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❖ DIREITO COMO REGRA DE CONDUTA ❖ A ORIGEM DA EXPERIÊNCIA JURÍDICA ● Teoria Normativista ● Teoria Institucionalista ● Teoria Estadista ● Teoria da Relação Intersubjetiva ● Teoria Tridimensional do Direito ❖ A NORMA COMO PROPOSIÇÃO E FUNÇÕES ❖ TESES REDUCIONISTAS 1 e 2 ❖ NORMA JURÍDICA COMO PROPOSIÇÃO PRESCRITIVA HIPOTÉTICO CONDICIONAL --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- ❖ A IMPERATIVIDADE E O DIREITO ❖ TEORIA IMPERATIVISTA DO DIREITO ❖ CRÍTICAS À TEORIA IMPERATIVISTA ● Imperativo Impessoal ● Norma Técnica ● Teorias Mistas: permissiva exclusiva, permissiva parcial e regra final ❖ TEORIAS ANTIMPERATIVISTAS/NEGATIVAS ● Juízo Hipotético ● Juízo de Valor ❖ CLASSIFICAÇÃO DOS IMPERATIVOS --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- ❖ DIREITO E SANÇÃO ❖ CRITÉRIOS DISTINTIVOS ENTRE A NORMA MORAL, SOCIAL E JURÍDICA ❖ TEORIA SANCIONISTA DO DIREITO ❖ CLASSIFICAÇÃO DAS SANÇÕES ❖ CRÍTICAS À TEORIA SANCIONISTA ● Teoria da Adesão Espontânea ● Teoria da Norma sem Sanção ● Teoria do Ordenamento sem Sanção ● Teoria da Redução ao Infinito ❖ DESTINATÁRIOS DA NORMA --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- ❖ VALIDADE FORMAL, VALIDADE FÁTICA E VALIDADE ÉTICA ❖ CONFUSÃO DOS CRITÉRIOS ❖ ÂMBITOS DE VALIDADE --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- ❖ CARACTERÍSTICAS DAS NORMAS JURÍDICAS ❖ CLASSIFICAÇÃO DAS NORMAS JURÍDICAS ● Quanto à imperatividade ● Quanto ao autorizamento ● Quanto à hierarquia ● Quanto à natureza da disposição ● Quanto à aplicação ● Quanto à autonomia legislativa ● Quanto à sistematização ❖ DIREITO COMO REGRA DE CONDUTA A norma jurídica tem caráter deontológico (preceito de dever-ser), com objetivo de conduzir o comportamento dos indivíduos em sociedade; surge das necessidades de ORGANIZAÇÃO SOCIAL, EDUCAÇÃO E SOCIALIZAÇÃO. ❖ A ORIGEM DA EXPERIÊNCIA JURÍDICA ● Teoria Normativista: a norma surge da própria norma; segundo Kelsen - teoria formalista (a norma para ser jurídica deve possuir determinada forma, não importando seu conteúdo) e essa forma é a proposição prescritiva. ● Teoria Institucionalista: surgiu na Itália, por Santi Romano e seu alvo era a teoria normativista; para Romano o direito nasce da passagem de um grupo inorgânico para uma sociedade organizada. Direito: corpo social (BASE) + organização - distribuição de funções (MEIO) = ordem (FIM) a que tende o direito; teoria pluralista (várias fontes). Críticas! Problema estrutural: para que a instituição designe funções e organize a sociedade, precisa da norma como pressuposto. Problema pragmático: organização criminosa seria fonte do direito, o que é inadmissível. ● Teoria Estadista: vários ordenamentos -> criação do Estado Moderno -> monopolização da produção jurídica (força/coação). Para essa teoria, só o Estado tem a força para aplicar a sanção, portanto só o Estado pode criar normas. teoria monista (única fonte: Estado). Críticas! Problema estrutural: norma como pressuposto para criação do Estado. Problema pragmático: quando se diz que o direito surge apenas do Estado, acaba excluindo os direitos particulares presentes que também são NJ (contratos). Essa teoria se aplica bem ao Direito Público, mas não ao Direito Privado ou Direito Internacional. ● Teoria da Relação Intersubjetiva: o direito nasce das relações jurídicas que possuem caráter bilateral (direitos e deveres para ambas as partes). Teoria liberal (núcleo/base subjetiva é o indivíduo): indivíduos livres e autônomos capazes de ditar as regras para si mesmos, estabelecendo entre si relação de direitos e deveres para ambos. Críticas! Problema estrutural: norma é pressuposto da relação intersubjetiva que requer indivíduos livres e autônomos (liberdade autorizada, garantida pela norma). Problema pragmático: se aplica bem ao Direito Privado, mas não ao Direito Público (impostos - Estado). ● Teoria Tridimensional do Direito: FVN (plano horizontal, sem hierarquia). Críticas! O problema reside em o teórico dizer que entre FVN não existe hierarquia. Para Kelsen, fato e valor são dependentes da norma, uma vez que fatos e valores só interessam ao Direito se forem jurídicos, ou seja, se desencadearem consequências jurídicas, o que é definido por uma norma. ❖ A NORMA COMO PROPOSIÇÃO E FUNÇÕES Do ponto de vista formal, a NJ é uma proposição prescritiva. ● Função declarativa, descritiva ou assertiva: descreve, declara estado de coisa no mundo (linguagem científica) - V ou F; ● Função expressiva: expressa sentimentos, emoção, vontade (linguagem poética), deve ser apenas autêntica, representa manifestação subjetiva; ● Função prescritiva: ordena, dá comandos, regula comportamentos, usa verbos no imperativo; necessária autoridade p/ exercer essa linguagem; Válida ou Inválida/Justa ou Injusta, não se aplica o caráter verdadeiro ou falso. Ex.: “É proibido matar.” Se alguém descumpre a norma, isso não faz a prescrição ser falsa. ❖ TESE REDUCIONISTA 1: Pode-se reduzir as proposições prescritivas a proposições descritivas. Faça X ---> Ou você faz X, ou lhe acontece Y (descreve condutas e consequências desagradáveis). PALAVRA-CHAVE: VERDADE Críticas: nem todas as normas tem consequências desagradáveis e continuam sendo normas (Todos são iguais perante a lei); ademais, um fato desagradável não é um termo descritivo, mas sim de valor, portanto subjetivo, pois o que é desagradável para um pode não ser para outro (“Ou você fecha a janela, ou a chuva molhará o carpete”), daí o comando não terá validade, não será capaz de influenciar o comportamento do destinatário se ele for indiferente àquela consequência; para que a norma seja considerada proposição descritiva, toda ela deve ser verdade (ex: ou você não mata, ou irá preso), ora, há pessoas que matam e não são presos, a punição não se mostrou verdadeira, pois não aconteceu, logo, não há como encaixar a teoria normativa na função declarativa, pois para isso, tudo no direito deveria ser verdadeiro. ❖ TESE REDUCIONISTA 2: Pode-se reduzir as proposições prescritivas a proposições expressivas. Eu desejo que você faça X (descreve uma vontade de quem fez a norma). PALAVRA-CHAVE: VONTADE DO LEGISLADOR Críticas: De fato a NJ surge da vontade do legislador, que é subjetiva. Porém, uma vez criada a NJ, caso haja mudança na vontade do legislador, a lei não irá mudar automaticamente, pois a norma sai da vontade do legislador e adquire natureza permanente (até que outra norma a revogue). Ademais, quando ele sai do poder, as leis permanecem, perduram no tempo. ❖ NORMA JURÍDICA COMO PROPOSIÇÃO PRESCRITIVA HIPOTÉTICO CONDICIONAL Frase com sentido lógico em sua unidade que impõe comandos de natureza hipotética (não cumprida por ser boa em si mesma, mas sim por ser um meio para se alcançar um fim) condicional (estabelece condutas e sanções, ou seja, sanção é consequência da norma - premial ou punitiva).Para Kelsen, a sanção (norma primária) é mais importante, pois o que garante a prestação da NJ é a sanção (ameaça). Forma da PPHC (duplo juízo hipotético) Se F é, deve ser P. (norma secund., estabelece a conduta lícita, capaz de evitar a sanção) Se P não é, deve ser S. (norma prim., estabelece sanção p/ determ. cond. ilícita) ATENÇÃO! Não confundir a PPHC com uma proposição descritiva condicional: SE chove, ENTÃO molha. ----------------------------- SE você matar, ENTÃO deve ser preso. 1.Relação de causalidade (natural) 1.Relação de obrigatoriedade (não é na- 2.Efeito imediato tural) 3.Para determinado ato/fato o resultado irá 2.depende de ato da aut. normativa a necessariamente acontecer partir da IMPUTAÇÃO da sanção ❖ A IMPERATIVIDADE E O DIREITO A NJ tem como elementos a imperatividade (comando), a sanção (consequência pelo cumprimento ou não do comando) e o destinatário. ❖ TEORIA IMPERATIVISTA DO DIREITO A teoria imperativista defende que o direito é constituído exclusivamente de imperativos, ou seja, a NJ deve ser imperativa (do tipo comando), caso contrário, não é NJ. Para essa teoria, a imperatividade é suficiente, devido ao reconhecimento da legitimidade por parte do comandado (cumprimento espontâneo). Comandante -----------------------> Comandado (relação intersubjetiva) impõe deveres Imperativo positivo: manda fazer algo (obriga) Imperativo negativo: manda não fazer algo (proíbe) Vertentes: estadismo (diz que o comando por si só não é suficiente, que o elemento fundamental é o Estado que é quem emana a norma e em consequência, efetiva o comando) e coativismo (reconhece os três elementos: a imperatividade, o Estado e a coação/força, mas diz que esse último é que é fundamental, ou seja, não é suficiente que o Direito seja um comando vindo do Estado, deve haver a coação (ameaça de sanção). ❖ CRÍTICAS À TEORIA IMPERATIVISTA 1) Teoria dos imperativos impessoais (Karl Olivercrona): esta teoria afirma que há uma diferença entre comandos e proposições imperativas. Para ele, apenas no comando é que se pode identificar quem é comandante e a quem o comando é direcionado; para ele, a NJ não está incluída nessa espécie, visto que em uma lei, não é identificado quem comanda, mas sim, apenas seus destinatários, denominando as NJ de imperativos impessoais (não há sujeito ativo determinado). Crítica: há NJ’s que são pessoais, como os contratos; essa teoria é radical e exclusivista, além de confundir impessoalidade com generalidade. A NJ é geral, mas não é impessoal. 2) Teoria da norma técnica (Adolfo Ravà): para esse autor, baseado nos estudos de Kant, a NJ é imperativo do tipo norma técnica. Norma ética: Você deve X (boa em si mesma, normas morais, categóricas) Norma técnica: Se você quer Y, deve X. (meio para alcançar um fim, norma hipotética) Crítica: quando se retira a prescrição, o Direito se equipara a outras normas que não são jurídicas, como por exemplo, as normas de um jogo. Devido a essa crítica, Kant, em estudo ulterior, afirma que existem dois tipos de norma técnica: - De fim possível: você pode até seguir as regras, mas não há garantia de que o fim será atingido (partida de futebol) - De fim real: cumpridas as regras (meio), obrigatoriamente se alcança o fim. Ou você faz X, ou (não) lhe acontece Y -> Y pode ser fim que quero (casar) ou fim que não quero (ser preso). Obs: pode acontecer de não se alcançar o fim desejado, por não seguir o meio correto (casamento), ou alcançar o fim, mas não é o desejável (sanção penal, punitiva) Portanto, a ideia da norma técnica de fim real, corrobora a teoria normativa, porém, há que haver o preceito de dever ser. NTFR: Ou você não mata, ou você será preso. PPHC: Se você matar, deve ser preso. 3) Teorias mistas: para essa teoria, existem normas que permitem fazer algo (permissivas - para alguns fazerem/para alguns não fazerem - ex: voto facultativo para maiores de 16 e menores de 18) e outras que comandam (imperativas - para todos - ex: voto obrigatório para maiores de 18 anos). ● Permissiva exclusiva (Fichte): enquanto a teoria imperativista afirma que todas as NJ são imperativas, essa afirma que nenhuma NJ é imperativo, que o direito é composto só por permissivos e quem proíbe é a moral. Diz que o direito serve para nos dar apenas direitos. Crítica: o direito deve impor deveres para controlar. ● Permissiva parcial: defende que no Direito existem permissões (faculdades) e imperativos, tudo o que não está proibido, está permitido. Ex: VOTO NO BRASIL +18: (IMPERATIVO POSITIVO: obriga) -18 (IMPERATIVO NEGATIVO: proíbe) Porém, vem uma permissão e faculta o voto a quem tem +16 e -18 (permissivo positivo incide no imperativo negativo, ou seja, -18 é proibido de votar, vem a permissão possibilitando. IMPERATIVO (+) ------ PERMISSIVO (-) IMPERATIVO (-) ------ PERMISSIVO (+) Crítica: As permissões existem, mas antes deve existir o imperativo (regra), para poder haver os permissivos - faculdades (exceções). Outro exemplo (oposto): ALISTAMENTO MILITAR NO BRASIL IMPERATIVO (+): obrigatório aos brasileiros entre 18 e 45 anos IMPERATIVO (-): proibido para estrangeiros. Vem a exceção do tipo permissiva negativa, que faculta à mulher brasileira não se alistar, caso queira. ● Regra final: para esta teoria, as regras finais não se confundem com imperativos, por não limitarem a liberdade de agir, pois para ela o direito representa apenas um meio para se chegar a um fim. Defende a norma como um dever livre. Por exemplo, o testamento não é um imperativo, é apenas um meio para se alcançar um fim (deixar os bens de acordo com minha vontade), portanto, opto por cumprir ou não o dever, faço se quiser, por se tratar de dever livre (faculdade). Crítica: A liberdade existe para a escolha do fim, não para os meios. O meio é obrigatório para se alcançar determinado fim. Exemplo: voto + 18 é obrigatório e existe sanção em caso de descumprimento (multa). Para essa teoria, o dever é livre, pois eu escolho se irei votar ou não, mesmo sabendo da previsão de sanção, PORÉM, caso eu deseje estar quite com a Justiça Eleitoral, para assumir em concurso público, por exemplo, devo escolher o meio certo para se chegar ao fim que desejo (estar quite) e esse meio é ir votar. ❖ TEORIAS ANTIMPERATIVISTAS/NEGATIVAS ● Juízo Hipotético Condicional (Kelsen): segundo Kelsen, o comando não garante o cumprimento da norma, é preciso que seja seguido de sanção. Por isso, Kelsen atribui à NJ o caráter não mais de comando, mas de juízo hipotético, estabelecendo uma conexão entre uma condição (conduta ilícita) e uma consequência (sanção), sob a forma de duplo juízo hipotético: Se F é, deve ser P. ---> Juízo Hipotético Condicional 1 - COMANDO Se P não é, deve ser S ---> Juízo Hipotético Condicional 2 - SANÇÃO Para ele, a sanção representa a norma primária (autônoma), por ser a mais importante; na sua visão, a sanção é quem garante o cumprimento da norma, ou seja, o que cria a NJ é a IMPUTAÇÃO, por meio da autoridade normativa competente,de uma sanção à determinada conduta. Já o comando é a norma secundária (não autônoma), que representa meramente a conduta que evitaria a sanção. ● Juízo de Valor: defende que a NJ não é um comando, mas sim, resultado de um juízo de valor (justo/injusto - ato valorativo), por exemplo, se o fato é justo, será criada lei obrigando determinada conduta, se injusto, lei proibirá. Tal teoria não é oposta à teoria normativa, ela descreve o processo que se dá antes da norma, que é atribuição de valor, mas para que a norma exista, será preciso uma autoridade normativa. ❖ CLASSIFICAÇÃO DOS IMPERATIVOS: Autônomo, heterônomo, categórico e hipotético. ❖ DIREITO E SANÇÃO A sanção representa um elemento indispensável da norma jurídica e corresponde a uma resposta à violação na NJ, uma consequência pelo descumprimento da norma (ilícito). ❖ CRITÉRIOS DISTINTIVOS ENTRE A NORMA MORAL, SOCIAL E JURÍDICA Não se pode diferenciar os tipos de normas pela teoria imperativista, pois todas são imperativas, por isso se usam outros critérios: NORMA MORAL NORMA SOCIAL NORMA JURÍDICA IMPERATIVIDADE Autôn. e categórica Heter. e hipotética Heter. e hipotética CONTEÚDO Rel. unilateral Rel. Bilateral Rel. Bilateral atributiva FINALIDADE Regul. comportamento Regul. comportamento Regul. comportamento VALOR Bom/Mau Normal/Anormal Justo/Injusto AUT. PÕE A NORMA Indivíduo Sociedade Aut. Normativa MODO ACOLHIM. Obrigatoriedade Obrigatoriedade Sanção/Vantagem/ Obrigatoriedade RESP. À VIOLAÇÃO Sanção moral (culpa - sem garantia de cumprimento) Sanção social (desproporcional, mesmas condutas, sanções distintas) Sanção jurídica (externa, institucionalizada* - mais forte e eficaz que as demais no controle do comportamento * Para cada ilícito, uma sanção correspondente; limite de sanção (não existe pena eterna, quem recebe uma sanção sabe quando a mesma terá seu fim); a autoridade competente irá por em execução a sanção, seguindo o processo legal. ❖ TEORIA SANCIONISTA DO DIREITO Defende que todo sistema normativo implica o expediente da sanção, ou seja, que todas as normas precisam ter sanção para fazer frente à violação da norma. ❖ CLASSIFICAÇÃO DAS SANÇÕES As sanções classificam-se em: sanção moral (punição a si mesmo através da própria consciência, culpa) , sanção social (reprovação por parte do grupo ao qual o indivíduo pertence, chegando até a eliminação do mesmo - isolamento ou expulsão; forma extrema linchamento) e sanção jurídica (externa, institucionalizada, eficaz). As sanções jurídicas, por sua vez, classificam-se: - Quanto ao ramo do Direito: civil (Direito Civil - indenização), penal (sanção punitiva - privativa de liberdade), administrativa (Administração Pública - multa de trânsito) ou processual (ilícito ocorre no decorrer do processo) - Quanto à natureza: restitutiva (retorna ao estado anterior da coisa); compensatória (quando não se pode restituir, deve-se pagar em proporção ao dano, ex: indenização); repressiva (quando estabelece controle da locomoção física, ex: pena restritiva de liberdade); preventiva (quando se aplica uma punição antes mesmo de ocorrer o dano, a fim de preveni-lo, ex: medida protetiva a favor da mulher) adveniente (quando acontece a punição por inércia, ex: revelia, prescrição, preclusão). ❖ CRÍTICAS À TEORIA SANCIONISTA ❖ Teoria da Adesão Espontânea: defende que a norma é cumprida devido ao reconhecimento da conduta como certa, boa,e por isso a norma é aceita e cumprida de forma espontânea; para essa teoria, a sanção não é elemento essencial da norma, e sim, acidental, pode acontecer ou não. Crítica: existe adesão espontânea e pela força, mas em certos casos, como a obrigação de pagar impostos, se não houvesse a sanção, o indivíduo certamente não pagaria impostos espontaneamente. ❖ Teoria da Norma sem Sanção: defende que existem normas sem sanção, como é o caso das normas organizatórias (cria instituições, organiza o Estado, distribui competências e funções) e normas que dispõem sobre direitos fundamentais. Críticas: o caráter sancionador faz parte do cumprimento da norma, não põe em cheque sua validade; segundo Bobbio, não se deve analisar a norma isoladamente, e sim, todo o ordenamento (dentro do ordenamento jurídico brasileiro, a maioria das normas tem sanção). Ademais, as normas constitucionais não tem sanção e nem precisam, pois qualquer ato que contrarie a CF deve ser tornado sem efeito, determinada sua nulidade (a sanção seria a própria nulidade). ❖ Teoria do Ordenamento sem Sanção: defende a ideia de que a sanção é incompatível com os ordenamentos, como ocorre nos tratados/acordos internacionais, os quais são feitos por Estados (autônomos e soberanos), então em caso de descumprimento do acordo firmado, não há possibilidade de sanção. Crítica: para esses casos existem espécies de sanções, embora não institucionalizadas, como as guerras e os embargos econômicos. ❖ Teoria da Redução ao Infinito: essa teoria cria uma relação entre a norma e sanção do tipo NS-NS-NS que se repetiria infinitamente, pois parte do pressuposto que a norma só é jurídica se sancionada, e na sequência, se a primeira sanção é descumprida, deve ser criada outra norma sancionadora para punir pela primeira sanção e assim, sucessiva e infinitamente. Crítica: essa teoria desconsidera que no Direito nada é infinito, o fim da norma e da sanção se dá com a Constituição Federal. ❖ DESTINATÁRIOS DA NORMA Romano: defende que não existem destinatários para a norma, elas se aplicam apenas ao violadores. Ihering: defende que os destinatários da norma não é a sociedade, e sim os órgãos do Estado, visto que são eles os responsáveis pela aplicação da sanção. Kelsen: defende que a norma primária, a qual prescreve a sanção, se dirige aos órgãos aplicadores e que a norma secundária, a qual prescreve a conduta ou ilícito, se dirige à sociedade. Ex: É proibido matar (sociedade). Matar alguém - pena de 1 a 30 anos de reclusão (aplicadores do Direito). ❖ VALIDADE FORMAL, VALIDADE FÁTICA E VALIDADE ÉTICA ● Validade FORMAL: é o que faz a norma existir juridicamente ao cumprir 3 requisitos: ser posta pela autoridade competente (ex.: Poder Legisl. da União legisla sobre matéria de Direito Penal), seguir o procedimento legislativo legal previsto na CF e integrar o ordenamento (não pode confrontar outra norma gerando incoerências). ● Validade FÁTICA (tem a ver com EFICÁCIA): possui esse tipo de validade a norma capaz de produzir efeitos, de ser aplicada (ex.: proibição de venda de bebidas alcoólicas a menores de 18a - não se observa o cumprimento; jogo do bicho é ilícito, mas com muita frequência é descumprida a norma, por não haver aplicação da sanção, embora seja prevista legalmente). ● Validade ÉTICA (tem a ver com EFETIVIDADE e JUSTIÇA): é quando a norma corresponde aos valores da sociedade, ao que é considerado justo, de maneira objetiva, pela sociedade (ex.: pagamento de impostos, é algo justo e necessário p/ que o Estadopossa aplicar recursos em políticas públicas). Para Bobbio, a norma deve possuir os três critérios de valoração, para ser “completa”. ATENÇÃO: os critérios de valoração acima são independentes entre si e não se contrapõem. O que existem são teorias que afirmam que uma validade é mais importante que a outra, estabelecendo uma confusão dos critérios. ❖ CONFUSÃO DOS CRITÉRIOS Positivismo: considera a validade formal como mais importante. Para Kelsen, a norma vem antes do fato e da ideia de justiça; o fato só vem ser jurídico, depois que uma norma estabelece uma consequência jurídica para aquele fato. Da mesma forma, a ideia de justiça (valor) só é atribuída depois da esfera normativa ser posta. Relativismo moral. Jusnaturalismo: considera a validade ética como mais importante. Por se tratar da doutrina de defesa dos direitos naturais (concretização jurídica daquilo que é justo). Para o jusnaturalismo, a condição humana é a mesma pra todo mundo, então todos nós somos portadores dos direitos naturais (universais) e que a justiça que tais direitos resguardam é a mesma para todos, ideia de justiça universal; Para essa corrente, o direito positivo se subordina aos direitos naturais, se isso não for observado e um governante contrariar o direito à liberdade de alguém, esse alguém pode desobedecer, por se tratar de norma injusta, portanto, sem validade. Realismo jurídico: considera a validade fática como mais importante; se atém ao direito real, defende que o direito surge da prática jurídica, da aplicação, da utilidade. ❖ ÂMBITOS DE VALIDADE ● Validade Formal: começa com a sua publicação ou após vacatio legis (antes vem a elaboração: proposta, discussão, votação, sanção, promulgação). Vacatio legis: quando a norma não especifica o prazo, será de 45 dias em território nacional e 3 meses em território internacional. Pode ser única (entra em vigor de uma só vez no Brasil) ou progressiva (entra em vigor aos poucos no território - Sul, Sudeste, etc). Obs.: VIGÊNCIA é diferente de VIGOR (cumprimento obrigatório). A vigência de uma lei é o período entre a sua publicação até a revogação. Já o vigor é a capacidade de produzir efeitos. Ex.: CC de 1916 e o novo CC de 2002. Para alguns casos (propriedade adquirida em 1990), as normas que vigoram hoje para esse caso são as dispostas no código de 1916, embora a sua vigência tenha sido até 2002. Revogação: quando a norma nasce, ela possui natureza permanente, só deixará de ser permanente quando outra norma que tire sua validade formal; esse processo se chama revogação e pode ser dos tipos: expressa, tácita, total (ab-rogação) ou parcial (derrogação). Expressa: está expresso no texto da nova lei que ela está revogando uma anterior. Tácita: é uma revogação silenciosa, a lei nova não declara que está revogando uma anterior, ocorre que a lei mais recente prevê algo que é contrário/oposto ao que dizia a lei anterior, portanto deve ser seguida a mais nova, a qual revogou tacitamente a lei mais antiga. (“norma mais nova, revoga norma mais antiga”). Ab-rogação: revogação total (Cód. Civil 2002 revogou por completo o CC de 1916). Derrogação: revogação parcial (reforma trabalhista derrogou algumas partes da CLT). Repristinação: fenômeno jurídico pelo qual uma lei volta a vigorar após a revogação da lei que a revogou. Para ter validade, tal instituto deve ser expresso. Ex.: Norma 1 ←--- Norma 2 ←--- Norma 3 A norma 2 revogou a 1 e depois foi revogada pela norma 3, esta última deve trazer expressamente a volta da validade da norma 1. A validade formal pode ser expressa em 3 âmbitos: - Espaço-temporal: No ESPAÇO: princípio da territorialidade (lei brasileira vale no território brasileiro brasileiro - REGRA) e princípio da extraterritorialidade (lei brasileira vale fora do território brasileiro - EXCEÇÃO - ex: direitos da personalidade: nome, imagem, honra, privacidade, intimidade) No TEMPO: princípio da irretroatividade (REGRA): a regra é que quando a lei surge, ela só vale daqui pra frente, ou seja, não retroage - Casos de irretroatividade - a lei não pode retroagir e atingir ato jurídico perfeito (a coisa teve início, produziu efeitos e teve fim na vigência da lei mais antiga), coisa julgada (trânsito em julgado) e direito adquirido) princípio da retroatividade (EXCEÇÃO), porém existe a questão do efeito imediato das NJ - ex: ref. trabalhista (nov/2017) João: trabalhou 2010 - 2016 (lei anterior - pois o contrato teve início e fim na vigência da lei anterior) - ATO JURÍDICO PERFEITO Maria: 2015 - até hoje (ref. trabalhista - o contrato está em curso ainda, e norma posterior modificou a antiga, então passa a valer para esse contrato as regras da reforma. André: 2016 - 2018 (ref. trabalhista - pois qndo as regras novas surgiram, o contrato ainda existia) Joana: 2018 - até hoje (ref. trabalhista, quando o contrato começou, já vigoravam as novas regras) - Pessoal: pode ser individual, quando a validade se dá apenas à pessoa a quem ela se aplica (ex: posse em concurso público, só se aplica ao aprovado) ou geral, quando pode ser aplicada a toda e qualquer pessoa (ex: pena por crime de homicídio) - Material: pode ser abstrata (contrato - qualquer matéria pode ser vendida) ou concreta (especifica o objeto - ex.: licitação para comprar cadeiras). ● Validade Fática: refere-se à capacidade de produzir efeitos, quando não, é ineficaz. Pode ser semântica: quando não tem condição material para se fazer cumprir a norma (ex.: extintores de incêndio) ou sintática (sua ineficácia está no próprio texto da lei, quando se usa termos genéricos que impossibilitam uma melhor interpretação da norma, por ser muito vaga. ● Validade Ética: refere-se à ideia de justiça, de efetividade. Uma norma tem validade ética quando representa um dever em função do outro de forma proporcional (alteridade) e com ideia de igualdade (direitos e deveres). Equidade: justiça num caso concreto (aplicação, ponderação). Igualdade formal: art. 5º da CF, todos iguais, submetidos à mesma coisa, detentores dos mesmos direitos em igual medida aos demais, porém na prática isso não se observa, daí vem a igualdade material para corrigir a anterior (dar + a quem tem - e - a quem tem + para se promover a justiça). ❖ CARACTERÍSTICAS DAS NORMAS JURÍDICAS Bilateral, imperativo-atributiva, coercitiva, permanente, heterônoma, final, geral, abstrata. ❖ CLASSIFICAÇÃO DAS NORMAS JURÍDICAS ● Quanto à IMPERATIVIDADE (modo como a norma comanda): - Absoluta: proíbe ou obriga para todos - Relativa.quando não atinge a todos, apenas a quem se encontra no seu âmbito de incidência; pode ser relativa permissiva (exemplo: maiores de 16 e menores de 18 - voto facultativo) ou relativa supletiva (substitui - ex. faculdade no pagamento de empréstimo, o CC diz que pode ser estipulado o local de pagamento pelas partes, mas caso não haja essa previsão, será feito no domicílio do devedor) ● Quanto ao AUTORIZAMENTO: quando descumprida, o Direito autoriza a aplicação de consequência - Mais que perfeita:incide a nulidade, restituição ao estado anterior (restabelecimento do status quo) e pena. Ex.: bigamia - Perfeita: só permite anulação do ato, por conter vícios. Ex.: venda de bicicleta por menor de idade. - Menos que perfeita: só é possível aplicar pena. Ex.: homicídio - Imperfeita: não são NJ, são obrigações naturais (dívida de jogo de poker), sua violação não gera consequência jurídica. ● Quanto à natureza da DISPOSIÇÃO: - Substantiva: são as que definem direitos e deveres (direito material), estabelecem seus requisitos (CC, C. Penal) - Adjetiva: traçam os meios de persecução dos direitos (direito processual, procedimental, instrumental) (CPC, CPP) - só tem razão de ser quando um direito material é lesionado. ● Quanto à SISTEMATIZAÇÃO: - Codificada: uma lei só, que nasce de uma só vez e regula vários assuntos diferentes, devido à sua extensão recebe esse nome. - Esparsas: lei solta, específica, o assunto dá nome à lei (Lei Maria da Penha, Ficha Limpa) - Consolidada: parece um código, mas iniciaram esparsas e foram reunidas. Ex.: CLT. ● Quanto à AUTONOMIA LEGISLATIVA: - Nacional (Federal) - Poder Legislativo da União /Locais (parte de autoridades normativas dos estados e municípios - Poder Legislativo Estadual e Municipal). ● Quanto à HIERARQUIA: - Norma constitucional: conjunto de normas supremas do ordenamento jurídico de um país; limita o poder, organiza o Estado e define direitos e garantias fundamentais; só pode ser modificada por EC, por aprovação de ⅗ e não pode suprimir cláusulas pétreas. - Lei Complementar: adiciona algo à Constituição, aprovada por maioria absoluta (metade dos membros das Casas + 1). Ex: Senado tem 81 senadores, para aprovar LC, precisa que 41 votem a favor da lei. - Lei Ordinária: seu campo de atuação é o da exclusão, se para determinada matéria não se exige aprovação por LC, será alterada por L.O; maioria simples (presente a maioria absoluta dos membros, aprova se metade deles votarem a favor). Medida Provisória: ato unipessoal do Presidente da República, caso de urgência ou relevância, sem participação do Poder Legislativo, tempo determinado, validade de 60 + 60 (em 45 dias do primeiro prazo - trancamento de pauta), manda pro Legislativo votar se aprova ou não. Lei Delegada: P. Executivo pede ao Legislativo a possibilidade de delegação ao Executivo para que ele legisle, nos termos da resolução do P. Legislativo. Está em desuso, só existem 13 no país. Decreto Legislativo: assuntos internos do P. Legislativo (aumento de remuneração) Resoluções: instrumentos normativos usados por outras instituições do poder público (Ministérios, Tribunais), que tem efeito externo. - Decreto Regulamentar: ato do Poder Executivo com a finalidade de explicitar e dar execução a situações previstas em lei (caráter técnico) - Normas internas: só valem dentro das instituições, disciplina situações específicas à Adm. Pública (despachos, estatutos, regimentos, circular, portaria). ● Quanto à APLICAÇÃO: se refere à eficácia das normas constitucionais - Absoluta: DIRETA E IMEDIATA (cláusulas pétreas, não pode ser suprimida ou alterada pra pior (ex.: voto direto, secreto, universal e periódico; separação dos poderes; direitos e garantias individuais) - Plena: DIRETA E IMEDIATA (são plenamente eficazes, suficientes para disciplinar relações jurídicas, por apresentarem todos os requisitos para fazer surtir efeito imediato - diferença da anterior: não são cláusulas pétreas) - Contida: DIRETA E IMEDIATA (prevê exceções, restrições, ressalvas, por meio de normas infraconstitucionais) - Limitada: INDIRETA E MEDIATA (tem seu alcance reduzido por depender de outra norma que deve vir existir - não tem aplicabilidade imediata - ex: lei futura disporá sobre o tema.