Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Ivanilda Barbosa
Faraídes Maria Sisconeto de Freitas 
Comunicação e linguagens: leitura 
e produção de textos na graduação
© 2016 by Universidade de Uberaba
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser 
reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, 
eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de 
sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, 
por escrito, da Universidade de Uberaba.
Universidade de Uberaba
Reitor 
Marcelo Palmério
Pró-Reitor de Educação a Distância
Fernando César Marra e Silva
Editoração
Produção de Materiais Didáticos
Capa
Toninho Cartoon
Edição
Universidade de Uberaba
Av. Nenê Sabino, 1801 – Bairro Universitário
Catalogação elaborada pelo Setor de Referência da Biblioteca Central UNIUBE
 Barbosa, Ivanilda. 
B234c Comunicação e linguagens: leitura e produção de textos na
 graduação / Ivanilda Barbosa, Faraídes Maria Sisconeto de Freitas. 
 – Uberaba: Universidade de Uberaba, 2016.
 160 p. : il.
 Programa de Educação a Distância – Universidade de Uberaba.
 ISBN 
 
 1. Comunicação. 2. Comunicação e educação. 3. Linguagem. 
 4. Leitura. I. Freitas, Faraídes Maria Sisconeto de. II. Universidade 
 de Uberaba. Programa de Educação a Distância. III. Título. 
 
 CDD 302.2
Faraídes Maria Sisconeto de Freitas 
Mestre em Educação pela Universidade de Uberaba – Uniube. 
Especialista em Linguística Aplicada e em Avaliação Educacional pela 
Universidade de Uberlân dia – UFU. Licenciada em Letras (Português/
Inglês) pela Uniube e em Pedago gia pela Faculdade de Educação 
Antônio A. Reis Neves. É docente da Uniube nos cursos de Direito, 
Engenharia, Letras e Pedagogia. Membro da equipe de Educação a 
Distância. 
Ivanilda Barbosa 
Mestre em Literatura Brasileira pela Universidade de Brasília 
– UnB. Especialista em Linguística Aplicada pela Universidade 
Federal de Uberlândia – UFU. Espe cialista em Literatura Brasileira 
Contemporânea pela Universidade Federal de Uberlândia – UFU. 
Licenciada em Letras (Português/Francês), pela Faculdade de 
Filosofia, Ciências e Letras “Santo Tomás de Aquino” – FISTA, de 
Uberaba. Consultora em projetos educacionais e em Educação a 
Distância. 
Sobre as autoras
Sumário
Apresentação .............................................................................................................VII
Capítulo 1 Comunicação e textos acadêmicos ..................................... 1
1.1 Comunicação verbal no contexto acadêmico ......................................................... 3
1.2 O texto acadêmico – uma definição ........................................................................ 8
1.3 Modos de organização dos textos acadêmicos orais e escritos ........................... 11
1.3.1 Textos orais – a entrevista e o debate ........................................................ 12
1.3.2 Textos escritos .............................................................................................. 16
1.3.3 Outras formas de registro de estudos ......................................................... 31
1.4 Leitura de um texto didático-científico ................................................................... 33
1.4.1 Procedimentos ............................................................................................. 33
Capítulo 2 Linguagem, trabalho e prática social ................................. 51
2.1 Formas da escrita no cotidiano das empresas e organizações ........................... 53
2.1.1 Linguagem e vínculo social .......................................................................... 53
2.1.2 Formas textuais e identidade do profissional e da organização ................. 57
2.1.3 Expressão verbal ........................................................................................ 58
Capítulo 3 Linguagem, sociedade e comunicação verbal .................. 75
3.1 Linguagem verbal e transformação social ............................................................ 77
3.2 Situações comunicativas e a diversidade de gêneros textuais ............................. 83
3.3 Comunicação verbal, competência profissional e produtividade .......................... 84
3.4 Em busca da comunicação eficaz ........................................................................ 92
3.5 As dimensões verbal e não verbal em um texto ................................................... 99
3.6 A expressão verbal na redação oficial, projetos e memoriais ............................ 104
3.6.1 A redação oficial ........................................................................................ 104
3.6.2 O projeto .................................................................................................... 108
3.6.3 O memorial descritivo ............................................................................... 108
Capítulo 4 Oralidade e escrita – leitura, interpretação e expressão .129
4.1 Os atos de falar e de escrever ............................................................................ 131
4.2 Fatores que interferem na ação comunicativa ................................................... 133
4.2.1 Conhecimento de mundo .......................................................................... 134
4.2.2 Informatividade .......................................................................................... 134
4.2.3 Intencionalidade e receptividade .............................................................. 136
4.3 Fatores que interagem na comunicação oral ...................................................... 137
4.4 A comunicação escrita – aspectos que contribuem para a legibilidade do texto
 escrito .................................................................................................................. 140
A liberdade, a autoconfiança, o desejo consistente e o olhar curioso 
movem as criaturas na grande aventura da comunicação por milênios 
e milênios. A interação humana vem se concretizando nas linguagens 
dos costumes, do mito, da arte, da ciência e do trabalho articuladas e 
diluídas por e entre tênues fios de gestos, sons, imagens e sentidos − eis 
a linguagem ou as linguagens humanas. Eis o homem em sua aventura. 
Seria, então, cada linguagem uma aventura? E o “que pode uma criatura 
se não, entre criaturas”, dizer e, nessa fala mesma − do contador e do 
poeta, do dançarino, músico e inventor, do grafiteiro, do místico, do 
filósofo e do cientista − protestar, dispersar, cantar e dançar, não dizer e 
ousar ouvir, ler e escrever?
 
“Cada ser humano é palavra inédita” − anuncia o antropólogo Juvenal 
Arduini. Ao mesmo tempo em que nela se irmanam as crenças, os 
saberes, os costu mes, a ação e a realização dos homens, dos povos, 
das sociedades, também se articulam o rígido e o fugidio, a esperança e 
a tirania, o medo e a solução, o dentro e o fora e a sintonia da revelação 
e da alegria do aprender, do construir e do conhecer o mundo, o outro e 
a si mesmo.
 
Como um atuante cidadão brasileiro em casa, na escola ou no trabalho, 
você usa da língua portuguesa ou da língua brasileira de sinais e se 
expressa cotidia namente como filho, irmão, amigo, colega ou profissional. 
Ao realizar um curso superior de graduação na Universidade de Uberaba, 
você está sendo convidado a aventurar -se pela linguagem que circula 
no mundo acadêmico.
 
Comunicação e linguagens – leitura e produção de textos na graduação 
constitui-se em um instrumental de uso diário que poderá auxiliá-lo a 
aprimorar sua comunicação oral e escrita em diferentessituações no 
circuito de sua vida acadêmica. Nele encontram-se quatro capítulos em 
Apresentação
VIII UNIUBE
que estão desenvolvidos os temas: comunicação e textos acadêmicos, 
linguagem, trabalho e prática social, a prática comunicacional no contexto 
das organizações e oralidade e escrita − leitura e interpretação de textos. 
Os conteúdos de cada capítulo abrangem uma introdução, os objetivos 
do es tudo, um esquema inicial que apresenta o desenvolvimento dos 
itens abordados, um texto contendo conceitos, exemplos, reflexões, 
questionamentos, links para leitura e pesquisa e, ainda, um breve 
resumo do conteúdo abordado, indicações de textos para ampliação do 
conhecimento e atividades de aprendizagem.
 
Nesse percurso, ficamos com você, acreditando na voz do poeta 
Drummond, em O lutador, que já nos dizia “lutar com palavras/ é a luta 
mais vã./ Entanto lutamos/ Mal rompe a manhã”. 
 As autoras
Ivanilda Barbosa
Introdução
Comunicação e textos 
acadêmicos
Capítulo
1
A leitura de textos científi cos, jornalísticos e literários, dentre 
outros, faz parte do cotidiano do universitário. A variedade de 
suportes, nos quais esses textos circulam hoje, propicia a cada 
um escolher o que melhor se adapta aos seus hábitos de leitura: 
a tela do computador, as páginas dos livros impressos, as revistas 
especializadas ou mesmo os jornais de circulação diária.
O certo é que, nesses suportes, os textos nos põem em contato 
com as informações sobre economia e política, com as discussões 
sobre as questões ambientais, invenções tecnológicas, os fatos e 
as fi cções que nos situam no dinâmico universo da sociedade em 
que vivemos. A leitura, portanto, faz parte da nossa agenda diária, 
enquanto nos sentimos motivados a aprender, a criar, a manter 
diálogos sobre os mais variados temas com as mais diversas 
pessoas.
Neste capítulo, apresentaremos alguns procedimentos adequados 
para a leitura de um texto didático e científi co. Também teremos a 
oportunidade de observar as formas de textos acadêmicos mais 
frequentes para se realizarem os registros dos estudos nos cursos 
de graduação.
O que pretendemos é proporcionar-lhe alguns instrumentos para 
que amplie seu conhecimento sobre as formas de organização 
e o uso adequado de textos acadêmicos, para o seu melhor 
desempenho nos estudos.
2 UNIUBE
Ao final deste capítulo, esperamos que você esteja apto a: 
• ampliar a noção de texto; 
• reconhecer a organização de textos acadêmicos orais e 
escritos; 
• diferenciar o modo de organização da entrevista e do debate; 
• identificar grupos distintos de textos acadêmicos escritos 
mais frequentes nos cursos de graduação; 
• realizar a leitura compreensiva de um texto didático-científico. 
Objetivos
Por isso, além de demonstrar os modos de se realizar a leitura 
de alguns dos gêneros textuais, vamos sugerir atividades para o 
exercício da leitura. Esperamos que os comentários dos textos 
apresentados neste capítulo possam lhe ser úteis, quando for 
expressar suas ideias e opiniões a partir dos estudos que realizar 
no seu curso de graduação.
1.1 Comunicação verbal no contexto acadêmico
1.2 O texto acadêmico – uma definição
1.3 Modos de organização dos textos acadêmicos orais e es critos
1.3.1 Textos orais – a entrevista e o debate
1.3.2 Textos escritos
1.3.3 Outras formas de registro de estudos
1.4 Leitura de um texto didático-científico
1.4.1 Procedimentos
Resumo
Atividades
Referências
Esquema
 UNIUBE 3
Para compreender o que é um texto acadêmico e como ele se organiza, 
seria interessante investigar o lugar que a palavra texto vem assumindo 
em nossa vida dentro e fora da escola. Desde que aprendemos a ler 
e a escrever, ouvimos diariamente as pessoas dizerem “leia o texto”, 
“escreva um texto”, “gostei de seu texto”, “foi publicado um texto no jornal 
sobre...”, “o texto constitucional garante...”. Ouvindo essas expressões, 
relacionamos texto a uma sequência articulada de palavras escritas que, 
em maior ou menor extensão, nos permite:
• obter informações; 
• expressar o que pensamos; 
• dizer do que ou de quem gostamos; 
• saber da física, da química, da biologia, das leis de uma sociedade, 
da política e dos costumes dos povos; 
• aprender a geografia e a história de um país; 
• conhecer o pensamento do colega, do cientista, do poeta.
Poderíamos enumerar uma infinidade de situações e de pessoas com as 
quais nos envolvemos por meio de um texto escrito. E o gesto, o desenho, 
a fala? É possível construir situações e relações humanas com os gestos, 
os desenhos e as falas, assim como fazemos com as palavras escritas? 
Basta-nos lembrar da língua de sinais, usada pelas pessoas surdas. Ela 
é de natureza visioespacial e se constitui em sistemas de línguas assim 
como os sistemas de língua portuguesa, inglesa, espanhola e outros.
 
Entre os povos que não adotaram a escrita como um recurso de 
comunicação e de trabalho existe texto? Como são passadas as 
tradições, os costumes, as normas de convivência em grupos sociais 
que não adotam a língua escrita?
 
À medida que essas questões são respondidas, a imagem de texto 
se diversifica, pois empregamos a palavra TEXTO para nomear as 
sequências: 
• de gestos nos rituais; 
Comunicação verbal no contexto acadêmico1.1
4 UNIUBE
• de linhas e de cores, em uma pintura; 
• de sons nos diálogos e nas músicas.
Assim, é comum ouvirmos: “esse texto fotográfico foi tirado da revista 
x”, “o texto em quadrinho era do Ziraldo...”, “o texto cinematográfico ...”. 
Então, perguntamos: 
O que há de comum entre uma fotografia, uma história em quadrinho, um 
filme, uma letra de música, um ritual indígena e uma sequência musical 
para que todos sejam denominados TEXTO?
Vamos refletir juntos. 
surgem de uma necessidade: a pessoa (o 
autor) quer se expressar para se relacionar 
com outra (ouvinte, leitor, expectador); 
trazem as marcas do seu autor e do seu 
destinatário; 
referem-se a uma situação; 
formam uma unidade de sentido, pois suas 
partes remetem umas às outras; 
mantêm relação com o mundo do autor e do 
destinatário; 
são produzidos com base em um código. 
Todos esses textos
O texto verbal é um espaço de diálogo, de interlocução. E, como todo 
diálogo, necessita de condições para sua existência. Entre essas condições 
se destacam a coesão e a coerência. Da coesão, depende a organização 
interna entre as partes do texto. Da coerência, depende o sentido histórico 
do texto, o seu conteúdo, que poderá ser ponto de partida e de chegada 
para o conhecimento de mundo. Portanto, um texto resulta das relações 
de coesão e de coerência que se juntam para constituir uma unidade 
de sentido.
SINTETIZANDO...
 UNIUBE 5
Interlocução: conversação entre duas ou mais pessoas. Todo aquele que 
produz um texto tem em mente uma pessoa a quem se dirige quando fala, 
escreve, gesticula, desenha, ou seja, o seu interlocutor.
Coesão: relações de sentido entre os componentes do texto.
Coerência: relações de sentido do texto com o mundo, isto é, com o 
contexto externo.
SAIBA MAIS
Sendo uma unidade de sentido, cada texto tem existência própria, 
embora se relacione com tantas outras unidades de sentido, isto é, 
outros textos, que o antecederam ou que dele poderão surgir.
 
Como você pode perceber, o ato de ler deve ser entendido em seu 
sentido mais amplo. Estamos continuamente lendo os textos que 
são produzidos no cotidiano do espaço cultural em que vivemos. 
Figura 1: Texto e unidade de sentido. 
O ato de ler pode ser definido como o momento em que o leitor se volta 
para compreender essa unidade de sentido que é o texto. 
Seria diferente ler um artigo de jornal ou um poema? Um romance ou um 
tratado científico? Se eles têm formas e finalidades diferentes, é possível 
que nós os leiamos de variadas maneiras.Mas quem determina as maneiras 
de ler um ou outro texto?
PARADA PARA REFLEXÃO
6 UNIUBE
Para responder a essas indagações, vamos ler dois textos. 
O lobo e o burro
Um burro estava comendo, quando viu um lobo escondido espiando tudo 
que ele fazia. Percebendo que estava em perigo, o burro imaginou um plano 
para salvar a sua pele.
Fingiu que era aleijado e saiu mancando com a maior dificuldade. Quando o 
lobo apareceu, o burro todo choroso contou que tinha pisado num espinho 
pontudo.
– Ai, ai, ai! Por favor, tire o espinho de minha pata! Se você não tirar, ele vai 
espetar sua garganta quando você me engolir.
O lobo não queria se engasgar na hora de comer seu almoço, por isso, 
quando o burro levantou a pata, ele começou a procurar o espinho com todo 
cuidado. Nesse momento, o burro deu o maior coice de sua vida e acabou 
com a alegria do lobo.
Enquanto o lobo se levantava todo dolorido, o burro galopava satisfeito para 
longe dali.
Moral: Cuidado com os favores inesperados.
Fonte: ABREU, 2000, p. 98. 
TEXTO 1
Esse é um gênero textual em que predomina o tipo narrativo, uma fábula. 
As fábulas apresentam questões complexas de uma forma simples e 
concisa. Algumas circulam há séculos, mas, em cada época em que são 
lidas, elas se renovam.
 
Observe, nessa fábula, as partes da narrativa simples: 
• uma situação inicial (a refeição de um burro); 
• uma mudança de situação (um lobo espiando); 
 UNIUBE 7
• o desenvolvimento (o plano para se salvar); 
• uma situação final (a atitude inesperada do burro).
O que garante a conexão entre as partes da narrativa são alguns 
elementos de coesão como: a pontuação, os tempos verbais (fingiu, 
saiu mancando, levan tava), expressões “quando”, “enquanto”. Estando 
articuladas e bem conectadas, a história vai progredindo, e as partes 
formam um texto único, um todo coeso.
 
Também podemos estabelecer a relação da situação vivenciada pelos 
dois per sonagens com as situações cotidianas, com os valores culturais 
e com os pontos de vista das pessoas de nosso convívio social; isto 
é, relacionarmos o contexto do texto com o conhecimento de mundo 
que temos, e aí, encontrarmos uma coerência na história narrada, 
embora saibamos que animais não falam. Ocorre que, em textos 
literários, essa coerência advém de um pacto do leitor com a criação, 
com a inventividade, com a imaginação do autor para representar, 
simbolicamente, situações da vida cotidiana dos seres humanos.
 
Vejamos um outro texto. 
O termo “Direito” 
Não é fácil perceber todas as significações encerradas no termo “Direito”, ou 
tirar desse termo o conteúdo que possa nos aproximar da compreensão do 
que seja a finalidade da ciência que pretendemos conhecer: direito, do latim 
directus, adj. − co locado em linha reta; direito, reto; certeiro; direto; preciso. 
O vocábulo ora significa: a) ordenamento ou norma − conjunto de normas ou 
sistema jurídico vigente num país: o Direito da Alemanha; b) autorização ou 
permissão de fazer o que a norma não proíba, ou o que a norma autorize, 
ou seja, certo poder de exigir ou dispor de uma ação: isso é direito meu; c) 
qualidade do que atende a um anseio de justiça e retidão, do que é justo 
e reto: isso não é direito; d) prerrogativa que alguém possui de exigir de 
outrem a prática ou abstenção de certos atos: defendo-me porque alguém 
põe em risco o meu direito; e) ciência de norma coercitivamente imposta 
(obrigatória): o Direito é a ciência normativa; f) conjunto de conhecimentos 
acerca dessa ciência: essa regra de Direito.
TEXTO 2
8 UNIUBE
Também pode significar um conjunto de conhecimentos englobantes, que 
se ocupa de uma série de disciplinas diferentes: “a filosofia do Direito, a 
sociologia do Direito, a história do Direito e a Jurisprudência (“dogmática 
jurídica”), para se referir somente às mais importantes.
(1) 
Fonte: NERY, 2002.
 
(1) LARENZ, 2012, p. 261.
Esse texto foi retirado de uma publicação dirigida a pessoas que se 
interessam por adquirir conhecimentos básicos sobre Direito. Lendo-o, 
podemos observar que o autor: 
• situa-se como alguém solidário ao leitor, quando usa as expressões 
"... nos aproximar ... pretendemos"; 
• fornece pistas para o leitor ampliar seu conhecimento acerca do 
assunto quando fundamenta suas explicações, recorrendo a outros 
autores; 
• usa termos técnicos: preocupa-se em traduzir, nos parênteses, 
cada palavra que possa impedir a compreensão do significado do 
termo Direito. 
O leitor se sente amparado pelo autor que parece compreender suas 
dificuldades de se relacionar com um assunto novo. Podemos afirmar 
que o objetivo do autor é didático, ou seja, facilitar a compreensão do 
significado do termo Direito.
 
Como você pode observar, cada um dos textos exige um tipo de leitura. 
Portanto, é o próprio texto que nos fornece o caminho para a leitura. 
Vamos prosseguir nossa reflexão, procurando compreender o que se 
denomina “texto acadêmico”. 
O texto acadêmico – uma definição1.2
Usando a linguagem verbal, os cidadãos produzem textos orais e 
escritos, conforme suas necessidades e as suas circunstâncias sociais e 
 UNIUBE 9
históricas. A produção dos textos orais é tão variada quanto variadas são 
as situações de encontros entre as pessoas. Mas, ainda assim, podemos 
identificar uma estrutura de base em todos os textos orais. É a estrutura 
do diálogo:
• há sempre a suposição de que uma pessoa se dirige a outra; 
• a fala pode ser mais espontânea ou mais formal, conforme a 
pessoa esteja mais ou menos à vontade na situação; 
• gestos, expressões faciais, complementam a fala; 
• as pessoas falam a mesma língua. 
Em geral, distinguimos dois tipos de diálogos: os informais (bate-papos) 
e as conversas dirigidas (entrevistas e debates).
 
A universidade é um espaço de pesquisa, 
de produção e de difusão de conhecimentos 
acumulados ao longo da história da humanidade. 
Se considerarmos as funções da escrita em dada 
sociedade, identificamos cinco grandes gêneros 
de texto: literário; comercial e oficial (incluindo 
nestes últimos os textos legal e jurídico); científico 
(e didático-científico); jornalístico e publicitário; 
religioso. 
Cada um deles pode se apresentar sob diferentes formas – variantes – 
que resultam de técnicas de redação escolhidas a partir dos objetivos do 
autor, nas diferentes situações em que se usa a escrita.
Observe o Quadro 1. 
Geralmente são os textos técnicos e científicos os mais indicados como 
referência para a ampliação das reflexões realizadas em sala de aula 
com colegas e professor ou para subsidiar a pesquisa e o conhecimento 
do que já se produziu sobre assuntos de interesse para a sua formação 
profissional, estejam esses textos nos livros, em revistas especializadas 
e em jornais im pressos ou on-line. 
Gêneros de texto
Os gêneros de 
textos surgem de 
uma prática social, 
uso da linguagem 
em determinadas
situações e para 
determinados fins.
10 UNIUBE
Quadro 1: Gêneros e variantes.
Gênero Objetivos Variantes do gênero
Grupo 1 Literário
Expressar-se 
artisticamente pela 
escrita.
poemas e narrativas 
(conto, romance, crônica, 
novela)
Grupo 2
Oficial (legal, 
jurídico) e 
comercial
Estabelecer comunicação 
formal e documentar em 
ambientes de trabalho
memorando, ofício, 
parecer, requerimento, 
leis, regimentos, 
correspondência 
comercial
Grupo 3
Científico 
(técnico e 
didático-
científico)
Comunicar corretamente 
fatos, fenômenos 
estudados e resultados 
de investigação científica
artigos, resenhas, 
relatórios, monografia, 
dissertação, resumo
Grupo 4 Jornalístico e publicitário
Divulgar informações, 
produtos e formar opinião
notícias, publicidades, 
reportagens, editoriais
Grupo 5 Religioso Difundir princípios religiosos; doutrinar
parábolas, sermões, 
evangélicos,cânticos
Fonte: Adaptado de SANTOS (2001, p. 33).
Ao mesmo tempo, você também é solicitado(a) a registrar o que ouve e 
lê, a dizer o que leu, a opinar sobre o assunto que pesquisou, de forma 
oral ou escrita. Ou seja: você também produz textos para apresentar ao 
professor e aos colegas em sala de aula, em eventos científicos ou para 
publicar em periódicos.
 
Na prática escolar, o debate, a entrevista, o artigo, a resenha, o 
resumo, o relatório, a monografia, o memorial e o portfólio são 
produzidos com a fina lidade específica de alimentar o processo de 
ensinar e de aprender.
 
A escola adota, então, alguns modelos de textos, adequando-os aos 
estudos que os alunos e os professores desenvolvem para a progressiva 
ampliação e troca de conhecimentos necessários à formação profissional. 
A esses textos estamos denominando textos acadêmicos. 
 UNIUBE 11
Textos acadêmicos: conjunto de textos com os quais lidamos, no dia a 
dia de nossos estudos na universidade, com o objetivo de ampliar nossos 
conhecimentos científicos sobre determinado assunto, ou que produzimos 
para registrar o estudo que realizamos.
EXPLICANDO MELHOR
1.3 Modos de organização dos textos acadêmicos orais e 
escritos
No contexto da universidade desenvolvemos um conjunto de ações que 
nos levam a memorizar, analisar, interpretar, compreender e produzir 
textos orais e escritos.
 
Para cada situação, procuramos recuperar o que já conhecemos 
e adequar a nossa fala e escrita, com o propósito de realizar mais 
competentemente os nossos estudos. Por exemplo, se o professor pede 
a você que participe de um debate, como já assistiu a debates entre 
candidatos a cargos políticos, entre especialistas em esportes, entre 
cientistas e educadores, faz uma ideia do que o professor espera de você 
enquanto debatedor. 
Da mesma forma, podemos pensar sobre uma entrevista, que pode 
ser instrumento de coleta de dados para uma pesquisa ou para a 
realização de uma matéria jornalística. Temos expe riência, conhecimento 
dos componentes de um debate ou de uma entrevista, pois são duas 
práticas de linguagem muito frequentes no nosso contexto social. Somos, 
também, capazes de contrapor uma carta familiar a uma correspondên cia 
oficial; de distinguir um artigo científico de uma reportagem. Quanto mais 
temos contato com essas formas de textos, mais fácil se torna reconhecê-
las e identificar o espaço delas no contexto social.
 
Afirmamos, no item anterior, que, na prática escolar, esses gêneros 
textuais são adequados ao exercício do ensinar e do aprender. Na 
escola, além de usarmos a linguagem para estabelecer os vínculos 
de cooperação e de interação, como em qualquer outro espaço da 
12 UNIUBE
sociedade, também simulamos situações de co municação como um 
recurso de aprendizagem. 
Assim, para nossa maior competência comunicativa, é interessante 
conhecer um pouco mais sobre a composição e finalidade dos textos 
acadêmicos. Preci samos aprender a adequar o que já sabemos fazer com 
os objetivos de nossos estudos. Ou, ainda, saber como usar o debate, 
a entrevista, a reportagem, o artigo científico para o desenvolvimento 
de habilidades que são esperadas dos profissionais que têm formação 
universitária. 
1.3.1 Textos orais – a entrevista e o debate 
1.3.1.1 Entrevista 
Você já foi entrevistado(a)? Já entrevistou alguém? Já assistiu a uma 
entrevista de algum grupo musical ou de uma equipe esportiva?
 
Certamente, em todas essas situações, reconhecemos dois papéis 
distintos, presentes em toda entrevista: o papel do entrevistador, que 
é o responsável por abrir o diálogo, fazer as perguntas, dar continuidade 
ao assunto, controlar os rumos da conversa e encerrar a entrevista; e o 
papel do entrevistado, que é o de responder às perguntas. 
A entrevista se organiza a partir de um esquema padrão:
• situação inicial: apresentação dos interlocutores e as razões da 
entrevista (INTRODUÇÃO);
• desenvolvimento do diálogo: sequência de perguntas, respostas 
e co mentários que estabelecem a relação entre um e outro ponto 
da conversa (DESENVOLVIMENTO);
• finalização da entrevista: palavras finais, despedidas, 
agradecimentos que nem sempre vêm transcritos quando a 
entrevista é publicada (FECHA MENTO). 
No entanto, é diferente a entrevista que o profissional da saúde faz com 
o pa ciente, que o repórter realiza com o político ou o gerente da empresa 
 UNIUBE 13
com o candidato a um emprego, o advogado com o seu cliente. Essa 
variação decorre dos propósitos das pessoas em cada situação. Em 
todas elas, as habilidades de comunicação oral do entrevistador e do 
entrevistado contribuem para o êxito da entrevista e, consequentemente, 
para o alcance dos objetivos. 
Vamos, aqui, fazer um exercício de busca para entender melhor a 
estrutura da entrevista. 
Sugerimos que encontre em jornais e revistas de circulação nacional, 
que são direcionados a um grande número de leitores, as sessões 
denominadas en trevistas. Um exemplo bem ao nosso alcance são 
as publicadas nas páginas amarelas da revista Veja. Ao realizá-las, o 
entrevistador e o entrevistado estão cientes de que a sua finalidade é 
ser divulgada na mídia impressa. Assim, a linguagem varia de um tom 
(registro de fala) mais formal a passagens bem informais. Esse pode 
ser um recurso para que o leitor se descontraia e con tinue a leitura. 
Experimente ler uma delas do começo ao fim, observando as partes do 
texto. 
Há programas na mídia televisiva que se sustentam no ar, há anos, e são 
cui dadosamente direcionados a um público mais restrito, por exemplo, 
o Roda Viva, cujo nome evoca a ideia de movimento, que é confirmada 
no cenário do programa: o entrevistado ao centro, os entrevistadores em 
volta e, à medida que é cedida a palavra a um e a outro entrevistador, 
o entrevistado se volta para um ou outro lado, movimentando a cadeira 
giratória. 
Poderíamos enumerar aqui tantos outros, mas vamos ficar com mais 
duas possibilidades de você buscar o material de seu estudo: um convite 
é para que você assista ao programa Sala de Leitura, na TV Cultura. 
Semanal mente, um escritor é entrevistado. Além de ver uma variação 
no modo de entrevistar, você poderá conhecer ensaístas, romancistas e 
poetas brasilei ros. E o outro é para que busque, na Internet, entrevistas 
com educadores de expressão nacional. 
14 UNIUBE
Entrevista: pode ser definida como uma situação comunicativa em que 
estão envolvidos o entrevistador e o entrevistado e que:
a) se organiza com base na apresentação dos motivos, na sequência de 
perguntas e respostas, no fechamento;
b) se apresenta em estilos diferentes: entrevista jornalística, médica, 
empresarial, científica;
c) deve ser adequada ao suporte (meio utilizado para sua divulgação), 
conforme o público que se quer alcançar: ao vivo, transmitida pela TV e 
rádio; publicada, em periódicos impressos ou on-line;
d) é realizada com finalidades diversas: selecionar candidatos; conhecer 
o paciente ou dar um diagnóstico; esclarecer a população sobre 
determinado assunto; divulgar conhecimentos científicos; colher dados 
para pesquisa.
SINTETIZANDO...
1.3.1.2 Debate 
Quem participa de um debate usa argumentos para defender um ponto 
de vista sobre determinado assunto e quer levar o seu interlocutor e o 
público ouvinte a pensar, persuadir como ele; ou, pelo menos, a conhecer 
as razões que o levam a pensar daquela maneira sobre o tema em 
questão. No meio acadêmico, o debate con tribui para a ampliação das 
reflexões e para a divulgação dos conhecimentos.
 
A realização de um debate, no espaço acadêmico, requer: 
• uma definição dos objetivos: para quê? Qual a finalidade do 
debate?
• o estabelecimento de normas: os debatedores devem conhecer 
as regras estabelecidas e concordar com elas. Essas normas 
definem, por exemplo, o tempo para a exposição, para aformulação 
de perguntas e de respostas; 
 UNIUBE 15
• a presença do moderador: aquele que coordena o debate e é o 
responsável por garantir a progressão das ideias acerca do tema 
apresentado. No espaço da sala de aula, essa função normalmente 
é exercida pelo profes sor. Entretanto, nada impede que seja 
desempenhada por um aluno; 
• a presença dos debatedores: eles podem se servir de 
documentos, anotações para fundamentar o seu ponto de vista ou 
para comprovar suas afirmações. 
O debate é uma situação de comunicação motivada pela necessidade 
de escla recimento sobre temas polêmicos, pela existência de novas 
descobertas cien tíficas e pelo interesse em buscar soluções para 
questões sociais, econômicas e políticas.
 
As novas tecnologias proporcionam formas inovadoras de debate. 
São cada vez mais frequentes os debates on-line por meio de listas e 
de fóruns de discus são. Assim como os estudantes e os professores 
se reúnem em um auditório ou na sala de aula para exporem ideias, 
confrontarem opiniões sobre um assunto de interesse de todos, a mídia 
eletrônica proporciona a criação de espaços virtuais em que o debate 
se desenvolve com grande potencial de reflexão sobre os mais variados 
temas.
O esquema de base do debate é sempre o mesmo: pessoas se reúnem 
para apresentar suas razões a favor ou contra uma ideia ou acontecimento. 
Porém, as suas formas variam em decorrência dos propósitos, dos espaços 
sociais dos meios de comunicação em que o debate ocorre. No contexto 
universitário, a situação de debate pode ser vivenciada em seminários, aula 
dialogada e mesa redonda.
SINTETIZANDO...
Você já deve ter vivenciado alguma situação de comunicação em sua vida 
acadêmica. Certamente já percebeu que se trata de um momento importante 
para partilhar ideias, para interagir com colegas e com professores.
REFLETINDO...
16 UNIUBE
1.3.2 Textos escritos
Vamos mostrar aqui a organização de alguns gêneros científicos e 
didático -científicos mais frequentes tanto para a leitura como para a 
redação de trabalhos que desenvolvemos na universidade. 
Os textos científicos resultam da necessidade de se difundirem as 
investi gações no âmbito das ciências. A comunidade científica, por meio 
de agre miações, academias ou sociedades, define os critérios para o 
reconhecimento e a validação de resultados de estudos e de pesquisas 
nas variadas áreas do conhecimento. Embora um tratado de Direito e 
um tratado de Genética ou de Linguística pareçam distintos entre si, para 
que eles tenham crédito e possam ser divulgados como conhecimento 
científico, eles passam por uma avaliação da comunidade científica.
 
As universidades, no mundo todo, têm sido um lugar privilegiado para a 
produção, validação e certificação do conhecimento. Outro compromisso 
da comunidade acadêmica é o de difundir o conhecimento científico. 
Com essa finalidade, são criados os periódicos especializados e os 
livros didáticos. O intuito é torná-lo mais acessível para os pesquisadores 
iniciantes. Colaboram para essa prática algumas formas de textos que 
se tornaram recorrentes no desenvolvimento dos estudos no espaço da 
universidade.
 
A seguir, serão apresentados alguns deles. 
Se considerarmos a organização e as finalidades, podemos identificar 
três gru pos distintos entre as formas de textos acadêmicos mais utilizados 
nos cursos de graduação.
1.3.2.1 Primeiro grupo: relatório, relato de experiência e informe 
	 científico
Textos que têm por objetivo relatar o que se desenvolveu em uma 
pesquisa ou o que foi observado durante um período de estudo. 
Todos têm sua origem em um trabalho já realizado. São considerados 
documentos de grande importância para o desenvolvimento de uma 
pesquisa, para a gestão de recursos humanos e para a destinação de 
 UNIUBE 17
recursos financeiros, seja no meio acadêmico, seja no setor público ou 
empresarial. Embora apresentem algumas variações, são organizados 
de forma muito semelhante. 
Verifique os esquemas no quadro a seguir.
 
Quadro 2: Relatório de pesquisa.
Relatório de Pesquisa
Introdução
Apresentação do tema da pesquisa, de sua importância 
científica, social e cultural: como o assunto foi 
problematizado, os objetivos do pesquisador.
D
es
en
vo
lv
im
en
to
Referencial 
teórico
Apresentação das teorias nas quais se sustentaram 
as reflexões desenvolvidas, discutindo o tratamento 
científico que já havia sido dado ao tema.
Metodologia
Descrição detalhada dos instrumentos, métodos e 
procedimentos utilizados para coleta e seleção do 
material (ou corpus) a ser estudado e do processo de 
tratamento dos dados obtidos.
Apresentação dos 
resultados
Exposição dos resultados obtidos, ordenados conforme 
os objetivos da pesquisa.
Análise dos 
resultados
Exame e interpretação dos dados, relacionando os ao 
referencial teórico de forma a levar à aceitação ou a 
refutar as hipóteses estabelecidas.
Conclusão
Breve retomada dos aspectos desenvolvidos em cada um 
dos itens anteriores, comparando os resultados obtidos 
aos objetivos que nortearam a pesquisa. Apresentação 
de sugestões ou de recomendações, sobretudo quando 
a pesquisa tem por objetivo a resposta imediata a uma 
situação problema. Sugestões e/ou recomendações 
são necessárias quando a pesquisa realizada visa à 
solução de um problema concreto ou à resposta a uma 
necessidade imediata.
 
Vejamos um exemplo de um relatório final de subprojeto, elaborado 
pelo professor André Luís Teixeira Fernandes (2002).
Ministério da Agricultura e Abastecimento
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
EXEMPLIFICANDO!
18 UNIUBE
PROGRAMA NACIONAL DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DE CAFÉ
Relatório Final de Subprojeto
Código: 19.2000.304.04 Unidade/Instituição Executora: Uniube
Título: Avaliação da fertirrigação com diferentes fontes de fertilizantes 
químicos e orgânicos na nutrição do cafeeiro cultivado em condições de 
cerrado
Período: 2001 a 2004 Ano de Relatório: 2002
Responsável: André Luís Teixeira 
Fernandes
Situação: em 
andamento
Categoria: 
P&D
Data de Elaboração: 20/02/2002
Unidades/Instituições Participantes
Unidade Participação
Universidade de Uberaba / Instituto de 
Ciências e Tecnologia do Ambiente Execução
Ministério da Agricultura / Procafé Apoio técnico
CACCER (Conselho das Cooperativas de 
Cafeicultores do Cerrado). Apoio técnico
Resumo final
Com a ampliação da cafeicultura para regiões consideradas marginais 
climaticamente, a irrigação passou a ser uma tecnologia necessária para a 
garantia da qualidade e produtividade do cafeeiro. Muitos são os sistemas 
utilizados para irrigação de café, porém, têm-se destacado aqueles que 
permitem a economia de água, energia e mão de obra, como o gotejamento. 
No entanto, uma das principais vantagens desse sistema e que não está 
sendo corretamente utilizada pelos cafeicultores irrigantes é a fertirrigação, 
que se constitui na técnica da aplicação simultânea de água e fertilizantes, 
por meio do sistema de irrigação. Dentro dessa perspectiva, foi instalado 
um experimento na Fazenda Escola da Universidade de Uberaba (Uberaba 
MG), em Latossolo Vermelho amarelo textura arenosa, a 850 metros de 
 UNIUBE 19
altitude, em lavoura de café Catuaí 144, plantado em dezembro de 1998 
no espaçamento de 4,0 x 0,5m, e irrigada por gotejamento. Antes do 
início do experimento, procedeu-se a avaliação do sistema de irrigação, 
para determinação de sua uniformidade de aplicação. Esse procedimento 
se repetiu após a colheita da primeira safra, sendo obtidos coeficientes 
de uniformidade superiores a 90% para todos os tratamentos, o que 
permite concluir que o sistema opera de forma extremamente satisfatória, 
especialmente para a prática da fertirrigação. Os tratamentos se referiram às 
variações na forma e parcelamentoda adubação recomendada de cobertura, 
da seguinte forma: a) Adubação de cobertura convencional química em 
quatro aplicações; b) Adubação de cobertura com adubos convencionais, 
via fertirrigação em 16 aplicações, via água de irrigação; c) Adubação de 
cobertura com adubos próprios para fertirrigação em 16 aplicações, via água 
de irrigação; d) Adubação de cobertura com fertilizantes organominerais 
sólidos, em quatro aplicações; e) Adubação de cobertura com fertilizantes 
organominerais líquidos em 16 aplicações, via fertirrigação. Para efeito de 
comparação, foram mantidas para os diferentes tratamentos as mesmas 
dosagens de N, K2O e P2O5. O delineamento experimental utilizado foi 
inteiramente ao acaso, com cinco tratamen tos e três repetições, totalizando 
15 parcelas experimentais de 100m. O controle da irrigação foi realizado 
a partir de uma estação agrometeorológica automática, que possibilitou 
a estimativa da evapotranspiração da cultura pelo Método de Penman 
Monteith, segundo recomendações da FAO. Analisando-se os dados, 
obtidos após as duas primeiras safras, observa-se que não foram verificadas 
grandes diferenças estatísticas entre os tratamentos, com produtividades de 
53,2 até 67,7 sacas bene ficiadas por hectare. O tratamento que se baseou 
na aplicação de fontes químicas de nutrientes aplicados diretamente no solo 
foi superior aos demais. Após a análise sensorial, o melhor tratamento em 
relação à qualidade de bebida foi a fertilização com produtos organominerais 
via água de irrigação, que resultou em bebida apenas mole. O restante dos 
tratamentos forneceu café com bebida dura, notando-se, no geral, grande 
quantidade de frutos verde sem todas as amostras (valores superiores 
a 40%), característica de áreas irrigadas de café. Em relação à peneira, 
verificou-se uma porcentagem mínima de 65% de peneira 16 ou acima, 
sendo o melhor trata mento nesse quesito o referente à aplicação de produtos 
químicos via adubação convencional, com a porcentagem de 85% de 
peneira 16 ou acima. Em linhas gerais, após duas safras, pode-se concluir 
20 UNIUBE
preliminarmente que: a) a fonte de fertilizante não afeta significativamente a 
produção do cafeeiro, desde que este seja bem suprido de água e nutrientes; 
b) a irrigação promove desuniformidade de colheita, o que afeta a qualidade 
final da bebida, apesar de garantir a produtividade da lavoura mesmo em 
anos subsequentes; c) em geral, a fonte de fertilizante e o número de 
parcelamentos não afetou a qualidade final do café colhido.
Exemplo de um relato de experiência
Título (subtítulo) A Saúde da Família no curso de Odontologia da UEPG
Autor(es) Crédito 
do(s) autor(es)
Profa. Cristina Berger Fadel; Profa. Márcia Helena Baldani 
Pinto
Resumo
São apresentadas as atividades desenvolvidas pela 
disciplina de Odontologia Social do curso de Odontologia da 
Universidade Estadual de Ponta Grossa, Paraná. Esta tem 
por objetivo a qualificação do acadêmico de Odontologia 
para atuar em gestão e planejamento em serviços de 
saúde pública, mais especificamente dentro do contexto 
do Programa de Saúde da Família. No campo do ensino-
aprendizagem, o conteúdo trabalhado pela disciplina 
visa a dar mais ênfase a conhecimentos epidemiológicos 
sobre os agravos em saúde bucal, metodologias para o 
trabalho comunitário, princípios da promoção de saúde, 
desigualdades sociais e suas repercussões em saúde e 
habilidades clínicas contextualizadas na saúde da família. A 
disciplina é curricular, ministrada no último ano da graduação, 
e o enfoque prático do Programa de Saúde da Família tem 
sido incorporado buscando a atuação nas comunidades 
mais carentes do município. Essa experiência educacional, 
apesar de recente, tem alcançado importantes resultados 
na quebra de paradigmas institucionais, buscando uma 
estratégia de mudança na formação de recursos humanos 
para a área de saúde.
Introdução Apresentação do assunto, problematização, objetivos.
Corpo do Relatório Metodologias e materiais, análise e interpretação de dados, apresentação de resultados
Conclusão
Breve retomada dos itens contidos no corpo do relatório, 
comparação dos dados obtidos com os objetivos da pesquisa, 
sugestões e encaminhamentos possíveis.
Referências Indicadas conforme normas da ABNT.
Fonte: FADEL; PINTO, 2013, p. 23.
EXEMPLIFICANDO!
 UNIUBE 21
1.3.2.2	Segundo	grupo:	comunicação,	paper,	artigo	científico	e	
monografia	
Textos geralmente elaborados para publicação em periódicos 
especializados ou em anais de eventos científicos. Têm por objetivo 
apresentar e avaliar as novida des em pesquisas ou refletir sobre fatos 
de relevância científica e cultural. São eles: a comunicação científica 
(paper), o artigo científico e a monografia. Estes se apresentam como 
um texto integral, organizados em introdução, desenvolvimento (corpo) 
e conclusão. Os dois primeiros, de extensão reduzida; a monografia tem 
o seu desenvolvimento subdividido em partes ou capítulos. Verifique os 
quadros seguintes. 
Quadro 3: Comunicação científica (paper).
Comunicação científica (paper)
Título (subtítulo)
Estes itens são exigidos para fins de publicação 
e/ou envio para apresentação em eventos 
científicos.
Autor(es)
Credenciais do(s) 
autor(es)
Sinopse
Texto Sem subdivisões, embora seja organizado em introdução, desenvolvimento e conclusão.
Referências
Indicação de textos usados como fontes de 
informação e/ou confirmação dos aspectos 
estudados, apresentadas conforme normas da 
ABNT.
 
Quadro 4: Artigo científico
Artigo científico
Título (subtítulo)
Estes itens são exigidos para fins de publicação 
e/ou envio para apresentação em eventos 
científicos.
Autor(es)
Créditos do(s) 
autor(es)
Resumo (do artigo)
Introdução Apresentação, delimitação do assunto e objetivos do estudo.
22 UNIUBE
O corpo do artigo Com subtítulos, porém não constituem capítulos.
Conclusão
Considerações finais, relacionando os dados 
obtidos ou reflexões realizadas sobre a questão 
levantada e possíveis encaminhamentos.
Referências
Indicação de textos, documentos e outras fontes 
utilizadas na confecção do artigo, apresentados 
conforme normas da ABNT.
 
1.3.2.3 Terceiro grupo: resumo, resenha e portfólio 
O resumo e a resenha têm origem em outros textos, pois a finalidade 
deles é apresentar obras já prontas, sejam elas jornalísticas, artísticas 
ou científicas. 
Esses textos requerem de seu autor habilidades de observação e de 
análise, em um nível mais complexo, exigem também consistentes 
conhecimentos sobre o assunto tra tado na obra, pois é preciso identificar 
o pensamento do autor, saber traduzi-lo e, no caso da resenha, saber 
situar a obra e o pensamento do autor, comparando-os com outras obras 
para emitir um julgamento sobre ela.
 
A organização textual da resenha e do resumo varia em decorrência:
• do gênero da obra que lhes dá origem; 
• dos objetivos com que são produzidos e; 
• do suporte para sua publicação. 
Resumo: apresenta dimensões menores do que as do texto que lhe dá 
origem. Sua finalidade é traduzir, em menos palavras, o pensamento 
do autor, preser vando suas intenções e realçando os pontos para os 
quais ele dispensou maior atenção. Um mesmo texto pode originar vários 
resumos, pois cada pessoa considera relevantes os aspectos que estão 
relacionados ao motivo pelo qual está lendo a obra. 
 UNIUBE 23
Exemplos de resumos de comunicação científica
Título As publicações eletrônicas dentro da comunicação científica
Autoria
Marcelo Sabbatini
Instituição: UMESP
Resumo / texto
1ª parte:
situa o tema
O presente trabalho caracteriza e descreve o 
surgimento das publicações eletrônicas científicas na 
Internet, traçando o histórico de seu desenvolvimento 
e abordando também as principais questões 
envolvidas na transição do modelo de publicaçãobaseado no papel para o modelo eletrônico... IN
TR
O
D
U
Ç
Ã
O
2ª parte:
destaca as 
questões da 
transição entre 
os modelos de 
publicação
...dentre as quais se destacam as questões dos 
direitos autorais, a questão econômica, a legitimidade 
acadêmica, a percepção de qualidade e o acesso e 
preservação destas publicações, que são tratadas na 
revisão da literatura sobre o tema.
D
ES
EN
VO
LV
IM
EN
TO
3ª parte:
conclui, 
situando a 
relevância do 
tema para a 
ciência
Dentro destas questões, é de grande relevância o 
papel que as publicações eletrônicas terão dentro 
do sistema sociotecnológico presente atualmente 
na sociologia e nos processos comunicacionais da 
ciência. C
O
N
C
LU
SÃ
O
Fonte: SABBATINI, 1999, p. 2.
EXEMPLIFICANDO!
Título Um olhar sobre o humor em Dom Casmurro
Autoria
Acadêmica: Márcia Regina Pires
Orientador(a): Profa.Msc. Ivanilda Barbosa
Instituição/curso: Universidade de Uberaba UNIUBE/
Curso de Letras
EXEMPLIFICANDO!
24 UNIUBE
Resumo / texto
1ª parte:
situa o tema, o 
autor e a obra
Uma característica marcante do discurso literário 
de Machado de Assis é o humor, que se evidencia, 
sobretudo, em seus romances da segunda fase. O 
romance Dom Casmurro, publicado em 1899, é uma 
das obras mais discutidas pela crítica literária ainda 
nos dias de hoje. Esta obra participa da segunda 
fase da produção machadiana e se distingue pela 
abordagem psicológica, pela análise crítica dos 
sentimentos e intervenções do narrador que dialoga, 
constantemente, com os leitores.
IN
TR
O
D
U
Ç
Ã
O
2ª parte:
apresenta o 
objetivo; os 
pressupostos e 
a metodologia 
para análise
O objetivo deste estudo foi observar o humor que é 
configurado na narração deste romance sob o foco 
do personagem protagonista, Bentinho. Uma análise 
semântica e estilística permitiu-nos observar o humor 
sob três perspectivas: o humor-graça, o humor-
intimidade e o humor-ironia. Percebeu-se que o humor 
foi instituído, não de forma evidente e despojada, 
mas sutilmente, provocando o envolvimento do leitor, 
de maneira quase imperceptível, porém gradativa. 
Constatou-se que a maturidade do narrador 
possibilita uma visão mais ampla de sua história e, 
assim, Bentinho assume a posição de quem assiste 
cenas de sua existência, construindo uma narração 
crítica como quem, a distância, observa, comenta e 
ironiza situações.
D
ES
EN
VO
LV
IM
EN
TO
3ª parte:
conclui, emitindo 
um julgamento 
sobre a obra no 
que se refere 
ao aspecto 
estudado: o 
humor
Concluiu-se que o humor em Dom Casmurro foi 
propositalmente empregado, ora para estabelecer 
uma intimidade com o leitor, ora para surpreendê-lo, 
ora para chamar-lhe a atenção e convidá-lo a refletir 
sobre a condição humana. C
O
N
C
LU
SÃ
O
Área de conhecimento: Linguística, Letras e Artes
Palavras chaves: humor, romance, literatura
Fonte: PIRES, 2000. p.181.
Resumo
Texto sem subdivisões, embora apresente três partes:
1ª parte
Introdução Situa o assunto do texto que está sendo resumido.
2ª parte
Desenvolvimento
Apresenta o conteúdo das partes do texto que está 
sendo resumido.
3ª parte
Conclusão
Apresenta as conclusões do autor do texto que foi 
resumido.
 UNIUBE 25
Veja um breve resumo do romance Caim, do escritor português José 
Saramago, publicado em 2009. 
Sinopse
Quem diabo é este Deus que, para enaltecer Abel, despreza Caim?
Se em O evangelho segundo Jesus Cristo José Saramago nos deu a 
sua visão do
Novo Testamento, em Caim regressa aos primeiros livros da Bíblia. Num 
itinerário heterodoxo, percorre cidades decadentes e estábulos, palácios 
de tiranos e campos de batalha pela mão dos principais protagonistas do 
Antigo Testamento, imprimindo ao texto o humor refinado que caracteriza 
a sua obra.
Caim revela o que há de moderno e surpreendente na prosa de Saramago: 
a capacidade de fazer nova uma história que se conhece do princípio ao fim. 
Um relato irônico e mordaz no qual o leitor assiste a uma guerra secular, e, 
de certa forma, involuntária, entre o criador e a sua criatura.
Fonte: PORTAL DA LITERATURA, 1999.
EXEMPLIFICANDO!
Para redigir um resumo é preciso ter compreendido detalhadamente 
o texto. Vale lembrar: um aluno do curso de Teologia e outro do curso 
do curso de Letras tendo lido esse romance, provavelmente, vão 
destacar em seu resumo os aspectos relevantes a sua área de estudos. 
Mas, uma coisa é fundamental: é importante que os dois mantenham 
as informações ou o ponto de vista do autor sobre cada aspecto que 
indicarão como relevantes. 
Resenha: é um texto completo, redigido de forma contínua, que tem 
por fina lidade apresentar uma obra: descrevendo o seu conteúdo e sua 
composição, analisando os recursos utilizados bem como a pertinência 
do pensamento do autor em relação ao conhecimento já disponível, a 
importância da obra e a sua contribuição para o desenvolvimento do 
contexto social, científico e cultural. 
26 UNIUBE
Exemplo 1
Resenha de livro publicada em revista impressa
A questão ambiental – Diferentes abordagens
de Sandra Baptista da Cunha e Antonio José Teixeira Guerra (Orgs.), 
Bertrand Brasil, 252 p.
Ecologia virou moda, disciplina de escola, programa de TV, bandeira política 
e campo profissional. O assunto envolve vários discursos arriscados: o 
reducionismo do senso comum, o tecnicismo dos burocratas, a demagogia 
dos governantes de plantão. Como entender as causas econômicas e 
políticas das agressões à natureza e, ao mesmo tempo, capacitar-se para 
enfrentá-las no campo dos conceitos históricos, filosóficos e políticos? Esta 
coletânea de ensaios tenta encontrar um equilíbrio entre ideologização e 
prática, causa e consequência, técnicas e leis. É o sétimo de uma série de 
obras da Bertrand Brasil sobre o meio ambiente.
Fonte: Fluxos – Revista do Instituto de Humanidades da Universidade de Uberaba. p. 46, 
1º/2003.
Exemplo 2
Resenha de livro, publicada em uma revista eletrônica de jornalismo 
científico.
Identificação da obra
MCCLURE, Stuart; SCAMBRAY, Joel; KURTZ, 
George. Hackers expostos: segredos e soluções 
para a segurança de redes. São Paulo: Makron 
Books, 2000.
Autoria por Fábio Júnior Beneditto
Apresentação dos 
autores da obra 
e de sua atuação 
profissional
Stuart McClure é gerente-sênior do grupo eSecurity 
Solutions, da Ernest & Young. Ele é co-autor da 
Security Watch da revista InfoWorld, uma coluna 
que trata de assuntos atuais relativos à segurança 
eletrônica, bem como invasões e vulnerabilidade 
de sistemas de computadores. Além disso, possui 
uma vasta experiência em software e hardware de 
segurança de redes (firewall, sistemas de detecção 
de intrusos, entre outros). 
EXEMPLIFICANDO!
 UNIUBE 27
Apresentação dos 
autores da obra 
e de sua atuação 
profissional
Joel Scambray é gerente do grupo eSecurity Solutions, onde 
fornece serviços de consultoria de segurança em sistemas 
de informação para diversos tipos de organizações. Também 
é co-autor da Security Watch. George Kurtz é gerente-sênior 
do grupo eSecurity Solutions e diretor nacional de "Ataque 
e Penetração da linha de serviços Profiling" da Ernest & 
Young. Como consultor, executou centenas de avaliações 
em firewalls, redes e sistemas de comércio eletrônico ao 
longo dos anos. É um dos principais instrutores do aclamado 
curso "Extreme Hacking - Defending Your Site".
Apresentação da 
obra, destacando 
o tema e o gênero
Hackers expostos, apesar do nome, trata única e 
exclusivamente de segurança de redes e sistemas. 
Com uma enorme quantidade de detalhes, o livro é uma 
espécie de manual, já que serve de alerta para todos 
os administradores de sistemas e usuários, para que 
percebam o quão vulnerável seus preciososdados podem 
estar, trafegando livremente pela Internet. 
Organização da 
obra
Para que a leitura e a compreensão fossem facilitadas, 
o livro foi todo estruturado em pequenos módulos, como 
em um guia de referências, onde o leitor não precisa ler 
tudo para encontrar a resposta para a sua dúvida sobre um 
determinado assunto.
Resumo 
comentado sobre 
o assunto de cada 
módulo do livro
Todos os assuntos estão agrupados por área de interesse: 
a "Identificação do Alvo" trata de como fazer o footprint 
(espécie de planta baixa da rede de computadores 
utilizados por um determinado domínio) e a varredura, onde 
são identificados e verificados todos os serviços que estão 
disponíveis no sistema, e a sua enumeração. O segundo 
módulo trata de "Hacking de sistemas", trazendo as 
características e as falhas, comuns ou não, dos principais 
sistemas operacionais utilizados em estações de trabalho 
e servidores, sempre focalizando o grau de dificuldade 
para o atacante obter sucesso em sua empreitada de 
quebrar o sistema (uso de exploits), além de sugestões 
para a correção ou minimização das chances dessas 
empreitadas ocorrerem. O terceiro trabalha com "Hacking 
de rede", onde são vistas formas de proteger os dados da 
empresa do acesso indevido através de exploits, como os 
encontrados em sistemas de firewall, roteadores, dialup's 
e falhas nos protocolos de rede. É dada uma maior ênfase 
para a prevenção aos Ataques de Recusa de Serviço (Dos 
Denial Of Service) que nos últimos anos tem tirado muitos 
websites do ar (por exemplo o UOL). No último módulo se 
enfoca "Hacking de software". É nesse campo que entram 
os softwares de administração remota (autorizada ou não), 
os "cavalos de tróia", conhecidos como trojans, que são 
os maiores causadores das noites de insônia de muitos 
administradores de sistemas, porque permitem, através 
de programas aparentemente inofensivos, a instalação 
de servidores de acesso remoto, facilitando o roubo de 
informações, entre muitas outras possibilidades de prejuízo.
28 UNIUBE
Análise e 
avaliação da obra
Houve uma grande preocupação dos autores em detalhar 
os ataques mais comuns às redes e sistemas operacionais, 
baseando-se em suas próprias vivências como consultores e 
em sites/newsgroups especializados, de forma a exibir uma 
visão mais abrangente do problema: a visão do atacante 
(cracker) que não tem nada a perder. Como os autores 
citam nos agradecimentos, "Conhecimento e informação os 
libertará", referindo-se aos nobres hackers que, no sentido 
literal e correto da palavra, têm-se preocupado em expor e 
solucionar esses problemas.
Indicação da 
leitura
É uma obra que não pode faltar na bibliografia de qualquer 
administrador de sistemas preocupado em garantir a paz 
e a tranquilidade de sua empresa e que quer proteger 
os dados vitais da mesma do acesso não autorizado e, 
dessa forma, garantir por mais tempo o seu emprego e o 
desenvolvimento de sua organização.
Fonte: BENEDITTO, 2002.
Exemplo 3 
Resenha de filme 
Título da obra Gattaca
Dados da identificação
Gattaca – A experiência Genética
(Gattaca). EUA, 1997. Dir. Andrew Niccol. Com Ethan 
Hawke, Uma Thurman, Jude Law, Loren Dean, Alan 
Arkin, Gore Vidal e Ernest Borgnine.
Contextualização 
situa o momento 
sociocultural 
em que a obra 
é produzida, 
articula o 
motivo de sua 
realização a esse 
contexto
A recente divulgação do final dos trabalhos de 
sequenciamento do genoma humano trouxe 
um importante questionamento com relação às 
consequências deste novo conhecimento. Ao mesmo 
tempo que gera a esperança de cura de muitas 
doenças de origem genética, gera também muitas 
especulações algumas gratuitas, outras não sobre a 
possibilidade de um uso indesejável do conhecimento 
genético.
1ª
 p
ar
te
: I
N
TR
O
D
U
Ç
Ã
O
Apresentação da 
obra, situando o 
gênero, o autor e 
o tema
Dentro desta última perspectiva, o filme Gattaca, de 
Andrew Niccol é uma interessante reflexão sobre os 
caminhos a que a engenharia genética pode levar e 
os impactos que esta tecnologia e a ciência de um 
modo geral pode ter na sociedade.
 UNIUBE 29
Breve resumo 
do enredo, 
ressaltando 
o tempo da 
história e o 
personagem 
principal
Passado em um tempo futuro, Gattaca mostra uma 
sociedade em que as corporações tornaram-se mais 
poderosas que o Estado e em que a manipulação 
genéticacriou uma nova espécie de preconceito e 
hierarquia racial, legitimada pelaciência. Aos pais 
que desejam ter filhos é dada a oportunidade de 
manipular a interação entre seus DNAs de modo que 
gerem filhos com a melhor combinação de qualidades 
genéticas possível. Este procedimento acaba criando 
duas categorias diferentes de pessoas: os Válidos, 
frutos desta combinação genética planejada, que são 
quase super-homens, com raras doenças genéticas; 
e os Inválidos, frutos de nossa interação sexual 
usual. Aos empregos e as melhores oportunidades 
enquanto que os Inválidos chegam a ser impedidos 
de frequentar determinados lugares. A história do 
filme é a de dois irmãos, um concebido da maneira 
natural e o outro manipulado geneticamente. O 
Inválido, interpretado por Ethan Hawke, tem várias 
doenças genéticas e, ao ter seu DNA examinado 
quando nasce, já tem uma data prevista para sua 
morte.
Contudo, o garoto sonha em viajar ao espaço emprego 
impensável para alguém com seus problemas e vai 
buscar todas as maneiras possíveis para superar 
suas limitações ao mesmo tempo em que tem que 
esconder de todos que é um Inválido.
2ª
 p
ar
te
: D
ES
EN
VO
LV
IM
EN
TO
Comentário 
crítico
Com roteiro e direção de Andrew Niccol, que também 
foi roteirista de O Show de Truman, Gattaca é um 
ensaio sobre o que pode ser uma sociedade em 
que o destino das pessoas esteja pré-determinado 
cientificamente em que não haja o mínimo espaço 
para a ação do indivíduo na construção de seu próprio 
futuro. Também é uma reflexão sobre como a ciência 
pode ser usada para legitimar e, no caso, criar uma 
hierarquia social, principalmente se feita sem crítica e 
controle da sociedade. 3
ª p
ar
te
: C
O
N
C
LU
SÃ
O
Autor da resenha Rafael Evangelista
Fonte: EVANGELISTA, 2000.
Mas será que resumo e resenha são textos diferentes?
Diferente do resumo, a resenha inclui também uma avaliação 
crítica por aparte de quem a redige e, ainda, uma indicação 
para leitura da obra, considerando os interesses do leitor a 
quem mais diretamente a obra se dirige.
30 UNIUBE
Se compararmos os quadros aqui apresentados, podemos afirmar que 
os textos acadêmicos escritos contêm uma estrutura básica: Introdução, 
Desenvolvimento e Conclusão. Quando redigidos e enviados para 
publicação, devem conter os dados de identificação do autor e do tipo de 
texto que se apresenta.
Pertencendo todos ao gênero científico e/ou didático-científico, esses 
textos dialogam entre si, para que o autor alcance o objetivo de comunicar 
suas investigações por meio dos estudos que realiza.
SINTETIZANDO...
Portfólio é uma palavra de origem latina, muito utilizada pelos 
norte-americanos e significa coleção daquilo que está ou pode ser 
guardado em um porta fo lhas. No meio acadêmico, é usado para 
comportar as diferentes produções do aluno, baseadas nos registros 
de suas reflexões, de suas leituras, de suas indagações. Sendo assim, 
pode-se dizer que esse ‘álbum’ acadêmico guarda textos que expressam 
o desenvolvimento de sua própria aprendizagem.
 
Em cursos de graduação e de pós-graduação, o portfólio tem sido muito 
utili zado para que o aluno, de maneira bastante pessoal, demonstre seu 
processo de aprendizagem. Na Internet, você encontrará uma diversidade 
de conceitos e de possibilidades de se elaborar esse rico material. Não há 
uma única forma de se elaborar um portfólio. É importante,todavia, que o 
autor siga os objetivos, os cri térios ou as orientações a ele apresentados, 
quando lhe solicitam a composição de seu portfólio. 
Compreender a organização e a finalidade dos textos com os quais lidamos 
no dia a dia contribui para ampliar nossa competência de leitura. É importante 
que a nossa familiaridade com esses textos nos estimule não só a ler, mas 
também a escrever, a nos identificar como autores de textos acadêmicos. 
Esse é um processo que se inicia com o registro das leituras que fazemos.
IMPORTANTE!
 UNIUBE 31
1.3.3 Outras formas de registro de estudos
Quais são os nossos objetivos quando tomamos um texto para objeto 
de es tudo?
 
Lemos para conhecer, analisar, interpretar situações, dados e 
informações, para ampliar nosso conhecimento do mundo e, assim, 
construir novos conhecimentos.
 
Na condição de cidadãos participantes, o que se espera de um estudante 
univer sitário é que ele seja agente no processo de sua formação 
profissional. Para isso, é necessário que desenvolva suas habilidades 
de lidar com o conhecimento já dis ponível na sociedade, aplicando-o, 
avaliando-o, criticando-o para transformá-lo.
 
Mas, toda construção de conhecimentos, além de uma motivação 
pessoal, exige métodos e técnicas, pois, quando é grande o volume de 
informações e de operações com que precisamos trabalhar, por melhor 
que seja a nossa memória, ela precisa ser ativada. 
As anotações, os registros que fazemos auxiliam nessa ativação e 
na recuperação dos conhecimentos que já adquirimos no decorrer da 
nossa existência, por isso, em um curso de formação profissional, esses 
registros devem ser frequentes. 
Todos os textos acadêmicos apresentados neste capítulo são formas 
de registro dos estudos realizados no âmbito da universidade. Embora 
tenhamos destacado o resumo, a resenha e o portfólio, há outras formas 
de registros. São elas:
 
• relatório: expressa o processo de desenvolvimento de uma 
situação de estudo ou de pesquisa, isto é, tem sua origem em 
um trabalho realizado. É conside rado documento de grande 
importância para a continuidade da investigação científica, para 
a gestão de recursos humanos, para a destinação de recursos 
financeiros, para o planejamento político e educacional.
• monografia: caracteriza-se pelo tratamento escrito de um tema 
específico que re sulte de uma pesquisa científica e apresente uma 
32 UNIUBE
contribuição relevante para a ciência. Por extensão, identifica um 
trabalho científico que resulte de pesquisa, por exemplo, trabalho 
de conclusão de curso de graduação (TCC), deve estar re lacionado 
a uma disciplina do curso e ser feito sob orientação docente. 
Uma forma prática de conhecer a estrutura da monografia é consultar 
bi bliotecas e bancos de dissertações de mestrado na Internet. Sempre 
que lhe for proposto um tema para estudos, visite um site de busca e 
procure por dissertações de mestrado, indicando também o assunto. 
O estudo de um texto acadêmico inicia-se por um processo de 
identificação e de localização, isto é, por um processo de fichamento 
do texto. Esse processo consiste em uma prática acadêmica que tem 
por objeto de estudo um livro, ou um capítulo de livro, ou um artigo, ou 
um filme, ou um documento, entre outros. O fichamento pode consistir, 
também, em uma reunião de da dos e proposições sobre determinado 
tema. Por ser um procedimento básico de identificação, o fichamento está 
sempre relacionado a outras práticas de escrita acadêmica.
 
Prosseguiremos nosso estudo, abordando agora os procedimentos 
de leitura. Antes, porém, vamos retomar alguns pontos para a nossa 
reflexão. 
Até aqui, refletimos sobre conceito, modos de organização e finalidades 
dos textos acadêmicos. Se recorrermos aos esquemas propostos 
para a composição desses textos, poderemos constatar que as partes 
da dissertação se encontram presentes em todos eles: introdução, 
desenvolvimento e conclusão. 
Segundo Soares e Campos (1987, p. V):
 
[...] a dissertação é a forma de redação mais usual. 
Com mais fre quência é a forma de redação solicitada 
às pessoas envolvidas com a produção de trabalhos 
escolares, com a administração e produção de 
pesquisas em Instituições que fazem Ciência, com 
a administração e execução técnico-burocráticas 
de ser viços ligados à Indústria, Comércio etc. A 
prosa dissertativa é, assim, predominante nos textos 
de trabalhos escolares, nos textos de produção e 
 UNIUBE 33
divulgação científicas (monografias, ensaios, artigos 
e relatórios técnico-científicos) e nos textos técnico-
administrativos. 
Dependendo da intenção do autor, em um texto dissertativo, pode 
predominar: 
• a descrição: quando o autor quer conceituar um termo, apresentar 
as fases de um processo ou caracterizar um objeto, ele constrói 
um texto dissertativo -expositivo;
• a argumentação: quando o objetivo do autor é defender um ponto 
de vista, ele constrói um texto dissertativo-argumentativo.
Raramente encontramos uma dessas formas de dissertar em estado 
puro. No texto argumentativo, para a defesa de uma ideia, de uma tese, 
de uma opinião, o autor se serve tanto da descrição quanto da narração. 
Assim, garante o efeito desejado: persuadir o interlocutor. Um bom 
exemplo disso é o texto de acusação e de defesa nos tribunais.
Leitura de um texto didático-científico1.4
Se várias são as intenções de quem escreve e variadas são as formas 
da escrita, diante de diferentes textos, precisamos ter procedimentos de 
leitura diferentes.
Como deve ser, então, o procedimento do leitor diante de um 
texto científico ou didático-científico?
1.4.1 Procedimentos
Alguns procedimentos nos auxiliam a realizar uma leitura adequada dos 
textos com os quais lidamos no dia a dia da vida universitária.
34 UNIUBE
1.4.1.1	Ler	para	identificar	
A primeira leitura deve ser realizada de forma sequencial e integral. É 
importante ficar atento(a) às marcas de composição gráfica: os tipos de 
letras e fontes costumam ser diferentes para o título, para as partes e 
para os itens dentro de cada parte. Pode ser também observado o estilo 
do autor. 
Ou seja, lemos para identificar:
 
• gênero de texto: é um capítulo de um livro, um artigo científico?
• autoria: quem o escreveu? 
• suporte: foi publicado em um livro, jornal ou periódico? 
• data de produção e de publicação, editora e localidade da 
publicação;
• extensão do texto: número de páginas; 
• assunto: qual o conteúdo é desenvolvido no texto?
• plano geral do texto: como o autor organizou o texto? 
1.4.1.2 Ler para delimitar as partes 
Após tomar conhecimento do plano geral do texto, é importante ler para 
delimitar:
 
• a introdução; 
• o desenvolvimento; 
• a conclusão.
 
A seguir, veja como podem ser delimitados a introdução, o 
desenvolvimento e a conclusão de um texto dissertativo-expositivo.
 UNIUBE 35
A Nova Economia
Contextualização 
das tecnologias 
e do mercado de 
trabalho
A difusão acelerada das novas tecnologias de 
informação e comunicação vem promovendo 
profundas transformações na economia mundial e 
está na origem de um novo padrão de competição 
globalizado, em que a capacidade de gerar inovações 
em intervalos de tempo cada vez mais reduzidos 
é de vital importância para as empresas e países. 
A utilização intensiva dessas tecnologias introduz 
maior racionalidade e flexibilidade nos processos 
produtivos, tornando-os mais eficientes quanto ao uso 
de capital, trabalho e recurso naturais. Propiciam, ao 
mesmo tempo, o surgimento de meios e ferramentas 
para a produção e comercialização de produtos e 
serviços inovadores, bem como novas oportunidades 
de investimento.
1ª
 p
ar
te
: I
N
TR
O
D
U
Ç
Ã
O
Efeitos das 
mudanças 
provocadas 
pelas Novas 
Tecnologias da 
Informação e da 
Comunicação- NTIC, sobre 
a dinâmica do 
mercado
As mudanças em curso estão provocando uma onda 
de "destruição criadora" em todo o sistema econômico. 
Além de promover o aparecimento de novos 
negócios e mercados, a aplicação das tecnologias 
de informação e comunicação vêm propiciando, 
também, a modernização e revitalização de 
segmentos maduros e tradicionais; em contrapartida 
está ameaçando a existência de setores que já não 
encontram espaço na nova economia.
2ª
 p
ar
te
: D
ES
EN
VO
LV
IM
EN
TO
Vantagens
A globalização e a difusão das tecnologias de 
informação e comunicação são uma via de mão 
dupla: por um lado, viabilizaram a expansão das 
atividades das empresas em mercados distantes; 
por um outro, a atuação globalizada das empresas 
amplia a demanda por produtos e serviços de rede 
tecnologicamente mais avançados. Neste processo, 
as empresas passam a definir suas estratégias de 
competição, conforme os mais variados critérios 
(disponibilidade e capacitação de mão-de-obra, 
benefícios fiscais e financeiros, regulamentação 
etc.), estabelecendo, de maneira descentralizada, 
unidades produtivas em locais mais vantajosos, 
independentemente das fronteiras geográficas.
EXEMPLIFICANDO!
36 UNIUBE
Exigências
Através das redes eletrônicas que interconectam 
as empresas em vários pontos do planeta, trafega 
a principal matéria prima desse novo paradigma: 
a informação. A capacitação de gerar, tratar e 
transmitir informação é a primeira etapa de uma 
cadeia de produção que se completa com sua 
aplicação no processo de agregação de valor a 
produtos e serviços. Nesse contexto, impõe-se, para 
empresas e trabalhadores, o desafio de adquirir a 
competência necessária para transformar informação 
em um recurso econômico estratégico, ou seja, o 
conhecimento. 2ª
 p
ar
te
: D
ES
EN
VO
LV
IM
EN
TO
Perspectivas 
do mercado 
de trabalho 
com políticas 
direcionadas 
para as NITCs
Na transição para a nova economia, esse padrão 
de especialização poderá agravar ainda mais a 
desigualdade entre os países especializados em 
gerar novos produtos e serviços e os demais, que 
implementam os projetos desenvolvidos pelos países 
líderes.
Tal padrão de especialização tem profundo impacto 
na distribuição das oportunidades de trabalho, no 
padrão de consumo da sociedade e na repartição 
da renda entre os países. A despeito das grandes 
desigualdades entre nações, novas oportunidades se 
abrem para os países em fase de desenvolvimento 
econômico que saibam estruturar suas políticas e 
iniciativas em direção a sociedade da informação.
3ª
 p
ar
te
: C
O
N
C
LU
SÃ
O
Fonte: TAKAHASHI, 2000. p.1728.
1.4.1.3 Ler para analisar 
Na sequência, o foco da leitura deve priorizar a observação e a análise da: 
• adequação no uso de termos técnicos;
• consistência dos dados; 
• relação entre ilustrações, gráficos e tabelas e sua pertinência com 
o assunto tratado; 
• coerência dos argumentos apresentados.
 
Platão e Fiorin (1996) definem cinco tipos de argumentos como principais 
recur sos usados em textos dissertativos e que se aplicam ao texto 
científico:
 UNIUBE 37
• Argumento de autoridade: a citação de autores renomados, de 
autoridades num certo domínio do conhecimento ou da atividade 
humana, o que confirma o pensamento do autor, demonstrando 
que ele pesquisou sobre o assunto. Por isso, é muito importante 
dar atenção às notas de rodapé ou ao final de texto, às citações, 
às alusões ou referências, ainda que breves, a outros autores e a 
outros textos.
Exemplo: 
Afirmação: “A ligação entre arte e ciência não é nova”.
 
Argumentação: “Entre outros, o físico inglês Paul Dirac, autor da 
descoberta teórica da antimatéria, foi um dos que defenderam essa ideia. 
Em um dos seus escritos mais conhecidos, Dirac propôs que o melhor 
critério para avaliação de uma teoria deve ser sua beleza”. 
Fonte: Ponto de vista Ciência e beleza, Revista Scientific American Brasil, 
ano 1, n. 11, p. 5.
 
• Argumento baseado no consenso: são afirmações de base 
científica e aceitas como verdadeiras, não necessitando, portanto, 
serem demonstradas. Em todas as áreas do conhecimento, 
existem argumentos universalmente aceitos: os axiomas da 
matemática e as proposições como as que constam da declaração 
dos direitos humanos, por exemplo.
 
Exemplo: Diante de um mesmo delito, algumas pessoas são punidas e 
outras não. Isso não poderia acontecer, pois todos são iguais perante a 
lei e sem distinção.
 
Afirmação: “Diante de um mesmo delito, algumas pessoas são punidas 
e outras não. Isso não poderia acontecer, (...)”.
 
Argumentação: “(...) pois todos são iguais perante a lei e sem distinção”. 
• Argumento baseado em provas concretas: afirmações 
fundamentadas em dados de pesquisa, em fatos comprovados 
e em documentos ou simila res. Usam-se, para tanto, dados 
divulgados por órgãos oficiais nacionais e internacionais. 
38 UNIUBE
Exemplo: 
Afirmação: “A família brasileira está diminuindo, ao mesmo tempo que 
cresce a proporção de famílias lideradas por mulheres. Além dessas 
mudanças nos padrões de organização familiar no Brasil, dados da 
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) mostram que, nas 
duas últimas décadas, cresceu a proporção de pessoas que moram 
sozinhas, embora ainda predomine no Brasil o tipo de família formada 
pelo casal e seus filhos”.
 
Apresentação dos dados: Com base nos dados da PNAD de 1992 
a 2001, é possível destacar algumas tendências recentes no perfil da 
família brasileira. Nesse período, cresceu de forma contínua o número 
relativo de famílias nas quais a pessoa de referência é mulher e reduziu-
se a quantidade de componentes das famílias, como reflexo do ritmo 
de queda da fecundidade. A PNAD 2001 estimou em cerca de 13,8 
milhões o número de arranjos familiares em que a mulher era a pessoa 
de referência, ou 27,3% das 50,4 milhões de famílias brasileiras. Em 
duas décadas, a proporção desse tipo de arranjo familiar cresceu 
cerca de 24,7% no país. O fenô meno é mais recorrente nas regiões 
metropolitanas, dentre as quais se destacam Belém e Salvador, com, 
respectivamente, 40,4% e 35,9% de famílias com pessoa de referência 
do sexo feminino.
 
Fonte: Síntese dos indicadores sociais 2002, IBGE.
 
• Argumento com base no raciocínio lógico: são argumentos 
baseados nas relações de causa e consequência. Muito comuns 
nos textos de ciências da natureza e de matemática.
 
Exemplo:
 
Afirmação: Os conhecimentos são adquiridos.
 
Explicação: A engenharia genética não é capaz de incorporá-los aos 
cromos somos. Eles existem na forma de uma rede. Ou seja, seria preciso 
transplantar um cérebro inteiro para as crianças.
 
 UNIUBE 39
Conclusão: Daqui a 25 anos, portanto, os estudantes ainda terão 
que apren der para saber, isto é, terão de desenvolver uma atividade 
mental intensa para compreender, memorizar, comparar e organizar os 
conhecimentos.
 
Fonte: PERRENOUD, 2003. 
 
• Argumento de competência linguística: demonstrada na 
atualização e na adequação no uso de termos técnicos e científicos, 
de expressões linguísticas no encadeamento de enunciados, de 
parágrafos e de partes do texto (essas ex pressões possibilitam ao 
leitor acompanhar o raciocínio do autor) e no domínio no uso da 
língua culta.
 
Exemplo:
 
“Grandes efeitos sobre a diversidade biológica em áreas urbanas também 
podem resultar de fontes menos diretas, incluindo muitos dos poluentes 
oriun dos do ar e da água que colocam em perigo a saúde humana. 
Descobriu-se que subprodutos tóxicos de produção industrial, como a 
bifenila policlorada, o dióxido de enxofre e oxidantes, assim como os 
pesticidas direcionados para espécies daninhas, afetam os ecossistemas 
naturais, descortinando-os (EHRLICH; EHRLICH, 1981).” 
Fonte: MURPHY,1997, p. 91.
1.4.1.4 Ler para estabelecer relação
• do texto com outros textos da mesma área do conhecimento;
• do texto com o conteúdo da disciplina; 
• do texto com a realidade sociocultural em que o texto foi produzido 
e na qual, você, leitor, está inserido.
1.4.1.5 Ler para emitir um julgamento
Utilizando dos registros que foram feitos em cada uma das etapas 
anteriores, o leitor poderá, com a maior clareza possível:
40 UNIUBE
• traduzir o conteúdo do texto, isto é, dizer ou escrever com outras 
palavra, mantendo o pensamento do autor;
• analisar a consistência do raciocínio do autor em relação aos 
conhecimentos já produzidos na mesma área de estudo; 
• reconhecer a coerência do pensamento elaborado pelo autor;
• avaliar uma produção acadêmica;
• avaliar a contribuição do estudo do texto para a ampliação dos 
seus conhe cimentos e para sua formação profissional.
É importante salientar que leitura e a escrita são práticas necessárias 
para am pliar a nossa competência na produção de diferentes textos.
Resumo
Neste capítulo, estudamos o texto acadêmico, por meio de algumas 
reflexões sobre o seu conceito e a sua organização. Sugerimos alguns 
procedimentos mais adequados para a leitura de um texto científico 
e abordamos as formas de textos acadêmicos mais usadas para os 
registros dos estudos realizados nos cursos de graduação.
 
Ao apresentar alguns exemplos para o exercício da leitura, esperamos 
que você tenha ampliado seus conhecimentos sobre as formas de 
organização e o uso adequado de textos acadêmicos, para o seu melhor 
desempenho nos estudos.
Atividades
Atividade 1
As afirmativas a seguir contemplam algumas características de TEXTOS 
ACADÊMICOS. Marque V, nas alternativas verdadeiras, ou F, nas 
alternativas falsas.
 UNIUBE 41
A. ( ) São textos característicos da difusão e produção do 
conhecimento nas universidades.
B. ( ) São textos técnicos e científicos.
C. ( ) São textos intuitivos e cotidianos na universidade em 
geral.
D. ( ) São textos produzidos por alunos e professores para 
publicação em eventos científicos.
E. ( ) São textos elaborados só por professores universitários.
F. ( ) São textos que visam a progressiva ampliação e troca 
de conhecimentos necessários à formação profissional.
G. ( ) São textos que visam a progressiva informação e 
generalização necessárias à formação profissional.
H. ( ) São textos que produzimos na universidade para registrar 
o estudo que realizamos.
I. ( ) São as teorias que produzimos na universidade para 
registrar o estudo que realizamos.
J. ( ) São textos que na prática escolar são apropriados para o 
exercício do ensinar e do aprender.
Atividade 2
Dentre as diversas formas de registro dos estudos realizados no âmbito 
da universidade, podemos destacar o resumo, a resenha e o portfólio. 
Segundo os seus conhecimentos, relacione os termos às afirmações 
correspondentes:
a) resumo 
b) resenha 
c) portfólio 
42 UNIUBE
( ) Inclui uma avaliação crítica por parte de quem a redige.
( ) Seu objetivo é traduzir em poucas palavras, a ideia do autor.
( ) Um mesmo texto pode dar origem à vários outros textos, 
dependendo de quem o faz.
( ) Apresenta uma obra descrevendo seu conteúdo e sua 
composição.
( ) É um texto completo, redigido de forma contínua.
( ) Significa reunião das diferentes produções dos alunos.
( ) É preciso saber situar a obra e o pensamento do autor, 
comparando-os com outras obras para emitir julgamento.
( ) Não precisa contemplar uma indicação para leitura da obra.
( ) É um texto de dimensões menor do que o texto que lhe dá 
origem.
( ) Expressa o desenvolvimento qualitativo e quantitativo da 
aprendizagem do aluno da Universidade.
 
Atividade 3
3.1 Na universidade, a entrevista tem se apresentado como um eficaz 
instru mento de coleta de dados para a pesquisa nas diversas áreas do 
conhecimento. Descreva uma situação em que você usaria da entrevista 
em seus estudos.
 
3.2 Na sua opinião, quais requisitos são exigidos de um entrevistador? 
Atividade 4 
Enumere, de 1 a 5, a sequência adequada para a realização de uma boa 
leitura. O leitor diante de um texto científico utiliza alguns procedimentos 
que o auxiliam na leitura correta desses textos. O leitor ao ler o texto: 
 UNIUBE 43
( ) relaciona-o com outros textos da mesma área, com o 
conteúdo da disciplina e com a realidade na qual o leitor está 
inserido.
( ) procura identificar as suas partes estruturais, delimitando 
cada uma de acordo com suas finalidades.
( ) traduz o pensamento do autor e avalia a contribuição do 
estudo do texto para a ampliação dos conhecimentos e para 
a formação profissional.
( ) analisa a consistência dos dados, as relações entre gráficos e 
tabelas com o assunto tratado e a coerência dos argumentos 
apresentados.
( ) identifica o plano geral do texto, a autoria, o tipo, o suporte do 
texto e o conteúdo desenvolvido no mesmo.
Atividade 5
Escreva, nos parênteses, ( V ) para as alternativas verdadeiras e ( F ) 
para as falsas.
 
A. ( ) O relatório é um texto originado de um trabalho realizado.
B. ( ) Um texto científico, assim como textos oficiais, pode 
conter relatos de acontecimentos históricos.
C. ( ) O relato de experiência tem por objetivo registrar o 
processo vivenciado por uma pessoa ou por uma 
equipe, durante um determinado período de estudos, 
proporcionando uma avaliação e a reflexão sobre o tema 
em questão.
D. ( ) Os textos científicos são escritos de acordo com critérios 
estabelecidos por instituições científicas e passam por 
um processo de validação e avaliação, antes de serem 
divulgados.
E. ( ) O conhecimento científico só existe nas instituições 
públicas.
44 UNIUBE
Atividade 6
Leia o fragmento extraído da resenha do filme Gattaca. 
Com roteiro e direção de Andrew Niccol, que também foi 
rotei rista de O show de Truman, Gattaca é um ensaio 
sobre o que pode ser uma sociedade em que o destino 
das pessoas esteja predeterminado cientificamente, 
sem que não haja o mínimo espaço para a ação do 
indivíduo na construção de seu próprio futuro. Também 
é uma reflexão sobre como a ciência pode ser usada 
para legitimar e, no caso, criar uma hierarquia social, 
principalmente se feita sem crítica e controle da 
sociedade. 
Considerando a relação do fragmento com as demais partes da resenha, 
analise as afirmativas a seguir. Assinale com um ( X ) as alternativas 
coerentes com a resenha.
 
A. ( ) No fragmento, a palavra “ensaio” articulada à 
palavra “sociedade”, remete o leitor a uma prática de 
experimentação científica. Nesse sentido, leva o leitor a 
pensar que o contexto vivenciado no filme é real.
B. ( ) No fragmento, a afirmação do autor de que a obra é uma 
reflexão sobre as possíveis consequências da utilização 
inadequada da ciência, tem por objetivo convencer o 
leitor da fragilidade do enredo do filme Gattaca.
C. ( ) Associando o nome do roteirista a outros trabalhos 
produzidos anteriormente, o autor da resenha dá ao leitor 
uma informação que lhe permite situar melhor a obra que 
está sendo apresentada. Nessa perspectiva, o leitor cria 
mais ou menos uma expectativa em relação ao filme.
D. ( ) Na conclusão, é possível perceber que o autor da 
resenha explicita claramente a indicação do filme, 
utilizando um argumento de autoridade: o filme foi 
realizado por um renomado diretor.
 UNIUBE 45
Atividade 7
A entrevista e o debate foram destacados como textos orais que exigem 
habi lidades de comunicação que todo profissional precisa ter no exercício 
de sua profissão.
 
Leia os itens a seguir e marque com um X, no quadro correspondente, 
de acordo coma seguinte legenda: 
‘E’, o que é característico da entrevista. 
‘C’, o que é comum às duas situações.
‘D’, o que é característico do debate. 
A: Quanto à situação de comunicação:
E C D
exige a presença de um moderador.
tem por objetivo colher informações ou dados que possam 
ser usados para fins determinados.
visa esclarecer a opinião pública sobre um determinado 
tema.
geralmente surge da necessidade de esclarecimento sobre 
temas polêmicos.
tem por objetivo buscar soluções para questões de 
interesse social e científico.
se estabelece por um confronto de opiniões.
se estrutura com base no esquema de perguntas e 
respostas sequenciadas, seguidas ou não de comentários.
predomina a argumentação, a defesa de um ponto de 
vista.
predomina a exposição do assunto, a informação.
necessita do estabelecimento de regras para ocorrer o 
diálogo.
46 UNIUBE
B – Quanto às habilidades e atitudes requeridas dos participantes:
E C D
usar adequadamente provas e argumentos.
conhecer pontos de vista diferentes sobre o tema em 
questão.
ter domínio do tema a ser apresentado.
saber respeitar a pessoa que tem opinião divergente.
ter disponibilidade para dialogar.
usar a linguagem adequada ao seu interlocutor.
saber distinguir um fato de uma opinião.
respeito a normas estabelecidas.
saber ouvir para dar continuidade a uma reflexão.
Atividade 8
No contexto universitário, muitas são as situações em que temos 
a oportunidade de apresentar os conhecimentos científicos que 
construímos, nas várias etapas de nossa formação acadêmica. Para 
apresentá-los, utilizamos textos escritos: resumo, resenha, relatório, 
artigo científico, comunicação ou paper, monografia, entre outros. 
Relacionamos, a seguir, algumas situações que você pode vivenciar, 
durante seu curso de graduação.
 
Escreva nos espaços o gênero de texto adequado a cada uma das 
situações descritas.
a) Você é integrante de uma equipe de monitoria e deve 
apresentar, formalmente, ao responsável pela equipe, o 
trabalho que foi desenvolvido na semana. __________
 UNIUBE 47
b) Você e seus dois colegas participam de um grupo de 
iniciação científica. Estão numa determinada fase da 
pesquisa, e foram solicitados a apresentar os resultados 
obtidos até o momento, para o órgão financiador. __________
c) Tendo participado de uma aula de campo, o professor 
lhe solicitou o registro de tudo que ali ocorreu. __________
d) O professor indicou a leitura de um artigo 
sobre o assunto estudado na semana. Pediu que 
lhe apresentasse, de forma detalhada: os dados 
de identificação do artigo, a forma como o autor 
desenvolveu o assunto, a relação do pensamento 
do autor com o que foi estudado nas aulas daquela 
semana e, ainda, que você emitisse sua opinião sobre 
o artigo como um todo, fazendo referência a quem mais 
poderia interessar a leitura desse texto. __________
e) Com a orientação do professor, você desenvolveu 
um estudo sobre as opções de lazer que Uberaba 
oferece ao jovem. A pesquisa apontou a necessidade 
de alertar a população sobre providências que deverão 
ser tomadas pelo poder público, associações de bairros, 
associações estudantis. Você foi aconselhado, pelo 
professor, a publicar esse estudo no Jornal Revelação. __________
f) Para participar de um seminário, na sala de aula, o 
professor solicita a leitura prévia de um capítulo do livro 
didático que foi adotado para estudo do assunto. Você 
deve fazer o registro da leitura, situando o conteúdo 
de cada item do capítulo, sendo fiel ao pensamento do 
autor, mas sem se preocupar em emitir sua opinião. __________
g) Para elaborar o projeto de seu Trabalho de 
Conclusão de Curso, o seu orientador solicitou que 
você realizasse e lhe apresentasse um levantamento 
bibliográfico de obras publicadas nos dois últimos anos 
sobre o tema a ser desenvolvido. __________
 
48 UNIUBE
Atividade 9
Leia o fragmento. 
Uma característica marcante do discurso literário de 
Machado de Assis é o humor, que se evidencia, 
sobretudo, em seus romances de segunda fase. O 
romance Dom Casmurro, pu blicado em 1899, é uma 
das obras mais discutidas pela crítica literária ainda nos 
dias de hoje.
 
Analise as alternativas e assinale aquelas que podem ser comprovadas 
pelo fragmento.
A. ( ) Com objetivo de fundamentar as ideias apresentadas, a 
autora do resumo utiliza-se do argumento de autoridade, 
fazendo referência à critica literária.
B. ( ) Nas duas afirmações, a autora utiliza-se do argumento 
baseado no consenso, uma vez que tais afirmações têm 
base científica e são aceitas como verdadeiras.
C. ( ) a autora utiliza-se de dois argumentos baseados em 
provas concretas, remetendo o leitor a documentos 
analisados.
D. ( ) A autora utiliza-se do argumento com base no raciocínio 
lógico, na medida em que evidencia uma relação de 
causa e consequência estabelecida entre o humor 
do discurso machadiano e o fato de o romance Dom 
Casmurro ser, ainda hoje, uma das obras mais discutidas 
pela crítica literária.
Referências
ABREU, Ana Rosa et all. O lobo e o burro. In: ______. Alfabetização: livro do aluno. 
Brasília: FUNDESCOLA/SEFMEC, 2000. V. 2. p. 98. Disponível em: <http://www.
dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=
24679>. Acesso em: 02 jun. 2016.
 UNIUBE 49
BENEDITTO, Fábio Júnior. Hackers expostos: segredos e soluções para 
a segurança de redes. Resenha. Disponível em: <http://www.comciencia.
br/resenhas/internet/hackers.htm>. Acesso em: 03 jun. 2016.
EVANGELISTA, Rafael. Gattaca. Disponível em: <http://www.comciencia.br/
resenhas/gattaca.htm>. Acesso em: 02 jun. 2016.
FADEL, C. B.; PINTO, M. H. B. A inserção da saúde bucal no Programa 
de Saúde da Família no estado do Paraná. Disponível em: <https://
rbmfc.org.br/rbmfc/article/view/330>. Acesso: 04 jun. 2016.
 
FLUXOS. Revista do Instituto de Humanidades da Universidade de Uberaba. 
Uberaba: Universidade de Uberaba, 2003. p. 46.
 
IBGE. Síntese dos indicadores sociais, 2002. MURPHY, D. D. Desafios à 
diversidade biológica em áreas urbanas. In: WILSON, E. O. (Ed.). Biodiversidade. 
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997. p. 91. 
LARENZ, Karl. Metodologia da Ciência do Direito. Tradução de José Lamego. 
6. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2012. p. 261.
MURPHY, D. D. Desafios à diversidade biológica em áreas urbanas. In: WIL SON, 
E. O. (ed.). Biodiversidade. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997. p. 91.
NERY, Rosa Maria de Andrade. O Direito como ciência, arte e técnica. In:______. 
Noções preliminares de Direito Civil. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2002. 
PERRENOUD, Philippe. Philippe Perrenoud: O futuro da escola nos pertence. Folha 
de S. Paulo on-line. Sinapse. São Paulo, p. 12, 29 jul. 2003. Disponível em:< http://
www1.folha.uol.com.br/folha/sinapse/ult1063u511.shtml>. Acesso em: 04 jun. 2016. 
50 UNIUBE
PIRES, Márcia Regina. Um olhar sobre o humor em Dom Casmurro. Anais do I 
Seminário de Iniciação Científica. Uberaba, Universidade de Uberaba, 2000, p. 181.
 
PLATÃO, Francisco Savioli; FIORIN, José Luís. Lições de texto: leitura e redação. 
São Paulo: Ática, 1996.
 
PONTO DE VISTA CIÊNCIA E BELEZA. Revista Scientific American 
Brasil, ano 1, n. 11, p. 5.
SABATTINI, Marcelo. As publicações eletrônicas dentro da comunicação 
científica. Disponível em: <http://bocc.ubi.pt/pag/sabattini-marcelo-publicacoes-
eletronicas.html>. Acesso em: 02 jun. 2016.
 
SANTOS, Antônio Raimundo dos. Metodologia Científica: a construção do 
conhecimento. 4. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2001.
 
SARAMAGO, José. Caim. Disponível em: < http://www.portaldaliteratura.
com/livros.php?livro=4689>. Acesso em: 02 jun. 2016. 
SOARES, Magda Becker; CAMPOS, Edson N. Técnica de redação: as articulações 
linguísticas como técnica de pensamento. Rio deJaneiro: Ao Livro Técnico, 1987.
 
TAKAHASHI, Tadao (Org.) et al. Mercado, trabalho e oportunidades. In:______. 
Sociedade da informação no Brasil: Livro Verde. Brasília: Ministério da Ciência 
e Tecnologia, 2000. cap. 2, p. 17-28.
Faraídes Maria Sisconeto de Freitas / Ivanilda Barbosa
Introdução
Linguagem, trabalho 
e prática social
Capítulo
2
O século XX ofereceu à humanidade o testemunho da força 
comunicativa. Os cientistas e os artistas apropriaram-se das 
técnicas da fi xação da imagem e conseguiram produzi-la em 
movimento. A história, ainda muito recente, registra a incrível, 
porém verdadeira, transformação dos meios de comunicação e 
sua interferência no estilo de vida das pessoas e das culturas: do 
cinema e do rádio para a TV e da TV para a tela do computador. 
Imagem e palavra – integradas e em velocidade – conquistaram 
a confi ança no poder da comunicação entre os povos de mesma 
ou de diferentes culturas. E assim, como no princípio, o verbo 
continua sendo ponte a unir sentimentos e interesses 
humanos.
As organizações empresariais constroem a imagem com a qual 
querem ser identifi cadas na dinâmica social, lançando mão de 
muitos recursos de linguagem e de suportes textuais que, no 
conjunto, são os responsáveis pela sua permanência no mercado 
de produção de bens e serviços. Basta lembrar o espaço das 
campanhas publicitárias em rádio, TV, outdoors, fachadas em 
néon, impressos que visitam as salas de espera ou são oferecidos 
nos semáforos como brindes ao consumidor.
Mas essas formas de comunicação são as únicas responsáveis 
por construir a imagem de uma organização ou empresa?
 
A vida de uma organização vai depender da sua capacidade de 
transformar todas as situações de comunicação, formal ou não 
52 UNIUBE
formal, em oportunidades de interação e relações humanas entre 
as pessoas que nela trabalham e entre essas e as outras dos 
demais segmentos sociais com os quais se relacionam para a 
produção dos bens ou serviços que a organização oferece.
 
É pensando na importância de cada situação comunicativa 
para a construção da autoimagem pessoal e empresarial que 
apresentaremos a seguir o estudo que faremos dos modelos de 
comunicação oficial, interna e ex terna, os quais são cotidianamente 
utilizados no âmbito das organizações.
Ao final dos estudos propostos, esperamos que você esteja apto a:
 
• ler e redigir, no contexto das relações empresariais, 
requerimento, curriculum vitae e carta de apresentação; 
• identificar as formas escritas de comunicação interna e suas 
fun ções em uma organização: memorando, aviso, e-mail, 
instrução normativa, parecer, pauta de reunião, carta de 
agradecimento e congratulações; 
• reconhecer os elementos estruturais da comunicação 
externa: ofícios e declarações; 
• utilizar, adequadamente, as formas textuais escritas da co-
municação interna e externa no contexto das organizações 
e empresas; 
• valorizar as situações de comunicação escrita como 
oportuni dades de relações humanas e interação no contexto 
organiza cional.
Objetivos
2.1 Formas da escrita no cotidiano das empresas e organizações 
2.1.1 Linguagem e vínculo social 
Esquema
 UNIUBE 53
2.1.2 Formas textuais e identidade do profissional e da orga-
nização 
2.1.3 Expressão verbal 
2.1.4 Comunicação e imagem da organização 
Resumo
Atividades 
Referências
2.1 Formas da escrita no cotidiano das empresas e 
organizações 
A interação humana traz o aprimoramento da linguagem, uma vez 
que, estabelecendo relações comunicativas, o homem se abre ao 
conhecimento, une o que já possui ao que o outro lhe apresenta, assim 
acontece a ampliação lexical. Nesse contexto, também podem ser citadas 
as riquezas culturais e o avanço da tecnologia.
2.1.1 Linguagem e vínculo social
A linguagem humana realiza-se em um sistema de 
representações convencionadas pela sociedade que 
possibilitam a comunicação entre os homens. 
Sabemos que a linguagem e a sociedade são inseparáveis. Seria 
incoerente se parar uma da outra em nossos estudos. Para compreender 
como essa histórica relação se modifica através dos tempos, é 
necessário observar as transformações sociais e culturais ocasionadas 
pela produção do conhecimento técnico-científico e que envolvem todos 
os elementos da cultura, incluindo as tecnologias.
 
Para compreender esse processo, observe, com atenção, as ilustrações 
da Figura 1.
54 UNIUBE
ANTES DEPOIS
Figura 1: Evoluções tecnológicas.
Fonte: Acervo EAD – Uniube
É interessante verificar que uma técnica e sua aplicação provêm de 
outras e que do movimento de busca, de apropriação, de erros e acertos, 
produz-se a grande diversidade cultural e linguística.
Você constatou as transformações que ocorreram (e ocorrem) 
em todos os contextos? 
 UNIUBE 55
Nessa diversidade, encontra-se a identidade dos povos, dos segmentos 
sociais e das profissões. Não é difícil identificar a diferença entre as 
técnicas, os instru mentos de trabalho e a linguagem dos profissionais da 
Medicina, da Engenharia, da Comunicação Social, da Administração, do 
Serviço Social, por exemplo. Mas, todos esses grupos de profissionais 
podem comunicar entre si em diferentes ambientes e nas mais diversas 
esferas sociais: comunidade religiosa, associa ções, grupos de recreação, 
círculo empresarial, núcleos científicos, artísticos e políticos.
Em cada um desses ambientes, podem se estabelecer múItiplas situações 
de comunicação e, para cada uma delas, as pessoas escolhem palavras, 
expres sões e enunciados adequados, para conseguirem se comunicar 
o melhor possível e atingirem os seus objetivos. A comunicação oficial, 
por exemplo, pode se esta belecer entre:
• patrão e empregado; 
• colaboradores de uma mesma empresa; 
• empresa e órgãos públicos; 
• empresa e cliente; 
• o candidato a um emprego e o responsável pelo setor de recursos 
humanos da empresa; 
• um engenheiro e o encarregado da obra; 
• o encarregado e os demais trabalhadores; 
• empresa e fornecedor; 
• empresário e empresário.
O trabalho eficiente de um engenheiro, de um administrador, de um 
advogado, de um contador, por exemplo, depende da constante interação 
com outros pro fissionais da área em seus ambientes de trabalho. Assim, 
esses profissionais diariamente utilizam escolhas lexicais determinadas 
e entram em contato com variedades linguísticas profis sionais, 
adequadas para cada situação de comunicação no canteiro de obras, em 
reuniões administrativas, em um escritório, em um consultório, em lojas 
especializadas, entre outras. E isso acontece com todos os profissionais 
das mais diversas áreas de atuação.
 
Podemos afirmar, então, que a variedade linguística profissional é um 
fazer cultural e que o uso da língua é tão dinâmico quanto à diversidade 
56 UNIUBE
de situa ções existentes nos grupos sociais. Tratando-se de comunicação 
oficial, são estabelecidas algumas normas para que os objetivos da 
comunicação sejam assegurados. 
Figura 2: Interação entre profissionais. 
Fonte: Acervo EAD – Uniube. 
No mundo do trabalho, considerando suas especificidades, o emprego da 
linguagem técnica é usual.
IMPORTANTE!
• Um engenheiro, por exemplo, ao dar instruções ou solicitar 
informações, no contexto em que trabalha, utiliza termos e expressões 
que têm sentido próprio no campo da engenharia e seu interlocutor 
precisa conhecer esses sentidos.
• Um médico, ao orientar uma enfermeira sobre os cuidados em relação 
a um determinado paciente, utiliza termos técnicos que são usuais no 
contexto hospitalar.
EXEMPLIFICANDO!
 UNIUBE 57
Estabelecer vínculos por meio da comunicação. Esse entendimento entre 
os profissionais colabora para a eficácia do trabalho que está sendo 
realizado. E, como o profissional assume responsabilidades sociais, 
é importante que ele construaa sua identidade pessoal e profissional 
e estabeleça vínculos na sociedade em que atua, no exercício da 
comunicação diária. 
A seguir, vamos exercitar as formas da escrita, no contexto das 
organizações, como expressão da identidade profissional, em situações 
de comunicação in terna e externa. 
2.1.2 Formas textuais e identidade do profissional e da organização
Vamos pensar um pouco sobre os diferentes significados da 
palavra casa?
A palavra casa pode significar imóvel, edificação, albergue, residência, 
domicí lio. Em linguagem popular, ela faz sentido em diferentes situações. 
Porém, no exercício da comunicação oficial, convencionou-se, que, no 
campo da enge nharia, por exemplo, onde se lê a palavra casa, lê-se 
edificação; no comércio imobiliário, casa será sempre referida como 
imóvel. Ou seja, há uma convenção, proposta e exercida pela e na 
sociedade, para que cada palavra tenha o seu ou os seus sentidos e 
seja usada em determinados contextos ou campos da atividade humana. 
Vale dizer que é a convenção social que permite a comunicação. No 
campo profissional, o conhecimento das convenções facilita a interação, 
pois os interlo cutores poderão atribuir o sentido esperado (à palavra casa, 
por exemplo), considerando o contexto. 
A linguagem a serviço dos profissionais é conhecida por linguagem 
instrumental, isso porque ela vai sendo construída à medida que os 
cientistas e os profissionais vão construindo o saber em determinada 
área do conhecimento ou determinada profissão. Podemos dizer que o 
uso da linguagem, em situação de comunicação científica e técnica, vai 
criando uma espécie de memória pertinente a cada uma das áreas do 
conhecimento humano.
58 UNIUBE
No que se refere às formas de escrita oficial, adotadas em uma empresa 
ou organização, elas também têm cada uma a sua história social e seu 
sentido convencional. Considerando os interlocutores e o espaço de 
circulação dessas formas textuais, podemos separá-las em três grandes 
grupos.
• Primeiro grupo: textos de referência pessoal como o requerimento, 
o curri culum vitae e a carta de apresentação. 
• Segundo grupo: os textos de circulação interna à empresa 
ou organização, tais como: avisos, ordem de serviço, e-mail, 
memorando, relatório diário, instrução normativa. 
• Terceiro grupo: textos de circulação externa à organização: 
cartas comerciais, ofícios, declarações, contratos de prestação de 
serviços. 
A seguir, vamos apresentar algumas dessas formas da escrita oficial que 
interes sam ao dia a dia dos profissionais de diferentes áreas em uma 
organização. 
2.1.3 Expressão verbal 
2.1.3.1	Apresentando-se	como	profissional
A) Requerimento
Você já preencheu algum requerimento? Em que situação isso 
foi necessário?
O requerimento é um texto formal utilizado para solicitar algum 
procedimento, documento ou recurso de interesse da pessoa que toma 
a iniciativa de fazê-lo. Utilizamos essa forma de comunicação quando 
procuramos o setor de recursos humanos de uma empresa para solicitar, 
formalmente: 
• uma vaga de estagiário; 
 UNIUBE 59
• as férias na empresa; 
• cópias de documentos pessoais; 
• entre outras solicitações.
Nessas situações formais, podemos identificar uma estrutura textual 
padrão do requerimento. Veja, a seguir.
1. Endereçamento e invocação
 
Na parte superior do documento deve ser indicado o nome de quem 
receberá a solicitação, seu cargo ou função; e, a seguir, a expressão 
Prezado senhor ou Senhora diretora. 
2. Identificação do requerente 
Nome e dados pessoais de quem está fazendo a solicitação. 
3. A requisição 
Descrição do objeto, ou seja, detalhamento do que se está solicitando 
(O quê? Quanto? Quando?). 
4. Pedido de atendimento 
Normalmente utiliza-se o enunciado “Nestes termos, pede deferimento”. 
Costuma -se pedir o deferimento, a resposta do que está sendo requerido, 
uma vez que a formalidade da situação exige tal cortesia. 
5. Cidade, data e assinatura do requerente
60 UNIUBE
Um modelo de requerimento:
1
Senhor João Francisco de Assis
D.D. Diretor de Recursos Humanos
Companhia de Recursos Hídricos do Cerrado – CORHICE
Prezado senhor
2 
e 
3
Eu, _______________________, portador(a) da cédula de identidade nº 
____________________, residente e domiciliado(a) a Rua _______________, 
cidade ______________, Estado ________, venho requerer minha inscrição 
para a entrevista de seleção ao cargo de gestor(a) de projetos, conforme edital 
publicado na imprensa local.
Declaro que tenhos os requisitos mínimos exigidos e estou ciente das 
condições de trabalho, hora de dedicação e remuneração para esse cargo, 
descritas no referido local.
4 Nestes termos, peço deferimento.
5
Uberaba, 20 de maio de 2016
Daniela Maria de Barros
EXEMPLIFICANDO!
Observe, no modelo apresentado, que as partes foram separadas com o 
objetivo de facilitar o modo de organização de um requerimento.
Caso você queira ler outros modelos de requerimento referentes à sua área 
de atuação, pesquise em diferentes sites. Entre eles, sugerimos:
<http://www.comerciarios.com.br/Diversos/requerimentos.htm>.
<http://www.broffice.org/escritorio_aberto/requerimentos>.
PESQUISANDO NA WEB
B) Curriculum vitae (currículo de vida) 
Você certamente já ouviu alguém dizer:
 “Deixei meu currículo naquela empresa.”
 “Vou acrescentar essa informação em meu currículo.”
 “Preciso atualizar meu currículo.” 
 UNIUBE 61
E você? Já sabe elaborar um currículo? Se fosse necessário 
apresentar esse documento ao coordenador de seu curso, para 
concorrer a uma vaga de estagiário, quais informações você 
priorizaria?
O currículo é um documento de identificação pessoal, geralmente utilizado 
para fins profissionais. Dependendo da área de atuação do profissional, o 
currículo pode oferecer uma visão mais ou menos detalhada em relação 
à formação es colar e à experiência profissional.
 
Existem diferentes modelos de currículo. As empresas ou instituições 
geralmente adotam um modelo padrão com os itens que lhes interessam. 
Muitos modelos circulam pela Internet e há até impressos próprios para 
currículos que são ven didos em papelarias.
 
Há, ainda, o modelo personalizado que oferece a oportunidade de 
enumerar apenas os dados profissionais que delineiam seu perfil 
profissional ou que inte ressam mais diretamente a uma ou outra empresa. 
Em um currículo é fundamental constar:
• dados pessoais;
• dados sobre a formação técnica;
• dados da formação acadêmica;
• estágios;
• experiência profissional;
• cursos de língua estrangeira;
• entre outros.
IMPORTANTE!
Segundo Martins e Zilberknop (2007, p. 193), o “curriculum vitae pode 
ser encaminhado através de um ofício ou de uma carta de apresentação. 
Pode ainda ser introduzido por uma resposta de anúncio.” Assim, é 
importante que a pessoa saiba:
62 UNIUBE
• informar-se sobre a instituição ou empresa para a qual vai enviar o 
currículo; 
• escolher o modelo adequado para preenchimento dos dados 
pessoais; 
• manter uma pasta com todos os documentos pessoais que 
comprovam as informações fornecidas em seu currículo; 
• redigir uma carta de encaminhamento do seu currículo; 
• saber selecionar os dados de sua formação escolar e profissional 
que mais interessem à empresa ou ao cargo a que está 
concorrendo; 
• selecionar dados complementares de sua formação que estejam 
relacionados à sua visão de sociedade e de trabalho. 
Caso você queira saber mais sobre esse assunto, sugerimos acessar os 
seguintes sites:
<http://www.suframa.gov.br/cidadao/downloads/modelo_de_curriculum_
vitae.doc>.
<http://www.meucurriculum.com>.
PESQUISANDO NA WEB
C) Carta
 
A carta, enquanto correspondência oficial entre pessoas jurídicas ou 
pessoas físicas, pode tratar de diferentes assuntos. Em uma empresa,é utilizada, por exemplo, com a finalidade de informar, propor, cobrar ou 
apresentar uma pessoa que nela trabalha ou trabalhou.
A pessoa física pode se servir da carta, oficialmente, para: 
• propor alguma mudança; 
• apresentar um currículo; 
 UNIUBE 63
• responder a alguma solicitação indevida; 
• agradecer informações recebidas, entre outras finalidades. 
No contexto profissional, as cartas são escritas e encaminhadas em papel 
tim brado, com a identificação da empresa. Na carta oficial, podemos 
identificar os elementos indicados a seguir.
1. Local e data 
2. Nome e cargo da pessoa a quem se dirige 
3. Invocação: Prezado senhor; Prezada diretora; Senhor presidente; 
4. Corpo do texto: o desenvolvimento do assunto, em linguagem 
culta, padrão formal, acrescida, sempre que necessário, dos termos 
técnicos; 
5. Fecho: parágrafo final conclusivo, seguido de uma expressão 
cortês, como, Atenciosamente ou Cordialmente, ou Com meus 
agradecimentos ou Agradeço sua atenção. 
6. Assinatura de quem expede a correspondência.
2.1.3.2 Interagindo dentro da organização
a) Memorando
 
O memorando é uma forma de comunicação interna objetiva, que exige 
uma linguagem simplificada, porém técnica, sustentada na terminologia 
da própria profissão.
 
Na comunicação interna de uma organização, geralmente esse gênero 
textual é utilizado para a comunicação mais ágil de fatos, de ocorrências 
e até solicitações entre dois departamentos, seções ou divisões. É 
elaborado por um profissional que o emite destinado a outro profissional 
em diversos graus de hierarquia dentro da empresa.
 
Sobre o memorando, Martins e Zilberknop (2007, p. 214) afirmam que: 
“sua característica principal é a agilidade (tramitação rápida e simplicidade 
de procedi mentos burocráticos)”. Nesse caso, pode o recebedor do 
64 UNIUBE
memorando despachar, no mesmo documento, utilizando o verso ou 
anverso, e até mesmo anexar uma folha de continuação. 
Os memorandos devem ser enumerados, facilitando o controle da 
correspon dência expedida pelo setor. No caso de haver um memorando 
em resposta a um primeiro, deve ser feita a referência ao assunto, à data 
e, se possível, ao número do memorando objeto da resposta. 
Memorando Nº 0086 Em 19/05/16
De: Maria Aparecida dos Anjos Setor: Departamento de Compras
Para: Antônio Feliz Setor: Manutenção
Em atendimento ao memorando Nº 034/2016, de 10/03/2016, comunico-
lhe que o material encontra-se no mercado, devendo este departamento 
encaminhar a requisição de compra de material até dia 20 próximo, sob pena 
de não ser atendido no prazo solicitado.
Atenciosamente,
Maria Aparecida dos Anjos
Chefe de Departamento
EXEMPLIFICANDO!
Para conhecer outros memorandos, sugerimos pesquisar em diferentes 
sites. Entre eles destacamos:
<http://office.microsoft.com/pt-br/templates/CT101172591046.aspx>.
<http://www.portaladm.adm.br/Portinstrumental/modelos%20de%20
documentos.pdf>.
PESQUISANDO NA WEB
 UNIUBE 65
b) Avisos
 
Quando a informação é direcionada a muitos colaboradores dentro da 
empresa e precisa ser agilmente divulgada, utiliza-se o aviso em murais 
próprios. Essa forma de texto, para que seja lida como uma comunicação 
oficial, deve conter alguns elementos básicos:
 
• expressão chamativa, direcionando o aviso aos interessados no 
assunto; 
• informação direta, objetiva; 
• nome de quem expede a informação, a data e a hora. 
O aviso pode ser usado para divulgar procedimentos a serem adotados 
por determinado setor em dada situação. Pode também não ter um 
destinatário definido, conforme o exemplo a seguir.
Existem, no entanto, os avisos que devem circular entre um número 
restrito de profissionais ou ser dirigido a um único profissional, quando 
de interesse parti cular. Estes, muitas vezes, são 
entregues em reuniões. 
Se dirigido a uma única pessoa, o aviso é redigido 
de próprio punho, de preferên cia em papel 
timbrado e afixado em local de fácil acesso à 
leitura, por onde o destinatário circula. 
c) E-mail 
São muitas as utilizações das Tecnologias de 
Informação e Comunicação (TICs), as quais 
modificaram as formas de comunicação no mundo 
pós-moderno.
 Faltará energia, neste setor, hoje, das 15h às 16h.
 João Feliz – Diretor de manutenção
Email
E - (eletrônico)+ 
mail (correio) = 
“correio eletrônico” 
e nomeia tanto o 
ambiente da
Internet por 
onde se enviam 
as mensagens 
eletrônicas quanto 
a mensagem 
eletrônica em si.
Fonte: Disponível 
em: <www.aisa.
com.br/diciona.
html>, acesso em: 
04 jun. 2016.
66 UNIUBE
A informática e os recursos tecnológicos oferecem variadas ferramentas 
para a produção textual. Uma delas é o e-mail, bastante ágil para 
comunicação interna e externa nas empresas.
Nas organizações, como forma de comunicação interna, o e-mail é 
utilizado para estabelecer diferentes tipos de comunicação. Por meio dele 
é possível enviar desde mensagens simples até diferentes documentos, 
que podem, inclusive, ser anexados às mensagens, como por exemplo: 
uma circular, um currículo, fotos, entre outros.
 
Quanto à linguagem, vale ressaltar que o grau de formalidade será 
determi nado de acordo com o destinatário e com o conteúdo. Isso 
significa que, quando enviado a colegas de trabalho, a linguagem é mais 
informal. Mas, quando enviado a chefes de departamento ou para um 
grupo de destinatários, por exemplo, a linguagem é mais formal, exigindo 
uma elaboração mais apurada. 
Analise os exemplos a seguir.
EXEMPLIFICANDO!
Exemplo 1
 UNIUBE 67
Observe que, no exemplo 1, o emissor João Henrique relembrou os seus 
co legas de trabalho a reunião do próximo dia. Ele utilizou uma linguagem 
menos elaborada, mais informal. No exemplo 2, a mensagem enviada ao 
chefe exigiu um grau de formalidade um pouco maior. 
d) Justificativa 
Toda ação tem um motivo, uma necessidade para ser empreendida, 
modificada ou impedida. No entanto, não se pode justificar uma realidade 
sem expor as razões, uma vez que corre-se o risco da atitude ser 
interpretada como unilateral e sem fundamentação.
 
No contexto profissional, as intervenções precisam ser formalmente 
expressas. O profissional, ao agir em desconformidade com manuais 
ou instruções norma tivas (ou mesmo em casos em que a conformidade 
é contestada), deve justificar oficialmente o seu ato ou as providências 
tomadas para que atenda tanto às exigências sociais quanto à segurança 
e à credibilidade da empresa. 
A confiabilidade dos processos, dos procedimentos, das atitudes, 
das posturas e das decisões está na base da justificativa das ações 
profissionais. Nesse sentido, cabe dizer que a justificativa oficial é 
Exemplo 1
68 UNIUBE
um texto utilizado em empresas, em eventos científicos, em projetos 
acadêmicos ou em outras situações formais quando há necessidade de 
se justificar uma atividade que resulte em produtividade ou que impeça 
o prejuízo de terceiros. 
Toda justificativa, portanto, deve estar fundamentada em dados, 
em normas ou em fatos comprováveis. Para se fundamentar uma 
justificativa, em âmbito institucional, geralmente, utilizam-se as regras 
ou normas constantes nos ma nuais de instrução ou na legislação 
pertinente, podendo, inclusive, reportar-se a autores consagrados 
naquele domínio profissional. Nesses casos, é importante citar a fonte 
e a data da informação para que seja possível consultar e atestar sua 
coerência, confirmar sua veracidade. Esse é um procedimento desejável 
e importante no contexto profissional.
Como em toda comunicação interna, a terminologia técnica e profissional, 
por ser mais direta e precisa, deve ser utilizada também na justificativa.
 
e) Instrução normativa
Em um empreendimento ou instituição, a normatização de processos 
é essencial para assegurar a qualidade, o seu controlee a sua 
manutenção. Além dos manuais de orientação presentes nas empresas, 
periodicamente, elas podem lançar mão das instruções normativas, para 
efeito de validar procedimentos importantes para o fluxo dos serviços, 
até que os manuais sejam atualizados.
 
Segundo Bastos (2001), a empresa não opera no vazio, pois todo ato 
administrativo ou produtivo deve estar fundamentado em normas, ou 
seja, deve ter a devida sus tentação metodológica. Daí a importância 
da instrução normativa, para se operar conforme prescrições vigentes, 
uma vez que a atualização de um manual e sua divulgação nem sempre 
acontecem com a agilidade que a situação impõe. 
As entidades de classe que socialmente assumem para si a função de 
norma lizar procedimentos técnicos relacionados ao exercício da profissão 
dos médi cos, engenheiros, assistentes sociais, arquitetos, psicólogos, 
advogados, entre outras, fazem constante uso de instruções normativas 
que são acatadas pelos profissionais a elas filiados, e podem, também, 
ser acatadas por empresas e escolas de formação desses profissionais. 
 UNIUBE 69
Se você quer conhecer algumas instruções, sugerimos os sites a seguir:
• do CREA <http://normativos.confea.org.br/apresentacao/apresentacao.
asp>.
• do IBAMA <http://www.ibama.gov.br/cadastro/inormativa10.htm>.
PESQUISANDO NA WEB
f) Parecer 
No contexto profissional, os processos se desenvolvem por meio de 
documentos, requisições, reclamações, advertências entre outras 
necessidades comunicativas e, muitas vezes, dependem de respostas ou 
de análises. O parecer é um gênero textual em que o analista argumenta 
em conformidade com as normas da em presa ou da legislação vigente.
 
O parecerista emite um juízo a favor ou contra o fato ou proposta que 
se analisa, fundamentado na cultura organizacional. Segundo Martins 
e Zilberknop (2007, p. 238), o parecer “difere da informação, porque, 
enquanto o primeiro interpreta fatos, a segunda apenas os fornece”. 
Portanto, emitir um parecer é mais do que informar. É expressar uma 
concordância ou discordância a fim de possibilitar uma decisão acerca 
de alguma situação que necessite de uma posição técnico-profissional, 
administrativa ou científica. 
g) Pauta de reunião 
As reuniões têm sido um foco de observação e de pesquisa nas 
empresas mais conceituadas e de vanguarda do Brasil. Nos escritórios 
das construtoras, nos canteiros de obras, nas consultorias às empresas, 
esses encontros são im portantes para avaliação, inovação e atualização 
de procedimentos, e têm por objetivo regular as questões problemáticas 
do empreendimento. 
Para que os ajustes necessários sejam realizados com eficácia, as 
questões devem ser apresentadas, analisadas, avaliadas para que 
70 UNIUBE
ajustamentos sejam propostos. Como vemos, fazer uma reunião não 
é tão simples como pode se supor. Para que ela seja produtiva, isto é, 
para que resulte em benefícios para a empresa e responsáveis pela 
obra, a reunião deve ser planejada. Quem convoca a reunião deve 
sempre informar a pauta, ou seja, qual o objetivo da reunião, quem deve 
participar e de quais assuntos deverão tratar. Entende-se, portanto, por 
pauta de reunião um roteiro a ser seguido. 
Sabemos que os valores do mundo empresarial contemporâneo podem 
ser con tabilizados em tempo. Assim, os roteiros devem ser elaborados 
dimensionando a duração da reunião, para que todos dela saiam com 
segurança das decisões que ali foram tomadas. 
Com base na pauta, as reuniões se organizam no tempo necessário para 
a apresentação dos assuntos, para a expressão de pontos de vista, de 
opiniões e de decisões coletivas. 
h) Agradecimento
 
Muitas situações merecem uma carta de agradecimento, isto é, um texto 
que represente essa intenção. 
Na sociedade contemporânea, considera-se regra básica de cordialidade 
agra decer, por escrito, alguma ocorrência empresarial ou institucional que 
tenha beneficiado ou colaborado para o encaminhamento dos negócios. 
Ressaltamos que o texto de agradecimento deve ser objetivo e usando 
uma linguagem culta, porém, sem distanciamentos e expressando o 
reconhecimento, sempre que possível, em nome de toda equipe de 
trabalho. 
2.1.4 Comunicação e imagem da organização
 
A linguagem é o lugar privilegiado da interação entre os cidadãos. É 
a base na qual se fundamentam as relações sociais, aí incluídas 
as profissionais. Pela linguagem, o profissional pode expressar sua 
identidade e a identidade da em presa ou instituição em que exerce sua 
profissão. Nesse sentido, expressão e comunicação profissional são 
indissociáveis. 
 UNIUBE 71
A linguagem instrumental na área empresarial pode ser identificada 
como um conjunto de atividades que responde à necessidade de 
interação e intercomuni cação entre contadores, engenheiros, tecnólogos, 
administradores, consultores, mas também entre esses e seus clientes, 
por exemplo. 
Muito bem preparados na sua competência intelectual, os profissionais 
devem se mostrar também conhecedores dos registros cotidianos 
internos à empresa, por exemplo, o memorando, a instrução normativa, o 
parecer, a justificativa, o agradecimento, enfim, saber escrever inúmeros 
textos oriundos da própria na tureza dos processos e procedimentos 
necessários em uma organização. 
Em princípio, as técnicas de expressão devem conduzir ao conhecimento, 
ao domínio e ao emprego apropriado e coerente da língua falada e 
escrita no cotidiano de cada profissional e no contexto da empresa. 
Segundo Vanoye (2002), a comunicação entre grupos restritos (como 
a comunicação interna de uma empresa) geralmente se dá a partir de 
um reconhecimento dos fe nômenos expressivos para se chegar a uma 
prática comunicativa eficiente e objetiva. 
As relações entre uma empresa ou instituição e as demais organizações 
sociais contemporâneas vão se estreitando à medida que a noção de 
trabalho colabora tivo associa-se à necessidade de se ter uma visão 
global das relações humanas e funcionais no mundo do trabalho. 
Os conselhos consultivos, deliberativos e executivos de grandes, médias 
e peque nas empresas, hoje, muito mais sistematicamente que há 30 
anos, preocupam -se em construir e manter a imagem da organização da 
qual fazem parte. Podemos testemunhar a importância que se tem dado 
à divulgação da missão das empre sas, sejam elas públicas ou privadas. 
Essa imagem se constrói com os valores que cada empresa possui. Aqui, 
destacamos três: 
• a força de trabalho dos seus funcionários ou colaboradores; 
• o poder econômico, isto é, o capital; 
• o poder de comunicação interna e externa da organização. 
72 UNIUBE
As campanhas publicitárias ocupam um lugar de destaque para que as 
organi zações se tornem conhecidas pelos segmentos sociais. Porém, há 
formas de comunicação menos conhecidas, pelas quais se organizam 
as relações entre empresas e entre estas e pessoas físicas. Essas 
formas são responsáveis pelo estabelecimento do vínculo social que 
necessariamente precisa existir na vida de qualquer organização.
 
Dentre elas destacam-se os convênios, os contratos de prestação de 
serviços, os editais, as declarações, os ofícios. Esses textos são redigidos 
em língua culta padrão e obedecem às convenções estabelecidas ou 
adotadas pelas instituições conveniadas ou por quem as emite. 
Para melhor conhecer sua estrutura, seus componentes e organização, 
e se sentir apto a redigi-los ou aprová-los em atividade profissional, é 
conveniente que, durante sua formação profissional, procure inteirar-se 
dos variados modelos de contratos, convênios, ofícios e declarações 
que circulam cotidianamente na sociedade, sobretudo nos ambientes 
empresariais. 
Resumo
Abordamos, neste capítulo, a importância da leitura e da escrita no 
contexto das relações empresarias, apresentando as formas textuais 
escritas da comunicação interna e externanecessárias ao profissional 
dos dias atuais. 
No contexto das relações empresariais, estudamos os modos de 
organização dos gêneros: requerimento, curriculum vitae e carta de 
apresentação. Entre as formas escritas de comunicação interna vimos: 
memorando, aviso, e-mail, instrução nor mativa, parecer, pauta de 
reunião, carta de agradecimento e congratulações. 
Destacamos, neste estudo, a importância das relações humanas entre 
as pes soas que trabalham em uma organização e entre elas e as outras 
dos demais segmentos sociais, valorizando as situações de comunicação 
escrita como oportunidades de interação. 
 UNIUBE 73
Atividades
A seguir estão propostas várias atividades de observação dos aspectos 
tex tuais – próprios de redação oficial. Realizando-as, você poderá 
aprender as suas especificidades. 
Atividade 1
Se você é usuário de serviços bancários, recebe diária, semanal ou 
mensalmente correspondência do seu gerente ou de diretores do banco. 
Provavelmente já observou como o banco faz uso da comunicação para 
manter os seus clientes satisfeitos com os serviços que prestam.
 
1.1 Selecione uma correspondência que o banco lhe encaminhou, ou 
a seus pais, e procure identificar de qual tipo é: um contrato de 
serviço; uma proposta de oportunidade de crédito; informações 
oficiais dos serviços que o banco presta, aviso de débito ou de 
crédito; oferta de novas linhas de crédito ou outro. 
1.2 Enumere os elementos que caracterizam a correspondência 
recebida e justifique se ela pode ser classificada como uma redação 
oficial.
1.3 Tendo observado todos os detalhes da correspondência, responda. 
A correspondência, que você selecionou, pode ser denominada: 
A ( ) declaração. 
B ( ) contrato de prestação de serviço. 
C ( ) ofício. 
D ( ) carta-ofício. 
E ( ) outra. 
1.4 Usando a terminologia da redação oficial, justifique a sua resposta, 
abordando as características da correspondência recebida. 
74 UNIUBE
Atividade 2 
Redija um requerimento, solicitando a uma empresa uma vaga como 
estagiário na área em que gostaria de atuar. Como detalhamento, inclua 
a referência ao seu currículo que será anexado ao requerimento. 
Atividade 3 
Elabore seu curriculum vitae, de maneira personalizada, para concorrer 
à vaga de estagiário que está requerendo. 
Atividade 4
Redija uma carta de encaminhamento do seu curriculum vitae ao 
diretor do curso de Engenharia, da Universidade de Uberaba, solicitando 
uma oportunidade de participar de um projeto de pesquisa como bolsista 
do CNPQ. 
Referências
BASTOS, Celso Ribeiro. Curso de Direito Constitucional. São Paulo: Saraiva, 2001. 
DRUCKER, Peter. O melhor de Peter Drucker – o homem. São Paulo: Nobel, 2001. 
MARTINS, Dileta S.; ZILBERKNOP, Lúbia S.. Português instrumental: de 
acordo com as atuais normas da ABNT. 26. ed. São Paulo: Atlas, 2007. 
VANOYE, Francis. Usos da linguagem: problemas e técnicas na produção oral 
e escrita. São Paulo: Martins Fontes, 2002. 
Faraídes Maria Sisconeto de Freitas / Ivanilda Barbosa
Introdução
Linguagem, sociedade 
e comunicação verbal
Capítulo
3
Neste capítulo trataremos das questões que envolvem a 
comunicação tanto oral quanto escrita e sua utilização no mundo 
do trabalho.
Este estudo é muito importante porque é por meio da linguagem 
que o homem se comunica, tem acesso a diferentes informações, 
apresenta e defende seus pontos de vista, produz conhecimentos 
e, sobretudo, interage com outras pessoas próximas ou distantes.
No mundo em que vivemos, a comunicação perpassa cada uma 
de nossas atividades – pessoais e profi ssionais, individuais e 
coletivas. Assim, para que você tenha uma participação social 
mais efetiva, sugerimos que se esforce para aprofundar seus 
conhecimentos de modo a exercer melhor sua cidadania.
Na primeira parte de nossos estudos, abordaremos A prática 
comunicacional do ser humano em suas diversas situações 
sociocomunicativas, refl etindo sobre a adequação da linguagem 
aos contextos em que é produzida e aos diferentes gêneros 
textuais que circulam entre nós.
Na sequência, serão apresentadas as dimensões verbal e não 
verbal em um texto. Nesta parte será aprofundada a questão da 
utilização das linguagens – verbal e não verbal – que, associadas, 
se complementam, e possibilitam a formação de um novo todo 
signifi cativo.
76 UNIUBE
Ao final deste capítulo, esperamos que você seja capaz de:
 
• identificar a importância da comunicação oral e escrita nas 
rela ções sociais pessoal e profissional; 
• valorizar a leitura como um processo de aprimoramento para 
a ampliação de conhecimentos e melhoria da comunicação 
nos diferentes contextos sociais; 
• caracterizar os textos escritos conforme seu modo de 
organização; 
• redigir documentos institucionais de forma coesa e coerente; 
• associar a imagem visual ao texto verbal em situações de 
comu nicação técnicas e profissionais; 
• utilizar adequadamente a técnica da descrição na elaboração 
de memoriais descritivos e relatórios técnicos; 
• identificar o memorial descritivo e o projeto como uma prática 
de comunicação escrita importante para o acompanhamento 
do processo de produção e de avaliação de produtos. 
Objetivos
3.1 Linguagem verbal e transformação social 
3.2 Situações comunicativas e a diversidade de gêneros textuais 
3.3 Comunicação verbal, competência profissional e produtividade 
3.4 Em busca da comunicação eficaz 
Esquema
No terceiro momento, o enfoque será A expressão verbal na 
redação oficial, projetos e memoriais. Vamos abordar, nesta parte, 
a especifici dade da linguagem técnica necessária ao contexto 
profissional e a sua adequação às situações comunicativas, aos 
interlocutores e, conse quentemente, aos gêneros textuais.
 UNIUBE 77
3.5 As dimensões verbal e não verbal em um texto 
3.6 A expressão verbal na redação oficial, projetos e memoriais 
3.6.1 A redação oficial
3.6.2 O projeto
3.6.3 O memorial descritivo
Resumo
Atividades
Referências
Linguagem verbal e transformação social 3.1
Você já observou como a comunicação, os afazeres cotidianos dos 
profissionais liberais estão sempre associados a falas e leituras? 
E mesmo quando não estão em ambiente de trabalho, os vemos 
completamente cercados de textos – orais e escritos – com os quais vão 
se relacionando e interagindo com as outras pessoas?
QUANTAS são as situações de comunicação que você vivencia em seu 
cotidiano?
PARADA PARA REFLEXÃO
Após essa constatação, reveja quantas vezes você verifica:
 
• na rua: placas de trânsito, os outdoors, os nomes das instituições, 
os fôlderes recebidos nas esquinas, os cumprimentos; 
• em casa: os bilhetes, os talões para pagamento de água, de 
energia elétrica, as correspondências pessoais e comerciais, os 
manuais de instruções dos aparelhos, os e-mails dos amigos; 
• na universidade: os diferentes textos a ler e estudar, os murais com 
avisos, o requerimento para ser preenchido, a aula expositiva do 
professor, os slides, as placas de advertência nos laboratórios; 
78 UNIUBE
• no local de trabalho: relatórios, memorandos, os e-mails dos 
clientes, ofícios, as declarações, a convocação. 
Podemos, assim, verificar que a sociabilidade – ou seja, todas as 
relações hu manas familiares, profissionais, amorosas, entre amigos ou 
comerciais – ocorre em situações de comunicação, predominantemente 
pela fala e pela escrita. Isso significa dizer que comunicar é uma ação 
diária que requer do ser humano muitas habilidades.
 
Ao dedicarmos um momento do curso para pensar sobre essas questões, 
que remos refletir sobre a importância de ter o domínio dos vários usos 
da língua portuguesa, para a realização pessoal e o desempenho 
profissional. Como acadêmico de Administração, Direito, Engenharia, 
Ciências Contábeis, Agrone gócio, ServiçoSocial, Turismo, Arquitetura, 
você tem expectativas de ampliar suas habilidades de falar e ouvir, ler 
e escrever?
 
Muitas são as formas de textos e diversas são as funções deles no campo 
pessoal, profissional e social. Cada uma advém de uma necessidade 
comu nicativa, por isso expressa as finalidades de quem está praticando 
a fala ou a escrita e é sempre adequada a determinadas situações. A 
essas formas, que a sociedade aceita como uma prática de comunicação, 
chamamos de gêneros textuais. 
Vamos prosseguir com a leitura, revisitando teóricos e apresentando 
nossa compreensão sobre o tema, quando esperamos também conhecer 
a sua. Leia os textos que se seguem.
Procedimentos para inserção de sua fotografia no ambiente Uniube 
on-line
Após acessar a tela de inserção de fotos do perfil, realize os seguintes 
procedimentos:
• clique no botão “Procurar”;
TEXTO 1
 UNIUBE 79
• neste momento, será apresentada a caixa-padrão de escolha de 
arquivos;
• nesta caixa, localize a pasta que contém o arquivo com a fotografia ou 
imagem a ser inserida;
• clique sobre o arquivo e escolha a opção “Abrir”;
• em seguida, clique no botão “Enviar”.
(Raul Sérgio Reis Rezende)
Em ambientes de redes, os servidores são sistemas computacionais que 
fornecem e gerenciam recursos que são disponibilizados para os usuários 
dessas redes.
Computadores chamados servidores têm recursos computacionais 
dimensionados para prover serviços de rede. Os Servidores de Arquivos, 
por exemplo, armazenam arquivos dos usuários, e neles os arquivos são, 
em geral, organizados em pastas pessoais e departamentais (por diretivas 
de segurança, controla-se o acesso a esses arquivos).
(Luiz Fernando Ribeiro de Paiva)
TEXTO 2
80 UNIUBE
Relatório
Na aula de laboratório I, sob orientação do professor responsável, analisei o 
caráter ácido das substâncias solicitadas na atividade por meio da coloração 
assumida pelo indicador.
Antes de iniciar a análise, levantei a seguinte hipótese: todas as substâncias 
têm comportamento semelhante quando misturadas com um mesmo 
reagente: a fenolftaleína.
Na sequência, reuni o material necessário e reli as instruções dadas pelo 
professor no procedimento sugerido para a atividade experimental. Com o 
auxílio da pipeta, coloquei 3 ml de ácido clorídrico em um tubo de ensaio e 
uma gota do indicador fe nolftaleína. Observei atentamente o resultado. [...] 
(Fragmento de relatório da aula de laboratório I, elaborado pelo aluno José 
C. M. Silva)
TEXTO 4
TEXTO 3
Bom dia, pessoal!
Atendendo à solicitação do Engenheiro João Rodrigues, conferencista convidado para a Semana das 
Tecnologias, a palestra Os desafios do jovem acadêmico no mercado de trabalho, foi transmitida para o dia 22 
de outubro, às 19h, no mesmo anfiteatro.
Pedimos a colaboração de todos para divulgarem aos alunos dos diferentes cursos de Engenharias essa 
alteração.
Obrigado,
abraços.
José Paulo de Araújo
Diretor do curso de Engenharia da Computação
 UNIUBE 81
Observando esse conjunto de textos, podemos indagar: 
• foram produzidos em situações diferentes? 
• cada um tem uma finalidade específica? 
• a que tipo de leitor cada texto está direcionado? 
• foram veiculados em diferentes suportes? 
• são textos antigos ou contemporâneos?
Os textos foram produzidos em situações e contextos diferentes, cada 
qual com sua finalidade e os destinatários podem ser identificados, não 
é mesmo? 
O texto 1, por exemplo, foi elaborado com o objetivo de ensinar o leitor a 
inserir uma foto no ambiente on-line da Universidade de Uberaba. O texto 
2 orienta usuários que trabalham em ambientes de rede. Já o texto 3 tem 
como objetivo informar aos alunos a alteração da data de uma palestra a 
pedido do conferen cista. E o texto 4 documenta observações ocorridas 
em uma aula prática em laboratório.
 
Quanto aos possíveis leitores dos textos, você também pôde verificar que 
se trata de leitores diferenciados – universitários em geral, profissionais 
da área de informática, estudantes do curso de Engenharia Ambiental e 
professor de prática de laboratório.
Quanto à veiculação, podemos perceber que os suportes são variados 
– In ternet, livros, portfólios, ficha de relatório. E, pelas palavras usadas, 
pelas as informações prestadas e suportes utilizados podemos inferir que 
esses textos foram produzidos na atualidade.
Vale destacar que entre os textos alguns são mais formais e em outros 
a linguagem se apresenta mais informal. Isso significa que a forma como 
nos comunicamos varia conforme o momento e também conforme o que 
queremos informar ou dizer. Isto é, conforme a situação de comunicação.
IMPORTANTE!
82 UNIUBE
É praticando que as pessoas vão contribuindo para que essas formas 
passem a ser conhecidas de muitas outras pessoas; isto é, caiam em 
circulação no contexto da sociedade. Então, começam a ser reconhecidas 
como próprias de determinadas situações. À medida que existe a 
socialização dessas formas de fala e de escrita, e que vão sendo usadas e 
aceitas por grupos profissionais, familiares, acadêmicos, religiosos, vão se 
constituindo como gêneros textuais.
Você deve ter percebido a importância que os textos desempenham 
nas situações de comunicação. A transformação social se relaciona 
intrinsecamente com a linguagem e esta será, na sequência, a nossa 
abordagem. Você também considera essa relação?
PARADA OBRIGATÓRIA
Entre as várias linguagens humanas, nas sociedades letradas, a 
linguagem ver bal ocupa um grande espaço no cotidiano das pessoas. É 
por meio da linguagem que conhecemos outras pessoas, fazemos outros 
negócios, estabelecemos no vos vínculos, defendemos nossos pontos de 
vista, mudamos de opinião acerca de determinado assunto. 
A comunicação verbal se faz presente no movimento de transformação da 
sociedade pelos homens. E, em consequência de todo esse movimento, 
comunicar adequadamente, em um número cada vez maior de situações, 
ganha importância no mundo contemporâneo. Não raras vezes, no 
mundo do trabalho, o sucesso das pessoas tem sido atribuído a sua 
capacidade co municativa: registrar descobertas, construir conhecimentos, 
expressar suas expectativas, difundir a ciência, a arte, a filosofia, a 
tecnologia, modificar o espaço, a história, manifestar seus sentimentos. 
Eis o homem: esse ser de linguagem.
 
Diante disso, podemos afirmar que a leitura, a compreensão, a 
interpretação de diferentes textos, o domínio de técnicas de escrita, de 
diálogo contribuem para o desenvolvimento pessoal e profissional. O 
aprimoramento da fala e da escrita pode, sem dúvida, representar um 
 UNIUBE 83
diferencial para quem pre tende manter-se ou ingressar no mercado de 
trabalho por suas habilidades e competências.
 
Você concorda que esse aprimoramento contribui para a manutenção ou 
o ingresso no mundo de trabalho? Acredita que o profissional que investe 
em diferentes leituras e escritas poderá se sobressair entre os demais?
3.2 Situações comunicativas e a diversidade de gêneros 
textuais
Acompanhe, com atenção, os exemplos a seguir. 
Em situações assim, com públicos de diferentes formações – uns 
empregados (encarregados) e outros, engenheiros (responsáveis pela 
produção), o profissio nal que mediará as reuniões há de considerar a 
necessidade de usos diferen tes de níveis de linguagem – informal em 
um dado momento, mais elaborada, fazendo usos inclusive de termos 
técnicos em outro momento.
 
Ao escrever um relatório, o engenheiro, por exemplo, deve levar 
em consideração: a quem vai informar? O que necessariamente 
deve informar? Em que contexto está o leitor do relatório? 
Se, por exemplo, é o encarregado pela produção de um 
determinado setor ou se é para o engenheiro responsável pelo 
setor? Deve considerar também a finalidade de elaboração do 
referido relatório.Em reuniões para tratar do controle de produção. Primeiro, em 
um momento com os encarregados. Em seguida, em outro 
momento, com os engenheiros responsáveis de uma grande 
empresa.
84 UNIUBE
A partir desses dois exemplos, podemos verificar que além da 
necessidade de usos diferentes de níveis de linguagem, os enunciados 
– organizados e agru pados – também têm objetivos diferenciados. No 
exemplo 1, os objetivos são de registros em um relatório. No exemplo 2, 
são de informação, de discussão para a melhoria na produção. Essas 
atividades se caracterizam por condições especiais de atuação e por 
objetivos específicos. 
Você compreendeu em que situações usamos diferentes níveis de 
linguagem? Percebeu que diariamente estamos expostos a essas situações? 
Certamente já tenha vivido isso em seu dia a dia. Então, pare e pense em 
uma situação do seu cotidiano em que isso tenha acontecido? É interessante 
você registrar a sua experiência.
PARADA OBRIGATÓRIA
Sendo inúmeras as situações de comunicação, em cada espaço da atividade 
humana desenvolvem-se tipos relativamente estáveis de textos que passam 
a ser comumente associados a determinadas situações.
Mesmo variando em termos de extensão, conteúdo e estrutura, os textos 
conservam características comuns, constituindo-se em tipos relativamente 
estáveis, que os estudiosos da linguagem humana, denominam de gêneros 
de discurso (BAKHTIN, 2003).
SINTETIZANDO...
3.3 Comunicação verbal, competência profissional e 
produtividade
A escolha do gênero textual considera:
Locutor
 Quem está produzindo o texto (seus 
interesses, seus sentimentos e sua 
capa cidade de expressão).
 UNIUBE 85
Interlocutor
 Para quem o texto está sendo produzido 
(Para a escola? Para o presidente da 
empresa? Do jornal? Em um concurso 
público?).
 
Finalidade
 Com que finalidade o texto deverá ser 
produzido; (para ganhar uma nota? In formar 
um acontecimento importante? Entrar em 
uma concorrência? Apresentar um projeto? 
Atender a uma solicitação de um cliente?). 
Situação
 Em que momento (em um seminário 
científico? Em prova? No Tribunal? Na 
redação do jornal? Em uma reunião de 
negócio?). 
Suporte
 Onde o texto será veiculado (Na sala de 
aula? No âmbito da empresa? Em reuniões 
com o cliente?). 
Os gêneros textuais, de acordo com Bakthin (2003), estão ligados às 
esferas de circulação. Por exemplo: na universidade são comuns os 
relatórios de pesquisa, as resenhas, os resumos, os artigos científicos. 
No contexto das indústrias são comuns os relatórios de turnos, os avisos, 
as circulares, os projetos, os memo riais descritivos.
 
A identificação dos mecanismos da linguagem, os quais expressam 
as intenções do autor e promovem a interação com as pessoas que 
lidam com esses textos, tornará mais produtiva as atividades que 
vamos desenvolver com a intenção de ampliar a capacidade de usar 
adequadamente esses textos em vista de uma efetiva comunicação com 
os interessados. Iniciaremos retomando o contexto profissional em que 
eles são utilizados. 
Muitas empresas, organizações e instituições estão pesquisando e 
investindo nas formas de comunicação como fator de entendimento e 
de produtividade entre os profissionais e as equipes de colaboradores. 
86 UNIUBE
As pesquisas têm apontado que o domínio da leitura e da escrita de uma 
mul tiplicidade de gêneros textuais poderá contribuir com o profissional em 
sua ati vidade cotidiana, proporcionando-lhe condições de atuar com mais 
habilidade e competência, uma vez que a comunicação se torna mais 
efetiva e clara entre os diversos segmentos organizacionais. Durante 
as SIPATs – Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho – 
muitas empresas têm acrescentado palestras e oficinas com profissionais 
da área de linguagem, para abordar a importância da comunicação 
adequada com o objetivo de melhorar e de asse gurar o desempenho 
multissetorial dentro das empresas e, consequentemente, garantir sua 
imagem e presença no mercado. 
As atividades profissionais envolvem as habilidades de falar e ouvir, de 
ler e escrever incluindo informações orais, documentos oficiais, avisos 
em murais, e-mails, textos legais entre outros. 
A capacidade de usar a linguagem de forma adequada, atingindo os objetivos 
propostos, nas mais variadas situações, tem sido a garantia de sucesso 
de muitas ações empresariais, independentemente do nível hierárquico 
ocupado pelo profissional na organização.
Para Cateora e Graham (2009), o profissional deve aprimorar sua 
capacidade de comunicação oral e escrita se quiser ter sucesso no mundo 
atual, isso porque a exigência no mercado de trabalho está cada vez maior. 
Não se trata apenas de conhecer determinados conteúdos, de ter alguma 
experiência profissional. É necessário dominar os diferentes usos da 
linguagem no contexto profissional.
IMPORTANTE!
 UNIUBE 87
Figura 1: Engenheiro, mestre de obra e pedreiro.
Fonte: Acervo EAD – Uniube.
Figura 2: Mural de avisos.
Fonte: Acervo EAD – Uniube.
Você, como futuro profissional, estará exposto(a) às variadas formas de 
comuni cação no seu dia a dia: 
• ao atender um outro profissional de sua área ou um cliente; 
• ao ler um aviso no mural da empresa; 
• ao preencher um relatório ou uma ordem de serviço; 
88 UNIUBE
• ao passar um e-mail, elaborar um ofício ou uma comunicação 
interna – o memorando, por exemplo; 
• ao redigir um projeto e apresentá-lo a uma equipe; 
• ao dar um parecer em serviços prestados à empresa ou ao analisar 
um projeto.
 
Assim, para ampliar sua competência comunicativa, você deverá 
envolver-se em processos que contribuam para o desenvolvimento 
de suas habilidades comunicativas, relacionando-se com o outro, em 
situações diversificadas e por meio de uma variedade de suportes 
da linguagem: jornais, Internet, revistas especializadas, televisão, 
radiodifusão. 
O desenvolvimento das tecnologias da informação e da comunicação fez 
entrar na ordem do dia das escolas, das empresas públicas e privadas, 
das indústrias, dos jornais, enfim, da sociedade, as diferenças entre as 
regiões de um mesmo país e dos variados continentes. 
A lida com todos os meios tecnológicos, que possam agilizar a 
comunicação no mundo do trabalho, poderá resultar em uma economia 
de tempo e de energia e tornar-se mais eficaz quanto maior for a 
eficiência da comunicação entre os interlocutores de diferentes grupos, 
independente de hierarquia e dimensões cultural, econômica e social. 
Um olhar mais amplo das relações sociais e das suas possibilidades 
construtivas tem levado o homem contemporâneo a entender que a 
riqueza da humanidade encontra-se em sua diversidade. 
Texto para leitura
“A Associação Brasileira de Educação em Engenharia – Abenge e a Escola 
Politécnica da Universidade de Pernambuco – Poli/UPE têm a honra de 
convidar a comunidade da engenharia (docentes, alunos, engenheiros e 
empresas) e demais profissionais afins para participar do 37º Congresso 
Brasileiro de Educação em Engenharia – Cobenge 2009.”
 UNIUBE 89
Mensagem dos presidentes
O final do século XX foi marcado por transformações intensas no processo 
de desenvolvimento, exigindo mudanças intensas nos âmbitos empresariais, 
relações intergovernamentais, educacionais, entre outras.
A intensificação das várias mídias e o desenvolvimento tecnológico trouxeram 
condições específicas nas relações interprofissionais e interpessoais que 
mudaram o contexto mundial.
Até o início da década de 1990, o computador possuía grandes limitações; 
o telefone celular era novidade que se consolidaria somente na virada 
do milênio; o processo real de transformações tomava dimensões cuja 
velocidade de mudanças se intensificou de forma decisiva. O mundo plano, 
sem fronteiras, deixava de ser um sonho, tornando-se realidade. O Cobenge 
2009, procurandodiscutir essas questões, traz consigo um grande desafio que 
é inserir o contexto da formação do engenheiro com esse cenário de fundo.
Em apenas alguns meses, esse mundo plano, sem fronteiras, sofreu 
mudanças sensíveis, trazendo recessão e preocupações quanto ao mercado 
da engenharia no mercado nacional e internacional.
Nesse aspecto, o Cobenge 2009 será o fórum privilegiado para as 
discussões sobre os aspectos de reais mudanças no sistema educacional. O 
Confea em seu Planejamento Estratégico 2009-2014 coloca como primeiro 
eixo temático a “Formação Profissional” conclamando um novo modelo de 
formação acadêmica.
O tema do Cobenge 2009 é “Engenharia sem Fronteiras”. Esperamos contar 
com sua presença, pois será uma excelente oportunidade de atualização 
e congraçamento entre os profissionais, acadêmicos e estudantes na 
acolhedora cidade do Recife.
Prof. João Sérgio Cordeiro – ABENGE
Prof. Pedro de Alcântara Neto – POLI/UPE
Fonte: Cordeiro e Alcântara Neto (2009).
90 UNIUBE
Socializando a leitura
 
Além de ter tomado conhecimento de que no Brasil se discute, 
há bastante tempo, a formação de engenheiros e a educação em 
engenharia, alguns outros detalhes nos chamaram a atenção ao ler o 
texto: 
• a autoria e emissão: o convite e a mensagem se originam de 
instituições sociais nacionalmente reconhecidas – uma universidade 
(POLI/UPE) e uma associação (ABENG), representadas pelos 
professores que subscrevem a Mensagem dos Presidentes. Os 
textos estão veiculados no sítio da Abenge, que pode ser visitado 
sistematicamente para que possamos acompanhar, caso seja 
do nosso interesse, os efeitos das mensagens produzidas, por 
exemplo: programação, participantes, publicação de trabalhos, 
propostas elaboradas, novas discussões sobre o tema.
• o convite à participação de um evento é dirigido “à comunidade da 
enge nharia (docentes, alunos, engenheiros e empresas) e demais 
profissionais afins”. Embora se trate de um mesmo acontecimento, 
na mensagem os autores se dirigem de forma mais particularizada 
a cada um dos possíveis leitores – “Esperamos contar com 
sua presença”. Mas retoma o mesmo público do convite, logo 
em seguida: “... uma excelente oportunidade de atualização e 
congraçamento entre os profissionais, acadêmicos e estudantes 
na aco lhedora cidade do Recife”. 
• o objetivo do evento é pensar sobre a formação do engenheiro do 
século XXI – no qual as tecnologias da informação e comunicação 
podem fazer o sonho do “mundo plano, sem fronteiras” tornar-se 
uma realidade também na formação acadêmica e profissional. 
• o grande desafio que motivou a realização do 37º Congresso 
Brasileiro de Educação em Engenharia foi a discussão e a 
elaboração de proposta(s), em âmbito nacional, de um novo 
modelo de formação acadêmica dos engenheiros no século XXI 
 UNIUBE 91
– “O Cobenge 2009, procurando discutir essas questões, traz 
consigo um grande desafio que é inserir o contexto da formação do 
engenheiro com esse cenário de fundo”. 
• no mesmo suporte comunicacional, no texto Mensagem dos 
Presidentes, se faz um convite – participar do 37º Cobenge – e 
uma conclamação, isto é, um clamoroso apelo aos profissionais da 
engenharia – assumam conosco a responsabilidade de formar o 
engenheiro do novo milênio. 
Podemos inferir, portanto, que os propositores e organizadores do 
Cobenge/2009 acreditam que: 
1. há aspectos a serem aperfeiçoados na formação do engenheiro; 
2. as universidades, enquanto instituições formadoras de profissionais, 
ainda não desfrutam satisfatoriamente das invenções e produções 
tecnológicas para a formação do engenheiro do novo milênio; 
3. será necessário unir esforços acadêmicos e empresariais para formar 
o engenheiro que possa se inserir em um contexto internacionalizado; 
4. as relações intergovernamentais, educacionais, interprofissionais 
e inter pessoais se constituem em fatores determinantes para os 
propósitos sejam alcançados. 
Concorda com essa leitura que fizemos dos textos? Há outros 
detalhes que você gostaria de comentar?
Comente-os com seus colegas e com os professores, utilizando 
os recursos tecnológicos a que você tem acesso: e-mail, 
ambiente virtual de aprendizagem – AVA. Também pode 
aproveitar o endereço em que esse texto está disponível e 
procurar saber mais sobre outros eventos científicos.
92 UNIUBE
Você tem planos para ampliar a sua competência comunicativa?
Você deve estar certo(a) de como a leitura de um texto, inegavelmente, 
possibilita o acesso à informação nos campos econômico, científico, 
comercial, artístico e cultural. Lendo, ampliamos nosso vocabulário, a 
capacidade de fundamentar opiniões e de apresentar argumentos, de 
compreender questões técnicas e de entender a intenção do outro, isto é, 
ao ler, ampliamos nossa visão de mundo.
DICAS
Em busca da comunicação eficaz 3.4
A vivência de leitura contribui para a organização e a expressão do 
conheci mento. Uma vez que leitura e a escrita estão intimamente 
relacionadas, o leitor observador, crítico e reflexivo melhora a qualidade 
dos textos que produz. 
Vejamos alguns elementos de que não devemos abrir mão quando nos 
en contramos em uma situação de comunicação no exercício de uma 
profissão. Esses elementos podem e devem ser identificados nos textos 
orais e escritos que produzimos. São eles:
• a objetividade e a concisão; 
• a clareza e a coesão; 
• a coerência e a adequação.
a) A objetividade e a concisão 
No contexto profissional, entende-se como 
objetiva a comunicação na qual se evidencia 
com mais precisão, as razões pelas quais se está 
falando ou escrevendo. Ou seja, a expressão 
apresenta-se concisa e evitam-se informações 
ou recomendações repetitivas e desnecessárias.
 
Ofício
 
Forma de 
correspondência 
oficial trocada entre 
chefes ou dirigentes 
de empresas, 
órgão públicos, ou 
enviada a alguém 
de hierarquia 
superior dentro 
de uma mesma 
empresa pública 
ou privada. Tem 
como finalidade 
o tratamento de 
assuntos oficiais 
e utiliza-se, 
portanto, a variante 
formal, padrão, da 
linguagem verbal 
escrita.
 UNIUBE 93
“Conforme questionamento do Presidente da empresa, 
necessitamos alterar posição dos produtos no almoxarifado. 
Para isso, solicitamos de V. Sª orientações quanto à maneira 
mais indicada para dispor os objetos nas prateleiras.”
Para um texto – oral ou escrito – ser considerado objetivo e conciso deve 
ser elaborado em função das informações a serem apresentadas com 
a maior objetividade e economia de palavras. Por exemplo, nele não se 
incluem de talhes que possam distrair o ouvinte ou o leitor; ou seja, não 
há excesso de palavras.
 
Agora, compare com o parágrafo que se segue. Ele também foi retirado 
de um ofício. Você diria que ele pode ser considerado objetivo? 
“Conforme é do seu conhecimento, recebemos na última 
quinta-feira, a visita do Presidente da empresa. Considerando 
o questionamento feito por ele quanto à disposição vertical 
ou horizontal dos produtos no almoxarifado, vimos por meio 
deste solicitar que V. Sª entre em contato com a gerência de 
produção, para disponibilizar informações quanto à melhor 
forma de colocar os produtos nas prateleiras daquele setor que 
é fiscalizado todos os dias.”
Observe o primeiro enunciado: “Conforme é do seu conhecimento, 
recebemos na última quinta-feira, a visita do Presidente da empresa” 
– se já era de conheci mento do interlocutor, seria necessário dizê-lo? 
A ordem dos aspectos enumera dos, no segundo enunciado, também 
pode dificultar a compreensão do que está sendo solicitado. A inversão 
dos termos, os enunciados longos comprometem a objetividade da 
comunicação
Vamos tentar reescrever esse parágrafo e depois compararmos para ver 
o que conseguimos:
Veja o exemplo a seguir, retirado de um ofício enviado ao gerente de 
produção deuma empresa. 
94 UNIUBE
“Em visita a este setor, na última quinta-feira, o Presidente da 
empresa questionou-nos acerca da disposição dos produtos 
no almoxarifado. Vimos solicitar a Vossa Senhoria a gentileza 
de nos orientar quanto à melhor forma de dispor os produtos 
nas prateleiras.”
Quando há objetividade, o interlocutor pode acompanhar o sentido das 
afirma ções, dos argumentos ou das solicitações. Ele poderá prosseguir, 
com segu rança, no raciocínio, nas tomadas de decisões e agir para a 
continuidade do processo de trabalho. 
Para um texto ser objetivo e conciso é preciso que sejam eliminadas todas 
as redundâncias, detalhes excessivos e expressões clichês. Isso significa 
passar as informações com um mínimo de palavras, porém com o máximo 
de precisão.
SINTETIZANDO...
b) A clareza e a coesão
A pesquisadora Leonor Fávero (1995, p. 7) afirma que “o texto consiste 
em qualquer passagem falada ou escrita que forma um todo significativo 
indepen dentemente de sua extensão”. Então, um texto não se constitui 
pela somatória ou acúmulo de enunciados ou frases. Uma fala ou uma 
escrita só se constitui em um todo significativo em relação à situação em 
que foi pronunciada ou escrita.
Se alguém grita “Socorro!”, ligamos essa fala a uma situação de perigo. Ela 
se torna, portanto, uma informação. Há nela um alerta, um pedido de ajuda. 
Assim, mesmo composto apenas de uma palavra, podemos afirmar que 
“Socorro!”, nessa situação, se constitui em um TEXTO.
SINTETIZANDO...
 UNIUBE 95
É por meio de textos que o homem se comunica. E, para que se 
estabeleça a objetividade na comunicação, é preciso que as informações 
sejam organizadas de tal forma que o leitor ou o ouvinte possam 
identificar a ordem dos fatos, dos acontecimentos e ações ou, ainda, a 
construção de um raciocínio (MARTINS e ZILBERKNOP, 2007).
 
Os estudiosos Halliday e Hasan (1976) afirmam que o que permite 
determinar se um conjunto de sentenças constitui ou não um texto são as 
relações coesivas entre as sentenças, responsáveis pela textura. Para 
eles, a coesão é respon sável pelo estabelecimento de sentido entre os 
enunciados que compõem o texto – oral ou escrito. Assim como o tecido 
é fruto de uma junção de fios que vão se interligando, o texto também 
resulta de componentes que, interligados, ganham sentido. 
Podemos afirmar que quando o encadeamento dos enunciados é 
significativo, existe coesão. A coesão permite ao ouvinte e ao leitor 
agilidade na compreensão das ideias. Muitos são os elementos que 
marcam esses encadeamentos. 
Vejamos:
• a entonação, as pausas, os silêncios, muitas vezes associados 
à expressão facial e aos gestos, quando a comunicação é face a 
face, são elementos de coesão na comunicação oral. 
Alguma vez já reparou em alguém que passa por você todos os dias? Você 
já sentiu vontade de cumprimentar essa pessoa embora não a conhecesse? 
A expressão facial dessa pessoa pode ter provocado em você a vontade 
de expressar oralmente por meio de um cumprimento ou uma atitude 
que verbalize a empatia que você sentiu por ela. Pense, ainda, em uma 
situação no elevador. Possivelmente, um sorriso poderá desencadear uma 
manifestação verbal.
Os encadeamentos na comunicação oral podem, inclusive, motivar 
manifestações verbais capazes de desencadear amizades, informações, 
solidariedade.
EXEMPLIFICANDO!
96 UNIUBE
• as conjunções (mas, também, porém, contudo, ainda que, 
enquanto, tanto que, e, ou, quando, porque); os indicadores de 
tempo e de espaço (antes, depois, então, ao lado, acima, em 
frente, a seguir, entre outros); as formas verbais de passado, 
presente ou de futuro; a combinação dos tempos verbais; 
os marcadores de gênero (masculino e feminino) e de número 
(singular e plural); os itens (os títulos e subtítulos); e os sinais de 
pontuação são elementos linguísticos que estabelecem a coesão, 
isto é, a conexão entre termos, ideias, e contribuem para que o 
texto oral ou escrito tenha progressão e se constitua em um todo 
significativo. 
Você percebeu que há muitos elementos que possibilitam o encadeamento 
entre as ideias em um texto? Aplique esses conhecimentos em suas 
observações. Se você optar pela comunicação oral, atente-se para os 
elementos que foram apresentados.
Caso você prefira analisar uma comunicação escrita, releia a abordagem 
anterior para, em seguida, selecionar algum texto. Após a seleção do texto, 
assinale todos os elementos que marcam conexão entre os termos. Lembre-
se de observar todos os sinais de pontuação utilizados. Por meio dessas 
observações você pode, também, aprofundar os seus conhecimentos acerca 
da produção textual.
PARADA OBRIGATÓRIA
Verifique que todos esses elementos e outros que veremos na prática de 
leitura dos textos auxiliam na organização textual e podem garantir a clareza, 
a coesão e, assim, possibilitar a compreensão do comunicado por parte dos 
seus ouvintes e leitores.
SINTETIZANDO...
 UNIUBE 97
c) A coerência e a adequação 
Os textos são produzidos a partir de diferentes intenções. Entre elas 
podemos destacar: informar, explicar, programar, orientar, convencer, 
discordar, ordenar, direcionar, esclarecer, pedir, motivar ações, provocar 
reações, entre outros atos que se realizam na e pela linguagem.
 
Os textos podem ser constituídos de uma palavra, linhas e pontos, um 
enunciado ou um gesto. 
A linguagem humana é rica em signos (sinais significativos). Com esses 
signos construímos o texto, isto é, uma unidade de sentido produzida 
com uma de terminada intenção e, por isso mesmo, somente se 
realiza em uma dada situação. O texto é, portanto, um todo organizado. 
Os estudiosos da pedagogia da imagem afirmam que o que nós vemos 
e lemos vale mais do que é apenas lido. Você concorda com esse 
raciocínio? 
“USO OBRIGATÓRIO DE CAPACETE”
“ALTA TENSÃO”
“PROIBIDO TRANSITAR”
Pense em um aviso, colocado na porta de uma casa de máquinas, “ALTA 
TEN SÃO”, em um “PROIBIDO TRANSITAR”, ou nas letras “M” e “F” nas 
portas de banheiros no hall de um restaurante. E “USO OBRIGATÓRIO 
DE CAPACETE” e, ainda, em uma planta industrial nas mãos do 
encarregado da obra.
98 UNIUBE
Todas as formas apresentadas têm sentido no contexto em que 
foram utilizadas? E o que faz com que elas tenham sentido? 
Seria a relação que cada uma mantém com o local em que 
estão expostas? Seria a capacidade do leitor para compreender 
a inten ção de cada uma nesses locais? Pode ser, ainda, por 
todas essas razões juntas?
Observe que estamos relacionando essas formas verbais com o ambiente 
dos usuários do restaurante ou de uma fábrica, por exemplo. Elas têm 
sentido por que se relacionam com o conhecimento de mundo de cada um 
desses usuários: eles conhecem a língua portuguesa, têm consciência do 
perigo de uma rede elétrica de alta tensão ou dos deveres de se respeitar 
as indicações em um campo de trabalho. Por isso essas formas têm 
o que chamamos de coerência. Elas se ajustam àquelas situações de 
comunicação. É compreensível que seja obrigatório o uso de capacete 
em uma obra da construção civil, por exemplo. Assim como a leitura da 
planta industrial pelo encarregado da obra faz sentido se ele vai exercer 
ali suas funções.
 
Mas, quando tratamos de textos mais complexos, por exemplo: textos 
legais, comunicação oficial, um relatório ou memorial descritivo, 
um projeto de expansão de um negócio ou um projeto de pesquisa, 
a organização do texto pode requerer mais informações, maior 
detalhamento de suas fases, ilustrações, demonstra ções em gráficos e 
dados estatísticos para que se tornem compreensíveis. 
Um projeto, um memorial ou um relatório têm uma organização em 
partes: uma introdução, um desenvolvimento e uma conclusão. Podem, 
ainda, conter um título, subtítulos, tabelas, gravuras, gráficos e notas 
explicativas. Quando todos os elementos dotexto estão coerentes, 
todas as ideias expostas apresentam conexão. Eles nos possibilitam 
compreender a sua mensagem, o seu sentido, com maior facilidade 
(KOCH, 1998). 
 UNIUBE 99
Assim, quando uma sequência de enunciados (de dados ou de explicações 
e argumentos) não nos permite compreender as informações ali contidas, 
quando ela destoa do nosso conhecimento de mundo, costumamos afirmar 
que o texto está incoerente em seu todo ou em partes.
SINTETIZANDO...
As dimensões verbal e não verbal em um texto3.5
A imagem (linguagem não verbal) também informa e comunica. Por meio 
de tra ços, linhas, cores, podemos produzir um texto. Utilizada junto com 
a linguagem verbal, a imagem contribui para um maior efeito de sentido.
 
No contexto da tecnologia, não se pode descartar o uso das imagens 
em todas as áreas de atuação, pois o desenho técnico, a fotografia, os 
gráficos, as tabelas, entre outros, são muito importantes em um projeto 
de engenharia.
 
Os elementos, nesse contexto, podem ser inseridos no corpo do texto ou 
em anexo. O fato é que, na construção civil, na arquitetura, na indústria, em 
geral, produção moveleira, eletrônica, entre outras, as imagens fazem a 
diferença para a compreensão dos dados. Segundo Bazzo e Pereira (2006, 
p. 67): “é só verificar alguns trabalhos de engenharia para se perceber 
que dificilmente deles não constarão esquemas, plantas, esboços, 
vistas em perspectivas, explodidas, cortes, cotas, dimensões etc.”. 
De fato, é muito relevante a visualização espacial associada à descrição 
em projetos arquitetônicos, urbanização, contribuindo para a segurança 
e qualidade do trabalho dos profissionais que executam a obra ou o 
serviço. 
Nesse sentido, a imagem torna-se uma fonte de informação a partir da 
qual se pode descrever ou relatar os detalhes para fins de orçamento, 
aprovação dos serviços pelo cliente. 
100 UNIUBE
O importante não é a ilustração em si, mas o entendimento que a imagem 
propicia ao leitor do texto técnico, relacionando os diversos componentes 
da comunicação, tornando-se, dessa forma, mais um mecanismo de 
coesão e de interação no todo comunicativo. 
A habilidade de utilizar a imagem nos diversos gêneros textuais no 
mundo do trabalho deve estar associada às habilidades de observar 
detalhes e descrever verbalmente, em linguagem técnica, os espaços e 
os objetos. Nessa circunstân cia, podemos afirmar que a expressão verbal 
e a ilustração se complementam, formando um novo texto. 
Observe atentamente a Figura 3, a seguir. 
Nesse texto observa-se que o desenho e a escrita são necessários 
para que seja lido, compreendido e interpretado pelo responsável pela 
execução da obra. Todos os detalhes, linhas, pontos, sombreamentos 
precisam ser considerados a fim de que a obra seja executada conforme 
foi planejada. 
 UNIUBE 101
Figura 3: Planta residencial.
102 UNIUBE
Idealizar, projetar e executar atividades nas áreas de tecnologia envolvem 
um conjunto de escolhas e de critérios coesos e coerentes. Também a 
leitura desse projeto exige do leitor habilidades de percepção, observação, 
análise e compreensão. Essas habilidades são sucessivamente ampliadas 
na medida em que as pessoas se envolvem em atividades que exigem a 
prática da leitura e da produção desses gêneros textuais.
SINTETIZANDO...
O desenho que é lido, em um projeto, não é imagem pura, descontextualizada, 
simplesmente na sua materialidade intrínseca; mas a expressão de uma ideia 
projetada.
IMPORTANTE!
Quando se tratar de imagens técnicas, Bazzo e Pereira (2006, p. 68) 
aconselham que o desenho “seja realizado de acordo com as normas, 
com hachuras, cortes, cotas, concordâncias de linhas, legendas, 
especificações etc.”. 
Observe a Figura 4 a seguir. Atente para todos os detalhes. Temos nesse 
qua dro a comparação de uma construção com fundação adequada e 
outra não. A projeção das linhas retas e das linhas inclinadas nos 
permite a visualização do contraste entre as construções. Associando o 
desenho aos textos verbais, deduzimos a necessidade de se executar 
devidamente a fundação em obras da construção civil. 
Outro texto de ampla circulação social, próprio de manuais que 
acompanham os aparelhos eletroeletrônicos, é o texto descritivo, em que 
se conjugam a lin guagem verbal e não verbal. Leia o texto que se segue. 
Você percebeu como a linguagem não verbal e a linguagem verbal se 
comple mentam? Observe a imagem, os números e as setas. Em seguida, 
verifique cada número e, simultaneamente, as suas especificações. 
 UNIUBE 103
Figura 4: Importância da fundação.
Fonte: Adaptado de VIANA (2004, p. 19), acervo EAD – Uniube.
Figura 5: Parte posterior de um computador 
de mesa.
Fonte: Paiva (2009).
Dispositivos e conectores na parte 
posterior de um desktop com gabinete do 
tipo "torre" (acervo do autor).
1 - Botão liga/desliga da fonte de alimentação 
de energia.
2 - Conector para o cabo de alimentação 
elétrica do computador.
3 - Ventoinha para refrigeração da fonte de 
alimentação de energia.
4 - Portas PS/2 para conexão do teclado e do 
mouse.
5 - Porta serial.
6 - Porta paralela (para conexão de 
impressora ou outros dispositivos),
7 - Saída de vídeo.
8 - Portas USB.
9 - Porta Ethernet (para conexão do 
computador em rede).
10- Entrada para microfone, porta de saída de 
áudio e entrada auxiliar de áudio.
104 UNIUBE
Atualmente, a obtenção digital de imagens, por meio da computação 
gráfica, vem sendo utilizada em larga escala: na área tecnológica, médica, 
educacional. Back (1993) afirma que a associação do processamento dos 
cálculos ao tratamento das imagens feitas no computador pode melhorar 
sensivelmente o produto final, em quaisquer áreas de conhecimento. 
3.6 A expressão verbal na redação oficial, projetos e 
memoriais 
Vamos, agora, observar como se organiza cada um desses gêneros 
textuais no universo da comunicação tecnológica. 
Um dos aspectos importantes nos textos técnicos é a terminologia 
específica de cada campo profissional. Já vimos que o objetivo de um 
texto técnico é fornecer uma informação com objetividade, clareza, 
concisão e coerência, de modo que a compreensão possa ser universal, 
ou seja: todas as pessoas daquele campo de trabalho podem ter a 
compreensão do objeto apresentado. Assim, adota -se para uso a 
linguagem padrão ou norma culta, harmonizando -a à situação de 
comunicação, isto é, aos interlocutores e ao gênero textual. 
3.6.1 A redação oficial 
A formalidade pode estar presente em diferentes situações de interação, 
po dendo ser: 
• interinstitucional (de empresa para empresa); 
• de pessoa jurídica para pessoa física (e vice e versa); 
• ou ainda ocorrer no interior da própria empresa, por meio das 
comunicações 
• internas, por exemplo, instruções normativas, relatórios, memorandos, 
requi sição de material, entre outras formas. 
A redação oficial é aquela que se produz entre a administração privada 
– empreen dimentos particulares, ou órgãos públicos entre si – municipal, 
estadual, ou federal (MARTINS; ZILBERKNOP, 2007). De um lado, 
 UNIUBE 105
existe a organização e, de outro, o usuário de seus serviços. Assim, 
o profissional que atua em diferentes áreas precisa ter domínio da 
expressão verbal adequada às diferentes situações comunicativas, a fim 
de manter, com eficiência, as relações internas e externas à organização. 
Se a linguagem utilizada não está ao alcance de um dos interlocutores, 
a co municação não se efetiva. 
Figura 6: Problemas na comunicação. 
Fonte: Acervo EAD – Uniube. 
Figura 7: Problemas na comunicação. 
Fonte: Acervo EAD – Uniube.
106 UNIUBE
Nas figuras, observamos que há problemas de comunicação. Na 
primeira, pode ser que os termos utilizados pela telefonista não sejam 
do conhecimento do interlocutor ou a situaçãocomunicativa é por ele 
desconhecida. Na segunda situação, pode ser que o locutor que está 
proferindo a palestra esteja utilizando termos que não são do conhecimento 
de dois dos três interlocutores.
IMPORTANTE!
Tanto na oralidade quanto na escrita, corre-se o risco de atribuir um 
significado inadequado a um termo ou expressão. Isso pode levar a 
resultados inesperados. Em uma organização, o uso da linguagem 
poderá estabelecer um diferencial – o de melhor resultado para aquele 
que apresentar um domínio maior nas duas modalidades. 
A começar, por exemplo, na contratação, desenvolvimento e 
manutenção dos acordos e serviços, há uma série de documentação 
exigida por lei e que com prova os compromissos profissionais. 
Entretanto, muitas organizações, no ato da contratação de um 
profissional, acrescentam à identificação pessoal – curriculum vitae 
– uma prova escrita e uma entrevista. A primeira, com o objetivo de 
avaliar a sua capacidade na elaboração de um texto escrito, em uma 
linguagem formal, técnica; e a segunda, na intenção de conhecer o seu 
desempenho ao usar a língua falada. Nessa perspectiva, a competência 
em fazer uso da linguagem, em diferentes situações, é fundamental. 
Em uma organização, tanto na modalidade oral quanto na modalidade 
escrita não podem existir os ruídos na comunicação. Os equívocos no 
entendimento de qualquer mensagem poderão desencadear alteração nos 
resultados esperados.
IMPORTANTE!
 UNIUBE 107
As habilidades de comunicação constituem-se em uma das mais 
importantes competências para o profissional interagir nos mais variados 
setores e com públicos diferenciados. 
Nem sempre podemos usar o mesmo tipo de linguagem. Por exemplo: 
na lin guagem técnica precisamos ser mais objetivos, evitar metáforas, 
entre outros aspectos, como veremos a seguir. 
A linguagem técnica deve ser clara, precisa e objetiva para não causar 
efeitos de sentido diversos que comprometam os procedimentos, as 
ações ou os ex perimentos em uma organização. 
Cada termo, cada expressão, cada enunciado deve ser utilizado no seu 
sentido mais restrito, evitando diferentes interpretações. Segundo Bazzo 
e Pereira (2006, p. 54), a linguagem precisa ser: 
[...] objetiva e precisa, devendo evitar-se o uso 
exagerado de expressões de reserva ou ressalva. 
Expressões do tipo: “é provável que”, “possivelmente”, 
devem ser usadas com co nhecimento, e apenas onde 
for estritamente necessário, pois elas podem ser 
interpretadas por quem as lê como pontos de dúvida do 
profissional. 
Comparemos dois enunciados: 
A - “O cômodo era ventilado, claro e bem grande.” 
B - “Trata-se de um cômodo de 5,5 m de largura e 10 m de 
comprimento, e pé direito de 3 m, com laje, contendo uma porta 
de 1,5 m e quatro janelas de 1,80 x 1,5 m sendo uma em cada 
parede, permitindo grande circulação de ar e mantendo a entrada 
da luz natural durante a manhã e à tarde.” 
Pela primeira descrição, podemos fazer uma imagem ideal do cômodo. 
Mas, pela segunda, chegaremos a uma imagem mais concreta do 
objeto que está sendo descrito. Tecnicamente é importante a precisão 
das medidas, detalhes que permitem a projeção de outras interferências 
profissionais nesse cômodo, por exemplo, saber que tipo de mobiliário 
pode ser ali utilizado. 
108 UNIUBE
Assim, com o objetivo de aperfeiçoar o vocabulário técnico, o profissional 
deve fazer frequentes leituras acadêmicas e científicas, bem como 
consultar dicionários, periódicos, para se acostumar às construções 
sintáticas e infor mações especializadas na referida área. 
Já vimos que existem gêneros textuais que são mais utilizados em 
determinados campos de atuação. A seguir, vamos abordar dois gêneros: 
o projeto e o memorial descritivo, suas funções, uma vez que são muito 
utilizados pelos profissionais na área tecnológica. 
3.6.2 O projeto 
A organização textual de um projeto é basicamente a mesma em todas 
as áreas do conhecimento. Contudo, as diferenças ou variantes desse 
gênero textual podem estar na especificidade da terminologia técnica de 
cada área de atua ção, nas fontes de dados, nos documentos utilizados, 
nas ações e interações propostas e, ainda, na função social dos sujeitos 
da comunicação. 
Em sua casa, você já vivenciou situações-problema em relação a um 
entupimento no esgoto? Ou a alguma instalação elétrica? Ou a uma 
instalação de rede em seu computador? Diante dessas situações, você teve 
que fazer algum planejamento para fazer alguma interferência? Elaborou 
algum projeto ou teve que chamar algum profissional para isso?
PARADA OBRIGATÓRIA
Então, o que é um projeto?
É um gênero textual que circula no meio científico, acadêmico e 
empresarial. Quem elabora um projeto quer dar a conhecer um propósito 
e um conjunto de procedimentos ou de atividades relacionadas entre 
si, que vão levar ao alcance daquele propósito, ou seja, dos objetivos 
 UNIUBE 109
previamente determinados, dentro de um dado período de tempo e 
nos limites de um orçamento. Isso significa dizer que um projeto é a 
concretização de uma ideia, capaz de gerar um resultado, conforme 
os objetivos estabelecidos. Acompanhe, a seguir, a organização de um 
projeto.
 
a) Delimitação e apresentação do problema ou introdução 
O projeto é um documento elaborado a partir, por exemplo, de uma 
necessidade de consumo ou de uma busca de soluções frente a uma 
situação-problema, ou que pode, ainda, oferecer melhoras em produtos 
e serviços ou propor inovações, alterações e novas mercadorias. 
Referimos a essa fase do projeto como: delimitação e apresentação 
do problema e seu contexto; ou problematização/problemática; ou 
considerações prelimina res da situação-problema; delimitação do 
objeto ou, simplesmente, “introdução/ apresentação”, como preferem os 
estudiosos de metodologia, por exemplo, Severino (2002). 
Vamos ver, a seguir, dois exemplos de situação-problema. 
Exemplo com pergunta indireta (sem interrogação)
Introdução
Durante o mês de março, o departamento de produção de novos modelos 
e necessidades de eletrodomésticos não apresentou nenhuma novidade 
para ser comercializada em 2008, na Organização A. Considerando que o 
mercado se encontra extremamente competitivo, necessita-se implementar 
novos produtos para serem divulgados até 60 dias antes da comemoração 
do Dia das Mães, para assegurar o aumento das vendas. Assim, propõe-se 
responder à administração de recursos financeiros e investimentos qual o 
melhor produto a inovar ou novas ideias a serem colocadas no mercado 
entre o Carnaval e a Semana Santa, para comercialização no final de abril, 
início de maio.
EXEMPLIFICANDO!
110 UNIUBE
A apresentação do problema foi feita por meio de uma pergunta 
indireta, ou seja, não há ponto de interrogação. Trata-se de uma forma 
de elaboração muito utilizada em diferentes projetos. O que deve ser 
considerado é a clareza na ela boração da problemática. Veja que o 
autor utilizou Introdução, para apresentar o problema e, por meio de 
uma linguagem objetiva, contextualiza a situação da Organização A, 
mostrando, inclusive, a necessidade de novos produtos no mercado, por 
ocasião do dia das mães. 
Exemplo com pergunta direta
Marco referencial das questões e conflitos da engenharia de segurança 
do trabalho na Empresa X
Atualmente, a empresa necessita rever seus esquemas de segurança, 
pois estão acontecendo muitos acidentes, principalmente em relação à 
construção civil e produção de equipamentos eletro/eletrônicos pesados. 
Nesse cenário, pergunta-se: o que deve ser alterado, melhorado ou até 
mesmo eliminado, para que os acidentes nesses dois ramos da engenharia 
possam ser erradicados?
EXEMPLIFICANDO!
Nesse exemplo, o problema é apresentado por meio de uma pergunta 
direta. Essa forma de elaboração também é muito utilizada nos diferentes 
campos pro fissionais. Observe,ainda, que o autor preferiu um título à 
palavra Introdução, para iniciar a elaboração do projeto. 
Durante essa fase do projeto, procura-se responder à seguinte pergunta: 
como descrever o marco referencial do problema/necessidade? Nesse 
momento, relata-se, detalhadamente, em uma empresa: 
• o que não está satisfatório; 
• ou o que pode ser melhorado; 
• ou que pode ser inovado, apresentando argumentos sustentáveis. 
 UNIUBE 111
Costuma-se, ainda, justificar a relevância do projeto, com base em 
outras situa ções de estudiosos que obtiveram sucesso em circunstâncias 
similares. 
b) Os objetivos 
Os objetivos revelam o que se quer alcançar com a implementação do 
projeto. Uma vez definido o problema, apresentam-se os objetivos ou 
as metas a serem alcançadas gradativamente até chegar à solução do 
problema. 
Eles podem ser subdivididos em geral e específicos. Os objetivos 
procuram, além da solução, a excelência no empreendimento. 
Exemplo 1
Objetivo geral
• Aumentar as vendas nas filiais mineiras da Organização A até o dia das 
mães de 2008, por meio de um produto mais adequado a ser inovado/
aperfeiçoado ou por meio de novas mercadorias a serem colocadas no 
mercado.
Objetivos específicos
• Analisar as propostas apresentadas.
• Aprovar a produção escolhida.
• Fabricar um outro produto ou alterar algum modelo já existente.
• Divulgar, com antecedência, o novo produto ou modelo.
EXEMPLIFICANDO!
Observe que o objetivo geral está ligado a uma visão global e abrangente 
do tema. Ele é alcançado na medida em que os objetivos específicos 
gradativa mente forem alcançados. Isso significa que só haverá um 
aumento nas vendas depois de analisadas as propostas dos produtos, 
de aprovado e fabricado o produto e de divulgada a mercadoria. 
112 UNIUBE
Exemplo 2
Objetivos
1. Fazer um diagnóstico das causas dos acidentes ocorridos nas áreas a 
serem melhoradas.
2. Implementar novas ações e treinamento para a consolidação de um 
esquema eficiente de segurança do trabalho nas empresas voltadas para 
esses dois ramos – construção civil e engenharia elétrica – monitoradas 
pela Empresa X.
3. Acompanhar a implantação e domínio das novas propostas de 
segurança voltadas para a prevenção, concentração e respeito às 
normas de segurança.
4. Avaliar o projeto mensalmente ou toda vez que houver algum risco ou 
perigo oferecido ao empreendimento.
EXEMPLIFICANDO!
Perceba que os objetivos, no exemplo 2, não foram desdobrados em: 
geral e es pecíficos. Nem sempre é necessário desdobrá-los, o que irá 
depender de como a empresa detalha seus projetos, registrando-os em 
algum manual de procedimentos metodológicos ou apreendendo-os no 
cotidiano da profissão. Todavia, o que se busca ao propor objetivos é 
informar “para que” o projeto está destinado.
 
Verifique, ainda, que tanto no exemplo 1 quanto no exemplo 2, os 
objetivos foram elaborados com verbos que indicam ação: aumentar, 
aprovar, analisar, fabricar, ampliar, divulgar, fazer, implementar, 
acompanhar, avaliar. Isso porque, ao elaborar um objetivo, estamos 
informando o motivo para o qual o projeto está sendo elaborado e as 
ações necessárias para que ele se efetive. 
Outros verbos também podem ser utilizados na elaboração de objetivos, 
como: aumentar, aprovar, diminuir, reduzir, contribuir, assegurar, 
incrementar, obter, fabricar, dotar, incorporar, demonstrar, propiciar, 
fomentar, desenvolver, em pregar, estruturar, operar, melhorar, produzir, 
propor, definir, preparar, habilitar, entre outros.
 UNIUBE 113
c) A metodologia 
Existe, ainda, a apresentação dos procedimentos para se alcançar os 
objetivos, conhecida como metodologia. 
Nesse momento, descreve-se detalhadamente o material ou por 
amostragem, que garanta a qualidade dos processos, bem como todas 
as etapas e estratégias a serem desenvolvidas para alcançar os objetivos 
estabelecidos.
 
A metodologia responde ao “como”; “de que maneira”, “com quais meios” 
se desenvolverá o projeto para obter sucesso e chegar ao que se propõe 
modificar, inovar ou melhorar. 
Exemplo
Procedimentos metodológicos
Inicialmente será comunicada, ao departamento de criação e design, a 
necessidade de inovações, mercadorias diferenciadas e atrativas, a serem 
disponibilizadas urgentemente no mercado, de modo a atender aos anseios 
do mercado consumidor do Dia das Mães.
Em seguida, será colhida a lista de propostas dentro de 15 dias a contar do 
dia 14/01/2008, para serem analisadas pelo departamento de marketing, 
administrativo e financeiro em uma reunião em que os projetistas terão 
oportunidade de apresentar suas ideias em 15/02/2008, apenas para 
aquelas que foram previamente aprovadas.
Tão logo sejam aprovadas as formalidades do processo, a equipe 
estabelecerá uma linha de montagem para a nova ideia, no prazo de 48 
horas, inclusive com esquemas de horas adicionais, se necessárias.
Depois de produzidas as novas peças, o departamento responsável pelo 
controle de qualidade testará as mercadorias fabricadas, antes de serem 
EXEMPLIFICANDO!
114 UNIUBE
empacotadas para assegurar sua qualidade ao consumidor, inclusive 
quanto ao manual de instruções. Uma vez assegurados os estoques, o setor 
de marketing e publicidade divulgará a mercadoria e analisará o retorno 
financeiro para decisão de sua produtividade futura.
No exemplo, foram apontadas as estratégias necessárias para se 
alcançar os objetivos. Primeiro comunica-se a necessidade; depois 
faz-se um levantamento de propostas para serem analisadas; é traçada, 
posteriormente, uma linha de montagem; realiza-se o teste no produto, 
acrescentando o manual de instruções; faz-se a divulgação do produto; 
e, por último, avalia os resultados em relação ao retorno financeiro. Na 
metodologia, todos os procedimentos técnicos são descritos, a fim de 
assegurar a realização das atividades. 
d) O cronograma 
Em um projeto, deve-se apresentar o cronograma detalhado de como 
será aplicada a metodologia, para facilitar a composição da aplicação do 
plano de trabalho e a apuração dos resultados.
O cronograma é um documento em que se destaca cada procedimento do 
projeto em relação ao período de tempo em que o empreendimento será 
desenvolvido.
IMPORTANTE!
Há, no cronograma, a disposição gráfica das datas em que as atividades 
vão acontecer, permitindo acompanhar a sequência dessas atividades. 
Exemplo 
 UNIUBE 115
O cronograma traz sistematizadas as datas em que as atividades 
vão acontecer. Esse planejamento contribui para o acompanhamento 
das atividades que devem ser realizadas. Os dados podem ou não 
ser dispostos. Há uma flexibilidade na organização, desde que as 
informações referentes às datas sejam rigorosamente apresentadas. 
e) Orçamento 
Nessa parte do projeto, são apresentados todos os gastos, indicando 
como e quando serão gastos os recursos. Há, no orçamento, uma 
descrição detalhada de todos os custos materiais e humanos. 
f) Os resultados 
À medida que se desenvolvem as atividades previstas, o profissional 
responsável precisa manter a comunicação sistemática dos resultados. 
Dessa maneira, no projeto deverão constar as alternativas para os 
problemas que poderão surgir em cada uma das fases de execução do 
projeto. 
116 UNIUBE
Nesse caso, utiliza-se, preferencialmente o memorial descritivo, quando 
se tratar de um registro a ser apresentado à empresa/instituição. 
O memorial deverá descrever detalhadamente cada fase da execução 
do pro jeto, considerando: 
• recursos humanos e materiais; 
• custos; 
• período de execução; 
• ocorrências diversas. 
Esse memorial deverá compor os arquivos da empresa ou instituição, pois 
deverá ser consultado e servir para redimensionar as fases consecutivas, 
garantindo a qualidade dos serviços e os prazos estabelecidos no contratode execução.
IMPORTANTE!
Apresentamos a seguir, as orientações para elaboração do memorial 
descritivo. 
3.6.3 O memorial descritivo
Sempre que há um projeto, é necessário que haja uma forma de 
acompanhar e avaliar os resultados e sua contribuição para a melhoria 
das organizações. Assim, é necessária uma avaliação para se responder 
em que nível de satisfação se chegou com o implemento das novas ideias 
ou da solução do problema. Dito de outra forma, a organização procura 
resposta para a seguinte, indagação: “quais os resultados obtidos?”.
 
Nesse momento, descreve-se o que se alcançou com o projeto, discutindo 
pontos positivos e negativos, bem como as vantagens ou desvantagens 
em manter o projeto, mesmo aperfeiçoando seus processos e materiais. 
 UNIUBE 117
Em todo projeto (profissional ou mesmo acadêmico), há o momento 
de sua co municação aos responsáveis pelo empreendimento que é 
normalmente quem aplica o capital a ser investido pela empresa. Nessa 
fase, geralmente o enge nheiro utiliza o memorial descritivo que deve 
conter, segundo Bazzo e Pereira (2006, p. 90), entre outros, os seguintes 
elementos:
• objetivos, funções e localização de cada uma das partes 
componentes do projeto; 
• características básicas da solução final, informando as 
pro priedades requeridas para os materiais especificados; 
• indicação de valores previstos para os parâmetros 
e variá veis envolvidas, fazendo referências às 
particularidades que deverão ser observadas quando da 
recepção dos materiais e componentes; 
• detalhes construtivos e operacionais; 
• ilustração detalhada de imagens essenciais à confirmação 
da qualidade do processo ou exigidas por lei ou pela 
própria empresa. 
Em linhas gerais, o memorial descritivo segue um cronograma de 
informações e apresentação gradativo (quando? em que período?) – 
preferencialmente na ordem em que os eventos aconteceram – seguindo, 
sempre, as exigências do empreendimento que devem ser respeitadas 
pelo profissional para padronização da qualidade. 
No memorial podem estar circunscritas as características básicas do 
desfecho dos processos, bem como apresentação e justificativa das 
falhas, os procedi mentos para sua correção. Além disso, podem constar 
detalhes operacionais e estratégicos, descrição das técnicas, materiais, 
critérios para cálculos, simbo logia, entre outros.
Estamos tratando de memorial descritivo. Mas, o que significa 
descrever?
118 UNIUBE
O ato de descrever, segundo Martins e Zilberknop (2007, p. 108), implica 
as seguintes posturas profissionais: 
[...] com relação ao aspecto formal da descrição, 
devem-se evitar os verbos e, se isso não for possível, 
que se unam então as formas nominais, o presente e o 
pretérito imperfeito, dando -se sempre preferência para 
verbos que indiquem estados ou fenômenos. 
Na descrição, geralmente o ato de fala se volta para a enumeração 
de características e detalhes técnicos e gerais dos mais diversos 
elementos presentes na natureza e nas profissões, tais como: recursos 
humanos (cargos e atribuições), objeto, local, procedimentos, materiais, 
entre outros. Dessa forma, pode-se utilizar o emprego dos adjetivos 
e advérbios, inclusive sob a forma de orações, com conectores para 
melhor consistência textual e, assim, detalhar o que se quer especificar 
na descrição. 
Veja o exemplo a seguir. 
Este pequeno objeto que agora descrevemos encontra-se sobre uma mesa 
de escritório e sua função é a de prender folhas de papel.
Tem o formato semelhante ao de uma torre de igreja. É constituído 
por um único fio metálico que, dando duas voltas sobre si mesmo, 
assume a configuração de dois desenhos (um dentro do outro), cada 
um deles apresentando uma forma específica. Essa forma é composta 
por duas figuras geométricas: um retângulo cujo lado maior apresenta 
aproximadamente três centímetros e um lado menor de cerca de um 
centímetro e meio; um de seus lados menores é, ao mesmo tempo, a base 
de um triângulo equilátero, o que acaba por torná-lo um objeto literalmente 
pontiagudo.
O material metálico de que é feito confere-lhe um peso insignificante. Por 
ser niquelado, apresenta um brilho suave. Prendemos as folhas de papel 
fazendo com elas se encaixem no meio dele.
EXEMPLIFICANDO!
 UNIUBE 119
Está presente em todos os escritórios ou locais onde seja necessário 
separar folhas em blocos diferenciados. Embora aparentemente 
insignificante, dadas as suas reduzidas dimensões é muito útil na 
organização de papéis.
Fonte: Granatic (1995).
Observe que a descrição anterior apresenta detalhadamente um clipe 
– objeto de muita utilidade para pessoas que estão envolvidas com a 
organização de papéis. Verifique que, no texto, são usados adjetivos e 
comparações que podem facilitar a sua visualização, detalhando o objeto 
descrito. 
Salientamos que cada pessoa irá descrever a obra em construção 
atentando -se para os seus detalhes. Isso significa dizer que haverá textos 
diferentes. Isso porque cada um irá descrevê-la de acordo com o seu 
ponto de vista, a sua bagagem cultural e domínio da língua materna, 
inclusive considerando os aspectos técnicos de sua profissão. 
Leia uma descrição resumida dessa obra. 
Trata-se de uma construção civil em fase final de acabamento. 
A casa de alvenaria, cuja entrada principal está no centro da 
edificação, dividindo a fachada exatamente ao meio, possui 
um porão à direita e abaixo de uma janela. Há dois pavimentos 
e o acesso entre eles é por uma escada de madeira, com 
corrimão, ao final à direita. Possui três janelas frontais, feitas de 
madeira. A construção está parcialmente descoberta com todo 
madeiramento já instalado. Um carpinteiro está terminando o 
telhado, enquanto dois pedreiros rebocam o lado de fora da 
chaminé da lareira.
120 UNIUBE
Figura 8: Obra em construção. 
Fonte: Adaptado de Viana (2004) – Acervo EAD – Uniube.
Por meio da leitura da descrição, você deve ter percebido que as 
orações não são longas, os verbos estão no tempo presente e os 
termos são técnicos. Entre tanto, o memorial descritivo possui uma 
função maior do que a mera descrição. Nele deverão ser detalhados 
todos os procedimentos e os materiais a serem utilizados (ou que foram 
utilizados) na obra, de acordo com o PQO (Plano de Qualidade da Obra), 
fundamental na construção civil contemporânea para pa dronização de 
procedimentos. 
É importante ressaltar que um memorial descritivo é um texto que explica 
o pro jeto ou os projetos necessários em uma construção. Nesse gênero 
textual – tão necessário ao contexto dos profissionais das engenharias 
– normalmente são explícitas as informações mais relevantes e que 
constam no projeto.
Observe, a seguir, o exemplo de um memorial descritivo simplificado. 
Trata -se de um documento de registro da construção civil. 
 UNIUBE 121
MEMORIAL DESCRITIVO
Casa rápida e popular
Padrão
1. Locação da construção
É a fixação das medidas da obra no terreno, de acordo com as normas e 
limitações existentes e com o projeto arquitetônico. [...]
2. Fundações
As fundações serão do tipo diretas, utilizando-se de quatro estacas-broca 
em concreto Mpa, com 20 cm de diâmetro e 1 m de profundidade. [...]
3. Paredes internas e externas
As paredes serão construídas com painéis tipo alvenaria leve do Sistema 
Epotec – Fertighaus®, com dimensões padrão de 123 x 244 x 7,5 cm ou 
frações, sendo painéis autoportantes, com isolantes térmicos, impermeáveis 
e com isolamento acústico. [...]
4. Estrutura de cobertura e cobrimento
Serão utilizadas treliças pré-industrializadas em madeira tratada de 
primeiro uso, do sistema Gang-Nail. Nesse sistema, as uniões dos nós são 
executadas com conectores em aço galvanizado dimensionados caso a 
caso. [...]
5. Aberturas
As aberturas de janelas preveem fechamento com esquadrias de ferrotipo 
basculante e correr com vidros lisos 3 mm, conforme projeto, sendo pintadas 
com esmalte sintético adicional, com venezianas ou tela para mosquitos. [...]
122 UNIUBE
6. Instalações hidrossanitárias
As instalações hidráulicas serão executadas de acordo com a norma 
brasileira NB 92/80, utilizando tubulações em PVC rígido para água fria 
com conexões soldáveis. [...]
6.1 Estão previstos os seguintes pontos hidráulicos para água fria: 
1 torneira para pia de cozinha (diâmetro ¾ “ tipo plástica Akros, Cipla ou 
similar); 
1 torneira para [...]
 
7. Instalações elétricas
 
As instalações elétricas atenderão a todos os cômodos da edificação, sendo 
as fiações adequadas e dimensionadas para cada circuito (isolamento de 
até 600V), sendo os interruptores e tornadas da linha Fame, Perlex, Pial ou 
similar, de conformidade com a tensão da rede local (110V ou 220V).
 
8. Pisos
 
Os pisos em todos os ambientes serão do tipo cimento-alisado e pintado, 
executado sobre a laje de fundação e sendo possível, opcionalmente, aplicar 
tipo cerâmico PEI-3 sobre os mesmos. 
 
9. Acabamentos
As paredes serão revestidas, internamente e externamente, com pintura 
acrílica texturizada e colorida. As paredes das áreas úmidas, como cozinha 
e banheiro, receberão pintura sanitária à base de epoxies. O forro será do 
tipo lambri de Pínus, assentado sobre tarugamento de madeira e tendo 
acabamento nas laterais com meia-cana de 1” x 2” em Pínus. O forro será 
ainda envernizado com 02 demãos. As esquadrias das janelas receberão 
pintura com esmalte sintético sobre fundo anticorrosivo . As portas e seus 
marcos serão envernizados com 02 demãos.
 UNIUBE 123
10. Limpeza 
Será feita urna limpeza interna na obra, bem como ao redor da construção, 
sendo retirados restos ou sujeiras inerentes à obra, de maneira a 
proporcionar a imediata ocupação do imóvel.
[...] Fonte: <http://7arte.groupsite.com/file_cabinet/download/0x000003b86>. 
Acesso em: 06 jun. 2016. 
Geralmente toda construtora ou empresa de engenharia, seja qual for 
a área, possui um modelo próprio de memorial descritivo a ser seguido, 
para padronizar os seus procedimentos administrativos e operatórios. 
Nesse caso, é necessário conhecer como se descreve de acordo com a 
cultura organizacional da cons trutora ou empresa. 
Quando não há um modelo estabelecido na empresa, geralmente é 
determinado como padrão o modelo que a categoria costuma utilizar 
com maior frequência, fazendo as adaptações necessárias.
 
Cada contexto poderá exigir uma estrutura diferente de memorial. Assim, 
uma casa certamente terá um memorial descritivo diferente do de um 
edifício. Este, por sua vez, será diferente de um monumento ou de um 
hospital.
 
Portanto, o memorial poderá variar de construção para construção, 
inclusive será bem diferente entre os mais diversos ramos da Engenharia 
(mecânica, elétrica, química, de alimentos, de produção etc.). 
Vale lembrar que, na linguagem oficial, é importante a criatividade do 
profissional ao redigir o texto, pois a estrutura serve apenas como esboço 
e formalidade.c
IMPORTANTE!
124 UNIUBE
Resumo
Esperamos que os estudos aqui propostos possam contribuir para a 
sua cons trução da aprendizagem no que se refere à importância da 
comunicação no contexto profissional, à identificação do projeto e do 
memorial descritivo como práticas textuais necessárias à sua formação 
e, consequentemente, contribuindo para a sua competência linguística. 
Esperamos, ainda, que de forma gradativa, você amplie sua capacidade 
de se comunicar, sendo capaz de adequar a sua linguagem – oral e 
escrita – aos diferentes campos de atuação. 
Atividades
Para que você possa acompanhar com maior compreensão os conteúdos 
abordados, propomos as atividades a seguir. Realize-as, com atenção, 
a fim de alcançar os objetivos dessa etapa de trabalho. 
Atividade 1
Como você vê a importância dos conhecimentos de Língua Portuguesa 
no desenvolvimento de atividades profissionais? Redija um parágrafo 
apontando os seus argumentos. 
Atividade 2
2.1 Leia com atenção o texto (ou não texto) a seguir.
As indústrias de móveis estão trabalhando com a mais alta tecnologia 
mundial, com qualidade e design arrojado, equipando os móveis para 
vender os móveis mais caros. Os clientes procuram as indústrias 
de móveis com pouco dinheiro e, se tiverem que pagar mais os 
móveis, muitas vezes os clientes desistem de com prar os móveis e, 
consequentemente, as indústrias de móveis têm prejuízo. 
2.2 Sabendo que: móveis podem também ser chamados de mobília, 
mobiliário, de mercadorias ou produtos; que indústria de móveis 
pode ser chamada de indústria moveleira, indústria de mobiliário e 
 UNIUBE 125
que clientes podem ser chama dos de consumidores, compradores, 
fregueses, escreva o texto anterior utilizando mecanismos de 
coesão textual, a fim de eliminar as repetições. Faça todas as 
alterações necessárias com o objetivo de melhorar o texto. 
Atividade 3
3.1 Nos ambientes em que está diariamente, você se depara com textos 
que nem sempre estão bem elaborados, sejam recados, cartas, 
ofícios, notícias, entre outros. Selecione um texto que você acredita 
poder ser “melhorado” em algum aspecto de sua elaboração e 
transcreva-o (da forma como ele foi escrito). 
3.2 Escreva o texto que você selecionou na atividade anterior, 
fazendo as alterações necessárias, com o objetivo de torná-lo mais 
claro, coerente, ob jetivo, ou seja, considerando os elementos que 
contribuem para um melhor entendimento.
Atividade 4
4.1 Fotografe, desenhe ou pesquise em revistas, livros, ou sites da 
Internet, exemplos de esquemas, gravuras, plantas, esboços, vistas 
em perspectivas, explodidas, cortes, cotas, dimensões, entre outros. 
Entre as imagens sele cionadas, escolha uma que tenha chamado 
mais a sua atenção.
 
4.2 Por meio de um pequeno texto, descreva a imagem que você 
selecionou. Em seguida, justifique o porquê de sua escolha.
Atividade 5
Observe, no cotidiano de sua profissão, situações problemáticas que 
sugiram: melhorias, ou intervenção, ou proposta de inovação, ou 
necessidade de melhor atendimento ao cliente, entre outras. 
Faça uma apresentação dessa situação-problema encontrada, 
justificando a necessidade de fazer tal intervenção. Use, no máximo, 20 
(vinte) linhas. 
126 UNIUBE
Lembre-se de que a justificativa consiste em uma exposição sucinta 
das razões de ordem teórica e dos motivos que tornam importante a 
realização do projeto. Deve-se caracterizar a situação-problema e a 
população que sofre as suas consequências. 
Atividade 6
Considerando a sua resposta na atividade anterior, ou seja, a situação-
problema que você apontou, elabore três objetivos a serem alcançados 
para resolver a referida situação. Não se esqueça de usar verbos que 
indicam ação. 
Atividade 7
Você já sabe que, na metodologia de um projeto, devem ser descritos 
os pro cedimentos necessários para se alcançar os objetivos propostos 
nesse projeto. Diante disso, escreva os procedimentos metodológicos 
necessários para serem alcançados os objetivos que você apresentou 
na atividade anterior.
Atividade 8
Após desenvolver a metodologia, quais serão os possíveis resultados 
a serem alcançados na realização do projeto? Descreva-os, em, no 
máximo, 10 (dez) linhas. 
Referências
BACK, N. Metodologia de projetos de produtos industriais. Rio de Janeiro: 
Guanabara Dois, 1993. 
BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. 4. ed. São Paulo: Martins 
Fontes, 2003. 
BAZZO, Walter A.; PEREIRA, Luiz T. V. Introdução à Engenharia. 6. ed. 
Florianópolis: UFSC, 2006. 
 UNIUBE 127
CONSTRUÇÕES EPOTEC. Memorial descritivo. Casa rápida e popular. 
Disponível em: <http://7arte.groupsite.com/file_cabinet/download/0x000003b86>. 
Acesso em: 06 jun. 2016.
CATEORA, P. R.; GRAHAM,J. L. Marketing internacional. 13. ed. Rio de Janeiro: 
LTC, 2009. 
CORDEIRO, José Sérgio; ALCÂNTARA NETO, Pedro de. Mensagem dos 
presidentes.Disponível em: <http://www.itarget.com.br/newclients/cobenge2009.com.
br/2009/?op=paginas&tipo=secao&secao=2&pagina=1>. Acesso em: 06 jun. 2016. 
FÁVERO, L. L. Coesão e coerência textuais. 3. ed. São Paulo: Ática, 1995. 
GOLD, Miriam. Redação empresarial: escrevendo com sucesso na era da 
globalização. 3. ed. São Paulo: Pearson/Prentice Hall, 2008. 
GRANATIC, Branca. Técnicas básicas de redação. São Paulo: Scipione, 1995.
HALLIDAY. M. A. K.; HASAN, R. Cohesion in English. Londres: Longman, 1976.
KOCH, Ingedore Grunfeld Villaça. A coerência textual. São Paulo: Contexto, 1998.
______.A coesão textual. São Paulo: Contexto, 1999.
 
MARTINS, Dileta S.; ZILBERKNOP, Lúbia S. Português instrumental: de 
acordo com as atuais normas da ABNT. 26. ed. São Paulo: Atlas, 2007.
NICOLA, José de; INFANTE, Ulisses. Gramática contemporânea da Língua 
Portuguesa. São Paulo: Scipione, 1997. 
128 UNIUBE
PAIVA, Luiz F. R. Informática aplicada. Curso de Gestão de Transporte Aéreo. 
Uniube, 2009. 
SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 22. ed. São 
Paulo: Cortez, 2002. 
VIANA, Paulo M. F. Mestre de obras. Uberaba: Universidade de Uberaba, 2004. 
Faraídes Maria Sisconeto de Freitas / Ivanilda Barbosa
Introdução
Oralidade e escrita – leitura, 
interpretação e expressão
Capítulo
4
Afi rma-se por aí que “falar é muito diferente de escrever”, que 
“não basta falar bem; tem que saber escrever bem”. E o nosso 
conhecido Monteiro Lobato, no início do século XX, deixou a 
intelectualidade perplexa com uma de suas frases de efeito: “Um 
País se faz com homens e livros”.
E você? O que pensa dessas afi rmações?
Falamos mais do que escrevemos e lemos menos do que 
ouvimos. Isso é um fato para a maioria das pessoas com as quais 
convivemos em casa, no trabalho e na escola, concorda? Mas em 
que falar e escrever contribuem para a maior ou menor realização 
pessoal e profi ssional das pessoas? De fato, quem transita com 
facilidade entre as múltiplas formas da fala e da escrita tem mais 
oportunidade de alcançar os objetivos a que se propõe em seu dia 
a dia? Qual é mesmo a relação que há entre falar e escrever com 
propriedade e adequação e o grau de satisfação das pessoas em 
suas relações familiares, amorosas, escolares e profi ssionais?
As nossas respostas podem ser bastante variadas para todas 
essas indagações. E, possivelmente, muitos estudiosos já se 
dedicaram a essa polêmica tão presente no diálogo de pais, alunos 
e professores, profi ssionais liberais e comunicadores.
Restringindo um pouco nosso espaço de observação, o exercício 
de pensar no contexto da escola tem se mostrado exigente quanto 
a estas duas formas da linguagem verbal: a oralidade e a escrita.
130 UNIUBE
Ao final deste capítulo, esperamos que você esteja apto a:
• identificar os fatores que interferem na comunicação oral e 
escrita; 
• comunicar-se adequadamente em diferentes situações de 
inte ração social; 
• identificar os elementos que contribuem para a legibilidade 
do texto escrito; 
• utilizar a língua portuguesa em variadas situações 
comunicativas com adequação semântica, gramatical e 
pragmática. 
Objetivos
4.1 Os atos de falar e de escrever 
4.2 Fatores que interferem na ação comunicativa 
4.2.1 Conhecimento de mundo 
4.2.2 Informatividade
Esquema
Neste capítulo, propomos que exercite suas habilidades de ler 
e falar, ouvir e escrever, a partir de textos orais e escritos que 
são produzidos no cotidiano da vida universitária e que têm 
por finalidade incentivar o registro das reflexões, das leituras, 
das indagações, da pesquisa e da produção intelectual que 
se desenvolve durante os cursos de graduação por alunos e 
professores. 
Ao exercitar sua capacidade de expressão, sinta-se um ser de 
lin guagens múltiplas e confie: quanto mais conhecer as variedades 
da linguagem humana e as utilizar em uma perspectiva de 
interação, com uma visão consciente, crítica, criativa e ética, mais 
empreendedor do conhecimento científico e tecnológico e dos 
valores culturais você se tornará. 
 UNIUBE 131
4.2.3 Intencionalidade e receptividade
4.3 Fatores que interagem na comunicação oral
4.4 A comunicação escrita – aspectos que contribuem para a 
legibilidade do texto escrito
Resumo
Atividades
Referências
Os atos de falar e de escrever 4.1
As grandes narrativas que hoje temos nas bibliotecas e nos livros 
sagrados de diferentes povos nos mostram que tiveram origem na 
paciência histórica de alguém que contou o que viu e imaginou a outro 
alguém que, tolerante e pacientemente, o ouviu, registrou e distribuiu 
para muitos outros aquilo que um dia esteve guardado na memória ou 
na imaginação das pessoas, dos povos e das civilizações. 
Embora saibamos que fala e escrita guardem, cada uma, sua identidade, 
suas características próprias, elas permaneceram, ao longo da história 
dos homens e de seus feitos, lado a lado, sem nenhuma relação de 
superioridade, como se fossem faces da mesma linguagem. 
Podemos afirmar que falar e escrever são práticas que se estabelecem 
em diferentes tempos, em diferentes espaços sociais e geográficos e 
que se com plementam interativamente na busca do conhecimento, da 
compreensão, da convivência e da criação humanas. 
Nas variadas formas da fala e da escrita − que ganham vida em cada 
espaço familiar, de trabalho, de lazer, de estudo − se conjugam diferentes 
linguagens: combinações de sinais, de cores, de sons, de códigos e de 
sentidos que vão se constituindo nas diversas linguagens próprias dos 
grupos familiares, religiosos, sociais, culturais, artísticos, científicos e 
profissionais. 
132 UNIUBE
Nessa perspectiva, podemos dizer que os espaços social, cultural e 
geográfico interferem na forma de expressão tanto da fala quanto da 
escrita dos diferentes povos e se constituem em fatores determinantes na 
comunicação oral e escrita em qualquer situação de interação humana.
 
As pessoas das sociedades letradas que têm o privilégio de se 
manifestarem pela fala e pela escrita constatam que estão sujeitas a 
regras em uma e outra situação de comunicação. A escrita de um bilhete 
para um amigo, por exemplo, é bem diferente de um comunicado aos 
colaboradores que um diretor afixa no mural de sua empresa. Ou ainda: 
um artigo de jornal diário sobre um acidente ecológico se difere de um 
laudo do ambientalista para fins de avaliação de res ponsabilidades e 
também do depoimento que o mesmo ambientalista possa dar a um 
repórter sobre o assunto.
 
Muitas outras situações, apresentando as diferenças entre formas 
de expressão oral e formas de expressão escrita, poderiam ser aqui 
relacionadas. Porém, basta observarmos os contatos cotidianos entre os 
mais diversos grupos de pessoas que entenderemos que os exemplos 
poderiam ser infinitos, como infinitas podem ser as situações de 
comunicação humana. Fala e escrita são contínuos com os quais temos 
o privilégio de nos relacionar na dinâmica da vida em sociedade. 
Assim, nas sociedades letradas, desenvolveu-se a noção de variedade 
e de adequação para a eficácia da ação comunicativa. Isto é, em 
cada situação é necessário que se harmonizem os diferentes tipos de 
linguagens verbais e não verbais para que se obtenha uma comunicação 
eficiente e eficaz
• Em cada situação de comunicação escrita ou oral podemos ressaltar 
que existem inúmeros fatores que interferem na escolha do modo de 
falar e de escrever da pessoa e de grupos sociais (profissionais liberais, 
religiosos, políticos, educadores, artistas, jovens, idosos, cientistas, 
desportistas e acadêmicos, entre outros).
• Dentre os fatores determinantes da comunicação, destacam-se: os 
geográficos, os sociais e culturais.SINTETIZANDO...
 UNIUBE 133
• A função social que a pessoa ocupa no momento em que fala ou escreve 
e a sua motivação interferem na seleção que faz de enunciados, de 
palavras, na entonação, no ritmo, sinalizando seu modo próprio de 
expressar sua opinião, seus sentimentos, suas convicções.
• O conhecimento de mundo do falante ou do escritor e o conhecimento 
de mundo que ele supõe que seu interlocutor ou leitor tenha determinam 
também o modo de organizar a fala e a escrita.
• A aceitação do escritor ou falante pelos seus ouvintes e leitores motivam 
a escolha dos estilos próprios que cada um vai construindo ao longo de 
sua história de vida.
• E, ainda, o domínio que cada pessoa tem das técnicas de falar e de 
escrever de acordo com a situação de comunicação lhe permite variar, 
modificar ou adequar sua fala e escrita de modo que atinja os seus 
objetivos nas relações diárias.
Fatores que interferem na ação comunicativa 4.2
O espaço da universidade – uma das instâncias produtoras de escritas, 
lei turas e releituras, voltadas para a formação do cidadão – caracteriza-
se pela prática da leitura e da escrita como um 
princípio motivador da manutenção dos valores 
culturais, da pesquisa científica, da construção do 
co nhecimento e das relações que a universidade 
mantém com a comunidade na qual está inserida, 
permitindo uma interferência e transformação 
mútuas.
 
Entendemos, como Magda Soares (1998), 
que a leitura é “carregada de um valor positivo 
absoluto e traz bene fícios óbvios e indiscutíveis 
ao indivíduo e à sociedade”, na “forma de lazer 
e de prazer, de aquisição de conheci mentos e 
de enriquecimento cultural, de ampliação das 
condições de convívio social e de interação”. 
Magda Soares
Professora 
titular emérita da 
Faculdade de 
Educação da UFMG 
e pesquisadora 
do Centro de 
Alfabetização, 
Leitura e Escrita 
– CEALE. Autora 
de vários artigos, 
capítulos de livros 
e livros sobre 
O ensino da 
língua escrita. É 
também autora de 
coleções didáticas 
para o ensino de 
português.
134 UNIUBE
Nesse sentido, os atos de ouvir e falar, de ler e escrever constituem-se 
em práticas indispensáveis à formação integral do indivíduo, interferindo 
no seu desenvolvimento emotivo, intelectual, social e profissional e 
proporcionando-lhe, dia a dia, a ampliação de seu conhecimento de 
mundo.
4.2.1 Conhecimento de mundo 
A importância social da linguagem entre os povos revela-se no contínuo 
uso da oralidade e da escrita, em suas variadas formas, do mais simples 
ao mais complexo processo de comunicação e de interação humanas. 
Ao mesmo tempo em que o contato com a diversidade cultural, artística, 
social, linguística, religiosa e econômica possibilita a ampliação do diálogo 
e entendi mento entre pessoas, o conhecimento do mundo se amplia 
na interação entre as pessoas de mesmo ou de diferentes espaços e 
funções sociais.
 
Podemos afirmar que ao ouvir e entender, ler e compreender, ao sentir e 
expressar-se, ao escrever e comunicar-se, ao aprender e traduzir o que 
sabe, cada pessoa põe em prática todo o conhecimento de mundo que 
já lhe pertence. O conhecimento de mundo, portanto, interfere na forma 
da pessoa dialogar, ler, interpretar e compreender a si mesmo, ao outro 
e à realidade. 
Tratando-se de conhecimento de mundo, a expressão oral e escrita, 
a leitura, a interpretação e compreensão de textos são experiências 
pessoais e coletivas que contribuem para a formação da identidade do 
indivíduo-cidadão, agente social transformador da comunidade em que 
vive. 
4.2.2 Informatividade 
A informatividade está presente em todos os tipos de textos orais e 
escritos, visuais e espaciais, tais como anúncios, artigos, pinturas, 
esculturas, debates, entrevistas, conferências, dentre outros, e se 
relaciona à informação contida em cada um deles.
 UNIUBE 135
O que seria, então, informatividade?
Quando uma pessoa que fala provoca em outra uma expectativa em 
relação ao que está dizendo, significa que há algo novo sobre o assunto, 
ou seja: o ouvinte fica esperando tomar conhecimento de algo que 
ainda não sabe. Se o que ouve já lhe é conhecido, a expectativa não foi 
atendida. Dizemos, então, que a pessoa não trouxe nada de novo, não 
informou praticamente nada.
A informatividade de um texto oral, por exemplo, se mede pela quantidade 
de novidade que aquela fala nos traz. Assim, o grau de informatividade 
do texto pode variar de ouvinte para ouvinte, ou de leitor para leitor, de 
espectador para espectador. Por quê?
Relacionando com a noção de conhecimento de mundo, podemos 
afirmar que para determinadas pessoas o grau de informatividade de 
um texto é alto, pois, para elas, o texto está repleto de novidade, de 
informação. Enquanto para outras, o mesmo texto pode ter um baixo grau 
de informatividade. E isso pode decorrer de dois fatores: ou a pessoa não 
tem conhecimentos anteriores que lhe possibi lite compreender o que está 
sendo informado; ou porque ela já tem um grande conhecimento sobre 
o assunto e a forma como está sendo abordado. 
Nesse sentido, ao falar ou escrever devemos cuidar de saber para quem 
estamos falando ou escrevendo, uma vez que nossa intenção é sempre 
manter o elo comu nicativo com as pessoas. Nem tanto ao mar, nem 
tanto à terra. O nosso interlocutor precisa de pistas para que encontre, 
em nosso texto, o sentido novo, a novidade, a informação. A eficiência 
ou a eficácia de uma comunicação encontra-se também no controle da 
informatividade, por parte de quem se dispõe a comunicar. 
Observando os textos que circulam nos canais de TV aberta, 
publicidades, cam panhas sociais, notícias, podemos constatar que 
apresentam um grau médio de informatividade. Eles se dirigem a um 
público diversificado e conseguem manter a atenção do telespectador, 
pois calculam a média do conhecimento de mundo da audiência, naquele 
horário, e acrescentam informações de interesse geral.
136 UNIUBE
No contexto da universidade (sala de aula, laboratórios, congressos, 
seminários científicos, programação cultural), o desafio é para todos: 
assegurar, em cada situação de estudo, o grau de informatividade que 
permita a interação e a permanente produção do conhecimento pela 
comunidade acadêmica.
SINTETIZANDO...
4.2.3 Intencionalidade e receptividade 
A intencionalidade e a receptividade são dois fatores que interferem 
na ação comunicativa, uma vez que essa ação tem sua origem nos 
propósitos das pessoas nela envolvidas. 
Se a intenção de quem produz um texto escrito é provocar no leitor 
uma reação, para que isso aconteça, é necessário que o leitor tenha a 
disposição de ler o texto que lhe está sendo oferecido. E, para que ocorra 
a receptividade, é impor tante que o texto produzido ofereça elementos 
motivadores para a sua leitura. 
O interesse do leitor quase sempre ganha existência na medida em que 
ele vai encontrando, no texto, elementos do seu conhecimento de mundo. 
A receptivi dade do texto será em maior ou menor grau, dependendo das 
informações que lhe favoreçam a interpretação e a compreensão das 
ideias, das crenças, das convicções, dos conhecimentos científicos, do 
prazer estético. Por isso, todo texto tem em si o interesse do recebedor 
para o qual ele está dirigido. 
Na publicidade de automóveis ganha relevância o conforto, o status social, 
a segurança. Esses são aspectos de grande interesse da classe média 
brasileira para a qual estão dirigidas as peças publicitárias das marcas 
automobilísticas.
EXEMPLIFICANDO!
 UNIUBE 137
Os fatores aqui apresentados – conhecimento de mundo, informatividade, 
intencionalidade, receptividade – encontram-se associados em todas as 
situações e igualmente contribuem para o êxito da ação comunicativa.
IMPORTANTE!
Fatores que interagem na comunicação oral4.3
O teatro é uma forma milenar denarrativa. Nele, conjugam-se voz e 
gestua lidade, cenário e figurino, para a encenação de uma história. Se 
você já teve a oportunidade de assistir a peças teatrais – tragédias, 
comédias, musicais, monólogos –, pôde conferir o fascínio que o teatro 
exerce sobre as pessoas. 
Francisco Marques, o Chico dos Bonecos (2005, p. 23), ao expressar sua 
visão da narrativa, afirma que: 
[...] narrar é um ato inventivo, seja para contar o 
acontecido ou apalavrar o imaginado. E toda a sua 
invenção reside no deta lhe: evidenciar uma palavra, 
iluminar uma pausa, desdobrar um gesto, incorporar 
a participação dos ouvintes, buscar um tom de voz, 
encaixar um comentário, introduzir uma personagem, 
arquear as sobrancelhas... Desenrolar o enredo e 
enredar as palavras são as duas páginas da mesma 
folha. O ouvinte não se envolve apenas com o rumo 
dos acontecimentos, mas também com o rumor das 
palavras. 
Observe que embora esteja escrito, o autor se expressa de forma 
bastante espon tânea: o ritmo cadenciado, indicado nessa escrita pelos 
sinais de pontuação, vírgu las, dois pontos, reticências, imprime ao texto 
um efeito próximo ao da oralidade, a sensação que temos ao ler o texto 
é de que estamos ouvindo a voz do autor. 
No teatro, como na dança, a linguagem do corpo ganha visibilidade. 
Talvez esse seja o motivo do permanente interesse de gerações e 
gerações por essas formas de comunicação artística. 
138 UNIUBE
Figura 1: Situações comunicativas no trabalho.
Fonte: Acervo EAD – Uniube
Figura 2: Situações comunicativas na vida social.
Fonte: Acervo EAD – Uniube
Mas, a linguagem corporal não está presente apenas nas expressões 
artísticas. Em cada situação de comunicação oral que se realiza de 
maneira formal ou informal constata-se que o tom e o volume da voz, 
o movimento corporal, os gestos, a expressão facial e o deslocamento 
do olhar se complementam para motivar e manter o interesse dos 
interlocutores. 
Não é sem motivo que especialistas em comunicação têm dispensado 
tempo para a pesquisa da linguagem corporal e os seus efeitos nas 
relações de trabalho. 
 UNIUBE 139
No livro O corpo fala, P. Weil e R. Tompakow oferecem ao leitor um 
detalhado estudo do comportamento humano a partir da linguagem 
silenciosa do corpo, abordando temas como: harmonia e desarmonia, 
origem dos gestos, o amor e sua expressão corporal, entre outros. 
Esse estudo ressalta a importância da gestualidade, da postura e da 
adequação do vestuário como fatores intervenien tes nas situações de 
comunicação oral.
Os autores do livro Falar bem é fácil reforçam a visão dos autores de O 
corpo fala, oferecendo-nos um texto bastante agradável sobre o assunto.
 
Para os autores, comunicar-se bem é, hoje, uma condição obrigatória para 
ter um bom desempenho tanto profissional quanto pessoal. Eles sugerem 
caminhos para o desenvolvimento das habilidades de comunicação nas mais 
variadas ocasiões. Vale a pena conferir!
PESQUISANDO NA WEB
No espaço acadêmico e profissional, valoriza-se também o domínio que 
a pes soa tem das várias formas de expressão da linguagem oral. Como 
as situações de comunicação oral são variadas, torna-se necessário 
utilizar-se, adequadamente, de cada uma, considerando a maior ou 
menor informalidade da situação. 
É di ferente a forma de expressão oral na conversa que se tem com os 
colegas no refeitório da empresa de uma outra, com os mesmos colegas, 
em uma reunião de trabalho. Ou mesmo a forma de falar dos integrantes 
de um grupo de estudo, durante as discussões, difere da forma de falar 
ao apresentarem oralmente o resultado da pesquisa em um seminário 
científico. 
No capítulo “Comunicação e textos acadêmicos”, você teve a 
oportunidade de conferir que os textos orais caracterizados como 
entrevista e debate têm modos de organização diferentes. Observar 
esses fatores em seu cotidiano contribui para o aprimoramento de 
sua competência comunicativa, em situação de inte resse pessoal e 
profissional. 
140 UNIUBE
• WEIL, Pierre; TOMPAKOW, Roland. O corpo fala: a linguagem 
silenciosa da comunicação não verbal. 65. ed. Petrópolis: Vozes, 2009.
Essa obra desvenda a linguagem silenciosa do corpo e é indicada para 
profissionais de diferentes áreas de atuação. Os autores abordam, de 
maneira simples, prática e divertida, a linguagem do corpo.
• MENDES, Eunice; ALMEIDA Lena; Henriques, Marco P. Falar bem é 
fácil: um Superguia para uma Comunicação de Sucesso. 2. ed. São 
Paulo: AGWM, 2011.
Com uma linguagem simples e de fácil assimilação, essa obra proporciona 
uma abordagem didática da comunicação, contribuindo para o 
desenvolvimento de habilidades necessárias ao sucesso profissional. 
INDICAÇÃO DE LEITURA
4.4 A comunicação escrita – aspectos que contribuem para 
a legibilidade do texto escrito 
Os dois textos lidos no item “Fatores que interagem na comunicação oral” 
nos permitem observar que há entre fala e escrita mais semelhanças do 
que diferen ças quando nos colocamos no lugar de interlocutores. Ou 
seja: a compreensão do pensamento dos autores-escritores é facilitada 
pelos elementos gráficos, os espaços que foram utilizados para marcar 
o ritmo e a sequência e progressão do pensamento.
 
As pausas breves marcadas pelas vírgulas entre as palavras e 
expressões permitem a visualização de detalhes: “evidenciar uma palavra, 
iluminar uma pausa, desdobrar um gesto, incorporar a participação dos 
ouvintes, buscar um tom de voz, encaixar um comentário, introduzir uma 
personagem, arquear as sobrancelhas...”. As reticências sugerem que 
mais detalhes poderiam ser enu merados. O autor conta com a atenção 
e a imaginação do seu leitor, que mais se aproxima a um ouvinte ou a 
espectador.
 
Em O corpo fala... e escuta, o leitor está presente no texto por meio das 
formas verbais do imperativo e pelas formas pronominais de segunda 
 UNIUBE 141
pessoa: “Seja coerente, procure ser você ao se expor para um grupo de 
pessoas. Nessa ex posição dê atenção a todos, deixe o seu olhar dançar 
entre eles, mas nunca olhe fixamente para nenhum deles”. 
Assim como na comunicação oral, na escrita existem vários aspetos 
formais que contribuem para que o texto se torne legível – pontuação, 
ortografia, con cordância e regência verbal e nominal, adequação do 
vocabulário ao assunto e ao conhecimento de mundo do leitor e a 
organização textual. 
É importante lembrar que esses aspectos formais, que interferem na 
comuni cação escrita, seguem normas especiais em cada gênero textual. 
Um poema se organiza espacialmente de forma diferente de um texto 
científico. Os aspectos formais – pontuação, espaçamento, parágrafos 
e outros – são utilizados con forme a situação comunicativa. Um texto 
jornalístico, uma notícia, por exemplo, é escrito de forma diferente de um 
texto publicitário, porém ambos podem estar publicados em uma mesma 
página do jornal ou da revista.
 
Pontuação
 
Vejamos um caso em que a pontuação (ou a falta dela) interfere na 
compreensão do texto. Para quem é a refeição que está na mesa? 
Uma senhora responsável pela limpeza e organização de uma república 
de estudantes escreveu um bilhete em um cartão antes de sair. No bilhete 
estava escrito:
Essa encomenda é para o João não para a sua namorada 
também não é para o Álvaro entregar ao síndico jamais para o 
José do quarto 2 não é para a Rosa.
Fátima
142 UNIUBE
Situação A 
O João lê o bilhete.
Essa encomenda é para o João. Não para a sua namorada. 
Também não é para o Álvaro entregar ao síndico. Jamais para 
o José do quarto 2. Não é para a Rosa.
Fátima
Situação B 
A Rosa leu o bilhete. 
Essa encomenda é para o João? Não! Para a sua namorada? 
Também não. É para o Álvaro entregar ao síndico? Jamais. 
Para o José do quarto 2? Não. É para a Rosa.
Fátima
Se você fosse o José do quarto 2, como leria este bilhete?Essa encomenda é para o João? Não. Para a sua namorada? Também 
não. É para o Álvaro entregar ao síndico? Jamais. Para o José do quarto 
2. Não é para a Rosa.
Fátima
PARADA PARA REFLEXÃO
Considerando as situações apresentadas, percebemos que a pontuação 
inter fere na compreensão dos textos escritos. Diante disso, ao escrever 
um texto, devemos ter muita atenção a fim de comunicar ao leitor a 
nossa intenção. 
 UNIUBE 143
Caso você queira aprofundar seus conhecimentos sobre o Novo Acordo 
Ortográfico, sugerimos pesquisar em diferentes sites, disponíveis na Internet.
PESQUISANDO NA WEB
Lembrando aqui os versos do poeta João Cabral de Melo Neto, em 
seu poema Catar Feijão (Educação pela pedra -1965), muitos fatores 
contribuem para a legibilidade do texto escrito.
Para a elaboração de um texto coeso e coerente, necessitamos “catar 
feijão”, catar palavras, recolher, retirar o que não é bom, o que não é 
palavra adequada ou não é palavra boa. Em seguida, “joga-se os grãos 
na água do alguidar”, na intenção de escolher, “e as palavras na folha 
de papel”, que, associadas aos fatores aqui apresentados, certamente 
resultarão em uma comunicação escrita bem elaborada e coerente com 
os objetivos propostos. 
Ortografia 
Ortografia significa escrita correta: orto = certo + grafia = escrita. 
Recentemente, foi assinado um acordo visando à unificação da ortografia 
em Língua Portuguesa que deverá ser adotada por todos os países 
lusófonos, isto é, em que se falam a língua portuguesa. 
Embora tenha gerado bastante polêmica no meio acadêmico e editorial, 
as modificações, no Brasil, atingiram apenas 0,47% do vocabulário da 
Língua Por tuguesa. Em Portugal e no restante dos países, a porcentagem 
foi maior – cerca de 1,6% do vocabulário.
 
As alterações abrangem o uso do trema, do hífen, do acento gráfico em 
ditongos abertos e hiatos e a inclusão das letras w, k, y no alfabeto. 
144 UNIUBE
O estudo deste capítulo permitiu a reflexão sobre o uso da linguagem 
oral e escrita, identificando os aspectos de aproximação e distanciamento 
nessas duas modalidades da linguagem verbal.
 
Refletimos sobre a importância do domínio das variedades de 
expressão oral e escrita, para que se consiga uma comunicação 
eficiente, considerando cada situação de interação social. 
A leitura de textos permitiu-nos observar os fatores que devem ser 
conside rados na produção de textos orais e escritos, com o objetivo 
de adequar as formas de linguagem às situações sociocomunicativas, aos 
interesses do falante/escritor e do ouvinte/ leitor, para que a comunicação 
aconteça. 
As leituras sugeridas poderão ampliar os estudos sobre a importância da 
orali dade e da escrita na dinâmica da vida pessoal e profissional. 
Atividades
Com a finalidade de ampliar alguns conhecimentos sobre a linguagem 
oral e escrita, propomos a realização das atividades que se seguem. 
Para tanto, consulte os aspectos abordados em cada um dos itens 
desenvolvidos neste capítulo.
Atividade 1 
Texto para leitura
 
Leia com atenção o texto a seguir. 
Continho 
Era uma vez um menino triste, magro e barrigudinho, do sertão de 
Pernambuco. Na soalheira danada do meio-dia, ele estava sentado na 
poeira do caminho, imaginando bobagem, quando passou um gordo 
vigário a cavalo:
Resumo
 UNIUBE 145
− Você aí, menino, para onde vai essa estrada? 
− Ela não vai não: nós é que vamos nela. 
− Engraçadinho duma figa! Como você se chama? 
− Eu não me chamo não, os outros é que me chamam de Zé. 
(Paulo Mendes Campos, Para gostar de ler – Crônicas, p. 76) 
1.1 Paulo Mendes Campos criou um texto narrativo escrito se 
apropriando de uma história oral. Quais são os elementos que 
marcam os traços da oralidade?
1.2 Agora é a sua vez de ser um escritor. Crie um “continho”, com base 
em uma história popular, corrente na região em que reside. Em sua 
escrita, utilize os elementos presentes na linguagem oral. 
Atividade 2 
Leitura de texto – Resenha 
Narradores de Javé – a tradição oral e a importância de seu registro. 
Narradores de Javé. Direção: Eliane Caffé. Rio de Janeiro: Bananeira 
Filmes, 2003. 1 DVD (100 min.), DVD, son., color.
 
O filme Narradores de Javé, lançado em 2003, relata o drama dos 
moradores do pequeno povoado do Vale do Javé, que será inundado 
pelas águas de uma represa hidroelétrica que será construída. 
Inconformados com a situação, os moradores descobrem que podem 
evitar o desaparecimento do povoado se conseguirem transformá-lo em 
patrimônio cultural. Para isso, precisam relatar em um livro, de forma 
“científica”, a história do povoado. O trabalho fica a cargo de Antônio Biá, 
único morador alfabetizado. Biá, dono da única agência dos Correios 
existente no povoado, havia sido expulso da região por ter inventado 
mentiras sobre a vida dos moradores como artifício para aumentar a 
146 UNIUBE
circulação de cartas e, consequentemente, beneficiar sua agência. A 
história de Biá mostra as vantagens obtidas por quem detém o poder da 
escrita, concedendo-lhe poder sobre os demais. 
Investido da missão de salvar o povoador, Biá se põe a resgatar a 
memória do povoado por meio de relatos da história oral. Ao ouvir os 
depoimentos dos moradores, o salvador percebe a diversidade de 
casos e contos que marcaram o desenvolvimento daquele povo. Para o 
primeiro morador a contar a história, surge a figura heroica de Indalécio, 
fundador do povoado, que em conjunto com seus companheiros de 
guerra encontrou na região um porto seguro para se estabelecerem. Em 
outro relato, feito por uma mora dora, a heroína é Maria Dina e, em um 
terceiro relato, feito por um morador negro, o herói da fundação é Indalêo, 
um homem de origem africana. Dessa forma, Biá se depara com um 
problema: a história é sempre a mesma, mas a versão é apresentada por 
cada depoente, levando em consideração suas visões, seus interesses e 
suas impressões pessoais, que são defendidas com veemência. 
“Uma coisa é um fato ocorrido, outra coisa é o fato escrito”, com essa 
frase, Biá relata a diversidade de versões encontradas durante o 
processo de produção do livro. Enquanto a história oficial relatava um 
fato, as versões apresentadas pelos moradores mostram outra realidade. 
Diante disso, o filme chama atenção para uma questão singular: a 
interferência do narrador na história. Cada fato narrado é “contaminado” 
pelas impressões pessoais e pelos valores de quem o conta, pautado na 
velha máxima “quem conta um conto aumenta um ponto”. 
Apesar dos esforços para tentar salvar o povoado, a tentativa foi 
fracassada. Na busca pelo resgate da memória coletiva do Vale do Javé, 
prevaleceram as memórias individuais de seus moradores, e, fatalmente, 
não se cumpriu o obje tivo. O povoado foi inundado pelas águas da usina. 
Resignado com o fim material do povoado, Antônio Biá começa a 
escrever com seriedade a história do município na tentativa de preservar 
a história mítica do local e eternizar a existência do Vale do Javé. 
O filme é marcado pela construção da memória por meio da oralidade, 
mostrando a memória num contexto dinâmico e próximo que possibilita 
seu resgate a qual quer momento. Confronta a memória individual e 
 UNIUBE 147
coletiva e relaciona passado e futuro, ressaltando a riqueza da relação 
entre os dois. 
Numa sociedade essencialmente oral, a história do Vale do Javé é 
pautada na palavra. Um exemplo é a apropriação e a divisão das terras, 
que são legitima das através do canto aclamado pelos moradores, 
dispensando documentos oficiais na comunidade. Confrontados pela 
extinção do povoado com a inun dação da represa, os moradores se 
veem obrigados a escrever sua história para preservá-la oficialmente. A 
oralidade resgata esse passado, mas é por meio da escrita que ele será 
eternizado, ressaltando a importância da união das duas práticas.O filme resgata a discussão sobre os efeitos do progresso, a destruição 
física de um grupo e a submersão de sua história em favor do crescimento 
do país. A narrativa do filme ressalta a desigualdade social, ao reproduzir 
a história de grupos historicamente oprimidos. 
A variedade linguística e a abordagem de temas tão polêmicos fazem 
do filme uma obra espetacular. A trilha sonora diferenciada, o estilo 
“flash back” da edição e a interpretação dos atores tornam o filme uma 
experiência agradável e divertida que vale a pena ser experimentada por 
todos. É a união da diversidade cultural brasileira, as origens rurais da 
população, os desafios sociais e o progresso em uma história envolvente 
e atual. 
Luiz Maurício Pereira 
Assessor de comunicação e jornalista. Formado pela Universidade de 
Uberaba e aluno de pós-graduação em Comunicação Corporativa na 
Universidade Gama Filho. 
2.1 Redija um comentário sobre a resenha lida Narradores de Javé – a 
tradição oral e a importância de seu registro, tendo como referência: 
a) a estrutura da resenha – estudada no capítulo 1: identificação da 
obra, autoria, apresentação dos autores da obra e de sua atuação 
profissional, apre sentação da obra, destacando o tema e o gênero, 
organização da obra, resumo comentado, análise e avaliação da 
obra, indicação da leitura.
148 UNIUBE
b) os elementos que contribuem para a legibilidade do texto – 
pontuação, ortografia, concordância e regência verbal e nominal, 
adequação do voca bulário ao assunto e ao conhecimento de mundo 
do leitor e a organização textual.
 
2.2 Você se sentiu motivado a assistir ao filme Narradores de Javé, a 
partir da leitura dessa resenha? Justifique a sua resposta. 
2.3 Na sua opinião, o autor da resenha atingiu os objetivos, ou seja, 
foi eficiente ao comunicar -se com o público a que essa resenha se 
destina? 
Referências
CAMPOS, Paulo Mendes. Continho. In: ANDRADE, C. Drummond de et. al. 
Para gostar de ler. v. 1., 24. ed. São Paulo: Ática, 1998. 
GOLD, Miriam. Redação empresarial: escrevendo com sucesso na era da 
globalização. 3. ed. São Paulo: Pearson/Prentice Hall, 2008. 
KOCH, Ingedore G. Villaça; TRAVAGLIA, Luiz Carlos. A coerência textual. 
15. ed. São Paulo: Contexto, 2003. 
KOCH, Ingedore G. Villaça. A coesão textual. 22. ed. São Paulo: Contexto, 2010. 
MARQUES, Francisco. Aventura partilhada. In: BRASIL. Ministério da Educação. 
A palavra reinventada: seus usos na educação. Boletim 18. 2005. Brasília: Mec. 
Disponível em: <http://cdnbi.tvescola.org.br/resources/ VMSResources/contents/
document/publicationsSeries/215731Apalavra.pdf>. Acesso em: 07 jun. 2016.
 
MELO NETO, João Cabral de. A educação pela pedra. Rio de Janeiro: José 
Olympio, 1975. 
 UNIUBE 149
MENDES, Eunice; ALMEIDA Lena; HENRIQUES, Marco P. Falar bem é fácil: um 
Superguia para uma Comunicação de Sucesso. 3. ed. São Paulo: AGWM, 2011. 
 
SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: 
Autêntica, 1998. 
WEIL, Pierre; TOMPAKOW, Roland. O corpo fala: a linguagem silenciosa da 
comunicação não -verbal. 65. ed. Petrópolis: Vozes, 2009. 
Anotações
_________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
__________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
__________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
__________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
________________________________________________________
_______________________________________________________ 
Anotações
_________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
__________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
__________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
__________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
_________________________________________________________
________________________________________________________
_______________________________________________________

Mais conteúdos dessa disciplina