá uma ideia da poluição atmosférica na cidade de 
Londres. Observe.
Figura 23 – Poluição atmosférica – Londres
Fonte: Disponível em: <http://www.abae.pt/programa/JRA/concursos/
concurso09/uploads/A1/image/Smog-3.bmp>. Acesso em: 16 set. 2009.
109
Histórico da Educação AmbientalCapítulo 4
Após este período, passou a ocorrer uma sensibilização com as questões 
ambientais e também com a qualidade de vida, sendo aprovada a lei do Ar Puro, 
pelo Parlamento Inglês, o que gerou vários questionamentos também em outros 
países, inclusive fazendo surgir, nos Estados Unidos, na década de 1960, os 
movimentos ambientalistas (estudaremos mais adiante). 
Como vimos no capítulo 2, a Revolução Industrial surgiu na 
Inglaterra.
Assim, os problemas ambientais passaram a ser enfatizados com 
mais frequência, e a humanidade começou a sentir as consequências do 
desenvolvimento econômico, principalmente durante a década de 1960, quando 
houve um grande aumento dos índices de poluição atmosférica, uma grande 
quantidade de rios envenenados, devido aos pesticidas e resíduos oriundos das 
grandes	 indústrias,	 como,	 por	 exemplo,	 o	 rio	 Tâmisa	 (Londres);	 o	 acentuado	
processo erosivo dos solos e perda da fertilidade da terra. Segundo Oliveira 
(2008), nessa época, a imprensa mundial começava a divulgar, com manchetes 
catastróficas,	os	danos	ambientais	que	estavam	se	consolidando.	
Esse contexto, para muitos, marca a história da educação ambiental, 
principalmente no início dos anos de 1960, com a publicação do livro Primavera 
silenciosa,	 de	 Rachel	 Carson	 (ver	 figura	 24).	 	 A	 autora	 denuncia	 a	 ação	
destruidora do homem em relação ao meio ambiente. Após o lançamento do 
livro, várias conferências e encontros foram realizados. Destacamos a já citada 
Conferência Intergovernamental sobre a EA, realizada em 1977, em Tbilisi 
(Geórgia), promovida pela UNESCO, em cooperação com o PNUMA, pois 
foi considerado um dos encontros mais importantes e decisivos para a EA, no 
mundo. Não se esqueça disso. 
Figura 24 - A jornalista e bióloga Rachel Carson e sua obra mais 
importante,	o	livro	“Primavera	Silenciosa”.	Fonte:	RUY,	R.	A.	V.	A	Educação	
Ambiental na Escola. Disponível em: <http://www.cdcc.usp.br/ciencia/
artigos/art_26/eduambiental.html>. Acesso em: 17 set. 2009.
110
Fundamentos da educação ambiental
No	final	dos	anos	1960	e	início	dos	anos	1970,	o	movimento	hippie manifesta-
se a favor da natureza. Em 1970, em virtude da poluição gerada e o alerta do 
esgotamento dos recursos naturais, esses fatos passaram a gerar preocupações 
aos governantes. De acordo com Guimarães (1995), na década de 1980, o termo 
“Educação	 Ambiental”	 popularizou-se	 definitivamente	 no	 mundo.	 Atualmente,	
tornou-se uma necessidade global.
Vimos, no capítulo 2, que o ser humano ao longo de seu processo evolutivo 
passou a se comportar de forma diferenciada, no que tange à sua relação com a 
natureza.	A	separação	entre	o	homem	e	a	natureza	reflete-se	em	toda	a	produção	
humana, em particular no conhecimento produzido por esse modelo de sociedade. 
Essa separação resultou numa postura antropocêntrica, sem considerar as 
relações de interdependência entre os elementos existentes no meio ambiente.
Tal postura de dominação da natureza pelo homem, segundo Guimarães 
(1995), faz parte da lógica do modelo de sociedade moderna, que apresenta como 
caminho o crescimento econômico baseado na extração ilimitada de recursos 
naturais, renováveis ou não, na acumulação contínua de capitais, na produção 
ampliada de bens, sem levar em conta as interações entre essas intervenções e 
o ambiente em que se realizam. Você concorda com o radicalismo do autor em 
relação ao modelo de sociedade moderna?
Neste contexto de dominação, apenas uma pequena parcela 
da população planetária tem acesso aos benefícios do crescimento 
econômico.
Essa dominação criou uma sociedade consumista de recursos, 
capitais e bens. Assim, passou a gerar profundas transformações 
nos seus espaços e uma intensa demanda de recursos naturais. 
Neste	contexto,	a	EA	emerge	com	enfoque	no	equilíbrio	dinâmico	do	
ambiente. Apresenta-se como uma dimensão do processo educativo, 
voltada para a participação de seus atores, educandos e educadores, 
na construção de um novo paradigma, que contemple as aspirações 
populares de melhor qualidade de vida socioeconômica e um mundo 
ambientalmente saudável (GUIMARÃES, 1995). 
Reflita	 sobre	 a	 fala	 de	 um	 ancião	 norte-americano,	 citada	
por Vandana Shiva, em sua obra Ecodesenvolvimento, em 1989. 
“Apenas quando você tiver cortado a última árvore, pescado 
o último peixe e poluído o último rio, vai descobrir que não se 
pode comer dinheiro.”
Neste contexto 
de dominação, 
apenas uma 
pequena parcela 
da população 
planetária tem 
acesso aos 
benefícios do 
crescimento 
econômico.
111
Histórico da Educação AmbientalCapítulo 4
Atividade de estudo:
Você se enquadra nesta sociedade consumista, da qual falávamos 
anteriormente? Propomos que faça uma lista de produtos que tenha 
comprado	no	decorrer	deste	ano.	Nesta	mesma	lista,	 identifique	os	
produtos que você realmente tinha necessidade de comprar. Após 
esta atividade, você terá a resposta à pergunta inicial.
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A EA tem o importante papel de fomentar a percepção da necessária 
integração do ser humano com o meio ambiente. Uma relação harmoniosa, 
consciente	do	equilíbrio	dinâmico	na	natureza,	possibilitando,	por	meio	de	novos	
caminhos, valores e atitudes, a inserção do educando e do educador como 
112
Fundamentos da educação ambiental
cidadãos no processo de transformação do atual quadro ambiental no nosso 
planeta. A EA é um meio de conscientizar os indivíduos dos problemas ambientais, 
visando a uma participação ativa dos mesmos. (GUIMARÃES, 1995).
Você sabia que, no Brasil, durante muito tempo, a EA foi confundida com 
Ecologia? Para Dias (1994), o equívoco consolidou-se a partir da desconsideração 
dos aspectos políticos, sociais e da preocupação restrita à ecologia, no que 
concerne a uma dada questão ambiental. Para você ter uma ideia, os cursos de 
treinamento, antes da décadade 1990, eram em sua maioria escassos e alguns 
professores	tinham	dificuldade	em	acessar	a	informações	sobre	a	EA.	(DIAS,	1994).	
Foi principalmente a partir da RIO-92 ou ECO-92, que a EA no Brasil ganhou 
um incentivo, ou seja, as instituições governamentais passaram a adotar, como 
prioridade,	o	investimento	no	treinamento	e	formação	de	profissionais	na	área	de	
Educação Ambiental (DIAS, 1994). Assim, houve uma forte demanda institucional 
no que concerne à elaboração de projetos na EA. 
A EA foi pela primeira vez citada na Constituição Brasileira em 1988 
(inciso VI do artigo 225, do capítulo VI do Meio Ambiente). Contudo, 
ela foi tratada apenas no capítulo de Meio Ambiente, dissociada de sua 
dimensão pedagógica, o que poderia induzir a uma percepção restrita, 
excluindo uma visão holística da EA (PEDRINI, 1997). Segundo este 
autor, a EA, foi formalmente referenciada no Brasil pela lei federal de nº 
6.938, sancionada em 31 de agosto de 1981, quando foi criada a Política 
Nacional do Meio Ambiente (PNMA). Esta lei foi um marco histórico na 
institucionalização de defesa da qualidade ambiental brasileira. Foi 
também criado o Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA), para 
possibilitar	organicidade	e	todas	as	instâncias	de	ação,	principalmente	
governamentais.
E,	 finalmente,	 em	 1999,	 foi	 instituída	 a	 Lei	 n°	 9.795,	 de	 27	 de	
abril, que dispõe sobre a EA no Brasil. A partir daí a EA, tanto pode 
ser	formal	(âmbito	escolar),	quanto	não	formal	(fora	do	âmbito	escolar).	
Esta	deve	ser	realizada	desde	a	infância	e	prosseguir	por	toda	a	vida	do	indivíduo.	
Assim, se fortalecerá a relação entre o indivíduo e o ambiente no qual está 
inserido,	desenvolvendo	valores	e	uma	 responsabilidade	ambiental	mais	eficaz,	
possibilitando uma ampliação mais qualitativa na transmissão de informações 
referentes às questões ambientais. 
Esta lei foi um 
marco histórico na 
institucionalização 
de defesa da 
qualidade ambiental 
brasileira. Foi 
também criado o 
Sistema Nacional 
do Meio Ambiente 
(SISNAMA), 
para possibilitar 
organicidade 
e todas as 
instâncias de ação, 
principalmente 
governamentais.
113
Histórico da Educação AmbientalCapítulo 4
Os	Movimentos	Ambientalistas
A década de 1980 marcou a popularização da questão ambiental; porém, o 
movimento ecológico, enquanto movimento social global, data da década de 1960 
e, ao que parece, não emergiu exclusivamente em virtude das questões ambientais.
De acordo com Brügger (1994), no caso brasileiro, o movimento ecológico 
emergiu na década de 1970, no contexto da ditadura militar. Segundo a mesma 
autora, os partidos de esquerda acreditavam que o subdesenvolvimento do Brasil 
se devia à ação imperialista, aliada à oligarquia latifundiária e que deveríamos 
lutar por uma revolução anti-imperialista, de caráter popular, com o apoio da 
burguesia nacional. 
Todavia, a burguesia nacional declarava que a pior poluição é 
a da miséria e se preparava para articular justamente o contrário. A 
burguesia queria atrair capitais estrangeiros para o país, sob o pretexto 
de que esses capitais gerariam um maior desenvolvimento econômico. 
Concomitantemente, cresce, mundialmente, a pressão em torno da 
questão ambiental. Assim, muitas instituições estrangeiras viam-se 
obrigadas a colocar exigências para a realização de investimentos em 
outros países; ou seja, sem preservação não há dinheiro (BRÜGGER,	
1994). Neste contexto, julga a mesma autora, antes que houvesse 
enraizado em território brasileiro um movimento ecológico, o Estado tratou de criar 
diversas instituições para gerir o meio ambiente, com o intuito de viabilizar a entrada 
de investimento. Assim, surgem no Brasil várias teorias e práticas ecológicas 
(divergentes	na	sua	origem),	formando	um	suposto	“movimento	ecológico”.
Como você pode perceber, o interesse inicial pelas questões ambientais, no 
Brasil, por parte do governo, é puramente econômico. 
Embora muitos movimentos ecológicos tenham emergido na década de 
1970, eles são muitas vezes associados aos movimentos de contracultura 
dos anos 1960. Tais movimentos estiveram radicalmente envolvidos na crítica 
das sociedades industriais e dos costumes racionalizados da vida moderna. 
Enfatizavam os limites do progresso com relação à exploração capitalista, tanto 
na exploração dos recursos naturais, como também, do trabalho humano. 
Os movimentos de contracultura correspondem aos movimentos 
dos	 pacifistas,	 hippies, feministas, punks, estudantis, beatniks 
(movimento socio-cultural dos anos 50 e princípios dos anos 60, que 
subscreveram um estilo de vida antimaterialista), entre outros.
A burguesia queria 
atrair capitais 
estrangeiros para 
o país, sob o 
pretexto de que 
esses capitais 
gerariam um maior 
desenvolvimento 
econômico. 
114
Fundamentos da educação ambiental
Assim, tanto o crescimento do consumo de matérias-primas, como da 
própria população humana, foram entendidos como desencadeadores de sérios 
problemas futuros às condições de vida no planeta. Esses discursos, divulgados 
amplamente pela contracultura ecológica, foram interpretados como promotores 
da ideia de uma catástrofe ambiental, sendo necessária uma mudança radical dos 
valores e atitudes, no que concerne ao estilo de vida e aos hábitos consumistas 
dos seres humanos. Uma tentativa de salvar o planeta. 
As obras Primavera Silenciosa (de Rachel Carson) e Antes 
que a natureza morra (de Jean Dorst) tornaram-se marcos da 
contracultura ecológica. Podemos citar ainda o Negócio é ser 
pequeno (E.F. Schumacher)
Podemos dizer que os movimentos ecológicos, ao surgirem associados a um 
conjunto amplo de outros movimentos contestatórios, inauguram, em relação aos 
discursos de proteção da natureza de épocas anteriores, uma disseminada crítica 
global à sociedade industrial e aos estilos de vida dela derivados. 
Atualmente,	em	virtude	da	ampliação	da	esfera	pública	e	política	
(através das lutas por direitos, em batalhas travadas, também, no 
campo jurídico) exige-se uma maior institucionalização dos movimentos 
nas chamadas Organizações Não-Governamentais (ONGs). Não 
podemos deixar de destacar, que o termo ONG, ao que parece, é 
utilizado na década de 1940, pela ONU, para designar diferentes 
entidades	executoras	de	projetos	humanitários	ou	de	interesse	público	
que, posteriormente, ganharam um papel consultivo em várias agências 
e fundos das Nações Unidas. 
No Brasil, a expressão ONG se referia, principalmente, às 
organizações de cooperação internacional, formada pelas igrejas 
católicas e protestantes (francesa, alemã, holandesa e inglesa). 
Essas organizações procuravam priorizar a ajuda às organizações 
e movimentos sociais nos países do sul, com o intuito de consolidar 
a democracia. É neste contexto que os centros de assessoria a 
movimentos sociais e populares na década de 1970, encontram nessas 
ONGs/agências	 internacionais	uma	 fonte	de	financiamento	para	suas	
atividades, focada na politização, conscientização e formação política. 
A	partir	do	final	da	década	de	1980,	essa	conjuntura	muda.	Momento	em	que	há	
uma verdadeira explosão das ONGs. O foco das atividades também começa a 
mudar, ou seja, já não estão mais comprometidas com os movimentos sociais. 
Não podemos 
deixar de destacar, 
que o termo ONG, 
ao que parece, 
é utilizado na 
década de 1940, 
pela ONU, para 
designar diferentes 
entidades 
executoras 
de projetos 
humanitários 
ou de interesse 
público que, 
posteriormente, 
ganharam um 
papel consultivo em 
várias agências e 
fundos das Nações 
Unidas.
115
Histórico da Educação AmbientalCapítulo 4
As	ONGs	passaram	a	atuar	em	nível	mundial.	O	número	de	ONGs	ambientais	
no Brasil é de aproximadamente 3.000. No que se refere às questões ambientais, 
dentre as várias ONGs destacamos: 
a) Greenpeace:ONG internacional de proteção ao meio ambiente, mantida por 
uma rede de sócios, que somam aproximadamente 3 milhões de pessoas. 
Esta organização desenvolve pesquisas, denuncia problemas ambientais, 
propõe alternativas de progresso que não ocasionam danos ecológicos, luta 
pela preservação de maneira direta, com protestos e manifestações.
b) Fundo Mundial para a Natureza (WWF): ONG internacional autônoma que 
desenvolve projetos de conservação dos recursos naturais em todas as 
regiões do Brasil, principalmente no Cerrado, na Amazônia e no Pantanal.
c) Fundação SOS Mata Atlântica, cujo objetivo é defender as áreas 
remanescentes	da	mata	atlântica	e	o	patrimônio	cultural	e	histórico	indígena.
d) Conselho Nacional de Defesa Ambiental (CNDA): ONG que estimula e 
apóia ações direcionadas à proteção de ecossistemas e da biodiversidade.
e) Instituto Socioambiental (ISA), cujo objetivo é propor soluções que integrem 
questões sociais e ambientais. 
Consideramos importante a leitura do artigo intitulado As 
ONGs: origens e (des) caminhos, da Drª Joana Coutinho, para 
você compreender a gênese e evolução das ONGs, bem como 
suas respectivas atuações. Acesse o site: http://www.pucsp.br/neils/
downloads/v13_14_joana.pdf
Atividade de estudo:
Você conhece alguma ONG? Na cidade onde você reside há a 
presença de ONGs? Propomos que você investigue e relate o 
trabalho desenvolvido por ela. Caso não exista em sua cidade, 
selecione uma ONG de seu interesse e pesquise sobre a atuação da 
mesma.
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116
Fundamentos da educação ambiental
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Importantes	Eventos	Realizados	
Sobre	o	Meio	Ambiente
 No capítulo 3, você estudou sobre a crise ambiental. Assim, diante da crise 
ambiental, surgiu a necessidade da elaboração de políticas e programas que 
abarcassem as preocupações com as questões ambientais. Para isso, foram 
promovidos vários eventos e acordos internacionais. Alguns desses eventos já 
comentamos anteriormente. Veremos agora os principais eventos internacionais 
relacionados ao meio ambiente.
a) Conferência de Estocolmo 
A Organização das Nações Unidas (ONU) realizou em 1972, em Estocolmo, na 
Suécia, o primeiro grande evento sobre Meio Ambiente Humano, com a participação 
de	 113	 países.	 O	 tema	 principal	 foi	 a	 importância	 de	 se	 estabelecer	 uma	 visão	
holística da realidade e princípios comuns, que servissem como orientação para a 
preservação e conservação do nosso planeta. O foco do evento foram os problemas 
ambientais ocasionados pelo uso excessivo dos recursos naturais.
Neste mesmo ano, porém, antes da Conferência de Estocolmo, segundo 
Pacheco (2009), uma entidade chamada Clube de Roma encomendou ao 
Massachussettes Institute of Tecnology (MIT), dos Estados Unidos, um estudo 
que	 ficou	 conhecido	 como	 Desenvolvimento	 Zero,	 o	 qual	 apontava	 que	 o	
congelamento	do	crescimento	econômico	seria	a	única	maneira	de	evitar	que	
o aumento dos impactos ambientais ocasionasse ao mundo uma tragédia 
ambiental. É claro que para os países subdesenvolvidos isso impediria o 
respectivo desenvolvimento econômico. 
O	Clube	de	Roma	 reúne	economistas,	 industriais,	 banqueiros,	
chefes de estado, líderes políticos e cientistas, de vários países, para 
analisar a situação mundial e apresentar previsões e soluções para o 
futuro, desde 1968.
117
Histórico da Educação AmbientalCapítulo 4
A Conferência foi marcada pela polêmica entre os que defendiam a 
implantação do Desenvolvimento Zero, na maioria representantes de países 
desenvolvidos, e do outro lado, representantes de países subdesenvolvidos, 
que defendiam o desenvolvimento econômico a qualquer preço. Dessa maneira, 
alguns membros dos países subdesenvolvidos acusavam os países desenvolvidos 
de impedirem o seu crescimento econômico, usando as políticas ambientais como 
forma de inibirem a sua capacidade de competir no mercado internacional.
Tente imaginar o que aconteceria com o meio ambiente se todos 
os países subdesenvolvidos e/ou grande parte deles atingissem um 
desenvolvimento econômico pleno. Teríamos um equilíbrio ambiental, 
afinal	 estes	 países	 teriam	 condições	 de	 investir	 em	 tecnologias	
limpas, ou teríamos um colapso ambiental?
Não podemos deixar de destacar que, nesta Conferência, foi criado o PNUMA 
(Programa	das	Nações	Unidas	para	o	Meio	Ambiente).	Também	foram	definidos	
26 princípios sobre as questões socioambientais, econômicas e políticas. 
Destacamos o princípio 19: 
[...] é indispensável um esforço para a educação em questões 
ambientais, dirigida tanto às gerações mais jovens como aos 
adultos e que preste a devida atenção ao setor da população 
menos privilegiado, para fundamentar as bases de uma opinião 
pública	 bem	 informada,	 e	 de	 uma	 conduta	 dos	 indivíduos,	
das empresas e das coletividades inspirada no sentido de 
sua responsabilidade sobre a proteção e melhoramento do 
meio ambiente em toda sua dimensão humana. É igualmente 
essencial que os meios de comunicação de massa evitem 
contribuir para a deterioração do meio ambiente humano e, 
ao contrário, difundam informação de caráter educativo sobre 
a	 necessidade	 de	 protegê-lo	 e	 melhorá-lo,	 a	 fim	 de	 que	 o	
homem possa desenvolver-se em todos os aspectos.
Para ter acesso a todos os princípios que compõem a 
declaração formulada na Conferência de Estocolmo, acesse o site: 
http://www.dhnet.org.br/direitos/sip/onu/doc/estoc72.htm
Será que, no Brasil, essa conferência gerou algum resultado positivo? Pense 
um pouco.
118
Fundamentos da educação ambiental
No Brasil, o resultado desta Conferência, segundo Oliveira (2008), foi a 
criação da Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA), sendo considerada, 
na visão de Dias (2004), o primeiro organismo brasileiro de ação nacional para a 
gestão integrada do ambiente. Para Oliveira (2008), a criação dessa secretaria foi 
pressionada pelo Banco Mundial e pelas instituições ambientais, e, como na época 
estava instaurada no país a ditadura militar, a SEMA era composta por apenas três 
funcionários e tinha tudo para não dar certo. Contudo, segundo o mesmo autor, o 
que ocorreu foi justamente o contrário, pois ela foi reconhecida internacionalmente 
e deixou grandes contribuições no que diz respeito à legislação ambiental. 
b) Conferência de Belgrado
Em 1975, foi realizada, em Belgrado, a Conferência Internacional sobre 
Educação Ambiental. Nesta, os objetivos para a EA já estavam explícitos, pois o 
princípio	básico	seria	a	atenção	com	o	meio	natural	e	artificial,	considerando	os	
fatores ecológicos, políticos, sociais culturais e estéticos. A EA deveria ser contínua, 
multidisciplinar, integrada às diferenças regionais, voltada para os interesses 
nacionais e centrada no questionamento sobre o tipo de desenvolvimento. A 
meta principal era a formação de uma consciência coletiva nos indivíduos, que se 
tornassem	capazes	de	discernir	sobre	a	importância	da	EA	na	preservação	do	ser	
humano e também estimular um comportamento cooperativo nos diferentes níveis 
territoriais (LIMA, 1984). 
O resultado dessa Conferência foi a elaboração da Carta de Belgrado. 
É importante destacar que, neste documento, questionam-se os avanços 
econômicos e os problemas socioambientais, assim como, a reivindicação do 
fim	da	pobreza,	da	miséria,	das	desigualdades	sociais.	Também	foram	definidos,	
nesta carta, seis objetivos para a EA. Vejamos quaissão eles: 
• Conscientização: contribuir para que os indivíduos e grupos sociais 
adquiram consciência e sensibilidade em relação ao ambiente como um todo 
e a problemas a ele relacionados. 
• Conhecimento: propiciar aos indivíduos e grupos sociais uma compreensão 
básica sobre o ambiente como um todo e os problemas a ele relacionados, e 
sobre a presença e o papel de uma humanidade criticamente responsável em 
relação a esse ambiente.
• Atitudes: possibilitar aos indivíduos e grupos sociais a aquisição de valores 
sociais, fortes vínculos afetivos com o ambiente e motivação para participar 
ativamente na sua proteção e melhoria.
• Habilidades: propiciar aos indivíduos e aos grupos sociais condições para 
adquirirem as habilidades necessárias à solução dos problemas ambientais.
119
Histórico da Educação AmbientalCapítulo 4
• Capacidade de avaliação: estimular os indivíduos e os grupos sociais 
a avaliarem as providências relativas ao ambiente e aos programas 
educativos, quanto aos fatores ecológicos, políticos, econômicos, estéticos e 
educacionais.
• Participação: contribuir com os indivíduos e grupos sociais, no sentido de 
desenvolverem senso de responsabilidade e de urgência com relação aos 
problemas ambientais, para assegurar a ação apropriada para solucioná-los. 
Indubitavelmente,	os	seis	objetivos	definidos	para	a	EA,	na	carta	de	Belgrado,	
são importantíssimos. Contudo, sabemos que atualmente estes objetivos, na 
maioria das vezes, não estão integrados uns aos outros; ou seja, nem todos são 
colocados em prática. 
Assim, destes seis objetivos, qual você consideraria como primordial? 
É difícil responder, pois todos estão interligados. 
 Leia o texto completo da Carta de Belgrado, acessando o site.
http://www.ufpa.br/npadc/gpeea/DocsEA/A%20Carta%20de%20
Belgrado.pdf
c) I Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental de Tbilisi 
A Unesco, em cooperação com o Programa das Nações Unidas 
para o Meio Ambiente (PNUMA), organizou a Primeira Conferência 
Intergovernamental em Educação Ambiental, em Tbilisi (Geórgia), 
no período de 14 a 26 de outubro de 1977. É considerado um dos 
principais eventos sobre a EA do Planeta. Inclusive os princípios 
tratados nessa conferência tornaram-se um referencial para a EA. Podemos 
dizer que esta Conferência constituiu-se como ponto de partida para precisar a 
natureza	 da	EA,	 definindo	 seus	 objetivos	 e	 suas	 características,	 bem	 como	 as	
estratégias pertinentes ao plano nacional e internacional da EA. Esta conferência 
foi um marco para a EA.
	 Em	 1980,	 a	 Unesco	 publicou	 “La	 Educacion	 Ambiental:	 las	 Grandes	
Orientaciones	de	La	Conferência	de	Tbilisi”,	 importante	fonte	de	pesquisas	para	
as ações a serem desenvolvidas em EA, com quarenta e uma recomendações, 
em	 que	 são	 citados:	 sua	 concepção,	 finalidades,	 objetivos	 e	 princípios.	 Essas	
recomendações (41) primam pela união internacional dos esforços para o 
A conferência de 
Tbilisi foi um marco 
para a EA.
120
Fundamentos da educação ambiental
bem comum, constituem um verdadeiro plano de ação, tendo a EA como fator 
primordial para que a riqueza e o desenvolvimento dos países sejam atingidos 
mais igualitariamente. (PEDRINI,1997). De acordo com o mesmo autor, essa 
Conferência	foi	a	culminância	de	um	movimento	ético	e	histórico	de	transformação	
do	pensamento	e	das	atitudes	do	homem	contemporâneo	diante	da	ameaça	de	
destruição do planeta.
 Vejamos um dos objetivos estabelecidos na recomendação nº 1, considerada 
fundamental para a Educação Ambiental:
[...] lograr que os indivíduos e a coletividade compreendam 
a natureza complexa do meio ambiente natural e do meio 
criado pelo homem, resultante da integração de seus aspectos 
biológicos, físicos, sociais, econômicos e culturais, e adquiram 
os conhecimentos, os valores, os comportamentos e as 
habilidades	práticas	para	participar	responsável	e	eficazmente	
da prevenção e solução dos problemas ambientais, e da gestão 
da questão da qualidade do meio ambiente. (CONFERÊNCIA 
DE TBILISI, UNESCO, 1980)
Ainda, de acordo com a recomendação nº, 1 o propósito fundamental da EA é:
também mostrar, com toda clareza, as interdependências 
econômicas, políticas e ecológicas do mundo moderno, no qual 
as decisões e comportamentos dos diversos países podem 
ter consequências de alcance internacional. Neste sentido, a 
educação ambiental deveria contribuir para o desenvolvimento 
de um espírito de responsabilidade e de solidariedade entre 
os países e as regiões, como fundamento de uma nova ordem 
internacional que garanta a conservação e a melhoria do meio 
ambiente. (CONFERÊNCIA DE TBILISI, UNESCO, 1980)
 
Confira	 todas	 as	 recomendações	 tratadas	 na	 Conferência	 de	
Tibilisi, no site: http://www.aipa.org.br/ea-trat2-tiblisi-parcial-1977.htm
Lembre-se de que esta conferência foi um dos mais importantes eventos 
internacionais em favor da EA realizados até então. Inspirada pela Carta de 
Belgrado, a conferência foi responsável pela elaboração de princípios, estratégias e 
ações orientadoras em EA, que são adotados até os dias atuais, em todo o mundo.
Essa	 conferência,	 na	 verdade,	 foi	 a	 culminância	 de	 um	movimento	 ético	 e	
histórico	de	transformação	do	pensamento	e	das	atitudes	do	homem	contemporâneo,	
frente às ameaças de destruição do planeta. Como vimos anteriormente, este 
movimento teve início nos anos de 1960, com a efervescência da mobilização de 
vários grupos pelos direitos humanos, entre eles, o ambientalista.
121
Histórico da Educação AmbientalCapítulo 4
Atividade de estudo:
Na sua opinião, em relação à recomendação nº1, correspondente ao 
propósito fundamental da EA, citado anteriormente, é possível uma 
nova ordem internacional que garanta a conservação e a melhoria do 
meio ambiente?
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d) II Conferência Mundial sobre Educação Ambiental de Moscou
Em 1987, a Unesco organizou em Moscou a II Conferência Mundial para tratar 
de EA. Nesta, foram também reforçados os princípios traçados na I Conferência 
de Tbilisi. Vejamos alguns dos princípios, de acordo com Guimarães (1995): 
• A	 EA	 resulta	 de	 uma	 dimensão	 do	 conteúdo	 e	 da	 prática	 da	 educação	
orientadora para a resolução dos problemas concretos, embasados pelo 
122
Fundamentos da educação ambiental
meio ambiente, graças ao enfoque interdisciplinar e a uma participação ativa 
responsável de cada indivíduo e da coletividade.
• Atualmente sabe-se quea chave dos problemas ambientais está atrelada 
aos fatores sociais, econômicos e culturais que os provocam e que não será 
possível preveni-los ou resolvê-los com meios exclusivamente tecnológicos. 
• A EA se concebe como um processo permanente, em que os indivíduos e a 
coletividade tomam consciência de seu meio e adquirem os conhecimentos, 
os valores, as competências, as experiências e, também, a vontade capaz de 
fazê-los atenuar individualmente e coletivamente, para resolver os problemas 
atuais e futuros do meio ambiente.
• Entre	os	elementos	que	contribuem	para	a	especificidade	da	EA,	talvez	o	mais	
importante seja o enfoque orientado para a solução de problemas concretos 
do meio ambiente humano.
Neste evento, chegou-se à conclusão de que a EA deveria preocupar-se com 
a promoção da conscientização e transmissão de informações, desenvolvimento 
de critérios e padrões, orientações para a resolução de problemas e tomada de 
decisões. A meta era apontar um plano de ação para a década de 90, considerando 
que houve um processo de conscientização gradual, principalmente após a 
conferência	de	Tbilisi,	no	âmbito	mundial	e	individual,	do	papel	da	educação	em	
compreender, prevenir e resolver problemas ambientais. 
e) Conferência da ONU sobre Meio ambiente e Desenvolvimento – RIO-92
O que você sabe sobre esta conferência? Certamente, já ouviu falar sobre 
ela,	afinal	de	contas,	ocorreu	em	território	nacional.	Conseguiu	esboçar	algumas	
informações? Então vejamos.
Em 1992 realizou-se, na cidade do Rio de Janeiro, a Conferência da ONU 
sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD), mais conhecida como Rio-
92 e/ou Eco-92. A Conferência foi a maior reunião de chefes de Estado já realizada 
na história da humanidade, com a presença de aproximadamente 172 governos, 
incluindo 108 chefes de Estado e de Governo, que procuravam buscar soluções 
para o desenvolvimento sustentável das populações mais carentes do planeta. 
Essa Conferência foi considerada a maior reunião internacional até então 
realizada pelas Nações Unidas. Um dos resultados desta Conferência foi a 
elaboração do Tratado de Educação Ambiental para as Sociedades Sustentáveis 
e	 Responsabilidade	 Global.	 Vejamos	 alguns	 dos	 princípios	 da	 EA	 definidos	
neste Tratado: 
123
Histórico da Educação AmbientalCapítulo 4
A educação é um direito de todos; somos todos aprendizes e 
educadores; a EA deve ter como base o pensamento crítico 
e inovador, em qualquer tempo ou lugar, em seus modos, 
formal, não formal e informal, promovendo a transformação 
e a construção da sociedade; a EA é individual e coletiva. 
Tem o propósito de formar cidadãos com consciência local e 
planetária, que respeitem a autodeterminação dos povos e a 
soberania das nações; a EA não é neutra, mas ideológica. É um 
ato político, baseado em valores para a transformação social; 
a EA deve envolver uma perspectiva holística, enfocando 
a relação entre o ser humano, a natureza e o universo de 
forma interdisciplinar; a EA deve estimular a solidariedade, a 
igualdade e o respeito aos direitos humanos, valendo-se de 
estratégias democráticas e interação entre as culturas.
Indicamos a leitura do Tratado de Educação Ambiental para 
as Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global. Para 
efetuá-la, uma das opções é acessar o site http://www.ufpa.br/
npadc/gpeea/DocsEA/TratadoEA.pdf 
Atividade de estudo:
Vimos	que	um	dos	princípios	da	EA,	definido	no	Tratado	de	Educação	
Ambiental para as Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade 
Global, é estimular a solidariedade, a igualdade e o respeito aos 
direitos humanos, valendo-se de estratégias democráticas e 
interação entre as culturas. Na sua opinião, para que isso realmente 
ocorra, que estratégias poderiam ser desenvolvidas? 
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124
Fundamentos da educação ambiental
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Também na Rio-92 iniciou-se o processo de criação da Carta da Terra, 
documento em permanente construção e que foi um marco ético para a Agenda 
21, igualmente fruto da conferência Rio-92. Vejamos um trecho da Carta da Terra.
Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, 
numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. 
À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente 
e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e 
grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer 
que	 no	 meio	 de	 uma	 magnífica	 diversidade	 de	 culturas	 e	
formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade 
terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para 
gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito 
pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça 
econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, 
é imperativo que, nós, os povos da Terra, declaremos nossa 
responsabilidade de uns para com os outros, com a grande 
comunidade da vida, e com as futuras gerações. 
Você lembra que o caderno de Responsabilidade Social também 
citou a Carta da Terra? Se quiser ler este documento na íntegra, 
acesse o site:
http://www.mma.gov.br/estruturas/agenda21/_arquivos/carta_terra.doc
125
Histórico da Educação AmbientalCapítulo 4
O objetivo da Rio-92 foi, também, aumentar os esforços no que concerne 
à aquisição de informações sobre o meio ambiente, capazes de promover 
a conscientização ambiental, além de possibilitar um treinamento maior de 
profissionais,	com	o	intuito	de	ampliar	as	informações	sobre	as	questões	ambientais.	
Durante a Rio-92, o governo federal promoveu um workshop, no 
qual foi aprovado um documento denominado Carta Brasileira para 
a Educação Ambiental. Uma das prioridades seria a implantação da 
EA	em	 todos	os	 níveis	 de	educação.	Reafirmando	o	 que	 falamos	no	
início do capítulo, a partir desta conferência a EA no Brasil ganhou 
incentivo, principalmente no que tange à formação e ao treinamento 
de	 profissionais	 na	 área	 de	 EA.	 A	 partir	 desse	 momento,	 	 houve	
um aumento considerável de teses de doutorado,dissertações de 
mestrado,	monografias	de	especialização,	livros	publicados	por	editoras	
de renome, e cresceu a procura por cursos de Educação Ambiental. 
Em 1994, por exemplo, o ministro do Meio Ambiente determinou 
ao IBAMA que elaborasse o primeiro Programa Nacional de Educação 
Ambiental – PRONEA. A primeira versão da proposta foi aperfeiçoada 
por alguns técnicos do MEC e da UNESCO. Em 1996, as diretrizes 
de operacionalização foram publicadas pelo IBAMA e já podem ser 
otimizadas. 
Conheça o texto da Carta Brasileira para a EA na íntegra. Basta 
acessar:
http://www.ambientebrasil.com.br/composer.php3?base=./educacao/
index.php3&conteudo=./educacao/artigos/carta_ea.html
f) Agenda 21 
É importante você conhecer a Agenda 21. É um programa de ação 
firmado	 na	Rio	 92.	A	Agenda	 21	 convoca	 os	 governos	 a	 adotarem	 estratégias	
nacionais para o desenvolvimento sustentável. Ela prevê ações que deverão ser 
implementadas tanto pelos governos, bem como pela sociedade civil, abarcando 
todas as esferas: federal, estadual e local. É constituída em 40 capítulos. Pode-se 
dizer que é a mais ousada e abrangente tentativa, já realizada, de promover, em 
escala planetária, um novo padrão de desenvolvimento econômico, conciliando 
métodos	de	proteção	ambiental,	justiça	social	e	eficiência	econômica.	Refere-se	a	
um documento consensual, que teve a contribuição dos governos e instituições da 
sociedade civil de 179 países participantes. Para você ter uma ideia, o processo 
A partir desse 
momento, houve 
um aumento 
considerável de 
teses de doutorado, 
dissertações 
de mestrado, 
monografias de 
especialização, 
livros publicados 
por editoras 
de renome, e 
cresceu a procura 
por cursos 
de Educação 
Ambiental.
126
Fundamentos da educação ambiental
preparatório do documento durou dois anos e culminou com a realização da 
Conferência Rio-92.
Seria interessante você fazer a leitura dos 40 capítulos, 
principalmente o capítulo 36, que faz uma abordagem da promoção 
do ensino, da conscientização e do treinamento da EA. Para isso, 
acesse o site do Ministério do Meio Ambiente:
http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=conteudo.monta&id 
Estrutura=18&idConteudo=575&idMenu=9065. 
Da Agenda 21, destacamos o capítulo 28. Ele estabelece que as 
autoridades de cada país implementem uma Agenda 21 Local, tendo como 
base de ação a construção, operacionalização e manutenção da infraestrutura 
econômica, social e ambiental local, estabelecendo políticas ambientais locais 
e prestando assistência na implementação política. 
A Agenda 21 Local é um instrumento de planejamento de 
políticas	 públicas	 que	 deve	 envolver	 tanto	 a	 sociedade	 civil	 como	
também o governo.
Destacamos ainda a Agenda 21 Brasileira, que é um processo e 
instrumento de planejamento participativo para o desenvolvimento sustentável, 
cujo eixo central é a sustentabilidade, compatibilizando a conservação ambiental, 
a justiça social e o crescimento econômico. O documento é o resultado da 
consulta realizada entre grande parte da população brasileira, e tem como base 
as diretrizes da Agenda 21 Global. 
Saiba mais sobre a Agenda 21 Local e a Agenda 21 Brasileira, 
acessando o site a seguir:
http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=conteudo.monta&id 
Estrutura=18&idConteudo=575&idMenu=9065
127
Histórico da Educação AmbientalCapítulo 4
Agora que você sabe da existência destes documentos, é importante fazer 
uma leitura completa dos mesmos, para assim ampliar seu conhecimento sobre 
a promoção e/ou implantação da EA no Brasil, bem como conhecer maneiras 
de desenvolver práticas educativas pautadas na solução e/ou amenização das 
questões ambientais. 
g) Conferência Internacional sobre ambiente e sociedade: educação e 
conscientização pública para a sustentabilidade 
 
Destacamos também a Conferência Internacional de Tessalônica. 
Esta foi realizada entre os dias 8 e 12 de dezembro de 1997, em 
Tessalônica, na Grécia, com representantes de organizações 
governamentais, intergovernamentais e não-governamentais (ONG) e 
sociedade civil, de mais de 83 países. A preparação para a Conferência 
de Tessalônica, em 1997, incentivou muitos encontros regionais, 
nacionais	e	internacionais,	em	países	como	a	Índia,	Tailândia,	Canadá,	
México,	Cuba,	Brasil	e	Grécia,	bem	como	na	região	do	Mediterrâneo.
Nesta	 conferência,	 foi	 reafirmada	 a	 importância	 da	 EA	 e	 a	
conscientização	pública	para	alcançar	os	objetivos	de	desenvolvimento	
sustentável.	 Foi	 também	 destacada	 a	 importância	 da	 educação	 em	
suas diferentes modalidades, como
[...] meio indispensável para dar a todos os homens e mulheres 
do mundo a capacidade para conduzir suas próprias vidas, 
exercitar suas opções pessoais, e a responsabilidade para 
viver	 uma	 vida	 sem	 fronteiras,	 sejam	 políticas,	 geográficas,	
culturais, religiosas, lingüísticas ou de gênero.
Reiterou-se, nesta conferencia, a necessidade de reorientar a educação para 
os valores da sustentabilidade, abarcando todos os níveis do ensino, assumindo 
que	 a	 sustentabilidade	 é	 “um	 imperativo	 moral	 e	 ético,	 que	 compreende	 meio	
ambiente,		população,	a	pobreza,	saúde,	segurança	alimentar,	democracia,	direitos	
humanos	e	paz”.	Sem	dúvida,	essa	 reorientação	educacional	é	necessária,	para	
que tenhamos resultados positivos com relação à sustentabilidade. Você concorda?
h) Conferência sobre o Desenvolvimento Sustentável - Rio+10
 
Trinta anos após a Conferência das nações Unidas sobre o Meio Ambiente 
Humano (desenvolvimento Humano), em Estocolmo, e dez anos após a Rio–
92, no Rio de Janeiro, acontece a Conferência Mundial sobre Desenvolvimento 
Sustentável. 
Finalizamos esta seção, apresentando alguns aspectos desta Conferência 
sobre o Desenvolvimento Sustentável, também chamada de Rio+10. A Rio+10 foi 
A preparação para 
a Conferência de 
Tessalônica, em 
1997, incentivou 
muitos encontros 
regionais, nacionais 
e internacionais, 
em países como 
a Índia, Tailândia, 
Canadá, México, 
Cuba, Brasil e 
Grécia, bem como 
na região do 
Mediterrâneo.
Saiba que no mundo 
temos uma população 
de aproximadamente 6,5 
bilhões de habitantes.
128
Fundamentos da educação ambiental
realizada entre 26 de agosto e 4 de setembro de 2002, em Joanesburgo, África do 
Sul.		Teve	como	objetivos	principais	o	fortalecimento	de	acordos	firmados	na	Rio	92,	
especialmente	a	Agenda	21.	Das	reuniões	oficiais	da	Cúpula	da	Terra,	resultaram	
dois documentos principais: uma declaração política, que expressa os compromissos 
e os rumos para implementação do desenvolvimento sustentável; e um plano de 
ação, que estabelece metas e ações de forma a orientar a implementação dos 
compromissos assumidos pelos países. Contudo, para muitos, o resultado deste 
encontro não foi satisfatório, pois, poucas foram as ações concretas para resgatar 
centenas de milhões de pessoas da fome, das epidemias e da falta de acesso a 
saneamento	básico	e	serviços	de	saúde.	Os	governos	concordaram	em	garantir,	
até 2015, a redução para a metade dos 1,2 bilhões de pessoas que, atualmente, 
não têm acesso a água potável e saneamento básico. Podemos dizer que esta 
conferência foi um retrocesso, se comparada com a Rio 92. Saiba que no mundo 
temos uma população de aproximadamente 6,5 bilhões de habitantes. 
Vimos que na Rio + 10 os governos concordaram em garantir 
até 2015 a redução para a metade dos 1,2 bilhões de pessoas que 
atualmente não têm acesso a água potável e saneamento básico.
Na sua opinião, essa redução realmente irá acontecer? Será 
que	até	2015	teremos	ainda	água	potável?	Reflita
Saiba	 mais	 sobre	 o	 plano	 de	 ação	 definido	 na	 Rio+10,	
acessando o site:
http://www.dec.feis.unesp.br/mauricio/joanesburgo.pdf
Fazendo uma análise de todos os eventos e/ou conferências já realizadas 
ao	longo	dosúltimos	50	anos,	gostaríamos	de	destacar	a	importância	que	esses	
eventos mundiais trouxeram para a tutela do meio ambiente e a EA, tanto no 
cenário internacional como para o Brasil, embora saibamos que muito precisa ser 
feito em prol do meio ambiente e a efetivação da EA. 
Em países, como a Inglaterra e os Estados Unidos, a EA não é considerada 
um tema novo. Na Inglaterra, por exemplo, há mais de 20 anos a EA vem 
ganhando	importância	nas	escolas	e	na	sociedade	em	geral.	Nos	Estados	Unidos,	
há mais de 25 anos o governo recomendou a implantação da EA nos planos de 
ensino e nos currículos escolares. 
129
Histórico da Educação AmbientalCapítulo 4
É importante que você busque leituras mais aprofundadas sobre 
esses eventos e/ou conferências, bem como os acordos ambientais 
firmados	até	o	presente	momento.	
Atividade de estudo:
Como atividade, propomos que você elabore uma linha do 
tempo,	 classificando	 o	 período	 de	 realização	 de	 cada	 evento	 e/ou	
conferencia,	 o	 que	 foi	 definido	 sobre	 as	 questões	 ambientais	 e	 a	
EA, bem como os resultados de cada evento. Tente fazê-lo de forma 
clara	e	simplificada.
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130
Fundamentos da educação ambiental
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Educação	Ambiental	e	
Sustentabilidade
Segundo	Paula	(2007),	sustentabilidade	significa	atender	às	necessidades	do	
presente, sem comprometer as possibilidades das futuras gerações de atenderem 
às	suas	próprias	necessidades.	Esta	é	uma	das	definições	de	sustentabilidade.	
Para ser sustentável, qualquer empreendimento humano deve ser ecologicamente 
correto, economicamente viável, socialmente justo e culturalmente aceito. 
Contudo, esses conceitos, infelizmente, ainda estão longe da prática cotidiana 
das pessoas e instituições. 
Vimos, no capítulo 2, que a responsabilidade socioambiental corresponde a 
um compromisso de empresas que atuam na vanguarda, atendendo à crescente 
conscientização da sociedade. Diz respeito à necessidade de revisar os modos 
de produção e padrões de consumo vigentes, de tal modo que o sucesso 
empresarial não seja alcançado a qualquer preço, mas ponderando-se os 
impactos	socioambientais	decorrentes	da	atuação	administrativa	de	cada	indústria	
e/ou empresa. A sustentabilidade vai além da responsabilidade socioambiental; 
ou seja, para ser sustentável, qualquer empreendimento humano deve ser, como 
já mencionamos anteriormente, ecologicamente correto, economicamente viável, 
socialmente justo e culturalmente aceito. Atingir essa sustentabilidade não é tão 
simples assim, pois toda sociedade precisa (re) educar suas ações, estabelecer 
limites de consumo, e isso envolve não só os consumidores, mas também as 
empresas, que devem desenvolver produtos ecologicamente corretos. Além disso, 
esse	fato	influencia	a	economia.	Algumas	empresas	perderão	muito	dinheiro	em	
nome da conservação ambiental.
	Sustentabilidade	não	significa	somente	reciclar	o	 lixo,	 	ou	 	simplesmente	
apoiar uma instituição não governamental (ONG). Refere-se a um processo 
cíclico de melhorias (sociais, culturais, econômicas, ambientais), e à elaboração 
e implantação de projetos de sustentabilidade ambiental, para que realmente 
seja possível a sustentabilidade sem sobrecarregar os recursos utilizados. 
Observe	a	figura.
131
Histórico da Educação AmbientalCapítulo 4
Figura 25 – Ciclo contínuo da sustentabilidade
Fonte: Disponível em: http://www.consultoriaambiental.com.br/Projetos-
De-Sustentabilidade-Ambiental.asp. Acesso em: 16 set 2009.
A	figura	mostra	a	sustentabilidade	como	um	ciclo	contínuo,	no	qual	precisamos	
considerar todos os fatores, sejam eles sociais, econômicos ou ecológicos. 
Com referência à realização de projetos de sustentabilidade, 
podemos	 exemplificar	 os	 projetos	 de	 compensação	 de	 créditos	 de	
carbono. Nestes projetos, comunidades e empreendimentos das mais 
diversas áreas podem neutralizar as suas emissões de carbono, através 
de negociações que levem ao estabelecimento de compensações para 
captação	desse	carbono	emitido.	Assim,	uma	indústria	que	tem	um	alto	
índice	 de	 emissões	 de	 carbono	 pode	 vender	 /“comprar	 créditos”	 de	
projetos sociais ou empresariais, que visem retirar esse carbono do 
ambiente,	como,	por	exemplo,	os	empreendimentos	de	reflorestamento.	
Para você ter uma ideia, em 2006, as transações envolvendo 
créditos de carbono atingiram US$ 25 bilhões, sendo que os principais 
negociadores foram países da Europa e o Japão (MARTINEZ, 2007). 
Para facilitar as transações, foi criada uma moeda, o crédito de carbono. 
Segundo Martinez (2007), uma tonelada métrica de CO2 (dióxido de 
carbono) equivale a um crédito de carbono, que pode ser negociado, no 
mercado internacional, como qualquer ação de uma empresa.
Talvez	 você	 tenha	 ficado	 confuso	 em	 relação	 à	 compensação	
de créditos de carbono. Não se preocupe, pois o Caderno de Gestão 
Ambiental trará informações detalhadas sobre este tema. 
Para facilitar 
as transações, 
foi criada uma 
moeda, o crédito 
de carbono. 
Segundo Martinez 
(2007), uma 
tonelada métrica 
de CO2 (dióxido de 
carbono) equivale 
a um crédito de 
carbono, que pode 
ser negociado, 
no mercado 
internacional, como 
qualquer ação de 
uma empresa.
132
Fundamentos da educação ambiental
Diante da problemática ambiental, podemos dizer que um dos princípios da 
EA é proporcionar a toda a sociedade a consciência de adotar comportamentos 
e atitudes ambientalmente adequados, possibilitando o desenvolvimento de 
estratégias que estejam voltadas para a construção de uma sociedade sustentável; 
ou seja, estabelecendo padrões que proporcionem uma melhor qualidade de vida. 
O Tratado de Educação Ambiental para as Sociedades Sustentáveis e 
Responsabilidade Global, assinado pelas ONGs em reunião paralela à Rio-92, 
sem	dúvida,	 foi	muito	 importante	na	valorização	da	Educação	Ambiental.	Neste	
tratado, de acordo com Guimarães (1995, p. 28):
a EA para uma sustentabilidade equitativa é um processo 
de aprendizagem permanente, baseado no respeito a todasas	 formas	 de	 vida.	 Tal	 educação	 afirma	 valores	 e	 ações	
que contribuem para a transformação humana e social e 
para a preservação ecológica. Ela estimula a formação de 
sociedades socialmente justas e ecologicamente equilibradas, 
que conservam entre si relações de interdependência e 
diversidade. Isso requer responsabilidade individual e coletiva 
em níveis local, nacional e planetária.
A	 reflexão	 sobre	 as	 práticas	 sociais,	 com	 relação	 à	 degradação	 dos	
ecossistemas,	 envolve	 uma	 articulação	 necessária	 da	 EA.	 Não	 há	 dúvida	
da	 importância	 da	 EA,	 como	 instrumento	 da	 adoção	 de	 práticas	 que	 visem	 à	
sustentabilidade ambiental e social. Será que é possível a sustentabilidade 
ambiental e social a nível global? Observe a charge. 
Figura – 26 - Degradação ambiental.
Fonte: Disponível em: <http://miriamsalles.info/
wp/?cat=63&paged=2>. Acesso em: 17 set. 2009.
133
Histórico da Educação AmbientalCapítulo 4
A que conclusão você chegou? Para que essa sustentabilidade ocorra, 
teríamos que oferecer uma EA mais adequada, melhor para todos, sem 
discriminações.	Deveríamos	pensar	em	todos	os	componentes	da	pirâmide	social,	
desde o topo até a base (AB’ SABER, 2005). Teríamos que pensar em todos os 
componentes da sociedade.
Assim, o papel da EA, além de proporcionar a conservação e a preservação 
do meio ambiente, é promover a integração saudável do ser humano com ele. 
Promover	 a	 sustentabilidade	 ambiental	 de	 maneira	 eficaz	 e	 urgente,	 levando	
em conta a atual gravidade ambiental. E, ainda, o papel da EA é fazer a 
interação socioambiental, não apenas na tentativa de salvar o planeta, mas de 
conscientização dos valores éticos. De acordo com Ab’Saber (2005), temos que 
pensar em todos os componentes socioambientais para promover uma EA vital.
Levando em conta o estilo de vida da sociedade atual, com valores e 
atitudes	consumistas,	é	possível	que	ocorra	a	sustentabilidade	ambiental?	Reflita.
Queremos chamar a atenção sobre o nosso papel no que tange à efetivação 
de	 uma	 EA	 eficaz	 e	 vital.	 Devemos	 nos	 questionar	 se	 nossas	 atitudes	 diárias	
contribuem para que tenhamos um planeta saudável. O que você tem feito para 
preservar e conservar os recursos naturais?
Atente para as charges abaixo.
Figura 27 - Sustentabilidade...?
Fonte: Disponível em: <http://arrastao.apostos.com/rico%20
sustentabilidade.jpg>.Acesso em: 17 set 2009.
Atividade de estudo: 
 
1) A que conclusões você chegou? O que estamos fazendo para 
salvar o nosso planeta?
134
Fundamentos da educação ambiental
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2)	 Como	 atividade	 final,	 propomos	 que	 liste	 suas	 atitudes	 e/ou	
hábitos que contribuem para a preservação e conservação do meio 
ambiente, assim como ações que não estão contribuindo. Depois, 
tente elaborar outra lista com o que você poderá fazer para contribuir, 
a	fim	de	conquistarmos	uma	qualidade	de	vida	socioambiental.	
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Algumas	Considerações
	Neste	capítulo,	vimos	várias	definições	sobre	a	EA.	Todas	elas	convergem		
para	a	promoção	de	uma	EA	qualitativa	e	eficaz,	a	fim	de	que	possamos	conservar	
e preservar o meio ambiente. Assim, a EA é uma educação crítica, transformadora 
de valores e atitudes, formadora da cidadania, criadora de uma nova ética, 
sensibilizadora	e	conscientizadora	da	importância	do	equilíbrio	entre	a	sociedade	
e a natureza. Estudamos também que o ponto de partida para precisar a natureza 
da EA, quanto a seus objetivos e características, bem como as estratégias 
pertinentes ao plano nacional e internacional, está relacionado com a Conferência 
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Histórico da Educação AmbientalCapítulo 4
de Tbilisi, realizada em 1977. Vimos que, diante da problemática ambiental, 
um dos princípios da EA é proporcionar a toda a sociedade a consciência de 
adotar comportamentos e atitudes ambientalmente adequados, possibilitando o 
desenvolvimento de estratégias que estejam voltadas para a construção de uma 
sociedade sustentável. 
Chegamos ao término do estudo do caderno de Fundamentos da 
Educação Ambiental, contudo, esperamos que seja apenas o início de uma 
busca constante por mais conhecimento a respeito dos temas abordados, 
principalmente no que concerne à EA. Indubitavelmente, a EA é um processo de 
aprendizagem permanente, baseado no respeito a todas as formas de vida. A EA 
deve	ser	 contínua,	 a	 fim	de	estimular	 a	 formação	de	 sociedades	mais	 justas	e	
ecologicamente equilibradas. Lembre-se de que você, a partir de agora, exerce 
um papel mais importante na sociedade, o de promotor da EA. Lembre-se de que 
educar para a EA é educar para a vida. 
Acesse o site do Ministério do Meio Ambiente e veja o acervo de 
vídeos produzidos que poderão dar suporte para trabalhar a EA:
h t t p : / / w w w. m m a . g o v. b r / s i t i o / i n d e x . p h p ? i d o = c o n t e u d o .
monta&idEstrutura=16&idConteudo=5321&idMenu=4728
Indicamos	a	 leitura	da	obra	“Educação	Ambiental:	Princípios 
e Práticas, do autor Genebaldo Freire Dias. Esta obra aborda 
informações básicas conceituais sobre a EA, faz um histórico de 
suas atividades pelo mundo, sugere mais de cem atividades para 
sua prática, bem como fornece subsídios para a ampliação dos 
conhecimentos sobre EA e expõe as diferentes formas legais de 
ação individual e comunitária que possibilitam um exercício de 
cidadania, visando uma melhor qualidade de vida. 
136
Fundamentos da educação ambiental
Referências
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Contemporâneas,	1994.		
UNESCO, 1980. Conferência de Tibilisi. Disponível em: http://www.aipa.org.br/
ea-trat2-tiblisi-parcial-1977.htm. Acesso em: 20 jul. 2009.
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2004. 
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Histórico da Educação AmbientalCapítulo 4
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