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Liderança e Coaching na Prática W B A 0 2 3 7_ v1 .0 2/222 Liderança e Coaching na Prática Autor: João Carlos Lopes Como citar este documento: LOPES, João Carlos. Liderança e Coaching na Prática. Valinhos: 2016. Sumário Apresentação da Disciplina 04 Unidade 1: A relação da liderança e do coaching com a estratégia organizacional 06 Assista a suas aulas 20 Unidade 2: O papel da pesquisa no contexto da liderança e do coaching 27 Assista a suas aulas 42 Unidade 3: Estilo de liderança e desempenho organizacional: uma descrição comparativa entre duas empresas (TOMEI; RICHE, 2016) 50 Assista a suas aulas 65 Unidade 4: Controle gerencial e sua relação com a Inovação: papel das alavancas de controle (CRUZ; FREZATTI; BIDO, 2007) 72 Assista a suas aulas 88 2/222 3/2223 Unidade 5: Liderança empreendedora e práticas de gestão de pessoas: um estudo sobre a eficácia na promoção do empreendedorismo corporativo (FRANCO; HASHIMOTO, 2014) 96 Assista a suas aulas 112 Unidade 6: Coaching como processo inovador de desenvolvimento de pessoas nas organizações (MELO; BASTOS; BIZARRIA, 2014) 120 Assista a suas aulas 135 Unidade 7: A relação das características inerentes aos perfis de liderança no desenvolvimento do coaching (NORO; STÜKER; OLIVEIRA, 2016) 143 Assista a suas aulas 162 Unidade 8: Coaching e Mentoring: Lapidando Diamantes Brutos (HOFFMAN; SILVA; SANTANA, 2012) 170 Assista a suas aulas 186 Sumário Liderança e Coaching na Prática Autor: João Carlos Lopes Como citar este documento: LOPES, João Carlos. Liderança e Coaching na Prática. Valinhos: 2016. 4/222 Apresentação da Disciplina Notadamente, as organizações empenham cada vez mais esforços na adoção de fer- ramentas para o desenvolvimento e otimi- zação das funções de seus gestores, desta- cando-se os treinamentos não como uma prática de reparação, mas como uma ferra- menta para o desenvolvimento de lideran- ças proativas, capazes de conduzir o cres- cimento sustentável e a inovação. Surge, nesse contexto, a figura do líder coach, cuja característica é o exercício da liderança de modo inspirador, fomentando o aprendiza- do comportamental através de foco em mo- tivação para um plano de ações que produ- za resultados, ou seja, o coaching está rela- cionado em manifestar seu melhor desem- penho por meio de assistência individual e privada, através de estímulo e orientação. O surgimento do líder coach está cada vez mais alinhado com a característica trans- formacional e sistemática do mundo cor- porativo. A compreensão de como o líder é percebido por outras pessoas em um con- texto organizacional é de vital importância para a liderança e a eficácia gerencial. Para examinar a relação entre as caracterís- ticas da liderança e do coaching na prática, como uma interação significativa entre a orientação dos objetivos de aprendizagem, a motivação pré-treinamento e a melhoria do desempenho, é necessário estabelecer uma relação entre a aprendizagem, a orien- tação dos objetivos e a melhoria no desem- penho. As instituições, ao longo do tempo, sempre tiveram a necessidade de pessoas para pro- 5/222 duzir e conduzir os resultados da organiza- ção, ficando a cargo da liderança qualificar e identificar situações que possam prejudi- car a equipe e, consequentemente, a orga- nização. Dessa maneira, esta disciplina objetiva identificar como as pessoas e as organiza- ções podem interagir em busca da obten- ção de resultados positivos, sob a ótica da ética, relatando por intermédio da pesqui- sa, presentes em artigos científicos, disser- tações de mestrado e teses de doutorado, a aplicação prática dos pressupostos teóricos acerca da liderança e do coaching. 6/222 Unidade 1 A relação da liderança e do coaching com a estratégia organizacional Objetivos Os objetivos deste tema consistem na imersão do aluno no contexto da liderança e do coaching na prá- tica, observando: 1. Compreender as características da liderança. 2. Conhecer os estilos de liderança. 3. Entender a natureza do coaching. Unidade 1 • A relação da liderança e do coaching com a estratégia organizacional7/222 Introdução O tema liderança tem sido debatido por vá- rios autores, tanto na visão daqueles que lideram como daqueles que são liderados. Necessariamente, é preciso modificar a vi- são do que muitos têm sobre liderança, traduzindo-a em uma capacidade ineren- te a cada pessoa. Todas as organizações precisam de líderes, cujas ações e palavras influenciem o pensamento e o comporta- mento das outras. Todavia, se, por um lado, o líder recebe es- tímulos para melhorar seu relacionamento, entre ele e seus liderados, por outro lado, é incansavelmente cobrado pelos objetivos e metas a serem atingidas. Ainda que pres- sionado pelas exigências de produtividade imposta pelas estruturas organizacionais e pela constante busca de sua satisfação pes- soal e de seus liderados, configura-se, as- sim, como um elemento indispensável para o alcance das estratégias organizacionais. O que define um líder não é a ausência de fraquezas, mas a presença de pontos fortes marcantes. O segredo para alcançar a exce- lência através da liderança está em inves- tir no desenvolvimento de suas qualidades fundamentais, tais como conhecimento e habilidades interpessoais. A liderança pode ser desenvolvida e, por- tanto, é possível tornar-se um líder melhor. Para conquistar essa característica, deve se entregar ao aprimoramento pessoal, de modo que possa perseguir constantemente a atualização de seus conhecimentos e sua qualificação, pois, quando for solicitado a exibir alguma de suas habilidades, ele deve Unidade 1 • A relação da liderança e do coaching com a estratégia organizacional8/222 estar pronto para demostrar a sua competência. Atualmente, observa-se um estilo de liderança emergente, chamado de coaching, considerado muito mais do que uma técnica. O coaching pode ser definido como um processo interativo atra- vés do qual o líder presta assistência ao liderado, conduzindo esse a obter os objetivos planeja- dos a partir de suas próprias habilidades e recursos de forma mais eficaz. Para saber mais O coaching tem como objetivo produzir mudanças cognitiva, comportamental e emocional em seu lide- rado, proporcionando à geração novos comportamentos e ideias, os quais possibilitarão seu desenvol- vimento, capacitando-o a agir de acordo com os objetivos organizacionais. Cabe, ainda, orientá-lo como superar obstáculos encontrados em seu cotidiano, permitindo, dessa ma- neira, que a estratégia organizacional seja preservada e se torne um item relevante para suas ações. Essa nova relação, liderança e coaching tem como característica significativa observar e avaliar a influência da liderança sobre o comportamento das pessoas. Vale também lembrar que nem todos os líderes nascem administradores, assim como nem todos os administradores nascem líderes, observan- Unidade 1 • A relação da liderança e do coaching com a estratégia organizacional9/222 do que o direito formal auferido pela organização não confere ao indivíduo a capacidade de uma liderança eficaz, ou seja, líderes podem surgir dentro de grupos de forma natural e espontânea. Para saber mais A influência da liderança pode ser observada quando o líder se utiliza de seu poder, sendo esse o poder legítimo, obtido com o exercício de um cargo; o poder de referência, em função das qualidades e do ca- risma; ou, ainda, o poder do saber, exercido pelos conhecimentos que o líder possui. Sendo assim, é possível afirmar que a lide- rança é imprescindível em todos e quaisquer tipos de organizações, pois essa compreen- de atividades complexas, e, para isso, o lí- der pode utilizar-se de ferramentas admi-nistrativas de melhoria contínua, tais como o PDCA, que irá auxiliá-lo na sua rotina de: planejamento de atividades, execução de tarefas, controle de rotinas e correção de falhas, até mesmo as cotidianas, além de estimular seus liderados através de um pro- cedimento contínuo para o alcance das me- tas e objetivos estabelecidos pela organiza- ção. Unidade 1 • A relação da liderança e do coaching com a estratégia organizacional10/222 Link “Método PDCA e ferramentas da qualidade no gerenciamento de processos industriais: um estudo de caso”. Disponível em: <http://www.revistas.usp.br/rai/article/view/79051>. Acesso em: 15 set. 2016. Dentro desse contexto, relacionado ao pro- cesso de liderança e coaching, informações que possam auxiliar na compreensão e ex- pansão do conhecimento sobre o tema se- rão apresentadas. Características e estilos de liderança James MacGregor Burns, em seu livro Li- derança (1978), identificou dois tipos de liderança política: transacional e transfor- macional. A liderança transacional ocorre quando uma pessoa toma a iniciativa de fa- zer contato com os outros, para efeitos de troca de algo valorizado, envolvendo, so- bretudo, negociações entre os líderes e seus subordinados e relações de troca entre eles. Unidade 1 • A relação da liderança e do coaching com a estratégia organizacional11/222 Link “Revisitando a perspectiva de James MacGre- gor Burns: qual é a ideia por trás do conceito de liderança transformacional”. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/cebape/v13n1/ 1679-3951-cebape-13-01-00121.pdf>. Aces- so em: 14 set. 2016. A liderança transformacional, por sua vez, é baseada em mais do que o cumprimento de seguidores, envolvendo mudanças nas crenças, nas necessidades e nos valores de seguidores. Os líderes transformacionais motivam os seus seguidores, inspirando- -os, oferecendo desafios e incentivando o desenvolvimento individual, porém objeti- vam a realização do propósito coletivo, da missão e da visão comum. Comportamentos distintos estão envolvi- dos na liderança transformacional e transa- cional. A liderança transformacional inclui a consideração individualizada, a estimu- lação intelectual, o carisma e a motivação inspiradora. A liderança transacional inclui recompensa para contingente e gestão por exceção. Existem evidências consideráveis de que a liderança transformacional é efi- caz e está positivamente relacionada com a satisfação, motivação e desempenho do subordinado. Os estilos de liderança transacional e trans- formacional são contrastados com a lide- rança laissez-faire. Para Chiavenato (2006), liderança laissez-faire ocorre quando o líder Unidade 1 • A relação da liderança e do coaching com a estratégia organizacional12/222 Para saber mais Laissez-faire é um termo originário da língua fran- cesa que significa “deixai fazer”, comumente uti- lizado quando se quer referir a gestores que apre- sentam falta de comprometimento e isenção de responsabilidade com suas atividades. delega totalmente as decisões ao grupo sem controle algum e deixa-o completamente à vonta- de. É mínima sua participação, tendo o grupo total liberdade para decisões coletivas ou individu- ais, além da divisão das tarefas e escolha dos colegas ficar totalmente a cargo do grupo, ou seja, há absoluta falta de participação do líder. A natureza do coaching Frequentemente, gestores ensinam seus subordinados como executar determina- das atividades, as quais estão diretamente relacionadas com as funções que eles ocu- pam nas organizações. Entretanto, os co- laboradores podem não compreender cor- retamente e agir inequivocamente. Dessa maneira, o coaching constitui uma técnica imprescindível para a melhoria do desem- penho. Essencialmente, o coaching pode ser defini- do como um processo de comunicação de duas vias. Uma vez que os colaboradores recebem treinamentos com o objetivo de apresentar resultados mais assertivos, os treinadores proverão feedback e permitirão aos seus alunos que ajustem suas ações no- Unidade 1 • A relação da liderança e do coaching com a estratégia organizacional13/222 vamente. Esse processo continuará até que eles atinjam os resultados esperados por seus ges- tores. Dessa maneira, no coaching, uma relação recíproca entre os treinadores e os seus alunos deve ser desenvolvida. Treinadores desportivos, como, por exemplo, de basquete, podem e devem auxiliar seus alunos a diagnosticar o que está acontecendo em quadra e descobrir o que pode ser me- lhorado e como melhorar, conforme evidenciado no longa-metragem “Coach Carter: Um Treino para a Vida”. Link Liderança transformacional e o desenvolvimento de equipes de alta performance: uma análise do filme “Coach Carter: Treino para a Vida”. Disponível em: <http://fatifajar.com.br/blogadm/wp- content/uploads/2013/08/2.-Lideran%C3%A7a-transformacional-e-o-desenvolvimento- de-equipes-de-alta-Performance.pdf>.Acesso em: 15 set. 2016. Unidade 1 • A relação da liderança e do coaching com a estratégia organizacional14/222 Glossário Carisma: é uma habilidade inata de alguns seres humanos de conseguir encantar, persuadir, fas- cinar ou seduzir um outro indivíduo, através da sua forma de ser e agir. Etimologicamente, o ter- mo “carisma” se originou a partir do grego “khárisma”, que significa “graça” ou “favor”. Significado de carisma. Disponível em: <https://www.significados.com.br/carisma/>. Acesso em: 16 set. 2016. Motivação: a palavra motivação é oriunda do latim motivus e quer dizer algo móvel ou relacio- nado a movimentos. Logo, a motivação conduz a novos horizontes, bastando dividir a palavra para ser obtido: motivo + ação. O conceito de motivação nas empresas. Disponível em: <http:// www.administradores.com.br/mobile/artigos/negocios/o-conceito-de-motivacao-nas-empre- sas/61904/>. Acesso em: 16 set. 2016. Unidade 1 • A relação da liderança e do coaching com a estratégia organizacional15/222 Glossário Feedback: é um parecer, uma opinião ou, ainda, uma análise sobre uma pessoa, um grupo de pessoas ou mesmo uma atividade, com o objetivo de avaliar o desempenho e o resultado do tra- balho executado. É possível entender os pontos positivos e negativos de uma atividade, buscan- do meios de melhorar a sua execução. O que é feedback? Disponível em: <http://www.meusdicionarios.com.br/feedback>. Acesso em: 16 set. 2016. Questão reflexão ? para 16/222 Como você viu, diversos aspectos de liderança e coaching podem ser aplicados dentro dos mais variados tipos de organizações. Sendo assim, reflita sobre os conceitos que acaba de aprender, cite em que estilo de liderança você estaria enquadrado e identifique os pontos positi- vos e negativos relacionados ao estilo escolhido. 17/222 Considerações Finais » Uma boa liderança está diretamente relacionada ao conhecimento da natureza humana; » foram identificados, entre os tipos de lideranças, comportamentos e ca- racterísticas marcantes; » os estilos de liderança transacional e transformacional são contrastados pelo estilo laissez-faire; » o coaching é um processo de comunicação de duas vias. Assim, é neces- sário desenvolver uma relação de reciprocidade entre os gestores e os co- laboradores. Unidade 1 • A relação da liderança e do coaching com a estratégia organizacional18/222 Referências BOZER, G.; SARROS, J.C.; SANTORA, J.C. The role of coach characteristics in executive coaching for effective sustainability. Journal of Management Development, v. 32, n. 3, p. 277-294, 2013. CALAÇA, P.A.; VIZEU, F. Revisitando a perspectiva de James MacGregor Burns: qual é a ideia por trás do conceito de liderança transformacional. Cadernos EBAPE.BR, v. 13, n. 01, p. 121-135, 2015. CHIAVENATO, I. Administração gerale pública. 6. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. MARIANI, C.A. Método PDCA e ferramentas da qualidade no gerenciamento de processos indus- triais: um estudo de caso. Revista de Administração e Inovação, v. 2, n. 2, p. 110-126, 2005. MELO, L. H. A.; BASTOS, A. T.; BIZARRIA, F. P. A. Coaching como Processo Inovador de Desenvol- vimento de Pessoas nas Organizações. Revista Capital Científico, v. 13, n. 2, p. 141-153, 2015. NORO, G.B.; STÜKER, C.; OLIVEIRA, J.H.R. A relação das características inerentes aos perfis de liderança no desenvolvimento do processo coaching. Revista Capital Científico, v. 13, n. 1, p. 59-76, 2015. RAMOS, D. M.; SOUZA, P. R. Coaching de executivos e a mudança comportamental. Revista Pen- samento Contemporâneo em Administração, v. 6, n. 4, p. 87-105, 2012. Unidade 1 • A relação da liderança e do coaching com a estratégia organizacional19/222 SILVA, A.S.; SILVA, V.S. Liderança transformacional e o desenvolvimento de equipes de alta per- formance: uma análise do filme “Coach Carter: Treino para a Vida”. In: Congresso Internacional de Administração, 9., 2012, Ponta Grossa. Anais do IX Congresso Internacional de Administra- ção. Ponta Grossa: Universidade Estadual de Ponta Grossa, 2012. Referências 20/222 Assista a suas aulas Aula 1 - Tema: A relação da liderança e do coa- ching com a estratégia organizacional - Bloco I Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ 5436d599d3a9a5088d38adc60fc77a61>. Aula 1 - Tema: A relação da liderança e do coaching com a estratégia organizacional - Bloco II Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f- 1d/1bbe983403c13db2c7377fb83c726ac5>. 21/222 1. Assinale a alternativa que apresenta o nome do estilo de liderança que foca nas relações de interesse dos liderados, oferecendo, muitas vezes, ameaças e/ou recompensas: a) Liderança laissez-faire. b) Liderança situacional. c) Liderança transacional. d) Liderança carismática. e) Liderança transformacional. Questão 1 22/222 2. Assinale a alternativa que corresponde ao estilo de liderança que apre- senta consideração individualizada, estimulação intelectual, carisma e motivação inspiradora como características principais: a) Liderança carismática. b) Liderança bidimensional. c) Liderança transacional. d) Liderança situacional. e) Liderança transformacional. Questão 2 23/222 3. Os estilos de liderança consistem nas atitudes de um líder frente a seus colaboradores. Basicamente, são apontadas três formas de liderança: tran- sacional, transformacional e laissez-faire. A esse respeito, assinale a alter- nativa correta. a) Um supervisor que está preocupado exclusivamente com a produção e os prazos de entrega, desconsiderando as opiniões de seus seguidores e centralizando as decisões da organização pratica a liderança transformacional. b) Na liderança laissez-faire, os seguidores são os responsáveis pela tomada de decisão. c) Um gerente que busca resultados através de mudanças nas crenças, nas necessidades e nos valores dos colaboradores pode ser classificado como um líder transacional. d) Um gestor que procura atingir resultados por meio de mudanças nas crenças, nas necessida- des e nos valores dos colaboradores pode ser classificado como um líder laissez-faire. e) É característica da liderança transacional a participação de seguidores no processo de to- mada de decisão e a definição compartilhada de objetivos e estratégias. Questão 3 24/222 4. Quando um líder, a partir do coaching, desenvolve uma relação de reciprocidade com seus colaboradores, ele visa: a) aumentar a popularidade; b) ampliar o seu poder sobre os colaboradores; c) atingir resultados mais assertivos; d) dividir a equipe; e) substituir os colaboradores. Questão 4 25/222 5. As mudanças do mundo globalizado conduziram as organizações a vol- tar suas atenções para o desenvolvimento de carreira de seus colaborado- res, com a intenção de: a) desestimular os seus colaboradores a assumirem a responsabilidade de seu próprio desenvolvimento e autogerenciamento da carreira; b) estabelecer uma nova hierarquia corporativa, tornando, assim, previsível a periodicidade de promoções dentro de áreas funcionais; c) assumir o planejamento da diversidade da força de trabalho para que as organizações se utilizem das peculiaridades de seus colaboradores; d) oferecer meios compatíveis, através da orientação e incentivo, para o desenvolvimento da carreira, através de ferramentas como o coaching, que auxiliam o crescimento dos colaboradores; e) definir claramente os planos de carreira, de acordo com resultados da avaliação de desempenho, promovendo melhoria do autocontrole do colaborador. Questão 5 26/222 Gabarito 1. Resposta: C. A liderança transacional apresenta como característica a recompensa para contin- gente. 2. Resposta: E. As características citadas correspondem à liderança transformacional. 3. Resposta: B. Na liderança laissez-faire, os gestores abdi- cam de sua responsabilidade e evitam to- mar decisões. 4. Resposta: C. Ao estabelecer uma relação de reciprocida- de, os gestores estão aptos a prover feedba- ck aos colaboradores, permitindo a eles que ajustem suas ações para atingir resultados mais assertivos. 5. Resposta: D. O processo de coaching possibilita produ- zir mudanças cognitiva, comportamental e emocional nos colaboradores, proporcio- nando a geração de novos comportamentos e ideias, os quais possibilitam seu desenvol- vimento. 27/222 Unidade 2 O papel da pesquisa no contexto da liderança e do coaching Objetivos 1. Demonstrar o caráter cíclico dos pressupostos acerca da liderança e do coaching, segundo a ciência (renova- ção e comunicação). 2. Demonstrar como os resultados podem ser articulados no delineamento de estratégias corporativas. 3. Contextualizar a possibilidade de utilização de dife- rentes métodos teóricos, quais sejam: qualitativos e quantitativos, na busca por respostas e propostas es- tratégicas de liderança e coaching. Unidade 2 • O papel da pesquisa no contexto da liderança e do coaching28/222 Introdução Desde seu surgimento, o ser humano vem se adaptando de acordo com suas necessi- dades, realizando alterações, promovendo, sempre através de um processo evolutivo, impacto em seu modo de viver, pensar, agir e, principalmente, comunicar-se. A partir do advento da era da informática, a velocidade dessas mudanças se torna mais abrupta, pois, através desse novo método de transferência do conhecimento, a velocida- de de acesso a novos recursos e tecnologias faz com que os indivíduos e sociedade al- terem seus comportamentos, aumentando sua participação e interferência através da possibilidade de manipular dados, imagens, compartilhando informações, intensifican- do a sua consciência econômica, ecológica e organizacional. Nesse novo cenário, no qual a informação e o conhecimento se tornaram recursos estratégicos importantes, as organizações estão sendo atingidas diretamente pelo as- pecto competitivo de forma mais intensa através da economia globalizada, fazendo com que essas necessitem sempre de um processo de comunicação mais eficaz, ali- nhando-se com o planejamento estratégi- co organizacional, com seus compromissos, sua missão, seus valores e que possam con- tribuir para a geração de valor. Dessa forma, podemos observar que cabe ao setor de recursos humanos renovar sua metodologia de atuação, melhorando sua capacidade de compreensão sobre a com- plexidade das individualidades e das expe- riências vividas coletivamente. A compre- Unidade 2 • O papel da pesquisa no contexto da liderança e do coaching29/222ensão de pessoas como seres singulares pode facilitar a construção de um ambiente propício à motivação e ao exercício da cria- tividade. Atuando fortemente no desenvol- vimento das competências de seus cola- boradores, pode-se demostrar claramente o quanto eles são importantes para a em- presa, compartilhando informações e utili- zando-se do capital intelectual de cada um, permitindo que esses compreendam em detalhes os resultados apresentados pela empresa em que elas próprias estão auxi- liando construir. Por sua vez, esses resultados e sua perfor- mance podem ser avaliados de duas formas, ou seja, através de uma análise quantitati- va, com a qual pode-se analisar números por meio de métodos estatísticos, possuindo uma qualidade técnica, ou através da aná- lise quantitativa, que é mais objetiva, pois seu foco é conciso e limitado, estabelecen- do apenas análise de relação entre causas e consequências. Portanto, essa mudança no perfil individu- al e organizacional faz com que a organi- zação necessite adquirir novos conceitos, principalmente na forma de se comunicar, pois, quanto menor for o “ruído” na sua co- municação, maior poder terá em incentivar o colaborador a participar de seus negócios e, consecutivamente, de seus resultados, portanto, através desse processo emissor- -receptor, cabe à liderança ou ao coaching construir a facilitação da interação dialó- gica, permitindo o confronto de ideias e o alinhamento de interesses de todos os co- Unidade 2 • O papel da pesquisa no contexto da liderança e do coaching30/222 laboradores para obtenção do consenso e atingir o resultado estratégico. É necessário estimular, alinhar os esforços e criar sinergia em torno de inovações que gerem riqueza e competitividade para suas organizações, de forma que, organizando esse conjunto de investimentos sob o ponto de vista estratégico, possam integrar o de- senvolvimento, a produção e a comerciali- zação de novos bens e serviços. Dessa forma, é preciso inovar, e, de uma forma genérica, estas podem ser observa- das como: inovações radicais e incremen- tais, sendo a inovação radical aquela que resulta em um produto, processo ou serviço que apresente características de desempe- nho sem precedentes ou características já conhecidas, mas que transformem os mer- cados existentes ou até criem novos merca- dos. Já as inovações incrementais são uma maneira de extrair o máximo valor possível de produtos e serviços existentes sem a ne- cessidade de fazer mudanças significativas ou grandes investimentos, auxiliando na melhoria da produtividade, reduzindo cus- tos e aumentando a qualidade por meio da otimização dos processos. Sendo assim, a organização contemporânea emerge amplamente atualizada às novas necessidades do homem, desconsideran- do alguns princípios, tais como: centraliza- ção, padronização, concentração de poder, substituindo-os por competência, valoriza- ção, aprendizado, autonomia, autogestão, produtividade, qualidade e excelência no desenvolvimento sustentável. Unidade 2 • O papel da pesquisa no contexto da liderança e do coaching31/222 Portanto, de forma geral, cabe então à li- derança e ao coaching a construção de um modelo organizacional, sistêmico, em que o corpo teórico de conhecimento possa descrever e explicar os conjuntos de variá- veis que são determinantes para entender: como estão estruturados, como se coorde- nam, como os recursos são afetados e como as pessoas são gerenciadas, permitindo, as- sim, o desenvolvimento e construção da ar- quitetura interna. A ação do líder e do coaching através da interação dialógica A globalização impõe uma transformação social contundente à realidade capitalista, pois a competitividade entre as corporações faz com essas cada vez mais necessitem de profissionais empreendedores, que atuem em equipe e forneçam ao novo grupo segu- rança, credibilidade e capacidade de persu- asão, para que, assim, a organização possa oferecer ao mercado maior transparência e segurança na emissão de informações a seus clientes. Essa nova exigência profissio- nal tem como objetivo captar profissionais cada vez mais especializados em se comu- nicar, seja no âmbito interno ou externo, pois essa capacidade de exercer uma perfei- ta comunicação empresarial facilita a visão, o desenvolvimento de estratégias através de ações transdiciplinares, maximizando o inter-relacionamento entre todos os níveis hierárquicos, além de aproximá-las de seus clientes e fornecedores. Unidade 2 • O papel da pesquisa no contexto da liderança e do coaching32/222 Link “As transformações do trabalho num mundo globalizado”. Disponível em: <http://www.scielo.br/scie- lo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222000000200002>. Acesso em: 20 set. 2016. Esse novo modelo holístico de comunicação torna-se estratégico, pois a interação dialógica confere a todo processo maior credibilidade quanto a erros e conflitos. Essa responsabilidade deve ser disseminada pelos líderes e coching, a fim de que a organização possa cada vez mais se aproximar das tendências e necessidades do mercado e de seus clientes. Para saber mais A interação dialógica é o resultado das interações entre os próprios colaboradores e entre colaboradores, líderes, gestores e outros agentes do contexto organizacional, permitindo, dessa forma, que os processos de aprendizagem sejam ampliados enormemente, favorecen- do o desenvolvimento do cognitivo e, consequentemente, do processo de conhecimento. Unidade 2 • O papel da pesquisa no contexto da liderança e do coaching33/222 Inovação – Um desafio para liderança e o coaching A inovação pode ser definida como a exploração com êxito de novas ideias que gerem valor a or- ganização, o que não quer dizer uso de novas tecnologias, e muito menos o desenvolvimento de novos produtos e processos, mas o uso e aplicação de novos conhecimentos e de suas destrezas cognitivas nos processos industriais e de comercialização de seus produtos. Link “Metodologia para mensurar o impacto da inovação nas atividades empresariais”. Disponível em: <http:// anprotec.org.br/anprotec2014/files/artigos/artigo%20(28).pdf>. Acesso em: 20 set. 2016. O cenário da economia globalizada promo- ve uma intensa renovação de atitudes, as quais geram novas organizações que de- sejam sobreviver no mercado, onde a cada dia buscam a diferenciação, como forma positiva de concorrência, o que as impele à criação de novos produtos ou até mesmo melhorar os que já existem, alterando a ma- neira de fazer as coisas, melhorando seus desempenhos e, por consequência, atin- Unidade 2 • O papel da pesquisa no contexto da liderança e do coaching34/222 gindo a produtividade e a qualidade dese- jada. Outro constante desafio é a redução dos custos, através do aumento da margem de sua contribuição para o resultado final, gerando valor agregado ao produto ou ser- viço, tornando, assim, a economia cada vez mais dinâmica. Segundo Schumpeter (1988), uma nova ca- racterística chamada de “liderança empre- endedora” considera que ações desenvol- vidas na empresa possam ser contempladas como fatores de influência na inovação. Essa nova liderança incentiva de forma sistêmica a inovação de processos, inspirando con- fiança e permitindo que os colaboradores possam acreditar na importância de suas atividades, auxiliando-os a melhorarem no desenvolvimento e no compartilhamento de informações, além de deflagrar o aper- feiçoamento do conhecimento por toda empresa, sempre buscando novas aplica- ções e ideias, permitindo que, através des- se novo perfil de liderança no comando da organização, propicie uma visão mais ino- vadora do empreendimento, influenciando positivamente os clientes e a sociedade. Unidade 2 • O papel da pesquisa no contexto da liderançae do coaching35/222 Para saber mais A liderança empreendedora diferencia-se dos demais líderes em diversos aspectos, perce- bendo que, para transformar a empresa e atingir seus objetivos, precisa estar em contato direto com os colaboradores, participando junto dos trabalhos desenvolvidos e proporcio- nando oportunidade para esses trabalhadores também desenvolverem um perfil empreen- dedor, tornando possível inserir mudanças e inovações na empresa, a partir de indivíduos empreendedores. Sendo assim, a ação do coaching será a de auxiliar seus liderados a aprenderem a pensar, utilizando-se de suas experiên- cias e conhecimentos, partindo do estímu- lo do raciocínio deles através de pergun- tas, questionamentos, simulando cenários e debatendo as conclusões finais. A partir desse enfoque, cabe então ao coaching lide- rar, treinar, ensinar, monitorar, acompanhar, incentivar e encorajar sua equipe para reali- zação do novo desafio. Unidade 2 • O papel da pesquisa no contexto da liderança e do coaching36/222 Link “Organizações de aprendizagem ou aprendizagem organizacional”. Disponível em: <http://www.scie- lo.br/pdf/raeel/v3n1/v3n1a08.pdf>. Acesso em: 20 set. 2016. Para saber mais O estímulo de raciocínio é quando o líder incentiva seus colaboradores a refletirem, e desper- tarem em si, cada vez mais, a necessidade da busca de novas ideias e conceitos, além de ter uma atitude de receptividade, responsabilidade e empenho. Unidade 2 • O papel da pesquisa no contexto da liderança e do coaching37/222 Glossário Destreza cognitiva: habilidades e capacidades para reconhecer padrões, que nos permitem abordar novas situações em processos com familiaridade, que chamamos de experiência. Diferenciação: criar algo que seja considerado único, podendo ser: projeto ou imagem da marca, tecnologia, peculiaridades, serviços sob encomenda ou rede de fornecedores. Empreendedores: profissionais criativos e inovadores, que acreditam que é preciso ousar e que- brar barreiras para conseguir resultados. Tem iniciativa para aprender – e aprendem na prática. Valor agregado: resultado de processos e atividades adicionados a um item, produto ou serviço, que o valorizam em relação ao que ele era antes de esse processo ou atividade estar presente. Questão reflexão ? para 38/222 De acordo com os estudos apresentados, observamos que a orientação empreendedora se tornou um fator predominantemente para a característica do líder. Por- tanto, identifique em seu comportamento essas carac- terísticas e apresente uma sugestão inovadora para um processo de estímulo e incentivo a criatividade dentro de uma organização. 39/222 Considerações Finais • Inovação: como se diferenciar da concorrência. • Aprendizagem organizacional: impulsionar pessoas e grupos para melhorarem a inteligência, a criatividade e a capacidade organiza- cional. • Liderança empreendedora: as principais características de todas as formas de liderança estão relacionadas principalmente à capacidade de foco. • Estímulo de raciocínio: tem início diante do surgimento de uma ne- cessidade de resolução de um problema, seguido da análise e formu- lação de respostas ao problema levantado. Unidade 2 • O papel da pesquisa no contexto da liderança e do coaching40/222 Referências CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à teoria geral da administração: uma visão abrangente da moderna administração das organizações. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003. DEWEY, J. Arte como experiência. São Paulo: Martins Fontes, 2010 FARIAS, C.J.L.; ANDRADE, C.A.L.; FREITAS, C.F.L.S.; JUNIOR, J.S.G. Metodologia para mensurar o im- pacto da inovação nas atividades empresariais. In: World Conference on Science and Techno- logy Parks, 30., 2013, Recife. Annals of XXX World Conference on Science and Technology Parks. Recife: INSME Association, 2013. LARANJEIRA, S.M.G. As transformações do trabalho num mundo globalizado. Sociologias, Porto Alegre, n. 4, p. 14-19, jul./dez. 2000. LEIFER, R., O’CONNOR G.C., RICE, M. A implementação de inovação radical em empresas madu- ras. Revista de Administração de Empresas, São Paulo, v. 42, n. 2, abr./jun. 2002. SENGER, Peter M. A Quinta Disciplina: Caderno de Campo. Estratégias e Ferramentas para construir uma organização que aprende. Qualitymark. 1995. SCHUMPETER, A. J. Teoria do Desenvolvimento Econômico: uma investigação sobre lucros, ca- pital, crédito, juros e o ciclo econômico. 1 ed. São Paulo: Editora Nova Cultural, 1997. Unidade 2 • O papel da pesquisa no contexto da liderança e do coaching41/222 SOUZA, Y.S. Organizações de aprendizagem ou aprendizagem organizacional. Revista de Admi- nistração Eletrônica, São Paulo, v. 3, n. 1, p. 1-16, jan./jun. 2004. VOLPATO, M., CIMBALISTA, S. O processo de motivação como incentivo à inovação nas organiza- ções. Revista da FAE, Curitiba, v. 5, n. 3, p. 75-86, set./ dez. 2002. Referências 42/222 Assista a suas aulas Aula 2 - Tema: O papel da pesquisa no contexto da liderança e do coaching - Bloco I Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ 979555809121760060628d04e6d69544>. Aula 2 - Tema: O papel da pesquisa no contexto da liderança e do coaching - Bloco II Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ c3851e9eb8088e1d6aa19454979262fe>. 43/222 1. O resultado das interações entre os próprios colaboradores e entre colaboradores, líderes, gestores e outros agentes do contexto organizacional pode ser chamado de: a) interação dialógica b) interação sociológica c) interatividade interdepartamental d) inter-relação social e) interação psicológica Questão 1 44/222 2. A exploração com êxito de novas ideias que gerem valor a organização pode ser definida como: Questão 2 a) compartilhamento b) inovação c) diferenciação d) interação e) decisão 45/222 3. A liderança empreendedora incentiva de forma sistêmica a: Questão 3 a) renovação de conhecimentos b) modernização de equipamentos c) cooperação interdepartamental d) inovação de processos e) terceirização de serviços 46/222 4. A destreza cognitiva é um desafio para o coaching e para o líder em desenvolver em seus liderados: Questão 4 a) capacidade intelectual para analisar processos; b) competência técnica para desenvolver visão holística do sistema; c) capacidade de comunicação interna e interdepartamental; d) habilidade e competência informacional e transacional; e) habilidades e capacidades para abordar novas situações de processos com familiaridade. 47/222 5. As organizações contemporâneas emergem amplamente atualizadas às novas necessidades do homem, considerando alguns princípios, tais como: Questão 5 a) centralização, padronização, concentração de poder; b) competência, valorização, aprendizado, autonomia, autogestão; c) capacitação, organização, concentração de poder; d) concentração do poder, verticalização, controle do processo; e) coordenação técnica, controladoria, inspeção, padronização. 48/222 Gabarito 1. Resposta: A. A interação dialógica permite que os pro- cessos de aprendizagem sejam ampliados conferindo, maior credibilidade quanto a erros e conflitos. 2. Resposta: B. Inovação não quer dizer uso de novas tec- nologias, e muito menos o desenvolvimento de novos produtos e processos, mas o uso e aplicação de novos conhecimentos. 3. Resposta: D. A liderança empreendedora deve inspirar confiança e permitir que os colaboradores possam acreditar na importância de suas atividades, auxiliando-os a melhorarem no desenvolvimento e no compartilhamento de informações. 4. Resposta: E. A destrezacognitiva resume-se na experi- ência adquirida pelo colaborador, através do uso da teoria e da prática, aumentando cada vez mais sua capacidade de discerni- mento. 5. Resposta: B. A construção desse novo modelo organi- zacional contemporâneo tem como objeti- vo descrever e entender como os recursos estão estruturados, como se coordenam, como são afetados e como as pessoas são 49/222 Gabarito gerenciadas, permitindo, assim, o desen- volvimento e construção da arquitetura in- terna. 50/222 Unidade 3 Estilo de liderança e desempenho organizacional: uma descrição comparativa entre duas empresas (TOMEI; RICHE, 2016) Objetivos 1. Analisar os estilos de liderança a partir da com- paração entre empresas. 2. Analisar os desempenhos organizacionais a partir da comparação entre familiares. Unidade 3 • Estilo de liderança e desempenho organizacional: uma descrição comparativa entre duas empresas (TOMEI; RICHE, 2016)51/222 Introdução É possível relacionarmos a formação do perfil da liderança à importância do processo de desenvolvimento de novas lideranças em “empresas familiares”, através da observação das dificuldades enfrentadas em suas estruturas. Porém, observa-se ainda que o maior desafio é o surgimento de novos líderes entre os controladores do capital dessas organizações, pois necessitam de boa formação e equilíbrio nos aspectos relacionados com o autoconhecimento, para desenvolvimento da competência, que, por sua vez, auxiliará no aspecto da tomada de decisões, dificuldades emocionais e técnicas, as quais, na prática, a maioria desses gestores não tiveram bons exemplos. O estilo de liderança adotado pelos gestores exerce um forte impacto sobre a satisfação dos colaboradores e, logicamente, sobre a produtividade. Através de estudos sistemáticos, como, por exemplo, a “experiência de Hawthorne”, constatou-se, na época, que os fatores psicológicos e sociais impactavam fortemente no desempenho dos colaboradores, dando destaque ao modelo de liderança adotado. Unidade 3 • Estilo de liderança e desempenho organizacional: uma descrição comparativa entre duas empresas (TOMEI; RICHE, 2016)52/222 Para saber mais A experiência de Hawthorne demonstrou que o colaborador não é apenas um componente da máquina, mas que pode sofrer influência de acordo com suas necessidades, as quais podem e devem ser supridas pela organização. Consequentemente, o desenvolvimento dos gestores passa a merecer posição de destaque entre os estudiosos do assunto e a criação da área de recursos humanos é emi- nente, a qual surge com a responsabilidade de formar e treinar seus próprios gestores. Trata-se de um momento oportuno para se diferenciar gerência (cargo atribuído a uma pessoa) de liderança (função que precisa ser conquistada). Infelizmente, podemos observar que es- ses esforços ainda estão concentrados em organizações familiares, consideradas de “maior porte”, enquanto nas organizações de pequeno porte existe enorme carência de desenvolvimento de projetos consis- tentes para o aprimoramento das práticas de liderança. Vale destacar que, nesse tipo de organização, os “gerentes” são escolhi- dos em função de vínculos familiares ou até mesmo afetivos, relevando a competência necessária para o exercício da função, in- fluenciando de forma positiva e/ou negati- va a organização. De acordo com Leone (2005), podemos de- finir como fatores positivos: as organiza- ções que possuem tradições, em que seus valores, sua ética e moral descendem de Unidade 3 • Estilo de liderança e desempenho organizacional: uma descrição comparativa entre duas empresas (TOMEI; RICHE, 2016)53/222 seus fundadores, gerando, assim, um am- biente de maior participação, colaboração, satisfação e, portanto, com menor turnover. Entretanto, os fatores negativos podem flo- rescer do estreitamento dessa boa relação, na qual os interesses familiares se sobre- põem aos interesses do negócio, resultando em nepotismo e, por consequência, ao fa- vorecimento de conflitos internos. Consideradas pilares da economia, as or- ganizações familiares são responsáveis por participação expressiva na economia, ten- do como grande desafio contemplar “as fu- turas gerações” com um sólido plano de car- reiras para que esses passem a se interessar pelo negócio e, posteriormente, assumir a gestão, lembrando que conhecer somente o “chão de fábrica” ainda é importante, mas não mais o suficiente. É preciso desenvolver conhecimentos sólidos de práticas admi- nistrativas e desenvolver uma visão global que possa garantir sua inserção no mundo globalizado, desenvolvendo uma cultura de inovação e aplicação de tecnologias dispo- níveis, com o intuito de atrair o interesse de profissionais competentes e que possam apoiar o processo sucessório. Para saber mais A participação expressiva justifica-se conforme informações do BNDES, nas quais, excluindo as empresas estatais e as multinacionais, 95% das maiores empresas brasileiras são familiares, es- tando a maioria na segunda geração de dirigen- tes. Unidade 3 • Estilo de liderança e desempenho organizacional: uma descrição comparativa entre duas empresas (TOMEI; RICHE, 2016)54/222 Desempenho organizacional Existem várias definições sobre desempe- nho organizacional, sem que haja algum consenso sobre sua definição, além de au- tores que questionam a confiabilidade das informações. Todavia, para Neely, Gregory e Platts (2005), o desempenho organizacio- nal parte da análise de um conjunto de ope- rações inter-relacionadas e constituídas de forma lógica, que favorece quantificar a efi- ciência e eficácia das ações planejadas. Apesar de a conceituação induzir a uma convergência nas literaturas disponíveis, não se pode afirmar o mesmo sobre os mé- todos de mensuração. Contudo, quando usado como suporte para a gestão empre- sarial, o controle de medição do desempe- nho torna-se um instrumento valioso para o entendimento dos objetivos a serem al- cançados, contribuindo positivamente para a tomada de decisões e análise de cenários, favorecendo, dessa maneira, a possibilidade de competitividade empresarial em forma de plano estratégico (SCHNEIDER, 2006). Para saber mais A gestão empresarial é uma aplicação prática da administração, alimentando o processo decisó- rio, organizando e controlando as ações coletivas de grupos ou pessoas que estejam realizando ati- vidades determinadas pela organização. Outros autores ainda destacam boas razões para se adotar medidas de desempenho nas Unidade 3 • Estilo de liderança e desempenho organizacional: uma descrição comparativa entre duas empresas (TOMEI; RICHE, 2016)55/222 organizações, tais como: alterações nas con- dições do trabalho (mão de obra, máquina, materiais, métodos); aumento da competi- ção (globalização); iniciativas de melhorias (melhoria contínua de processos); certifica- ções de sistemas de gestão da qualidade (garantia da qualidade); alteração de regras organizacionais (procedimentos); variação das demandas externas (concorrência); e a capacidade de influência da tecnologia da informação (uso de tecnologia disponível). Portanto, o desempenho é uma variável que precisa ser estudada, compreendida e moldada, podendo ser ainda separado em: financeiro e não financeiro (SOUZA; ABIKO, 2006). Link “Metodologia para desenvolvimento e implanta- ção de sistema de gestão da qualidade em em- presas de construtoras de pequeno e médio por- te”. Disponível em: <http://www.pcc.usp.br/files/text/publica- tions/BT_00190.pdf>. Acesso em: 6 out. 2016. Comparativo de desempenho Conforme Tomei e Riche (2016), em seu ar- tigo “Estilo de liderança e desempenho or- ganizacional: uma descrição comparativa entre duasempresas”, no qual foi realizada uma descrição comparativa entre duas pe- quenas empresas familiares, com dados co- Unidade 3 • Estilo de liderança e desempenho organizacional: uma descrição comparativa entre duas empresas (TOMEI; RICHE, 2016)56/222 letados de fontes primárias e secundárias, através de análises documentais, incluindo: documentos internos, manuais de conduta, bem como a observação participante e en- trevistas em profundidade com o fundador (líder) de cada empresa, além de entrevistas semiestruturadas e aplicação de questioná- rios com funcionários, buscou-se relacionar o estilo de liderança e sua participação no desempenho da organização (PINHEIRO, 2006). Com a tabulação dos dados obtidos, reali- zado por Tomei e Riche (2016), foi possível realizar conclusões sobre o tipo de lideran- ça e seu impacto em suas organizações, conforme descrito a seguir: Link “Fontes ou recursos de informação: categorias e evolução conceitual”. Disponível em: <http://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/ pbcib/article/view/8809/4716>. Acesso em: 30 set. 2016. • O líder da empresa “A” possui formação de nível superior “lato sensu”, com perfil transacional, caracterizado pela gestão de recompensa, porém com pequenos traços de liderança transformacional. Além disso, mantém um negócio considerado uma referência em sua área, remunerando seus Unidade 3 • Estilo de liderança e desempenho organizacional: uma descrição comparativa entre duas empresas (TOMEI; RICHE, 2016)57/222 colaboradores acima da média do mercado. Contudo, não tem um plano sucessório definido e não se utiliza de tecnologia, como por exemplo: um sistema integrado de gerenciamento, fazendo com que seus liderados sejam completamente dependentes de suas ações, o que causa ruídos de comunicação que não são esclarecidos, levando-os a uma situação de insatisfação, confirmando as características de sua liderança, em que seus colaboradores somente cumprem aquilo que lhes é determinado (TOMEI; RICHE, 2016). • O líder da empresa “B” tem formação superior em bacharelado, com um perfil transformacional, caracterizado pela gestão por exceção, tomando atitudes corretivas quando normas são desrespeitadas. O seu negócio está em ampliação, e remunera seus funcionários de acordo com o piso salarial da categoria. Ele possui um plano sucessório definido, utiliza-se de tecnologia através de um sistema integrado de gerenciamento, trata dos ruídos de comunicação com frequência e tem seus colaboradores em alto nível de satisfação, confirmando as características de liderança transformacional, sendo um líder motivador, com carisma e propósitos coletivos (TOMEI; RICHE, 2016). Unidade 3 • Estilo de liderança e desempenho organizacional: uma descrição comparativa entre duas empresas (TOMEI; RICHE, 2016)58/222 • Dessa maneira, o estudo comparativo evidenciou que a liderança transformacional possui maior capacidade de articulação estratégica, pois é mais próxima a seus liderados, despertando motivação e, devido ao seu carisma, permitindo aos seus liderados se alinharem aos objetivos organizacionais (TOMEI; RICHE, 2016). Unidade 3 • Estilo de liderança e desempenho organizacional: uma descrição comparativa entre duas empresas (TOMEI; RICHE, 2016)59/222 Glossário Nepotismo: favoritismo de certos governantes aos seus parentes, independentemente de suas aptidões. Significado de nepotismo. Disponível em: <http://michaelis.uol.com.br/busca?id=7my- GW>. Acesso em: 30 set. 2016. Demanda: qualquer produto ou serviço que se procura no mercado. Significado de demanda. Disponível em: <http://michaelis.uol.com.br/busca?id=2bAa>. Acesso em: 30 set. 2016. Convergência: aproximação ou confluência de ideias, opiniões, atitudes. Significado de conver- gência. Disponível em: <http://michaelis.uol.com.br/busca?id=9nwy>. Acesso em: 30 set. 2016. Turnover: termo da língua inglesa que significa “virada”; “renovação”, sendo utilizado em di- ferentes contextos. É um conceito frequentemente utilizado na área de recursos humanos (RH) para designar a rotatividade de pessoal em uma organização, ou seja, as entradas e saídas de funcionários em determinado período de tempo. Significado de turnover. Disponível em: <ht- tps://www.significados.com.br/turnover/>. Acesso em 30 set. 2016. Questão reflexão ? para 60/222 Observamos que uma empresa pode ser avaliada através de uma abordagem qualitativa e quantitativa através de entrevistas com as lideranças com o intuito de investigar a história organizacional, o papel dos fundadores e a composição da tríade: missão, visão e valor. Adicionalmente, questionários podem ser aplicados aos cola- boradores para identificar o estilo de liderança e avaliar o desempe- nho organizacional. Assim, reflita sobre os conceitos que acaba de aprender e, a partir de uma abordagem qualitativa, identifique o es- tilo de liderança predominante em sua companhia, relacionando-o, se possível, à história de sua organização, ao papel dos fundadores e à tríade descrita acima (TERENCE; ESCRIVÃO, 2006). Questão reflexão ? para 61/222 “Abordagem quantitativa, qualitativa e a utilização da pes- quisa-ação nos estudos organizacionais”. Disponível em: <http://www.abepro.org.br/biblioteca/enegep2006_ TR540368_8017.pdf>. Acesso em: 1 out. 2016 Link 62/222 Considerações Finais • Os resultados de análises reforçam as relações entre o desempenho organi- zacional e o estilo de liderança (TOMEI; RICHE, 2016); • apesar de inúmeros fatores estarem envolvidos no processo da liderança, não é possível de forma alguma estabelecer uma relação de causa-efeito do impacto que um líder empresarial tem sobre uma organização (TOMEI; RICHE, 2016); • o líder exerce papel de grande importância para a determinação dos passos futuros do negócio da organização (TOMEI; RICHE, 2016). Unidade 3 • Estilo de liderança e desempenho organizacional: uma descrição comparativa entre duas empresas (TOMEI; RICHE, 2016)63/222 Referências LEONE, N. M.C.P.G. Sucessão na empresa familiar: preparando as mudanças para garantir so- brevivência no mercado globalizado. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2005. LODI, J. B. A empresa familiar. 4. ed. São Paulo: Pioneira, 1993. NEELY, A.; GREGORY, M.; PLATTS, K. Performance Measurement System Design: A Literature Re- view and research Agenda. International Journal of Operations & Production Management, v. 25, n. 12, p. 1228-1263, 2005. OLIVEIRA, D. de P.R. de. Empresa familiar: como fortalecer o empreendimento e otimizar o pro- cesso sucessório. São Paulo: Atlas, 1999. PINHEIRO, L.V.R., Fontes ou recursos de informação: categorias e evolução conceitual. Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação e Biblioteconomia, v. 1, n. 1, p. 1-5, 2006. SCHNEIDER, C. Organizational performance of a family business evaluated by the strategic per- formance balanced scorecard. Revista de Gestão da USP, v. 13, n. 1, p. 89-104, 2006. SOUZA, R.; ABIKO, A. Metodologia para desenvolvimento e implantação de sistema de gestão da qualidade em empresas de construtoras de pequeno e médio porte. Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Departamento de Engenharia de Construção Civil, Boletim Técnico – Série BT/PCC/190; São Paulo, 1997. Unidade 3 • Estilo de liderança e desempenho organizacional: uma descrição comparativa entre duas empresas (TOMEI; RICHE, 2016)64/222 TACHIZAWA, T.; FERREIRA, V.C.P.; FORTUNA, A.A.M. Gestão com Pessoas: uma abordagem apli- cada à estratégia de negócios. 5. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2006. TERENCE, A.C.F.; ESCRIVÃO, E. Abordagem quantitativa, qualitativa e a utilização da pesquisa-a- ção nos estudos organizacionais. XXVI ENEGEP – Encontro Nacional de Engenharia de Produ- ção, Fortaleza, CE, Brasil,out/2006 TOMEI, P. A.; RICHE, L. Leadership style and organizational performance: a comparative descrip- tion of two companies. Contabilidade, Gestão e Governança, v. 19, n. 1, p. 108-125, 2016. Referências 65/222 Assista a suas aulas Aula 3 - Tema: Estilo de liderança e desempe- nho organizacional: uma descrição comparati- va entre duas empresas familiares - Bloco I Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ 2652278d96d1038e1f18362fd18e6019>. Aula 3 - Tema: Estilo de liderança e desempe- nho organizacional: uma descrição comparati- va entre duas empresas familiares - Bloco II Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ ea82c24f022d92738bf87edf0f761e93>. 66/222 1. Atualmente, segundo estudiosos, o aperfeiçoamento de gestores aufere posição de destaque. Assim, a partir do desenvolvimento eminente da área de recursos humanos e, consequentemente, com a responsabilidade de formar e treinar seus próprios gestores, caracteriza-se um momento oportuno para se diferenciar gerência de liderança, sendo o primeiro definido como: a) chefe do departamento; b) título concedido ao proprietário/fundador; c) responsável geral da organização; d) especialista no segmento; e) cargo atribuído a uma pessoa. Questão 1 67/222 2. Quando usado como suporte para a gestão empresarial, o controle de medição do desempenho caracteriza-se como um instrumento valioso para o entendimento dos objetivos a serem alcançados, tais como: a) Tomada de decisões e análise de cenários. b) Aumento da demanda e aumento do efetivo. c) Redução do turnover e redução do efetivo. d) Definição do segmento de atuação. e) Diminuição da demanda e aumento do turnover. Questão 2 68/222 3. Assinale a alternativa que corresponde às medidas de desempenho organizacionais relacionadas às condições de trabalho: a) Globalização. b) Mão de obra; máquina; materiais; métodos. c) Melhoria contínua de processos. d) Variação das demandas externas. e) Capacidade de influência da tecnologia da informação. Questão 3 69/222 4. Assinale a alternativa que corresponde ao estilo de liderança que apresenta como característica principal maior capacidade de articulação estratégica, despertando motivação e permitindo aos colaboradores se alinharem mais facilmente aos objetivos da empresa: a) Liderança laissez-faire b) Liderança transformacional c) Liderança bidimensional d) Liderança transacional e) Liderança liberal Questão 4 70/222 5. Assinale a alternativa que melhor define o termo desempenho organizacional: a) Consiste na análise de um conjunto de operações não relacionadas e constituídas de forma lógica, que favorece quantificar a eficiência e eficácia das ações planejadas. b) Consiste no uso de tecnologia através de um sistema integrado de gerenciamento, a fim de tratar os ruídos de comunicação, aumentando o nível de satisfação dos clientes. c) Consiste na análise de um conjunto de operações inter-relacionadas e constituídas de forma lógica, que favorece quantificar a eficiência e eficácia das ações planejadas. d) Consiste na análise de um conjunto de operações não relacionadas e constituídas de forma aleatória, que favorece quantificar a eficiência e eficácia das ações planejadas. e) Consiste no uso de tecnologia através de um sistema integrado de gerenciamento, a fim de tratar os ruídos de comunicação, diminuindo o nível de satisfação dos clientes. Questão 5 71/222 Gabarito 1. Resposta: E. A definição inicial do departamento de re- cursos humanos à gerência é que esse cor- responde a um cargo atribuído a uma pes- soa, relacionando-se a organizações de constituição familiar. 2. Resposta: A. O controle de medição do desempenho ca- racteriza-se como um instrumento valioso para a tomada de decisões e a análise de cenários. 3. Resposta: B. Alterações nas condições de trabalho en- volvem: mão de obra, máquina, materiais e métodos. 4. Resposta: B. As características citadas correspondem ao estilo de liderança transformacional, ou seja, aquelas cujo líder possui estilo motiva- dor, participativo e promovendo a transfor- mação do indivíduo. 5. Resposta: C. O desempenho organizacional depende da análise de um conjunto de operações inter- -relacionadas e constituídas de forma lógi- ca, que favorece quantificar a eficiência e eficácia das ações planejadas. 72/222 Unidade 4 Controle gerencial e sua relação com a Inovação: papel das alavancas de controle (CRUZ; FREZATTI; BIDO, 2007) Objetivos Os objetivos deste tema consistem em: 1. Demonstrar o caráter estratégico do controle gerencial. 2. Apresentar de uma perspectiva prática da aplicação das alavancas de controle. Unidade 4 • Controle gerencial e sua relação com a Inovação: papel das alavancas de controle (CRUZ; FREZATTI; BIDO, 2007) 73/222 Introdução Em função de mercados já saturados, a entrada ou permanência neles torna-se mais desafiadora, pois a forte concorrência faz com que algumas organizações identifiquem a necessidade da criação de novas alternativas para garantir os objetivos de crescimento e, até mesmo, da lucratividade através de inovações, agregando valor ao seu produto ou serviço e, assim, conquistando novos mercados. Os processos de criação e de renovação de ideias para a melhoria e o desenvolvimento de novos produtos ou processos organizacionais, quando bem- sucedidos, transformam-se em vantagem competitiva, destacando a aplicação dos sistemas de controle gerenciais (SCG) e de incentivo, os quais tendem a influenciar o comportamento empreendedor dos gestores (CRUZ; FREZATTI; BIDO, 2015). Os meios utilizados pela gerência para garantir que as ações e os comportamentos dos colaboradores estejam alinhados aos objetivos estratégicos organizacionais compõem o Sistema de Controle Gerencial (SCG). Adicionalmente, sob a ótica da teoria da contingência, acredita- se que o SCG deva ser relativamente flexível, possibilitando, dessa maneira, maior inovação, principalmente quando nos referimos à rigidez do processo de desempenho, relacionado ao orçamento. Por outro lado, não se deve relacionar que o menor controle justifique a maior inovação. Na verdade, é preciso verificar como os objetivos de cada controle são utilizados Unidade 4 • Controle gerencial e sua relação com a Inovação: papel das alavancas de controle (CRUZ; FREZATTI; BIDO, 2007) 74/222 para análise de resultados (FAGUNDES et al., 2010). Link “Estrutura organizacional e gestão sob a ótica da teoria da contingência”. Disponível em: <http:// seer.uscs.edu.br/index.php/revista_gestao/ article/viewFile/792/842>. Acesso em: 8 out. 2016. Observando outros estudos relacionados ao assunto, pode-se ainda averiguar que a abordagem do controle estratégico corres- ponde a um método potencial para o pro- cesso de tomada de decisão, também utili- zado por gestores, os quais se orientam por contextos sociais e organizacionais devido ao ambiente de mudanças. Atualmente, as organizações são consti- tuídas por sistemas abertos a ambientes, a cada momento, mais competitivos, ágeis e com impactos significativos, nos quais, muitas vezes, significam mudanças radi- cais e consequente realinhamento dos ob- jetivos, projetando, assim, a necessidade de monitorar e controlar essas atividades de forma contínua, buscando uma maior pre- cisão, além de direcioná-las para realização das mudanças necessárias em tempo hábil e conforme suas necessidades estratégicas. (FAGUNDES et al., 2010). Conforme Simons (1995), o propósito do SCG é acompanhar as tensões organizacio- nais a fim de garantira efetividade orga- nizacional, observando ainda que uma das Unidade 4 • Controle gerencial e sua relação com a Inovação: papel das alavancas de controle (CRUZ; FREZATTI; BIDO, 2007) 75/222 principais tensões que impactam no pro- cesso de inovação da organização é a ne- cessidade de se atingir objetivos de curto prazo, sem comprometer os de longo prazo, já que a inovação normalmente incide em gastos com pesquisa e desenvolvimento que afetam diretamente o desempenho no presente, como dito anteriormente, apesar do reconhecimento de que as inovações são necessárias para o cumprimento das metas de longo prazo (FAGUNDES et al., 2010). Portanto, a partir de estudos baseados nas alavancas de controle, os quais se referem a uma série de indicadores de controle es- tratégico, é possível avaliar os efeitos e as causas, assim como apreciar os aspectos práticos e teóricos. Nesse contexto, a utilização de um SCG ali- nhado com a estratégia e com a estrutura organizacional torna-se fundamental para que tal sistema atue como uma ferramenta importante para que a organização possa alcançar seus objetivos. Controle gerencial e alinhamen- to estratégico Segundo Ragland (1995), o controle estra- tégico é uma tarefa relativamente comple- xa, pois a seleção de indicadores inadequa- dos pode levar as organizações a resultados indesejáveis e, por consequência, a tomadas de decisão conflitantes. Dessa maneira, se- rão discutidos a seguir alguns dos principais métodos de controle estratégico: a gestão por diretrizes, o Balanced Scorecard (BSC) e o modelo das alavancas de controle. Unidade 4 • Controle gerencial e sua relação com a Inovação: papel das alavancas de controle (CRUZ; FREZATTI; BIDO, 2007) 76/222 Para saber mais O controle estratégico, também chamado de controle organizacional, é conduzido no nível institucional da empresa e se trata geralmente dos aspectos globais que envolvem toda a organização. Sua aplicação é para longo prazo e seu conteúdo é geralmente genérico. Gestão por diretrizes Segundo Akao (1997), a gestão por dire- trizes (GPD) teve seu surgimento no Japão, em organizações que tinham como objeti- vo desenvolver um sistema de controle que possibilitasse uma análise do ambiente or- ganizacional, a partir da qual a alta admi- nistração pudesse estabelecer as diretrizes, que consistiriam em metas quantitativas, e os meios, para atingi-las. Tais diretrizes, desdobradas em diretrizes departamentais, devem chegar ao nível operacional, no qual serão acompanhadas para verificar se os re- sultados parciais obtidos nos processos po- dem conduzir aos resultados estratégicos esperados (DAMKE; SILVA; WALTER, 2011). Link “Sistemas de controle e alinhamento estratégi- co: proposição de indicadores”. Disponível em: <http://portaldeperiodicos.unisul.br/index. php/EeN/article/view/540/630>. Acesso em: 2 out. 2016. Unidade 4 • Controle gerencial e sua relação com a Inovação: papel das alavancas de controle (CRUZ; FREZATTI; BIDO, 2007) 77/222 Balanced scorecard Kaplan e Norton (1997) desenvolveram essa ferramenta de gerenciamento e a chamaram de BSC, Balanced Scorecard, que traduz a visão e as estratégias da empresa em ação, com o propósito de solução problemas de desempenho e de alinhamento das unidades de negócios, assim como suas equipes de colaboradores em torno de metas organizacionais (DAMKE; SILVA; WALTER, 2011). Para saber mais Em 1992, a revista Harvard Review publicou um artigo relacionado ao “BSC”, analisando a nova ferra- menta de gestão como oferta de uma visão ampla e pormenorizada da organização em tempo imedia- to, oferecendo, ainda, uma análise de média e longa projeção. Definiu scorecard como quantificação do desempenho através de indicadores e balanced, como balanceamento entre objetivos de curta e longa projeção. Conforme Kaplan e Norton (1997), essa ferramenta também tem como ideia geral o desdobra- mento da estratégia em indicadores, pois permite visualizar a empresa através de quatro pers- Unidade 4 • Controle gerencial e sua relação com a Inovação: papel das alavancas de controle (CRUZ; FREZATTI; BIDO, 2007) 78/222 pectivas (DAMKE; SILVA; WALTER, 2011): • Financeira: tem como finalidade prin- cipal satisfazer os acionistas a partir do crescimento das receitas, através do aumento da produtividade (pers- pectiva que se utiliza dos indicadores econômico-financeiros tradicionais). • Clientes: define como a organização se relaciona com seus stakeholders (indicadores de satisfação, lealdade e repetições de compras são os mais utilizados). • Processos internos: têm como objeti- vo sustentar a perspectiva “clientes”, assim como a “financeira” a partir da melhoria da produtividade. • Aprendizagem e crescimento: visa dar apoio ao desenvolvimento da ca- pacidade de inovação e crescimento de longa projeção com base na efici- ência das demais perspectivas. Alavancas de controle como ca- ráter estratégico Segundo estudos de Cruz, Frezatti e Bido (2011), o artigo em estudo nos mostra a im- portância e o verdadeiro papel do lideran- ça e das alavancas do sistema de controle nas estratégias empresariais, que são com- postas por: • Sistema de crenças: caracteriza-se como um conjunto de definições de controle social e cultural com o pro- pósito de demarcar propósitos e va- Unidade 4 • Controle gerencial e sua relação com a Inovação: papel das alavancas de controle (CRUZ; FREZATTI; BIDO, 2007) 79/222 lores, bem como procedimentos for- mais nas definições estratégicas de longa projeção, tendo por finalidade orientar/reforçar o senso coletivo e comprometimento dos colaboradores quanto à identificação com a organi- zação para que se desenvolva o senso de integração entre os objetivos indi- viduais e organizacionais (CRUZ; FRE- ZATTI; BIDO, 2011). • Sistema de limites: também denomi- nado sistema de controle de frontei- ras, é mais restritivo e limita os com- portamentos entendidos como acei- táveis pelos agentes organizacionais, e tem caráter proibitivo e negativo, uma vez que, visando minimizar ris- cos, possibilita estabelecer fronteiras para as ações dos colaboradores na busca de oportunidades à medida que esclarece que determinados compor- tamentos não são tolerados (CRUZ; FREZATTI; BIDO, 2011). • Sistemas de controle diagnóstico: são sistemas de informação formais que os gerentes utilizam para monito- rar resultados organizacionais e corri- gir desvios dos padrões de desempe- nho preestabelecidos; são orientados para o monitoramento de indicadores de desempenho, sendo que esses per- mitem mensurar resultados por meio da definição de padrões previamente definidos, monitorando, assim, os re- sultados dos processos organizacio- nais (CRUZ; FREZATTI; BIDO, 2011). Unidade 4 • Controle gerencial e sua relação com a Inovação: papel das alavancas de controle (CRUZ; FREZATTI; BIDO, 2007) 80/222 • Sistemas de controle interativo: são utilizados pela alta gestão em mo- mentos de incertezas estratégicas, nos quais se torna fundamental a co- leta de informações sobre tais incer- tezas no sentido de obter sinalização para decisões e rumos estratégicos, para avaliação de possíveis ameaças para oportunidades e ratificação das decisões. De maneira geral, permitem estimular o aprendizado e a busca no intuito de explorar as estratégias emergentes (CRUZ; FREZATTI; BIDO, 2011). Link “Estilo de Liderança, Controle Gerencial e Inova- ção: Papel das Alavancas de Controle”. Disponível em: <http://www.spell.org.br/documentos/ ver/38050/estilo-de-lideranca--controle- -gerencial-e-inovacao--papel-das-alavan- cas-de-controle>. Acesso em: 8 out. 2016. Para saber mais Incertezas estratégicas significam mudançasna dinâmica competitiva ou nas competências in- ternas que os gestores da alta administração mo- nitoram, as quais correspondem a uma fonte de dano potencial para a organização. Unidade 4 • Controle gerencial e sua relação com a Inovação: papel das alavancas de controle (CRUZ; FREZATTI; BIDO, 2007) 81/222 Estilo de liderança e aplicação do sistema de controle gerencial Considerando as alavancas de controle, é possível observar a influência dos estilos de liderança no uso dessa e de outras ferra- mentas administrativas, pois tem-se como definição de liderança “a capacidade de influenciar as pessoas”, e que cada tipo de liderança tem sua forma de liderar, como, por exemplo, o líder transformacional tem em sua característica a capacidade de in- fluenciar através da motivação, enquanto o transacional, a peculiaridade de influenciar através da negociação (CRUZ; FREZATTI; BIDO, 2011). Dessa maneira, através do sistema de ala- vancas, discutido anteriormente, podemos concluir que os líderes transformacionais e transacionais têm propostas compatíveis com os sistemas expostos, o que sugere que esses estilos de liderança têm as seguintes possibilidades de influência positiva, atra- vés das seguintes hipóteses: • Liderança transformacional: pode exercer forte influência positiva no sistema de crenças e no sistema de controle Interativo, através de sua contribuição direta para a motivação e para a inspiração das pessoas, sen- do que, através de suas habilidades de estímulo intelectual e a abertura para reflexões e debates, pode direcionar a organização para o desenvolvimento de novas oportunidades (CRUZ; FRE- Unidade 4 • Controle gerencial e sua relação com a Inovação: papel das alavancas de controle (CRUZ; FREZATTI; BIDO, 2007) 82/222 ZATTI; BIDO, 2011). • Liderança transacional: pode exercer forte influência no sistema de contro- le de diagnóstico e no sistema de limi- tes, pois seu contexto de atuação está ligado a perspectivas de recompensas e gestão por exceção, o que assegu- ram, de certa forma, o cumprimento dos objetivos por meio das variáveis de desempenho (CRUZ; FREZATTI; BIDO, 2011). Finalmente, após a análise das hipóteses citadas acima, é possível considerar que o papel do modelo de alavancas, sugerido por Simons (1995), pode conduzir uma organi- zação a uma renovação estratégica, atra- vés de investimentos na comunicação dos objetivos relacionados à inovação, possibi- litando a interação dos agentes internos e externos, determinando o foco e fornecen- do condições para que o planejamento pos- sa ser atingido. Unidade 4 • Controle gerencial e sua relação com a Inovação: papel das alavancas de controle (CRUZ; FREZATTI; BIDO, 2007) 83/222 Glossário Crença: ação de crer na verdade ou na possibilidade de uma coisa. Significado de crença. Dispo- nível em: <https://www.dicio.com.br/crenca/>. Acesso em: 2 out. 2016. Hipótese: suposição, possibilidade considerada válida antes de sua confirmação. Significado de hipótese. Disponível em: <https://www.dicio.com.br/hipotese/>. Acesso em: 2 out. 2016. Limite: valor fixo a partir do qual uma grandeza variável é capaz de se aproximar. Significado de limite. Disponível em: <https://www.significados.com.br/limite/>. Acesso em: 2 de out. de 2016. Stakeholder: público estratégico que pode ser descrito como um indivíduo ou grupo que fez um investimento, ou tem ações, ou interesse em uma empresa, negócio ou indústria. Em inglês, stake significa interesse, participação, risco; holder significa aquele que possui. Disponível em: <https://www.significados.com.br/stakeholder/>. Acesso em: 2 out. 2016. Questão reflexão ? para 84/222 Observamos que o estudo do estilo de liderança cons- titui um precedente do sentido da utilização do sistema de controle gerencial. Assim, reflita sobre os conceitos que acaba de aprender e, baseando-se nas lideranças transformacional e transacional, assim como no mode- lo de alavancas de controle, disserte sobre as diferentes influências desses estilos de liderança sobre os sistemas do método de controle estratégico mencionado. 85/222 Considerações Finais • O controle gerencial tem forte influência sobre os gestores para atingirem seus resultados; • objetivos organizacionais relativos às inovações são, muitas vezes, conflitantes, pois a inovação pode ser resultado de longo prazo, enquanto que, para sobreviver, as organizações precisam de resultados de curto prazo; • os sistemas de alavancas são importantes para identificar, acompanhar e gerenciar o comportamento das mudanças estratégicas frente aos riscos e incertezas no ambiente da organização. Unidade 4 • Controle gerencial e sua relação com a Inovação: papel das alavancas de controle (CRUZ; FREZATTI; BIDO, 2007) 86/222 Referências AKAO, Y. Desdobramento das diretrizes para o sucesso do TQM. Porto Alegre: Bookman, 1997. CRUZ, A.P.C.; FREZATTI, D.; BIDO, S. Estilo de Liderança, Controle Gerencial e Inovação: Papel das Alavancas de Controle. RAC – Revista de Administração Contemporânea, Rio de Janeiro, v. 19, n. 6, art. 6, pp. 772-794, nov. /dez. 2015 DAMKE, E.J.; SILVA, D.E.; WALTER, A. S. Sistemas de controle e alinhamento estratégico: proposi- ção de indicadores. Revista Eletrônica Estratégia de Negócios, Florianópolis, v. 4, n. 1, p. 65-87, jan. /jun. 2011. FAGUNDES, J.A.; PETRI, M.; LAVARDA, R.B.; RODRIGUES, M.R.; LAVARDA, C.E.F.; SOLLER, C.C. Or- ganizational structure and management under the contingency theory perspective. Gestão & Regionalidade, São Caetano do Sul, v. 26, n. 78, set./dez. 2010. KAPLAN, R.S.; NORTON, D.P. A estratégia em ação. 4. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1997. OYADOMARI, J.C.; CARDOSO, R.L.; SILVA, B.O.T.; PEREZ, G. Management control systems: compa- rative case study in Brazilian innovative companies. Revista Universo Contábil, Blumenau, v. 6, n. 4, p. 21-34, out./dez. 2010. RAGLAND, B. Measure or indicator: what’s the difference? Crosstalk, Provo, v. 8, n. 3, mar. 1995. Unidade 4 • Controle gerencial e sua relação com a Inovação: papel das alavancas de controle (CRUZ; FREZATTI; BIDO, 2007) 87/222 SIMONS, R. Strategic orientation and top management attention to control systems. Strategic Management Journal, Hoboken, v. 12, p. 49-62, jan. 1991. Referências 88/222 Assista a suas aulas Aula 4 - Tema: Controle gerencial e sua relação com a inovação: papel das alavancas de contro- le - Bloco I Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f- 1d/6a51afe56728f4a6c94eade30fbdb704>. Aula 4 - Tema: Controle gerencial e sua relação com a inovação: papel das alavancas de controle - Bloco II Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/pA- piv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/6e- 0adf045980ff4f3029683e5e085921>. 89/222 1. Assinale a alternativa correspondente aos principais métodos de controle estratégico existentes atualmente: a) Sistema de crença; sistema de limite; sistema de diagnóstico. b) Liderança transformacional; balanced scorecard; modelo das alavancas de controle. c) Liderança transacional; liderança transformacional; liderança laissez-faire. d) Gestão por diretrizes; balanced scorecard; modelo das alavancas de controle. e) Modelo das alavancas de controle; sistema de diagnóstico; liderança transformacional. Questão 1 90/222 2. Assinale a alternativa que corresponde ao método de controle estratégico e às suas quatro perspectivas essencialmente relacionadas: a) Modelo das alavancas de controle: financeira; clientes; processos internos; aprendizagem e crescimento. b) Balanced scorecard: financeira; clientes; processos internos; aprendizagem e crescimento. c) Gestãopor diretrizes: financeira; clientes; processos internos; aprendizagem e crescimento. d) Balanced scorecard: sistema de crenças; sistema de limites; sistema de controle de diagnóstico; sistema de controle interativo. e) Gestão por diretrizes: sistema de crenças; sistema de limites; sistema de controle de diagnóstico; sistema de controle interativo. Questão 2 91/222 3. Assinale a alternativa que corresponde ao método de controle estraté- gico que surgiu no Japão, principalmente em organizações que objetiva- vam o desenvolvimento de um sistema de controle com uma abordagem quantitativa sobre o ambiente organizacional: a) Balanced scorecard. b) Teoria da contingência. c) Liderança transformacional. d) Modelo das alavancas de controle. e) Gestão por diretrizes. Questão 3 92/222 4. Os estilos de liderança dependem diretamente das atitudes do líder frente aos seus liderados. É possível observar a influência dos estilos de liderança no uso de diversas ferramentas administrativas, tal como no modelo das alavancas de controle. A esse respeito, assinale a alternativa correta: a) A liderança transacional pode exercer influência positiva nos sistemas de crenças e de controle interativo através de sua contribuição direta para a motivação e para a inspiração das pessoas. b) A liderança laissez-faire pode exercer influência significativa no sistema de controle de diagnóstico e de limites, pois seu contexto de atuação está ligado a perspectivas de recompensas e gestão por exceção. c) A liderança transformacional pode exercer influência positiva nos sistemas de crenças e de controle interativo através de sua contribuição direta para a motivação e para a inspiração das pessoas. Questão 4 93/222 d) A liderança laissez-faire pode exercer influência positiva nos sistemas de crenças e de controle interativo através de sua contribuição direta para a motivação e para a inspiração das pessoas. e) A liderança transformacional pode exercer influência significativa no sistema de controle de diagnóstico e de limites, pois seu contexto de atuação está ligado a perspectivas de recompensas e gestão por exceção. Questão 4 94/222 5. Os meios utilizados pela gerência para garantir que as ações e os com- portamentos dos colaboradores estejam alinhados aos objetivos estraté- gicos organizacionais compõem o: a) sistema de controle diagnóstico; b) sistema de crenças; c) sistema de controle interativo; d) sistema de limites; e) sistema de controle gerencial. Questão 5 95/222 Gabarito 1. Resposta: D. Gestão por diretrizes, balanced scorecard e modelo das alavancas de controle corres- pondem aos principais métodos de controle estratégico existentes. 2. Resposta: B. O balanced scorecard apresenta essencial- mente quatro perspectivas: financeira; clientes; processos internos; aprendizagem; e crescimento. 3. Resposta: E. A gestão por diretrizes surgiu no Japão e possui uma abordagem quantitativa sobre o ambiente organizacional. 4. Resposta: C. A liderança transformacional pode exercer influência positiva nos sistemas de crenças e de controle interativo, enquanto que a li- derança transacional pode exercer influên- cia significativa no sistema de controle de diagnóstico e de limites. 5. Resposta: B. O sistema de controle gerencial é compos- to pelos meios utilizados pela gerência para garantir que as ações e os comportamentos dos colaboradores estejam alinhados aos objetivos estratégicos organizacionais. 96/222 Unidade 5 Liderança empreendedora e práticas de gestão de pessoas: um estudo sobre a eficácia na promoção do empreendedorismo corporativo (FRANCO; HASHIMOTO, 2014) Objetivos Os objetivos deste tema consistem em: 1. Demonstrar o caráter estratégico das práticas de gestão de pessoas. 2. Apresentar os resultados práticos da eficácia na promoção do empreendedorismo corporativo. Unidade 5 • Liderança empreendedora e práticas de gestão de pessoas: um estudo sobre a eficácia na promoção do empreendedorismo corporativo (FRANCO; HASHIMOTO, 2014)97/222 Introdução Ao longo do tempo, estudos sobre liderança estão evoluindo, principalmente sobre as características pessoais de líderes, abordando, sobretudo, o aspecto da eficiência, no qual, através de estilos adaptáveis ao meio, podem transformar sua liderança de forma mais eficaz, proporcionando, assim, o empreendedorismo corporativo, conforme observado no estudo do artigo de Franco e Hashimoto (2014), “Liderança empreendedora e práticas de gestão de pessoas: um estudo sobre a eficácia na promoção do empreendedorismo corporativo”. Acompanhamos a cada dia novas transformações originadas pela globalização e, conforme observado por Bauman (1999), essas influenciam diretamente os modelos de lideranças, na busca de um novo paradigma que facilite a compreensão da nova situação socioeconômica mundial, especialmente no que se refere às práticas de gestão de pessoas, aos custos e à qualidade. Esse período de profundas transformações na relação entre trabalho, tecnologia e economia impõe uma nova condição para que as organizações modernas se especializem no desenvolvimento de estratégias psicossociais de gestão de pessoas, em busca da maximização do desempenho através do controle comportamental (CAMELO; ANGERAMI, 2008). Unidade 5 • Liderança empreendedora e práticas de gestão de pessoas: um estudo sobre a eficácia na promoção do empreendedorismo corporativo (FRANCO; HASHIMOTO, 2014)98/222 Link “Riscos psicossociais no trabalho que podem levar ao Estresse: uma análise da literatura”. Disponível em: <http://ojs.uem.br/ojs/ index.php/CiencCuidSaude/article/ view/5010/3246>. Acesso em: 10 out. 2016. Quando se fala em liderança empreende- dora, observamos que, de certa forma, a sua eficácia depende de sua pertinência so- ciocultural. Já o fenômeno da modernida- de, por sua vez, impõe à área de gestão de pessoas uma política de recursos humanos cada vez mais eficiente, pois as variáveis da liderança, tais como motivação e relações interpessoais, são sempre mais exigidas, ambas conduzidas pela necessidade do au- mento da produtividade, almejada através das constantes inovações, que são caracte- rizadas como necessidades básicas para a sobrevivência das organizações (CAMELO; ANGERAMI, 2008). O impacto da cultura sobre o exercício da li- derança, as novas perspectivas e desafios, além das demandas que surgem para uma nova forma de trabalho, tais como equi- pes virtuais, muitas vezes distribuídas, para Dorfman (1996), modificam a relação tradi- cional do líder com seus liderados e neces- sitam, assim, de um maior grau de coopera- ção, moral e compromisso com a organiza- ção. Unidade 5 • Liderança empreendedora e práticas de gestão de pessoas: um estudo sobre a eficácia na promoção do empreendedorismo corporativo (FRANCO; HASHIMOTO, 2014)99/222 Link “Empreendedorismo e liderança: perspectivas e desafios atuais”. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo. php?script=sci_arttext&pid=S1984- 66572012000100007&lng=pt>. Acesso em: 10 out. 2016. Essa relação entre perfil empreendedor e desempenho organizacional pode ser con- siderada como de relevante importância, pois características empreendedoras orien- tam os esforços no sentido de promover as organizações, fomentando um clima orga- nizacional que possa proporcionar a seus colaboradores a iniciativa de tomada de decisões que permitam a realização de mu- danças, aplicação de novas ideias para ga- nhos de produtividade, além da participa- ção na solução de problemas, que afetem o desempenho e a eficácia de seus processos. Para saber mais O clima organizacional pode ser definido como: “algo que já existe,vivo e atuante, dentro dela, resultante, principalmente, de fatores internos, das decisões tomadas e da maneira como o pes- soal é administrado pelos seus chefes, e atinge o colaborador, diretamente, no que diz respeito à percepção que ele tem da empresa, induzindo-o a determinado comportamento”. (CHIAVENATO, 2002). Unidade 5 • Liderança empreendedora e práticas de gestão de pessoas: um estudo sobre a eficácia na promoção do empreendedorismo corporativo (FRANCO; HASHIMOTO, 2014)100/222 Considerando a atividade de gestão de pes- soas como essencial para que as organiza- ções possam atingir seus objetivos e, através de ações estratégicas, possam direcionar seus colaboradores a proporcionar ganhos para organização por meio de uma cons- tante análise da missão organizacional, da atribuição de equilíbrio entre as expecta- tivas de seus stakeholders, acompanhando indicadores de produtividade e qualidade, para que se contribua com o desempenho individual, utilizando-se do aprimoramen- to e da retenção dos talentos internos, pro- movendo, assim, o comprometimento de todos, tornando o ambiente de competição saudável e motivador (CHIAVENATO, 2002). Ainda, segundo Hornsby, Kuratko e Mon- tagno (1999), a adoção de novas práticas também pode auxiliar no desenvolvimento de comportamentos empreendedores nas organizações, tais como: uso de recompen- sas, apoio organizacional, disponibilidade de recursos necessários para a prática da inovação, além de proporcionar estrutura que conduza o colaborador à cooperação e à aceitação de risco. Sendo assim, como se pode observar, as práticas de gestão de pessoas têm forte in- fluência no comportamento empreendedor de seus colaboradores, tornando ainda mais relevante a importância de se direcionar a liderança para um perfil de empreendedor organizacional (HORNSBY; KURATKO; MON- TAGNO, 1999). Unidade 5 • Liderança empreendedora e práticas de gestão de pessoas: um estudo sobre a eficácia na promoção do empreendedorismo corporativo (FRANCO; HASHIMOTO, 2014)101/222 Para saber mais O termo empreendedor (entrepneuer) tem origem francesa e significa aquele que assume riscos e começa algo novo. Foi utilizado pela primeira vez por Jean Baptist Say, um economista francês, com o objetivo de distinguir o indivíduo que consegue transferir recursos econômicos de um setor com baixa produtividade para um setor com produti- vidade elevada e com maiores rendimentos (DRU- CKER, 1987). Empreendedorismo corporativo Segundo Menezes (2003), o empreendedor é o indivíduo de iniciativa que promove o empreendimento a partir de um comporta- mento criativo e inovador, que sabe trans- formar contextos, estimular a colaboração, criar relacionamentos pessoais, gerar re- sultados, fazendo o que gosta de fazer, com entusiasmo, dedicação, autoconfiança, oti- mismo e necessidade de realização, além de exibir diversas características que são fun- damentais em um empreendedor. Dentre elas, destacam-se: autoconfiança, foco em oportunidade, conhecer muitas pessoas, saber calcular e minimizar riscos, poder de persuasão e, principalmente, paixão pelo que faz. Para Morris e Kuratko (2002), o empreende- dorismo possui quatro componentes, que são: • Processos: sequência ordenada de operações ou atividades inter-rela- Unidade 5 • Liderança empreendedora e práticas de gestão de pessoas: um estudo sobre a eficácia na promoção do empreendedorismo corporativo (FRANCO; HASHIMOTO, 2014)102/222 cionadas que podem ser aplicadas a qualquer tipo de organização. • Criação de valor: criação de algo novo nunca visto anteriormente. • Recursos: utilização de tecnologia, materiais, estruturas, entre outros, através de seus esforços. • Oportunidade: buscar algo sem ne- nhum tipo de restrição, seja através de recursos disponíveis ou não. Para as organizações, o processo de trans- ferência de responsabilidade e autoridade para os colaboradores, denominado como empowerment, é reforçado por Sánchez (2005), quando afirma a gestão participa- tiva dos colaboradores, permitindo o apro- veitamento dos conhecimentos específicos de cada um em prol da melhoria contínua dos processos, garantindo, assim, o com- prometimento de todos com os objetivos organizacionais, intensificando os compor- tamentos éticos e morais. Orientação empreendedora Conforme observado por Tarabishy et al. (2005), nos últimos anos diversos estudos estão focados em um novo tipo de lideran- ça, chamada de “liderança empreendedo- ra”, a qual é classificada como um estilo ca- paz de influenciar a capacidade de orienta- ção organizacional para o empreendedo- rismo, e também a postura de todos os de- mais subordinados. Portanto, um crescente número de evidências nos indica que orga- Unidade 5 • Liderança empreendedora e práticas de gestão de pessoas: um estudo sobre a eficácia na promoção do empreendedorismo corporativo (FRANCO; HASHIMOTO, 2014)103/222 nizações que engajam seus colaboradores em elevados níveis de ação empreendedora são aquelas com capacidade de obter resul- tados sempre acima do esperado. Link “Orientação empreendedora: um estudo sobre as consequências do empreendedorismo nas organizações”. Disponível em: <http://hdl. handle.net/10183/20541>. Acesso em: 10 out. 2016. Práticas de gestão de pessoas O cenário atual da prática de gestão de pes- soas difere do remanescente departamento de recursos humanos, sendo que, a partir do momento em que as organizações passam a denominar seus empregados de colabo- radores e seus chefes de gestores, podemos afirmar que a visão taylorista de suas or- ganizações, agora, faz parte de um passado não muito remoto, dando espaço para no- vas técnicas administrativas, como a gestão participativa e a gestão do conhecimento, fazendo com que esse novo tipo de gestão tenha como foco a valorização de profissio- nais e, acima de tudo, do ser humano (FER- NANDES, 2008). Unidade 5 • Liderança empreendedora e práticas de gestão de pessoas: um estudo sobre a eficácia na promoção do empreendedorismo corporativo (FRANCO; HASHIMOTO, 2014)104/222 Para saber mais A teoria da administração científica iniciada por Frederick W. Taylor (1856-1915) fundamenta-se na aplicação de métodos da ciência positiva, ra- cional e metódica aos problemas administrativos, a fim de alcançar a máxima produtividade. Essa teoria provocou uma verdadeira revolução no pensamento administrativo e no mundo indus- trial. Para o aumento da produtividade, propôs métodos e sistemas de racionalização do trabalho e disciplina do conhecimento operário, colocando sob comando da gerência: a seleção rigorosa dos mais aptos para realizar as tarefas, a fragmenta- ção e a hierarquização do trabalho (CHIAVENATO, 1987). Essa nova característica do setor de gestão de pessoas tem enorme responsabilidade na formação do profissional que deseja, tendo como objetivo o desenvolvimento mútuo entre colaborador e organização. Partin- do dessa nova premissa, cabe à gestão de pessoas conscientizar seus stakeholders de que suas ações devem ser fundamentadas no desenvolvimento ético e responsável de suas atividades, resultando na incorporação de novas tecnologias, de forma flexível, com pleno domínio do conteúdo de sua área de atuação, permitindo que o desenvolvimen- to dessas novas habilidades e competên- cias representem um processo de integra- ção entre as características individuais e as qualidades específicas requeridas (CHIAVE- NATO, 1987). Unidade 5 • Liderança empreendedora e práticas de gestão de pessoas: um estudo sobre a eficácia na promoção do empreendedorismo corporativo (FRANCO; HASHIMOTO, 2014)105/222 Glossário Mútuo: adj.; recíproco; que se desenvolve, se realizaou se oferece em troca de alguma coisa; em que há correspondência. Disponível em: <https://www.dicio.com.br/mutuo/>. Acesso em 12 nov. 2016. Paradigma: sm; algo que serve de exemplo ou modelo; padrão. Disponível em: <http://michaelis. uol.com.br/busca?r=0&f=0&t=0&palavra=Paradigma>. Acesso em 12 out. 2016. Persuasão: s.f.; Ação de fazer com que alguém acredite ou passe a acreditar em: convenceu o chefe com o poder de persuasão de seus argumentos. Disponível em: <https://www.dicio.com. br/persuasao/>. Acesso em 12 out. 2016. Premissa: s.f.; Proposição; fato inicial a partir do qual se inicia um raciocínio ou um estudo. Dis- ponível em: <https://www.dicio.com.br/premissa/>. Acesso em: 12 out. 2016. Sociocultural: adj.; que agrega aspectos culturais e sociais num mesmo grupo, questão, reali- dade, sociedade. Disponível em: <https://www.dicio.com.br/sociocultural/>. Acesso em: 12 out. 2016. Questão reflexão ? para 106/222 Após o estudo do artigo “Liderança empreendedora e práticas de gestão de pessoas: um estudo sobre a efi- cácia na promoção do empreendedorismo corporativo”, realizado por Franco e Hashimoto (2014), podemos ob- servar que as práticas de recursos humanos impactam na cultura organizacional por serem atividades insti- tucionais, enquanto as atividades da liderança empre- endedora são locais, ou seja, dentro de suas áreas de responsabilidade e com pouco impacto na cultura orga- nizacional, porém ambas têm caráter fundamental no Questão reflexão ? para 107/222 desenvolvimento da organização. Sendo assim, reflita sobre os conceitos que acaba de aprender e, basean- do-se nas situações apresentadas, tais como a relação entre a organização empreendedora e a liderança em- preendedora, aprofunde suas pesquisas sobre o tema para que, durante o exercimento de sua profissão, tenha condições de identificar se a organização a qual perten- ce utiliza-se de práticas de gestão de recursos humanos adequadas e, principalmente, se seu comportamento é de um “líder empreendedor”. 108/222 Considerações Finais • A prática de gestão de pessoas e a liderança empreendedora estão relacio- nadas diretamente com o sucesso da organização empreendedora; • na organização empreendedora, os objetivos serão atingidos mediante um trabalho coeso entre a liderança e as práticas da gestão de pessoas; • organizações empreendedoras favorecem a cultura empreendedora e pre- para sua liderança para ações empreendedoras, pois espera-se que o líder seja um profissional com capacidade de ouvir, aconselhar, intuir, além de ser humilde, honesto e sensível, tornando-se referência para seu grupo e com capacidade de influenciá-los. Unidade 4 • Controle gerencial e sua relação com a Inovação: papel das alavancas de controle (CRUZ; FREZATTI; BIDO, 2007) 109/222 Referências BAUMAN, Z. Globalização: As consequências humanas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1999. CAMELO, S.H.H.; ANGERAMI, E.L.S. Riscos psicossociais no trabalho que podem levar ao estresse: uma análise da literatura. Ciência, Cuidado e Saúde, Maringá, v. 7, n. 2, p. 232-240, abr./jun. 2008. CHIAVENATO I. Teoria geral da administração. 3. ed. São Paulo: McGraw-Hill, 1987. CHIAVENATO, I. Recursos Humanos: Edição Compacta. São Paulo: Atlas, 2002. DORFMAN, P.W. International and cross-cultural leadership research. In: PUNNETT, B.J.; SHENKAR, O. (Orgs.), Handbook for International Management Research. Oxford, RU: Blackwell, 1996. p. 267-349. DORNELAS, J.C.A. Empreendedorismo corporativo: conceitos e aplicações. Revista de Negócios, Blumenau, v. 9, n. 2, p. 81-90, abr./jun. 2004. DRUCKER, P. F. Inovação e Espírito Empreendedor. São Paulo: Pioneira, 1987. FERNANDES, D.V.H.; SANTOS, C.P. Orientação empreendedora: um estudo sobre as consequências do empreendedorismo nas organizações. Revista de Administração de Empresas, São Paulo, v. 7, n. 1, p. 1-28, jan./jun. 2008. Unidade 4 • Controle gerencial e sua relação com a Inovação: papel das alavancas de controle (CRUZ; FREZATTI; BIDO, 2007) 110/222 FRANCO, M.M.S.; HASHIMOTO, M. Liderança empreendedora e práticas de Gestão de Pessoas: um estudo sobre a eficácia na promoção do empreendedorismo corporativo. Revista de Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas, Curitiba, v. 3, n. 3, p. 104-128, jun. 2014. HORNSBY, J.S.; KURATKO, D. F.; MONTAGNO, R.V. Perception of internal factors for corporate entrepreneurship: A comparison of Canadian and U.S. managers. Entrepreneurship Theory and Practice, Waco, v. 24, n. 2, p. 9-24, dez. 1999. MORRIS, M.H.; KURATKO, D.F. Corporate entrepreneurship, USA: Harcourt, 2002. SÁNCHES, A. 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Referências 112/222 Assista a suas aulas Aula 5 - Tema: Liderança empreendedora e prá- ticas de gestão de pessoas: Um estudo sobre a eficácia na promoção do empreendedorismo corporativo - Bloco I Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ fb134666bef4d9a96cd4b60e6846d136>. Aula 5 - Tema: Liderança empreendedora e prá- ticas de gestão de pessoas: Um estudo sobre a eficácia na promoção do empreendedorismo corporativo - Bloco II Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f- 1d/4e0f79c0f412e70c348c4c1764120d62>. 113/222 1. Além das demandas, surge uma nova forma de trabalho, que modifica a relação tradicional do líder com seus liderados, necessitando, assim, de um maior grau de cooperação, moral e compromisso com a organização. Pode- mos chamar essa nova relação de: a) equipes virtuais b) liderança transformacional c) liderança transacional d) equipe transacional e) equipe participativa Questão 1 114/222 2. As ações estratégicas que podem direcionar seus colaboradores a pro- porcionar ganhos para organização por meio de uma constante análise da missão organizacional, da atribuição de equilíbrio entre as expectativas de seus stakholders, são atividades relativas à(ao): Questão 2 a) liderança transformacional b) gestão de pessoas c) alta direção d) coaching e) coachee 115/222 3. O empreendedor é o indivíduo de iniciativa que promove o empreendi- mento a partir de um comportamento: Questão 3 a) coercitivo e direcionador, promovendo a realização de tarefas; b) direto e objetivo, facilitando seu entendimento; c) visionário e sonhador que busca inspiração em sua equipe; d) calculista e previsível, pois tenta atingir objetivos a qualquer custo; e) criativo e inovador que sabe transformar contextos e estimula a colaboração. 116/222 4. O indivíduo de iniciativa que possui um comportamento com caracte- rísticas de empreendedorismo pode ser definido por quatro componentes, que são: Questão 4 a) Processos, criação de valor, recursos e oportunidade. b) Globalização, liderança, recursos e transformação. c) Organização, liderança, gestão de pessoas e globalização. d)Transformação, inovação, criatividade e recursos. e) Inovação, gestão, conhecimento e habilidades. 117/222 5. A gestão de pessoas deve conscientizar seus stakeholders de que suas ações devem ser fundamentadas através de um desenvolvimento: Questão 5 a) ético e responsável de suas atividades; b) criativo e participativo em inovações; c) livre e descompromissado com resultados; d) dirigido e fundamentado em experiências anteriores; e) afetivo e direcionado à organização. 118/222 Gabarito 1. Resposta: A. A gestão de equipes virtuais é o mais novo desafio para lideranças organizacionais, pois a ligação entre as organizações e suas unidades de negócios não são mais limita- das por fronteiras nem distâncias; o meio corporativo está on-line. 2. Resposta: B. A atividade de gestão de pessoas é essen- cial para que as organizações possam atin- gir seus objetivos, utilizando-se do aprimo- ramento e retenção dos talentos internos, promovendo, assim, o comprometimento de todos, tornando o ambiente de competi- ção saudável e motivador. 3. Resposta: E. Dentre as diversas características que são fundamentais em um empreendedor, des- tacam-se a persuasão e a paixão pelo que faz. 4. Resposta: A. Os Processos (determinação da sequência ordenada de operações) permitem a criação de valores (algo novo nunca visto anterior- mente e que agrega valor ao produto), onde através do uso adequado dos recursos (tec- nológicos, estruturais e materiais) podem conduzir a organização a novas oportuni- dades (algo nunca experimentado anterior- mente) no mercado. 119/222 Gabarito 5. Resposta: A. As ações dos Stakeholders devem ser fun- damentadas no desenvolvimento ético e responsável de suas atividades, resultando na incorporação de novas tecnologias, de forma flexível, com pleno domínio do con- teúdo de sua área de atuação, permitindo o desenvolvimento dessas novas habilidades e competências. 120/222 Unidade 6 Coaching como processo inovador de desenvolvimento de pessoas nas organizações (MELO; BASTOS; BIZARRIA, 2014) Objetivos 1. Demonstrar o caráter estratégico do processo de inovação auxiliado pelo coaching. 2. Apresentar as situações para o de- senvolvimento de pessoas a partir de perspectivas práticas. Unidade 6 • Coaching como processo inovador de desenvolvimento de pessoas nas organizações (MELO; BASTOS; BIZAR- RIA, 2014) 121/222 Introdução O método de organização do trabalho e de definição das estratégias empresariais, se- gundo o modelo taylorista, no qual o con- ceito de aprendizagem designava as refe- rências necessárias para se desenvolver a relação profissional entre o indivíduo e a organização, não prevalece mais, e foi defi- nitivamente substituído por um novo mar- co, em que o trabalho não significa mais um conjunto de tarefas relacionadas especifi- camente ao cargo, mas se torna uma exten- são direta da competência que o indivíduo adquire, tendo em vista uma situação pro- fissional a cada dia mais instável e comple- xa. Essa nova situação faz com que o imprevis- to se torne cada vez mais presente, o que coloca em pauta o assunto competência, o qual tem sido tema de inúmeras discus- sões, explicitando conceitos sobre níveis de compreensão, bem como sua relação com a estratégia relativa ao processo de aprendi- zagem organizacional. Podemos afirmar, de modo geral, que com- petência é a forma que utilizamos para de- signar qualificação a uma pessoa ou co- laborador, como qualificado para realizar uma determinada tarefa, diferenciando-se, assim, de aptidões: característica ou talen- to nato do indivíduo e que pode ser aprimo- rado, e de habilidades: características par- ticulares que demonstram a aplicação prá- tica, e dos conhecimentos: que estão rela- cionados a aquilo que o indivíduo sabe para desenvolver sua atividade. Esse conjunto de elementos determina a capacidade hu- Unidade 6 • Coaching como processo inovador de desenvolvimento de pessoas nas organizações (MELO; BASTOS; BIZAR- RIA, 2014) 122/222 mana, justificando, assim, o desempenho, que se fundamenta na personalidade e na inteligência de cada pessoa. Outra percep- ção de competência é a de que essa seja um recurso que o indivíduo detém, permitindo a esse agregar valor à organização, à socie- dade e para si mesmo, o que promove as or- ganizações a buscar uma nova ferramenta gerencial, o coaching (BAUMAM, 1999). Esse novo modelo de liderança tem como marca o comprometimento e apoio para que um resultado possa ser atingido, além de um significado especial para aquele que treina e desenvolve (coach) e para aquele que está passando pelo processo de apren- dizagem (coachee), transformando essa re- lação em mais do que um processo de trei- namento. É literalmente transformar essa ação em um ato de empowerment, ou seja, transferir ao indivíduo o poder de realização de sua tarefa, possibilitando que este obte- nha resultados cada vez mais positivos. Segundo Blanco (2006), a tarefa do coaching não é simplesmente a de ensinar, mas sim de questionar seu coachee de forma provo- cativa para que o conduza ao aprendizado, além de se utilizar de metas e objetivos cla- ros que devem sempre ser acordados mu- tuamente, permitindo, dessa forma, que os projetos organizacionais se conectem aos projetos pessoais, transferindo ao colabo- rador a visão imprescindível a respeito da empregabilidade. Outro fator a ser percebido é o desenvolvi- mento da performance profissional, pois o aumento do estímulo à criatividade faz com Unidade 6 • Coaching como processo inovador de desenvolvimento de pessoas nas organizações (MELO; BASTOS; BIZAR- RIA, 2014) 123/222 que o colaborador, ao perceber que não é mais comandado por um poder centralizado e de con- trole excessivo, propicia um ambiente de autodesenvolvimento, automotivação e participativo, fazendo com que as possibilidades de crescimento possam ser obtidas por meio de ações plane- jadas, tais como: dinâmicas de grupos, análises individuais e treinamentos, ou de forma voluntá- ria e efetiva (BLANCO, 2006). Para saber mais Para Goldberg (1974), competência profissional pode ser definida como a habilidade (estratégica) para produzir, de uma forma empiricamente demonstrável e graças a uma otimização de recursos, mudanças desejáveis (e socialmente aprovadas) no ambiente, neutralizando – tanto quanto possível – a produção de mudanças indesejáveis (e socialmente não aprovadas), ou, em outras palavras, é um desempenho profissional qualificado com uma dupla dimensão de racionalidade: eficácia e eficiência. Há evidências de que a associação entre competência, estratégia e aprendizagem organizacional agregam valor à organiza- ção, e de maneira indireta também agregam valor ao indivíduo, de maneira mais notória, fato que permite que as organizações me- lhorem seus sistemas cognitivos, sua inte- ligência emocional, desenvolvendo roti- Unidade 6 • Coaching como processo inovador de desenvolvimento de pessoas nas organizações (MELO; BASTOS; BIZAR- RIA, 2014) 124/222 nas e procedimentos que se incorporam à memória organizacional, auxiliando, dessa maneira, na análise e solução potencial de suas falhas internas ou externas (GOLE- MAN, 2001). Para saber mais A definição atual diz que a inteligência emocional se refere à capacidade de perceber acuradamente, de avaliar e de expressar emoções; à capacidade de perceber e/ou gerar sentimentos quando eles facilitam o pensamento; à capacidade de compreender a emoção e o conhecimento emocional; e à capacidade de controlar emoções para promover o crescimento emocional e intelectual (MAYER; SALOVEY, 1997). Competências de uma organização As várias competências de uma organiza- çãopermitem a criação, o desenvolvimen- to, a produção e a distribuição de seus pro- dutos e serviços aos seus clientes, oriundos da capacidade de combinação e integração de seus recursos e processos. Esse domínio dos estágios de seus processos demonstra a competência e o conhecimento, que devem estar associados a uma contínua sistema- tização de aprendizagem organizacional, permitindo a capacitação de seus colabora- dores, além de estimular o processo de ino- vação. Para Zarifian (1999), as organizações apresentam competências diferenciadas, que estão relacionadas diretamente à ges- Unidade 6 • Coaching como processo inovador de desenvolvimento de pessoas nas organizações (MELO; BASTOS; BIZAR- RIA, 2014) 125/222 Link Assessment – método de desenvolvimento de po- tencial: Disponível em: <http://www.rh.com. br/Portal/Desenvolvimento/Artigo/7216/as- sessment--metodo-de-desenvolvimento- -de-potencial.html>. Acesso em: 10 out. 2016. tão operacional. Sendo assim, podemos relacionar a formação das competências organizacio- nais com suas estratégias (FLEURY; FLEUY, 2001). Os processos de aprendizagem organizacional Para Izaquierdo (1997), a aprendizagem é um processo neural complexo, que nos con- duz à construção de memórias, transfor- mando-se em um conjunto de coisas de que nos lembramos e que constituem a nossa identidade. Diversas formas de aprendizado são utilizadas, pois cada um tem um tipo de percepção para aprender, lembrando que o ser humano possui uma memória visual maior do que a memória au- ditiva; logo, o uso da memória visual/verbal será mais perceptível e de maior aprendizagem por retenção para o indivíduo em treinamento. Outro fator que deve ser considerado são as emoções e a afetividade, que influenciam diretamen- te a formação da memória. Sabemos que as emoções contribuem significativamente no proces- Unidade 6 • Coaching como processo inovador de desenvolvimento de pessoas nas organizações (MELO; BASTOS; BIZAR- RIA, 2014) 126/222 so motivacional para a aprendizagem, e que essa contribui para formas de mudanças através de seus estímulos, conduzindo o indivíduo à alteração de seu comportamento social, fazendo com que a aprendizagem possa ser observada e mensurada através de análises psicológicas basea- das nos modelos behaviorista e cognitivo (FLEURY; FLEUY, 2001). Para saber mais Modelo behaviorista: foco direto no comportamento, pois esse pode ser observado e mensurado, considerando que a análise do comportamento significa o estudo das relações entre eventos estimuladores e suas respostas. Modelo cognitivo: modelo mais abrangente do que o behaviorista, explica os fenômenos mais complexos, como a aprendizagem de conceitos e a solução de problemas, utilizando dados objetivos e comportamentais e considerando ainda as crenças e percepções do indivíduo que influenciam seu processo de visão da realidade. Coaching como processo inovador Considerando ainda os relatos de Melo, Bastos e Bizarria (2014), a atuação do coaching como um processo inovador e de aprendizagem impacta no indivíduo aprendiz, fazendo com que Unidade 6 • Coaching como processo inovador de desenvolvimento de pessoas nas organizações (MELO; BASTOS; BIZAR- RIA, 2014) 127/222 esse aprenda e desenvolva descobertas em áreas de maior potencial, tal como a inteli- gência emocional, que irá diretamente lhe proporcionar informações suficientes para realização de opções e tomada de decisões necessárias para seu crescimento profissio- nal. Link “Coaching como Processo Inovador de Desenvol- vimento de Pessoas nas Organizações”. Dispo- nível em: <http://revistas.unicentro.br/index. php/capitalcientifico/article/view/3124>. Acesso em: 3 out. 2016. Dentre tantas outras características de co- laboração do processo de acompanhamen- to de um coaching, esse contribuirá com a organização e com seu coachee de forma direta, pois, através de sua capacidade de saber ouvir, ensinar, orientar, desenvolver o potencial para o aprendizado do novo através do autodesenvolvimento, além da capacidade de compartilhar responsabili- dades e proporcionar ganho substancial de conhecimento a seus liderados, ainda atua na retenção dos talentos desenvolvidos e tão necessários para a organização. Portanto, organizações inovadoras depen- dem de pessoas inovadoras e não de má- quinas ou softwares, pois a capacidade de interação e integração com outros indivídu- os da organização deve passar por um novo estágio, desenvolvendo um clima favorável para que esses se engajem e se compro- Unidade 6 • Coaching como processo inovador de desenvolvimento de pessoas nas organizações (MELO; BASTOS; BIZAR- RIA, 2014) 128/222 metam com as estratégias organizacionais. Esse processo não se restringe apenas ao cognitivo, mas também é emocional, pois se relaciona diretamente à capacidade de comunicação, participação e contribuição (MELO; BASTOS; BIZARRIA, 2015). Segundo Golemam (2001), a inovação é um ato cognitivo e emocional, pois um ato cria- tivo é resultante do cognitivo, mas, para dar continuidade a esse ato, é preciso ter algu- mas competências emocionais, tais como: autoconfiança, persistência e capacidade de persuadir, pois a utilização permanente das variações das competências superam as limitações impostas pelas emoções, fa- cilitando, assim, o surgimento da inovação através de dois pilares: iniciação – apre- sentação da ideia inicial, e da implementa- ção – concretização da ideia, sendo essas as características básicas necessárias para o desenvolvimento de pessoas e a inovação organizacional. Link “Liderança e coaching: desenvolvendo pessoas e recriando organizações”. Disponível em: <http:// pgsskroton.com.br/seer/index.php/rcger/ article/view/2601/2482>. Acesso em: 3 out. 2016. Para Serafim (2011), líderes são condu- tores de processos de engajamento, pois esse processo inspira os demais processos a romperem suas barreiras, fazendo com que as pessoas possam se mobilizar para atingi- rem os objetivos organizacionais. Unidade 6 • Coaching como processo inovador de desenvolvimento de pessoas nas organizações (MELO; BASTOS; BIZAR- RIA, 2014) 129/222 Glossário Mutuamente (mútuo): adj.; recíproco; que se desenvolve, se realiza ou se oferece em troca de alguma coisa; em que há correspondência. Disponível em: <https://www.dicio.com.br/mutuo/>. Acesso em: 14 out. 2016. Empregabilidade: sf; Qualidade ou característica do que ou de quem é empregável; possibilidade de emprego. Disponível em: <http://michaelis.uol.com.br/busca?id=Paxp>. Acesso em: 14 out. 2016. Cognitivo: adj.; diz-se de estados ou processos que se relacionam à identificação de um conhecimento dedutível e à solução de tarefas e problemas específicos; que se refere ao processo mental de percepção, juízo, memória e raciocínio. Disponível em: <http://michaelis. uol.com.br/busca?r=0&f=0&t=0&palavra=cognitivo>. Acesso em: 14 out. 2016. Unidade 6 • Coaching como processo inovador de desenvolvimento de pessoas nas organizações (MELO; BASTOS; BIZAR- RIA, 2014) 130/222 Glossário Persuadir: vtd; levar (alguém ou a si próprio) a crer ou aceitar; convencer (-se); levar (alguém ou a si próprio) a tomar decisão sobre (algo). Disponível em: <http://michaelis.uol.com.br/ busca?r=0&f=0&t=0&palavra=persuadir>. Acesso em: 14 out. 2016. Engajamento: (Engajar), vtd.; participar de maneira colaborativa em alguma coisa; dedicar; fazer alguma coisa com dedicação e afinco. Disponível em: <https://www.dicio.com.br/ engajar/>. Acesso em: 14 out. 2016. Questão reflexão ? para 131/222 Após o estudo do artigo “Coaching como processo inovador de de- senvolvimento de pessoas nas organizações”, escrito por Melo, Bas- tos e Bizarria (2014), observamosque o coaching pode ser conside- rado como uma ferramenta de inovação e de impacto positivo no processo organizacional. Sendo assim, reflita sobre os conceitos que acaba de aprender e, baseando-se nas situações apresentadas, tais como o desenvolvimento de competências e engajamento para re- alização dos objetivos organizacionais, disserte sobre quais de suas características sejam marcantes e interessantes para que você se torne alvo de empresas inovadoras. 132/222 Considerações Finais • O comprometimento e apoio do coaching para a melhoria da performance profissional conduz a equipe para que um resultado possa ser atingido; • a condução para o processo de aprendizado, utilizando metas e objetivos claros, orienta a coachee a inovação, pois os projetos organizacionais se co- nectam aos projetos pessoais; • a associação entre competência, estratégia e aprendizagem organizacional agrega valor à organização e ao indivíduo, o que permite que as organiza- ções melhorem de forma contínua a sistematização de aprendizagem orga- nizacional e a inovação. Unidade 4 • Controle gerencial e sua relação com a Inovação: papel das alavancas de controle (CRUZ; FREZATTI; BIDO, 2007) 133/222 Referências BAUMAN, Z. Globalização: As consequências humanas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1999. BLANCO, V.B. Um estudo sobre a prática de coaching no ambiente organizacional e a possi- bilidade de sua aplicação como prática de gestão de conhecimento. 2006. 216 f. Dissertação (Mestrado em Gestão do Conhecimento e tecnologia da Informação) – Universidade católica de Brasília, Brasília, 2006. FLEURY, M.T.L.; FLEURY, A. Construindo o conceito da competência. Revista de Administração Contemporânea, Curitiba, v. 5, p. 183-196, no. spe, 2001. GASPAR, D.J. Liderança e coaching: desenvolvendo pessoas, recriando organizações. Revista de Ciências Gerenciais, São Paulo, v. 13, n. 18, p. 17-41, set. 2009. GOLDBERG, M.A. et al. Avaliação de competência no desempenho do papel de orientador educacional. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, n. 11, p. 21-60, 1974. 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A associação entre competência, estratégia e aprendizagem organizacio- nal agrega valor à organização, e de maneira indireta também agrega valor ao indivíduo, permitindo que as organizações: Questão 1 a) melhorem seus sistemas informativos, assegurando o atendimento aos requisitos organizacionais; b) melhorem seus sistemas cognitivos, sua inteligência emocional, auxiliando, dessa maneira, na análise e solução potencial de suas falhas internas ou externas; c) possam atingir, suas metas e seus objetivos, através da análise dos fatores internos; d) facilitem o acesso às informações necessárias para o desenvolvimento da cultura organizacional e do coachee; e) desenvolvam equipes de alta performance, por meio de processos mais eficazes. 137/222 2. Dentre tantas outras características de colaboração do processo de acompanhamento de um coaching, este contribuirá com a organização e com seu coachee de forma direta, através de: Questão 2 a) treinamentos específicos, com o objetivo de melhorar a performance da equipe como um todo; b) acompanhamento constante, fazendo com que esse compreenda cada vez mais o pensamento mecanicista, que sua função é produzir cada vez mais e com melhor qualidade; c) sua capacidade de saber ouvir, ensinar, orientar, desenvolver o potencial para o aprendizado do novo, possibilitando o autodesenvolvimento e desenvolvendo a capacidade de compartilhar responsabilidades; d) sua influência na formação de indivíduos com capacidade cognitiva, suficiente, para que estes possam, no mercado, fazer uso de sua empregabilidade; e) um processo seletivo mais justo e de um sistema de recompensas organizacional mais equilibrado. 138/222 3. A inovação é um ato cognitivo e emocional, e o seu surgimento pode ser facilitado por duas situações: Questão 3 a) Apresentação da ideia inicial e concretização da ideia. b) Correlação de fatos e tomada de ação. c) Observação de processos e treinamento do coachee. d) Treinamento do coachee e tomada de ações. e) Análise do ambiente externo e apresentação de nova ideia. 139/222 4. As organizações inovadoras que pretendem obter um clima favorável à inovação dependem de: Questão 4 a) pessoas inovadoras, com capacidade de interação com outros indivíduos; b) de máquinas ou softwares sofisticados e de última geração; c) salários e mecanismos de recompensa acima da média de mercado; d) liderança efetiva e acompanhamento intensivo sobre os colaboradores; e) incentivo à utilização de um sistema de sugestões por toda organização. 140/222 5. As organizações buscam uma nova ferramenta gerencial, chamada de coaching, que tem como característica principal: Questão 5 a) orientar as organizações em seus processos produtivos; b) orientar as pessoas e as organizações em seus processos de desenvolvimento; c) estabelecer uma cultura organizacional, flexível e propícia a mudanças; d) agregar valor à organização, à sociedade e para si mesmo; e) prover recursos necessários para o crescimento organizacional. 141/222 Gabarito 1. Resposta: B. A melhoria da competência individual im- pacta diretamente a melhoria organizacio- nal, permitindo maior facilidade das análi- ses das falhas internas e externas, propor- cionando um ambiente de melhoria contí- nua e, consequentemente, agregando valor à organização e seus stakeholders. 2. Resposta: C. A capacidade de compartilhar responsabi- lidades e proporcionar ganho substancial de conhecimento a seus liderados são ca- racterísticas importantes do coaching, além de outras, tais como: saber ouvir, ensinar, orientar, desenvolver o potencial para o aprendizado do novo. 3. Resposta: A. As características básicas necessárias para o desenvolvimento de pessoas e da inova- ção organizacional seguem os pressupostos da iniciação – apresentação da ideia inicial – e da implementação – concretização da ideia. 4. Resposta: A. Pessoas com capacidade de interação e in- tegração com outros indivíduos desenvolve na organização um clima favorável para que esses se engajem e se comprometam com as estratégias organizacionais, favorecendo o processo inovador. 142/222 Gabarito 5. Resposta: D. O coaching é o elemento que possui habi- lidadestécnicas, emocionais, além de apti- dões para o desenvolvimento de pessoas, o que agrega valor a ele, à organização e para as pessoas com quem trabalha. 143/222 Unidade 7 A relação das características inerentes aos perfis de liderança no desenvolvimento do coaching (NORO; STÜKER; OLIVEIRA, 2016) Objetivos Os objetivos deste tema consistem na imersão do aluno no contexto da relação das características ine- rentes aos perfis de liderança no desenvolvimento do processo de coaching, observando: 1. Compreender as principais características dos per- fis de liderança. 2. Entender estruturação da aliança entre a liderança e o coaching. Unidade 7 • A relação das características inerentes aos perfis de liderança no desenvolvimento do coaching (NORO; STÜKER; OLIVEIRA, 2016) 144/222 Introdução Pesquisas científicas sobre o tema liderança têm permeado a literatura acadêmica há décadas. Entre as diversas teorias existentes, há alegações bastante relevantes, que sugerem que líderes eficazes estabelecem relacionamentos baseados na reciprocidade, como o coaching (ILIES; JUD- GE; WAGNER, 2006). As relações de coaching foram conceitualizadas anteriormente como formas únicas de relacio- namento e, portanto, compartilham muitas das características estruturais e interpessoais co- muns com as profissões relacionadas ao aconselhamento, à gestão de pessoas e à psicoterapia, cujas perspectivas progridem por meio do ganho de apoio baseado na prática dessa ferramenta (KEMP, 2009). Link “A gestão de pessoas para o profissional do conhecimento”. Disponível em: <http://www.crie.ufrj. br/application/assets/uploads/files/AGestaoDePessoasParaOProfissionalDoConhecimen- to2.pdf>. Acesso em: 22 out. 2016. Unidade 7 • A relação das características inerentes aos perfis de liderança no desenvolvimento do coaching (NORO; STÜKER; OLIVEIRA, 2016) 145/222 Para saber mais O modelo de Bass (1999), por exemplo, consiste em um tratamento compreensivo do tema liderança. De acordo com modelo mencionado, os comportamentos do líder influenciam nas ações dos cola- boradores. Assim, a reciprocidade é fundamental para que os funcionários alcancem os resultados designados pelo gestor. Adicionalmente, a teoria da meta e do caminho, também conhecida como “teoria caminho-meta”, sustenta que uma das funções estratégicas do líder é aprimorar os estados psicológicos dos subor- dinados, os quais resultam em motivação para realizar as tarefas previamente designadas (HOUSE, 1971). Diversas pesquisas enfatizam que líderes transformacionais, essencialmente cola- borativos e participativos, são fundamen- tais para o sucesso das organizações, a partir do desenvolvimento de uma relação significativamente positiva entre o estilo de liderança e a melhora do desempenho organizacional (SHAMIR; HOUSE; ARTHUR, 1994). Nas organizações, a liderança tem como objetivo principal exercer influência sobre os colaboradores, incentivando-os e moti- Unidade 7 • A relação das características inerentes aos perfis de liderança no desenvolvimento do coaching (NORO; STÜKER; OLIVEIRA, 2016) 146/222 Link “Uma aproximação entre liderança transformacional e teoria da ação comunicativa”. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-69712011000100003>. Acesso em: 22 out. 2016. vando-os a cumprir as metas previamente estabelecidas (CHIAVENATO, 1999). James Hunter (2004, p. 25), autor do bes- t-seller internacionalmente aclamado O monge e o executivo: uma história sobre a essência da liderança, por exemplo, define a liderança como “habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiastica- mente, visando atingir aos objetivos iden- tificados como sendo para o bem comum”. De acordo com Avolio, Walumbwa e Weber (2009), dentre as diversas abordagens so- bre o tema, o estudo dos estilos de lideran- ça transacional e transformacional consta entre os tópicos mais investigados nas duas últimas décadas. A liderança transacional apresenta como características típicas (NORO; STÜKER; OLI- VEIRA, 2015): • A negociação de trocas e o Unidade 7 • A relação das características inerentes aos perfis de liderança no desenvolvimento do coaching (NORO; STÜKER; OLIVEIRA, 2016) 147/222 estabelecimento de acordos na busca por um desempenho satisfatório; • a gestão por exceção ativa ou, então, punição contingente, com o monitoramento de desvios e erros e a adoção de medidas corretivas. Assim, a teoria da liderança transacional sugere que os líderes possam exercer con- siderável poder e influência, envolvendo-se em um processo de troca mutuamente be- néfica com seus colaboradores. Por exemplo, o controle de um líder transa- cional sobre informações vitais para a em- presa ou, então, a habilidade especial de um colaborador na resolução de problemas organizacionais cruciais, pode oferecer be- nefícios a esses a partir da negociação da troca. Há ainda uma terceira característica apon- tada por Bass (1999) para o comportamen- to desse líder: o gerenciamento por exce- ção passivo, isto é, quando o líder aguarda passivamente e toma providências apenas quando o erro já ocorreu. A liderança liberal ou laissez-faire descre- ve líderes passivos que são relutantes em influenciar subordinados e, consequente- mente, incapazes de direcioná-los a desem- penhar suas funções com clareza (DELUGA, 1990). Eles geralmente abstêm-se de participar da tomada de decisão, seja individual ou em grupo e, consecutivamente, abdicam do seu papel de liderança, concedendo aos Unidade 7 • A relação das características inerentes aos perfis de liderança no desenvolvimento do coaching (NORO; STÜKER; OLIVEIRA, 2016) 148/222 seus subordinados liberdade de ação signi- ficativa (DELUGA, 1990). Segundo Chiavenato (2006), o líder laisse- z-faire possui uma participação mínima, delegando praticamente todas as decisões aos seus subordinados sem controle algum, deixando-os completamente à vontade. Uma vez que o grupo detenha total liberda- de para decisões individuais ou coletivas, a atribuição das tarefas, assim como a deter- minação dos colaboradores, fica totalmen- te a cargo do grupo, ou seja, há uma ressal- tante falta de participação do líder (CHIA- VENATO, 2006). Por outro lado, o líder transacional, na busca pelo cumprimento das metas organizacio- nais estabelecidas, esclarece aos colabora- dores da agregação relacionada as tarefas a serem realizadas, assim como devem ser executadas. Todavia, esse tipo de liderança determina o colaborador como um ser passivo, esta- belecendo com ele um relacionamento de simples troca, o que gera um vínculo mais fraco, baseado apenas na autoridade buro- crática (BERGAMINI, 2009). Pesquisas demonstram que a liderança transacional corresponde a um estilo em- pregado muito frequentemente nas organi- zações (BERGAMINI, 2009). Por outro lado, o estilo de liderança trans- formacional corresponde às atitudes e às condutas gerenciais que podem transfor- mar diretamente os liderados e os inspirar e Unidade 7 • A relação das características inerentes aos perfis de liderança no desenvolvimento do coaching (NORO; STÜKER; OLIVEIRA, 2016) 149/222 motivar para que desempenhem suas tare- fas além das expectativas preestabelecidas, transcendendo o interesse pessoal pelo bem da organização. Estrutura da aliança entre a liderança e o coaching O processo de mudança no comportamen- to humano é extremamente complexo e, portanto, os líderes e coaches enfrentam um enigma desconcertante, sendo espe- rado que esses desenvolvam sua própria compreensão íntima e pessoal para liderar a mudança nos indivíduos, com o objetivo de melhorar o desempenho organizacional. Além de existir pouca orientação para lí-deres e coaches em sua busca contínua de crescimento e desenvolvimento, os quadros e ferramentas para apoiar esse processo são muito difíceis de encontrar. Assim, a aliança entre os processos de lide- rança e coaching foi estruturada (Figura 1) com o objetivo de fornecer um modelo para líderes coaches, a fim de que eles contextu- alizem o processo de autogerenciamento e esclareçam o seu papel no apoio aos clien- tes e membros da equipe, buscando-se ma- ximizar o impacto da eficácia da liderança coaching (KEMP, 2009). O quadro explica os antecedentes progres- sivos e o processo de construção comum à maioria dos relacionamentos eficazes e pro- fissionalmente impactantes baseados na li- derança e no coaching. O esquema também posiciona o processo de autogerenciamen- Unidade 7 • A relação das características inerentes aos perfis de liderança no desenvolvimento do coaching (NORO; STÜKER; OLIVEIRA, 2016) 150/222 to no centro de todas as alianças de liderança e coaching bem-sucedidas. A estrutura ainda des- taca a importância do desenvolvimento autofocalizado do líder coach na garantia da eficácia da aliança entre a liderança e o coaching (KEMP, 2009). Figura 1 – Estruturação da aliança entre a liderança e o coaching Fonte: Adaptado de Kemp (2009). Unidade 7 • A relação das características inerentes aos perfis de liderança no desenvolvimento do coaching (NORO; STÜKER; OLIVEIRA, 2016) 151/222 A base da estrutura da aliança reside no processo ativo da introspecção. Esse pro- cesso representa o aparecimento progres- sivo das crenças, valores, tendências e con- ceitos concebidos pelo líder coach. O desafio central da relação entre a liderança e o coa- ching corresponde à subjetividade inerente ao líder coach (KEMP, 2009). A constituição experiencial e psicológica única de um líder influencia, de modo ine- rente, as percepções de seus colaborado- res ou clientes, enquanto que a superação dessas estruturas internas é crítica na fase de autoexploração. Trata-se da validação e da confirmação do autoconceito que for- nece a fundação para a compreensão e a subsequente capacidade de gerenciar seu impacto externo sobre aqueles ao seu redor (KEMP, 2009). Esse processo de validação e confirmação é usualmente obtido através de feedback for- mal e informal. Assim, é essa fase inicial de introspecção e conscientização que permi- te ao líder coach desenvolver uma compre- ensão mais profunda de seus pontos únicos, fortes e fracos, como profissional. Uma vez emergido para a sua consciência, essa se transforma em um alicerce para uma reflexão contínua. À medida que o líder co- ach aumenta sua consciência sobre a tríade comportamento, pensamento e sentimen- to, seus insights podem fornecer o significa- do necessário para uma reflexão mais pro- funda e uma compreensão cada vez mais complexa e íntima do “eu” (KEMP, 2009). Unidade 7 • A relação das características inerentes aos perfis de liderança no desenvolvimento do coaching (NORO; STÜKER; OLIVEIRA, 2016) 152/222 Nessa etapa, o coaching possibilita ganhos significativos à capacidade do líder para aprimorar seus conceitos. Dessa maneira, o líder coach explora ativamente o ambiente organizacional e enquadra suas bases con- ceituais complexas, assim como seus es- quemas subjacentes, dirigindo seu repertó- rio atual de comportamento. Uma vez que o significado mais profundo foi estabelecido no fundamento da “nova consciência”, um plano de autogerencia- mento ou autogestão (PAG) pode ser cons- truído. Embora isso ocorra muitas vezes de maneira informal dentro da memória de longo prazo, ele pode ser documentado e referido em uma base em curso. Ao mapear seus possíveis vieses, pontos ce- gos e crenças condicionadas, assim como a manifestação deles nos relacionamentos, o líder coach ativamente cria mecanismos e estratégias para limitar seu efeito negativo e, consecutivamente, maximizar seu efeito positivo em seus relacionamentos de coa- ching. Uma vez que o PAG está estabelecido, o lí- der coach começa a desenvolver uma ca- pacidade mais profunda para observar as intenções dos colaboradores e dos clientes. Esse processo de “ouvir com um terceiro ouvido” permite que o líder estabeleça uma imagem mais completa dos compromissos e objetivos essenciais dos colaboradores e dos clientes (KEMP, 2009). Em suma, o líder coach é capaz de compar- tilhar através de ações como observar, ouvir e responder aos colaboradores e clientes, Unidade 7 • A relação das características inerentes aos perfis de liderança no desenvolvimento do coaching (NORO; STÜKER; OLIVEIRA, 2016) 153/222 minimizando suas influências subjetivas relacionadas às suas experiências de vida, valores pessoais, opiniões e julgamentos e, portanto, desenvolver uma maior profundi- dade de compreensão. Quando o líder e os liderados compartilham progressivamente esse espaço reflexivo, as oportunidades para uma partilha mais pro- funda são geradas e, consequentemente, há uma ampliação de significado propor- cional aos aumentos de confiança, respeito e empatia na aliança entre a liderança e o coaching. Por conseguinte, à medida que a aliança se aprofunda, o líder coach é capaz de contri- buir progressivamente com perguntas mais aprofundadas e refinadas, isto é, o ques- tionamento para o insight. Assim, as ques- tões de insight são aquelas que estimulam um efeito cumulativo e gerador e uma mo- tivação sobre a consciência dos envolvidos (KEMP, 2009). O impacto cumulativo do engajamento nessas fases progressivas corresponde ao estabelecimento de uma relação entre o lí- der coach e os colaboradores, que têm em sua fundação um sentido profundo de sig- nificado compartilhado e clareza contextu- al. Uma vez estabelecido, isso se torna o ca- talisador para alcançar resultados transfor- macionais significativos através da aliança (KEMP, 2009). Unidade 7 • A relação das características inerentes aos perfis de liderança no desenvolvimento do coaching (NORO; STÜKER; OLIVEIRA, 2016) 154/222 Para saber mais Ao abordar e demonstrar os três “pilares” da “abordagem centrada na pessoa”, de Carl Rogers, empa- tia, congruência e consideração positiva incondicional, a aliança entre a liderança e o coaching apre- senta um profundo senso de significado compartilhado, propósito e compromisso. Link “Revisitando as fases da abordagem centrada na pessoa”. Disponível em: <http://www.scielo. br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-166X2010000400011>. Acesso em 22 de out. 2016. Como resultado do engajamento total, consistente e persistente nas cinco fases principais do processo de construção da aliança entre a liderança e o coaching, líder coach pode, então, con- duzir livremente as conversas e estabelecer metas aos colaboradores e aos clientes em prazos mais acelerados. Unidade 7 • A relação das características inerentes aos perfis de liderança no desenvolvimento do coaching (NORO; STÜKER; OLIVEIRA, 2016) 155/222 À medida que a confiança, o respeito e a empatia crescem e o significado comparti- lhado emerge, o objetivo e o compromisso compartilhados insurgem posteriormen- te, permitindo altos níveis de engajamento mútuo para desenvolver novas oportuni- dades e criativas maneiras de realizar essas oportunidades criadas (HOUSE, 1971). Conjuntamente com a confiança e o res- peito, surgem o apoio para o esforço e uma dissipação progressiva do medo, da resis- tência e da ambiguidade. Esse movimento de ampliação, a partir de ações apoiadas pelo gestor, em direção ao cliente e ao cres- cimento da organização, permite uma rápi- da expansão das possibilidades e oportuni- dades (HOUSE, 1977). Unidade 7 • A relação das características inerentes aos perfis de liderança no desenvolvimento do coaching (NORO;STÜKER; OLIVEIRA, 2016) 156/222 Glossário Alegação: citação de fatos, argumentos em apoio de alguma declaração. Significado de alega- ção. Disponível em: <https://www.significados.com.br/alegaçao>. Acesso em: 22 out. 2016. Interpessoal: refere-se ao relacionamento entre pessoas. Significado de interpessoal. Disponí- vel em: <https://www.significados.com.br/interpessoal>. Acesso em: 22 out. 2016. Psicoterapia: tratamento dos problemas psíquicos do indivíduo. Significado de psicoterapia. Disponível em: <https://www.dicio.com.br/psicoterapia>. Acesso em: 22 out. 2016. Crucial: fundamental. Significado de crucial. Disponível em: <https://www.significados.com.br/ crucial>. Acesso em: 23 out. 2016. Ressaltante: que é capaz de ressaltar; ressaído ou ressaliente. Significado de ressaltante. Dispo- nível em: <https://www.dicio.com.br/ressaltante>. Acesso em: 23 out. 2016. Questão reflexão ? para 157/222 Como você estudou, o processo de coaching pode ser aplicado nas organizações com o objetivo principal de obter resultados mais sa- tisfatórios. Dessa maneira, baseando-se no estudo realizado por Noro, Stüker e Oliveira (2015), reflita sobre os conceitos que acaba de aprender sobre a relação das características inerentes aos perfis de liderança no desenvolvimento do processo de coaching e, como um líder coach, descreva como o processo estudado é aplicado na organização em que você está inserido ou, então, estabeleça, atra- vés de um plano de ação, todos os passos necessários para a sua implantação. 158/222 Considerações Finais • O estilo de liderança transformacional corresponde às atitudes e às condu- tas gerenciais que podem transformar diretamente os liderados e os inspi- rar; • o estilo de liderança transacional determina o colaborador como um ser passivo, estabelecendo com ele um relacionamento de simples troca, o que gera um vínculo mais fraco e passageiro; • o estilo de liderança laissez-faire descreve líderes passivos que são relutan- tes em influenciar subordinados; • líderes eficazes estabelecem relacionamentos baseados na reciprocidade com seus colaboradores, como o coaching. Unidade 4 • Controle gerencial e sua relação com a Inovação: papel das alavancas de controle (CRUZ; FREZATTI; BIDO, 2007) 159/222 Referências AVOLIO, B.J.; WALUMBWA, F.O.; WEBER, T.J. Leadership: current theories, research, and future directions. Annual Review of Psychology, Palo Alto, v. 60, p. 421-449, jan. 2009. BALCEIRO, R.B.; ÁVILA, G.M. A Gestão de pessoas para o profissional do Conhecimento. In: Anais do KMBRASIL. São Paulo: KMBRASIL, 2003. BASS, B.M. Two decades of research and development in transformational leadership. European Journal of Work and Organizational Psychology, Boca Raton, v. 8, n. 1, p. 9-32, jan.1999. BERGAMINI, C.W. Liderança: administração do sentido. 2. ed. São Paulo: Altas, 2009. CHIAVENATO, I. Gestão de Pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. Rio de Janeiro: Campus Elsevier, 1999. CHIAVENATO, I. Administração geral e pública. 6. ed. Rio de Janeiro: Campus Elsevier, 2006. DELUGA, R. J. 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As relações de coaching compartilham muitas das características estrutu- rais e interpessoais comuns a algumas profissões. São elas: Questão 1 a) Aconselhamento, gestão de pessoas e terapia comportamental. b) Aconselhamento, terapia cognitiva e psicoterapia. c) Liderança transacional, liderança transformacional e liderança laissez-faire. d) Liderança transacional, liderança transformacional e gestão de pessoas. e) Aconselhamento, gestão de pessoas e psicoterapia. 164/222 2. Assinale a alternativa que corresponde ao modelo (teoria) que descreve as funções estratégicas do líder como aprimoramento dos estados psico- lógicos dos subordinados: Questão 2 a) Modelo de Bass. b) Aconselhamento. c) Teoria caminho-meta. d) Psicoterapia. e) Liderança transformacional. 165/222 3. Assinale a alternativa que apresenta ordenadamente as fases do proces- so de construção da aliança entre a liderança e o coaching: Questão 3 a) Insight; compartilhamento; autogerenciamento; reflexão; introspecção. b) Insight; reflexão; autogerenciamento; compartilhamento; introspecção. c) Compartilhamento; reflexão; autogerenciamento; introspecção; insight. d) Reflexão; introspecção; autogerenciamento; compartilhamento; insight. e) Introspecção; reflexão; autogerenciamento; compartilhamento; insight. 166/222 4. Assinale a alternativa que corresponde ao estilo de liderança, cujos líderes são essencialmente colaborativos e participativos: Questão 4 a) Liderança transformacional. b) Liderança transacional. c) Liderança laissez-faire. d) Liderança bidimensional. e) Liderança liberal. 167/222 5. Assinale a alternativa que corresponde aos três “pilares” da “abordagem centrada na pessoa”, de Carl Rogers: Questão 5 a) Liderançatransformacional, liderança transacional e liderança laissez-faire. b) Empatia, congruência e consideração positiva. c) Autogerenciamento, compartilhamento e insight. d) Teoria caminho-meta, empatia e liderança transformacional. e) Introspecção, reflexão e autogerenciamento. 168/222 Gabarito 1. Resposta: E. As relações de coaching compartilham muitas das características relacionadas ao aconselhamento, à gestão de pessoas e à psicoterapia. 2. Resposta:C. A teoria da meta e do caminho, também conhecida como “teoria caminho-meta”, sustenta que uma das funções estratégicas do líder é aprimorar os estados psicológicos dos subordinados, os quais resultam em motivação para realizar as tarefas previamente designadas. 3. Resposta: E. Ordenadamente, as fases são: introspecção; reflexão; autogerenciamento; compartilhamento; insight (Figura 1). 4. Resposta: A. Os líderes transformacionais são essencialmente colaborativos e participativos e, consequentemente, fundamentais para o sucesso das organizações, a partir do desenvolvimento de uma relação significativamente positiva entre este estilo de liderança e a melhora do desempenho organizacional. 169/222 Gabarito 5. Resposta: B. Os três “pilares” da “abordagem centrada na pessoa”, de Carl Rogers, são: empatia, congruência e consideração positiva. 170/222 Unidade 8 Coaching e Mentoring: Lapidando Diamantes Brutos (HOFFMAN; SILVA; SANTANA, 2012) Objetivos Os objetivos deste tema consistem na imer- são do aluno no contexto do coaching e do mentoring na prática, observando: 1. Compreender as características do coaching e do mentoring. 2. Entender os fundamentos e princípios do coaching. 3. Entender os fundamentos e princípios do mentoring. Unidade 8 • Coaching e Mentoring: Lapidando Diamantes Brutos (HOFFMAN; SILVA; SANTANA, 2012)171/222 Introdução Na área de pesquisa acadêmica e organiza- cional, o coaching, tanto de desenvolvimen- to como o executivo, finalmente têm esta- belecido um corpo de evidência empírica a partir da realização de estudos científicos com o objetivo principal de explorar e inves- tigar a forma pela qual essa ferramenta in- fluencia os processos organizacionais, tor- nando-os essencialmente mais eficientes. A partir de uma análise crítica da bibliogra- fia disponível sobre os fundamentos e prin- cípios do processo de coaching, é possível observar que as bases de evidência provêm da multidisciplinaridade com outras es- feras do conhecimento técnico-científico, principalmente: o counseling, a terapia cog- nitiva e a terapia Gestalt (VIOLA, 2012). Para saber mais Segundo Silva (2010), existe uma notável singu- laridade na ferramenta de counseling em relação ao mentoring e ao coaching. O termo counseling é mais comumente utilizado na área clínica, no sen- tido de aconselhamento médico ou psicológico, embora, atualmente, o termo “aconselhamento” seja utilizado pelos profissionais de orientação educacional, organizacional e vocacional (PIN- CHOT; PINCHOT, 2003 apud SILVA, 2010). Link “Fundamentos, modelos conceituais, aplica- ções e pesquisa da terapia cognitiva”. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbp/v30s2/ a02v30s2.pdf>. Acesso em: 17 out. 2016. Unidade 8 • Coaching e Mentoring: Lapidando Diamantes Brutos (HOFFMAN; SILVA; SANTANA, 2012)172/222 Para saber mais De acordo com Viola (2012), a terapia Gestalt aporta ao coaching e ao mentoring uma dimen- são holística e integradora do ser humano. Ob- jetivamente, tal terapia aborda a integralidade, algo vital para essas ferramentas de desenvolvi- mento profissional. A perspectiva da percepção, descrita tanto no coaching quanto no mentoring, juntamente com experiências anteriormente vi- venciadas, permite ao gestor perceber e entender a realidade da organização. Apesar de apresentar-se como uma ferra- menta extremamente eficiente, as evidên- cias para a eficácia da ferramenta coaching tendem a ser anedóticas e, dessa maneira, ainda distantes da rigorosidade catedrá- tica. Entretanto, o coaching, assim como o mentoring, apresentou progressos científi- cos significativos na última década (VIOLA, 2012). Atualmente, existe um crescente interesse de ambos os acadêmicos e profissionais no desenvolvimento e, consequentemente, no estabelecimento de novas bases de dados técnico-científicos nacionais e internacio- nais focados verdadeiramente nos proces- sos de coaching e mentoring, envolvendo tanto estudos qualitativos como quantita- tivos. No processo de mentoring, a partir da influ- ência e do poder do mentor, características que constituem tipicamente a força motriz da relação com os seus aprendizes, a mu- tualidade do auxílio e da aprendizagem é Unidade 8 • Coaching e Mentoring: Lapidando Diamantes Brutos (HOFFMAN; SILVA; SANTANA, 2012)173/222 proporcionada aos colaboradores das orga- nizações, possibilitando a eles que desem- penhem seus respectivos afazeres por si mesmos, alcançando resultados significati- vamente efetivos (CLUTTERBUCK, 2008). O aumento notório do diálogo entre as or- ganizações representativas dos processos de coaching e mentoring, estimulado na Europa pelo “European Mentoring and Coa- ching Council” (EMCC), têm proporcionado a transposição de algumas barreiras artifi- ciais para o dese Link “European Mentoring and Coaching Council”. Dis- ponível em: <http://www.emccouncil.org/>. Acesso em: 17 out. 2016. Há, obviamente, ainda muitas afirmações dogmáticas sobre as distinções entre co- aching e mentoring, as quais serão abor- dadas posteriormente. Todavia, é cada vez mais considerada a necessidade de definir as similaridades que esses processos apre- sentam em comum, independentemente da possível inserção dos mesmos em seus con- textos múltiplos. Assim, foi estabelecido que tanto o coaching como o mentoring podem ser caracterizados como processos que, de acordo com o con- texto específico que se encontram, possam ser relativamente diretivos ou não diretivos; exigir experiência do colaborador; ser de curta ou de longa duração; envolver o cou- nseling; trabalhar com metas previamente estabelecidas pelo colaborador ou para o Unidade 8 • Coaching e Mentoring: Lapidando Diamantes Brutos (HOFFMAN; SILVA; SANTANA, 2012)174/222 colaborador; lidar com transições significa- tivas que o colaborador pretenda realizar; abordar ambições expressivas de cresci- mento pessoal e profissional (SILVA, 2010). Outros sinais encorajadores de maturação do coaching e do mentoring são a expansão da supervisão e o aumento das expectati- vas de competência do coach e do mentor por clientes organizacionais. A supervisão é exigida de todos os membros ativos do EMCC, assim como a maioria das outras as- sociações profissionais de coaching e men- toring (CLUTTERBUCK, 2008). Há, inclusive, um número crescente de cur- sos academicamente credenciados para desenvolver supervisores especificamente para o coaching e o mentoring. À medida que mais treinadores e mentores, ambos gesto- res profissionais e de linha, capazes de usar essas abordagens em seus relacionamentos dentro das organizações, exponham seus aprendizes a uma supervisão eficaz, propor- cionando um efeito positivo e substancial sobre a qualidade dos treinamentos desti- nados aos colaboradores das organizações (SILVA, 2010). Fundamentos e princípios do coaching O processo de coaching pode ser simplifi- cado em um modelo que envolve quatro etapas, além de um estágio de preparação. Quando treinadores iniciam um relaciona- mento de coaching, com os colaboradores, a partir de uma observação minuciosa do ambiente organizacional, estes devem re- Unidade 8 • Coaching e Mentoring: Lapidando Diamantes Brutos (HOFFMAN; SILVA; SANTANA,2012)175/222 latar aos aprendizes o que está errado. Link “Um estudo sobre a prática do coaching no am- biente organizacional e a possibilidade de sua aplicação como prática de gestão do conhecimen- to”. Disponível em: <https://bdtd.ucb.br:8443/ jspui/handle/123456789/1495>. Acesso em: 17 out. 2016. A resposta dos colaboradores a serem trei- nados pode ser positiva, ou seja, aceitar e ajustar, ou negativa, isto é, argumentar e negar. Dessa maneira, o estágio de prepa- ração do processo de coaching deve mini- mizar a chance de respostas negativas dos funcionários, facilitando a implementação bem-sucedida das etapas consecutivas. Conforme relatado anteriormente, além do estágio de preparação, o processo de coa- ching compreende quatro etapas: esclare- cimento das necessidades; definição dos objetivos; concepção de um plano de ações; verificação das atividades. O esclarecimento das necessidades consis- te em uma explicação realizada pelos trei- nadores com o intuito de demonstrar aos colaboradores a importância de estabelecer um relacionamento eficaz a partir do coa- ching. As razões podem incluir documentos ou provas do desempenho de cada colabo- rador. É importante ressaltar que, sem acor- do ou disposição do indivíduo a ser treinado, o processo de coaching pode ser ineficaz. Unidade 8 • Coaching e Mentoring: Lapidando Diamantes Brutos (HOFFMAN; SILVA; SANTANA, 2012)176/222 A definição dos objetivos pelos treinadores e pelos aprendizes encoraja resultados con- cretos. O conceito SMART pode ser aplicado nessa etapa. O objetivo deve ser específico o suficiente para que os alunos o compre- endam e estejam aptos a melhorar suas ações particulares. Metas mensuráveis são preferidas, se possível. A partir de um exem- plo genérico, um dos objetivos a ser defini- do poderia ser o aumento da satisfação dos clientes minimamente em 70%, o que ca- racteriza especificamente uma meta men- surável (CLUTTERBUCK, 2008). Para saber mais Segundo Clutterbuck (2008), os treinamentos aplicados nos processos de coaching e mentoring enfatizam a importância de estabelecer objetivos claros, conforme o conceito SMART, ou seja, es- pecíficos, mensuráveis, alcançáveis, relevantes e temporais. O relacionamento com o aprendiz é extre- mamente importante para atingir mudan- ças reais. Com o objetivo de superar a re- sistência à mudança, os treinadores, mui- tas vezes, podem necessitar de mais tempo para ouvir os colaboradores e convencê-los sobre a possível efetividade futura a partir da concretização dos objetivos definidos, os quais devem ser realistas e calendarizados. Unidade 8 • Coaching e Mentoring: Lapidando Diamantes Brutos (HOFFMAN; SILVA; SANTANA, 2012)177/222 A definição de objetivos irrealistas pode desmotivar os colaboradores da organiza- ção, assim como objetivos que não tenham um limite de tempo podem ser desconsi- derados. Logo, complementando o exem- plo anterior, um dos objetivos a ser definido durante o estabelecimento do processo de coaching poderia corresponder ao aumen- to da satisfação dos clientes em 70% a ser atingido no período três meses (CLUTTER- BUCK, 2008). Por conseguinte, a concepção de um plano de ações é fundamental para treinamentos, principalmente treinamentos abrangentes. O plano de ação a ser desenvolvido para o coaching deve essencialmente incluir os objetivos definidos e os resultados a serem alcançados, as ações a serem tomadas, as habilidades a serem aperfeiçoadas, os ní- veis de competência a serem medidos e um cronograma estabelecido com reuniões de acompanhamento. A verificação das atividades consiste pri- mordialmente em avaliações. Atividades, competências e resultados da aprendiza- gem devem ser avaliados comparativamen- te ao plano de ação mutuamente acordado entre o gestor e os colaboradores. Para que a avaliação seja eficaz, as atividades devem ser demonstradas preferencialmente no lo- cal de trabalho. Os gestores podem observar as atividades dos aprendizes e/ou solicitar o feedback de outros, como colegas e clientes. Por fim, os gestores devem prover feedback aos cola- boradores e permitir que eles avaliam a si Unidade 8 • Coaching e Mentoring: Lapidando Diamantes Brutos (HOFFMAN; SILVA; SANTANA, 2012)178/222 mesmos. Consequentemente, nessa etapa do processo de coaching, mais conhecimen- to deve ser fornecido aos colaboradores a partir da autoavaliação, resultante do fee- dback provido (CLUTTERBUCK, 2008). Fundamentos e princípios do mentoring Assim como o coaching, o processo de men- toring corresponde a uma ferramenta de desenvolvimento profissional poderosa, utilizada para aprimorar o desempenho dos colaboradores a partir de uma orientação baseada na valorização das competências específicas, que podem ser explicitadas através de um modelo que abrange cinco etapas: avaliação das necessidades; defini- ção das metas e esclarecimento das expec- tativas; concepção de um relacionamento; busca de oportunidades para manutenção de contato; desenvolvimento de uma rede de relacionamentos, também denominada network (MURREL, 2007). Assim como na abordagem do coaching, inicialmente, o treinador deve avaliar o es- tado atual de suas relações, as quais estão associadas ao processo de mentoring. Quais os tipos de relacionamentos que o apren- diz mantém e como essas relações podem ser comparadas em termos dos diferentes tipos de funções a serem desempenhadas são observações a serem realizadas pelo co- aching (SILVA, 2010). Antes de começar a trabalhar no desenvol- vimento de novos relacionamentos, um in- Unidade 8 • Coaching e Mentoring: Lapidando Diamantes Brutos (HOFFMAN; SILVA; SANTANA, 2012)179/222 ventário dos relacionamentos atuais deve ser providenciado. As funções de orientação específicas que essas relações fornecem, assim como as funções ausentes, devem ser identificadas. Esse passo também pode ser considerado uma análise de precedentes, essencial para direcionar os esforços futu- ros e para fornecer informações diretoras (MURREL, 2007). Posteriormente à conclusão do inventário, é preciso identificar algumas metas em ter- mos do que deve ser realizado. Assim como no coaching, o conceito SMART pode ser aplicado nessa etapa. Isso significa visua- lizar o panorama geral e esclarecer as ex- pectativas futuras, considerando o que está faltando e como essas lacunas devem ser preenchidas. Para isso, é necessário pen- sar nas pessoas que conheceu ou trabalhou e memorizar suas funções e os respectivos departamentos. Relacionamentos dentro e fora da sua organização devem ser conside- rados. Metas que são específicas e realistas devem ser definidas a fim de manter o con- trole das ações. Depois de ter definidos os objetivos e esclarecidas as expectativas, o processo de cultivar relacionamentos deve ser iniciado. Assim como no coaching, a aplicação do mentoring é baseada na reci- procidade. Para isso, atividades e interesses comuns entre o mentor e o aprendiz devem ser identificadas, sendo indispensável com- preender as necessidades do colaborador. Esse é o passo mais importante para esta- belecer o contato inicial e formar uma rela- ção eficaz (CLUTTERBUCK, 2008). Unidade 8 • Coaching e Mentoring: Lapidando Diamantes Brutos (HOFFMAN; SILVA; SANTANA, 2012)180/222 O mentoring consiste em um relacionamen- to mútuo, o que significa que o aprendiz deve procurar ativamente oportunidades de interagir e se envolver com o seu men- tor e vice-versa. Uma ligação deve ser cons- truída ao longo do tempo. Isso pode ser um desafio para as pessoas mais introvertidas, todavia é importante que ressaltar que o objetivo do mentoring, sobretudo, é a quali- dade do relacionamento, não a quantidade de relacionamentos (HOFFMAN, 2012).A partir do estabelecimento de uma rela- ção eficaz, é importante não se concentrar em apenas uma conexão com, por exem- plo, uma pessoa poderosa da alta direção. O ponto fundamental dessa etapa corres- ponde ao fato de que o colaborador neces- sita de diferentes tipos de relações, a fim de fornecer os melhores recursos para o seu desenvolvimento de carreira. Não só preci- sa de relações entre as várias funções, mas também dentro e fora da organização; com as pessoas em sua mesma profissão e em outras, considerando as relações entre as fronteiras da diversidade, incluindo classe social e idade. Construir uma rede diversi- ficada de relacionamentos é indispensável para obter o máximo de proveito do mento- ring (HOFFMAN, 2012). Unidade 8 • Coaching e Mentoring: Lapidando Diamantes Brutos (HOFFMAN; SILVA; SANTANA, 2012)181/222 Glossário Empírico: que se apoia em experiências vividas. Significado de empírico. Disponível em: <https:// www.significados.com.br/empirico>. Acesso em: 18 out. 2016. Multidisciplinaridade: característica ou estado que diz respeito ou abarca diversas disciplinas relacionadas. Significado de multidisciplinaridade. Disponível em: <https://www.significados. com.br/multidisciplinaridade>. Acesso em: 18 out. 2016. Anedótico: evidência informal na forma de anedota, isto é, conto ou episódio. Significado de anedótica. Disponível em: <https://www.dicio.com.br/anedotico/>. Acesso em: 18 out. 2016. Catedrático: que conhece a fundo determinado assunto. Significado de catedrática. Disponível em: <https://www.significados.com.br/catedratico>. Acesso em: 18 out. 2016. Mutualidade: particularidade, característica ou qualidade do que é mútuo; em que há recipro- cidade ou troca. Significado de mutualidade. Disponível em: <https://www.significados.com.br/ mutualidade>. Acesso em: 18 out. 2016. Questão reflexão ? para 182/222 Como você estudou, os processos do coaching e do men- toring podem ser aplicados dentro dos mais variados ti- pos de organizações com o objetivo principal de alcançar resultados mais eficientes. Dessa maneira, reflita sobre os conceitos que acaba de aprender e descreva como os processos estudados poderiam ser aplicados na orga- nização em que você está inserido, considerando todos os passos necessários para a implantação de ambos os processos. 183/222 Considerações Finais • O coaching e o mentoring podem ser definidos como duas ferramentas de desenvolvimento profissional modernas e poderosas; • o coaching é um processo que pode ser simplificado em um modelo que en- volve quatro etapas; • o mentoring é uma ferramenta que pode ser explicada através de um mode- lo que abrange cinco etapas. Unidade 8 • Coaching e Mentoring: Lapidando Diamantes Brutos (HOFFMAN; SILVA; SANTANA, 2012)184/222 Referências BLANCO, V.B. Um estudo sobre a prática de coaching no ambiente organizacional e a possi- bilidade de sua aplicação como prática de gestão do conhecimento. 2006. 218 f. Dissertação (Mestrado em Informática) – Universidade Católica de Brasília, Brasília, 2006. CHAMPATHES, M.R. Coaching for performance improvement: the “coach” model. Development and Learning in Organizations, Somerville, v. 20, n. 02, p. 17-18, fev. 2006. CLUTTERBUCK, D. What’s happening in coaching and mentoring? And what’s the difference be- tween them? Development and Learning in Organizations, Somerville, v. 22, n. 04, p. 8-10, abr. 2008. HOFFMAN, C.A.; SILVA, L.F.; SANTANA, H.D. Coaching e mentoring: lapidando diamantes brutos. Revista de Ciências Gerenciais, Londrina, v. 16, n. 23, p. 27-37, nov. 2012. KNAP, P.; BECK, A.T. Fundamentos, modelos conceituais, aplicações e pesquisa da terapia cogni- tiva. Revista Brasileira de Psiquiatria, São Paulo, v. 30, n. 2, p. 554-564, out. 2008. MURREL, A.J. Five key steps for effective mentoring relationships. Kaitz Quarterly, Washington, v. 1, n. 1, jan. 2007. Unidade 8 • Coaching e Mentoring: Lapidando Diamantes Brutos (HOFFMAN; SILVA; SANTANA, 2012)185/222 SILVA, C.R.E. Orientação profissional, mentoring, coaching e counseling: algumas singularidades e similaridades em práticas. Revista Brasileira de Orientação Profissional, São Paulo, v. 11, n. 2, p. 299-309, dez. 2010. VIOLA, X.C. Gestalt-coach. Madri: Associacion Española de Terapia Gestalt, 2012. Referências 186/222 Assista a suas aulas Aula 8 - Tema: Coaching e mentoring: Lapidando diamantes brutos - Bloco I Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ 93c16be35381effbdb420ac9b17678d7>. Aula 8 - Tema: Coaching e mentoring: Lapidando diamantes brutos - Bloco II Disponível em: <http://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f- 1d/3e013d984391e9d1ed6e80ebf22b9418>. 187/222 1. As bases de evidência do coaching e do mentoring provêm da multidis- ciplinaridade com outras esferas do conhecimento técnico-científico. São elas: a) Counseling, terapia cognitiva, liderança transformacional. b) Terapia comportamental, counseling, liderança transformacional. c) Liderança transacional, liderança transformacional e liderança laissez-faire. d) Counseling, terapia cognitiva e terapia Gestalt. e) Liderança transformacional, counseling, terapia comportamental. Questão 1 188/222 2. Ainda com relação às bases de evidência do coaching e do mentoring, assinale a alternativa que corresponde ao conceito que aporta uma dimen- são holística e integradora a essas ferramentas de desenvolvimento profis- sional: Questão 2 a) Counseling. b) Terapia comportamental. c) Terapia Gestalt. d) Terapia cognitiva. e) Liderança transformacional. 189/222 3. Assinale a alternativa que apresenta ordenadamente as etapas do coa- ching: Questão 3 a) Esclarecimento das necessidades; concepção de um plano de ações; definição dos objetivos; verificação das atividades. b) Definição dos objetivos; esclarecimento das necessidades; concepção de um plano de ações; verificação das atividades. c) Esclarecimento das necessidades; verificação das atividades; concepção de um plano de ações; definição dos objetivos. d) Verificação das atividades; definição dos objetivos; concepção de um plano de ações; esclarecimento das necessidades. e) Esclarecimento das necessidades; definição dos objetivos; concepção de um plano de ações; verificação das atividades. 190/222 4. Assinale a alternativa que apresenta ordenadamente as etapas do men- toring: Questão 4 a) Definição das metas; avaliação das necessidades; concepção do relacionamento; manuten- ção do contato; desenvolvimento de uma network. b) Avaliação das necessidades; definição das metas; concepção do relacionamento; manuten- ção do contato; desenvolvimento de uma network. c) Avaliação das necessidades; concepção do relacionamento; definição das metas; manuten- ção do contato; desenvolvimento de uma network. d) Concepção do relacionamento; avaliação das necessidades; definição das metas; manuten- ção do contato; desenvolvimento de uma network. e) Avaliação das necessidades; desenvolvimento de uma network; definição das metas; con- cepção do relacionamento; manutenção do contato. 191/222 5. O conceito SMART pode ser aplicado tanto no coaching como no men- toring. Assinale a alternativa que corresponde à etapa em que ele é apli- cável: Questão 5 a) Definição dos objetivos (metas). b) Avaliação das necessidades. c) Concepção de um plano de ações. d) Verificação das atividades. e) Desenvolvimento de uma rede de relacionamentos. 192/222 Gabarito 1. Resposta: D. As principais esferas do conhecimento das quais o coaching e o mentoring resultam são: counseling, terapia cognitiva e terapia Ges- talt. 2. Resposta: C.A terapia Gestalt propicia uma dimensão holística e integradora a essas ferramentas. 3. Resposta: E. Ordenadamente, as etapas são: esclareci- mento das necessidades; definição dos ob- jetivos; concepção de um plano de ações; verificação das atividades. A área desconhecida inclui todas as coisas das quais a pessoa não tem consciência e os outros também não. 4. Resposta: B. Ordenadamente, as etapas são: avaliação das necessidades; definição das metas; con- cepção do relacionamento; manutenção do contato; desenvolvimento de uma network. 5. Resposta: A. O conceito SMART é aplicável na etapa de definição dos objetivos (metas).