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1 www.medresumos.com.br ✓ Eduardo Toaza ✓ Endocrinologia 
 
HIPERPARATIREOIDISMO 
INTRODUÇÃO: 
 O hiperparatireoidismo é um distúrbio frequente que resulta da hipersecreção 
do paratormônio (PTH). 
 O hiperparatireoidismo primário é a causa mais comum de hipercalcemia! 
 Mais frequente após os 40 anos e predomina em mulheres. 
 Pode se manifestar em qualquer idade e quanto mais precoce for seu início 
maior é a chance de ser hereditário/familiar. 
 Prevalência: 1-7 casos por 1.000 adultos. 
 
ETIOLOGIA: 
 Adenoma solitário da paratireoide: 80-90% dos casos! 
 Hiperplasia de duas ou mais glândulas: quase todo o restante. 
 Carcinoma paratireoidiano: cerca de 1%. 
 Incidência aumentada de hiperparatireoidismo tem sido relatada 
em indivíduos expostos à radiação. 
 
SÍNDROMES GENÉTICAS: 
 O hiperparatireoidismo está associado a algumas síndromes, são elas: 
 NEM-1. 
 Embora >90% dos pacientes com NEM-1 cursem com 
hiperparatireoidismo, a NEM-1 é rara em pacientes com 
hiperparatireoidismo (2-4% dos casos). 
 NEM-2A. 
 NEM-4. 
 Síndrome de hiperparatireoidismo-tumor de mandíbula. 
 Hiperparatireoidismo familiar isolado. 
 
FISIOPATOLOGIA: 
 Todas as formas de hiperparatireoidismo são caracterizadas pela secreção 
excessiva de PTH, entretanto, é importante saber diferenciar os tipos: 
PRIMÁRIO  a doença começa na própria glândula. 
SECUNDÁRIO  algum fator sistêmico gera resistência e resulta numa 
produção excessiva de PTH. 
TERCIÁRIO  hiperparatireoidismo secundário em que o tecido glandular 
transformou-se e tornou a secreção de PTH autônoma (neoplasia). 
 
2 www.medresumos.com.br ✓ Eduardo Toaza ✓ Endocrinologia 
 
 
QUADRO CLÍNICO: 
 A apresentação clínica mais comum é a hipercalcemia assintomática 
detectada por rastreio bioquímico de rotina. 
 Os sintomas incluem anorexia, náuseas, obstipação, polidipsia e poliúria. 
 Podem acontecer anormalidades como litíase renal e doença óssea (osteíte 
fibrosa cística). 
 
DIAGNÓSTICO: 
 Para fazer o diagnóstico é necessária apenas a demonstração laboratorial 
de hipercalcemia associada ao aumento do PTH, independente de 
sintomas. 
 Hipercalcemia: cálcio total > 10.5 mg/dl ou cálcio ionizado > 5.5 mg/dl. 
 PTH aumentado: PTH > 65 pg/ml. 
 Lembrar da fórmula do cálcio corrigido: 
Cálcio corrigido = cálcio total medido + 0.8 x (4 - albuminemia do 
paciente). 
 Outras alterações frequentes na bioquímica plasmática são a acidose 
metabólica hiperclorêmica e a hiperuricemia. 
 Na urina espera-se encontrar hipercalciúria, pois devido à hipercalcemia os rins 
precisam excretar mais cálcio. 
 Métodos de imagem não são obrigatórios, mas geralmente são feitos para o 
direcionamento da indicação cirúrgica (US, CINTILO, TC, RNM, DMO e RX). 
 Achados no raio-x: reabsorção periosteal das falanges, cistos 
ósseos, crânio em “sal e pimenta” e coluna vertebral em “camisa 
de rugby”. 
 
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL: 
o Hipercalcemia humoral do câncer: é uma frequente síndrome paraneoplásica, 
geralmente associada a cânceres de mama, pulmão e pâncreas. O PTH se 
encontra suprimido. 
o Mieloma múltiplo: as células tumorais secretam citocinas que estimulam a 
atividade dos osteoclastos e, consequentemente, isso resulta em 
desmineralização óssea e hipercalcemia. 
o Sarcoidose. 
o Intoxicação por cálcio ou vitamina D: por causa de suplementos. 
o Imobilização prolongada. 
o Hipercalcemia hipocalciúrica familiar benigna. Nesse caso a calciúria estará 
reduzida. 
o Hipercalcemia espúria. 
 
3 www.medresumos.com.br ✓ Eduardo Toaza ✓ Endocrinologia 
TRATAMENTO: 
 Embora o tratamento definitivo para o hiperparatireoidismo seja a 
paratireoidectomia, os indivíduos assintomáticos e sem fatores de risco 
podem ser acompanhados rotineiramente. Esses pacientes devem ser 
orientados a manter uma boa hidratação e evitar diuréticos tiazídicos e terapia 
com lítio, devido ao efeito hipercalcêmico dessas drogas. 
 Nas mulheres pós-menopausa, a reposição de estrogênio pode ajudar a 
reduzir a calcemia e também melhorar a densidade mineral óssea. 
TRATAMENTO MEDICAMENTOSO 
 Cinacalcete: agente calcimimético que atua aumentando a sensibilidade do 
receptor do sensor de cálcio (CaSR) aos níveis circulantes de cálcio, 
reduzindo, assim, a secreção de PTH e a calcemia. Efeitos colaterais: náuseas 
e vômitos. 
 Bifosfonatos: o uso do alendronato gera ganho de massa óssea na coluna 
lombar e no colo do fêmur, além de reduzir os marcadores da remodelação 
óssea. Pode-se usar intravenosamente em casos de hipercalcemia grave. 
 Denosumab: anticorpo monoclonal direcionado contra o RANKL, reduzindo a 
ativação dos osteoclastos. 
 Vitamina D: está indicada apenas se houver deficiência. Não costuma ocorrer 
piora da hipercalcemia. 
TRATAMENTO CIRÚRGICO 
 O tratamento definitivo consiste em paratireoidectomia, indicada para todos 
os pacientes sintomáticos e para assintomáticos selecionados. Também é 
a terapia de escolha para mulheres grávidas, crianças e adolescentes. 
 Critérios para indicação cirúrgica de pacientes assintomáticos: 
- Cálcio sérico > 1 mg/dL. 
- Clearance da creatinina < 60 mL/min. 
- Escore T < -2,5. 
- Idade < 50 anos. 
- Impossibilidade de acompanhamento do paciente. 
 A cirurgia tradicional é a exploração cervical bilateral com identificação de 
todas as paratireoides e retirada daquelas que se mostrarem anormais. Caso 
se encontrem múltiplas glândulas aumentadas, retiram-se três delas e a 
metade daquela com aspecto mais normal (paratireoidectomia subtotal). 
 A cura é conseguida em 95 a 98% dos casos (com bons cirurgiões). A 
cirurgia bem-sucedida leva à normalização da calcemia (no prazo de 4 a 12 
horas) e outros índices bioquímicos, como PTH e marcadores do turnover 
ósseo. Entretanto, o PTH pode permanecer elevado em alguns pacientes. 
 Complicações: sangramento, hipocalcemia pós-operatória e lesão do nervo 
laríngeo recorrente. 
 
CARCINOMA DE PARATIREOIDE: 
 No carcinoma de paratireoide o tratamento de escolha é a cirurgia. A 
suspeita pré-operatória e o reconhecimento intraoperatório com exploração das 
4 glândulas são muito importantes. 
 O procedimento de escolha é a ressecção em bloco com retirada da lesão, do 
istmo e lobo ipsilaterais da tireoide e de linfonodos traqueoesofágicos, 
paratraqueais e mediastinais superiores. 
 Existe possibilidade de cura quando se consegue retirada completa do tumor. 
 Recorrências acontecem em mais de 50% dos casos, geralmente após 2 a 3 
anos do procedimento. As recorrências devem ser reabordadas. No caso de 
recorrência, a cura é improvável, com 40% a 86% de sobrevida em 5 anos. As 
metástases devem ser ressecadas, quando possível, com o objetivo de reduzir 
os níveis de cálcio. 
 
4 www.medresumos.com.br ✓ Eduardo Toaza ✓ Endocrinologia 
REFERÊNCIAS: 
1. Endocrinologia Clínica: 6ª edição, 2016 Vilar, Lúcio. 
2. MEDCURSO 2018.

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