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Andrologia geral e técnicas de colheita e análise de sêmen. Fisiologia do macho O eixo se inicia com o hipotálamo produzindo GnRH que age na hipófise, estimulando a produção das gonadotrofinas LH e FSH onde o FSH agirá nos testículos especificamente nas células de Sertoli e essas células são importantes para regular a secreção de testosterona. Essa regulação acontece por dois mecanismos, sendo a estimulação de maior produção pela proteína ABP (proteína ligadora de andrógenos) que ajuda no aumento da testosterona, ou quando se tem muita testosterona ela ajuda na produção da inibina para diminuir a produção. Além disso, as células de Sertoli fazem a barreira hematotesticular que tem a função de não deixar o sangue entrar em contato com os espermatozoides, podendo os matar. O LH vindo da hipófise agirá nas células de Leydig que tem por função a produção da testosterona. A testosterona estimula a espermatogênese que é a formação dos espermatozoides e também é o hormônio que caracteriza a libido dos machos. Esse processo acontece nos túbulos seminíferos no testículo que se ramificam ate os túbulos deferentes. Localizações dos testículos: Subinguinal que se localiza embaixo da região inguinal (comunica abdômen com bolsa escrotal), são identificados em ruminantes e equinos. Perineal que se localiza próximo ao períneo (ânus), são identificados em cães. Intra-abdominal que se localiza na cavidade abdominal, é identificado em aves, alguns répteis. Posição dos testículos: Vertical é sempre em relação ao epidídimo (epidídimo junto ao testículo, ruminantes). Horizontal também em relação ao epidídimo (epidídimo mais dorsal que o testículo, equinos). Obliqua é quando se tem inclinação (cães). Forma dos testículos: Ovoide Vias espermáticas Conduto que permite a excreção do sêmen pelo túbulo seminífero. Túbulo seminífero – tubo reto testis – cones eferentes – conduto epididimário – conduto deferente. Maturação acontece na cabeça e no corpo do epidídimo e o armazenamento na cauda do epidídimo. O epidídimo é cordão engrenhado que se destrinchado vira um grande cordão. É possível a coleta de espermatozoide a partir do destroncamento do epidídimo em animais que morreram ou animais que foram castrados naquele momento. Então se destrincha o epidídimo, lava e recolhe os espermatozoides armazenados na cauda dele. Glândulas anexas: Vesícula seminal: par, ausente em cães e gatos. Próstata: único órgão impar, grande no cão. Glândula bulbo uretral: par, cão não possui. Função: produção do liquido seminal que vai junto com os espermatozoides (sêmen = liquido seminal + espermatozoides) e limpeza da via espermática. Pênis: Gatos: possuem espiculas para estimular a ovulação nas fêmeas. Porco: pênis espiralado Bovino: S peniano Equino: na hora da ejaculação ou em momento de extrema excitação a glande infarto, aumentando de tamanho (cria um vácuo no fundo da vagina evitando refluxo do sêmen). Corpo: bainha fiblo eslastica, corpo cavernoso e corpo esponjoso (circunda a uretra extra pélvica), vasos e nervos. Raizes: 2, recobertas pelo musculo ísquio cavernoso, se insere nos lados da arcada isquiática. Bolsa escrotal: Pele ou escroto Pele, túnica de Dartos, túnica vaginal (lamina parietal mais externa e lamina visceral mais próxima da víscera). Musculo cremaster: musculo que atua na termorregulação, relaxando ou contraindo dependendo da temperatura. Cordão espermático ou plexo panpiniforme: Musculo cremaster Veias e artérias que circundam Vasos linfáticos e nervos Ducto deferente Em uma castração se faz incisão da pele, tunica de Dartos, túnica vaginal com as duas laminas, expõe o testículo, chega perto do cordão espermático emasculando (colabação das veias) para evitar hemorragia, cortar cordão espermático na porção mais ventral e o retira junto com o testículo. Exame andrológico. Exame realizado para avaliar as condições e potencialidades de um reprodutor, ou seja, avaliar se o animal tem um baixo, médio ou alto potencial reprodutivo. Realizado antes de estação de monta (antes de se tornar reprodutor) e antes de congelar sêmen, para compra e venda do animal, realizado para obter seguro do animal e identificar patologias. Esse exame é fundamental porque as vezes o animal não apresenta uma má condição em sua fisiologia reprodutiva, mas pode haver má condições físicas que levam ao animal a não conseguir fazer o ato de reproduzir. É composto por: Identificação do animal: nome, cor, sexo, raça, numero de registro. Identificação do proprietário: nome, endereço, telefone, email. Histórico e anamnese: manejo sanitário e profilático, histórico de doenças, manejo alimentar, local de nascimento do animal, condição de alojamento, manejo reprodutivo (histórico de monta ou problemas com progênie), problema em toda a propriedade, indicies zootécnicos. Exame físico: parâmetros vitais, palpação de linfonodos, exame do aparelho locomotor, exame bucal, aferir temperatura, avaliação de condições gerais do animal. Exame físico especifico: avaliação do epidídimo, avaliar simetria, posição e localização do testículo, consistência, sensibilidade dolorosa, temperatura, mensuração de circunferência escrotal, sinais de hematoma, feridas, cicatriz, qualquer tipo de problema, exposição do pênis para avaliação, palpação e exames complementares. Teste de ação: avaliar vontade de copular ou não, ver se o animal procura a fêmea e quanto tempo demora a ereção, se há monta e ejaculação, baixa libido poder hormonal ou comportamental. Espermograma: avaliação do sêmen após a coleta com teste de ação, avaliação de motilidade, vigor e concentração do sêmen. Exames complementares: ultrassom, sorológicos, PCR e microbiológicos em casos específicos. Por que realizar o exame andrológico? Avaliar fertilidade de um macho Diminuir perdas econômicas Aumentar produtividade Auxiliar o melhoramento genético Identificar afeções do aparelho reprodutor Impedir a transmissão de doenças Quando realizar o exame andrológico? Antes das estações de monta A cada 3 meses quando as estações de monta forem prolongadas (equinos somente quando há problemas) Periodicamente no caso de bovinos leiteiros e cães. Exame do sêmen: Macroscópico: cor, volume, odor (inodoro) Microscópio: motilidade, vigor e concentração. Colheita e analise de sêmen. Qual a funcionalidade da colheita de sêmen? Armazenamento Avaliação Evitar lesões na monta natural Evitar proliferação de DST Segurança Montas naturais podem ser realizadas desde que bem controladas e assistidas. O que é sêmen? É uma porção celular com uma porção fluida (plasma + espermatozoide). Devemos ter a formação dos espermatozoides corretamente e o funcionamento das glândulas anexas corretas, para que o espermatozoide seja produzido com eficiência. Métodos de colheita de sêmen: Vagina artificial para ruminantes, equinos, felinos domésticos. Métodos de eletro ejaculação para ruminantes e felinos (equinos são bastante sensíveis a esse método e por isso não é utilizado nos mesmos). Estação mecânica para suínos e cães (estimulo com auxilio com as mãos). Métodos químicos que não é muito eficaz e tem variável para cada animal (anestésicos podem causar ejaculação). Devemos primeiramente levar em consideração a boa qualidade da produção do sêmen e para isso se tem alguns fatores, como, bom score corporal com boa alimentação, boa sanidade, boa nutrição e etc. Sem isso não temos um sêmen de boa qualidade. Equinos: Alojamento próximo á égua evitando contato físico direto, mas próximo o suficiente para que ele seja estimulado pela presença e cheiro da égua, levando a produção de um sêmen de qualidade. Quando se tem vários garanhões no mesmo alojamento mesmo sem contato físico se cria uma liderança, o que pode ser prejudicial a alguns machos, então quanto mais éguas ao redor melhor é sua estimulação. Colheita feita em dias alternados, ou seja, colheita em um dia e outro descansa. Esse método é utilizado devido formação e produção deespermatozoides, então se colhem todos os dias não tem espaço de tempo suficiente para produção de novos o que pode levar a uma oligospermi ou azoospermia. Oligospermia é a baixa produção espermática. Azoospermia é a ausência de espermatozoide. Esse fator é importante porque se ocorre à necessidade de utilizar um garanhão desconhecido, você deve saber os dias de colheita para sincronizar as éguas com os dias que ele é coletado. Manequim ou égua, quando utilizadas? Manequim é utilizado quando se tem um condicionamento maior, pois o cavalo precisa aceitar esse método e nem todos aceitam. Então o animal deve ser condicionado (preparado) para a utilização. Esse método é o mais seguro, devido a não levar acidentes na hora da monta. Condicionamento do animal deve ser feito da seguinte forma: manequim deve se encontrar em um local com bastante espaço, o chão deve ser antiderrapante e a fêmea deve ser colocada ao lado do manequim para que o animal sinta seu cheiro (cio). O garanhão é posicionado entre manequim e égua para que ele tente chegar ate a égua passando por cima do manequim, dessa forma ele “montará” na estrutura. Depois de algum tempo o garanhão tende a assimilar a estrutura com a colheita e fazem a ponta sem a presença da égua, mas isso perante uma rotina muito bem ensaiada para que ele não saia montando em tudo. Para tal manejo a mudança de hábitos e rotinas é fundamental, então o dia da coleta é um dia totalmente diferente. Coloca se um cabestro que ele nunca tenha usado e para a coleta será sempre esse, local diferente do que eles estão acostumados a ir, cria manejo para a montagem então só monta quando tem ereção, aguarda a posição e da uma volta para que ele monte certo no manequim e não de qualquer alvoroçado. E mais importante que isso é sempre ter a mesma equipe, porque o animal associa tudo ao seu redor. Um manejo seguro é primordial para preservar todos os envolvidos, desde o animal até a equipe. Então deve ter confiança na equipe, sabendo exatamente qual tratador vai guiar o cavalo, capacete, posicionamento de mãos e pés. Importante também é segurar a vagina contra o manequim devido à pressão ser muito forte. Quanto melhor a qualidade do sêmen maior a probabilidade de embriões se tem. Isso quer dizer que desempenho do macho influencia bastante na reprodução e sua taxa de prenhez e não somente a fêmea. Vagina artificial E composta por um tubo onde dentro se encontra uma camada de mucosa de látex e por cima uma camada de plástico que é descartável. Esse sêmen vai entrar por um orifício com um diâmetro maior e o do outro lado terá um orifício menor para que o pênis não passe, essa metragem é importante, pois o pênis do cavalo tende a chapelar (inchar), correndo o risco de ficar preso. No orifício menor encontramos um pote ou um recipiente onde o sêmen vai cair, esse porte deve ser vedado contra luz para preservar a temperatura e a qualidade do sêmen. Neste tubo também se encontra uma válvula onde será colocado agua aquecida em uma temperatura de 45ºc, onde se encontrará no espaço entre o tubo e a mucosa, sua função é estimular o animal na ejaculação, mas no momento que o cavalo ejacula deve se abrir a válvula para a saída da agua, desta forma libera a pressão dentro do tubo e o cavalo consegue retirar o pênis sem se machucar. Temperatura pode variar de 42 a 50ºc, não mais que isso porque pode lesar a mucosa peniana. Monta natural: Peão deve garantir que a égua não vá se mexer ou se espantar, deve se segurar a cauda por debaixo dos membros assegurando que a vagina e o ânus estão cobertos, cavalo monta e se desvia o pênis. Bodes e Carneiros Pode ser coletado com vagina artificial que é semelhante a dos equinos, porém de tamanho reduzido. Também se tem a utilização de agua, mas neste caso com temperatura de 60ºc para que o estimulo seja maior. A diferença na composição da vagina artificial é a não utilização do plástico descartável, então a introdução acontece diretamente com a mucosa de látex, que depois é lavada e reutilizada ou substituída. Desde modo é adicionado um funil de látex em uma das pontas e na ponta desse funil se coloca um tubinho de centrifuga. Pode se usar o eletro ejaculador nestes animais, onde se tem uma porção transretal, uma pessoa fica responsável pela regulagem dos choques e outra pessoa segura um frasco abaixo do pênis conforme ele ejacula. E um bom manejo para quem tem um curto período para fazer a coleta e não tem tempo para acostumar o animal á monta. Problema do eletro ejaculador é a contaminação, às vezes o estimulo é tão grande que ele urina ao mesmo tempo comprometendo a amostra. Também tem o problema do volume dessa amostra que por ser muito grande e concentração sendo muito pequena, devido à estimulação de plasma. Já na monta temos volume baixo e concentração alta. Oposto dos equinos, esses animais são muito mansos e dificilmente se tem acidentes na coleta, a não ser as cabeçadas que devem ser cuidadas. Mas tem certo grau de dificuldade para acostumar, então se tem uma sala de coleta onde se coloca fêmeas no cio e solta ele lá dentro, deixando o acostumar com o ambiente e aprenda a montar nas fêmeas, esse processo pode demorar certa de 7 dias e as vezes ele nem monta. Nesses casos se coloca um macho que já tem o costume de fazer a monta e deixa que os outros o sigam, após ele aprender a montar as próximas coletas se contem a fêmea. Escato é um movimento que o animal faz após a ejaculação (pulo). Felinos Sempre utilizado eletro ejaculador com animal anestesiado, mesmo os domésticos, sendo essa a única diferença para os pequenos ruminantes. Reprodução neste caso é muito utilizado para a preservação da espécie. Touros Semelhante aos pequenos ruminantes, sendo a diferença a vagina artificial é a 45ºc igual a dos equinos. Bovinos Tem-se frustração, que nada mais é quando o animal vai sumir na fêmea ou manequim não se deixa ejacular, se retira o animal fazendo o subir novamente e descer novamente, esse processo é repetido em média três vezes, sendo que na terceira se coloca a vagina artificial e ele ejacula. Esse manejo é utilizado porque eles produzem sêmen de maior qualidade devido a essa frustração. Pode ser feito eletro ejaculação, mas deve ser feito no tronco para segurança de todos os envolvidos. Cães Faz-se manipulação mecânica manual na base do pênis, lembrando que os cães tem bulbo que serva para prender a fêmea no momento da copula, isso ocorre porque os cães tem uma ejaculação fracionada em três momentos. Quando se faz a manipulação mecânica o animal infla o bulbo, se posiciona a mão para caudal sempre com pressão. Para a colheita se usa normalmente uma mamadeira com um coletor para receber o sêmen, junto com um funil e não a vagina artificial. Dentro dessa mamadeira se tem agua também para não ter choque térmico no sêmen, sendo a 37ºc. Tudo que for de contato com o sêmen deve estar a 37 ºc, para preservar a temperatura natural do mesmo. As outras temperaturas são utilizadas somente para estimular a ejaculação. Cães possuem fração pré-espermática, espermática e pós-espermática, sendo a espermática rica em espermatozoide. Suinos Feito por manipulação manual, utilizada com o nome de mão enluvada, pois se coloca duas luvas para fazê-la o procedimento. Uma luva serve para limpar o pênis, e a segunda para estimular o pênis. Nos cães se manipula a base do pênis, nos suínos se manipula diretamente o pênis entre os dedos, então o animal vai ejacular no meio dos seus dedos. Monta normalmente feita em manequins e são bastante condicionados. Também possuem três frações, mas e alto volume com uma ejaculação bem demorada.