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Ivanilda Barbosa Faraídes Maria Sisconeto de Freitas Comunicação e linguagens: leitura e produção de textos na graduação © 2016 by Universidade de Uberaba Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Universidade de Uberaba. Universidade de Uberaba Reitor Marcelo Palmério Pró-Reitor de Educação a Distância Fernando César Marra e Silva Editoração Produção de Materiais Didáticos Capa Toninho Cartoon Edição Universidade de Uberaba Av. Nenê Sabino, 1801 – Bairro Universitário Catalogação elaborada pelo Setor de Referência da Biblioteca Central UNIUBE Barbosa, Ivanilda. B234c Comunicação e linguagens: leitura e produção de textos na graduação / Ivanilda Barbosa, Faraídes Maria Sisconeto de Freitas. – Uberaba: Universidade de Uberaba, 2016. 160 p. : il. Programa de Educação a Distância – Universidade de Uberaba. ISBN 1. Comunicação. 2. Comunicação e educação. 3. Linguagem. 4. Leitura. I. Freitas, Faraídes Maria Sisconeto de. II. Universidade de Uberaba. Programa de Educação a Distância. III. Título. CDD 302.2 Faraídes Maria Sisconeto de Freitas Mestre em Educação pela Universidade de Uberaba – Uniube. Especialista em Linguística Aplicada e em Avaliação Educacional pela Universidade de Uberlân dia – UFU. Licenciada em Letras (Português/ Inglês) pela Uniube e em Pedago gia pela Faculdade de Educação Antônio A. Reis Neves. É docente da Uniube nos cursos de Direito, Engenharia, Letras e Pedagogia. Membro da equipe de Educação a Distância. Ivanilda Barbosa Mestre em Literatura Brasileira pela Universidade de Brasília – UnB. Especialista em Linguística Aplicada pela Universidade Federal de Uberlândia – UFU. Espe cialista em Literatura Brasileira Contemporânea pela Universidade Federal de Uberlândia – UFU. Licenciada em Letras (Português/Francês), pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras “Santo Tomás de Aquino” – FISTA, de Uberaba. Consultora em projetos educacionais e em Educação a Distância. Sobre as autoras Sumário Apresentação .............................................................................................................VII Capítulo 1 Comunicação e textos acadêmicos ..................................... 1 1.1 Comunicação verbal no contexto acadêmico ......................................................... 3 1.2 O texto acadêmico – uma definição ........................................................................ 8 1.3 Modos de organização dos textos acadêmicos orais e escritos ........................... 11 1.3.1 Textos orais – a entrevista e o debate ........................................................ 12 1.3.2 Textos escritos .............................................................................................. 16 1.3.3 Outras formas de registro de estudos ......................................................... 31 1.4 Leitura de um texto didático-científico ................................................................... 33 1.4.1 Procedimentos ............................................................................................. 33 Capítulo 2 Linguagem, trabalho e prática social ................................. 51 2.1 Formas da escrita no cotidiano das empresas e organizações ........................... 53 2.1.1 Linguagem e vínculo social .......................................................................... 53 2.1.2 Formas textuais e identidade do profissional e da organização ................. 57 2.1.3 Expressão verbal ........................................................................................ 58 Capítulo 3 Linguagem, sociedade e comunicação verbal .................. 75 3.1 Linguagem verbal e transformação social ............................................................ 77 3.2 Situações comunicativas e a diversidade de gêneros textuais ............................. 83 3.3 Comunicação verbal, competência profissional e produtividade .......................... 84 3.4 Em busca da comunicação eficaz ........................................................................ 92 3.5 As dimensões verbal e não verbal em um texto ................................................... 99 3.6 A expressão verbal na redação oficial, projetos e memoriais ............................ 104 3.6.1 A redação oficial ........................................................................................ 104 3.6.2 O projeto .................................................................................................... 108 3.6.3 O memorial descritivo ............................................................................... 108 Capítulo 4 Oralidade e escrita – leitura, interpretação e expressão .129 4.1 Os atos de falar e de escrever ............................................................................ 131 4.2 Fatores que interferem na ação comunicativa ................................................... 133 4.2.1 Conhecimento de mundo .......................................................................... 134 4.2.2 Informatividade .......................................................................................... 134 4.2.3 Intencionalidade e receptividade .............................................................. 136 4.3 Fatores que interagem na comunicação oral ...................................................... 137 4.4 A comunicação escrita – aspectos que contribuem para a legibilidade do texto escrito .................................................................................................................. 140 A liberdade, a autoconfiança, o desejo consistente e o olhar curioso movem as criaturas na grande aventura da comunicação por milênios e milênios. A interação humana vem se concretizando nas linguagens dos costumes, do mito, da arte, da ciência e do trabalho articuladas e diluídas por e entre tênues fios de gestos, sons, imagens e sentidos − eis a linguagem ou as linguagens humanas. Eis o homem em sua aventura. Seria, então, cada linguagem uma aventura? E o “que pode uma criatura se não, entre criaturas”, dizer e, nessa fala mesma − do contador e do poeta, do dançarino, músico e inventor, do grafiteiro, do místico, do filósofo e do cientista − protestar, dispersar, cantar e dançar, não dizer e ousar ouvir, ler e escrever? “Cada ser humano é palavra inédita” − anuncia o antropólogo Juvenal Arduini. Ao mesmo tempo em que nela se irmanam as crenças, os saberes, os costu mes, a ação e a realização dos homens, dos povos, das sociedades, também se articulam o rígido e o fugidio, a esperança e a tirania, o medo e a solução, o dentro e o fora e a sintonia da revelação e da alegria do aprender, do construir e do conhecer o mundo, o outro e a si mesmo. Como um atuante cidadão brasileiro em casa, na escola ou no trabalho, você usa da língua portuguesa ou da língua brasileira de sinais e se expressa cotidia namente como filho, irmão, amigo, colega ou profissional. Ao realizar um curso superior de graduação na Universidade de Uberaba, você está sendo convidado a aventurar -se pela linguagem que circula no mundo acadêmico. Comunicação e linguagens – leitura e produção de textos na graduação constitui-se em um instrumental de uso diário que poderá auxiliá-lo a aprimorar sua comunicação oral e escrita em diferentessituações no circuito de sua vida acadêmica. Nele encontram-se quatro capítulos em Apresentação VIII UNIUBE que estão desenvolvidos os temas: comunicação e textos acadêmicos, linguagem, trabalho e prática social, a prática comunicacional no contexto das organizações e oralidade e escrita − leitura e interpretação de textos. Os conteúdos de cada capítulo abrangem uma introdução, os objetivos do es tudo, um esquema inicial que apresenta o desenvolvimento dos itens abordados, um texto contendo conceitos, exemplos, reflexões, questionamentos, links para leitura e pesquisa e, ainda, um breve resumo do conteúdo abordado, indicações de textos para ampliação do conhecimento e atividades de aprendizagem. Nesse percurso, ficamos com você, acreditando na voz do poeta Drummond, em O lutador, que já nos dizia “lutar com palavras/ é a luta mais vã./ Entanto lutamos/ Mal rompe a manhã”. As autoras Ivanilda Barbosa Introdução Comunicação e textos acadêmicos Capítulo 1 A leitura de textos científi cos, jornalísticos e literários, dentre outros, faz parte do cotidiano do universitário. A variedade de suportes, nos quais esses textos circulam hoje, propicia a cada um escolher o que melhor se adapta aos seus hábitos de leitura: a tela do computador, as páginas dos livros impressos, as revistas especializadas ou mesmo os jornais de circulação diária. O certo é que, nesses suportes, os textos nos põem em contato com as informações sobre economia e política, com as discussões sobre as questões ambientais, invenções tecnológicas, os fatos e as fi cções que nos situam no dinâmico universo da sociedade em que vivemos. A leitura, portanto, faz parte da nossa agenda diária, enquanto nos sentimos motivados a aprender, a criar, a manter diálogos sobre os mais variados temas com as mais diversas pessoas. Neste capítulo, apresentaremos alguns procedimentos adequados para a leitura de um texto didático e científi co. Também teremos a oportunidade de observar as formas de textos acadêmicos mais frequentes para se realizarem os registros dos estudos nos cursos de graduação. O que pretendemos é proporcionar-lhe alguns instrumentos para que amplie seu conhecimento sobre as formas de organização e o uso adequado de textos acadêmicos, para o seu melhor desempenho nos estudos. 2 UNIUBE Ao final deste capítulo, esperamos que você esteja apto a: • ampliar a noção de texto; • reconhecer a organização de textos acadêmicos orais e escritos; • diferenciar o modo de organização da entrevista e do debate; • identificar grupos distintos de textos acadêmicos escritos mais frequentes nos cursos de graduação; • realizar a leitura compreensiva de um texto didático-científico. Objetivos Por isso, além de demonstrar os modos de se realizar a leitura de alguns dos gêneros textuais, vamos sugerir atividades para o exercício da leitura. Esperamos que os comentários dos textos apresentados neste capítulo possam lhe ser úteis, quando for expressar suas ideias e opiniões a partir dos estudos que realizar no seu curso de graduação. 1.1 Comunicação verbal no contexto acadêmico 1.2 O texto acadêmico – uma definição 1.3 Modos de organização dos textos acadêmicos orais e es critos 1.3.1 Textos orais – a entrevista e o debate 1.3.2 Textos escritos 1.3.3 Outras formas de registro de estudos 1.4 Leitura de um texto didático-científico 1.4.1 Procedimentos Resumo Atividades Referências Esquema UNIUBE 3 Para compreender o que é um texto acadêmico e como ele se organiza, seria interessante investigar o lugar que a palavra texto vem assumindo em nossa vida dentro e fora da escola. Desde que aprendemos a ler e a escrever, ouvimos diariamente as pessoas dizerem “leia o texto”, “escreva um texto”, “gostei de seu texto”, “foi publicado um texto no jornal sobre...”, “o texto constitucional garante...”. Ouvindo essas expressões, relacionamos texto a uma sequência articulada de palavras escritas que, em maior ou menor extensão, nos permite: • obter informações; • expressar o que pensamos; • dizer do que ou de quem gostamos; • saber da física, da química, da biologia, das leis de uma sociedade, da política e dos costumes dos povos; • aprender a geografia e a história de um país; • conhecer o pensamento do colega, do cientista, do poeta. Poderíamos enumerar uma infinidade de situações e de pessoas com as quais nos envolvemos por meio de um texto escrito. E o gesto, o desenho, a fala? É possível construir situações e relações humanas com os gestos, os desenhos e as falas, assim como fazemos com as palavras escritas? Basta-nos lembrar da língua de sinais, usada pelas pessoas surdas. Ela é de natureza visioespacial e se constitui em sistemas de línguas assim como os sistemas de língua portuguesa, inglesa, espanhola e outros. Entre os povos que não adotaram a escrita como um recurso de comunicação e de trabalho existe texto? Como são passadas as tradições, os costumes, as normas de convivência em grupos sociais que não adotam a língua escrita? À medida que essas questões são respondidas, a imagem de texto se diversifica, pois empregamos a palavra TEXTO para nomear as sequências: • de gestos nos rituais; Comunicação verbal no contexto acadêmico1.1 4 UNIUBE • de linhas e de cores, em uma pintura; • de sons nos diálogos e nas músicas. Assim, é comum ouvirmos: “esse texto fotográfico foi tirado da revista x”, “o texto em quadrinho era do Ziraldo...”, “o texto cinematográfico ...”. Então, perguntamos: O que há de comum entre uma fotografia, uma história em quadrinho, um filme, uma letra de música, um ritual indígena e uma sequência musical para que todos sejam denominados TEXTO? Vamos refletir juntos. surgem de uma necessidade: a pessoa (o autor) quer se expressar para se relacionar com outra (ouvinte, leitor, expectador); trazem as marcas do seu autor e do seu destinatário; referem-se a uma situação; formam uma unidade de sentido, pois suas partes remetem umas às outras; mantêm relação com o mundo do autor e do destinatário; são produzidos com base em um código. Todos esses textos O texto verbal é um espaço de diálogo, de interlocução. E, como todo diálogo, necessita de condições para sua existência. Entre essas condições se destacam a coesão e a coerência. Da coesão, depende a organização interna entre as partes do texto. Da coerência, depende o sentido histórico do texto, o seu conteúdo, que poderá ser ponto de partida e de chegada para o conhecimento de mundo. Portanto, um texto resulta das relações de coesão e de coerência que se juntam para constituir uma unidade de sentido. SINTETIZANDO... UNIUBE 5 Interlocução: conversação entre duas ou mais pessoas. Todo aquele que produz um texto tem em mente uma pessoa a quem se dirige quando fala, escreve, gesticula, desenha, ou seja, o seu interlocutor. Coesão: relações de sentido entre os componentes do texto. Coerência: relações de sentido do texto com o mundo, isto é, com o contexto externo. SAIBA MAIS Sendo uma unidade de sentido, cada texto tem existência própria, embora se relacione com tantas outras unidades de sentido, isto é, outros textos, que o antecederam ou que dele poderão surgir. Como você pode perceber, o ato de ler deve ser entendido em seu sentido mais amplo. Estamos continuamente lendo os textos que são produzidos no cotidiano do espaço cultural em que vivemos. Figura 1: Texto e unidade de sentido. O ato de ler pode ser definido como o momento em que o leitor se volta para compreender essa unidade de sentido que é o texto. Seria diferente ler um artigo de jornal ou um poema? Um romance ou um tratado científico? Se eles têm formas e finalidades diferentes, é possível que nós os leiamos de variadas maneiras.Mas quem determina as maneiras de ler um ou outro texto? PARADA PARA REFLEXÃO 6 UNIUBE Para responder a essas indagações, vamos ler dois textos. O lobo e o burro Um burro estava comendo, quando viu um lobo escondido espiando tudo que ele fazia. Percebendo que estava em perigo, o burro imaginou um plano para salvar a sua pele. Fingiu que era aleijado e saiu mancando com a maior dificuldade. Quando o lobo apareceu, o burro todo choroso contou que tinha pisado num espinho pontudo. – Ai, ai, ai! Por favor, tire o espinho de minha pata! Se você não tirar, ele vai espetar sua garganta quando você me engolir. O lobo não queria se engasgar na hora de comer seu almoço, por isso, quando o burro levantou a pata, ele começou a procurar o espinho com todo cuidado. Nesse momento, o burro deu o maior coice de sua vida e acabou com a alegria do lobo. Enquanto o lobo se levantava todo dolorido, o burro galopava satisfeito para longe dali. Moral: Cuidado com os favores inesperados. Fonte: ABREU, 2000, p. 98. TEXTO 1 Esse é um gênero textual em que predomina o tipo narrativo, uma fábula. As fábulas apresentam questões complexas de uma forma simples e concisa. Algumas circulam há séculos, mas, em cada época em que são lidas, elas se renovam. Observe, nessa fábula, as partes da narrativa simples: • uma situação inicial (a refeição de um burro); • uma mudança de situação (um lobo espiando); UNIUBE 7 • o desenvolvimento (o plano para se salvar); • uma situação final (a atitude inesperada do burro). O que garante a conexão entre as partes da narrativa são alguns elementos de coesão como: a pontuação, os tempos verbais (fingiu, saiu mancando, levan tava), expressões “quando”, “enquanto”. Estando articuladas e bem conectadas, a história vai progredindo, e as partes formam um texto único, um todo coeso. Também podemos estabelecer a relação da situação vivenciada pelos dois per sonagens com as situações cotidianas, com os valores culturais e com os pontos de vista das pessoas de nosso convívio social; isto é, relacionarmos o contexto do texto com o conhecimento de mundo que temos, e aí, encontrarmos uma coerência na história narrada, embora saibamos que animais não falam. Ocorre que, em textos literários, essa coerência advém de um pacto do leitor com a criação, com a inventividade, com a imaginação do autor para representar, simbolicamente, situações da vida cotidiana dos seres humanos. Vejamos um outro texto. O termo “Direito” Não é fácil perceber todas as significações encerradas no termo “Direito”, ou tirar desse termo o conteúdo que possa nos aproximar da compreensão do que seja a finalidade da ciência que pretendemos conhecer: direito, do latim directus, adj. − co locado em linha reta; direito, reto; certeiro; direto; preciso. O vocábulo ora significa: a) ordenamento ou norma − conjunto de normas ou sistema jurídico vigente num país: o Direito da Alemanha; b) autorização ou permissão de fazer o que a norma não proíba, ou o que a norma autorize, ou seja, certo poder de exigir ou dispor de uma ação: isso é direito meu; c) qualidade do que atende a um anseio de justiça e retidão, do que é justo e reto: isso não é direito; d) prerrogativa que alguém possui de exigir de outrem a prática ou abstenção de certos atos: defendo-me porque alguém põe em risco o meu direito; e) ciência de norma coercitivamente imposta (obrigatória): o Direito é a ciência normativa; f) conjunto de conhecimentos acerca dessa ciência: essa regra de Direito. TEXTO 2 8 UNIUBE Também pode significar um conjunto de conhecimentos englobantes, que se ocupa de uma série de disciplinas diferentes: “a filosofia do Direito, a sociologia do Direito, a história do Direito e a Jurisprudência (“dogmática jurídica”), para se referir somente às mais importantes. (1) Fonte: NERY, 2002. (1) LARENZ, 2012, p. 261. Esse texto foi retirado de uma publicação dirigida a pessoas que se interessam por adquirir conhecimentos básicos sobre Direito. Lendo-o, podemos observar que o autor: • situa-se como alguém solidário ao leitor, quando usa as expressões "... nos aproximar ... pretendemos"; • fornece pistas para o leitor ampliar seu conhecimento acerca do assunto quando fundamenta suas explicações, recorrendo a outros autores; • usa termos técnicos: preocupa-se em traduzir, nos parênteses, cada palavra que possa impedir a compreensão do significado do termo Direito. O leitor se sente amparado pelo autor que parece compreender suas dificuldades de se relacionar com um assunto novo. Podemos afirmar que o objetivo do autor é didático, ou seja, facilitar a compreensão do significado do termo Direito. Como você pode observar, cada um dos textos exige um tipo de leitura. Portanto, é o próprio texto que nos fornece o caminho para a leitura. Vamos prosseguir nossa reflexão, procurando compreender o que se denomina “texto acadêmico”. O texto acadêmico – uma definição1.2 Usando a linguagem verbal, os cidadãos produzem textos orais e escritos, conforme suas necessidades e as suas circunstâncias sociais e UNIUBE 9 históricas. A produção dos textos orais é tão variada quanto variadas são as situações de encontros entre as pessoas. Mas, ainda assim, podemos identificar uma estrutura de base em todos os textos orais. É a estrutura do diálogo: • há sempre a suposição de que uma pessoa se dirige a outra; • a fala pode ser mais espontânea ou mais formal, conforme a pessoa esteja mais ou menos à vontade na situação; • gestos, expressões faciais, complementam a fala; • as pessoas falam a mesma língua. Em geral, distinguimos dois tipos de diálogos: os informais (bate-papos) e as conversas dirigidas (entrevistas e debates). A universidade é um espaço de pesquisa, de produção e de difusão de conhecimentos acumulados ao longo da história da humanidade. Se considerarmos as funções da escrita em dada sociedade, identificamos cinco grandes gêneros de texto: literário; comercial e oficial (incluindo nestes últimos os textos legal e jurídico); científico (e didático-científico); jornalístico e publicitário; religioso. Cada um deles pode se apresentar sob diferentes formas – variantes – que resultam de técnicas de redação escolhidas a partir dos objetivos do autor, nas diferentes situações em que se usa a escrita. Observe o Quadro 1. Geralmente são os textos técnicos e científicos os mais indicados como referência para a ampliação das reflexões realizadas em sala de aula com colegas e professor ou para subsidiar a pesquisa e o conhecimento do que já se produziu sobre assuntos de interesse para a sua formação profissional, estejam esses textos nos livros, em revistas especializadas e em jornais im pressos ou on-line. Gêneros de texto Os gêneros de textos surgem de uma prática social, uso da linguagem em determinadas situações e para determinados fins. 10 UNIUBE Quadro 1: Gêneros e variantes. Gênero Objetivos Variantes do gênero Grupo 1 Literário Expressar-se artisticamente pela escrita. poemas e narrativas (conto, romance, crônica, novela) Grupo 2 Oficial (legal, jurídico) e comercial Estabelecer comunicação formal e documentar em ambientes de trabalho memorando, ofício, parecer, requerimento, leis, regimentos, correspondência comercial Grupo 3 Científico (técnico e didático- científico) Comunicar corretamente fatos, fenômenos estudados e resultados de investigação científica artigos, resenhas, relatórios, monografia, dissertação, resumo Grupo 4 Jornalístico e publicitário Divulgar informações, produtos e formar opinião notícias, publicidades, reportagens, editoriais Grupo 5 Religioso Difundir princípios religiosos; doutrinar parábolas, sermões, evangélicos,cânticos Fonte: Adaptado de SANTOS (2001, p. 33). Ao mesmo tempo, você também é solicitado(a) a registrar o que ouve e lê, a dizer o que leu, a opinar sobre o assunto que pesquisou, de forma oral ou escrita. Ou seja: você também produz textos para apresentar ao professor e aos colegas em sala de aula, em eventos científicos ou para publicar em periódicos. Na prática escolar, o debate, a entrevista, o artigo, a resenha, o resumo, o relatório, a monografia, o memorial e o portfólio são produzidos com a fina lidade específica de alimentar o processo de ensinar e de aprender. A escola adota, então, alguns modelos de textos, adequando-os aos estudos que os alunos e os professores desenvolvem para a progressiva ampliação e troca de conhecimentos necessários à formação profissional. A esses textos estamos denominando textos acadêmicos. UNIUBE 11 Textos acadêmicos: conjunto de textos com os quais lidamos, no dia a dia de nossos estudos na universidade, com o objetivo de ampliar nossos conhecimentos científicos sobre determinado assunto, ou que produzimos para registrar o estudo que realizamos. EXPLICANDO MELHOR 1.3 Modos de organização dos textos acadêmicos orais e escritos No contexto da universidade desenvolvemos um conjunto de ações que nos levam a memorizar, analisar, interpretar, compreender e produzir textos orais e escritos. Para cada situação, procuramos recuperar o que já conhecemos e adequar a nossa fala e escrita, com o propósito de realizar mais competentemente os nossos estudos. Por exemplo, se o professor pede a você que participe de um debate, como já assistiu a debates entre candidatos a cargos políticos, entre especialistas em esportes, entre cientistas e educadores, faz uma ideia do que o professor espera de você enquanto debatedor. Da mesma forma, podemos pensar sobre uma entrevista, que pode ser instrumento de coleta de dados para uma pesquisa ou para a realização de uma matéria jornalística. Temos expe riência, conhecimento dos componentes de um debate ou de uma entrevista, pois são duas práticas de linguagem muito frequentes no nosso contexto social. Somos, também, capazes de contrapor uma carta familiar a uma correspondên cia oficial; de distinguir um artigo científico de uma reportagem. Quanto mais temos contato com essas formas de textos, mais fácil se torna reconhecê- las e identificar o espaço delas no contexto social. Afirmamos, no item anterior, que, na prática escolar, esses gêneros textuais são adequados ao exercício do ensinar e do aprender. Na escola, além de usarmos a linguagem para estabelecer os vínculos de cooperação e de interação, como em qualquer outro espaço da 12 UNIUBE sociedade, também simulamos situações de co municação como um recurso de aprendizagem. Assim, para nossa maior competência comunicativa, é interessante conhecer um pouco mais sobre a composição e finalidade dos textos acadêmicos. Preci samos aprender a adequar o que já sabemos fazer com os objetivos de nossos estudos. Ou, ainda, saber como usar o debate, a entrevista, a reportagem, o artigo científico para o desenvolvimento de habilidades que são esperadas dos profissionais que têm formação universitária. 1.3.1 Textos orais – a entrevista e o debate 1.3.1.1 Entrevista Você já foi entrevistado(a)? Já entrevistou alguém? Já assistiu a uma entrevista de algum grupo musical ou de uma equipe esportiva? Certamente, em todas essas situações, reconhecemos dois papéis distintos, presentes em toda entrevista: o papel do entrevistador, que é o responsável por abrir o diálogo, fazer as perguntas, dar continuidade ao assunto, controlar os rumos da conversa e encerrar a entrevista; e o papel do entrevistado, que é o de responder às perguntas. A entrevista se organiza a partir de um esquema padrão: • situação inicial: apresentação dos interlocutores e as razões da entrevista (INTRODUÇÃO); • desenvolvimento do diálogo: sequência de perguntas, respostas e co mentários que estabelecem a relação entre um e outro ponto da conversa (DESENVOLVIMENTO); • finalização da entrevista: palavras finais, despedidas, agradecimentos que nem sempre vêm transcritos quando a entrevista é publicada (FECHA MENTO). No entanto, é diferente a entrevista que o profissional da saúde faz com o pa ciente, que o repórter realiza com o político ou o gerente da empresa UNIUBE 13 com o candidato a um emprego, o advogado com o seu cliente. Essa variação decorre dos propósitos das pessoas em cada situação. Em todas elas, as habilidades de comunicação oral do entrevistador e do entrevistado contribuem para o êxito da entrevista e, consequentemente, para o alcance dos objetivos. Vamos, aqui, fazer um exercício de busca para entender melhor a estrutura da entrevista. Sugerimos que encontre em jornais e revistas de circulação nacional, que são direcionados a um grande número de leitores, as sessões denominadas en trevistas. Um exemplo bem ao nosso alcance são as publicadas nas páginas amarelas da revista Veja. Ao realizá-las, o entrevistador e o entrevistado estão cientes de que a sua finalidade é ser divulgada na mídia impressa. Assim, a linguagem varia de um tom (registro de fala) mais formal a passagens bem informais. Esse pode ser um recurso para que o leitor se descontraia e con tinue a leitura. Experimente ler uma delas do começo ao fim, observando as partes do texto. Há programas na mídia televisiva que se sustentam no ar, há anos, e são cui dadosamente direcionados a um público mais restrito, por exemplo, o Roda Viva, cujo nome evoca a ideia de movimento, que é confirmada no cenário do programa: o entrevistado ao centro, os entrevistadores em volta e, à medida que é cedida a palavra a um e a outro entrevistador, o entrevistado se volta para um ou outro lado, movimentando a cadeira giratória. Poderíamos enumerar aqui tantos outros, mas vamos ficar com mais duas possibilidades de você buscar o material de seu estudo: um convite é para que você assista ao programa Sala de Leitura, na TV Cultura. Semanal mente, um escritor é entrevistado. Além de ver uma variação no modo de entrevistar, você poderá conhecer ensaístas, romancistas e poetas brasilei ros. E o outro é para que busque, na Internet, entrevistas com educadores de expressão nacional. 14 UNIUBE Entrevista: pode ser definida como uma situação comunicativa em que estão envolvidos o entrevistador e o entrevistado e que: a) se organiza com base na apresentação dos motivos, na sequência de perguntas e respostas, no fechamento; b) se apresenta em estilos diferentes: entrevista jornalística, médica, empresarial, científica; c) deve ser adequada ao suporte (meio utilizado para sua divulgação), conforme o público que se quer alcançar: ao vivo, transmitida pela TV e rádio; publicada, em periódicos impressos ou on-line; d) é realizada com finalidades diversas: selecionar candidatos; conhecer o paciente ou dar um diagnóstico; esclarecer a população sobre determinado assunto; divulgar conhecimentos científicos; colher dados para pesquisa. SINTETIZANDO... 1.3.1.2 Debate Quem participa de um debate usa argumentos para defender um ponto de vista sobre determinado assunto e quer levar o seu interlocutor e o público ouvinte a pensar, persuadir como ele; ou, pelo menos, a conhecer as razões que o levam a pensar daquela maneira sobre o tema em questão. No meio acadêmico, o debate con tribui para a ampliação das reflexões e para a divulgação dos conhecimentos. A realização de um debate, no espaço acadêmico, requer: • uma definição dos objetivos: para quê? Qual a finalidade do debate? • o estabelecimento de normas: os debatedores devem conhecer as regras estabelecidas e concordar com elas. Essas normas definem, por exemplo, o tempo para a exposição, para aformulação de perguntas e de respostas; UNIUBE 15 • a presença do moderador: aquele que coordena o debate e é o responsável por garantir a progressão das ideias acerca do tema apresentado. No espaço da sala de aula, essa função normalmente é exercida pelo profes sor. Entretanto, nada impede que seja desempenhada por um aluno; • a presença dos debatedores: eles podem se servir de documentos, anotações para fundamentar o seu ponto de vista ou para comprovar suas afirmações. O debate é uma situação de comunicação motivada pela necessidade de escla recimento sobre temas polêmicos, pela existência de novas descobertas cien tíficas e pelo interesse em buscar soluções para questões sociais, econômicas e políticas. As novas tecnologias proporcionam formas inovadoras de debate. São cada vez mais frequentes os debates on-line por meio de listas e de fóruns de discus são. Assim como os estudantes e os professores se reúnem em um auditório ou na sala de aula para exporem ideias, confrontarem opiniões sobre um assunto de interesse de todos, a mídia eletrônica proporciona a criação de espaços virtuais em que o debate se desenvolve com grande potencial de reflexão sobre os mais variados temas. O esquema de base do debate é sempre o mesmo: pessoas se reúnem para apresentar suas razões a favor ou contra uma ideia ou acontecimento. Porém, as suas formas variam em decorrência dos propósitos, dos espaços sociais dos meios de comunicação em que o debate ocorre. No contexto universitário, a situação de debate pode ser vivenciada em seminários, aula dialogada e mesa redonda. SINTETIZANDO... Você já deve ter vivenciado alguma situação de comunicação em sua vida acadêmica. Certamente já percebeu que se trata de um momento importante para partilhar ideias, para interagir com colegas e com professores. REFLETINDO... 16 UNIUBE 1.3.2 Textos escritos Vamos mostrar aqui a organização de alguns gêneros científicos e didático -científicos mais frequentes tanto para a leitura como para a redação de trabalhos que desenvolvemos na universidade. Os textos científicos resultam da necessidade de se difundirem as investi gações no âmbito das ciências. A comunidade científica, por meio de agre miações, academias ou sociedades, define os critérios para o reconhecimento e a validação de resultados de estudos e de pesquisas nas variadas áreas do conhecimento. Embora um tratado de Direito e um tratado de Genética ou de Linguística pareçam distintos entre si, para que eles tenham crédito e possam ser divulgados como conhecimento científico, eles passam por uma avaliação da comunidade científica. As universidades, no mundo todo, têm sido um lugar privilegiado para a produção, validação e certificação do conhecimento. Outro compromisso da comunidade acadêmica é o de difundir o conhecimento científico. Com essa finalidade, são criados os periódicos especializados e os livros didáticos. O intuito é torná-lo mais acessível para os pesquisadores iniciantes. Colaboram para essa prática algumas formas de textos que se tornaram recorrentes no desenvolvimento dos estudos no espaço da universidade. A seguir, serão apresentados alguns deles. Se considerarmos a organização e as finalidades, podemos identificar três gru pos distintos entre as formas de textos acadêmicos mais utilizados nos cursos de graduação. 1.3.2.1 Primeiro grupo: relatório, relato de experiência e informe científico Textos que têm por objetivo relatar o que se desenvolveu em uma pesquisa ou o que foi observado durante um período de estudo. Todos têm sua origem em um trabalho já realizado. São considerados documentos de grande importância para o desenvolvimento de uma pesquisa, para a gestão de recursos humanos e para a destinação de UNIUBE 17 recursos financeiros, seja no meio acadêmico, seja no setor público ou empresarial. Embora apresentem algumas variações, são organizados de forma muito semelhante. Verifique os esquemas no quadro a seguir. Quadro 2: Relatório de pesquisa. Relatório de Pesquisa Introdução Apresentação do tema da pesquisa, de sua importância científica, social e cultural: como o assunto foi problematizado, os objetivos do pesquisador. D es en vo lv im en to Referencial teórico Apresentação das teorias nas quais se sustentaram as reflexões desenvolvidas, discutindo o tratamento científico que já havia sido dado ao tema. Metodologia Descrição detalhada dos instrumentos, métodos e procedimentos utilizados para coleta e seleção do material (ou corpus) a ser estudado e do processo de tratamento dos dados obtidos. Apresentação dos resultados Exposição dos resultados obtidos, ordenados conforme os objetivos da pesquisa. Análise dos resultados Exame e interpretação dos dados, relacionando os ao referencial teórico de forma a levar à aceitação ou a refutar as hipóteses estabelecidas. Conclusão Breve retomada dos aspectos desenvolvidos em cada um dos itens anteriores, comparando os resultados obtidos aos objetivos que nortearam a pesquisa. Apresentação de sugestões ou de recomendações, sobretudo quando a pesquisa tem por objetivo a resposta imediata a uma situação problema. Sugestões e/ou recomendações são necessárias quando a pesquisa realizada visa à solução de um problema concreto ou à resposta a uma necessidade imediata. Vejamos um exemplo de um relatório final de subprojeto, elaborado pelo professor André Luís Teixeira Fernandes (2002). Ministério da Agricultura e Abastecimento Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária EXEMPLIFICANDO! 18 UNIUBE PROGRAMA NACIONAL DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DE CAFÉ Relatório Final de Subprojeto Código: 19.2000.304.04 Unidade/Instituição Executora: Uniube Título: Avaliação da fertirrigação com diferentes fontes de fertilizantes químicos e orgânicos na nutrição do cafeeiro cultivado em condições de cerrado Período: 2001 a 2004 Ano de Relatório: 2002 Responsável: André Luís Teixeira Fernandes Situação: em andamento Categoria: P&D Data de Elaboração: 20/02/2002 Unidades/Instituições Participantes Unidade Participação Universidade de Uberaba / Instituto de Ciências e Tecnologia do Ambiente Execução Ministério da Agricultura / Procafé Apoio técnico CACCER (Conselho das Cooperativas de Cafeicultores do Cerrado). Apoio técnico Resumo final Com a ampliação da cafeicultura para regiões consideradas marginais climaticamente, a irrigação passou a ser uma tecnologia necessária para a garantia da qualidade e produtividade do cafeeiro. Muitos são os sistemas utilizados para irrigação de café, porém, têm-se destacado aqueles que permitem a economia de água, energia e mão de obra, como o gotejamento. No entanto, uma das principais vantagens desse sistema e que não está sendo corretamente utilizada pelos cafeicultores irrigantes é a fertirrigação, que se constitui na técnica da aplicação simultânea de água e fertilizantes, por meio do sistema de irrigação. Dentro dessa perspectiva, foi instalado um experimento na Fazenda Escola da Universidade de Uberaba (Uberaba MG), em Latossolo Vermelho amarelo textura arenosa, a 850 metros de UNIUBE 19 altitude, em lavoura de café Catuaí 144, plantado em dezembro de 1998 no espaçamento de 4,0 x 0,5m, e irrigada por gotejamento. Antes do início do experimento, procedeu-se a avaliação do sistema de irrigação, para determinação de sua uniformidade de aplicação. Esse procedimento se repetiu após a colheita da primeira safra, sendo obtidos coeficientes de uniformidade superiores a 90% para todos os tratamentos, o que permite concluir que o sistema opera de forma extremamente satisfatória, especialmente para a prática da fertirrigação. Os tratamentos se referiram às variações na forma e parcelamentoda adubação recomendada de cobertura, da seguinte forma: a) Adubação de cobertura convencional química em quatro aplicações; b) Adubação de cobertura com adubos convencionais, via fertirrigação em 16 aplicações, via água de irrigação; c) Adubação de cobertura com adubos próprios para fertirrigação em 16 aplicações, via água de irrigação; d) Adubação de cobertura com fertilizantes organominerais sólidos, em quatro aplicações; e) Adubação de cobertura com fertilizantes organominerais líquidos em 16 aplicações, via fertirrigação. Para efeito de comparação, foram mantidas para os diferentes tratamentos as mesmas dosagens de N, K2O e P2O5. O delineamento experimental utilizado foi inteiramente ao acaso, com cinco tratamen tos e três repetições, totalizando 15 parcelas experimentais de 100m. O controle da irrigação foi realizado a partir de uma estação agrometeorológica automática, que possibilitou a estimativa da evapotranspiração da cultura pelo Método de Penman Monteith, segundo recomendações da FAO. Analisando-se os dados, obtidos após as duas primeiras safras, observa-se que não foram verificadas grandes diferenças estatísticas entre os tratamentos, com produtividades de 53,2 até 67,7 sacas bene ficiadas por hectare. O tratamento que se baseou na aplicação de fontes químicas de nutrientes aplicados diretamente no solo foi superior aos demais. Após a análise sensorial, o melhor tratamento em relação à qualidade de bebida foi a fertilização com produtos organominerais via água de irrigação, que resultou em bebida apenas mole. O restante dos tratamentos forneceu café com bebida dura, notando-se, no geral, grande quantidade de frutos verde sem todas as amostras (valores superiores a 40%), característica de áreas irrigadas de café. Em relação à peneira, verificou-se uma porcentagem mínima de 65% de peneira 16 ou acima, sendo o melhor trata mento nesse quesito o referente à aplicação de produtos químicos via adubação convencional, com a porcentagem de 85% de peneira 16 ou acima. Em linhas gerais, após duas safras, pode-se concluir 20 UNIUBE preliminarmente que: a) a fonte de fertilizante não afeta significativamente a produção do cafeeiro, desde que este seja bem suprido de água e nutrientes; b) a irrigação promove desuniformidade de colheita, o que afeta a qualidade final da bebida, apesar de garantir a produtividade da lavoura mesmo em anos subsequentes; c) em geral, a fonte de fertilizante e o número de parcelamentos não afetou a qualidade final do café colhido. Exemplo de um relato de experiência Título (subtítulo) A Saúde da Família no curso de Odontologia da UEPG Autor(es) Crédito do(s) autor(es) Profa. Cristina Berger Fadel; Profa. Márcia Helena Baldani Pinto Resumo São apresentadas as atividades desenvolvidas pela disciplina de Odontologia Social do curso de Odontologia da Universidade Estadual de Ponta Grossa, Paraná. Esta tem por objetivo a qualificação do acadêmico de Odontologia para atuar em gestão e planejamento em serviços de saúde pública, mais especificamente dentro do contexto do Programa de Saúde da Família. No campo do ensino- aprendizagem, o conteúdo trabalhado pela disciplina visa a dar mais ênfase a conhecimentos epidemiológicos sobre os agravos em saúde bucal, metodologias para o trabalho comunitário, princípios da promoção de saúde, desigualdades sociais e suas repercussões em saúde e habilidades clínicas contextualizadas na saúde da família. A disciplina é curricular, ministrada no último ano da graduação, e o enfoque prático do Programa de Saúde da Família tem sido incorporado buscando a atuação nas comunidades mais carentes do município. Essa experiência educacional, apesar de recente, tem alcançado importantes resultados na quebra de paradigmas institucionais, buscando uma estratégia de mudança na formação de recursos humanos para a área de saúde. Introdução Apresentação do assunto, problematização, objetivos. Corpo do Relatório Metodologias e materiais, análise e interpretação de dados, apresentação de resultados Conclusão Breve retomada dos itens contidos no corpo do relatório, comparação dos dados obtidos com os objetivos da pesquisa, sugestões e encaminhamentos possíveis. Referências Indicadas conforme normas da ABNT. Fonte: FADEL; PINTO, 2013, p. 23. EXEMPLIFICANDO! UNIUBE 21 1.3.2.2 Segundo grupo: comunicação, paper, artigo científico e monografia Textos geralmente elaborados para publicação em periódicos especializados ou em anais de eventos científicos. Têm por objetivo apresentar e avaliar as novida des em pesquisas ou refletir sobre fatos de relevância científica e cultural. São eles: a comunicação científica (paper), o artigo científico e a monografia. Estes se apresentam como um texto integral, organizados em introdução, desenvolvimento (corpo) e conclusão. Os dois primeiros, de extensão reduzida; a monografia tem o seu desenvolvimento subdividido em partes ou capítulos. Verifique os quadros seguintes. Quadro 3: Comunicação científica (paper). Comunicação científica (paper) Título (subtítulo) Estes itens são exigidos para fins de publicação e/ou envio para apresentação em eventos científicos. Autor(es) Credenciais do(s) autor(es) Sinopse Texto Sem subdivisões, embora seja organizado em introdução, desenvolvimento e conclusão. Referências Indicação de textos usados como fontes de informação e/ou confirmação dos aspectos estudados, apresentadas conforme normas da ABNT. Quadro 4: Artigo científico Artigo científico Título (subtítulo) Estes itens são exigidos para fins de publicação e/ou envio para apresentação em eventos científicos. Autor(es) Créditos do(s) autor(es) Resumo (do artigo) Introdução Apresentação, delimitação do assunto e objetivos do estudo. 22 UNIUBE O corpo do artigo Com subtítulos, porém não constituem capítulos. Conclusão Considerações finais, relacionando os dados obtidos ou reflexões realizadas sobre a questão levantada e possíveis encaminhamentos. Referências Indicação de textos, documentos e outras fontes utilizadas na confecção do artigo, apresentados conforme normas da ABNT. 1.3.2.3 Terceiro grupo: resumo, resenha e portfólio O resumo e a resenha têm origem em outros textos, pois a finalidade deles é apresentar obras já prontas, sejam elas jornalísticas, artísticas ou científicas. Esses textos requerem de seu autor habilidades de observação e de análise, em um nível mais complexo, exigem também consistentes conhecimentos sobre o assunto tra tado na obra, pois é preciso identificar o pensamento do autor, saber traduzi-lo e, no caso da resenha, saber situar a obra e o pensamento do autor, comparando-os com outras obras para emitir um julgamento sobre ela. A organização textual da resenha e do resumo varia em decorrência: • do gênero da obra que lhes dá origem; • dos objetivos com que são produzidos e; • do suporte para sua publicação. Resumo: apresenta dimensões menores do que as do texto que lhe dá origem. Sua finalidade é traduzir, em menos palavras, o pensamento do autor, preser vando suas intenções e realçando os pontos para os quais ele dispensou maior atenção. Um mesmo texto pode originar vários resumos, pois cada pessoa considera relevantes os aspectos que estão relacionados ao motivo pelo qual está lendo a obra. UNIUBE 23 Exemplos de resumos de comunicação científica Título As publicações eletrônicas dentro da comunicação científica Autoria Marcelo Sabbatini Instituição: UMESP Resumo / texto 1ª parte: situa o tema O presente trabalho caracteriza e descreve o surgimento das publicações eletrônicas científicas na Internet, traçando o histórico de seu desenvolvimento e abordando também as principais questões envolvidas na transição do modelo de publicaçãobaseado no papel para o modelo eletrônico... IN TR O D U Ç Ã O 2ª parte: destaca as questões da transição entre os modelos de publicação ...dentre as quais se destacam as questões dos direitos autorais, a questão econômica, a legitimidade acadêmica, a percepção de qualidade e o acesso e preservação destas publicações, que são tratadas na revisão da literatura sobre o tema. D ES EN VO LV IM EN TO 3ª parte: conclui, situando a relevância do tema para a ciência Dentro destas questões, é de grande relevância o papel que as publicações eletrônicas terão dentro do sistema sociotecnológico presente atualmente na sociologia e nos processos comunicacionais da ciência. C O N C LU SÃ O Fonte: SABBATINI, 1999, p. 2. EXEMPLIFICANDO! Título Um olhar sobre o humor em Dom Casmurro Autoria Acadêmica: Márcia Regina Pires Orientador(a): Profa.Msc. Ivanilda Barbosa Instituição/curso: Universidade de Uberaba UNIUBE/ Curso de Letras EXEMPLIFICANDO! 24 UNIUBE Resumo / texto 1ª parte: situa o tema, o autor e a obra Uma característica marcante do discurso literário de Machado de Assis é o humor, que se evidencia, sobretudo, em seus romances da segunda fase. O romance Dom Casmurro, publicado em 1899, é uma das obras mais discutidas pela crítica literária ainda nos dias de hoje. Esta obra participa da segunda fase da produção machadiana e se distingue pela abordagem psicológica, pela análise crítica dos sentimentos e intervenções do narrador que dialoga, constantemente, com os leitores. IN TR O D U Ç Ã O 2ª parte: apresenta o objetivo; os pressupostos e a metodologia para análise O objetivo deste estudo foi observar o humor que é configurado na narração deste romance sob o foco do personagem protagonista, Bentinho. Uma análise semântica e estilística permitiu-nos observar o humor sob três perspectivas: o humor-graça, o humor- intimidade e o humor-ironia. Percebeu-se que o humor foi instituído, não de forma evidente e despojada, mas sutilmente, provocando o envolvimento do leitor, de maneira quase imperceptível, porém gradativa. Constatou-se que a maturidade do narrador possibilita uma visão mais ampla de sua história e, assim, Bentinho assume a posição de quem assiste cenas de sua existência, construindo uma narração crítica como quem, a distância, observa, comenta e ironiza situações. D ES EN VO LV IM EN TO 3ª parte: conclui, emitindo um julgamento sobre a obra no que se refere ao aspecto estudado: o humor Concluiu-se que o humor em Dom Casmurro foi propositalmente empregado, ora para estabelecer uma intimidade com o leitor, ora para surpreendê-lo, ora para chamar-lhe a atenção e convidá-lo a refletir sobre a condição humana. C O N C LU SÃ O Área de conhecimento: Linguística, Letras e Artes Palavras chaves: humor, romance, literatura Fonte: PIRES, 2000. p.181. Resumo Texto sem subdivisões, embora apresente três partes: 1ª parte Introdução Situa o assunto do texto que está sendo resumido. 2ª parte Desenvolvimento Apresenta o conteúdo das partes do texto que está sendo resumido. 3ª parte Conclusão Apresenta as conclusões do autor do texto que foi resumido. UNIUBE 25 Veja um breve resumo do romance Caim, do escritor português José Saramago, publicado em 2009. Sinopse Quem diabo é este Deus que, para enaltecer Abel, despreza Caim? Se em O evangelho segundo Jesus Cristo José Saramago nos deu a sua visão do Novo Testamento, em Caim regressa aos primeiros livros da Bíblia. Num itinerário heterodoxo, percorre cidades decadentes e estábulos, palácios de tiranos e campos de batalha pela mão dos principais protagonistas do Antigo Testamento, imprimindo ao texto o humor refinado que caracteriza a sua obra. Caim revela o que há de moderno e surpreendente na prosa de Saramago: a capacidade de fazer nova uma história que se conhece do princípio ao fim. Um relato irônico e mordaz no qual o leitor assiste a uma guerra secular, e, de certa forma, involuntária, entre o criador e a sua criatura. Fonte: PORTAL DA LITERATURA, 1999. EXEMPLIFICANDO! Para redigir um resumo é preciso ter compreendido detalhadamente o texto. Vale lembrar: um aluno do curso de Teologia e outro do curso do curso de Letras tendo lido esse romance, provavelmente, vão destacar em seu resumo os aspectos relevantes a sua área de estudos. Mas, uma coisa é fundamental: é importante que os dois mantenham as informações ou o ponto de vista do autor sobre cada aspecto que indicarão como relevantes. Resenha: é um texto completo, redigido de forma contínua, que tem por fina lidade apresentar uma obra: descrevendo o seu conteúdo e sua composição, analisando os recursos utilizados bem como a pertinência do pensamento do autor em relação ao conhecimento já disponível, a importância da obra e a sua contribuição para o desenvolvimento do contexto social, científico e cultural. 26 UNIUBE Exemplo 1 Resenha de livro publicada em revista impressa A questão ambiental – Diferentes abordagens de Sandra Baptista da Cunha e Antonio José Teixeira Guerra (Orgs.), Bertrand Brasil, 252 p. Ecologia virou moda, disciplina de escola, programa de TV, bandeira política e campo profissional. O assunto envolve vários discursos arriscados: o reducionismo do senso comum, o tecnicismo dos burocratas, a demagogia dos governantes de plantão. Como entender as causas econômicas e políticas das agressões à natureza e, ao mesmo tempo, capacitar-se para enfrentá-las no campo dos conceitos históricos, filosóficos e políticos? Esta coletânea de ensaios tenta encontrar um equilíbrio entre ideologização e prática, causa e consequência, técnicas e leis. É o sétimo de uma série de obras da Bertrand Brasil sobre o meio ambiente. Fonte: Fluxos – Revista do Instituto de Humanidades da Universidade de Uberaba. p. 46, 1º/2003. Exemplo 2 Resenha de livro, publicada em uma revista eletrônica de jornalismo científico. Identificação da obra MCCLURE, Stuart; SCAMBRAY, Joel; KURTZ, George. Hackers expostos: segredos e soluções para a segurança de redes. São Paulo: Makron Books, 2000. Autoria por Fábio Júnior Beneditto Apresentação dos autores da obra e de sua atuação profissional Stuart McClure é gerente-sênior do grupo eSecurity Solutions, da Ernest & Young. Ele é co-autor da Security Watch da revista InfoWorld, uma coluna que trata de assuntos atuais relativos à segurança eletrônica, bem como invasões e vulnerabilidade de sistemas de computadores. Além disso, possui uma vasta experiência em software e hardware de segurança de redes (firewall, sistemas de detecção de intrusos, entre outros). EXEMPLIFICANDO! UNIUBE 27 Apresentação dos autores da obra e de sua atuação profissional Joel Scambray é gerente do grupo eSecurity Solutions, onde fornece serviços de consultoria de segurança em sistemas de informação para diversos tipos de organizações. Também é co-autor da Security Watch. George Kurtz é gerente-sênior do grupo eSecurity Solutions e diretor nacional de "Ataque e Penetração da linha de serviços Profiling" da Ernest & Young. Como consultor, executou centenas de avaliações em firewalls, redes e sistemas de comércio eletrônico ao longo dos anos. É um dos principais instrutores do aclamado curso "Extreme Hacking - Defending Your Site". Apresentação da obra, destacando o tema e o gênero Hackers expostos, apesar do nome, trata única e exclusivamente de segurança de redes e sistemas. Com uma enorme quantidade de detalhes, o livro é uma espécie de manual, já que serve de alerta para todos os administradores de sistemas e usuários, para que percebam o quão vulnerável seus preciososdados podem estar, trafegando livremente pela Internet. Organização da obra Para que a leitura e a compreensão fossem facilitadas, o livro foi todo estruturado em pequenos módulos, como em um guia de referências, onde o leitor não precisa ler tudo para encontrar a resposta para a sua dúvida sobre um determinado assunto. Resumo comentado sobre o assunto de cada módulo do livro Todos os assuntos estão agrupados por área de interesse: a "Identificação do Alvo" trata de como fazer o footprint (espécie de planta baixa da rede de computadores utilizados por um determinado domínio) e a varredura, onde são identificados e verificados todos os serviços que estão disponíveis no sistema, e a sua enumeração. O segundo módulo trata de "Hacking de sistemas", trazendo as características e as falhas, comuns ou não, dos principais sistemas operacionais utilizados em estações de trabalho e servidores, sempre focalizando o grau de dificuldade para o atacante obter sucesso em sua empreitada de quebrar o sistema (uso de exploits), além de sugestões para a correção ou minimização das chances dessas empreitadas ocorrerem. O terceiro trabalha com "Hacking de rede", onde são vistas formas de proteger os dados da empresa do acesso indevido através de exploits, como os encontrados em sistemas de firewall, roteadores, dialup's e falhas nos protocolos de rede. É dada uma maior ênfase para a prevenção aos Ataques de Recusa de Serviço (Dos Denial Of Service) que nos últimos anos tem tirado muitos websites do ar (por exemplo o UOL). No último módulo se enfoca "Hacking de software". É nesse campo que entram os softwares de administração remota (autorizada ou não), os "cavalos de tróia", conhecidos como trojans, que são os maiores causadores das noites de insônia de muitos administradores de sistemas, porque permitem, através de programas aparentemente inofensivos, a instalação de servidores de acesso remoto, facilitando o roubo de informações, entre muitas outras possibilidades de prejuízo. 28 UNIUBE Análise e avaliação da obra Houve uma grande preocupação dos autores em detalhar os ataques mais comuns às redes e sistemas operacionais, baseando-se em suas próprias vivências como consultores e em sites/newsgroups especializados, de forma a exibir uma visão mais abrangente do problema: a visão do atacante (cracker) que não tem nada a perder. Como os autores citam nos agradecimentos, "Conhecimento e informação os libertará", referindo-se aos nobres hackers que, no sentido literal e correto da palavra, têm-se preocupado em expor e solucionar esses problemas. Indicação da leitura É uma obra que não pode faltar na bibliografia de qualquer administrador de sistemas preocupado em garantir a paz e a tranquilidade de sua empresa e que quer proteger os dados vitais da mesma do acesso não autorizado e, dessa forma, garantir por mais tempo o seu emprego e o desenvolvimento de sua organização. Fonte: BENEDITTO, 2002. Exemplo 3 Resenha de filme Título da obra Gattaca Dados da identificação Gattaca – A experiência Genética (Gattaca). EUA, 1997. Dir. Andrew Niccol. Com Ethan Hawke, Uma Thurman, Jude Law, Loren Dean, Alan Arkin, Gore Vidal e Ernest Borgnine. Contextualização situa o momento sociocultural em que a obra é produzida, articula o motivo de sua realização a esse contexto A recente divulgação do final dos trabalhos de sequenciamento do genoma humano trouxe um importante questionamento com relação às consequências deste novo conhecimento. Ao mesmo tempo que gera a esperança de cura de muitas doenças de origem genética, gera também muitas especulações algumas gratuitas, outras não sobre a possibilidade de um uso indesejável do conhecimento genético. 1ª p ar te : I N TR O D U Ç Ã O Apresentação da obra, situando o gênero, o autor e o tema Dentro desta última perspectiva, o filme Gattaca, de Andrew Niccol é uma interessante reflexão sobre os caminhos a que a engenharia genética pode levar e os impactos que esta tecnologia e a ciência de um modo geral pode ter na sociedade. UNIUBE 29 Breve resumo do enredo, ressaltando o tempo da história e o personagem principal Passado em um tempo futuro, Gattaca mostra uma sociedade em que as corporações tornaram-se mais poderosas que o Estado e em que a manipulação genéticacriou uma nova espécie de preconceito e hierarquia racial, legitimada pelaciência. Aos pais que desejam ter filhos é dada a oportunidade de manipular a interação entre seus DNAs de modo que gerem filhos com a melhor combinação de qualidades genéticas possível. Este procedimento acaba criando duas categorias diferentes de pessoas: os Válidos, frutos desta combinação genética planejada, que são quase super-homens, com raras doenças genéticas; e os Inválidos, frutos de nossa interação sexual usual. Aos empregos e as melhores oportunidades enquanto que os Inválidos chegam a ser impedidos de frequentar determinados lugares. A história do filme é a de dois irmãos, um concebido da maneira natural e o outro manipulado geneticamente. O Inválido, interpretado por Ethan Hawke, tem várias doenças genéticas e, ao ter seu DNA examinado quando nasce, já tem uma data prevista para sua morte. Contudo, o garoto sonha em viajar ao espaço emprego impensável para alguém com seus problemas e vai buscar todas as maneiras possíveis para superar suas limitações ao mesmo tempo em que tem que esconder de todos que é um Inválido. 2ª p ar te : D ES EN VO LV IM EN TO Comentário crítico Com roteiro e direção de Andrew Niccol, que também foi roteirista de O Show de Truman, Gattaca é um ensaio sobre o que pode ser uma sociedade em que o destino das pessoas esteja pré-determinado cientificamente em que não haja o mínimo espaço para a ação do indivíduo na construção de seu próprio futuro. Também é uma reflexão sobre como a ciência pode ser usada para legitimar e, no caso, criar uma hierarquia social, principalmente se feita sem crítica e controle da sociedade. 3 ª p ar te : C O N C LU SÃ O Autor da resenha Rafael Evangelista Fonte: EVANGELISTA, 2000. Mas será que resumo e resenha são textos diferentes? Diferente do resumo, a resenha inclui também uma avaliação crítica por aparte de quem a redige e, ainda, uma indicação para leitura da obra, considerando os interesses do leitor a quem mais diretamente a obra se dirige. 30 UNIUBE Se compararmos os quadros aqui apresentados, podemos afirmar que os textos acadêmicos escritos contêm uma estrutura básica: Introdução, Desenvolvimento e Conclusão. Quando redigidos e enviados para publicação, devem conter os dados de identificação do autor e do tipo de texto que se apresenta. Pertencendo todos ao gênero científico e/ou didático-científico, esses textos dialogam entre si, para que o autor alcance o objetivo de comunicar suas investigações por meio dos estudos que realiza. SINTETIZANDO... Portfólio é uma palavra de origem latina, muito utilizada pelos norte-americanos e significa coleção daquilo que está ou pode ser guardado em um porta fo lhas. No meio acadêmico, é usado para comportar as diferentes produções do aluno, baseadas nos registros de suas reflexões, de suas leituras, de suas indagações. Sendo assim, pode-se dizer que esse ‘álbum’ acadêmico guarda textos que expressam o desenvolvimento de sua própria aprendizagem. Em cursos de graduação e de pós-graduação, o portfólio tem sido muito utili zado para que o aluno, de maneira bastante pessoal, demonstre seu processo de aprendizagem. Na Internet, você encontrará uma diversidade de conceitos e de possibilidades de se elaborar esse rico material. Não há uma única forma de se elaborar um portfólio. É importante,todavia, que o autor siga os objetivos, os cri térios ou as orientações a ele apresentados, quando lhe solicitam a composição de seu portfólio. Compreender a organização e a finalidade dos textos com os quais lidamos no dia a dia contribui para ampliar nossa competência de leitura. É importante que a nossa familiaridade com esses textos nos estimule não só a ler, mas também a escrever, a nos identificar como autores de textos acadêmicos. Esse é um processo que se inicia com o registro das leituras que fazemos. IMPORTANTE! UNIUBE 31 1.3.3 Outras formas de registro de estudos Quais são os nossos objetivos quando tomamos um texto para objeto de es tudo? Lemos para conhecer, analisar, interpretar situações, dados e informações, para ampliar nosso conhecimento do mundo e, assim, construir novos conhecimentos. Na condição de cidadãos participantes, o que se espera de um estudante univer sitário é que ele seja agente no processo de sua formação profissional. Para isso, é necessário que desenvolva suas habilidades de lidar com o conhecimento já dis ponível na sociedade, aplicando-o, avaliando-o, criticando-o para transformá-lo. Mas, toda construção de conhecimentos, além de uma motivação pessoal, exige métodos e técnicas, pois, quando é grande o volume de informações e de operações com que precisamos trabalhar, por melhor que seja a nossa memória, ela precisa ser ativada. As anotações, os registros que fazemos auxiliam nessa ativação e na recuperação dos conhecimentos que já adquirimos no decorrer da nossa existência, por isso, em um curso de formação profissional, esses registros devem ser frequentes. Todos os textos acadêmicos apresentados neste capítulo são formas de registro dos estudos realizados no âmbito da universidade. Embora tenhamos destacado o resumo, a resenha e o portfólio, há outras formas de registros. São elas: • relatório: expressa o processo de desenvolvimento de uma situação de estudo ou de pesquisa, isto é, tem sua origem em um trabalho realizado. É conside rado documento de grande importância para a continuidade da investigação científica, para a gestão de recursos humanos, para a destinação de recursos financeiros, para o planejamento político e educacional. • monografia: caracteriza-se pelo tratamento escrito de um tema específico que re sulte de uma pesquisa científica e apresente uma 32 UNIUBE contribuição relevante para a ciência. Por extensão, identifica um trabalho científico que resulte de pesquisa, por exemplo, trabalho de conclusão de curso de graduação (TCC), deve estar re lacionado a uma disciplina do curso e ser feito sob orientação docente. Uma forma prática de conhecer a estrutura da monografia é consultar bi bliotecas e bancos de dissertações de mestrado na Internet. Sempre que lhe for proposto um tema para estudos, visite um site de busca e procure por dissertações de mestrado, indicando também o assunto. O estudo de um texto acadêmico inicia-se por um processo de identificação e de localização, isto é, por um processo de fichamento do texto. Esse processo consiste em uma prática acadêmica que tem por objeto de estudo um livro, ou um capítulo de livro, ou um artigo, ou um filme, ou um documento, entre outros. O fichamento pode consistir, também, em uma reunião de da dos e proposições sobre determinado tema. Por ser um procedimento básico de identificação, o fichamento está sempre relacionado a outras práticas de escrita acadêmica. Prosseguiremos nosso estudo, abordando agora os procedimentos de leitura. Antes, porém, vamos retomar alguns pontos para a nossa reflexão. Até aqui, refletimos sobre conceito, modos de organização e finalidades dos textos acadêmicos. Se recorrermos aos esquemas propostos para a composição desses textos, poderemos constatar que as partes da dissertação se encontram presentes em todos eles: introdução, desenvolvimento e conclusão. Segundo Soares e Campos (1987, p. V): [...] a dissertação é a forma de redação mais usual. Com mais fre quência é a forma de redação solicitada às pessoas envolvidas com a produção de trabalhos escolares, com a administração e produção de pesquisas em Instituições que fazem Ciência, com a administração e execução técnico-burocráticas de ser viços ligados à Indústria, Comércio etc. A prosa dissertativa é, assim, predominante nos textos de trabalhos escolares, nos textos de produção e UNIUBE 33 divulgação científicas (monografias, ensaios, artigos e relatórios técnico-científicos) e nos textos técnico- administrativos. Dependendo da intenção do autor, em um texto dissertativo, pode predominar: • a descrição: quando o autor quer conceituar um termo, apresentar as fases de um processo ou caracterizar um objeto, ele constrói um texto dissertativo -expositivo; • a argumentação: quando o objetivo do autor é defender um ponto de vista, ele constrói um texto dissertativo-argumentativo. Raramente encontramos uma dessas formas de dissertar em estado puro. No texto argumentativo, para a defesa de uma ideia, de uma tese, de uma opinião, o autor se serve tanto da descrição quanto da narração. Assim, garante o efeito desejado: persuadir o interlocutor. Um bom exemplo disso é o texto de acusação e de defesa nos tribunais. Leitura de um texto didático-científico1.4 Se várias são as intenções de quem escreve e variadas são as formas da escrita, diante de diferentes textos, precisamos ter procedimentos de leitura diferentes. Como deve ser, então, o procedimento do leitor diante de um texto científico ou didático-científico? 1.4.1 Procedimentos Alguns procedimentos nos auxiliam a realizar uma leitura adequada dos textos com os quais lidamos no dia a dia da vida universitária. 34 UNIUBE 1.4.1.1 Ler para identificar A primeira leitura deve ser realizada de forma sequencial e integral. É importante ficar atento(a) às marcas de composição gráfica: os tipos de letras e fontes costumam ser diferentes para o título, para as partes e para os itens dentro de cada parte. Pode ser também observado o estilo do autor. Ou seja, lemos para identificar: • gênero de texto: é um capítulo de um livro, um artigo científico? • autoria: quem o escreveu? • suporte: foi publicado em um livro, jornal ou periódico? • data de produção e de publicação, editora e localidade da publicação; • extensão do texto: número de páginas; • assunto: qual o conteúdo é desenvolvido no texto? • plano geral do texto: como o autor organizou o texto? 1.4.1.2 Ler para delimitar as partes Após tomar conhecimento do plano geral do texto, é importante ler para delimitar: • a introdução; • o desenvolvimento; • a conclusão. A seguir, veja como podem ser delimitados a introdução, o desenvolvimento e a conclusão de um texto dissertativo-expositivo. UNIUBE 35 A Nova Economia Contextualização das tecnologias e do mercado de trabalho A difusão acelerada das novas tecnologias de informação e comunicação vem promovendo profundas transformações na economia mundial e está na origem de um novo padrão de competição globalizado, em que a capacidade de gerar inovações em intervalos de tempo cada vez mais reduzidos é de vital importância para as empresas e países. A utilização intensiva dessas tecnologias introduz maior racionalidade e flexibilidade nos processos produtivos, tornando-os mais eficientes quanto ao uso de capital, trabalho e recurso naturais. Propiciam, ao mesmo tempo, o surgimento de meios e ferramentas para a produção e comercialização de produtos e serviços inovadores, bem como novas oportunidades de investimento. 1ª p ar te : I N TR O D U Ç Ã O Efeitos das mudanças provocadas pelas Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação- NTIC, sobre a dinâmica do mercado As mudanças em curso estão provocando uma onda de "destruição criadora" em todo o sistema econômico. Além de promover o aparecimento de novos negócios e mercados, a aplicação das tecnologias de informação e comunicação vêm propiciando, também, a modernização e revitalização de segmentos maduros e tradicionais; em contrapartida está ameaçando a existência de setores que já não encontram espaço na nova economia. 2ª p ar te : D ES EN VO LV IM EN TO Vantagens A globalização e a difusão das tecnologias de informação e comunicação são uma via de mão dupla: por um lado, viabilizaram a expansão das atividades das empresas em mercados distantes; por um outro, a atuação globalizada das empresas amplia a demanda por produtos e serviços de rede tecnologicamente mais avançados. Neste processo, as empresas passam a definir suas estratégias de competição, conforme os mais variados critérios (disponibilidade e capacitação de mão-de-obra, benefícios fiscais e financeiros, regulamentação etc.), estabelecendo, de maneira descentralizada, unidades produtivas em locais mais vantajosos, independentemente das fronteiras geográficas. EXEMPLIFICANDO! 36 UNIUBE Exigências Através das redes eletrônicas que interconectam as empresas em vários pontos do planeta, trafega a principal matéria prima desse novo paradigma: a informação. A capacitação de gerar, tratar e transmitir informação é a primeira etapa de uma cadeia de produção que se completa com sua aplicação no processo de agregação de valor a produtos e serviços. Nesse contexto, impõe-se, para empresas e trabalhadores, o desafio de adquirir a competência necessária para transformar informação em um recurso econômico estratégico, ou seja, o conhecimento. 2ª p ar te : D ES EN VO LV IM EN TO Perspectivas do mercado de trabalho com políticas direcionadas para as NITCs Na transição para a nova economia, esse padrão de especialização poderá agravar ainda mais a desigualdade entre os países especializados em gerar novos produtos e serviços e os demais, que implementam os projetos desenvolvidos pelos países líderes. Tal padrão de especialização tem profundo impacto na distribuição das oportunidades de trabalho, no padrão de consumo da sociedade e na repartição da renda entre os países. A despeito das grandes desigualdades entre nações, novas oportunidades se abrem para os países em fase de desenvolvimento econômico que saibam estruturar suas políticas e iniciativas em direção a sociedade da informação. 3ª p ar te : C O N C LU SÃ O Fonte: TAKAHASHI, 2000. p.1728. 1.4.1.3 Ler para analisar Na sequência, o foco da leitura deve priorizar a observação e a análise da: • adequação no uso de termos técnicos; • consistência dos dados; • relação entre ilustrações, gráficos e tabelas e sua pertinência com o assunto tratado; • coerência dos argumentos apresentados. Platão e Fiorin (1996) definem cinco tipos de argumentos como principais recur sos usados em textos dissertativos e que se aplicam ao texto científico: UNIUBE 37 • Argumento de autoridade: a citação de autores renomados, de autoridades num certo domínio do conhecimento ou da atividade humana, o que confirma o pensamento do autor, demonstrando que ele pesquisou sobre o assunto. Por isso, é muito importante dar atenção às notas de rodapé ou ao final de texto, às citações, às alusões ou referências, ainda que breves, a outros autores e a outros textos. Exemplo: Afirmação: “A ligação entre arte e ciência não é nova”. Argumentação: “Entre outros, o físico inglês Paul Dirac, autor da descoberta teórica da antimatéria, foi um dos que defenderam essa ideia. Em um dos seus escritos mais conhecidos, Dirac propôs que o melhor critério para avaliação de uma teoria deve ser sua beleza”. Fonte: Ponto de vista Ciência e beleza, Revista Scientific American Brasil, ano 1, n. 11, p. 5. • Argumento baseado no consenso: são afirmações de base científica e aceitas como verdadeiras, não necessitando, portanto, serem demonstradas. Em todas as áreas do conhecimento, existem argumentos universalmente aceitos: os axiomas da matemática e as proposições como as que constam da declaração dos direitos humanos, por exemplo. Exemplo: Diante de um mesmo delito, algumas pessoas são punidas e outras não. Isso não poderia acontecer, pois todos são iguais perante a lei e sem distinção. Afirmação: “Diante de um mesmo delito, algumas pessoas são punidas e outras não. Isso não poderia acontecer, (...)”. Argumentação: “(...) pois todos são iguais perante a lei e sem distinção”. • Argumento baseado em provas concretas: afirmações fundamentadas em dados de pesquisa, em fatos comprovados e em documentos ou simila res. Usam-se, para tanto, dados divulgados por órgãos oficiais nacionais e internacionais. 38 UNIUBE Exemplo: Afirmação: “A família brasileira está diminuindo, ao mesmo tempo que cresce a proporção de famílias lideradas por mulheres. Além dessas mudanças nos padrões de organização familiar no Brasil, dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) mostram que, nas duas últimas décadas, cresceu a proporção de pessoas que moram sozinhas, embora ainda predomine no Brasil o tipo de família formada pelo casal e seus filhos”. Apresentação dos dados: Com base nos dados da PNAD de 1992 a 2001, é possível destacar algumas tendências recentes no perfil da família brasileira. Nesse período, cresceu de forma contínua o número relativo de famílias nas quais a pessoa de referência é mulher e reduziu- se a quantidade de componentes das famílias, como reflexo do ritmo de queda da fecundidade. A PNAD 2001 estimou em cerca de 13,8 milhões o número de arranjos familiares em que a mulher era a pessoa de referência, ou 27,3% das 50,4 milhões de famílias brasileiras. Em duas décadas, a proporção desse tipo de arranjo familiar cresceu cerca de 24,7% no país. O fenô meno é mais recorrente nas regiões metropolitanas, dentre as quais se destacam Belém e Salvador, com, respectivamente, 40,4% e 35,9% de famílias com pessoa de referência do sexo feminino. Fonte: Síntese dos indicadores sociais 2002, IBGE. • Argumento com base no raciocínio lógico: são argumentos baseados nas relações de causa e consequência. Muito comuns nos textos de ciências da natureza e de matemática. Exemplo: Afirmação: Os conhecimentos são adquiridos. Explicação: A engenharia genética não é capaz de incorporá-los aos cromos somos. Eles existem na forma de uma rede. Ou seja, seria preciso transplantar um cérebro inteiro para as crianças. UNIUBE 39 Conclusão: Daqui a 25 anos, portanto, os estudantes ainda terão que apren der para saber, isto é, terão de desenvolver uma atividade mental intensa para compreender, memorizar, comparar e organizar os conhecimentos. Fonte: PERRENOUD, 2003. • Argumento de competência linguística: demonstrada na atualização e na adequação no uso de termos técnicos e científicos, de expressões linguísticas no encadeamento de enunciados, de parágrafos e de partes do texto (essas ex pressões possibilitam ao leitor acompanhar o raciocínio do autor) e no domínio no uso da língua culta. Exemplo: “Grandes efeitos sobre a diversidade biológica em áreas urbanas também podem resultar de fontes menos diretas, incluindo muitos dos poluentes oriun dos do ar e da água que colocam em perigo a saúde humana. Descobriu-se que subprodutos tóxicos de produção industrial, como a bifenila policlorada, o dióxido de enxofre e oxidantes, assim como os pesticidas direcionados para espécies daninhas, afetam os ecossistemas naturais, descortinando-os (EHRLICH; EHRLICH, 1981).” Fonte: MURPHY,1997, p. 91. 1.4.1.4 Ler para estabelecer relação • do texto com outros textos da mesma área do conhecimento; • do texto com o conteúdo da disciplina; • do texto com a realidade sociocultural em que o texto foi produzido e na qual, você, leitor, está inserido. 1.4.1.5 Ler para emitir um julgamento Utilizando dos registros que foram feitos em cada uma das etapas anteriores, o leitor poderá, com a maior clareza possível: 40 UNIUBE • traduzir o conteúdo do texto, isto é, dizer ou escrever com outras palavra, mantendo o pensamento do autor; • analisar a consistência do raciocínio do autor em relação aos conhecimentos já produzidos na mesma área de estudo; • reconhecer a coerência do pensamento elaborado pelo autor; • avaliar uma produção acadêmica; • avaliar a contribuição do estudo do texto para a ampliação dos seus conhe cimentos e para sua formação profissional. É importante salientar que leitura e a escrita são práticas necessárias para am pliar a nossa competência na produção de diferentes textos. Resumo Neste capítulo, estudamos o texto acadêmico, por meio de algumas reflexões sobre o seu conceito e a sua organização. Sugerimos alguns procedimentos mais adequados para a leitura de um texto científico e abordamos as formas de textos acadêmicos mais usadas para os registros dos estudos realizados nos cursos de graduação. Ao apresentar alguns exemplos para o exercício da leitura, esperamos que você tenha ampliado seus conhecimentos sobre as formas de organização e o uso adequado de textos acadêmicos, para o seu melhor desempenho nos estudos. Atividades Atividade 1 As afirmativas a seguir contemplam algumas características de TEXTOS ACADÊMICOS. Marque V, nas alternativas verdadeiras, ou F, nas alternativas falsas. UNIUBE 41 A. ( ) São textos característicos da difusão e produção do conhecimento nas universidades. B. ( ) São textos técnicos e científicos. C. ( ) São textos intuitivos e cotidianos na universidade em geral. D. ( ) São textos produzidos por alunos e professores para publicação em eventos científicos. E. ( ) São textos elaborados só por professores universitários. F. ( ) São textos que visam a progressiva ampliação e troca de conhecimentos necessários à formação profissional. G. ( ) São textos que visam a progressiva informação e generalização necessárias à formação profissional. H. ( ) São textos que produzimos na universidade para registrar o estudo que realizamos. I. ( ) São as teorias que produzimos na universidade para registrar o estudo que realizamos. J. ( ) São textos que na prática escolar são apropriados para o exercício do ensinar e do aprender. Atividade 2 Dentre as diversas formas de registro dos estudos realizados no âmbito da universidade, podemos destacar o resumo, a resenha e o portfólio. Segundo os seus conhecimentos, relacione os termos às afirmações correspondentes: a) resumo b) resenha c) portfólio 42 UNIUBE ( ) Inclui uma avaliação crítica por parte de quem a redige. ( ) Seu objetivo é traduzir em poucas palavras, a ideia do autor. ( ) Um mesmo texto pode dar origem à vários outros textos, dependendo de quem o faz. ( ) Apresenta uma obra descrevendo seu conteúdo e sua composição. ( ) É um texto completo, redigido de forma contínua. ( ) Significa reunião das diferentes produções dos alunos. ( ) É preciso saber situar a obra e o pensamento do autor, comparando-os com outras obras para emitir julgamento. ( ) Não precisa contemplar uma indicação para leitura da obra. ( ) É um texto de dimensões menor do que o texto que lhe dá origem. ( ) Expressa o desenvolvimento qualitativo e quantitativo da aprendizagem do aluno da Universidade. Atividade 3 3.1 Na universidade, a entrevista tem se apresentado como um eficaz instru mento de coleta de dados para a pesquisa nas diversas áreas do conhecimento. Descreva uma situação em que você usaria da entrevista em seus estudos. 3.2 Na sua opinião, quais requisitos são exigidos de um entrevistador? Atividade 4 Enumere, de 1 a 5, a sequência adequada para a realização de uma boa leitura. O leitor diante de um texto científico utiliza alguns procedimentos que o auxiliam na leitura correta desses textos. O leitor ao ler o texto: UNIUBE 43 ( ) relaciona-o com outros textos da mesma área, com o conteúdo da disciplina e com a realidade na qual o leitor está inserido. ( ) procura identificar as suas partes estruturais, delimitando cada uma de acordo com suas finalidades. ( ) traduz o pensamento do autor e avalia a contribuição do estudo do texto para a ampliação dos conhecimentos e para a formação profissional. ( ) analisa a consistência dos dados, as relações entre gráficos e tabelas com o assunto tratado e a coerência dos argumentos apresentados. ( ) identifica o plano geral do texto, a autoria, o tipo, o suporte do texto e o conteúdo desenvolvido no mesmo. Atividade 5 Escreva, nos parênteses, ( V ) para as alternativas verdadeiras e ( F ) para as falsas. A. ( ) O relatório é um texto originado de um trabalho realizado. B. ( ) Um texto científico, assim como textos oficiais, pode conter relatos de acontecimentos históricos. C. ( ) O relato de experiência tem por objetivo registrar o processo vivenciado por uma pessoa ou por uma equipe, durante um determinado período de estudos, proporcionando uma avaliação e a reflexão sobre o tema em questão. D. ( ) Os textos científicos são escritos de acordo com critérios estabelecidos por instituições científicas e passam por um processo de validação e avaliação, antes de serem divulgados. E. ( ) O conhecimento científico só existe nas instituições públicas. 44 UNIUBE Atividade 6 Leia o fragmento extraído da resenha do filme Gattaca. Com roteiro e direção de Andrew Niccol, que também foi rotei rista de O show de Truman, Gattaca é um ensaio sobre o que pode ser uma sociedade em que o destino das pessoas esteja predeterminado cientificamente, sem que não haja o mínimo espaço para a ação do indivíduo na construção de seu próprio futuro. Também é uma reflexão sobre como a ciência pode ser usada para legitimar e, no caso, criar uma hierarquia social, principalmente se feita sem crítica e controle da sociedade. Considerando a relação do fragmento com as demais partes da resenha, analise as afirmativas a seguir. Assinale com um ( X ) as alternativas coerentes com a resenha. A. ( ) No fragmento, a palavra “ensaio” articulada à palavra “sociedade”, remete o leitor a uma prática de experimentação científica. Nesse sentido, leva o leitor a pensar que o contexto vivenciado no filme é real. B. ( ) No fragmento, a afirmação do autor de que a obra é uma reflexão sobre as possíveis consequências da utilização inadequada da ciência, tem por objetivo convencer o leitor da fragilidade do enredo do filme Gattaca. C. ( ) Associando o nome do roteirista a outros trabalhos produzidos anteriormente, o autor da resenha dá ao leitor uma informação que lhe permite situar melhor a obra que está sendo apresentada. Nessa perspectiva, o leitor cria mais ou menos uma expectativa em relação ao filme. D. ( ) Na conclusão, é possível perceber que o autor da resenha explicita claramente a indicação do filme, utilizando um argumento de autoridade: o filme foi realizado por um renomado diretor. UNIUBE 45 Atividade 7 A entrevista e o debate foram destacados como textos orais que exigem habi lidades de comunicação que todo profissional precisa ter no exercício de sua profissão. Leia os itens a seguir e marque com um X, no quadro correspondente, de acordo coma seguinte legenda: ‘E’, o que é característico da entrevista. ‘C’, o que é comum às duas situações. ‘D’, o que é característico do debate. A: Quanto à situação de comunicação: E C D exige a presença de um moderador. tem por objetivo colher informações ou dados que possam ser usados para fins determinados. visa esclarecer a opinião pública sobre um determinado tema. geralmente surge da necessidade de esclarecimento sobre temas polêmicos. tem por objetivo buscar soluções para questões de interesse social e científico. se estabelece por um confronto de opiniões. se estrutura com base no esquema de perguntas e respostas sequenciadas, seguidas ou não de comentários. predomina a argumentação, a defesa de um ponto de vista. predomina a exposição do assunto, a informação. necessita do estabelecimento de regras para ocorrer o diálogo. 46 UNIUBE B – Quanto às habilidades e atitudes requeridas dos participantes: E C D usar adequadamente provas e argumentos. conhecer pontos de vista diferentes sobre o tema em questão. ter domínio do tema a ser apresentado. saber respeitar a pessoa que tem opinião divergente. ter disponibilidade para dialogar. usar a linguagem adequada ao seu interlocutor. saber distinguir um fato de uma opinião. respeito a normas estabelecidas. saber ouvir para dar continuidade a uma reflexão. Atividade 8 No contexto universitário, muitas são as situações em que temos a oportunidade de apresentar os conhecimentos científicos que construímos, nas várias etapas de nossa formação acadêmica. Para apresentá-los, utilizamos textos escritos: resumo, resenha, relatório, artigo científico, comunicação ou paper, monografia, entre outros. Relacionamos, a seguir, algumas situações que você pode vivenciar, durante seu curso de graduação. Escreva nos espaços o gênero de texto adequado a cada uma das situações descritas. a) Você é integrante de uma equipe de monitoria e deve apresentar, formalmente, ao responsável pela equipe, o trabalho que foi desenvolvido na semana. __________ UNIUBE 47 b) Você e seus dois colegas participam de um grupo de iniciação científica. Estão numa determinada fase da pesquisa, e foram solicitados a apresentar os resultados obtidos até o momento, para o órgão financiador. __________ c) Tendo participado de uma aula de campo, o professor lhe solicitou o registro de tudo que ali ocorreu. __________ d) O professor indicou a leitura de um artigo sobre o assunto estudado na semana. Pediu que lhe apresentasse, de forma detalhada: os dados de identificação do artigo, a forma como o autor desenvolveu o assunto, a relação do pensamento do autor com o que foi estudado nas aulas daquela semana e, ainda, que você emitisse sua opinião sobre o artigo como um todo, fazendo referência a quem mais poderia interessar a leitura desse texto. __________ e) Com a orientação do professor, você desenvolveu um estudo sobre as opções de lazer que Uberaba oferece ao jovem. A pesquisa apontou a necessidade de alertar a população sobre providências que deverão ser tomadas pelo poder público, associações de bairros, associações estudantis. Você foi aconselhado, pelo professor, a publicar esse estudo no Jornal Revelação. __________ f) Para participar de um seminário, na sala de aula, o professor solicita a leitura prévia de um capítulo do livro didático que foi adotado para estudo do assunto. Você deve fazer o registro da leitura, situando o conteúdo de cada item do capítulo, sendo fiel ao pensamento do autor, mas sem se preocupar em emitir sua opinião. __________ g) Para elaborar o projeto de seu Trabalho de Conclusão de Curso, o seu orientador solicitou que você realizasse e lhe apresentasse um levantamento bibliográfico de obras publicadas nos dois últimos anos sobre o tema a ser desenvolvido. __________ 48 UNIUBE Atividade 9 Leia o fragmento. Uma característica marcante do discurso literário de Machado de Assis é o humor, que se evidencia, sobretudo, em seus romances de segunda fase. O romance Dom Casmurro, pu blicado em 1899, é uma das obras mais discutidas pela crítica literária ainda nos dias de hoje. Analise as alternativas e assinale aquelas que podem ser comprovadas pelo fragmento. A. ( ) Com objetivo de fundamentar as ideias apresentadas, a autora do resumo utiliza-se do argumento de autoridade, fazendo referência à critica literária. B. ( ) Nas duas afirmações, a autora utiliza-se do argumento baseado no consenso, uma vez que tais afirmações têm base científica e são aceitas como verdadeiras. C. ( ) a autora utiliza-se de dois argumentos baseados em provas concretas, remetendo o leitor a documentos analisados. D. ( ) A autora utiliza-se do argumento com base no raciocínio lógico, na medida em que evidencia uma relação de causa e consequência estabelecida entre o humor do discurso machadiano e o fato de o romance Dom Casmurro ser, ainda hoje, uma das obras mais discutidas pela crítica literária. Referências ABREU, Ana Rosa et all. O lobo e o burro. In: ______. Alfabetização: livro do aluno. Brasília: FUNDESCOLA/SEFMEC, 2000. V. 2. p. 98. Disponível em: <http://www. dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra= 24679>. Acesso em: 02 jun. 2016. UNIUBE 49 BENEDITTO, Fábio Júnior. Hackers expostos: segredos e soluções para a segurança de redes. Resenha. Disponível em: <http://www.comciencia. br/resenhas/internet/hackers.htm>. Acesso em: 03 jun. 2016. EVANGELISTA, Rafael. Gattaca. Disponível em: <http://www.comciencia.br/ resenhas/gattaca.htm>. Acesso em: 02 jun. 2016. FADEL, C. B.; PINTO, M. H. B. A inserção da saúde bucal no Programa de Saúde da Família no estado do Paraná. Disponível em: <https:// rbmfc.org.br/rbmfc/article/view/330>. Acesso: 04 jun. 2016. FLUXOS. Revista do Instituto de Humanidades da Universidade de Uberaba. Uberaba: Universidade de Uberaba, 2003. p. 46. IBGE. Síntese dos indicadores sociais, 2002. MURPHY, D. D. Desafios à diversidade biológica em áreas urbanas. In: WILSON, E. O. (Ed.). Biodiversidade. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997. p. 91. LARENZ, Karl. Metodologia da Ciência do Direito. Tradução de José Lamego. 6. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2012. p. 261. MURPHY, D. D. Desafios à diversidade biológica em áreas urbanas. In: WIL SON, E. O. (ed.). Biodiversidade. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997. p. 91. NERY, Rosa Maria de Andrade. O Direito como ciência, arte e técnica. In:______. Noções preliminares de Direito Civil. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2002. PERRENOUD, Philippe. Philippe Perrenoud: O futuro da escola nos pertence. Folha de S. Paulo on-line. Sinapse. São Paulo, p. 12, 29 jul. 2003. Disponível em:< http:// www1.folha.uol.com.br/folha/sinapse/ult1063u511.shtml>. Acesso em: 04 jun. 2016. 50 UNIUBE PIRES, Márcia Regina. Um olhar sobre o humor em Dom Casmurro. Anais do I Seminário de Iniciação Científica. Uberaba, Universidade de Uberaba, 2000, p. 181. PLATÃO, Francisco Savioli; FIORIN, José Luís. Lições de texto: leitura e redação. São Paulo: Ática, 1996. PONTO DE VISTA CIÊNCIA E BELEZA. Revista Scientific American Brasil, ano 1, n. 11, p. 5. SABATTINI, Marcelo. As publicações eletrônicas dentro da comunicação científica. Disponível em: <http://bocc.ubi.pt/pag/sabattini-marcelo-publicacoes- eletronicas.html>. Acesso em: 02 jun. 2016. SANTOS, Antônio Raimundo dos. Metodologia Científica: a construção do conhecimento. 4. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2001. SARAMAGO, José. Caim. Disponível em: < http://www.portaldaliteratura. com/livros.php?livro=4689>. Acesso em: 02 jun. 2016. SOARES, Magda Becker; CAMPOS, Edson N. Técnica de redação: as articulações linguísticas como técnica de pensamento. Rio deJaneiro: Ao Livro Técnico, 1987. TAKAHASHI, Tadao (Org.) et al. Mercado, trabalho e oportunidades. In:______. Sociedade da informação no Brasil: Livro Verde. Brasília: Ministério da Ciência e Tecnologia, 2000. cap. 2, p. 17-28. Faraídes Maria Sisconeto de Freitas / Ivanilda Barbosa Introdução Linguagem, trabalho e prática social Capítulo 2 O século XX ofereceu à humanidade o testemunho da força comunicativa. Os cientistas e os artistas apropriaram-se das técnicas da fi xação da imagem e conseguiram produzi-la em movimento. A história, ainda muito recente, registra a incrível, porém verdadeira, transformação dos meios de comunicação e sua interferência no estilo de vida das pessoas e das culturas: do cinema e do rádio para a TV e da TV para a tela do computador. Imagem e palavra – integradas e em velocidade – conquistaram a confi ança no poder da comunicação entre os povos de mesma ou de diferentes culturas. E assim, como no princípio, o verbo continua sendo ponte a unir sentimentos e interesses humanos. As organizações empresariais constroem a imagem com a qual querem ser identifi cadas na dinâmica social, lançando mão de muitos recursos de linguagem e de suportes textuais que, no conjunto, são os responsáveis pela sua permanência no mercado de produção de bens e serviços. Basta lembrar o espaço das campanhas publicitárias em rádio, TV, outdoors, fachadas em néon, impressos que visitam as salas de espera ou são oferecidos nos semáforos como brindes ao consumidor. Mas essas formas de comunicação são as únicas responsáveis por construir a imagem de uma organização ou empresa? A vida de uma organização vai depender da sua capacidade de transformar todas as situações de comunicação, formal ou não 52 UNIUBE formal, em oportunidades de interação e relações humanas entre as pessoas que nela trabalham e entre essas e as outras dos demais segmentos sociais com os quais se relacionam para a produção dos bens ou serviços que a organização oferece. É pensando na importância de cada situação comunicativa para a construção da autoimagem pessoal e empresarial que apresentaremos a seguir o estudo que faremos dos modelos de comunicação oficial, interna e ex terna, os quais são cotidianamente utilizados no âmbito das organizações. Ao final dos estudos propostos, esperamos que você esteja apto a: • ler e redigir, no contexto das relações empresariais, requerimento, curriculum vitae e carta de apresentação; • identificar as formas escritas de comunicação interna e suas fun ções em uma organização: memorando, aviso, e-mail, instrução normativa, parecer, pauta de reunião, carta de agradecimento e congratulações; • reconhecer os elementos estruturais da comunicação externa: ofícios e declarações; • utilizar, adequadamente, as formas textuais escritas da co- municação interna e externa no contexto das organizações e empresas; • valorizar as situações de comunicação escrita como oportuni dades de relações humanas e interação no contexto organiza cional. Objetivos 2.1 Formas da escrita no cotidiano das empresas e organizações 2.1.1 Linguagem e vínculo social Esquema UNIUBE 53 2.1.2 Formas textuais e identidade do profissional e da orga- nização 2.1.3 Expressão verbal 2.1.4 Comunicação e imagem da organização Resumo Atividades Referências 2.1 Formas da escrita no cotidiano das empresas e organizações A interação humana traz o aprimoramento da linguagem, uma vez que, estabelecendo relações comunicativas, o homem se abre ao conhecimento, une o que já possui ao que o outro lhe apresenta, assim acontece a ampliação lexical. Nesse contexto, também podem ser citadas as riquezas culturais e o avanço da tecnologia. 2.1.1 Linguagem e vínculo social A linguagem humana realiza-se em um sistema de representações convencionadas pela sociedade que possibilitam a comunicação entre os homens. Sabemos que a linguagem e a sociedade são inseparáveis. Seria incoerente se parar uma da outra em nossos estudos. Para compreender como essa histórica relação se modifica através dos tempos, é necessário observar as transformações sociais e culturais ocasionadas pela produção do conhecimento técnico-científico e que envolvem todos os elementos da cultura, incluindo as tecnologias. Para compreender esse processo, observe, com atenção, as ilustrações da Figura 1. 54 UNIUBE ANTES DEPOIS Figura 1: Evoluções tecnológicas. Fonte: Acervo EAD – Uniube É interessante verificar que uma técnica e sua aplicação provêm de outras e que do movimento de busca, de apropriação, de erros e acertos, produz-se a grande diversidade cultural e linguística. Você constatou as transformações que ocorreram (e ocorrem) em todos os contextos? UNIUBE 55 Nessa diversidade, encontra-se a identidade dos povos, dos segmentos sociais e das profissões. Não é difícil identificar a diferença entre as técnicas, os instru mentos de trabalho e a linguagem dos profissionais da Medicina, da Engenharia, da Comunicação Social, da Administração, do Serviço Social, por exemplo. Mas, todos esses grupos de profissionais podem comunicar entre si em diferentes ambientes e nas mais diversas esferas sociais: comunidade religiosa, associa ções, grupos de recreação, círculo empresarial, núcleos científicos, artísticos e políticos. Em cada um desses ambientes, podem se estabelecer múItiplas situações de comunicação e, para cada uma delas, as pessoas escolhem palavras, expres sões e enunciados adequados, para conseguirem se comunicar o melhor possível e atingirem os seus objetivos. A comunicação oficial, por exemplo, pode se esta belecer entre: • patrão e empregado; • colaboradores de uma mesma empresa; • empresa e órgãos públicos; • empresa e cliente; • o candidato a um emprego e o responsável pelo setor de recursos humanos da empresa; • um engenheiro e o encarregado da obra; • o encarregado e os demais trabalhadores; • empresa e fornecedor; • empresário e empresário. O trabalho eficiente de um engenheiro, de um administrador, de um advogado, de um contador, por exemplo, depende da constante interação com outros pro fissionais da área em seus ambientes de trabalho. Assim, esses profissionais diariamente utilizam escolhas lexicais determinadas e entram em contato com variedades linguísticas profis sionais, adequadas para cada situação de comunicação no canteiro de obras, em reuniões administrativas, em um escritório, em um consultório, em lojas especializadas, entre outras. E isso acontece com todos os profissionais das mais diversas áreas de atuação. Podemos afirmar, então, que a variedade linguística profissional é um fazer cultural e que o uso da língua é tão dinâmico quanto à diversidade 56 UNIUBE de situa ções existentes nos grupos sociais. Tratando-se de comunicação oficial, são estabelecidas algumas normas para que os objetivos da comunicação sejam assegurados. Figura 2: Interação entre profissionais. Fonte: Acervo EAD – Uniube. No mundo do trabalho, considerando suas especificidades, o emprego da linguagem técnica é usual. IMPORTANTE! • Um engenheiro, por exemplo, ao dar instruções ou solicitar informações, no contexto em que trabalha, utiliza termos e expressões que têm sentido próprio no campo da engenharia e seu interlocutor precisa conhecer esses sentidos. • Um médico, ao orientar uma enfermeira sobre os cuidados em relação a um determinado paciente, utiliza termos técnicos que são usuais no contexto hospitalar. EXEMPLIFICANDO! UNIUBE 57 Estabelecer vínculos por meio da comunicação. Esse entendimento entre os profissionais colabora para a eficácia do trabalho que está sendo realizado. E, como o profissional assume responsabilidades sociais, é importante que ele construaa sua identidade pessoal e profissional e estabeleça vínculos na sociedade em que atua, no exercício da comunicação diária. A seguir, vamos exercitar as formas da escrita, no contexto das organizações, como expressão da identidade profissional, em situações de comunicação in terna e externa. 2.1.2 Formas textuais e identidade do profissional e da organização Vamos pensar um pouco sobre os diferentes significados da palavra casa? A palavra casa pode significar imóvel, edificação, albergue, residência, domicí lio. Em linguagem popular, ela faz sentido em diferentes situações. Porém, no exercício da comunicação oficial, convencionou-se, que, no campo da enge nharia, por exemplo, onde se lê a palavra casa, lê-se edificação; no comércio imobiliário, casa será sempre referida como imóvel. Ou seja, há uma convenção, proposta e exercida pela e na sociedade, para que cada palavra tenha o seu ou os seus sentidos e seja usada em determinados contextos ou campos da atividade humana. Vale dizer que é a convenção social que permite a comunicação. No campo profissional, o conhecimento das convenções facilita a interação, pois os interlo cutores poderão atribuir o sentido esperado (à palavra casa, por exemplo), considerando o contexto. A linguagem a serviço dos profissionais é conhecida por linguagem instrumental, isso porque ela vai sendo construída à medida que os cientistas e os profissionais vão construindo o saber em determinada área do conhecimento ou determinada profissão. Podemos dizer que o uso da linguagem, em situação de comunicação científica e técnica, vai criando uma espécie de memória pertinente a cada uma das áreas do conhecimento humano. 58 UNIUBE No que se refere às formas de escrita oficial, adotadas em uma empresa ou organização, elas também têm cada uma a sua história social e seu sentido convencional. Considerando os interlocutores e o espaço de circulação dessas formas textuais, podemos separá-las em três grandes grupos. • Primeiro grupo: textos de referência pessoal como o requerimento, o curri culum vitae e a carta de apresentação. • Segundo grupo: os textos de circulação interna à empresa ou organização, tais como: avisos, ordem de serviço, e-mail, memorando, relatório diário, instrução normativa. • Terceiro grupo: textos de circulação externa à organização: cartas comerciais, ofícios, declarações, contratos de prestação de serviços. A seguir, vamos apresentar algumas dessas formas da escrita oficial que interes sam ao dia a dia dos profissionais de diferentes áreas em uma organização. 2.1.3 Expressão verbal 2.1.3.1 Apresentando-se como profissional A) Requerimento Você já preencheu algum requerimento? Em que situação isso foi necessário? O requerimento é um texto formal utilizado para solicitar algum procedimento, documento ou recurso de interesse da pessoa que toma a iniciativa de fazê-lo. Utilizamos essa forma de comunicação quando procuramos o setor de recursos humanos de uma empresa para solicitar, formalmente: • uma vaga de estagiário; UNIUBE 59 • as férias na empresa; • cópias de documentos pessoais; • entre outras solicitações. Nessas situações formais, podemos identificar uma estrutura textual padrão do requerimento. Veja, a seguir. 1. Endereçamento e invocação Na parte superior do documento deve ser indicado o nome de quem receberá a solicitação, seu cargo ou função; e, a seguir, a expressão Prezado senhor ou Senhora diretora. 2. Identificação do requerente Nome e dados pessoais de quem está fazendo a solicitação. 3. A requisição Descrição do objeto, ou seja, detalhamento do que se está solicitando (O quê? Quanto? Quando?). 4. Pedido de atendimento Normalmente utiliza-se o enunciado “Nestes termos, pede deferimento”. Costuma -se pedir o deferimento, a resposta do que está sendo requerido, uma vez que a formalidade da situação exige tal cortesia. 5. Cidade, data e assinatura do requerente 60 UNIUBE Um modelo de requerimento: 1 Senhor João Francisco de Assis D.D. Diretor de Recursos Humanos Companhia de Recursos Hídricos do Cerrado – CORHICE Prezado senhor 2 e 3 Eu, _______________________, portador(a) da cédula de identidade nº ____________________, residente e domiciliado(a) a Rua _______________, cidade ______________, Estado ________, venho requerer minha inscrição para a entrevista de seleção ao cargo de gestor(a) de projetos, conforme edital publicado na imprensa local. Declaro que tenhos os requisitos mínimos exigidos e estou ciente das condições de trabalho, hora de dedicação e remuneração para esse cargo, descritas no referido local. 4 Nestes termos, peço deferimento. 5 Uberaba, 20 de maio de 2016 Daniela Maria de Barros EXEMPLIFICANDO! Observe, no modelo apresentado, que as partes foram separadas com o objetivo de facilitar o modo de organização de um requerimento. Caso você queira ler outros modelos de requerimento referentes à sua área de atuação, pesquise em diferentes sites. Entre eles, sugerimos: <http://www.comerciarios.com.br/Diversos/requerimentos.htm>. <http://www.broffice.org/escritorio_aberto/requerimentos>. PESQUISANDO NA WEB B) Curriculum vitae (currículo de vida) Você certamente já ouviu alguém dizer: “Deixei meu currículo naquela empresa.” “Vou acrescentar essa informação em meu currículo.” “Preciso atualizar meu currículo.” UNIUBE 61 E você? Já sabe elaborar um currículo? Se fosse necessário apresentar esse documento ao coordenador de seu curso, para concorrer a uma vaga de estagiário, quais informações você priorizaria? O currículo é um documento de identificação pessoal, geralmente utilizado para fins profissionais. Dependendo da área de atuação do profissional, o currículo pode oferecer uma visão mais ou menos detalhada em relação à formação es colar e à experiência profissional. Existem diferentes modelos de currículo. As empresas ou instituições geralmente adotam um modelo padrão com os itens que lhes interessam. Muitos modelos circulam pela Internet e há até impressos próprios para currículos que são ven didos em papelarias. Há, ainda, o modelo personalizado que oferece a oportunidade de enumerar apenas os dados profissionais que delineiam seu perfil profissional ou que inte ressam mais diretamente a uma ou outra empresa. Em um currículo é fundamental constar: • dados pessoais; • dados sobre a formação técnica; • dados da formação acadêmica; • estágios; • experiência profissional; • cursos de língua estrangeira; • entre outros. IMPORTANTE! Segundo Martins e Zilberknop (2007, p. 193), o “curriculum vitae pode ser encaminhado através de um ofício ou de uma carta de apresentação. Pode ainda ser introduzido por uma resposta de anúncio.” Assim, é importante que a pessoa saiba: 62 UNIUBE • informar-se sobre a instituição ou empresa para a qual vai enviar o currículo; • escolher o modelo adequado para preenchimento dos dados pessoais; • manter uma pasta com todos os documentos pessoais que comprovam as informações fornecidas em seu currículo; • redigir uma carta de encaminhamento do seu currículo; • saber selecionar os dados de sua formação escolar e profissional que mais interessem à empresa ou ao cargo a que está concorrendo; • selecionar dados complementares de sua formação que estejam relacionados à sua visão de sociedade e de trabalho. Caso você queira saber mais sobre esse assunto, sugerimos acessar os seguintes sites: <http://www.suframa.gov.br/cidadao/downloads/modelo_de_curriculum_ vitae.doc>. <http://www.meucurriculum.com>. PESQUISANDO NA WEB C) Carta A carta, enquanto correspondência oficial entre pessoas jurídicas ou pessoas físicas, pode tratar de diferentes assuntos. Em uma empresa,é utilizada, por exemplo, com a finalidade de informar, propor, cobrar ou apresentar uma pessoa que nela trabalha ou trabalhou. A pessoa física pode se servir da carta, oficialmente, para: • propor alguma mudança; • apresentar um currículo; UNIUBE 63 • responder a alguma solicitação indevida; • agradecer informações recebidas, entre outras finalidades. No contexto profissional, as cartas são escritas e encaminhadas em papel tim brado, com a identificação da empresa. Na carta oficial, podemos identificar os elementos indicados a seguir. 1. Local e data 2. Nome e cargo da pessoa a quem se dirige 3. Invocação: Prezado senhor; Prezada diretora; Senhor presidente; 4. Corpo do texto: o desenvolvimento do assunto, em linguagem culta, padrão formal, acrescida, sempre que necessário, dos termos técnicos; 5. Fecho: parágrafo final conclusivo, seguido de uma expressão cortês, como, Atenciosamente ou Cordialmente, ou Com meus agradecimentos ou Agradeço sua atenção. 6. Assinatura de quem expede a correspondência. 2.1.3.2 Interagindo dentro da organização a) Memorando O memorando é uma forma de comunicação interna objetiva, que exige uma linguagem simplificada, porém técnica, sustentada na terminologia da própria profissão. Na comunicação interna de uma organização, geralmente esse gênero textual é utilizado para a comunicação mais ágil de fatos, de ocorrências e até solicitações entre dois departamentos, seções ou divisões. É elaborado por um profissional que o emite destinado a outro profissional em diversos graus de hierarquia dentro da empresa. Sobre o memorando, Martins e Zilberknop (2007, p. 214) afirmam que: “sua característica principal é a agilidade (tramitação rápida e simplicidade de procedi mentos burocráticos)”. Nesse caso, pode o recebedor do 64 UNIUBE memorando despachar, no mesmo documento, utilizando o verso ou anverso, e até mesmo anexar uma folha de continuação. Os memorandos devem ser enumerados, facilitando o controle da correspon dência expedida pelo setor. No caso de haver um memorando em resposta a um primeiro, deve ser feita a referência ao assunto, à data e, se possível, ao número do memorando objeto da resposta. Memorando Nº 0086 Em 19/05/16 De: Maria Aparecida dos Anjos Setor: Departamento de Compras Para: Antônio Feliz Setor: Manutenção Em atendimento ao memorando Nº 034/2016, de 10/03/2016, comunico- lhe que o material encontra-se no mercado, devendo este departamento encaminhar a requisição de compra de material até dia 20 próximo, sob pena de não ser atendido no prazo solicitado. Atenciosamente, Maria Aparecida dos Anjos Chefe de Departamento EXEMPLIFICANDO! Para conhecer outros memorandos, sugerimos pesquisar em diferentes sites. Entre eles destacamos: <http://office.microsoft.com/pt-br/templates/CT101172591046.aspx>. <http://www.portaladm.adm.br/Portinstrumental/modelos%20de%20 documentos.pdf>. PESQUISANDO NA WEB UNIUBE 65 b) Avisos Quando a informação é direcionada a muitos colaboradores dentro da empresa e precisa ser agilmente divulgada, utiliza-se o aviso em murais próprios. Essa forma de texto, para que seja lida como uma comunicação oficial, deve conter alguns elementos básicos: • expressão chamativa, direcionando o aviso aos interessados no assunto; • informação direta, objetiva; • nome de quem expede a informação, a data e a hora. O aviso pode ser usado para divulgar procedimentos a serem adotados por determinado setor em dada situação. Pode também não ter um destinatário definido, conforme o exemplo a seguir. Existem, no entanto, os avisos que devem circular entre um número restrito de profissionais ou ser dirigido a um único profissional, quando de interesse parti cular. Estes, muitas vezes, são entregues em reuniões. Se dirigido a uma única pessoa, o aviso é redigido de próprio punho, de preferên cia em papel timbrado e afixado em local de fácil acesso à leitura, por onde o destinatário circula. c) E-mail São muitas as utilizações das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), as quais modificaram as formas de comunicação no mundo pós-moderno. Faltará energia, neste setor, hoje, das 15h às 16h. João Feliz – Diretor de manutenção Email E - (eletrônico)+ mail (correio) = “correio eletrônico” e nomeia tanto o ambiente da Internet por onde se enviam as mensagens eletrônicas quanto a mensagem eletrônica em si. Fonte: Disponível em: <www.aisa. com.br/diciona. html>, acesso em: 04 jun. 2016. 66 UNIUBE A informática e os recursos tecnológicos oferecem variadas ferramentas para a produção textual. Uma delas é o e-mail, bastante ágil para comunicação interna e externa nas empresas. Nas organizações, como forma de comunicação interna, o e-mail é utilizado para estabelecer diferentes tipos de comunicação. Por meio dele é possível enviar desde mensagens simples até diferentes documentos, que podem, inclusive, ser anexados às mensagens, como por exemplo: uma circular, um currículo, fotos, entre outros. Quanto à linguagem, vale ressaltar que o grau de formalidade será determi nado de acordo com o destinatário e com o conteúdo. Isso significa que, quando enviado a colegas de trabalho, a linguagem é mais informal. Mas, quando enviado a chefes de departamento ou para um grupo de destinatários, por exemplo, a linguagem é mais formal, exigindo uma elaboração mais apurada. Analise os exemplos a seguir. EXEMPLIFICANDO! Exemplo 1 UNIUBE 67 Observe que, no exemplo 1, o emissor João Henrique relembrou os seus co legas de trabalho a reunião do próximo dia. Ele utilizou uma linguagem menos elaborada, mais informal. No exemplo 2, a mensagem enviada ao chefe exigiu um grau de formalidade um pouco maior. d) Justificativa Toda ação tem um motivo, uma necessidade para ser empreendida, modificada ou impedida. No entanto, não se pode justificar uma realidade sem expor as razões, uma vez que corre-se o risco da atitude ser interpretada como unilateral e sem fundamentação. No contexto profissional, as intervenções precisam ser formalmente expressas. O profissional, ao agir em desconformidade com manuais ou instruções norma tivas (ou mesmo em casos em que a conformidade é contestada), deve justificar oficialmente o seu ato ou as providências tomadas para que atenda tanto às exigências sociais quanto à segurança e à credibilidade da empresa. A confiabilidade dos processos, dos procedimentos, das atitudes, das posturas e das decisões está na base da justificativa das ações profissionais. Nesse sentido, cabe dizer que a justificativa oficial é Exemplo 1 68 UNIUBE um texto utilizado em empresas, em eventos científicos, em projetos acadêmicos ou em outras situações formais quando há necessidade de se justificar uma atividade que resulte em produtividade ou que impeça o prejuízo de terceiros. Toda justificativa, portanto, deve estar fundamentada em dados, em normas ou em fatos comprováveis. Para se fundamentar uma justificativa, em âmbito institucional, geralmente, utilizam-se as regras ou normas constantes nos ma nuais de instrução ou na legislação pertinente, podendo, inclusive, reportar-se a autores consagrados naquele domínio profissional. Nesses casos, é importante citar a fonte e a data da informação para que seja possível consultar e atestar sua coerência, confirmar sua veracidade. Esse é um procedimento desejável e importante no contexto profissional. Como em toda comunicação interna, a terminologia técnica e profissional, por ser mais direta e precisa, deve ser utilizada também na justificativa. e) Instrução normativa Em um empreendimento ou instituição, a normatização de processos é essencial para assegurar a qualidade, o seu controlee a sua manutenção. Além dos manuais de orientação presentes nas empresas, periodicamente, elas podem lançar mão das instruções normativas, para efeito de validar procedimentos importantes para o fluxo dos serviços, até que os manuais sejam atualizados. Segundo Bastos (2001), a empresa não opera no vazio, pois todo ato administrativo ou produtivo deve estar fundamentado em normas, ou seja, deve ter a devida sus tentação metodológica. Daí a importância da instrução normativa, para se operar conforme prescrições vigentes, uma vez que a atualização de um manual e sua divulgação nem sempre acontecem com a agilidade que a situação impõe. As entidades de classe que socialmente assumem para si a função de norma lizar procedimentos técnicos relacionados ao exercício da profissão dos médi cos, engenheiros, assistentes sociais, arquitetos, psicólogos, advogados, entre outras, fazem constante uso de instruções normativas que são acatadas pelos profissionais a elas filiados, e podem, também, ser acatadas por empresas e escolas de formação desses profissionais. UNIUBE 69 Se você quer conhecer algumas instruções, sugerimos os sites a seguir: • do CREA <http://normativos.confea.org.br/apresentacao/apresentacao. asp>. • do IBAMA <http://www.ibama.gov.br/cadastro/inormativa10.htm>. PESQUISANDO NA WEB f) Parecer No contexto profissional, os processos se desenvolvem por meio de documentos, requisições, reclamações, advertências entre outras necessidades comunicativas e, muitas vezes, dependem de respostas ou de análises. O parecer é um gênero textual em que o analista argumenta em conformidade com as normas da em presa ou da legislação vigente. O parecerista emite um juízo a favor ou contra o fato ou proposta que se analisa, fundamentado na cultura organizacional. Segundo Martins e Zilberknop (2007, p. 238), o parecer “difere da informação, porque, enquanto o primeiro interpreta fatos, a segunda apenas os fornece”. Portanto, emitir um parecer é mais do que informar. É expressar uma concordância ou discordância a fim de possibilitar uma decisão acerca de alguma situação que necessite de uma posição técnico-profissional, administrativa ou científica. g) Pauta de reunião As reuniões têm sido um foco de observação e de pesquisa nas empresas mais conceituadas e de vanguarda do Brasil. Nos escritórios das construtoras, nos canteiros de obras, nas consultorias às empresas, esses encontros são im portantes para avaliação, inovação e atualização de procedimentos, e têm por objetivo regular as questões problemáticas do empreendimento. Para que os ajustes necessários sejam realizados com eficácia, as questões devem ser apresentadas, analisadas, avaliadas para que 70 UNIUBE ajustamentos sejam propostos. Como vemos, fazer uma reunião não é tão simples como pode se supor. Para que ela seja produtiva, isto é, para que resulte em benefícios para a empresa e responsáveis pela obra, a reunião deve ser planejada. Quem convoca a reunião deve sempre informar a pauta, ou seja, qual o objetivo da reunião, quem deve participar e de quais assuntos deverão tratar. Entende-se, portanto, por pauta de reunião um roteiro a ser seguido. Sabemos que os valores do mundo empresarial contemporâneo podem ser con tabilizados em tempo. Assim, os roteiros devem ser elaborados dimensionando a duração da reunião, para que todos dela saiam com segurança das decisões que ali foram tomadas. Com base na pauta, as reuniões se organizam no tempo necessário para a apresentação dos assuntos, para a expressão de pontos de vista, de opiniões e de decisões coletivas. h) Agradecimento Muitas situações merecem uma carta de agradecimento, isto é, um texto que represente essa intenção. Na sociedade contemporânea, considera-se regra básica de cordialidade agra decer, por escrito, alguma ocorrência empresarial ou institucional que tenha beneficiado ou colaborado para o encaminhamento dos negócios. Ressaltamos que o texto de agradecimento deve ser objetivo e usando uma linguagem culta, porém, sem distanciamentos e expressando o reconhecimento, sempre que possível, em nome de toda equipe de trabalho. 2.1.4 Comunicação e imagem da organização A linguagem é o lugar privilegiado da interação entre os cidadãos. É a base na qual se fundamentam as relações sociais, aí incluídas as profissionais. Pela linguagem, o profissional pode expressar sua identidade e a identidade da em presa ou instituição em que exerce sua profissão. Nesse sentido, expressão e comunicação profissional são indissociáveis. UNIUBE 71 A linguagem instrumental na área empresarial pode ser identificada como um conjunto de atividades que responde à necessidade de interação e intercomuni cação entre contadores, engenheiros, tecnólogos, administradores, consultores, mas também entre esses e seus clientes, por exemplo. Muito bem preparados na sua competência intelectual, os profissionais devem se mostrar também conhecedores dos registros cotidianos internos à empresa, por exemplo, o memorando, a instrução normativa, o parecer, a justificativa, o agradecimento, enfim, saber escrever inúmeros textos oriundos da própria na tureza dos processos e procedimentos necessários em uma organização. Em princípio, as técnicas de expressão devem conduzir ao conhecimento, ao domínio e ao emprego apropriado e coerente da língua falada e escrita no cotidiano de cada profissional e no contexto da empresa. Segundo Vanoye (2002), a comunicação entre grupos restritos (como a comunicação interna de uma empresa) geralmente se dá a partir de um reconhecimento dos fe nômenos expressivos para se chegar a uma prática comunicativa eficiente e objetiva. As relações entre uma empresa ou instituição e as demais organizações sociais contemporâneas vão se estreitando à medida que a noção de trabalho colabora tivo associa-se à necessidade de se ter uma visão global das relações humanas e funcionais no mundo do trabalho. Os conselhos consultivos, deliberativos e executivos de grandes, médias e peque nas empresas, hoje, muito mais sistematicamente que há 30 anos, preocupam -se em construir e manter a imagem da organização da qual fazem parte. Podemos testemunhar a importância que se tem dado à divulgação da missão das empre sas, sejam elas públicas ou privadas. Essa imagem se constrói com os valores que cada empresa possui. Aqui, destacamos três: • a força de trabalho dos seus funcionários ou colaboradores; • o poder econômico, isto é, o capital; • o poder de comunicação interna e externa da organização. 72 UNIUBE As campanhas publicitárias ocupam um lugar de destaque para que as organi zações se tornem conhecidas pelos segmentos sociais. Porém, há formas de comunicação menos conhecidas, pelas quais se organizam as relações entre empresas e entre estas e pessoas físicas. Essas formas são responsáveis pelo estabelecimento do vínculo social que necessariamente precisa existir na vida de qualquer organização. Dentre elas destacam-se os convênios, os contratos de prestação de serviços, os editais, as declarações, os ofícios. Esses textos são redigidos em língua culta padrão e obedecem às convenções estabelecidas ou adotadas pelas instituições conveniadas ou por quem as emite. Para melhor conhecer sua estrutura, seus componentes e organização, e se sentir apto a redigi-los ou aprová-los em atividade profissional, é conveniente que, durante sua formação profissional, procure inteirar-se dos variados modelos de contratos, convênios, ofícios e declarações que circulam cotidianamente na sociedade, sobretudo nos ambientes empresariais. Resumo Abordamos, neste capítulo, a importância da leitura e da escrita no contexto das relações empresarias, apresentando as formas textuais escritas da comunicação interna e externanecessárias ao profissional dos dias atuais. No contexto das relações empresariais, estudamos os modos de organização dos gêneros: requerimento, curriculum vitae e carta de apresentação. Entre as formas escritas de comunicação interna vimos: memorando, aviso, e-mail, instrução nor mativa, parecer, pauta de reunião, carta de agradecimento e congratulações. Destacamos, neste estudo, a importância das relações humanas entre as pes soas que trabalham em uma organização e entre elas e as outras dos demais segmentos sociais, valorizando as situações de comunicação escrita como oportunidades de interação. UNIUBE 73 Atividades A seguir estão propostas várias atividades de observação dos aspectos tex tuais – próprios de redação oficial. Realizando-as, você poderá aprender as suas especificidades. Atividade 1 Se você é usuário de serviços bancários, recebe diária, semanal ou mensalmente correspondência do seu gerente ou de diretores do banco. Provavelmente já observou como o banco faz uso da comunicação para manter os seus clientes satisfeitos com os serviços que prestam. 1.1 Selecione uma correspondência que o banco lhe encaminhou, ou a seus pais, e procure identificar de qual tipo é: um contrato de serviço; uma proposta de oportunidade de crédito; informações oficiais dos serviços que o banco presta, aviso de débito ou de crédito; oferta de novas linhas de crédito ou outro. 1.2 Enumere os elementos que caracterizam a correspondência recebida e justifique se ela pode ser classificada como uma redação oficial. 1.3 Tendo observado todos os detalhes da correspondência, responda. A correspondência, que você selecionou, pode ser denominada: A ( ) declaração. B ( ) contrato de prestação de serviço. C ( ) ofício. D ( ) carta-ofício. E ( ) outra. 1.4 Usando a terminologia da redação oficial, justifique a sua resposta, abordando as características da correspondência recebida. 74 UNIUBE Atividade 2 Redija um requerimento, solicitando a uma empresa uma vaga como estagiário na área em que gostaria de atuar. Como detalhamento, inclua a referência ao seu currículo que será anexado ao requerimento. Atividade 3 Elabore seu curriculum vitae, de maneira personalizada, para concorrer à vaga de estagiário que está requerendo. Atividade 4 Redija uma carta de encaminhamento do seu curriculum vitae ao diretor do curso de Engenharia, da Universidade de Uberaba, solicitando uma oportunidade de participar de um projeto de pesquisa como bolsista do CNPQ. Referências BASTOS, Celso Ribeiro. Curso de Direito Constitucional. São Paulo: Saraiva, 2001. DRUCKER, Peter. O melhor de Peter Drucker – o homem. São Paulo: Nobel, 2001. MARTINS, Dileta S.; ZILBERKNOP, Lúbia S.. Português instrumental: de acordo com as atuais normas da ABNT. 26. ed. São Paulo: Atlas, 2007. VANOYE, Francis. Usos da linguagem: problemas e técnicas na produção oral e escrita. São Paulo: Martins Fontes, 2002. Faraídes Maria Sisconeto de Freitas / Ivanilda Barbosa Introdução Linguagem, sociedade e comunicação verbal Capítulo 3 Neste capítulo trataremos das questões que envolvem a comunicação tanto oral quanto escrita e sua utilização no mundo do trabalho. Este estudo é muito importante porque é por meio da linguagem que o homem se comunica, tem acesso a diferentes informações, apresenta e defende seus pontos de vista, produz conhecimentos e, sobretudo, interage com outras pessoas próximas ou distantes. No mundo em que vivemos, a comunicação perpassa cada uma de nossas atividades – pessoais e profi ssionais, individuais e coletivas. Assim, para que você tenha uma participação social mais efetiva, sugerimos que se esforce para aprofundar seus conhecimentos de modo a exercer melhor sua cidadania. Na primeira parte de nossos estudos, abordaremos A prática comunicacional do ser humano em suas diversas situações sociocomunicativas, refl etindo sobre a adequação da linguagem aos contextos em que é produzida e aos diferentes gêneros textuais que circulam entre nós. Na sequência, serão apresentadas as dimensões verbal e não verbal em um texto. Nesta parte será aprofundada a questão da utilização das linguagens – verbal e não verbal – que, associadas, se complementam, e possibilitam a formação de um novo todo signifi cativo. 76 UNIUBE Ao final deste capítulo, esperamos que você seja capaz de: • identificar a importância da comunicação oral e escrita nas rela ções sociais pessoal e profissional; • valorizar a leitura como um processo de aprimoramento para a ampliação de conhecimentos e melhoria da comunicação nos diferentes contextos sociais; • caracterizar os textos escritos conforme seu modo de organização; • redigir documentos institucionais de forma coesa e coerente; • associar a imagem visual ao texto verbal em situações de comu nicação técnicas e profissionais; • utilizar adequadamente a técnica da descrição na elaboração de memoriais descritivos e relatórios técnicos; • identificar o memorial descritivo e o projeto como uma prática de comunicação escrita importante para o acompanhamento do processo de produção e de avaliação de produtos. Objetivos 3.1 Linguagem verbal e transformação social 3.2 Situações comunicativas e a diversidade de gêneros textuais 3.3 Comunicação verbal, competência profissional e produtividade 3.4 Em busca da comunicação eficaz Esquema No terceiro momento, o enfoque será A expressão verbal na redação oficial, projetos e memoriais. Vamos abordar, nesta parte, a especifici dade da linguagem técnica necessária ao contexto profissional e a sua adequação às situações comunicativas, aos interlocutores e, conse quentemente, aos gêneros textuais. UNIUBE 77 3.5 As dimensões verbal e não verbal em um texto 3.6 A expressão verbal na redação oficial, projetos e memoriais 3.6.1 A redação oficial 3.6.2 O projeto 3.6.3 O memorial descritivo Resumo Atividades Referências Linguagem verbal e transformação social 3.1 Você já observou como a comunicação, os afazeres cotidianos dos profissionais liberais estão sempre associados a falas e leituras? E mesmo quando não estão em ambiente de trabalho, os vemos completamente cercados de textos – orais e escritos – com os quais vão se relacionando e interagindo com as outras pessoas? QUANTAS são as situações de comunicação que você vivencia em seu cotidiano? PARADA PARA REFLEXÃO Após essa constatação, reveja quantas vezes você verifica: • na rua: placas de trânsito, os outdoors, os nomes das instituições, os fôlderes recebidos nas esquinas, os cumprimentos; • em casa: os bilhetes, os talões para pagamento de água, de energia elétrica, as correspondências pessoais e comerciais, os manuais de instruções dos aparelhos, os e-mails dos amigos; • na universidade: os diferentes textos a ler e estudar, os murais com avisos, o requerimento para ser preenchido, a aula expositiva do professor, os slides, as placas de advertência nos laboratórios; 78 UNIUBE • no local de trabalho: relatórios, memorandos, os e-mails dos clientes, ofícios, as declarações, a convocação. Podemos, assim, verificar que a sociabilidade – ou seja, todas as relações hu manas familiares, profissionais, amorosas, entre amigos ou comerciais – ocorre em situações de comunicação, predominantemente pela fala e pela escrita. Isso significa dizer que comunicar é uma ação diária que requer do ser humano muitas habilidades. Ao dedicarmos um momento do curso para pensar sobre essas questões, que remos refletir sobre a importância de ter o domínio dos vários usos da língua portuguesa, para a realização pessoal e o desempenho profissional. Como acadêmico de Administração, Direito, Engenharia, Ciências Contábeis, Agrone gócio, ServiçoSocial, Turismo, Arquitetura, você tem expectativas de ampliar suas habilidades de falar e ouvir, ler e escrever? Muitas são as formas de textos e diversas são as funções deles no campo pessoal, profissional e social. Cada uma advém de uma necessidade comu nicativa, por isso expressa as finalidades de quem está praticando a fala ou a escrita e é sempre adequada a determinadas situações. A essas formas, que a sociedade aceita como uma prática de comunicação, chamamos de gêneros textuais. Vamos prosseguir com a leitura, revisitando teóricos e apresentando nossa compreensão sobre o tema, quando esperamos também conhecer a sua. Leia os textos que se seguem. Procedimentos para inserção de sua fotografia no ambiente Uniube on-line Após acessar a tela de inserção de fotos do perfil, realize os seguintes procedimentos: • clique no botão “Procurar”; TEXTO 1 UNIUBE 79 • neste momento, será apresentada a caixa-padrão de escolha de arquivos; • nesta caixa, localize a pasta que contém o arquivo com a fotografia ou imagem a ser inserida; • clique sobre o arquivo e escolha a opção “Abrir”; • em seguida, clique no botão “Enviar”. (Raul Sérgio Reis Rezende) Em ambientes de redes, os servidores são sistemas computacionais que fornecem e gerenciam recursos que são disponibilizados para os usuários dessas redes. Computadores chamados servidores têm recursos computacionais dimensionados para prover serviços de rede. Os Servidores de Arquivos, por exemplo, armazenam arquivos dos usuários, e neles os arquivos são, em geral, organizados em pastas pessoais e departamentais (por diretivas de segurança, controla-se o acesso a esses arquivos). (Luiz Fernando Ribeiro de Paiva) TEXTO 2 80 UNIUBE Relatório Na aula de laboratório I, sob orientação do professor responsável, analisei o caráter ácido das substâncias solicitadas na atividade por meio da coloração assumida pelo indicador. Antes de iniciar a análise, levantei a seguinte hipótese: todas as substâncias têm comportamento semelhante quando misturadas com um mesmo reagente: a fenolftaleína. Na sequência, reuni o material necessário e reli as instruções dadas pelo professor no procedimento sugerido para a atividade experimental. Com o auxílio da pipeta, coloquei 3 ml de ácido clorídrico em um tubo de ensaio e uma gota do indicador fe nolftaleína. Observei atentamente o resultado. [...] (Fragmento de relatório da aula de laboratório I, elaborado pelo aluno José C. M. Silva) TEXTO 4 TEXTO 3 Bom dia, pessoal! Atendendo à solicitação do Engenheiro João Rodrigues, conferencista convidado para a Semana das Tecnologias, a palestra Os desafios do jovem acadêmico no mercado de trabalho, foi transmitida para o dia 22 de outubro, às 19h, no mesmo anfiteatro. Pedimos a colaboração de todos para divulgarem aos alunos dos diferentes cursos de Engenharias essa alteração. Obrigado, abraços. José Paulo de Araújo Diretor do curso de Engenharia da Computação UNIUBE 81 Observando esse conjunto de textos, podemos indagar: • foram produzidos em situações diferentes? • cada um tem uma finalidade específica? • a que tipo de leitor cada texto está direcionado? • foram veiculados em diferentes suportes? • são textos antigos ou contemporâneos? Os textos foram produzidos em situações e contextos diferentes, cada qual com sua finalidade e os destinatários podem ser identificados, não é mesmo? O texto 1, por exemplo, foi elaborado com o objetivo de ensinar o leitor a inserir uma foto no ambiente on-line da Universidade de Uberaba. O texto 2 orienta usuários que trabalham em ambientes de rede. Já o texto 3 tem como objetivo informar aos alunos a alteração da data de uma palestra a pedido do conferen cista. E o texto 4 documenta observações ocorridas em uma aula prática em laboratório. Quanto aos possíveis leitores dos textos, você também pôde verificar que se trata de leitores diferenciados – universitários em geral, profissionais da área de informática, estudantes do curso de Engenharia Ambiental e professor de prática de laboratório. Quanto à veiculação, podemos perceber que os suportes são variados – In ternet, livros, portfólios, ficha de relatório. E, pelas palavras usadas, pelas as informações prestadas e suportes utilizados podemos inferir que esses textos foram produzidos na atualidade. Vale destacar que entre os textos alguns são mais formais e em outros a linguagem se apresenta mais informal. Isso significa que a forma como nos comunicamos varia conforme o momento e também conforme o que queremos informar ou dizer. Isto é, conforme a situação de comunicação. IMPORTANTE! 82 UNIUBE É praticando que as pessoas vão contribuindo para que essas formas passem a ser conhecidas de muitas outras pessoas; isto é, caiam em circulação no contexto da sociedade. Então, começam a ser reconhecidas como próprias de determinadas situações. À medida que existe a socialização dessas formas de fala e de escrita, e que vão sendo usadas e aceitas por grupos profissionais, familiares, acadêmicos, religiosos, vão se constituindo como gêneros textuais. Você deve ter percebido a importância que os textos desempenham nas situações de comunicação. A transformação social se relaciona intrinsecamente com a linguagem e esta será, na sequência, a nossa abordagem. Você também considera essa relação? PARADA OBRIGATÓRIA Entre as várias linguagens humanas, nas sociedades letradas, a linguagem ver bal ocupa um grande espaço no cotidiano das pessoas. É por meio da linguagem que conhecemos outras pessoas, fazemos outros negócios, estabelecemos no vos vínculos, defendemos nossos pontos de vista, mudamos de opinião acerca de determinado assunto. A comunicação verbal se faz presente no movimento de transformação da sociedade pelos homens. E, em consequência de todo esse movimento, comunicar adequadamente, em um número cada vez maior de situações, ganha importância no mundo contemporâneo. Não raras vezes, no mundo do trabalho, o sucesso das pessoas tem sido atribuído a sua capacidade co municativa: registrar descobertas, construir conhecimentos, expressar suas expectativas, difundir a ciência, a arte, a filosofia, a tecnologia, modificar o espaço, a história, manifestar seus sentimentos. Eis o homem: esse ser de linguagem. Diante disso, podemos afirmar que a leitura, a compreensão, a interpretação de diferentes textos, o domínio de técnicas de escrita, de diálogo contribuem para o desenvolvimento pessoal e profissional. O aprimoramento da fala e da escrita pode, sem dúvida, representar um UNIUBE 83 diferencial para quem pre tende manter-se ou ingressar no mercado de trabalho por suas habilidades e competências. Você concorda que esse aprimoramento contribui para a manutenção ou o ingresso no mundo de trabalho? Acredita que o profissional que investe em diferentes leituras e escritas poderá se sobressair entre os demais? 3.2 Situações comunicativas e a diversidade de gêneros textuais Acompanhe, com atenção, os exemplos a seguir. Em situações assim, com públicos de diferentes formações – uns empregados (encarregados) e outros, engenheiros (responsáveis pela produção), o profissio nal que mediará as reuniões há de considerar a necessidade de usos diferen tes de níveis de linguagem – informal em um dado momento, mais elaborada, fazendo usos inclusive de termos técnicos em outro momento. Ao escrever um relatório, o engenheiro, por exemplo, deve levar em consideração: a quem vai informar? O que necessariamente deve informar? Em que contexto está o leitor do relatório? Se, por exemplo, é o encarregado pela produção de um determinado setor ou se é para o engenheiro responsável pelo setor? Deve considerar também a finalidade de elaboração do referido relatório.Em reuniões para tratar do controle de produção. Primeiro, em um momento com os encarregados. Em seguida, em outro momento, com os engenheiros responsáveis de uma grande empresa. 84 UNIUBE A partir desses dois exemplos, podemos verificar que além da necessidade de usos diferentes de níveis de linguagem, os enunciados – organizados e agru pados – também têm objetivos diferenciados. No exemplo 1, os objetivos são de registros em um relatório. No exemplo 2, são de informação, de discussão para a melhoria na produção. Essas atividades se caracterizam por condições especiais de atuação e por objetivos específicos. Você compreendeu em que situações usamos diferentes níveis de linguagem? Percebeu que diariamente estamos expostos a essas situações? Certamente já tenha vivido isso em seu dia a dia. Então, pare e pense em uma situação do seu cotidiano em que isso tenha acontecido? É interessante você registrar a sua experiência. PARADA OBRIGATÓRIA Sendo inúmeras as situações de comunicação, em cada espaço da atividade humana desenvolvem-se tipos relativamente estáveis de textos que passam a ser comumente associados a determinadas situações. Mesmo variando em termos de extensão, conteúdo e estrutura, os textos conservam características comuns, constituindo-se em tipos relativamente estáveis, que os estudiosos da linguagem humana, denominam de gêneros de discurso (BAKHTIN, 2003). SINTETIZANDO... 3.3 Comunicação verbal, competência profissional e produtividade A escolha do gênero textual considera: Locutor Quem está produzindo o texto (seus interesses, seus sentimentos e sua capa cidade de expressão). UNIUBE 85 Interlocutor Para quem o texto está sendo produzido (Para a escola? Para o presidente da empresa? Do jornal? Em um concurso público?). Finalidade Com que finalidade o texto deverá ser produzido; (para ganhar uma nota? In formar um acontecimento importante? Entrar em uma concorrência? Apresentar um projeto? Atender a uma solicitação de um cliente?). Situação Em que momento (em um seminário científico? Em prova? No Tribunal? Na redação do jornal? Em uma reunião de negócio?). Suporte Onde o texto será veiculado (Na sala de aula? No âmbito da empresa? Em reuniões com o cliente?). Os gêneros textuais, de acordo com Bakthin (2003), estão ligados às esferas de circulação. Por exemplo: na universidade são comuns os relatórios de pesquisa, as resenhas, os resumos, os artigos científicos. No contexto das indústrias são comuns os relatórios de turnos, os avisos, as circulares, os projetos, os memo riais descritivos. A identificação dos mecanismos da linguagem, os quais expressam as intenções do autor e promovem a interação com as pessoas que lidam com esses textos, tornará mais produtiva as atividades que vamos desenvolver com a intenção de ampliar a capacidade de usar adequadamente esses textos em vista de uma efetiva comunicação com os interessados. Iniciaremos retomando o contexto profissional em que eles são utilizados. Muitas empresas, organizações e instituições estão pesquisando e investindo nas formas de comunicação como fator de entendimento e de produtividade entre os profissionais e as equipes de colaboradores. 86 UNIUBE As pesquisas têm apontado que o domínio da leitura e da escrita de uma mul tiplicidade de gêneros textuais poderá contribuir com o profissional em sua ati vidade cotidiana, proporcionando-lhe condições de atuar com mais habilidade e competência, uma vez que a comunicação se torna mais efetiva e clara entre os diversos segmentos organizacionais. Durante as SIPATs – Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho – muitas empresas têm acrescentado palestras e oficinas com profissionais da área de linguagem, para abordar a importância da comunicação adequada com o objetivo de melhorar e de asse gurar o desempenho multissetorial dentro das empresas e, consequentemente, garantir sua imagem e presença no mercado. As atividades profissionais envolvem as habilidades de falar e ouvir, de ler e escrever incluindo informações orais, documentos oficiais, avisos em murais, e-mails, textos legais entre outros. A capacidade de usar a linguagem de forma adequada, atingindo os objetivos propostos, nas mais variadas situações, tem sido a garantia de sucesso de muitas ações empresariais, independentemente do nível hierárquico ocupado pelo profissional na organização. Para Cateora e Graham (2009), o profissional deve aprimorar sua capacidade de comunicação oral e escrita se quiser ter sucesso no mundo atual, isso porque a exigência no mercado de trabalho está cada vez maior. Não se trata apenas de conhecer determinados conteúdos, de ter alguma experiência profissional. É necessário dominar os diferentes usos da linguagem no contexto profissional. IMPORTANTE! UNIUBE 87 Figura 1: Engenheiro, mestre de obra e pedreiro. Fonte: Acervo EAD – Uniube. Figura 2: Mural de avisos. Fonte: Acervo EAD – Uniube. Você, como futuro profissional, estará exposto(a) às variadas formas de comuni cação no seu dia a dia: • ao atender um outro profissional de sua área ou um cliente; • ao ler um aviso no mural da empresa; • ao preencher um relatório ou uma ordem de serviço; 88 UNIUBE • ao passar um e-mail, elaborar um ofício ou uma comunicação interna – o memorando, por exemplo; • ao redigir um projeto e apresentá-lo a uma equipe; • ao dar um parecer em serviços prestados à empresa ou ao analisar um projeto. Assim, para ampliar sua competência comunicativa, você deverá envolver-se em processos que contribuam para o desenvolvimento de suas habilidades comunicativas, relacionando-se com o outro, em situações diversificadas e por meio de uma variedade de suportes da linguagem: jornais, Internet, revistas especializadas, televisão, radiodifusão. O desenvolvimento das tecnologias da informação e da comunicação fez entrar na ordem do dia das escolas, das empresas públicas e privadas, das indústrias, dos jornais, enfim, da sociedade, as diferenças entre as regiões de um mesmo país e dos variados continentes. A lida com todos os meios tecnológicos, que possam agilizar a comunicação no mundo do trabalho, poderá resultar em uma economia de tempo e de energia e tornar-se mais eficaz quanto maior for a eficiência da comunicação entre os interlocutores de diferentes grupos, independente de hierarquia e dimensões cultural, econômica e social. Um olhar mais amplo das relações sociais e das suas possibilidades construtivas tem levado o homem contemporâneo a entender que a riqueza da humanidade encontra-se em sua diversidade. Texto para leitura “A Associação Brasileira de Educação em Engenharia – Abenge e a Escola Politécnica da Universidade de Pernambuco – Poli/UPE têm a honra de convidar a comunidade da engenharia (docentes, alunos, engenheiros e empresas) e demais profissionais afins para participar do 37º Congresso Brasileiro de Educação em Engenharia – Cobenge 2009.” UNIUBE 89 Mensagem dos presidentes O final do século XX foi marcado por transformações intensas no processo de desenvolvimento, exigindo mudanças intensas nos âmbitos empresariais, relações intergovernamentais, educacionais, entre outras. A intensificação das várias mídias e o desenvolvimento tecnológico trouxeram condições específicas nas relações interprofissionais e interpessoais que mudaram o contexto mundial. Até o início da década de 1990, o computador possuía grandes limitações; o telefone celular era novidade que se consolidaria somente na virada do milênio; o processo real de transformações tomava dimensões cuja velocidade de mudanças se intensificou de forma decisiva. O mundo plano, sem fronteiras, deixava de ser um sonho, tornando-se realidade. O Cobenge 2009, procurandodiscutir essas questões, traz consigo um grande desafio que é inserir o contexto da formação do engenheiro com esse cenário de fundo. Em apenas alguns meses, esse mundo plano, sem fronteiras, sofreu mudanças sensíveis, trazendo recessão e preocupações quanto ao mercado da engenharia no mercado nacional e internacional. Nesse aspecto, o Cobenge 2009 será o fórum privilegiado para as discussões sobre os aspectos de reais mudanças no sistema educacional. O Confea em seu Planejamento Estratégico 2009-2014 coloca como primeiro eixo temático a “Formação Profissional” conclamando um novo modelo de formação acadêmica. O tema do Cobenge 2009 é “Engenharia sem Fronteiras”. Esperamos contar com sua presença, pois será uma excelente oportunidade de atualização e congraçamento entre os profissionais, acadêmicos e estudantes na acolhedora cidade do Recife. Prof. João Sérgio Cordeiro – ABENGE Prof. Pedro de Alcântara Neto – POLI/UPE Fonte: Cordeiro e Alcântara Neto (2009). 90 UNIUBE Socializando a leitura Além de ter tomado conhecimento de que no Brasil se discute, há bastante tempo, a formação de engenheiros e a educação em engenharia, alguns outros detalhes nos chamaram a atenção ao ler o texto: • a autoria e emissão: o convite e a mensagem se originam de instituições sociais nacionalmente reconhecidas – uma universidade (POLI/UPE) e uma associação (ABENG), representadas pelos professores que subscrevem a Mensagem dos Presidentes. Os textos estão veiculados no sítio da Abenge, que pode ser visitado sistematicamente para que possamos acompanhar, caso seja do nosso interesse, os efeitos das mensagens produzidas, por exemplo: programação, participantes, publicação de trabalhos, propostas elaboradas, novas discussões sobre o tema. • o convite à participação de um evento é dirigido “à comunidade da enge nharia (docentes, alunos, engenheiros e empresas) e demais profissionais afins”. Embora se trate de um mesmo acontecimento, na mensagem os autores se dirigem de forma mais particularizada a cada um dos possíveis leitores – “Esperamos contar com sua presença”. Mas retoma o mesmo público do convite, logo em seguida: “... uma excelente oportunidade de atualização e congraçamento entre os profissionais, acadêmicos e estudantes na aco lhedora cidade do Recife”. • o objetivo do evento é pensar sobre a formação do engenheiro do século XXI – no qual as tecnologias da informação e comunicação podem fazer o sonho do “mundo plano, sem fronteiras” tornar-se uma realidade também na formação acadêmica e profissional. • o grande desafio que motivou a realização do 37º Congresso Brasileiro de Educação em Engenharia foi a discussão e a elaboração de proposta(s), em âmbito nacional, de um novo modelo de formação acadêmica dos engenheiros no século XXI UNIUBE 91 – “O Cobenge 2009, procurando discutir essas questões, traz consigo um grande desafio que é inserir o contexto da formação do engenheiro com esse cenário de fundo”. • no mesmo suporte comunicacional, no texto Mensagem dos Presidentes, se faz um convite – participar do 37º Cobenge – e uma conclamação, isto é, um clamoroso apelo aos profissionais da engenharia – assumam conosco a responsabilidade de formar o engenheiro do novo milênio. Podemos inferir, portanto, que os propositores e organizadores do Cobenge/2009 acreditam que: 1. há aspectos a serem aperfeiçoados na formação do engenheiro; 2. as universidades, enquanto instituições formadoras de profissionais, ainda não desfrutam satisfatoriamente das invenções e produções tecnológicas para a formação do engenheiro do novo milênio; 3. será necessário unir esforços acadêmicos e empresariais para formar o engenheiro que possa se inserir em um contexto internacionalizado; 4. as relações intergovernamentais, educacionais, interprofissionais e inter pessoais se constituem em fatores determinantes para os propósitos sejam alcançados. Concorda com essa leitura que fizemos dos textos? Há outros detalhes que você gostaria de comentar? Comente-os com seus colegas e com os professores, utilizando os recursos tecnológicos a que você tem acesso: e-mail, ambiente virtual de aprendizagem – AVA. Também pode aproveitar o endereço em que esse texto está disponível e procurar saber mais sobre outros eventos científicos. 92 UNIUBE Você tem planos para ampliar a sua competência comunicativa? Você deve estar certo(a) de como a leitura de um texto, inegavelmente, possibilita o acesso à informação nos campos econômico, científico, comercial, artístico e cultural. Lendo, ampliamos nosso vocabulário, a capacidade de fundamentar opiniões e de apresentar argumentos, de compreender questões técnicas e de entender a intenção do outro, isto é, ao ler, ampliamos nossa visão de mundo. DICAS Em busca da comunicação eficaz 3.4 A vivência de leitura contribui para a organização e a expressão do conheci mento. Uma vez que leitura e a escrita estão intimamente relacionadas, o leitor observador, crítico e reflexivo melhora a qualidade dos textos que produz. Vejamos alguns elementos de que não devemos abrir mão quando nos en contramos em uma situação de comunicação no exercício de uma profissão. Esses elementos podem e devem ser identificados nos textos orais e escritos que produzimos. São eles: • a objetividade e a concisão; • a clareza e a coesão; • a coerência e a adequação. a) A objetividade e a concisão No contexto profissional, entende-se como objetiva a comunicação na qual se evidencia com mais precisão, as razões pelas quais se está falando ou escrevendo. Ou seja, a expressão apresenta-se concisa e evitam-se informações ou recomendações repetitivas e desnecessárias. Ofício Forma de correspondência oficial trocada entre chefes ou dirigentes de empresas, órgão públicos, ou enviada a alguém de hierarquia superior dentro de uma mesma empresa pública ou privada. Tem como finalidade o tratamento de assuntos oficiais e utiliza-se, portanto, a variante formal, padrão, da linguagem verbal escrita. UNIUBE 93 “Conforme questionamento do Presidente da empresa, necessitamos alterar posição dos produtos no almoxarifado. Para isso, solicitamos de V. Sª orientações quanto à maneira mais indicada para dispor os objetos nas prateleiras.” Para um texto – oral ou escrito – ser considerado objetivo e conciso deve ser elaborado em função das informações a serem apresentadas com a maior objetividade e economia de palavras. Por exemplo, nele não se incluem de talhes que possam distrair o ouvinte ou o leitor; ou seja, não há excesso de palavras. Agora, compare com o parágrafo que se segue. Ele também foi retirado de um ofício. Você diria que ele pode ser considerado objetivo? “Conforme é do seu conhecimento, recebemos na última quinta-feira, a visita do Presidente da empresa. Considerando o questionamento feito por ele quanto à disposição vertical ou horizontal dos produtos no almoxarifado, vimos por meio deste solicitar que V. Sª entre em contato com a gerência de produção, para disponibilizar informações quanto à melhor forma de colocar os produtos nas prateleiras daquele setor que é fiscalizado todos os dias.” Observe o primeiro enunciado: “Conforme é do seu conhecimento, recebemos na última quinta-feira, a visita do Presidente da empresa” – se já era de conheci mento do interlocutor, seria necessário dizê-lo? A ordem dos aspectos enumera dos, no segundo enunciado, também pode dificultar a compreensão do que está sendo solicitado. A inversão dos termos, os enunciados longos comprometem a objetividade da comunicação Vamos tentar reescrever esse parágrafo e depois compararmos para ver o que conseguimos: Veja o exemplo a seguir, retirado de um ofício enviado ao gerente de produção deuma empresa. 94 UNIUBE “Em visita a este setor, na última quinta-feira, o Presidente da empresa questionou-nos acerca da disposição dos produtos no almoxarifado. Vimos solicitar a Vossa Senhoria a gentileza de nos orientar quanto à melhor forma de dispor os produtos nas prateleiras.” Quando há objetividade, o interlocutor pode acompanhar o sentido das afirma ções, dos argumentos ou das solicitações. Ele poderá prosseguir, com segu rança, no raciocínio, nas tomadas de decisões e agir para a continuidade do processo de trabalho. Para um texto ser objetivo e conciso é preciso que sejam eliminadas todas as redundâncias, detalhes excessivos e expressões clichês. Isso significa passar as informações com um mínimo de palavras, porém com o máximo de precisão. SINTETIZANDO... b) A clareza e a coesão A pesquisadora Leonor Fávero (1995, p. 7) afirma que “o texto consiste em qualquer passagem falada ou escrita que forma um todo significativo indepen dentemente de sua extensão”. Então, um texto não se constitui pela somatória ou acúmulo de enunciados ou frases. Uma fala ou uma escrita só se constitui em um todo significativo em relação à situação em que foi pronunciada ou escrita. Se alguém grita “Socorro!”, ligamos essa fala a uma situação de perigo. Ela se torna, portanto, uma informação. Há nela um alerta, um pedido de ajuda. Assim, mesmo composto apenas de uma palavra, podemos afirmar que “Socorro!”, nessa situação, se constitui em um TEXTO. SINTETIZANDO... UNIUBE 95 É por meio de textos que o homem se comunica. E, para que se estabeleça a objetividade na comunicação, é preciso que as informações sejam organizadas de tal forma que o leitor ou o ouvinte possam identificar a ordem dos fatos, dos acontecimentos e ações ou, ainda, a construção de um raciocínio (MARTINS e ZILBERKNOP, 2007). Os estudiosos Halliday e Hasan (1976) afirmam que o que permite determinar se um conjunto de sentenças constitui ou não um texto são as relações coesivas entre as sentenças, responsáveis pela textura. Para eles, a coesão é respon sável pelo estabelecimento de sentido entre os enunciados que compõem o texto – oral ou escrito. Assim como o tecido é fruto de uma junção de fios que vão se interligando, o texto também resulta de componentes que, interligados, ganham sentido. Podemos afirmar que quando o encadeamento dos enunciados é significativo, existe coesão. A coesão permite ao ouvinte e ao leitor agilidade na compreensão das ideias. Muitos são os elementos que marcam esses encadeamentos. Vejamos: • a entonação, as pausas, os silêncios, muitas vezes associados à expressão facial e aos gestos, quando a comunicação é face a face, são elementos de coesão na comunicação oral. Alguma vez já reparou em alguém que passa por você todos os dias? Você já sentiu vontade de cumprimentar essa pessoa embora não a conhecesse? A expressão facial dessa pessoa pode ter provocado em você a vontade de expressar oralmente por meio de um cumprimento ou uma atitude que verbalize a empatia que você sentiu por ela. Pense, ainda, em uma situação no elevador. Possivelmente, um sorriso poderá desencadear uma manifestação verbal. Os encadeamentos na comunicação oral podem, inclusive, motivar manifestações verbais capazes de desencadear amizades, informações, solidariedade. EXEMPLIFICANDO! 96 UNIUBE • as conjunções (mas, também, porém, contudo, ainda que, enquanto, tanto que, e, ou, quando, porque); os indicadores de tempo e de espaço (antes, depois, então, ao lado, acima, em frente, a seguir, entre outros); as formas verbais de passado, presente ou de futuro; a combinação dos tempos verbais; os marcadores de gênero (masculino e feminino) e de número (singular e plural); os itens (os títulos e subtítulos); e os sinais de pontuação são elementos linguísticos que estabelecem a coesão, isto é, a conexão entre termos, ideias, e contribuem para que o texto oral ou escrito tenha progressão e se constitua em um todo significativo. Você percebeu que há muitos elementos que possibilitam o encadeamento entre as ideias em um texto? Aplique esses conhecimentos em suas observações. Se você optar pela comunicação oral, atente-se para os elementos que foram apresentados. Caso você prefira analisar uma comunicação escrita, releia a abordagem anterior para, em seguida, selecionar algum texto. Após a seleção do texto, assinale todos os elementos que marcam conexão entre os termos. Lembre- se de observar todos os sinais de pontuação utilizados. Por meio dessas observações você pode, também, aprofundar os seus conhecimentos acerca da produção textual. PARADA OBRIGATÓRIA Verifique que todos esses elementos e outros que veremos na prática de leitura dos textos auxiliam na organização textual e podem garantir a clareza, a coesão e, assim, possibilitar a compreensão do comunicado por parte dos seus ouvintes e leitores. SINTETIZANDO... UNIUBE 97 c) A coerência e a adequação Os textos são produzidos a partir de diferentes intenções. Entre elas podemos destacar: informar, explicar, programar, orientar, convencer, discordar, ordenar, direcionar, esclarecer, pedir, motivar ações, provocar reações, entre outros atos que se realizam na e pela linguagem. Os textos podem ser constituídos de uma palavra, linhas e pontos, um enunciado ou um gesto. A linguagem humana é rica em signos (sinais significativos). Com esses signos construímos o texto, isto é, uma unidade de sentido produzida com uma de terminada intenção e, por isso mesmo, somente se realiza em uma dada situação. O texto é, portanto, um todo organizado. Os estudiosos da pedagogia da imagem afirmam que o que nós vemos e lemos vale mais do que é apenas lido. Você concorda com esse raciocínio? “USO OBRIGATÓRIO DE CAPACETE” “ALTA TENSÃO” “PROIBIDO TRANSITAR” Pense em um aviso, colocado na porta de uma casa de máquinas, “ALTA TEN SÃO”, em um “PROIBIDO TRANSITAR”, ou nas letras “M” e “F” nas portas de banheiros no hall de um restaurante. E “USO OBRIGATÓRIO DE CAPACETE” e, ainda, em uma planta industrial nas mãos do encarregado da obra. 98 UNIUBE Todas as formas apresentadas têm sentido no contexto em que foram utilizadas? E o que faz com que elas tenham sentido? Seria a relação que cada uma mantém com o local em que estão expostas? Seria a capacidade do leitor para compreender a inten ção de cada uma nesses locais? Pode ser, ainda, por todas essas razões juntas? Observe que estamos relacionando essas formas verbais com o ambiente dos usuários do restaurante ou de uma fábrica, por exemplo. Elas têm sentido por que se relacionam com o conhecimento de mundo de cada um desses usuários: eles conhecem a língua portuguesa, têm consciência do perigo de uma rede elétrica de alta tensão ou dos deveres de se respeitar as indicações em um campo de trabalho. Por isso essas formas têm o que chamamos de coerência. Elas se ajustam àquelas situações de comunicação. É compreensível que seja obrigatório o uso de capacete em uma obra da construção civil, por exemplo. Assim como a leitura da planta industrial pelo encarregado da obra faz sentido se ele vai exercer ali suas funções. Mas, quando tratamos de textos mais complexos, por exemplo: textos legais, comunicação oficial, um relatório ou memorial descritivo, um projeto de expansão de um negócio ou um projeto de pesquisa, a organização do texto pode requerer mais informações, maior detalhamento de suas fases, ilustrações, demonstra ções em gráficos e dados estatísticos para que se tornem compreensíveis. Um projeto, um memorial ou um relatório têm uma organização em partes: uma introdução, um desenvolvimento e uma conclusão. Podem, ainda, conter um título, subtítulos, tabelas, gravuras, gráficos e notas explicativas. Quando todos os elementos dotexto estão coerentes, todas as ideias expostas apresentam conexão. Eles nos possibilitam compreender a sua mensagem, o seu sentido, com maior facilidade (KOCH, 1998). UNIUBE 99 Assim, quando uma sequência de enunciados (de dados ou de explicações e argumentos) não nos permite compreender as informações ali contidas, quando ela destoa do nosso conhecimento de mundo, costumamos afirmar que o texto está incoerente em seu todo ou em partes. SINTETIZANDO... As dimensões verbal e não verbal em um texto3.5 A imagem (linguagem não verbal) também informa e comunica. Por meio de tra ços, linhas, cores, podemos produzir um texto. Utilizada junto com a linguagem verbal, a imagem contribui para um maior efeito de sentido. No contexto da tecnologia, não se pode descartar o uso das imagens em todas as áreas de atuação, pois o desenho técnico, a fotografia, os gráficos, as tabelas, entre outros, são muito importantes em um projeto de engenharia. Os elementos, nesse contexto, podem ser inseridos no corpo do texto ou em anexo. O fato é que, na construção civil, na arquitetura, na indústria, em geral, produção moveleira, eletrônica, entre outras, as imagens fazem a diferença para a compreensão dos dados. Segundo Bazzo e Pereira (2006, p. 67): “é só verificar alguns trabalhos de engenharia para se perceber que dificilmente deles não constarão esquemas, plantas, esboços, vistas em perspectivas, explodidas, cortes, cotas, dimensões etc.”. De fato, é muito relevante a visualização espacial associada à descrição em projetos arquitetônicos, urbanização, contribuindo para a segurança e qualidade do trabalho dos profissionais que executam a obra ou o serviço. Nesse sentido, a imagem torna-se uma fonte de informação a partir da qual se pode descrever ou relatar os detalhes para fins de orçamento, aprovação dos serviços pelo cliente. 100 UNIUBE O importante não é a ilustração em si, mas o entendimento que a imagem propicia ao leitor do texto técnico, relacionando os diversos componentes da comunicação, tornando-se, dessa forma, mais um mecanismo de coesão e de interação no todo comunicativo. A habilidade de utilizar a imagem nos diversos gêneros textuais no mundo do trabalho deve estar associada às habilidades de observar detalhes e descrever verbalmente, em linguagem técnica, os espaços e os objetos. Nessa circunstân cia, podemos afirmar que a expressão verbal e a ilustração se complementam, formando um novo texto. Observe atentamente a Figura 3, a seguir. Nesse texto observa-se que o desenho e a escrita são necessários para que seja lido, compreendido e interpretado pelo responsável pela execução da obra. Todos os detalhes, linhas, pontos, sombreamentos precisam ser considerados a fim de que a obra seja executada conforme foi planejada. UNIUBE 101 Figura 3: Planta residencial. 102 UNIUBE Idealizar, projetar e executar atividades nas áreas de tecnologia envolvem um conjunto de escolhas e de critérios coesos e coerentes. Também a leitura desse projeto exige do leitor habilidades de percepção, observação, análise e compreensão. Essas habilidades são sucessivamente ampliadas na medida em que as pessoas se envolvem em atividades que exigem a prática da leitura e da produção desses gêneros textuais. SINTETIZANDO... O desenho que é lido, em um projeto, não é imagem pura, descontextualizada, simplesmente na sua materialidade intrínseca; mas a expressão de uma ideia projetada. IMPORTANTE! Quando se tratar de imagens técnicas, Bazzo e Pereira (2006, p. 68) aconselham que o desenho “seja realizado de acordo com as normas, com hachuras, cortes, cotas, concordâncias de linhas, legendas, especificações etc.”. Observe a Figura 4 a seguir. Atente para todos os detalhes. Temos nesse qua dro a comparação de uma construção com fundação adequada e outra não. A projeção das linhas retas e das linhas inclinadas nos permite a visualização do contraste entre as construções. Associando o desenho aos textos verbais, deduzimos a necessidade de se executar devidamente a fundação em obras da construção civil. Outro texto de ampla circulação social, próprio de manuais que acompanham os aparelhos eletroeletrônicos, é o texto descritivo, em que se conjugam a lin guagem verbal e não verbal. Leia o texto que se segue. Você percebeu como a linguagem não verbal e a linguagem verbal se comple mentam? Observe a imagem, os números e as setas. Em seguida, verifique cada número e, simultaneamente, as suas especificações. UNIUBE 103 Figura 4: Importância da fundação. Fonte: Adaptado de VIANA (2004, p. 19), acervo EAD – Uniube. Figura 5: Parte posterior de um computador de mesa. Fonte: Paiva (2009). Dispositivos e conectores na parte posterior de um desktop com gabinete do tipo "torre" (acervo do autor). 1 - Botão liga/desliga da fonte de alimentação de energia. 2 - Conector para o cabo de alimentação elétrica do computador. 3 - Ventoinha para refrigeração da fonte de alimentação de energia. 4 - Portas PS/2 para conexão do teclado e do mouse. 5 - Porta serial. 6 - Porta paralela (para conexão de impressora ou outros dispositivos), 7 - Saída de vídeo. 8 - Portas USB. 9 - Porta Ethernet (para conexão do computador em rede). 10- Entrada para microfone, porta de saída de áudio e entrada auxiliar de áudio. 104 UNIUBE Atualmente, a obtenção digital de imagens, por meio da computação gráfica, vem sendo utilizada em larga escala: na área tecnológica, médica, educacional. Back (1993) afirma que a associação do processamento dos cálculos ao tratamento das imagens feitas no computador pode melhorar sensivelmente o produto final, em quaisquer áreas de conhecimento. 3.6 A expressão verbal na redação oficial, projetos e memoriais Vamos, agora, observar como se organiza cada um desses gêneros textuais no universo da comunicação tecnológica. Um dos aspectos importantes nos textos técnicos é a terminologia específica de cada campo profissional. Já vimos que o objetivo de um texto técnico é fornecer uma informação com objetividade, clareza, concisão e coerência, de modo que a compreensão possa ser universal, ou seja: todas as pessoas daquele campo de trabalho podem ter a compreensão do objeto apresentado. Assim, adota -se para uso a linguagem padrão ou norma culta, harmonizando -a à situação de comunicação, isto é, aos interlocutores e ao gênero textual. 3.6.1 A redação oficial A formalidade pode estar presente em diferentes situações de interação, po dendo ser: • interinstitucional (de empresa para empresa); • de pessoa jurídica para pessoa física (e vice e versa); • ou ainda ocorrer no interior da própria empresa, por meio das comunicações • internas, por exemplo, instruções normativas, relatórios, memorandos, requi sição de material, entre outras formas. A redação oficial é aquela que se produz entre a administração privada – empreen dimentos particulares, ou órgãos públicos entre si – municipal, estadual, ou federal (MARTINS; ZILBERKNOP, 2007). De um lado, UNIUBE 105 existe a organização e, de outro, o usuário de seus serviços. Assim, o profissional que atua em diferentes áreas precisa ter domínio da expressão verbal adequada às diferentes situações comunicativas, a fim de manter, com eficiência, as relações internas e externas à organização. Se a linguagem utilizada não está ao alcance de um dos interlocutores, a co municação não se efetiva. Figura 6: Problemas na comunicação. Fonte: Acervo EAD – Uniube. Figura 7: Problemas na comunicação. Fonte: Acervo EAD – Uniube. 106 UNIUBE Nas figuras, observamos que há problemas de comunicação. Na primeira, pode ser que os termos utilizados pela telefonista não sejam do conhecimento do interlocutor ou a situaçãocomunicativa é por ele desconhecida. Na segunda situação, pode ser que o locutor que está proferindo a palestra esteja utilizando termos que não são do conhecimento de dois dos três interlocutores. IMPORTANTE! Tanto na oralidade quanto na escrita, corre-se o risco de atribuir um significado inadequado a um termo ou expressão. Isso pode levar a resultados inesperados. Em uma organização, o uso da linguagem poderá estabelecer um diferencial – o de melhor resultado para aquele que apresentar um domínio maior nas duas modalidades. A começar, por exemplo, na contratação, desenvolvimento e manutenção dos acordos e serviços, há uma série de documentação exigida por lei e que com prova os compromissos profissionais. Entretanto, muitas organizações, no ato da contratação de um profissional, acrescentam à identificação pessoal – curriculum vitae – uma prova escrita e uma entrevista. A primeira, com o objetivo de avaliar a sua capacidade na elaboração de um texto escrito, em uma linguagem formal, técnica; e a segunda, na intenção de conhecer o seu desempenho ao usar a língua falada. Nessa perspectiva, a competência em fazer uso da linguagem, em diferentes situações, é fundamental. Em uma organização, tanto na modalidade oral quanto na modalidade escrita não podem existir os ruídos na comunicação. Os equívocos no entendimento de qualquer mensagem poderão desencadear alteração nos resultados esperados. IMPORTANTE! UNIUBE 107 As habilidades de comunicação constituem-se em uma das mais importantes competências para o profissional interagir nos mais variados setores e com públicos diferenciados. Nem sempre podemos usar o mesmo tipo de linguagem. Por exemplo: na lin guagem técnica precisamos ser mais objetivos, evitar metáforas, entre outros aspectos, como veremos a seguir. A linguagem técnica deve ser clara, precisa e objetiva para não causar efeitos de sentido diversos que comprometam os procedimentos, as ações ou os ex perimentos em uma organização. Cada termo, cada expressão, cada enunciado deve ser utilizado no seu sentido mais restrito, evitando diferentes interpretações. Segundo Bazzo e Pereira (2006, p. 54), a linguagem precisa ser: [...] objetiva e precisa, devendo evitar-se o uso exagerado de expressões de reserva ou ressalva. Expressões do tipo: “é provável que”, “possivelmente”, devem ser usadas com co nhecimento, e apenas onde for estritamente necessário, pois elas podem ser interpretadas por quem as lê como pontos de dúvida do profissional. Comparemos dois enunciados: A - “O cômodo era ventilado, claro e bem grande.” B - “Trata-se de um cômodo de 5,5 m de largura e 10 m de comprimento, e pé direito de 3 m, com laje, contendo uma porta de 1,5 m e quatro janelas de 1,80 x 1,5 m sendo uma em cada parede, permitindo grande circulação de ar e mantendo a entrada da luz natural durante a manhã e à tarde.” Pela primeira descrição, podemos fazer uma imagem ideal do cômodo. Mas, pela segunda, chegaremos a uma imagem mais concreta do objeto que está sendo descrito. Tecnicamente é importante a precisão das medidas, detalhes que permitem a projeção de outras interferências profissionais nesse cômodo, por exemplo, saber que tipo de mobiliário pode ser ali utilizado. 108 UNIUBE Assim, com o objetivo de aperfeiçoar o vocabulário técnico, o profissional deve fazer frequentes leituras acadêmicas e científicas, bem como consultar dicionários, periódicos, para se acostumar às construções sintáticas e infor mações especializadas na referida área. Já vimos que existem gêneros textuais que são mais utilizados em determinados campos de atuação. A seguir, vamos abordar dois gêneros: o projeto e o memorial descritivo, suas funções, uma vez que são muito utilizados pelos profissionais na área tecnológica. 3.6.2 O projeto A organização textual de um projeto é basicamente a mesma em todas as áreas do conhecimento. Contudo, as diferenças ou variantes desse gênero textual podem estar na especificidade da terminologia técnica de cada área de atua ção, nas fontes de dados, nos documentos utilizados, nas ações e interações propostas e, ainda, na função social dos sujeitos da comunicação. Em sua casa, você já vivenciou situações-problema em relação a um entupimento no esgoto? Ou a alguma instalação elétrica? Ou a uma instalação de rede em seu computador? Diante dessas situações, você teve que fazer algum planejamento para fazer alguma interferência? Elaborou algum projeto ou teve que chamar algum profissional para isso? PARADA OBRIGATÓRIA Então, o que é um projeto? É um gênero textual que circula no meio científico, acadêmico e empresarial. Quem elabora um projeto quer dar a conhecer um propósito e um conjunto de procedimentos ou de atividades relacionadas entre si, que vão levar ao alcance daquele propósito, ou seja, dos objetivos UNIUBE 109 previamente determinados, dentro de um dado período de tempo e nos limites de um orçamento. Isso significa dizer que um projeto é a concretização de uma ideia, capaz de gerar um resultado, conforme os objetivos estabelecidos. Acompanhe, a seguir, a organização de um projeto. a) Delimitação e apresentação do problema ou introdução O projeto é um documento elaborado a partir, por exemplo, de uma necessidade de consumo ou de uma busca de soluções frente a uma situação-problema, ou que pode, ainda, oferecer melhoras em produtos e serviços ou propor inovações, alterações e novas mercadorias. Referimos a essa fase do projeto como: delimitação e apresentação do problema e seu contexto; ou problematização/problemática; ou considerações prelimina res da situação-problema; delimitação do objeto ou, simplesmente, “introdução/ apresentação”, como preferem os estudiosos de metodologia, por exemplo, Severino (2002). Vamos ver, a seguir, dois exemplos de situação-problema. Exemplo com pergunta indireta (sem interrogação) Introdução Durante o mês de março, o departamento de produção de novos modelos e necessidades de eletrodomésticos não apresentou nenhuma novidade para ser comercializada em 2008, na Organização A. Considerando que o mercado se encontra extremamente competitivo, necessita-se implementar novos produtos para serem divulgados até 60 dias antes da comemoração do Dia das Mães, para assegurar o aumento das vendas. Assim, propõe-se responder à administração de recursos financeiros e investimentos qual o melhor produto a inovar ou novas ideias a serem colocadas no mercado entre o Carnaval e a Semana Santa, para comercialização no final de abril, início de maio. EXEMPLIFICANDO! 110 UNIUBE A apresentação do problema foi feita por meio de uma pergunta indireta, ou seja, não há ponto de interrogação. Trata-se de uma forma de elaboração muito utilizada em diferentes projetos. O que deve ser considerado é a clareza na ela boração da problemática. Veja que o autor utilizou Introdução, para apresentar o problema e, por meio de uma linguagem objetiva, contextualiza a situação da Organização A, mostrando, inclusive, a necessidade de novos produtos no mercado, por ocasião do dia das mães. Exemplo com pergunta direta Marco referencial das questões e conflitos da engenharia de segurança do trabalho na Empresa X Atualmente, a empresa necessita rever seus esquemas de segurança, pois estão acontecendo muitos acidentes, principalmente em relação à construção civil e produção de equipamentos eletro/eletrônicos pesados. Nesse cenário, pergunta-se: o que deve ser alterado, melhorado ou até mesmo eliminado, para que os acidentes nesses dois ramos da engenharia possam ser erradicados? EXEMPLIFICANDO! Nesse exemplo, o problema é apresentado por meio de uma pergunta direta. Essa forma de elaboração também é muito utilizada nos diferentes campos pro fissionais. Observe,ainda, que o autor preferiu um título à palavra Introdução, para iniciar a elaboração do projeto. Durante essa fase do projeto, procura-se responder à seguinte pergunta: como descrever o marco referencial do problema/necessidade? Nesse momento, relata-se, detalhadamente, em uma empresa: • o que não está satisfatório; • ou o que pode ser melhorado; • ou que pode ser inovado, apresentando argumentos sustentáveis. UNIUBE 111 Costuma-se, ainda, justificar a relevância do projeto, com base em outras situa ções de estudiosos que obtiveram sucesso em circunstâncias similares. b) Os objetivos Os objetivos revelam o que se quer alcançar com a implementação do projeto. Uma vez definido o problema, apresentam-se os objetivos ou as metas a serem alcançadas gradativamente até chegar à solução do problema. Eles podem ser subdivididos em geral e específicos. Os objetivos procuram, além da solução, a excelência no empreendimento. Exemplo 1 Objetivo geral • Aumentar as vendas nas filiais mineiras da Organização A até o dia das mães de 2008, por meio de um produto mais adequado a ser inovado/ aperfeiçoado ou por meio de novas mercadorias a serem colocadas no mercado. Objetivos específicos • Analisar as propostas apresentadas. • Aprovar a produção escolhida. • Fabricar um outro produto ou alterar algum modelo já existente. • Divulgar, com antecedência, o novo produto ou modelo. EXEMPLIFICANDO! Observe que o objetivo geral está ligado a uma visão global e abrangente do tema. Ele é alcançado na medida em que os objetivos específicos gradativa mente forem alcançados. Isso significa que só haverá um aumento nas vendas depois de analisadas as propostas dos produtos, de aprovado e fabricado o produto e de divulgada a mercadoria. 112 UNIUBE Exemplo 2 Objetivos 1. Fazer um diagnóstico das causas dos acidentes ocorridos nas áreas a serem melhoradas. 2. Implementar novas ações e treinamento para a consolidação de um esquema eficiente de segurança do trabalho nas empresas voltadas para esses dois ramos – construção civil e engenharia elétrica – monitoradas pela Empresa X. 3. Acompanhar a implantação e domínio das novas propostas de segurança voltadas para a prevenção, concentração e respeito às normas de segurança. 4. Avaliar o projeto mensalmente ou toda vez que houver algum risco ou perigo oferecido ao empreendimento. EXEMPLIFICANDO! Perceba que os objetivos, no exemplo 2, não foram desdobrados em: geral e es pecíficos. Nem sempre é necessário desdobrá-los, o que irá depender de como a empresa detalha seus projetos, registrando-os em algum manual de procedimentos metodológicos ou apreendendo-os no cotidiano da profissão. Todavia, o que se busca ao propor objetivos é informar “para que” o projeto está destinado. Verifique, ainda, que tanto no exemplo 1 quanto no exemplo 2, os objetivos foram elaborados com verbos que indicam ação: aumentar, aprovar, analisar, fabricar, ampliar, divulgar, fazer, implementar, acompanhar, avaliar. Isso porque, ao elaborar um objetivo, estamos informando o motivo para o qual o projeto está sendo elaborado e as ações necessárias para que ele se efetive. Outros verbos também podem ser utilizados na elaboração de objetivos, como: aumentar, aprovar, diminuir, reduzir, contribuir, assegurar, incrementar, obter, fabricar, dotar, incorporar, demonstrar, propiciar, fomentar, desenvolver, em pregar, estruturar, operar, melhorar, produzir, propor, definir, preparar, habilitar, entre outros. UNIUBE 113 c) A metodologia Existe, ainda, a apresentação dos procedimentos para se alcançar os objetivos, conhecida como metodologia. Nesse momento, descreve-se detalhadamente o material ou por amostragem, que garanta a qualidade dos processos, bem como todas as etapas e estratégias a serem desenvolvidas para alcançar os objetivos estabelecidos. A metodologia responde ao “como”; “de que maneira”, “com quais meios” se desenvolverá o projeto para obter sucesso e chegar ao que se propõe modificar, inovar ou melhorar. Exemplo Procedimentos metodológicos Inicialmente será comunicada, ao departamento de criação e design, a necessidade de inovações, mercadorias diferenciadas e atrativas, a serem disponibilizadas urgentemente no mercado, de modo a atender aos anseios do mercado consumidor do Dia das Mães. Em seguida, será colhida a lista de propostas dentro de 15 dias a contar do dia 14/01/2008, para serem analisadas pelo departamento de marketing, administrativo e financeiro em uma reunião em que os projetistas terão oportunidade de apresentar suas ideias em 15/02/2008, apenas para aquelas que foram previamente aprovadas. Tão logo sejam aprovadas as formalidades do processo, a equipe estabelecerá uma linha de montagem para a nova ideia, no prazo de 48 horas, inclusive com esquemas de horas adicionais, se necessárias. Depois de produzidas as novas peças, o departamento responsável pelo controle de qualidade testará as mercadorias fabricadas, antes de serem EXEMPLIFICANDO! 114 UNIUBE empacotadas para assegurar sua qualidade ao consumidor, inclusive quanto ao manual de instruções. Uma vez assegurados os estoques, o setor de marketing e publicidade divulgará a mercadoria e analisará o retorno financeiro para decisão de sua produtividade futura. No exemplo, foram apontadas as estratégias necessárias para se alcançar os objetivos. Primeiro comunica-se a necessidade; depois faz-se um levantamento de propostas para serem analisadas; é traçada, posteriormente, uma linha de montagem; realiza-se o teste no produto, acrescentando o manual de instruções; faz-se a divulgação do produto; e, por último, avalia os resultados em relação ao retorno financeiro. Na metodologia, todos os procedimentos técnicos são descritos, a fim de assegurar a realização das atividades. d) O cronograma Em um projeto, deve-se apresentar o cronograma detalhado de como será aplicada a metodologia, para facilitar a composição da aplicação do plano de trabalho e a apuração dos resultados. O cronograma é um documento em que se destaca cada procedimento do projeto em relação ao período de tempo em que o empreendimento será desenvolvido. IMPORTANTE! Há, no cronograma, a disposição gráfica das datas em que as atividades vão acontecer, permitindo acompanhar a sequência dessas atividades. Exemplo UNIUBE 115 O cronograma traz sistematizadas as datas em que as atividades vão acontecer. Esse planejamento contribui para o acompanhamento das atividades que devem ser realizadas. Os dados podem ou não ser dispostos. Há uma flexibilidade na organização, desde que as informações referentes às datas sejam rigorosamente apresentadas. e) Orçamento Nessa parte do projeto, são apresentados todos os gastos, indicando como e quando serão gastos os recursos. Há, no orçamento, uma descrição detalhada de todos os custos materiais e humanos. f) Os resultados À medida que se desenvolvem as atividades previstas, o profissional responsável precisa manter a comunicação sistemática dos resultados. Dessa maneira, no projeto deverão constar as alternativas para os problemas que poderão surgir em cada uma das fases de execução do projeto. 116 UNIUBE Nesse caso, utiliza-se, preferencialmente o memorial descritivo, quando se tratar de um registro a ser apresentado à empresa/instituição. O memorial deverá descrever detalhadamente cada fase da execução do pro jeto, considerando: • recursos humanos e materiais; • custos; • período de execução; • ocorrências diversas. Esse memorial deverá compor os arquivos da empresa ou instituição, pois deverá ser consultado e servir para redimensionar as fases consecutivas, garantindo a qualidade dos serviços e os prazos estabelecidos no contratode execução. IMPORTANTE! Apresentamos a seguir, as orientações para elaboração do memorial descritivo. 3.6.3 O memorial descritivo Sempre que há um projeto, é necessário que haja uma forma de acompanhar e avaliar os resultados e sua contribuição para a melhoria das organizações. Assim, é necessária uma avaliação para se responder em que nível de satisfação se chegou com o implemento das novas ideias ou da solução do problema. Dito de outra forma, a organização procura resposta para a seguinte, indagação: “quais os resultados obtidos?”. Nesse momento, descreve-se o que se alcançou com o projeto, discutindo pontos positivos e negativos, bem como as vantagens ou desvantagens em manter o projeto, mesmo aperfeiçoando seus processos e materiais. UNIUBE 117 Em todo projeto (profissional ou mesmo acadêmico), há o momento de sua co municação aos responsáveis pelo empreendimento que é normalmente quem aplica o capital a ser investido pela empresa. Nessa fase, geralmente o enge nheiro utiliza o memorial descritivo que deve conter, segundo Bazzo e Pereira (2006, p. 90), entre outros, os seguintes elementos: • objetivos, funções e localização de cada uma das partes componentes do projeto; • características básicas da solução final, informando as pro priedades requeridas para os materiais especificados; • indicação de valores previstos para os parâmetros e variá veis envolvidas, fazendo referências às particularidades que deverão ser observadas quando da recepção dos materiais e componentes; • detalhes construtivos e operacionais; • ilustração detalhada de imagens essenciais à confirmação da qualidade do processo ou exigidas por lei ou pela própria empresa. Em linhas gerais, o memorial descritivo segue um cronograma de informações e apresentação gradativo (quando? em que período?) – preferencialmente na ordem em que os eventos aconteceram – seguindo, sempre, as exigências do empreendimento que devem ser respeitadas pelo profissional para padronização da qualidade. No memorial podem estar circunscritas as características básicas do desfecho dos processos, bem como apresentação e justificativa das falhas, os procedi mentos para sua correção. Além disso, podem constar detalhes operacionais e estratégicos, descrição das técnicas, materiais, critérios para cálculos, simbo logia, entre outros. Estamos tratando de memorial descritivo. Mas, o que significa descrever? 118 UNIUBE O ato de descrever, segundo Martins e Zilberknop (2007, p. 108), implica as seguintes posturas profissionais: [...] com relação ao aspecto formal da descrição, devem-se evitar os verbos e, se isso não for possível, que se unam então as formas nominais, o presente e o pretérito imperfeito, dando -se sempre preferência para verbos que indiquem estados ou fenômenos. Na descrição, geralmente o ato de fala se volta para a enumeração de características e detalhes técnicos e gerais dos mais diversos elementos presentes na natureza e nas profissões, tais como: recursos humanos (cargos e atribuições), objeto, local, procedimentos, materiais, entre outros. Dessa forma, pode-se utilizar o emprego dos adjetivos e advérbios, inclusive sob a forma de orações, com conectores para melhor consistência textual e, assim, detalhar o que se quer especificar na descrição. Veja o exemplo a seguir. Este pequeno objeto que agora descrevemos encontra-se sobre uma mesa de escritório e sua função é a de prender folhas de papel. Tem o formato semelhante ao de uma torre de igreja. É constituído por um único fio metálico que, dando duas voltas sobre si mesmo, assume a configuração de dois desenhos (um dentro do outro), cada um deles apresentando uma forma específica. Essa forma é composta por duas figuras geométricas: um retângulo cujo lado maior apresenta aproximadamente três centímetros e um lado menor de cerca de um centímetro e meio; um de seus lados menores é, ao mesmo tempo, a base de um triângulo equilátero, o que acaba por torná-lo um objeto literalmente pontiagudo. O material metálico de que é feito confere-lhe um peso insignificante. Por ser niquelado, apresenta um brilho suave. Prendemos as folhas de papel fazendo com elas se encaixem no meio dele. EXEMPLIFICANDO! UNIUBE 119 Está presente em todos os escritórios ou locais onde seja necessário separar folhas em blocos diferenciados. Embora aparentemente insignificante, dadas as suas reduzidas dimensões é muito útil na organização de papéis. Fonte: Granatic (1995). Observe que a descrição anterior apresenta detalhadamente um clipe – objeto de muita utilidade para pessoas que estão envolvidas com a organização de papéis. Verifique que, no texto, são usados adjetivos e comparações que podem facilitar a sua visualização, detalhando o objeto descrito. Salientamos que cada pessoa irá descrever a obra em construção atentando -se para os seus detalhes. Isso significa dizer que haverá textos diferentes. Isso porque cada um irá descrevê-la de acordo com o seu ponto de vista, a sua bagagem cultural e domínio da língua materna, inclusive considerando os aspectos técnicos de sua profissão. Leia uma descrição resumida dessa obra. Trata-se de uma construção civil em fase final de acabamento. A casa de alvenaria, cuja entrada principal está no centro da edificação, dividindo a fachada exatamente ao meio, possui um porão à direita e abaixo de uma janela. Há dois pavimentos e o acesso entre eles é por uma escada de madeira, com corrimão, ao final à direita. Possui três janelas frontais, feitas de madeira. A construção está parcialmente descoberta com todo madeiramento já instalado. Um carpinteiro está terminando o telhado, enquanto dois pedreiros rebocam o lado de fora da chaminé da lareira. 120 UNIUBE Figura 8: Obra em construção. Fonte: Adaptado de Viana (2004) – Acervo EAD – Uniube. Por meio da leitura da descrição, você deve ter percebido que as orações não são longas, os verbos estão no tempo presente e os termos são técnicos. Entre tanto, o memorial descritivo possui uma função maior do que a mera descrição. Nele deverão ser detalhados todos os procedimentos e os materiais a serem utilizados (ou que foram utilizados) na obra, de acordo com o PQO (Plano de Qualidade da Obra), fundamental na construção civil contemporânea para pa dronização de procedimentos. É importante ressaltar que um memorial descritivo é um texto que explica o pro jeto ou os projetos necessários em uma construção. Nesse gênero textual – tão necessário ao contexto dos profissionais das engenharias – normalmente são explícitas as informações mais relevantes e que constam no projeto. Observe, a seguir, o exemplo de um memorial descritivo simplificado. Trata -se de um documento de registro da construção civil. UNIUBE 121 MEMORIAL DESCRITIVO Casa rápida e popular Padrão 1. Locação da construção É a fixação das medidas da obra no terreno, de acordo com as normas e limitações existentes e com o projeto arquitetônico. [...] 2. Fundações As fundações serão do tipo diretas, utilizando-se de quatro estacas-broca em concreto Mpa, com 20 cm de diâmetro e 1 m de profundidade. [...] 3. Paredes internas e externas As paredes serão construídas com painéis tipo alvenaria leve do Sistema Epotec – Fertighaus®, com dimensões padrão de 123 x 244 x 7,5 cm ou frações, sendo painéis autoportantes, com isolantes térmicos, impermeáveis e com isolamento acústico. [...] 4. Estrutura de cobertura e cobrimento Serão utilizadas treliças pré-industrializadas em madeira tratada de primeiro uso, do sistema Gang-Nail. Nesse sistema, as uniões dos nós são executadas com conectores em aço galvanizado dimensionados caso a caso. [...] 5. Aberturas As aberturas de janelas preveem fechamento com esquadrias de ferrotipo basculante e correr com vidros lisos 3 mm, conforme projeto, sendo pintadas com esmalte sintético adicional, com venezianas ou tela para mosquitos. [...] 122 UNIUBE 6. Instalações hidrossanitárias As instalações hidráulicas serão executadas de acordo com a norma brasileira NB 92/80, utilizando tubulações em PVC rígido para água fria com conexões soldáveis. [...] 6.1 Estão previstos os seguintes pontos hidráulicos para água fria: 1 torneira para pia de cozinha (diâmetro ¾ “ tipo plástica Akros, Cipla ou similar); 1 torneira para [...] 7. Instalações elétricas As instalações elétricas atenderão a todos os cômodos da edificação, sendo as fiações adequadas e dimensionadas para cada circuito (isolamento de até 600V), sendo os interruptores e tornadas da linha Fame, Perlex, Pial ou similar, de conformidade com a tensão da rede local (110V ou 220V). 8. Pisos Os pisos em todos os ambientes serão do tipo cimento-alisado e pintado, executado sobre a laje de fundação e sendo possível, opcionalmente, aplicar tipo cerâmico PEI-3 sobre os mesmos. 9. Acabamentos As paredes serão revestidas, internamente e externamente, com pintura acrílica texturizada e colorida. As paredes das áreas úmidas, como cozinha e banheiro, receberão pintura sanitária à base de epoxies. O forro será do tipo lambri de Pínus, assentado sobre tarugamento de madeira e tendo acabamento nas laterais com meia-cana de 1” x 2” em Pínus. O forro será ainda envernizado com 02 demãos. As esquadrias das janelas receberão pintura com esmalte sintético sobre fundo anticorrosivo . As portas e seus marcos serão envernizados com 02 demãos. UNIUBE 123 10. Limpeza Será feita urna limpeza interna na obra, bem como ao redor da construção, sendo retirados restos ou sujeiras inerentes à obra, de maneira a proporcionar a imediata ocupação do imóvel. [...] Fonte: <http://7arte.groupsite.com/file_cabinet/download/0x000003b86>. Acesso em: 06 jun. 2016. Geralmente toda construtora ou empresa de engenharia, seja qual for a área, possui um modelo próprio de memorial descritivo a ser seguido, para padronizar os seus procedimentos administrativos e operatórios. Nesse caso, é necessário conhecer como se descreve de acordo com a cultura organizacional da cons trutora ou empresa. Quando não há um modelo estabelecido na empresa, geralmente é determinado como padrão o modelo que a categoria costuma utilizar com maior frequência, fazendo as adaptações necessárias. Cada contexto poderá exigir uma estrutura diferente de memorial. Assim, uma casa certamente terá um memorial descritivo diferente do de um edifício. Este, por sua vez, será diferente de um monumento ou de um hospital. Portanto, o memorial poderá variar de construção para construção, inclusive será bem diferente entre os mais diversos ramos da Engenharia (mecânica, elétrica, química, de alimentos, de produção etc.). Vale lembrar que, na linguagem oficial, é importante a criatividade do profissional ao redigir o texto, pois a estrutura serve apenas como esboço e formalidade.c IMPORTANTE! 124 UNIUBE Resumo Esperamos que os estudos aqui propostos possam contribuir para a sua cons trução da aprendizagem no que se refere à importância da comunicação no contexto profissional, à identificação do projeto e do memorial descritivo como práticas textuais necessárias à sua formação e, consequentemente, contribuindo para a sua competência linguística. Esperamos, ainda, que de forma gradativa, você amplie sua capacidade de se comunicar, sendo capaz de adequar a sua linguagem – oral e escrita – aos diferentes campos de atuação. Atividades Para que você possa acompanhar com maior compreensão os conteúdos abordados, propomos as atividades a seguir. Realize-as, com atenção, a fim de alcançar os objetivos dessa etapa de trabalho. Atividade 1 Como você vê a importância dos conhecimentos de Língua Portuguesa no desenvolvimento de atividades profissionais? Redija um parágrafo apontando os seus argumentos. Atividade 2 2.1 Leia com atenção o texto (ou não texto) a seguir. As indústrias de móveis estão trabalhando com a mais alta tecnologia mundial, com qualidade e design arrojado, equipando os móveis para vender os móveis mais caros. Os clientes procuram as indústrias de móveis com pouco dinheiro e, se tiverem que pagar mais os móveis, muitas vezes os clientes desistem de com prar os móveis e, consequentemente, as indústrias de móveis têm prejuízo. 2.2 Sabendo que: móveis podem também ser chamados de mobília, mobiliário, de mercadorias ou produtos; que indústria de móveis pode ser chamada de indústria moveleira, indústria de mobiliário e UNIUBE 125 que clientes podem ser chama dos de consumidores, compradores, fregueses, escreva o texto anterior utilizando mecanismos de coesão textual, a fim de eliminar as repetições. Faça todas as alterações necessárias com o objetivo de melhorar o texto. Atividade 3 3.1 Nos ambientes em que está diariamente, você se depara com textos que nem sempre estão bem elaborados, sejam recados, cartas, ofícios, notícias, entre outros. Selecione um texto que você acredita poder ser “melhorado” em algum aspecto de sua elaboração e transcreva-o (da forma como ele foi escrito). 3.2 Escreva o texto que você selecionou na atividade anterior, fazendo as alterações necessárias, com o objetivo de torná-lo mais claro, coerente, ob jetivo, ou seja, considerando os elementos que contribuem para um melhor entendimento. Atividade 4 4.1 Fotografe, desenhe ou pesquise em revistas, livros, ou sites da Internet, exemplos de esquemas, gravuras, plantas, esboços, vistas em perspectivas, explodidas, cortes, cotas, dimensões, entre outros. Entre as imagens sele cionadas, escolha uma que tenha chamado mais a sua atenção. 4.2 Por meio de um pequeno texto, descreva a imagem que você selecionou. Em seguida, justifique o porquê de sua escolha. Atividade 5 Observe, no cotidiano de sua profissão, situações problemáticas que sugiram: melhorias, ou intervenção, ou proposta de inovação, ou necessidade de melhor atendimento ao cliente, entre outras. Faça uma apresentação dessa situação-problema encontrada, justificando a necessidade de fazer tal intervenção. Use, no máximo, 20 (vinte) linhas. 126 UNIUBE Lembre-se de que a justificativa consiste em uma exposição sucinta das razões de ordem teórica e dos motivos que tornam importante a realização do projeto. Deve-se caracterizar a situação-problema e a população que sofre as suas consequências. Atividade 6 Considerando a sua resposta na atividade anterior, ou seja, a situação- problema que você apontou, elabore três objetivos a serem alcançados para resolver a referida situação. Não se esqueça de usar verbos que indicam ação. Atividade 7 Você já sabe que, na metodologia de um projeto, devem ser descritos os pro cedimentos necessários para se alcançar os objetivos propostos nesse projeto. Diante disso, escreva os procedimentos metodológicos necessários para serem alcançados os objetivos que você apresentou na atividade anterior. Atividade 8 Após desenvolver a metodologia, quais serão os possíveis resultados a serem alcançados na realização do projeto? Descreva-os, em, no máximo, 10 (dez) linhas. Referências BACK, N. Metodologia de projetos de produtos industriais. Rio de Janeiro: Guanabara Dois, 1993. BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003. BAZZO, Walter A.; PEREIRA, Luiz T. V. Introdução à Engenharia. 6. ed. Florianópolis: UFSC, 2006. UNIUBE 127 CONSTRUÇÕES EPOTEC. Memorial descritivo. Casa rápida e popular. Disponível em: <http://7arte.groupsite.com/file_cabinet/download/0x000003b86>. Acesso em: 06 jun. 2016. CATEORA, P. R.; GRAHAM,J. L. 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Mas em que falar e escrever contribuem para a maior ou menor realização pessoal e profi ssional das pessoas? De fato, quem transita com facilidade entre as múltiplas formas da fala e da escrita tem mais oportunidade de alcançar os objetivos a que se propõe em seu dia a dia? Qual é mesmo a relação que há entre falar e escrever com propriedade e adequação e o grau de satisfação das pessoas em suas relações familiares, amorosas, escolares e profi ssionais? As nossas respostas podem ser bastante variadas para todas essas indagações. E, possivelmente, muitos estudiosos já se dedicaram a essa polêmica tão presente no diálogo de pais, alunos e professores, profi ssionais liberais e comunicadores. Restringindo um pouco nosso espaço de observação, o exercício de pensar no contexto da escola tem se mostrado exigente quanto a estas duas formas da linguagem verbal: a oralidade e a escrita. 130 UNIUBE Ao final deste capítulo, esperamos que você esteja apto a: • identificar os fatores que interferem na comunicação oral e escrita; • comunicar-se adequadamente em diferentes situações de inte ração social; • identificar os elementos que contribuem para a legibilidade do texto escrito; • utilizar a língua portuguesa em variadas situações comunicativas com adequação semântica, gramatical e pragmática. Objetivos 4.1 Os atos de falar e de escrever 4.2 Fatores que interferem na ação comunicativa 4.2.1 Conhecimento de mundo 4.2.2 Informatividade Esquema Neste capítulo, propomos que exercite suas habilidades de ler e falar, ouvir e escrever, a partir de textos orais e escritos que são produzidos no cotidiano da vida universitária e que têm por finalidade incentivar o registro das reflexões, das leituras, das indagações, da pesquisa e da produção intelectual que se desenvolve durante os cursos de graduação por alunos e professores. Ao exercitar sua capacidade de expressão, sinta-se um ser de lin guagens múltiplas e confie: quanto mais conhecer as variedades da linguagem humana e as utilizar em uma perspectiva de interação, com uma visão consciente, crítica, criativa e ética, mais empreendedor do conhecimento científico e tecnológico e dos valores culturais você se tornará. UNIUBE 131 4.2.3 Intencionalidade e receptividade 4.3 Fatores que interagem na comunicação oral 4.4 A comunicação escrita – aspectos que contribuem para a legibilidade do texto escrito Resumo Atividades Referências Os atos de falar e de escrever 4.1 As grandes narrativas que hoje temos nas bibliotecas e nos livros sagrados de diferentes povos nos mostram que tiveram origem na paciência histórica de alguém que contou o que viu e imaginou a outro alguém que, tolerante e pacientemente, o ouviu, registrou e distribuiu para muitos outros aquilo que um dia esteve guardado na memória ou na imaginação das pessoas, dos povos e das civilizações. Embora saibamos que fala e escrita guardem, cada uma, sua identidade, suas características próprias, elas permaneceram, ao longo da história dos homens e de seus feitos, lado a lado, sem nenhuma relação de superioridade, como se fossem faces da mesma linguagem. Podemos afirmar que falar e escrever são práticas que se estabelecem em diferentes tempos, em diferentes espaços sociais e geográficos e que se com plementam interativamente na busca do conhecimento, da compreensão, da convivência e da criação humanas. Nas variadas formas da fala e da escrita − que ganham vida em cada espaço familiar, de trabalho, de lazer, de estudo − se conjugam diferentes linguagens: combinações de sinais, de cores, de sons, de códigos e de sentidos que vão se constituindo nas diversas linguagens próprias dos grupos familiares, religiosos, sociais, culturais, artísticos, científicos e profissionais. 132 UNIUBE Nessa perspectiva, podemos dizer que os espaços social, cultural e geográfico interferem na forma de expressão tanto da fala quanto da escrita dos diferentes povos e se constituem em fatores determinantes na comunicação oral e escrita em qualquer situação de interação humana. As pessoas das sociedades letradas que têm o privilégio de se manifestarem pela fala e pela escrita constatam que estão sujeitas a regras em uma e outra situação de comunicação. A escrita de um bilhete para um amigo, por exemplo, é bem diferente de um comunicado aos colaboradores que um diretor afixa no mural de sua empresa. Ou ainda: um artigo de jornal diário sobre um acidente ecológico se difere de um laudo do ambientalista para fins de avaliação de res ponsabilidades e também do depoimento que o mesmo ambientalista possa dar a um repórter sobre o assunto. Muitas outras situações, apresentando as diferenças entre formas de expressão oral e formas de expressão escrita, poderiam ser aqui relacionadas. Porém, basta observarmos os contatos cotidianos entre os mais diversos grupos de pessoas que entenderemos que os exemplos poderiam ser infinitos, como infinitas podem ser as situações de comunicação humana. Fala e escrita são contínuos com os quais temos o privilégio de nos relacionar na dinâmica da vida em sociedade. Assim, nas sociedades letradas, desenvolveu-se a noção de variedade e de adequação para a eficácia da ação comunicativa. Isto é, em cada situação é necessário que se harmonizem os diferentes tipos de linguagens verbais e não verbais para que se obtenha uma comunicação eficiente e eficaz • Em cada situação de comunicação escrita ou oral podemos ressaltar que existem inúmeros fatores que interferem na escolha do modo de falar e de escrever da pessoa e de grupos sociais (profissionais liberais, religiosos, políticos, educadores, artistas, jovens, idosos, cientistas, desportistas e acadêmicos, entre outros). • Dentre os fatores determinantes da comunicação, destacam-se: os geográficos, os sociais e culturais.SINTETIZANDO... UNIUBE 133 • A função social que a pessoa ocupa no momento em que fala ou escreve e a sua motivação interferem na seleção que faz de enunciados, de palavras, na entonação, no ritmo, sinalizando seu modo próprio de expressar sua opinião, seus sentimentos, suas convicções. • O conhecimento de mundo do falante ou do escritor e o conhecimento de mundo que ele supõe que seu interlocutor ou leitor tenha determinam também o modo de organizar a fala e a escrita. • A aceitação do escritor ou falante pelos seus ouvintes e leitores motivam a escolha dos estilos próprios que cada um vai construindo ao longo de sua história de vida. • E, ainda, o domínio que cada pessoa tem das técnicas de falar e de escrever de acordo com a situação de comunicação lhe permite variar, modificar ou adequar sua fala e escrita de modo que atinja os seus objetivos nas relações diárias. Fatores que interferem na ação comunicativa 4.2 O espaço da universidade – uma das instâncias produtoras de escritas, lei turas e releituras, voltadas para a formação do cidadão – caracteriza- se pela prática da leitura e da escrita como um princípio motivador da manutenção dos valores culturais, da pesquisa científica, da construção do co nhecimento e das relações que a universidade mantém com a comunidade na qual está inserida, permitindo uma interferência e transformação mútuas. Entendemos, como Magda Soares (1998), que a leitura é “carregada de um valor positivo absoluto e traz bene fícios óbvios e indiscutíveis ao indivíduo e à sociedade”, na “forma de lazer e de prazer, de aquisição de conheci mentos e de enriquecimento cultural, de ampliação das condições de convívio social e de interação”. Magda Soares Professora titular emérita da Faculdade de Educação da UFMG e pesquisadora do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita – CEALE. Autora de vários artigos, capítulos de livros e livros sobre O ensino da língua escrita. É também autora de coleções didáticas para o ensino de português. 134 UNIUBE Nesse sentido, os atos de ouvir e falar, de ler e escrever constituem-se em práticas indispensáveis à formação integral do indivíduo, interferindo no seu desenvolvimento emotivo, intelectual, social e profissional e proporcionando-lhe, dia a dia, a ampliação de seu conhecimento de mundo. 4.2.1 Conhecimento de mundo A importância social da linguagem entre os povos revela-se no contínuo uso da oralidade e da escrita, em suas variadas formas, do mais simples ao mais complexo processo de comunicação e de interação humanas. Ao mesmo tempo em que o contato com a diversidade cultural, artística, social, linguística, religiosa e econômica possibilita a ampliação do diálogo e entendi mento entre pessoas, o conhecimento do mundo se amplia na interação entre as pessoas de mesmo ou de diferentes espaços e funções sociais. Podemos afirmar que ao ouvir e entender, ler e compreender, ao sentir e expressar-se, ao escrever e comunicar-se, ao aprender e traduzir o que sabe, cada pessoa põe em prática todo o conhecimento de mundo que já lhe pertence. O conhecimento de mundo, portanto, interfere na forma da pessoa dialogar, ler, interpretar e compreender a si mesmo, ao outro e à realidade. Tratando-se de conhecimento de mundo, a expressão oral e escrita, a leitura, a interpretação e compreensão de textos são experiências pessoais e coletivas que contribuem para a formação da identidade do indivíduo-cidadão, agente social transformador da comunidade em que vive. 4.2.2 Informatividade A informatividade está presente em todos os tipos de textos orais e escritos, visuais e espaciais, tais como anúncios, artigos, pinturas, esculturas, debates, entrevistas, conferências, dentre outros, e se relaciona à informação contida em cada um deles. UNIUBE 135 O que seria, então, informatividade? Quando uma pessoa que fala provoca em outra uma expectativa em relação ao que está dizendo, significa que há algo novo sobre o assunto, ou seja: o ouvinte fica esperando tomar conhecimento de algo que ainda não sabe. Se o que ouve já lhe é conhecido, a expectativa não foi atendida. Dizemos, então, que a pessoa não trouxe nada de novo, não informou praticamente nada. A informatividade de um texto oral, por exemplo, se mede pela quantidade de novidade que aquela fala nos traz. Assim, o grau de informatividade do texto pode variar de ouvinte para ouvinte, ou de leitor para leitor, de espectador para espectador. Por quê? Relacionando com a noção de conhecimento de mundo, podemos afirmar que para determinadas pessoas o grau de informatividade de um texto é alto, pois, para elas, o texto está repleto de novidade, de informação. Enquanto para outras, o mesmo texto pode ter um baixo grau de informatividade. E isso pode decorrer de dois fatores: ou a pessoa não tem conhecimentos anteriores que lhe possibi lite compreender o que está sendo informado; ou porque ela já tem um grande conhecimento sobre o assunto e a forma como está sendo abordado. Nesse sentido, ao falar ou escrever devemos cuidar de saber para quem estamos falando ou escrevendo, uma vez que nossa intenção é sempre manter o elo comu nicativo com as pessoas. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. O nosso interlocutor precisa de pistas para que encontre, em nosso texto, o sentido novo, a novidade, a informação. A eficiência ou a eficácia de uma comunicação encontra-se também no controle da informatividade, por parte de quem se dispõe a comunicar. Observando os textos que circulam nos canais de TV aberta, publicidades, cam panhas sociais, notícias, podemos constatar que apresentam um grau médio de informatividade. Eles se dirigem a um público diversificado e conseguem manter a atenção do telespectador, pois calculam a média do conhecimento de mundo da audiência, naquele horário, e acrescentam informações de interesse geral. 136 UNIUBE No contexto da universidade (sala de aula, laboratórios, congressos, seminários científicos, programação cultural), o desafio é para todos: assegurar, em cada situação de estudo, o grau de informatividade que permita a interação e a permanente produção do conhecimento pela comunidade acadêmica. SINTETIZANDO... 4.2.3 Intencionalidade e receptividade A intencionalidade e a receptividade são dois fatores que interferem na ação comunicativa, uma vez que essa ação tem sua origem nos propósitos das pessoas nela envolvidas. Se a intenção de quem produz um texto escrito é provocar no leitor uma reação, para que isso aconteça, é necessário que o leitor tenha a disposição de ler o texto que lhe está sendo oferecido. E, para que ocorra a receptividade, é impor tante que o texto produzido ofereça elementos motivadores para a sua leitura. O interesse do leitor quase sempre ganha existência na medida em que ele vai encontrando, no texto, elementos do seu conhecimento de mundo. A receptivi dade do texto será em maior ou menor grau, dependendo das informações que lhe favoreçam a interpretação e a compreensão das ideias, das crenças, das convicções, dos conhecimentos científicos, do prazer estético. Por isso, todo texto tem em si o interesse do recebedor para o qual ele está dirigido. Na publicidade de automóveis ganha relevância o conforto, o status social, a segurança. Esses são aspectos de grande interesse da classe média brasileira para a qual estão dirigidas as peças publicitárias das marcas automobilísticas. EXEMPLIFICANDO! UNIUBE 137 Os fatores aqui apresentados – conhecimento de mundo, informatividade, intencionalidade, receptividade – encontram-se associados em todas as situações e igualmente contribuem para o êxito da ação comunicativa. IMPORTANTE! Fatores que interagem na comunicação oral4.3 O teatro é uma forma milenar denarrativa. Nele, conjugam-se voz e gestua lidade, cenário e figurino, para a encenação de uma história. Se você já teve a oportunidade de assistir a peças teatrais – tragédias, comédias, musicais, monólogos –, pôde conferir o fascínio que o teatro exerce sobre as pessoas. Francisco Marques, o Chico dos Bonecos (2005, p. 23), ao expressar sua visão da narrativa, afirma que: [...] narrar é um ato inventivo, seja para contar o acontecido ou apalavrar o imaginado. E toda a sua invenção reside no deta lhe: evidenciar uma palavra, iluminar uma pausa, desdobrar um gesto, incorporar a participação dos ouvintes, buscar um tom de voz, encaixar um comentário, introduzir uma personagem, arquear as sobrancelhas... Desenrolar o enredo e enredar as palavras são as duas páginas da mesma folha. O ouvinte não se envolve apenas com o rumo dos acontecimentos, mas também com o rumor das palavras. Observe que embora esteja escrito, o autor se expressa de forma bastante espon tânea: o ritmo cadenciado, indicado nessa escrita pelos sinais de pontuação, vírgu las, dois pontos, reticências, imprime ao texto um efeito próximo ao da oralidade, a sensação que temos ao ler o texto é de que estamos ouvindo a voz do autor. No teatro, como na dança, a linguagem do corpo ganha visibilidade. Talvez esse seja o motivo do permanente interesse de gerações e gerações por essas formas de comunicação artística. 138 UNIUBE Figura 1: Situações comunicativas no trabalho. Fonte: Acervo EAD – Uniube Figura 2: Situações comunicativas na vida social. Fonte: Acervo EAD – Uniube Mas, a linguagem corporal não está presente apenas nas expressões artísticas. Em cada situação de comunicação oral que se realiza de maneira formal ou informal constata-se que o tom e o volume da voz, o movimento corporal, os gestos, a expressão facial e o deslocamento do olhar se complementam para motivar e manter o interesse dos interlocutores. Não é sem motivo que especialistas em comunicação têm dispensado tempo para a pesquisa da linguagem corporal e os seus efeitos nas relações de trabalho. UNIUBE 139 No livro O corpo fala, P. Weil e R. Tompakow oferecem ao leitor um detalhado estudo do comportamento humano a partir da linguagem silenciosa do corpo, abordando temas como: harmonia e desarmonia, origem dos gestos, o amor e sua expressão corporal, entre outros. Esse estudo ressalta a importância da gestualidade, da postura e da adequação do vestuário como fatores intervenien tes nas situações de comunicação oral. Os autores do livro Falar bem é fácil reforçam a visão dos autores de O corpo fala, oferecendo-nos um texto bastante agradável sobre o assunto. Para os autores, comunicar-se bem é, hoje, uma condição obrigatória para ter um bom desempenho tanto profissional quanto pessoal. Eles sugerem caminhos para o desenvolvimento das habilidades de comunicação nas mais variadas ocasiões. Vale a pena conferir! PESQUISANDO NA WEB No espaço acadêmico e profissional, valoriza-se também o domínio que a pes soa tem das várias formas de expressão da linguagem oral. Como as situações de comunicação oral são variadas, torna-se necessário utilizar-se, adequadamente, de cada uma, considerando a maior ou menor informalidade da situação. É di ferente a forma de expressão oral na conversa que se tem com os colegas no refeitório da empresa de uma outra, com os mesmos colegas, em uma reunião de trabalho. Ou mesmo a forma de falar dos integrantes de um grupo de estudo, durante as discussões, difere da forma de falar ao apresentarem oralmente o resultado da pesquisa em um seminário científico. No capítulo “Comunicação e textos acadêmicos”, você teve a oportunidade de conferir que os textos orais caracterizados como entrevista e debate têm modos de organização diferentes. Observar esses fatores em seu cotidiano contribui para o aprimoramento de sua competência comunicativa, em situação de inte resse pessoal e profissional. 140 UNIUBE • WEIL, Pierre; TOMPAKOW, Roland. O corpo fala: a linguagem silenciosa da comunicação não verbal. 65. ed. Petrópolis: Vozes, 2009. Essa obra desvenda a linguagem silenciosa do corpo e é indicada para profissionais de diferentes áreas de atuação. Os autores abordam, de maneira simples, prática e divertida, a linguagem do corpo. • MENDES, Eunice; ALMEIDA Lena; Henriques, Marco P. Falar bem é fácil: um Superguia para uma Comunicação de Sucesso. 2. ed. São Paulo: AGWM, 2011. Com uma linguagem simples e de fácil assimilação, essa obra proporciona uma abordagem didática da comunicação, contribuindo para o desenvolvimento de habilidades necessárias ao sucesso profissional. INDICAÇÃO DE LEITURA 4.4 A comunicação escrita – aspectos que contribuem para a legibilidade do texto escrito Os dois textos lidos no item “Fatores que interagem na comunicação oral” nos permitem observar que há entre fala e escrita mais semelhanças do que diferen ças quando nos colocamos no lugar de interlocutores. Ou seja: a compreensão do pensamento dos autores-escritores é facilitada pelos elementos gráficos, os espaços que foram utilizados para marcar o ritmo e a sequência e progressão do pensamento. As pausas breves marcadas pelas vírgulas entre as palavras e expressões permitem a visualização de detalhes: “evidenciar uma palavra, iluminar uma pausa, desdobrar um gesto, incorporar a participação dos ouvintes, buscar um tom de voz, encaixar um comentário, introduzir uma personagem, arquear as sobrancelhas...”. As reticências sugerem que mais detalhes poderiam ser enu merados. O autor conta com a atenção e a imaginação do seu leitor, que mais se aproxima a um ouvinte ou a espectador. Em O corpo fala... e escuta, o leitor está presente no texto por meio das formas verbais do imperativo e pelas formas pronominais de segunda UNIUBE 141 pessoa: “Seja coerente, procure ser você ao se expor para um grupo de pessoas. Nessa ex posição dê atenção a todos, deixe o seu olhar dançar entre eles, mas nunca olhe fixamente para nenhum deles”. Assim como na comunicação oral, na escrita existem vários aspetos formais que contribuem para que o texto se torne legível – pontuação, ortografia, con cordância e regência verbal e nominal, adequação do vocabulário ao assunto e ao conhecimento de mundo do leitor e a organização textual. É importante lembrar que esses aspectos formais, que interferem na comuni cação escrita, seguem normas especiais em cada gênero textual. Um poema se organiza espacialmente de forma diferente de um texto científico. Os aspectos formais – pontuação, espaçamento, parágrafos e outros – são utilizados con forme a situação comunicativa. Um texto jornalístico, uma notícia, por exemplo, é escrito de forma diferente de um texto publicitário, porém ambos podem estar publicados em uma mesma página do jornal ou da revista. Pontuação Vejamos um caso em que a pontuação (ou a falta dela) interfere na compreensão do texto. Para quem é a refeição que está na mesa? Uma senhora responsável pela limpeza e organização de uma república de estudantes escreveu um bilhete em um cartão antes de sair. No bilhete estava escrito: Essa encomenda é para o João não para a sua namorada também não é para o Álvaro entregar ao síndico jamais para o José do quarto 2 não é para a Rosa. Fátima 142 UNIUBE Situação A O João lê o bilhete. Essa encomenda é para o João. Não para a sua namorada. Também não é para o Álvaro entregar ao síndico. Jamais para o José do quarto 2. Não é para a Rosa. Fátima Situação B A Rosa leu o bilhete. Essa encomenda é para o João? Não! Para a sua namorada? Também não. É para o Álvaro entregar ao síndico? Jamais. Para o José do quarto 2? Não. É para a Rosa. Fátima Se você fosse o José do quarto 2, como leria este bilhete?Essa encomenda é para o João? Não. Para a sua namorada? Também não. É para o Álvaro entregar ao síndico? Jamais. Para o José do quarto 2. Não é para a Rosa. Fátima PARADA PARA REFLEXÃO Considerando as situações apresentadas, percebemos que a pontuação inter fere na compreensão dos textos escritos. Diante disso, ao escrever um texto, devemos ter muita atenção a fim de comunicar ao leitor a nossa intenção. UNIUBE 143 Caso você queira aprofundar seus conhecimentos sobre o Novo Acordo Ortográfico, sugerimos pesquisar em diferentes sites, disponíveis na Internet. PESQUISANDO NA WEB Lembrando aqui os versos do poeta João Cabral de Melo Neto, em seu poema Catar Feijão (Educação pela pedra -1965), muitos fatores contribuem para a legibilidade do texto escrito. Para a elaboração de um texto coeso e coerente, necessitamos “catar feijão”, catar palavras, recolher, retirar o que não é bom, o que não é palavra adequada ou não é palavra boa. Em seguida, “joga-se os grãos na água do alguidar”, na intenção de escolher, “e as palavras na folha de papel”, que, associadas aos fatores aqui apresentados, certamente resultarão em uma comunicação escrita bem elaborada e coerente com os objetivos propostos. Ortografia Ortografia significa escrita correta: orto = certo + grafia = escrita. Recentemente, foi assinado um acordo visando à unificação da ortografia em Língua Portuguesa que deverá ser adotada por todos os países lusófonos, isto é, em que se falam a língua portuguesa. Embora tenha gerado bastante polêmica no meio acadêmico e editorial, as modificações, no Brasil, atingiram apenas 0,47% do vocabulário da Língua Por tuguesa. Em Portugal e no restante dos países, a porcentagem foi maior – cerca de 1,6% do vocabulário. As alterações abrangem o uso do trema, do hífen, do acento gráfico em ditongos abertos e hiatos e a inclusão das letras w, k, y no alfabeto. 144 UNIUBE O estudo deste capítulo permitiu a reflexão sobre o uso da linguagem oral e escrita, identificando os aspectos de aproximação e distanciamento nessas duas modalidades da linguagem verbal. Refletimos sobre a importância do domínio das variedades de expressão oral e escrita, para que se consiga uma comunicação eficiente, considerando cada situação de interação social. A leitura de textos permitiu-nos observar os fatores que devem ser conside rados na produção de textos orais e escritos, com o objetivo de adequar as formas de linguagem às situações sociocomunicativas, aos interesses do falante/escritor e do ouvinte/ leitor, para que a comunicação aconteça. As leituras sugeridas poderão ampliar os estudos sobre a importância da orali dade e da escrita na dinâmica da vida pessoal e profissional. Atividades Com a finalidade de ampliar alguns conhecimentos sobre a linguagem oral e escrita, propomos a realização das atividades que se seguem. Para tanto, consulte os aspectos abordados em cada um dos itens desenvolvidos neste capítulo. Atividade 1 Texto para leitura Leia com atenção o texto a seguir. Continho Era uma vez um menino triste, magro e barrigudinho, do sertão de Pernambuco. Na soalheira danada do meio-dia, ele estava sentado na poeira do caminho, imaginando bobagem, quando passou um gordo vigário a cavalo: Resumo UNIUBE 145 − Você aí, menino, para onde vai essa estrada? − Ela não vai não: nós é que vamos nela. − Engraçadinho duma figa! Como você se chama? − Eu não me chamo não, os outros é que me chamam de Zé. (Paulo Mendes Campos, Para gostar de ler – Crônicas, p. 76) 1.1 Paulo Mendes Campos criou um texto narrativo escrito se apropriando de uma história oral. Quais são os elementos que marcam os traços da oralidade? 1.2 Agora é a sua vez de ser um escritor. Crie um “continho”, com base em uma história popular, corrente na região em que reside. Em sua escrita, utilize os elementos presentes na linguagem oral. Atividade 2 Leitura de texto – Resenha Narradores de Javé – a tradição oral e a importância de seu registro. Narradores de Javé. Direção: Eliane Caffé. Rio de Janeiro: Bananeira Filmes, 2003. 1 DVD (100 min.), DVD, son., color. O filme Narradores de Javé, lançado em 2003, relata o drama dos moradores do pequeno povoado do Vale do Javé, que será inundado pelas águas de uma represa hidroelétrica que será construída. Inconformados com a situação, os moradores descobrem que podem evitar o desaparecimento do povoado se conseguirem transformá-lo em patrimônio cultural. Para isso, precisam relatar em um livro, de forma “científica”, a história do povoado. O trabalho fica a cargo de Antônio Biá, único morador alfabetizado. Biá, dono da única agência dos Correios existente no povoado, havia sido expulso da região por ter inventado mentiras sobre a vida dos moradores como artifício para aumentar a 146 UNIUBE circulação de cartas e, consequentemente, beneficiar sua agência. A história de Biá mostra as vantagens obtidas por quem detém o poder da escrita, concedendo-lhe poder sobre os demais. Investido da missão de salvar o povoador, Biá se põe a resgatar a memória do povoado por meio de relatos da história oral. Ao ouvir os depoimentos dos moradores, o salvador percebe a diversidade de casos e contos que marcaram o desenvolvimento daquele povo. Para o primeiro morador a contar a história, surge a figura heroica de Indalécio, fundador do povoado, que em conjunto com seus companheiros de guerra encontrou na região um porto seguro para se estabelecerem. Em outro relato, feito por uma mora dora, a heroína é Maria Dina e, em um terceiro relato, feito por um morador negro, o herói da fundação é Indalêo, um homem de origem africana. Dessa forma, Biá se depara com um problema: a história é sempre a mesma, mas a versão é apresentada por cada depoente, levando em consideração suas visões, seus interesses e suas impressões pessoais, que são defendidas com veemência. “Uma coisa é um fato ocorrido, outra coisa é o fato escrito”, com essa frase, Biá relata a diversidade de versões encontradas durante o processo de produção do livro. Enquanto a história oficial relatava um fato, as versões apresentadas pelos moradores mostram outra realidade. Diante disso, o filme chama atenção para uma questão singular: a interferência do narrador na história. Cada fato narrado é “contaminado” pelas impressões pessoais e pelos valores de quem o conta, pautado na velha máxima “quem conta um conto aumenta um ponto”. Apesar dos esforços para tentar salvar o povoado, a tentativa foi fracassada. Na busca pelo resgate da memória coletiva do Vale do Javé, prevaleceram as memórias individuais de seus moradores, e, fatalmente, não se cumpriu o obje tivo. O povoado foi inundado pelas águas da usina. Resignado com o fim material do povoado, Antônio Biá começa a escrever com seriedade a história do município na tentativa de preservar a história mítica do local e eternizar a existência do Vale do Javé. O filme é marcado pela construção da memória por meio da oralidade, mostrando a memória num contexto dinâmico e próximo que possibilita seu resgate a qual quer momento. Confronta a memória individual e UNIUBE 147 coletiva e relaciona passado e futuro, ressaltando a riqueza da relação entre os dois. Numa sociedade essencialmente oral, a história do Vale do Javé é pautada na palavra. Um exemplo é a apropriação e a divisão das terras, que são legitima das através do canto aclamado pelos moradores, dispensando documentos oficiais na comunidade. Confrontados pela extinção do povoado com a inun dação da represa, os moradores se veem obrigados a escrever sua história para preservá-la oficialmente. A oralidade resgata esse passado, mas é por meio da escrita que ele será eternizado, ressaltando a importância da união das duas práticas.O filme resgata a discussão sobre os efeitos do progresso, a destruição física de um grupo e a submersão de sua história em favor do crescimento do país. A narrativa do filme ressalta a desigualdade social, ao reproduzir a história de grupos historicamente oprimidos. A variedade linguística e a abordagem de temas tão polêmicos fazem do filme uma obra espetacular. A trilha sonora diferenciada, o estilo “flash back” da edição e a interpretação dos atores tornam o filme uma experiência agradável e divertida que vale a pena ser experimentada por todos. É a união da diversidade cultural brasileira, as origens rurais da população, os desafios sociais e o progresso em uma história envolvente e atual. Luiz Maurício Pereira Assessor de comunicação e jornalista. Formado pela Universidade de Uberaba e aluno de pós-graduação em Comunicação Corporativa na Universidade Gama Filho. 2.1 Redija um comentário sobre a resenha lida Narradores de Javé – a tradição oral e a importância de seu registro, tendo como referência: a) a estrutura da resenha – estudada no capítulo 1: identificação da obra, autoria, apresentação dos autores da obra e de sua atuação profissional, apre sentação da obra, destacando o tema e o gênero, organização da obra, resumo comentado, análise e avaliação da obra, indicação da leitura. 148 UNIUBE b) os elementos que contribuem para a legibilidade do texto – pontuação, ortografia, concordância e regência verbal e nominal, adequação do voca bulário ao assunto e ao conhecimento de mundo do leitor e a organização textual. 2.2 Você se sentiu motivado a assistir ao filme Narradores de Javé, a partir da leitura dessa resenha? Justifique a sua resposta. 2.3 Na sua opinião, o autor da resenha atingiu os objetivos, ou seja, foi eficiente ao comunicar -se com o público a que essa resenha se destina? Referências CAMPOS, Paulo Mendes. Continho. In: ANDRADE, C. Drummond de et. al. Para gostar de ler. v. 1., 24. ed. São Paulo: Ática, 1998. GOLD, Miriam. Redação empresarial: escrevendo com sucesso na era da globalização. 3. ed. São Paulo: Pearson/Prentice Hall, 2008. KOCH, Ingedore G. Villaça; TRAVAGLIA, Luiz Carlos. A coerência textual. 15. ed. São Paulo: Contexto, 2003. KOCH, Ingedore G. Villaça. A coesão textual. 22. ed. São Paulo: Contexto, 2010. MARQUES, Francisco. Aventura partilhada. In: BRASIL. Ministério da Educação. A palavra reinventada: seus usos na educação. Boletim 18. 2005. Brasília: Mec. Disponível em: <http://cdnbi.tvescola.org.br/resources/ VMSResources/contents/ document/publicationsSeries/215731Apalavra.pdf>. Acesso em: 07 jun. 2016. MELO NETO, João Cabral de. A educação pela pedra. Rio de Janeiro: José Olympio, 1975. UNIUBE 149 MENDES, Eunice; ALMEIDA Lena; HENRIQUES, Marco P. Falar bem é fácil: um Superguia para uma Comunicação de Sucesso. 3. ed. São Paulo: AGWM, 2011. SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autêntica, 1998. WEIL, Pierre; TOMPAKOW, Roland. O corpo fala: a linguagem silenciosa da comunicação não -verbal. 65. ed. Petrópolis: Vozes, 2009. Anotações _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ __________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ __________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ __________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ ________________________________________________________ _______________________________________________________ Anotações _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ __________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ __________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ __________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ ________________________________________________________ _______________________________________________________