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� CASO ROBIN HOOD E O XERIFE DE NOTTINGHAM: UMA ANÁLISE ESTRATÉGICA 2009 � CASO ROBIN HOOD E O XERIFE DE NOTTINGHAM: UMA ANÁLISE ESTRATÉGICA* Foi no início da primavera do segundo ano de sua revolta contra o Xerife de Nottingham que Robin Hood resolveu dar um passeio dentro da Floresta de Sherwood. Enquanto caminhava, analisava o progresso de sua campanha, em como estavam dispostas suas forças, os movimentos de seu oponente e as opções que apareciam à sua frente. A revolta contra o Xerife de Nottingham se iniciou como uma espécie de “cruzada” pessoal. Robin Hood tinha um conflito particular com o Xerife e sua administração. Sozinho, contudo, pouco podia fazer. Buscou, portanto, aliados: pessoas que também tinham conflitos pessoais com o Xerife, e também com um profundo sentido de justiça. Mais tarde, no entanto, seus critérios de seleção já não eram tão estritos. Todos que a ele chegavam, ele aceitava, sem muito perguntar. A força de seu movimento, assim acreditava, estava no número de participantes que pudesse reunir. O primeiro ano do empreendimento foi gasto na tentativa de forjar um grupo disciplinado a partir de tantos indivíduos reunidos aleatoriamente. Um grupo que se unia em torno da inimizade com o Xerife, desejando viver fora da lei tanto tempo quanto fosse necessário para conseguir atingir seus objetivos. O grupo foi organizado de maneira simples. Robin constituía-se na liderança máxima, tomando todas as decisões importantes. Tarefas específicas eram delegadas a seus tenentes. Will Scarlet tinha a seu encargo as tarefas de inteligência e investigação. Seu trabalho principal consistia em estar sempre atento aos movimentos dos homens do Xerife. Mas ele também coletava informações sobre os planos de viagem tanto dos mercadores ricos como dos abades. João Pequeno mantinha a disciplina e buscava manter no mais alto nível a pontaria de seus arqueiros. Scarlock cuidava das finanças, fazendo partilha das pilhagens, corrompendo funcionários do governo, convertendo as pilhagens em dinheiro e buscando esconderijos adequados para aquilo que sobrava da divisão. Finalmente, o filho de Miller tinha a tarefa difícil de providenciar a manutenção do grupo que continuava crescendo em número. O tamanho crescente do grupo era fonte de satisfação de Robin, mas também assunto que lhe causava muita preocupação. A fama de seus homens se espalhava, e novos recrutas chegavam a cada momento. Contudo, o número de homens começa a exceder a capacidade de alimentação da floresta. A caça já era reduzida e os alimentos tinham que ser transportados em carroça a partir de vilas próximas. O grupo sempre acampava junto. Mas, agora, o que antes era um pequeno acantonamento tinha se tornado um grande acampamento, visível a léguas dali.Também estava se tornando difícil manter a disciplina. Robin, refletindo sobre o fato, perguntava e respondia a si mesmo: Por quê? Porque eu não conheço a metade dos homens da minha tropa. À medida que o grupo crescia, a receita declinava. Os viajantes, especialmente os mais ricos, passavam a fazer um longo desvio para evitar a floresta. Era um trajeto mais caro e muito inconveniente, mas preferível a ter todos os seus bens confiscados pelo pessoal de Robin Hood. Nessa contingência, Robin Hood começava a considerar a idéia de substituir a política de assaltos por uma nova política, definida como um pedágio, uma taxa fixa. A idéia dessa nova política não era, no entanto, bem-vista pelos seus tenentes, orgulhosos que eram do famoso dito atribuído aos homens de Robin Hood: “Roubar dos ricos para dar aos pobres”. Os pobres, argüiam, eram sua fonte principal de apoio e informação. Se fossem antagonizados através da introdução de uma nova medida – a do pedágio de trânsito –, eles provavelmente desertariam das hostes de Robin para ficar à mercê do Xerife. Robin, assim, perguntava-se até quando poderia manter sua tradicional forma de agir, seus métodos adotados desde os primeiros dias do movimento. O Xerife estava ficando mais forte. Ele tinha dinheiro, homens, instalações. A longo prazo, poderia destruir Robin e seus homens. Mais cedo ou mais tarde, descobriria as fraquezas do grupo de Robin e passaria a atacá-las metodicamente. Robin, assim, entendia que precisava chegar a pôr um fim em seu movimento. A pergunta, no entanto, continuava sendo: Como fazê-lo? Robin sabia que as chances de matar ou capturar o Xerife eram remotas. Além disso, matar o Xerife viria a satisfazer sua sede pessoal de vingança, mas não mudaria o problema básico. Era também improvável que o Xerife fosse substituído ou deposto. Ele tinha amigos poderosos na Corte. Por outro lado – e Robin continuava avançar e divagar –, se o distrito estivesse num estado permanente de intranqüilidade e os impostos não pudessem ser coletados, o Xerife perderia apoio junto à Corte. Pensando melhor, raciocinava Robin, o Xerife também podia usar habilmente o estado de intranqüilidade para conseguir mais reforços. O resultado final dependia muito do humor do regente, príncipe João. O príncipe regente era conhecido como um homem cheio de vícios, instável e impredizível. Sua obsessão era vencer a impopularidade entre aqueles que queriam a volta do rei Ricardo. João vivia também numa situação de medo constante entre os barões feudais que se tornavam, a cada dia, mais hostis ao seu poder. Diversos desses barões lançavam-se à tarefa de coleta do resgate para obter a soltura do rei Ricardo Coração de Leão, aprisionado na Áustria. Contatos haviam sido feitos com Robin para unir-se ao movimento, compensando-o com uma futura anistia. Era uma proposição perigosa. O banditismo na província era uma coisa, a intriga palaciana outra muito diferente. O príncipe João era conhecido por sua capacidade de vingança. Se tal movimento pró-Ricardo falhasse, e assim João permanecesse no poder, sem dúvida que haveria de voltar todas as suas energias para o esmagamento de todos aqueles envolvidos no movimento pró-Ricardo. Foi nesse momento de reflexão que soou o clarim, despertando Robin de seus pensamentos. Havia também o cheiro de um carneiro assado. Nada tinha sido resolvido. Robin encaminhou-se para o acampamento, prometendo a si mesmo que todos os problemas com que andara se detendo teriam prioridade “um” após a operação de guerra que estava marcada para o dia seguinte. � Responda as questões abaixo: Quais foram os principais problemas que Robin enfrentou? Como eles se relacionavam entre si? Identifique e explique como surgiram. Problema #1: Número de homens excessivo que diminui a capacidade de alimentação da floresta, gerando a necessidade de transportar os alimentos em carroça a partir de vilas próximas. Problema #2: O costume de reunir todos os homens em um mesmo acampamento fez com que este fosse possível de se avistar a longa distancia e automaticamente elevou o grau de exposição do bando. Problema #3: Quanto maior o grupo menor a receita. Por causa de sua popularidade, antes possíveis vitimas agora desviam sua rotas por caminhos alternativos. Quais são os problemas que o Robin Hood deveria enfrentar primeiro? Quais são as principais funções organizacionais que você identificou no estudo de caso: Negócios, Logística, Pessoas, Projetos, Marketing e Finanças. Existia alguma interação entre elas ? Caso afirmativo, qual ? Desenvolva uma estratégia para ajudar Robin Hood, de maneira que ele possa resolver os problemas que você identificou no texto. Procure dar atenção tanto à formulação quanto à implementação dela. Com base na estratégia escolhida, defina as 03 principais ações que devem ser implementadas. * Caso preparado por Joseph Lampel, da McGill University como base para discussão em classe, 1985.(In: QUINN, J.B.; MINTZBERG, H.; JAMES, R. The strategy process – concepts, contexts and cases. Englewood Cliffs, N.J., 1988). �PAGE �