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Material Específico – Engenharia Civil – Consolidado - 2º semestre de 2016 e 1º semestre de 2017 - CQA/UNIP 4 Questão 1 Questão 1.1 De acordo com a ABNT NBR 6118 (2003), nos projetos das estruturas correntes, a agressividade ambiental deve ser classificada de acordo com o apresentado no Quadro I e pode ser avaliada, simplificadamente, segundo as condições de exposição da estrutura ou de suas partes. Quadro 1. Classes de agressividade ambiental. Associação Brasileira De Normas Técnicas. ABNT NBR 6118:2003. Projeto de estruturas de concreto – Procedimento. Disponível em <cct.uema.br/Normas/NBR6118_2003Corr%20-%20Projeto%20de%20estruturas%20de concreto- 20Procedimentos.pdf>. Acesso em 09 set. 2011. Tendo como referências as informações acima, é correto afirmar que a agressividade do meio ambiental nas estruturas de concreto ou de suas partes está relacionada A. somente às ações mecânicas, às variações volumétricas de origem térmica, à retração hidráulica e outras previstas no dimensionamento das estruturas de concreto. B. somente às ações físicas que atuam sobre as estruturas de concreto, independentemente das ações mecânicas, das variações volumétricas de origem térmica, da retração hidráulica e de outras previstas no dimensionamento das estruturas de concreto. C. às ações físicas e químicas que atuam sobre as estruturas de concreto, dependendo das ações mecânicas, das variações volumétricas de origem térmica, da retração hidráulica e de outras previstas no dimensionamento das estruturas de concreto. D. somente às ações químicas que atuam sobre as estruturas de concreto, independentemente das ações mecânicas, das variações volumétricas de origem térmica, da retração hidráulica e de outras previstas no dimensionamento das estruturas de concreto. E. às ações físicas e químicas que atuam sobre as estruturas de concreto, independentemente das ações mecânicas, das variações volumétricas de origem térmica, da retração hidráulica e de outras previstas no dimensionamento das estruturas de concreto. 1Questão 9 – Enade 2011. Material Específico – Engenharia Civil – Consolidado - 2º semestre de 2016 e 1º semestre de 2017 - CQA/UNIP 5 1. Introdução teórica 1.1. Ciência dos materiais. Materiais de construção civil. Agressividade do meio ambiente. O enunciado aborda um dos assuntos mais importantes para a engenharia na atualidade, já que a própria concepção do concreto, como um material de grande resistência e durabilidade, vem sendo questionada em função de uma série de acidentes recentes, causados por agressão do meio ambiente. Entre os efeitos dessa agressividade, um dos mais graves é a oxidação e a consequente corrosão da armadura de aço, que pode colocar em risco a integridade da estrutura ou, pelo menos, reduzir a sua vida útil. A solução dessa questão, aparentemente, é bastante simples. Porém, sem a devida atenção na leitura, tanto do enunciado quanto das alternativas de resposta, é possível ser induzido ao erro. A agressão do ambiente às estruturas deve ser encarada sob dois pontos de vista: um relativo aos fatores que determinam o grau de agressividade do meio em si e o outro, às condições da própria peça estrutural, que permitem maior ou menor agressão. Do ponto de vista do meio ambiente, a agressão pode ocorrer devido a ações físicas e a ações químicas. Ação física é, por exemplo, a erosão do concreto devido às águas pluviais, aos ventos e às marés. Ações químicas são eventuais reações de elementos presentes no meio com componentes do concreto ou do aço, dentre as quais as mais frequentes e significativas são a oxidação e a corrosão da armadura. Do ponto de vista das condições da peça estrutural, a agressão que efetivamente ocorrerá será proporcional ao grau de deformações da própria peça. As deformações sofridas podem ocorrer devido às cargas permanentes e acidentais, às variações climáticas, à retração hidráulica, por perda de água durante os processos de pega e cura do concreto e, também, devido a eventuais baixos teores de umidade do ar que a envolve, durante sua vida útil. O concreto armado, em regime normal de trabalho, sempre apresenta fissuras. Quanto mais elevadas são as deformações, maior é a ocorrência de fissuras, seja em quantidade, seja em amplitude de abertura. Quanto maior for a amplitude das fissuras, maior será a exposição da armadura de aço à agressão do meio. Por isso, ainda que o engenheiro, de projeto ou de manutenção, pouco possa fazer em relação às características de dado meio ambiente, ele tem a possibilidade de agir decisivamente nas características defensivas da estrutura que está concebendo. Material Específico – Engenharia Civil – Consolidado - 2º semestre de 2016 e 1º semestre de 2017 - CQA/UNIP 6 O quadro 1, apresentado no enunciado, trata apenas da agressividade do ambiente e, portanto, a análise das alternativas deve ser feita somente com base nesse enfoque, não importando as condições da peça estrutural. Esse quadro apresenta apenas as classes de agressividade que devem ser consideradas na concepção do projeto, no cálculo de cada peça estrutural e no programa de manutenção a ser estabelecido, para que os efeitos da agressão ambiental na estrutura sejam minimizados. 1.2. Comentários adicionais Conforme introduzido no item 1.1, a questão aborda um dos temas mais relevantes para a engenharia civil: a agressividade ambiental e suas interações com as obras civis. Sobre esse assunto, cumpre lembrar que, modernamente, a durabilidade das estruturas é um dos principais parâmetros do projeto de uma obra. Assim, cabe ao calculista de uma estrutura de concreto armado e protendido incorporar, na conceituação do projeto, os preceitos e as normas da ABNT referentes ao meio ambiente em que a obra se encontra. A principal medida a ser tomada para proteger a estrutura da agressividade ambiental é a denominada espessura de cobrimento da armadura, representada por uma camada de concreto que protege as barras de aço da agressividade do ambiente (sol, chuva, CO, CO2, NOx, sal marinho etc.). Esse cobrimento, detalhado pela NBR (Norma Brasileira) e por outras normas do exterior, depende da agressividade ambiental e do tipo de estrutura. Exemplificando: para as classes de agressividade ambiental I (fraca), II (moderada), III (forte) e IV (muito forte), as espessuras do cobrimento são, respectivamente, 20mm, 25mm, 35mm e 45mm para lajes de concreto armado. Já para vigas e pilares de concreto armado, esses valores passam a ser 25mm, 35mm, 40mm e 50mm, respectivamente. Vale ressaltar que o engenheiro deve estar consciente tanto da importância da agressividade ambiental nos projetos civis quanto das providências práticas a serem tomadas no projeto para assegurar a durabilidade das estruturas. 2. Análise das alternativas A – Alternativa incorreta. JUSTIFICATIVA. As ações mecânicas atuantes, as variações volumétricas de origem térmica e a retração hidráulica que ocorrem na estrutura possibilitam a agressão, mas não afetam a Material Específico – Engenharia Civil – Consolidado - 2º semestre de 2016 e 1º semestre de 2017 - CQA/UNIP 7 agressividade do meio ambiente. A agressividade do meio é uma característica própria, independentemente de haver ou não a estrutura nele inserida. B – Alternativa incorreta. JUSTIFICATIVA. A agressividade do meio ambiente é uma característica de cada meio, independentemente das ações físicas que atuam sobre as estruturas de concreto. C – Alternativa incorreta. JUSTIFICATIVA. A agressividade do meio ambiental nas estruturas de concreto ou de suas partes está relacionada às açõesfísicas e químicas que atuam sobre as estruturas de concreto, mas não depende de ações mecânicas, de reações volumétricas de origem térmica e nem de retração hidráulica que ocorre em toda peça estrutural de concreto. D – Alternativa incorreta. JUSTIFICATIVA. A agressividade do meio ambiental nas estruturas de concreto está relacionada não somente às ações químicas, mas também às ações físicas características nesse meio, como a erosão causada pela chuva e pelo vento. E – Alternativa correta. JUSTIFICATIVA. A agressividade do meio ambiente nas estruturas de concreto ou de suas partes está relacionada às ações físicas e químicas características desse meio, independentemente de qualquer característica das estruturas contidas no meio. O que depende dos esforços internos ou externos atuantes nas peças estruturais é o efeito da agressividade, ou seja, é o grau de agressão que tal estrutura sofrerá. 3. Indicações bibliográficas HELENE, P. L. Contribuição ao estudo da corrosão em armaduras de concreto armado – (Livre Docência). Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. São Paulo, 1993. METHA, P. K.; MONTEIRO, P. J. M. Concreto: estrutura, propriedades e materiais. São Paulo: Pini, 1994. Material Específico – Engenharia Civil – Consolidado - 2º semestre de 2016 e 1º semestre de 2017 - CQA/UNIP 8 Questão 2 Questão 2.2 O muro de arrimo representado no desenho abaixo teve a sua seção transversal pré- dimensionada conforme indicado na figura. Suponha que o empuxo de terra ativo de magnitude 50kN atua perpendicularmente ao paramento do muro à 0,9m de sua base e que o muro de concreto ciclópico pesa 30kN, com resultante localizada a 0,5m do ponto A. Se o momento de tombamento (Mt) é aquele provocado apenas pelo empuxo de terra (E) e o momento resistente (Mr) é proveniente apenas do peso do muro (W), então A. Mt = 12kN.m e Mr = 15kN.m. B. Mt = 12kN.m e Mr = 30kN.m. C. Mt = 15kN.m e Mr = 12kN.m. D. Mt = 32kN.m e Mr = 12kN.m. E. Mt = 32kN.m e Mr = 15kN.m. 1. Introdução teórica Obras de terra. Estabilidade de encostas. Contenção de maciços terrosos. A contenção de maciços de terra é um dos assuntos mais importantes da engenharia civil. Na prática mais recente, porém, esse assunto tem sido negligenciado. A falta de cuidado com obras de terra causou acidentes de diversas proporções. Tais acidentes, desde os mais inofensivos até os mais graves, quase sempre eram evitáveis. 2Questão 10 – Enade 2011. Material Específico – Engenharia Civil – Consolidado - 2º semestre de 2016 e 1º semestre de 2017 - CQA/UNIP 9 Toda edificação nova modifica o estado de tensões existente no terreno que a suporta. Para restaurar as condições de equilíbrio e de estabilidade, são necessárias as obras de contenção. A definição e o dimensionamento da solução mais adequada para cada caso dependem mais das características do solo, isto é, do seu comportamento e da sua resistência, do que propriamente das cargas atuantes sobre ele. A instabilidade de um maciço terroso ocorre com o surgimento de uma cunha de ruptura, ilustrada na figura 1, cuja forma depende da natureza e da constituição geológica dos solos que o compõem. Figura 1. Forma aproximada da cunha de ruptura conforme a constituição do solo. Em solos arenosos, nos quais há pouca coesão entre as suas partículas sólidas, tais cunhas formam-se a partir de uma superfície praticamente plana, que surge desde os primeiros centímetros de escavação ou de aterro. Já nos solos argilosos, nos quais é elevada a coesão entre as suas partículas sólidas, a cunha de ruptura apresenta uma superfície côncava, que demora mais para se formar. Um solo argiloso, por ser bastante coesivo, pode suportar elevados cortes verticais, com mais de 3m de altura, mantendo razoável estabilidade por semanas. Porém, quando se desprende do maciço, a cunha desliza de uma vez, sem aviso, como um bloco único. A conceituação popular afirma que o solo argiloso é um solo bom, por ser mais resistente, mas essa ideia é falsa. O solo arenoso mostra que, desde o princípio, o corte não permanecerá estável e não suportará a escavação. Dentre as muitas formas de restaurar a estabilidade do maciço resultante de um corte ou de um aterro, uma é o muro de arrimo proposto na questão. O seu equilíbrio, bem como o equilíbrio de outras contenções similares, como as cortinas “estaca-prancha” ou as paredes- diafragma, pode ser rompido pela ação, isolada ou combinada, de três fatores distintos, ilustrados na figura 2. Material Específico – Engenharia Civil – Consolidado - 2º semestre de 2016 e 1º semestre de 2017 - CQA/UNIP 10 Figura 2. Possíveis rupturas do equilíbrio de uma peça de contenção de maciços terrosos. Analisando a figura 2, temos o que segue. Tombamento ou rotação da peça de contenção é o que ocorre quando o momento atuante, devido ao empuxo do maciço em relação ao ponto mais desfavorável (A), torna-se maior do que o momento resistente, por causa do peso próprio ou do engaste da contenção. Escorregamento da contenção é o que ocorre quando o empuxo horizontal do maciço supera a força de atrito na interface horizontal solo-concreto, na sua base. Afundamento da contenção é o que ocorre quando o seu peso, somado ao componente vertical do empuxo do maciço, superam a capacidade de suporte do solo, ou seja, superam a Tensão Admissível à Compressão. A correta determinação da resistência de um solo ao cisalhamento é uma das tarefas mais complexas da Mecânica dos Solos (CAPUTO, 1996). Tampouco é fácil a determinação do fator de atrito entre o solo e o concreto do muro, bem como da máxima tensão de compressão que tal solo suporta, ou seja, a sua Tensão Admissível (σadmissível). A constituição do solo e o seu grau de saturação, ou quantidade de água presente nos espaços entre as suas partículas sólidas, também influenciam esses fatores. Com relação à definição das tensões atuantes, a tarefa é mais simples. Para o muro de arrimo por gravidade, como o tratado no enunciado, as cargas, representadas na figura 3, são: - os empuxos, ativo e passivo, decorrentes da pressão do maciço terroso. - a tensão de compressão no solo, decorrente do peso do muro de arrimo. - a tensão de cisalhamento no solo, decorrente do atrito entre o solo e a base do muro de arrimo. Material Específico – Engenharia Civil – Consolidado - 2º semestre de 2016 e 1º semestre de 2017 - CQA/UNIP 11 Figura 3. Esforços atuantes em um murro de arrimo por gravidade. Para verificar a estabilidade da contenção, uma vez determinados todos os esforços, atuantes e resistentes, basta fazer a sua verificação estática com relação aos três aspectos já mencionados: tombamento, escorregamento e afundamento. Contudo, restam ainda algumas dúvidas. Apesar da simplicidade da questão, o enunciado parece conter equívocos. Em primeiro lugar, no texto, afirma-se que o empuxo de terra ativo de magnitude 50kN atua perpendicularmente ao paramento do muro a 0,9m de sua base. Na figura, porém, a cota correspondente a essa situação é 0,80m, como ilustra a figura 4. Figura 4. Empuxo de terra ativo, segundo o enunciado. Em seguida, o texto informa que o muro de concreto ciclópico pesa 30kN, com resultante localizada a 0,5m do ponto A, mas a figura indica a resultante passando pelo centro geométrico da base da sua seção transversal (figura 5). Material Específico – Engenharia Civil – Consolidado - 2º semestre de 2016 e 1º semestre de 2017 - CQA/UNIP 12 Figura 5. Linha de atuação da força peso, segundo o enunciado.O concreto ciclópico é constituído de pasta de cimento, areia, pedra britada e, principalmente, de agregados de grandes dimensões. É mais utilizado quando se pretende obter grandes massas em detrimento de resistência elevada. As peças estruturais executadas com esse material têm constituição relativamente homogênea: é razoável considerar que o seu peso específico seja praticamente igual em toda a peça. Para que a resultante da força Peso (W = 30kN) passe pelo centro geométrico da base da seção transversal do muro, é necessário que o material seja intencionalmente heterogêneo. A parte da peça à esquerda do eixo vertical, ilustrada na figura 6 como A1, deve ter peso específico bem maior do que o da parte A2, à direita do eixo, pois o seu volume é bem menor. Figura 6. Seção transversal do muro dividida em relação à força peso. Como o valor do volume A2 é cerca de 1,6 vezes maior do que o do volume A1, tal situação só seria possível se uma parte fosse de concreto ciclópico e a outra de concreto com agregados muito leves, tais como isopor ou argila expandida. Ainda que essa execução seja fácil, em condições de canteiro de obra, o ideal é que o maior peso fique na parte que está à direita, para que entre em contato direto com o maciço a ser contido, por ser a que mais contribui para o equilíbrio dos momentos. Material Específico – Engenharia Civil – Consolidado - 2º semestre de 2016 e 1º semestre de 2017 - CQA/UNIP 13 Em condições habituais de canteiro, o centro de massa do muro deveria ocorrer não no centro de sua base, mas bem próximo ao centro geométrico da sua seção transversal, ou seja, à direita do centro da sua base, como indica a figura 7. Figura 7. Peso passando pelo centro geométrico da seção transversal. Uma terceira informação do enunciado refere-se ao eixo de tombamento do muro. Em geral, tal eixo de rotação situa-se na aresta da base do muro oposta ao maciço, representada pelo ponto O na figura 8. Para que o eixo de rotação passe pelo ponto A, ele teria de permanecer estático, e toda a massa inferior do muro, com 1,00m de largura por 0,50m de altura, de concreto ciclópico, teria de elevar-se para girar em torno de A. Figura 8. Eixos de tombamento da seção transversal do muro. Para que isso aconteça, seria necessário que a aresta A fosse suportada por uma rocha sã e de elevadíssima resistência à compressão. 2. Resolução da questão A figura 9 apresenta a resultante do empuxo de terra ativo, E = 50kN, e as possibilidades do braço de alavanca, tanto em relação ao ponto A quanto em relação ao ponto O, que dão origem ao momento de tombamento. Apresenta, também, a força peso e o seu respectivo braço de alavanca, tanto em relação ao ponto A quanto ao ponto O, que dão origem ao momento resistente. Material Específico – Engenharia Civil – Consolidado - 2º semestre de 2016 e 1º semestre de 2017 - CQA/UNIP 14 Figura 9. Eixos de tombamento da seção transversal do muro. Seja qual for o eixo de tombamento considerado, A ou O, o valor do momento resistente será Mr = 30kNx0,50m = 15kNm Já o valor do momento de tombamento, em relação ao ponto A, seria Mt = 50kNx(0,90–0,50)m = 20kNm Ou Mt = 50kNx(0,80–0,50)m = 15kNm Considerando o ponto O, o valor do momento de tombamento poderia ser de Mt = 50kNx0,90m = 45kNm, ou Mt = 50kNx0,80m = 40kNm Não há, portanto, nenhuma alternativa de resposta que satisfaça ao enunciado e a questão foi anulada. 3. Indicações bibliográficas CAPUTO, H. P. Mecânica dos solos e suas aplicações. 6. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1996. HACHICH, W. Fundações: teoria e prática. São Paulo: Pini, 1998. PINTO, C. S. Curso básico de mecânica dos solos. São Paulo: Oficina de Textos, 2002. Material Específico – Engenharia Civil – Consolidado - 2º semestre de 2016 e 1º semestre de 2017 - CQA/UNIP 15 Questão 3 Questão 3.3 Os sistemas de transporte de água de abastecimento e de coleta de esgotos sanitários devem ser, respectivamente, projetados e calculados como A. condutos forçados e condutos livres. B. condutos livres e condutos forçados. C. condutos sob pressão igual à atmosférica. D. condutos por gravidade e condutos forçados. E. condutos sob pressão diferente da atmosférica. 1. Introdução teórica Hidráulica geral. Saneamento básico. A água, como qualquer outro líquido, escoa naturalmente dos pontos mais altos para os pontos mais baixos do relevo. Se depender apenas da natureza, é completamente verdadeiro o dito popular “fogo de morro acima, água de morro abaixo..., ninguém segura”. Para dirigir o escoamento, isto é, para conduzir a água para determinado lugar, é necessário utilizar condutos. Quando tais condutos apenas dirigem o escoamento, são abertos para a atmosfera, ou, pelo menos, mantêm uma linha da superfície do escoamento sob pressão atmosférica, empregando apenas a ação da força da gravidade, eles são denominados condutos livres. Quando se pretende contrariar a natureza e conduzir a água morro acima, torna-se necessário introduzir energia no sistema. Quando a água desce, mas queremos impedir o escoamento, mantendo-a no canal, à disposição, ele deve estar fechado. Dessa maneira, haverá pressão interna maior do que a atmosférica dentro do conduto, denominado conduto forçado. O estudo do escoamento de líquidos é dividido em duas formas distintas de tratamento: o escoamento em condutos livres e o escoamento em condutos forçados. A diferença entre ambos é, basicamente, a pressão interna atuante no conduto. A energia da água é constituída dos três componentes que seguem. Energia potencial ou de posição: é função de sua altura em relação ao nível do mar ou a qualquer outra referência adotada. Energia cinética: é função da sua velocidade de escoamento. Energia piezométrica: é função da pressão. Nos condutos livres, a energia piezométrica é nula, pois sempre há uma superfície ou uma linha do líquido livre em contato direto com a atmosfera, como ilustra a figura 1. Assim, a causa 3Questão 11 – Enade 2011. Material Específico – Engenharia Civil – Consolidado - 2º semestre de 2016 e 1º semestre de 2017 - CQA/UNIP 16 do escoamento é apenas a ação da força da gravidade. São exemplos de condutos livres rios, represas, canais artificiais, calhas de coleta de águas pluviais de telhados, sarjetas e galerias, bem como toda a rede coletora de esgotos. Figura 1. Exemplos de seções transversais de condutos livres. Com relação aos tubos, tanto coletores de esgotos quanto de águas pluviais, pode ocorrer uma situação em que, eventualmente, o líquido escoando ocupe todo o espaço disponível. Enquanto houver pelo menos uma linha do líquido submetida apenas à pressão atmosférica, o escoamento continua sendo em conduto livre e, nesse caso extremo, é denominado escoamento em conduto livre à seção plena. Já no escoamento de líquidos em condutos forçados, além de ocupar toda a seção do conduto, o líquido está submetido a uma pressão interna maior do que a atmosférica. Nesse caso, a causa principal do escoamento é a diferença de pressão, ou seja, o líquido flui de um ponto de maior pressão para outro ponto de menor pressão. 2. Análise da questão Os sistemas de transporte de água de abastecimento, na rede pública ou na área interna dos domicílios, sempre estão submetidos à pressão interna maior do que a atmosférica. Devem, portanto, ser projetados e calculados como condutos forçados. Os sistemas de coleta de esgotos sanitários são condutos que devem funcionar, no máximo, com escoamento à seção plena, projetados e calculadoscomo condutos livre. Alternativa correta: A. 3. Indicações bibliográficas AZEVEDO NETO, J. M. Manual de hidráulica. São Paulo: Edgard Blucher, 2008. BAPTISTA, M. B. Fundamentos de Engenharia. 3. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2008. GRIBBIN, J. E. Introdução à hidráulica, hidrologia e gestão de águas pluviais. Minas Gerais: Universidade Federal de Minas Gerais, 2003. Material Específico – Engenharia Civil – Consolidado - 2º semestre de 2016 e 1º semestre de 2017 - CQA/UNIP 17 Questão 4 Questão 4.4 Os critérios gerais seguidos em projeto, operação e manutenção de controle de drenagem urbana, no aspecto hidrológico, envolvem diretrizes, tais como: I. definição do volume de deflúvio. II. picos de vazão excedendo valores naturais. III. desvio dos primeiros instantes da chuva para um reservatório. IV. bacia de detenção capaz de armazenar deflúvio, determinando a altura de precipitação e a liberação em período de tempo predeterminado. É correto apenas o que se afirma em A. I e II. B. I e IV. C. II e III. D. I, III e IV. E. II, III e IV. 1. Introdução teórica Hidrologia. Hidráulica aplicada. Precipitações, escoamento superficial e drenagem urbana. Entende-se por drenagem urbana um conjunto de soluções de engenharia destinadas a coletar e a conduzir as águas pluviais até os cursos d’água naturais, causando o menor transtorno possível às regiões urbanas. O conceito de “menor transtorno possível” está intimamente ligado à questão dos recursos financeiros disponíveis, como em qualquer outro setor público. No setor da saúde, por exemplo, o menor transtorno possível seria o atendimento completo e imediato a qualquer cidadão que necessitasse desse suporte; no setor dos transportes, seria a condução rápida e confortável de e para qualquer lugar, em qualquer instante. Como os recursos financeiros são limitados e, geralmente, inferiores às necessidades, alguns parâmetros de atendimento devem ser definidos antes de se dimensionarem as referidas soluções de engenharia. No setor da drenagem urbana, uma das principais definições é a vazão de projeto. Definir uma vazão de projeto significa adotar uma vazão máxima de escoamento superficial para a qual o sistema de drenagem a ser projetado deve ser suficiente. Eventuais vazões superiores a essa não serão suportadas pelo sistema e provocarão enchentes. Por isso, devem ser eventuais e não frequentes. 4Questão 12 – Enade 2011. Material Específico – Engenharia Civil – Consolidado - 2º semestre de 2016 e 1º semestre de 2017 - CQA/UNIP 18 Esse parâmetro é a função das quantidades e intensidades das precipitações em cada região e das características do terreno. Nas áreas pavimentadas, por exemplo, quase não há infiltração das águas pluviais no solo. Assim, quase todo o volume de dada precipitação transforma-se em volume escoado, ou volume de deflúvio. As características de uso e de ocupação do solo costumam modificar-se ao longo do tempo. Áreas de pasto ou de várzea transformam-se em áreas industriais ou residenciais, onde ruas de terra são pavimentadas, gerando volumes crescentes de deflúvio. Quando essa elevação atinge volumes que não podem ser conduzidos pelos canais de escoamento disponíveis, tornam- se necessários os reservatórios de retenção, que seguram parte do escoamento antes do momento da vazão de pico, para devolvê-la mais tarde à rede de drenagem. Na área urbana, são mais conhecidos os piscinões e os tanques de retenção de edifícios. Tais retenções também poderiam ser feitas com mais eficiência por meio de pequenas represas de regularização de montante das regiões mais inundáveis. 2. Análise das afirmativas I – Afirmativa correta. JUSTIFICATIVA. Sem conhecer o volume que vai escoar, não seria possível dimensionar coletores nem eventuais tanques de retenção. II – Afirmativa incorreta. JUSTIFICATIVA. Uma das principais premissas de um projeto de drenagem é aceitar que ocorram vazões que excedam à vazão de projeto, provocando enchentes, desde que sejam eventuais para um período de recorrência assumido como tolerável. III – Afirmativa correta. JUSTIFICATIVA. O volume retido antes do momento da vazão de pico contribui para reduzir essa vazão, critério para definição dos tanques de retenção já mencionados. IV – Afirmativa correta. JUSTIFICATIVA. Representa o mesmo princípio da afirmativa III, com menos clareza de definição. Alternativa correta: D. Material Específico – Engenharia Civil – Consolidado - 2º semestre de 2016 e 1º semestre de 2017 - CQA/UNIP 19 3. Indicações bibliográficas AZEVEDO NETO, J. M. Manual de hidráulica. São Paulo: Edgard Blucher, 2008. BAPTISTA, M. B.; LARA, M. Fundamentos de Engenharia. 3. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2008. GRIBBIN, J. E. Introdução à hidráulica, hidrologia e gestão de águas pluviais. Minas Gerais: Universidade Federal de Minas Gerais, 2003. TUCCI, M. E.; CARLOS, A. Hidrologia. Rio Grande do Sul: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2008.