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Autores: Prof. Sérgio Hiroshi Furuya de Carvalho
 Profa. Carmen Lúcia Dalano
 Prof. Hermínio Mendes Barreto Junior
Colaboradores: Profa. Vanessa Santhiago
 Prof. Marcel da Rocha Chehuen
Natação: Aspectos 
Pedagógicos e 
Aprofundamentos
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Professores conteudistas: Sérgio Hiroshi Furuya de Carvalho / 
Carmen Lúcia Dalano / Hermínio Mendes Barreto Junior
Sérgio Hiroshi Furuya de Carvalho
Cursou Educação Física na USP. Leciona natação desde 1986. Na UNIP, é responsável pela disciplina Natação desde 
1998. Especializou‑se em mergulho desportivo com cursos nacionais e internacionais.
Carmen Lúcia Dalano
Bacharel e licenciada em Educação Física pela Universidade de Santo Amaro. Pós‑graduada lato sensu em Atividades 
Físicas de Academia. Fez mestrado em Psicopedagogia e pós‑graduação em Arteterapia Aplicada. Leciona na UNIP desde 
2005. Professora corresponsável pelo Departamento de Estágio Supervisionado em Educação Física, onde participou da 
reestruturação, implantação e supervisão de atividades referentes aos estágios na área de Educação Física. Atuou como 
professora no Ensino Fundamental I em escolas da rede pública e particulares na cidade de São Paulo.
Hermínio Mendes Barreto Junior
Formado pela UMC em 1982, pós‑graduado pela FMU em 1995. Professor das disciplinas de Natação, Medidas e 
Avaliações, Metodologia do Treinamento Físico e Projeto Técnico Científico Interdisciplinar da UNIP desde 2005.
© Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou 
quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem 
permissão escrita da Universidade Paulista.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
C331 Carvalho, Sérgio Hiroshi Furuya de.
Natação: Aspectos Pedagógicos e Aprofundamentos / Sérgio 
Hiroshi Furuya de Carvalho, Carmem Lúcia Dalano, Hermínio Mendes 
Barreto Junior. ‑ São Paulo: Editora Sol, 2018.
188 p., il.
Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e 
Pesquisas da UNIP, Série Didática, ano XXIV, n. 2‑105/18, ISSN 1517‑9230.
1. Metodologias de ensino. 2. Estilos da natação. 3. Treinamento. 
I. Dalano, Carmem Lúcia. II. Barreto Junior, Hermínio Mendes. III. Título.
CDU 797.2
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Prof. Dr. João Carlos Di Genio
Reitor
Prof. Fábio Romeu de Carvalho
Vice-Reitor de Planejamento, Administração e Finanças
Profa. Melânia Dalla Torre
Vice-Reitora de Unidades Universitárias
Prof. Dr. Yugo Okida
Vice-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa
Profa. Dra. Marília Ancona‑Lopez
Vice-Reitora de Graduação
Unip Interativa – EaD
Profa. Elisabete Brihy 
Prof. Marcelo Souza
Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar
Prof. Ivan Daliberto Frugoli
 Material Didático – EaD
 Comissão editorial: 
 Dra. Angélica L. Carlini (UNIP)
 Dra. Divane Alves da Silva (UNIP)
 Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR)
 Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT)
 Dra. Valéria de Carvalho (UNIP)
 Apoio:
 Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD
 Profa. Betisa Malaman – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos
 Projeto gráfico:
 Prof. Alexandre Ponzetto
 Revisão:
 Fabrícia Carpinelli
 Lucas Ricardi
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Sumário
Natação Aspectos pedagógicos e Aprofundamentos
APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................9
INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................9
Unidade I
1 INTRODUÇÃO À ATUAÇÃO DO PROFESSOR DE NATAÇÃO .............................................................. 13
1.1 Histórico ................................................................................................................................................... 13
1.2 Atuação do professor de natação ................................................................................................. 15
1.2.1 O mercado de atuação profissional ................................................................................................. 15
1.3 Segurança e o ensino de natação ................................................................................................. 16
1.3.1 Segurança e conforto ........................................................................................................................... 18
1.3.2 Autossegurança dos alunos e do professor ................................................................................. 18
1.3.3 Riscos envolvidos com o ensino de natação ............................................................................... 19
1.3.4 Postura e atuação do professor de natação ................................................................................ 26
1.3.5 Resgate aquático .................................................................................................................................... 28
2 FÍSICA APLICADA À NATAÇÃO: HIDROSTÁTICA, HIDRODINÂMICA E SUAS 
CONSIDERAÇÕES SOBRE O ENSINO DA NATAÇÃO................................................................................ 31
2.1 Hidrostática ............................................................................................................................................ 31
2.1.1 Conceitos iniciais .................................................................................................................................... 32
2.1.2 Relação entre densidade corporal e densidade da água ........................................................ 35
2.1.3 Princípio de Arquimedes ...................................................................................................................... 35
2.1.4 Flutuabilidade na água doce segundo o princípio de Arquimedes .................................... 37
2.1.5 Flutuabilidade na água salgada segundo o princípio de Arquimedes .............................. 37
2.1.6 Flutuação: capacidade ou habilidade? ........................................................................................... 38
2.1.7 Fatores que influenciam a flutuabilidade individual ................................................................ 39
2.1.8 Equilíbrio ao se estabelecer flutuação ........................................................................................... 39
2.1.9 Materiais de auxílio à flutuação ....................................................................................................... 42
2.2 Hidrodinâmica e suas considerações sobre o ensino da natação..................................... 47
2.2.1 Propulsão ................................................................................................................................................... 48
2.2.2 Resistência ao deslocamento ............................................................................................................. 52
3 METODOLOGIAS DE ENSINO NAS FASES DE INICIAÇÃO E DA APRENDIZAGEM 
DAS HABILIDADES DA NATAÇÃO E IMPORTÂNCIA DA LUDICIDADE NO 
ENSINO DA NATAÇÃO ....................................................................................................................................... 55
3.1 Metodologia de ensino na fase de adaptação ao meio aquático .................................... 55
3.1.1 Histórico do ensino da natação ........................................................................................................ 55
3.1.2 Adaptaçãoao meio aquático ............................................................................................................. 58
3.2 Desenvolvimento das habilidades básicas para a natação .................................................. 60
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3.2.1 Imersão da face e controle respiratório ......................................................................................... 61
3.2.2 Flutuação e equilíbrio ........................................................................................................................... 64
3.2.3 Recuperação vertical ............................................................................................................................. 66
3.2.4 Recuperação vertical a partir da posição de decúbito ventral ............................................ 66
3.2.5 Recuperação vertical a partir da posição de decúbito dorsal .............................................. 67
3.2.6 Propulsão ................................................................................................................................................... 68
3.2.7 Atividades de submersão ..................................................................................................................... 71
3.3 Metodologia de ensino e progressão para habilidade complexa ..................................... 73
3.3.1 O ensino do mergulho elementar a partir da borda................................................................. 73
3.4 A importância de metodologias lúdicas na natação ............................................................. 75
3.4.1 Metodologias lúdicas na natação e os níveis de desenvolvimento ................................... 77
3.4.2 Atividades lúdicas na fase de adaptação e iniciação ............................................................... 80
3.4.3 Atividades recreativas na aprendizagem dos quatro nados, saídas e viradas ................ 83
3.5 Metodologia de ensino dos nados formais ............................................................................... 85
3.5.1 Principais correntes e métodos de ensino da natação ............................................................ 85
3.5.2 Fase de aprendizagem dos nados formais .................................................................................... 89
4 O NADO CRAWL ............................................................................................................................................... 90
4.1 Histórico do nado crawl .................................................................................................................... 90
4.2 Movimentação geral do nado crawl e seu ensino .................................................................. 91
4.2.1 Posição do corpo na água na aprendizagem do nado crawl ................................................ 91
4.2.2 Movimentação geral das pernas na aprendizagem do nado crawl ................................... 91
4.2.3 Movimentação geral dos braços na aprendizagem do nado crawl .................................... 93
4.2.4 Respiração na aprendizagem do nado crawl .............................................................................. 95
4.3 Aspectos técnicos, aperfeiçoamento e habilidades complexas do nado crawl........... 97
4.3.1 Aspectos técnicos e aperfeiçoamento da pernada de crawl ................................................. 97
4.3.2 Coordenação da pernada com a braçada ..................................................................................... 98
4.3.3 Aspectos técnicos e aperfeiçoamento da braçada de crawl ................................................. 98
4.3.4 Aperfeiçoamento da respiração lateral do nado crawl .........................................................102
4.3.5 Frequência respiratória .......................................................................................................................105
4.3.6 O papel dos exercícios educativos da natação .........................................................................105
4.4 Saída do nado crawl ..........................................................................................................................107
4.4.1 Saída do bloco de partida .................................................................................................................107
4.5 Viradas das provas do nado livre .................................................................................................110
4.6 Regras da prova de nado livre .......................................................................................................113
Unidade II
5 O NADO DE COSTAS .....................................................................................................................................116
5.1 Histórico do nado de costas ..........................................................................................................116
5.2 Movimentação geral do nado de costas e seu ensino ........................................................116
5.2.1 Posição do corpo na aprendizagem do nado de costas ........................................................ 117
5.2.2 Movimentação de pernas na aprendizagem do nado de costas ....................................... 117
5.2.3 Aprendizagem da braçada do nado de costas .......................................................................... 118
5.2.4 Respiração na aprendizagem do nado de costas ................................................................... 120
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5.3 Aspectos técnicos, aperfeiçoamento e habilidades complexas do nado 
de costas ........................................................................................................................................................120
5.3.1 Aspectos técnicos e aperfeiçoamento da pernada do nado de costas .......................... 120
5.3.2 Aspectos técnicos e aperfeiçoamento da braçada do nado de costas .......................... 120
5.3.3 Aspectos técnicos e aperfeiçoamento da posição de corpo no nado 
de costas ............................................................................................................................................................. 123
5.3.4 Aperfeiçoamento da coordenação da respiração no nado de costas ............................ 124
5.4 Saídas do nado de costas ................................................................................................................125
5.4.1 Divisão da saída do nado de costas ............................................................................................. 126
5.5 Viradas do nado costas ....................................................................................................................127
5.6 Regras do nado de costas ...............................................................................................................129
6 NADO DE PEITO ..............................................................................................................................................129
6.1 Histórico do nado de peito .............................................................................................................129
6.2 Movimentação geral do nado de peito e seu ensino ..........................................................130
6.2.1 Posição do corpo no nado de peito e apresentação geral .................................................. 130
6.2.2 Ensino da pernada do nado de peito ........................................................................................... 130
6.2.3 Ensino da braçada do nado de peito ...........................................................................................133
6.2.4 Aprendizagem da respiração no ensino do nado de peito ................................................. 134
6.2.5 Coordenação básica no ensino do nado de peito .................................................................. 134
6.3 Aspectos técnicos, aperfeiçoamento e habilidades complexas do nado 
de peito ..........................................................................................................................................................135
6.3.1 Aperfeiçoamento da braçada do nado de peito ..................................................................... 135
6.3.2 Aperfeiçoamento da pernada do nado de peito ..................................................................... 137
6.4 Saídas do nado de peito ..................................................................................................................138
6.5 Viradas do nado de peito ................................................................................................................140
6.6 Regras do nado de peito .................................................................................................................140
Unidade III
7 NADO DE BORBOLETA .................................................................................................................................144
7.1 Histórico do nado de borboleta ....................................................................................................144
7.2 Movimentação geral do nado de borboleta e seu ensino .................................................144
7.2.1 Aprendizagem da pernada do nado borboleta ........................................................................ 144
7.2.2 Exemplos de exercícios para desenvolvimento da pernada do nado de 
borboleta ............................................................................................................................................................ 145
7.2.3 Posição do corpo .................................................................................................................................. 145
7.2.4 Aprendizagem da braçada do nado de borboleta .................................................................. 146
7.2.5 Exemplos de exercícios para desenvolvimento da braçada do nado de 
borboleta ............................................................................................................................................................ 146
7.2.6 Aprendizagem da respiração do nado de borboleta .............................................................. 147
7.2.7 Ensino da coordenação das braçadas com as pernadas ...................................................... 148
7.3 Aspectos técnicos, aperfeiçoamento e habilidades complexas do nado 
de borboleta .................................................................................................................................................148
7.3.1 Aperfeiçoamento das pernadas do nado de borboleta ........................................................ 148
7.3.2 Aperfeiçoamento das braçadas do nado de borboleta......................................................... 148
7.3.3 Aperfeiçoamento da respiração no nado de borboleta ........................................................151
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7.3.4 Exemplos de educativos para o nado de borboleta ............................................................... 152
7.4 Saídas do nado de borboleta .........................................................................................................152
7.5 Viradas do nado de borboleta .......................................................................................................153
7.6 Regras do nado de borboleta ........................................................................................................153
8 PLANEJAMENTO DE AULAS E TREINAMENTO ....................................................................................154
8.1 Planejamento de aulas de natação .............................................................................................154
8.2 Treinamento de natação ..................................................................................................................160
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APRESENTAÇÃO
Prezado aluno,
O livro‑texto que aqui apresentamos servirá de apoio ao estudo da disciplina Natação: Aspectos 
Pedagógicos e Aprofundamentos.
No início, trataremos da fundamentação teórica geral necessária para embasar a atuação do 
professor. Apresentaremos conceitos de segurança e de física aplicada, assim como aspectos históricos 
e de atuação profissional.
Na sequência, os objetivos são desenvolver os conhecimentos das habilidades e seu ensino, iniciando 
pelas habilidades básicas para tornar o contato com o meio aquático prazeroso e positivo para o aluno, 
sem comprometimentos técnicos de qualquer natureza formal, passando então para a análise de 
execução e ensino dos nados formais, que são a expressão de uma eficiência motora econômica em 
cada modo de deslocamento atualmente utilizado como topo do desenvolvimento da arte de nadar. 
Terminamos cada análise dos quatro nados formais com o entendimento das regras competitivas, não 
como uma finalidade de objetivação do ensino dos nados, mas sim com o intuito da compreensão 
técnico‑profissional que se faz necessária.
Esperamos que aproveitem este material ao máximo e se tornem ótimos profissionais!
INTRODUÇÃO
A natação é uma das expressões culturais de movimento significativas nas sociedades. Os povos 
desenvolveram contatos com a água nos seus diferentes ambientes e necessidades, e assim houve 
uma evolução relacionada a cada situação encontrada pelo ser humano. Segundo Velasco (1997, 
p. 27), nada‑se por:
• Saúde: produção de efeitos benéficos ao físico.
• Lazer: oportunidade de satisfações emocionais.
• Necessidade: sobrevivência ou reabilitação.
• Esporte: performance e resultados.
Tornar‑se um professor de natação é uma tarefa que envolve desenvolvimento de conhecimentos, 
dedicação, habilidades práticas e muito cuidado com os alunos.
Neste livro‑texto iremos trabalhar alguns dos conceitos, sem a pretensão de esgotar todos os 
assuntos pertinentes, fornecendo uma visão geral sobre a função do professor de natação.
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Figura 1 – A relação do homem com a água é importante fonte de sobrevivência
Nadar, aprender a nadar e ensinar a nadar
A natação existe há muito mais tempo do que o esporte homônimo. Inicialmente vinculada à 
sobrevivência, busca de alimentos, proteção e ampliação das possibilidades de exploração, a natação foi 
se tornando parte das diferentes culturas com finalidades educativas, formativas, de saúde e até de lazer 
e convívio social em piscinas, lagoas e cachoeiras. Quando o acesso aos corpos aquáticos da natureza se 
mostrou difícil, foram criados os tanques e, posteriormente, as piscinas, para possibilitar o seu uso mais 
amplo e independentemente de distância ou clima.
Assim como as lutas, hoje esportivizadas em regras e competições, mas antes presentes na 
realidade da sobrevivência humana, a natação como conceito amplo também evolui desde as raízes 
da civilização.
Uma versão restrita do que é a natação moderna nos leva a pensar sobre a organização dos 
movimentos e o ensino dos quatro nados formais (borboleta, costas, peito e crawl), que veremos a seguir. 
No entanto, o professor de Educação Física deve ter uma visão ampliada, compreendendo a natação 
não somente como o ensino e a utilização dos nados competitivos,mas também as demais formas de 
locomoção e sustentação na água, como os nados rudimentares, adaptados ou contatos recreativos (o 
próprio ato de brincar deslocando‑se na água ou usufruindo de seu contato).
Nadar pode significar mais do que chegar de um ponto a outro através da água. Para alguns 
indivíduos, significa uma forma de fazer exercícios físicos prazerosos; para outros, é a quebra vitoriosa de 
uma barreira psicológica que demanda muita perseverança, ou ainda pode ser uma forma de comparar 
seu desempenho consigo mesmo ou com outros.
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Figura 2 – Piscina do Parque Olímpico, Rio 2016
Também podem ser citadas interações mais complexas, como o nado sincronizado, o polo aquático e 
os saltos ornamentais, compondo, estes últimos, juntamente com as maratonas aquáticas, os chamados 
esportes aquáticos, componentes do programa dos Jogos Olímpicos de Verão e regidos pela Federação 
Internacional de Natação Amadora (Fina), com sede em Lausanne, na Suíça.
Por fim, algumas outras atividades aquáticas desenvolvem‑se a partir das vivências desta natação 
mais ampla, pois dependem do contato com a água, como o surfe, mergulho desportivo, triatlo etc. 
São também oportunidades que podem aparecer em sua carreira de professor, muitas vezes a partir do 
contato com a natação.
Figura 3 – O nado sincronizado é também uma forma de expressão 
cultural aquática competitiva e regida pela Fina
Alguns conceitos difundiram a natação como importante fator para a saúde humana, como a célebre 
frase: “A natação é o esporte mais completo”. Na verdade, dependendo das diferentes necessidades dos 
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indivíduos, este conceito pode não ser sempre uma realidade incontestável, mas, de fato, a natação 
envolve uma série de ações musculares, coordenativas e psicomotoras que a tornam uma atividade 
bastante rica. Outro conceito predominante na nossa cultura é que “o homem vem do meio líquido”, 
pois enquanto passou por nove meses de gestação esteve imerso, mas isso também não garante que 
o indivíduo terá facilidade de se habituar automaticamente à água de uma piscina, por exemplo. Cada 
situação de interação com a água, nos diferentes indivíduos, irá passar por suas experiências anteriores 
(ou ausência de experiência) e por fatores psicológicos, como sensação de autossegurança e medos 
próprios ou implementados pelas diferentes culturas, para que o ponto de partida do trabalho do 
professor de natação seja estabelecido.
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NATAÇÃO: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS
Unidade I
1 INTRODUÇÃO À ATUAÇÃO DO PROFESSOR DE NATAÇÃO
Analisaremos a evolução do conceito de nadar e ensinar a nadar dentro da história. Em seguida, 
apresentaremos aspectos que irão embasar a atuação do professor: a segurança e a física aplicada ao 
mergulho, possibilitando ao profissional tomar as decisões sobre o programa a ser proposto.
Passaremos então a estudar metodologias para o ensino de natação, iniciando pela importante fase 
de adaptação ao meio aquático.
Por fim, estaremos prontos a iniciar a análise dos nados formais, que buscam uma forma econômica 
e eficiente de deslocamento, começando pelo nado crawl, caracterizado pelos movimentos escolhidos 
dentro de uma gama de “quase ausência” de regras formatadas para o movimento.
1.1 Histórico
Na Antiguidade, saber nadar garantia ao homem maiores chances de sobrevivência em caso de 
ataques, maiores oportunidades para busca de alimentos e possibilidades de locomoção quando 
necessário transpor corpos aquáticos. A natação, inicialmente, teve a característica de sobrevivência e 
utilitarismo, auxiliando o homem na sua jornada. Esta natação utilitária não tem necessariamente uma 
ordem evolutiva única, pois ocorreu paralelamente em diversos povos e locais. Tornou‑se importante 
também no treinamento de soldados em algumas sociedades. Aprender a sustentar‑se e deslocar‑se na 
água fez, portanto, parte da história da humanidade.
Escavações mostram a existência de piscinas aquecidas na antiga Índia há cinco mil anos (LENK; 
PEREIRA, 1966 apud PEREIRA, 1999, p. 36). Isso mostra que o contato com a água era valorizado ou 
praticado nesta sociedade milenar, a qual até hoje utiliza e venera o seu rio sagrado, o rio Ganges.
Em antigas inscrições egípcias (desenhos rudimentares) é possível identificar figuras de pessoas 
nadando. Os egípcios “eram adeptos da Natação” (LOTUFO, 1980 apud SCAGLIA, 1999, p. 36). Alguns 
autores, como Velasco (1997), enxergam em algumas dessas pinturas um esboço rudimentar da braçada 
do nado crawl, ao analisar a posição dos membros e gestos representados.
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Unidade I
Figura 4 – Antigas pinturas rupestres egípcias ilustram a natação na Antiguidade
Na Grécia de Platão, a Lei 689 prescrevia que “todo cidadão educado era aquele que sabe ler e nadar” 
(LENK, 1986 apud DAMASCENO, 1997, p. 7). Os gregos valorizavam a forma física, e a natação fazia parte 
de suas práticas.
Também na Roma antiga era sinal de requinte e distinção social (LOTUFO, 1980 apud DAMASCENO, 
1997, p. 7). As termas romanas eram grandes piscinas artificiais de convivência e lazer.
Figura 5 – A natatio, antiga piscina romana
Já na Idade Média, como outras formas de expressão humana, a natação passou por uma estagnação, 
sofrendo ainda com a crença de que a água “servia para disseminar doenças” (LOTUFO, 1980 apud 
NISTA‑PICCOLO, 1999, p. 36).
Com o Renascimento, novamente a prática da natação ganha espaço e, posteriormente, com a 
organização das atividades esportivas disseminada a princípio na Inglaterra, a natação torna‑se parte 
deste fenômeno moderno.
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O fenômeno da esportivização levou a natação também para a seara competitiva. O regramento 
para padronização dos parâmetros competitivos fez “nascer formalmente” três nados competitivos: 
crawl, costas e peito; depois, a partir de uma variação deste último, o borboleta.
Figura 6 – O fenômeno da esportivização transformou diversos esportes em instrumentos de competição internacional por 
dominância política. Este selo de 1956, da extinta União Soviética, retrata o nado crawl da época
“Saber nadar” diferenciou‑se então de “nadar para competir”. Enquanto a primeira situação envolve 
segurança, prazer, diversão e envolvimento diverso com a água, a realidade competitiva diferentemente 
levava à formalização, padronização e superação.
Nos Jogos Olímpicos da era moderna, a natação tem destaque. No Brasil, foi origem de grandes 
nomes e, mais recentemente, também se destaca na natação Paralímpica.
1.2 Atuação do professor de natação
Ensinar a nadar pode ser um desafio. Requer sensibilidade, paciência, rigor, perseverança, 
planejamento, confiança, desconfiança, energia, atenção e estimulação.
1.2.1 O mercado de atuação profissional
Para o professor de Educação Física, abrem‑se inúmeras possibilidades, seja qual for a área de atuação 
do profissional. Na Licenciatura, quando as condições da escola oferecem oportunidade para incluir a 
natação no currículo da Educação Física escolar, é uma atividade desafiadora e enriquecedora, tanto 
para alunos como para professores. Estudo de Merida et al. (2007) indica que a utilização da natação, 
especialmente em ambiente escolar privado, vem aumentando nãosomente nas aulas curriculares de 
Educação Física, como também em projetos extracurriculares.
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Unidade I
Segundo Betti e Zuliani (2002 apud MERIDA, 2007, p. 111‑123): “as aulas de Educação Física devem 
respeitar os princípios metodológicos, oferecendo conteúdos e estratégias que incluam todos os alunos 
[...] levando em conta as características, capacidades e interesses de cada aluno”.
Para os profissionais da graduação plena (bacharel em Educação Física), a atuação na área da 
natação é rica em oportunidades, como em aulas extracurriculares, academias, clubes, projetos sociais, 
condomínios, hotéis, recreação em piscinas etc. Para atuar neste mercado, o professor deve passar pela 
formação estruturada e buscar a vivência e preparação técnica necessárias para atuar em cada nível de 
aprendizagem, com exigências crescentes em níveis mais elevados de performance, desde a adaptação 
ao meio aquático até o nível competitivo.
Figura 7 – A natação é uma das atividades que podem ser proporcionadas às crianças 
mais precocemente, antes mesmo de se aprender a andar. A natação para 
bebês é fascinante e vai requerer um preparo especial do professor
Portanto, prepare‑se adequadamente para este mercado, estudando, praticando, vivenciando e 
conhecendo as melhores formas de levar seus alunos aos objetivos de cada fase.
1.3 Segurança e o ensino de natação
A segurança é uma das principais considerações ao organizarmos um programa de ensino de natação. 
Um professor de Educação Física é responsável por seus alunos enquanto estes estiverem em sua aula, 
e, mesmo nos períodos pré‑aula e pós‑aula, a integridade dos alunos deve estar assegurada, ou seja, 
principalmente restringindo o acesso à área da piscina, onde poderiam ocorrer acidentes diretamente 
relacionados à prática da natação.
Tecnicamente, os alunos (ou seus responsáveis) conferem ao professor de natação a tarefa de zelar 
por sua segurança. Assim, cabe a este profissional planejar, supervisionar e dirigir as atividades para 
que nenhuma ameaça à segurança dos alunos se estabeleça. Certamente, em um caso de incidente, 
o professor será responsabilizado judicialmente até que se comprove ou não sua relação com o dano 
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causado. Da mesma forma, o empregador deste professor deve garantir a seus clientes (alunos) que o 
professor responsável tem conhecimento e habilidade para manter a turma segura, e que o ambiente 
seja adequado à prática da natação.
Portanto, o professor deve estar consciente de sua responsabilidade e usar todos os meios possíveis para 
evitar que seus alunos passem por incidentes durante as aulas de natação. Para tornar‑se um professor, 
deve se preparar com conhecimentos e habilidades para cumprir seu papel. Exemplificando, pode ser 
presumível que um aluno venha a ter problemas para se equilibrar e até engolir um pouco de água ao 
tentar respirar. Mas não é aceitável que o professor não intervenha logo nesta situação para evitar que 
haja pânico ou risco de afogamento, ou seja, deve estar atento, bem posicionado e com atitude adequada.
Segundo dados da Austswim (2001), 70% dos afogamentos ocorrem a uma distância de até 20 metros 
de um ponto seguro, 80% dos afogados são do sexo masculino, e cerca de 40% são crianças ou jovens 
com até 18 anos. Dados indicam que, no Brasil, o afogamento é a terceira causa de mortes em todas as 
idades e a segunda causa na faixa etária entre 1 e 14 anos (SZPILMAN, 2000). De acordo com a Sociedade 
Brasileira de Salvamento Aquático (SOBRASA, 2017), 51% das mortes de crianças entre 1 e 9 anos ocorrem 
em piscinas e residências, o que demonstra o papel primordial na educação aquática desse público.
Além das questões sobre nível de habilidade ou possibilidade de incidentes, também será importante 
ao professor de natação ter conhecimento sobre alguma condição médica que seu aluno possa ter que 
o coloque em situação de risco aumentado. Problemas cardíacos, epilepsia, labirintite e outras afecções 
podem aumentar o risco de um problema com potencial grave durante a prática da natação ou outro 
exercício físico, ou seja, em alguns casos, deve‑se obter liberação médica antes do início do programa. 
Ao se conhecer tais condições, pode‑se planejar aulas adequando‑se a sua exigência de intensidade e 
cuidados de atenção, os quais se tornam mais críticos. Para completar este ciclo de cuidados, deve‑se 
solicitar exame dermatológico para evitar doenças transmissíveis como micose, e ao considerarmos 
atenção à higiene da piscina, o uso da ducha antes de entrar na água.
Figura 8 – Alguns ambientes oferecem riscos extras. Movimentação da água, temperatura 
e transparência são fatores que podem influenciar em acidentes
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1.3.1 Segurança e conforto
A temperatura é um fator importante para se considerar. Temperaturas muito baixas podem causar 
hipotermia, que é uma condição de queda da temperatura corporal muito comum em indivíduos que 
ficam à deriva no mar. Para o ensino de natação, temperaturas baixas vão tornar a atividade desagradável. 
Sempre que possível, a piscina deve ser ajustada entre 28 oC e 30 oC (DI MASI; BRASIL, 2001) para os 
aprendizes que passam mais tempo parados e precisam de uma recuperação maior entre um exercício 
e o próximo. Entretanto, temperaturas muito altas da água podem causar exaustão e dificuldade em 
dissipar o calor corporal em exercícios mais intensos.
Os óculos de natação são muito úteis por diversos aspectos: reduzem a sensação de olhos ardendo, 
protegendo‑os de irritação, e permitem enxergar embaixo d’água, o que aumenta a segurança e o 
conforto. Sempre que possível, encoraje seus alunos a possuírem óculos de natação. Alguns modelos são 
bem acessíveis, outros contam até com película antiembaçante. Se o seu modelo não possui tal película, 
basta passar um pouco de saliva pelo lado interno da lente para diminuir o embaçamento.
Já as toucas são de uso obrigatório nas piscinas de aprendizagem, pois previnem a queda de cabelos 
na água da piscina, uma condição de higiene e, no caso de cabelos longos, protegem ainda contra 
enroscos nas raias.
Figura 9 – O uso de óculos de natação aumenta a segurança e o conforto do nadador. 
O uso de touca, além de evitar enrosco dos cabelos, aumenta a higiene 
da piscina ao evitar acúmulo de cabelos no fundo
1.3.2 Autossegurança dos alunos e do professor
Em geral, um incidente aquático ocorre por associação de alguns fatores. Normalmente, mais de um 
fator está presente na geração de um incidente – com potencial para tornar‑se grave:
• Falta de conhecimento do risco: uma pessoa pode se colocar em risco simplesmente por 
desconhecê‑lo. Alguém que caminha calmamente com água na altura da cintura em uma praia 
pode não estar ciente de que a areia pode estar irregular e pode haver um buraco bem à sua frente.
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• Falta de senso de responsabilidade: em alguns casos, mesmo sabendo que há riscos, a pessoa pode 
não tomar a precaução necessária para evitar um acidente. Mergulhar em um lago, por exemplo, 
pode parecer inofensivo, mas o risco de haver uma pedra ou tronco submerso remete à necessidade 
de checar o local antes, ou aprender com quem já conhece o local, se é seguro ou não mergulhar.
• Falta de habilidade: às vezes, mesmo se conhecendo o risco, a falta dehabilidade pode ser 
predominante na instalação de uma emergência. Uma pessoa que está andando e se segurando 
na borda em uma piscina relativamente rasa, caso escorregue e deixe a borda escapar do seu 
contato, pode ter dificuldade em ficar novamente em pé, mesmo que não seja fundo. Ela tem 
pouca habilidade para permanecer em pé caso venha a escorregar, não tem controle corporal 
suficiente para usar a água como apoio para ficar em pé novamente e tem pouca vivência sobre 
a resposta do corpo ao movimento do braço e do tronco para restabelecer a posição. É possível 
até mesmo que ela tente apoiar a mão no fundo da piscina para tentar se levantar – como faria 
se estivesse fora da água –, o que muitas vezes não será efetivo dentro da água.
 Lembrete
A segurança de um indivíduo na água relaciona‑se com três importantes 
fatores: conhecimento do risco, senso de responsabilidade consigo e com 
os outros, habilidades para sobrevivência e resgate (AUSTSWIM, 2001).
Em relação ao professor, é importante que esteja preparado para evitar incidentes e lidar com eles 
caso aconteçam. É importante o professor estabelecer regras, estar atento aos alunos e ambientes, não 
permitir brincadeiras perigosas e estar apto fisicamente e com as suas próprias habilidades de natação 
e conhecimento de auxílio e resgate em dia.
1.3.3 Riscos envolvidos com o ensino de natação
Para que o professor tenha uma maior clareza ao planejar atividades e considerar seus riscos, pode‑se 
dividir os riscos envolvidos com a natação em dois principais grupos.
1.3.3.1 Riscos ambientais
O ambiente aquático oferece um risco exclusivo e que pode ser fatal: o afogamento. Este deve ser 
a principal preocupação do professor, que também deve ter conhecimento e controle sobre outros 
riscos ambientais. Nos primeiros contatos com a piscina, o professor deve orientar os alunos sobre as 
características da piscina, os riscos e as atitudes desejadas no dia a dia.
Local raso
A parte rasa da piscina ou de um ambiente natural, como um lago, oferece apoio no piso para os alunos 
que possuem menos experiência. No entanto, pode ser um risco se alguém mergulhar ou mesmo saltar em um 
local raso. Assim, alunos devem ser orientados a não saltar sem a permissão do professor, pois asseguraremos 
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Unidade I
que saltarão em local permitido e seguro. Devem ser ainda orientados sobre os riscos que envolvem mergulhar 
em outros locais rasos, contribuindo para que saibam julgar situações fora da aula, no ambiente familiar ou 
social, por exemplo, evitando acidentes. Um segundo fator importante está presente quando o local é raso, mas 
o aprendiz é pouco habilidoso, pode se desequilibrar e não conseguir manter o rosto fora da água para respirar. 
Pode parecer pouco provável, mas é uma situação que necessita da atenção do professor por seu alto risco.
Figura 10 – Mergulhar em um local raso é extremamente perigoso, pois se houver colisão com o fundo em velocidade, o risco de 
lesão na coluna ou crânio é muito grande. Também pode haver pedras ou bancos de areia em um local que se considere fundo para 
mergulhar, portanto devemos orientar nossos alunos
Um acidente ao mergulhar em local raso pode matar ou causar lesões irreversíveis. Oriente seus 
alunos a se comportarem com segurança na água e nos arredores. Não permita que mergulhem sem 
orientação em sua aula. O professor pode evitar acidentes através da educação!
 Saiba mais
Marcelo Rubens Paiva é autor de Feliz Ano Velho. Ele descreve, a partir 
de um acidente ao mergulhar em uma lagoa, o rumo que sua vida tomou 
devido ao acidente. Não deixe de ler o livro, que ao invés de relatar uma 
tragédia, mostra a força necessária para quebrar barreiras!
PAIVA, M. R. Feliz ano velho. São Paulo: Alfaguara, 2015.
Local fundo (risco de afogamento)
Especialmente envolvendo aprendizes, o risco de afogamento é aumentado se está presente uma 
das condições a seguir: falta de equilíbrio, ou seja, mesmo em água rasa o suficiente para dar pé, o aluno 
não tem habilidade para manter a cabeça para fora da água, ou profundidade excessiva – local onde não 
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é possível se apoiar no fundo – associada à pouca habilidade, impossível de garantir a manutenção da 
cabeça fora da água. Havendo essas condições presentes, o professor deve atuar de modo a garantir a 
segurança de seus alunos primordialmente.
Figura 11 – O acesso à piscina deve ser controlado. Crianças não devem ter acesso sem a supervisão de um adulto, pois, para uma 
criança, a visão de uma bola na superfície da água não mostra o risco real envolvido, e ela pode se sentir atraída
Os professores responsáveis devem instituir um controle de acesso à piscina. Mesmo uma piscina 
rasa pode ser perigosa para uma criança que não consegue se equilibrar. Devem ser instaladas portas 
com trava em altura que uma criança não alcance ou, se possível, com fechadura, para que possa ficar 
trancada enquanto não tiver supervisão de um responsável.
Se no local houver uma porta de emergência, deve haver uma trava que permita apenas a saída do 
local, mas nunca a entrada sem autorização.
Piso escorregadio
No entorno da piscina, nos acessos aos vestiários e até mesmo em áreas de circulação próximas, 
o piso pode estar molhado, bem como os pés. Há um grande risco de escorregamento, podendo 
causar danos à coluna, cabeça ou membros tanto em crianças como em adultos e idosos. Avisos de 
piso escorregadio podem ajudar a orientar os usuários em áreas como estas. Se o professor planejar 
atividades de aquecimento fora da água, não deve incluir corridas ou mudanças bruscas de direção. No 
limite da abrangência deste item, devemos considerar até mesmo o piso da própria piscina, geralmente 
de azulejos, que também fica escorregadio e pode gerar quedas ou perda de equilíbrio, perigosos 
especialmente para o aluno que não tem habilidade para reequilibrar‑se novamente sozinho.
Entrada e saída da água
Esta manobra é geralmente feita sem nenhum problema, mas com pessoas que têm pouca intimidade 
com o ambiente da piscina pode provocar um acidente. Oriente seus alunos a usar a escada com cuidado 
para não escorregar, especialmente para alunos obesos, idosos ou gestantes, para os quais um escorregão 
pode levar mais facilmente à queda ou lesão. Para sair da piscina sem usar a escada, há o risco de escoriação 
na borda, portanto esteja certo que seu aluno tem força e habilidade necessárias para fazê‑lo sem risco.
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Figura 12 – Entradas e saídas na água podem ser feitas pela escada com 
mais segurança, especialmente para idosos, obesos ou pessoas com mais 
dificuldade de locomoção. Certifique‑se de que a escada está em boas condições
Bordas ou superfícies
As bordas de azulejo de uma piscina podem ser cortantes, especialmente quando a pele fica macia 
após algum tempo de contato na água. Portanto, tenha conhecimento se alguma parte da borda ou 
dos azulejos de uma piscina tiver esta característica para evitar acidentes. Além disso, pode também 
haver algum azulejo quebrado, aumentando o risco de cortes. O professor deve orientar os alunos 
a evitar o uso da parte da piscina que apresentar problema de superfícies cortantes e comunicar os 
responsáveis pela manutenção sobre a necessidade de reparo. Esteja atento também a parafusos da 
escada, do ralo etc.
Raias
As raias que dividem uma piscina podem apresentar risco aos alunos, especialmente quando os 
alunos não usam óculos de natação e podemse chocar contra a raia. Um risco maior é associado se o 
aluno usar correntes ou brincos grandes, que podem se enroscar na raia.
Figura 13 – As raias divisórias apresentam um possível risco de colisão, pois sua superfície 
pode ser cortante dependendo da velocidade do choque. Também oferecem risco 
de emaranhar em correntes ou cabelos longos soltos
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Ralos
Os ralos são uma questão importante de risco de vida. Em geral, teme‑se que a força de sucção do 
ralo – que pode estar localizado no fundo ou na lateral – possa prender o nadador, impedindo‑o que 
suba para respirar. Além desse risco, há ainda a possiblidade de o cabelo ou uma corrente ou brinco entrar 
pelo ralo e se emaranhar, também impedindo a soltura e causando o risco de afogamento. A NBR 10339 
estabelece que novas piscinas devem contar com o ralo antissucção, minimizando parte dos riscos, 
mas o professor deve estar atento de qualquer modo, proibindo brincadeiras com este equipamento e 
orientando os alunos.
Figura 14 – O sistema de escoamento da piscina é um item importante de segurança. Deve seguir as normas 
de segurança para diminuir o risco de prender por sucção alguma parte corporal ou mesmo de emaranhamento 
de cabelos, correntes ou quaisquer outras partes de vestimenta (cordão de sunga ou biquíni) ou equipamentos. 
A integridade dos azulejos também é importante para a segurança dos alunos
Eletricidade
A água é altamente condutora de eletricidade. O professor deve se certificar que o risco de choque 
elétrico está ausente. São fontes perigosas de acidentes a presença de fios elétricos pelo chão molhado, 
mesmo que momentaneamente, instalações elétricas que ficam expostas à umidade (como interruptores 
de luz em paredes úmidas), aparelhos sonoros instalados na piscina e bombas de circulação de água 
sem a devida proteção. Fique atento à presença destas ou outras condições de risco e alerte o pessoal 
de manutenção quando necessário. Certifique‑se com o bombeiro ou responsável pela instalação 
sobre a existência de para‑raios e o risco local de descargas elétricas atingirem a piscina e, em dias de 
tempestade, siga as orientações recebidas.
1.3.3.2 Riscos atitudinais
Ao mesmo tempo em que riscos ambientais podem estar presentes, muitos acidentes ocorrem por 
uma atitude incorreta dos nadadores ou dos professores. Analisemos a seguir os riscos decorrentes de 
atitudes inapropriadas.
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Falta de imposição e cumprimento de regras
O ambiente de aprendizado deve ter regras definidas para a segurança dos usuários. É importante 
que a equipe de professores defina quais serão as regras de utilização para minimizar os riscos. 
Algumas regras comumente utilizadas podem ser vistas no quadro a seguir, que podem ser aplicáveis 
em situações específicas.
Quadro 1 – Regras de utilização do ambiente da piscina (exemplos)
Regras
Proibido entrar 
na área da piscina 
sem a presença de 
um professor
Não correr 
em volta 
da piscina
Não mergulhe fora 
do espaço e do 
momento permitidos
Proibido entrar 
com alimentos 
ou chicletes
Entrar na água 
pela escada ou 
sentado da borda
Uso de touca 
é obrigatório
Aguarde seu 
horário para 
entrar na área 
da piscina
Simultaneamente ao estabelecimento de regras, é importante verificar se estas estão sendo 
cumpridas. O comprometimento e o profissionalismo da equipe de professores e funcionários é 
fundamental para que a segurança do espaço seja aumentada. Já houve casos de afogamento em 
piscinas escolares porque possivelmente algum funcionário deixou a portinhola de acesso destravada 
– o risco seria zero se houvesse uma regra estabelecida e cumprida.
Figura 15 – Regras podem, às vezes, ser proibitivas, mas são necessárias. Ao se tornar um professor de natação, 
você deve entender a necessidade de impor regras para utilização do espaço sob sua responsabilidade
Brincadeiras perigosas
Muitas brincadeiras podem parecer inofensivas, até que ocorra um acidente. Correr para mergulhar 
pode causar um escorregamento e lesão, o mesmo ocorrendo com um pega‑pega em torno da piscina. 
Algumas brincadeiras, como a “pirâmide humana”, mesmo dentro da água, podem provocar quedas e 
lesões. Algumas crianças e adolescentes gostam de ameaçar amigos com brincadeiras de submersão, 
como o “caldo”, que podem gerar pânico e afogamento. O professor deve estar atento aos alunos mesmo 
nos momentos de lazer livre, para garantir sua segurança, estabelecendo as regras e mantendo a ordem, 
sem perder a oportunidade da ludicidade, mas privilegiando a segurança. Brincadeiras de fingir estar 
se afogando também devem ser desencorajadas, por confundir as pessoas em volta e mascarar uma 
possível emergência real.
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Falta de comprometimento com a segurança
As pessoas devem estar cientes e se preocupar com sua segurança. Alguns acidentes acontecem 
porque indivíduos nem sempre estão cientes, avisados ou comprometidos com a sua segurança, e 
eventualmente colocam também em risco outras pessoas. Atitudes como mergulhar em uma lagoa 
rasa ou com pedras, ou mesmo caminhar para o fundo em uma praia podem colocar em risco sua 
segurança e a de quem o acompanha. Inúmeros casos de afogamento ou lesões na coluna ocorrem em 
acidentes com causas como estas. Em geral, uma aula de natação bem conduzida não oferecerá tais 
perigos. Mas para que você seja um professor comprometido com a segurança de seus alunos, você pode 
orientá‑los dos riscos que podem estar presentes em outros ambientes aquáticos fora da aula. No caso 
de crianças, sempre que possível também oriente os pais sobre os principais focos de atenção que devem 
ser mantidos em cada ambiente aquático.
Falta de atenção do responsável
Pais são responsáveis por suas crianças enquanto brincam na água, professores são responsáveis 
por seus alunos (crianças ou adultos). Deixar aqueles pelos quais somos responsáveis constitui 
um grave erro de responsabilidade. Mesmo em brincadeiras inofensivas, na parte rasa, uma 
criança pode ter dificuldades e se afogar. Ainda que esteja usando boias, e tenha outras pessoas 
próximas, os pais (ou professores) não devem subestimar a chance de um problema ocorrer. 
Mesmo pessoas que saibam nadar podem ter problemas, como uma cãibra ou mal súbito. Por 
isso, nunca deixe pessoas sem atenção adequada frequentarem um ambiente aquático quando a 
responsabilidade for sua.
Figura 16 – Uma brincadeira inofensiva e aparentemente segura 
pode se transformar em uma situação de risco. Nunca deixe pessoas 
sozinhas na água, especialmente quando você for o responsável
Muito se pode fazer para evitar acidentes e afogamentos nas piscinas e outras áreas aquáticas. Veja, 
por exemplo, o que propõe Szpilman (2000) no quadro a seguir:
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Quadro 2 – Medidas de prevenção para afogamentos
Praias
1. Nade sempre perto de um guarda‑vidas
2. Pergunte ao guarda‑vidas o melhor local para o banho
3. Não superestime sua capacidade de nadar – 46,6% dos afogados acham que sabem nadar
4. Tenha sempre atenção com as crianças
5. Nade longe de pedras, estacas ou piers
6. Evite ingerir bebidas alcoólicas e alimentos pesados antes do banho de mar
7. Crianças perdidas: leve‑as ao posto de guarda‑vidas
8. Mais de 80% dos afogamentosocorrem em valas
9. Nunca tente salvar alguém em apuros se não tiver confiança em fazê‑lo
10. Ao pescar em pedras, observe antes se a onda pode alcançá‑lo
11. Antes de mergulhar no mar, certifique‑se da profundidade
12. Afaste‑se de animais marinhos como água‑viva e caravelas
13. Tome conhecimento e obedeça às sinalizações de perigo
Piscinas
1. Mais de 65% das mortes por afogamento ocorrem em água doce
2. Crianças devem sempre estar sob supervisão de um adulto. 89% das crianças não têm supervisão durante o banho de piscina
3. Leve sempre a criança consigo caso tenha que se afastar da área da piscina
4. Isole a piscina. Grades de segurança com 1,5 m de altura e 12 cm entre as verticais reduzem afogamentos em 50% a 70%
5. Boia de braço não é sinal de segurança. Cuidado!
6. Evite brinquedos próximos à piscina, pois estes atraem uma criança sem supervisão
7. Desligue a circulação da piscina quando for usá‑la
8. Tenha telefone por perto quando estiver na piscina
9. Não pratique hiperventilação sem supervisão confiável
10. Cuidado com mergulhos em local raso. Coloque avisos
11. 84% dos afogamentos ocorrem por distração do adulto
12. Ensine sua criança a nadar
13. Mais de 40% dos proprietários de piscinas não sabem realizar os primeiros socorros. Cuidado!
Adaptado de: Szpilman (2000).
1.3.4 Postura e atuação do professor de natação
Podemos então enumerar algumas das principais considerações para que o professor possa se 
preparar para prevenir e agir em emergências:
Habilidades de natação
Por mais óbvio que pareça, é importante o professor estar em pleno desenvolvimento de suas 
habilidades de natação compatíveis com o ambiente em que trabalha. Professores que trabalham 
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em piscinas fundas nunca poderiam estar em dúvidas sobre sua capacidade de lidar com alunos em 
dificuldade nesta condição. Mas essa habilidade pode não ser suficiente se este professor for trabalhar 
com natação em águas abertas, como no mar ou represas, por exemplo – será necessária preparação 
extra para se adequar a ambientes mais complexos. O professor deve ter a autocrítica e a capacitação 
necessária para cada situação.
Conhecimento de estratégias de auxílio
Em uma piscina rasa, com alunos pouco habilidosos, o professor deve estabelecer contato com a 
mão para ajudar um aluno a recobrar a posição vertical em uma situação inesperada de desequilíbrio. 
Se o aluno for um adulto mais pesado, provavelmente precisará das duas mãos para fornecer o apoio 
necessário. Já em uma piscina funda, a prevenção pode ser exercida ao se colocar alunos menos 
habilidosos nas raias das bordas, oferecendo uma mão ou um material de apoio. Estes conhecimentos 
são adquiridos com o tempo, mas é importante que o professor esteja atento a cada necessidade e 
situação possível, para agir corretamente.
Posicionamento adequado
Como citado anteriormente, uma posição adequada do professor vai ajudá‑lo a estar mais próximo 
de uma situação mais provável de ocorrer um problema. Isso primordialmente é importante para o 
reconhecimento antecipado de problemas e, como veremos a seguir, para atuar em uma emergência. 
Locais fundos, alunos pouco habilidosos ou locais de maior risco são considerados para o professor assumir 
seu posicionamento durante a aula. Isso inclui estar de frente para a piscina – parece óbvio, mas muitos 
professores descuidam‑se ao atender um pai de aluno ou outro colega e ficar de costas para a piscina, ou 
seja, deixando de estar bem posicionado para observar e para agir.
Atenção permanente
O professor, sendo o responsável pela segurança dos alunos, não pode deixar de estar atento 
por todo o tempo. Lembre‑se que a segurança dos seus alunos é o mais importante enquanto 
você estiver em serviço. Não negligencie a atenção e você evitará a possibilidade de ocorrerem 
muitos problemas. Muito possivelmente algum fato tentará desviar sua atenção – uma mensagem 
no celular, uma imagem na TV da sala de espera, um colega lhe perguntando algo. Mantenha a 
atenção nos seus alunos.
Prontidão para resposta
Caso algum problema venha a acontecer, é necessário que o professor aja rapidamente. Não há 
tempo a perder, você terá apenas o tempo para decidir sobre a melhor resposta e agir prontamente. 
Assim sendo, torna‑se importante a antecipação. O que você faria se um aluno habilidoso tivesse uma 
cãibra na raia central? Ou se um aluno iniciante escorregasse no raso do outro lado da piscina? Se uma 
criança caísse na água? Antevendo os problemas que podem acontecer, você terá uma prontidão maior, 
sem vacilar, e tomará a decisão correta.
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 Observação
Ao se preparar para dar aulas de natação, observe o ambiente, sabendo 
qual parte da piscina é mais crítica, e também os seus alunos, cada qual 
exibindo diferentes níveis de habilidade, requerendo, portanto, diferentes 
níveis de atenção. Por exemplo, alunos com pouca habilidade requerem 
a proximidade do professor. Leve ainda em consideração o número de 
alunos sob sua responsabilidade naquele momento, para determinar seu 
posicionamento ideal na piscina.
1.3.5 Resgate aquático
Um professor de natação deve estar preparado para lidar com situações de emergência. Sem ter a 
pretensão de treiná‑lo para ser um “salva‑vidas”, o que demandaria muito mais tempo e treinamento, 
algumas considerações são importantes para minimizar o risco de situações de emergência.
Em conjunto com as considerações estudadas anteriormente sobre os fatores de risco, o professor 
terá condições de trabalhar para evitar e lidar com emergências.
Os professores que desejam avançar nestes conhecimentos devem procurar serviços especializados 
de formação em primeiros socorros e salvamento.
 Observação
Estamos considerando situações em que o resgate é necessário 
para evitar afogamentos, e não lidando com o afogamento em si, 
que pode evoluir para uma parada cardiorrespiratória, por exemplo. 
Nesta situação extrema, você deverá seguir os procedimentos de 
primeiros socorros estabelecidos para a sua região, a depender 
do seu nível de treinamento e da distância da ajuda especializada 
(Resgate – tel. 193 ou Samu – tel. 192), dependendo da gravidade 
de cada caso.
Posicionamento
Procure um posicionamento próximo à situação de maior risco. Geralmente, alguns locais 
podem oferecer um risco maior, como a rampa para a parte funda, as bordas das plataformas de 
apoio para crianças pequenas, a raia onde ficam os alunos menos habilidosos ou a saída de um 
escorregador (na recreação aquática). Regiões menos visíveis devido a condições de iluminação ou 
névoa também são críticas.
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Atenção e prontidão
Como discutido anteriormente, o professor deve estar atento e pronto para agir. Evite 
distrair‑se com conversas, uso de telefone ou mensagens ou outras ações que o afastem da plena 
atenção aos alunos. Se necessário conversar com alguém, por exemplo, coloque a pessoa à sua 
frente, enquanto ao mesmo tempo consegue observar a piscina, ao invés de virar‑se de costas 
para a piscina para conversar.
O significado de prontidão também engloba sua preparação para lidar com estas situações. 
Você, como professor de natação, deve ganhar habilidades, capacidades e atitudes para poder estar 
preparado para lidar com emergências. Esteja ciente da responsabilidade de lidar com possíveis 
situações críticas e somente assuma uma turma de natação se estiverplenamente seguro.
Materiais de apoio
Tenha sempre prontos materiais que podem auxiliá‑lo. Algumas piscinas organizadas 
possuem boias circulares em suportes na parede ou próximas à água. Pode‑se também utilizar 
os “espaguetes”, ou algum bastão rígido, para poder oferecer a uma pessoa experimentando um 
problema próximo à borda.
Logicamente, o professor já terá antecipado tal necessidade, por exemplo, ao acompanhar um aluno 
na sua adaptação ao acesso na parte do fundo. Se estiver munido de um espaguete ou bastão, em 
qualquer sinal de necessidade, poderá oferecê‑los ao aluno sem precisar pular na água. Isso minimiza 
também o desconforto do fator psicológico causado no aluno que frequentemente precisa ser “salvo” 
pelo professor que pula na água.
Figura 17 – Uma boia circular à mão pode fazer uma grande diferença na hora de auxiliar um nadador 
que esteja experimentando dificuldades. A antecipação é um fator de aumento de segurança
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Também os materiais de apoio podem ser arremessados (especialmente a boia circular com corda, 
para trazer o resgatado para a borda) ou podem ser levados a um indivíduo distante da borda (a própria 
boia circular ou outro elemento flutuante).
Acesso ao aluno
Vamos aqui considerar um aluno em situação de aula primeiramente. Uma piscina pode apresentar 
dificuldades no acesso direto, por causa da distância, de raias no caminho ou de muitos usuários entre 
você e o aluno que precisa ser socorrido.
Em geral, se você tiver que entrar na água para acessar o aluno, escolha o ponto mais próximo da 
borda, em especial se a piscina for grande. Correr até o local de entrada na água próximo ao aluno 
pode significar ganhar tempo. Isso também vale em locais abertos, como represas, rios ou mar, onde a 
distância a ser nadada pode atrasar a chegada ao aluno.
Outro fator importante de julgamento antes de entrar na água é a possibilidade e necessidade de 
levar um objeto flutuante. Sempre leve consigo um objeto que possa auxiliar na flutuação do socorrido, 
pois, em situação de pânico, uma pessoa vai ter ações inesperadas, bruscas e usará toda sua força para 
permanecer na superfície, incluindo agarrar o socorrista.
Para evitar necessidade de usar técnicas de “luta” e desvencilhamento, uma vez agarrado com força 
por uma pessoa desesperada, leve o objeto flutuante e ofereça‑o ao chegar próximo, colocando o objeto 
entre você e o aluno. Assim, você evita ser agarrado se a pessoa estiver fora de controle. Mesmo socorristas 
treinados tentam evitar este tipo de abordagem de contato quando é possível oferecer um objeto flutuante.
Figura 18 – Em uma piscina grande, bem como em ambientes 
naturais, é importante acessar por um ponto 
próximo a quem necessita de ajuda
Reestabelecendo a segurança
Ao estabelecer flutuação através da entrega do objeto flutuante, acalme o aluno e lentamente 
traga‑o para a borda, ou para o raso, se estiver próximo. Não é interessante criar um alarde para o fato, 
tranquilize‑o e, quando possível, faça‑o entender o que houve de errado e o que foi feito para ele estar 
seguro novamente. A racionalização do entendimento do que estava faltando para o incidente ser 
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evitado e das ações de ajuda realizadas é importante para o seu aluno compreender o fato e trabalhar 
para evitar novas necessidades.
Em uma situação de lazer, quando você não está dando aulas de natação, ao se deparar com uma 
situação em que pode ajudar, utilize as mesmas técnicas vistas anteriormente. Entre na água somente 
em locais conhecidos e pelo ponto mais próximo à pessoa, esteja consciente de sua condição segura 
para voltar à terra, leve um material flutuante e ofereça‑o à sua frente, não permitindo ser agarrado.
 Lembrete
Técnicas especiais de salvamento são necessárias para ações mais 
complexas, e você precisará de treinamento especializado para algumas 
situações. Deixe resgates complexos para pessoal com treinamento 
adequado, limitando‑se a ajudar dentro de sua condição de preparo e 
competência, para não colocar sua vida em risco.
2 FÍSICA APLICADA À NATAÇÃO: HIDROSTÁTICA, HIDRODINÂMICA E SUAS 
CONSIDERAÇÕES SOBRE O ENSINO DA NATAÇÃO
O entendimento de Física vai proporcionar ao professor de natação uma série de conhecimentos 
para melhorar sua atuação junto a seus alunos. As duas áreas da Física que interessam nessa tarefa são 
a Hidrostática e a Hidrodinâmica.
Com este conhecimento, será possível usar a Física a favor da natação, facilitando o aprendizado através 
do planejamento de atividades que utilizarão os conceitos para uma melhor eficiência na aprendizagem, 
levando em conta, evidentemente, o nível de maturação e desenvolvimento de cada aluno.
2.1 Hidrostática
Hidrostática é a parte da Física que estuda o equilíbrio dos corpos na água. No caso da natação, é 
importante ao professor dominar o conhecimento sobre a questão da flutuabilidade dos nadadores. A 
flutuabilidade é a condição que um corpo irá possuir de flutuar ou afundar. Esta é uma propriedade 
física, ou seja, não depende do aprendizado de técnicas.
Pode parecer estranho, mas a flutuação de um objeto ou pessoa na água não é definida pelo fato de 
saber ou não nadar. Na verdade, depende de características do material que compõe aquele objeto ou 
da composição corporal individual no caso do ser humano.
Portanto, uma pessoa pode saber nadar muito bem, mas se parar de se movimentar, ela irá afundar. 
E, por outro lado, mesmo uma pessoa que não saiba nadar, pode ainda assim ser capaz de flutuar muito 
bem. Como isso acontece?
Para entender a flutuabilidade de um corpo, os conceitos iniciais serão vistos a seguir.
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2.1.1 Conceitos iniciais
2.1.1.1 Massa e peso
Massa é a quantidade de matéria que um corpo possui. Objetos podem ser compostos de um só 
material, como um bloco de isopor, por exemplo, ou por diferentes substâncias, como o corpo humano, 
que possui muitos diferentes tecidos (ósseos, musculares, adiposos etc.).
Peso é normalmente um dos principais fatores que os leigos levam em conta para tentar “adivinhar” 
se uma pessoa irá flutuar ou não. Normalmente, podem‑se ouvir conversas animadas entre banhistas no 
sentido de que pessoas mais pesadas irão afundar com facilidade, enquanto que pessoas consideradas 
leves tendem a flutuar mais facilmente. Isso é pura crença popular.
O professor de natação deve conhecer os fatores físicos que determinam a chamada flutuabilidade 
de um objeto – ou de uma pessoa. Para isso será necessário revisar um pouco de Física.
O conceito de peso é a definição de uma força no sentido vertical, com direção para baixo, determinado 
através da multiplicação da massa de um objeto ou pessoa, pela força da gravidade (abreviado como 
“g”). Obtém‑se:
P = m . g (peso é igual a massa vezes a aceleração da gravidade)
Na Terra, logicamente nosso único ambiente de estudo, g = 9,8 m/s2.
Quando dizemos que uma pessoa pesa 100 quilogramas (denominação correta é 
quilogramas‑força), já que é a expressão de seu peso. Uma balança consegue fazer a medição 
desta força através de um sistema mecânico ou eletrônico que interpõe uma plataforma abaixo 
da pessoa, sofrendo, portanto exatamente a ação desta força. O peso também pode ser expresso 
em Newtons (N). Um Newton (1 N) é a força exercida por um corpo de massa igual a 1 kg em 
aceleração de 1 m/s2.
Diferentemente do que pensam os leigos – nossos alunos –, uma variável determinante na 
flutuabilidade deum objeto que o professor de natação deve saber para auxiliar no planejamento das 
atividades é o volume corporal.
2.1.1.2 Volume
O volume de um corpo representa o espaço que ele ocupa e pode ser determinado facilmente 
em um objeto regular, como um cubo ou paralelepípedo, multiplicando as suas dimensões de altura, 
largura e profundidade. As dimensões devem estar expressas na mesma unidade de medida (todas em 
centímetros ou todas em metros, por exemplo).
V = a. l . p (volume é igual a multiplicação de altura, largura e profundidade)
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Sendo uma multiplicação de três fatores de mesma unidade de medida, será expressa elevada 
à 3ª potência (cubo): centímetros cúbicos (cm3), metros cúbicos (m3) ou relações conhecidas 
(1 m3 = 1.000 litros, 1 litro = 1.000 cm3 etc.).
Um paralelepípedo de 15 cm de altura, 20 cm de largura e 10 cm de profundidade terá um volume:
V = 15 cm . 20 cm . 10 cm = 3.000 cm3 (ou 3 litros)
Para corpos irregulares, podem‑se fazer estimativas aproximadas ou a imersão em uma cuba 
com volume conhecido. Ao se submergir o objeto, basta verificar a variação de volume ocorrida 
em um medidor, ou coletar a água que tenha extravasado, para se conhecer o volume exato do 
objeto. O mesmo pode ser feito com o corpo humano, para determinar seu volume exato. Caso uma 
medida exata não seja necessária, podem‑se utilizar fórmulas antropométricas que irão, através 
de medidas de diâmetros e comprimentos dos segmentos corporais, aproximar‑se de um valor 
razoavelmente aceitável.
2.1.1.3 Densidade de um objeto
Densidade é a relação entre peso e volume. Pode ser expressa pela fórmula:
D = P / V (densidade é igual ao peso de um objeto dividido pelo seu volume)
Conhecendo as medidas de peso e volume, é possível então determinar a densidade de um objeto 
ou corpo. Essa medida vai ser expressa na relação entre as medidas de cada fator, ou seja, por exemplo, 
indicará kg/litro, ou g/cm3, ou ainda kg/m3 etc.
Cada substância – sólida, líquida ou gasosa – terá sua densidade específica nas CNTP (condições 
normais de temperatura e pressão).
Figura 19 – Os balões podem voar porque o ar quente em seu interior é 
menos denso que o ar frio circundante. Da mesma forma, objetos menos 
densos do que a água irão flutuar quando imersos na água
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2.1.1.4 Densidade da água
A densidade da água doce é estabelecida como padrão de comparação universal e equivale a 1 kg/litro 
(um quilograma por litro). Isso significa que cada litro de água doce pesa exatamente um quilograma, ou 
ainda que o volume equivalente à massa de um quilograma de água é exatamente de um litro.
Dágua = 1kg/l
Esta relação como padrão é extremamente importante para o professor de natação, pois justamente 
é a relação entre a densidade e a densidade do corpo humano que nos interessa para determinar a 
flutuabilidade de um indivíduo.
2.1.1.5 Densidade do corpo humano
Você já deve ter ouvido falar que o “corpo humano é composto basicamente por água”. Logicamente, 
muitos outros elementos vão ajudar a formar as estruturas das células, dos tecidos e demais componentes 
do corpo, mas a grande presença da água vai aproximar a densidade do corpo humano da densidade da água 
em si. Há uma variação que pode ser determinada pela raça, estado nutricional, hidratação, proporção entre 
tecidos etc. Mas pode‑se dizer que a densidade corporal humana é próxima de 0,98 kg/l (PALMER, 1990) em 
uma média populacional (em alguns indivíduos será maior que este valor, em outros será menor). Isso indicaria 
uma tendência ligeira à flutuação (2%), mas devemos lembrar que esta medida populacional é apenas uma 
média, ou seja, não representa a tendência de cada indivíduo. Outros autores determinaram valores diferentes, 
principalmente devido a diferenças populacionais ou metodologia (volume pulmonar, por exemplo).
Essa densidade é individual, pois a proporção de tecidos é diferente de pessoa para pessoa. Para 
considerar apenas tecidos mais significativos, podemos ter grandes diferenças na ossatura humana, alguns 
indivíduos possuem uma ossatura maior em volume e em densidade óssea. Também varia a quantidade de 
gordura corporal de acordo com uma série de fatores. Ou seja, apenas nestes dois tecidos citados pode haver 
uma grande influência de um tecido mais denso do que a água (osso) e um tecido menos denso do que a 
água (gordura), influenciando diretamente na flutuabilidade final do corpo. Um órgão também intervém 
enormemente na flutuabilidade final – os pulmões –, pois estão preenchidos com ar, o que os torna de 
densidade muito baixa (grande volume e baixo peso), impactando ao diminuir a densidade média do corpo.
É muito comum a afirmação de que os obesos flutuam mais. Certamente, uma maior quantidade de 
tecido adiposo proporcionalmente aos demais tecidos corporais vai resultar em uma menor densidade 
média daquele corpo (a gordura ocupa maior volume em relação a seu peso, por ser menos densa).
Portanto, a obesidade pode facilitar a flutuação. Por outro lado, indivíduos com pouca habilidade, 
mesmo que assegurada a flutuação, sofrem da perda de equilíbrio, não conseguindo permanecer com 
o rosto para fora da água quando flutuando. Como um fator adicional, mesmo que uma pessoa se 
equilibre para ficar flutuando de costas na água com a face livre, ela pode experimentar dificuldade para 
levar suas pernas em direção ao fundo da piscina novamente para ficar em pé, seja por falta de força, 
seja por falta de coordenação. Os exercícios de recuperação vertical (que serão estudados adiante) irão 
possibilitar o posicionamento conforme o desejo e necessidade do praticante.
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2.1.2 Relação entre densidade corporal e densidade da água
A relação entre a densidade de um corpo e a densidade da água é que vai determinar sua flutuabilidade. 
Se a densidade do corpo for maior que a da água, ele irá afundar. Se a densidade de um corpo for menor 
que a densidade da água, ele irá flutuar.
Pensemos em uma garrafa pet de refrigerante de 2 litros. Vamos desprezar o peso do plástico em 
si. Assim, se ela estiver cheia de isopor, terá um volume de 2 litros e um peso de aproximadamente 
120g. Certamente a garrafa flutuará, pois a densidade do isopor é cerca de 60 kg/m3, bem menor que a 
densidade da água (1.000 kg/m3).
Se a mesma garrafa de 2 litros estiver preenchida com areia, vai pesar cerca de 3 quilogramas, pois a 
densidade da areia é de cerca de 1.500 kg/m3. Certamente, a garrafa afundará, pois sua densidade será 
maior que a da água.
Mas o que aconteceria se a garrafa estivesse cheia de água? O seu peso (desprezando o recipiente plástico) 
seria exatamente de 2 quilogramas, e o seu volume, sendo 2 litros (a mesma garrafa pet dos exemplos anteriores) 
determinaria uma densidade de 1 kg/l. A garrafa, portanto, não afundaria, nem flutuaria – chamamos esta 
condição de flutuabilidade neutra. Se a garrafa fosse colocada na superfície, ficaria ali. Se fosse colocada no 
fundo, também ficaria parada. Até mesmo se, hipoteticamente, colocássemos a garrafa a meia‑água (sem tocar 
nem a superfície nem o fundo), ela ficaria ali estacionada, pois tem a mesma densidade do meio circundante.
2.1.3 Princípio de Arquimedes
Congregando estes conhecimentos até aqui desenvolvidos, podemos chegar à explicação encontrada 
por Arquimedes, que estabeleceu o enunciado do que hoje chamamos de princípio de Arquimedes, 
sobre a flutuabilidade: “Todocorpo imerso em um líquido sofre a ação de uma força vertical, com 
sentido para cima e intensidade igual ao peso do líquido deslocado”.
Figura 20 – Representação das forças envolvidas de um objeto sólido (S) 
imerso em um líquido (L): as forças P (peso) e E (empuxo) agem até o equilíbrio. 
Neste caso, o empuxo é maior que o peso, portanto o objeto flutua
Analisando o princípio, que serve para qualquer líquido (não somente a água), pode‑se entender que 
para determinar a intensidade do empuxo são levados em conta o volume do objeto (líquido deslocado) 
e a densidade do líquido (peso do líquido deslocado – que pode variar conforme o líquido em questão).
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Esquematicamente, teremos a seguinte representação das forças agindo em um corpo em equilíbrio na água:
P1 = 10N
Pa = 9N Pa = 8N Pa = 7NE = 1N
P = 10N
P = 10N
P = 10N
P = 10N
E = 2N E = 3N
1 2 3 4
E = empuxo P = peso do objeto P1 = força da mola do dinamômetro
Pa = peso aparente N = Newton (medida de força)
Figura 21 – Observe que o objeto com P = 10 N (figura 1), ao ser colocado na água, sofre a ação do empuxo (para cima) de 1 N (figura 2), 
2 N (figura 3) e finalmente 3 N (figura 4, ao ficar totalmente submerso). Nesta última situação, seu peso aparente será de 7 N
Se a força para baixo (peso) for maior que a força para cima (empuxo), o objeto afundará (será negativo).
Se a força para cima for maior que a força para baixo, o objeto flutuará (objeto positivo).
Se as forças forem equivalentes, o objeto permanecerá na mesma profundidade em que foi colocado. 
Chamamos neste caso o equilíbrio de neutro.
 Observação
Arquimedes foi um grande matemático, físico e astrônomo grego 
(287‑212 a.C.) nascido em Siracusa (atual Itália), e é considerado o descobridor 
dos fundamentos da flutuabilidade, entre outras descobertas. O princípio de 
Arquimedes até hoje é utilizado para explicar o comportamento do equilíbrio 
de flutuação dos corpos em meios líquidos.
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Figura 22 – Como um navio tão pesado pode flutuar? O empuxo do 
volume submerso (deslocamento de água) é igual ao seu peso
2.1.4 Flutuabilidade na água doce segundo o princípio de Arquimedes
Utilizando o princípio de Arquimedes para determinar a intensidade do empuxo de um objeto 
na água doce, teremos que cada litro de volume corresponderá uma flutuabilidade positiva de 
1 kg, pois, se o empuxo é determinado pelo peso do líquido deslocado, cada litro de água doce 
pesa 1 kg.
Assim, um objeto de 10 kg de peso e com volume de 12 litros certamente flutuará, pois o empuxo 
será de 12 kg (para cima), enquanto o peso é de 10 kg (para baixo).
Opostamente, usando o exemplo de uma pessoa que pesa 70 kg, mas tem um volume de 65 litros, 
terá um empuxo de 65 kg, insuficiente para vencer o peso. Certamente a pessoa terá a tendência a 
afundar, mesmo que saiba nadar, se não fizer movimentos para acrescentar alguma força resultante 
para cima. Nesse caso, ele teria que fazer um esforço que resultasse em pelo menos 5 kg para cima, 
somando‑se ao empuxo, para anular o peso do seu corpo e não afundar.
Por outro lado, se esta mesma pessoa fosse mais volumosa, com o mesmo peso, poderia ter um 
maior empuxo, simplesmente pelo fato de seu volume ser maior (observe que se um corpo tem o mesmo 
peso de outro, mas seu volume é maior, isso indica que sua densidade é menor).
2.1.5 Flutuabilidade na água salgada segundo o princípio de Arquimedes
A água salgada tem uma maior densidade que a água doce, devido aos sais nela dissolvidos, cerca 
de 30 g de sal por litro de água em nosso oceano. Assim, o peso de um litro de água salgada será de 
aproximadamente 1,03 kg.
Isso influencia na densidade da água salgada, que será:
D = P / V = 1,03 kg/l
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Unidade I
Dessa forma, usando o princípio de Arquimedes, para cada litro de volume corporal deslocado 
quando imerso, o corpo passa a ter um empuxo (peso do líquido deslocado) de 1,03 kg (na água doce 
seria de apenas 1,0 kg), ou seja, 3% a mais de força para gerar flutuação.
Isso explica porque as pessoas sentem que flutuam mais facilmente na água salgada. Outros fatores 
como a própria salinidade (até condições extremas como no mar Morto) ou temperatura da água vão 
também afetar a densidade da água e, portanto, consequentemente a flutuabilidade.
Figura 23 – Veja esta foto de uma pessoa flutuando no mar Morto. Ele tem dez vezes 
mais sal do que a água dos outros oceanos, e a salinidade é tão grande que 
a vida aquática é muito restrita. Devido à alta densidade, promove 
grande poder de flutuação, conforme estudado no princípio de Arquimedes
2.1.6 Flutuação: capacidade ou habilidade?
Com todo este conhecimento da Hidrostática, poderíamos chegar à conclusão que a flutuação de 
um indivíduo depende exclusivamente da física. Teoricamente, o corpo humano, assim como um corpo 
inanimado, depende de sua composição para determinar se flutuará ou não.
Mas é isso que acontece com o aprendiz de natação? Basta saber a sua composição corporal para ter 
certeza que ele não se afogará?
Na prática, o comportamento humano tem uma grande influência. Pessoas que são menos densas 
do que a água e possuem a capacidade física de flutuar podem mesmo assim não ter tranquilidade ou 
habilidade para usar esta característica a seu favor. Por outro lado, pessoas mais densas do que a água, 
que certamente tendem a ser negativas e afundar, com um pouco de habilidade na movimentação leve 
de braços e pernas, vão permanecer na superfície com pouquíssimo esforço.
Isso ocorre porque mesmo com uma composição corporal favorável para flutuar, esta flutuação 
é discreta. Como citado anteriormente, se uma pessoa média tem 2% de flutuação positiva, ela pode 
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não ter habilidade de fazer com que o corpo se equilibre de modo que estes 2% de seu corpo sejam 
exatamente a porção vital – a face –, de forma a possibilitar a manutenção da respiração. Geralmente, 
o comportamento de uma pessoa pouco habilidosa é desordenado, reativo, não conseguindo conciliar a 
sua capacidade de flutuação corporal existente com uma postura relaxada e econômica. A tendência é 
que ela se movimente demais, com muito esforço, cansando‑se facilmente, respirando ofegantemente, 
o que vem a provocar uma sensação de falta de ar pela ineficiência respiratória, podendo chegar, em 
alguns casos, ao pânico.
O papel do professor será de organizar a aprendizagem de habilidades básicas a princípio, para 
facilitar a aceitação da nova condição de equilíbrio, e assim aproveitar a capacidade física de flutuação 
através do domínio motor na água.
2.1.7 Fatores que influenciam a flutuabilidade individual
2.1.7.1 Influência do gênero
Em geral, mulheres tendem a flutuar mais do que os homens. A presença maior de tecido adiposo no 
sexo feminino, associada a ossatura menos densa, provoca maior flutuação.
2.1.7.2 Influência da idade
A tendência de acúmulo de tecido adiposo com o avançar da idade torna esta faixa etária com 
tendência à flutuação mais positiva. Além disso, a perda de densidade diminui a tendência negativa da 
estrutura óssea. Entretanto, essa maior facilidade em flutuar tem implicações nesta faixa etária, tornando 
mais difícil para alguns idosos conseguir afundar as pernas na direção do chão da piscina,sobretudo se 
houver acúmulo de gordura nas coxas, quadril e abdome. Como a potência e força musculares também 
diminuem com a idade, fica mais custoso levar os pés na direção do chão para se equilibrar.
2.1.7.3 Influência da respiração
Como já foi explicado, o indivíduo que consegue manter maior parte do seu pulmão cheio enquanto 
mantém uma respiração equilibrada conseguirá flutuar com mais facilidade. Geralmente indivíduos 
mais calmos, com menor desgaste físico e, portanto, controle respiratório preservado, poderão utilizar 
o volume corrente necessário para seu metabolismo mantendo, ainda, um maior volume de ar nos 
pulmões durante todo o ciclo respiratório, o que irá aumentar seu empuxo e consequentemente sua 
chance de flutuação.
2.1.8 Equilíbrio ao se estabelecer flutuação
Como parte final do conhecimento de Hidrostática do professor de natação, precisamos abordar 
a questão da posição do corpo em que o equilíbrio será estabelecido. Para isso, vamos considerar que 
praticamente todo o corpo de um nadador esteja submerso na água, o que é praticamente a situação 
real, pois a flutuabilidade positiva, quando existente, é pequena, diferentemente de um navio ou um 
iceberg, objetos em que parte considerável fica acima da superfície da água.
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Centro de massa
Como já estudado em Biomecânica, o centro de massa do corpo humano geralmente está 
posicionado no abdome, à frente da coluna, a cerca de 54 a 56% da estatura do indivíduo em média. 
Este ponto é onde se pode representar que está concentrado todo o peso do indivíduo, levando em 
conta o peso de cada parte do corpo e sua participação no peso total e distância relativa entre cada 
parte do corpo.
Centro de empuxo
De forma similar ao centro de gravidade, o centro de empuxo é a representação de um ponto 
onde está concentrada a aplicação da força de empuxo. Leva em conta o potencial de flutuação de 
cada parte do corpo e seus diferentes tecidos e respectivos volumes, que influenciarão no empuxo 
de cada parte.
O centro de empuxo dificilmente irá coincidir com o centro de massa em um ser humano, 
pois, em geral, há uma influência inversa dos componentes corporais, com um exemplo notável 
especialmente nos pulmões, que influenciam muito pouco no peso corporal e têm grande influência 
na flutuabilidade.
Analisando a composição corporal de um ser humano médio, podemos notar algumas 
considerações notáveis:
• Crânio: apesar da ossatura reforçada para proteção do cérebro, alguns dos ossos são “ocos” 
(pneumáticos). O cérebro, em si, é grande parte composto de água, o que torna esta parte do 
corpo de neutra a levemente negativa.
• Tórax: na parte superior do tronco, há a predominância dos pulmões – extremamente leves –, 
providenciando auxílio na flutuação. Manter os pulmões com volume corrente aumentado irá 
fornecer mais flutuabilidade.
• Abdome: a região inferior do tronco é caracterizada basicamente pela predominância 
de tecidos moles (vísceras), com densidade muito próxima à da água. A flutuabilidade 
negativa da cintura pélvica (óssea) geralmente é contrabalanceada pela tendência humana 
de acúmulo de gordura na região abdominal e de quadril em algumas raças, idades ou 
hábitos de vida sedentário. Geralmente, esta região é neutra tendendo a positiva caso haja 
tecido adiposo.
• Membros: braços e pernas têm característica de estruturação óssea forte, negativa. A presença 
de musculatura possui pouca influência na flutuabilidade, o fator predominante nos membros é a 
presença ou ausência de massa adiposa. Se ausente, certamente a tendência é negativa. Caso haja 
acúmulo de gordura, pode passar a ser bastante positiva, principalmente nas coxas, região típica 
de acúmulo de gordura.
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NATAÇÃO: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS
O professor verificará também na prática que em indivíduos não obesos a tendência do equilíbrio da 
flutuação é que a parte superior do tronco flutue e as pernas afundem, especialmente nos indivíduos 
do sexo masculino. Assim, ao levar em conta a posição do centro de gravidade e centro de empuxo, o 
equilíbrio estável se estabelecerá quando ambos estiverem na mesma vertical: o centro de gravidade 
(abdome) exatamente abaixo do centro de empuxo (tórax).
Ou seja, a flutuação na horizontal, como a maioria das pessoas reconhece como sendo relaxante, 
não é adquirida na maioria das situações, pois há uma tendência natural das pernas afundarem, a não 
ser que haja acúmulo de tecido adiposo significativo. Como as pernas afundam, geralmente as pessoas 
dizem que “não conseguem”, ou “não sabem” flutuar.
Na verdade, a flutuação é possível em grande parte das pessoas que mantiverem um volume 
pulmonar um pouco acima do volume corrente, mas não ocorrerá na posição horizontal do corpo. O 
torque gerado pela diferença da posição entre o centro de massa e o centro de empuxo fará com que 
as pernas afundem e o corpo assuma uma posição de equilíbrio mais verticalizada, com a água próxima 
do nível dos olhos, por exemplo.
Ainda assim, é possível assumir uma posição horizontal de flutuação se o indivíduo tiver habilidade 
suficiente para movimentar levemente membros inferiores, contrair o abdome para transferir parte da 
flutuação e talvez alguma movimentação de membros inferiores para equilibrar o conjunto e anular a 
tendência negativa dos membros inferiores.
Outra maneira de manter uma flutuação de sobrevivência é permanecer em repouso na posição 
vertical descrita anteriormente, com a cabeça semissubmersa, e controlar a respiração de forma lenta: 
logo após expirar, fazer uma hiperextensão da coluna cervical, quando a boca consegue alcançar o nível 
da superfície, aproveitar para inspirar e relaxar novamente a musculatura, permitindo voltar à posição 
de equilíbrio com a face semissubmersa.
Figura 24 – Com a hiperextensão da coluna cervical é possível levar a face para a 
superfície, inspirar, e depois novamente relaxar a musculatura e deixar a face ficar 
semissubmersa. Uma boa habilidade de coordenação, para economizar energia de sustentação
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2.1.9 Materiais de auxílio à flutuação
Alguns materiais podem ser utilizados pelo professor de natação para providenciar um apoio 
adicional a seus alunos. Os materiais mais comuns são as pranchas, os flutuadores de perna 
(pullbuoys), os espaguetes (macarrões) e boias de tamanhos e formas variadas. Esses materiais 
podem ser úteis no apoio físico para a flutuação, na diversificação das atividades, para ajudar 
no equilíbrio ou mesmo para isolar segmentos corporais para trabalho diversificado de braços 
ou pernas.
Figura 25 – Alguns materiais de auxílio à flutuação podem ser usados para aumentar 
as possibilidades de vivência, mas não como fonte única de segurança
Os materiais flutuantes funcionam para aumentar a flutuabilidade positiva. Pelo princípio 
de Arquimedes, já estudado, que diz que “todo corpo imerso em um líquido sofre a ação de 
uma força vertical, com sentido para cima e intensidade igual ao peso do líquido deslocado”, 
ao considerarmos o conjunto “indivíduo + boia”, por exemplo, teremos um volume bastante 
aumentado pelo volume da boia, cujo peso é quase insignificante, o que determina então o 
aumento na intensidade da flutuação.
Boias de braço
Muito comuns em praias e piscinas públicas, as chamadas boias de braço são um recurso popular 
para providenciar flutuação a crianças, pois os pais acreditam que as boias de braço irão facilitar o 
aprendizado da natação e prover segurança. Quanto àsegurança, o uso de boias de braço não deve ser 
feito sem a presença de um adulto, pois elas não garantem a permanência do rosto fora da água e ainda 
podem escapar do braço repentinamente. No mar, uma flutuação desassistida de uma criança pode 
deixa‑la à deriva, sendo levada para o fundo pelo vento ou correnteza. O professor pode orientar os pais 
quanto ao uso desse acessório.
Normalmente, pouco se usa este recurso em programas de ensino de natação de academias, clubes 
ou escolas, pois, ao invés de estimular a independência da criança na água, as boias podem causar uma 
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NATAÇÃO: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS
dependência de seu uso para a criança se sentir segura. No entanto, logicamente, o professor pode usar 
as boias dentro de um planejamento em que sejam componente importante.
Figura 26 – Crianças usando boias de braço devem permanecer sob supervisão
Espaguete (ou macarrão)
Conhecidos popularmente como espaguetes, esses tubos de espuma auxiliam na flutuação, 
especialmente em situações de aulas de adaptação ou recreação. Seu design em forma de bastão 
possibilita uma pegada segura, além da diversidade de apoios como:
• sob a coluna cervical – como travesseiro na flutuação dorsal;
• sob as axilas – flutuação dorsal;
• sob as axilas – flutuação ventral;
• sob a coluna lombar – flutuação dorsal;
• sob o abdome – flutuação ventral;
• entre as coxas – flutuação vertical (cavalinho);
• nó na cintura – crianças menores;
• sob os pés – para testar equilíbrio.
No caso de nadadores mais experientes, este formato longo atrapalha no deslocamento, pois gera 
uma maior resistência ao avanço.
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Figura 27 – O uso de espaguetes pode ser diversificado. Este material ajuda na 
flutuação estática, embora aumente a resistência quando o aluno está em deslocamento
Boias infláveis de formatos variados
As boias infláveis podem ter uma variedade enorme de formatos e usos. Desde bastões simples 
até figuras complexas como animais, passando ainda pelas tradicionais boias circulares infláveis (não 
confundir com as boias circulares salva‑vidas, que são rígidas).
Usualmente, podem ser usadas nas etapas mais iniciais da aprendizagem, quando o deslocamento 
não é o assunto principal, pois, por serem compressíveis, as boias infláveis possuem um volume grande, 
que atrapalha o deslocamento.
Boias com formatos de animais podem facilitar o aspecto lúdico das aulas e na ambientação de um 
aluno novo.
Figura 28 – Boias infláveis podem ser divertidas e criar um ambiente lúdico
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NATAÇÃO: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS
 Lembrete
Sempre oriente as crianças e os pais que as boias de auxílio de qualquer 
tipo não são equipamentos salva‑vidas. Em especial, dê ênfase que uma 
criança ou um adulto não estão seguros quando usando uma boia em 
local além de sua habilidade (local fundo, por exemplo). As boias podem 
escapar do alcance do nadador, que vai ficar em situação de emergência 
sem aviso prévio.
Tapetes flutuantes
Os tapetes flutuantes são artefatos de espuma especial que flutuam. Muitas vezes, são utilizados 
para forrar uma parte do chão no entorno da piscina, para isolar do frio nos momentos de permanência 
naquele local. Mas também são ótimo recurso para promover flutuação e um ambiente variado de 
estímulos. Podem ser realizadas brincadeiras de subir e pular, deitar e bater pernas, passar por baixo, 
engatinhar ou remar.
Como também ocorre no uso de boias flutuantes grandes, o professor deve ter cuidado quando a 
atividade proposta for permanecer em cima do material, pois qualquer desequilíbrio pode provocar a 
queda, que apesar de fazer parte de situações de ambientação e reconhecimento da água (desde que 
acompanhado pelo professor de perto), torna‑se perigosa se o material estiver próximo da borda – a 
criança pode se chocar com a borda da piscina. Portanto, ao usar o material com essa finalidade, tenha 
certeza que está longe o suficiente das bordas.
Figura 29 – Tapetes flutuantes estão disponíveis no mercado em vários formatos 
e tamanhos, sendo uma ótima opção para motivação e recreação na água
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Unidade I
Pranchas
As pranchas podem ser utilizadas de diversas formas com objetivos variados. Ao iniciante, pode 
funcionar como apoio para que possa levar consigo um meio adicional de flutuação. Pode ainda 
representar um apoio para que consiga ficar em pé com mais facilidade, ou até mesmo para ajudá‑lo 
em caso de desequilíbrio. Para indivíduos já adaptados a água, a prancha pode servir como referência 
visual e cinestésica, por exemplo, para que o aluno perceba melhor o alinhamento de seu braço em 
frente ao ombro. Pode também ser uma ajuda em habilidades novas a serem desenvolvidas como a 
respiração lateral no nado crawl, ou uma melhor posição de quadril no nado costas. Por fim, para 
nadadores bastante habilidosos, a prancha ainda servirá como elemento de apoio e posicionamento, de 
modo a permitir um trabalho intensivo de pernas, ou uma referência de posicionamento em exercícios 
educativos refinados.
Figura 30 – As pranchas são ótimos materiais para uso em todos os níveis de aprendizagem. 
Aos menos habilidosos, proporciona apoio, equilíbrio e flutuação adicional, 
de modo ativo (o aluno precisa segurá‑la), diferentemente das boias 
de braço. Para alunos habilidosos, servem de referência para execução dos movimentos
Flutuadores de pernas (pullbuoys)
Essas boias normalmente possuem formato de “8” e são para uso em membros inferiores. Devem 
ser colocadas entre as coxas, aproximadamente próximas aos joelhos, fornecendo flutuação para 
os membros inferiores. Alguns alunos iniciantes com dificuldade na propulsão de pernas terão uma 
facilitação para assumir uma posição mais horizontal, pois o flutuador atua diretamente em uma região 
geralmente de flutuabilidade negativa, e com uma melhor posição irão conseguir avançar melhor 
com o uso somente da braçada. A utilização dos flutuadores para alunos já experientes proporcionará 
uma melhor percepção da propulsão de braços e equilíbrio corporal, uma vez que o aluno irá parar 
de executar as pernadas. Também podem ser utilizados para desenvolver trabalhos de sobrecarga da 
braçada em atletas de treinamento.
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Figura 31 – Os flutuadores (pullbuoys) são elementos flutuantes com formato de “8” 
para serem usados nos membros inferiores. Note que, neste modelo, o formato 
é assimétrico (lado esquerdo é mais volumoso que o lado direito). Neste caso, o lado 
mais volumoso deve ser utilizado para cima, provocando maior estabilidade na posição
Materiais alternativos
Diversos materiais alternativos podem ser utilizados para trabalhar conceitos de flutuação com os 
alunos. Especialmente com crianças, em que os materiais obtêm um significado aumentado, mas também 
com adultos, o uso de materiais diferentes dos convencionais pode enriquecer sua aula. Garrafas pet, 
galões de água mineral, bolas etc. são itens que proporcionarão uma atividade variada e rica. Lembre‑se 
de lavar cuidadosamente os materiais antes de colocá‑los na água da piscina.
2.2 Hidrodinâmica e suas considerações sobre o ensino da natação
A Hidrodinâmica é a parte da Físicaque estuda a movimentação na água. Para o professor de natação, é 
importante compreender as questões relacionadas à propulsão do nadador e à resistência ao deslocamento.
Figura 32 – Observe este animal marinho adaptado à vida aquática: considerada 
lenta na Terra, a tartaruga marinha possui um casco hidrodinâmico, que causará 
pouca resistência ao avanço na água, enquanto seus membros são adaptados 
para funcionar como “pás de remos”, propulsionando de forma eficiente seu corpo
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2.2.1 Propulsão
Propulsão é a aplicação de força na água para obter deslocamento, ou seja, no caso de uma pessoa, é a 
eficiência de seus movimentos propulsivos que o impelirão para deslocar‑se na água. O professor de natação irá 
desenvolver em seus alunos o entendimento, percepção e domínio desses movimentos de braços, pernas e tronco.
Os movimentos de propulsão não ocorrem apenas nos quatro nados formais. Em qualquer interação com 
a água, o uso de alavancas para auxílio ao deslocamento pode ser considerado como propulsão. Uma pessoa 
que utiliza os braços para puxar a água enquanto anda pelo chão da piscina está fazendo movimentos de 
propulsão de membros superiores ao mesmo tempo que executa um movimento de caminhada.
Por exemplo, o nado “cachorrinho” utiliza uma combinação de gestos propulsivos de braços e pernas 
para obter deslocamento. Observe um cachorro nadando e você notará, comparativamente, que os 
membros superiores agem mais no sentido vertical, gerando propulsão para cima, fazendo com que a 
cabeça possa ser mantida para fora da água, através de flexão e extensão de ombro, cotovelo e punho. 
Já as patas traseiras agem lateralmente e intercaladamente, empurrando a água para trás em gestos de 
flexão e extensão de quadril, joelho e tornozelo, ainda usando como analogia o corpo humano.
Deve‑se ainda entender a diferença do deslocamento usando o apoio da borda (impulsão), ou 
seja, de um apoio fixo. Por outro lado, quando o nadador se “apoia” na própria água para se deslocar, 
denomina‑se como ato de propulsão. Partindo‑se dessa compreensão, podemos analisar o que ocorre 
através do entendimento dos movimentos das pernas, dos braços e do tronco.
Primeiramente, vamos verificar como as forças são aplicadas para obter deslocamento.
Segundo a 3ª Lei de Newton, conhecida como lei da ação e reação, explica que “toda força aplicada 
em um corpo gera uma reação de mesma intensidade e direção, no sentido contrário”.
Figura 33 – Quando uma pessoa aplica força no chão para trás, a reação é uma força para a 
frente, que moverá o corpo. Note que na água o atrito não é perfeito, ou seja, parte da força aplicada 
irá mover o corpo do nadador para a frente, enquanto parte da força é perdida em deslocamento da mão para trás
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NATAÇÃO: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS
No caso de um nadador, ele aplica força na água, e a água “o empurrará” para frente. Assim, o gasto 
energético da contração muscular pode ser transformado em movimento na água.
Figura 34 – Ação e reação: um mergulhador consegue empurrar uma maior quantidade 
de água a cada pernada, utilizando um equipamento chamado “nadadeira”
James Counsilman foi um dos precursores do estudo da propulsão de nadadores, em 1968, quando 
escreveu seus primeiros estudos, comparando as braçadas de nadadores de destaque americanos e 
notando que as braçadas seguem uma maior ou menor acentuação do padrão em formato de “S” ao 
invés de uma braçada inteiramente reta para trás, atribuindo a um fator chamado de “águas paradas”, 
onde seria mais vantajoso procurar apoio em porções de água parada do que impelir sempre a mesma 
quantidade de água já em movimento para trás.
 Saiba mais
Para saber um pouco mais sobre a evolução dos conceitos de 
hidrodinâmica desde a época de Counsilman, veja a obra:
STAGER, J. M.; TANNER, D. A. Natação: manual de medicina e ciência do 
esporte. 2. ed. Barueri: Manole, 2008.
Entretanto, a água não é um apoio sólido. Assim, quando o nadador realiza um gesto propulsivo, como 
quando, por exemplo, a mão empurra água em uma braçada, parte da força é transformada em reação 
à frente e parte em um “escorregamento” da mão para trás, diferentemente de uma pessoa que se apoia 
no corrimão de uma escada. Esse é o comportamento da movimentação dos membros na água, com uma 
“perda” imposta pela característica do meio aquático. Um dos motivos preconizados pelos técnicos para 
que a braçada não seja feita em linha reta direta, mas sim com sinuosidades, é para tentar apoiar‑se em 
“águas paradas” ao invés de empurrar uma mesma massa de água já em movimento até o fim.
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Em conjunto à aplicação da 3ª Lei de Newton, o princípio do vórtice explica a porção do movimento 
adquirido sem empurrar a água diretamente para trás. Segundo este princípio, o deslocamento de um 
membro em sentido oblíquo ao deslocamento gera um vórtice, com a água circulando em torno de um 
eixo, e esse vórtice também gera propulsão, assim como acontece nas asas das aves ou nadadeiras de 
mamíferos marinhos.
Ernest Maglischo (1999), por sua vez, inicialmente defendeu o Princípio de Bernoulli para explicar 
o deslocamento na água, onde a pressão maior na palma da mão de um nadador impelia o corpo 
na direção da pressão menor – na direção do dorso da mão. Entretanto, mais tarde, entendeu‑se 
que o princípio de Bernoulli não podia ser aplicado para a natação, e a Teoria do Vórtice passou a 
compreender a explicação do movimento quando não era gerado diretamente pelos princípios da 
3ª Lei de Newton.
 Saiba mais
Conheça os estudos de Maglischo consultando uma de suas obras:
MAGLISCHO, E. Nadando ainda mais rápido. São Paulo: Manole, 1999.
Estas características geram impacto tanto na percepção de equilíbrio, quando uma pessoa pouco habilidosa 
tenta se apoiar na água para se levantar e não consegue se equilibrar, como também em nadadores de alto 
nível, que tentam maximizar seu apoio na água com as técnicas apuradas de braçada e pernada.
2.2.1.1 Propulsão de braços
Os movimentos específicos da braçada de cada nado formal serão analisados posteriormente. Por 
enquanto, vamos entender os efeitos da movimentação geral de braços na água.
Conforme estudado na 3ª Lei de Newton, ao empurrar a água diretamente para trás, a propulsão 
gerada empurrará o corpo para a frente, lembrando de considerar o “escorregamento” da mão para trás, 
que é um custo energético a ser considerado.
Em nados elementares, de sobrevivência ou utilitários, não se busca a velocidade, mas sim uma 
sustentação estável. Os movimentos de braço são simples, geralmente para garantir o acesso do rosto 
à superfície e colaboração no deslocamento. Em especial nos nados utilitários e para salvamento, é 
necessário ainda assegurar que o objeto ou resgatado também tenha estabilidade.
Já nos chamados nados formais ou competitivos – crawl, costas, peito e borboleta –, busca‑se 
eficiência no quesito velocidade. Isso significa que está em curso a constante melhoria técnica do gesto 
da braçada, além do esforço na preparação física e psicológica do atleta. Para uma propulsão eficiente de 
braços, o nadador irá realizar alavancas de forma a aplicar força da maneira mais produtiva dependendo 
da posição dos segmentos em cada fase da braçada.
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NATAÇÃO: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS
As braçadas dos nados agem para conseguirreação e movimento à frente. Além dos trechos do 
movimento da braçada que empurram a água diretamente para trás, em alguns momentos as mãos agem 
em sentido oblíquo ao deslocamento, como será visto nas descrições de cada nado. Ainda assim, com a 
velocidade e a posição adequada das mãos pode‑se empurrar a água em movimentos oblíquos, como se 
fosse a ação de uma hélice de barco, em que as pás giram inclinadas e geram resultante à frente.
Figura 35 – Os palmares são equipamentos que aumentam a superfície ou provocam alteração na sensibilidade da água na mão 
do nadador, contribuindo, assim, para melhorar sua propulsão. Podem ser usados nos nados formais ou na experimentação da 
movimentação na água. Também promovem sobrecarga para trabalhos de força
A mão deve estar sempre com a palma virada para trás, ou seja, na direção dos pés, e devem estar 
espalmadas com dedos estendidos e próximos uns dos outros. Fazer com os dedos uma posição de 
“concha”, na verdade, diminui a superfície de contato com a água e, portanto, a possibilidade de 
aplicação de força. Para nadadores de alto nível, parece que o polegar abduzido (afastado da mão) gera 
um melhor ângulo de ataque e maior força de sustentação (TAKAGI et al., 2001 apud STAGER; TANNER, 
2008), embora ainda haja campo para pesquisas com opinião contrária.
2.2.1.2 Propulsão de pernas e de tronco
Dessa mesma forma oblíqua, as pernadas de alguns nados elementares utilizam a movimentação oblíqua 
do pé, em que ele não empurra água diretamente para trás, mas ainda assim obtém resultante uma reação à 
frente. Nos nados não formais, pode‑se citar a chamada “tesourada”, um movimento em oposição das pernas 
(enquanto um lado flexiona o quadril, o outro estende), aproveitando ainda uma fase de deslize ao final.
Nos nados crawl e costas, a flexão do quadril e extensão de joelho e tornozelo vão provocar um 
movimento de “chute”, no qual a face anterior da perna e pé irão criar uma resultante para a frente.
No nado borboleta, inclui‑se um movimento também do tronco como conjunção ao movimento da 
pernada, a chamada “golfinhada”. Este movimento de golfinhada (só que em submersão) também pode 
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Unidade I
ser utilizado para manter a velocidade no início de cada piscina não só no borboleta, como também nos 
nados crawl e costas.
Já no nado peito, a ação ocorre através da extensão de quadril, joelho e tornozelo, enquanto as 
pernas realizam adução, gerando também um movimento dos pés, que empurram a água gerando 
resultante para a frente.
Os movimentos específicos das pernadas dos nados formais também serão abordados posteriormente.
2.2.2 Resistência ao deslocamento
A outra parte importante da Hidrodinâmica que nos interessa diretamente é como minimizar a 
resistência da água ao movimento do nadador. O professor de natação deve entender o conceito de 
resistência e ensinar as técnicas a seus alunos para que o gasto energético para superar esta resistência 
seja o menor possível.
Esta parte da Hidrodinâmica é também bastante complexa. Veja no quadro a seguir uma visão 
completa dos tipos de arrasto segundo Stager e Tanner (2008):
Quadro 3 
Arrasto de forma Arrasto de fricção Arrasto de onda
Arrasto de borrifo Arrasto de interferência Arrasto induzido
Arrasto passivo Arrasto de pressão Resistência de turbilhão
Adaptado de: Stager e Tanner (2008).
Em uma visão simplificada, podemos dividir a resistência ao deslocamento do nadador em três 
diferentes tipos: frontal, de fricção e de esteira.
2.2.2.1 Resistência frontal
A resistência frontal – a mais fácil de ser entendida pelos leigos – refere‑se à água parada à frente 
do nadador, que deve ser por ele deslocada para que o seu corpo tenha movimento. O princípio da 
impenetrabilidade da matéria atesta que “dois corpos distintos não podem ocupar o mesmo lugar no 
espaço” (BAPTISTA, 2006, p. 541). Assim, para passar, o nadador precisa deslocar a água que está à 
sua frente, e essa necessidade de deslocar a massa de água tem um custo energético e é chamada de 
resistência frontal. Talvez seja possível comparar a um carro de Fórmula 1, cuja características de linhas 
aerodinâmicas vai minimizar a resistência frontal do ar.
Eventualmente, a resistência frontal pode ser interessante ao criar uma sobrecarga planejada em 
trabalhos específicos, como rebocando um “paraquedas aquático” (material específico para aumentar o 
arrasto), ou mesmo quando o professor solicita que o aluno realize o trabalho de pernadas segurando a 
prancha “na vertical”, ou seja, aumentando a resistência propositalmente.
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2.2.2.2 Resistência de fricção
O segundo tipo de resistência que pode ser explicado é a resistência de fricção. Devido à viscosidade 
da água, ela gera uma camada envolvendo todo o corpo, e o seu descolamento da superfície da 
pele tem um custo energético. Mantendo a comparação com um carro de Fórmula 1, o mecânico 
de uma equipe irá manter a superfície do carro muito limpa, de modo a diminuir a fricção do ar 
com partículas aderidas à carenagem, que geram turbulência indesejada. Já no nadador, o uso de 
bermudas largas, por exemplo, pode gerar resistência aumentada. A resistência de fricção da pele é 
responsável por 1/4 a 1/3 do arrasto total de um nadador em nível subaquático (BIXLER, 2004 apud 
STAGER; TANNER, 2008, p. 78).
Figura 36 – A diminuição de atrito de fricção tem na sua 
forma mais radical a raspagem de pelos do corpo
2.2.2.3 Resistência de esteira
Uma última forma de resistência que interessa a nossos estudos é a resistência de esteira, que é 
aquela formada pela turbulência após a passagem do corpo na água. Neste momento, a água precisa 
preencher o espaço deixado pelo deslocamento do nadador que passou por aquele ponto. Comparando o 
nadador com um veículo em movimento, quando o veículo passa por um ponto na estrada e em seguida 
deixa de ocupar aquele espaço, este deve ser preenchido por ar, o que gera uma turbulência na parte 
traseira do veículo, que o acompanha durante o trajeto. Esta área de baixa pressão deve ser preenchida 
com ar novamente, e essa turbulência dificulta o avanço do carro quanto menos aerodinâmica sua 
forma apresentar.
Assim como no carro, um nadador irá sofrer esta resistência de esteira, ou seja, a turbulência que ele 
gera com a sua passagem na água irá afetar o seu desgaste para se locomover.
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Unidade I
Figura 37 – O desalinhamento do corpo ou de segmentos corporais prejudica a hidrodinâmica. 
O desenvolvimento de noção do corpo, espaço e movimentos vai melhorar este 
aspecto à medida em que o nadador desenvolve suas habilidades
Resumindo este tópico dos estudos da Hidrodinâmica, as forças de resistência que mais 
interferem no deslocamento de um nadador são a resistência frontal, que é representada pela 
“quebra” da água à frente do nadador; a resistência de fricção, aquela que ilustra a dificuldade na 
passagem da água em contato com o seu corpo e demais elementos (óculos, touca, sunga, maiô 
etc.); e a resistência de esteira, caracterizada pela maior ou menor presença de turbulência após a 
passagem do nadador.
O professor de Educação Física irá, ao desenvolver as técnicas de natação com seus alunos, tentar 
minimizar os efeitos de resistência ao deslocamento, tornando menos cansativo e mais eficiente a 
movimentação do aluno na água, desde os princípios básicos de deslocamento na água, antes mesmo 
de abordar os nados formais. Essa base de conhecimento e experiência vaipermitir aos alunos utilizarem 
os conceitos quando progredirem nos gestos dos nados.
Para minimizar a resistência frontal e de esteira, o posicionamento do corpo é fundamental. 
Os segmentos corporais devem estar alinhados com o tronco nas fases críticas de cada nado, 
assim diminuindo a magnitude dessas resistências. Já para a resistência de fricção, é importante 
usar trajes adequados para diminuir a dificuldade da água em passar ao longo do contato com 
o corpo do nadador, por exemplo, evitando uso de bermudas largas e adotando a sunga para os 
homens. Em alto nível competitivo, Sharp e Costill (1989) mediram em um estudo a redução do 
efeito de resistência em nove atletas depilados em relação a nove atletas do grupo controle que 
não se depilaram. Atletas acreditam que a depilação do corpo pode minimizar a resistência de 
fricção, e realmente nas etapas decisivas em que participam após depilar o corpo, seu rendimento 
melhorou; contudo, é difícil quantificar qual parcela da melhora pode ser atribuída à ausência 
de pelos e qual pode ser imputada a fatores psicológicos ou cinestésicos associados à retirada 
dos pelos corporais.
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NATAÇÃO: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS
3 METODOLOGIAS DE ENSINO NAS FASES DE INICIAÇÃO E DA APRENDIZAGEM 
DAS HABILIDADES DA NATAÇÃO E IMPORTÂNCIA DA LUDICIDADE NO ENSINO 
DA NATAÇÃO
3.1 Metodologia de ensino na fase de adaptação ao meio aquático
A palavra metodologia significa estudo de meios, caminhos para alcançar um objetivo, que no caso 
da natação é ensinar o aluno a nadar. O responsável pela escolha do método de ensino mais adequado 
é o professor de natação, o qual deve ter formação e capacitação para atuar com conteúdos específicos 
que envolvem esta modalidade.
A metodologia de ensino envolve planejamento, organização, aplicação e avaliação de conteúdos. 
Todos os procedimentos relacionados a uma metodologia de ensino devem ser estudados, analisados, 
avaliados de forma consciente, pois a escolha de um método deve sempre proporcionar um caminho 
fácil, seguro e eficaz.
 Observação
O estudo, compreensão e análise de conceitos e aplicações da metodologia 
é imprescindível ao professor de natação. É preciso conhecer, escolher e aplicar 
corretamente o método para que o processo de ensino e aprendizagem se 
efetive como tal. Não fosse assim, a prática da natação seria um conjunto de 
atividades performadas aleatoriamente, sem fundamentação.
3.1.1 Histórico do ensino da natação
Durante os primórdios do ensino da natação, no Renascimento, por volta do século XVI, praticantes 
da “arte do nadar” (nobres e militares) sentiram a necessidade de ter um mestre que os orientasse a 
nadar sem correr risco de afogamento. Esses mestres criaram recursos como exercícios em terra para 
atender ao objetivo dos praticantes quanto à segurança deles posteriormente na água (fase de exercícios 
“no seco”). No século seguinte foram difundidas outras práticas, como exercícios de flutuação e uso de 
vários artefatos ainda para atender ao mesmo objetivo: a segurança no meio aquático. Assim, nota‑se 
que desde o início o interesse pela técnica do nadar tinha o objetivo de amenizar os riscos que os 
praticantes corriam no meio aquático.
Em 1538, segundo Scaglia et al. (1999, p. 34), “Nicolaus Wynmann publicou o 1º manual de natação 
– Colymbetes – contendo técnicas e métodos da natação enfatizando a natação de bruços (peito)”.
O alemão Guts Muths, já no final do século XVIII e início do XIX, além de seu trabalho ímpar nas 
origens da ginástica, também influenciou no ensino de natação ao escrever um tratado dividido em três 
partes: na primeira, o nadador treinava fora da água, sustentado por um tipo de guindaste; em seguida, 
era colocado ainda com a sustentação na água, para repetir os movimentos; por fim, deveria realizar os 
movimentos sem a ajuda da sustentação.
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Unidade I
Figura 38 – Instrução de natação fora da água. Note a roupa formal da professora na década de 1930
Figura 39 – Antigo “guindaste” para aprendizagem de natação. Acreditava‑se 
que se o aluno fizesse os gestos suspenso fora da água, e depois 
os repetisse na água, o aprendizado seria efetivo
No início do século XIX, o espanhol Cel. Francisco Amoros y Ondeano ressaltava, em sua obra, a 
importância de se saber nadar para defender‑se do inimigo e salvar pessoas no meio aquático. A prática 
da natação foi assim sendo considerada de extrema importância e tomando‑se regra para aqueles que 
queriam melhorar a postura e adquirir um certo vigor físico, tanto para os homens quanto para as 
mulheres. Fernandes (2006) citando Azevedo (1960), que em seu livro A Educação Física também enfatiza 
a importância da natação como caráter estético do corpo, principalmente para as mulheres (segundo 
pensamentos da época), reforçando o pensamento de prepará‑las exclusivamente para a maternidade, 
pois se parissem filhos homens, estes seriam fortes para defenderem a pátria, e se parissem mulheres, 
seriam robustas para gerarem filhos saudáveis (FERNANDES, 2006).
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NATAÇÃO: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS
Figura 40 – O aprendizado da natação através do lazer tem sido uma agradável oportunidade ao longo da história. Diferentemente 
das cidades grande atuais, o contato com a água não dependia do acesso a clubes ou academias
Com o passar do tempo, foram levantadas outras questões referentes ao ensino da natação, como, 
por exemplo, a de que o homem não aprende a nadar devido ao medo do desconhecido. Em sendo assim, 
era preciso primeiro fazer com que o medo deixasse de existir para que depois ocorresse o aprendizado. 
Dessa forma foi criado um método de ensino de natação para trabalhar este aspecto psicológico do 
comportamento: o medo de nadar. Assim, antes de ensinar a nadar era preciso realizar um trabalho que 
visasse à familiarização com o novo meio.
No Brasil, o autor mais reconhecido por dar atenção à essa fase com mais evidência foi o prof. David 
Camargo Machado, em 1978, na sua publicação Metodologia da Natação.
Diversos autores oferecem diferentes abordagens para que professores dividam o ensino da natação 
em fases. Cabe ao professor analisar as opiniões e utilizar aquelas que mais se adequem à sua realidade.
Algumas divisões simplificadas sugerem, por exemplo, que aprendizagem é a fase antes dos nados 
formais até os aspectos iniciais das habilidades dos nados crawl e costas. O aperfeiçoamento seria o 
ensino dos nados peito e borboleta, além da melhoria dos anteriores.
Uma abordagem interessante é feita por Damasceno (1997), que propõe às primeiras 
três etapas uma atenção específica (segurança, enriquecimento adaptativo e deslocamentos 
construtivos), mais generalidade na etapa seguinte (ensino dos quatro nados formais), pois cada 
nado vai se desenvolver a seu tempo ou paralelamente, e uma etapa final optativa, a prática 
desportiva competitiva, evidenciando que esta última não pode ser considerada como objetivo 
final para todos os alunos.
Didaticamente, dividiremos neste material a sequência da evolução de um aprendiz de natação 
em algumas fases, embora este processo seja um contínuo, o qual, muitas vezes, pode receber 
outras classificações de autores diferentes. Desde os primeiros contatos até a proficiência nos 
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quatro nados há um longo caminho a ser percorrido, e nem sempre os aprendizes apresentam asmesmas reações e velocidades de aprendizagem.
Entenderemos por fase de iniciação a participação em algumas etapas em que o aluno vai ganhar 
enriquecimento sensorial, psicológico, cognitivo e motor sobre seus primeiros contatos e reações com a 
água, até obter autonomia de controle respiratório, de equilíbrio e posicionamento na água.
As atividades da fase de iniciação devem ser dirigidas com cautela, mas de forma a despertar a motivação 
do aluno para a prática. O professor deve estar atento aos alunos, acompanhando‑os de perto, de preferência 
de dentro da piscina. Ele deve sempre se posicionar em local onde todos possam vê‑lo e ouvi‑lo. A orientação 
sobre as atividades deve ser dada de forma clara e objetiva, e o professor deve saber esperar a resposta do 
aluno e sempre proporcionar o feedback. Nesta etapa é importante o trabalho com estratégias que envolvam a 
forma lúdica, com utilização de músicas, jogos, brincadeiras, gincanas, atividades rítmicas, dentre outras, para 
levar alegria e mais leveza às aulas. A utilização de materiais diversificados ajuda a enriquecer a experiência 
de equilíbrio de adultos e crianças, também influenciando no aspecto da motivação.
3.1.2 Adaptação ao meio aquático
A etapa de adaptação ao meio aquático é a primeira etapa da fase de iniciação da natação. Ela 
deve ser compreendida como um período de conhecimento e exploração; deve anteceder todos os 
demais aprendizados e preparar o aprendiz para as etapas seguintes. O primeiro objetivo a ser atingido 
é promover a superação do medo, pois ele causa desconfortos corporais (como a rigidez ou tensão 
muscular) e psíquicos (aumento da ansiedade) que interferem de forma negativa no aprendizado 
subsequente. Também nesta etapa deve‑se proporcionar a confiança ao aprendiz, tanto no professor 
que o ensina, mas principalmente nele mesmo, pelo domínio de habilidades básicas à medida em que 
avança pelo processo. Pretende‑se, nesta etapa, alcançar a consciência e autonomia corporal e psíquica 
fundamentais ao aprendizado.
Figura 41 – A adaptação ao meio aquático passa por etapas muitas vezes imperceptíveis, 
mas que para indivíduos sensíveis fazem parte de um processo de aceitação da água e sua 
interação, como quando gotas de água espirram no rosto e deixam de incomodar uma criança
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A adaptação ao meio aquático não é uma etapa com início e final bem definidos. Ela começa 
antes mesmo da entrada do aluno na água e está relacionada à atenção, segurança, conforto, 
conhecimento e respeito. Esta etapa inicial deve proporcionar ao aprendiz uma experiência com 
o meio aquático fazendo com que ele sinta, perceba, construa sua autoimagem neste meio. Neste 
momento, o professor de natação deve orientar seu aluno para que ele adquira uma autoconsciência 
sobre tudo o que acontece com seu corpo quando imerso, entre sensações e percepções. Esta 
percepção permite que o aprendiz adquira a consciência corporal que o auxiliará no aprendizado 
das habilidades motoras básicas nas etapas seguintes.
No período da adaptação, o aprendiz deve ser levado a explorar o meio aquático para adquirir 
segurança, confiança e autonomia na sua permanência na água. Um bom trabalho realizado nesta 
fase facilita a aprendizagem na etapa seguinte, pois o aprendizado é um processo dinâmico, não 
linear, e é influenciado pelos estímulos recebidos do ambiente e experiência com tarefas diversas 
que permitam o progresso.
As atividades realizadas nesta etapa envolvem a entrada na água de forma segura (utilizando 
uma escada ou partindo da posição sentada na borda) e o deslocamento utilizando as habilidades 
motoras básicas – andar, correr, saltitar na água de diversas formas (segurando na borda, em 
duplas, sozinho, com um material de apoio ou sem material) – e a imersão (gradual) do rosto na 
água. Após este trabalho inicial, serão trabalhadas as habilidades básicas da natação: controle 
respiratório; flutuação/equilíbrio; propulsão e submersão. O enfoque a ser utilizado é o educativo, 
que significa que o professor deverá se apoiar em métodos de ensino que envolvam planejamento, 
prática e avaliação.
Figura 42 – A adaptação ao meio aquático é importante forma de tornar a atividade 
menos estressante e mais prazerosa ao aluno. Pequenos gestos como aceitar 
a água em contato com o rosto fazem parte desta fase
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 Lembrete
Cabe ao professor de natação planejar, supervisionar e dirigir as 
atividades para que nenhuma ameaça à segurança dos alunos se estabeleça. 
Ainda é preciso estar atento à falta de habilidade do aluno. O ambiente 
deve ser supervisionado antes, durante e após as aulas, pois nessa fase o 
contato com a água pode gerar risco de afogamento.
Um primeiro passo é garantir o acesso tranquilo do aluno para a piscina. Alguns alunos podem 
facilmente se sentar na borda e com um pequeno impulso ficarem em pé na piscina. Outros precisam de 
tempo para descer cuidadosamente a escada até aceitarem estar envoltos pela água. Para esses alunos 
com maior dificuldade, a água transmite a sensação de desequilíbrio.
Após completar a tarefa da entrada e permanência do aluno na água em sensação de 
conforto, devem‑se trabalhar os deslocamentos ainda na posição vertical, com os pés no 
chão, para reconhecimento do espaço, utilizando para isto as habilidades motoras básicas de 
locomoção como andar, correr, saltitar, saltar, agachar, girar, dentre outras. Dependendo dos 
níveis de adaptabilidade e medo, primeiro permita ao aluno fazer este trabalho usando apoio 
na borda, depois pode‑se apoiar na raia (menos estável do que a borda) ou com material 
transportável (prancha ou espaguete, por exemplo). Esse trabalho inicial em alguns alunos 
vai ser a mera constatação de que ele pode prosseguir com facilidade, ou ainda a verificação 
de que há necessidade de permanecer por um período nesta etapa, pois o aluno não tem 
condições de avançar.
Quando o aluno adquirir maior autonomia e equilíbrio, pode depois executar os movimentos 
em dupla, trios e, por último, sozinho. Para deixar a atividade mais interessante, pode‑se utilizar de 
brincadeiras e jogos tanto para o público infantil como para o público adulto. Podem‑se promover 
pequenas gincanas, desafios do tipo: “quem consegue: atravessar a piscina mais depressa, mais devagar, 
carregando a maior quantidade de objetos?”
Esteja atento, especialmente, às piscinas que possuem desníveis, como uma rampa ou degrau. Este 
local deve ser supervisionado pessoalmente pelo professor, pois o aluno pode se desequilibrar e ter 
dificuldades em manter o rosto acima da superfície.
3.2 Desenvolvimento das habilidades básicas para a natação
Como complemento à etapa de adaptação ao meio aquático, iniciaremos o desenvolvimento das 
habilidades básicas para a natação: controle respiratório, flutuação e propulsão, passando por habilidades 
de equilíbrio, necessárias para o aluno assumir a posição que deseja a qualquer momento.
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3.2.1 Imersão da face e controle respiratório
O próximo objetivo é a imersão da face na água, prendendo a respiração. Para muitos alunos, esta 
execução é um momento difícil não pela complexidade em si, mas porque envolve o medo de colocar o 
rosto na água, causado por uma sensação de desconforto. O momento adequado para que esta ação seja 
praticada tem relação direta com a familiarização com o meio aquático. O processo será facilitado pelo 
reflexo de mergulho dosmamíferos, que se manifesta ao imergir o rosto na água, provocando a apneia.
Os exercícios para imersão do rosto na água devem começar na posição apoiada em pé e depois 
associá‑los e aprimorá‑los com a flutuação e o deslocamento em decúbito ventral. Pode‑se utilizar a 
forma lúdica para estimular que a habilidade seja realizada de forma mais tranquila e natural.
Ganhar domínio sobre sua respiração significará para o aprendiz conseguir evitar episódios de 
inalação de água, engasgamentos ou sensação de conforto e segurança.
Munster e Alves (2010) propõem que tal habilidade seja treinada em diferentes abrangências, como 
direcionamento oral, nasal ou ambos velocidade (lenta ou rápida), intermitente ou contínua. Dessa 
forma, conquista‑se a consciência e dominância sobre o ato respiratório.
Figura 43 – O desenvolvimento da imersão do rosto na água e o controle 
respiratório vão permitir que a pessoa se acostume com a sensação, 
diminuindo o desconforto e possibilitando a progressão do aprendizado
O medo
O medo é uma realidade que afasta inúmeros potenciais aprendizes do engajamento na natação 
ou mesmo da recreação na água. Observe sinais, muitas vezes racionais como uma conversa com 
alunos adultos, ou implícitos no choro da criança, ou faltas do aluno às aulas, significando que está 
evitando a atividade.
Por outro lado, o medo também tem uma função de proteção inerente ao comportamento, uma vez 
que uma pessoa com medo evita o contato potencialmente perigoso com a água.
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Unidade I
Figura 44 – Como pode um bebê adaptar sua respiração à imersão no meio aquático 
 antes mesmo de aprender a andar, entender significado das palavras ou falar? O reflexo de 
mergulho dos mamíferos e a estimulação correta provocarão ótimos resultados!
Novamente, devemos fazer uma observação importante, pois a velocidade de adaptação do aluno 
é que vai servir de medida para a progressão das etapas. O professor deve seguir de perto alunos que 
demonstram dificuldade, desconforto, aflição ou medo de imergir a face na água, respeitando a carga 
emocional que se demonstra através desta dificuldade, logicamente muito além da simples constatação 
de que ele consegue ou não fazê‑lo.
Uma vez constatado que o aluno consegue confortavelmente colocar o rosto na água e aceitar a 
sensação de estar com a face sem acesso direto ao ar, vamos trabalhar o aspecto de controle respiratório.
 Observação
Algumas vezes, a recusa em inserir o rosto na água é instintiva e de 
preservação da vida. O aluno sente‑se ameaçado pela água. Nestes casos, 
uma estratégia pode ser levar as mãos cheias de água até a boca, para 
fazer “bolinhas”, e até os olhos, como que lavando o rosto. Isso diminui a 
sensação de ameaça, pois o aluno não tem que afundar o rosto na água 
inicialmente. Considere este exercício apenas um dos inúmeros aspectos 
que o professor deverá ter sob seus cuidados.
O controle respiratório é essencial para o conforto no meio aquático e para melhor evolução nas 
próximas fases. A respiração na natação é feita de modo diferente da respiração habitual e depende de 
uma adaptação.
A inspiração é feita pela boca, para otimizar a quantidade de ar captada e evitar irritação da mucosa 
nasal por partículas de água inspiradas com o ar. Ao inspirar pela boca um nadador mais experiente 
consegue ainda bloquear momentaneamente a respiração e separar o ar da água que porventura tenha 
entrado no momento da inspiração, evitando engasgos.
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Já a expiração, mais prolongada, pode ser feita pela boca e nariz, que terão que vencer a resistência 
da água. A expiração somente pelo nariz é insuficiente devido ao baixo volume, pois normalmente o 
aluno tem a necessidade de uma troca rápida do seu ar, seja porque está fazendo esforço físico, seja 
porque tem pouca habilidade e, portanto, “urgência” em respirar logo.
A respiração correta evita perturbações nos seios e mucosas nasais, pois impede‑se a passagem de 
água pelas vias respiratórias, as quais são facilmente irritáveis.
A prática de exercícios específicos deve tornar a respiração regular consciente e de fácil execução, 
sendo a automatização atingida num estágio posterior. São comuns as dificuldades de controle da 
entrada e saída do ar, precisando o aluno pensar sobre a coordenação de sua respiração com o ato de 
imergir o rosto na água ou mesmo afundar o corpo na água.
Por isso, como sugestão inicial, pode‑se trabalhar primeiro com exercícios de consciência e 
controle respiratório sem afundar o rosto na água, permitindo a prática sem o risco de inalação de 
água, para depois fazer o mesmo imergindo a face na água. A aquisição do controle respiratório 
depende de muita prática.
Exercícios de controle respiratório são importantes para o aluno dominar sua própria respiração. Ele 
deve conquistar poder de decisão e controle sobre quando quer inalar pela boca, quando deseja exalar 
pelo nariz, pela boca ou ambos, como evitar que a água entre pelas narinas etc.
Em uma segunda etapa, o aluno vai começar a interagir com a água de forma mais produtiva, 
ou seja, ao invés de apenas “aceitar” sua imersão, vai provocar interação com resultados 
cada vez mais significativos. Chamada por Velasco (1997) de “enriquecimento adaptativo”, 
pressupõe que o aprendiz já se acostumou às sensações no convívio com a água e está pronto 
para adicionar experiências sensoriais e motoras que o levarão a dominar algumas habilidades 
básicas da natação.
Ao terminar esta fase, o aluno conseguirá respirar e reter a respiração com tranquilidade, 
coordenadamente com o fato de sua face estar submersa ou imersa na água, antevendo e 
planejando quando deseja prender, soltar o ar ou inspirar, pois terá consciência de sua posição, 
equilíbrio e previsão de levantar ou afundar o rosto na água, levando em conta sua situação 
de flutuação e busca do equilíbrio para levantar‑se. Isso será importante para aplicarmos 
esta habilidade juntamente com o desenvolvimento dos deslocamentos e posteriormente dos 
nados formais. Como a demanda respiratória aumenta devido ao esforço muscular durante 
deslocamentos, haverá necessidade de realizar uma respiração eficiente para suprir de oxigênio 
o organismo durante o nado.
Exercícios estáticos de levantar e abaixar o rosto na água fazendo “bolhinhas” podem ser em seguida 
realizados com a caminhada na água, com os pés no chão, segurando uma prancha para orientação e 
equilíbrio, enquanto eleva e afunda a cabeça, inspirando e depois soltando o ar enquanto submerso. 
Essa dinâmica vai ser importante logo a seguir, quando conjugarmos a propulsão e o aluno for capaz de 
movimentar‑se batendo pernas.
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3.2.2 Flutuação e equilíbrio
A flutuação é a capacidade de manter o corpo parcialmente na superfície da água. Ela é essencial 
porque é a partir da percepção do equilíbrio em flutuação que será possível realizar a propulsão, que 
permite o deslocamento no meio aquático.
De acordo com os princípios de Hidrostática estudados anteriormente, sabemos que é possível que 
alguns alunos não possuam a capacidade individual de flutuação. O professor saberá identificar estes 
casos após verificar se o aluno realmente afunda por sua densidade ser alta ou, por outro lado, porque 
se movimenta desordenadamente ao não se sentir seguro quando sustentado pela água. Nestes casos 
de indivíduos com característica negativa de flutuação, o professor pode optar em utilizar uma prancha 
para que o aluno neutralizea tendência de afundar e possa prosseguir com o aprendizado do equilíbrio 
estático do corpo na água. Em breve, o aluno obterá habilidades básicas de palmateio, podendo abrir 
mão da prancha, pois terá habilidade para se manter na superfície, ainda que ativamente fazendo 
movimentos controlados, mas com pouco gasto energético.
A flutuação poderá ser trabalhada nas posições grupada, ventral e dorsal. Inicialmente é mais fácil 
trabalhar a autonomia nas posições grupada e ventral, pois ela é mais confortável e mais fácil de ser 
estabelecida, ainda que dependa do controle respiratório que está sendo desenvolvido paralelamente. 
É importante que o aluno já tenha experimentado a imersão do rosto na água em apneia ou já tenha 
adquirido o controle respiratório para evitar desconfortos.
No início da prática da flutuação também será necessário desenvolver exercícios de recuperação 
vertical e equilíbrio do corpo na água, para que o aluno tenha autonomia em assumir diversos 
posicionamentos, como veremos a seguir.
Figura 45 – A flutuação é uma característica corporal, muito influenciada 
pelas ações e comportamentos do aprendiz. Uma pessoa com insegurança sobre 
sua capacidade não vai conseguir relaxar a ponto de deixar a água sustentá‑la
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A flutuação ventral elimina o problema de sentir as pernas afundarem, como ocorre na flutuação 
dorsal, pois a posição mais vertical de equilíbrio já faz o corpo assumir uma flutuação mais próxima da 
situação esperada, em que a parte posterior do tórax tende a ficar junto à linha da superfície e as pernas 
inclinadas apontam para baixo. Assim, basta o aluno ter um controle respiratório adequado e, ao deitar‑se 
na água com os pulmões cheios de ar, verificará que consegue flutuar nesta posição. Provavelmente 
você ainda estará trabalhando com o aluno na parte rasa da piscina, e os pés do aluno podem estar em 
contato com o chão – peça apenas que ele não use este contato para apoiar‑se enquanto durar o tempo 
do exercício.
Esta constatação inicial do aluno de que ele não afunda é bastante reconfortante. Enquanto os 
pulmões estiverem com ar, a maior parte da população é capaz de flutuar relaxadamente em decúbito 
ventral. Com algumas tentativas você pode se deparar com algum aluno realmente negativo, que 
afunde mesmo com os pulmões plenos de ar. Nesse caso, poderá usar uma prancha para complementar 
a flutuabilidade que falta para o aluno buscar o mesmo equilíbrio.
No trabalho com a flutuação dorsal, partindo do mesmo pressuposto que a maioria dos indivíduos 
é capaz de flutuar com muito pouco auxílio (quando necessário), em muitos dos alunos o trabalho será 
fazer com que ele aceite “ser sustentado pela água”. É difícil aceitar esta ideia, especialmente quando o 
indivíduo não sente segurança. Uma outra tarefa importante será neutralizar a flutuabilidade negativa 
das pernas, que tendem a afundar.
Este é o motivo pelo qual a maioria das pessoas acredita que não consegue flutuar. Como as pernas 
tendem a afundar, levam o quadril e o tronco mais para o fundo, e seria necessária uma hiperextensão 
exagerada da região cervical para conseguir ficar com o rosto fora da água.
Se a flutuabilidade do aluno tem que ser a mesma, seja na posição ventral ou dorsal, logicamente 
ele não afundará, mas este ajuste do equilíbrio na posição dorsal tende justamente a levá‑lo para a 
posição ventral.
Exemplo de aplicação
Foguetinho desligado
O conceito de flutuação pode, ainda, ser trabalhado de forma diversa. Por exemplo, à medida 
em que o aluno progride em seu equilíbrio e conquista segurança, o professor pode pedir para 
que o aluno flutue e impulsione os pés na borda, para que, durante a flutuação, ele esteja se 
deslocando a partir do impulso inicial na borda – sem movimentação posterior de membros 
durante o deslocamento. Esse tipo de exercício muda a percepção da posição do corpo, agora em 
movimento (embora sem pernadas e braçadas), pelo tempo em que o seu controle respiratório 
permitir. Também permitirá, através da consciência e controle corporal, assumir uma posição 
mais hidrodinâmica, aproveitando mais o impulso inicial, tornando‑se uma atividade desafiadora 
e motivante.
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Figura 46 – O referencial da imagem de um foguete deslizando é importante para uma 
criança compreender o alinhamento necessário para ele ter menor resistência hidrodinâmica. 
Um adulto também precisa deste conceito na linguagem apropriada à sua percepção
Exemplos de exercícios para desenvolvimento da flutuação:
• Em pé, com apoio na borda, imergir o rosto, observando o que ocorre com o restante do corpo.
• “Teste” de flutuação: começando em pé, com pulmões cheios de ar, imergir o rosto, trazer os 
joelhos na direção do abdome e verificar se o corpo flutua ou não.
• Em duplas, experimentar a flutuação com apoio na prancha.
• O mesmo dos itens anteriores, sem o uso da prancha, sendo apoiado pelo professor quando necessário.
3.2.3 Recuperação vertical
A recuperação vertical é uma habilidade motora que conjuga aplicação de força muscular para obter 
uma nova situação de equilíbrio desejada. Esta habilidade é importante, pois um aluno aprendiz não 
possui a coordenação necessária para usar determinados grupos musculares, aproveitando o empuxo 
presente para voltar à posição em pé. Mesmo em água rasa, um aluno iniciante pode ter dificuldade em 
assumir a posição vertical novamente, em especial se ele tiver uma boa flutuação, pois precisará agir 
contra o empuxo para restabelecer a posição em pé.
A posição inicial do corpo é em situação de equilíbrio na superfície, em decúbito ventral ou dorsal.
Também no caso de um aluno que não flutue, ao dominar sua interação com a água, ele conseguirá 
deitar‑se momentaneamente na superfície e treinar os movimentos de recuperação vertical, pois mesmo 
que saiba bater pernas, ao parar o movimento, provavelmente ele já acelerará na direção do fundo.
3.2.4 Recuperação vertical a partir da posição de decúbito ventral
Na posição de equilíbrio com o rosto na água, coordenadamente o aluno deve flexionar quadris e 
joelhos, levando‑os na direção do abdome; o corpo vai assim passando para a posição vertical. Deve 
aguardar os pés ficarem na vertical de seu tronco para, em seguida, os joelhos e quadris serem estendidos, 
e os pés são direcionados ao chão até serem apoiados.
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NATAÇÃO: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS
A atuação do professor no início do processo, sempre que possível, dentro da água em atenção 
individual, mesmo que momentânea, visa especialmente dosar o apoio das mãos do aluno. Normalmente, 
o aluno desejaria estar se apoiando em um objeto fixo como a borda ou a escada, mas um apoio tão fixo 
como estes resultaria na aquisição da posição vertical através do uso da força dos membros superiores 
e musculatura peitoral, essencialmente com o movimento de extensão dos ombros. Contrariamente, o 
professor, ao apoiar apenas parcialmente as mãos do aluno, irá ceder a esta tentativa de aplicar força 
com as mãos para baixo. Ele deve provocar no aluno a ação de trazer os quadris para a frente na vertical 
dos ombros, e os pés na vertical do tronco. Assim, ele estará alinhado para a extensão dos segmentos e 
para assumir a posição vertical.
Figura 47 – Exercícios para desenvolver a recuperação vertical utilizam elementos de controle corporal e equilíbrio do corpo na água
 Saiba mais
O exercício de recuperação vertical também é conhecido com o nome 
detartaruga devido sua semelhança com este animal. Leia mais em:
MACHADO, D. C.; CARVALHO; S. H. F. Metodologia da natação. São Paulo: 
EPU, 2014.
3.2.5 Recuperação vertical a partir da posição de decúbito dorsal
Começa com flexão dos quadris e dos joelhos que são levados na direção do abdome. É importante 
conjuntamente a flexão da coluna, especialmente a coluna cervical, levando a cabeça (com seu peso 
considerável) para a frente, trazendo o queixo junto ao peito a fim de que, com passagem da cabeça 
para a frente do corpo, afundando momentaneamente, o tronco também afunde e o corpo passe 
para a posição vertical. As mãos devem ser trazidas para junto dos quadris, ou para a frente. Quando 
os pés estiverem na vertical do tronco, estendem‑se os joelhos e quadris direcionando os pés até o 
apoio no chão.
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O trabalho para o ensino da recuperação vertical a partir da flutuação dorsal também deve ser feito 
inicialmente com o professor, se possível dentro da água. Este deve apoiar a mão na parte posterior do 
pescoço do aluno e direcionar sua cabeça, auxiliando a trajetória na movimentação que está sendo realizada 
para a frente, pois, muitas vezes, inicialmente, o aluno não tem força e coordenação necessárias para que 
esta flexão seja suficiente para forçar os quadris e coxas para baixo do seu tronco. Como normalmente 
em indivíduos obesos e idosos essas regiões corporais tendem a flutuar com facilidade, há uma maior 
necessidade de aplicação de força coordenada para se alcançar a posição vertical nestes indivíduos.
Ao iniciar o treino desta habilidade, o professor auxilia para que não haja desequilíbrio que possa 
colocar o aluno em sensação de insegurança. Após algumas tentativas bem‑sucedidas, o aluno terá 
condições de realizar o movimento, mesmo que ainda com dificuldade, sem risco de afobação. O uso de 
materiais de apoio pode ser útil desde que não os tornem dependentes deste apoio e, por fim, podem 
treinar sem ajuda e sem uso de material até a automatização.
Figura 48 – Você consegue descrever a ação motora necessária para que 
este nadador fique na posição vertical novamente? Quais flexões e extensões 
dos segmentos corporais são necessárias, e em que coordenação?
3.2.6 Propulsão
Outra habilidade básica a ser trabalhada é a propulsão, que é a aplicação de força para obter 
deslocamento do corpo no meio aquático utilizando recursos próprios e pela ação conjunta de membros 
superiores e inferiores, sendo essencial para a execução dos nados. A essa habilidade são consideradas as 
seguintes fases de aprendizagem: noção de propulsão, em que são exploradas atividades que lidem com 
noções de impulso e progressão isoladas ou complementares; propulsão dos membros inferiores, com 
exercícios visando ao deslocamento centrado na movimentação; e propulsão dos membros superiores, 
em diferentes atividades.
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NATAÇÃO: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS
Este é um momento muito gratificante ao aluno, pois ele começa a “ver resultados” do seu esforço 
em aprender a nadar, pois nadar refere‑se exatamente ao deslocamento do corpo no meio aquático. 
Mesmo de forma ainda rústica, o fato do aluno conseguir deslocar‑se na água indica que ele já está 
nadando. Uma criança diria: “sou um nadador” e um adulto afirmaria: “já consigo sair do lugar”. Em 
ambos os casos, isso significa um grande avanço.
Podemos utilizar inicialmente os conceitos da propulsão, experimentando movimentos de “puxar a água” e 
“empurrar a água”, enquanto caminhamos na piscina, nos primeiros contatos do aluno com a água, durante a fase 
de adaptação ao meio aquático. Esse manuseio da água com a mão visando obter uma reação de deslocamento, 
ainda que andando, começa a ser sentida e entendida pelo aluno. Também esta noção de reação da água será 
importante nos ajustes de corpo usando as mãos durante as ações de recuperação vertical.
Passamos então a desenvolver a propulsão por meio dos nados rudimentares ou elementares. Estes 
nados envolvem movimentos básicos de pernas e braços que proporcionam o deslocamento do corpo 
na água. É uma forma de fazer com que o aluno experimente a dinâmica envolvida no nadar, através de 
atos de propulsão, apresentados em detalhes anteriormente.
Figura 49 – A propulsão no meio aquático é muitas vezes intuitiva. Uma criança bem adaptada à 
água pode apresentar movimentos de pernadas sem nunca ter sido ensinada, apenas por experimentação ou imitação
Os nados elementares são nados que utilizam movimentos simples que podem ser sugeridos aos 
alunos como possibilidades do nadar. A partir destas sugestões ou mesmo antes delas, os alunos podem 
ser incentivados a criar sua forma própria de nadar.
Por exemplo, conjugando a flutuação ventral com uma puxada de água com as mãos semelhante 
à que foi realizada caminhando, o aluno poderá experimentar a reação de seu corpo se deslocando 
de uma forma simples, enquanto utiliza também o controle respiratório para prender a respiração por 
algum tempo.
Como sugestão, o aluno pode aprender o nado cachorrinho, nado de lado, nado de costas com 
braços simultâneos e submersos, nado parafuso, dentre outras formas de deslocamento variadas, as 
quais vão enriquecer o conceito de propulsão. Os movimentos do nado cachorrinho são realizados 
de forma natural pela criança em brincadeiras que envolvem o deslocamento, portanto, ele deve ser 
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incentivado como uma forma básica do nadar. O nado “cachorrinho” utiliza uma combinação de gestos 
propulsivos de braços e pernas para obter deslocamento. Os membros superiores agem mais no sentido 
vertical, alternadamente, gerando propulsão para cima, fazendo com que a cabeça possa ser mantida 
para fora da água, através de flexão e extensão de ombro, cotovelo e punho. As pernas empurram a água 
para trás em gestos de flexão e extensão alternadas de quadril, joelho e tornozelo.
Figura 50 – O ato de nadar instintivo nos cães nos mostra os movimentos de membros superiores, avançando pelo alto e 
pressionando a água para baixo alternadamente, e de membros inferiores, “pedalando” a água para trás
O professor de natação pode estimular os alunos utilizando pequenos jogos ou gincanas com 
competições e desafios para que eles experimentem esta forma de nadar.
Exemplo de aplicação
Foguetinho ligado
Comparando com a experiência anterior na mesma posição, chamada de “Foguetinho desligado”, 
nesta nova proposição o aluno irá desenvolver uma experimentação do batimento de pernas alternado, 
enquanto assume uma posição de flutuação ventral e com os braços acima da cabeça, alinhados em 
posição hidrodinâmica (foguetinho). Assim, utilizando uma figura do universo infantil, pode o aluno 
criar uma referência de posição do corpo alinhado e ação de propulsão simples
Figura 51 – O imaginário de uma figura conhecida, como o “foguetinho”, vai facilitar a analogia para realização 
de um movimento específico: batimento de pernas em flutuação ventral e alinhamento do corpo
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Depois de experimentar esta forma básica do nadar, os alunos serão estimulados a nadar 
alternativamente de lado, de costas, ainda sem os gestos dos nados formais. A movimentação dos braços 
e pernas nestas formas de nadar podem ser sugeridas pelo professor – batimento alternado de pernas, 
movimento simultâneo e submerso de braços – ou entãoos alunos podem criar outras movimentações.
Figura 52 – A utilização de braços e pernas para propulsão é uma habilidade básica, antes da aprendizagem dos gestos dos nados formais. 
Formas variadas de deslocamento devem ser experimentadas e trabalhadas, como no “nado cachorrinho”, realizado por uma criança
 Saiba mais
O artigo a seguir tem propostas amplas, que preconizam o uso de 
elementos iniciais do nado sincronizado, polo aquático e saltos ornamentais 
ainda na fase de adaptação ao meio aquático.
CANOSSA, S. et al. Ensino multidisciplinar em natação: reflexão 
metodológica e proposta de lista de verificação. Motricidade, out. 2007, 
ano 3, v. 4, p. 82‑99. Ribeira de Pena (Portugal): Edições Desafios Singular, 
2007. Disponível em: <http://www.scielo.gpeari.mctes.pt/pdf/mot/v3n4/
v3n4a08.pdf>. Acesso em: 5 mar. 2018.
3.2.7 Atividades de submersão
O domínio progressivo da relação do corpo com a água vai possibilitar interações mais complexas de 
posição e deslocamento, como as atividades de submersão, que compreendem o início do trabalho visando à 
aquisição de domínio do corpo no espaço tridimensional e, em seguida, as formas básicas de deslocamento 
submerso e futuro mergulho do bloco de partida. Na fase de adaptação, podem ser realizados exercícios 
de conscientização corporal, iniciando estaticamente ao tentar tocar o chão da piscina com as mãos; 
depois, pode‑se desafiar os alunos a recolherem objetos do fundo da piscina e progredir na complexidade 
das tarefas até a realização da impulsão submersa a partir da borda em posição streamline (alinhamento 
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hidrodinâmico), podendo esta última habilidade ter sido feita na superfície a princípio. Nesta etapa de 
modo submerso, prepara‑se o aluno para o mergulho elementar, que será ensinado posteriormente. A 
inclusão desta habilidade na fase de adaptação ao meio líquido visa apresentar ao praticante diferentes 
possibilidades de controle, permanência e deslocamento na piscina.
Figura 53 – Enxergar embaixo da água e submergir é utilizar as três dimensões da piscina, tornando controlável o fato de estar 
embaixo d’água, ao invés de tentar ficar sempre na superfície
No ensino das habilidades de submersão são evidenciados o equilíbrio do corpo na água, o controle 
da respiração durante a imersão e o efeito da impulsão no deslocamento. Para esta prática, podem ser 
feitos vários exercícios utilizando materiais como arco na horizontal ou vertical (para o aluno passar 
por dentro); espaguete (para o aluno passar por baixo); pequenos objetos que afundam na água (para o 
aluno pegar usando as habilidades de submersão); dentre outros. Uma sugestão para motivar os alunos 
é usar a forma lúdica.
Figura 54 – Após aprender a afundar seu corpo na água, atividades desafiadoras, como pegar objetos no fundo, o ajudarão a 
desenvolver equilíbrio, posicionamento e capacidade de permanência em apneia
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3.3 Metodologia de ensino e progressão para habilidade complexa
3.3.1 O ensino do mergulho elementar a partir da borda
Saltar da borda não é apenas uma maneira de iniciar de maneira rápida uma competição, mas 
significa conquistar domínio de uma habilidade complexa e desafiadora. Esta habilidade tem grande 
repercussão nas possibilidades do indivíduo em sua interação com a água.
Como o mergulho elementar será a base para as saídas competitivas de todos os nados na posição 
ventral, abordaremos aqui este elemento, deixando claro que este trabalho poderá requerer seu próprio 
tempo. Geralmente, o salto elementar é deixado para ser trabalhado em um momento específico da 
aula, para que o professor possa preparar o ambiente ou organizar os alunos de forma a não possibilitar 
a ocorrência de acidentes. Por exemplo, pode conduzir os alunos para a parte funda da piscina nos 
momentos finais da aula.
Em suas primeiras tentativas, é comum o indivíduo ser tomado por medo e insegurança, por isso 
a importância de uma abordagem pedagógica e experiência positiva do professor. Especialmente 
os adultos que não tiveram possibilidade de desenvolver esta habilidade anteriormente se sentirão 
menos confortáveis.
Antes de considerarmos o início do desenvolvimento desta habilidade, lembre‑se do item 
sobre segurança já estudado e certifique‑se que o local onde o professor irá trabalhar tem 
profundidade suficiente para o aluno não correr o risco de atingir o fundo da piscina – quanto 
menos habilidoso, maior o risco. Também vale lembrar que o professor deve instruir seus alunos 
sobre este risco, evitando que eles tentem realizar a habilidade sozinhos, ou até em outra piscina, 
sem o devido cuidado.
O mergulho a partir da borda pode ser caracterizado como sendo meramente recreativo, ou com o 
intuito competitivo. Na primeira categoria, podem ser consideradas variações diversas, caindo na água 
em pé, grupado (conhecido como “bomba” pelas crianças) ou com a entrada “de cabeça” (mãos primeiro, 
depois cabeça, tronco e pernas) ainda de forma livre, que na próxima etapa será transformada em saída 
eficiente, de cima do bloco de partida.
Assim, a partir da condição sem experiência, o aluno será guiado, respeitando sua condição de 
aprendiz, através de desafios inicialmente mais fáceis, como lançar‑se na água em pé, partindo da 
posição sentada, agachada ou de joelho na borda. Na próxima fase, como veremos adiante, aumentará a 
complexidade ou dificuldade, até que o aluno possa se sentir confortável ao experimentar uma impulsão 
da borda, passando pela fase aérea e culminando em uma entrada na água de maneira controlada, na 
posição em que desejar.
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Figura 55 – Lançar‑se ao ar para depois cair na água parece ser algo divertido e simples para alguém 
com experiência anterior, mas pode ser amedrontador e frustrante se o professor não considerar 
o medo e insegurança dos alunos que não dominam esta habilidade
Figura 56 – O ato de lançar‑se à água pode ser uma brincadeira natural em crianças com vivência aquática facilitada 
pelo ambiente, mas é um desafio para adultos que nunca realizaram esta habilidade
A partir de exercícios da posição sentada ou ajoelhada, o aluno é instruído a inclinar o tronco à frente 
e deixar o corpo entrar na água. Os braços permanecem estendidos, e as mãos, unidas à frente do corpo. 
O professor auxilia, segurando com uma de suas mãos, as mãos do aluno e com a outra, pode fazer 
um apoio no abdome, conduzindo‑o na direção da água em posição oblíqua. Em fases subsequentes, 
exercícios semelhantes podem ser feitos partindo do apoio de um dos pés com os dedos apoiados na 
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borda, ao lado do joelho da perna oposta. O aluno estende os joelhos e o corpo é deslocado a frente, 
seguindo as mesmas instruções e apoio usados na posição de partida anterior (sentado).
No ensino do mergulho elementar são evidenciados o equilíbrio do corpo na água, o controle da 
respiração durante a imersão do rosto e o efeito da impulsão no deslocamento. Para esta prática podem 
ser utilizados vários exercícios usando materiais como arco na horizontal ou vertical (para o aluno passar 
por dentro); espaguete (para o aluno passar por cima ou por baixo); pequenos objetos que afundam na 
água (para o aluno pegar usando o mergulho elementar após entrar na água saltando), dentre outros. 
Uma sugestãopara motivar os alunos é usar a forma lúdica.
B)A)
Figura 57 – Uma posição intermediária na aprendizagem do mergulho é a ajoelhada: é mais alta 
que a posição sentada e mais baixa que a posição em pé
Com o desenvolvimento dos saltos em pé, submersões e mergulho elementar nas posições mais 
baixas (sentado, agachado e ajoelhado), o aluno estará evoluindo para que, na fase de aperfeiçoamento 
a seguir, possa aprender o mergulho visando à vantagem técnica em uma competição de nados formais.
3.4 A importância de metodologias lúdicas na natação
Figura 58 – A ludicidade envolve atividades, materiais, estratégias e planejamento específicos, 
para tornar a aula uma verdadeira aventura para o aluno
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A palavra lúdico vem de ludus, que significa brincar. Brincar é uma forma do ser humano interagir 
com o mundo e se desenvolver. A criança aprende brincando; a brincadeira é alimento para ela. O adulto 
também pode aprender e se desenvolver por meio da brincadeira, sendo considerado um Homo ludens 
ou “homem que brinca”.
A brincadeira é sinônimo de recreação da qual fazem parte os jogos, os brinquedos e as brincadeiras 
em geral; as atividades rítmicas recreativas, como brinquedos cantados, matroginástica, danças em roda 
(cirandas); gincanas; caça ao tesouro, dentre outras atividades.
A recreação pode ter o fim em si mesma, que é quando buscamos estas atividades para nos entreter, 
nos divertir. Mas também a recreação é um meio eficaz a ser utilizado como estratégia para trabalhar um 
determinado conteúdo e atingir objetivos definidos previamente num processo de ensino aprendizagem.
 Observação
Quando falamos em atividades aquáticas recreativas, estamos nos 
referindo a estratégias de ensino que se utilizam da ludicidade como meio 
de ensinar técnicas. O ensino da técnica (respiração aquática, por exemplo) 
será o objetivo, e a metodologia será uma brincadeira ou jogo (atividade 
recreativa). O professor de natação deve ficar atento para não incluir o 
jogo ou brincadeira como objetivo da aula, deixando de lado o conteúdo 
(técnica aquática) que será desenvolvido.
Na natação, a ludicidade é um recurso que favorece o aprendizado e torna a aula mais dinâmica, atrativa 
e divertida. Durante uma atividade recreativa, muitas habilidades são ensinadas e aprendidas de forma 
prazerosa. A interação do aluno com o profissional e com o ambiente aquático é facilitada quando utilizamos 
a ludicidade nas aulas. Para que o emprego da atividade lúdica no processo de ensino‑aprendizagem concorra 
para o aprendizado da natação, o professor deve conhecer o papel das atividades recreativas na infância.
Figura 59 – O professor de natação deve observar as características do ambiente aquático e seu entorno, bem como de seus alunos, e 
os objetivos da aula para determinar as melhores estratégias lúdicas para proporcionar um ambiente rico para a aprendizagem
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3.4.1 Metodologias lúdicas na natação e os níveis de desenvolvimento
Será abordada a ludicidade enquanto recurso nas aulas de natação e seu papel nas fases 
do desenvolvimento da infância à idade adulta. A intenção não é detalhar as várias teorias do 
desenvolvimento e aprofundar o conhecimento sobre cada uma das fases de acordo com estas teorias, 
mas sim estabelecer uma relação entre a natação, o lúdico e o desenvolvimento. Seguiremos assim da 
infância até a terceira idade, de forma sucinta e objetiva.
As atividades recreativas podem ser realizadas desde a primeira infância, que vai dos primeiros meses 
de vida até os três anos de idade. No início deste período, os bebês se divertem com seu próprio corpo, 
movimentando as mãozinhas, batendo palminhas, segurando o dedo polegar do pezinho e levando‑o até 
a boca. É dessa forma que eles sentem e percebem seu corpo. Neste momento, as crianças aprendem por 
imitação. Elas observam e reproduzem os movimentos feitos pelos adultos e outras crianças. As brincadeiras e 
jogos infantis são formas naturais de a criança se relacionar com o mundo e aprender. No meio aquático, os 
brinquedos e as brincadeiras vão influenciar a aprendizagem e o desenvolvimento das crianças, não somente 
em relação à natação em si, mas em todos os aspectos do comportamento (cognitivo, afetivo, social e motor). 
Para tal, faz‑se necessário utilizar atividades de acordo com as características destas crianças.
 Saiba mais
Segundo Piaget, desde poucos meses o bebê realiza um jogo que ele 
denominou jogo do exercício sensório‑motor. A origem do jogo está na 
imitação, quando o exercício ocorre pelo simples prazer de jogar. Em tais 
exercícios motores, o bebê estica e recolhe os braços e as pernas, agita as mãos 
e os dedos, toca e sacode os objetos produzindo sons e ruídos etc., repetindo os 
gestos e movimentos simples com valor exploratório. Leia mais em:
GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. Compreendendo o desenvolvimento motor. 
São Paulo: Phorte, 2001.
Figura 60 – A brincadeira em ambientes próximos à água é uma forma de propiciar prazer no contato com o meio aquático. Às vezes, 
em uma aula de natação, o professor pode considerar iniciar uma brincadeira fora da água, para, então, como parte da fantasia em 
que o aluno participa, entrar na água de maneira natural e contextualizada
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Unidade I
As brincadeiras aquáticas na primeira infância são realizadas com objetos coloridos e brinquedos próprios 
ao meio. Atualmente, existe uma diversidade destes materiais que devem ser escolhidos de acordo com o 
conteúdo e estratégia de aula. Na fase de adaptação ao meio aquático, o professor de natação pode usar 
objetos pequenos para serem empilhados sobre uma prancha. Para estimular a imersão do rosto na água, 
devem ser usados objetos que afundam. No trabalho com habilidades de submersão podem ser usados arcos 
ou espaguetes, materiais da natação que são muitas vezes vistos como um brinquedo por parte da criança.
Outra atividade que pode ser realizada é o brinquedo cantado (músicas seguidas por gestos). Esta 
atividade lúdica estimula a aprendizagem e movimentos. Como exemplo, podemos citar um brinquedo 
cantado que estimula a movimentação dos bracinhos do “nado cachorrinho”:
Figura 61 – Brinquedos são imprescindíveis na natação infantil de caráter lúdico. Eles são parte da fantasia, da história, como 
coadjuvantes, companheiros das aventuras vividas na água pelos próprios alunos
Brinquedo cantado: “Cavoca”
Cavoca... cavoca...
Pra achar uma minhoca...
Faz um buraquinho...
E acha um peixinho!
Enquanto a música é cantada, são realizados movimentos de “puxar a água com as 
mãos”, como se estivesse “cavocando” a água e, ao final da música, o peixinho imaginário é 
encontrado e seguro com as mãos.
 
Dos dois aos seis anos de idade a criança entra na fase da imaginação. Piaget afirma que nesta fase 
desenvolve‑se o jogo do faz de conta ou jogo simbólico que facilita a auto expressão e a assimilação do 
real. Nesta etapa a criança vive entre dois mundos: um real e outro, da fantasia.
Como sugestão de atividades nesta fase do desenvolvimento, o professor de natação pode usar as 
aulas historiadas, em que são criados circuitos lúdicos usando uma historinha, inventada pelo professor, 
pelas crianças ou por ambos. A história contada será o estímulo para o trabalho que se pretende realizar. 
Como exemplo, podemos contar a história dos índios da floresta que saíram num pequeno bote pelo rio 
afora e viveram várias aventuras no caminho. Cada “aventura” será reproduzidapelos alunos, usando 
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movimentos que podem ser feitos com e sem materiais. Para o bote, pode ser usado um tapete de EVA 
sobre o qual as crianças irão permanecer; para os peixes, podem ser usados brinquedos ou objetos que 
afundam ou flutuam; como remos, podem ser usados os espaguetes.
Figura 62 – Desafios usando materiais são um recurso para crianças maiores, enquanto 
histórias e fantasias são muito bem aceitas por crianças menores
Os jogos de imitação também são ideais nesta fase. Pode‑se sugerir que as crianças imitem 
animaizinhos: cachorrinho, cobrinha, sapinho, peixinho, foca, estando eles parados em deslocamento 
que pode ser feito com apoio dos pés no chão ou sem apoio, com e sem materiais. Músicas podem ser 
utilizadas para incrementar esta imitação
Após sete anos aparece o jogo de regras. As atividades lúdicas podem ser mais complexas em relação 
às anteriores. Podem ser usados os jogos recreativos e desportivos, partindo sempre do simples para o 
complexo. Estes jogos podem ser feitos um contra um, um contra todos, todos contra um, uma equipe 
contra outra. Como exemplos destes jogos estão os jogos de estafetas (do tipo vai e volta); os jogos de 
desafios do tipo: “quem é capaz de...”, os jogos pré‑desportivos (como, por exemplo, um revezamento 
utilizando a habilidade básica da propulsão em nados não oficiais ou com apoio de objetos flutuantes).
 Saiba mais
A autora Maria Rodrigues apresenta uma classificação dos jogos. Segundo 
ela, os jogos podem ser recreativos ou desportivos. Os jogos recreativos não 
têm relação direta com o esporte e são jogos menos complexos, fáceis de 
explicar e de executar (exemplo: jogos de aquecimento, como pega‑pega 
e suas variações). Já os jogos desportivos são aqueles que têm uma 
aproximação com o esporte (no nosso caso, a natação, por exemplo, jogos 
de estafetas, em colunas com a utilização de técnicas de movimentação 
dos nados). Essas informações podem ser vistas na obra:
RODRIGUES, M. Manual teórico prático de educação física infantil. São 
Paulo: Ícone, 1986.
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Unidade I
A ludicidade também pode ser utilizada no trabalho com adolescentes, como uma forma de promover 
o aprendizado e, principalmente, estimular a prática. Jogos e competições podem ser feitos ao final da 
aula. Periodicamente, podem ser feitos minitorneios com o intuito de incentivar o prosseguimento da 
prática da natação em níveis mais avançados – aperfeiçoamento e treinamento.
Na fase adulta madura e terceira idade, a forma lúdica pode estar presente numa aula temática, 
por exemplo, utilizando música, dança, dentre outras atividades que atuem, de forma mais direta, sobre 
o prazer e a alegria. Este trabalho contribui para que a prática da natação não se torne monótona e 
individual, mas seja dinâmica e coletiva.
Vimos até aqui que a forma lúdica e as atividades com jogos, brinquedos e brincadeiras são 
recomendadas para todas as idades. Em cada fase do desenvolvimento as atividades lúdicas terão seus 
benefícios, mas o que a ludicidade traz em comum a todas as faixas etárias é o bem‑estar, é o algo a 
mais que sempre coroará a aula com aquele “gostinho de quero mais!”
O trabalho lúdico contribui nas diversas fases de aprendizagem da natação, desde a adaptação ao 
meio aquático até a fase do aprendizado nas habilidades motoras complexas. Apresentaremos algumas 
atividades lúdicas como exemplos para inspirar os professores a utilizarem este recurso como estratégia 
no processo de ensino aprendizagem da natação.
3.4.2 Atividades lúdicas na fase de adaptação e iniciação
O trabalho na fase de adaptação visa à interação do aprendiz com o meio aquático. Como já foi 
citado, a fase de adaptação é permeada pela insegurança, medo e, muitas vezes, pelo desconforto. As 
atividades lúdicas contribuirão para tornar mais leve estes primeiros momentos no contato com a água. 
As atividades propícias nesta etapa são aquelas que visam diminuir as sensações negativas e tornar esta 
familiaridade mais agradável. Podemos usar como exemplo o brinquedo cantado para estimular que o 
aluno entre na água, caminhe pela piscina e vivencie movimentos diversos.
Brinquedo cantado: “Pula, pula, seu sapão”
Objetivo: promover o contato do corpo e do rosto com o meio aquático
Música:
Pula, pula, seu sapão! (saltos no lugar)
Pula alto, seu sapão! (saltar o mais alto que conseguir)
E vai pôr os pés no.... chão! (saltar e em seguida abaixar‑se, imergindo totalmente a 
cabeça na água)
 
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Além dos brinquedos cantados, podem‑se realizar vários tipos de jogos. O jogo é uma atividade 
com regras preestabelecidas e envolve uma disputa. Para os iniciantes na natação, podemos trabalhar 
com joguinhos bem simples que envolvem pequenos desafios, como pegar objetos no fundo da 
piscina, transportar objetos; soprar bolinhas de tênis de mesa com canudinho, empilhar pranchas, 
passar por baixo de arcos, dentre outros, realizados de forma competitiva. Esses jogos envolvem 
desafios que incitamos com a frase “quem é capaz de...”, por exemplo, “passar por baixo do arco sem 
tocá‑lo?”, e disputa: “quem consegue pegar maior número de objetos?”
Figura 63 – As atividades recreativas na natação tornam a aula atrativa e motivante. O professor 
deve escolher as atividades de acordo com os objetivos da aula
Outro tipo de jogo na fase de adaptação ao meio aquático são os jogos de jogos de estafeta. A palavra 
estafeta significa mensageiro. A dinâmica deste tipo de jogo é a de “vai e volta”. A equipe se organiza 
em coluna (ou outra formação) e, a certa distância, determina‑se o ponto de volta. No percurso de ida e 
volta, os competidores realizam o que foi proposto, como exemplo, “correr empurrando uma prancha”. O 
jogo termina quando todos cumprirem o percurso uma vez, respeitando as regras quanto à saída de cada 
integrante da equipe. Para a realização do jogo utiliza‑se o deslocamento com os pés no chão (por se tratar 
da fase de adaptação); depois, são introduzidas as habilidades básicas da natação, tais como propulsão de 
pernas, mergulho elementar e respiração. Esses jogos podem ser feitos usando materiais como a prancha 
e outros objetos; o deslocamento pode ser por meio da corrida, movimentos propulsivos de braçadas e 
pernadas, com apoio e depois, sem apoio.
Figura 64 – A ludicidade se utiliza do desafio, da curiosidade, da alegria e do interesse 
para motivar os alunos a alcançarem os objetivos propostos pelo professor
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Além dos jogos recreativos, também podemos trazer a ludicidade para a fase de iniciação por meio 
de jogos pré‑desportivos. Como exemplo, podemos citar adaptações do biribol, uma variação aquática 
do voleibol praticado numa piscina que seja possível ficar em pé, com uma rede presa por postes de 
sustentação. Joga‑se com quatro jogadores de cada lado da quadra, com regras semelhantes ao voleibol 
que podem ser adaptadas. Para este jogo, os jogadores permanecem em pé, deslocando‑se pela piscina, 
caminhando ou correndo, sem a necessidade de saber nadar. Também realizam saltos, elevando os 
braços para atacar ou defender. Estas movimentações permitem a vivência do equilíbrio do corpo na 
água e o conhecimento sobre as ações necessárias para vencer a resistência, trabalhando de forma 
prática a Hidrostática e a Hidrodinâmica.O próprio polo aquático também pode ser utilizado de maneira adaptada, permitindo ficar em pé, 
passar a bola ou obrigar a nadar batendo pernas por uma distância mínima, de modo a estimular as 
crianças ou adultos a progredirem em seu contato com a água.
São muitos os jogos a serem realizados nesta etapa da aprendizagem. Todos eles devem 
enfatizar as habilidades básicas da natação: flutuação/equilíbrio, propulsão e controle respiratório, 
levando em consideração a segurança e os fatores individuais, como medo da água, dificuldades 
coordenativas, dentre outros.
Figura 65 – Alguns jogos aquáticos são tão interessantes que por si só motivam as crianças e adultos. Polo aquático 
e biribol (vôlei aquático) conjugam o gosto pela bola e o prazer do ambiente aquático
Caso não se queira trabalhar a forma lúdica com jogos, uma opção é a matroginástica, uma 
ginástica que pode ser feita por todos os públicos. Como é realizada na água, a matroginástica 
na água assemelha‑se à hidroginástica, porém além de exercícios comuns desta modalidade de 
ginástica aquática, são criadas situações em que todos vão interagir. Pode‑se formar uma roda e 
trabalhar várias movimentações nesta roda. Depois pode ser feito um caracol, túnel, dentre outras 
possibilidades. Isto também contribui na percepção do equilíbrio e das forças que atuam sobre o 
corpo no meio aquático, além de promover o conhecimento sobre as diferenças que existem em 
movimentar‑se dentro e fora da água.
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3.4.3 Atividades recreativas na aprendizagem dos quatro nados, saídas e viradas
O uso das atividades lúdicas é uma importante estratégia também no processo de ensino aprendizagem 
das técnicas dos nados, saídas e viradas. O papel da ludicidade é atuar na motivação dos alunos para a 
prática, única forma de aprender um movimento. Nesta etapa, podem ser feitas atividades com jogos 
recreativos e desportivos; gincanas aquáticas; caça ao tesouro; dentre outras atividades. Elas podem ser 
realizadas numa determinada parte da aula ou então serem mescladas com exercícios das habilidades 
específicas dos quatro nados, saídas e viradas.
Com relação aos jogos, neste momento do aprendizado da natação, também podem ser utilizados os jogos 
de estafetas, porém com provas que envolvam os nados formais, saídas e viradas. Neste caso, podem ser feitas 
competições com várias equipes, para que todos participem. Numa só prova pode ser trabalhada mais de uma 
habilidade, como fazer a saída percorrer uma trajetória na ida nadando o nado crawl e, na volta, o nado costas.
Pode‑se trabalhar com competições de revezamento usando mais de dois nados. Ao invés de iniciar 
com a saída da borda, inicia‑se dentro da piscina. Para trabalhar de uma forma mais lúdica, usar fitas, 
vestir uma roupa e passá‑la ao próximo competidor ou usar materiais diversos. Ainda pode‑se utilizar 
desafios como “nado em duplas”: o nadador da frente movimenta os braços; o que vem atrás segura nos 
tornozelos do nadador da frente e movimenta somente as pernas.
As gincanas aquáticas podem ser feitas na forma de circuito, com uma prova em cada estação. Essas 
provas devem conter habilidades básicas e específicas da natação, intercaladas entre si. Neste tipo de 
gincana, as equipes são separadas e realizarão as provas do circuito durante um determinado tempo. Elas 
deverão realizar todas as provas, todas competindo ao mesmo tempo, com uma equipe em cada uma das 
provas ou então uma equipe de cada vez realiza a prova. Os árbitros anotam as pontuações obtidas pelas 
equipes nas provas e, ao final, os resultados são somados. Como exemplo de estações, podemos citar:
• Camiseta molhada: a equipe é dividida em duas filas que se posicionam uma de cada lado da 
piscina. Um componente da equipe recebe uma camiseta molhada. Ao sinal, ele pula na água, 
atravessa a piscina nadando o nado crawl, sai e entrega a camiseta para o primeiro da fila, que 
vestirá a camiseta e fará o mesmo. É anotado o tempo que a equipe demorou para que todos os 
participantes realizassem a travessia.
• Enchendo a garrafa: a equipe deve formar uma fila num dos lados da piscina. Do outro lado estará 
uma garrafa PET vazia e uma concha de cozinha. Ao sinal, o primeiro da equipe salta para dentro da 
piscina, atravessa nadando um dos quatro nados, enche a concha de água uma vez e a derrama na 
garrafa. Ele retorna nadando e, em seguida, o próximo fará a mesma coisa até que todos terminem.
• Transportando objetos: formam‑se duas colunas, uma de cada lado da piscina, com integrantes 
da mesma equipe. São dispostos vários objetos de cada um dos lados. Ao sinal, usando uma 
prancha, um primeiro competidor pega a prancha, coloca um objeto sobre ela e nada até o outro 
lado da piscina, entregando a prancha para o próximo competidor, que levará estes dois objetos 
até o outro lado e assim, sucessivamente, até que o maior número de objetos permaneça sobre a 
prancha quando o último competidor terminar a prova.
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• Corrida com boias: a equipe se coloca em coluna. O primeiro recebe uma boia grande. Ao sinal, 
ele salta para dentro da piscina e nada até um ponto determinado, retorna nadando e entrega a 
boia para o próximo competidor, que fará o mesmo. Pode‑se contar a quantidade de voltas que 
os competidores conseguiram dar num determinado tempo ou então quanto tempo a equipe 
demorou para que todos fizessem o percurso.
Além de tornar as aulas de natação mais interessantes, as atividades recreativas podem estar 
presentes na forma de “aulões” ou de festivais de natação. Com relação aos “aulões”, pode ser criado um 
cronograma com estas “aulas especiais”, com participação de alunos de um mesmo horário ou mesmo 
com todos, de vários períodos. Nesta aula, todos participarão das atividades propostas, as quais devem 
atender a todos os participantes, mesmo que cada um realize as atividades de acordo com seu nível de 
desenvolvimento e estágio de aprendizagem. Nestes “aulões” podem ser realizados jogos recreativos e 
pré‑desportivos, gincanas, matroginástica e minicompetições na forma de torneios de natação.
Outra atividade interessante a ser realizada são os Festivais de Natação, nos quais podem ser feitas 
pequenas competições ou demonstrações dos nados. Cada aluno irá demonstrar ou competir de acordo 
com as habilidades que já consegue realizar. Trata‑se de uma atividade mais elaborada, que requer 
planejamento e organização específicos de um evento esportivo, com previsão de todas atividades que 
irão acontecer, quem irá participar se apresentando ou competindo, quem poderá assistir, qual a ordem das 
apresentações e competições, como será feita a premiação, dentre outros pontos importantes a considerar.
Na organização de um evento recreativo‑esportivo uma série de itens deve ser levada em consideração:
• Nome do evento: criativo, deve chamar a atenção.
• Organização: nome da instituição e pessoas envolvidas.
• Público‑alvo: público ao qual se destina o projeto (para quem?).
• Objetivos: a que se destina o projeto; finalidades (para quê?).
• Metodologia: descrição das atividades a serem realizadas.
• Recursos:
— físicos: locais, estrutura a ser utilizada;
— materiais: materiais utilizados existentes ou a serem solicitados;
— humanos: comissões e subcomissões (função, número de pessoas);
— financeiros: gastos com o projeto, com descrição detalhada.
• Cronograma:
— divulgação;
— datas de inscrição;
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NATAÇÃO: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS— programação do dia do evento (na forma de uma tabela incluindo horários e nome das 
atividades a serem realizadas e nome dos participantes em cada uma delas).
Além dos “aulões” e festivais, outras atividades podem ser feitas visando estimular os alunos 
à prática e integrá‑los junto aos seus familiares, amigos e outros profissionais. Esta integração é 
importante, já que a natação é um esporte individual e requer momentos de compartilhamento 
de experiências.
3.5 Metodologia de ensino dos nados formais
Serão analisados os nados formais (crawl, costas e peito), sua execução básica, descrição do 
movimento, ensino, técnicas e regras. Na primeira parte, trataremos dos nados cuja execução 
se caracteriza por movimentos alternados (crawl e costas) para, na sequência, analisarmos o 
nado de peito, com suas peculiaridades de execução. Em momento oportuno será visto o nado 
de borboleta.
3.5.1 Principais correntes e métodos de ensino da natação
As metodologias de ensino das habilidades dos nados formais (crawl, costas, peito e borboleta) 
evoluem com o passar do tempo. Isso ocorre devido à tomada de consciência sobre a necessidade de 
se desenvolver meios eficazes que proporcionem um efeito positivo sobre a aprendizagem. Ao longo de 
anos, alguns métodos surgiram a partir de correntes pedagógicas da natação.
Cateau e Garoff (1988) fizeram um levantamento das diferentes correntes pedagógicas da natação 
que surgiram através dos tempos. Identificaram três correntes: a global, a analítica e a moderna. Na 
global, o aprendizado acontecia de forma espontânea, por meio de tentativas que envolviam um 
confronto individual do aprendiz com as dificuldades impostas no contato com o meio aquático. Na 
analítica houve a tentativa de racionalizar a aprendizagem. Nela, os movimentos são separados em 
partes, daí o nome da corrente (analítica = análise = separação).
 Observação
Na corrente analítica, antigamente, predominava uma “etapa de 
natação em seco” e outras com o “auxílio” de engenhocas características 
de época. Esta concepção foi muito aceita nos meios militares e também 
influenciou, fortemente, o ensino da natação no Brasil.
A corrente moderna surgiu como uma reação contra a fragmentação e o mecanicismo da 
corrente analítica. Nela são adotados os elementos comuns entre todas as formas de nado como 
a base do aprendizado: as unidades de equilíbrio, de respiração e de propulsão. O foco do ensino 
passou a ser o processo do nadar, e não somente o produto (o ensino da técnica). Dessa forma 
surgia a pedagogia da natação, que serviu para uma reflexão sobre a atividade de ensino da natação 
e para a criação de métodos.
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As correntes pedagógicas da natação influenciaram e influenciam até hoje o ensino, 
indicando caminhos que o professor de natação pode seguir para ensinar um nado. Baseado na 
corrente analítica, o caminho do ensino segue a direção partes para o todo; o nado é dividido 
em partes que são ensinadas uma a uma até que se chegue no nado completo. A corrente 
global influenciou o ensino na direção do todo para as partes, conhecido também por “método 
sintético”. Neste “método”, o ensino começa pelo todo, que pode ser o esboço do nado; a partir 
do todo chega‑se às partes; caminha‑se do geral para o específico. Alguns autores referem‑se 
ao “método misto”, em que se utiliza tanto a direção das partes para o todo como do todo 
para as partes.
As correntes do ensino da natação foram o ponto de partida para o estudo, reflexão e criação 
de métodos, porém, até aquele momento, ainda não havia um material que pudesse trazer 
informações mais precisas sobre como ensinar a nadar, ou, melhor dizendo, sobre um método de 
ensino da natação.
 Lembrete
Metodologia é o estudo os métodos (meios, caminhos) eficazes 
para o planejamento, organização e implementação de processos de 
ensino‑aprendizagem. O estudo, aplicação e avaliação das metodologias 
empregadas pelo professor de natação fundamenta sua prática atendendo 
ao principal papel deste profissional: promover o aprendizado e o 
aprimoramento de habilidades aquáticas.
Em 1978 foi escrito um dos primeiros livros sobre métodos da natação no Brasil: Metodologia da 
Natação, de autoria do Prof. David Camargo Machado. Em 1980, foi traduzido para nossa língua o livro 
de James E. Counsilman, com descrições detalhadas da mecânica dos quatro nados e propostas de 
aplicação. Os métodos apresentados por estes autores utilizam a instrução verbal e a demonstração. 
Sob o comando do professor, os alunos são levados a experimentar os movimentos direcionados 
ao conteúdo que está sendo trabalhado. As tarefas trabalham os elementos corpo, espaço e tempo, 
utilizando materiais diversos para auxiliar a aprendizagem.
Essas primeiras obras, mesmo estando baseadas em conceitos pedagógicos, apresentam uma 
tendência desportiva, ou seja, priorizam o ensino de técnicas de movimento como resultado da prática, 
e não o processo em si. Mesmo assim, até os dias atuais, essas referências servem como base para o 
ensino da modalidade em vários ambientes, como academias, clubes e escolas.
Até este momento da história da criação dos métodos da natação, o que estava em pauta era o 
ensino de uma técnica. Esse ensino não levava em consideração a análise dos elementos essenciais ao 
aprendizado de qualquer habilidade motora: o indivíduo, a tarefa e o ambiente.
Com relação ao ambiente, por si já mereceria ser alvo de uma investigação mais aprofundada, por se 
tratar do meio aquático, diferente e “estranho” ao indivíduo por não ser seu habitat natural.
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Considerando a tarefa, cada uma deve ser analisada, pois envolve padrões motores muitas vezes 
complexos e ainda realizados no plano horizontal (decúbito ventral ou dorsal) ao invés da orientação 
vertical de movimentos, à qual os indivíduos estão mais acostumados.
Em referência ao indivíduo, este é um ser complexo que pensa, age, sente, teme, cresce, 
desenvolve‑se e aprende. Tem em si aspectos biológicos, cognitivos, psicossociais que se integram 
para formar uma só pessoa.
Tais fatores (indivíduo, ambiente e tarefa) devem ser analisados em conjunto, pois é na intersecção 
deles que se dá a construção de um saber, dentre eles, o saber nadar. Esta análise deve ser feita numa 
perspectiva dinâmica, integrada ao processo de desenvolvimento humano. A Teoria dos Sistemas 
Dinâmicos, de Newell (1986), citado por Gallahue (2001, p. 38), apresenta como o desenvolvimento 
acontece e a relação do processo de desenvolvimento com estes fatores e a aprendizagem.
As etapas percorridas nos processos de desenvolvimento e da aprendizagem fornecem os subsídios 
necessários para sistematizar o ensino da natação. Quando se conhece em qual estágio de aprendizagem 
a pessoa se encontra e o nível de desenvolvimento em que ela está, é possível estabelecer um programa 
com sequências de ensino que respeitam esses processos.
Assim, o trabalho com o ensino da natação passa a ser compreendido e denominado “processo de 
ensino aprendizagem da natação”. O aprendiz passa a ser visto não somente como um mero receptor de 
um conhecimento trazido de fora (como ocorre nos métodos tradicionais mecanicistas), mas como um 
ser ativo e participante neste processo. Ele terá mais atenção ao que está fazendo, saberá identificar a 
etapa em que se encontra e no decorrer do processo, conseguirá corrigir seus erros e avançar de forma 
consciente no seu aprendizado e aperfeiçoamento. O meio aquático passa a ser visto como um universo 
com várias possibilidades de ação e movimento.
Uma nova concepção para a implementaçãode uma proposta de ensino da natação é a concepção 
pedagógica amparada pela Teoria Gestáltica da Psicologia. Nesta proposta, “o nadar é uma ação do 
homem na água, de forma intencional, imóvel, ou em movimento, sem que dependa de artifícios que 
possam facilitar sua sustentação. Neste conceito há uma ‘intencionalidade’ do homem na água” (BRITO, 
2008, p. 29).
 Saiba mais
A concepção pedagógica apoiada pela teoria gestáltica procurou 
buscar meios de solução de problemas referentes à sincronização do nadar 
na presença destes campos (superior, inferior, lateral, direito e esquerdo). 
Para saber mais sobre esta teoria, consulte:
BRITO, C. A. F. Teoria gestáltica: uma nova concepção pedagógica. 
São Paulo: Phorte, 2008.
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Unidade I
O nadar
Problemas do nadar
(Ensino do nadar e sincronização)
Referencial teórico explicativo
(Técnica, hidrodinâmica, aprendizagem e capacidades)
Busca de soluções para os problemas do nadar
Figura 66 – Uma análise da problemática do “ensinar a nadar” (relacionado às decisões do 
professor e conteúdo) e do “nadar” (relação do todo: respiração, equilíbrio e ajustes dinâmicos)
Existem, atualmente, várias concepções, métodos e propostas de trabalho na natação. Cabe ao 
profissional conhecer, analisar e escolher o melhor método que se aplica na sua realidade. Cada um deles 
pode ter alguma contribuição e por isso é essencial o estudo das bases teóricas que os fundamentam 
e a avaliação contínua dos resultados alcançados. Sempre deve‑se ter em vista os fatores individuais 
(anatômicos funcionais, fisiológicos, psicológicos, desenvolvimentistas), da tarefa (complexidade do 
nadar) e do ambiente (meio aquático).
Figura 67 – Identifique nesta aula de natação os elementos característicos do indivíduo, 
do meio e da tarefa. Trabalhar com estes elementos de forma organizada e 
maximizar os benefícios da experiência a ser proposta é tarefa do professor
Em relação ao tempo de desenvolvimento da adaptação ao meio aquático, Corazza et al. (2005) 
realizaram um experimento do efeito de 12 aulas típicas de adaptação para um grupo de oito 
mulheres com idade média de 31 anos sem experiência prévia na natação. Foram avaliados imersão 
do rosto, deslocamento submerso, flutuação em decúbito ventral e flutuação em decúbito dorsal. 
A imersão do rosto e o deslocamento submerso foram os parâmetros em que se verificou maior 
desenvolvimento após 12 aulas, e a flutuação dorsal o que apresentou menor desenvolvimento, 
dando‑nos sugestões para confrontar com a realidade que percebemos em nossos próprios 
alunos e, consequentemente, a necessidade de desenvolvimento de cada um desses parâmetros, o 
ordenamento e a duração desta fase.
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NATAÇÃO: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS
3.5.2 Fase de aprendizagem dos nados formais
Após as considerações anteriores sobre metodologias e seguindo as etapas do aprendizado da 
natação, vamos abordar a fase de aprendizagem dos nados formais. Entende‑se aprendizagem como 
um processo de aquisição de habilidades motoras, como resultado de uma prática.
O objetivo a ser alcançado nesta fase é o de promover o contato do aprendiz com o padrão básico 
de movimento de cada nado, desenvolvendo condições de realizá‑los de forma coordenada, ritmada 
e com menor esforço possível. Quanto mais experiências o aprendiz vivenciar, mais eficiente será o 
aprendizado e menores serão os esforços necessários para melhora das habilidades motoras na fase 
seguinte, de aperfeiçoamento.
A fase de aprendizagem dos nados formais deve, ainda, propiciar condições para que a prática da 
natação seja segura, confortável, saudável e proporcione prazer e alegria como parte do desenvolvimento 
motor e condicionamento físico advindos da prática.
A sequência de aprendizado dos nados pode variar de acordo com as metodologias propostas 
pelas instituições de ensino de natação, mas é comum encontrar mais comumente a ordem: crawl, 
costas, peito e borboleta. Esta é uma constatação que se fundamenta, em parte, na similaridade 
de alguns movimentos iniciais dos nados crawl e costas com as habilidades motoras básicas. 
Podemos citar como exemplo para esta justificativa a realização dos movimentos alternados 
realizados em decúbito ventral ou dorsal, no sentido anteroposterior das pernadas do nado crawl 
e do nado costas que se assemelham ao movimento de caminhada realizado na posição vertical, 
o que facilita o aprendizado.
Outro fator que justifica a sequência descrita anteriormente é a maior complexidade dos movimentos 
dos demais nados, peito e borboleta. Este último requer uma coordenação na aplicação de forças de 
membros superiores e inferiores que certamente é uma das mais difíceis de ser conquistada.
Por outro lado, algumas linhas de ensino defendem a utilização do nado peito como base para o 
desenvolvimento posterior, pois a sua braçada é simples. A pernada, embora complexa em seus detalhes 
de flexão e extensão do ponto de vista de execução técnica aprimorada, pode ser facilmente visualizada 
por crianças e adultos ao ser comparada com a pernada de uma rã, facilitando o entendimento.
Também se pode contrapor à decisão da maioria dos programas de isolar os nados dentro de 
sequências pedagógicas unidirecionais (desenvolvimento de apenas um nado de cada vez), ao invés 
de permitir uma mescla maior entre os nados, por exemplo, usar exercícios de ondulação (elemento 
da pernada de borboleta) ainda na fase de adaptação à submersão – para crianças, conhecido como 
exercício da “minhoquinha” – exercício que não necessita esperar o início do trabalho do nado borboleta 
para ser utilizado de forma muito rica.
Para avaliar a aplicação dos nados na sequência de ensino, lembre‑se de considerar o aprendiz, o 
ambiente e a tarefa. Dando a cada componente seu peso em diferentes locais e contextos, o professor 
irá chegar a indagações como:
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Unidade I
• por que não ensinar a braçada do peito com a pernada do crawl ?
• por que não aproveitar a boa flutuação dorsal deste indivíduo e iniciar pelo costas?
Assim, você será capaz de ver que um método não pode ser o ideal para todos os alunos e situações, 
compreendendo então as vantagens e desvantagens de cada decisão que irá tomar, e os motivos de 
programas já implementados terem sucesso ou dificuldades.
Os conteúdos trabalhados nas aulas são a propulsão, respiração e coordenação, atendendo à 
especificidade de cada nado. As estratégias e os procedimentos pedagógicos a serem utilizados são de 
exercícios específicos; educativos e jogos. A direção do ensino (do todo para partes, partes para o todo, 
forma mista alternando as duas anteriores) estará de acordo com a metodologia de ensino escolhida.
As atividades a serem trabalhadas na aula de natação (conteúdos) deverão sempre respeitar o nível de 
desenvolvimento e os estágios de aprendizagem do aluno, considerando‑se a faixa etária e experiências anteriores. 
Assim, é preciso realizar uma avaliação para conhecer este aluno, de preferência feita na primeira aula por meio da 
observação do seu desempenho nas atividades propostas para este fim, ou uma avaliação longitudinal, se o aluno já 
participa da fase anterior com um professor e vai ser “promovido” para uma fase seguinte. Tudo deve ser analisado, 
desde a relação desta pessoa com o meio aquático e outros alunos, até “detalhes” de sua execução atual.
A seguir, serão apresentados os detalhes dos nados formais, mas deixaremos à escolha do professor 
e sua equipe de trabalho a decisão de quais nados (ousuas partes) irão ser desenvolvidos em cada fase 
com seus alunos nas diversas realidades que serão encontradas.
4 O NADO CRAWL
Até 1900, as competições de natação tinham o caráter de livre escolha da forma de nadar (PALMER, 
1990). Atualmente, com a diferenciação dos nados definida por regras para determinar como nadar as 
diferentes provas, o nado crawl é o escolhido nas provas de nado livre, pois as regras desta prova são 
menos restritivas, permitindo múltiplas variações de execução para que se busque a forma mais rápida de 
nadar, e as variações do crawl têm se mostrado mais eficientes. Sua história inicia‑se com adaptações de 
movimentos existentes para torná‑los mais rápidos, a partir de formas mais antigas, como o nado peito.
4.1 Histórico do nado crawl
Este nome é utilizado porque em inglês crawl significa “rastejar”, descrevendo o movimento de braços 
similar ao de uma pessoa rastejando, puxando‑se no solo em movimentos alternados como que engatinhando, 
sendo esta uma observação realizada por um técnico ao ver nadadores utilizando esta forma de nadar.
Segundo Massaud (2001), na época dos primeiros Jogos Olímpicos da era moderna (1896), o nado 
mais utilizado era uma braçada de peito realizada na posição lateral, passando depois a ser utilizada 
a recuperação de um dos braços por cima da superfície (single overarm stroke). Esse estilo de nadar 
mudou para o double overarm stroke, em que os dois braços eram trazidos alternadamente à frente por 
cima da superfície, evoluindo posteriormente para o crawl conhecido hoje.
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Figura 68 – Representação atribuída a um nadador, em uma estatueta 
antiga de bronze, exposta no Museu do Louvre, na França
De acordo com Velasco (1997), em 1893, o inglês John Arthur Trudgen adaptou uma pernada em 
tesourada e que depois foi aperfeiçoada por outro inglês, Frederick Cavill, na Austrália, onde os indígenas 
utilizavam uma maior frequência nos movimentos da pernada.
4.2 Movimentação geral do nado crawl e seu ensino
Para compreendermos a técnica do nado crawl ou de qualquer movimento coordenado no ato 
de nadar, devemos observá‑lo nos mais diferentes planos: lateral, superior, posterior e frontal. Nas 
observações de execução dos nados devemos sempre levar em consideração as características individuais 
de cada aluno, além do grau de condicionamento físico, idade, sexo etc.
O nado crawl é considerado o mais rápido dos nados, sendo o escolhido por especialistas para 
provas de nado livre, pois, para estas provas, o nadador escolhe a forma de movimentação conforme 
veremos adiante.
4.2.1 Posição do corpo na água na aprendizagem do nado crawl
A posição ideal do corpo do praticante em relação ao meio líquido é aquela onde o corpo esteja 
paralelo com a linha da água e o mais próximo possível da superfície da água para gerar a menor 
resistência frontal. Também deve‑se prestar atenção ao alinhamento lateral do nado, ou seja, a flexões 
laterais na coluna, que desalinham o corpo.
4.2.2 Movimentação geral das pernas na aprendizagem do nado crawl
A pernada do nado crawl é realizada com movimentos verticais e alternados de membros inferiores, 
a partir da articulação coxofemoral. O movimento das pernas é contínuo (cíclico).
O movimento inicial a ser proposto pelo professor é a alternância no movimento anteroposterior. 
A princípio, o aluno precisará modular a amplitude e velocidade de sua pernada através da observação 
e experimentação. Também é importante o professor analisar a coordenação e eficiência da pernada 
realizada, podendo então escolher as melhores estratégias para melhorar a eficiência da pernada.
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Unidade I
Os exercícios para o ensino desta habilidade de propulsão deverão fazer com que o aprendiz compreenda, 
sinta e perceba como é feita a movimentação das pernas e como esta interfere na progressão do nado 
(propulsão). Com relação às estratégias de ensino, estas variam, mas, de modo geral, pode‑se trabalhar 
com exercícios usando o apoio na borda, utilizando materiais diversos e também sem o uso de materiais, 
quando o aluno não depende do seu uso. O trabalho pode ser feito em duplas, criando oportunidades para 
que os alunos executem e também observem o movimento, o que pode facilitar o aprendizado.
Figura 69 – Execução de pernadas de crawl com apoio da prancha. 
Note que o peso da cabeça suspensa para fora da água gera uma 
sobrecarga, necessitando de um maior esforço para realizar o deslocamento
À medida em que o aluno progride em sua ambientação e equilíbrio aquático, o professor irá 
possibilitar grande variação de atividades. Enquanto necessita de apoio firme, pode usar a própria borda 
ou corrimão (se a piscina possuir). Quando conseguir se equilibrar seguramente, pode usar uma prancha 
ou espaguete. Ao passar a não mais depender de um material flutuante, deve experimentar fazer a 
pernada anteroposterior sem usar material.
Variações para melhorar a percepção e controle motor do aluno podem incluir pernadas curtas, 
pernadas longas (maior amplitude), pernadas rápidas, pernadas lentas etc., visando variações importantes 
para o aluno reconhecer e passar a melhor dominar o controle da execução.
Por fim, o professor também vai verificar a qualidade da execução, que ao ser melhorada vai 
possibilitar maior eficiência no deslocamento. Observar flexão exagerada dos quadris e joelhos, falta 
de flexão de joelhos (perna rígida), hiperextensão dos tornozelos para possibilitar uma maior área de 
aplicação da força no peito do pé etc.
Exemplos de exercícios a serem executados para desenvolvimento do movimento de pernadas do nado crawl:
• sentado na borda, com os pés fazendo espuma na superfície;
• com apoio do espaguete ou outro objeto flutuante estável;
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• com apoio na borda;
• sem uso de prancha, com braços na lateral e depois, estendidos à frente do corpo (foguetinho);
• com prancha, parando quando necessário para respirar;
• com prancha, realizando a respiração frontal caso já tenha esta habilidade desenvolvida;
• de formas variadas: rápidas, lentas, amplas ou curtas, fortes (potentes), fracas (leves) etc.;
• intercalando a amplitude da pernada: 10 pernadas longas, seguidas de 10 pernadas curtas e assim 
por diante.
4.2.3 Movimentação geral dos braços na aprendizagem do nado crawl
Em uma descrição geral, a braçada do nado crawl é contínua, com movimentos de circundução 
alternados de braços em duas fases: a submersa e a aérea. A fase submersa é propulsiva e a fase aérea 
é de relaxamento.
Como uma primeira descrição aos alunos, trabalhamos muitas vezes com a explicação de braços 
“opostos”: enquanto um braço puxa a água submerso, o outro retorna à frente, por cima da superfície.
Entrada
Agarre
Tração
Desmanchamento
Empurre
Recuperação
Figura 70 – Movimentações básicas da braçada do nado crawl segundo Palmer
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O ensino da braçada pode ser feito na posição vertical (andando, o aluno executa o movimento) 
e depois em decúbito ventral, com ou sem uso de material de apoio. Ainda na fase de adaptação ao 
meio aquático, alguns exercícios andando na piscina servem para desenvolver os primeiros conceitos 
da braçada do nado crawl, quando, por exemplo, pedimos para o aluno andar e ir puxando a água 
alternadamente para trás pelalateral do corpo.
A movimentação dos braços no nado crawl é complexa, com muitos detalhes, como veremos a 
seguir, porém, na fase inicial da aprendizagem, não se deve cobrar do aluno este detalhamento. Ao 
aluno inexperiente apresenta‑se o movimento correto por demonstração, mas sem a cobrança de 
que o execute com perfeição. Inclusive, nas primeiras experiências com o movimento, pede‑se para o 
aprendiz apenas “rodar os braços na água”. Depois de algumas repetições, respeitando a velocidade de 
aprendizagem, os detalhes vão sendo incluídos, com exercícios de deslocamento andando pela piscina 
ou em decúbito ventral.
Figura 71 – Os movimentos básicos de circundução inicialmente 
ensinados em linha reta ou sem orientação podem, com o tempo, 
ir ganhando maior controle motor e consciência espacial
Exemplos de exercícios a serem realizados para desenvolvimento do movimento de braçada do 
nado crawl:
• Parado, em pé, realizar movimentos de circundução alternada de braços, a princípio na posição 
ereta e, em seguida, com leve flexão do tronco, aproximando‑o da horizontal.
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• Andar fazendo movimentos de circundução alternada de braços.
• Executar pernadas com a prancha à frente, realizando o movimento de circundução de apenas um 
dos braços, segurando a prancha com a outra mão.
• Executar pernadas sem a prancha à frente, realizando o movimento de circundução de apenas um 
dos braços, deixando o outro parado à frente.
• Executar pernadas com a prancha à frente, realizando o movimento de circundução alternada dos 
braços (pegada dupla).
• Executar pernadas sem a prancha, puxando a água alternadamente com a mão desde à 
frente até o quadril e retornando o braço por debaixo da água. Enquanto um braço puxa 
a água, o outro retorna, como no nado cachorrinho, porém evidenciando a amplitude 
máxima da braçada.
• Executar pernadas sem a prancha, realizando o movimento de circundução alternada dos braços 
(pegada dupla, sem prancha).
• Executar movimentos de circundução alternada de braços com flutuador (pullbuoy) entre as pernas.
4.2.4 Respiração na aprendizagem do nado crawl
A respiração do nado crawl é lateral, podendo ser uni ou bilateral. Executa‑se uma rotação lateral da 
cabeça até que a boca esteja acima do nível da água para a inspiração, sem elevação da cabeça. Após a 
inspiração, a face retorna à água até alinhar‑se ao pescoço e coluna, com olhar direcionado para o chão 
da piscina, quando ocorre a expiração pelas narinas e pela boca, controladamente. A respiração lateral 
do nado crawl utiliza os mesmos princípios e técnicas respiratórias que já devem ter sido vivenciadas 
pelo aluno na fase de adaptação ao meio aquático.
Se o movimento de respiração lateral for forçado enquanto o aluno ainda não tem padrões 
organizados de braçada e pernada, isso vai influir negativamente nos movimentos, realizando 
um padrão de nado normalmente conhecido como “nadador de ribeirão”, em que ele eleva a 
cabeça por sobre a superfície e executa várias braçadas com a cabeça fora da água, até conseguir 
respirar ou até cansar‑se. O professor deve esperar os movimentos de braçadas e pernadas do 
nado crawl se tornarem consistentes, antes de utilizar o movimento de respiração lateral de 
maneira frequente.
 Lembrete
Os exercícios de controle respiratório vivenciados na fase de adaptação 
serão importantes nesta etapa de aprendizagem da respiração específica 
para o nado crawl. O aluno já deve ter conquistado seu poder de decisão e 
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controle sobre a entrada e saída do ar, saber evitar que a água entre pelas 
narinas etc. para aplicar estes conhecimentos de forma coordenada com 
movimentação de pernas e braços.
Portanto, antes de pretender ensinar o movimento completo da respiração, em um primeiro 
momento tentaremos conciliar a respiração já conquistada na fase de adaptação (fazer 
“bolhinhas”), desta vez conjugada com o desenvolvimento do movimento de pernas de crawl. 
Nos exercícios para desenvolver a pernada, o aluno inicialmente vai parar por alguns momentos, 
colocar os pés no chão para apoiar‑se e inspirar, e depois flutuar novamente, retomando o 
exercício de pernadas.
Certamente, se conseguirmos uma progressão paralela nesses dois aspectos do nado, à medida 
em que o aluno ganhar proficiência no movimento de pernadas, também conseguirá soltar o ar 
enquanto bate pernas e começar a tentar elevar a cabeça para inspirar. Dessa forma, ao mesmo 
tempo em que o aluno alcança distâncias maiores progressivamente, também será capaz de 
realizar uma respiração enquanto bate pernas, sem a necessidade de parar para respirar com os pés 
apoiados no chão.
Em seguida, inicia‑se a apresentação ao movimento de respiração lateral ainda de forma básica, 
na posição com os pés no chão e o tronco flexionado à frente na horizontal, parado, com uso de 
prancha para referência de posicionamento. Pede‑se para o aluno colocar uma mão na prancha e 
a outra ao lado do tronco (parada), solicitando que, ao invés de olhar para a frente para inspirar 
(hiperextensão cervical), o aluno passe a olhar para o lado (rotação da cabeça), levando o queixo 
na direção do ombro cujo braço está ao lado do tronco, até que a boca saia da água e ele possa 
inspirar. Tão logo o aluno consiga achar uma posição adequada, pode‑se pedir que ele realize 
o mesmo movimento em deslocamento (andando), e depois, à medida em que se habitua, pode 
passar a treinar esta respiração enquanto bate pernas (esta evolução depende de sua eficiência no 
batimento de pernas).
Desse modo, aproveita‑se o controle respiratório já obtido na respiração frontal para a respiração lateral.
Pode‑se começar pelo lado dominante e fazer o mesmo com lado não dominante. Uma boa estratégia 
é usar a contagem durante a inspiração e expiração: conta‑se um tempo para a inspiração e o dobro 
deste tempo para a expiração.
Mas a respiração lateral é uma habilidade complexa. Além de ter que ocorrer em um movimento 
orientado no plano frontal, em torno do eixo longitudinal, deve ser coordenada com a expiração e 
inspiração intrinsecamente, bem como com a circundução dos braços de modo extrínseco.
 Lembrete
O termo comumente conhecido como nadador de ribeirão indica que o 
nadador consegue deslocar‑se pela água sem se afogar, mas não domina a 
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coordenação entre respiração e braçadas de crawl, que é uma forma mais 
econômica de realizar o nado. Geralmente, este padrão de nado cansa 
rapidamente o nadador pelo peso da cabeça, que deve ser erguida para 
fora da água por um tempo prolongado.
4.3 Aspectos técnicos, aperfeiçoamento e habilidades complexas do nado crawl
4.3.1 Aspectos técnicos e aperfeiçoamento da pernada de crawl
Na fase de movimentação geral de pernas, observamos que sua ação se dá de forma alternada no 
plano vertical, com ação propulsiva na fase descendente, e o gesto de recuperação para o início de 
um novo movimento na fase ascendente. O aluno deve desenvolver a consciência de que as ações das 
pernas possuem menor ação propulsiva em relação à ação dos braços, mas são de grande efeito no 
equilíbrio geral do nado.
O movimento de pernas se origina no quadril, com flexão natural do joelho para aumentar o ângulo 
de ação da perna e do pé. A maior pressão ou ação propulsiva se dará no peito do pé, que deverá estar 
estendido. A menor amplitude do movimento se dá no quadril e maior amplitude na articulação dotornozelo, portanto, não é viável um movimento propulsivo de pernas em posição rígida, mas num gesto 
de “chutar” a água. Os calcanhares não devem se elevar acima da linha da superfície da água, o que 
causaria uma quebra de continuidade propulsiva e uma perda de tempo e energia, pois não se obtém 
propulsão no movimento dos pés fora da água.
Figura 72 – O uso de nadadeiras pode ser uma ferramenta importante para 
desenvolver a sensibilidade, posicionamento adequado, noção de amplitude 
e aplicação de força na pernada do nado crawl, assim como no costas e borboleta
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4.3.2 Coordenação da pernada com a braçada
Existem diferentes ritmos de ação de pernas em relação ao ciclo de braçadas. Para os iniciantes, 
podemos enfatizar que o ritmo de 2 a 6 pernadas por ciclo é bem aceitável e confortável, buscando o 
equilíbrio e a confiança individual na ação do nadar, podendo chegar até 12 ou mais pernadas por ciclo 
em provas de velocidade na natação. Devemos lembrar que em ações propulsivas de movimento de 
pernas, quanto maior a velocidade do nado, menor será a amplitude da pernada; portanto, os iniciantes 
não devem realizar ações propulsivas de perna em velocidade alta demais, com o risco de não poder 
controlar as corretas ações motoras coordenadas do nado como um todo.
Em velocidades de nado relaxadas ou em provas longas, como a participação das pernas é menos 
importante na propulsão total, a escolha dos nadadores é por diminuir a proporção de pernadas, como, 
por exemplo, no ciclo 2x1 (lê‑se dois por um – significa duas pernadas para cada ciclo da braçada). 
Quando o nadador deseja imprimir velocidade em percursos mais curtos, pode assumir uma proporção 
de 6x1 (seis pernadas para cada ciclo da braçada) ou mais. Isso irá exigir um maior esforço e fornecer 
maior fadiga para os membros inferiores do que na proporção anterior, mas como a distância a ser 
nadada é curta, antes da fadiga o nadador completará a prova, podendo dispor do máximo de pernadas 
que conseguiu produzir (MAGLISCHO, 1999).
Em alguns nadadores, pode‑se observar que uma das pernadas é realizada de forma “cruzada”, 
uma perna cruza à frente da outra ao invés de trabalhar sua amplitude paralelamente ao lado. Em 
geral, esse gesto não é necessariamente ensinado ao nadador para obter qualquer alteração no 
seu nado, mas ele sozinho realiza uma adaptação de equilíbrio, e nem sempre há necessidade de 
“consertar” este gesto, por ser a pernada cruzada realizada sem prejudicar o rendimento do nadador 
(MAGLISCHO, 1999).
4.3.3 Aspectos técnicos e aperfeiçoamento da braçada de crawl
Depois de trabalhar o movimento geral, é hora de nos preocuparmos com os detalhes técnicos da 
braçada do aluno. Muitos autores já analisaram os aspectos da braçada e sugeriram formas diferentes da 
divisão do movimento para fazer comparações. Utilizaremos para análise a divisão da braçada do nado 
crawl em quatro fases, a saber:
• Posição inicial: um braço à frente do corpo, mão alinhada com o respectivo ombro.
• Agarre: a mão cujo braço está estendido à frente do ombro se dirige para o fundo da piscina. Esta 
fase não gera propulsão, apenas posiciona a mão para o início da tração. O cotovelo flexiona‑se 
aproximadamente 40º e a mão deve descer até 40 cm a 60 cm de profundidade aproximadamente 
(MAGLISCHO, 1999), realizando neste momento uma leve flexão do punho (posição do agarre), 
posicionando a palma da mão para trás e os dedos da mão devem permanecer unidos para melhor 
aproveitamento da ação propulsiva do braço.
— Dica: como uma referência básica, dizemos que quando a mão está próxima da posição ideal 
de agarre é possível vê‑la, devido à posição do rosto.
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Figura 73 – Observe que enquanto o braço esquerdo do nadador está retornando à frente (recuperação), 
o braço direito está alinhado ao ombro e inicia seu aprofundamento até a posição de “agarre”
• Tração: ocorre uma flexão do cotovelo, onde ele se mantém voltado para fora do eixo do 
corpo, a mão se mantém voltada para trás, indo em direção à vertical da linha média do corpo. 
Quando a mão se alinha ao plano do ombro, o ângulo da articulação do cotovelo deve ser de 
aproximadamente 80º a 100º.
— Dica 1: a sensação do praticante é de estar puxando o corpo para frente.
— Dica 2: se o cotovelo no momento da tração estiver muito próximo do corpo, a força da 
ação motora será direcionada para o lado e, assim, o praticante pode ter a sensação de 
nadar em zigue‑zague.
Figura 74 – Note o braço direito terminando a tração, caracterizado pela 
flexão de cotovelo e extensão do ombro até 90º, passando a realizar a 
próxima fase (empurre), onde executará a extensão do cotovelo.
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• Empurre: nesta fase temos o momento de maior velocidade da braçada, em que o praticante 
procura manter a palma da mão voltada para trás e o cotovelo voltado para fora da linha média 
do corpo, terminando o movimento com o braço estendido ao lado do tronco, quadril e coxa. 
Nesta fase ocorre a extensão total do cotovelo e ombro, provocando propulsão, enquanto a mão 
se aproxima da superfície.
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4
2
2
2
1
1
1
3
33
5 5 5
6
66
Vista lateral
Vista frontal
Vista inferior
1‑2 Entrada e alongamento
2‑3 Varredura para baixo até o agarre
3‑4 Varredura para dentro
4‑5 Varredura para cima
5‑6 Liberação e saída
Figura 75 – Análise da braçada do nado crawl de acordo com Maglischo
— Dica: em aperfeiçoamento, o praticante sempre pode ser orientado a tocar com o polegar na 
coxa para que ele perceba a importância de o braço estar totalmente estendido.
Figura 76 – Observe o braço direito do nadador realizando a fase final da parte submersa da 
braçada (empurre), caracterizada pela extensão do cotovelo e ombro. Enquanto isso, a mão esquerda 
já entrou na água, aguardando o início da descida da mão até a posição de “agarre”
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NATAÇÃO: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS
• Recuperação: movimento semicircular realizado com a circundução do ombro, iniciando com a 
mão ao lado do quadril e terminando com a mão entrando na água à frente do corpo, na direção 
do ombro. O braço é transportado por fora da água e ao lado do corpo com uma flexão relaxada 
do cotovelo, deixando o antebraço apontando para baixo e a mão próxima à água. A mão deve 
estar levemente abaixo da linha do cotovelo durante seu percurso para frente. Ao passar a mão 
pela linha do ombro, o cotovelo inicia a extensão e a mão vai sendo levada à frente da cabeça, 
alinhada com o ombro. O braço deverá entrar na água quase que totalmente estendido, com a 
palma da mão voltada para baixo e/ou para fora.
Figura 77 – Recuperação controlada no nado crawl: o cotovelo mais alto, relaxamento do tríceps, 
permitindo o cotovelo flexionado e o antebraço apontando relaxadamente para baixo
Figura 78 – Recuperação da braçada alta do nado crawl utilizada em águas abertas para evitar marolas
— Dica 1: no final da recuperação, o praticante deve, na entrada do braço na água, posicionar 
a mão entre a linha média do corpo e o ombro, para evitar aumentar a resistência ao 
avanço colocando‑o desalinhado.
— Dica 2: em provas de natação de velocidade, o braço na fase de recuperação tem uma posição 
da mão mais alta em relação ao cotovelo. Essa exceção ocorre com atletas de alto rendimento 
que possuemum controle motor muito refinado do nado e tem relação com a alta velocidade 
do movimento.
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— Dica 3: em provas em rios, represas ou no mar, a recuperação do braço é mais elevada devido 
haver nadadores muito próximos uns dos outros e também a ação de marolas, muito comuns 
em águas abertas, as quais atrapalham a ação da recuperação.
 Observação
O termo varreduras é amplamente utilizado para descrever trechos 
das braçadas de todos os nados. Maglischo (1999) divide a braçada 
submersa do nado crawl em “varredura para baixo – até o agarre”, 
“varredura para dentro” (equivalente à tração) e “varredura para cima” 
– extensão do cotovelo. Outros autores podem utilizar nomenclaturas 
diferentes e explicações para cada trecho de forma a evidenciar os 
aspectos de seus estudos.
4.3.4 Aperfeiçoamento da respiração lateral do nado crawl
O aperfeiçoamento para realizar a respiração durante o nado crawl deve ser minuciosamente 
observado para que evolua de modo a não interferir ou pouco interferir no desenvolvimento do nado 
como um todo. O melhor momento é aquele quando um dos braços está passando ao lado do quadril. A 
cabeça deve realizar uma rotação no eixo longitudinal, projetando a boca para fora da água, sem mudar 
o alinhamento, nunca elevando a cabeça, o que normalmente geraria maior resistência hidrodinâmica 
pois afeta a flutuação do corpo.
A posição da cabeça durante a ação motora dos braços deve ser com o rosto dentro da água e voltado 
levemente para frente, num ângulo aproximado de 45º. Uma dica que auxilia bastante o praticante é 
que a linha da água fique bem no alto da testa, próximo ao início do cabelo.
Figura 79 – A elevação exagerada da cabeça ao invés da rotação 
irá provocar o afundamento do quadril e maior resistência ao avanço do nadador
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Nesta fase, portanto, tenta‑se coordenar o momento da respiração lateral com a passagem do braço, 
de modo a projetar a cabeça lateralmente sem a interferência do braço a seu lado, o que obrigaria o 
nadador a elevar a cabeça.
Os exercícios nesta fase podem se iniciar também com os pés no chão, para possibilitar a percepção 
do momento correto de rodar a cabeça para a lateral – no final do empurre da braçada – e do momento 
de voltar o rosto para dentro da água – antes que o braço ultrapasse o ombro.
Para que isso seja possível, é necessário também coordenar a respiração, para que, no momento da 
rotação da cabeça para fora da água, imediatamente seja feita a inspiração. A expiração deve ter sido 
realizada antes, pois não há tempo para expirar e em seguida inspirar enquanto se tenta manter o rosto 
para fora da água.
Depois de alguma experiência, pode‑se, em movimento (batendo pernas), tentar conjugar a execução 
da respiração com a braçada de apenas um lado, enquanto a outra mão segura a prancha, permitindo ao 
aluno gradualmente conquistar a percepção e domínio desta nova coordenação.
Figura 80 – A respiração lateral deve aproveitar o tempo em que o braço estiver para trás da linha do ombro, e o 
rosto deve retornar para dentro da água antes da passagem do braço em sua recuperação
Este trabalho de coordenação da braçada com a respiração lateral pode ser feito usando o método 
analítico – partes para o todo – ou, a depender do aluno, seu estágio de evolução e facilidade de 
aprendizado, podemos seguir a direção do todo para as partes, partindo do esboço do nado na forma 
mais rudimentar para chegar no aprimoramento de cada uma das habilidades específicas.
Depois de realizar com a movimentação de um dos braços enquanto o outro segura na prancha, 
deve‑se evoluir gradativamente para não precisar mais da prancha como referência de posição, nem de 
apoio. Também deverá ser trabalhado o movimento de respiração lateral em relação ao outro braço – 
que anteriormente ficava segurando a prancha – para que este se mantenha à frente enquanto a cabeça 
termina o retorno para dentro da água, sem que o braço afunde demasiadamente, buscando o apoio da 
prancha até então utilizada.
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Unidade I
Figura 81 – A expiração deve ser feita enquanto o rosto olha para baixo, pois, 
no momento em que a cabeça roda para fora da água, só há tempo para inspirar
 Lembrete
A escolha do método e das estratégias varia conforme os fatores inerentes 
à tarefa, ao indivíduo e ao ambiente, conforme citado anteriormente.
• Dica 1: utilização de exercícios educativos com ou sem material (prancha) para que o nadador 
aperfeiçoe o movimento e evite oscilações laterais ou verticais.
• Dica 2: em alguns momentos em provas ou treinamento em rios, represas ou mar o praticante 
faz uma respiração frontal para se localizar durante o nado, também chamada de navegação 
ou orientação. Essa navegação deve ser treinada desde a adaptação em águas abertas para ser 
realizada de forma cuidadosa nos estágios mais avançados, pois a elevação da cabeça totalmente 
fora da água, se não for muito bem realizada, provoca um desalinhamento do corpo, o que 
compromete o nado.
• Dica 3: é de fundamental importância para os praticantes, tanto os iniciantes como os 
intermediários e avançados, terem a percepção da importância do rolamento de ombros sobre 
o eixo da coluna no nado crawl, pois os ombros acompanham os movimentos da braçada, 
proporcionando a possibilidade de melhoria da amplitude da braçada.
• Dica 4: independentemente das características individuais de cada praticante, é sabido que 
quanto maior o comprimento da braçada, melhor o desempenho e economia de energia, o que 
causa conforto ou melhora no desempenho do praticante, pois há um maior aproveitamento de 
cada ciclo de movimento.
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4.3.5 Frequência respiratória
Vemos muitos iniciantes que não conseguem realizar uma frequência respiratória satisfatória devido 
a problemas de adaptação ao meio aquático e não propriamente ao ato de respirar durante o nado.
Existem diversas frequências respiratórias que podem ser executadas livremente e elas se aplicam ao 
grau de desenvolvimento da habilidade de execução do nado além do grau de condicionamento físico e 
velocidade do nado. São exemplos:
• 2x1 (lê‑se: “dois por um”), ou seja, a cada duas braçadas, uma ação respiratória realizada sempre 
para o mesmo lado (esquerdo ou direito);
• 3x1, ou bilateral, onde ocorre uma alternância de lado que acontece a cada ciclo de três braçadas;
• 4x1, que ocorre a cada quatro braçadas, podendo ocorrer tanto para a esquerda quanto para a 
direita sem a alternância de lado;
• 5x1, que ocorre a cada cinco braçadas, ou seja, alternando o lado da respiração como no 3x1;
• 3x2, ou seja, duas respirações para o mesmo lado e depois mais três braçadas mudando o lado 
(também conhecido como 3x1 duplo);
• 4x2, como a respiração 4x1, mas realizando duas respirações para um mesmo lado e depois 
realizando bloqueio de mais quatro braçadas.
Existem outras combinações de frequência respiratória, mas devemos levar em consideração 
que o aumento do intervalo da respiração proporciona aumento do débito de oxigênio, causando 
uma fadiga precoce, e deve ser realizada por indivíduos mais adaptados com maior nível de 
condicionamento físico.
Nas mais diferentes provas de natação, quanto menor a distância, maior será o intervalo da 
frequência respiratória. Em provasde 50 metros nado livre, por exemplo, alguns atletas não realizam 
respiração para evitar mudança da linha de flutuação e com isso perder preciosos centésimos de 
segundo. Trechos do treino ou em provas em que o nadador opta por não respirar são conhecidos 
como “bloqueio” da respiração.
4.3.6 O papel dos exercícios educativos da natação
Na natação, é muito comum os professores utilizarem de exercícios chamados de “educativos”, que 
são exercícios orientados para solucionar problemas relacionados à aprendizagem, aperfeiçoamento 
e alto rendimento em natação, dependendo da dificuldade que um nadador tem em executar com 
a melhor perfeição possível, dentro do seu grau de desenvolvimento ou aprendizagem, as diferentes 
solicitações dos quatro nados oficiais da natação, além das saídas e viradas.
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Unidade I
Cabe ao professor/treinador e ao nadador buscar soluções para estas dificuldades que se modificam 
ao longo do tempo. Fracionar as diferentes fases dos nados ou mesmo das ações de saídas e viradas em 
partes distintas podem auxiliar na compreensão e busca de soluções para estes entraves que prejudicam 
ou mesmo impedem a evolução dos objetivos traçados ao longo do tempo. Um determinado educativo 
ou ação motora específica pode auxiliar num determinado período de evolução da técnica desportiva 
e em outro período, um mesmo educativo não se apresenta como auxílio, pois sua efetividade já foi 
superada. Devemos também observar se o nadador possui condições psicológicas e fisiológicas de 
executar e absorver as ações motoras propostas. A grande maioria dos educativos são realizados em 
velocidades inferiores à velocidade natural dos nados para que o nadador perceba com maior clareza as 
diferentes proposições apresentadas.
Exemplos de educativos para o nado crawl:
• Dificuldade de colocar no tempo correto da sequência de braçadas o momento da respiração 
lateral: neste caso, um dos educativos mais simples e de grande valia se mostra com o 
nadador na posição inicial do nado, ou seja, um braço ao lado do corpo junto ao tronco e 
quadril e o outro no prolongamento do corpo à frente. Em propulsão de pernas, com ou sem 
o auxílio de nadadeiras, dependendo do nível do nadador, ele realiza a respiração lateral e 
na sequência um ciclo de braçadas voltando à posição inicial, aí então haverá uma troca do 
braço estendido à frente e o outro ao lado do corpo. Uma variação é realizar a respiração 
lateral e depois realizar a braçada.
• Outra variação do tempo de respiração, mas em nadadores mais avançados, seria realizar o nado 
crawl com recuperação submersa, ou seja, no momento em que o nadador finaliza a braçada e o 
braço oposto está estendido à frente, o braço da finalização é recuperado por dentro da água, bem 
junto ao corpo, com o nadador realizando a respiração lateral e aguardando o braço da recuperação 
se juntar ao estendido à frente e assim depois o outro braço realiza a fase submersa com o movimento 
propulsivo do outro lado com a respiração alternada e a mesma recuperação submersa.
• Realizar alternadamente uma recuperação submersa e outra aérea para aumentar a sensibilidade 
das facilidades de se colocar a respiração em movimentos sequenciais do nado com diferentes 
dificuldades. Esta execução obriga ao nadador realizar um rolamento de ombros muito significativo, 
pois sem isso ele não conseguirá realizar o movimento com exatidão.
• Um exercício muito simples e de grande auxílio na percepção do nado seria o nadador, durante 
a fase de recuperação do braço, realizar o movimento com a “mão fechada”, o que possibilita ao 
nadador perceber melhor onde se encontra o braço durante a fase de recuperação.
• Similarmente, para a etapa submersa, pode o nadador realizá‑la com a “mão fechada”, evidenciando 
a diferença de sensibilidade em relação à braçada com a mão espalmada.
• Outra variação pode ser a realização da recuperação do braço com o polegar tocando na coxa, 
cintura e tronco, com o cotovelo bem alto, e após a passagem do braço pela linha do ombro, 
realizar a entrada do braço dentro da execução habitual. Este movimento auxilia os nadadores 
que fazem uma recuperação com o braço muito estendido e não percebem que o fazem.
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4.4 Saída do nado crawl
A saída é um gesto pelo qual o nadador, partindo ao sinal dado, deixa a plataforma de saída e alcança 
a água: o mais distante possível, com maior velocidade, no tempo mais reduzido e numa orientação 
favorável à retomada do nado.
Considerando o desenvolvimento do controle respiratório nas habilidades básicas de 
natação, posteriormente as atividades de submersão e o aumento da complexidade do 
mergulho elementar, agora poderemos aplicar estes conceitos diretamente em cada um dos 
quatro nados.
O ensino da saída (largada) do nado crawl é geralmente realizado de forma independente do nado. 
Chamamos de maneira popular de “mergulho de cabeça” ou “mergulho de ponta” o ato de, partindo da 
posição em pé na borda da piscina, preparamos e executarmos um salto para a frente e para cima, em 
que projetamos o corpo na posição horizontal, realizando em seguida a entrada na água de forma a 
criar pouca resistência e permitir o maior avanço possível.
As saídas para os nados ventrais (crawl, peito e borboleta) e para o nado dorsal (costas) são divididas 
em partes justapostas, que vão desde a posição preparatória até a entrada na água e deslize. Essa divisão 
faz com que esta habilidade seja classificada como uma habilidade complexa. O ensino mais adequado 
neste caso deve ser feito pelo método analítico, seguindo o caminho do simples para o complexo, das 
partes para o todo.
A saída propriamente dita (impulso e perda do contato dos pés com o bloco ou com a parede 
da piscina) é um movimento explosivo, resultado de cada ação anterior à saída em si. Estas 
ações envolvem o posicionamento inicial (na borda, na plataforma ou na parede da piscina) e a 
mobilização dos segmentos corporais; são elas que irão definir a velocidade e trajetória da entrada 
do corpo na água até o início do nado. Sendo assim, o sucesso da saída depende das instruções 
adequadas de ensino e aprimoramento das ações iniciais. O professor deve orientar seus alunos 
em cada etapa da sequência da saída visando à técnica mais eficaz para o melhor desempenho e 
resultados satisfatórios.
4.4.1 Saída do bloco de partida
Esta saída evoluiu nos anos 1960 e se mantém quase como a que conhecemos ainda hoje. Ela se 
baseava na saída do bloco de partida do atletismo. Desde então, diversas adaptações e modificações nas 
regras de saída do bloco aconteceram, tais como a inclinação da parte posterior da plataforma para dar 
mais apoio ao nadador ou como do apoio já dentro da água para os nadadores de nado de costas não 
escorregarem no momento da partida.
Devemos nos atentar que o processo de aprendizagem deste tipo de saída ocorre muito antes do 
processo de treinamento mais avançado, bem como nas situações de competição; ele ocorre desde a 
etapa de aprendizagem das habilidades básicas como visto anteriormente.
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Unidade I
Podemos dividir a saída do bloco de partida dos nados crawl, peito e borboleta da seguinte maneira:
• Posição preparatória: o nadador se coloca na plataforma em pé com o tronco semiflexionado à 
frente, braços relaxados e olhando para a piscina ou para baixo.
• Posição de tiro: o nadador aguarda a ordem de saída, neste momento ele flexiona o tronco 
para frente e para baixo com as mãos tocandoa borda da plataforma ou mesmo segurando com 
as pontas dos dedos, a cabeça fica voltada para o pé da frente ou voltada para trás. O nadador 
pode manter a posição de um pé na frente e o outro atrás (esta posição é a mais utilizada) ou 
ele pode colocar os dois pés à frente (que não propicia tanto equilíbrio), os dedos do pé da frente 
flexionados na face anterior do bloco, para evitar que escorreguem na saída.
Figura 82 – Posição de saída de bloco dos nados crawl, peito e borboleta no momento do tiro 
de partida. Note que todos os nadadores escolheram o afastamento anteroposterior das pernas no bloco
• Saída do bloco: ao sinal de saída, o nadador projeta o corpo para frente, com a extensão dos 
braços unidos protegendo a cabeça, e as pernas impulsionando o corpo (posição de flecha). 
Durante o voo, o tronco vai progressivamente se posicionando num nível mais baixo que o quadril 
e as pernas para preparar a entrada do corpo na água de preferência num mesmo ponto.
Figura 83 – Fase aérea da saída
• Entrada na água: as mãos devem entrar primeiramente na água e o resto do corpo estendido 
deve passar pelo mesmo ponto de entrada, evitando assim que a resistência frontal desacelere 
demasiadamente o corpo ou mesmo que prejudique a fase submersa.
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Figura 84 – Momento de entrada da mão na água em posição oblíqua: 
o restante do corpo deve entrar pelo mesmo ponto de contato
• Deslize: após a entrada na água, o nadador deverá buscar a melhor posição hidrodinâmica e a 
partir deste momento realizar a propulsão submersa conforme a característica de cada nado, até 
retornar para a superfície e poder iniciar os movimentos do nado.
Figura 85 – Final da parte submersa. No caso das provas de nado livre, o nadador realizou 
movimentos de golfinhada para aproveitar a fase submersa e agora está iniciando os movimentos 
 de pernada alternada de crawl para que, em seguida, possa iniciar as braçadas na superfície
O ensino da habilidade de saída teve início pelo trabalho com as formas básicas da submersão, do 
salto em pé e do mergulho elementar de cabeça (posições sentada, agachada e ajoelhada) já realizados 
na fase de aprendizado das habilidades básicas da natação. Essas habilidades elementares serão 
aprimoradas para a habilidade específica da saída dos nados em posição ventral do corpo.
Após este trabalho no plano baixo passamos ao plano alto. Neste momento, as instruções sobre 
posicionamento do corpo e as ações em cada etapa da sequência da saída devem ser dadas de forma 
clara e objetiva. São muitos os detalhes e pode‑se esperar pouca eficiência de início, mas este trabalho 
mais detalhado evita ações desnecessárias e que interferem negativamente na saída. O papel do professor 
desta etapa será direcionar a entrada do aprendiz de forma oblíqua na água: nem muito horizontal, para 
evitar a colisão frontal (ou “barrigada”), nem muito vertical, o que pode provocar um choque com o 
fundo da piscina.
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Unidade I
Figura 86 – Com um bom fundamento de saída, centésimos de segundo 
de diferença podem significar meio corpo de vantagem!
Figura 87 – Quanto mais longa a prova, menor a importância 
do movimento único da largada em relação ao rendimento 
da prova. Mas, de qualquer forma, é um movimento importante
4.5 Viradas das provas do nado livre
A virada é a mudança de sentido realizada quando a trajetória de natação tiver maior distância 
do que o comprimento da piscina. É o gesto assimétrico que envolve um conjunto de movimentos 
realizados de acordo com o regulamento para cada um dos quatro nados. No caso do nado livre, onde 
se utiliza o nado crawl, a regra apenas obriga que alguma parte do corpo toque a borda, ou seja, não é 
necessário o toque das mãos.
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Sendo assim, as viradas que podem ser utilizadas para as provas do nado livre são classificadas em 
virada simples e virada olímpica. A virada olímpica é mais rápida, através de uma cambalhota, e a virada 
simples é usada para aqueles que ainda não aprenderam a virada olímpica.
Virada simples
A virada simples é realizada com a aproximação da parede, estendendo ao máximo o braço cuja 
mão irá tocar na parede da piscina. Este toque é rápido e tão logo ocorra a mão já se afasta novamente 
da parede, indo de encontro à outra mão, que estava ao lado do quadril e ficou na superfície nesta 
posição, já apontando para a outra borda. Ocorre então um movimento pendular do corpo, ou seja, com 
os joelhos e quadris flexionados os pés passam por debaixo do tronco de encontro à parede, enquanto 
cabeça e ombros viajam no sentido contrário por cima do tronco e na direção da borda oposta, após o 
afastamento da mão que tocou a parede. O corpo termina este movimento pendular com o toque dos 
pés na parede e posterior impulso. O impulso deve ser dado apenas quando as mãos se encontrarem 
juntas à frente do corpo e este em posição hidrodinâmica.
Divisão em fases da virada simples:
• Aproximação: onde o nadador observa por baixo da água a aproximação da borda.
• Toque na borda: com um dos braços à frente tocar na borda com consequente flexão de cotovelo 
devido à desaceleração do nado.
• Grupamento do corpo: com o rosto na água, o nadador projeta por baixo do corpo as pernas 
unidas para a borda da piscina com flexão de quadril e joelhos enquanto o braço que tocou 
a borda viaja por cima da água para se juntar ao outro braço, que estava apontando para a 
borda oposta.
• Posicionamento de saída: braços unidos voltados à frente, quadris flexionados, pernas flexionadas 
e pés apoiados na parede.
• Impulso: os braços estendidos à frente da cabeça em posição hidrodinâmica (streamline) para 
diminuir a resistência frontal com consequente extensão vigorosa das pernas para auxiliar no 
deslize do corpo. Na desaceleração do impulso da borda há o início da propulsão golfinhadas (se 
o aluno já o fizer), de pernadas alternadas e depois de braços.
Quando bem realizada, a virada simples permite a economia de tempo, pois não há previsão para 
encostar os pés no chão, nem segurar a borda para sustentar‑se.
O trabalho de ensino da técnica da virada simples pode ser feito em partes, por exemplo, seguindo a 
ordem das etapas da virada. Deve ser dada ênfase à distância e velocidade de aproximação, o toque da 
mão na parede e o pêndulo (rápido) do corpo para o posicionamento dos pés na parede para a retomada 
do nado na outra direção.
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Figura 88 – A virada simples das provas de nado livre inicia‑se com o toque de uma das mãos na borda, 
enquanto a outra mão (ao lado do quadril) fica nesta posição, já apontando para o outro lado, 
ao mesmo tempo que o tronco vai se inclinar para o toque da parede com os pés
Virada olímpica
A virada olímpica é realizada sem o toque das mãos na parede e com uma cambalhota depois da 
aproximação, seguida do toque dos pés na parede para a impulsão.
Fases da virada olímpica
• Aproximação: o nadador deve visualizar a parede e os pontos de referência para calcular a fase 
seguinte, a velocidade do nado deve ser levada em conta durante a aproximação.
• Giro: na última braçada, o nadador deve direcionar a cabeça para a região do abdome, bem 
como o braço da última braçada. O outro braço deve ficar ao lado do quadril. Ao mesmo tempo, 
deve realizar uma flexãodo tronco, projetando a cabeça para baixo, e flexão de quadris e pernas, 
trazendo os calcanhares em direção à borda da piscina. Depois, posicionar os braços unidos 
e estendidos à frente da cabeça na direção contrária da borda, os pés unidos e o corpo já na 
transversal o mais próximo possível da superfície.
• Impulsão: durante a impulsão os pés tocam a parede e ocorre uma vigorosa extensão das pernas 
ao mesmo tempo que ocorre uma rotação do corpo para que o nadador volte a posição inicial 
do nado. Os braços devem se manter estendidos à frente do corpo, protegendo a cabeça para 
diminuir a resistência frontal.
• Deslize: durante o deslize (submerso) inicia‑se a propulsão de pernas que pode ser com uma 
sequência de golfinhadas e, à medida em que o corpo se aproxima da superfície, inicia‑se a 
pernada alternada do nado, para que não haja perda do impulso realizado sobre a parede da 
borda da piscina.
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• Propulsão: quando o nadador percebe que está ao alcance da superfície ele inicia o movimento 
de braçada, mas se o realizar precocemente pode provocar uma drástica diminuição da 
velocidade. O nadador deve iniciar preferencialmente a respiração após duas ou três braçadas 
para que o corpo se posicione corretamente na superfície da água.
Na virada olímpica o aprendizado deve ter início pela execução do movimento da cambalhota. 
Este trabalho pode ser feito de forma lúdica, em que o aluno será estimulado a girar para o lado 
primeiro, até que chegue a fazer o giro completo. Sugere‑se que o professor auxilie o aluno 
principalmente nas primeiras tentativas, pedindo que ele flexione os joelhos trazendo‑os próximos 
ao peito, aproxime o queixo do peito (como se fosse um “caramujo”) e, em seguida, o professor 
conduz o movimento da cambalhota. Depois, podem ser utilizados materiais como espaguetes e 
arcos para estimular o aluno a realizar sozinho o movimento da cambalhota passando por baixo 
e por dentro destes materiais.
Após o trabalho visto anteriormente, podemos acrescentar movimentos com as demais etapas 
da virada, em exercícios como: executar movimento de propulsão de pernas e, em seguida, 
fazer a cambalhota; executar o nado crawl e na sequência a cambalhota; nadar crawl, fazer a 
cambalhota e prosseguir com o nado; aproximar‑se da borda nadando e fazer a cambalhota, 
dentre outros até que todas etapas estejam presentes. O professor deve orientar os aprendizes a 
terem cuidado especial na distância do corpo e a parede da piscina na aproximação, pois se este 
espaço não for suficiente para o movimento da cambalhota, o aluno pode machucar‑se ao bater 
seu pé de encontro à borda.
4.6 Regras da prova de nado livre
As provas em que o nado crawl é utilizado são as provas de nado livre. No entanto, as regras 
do nado livre permitem que sejam realizados quaisquer movimentos de propulsão durante a prova 
que possam colaborar na velocidade do nado, exceto, logicamente, impulsionar‑se no fundo, nas 
bordas ou raias etc.
SW 5.1 – Nado livre significa que numa prova assim denominada, o 
competidor pode nadar qualquer nado, exceto nas provas de medley 
individual ou revezamento medley; nado livre significa qualquer nado 
diferente do nado de costas, peito ou borboleta.
SW 5.2 – Alguma parte do nadador tem que tocar a parede ao completar 
cada volta e no final.
SW 5.3 – Alguma parte do nadador tem que quebrar a superfície da água 
durante a prova, exceto quando é permitido ao nadador estar completamente 
submerso durante a volta e numa distância não maior que 15 metros após 
a partida e cada volta. Nesse ponto, a cabeça deve ter quebrado a superfície 
da água (CDBA, 2017).
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Unidade I
 Resumo
Nesta unidade pudemos viajar por milhares de anos, desde os primórdios 
da história da relação humana com a água, quando nadar significava 
aumentar as chances de sobrevivência, até os tempos atuais, da natação 
moderna, eficiente e organizada presente no nado crawl, ainda que este seja 
um nado em que a “ausência” de regras permita uma evolução sem igual.
Para poder tornar o ensino da natação uma atividade acessível através 
da formação de professores, analisamos regras fundamentais de segurança 
e os principais riscos envolvidos na atividade.
Também com o intuito de embasamento teórico para o entendimento e 
ensino da natação, precisamos analisar as implicações da Física na relação 
do corpo com a água, não ignorando, logicamente, os espectros psicológico, 
motivacional e social da natação.
Transformando todas essas variáveis em uma possibilidade pedagógica, 
fizemos uma análise metodológica do que é ensinar a nadar.
 Exercícios
Questão 1. “A flutuação é a ação e o efeito de flutuar (manter‑se à tona/superfície de um líquido ou 
de um gás, estar no ambiente influindo no ânimo, boiar). O termo é usado para fazer referência à ação 
do corpo da pessoa que está a nadar”. Considerando os fatores que possam influenciar nesta flutuação, 
avalie as afirmativas a seguir.
I – Na água salgada há uma maior facilidade de flutuar em comparação à água doce.
II – Em geral, homens tendem a flutuar mais do que as mulheres.
III – O acúmulo de tecido adiposo e a perda de massa óssea com o avanço da idade podem favorecer 
a flutuação.
É correto o que se afirma em:
A) I, apenas.
B) II, apenas.
C) I e III, apenas.
115
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NATAÇÃO: ASPECTOS PEDAGÓGICOS E APROFUNDAMENTOS
D) II e III, apenas.
E) I, II e III.
Resposta correta: alternativa C.
Análise das afirmativas
I – Afirmativa correta.
Justificativa: a água salgada tem uma maior densidade que a água doce devido aos sais nela 
dissolvidos, cerca de 30 g de sal por litro de água em nosso oceano.
II – Afirmativa incorreta.
Justificativa: a presença maior de tecido adiposo no sexo feminino associada aos ossos menos densos 
em relação aos homens provoca maior flutuação.
III – Afirmativa correta.
Justificativa: o aumento do tecido adiposo e a maior porosidade dos ossos deixam as pessoas menos 
densas e, consequentemente, com maior facilidade de flutuação.
Questão 2. Considerando o uso de materiais que podem ser utilizados para trabalhar a flutuação 
com os alunos, analise as afirmativas a seguir:
I – Diversos materiais podem ser usados para trabalhar o processo de ensino e aprendizagem da 
flutuação somente em crianças.
II – Os adultos não necessitam de flutuadores devido às suas experiências prévias e a própria 
composição corporal que também facilitaria este processo.
A respeito dessas afirmativas, assinale a opção correta.
A) As afirmativas I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I.
B) As afirmativas I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I.
C) A afirmativa I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
D) A afirmativa I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
E) As afirmativas I e II são proposições falsas.
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