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0 1 Dissertação argumentativa
L C
ENTRE 
FRASES
9
Dissertação argumentativa
A dissertação é um gênero textual caracterizado por apresentar, analisar e explicar um determinado as-
sunto. Em outras palavras, ela propõe a discussão de um tema a partir da análise e questionamento dos elementos 
de um todo. A dissertação argumentativa também segue essa linha, no entanto, além da exposição, ela exige 
a defesa um ponto de vista claro e coerente, sustentado por argumentos convincentes.
É esse o modelo de texto exigido na maior parte dos vestibulares do país. E embora muitos alunos tenham 
dificuldade para encará-lo – já que há pouco tempo na prova para a reflexão, planejamento e escrita – é preciso 
lembrar que a base de sua composição está presente o tempo todo em nossas vidas. Seja nas redes sociais, no 
encontro com amigos, ou nos jantares em família, passamos boa parte do tempo tentando defender nossos pontos 
de vista sobre diferentes temas e buscando convencer os interlocutores a respeito de nossas ideias.
A grande diferença entre essas discussões e a prova de redação reside no modo e no cuidado com que 
defendemos nossas perspectivas. No vestibular, é preciso expor ideias ancoradas em argumentos realmente sólidos, 
capazes de convencer qualquer leitor genérico interessado no assunto. Tudo com uma boa dose de reflexão crítica 
e de clareza; e com um pouquinho de criatividade. 
Nessa aula, apresentaremos os principais elementos da dissertação argumentativa esperada nos vestibula-
res. Conhecer de perto as características de cada um deles ajudar a tornar a escrita da redação um processo mais 
fácil, menos doloroso e muito mais estimulante. 
Elementos básicos
Tese
É formulação da ideia principal a ser defendida no texto. Dito de outro modo, trata-se do posi-
cionamento do autor a respeito do tema abordado. Sua função é resumir em um período a visão que o autor 
pretende desenvolver ao longo do texto. Por essa razão , seu desenvolvimento pressupõe a escrita de um período 
argumentativo, isto é, composto pela opinião do autor do texto. 
No exemplo abaixo, tese encerra o primeiro parágrafo.
A igreja diz: “o vício e o luxo são capazes de arruinar uma vida”. A sociedade contemporânea entrou em 
um momento em que o consumo ou tornou-se vício e luxo. Ascende socialmente aquele que aumenta a renda e o 
consumismo. Diante dessa ideia, contudo, a sociologia interpõe: o vício e o luxo são consequências de uma 
vida arruinada e frustrada na qual a insatisfação é curada por curta duração pelo consumo
 (Trecho extraído de redação modelo de exame FUVEST 2013).
IMPORTANTE: Mais adiante, você será apresentado a algumas técnicas de desenvolvimento de tese. No 
entanto, é importante começar a reconhecer desde já a forma como esses períodos argumentativos são elabora-
dos. Observe a diferença entre os períodos abaixo e procure identificar como os argumentativos trabalham com a 
opinião do autor.
10
PERÍODOS EXPOSITIVOS PERÍODOS ARGUMENTATIVOS
O Brasil é um país que viveu quase 400 anos de escravidão.
O Brasil é uma país que não aprendeu a lidar com o passado de 
quase 400 anos de escravidão.
A televisão brasileira é composta predominantemente por pessoas 
que se enquadram nos padrões atuais de beleza.
A televisão brasileira é conivente com o padrão atual de beleza, 
ao compor seu elenco predominantemente por pessoas que o re-
presentem. 
O Brasil é um dos países onde mais se realiza cirurgias plásticas.
O Brasil é um país onde a aparência se tornou uma questão de 
primeira ordem na vida em sociedade. 
Uma parte da classe médica recebe novos medicamentos de labo-
ratórios farmacêuticos.
Há uma relação promíscua entre parte da classe médica e grandes 
laboratórios farmacêuticos.
O governo brasileiro aumentou os impostos da população mais 
pobre.
O governo brasileiro cometeu um erro ao aumentar os impostos da 
população mais pobre.
44% da população brasileira não possui hábitos de leitura.
Os baixos índices de leitura no Brasil comprometem o desenvolvi-
mento social no país.
Argumento
São elementos que servem para comprovar e sustentar a tese ou o desdobramento de tese e que devem 
ser reconhecidos como verdadeiros na discussão do tema. Caso os argumentos sejam falsos ou pouco prováveis, o 
desenvolvimento da argumentação estará comprometido.
Em geral, os argumentos apresentam exemplos, comparações, relações de causa e consequência, 
analogias, argumentos de autoridade destinados a comprovar a ideia a ser defendida. Observe os exemplos 
de argumentos no parágrafo abaixo: 
Não se pode aprimorar a educação sem reconhecer que boa parte de sua organização está superada. Vive-
mos no século XXI com uma estrutura escolar concebida no século XIII, e ainda nos perguntamos por quais razões 
os alunos estão cada vez mais dispersos e distantes da relação com o aprendizado. É preciso refletir esse dado 
para poder agir de modo coerente, como algumas escolas brasileiras, que já aboliram o sistema seriado de ensino 
e, portanto, observaram um aumento considerável no nível de aprendizado de seus estudantes.
Reflexão crítica
A construção da redação exige um momento de reflexão especial do candidato. Na maioria das vezes, é 
mais produtivo dedicar um tempo maior para a análise do tema e para a seleção dos argumentos que para a pró-
pria escrita, já que a construção de um ponto de vista claro e objetivo é a principal finalidade do texto.
Uma das formas de refletir criticamente sobre um assunto é separar o “joio do trigo”. No caso das disser-
tações-argumentativas, a reflexão pode ser iniciada separando o senso comum do senso crítico. Enquanto este se 
encarrega de analisar a fundo as problemáticas discutidas, observando seu surgimento, suas causas e seus prin-
cipais agentes; aquele apenas reflete uma opinião mais superficial ou limitada, usualmente baseada em hábitos, 
crenças e preconceitos ou numa visão menos esclarecida sobre determinada situação. O esquema abaixo pode 
ajudar a compreender essa diferença:
 
11
 § Clichês, chavões, frases feitas. Ge-
neralizações visões limitadas.
Ex.: A educação é o principal pilar 
da formação do indivíduo.
SENSO COMUM
 § Compreensão dos agentes causadores do problema;
 § Análise de razões históricas do problema;
 § Confronto entre a imagem do problema na teoria e na vida real.
 § Apresentação de dados, exemplos da vida real e fundamentos teóricos.
Ex.: Embora muitos considerem a educação o principal pilar formador 
dos cidadãos, a realidade das escolas brasileiras nem sempre segue essa pre-
missa. Em muitas delas, os professores possuem baixos salários e, por conta 
disso, precisam atribuir um número elevado de aulas, o que prejudica seu de-
sempenho em sala de aula e, consequentemente, a formação do aluno. Além 
disso, a escola também reproduz formas de preconceito e discriminação capa-
zes de afetar diretamente a vida social e afetiva dos alunos. 
SENSO CRÍTICO
Linguagem 
A linguagem empregada na redação deve respeitar a norma padrão da língua portuguesa e deve prezar 
pela clareza e pela objetividade. Os termos que atribuem incerteza e imprecisão às afirmações devem ser deixados 
de lado. Além disso, é importante evitar palavras pouco usadas na língua e com nível muito alto de erudição. Às 
vezes, empregar uma palavra rebuscada para “impressionar” o corretor pode ser um grande equívoco.
Do mesmo modo, é importante lembrar que a linguagem do texto dissertativo-argumentativo é basicamen-
te denotativa, e, portanto, não pode estar recheada de clichês, ironias, frases de efeito ou recursos de estilo. De 
modo geral, as figuras de linguagem são ferramentas para explorar os sentidos das palavras em textos literários, 
quadrinhos, ou canções e, consequentemente, atrapalham a objetividade da redação. A criatividade é bem-vinda 
quando está no títulodo texto ou na apresentação de alguma ideia, mas para empregá-la, é preciso ter um domínio 
considerável dos elementos básicos do texto dissertativo. 
Há também um detalhe muito importante: é necessário que o autor empregue a 3ª pessoa do singular para 
manifestar suas ideias e opiniões. Cabe identificar algumas diferenças no trato dos períodos. Observe: 
ERRADO CORRETO
Eu penso que a globalização prejudicou a concepção de cultura. A globalização prejudicou a concepção de cultura.
Acho necessário criar um novo sistema de avaliação educacional. É necessário criar um novo sistema de avaliação educacional.
Considerando o atual cenário, estou convicto de que as novas polí-
ticas ambientais serão positivas. 
 Considerando o atual cenário, as novas políticas ambientais serão 
certamente positivas.
A lista abaixo é composta pelos principais critérios de redação exigidos nos exames. Nesse sentido, é importante sempre ter essas infor-
mações em mente: elas podem te ajudar a elaborar um texto de melhor qualidade.
Aspectos esperados nas redações (principais critérios) 
1. Adequação entre o tema proposto e o texto do candidato;
2. Adequação ao tipo de texto solicitado (dissertação, carta, artigo de opinião);
3. Coesão textual – emprego correto de conjunções, pronomes e preposições entre os períodos;
4. Coerência dos argumentos;
5. Correção gramatical e seleção vocabular adequada.
12
Aspectos INDESEJADOS na dissertação 
1. Emprego de vocabulário rebuscado ou excessivamente expressivo.
2. Composição de parágrafos isolados.
3. Ausência de posicionamento crítico diante do tema proposto. (textos argumentativos)
4. Desconexão entre exemplos, citações e análises críticas.
5. Repetição meramente descritiva das problemáticas apresentadas na coletânea (paráfrase).
6. Conclusão contraditória em relação aos argumentos e posicionamentos apresentados.
exercícios
EXERCÍCIO 1: A redação abaixo recebeu nota máxima na prova do ENEM de 2017. Leia-a com atenção 
e observe como se articulam a tese e os argumentos que a sustentam. Além disso, observe como 
objetividade e a impessoalidade estão presentes no texto. 
TESE: Essa é a ideia central que o 
autor defenderá ao longo do texto.
ARGUMENTO 1: É uma das ideias 
que sustenta a tese.
COMPROVAÇÃO DO ARGUMEN-
TO 1: Trata-se da comprovação da 
ideia apresentada. Nesse caso. Ao 
tratar da discriminação nas escolas 
brasileiras, o autor comprova sua 
ideia de que há uma mentalidade 
retrógrada. 
Na antiga Esparta, crianças com deficiência eram assassinadas, pois não poderiam 
ser guerreiras, profissão mais valorizada na época. Na contemporaneidade, tal barbárie não 
ocorre mais, porém há grandes dificuldades para garantir aos deficientes – em especial os 
surdos – o acesso à educação, devido ao preconceito ainda existente na sociedade e à falta 
de atenção do Estado à questão.
Inicialmente, um entrave é a mentalidade retrógrada de parte da população, que 
age como se os deficientes auditivos fossem incapazes de estudar e, posteriormente, exer-
cer uma profissão. De fato, tal atitude se relaciona ao conceito de banalidade do mal, tra-
zido pela socióloga Hannah Arendt: quando uma atitude agressiva ocorre constantemente, 
as pessoas param de vê-la como errada. Um exemplo disso é a discriminação contra os 
surdos nas escolas e faculdades – seja por olhares maldosos ou pela falta de recursos para 
garantir seu aprendizado. Nessa situação, o medo do preconceito, que pode ser praticado 
mesmo pelos educadores, possivelmente leva à desistência do estudo, mantendo o deficien-
te à margem dos seus direitos – fato que é tão grave e excludente quanto os homicídios 
praticados em Esparta, apenas mais dissimulado. 
Outro desafio enfrentado pelos portadores de deficiência auditiva é a inobservân-
cia estatal, uma vez que o governo nem sempre cobra das instituições de ensino a existên-
cia de aulas especializadas para esse grupo – ministradas em Libras – além da avaliação do 
português escrito como segunda língua. De acordo com Habermas, incluir não é só trazer 
para perto, mas também respeitar e crescer junto com o outro. A frase do filósofo alemão 
mostra que, enquanto o Estado e a escola não garantirem direitos iguais na educação 
dos surdos – com respeito por parte dos professores e colegas – tal minoria ainda estará 
sofrendo práticas discriminatórias. 
Destarte, para que as pessoas com deficiência na audição consigam o acesso pleno 
ao sistema educacional, é preciso que o Ministério da Educação, em parceria com as insti-
tuições de ensino, promova cursos de Libras para os professores, por meio de oficinas de es-
pecialização à noite – horário livre para a maioria dos profissionais – de maneira a garantir 
que as escolas e universidades possam ter turmas para surdos, facilitando o acesso desse 
grupo ao estudo. Em adição, o Estado deve divulgar propagandas institucionais ratificando 
a importância do respeito aos deficientes auditivos, com postagens nas redes sociais, para 
que a discriminação dessa minoria seja reduzida, levando à maior inclusão. 
ARGUMENTO 2: É a segunda ideia 
que sustenta a tese.
COMPROVAÇÃO DO ARGUMEN-
TO 2: O autor traz a visão de um 
importante filósofo para ressaltar 
sua ideia de que a inclusão a ser 
feita pelo Estado precisa ser rea-
lizada de outra maneira, de modo 
a garantir efetivamente a inserção 
desses indivíduos na sociedade.
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Mais adiante, você estudará detalhadamente os procedimentos necessários para a composição eficaz de um argumento e de suas com-
provações. Veremos que esses elementos recebem outros nomes e possuem algumas características específicas.
EXERCÍCIO 2: Os períodos abaixo foram escritos na 1ª pessoa do singular e alguns deles apresentam 
marcas referentes à 2ª pessoa. Por essas razões, eles não são adequados para a composição da 
dissertação-argumentativa. Identifique essas marcas de pessoalidade e em seguida reescreva os 
trechos tornando-os impessoais.
a. Em primeiro lugar, não acredito que a tecnologia tenha dominado o homem. Ao contrário, penso que a 
humanidade está vivendo uma fase positiva em relação à ciência e à técnica. 
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b. Não vejo como negativas as cotas para deficientes físicos. 
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c. Diante de tantas polêmicas, acho que boa parte da população não está apta a manifestar-se politi-
camente pela internet. Vejo frequentemente pessoas destruírem suas relações em razão de conflitos 
políticos disseminados na rede, que estão repletos de incompreensão e egoísmo. 
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d. Por mais que pareça estranho, hoje você tem conhecimento mais rápido dos acontecimentos europeus 
que dos brasileiros. 
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e. Quantos anos nós brasileiros passamos sem conhecer a verdadeira história de nosso país? 
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EXERCÍCIO 3: Os trechos abaixo apresentam algumas máximas disseminadas na sociedade brasileira 
que não possuem embasamento. Em outros termos, trata-se de exemplos do senso comum que são 
repercutidos – muitas vezes – quando determinado assunto está sendo debatido. 
Leia o excerto e, de acordo com seus conhecimentos, elabore um parágrafo apontando os proble-
mas e os equívocos da visão apresentada.
a. A democracia só funciona em países ricos.
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b. Não há nada de positivo no sistema de saúde brasileiro.
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c. Todo político é corrupto.
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d. A doação órgãos desfigura o indivíduo. 
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e. Crianças adotadas sempre são problemáticas.
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f. A depressão não é doença, é frescura.
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g. Favela é sinônimo de criminalidade. 
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h. Arte é algo para ricos. Os mais pobres não sabem prestigiá-la. 
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oBesiDaDe inFantiL no BrasiL: conseQuÊncias 
e DesaFios em seu comBate
ACERVO
TEXTO I
Por que é tão difícil frear a escalada da obesidade infantil?
 
A explosão de obesidade na população brasileira adulta, revelada na última semana pela Pesquisa de Vigi-
lância de Fatores de Risco e Proteção para DoençasCrônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), tem impacto direto 
no avanço do sobrepeso entre as crianças. Afinal, elas não aprendem sozinhas a tomar refrigerante enquanto 
jogam videogame, não é?
O levantamento anual do Ministério da Saúde identificou um crescimento de 60% no número de adultos obesos nos últi-
mos dez anos: um em cada cinco brasileiros adultos está nesta situação - e metade da população está acima do peso. A estatística 
é alta também entre as crianças: um em cada três brasileiros já apresenta excesso de peso na infância.
Os indicadores sobre obesidade infantil são da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE, cujos dados mais re-
centes são referente a 2008-2009. A Vigitel analisa o comportamento alimentar apenas de pessoas maiores de 18 anos, em todas 
as capitais brasileiras. Mas o Ministério da Saúde, ao apresentar os dados da pesquisa, destacou a importância de ações também 
voltadas a crianças e adolescentes.
Já chega a 16,6% o índice de meninos obesos com idade entre 5 e 9 anos e a 11,8% entre as meninas na mesma faixa 
etária, segundo a POF 2008-2009. A título de comparação, em 1974-1975, as taxas eram de 10,9% entre meninos e 8,6% entre 
meninas.
16
O Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (Erica), de 2015, indica que 8,4% dos adolescentes brasileiros estão 
obesos e 25,5% dos adolescentes de 12 a 17 anos estão com excesso de peso.
Para especialistas ouvidos pela BBC Brasil, o mau exemplo dos pais e a sofisticação da propaganda de produtos industria-
lizados são os principais entraves para enfrentar o problema.
Propaganda desigual
O coordenador científico do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo 
(USP), Carlos Augusto Monteiro, atuou na elaboração do Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, e 
considera a propaganda o principal motor para o crescimento do consumo de alimentos ultraprocessados nos últimos anos.
São considerados assim alimentos como biscoitos recheados, salgadinhos de pacote, refrigerantes, macarrão instantâneo, 
lasanhas prontas, entre outros do gênero.
"A propaganda é desigual. Enquanto a indústria apresenta um material muito sofisticado, que passa uma mensagem sobre 
você ser mais bacana se consumir tal produto, o governo é omisso em campanhas de saúde pública", analisa Monteiro.
Para o pesquisador, essa propaganda vende também uma certa ideologia de praticidade, que contamina o imaginário dos 
pais, verdadeiros responsáveis pela alimentação dos pequenos.
"Não há tanta diferença entre o tempo de preparo de um macarrão normal com molho de tomate e um macarrão instan-
tâneo", avalia.
Regulamentação e exemplo
Além da propaganda, as embalagens também contribuem para atrair consumidores a produtos com propriedades senso-
riais inversamente proporcionais ao seu valor nutricional. "Um suco de laranja em pó, por exemplo, tem 1% de polpa de laranja, 
mas a embalagem mostra uma laranja enorme, colorida", exemplifica Monteiro.
O mesmo vale para dizeres como "rico em fibras" e frases similares, as quais o pesquisador da USP classifica como "ale-
gações saudáveis falsas". Medidas regulatórias poderiam barrar esse tipo de apelo ou mesmo restringir a propaganda de certos 
produtos, como ocorre em países como França, Canadá e Inglaterra.
Um ponto fundamental na formação de uma geração que tenha menos problemas com a balança é o exemplo dos pais. 
"A criança precisa ter referências do que é uma alimentação variada e saudável", frisa a pediatra nutróloga Elza Mello, professora 
da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
 A especialista destaca que a preocupação com os hábitos alimentares deve vir desde a gestação. "O líquido amniótico 
transfere sabor, então, a criança pode já nasce predisposta a preferir certos alimentos de acordo com a dieta da mãe", explica Mello, 
que também atua no setor de Gastroenterologia Pediátrica do Hospital das Clínicas de Porto Alegre.
De acordo com a pediatra nutróloga Márcia Schneider, integrante da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul, o tra-
tamento da obesidade infantil é difícil porque depende muito dos adultos. "O tratamento não deve ser só no consultório, mas em 
casa, na escola. Quem compra o refrigerante? Quem dá o tablet?", questiona a médica.
O que fazer?
Os especialistas são unânimes: dar exemplo é o primeiro passo. Boa parte da educação das crianças decorre do que elas 
veem os pais fazerem. Vale o mesmo para a dieta.
"Os pais veem os pequenos como vulneráveis, o que de fato são, e querem fazer tudo certo. Nessa perspectiva, a chegada 
de uma criança pode ser uma motivação para repensar a relação de todos com a comida", observa o pesquisador da USP Carlos 
Augusto Monteiro.
17
Evitar ao máximo oferecer sucos e refrigerantes aos pequenos é outra recomendação. Mesmo sucos naturais são altamente 
calóricos, lembra a pediatra Elza Mello. Além do excesso de calorias, a ingestão frequente dessas bebidas acostuma o paladar da 
criança desde cedo e pode acabar fazendo com que ela rejeite beber água.
Não mandar raspar o prato é uma medida simples e eficaz. As mães esperam que a criança consuma porções iguais de 
alimento todos os dias e costumam obrigá-las a comer até o fim, mas esse comportamento é equivocado, diz a especialista.
"Há dias em que a criança tem menos fome, e é preciso respeitar. Assim, ela irá crescer com a ideia de que só precisa comer 
até o cérebro saber que está satisfeito", explica.
Por fim, é comum os pais se preocuparem mais em fazer a criança comer direito do que em observar como (e se) ela gasta 
toda essa energia.
"É preciso limitar o uso de mídias que incentivam o sedentarismo e promover a prática de atividades físicas em todas as 
idades. Para crianças pequenas, atividades lúdicas, como jogos, funcionam bem. Adolescentes podem até fazer musculação, desde 
que sem sobrecarga", sugere a pediatra Márcia Schneider.
Ação do governo
Questionado sobre desafios e medidas do governo federal no combate à obesidade infantil, o Ministério de Saúde enume-
rou uma série de ações em curso, como controle de ganho de peso e promoção de alimentação saudável na gestação.
Citou ainda o programa Saúde na Escola, em integração com a pasta da Educação, que pode identificar estudantes com 
excesso de peso ou risco nutricional e encaminhá-los a serviços de saúde.
Ainda segundo o ministério, o governo fornece materiais a professores para uso em atividades de promoção da alimenta-
ção saudável e apoia uma norma de venda de alimentos para bebês que controla a publicidade de produtos que concorram com a 
amamentação - prática que é considerada como meio de prevenção da obesidade.
A pasta disse reconhecer a necessidade de avançar além de ações de promoção de alimentação adequada.
"É preciso melhorar a rotulagem nutricional para apoiar escolhas mais saudáveis, proibir a venda de refrigerantes e outros 
alimentos ultraprocessados não saudáveis nas escolas e regular a publicidade de alimentos direcionada ao público infantil, para 
proteger as crianças da exposição a alimentos não saudáveis", afirmou em nota.
https://www.bbc.com/portuguese/geral-39659632
É imPortante saBer
I. DADO ESTATÍSTICO RELEVANTE
Segundo dados do Ministério da Saúde, uma em cada três crianças brasileiras entre 5 e 9 anos de idade está com excesso de 
peso, e 8,4% dos adolescentes são obesos (DADOS DE 2017).
II. ARGUMENTO DE AUTORIDADE 
A endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Lívia Lugarinho, relata que alimentos como coxi-
nha, sanduíche, pizza, sorvete e chocolate – apesar de estarem entre os preferidos das crianças – podem ser muito prejudiciais 
à saúde, uma vez que seus excessos de açúcares e gorduras ajudam o peso a subir rapidamente. A profissional recomenda que 
os pais estimulem uma alimentação saudável e equilibrada.
III.EXEMPLOS DO COTIDIANO 
A obesidade custa ao Brasil 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo um estudo internacional conduzido pelo McKinsey 
Global Institute, que mostra o aumento dos gastos no combate ao problema no mundo. A McKinsey afirma ainda que em 2030, 
cerca de 50% da população poderá ser classificada como obesa.
Fonte: <https://www.terra.com.br/noticias/dino/obesidade-custa-ao-brasil-24-do-produto-
-interno-bruto,931fc10909b09e9a36638764cdb4795f0qntp8h6.html>
18
IV. ATORES OU SITUAÇÕES QUE PODEM SER MOBILIZADOS NA DISCUSSÃO DO TEMA 
Mídia (publicidade e propaganda)
O coordenador científico do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (USP), 
Carlos Augusto Monteiro, considera a propaganda o principal motor para o crescimento do consumo de alimentos ultraproces-
sados nos últimos anos.
Para o pesquisador, a propaganda vende uma certa ideologia de praticidade, que contamina o imaginário dos pais, verdadeiros 
responsáveis pela alimentação dos pequenos. Além disso, as embalagens também contribuem para atrair consumidores a 
produtos com propriedades sensoriais inversamente proporcionais ao seu valor nutricional. “Um suco de laranja em pó, por 
exemplo, tem 1% de polpa de laranja, mas a embalagem mostra uma laranja enorme, colorida”, exemplifica Monteiro.
Por fim, o pesquisador recomenda que sejam implantadas medidas regulatórias para barrar esse tipo de apelo ou mesmo res-
tringir a propaganda de certos produtos, como já ocorre em alguns países como França, Canadá e Inglaterra.
V. LEGISLAÇÃO: 
Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a 
efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, 
à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.
Estatuto da criança e do adolescente. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8069.htm
VI. DECLARAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS/CRIANÇA: 
PRINCÍPIO 2º - A criança gozará proteção social e ser-lhe-ão proporcionadas oportunidades e facilidades, por lei e por outros 
meios, a fim de lhe facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, de forma sadia e normal e em condições 
de liberdade e dignidade. Na instituição das leis visando este objetivo levar-se-ão em conta sobretudo, os melhores interesses 
da criança. 
Declaração dos direitos da criança. http://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-
-permanentes/cdhm/comite-brasileiro-de-direitos-humanos-e-politica-externa/DeclDirCrian.html
INTERATIVIAA DADE
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MUITO ALÉM DO PESO - OFICIAL
Fed Up 2014
The kids menu
Fonte: Youtube
Fonte: Youtube
Documentário mostra que há esperança no combate à obesidade 
infantil: quando bem informadas, as crianças geralmente escolhem 
hábitos alimentares mais saudáveis
19
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Obesidade e Saúde Pública - Col. Temas em Saúde – Luiz 
Antonio dos Anjos
"Temas em Saúde" é uma coleção trazer para estudantes, 
profissionais e público em geral panoramas sobre conceitos e 
conteúdos fundamentais das áreas da saúde. A idéia é combinar 
informação atualizada com
reflexões que se baseiem em recentes produções científicas sobre os 
diversos assuntos tratados.
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ProPosta 1
TEXTO 1
Uma em cada três crianças brasileiras entre 5 e 9 anos de idade está com excesso de peso, e 8,4% dos 
adolescentes são obesos, segundo dados do Ministério da Saúde.
Com o objetivo de auxiliar na mudança desse quadro, foi lançada na Câmara, nesta quarta-feira (31), a 
Frente Parlamentar Mista de Combate e Prevenção da Obesidade Infanto-Juvenil.
A frente será coordenada pelo deputado Evandro Roman (PSD/PR), que destaca a importância de se debater 
o tema.
Três eixos serão priorizados, de acordo com o deputado: a alimentação, a atividade física e a qualidade do 
sono.
"A obesidade infantil hoje no mundo tomou proporções que são danosas, principalmente, para a saúde 
pública. E quando nós falamos em crianças, temos que pensar que elas são os adultos de amanhã, e se desenvol-
verem maus hábitos alimentares, ausência da atividade física, e má qualidade de sono, serão adultos doentes”, 
afirma o parlamentar. 
http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/SAUDE/535580-FRENTE-PARLAMENTAR-QUER-
-MEDIDAS-LEGISLATIVAS-PARA-PREVENCAO-E-CONTROLE-DA-OBESIDADE.html
TEXTO 2
Alimentação inadequada provoca aumento na obesidade infantil
Na hora do lanche, a criançada já tem na ponta da língua o cardápio predileto: coxinha, sanduíche, pizza, 
sorvete, chocolate, dentre outros.
Apesar de serem a preferência da maioria da garotada, esses alimentos podem ser um verdadeiro veneno 
para a saúde. Ricos em açúcares e gorduras, são vilões na alimentação e ajudam o peso a subir rapidamente. Por 
isso, é preciso ter olho vivo na balança, porque junto com o excesso de peso, vem uma série de doenças, como 
relata a endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Lívia Lugarinho.
Hoje (11) é o Dia Nacional de Prevenção contra a Obesidade e o excesso de peso entre as crianças é um 
problema crescente que precisa de atenção. Uma estimativa feita pela Organização Mundial da Saúde revelou que 
41 milhões de crianças no mundo, abaixo de cinco anos de idade, estão acima do peso. Esses números são resul-
tados de uma combinação perigosa de má alimentação e sedentarismo.
Para a endocrinologista Lívia Lugarinho, a chave para uma rotina saudável está no estilo de vida.
Para evitar a obesidade infantil, vale aquele ditado: “prevenir é melhor do que remediar”. Então é importan-
te que os pais estimulem uma alimentação saudável e equilibrada, além da prática regular de exercícios. A saúde 
dos pequenos agradece. 
http://radios.ebc.com.br/reporter-nacional/2018/10/alimentacao-inadequada-esta-provocando-aumento-na-obesidade-infantil (11.10.2018)
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TEXTO 3
Este Anexo disciplina a propaganda comercial de alimentos, refrigerantes, sucos, achocolatados, bebidas 
não-carbonatadas e as isentas de álcool a elas assemelhadas, assim classificados pelos órgãos da administração 
pública, e, obviamente, não exclui o atendimento às exigências das legislações específicas.
2. Quando o produto for destinado à criança, sua publicidade deverá, ainda, abster-se de qualquer estímulo 
imperativo de compra ou consumo, especialmente se apresentado por autoridade familiar, escolar, médica, esporti-
va, cultural ou pública, bem como por personagens que os interpretem, salvo em campanhas educativas, de cunho 
institucional, que promovam hábitos alimentares saudáveis.
(Código Brasileiro de Auto-regulamentação publicitária) http://www.conar.org.br/codigo/codigo.php
TEXTO 4
Diversas patologias e condições clínicas estão associadas à obesidade. Alguns exemplos são: 
§ Apnéia do sono 
§ Acidente vascular cerebral, conhecido popularmente como derrame cerebral. 
§ Fertilidade reduzida em homens e mulheres.
§ Hipertensão arterial ou “pressão alta”. 
§ Diabetes melito. 
§ Dislipidemias. 
§ Doenças cardiovasculares.
§ Cálculo biliar. 
§ Aterosclerose.
§ Vários tipos de 'câncer, como o de mama, útero, próstata e intestino.
§ Doenças pulmonares. 
§ Problemas ortopédicos. 
§ Gota. 
Os prejuízos que o excesso de peso pode causar ao indivíduo são muitos e envolvem desde distúrbios não 
fatais, embora comprometam seriamente a qualidade de vida, até o risco de morte prematura. Os dados existentes 
são alarmantes: estima-se que mais de 80 mil mortes ocorridas no país poderiam ter sido evitadas se tais pessoas 
não fossem obesas.
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/obesidade_desnutricao.pdf
A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentosconstruídos ao longo 
de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa 
sobre o tema OBESIDADE INFANTIL NO BRASIL: CONSEQUÊNCIAS E DESAFIOS EM SEU COMBATE, 
apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma 
coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

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