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SÍNTESE E DEGRADAÇÃO DAS PORFIRINAS DO HEME – PORFÍRIAS Adriely Panetto – 82 A PORFIRINAS Tetrapirróis cíclicos conjugados com metais. Ou seja, quatro anéis pirrólicos que estão ligados com um metal. Esses anéis estão ligados entre si por grupos de meteno. Podem ser alfa, beta, gama ou sigma. A porfirina do grupo heme contém Fe, a da clorofila contém Mg e compostos de petróleo contém porfirinas com Ni ou Va. Obs.: Os porfirinogênios não apresentam dupla ligação nas pontes dos ligantes, assim não conferem ressonância ao núcleo e, por esse motivo, são compostos incolores. O grupo Heme É uma protoporfirina IX de ferro. Encontra-se nas seguintes proteínas: ● Hemoglobina ● Mioglobina ● Catalase ● Citocromos Na hemoglobina e mioglobina: Fe2+ se liga a uma molécula de O2, possibilitando seu transporte na corrente sanguínea e conseqüente oxigenação dos tecidos. Reserva de Oxigênio dos músculos esquelético e cardíaco. Catalase: ferro catalisa a dismutação do peróxido de hidrogênio. Citocromos: serve como meio de transporte eletrônico entre proteínas, recebendo um ou dois elétrons; de uma proteína e transferindo-os para outra. Biossíntese do Heme Locais de síntese: ● Fígado ● Medula óssea ● Reticulócitos Precursores: ● Glicina ● Succinil – CoA Etapas: 1. Biossíntese do ácido δ-Aminolevulínico 2. Formação do Porfobilinogênio 3. Conversão de Porfobilinogênio em Porfirina e esta no Heme 1 - Biossíntese do ácido δ-Aminolevulínico Na fase inicial, a síntese de alanina a partir da condensação da glicina com succinil CoA que é ativada pela alanina sintetase, com auxílio da vitamina B6 e da eritropoetina, formam o ácido delta aminolevulínico (ALA). Ocorre na mitocôndria. A ala sintetase é uma enzima: ● Alostérica mitocondrial. ● É inibida pelo hemo, pela Hemoglobina e por Hemoproteínas. ● Controla a velocidade da síntese de porfirinas. ● É ativada por hormônios esteroidais, eritropoietina, etanol e barbituratos (fenobarbital,tiopental,tiamilal, metohexital, veronal, gardenal, etc.) Obs.: Derivados sintéticos do ácido barbitúrico, também chamado de malonilureia ou hidropirimidina, são depressores do sistema nervoso central e usados como antiepiléticos, sedativos, hipnóticos etc., aumentando a ação do GABA- inibitório do SNC; são metabolizados no fígado através do sistema citocromo P450; têm uma pequena margem de segurança entre a dosagem terapêutica e tóxica. 2 - Biossíntese do porfobilinogênio e formação da Porfirina Ocorre no citosol. O porfobilinogênio é formado pela associação de duas moléculas de ácido delta aminolevulínico (ALA) pela ação da alanina deidratase ou porfobilinogênio sintase. Essa enzima é sensível ao “envenenamento” por metais pesados. Após formado, o porfobilinogênio vai sofrer a ação da uroporfirinogênio i sintase (ou porfobilinogênio deaminase) e uroporfirinogênio III cosintase, para que ocorra a formação do anel tetrapirrólico.Então, o uroporfirinogênio III será formado. Nesta etapa, elimina-se o grupo NH3 + da cadeia lateral e formam-se pontes metenilênicas (-CH=). 3 – Formação do Heme O uroporfirinogênio é convertido em coproporfirinogênio por descarboxilação pela enzima uroporfirinogênio descarboxilase. O coproporfirinogênio entra na mitocôndria e então é convertido em protoporfirinogênio e depois a protoporfirina III. A protoporfirina III sofre ação da Ferroquelatase, onde é incorporado Fe2+ e , então, forma-se o Heme. Regulação da biossíntese Nos hepatócitos: Limitante: catalizado pela ALA sintase Hemina: produto da oxidação do heme. Atua como inibidor da ALA sintase, inibindo o seu transporte do citosol (onde é sintetizada) para a mitocôndria (o seu local de ação). Também reprime a síntese da enzima. Nos eritróides: O controle é exercido pela ferroquelatase, a enzima responsável por adicionar Fe2+ na protoporfirina IX, e da porfobilinogênio deaminase. PORFIRIAS Doenças decorrentes do acúmulo de intermediários da via da biossíntese de porfirinas. São decorrentes de alterações genéticas. Mais comum: porfiria aguda intermitente. Excreção em excesso de porfobilinogênio. As mutações do DNA causam anormalidades das enzimas da síntese do heme. Isso gera acúmulo de ALA e PBG e/ou decrécimo de heme em células e fluídos corpóreos. Vai gerar sinais e sintomas neuropsiquiátricos. As anormalidades das enzimas da síntese do heme também causa o acúmulo de porfirinogênio na pele e tecidos, o que causa oxidação espontânea de porfirinogênios e porfirinas, gerando fotossensibilidade. Classificação das porfirias Conforme os sintomas: ● Agudas: neuropsiquiátricas e viscerais ● Cutâneas: fotossensibilidade Conforme a origem: ● Medula Óssea (eritropoiéticas) ● Fígado (hepáticas) Sintomas das porfirias ● Fortes dores abdominais ● Distúrbios Psiquiátricos ● Alteração na coloração da urina ● Vômitos o Náuseas ● Confusões Mentais ● Fotossensibilidade ● Desfiguração Severa Tratamento das porfirias ● Sintomático ● O tempo de tratamento depende de cada caso ● Ingestão elevada de carboidrato (glicose) está relacionada com a prevenção de crises – casos agudos ● Administração de hematina ou arginato de heme – casos graves ● Pacientes com fotossensibilidade - administração de betacaroteno - casos cutâneos ● Evitar fatores predisponentes ao surgimentos das crises, como certos medicamentos, álcool, exposição solar etc DEGRADAÇÃO DO HEME Degradação da hemoglobina: Tem lugar em células do SER (SER= sistema retículo endotelial): Fígado, baço e médula óssea. É transportada para o fígado unida a haptoglobina. A globina é degradada a aminoácidos. O Heme é convertido em pigmentos biliares: Bilirrubina e Biliverdina. O heme, ao ser degradado, vai liberar Fe3+ e Protoporfirina III. O Fe3+ vai ser reciclado ou armazenado junto com a ferritina. Já a Protoporfirina III vai ser convertida em Bilirrubina ou Estercobilina/Urobilina. Etapas: 1-Etapa do SER: HB → Bilirrubina 2-Etapa Hepática: Conjugação de Bilirrubina 3-Etapa Intestinal: Redução de Bilirrubina e produção de estercobilinogênio 1 – Etapa no SRE A bilirrubina resultante será encaminhada para os hepatócitos, onde é processada para ser secretada na bile. O Fe2+ liberado vai se ligar a ferritina para poder ser transportado no sangue. A bilirrubina é insolúvel no plasma sanguíneo, sendo necessários meios de transporte para que ela chegue até o fígado. A bilirrubina se liga à albumina sérica para ser transportada para os hepatócitos. A albumina sérica tem dois locais para que a bilirrubina se ligue: um de alta e outro de baixa afinidade. 2– Etapa hepática Reação de connjugação da Bilirrubina. Quando chega na face sinusoidal dos hepatócitos, a bilirrubina se desliga de sua carreadora e entra no hepatócito por difusão facilitada. No citosol, a bilirrubina se associa com a ligandina, que a transporta até o REL dos hepatócitos. No REL (retículo endoplasmático liso, a bilirrubina se conjuga com ácidoglicurônico, formando bilirrubina diglicuronico, que é um composto solúvel em água. Essa reação é catalisada por glicuronosil transferases. 3– Etapa intestinal A bilirrubina conjugada (digiclurônica) sai dos hepatócitos e pelos canalículos biliares, por transporte ativo primário. Esses canalículos terminam no ducto biliar e a bilirrubina conjugada é secretada por meio da bile no duodeno. Quando a bilirrubina conjugada (digiclurônica) chega no íleo e intestino grosso, as beta- glucuronidase vão “desconjugar” a bilirrubina conjugada, liberando, então o ácido glucurônico e formando compostos como o urobilinogênio. O urobilinogênio poderá ser: ● Reabsorvido pela corrente sanguínea e retornar ao fígado – ciclo enterohepático do urobilinogênio. ● Reabsorvido na corrente sanguínea e transformado no rim em urobilina, um pigmento amarelado excretado na urina– via urinária ● Sofrer degradação no intestino – via fecal No intestino grosso, a bilirrubina, vai sofrer ação de bactérias intestinai e sofrerá oxidação, transformando-se em mesobilirrubinogênio e, posteriormente, estercobilinogênio e estercobilina, um pigmento de cor vermelha-acastanhada que será excretado nas fezes. Mecanismos reguladores Transcrição do gene da heme-oxigenase: ● HO-1, regulada através da transcrição do gene, que é ativada em situações de stress, hiperóxia ou hipóxia, exposição a UV e choque térmico. ● HO-2 está presente no cérebro e o seu gene é continuamente transcrito. Regulação da enzima heme-oxigenase: ● Ativada pela presença do heme, logo, é uma enzima induzida pelo substrato. Transporte, conjugação e secreção da bilirrubina: A bilirrubina liga-se preferencialmente ao local de alta afinidade da albumina sérica. O excesso, irá ligar-se ao local de baixa afinidade e pode difundir-se. Os antibióticos realizam inibição competitiva com o local de alta afinidade. A passagem da bilirrubina conjugada pro ducto biliar é sauturável, logo, isso é um fator limitante. Bilirrubina direta e indireta Bilirrubina conjugada = direta (porque é medida diretamente). Tem característica hidrossolúvel e pode aparecer na urina, facilitando o diagnóstico de HB. Bilirrubina não conjugada = indireta (porque o valor que lhe corresponde resulta de um cálculo). Mede níveis de bilirrubina unida a albumina. Tem característica lipofílica e pode atravessar a barreira hematoencefálica, atingindo o SNC. Bilirrubina não conjugada (indireta) = bilirrubina total – direta (conjugada) ANOMALIAS DA DEGRADAÇÃO DO HEME ● Infecções ● Fármacos ● Erros genéticos ● Hepatite crônica ● Fisiologia neonatal Hiperbilirrubinemia: excesso de bilirrubina no sangue. Manifestação clínica: icterícia. Causas: ● Aumento da produção de bilirrubinas (pré-hpática). ● Diminuição da conjugação ou transtorno nos conductos biliares (intra-hepática). ● Obstrução do conducto biliar (pós-hepática). Pré-hepática Aumento da bilirrubina indireta (não conjugada). Diminuição da bilirrubina direta - conjugada diminuída CAUSAS: Hemólise: ● Auto-imunidade ● Hemoglobina anormal Hiperbilirrubinemia não-conjugada (indireta): ● Icterícia Fisiológica Neonatal – sistema imaturo ● Síndrome de Crigler-Najjar 1 e 2 – conjugação da bilirrubina ● Doença de Gilbert ● Hiperbilirrubinemia Tóxica – cirrose/hepatite Todas, de alguma forma, estão associadas a redução de atividade de alguma enzima específica na conjugação da bilirrubina, disfunções hepáticas, hemólises, com consequente acúmulo de bilirrubina não conjugada. No neonato, que possui um volume extra de eritrócitos não necessários fora da placenta, estes serão destruídos e seu fígado estará sobrecarregado. Se a bilirrubina não conjugada aumenta muito, pode acumular-se em membranas, levando a encefalopatia por bilirrubina ou “quernictero” [kernicterus= Deterioração de reflexos primitivos (SUCÇÃO), vômitos, choro agudo, convulsões, rigidez muscular, paralisia do olhar, respiração irregular, morte] Existem desordens hereditárias em que pode predominar o acúmulo de bilirrubina conjugada ou de não conjugada. Hepática Aumento da bilirrubina direta e indireta. Urobilinogênio presente e o fecal diminuído. Aumento da bilirrubina urinária Aumento da ALT e AST Hiperbilirrubinemia conjugada (direta): ● Obstrução da árvore biliar ● Síndrome de Dubin-Johnson – secreção hepática de bilirrubina conjugada para a bile ● Síndrome de Rotor – não tem causa precisa identificada Todas de alguma forma associadas com bloqueios dos condutos hepáticos ou biliares, defeitos na secreção hepática de bilirrubina conjugada para a bile, assim como excreção defeituosa da mesma, em suma todas envolvem defeitos relacionados com a bilirrubina conjugada. Pós-hepática Aumento da bilirrubina direta Urobilinogênio ausente Bilirrubina direta urinária presente Aumento da fosfatase alcalina Aumento do GGT Resultados laboaratoriais ● Pré-hepática – icterícia hemolítica – bilirrubina Indireta ● Hepática – hepatite – bilirrubina direta ● Pós-hepática – obstrução do ducto biliar comum –Bilirrubina direta Tratamento da hiperbilirrubinemia no neonato Se leve, não requer tratamento. A alimentação frequente do recém-nascido acelera a passagem do conteúdo intestinal, reduzindo a reabsorção de bilirrubina no intestino e, portanto, a sua concentração no sangue. Níveis de bilirrubina mais altos podem ser tratados com fototerapia. A luz azul é capaz de transformar a bilirrubina em lumirrubina, uma substância não tóxica e solúvel em água, que pode ser processada pelos rins e eliminada na urina e nas fezes, sem precisar passar pelo fígado. Com níveis de bilirrubina perigosamente elevados, substitui-se por sangue novo (exanguinotransfusão para eliminar a bilirrubina). Remoção do sangue do receptor antes ou durante a infusão de hemácias do doador. CERULOPLASMINA E METABOLISMO DO FERRO Doença de Wilson Transportador de cobre ATP7B: Defectivo na doença Deficiência de ceruloplasmina (proteína que contém cobre) Um defeito genético muito raro na biossíntese da ceruloplasmina, deixando a proteína ausente no soro, levando a uma grande elevação do ferro no fígado e nos níveis de ferritina sérica Desenvolvem: ● Diabetes mellitus ● Degeneração da retina ● Mudanças no sistema nervoso central Anemia ferropriva Deficiência de ferro. Não está associada com a deficiência de ceruloplasmina, pois o intestino possui uma segunda ferroxidase ( hefaestina) Ceruloplasmina e Hefaestina são enzimas (ligadas ao cobre, logo a ausência do mesmo pode causar anemia por deficiência de ferro) Hemocromatose Doença genética que causa sobrecarga de ferro devido a diminuição dahepcidina. A forma mais comum da hemocromatose é causada por uma mutação homozigítica. Depósito de ferro no fígado, coração e tecido endócrino pode causar: ● Cirrose ● Cardiomiopatia ● Diabetes ● Outros distúrbios endócrinos DETOXIFICAÇÃO HEPÁTICA A exposição à substâncias tóxicas faz com que seja essencial a metabolização, para que essas não se acumulem e, conseqüente, não gerem disfunções nos órgãos.O fígado é o principal órgão responsável por filtrar as toxinas produzidas pelo organismo (endógenas), além das provenientes do meio externo (exógenas). O mecanismo de detoxificação dá-se através da filtragem do sangue. Fase I As substâncias sofrem transformações metabólicas para posteriormente a sua eliminação se tornar possível. Fase II Nesta fase, as toxinas alteradas na fase I conjugam-se com alguns grupos químicos hidrossolúveis, tornando-se excretáveis. Citocromo P450 Elemento de uma vasta família de hemoproteínas. Absorvem luz na gama dos 450nm (quando o ferro do grupo heme se reduz) Estão associados a cadeias de transporte de elétrons. Estão presentes nas mitocôndrias e no retículo endoplasmático das células de órgãos como o fígado ou rim. Os citocrômos da subfamília 4A são extremamente importantes no metabolismo de ácidos graxos. Funçõesdos citocromos P450: Biossíntese/degradação de hormônios esteróides e dos sais biliares. Metabolismo de numerosos xenobióticos: detoxificação hepática Metabolismo do etanol Nos hepatócitos: Citosol: etanol → acetaldeído + NADH Retículo endoplasmático: acetaldeído → acetato + NADH O etanol pode ser convertido em triagliceróis. Excesso de NADH: ● Inibição de processos que necessitam de NAD+ → acumulação de triagliceróis ● Liberação de acetaldeido, que quando ligado a grupos funcionais de alguns compostos importantes, causa a “ressaca”. Consumo freqüente e exagerado: organismo cria um mecanismo de eliminação alternativo, que gasta redutor ao invés de produzir. Pessoas que bebem habitualmente, eliminam o etanol mais depressa e perdem peso, em vez de ganhar, sob a agravante de haver destruição progressiva do fígado (cirrose, cancro). Excessos de etanol levam à hepatotoxidade no fígado. O metabolismo microssomal do etanol é comum ao sistema de destoxificação de alguns fármacos.