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Quais são as técnicas utilizadas na agricultura sustentável para proteção do solo contra processos erosivos?


a) Reflorestamento e manejo integrado de pragas.
b) Desenvolvimento de cordões de vegetação permanente e rotação de culturas.
c) Plantio direto e biocontrole de pragas agrícolas.
d) Todas as alternativas estão corretas.

Em relação a um projeto de aterro sanitário, analise as sentenças a seguir:
I- A massa específica dos resíduos sólidos é igual em qualquer época da vida útil programada para o aterro sanitário.
II- A geração diária de resíduos sólidos é tomada como base da população residente.
III- O projeto de aterro sanitário deve ter vida útil mínima de dez anos.
Assinale a alternativa CORRETA:

I- A massa específica dos resíduos sólidos é igual em qualquer época da vida útil programada para o aterro sanitário.
II- A geração diária de resíduos sólidos é tomada como base da população residente.
III- O projeto de aterro sanitário deve ter vida útil mínima de dez anos.
a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a sentença II está correta.
c) ( ) As sentenças II e III estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença III está correta.

Barragens são estruturas constituídas de múltiplos elementos que, juntos, provêm a estrutura e a geometria características de um barramento. De acordo com os elementos de uma barragem de terra constituídos de solo, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
( ) Talude de montante.
( ) Extravasor.
( ) Fundação.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:

Talude de montante é um elemento de uma barragem de terra constituído de solo.
Extravasor é um elemento de uma barragem de terra constituído de solo.
Fundação é um elemento de uma barragem de terra constituído de solo.
a) ( ) V - F - F.
b) ( ) V - F - V.
c) ( ) F - V - F.
d) ( ) F - F - V.

Nem sempre os locais onde se pretende constituir uma barragem têm qualificação técnica adequada para a obra. Para isso, foram criadas técnicas de tratamento dos solos e das rochas locais, visando à adequação. Frente a isso, disserte sobre as possibilidades de tratamento de fundações em barragens de terra.


Os aterros sanitários são estruturas do futuro, compostas para trazer maior controle técnico e ambiental para a disposição de rejeitos sólidos. No entanto, o Brasil ainda apresenta baixa taxa de aterros, sobretudo nas regiões norte e nordeste, precedendo a utilização de lixões. Nesse contexto, disserte sobre as dificuldades de erradicação de lixões no Brasil.


No território brasileiro, a estabilidade de taludes em encostas é dada pela NBR 11.682/2009, na qual se pode observar as condições necessárias para averiguar a segurança dos maciços sem e com intervenção (ABNT, 2009). Na necessidade de intervenção para aumentar o fator de segurança em solos e rochas, existem estruturas capazes de fornecer suporte e elevar a estabilidade em locais de fragilidade. Dentre essas estruturas, podemos mencionar os muros de gabião, os muros de flexão e os muros de gravidade, além de alternativas mais robustas, a exemplos dos solos grampeados e das cortinas atirantadas. Contudo, quando se quer alterar as condições de comportamento do solo sem uso de novas estruturas formadas, é possível utilizar as técnicas de melhoramento ou estabilização, que visam aumentar a resistência do solo ao cisalhamento, diminuir a permeabilidade e/ou aumentar seu peso específico. Assim, neste tópico, estudaremos algumas noções de projetos em Geotecnia Ambiental. Dentre elas, nos aprofundaremos nas estruturas de contenção de rochas e solos, bem como nos métodos de estabilização de solos. Vejamos!

A NBR 11.682/2009 estabelece as condições necessárias para averiguar a segurança dos maciços sem e com intervenção.
Os muros de gabião, os muros de flexão e os muros de gravidade são estruturas capazes de fornecer suporte e elevar a estabilidade em locais de fragilidade.
Os solos grampeados e as cortinas atirantadas são exemplos de estruturas mais robustas que os muros de gabião, os muros de flexão e os muros de gravidade.
As técnicas de melhoramento ou estabilização visam aumentar a resistência do solo ao cisalhamento, diminuir a permeabilidade e/ou aumentar seu peso específico.

Os muros de arrimo são estruturas de contenção que têm como objetivo prevenir que o solo se desloque e assuma uma inclinação mais instável. Essas estruturas podem ser divididas em três classes específicas, a saber:
• muros de flexão;
• muros de gravidade;
• muros de gabião.
Os muros de gravidade têm a característica de serem mais robustos do que os outros exemplos, uma vez que sustentam o solo apenas com o seu peso próprio, composto de concreto. O muro de gabião é um exemplo parecido com o muro de gravidade, uma vez que também se utiliza do seu peso próprio para estabilizar a massa de solo, porém, nesse caso, o muro se compõe de peças pré-moldadas de enrocamento envolto por telas, as quais são instaladas no local, sobrepondo as camadas. Por outro lado, os muros de flexão trabalham com o aço em auxílio ao baixo peso próprio, que se torna necessário nesse caso específico para estabilizar o talude.

Os muros de arrimo são estruturas de contenção que têm como objetivo prevenir que o solo se desloque e assuma uma inclinação mais instável.
Os muros de gravidade sustentam o solo apenas com o seu peso próprio, composto de concreto.
O muro de gabião se compõe de peças pré-moldadas de enrocamento envolto por telas, as quais são instaladas no local, sobrepondo as camadas.
Os muros de flexão trabalham com o aço em auxílio ao baixo peso próprio, que se torna necessário nesse caso específico para estabilizar o talude.

Quais são as três etapas do dimensionamento de muros de arrimo?


1. pré-dimensionamento; 2. definição dos empuxos atuantes; 3. verificação da estabilidade (tombamento, escorregamento e ruptura do terreno).

What is soil chemical stabilization?
a) A process that uses alkaline agents to create calcification reactions, increasing the diameter of particles by cementation and creating a more stable structure.
b) A process that uses acidic agents to create calcification reactions, increasing the diameter of particles by cementation and creating a more stable structure.
c) A process that uses organic agents to create calcification reactions, increasing the diameter of particles by cementation and creating a more stable structure.
d) A process that uses mechanical agents to create calcification reactions, increasing the diameter of particles by cementation and creating a more stable structure.

a) A
b) B
c) C
d) D

Como é feita a avaliação da quantidade de material a ser administrado em uma quantidade de solo para estabilização química? Quais são as recomendações de Nogueira, Santos e Borges (2020) para a determinação do teor de umidade da amostra? Como é feita a dosagem de cimento Portland adequada para a estabilização química de solo? Quais são as diferentes adequações diante do tipo de cimento Portland utilizado?


De acordo com o texto, quais são as técnicas de melhoramento e estabilização de solos?


a) Deep Soil Mixing (DSM), Jet Grouting e instalação de drenos.
b) Perfuração, injeção de cimento e instalação de drenos.
c) DSM, Jet Grouting e escavação.

What is the method used for the execution of Soil Nailing?

a. Injection of cement grout at high pressures and insertion of steel bars.
b. Insertion of steel bars and application of reinforced concrete.
c. Injection of cement grout at low pressures and insertion of steel bars.
d. Application of reinforced concrete and injection of cement grout at high pressures.

Este texto não apresenta uma pergunta clara e objetiva que possa ser considerada uma questão de um teste.

O uso de equipamentos de compactação é imprescindível para obter bons resultados de densidade de um solo e, assim, conseguir promover o aumento de sua resistência. A compactação mecânica é uma forma de melhoramento que não exige a adição de produtos químicos. Sobre a utilização de equipamentos de compactação para solos finos, quanto ao mais adequado nesses casos, assinale a alternativa CORRETA:


a) ( ) Rolo liso ou vibratório.
b) ( ) Placa vibratória.
c) ( ) Rolo pé de carneiro.
d) ( ) Compactador manual.

A estabilização de solos é uma tática de melhoramento em que se retira a necessidade de busca de solos de melhor qualidade em outras jazidas, melhorando o que se tem e diminuindo os custos de transporte. Com base nos modelos de estabilização, quanto aos métodos de estabilização, analise as sentenças a seguir:
I- Estabilização física.
II- Estabilização química.
III- Estabilização mecânica.
Assinale a alternativa CORRETA:


a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a sentença II está correta.
c) ( ) As sentenças I, II e III estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença III está correta.

A estabilização química de solos é aplicável quando se deseja aumentar o diâmetro de partículas em busca de maior estruturação do solo, por floculação, carbonatação ou cimentação. De acordo com os produtos químicos utilizados para a estabilização química, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
( ) Solo-cal.
( ) Solo-cimento.
( ) Solo-betume.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:


a) ( ) V - F - F.
b) ( ) V - V - V.
c) ( ) F - V - F.
d) ( ) F - F - V.

Os muros de contenção são estruturas que buscam estabilizar maciços de solo instáveis, agindo com seu peso próprio ou com a utilização de aço para assegurar a imobilização da massa de solo. Dentre as possíveis condições, disserte sobre a utilização de muros de gabião como a melhor alternativa relacionada à drenagem das estruturas de contenção.


Os muros de arrimo ou de contenção têm como premissa a contenção de solo com diferentes iniciativas. Há algumas diferenças de materiais constituintes, finalidades ou peso e esbeltez. Nesse contexto, disserte sobre os princípios que fundamentam a utilização da técnica de muro de flexão.


Identify the source that presents a study on the improvement of soils with Portland cement.


A) ANTT - National Land Transportation Agency.
B) Arteris - Technological Development Center.
C) Azevedo, C. A. et al.
D) Botelho, M. R. et al.

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Questões resolvidas

No test question was found in the given text.

Quais são as técnicas utilizadas na agricultura sustentável para proteção do solo contra processos erosivos?


a) Reflorestamento e manejo integrado de pragas.
b) Desenvolvimento de cordões de vegetação permanente e rotação de culturas.
c) Plantio direto e biocontrole de pragas agrícolas.
d) Todas as alternativas estão corretas.

Em relação a um projeto de aterro sanitário, analise as sentenças a seguir:
I- A massa específica dos resíduos sólidos é igual em qualquer época da vida útil programada para o aterro sanitário.
II- A geração diária de resíduos sólidos é tomada como base da população residente.
III- O projeto de aterro sanitário deve ter vida útil mínima de dez anos.
Assinale a alternativa CORRETA:

I- A massa específica dos resíduos sólidos é igual em qualquer época da vida útil programada para o aterro sanitário.
II- A geração diária de resíduos sólidos é tomada como base da população residente.
III- O projeto de aterro sanitário deve ter vida útil mínima de dez anos.
a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a sentença II está correta.
c) ( ) As sentenças II e III estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença III está correta.

Barragens são estruturas constituídas de múltiplos elementos que, juntos, provêm a estrutura e a geometria características de um barramento. De acordo com os elementos de uma barragem de terra constituídos de solo, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
( ) Talude de montante.
( ) Extravasor.
( ) Fundação.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:

Talude de montante é um elemento de uma barragem de terra constituído de solo.
Extravasor é um elemento de uma barragem de terra constituído de solo.
Fundação é um elemento de uma barragem de terra constituído de solo.
a) ( ) V - F - F.
b) ( ) V - F - V.
c) ( ) F - V - F.
d) ( ) F - F - V.

Nem sempre os locais onde se pretende constituir uma barragem têm qualificação técnica adequada para a obra. Para isso, foram criadas técnicas de tratamento dos solos e das rochas locais, visando à adequação. Frente a isso, disserte sobre as possibilidades de tratamento de fundações em barragens de terra.


Os aterros sanitários são estruturas do futuro, compostas para trazer maior controle técnico e ambiental para a disposição de rejeitos sólidos. No entanto, o Brasil ainda apresenta baixa taxa de aterros, sobretudo nas regiões norte e nordeste, precedendo a utilização de lixões. Nesse contexto, disserte sobre as dificuldades de erradicação de lixões no Brasil.


No território brasileiro, a estabilidade de taludes em encostas é dada pela NBR 11.682/2009, na qual se pode observar as condições necessárias para averiguar a segurança dos maciços sem e com intervenção (ABNT, 2009). Na necessidade de intervenção para aumentar o fator de segurança em solos e rochas, existem estruturas capazes de fornecer suporte e elevar a estabilidade em locais de fragilidade. Dentre essas estruturas, podemos mencionar os muros de gabião, os muros de flexão e os muros de gravidade, além de alternativas mais robustas, a exemplos dos solos grampeados e das cortinas atirantadas. Contudo, quando se quer alterar as condições de comportamento do solo sem uso de novas estruturas formadas, é possível utilizar as técnicas de melhoramento ou estabilização, que visam aumentar a resistência do solo ao cisalhamento, diminuir a permeabilidade e/ou aumentar seu peso específico. Assim, neste tópico, estudaremos algumas noções de projetos em Geotecnia Ambiental. Dentre elas, nos aprofundaremos nas estruturas de contenção de rochas e solos, bem como nos métodos de estabilização de solos. Vejamos!

A NBR 11.682/2009 estabelece as condições necessárias para averiguar a segurança dos maciços sem e com intervenção.
Os muros de gabião, os muros de flexão e os muros de gravidade são estruturas capazes de fornecer suporte e elevar a estabilidade em locais de fragilidade.
Os solos grampeados e as cortinas atirantadas são exemplos de estruturas mais robustas que os muros de gabião, os muros de flexão e os muros de gravidade.
As técnicas de melhoramento ou estabilização visam aumentar a resistência do solo ao cisalhamento, diminuir a permeabilidade e/ou aumentar seu peso específico.

Os muros de arrimo são estruturas de contenção que têm como objetivo prevenir que o solo se desloque e assuma uma inclinação mais instável. Essas estruturas podem ser divididas em três classes específicas, a saber:
• muros de flexão;
• muros de gravidade;
• muros de gabião.
Os muros de gravidade têm a característica de serem mais robustos do que os outros exemplos, uma vez que sustentam o solo apenas com o seu peso próprio, composto de concreto. O muro de gabião é um exemplo parecido com o muro de gravidade, uma vez que também se utiliza do seu peso próprio para estabilizar a massa de solo, porém, nesse caso, o muro se compõe de peças pré-moldadas de enrocamento envolto por telas, as quais são instaladas no local, sobrepondo as camadas. Por outro lado, os muros de flexão trabalham com o aço em auxílio ao baixo peso próprio, que se torna necessário nesse caso específico para estabilizar o talude.

Os muros de arrimo são estruturas de contenção que têm como objetivo prevenir que o solo se desloque e assuma uma inclinação mais instável.
Os muros de gravidade sustentam o solo apenas com o seu peso próprio, composto de concreto.
O muro de gabião se compõe de peças pré-moldadas de enrocamento envolto por telas, as quais são instaladas no local, sobrepondo as camadas.
Os muros de flexão trabalham com o aço em auxílio ao baixo peso próprio, que se torna necessário nesse caso específico para estabilizar o talude.

Quais são as três etapas do dimensionamento de muros de arrimo?


1. pré-dimensionamento; 2. definição dos empuxos atuantes; 3. verificação da estabilidade (tombamento, escorregamento e ruptura do terreno).

What is soil chemical stabilization?
a) A process that uses alkaline agents to create calcification reactions, increasing the diameter of particles by cementation and creating a more stable structure.
b) A process that uses acidic agents to create calcification reactions, increasing the diameter of particles by cementation and creating a more stable structure.
c) A process that uses organic agents to create calcification reactions, increasing the diameter of particles by cementation and creating a more stable structure.
d) A process that uses mechanical agents to create calcification reactions, increasing the diameter of particles by cementation and creating a more stable structure.

a) A
b) B
c) C
d) D

Como é feita a avaliação da quantidade de material a ser administrado em uma quantidade de solo para estabilização química? Quais são as recomendações de Nogueira, Santos e Borges (2020) para a determinação do teor de umidade da amostra? Como é feita a dosagem de cimento Portland adequada para a estabilização química de solo? Quais são as diferentes adequações diante do tipo de cimento Portland utilizado?


De acordo com o texto, quais são as técnicas de melhoramento e estabilização de solos?


a) Deep Soil Mixing (DSM), Jet Grouting e instalação de drenos.
b) Perfuração, injeção de cimento e instalação de drenos.
c) DSM, Jet Grouting e escavação.

What is the method used for the execution of Soil Nailing?

a. Injection of cement grout at high pressures and insertion of steel bars.
b. Insertion of steel bars and application of reinforced concrete.
c. Injection of cement grout at low pressures and insertion of steel bars.
d. Application of reinforced concrete and injection of cement grout at high pressures.

Este texto não apresenta uma pergunta clara e objetiva que possa ser considerada uma questão de um teste.

O uso de equipamentos de compactação é imprescindível para obter bons resultados de densidade de um solo e, assim, conseguir promover o aumento de sua resistência. A compactação mecânica é uma forma de melhoramento que não exige a adição de produtos químicos. Sobre a utilização de equipamentos de compactação para solos finos, quanto ao mais adequado nesses casos, assinale a alternativa CORRETA:


a) ( ) Rolo liso ou vibratório.
b) ( ) Placa vibratória.
c) ( ) Rolo pé de carneiro.
d) ( ) Compactador manual.

A estabilização de solos é uma tática de melhoramento em que se retira a necessidade de busca de solos de melhor qualidade em outras jazidas, melhorando o que se tem e diminuindo os custos de transporte. Com base nos modelos de estabilização, quanto aos métodos de estabilização, analise as sentenças a seguir:
I- Estabilização física.
II- Estabilização química.
III- Estabilização mecânica.
Assinale a alternativa CORRETA:


a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a sentença II está correta.
c) ( ) As sentenças I, II e III estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença III está correta.

A estabilização química de solos é aplicável quando se deseja aumentar o diâmetro de partículas em busca de maior estruturação do solo, por floculação, carbonatação ou cimentação. De acordo com os produtos químicos utilizados para a estabilização química, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
( ) Solo-cal.
( ) Solo-cimento.
( ) Solo-betume.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:


a) ( ) V - F - F.
b) ( ) V - V - V.
c) ( ) F - V - F.
d) ( ) F - F - V.

Os muros de contenção são estruturas que buscam estabilizar maciços de solo instáveis, agindo com seu peso próprio ou com a utilização de aço para assegurar a imobilização da massa de solo. Dentre as possíveis condições, disserte sobre a utilização de muros de gabião como a melhor alternativa relacionada à drenagem das estruturas de contenção.


Os muros de arrimo ou de contenção têm como premissa a contenção de solo com diferentes iniciativas. Há algumas diferenças de materiais constituintes, finalidades ou peso e esbeltez. Nesse contexto, disserte sobre os princípios que fundamentam a utilização da técnica de muro de flexão.


Identify the source that presents a study on the improvement of soils with Portland cement.


A) ANTT - National Land Transportation Agency.
B) Arteris - Technological Development Center.
C) Azevedo, C. A. et al.
D) Botelho, M. R. et al.

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AmbientAl
Prof.ª Andressa Vigne Xavier 
Prof.ª Luisa de Moura Leão
GeotecniA
Indaial – 2022
1a Edição
Impresso por:
Elaboração:
Prof.ª Andressa Vigne Xavier 
Prof.ª Luisa de Moura Leão
Copyright © UNIASSELVI 2022
 Revisão, Diagramação e Produção:
Equipe Desenvolvimento de Conteúdos EdTech
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech UNIASSELVI
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI.
Núcleo de Educação a Distância. Xavier, Andressa Vigne.
Geotecnia Ambiental. Andressa Vigne Xavier; Luisa de Moura Leão. Indaial - 
SC: UNIASSELVI, 2022.
239 p.
ISBN 978-65-5646-463-3
ISBN Digital 978-65-5646-464-0
“Graduação - EaD”.
1. Geotecnia 2. Ambiental 3. Centro Universitário Leonardo da Vinci
CDD 624.151
Bibliotecário: João Vivaldo de Souza CRB- 9-1679
Olá, estudante!
A Geotecnia Ambiental é uma disciplina advinda da Geotecnia, que se aplica 
aos problemas ambientais atuais relacionados ao solo. Trata-se de uma ciência, de 
certa forma, recente, que se aliou às necessidades do mundo moderno: disposição de 
resíduos sólidos, contaminação de solos e águas subterrâneas, movimentos de massa 
sob ações antrópicas e outros.
Na Unidade 1, veremos os conceitos básicos da Geotecnia Ambiental e o seu 
fundamento principal de análise, que é a concepção dos movimentos de massa em 
taludes de solo e/ou rocha. Para tanto, aprenderemos os cálculos de resistência ao 
cisalhamento de taludes. Essa formulação dá ao engenheiro a confirmação ou não da 
estabilidade daquele maciço. No caso de não haver estabilidade confirmada, parte-se 
para a avaliação de riscos geotécnicos e geológicos, bem como a tomada de decisão 
para mitigação dos riscos prováveis.
Em seguida, na Unidade 2, estudaremos os processos geológicos comuns e 
os agravantes relacionados às ações antrópicas. Também veremos as principais difi-
culdades e degradações causadas por processos minerários, barragens, lixões, aterros 
controlados e rodovias. Entenderemos, ainda, como se dá a aplicação de geossintéticos 
para minimização, controle e/ou mitigação de danos em Geotecnia. 
Por fim, na Unidade 3, aprenderemos noções de como se avalia a contaminação 
do solo por agentes químicos e as formas de remediação. Além disso, entenderemos 
mais sobre a legislação aplicável aos projetos de disposição de resíduos sólidos, os 
principais aspectos da construção de barragens, diques e outros aterros, assim como a 
respeito dos projetos de contenção de áreas propensas à instabilização.
Bons estudos!
Prof.ª Andressa Vigne Xavier 
Prof.ª Luisa de Moura Leão
APRESENTAÇÃO
GIO
Olá, eu sou a Gio!
No livro didático, você encontrará blocos com informações 
adicionais – muitas vezes essenciais para o seu entendimento 
acadêmico como um todo. Eu ajudarei você a entender 
melhor o que são essas informações adicionais e por que você 
poderá se beneficiar ao fazer a leitura dessas informações 
durante o estudo do livro. Ela trará informações adicionais 
e outras fontes de conhecimento que complementam o 
assunto estudado em questão.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos 
os acadêmicos desde 2005, é o material-base da disciplina. 
A partir de 2021, além de nossos livros estarem com um 
novo visual – com um formato mais prático, que cabe na 
bolsa e facilita a leitura –, prepare-se para uma jornada 
também digital, em que você pode acompanhar os recursos 
adicionais disponibilizados através dos QR Codes ao longo 
deste livro. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura 
interna foi aperfeiçoada com uma nova diagramação no 
texto, aproveitando ao máximo o espaço da página – o que 
também contribui para diminuir a extração de árvores para 
produção de folhas de papel, por exemplo.
Preocupados com o impacto de ações sobre o meio ambiente, 
apresentamos também este livro no formato digital. Portanto, 
acadêmico, agora você tem a possibilidade de estudar com 
versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.
Preparamos também um novo layout. Diante disso, você 
verá frequentemente o novo visual adquirido. Todos esses 
ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos 
nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, 
para que você, nossa maior prioridade, possa continuar os 
seus estudos com um material atualizado e de qualidade.
Acadêmico, você sabe o que é o ENADE? O Enade é um 
dos meios avaliativos dos cursos superiores no sistema federal de 
educação superior. Todos os estudantes estão habilitados a participar 
do ENADE (ingressantes e concluintes das áreas e cursos a serem 
avaliados). Diante disso, preparamos um conteúdo simples e objetivo 
para complementar a sua compreensão acerca do ENADE. Confira, 
acessando o QR Code a seguir. Boa leitura!
Olá, acadêmico! Para melhorar a qualidade dos materiais ofertados a você – 
e dinamizar, ainda mais, os seus estudos –, nós disponibilizamos uma diversidade de QR 
Codes completamente gratuitos e que nunca expiram. O QR Code é um código que permite 
que você acesse um conteúdo interativo relacionado ao tema que você está estudando. Para 
utilizar essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor de QR Code. Depois, 
é só aproveitar essa facilidade para aprimorar os seus estudos.
ENADE
LEMBRETE
Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma 
disciplina e com ela um novo conhecimento. 
Com o objetivo de enriquecer seu conheci-
mento, construímos, além do livro que está em 
suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, 
por meio dela você terá contato com o vídeo 
da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementa-
res, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de 
auxiliar seu crescimento.
Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que 
preparamos para seu estudo.
Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!
QR CODE
SUMÁRIO
UNIDADE 1 — ASPECTOS DE GEOTECNIA AMBIENTAL .........................................1
TÓPICO 1 — GEOTECNIA AMBIENTAL DE SOLOS TROPICAIS ............................... 3
1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 3
2 DETERMINAÇÃO DE PARÂMETROS AMBIENTAIS DE SOLOS TROPICAIS .......4
2.1 CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA..................................................................................... 4
2.2 MINERALOGIA DAS ARGILAS .......................................................................................... 8
2.3 SOLOS COLAPSÁVEIS E EXPANSÍVEIS ...........................................................................9
RESUMO DO TÓPICO 1 .......................................................................................... 13
AUTOATIVIDADE ................................................................................................... 14
TÓPICO 2 — MOVIMENTOS DE MASSA ..................................................................17
1 INTRODUÇÂO .......................................................................................................17
2 RESISTÊNCIA AO CISALHAMENTO................................................................... 18
3 ESTABILIDADE DE TALUDES E ENCOSTAS ......................................................22
4 EMPUXOS DE TERRA .........................................................................................32
5 TÉCNICAS DE ESTABILIZAÇÃO ........................................................................34
6 RESÍDUOS, REJEITOS E ESTÉREIS ..................................................................36
6.1 CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA .................................................................................. 36
6.2 SISTEMAS DE DISPOSIÇÃO ............................................................................................38
RESUMO DO TÓPICO 2 ..........................................................................................43
AUTOATIVIDADE .................................................................................................. 44
TÓPICO3 — RISCOS GEOLÓGICOS E GEOTÉCNICOS ......................................... 47
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 47
2 AVALIAÇÃO DE RISCO ....................................................................................... 47
3 INSTRUMENTAÇÃO GEOTÉCNICA ....................................................................52
3.1 MEDIDORES DE NÍVEL D’ÁGUA (INAs) .......................................................................... 55
3.2 MEDIDORES DE POROPRESSÃO (PZs) .........................................................................57
3.3 MEDIDORES DE DESLOCAMENTOS .............................................................................. 62
LEITURA COMPLEMENTAR ..................................................................................65
RESUMO DO TÓPICO 3 .......................................................................................... 72
AUTOATIVIDADE ................................................................................................... 73
REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 75
UNIDADE 2 — CONTROLE AMBIENTAL NA GEOTECNIA ...................................... 81
TÓPICO 1 — IMPACTOS NA GEOTECNIA AMBIENTAL E PROCESSOS 
DE CONTROLE ...................................................................................83
1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................83
2 AÇÕES ANTRÓPICAS IMPACTANTES AOS SOLOS E ÀS ROCHAS ...................83
2.1 IMPACTO DAS CIDADES ..................................................................................................84
2.2 IMPACTO DA AGRICULTURA ...........................................................................................86
2.3 IMPACTO DAS ATIVIDADES DE MINERAÇÃO ............................................................. 87
2.4 SETOR DA CONSTRUÇÃO CIVIL E SEUS IMPACTOS .................................................89
3 TÉCNICAS DE CONSERVAÇÃO DE SOLOS E ROCHAS ..................................... 91
3.1 CONSERVAÇÃO DE SOLOS ...............................................................................................91
3.2 CONSERVAÇÃO DAS ROCHAS ....................................................................................... 95
4 EROSÃO E ASSOREAMENTO EM ÁREAS URBANAS E RURAIS: 
FORMAÇÃO, CONSEQUÊNCIAS E FORMAS DE CONTROLE ............................. 97
4.1 PROCESSOS EROSIVOS ....................................................................................................97
4.2 IMPACTOS AMBIENTAIS DE PROCESSOS EROSIVOS .............................................. 101
4.3 PROCESSOS DE ASSOREAMENTO ............................................................................ 102
RESUMO DO TÓPICO 1 ........................................................................................103
AUTOATIVIDADE .................................................................................................104
TÓPICO 2 — CONTROLE AMBIENTAL ................................................................. 107
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 107
2 CONTROLE AMBIENTAL NA EXTRAÇÃO DE AREIA, NAS PEDREIRAS 
E NA EXTRAÇÃO MINERAL .............................................................................. 107
2.1 IMPACTOS DA MINERAÇÃO NOS COMPARTIMENTOS AMBIENTAIS .................... 109
2.2 INSTRUMENTOS DE CONTROLE DAS ATIVIDADES MINERADORAS .................... 110
3 CONTROLE AMBIENTAL NA DISPOSIÇÃO DE RESÍDUOS .............................. 113
3.1 CLASSIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS .................................................................................. 114
3.2 TRATAMENTO DE RESÍDUOS ......................................................................................... 116
4 CONTROLE AMBIENTAL EM LAVOURAS ..........................................................119
4.1 TECNOLOGIAS AMBIENTALMENTE CORRETAS NAS ATIVIDADES AGRÍCOLAS .....122
5 USO DE GEOSSINTÉTICOS EM PROBLEMAS AMBIENTAIS ........................... 125
5.1 TIPOS DE GEOSSINTÉTICOS .......................................................................................... 126
RESUMO DO TÓPICO 2 .........................................................................................131
AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 132
TÓPICO 3 — IMPACTO AMBIENTAL DE OBRAS GEOTÉCNICAS E FORMAS 
DE REMEDIAÇÃO ............................................................................ 135
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 135
2 RODOVIAS ........................................................................................................ 136
3 BARRAGENS .................................................................................................... 141
4 LIXÕES E ATERROS CONTROLADOS ..............................................................145
4.1 TIPOS DE REMEDIAÇÃO ..................................................................................................147
4.2 REALIDADE DO BRASIL E DO MUNDO ........................................................................ 151
LEITURA COMPLEMENTAR ................................................................................ 153
RESUMO DO TÓPICO 3 ........................................................................................ 162
AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 163
REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 165
UNIDADE 3 — PROJETOS EM GEOTECNIA AMBIENTAL ....................................171
TÓPICO 1 — PROJETOS EM GEOTECNIA AMBIENTAL ....................................... 173
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 173
2 ESCOLHA DE MATERIAIS .................................................................................177
2.1 PROBLEMAS COM SOLOS GROSSOS .......................................................................... 181
2.2 PROBLEMAS COM SOLOS FINOS ................................................................................ 183
2.3 PROBLEMAS COM ROCHAS ........................................................................................ 184
3 ESCOLHA DE ÁREAS ........................................................................................186
3.1 ÁREAS PARA ATERROS SANITÁRIOS .......................................................................... 186
3.2 ÁREAS PARA BARRAGENS ........................................................................................... 188
RESUMO DO TÓPICO 1 ........................................................................................190
AUTOATIVIDADE ..................................................................................................191
TÓPICO 2 — NOÇÕES DE PROJETOS EM GEOTECNIA AMBIENTAL ................. 193
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 193
2 REMEDIAÇÃO DE SOLOS CONTAMINADOS .................................................... 193
2.1 FONTES DE CONTAMINAÇÃO ....................................................................................... 194
2.2 MÉTODOS DE REMEDIÇÃO .......................................................................................... 195
3 DISPOSIÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS MUNICIPAIS ...................................... 197
3.1 LIXÕES ................................................................................................................................197
3.2 ATERROS CONTROLADOS ............................................................................................199
3.3 ATERROS SANITÁRIOS ................................................................................................... 199
4 CONTRUÇÃO DE BARRAGENS, DIQUES E ATERROS .....................................201
RESUMO DO TÓPICO 2 ........................................................................................207
AUTOATIVIDADE ................................................................................................ 208
TÓPICO 3 — NOÇÕES DE PROJETOS DE CONTENÇÃO E ESTABILIZAÇÃO 
DE ENCOSTAS ................................................................................. 211
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................... 211
2 ESTRUTURAS DE CONTENÇÃO ...................................................................... 211
3 MÉTODOS DE ESTABILIZAÇÃO ...................................................................... 215
3.1 ESTABILIZAÇÃO MECÂNICA DE SOLOS .......................................................................215
3.2 ESTABILIZAÇÃO QUÍMICA DE SOLOS ..........................................................................217
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................... 223
RESUMO DO TÓPICO 3 ........................................................................................ 231
AUTOATIVIDADE ................................................................................................ 232
REFERÊNCIAS .................................................................................................... 235
1
UNIDADE 1 — 
ASPECTOS DE GEOTECNIA 
AMBIENTAL
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
 A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• entender os conceitos-base da Geotecnia Ambiental;
•	 definir	a	existência	de	movimentos	de	massa	inerentes	aos	indícios	de	instabilidade	 
e	calcular	a	resistência	ao	cisalhamento	de	solos	para	avaliação	da	estabilidade;
•	 delimitar	a	diferença	entre	os	conceitos	de	resíduos,	rejeitos	e	estéreis,	bem	como	as	
formas	aceitas	de	disposição;
•	 avaliar	riscos	geotécnicos	e	geológicos,	assim	como	a	interpretação	da	instrumenta-
ção	geotécnica.
	 A	cada	tópico	desta	unidade	você	encontrará	autoatividades	com	o	objetivo	de	
reforçar	o	conteúdo	apresentado.
TÓPICO 1 - GEOTECNIA AMBIENTAL DE SOLOS TROPICAIS
TÓPICO 2 - MOVIMENTOS DE MASSA
TÓPICO 3 - RISCOS GEOTÉCNICOS E GEOLÓGICOS
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
2
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 1!
Acesse o 
QR Code abaixo:
3
GEOTECNIA AMBIENTAL 
DE SOLOS TROPICAIS
TÓPICO 1 — UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
A	Geotecnia	Ambiental	é	um	 ramo	de	estudo	da	Engenharia	Geotécnica	que	
aborda	a	geotecnologia	aplicada	a	construções	diversas.	O	engenheiro	geotécnico	tem	
um	trabalho	composto	de	investigação,	levando	em	conta	os	aspectos	socioeconômicos,	
ambientais	e	operacionais	de	uma	região	de	estudo.	Todas	essas	condições	são	inerentes	
ao	entendimento	da	viabilidade	de	Engenharia,	principalmente	no	que	diz	 respeito	à	
qualidade	 do	 solo	 para	 determinada	 construção.	 Um	 exemplo	 é	 quando	 estudamos	
sobre	 aterros	 sanitários:	 existem	 condições	 técnicas	 específicas	 para	 a	 escolha	 de	
áreas	adequadas	para	a	construção,	de	modo	que	beneficie	o	transporte,	a	coleta	e	a	
manutenção	do	local.
No	caso	de	obras	 lineares,	podem	ser	delimitadas	as	obras	de	arte	especiais,	
como	dutovias,	ferrovias,	rodovias,	túneis,	canais	e	 linhas	de	transmissão.	Para	todas	
essas	 estruturas,	 são	 necessárias	 avaliações	 de	 fundações	 e	 contenções	 (cortinas	
atirantadas,	solos	grampeados,	muros	de	arrimo,	estacas	e	outros)	ao	longo	do	traçado,	
que	são	abordadas	em	Geotecnia	Ambiental.
O	desenvolvimento	urbano,	no	âmbito	de	áreas	de	risco,	também	é	um	objeto	
de	 estudo	 quanto	 à	 suscetibilidade	 ao	 deslizamento	 e	 às	 inundações,	 bem	 como	 o	
monitoramento	geotécnico	de	taludes	em	instrumentação	típica	e	o	melhoramento	de	
áreas	contaminadas.	
Especificamente	no	caso	da	mineração,	a	Geotecnia	Ambiental	se	expande	para	
acompanhar	todo	o	processo	de	 retirada	de	minérios,	deposição	de	 rejeitos,	estudos	
de	risco	de	ruptura	de	barragens,	modelagens	geomecânicas	de	cavas	e	estudos	de	
viabilidade	de	exploração	de	jazidas.
Assim,	neste	primeiro	tópico,	avaliaremos	a	base	da	Geotecnia	Ambiental,	que	
é	a	determinação	de	parâmetros	de	 solo,	 especificamente,	 em	territórios	 tropicais;	 a	
movimentação	 de	massa	 e	 a	 resistência	 ao	 cisalhamento;	 a	 abordagem	 de	 rejeitos,	
estéreis	e	resíduos;	além	da	avaliação	de	risco	em	Geotecnia	a	partir	de	instrumentação	
e	outras	frentes.	
4
2 DETERMINAÇÃO DE PARÂMETROS AMBIENTAIS DE 
SOLOS TROPICAIS
O	 território	 brasileiro	 está	 sob	 a	 condição	do	 clima	 tropical,	 o	 que	propicia	 a	
formação	de	solos	específicos.	No	caso	das	obras	de	terra	relacionadas	a	esses	solos,	
o	comportamento	também	é	diferenciado,	especialmente	no	caso	de	solos	saprolíticos	
e	lateríticos.
O solo saprolítico	é	aquele	que	ainda	apresenta	estruturas	da	rocha-mãe	do	
qual	foi	derivado,	tendo	o	seu	horizonte	superficial	bem	mais	evoluído	em	termos	de	
solo	do	que	os	mais	profundos	(rocha	alterada),	sendo	considerado	residual.	No	outro	
caso,	o	solo laterítico	tem	uma	evolução	mais	 intensa	relaciona	a	todo	o	seu	perfil.	
Geralmente,	é	um	solo	residual	ou	transportado,	derivado	de	diversos	materiais.	
A	formação	de	ambos	é	objeto	dos	processos	de	intemperismo	direto	ao	clima:	
alta	temperatura	e	ação	da	chuva,	o	que	os	tornam	diferentes	quanto	à	classificação	
adotada	 em	 outros	 países	 de	 clima	 temperado.	 Por	 se	 tratar	 de	 solos	 considerados	
“velhos”	ou	“maduros”,	pois	apresentam	decomposição	concluída,	têm	uma	estrutura	
que	visa	quimicamente	à	cimentação	e	proporciona	um	elemento	interessante	de	ser	
estudado	para	obras	geotécnicas.	
Precursores	 do	 estudo	de	 solos	 tropicais,	Nogami	 e	Villibor	 (1995)	 entendem	
que	uma	parcela	dos	finos,	em	solos	lateríticos,	está	agregada,	formando	uma	estrutura	
de	aspecto	esponjoso,	de	alta	permeabilidade	e	comportamento	colapsável.	No	caso	
dos	solos	saprolíticos,	o	comportamento	dos	finos	é	expansível	devido	à	presença	de	
argilominerais	expansivos,	a	exemplos	da	montmorilonita	e	da	ilita.	
2.1 CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA
A	caracterização	geotécnica	específica	para	solos	tropicais	se	difere	das	usuais	
Transportation Research Board	(TRB	-	pavimentos	rodoviários)	e	Classificação	Unificada	
de	Arthur	Casagrande	(SUCS	-	barragens).	
Para	 solos	 tropicais,	 é	 recomendada	 a	 utilização	da	 classificação	Miniatura, 
Compactado, Tropical (MCT),	proposta	por	Nogami	e	Villibor	(1995).	Tal	metodologia	se	
apresenta	com	a	determinação	de	propriedades	a	partir	de	corpos	de	prova	compactados	
e	moldados	com	50	mm	de	diâmetro	e	130	mm	de	altura.	É	aplicada	somente	a	solos	finos	
(aqueles	que	passam	na	peneira	de	2mm	-	#10)	e	permite	entender,	especificamente,	
três	características	de	solos	tropicais:	permeabilidade,	contração	e	penetração.
5
De	acordo	com	Araújo	e	Dantas	Neto	(2014,	p.	3,	grifos	nossos),	essa	metodologia:
[…]	 incide	na	escolha	de	ensaios	que	podem	ser	o	ensaio	de	Mini-
MCV	 (Moisture Condition Value),	 avaliação	 da	 perda	 de	massa	 por	
imersão	(verifica	se	o	solo	é	colapsável/expansivo)	pelo	Mini-CBR,	e	a	
compactação	 em	 miniatura	 com	 um	 equipamento	 conhecido	 como	
Mini Proctor.
A	campanha	de	ensaios	Mini-MCV	nos	permite	avaliar	o	teor	de	umidade	a	partir	
de	energias	crescentes	para	chegar	a	um	peso	específico	máximo.	
A metodologia MCT, em seu início, veio trazer a oportunidade 
de construir pavimentos com solos tropicais com custo menor, 
em vista da laterização. Nesse sentido, vários estudos foram 
feitos para avaliar a viabilidade de alguns solos em pavimentos 
rodoviários. Para saber mais, acesse o link: http://twixar.me/
XdMm. Acesso em: 20 set. 2022.
INTERESSANTEOs	procedimentos	desse	e	de	outros	ensaios	 são	determinados	por	normas	do	
Departamento	Nacional	de	Estradas	de	Rodagem	(DNER),	predecessor	do	Departamento	
Nacional	de	Infraestrutura	de	Transportes	(DNIT),	a	saber:
• DER/SP M196/89:	classificação	de	solos	tropicais	segundo	a	metodologia	MCT;
• DER/SP M191/88:	ensaio	de	compactação	de	solos	em	equipamento	miniatura;
• DER/SP M192/89:	determinação	do	índice	do	suporte	de	Mini-CBR	e	de	expansão	
de	solos	compactados	com	equipamento	miniatura;
• DNER-ME 228/94:	solos	-	compactação	em	equipamento	miniatura;
• DNER-ME 256/94:	solos	compactados	com	equipamento	miniatura	-	determinação	
da	perda	de	massa	por	imersão;
• DNER-ME 258/94:	solos	compactados	em	equipamento	miniatura	-	Mini-MCV;
• DNER-CLA 259/96:	 classificação	 de	 solos	 tropicais	 para	 finalidades	 rodoviárias	
utilizando	corpos-de-prova	compactados	em	equipamento	miniatura.
6
Figura 1 – Grupo de ensaios na metodologia MCT
Fonte: Adaptada de DNER (1996)
De	acordo	com	a	norma	DNER-CLA	259	(1996),	os	resultados	dos	ensaios	são	
alocados	em	tabela	em	que	foram	propostos	dois	grupos	de	solo:	os	de	comportamento	
laterítico	(L)	e	os	de	comportamento	não	laterítico	(N),	com	seus	subgrupos.
Metodologia MCT
Campanha de 
Mini-CBR
Campanha de 
Mini-MCV
Campanha in situ
Ensaio de 
compactação 
Mini-Proctor
Ensaio de 
compactação 
Mini-MCV
Ensaio de perda 
de massa por 
imersão
Expansão e 
contração
Mini-CBR com 
penetrômetro
Mini-CBR com 
controle de 
umidade
Mini-CBR 
convencional
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8
O	 método	 de	 Nogami	 e	 Villibor	 (1995)	 foi	 readaptado	 por	 Vertamatti	 (1988),	
que	adicionou	à	classificação	os	solos	transicionais,	como	os	coluvionares,	criando	a	
classificação MCT-M,	que	dividiu	os	solos	tropicais	em	mais	grupos,	especificamente,	
os	de	comportamento	de	transição:
1.	 NA	(areia	não	laterítica);
2.	 NG’	(solo	argiloso	não	letrítico);
3.	 NS’	(solos	siltosos	não	lateríticos);
4.	 NS´G’	(solo	silto-argiloso	não	laterítico);	
5.	 TA’	(solo	arenoso	transicional);	
6.	 TA’G’	(solo	areno-argiloso	transicional);
7.	 TG’	(solo	argiloso	transicional);
8.	 LA	(areia	laterítica);
9.	 LA’	(solo	arenoso	laterítico);
10.	 LA’G’	(solo	areno-argiloso	laterítico);
11.	 LG’	(solo	argiloso	laterítico).
Por	fim,	podemos	entender	que	as	metodologias	usuais	do	Sistema	Unificado	de	
Arthur	Casagrande	e	do	Sistema	TRB	(Transportation	Research	Board,	da	AASHTO)	foram	
desenvolvidas	 em	 território	 de	 clima	 predominantemente	 temperado,	 que	 origina	 solos	
menos	 intemperizados	(arenosos,	siltosos).	Dessa	forma,	entende-se	que	a	classificação	
MCT	tem	a	capacidade	de	aferir	melhor	as	condições	de	solos	para	países	como	o	Brasil,	
de	solos	muito	intemperizados,	maduros	e	de	fração	predominante	de	argila,	como	nos	
saprólitos	e	lateritas,	além	da	presença	de	argilominerais	em	grande	quantidade.	
2.2 MINERALOGIA DAS ARGILAS 
De	acordo	com	o	Branco	(2014),	argila	é	o	nome	dado	à	partícula	de	solo	com	
dimensões	abaixo	de	1/256	milímetros	(4	micrômetros)	de	diâmetro,	todos,	porém,	são	
filossilicatos	(silicatos	que	formam	lâminas).	São	estruturas	em	camadas	de	agrupamentos	 
de	tetraedros	de	sílica	e	octaedros	de	alumínio	que	surgem	em	diferentes	arranjos,	de	
acordo	com	o	tipo	de	argilomineral,	são	macios	e	com	dureza	2	na	escala	de	Mohs.
O artigo a seguir apresenta um compilado de informações sobre a 
classificação mineral diante dos aspectos geológicos apresentados 
por eles. Dentro da escala de Mohs, os minerais podem ser 
classificados com relação à dureza do diamante (mais duro, que 
risca outros materiais) até o talco (pouco duro, suscetível à riscos 
com a unha). Aprenda um pouco mais sobre o assunto no link: 
https://sgbeduca.cprm.gov.br/media/adultos/propriedades_
minerais.pdf. Acesso em: 20 set. 2022.
DICA
https://sgbeduca.cprm.gov.br/media/adultos/propriedades_minerais.pdf
https://sgbeduca.cprm.gov.br/media/adultos/propriedades_minerais.pdf
9
De	 acordo	 com	 Victoria	 (2018),	 o	 principal	 componente	 das	 argilas	 são	 os	
argilominerais,	que	têm	características	distintas	conforme	sua	estrutura	cristalina	e	
suas	propriedades	físico-químicas,	e	elas	têm	a	capacidade	de	tornar	as	argilas	mais	ou	
menos	plásticas.	
A	Figura	2,	a	seguir,	traz	a	estrutura	típica	de	argilominerais	que	apresentam	
estruturas	placoides,	de	empilhamento	regular	entre	as	folhas	dos	tetraedros	de	silício	
e	octaedros	de	alumínio,	sendo	subdivididos	em	alguns	grupos.
Figura 2 - Estrutura organizacional de argilominerais
Fonte: Victoria (2018, p. 23)
O grupo da caulinita	apresenta	estrutura	regular	(1:1),	sem	a	presença	de	água	
entre	as	folhas,	 logo,	não	tem	expansividade.	Já	o	grupo da esmectita	admite	a	água	
interlamelar	(2:1),	que	infere	alta	expansividade	e	plasticidade	ao	material.	Por	sua	vez,	
o grupo da ilita	admite	água	interlamelar	em	menor	quantidade.	
2.3 SOLOS COLAPSÁVEIS E EXPANSÍVEIS
O	 início	 do	 estudo	 dos	 solos	 expansíveis	 se	 deu	 com	 o	 conhecimento	 do	
chamado	massapê baiano,	em	que	os	solos	expansíveis	são	causados	por	fenômenos	
complexos	 físico-químicos,	 que	 causam	 a	 tensão	 de	 expansão	 desse	 tipo	 de	 solo	
quando	reage	com	partículas	de	água.	Esse	fenômeno	está	associado	à	presença	de	
10
argilominerais	dos	grupos	2:1,	tendo	como	principais	representantes	a	montmorilonita	
e	 a	 ilita,	 que	 apresentam	 expansividade	 maior	 do	 que	 os	 outros	 grupos	 devido	 ao	
desbalanceamento	de	cargas	iônicas.	
A	propriedade	mais	 importante	dos	argilominerais	expansivos	é	a	capacidade	
de	mudar	de	volume	pela	absorção	de	moléculas	de	água	ou	outros	 íons	polares	em	
sua	estrutura.	Eles	apresentam	alta	Capacidadede	Troca	Catiônica	 (CTC),	sendo	que	
a	atração	das	partículas	de	água	aumenta	o	volume	da	estrutura.	O	tratamento	desse	tipo	 
de	solo	é	feito	com	a	adição	de	substâncias	de	pH	alto	para	reagir	com	a	CTC	presente	
no	solo	e	fazer	com	que	este	se	mantenha	mais	estável.	
Com a leitura do artigo a seguir será possível entender como se dá a 
estabilização química com solos expansivos a partir das reações químicas 
de floculação, carbonatação e cimentação, a depender do caso, mas sempre 
relacionado à fração de partículas de argila. Acesse o link: https://www.abge.
org.br/downloads/revistas/RevistaABGE_Propriedades_geootecnicas.pdf. 
Acesso em: 20 set. 2022.
DICA
De	 acordo	 com	 Soares,	 Soares	 e	 Conterato	 (2013),	 os	 solos	 expansivos	 são	
de	 difícil	 identificação,	 pois	 a	 expansão	 não	 depende	 unicamente	 das	 propriedades	
intrínsecas	do	solo,	mas,	também,	das	condições	em	que	se	encontram	e	das	lhe	são	
impostas.	
A	 avaliação	 de	 suscetibilidade	 ao	 colapso	 desse	 tipo	 de	 solo	 está	 ligada	
aos	 ensaios	 de	 adensamento	 (ensaios	 edométricos)	 e	 avaliação	 de	 deformações	
volumétricas.	Bowles	(1977)	criou	uma	escala	de	avaliação	de	expansividade	com	base	 
na	alta	atividade	das	argilas,	conforme	podemos	observar	na	tabela	a	seguir:
Tabela 2 – Potencial de expansão
Fonte: adaptada de Bowles (1977)
Potencial de 
expansão
IP IC LL
Baixo <	18 >	15 20	a	35
Médio 15	a	28	 10	a	15 35	a	50
Alto 25	a	41 7	a	12 50	a	70
Muito alto >	35 < 11 >	70
https://www.abge.org.br/downloads/revistas/RevistaABGE_Propriedades_geootecnicas.pdf
https://www.abge.org.br/downloads/revistas/RevistaABGE_Propriedades_geootecnicas.pdf
11
A	 classificação	 de	 expansão	 de	 Bowles	 (1977),	 portanto,	 leva	 em	 conta	 os	
resultados	de	ensaios	de	limites	de	consistência	(ou	limites	de	Atterberg),	na	forma	do	
Índice	de	Plasticidade	(IP),	Índice	de	Contração	(IC)	e	Limite	de	Liquidez	(LL).
Os	solos	colapsáveis,	como	os	lateríticos,	são	solos	que,	em	estado	natural,	não	
se	mantêm	 saturados,	mas,	 quando	 umedecidos,	 apresentam	 recalque	 (redução	 de	
volume),	sendo	que	tal	comportamento	pode	gerar	danos	às	estruturas	neles	apoiadas.
O	 estudo	 de	 solos	 colapsáveis,	 no	Brasil,	 começou	 na	 década	 de	 1970,	 com	
o	advento	dos	projetos	de	grandes	barragens	para	os	quais	se	encadeavam	grandes	
fundações.	São	solos	mais	comuns	na	região	centro-sul	brasileira	e	no	nordeste	do	país.	
A	sua	deposição	pode	se	dar	de	forma	aluvionar,	coluvionar	e	residual.
Você sabe qual é a diferença dos solos transportados classificados 
como alúvio, colúvio e residuais? Saiba mais sobre essa classificação 
com a leitura do artigo a seguir, que aborda como esses solos são 
denominados de acordo com o meio no qual são transportados. Acesse 
o artigo no link: https://www.geografiaopinativa.com.br/2017/09/eluvio-
coluvio-e-aluviao.html. Acesso em: 20 set. 2022.
INTERESSANTE
Em	geral,	são	solos	bastante	porosos	que	se	caracterizam	pelo	alto	índice	de	
vazios	e	pela	criação	visível	de	macroporos.	Quando	a	água	se	insere	em	seu	sistema,	
existe	um	rearranjo	da	estrutura,	diminuindo	o	seu	volume	gradual	rapidamente	diante	
da	existência	de	carga	aplicada.
Conforme	apresentado	anteriormente,	a	formação	do	solo	colapsável	pelo	meio	
de	transporte	atribui	a	ele	características	próprias	para	as	quais	é	 identificado.	O	quadro	 
na	sequência	apresenta	um	resumo	dessas	diferenças.	Acompanhe!
https://www.geografiaopinativa.com.br/2017/09/eluvio-coluvio-e-aluviao.html
https://www.geografiaopinativa.com.br/2017/09/eluvio-coluvio-e-aluviao.html
12
Quadro 1 – Solos residuais e suas características
Formação
Meio de 
deposição
Características
Coluvionar Vento
Pela	 deposição	 por	 gravidade,	 tem	 alto	 índice	 de	 vazios,	
baixa	densidade	e	pouca	ou	nenhuma	coesão.
Aluvionar Água
Formado	pela	corrida	da	água	da	chuva	e	pelo	carregamento	
de	partículas.	Os	materiais	são	depositados	em	áreas	baixas	
de	 drenagem.	 A	 água	 é	 evaporada	 antes	 de	 uma	 nova	
deposição	o	que	o	torna	mal	consolidado,	de	alto	índice	de	
vazios	e	alto	teor	de	argila.
Residual
Decomposição	
da	rocha	in situ
A	decomposição	se	mantém	no	local	de	origem	da	rocha-mãe	
e,	 geralmente,	 é	 desenvolvida	 por	 processos	 de	 lixiviação	
dos	 sais	 solúveis	 do	 composto.	 Para	 tanto,	 é	 necessária	 a	
atuação	das	chuvas	e	a	ação	da	drenagem	interna,	para	que	
a	chuva	se	infiltre.
Fonte: a autora
Para	determinar	se	o	solo	de	um	local	é	colapsável,	são	feitos	ensaios	de	forma	
direta	 e	 indireta.	 Os	métodos diretos	 são	 aqueles	 de	 aplicação	 de	 carga	 direta	 no	
material	saturado	e	avaliação	da	mudança	de	forma.	No	caso	dos	métodos indiretos,	
são	feitas	avaliações	de	caracterização	da	amostra	relacionadas	aos	índices	físicos	e	à	
qualificação	quanto	aos	limites	de	consistência	da	amostra.	
O artigo a seguir apresenta um compilado de situações e correções 
que podem ser adotadas para uso em recalques e trincas de solos 
colapsáveis. Aprenda um pouco mais sobre o assunto acessando o 
link: https://recima21.com.br/index.php/recima21/article/view/535. 
Acesso em: 20 set. 2022.
DICA
https://recima21.com.br/index.php/recima21/article/view/535
13
Neste tópico, você aprendeu:
•	 O	 que	 é	 Geotecnia	Ambiental	 e	 a	 definição	 de	 solos	 tropicais,	 entendendo	 que	 a	
formação	 de	 solos	 em	 ambiente	 de	 clima	 quente	 os	 torna	 totalmente	 diferentes	
daqueles	formados	em	clima	temperado.	A	classificação	MCT	visa	atribuir	condições	
melhores	de	classificação	desses	solos	para	obras	geotécnicas	no	país.
•	 A	mineralogia	das	argilas,	a	partir	da	presença	de	camadas	 interpostas	 (filossilicatos),	 
que	influem	na	retenção	de	água	entre	lamelas	e,	consequentemente,	na	expansão	
do	material	com	a	presença	da	água.
•	 A	existência	de	solos	colapsáveis	e	expansíveis	em	climas	tropicais,	formados	pela	
peculiaridade	do	intemperismo	nesses	lugares	e	o	conhecimento	das	limitações	de	
cada	um	frente	a	obras	geotécnicas.
•	 A	 formação	 dos	 principais	 tipos	 de	 solos	 residuais	 sob	 agentes	 transportantes,	 suas	
características	 e	 os	 cuidados	 de	manuseio	 frente	 ao	 seu	meio	 de	 deposição	 e	 a	
característica	de	inconsolidação	no	meio	depositado.
RESUMO DO TÓPICO 1
14
AUTOATIVIDADE
1	 A	classificação	de	solos	tropicais	MCT	se	mostrou	uma	alternativa	para	a	adequação	
de	solos	criados	em	clima	quente,	diferentemente	dos	estudados	em	países	como	
os	EUA,	que	fundamentou	o	método	TRB.	No	entanto,	a	mitologia	foi	aprimorada	ao	
longo	dos	anos.	Sobre	a	classificação	de	solos	tropicais	MCT-M,	quanto	ao	que	ele	
adicionou	ao	método	tradicional,	assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 Solos	transicionais.
b)	 (			)	 Mineralogia	das	argilas.
c)	 (			)	 Tamanhos	de	partícula.
d)	 (			)	 Capacidade	de	suporte.
2	 A	 instrumentação	 geotécnica	 subsidia	 a	 tomada	 de	 decisões,	 sobretudo	 quando	
se	pretende	acompanhar	uma	estrutura	para	verificar	seu	nível	de	risco.	Dentre	os	
vários	instrumentos,	existem	aplicabilidades	na	análise	destes	dentro	dos	maciços.	
Com	base	nas	definições	dos	enfoques	de	 instrumentação	geotécnica,	 analise	 as	
sentenças	a	seguir:
I-	 Os	 solos	 aluvionares	 são	 aqueles	 formados	 pelas	 corridas	 de	 água	 e	 depostos,	
geralmente,	em	 leitos	de	drenagem.	São	secos	antes	da	sua	consolidação	e,	por	
isso,	têm	alto	índice	de	vazios.	
II-	 Os	solos	residuais	são	aqueles	advindos	da	rocha-mãe	e	que	se	distribuem	com	a	
ação	dos	ventos	para	outros	locais.	
III-	 Os	solos	coluvionares	são	aqueles	depostos	pela	ação	da	gravidade	e,	por	isso,	têm	
alto	índice	de	vazios.	
Assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 As	sentenças	I	e	II	estão	corretas.
b)	 (			)	 Somente	a	sentença	II	está	correta.
c)	 (			)	 As	sentenças	I	e	III	estão	corretas.
d)	 (			)	 Somente	a	sentença	III	está	correta.
3	 O	ensaio	MCT	é	 robusto	em	termos	de	execução	e	possui	normas	brasileiras	que	o	
conduzem	para	a	realização	adequada.	Nele,	o	laboratorista	pode	optar	por	algumas	
campanhas	 de	 ensaios	 para	 averiguação,dentre	 outras	 coisas,	 da	 possibilidade	 de	
colapso	ou	da	expansão	do	solo	frente	à	 imersão.	Para	a	 indicação	das	campanhas	
de	ensaios	na	metodologia	MCT,	classifique	V	para	as	sentenças	verdadeiras	e	F	para	 
as falsas:
15
(			)	Mini-MCV.
(			)	Mini-Proctor.
(			)	Mini-CBR.
(			)	Campanha	in	situ.
Assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
a)	 (			)	 V	-	F	-	F	-	V.
b)	 (			)	 V	-	F	-	V	-	V.
c)	 (			)	 F	-	V	-	F	-	V.
d)	 (			)	 F	-	F	-	V	-	F.
4	 Os	 solos	 tropicais	 têm	 uma	 classificação	 diferente	 daquela	 que	 usualmente	
conhecemos	 para	 construção	 de	 estradas	 (TRB)	 e	 para	 construção	 de	 barragens	
(SUCs).	 Isso	 se	dá	porque	os	 solos	 tropicais	 apresentam	diferentes	origens	 frente	
à	aceleração	do	 intemperismo	propagado	nesses	 locais,	diferentemente	dos	solos	
em	 locais	de	clima	frio.	Sendo	assim,	disserte	sobre	a	ação	do	 intemperismo,	que	
precede	a	criação	dos	solos	tropicais.	
5	 No	estudo	de	solos	tropicais,	conhecer	o	perfil	de	intemperização	é	necessário	para	a	
indicação	da	qualificação	do	solo	e	da	caracterização	deste	quanto	à	expansividade	e	
colapsabilidade,	dois	problemas	muito	sérios	quando	se	leva	em	conta	a	construção	
de	fundações.	Nesse	contexto,	disserte	sobre	as	diferenças	entre	solos	lateríticos	e	
saprolíticos.
16
17
MOVIMENTOS DE MASSA
UNIDADE 1 TÓPICO 2 — 
1 INTRODUÇÂO
Os	solos	são	constituídos	de	partículas	e	forças	aplicadas	a	eles,	transmitidas	
de	partícula	a	partícula,	além	das	que	são	suportadas	pela	água	dos	vazios.	Nos	solos,	
ocorrem	tensões	devido	ao	peso	próprio	e	às	cargas	aplicadas.	Trata-se	de	tensões	pelo	
peso	do	próprio	solo,	a	saber:
• tensão efetiva (�'):	é	a	tensão	suportada	pelos	grãos	do	solo,	ou	seja,	é	a	tensão	
transmitida	pelos	contatos	entre	as	partículas;
• pressão neutra (�):	é	a	pressão	da	água,	também	denominada	de	“poro-pressão”,	
originada	pelo	peso	da	coluna	d’água	no	ponto	considerado	(� = γ a.H);	
• tensão total (�):	é	a	soma	algébrica	da	tensão	efetiva	(�')	e	da	pressão	neutra	(�).	
A	tensão	efetiva,	no	caso	de	solos	saturados	(com	preenchimento	de	vazios	por	
água),	pode	ser	expressa	por	�' = � –	�.	A	variação	da	tensão	efetiva,	relativa	ao	contato	
grão	a	grão	de	solo	ou,	então,	da	estrutura	de	solo	formada,	é	responsável	pela	variação	 
do	estado	de	tensões	do	solo,	como	na	compressão	e	resistência	ao	cisalhamento.
Uma	variação	de	tensão	se	deve	à	aplicação	de	uma	carga	na	 superfície	de	
um	 terreno,	 que	 promove	 acréscimos	 de	 tensão	 nas	 camadas	 subjacentes	 do	 solo,	
projetando-se	até	certa	profundidade	e	circundando	a	área	carregada	em	termos	de	
tensão	devido	ao	peso	próprio	do	solo,	que	também	é	 levado	em	conta.	Essa	tensão	
pode	ser	estimada	de	acordo	com	as	teorias:
• tensões de espraiamento simples:	estima-se	o	valor	das	tensões	de	acordo	com	a	
profundidade,	considerando	que	as	tensões	se	espraiam	segundo	áreas	crescentes,	
mas	sempre	se	mantendo	uniformemente	distribuídas;
• bulbo de tensões:	 denominam-se	 “isóbaras”	 as	 curvas	 ou	 superfícies	 obtidas,	
ligando	os	pontos	de	mesma	tensão	vertical;
• Teoria de Boussinesq: considera o solo como um material:
◦ homogêneo:	mesmas	propriedades	em	todos	os	pontos;	
◦ isotrópico:	mesmas	propriedades	em	todas	as	direções;	
◦ elástico:	obedece	a	Lei	de	Hooke,	� = E × ε	(tensões	proporcionais	às	deformações).
A	equação	de	Boussinesq	determina	os	acréscimos	de	tensões	verticais	devido	
a	uma	carga	pontual	aplicada	na	superfície.	Essas	cargas	aplicadas	causam	redução	
de	altura	do	maciço	de	solo,	denominadas	“recalques”.	A	deformação	progressiva	com	
as	cargas	aplicadas	pode	ser	avaliada	pelas	curvas	de	ruptura	(tensão	x	deformação)	
típicas,	obtidas	nos	ensaios	de	resistência,	as	quais	têm	uma	das	formas	mostradas	na	
figura	a	seguir.	
18
Figura 3 – Comportamento de um solo submetido à tensão de cisalhamento
Fonte: Marangon (2018, p. 131)
Na rutura frágil,	depois	de	atingir	R,	a	resistência	cai	acentuadamente	ao	se	
aumentar	a	deformação.	Obtém-se	para	o	valor	máximo	o	que	se	denomina	de	resistência	
de	 “pico”.	 Na	 rutura plástica,	 o	 esforço	máximo	 é	mantido	 com	 a	 continuidade	 da	
deformação.	Pode-se	obter,	assim,	a	chamada	resistência	“residual”.	
Além	disso,	temos	que	a	 ruptura	frágil	é	típica	de	ocorrência	em	argilas	 rijas	
e	duras	ou	areias	compactas,	enquanto	a	 ruptura	plástica	é	típica	de	ocorrência	em	
argilas	moles	ou	médias	ou	areias	fofas	ou	pouco	compactas.
2 RESISTÊNCIA AO CISALHAMENTO
Os	carregamentos	aplicados	na	superfície	causam	tensões	de	cisalhamento,	que	
podem	superar	a	máxima	tensão	resistida	daquele	solo	(ou	máxima	tensão	cisalhante),	
podendo	ocasionar	a	ruptura	do	material.	A	determinação	do	esforço	para	o	qual	um	
solo	se	rompe	é	um	problema	comumente	abordado	em	mecânica	dos	solos	e	objeto	
fundamental	 de	 aplicação	 na	 Geotecnia	 Ambiental.	 A	 partir	 desse	 comportamento	
delimitado,	são	criadas	as	análises	de	estabilidade,	que	dão	meios	de	avaliar	a	segurança	
do	maciço.	Dessa	forma,	a	resistência	ao	cisalhamento	de	um	solo	nada	mais	é	do	que	
a	tensão	cisalhante,	que	ocorre	no	plano	de	ruptura	no	instante	da	ruptura,	tal	como	
mostra	a	figura	a	seguir.
19
Figura 4 – Superfície de ruptura sob tensão de cisalhamento
Fonte: Marangon (2018, p. 121)
Diante	da	dificuldade	de	aferição	dos	parâmetros	de	 resistência	ao	cisalhamento,	
foram	criados	e	aprimorados	com	o	passar	dos	anos	alguns	ensaios	in situ	e	de	laboratório,	
que	buscam	assertividade	de	resultados	pela	comparação	entre	múltiplos	resultados.	
Assim,	 são	 obtidos	 os	 parâmetros	 drenados	 c’	 (intercepto	 coesivo	 do	material)	
e Φ (ângulo	de	atrito	entre	partículas)	para	as	condições	mais	desfavoráveis	possíveis.	A	
condição	drenada	é	levada	em	conta,	pois	somente	as	tensões	efetivas	(contato	entre	
partículas)	propiciam	a	resistência	ao	cisalhamento.	Em	solos	saturados,	a	resistência	
é	medida	por	uma	razão	entre	dois	parâmetros:	Su/S’v,	que	determinam	o	resultado	da	
resistência	não	drenada	e	da	pressão	vertical	exercida.	
Tomando	como	base	os	parâmetros	drenados,	o	ângulo	de	atrito	é	a	função	da	
interação	entre	duas	superfícies	das	partículas,	sendo	que	o	atrito	entre	elas	resulta	em	
resistência	 ao	 deslizamento	do	 solo.	A	 coesão,	 por	 outro	 lado,	 é	 definida	 pela	 atração	
química	entre	partículas,	que	é	especialmente	ligada	à	fração	coloidal	do	solo,	como	nas	
argilas.	É	de	se	esperar,	então,	que	as	areias	apresentem	coesão	nula	por	não	indicarem	
forças	de	atração	que	formem	blocos	e	torrões.	
No	entanto,	é	comum	vermos	em	praias	o	fenômeno	de	coesão	aparente,	como	
na	estabilidade	de	castelinhos	formados	de	areia.	Esse	é	um	caso	específico	que	não	
deve	ser	entendido	como	uma	coesão	real:	para	se	manter	estável,	o	castelo	deve	ser	
umedecido	de	forma	que	a	água	o	mantenha	coeso	e	não	pela	força	de	suas	partículas,	
como	deve	ser.	
20
A	 equação	 a	 seguir	 nos	mostra	 a	 relação	 de	 resistência	 utilizada	 para	 solos	
quando	adicionada	determinada	tensão	normal	vertical	(carga):	τ = c + � × tg Φ,	em	que:
• τ =	resistência	ao	cisalhamento	do	solo;
• c =	coesão	ou	intercepto	coesivo;
• σ =	tensão	normal	vertical;
• Φ	=	ângulo	de	atrito	do	solo.	
Para	 a	 obtenção	 desses	 parâmetros,	 a	 resistência	 ao	 cisalhamento	 é	
especificamente	avaliada	em	laboratório,	a	partir	de	ensaios	de	compressão	triaxial	e	
cisalhamento	direto,	mas,	também,	 in situ,	que	promove	uma	tradução	mais	apurada	
das	características	reais	do	solo	e	da	sua	estratificação.	O	quadro	a	seguir	nos	mostra	
alguns	desses	ensaios.
Quadro 2 – Ensaios de avaliação de parâmetros da resistência ao cisalhamento in situ
Fonte: a autora
Ensaio Aplicabilidade Resultados
SPT - Ensaio 
de	sondagem	à	
percussão
Solos 
granulares
O	 ensaio	 SPT	 é	 utilizado	 para	 determinar	 qualitativamente	
o	 estado	 de	 consistência	 do	 solo	 a	 partir	 do	 número	 de	
golpes	que	ele	suporta,	sem	se	deformar.	A	cada	metro	de	
solo	ensaiado,	é	analisada	a	amostra	obtida	com	a	cravação,	
para	 a	 qual	 é	 admitidauma	 estratigrafia	 do	 subsolo.	 O	
ensaio	 é	 importante	 do	 ponto	 de	vista	 geotécnico	 porque	
permite	a	observação	do	solo	 in	situ,	 sem	necessidade	de	
abertura	de	poços	ou	trincheiras.	Para	avaliar	a	 resistência	
ao	cisalhamento,	o	número	de	golpes	por	meio	de	algumas	
metodologias,	de	forma	indireta	e	correlacionado	com	outros	
parâmetros	do	solo,	é	utilizado	para	indicativo	da	resistência	
do	solo	em	termo,	especialmente,	de	ângulo	de	atrito.	
CPT - Ensaio 
de	penetração	
estática	de	
cone 
CPTU	-	Ensaio	
de	Piezocone
Solos 
granulares
Esses	 ensaios	 são	 feitos	 eletronicamente	 com	 um	
dispositivo	 com	 sensor	 na	 ponta,	 que	 lê	 a	 resistência	
do	 solo,	 a	 penetração	 da	 cravação	 e	 o	 atrito	 lateral	 das	
feições	 estratigráficas	 do	 solo,	 indicando	 na	 mudança	
de	 comportamento	 a	 alteração	 de	 material.	 A	 diferença	
desses	métodos	 para	 o	 SPT	 é	 que	 não	 é	 possível	 obter	
amostragem	na	cravação,	visto	que	o	próprio	 aparelho	 tem	
viés	de	medição	da	 resistência.	A	diferença	do	CPT	para	
o	CPTU	é,	 no	 entanto,	 singular.	 O	CPTU	avalia,	 também,	
os	 indicativos	de	pressão	neutra	positiva	(poropressão)	e	
pressão	 neutra	 negativa	 (sucção)	 para	 complementar	 a	
avaliação	do	comportamento	do	solo	em	meio	saturado.	
VT - Vane Test 
ou ensaio de 
palheta
Solos	coesivos
Ao	contrário	dos	métodos	descritos	anteriormente,	OVT	é	
aplicável	 especificamente	 aos	 solos	 coesivos	 (argilosos),	
para	o	qual	se	obtém	a	resistência	não	drenada.	Consiste	
em	uma	pá	 em	formato	de	 cruz,	 com	a	qual	 se	 crava	 o	
solo	e	se	força	a	movimentação	circular	no	meio	saturado.	
A	medição	da	resistência	do	solo	ao	torque	é	apresentada	
no	aparelho.
21
Assim,	 como	 dito	 anteriormente,	 a	 resistência	 de	 um	 solo	 está	 intimamente	
ligada	à	sua	saturação	ou,	até	mesmo,	à	condição	com	que	ele	se	drena	ou	retém	água.	A	
percolação	de	água	em	maciços	é	o	principal	processo	desencadeador	de	movimentação	
de	taludes	pela	perda	de	resistência	ao	cisalhamento.	A	água	atua	lubrificando	o	contato	
entre	partículas,	o	que	mantém	o	atrito	e	a	estrutura	estável.	Dessa	forma,	a	capacidade	
que	o	solo	tem	de	permitir	o	escoamento,	chamada	de	permeabilidade,	é	importante	
do	ponto	de	vista	geotécnico.
É	de	se	pensar	que,	diante	disso,	solos	tão	distintos,	como	as	areias	e	argilas,	
apresentem	comportamentos	drenantes	totalmente	diferentes.	Os	solos	não	coesivos,	
como	as	areias,	permitem	mais	o	escoamento	de	água	por	entre	seus	vazios,	uma	vez	
que	não	apresentam	coesão.	
A	indicação	do	coeficiente	de	permeabilidade	para	materiais	granulares	é	dada	
pela	equação	de	Hazen,	relacionada	ao	diâmetro	efetivo	(d10),	o	qual	é	obtido	a	partir	da	
curva	granulométrica.	Assim,	temos	que:	k = C × (d10 )
2.	
Frente	 a	 isso,	 consideram-se	 solos	 com	 comportamento	 de	 permeabilidade,	
como	é	apresentado	a	seguir,	em	valores	de	k (cm/seg)	por	notação	científica:
• solo de alta permeabilidade:	102 cm/seg.	Pedregulhos;
• solo de média permeabilidade:	10-2 cm/seg.	Areias;
• solo de baixa permeabilidade:	10-4	cm/seg.	Areias	muito	finas,	siltes	e	mistura	de	
ambos	com	argila;
• solo de muito baixa permeabilidade:	 10-6	 cm/seg.	 Areias	 muito	 finas,	 siltes	 e	
mistura	de	ambos	com	argila;
solo de baixíssima permeabilidade:	10-8	cm/seg.	Argilas.	
Com	isso,	pode-se	pensar	que,	se	existe	um	projeto	que	demanda	maior	imper-
meabilização	para	reduzir	a	ação	da	água	em	um	maciço,	tal	como	ocorre	nas	barragens	
de	terra,	a	adoção	de	argila	permite	maior	 segurança.	Contudo,	 se,	por	outro	 lado,	é	
necessário	promover	uma	drenagem	efetiva	ao	lado	de	filtros	para	que	o	maciço	não	
se	mantenha	saturado,	é	melhor	que	se	use	areia	para	promover	a	percolação	da	água.	
A	resistência	ao	cisalhamento	estudada	até	aqui,	porém,	não	ocorre	tão	somente	
com	a	ação	da	água	nos	maciços	e	pela	constituição	física	do	maciço	em	termos	de	
uso	de	areias	ou	argilas.	O	fenômeno	de	movimentação	de	massa,	atrelado	à	ruptura	
da	perda	de	resistência	ao	cisalhamento,	é	complexo.	Segundo	Leroueil	e	Locat	(1996),	
existe,	para	isso,	uma	perspectiva	física	no	tempo,	em	estágios	de	desenvolvimento	e,	
de	certa	forma,	infindável,	conforme	mostra	a	explicação	a	seguir	e	a	figura	na	sequência.
22
• Estágio pré-ruptura:	 inclui	 todo	 e	 qualquer	 processo	 de	 deformação	 que	 pode	
levar	à	ruptura.	Estágio	controlado	por	mudanças	na	resistência,	rastejo	ou	ruptura	
progressiva.
• Estágio de ruptura:	é	a	fase	mais	significativa	na	história	do	movimento	de	massa	
e	se	caracteriza	pela	formação	de	uma	superfície	de	cisalhamento	na	massa	de	solo.
• Estágio pós-ruptura:	 inclui	desde	a	ruptura	até	o	término	da	movimentação.	Há	um	
aumento	da	razão	de	deslocamento,	seguido	da	diminuição	progressiva	de	velocidade.
• Estágio de reativação:	ocorre	quando	uma	massa	de	solo	desliza	ao	longo	de	uma	
superfície	de	ruptura	preexistente.
Figura 5 – Estágios dos movimentos de massa
Fonte: Adaptada de Leroueil e Locat (1996 apud SANCHO, 2016, p. 26)
Com	todas	as	perspectivas	 já	apresentadas	e	a	observação	histórica,	de	acordo	
com	o	Centro	Nacional	de	Monitoramento	e	Alerta	de	Desastres	Naturais	 (CEMADEN,	
2022),	 o	Brasil	 é	 considerado	muito	 suscetível	 aos	movimentos	de	massa	devido	 às	
condições	climáticas	marcadas	por	verões	de	chuvas	 intensas	em	regiões	de	grandes	
maciços	montanhosos,	especialmente	com	ocupações	irregulares,	sem	a	infraestrutura	
adequada,	em	áreas	de	relevo	íngreme.
3 ESTABILIDADE DE TALUDES E ENCOSTAS
Como	visto,	a	instabilidade	de	um	maciço	de	terra	se	dá	quando	a	resistência	do	
solo	não	se	faz	suficiente	para	resistir	às	ações	desestabilizantes	e,	assim,	as	camadas	
podem	se	mover	uma	sobre	a	outra,	havendo	ruptura.	
De	acordo	com	Goes	(2018),	os	processos	potenciadores	da	 instabilidade	em	
maciços	de	terra	a	partir	das	tensões	são:
23
• carregamento do talude ou da crista:	 edificações,	 lançamento	de	entulho,	 lixo,	
aterros,	água	encharcando	o	talude	por	chuvas,	vazamentos	de	redes,	fossas	etc.;
• descarregamento do pé do talude:	escavações	ou	cortes,	erosão	pluvial	e	fluvial;
• pressões laterais:	água	em	fissuras;
• presença de materiais expansivos (argilas):	contato	com	água.
A	 ação	 da	 água	 nos	maciços	 de	 terra	 aumenta	 o	 estado	 de	 tensão	 no	 solo,	
possibilitando	a	sua	movimentação	em	termos	do	estado	original.	A	principal	força	que	
causa	os	movimentos	de	massa	é	a	tensão de cisalhamento,	que,	na	ação	da	água,	
supera	o	atrito	entre	partículas	que	mantêm	a	estrutura	do	solo.	
A	 ação	 da	 água	 nos	 taludes	 é	 comumente	 propiciada	 por	 surgências	 de	
lençol	freático,	nascentes,	esgotamento	a	céu	aberto	e	presença	de	espécies,	como	
a	bananeira,	que	só	crescem	com	o	acúmulo	de	umidade.	Observe	o	quadro	a	seguir:
Quadro 3 – Processos instabilizadores ligados à água
Fonte: adaptado de Goes (2018)
24
As	condições	naturais	do	 terreno	 também	 influenciam	no	potencial	 escorre-
gamento	do	maciço.	Os	solos residuais,	por	exemplo,	são	aqueles	obtidos	por	meio	
do	intemperismo	da	rocha-mãe	in situ,	ou	seja,	desintegrou-se	e	não	foi	transportado	 
para	outro	local.	
Os solos coluvionares,	por	outro	 lado,	são	aqueles	desagregados	da	rocha-
mãe,	 que	 passam	 por	 processos	 de	 transporte	 pela	 força	 gravitacional	 de	 altitudes	
maiores	para	menores.	Dessa	forma,	trata-se	de	um	solo,	geralmente,	estratificado	e	
muito	heterogêneo,	dificultando	a	sua	estabilidade.	
Os solos aluvionares	 são	 aqueles	 que	 têm	 as	 mesmas	 características	 de	
deposição	dos	coluvionares,	mas	sendo	transportados	pela	água	da	chuva.	Geralmente,	
mantêm-se	em	calhas	de	drenagem	e	são	adensados	com	o	tempo.	Há	de	se	pensar	
que	esses	solos	não	apresentam	resistência	pela	coesão	de	suas	partículas,	pois	são	
depositados	de	forma	natural,	sem	compactação	ou	qualquer	tipo	de	controle.	
Somado	a	esses	fatores	naturais,	as	condicionantes	antrópicas	influem	bastante	
na	 instabilidade	dos	maciços.	São	várias	as	 influências	negativas	causadas,	começando	
com	 a	mais	 comum:	 asupressão	vegetal	 da	 cobertura.	 Tal	 ação	 propicia	 a	 ação	 da	
água	das	 chuvas	 sob	 o	 solo	 descoberto,	 carregando	 suas	 partículas,	 aumentando	 o	
encharcamento	e	erodindo	o	solo.	
Além	disso,	 podemos	mencionar,	 também,	os	erros	em	projetos	de	drenagem	
pluvial,	a	execução	de	cortes	e	aterros	sem	qualidade	técnica	adequada,	os	vazamentos	
de	redes	de	água	e	esgoto,	bem	como	a	adição	de	aterros	sob	locais	de	 lançamento	 
de	entulho.
Quadro 4 – Fatores antrópicos instabilizantes
25
Fonte: adaptado de Goes (2018)
A	qualificação	das	movimentações	de	terra	é	comumente	dada	pela	escala de 
Varnes,	que	delimita	os	movimentos	de	terra	em	seis	tipos,	de	acordo	com	a	superfície	
de	ruptura	e	um	dos	três	tipos	de	materiais	movimentados,	conforme	apresentado	em	
resumo	no	quadro	a	seguir.	
Quadro 5 – Tipos de movimentações de terra, de acordo com a escala de Varnes
Fonte: adaptado de Varnes (1978 apud SANCHO, 2016)
Tipo de 
movimento
Rocha Detrito Terra
Queda Queda	de	rochas Queda	de	detrito Queda	de	terra
Tombamento Tombamento	de	rocha Tombamento de detrito Tombamento de terra
Escorregamento	
rotacional
Escorregamento	
rotacional	de	rocha
Escorregamento	
rotacional de detrito
Escorregamento	
rotacional de terra
Escorregamento	
translacional
Deslizamento	
translacional de blocos 
de	rocha
Deslizamento	
translacional de detrito
Deslizamento	
translacional de terra
Espalhamentos	
laterais
Espalhamento	de	rocha - Espalhamento	de	terra
Corridas Rastejo	de	rocha
-	Corrida	de	tálus	
- Corrida de detritos 
-	Avalanche	de	detritos	
-	Solifluxão	
-	Rastejo	de	solo
- Corrida de areia seca 
-	Corrida	de	areia	úmida	
-	Corrida	de	argila	
sensitiva	
- Corrida de terra 
-	Corrida	rápida	de	terra	
- Corrida de loess
Complexos
-	Escorregamento	de	
rocha	
-	Avalanche	de	detritos
-	Arqueamento	
-	Abulgamento	do	vale
-	Arqueamento	
-	Abulgamento	do	vale
26
Esses	tipos	de	movimento	são	mostrados	em	maiores	detalhes	na	figura	a	seguir:
Figura 6 – Alguns tipos de movimentações de massa
Fonte: Cemaden (2022)
Discretizando	ainda	mais	os	tipos	de	movimentações	apresentados,	os	rastejos 
são	movimentos	muito	lentos	e	quase	imperceptíveis,	sem	limites	definidos.	Apresentam	
indícios	na	superfície	e,	gradualmente,	diminuem	com	a	profundidade	do	maciço.	Pela	
ação	da	gravidade,	ocorrem	justamente	pelo	rastejamento	de	grandes	quantidades	de	
material.	Além	disso,	estão	diretamente	ligados	à	variação	de	expansão	e	contração	do	
solo,	apresentando,	geralmente,	vários	planos	internos	de	deslocamento	de	geometria	
indefinida.	A	velocidade	de	desenvolvimento	é	de	centímetros	ao	ano.	
Assim,	são	indícios	de	rastejo:	cercas	quebradas	e	deslocadas,	muros	de	arrimo	
estufados,	 troncos	 curvos	 de	 árvores,	 postes	 deslocados	 e	 fraturas	 de	 tensão	 em	
pavimentos,	ocorrendo,	às	vezes,	degraus	de	abatimento.	Observe	o	quadro	a	seguir:
27
Quadro 6 – Indícios de rastejo
Fonte: adaptado de Goes (2018)
Além	dos	 rastejos,	existem,	também,	as	corridas de massa,	que	podem	ser	
subdivididas	conforme	o	material	que	é	mobilizado:
• fluxos de lama:	constituídos	de	material	fluido	de	velocidade	muito	rápida	(até	80	
km/h),	sendo	uma	mistura	de	água	com	partículas	finas	misturadas	(silte	e	argila).	
São	ocasionados	por	chuvas	fortes,	especialmente	em	ambientes	com	pluviosidade	
esporádica;
• fluxos de detritos:	são	compostos	de	partículas	maiores	do	que	os	fluxos	de	lama,	
sendo	muito	viscosos	 e	 de	 pouca	 água	 se	 comparados	 ao	 anterior.	 Pelo	 peso	 do	
material	 que	 carregam,	 tendem	 a	 ser	 muito	 destrutivos,	 aumentando	 sempre	 a	
dimensão	com	o	material	acrescentado	no	caminho;
• fluxos de terra:	são	 lentos	e	comuns	onde	existem	camadas	de	argila	saturadas,	
sobrepostas	por	camadas	de	areia,	que	são	desestabilizadas	frente	a	abalos	sísmicos;
28
• solifluxão:	movimento	 lento	 descendente	 na	 encosta,	 composto	 por	 sedimentos	
saturados	por	água	na	superfície,	com	camada	adjacente	 impermeável.	Diante	dessa	
condição,	acabam	se	deslocando	em	cm/dia.
As quedas de blocos	 constituem	 outro	 tipo	 de	 movimentação	 de	 terra	 de	
velocidade	muito	 rápida	 devido	 ao	 peso	 aplicado	 em	 desprendimento	 do	 talude	 em	
queda	livre,	sobretudo	em	áreas	muito	íngremes.	Estão	comumente	ligadas	à	existência	
de	 fraturas	 prévias	 em	 maciços	 rochosos	 que	 propiciam	 o	 deslocamento.	 É	 um	
fenômeno	muito	comum	em	regiões	serranas,	sobretudo,	no	Estado	do	Rio	de	Janeiro,	
em	se	tratando	de	Brasil.
Figura 7 – Queda de blocos de um talude íngreme de rocha sobre rodovia
Fonte: http://twixar.me/rdMm. Acesso em: 31 ago. 2022.
Os escorregamentos,	 por	 sua	 vez,	 dizem	 respeito	 a	 outro	 meio	 de	 movi-
mentação	de	massa	com	velocidade	alta	e	de	plano	de	ruptura	bem	definido.	Os	es-
corregamentos	 se	 assemelham	 ao	 deslizamento	 de	 um	material	 sobre	 outro,	 sendo	 
classificados	de	acordo	com	o	tipo	de	geometria	formada,	a	saber:
• rotacional:	também	conhecido	como	“desmoronamento”,	apresenta	a	ruptura	com	
superfície	curva	em	regiões	de	superfície	uniforme	(homogênea);
• translacional:	 também	 conhecido	 como	 “deslizamento”,	 a	 ação	 de	 movimento,	
nesse	 caso,	 remove	 a	 camada	 superficial	 com	os	vegetais	 e	 o	 solo,	 que	deslizam	
sobre	o	talude	com	a	aparência	de	uma	lâmina	em	superfície	lisa,	especialmente	sob	
chuvas	intensas.	
A avalanche,	por	fim,	é	o	fluxo	mais	rápido	já	classificado,	pois	desprende	um	
grande	volume	de	material	propriamente	em	cadeias	montanhosas	e	de	clima	frio.	A	
massa	rochosa	ou	o	gelo	desprendido	se	pulveriza	com	o	impacto	e	expande	o	alcance	
da	massa	deslocada.	
29
Nos	casos	de	movimentação	de	fluxos,	comumente	se	adota	a	abordagem	de	
materiais	 hiperconcentrados	 e	 se	 executa	 a	modelagem	 de	 risco	 associada	 a	 fluidos.	
Quando	se	aborda	quedas	de	blocos	e	outros	materiais	rochosos,	adota-se	o	critério	de	
Hoek-Brown	para	analisar	a	estabilidade	do	maciço,	bem	como	métodos	qualitativos	
para	entendimento	da	condição	da	rocha.
A classificação geomecânica de maciços rochosos é feita internacional-
mente com a abordagem de diversos autores que avaliam as rochas 
de acordo com a incidência de fraturas, descontinuidades, composição 
mineral, surgências e outros. Para saber mais sobre como os maciços 
rochosos são classificados, acesse o link: http://www.repositorio.ufop.br/
handle/123456789/2878. Acesso em: 20 set. 2022.
DICA
Como	forma	de	analisar	a	estabilidade	de	taludes	compostos	de	solo,	há	dois	
métodos	comumente	utilizados:
• análise de tensão-deformação,	que	se	baseia	na	análise	numérica	das	condições	
do local;
•	 prioritariamente,	método de equilíbrio-limite,	que se	baseia	na	hipótese	de	haver	
equilíbrio	em	uma	massa	de	solo	considerada,	tomando-a	um	corpo	rígido-plástico	
na	iminência	de	um	escorregamento.	
Este	 último	método	 pressupõe	 o	 conhecimento	 das	 forças	 atuantes	 na	massa	
de	solo,	de	forma	que	tenha	a	aferição	das	tensões	de	cisalhamento	aplicadas	e	se	faça	
a	 comparação	 dessas	 tensões	 com	 a	 resistência	 ao	 cisalhamento	 característica	 desse	
solo.	Em	outras	palavras,	o	método	busca	a	razão	entre	as	forças	solicitadas	e	as	forças	
resistentes,	tendo	que	encontrar	valores	de	fator	de	segurança	acima	de	1,0	para	indicar	 
a	estabilidade.	A	equação	utilizada	é													.
A	superfície	de	ruptura	é	tida	como	circular,	sendo	que	o	FS	é	constante	em	
toda	a	linha.	De	forma	análoga,	pode-se	dizer	que	o	resultado	pode	ser	correlacionado	
da	seguinte	forma:
• FS	<	1,0	=	instável;
• FS	=	1,0	=	equilíbrio	instável;
•	 1,0	<	FS	<	1,5	=	estabilidade	incerta;
• FS	>	1,5	=	estável.	
http://www.repositorio.ufop.br/handle/123456789/2878
http://www.repositorio.ufop.br/handle/123456789/2878
30
Dentro	 do	método	de	 equilíbrio-limite,	vários	 autores	 criaram	equações	para	
o	 cálculo	 das	 forças	 solicitadas	 e	 resistidas.	 Dentre	 as	 mais	 comuns,	 podem	 ser	
citadas:	Bishop,	Fellenius,	Spencer,	Janbu	e	Morgenstern-Price.	Algumas	permitem	a	
consideração	de	uma	superfície	de	rupturanão	circular	quando	existe	heterogeneidade	
de	 material,	 em	 que	 a	 ruptura	 se	 forma	 irregularmente,	 sobretudo	 em	 análise	 de	
fundações	de	maciços.	
Figura 8 – Análise de estabilidade em um talude de barragem no software Slide
Fonte: a autora
Conforme	 visto	 na	 figura,	 o	 talude	 de	 jusante	 de	 uma	 barragem	 analisado	
no	 software	 apresenta	 superfície	 não	 circular	 na	 ruptura	 devido	 à	 heterogeneidade	
dos	materiais	que	a	 compõem.	As	análises	podem	ser	 feitas	 considerando	materiais	
drenados	(como	na	figura)	ou	com	a	inferência	do	nível	d’água,	pensando	no	material	
saturado.	Para	tanto,	podem	ser	compostos	alguns	tipos	de	análises	para	delimitar	as	
condições	de	segurança	frente	às	solicitações:
1.	 análise	drenada,	de	ruptura	circular	e	estática	(sem	avaliação	sísmica);
2.	 análise	drenada,	de	ruptura	circular	e	pseudoestática	(com	avaliação	sísmica);
3.	 análise	drenada,	de	ruptura	não	circular	e	estática	(sem	avaliação	sísmica);
4.	 análise	drenada,	de	ruptura	não	circular	e	pseudoestática	(com	avaliação	sísmica);
5.	 análise	não	drenada,	de	ruptura	circular	e	estática	(sem	avaliação	sísmica);
6.	análise	não	drenada,	de	ruptura	circular	e	pseudoestática	(com	avaliação	sísmica);
7.	 análise	não	drenada,	de	ruptura	não	circular	e	estática	(sem	avaliação	sísmica);
8.	análise	não	drenada,	de	ruptura	não	circular	e	pseudoestática	(com	avaliação	sísmica).
31
Nas análises de estabilidade, podem ser utilizadas envoltórias de 
resistência ao cisalhamento, em termos de tensões totais e efetivas. 
No primeiro caso, admite-se que as pressões neutras, decorrentes 
da variação do estado de tensões na barragem, correspondem às 
pressões neutras desenvolvidas nos ensaios de compressão triaxial, 
realizados de forma a retratar a trajetória de tensões que ocorre 
durante a construção do aterro e na fundação.
ATENÇÃO
Assim,	é	de	se	esperar	que	as	análises	não	drenadas,	não	circulares	e	com	ação	
sísmica	intervenham	em	fatores	de	segurança	baixos.	Por	isso,	é	importante	a	avaliação	
completa	 do	 estado	 da	 estrutura	 frente	 a	 todas	 as	 solicitações,	 sendo	 que	 deve	
atingir,	 obrigatoriamente,	 os	 requisitos	da	NBR	 13.028	 (ABNT,	2017),	 que	diz	 respeito	
à	 elaboração	 e	 apresentação	 de	 projeto	 de	 barragens	 para	 disposição	 de	 rejeitos,	
contenção	de	sedimentos	e	reservação	de	água,	para	análise	de	taludes	de	mineração	
em	geral;	e	a	NBR	11.682	(ABNT,	2009),	que	versa	sobre	a	estabilidade	de	taludes,	para	
taludes	em	outras	ocasiões.	
Quadro 7 – Fatores de segurança mínimos a serem adotados para projetos de taludes 
e bermas de barragens de mineração
Fonte: ABNT (2017, p. 11)
Fase
Tipo de 
ruptura
Talude
Fator de 
segurança 
mínimo
Final	de	construção	a
Maciço	e	
fundações
Montante e 
jusante
1,3
Operação	com	rede	de	fluxo	em	
condição	normal	de	operação,	nível	
máximo	do	reservatório
Maciço	e	
fundações
Jusante 1,5
Operação	com	rede	de	fluxo	em	
condição	extrema,	nível	máximo	do	
reservatório
Maciço	e	
fundações
Jusante 1,3
Operação	com	rebaixamento	rápido	
do	nível	d'água	do	reservatório
Maciço Montante 1,1
Operação	com	rede	de	fluxo	em	
condição	normal
Maciço
Jusante 1,5
Entre bermas 1,3
Solicitação	sísmica,	com	nível	
máximo	do	reservatório
Maciço	e	
fundações
Montante e 
jusante
1,1
a	Etapas	sucessivas	de	barragens	alteadas	com	rejeitos	não	podem	ser	analisadas	como	"final	de	construção",	
devendo	atender	aos	fatores	de	segurança	mínimos	estabelecidos	para	as	condições	de	operação.
32
Além	disso,	as	barragens	de	mineração	contam	com	regulamentação	própria	
com	 atendimento	 aos	 fatores	 de	 segurança	 prescritos	 pela	 Resolução	 n.	 95/2022,	
da	 Agência	 Nacional	 de	 Mineração,	 que	 trouxe	 maior	 rigor	 técnico	 aos	 estudos	 de	
estabilidade	 e	 requisitos	mínimos	 para	 barragens	 de	mineração	 depois	 dos	 eventos	 de	
Mariana/MG	e	Brumadinho/MG.
4 EMPUXOS DE TERRA
O	 empuxo	 de	 terra	 é	 uma	 ação	 do	maciço	 de	 terra	 sobre	 a	 estrutura	 que	 o	
contém	e	o	estabiliza.	O	quadro	a	seguir	nos	mostra	algumas	estruturas	de	contenção	
para	maciços	de	terra	que	sofrem	a	ação	do	empuxo.
Quadro 8 – Estruturas de contenção de maciços de terra
Fonte: adaptado de Marangon (2018)
A	 partir	 dos	 empuxos	 de	 terra,	 são	 compostas	 as	 obras	 de	 contenção	 de	
encostas	com	cálculos	complexos	baseados	em	teorias	consolidadas.	São	classificados,	
portanto,	de	três	formas,	conforme	podemos	acompanhar	a	seguir:
33
1.	 Empuxo no repouso:	 o	maciço	de	 solo	 se	mantém	em	equilíbrio	 total,	 não	 sofre	
deformações	e	não	se	desloca.	Para	o	cálculo	do	coeficiente	de	empuxo	no	repouso,	
temos																		,	em	que:
◦ K0	=	coeficiente	do	empuxo	no	repouso;
◦ σ'h	=	tensão	horizontal;
◦ σ'v	=	tensão	vertical.
2.	Empuxo ativo:	o	maciço	de	solo	pressiona	o	elemento	de	contenção,	de	forma	a	
movimentá-lo	horizontalmente,	expandindo-o.	Desse	modo,	há	decréscimo	da	ten-
são	horizontal.	Para	o	cálculo	do	coeficiente	de	empuxo	passivo,	temos																			,	 
em	que:
◦ Kp	=	coeficiente	do	empuxo	passivo;
◦ σ'hp =	tensão	horizontal	passiva;
◦ σ'v	=	tensão	vertical.
3.	Empuxo passivo:	o	elemento	de	contenção	pressiona	o	solo,	de	forma	a	comprimi-
lo	horizontalmente.	Desse	modo,	há	acréscimo	da	tensão	horizontal.	Para	o	cálculo	
do	coeficiente	de	empuxo	ativo,	temos																					,	em	que:
◦ Ka	=	coeficiente	do	empuxo	ativo;
◦ σ'ha	=	tensão	horizontal	ativa;
◦ σ'v	=	tensão	vertical.
Figura 9 – Estados de empuxo de terra em estruturas de contenção
Fonte: Marangon (2018, p. 168)
34
A	Teoria	 de	 Rankine,	 proposta	 em	 1857,	 estabeleceu	 uma	 forma	 simplificada	
de	definir	a	 relação	dos	coeficientes	de	empuxo	ativo	e	do	empuxo	passivo	a	fim	de	
estabelecer	 o	 repouso.	 Para	 tanto,	 o	 autor	 considerou	 que	 o	 muro	 é	 flexível	 (sofre	
pequenas	deformações	que	mobilizam	os	empuxos	passivo	e	ativo)	e	não	considera	o	
atrito	entre	o	muro	e	o	solo,	sendo	vertical	para	o	terreno	horizontal.	Dessa	forma,	foi	
estipulada	a	correlação																			.
Nas	duas	situações	de	empuxo	(ativo	e	passivo),	há	a	participação	das	tensões	
de	cisalhamento.	A	diferença	entre	as	suas	faces	é	de	que,	no	empuxo ativo,	a	tensão	
de	cisalhamento	se	aplica	com	a	ação	do	solo	na	contenção,	ao	passo	que,	na	porção	
passiva,	a	tensão	de	cisalhamento	aumenta	a	proporção	da	reação	na	contenção.	
5 TÉCNICAS DE ESTABILIZAÇÃO
As	 instabilizações	em	taludes	podem	ser	 resultados	de	 aumento	de	 tensões	
e	divergência	na	 resistência	dos	materiais	 constituintes.	A	 remoção	de	materiais,	 os	
cortes	nos	pés	dos	taludes,	o	aumento	de	cargas	no	corpo	do	talude	e	as	solicitações	
(como	sismos,	detonações	e	ondas)	são	processos	que	aumentam	os	problemas	das	
estruturas.	
A	 reestruturação	dos	 taludes	 com	a	 construção	de	bermas	de	 equilíbrio,	 para	
diminuir	a	declividade	e	a	incidência	de	processos	desencadeados	pelo	relevo	íngreme,	
a	adoção	de	camadas	de	revestimento	vegetal	e	a	inserção	de	dispositivos	de	drenagem	
são	medidas	 de	 engenharia	 que	 buscam	melhorar	 as	 condições	 locais.	 No	 entanto,	
quando	essas	soluções	mais	simples	não	podem	ser	adotadas	ou	são	insuficientes,	é	
possível	criar	estruturas	de	contenção	para	elaborar	barreiras	artificiais	que	vencem	as	
tensões	provocadas	pelo	empuxo	de	terra.	Dentre	essas	soluções,	existem	os	muros	
criados	 com	uso	de	materiais	 ambientalmente	 aceitos,	 bem	como	os	muros	 criados	
com	materiais	de	alta	resistência	e	protensão	para	fazer	barreira	física	com	o	maciço.
35
Quadro 9 – Materiais ambientalmente aceitos
Fonte: adaptado de Naresi Jr. et al. (2018) e Terra (201-)
Em	 contenção	 de	 blocos	 rochosos	 se	 pode	 usar	 telas	 metálicas,	 barreiras	
dinâmicas,	remoção	de	bloco	por	 jato	d’água,	fixação	de	blocos	por	tirantes	ou	grelhas	
de	concreto	atirantadas	e	uso	de	estruturas,	como	pilares	de	concreto	combinadas	com	
tirantes	para	conter	lateralmente	blocos	de	rochas	instáveis.
36
A estabilização de solos pode ser feita de forma física, com a colo-
caçãode barreiras; ou de forma química, com o melhoramento das 
qualidades do solo, a fim de repará-lo para apresentar características 
de resistência melhores. Para se aprofundar nesse assunto, acesse 
o link: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-civil/
estabilizacao-de-solos. Acesso em: 20 set. 2022.
INTERESSANTE
6 RESÍDUOS, REJEITOS E ESTÉREIS
Resíduos,	 rejeitos	 e	 estéreis	 têm	 classificações	 divergentes	 tanto	 entre	 si	
quanto	para	a	sua	obtenção.	Se	vêm	do	ambiente	doméstico,	têm	um	viés;	se	vêm	da	
mineração	e	da	 indústria,	propõem	outro	sentido.	Frente	a	 isso,	é	 importante	buscar	
entender	para	que	se	possa	ter	a	melhor	deposição	possível	desses	elementos.
Os	resíduos	sólidos,	especificamente,	são	classificados	quanto	a	quatro	classes	
de	periculosidade	à	saúde	humana	e	ao	controle	ambiental.	São	subdivididos	em:
perigosos	(classe	I);
não	perigosos	(classe	II);
não	inertes	(classe	II	A);
inertes	(classe	II	B).	
Essa	classificação	indica	a	destinação	dos	resíduos.	Os	perigosos,	como	produtos	
químicos	inflamáveis,	perfurocortantes	e	biológicos,	devem	ter	um	maior	controle	para	
evitar	a	propagação	de	doenças	e	a	contaminação	do	solo	e	das	águas.	Porém,	ainda	
é	necessária	a	caracterização	quanto	à	Geotecnia	para	um	entendimento	da	destinação	
daqueles	que	podem	ser	alocados	em	barragens,	aterros	sanitários	e	em	empilhamento.	
6.1 CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA
Segundo	a	NBR	10.004	(ABNT,	2004),	a	definição	de	resíduos sólidos	é	de	que	
se	trata	de	todo	material,	substância,	objeto	ou	bem	descartado,	resultante	de	atividades	
humanas	 em	 sociedade.	Assim,	 inserem-se	 em	 resíduos	 sólidos	 aqueles	 resultantes	
das	atividades	domésticas,	da	varrição	de	ruas	e	das	atividades	de	reciclagem.
De	 acordo	 com	 a	 Política	 Nacional	 de	 Resíduos	 Sólidos	 (PNRS)	 (Lei	 n.	
12.305/2010),	 por	 sua	 vez,	 o	 conceito	 de	 rejeito	 diz	 respeito	 aos	 resíduos	 sólidos	
que,	 depois	 de	 esgotadas	 todas	 as	 possibilidades	 de	 tratamento	 e	 recuperação	 por	 
processos	 tecnológicos	 disponíveis	 e	 economicamente	viáveis,	 não	 apresentam	 outra	
https://www.nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-civil/estabilizacao-de-solos
https://www.nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-civil/estabilizacao-de-solos
37
possibilidade	que	não	a	disposição	final	 ambientalmente	adequada,	 sendo,	 portanto,	
inerente	às	atividades	humanas	(BRASIL,	2010).	A	mineração	equivale	à	definição	de	
estéreis	e	 rejeitos,	mas	estes	são	diferentes	do	ponto	de	vista	de	beneficiamento	de	
minérios.	Acompanhe	a	figura	a	seguir:
Figura 10 – Fluxograma de tratamento de minérios e subprodutos
Fonte: Luz e Lins (2010, p. 5)
38
De	acordo	com	Boscov	(2008),	um	bem	mineral	não	pode	ser	utilizado	tal	como	
é	 lavrado	na	mina,	devendo	passar	por	um	processo	de	beneficiamento.	Este	objetiva	a	
redução	e	regularização	da	granulometria	(sem	modificar	a	sua	identidade	química	ou	
física),	a	remoção	de	ganga	(parte	do	minério	sem	interesse	econômico)	e	o	aumento	
da	qualidade	do	produto	final.
Nas operações minerárias, grandes quantidades de solo e 
estéreis são retiradas da mina e de seus entornos, sem que 
haja utilização no beneficiamento dos minérios ou outro fim 
comercial. Nesse contexto, é de grande importância considerar 
e minimizar os efeitos das gerações dos resíduos sólidos. Saiba 
mais sobre o assunto no link: https://revista.uemg.br/index.
php/reis/article/view/6005. Acesso em: 20 set. 2022.
IMPORTANTE
O	estéril	na	mineração	é	o	material	retirado	juntamente	com	o	minério	para	o	
qual	não	se	tem	utilidade	alguma.	É	como	rocha	anexa	que	é	retirada	na	detonação,	
mas	não	se	aplica	para	exploração.	Os	rejeitos,	por	outro	 lado,	são	materiais	que	vão	
para	o	beneficiamento	do	minério	e	são	retirados	por	não	apresentarem	características	
suficientes	para	valoração.	
Assim,	 os	 rejeitos	 de	mineração	 podem	 ser	 depositados	 em	 forma	de	 pilhas	
(rejeitos	em	polpa,	em	pasta	ou	a	granel),	em	reservatórios	contidos	por	diques	periféricos	
(no	caso	de	áreas	planas	ou	pouco	irregulares),	em	cavas	ou	barragens.	
6.2 SISTEMAS DE DISPOSIÇÃO
Os	 sistemas	 de	 disposição	 de	 rejeitos	 foram	 criados	 com	 o	 intuito	 de	 servir	
de	diques	de	contenção	de	materiais	que,	em	questão	técnica,	foram	crescendo	até	
virarem	as	barragens	que	conhecemos	hoje	em	dia.
As	barragens	de	contenção	de	rejeitos	são	criadas	com	o	próprio	material	a	partir	
de	três	métodos	básicos:	alteamento	a	montante,	alteamento	a	jusante	e	alteamento	
em	linha	de	centro.	Vamos	conhecer	melhor	cada	um	a	seguir.
O alteamento a montante	veio	se	consolidando	com	o	tempo	como	a	forma	
mais	simples	e	menos	onerosa	de	construção	do	alteamento	de	barragens,	a	partir	do	
seu	dique	de	partida.	Essa	primeira	estrutura,	que	dá	início	ao	barramento,	é	composta	 
por	um	aterro	de	solo	compactado	que	pode	ou	não	ser	envolto	por	enrocamento	ou	ser	
totalmente	constituído	deste.	
https://revista.uemg.br/index.php/reis/article/view/6005
https://revista.uemg.br/index.php/reis/article/view/6005
39
Figura 11 – Alteamento a montante
Fonte: Espósito (2000 apud GUIMARÃES, 2018, p. 40)
Quando	 o	 rejeito	 depositado	 atrás	 do	 dique	 de	 partida	 atinge	 a	 proximidade	
da	sua	crista	(altura	máxima),	é	necessário	constituir	uma	estrutura	de	alteamento	da	
barragem	para	que	ela	possa	comportar	mais	material.	
Em	geral,	nesse	método,	o	próprio	rejeito	é	utilizado	como	material	construtivo	
a	 partir	 do	mecanismo	 de	 hidrociclones,	 que	 separam	 os	materiais	 grossos	 e	 finos,	
deixando	as	 lamas	separadas	das	areias.	Nesse	caso,	as	areias	são	colocadas	próximas	
à	 crista	 (praia	 de	 rejeitos)	 por	 serem	materiais	 altamente	 drenantes	 e	 possibilitarem	 a	
diminuição	da	saturação	do	contato	com	o	próprio	barramento.	Esse	material,	ainda	que	
inconsolidado,	serve	de	fundação	para	o	alteamento	que	será	construído	em	cima	dele.	
O artigo a seguir traz um panorama sobre a utilização do método 
de alteamento a montante e aprofunda sobre as questões que o 
tornaram inviável, sobretudo depois dos rompimentos em Mariana 
e Brumadinho, que trouxeram à tona problemas de gestão de risco, 
manutenção e operação dessas estruturas. Acompanhe a leitura na 
íntegra no link: https://e-revista.unioeste.br/index.php/csaemrevista/
article/download/19480/12650/71227. Acesso em: 20 set. 2022.
DICA
Esse	tipo	de	construção	não	é	o	método	mais	seguro,	uma	vez	que	existe	um	
carregamento	da	estrutura	em	cima	de	um	material	que	não	apresenta	coesão	(areia),	
logo,	 possui	 baixa	 resistência	 ao	 cisalhamento.	 A	 condição	 criada	 apresenta	 maior	
suscetibilidade	ao	fenômeno	de	 liquefação	das	areias,	 sendo	uma	possível	causa	de	
ruptura	desse	tipo	de	barragem.
https://e-revista.unioeste.br/index.php/csaemrevista/article/download/19480/12650/71227
https://e-revista.unioeste.br/index.php/csaemrevista/article/download/19480/12650/71227
40
A	 construção	 segue	 um	 design	 de	 escada	 com	 degraus	 ascendentes	 sobre	
novas	camadas	criadas	de	rejeito	não	consolidado	e,	por	 isso,	apresenta	baixo	custo	
de	construção	e	um	menor	volume	de	materiais	externos	demandados.	A	execução	é	
simples	e	dispensa	grande	trabalho	de	compactação	e	terraplenagem.	
O	tempo	de	lançamento	dos	rejeitos	e	alteamento	da	barragem	são	questões	
de	segurança	que	devem	ser	observadas	nesse	método,	uma	vez	que	deve	se	esperar,	
pelo	menos,	para	que	o	material	se	adense	para	a	construção	de	uma	nova	camada	e	
sobrecarga	sobre	ele.
Esse	tipo	de	estrutura	deve	ser	constituído	em	zonas	 livres	de	abalos	sísmicos,	
longe	de	detonações	e	áreas	de	transporte	pesado,	como	ferrovias,	para	que	a	vibra-
ção	no	local	seja	mínima	e	o	fenômeno	de	liquefação	não	tenha	um	gatilho.	As	condi-
ções	de	saturação	da	barragem	devem	sempre	estar	em	controle	para	que	não	ocorra	o	 
mesmo	fenômeno.	
No	entanto,	com	a	construção	feita	sem	um	eixo	em	comum,	é	muito	complexa	
a	execução	de	uma	drenagem	interna	suficiente	para	a	estrutura.	Massad	(2010)	nos	
lembra	que	a	 redução	do	gradiente	hidráulico	e	davazão	na	 “saída”	ou	a	 jusante	do	
barramento	é	a	medida	que	deve	ser	tomada	para	a	redução	do	risco	de	ocorrência	de	
liquefação	e	piping (erosão	interna).
É válido ressaltar que, após os eventos de ruptura de barragens 
em Mariana/MG e Brumadinho/MG, as barragens com alteamento 
a montante estão proibidas no território brasileiro. Os empreendi-
mentos detentores de barragens construídas desse modo devem 
providenciar a descaracterização ou desmobilização dessas estru-
turas, segundo as boas técnicas de engenharia, conforme a Agência 
Nacional de Mineração (ANM). 
IMPORTANTE
Devido	às	propriedades	geotécnicas	pobres	dos	rejeitos	em	termos	de	capacidade	
de	carga,	o	alteamento a jusante	foi	desenvolvido	recentemente	como	uma	alternativa	
aos	métodos	anteriores	pelas	suas	limitações.	Diante	da	maior	segurança,	é	um	método	
que	dispende	maiores	quantidades	de	materiais	de	construção	e	grandes	áreas	externas	
para	o	desenvolvimento	da	estrutura	ao	longo	do	tempo	em	que	é	operada.	
Esse	 método	 não	 consolida	 nenhuma	 parte	 da	 barragem	 sobre	 a	 praia	 de	
rejeitos.	O	processo	de	alteamento	precede	a	compactação	do	aterro	criado	com	as	
técnicas	 convencionais	 de	 engenharia,	 juntamente	 com	 um	 sistema	 de	 drenagem	
interno,	que	pode	ser	implementado	durante	a	construção	da	barragem	para	controlar	
a	linha	de	saturação	e	a	estabilidade	da	estrutura.
41
Figura 12 – Alteamento a jusante
Fonte: Espósito (2000 apud GUIMARÃES, 2018, p. 40)
Barragens	de	rejeitos	construídas	pelo	método	a	jusante	são	bem	resistentes	a	
efeitos	sísmicos,	sendo	um	contraponto	ao	limite	de	altura	dado	às	barragens,	porém,	
trata-se	de	um	método	oneroso	diante	da	grande	volumetria	de	material	utilizado	e	do	
maquinário	necessário	para	a	compactação	do	aterro.	
Diante	dos	últimos	métodos	apresentados,	o	alteamento em linha de centro 
foi	 criado	 como	 uma	 junção	 entre	 a	 técnica	 de	 montante	 e	 jusante,	 melhorando	 a	
estabilidade,	mas	diminuindo	a	porção	de	material	empregado	na	construção.	Nesse	
método,	 a	 linha	do	eixo	de	construção	é	mantida	no	mesmo	 lugar,	 apesar	de	que	o	
alteamento	avança	sob	a	praia	de	rejeitos.	O	diferencial	para	o	método	de	montante	é,	
então,	a	colocação	de	materiais	no	talude	a	jusante	do	dique	inicial	da	barragem,	sendo	
que	as	elevações	subsequentes	estão	condicionadas	à	manutenção	desse	eixo	original	 
ao	longo	da	vida	do	barramento.
Figura 13 – Alteamento em linha de centro
Fonte: Espósito (2000 apud GUIMARÃES, 2018, p. 40)
42
Em	 termos	 de	 comportamento	 estrutural	 é	 quase	 semelhante	 às	 barragens	
construídas	 por	métodos	 de	 construção	 a	 jusante,	 caracterizadas	 pela	 facilidade	 de	
construção	 e	 uma	 quantidade	 relativamente	 pequena	 de	 material	 no	 processo	 de	
construção	da	barragem.	Assim,	há	melhor	controle	de	linhas	de	saturação	e	processos	
de	escoamento	a	partir	de	corpos	de	barragens.
Atualmente,	 há	 uma	 predisposição	 das	 mineradoras	 a	 expor	 os	 rejeitos	 à	
secagem	e,	depois,	compactá-los	em	empilhamentos	drenados	para	diminuir	o	 risco	
atrelado	à	disposição	úmida	em	barragens.	Para	os	estéreis,	a	disposição	a	seco	tem	
sido	uma	alternativa	há	muito	mais	 tempo,	 sendo	 relativamente	 consolidadas	 as	 pilhas	
de	 estéril	 com	 critérios	 geotécnicos	 de	 aterros	 e	 controle	 de	 deposição.	 Para	 todas	
essas	estruturas,	pressupõe-se	em	projeto	a	 reabilitação	futura	da	área	na	forma	de	
recuperação	e	seu	fechamento.	
43
Neste tópico, você aprendeu:
•	 A	importância	da	composição	de	análises	de	estabilidade,	segundo	as	boas	práticas	
de	engenharia	e	a	adoção	de	parâmetros	de	materiais	que	atestem	as	condições	de	
resistência	de	um	maciço	de	terra	frente	às	solicitações	cisalhantes	aos	quais	ele	
está	submetido.
•	 Os	 fatores	 de	 segurança	mínimos	 requisitados	 pela	 NBR	 13.028,	 que	 versa	 sobre	
a	 mineração	 quanto	 à	 elaboração	 e	 apresentação	 de	 projeto	 de	 barragens	 para	
disposição	de	rejeitos,	contenção	de	sedimentos	e	reservação	de	água.
•	 Os	tipos	de	empuxos	existentes	e	as	estruturas	de	contenção	de	terra	que	atuam	
passiva	e	ativamente,	promovendo	o	equilíbrio	da	estrutura.	Além	disso,	foi	possível	
conhecer	os	tipos	principais	de	contenção	utilizados	em	magnitude	e	aplicação.
•	 As	diferenças	para	a	normatização	vigente	entre	rejeitos,	estéreis	e	resíduos,	bem	
como	o	entendimento	de	como	são	criados	esses	materiais,	especialmente	no	ramo	
de	mineração,	com	o	beneficiamento	de	minérios.
•	 A	importância	do	conhecimento	dos	métodos	de	alteamento	de	barragens	de	mine-
ração,	que	tem	um	crescimento	da	capacidade	de	retenção	constante	ao	longo	de	
sua	vida	útil,	verificando	a	aplicabilidade	e	os	possíveis	riscos	ao	seu	redor.
RESUMO DO TÓPICO 2
44
AUTOATIVIDADE
1	 São	movimentos	 gravitacionais	 responsáveis	 pela	mobilização	 de	 solo,	 sedimentos,	
vegetação	ou	rocha	pela	encosta	abaixo,	geralmente	potencializados	pela	ação	da	
água.	 Ocorrem,	 basicamente,	 quando	 as	 forças	 de	 tração,	 dadas	 pela	 gravidade	
atuando	na	declividade	do	terreno,	superam	as	forças	de	resistência,	principalmente,	
as	 forças	 de	 atrito.	 Sobre	 a	 classificação	 de	 movimentos	 de	 massa,	 assinale	 a	
alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 Fluxo	de	detritos,	queda	de	blocos	e	rastejos.
b)	 (			)	 Deslizamento,	queda	de	maciços	e	fluxo	de	sedimentos.
c)	 (			)	 Fluxo	de	lama,	queda	de	areias	e	escoamento	rotacional.
d)	 (			)	 Avalanche,	queda	de	solo	e	desmoronamento.
2	 As	 análises	 de	 estabilidade	 em	 maciços	 de	 barragens	 de	 mineração	 podem	 ser	
avaliadas	a	partir	da	NBR	13.028,	que	versa	sobre	a	mineração	quanto	à	elaboração	
e	 apresentação	 de	 projeto	 de	 barragens	 para	 disposição	 de	 rejeitos,	 contenção	 de	
sedimentos	e	reservação	de	água.	Frente	a	esse	contexto,	sobre	o	fator	de	segurança,	
analise	as	sentenças	a	seguir:
I-	 O	 fator	 de	 segurança	 para	 barragens	 de	 mineração	 em	 condição	 de	 final	 de	
construção	é	1,3.
II-	 O	fator	de	segurança	para	barragens	de	mineração	em	solicitação	sísmica	máxima	
é	1,5.
III-	 O	fator	de	segurança	para	barragens	de	mineração	em	rebaixamento	rápido	é	1,1.	
Assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 As	sentenças	I	e	II	estão	corretas.
b)	 (			)	 Somente	a	sentença	II	está	correta.
c)	 (			)	 As	sentenças	I	e	III	estão	corretas.
d)	 (			)	 Somente	a	sentença	III	está	correta.
3	 A	construção	de	barragens	de	mineração	não	se	baseia	em	uma	única	etapa,	mas	em	
um	progresso	construtivo	ao	longo	do	tempo,	assim	que	a	sua	capacidade	de	retenção	
vai	 chegando	 ao	 limite.	 Para	 tanto,	 foram	 desenvolvidos	métodos	 de	 construção	
que	apresentam	limitações	e	funções	positivas	diante	dos	requisitos	da	área	onde	a	
barragem	será	alocada.	Quanto	à	assertividade	desses	métodos,	classifique	V	para	as	
sentenças	verdadeiras	e	F	para	as	falsas:
45
(			)	Montante.
(			)	Entre	eixos.
(			)	Jusante.
(			)	 Linha	de	centro.
Assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
a)	 (			)	 V	-	F	-	F	-	V.
b)	 (			)	 V	-	F	-	V	-	V.
c)	 (			)	 F	-	V	-	F	-	V.
d)	 (			)	 F	-	F	-	V	-	F.
4	 A	 instabilidade	 de	 um	 maciço	 de	 terra	 é	 fruto	 da	 diminuição	 da	 resistência	 ao	
cisalhamento	em	que	a	solicitação	a	qual	o	maciço	está	submetido	se	torna	maior	
do	que	a	componente	de	forças	que	ele	mantém	para	sua	resistência.	No	entanto,	
a	resistência	ao	cisalhamento	é	afetada	por	muitos	fatores.	Nesse	sentido,	disserte	
sobre	os	principais	fatores	que	afetam	a	movimentação	de	massa.
5	 Na	 gestão	 de	 resíduos	 sólidos,	 existe	 uma	 diferenciação	 entre	 o	 tipo	 de	material	
formado,	 que	 está	 explicitada	 na	 Política	 Nacional	 de	 Resíduos	 Sólidos	 (PNRS)	 e	
na	NBR	 10.004/2004,	 sobretudo	pela	 fonte	 de	 geração,	 sendo	que,	 por	vezes,	 os	
significados	 são	 elaborados	 de	 acordo	 com	 o	 agente	 emissor.	 Nesse	 contexto,	
disserte	sobre	as	diferenças	entre	rejeitos,	estéreis	e	resíduos.
46
47
TÓPICO 3 — 
RISCOS GEOLÓGICOS E GEOTÉCNICOS
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Quando	falamos	em	riscos	geológicos	e	geotécnicos,	estamosnos	referindo	a	
um	estudo	que	abrange	as	geociências	(Geologia,	Geotecnia,	Geografia	e	Sociologia),	 
por	 estar,	muitas	vezes,	 ligado	 ao	 ordenamento	 territorial,	 às	 ocupações	 irregulares	 em	
áreas	de	risco	e	à	possibilidade	de	ocorrência	de	eventos	naturais	acelerados	por	ações	
antrópicas,	que	trazem	consequências	de	toda	sorte:	sociais,	econômicas	e	humanas.
 
As	atividades	humanas	descontroladas	suscetibilizam	áreas	de	encostas,	áreas	
geologicamente	 instáveis	 e	 propiciam	 movimentos	 de	 massa,	 abertura	 de	 feições	
erosivas	(como	a	retirada	de	cobertura	vegetal	e	a	execução	de	cortes	verticalizados),	
além	da	mudança	na	 calha	 dos	 cursos	 d’água	para	 adequação	nos	 territórios	 e	 nas	
ocupações,	causando	assoreamento	e	aumentando	a	possibilidade	de	atingimento	da	
população	com	enchentes	e	inundações.
2 AVALIAÇÃO DE RISCO
Além	 da	movimentação	 de	massa,	 o	 território	 brasileiro	 esteve	 exposto	 nos	
últimos	tempos	a	fenômenos	de	erosão,	inundações,	contaminação	de	solos	e	outros	
problemas	ambientais	e,	por	isso,	são	necessárias,	então,	abordagens	que	proponham	a	
prevenção	e	redução	de	riscos	para	a	contribuição	no	bem-estar	social.	
O	município	pioneiro	no	Brasil	a	adotar	políticas	de	gestão	de	risco	geotécnico	
foi	 o	Rio	de	Janeiro,	 diante	dos	 inúmeros	problemas	de	deslizamentos	de	encostas.	
Na	década	de	1970,	o	município	criou	o	Departamento	de	Geotécnica,	que	hoje	é	cha-
mado	de	“GeoRio”.	Na	atualidade,	as	cidades	contam	com	o	auxílio	das	defesas	civis	
estaduais	e	municipais	para	tratar	da	gestão	de	risco	e	dos	cuidados	com	a	população	 
mais	vulnerável.
Quando	falamos	de	risco	geológico,	estamos	levando	em	consideração	o	estado	
em	que	os	maciços	 rochosos	se	mantêm	para	a	avaliação	de	segurança	geomecânica.	
Já	 quando	 falamos	 em	 risco	 geotécnico,	 estamos	 considerando	 as	 condições	 da	
mecânica	dos	solos,	do	relevo	local	e	da	ocupação	territorial,	as	quais	causam	os	meios	
de	suscetibilidade	ao	risco.
48
Quando	pensamos	em	risco,	devemos	considerar	a	probabilidade	de	algum	dano	
material	ou	 imaterial,	 sendo	uma	potencial	condição	para	ocorrência	de	um	acidente.	A	
gestão	de	risco	de	estruturas	geotécnicas	pode	ser	administrada	segundo	a	perspectiva	
de	 vários	 métodos,	 mas,	 aqui,	 conheceremos	 a	 abordagem	 da	 seguinte	 equação:	 
R = P(𝑓A) × C(𝑓V) × g - 1,	em	que:
R =	nível	de	risco;
P =	probabilidade	de	ocorrer;
A =	fenômeno	de	risco;
C =	consequências	do	risco;
V =	vulnerabilidade	dos	meios	expostos	ao	risco;
g =	grau	de	gerenciamento	em	função	do	risco.
Dentre	as	várias	abordagens	do	conceito	de	risco,	Riffel,	Guasselli	e	Bressani	
(2016)	realizaram	uma	compilação	de	dados	de	perspectiva	de	risco.	Observe	o	quadro	
a	seguir:
49
Quadro 10 – Conceitos de suscetibilidade, vulnerabilidade, perigo
Fonte: Riffel, Guasselli e Bressani (2016, p. 293)
Conceito Fontes Descrição
S
u
sc
e
ti
b
il
id
a
d
e
Suscetibilidade	é	a	
propensão	do
terreno	à	ocorrência	
de	fenômeno	e/ou	
processo	físico
Saito,	2004;	Koblyama,	2006;	
IPT,	2007;	Fell	et al.,	2008;	
Julião	et al.,	2009:	Galderisi	
et al.,	2010;	Sobreira	e	Souza,	
2012;	Diniz,	2012:	Reckziegel,	
2012;	Silva,	2012;	Coutinho,	
2013;	Ministério	das	Cidades,	
2013;	Riffel	e	Guasselli,	2013
Os autores consideram 
suscetibilidade	como	a	propensão	
malor	ou	menor	de	ocorrência	de	
um	fenômeno,	com	base	apenas	
nas	características	físicas
V
u
ln
e
ra
b
il
id
a
d
e
Vulnerabilidade 
é	a	capacidade	
da sociedade de 
enfrentar	e/ou	
suportar	um	evento	
catastrófico
Salto,	2004;	Koblyama,	2006;	
IPT,	2007;	Fell	et al.,	2008;	
Julião	et al.,	2009;	Galderisi	
et al.,	2010;	Reckziegel,	2012;	
Silva,	2012;	Spink,	2014
Alguns	autores	abordam	
vulnerabilidade	considerando	as	
características	socioeconômicas.	
Alguns	também	trazem	o	conceito	
de	resiliência,	que	consiste	na	
capacidade	da	sociedade	de	
suportar	efeitos	adversos
P
e
ri
g
o
Perigo	é	uma	
situação	potencial
para	provocar	danos
Smith,	1992:	Ojeda,	1997;	
Batelra,	2006;	Kobiyama,	
2006;	Fell	et al.,	2008;	Julião	
et al.,	2009;	Hermelin,	2007;	
Cardona et al.,	2010
Alguns	autores	utilizam	os	termos	
"ameaça"	e	"perigosidade"	como	
sinônimos	de	perigo,	consistindo	
numa	potencialidade,	e	não	
probabilidade,	como	é	classificado	
o	risco.	Segundo	os	autores,	o	
perigo	não	pode	ser	estimado
Ameaça	é	uma	
situação	potencial	
para	provocar	danos
Campos,	1999;	Lavell,	1999;	
Cardona,	2001
Utilizam	o	conceito	de	ameaça	
ao	invés	do	conceito	de	perigo.	
considerados	por	alguns	autores	
como	sinônimos	(Campos,	1999;	
UN/ISDR,	2009;	Monteiro	&	
Pinheiro,	2012)
R
is
c
o
Risco	é	a	
probabilidade	de	
ocorrência	de	evento	
danoso	a	partir	
da	relação	entre	
suscetibilidade e 
perigo
Cerri	e	Amaral,	1998;	Aneas	
de	Castro,	2000;	Nogueira,	
2002;	Castro,	2003;	Bateira,	
2006;	Carvalho	e	Galvão,	
2006;	Koblyama,	2006;	
Carvalho,	Macedo	e	Ogura,	
2007:	Fell	et al.,	2008;	JTC-1,	
2008;	Julião	et al.,	2009
Consideram risco uma 
probabilidade	que	pode	ser	
estimada	e	calculada.	Os	termos	
mais	utilizados	para	a	formatação	
do	conceito	são	suscetibilidade	 
e	perigo
Risco	é	caracterizado	
pela	Interação	
entre	ameaça	e	
vulnerabilidade
Campos,	1999;	Lavell,	1999;	
Cardona,	2001
Utilizam	o	conceito	de	ameaça	
para	trabalhar	com	o	risco,	visto	
que	alguns	autores	consideram	
ameaça	como	sinônimo	de	perigo.	
(Campos,	1999;	UN/ISDR,	2009;	
Monteiro	&	Pinheiro,	2012)
Otway,	1992;	Dclos,	2002;	
Lagadec	e	Gullhou,	2004;
Granjo,	2004
Consideram o risco associado aos 
termos	ameaça	e	vulnerabilidade,	
no	entanto	não	consideram	que	o	
risco	seja	um	probabilidade,	e	não	
pode	ser	estimado
50
Frente	aos	desafios	que	o	Brasil	 enfrenta	e	 já	enfrentou	quanto	à	gestão	de	
riscos	em	desastres,	foi	criada	uma	parceria	entre	a	Agência	Brasileira	de	Cooperação	
(ABC)	e	a	Agência	de	Cooperação	 Internacional	do	Japão	 (Jica)	para	compor	o	 “Projeto	
de	 Fortalecimento	 da	 Estratégia	Nacional	 de	Gestão	 Integrada	 em	Riscos	 de	Desastres	
Naturais	–	Gides”.	Ela	teve	como	objetivo	fortalecer	a	capacidade	de	gestão	de	riscos	
em	 resposta	 a	 desastres	 de	movimento	 de	massa	 no	 Brasil.	 Como	 resultado,	 foram	
elaborados	seis	manuais	para	determinação	e	composição	da	gestão	de	risco	no	país:
1.	 Manual	Técnico	para	Mapeamento	de	Perigo	e	Risco	a	Movimentos	Gravitacionais	de	
Massa;
2.	Manual	Técnico	para	Elaboração,	Transmissão	e	Uso	de	Alertas	de	Risco	de	Movimento	
de Massa;
3.	Manual	Técnico	para	Planos	de	Contingência	para	Desastres	de	Movimento	de	Massa;
4.	Manual	Técnico	para	Intervenções	Estruturais	para	Fluxo	de	Detritos;
5.	Manual	Técnico	para	Plano	de	Intervenção	de	Ruptura	de	Encosta;
6.	Manual	 Técnico	 para	 Redução	 de	 Riscos	 de	 Desastres	 Aplicado	 ao	 Planejamento	
Urbano.
Além	do	Projeto	Gides,	 o	 Sistema	Geológico	do	Brasil	 desenvolveu,	 em	nível	
nacional,	 o	 “Cartas	 de	 Perigo	 Geológico”,	 que	 demonstra	 áreas	 susceptíveis	 aos	
processos	de	movimentação	de	massa	diante	de	critérios	topográficos.	
Todos	 esses	 estudos	 vieram	 em	 consonância	 com	 as	 políticas	 propostas	
na	prevenção	de	desastres	pela	Lei	n.	 12.608,	que	estabelece	a	Política	Nacional	de	
Proteção	e	Defesa	Civil.	Como	resultado,	foram	classificadas	áreas	de	perigo	em	grau	
baixo,	médio,	alto	e	muito	alto	(BRASIL,	2012).	Observe	a	figura	a	seguir	para	um	melhor	
entendimento:
Figura 14 – Delimitação de risco definida pelo CPRM
Fonte: CPRM (2020)
51
Essa	iniciativa	fornece	informações	de	risco	de	deslizamentos	de	terra,	inunda-
ções,	enxurradas	e	quedas	de	rocha,	as	quais	auxiliam	os	gestores	nacionais	na	tomada	
de	decisão,	podendo	obter	 informações	sobre	risco	geológico,	suscetibilidade	e	perigo.	
Em	se	 tratando	de	 riscos	atrelados	a	obras	geotécnicas,	 especificamente,	 trabalha-se	
com	a	quantificação	e,	dentro	desta,	supõe-se	os	intervalos	toleráveis	para	os	quais	o	
risco	é	admissível.	
A cartilha “Diretrizes para análise de risco geológico-geotécnico em 
áreas urbanas”, criada em 2020 pelo MinistérioPúblico de São Paulo 
(MPSP), traz critérios, diretrizes e metodologias consolidadas para 
a abordagem emergencial e de prevenção. Acesse o documento na 
íntegra pelo link: https://bit.ly/3LXspmX. Acesso em: 20 set. 2022.
DICA
Whitman	(1984)	apresentou	ao	mundo,	em	sua	época,	um	estudo	que	relacionava	
a	perda	de	vidas	até	aquele	dado	momento	em	contraponto	à	perda	monetária	de	uma	
empresa	e	probabilidade	de	ocorrência.	Tal	estudo,	hoje,	não	é	bem	aceito	diante	das	
possibilidades	de	prevenção	e	investimento	capital	para	salvar	vidas.	Logo,	é	discutível	
chegar	a	um	valor	limite	como	referência.
Figura 15 – Atribuição de custo de uma vida aceito em relação à probabilidade e perda financeira 
empresarial para diversos ramos
Fonte: Oboni et al. (2020 apud SANTOS, 2021)
52
A	 gestão	 de	 risco	 geológico-geotécnico	 tem	 a	 missão	 de	 trabalhar	 com	
metodologias	que	antecipem	a	provável	ocasião	dos	eventos	de	risco	para	que	possam	
auxiliar	 na	 tomada	 de	 decisão	 com	 segurança.	 Os	 sistemas	 de	 gestão	 de	 risco	 em	
empresas	 que	 lidam	 com	 geotecnia	 e	 geologia	 são	 baseados,	 principalmente,	 em	
políticas	 sólidas	de	 identificação,	 análise,	mitigação	e	 controle	de	 riscos	presentes	e	
futuros.	Também	é	observada	a	análise	da	implantação	de	soluções	de	redução	de	risco	 
e	da	efetividade	de	resultado	em	contraponto	ao	valor	despendido.
Dessa	forma,	são	etapas	necessárias	para	a	gestão	de	risco	em	ambientes	de	
inferência	geológica-geotécnica:
1.	 identificar os riscos: analisar	 documentos	 de	 monitoramento,	 instrumentação,	
auditorias	e	prover	análises	de	risco	quantitativas	e	qualitativas	com	a	inspeção	de	
campo.	Assim,	são	definidos	os	potenciais	riscos	para	as	variáveis	consideradas;
2.	análise dos riscos:	apresenta-se	o	cálculo	das	probabilidades	de	ocorrência	de	cada	
um	dos	riscos	enumerados	e,	junto	a	eles,	estipula-se	a	valoração	das	consequências	
atreladas,	chamado	de	“cálculo	de	risco	monetizado”;
3.	plano de gestão de riscos:	 estipula-se	 com	 ferramentas	 de	 gestão	 embasadas	
tecnicamente,	cronogramas	de	atividades	e	frentes	de	trabalho	e	acompanhamento	
para	que	os	riscos	não	ocorram	e,	se	ocorrerem,	para	que	não	atinjam	o	nível	mais	
catastrófico	pelos	meios	de	mitigação;
4.	acompanhamento dos riscos:	monitoramento	 constante	 da	 estrutura	 e	 revisão	
constante	dos	meios	de	gestão	propostos,	se	necessário,	atualizando-os.	
Entendemos,	então,	que	o	gerenciamento	de	risco	no	âmbito	geológico-geo-
técnico	deve	passar	pela	previsão	do	risco,	identificando	as	potenciais	áreas	afetadas	
com	vulnerabilidade	a	um	tipo	de	evento	 (enchente,	 inundação,	 rompimento	de	bar-
ragem	e	movimentação	de	massa).	Dessa	condição,	é	possível	prever	os	indivíduos	e	
o	patrimônio	possivelmente	impactados,	uma	vez	que,	além	de	residências,	indústrias	
químicas,	bens	históricos,	arqueológicos	e	outros	podem	ser	atingidos,	que	majoram	o	
nível	de	perdas.	Somada	a	essa	previsão,	alia-se	a	prevenção,	que	pode	ser	resumida	
na	redução	do	risco	pela	adoção	de	medidas	preventivas	quando	o	risco	não	pode	ser	
efetivamente	eliminado.
3 INSTRUMENTAÇÃO GEOTÉCNICA
A	avaliação	de	risco,	em	termos	de	estabilidade	de	um	maciço	de	terra,	pode	ser	
feita	com	o	auxílio	de	inspeções	de	campo	e	análise	visual	do	maciço,	bem	como	pela	
auscultação	de	instrumentos,	que	provém	registro	e	processamento	de	dados	de	vazão,	
pressão	no	interior	da	estrutura,	deslocamentos	da	face	do	talude	e	outros.	
53
Diante	 da	 dificuldade	 de	 aferição	 visual	 de	 equipe	 de	 campo	 durante	 todo	
o	 tempo	 de	 operação	 de	 uma	 estrutura	 geotécnica,	 como	 uma	 barragem,	 surgiu	
a instrumentação geotécnica,	 que	 é	 um	 método	 de	 apoio	 ao	 controle	 de	 risco	
geotécnico	e	à	tomada	de	decisão	frente	a	uma	situação	eminente	de	instabilização.	
Ela	 apresenta	 certa	 previsibilidade	 quando	 os	 dados	 obtidos	 dos	 instrumentos	 de	
monitoramento	ficam	discordantes	daqueles	considerados	“limites”	nas	boas	técnicas	
de	engenharia.
Para	cada	tipo	de	estrutura,	existe	uma	série	de	 requisitos	técnicos	a	serem	
monitorados	e,	portanto,	o	plano	de	instrumentação	requer	soluções	individuais.	Ao	final	
do	 plano,	 é	 observável	 que	 esses	 instrumentos	 de	 apoio	 à	 geotecnia	 podem	minimizar	
diretamente	os	gastos	e	o	desperdício	de	recursos,	uma	vez	que	podem	indicar	indícios	
de	uma	situação	de	risco	antes	mesmo	de	ela	ocorrer.
A	 instrumentação	pode	ser	dividida	quanto	à	forma	que	obtém	dados.	No	caso	
dos métodos diretos,	 as	 análises	 dos	 instrumentos	mostram	possíveis	 problemas	 em	
determinadas	regiões,	que	devem	ser	avaliadas	com	plantas	e	desenhos	dos	locais	para	
entendimento	 da	 situação.	 Já	 os	métodos indiretos,	 como	os	 geofísicos,	 indicam,	
por	meio	de	aparelhos	com	emissão	eletromagnética,	sísmica	e	outros,	a	composição	
de	materiais	presentes	em	um	perfil	 de	 solo,	 sem	contato	direto	com	todas	as	 suas	
camadas.
Figura 16 – Delimitação de um estudo geofísico feito pelo CPRM
Levantamento	eletromagnético	em	uma	região	e	posterior	explicação	de	dados	obtidos
54
Mapa-resposta	para	a	prática	de	geofísica,	com	perfil	delimitado	com	os	dados	anteriores
Fonte: Kuchenbecker (2017, p. 305)
55
Os	métodos	diretos,	no	entanto,	sendo	os	principais	exemplos	de	instrumentação,	
têm	objetivos	específicos	para	a	obtenção	de	dados	(medir	nível	d’água,	medir	pressão	
interna	e	outros),	mas	convergem,	de	acordo	com	Cruz	(2004),	e	os	três	os	objetivos	
da	 instrumentação	são:	verificar	as	hipóteses,	os	critérios	e	os	parâmetros	adotados	
em	projeto;	verificar	a	adequação	de	métodos	construtivos;	e	verificar	as	condições	de	
segurança	das	obras.	A	aplicabilidade	dos	métodos	diretos	será	discutida	a	seguir.
3.1 MEDIDORES DE NÍVEL D’ÁGUA (INAs)
Um	medidor	de	posição	de	nível	máximo	de	água	é	usado	para	determinar	o	
nível	de	água	subterrânea	no	maciço	de	terra.	Trata-se	de	um	instrumento	simples	de	
levantamento	geotécnico	construído	a	partir	de	um	furo	de	sondagem.	Para	evitar	o	 
colapso	dos	furos,	por	vezes	muito	profundos,	é	aconselhável	usar	PVC	perfurado,	rode-
ado	por	um	material	filtrante,	como	areia;	e	um	material	de	drenagem,	como	cascalho.
A	medição	do	nível	d’água	é	feita	de	forma	manual,	com	medição	da	descida	
de	um	equipamento	que	delimita	a	superfície	da	água	no	interior	do	tubo.	A	medição	é	
constituída	de	um	cabo	graduado	com	um	sensor	na	ponta	que	emite	um	sinal	sonoro	
logo	que	se	encontra	com	a	água.	Esse	sensor	é	comumente	chamado	de	“PIO”.
Figura 17 – Esquema de um medidor de nível d’água
Fonte: Fonseca (2003, p. 33)
56
Esse	 instrumento	de	 leitura	 deve	 ter	manuseio	 adequado,	 com	sensibilidade	
para	que	não	se	torne	inoperante.	Deve-se	tomar	cuidado	com	a	obstrução	do	interior	do	
tubo	devido	à	queda	de	objetos	ou	o	próprio	cisalhamento	do	tubo	inserido	no	maciço,	
bem	como	a	colmatação	dos	orifícios	que	dão	entrada	à	água	no	INA.	
Por	outro	lado,	os	medidores	de	saída	de	água	(vazão)	são	instrumentos	alocados	
no	final	de	um	maciço	de	terra,	para	o	qual	percola	o	fluido	da	drenagem	interna.	Nesse	
instrumento,	 é	 possível	 medir	 as	 vazões	 drenadas	 e	 infiltradas	 em	 maciços,	 como	
barragens	de	terra,	enrocamento	e	de	concreto.	O	procedimento	típico	para	medição	
de	vazões,	nesses	casos,	é	promover	a	concentração	do	fluxo	extraído	da	barragem	em	
galerias	de	concreto,	ligadas	às	seções	triangulares	ou	trapezoidais	ou	a	calhas	Parshall.
Quadro 11 – Seções triangulares e trapezoidais
Fonte: Pereira e Silva (2018, p. 5)
Há	instrumentos	regidos	pela	NBR	13.403	que	estabelecem	a	“Medição	de	vazão	
em	efluentes	líquidos	e	corpos	receptores	em	escoamento	livre”	(ABNT,	1995),	e	a	figura	
a	seguir	nos	mostra	um	exemplo	de	canal	triangular	com	régua	de	indicação	de	altura	
d’água	para	correlação	com	a	vazão.	Observe	atentamente.
Figura 18 – Canal triangular de um medidor rústico de vazão
Fonte: https://shutr.bz/3E1lTJO. Acesso em: 31 ago. 2022.
57
O	medidor	de	vazão	triangular	tem	uma	parede	delgada	que	o	torna	mais	preciso	
e	fácil	de	instalar.Em	resultado,	torna-se	mais	econômico.	Trata-se	de	um	dispositivo	
que	permite	avaliar	continuamente	a	vazão	de	acordo	com	a	variação	da	 lâmina	d’água	
determinada	 pelo	 registro	 de	 dados	 de	 carga	 hidráulica.	 Pela	 sua	 geometria,	 não	 é	
adequado	para	locais	onde	se	tem	dispersão	de	sedimentos	em	conjunto	com	a	água,	
uma	vez	que	a	deposição	acaba	influenciando	a	leitura.
O	medidor	em	calha	Parshall	mede	vazões	em	canais	abertos	com	uma	secção	
dividida	em	três	partes:	uma	seção	aberta	para	recepção	do	fluxo,	uma	seção	estran-
gulada	intermediária	e	uma	seção	externa	divergente	para	liberação	do	fluxo.	Na	seção	
intermediária,	a	altura	da	lâmina	d’água	medida	corresponde	a	uma	vazão	delimitada.	
3.2 MEDIDORES DE POROPRESSÃO (PZs)
O	piezômetro	é	um	 instrumento	que	mede	pressão	hidrostática	ou	poropressão	
(pressão	 neutra)	 no	 nível	 de	 sua	 ponta	 porosa,	 sendo,	 portanto,	 importante	 para	 a	
verificação	do	nível	de	pressão	em	um	maciço	saturado.	Existem	várias	configurações	
de	piezômetros	de	leitura	manual	ou	automática,	conforme	a	necessidade	de	projeto.
Figura 19 – Face externa ao maciço de terra de um piezômetro simples e índices de segurança para 
avaliação da leitura
Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/piezometer-tool-measuring-depth-water-
soil-1835025094. Acesso em: 31 ago. 2022.
O piezômetro de Casagrande,	também	chamado	de	“Standpipe”,	é	constituído	
por	um	tubo	aberto,	tido	como	um	aperfeiçoamento	do	medidor	de	nível	d’água.	
58
Figura 20 – Esquema de um piezômetro de tubo aberto
Fonte: Fonseca (2003, p. 37)
O	comprimento	do	trecho	perfurado	na	extensão	do	trecho	do	furo	preenchido	com	
material	drenante,	geralmente,	é	limitado	entre	1,0	e	1,5	metros.	Trata-se	da	versão	mais	
simplificada	do	instrumento	e	apresenta	vantagens	e	limitações	diante	da	simplicidade.
Quadro 12 – Vantagens e limitações do uso de piezômetro do tipo Standpipe
Fonte: a autora
Vantagens Limitações
Confiabilidade,	durabilidade	e	sensibilidade
Interferência	na	área	do	empreendimento	
suscetível	a	ser	danificado
Possibilidade	de	verificação	de	seu	
funcionamento	por	meio	de	ensaio	de	
recuperação	do	nível	de	água
Não	é	adequado	para	medição	de	
poropressão	em	período	construtivo
Permite	uma	estimativa	do	coeficiente	
de	permeabilidade	do	solo	próximo	ao	
instrumento
Dificuldade	de	instalação	a	montante	da	
barragem	devido	ao	reservatório	(dificuldade	
de	acesso	para	as	leituras)
Componentes	de	baixo	custo	e	não	
necessitam	de	calibração
Tempo	de	resposta	elevado	em	solos	de	baixa	
permeabilidade	(alguns	minutos	até	semanas)
Simplicidade	para	realizar	leituras
A	precisão	de	leitura	depende	da	habilidade	
do	operador
Não	elétrico
Mais	lento	para	mostrar	mudanças
bruscas	de	sobrepressão
Confiabilidade	a	longo	prazo
Não	é	possível	a	aquisição
remota de leituras
59
Os piezômetros pneumáticos	dizem	respeito	a	outro	tipo	mais	complexo	de	
instrumento	de	análise	de	pressões,	os	quais	têm	aplicação	na	análise	da	poropressão	 
e	em	subpressões	em	maciços	de	terra,	taludes	e	fundações.	
O	funcionamento	dos	piezômetros	pneumáticos,	para	Cruz	 (2004),	 é	 tido	como	 
um	equilíbrio	de	pressões	atuantes	em	um	diafragma	flexível,	em	que,	de	um	lado,	atua	
a	água	cuja	pressão	se	deseja	medir	e,	do	outro	lado,	atua	um	gás	cuja	pressão	é	vaiável	 
e	conhecida.	
É importante ressaltar a limitação na utilização de piezômetro 
de tubo aberto para monitoramento, nos casos de mudanças 
bruscas de nível d’água nos reservatórios de barragens com 
fundação de baixa permeabilidade. Nesse caso, o piezômetro 
apresenta atraso na resposta a essa variação devido ao fluxo 
de água que ocorre no seu tubo até a equalização da pressão.
ATENÇÃO
A	leitura	da	poropressão	medida	pelo	instrumento	é	feita	a	partir	da	aplicação	de	
uma	pressão	crescente	via	tubulação,	com	posterior	medição	da	tubulação	no	retorno	
quando	a	pressão	se	iguala	à	pressão	intersticial	do	solo.	Quando	a	pressão	de	torno	 
se	 iguala	a	zero	é	possível	retirar	a	pressão	exercida	pela	água	nos	 interstícios	da	pedra	
porosa	do	instrumento.
Figura 21 – Esquema de um piezômetro pneumático
Fonte: Fonseca (2003, p. 40)
60
A	composição	desse	instrumento	consiste	em	uma	ampola	de	suprimento	de	
gás,	um	manômetro	de	leitura,	uma	pedra	porosa	e	um	indicador	de	fluxo	de	gás.	Diante	
do	seu	funcionamento	mais	complexo,	apresenta,	também,	vantagens	e	limitações.
Quadro 13 – Vantagens e limitações do uso de piezômetro pneumático
Fonte: a autora
Vantagens Limitações
Menor	interferência	na	área	do	
empreendimento
Necessidade	de	calibração	periódica	dos	
manômetros	e	recarga	das	ampolas	de	gás	
comprimido	(nitrogênio)
Recalques	sofridos	pelo	instrumento	não	
interferem nas leituras
Deformação	do	diafragma	flexível
Leitura	centralizada,	simples	e	rápida
Menor	confiabilidade	para	medida	de	
poropressão	negativa
Não	tem	limitação	quanto	à	localização	do	
instrumento
Tempo	de	resposta	elevado	em	solos	de	baixa	
permeabilidade	(alguns	minutos	até	semanas)
Pressão	atmosférica	não	interfere
Alguns	tipos	desse	instrumento,	devido	
a	deficiências	de	projeto	e	fabricação,	
apresentam	alta	porcentagem	de	perda,	até	
mesmo	antes	da	instalação
Tempo	de	resposta	de	leitura	relativamente	
pequeno
Tecnologia	de	fabricação	não	complexa
O piezômetro hidráulico	 foi	desenvolvido	com	uma	finalidade	mais	específica	
para	ser	instalado	em	fundação	ou	aterro	durante	o	período	da	obra.	De	acordo	com	Cruz	
(2004),	os	piezômetros	hidráulicos	são	tidos	como	os	mais	 indicados	para	a	medição	de	
pressões	neutras	(por	opressão)	em	fases	distintas:	tanto	na	fase	construtiva	quanto	na	
fase	de	enchimento	e	operação	do	reservatório,	quando	aliados	às	barragens.
Esses	são	instrumentos	de	pedra	porosa	na	ponta,	conectada	a	um	painel	de	
leitura	externo.	Dentro	do	dispositivo,	existem	dois	tubos	flexíveis	que	ficam	completa-
mente	saturados	de	água	destilada	e	desaerada.	A	leitura	é	efetuada	a	partir	da	libe-
ração	dos	registros	dos	tubos	com	o	manômetro	até	sua	estabilização	e	a	circulação	 
da	água	pelos	outros	pontos	do	equipamento.
61
Figura 22 – Esquema de um piezômetro hidráulico
Fonte: Fonseca (2003, p. 38)
As	vantagens	e	as	limitações	do	equipamento	estão	apresentadas	no	quadro	 
a	seguir.
Quadro 14 – Vantagens e limitações do uso de piezômetro hidráulico
Fonte: a autora
Vantagens Limitações
Técnica	e	construção	simples
Não	indicado	para	cotas	de	instalação	muito	
superiores	que	a	do	terminal	de	leitura
Permite	a	avaliação	de	poropressões	negativas
Possibilidade	de	fornecer	água	ao	maciço	
durante	a	operação	de	de	aeração	das	
tubulações,	situação	prejudicial	quando	a	
altura	do	aterro	sobre	o	instrumento	é	pequena
Sensor	acessível
Necessidade	de	operação	demorada	a	
relativamente	complexa	para	a	de	aereção	das	
tubulações	e	da	manutenção	do	sistema
Permite	a	realização	de	ensaio	de	
permeabilidade
Tempo	de	resposta	muito	grande	quando	
instalado	em	solos	de	baixa	permeabilidade
Custo	médio	e	alta	durabilidade
Eventuais	influências	de	recalques	nas	leituras	
dos instrumentos
Temos,	ainda,	o	piezômetro elétrico,	um	tipo	de	 instrumento	que	correlaciona	
sinais	elétricos	a	grandezas	físicas,	com	a	medição	da	pressão	da	água	por	um	transdutor	
elétrico.	Pela	automação	do	sistema,	tem	um	baixo	tempo	de	resposta,	sendo	muito	utili-
zado	para	a	obtenção	de	dados	em	maciços	de	terra,	taludes	e	fundações,	podendo	repli-
cá-las	a	distância.	O	quadro	a	seguir	mostra	outras	vantagens	e	limitações	desse	modelo.
62
Quadro 15 – Vantagens e limitações do uso de piezômetro de corda vibrante
Fonte: a autora
Vantagens Limitações
Alta	resolução	e	precisão
Podem	ser	danificados	por	descarga	
elétrica	e	custo	elevado	de	aquisição
Resposta	rápida
Os	sinais	podem	ser	transmitidos	à	longa	distância
Facilidade	de	instalação	e	simples	leitura
Possibilidade	de	automação	das	leituras
Esse	 piezômetro	 também	é	 conhecido	 como	 “piezômetro	 de	 corda	vibrante”	
e	tem	como	princípio	a	medição	da	frequência	de	movimento	de	umacorda	vibrante	
estendida	 sobre	 a	 estrutura,	 que	 se	 deforma	para	 oferecer	 dados.	 Ela	 é	 popular	 por	
oferecer	precisão	e	confiabilidade	no	longo	prazo,	sob	condições	geotécnicas	severas.
3.3 MEDIDORES DE DESLOCAMENTOS
Os marcos superficiais	 são	 instrumentos	que	 se	dedicam	a	valorar	 os	deslo-
camentos	verticais	e	horizontais	dos	maciços	com	relação	a	uma	referência	indeslocável	 
(semiesfera	de	aço),	chumbada	no	solo	a,	pelo	menos,	1,2	metros	de	profundidade.
Figura 23 – Esquema de um marco superficial
Fonte: Fonseca (2003, p. 16)
63
Nesse	 sentido,	 são	 feitos,	 então,	 levantamentos	 topográficos	 recorrentes	
para	 avaliar	 as	mudanças	de	 deslocamento	de	um	 local	 determinado	 em	 função	do	
referencial.	 Trata-se	 de	 um	 instrumento	 de	 baixo	 custo	 e	 com	 precisão	 bastante	
satisfatória,	na	ordem	de	±3	mm	para	distâncias	da	ordem	de	400	m,	conforme	sugerido	
como	admissível	à	equipe	de	campo.	Porém,	existem	dificuldades	de	leitura,	sobretudo	
em	dias	chuvosos,	quando	a	visualização	se	torna	mais	difícil.	A	estrutura	também	deve	
ser	mantida	intacta,	sem	acidentes	ou	vandalismo,	para	garantir	a	leitura	adequada.	
Além	dos	marcos	 superficiais,	 as	placas de recalque oferecem um sistema 
simples	para	verificação	de	deslocamento	vertical	 (recalque).	A	placa,	diferentemente	
do	 referencial	 do	marco	 superficial,	 é	 colocada	 sobre	o	 aterro	do	qual	 se	quer	 obter	
informações,	com	o	formato	de	uma	chapa	quadrada	de	aço	fixada	a	ele.	A	medição	
do	deslocamento	é	feita	com	apoio	topográfico	em	nivelamento	e	contranivelamento	
a	partir	de	um	nível	de	referência	pré-determinado,	 inserido	fora	da	área	suscetível	à	
movimentação.	
Por	 outro	 lado,	 os	 inclinômetros	 são	 instrumentos	 compostos	 de	 hastes	
cilíndricas	com	sensores	que	analisam	a	movimentação	ao	serem	enterrados	no	solo.	A	
inclinação	do	tubo	é	medida	em	intervalos	de	tempo	e	o	ângulo	formado	é	avaliado	em	
cada	segmento	do	tubo.	Dessa	forma,	o	instrumento	anexado	a	um	furo	de	sondagem	
pode	ser	fixo	ou	removível.	
Figura 24 – Esquema de um inclinômetro
FONTE: http://www.geotecnia.ufba.br/?vai=Extens%E3o/Instrumenta%E7%E3o/Inclinometro. 
Acesso em: 20 set. 2022.
64
O	 espaçamento	 dos	 sensores no	 caso	 fixo	 responde	 a	 uma	 ordem	 de	 1	 a	 4	
metros	no	tubo,	sendo	utilizado	quando	o	local	tem	acesso	mais	difícil.	Em	caso	de	tubo	
removível,	 o	 sensor	fica	alocado	no	final	 do	 tubo	e	mede	a	 inclinação	dos	 segmentos	
conforme	o	 tubo	vai	 sendo	puxado	para	 fora.	Dessa	 forma,	 a	 avaliação	pode	ser	 feita	
vertical	ou	horizontalmente.	No	caso	do	tubo	removível,	o	deslocamento	total	é	calculado	
com	a	soma	de	todos	os	segmentos	em	relação	à	posição	inicial.	A	figura	a	seguir	mostra	
a	inserção	de	inclinômetros	em	taludes	de	barragens.
Figura 25 – Desempenho de um inclinômetro em uma barragem de terra
Fonte: a autora
Em	 casos	 de	 medição	 em	 barragens	 de	 terra,	 os	 inclinômetros	 indicam	 a	
fluência	do	nível	de	água,	mobilizando	o	material,	assim	como	podem,	também,	indicar	
onde	está	se	formando	uma	provável	superfície	de	ruptura.	Para	analisar	a	estrutura	
de	forma	global,	eles	são	alocados	tanto	no	talude	de	montante	quanto	no	talude	de	
jusante	da	estrutura.
65
LEITURA
COMPLEMENTAR
ANÁLISE DE RISCO EM OBRAS DE GEOTECNIA COM USO DE EXPLOSIVOS
Paulo	Henrique	Fernandes	Cavalcante
André	Pacheco	de	Assis
RESUMO
Analisar	 Risco	 em	 Obras	 Geotécnicas	 é	 sempre	 um	 desafio	 para	 todos	 os	
projetistas	especialistas.	 Incertezas	das	características	do	solo,	melhor	explosivo,	 tempo	
e	execução.	Toda	informação	deve	ser	bem	analisada	e	criticada.	A	experiência	conta	
muito,	pois	o	conhecimento	maduro	das	normas	é	vital.	Pesquisar,	analisar	e	avaliar	é	
uma	boa	forma	de	se	estudar	as	possibilidades	de	respostas	e	por	 isso	escolheu	um	
tópico	-explosivos	e	testou-se.
OBJETIVOS
O	 principal	 objetivo	 é	 aplicar	método	 semiquantitativo	 de	 análise	 de	 risco	 –	
método	de	Moslero	Penta	em	obra	geotécnica.	O	desafio	é	realizar	a	análise	com	base	
na	experiência,	pesquisas	e	nas	observações	 realizadas.	Também	destacamos	que	a	
busca	de	métodos	lógicos	e	simples	para	definir	os	riscos,	análise	e	avaliar,	calcular	as	
probabilidades	e	adotar	medidas	mitigadoras.
Pesquisadores	 registram	 que	 os	 primeiros	 povos	 a	 usar	 a	 pólvora	 como	
elementos	pirotécnicos	foram	os	Chineses	e,	mais	tarde	como	propelente	de	projéteis	
(primeiros	canhões).
O	 monge	 Schwartz,	 1354	 DC,	 realizou	 uma	 mistura	 explosiva	 semelhante	 à	
pólvora,	usada	para	fins	bélicos:	morteiros	e	outros.	Em	seguida,	1847,	Ascanio	Sobreno	
introduziu	a	Nitroglicerina,	aquela	que	a	sua	explosão	é	muitas	vezes	maior	que	a	da	
pólvora,	mas	é	perigosa	com	movimentos	bruscos	ou	atrito.	E,	em	1863,	Alfred	Nobel	
misturou	 Kieselguhr	 (base	 inerte	 absorvente)	 à	 Nitroglicerina,	 criando	 a	 Dinamite:	
explosivo	com	boas	condições	de	segurança.	
Foram	dos	acidentes	que	nasceram	artefatos	mais	perigosos,	com	aconteceu	
em	1923,	cidade	de	Oppan	(Alemanha)	ao	dinamitar	uma	partida	de	Nitrato	de	Amônio	
empedrada	pela	umidade,	provocou-se	uma	enorme	explosão.	
66
Deve-se	 observar	 a	 legislação	 vigente,	 para	 quem	 pode	 usar	 e	 atentar	 aos	
detalhes,	segundo	as	seguintes	referências
•	 Portaria	 N18,	 de	 7	 de	 novembro	 de	 2005,	 apresenta	 as	 normas	 administrativas	
relativas	às	atividades	com	explosivos	e	seus	acessórios;
•	 Decreto	nº	3.665	(R105),	de	20	de	novembro	de	2000,	regulamento	para	a	fiscalização	
de	produtos	controlados;
•	 Decisão	 Normativa	 N	 071/01	 CONFEA,	 de	 14	 de	 dezembro	 de	 2001,	 competência	
para	 atividades	 de	 projeto	 e	 execução	 de	 desmonte	 de	 rochas	 com	utilização	 de	
explosivos;	e;
•	 Norma	 Regulamentadora	 NR19,	 Portaria	 nº	 3.2014,	 de	 8	 de	 junho	 de	 1978,	 última	
atualização	no	D.O.U.	da	Portaria	SIT	nº	228,	de	24	de	maio	de	2011.
MÉTODO UTILIZADO
A	 utilização	 de	 explosivos	 na	 indústria	 extrativa	 é	 uma	 prática	 tradicional	 desde	
que	foi	verificado	o	efeito	demolidor	destas	substâncias,	tendo-se	generalizado	com	a	
introdução	dos	explosivos	de	segurança.
As	substâncias	explosivas	com	possibilidade	de	utilização	em	minas	e	pedreiras	
dividem-se	em	pólvoras	e	explosivos,	podendo	apresentar-se	a	granel	ou	encartuchados.	
São	de	uso	comum:
•	 Pólvoras:	Pólvora	negra;	Pólvora	sem	fumo	
•	 Explosivos:
 ◦ A Granel: 
-	 Granulados	(mistura	de	nitrato	de	amônio	e	gasóleo);
-	 Emulsões	(dispersão	em	água	de	substâncias	explosivas);
 ◦		Encartuchados:
-	 Pulverulentos	(mistura	de	nitrato	de	amônio	e	aditivos);
-	 Emulsões	(dispersão	em	água	de	substâncias	explosivas);
-	 Dinamites	(compostos	à	base	de	nitroglicerina/nitroglicol).
Em	 obras	 geotécnicas	 os	 explosivos	 podem	 ser	 utilizados	 em	 prospecções	
sísmicas;	 lavra	 de	minas	 (ao	 céu	 aberto,	 subterrâneo	 ou	 pedreiras);	 construção	 civil	
(estradas,	túneis,	adutoras,	fundações	e	outras);	aumento	de	vazão	de	poços	e	outros.
Prospecções sísmicas
A	prospecção	sísmica	baseia-se	no	facto	das	ondas	elásticas	(também	chamadas	
ondas	sísmicas)	 se	moverem	com	velocidades	diferentes	em	 rochas	diferentes.	A	partir	
da	libertação	de	energia	sísmica	num	ponto	e	da	observação	dos	tempos	de	chegada	
destas	ondas	a	um	número	de	outros	pontos	à	superfície	da	terra,	é	possível	determinar	
a	 distribuição	 da	 velocidade	 e	 localizar	 interfaces	 subterrâneas	 onde	 as	 ondas	 são	
refletidas	ou	refratadas.
67
O	 intervalo	 de	 frequências	 das	 ondas	 sísmicas	 geradas	 por	 fontes	 naturais	
e	 artificiais	 incluem	 um	 largo	 espectro,	 cobrindo	 movimentos	 terrestres	 de	 baixa	
frequência	(0.01	–2	Hz),	provocados	por	ondas	superficiais	e	volumétricas	de	sismos,	a	
vibrações	de	alta	frequência	(10	–105	Hz)	geradas	por	fontes	artificiais	que	incluem	uma	
larga	variedade	de	fontes	explosivas	e	não	explosivas.
Lavras de minas
Lavra	 de	minas	 (ao	 céu	 aberto,	 subterrâneo	 ou	 pedreiras).	 O	 desmonte	 com	
explosivos	em	uma	das	mais	 relevantes	operações	unitáriasna	 lavra	subterrânea	de	
carvão	no	Brasil	requer	cuidados.	Esta	operação	tem	como	objetivo	a	obtenção	de	uma	
massa	com	uma	distribuição	granulométrica	adequada,	de	tal	forma	que	o	impacto	final	
na	combinação	com	os	custos	de	perfuração,	limpeza	e	transporte	sejam	minimizados.	
Construção civil
A	construção,	a	demolição,	a	reforma,	a	ampliação	de	edificação	ou	qualquer	
outra	benfeitoria	agregada	ao	solo	ou	ao	subsolo.	Dividem-se	em	dois	grandes	ramos:
•	 Obras	 de	 construção	 civil	 -	 engloba	 as	 edificações	 de	 moradia,	 comerciais	 e	 de	
serviços	públicos.	
•	 Obras	de	construção	pesada	-	englobam	as	obras	de	construção	de	portos,	pontes,	
aeroportos,	estradas,	hidroelétricas,	túneis,	etc.	
O	método	 tem	como	objetivo	 a	 identificação,	 análise	 e	 avaliação	dos	 fatores	
que	podem	influir	na	ocorrência	do	risco.	É	dividido	em	quatro	fases:	definição,	análise,	
avaliação	e	cálculo	da	classe	do	risco.	
É	 um	 dos	mais	 usados	 para	 cálculo	 de	 seguro.	 Pode-se	 obter	 um	 indicador	
muito	 preciso	 sobre	 a	 probabilidade	 de	 materialização	 de	 qualquer	 risco,	 que	 pode	
afetar	o	funcionamento	normal	da	empresa.
A	complementação	foi	necessária	com	o	objetivo	de	adotar	ações	mitigadoras	
para	se	buscar	soluções	que	minimizem	os	potenciais	riscos	identificados.
ESTUDO
CENÁRIO: Possível	repercussão	desastrosa	do	uso	de	explosivos	em	obras	de	
construção	civil	 causando	acidente.	A	primeira	 fase	 se	 refere	 à	definição	dos	 riscos.	
A	Tabela	5.1	apresenta	 relação	de	 riscos	definidos	a	partir	de	pesquisa	e	seleção	dos	
principais.
68
Tabela 5.1 – Lista de Riscos
Na	segunda	fase	se	calcula	os	critérios	que	nos	auxiliarão	a	análise	da	evolução	
do	risco.	Compreende:	 identificação	das	variáveis	e	análise	dos	fatores	obtidos	e	das	
variáveis	 e,	ver	 em	que	medida	 influencia	no	 critério	 considerando	a	 escala	Penta	 e	
segunda	as	convenções.
As	Figuras	5.1a,	b	e	c	apresentam	as	escalas	de	análise	dos	riscos	com	base	nos	
critérios	definidos	pelo	autor	gerando	uma	tabela	com	valores	para	cada	risco,	conforme	
apresentado	na	Tabela	5.2.
Figura 5.1a - Escala Penta por critério.
Figura 5.1b - Escala Penta por critério
69
Figura 5.1c - Escala Penta por critério.
Com	base	na	escala	Penta	pode-se	pontuar	cada	risco	com	base	nos	critérios	
estabelecidos.
Tabela 5.2 – Análise de riso por critério
Esta	fase	tem	por	objetivo	quantificar	o	risco	considerando	a	Tabela	5.3.	Este	
procedimento	seque	a	seguinte	sequência	de	cálculo:
a)	Cálculo	do	carácter	do	risco	“C”.	Para	se	recorrer	os	dados	obtidos	na	fase	anterior	e	
aplicando	as	equações:
(1)	 C	=I	+	D
(2)	 I	=	Importância	do	impacto	=	F	x	S	
(3)	 D	=	Danos	ocasionados	=	P	x	E
b)	Cálculo	da	probabilidade	“P”.	Para	o	qual	recorremos	aos	dados	obtidos	na	segunda	
fase	aplicando	a	equação	(4):
(4)	 Pb	=	A	x	V
c)	Quantificação	 do	 risco	 considerado.	 Se	 multiplicar	 os	 valores	 obtidos	 em	 a)	 e	 b)	
aplicando	a	equação	(5):	
(5)	 ER	=	C	x	Pb
70
Tabela 5.3 – Estimativa de Risco
Essa	fase	tem	por	objetivo	classificar	os	riscos	em	função	dos	valores	obtidos	na	
sua	evolução.	Deste	valor	pode-se	compreender	entre	2	e	1.250	e	aplicando	a	Tabela	5.4.
Tabela 5.4 – Classificação de significância do risco.
Caso teórico e prático
Para	 fins	 de	 análise	 de	 risco	 escolhemos	 a	 construção	 civil,	 um	 caso	 de	
desmontes	de	rochas	de	talude	em	rodovia.	A	Tabela	5.5	apresenta	o	resultado	da	classe	
do	risco	e	quanto	ao	aspecto	em	relação	a	obra.
Tabela 5.5 – Relação dos riscos e sua classe.
71
Os	Gráficos	5.1	e	5.2	apresentam	a	relação	dos	 itens	com	a	classe	do	risco	e	
distribuição	quanto	ao	aspecto	do	risco.	
Gráfico 5.1 – Risco e classe Gráfico 5.2 – Aspecto do risco
CONCLUSÃO E DISCUSSÃO
Em	cada	atividade	da	engenharia	principalmente	na	 fase	de	planejamento	é	
preciso	considerar	os	riscos	que	as	obras,	as	pessoas,	os	materiais	e	os	equipamentos	
podem	contribuir	para	que	a	obra	seja	realizada	com	êxito	e	com	o	mínimo	de	risco.
São	 diversos	 riscos	 analisados	 e	 a	 sua	 classificação	 é	 feita	 com	 base	 no	
conhecimento,	na	formação,	na	vivência	e	considerando	o	aspecto	financeiro.
O	conjunto	de	 riscos	 relacionados	apresenta	um	resultado	preocupante,	pois	
70%	precisam	de	ação	mitigadora	urgentemente.	Os	 itens	afetados	são	cruciais	para	
a	 obra	 uma	 vez	 que	 estão	 em	 toda	 a	 cadeia	 produtiva,	 tais	 como:	 a	 aquisição	 dos	
explosivos,	sinistro	energético,	a	ocupação	residência	do	entorno,	as	infraestruturas	de	
acesso,	a	cobertura	do	seguro	da	obra,	o	plano	de	contingência	de	proteção,	o	meio	de	
transporte	do	explosivo	desde	o	fabricante	até	a	obra	e	o	efeito	que	o	meio	ambiente	
pode	sofrer	com	os	possíveis	danos.
Então,	é	fundamental,	necessário	e	obrigatório	a	elaboração	de	análise	e	plano	
de	risco	pelas	empresas	que	estão	adquirindo	explosivos,	pois	aqueles	que	estão	sendo	
furtados	ou	roubados	estão	trazendo	um	prejuízo	enorme	para	a	sociedade.
Fonte: CAVALCANTE, P. H. F.; ASSIS, A. P. Análise de risco em obras de geotecnia com uso de 
explosivos. Revista Foco, Curitiba, v. 15, n. 1, p. 1-10, jan. 2022. Disponível em: https://revistafoco.
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72
Neste tópico, você aprendeu:
•	 A	 avaliação	 de	 risco	 e	 como	 se	 dá	 uma	 das	 abordagens	 para	 aferição	 do	 risco	
associado	a	uma	situação,	que	pode	ter	como	base	a	vulnerabilidade	e	a	oportunidade	
ocorrente,	dentre	outros.
•	 O	conceito	de	análises	geofísicas	como	método	indireto	de	aferição	das	condições	
interiores	do	maciço	provém	dados	precisos	da	identificação	de	materiais,	nível	d’água,	
bolsões	ou	cavidades	em	rochas,	que	dão	condições	para	se	avaliar	a	estrutura	de	
forma	mais	rápida	e	complexa.
•	 A	composição	de	sistemas	de	prospecção	de	poropressão	 (pressão	da	água	entre	
grãos	de	solo)	por	meio	de	instrumentos	manuais	e	automatizados,	bem	como	sua	
aplicabilidade	em	casos	diversos.
•	 A	diferença	da	instrumentação	de	aferição	da	segurança	de	maciços	de	terra,	como	
os	medidores	de	vazão,	de	pressão,	de	nível	d’água	e	de	deslocamentos,	que	dão	
indícios	 de	 anomalias	 que	 devem	 ser	 investigadas	 e	 continuamente	monitoradas	
para	verificar	a	evolução.
RESUMO DO TÓPICO 3
73
AUTOATIVIDADE
1	 Os	medidores	de	deslocamentos	 são	 instrumentos	 alocados	em	maciços	de	 terra	
que	têm	a	função	direta	ou	indireta	de	apontar	variações	verticais	e/ou	horizontais	do	
perfil	do	maciço.	São	importantes	para	mostrar	as	condições	de	segurança	quanto	à	
movimentação	de	massa	em	taludes	de	rodovias,	por	exemplo.	Sobre	a	classificação	
de	deslocamentos	em	baixo	custo,	assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 Piezômetros.
b)	 (			)	 Reflectômetros.	
c)	 (			)	 Marcos	superficiais.
d)	 (			)	 INAs.
2	 A	instrumentação	geotécnica	subsidia	a	tomada	de	decisões,	sobretudo	quando	se	
pretende	acompanhar	uma	estrutura	para	verificar	seu	nível	de	risco.	Dentre	os	vários	
instrumentos,	existem	diversas	aplicabilidades	na	análise	destes	dentro	dos	maciços.	
Com	base	nas	definições	dos	enfoques	de	 instrumentação	geotécnica,	 analise	 as	
sentenças	a	seguir:
I-	 Os	piezômetros	elétricos	de	corda	vibrante	apresentam	as	melhores	características	
em	termos	de	 resposta	 rápida	e	a	possibilidade	de	obtenção	de	dados	de	forma	
remota.
II-	 Calha	Parshall,	seção	triangular	e	seção	trapezoidal	são	exemplos	de	medidores	de	
nível	d’água	nos	maciços.
III-	 Marcos	superficiais	e	placas	de	recalque	são	exemplos	de	medidores	de	deslocamento	
em	que	se	busca	a	comparação	da	avaliação	topográfica	com	um	referencial	fixo.
Assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 As	sentenças	I	e	II	estão	corretas.
b)	 (			)	 Somente	a	sentença	II	está	correta.
c)	 (			)	 As	sentenças	I	e	III	estão	corretas.
d)	 (			)	 Somente	a	sentença	III	está	correta.
3	 O	 uso	 de	 piezômetros	 permite	 a	 aferição	 de	 poropressões	 ou	 pressões	 neutras	
dentro	 do	 maciço	 a	 partir	 de	 um	 furo	 feito	 por	 sondagem	 e	 posterior	 colocação	
de	 equipamento	 para	 leitura.	A	 pressão	 neutraé	 causada	 pela	 ação	 da	 água	nos	
vazios	do	solo,	sendo	que	seu	aumento	pode	indicar	a	instabilização	do	maciço.	Por	
isso,	é	importante	estar	sempre	atento	ao	tipo	de	piezômetro	adotado	e	aos	dados	
oferecidos	por	ele.	Frente	a	isso,	sobre	a	indicação	de	piezômetros,	classifique	V	para	
as	sentenças	verdadeiras	e	F	para	as	falsas:
74
(			)	 Tubo	aberto	ou	Casagrande.
(			)	 INA	e	PIO.
(			)	Corda	vibrante.
(			)	Pneumático.
Assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
a)	 (			)	 V	-	F	-	F	-	V.
b)	 (			)	 V	-	F	-	V	-	V.
c)	 (			)	 F	-	V	-	F	-	V.
d)	 (			)	 F	-	F	-	V	-	F.
4	 A	instabilidade	de	um	maciço	de	terra	é	um	evento	que	pode	ser,	por	muitas	vezes,	
catastrófico	 e	 alcançar	 consequências	 econômicas,	 sociais,	 ambientais	 e	 perdas	
humanas.	Diversos	métodos	de	quantificação	de	risco	foram	criados	para	tentar	uma	
previsão	do	risco	atrelado	a	uma	estrutura.	Frente	a	isso,	disserte	sobre	os	principais	
fatores	que	interferem	na	aferição	do	nível	de	risco	apresentada.
5	 Na	auscultação	de	uma	estrutura	de	terra,	há	muitos	instrumentos	que	podem	ser	
alocados	para	aferição	da	segurança	da	estrutura	e	do	seu	nível	de	risco,	frente	às	
condições	impostas	por	solicitações	externas	e	à	própria	condição	de	manutenção	
da	estrutura.	Nesse	contexto,	disserte	sobre	as	diferenças	entre	medidores	de	nível	
d’água	e	piezômetros	para	avaliação	de	segurança.
75
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-	SINPDEC	e	o	Conselho	Nacional	de	Proteção	e	Defesa	Civil	-	CONPDEC;	autoriza	
a	criação	de	sistema	de	informações	e	monitoramento	de	desastres;	altera	as	Leis	
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81
CONTROLE AMBIENTAL NA 
GEOTECNIA
UNIDADE 2 — 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
 A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• resolver problemas relacionados aos processos geológicos agravados pelas ações 
humanas;
• saber sobre as técnicas de controle de erosão e assoreamento;
•	 identificar	 os	 impactos	 relacionados	 à	 mineração	 e	 às	 barragens,	 aos	 lixões,	 aos	
aterros	controlados	e	às	obras	rodoviárias;
•	 entender	a	aplicação	de	geossintéticos	para	finalidades	diversas	em	Geotecnia.
	 A	cada	tópico	desta	unidade	você	encontrará	autoatividades	com	o	objetivo	de	
reforçar	o	conteúdo	apresentado.
TÓPICO	1	–	 IMPACTOS	NA	GEOTECNIA	AMBIENTAL	E	PROCESSOS	DE	CONTROLE
TÓPICO	2	–	CONTROLE	AMBIENTAL
TÓPICO	3	–	IMPACTO	AMBIENTAL	DE	OBRAS	GEOTÉCNICAS	E	FORMAS	DE	
REMEDIAÇÃO
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
82
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 2!
Acesse o 
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83
TÓPICO 1 — 
IMPACTOS NA GEOTECNIA AMBIENTAL 
E PROCESSOS DE CONTROLE
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Neste	 primeiro	 tópico,	 serão	 abordados	 os	 principais	 impactos	 das	 ações	
antrópicas	 nas	 estruturas	 de	 solo	 e	 rocha,	 bem	 como	 os	 dispositivos	 de	 controle	
comumente	desenvolvidos	e/ou	aplicados	em	busca	do	desenvolvimento	sustentável.	
Além	disso,	mesmo	com	as	técnicas	de	controle	de	 impacto	ambiental	no	que	tange	à	
Geotecnia,	 será	possível	visualizar	 e	 identificar	os	principais	 impactos	causados	por	 tais	
ações	e	suas	principais	consequências.
Inicialmente,	serão	abordados	alguns	aspectos	capazes	de	direcionar	a	atenção	
e	capacitar	o	profissional	a	identificar	algumas	ações	antrópicas	que	podem	impactar	ou	
degradar	os	solos	e	as	rochas,	acelerando	os	processos	de	modificação	naturais,	como	
o	intemperismo	ou	a	alteração	de	minerais	nas	rochas.	Ademais,	será	possível	avaliar	
que	essas	ações	desencadearão	um	produto,	que,	por	vezes,	resume-se	a	solos	de	má	
qualidade,	tanto	no	que	diz	respeito	a	aspectos	físicos	quanto	de	propriedades	químicas	 
e	biológicas.
Outro	grande	e	comum	exemplo	de	ação	impactante	no	compartimento	sólido	
equivale	 aos	 processos	 erosivos	 e	 assoreamentos.	 O	 carreamento	 desordenado	 das	
partículas	pela	ausência	de	proteção	vegetal,	por	exemplo,	acaba	ocasionando	grandes	
desastres	 para	 a	 sociedade,	 em	 alguns	 casos,	 irreversíveis,	 por	 serem	 capazes	 de	
comprometer	vidas	ao	se	desencadearem.	
Assim,	ao	se	deparar	com	estruturas	de	solo	ou	rochas	já	impactadas	ou	com-
prometidas,	 cabe	 ao	 profissional	 de	 Engenharia	Ambiental	 reconhecersua	 origem	 e	
buscar	propostas	capazes	de	conservar,	mitigar	ou	recuperar	algumas	das	proprieda-
des	perdidas,	 de	modo	a	 reduzir	 riscos	de	desastres	naturais	ou	 inibir	 problemas	de	 
saúde	pública.
2 AÇÕES ANTRÓPICAS IMPACTANTES AOS SOLOS E ÀS 
ROCHAS
Historicamente,	o	Brasil	é	um	país	com	incontáveis	recursos	naturais	exploráveis,	
os	quais	são	recorrentemente	utilizados	para	os	mais	variados	fins,	como	agrícolas,	nas	
atividades	de	mineração,	no	setor	energético,	para	a	expansão	urbana	e,	até	mesmo,	
84
na	construção	civil	em	geral.	No	decorrer	da	criação	das	províncias,	os	povoados	mais	
prósperos	estavam	situados	às	margens	de	grandes	rios	e,	consequentemente,	de	solos	
férteis	ou	de	abundância	mineral.
 
De	acordo	com	Silva	(2007),	o	processo	de	ocupação	do	país	se	deu	pelo	uso	
incorreto	dos	recursos	naturais,	especialmente	em	relação	ao	solo,	tendo	como	principal	
consequência	a	destruição	de	vegetação	para	abrigar	cidades	e	culturas	agrícolas.
O	aumento	da	demanda	por	matéria-prima	para	a	produção	de	bens	de	uso	
e	consumo	tem	se	tornado	exponencial.	Além	disso,	o	desenvolvimento	desenfreado	
das	cidades	torna	precárias	as	áreas	que	abrigam	a	população	mais	pobre,	uma	vez	
que	necessita	intensificar	a	exploração	de	recursos	naturais	e,	também,	afeta	na	falta	
de	 infraestrutura,	pois	promove	poluição	pelo	despejo	 irregular	de	esgoto	e	 resíduos	
sólidos	(LEITE,	2011).
2.1 IMPACTO DAS CIDADES 
Ao	 longo	 da	 evolução	 do	 país,	 os	 ambientes	 naturais	 vêm	 dividindo	 espaço	
com	o	desenvolvimento	das	cidades.	Conforme	uma	sociedade	avança,	a	demanda	por	
recursos	aumenta,	fazendo	com	que	os	cenários	naturais	passem	a	dividir	espaço	com	
o	ambiente	construído,	seja	com	as	cidades,	seja	com	obras	de	infraestrutura	ou,	até	
mesmo,	com	o	meio	agrícola.
Hoje,	a	urbanização	dita	uma	nova	dinâmica	de	uso	e	ocupação	dos	solos,	com	
intervenções	antrópicas	que	não	 se	 limitam	ao	espaço	construído,	mas	a	 toda	a	 área	
de	 influência.	 Um	 primeiro	 exemplo	 é	 a	 impermeabilização	 da	 superfície.	Atualmente,	
dá-se	 preferência	 para	 a	 implantação	 de	 revestimentos	 impermeáveis	 nas	 estradas,	
nas	 calçadas	 e	 nos	 lotes	 habitáveis.	 Essa	 impermeabilização	 do	 solo	 faz	 com	 que	 o	
escoamento	superficial	da	água	siga	um	canal	de	drenagem	projetado,	permitindo	que	
a	precipitação	não	permaneça	muito	tempo	em	superfície	e,	consequentemente,	elimine	
zonas	de	alagamento.
Em	 um	 momento	 de	 reflexão,	 parece	 uma	 solução	 bastante	 plausível,	 no	
entanto,	a	concentração	de	grandes	vazões	de	descarga	d´água	em	um	único	ponto	
promove	 uma	 elevação	 no	 gradiente	 hidráulico	 do	 escoamento.	 Como	 resultado,	 o	
ponto	de	descarga	recebe	o	fluido	com	alta	pressão.	Essa	elevada	pressão	projetada	
nas	margens	de	um	córrego,	por	exemplo,	pode	ocasionar	deslizamentos	ou	erosões	de	
grandes	magnitudes.	
Outros	 impactos	 gerados	 ainda	 podem	 ser	 elencados,	 como	 a	 escassez	 e	 a	
diminuição	dos	recursos	hídricos,	o	acúmulo	de	resíduos	superficialmente	e	a	ocupação	
populacional	em	áreas	de	riscos,	impedindo	a	infiltração	da	água	no	solo	e	ocasionando	
enchentes	e	muitos	transtornos,	assim	como	perdas,	por	vezes	até	humanas,	para	as	
populações	(ACIOLY;	DAVIDSON,	2011).
85
Figura 1 – Processo erosivo e ruptura de estrada
Fonte: https://elements.envato.com/pt-br/flood-damaged-washed-out-road-BWWXP8Q. Acesso em: 1 set. 2022.
Além	de	problemas	erosivos,	o	afloramento	de	maciços	rochosos	ocasionados	
pelo	movimento	de	massa	dos	solos	pode	expor	os	indivíduos	a	elevados	riscos	devi-
do	ao	aumento	na	suscetibilidade	da	queda	de	blocos,	por	exemplo.	Adicionalmente,	a	
impermeabilização	dos	solos	também	pode	influenciar	em	modificações	do	comporta-
mento	das	estruturas	de	solo	e	rocha.	
Os solos	 são	 estruturas	 constituídas	por	 partículas	 sólidas,	 ar	 (que	 constitui	
os	espaços	vazios)	e	água	(ou	outro	fluído	distinto	que	esteja	infiltrando	por	influência	
antrópica).	 O	 comportamento	 dessa	 estrutura	 depende	 diretamente	 da	 taxa	 de	
infiltração	 de	 água	 nos	 seus	 espaços	 vazios.	 Quando	 se	 interrompe	 a	 infiltração,	 é	
preciso	 compreender	 que	 a	 dinâmica	 daquela	 estrutura	 situada	 no	 subsolo	mudará.	
Muitas	vezes,	as	ações	antrópicas	não	preveem	esse	tipo	de	situação,	sendo	que	as	
consequências	podem	estar	atreladas	a	taxas	de	recalques	e	rupturas	de	pequena	ou	
grande	monta.
No caso das rochas,	 quando	 em	 contato	 com	 água	 corrente,	 por	 exemplo,	
ocorre	uma	 intensificação	no	processo	de	 alteração	do	maciço,	 ou	 seja,	 os	minerais	
tendem	a	se	desagregar	e	se	tornar	menos	coesivos	mais	rapidamente,	formando-se	
estruturas	de	solo.
Além	 da	 impermeabilização	 dos	 solos,	 outro	 problema	 de	 extrema	 relevância	
deve	ser	discutido	no	que	tange	a	seus	impactos:	a	supressão	de	vegetação	e	a	ocupação	 
de	áreas	de	várzea,	preservação,	mangues	ou	nascentes	para	a	expansão	urbana.
Do	ponto	de	vista	geotécnico,	sempre	que	uma	área	é	vegetada	minimamente,	
deve-se	desprezar	as	camadas	iniciais	por	suas	irrisórias	propriedades	mecânicas	e	de	
resistência.	Rotineiramente,	o	que	ocorre	depois	do	desmatamento	é	que	são	execu-
tados aterros com os mais diversos tipos de materiais para evitar a parcela orgânica 
natural.	Nesse	aspecto,	é	possível	identificar	dois	grandes	impactos,	pois,	assim	como	a	
supressão	vegetal,	há	a	inserção	de	materiais,	muitas	vezes,	de	características	poluen-
tes,	como	corpo	de	aterro.	
86
Prandini et al.	 (1995)	destacam	que	desconsiderar	fatores	geotécnicos	e	am-
bientais	durante	a	aceleração	da	expansão	urbana	tem	gerado	uma	série	de	problemas	
graves	às	cidades.	Isso	porque	há	limitações	naturais	do	uso	intensivo	do	solo,	por	meio	
de	ocupações	inadequadas,	causando	eventos	de	escorregamentos,	erosões	e	colap-
sos	pelo	afloramento	e	pela	exposição	do	nível	d´água.
De	maneira	geral,	a	ação	antrópica	sobre	os	recursos	naturais	para	a	moderni-
zação	e	a	expansão	das	cidades	muito	influencia	no	comportamento	dos	solos	e	das	
rochas,	uma	vez	que	acelera	qualquer	alteração	ou	comportamento	de	ordem	natural.	
Cabe	ao	profissional	da	área	de	Engenharia	identificar	tais	impactos	e	mapear	a	mag-
nitude	que	estes	terão	do	ponto	de	vista	tanto	ambiental	quanto	geotécnico,	para	dar	
sequência	a	qualquer	intervenção	proposta.
2.2 IMPACTO DA AGRICULTURA
As	 culturas	 agrícolas	 também	 são	 fontes	 causadoras	 de	 impactos	 inerentes	
às	estruturas	de	solos	e	rochas.	Esses	impactos	podem	ser	originados	de	três	esferas	
distintas: 
1.	 supressão	de	vegetação	para	novas	áreas	agricultáveis;
2.	 uso	de	áreas	improdutivas	para	atividades	de	pecuária;
3.	uso	dos	defensivos	agrícolas.
Com	relação	à	supressão de vegetação	para	a	expansão	e	criação	de	novas	
áreas	 agricultáveis,	 os	 maiores	 impactos	 relacionados	 a	 essa	 mudança	 de	 cultura	
nos	compartimentos	de	solo,	por	exemplo,	atribuem	características	físicas,	químicas,	
biológicas	 e	 mecânicas	 distintas	 às	 naturalmente	 encontradas.	 A	 ausência	 de	 uma	
vegetação,	 ao	 menos	 rasteira,	 com	 o	 objetivo	 de	 proteger	 o	 solo	 de	 processos	 e	
agentes	erosivos,	como	a	água	e	o	vento,	pode	ocasionar	no	transporte	das	partículas	
e	aumentar	o	índice	de	vazios	ou	diminuir	o	grau	de	compactação	dessas	estruturas,	
incidindo	diretamente	na	resistência	do	solo.
Figura 2 – Formação de sulcos e ravinas em lavoura
Fonte: http://twixar.me/JDMm. Acesso em: 1 set. 2022.
87
O	segundo	 impacto	gerado	a	partir	 da	 intervenção	antrópica	para	 áreas	não	
agricultáveis	 diz	 respeito	 à	mudança de característica nas regiões	 destinadas	 à	
pastagem.	Com	o	confinamento	de	animais	de	grande	porte	e	peso	em	áreas	delimi-
tadas,	com	um	intensivo	pisoteio,	o	solo	tende	a	apresentar	uma	maior	compactação	
superficial,	que	reduz	a	sua	permeabilidade.	
Dependendo	do	tipo	de	solo,	com	a	interrupção	da	infiltração	de	água,	ocorre	
uma	mudança	estrutural	entre	as	partículas,	visto	que	a	água	passa	a	ocupar	em	menor	
volume	 os	 espaços	 vazios	 do	 solo	 e,	 em	 se	 tratandode	 um	 solo	 argiloso,	 reduzirá	
drasticamente o efeito de capilaridade.	 Este	 é	 ocasionado	 pela	 atração	 entre	 as	
partículas	sólidas	de	solos	argilo-siltosos	e	água.	A	partir	dessa	interação,	a	estrutura	
de	solo	consegue	adsorver	a	água	em	uma	medida	ideal	para	se	obter	o	melhor	arranjo	
possível	dos	grãos	no	interior	de	sua	estrutura	e,	consequentemente,	oferecer	um	maior	
grau	de	resistência.	
Por	 fim,	 outra	 intervenção	 pouco	 considerada	 em	 análises	 geotécnicas	 da	
intervenção	antrópica	nos	maciços	diz	respeito	ao	uso	de	alguns	defensivos agrícolas.	
Muitos	 possuem	 uma	 elevada	 concentração	 de	 elementos	 que	 podem	 modificar	 a	
estrutura	do	solo,	podendo	consolidá-lo	ou	 rompê-lo,	dependendo	do	tipo	e	grau	de	
concentração.	As	interações	químicas	ocasionadas	pelo	contato	dos	defensivos	com	o	
solo	e	a	água,	além	de	elevar	ou	reduzir	bruscamente	o	pH	dos	solos,	também	podem	
ocasionar	perdas	de	propriedades	e	oxidação	de	alguns	elementos,	fazendo	com	que	a	
sua	resistência	varie	de	acordo	com	a	aplicação	do	defensivo.
De	maneira	geral,	a	atividade	agrícola	provoca	grandes	alterações	nas	camadas	
superficiais	 do	 solo.	 Em	 se	 tratando	 de	 Geotecnia,	muitas	 vezes,	 essas	 camadas	 são	
consideradas	para	a	 implantação	de	estruturas	de	fundação,	por	exemplo.	Em	virtude	
dessas	 aplicações,	 deve-se	 sempre	 buscar	 o	 conhecimento	 da	 área	 agricultável,	 de	
modo	que	se	possa	propor	uma	solução	coerente	com	as	limitações	do	solo	ali	disposto.
Singer	e	Ewing	(2000)	mencionam	que	a	qualidade	física	do	solo	é	importante	
tanto	para	a	agricultura	quanto	para	fins	geotécnicos.	Os	principais	fatores	que	acabam	
sendo impactados com as intervenções antrópicas são a profundidade efetiva do 
enraizamento,	a	porosidade	total,	a	distribuição	do	tamanho	das	partículas,	a	densidade	
do	solo,	a	 resistência	do	solo	à	penetração,	o	 índice	de	compressão	e	a	estabilidade	 
dos	agregados.	
2.3 IMPACTO DAS ATIVIDADES DE MINERAÇÃO 
Do	ponto	de	vista	ambiental,	as	atividades	de	beneficiamento	de	minerais	estão	
dentre	as	maiores	causadoras	de	 impactos.	 Isso	porque	a	atividade	de	mineração	não	
só	intervém	diretamente	nas	estruturas	de	solo	e	rocha,	mas,	também,	porque	provoca	
problemas	relacionados	à	contaminação	de	solo,	água	e	ar.
88
A	 mineração	 subterrânea	 demanda	 a	 abertura	 de	 poços,	 planos	 inclinados,	
aberturas	 de	 galerias	 e,	 posteriormente,	 o	 transporte	 de	materiais.	 Já	 a	 lavra	 a	 céu	
aberto	promove	a	remoção	da	cobertura	de	material	estéril,	até	que	se	inicie	a	extração	
da	camada	que	se	deseja	beneficiar	(CAMPOS	et al.,	2010).
A	atividade	de	mineração,	em	termos	de	volume,	é	responsável	pela	remoção	de	
grandes	maciços	de	solo	ou	rocha	em	busca	de	 lentes	minerais	beneficiáveis.	Até	que	
se	identifique	esses	minerais,	toda	a	estrutura	ali	consolidada	—	seja	ela	de	solo,	seja	
ela	de	rocha	—	é	extraída	e	vira	rejeito.	Após	esse	processo,	tais	maciços,	que,	antes,	
possuíam	funções	estruturais,	ficam	armazenados	em	barragens	ou	são	destinados	a	
outras	atividades,	sem	qualquer	função	estrutural.
Figura 3 – Atividade de beneficiamento de areia
Fonte: https://elements.envato.com/pt-br/mining-TTTZLP4. Acesso em: 1 set. 2022.
Ainda dentre os principais impactos gerados pelas intervenções causadas pela 
atividade	de	mineração,	 é	possível	destacar	a	alteração brusca da paisagem,	 que	
acaba	 sendo	 remodelada	 e	 perdendo	 totalmente	 sua	 vitalidade,	 após	 a	 emissão	 de	
efluentes,	muitas	vezes	ácidos	e	contaminantes,	capazes	de	impedir	o	surgimento	de	
vegetação.	
Por	 fim,	 também	 se	 deve	 destacar	 que	 o	 impacto	 gerado	 diretamente	 nos	
maciços	de	rocha	é	de	grande	monta,	visto	que,	por	diversas	vezes,	os	maciços	densos	
são	 submetidos	 a	 detonações	 capazes	 de	 fragmentá-los	 mecanicamente,	 fazendo	
com	que	 tais	 blocos	 percam	quaisquer	 propriedades	 de	 resistência	 e	 estrutural	 que	
anteriormente	dispunham.
89
Além dos impactos corriqueiros das atividades de mineração, é importante lembrar 
dos impactos gerados pelos rompimentos das barragens de rejeito de Mariana e 
Brumadinho. Mariana foi o rompimento que mais impactou ambientalmente sua área 
de influência. Já Brumadinho, além de ocasionar impactos ambientais de grandes 
magnitudes, interrompeu centenas de vidas. 
Você pode entender melhor sobre o desastre de Brumadinho com dois documentários 
da BBC, a saber: 
“Brumadinho: o documentário da BBC (parte 1)”, disponível em: 
https://www.youtube.com/watch?v=YIN02W40UTE; 
e 
“Brumadinho: o documentário da BBC (parte 2)”, disponível em: 
https://www.youtube.com/watch?v=TUlq8pjOU4U. Acesso em: 19 
set. 2022. Vale conferir!
IMPORTANTE
2.4 SETOR DA CONSTRUÇÃO CIVIL E SEUS IMPACTOS
A	construção	civil,	 de	maneira	geral,	 constitui-se	de	uma	atividade	bastante	
abrangente	no	que	tange	ao	uso	dos	recursos	naturais.	Desde	o	início	das	civilizações,	
o desenvolvimento das primeiras obras sempre esteve aliado ao uso e consumo de 
bens	naturais.	De	acordo	com	Theodorakis	 (2022),	 a	construção	civil	 é,	hoje,	o	 setor	
responsável	 por	 consumir	 um	 terço	 dos	 recursos	 naturais,	 acarretando	 grandes	
impactos.
Além	do	consumo,	a	 implantação	de	novos	empreendimentos	(de	 infraestrutura	
rodoviária,	 urbana,	 edificações,	 indústrias,	 expansão	 de	 plantas	 já	 consolidadas	 e	 afins)	
promove	uma	aceleração	em	processos	de	desmatamento,	por	vezes,	não	licenciados	
por	órgãos	ambientais.	 Isso	resulta	em	alterações	no	regime	estrutural	das	partículas	
sólidas	e	nas	estruturas	de	rochas.
De	maneira	geral,	o	uso	direto	de	solo	e	rocha	como	materiais	de	construção	
promove	a	remoção	destes	dos	locais	mapeados,	denominados	“jazidas”	ou	“áreas	de	
empréstimo”.	Para	a	seleção	desses	locais,	previamente,	são	realizados	estudos	geotéc-
nicos	que	compreendem	ensaios	de	laboratório,	de	modo	a	caracterizar	o	material	para	
que	se	possa	concluir	sobre	sua	potencialidade	em	atender,	ou	não,	aos	 requisitos	de	
resistência	das	obras	em	questão.	
https://www.youtube.com/watch?v=YIN02W40UTE
https://www.youtube.com/watch?v=TUlq8pjOU4U
90
Os	ensaios	geotécnicos	mais	comuns	de	serem	realizados	são:
• caracterização dos solos:	 análise	 granulométrica,	 limites	 de	 consistência,	
densidade	dos	grãos,	teor	de	umidade	e	equivalente	de	areia;
• caracterização mecânica dos solos: ensaio de compactação e Índice de Suporte 
Califórnia;
• caracterização da resistência dos solos:	ensaio	de	cisalhamento	direto,	adensa-
mento	e	triaxial;
• caracterização das rochas:	análise	petrográfica;
• caracterização da resistência das rochas: ensaio de resistência a compressão 
ou tração;
• ensaios diretos (in situ):	sondagens	SPT,	mistas,	rotativas	e	geofísica.
Após	a	realização	de	alguns	desses	ensaios	para	fins	de	definição	de	qual	será	a	
área	de	empréstimo	selecionada,	deve-se	seguir	com	o	licenciamento	do	local,	de	modo	
que	se	possa	ordenar	e	mapear	os	volumes	de	materiais	extraídos.
Além	das	atividades	de	extração	temporárias,	existem	usinas	e/ou	empresas	de	
beneficiamento	de	materiais,	como	das	rochas,	para	fins	de	mineração.	Esses	empre-
endimentos impactam diretamente nas estruturas do maciço rochoso e promovem a 
fragmentação	de	maciços	inalterados.	Desse	modo,	os	impactos	proferidos	ocorrem	di-
retamente	nas	estruturas,	gerando	material	particulado,	modificações	na	paisagem,	na	
dinâmica	e	no	comportamento	dos	solos	e	das	rochas	da	região,	a	partir	da	exposição	
dessas	estruturas	a	possíveis	rupturas.
Por	fim,	também	cabe	destacar	o	uso	indireto	de	solos	e	rochas	para	a	produção	
de	materiais	da	construção	civil.	A	produção	de	vidros	depende	de	solos	silto-arenosos,	
a	produção	de	cerâmica	depende	desse	mesmo	tipo	de	solo,	a	produção	de	armaduras	
e	ferragens	depende	do	beneficiamento	de	minérios,	a	produção	de	cimento	depende	
de	solos	arenosos,	o	concreto	resulta	da	mistura	de	areias	com	agregados	rochosos,	os	
tijolos	são	produzidos	a	partir	de	materiais	arenosos,	dentre	diversas	outras	situações.	
Todas	as	ações	citadassão	exemplos	diretos	dos	 impactos	causados	pelo	setor	
da	construção	civil	no	meio	ambiente.	Sabe-se	que	esses	 impactos	são	 inevitáveis,	por	
isso,	o	que	se	deve	buscar,	 enquanto	profissional	da	área	de	Engenharia,	 é	promover	o	
uso	e	consumo	sustentável	ao	longo	das	atividades	nas	construções.	Cabe	ao	engenheiro	
ambiental	atuar	em	conjunto	com	os	demais	profissionais	da	área	de	Engenharia	para	
aprimorar	 processos,	 reduzir	 consumos,	 evitar	 desperdícios,	 aprimorar	 processos	 de	
extração	de	materiais	e	afins.
Cabe ao engenheiro ambiental acompanhar todas as atividades e contribuir 
para	que	esses	impactos	possam	ser	amenizados	e,	sempre	que	possível,	devidamente	
compensados.	
91
Do	ponto	de	vista	geotécnico,	as	intervenções	nas	estruturas	de	solos	e	rochas	
promovem	uma	mudança	significativa	em	suas	propriedades	e	no	seu	comportamento,	a	
qual	deve	ser	devidamente	 identificada	pelos	profissionais	de	Engenharia	para	viabilizar,	
de	maneira	 adequada,	 seus	 futuros	usos	e	 isentar	 a	 sociedade	de	 riscos	geológico-
geotécnicos.
3 TÉCNICAS DE CONSERVAÇÃO DE SOLOS E ROCHAS
Sabemos	que	a	exposição	de	solos	e	rochas	ocorre	em	diversas	atividades	de	
setores	da	construção	civil,	mineração,	expansão	de	cidades	e	áreas	agricultáveis.	Frente	
a	isso,	cabe	ao	profissional	de	Engenharia	Ambiental	propor	técnicas	de	mitigação	das	
áreas	impactadas	e	disseminar	conhecimentos,	de	modo	que	se	possa	assegurar	que	
sejam	conservadas	características	físicas	e	de	resistência	de	solos	e	rochas	nos	locais	
de	intervenção.
A	 partir	 de	 agora,	 então,	 discutiremos	 algumas	 dessas	 ações,	 de	modo	 que	
esse	 conhecimento	 esteja	 disponível	 para	 ser	 aplicado	 em	variados	 casos	 na	 rotina	
de	 obras.	Vale	 ressaltar	 que	 a	 conservação	dessas	 estruturas	 também	assegura	 um	
desenvolvimento	sustentável,	proporcionando	a	disponibilidade	de	materiais	para	uso	e	
consumo	de	gerações	futuras.
3.1 CONSERVAÇÃO DE SOLOS
O	solo	se	constitui	de	um	material	de	natureza	peculiar,	que	o	distingue	dentre	
os	variados	ambientes	e	compartimentos	ambientais.	Essa	singularidade	provém	de fa-
tores	como	clima,	material	de	origem,	relevo,	organismos	e	tempo.	Outros	fatores	que	
atribuem	características	únicas	a	esses	materiais	estão	relacionados	a	processos	que	
ocorrem	ao	longo	do	tempo,	como	adições,	perdas,	translocações	e	transformações,	os	
quais	estão	diretamente	ligados	à	formação	das	partículas	de	solo,	que	é	a	pedogênese.
O	solo	é	um	recurso	natural	de	grande	relevância,	por	 isso,	faz-se	necessário	
adotar	práticas	para	a conservação	dele,	principalmente	no	que	tange	à	redução	de	pro-
blemas	comumente	gerados	por	compactação,	erosão	hídrica	e/ou	eólica,	salinização,	
arenização,	dentre	outros. 
De	 todo	 modo,	 cabe	 reforçar	 tamanha	 importância	 desse	 compartimento,	
tendo	em	vista	suas	funções,	de	acordo	com	o	Museu	de	Solos	do	Rio	Grande	do	Sul	
(FUNÇÕES…,	2015):
•	 produção	de	alimentos,	fibras	e	combustíveis;
•	 sequestro	de	carbono;
•	 purificação	da	água	e	degradação	dos	contaminantes;
92
• regulação do clima;
• ciclagem de nutrientes;
• habitat para os organismos;
• herança cultural;
• fornecimento de materiais de construção;
• regulação de enchentes;
• base da infraestrutura humana;
•	 fonte	de	recursos	genéticos	e	farmacêuticos.
Figura 4 – A produção de alimentos é uma função do solo
Fonte: https://elements.envato.com/pt-br/sprinkler-of-irrigation-system-at-field-3SNGRA7. 
Acesso em: 1 set. 2022.
Para	evitar	danos	estruturais	do	solo,	é	recomendável	a	elaboração	ou	consulta	
de cartas geotécnicas.	 Esses	 documentos	 apresentam	características	 dos	 terrenos,	
podendo	 identificar	 suas	 limitações	 e	 seus	 potenciais	 para	 fins	 de	 uso	 e	 ocupação	
do	 solo.	 Neles	 também	 estão	 elencadas	 áreas	 de	 riscos,	 regiões	 com	maior	 aptidão	
ao	desencadeamento	de	 ravinas	e	voçorocas,	bem	como	estudos	que	apresentam	a	
suscetibilidade a erosão dos solos e medidas preventivas e corretivas direcionadas ao 
tipo	de	solo	presente	na	região	de	interesse.	
Essas	cartas	geotécnicas	são	parte	 integrante	dos	planos	diretores	municipais	
e	servem	para	nortear	os	profissionais	da	área	da	Engenharia	e	Arquitetura	quanto	à	
conservação	dos	solos	em	áreas	urbanas.
No	que	tange	a	ações	de	proteção	dos	solos,	 inicialmente,	deve-se	destacar	a	
presença	de	vegetação	ou	coberturas	superficiais	alternativas,	como	geossintéticos.	
Essas	 coberturas	 impedem	a	 ocorrência	 de	 erosão	 das	 partículas	 e	 fazem	com	que	
o	 processo	 de	 infiltração	 da	 água	 no	 solo	 siga	 de	maneira	 regrada,	 sem	que	 haja	 o	
transporte	 imediato	da	água	de	escoamento,	promovendo	um	escoamento	turbulento,	
transporte	de	partículas	e	riscos	de	rupturas	quando	se	trata	de	taludes	ou	encostas.	
93
Nos	 casos	 em	 que	 os	 solos	 não	 possam	 dispor	 de	 coberturas	 superficiais,	
algumas	técnicas	—	como	a	execução	de	canais,	a	implantação	de	barreiras	em	formas	
de	curva	de	nível	ou	o	terraceamento	—	proporcionam	a	redução	no	fluxo	superficial	das	
águas,	 retendo	o	carreamento	de	partículas	e	direcionando	o	escoamento	de	acordo	
com	o	nível	do	terreno.
Figura 5 – Técnica de terraceamento do solo
Fonte: https://elements.envato.com/pt-br/top-view-of-rice-terraced-fields-on-mu-cang-chai-d-E357HL3. 
Acesso em: 1 set. 2022.
Outra	prática	comumente	utilizada,	principalmente	em	cultivos	agrícolas,	é	a	
cobertura morta.	 Ela	 consiste	 no	 uso	 de	 resíduos	 vegetais,	 como	 palhas,	 rejeitos,	
serragem,	 casca	 de	 arroz,	 folhas,	 resíduos	 de	 roçadas,	 dentre	 outros.	 Esse	material	
é	depositado	na	superfície	do	solo,	onde	se	 identifica	que	a	cobertura	está	exposta,	
tendo	como	objetivo	protegê-lo	dos	processos	erosivos	e	manter	a	umidade	natural	ali	
incidente.
O	reflorestamento	também	se	apresenta	como	outra	alternativa	de	conservação	
do	solo.	Isso	porque	a	manutenção	das	árvores	em	regiões	de	reflorestamento	ou	em	
terrenos	com	maior	inclinação	reduz	o	escoamento	de	grandes	vazões	em	superfície,	
devido	à	vegetação	ser	capaz	de	reter	uma	maior	parcela	de	água	e	proporcionar	uma	
maior	 taxa	 de	 infiltração	desse	fluido	no	 solo.	 Com	 isso,	 o	 solo	mantém	 seu	 teor	 de	
umidade	e	sua	estabilidade,	visto	que	o	carreamento	de	partículas	se	reduz	a	próximo	
de	zero	a	partir	da	proteção	promovida	pelas	espécies.
94
A conservação do solo não se limita apenas a preservar regiões onde ele não foi 
submetido	a	nenhuma	modificação.	No	caso	de	processos	erosivos	já	desencadeados,	
que	 formaram	voçorocas,	 ainda	 é	 possível	 conservar	 a	 área	 impactada.	 Isso	 porque	
existem	 três	 alternativas	 de	 recuperação	 e	 controle	 de	 tais	 pontos:	 estabilização,	
isolamento	ou	recuperação	total.
Figura 6 – Voçoroca no solo
Fonte: https://elements.envato.com/pt-br/aerial-view-of-kuytun-grand-canyon-xinjiang-landsc-R8GST73. 
Acesso em: 1 set. 2022.
A estabilização de	voçoroca	ocorre	quando,	por	algum	motivo,	não	é	possível	
promover	a	recuperação	total	desse	processo	erosivo.	É	uma	alternativa	de	recuperação	
lenta,	que	promove	o	controle	gradativo	da	abertura	e	impede	o	aumento	do	canal.	Para	
a	execução	da	estabilização	em	voçorocas	de	menores	magnitudes,	a	implantação	de	
vegetação	pode	ser	considerada	uma	grande	alternativa,	mas,	em	canais	maiores,	é	
preciso	realizar	a	suavização	da	inclinação	dos	taludes	e	a	contenção	destes,	por	meio	
da	implantação	de	estruturas	de	contenção.
No caso do isolamento,	 objetiva-se	 suspender	 os	 fatores	 que	 ocasionam	o	
aumento	do	canal	da	voçoroca.	Para	 isso,	geralmente,	é	 implantado	um	canal	acima	
da	voçoroca,	de	modo	que	se	possa	desviar	 todo	o	escoamento	superficial	por	esse	
dispositivo,	 impedindo	 que	 as	 vazões	 promovam	 o	 carreamento	 das	 partículas	 no	
interior	da	voçoroca	já	criada.
Por	 fim,	 a	 recuperação total	 está	 atrelada	 à	 execução	 de	 aterros	 sobre	 o	
canal	aberto	pela	voçoroca	e	à	condução	do	escoamento	por	um	sistema	de	drenagem	
projetado,	 impedindo	 que	 o	 escoamento	 superficial	 volte	 a	 incidir	 sobrea	 voçoroca.	
Esses	 casos	 ocorrem	 quando	 a	 área	 em	 questão	 é	 de	 interesse	 econômico,	 o	 que	
viabiliza	todo	o	projeto	de	recuperação.	
95
Além	das	técnicas	apresentadas,	quando	se	identificam	situações	em	que	o	solo	
corre	o	risco	de	ruptura,	pensando	em	soluções	relacionadas	à	drenagem,	o	profissional	
da	 área	 de	 Engenharia	 também	 pode	 contar	 com	 barreiras	 físicas	 para	 impedir	 a	
movimentação	de	grandes	volumes	de	solo,	como	muros	de	gabiões,	contenções	em	
pneus,	materiais	alternativos,	muros	de	arrimos	ou,	em	últimos	casos,	disposição	de	
concreto	projetado	sobre	a	superfície	do	solo.
Para	melhor	 identificar	 esses	 casos,	 é	 importante	 destacar	 alguns	 aspectos	
gerais	de	uso	e	ocupação	do	solo	que	podem	degradá-lo.	Segundo	Higashi	(2006),	são	
eles: 
•	 más	práticas	em	fundações	podem	impor	ao	solo	confinamento	sobre	grandes	pres-
sões	exercidas	pelas	superestruturas	e	incidência	de	água.	Caso	a	resistência	do	solo	
seja	excedida	pelo	peso	da	estrutura,	pode	ocorrer	sua	ruptura,	gerando	acidentes;
•	 obras	 de	 pavimentação,	 quando	 executadas	 sobre	 solos	 que	 não	 dispõem	 de	
resistência	 adequada	 a	 essa	 finalidade,	 podem	 ocasionar	 prejuízos	 à	 população,	
promovendo deformações e até rupturas no pavimento;
•	 estabilidade	de	taludes,	pois,	devido	ao	uso	e	à	ocupação	inadequados	do	solo,	este	
pode	 não	 resistir	 à	 magnitude	 das	 solicitações	 impostas	 por	 essas	 ocupações	 e	
romper,	acarretando,	muitas	vezes,	perdas	humanas;
•	 poluição	ambiental,	visto	que	pode	se	desencadear	a	partir	de	processos	erosivos,	
como	a	partir	do	lançamento	indevido	de	resíduos	e	efluentes,	levando	à	contaminação	
do	solo	e	de	aquíferos.
Desse	 modo,	 é	 importante	 analisar,	 além	 do	 ponto	 de	 vista	 ambiental,	 os	
aspectos	 geotécnicos	 diante	 de	 qualquer	 intervenção	 a	 ser	 realizada	 no	 solo,	 para	
que	tal	 compartimento	possa	cumprir	 com	sua	função,	 sem	oferecer	 riscos	ao	meio	
ambiente	e	à	sociedade.	
3.2 CONSERVAÇÃO DAS ROCHAS
Os	maciços	 rochosos	 são	 aglomerados	 de	 rochas	 que	 podem	 ser	 encontrados	
a	partir	de	afloramentos	(exposição	superficial)	ou	no	subsolo.	As	intervenções	exercidas	
nesses	maciços,	em	ordem	natural,	são	compreendidas	por	intemperismo,	erosão,	depo-
sição	de	sedimentos	ou	transporte.	Essas	intervenções	expõem	as	rochas	em	áreas	sus-
cetíveis	a	falhas	geotécnicas	e,	consequentemente,	oferecem	riscos	à	sociedade	se	não	 
forem	adequadamente	mapeados,	monitorados	ou	conservados	de	maneira	contínua.
Quando	 ocorre	 a	 exposição	 dos	 maciços	 rochosos,	 todas	 as	 intervenções	
se	 desencadeiam	de	 forma	 ainda	mais	 rápida,	 promovendo	 o	 processo	de	 alteração	
dos	 maciços,	 que	 inicia	 superficialmente,	 alterando	 suas	 propriedades	mecânicas	 e	
mineralógicas,	resultando	em	processos	de	erosão	das	rochas.
96
Figura 7 – Rocha alterada e solo residual
Fonte: https://elements.envato.com/pt-br/rock-with-soil-layers-background-closeup-99SNHX4. 
Acesso em: 1 set. 2022.
Tendo	em	vista	que	a	alteração	dos	maciços	rochosos	provém	de	aspectos	fí-
sicos,	químicos	e	biológicos,	as	melhores	alternativas	de	conservação	se	limitam	à	ma-
nutenção	da	qualidade	ambiental	do	meio	em	que	elas	se	encontram.	Isso	porque	uma	
área	contaminada,	por	exemplo,	pode	ocasionar	no	contato	de	um	efluente	contamina-
do	com	um	maciço	rochoso	e	acelerar	o	processo	de	intemperismo	químico,	a	partir	da	
aceleração	de	interações	químicas	entre	os	minerais	de	preenchimento	das	rochas	e	o	
contaminante.	Já	as	atividades	que	promovem	um	aumento	e,	posteriormente,	a	queda	
brusca	na	temperatura	durante	os	processos	produtivos,	por	exemplo,	podem	ocasionar	
a	aceleração	do	intemperismo	físico,	promovendo	a	ruptura	dos	maciços.
Quaisquer	que	sejam	as	intervenções	próximas	aos	maciços	rochosos,	devem	
prever	o	menor	impacto	possível,	de	modo	a	evitar	que	esses	materiais	intensifiquem	
seus	processos	de	alterações	e,	consequentemente,	aumentem	suas	zonas	frágeis.	
Viana	 (2015)	 destaca	 que	 a	 degradação	 dos	maciços	 rochosos,	 por	meio	 de	
eventos	de	queimadas,	dá-se	em	duas	etapas:	
1.	 inicialmente,	pela	destruição	da	vegetação	protetiva;
2.	 posteriormente,	pela	destruição	dos	minerais	quando	em	contato	com	o	fogo.	
Desse	 modo,	 um	 dos	 principais	 meios	 de	 conservação,	 principalmente	 em	
áreas	rurais,	diz	respeito	à	prevenção	e	educação	ambiental	no	que	tange	à	redução	 
de	queimadas.
É	sempre	importante	que	se	reconheçam	os	riscos	envolvidos	em	intervenções	
realizadas	 junto	a	esses	compartimentos,	de	modo	que	se	possa	assegurar	a	conser-
vação	e	o	comportamento	com	melhor	desempenho	possível,	a	fim	de	inibir	possíveis	
problemas	relacionados	à	falta	de	resistência	ou	à	falha	dessas	estruturas.
97
4 EROSÃO E ASSOREAMENTO EM ÁREAS URBANAS E 
RURAIS: FORMAÇÃO, CONSEQUÊNCIAS E FORMAS DE 
CONTROLE
Muito	se	vem	ilustrando	até	aqui,	quanto	aos	principais	problemas	desencade-
ados	pela	ação	de	processos	erosivos,	sejam	eles	relacionados	às	estruturas	de	solo,	
sejam	ligados	aos	riscos	emergentes	à	segurança	da	sociedade.
Um	processo	de	erosão	pode	ser	acelerado	quando	a	remoção	de	volumes	de	
solo	se	torna	maior	do	que	sua	velocidade	de	formação	(alteração	da	rocha),	impedindo	
sua	 regeneração	 e	 provocando	perdas	 significativas	 de	 solos	 residuais	maduros,	 em	
casos	extremos,	provocando	a	perda	de	toda	a	camada	do	horizonte	(ABDON,	2004).	
Contudo,	além	da	erosão,	estudaremos	outro	processo	relacionado	à	ela	e	que	impõe,	
ainda,	mais	prejuízos	sociais,	com	o	aumento	na	suscetibilidade	de	áreas	de	inundação.	
O	assoreamento	de	canais,	 rios	e	 lagos	é	uma	consequência	do	processo	de	
transporte	e	deposição	das	partículas	sólidas	no	fundo	desses	canais.	Essa	deposição	
reflete	no	aumento	acelerado	no	nível	de	rios	e	lagos,	que,	muitas	vezes,	acaba	extrava-
sando	para	além	de	suas	margens	e	provocando	enchentes	irreparáveis.
Assim,	a	partir	de	agora,	vamos	conhecer	melhor	esses	dois	importantes	pro-
cessos	que	envolvem	o	transporte	e	a	sedimentação	das	partículas	sólidas:	a	erosão	e	
o	assoreamento.
4.1 PROCESSOS EROSIVOS
Processos erosivos do solo acometem a desconstrução da estrutura e a perda 
de	volume	de	solo,	podendo	ser	decorrentes	da	ação	dos	ventos,	da	água	e	de	ações	
antrópicas.	
Os principais problemas causados pelos processos erosivos vão desde a perda 
da	fertilidade	natural	do	solo	e	de	alterações	estruturais	que	envolvem	o	sustento	das	
plantas	cultivadas	até	problemas	de	ordem	geotécnica,	como	a	formação	de	sulcos,	
ravinas	ou,	até	mesmo,	grandes	canais	denominados	“voçorocas”.	
A	 compreensão	dos	 fatores	que	desencadeiam	processos	de	erosão	do	 solo	
proporciona	um	maior	entendimento	sobre	as	ações	que	aceleram	esses	processos	e,	
consequentemente,	permite	que	os	profissionais	da	área	de	Engenharia	desenvolvam	
técnicas	que	mitiguem	seu	avanço.	
98
A	degradação	ambiental	está	diretamente	atrelada	à	erosão	do	solo,	uma	vez	
que	 a	 remoção	da	vegetação	 ou	 da	 camada	 superficial	 do	 solo	 o	 expõe	 à	 ação	 dos	
agentes	erosivos	(água	e	vento).	Essa	relação	resulta	em	uma	reação	em	cadeia,	visto	
que,	após	a	perda	de	solo	e	o	avanço	dos	processos	erosivos,	a	área	passa	a	dispor	
de	baixa	produtividade	e	fica	mais	suscetível	à	poluição.	Também	não	poderá	servir	de	
apoio	para	a	produção	de	suprimentos	às	populações	que	dependem	do	cultivo	nessas	
áreas	para	sobreviver.
Para	 melhor	 compreender	 o	 modo	 como	 os	 processos	 erosivos	 ocorrem,	 é	
necessário	entender	os	tipos	de	erosão.	Basicamente,	esses	processos	podem	se	dar	
em	ordem	natural,	antrópica,	por	meio	da	ação	da	água	(hídrica)	e	dos	ventos	(eólica).
A erosão natural,	também	chamada	de	“geológica”,	ocorre	espontaneamente	
na	 natureza,	 causando	 as	 devidas	modificações	 na	 superfície	 do	 solo	 com	o	 passar	
do	tempo.	Nesse	caso,	ocorre	determinado	nivelamento	do	terreno,	tornando-o	mais	
laminar	 devido	 aos	 desgastes	 ocorridos	 nas	 encostas	 das	montanhas,	 fazendo	 com	
que	 os	 sedimentos	 erodidos	 sejamtransportados	 e	 se	 depositem	 em	vales,	 lagos	 e	
afins.	A	partir	desse	processo,	há	a	formação	de	novos	solos,	com	a	alteração	de	rochas	
subjacentes.	O	processo	de	erosão	natural	se	destaca	por	sua	velocidade	de	ação	lenta	
e	contínua	na	natureza.
Já	 a	erosão antrópica,	 também	denominada	 “acelerada”,	 ocorre	 a	partir	 da	
ação do ser humano sobre o ambiente impactado e acarreta a alteração do solo e/ou 
da	vegetação	natural.	As	principais	atividades	que	desencadeiam	esse	tipo	de	processo	
são	 as	 agrícolas,	 como	 a	 pecuária,	 o	 desmatamento	 para	 a	 criação	 de	 novas	 áreas	
agricultáveis,	a	remoção	do	solo	para	uso	como	material	de	empréstimo	em	encostas	
e	a	construção	civil	em	obras	de	terraplanagem	e	infraestrutura.	Esse	tipo	de	processo	
erosivo	é	mais	nocivo	do	que	a	erosão	natural,	por	ocorrer	em	ritmo	altamente	acelerado,	
principalmente em locais onde o relevo apresenta maiores declividades e a região possui 
característica	de	grandes	volumes	de	precipitação.
A	 erosão	 antrópica	 acelerada	 faz	 com	 que	 os	 solos	 sejam	 carreados	 por	
enxurradas	 ou	 transportados	 por	 longas	 distâncias	 a	 partir	 da	 ação	 do	 vento,	 não	
havendo	 tempo	 hábil	 para	 a	 ocorrência	 do	 processo	 natural	 de	 intemperismo,	 que	
estaria	atuando	para	originar	um	novo	solo	com	a	deposição	de	sedimentos.	Com	isso,	
o	solo	perde	profundidade	das	camadas	superficiais	mais	ricas	em	nutrientes	e	próprias	
para	o	cultivo,	diminuindo	a	área	de	exploração	das	raízes	de	plantas	e	prejudicando	o	
desenvolvimento	destas.	
99
Figura 8 – Solo exposto, com poucas propriedades
Fonte: https://elements.envato.com/pt-br/ground-with-mud-lava-KNEZTDQ. Acesso em: 1º set. 2022.
Outros	 riscos	 relacionados,	 em	 terrenos	 que	 dispõem	 de	 ondulações	 antes	
protegidos	 por	 vegetação,	 são	 originados	 das	 grandes	 aberturas	 (voçorocas),	 que	
podem	atingir	profundidade	até	encontrar	a	superfície	do	maciço	rochoso.	Além	disso,	a	
erosão	acelerada	pode	modificar	a	paisagem	e	pode	ser	observada	em	um	perfil	de	solo	
exposto,	por	cores	diferentes	nos	horizontes.	
Temos,	ainda,	a	erosão hídrica,	que	é	resultante	do	contato	e	impacto	das	gotas	
de	precipitação,	caindo	diretamente	no	solo	e	dando	início	ao	fenômeno	denominado	
“splash”	ou	“salpicamento”.	Este	faz	com	que	os	grãos	do	solo	sofram	rupturas	e	sejam	
fragmentados	em	frações	menores.	Tais	frações	menores,	os	grãos,	ocupam	os	espaços	
vazios	do	solo,	provocando	o	selamento	de	sua	superfície,	o	que	reduz	sua	porosidade.	
Conforme	Abdon	(2004),	a	erosão	hídrica,	em	ambientes	tropicais,	é	o	processo	
erosivo	 que	 mais	 se	 observa,	 sendo	 desencadeado	 frequentemente	 por	 meio	 da	
desagregação	e	do	transporte	das	partículas	em	períodos	chuvosos	do	ano.
Ainda	 segundo	 o	 autor,	 para	 a	 erosão	 hídrica,	 é	 possível	 estimar	 a	 perda	 de	
solo	por	equações	empíricas,	a	exemplo	da	equação	universal	{A	=	R	*	K	*	LS	*	C	*	P},	 
desenvolvida	 por	 Wischmeier	 e	 Smith	 (ABDON,	 2004;	 CAVALIERI	 et al.,	 1997).	 Nessa	
equação,	estão	reunidos	os	fatores	de	erosividade	da	chuva	(R),	erodibilidade	do	solo	(K),	
topografia	(LS),	cobertura	vegetal	e	manejo	do	cultivo	(C)	e	práticas	conservacionistas	(P).
Um	solo	menos	poroso	pode	ser	facilmente	saturado	pela	água	da	chuva,	que	
irá	encontrar	maiores	dificuldades	de	 infiltração	no	 interior	do	maciço	do	solo.	Assim,	
a	 água	 permanece	 na	 superfície,	 formando	 uma	 espessura	 laminar	 e	 ocasionado	 o	
escoamento	superficial,	responsável	por	levar	os	grãos	do	solo	para	locais	mais	baixos	
do	relevo.
100
Conforme	o	fluxo	e	a	velocidade	do	escoamento	aumentam	ao	descer	os	relevos	
mais	declivosos,	as	partículas	sofrem	o	cisalhamento	e	desencadeiam	o	processo	de	
erosão,	 podendo	 este	 ser	 identificado	 pela	 formação	 de	 sulcos	 e	 irregularidades	 na	
superfície	do	solo,	já	distante	do	topo	da	encosta.	O	fluxo	carrega	as	partículas	de	solo	
salpicadas	pelas	gotas	da	chuva,	formando	caminhos	preferenciais	de	escoamento	e	
arrastando	grandes	volumes	de	solo.
O	 escoamento	 linear	 é	 a	 fase	 que	 ocorre	 após	 a	 formação	 do	 escoamento	
laminar,	 caracterizada	pela	 concentração	do	fluxo	de	 água	 em	canais	 de	drenagem.	
Com	o	passar	do	tempo,	a	profundidade	do	fluxo	nesses	canais	aumenta,	enquanto	a	
velocidade	do	escoamento	diminui	devido	à	criação	de	rugosidades,	responsáveis	pela	
redução	na	energia	do	fluxo.	
Esses	 pequenos	 canais	 de	 drenagem,	 com	 profundidades	 variadas,	 mas	
delgadas,	 são	 denominados	 ravinas.	 Elas	 são	 formadas	 no	 segundo	 estágio	 do	
escoamento	 superficial,	 quando,	 em	 superfícies	 irregulares,	 as	 poças	 são	 saturadas	
e	 ocorre	 o	 transbordo	 da	 água,	 formando	 caminhos	 preferenciais	 que	 transportam	
os	grãos	de	solo.	As	ravinas	se	caracterizam	por	apresentar	caminhos	retilíneos	e	se	
originam	em	encostas	declivosas	e	extensas.
A	 formação	 de	 pequenos	 canais,	 logo	 em	 contato	 com	 a	 superfície	 recém-
exposta,	pode	ser	atrelada	ao	que	se	denominam	sulcos.	
A	principal	diferença	entre	sulcos	e	ravinas	é	que	os	primeiros	são	característicos	
por	serem	formados	imediatamente	após	a	exposição	de	uma	superfície	de	solo,	a	ação	
da	 precipitação.	 Conforme	 os	 sulcos	vão	 adquirindo	maiores	 profundidades,	 tornam-se	
ravinas.
Conforme esses caminhos preferenciais de drenagem ganham grandes 
proporções,	 com	 profundidades	 e	 larguras	 espessas,	 podemos	 dizer	 que	 se	 deu	 a	
formação de voçorocas.	 Estas	 se	caracterizam	pela	 formação	de	um	grande	canal,	
que	corta	profundamente	o	solo.	Esse	tipo	de	processo	se	torna	prejudicial	ao	tráfego	de	
veículos	e	pessoas,	uma	vez	que	impede	a	passagem	entre	os	lados	da	abertura.
Segundo	 Abdon	 (2004),	 as	 voçorocas	 são	 processos	 erosivos	 permanentes,	
comumente	caracterizados	por	paredes	 laterais	 (taludes)	 íngremes	e,	de	modo	geral,	
fundo	chato,	por	onde	ocorre	o	fluxo	da	água	precipitada	nos	dias	chuvosos.
101
Figura 9 – Sulcos, produtos de erosões
Fonte: https://elements.envato.com/pt-br/spiti-valley-in-himalayas-AZZNGA4. Acesso em: 1º set. 2022.
Por	fim,	a	erosão eólica	é	responsável	por	transportar	grãos	de	solo	a	longas	
distâncias,	sendo	que,	ao	final	dessa	etapa	de	transporte,	pode	ocorrer	o	soterramento	
de	 estradas	 e	 canais	 de	 drenagem,	 o	 que	 pode	 exigir	 manutenções	 recorrentes	 e	
provocar	danos	econômicos	às	atividades	atingidas.		
4.2 IMPACTOS AMBIENTAIS DE PROCESSOS EROSIVOS
As	 partículas	 transportadas	 pelo	 escoamento	 superficial	 podem	 ser	 levadas	
aos	rios.	Essas	partículas	podem	ser	nocivas	ao	meio	ambiente	e,	quando	advindas	de	
culturas	agrícolas,	podem	conter	resíduos	de	agrotóxicos,	fertilizantes,	metais	pesados	
e	matéria	orgânica	em	alta	concentração,	causando	grandes	 impactos	ambientais	aos	
compartimentos	com	os	quais	entram	em	contato.
Os	sedimentos	depositados	nos	 rios	são	 responsáveis	por	mudanças	na	cor	e	
turbidez	das	águas,	impedindo	que	as	plantas	aquáticas	realizem	fotossíntese,	devido	ao	
fato	de	que	a	luz	necessária	para	essa	reação	não	penetra	na	água.	As	plantas	são	ne-
cessárias	para	manter	o	ecossistema	em	equilíbrio,	visto	que	mantêm	a	cadeia	alimentar	
aquática.	Quando	não	se	desenvolvem	devidamente,	toda	a	cadeia	é	prejudicada.
Em	áreas	urbanas,	além	de	problemas	estruturais	do	solo,	um	aspecto	ambiental	
preocupante	é	que	as	estruturas	de	erosão	no	meio	urbano	se	tornam	depósitos	de	lixo,	
visto	que	a	população	buscar	inibir	o	avanço	da	erosão,	quando,	na	verdade,	prejudica	
todo	o	sistema	de	esgoto	e	aumenta	a	proliferação	de	doenças	sanitárias,	provocando	
danos	ambientais.
Para	 a	 aferição	 dos	 impactos,	 é	 essencial	 que	 ocorra	 um	mapeamento	 que	
contemple a detecção de locais onde a erosão se encontra mais avançada e locais onde 
existe	maior	suscetibilidade	de	erosão	antes	de	modificar	o	uso	e	a	ocupação	do	solo.	
Em	suma,	é	 importante	que	sejam	estudados	os	processos	erosivos	atuais	e	de	erosão	
potencial	(ABDON,	2004).
102
4.3 PROCESSOS DE ASSOREAMENTO 
Os	processos	deerosão,	o	escoamento	superficial	ou	o	transporte	eólico	são	
responsáveis	 por	 transportar	 partículas	 sólidas	 até	 o	 leito	 dos	 rios.	 Os	 sedimentos	
transportados	podem	se	depositar	nos	leitos,	nos	lagos	e	nas	lagoas,	levando-os	ao	que	
chamamos de assoreamento.	Este	pode	se	intensificar	quando	não	se	tem	barreiras	de	
contenção	nas	margens	dos	rios,	que,	geralmente,	são	representadas	pela	vegetação.	
Consequentemente,	 com	 a	 deposição	 dessas	 partículas,	 a	 lâmina	 d´água	 tende	 a	
ganhar	 proporções	mais	 elevadas	 pelas	margens,	 proporcionando	 uma	 elevação	 do	
nível	e	maior	risco	de	enchentes.
De	 modo	 geral,	 o	 processo	 de	 assoreamento	 ocorre	 quando	 não	 há	 mais	
energia	suficiente	para	o	transporte	dos	sedimentos	gerados	nos	processos	erosivos,	
uma	vez	que	a	fonte	de	sedimentos	que	dão	origem	ao	assoreamento	é	a	erosão	e,	por	
consequência,	ocorre	o	depósito	desses	materiais	(ABDON,	2004).
Após	 o	 contato	 desses	 sedimentos	 com	os	 rios,	 ainda	 ocorre	 uma	 etapa	 de	
transporte	junto	da	vazão	destes,	sendo	que	os	grãos	menos	densos	são	transportados	
em	solução	com	a	água,	 ao	passo	que	os	grãos	mais	densos	 são	transportados	por	
rolamento,	 junto	 ao	 fundo	 dos	 canais.	Ainda,	 esses	 últimos,	 quando	muito	 pesados,	
podem	formar	aglomerações	ou	depósitos	de	maiores	proporções,	capazes	de	prejudicar	
o	escoamento	fluvial.
Outra atividade muito afetada por esse processo é a geração de energia por 
hidrelétricas.	A	partir	da	deposição	das	partículas	em	seus	reservatórios,	tem-se	uma	
diminuição	 do	 volume	 de	 água	 utilizável,	 o	 que	 acarreta	 redução	 da	 quantidade	 de	
energia	gerada.
Como	medidas	de	controle,	algumas	ações	são	passíveis	de	amenizar	impactos	
recorrentes	desses	processos,	sendo	elas	o	controle	da	erosão	nas	bacias,	aumentando	
as	taxas	de	infiltração	das	águas	pluviais	e	promovendo	o	recobrimento	da	superfície	
do	solo;	as	ações	de	dragagem,	que	removam	mecanicamente	os	sedimentos	do	fundo	
dos	depósitos	nos	rios;	e	a	descarga	planejada	de	sedimentos,	a	partir	da	promoção	do	
transporte	junto	do	escoamento,	com	um	destino	final	de	deposição	desses	sedimentos	
transportados	previamente	planejado.
Nota-se	que	grande	parte	das	medidas	mitigadoras	está	 intimamente	 ligada	a	
uma	boa	gestão	dos	recursos	naturais,	de	modo	que	se	possa	obter	um	equilíbrio	entre	
o	ambiente	construído	e	o	ambiente	natural.	Só	assim	a	exposição	da	sociedade	a	esses	
processos	poderá	ser	reduzida.
103
Neste tópico, você aprendeu:
•	 As	 ações	 que	 impactam	 os	 solos	 e	 as	 rochas,	 advindas	 do	 desenvolvimento	 das	
cidades,	da	construção	civil,	da	agricultura	ou	da	mineração.	Além	disso,	foi	possível	
conhecer	 os	 principais	 fatores	 que	 acarretam	 essas	 ações,	 bem	 como	 algumas	
alternativas	de	controle	e	tecnologias	disponíveis	para	minimizar	esses	impactos.
•	 As	técnicas	de	conservação	dos	solos	para	os	mais	variados	usos,	tanto	do	ponto	
de	vista	geotécnico	quanto	do	ponto	de	vista	ambiental.	Compreendeu,	assim,	que,	
para	a	Geotecnia	Ambiental,	além	do	conhecimento	do	solo,	é	preciso	saber	quanto	 
ao	comportamento	do	ar	e	da	água	quando	em	contato	com	o	solo.
•	 Os	principais	problemas	ocasionados	pelos	processos	erosivos	e	os	consequentes	
processos	 de	 assoreamento.	 Conheceu,	 ainda,	 as	 consequências	 e	 os	 impactos	
gerados	 nas	 lavouras	 e	 nas	 cidades	 por	 esses	 dois	 fatores,	 bem	 como	 algumas	
alternativas	para	minimizá-los	e	proteger	o	solo	exposto.
•	 Os	principais	impactos	gerados	pela	ação	antrópica,	que	modificam	o	comportamento	
do	solo	e	da	água,	além	da	influência	que	esses	impactos	podem	ter	em	problemas	 
de	saúde	e	econômicos	para	a	sociedade,	comprometendo	as	futuras	gerações.
RESUMO DO TÓPICO 1
104
AUTOATIVIDADE
1	 Os	 impactos	 relacionados	 às	 atividades	 de	 mineração	 possuem	 algumas	 fontes	
causadoras.	A	utilização	de	compostos	químicos	no	processo	de	beneficiamento	do	
material	é	um	exemplo	que	pode	ocasionar	a	contaminação	ambiental	de	toda	a	área	
de	 influência,	 inclusive	a	água	e	o	solo,	provocando	a	morte	de	espécies	da	fauna	
e	flora.	Assim,	sobre	os	impactos	relacionados	à	indústria	de	mineração,	assinale	a	
alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 A	mineração	é	uma	atividade	de	baixo	potencial	de	contaminação	antrópica.
b)	 (			)	 Embora	a	mineração	seja	uma	atividade	de	beneficiamento	de	minerais,	o	volume	
de	extração	do	solo	é	irrisório.	
c)	 (			)	 Os	 impactos	 gerados	 pela	 atividade	 de	 mineração	 são	 de	 grande	 monta	 e	
envolvem	os	compartimentos	ar,	água	e	solo.
d)	 (			)	 A	atividade	mineradora	não	gera	grandes	 impactos	em	maciços	rochosos,	visto	
que	o	principal	objetivo	é	a	busca	por	minerais.
2	 A	execução	de	ensaios	geotécnicos	em	obras	de	construção	civil	é	uma	importante	
ferramenta	para	auxiliar	na	previsão	da	ocorrência	de	 impactos	ambientais.	Por	meio	
deles,	é	possível	identificar	mudanças	características	do	solo	e	a	perda	de	propriedades	
naturais.	Frente	a	isso,	com	relação	aos	exemplos	de	ensaios	geotécnicos,	assinale	a	
alternativa	INCORRETA:
a)	 (			)	 Determinação	de	limite	de	liquidez,	plasticidade	e	teor	de	nitrogênio.
b)	 (			)	 Determinação	da	granulometria,	limite	de	liquidez	e	plasticidade.
c)	 (			)	 Determinação	do	teor	de	umidade,	compactação	e	Índice	de	Suporte	Califórnia.
d)	 (			)	 Ensaio	triaxial,	cisalhamento	direto	e	adensamento.	
3	 Conforme,	 historicamente,	 vem	 aumentando	 a	 urbanização	 nacional,	 amplia-se	 o	
cenário	de	exploração	de	recursos	naturais	em	meio	ao	desenvolvimento	das	cidades,	
assim	como	o	uso	e	a	ocupação	do	solo	ocorrem	de	maneira	desordenada.	Quanto	
aos	 impactos	 das	 cidades	 sobre	 solos	 e	 rochas,	 classifique	 V	 para	 as	 sentenças	
verdadeiras	e	F	para	as	falsas:
(			)	A	concentração	de	grandes	vazões	de	descarga	d´água	em	um	único	ponto	promove	
a	elevação	no	gradiente	hidráulico	do	escoamento	e	pode	ocasionar	deslizamentos	 
ou	erosões	de	grandes	magnitudes.
(			)	O	afloramento	de	maciços	 rochosos	ocasionados	pelo	movimento	de	massa	dos	
solos	não	interfere	na	dinâmica	da	queda	de	blocos.
105
(			)	A	 impermeabilização	dos	 solos	não	 influencia	no	comportamento	das	estruturas	 
de	solos	e	rochas.
(			)	No	caso	das	rochas,	quando	em	contato	com	água	corrente,	por	exemplo,	ocorre	
uma	intensificação	no	processo	de	alteração	do	maciço.
Assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
a)	 (			)	 F	-	V	-	F	-	F.
b)	 (			)	 V	-	F	-	V	-	V.
c)	 (			)	 V	-	F	-	F	-	V.
d)	 (			)	 F	-	F	-	V	-	V.
4	 Grandes	impactos	na	área	de	Geotecnia	Ambiental,	atualmente,	estão	concentrados	
nas	cidades	devido	à	migração	da	população	para	a	área	urbana	e	maior	oferta	de	
empregos	proporcionada	pelo	 crescimento	 industrial	 nos	municípios.	 Essas	 ações	
desencadeiam	novos	tipos	de	usos	e	ocupação	do	solo,	bem	como	exploração	dos	
bens	naturais.	Considerando	esse	panorama,	disserte	acerca	dos	principais	 impactos	
das	cidades	no	que	tange	a	aspectos	da	Geotecnia	Ambiental.
5	 Além	dos	 impactos	gerados	pela	urbanização,	uma	nova	dinâmica	no	meio	rural	é	
apresentada	 atualmente:	 a	 consolidação	 do	 agronegócio.	 Com	 a	 transformação	
da	 metodologia	 de	 plantio	 e	 gerenciamento	 da	 pecuária,	 novos	 modelos	 de	
desenvolvimento	dessas	atividades	estão	sendo	aplicados.	Com	isso,	novos	impactos	
também	podem	ser	observados.	Diante	do	cenário	apresentado,	descreva	os	principais	
impactos	gerados	pelas	atividades	agrícolas	aos	compartimentos	ambientais.
106
107
CONTROLE AMBIENTAL
UNIDADE 2 TÓPICO 2 — 
1 INTRODUÇÃO
A	 exploração	 ascendente	 do	 meio	 ambiente	 nas	 mais	 diversas	 atividades	
humanas	nos	expõem	a	um	alerta	com	relação	às	garantias	que	serão	deixadas	para	
as	 gerações	 futuras.	 Toda	 e	 qualquer	 atividade	 exercida	 é	 causadora	 de	 impactos,	
algumas	em	maiores	magnitudes,	outras	em	menores.	Entretanto,	uma	das	principais	
alternativas para gerenciar esses impactos é o desenvolvimento de ferramentas de 
controle	ambiental.
Frente	 a	 isso,	 neste	 tópico,	 compreenderemosquais	 são	 as	 principais	 ferra-
mentas	de	controle	ambiental	em	atividades	que	envolvem	muito	gerenciamento,	como	
mineração,	disposição	de	resíduos	e	 lavouras.	Além	disso,	será	feita	uma	abordagem	
sobre	o	uso	e	a	importância	dos	geossintéticos	em	obras	nas	quais	se	identificam	ou	se	
desencadeiam	com	o	tempo	alguns	problemas	de	ordem	ambiental.		
2 CONTROLE AMBIENTAL NA EXTRAÇÃO DE AREIA, NAS 
PEDREIRAS E NA EXTRAÇÃO MINERAL
A crescente demanda por bens minerais e energia acaba por ser uma ameaça 
para	 o	 meio	 ambiente	 e	 para	 o	 próprio	 ser	 humano.	 A	 extração	 mineral	 intensiva	
desencadeia	a	contaminação	de	todos	os	compartimentos	ambientais,	como	as	águas,	
do	solo	e	do	ar	atmosférico,	além	de	ocasionar	prejuízos	e	danos	à	saúde	humana.	
Os	 impactos	ambientais	 relacionados	à	mineração	surgem	desde	a	 implantação	
do	empreendimento	de	beneficiamento	até	o	fechamento	da	mina.	Dentre	eles,	estão	
contabilizados	diversos	custos,	como	o	de	proteção	ambiental,	redução	das	emissões	
de	diesel	dos	equipamentos,	controle	de	emissão	de	gás	NOx,	prognóstico	da	drenagem	
ácida	das	águas	subterrâneas	e	tratamento	de	águas	ácidas	das	minas.
A	mineração	 causa	muitas	mudanças	 nos	meios	 físico,	 químico	 e	 biológico.	
As	 atividades	 associadas	 ao	 beneficiamento	 mineral	 produzem	 poluentes	 que	 afetam	
diretamente	o	ar,	as	águas	e	o	solo,	comprometendo	a	qualidade	de	vida	dos	seres	vivos.	
Os	principais	riscos	ambientais	na	mineração	estão	relacionados	à	emissão	de	gases	
tóxicos	e	poeira	para	a	atmosfera,	contaminação	de	águas	superficiais	e	subterrâneas	
quando	em	contato	com	efluentes	e	contaminação	do	solo.	Também	é	possível	destacar	
doenças	respiratórias	ocasionadas	pela	inalação	do	material	particulado.	
108
Desse	modo,	 é	 necessário	 adotar	medidas	 que	 controlem	 a	 emissão	 desses	
poluentes	 no	 meio	 ambiente,	 assim	 como	 medidas	 corretivas	 para	 possibilitar	 a	
recuperação	das	áreas	afetadas	pela	extração	mineral,	visando	a	ações	sustentáveis.	
A aplicação das medidas preventivas	é	feita	por	duas	razões:	devido	ao	baixo	
custo	de	 implantação	e	devido	à	eficiência	quando	tomadas	antes	de	um	evento	de	
degradação	ambiental.	
Já	as	medidas corretivas	envolvem	um	maior	aporte	econômico	e,	na	maioria	
das	 vezes,	 são	mais	 difíceis	 de	 serem	 implementadas.	 São	medidas	 utilizadas	 para	
corrigir	os	danos	ambientais	já	desencadeados	nas	atividades	de	mineração,	podendo	
ser	classificadas	em	estruturais	e	não	estruturais.	
As medidas estruturais	 são	 propostas	 por	 profissionais	 devidamente	
habilitados,	como	engenheiros	ambientais,	e	têm	como	objetivo	encontrar	uma	solução	
trifásica	que	envolve	segurança,	economia	e	eficiência.	Alguns	exemplos	são	a	melhoria	
da	qualidade	da	água	de	rios	contaminados	por	rejeitos	da	mineração	ou	a	instalação	de	
equipamentos	em	minas	subterrâneas	que	possam	reduzir	os	poluentes	atmosféricos.	
As medidas não estruturais	estão	 relacionadas	a	soluções	de	baixo	custo,	
aplicadas	 de	 forma	 paliativa,	 com	 o	 intuito	 de	 buscar	 impedir	 que	 o	 problema	 se	
desencadeie	ou	se	agrave.
Figura 10 – Atividade de mineração
Fonte: http://twixar.me/8DMm. Acesso em: 2 set. 2022.
Atualmente,	 a	 mineração	 brasileira	 conta	 com	 uma	 fiscalização	 abrangente	
e	 uma	 legislação	 regulamentadora,	 capazes	 de	 controlar	 os	 impactos	 ambientais	
provocados	 pela	 atividade.	No	 setor	mineral,	 a	 fiscalização	 é	 de	 responsabilidade	 da	
Agência	Nacional	de	Mineração	(ANM).	Esta	é	responsável	por	manter	cumprida	a	Lei	
n.	7.805,	de	18	de	julho	de	1989,	na	qual	o	Art.	18	cita	que	“os	trabalhos	de	pesquisa	ou	
lavra	que	causarem	danos	ao	meio	ambiente	são	passíveis	de	suspensão	temporária	
ou	definitiva,	de	acordo	com	parecer	do	órgão	ambiental	competente”	(BRASIL,	1989).
109
2.1 IMPACTOS DA MINERAÇÃO NOS COMPARTIMENTOS 
AMBIENTAIS
Dentre	 os	 principais	 problemas	 ocasionados	 pela	mineração	 do	solo,	 podemos	
mencionar	o	desmatamento,	que	ocorre	por	meio	da	mineração	subterrânea,	sendo	que	
sua	operação	envolve	o	uso	dos	mais	diversos	produtos	minerais,	muitas	vezes,	com	alto	
teor	de	acidez	e	potencialmente	agressivos	a	propriedades	dos	minerais	presentes	no	solo.
Em	relação	aos	problemas	ambientais	associados	à	água,	estão	o	assoreamento	
e	os	danos	causados	a	todo	o	ecossistema	aquático,	sendo	o	primeiro	 resultante	do	
carreamento	de	materiais	poluentes	utilizados	na	atividade	para	os	recursos	hídricos.	Já	
a	contaminação	direta	das	águas	superficiais	se	dá	a	partir	da	interação	entre	os	fluidos	
utilizados	na	mineração	e	os	compartimentos	(água	e	solo),	embora	o	solo,	dependendo	
de	sua	caracterização,	possua	um	potencial	de	absorção	desses	nutrientes,	impedido	
que	não	contaminem	em	sua	maior	concentração	a	água.
Com o fechamento e encerramento das atividades minerais em determinada 
região,	outro	passivo	pode	ser	identificado:	se	forma	um	fluido	proveniente	dos	produtos	
utilizados	 no	 decorrer	 do	 beneficiamento.	 Esse	 fluido	 fica	 armazenado	 em	 forma	 de	
lagoa	e,	se	não	tratado,	possui	grande	potencial	de	contaminação	do	solo,	da	água	que	
precipita	e	escoa	superficialmente	e	do	lençol	freático,	quando	existente.	Outro	ponto	
de	destaque	é	que,	como	se	trata	de	lagoas	a	céu	aberto,	pessoas	podem	entrar	em	
contato	com	esse	fluido,	o	que	pode	ocasionar	problemas	na	derme	devido	à	acidez	do	
minério	e	concentração	de	metais	pesados.	
Com	 o	 passar	 do	 tempo,	 a	 poluição	 do	 ar pela circulação das substâncias 
tóxicas	pode	desenvolver	na	população	doenças	como	bronquite	crônica,	câncer	nos	
pulmões,	pneumonia,	asma,	doenças	cardiovasculares	etc.
Figura 11 – Lagos formados a partir dos efluentes de mineração
Fonte: https://elements.envato.com/pt-br/mountains-of-products-for-the-production-of-potash-ETJN4CX. 
Acesso em: 2 set. 2022.
https://elements.envato.com/pt-br/mountains-of-products-for-the-production-of-potash-ETJN4CX
110
A	utilização	de	mercúrio	para	separação	das	partículas	finas	em	garimpos	de	
ouro,	por	exemplo,	causa	graves	 impactos	ambientais.	O	contato	com	esse	elemento	
químico	pode	resultar	na	poluição	das	águas	e	do	ar,	em	doenças	antrópicas,	na	conta-
minação	de	toda	a	área	de	influência	e,	consequentemente,	em	prejuízos	econômicos.
Independentemente	da	atividade	de	extração	mineral,	os	principais	problemas	
relacionados	aos	 impactos	desse	setor,	diretamente	direcionados	ao	meio	ambiente,	
são:
•	 remoção	de	toda	a	cobertura	vegetal	da	área;
• remoção de grandes volumes de solo e rocha;
•	 alteração	da	topografia	da	área	de	influência	onde	serão	desenvolvidas	as	atividades;
•	 modificações	bruscas	na	paisagem;
•	 rebaixamento	e	contaminação	do	lençol	freático;
•	 geração	de	resíduos	e	rejeitos,	de	natureza	sólida,	líquida	e	gasosa;
•	 implantação	de	estruturas	de	risco,	no	caso	das	barragens	de	rejeitos.
No	 passado,	 a	 atividade	 de	 mineração	 era	 considerada	 predatória	 devido	 à	
inconsciência	relacionada	aos	aspectos	de	preservação	ambiental.	Com	o	passar	dos	
anos,	 as	 tecnologias	 no	 setor	 de	 recuperação	 ambiental,	 voltadas	 às	 atividades	 de	
mineração,	foram	ganhando	espaço	por	conta	da	preocupação	do	governo	e	da	sociedade	
em	manter	uma	mínima	qualidade	ambiental.	Essas	ações	vêm	proporcionando	maior	
conforto	aos	trabalhadores	da	indústria	e	das	regiões	de	influência	dessas	atividades	
(MELF	et al., 2016).
2.2 INSTRUMENTOS DE CONTROLE DAS ATIVIDADES 
MINERADORAS
O principal instrumento de controle dos impactos supracitados se resume ao 
planejamento	de	ações	e	intervenções	antes	da	implantação	de	um	empreendimento	de	
mineração.	Dada	a	primeira	etapa	de	planejamento,	as	ações	de	mitigação	e	controle	de	
impactos	devem	amadurecer	em	conjunto	com	a	evolução	do	projeto,	permanecendo	
por	anos	após	a	desativação	das	áreas,	a	partir	do	Plano de Recuperação de Áreas 
Degradadas (Prad).	O	Prad	é	um	dos	principais	instrumentos	de	controle	e	deve	ser	
posto	em	execução	concomitantemente	à	evolução	das	atividades,	de	modo	que	possa	
impedir	um	agravamentonos	impactos	ambientais	e	na	contaminação	da	área.	
Além	 dele,	 outros	 instrumentos	 mais	 específicos	 a	 serem	 seguidos	 dizem	
respeito	 às	 condicionantes	 estabelecidas	 pelo	 licenciamento.	 Contudo,	 elas	 exigem,	
impreterivelmente,	o	acompanhamento	técnico	de	um	engenheiro	ambiental.
111
Para	o	controle	e	a	recuperação	de	áreas	contaminadas,	inicialmente,	é	neces-
sário	determinar	o	tipo	de	contaminante,	o	estado	da	matéria	em	que	ele	se	encontra	e,	
por	fim,	a	forma	do	transporte.	Esse	plano	de	recuperação	deve	ser	desenvolvido	direta-
mente	na	fonte	e	na	pluma	de	contaminação.	
Conceitualmente,	a	pluma	de	contaminação	é	o	alcance	da	contaminação	no	
solo	na	área	em	que	ela	percola	e	na	água	subterrânea	(quando	existente).	Os	principais	
processos	utilizados	para	a	recuperação	e	o	controle	das	áreas	contaminadas	são	os	
tratamentos	térmicos,	físicos,	químicos	e	biológicos	e	a	estabilização/solidificação.	
• O tratamento térmico	se	dá	a	partir	do	uso	de	fonte	de	calor	para	remover,	estabilizar	
ou	eliminar	os	contaminantes.	Um	exemplo	prático	é	a	incineração.
• O tratamento físico	ocorre	por	meio	da	utilização	de	processos	físicos	que	separam	
as	substâncias	tóxicas	do	meio	hospedeiro.	Exemplos	de	tratamentos	físicos	são	a	
ventilação	e	a	adsorção	com	carvão	ativado.
• O tratamento químico	promove	reações	químicas	com	outros	elementos,	a	fim	de	
remover,	eliminar	ou	modificar	as	substâncias	tóxicas,	como	a	oxidação	química.
• O tratamento biológico	é	realizado	a	partir	do	uso	de	agentes	biológicos	que	são	
capazes	de	remover,	eliminar	ou	modificar	os	contaminantes.	Por	exemplo,	a	biorre-
mediação.
• A estabilização/solidificação,	geralmente,	opta	pelo	uso	de	agentes	estabilizadores,	
como	a	cal	e	as	argilas	modificadas.
Para	promover	o	controle	do	material	particulado,	como	os	gases	e	a	poeira,	são	
utilizados	equipamentos	como	filtros	de	ar,	coletores	de	poeiras,	 lavadores	de	gases,	
torres	de	absorção,	condensadores,	precipitadores,	incineradores	etc.	
Todas	 essas	 ações	 de	 controle	 requerem	 custos	 ambientais	 que	 devem	 ser	
previstos	pelos	empresários	do	setor,	desde	a	implantação	até	a	etapa	de	recuperação	
do	empreendimento.	Ao	 longo	do	processo	de	recuperação	e	preservação	ambiental,	
esses	custos	são	considerados	passivos	e	ativos	ambientais.	
O ativo ambiental	 corresponde	 aos	 investimentos	 sustentáveis	 capazes	 de	
contribuir	 para	 a	 redução	 dos	 níveis	 de	 poluição.	 Já	 o	passivo ambiental	 fica	 sob	
jurisdição	das	empresas,	por	se	tratar	da	compensação	dos	danos	ambientais	causados	
por	suas	atividades.	
De	maneira	geral,	os	custos	que	envolvem	investimentos	no	passivo	ambiental	
são	 as	multas,	 as	 taxas	 e	 os	 impostos	 a	 serem	pagos,	 caso	o	 empreendimento	não	
tenha	cumprido	as	diretrizes	jurídicas	ou	administrativas,	ou	seja,	a	lei.	
112
De	acordo	com	a	Resolução	Conama	n.	10/1990,	os	principais	instrumentos	de	
controle	para	regularização	das	atividades	são:
•	 Estudo	de	Impacto	Ambiental/Relatório	de	Impacto	Ambiental	(EIA/Rima),	geralmente	
dispensado	apenas	para	extração	mineral	da	classe	II;
•	 Relatório	de	Controle	Ambiental	(RCA),	responsável	por	classificar	e	caracterizar	as	
jazidas;
•	 licenças	de	perfuração,	produção	para	pesquisa	mineral,	instalação	e	operação;
•	 Estudo	de	Viabilidade	Ambiental	(EVA);
•	 Relatório	de	Avaliação	Ambiental	(RAA).
De	acordo	com	o	Estado	de	São	Paulo	(2008),	mais	algumas	medidas	previstas	
como instrumentos de controle das atividades e dos impactos gerados consistem em 
estabilizar	o	meio	físico	e	revegetar	as	margens	das	cavas.	As	áreas	não	consideradas	
como de preservação permanente também devem ser protegidas com o plantio de 
espécies	exóticas	e	nativas,	para	que	estas	possam	cumprir	a	função	de	proteção	e	
conservação	do	solo.
Destaca-se	 que	 todos	 esses	 documentos	 de	 controle	 devem	 prever	 as	
medidas	práticas	de	prevenção	específicas	para	cada	tipo	de	beneficiamento	mineral	
e,	 necessariamente,	 precisam	 ser	 elaborados	 por	 profissionais	 técnicos	 da	 área	 de	
Engenharia.
Os instrumentos de controle ambiental em obras de mineração são ferramentas 
capazes	 de	 ser	 desenvolvidas	 e	 propostas	 por	 profissionais	 da	 Engenharia	Ambiental,	
de	modo	a	mitigar	alguns	dos	impactos	promovidos	pela	atividade.	Esses	instrumentos	
são	desafiadores	devido	à	grande	disponibilidade	mineral	presente	no	nosso	país,	que	
ocasionam	 diferentes	 tipos	 de	 impactos	 e	 promovem	 o	 planejamento	 de	 diversas	
soluções	para	seu	tratamento	e/ou	sua	mitigação.	
 
De	todo	modo,	o	órgão	regulador	dessas	atividades	sempre	poderá	servir	como	
referência	de	apoio	técnico	aos	profissionais	que	necessitarem	executar	um	planeja-
mento	das	ações	a	serem	desenvolvidas	ao	longo	da	proposta	do	empreendimento.	
De	 maneira	 resumida,	 as	 resoluções	 e	 portarias	 responsáveis	 pelo	 controle	
ambiental	das	atividades	de	mineração	do	país,	de	acordo	com	Farias	e	Coelho	(2002),	
são:
•	 Lei	n.	6.938,	de	31	de	agosto	de	1981,	e	suas	alterações	(Lei	n.	7.804,	de	18	de	julho	de	
1989;	e	Lei	n.	8.028,	de	12	de	abril	de	1990).	Dispõe	sobre	a	Política	Nacional	do	Meio	
Ambiente,	seus	fins	e	mecanismos	de	formulação	e	aplicação;
•	 Lei	n.	9.537,	de	11	de	dezembro	de	1997.	Dispõe	sobre	a	segurança	do	tráfego	aquaviário	
em	águas	 sob	 jurisdição	nacional	 e	que	atribui	 à	 autoridade	marítima	estabelecer	
normas	sobre	obras,	dragagem,	pesquisa	e	lavra	mineral	sob,	sobre	e	às	margens	das	
águas	jurisdicionais	brasileiras;
113
•	 Decreto	n.	97.632,	de	10	de	abril	de	1989.	Dispõe	sobre	o	plano	de	recuperação	de	
área	degradada	pela	mineração;	
•	 Decreto	n.	99.274,	de	6	de	junho	de	1990.	Regulamenta	a	Lei	n.	6.938,	de	31	de	agosto	
de	1981;
•	 Resolução	 Conama	 n.	 1,	 de	 23	 de	 janeiro	 de	 1986.	 Estabelece	 critérios	 básicos	 e	
diretrizes	gerais	para	o	Relatório	de	Impacto	Ambiental	(Rima);
•	 Resolução	 Conama	 n.	 009,	 de	 6	 de	 dezembro	 de	 1990.	 Dispõe	 sobre	 normas	
específicas	para	a	obtenção	da	licença	ambiental	para	a	extração	de	minerais,	exceto	
as de emprego imediato na construção civil;
•	 Resolução	Conama	n.	10,	de	6	de	dezembro	de	1990.	Dispõe	sobre	o	estabelecimento	
de	critérios	específicos	para	a	extração	de	substâncias	minerais	de	emprego	imediato	
na construção civil;
•	 Resolução	Conama	n.	 2,	 de	 18	de	 abril	 de	 1996.	Dispõe	 sobre	 a	 compensação	de	
danos ambientais causados por empreendimentos de relevante impacto ambiental; 
•	 Resolução	Conama	n.	237,	de	19	de	dezembro	de	1997.	Dispõe	sobre	os	procedimentos	
e	critérios	utilizados	no	licenciamento	ambiental;
•	 Resolução	 Conama	 n.	 303,	 de	 20	 de	 março	 de	 2002.	 Dispõe	 sobre	 parâmetros,	
definições	e	limites	de	Áreas	de	Preservação	Permanente	(APPs).
Sem	a	aplicação	dos	 instrumentos	de	controle	supracitados,	a	atividade	mineira	
é	executada	de	modo	descontrolado.	Isso	infere	sérios	riscos	ao	meio	ambiente	e	ao	ser	
humano.	
Para	a	seleção	do	instrumento	de	controle	mais	adequado,	é	necessário	ter	o	
conhecimento	dos	impactos	gerados	pela	atividade,	o	porte	desta,	o	tipo	de	minério	e	a	
magnitude	dos	impactos	gerados	(ZUQUETTE	et al.,	2013).
3 CONTROLE AMBIENTAL NA DISPOSIÇÃO DE RESÍDUOS
O	 grande	 crescimento	 populacional	 e	 a	 industrialização	 dos	 processos	 e	
produtos	vêm	ocasionando	o	aumento	exponencial	na	geração	de	resíduos	de	forma	
mundial	 e	 nacionalmente.	Tamanho	 aumento	no	volume	de	geração	pode	 ocasionar	
problemas	sanitários,	de	saúde	e	relacionados	à	qualidade	ambiental	do	meio	afetado.
Por	muitos	anos,	a	geração	de	 resíduos	foi	subnotificada	e	esquecida	dentre	
os	fatores	responsáveis	pela	qualidade	de	vida	da	população.	A	partir	do	ano	de	2010,	
com	a	homologação	da	Política	Nacional	de	Resíduos	Sólidos	 (PNRS),	esse	horizonte	
mudou,	sendo	que	algumas	ações	políticas	e	técnicas	foram	desencadeadas,	de	modo	
a	promover	uma	melhor	gestão,	 destinação	e/ou	tratamento	de	 resíduos,	 para	que	 tais	
soluções	possam	 isentar	a	população	quanto	aos	 riscos	promovidosa	partir	do	contato	
com	esses	resíduos.
114
Embora	tenha	sido	desenvolvido	esse	novo	movimento	no	sentido	de	melhorar	
a	 gestão	 de	 resíduos,	 é	 importante	 salientar	 que	 uma	 das	 principais	 responsáveis	
pelo	 controle	 ambiental	 na	 disposição	 de	 resíduos	 é	 a	 própria	 população.	 Sem	 a	
conscientização	de	todos,	a	qual	pode	ser	promovida	com	a	educação	ambiental,	torna-
se irrisória a proposta de medidas para promover o controle ambiental na disposição de 
resíduos.
As	principais	diretrizes	a	serem	seguidas	em	nível	nacional	foram	desenvolvidas	
para	que	pudessem	servir	 como	 instrumento	de	controle	 ambiental	 pela	Associação	
Brasileira	de	Normas	Técnicas	(ABNT).	Alguns	desses	instrumentos	são:
•	 NBR	10004:	resíduos	sólidos	–	Classificação;
•	 NBR	10005:	procedimento	para	obtenção	de	extrato	lixiviado	de	resíduos	sólidos;
•	 NBR	10006:	procedimento	para	obtenção	de	extrato	solubilizado	de	resíduos	sólidos;
•	 NBR	10007:	amostragem	de	resíduos;
•	 NBR	8418:	apresentação	de	projetos	de	aterros	de	resíduos	industriais	perigosos;
•	 NBR	8419:	apresentação	de	projetos	de	aterros	sanitários	de	resíduos	sólidos	urbanos;
•	 NBR	10157:	aterros	de	resíduos	perigosos	-	Critérios	para	projeto,	construção	e	operação;
•	 NBR	13896:	aterros	de	resíduos	não	perigosos	-	Critérios	para	projeto,	implantação	e	
operação.
Cabe	ressaltar	que,	além	das	regulamentações	citadas,	as	autarquias	estaduais	
e	 municipais	 também	 são	 responsáveis	 por	 desenvolver	 instruções	 normativas,	
modalidades	de	licenciamento	e	autorizações	ambientais	de	controle	ambiental	que	se	
aproximem	da	realidade.	
No	 entanto,	 antes	 da	 abordagem	 sobre	 o	 controle	 ambiental	 de	 resíduos,	 é	
importante	contextualizar	e	relembrar	um	pouco	da	sua	classificação	quanto	à	origem	
e	natureza,	de	modo	que	seja	possível	avaliar	quais	os	principais	riscos	envolvidos	em	
cada	classe.	
Entender	sobre	as	classes	de	resíduos	auxilia	o	profissional	a	inibir	processos	de	
contaminação	gerados	a	partir	do	controle	 inadequado.	Nesse	sentido,	é	válido	ressaltar	
a	gama	de	impactos	ambientais	relacionados	à	falta	de	controle	na	geração	de	resíduos,	
como	a	contaminação	provocada	no	solo,	no	ar	e	na	água,	assim	como	a	contaminação	
antrópica	devido	ao	contato	direto	ou	indireto	com	a	fonte	poluidora.
3.1 CLASSIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS
De	maneira	geral,	os	resíduos	são	classificados	de	acordo	com	a	NBR	10004/2004,	
que	 divide	 os	 resíduos	 em	 sólidos	 e	 semissólidos,	 sendo	 estes	 possíveis	 de	 serem	
resultantes	 das	 atividades	 industriais,	 domésticas,	 da	 construção	 civil,	 da	 saúde,	
agrícola,	comercial,	de	radioativos	e	de	serviços	de	varrição	(ABNT,	2004).	
115
Além	 disso,	 conforme	 Gomes	 (2019),	 temos	 que	 se	 pode	 enquadrar	 essas	
classes	de	resíduos	de	acordo	com	as	características	mencionadas	a	seguir:
• resíduos industriais:	 gerados	 em	 indústrias,	 sendo	 a	 fonte	 geradora	 a	 principal	
responsável	por	sua	correta	destinação	ou	seu	tratamento,	conforme	a	modalidade	
de produção e a atividade desenvolvida;
• resíduos da construção e demolição: são produtos de atividades desenvolvidas em 
obras	ou	demolições,	solos	de	escavações	e	materiais	específicos.	A	responsabilidade	
de	disposição	adequada	desses	materiais,	em	alguns	municípios	de	menor	porte,	é	
do	próprio	Poder	Público,	mas,	em	outros	municípios,	fica	a	cargo	do	empreendedor;
• resíduos de saúde:	 são	produzidos	em	hospitais,	clínicas	veterinárias	e	médicas,	
farmácias,	 laboratórios,	consultórios	de	odontologia,	fisioterapia,	estética	e	afins.	A	
destinação	correta	desses	 resíduos,	de	característica	séptica,	fica	a	cargo	do	em-
preendedor.	Já	os	resíduos	sólidos	comuns,	geralmente,	são	de	responsabilidade	do	
Poder Público;
• resíduos agrícolas:	são	gerados	a	partir	das	atividades	da	agricultura	e	pecuária,	
que	se	resumem	em	embalagens	de	defensivos	agrícolas,	adubos,	rações,	esterco	
animal	 etc.	 O	 responsável	 pela	 destinação	 adequada	 desses	 resíduos	 é	 o	 próprio	
gerador,	sendo	que,	para	alguns	produtos	(principalmente	os	defensivos	agrícolas),	
existe	a	possibilidade	de	logística	reversa;
• resíduos domésticos, comerciais e de varrição: compreendem o grande grupo 
dos	 resíduos	urbanos.	Como	os	próprios	nomes	 sugerem,	 são	 resíduos	gerados	a	
partir	de	atividades	de	varrição	e	paisagismo	urbano,	em	estabelecimentos	comerciais	
e	nas	 residências.	A	principal	 responsável	pela	destinação	adequada	dos	 resíduos	
domiciliares	 e	 comerciais	 é	 a	 população.	 No	 entanto,	 a	 coleta	 e	 disposição	 final	
desses	três	grupos	é	de	responsabilidade	do	Poder	Público	(exceto	para	comércios	
de	grande	porte	ou	de	geração	de	resíduos	perigosos);
• resíduos radioativos:	são	menos	comuns,	gerados	a	partir	de	atividades	nucleares	
ou	de	equipamentos	que	utilizam	elementos	radioativos	(como	o	raio-X),	sendo	de	
inteira	responsabilidade	da	Comissão	Nacional	de	Energia	Nuclear.
Após	serem	caracterizados	quanto	a	sua	origem,	para	a	correta	classificação	
dos	 resíduos,	 faz-se	 necessária	 a	 análise	 sobre	 os	 riscos	 potenciais	 promovidos	 por	
esses	resíduos.	Além	disso,	deve-se	identificar	o	processo	produtivo,	a	composição	do	
resíduo	e	as	substâncias	presentes,	para	um	correto	enquadramento	em	sua	real	classe.	
A	figura	 a	 seguir	 nos	mostra	 o	método	para	 a	 classificação	dos	 resíduos,	 de	
acordo	com	o	risco	potencial	de	cada	um.
116
Figura 12 – Metodologia de classificação de resíduos conforme a ABNT
Fonte: ABNT (2004, p. VI)
Resíduo	inerte
classe II A
Resíduo
O	resíduo	tem	
origem conhecida?
Consta	nos	anexos
A	ou	B?
Tem	características	
de	inflamabilidade,	
reatividade,	toxidade	
ou patogenicidade
Resíduo	perigoso
classe I
Resíduo	perigoso
classe II
Possui constituintes 
que	são	solubilizados	
em concentrações 
superiores	ao	anexo	G?
Resíduo	inerte
classe	II	B
Para	melhor	 compreensão,	 os	 resíduos classe I	 são	 perigosos,	 como	 óleos	
lodos	 químicos,	 pesticidas	 etc.;	 já	 os	 resíduos classe II	 não	 são	 perigosos,	 sendo	
subdivididos em classe II A	não	inerte	(papel,	madeira	sem	pintura,	restos	de	alimentos	
etc.)	e	classe II B	inerte	(vidro,	blocos	de	concreto,	plásticos	etc.)	(ABNT,	2004).
3.2 TRATAMENTO DE RESÍDUOS
As	técnicas	de	tratamento	de	resíduos	dizem	respeito	a	processos	capazes	de	
alterar	as	características,	as	propriedades	ou	a	composição,	de	modo	que	seja	factível	
sua	disposição	final,	sua	destruição	ou	sua	reutilização.
De	acordo	com	Gomes	 (2019),	no	caso	do	tratamento	dos	resíduos sólidos 
domiciliares,	três	técnicas	de	controle	são	passíveis	de	serem	realizadas,	de	acordo	
com	a	classe	do	resíduo:
117
1.	 reciclagem:	consiste	na	separação	dos	resíduos	com	potencial	para	beneficiamento	
ou	transformação,	de	modo	que	possam	passar	por	processos	que	os	deixarão	aptos	
para	serem	comercializados.	A	seleção	desses	resíduos	ocorre	a	partir	do	processo	de	
triagem;
2.	compostagem: consiste em um processo natural de decomposição aplicado aos 
resíduos	de	matéria	orgânica,	origem	animal	ou	vegetal,	de	modo	a	promover	sua	
decomposição a partir da atividade microbiológica aeróbica ou anaeróbica;
3.	 incineração:	consiste	em	um	processo	capaz	de	decompor	os	resíduos	termicamente,	
impondo	altas	temperaturas	a	parcelas	de	matéria	orgânica	dos	resíduos,	promovendo	
uma	redução	em	seu	volume	e	a	formação	de	uma	fase	gasosa	e	outra	fase	sólida.
Para os resíduos de construção e demolição,	 as	 principais	 alternativas	
são	o	processo	de	 reciclagem	ou,	quando	se	tratam	de	 resíduos	de	classe	 II,	muitas	
pesquisas	são	desenvolvidas	propondo	a	reutilização	desses	materiais	em	atividades	
da	própria	indústria	da	construção,	como	na	fabricação	de	peças	cerâmicas,	concreto,	
pavers,	utilização	como	agregados	em	obras	de	estradas	em	camadas	de	pavimentos,	
utilização	como	reforço	de	solo	em	obras	de	fundações	ou	em	aterros	de	solos	moles	
(SCHWANKE,	2013).
Schwanke	(2013)	também	nos	explica	que	o	principal	processo	de	controle	dos	
resíduos de saúde	gira	em	torno	da	disposiçãoem	aterros	específicos	para	esses	fins	
ou,	a	depender	da	tipologia	do	resíduo,	opta-se	pela	incineração.	
De	acordo	com	o	mesmo	autor,	para	o	controle	dos	resíduos urbanos,	 três	
processos	são	desencadeados	(SCHWANKE,	2013):	
1.	 reciclagem;
2.	 compostagem	dos	resíduos	de	origem	orgânica;
3.	disposição	em	aterros	sanitários	de	materiais	que	não	podem	ser	tratados	nos	dois	
processos	anteriormente	citados.
Um	aterro	sanitário	pode	ser	definido	como	uma	das	alternativas	de	disposição	
final	de	resíduos	sólidos	urbanos	no	solo,	o	qual	é	amparado	por	normas	operacionais	e	
critérios	de	engenharia,	com	o	intuito	de	proporcionar	o	controle	de	poluição	ambiental	
e	 proteção	 sanitária	 à	 saúde	 pública,	 garantindo	 a	 redução	 de	 impactos	 ambientais	
na	 área	 de	 influência	 do	 empreendimento.	 Nesse	 caso,	 os	 resíduos	 são	 dispostos	
em	camadas	 intercaladas	entre	 resíduos	compactados	e	pequenas	camadas	de	solo	
argiloso,	o	qual	é	responsável	pela	cobertura	sanitária	da	área.	O	método	de	disposição	
varia	conforme	a	área	onde	o	empreendimento	está	implantado.
De	 modo	 abrangente,	 aterros	 sanitários	 bem	 projetados	 podem	 ter	 seu	
funcionamento	 equiparado	 a	 reatores	 bioquímicos,	 em	 virtude	 de	 que	 a	 deposição	
gradual	 de	 resíduos,	 quando	 em	contato	 com	a	 água,	 desencadeia	 um	processo	de	
digestão	anaeróbia,	o	qual	apresenta	como	produto	a	emissão	de	metano	(CH4),	dióxido	
118
de	carbono	(CO2),	vapor	d	á́gua	e	alguns	gases	de	concentrações	irrisórias.	Além	disso,	
há	a	geração	do	chorume,	que	consiste	na	produção	de	um	líquido	percolado,	produto	 
da	ação	de	processos	biológicos	e	químicos	em	mistura	com	a	água.
Figura 13 – Aterro sanitário
Fonte: https://elements.envato.com/pt-br/top-view-of-landfill-in-hong-kong-CCNXMPR. Acesso em: 2 set. 2022.
Inicialmente,	para	fins	de	projeto	de	implantação,	as	técnicas	construtivas	mais	
aplicadas	são	três:	método	da	trincheira,	método	da	rampa	e	método	da	área.	A	escolha	
da	metodologia	ideal	é	baseada	nas	características	apresentadas	pelo	ambiente	natural,	
como	declividade,	profundidade	do	nível	freático,	topografia	e	profundidade	do	maciço	
rochoso.	
A	 estabilidade	 das	 células	 dos	 aterros	 sanitários	 é	 um	 desafio	 constante,	
e	 a	 previsão	do	 seu	 comportamento	 é	 bastante	 complexa,	 tendo	em	vista	 a	 grande	
variabilidade	dos	resíduos	dispostos	no	local	e	seus	distintos	períodos	de	decomposição.	
Nesse	ponto,	realizar	análises	e	levantamentos	geotécnicos	e	ambientais	dos	maciços	
é	 fundamental	 para	 a	 avaliação	de	estabilidade,	 deformação	e	vida	útil	 do	 aterro	de	
resíduos	sólidos	urbanos.	Contudo,	essas	análises	são	efetivas	apenas	partindo	de	um	
pleno	conhecimento	das	características	do	aterro	sanitário,	da	avaliação	de	informações	
hidrogeológicas	 e	 topográficas,	 da	 leitura	 de	 instrumentos	 geotécnicos,	 ensaios	 de	
laboratório,	ensaios	geotécnicos	e	de	controle	ambiental	in situ,	dentre	outros.
O	controle	ambiental	dos	resíduos	só	pode	ser	desencadeado	com	o	conheci-
mento	de	técnicas	disponíveis	de	tratamento	e	gestão	de	resíduos	de	maneira	correta.	
Do	ponto	de	vista	geotécnico,	os	aterros	são	obras	projetadas	para	evitar	que	haja	a	
contaminação	do	meio	ambiente	com	a	impermeabilização	da	superfície	e	a	criação	de	
estruturas	(células)	formadas	por	resíduos,	capazes	de	abrigar	tudo	o	que	vira	rejeito.
Já	 do	 ponto	 de	 vista	 ambiental,	 mesmo	 após	 o	 encerramento,	 os	 aterros	
sanitários	 são	 obras	 que	 proporcionam	 a	 qualidade	 ambiental	 do	 meio,	 visto	 que,	
mesmo	não	sendo	possível	a	utilização	das	áreas	destinadas	a	aterros	sanitários	para	
119
outras	atividades,	com	o	encerramento	da	sua	vida	útil,	são	desenvolvidos	projetos	de	
recuperação	da	área	e,	na	maioria	dos	casos,	os	 locais	permanecem	com	vegetação,	
contribuindo,	inclusive,	para	amenizar	o	impacto	do	paisagismo.
 
Além	dos	aterros,	também	são	apresentadas	outras	alternativas	de	controle,	que,	
do	ponto	de	vista	ambiental,	tendem	a	ser	mais	coerentes.	Elas	envolvem	conhecimento	
técnico	e	de	Engenharia	Ambiental	para	que	sejam	bem	geridas.	
Desse	modo,	existem	inúmeras	oportunidades	na	área	de	Geotecnia	Ambiental,	
no	 que	 tange	 ao	 controle	 das	 atividades,	 pois	 cabe	 ao	 profissional	 da	 área	 aliar	 o	
desenvolvimento	econômico	ao	sustentável	e	tecnológico.
4 CONTROLE AMBIENTAL EM LAVOURAS
O	controle	ambiental	em	 lavouras	é	um	desafio	histórico	devido	à	magnitude	
dos	impactos	causados	pela	atividade	agrícola	no	meio	ambiente	desde	o	surgimento	
da	humanidade.	Em	contraponto,	não	é	desprezível	a	importância	da	atividade	agrícola	
para	a	manutenção	da	população.	Diante	dos	prós	e	contras,	cabe	aos	profissionais	de	
Engenharia	trabalhar	em	conjunto,	com	o	apoio	da	tecnologia,	buscando	tornar	essas	
atividades	cada	vez	mais	sustentáveis.	Assim,	além	de	proporcionarem	a	continuidade	
e	fluidez	 da	 produção	 de	 alimentos,	 garantirão	 que	 haverá	 terras	 férteis	 para	 seguir	
produzindo	alimentos	saudáveis	para	as	próximas	gerações.
A agricultura	é	uma	atividade	do	setor	primário,	com	importância	fundamental	
para	a	subsistência	do	Brasil,	sendo	uma	das	principais	bases	da	economia	nacional.	
Com	o	crescimento	da	população	e	a	necessidade	de	controle	de	pragas,	as	atividades	
agrícolas	vêm,	aos	poucos,	evoluindo	de	monoculturas	para	a	diversificação	da	produ-
ção,	dependendo	da	região	no	país	onde	a	atividade	é	desenvolvida.	Nos	últimos	anos,	
com	o	fortalecimento	do	capitalismo,	 surgiu	o	 sistema	de	produção	do	agronegócio.	
Ele	modifica	as	tradicionais	culturas	do	campo	e	promove	um	maior	uso	de	defensivos	
agrícolas,	os	quais	envenenam	os	recursos	e	modificam	biomas,	com	o	objetivo	da	im-
plantação	da	monocultura.
O agronegócio,	na	maioria	dos	casos	em	que	é	praticado,	distancia	a	interação	
do	cultivo	com	o	meio	ambiente	por	considerar	como	praga	qualquer	planta	que	cresça	e	
não	tenha	sido	utilizada	para	germinar	naquele	espaço.	Outra	característica	relevante	é	
que	o	tempo	de	cultivo	e	a	capacidade	do	solo	natural,	geralmente,	não	são	respeitados.	
Portanto,	 nesse	modelo	de	proposta	de	atividade	agrícola,	 a	maioria	dos	plantios	 se	
desenvolve	no	tempo	imposto	pelo	ser	humano,	que	possui	o	controle	por	meio	do	uso	
dos	defensivos	agrícolas	e	não	respeita	o	ciclo	natural	do	desenvolvimento	das	culturas	
no	solo.
120
Temos,	ainda,	que	o	manejo do solo e das plantas,	atualmente,	possui	uma	
dinâmica	 diversificada.	 Isso	 ocorre	 porque,	 para	 produzir	 em	 grandes	 volumes,	 são	
utilizadas	práticas	que	vão	contra	a	sustentabilidade	e	agridem	o	meio	ambiente.	Dentre	
elas,	é	possível	destacar	o	uso	demasiado	de	agrotóxicos,	fertilizantes	e	transgênicos.	
O	 principal	 problema	 recorre	 que	 o	 uso	 desses	 produtos	 químicos	 está	
associado	a	uma	série	de	doenças,	 sendo	que	algumas	estão	expostas	no	quadro	a	
seguir.	Acompanhe!
Quadro 1 – Relação entre inseticidas e a causa de doenças
Fonte: a autora
Praga que 
controla Grupo químico
Sintoma de intoxicação 
aguda
Sintoma de intoxicação 
crônica
Inseticidas
Organoifosforados
e carbamatos
Fraqueza,	cólicas	
abdominais	e	vômitos,	
espasmos musculares e 
convulsões
Efeitos	neurotóxicos	
retardados,	alterações	
cromossômicas	e	
dermatites de contato
Organoclorados
Náuseas,	vômitos,	
contrações musculares 
involuntárias
Lesões	hepáticas,	arritmia	
cardíaca,	lesões	renais	e	
neuropatias periféricas
Piretroides 
sintéticos
Irritação	das	conjuntivas,	
espirros,	excitação	e	
convulsões
Alergias,	asma	brônquica,	
irritações nas mucosas e 
hipersensibilidades
Fungicidas
Ditiocarmamatos
Tonturas,	vômitos,	
tremores musculares e 
dores de cabeça
Alergias	respiratórias,	
dermatites,	doença	de	
Parkinson	e	cânceres
Fentalamidas Sem descrição Teratogênese
Herbicidas
Dinitrofenóis	e	
pentaciclorofenol
Dificuldades	respiratórias,	
hipertermia e convulsões
Cânceres	(PCP	-	formação	
de	dioxinas)	e	cloroacnes
Fenoxiacéticos
Perda	de	apetite,	enjoo.	
vômitos	e	fasciculação
muscular
Indução da produção 
deenzimas	hepáticas,	
cânceres o teratogênese
Dipiridilos
Sangramento	nasal,	
desmaios,	desmaios,	
fraqueza	e	conjuntivites
Lesões	hepáticas,	
dermatites de contato e 
fibrose	pulmonar
Além	 dos	 problemas	 apresentados	 pelo	 uso	 de	 defensivos,	 outra	 prática	
recorrentemente é a monocultura.	 Esse	 tipo	 de	 atividade	 é	 comprovadamente	
prejudicial	ao	aspecto	de	fertilidade	do	solo,	estendendo	ameaças	a	dois	importantes	
biomas	 brasileiros:	 o	 pampa	 (áreas	 modificadas	 pela	 monocultura	 da	 celulose)	 e	 o	
cerrado	(monocultura	de	grãos).
121
No	que	diz	respeito	à	fertilidade	do	solo,	pode-se	explicar	que	a	monocultura	
impõe	 uma	 perda	 porque	 consome	 todos	 os	 nutrientes	 que	 determinada	 cultura	
precisa	 para	 se	 desenvolver,	 até	 que	 esses	 nutrientes	 se	 esgotem,	 impondo	 um	
desbalanceamento	no	solo	e	a	perda	da	matéria	orgânica.	Como	consequência,	esse	
mesmo	 solo	 se	 torna	 menos	 produtivo,	 mais	 suscetível	 a	 processos	 erosivos	 e	 é	
modificado	química,	física	e	biologicamente.
Para	além	da	questão	de	fertilidade,	outro	ponto	que	preocupa	bastante	é	o	
encolhimento	das	áreas	florestais	nativas.	Aqui,	deve-se	destacar	que	a	agricultura	não	
é	a	única	atividade	que	promove	esse	tipo	de	degradação	e	intervenção	ambiental,	mas,	
especialmente	na	região	amazônica	e	no	cerrado,	com	o	passar	dos	anos,	é	uma	das	
principais	contribuintes.
O documentário A Lei da Água - Novo Código Florestal, é um instrumento 
de ensino didático e importante para que se possa compreender 
melhor os limites legais das APPs no meio agrícola. Vale tirar um tempo 
para assistir!
DICA
Outro	ponto	de	relevância	diz	respeito	à	emissão	dos	gases	do	efeito	estufa.	O	
aumento	exponencial	da	emissão	de	gases	causadores	do	efeito	estufa	no	país	resulta,	
em	parcela,	da	mudança	do	uso	e	da	ocupação	do	solo	e	do	crescimento	considerável	
das	atividades	de	pecuária.
Algumas	alternativas,	como	o	uso	do	plantio	direto,	amenizam	pressões	no	solo	
e	requerem	menos	combustível.	No	entanto,	facilitam	o	uso	de	uma	segunda	ou	terceira	
lavoura	no	ano	e	estão	associadas	à	seleção	de	grãos	geneticamente	modificados	para	
inibir	a	concentração	do	uso	de	pesticidas.
As	técnicas	apresentadas,	quando	aprimoradas,	visam	ao	manejo	dos	sistemas	
de	produção	sustentável,	aliando	o	desenvolvimento	econômico	ao	sustentável.	Além	
disso,	 promovem	 o	 equilíbrio	 nas	 cadeias	 produtiva,	 ambiental	 e	 social	 (CAPORAL;	
COSTABEBER,	2004).
122
4.1 TECNOLOGIAS AMBIENTALMENTE CORRETAS NAS 
ATIVIDADES AGRÍCOLAS
O	maior	desafio	dos	pesquisadores	e	profissionais	da	área	da	Agronomia	e	Meio	
Ambiente	 é	 produzir	 alimentos	 em	 quantidades	 suficientes	 para	 toda	 a	 população,	
garantindo	a	preservação	dos	solos	e	do	meio	ambiente,	visto	que	o	solo	é	um	recurso	
não	 renovável.	 Diante	 disso,	 é	 preciso	 pensar	 em	 práticas	 que	 podem	 servir	 como	
alternativas	para	a	preservação	e	conservação	tanto	do	solo	quanto	do	meio	ambiente	
ao	longo	do	desenvolvimento	das	atividades	agrícolas.
A primeira proposta é a integração entre lavoura, pecuária e floresta.	Esse	
sistema	contempla	o	cultivo	de	vegetação,	grãos	e	forrageiras	à	criação	de	animais	em	
uma	única	área.	As	atividades	devem	ocorrer	simultaneamente	ou	sequencialmente	e	
desencadeiam	o	uso	sustentável	dos	solos.	Com	essa	técnica,	pode-se	obter	a	máxima	
produção	 de	 alimentos,	 fibras	 e	 energia	 em	 unidade	 de	 área.	 Dentre	 as	 principais	
vantagens,	temos	a	recuperação	de	pastagens	degradadas	e	a	ampliação	da	área	de	
infiltração	de	água	das	chuvas,	ocasionando	maior	retenção	de	água	no	solo,	redução	
na	emissão	de	gases	de	efeito	estufa,	ciclagem	de	nutrientes,	aumento	na	produção	de	
forragem	nas	entressafras,	promoção	do	conforto	térmico	(assegura	o	bem-estar	dos	
animais),	 diversificação	de	atividades	na	propriedade,	 redução	de	 riscos	climáticos	e	
aumento	da	renda	do	produtor.
Outra simples atitude é o descarte correto de embalagens.	Na	agricultura,	
essa	ação	consiste	em	destinar	corretamente	as	embalagens	vazias	dos	agrotóxicos.	
O	produtor	rural	precisa	higienizar,	com	a	tríplice	lavagem	ou	lavagem	de	alta	pressão,	
e	entregar	as	embalagens	em	adequadas	unidades	de	recebimento.	Essas	unidades,	
geralmente,	 são	 indicadas	 pelo	 revendedor	 dos	 produtos	 ou	 na	 nota	fiscal.	Assim,	 a	
indústria	é	 responsável	por	buscar	as	embalagens	nas	unidades	e	garantir	 a	correta	
reciclagem	(logística	reversa).	
O controle de queimadas	é	outro	grande	aspecto	a	ser	destacado.	Apesar	da	
facilidade	de	execução,	as	queimadas	para	limpeza	de	áreas	não	devem	ser	praticadas.	
Isso	porque	sua	execução	gera	incontáveis	prejuízos.	Dentre	eles,	destaca-se	a	queima	
da	 matéria	 orgânica	 e	 a	 volatilização	 do	 nitrogênio,	 ocasionando	 uma	 redução	 da	
fertilidade	do	solo.	Por	 isso,	áreas	que	são	submetidas	a	queimadas	frequentemente	
acabam	mais	pobres,	ocasionando	a	degradação	do	solo.
A adubação verde, química, orgânica e calagem se trata de um processo 
que	promove	 a	 incorporação	 ao	 solo	 de	plantas	 especialmente	 cultivadas	para	 esse	
fim	ou	 restos	 de	 plantas	 forrageiras	 e	 ervas	 daninhas.	 Essa	 é	 uma	das	 formas	mais	
baratas	de	reposição	da	matéria	orgânica	do	solo,	a	fim	de	promover	a	melhoria	nas	suas	
123
características	físicas.		A	adubação	verde	propõe,	também,	um	aumento	da	infiltração	
e	a	 retenção	de	água	no	solo	e	melhora	sua	fertilidade.	Para	essa	prática,	cultivam-
se	 plantas	 forrageiras,	 que	 podem	 ser	 aproveitadas	 pelos	 animais;	 e	 leguminosas,	
responsáveis	pela	fixação	de	nitrogênio	no	solo. 
Os	 outros	 tipos	 de	 adubações	 (químicas,	 orgânicas	 e	 calagem)	 podem	 ser	
necessários	para	repor	os	nutrientes	retirados	pelas	culturas.	O	desencadeamento	desses	
processos	objetiva	manter	um	nível	regular	de	nutrientes,	 já	que	solos	quimicamente	
pobres	produzem	menos	e	são	mais	suscetíveis	à	erosão.	Outra	alternativa,	que	é	o	uso	
de	esterco,	também	auxilia	na	melhoria	das	características	físicas	do	solo.	Já	o	uso	do	
calcário	é	indicado	para	a	correção	do	pH,	sempre	que	este	estiver	muito	baixo,	visto	
que	solos	ácidos	absorvem	menos	nutrientes.
Temos,	ainda,	ações	como	o	florestamento e reflorestamento,	 essenciais	
para	proteger	solos	com	baixa	fertilidade	e	alta	susceptibilidade	à	erosão.	As	florestas	
possuem	a	função	de	recuperar	solos	degradados	ou	erodidos,	bem	como	proteger	os	
rios	do	carreamento	de	plumas	de	contaminação.	O	reflorestamento,	por	sua	vez,	é	uma	
excelente	alternativa	em	solos	com	restrições	para	culturas	anuais,	visto	que	é	possível	
utilizá-lo	para	produção	de	madeira,	celulose,	lenha	e	carvão.	As	áreas	que	devem	ser	
reflorestadas	são	as	sem	aptidão	agrícola,	pecuária	ou	adequadamente	definidas	pelo	
Código	Florestal.
A recuperação de pastagens,	 quando	 bem	 executada,	 é	 um	 importante	
instrumento	de	proteção	do	solo	contra	processos	erosivos.	Quando	ocorre	um	pisoteio	
excessivo	ou	uma	alta	taxa	de	 lotação	dos	animais	nessas	áreas,	serão	ocasionados	
problemas	relacionados	à	escassez	vegetal	e	à	compactação	do	solo.	Como	alternativa,	
é	possível	fazer	a	rotação	de	animais	nas	áreas,	ressemeadura	e	adubações	constantes	
da	pastagem.
O manejo integrado de pragas	consiste	em	manter	as	pragas	abaixo	do	nível	
em	que	causam	prejuízos	para	as	 lavouras.	O	controle	dessa	técnica	se	dá	de	várias	
formas,	 como	a	partir	 do	uso	de	 insetos,	 feromônios,	 retirada	 e	 queima	da	parte	 do	
vegetal	afetada,	adubação	equilibrada,	poda	e	raleio.	Essa	proposta	de	manejo	se	deu	
pela	comunidade	científica	com	o	intuito	de	reduzir	a	taxa	de	aplicação	de	agrotóxicos.	
O desenvolvimento de cordões de vegetação permanente, barreiras 
vivas ou faixas de retenção	é	constituído	por	plantas	perenes	dispostas	em	fileiras,	
contornando	a	área	produtiva.	O	principal	objetivo	é	a	formação	de	pequenos	diques	
com	o	acúmulo	de	sedimentos	com	o	passar	do	tempo,	para	reter	o	carreamento	de	
partículas.	Assim,	é	possível	utilizar	plantas	com	muitas	folhas	e	raízes,	mas	é	preciso	
observarpara	não	ocasionar	uma	redução	da	área	a	ser	plantada.	
124
Os	cordões	são	recomendados	em	regiões	com	solos	mais	rasos.	O	espaçamento	
entre	 esses	 cordões	 deve	 ser	 planejado	 de	 acordo	 com	 a	 suscetibilidade	 do	 solo,	
considerando	 fatores	 como	 intensidade	 de	 precipitação	 e	 declividade	 do	 terreno,	
sendo	que,	quanto	maior	o	volume	de	precipitação	e	a	declividade	do	terreno,	menos	
espaçados	devem	ser	os	cordões.	
O processo de rotação de culturas promove a alternância entre culturas 
em	 determinada	 região	 de	 plantio	 agrícola.	 Essa	 ação	 promove	 uma	 otimização	 na	
fertilidade	do	solo	devido	à	dinâmica	diferenciada	de	aprofundamento	das	raízes	das	
diferentes	culturas,	consequentemente,	também	promove	uma	melhoria	da	drenagem	
da	área	e	uma	maior	gama	de	organismos	vivos	ali	presentes.	Fatores	determinantes	
para	a	seleção	das	culturas	de	rotação	devem	ser	observados,	sendo	eles	o	tipo	de	solo,	
o	clima,	a	mão	de	obra	e	os	implementos	agrícolas	disponíveis,	sem	ignorar	o	mercado	
consumidor.
Por	fim,	a	alternativa	pelo	sistema de plantio direto	 se	dá	sem	que	ocorra	
a	 aeração	 prévia	 do	 solo.	 Sendo	 assim,	 o	 plantio	 ocorre	 por	 meio	 de	 plantadeiras	
responsáveis	por	abrir	pequenos	canais,	de	modo	que	a	semente	seja	 inserida	 junto	
ao	solo	não	revolvido.	A	geminação	ocorre	a	partir	do	contato	do	grão	com	o	solo	de	
cobertura.	Já	as	plantas	daninhas	são	controladas	pela	ação	de	herbicidas,	sendo	que	
não	se	realizam	capinas	mecânicas	na	área.	Desse	modo,	pode-se	resumir	essa	técnica	
em três fases:
1.	 a	fase	inicial	consiste	na	remoção	da	cultura	antiga	da	lavoura	e	na	distribuição	dos	
restos desta para a formação de palha;
2.	 posteriormente,	os	herbicidas	são	aplicados;
3.	por	fim,	ocorre	a	etapa	do	plantio	da	cultura.	
Vale	 mencionar	 que	 essa	 técnica	 é	 vista	 como	 uma	 ferramenta	 positiva	 no	
controle	 de	 processos	 erosivos,	 já	 que	 a	 primeira	 etapa	 permite	 a	 permanência	 dos	
resíduos	na	superfície	do	solo,	evitando	seu	carreamento.
Por	 fim,	 uma	 técnica	 utilizada	 na	 agricultura	 sustentável	 é	 o	 biocontrole 
de pragas agrícolas.	 Esse	 tipo	 de	 técnica	 é	 realizado	 a	 partir	 do	 incremento	 de	
microrganismos	e	agentes	biológicos,	chamados	“antagonistas”,	nas	culturas.	Eles	são	
capazes	de	consumir	as	pragas	presentes	nas	culturas	agrícolas	a	partir	da	ação	por	
competição,	 antibiose,	 indução	de	 resistência,	 predação,	parasitismo	e	promoção	de	
crescimento	(FONTES;	VALADARES-INGLIS,	2022).
Em	resumo,	as	atividades	agrícolas	têm	sido	vistas	como	grandes	inimigas	do	
desenvolvimento	sustentável	com	o	passar	dos	anos.	No	entanto,	é	possível	aliar	o	de-
senvolvimento	sustentável	a	essa	prática,	sem	deixar	de	lado	a	promoção	tecnológica	
no	campo.
 
125
Todas	as	alternativas	previstas	podem	ser	otimizadas	a	partir	de	estudos	cien-
tíficos	capazes	de	propor	um	aprimoramento	dos	processos,	sem	contar	nas	inovações	
que	podem	ser	propostas	a	partir	da	aplicação	prática	e	da	observação	do	desenvol-
vimento	e	desempenho	em	campo.	Com	isso,	é	possível	que	o	profissional	da	área	de	
Engenharia	atue	acompanhando	essas	atividades	e	promovendo	melhorias,	 a	fim	de	
obter	o	desenvolvimento	sustentável	aliado	ao	econômico.
5 USO DE GEOSSINTÉTICOS EM PROBLEMAS 
AMBIENTAIS
Os	geossintéticos	são	dispositivos	que	têm	potencial	de	utilização	em	várias	
aplicações,	 incluindo	as	de	proteção	ao	meio	ambiente.	Outra	grande	funcionalidade	é	o	
auxílio	na	remediação	de	danos	ambientais.	Sempre	que	há	demandas	de	confinamento	
de	 resíduos,	 isolamento	 de	 áreas	 contaminadas	 ou	 tratamento	 e	 descontaminação	
destas	e	no	controle	de	erosões,	a	aplicação	de	geossintéticos,	por	vezes,	é	uma	grande	
alternativa,	com	bom	custo-benefício.
As	 principais	 funções	 dos	 geossintéticos	 são	 aplicações	 contra	 quedas	 de	
blocos,	barreiras	contra	gases	e	plumas	de	contaminantes,	barreiras	de	 sedimentos,	
sistemas	de	drenagem	etc.
Figura 14 – Principais funções dos geossintéticos
Fonte: Palmeira (2018, p. 94)
126
A	 partir	 de	 agora,	 então,	 será	 possível	 compreender	 melhor	 sobre	 as	 mais	
diversas	opções	de	usos	desses	dispositivos	em	obras	de	cunho	geotécnico	e	ambiental.	
Vamos	conhecer?
5.1 TIPOS DE GEOSSINTÉTICOS
Os	geossintéticos	são	dispositivos	que	possuem	diversas	aplicações	em	obras	
de	Engenharia.	Para	tal	abrangência,	eles	são	classificados	em	diversos	tipos,	os	quais	 
são	diferenciados	de	acordo	com	sua	aplicabilidade	e	finalidade.
O geotêxtil	é	um	produto	bidimensional,	de	formato	laminar,	similar	a	uma	manta	
de	característica	permeável,	que	possui	a	finalidade	de	reforçar	o	solo,	conter	processos	
erosivos,	proporcionar	uma	melhor	drenagem	do	terreno,	filtrar	e	separar	camadas	de	so-
los	e/ou	resíduos	distintas,	impedindo	que	elas	se	misturem	(PALMEIRA,	2018).
Assim	como	os	demais,	é	um	geossintético	normatizado	de	acordo	com	a	NBR	
10318-1/2018	e	dividido	em	três	categorias:	tecido,	não	tecido	e	costurado.
• Tecido:	 possui	 fibras	 dispostas	 transversal	 ou	 longitudinalmente,	 com	 aplicação	 em	
taludes,	aterros	sobre	solos	moles,	drenagem	subterrânea,	separação	de	camadas	de	
solo	e	no	controle	de	erosão.
• Não tecido:	 possui	 fibras	 conectadas	 por	 processos	 mecânicos,	 térmicos	 ou	
químicos,	sendo	dispostas	aleatoriamente,	designados	como	agulhado,	termoligado	
ou	 resinado.	Tem	aplicação	em	estabilização	de	 taludes,	 sistemas	de	drenagem	e	
impermeabilização.
• Costurado:	possui	fibras	entrelaçadas	por	tricotamento	e	é	aplicado	em	obras	de	
taludes,	separação	de	camadas	ou	drenagem.
Na	 figura	 a	 seguir,	 estão	 ilustrados	 os	 três	 tipos	 de	 geotêxtis	 definidos	
anteriormente.
Figura 15 – Geotêxtil tecido, não tecido e costurado
Fonte: Palmeira (2018, p. 6)
127
Outro	tipo	de	geossintético	amplamente	utilizado	diz	respeito	às	geomembranas.	
São	materiais	que	possuem	em	sua	composição	termoplásticos,	asfaltos,	plastômeros	
e	 afins,	 tendo	 geometria	 bidimensional	 e	 caracterizados	 por	 serem	 impermeáveis	
(PALMEIRA,	2018).
De	acordo	com	Palmeira	(2018),	as	geomembranas,	por	possuírem	função	de	
impermeabilização,	são	muito	aplicadas	em	base	de	aterros	sanitários,	para	impedir	a	
migração	do	fluxo	de	chorume	no	solo	até	o	lençol	freático.	Também	podem	ser	aplicadas	
em	canais,	rios,	obras	de	estradas,	dentre	outras.	
Para	 melhor	 compreensão,	 a	 figura	 a	 seguir	 apresenta	 um	 exemplo	 desse	
geossintético.
Figura 16 – Geomembrana
Fonte: Das e Sobhan (2019, p. 522)
Além	 das	 geomembranas,	 outro	 dispositivo	 também	 utilizado	 em	 obras	 de	
estradas,	drenagem	e	aterros	sanitários	é	o	geotubo.	Como	o	próprio	nome	sugere,	diz	
respeito	a	geossintéticos	de	formato	esférico,	tubulares,	de	alta	resistência,	geralmente	
utilizados	em	substituição	a	tubos	de	concreto,	por	exemplo	(PALMEIRA,	2018).	
Figura 17 – Geotubo
Fonte: Das e Sobhan (2019, p. 524)
128
Conforme	 Das	 e	 Sobhan	 (2019),	 as	geogrelhas,	 por	 sua	 vez,	 são	 formadas	
por	tecidos	transversais	e	 longitudinais,	dispostos	entre	si,	de	forma	que	apresentem	
abertura	máxima	de	10	mm	entre	os	tecidos,	similar	a	grelhas.	Esses	dispositivos	podem	
ser	fabricados	como	tecidos	ou	soldados,	bidimensionais	(apresentando	resistência	à	
tração)	ou	unidirecional	(com	resistência	unidirecional).		
Figura 18 – Geogrelha
Fonte: Palmeira (2018, p. 7)
As	geogrelhas	podem	apresentar	maior	 eficiência	 se	 comparadas	 aos	geotêxtis	
em	ambientes	que	possuem	contaminação	química,	ou	seja,	ambientais	mais	agressivos	
e	ácidos.	Isso	ocorre	devido	a	uma	maior	espessura	de	sua	malha,	reduzindo	a	superfície	 
de	exposição	ao	ambiente	contaminado	(DAS;	SOBHAN,	2019).
Os geocompostos,	 por	 outro	 lado,	 são	 geossintéticos	 formados	 por	 duas	
camadas	de	geotêxtis	 arranjados	 com	uma	camada	de	bentonita	 ou	geomembrana,	
conforme	a	figura.	
Figura 19 – Geocomposto
Fonte: Palmeira (2018, p. 129)
129
Esse	 tipo	 de	 geossintético	 é	 largamente	 empregado	 em	 aterros	 sanitários	
por	 possuírem	 em	 seunúcleo	 essa	 “barreira”	 argilosa,	 capaz	 de	 conter	 a	 passagem	
de	gases	ou	líquidos.	Nesse	sentido,	de	maneira	geral,	sua	principal	aplicação	é	como	
barreira	 impermeabilizante	e	pode	ser	utilizado	em	projetos	de	recuperação	de	áreas	
contaminadas	ou	em	obras	de	estradas,	por	exemplo.
Por	fim,	outro	tipo	de	geossintético	muito	conhecido	diz	respeito	às	geocélulas.	
Esses	 dispositivos	 são	 arranjos	 tridimensionais	 produzidos	 a	 partir	 de	 polímeros,	 os	
quais	formam	tiras	(PALMEIRA,	2018).	Após	a	formação	destas,	elas	são	soldadas,	de	
modo	que	se	transformem	em	células	interconectadas	que	podem	ser	preenchidas	com	
solo	ou	concreto,	em	aplicações	específicas.
Figura 20 – Geocélula
Fonte: Palmeira (2004, p. 276)
Esse	tipo	de	solução	auxilia	na	proteção	de	solos	sem	recobrimento	vegetal	e,	
consequentemente,	no	controle	de	erosão,	na	proteção	de	taludes	e	na	estabilização	de	
aterros	sobre	solos	moles.
Os	 geossintéticos	 são	 ferramentas	 largamente	 utilizadas	 em	 obras	 de	 Ge-
otecnia	 Ambiental,	 afinal,	 seu	 processo	 de	 fabricação	 e	 planejamento	 está	 atrelado	
à	qualidade	na	 sua	 funcionalidade	aliada	a	não	agressividade	ao	meio	ambiente.	Do	
contrário,	o	principal	objetivo	da	sua	utilização	no	meio	ambiental	se	deve	à	promoção	 
da	qualidade	deste.
Sendo	assim,	a	seleção	do	geossintético	adequado,	com	o	intuito	de	controlar	
ambientalmente	os	empreendimentos,	é	uma	alternativa	com	grande	potencial	e	custo	
benefício,	visto	sua	qualidade	de	aplicação.	Outro	fator	importante	é	que	suas	variadas	
soluções	 conseguem	 abranger	 desde	 obras	 de	 infraestrutura	 até	 obras	 de	 taludes,	
encostas,	de	monitoramento	ambiental	e	de	remediação	ambiental.
130
Você pode simular o dimensionamento de geossintéticos em diversas 
aplicações e conhecer mais a fundo as inovações acerca desse tipo de 
material acessando os sites das fabricantes Maccaferri e Geobrugg. 
Disponível em: https://www.maccaferri.com/br/; https://www.geobrugg.
com/pt/index_pt.html. Acesso em: 19 set. 2022.
DICA
https://www.maccaferri.com/br/
https://www.geobrugg.com/pt/index_pt.html
https://www.geobrugg.com/pt/index_pt.html
131
Neste tópico, você aprendeu:
•	 Os	 instrumentos	de	controle	ambiental	nas	atividades	de	mineração,	 seja	durante	
a	 execução	 das	 atividades,	 seja	 após	 o	 encerramento,	 por	 meio	 da	 recuperação	
das	 áreas	 degradadas.	 Também	 foi	 enfatizado	 o	 impacto	 gerado	 por	 acidentes	
relacionados	a	barragens	de	rejeitos.
• Os principais impactos gerados pelas atividades de aterros e meios de controle do 
passivo	ambiental	ocasionado	por	eles,	durante	a	implantação,	na	operação	ou	após	
o	fim	da	vida	útil	dessas	áreas.
•	 As	 técnicas	de	 controle	 ambiental	 em	 lavouras,	 de	modo	que	 se	possa	minimizar	
os	impactos	da	atividade	agrícola	ao	solo,	mantendo	a	garantia	de	produtividade	e	
garantindo	a	conservação	das	APPs	e,	por	consequência,	as	áreas	de	recarga	hídrica.
•	 Os	principais	tipos	de	geossintéticos	existentes,	suas	aplicações,	suas	vantagens	e	
as	soluções	que	podem	ser	propostas	em	projetos	de	Geotecnia	Ambiental	a	partir	do	
uso	desses	dispositivos.
RESUMO DO TÓPICO 2
132
AUTOATIVIDADE
1	 Dentre	 os	 principais	 impactos	 ambientais	 gerados	 pela	 atividade	 de	 mineração,	
pode-se	destacar	a	emissão	e	proliferação	de	gases	tóxicos	e	material	particulado,	a	
contaminação	da	água	subterrânea	e	do	solo,	bem	como	a	destruição	da	paisagem.	
Esses	 impactos	 geram	 problemas	 de	 saúde	 não	 só	 aos	 trabalhadores	 envolvidos	
diretamente	nessas	atividades,	mas,	também,	a	toda	a	população	que	vive	na	área	
de	 influência.	Diante	desse	cenário,	algumas	medidas	são	tomadas	para	minimizar	
todos	esses	impactos.	Acerca	das	medidas	de	controle	ambiental	para	essa	atividade,	
assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 As	medidas	preventivas	são	tomadas	para	promover	baixo	custo	de	implantação	e	
são	eficientes	quando	tomadas	antes	de	um	evento	de	degradação	ambiental.
b)	 (			)	 As	 medidas	 preventivas	 são	 utilizadas	 para	 corrigir	 os	 danos	 ambientais	 já	
desencadeados	nas	atividades	de	mineração.	
c)	 (			)	 As	medidas	corretivas	são	propostas	por	profissionais	devidamente	habilitados	
e	 têm	como	objetivo	encontrar	uma	solução	trifásica	que	envolve	 segurança,	
economia	e	eficiência.
d)	 (			)	 As	medidas	preventivas	são	propostas	por	profissionais	devidamente	habilitados	
e	 têm	como	objetivo	encontrar	uma	solução	trifásica	que	envolve	 segurança,	
economia	e	eficiência.
2	 A	 NBR	 10004/2004	 classifica	 os	 resíduos	 sólidos	 provenientes	 das	mais	 diversas	
atividades	 dos	 setores	 agrícola,	 industrial,	 comercial,	 da	 construção	 e	 afins,	 de	
acordo	com	seu	grau	de	periculosidade	e	sua	característica	inerte	ou	não.	Também	é	
responsável	por	classificar	resíduos	sólidos	e	semissólidos.	A	respeito	das	classes	de	
resíduos,	classifique	V	para	as	sentenças	verdadeiras	e	F	para	as	falsas:
(   )	Resíduos	industriais	são	gerados	em	indústrias,	sendo	a	fonte	geradora	a	principal	
responsável	 por	 sua	 correta	 destinação	 ou	 seu	 tratamento,	 de	 acordo	 com	 a	
modalidade	de	produção	e	atividade	desenvolvida.
(   )	Resíduos	de	saúde	são	produzidos	em	hospitais,	 clínicas	veterinárias	e	médicas,	
farmácias,	laboratórios,	consultórios	de	odontologia,	fisioterapia,	estética	e	afins.
(   )	Resíduos	agrícolas	são	gerados	a	partir	das	atividades	da	agricultura,	da	pecuária	e	
de	varrição.
(   )	Resíduos	urbanos	são	gerados	a	partir	de	atividades	domésticas,	agrícolas,	comer-
cias	e	de	varrição.
133
Assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
a)	 (			)	 F	-	F	-	V	-	V.
b)	 (			)	 V	-	F	-	V	-	V.
c)	 (			)	 F	-	V	-	F	-	F.
d)	 (			)	 V	-	V	-	F	-	F.	
3	 Dentre	 os	 principais	 desafios	 do	 setor	 agrícola,	 está	 a	 produção	 de	 alimentos	 em	
quantidades	 cada	vez	maiores,	 de	modo	que	 se	possa	 suprir	 toda	 a	 demanda	de	
alimentos	mundial,	sem	inibir	ou	comprometer	a	fertilidade	das	terras	para	futuras	
cadeias	 produtivas,	 respeitando	 as	 APPs.	 Desse	 modo,	 atualmente,	 as	 práticas	
agrícolas	 envolvem	 grandes	 desafios	 técnicos	 e	 tecnológicos	 para	 que	 sejam	
desenvolvidas	com	sucesso.	Sobre	essas	práticas,	analise	as	sentenças	a	seguir:
I-	 A	integração	entre	lavoura,	pecuária	e	floresta	é	um	sistema	que	contempla	o	cultivo	
de	vegetação,	grãos	e	forrageiras	à	criação	de	animais	em	uma	única	área.
II-	 A	promoção	de	queimadas	é	uma	alternativa	 simples	e	 ambientalmente	correta,	
sendo	que	auxilia	na	limpeza	das	áreas.
III-	 Outro	ponto	positivo	sobre	a	prática	de	queimadas	é	o	da	fertilidade	do	solo	por	
meio	das	cinzas.
IV-	 O	descarte	correto	de	embalagens	consiste	em	destinar	corretamente	as	embala-
gens	vazias	dos	agrotóxicos,	evitando	o	acúmulo	de	resíduos	contaminados.
Assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 As	sentenças	I	e	IV	estão	corretas.
b)	 (			)	 Somente	a	sentença	III	está	correta.
c)	 (			)	 As	sentenças	I	e	III	estão	corretas.
d)	 (			)	 Somente	a	sentença	IV	está	correta.
4	 O	 setor	 mineral	 promove	 uma	 série	 de	 impactos	 ambientais	 ao	 meio	 onde	 é	
desenvolvido	 e	 à	 chamada	 “área	 de	 influência”.	 Esses	 impactos	 não	 se	 resumem	
apenas	à	degradação	da	qualidade	do	meio	ambiente	ou	da	fauna	e	flora	anteriormente	
presente	nessas	áreas.	Assim,	cite	os	principais	problemas	relacionados	aos	impactos	
desse	setor	diretamente	direcionados	ao	meio	ambiente.
5	 A	pluma	de	contaminação	é	definida	como	sendo	o	aglomerado	de	contaminantes	
que	percola	 sobre	 a	 subsuperfície	 do	 solo,	 espalhando	 a	 contaminação	por	 áreas	
de	jusante,	que,	anteriormente,	não	dispunham	de	degradação.	Existem	processos	
responsáveis	por	auxiliar	na	recuperação	e	no	controle	das	águas	contaminadas,	como	
os	tratamentos	térmicos,	físicos,	químicos,	biológicos	e	a	estabilização.	Explique,	de	
maneira	resumida,	cada	um	desses	processos.
134
135
TÓPICO 3 — 
IMPACTO AMBIENTAL DE OBRAS 
GEOTÉCNICAS E FORMAS DE REMEDIAÇÃO
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
As	principais	obras	que	contemplama	aplicação	da	Geotecnia	Ambiental	serão	
analisadas	neste	tópico.	Dentre	as	análises	apresentadas,	estão	as	principais	ações	a	
serem	tomadas	pelo	engenheiro	ambiental	para	garantir	que	o	desenvolvimento	de	tais	
atividades	se	dê	de	forma	sustentável,	promovendo	a	proteção	dos	compartimentos	
ambientais	ar,	solo	e	água.
Ações	que	promovem	a	remediação	de	obras	de	rodovias	estão	relacionadas	ao	
controle	e	à	mitigação	da	evolução	das	atividades	em	áreas	de	várzea,	de	solos	moles	
ou	saturados	e,	até	mesmo,	de	áreas	de	preservação	permanente.	Outro	fator	bastante	
relevante	de	ser	observado	em	determinadas	 regiões	diz	 respeito	aos	cuidados	com	
os	sítios	arqueológicos.	Além	da	implantação	sobre	recursos	naturais,	outro	agravante	
nesse tipo de atividade é o vasto consumo direto de bens naturais por intermédio das 
áreas	de	empréstimo.	Quando	exploradas,	estas	devem	dispor	de	 licenciamento	e	do	
acompanhamento	de	um	profissional,	de	modo	que	se	exima	a	contaminação	da	água	
ou	do	solo	remanescente.
Em	obras	de	barragens,	para	além	dos	fatores	supracitados	para	as	obras	de	
infraestrutura,	os	impactos	causados	pela	implantação	desse	tipo	de	empreendimento	
se	estendem	para	a	desproteção	de	margens	de	reservatório,	a	alteração	do	fluxo	natural	
do	leito	do	rio,	a	destruição	de	todo	o	ciclo	natural	e	a	atividade	de	uso	e	ocupação	do	
solo	em	áreas	inundáveis.	
Já	no	caso	de	 lixões	e	aterros	controlados,	 o	passivo	ambiental	direto	é	mais	
agudo.	Isso	porque	essa	modalidade	de	implantação	de	aterro	(a	qual	está	sendo	subs-
tituída	 por	 aterros	 sanitários)	 não	 contempla	 medidas	 de	 mitigação	 do	 contato	 de	
chorume	ou	da	produção	de	gases	ao	meio	ambiente.	Sendo	assim,	todos	os	resídu-
os	e	 rejeitos	produzidos	nessas	atividades	são	dispostos,	 sem	tratamento	prévio,	no	 
meio	ambiente.
136
Figura 21 – Rodovia implantada
Fonte: https://elements.envato.com/pt-br/highway-PK4LCGR. Acesso em: 2 set. 2022.
A	 acessibilidade	 a	 automóveis,	 o	 transporte	 de	 carga	 sendo	 cada	 vez	 mais	
executado	por	 caminhões	 e	 a	mobilidade	promovida	 por	 ônibus	 resultaram	em	uma	
liderança	isolada	dessa	modalidade	de	transporte.	Contudo,	alguns	impactos	ambientais	
devem	ser	relacionados,	de	modo	que	se	possa	viabilizar	a	implantação	desses	tipos	de	
empreendimento	não	só	no	aspecto	econômico,	mas	para	que	se	busque	sempre	um	
equilíbrio	econômico-ambiental.
Os	principais	aspectos	ambientais	de	obras	rodoviárias	devem	ser	relacionados	
para	que	seja	possível	uma	melhor	aferição	dos	impactos.	Esses	aspectos	podem	ser	
divididos	em	etapas,	as	quais	vão	ao	encontro	da	evolução	da	obra,	sendo	elas	(BELLIA;	
BIDONE,1993):	
•	 fase	de	pré-projeto,	projeto	e	estudo	de	viabilidade;
•	 fase	executiva	(da	obra);
•	 fase	pós-obra	e	de	operação.
É	importante	trazer	essa	diferenciação	devido	ao	fato	de	que	cada	fase	possui	
sua	 peculiaridade	 e	 condições	 específicas,	 mas	 todas	 devem	 respeitar	 a	 legislação	
ambiental	vigente,	independentemente	de	ser	municipal,	estadual	ou	nacional.
2 RODOVIAS
A	 infraestrutura	costuma	 idealizar	a	evolução,	o	crescimento	e	a	 importância	
de	diferentes	regiões	quando	dispõem	de	obras	que	tornam	acessíveis	suas	logísticas	
intermunicipais.	 Atualmente,	 no	 Brasil,	 o	 sistema	 de	 transporte	 amplamente	 mais	
utilizado	é	o	rodoviário.	
137
A fase de projeto,	 embora	 não	 gere	 impactos	 diretos,	 é	 extremamente	
importante	para	a	previsão	destes.	Nessa	etapa,	geralmente,	são	desencadeados	todos	
os	estudos	a	respeito	da	geologia,	da	topografia,	do	relevo,	da	precipitação,	da	fração	
de	cobertura	vegetal	ao	longo	do	trecho,	da	litologia	predominante,	da	estabilidade	dos	
taludes	(se	existentes),	do	estado	dos	maciços	de	solo	e	rochosos,	sendo	os	de	solo	em	
casos	 de	 estado	 de	 degradação,	 embasando	 estudos	 de	 suscetibilidade	 a	 processos	
erosivos,	dentre	outros.	Outro	fator	de	extrema	 relevância	e	que	está	 relacionado	ao	
impacto	da	obra	aos	recursos	hídricos	é	a	 identificação	e	o	mapeamento	das	regiões	
onde	é	identificada	a	ocorrência	de	solos	hidromórficos	(BELLIA;	BIDONE,	1993).
Na etapa de execução da obra,	os	principais	aspectos	a	serem	considerados	
dizem	 respeito	 à	 seleção	 do	 local	 para	 a	 implantação	 do	 canteiro	 de	 obras;	 ao	
mapeamento	 de	 todas	 as	 áreas	 que,	 necessariamente,	 deverão	 ser	 desmatadas;	 ao	
mapeamento	das	áreas	que	servirão	de	jazidas	para	o	desenvolvimento	das	atividades	
de	terraplanagem	e	aterros;	à	previsão	dos	dispositivos	de	drenagem	para	garantir	um	
balanço	hídrico	eficiente	ao	 longo	do	trecho;	e	à	gestão	dos	 resíduos	da	obra,	 tanto	
aqueles	provenientes	do	desmatamento	quanto	os	resíduos	de	construção	ou	de	RSU,	
produzidos	pelos	trabalhadores	da	obra	(BELLIA;	BIDONE,	1993).	
Figura 22 – Execução de obra de estrada com preparo da sub-base
Fonte: https://elements.envato.com/pt-br/vibratory-compactor-during-road-and-highway-constr-PMD3TRW. 
Acesso em: 2 set. 2022.
Na	etapa	executiva,	já	é	possível	elencar	alguns	dos	principais	impactos	gerados	
pelas	atividades	acima	listadas,	conforme	exposto	no	quadro	a	seguir.
138
Quadro 2 – Impacto ambiental relacionado a atividades específicas
Fonte: a autora
Atividade Impacto ambiental
Implantação do 
canteiro de obras
•	 Demanda	por	grandes	volumes	de	água	potável	
•	 Geração	de	esgoto	sanitário	
•	 Risco	de	contaminação	pelo	vazamento	de	óleos	e	graxas	dos	
equipamentos	
•	 Produção	de	resíduos	sólidos	perigosos	e	não	perigosos	
•	 Risco	de	proliferação	e	criação	de	vetores
Desmatamento	e	
limpeza	do	trecho	e	
da	área	de	domínio
• Supressão de vegetação 
•	 Supressão	de	florestas	
• Surgimento de sulcos e ravinas 
•	 Aumento	do	risco	de	inundações	devido	ao	assoreamento	e	à	
ineficiência	ou	inexistência	de	sistemas	de	drenagem	
• Afugentamento da fauna 
• Perda de grandes volumes de solo
Execução	da	
terraplanagem 
e de aterros
• Produção de material particulado 
•	 Aumento	do	tráfego	de	veículos	
• Interferência na rotina da população local 
•	 Rearranjo	nas	estruturas	de	solo,	provocado	pelas	escavações	e	pelo	
aumento de risco de rompimento de encostas ou taludes 
•	 Elevado	consumo	de	água
Implantação dos 
dispositivos de 
drenagem
• Instabilidade no leito da estrada 
•	 	mal	executada,	pode	promover	o	acúmulo	de	água	na	pista,	
aumentando o risco de acidentes
•	 Risco	de	erosão,	quando	a	dispersão	do	escoamento	não	se	dá	em	
locais	adequados
Já	 durante	 a	 fase	 de	 operação,	 os	 principais	 impactos	 que	 podem	 ser	
mensurados	estão	relacionados	à	poluição	da	água	e	do	ar,	ao	aumento	considerável	
dos	níveis	de	ruído,	ao	aumento	considerável	nos	níveis	de	vibrações,	aos	problemas	
relacionados	à	segurança	da	comunidade,	dentre	outros	(BELLIA;	BIDONE,	1993).
A	 poluição	 da	 água,	 geralmente,	 dá-se	 pelo	 contato	 com	 óleos,	 efluentes,	
graxas	e	combustíveis	ou	quando	são	registrados	acidentes	com	cargas	de	materiais	
potencialmente	poluentes,	contato	com	borrachas	de	pneus,	resíduos	sólidos	etc.	Já	a	
poluição	do	ar	se	dá	em	maior	volume	pela	produção	de	poeira,	porém	fatores	como	a	
emissão	de	monóxido	de	carbono,	dióxido	de	enxofre	e	hidrocarbonetos	também	são	
relevantes	se	lançados	em	altas	concentrações.
O	 aumento	 no	 nível	 dos	 ruídos	 da	 via	 pode	 provocar	 um	 desconforto	 à	
comunidade	situada	próxima	e	problemas	relacionados	à	perda	de	audição,	quando	em	
nível	 de	 tráfego	constante	e	descontrolados	pelos	veículos.	Para	fins	de	vibrações	e	
da	alteração	da	rotina	da	comunidade	próxima	à	via	em	questão,	impactos	sociais	são	
gerados,	relacionados	ao	conforto	dos	usuários,	que,	quando	extremamente	precário,	
pode	aumentar	o	risco	de	acidentes.
139
As	 elaborações	 de	 instrumentos	 capazes	 de	 promover	 a	 minimização	 dos	
impactos	ambientais	gerados	a	partir	das	obras	rodoviárias	são	de	inteira	responsabilidade	
de	 profissionais	 da	 Engenharia	 Ambiental.	 Por	 isso,	 é	 importante	 reconhecer	 tais	
instrumentos,	de	modo	que	estes	possam	ser	desenvolvidos,	sempre	que	oportuno.	
O programade gestão e supervisão ambiental é uma ferramenta desenvolvida 
com o intuito de garantir o cumprimento de todas as ações de mitigação de impactos 
previstas	no	plano	básico	ambiental	da	obra,	dentro	do	período	planejado.	Já	o	plano	
ambiental	da	construção	permite	que	sejam	estabelecidos	procedimentos	ambientais	a	
serem	adotados	por	todas	as	empresas	envolvidas	durante	a	execução	da	obra,	com	o	
intuito	de	engajá-las	a	ponto	de	minimizar,	sempre	que	possível,	os	impactos	ambientais	
das	atividades.
O	 desenvolvimento	 de	 programas	 de	 sinalização	 do	 trecho	 e	 de	 acessos	
garante	que	a	estrada	mantenha	a	sinalização	adequada	até	o	encerramento	da	obra,	
mitigando	ocorrências	relacionadas	a	acidentes	de	trânsito.	Por	sua	vez,	os	programas	
de	gerenciamento	de	resíduos	sólidos	e	efluentes	elencam	os	principais	procedimentos	
a	serem	seguidos	durante	a	obra,	de	modo	que	ocorra	a	destinação	correta	de	todos	os	
resíduos	e	efluentes	produzidos.
Temos,	ainda,	os	programas	de	controle	de	emissão	ruídos,	gases	e	materiais	
particulados,	 que	 também	 são	 ferramentas	 importantes	 de	 serem	 elaboradas	 no	
decorrer	 da	 obra.	 Isso	 porque,	 além	 de	 garantir	 o	 bom	 desempenho	 e	 proporcionar	
melhores	condições	de	trabalho	aos	trabalhadores,	também	isenta	a	população	vizinha	
de	prejuízos	relacionados	a	esses	fatores.
O	monitoramento	de	processos	erosivos,	da	qualidade	da	água,	da	proteção	dos	
recursos	hídricos,	a	contenção	de	encostas	e	taludes,	bem	como	o	desenvolvimento	de	
programas	de	gerenciamento	de	riscos,	podem	ser	alternativas	para	garantir	e	prevenir	
maiores impactos ou acidentes relacionados ao desenvolvimento das atividades e suas 
influências	nos	fatores	supracitados	(CAPUTO,	2000).
A	promoção	de	ações	que	garantam	um	bom	desempenho	do	transporte	de	
produtos	 perigosos	 pode	 inibir	 grandes	 impactos	 ambientais	 gerados	 por	 possíveis	
acidentes	decorridos	dessa	modalidade	de	transporte.	Por	 isso,	as	ações	mitigadoras	
são	indispensáveis,	e	a	educação	ambiental	dos	condutores	também.
Ações	relacionadas	ao	manejo	e	à	remediação	de	áreas	degradadas,	recuperação	
de	passivos	ocasionados	na	atual	estrada	e	acompanhamento	da	recomposição	florestal	
devem	 ser	 previstas	 para	 fins	 de	 amenizar	 os	 impactos	 gerados.	Além	das	 espécies	
vegetais,	a	garantia	do	desenvolvimento	de	ações	que	promovam	o	controle	da	fauna	e	
o	monitoramento	de	bioindicadores,	bem	como	a	redução	de	atropelamentos	da	fauna,	
é	indispensável	para	a	garantia	de	habitat	de	muitas	espécies.
140
Por	fim,	o	desenvolvimento	de	planos	que	possam	prever	atividades	e	ações	
que	promovam	a	melhoria	social	da	área	impactada	é	de	grande	relevância,	visto	que	
promover	 aprendizados	 sobre	 temas	 relevantes,	 a	 exemplo	 da	 educação	 ambiental,	
pode	fazer	com	que	essas	comunidades	auxiliem	na	mitigação	dos	impactos	gerados	
pelas	obras.
Em	 resumo,	 as	 obras	 rodoviárias	 proporcionam	 uma	 gama	 de	 oportunidades	
de	 atuação	 do	 profissional	 da	 Engenharia.	 No	 que	 tange	 ao	 desenvolvimento	 do	
mapeamento	 de	 impactos	 ambientais	 e	 à	 elaboração	 de	 planos	 de	 controle	 para	 a	
mitigação	desses	 impactos,	é	 imprescindível	 a	vivência	de	campo	para	poder	prever	
todos	os	fatores	 influenciados	direta	ou	 indiretamente	por	essas	obras.	Do	ponto	de	
vista	geotécnico,	a	exploração	da	matéria-prima	para	a	implantação	das	camadas	de	
pavimentos,	por	exemplo,	pode	se	dar	de	maneira	racional	e	bem	projetada,	de	modo	
que	possa	prever	extração	de	volumes	necessariamente	utilizáveis	na	obra,	evitando	a	
extração	em	excesso	e,	consequentemente,	a	geração	de	resíduos.
Outro	ponto	importante	é	que,	em	alguns	casos,	quando	a	matéria-prima	natural	
não	 possui	 propriedades	 de	 resistência	 que	 atendam	 às	 normativas	 e	 especificações	
de	 projeto,	 comumente	 são	 utilizados	materiais	 de	 reforço	 de	 solo.	 Deve-se	 atentar	
sempre	para	a	composição	desse	tipo	de	material,	de	modo	que	ele	possa	ser	inerte,	
não	oferecendo	riscos	de	contaminação.
Com o intuito de minimizar os impactos do descarte inadequado de 
resíduos da construção, uma alternativa geotécnica e ambientalmente 
adequada vem sendo aplicada no setor de pavimentação com a 
utilização de resíduos de construção e demolição em camadas de 
pavimento. Um exemplo pode ser consultado com a leitura do artigo 
a seguir, disponível em: https://www.ppg.revistas.uema.br/index.php/
PESQUISA_EM_FOCO/article/view/247. Acesso em: 19 set. 2022.
INTERESSANTE
De	maneira	geral,	a	partir	disso,	é	possível	prever	todas	as	ações	que	devem	ser	
observadas	e	desencadeadas	para	garantir	 a	execução	sustentável	de	empreendimentos	
de	obras	rodoviárias.	Só	com	esse	acompanhamento	é	possível	assegurar	o	sucesso	
da	 gestão	 ambiental	 do	 empreendimento	 e	 isentar	 riscos	 ambientais	 que	 possam	
comprometer	todo	o	cronograma	da	obra.
https://www.ppg.revistas.uema.br/index.php/PESQUISA_EM_FOCO/article/view/247
https://www.ppg.revistas.uema.br/index.php/PESQUISA_EM_FOCO/article/view/247
141
3 BARRAGENS 
Obras	de	barragens	são	grandes	pautas	relacionadas	à	Geotecnia	Ambiental	por	
disporem	de	diversos	elementos	durante	a	sua	construção,	que	envolvem	a	exploração	
de	 recursos	 do	 meio	 ambiente	 a	 partir	 de	 impactos	 de	 grandes	 magnitudes.	 Não	
obstante,	após	a	sua	implantação,	os	riscos	ambientais	não	se	minimizam.	
Sem	que	haja	o	devido	controle,	espécies	da	fauna	aquática,	processos	erosivos	
nas	margens,	problemas	relacionados	a	possíveis	 rompimentos	na	estrutura	e,	conse-
quentemente,	 impactos	físicos,	químicos	e	biológicos	imensuráveis,	podem	ser	desen-
cadeados.	Além	disso,	os	reservatórios	promovem	desafios	do	ponto	de	vista	biológico,	 
para	manter	a	respiração	aeróbia	das	espécies	que	ali	habitam	(BOSCOV,	2008).	
Figura 23 – Processo de erosão desencadeado às margens do reservatório da barragem
Fonte: https://elements.envato.com/pt-br/kurobe-dam-and-rainbow-UXC5ZVB. Acesso em: 2 set. 2022.
Diante	do	exposto,	 faz-se	necessário	desenvolver	um	planejamento	 junto	ao	
projeto,	o	qual	contemple	as	etapas	executivas	e	de	operação,	para	fins	de	controlar	
e	 poder	 mensurar	 todos	 os	 impactos	 ambientais	 gerados	 por	 obras	 de	 barragens.	
Somente	assim	é	possível	prever	medidas	mitigatórias	a	altura	de	todos	os	 impactos	
gerados	pelo	empreendimento.
Para	 a	 compreensão	 da	 gama	 de	 impactos	 envolvidos	 em	 barragens,	
inicialmente,	 cabe	 salientar	 que	 esse	 tipo	 de	 empreendimento	 pode	 ser	 implantado	
para	fins	de	geração	de	energia	elétrica,	irrigação,	navegação,	piscicultura,	tratamento	
de	efluentes,	 contenção	de	 rejeitos,	 abastecimento	de	água,	 controle	de	enchentes,	
regularização	de	vazões	etc.	(BOSCOV,	2008).
142
Para	 a	 regulamentação	 da	 avaliação	 de	 impacto	 ambiental	 em	 barragens,	
uma	importante	ferramenta	é	utilizada	é	o	Estudo	de	Impacto	Ambiental/Relatório	de	
Impacto	Ambiental	(EIA/Rima),	que	deve	ser	elaborado	para	esse	tipo	de	atividade	antes	
mesmo	de	sua	implantação.	Nele,	devem	estar	contidas	todas	as	matrizes	de	aspectos	
e	impactos	gerados	pelo	empreendimento,	bem	como	alternativas	de	minimização	de	
impactos	ou	remediação,	em	casos	de	contaminação.
Figura 24 – Reservatório com taludes expostos
Fonte: https://elements.envato.com/pt-br/hoover-dam-XKPMQY7. Acesso em: 2 set. 2022.
De	 todo	 modo,	 é	 importante	 elencar	 os	 principais	 impactos	 gerados	 pelo	
empreendimento,	de	forma	que	estes	sirvam	de	subsídio	para	a	elaboração	de	futuros	
estudos	de	impactos.	De	maneira	geral,	os	impactos	ambientais	são	divididos	conforme	
o	meio	impactado,	sendo	físico,	biótico	e	antrópico.	Conforme	Boscov	(2008),	a	seguir,	
estão elencados os principais de cada um desses meios:
• meio físico:	 possibilidade	 de	 alterações	 climáticas,	 alterações	 no	 uso	 do	 solo,	
promoção	de	sismos,	instabilidade	de	taludes,	alterações	no	paisagismo,	degradação	
dos	 solos	 para	 a	 implantação	 do	 empreendimento,	 desaparecimento	 de	 área	 de	
terra	 (após	 a	 inundação),	 inundação	 de	 jazidascom	 potencial	mineral,	 alterações	
na	 capacidade	 de	 uso	 e	 ocupação	 do	 solo,	 proliferação	 de	macrófitas	 aquáticas,	
eutrofização,	contaminação	das	águas	e	transformação	no	regime	hídrico;
• meio biótico:	desaparecimento	de	áreas	florestais,	redução	da	fauna,	mortandade	
de	 peixes	 a	 jusante	 do	 barramento,	 prejuízos	 a	 espécies	 aquáticas,	 alterações	 na	
composição	 da	 ictiofauna,	 deslocamento	 dos	 animais	 durante	 o	 enchimento	 do	
reservatório,	 impedimentos	 à	 navegação,	 pesca	 e	 demais	 atividades	 de	 lazer,	
decomposição	da	biomassa	submergida	etc.;
• meio antrópico:	desorganização	de	atividades	agrícolas	e	pesqueiras,	transferência	
de	 populações	 ribeirinhas,	 desarticulação	 de	 elementos	 culturais,	 desagregação	 
social,	inundação	de	áreas	urbanas,	interrupção	do	sistema	viário	(hidrovias,	ferrovias,	
143
rodovias	 etc.),	 segmentação	 do	 sistema	 de	 telecomunicação,	 aumento	 da	 taxa	 de	
desemprego	da	população	rural,	perda	de	áreas	agricultáveis	(e	consequente	redução	
na	 produção	 de	 alimentos),	 desaparecimento	 de	 sítios	 arqueológicos	 ou	 de	 valor	
cultural	 histórico,	 desorganização	 das	 atividades	 industriais,	 problemas	 de	 saúde	
pública	 devido	 à	 criação	 de	 remansos	 nos	 reservatórios	 e	 proliferação	 de	vetores	
transmissores	de	doenças	endêmicas.
Os	 impactos	 pontuados	 anteriormente	 se	 referem	 a	 impactos	 negativos,	 de	
modo	 que	 fazem	 com	 que	 o	 profissional	 consiga	 propor	 soluções	 para	 mitigá-los.	
Tais	soluções,	assim	como	outras	atividades,	também	trazem	uma	série	de	 impactos	
ambientais,	principalmente	do	ponto	de	vista	social.	Contudo,	deve-se	sempre	analisar	a	
compensação	nos	danos	ambientais	causados,	pois	estes	são	irreversíveis.	Além	disso,	
as falhas apresentadas por essas estruturas podem ocasionar impactos de grandes 
magnitudes.	
Caputo	(2000)	lista	algumas	das	principais	falhas	(que	geram	impactos)	e	suas	
principais	causas,	para	um	melhor	entendimento:
• problemas de fundação:	 alteração	 ou	 remoção	 das	 matérias	 sólidas,	 erosão	 e	
extração	de	maciços	rochosos;
• defeitos em vertedouros:	 obstruções,	 comportas	 com	 defeito,	 sobrecarga	 na	
capacidade e revestimentos fraturados;
• problemas nas margens dos reservatórios:	material	permeável,	 instabilidade	e	
fragilidades relacionadas a barreiras naturais;
• defeitos nos barramentos (de solo):	instabilidade,	vazamentos	excessivos,	falhas	
no rip-rap e erosões nos taludes;
• instabilidade da fundação:	deslizamentos,	recalques,	afundamento,	deslocamento	
de	falhas	e	saturação.
Todos	 esses	 fatores	 elencados	 podem	 levar	 à	 ruptura	 do	 sistema	 e	 causar	
desastres	e	impactos	incalculáveis.	Ressalta-se	que,	para	estruturas	executadas	com	
diferentes	 materiais,	 alguns	 dos	 problemas	 citados	 podem	 não	 se	 tornar	 realidade,	
entretanto,	outras	fontes	podem	ocasionar	processos	de	instabilidade.	
Realizando	uma	breve	análise	mais	específica	acerca	dos	impactos	ambientais	
gerados	 por	 barragens	 de	 rejeitos,	 mais	 especificamente	 pelo	 rompimento	 dessas	
estruturas,	 podemos	 elencar	 alguns	 riscos	 de	 elevado	 potencial	 nas	 três	 esferas	
apresentadas.	Além	deles,	destaca-se	o	risco	de	perdas	de	vidas	humanas.
144
Figura 25 – Lago de barragem de rejeito
Fonte: https://elements.envato.com/pt-br/marmora-mine-HG5DHUM. Acesso em: 2 set. 2022.
Sabe-se	que	os	reservatórios	de	barragens,	independentemente	de	sua	finali-
dade,	são	depósitos	de	incontáveis	sedimentos.	Recorrentemente,	alguns	parâmetros	
medidos	e	 identificados	nesses	empreendimentos	são:	pH,	teor	de	matéria	orgânica,	
sódio,	biomassa	microbiana	e	amina.	Além	deles,	a	depender	do	tipo	de	atividade	re-
presentada	pela	construção	do	barramento,	deve-se	identificar,	a	partir	de	análises	de	
qualidade	da	água,	o	principal	fator	poluente	que	é	o	causador	do	impacto.
Quando	se	trata	de	contaminação	química,	uma	das	alternativas	mais	utilizadas	
para	promover	a	remediação	diz	respeito	às	espécies	nativas	previamente	cultivadas,	
de	modo	que	possam	consumir	os	nutrientes	identificados	em	excesso,	tanto	na	água	
quanto	 nos	 sedimentos,	 em	 casos	 em	 que	 se	 identificam	 processos	 avançados	 de	
assoreamento	dos	reservatórios.
Após	a	implantação	do	barramento,	outros	fatores	estão	relacionados	às	técnicas	
de	 recuperação	de	seu	entorno.	Desse	modo,	medidas	como	 impedir	o	carreamento	
de	partículas	do	solo	para	o	 reservatório,	conservar	a	genética	das	espécies	nativas,	
reformular	 a	 paisagem,	 controlar	 e	 erradicar	 endemias,	 fazem	 parte	 de	 ações	 que	
promovem	a	recuperação	ambiental	do	meio.	Buscar	compreender	todos	os	impactos	
gerados	pelas	atividades	de	barragens	é	uma	grande	alternativa	para	que	seja	possível	
antecipar	propostas	de	remediação	e	recuperação.	
Contudo,	 outro	 fator	 importante	 que	 promove	 pequenas	 tomadas	 de	 atitudes	
corretivas	ao	 longo	do	período	de	 implantação	e	pós-implantação	desses	empreendi-
mentos	diz	respeito	às	medidas	mitigadoras.	Algumas	delas	são	citadas	a	seguir:
•	 implantação	de	obras	de	saneamento	básico;
•	 implementação	de	planos	de	resíduos;
• replantio de vegetação e espécies;
• criação de reservas ecológicas;
•	 regularizações	de	taludes	corriqueiras;
•	 indenizações;
145
• implantação de novas comunidades ou cidades;
• compensação da população a partir da geração de novos empregos e fontes de renda;
•	 elaboração	de	programas	técnicos	que	promovem	a	limpeza	da	área	a	ser	inundada;
• implantação de estações de monitoramento climatológica e sismológica;
• elaboração de planos de contingência;
•	 relocação	de	estradas,	rodovias	e	demais	infraestruturas;
•	 realização	de	estudos	e	exploração	de	áreas	de	empréstimos	(jazidas,	areais	e	pedreira)	
antes	do	enchimento	do	reservatório.
Todas as ações apresentadas devem ser pensadas anteriormente ao enchimento 
dos	reservatórios,	de	modo	que	se	possa	antever	 inúmeros	impactos	e	 impedir	que	eles	
ocorram	de	maneira	não	planejada.
Diante	do	exposto,	o	que	se	deve	observar	é	que,	devido	à	grande	aplicação	
de	obras	de	barragens,	deve-se	seguir	com	avaliações	de	impacto,	inicialmente.	Esse	
primeiro	movimento	será	capaz	de	proporcionar	ao	profissional	da	área	de	Engenharia	a	
capacidade	de	reconhecer	a	realidade	da	obra	e	as	demandas	locais	impostas	por	elas.	
Cabe	 ressaltar	 que	 os	 impactos	 ambientais	 são	 dependentes	 da	 região	 de	
implantação	das	obras	de	barragens,	do	tipo	de	vegetação	incidente,	da	topografia	do	
local	de	implantação	e	das	características	sociais	do	meio.	Desse	modo,	é	possível	afirmar	
que	as	obras	de	barragens	possuem	um	grande	escopo	no	que	tange	à	promoção	de	
alternativas	eficientes,	capazes	de	fazer	com	que	o	desenvolvimento	da	obra	se	dê	de	
maneira	sustentável.
Do	 ponto	 de	 vista	 geotécnico,	 as	 maiores	 preocupações	 circundam	 em	 falhas	
relacionadas	às	estruturas	de	barramento,	vertedouros,	tomadas	d´água	ou	margens	dos	
reservatórios,	 as	 quais	 podem	 ocasionar	 grandes	 processos	 erosivos	 e	 assoreamento	
dos	 reservatórios.	 Assim,	 é	 importante	 destacar	 a	 responsabilidade	 do	 profissional	 de	
Engenharia	 ao	 acompanhar	 todas	 essas	 atividades.	 De	 todo	modo,	 é	 possível	 explorar	
tanto	 os	 estudos	de	 impacto	 ambiental	 quanto	 o	 acompanhamento	do	monitoramento	 
geotécnico	desses	sistemas,	que	é	imprescindível	para	a	extensão	de	sua	vida	útil.
4 LIXÕES E ATERROS CONTROLADOS
Historicamente,	a	disposição	de	resíduos	sólidos	urbanos	detinha	como	destino	
final	os	lixões	ou	aterros	controlados.	
Conceitualmente,	 os	 lixões	 são	 empreendimentos	 localizados	 em	 áreas	
selecionadas,	onde	os	terrenos	recebem	todo	o	volume	de	resíduos	gerados,	sem	que	
ocorra	a	 impermeabilização	do	solo,	ocasionando	o	contato	e	a	 infiltração	do	chorume	
gerado	 no	 próprio	 solo.	 Outro	 ponto	 a	 se	 destacar	 é	 a	 inexistência	 de	 sistemas	 de	
tratamento	e	drenagem	de	gás	e	a	exposição	do	lixo,	visto	que	eles	são	dispostos	a	céu	
aberto,	promovendo	uma	série	de	problemas	sanitários.146
Os aterros controlados,	 por	outro	 lado,	 consistem	em	uma	primeira	evolução	
observada	 após	 os	 lixões.	 O	 principal	motivo	 é	 que,	 a	 partir	 do	 desenvolvimento	 desse	
tipo	de	empreendimento,	passou-se	a	compactar	os	resíduos	ali	dispostos	em	forma	de	
células,	como	em	aterros	sanitários.	Essas	ações	e	a	utilização	de	solo	para	promover	
o	 recobrimento	 dos	 resíduos	 inibiram	 uma	 série	 de	 impactos	 sanitários,	 como	 a	
proliferação	de	vetores,	reduzindo	a	produção	de	chorume,	visto	que	o	solo	compactado	
faz	com	que	a	superfície	se	torne	menos	permeável.	
Figura 26 – Lixão a céu aberto
Fonte: https://elements.envato.com/pt-br/landfill-with-burning-trash-piles-8RJXUXB. Acesso em: 2 set. 2022.
No	entanto,	a	segurança	ambiental	dos	aterros	controlados	se	limita	à	camada	
de	recobrimento	e	compactação.	Esse	tipo	de	sistema	de	disposição	final	de	resíduos	
também	não	prevê	a	impermeabilização	do	solo,	tampouco	o	tratamento	do	chorume	e	
dos	gases	gerados	pelos	resíduos.	
Embora	sejam	ambientalmente	muito	agressivos,	existem	métodos	capazes	de	
promover	a	remediação	de	lixões.	O	primeiro	deles	é	o	método presuntivo.	Ele	propõe	
o	 confinamento	 dos	 resíduos	 após	 a	 etapa	 de	 escavação	 e	 remoção	 ou	 tratamento	
das	áreas	identificadas	como	mais	contaminadas.	Além	disso,	também	são	propostas	
medidas	de	 remediação	da	água	e	do	 solo	 contaminado,	 a	partir	 de	um	diagnóstico	
ambiental,	 que	 deve	 ser	 realizado	 com	 ensaios	 de	 campo,	 sondagens,	 ensaios	 de	
laboratório	geotécnicos	e	químicos,	além	da	abertura	de	poços	de	inspeção.
Geralmente,	após	a	etapa	de	diagnóstico,	os	 lixões	são	classificados	em	três	
categorias: 
• categoria A: risco alto a médio de contaminação;
• categoria B:	risco	médio	a	baixo;
• categoria C:	risco	baixo	a	nulo.
147
Quando	o	diagnóstico	aponta	para	a	contaminação	de	categoria A,	 dispõe-
se	de	três	alternativas	de	remediação,	sendo	a	primeira	à	base	do	confinamento	dos	
resíduos,	 utilizando	materiais	 de	 recobrimento	finos	 e	 pouco	permeáveis;	 a	 segunda	
utiliza	coberturas	dos	lixões	à	base	de	geossintéticos,	buscando	a	impermeabilização;	
e,	 por	 fim,	 a	 retirada	 dos	 resíduos	 da	 área	 onde	 anteriormente	 estavam	dispostos	 e	
compunham	o	lixão.	
Em	 locais	 onde	 se	 observa	 que	 a	 contaminação	 está	 em	 estágio	 avançado,	
imediatamente	são	paralisadas	as	atividades,	 sendo	que	a	área	deve	ser	 isolada	e	o	
processo	de	remediação	deve	ocorrer	o	mais	breve	possível.
No caso de contaminação de categoria B,	não	se	faz	necessário	aprofundar	
as	 investigações	 acerca	 do	mapeamento	 da	 contaminação.	 Contudo,	 o	 processo	 de	
remediação	é	executado,	 com	base	nas	características	 locais	e	 levantadas	na	etapa	
do	diagnóstico.	Geralmente,	esses	casos	se	encaixam	onde	lixões	são	implantados	em	
regiões	de	afloramentos	rochosos.
Por	 fim,	 se	 enquadrado	na	categoria C,	 o	 lixão	 apenas	 demanda	de	 alguns	
trabalhos	que	promovem	a	melhoria	de	sua	estrutura,	como	a	implantação	das	redes	
de	drenagem,	a	compactação	do	solo,	a	promoção	da	circulação	do	chorume	no	interior	
da	célula,	a	execução	da	camada	de	cobertura	em	geossintético	ou	vegetação	e	afins.	
Em	 termos	 gerais,	 nessas	 circunstâncias,	 os	 lixões	 estão	 aptos	 a	 sofrer	
intervenções	que	os	transformam	em	futuros	aterros	sanitários.
A	remediação	se	conceitua	como	sendo	um	conjunto	de	ações	e	técnicas	que	
serão	aplicadas	ou	desenvolvidas	com	o	objetivo	de	remover	ou	conter	a	disseminação	
de	contaminantes	em	áreas	que	ficarão	degradas	após	recebê-los,	de	modo	que	se	possa	
promover	a	reabilitação	de	tais	áreas.	Atualmente,	a	tecnologia	auxilia	os	processos	de	
remediação,	a	fim	de	proporcionar	um	melhor	tratamento	ao	compartimento	degradado	
(ar,	solo	ou	água).	
4.1 TIPOS DE REMEDIAÇÃO
No	que	tange	à	complexidade	executiva,	os	três	tipos	de	 remediação	podem	
ser	elencados	na	seguinte	ordem:	confinamento	dos	resíduos,	conversão	de	lixões	ou	
aterros	controlados	em	aterros	sanitários	e	remoção	dos	resíduos	do	local	contaminado.
O confinamento de resíduos	é	uma	técnica	de	remediação	que	vem	sendo	
aplicada	após	a	consolidação	da	PNRS,	especialmente	em	lixões,	ou,	em	alguns	casos,	
com	 alto	 teor	 de	 contaminação	 ambiental,	 em	 aterros	 controlados.	 Os	 principais	
objetivos	desse	confinamento	são:	
148
• reter a percolação do chorume;
•	 minimizar	processos	erosivos	e	emissão	de	gases;
• diminuir a incidência de vetores e odores;
•	 evitar	a	exposição	de	resíduos,	principalmente	para	privar	o	contato	com	animais	ou	
seres	humanos.	
Os	principais	meios	de	confinamento	se	dão	por	meio	da	aplicação	de	determinada	
cobertura	ou	melhoria	da	existente,	execução	de	uma	cobertura	de	barreira	única	ou	
execução	de	barreiras	duplas,	também	conhecidas	como	“barreiras	hidráulicas”.	Além	
disso,	também	é	possível	identificar	projetos	com	propostas	de	execução	de	coberturas	
com	evapotranspiração,	no	caso	do	incremento	de	espécies	florestais	ou	vegetais.
Figura 27 – Confinamento de lixões antigos
Fonte: Bonaparte et al. (2004, p. 20)
Para compreender melhor a regulamentação que instituiu o 
processo de transição de lixões e aterros controlados para 
aterros sanitários, é importante tomar conhecimento da Lei n. 
12.305, de 2 de agosto de 2010, que instituiu a Política Nacional dos 
Resíduos Sólidos. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_
ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em: 19 set. 2022.
IMPORTANTE
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm
149
A cobertura de barreira única	 é	executada	com	a	disposição	de	camadas	
de	 solo	 argiloso,	 com	o	 objetivo	 único	 do	 recobrimento	 e	 sem	compactação,	 com	a	
alternativa	do	plantio	de	vegetação	e	a	execução	de	canais	de	drenagem	superficial.	
Esse	tipo	de	aplicação	se	dá	quando	não	se	tem	a	pretensão	de	utilização	das	águas	
subterrâneas	para	consumo	humano	ou	quando	a	pluma	de	contaminação	é	pequena	e	
não	se	tem	maiores	preocupações	com	a	infiltração	do	chorume.
Já	a	cobertura de barreira dupla	tem	como	principal	objetivo	reduzir	a	taxa	de	
infiltração	de	água	pluvial	no	aterro,	buscando	 reduzir	o	volume	de	chorume	produzido.	
Geralmente,	esse	tipo	de	cobertura	é	executado	com	geomantas	ou	geomembranas	
sobre	 uma	 camada	 de	 argila	 compactada.	 Nesse	 caso,	 deve-se,	 obrigatoriamente,	
executar	um	sistema	de	drenagem	eficiente	e	a	implantação	de	vegetação	de	cobertura.	
No caso da cobertura com evapotranspiração,	 trata-se	 de	 uma	 técnica	
desenvolvida	 com	 o	 objetivo	 de	 que	 a	 camada	 de	 solo	 venha	 a	 armazenar	 a	 água	
precipitada,	para	que,	posteriormente,	possa	evaporar.	Esse	tipo	de	solução	é	aplicado	
em	 áreas	 onde	 o	 material	 de	 cobertura	 disponível	 possui	 grãos	 finos,	 com	 elevada	
capacidade	de	absorção	de	água.
As barreiras de contenção,	geralmente,	são	executadas	a	partir	da	implanta-
ção,	na	área	do	sentido	do	fluxo	migratório	dos	contaminantes,	dos	canais	de	drenagem	
capazes	de	direcionar	a	pluma	de	contaminante	a	dispositivos	onde	se	dispõe	de	um	
sistema	de	bombeamento	do	chorume,	de	modo	que	se	possa	removê-lo	do	subsolo.
Especificamente	para	o	controle	da	qualidade	de	águas	subterrâneas,	podem	ser	
destacadas	algumas	tecnologias	de	remediação,	como	a	implantação	de	poços	de	extração	
ou	paredes	de	 tratamento,	 a	 implantação	de	estações	de	 tratamento	 fora	da	 região	de	
disposição	dos	resíduos,	os	tratamentos	físicos,	químicos	ou	biológicos	in situ,	bem	como	
as	trincheiras	de	contenção	impermeabilizadas,	os	tratamentos	degradantes	etc.
Sempre	que	o	lixão	ou	o	aterro	controlado	estiver	em	atendimento	aos	requisitos	
das	normativas	NBR	13896/1997	 (critérios	para	aterros	de	 resíduos	não	perigosos),	NBR	
8419/1992	(projetos	de	aterros	sanitários)	e	NBR	15849/2010	(aterros	de	pequeno	porte),	 
tal	região	pode	ser	submetida	ao	início	do	processo	de	implantação do aterro.
Muitos	 municípios	 buscaram	 essa	 alternativa,	 vistoque	 não	 dispunham	 de	
outras	áreas	licenciáveis	para	a	implantação	de	novos	aterros	ou	na	área	em	questão	
não	havia	registros	de	problemas	relacionados	ao	licenciamento	ou	à	legislação,	antes	
da	vigência	do	PNRS.	Desse	modo,	é	desencadeada	a	impermeabilização	da	superfície	
da	célula,	a	construção	dos	sistemas	de	drenagem	e	de	tratamento	do	chorume	e	gás,	
além	do	envio	do	pedido	de	licenciamento.
Outro	 fator	 relevante	 é	 que,	 dentre	 a	 composição	 gravimétrica	 dos	 resíduos	
gerados	no	Brasil,	a	fração	orgânica	se	mostra	considerável.	Por	isso,	torna-se	mais	fácil	 
a	proposta	de	tratamento	desses	resíduos,	antes	não	tratados.	
150
Como	 alternativas	 de	 tratamento	 dessa	 fração	 de	 resíduos,	 para	 posterior	
disposição	 na	 nova	 célula	 com	 volume	 reduzido,	 já	 foram	 anteriormente	 citadas	 as	
principais	técnicas	que	consistem	nos	tratamentos	biológicos	(tratamento	anaeróbio-
biodigestores	e	aeróbio-reatores).	Além	disso,	outro	simples	tipo	de	tratamento	se	trata	
da	compostagem.	
É	 importante	 ressaltar	 que	 esse	 tipo	 de	 alternativa	 de	 remediação	 só	 pode	
ser	 idealizado	a	partir	da	elaboração	do	projeto	do	aterro	e	do	seu	compartilhamento	
com	o	órgão	ambiental	estadual.	Após	análises	e	revisões	do	projeto	até	o	ato	de	sua	
aprovação,	é	possível	desencadear	o	processo	construtivo	dessa	solução.
Em	 casos	 em	 que	 não	 há	 possibilidade	 de	 remediação	 de	 áreas	 onde	
antigamente	 estavam	em	operação	 antigos	 lixões	 e	 aterros	 sanitários	 (por	 questões	
ambientais,	 sanitárias	 ou	 antrópicas),	 recorre-se	 para	 a	 alternativa	 de	 retirar os 
resíduos,	mecanicamente,	desses	locais.
As	duas	técnicas	de	 retirada	mais	utilizadas	podem	ser	a	 remoção	direta	por	um	
aterro	sanitário	previamente	preparado	e	selecionado	para	 receber	o	volume	estimado	 
de	resíduos	ou	a	denominada	“remoção	por	mineração”	(fracionando	os	resíduos).
No	 caso	 da	 remoção	 dos	 resíduos,	 seleciona-se	 um	 aterro	 com	 capacidade	
superior	para	a	disposição	dos	resíduos	que	serão	removidos,	para	que,	posteriormente,	
possa	se	desencadear	a	escavação	do	material	do	lixão,	transporte	deste	até	o	aterro	de	
origem	e	sua	disposição	final.	
Figura 28 – Remoção para transporte de resíduos
Fonte: http://twixar.me/9FMm. Acesso em: 2 set. 2022.
151
A	área	do	antigo	lixão,	caracterizada	como	área	degradada,	deve	ser	avaliada,	
e	 todos	 os	 problemas	 ambientais	 devem	 ser	 relacionados,	 de	 modo	 que	 propicie	 o	
desenvolvimento	de	um	plano	de	recuperação	de	área	degradada.	Posteriormente,	esse	
plano	é	avaliado	pelas	autoridades	competentes	e,	na	maior	brevidade	possível,	inicia-
se	a	execução	do	plano.
Essa	alternativa	de	remoção	apenas	é	considerada	viável	quando	o	 lixão	que	
será	 descaracterizado	não	possui	 grandes	volumes	de	 resíduos	 dispostos,	visto	 que	
se	torna	um	processo	oneroso,	não	só	pela	remoção,	mas,	também,	pelo	processo	de	
recuperação	do	local	e	pela	sua	inutilização	após	o	processo.
Já	 a	 remoção	por	mineração	ocorre	 a	partir	 da	 segregação	do	material	 com	
a	subdivisão	dos	diferentes	tipos	de	resíduos	encontrados	e	do	solo.	O	procedimento	
é	 simples:	 escava-se	 o	material,	 transporta-o	 e	 se	 inicia	 o	 processo	 de	 segregação.	
Geralmente,	as	frações	ferrosas	são	removidas	por	eletroímãs.	O	restante	é	enviado	para	
classificadores	de	densidade,	de	modo	que	se	possa	separar	a	fração	de	resíduos	mais	
pesados	e	grosseiros.
A	partir	daí,	tem-se	três	classes	de	resíduos,	as	quais	se	distinguem	entre	si	pela	
espessura	das	partículas.	Desse	modo,	é	facilitada	a	identificação	da	fração	reciclável	e	
não	reciclável.	Todos	os	resíduos	que	podem	ser	reutilizados	também	são	segregados.	
4.2 REALIDADE DO BRASIL E DO MUNDO
Em	um	cenário	ideal,	deveríamos	finalizar	declarando	que,	hoje,	no	Brasil,	pelo	
menos	um	desses	tipos	de	alternativa	de	remediação	de	áreas	de	lixões,	principalmente,	
é	recorrentemente	aplicado.	A	atual	realidade	no	tratamento	de	resíduos	é	que	algumas	
regiões,	 as	quais	 são	economicamente	mais	pobres,	 acabam	vivendo	a	 realidade	de	
lixões.	Sem	que	haja	um	comprometimento	do	Poder	Público	no	cumprimento	da	PNRS,	
ainda	há	um	longo	caminho	a	seguir.
Os	 principais	 prejuízos	 gerados	 por	 esses	 atrasos	 se	 resumem	 a	 um	menor	
investimento	nesse	setor	e,	consequentemente,	menos	tecnologia	desenvolvida	para	
aprimorar	os	processos	apresentados.
Do	ponto	de	vista	geotécnico,	ainda	há	muito	a	evoluir.	A	maioria	dos	aterros	
sanitários	não	possui	dispositivos	de	monitoramento	que	possam	atestar	a	segurança	
dos	 elevados	 taludes	 e	 as	 camadas	dos	 aterros.	 Cada	 célula	 deveria	 estar	 equipada	
com	instrumentação	para	que	se	possibilitasse	esse	acompanhamento	e,	assim,	fosse	
possível	reduzir	o	risco	geotécnico,	que	pode	se	tornar	ambiental,	em	casos	de	explosões	
de	aterros,	ruptura	de	taludes,	vazamentos	de	chorume.
152
Dentre	 os	 dispositivos	 de	 controle	 atualmente	 empregados	 mundialmente,	
estão:
•	 piezômetros	tipo	sifão,	capazes	de	medir	a	pressão	dos	gases	e	a	espessura	da	coluna	
de chorume no interior do aterro;
•	 marcos	superficiais,	capazes	de	proporcionar	medições	de	cota	das	células,	podendo	
determinar	a	velocidade	de	recalque	dessas;
•	 execução	de	sondagens	e	ensaios	de	laboratório	químicos	e	geotécnicos	rotineira-
mente;
•	 simples	inspeções	visuais	que	ocasionalmente	ocorrem	atualmente.
Tais	ações	são	capazes	de	potencializar	o	controle	sobre	os	riscos	ambientais	
que	essas	estruturas	ainda	podem	nos	expor.	De	todo	o	modo,	a	responsabilidade	do	
engenheiro	ambiental,	por	onde	for,	é	promover	o	cumprimento	da	PNRS	e	auxiliar	com	
a	término	das	operações	dos	lixões	e	aterros	controlados	ainda	existentes	no	país.
153
LEITURA
COMPLEMENTAR
UMA BREVE VISÃO SOBRE GEOSSINTÉTICOS 
APLICADOS A ATERROS SANITÁRIOS
Paulo	César	Lodi
Jorge	Gabriel	Zornberg
Benedito	de	Souza	Bueno
Carvalho	(1999)	apresenta	os	fatores	necessários	para	o	estudo,	implantação	e	
execução	dos	aterros	sanitários.	Basicamente,	os	aterros	sanitários	têm	como	elementos	
estruturais	básicos	os	componentes	ilustrados	na	Fig.	1.
Figura 1: Estrutura de um aterro sanitário.
Fonte: ENGECORPS (1996).
154
Estes	componentes	são	descritos	brevemente	a	seguir	(MAIA,	2001):
•	 Células	de	 resíduos:	volume	de	 resíduos	depositados,	num	período	que	compreende,	
geralmente,	24	horas,	incluindo	o	material	de	recobrimento.
•	 Tratamento	de	Fundação:	tem	a	função	de	proteger	o	subsolo	e	aquíferos	adjacentes	
da contaminação pela migração de percolados e/ou dos gases provenientes do 
aterro,	através	de	sistemas	de	captação	e	drenagem	de	todas	as	nascentes	e	cursos	
d’água	que	existam	na	área	e	da	impermeabilização	do	terreno	de	fundação.	Dentre	
os	 materiais	 comumente	 empregados	 em	 tratamento	 de	 fundação	 de	 aterros,	
destacam-se	as	 argilas	 compactadas,	 os	GCLs	e	 as	geomembranas,	utilizados	de	
forma	isolada	ou	combinadamente.
•	 Drenagem	 de	 líquidos	 e	 gases	 percolados:	 estes	 sistemas	 de	 drenagem	 devem	
permitir	 a	 dissipação	 dos	 gases	 e	 a	 remoção,	 captação	 e	 condução	 dos	 líquidos	
percolados	aos	sistemas	de	reservação	e	tratamento.	São	usados	para	isso:	drenos	
de	fundação,	drenos	horizontais	e	drenos	verticais.
•	 Recobrimento	diário:	 corresponde	ao	 recobrimento	das	células	durante	as	operações	
executivas	com	solo	ou	materiais	alternativos,	com	o	objetivo	de	evitar	o	espalhamento	
do	resíduo,	o	aparecimento	de	vetores,	como	mosca,	insetos	etc.,	que	possam	causar	
problemas	de	saúde	pública	e,	de	controlar	a	entrada	de	água	no	maciço.
•	 Sistemas	de		impermeabilização		da		cobertura		dos		aterros:		esgotada		a		capacidade		
do	 	 aterro	 	 deve-se	 	 efetuar	 a	 impermeabilização	 da	 cobertura	 com	 a	 função	 de	
diminuir	a	formação	de	percolado	através	da	camada	de	superfície,	controlar	a	saída	
de	gases	e	servir	de	suporte	para	eventuais	construções	no	local.
•	 Drenagem	e	proteção	superficial:	a	drenagem	superficial	das	águas	provenientes	de	
precipitação	direta	 sobre	o	 aterro,bem	como	as	de	 escoamentos	 superficiais	 das	
áreas	adjacentes,	são	fundamentais	para	minimizar	a	geração	de	percolado	e	evitar	
que	processos	erosivos	provoquem	instabilidade	nos	taludes	e	descobrimento	dos	
resíduos.	São	geralmente	constituídos	de	canaletas,	bermas	e	descidas	d’água	no	
talude	e	são	constituídas	por	elementos	flexíveis	como	mantas,	gabião,	brita,	rachão	
etc.,	separadas	da	camada	de	recobrimento	por	geotêxteis.
Sistemas de impermeabilização (liners)
Os liners	são	dispositivos	utilizados	quando	se	deseja	reter	ao	máximo	possível	
a	percolação	de	um	líquido,	de	forma	que	ele	não	atinja	as	águas	e	solo	natural.	Assim,	
devem	 apresentar	 estanqueidade,	 durabilidade,	 resistência	 mecânica,	 resistência	 a	
intempéries	 e	 compatibilidade	 com	 os	 resíduos	 a	 serem	 aterrados.	 Existem	 vários	
tipos de liners,	 dentre	 eles	 destacam-se	 os	 naturais,	 os	 de	 argila	 compactada,	 as	
geomembranas	e,	ainda,	uma	mistura	de	todos	esses	elementos.	A	escolha	de	um	ou	
de	outro	tipo	é	influenciada	pelo	uso	a	que	se	destina,	pelo	ambiente	físico,	pela	química	
do	percolado	e	pela	taxa	de	infiltração	(CARVALHO,	1999).
Os liners naturais são normalmente compostos por solos argilosos com 
condutividade	hidráulica	na	faixa	de	10-6a	10-7	cm/s	e	devem	fornecer	a	base	protetora	
quase	ideal	para	algumas	situações,	onde	a	argila	pode	atenuar	alguns	contaminantes	
155
por	processos	de	sorção	e	precipitação	(DANIEL,	1993;	LEITE,	1995).	Apesar	da	eficiência	
dos liners	 de	 argila	 compactada	 e	 de	 sua	 resistência	 adequada	 em	 longo	 prazo,	
estes	 podem	 apresentar	 contração	 das	 camadas	 argilosas,	 resultando	 em	 trincas	 e,	
consequentemente,	diminuição	de	sua	eficiência.
As	 barreiras	 sintéticas	 possuem	 materiais	 poliméricos	 que	 apresentam	
condutividade	hidráulica	extremamente	baixa,	elevadas	 resistências	química	e	física,	
sendo	utilizadas	no	revestimento	de	aterros.	Bouazza	et al.	(2002)	ressaltam	a	existência	 
de	vários	tipos	de	barreiras	impermeáveis	para	a	contenção	de	resíduos,	assim	como	
sua	grande	complexidade.
Importante	ressaltar	que	as	geomembranas	não	são	utilizadas	isoladas,	devido	
a	 problemas	 de	 puncionamento,	 rasgos,	 imperfeições	 e/ou	 defeitos	 que	 possam	
apresentar,	 resultando	 em	 aumento	 de	 fluxo	 e	 diminuição	 da	 eficiência	 do	 liner.	
Barreiras	 compostas	 são	 mais	 efetivas	 contra	 o	 processo	 de	 migração	 da	 lixívia	 e,	
de	acordo	com	Bouazza	et al.	 (2002),	esse	sistema	de	barreira	corresponde	ao	mais	
utilizado	na	 impermeabilização	de	aterros.	A	sua	principal	vantagem	é	que	apresenta	
baixa	permeabilidade	(menor	que	10-9	cm/s).
Os	sistemas	compostos	são	formados	por	uma	camada	de	argila	compactada,	
geomembrana	e	camada	de	proteção.	Esta	camada	de	proteção	é	constituída	de	uma	
camada	drenante	de	pedregulhos	grossos	ou	pedra	britada	de	aproximadamente	32	
mm	de	diâmetro	 cuja	 função	 é	 prevenir	 pressões	 de	 lixiviação	de	 resíduos	 sobre	 as	
camadas	de	impermeabilização	e	da	camada	de	proteção	propriamente	dita,	para	evitar	
danos	mecânicos	na	geomembrana,	que	pode	também	ser	realizada	com	geotêxteis.
Segundo	Gartung	(1996),	o	sistema	de	cobertura	tem	a	função	de	proteger	a	
superfície	das	células	de	resíduos,	minimizando	impactos	ao	meio	ambiente,	visando	a	
eliminação	da	proliferação	de	vetores,	a	diminuição	da	taxa	de	formação	de	percolados,	
a	redução	da	exalação	de	odores	e	formação	de	poeiras	a	partir	dos	resíduos,	impedir	
a	catação,	emissão	descontrolada	de	gases	e	permitir	o	tráfego	de	veículos	coletores	
sobre	 o	 aterro.	 Sharma	 &	 Lewis	 (1994)	 enfatizam	 que	 esse	 sistema	 é	 diferente	 do	
sistema	de	impermeabilização	da	base	do	aterro,	necessitando	de	resistência	química	
inferior	à	requerida	para	este	último.	Entretanto,	existem	preocupações	quanto	a	sua	
durabilidade	e	exposição,	devendo	ser	 resistente	a	processos	erosivos	e	adequado	à	
futura	utilização	da	área.
O	projeto	de	um	sistema	de	cobertura,	por	vezes,	pode	ser	mais	complexo	do	
que	 o	 de	 impermeabilização	 de	 uma	 base.	 Isso	 porque	 diversos	 tipos	 de	 solicitação	
podem	ocorrer,	como	ciclos	de	umedecimento	e	secagem,	pressões	de	gás	devido	à	
decomposição	dos	resíduos,	erosões	por	ação	da	chuva	e	do	vento,	ação	de	roedores,	
recalques	elevados	como	em	aterros	de	lixo	urbano,	ação	de	raízes	e	deslizamento	do	
solo	de	cobertura	(BUENO	et al.,	2004).	As	Figuras	3	e	4	apresentam,	respectivamente,	
algumas	 configurações	 típicas	 para	 cobertura	 e	 as	 possíveis	 formas	 de	 barreiras	
impermeabilizantes	basais.
156
Figura 2: Sistemas de liners de base para aterros de resíduos sólidos urbanos 
segundo recomendações de alguns países.
Fonte: apud CARVALHO (1999).
157
Figura 3: Configuração do sistema de cobertura.
Fonte: apud REBELO (2003).
Figura 4: Configuração do sistema basal.
Fonte: apud REBELO (2003).
158
Note-se	que	nas	seções	apresentadas	estão	omitidas	as	camadas	drenantes	
no	topo	da	barreira,	eventuais	camadas	de	proteção	e	separação.
Os	sistemas	de	impermeabilização	recomendados	pela	Usepa	estão	ilustrados	na	
Figura	5.	Observa-se	no	esquema	(Fig.	5a)	a	recomendação	mínima	da	Usepa	para	resí-
duos	sólidos	não	perigosos.	É	um	sistema	de	impermeabilização	simples:	geomembrana	
(GM)/camada	de	600	mm	de	argila	compactada	(CCL),	sob	um	sistema	drenante	para	
coleta	de	percolado.	Este	órgão	considera	 sistemas	 simples	 aqueles	 constituídos	de	
pelo	menos	uma	geomembrana	associada	a	uma	camada	de	solo	compactado.
As	possíveis	substituições,	em	termos	de	utilização	de	materiais	geossintéticos,	
são:
•	 Geocomposto	argiloso	(GCL)	por	solo	argiloso	compactado	(CCL);
•	 Georredes	(GN)	no	lugar	de	camada	de	areia	para	detecção	de	infiltrações;	e
•	 Geotêxteis	(GT)	por	areia	para	filtro.
A		Figura		(5b)		apresenta		a		recomendação		mínima		da		Usepa		para		resíduos		sólidos		
perigosos:		sistema		de	impermeabilização	duplo	composto	por	duas	geomembranas	e	
camada	argilosa	de	900	mm	completado	por	uma	camada	de	detecção	de	infiltração	e	
por	um	sistema	de	coleta	de	percolado	acima	da	geomembrana	principal.	As	possíveis	
substituições por materiais geossintéticos estão apresentadas a seguir:
1.	 Camada	de	argila	compactada	 (CCL)	por	Geocomposto	argiloso	 (GCL)	na	segunda	
barreira	impermeabilizante;
2.	Georrede	(GN)	no	lugar	da	camada	de	areia	para	detecção	de	infiltração;	
3.	Geotêxteis	(GT)	por	areia	para	filtro.
Finalmente,	 a	 Fig.	 (5c)	 ilustra	 um	 sistema	 de	 impermeabilização	 duplo	 com	
ampla	 utilização	 de	 geossintéticos.	 A	 barreira	 inferior	 é	 composta	 por	 GM/CCL	 e	 a	
barreira	 superior	 é	 composta	 por	 GM/CCL.	As	 camadas	 de	 detecção	 de	 infiltração	 e	
de	drenagem	de	percolado	são	ambas	compostas	por	GN/GT.	Ressalta-se	que	todos	
os	materiais	acima	da	camada	de	CCL	são	geossintéticos.	Este	tipo	de	seção	é	muito	
usado no caso de aterros onde a estabilidade das camadas de pedregulho e areia para 
coleta	do	percolado	estão	em	questão.	Na	base	do	aterro,	camadas	de	pedregulho	e	
areia	(ou	GT)	são	usadas	como	drenos	de	percolado,	onde	se	recomenda	a	instalação	de	
geotubos	para	garantir	uma	rápida	transmissão	e	condução	do	percolado	até	o	poço	de	
recepção	(MAIA,	2001;	KOERNER;	FAHMY,	1995;	KOERNER,	1996;	KOERNER,	1998).
159
Figura 5: Sistema de impermeabilização recomendado pela USEPA.
Fonte: apud MAIA (2001).
As	figuras	seguintes	ilustram	de	forma	mais	clara	os	geossintéticos	utilizados	
para	contenção	de	resíduos	sólidos	não	perigosos	e	resíduos	sólidos	perigosos.
160
Figura 6: Sistemas de contenção de resíduos (a) não perigosos (b) perigosos.
Fonte: apud PIMENTEL (2008).
Para	 ilustrar	o	uso	de	geossintéticos	em	sistemas	de	contenção	veja-se,	por	
exemplo,	o	esquema	mostrado	na	Fig.	7.	Diversos	geossintéticos	são	utilizados	em	um	
aterro	de	resíduos	sólidos,	tanto	na	base	como	na	cobertura	das	barreiras	utilizadas.	
Evidente	 que	 nem	 todos	 esses	materiais	 estarão	 presentes	 em	 todo	 e	 qualquer	 aterro,	
porém,	nota-se	que	cada	vez	mais	que	os	geossintéticosganham	espaço	e	importância	
dentro	dos	sistemas	de	disposição	de	resíduos.
Figura 7: Geossintéticos aplicados em aterro de resíduos.
Fonte: modificado de KOERNER (1998).
161
Nessa	 Figura,	 observa-se	 que	 existe	 uma	 disposição	 lógica	 para	 os	
geossintéticos.	Veja-se,	por	exemplo,	que	as	georredes	são	utilizadas	nas	laterais	e	na	
base	justamente	para	drenagem	dos	líquidos.	Para	separar	o	resíduo	e	o	meio	drenante	
(georrede	 ou	 material	 granular)	 são	 utilizados	 os	 geotêxteis.	 As	 geomembranas	
(primária	e	secundária)	servem	para	proteger	o	solo	de	fundação	e	para	evitar	que	os	
resíduos	líquidos	gerados	possam	atingir	o	solo	e	os	lençóis	de	água	próximos	ao	aterro.	
Subjacente	 à	 geomembrana	 primária,	 encontra-se	 outra	 camada	 impermeabilizante	
construída	 com	 geocomposto	 argiloso	 (GCL),	 seguida	 por	 outra	 camada	 drenante,	
destinada	a	servir	de	camada	de	detecção	de	possíveis	vazamentos	do	corpo	do	aterro	
e,	 finalmente,	 a	 geomembrana	 secundária	 assentada	 diretamente	 sobre	 o	 solo	 de	
fundação,	no	caso,	uma	argila	compactada.	Essa	configuração	compõe	uma	barreira	
impermeabilizante	 dupla,	 com	 sistema	 de	 detecção	 de	vazamentos	 e	 é	 comumente	
utilizada	para	a	contenção	de	resíduos	perigosos.
Na	 cobertura	 do	 aterro	 aparecem	 a	 geomembrana	 e	 o	 GCL	 para	 impedirem	
a	entrada	de	água	por	 infiltração	e	também	para	evitar	que	se	aumente	o	volume	de	
líquidos	percolados.	Note-se	que	se	ocorrer	 a	 formação	de	gases	dentro	do	maciço,	
essa	 cobertura	 também	 servirá	 para	 controlar	 a	migração	 destes	 para	 a	 atmosfera,	
o	 que	pode	 ser	 feito	 também	com	a	 ajuda	de	um	geotêxtil	 ou	 de	um	geocomposto	
drenante	capaz	de	coletar	esses	gases	e	conduzi-los	a	um	sistema	de	captação	e	de	
tratamento	para	uso	posterior.
Fonte: LODI, P. C.; ZORNBERG, J. G.; BUENO, B. de S. Uma breve visão sobre geossintéticos aplicados a 
aterros sanitários. Revista de Tecnologia de Fortaleza, Fortaleza, v. 30, n. 2, p. 188-197, dez. 2009. 
Disponível em: https://periodicos.unifor.br/tec/article/view/1052. Acesso em: 2 set. 2022.
162
Neste tópico, você aprendeu:
•	 Alguns	dos	principais	impactos	ambientais	gerados	por	obras	de	rodovias,	nos	âm-
bitos	social,	ambiental	e	econômico,	bem	como	alguns	instrumentos	de	controle	ou	
planejamento	de	ações	a	serem	desenvolvidas	com	o	objetivo	de	minimizar,	mitigar	
ou	controlar	os	impactos.
•	 Os	aspectos	que	envolvem	a	construção	de	matrizes	que	reúnem	os	principais	im-
pactos	gerados	por	obras	de	barragens,	positivos	ou	negativos,	assim	como	os	pla-
nos de recuperação ambiental a serem desenvolvidos para esse tipo de empreendi-
mento	e	alguns	instrumentos	de	controle	de	impactos	sociais	e	ambientais.
•	 A	apresentação	de	alternativas	capazes	de	minimizar	e	promover	a	remediação	dos	
impactos	ambientais	e	sanitários,	ocasionados	por	lixões	e	aterros	sanitários,	com	o	
objetivo	de	regularizar	esses	empreendimentos,	de	acordo	com	a	PNRS	do	país.
•	 Um	 panorama	 geral	 sobre	 as	 principais	 obras	 geotécnicas	 que	 estão	 sendo	
desenvolvidas	na	atualidade,	tanto	no	setor	energético	quanto	no	setor	mineral,	e	
toda	a	sua	influência	no	ambiente,	social	ou	em	compartimentos	como	a	água,	o	ar	
e	o	solo.	Além	disso,	foi	possível	compreender	o	importante	papel	do	profissional	da	
Engenharia	como	propulsor	de	alternativas	para	minimizar	os	impactos	gerados	por	
essas	atividades.
RESUMO DO TÓPICO 3
163
AUTOATIVIDADE
1	 Na	etapa	do	planejamento	e	projeto	de	 implantação	de	barragens,	tão	 importante	
quanto	o	desenvolvimento	da	parte	estrutural,	é	preciso	compreender	os	impactos	
que	serão	gerados	pelo	projeto	a	ser	proposto.	Somente	com	a	previsão	dos	impactos	
gerados	 por	 barragens	 é	 possível	 antecipar	 programas	 de	 remediação,	 minimizar	
impactos	 ambientais	 e	 promover	 as	 devidas	 medidas	 mitigadoras.	 Frente	 a	 isso,	
quanto	a	medidas	mitigadoras,	assinale	a	alternativa	INCORRETA:
a)	 (			)	 Implantação	 de	 obras	 de	 saneamento	 básico	 e	 implementação	 de	 planos	 de	
resíduos.
b)	 (			)	 Replantio	de	vegetação	e	espécies	e	criação	de	reservas	ecológicas.
c)	 (			)	 Supressão	de	vegetação	e	exploração	das	áreas	de	preservação.
d)	 (			)	 Regularizações	de	taludes	corriqueiras	e	implantação	de	novas	comunidades	ou	
cidades.
2	 As	obras	de	rodovias	são	planejadas	de	acordo	com	aspectos	e	 impactos	que	são	
gerados	em	todas	as	etapas	que	compreendem	a	sua	execução.	Isso	significa	que	
devem	ser	elaboradas	as	matrizes	de	aspectos	e	impactos	gerados	nas	fases	de	pré-
projeto,	projeto	e	estudo	de	viabilidade,	execução	da	obra	e	pós-obra.	Sobre	essas	
quatro	etapas,	classifique	V	para	as	sentenças	verdadeiras	e	F	para	as	falsas:
(   )	A	fase	de	projeto	não	gera	impactos	diretos,	por	isso,	não	possui	relevância	para	a	
previsão	dos	impactos.
(   )	Na	 etapa	 de	 execução	 da	 obra,	 os	 únicos	 aspectos	 a	 serem	 considerados	 na	
avaliação	dizem	respeito	à	seleção	do	local	para	a	implantação	do	canteiro	de	obras	e	
ao	mapeamento	de	todas	as	áreas	que,	necessariamente,	deverão	ser	desmatadas.
(   )	Durante	a	 fase	de	operação,	 os	principais	 impactos	que	podem	ser	mensurados	
estão	 relacionados	 à	 poluição	 da	 água	 e	 do	 ar,	 ao	 aumento	 considerável	 dos	
níveis	de	ruído,	ao	aumento	considerável	nos	níveis	de	vibrações	e	aos	problemas	
relacionados	à	segurança	da	comunidade.
(   )	Na	etapa	executiva,	alguns	dos	impactos	gerados	são	a	supressão	de	vegetação	e	
florestas,	o	surgimento	de	sulcos	e	ravinas,	o	aumento	do	risco	de	inundações,	o	
afugentamento	da	fauna	e	a	perda	de	grandes	volumes	de	solo.
Assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
a)	 (			)	 V	-	F	-	F	-	F.
b)	 (			)	 V	-	F	-	V	-	V.
c)	 (			)	 F	-	V	-	F	-	F.
d)	 (			)	 F	-	F	-	V	-	V.
164
3	 Atualmente,	 em	 lixões	 e	 aterros	 controlados,	 são	 desencadeadas	 medidas	 de	
remediação	da	água	e	do	solo	contaminados,	a	partir	de	um	diagnóstico	ambiental.	
Após	esse	diagnóstico,	os	lixões	são	classificados	em	três	categorias,	de	acordo	com	
seu	risco	de	contaminação.	Sobre	a	classificação	dos	lixões,	analise	as	sentenças	a	
seguir:
I-	 Quando	o	diagnóstico	aponta	para	a	contaminação	de	categoria	A,	significa	que	o	
lixão	oferece	risco	alto	a	médio	de	contaminação.
II-	 Quando	o	diagnóstico	aponta	para	a	contaminação	de	categoria	C,	significa	que	o	
lixão	oferece	risco	alto	a	médio	de	contaminação.
III-	 Quando	o	diagnóstico	aponta	para	a	contaminação	de	categoria	A,	significa	que	o	
lixão	oferece	risco	baixo	a	nulo	de	contaminação.
IV-	 Quando	o	diagnóstico	aponta	para	a	contaminação	de	categoria	C,	significa	que	o	
lixão	oferece	risco	baixo	a	nulo	de	contaminação.
Assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 As	sentenças	I	e	III	estão	corretas.
b)	 (			)	 Somente	a	sentença	II	está	correta.
c)	 (			)	 As	sentenças	I	e	IV	estão	corretas.
d)	 (			)	 Somente	a	sentença	IV	está	correta.
4	 Os	principais	 impactos	gerados	por	barragens	 são	divididos	de	acordo	com	o	meio	
impactado,	sendo	físico,	biótico	e	antrópico.	Para	cada	um	desses	meios,	existe	uma	
série	de	transformações	que	são	impostas	ao	longo	da	implantação	dessas	estruturas.	
Sendo	assim,	cite,	pelo	menos,	cinco	impactos	gerados	por	cada	um	desses	meios.
5	 A	disposição	de	resíduos	sólidos	e	rejeitos	provenientes	de	quaisquer	atividades	tinha	
como	 destino	 final	 os	 lixões	 e	 aterros	 controlados.	 Sabe-se	 que	 esses	 locais	 não	
dispunham	da	 infraestrutura	necessária	para	proteger	o	ambiente	da	contaminação	
dos	 resíduos	 ali	 dispostos	 e,	 por	 isso,	 passou-se	 a	 projetar	 e	 executar	 os	 aterros	
sanitários.	Frente	a	isso,	cite	as	diferenças	entre	lixões,	aterros	controlados	e	aterros	
sanitários.
165
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Elsevier,	2013.
171
PROJETOS EM GEOTECNIA 
AMBIENTAL
UNIDADE 3 — 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
 A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• avaliar a contaminação de solos a partir de evidências e propor medidas de 
remediação;
• entender a legislação aplicável aos projetos de disposição de resíduos sólidos 
municipais;
• saber propor a escolha de materiais e métodos construtivos de barragens, diques e 
aterros, bem como estruturas anexas e internas;
• delimitar a criação de projetos de contenção de áreas suscetíveis a movimentos de 
massa.
 A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de 
reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – PROJETOS EM GEOTECNIA AMBIENTAL
TÓPICO 2 – NOÇÕES DE PROJETOS EM GEOTECNIA AMBIENTAL
TÓPICO 3 – NOÇÕES DE PROJETOS DE CONTENÇÃO E ESTABILIZAÇÃO DE ENCOSTAS
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
172
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 3!
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173
TÓPICO 1 — 
PROJETOS EM GEOTECNIA AMBIENTAL
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO 
A Geotecnia Ambiental precede uma interpretação complexa de vários aspec-
tos ambientais do local onde se propõe uma intervenção. Não é possível ao engenheiro 
responsável pelo projeto observar somente as feições geológico-geotécnicas. É preciso 
delimitar as séries históricas de precipitação, as maiores vazões advindas dessas pre-
cipitações, as surgências d’água, a presença de vegetação, dentre outros aspectos. No 
entanto, cada projeto tem um objetivo que deve ser bem delimitado e que norteia o tipo 
de observação a ser feita para a definição dos conceitos envolvidos. 
Um exemplo de como isso pode ocorrer pode ser visto no Projeto de Gerência 
Geológico-Geotécnica de Encostas e Taludes para a Agência Nacional de Transportes 
Terrestres (ANTT, 2015), que tem uma abordagem específica para a composição de es-
tudos que embasam a contenção de taludes e encostas ao longo de estradas. No trecho 
que abrange o Estado do Rio de Janeiro pela BR-116, o projeto foi baseado na criação 
dos seguintes mapas temáticos para a avaliação da suscetibilidade à movimentação 
de massa:
•	 mapa	topográfico, com curvas de nível com equidistância máxima de 10 metros;
• mapa de declividade;
• mapa geológico-geotécnico; 
• mapa hidrogeológico;
• mapa de deslizamentos pretéritos;
• mapa de uso e cobertura do solo.
Com a obtenção desses dados a partir da abordagem de sistemas de informa-
ções geográficas, é possível obter um mapa de suscetibilidade a movimentos de 
massa, que serve de orientação para a tomada de decisão e criação de um projeto que 
se fundamente nas necessidades e particularidades da região. No entanto, lembre-se: 
o projeto geotécnico, nessas condições, envolve uma análise completa e complexa do 
entorno para buscar a melhor solução. 
Algumas condições necessárias para a averiguação de informações em um 
projeto geotécnico estão apresentadas na figura a seguir. Acompanhe!
174
Figura 1 – Frentes de concepção de um projeto geotécnico
Fonte: Adaptada de ANTT (2015, p. 5)
Sobre a capacitação técnica, atualmente, a formação em Engenharia aborda 
inúmeras áreas do conhecimento, sendo que, dentro da graduação, a Geotecnia é apenas 
uma delas. O profissional formado que deseja seguir carreira formulando projetos na área 
de Geotecnia deve buscar um aperfeiçoamento por meio de especialização na área. 
Dentro da Geotecnia, existem profissionais com foco em estradas e pavimenta-
ção, fundações, segurança de barragens e diques, projetos de aterros de barragens, pro-
jetos de gestão de risco para encostas e enchentes, gestão de resíduos sólidos e outros. 
Já quanto à gestão de riscos, a Geotecnia é considerada o primeiro passo 
para a elaboração de qualquer projeto e/ou obra em engenharia civil, uma vez que 
é na etapa de consolidação da base que determinamos a capacidadede suporte do 
175
solo para determinada estrutura. A não abordagem da avaliação geotécnica no início 
de um projeto pode custar caro no futuro. No entanto, quando olhamos para além da 
construção civil, a Geotecnia também é a ciência responsável pela avaliação de maciços 
de solo, encostas de rocha e outros empreendimentos. Por isso, está constantemente 
ligada e interessada na observação e previsão de riscos, buscando formas de remediar 
e/ou acabar com o risco inerente a uma situação.
Na previsão de desempenho é elaborada uma solução de contenção de uma 
encosta ou de um projeto de um barramento, sendo necessária a avaliação de segu-
rança que a estrutura mantém ao tombamento, ao deslizamento ou outros métodos 
de ruptura. Para tanto, são comumente utilizados os métodos de equilíbrio limite para 
solos. Já para maciços rochosos, são aplicados métodos como o de Hoek-Brown.
Entenda um pouco mais sobre a adoção de métodos como o de 
Hoek-Brown para a avaliação da segurança de maciços rochosos em 
detrimento do uso do equilíbrio-limite, comumente apresentado para 
maciços de solo. Acesse o artigo a seguir e se aprofunde no assunto 
por meio do link: https://brasecol.com.br/wp-content/uploads/2015/06/
artigo-12.pdf. Acesso em: 6 out. 2022.
DICA
No que diz respeito aos mecanismos de ruptura, o engenheiro geotécnico, 
com conhecimento de campo, é capaz de observar resultados de uma prospecção feita 
ou, até mesmo, a partir de avaliação visual em alguns casos, dizendo sobre o mecanismo 
de ruptura provável de determinada estrutura. Isto é, ele é capaz de avaliar com o meio 
do entorno os processos físicos inerentes àquela região, que podem inferir fraturas, 
surgências de água, sismos e outros, os quais, por sua vez, podem inferir na mobilização 
da estrutura. 
Temos, também, que considerar os processos geomecânicos. A avaliação das 
rochas, muitas vezes, passa pelo conhecimento dos geólogos, porém os engenheiros 
geotécnicos também têm condições de avaliar os processos geomecânicos das rochas 
que inferem no comportamento das encostas e dos taludes. 
A realização de análises de estabilidade era feita a mão e despendia muito 
tempo para a criação de lamelas e medição manual de angulação, bem como aplicação 
nos cálculos. Para sanar esse problema, foram criados suítes de softwares em Geotec-
nia, que hoje são utilizados para analisar a estabilidade de taludes, como Slide (Rocs-
cience), Slope/W (Geoslope) e Plaxis. 
176
Os modelos geológico-geotécnicos, por sua vez, embasam em software 
uma grande quantidade de informações que se cruza e dá a possibilidade de avaliação 
conjunta e tomada de decisão. São utilizados dados de uso e cobertura do solo, 
declividade, geologia local, hidrogeologia e deslizamentos anteriores, que traduzem a 
suscetibilidade à movimentação de massa. 
Quanto às séries de dados históricas, a avaliação da situação atual de uma 
estrutura prevê, também, a avaliação histórica de intervenções já feitas nela, seja de 
rupturas predecessoras, seja de outras informações que possam explicar o estado 
atual, no qual se projetam mudanças.
As análises hidrológicas são criadas com base na avaliação de séries 
históricas de precipitação obtidas em estações de medição. Usualmente, existem 
órgãos nacionais e estaduais que monitoram e disponibilizam os dados de precipitação 
e as cheias de rios para o público em geral. São eles: Serviço Geológico do Brasil (CPRM), 
Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), Agência Nacional de Águas 
e Saneamento (ANA), Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), dentre outros.
Já a avaliação topográfica tem um cunho sociológico, uma vez que ambienta 
o mapa de declividade, objeto principal para a delimitação de suscetibilidade a 
deslizamentos e alocação de planejamento urbano a fim de evitar construções e 
intervenções em áreas muito íngremes. 
Os ensaios de laboratório diretos ou indiretos, com amostras de solo 
deformadas ou indeformadas, subsidiam a tomada de decisão ao fornecerem 
dados das camadas de subsolo ao qual não temos conhecimento. Em laboratório, o 
engenheiro geotécnico pode solicitar a aferição de resistência ao cisalhamento (ensaio 
de compressão triaxial, ensaio de cisalhamento direto, Direct Simple Shear (DSS), bem 
como a avaliação de permeabilidade, adensamento e caracterização geotécnica (limites 
de consistência, granulometria, índices físicos etc.). 
No campo, a avaliação pode ser feita com uso de:
• Sondagem de Percussão a Trado (SPT), que é a avaliação de resistência à cravação); 
• Ensaio de Penetração de Cone (CPT), que avalia a resistência à penetração); 
• Ensaio de Penetração de Piezocone (CPTU), que avalia a resistência à penetração e 
poropressão;
• Vane Test (VT), que avalia a resistência ao cisalhamento de materiais saturados.
O mapeamento é o produto final de todo o processo de obtenção de dados e 
investigação geológico-geotécnica. Nessa etapa, estão consolidadas as informações e 
soluções propostas e o mapa feito é emitido a título de conhecimento, para facilitar o 
entendimento do público externo. Essa etapa também pode ser considerada a finalização 
do projeto, com a emissão de plantas no AutoCad e outros programas que facilitam a 
interpretação e amostragem de resultados. 
177
Tomando como base algumas dessas condições, a partir de agora, avaliaremos 
exemplos de composição de projetos em Geotecnia Ambiental, como noções de 
concepção de aterros sanitários, barragens, diques, aterros diversos, estruturas de 
contenção de encostas e meios de estabilização. Vamos começar?
2 ESCOLHA DE MATERIAIS
Ao encontrar uma jazida para retirada de solo que servirá de material para 
um aterro, deve-se tomar como base algumas avaliações que podem ser feitas de 
maneira preliminar da forma tátil-visual. A cor do solo pode indicar os materiais mais 
frequentemente presentes e indicar a sua qualificação para determinadas aplicações, 
por exemplo.
Os solos claros, por definição, têm grande parcela inorgânica e baixa parcela 
orgânica. Comumente, os solos de alta constituição de areia têm essa cor, uma vez que 
a sua permeabilidade característica faz com que a matéria orgânica depositada seja 
solubilizada e/ou transportada. Um exemplo está mostrado na figura a seguir.
Figura 2 – Constatação visual de um solo de cor clara
Fonte: httpses.dreamstime.comterreno-arado-y-suelo-azul-cielo-nubes-de-un-brillante-concepto-
d%C3%ADa-soleado-la-agricultura-image195159447. Acesso em: 6 out. 2022.
Por outro lado, os solos de alta organicidade têm uma cor escura, que demonstra 
a sua constituição por alta parcela orgânica (húmus), advinda da decomposição de 
vegetais e animais. Para a agricultura, é o solo de maior viabilidade para a manutenção 
de lavouras, mas, para a Engenharia, a decomposição de matéria orgânica é um fator 
complexo do ponto de vista de manutenção de estruturas. Isso porque tal tipo de solo 
contém ácidos orgânicos que podem causar reações danosas com a pasta de cimento 
presente em fundações e outras obras, quando em contato com o solo em questão.
178
Esse tipo de solo é muito comum em zonas pantanosas, locais de descarga de 
esgoto, e zonas de deposição de sedimentos. Pelas características enumeradas, trata-
se de um solo de grande constituição de vazios (gases e água), por isso, é bastante 
compressível e propenso a recalques. A constatação desse tipo de solo identificado pela 
cor está apresentada na figura a seguir.
Figura 3 – Constatação visual de um solo de cor escura
Fonte: hhttps://bit.ly/3Vg4x2b. Acesso em: 6 out. 2022.
Já os solos avermelhados ou amarelados têm o tom baseado na presença 
de óxidos de ferro, estando muito presentes na região sudeste do Brasil. Comumente, 
são solos lateríticos, de grande evolução. Os solos amarelos têm predominância de go-
ethita, enquanto os solos avermelhados têm predominância de hematita.
Figura 4 – Constatação visual de um solo de cor vermelha
Fonte: https://bit.ly/3elTYda. Acesso em: 6 out. 2022.
Para verificar a cor de um solo emcampo, é utilizada a Carta de Munsell, que 
é um sistema criado com base em três códigos básicos: matiz, croma e valor. O matiz 
é a relação entre a cor vermelha e amarela, o croma é o resultado do matiz no total da 
coloração e o valor é a proporção das cores preto e branco no solo. Para essa avaliação, 
o solo deve estar em estado seco.
179
Leia o artigo indicado a seguir e entenda um pouco mais sobre a Carta de 
Munsell e como ela pode ser efetivamente aplicada em apoio às etapas 
de caracterização do solo em campo. O texto está disponível na íntegra 
em: https://www.scielo.br/j/cr/a/6m6bbwXhQtCjSxv8PqWpDnq/?lang=pt#. 
Acesso em: 6 out. 2022.
INTERESSANTE
Dados adicionais, no entanto, devem ser solicitados na forma de sondagens in 
loco (SPT, CPTU e outros) e ensaios de laboratório com retirada de amostras (triaxiais, 
permeabilidade, granulometria, compactação e outros). 
Após a coleta de dados dos mais diversos tipos (investigações geológico-
geotécnicas, hidrogeológicas, hídricas, hidrológicas e outras), temos a concepção de 
um projeto em Geotecnia para determinada área que precede, minimamente, o avanço 
do tema sobre a criação de relatórios:
1. estudo de alternativas: criado com base na concepção preliminar das alternativas 
possíveis de intervenção para a área delimitada, com análises de estabilidade dessas 
alternativas e quantitativo de materiais e custos;
2. projeto conceitual: definida a alternativa para a intervenção na área delimitada, 
são colocados maiores detalhes sobre o conceito da alternativa, como desenhos, 
quantitativos mais apurados e avaliação de intervenções prováveis na área para 
perceber a viabilidade;
3. projeto básico: definida a possibilidade de implantar a solução, iniciam-se os cálculos 
para a implementação da alternativa em apresentação preliminar ao requerente, com 
composição de detalhamentos e perspectivas; 
4. projeto executivo: aprovado o projeto básico, compõe-se o projeto executivo, que 
traz a totalidade das informações dispostas para a obra, como intervenções a serem 
feitas no entorno, quantitativo de materiais, insumos e canteiro de obras, precificação 
de mão de obra e serviço de maquinário, contratação de terceiros, dentre outros. É 
nessa etapa que o projeto se define e se consolida totalmente.
Para a escolha de materiais constituintes de aterros nas etapas preliminares, 
em geral, segue-se as normas nacionais de recomendação ou, então, as empresas 
podem criar seus próprios requisitos, desde que mais restritivos, observando as boas 
técnicas de engenharia.
Um caso representativo é o da especificação técnica da Arteris (2017), empresa 
especializada em execução de pavimentos estradas. A referida especificação técnica 
indica que os materiais escolhidos de áreas de empréstimo, para compor aterros, devem 
passar por caracterização geotécnica prévia e apresentar os seguintes requisitos:
180
• ser isento de matéria orgânica, micáceas e diatomáceas;
• na execução do corpo do aterro, apresentar capacidade de suporte adequada obtida 
por ensaio de Índice de Suporte Califórnia (ISC), com valor ≥ 2% e expansão ≤ 4%;
• em materiais de interceptação rochosa, podem ser usadas rochas no aterro quando 
de acordo com o projeto.
Relembre um pouco sobre a execução dos ensaios de compactação 
proctor e ISC a partir da normatização vigente para apoio à constru-
ção de estruturas geotécnicas, sobretudo, de pavimentos estradais: 
• DNER-ME 129/1994: ensaio de compactação (método A);
• DNER-49/1994: ensaio de ISC (método A).
IMPORTANTE
Os materiais escolhidos devem ser descarregados a partir de um caminhão 
adequado, quando deve, então, ser feito o espalhamento do material em camadas, com 
a devida homogeneização. O teor de umidade ótima previsto em projeto, a partir do 
ensaio de compactação, deve ser exigido. Quando a umidade está abaixo de ótima, 
acrescenta-se água; quando está acima, procede-se com aeração do solo para retirada 
de parte da umidade.
Os materiais são, então, compactados com o auxílio de equipamentos de com-
pactação adequados ao tipo de solo (fino/grosso) e ao objetivo de projeto. São criadas 
sucessivas camadas compactadas até que o aterro atinja a elevação correspondente ao 
greide de terraplenagem do projeto. Usualmente, não se compacta camadas acima de 
30 cm de espessura, para garantir a uniformidade do processo mecânico de compac-
tação a todas as frações de profundidade da camada. Utiliza-se como controle técnico 
a seguinte relação:
• em corpos de aterros, realiza-se a compactação a mais ou menos 3% da umidade ótima 
obtida em ensaio, de forma a alcançar 95% do valor do peso específico seco máximo;
• em camadas finais do aterro, observa-se um critério mais conservador, buscando o 
atingimento de uma massa especifica seca máxima em campo igual a de laboratório, 
obtida em ensaio. 
Deve ser observada, também, a inclinação do aterro, tomando como premis-
sa a adoção de uma relação que não atinja grandes declividades. Em geral, é reco-
mendada a inclinação de 2:1, para que as condições de estabilidade sejam melhoradas. 
Como é de se esperar, esse tipo de obra que se utiliza da umidade do solo para obter 
grandes pesos específicos deve ser executado em épocas de seca, fora de períodos de 
grande pluviosidade. 
181
Tomando como base o processo de tomada de decisão em todas essas etapas 
apresentadas, o material escolhido como base para a construção de um aterro ou de 
qualquer outra solução é avaliado, ainda, pela sua granulometria ou fração granulométrica 
predominante. Apesar de não se encontrar em campo um solo com total constituição 
de apenas uma fração de partícula (silte, argila, areia), o solo é chamado de “siltoso”, 
“arenoso” e “argiloso”, pois a fração predominante causa a condição de comportamento 
desse solo em relação à permeabilidade, estabilidade, resistência e outros aspectos.
2.1 PROBLEMAS COM SOLOS GROSSOS 
Os solos grossos são aqueles predominantemente compostos por pedregulhos 
ou areias. Solos pedregulhosos não são comumente utilizados em obras de Geotecnia 
pela sua heterogeneidade e diferenciação de tamanho. Em locais onde esses exemplares 
são encontrados, geralmente, são feitas limpezas de terreno para retirada das camadas.
No caso de solos arenosos, as partículas podem se enquadrar em areia fina, 
média e grossa, de uma granulometria entre 0,05 até 4,8 milímetros. Esse tipo de solo 
não apresenta coesão pela falta de forças de atração entre as partículas e, portanto, 
movimenta-se com facilidade (não se estabiliza). Pelo alto índice de vazios de um 
material desse tipo, prevê-se alta permeabilidade, que traz grandes desafios em se 
tratando de obras geotécnicas. 
Um problema famoso no Brasil atrelado à incidência de solos arenosos na costa 
brasileira está relacionado aos edifícios na orla de Santos/SP. O mesmo caso se aplica à 
Torre de Pisa, estrutura muito famosa na Itália. 
Figura 5 – Inclinação da Torre de Pisa, na Itália
Fonte: httpsbildagentur.panthermedia.netmlizenzfreie-bilder6470827pisa--dom-mit-schiefen. 
Acesso em: 6 out. 2022.
182
No caso da Torre de Pisa, a estrutura com peso total de quase 14 toneladas foi 
construída em terreno arenoso, que não suportou o peso aplicado, ainda na construção 
dos seus primeiros andares, aproximadamente no ano de 1173. Para tentar diminuir a 
evolução do recalque e estabilizar a estrutura, o solo da fundação da Torre foi retirado e, 
no local, foram colocadas placas de chumbo para aumentar a estabilidade.
No caso específico da orla de Santos, existem dois agravantes: 
1. a presença de prédios muito próximos uns dos outros, com fundações rasas que 
aumentam o nível de tensões no solo em um ponto bem concentrado, em um material 
muito compacto;
2. a presença de lençol freático, que pode aumentar ou abaixar, saturando ou dessatu-
rando o solo e promovendo a constituição de recalques. 
Figura 6 – Caso dos edifícios tortos na orla de Santos/SP
Fonte: PET Civil UEM (2014, [s. p.] apud ALMEIDA, 2021). 
183
Segundo Almeida (2021),a partir dos anos de 1970, os prédios começaram a 
afundar. O recalque dos prédios atingiu até 120 cm e inclinações de até 2°, totalizando 
65 prédios com estrutura comprometida. Tal situação se deu pela época em que 
o conhecimento técnico de construções em altura ainda era pouco desenvolvido 
(MARTINO, 2022).
No artigo a seguir, é possível compreender melhor sobre a recomposição 
da estatura de um dos prédios na orla de Santos, com o auxílio das 
técnicas adequadas de Engenharia. Leia o texto na íntegra pelo link: 
https://revistapesquisa.fapesp.br/predio-de-santos-e-colocado-no-
prumo/. Acesso em: 6 out. 2022.
DICA
Quando falamos da construção de filtros de barragens, a utilização de solos 
arenosos é imprescindível, uma vez que proporciona a permeabilidade necessária para 
induzir o fluxo de água do barramento até a zona de captação. No caso da construção 
de estradas, o solo arenoso propicia a constituição de camadas que não se tornam 
lamacentas em épocas de chuva e se mantêm estáveis (não pulverulentas) em épocas 
de seca.
Para a engenharia de fundações, construir em um solo arenoso requer alto grau 
de projeto e a utilização de fundações profundas, como as estacas, de modo que possam 
avançar para além das camadas de areia, atingindo materiais mais consolidados. 
2.2 PROBLEMAS COM SOLOS FINOS
Os solos finos são subdivididos em solos siltosos e argilosos, sendo que a 
principal diferença destes para os solos arenosos é a possibilidade de coesão entre 
partículas, diferente das areias. 
Os solos siltosos têm uma granulometria intermediária entre areias e argilas: 
maior do que 0,005 mm e menor do que 0,05 mm. Trata-se de um solo com baixa tra-
balhabilidade diante da erosão potencial e consequente desagregação, por isso, deve 
ser feitos ensaios in loco e caracterização em laboratório bem-feitas para a verificação 
do seu comportamento. Além disso, o solo siltoso pode ser conhecido por ser altamente 
pulverulento, criando lama com facilidade. 
Por outro lado, os solos argilosos são aqueles em que as partículas têm 
granulometria menor do que 0,005 mm. São os solos mais comuns no Brasil diante 
do perfil de intemperização acelerado pelo clima tropical, sendo a partícula de argila a 
menor fração de solo no processo de intemperismo.
 
184
Trata-se de um solo com boa trabalhabilidade no âmbito de projetos, uma vez 
que suas partículas têm grande densidade, e as forças atrativas formam a coesão desse 
tipo de solo. Para a engenharia de fundações, nesse solo, é possível constituir com 
fundações rasas do tipo sapata, bloco e radier, conforme a necessidade de projeto. A 
argila também é utilizada como material de construção para a formação de tijolos, telhas 
e produtos cerâmicos. 
Geralmente, os solos argilosos de baixíssima permeabilidade são utilizados até 
como materiais impermeabilizantes em reservatórios. Ao contrário dos solos arenosos, 
os solos argilosos são materiais de baixa permeabilidade, por isso, devem ser utilizados 
com cautela em locais onde não se planeja acúmulo e saturação. A má drenagem desse 
tipo de solo causa a presença do lençol freático, um fator que deve ser investigado para 
a avaliação da estabilidade.
Ademais, é comum, nesse tipo de solo, a adoção de alternativas de drenagem 
para rebaixar o nível do lençol freático e dessaturar as camadas, principalmente as 
residuais, que têm características contráteis, suscetíveis ao amolgamento.
O que é um solo de comportamento contrátil? E um solo de compor-
tamento dilatante? Para saber mais a respeito desses tipos de solos 
e entender o fenômeno de liquefação das areias e amolgamento das 
argilas dentro do comportamento contrátil, leia o artigo disponível em: 
https://bit.ly/3CLV4IA. Acesso em: 6 out. 2022.
DICA
Cuidados devem ser tomados com a verificação desse material quanto à colap-
sividade e expansividade, características que devem ser tratadas caso se mantenham 
presentes para que a estabilidade seja garantida. Pela força de coesão entre partículas, 
trata-se do material mais bem enquadrado para a construção de aterros, pela possibili-
dade de manter o ângulo de inclinação as mais verticais possíveis.
2.3 PROBLEMAS COM ROCHAS 
Diante de todas as dificuldades apresentadas para os solos, como pode ser visto 
na execução de obras em solos arenosos, que pode acarretar complicações específi-
cas que devem ser pensadas e sanadas de forma a manter a estabilidade da estrutura, 
engana-se quem pensa que apenas os locais de material inconsolidado trazem essas 
especificações. Não diferente disso, os locais de composição de rochas também têm 
situações para as quais se deve ter uma abordagem cuidadosa e baseada em prospecção 
e boas técnicas de Engenharia.
185
As rochas, ainda que consolidadas (não transformadas em solos), detêm imper-
feições dadas a sua criação ou inferências externas penetrativas na rocha antes intacta, 
que criam zonas de fraqueza, aumentando a suscetibilidade à instabilização do maciço.
Quadro 1 – Formas de interferência nas rochas
Fonte: a autora
O acamamento é uma imperfeição específica das rochas sedimentares, que, 
pela sua própria gênese, é constituída de camadas de diferentes materiais, formando 
fatias com sentido horizontal. As foliações, por outro lado, são sobreposições de cama-
das de um mesmo material em “folhas” e podem, também, ser objeto do fenômeno de 
sedimentação de partículas ao longo dos anos. Já as juntas de alívio são constituídas 
em zonas de pressão pela movimentação normal extensional da rocha, comumente 
pela variação da temperatura. Por fim, as fraturas e falhas são deslocamentos feitos a 
partir da movimentação cisalhante, em pequena e maior constituição, respectivamente.
Esses fenômenos de descontinuidade das seções de rochas devem ser estu-
dados e evitados, conforme for possível, para assegurar a estabilidade da rocha como 
elemento de fundação para um projeto. A descontinuidade, além de uma zona de fra-
queza sob carregamento, tem tendência a promover a percolação por meio de maciços 
de terra. Logo, as descontinuidades devem ser combatidas e, usualmente, são dirigidos 
os preenchimentos com calda de cimento para vedação dessas lacunas, bem como 
tirantes com grampos em casos extremos.
186
3 ESCOLHA DE ÁREAS
Nem todas as áreas disponíveis para uma construção atendem aos critérios do 
âmbito geotécnico para assegurar a qualidade da edificação e segurança no entorno. 
Para isso, foram criadas normatizações que ainda se mantêm vigentes, a fim de direcionar 
um entendimento conjunto de boas práticas a serem adotadas pelos gestores públicos 
e empreendedores na tomada de decisão de áreas de uso para obras geotécnicas. 
3.1 ÁREAS PARA ATERROS SANITÁRIOS
A implantação de aterros sanitários não é feita em qualquer lugar que tiver 
condições geotécnicas de abrigá-los e dispor resíduos sólidos. A NBR 13.896, sobre 
aterros de resíduos não perigosos, que elenca os critérios para projeto, implantação e 
operação, dá os seguintes requisitos que devem ser seguidos (ABNT, 1997):
1. Critério de localização: 
a. diminuição de quaisquer impactos ambientais causados pela implantação do 
aterro (problemas a nascentes, fauna e flora);
b. população com boa aceitação do local escolhido;
c. alocado em conformidade com o zoneamento da cidade e com o seu Plano Diretor;
d. vida útil garantida de, no mínimo, dez anos dentro da área escolhida, para que 
possa se expandir e manter a área operante. 
2. Adequabilidade do local:
a. topografia: recomendam-se locais com declividade superior a 1% e inferior a 30%, 
para facilitar a terraplenagem;
b. geologia e tipos de solos existentes: materiais com coeficiente de permeabi-
lidade inferior a 10-6 cm/s e uma zona não saturada com espessura superior a 3,0 
metros, que diminuem a possibilidade de infiltração no solo;
c. recursos hídricos: deve ser localizado a uma distância mínima de 200 metros de 
qualquer coleção hídrica ou curso de água; 
d. vegetação: redução do fenômeno de erosão, da formação de poeira e do trans-porte de odores; 
e. acessos: maior proximidade de vias de rodovias;
f. tamanho disponível e vida útil: recomenda-se a construção de aterros com vida 
útil mínima de dez anos;
g. custos: permitir a análise de viabilidade econômica do empreendimento;
h. distância mínima a núcleos populacionais: maior proximidade do centro 
urbano, encurtando viagens. Sugestão de distância: superior a 500 metros.
187
Figura 7 – Constituição de um aterro sanitário
Fonte: https://bit.ly/3CfTpcM. Acesso em: 6 out. 2022.
Veja que os critérios enumerados pela norma são apresentados de forma crucial 
para a escolha de boas áreas que se mantenham viáveis em termos de custo, tempo 
de operação e proximidade das cidades. A escolha dessas áreas é preconizada pela 
Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei n. 12.305/2010), que indica, em seu Art. 18, 
a obrigatoriedade da elaboração do Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos 
Sólidos (PMGIRS), o qual deve prover a identificação de áreas favoráveis para a disposição 
final ambientalmente adequada de rejeitos, observado o Plano Diretor e o zoneamento 
ambiental do município (BRASIL, 2010). 
Cabe, então, a adoção de estudos multidisciplinares pela equipe responsável 
pelo PMGIRS e do Plano Diretor, a procura de áreas e a verificação do estado em que se 
encontra o aterro já implementado, observando seu tempo de vida útil.
Depois de conhecer todas essas atribuições de encontro de uma 
área para a implantação de um aterro sanitário, leia o artigo a 
seguir, que demonstra a aplicação do processo na cidade de 
Mostardas/RS. O texto está disponível em: https://www.ibeas.org.
br/conresol/conresol2019/XI-030.pdf. Acesso em: 6 out. 2022.
DICA
https://www.ibeas.org.br/conresol/conresol2019/XI-030.pdf
https://www.ibeas.org.br/conresol/conresol2019/XI-030.pdf
188
3.2 ÁREAS PARA BARRAGENS
Do mesmo modo que os aterros sanitários, a concepção de barragens deve 
seguir uma rigorosa avaliação de áreas para entendimento das condições de suporte e 
segurança de um local para obras desse porte. Vejamos a figura a seguir.
Figura 8 – Constituição de uma barragem de rejeitos
Fonte: httpswww.infoescola.comwp-contentuploads201908estresse-ambiental-751865002.jpg. 
Acesso em: 6 out. 2022. 
Para isso, a NBR 13.028, que fala sobre mineração, com elaboração e apresen-
tação de projeto de barragens para disposição de rejeitos, contenção de sedimentos 
e reservação de água, envolve seus requisitos a nível nacional para a locação de uma 
barragem rejeitos. O quadro a seguir nos mostra uma compilação de dados necessários 
para a escolha de um local para barragens.
É importante lembrar que as regras aqui descritas são usuais aos aterros sa-
nitários de resíduos não perigosos (resíduos sólidos domiciliares e de varrição pública). 
Para resíduos contaminados, tóxicos, patogênicos e outros, as devidas soluções técni-
cas devem ser tomadas excentricamente para cada caso. 
189
Quadro 2 – Avaliações para locação de barragens de rejeito
Fonte: Adaptado de ABNT (2017)
Estudos 
locacionais
• Opções de locação do eixo da estrutura, tendo em vista variáveis de enge-
nharia e ambientais. 
• Justificada com base geomorfológica, geológica e geotécnica, hidromete-
orológica, ambiental, dos volumes e das áreas dos reservatórios, em uma 
avaliação comparativa entre as alternativas consideradas.
Estudos 
hidrológicos 
e hidráulicos
• Devem descrever as características climáticas e hidrológicas da bacia de 
contribuição para a barragem. 
• Definir os parâmetros necessários ao dimensionamento do sistema extra-
vasor da barragem e do sistema de bombeamento (quando aplicável). 
• Desenvolvimento de balanço hídrico do reservatório e balanço de massa 
dos rejeitos e/ou da taxa de geração de sedimentos.
Estudos 
geológicos 
geotécnicos
• Devem possibilitar um entendimento adequado dos comportamentos pe-
rante as solicitações que serão impostas pelas estruturas e pelo conteúdo 
do reservatório (características de resistência, compressibilidade e perme-
abilidade), por meio de ensaios de laboratório e in situ. 
• A quantidade de sondagens e amostras a serem coletadas e analisadas em 
laboratório deve ser definida por profissional com reconhecida experiência, 
para que permita o completo entendimento do contexto geológico-geotéc-
nico no local de implantação da barragem. 
• Para barragens alteadas sobre os rejeitos (alteamentos a montante ou linha 
de centro), deve ser avaliado o potencial de suporte do material, com apre-
sentação dos resultados de caracterização geotécnica dos rejeitos, como 
granulometria, densidade dos grãos, índices de vazios, coeficiente de per-
meabilidade, parâmetros de adensamento e deformação e seus parâmetros 
de resistência; bem como deve ser avaliado o potencial de liquefação dos 
rejeitos (análises de estabilidade para condições não drenadas). 
Estudos 
sísmicos
• Avaliar o potencial de sismicidade na área de implantação da barragem. 
Recomenda-se a utilização do critério sugerido pela Canadian Dam Asso-
ciation (CDA), que indica a adoção da aceleração da gravidade resultante do 
Sismo Máximo Provável (MCE - Maximum Credible Earthquake) para análise 
pseudoestáticas.
Dito isso, é possível observar que, na constituição de uma barragem de rejeitos, 
são necessárias observações da geologia, sobretudo a presença de carste (cavernas), 
fraturas, materiais suscetíveis à liquefação e outros para a alocação do reservatório, do 
talude da barragem e da plumagem das ombreiras nos vales. 
190
Neste tópico, você aprendeu:
• as etapas de concepção de um projeto geotécnico, como a escolha de alternativas, o 
projeto conceitual da alternativa escolhida, o projeto básico e o executivo, entregando 
ao cliente todas as etapas de conhecimento da obra;
• os principais problemas relacionados à construção sob camadas de solos arenosos, 
siltosos e argilosos, bem como a aferição da consistência de rochas em fraturas, 
falhas e outros entraves causados por ações externas;
• os principais requisitos nacionais para a determinação de áreas para a implementação 
de aterros sanitários que juntem a proximidade de vias de acesso, o tempo de vida 
útil mínimo de dez anos e o menor custo com o transporte (proximidade do centro 
gerador), além do atendimento às questões ambientais;
• como escolher uma área para a alocação de uma barragem de rejeitos, envolvendo 
as principais investigações e os estudos necessários para a escolha de uma área e o 
entendimento do risco associado à construção naquele local, bem como os impactos 
ambientais relacionados à implementação próxima a rios, florestas, solos propensos 
a erosão e outros.
RESUMO DO TÓPICO 1
191
AUTOATIVIDADE
1 Com base nas diretrizes de separação de partículas por tamanho (a partir dos ensaios 
de granulometria), encontramos divisões que tomam como base diâmetros de argi-
las, areias grossas, finas, médias, siltes e pedregulhos, pelo método de peneiramento 
e sedimentação, conforme uma serie de peneiras escolhida e uma curva posterior-
mente formada. Sobre os tamanhos de partículas de solo dentro dos solos finos, que 
representam o tamanho maior do que as argilas, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) O referido texto trata da camada intermediária entre areias e argilas, ou seja, o 
silte.
b) ( ) O texto corresponde à areia fina, partícula de granulometria acima da argila.
c) ( ) O texto corresponde à areia argilosa, partícula de granulometria cima da argila.
d) ( ) O texto corresponde a partículas de areia fina e média, de granulometria bem 
similar.
2 O silte é uma fração de solo fino que também pode ser chamada de “limo”, tendo uma 
constituição intermediária, menor do que a areia fina e maior do que a argila. Possui 
grãos bem pequenos, como a argila, mas por não ter a mesma faixa granulométrica, 
não apresenta a coesão que ela tem, ou seja, não apresenta capacidade de ligação 
química suficiente. Com base na relação de solos siltosos e obras de engenharia, 
analise as sentenças a seguir:
I- Os solos siltosossão propensos à suspensão em épocas secas.
II- Os solos siltosos são propensos a formar lamaçais em épocas chuvosas.
III- Os solos siltosos são excelentes compostos drenantes devido à coesão entre 
partículas.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a sentença II está correta.
c) ( ) As sentenças I e III estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença III está correta.
3 Diz-se do solo arenoso aquele que possui textura leve e granulosa, constituído de areia 
na ordem de 70% de suas partículas em composição granulométrica, tendo grande 
número de vazios em sua constituição, uma vez que não pode ser verdadeiramente 
compactado. Assim, de acordo com as características de um solo arenoso, classifique 
V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
192
( ) Os solos arenosos têm como característica principal a boa permeabilidade. 
( ) Os solos arenosos mantêm a coesão entre partículas.
( ) Os solos arenosos podem servir de material construtivo para drenos.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V - F - F.
b) ( ) V - F - V.
c) ( ) F - V - F.
d) ( ) F - F - V.
4 A escolha de áreas para aterros sanitários precede a observação de várias regras a 
nível nacional, uma vez que os resíduos sólidos orgânicos, ao serem decompostos, 
geram poluentes e gases que podem causar contaminação ambiental. Frente a 
isso, disserte sobre a escolha de uma área de aterro sanitário próximo a um curso 
d’água (50 metros), a impermeabilização e os impactos ambientais que podem estar 
associados a essa escolha inadequada.
5 As barragens de rejeito necessitam de técnicas de segurança cada vez mais 
apuradas, sobretudo após os rompimentos recentes de Mariana e Brumadinho. No 
entanto, é necessário entender o projeto desde a sua concepção. Nesse contexto, 
disserte sobre a importância da utilização de investigações geológico-geotécnicas 
para a definição de um local para a construção de uma barragem de rejeito.
193
NOÇÕES DE PROJETOS EM 
GEOTECNIA AMBIENTAL
UNIDADE 3 TÓPICO 2 — 
1 INTRODUÇÃO
Delimitadas as áreas adequadas para a implementação de uma obra de terra, 
é necessário prosseguir com o projeto de forma sustentável, promovendo o bom 
aproveitamento da área e o melhoramento de materiais, quando necessário. 
Os processos de remediação de solos contaminados são inerentes à Geotecnia 
Ambiental, uma vez que dispõem de técnicas de suporte químico e ambiental para a 
correção da degradação do meio. Essa degradação pode se dar por hidrocarbonetos, 
chorume, compostos orgânicos voláteis, metais pesados e outros elementos.
Os projetos de aterros sanitários e barragens, por outro lado, predispõem de 
atributos locais que indiquem a assertividade local para o recebimento de tais obras, 
como regiões de baixa permeabilidade e alta resistência da fundação.
Assim, neste tópico, abordaremos algumas noções de projetos em Geotecnia Am-
biental. Dentre elas, nos aprofundaremos na remediação de solos contaminados, na dis-
posição de resíduos sólidos municipais e na construção de barragens, diques e/ou aterros.
2 REMEDIAÇÃO DE SOLOS CONTAMINADOS
De acordo com Oliveira-Costa (2019), uma área é considerada contaminada 
quando o solo, as águas subterrâneas, os escombros, as estruturas e as instalações 
nela dispostas possuem substâncias contaminantes. Essa acumulação influencia no 
comportamento dos organismos que entram em contanto direto com essas substâncias.
A contaminação de solos é tida como resultado de atividades puramente indus-
triais, a partir de agentes químicos em vazamento, uso excessivo ou descarte inadequado. 
Dentro dessa gama de materiais, comumente estão envolvidos os hidrocarbonetos (pro-
dutos da extração de petróleo), como o naftaleno, o benzeno, os solventes, os pesticidas 
de lavouras e os metais pesados, advindos de atividades humanas desordenadas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 12 milhões de crianças nos 
países em desenvolvimento sofrem de algum dano permanente, neurotóxico, devido 
à contaminação por chumbo. Nos Estados Unidos, a carga de doença por envenena-
mento por chumbo é 20 vezes maior do que para asma e 120 vezes maior do que para o 
câncer (OLIVEIRA-COSTA, 2019).
194
2.1 FONTES DE CONTAMINAÇÃO 
A contaminação de um solo não é produto somente da variável de imposição do 
agente ao solo. Em geral, atividades precedentes, como o desmatamento, proporcio-
nam o descobrimento do solo, em que a erosão expõe as camadas mais profundas, que 
inferem os contaminantes cada vez mais próximos do lençol freático.
Nas lavouras, a utilização de pesticidas e fertilizadas incidem em carregamento 
do solo com metais pesados em maior quantidade do que a natural, degradando o 
meio e os microrganismos que dele dependem. Os lixões e outros meios de disposição 
inadequada de resíduos causam a percolação de chorume e outras substâncias 
diretamente ao solo, o que pode inferir na qualidade de água para abastecimento e 
irrigação, assim como na absorção de elementos pelas plantas cultivadas na agricultura, 
que servem para o aproveitamento humano.
Os produtos derivados de petróleo têm sido causadores frequentes de conta-
minação nos oceanos pelas atividades extrativas e, nas revendas, pela falta de controle 
dos tanques de postos de combustível para vazamentos. Não obstante a isso, aciden-
tes envolvendo veículos nas vias podem promover a emissão de combustível ao solo, 
contaminando-o. 
Os hidrocarbonetos aromáticos são comumente associados à grande 
preocupação ambiental em contaminação do solo pelos compostos 
aromáticos que possuem: benzeno, tolueno, etilbenzeno e xileno. Es-
tes são chamados de BTEXs e apresentam a maior toxicidade e maior 
mobilidade no solo. Além dos BTEXs, os Compostos Orgânicos Voláteis 
(COVs) também têm reconhecida a sua igual toxicidade e permanência 
de longo tempo no ambiente. 
INTERESSANTE
Como se pode observar, a redução da contaminação do solo passa pela disposi-
ção adequada de resíduos em aterros sanitários, a utilização de cada vez menos produtos 
químicos nas lavouras e o maior controle técnico nas indústrias contra vazamentos. 
As ações antrópicas não se omitem de responsabilidade nesse caso: a 
manutenção de uma camada superficial de vegetação inibe a erosão e a consequente 
exposição do solo. 
195
2.2 MÉTODOS DE REMEDIÇÃO 
A remediação de solos contaminados busca a inserção de técnicas de 
Engenharia (biológica, química e física), para que sejam retirados os contaminantes 
incidentes em solos e aquíferos, com retorno à forma ambientalmente saudável dos 
recursos em equilíbrio. 
A seguir, serão abordados alguns métodos mais conhecidos sobre a retirada de 
contaminantes, sobretudo com ação sobre a pluma de contaminação formada. Vamos 
conhecer?
A extração de vapores é uma técnica que utiliza motores a vácuo para mobilizar, 
externamente, contaminantes voláteis presentes no solo em camadas não saturadas, 
por meio do uso de bactérias aeróbias. Outra técnica que utiliza bactérias, mas como 
participantes fundamentais no processo é a biorremediação. Trata-se de uma técnica 
de utilização de microrganismos ou seres vivos maiores que atuam na recuperação das 
áreas contaminadas ao auxiliar na degradação das substâncias poluentes. Dessa forma, 
é passível de ser aplicada tanto na superfície quanto em meios subterrâneos, como 
mostrado no esquema da figura a seguir.
Figura 9 – Aplicação da biorremediação in situ
Fonte: httpswww.shutterstock.comptimage-vectorbioremediation-contaminated-soil-water-recovery-
adding-2097160063. Acesso em: 6 out. 2022.
196
No caso da utilização de bactérias degradantes, os materiais resultantes do 
processo de sintetização são CO2 e água, tornando a condição de contaminação redu-
zida. Para tanto, existe a necessidade de fornecer a essas bactérias o meio de degrada-
ção, para que elas consumam. Em geral, são controladas a temperatura, a inserção de 
oxigênio e a disponibilização de nutrientes. 
 
Além da biorremediação,a fitorremediação aposta na utilização de plantas 
capazes de degradar certas substâncias e retirá-las do solo. Pode ser realizada de forma 
in situ, com a criação de uma colônia de microrganismos no local; e com a retirada do 
material contaminado para outro local, com a indução do mesmo tratamento em meio 
externo. Pela solução biologicamente adequada e natural, trata-se de uma solução de 
baixo custo se comparada às demais. 
Saiba mais sobre a fitorremediação aplicada à retirada de chumbo com 
a leitura do artigo disponível em: http://www.univates.br/revistas/index.
php/cadped/article/view/1405/1165.Acesso em: 6 out. 2022.
INTERESSANTE
Já os sistemas de ingestão de ar têm como premissa abranger com bombe-
amento de ar as zonas saturadas e a água subterrânea, para causar o desprendimento 
dos COVs, que são captados como vapor.
A oxidação química é outro processo com a inserção de compostos muito 
oxidantes (peróxido de hidrogênio, permanganato de potássio etc.), que, em reação 
química, induzem a redução dos compostos orgânicos, os quais se transformam em água 
e gás carbônico. A mesma premissa é utilizada na técnica de estabilização, que insere 
compostos químicos que modificam a estrutura química dos contaminantes, sobretudo 
aqueles que contêm metais pesados, como cádmio, mercúrio, arsênio e chumbo. Tais 
processos in situ têm um menor custo de tratamento do solo pela possibilidade de 
resultado no local degradado. 
Além das técnicas apresentadas, existe a remediação do material fora da 
zona contaminada. De acordo com Gomes e Lanceiro (2019), as soluções de trata-
mento ex situ são associadas à remoção de solo com transporte e encaminhamento 
para o devido local, onde serão aplicadas técnicas físicas e químicas (extração de va-
por do solo, solidificação/estabilização, oxidação química, lavagem do solo, escavação 
e deposição em aterro), biológicas (agrorremediação - landfarming ou compostagem, 
por exemplo) e/ou térmicas (incineração ou incorporação em betuminoso, por exemplo).
197
O conhecimento geral fala que os tratamentos ex situ são eficientes e mais 
uniformes quanto à aplicabilidade da solução adotada, uma vez que garantem o 
tratamento de toda a amostra retirada e de forma rápida. Porém, em contraponto às 
técnicas in situ, essa solução é muito mais onerosa devido à retirada, ao transporte e à 
devolução. Em pilhas formadas (ou biopilhas) podem ser administradas as técnicas de 
oxidação química, lavagem e outras.
3 DISPOSIÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS MUNICIPAIS
A disposição de resíduos em território nacional é regida pela Lei n. 12.305/2010, 
de Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que dá as diretrizes para o gerencia-
mento de resíduos sólidos para os órgãos públicos, responsáveis pela coleta domiciliar 
e para as empresas privadas de geração de rejeitos industriais. 
Comumente, no Brasil, foi adotada a disposição de resíduos de solos sem 
controle técnico necessário em lixões. Como forma de minimização dos impactos 
causados, alguns municípios passaram a dispor seus resíduos com a técnica de aterro 
controlado, que não atinge condições ambientalmente adequadas. 
3.1 LIXÕES 
O lixão é um vazadouro a céu aberto, sem nenhum controle ambiental no local 
ou tratamento prévio do lixo ali disposto. Nesse local aberto, as pessoas têm acesso 
livre e dispõem da atividade de catação de lixo como meio de vida. Social e ambien-
talmente, é a forma de deposição de resíduos que mais apresenta problemas a curto e 
longo prazos. Assim, projetos devem ser formados para erradicar os lixões e tratar o solo 
degradado por anos de exposição.
Figura 10 – Situação típica de um lixão
Fonte: https://bernatom.frIMGclientbanniere-recouvrement-de-dechets-clair.webp. Acesso em: 6 out. 2022
198
Em situações piores, existem as construções feitas sob antigos lixões. Esse tipo 
de edificação apresenta grande problema não só pela instabilidade do material para 
a fundação, mas pela contaminação da água e do solo por chorume e pela geração 
de gases inflamáveis advindos da decomposição de matéria orgânica, que ficam 
aprisionados sob as camadas de resíduos e podem se inflamar em contato brusco com 
o ambiente. 
Em seu Art. 15, a Lei n. 12.305/2010 menciona que a União é responsável por 
elaborar o PNRS, com vigência por prazo indeterminado e horizonte de 20 anos, a ser 
atualizado a cada quatro anos, observando a meta de eliminação (e recuperação) de 
lixões, bem como a inclusão social e emancipação econômica de catadores de materiais 
reutilizáveis e recicláveis (BRASIL, 2010). 
Já no Art. 16, a referida lei também direciona os Estados à elaboração de 
Plano Estadual de Resíduos Sólidos (PERS), que deve trazer as mesmas metas para a 
eliminação e recuperação de lixões, assim como aquelas relacionadas aos catadores 
(BRASIL, 2010).
A situação brasileira quanto aos lixões está longe de ser 
solucionada. Apesar da PNRS fomentar a erradicação dessa 
forma de disposição, a realidade ainda persiste em manter 
essa disposição antagônica a tudo que entendemos como 
boas práticas.
IMPORTANTE
Com a dificuldade de implementação dos aterros sanitários, a Lei n. 14.026/2020 
estabeleceu novos prazos de erradicação dos lixões e a implantação de solução 
ambientalmente adequada (BRASIL, 2020):
• até 2 de agosto de 2021, para capitais de Estados e municípios integrantes de região 
metropolitana (RM) ou de região integrada de desenvolvimento (ride) de capitais; 
• até 2 de agosto de 2022, para municípios com população superior a 100.000 habitan-
tes no Censo 2010, bem como para municípios cuja mancha urbana da sede munici-
pal esteja situada a menos de 20 quilômetros da fronteira com países limítrofes; 
• até 2 de agosto de 2023, para municípios com população entre 50.000 e 100.000 
habitantes no Censo 2010;
• até 2 de agosto de 2024, para municípios com população inferior a 50.000 habitantes 
no Censo 2010.
199
A disposição de resíduos sólidos em lixões é crime desde 1998, quando foi 
sancionada a Lei de Crimes Ambientais, principalmente, por seu alto grau de poluição 
ao ambiente. Além das mudanças de atitude das pessoas, as prefeituras têm grandes 
dificuldades financeiras de implementar melhores soluções, como os aterros sanitários, 
e, por vezes, têm optado pelo aterro controlado como uma forma de disposição 
intermediária, que trata da alocação de resíduos em camadas cobertas por solo. No 
entanto, ambientalmente, apenas traz a impermeabilização do solo com camada de 
argila (BRASIL, 1998). 
3.2 ATERROS CONTROLADOS
Os aterros controlados, por concepção, são meios de disposição de resíduos 
sólidos no solo, sem, tecnicamente, causar riscos à saúde e segurança, com minimização 
dos impactos ambientais. Essa minimização se dá com o confinamento dos resíduos e 
a aplicação de camada de solo após cada jornada de trabalho. 
Nesses casos, a NBR 8.849, que versava sobre a apresentação de projetos de 
aterros controlados de resíduos sólidos urbanos, tratava das condições mínimas de 
projeto dessas estruturas, porém está cancelada. É uma técnica utilizada, na maioria 
dos casos, sem controle técnico adequado, sem impermeabilização da base e sem 
tratamento de percolado, o que compromete o solo e as águas subterrâneas. Para os 
gases gerados, não há queima controlada. 
3.3 ATERROS SANITÁRIOS
Aterros sanitários, ao contrário de lixões e aterros controlados, são meios 
disposição de resíduos sólidos não reciclados de forma adequada, uma vez que utilizam 
normas técnicas vigentes e boas práticas de Engenharia para ordenar suas operações 
e o controle ambiental.
São meios complexos de disposição que buscam reduzir os impactos 
ambientais, eximindo os danos à saúde pública e segurança no entorno. Nesse meio 
de disposição, existe uma separação previa de materiais potencialmente recicláveis e 
da matéria orgânica dentro da chamada Usina de Triagem e Compostagem (UTC). O 
material rejeitado pela UTC é disposto no aterro sob compactação de camadas, com 
sistema de impermeabilização com coleta e tratamentodo chorume. Além disso, os 
gases produzidos na decomposição da matéria disposta são captados e direcionados à 
queima controlada. 
Tomando como base um projeto básico de aterro sanitário é necessário ter 
algumas perspectivas prévias em mente:
200
1. Qual é a população atendida?
2. Qual é a vida útil prevista para o aterro? (A legislação exige tempo mínimo de dez anos)
3. Qual é a produção de lixo per capita? (kg/hab.dia)
4. Qual é a massa específica característica do resíduo gerado pela população? (t/m³)
Qual é a altura de empilhamento dos resíduos? (Em geral, 3 a 5 metros são aceitáveis)
Mancini (2022) nos mostra um cálculo simplificado de uma área para a disposição 
de resíduos em aterro sanitário, considerando uma cidade hipotética de um milhão de 
habitantes, além do requisito de 20 anos de vida útil do aterro. São dados: 
• geração per capita de 1kg/hab.dia; 
• massa específica do resíduo: 0,7 t/m³; 
• altura de empilhamento: 5 metros.
Considerando a geração per capita e a população dada, tem-se a geração de 
1.000.000 kg/dia e um valor anual de 365.000.000 kg/ano ou 365.000 t/ano, obtidos por 
multiplicação simples:
Gerdiária = Gerper capita x hab
Geranual = Gerdiária x dias
Nesse caso, temos que:
• Gerdiária = geração de resíduos per capita diária (kg/dia ou t/dia);
• Geranual = geração de resíduos anual (t/ano ou t/ano);
• Gerper capita = geração per capita; 
• hab = número de habitantes;
• dias = número de dias no ano.
Considerando os 20 anos de vida útil do aterro, por multiplicação simples, 
conseguimos encontrar o montante de 7.300.000 toneladas. É importante ressaltar que 
a mudança de hábitos da população ao longo desse período de tempo pode reduzir ou 
acelerar a vida útil do aterro. A equação utilizada é Gertotal = Geranual x anos, em que:
Gertotal = geração total de resíduos ao longo da vida útil de projeto (ton);
Geranual = geração de resíduos anual;
anos = tempo de vida útil do aterro sanitário.
O consumo de plástico, por exemplo, sendo um material que pouco se 
compacta, tende a consumir mais área do que o necessário. Seu consumo excessivo 
para a população sem reciclagem pode diminuir a vida útil em termos de disposição 
de área no aterro. Por isso, a cada ano, deve ser reavaliada a previsão de vida útil do 
aterro: em um ano, foi completada a área que foi esperada em projeto ou foi necessária 
a complementação diante do volume extra gerado?
201
Essa condição pode ser observada pela massa específica gerada. Tem-se 
7.300.000 toneladas, com massa específica de 0,7 t/m³, logo, são gerados 10.249.000 
m³ ao longo da vida útil prevista do aterro. A equação utilizada é Volresíduos = , 
em que:
• Volresíduos = volume final de resíduos no aterro (m³);
• Gertotal = geração total de resíduos ao longo da vida útil de projeto (m³);
• ρresíduos = massa específica dos resíduos (t/m³).
Deve-se, então, considerar o volume a mais sobre o encontrado anteriormente, 
de 20% de solo para aterrar o material. Desse modo, serão, ao final, 12.514.880 m³ de 
volume total, sendo 2.085.800 m³ a parcela referente ao solo de cobertura. A equação 
utilizada é Voltotal = Volresíduos x 1,20, em que:
• cc = volume total de resíduos e solo de cobertura (m³);
• Volresíduos = volume total de resíduos (m³).
Tomando como base a altura premeditada do aterro em 5 metros, têm-se uma 
área necessária de 2.503.000 m². A equação utilizada é Aquadrado = , em que:
• Aquadrado = área do quadrado ou área pré-determinada (m²);
• Voltotal = volume total de resíduos e solo de cobertura (m³);
• h = altura (m).
Lembrando que, nesse caso, estamos considerando uma área de um quadrado, 
de faces de 1.582 metros e 5 metros de altura. Não se pode, no entanto, construir talu-
des com inclinação de 90°, tal como se dá nesse cálculo. 
São recomendadas a adoção de taludes com inclinação de 1:1 para avaliar a 
estabilidade, podendo, inclusive, ser necessária a adoção de inclinações mais suaves. 
Dessa forma, a área disponível se torna menor, sendo necessária a disposição de 
materiais em camadas. 
4 CONTRUÇÃO DE BARRAGENS, DIQUES E ATERROS
A construção de aterros de solo compactado é similar ao desenvolvimento do 
aterro sanitário, excetuando-se pelo tipo de material utilizado. Nesse caso, utiliza-se 
um material mais homogêneo, de caracterização bem definida, podendo ser adotados, 
então, critérios de projeto mais ousados, conforme a situação permitir (maiores alturas, 
inclinações).
202
Frente a isso, vamos estudar, agora, em maiores detalhes, sobre a construção 
de uma barragem, a qual abrange a idealização tanto do dique quanto do aterro. A 
construção desse tipo de estrutura precede as técnicas de compactação convencional 
e terraplenagem com a utilização de solos adequados para o resultado esperado. 
 
Um dique ou uma barragem tem a finalidade de conter material em represa-
mento, podendo ser temporário ou de tempo indeterminado. A área de empréstimo para 
retirada de material para compor o aterro que dará forma ao dique de partida ou à barra-
gem deve ter localização próxima da área de trabalho, para diminuição de custos, tendo 
como requisito a apresentação de resistência favorável dada à situação de extrema 
compressibilidade causada pela sobrecarga do terreno.
A figura a seguir nos mostra a constituição dos elementos básicos de constru-
ção de uma barragem de terra. São enumerados taludes de montante e jusante, crista, 
folga (ou borda livre), dreno de pé e fundação, além do extravasor que diminui o nível de 
água retida.
Figura 11 – Elementos de uma barragem de terra
Fonte: ANA (2016)
O aterro ou maciço de uma barragem é a parte visual que, propriamente, vemos 
da estrutura. Quando é direcionada a contenção de rejeitos, a planta de beneficiamento 
envia para o barramento o material a ser contido. No caso de contenção de água, co-
mumente é feita uma interceptação de um curso d’água, que é represado até a cota 
máxima útil da barragem. Sua construção é observada no quadro a seguir. Acompanhe!
203
Quadro 3 – Construção de uma barragem de terra
Fonte: adaptado de Exemplos (2011)
Os taludes do maciço, por outro lado, podem ser definidos pela sua localização a 
montante (ao lado do reservatório) ou a jusante (face externa da barragem). Em termos 
de projeto, coloca-se o talude de montante em constituição mais inclinada do que o de 
jusante, para que o último seja mais estável, enquanto o outro se mantém como uma 
barreira para o reservatório.
Quadro 4 – Taludes de jusante e montante
Fonte: Adaptado de Exemplos (2011)
204
A crista do maciço, por outro lado, é a componente em maior cota do talude do 
maciço, sendo a sua parte superior (em geral, onde se compõe uma estrada) e é possível 
a passagem de carros, pessoas e veículos de manutenção. Para seu cálculo, pode-se 
adotar a seguinte fórmula: , em que:
• C = largura da crista do maciço (m);
• H = altura da barragem (m).
Oponente à parte mais alta, a base do maciço, também conhecida como “sopé”, 
é alocada sobre o terreno e a fundação da barragem. O comprimento transversal da 
base do maciço pode ser calculado pela fórmula a seguir, tomando como base dados 
prévios obtidos: B = C + (Zm + Zj ) x H, em que temos o seguinte:
• B = seção transversal da base do maciço (m);
• C = largura da crista da barragem (m);
• Zm = projeção horizontal do talude de montante;
• Zm = projeção horizontal do talude de jusante;
• H = altura da barragem (m).
Uma medida importante para assegurar o nível do reservatório e a proporção de 
contenção da barragem é a borda livre. Tal instrumento nada mais é do que a distância 
vertical entre o espelho d’água e a crista da barragem. O aumento ou a diminuição dessa 
distância indica graus de risco quanto ao transbordamento da barragem, a provável 
necessidade de abertura de vertedouros para eliminação de parte da água contida e, 
consequentemente, o rebaixamento do nível.
O núcleo da barragem, em sua construção, tem a função de manter a estrutura 
a jusante isenta de saturação.Geralmente, é constituído de argila e tem a função, jun-
tamente com os drenos, de impedir o avanço de qualquer linha freática sob o talude de 
jusante, evitando um colapso. O núcleo fica diretamente ligado à fundação da barragem.
205
Quadro 5 – Constituição da fundação de uma barragem
Fonte: Adaptado de Exemplos (2011)
Como visto no quadro anterior, a fundação de uma barragem, diferentemente 
da fundação de um edifício, é feita com a abertura e limpeza de material de determina-
da área, de modo a encontrar um material consolidado que possa sustentar o peso que 
será aplicado. Caso não seja possível encontrar um material com tal qualidade, técnicas 
de melhoramento de solos e rochas podem ser utilizados para aumentar a resistência 
do material. 
É importante lembrar que o material de fundação deve se tornar impermeável, 
para que a estanqueidade da estrutura seja mantida. A ANA (2016) recomenda a 
utilização de trincheiras de vedação e cortinas de injeção de cimento para casos em que 
a fundação necessita de reforço. Também são recomendados o tapete impermeável de 
argila ou geossintético e a utilização de drenagem interna com filtros. 
206
O volume de solo considerado para compor a geometria delimitada para o aterro 
deve seguir o aumento de proporção por meio do adicional de empolamento do solo. 
Isso se dá porque o solo, na sua jazida natural, já possui um grau de compactação pelo 
tempo em que se manteve no local, sofrendo toda a sorte de tensões. Quando se faz a 
escavação para a retirada do solo na jazida, esse material se torna solto e ganha volume. 
Dessa forma, é necessário aumentar a quantidade retirada desse volume para atender 
aos preceitos do volume de projeto. 
Existem tabelas de autores que predispõem fatores de empolamento de acordo 
com o tipo de solo. Nesse caso, utilizaremos para um solo argiloso hipotético o fator de 
empolamento de 1,30. Sendo o volume necessário para o aterro calculado de 3.463 m³, 
o volume retirado da jazida será de 4.501,9 m³. Tomando como base um caminhão de 
6 m³, serão necessárias 751 viagens para o transporte da jazida até o local de depósito 
para construção. 
Ainda tomando como base o valor hipotético de uso de dois caminhões reali-
zando 35 viagens ao dia cada um, serão gastos, aproximadamente, 11 dias para a reti-
rada de material. A partir desse ponto, executam-se as técnicas comuns de terraplena-
gem e compactação, tal como as premissas de projeto.
Claramente, tendo estabelecida a seção típica da barragem, é necessária a 
realização de análises de estabilidade para a confirmação da segurança da estrutura, 
sem carregamento e com carregamento (antes, durante e após o enchimento). Só com 
essa conformidade será possível prosseguir com o projeto; caso contrário, é necessário 
realizar ajustes na geometria delimitada.
207
Neste tópico, você aprendeu:
• como se dá a remediação de solos feita nas formas in situ e ex situ (no local con-
taminado e com o transporte do material), verificando suas principais vantagens e 
desvantagens, além de aplicabilidade para adoção em situações típicas de solos 
degradados;
• a necessidade de erradicação dos lixões e aterros controlados, que não são formas 
de disposição adequadas, bem como a dificuldade de implementação de novas solu-
ções por parte dos órgãos públicos;
• o cálculo preliminar de uma seção de aterro sanitário, envolvendo área necessária, 
volumes necessários de solo e composição da geração per capita de resíduos sólidos 
por habitante, ao ano e ao final da vida útil programada;
• a composição de um estudo básico de volumes e geometria de aterros em diques e 
barragens, para posterior compactação e terraplenagem, assim como a obtenção de 
estruturas estáveis e bem dimensionadas.
RESUMO DO TÓPICO 2
208
AUTOATIVIDADE
1 Na construção de aterros, são definidas geometrias asseguradas por análises de 
estabilidade que possuem volumes de solo, os quais se utiliza como base para a 
execução da compactação e terraplenagem. Na diferenciação de volumes advindos 
de cortes em jazidas com os volumes necessários em projeto, é necessário aplicar 
uma taxa. Sobre essa taxa e sua denominação, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Taxa de empolamento.
b) ( ) Taxa de empilhamento.
c) ( ) Taxa de contração.
d) ( ) Taxa de dilatação.
2 Um aterro sanitário é, atualmente, o método mais seguro de disposição ambiental-
mente adequada de resíduos sólidos domésticos e de varrição pública, ainda que 
pouco presente no território nacional. Assim, com base nas definições do projeto de 
aterro sanitário, analise as sentenças a seguir:
I- A massa específica dos resíduos sólidos é igual em qualquer época da vida útil 
programada para o aterro sanitário. 
II- A geração diária de resíduos sólidos é tomada como base da população residente.
III- O projeto de aterro sanitário deve ter vida útil mínima de dez anos.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a sentença II está correta.
c) ( ) As sentenças II e III estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença III está correta.
3 Barragens são estruturas constituídas de múltiplos elementos que, juntos, provêm 
a estrutura e a geometria características de um barramento. De acordo com os 
elementos de uma barragem de terra constituídos de solo, classifique V para as 
sentenças verdadeiras e F para as falsas:
( ) Talude de montante.
( ) Extravasor.
( ) Fundação.
209
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V - F - F.
b) ( ) V - F - V.
c) ( ) F - V - F.
d) ( ) F - F - V.
4 Nem sempre os locais onde se pretende constituir uma barragem têm qualificação 
técnica adequada para a obra. Para isso, foram criadas técnicas de tratamento dos 
solos e das rochas locais, visando à adequação. Frente a isso, disserte sobre as 
possibilidades de tratamento de fundações em barragens de terra. 
5 Os aterros sanitários são estruturas do futuro, compostas para trazer maior controle 
técnico e ambiental para a disposição de rejeitos sólidos. No entanto, o Brasil ainda 
apresenta baixa taxa de aterros, sobretudo nas regiões norte e nordeste, precedendo 
a utilização de lixões. Nesse contexto, disserte sobre as dificuldades de erradicação 
de lixões no Brasil. 
210
211
TÓPICO 3 — 
NOÇÕES DE PROJETOS DE CONTENÇÃO 
E ESTABILIZAÇÃO DE ENCOSTAS
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO 
No território brasileiro, a estabilidade de taludes em encostas é dada pela NBR 
11.682/2009, na qual se pode observar as condições necessárias para averiguar a 
segurança dos maciços sem e com intervenção (ABNT, 2009). 
Na necessidade de intervenção para aumentar o fator de segurança em solos e 
rochas, existem estruturas capazes de fornecer suporte e elevar a estabilidade em lo-
cais de fragilidade. Dentre essas estruturas, podemos mencionar os muros de gabião, os 
muros de flexão e os muros de gravidade, além de alternativas mais robustas, a exem-
plos dos solos grampeados e das cortinas atirantadas. Contudo, quando se quer alterar as 
condições de comportamento do solo sem uso de novas estruturas formadas, é possível 
utilizar as técnicas de melhoramento ou estabilização, que visam aumentar a resistência 
do solo ao cisalhamento, diminuir a permeabilidade e/ou aumentar seu peso específico. 
Assim, neste tópico, estudaremos algumas noções de projetos em Geotecnia 
Ambiental. Dentre elas, nos aprofundaremos nas estruturas de contenção de rochas e 
solos, bem como nos métodos de estabilização de solos. Vejamos!
2 ESTRUTURAS DE CONTENÇÃO 
Os muros de arrimo são estruturas de contenção que têm como objetivo pre-
venir que o solo se desloque e assuma uma inclinação mais instável. Essas estruturas 
podem ser divididas em três classes específicas, a saber:
• muros de flexão;
• muros de gravidade;
• muros de gabião.
Os muros de gravidade têm a característica de serem mais robustos do que 
os outros exemplos, uma vez que sustentam o solo apenas com o seu peso próprio, 
composto de concreto. O muro de gabiãoé um exemplo parecido com o muro de 
gravidade, uma vez que também se utiliza do seu peso próprio para estabilizar a massa 
de solo, porém, nesse caso, o muro se compõe de peças pré-moldadas de enrocamento 
envolto por telas, as quais são instaladas no local, sobrepondo as camadas. Por outro 
lado, os muros	de	flexão trabalham com o aço em auxílio ao baixo peso próprio, que se 
torna necessário nesse caso específico para estabilizar o talude.
212
Quadro 6 – Exemplos de muros de arrimo
Fonte: Adaptado de Prefeitura (2022), Prefeitura (2010) e Beatriz (2022)
Dentro dessa classificação, muitas soluções ambientalmente adequadas têm 
sido utilizadas para dar um destino melhor aos resíduos e, conjuntamente, auxiliar na 
contenção de solos, conforme mostra o quadro a seguir. Aliás, trata-se de métodos 
muito bem-vindos para locais de comunidades carentes, onde existem problemas 
acelerados de ocupação desordenada e disposição de resíduos sólidos. 
Quadro 7 – Alternativas de muros de arrimo com utilização de materiais e resíduos
213
Fonte: adaptado de Massena (2020) e Costa, Cunha e Oliveira (2018)
Trata-se de um material de fácil trabalhabilidade, que pode ser revegetado para 
melhorar a estética. 
Apesar das diferenças nítidas, todas as alternativas passam por três etapas do 
dimensionamento de muros de arrimo, que podem se dividir em:
1. pré-dimensionamento;
2. definição dos empuxos atuantes;
3. verificação da estabilidade (tombamento, escorregamento e ruptura do terreno).
Para um dimensionamento, tomaremos como exemplo o método proposto por 
Moliterno (1994) para muros de gravidade com as seguintes definições de cálculo para a 
geometria do muro em estilo clássico (perfil L), conforme a figura.
Figura 12 – Exemplo de muro de gravidade
Fonte: a autora
214
Quanto ao comprimento da base (bs ) em função da altura (h), temos bs = 0.5.h. 
Quanto à largura útil da seção da parede (di ) em função do momento de empuxo 
ativo (M), temos que di = 10.√M. Já no que diz respeito à espessura da base da parede 
(ds) em função da largura útil (di ), sendo, obrigatoriamente, maior do que di , temos 
ds = di + cobrimento ∴ ds = 0,67% × t. Por fim, para o momento de empuxo ativo (M), 
utilizamos M = E x y, em que:
• M = momento do empuxo ativo (tf/m);
• E = empuxo ativo (tf/m);
• y = distância da aplicação do empuxo (m).
Quanto à espessura do topo do muro (d0 ), deve ser o mínimo possível, 
conforme diâmetro do agregado, em que temos as seguintes classificações:
• para brita tipo 2: d0 = 10cm;
• para brita tipo 3: d0 = 15cm.
Ainda, temos a altura da ponta (r) (espaço pontilhado), com largura de 15 ou 20 
cm, em que usamos a equação . 
Em seguida, é necessário realizar o cálculo dos empuxos de terra atuantes na 
estrutura, aqui adotando a Teoria de Rankine para solos não coesivos: E = K x γ x H, em 
que:
• E = empuxo;
• K = coeficiente de empuxo;
• γ = peso específico do solo (kN.m³);
• H = desnível.
Avaliando a possibilidade de o empuxo ser passivo ou ativo, a interação solo-
muro na forma do coeficiente de empuxo pode ser calculada em função do ângulo de 
atrito do solo (∅):
• empuxo ativo (Ka ) = Ka = ;
• empuxo passivo (Kp ) = Kp = .
Feito isso, é necessário realizar as verificações dos muros de arrimo quanto aos 
coeficientes de segurança. Nesse caso, começamos com o escorregamento, tendo 
FSE > 1.5.
=
215
=
Nesse caso, temos o seguinte:
• T = força de atrito resistente; 
• RE = empuxo resultante; 
• c' = coesão do solo; 
• σ’ = tensão do muro sobre o solo; 
• N = carga vertical; 
• Ab = área da base; 
• ∅ = ângulo de atrito do solo.
Agora, para verificar o tombamento, tendo FST > 2,0, usamos , em que:
• MR = momento fletor resistente;
• MT = momento fletor de tombamento.
Outra verificação importante é a tensão que o muro de arrimo está aplicando 
sobre o solo, a qual deve ser inferior à tensão admissível desse solo em questão.
3 MÉTODOS DE ESTABILIZAÇÃO 
Os métodos de estabilização, no início de sua utilização, eram somente des-
tinados à construção de estradas, quando era necessária a melhoria de solos in loco, 
desprezando a retirada de grande quantidade de material de jazidas pelo alto custo e 
pela alta demanda. 
Para a concepção de estradas, além da conhecida compactação em campo, 
foram desenvolvidas técnicas de estabilização química de solos com produtos alcalinos 
(cal, cimento). Em outras vertentes, como nas fundações, foram utilizadas técnicas 
físicas, como a de congelamento.
3.1 ESTABILIZAÇÃO MECÂNICA DE SOLOS
A compactação de solos é a forma mais conhecida de estabilização mecânica 
de solos, sendo que já é comumente utilizada como uma alternativa de aumento da 
estabilidade na construção civil em geral. Sua aplicabilidade vai de pequenas obras (com 
pequenos equipamentos) até grandes execuções, com uso de rolos compactadores.
216
Quadro 8 – Equipamentos de compactação
Fonte: a autora
A compactação é um fenômeno que, com o auxílio de um teor de umidade dado 
como ótimo para aquele solo, atinge sua máxima densidade específica, tendo, portanto, 
a maior aglomeração de partículas atingível para aquele material. Nessas condições, a 
resistência é maior devido à junção e ao contato entre partículas, sendo que a qualidade 
do solo é melhorada. Para tanto, existem meios de fazer a reorganização e perda de 
vazios ocupados por ar, tanto nos solos arenosos quando nos solos argilosos. 
Os solos arenosos são compactados com o uso do rolo liso ou vibratório, que 
age de forma específica nesses solos. Uma vez que não tem coesão, o equipamento age 
com vibração para que as partículas se rearranjem e consigam se incorporar da melhor 
forma, eliminando os vazios e tornando a estrutura do solo mais densa.
217
3.2 ESTABILIZAÇÃO QUÍMICA DE SOLOS
Na estabilização química de solos, existe a ação de agentes alcalinos que, 
sobretudo no contato com os solos tropicais, tendem a criar reações de calcificação, 
aumentando o diâmetro das partículas por cimentação e criando uma estrutura mais 
estabilizada frente à nova estrutura formada. A presença de argilominerais tende a 
aumentar a capacidade de estabilização de um solo, sendo, portanto, os solos tropicais 
lateríticos os principais suscetíveis a essas reações.
O agente aglomerante, que pode ser a cal, o cimento e os resíduos de indústria, 
como a lama de cal, agem como floculantes, ajuntando grupos de partículas. 
No caso dos solos argilosos, são utilizados os rolos de pé de carneiro, em que, 
pela aplicação combinada de passagens com as “patas”, é possível densificar esse solo 
com intercalagem de passadas, ora atingindo determinada área, ora não. 
Quadro 9 – Estabilização de solo com cimento e cal
Fonte: Adaptado de Preparo (2019), Gomez et al. (2005) e Moreira (2015)
218
Sua ação pozolânica assegura a resistência da estrutura. Assim, são criadas as 
misturas solo-cimento e solo-cal, assim como a solo-betume ou emulsão betuminosa.
Acompanhe, a seguir, as normas que ditam as condições para as 
misturas de solo-cimento e solo-cal para o território brasileiro, 
relacionadas à estabilização de camadas para estradas.
• solo-cal: https://bit.ly/3rNXUH2; 
• solo-cimento: https://bit.ly/3Tca1JAf. Acesso em: 6 out. 2022.
DICA
As reações químicas de estabilização com materiais de pH alto, como o cimento 
e a cal, podem ser explicados pelas equações seguintes:
• Ca(OH)2 → Ca2+ + 2(OH)— 
• Ca2+ + 2(OH)— + SiO2 (formando o silicato hidratado de cálcio) → CaOSiO2H2O
• Ca2+ + 2(OH)— + Al2O3 (formando o aluminato hidratado de cálcio) → CaOAl2O3H2O
Quadro 10 – Aplicação de aditivos químicos no solo
Fonte: adaptado de Gomez et al. (2005)
Aditivo Caracterização
Cimento
Solo-cimento é uma mistura devidamente compactada de solo. cimento Portland 
e água, que deve satisfazer certos requisitos de densidade, durabilidade e resis-
tência, dando como resultado um material duro, cimentado e de acentuada

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