Prévia do material em texto
TRATORES AGRÍCOLAS E MOTORES DE COMBUSTÃO INTERNA 1 Antes do trator a fonte de potência era “Humana” ou “Animal” O trator teve importante papel no desenvolvimento da mecanização agrícola; Homem menos que 0,1 kw de potência em trabalho contínuo; Potência Homem Animal Trator 2 3 4 5 6 TIPOS DE TRATORES AGRÍCOLAS Trator pequeno Trator médio Microtrator de rabiça Trator grande-esteiras Trator grande-rodas 7 Implementos/máquinas estacionários 8 Importância do trator agrícola O trator foi o principal responsável pelo desenvolvimento da mecanização agrícola durante o século 20. 9 Tratores agrícolas são máquinas autopropelidas projetadas para tracionar, transportar e fornecer potência para máquinas e implementos agrícolas. 10 Importância da Mecanização Agrícola Segundo a Academia Nacional de Engenharia-USA A Mecanização Agrícola é a 7ª. maior invenção da Engenharia do século XX, à frente do computador, do telefone e das naves espaciais. http://www.greatachievements.org/ 11 Objetivos da Mecanização Agrícola Aumentar a produtividade do “Homem”; Tornar o trabalho menos árduo e mais agradável; Melhorar a qualidade das operações agrícolas. 12 Maiores invenções da engenharia durante o século 20 13 FUNÇÕES PRINCIPAIS DO TRATOR AGRÍCOLA Barra de Tração Sistema hidráulico de 3 pontos Tomada de Potência CARACTERÍSTICAS DO TRATOR AGRÍCOLA FROTA BRASILEIRA DE TRATORES Em média, os agricultores adotam como limite o 9º ou 10º ano para considerar o trator de rodas anti-econômico -> média de 8.100 horas trabalhadas = 900 horas/ano, utilizando-se desse conceito 62% (279.000) da frota é anti-econômica, causando prejuízos de US$ 559 milhões por ano. Fonte: Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica CONSTITUIÇÃO GERAL DOS TRATORES Os tratores são constituídos dos seguintes órgãos básicos: 1 – Motor 2 – Embreagem 3 – Caixa de mudança de marchas 4 – Conjunto coroa, pinhão e diferencial 5 – Redução final 6 – Rodados 7 – Reguladores 8 – Barra de tração 9 – Sistema hidráulico de três pontos 10 – Sistema hidráulico 11 – Tomada de potência (TDP) 12 – Tomadas hidráulicas O desenvolvimento de tratores agrícolas veio da necessidade de se cultivar grandes áreas para produzir alimentos. 19 20 21 Evolução do Trator Agrícola no Brasil 22 Estados produtores de máquinas agrícolas: variação 1990-2004 Em 1990 o Estado de São Paulo liderava a produção com 56,4% Tratores: Brasil x USA Disponibilidade de áreas agrícolas Fonte: http://www.rlc.fao.org/es/prioridades/bioenergia/pdf/bioenergiapor.pdf Constituição geral dos tratores Motor, sistema de transmissão, sistema hidráulico e rodados. Todos componentes estão montados em uma estrutura denominada chassi. Chassi Motor Transmissão Hidráulico Rodados Tipos de estruturas de chassis Monobloco: A estrutura monobloco é formada pela união dos próprios componentes do trator (motor-transmissão-diferencial). Tipos de estruturas de chassis Chassi propriamente dito: normalmente equipa tratores acima de 90 cv. A transmissão e o motor não estão sujeitos a esforços devido a tração desenvolvida pelo trator. Tipos de estruturas de chassis Semichassi: geralmente utilizado para montar tratores entre 180 e 350 cv. Evita que esforços sejam diretamente absorvidos pelo motor. Tipos de estruturas de chassis Chassi articulado: permite uso de pneus de mesmas dimensões no eixo dianteiro e traseiro; Maior rendimento de tração que os demais; Menor versatilidade para acoplamento de implementos e manobras. Motores de tratores agrícolas Motores de combustão interna; Na sua maioria do ciclo diesel; http://www.biodiesel.gov.br/ http://www.biodieselbr.com/ Produzido a partir de óleos vegetais de mamona, dendê, palma, girassol, babaçu, amendoim, soja e outros; Substitui total ou parcialmente o óleo diesel em motores ciclo diesel; 2% de biodiesel misturado ao diesel de petróleo é B2 e assim sucessivamente até o biodiesel puro B100. Sistema de transmissão Composto por embreagem, caixa de marchas, diferencial e redução final. Fontes de potência nos tratores Tomada de potência: fonte de rotação; Barra de tração: fonte de tração; Sistema de engate de 3 pontos: tração e movimentação de máquinas e implementos. Tomada de potência - TDP A tomada de potência é um eixo estriado localizado na parte posterior do trator. Permite a transmissão de movimento rotativo para máquinas acopladas ao trator. Eixo cardan: transmissão da potência da TDP para a máquina. Barra de tração Localizada abaixo da TDP na parte posterior do trator. Utilizada para acoplamento de máquinas de tração. Deve ser oscilante e removível para facilitar o acoplamento e regulagens. A barra de tração é normalmente utilizada para acoplamento de máquinas de preparo do solo em tratores agrícolas de grande porte. Preparo do solo Engate de 3 pontos Utilizado para máquinas de pequeno porte. A máquina fica totalmente apoiada sobre o trator. Acoplamento do tipo rígido onde as forças de reação do solo são transmitidas diretamente ao trator. Roçadeira Arado Enxada rotativa Rodados de tratores Tratores de rodas (4x2 ;4x4; 4x4 TDA) Tratores de esteiras Rodados de pneus Os tratores podem apresentar diversos tipos de pneus. O tipo de pneu varia conforme sua utilização: : preparo do solo ≠ pulverização Tipos de pneus Rodados de esteiras Os tratores podem apresentar esteira de borracha. Aço: movimentação de terras Borracha: agrícola Esteira de borracha - agrícola Vão livre vertical O vão livre é a distância entre a parte inferior do chassi do trator e o solo; Valor mínimo = 40 cm para permitir o tráfego do trator nas entrelinhas da cultura para realizar tratos culturais em estádios iniciais de desenvolvimento das plantas. Bitola regulável A bitola de tratores agrícolas é a distância entre o centro das rodas. Um mesmo trator apresenta diversas bitolas para possibilitar o tráfego nas entrelinhas da cultura e adequar o trator para o acoplamento de máquinas e implementos. Painel de instrumentos O painel de instrumentos deve ser de fácil leitura com presença obrigatória de tacômetro e horímetro. Combustível Temperatura Seta direita Seta esquerda Tacômetro: 1700 rpm Horímetro Óleo lubrificante Bateria Farol alto TDP Filtro Ar Assento O assento dos tratores deve apresentar regulagens para permitir ajustar os controles ao operador Cinto de segurança para proteger o operador em caso de acidentes. As alças e os estribos são necessários para facilitar a subida e descida do operador evitando acidentes. Alças e Estribos Alças e Estribos Esquema geral de um trator Motores de tratores agrícolas Motores de combustão interna; Na sua maioria do ciclo diesel; http://www.biodiesel.gov.br/ http://www.biodieselbr.com/ Produzido a partir de óleos vegetais de mamona, dendê, palma, girassol, babaçu, amendoim, soja e outros; Substitui total ou parcialmente o óleo diesel em motores ciclo diesel; 2% de biodiesel misturado ao diesel de petróleo é B2 e assim sucessivamente até o biodiesel puro B100. MOTORES DE COMBUSTÃO INTERNA O motor é responsável pela transformação da energia potencial do combustível em energia mecânica, na forma de potência disponível no volante da árvore de manivelas. Classificação dos motores quanto ao ciclo operativo: • Motor de 4 tempos: Um ciclo de trabalho estende-se por duas rotações na árvore de manivela ou seja, quatro cursos por pistão. • Motor de 2 tempos: O ciclo motor abrange apenas um rotação da árvore de manivela ou seja, dois cursos por pistão. Classificação dos motores quanto à combustão Motores à combustão interna ou endotérmico Motores à combustão externa. Classificação dos motores quanto ao movimento: • Motores alternativos (pistões) • Motores rotativos (motor Wankel) Classificaçãodos motores quanto à forma de combustão: • Por ignição a centelha • Por ignição a compressão 51 MOTORES A VAPOR (combustão externa) Usavam a água aquecida como um dos princípios de funcionamento; Eram grandes e pesados; Os primeiros motores de combustão externa surgiram no século XVIII e tinham como fonte de energia (ou combustível) a lenha, que era abundante e de baixo custo na época. 52 “O princípio de funcionamento dos motores de combustão interna é explicado pela Termodinâmica, que é um ramo da Física, através do estudo da conversão de uma forma de energia em outra e, particularmente, a disponibilidade de calor e sua conversão em trabalho mecânico.” MOTORES DE COMBUSTÃO INTERNA 53 Definição: Os motores de combustão interna de pistões transformam a energia interna dos combustíveis em trabalho mecânico através da realização de um ciclo termodinâmico, que acontece no interior do cilindro do motor, com variações de volume, pressão e temperatura, além da combustão explosiva de uma mistura gasosa. O mecanismo constituído por um pistão, uma biela e o virabrequim, enclausurados no cilindro, é o responsável pela transformação energética que resulta em movimento rotativo do eixo de saída do motor. Motores de Combustão Interna de Pistões 54 Esquema de funcionamento de um motor de 4 tempos, 4 cilindros e com ordem de ignição 1-3-4-2. 55 56 Motor em “V” (6 cilindros) 57 Motor Boxter (6 cilindros) 58 Motor radial 59 60 61 62 Principais órgãos componentes do motor 1 – Bloco 2 – Cabeçote 3 – Carter 4 – Pistão ou êmbolo, anéis e camisa 5 – Biela 6 – Virabrequim 7 – Volante 8 – Válvulas 9 – Órgãos complementares 63 BLOCO É o maior órgão do motor e sustenta todas as outras partes, estando nele contidos os cilindros revestidos por camisas. 64 Cabeçote O cabeçote fecha o BLOCO na sua parte superior, sendo que a união é realizada por parafusos. 65 Normalmente confeccionado em aço estampado, é o órgão que fecha o bloco na sua parte inferior e também serve como depósito de óleo lubrificante para o motor. Deve ter um formato adequado para permitir contato permanente do óleo lubrificante com a bomba desse sistema. CÁRTER 66 É o órgão do motor que recebe o movimento de expansão dos gases (primeira parte do motor a movimentar-se). PISTÃO OU ÊMBOLO Funções dos anéis. a) efetuar a vedação da câmara do cilindro, retendo a compressão; b) reduzir a área de contato direta entre as paredes do êmbolo e do cilindro; c) controlar o fluxo de óleo nas paredes do cilindro; d) dissipar o calor do êmbolo pelas paredes do cilindro. 67 Biela Tem a função é transformar o movimento retilíneo alternado do êmbolo em movimento circular contínuo na árvore de manivelas. 68 Árvore de manivelas Também chamado de eixo de manivelas ou eixo virabrequim. 69 O virabrequim é normalmente fabricado de aço. VOLANTE É um disco de ferro fundido de grande massa. Sua função é acumular energia cinética e manter uniforme a velocidade angular da árvore de manivelas, reduzindo as variações dos tempos do motor, dando equilíbrio no movimento rotativo. A energia cinética é acumulada no tempo de explosão e liberada nos demais tempos do motor, que apenas são consumidores de energia. Válvulas Turbo compressor Intercooler Sistemas Complementares São os sistemas que proporcionam as condições necessárias para que o processo de transformação da energia interna dos combustíveis em trabalho mecânico se realize de forma eficiente e contínua. Os sistemas complementares dos motores de combustão interna são: - Sistema de válvulas - Sistema de alimentação - Sistema de arrefecimento - Sistema de lubrificação - Sistema de partida Sistemas Complementares – sistema de alimentação de combustível 1 Tanque de combustível 2 Pré-filtro 3 Bomba alimentadora 4 Bomba alimentadora manual 5 Bomba injetora 6 Filtro duplo de combustível 7 Bico injetor 8 Tubo de retorno 9 Tubo de respiro O funcionamento dos motores de combustão interna se realiza em ciclos onde se distinguem quatro fases (tempos): 1º admissão 2º compressão 3º explosão (expansão) 4º escape. PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO Para a compreensão do funcionamento é necessário a caracterização de alguns termos: ponto morto superior (PMS): posição do êmbolo mais próxima a parte superior do bloco (posição máxima); ponto morto inferior (PMI): posição do êmbolo mais próxima a árvore de manivelas; câmara de compressão: volume que fica no cilindro depois que o êmbolo atinge seu ponto máximo (PMS), também chamada de câmara de combustão; curso: espaço linear percorrido pelo êmbolo do PMI ao PMS e vice-versa; tempo: corresponde a um curso do êmbolo ou a meia volta da árvore de manivelas (180 graus). Motores do ciclo Otto O ciclo Otto divide-se em fases distintas, que são denominadas tempos, e será descrito a seguir: Quando a mistura chega ao cilindro, o êmbolo desce (1º tempo: admissão); Em seguida fecha-se a válvula de admissão e o êmbolo sobe e comprime a mistura (2º tempo: compressão). Nesse momento uma vela produz uma faísca provocando a ignição, e a pressão dos gases aumenta ainda mais, deslocando o êmbolo para baixo (3º tempo: combustão ou explosão). Quando o êmbolo chega ao ponto inferior, abre-se a válvula de escapamento; O êmbolo sobe e os gases resultantes da queima são expulsos do interior do cilindro (4º tempo: expansão), iniciando-se em seguida um novo ciclo. Motores de ciclo Diesel Admissão: neste tempo o êmbolo movimenta-se do PMS até o PMI. Com a válvula de admissão aberta ocorre a aspiração somente de ar no interior do cilindro. Diferencia-se do ciclo Otto que ocorre a aspiração da mistura ar + combustível. Compressão: com as duas válvulas fechadas, o êmbolo desloca-se do PMI até o PMS, ocorrendo então a compressão do ar. Diferencia-se do ciclo Otto pelas altas pressões de compressão atingidas. Explosão/expansão: quando o êmbolo está em sua posição máxima (PMS), o bico injetor pulveriza fina e fortemente um certo volume de combustível no interior da câmara de combustão. Neste momento o ar está a uma temperatura de 500 a 700 ºC e a alta pressão, o diesel injetado nessas condições faz com que ocorra a auto-ignição, impulsionando o êmbolo a PMI. Escape: neste tempo, com a válvula de escape aberta, os gases queimados são expelidos para fora do cilindro pelo movimento do êmbolo do PMI ao PMS, encerrando-se assim o ciclo. Ciclos de funcionamento Ciclo Otto (gasolina ou álcool) Ciclo Diesel 1 – Admissão Aspiraçãoda mistura ar-combustível Aspiraçãoe enchimento dos cilindros apenas com ar 2 – Compressão Compressão da mistura numa taxa em torno de 9:1(gasolina) ou 12:1 (álcool) Compressão do ar puro, numa taxa acima de 20:1 3 - Combustão Ignição por centelha da vela e explosão da mistura Injeção de óleo diesel,auto-inflamação pelo da compressão, combustão à medida em que é injetado 4 – Escapamento Saída dos gases queimados Saída dos gases queimados Ciclo Otto X ciclo Diesel Gráf1 450000 4800000 Brasil USA Plan1 Brasil USA Mundo Tratores 450,000 4,800,000 26,253,668 Porc. 9.375 Para redimensionar o intervalo de dados do gráfico, arraste o canto inferior direito do intervalo.