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O Edípo
Ítallo Wigand Auatt
italloauatt@gmail.com
Constituição do Sujeito
 Denominamos função materna a função de acolher e interpretar o bebê, a criança, o paciente, ela é exercida geralmente pela mãe no início da vida do bebê, mas é independe de sexo da pessoa que cuida e é uma função ligado ao cuidado-acolhedor.
Denominamos de função paterna a função da LEI, do NÃO, não se pode ser tudo, ter tudo. Esta função assim como a função materna dão contornos a nossa experiência psíquica. 
Édipo: o complexo do qual nenhuma criança escapa
O Édipo foi descoberto por Freud a partir do relato de cenas de sedução que seus pacientes adultos acreditavam ter vivido na infância
Teoria da sedução → Lembranças de abusos sexuais (experiencias sexuais causavam a neurose)
Fantasia → as lembranças eram falsas (as lembranças eram desejos sexuais infantis recalcados que retornam a consciência)
O Édipo no menino e na menina
O menino desiste da mãe porque tem medo de ser punido em sua carne, ao passo que a menina – como veremos – abandona a mãe que a decepciona e volta-se para o pai.
Enquanto o menino vivia a angústia de ter a perder, a menina vive a dor de ter perdido; enquanto o menino teme uma castração, a menina se ressente de uma privação.
Os três tempos da crise edipiana
do menino
amor pelo pênis → angústia de perdê-lo → renúncia à mãe. 
Graças à angústia, o narcisismo do menino, isto é, o amor pelo próprio corpo, o amor por seu pênis-Falo, prevaleceu sobre o desejo pelos pais.
O caso do menino edipiano
“Tenho quatro anos. Sinto excitações penianas → Tenho o Falo e julgo-me onipotente → Desejo ao mesmo tempo possuir sexualmente meus pais, ser possuído por eles e eliminar meu pai → Sinto prazer em fantasiar meus desejos incestuosos → Meu pai ameaça me punir me castrando → Vejo o corpo nu de uma menina ou o de minha mãe e constato a ausência de pênis → Sinto mais medo ainda de ser punido → Angustiado, prefiro renunciar a desejar meus pais e salvar meu pênis → Esqueço tudo: desejos, fantasias e angústia → Separo-me sexualmente de meus pais e adoto a moral deles → Começo a compreender que meu pai é um homem e minha mãe uma mulher e a saber pouco a pouco que pertenço à linha dos machos → Mais tarde, na adolescência, minhas fantasias edipianas ressurgirão, mas meu supereu, muito severo nessa idade, vai se opor ferozmente a isso. Essa luta entre fantasias e supereu irá se manifestar por atitudes exageradas e conflituosas próprias da adolescência: pudor exacerbado, inibições, medo da mulher e desprezo por ela, bem como negação dos valores estabelecidos.”
Quanto mais o menino for amado pela mãe, mais se tornará um homem viril. E quanto mais orgulhoso for de sua potência, mais se preocupará em defendê-la, suscetível quanto à sua virilidade e ridiculamente sensível ao menor “dodói”. Comparado à mulher, o homem é visceralmente um covarde. (NASIO, p.37)
O menino dessexualiza simultaneamente seus dois genitores de maneira rápida e brutal, ao passo que a menina dessexualiza primeiro a mãe e só depois, mais tarde, muito lentamente, separa-se sexualmente do pai. O menino sai do Édipo em um dia, a menina precisa de muitos anos. Assim, poderíamos dizer que o menino torna-se homem de uma tacada só, ao passo que a menina torna-se mulher progressivamente.
O pênis não a interessa, e, às vezes, inclusive a repugna; o que a interessa e apaixona é o poder que ela lhe atribui e que a deixa com inveja. Mas atenção! Inveja não é sinônimo de desejo. A inveja não é o desejo. Uma coisa é invejar o Falo, outra é desejar o pênis de um homem. Vejam, a menininha tem inveja do Falo, mas a mulher deseja o pênis; a inveja é um sentimento pueril, ao passo que o desejo de pênis é um impulso próprio da maturidade (NASIO, 
O caso da menina edipiana
A menininha edipiana faz a boneca desempenhar dois papéis distintos. No Tempo pré-edipiano, ela repete com a boneca a relação com a mãe: identifica-se com a boneca e, simultaneamente, identifica-se com a mãe, acariciando-a. Uma vez no Édipo propriamente dito, a menina muda de papel: agora ela é a mãe e sua boneca é o filho maravilhoso que o pai lhe deu.
A menina: Pai, dê-me sua força!
O pai: Não! Não farei nada disso. Não lhe darei minha força.
Dou-a à sua mãe.
A menina: Mas então eu queria ser sua força! Por favor, deixe-me ser sua musa, a fonte ardente de sua força. Pai, eu suplico! Olhe para mim! Sou seu objeto mais precioso. Possua-me!
O pai: Não! Está fora de questão! Você não é minha mulher. Já lhe recusei minha força, e aceito ainda menos que você seja a fonte dela.
A menina: Já que é assim, já que você me priva de sua força e não me deixa ser sua musa, então vou me apoderar de você e ser como você, o que me diz disso? Melhor que você! Sim, vou devorá-lo inteirinho e me parecer com você a ponto de andar como você, ter o nariz como o seu, a intensidade do seu olhar, o brilho da sua inteligência ou o ardor da sua ambição. Então serei tão forte quanto você, e, você verá, muito mais forte!
O Édipo é uma fantasia de sedução na base da identidade sexual de todo homem e toda mulher: uma fantasia de prazer e de angústia. Em geral, essa fantasia é metabolizada pela criança, mas pode ocorrer de o prazer, a angústia ou a dor serem traumáticas e dificilmente recalcáveis, isto é, de as emoções vividas pela criança edipiana na situação de sedução serem tão violentas que permaneçam ativas e fomentem uma neurose na idade adulta.
As posições masculina e feminina
Tropismo → Desenvolvimento numa direção dada.
Centrífugo → adjetivo Que tende a afastar-se do centro.
Centrípeto → adjetivo Que tende a aproximar-se do centro: 
CONCLUSÃO
Freud utiliza o mito do Édipo como um recurso ilustrativo, examinando a complexidade da trama que envolve a criança em sua dinâmica psíquica. Em resumo, diz respeito ao destino dado ao conflito entre o interesse narcísico do órgão genital (ocasionado pelo temor à castração) e as catexias parentais. O “eu da criança volta às costas ao complexo de Édipo” (FREUD,1924, p.221). Nos meninos, o complexo de Édipo é destruído pelo complexo de castração. Já no caso das meninas, acontece o oposto. É através do complexo de castração que se faz a entrada do complexo de Édipo (percebem o pênis, notam uma falta em si mesma e invejam o pênis). Percebemos aqui que a castração incide inibindo a masculinidade e incentivando a feminilidade.
O complexo não é simplesmente recalcado, é literalmente feito em pedaços pelo choque da castração ameaçada. Suas catexias libidinais são abandonadas, dessexualizadas, e, em parte, sublimadas, seus objetos são incorporados ao eu, que formam o núcleo no supereu e fornecem a essa nova estrutura suas qualidades características. Em casos normais, ou melhor, em casos ideais, o complexo de Édipo não existe mais, nem mesmo no inconsciente; o supereu se tornou seu herdeiro (FREUD,1925 p.319).
CONCLUSAO
Todas os seres possuem o penis (falo); constata-se que a diferença sexual produz efeitos (castração simbólica),
A castração→ a falta de alguma coisa. A perda responsavel em causar uma angústia que levaria o édipo à uma resolução.
Bibliografia
NASIO, J.-D., Édipo: o complexo do qual nenhuma criança escapa /; tradução, André Telles. — Rio de Janeiro: Zahar, 2007.
ROUDINESCO, E. & PLON, M., Dicionário de psicanálise — Rio de Janeiro: Zahar, 1998.

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