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tutoria 7 - placenta e membranas fetais Maria Karoline Duque ★ Placenta e membranas fetais *A placenta e as membranas fetais separam o feto do endométrio, a camada interna da parede uterina. *Uma troca de substâncias, tais como nutrientes e oxigênio, ocorre entre as correntes sanguíneas materna e fetal através da placenta. Os vasos no cordão umbilical conectam a circulação placentária à circulação fetal. *As membranas fetais incluem o córion, o âmnio, a vesícula umbilical e a alantoide. *As membranas placentária e fetal realizam as seguintes funções e atividades: proteção, nutrição, respiração, excreção de produtos residuais e produção de hormônios. *Pouco tempo após o nascimento, a placenta e as membranas são expelidas do útero. *Ao iniciar a nona semana de desenvolvimento, a demanda do feto por fatores nutricionais aumenta, fazendo com que ocorram grandes mudanças na placenta. A primeira delas é uma elevação na área superficial entre os componentes materno e fetal para facilitar a troca. A disposição das membranas fetais também se altera conforme aumenta a produção de líquido amniótico. ● Placenta *A placenta é o sítio primário da troca de nutriente e gases entre a mãe e o embrião/feto. A placenta é um órgão maternofetal que tem dois componentes: - Uma parte fetal que se desenvolve do saco coriônico (deriva do trofoblasto e do mesoderma extraembrionário (a placa coriônica)), a membrana fetal mais externa. - Uma parte materna que é derivada do endométrio, a membrana mucosa que compreende a camada interna da parede uterina. ➢ Decídua *A decídua é o endométrio do útero em uma mulher grávida. Ela é a camada funcional do endométrio que se separa do restante do útero após o parto (nascimento da criança). *As regiões deciduais, claramente reconhecidas durante uma ultrassonografia, são importantes no diagnóstico inicial da gestação. *As três regiões da decídua são chamadas de acordo com as suas relações com o sítio de implantação: - A decídua basal é a parte da decídua profunda ao concepto (embrião/feto e membranas), que forma a parte materna da placenta e consiste em uma camada compacta de células grandes, as células deciduais, com quantidades abundantes de lipídios e de glicogênio (reação decidual), sobre o cório frondoso. - A decídua capsular é a parte superficial da decídua, que recobre o concepto sobre o polo abembrionário. Com o crescimento da vesícula coriônica, ela se alonga e degenera. - Subsequentemente, o cório liso fica em contato com a parede uterina (decídua parietal) no lado oposto do útero, com a qual se fusiona, obliterando o lúmen uterino. *O desenvolvimento inicial é caracterizado pela rápida proliferação do trofoblasto e pelo desenvolvimento do saco coriônico e das vilosidades coriônicas. *Os genes homeobox (HLX e DLX3) expressos no trofoblasto e nos seus vasos sanguíneos regulam o desenvolvimento placentário. *Ao final da terceira semana, os arranjos anatômicos necessários às trocas fisiológicas entre a mãe e o embrião/feto são estabelecidos. *Uma complexa rede vascular é estabelecida na placenta ao final da quarta semana, o que facilita as trocas maternoembrionárias de gases, nutrientes e produtos metabólicos residuais. *No começo do segundo mês, o trofoblasto se caracteriza por um grande número de vilosidades secundárias e terciárias, que dão à placenta uma aparência radial. Os troncos vilosos (ou vilosidades de ancoragem) se estendem do mesoderma da placa coriônica até a concha trofoblástica. A superfície da vilosidade é formada pelo sinciciotrofoblasto, situado sobre uma camada de células citotrofoblásticas que, por sua vez, recobrem um eixo de mesoderma vascularizado. O sistema capilar que está se desenvolvendo no centro dos troncos vilosos logo entra em contato com os capilares da placa coriônica e com o pedúnculo embrionário, dando origem ao sistema vascular extraembrionário. *O sangue materno é fornecido à placenta por artérias espiraladas no útero. A abertura desses vasos para liberar sangue nos espaços intervilosos é alcançada pela invasão endovascular, realizada pelas células citotrofoblásticas. Estas, liberadas das extremidades das vilosidades de ancoragem, invadem as porções terminais das artérias espiraladas, onde substituem as células endoteliais maternas nas paredes dos vasos, criando vasos híbridos que contêm células maternas e fetais. Para completar esse processo, as células citotrofoblásticas sofrem uma transição epitelioendotelial. *A invasão das artérias espirais por células citotrofoblásticas transforma esses vasos de diâmetro pequeno e de alta resistência em vasos de grande diâmetro e de baixa resistência, que podem fornecer quantidade maior de sangue materno para os espaços intervilosos. *Durante os meses que se seguem, várias pequenas extensões crescem dos troncos vilosos existentes, as quais se estendem como vilosidades livres para os espaços lacunares ou intervilosos circunjacentes. Inicialmente, essas novas vilosidades livres recém-formadas são primitivas; porém, no início do quarto mês, as células citotrofoblásticas e algumas células do tecido conjuntivo desaparecem. O sinciciotrofoblasto e a parede endotelial dos vasos sanguíneos são, assim, as únicas camadas que separam as circulações materna e fetal. *Frequentemente, o sincício se torna muito fino, e fragmentos grandes contendo vários núcleos podem separar-se e cair nos espaços intervilosos de sangue. Esses fragmentos, conhecidos como nós sinciciais, entram na circulação materna e normalmente degeneram sem causar problemas. *O desaparecimento das células citotrofoblásticas progride das vilosidades menores para as maiores, e, embora sempre persistam nas vilosidades grandes, elas não participam das trocas entre as circulações materna e fetal. *Com o crescimento do saco coriônico, as vilosidades associadas à decídua capsular tornam-se comprimidas, então, o seu suprimento sanguíneo é reduzido; logo, elas se degenerarão. Isso produz uma área relativamente avascular, o córion liso. *Quando as vilosidades desaparecem, aquelas associadas à decídua basal rapidamente aumentam em número, ramificam-se e aumentam em tamanho. Isso forma a área espessa do saco coriônico, o córion viloso (córion frondoso). *No início do quarto mês, a placenta tem dois componentes: uma porção fetal, formada pelo cório frondoso, e uma porção materna, constituída pela decídua basal. *Do lado fetal, a placenta é limitada pela placa coriônica; em seu lado materno, tem como limite a decídua basal, da qual a placa decidual é incorporada mais intimamente à placenta. *Na zona juncional, o trofoblasto e as células deciduais se misturam. Essa região, caracterizada pelas células gigantes deciduais e sinciciais, é rica em material extracelular amorfo. *A parte fetal está ligada à parte materna da placenta pela capa citotrofoblástica, a camada externa de células trofoblásticas na superfície maternal da placenta. As vilosidades coriônicasligam-se firmemente à decídua basal através da capa citotrofoblástica, que ancora o saco coriônico à decídua basal. *Nessa fase da gestação, a maioria das células citotrofoblásticas vilosas já degenerou. Entre as placas coriônica e decidual se encontram os espaços intervilosos, que são repletos de sangue materno. Eles derivam das lacunas no sinciciotrofoblasto e estão revestidos por ele. *Durante o quarto e o quinto meses, a decídua forma numerosos septos deciduais, que se projetam para os espaços intervilosos, mas não alcançam a placa coriônica . Esses septos têm um eixo de tecido materno, mas sua superfície está coberta por uma camada de sinciciotrofoblasto, de modo que a camada sincicial sempre separará o sangue materno presente nos espaços intervilosos do tecido fetal da vilosidade. *As artérias espiraladas (vasos semelhantes a saca-rolhas) passam através de fendas na capa citotrofoblástica e descarregam o sangue no espaço interviloso. Esse grande espaço é drenado pelas veias endometriais, que também penetram na capa citotrofoblástica. *Como resultado dessa formação septal, a placenta se divide em vários compartimentos, ou cotilédones. Como os septos deciduais não alcançam a placa coriônica, o contato entre os vários cotilédones se mantém. *Como resultado do crescimento contínuo do feto e da expansão do útero, a placenta também cresce. Seu aumento em área superficial acompanha aproximadamente o do útero em expansão e, ao longo de toda a gravidez, ela cobre aproximadamente 15 a 30% da superfície interna do útero e pesa aproximadamente um sexto do peso do feto. *O aumento da placenta em espessura é resultado da arborização das vilosidades existentes e não é causado por penetração adicional nos tecidos maternos. *O crescimento no tamanho e na espessura da placenta continua rapidamente até o feto ter aproximadamente 18 semanas de idade. *As vilosidades coriônicas ramificadas da placenta proporcionam uma grande área de superfície onde materiais podem ser trocados através de uma membrana placentária muito delgada, interposta entre as circulações materna e fetal. É através das ramificações das vilosidades, que se originam das vilosidades-tronco, que ocorre o principal meio de troca de material entre a mãe e o feto. *As circulações fetal e materna estão separadas pela membrana placentária, que consiste em tecidos extrafetais. *Até aproximadamente 20 semanas, a membrana placentária consiste em quatro camadas: sinciciotrofoblasto, citotrofoblasto, tecido conjuntivo das vilosidades e endotélio dos capilares fetais. Após a vigésima semana, as trocas celulares ocorrem nas ramificações das vilosidades. *Células citotrofoblásticas finalmente desaparecem ao longo de grandes áreas das vilosidades, deixando somente as de sinciciotrofoblasto. Em algumas áreas, a membrana placentária torna-se marcadamente mais fina e atenuada. Nesses sítios, o sinciciotrofoblasto entra em contato direto com o endotélio dos capilares fetais para formar a membrana placentária vasculosincicial. *Nessas vilosidades, o sinciciotrofoblasto frequentemente tem uma borda em escova que consiste em numerosas microvilosidades, as quais aumentam muito a área superficial e, consequentemente, a taxa de troca entre as circulações materna e fetal. *Algumas vezes a membrana placentária é chamada de barreira placentária; esse é um termo inapropriado porque existem somente umas poucas substâncias, endógenas ou exógenas, que são incapazes de passar através da membrana em quantidades detectáveis. *A membrana placentária atua como uma barreira somente quando uma molécula é de certo tamanho, configuração e carga, como a heparina. *Alguns metabólitos, toxinas e hormônios, embora presentes na circulação materna, não passam através da membrana placentária em concentrações suficientes para afetar o embrião/feto. *A maioria das drogas e outras substâncias do plasma do sangue materno passa através da membrana placentária e entram no plasma sanguíneo fetal . *Ao final da gestação, um material fibrinoide eosinofílico reforça as superfícies das vilosidades, o que parece reduzir a transferência placentária. *Coletivamente, os espaços intervilosos de uma placenta madura contêm aproximadamente 150 mℓ de sangue, que são abastecidos cerca de 3 a 4 vezes por minuto. ➢ Circulação fetal *O sangue pobremente oxigenado passa através das artérias umbilicais para a placenta. No sítio de ligação do cordão umbilical à placenta, as artérias se dividem em várias artérias coriônicas dispostas radialmente que se ramificam livremente na placa coriônica antes de entrarem nas vilosidades coriônicas. *Os vasos sanguíneos formam um extenso sistema arteriocapilar-venoso dentro das vilosidades coriônicas, que traz o sangue fetal para extremamente perto do sangue materno. Esse sistema proporciona uma grande área de superfície para a troca de produtos metabólicos e gasosos entre as correntes sanguíneas materna e fetal. *O sangue fetal bem oxigenado nos capilares fetais passa para veias de paredes delgadas que seguem as artérias coriônicas ao sítio de ligação do cordão umbilical. Elas convergem aqui para formarem a veia umbilical. Esse grande vaso transporta sangue rico em oxigênio para o feto. ➢ Circulação materna *O sangue materno no espaço interviloso está temporariamente fora do sistema circulatório materno. Ele entra no espaço interviloso através de 80 a 100 artérias espiraladas endometriais na decídua basal. Essas artérias descarregam para o espaço interviloso através de fendas na capa citotrofoblástica. *O fluxo sanguíneo das artérias espiraladas é pulsátil. O sangue que entra apresenta uma pressão consideravelmente mais alta que a do espaço interviloso e, consequentemente, o sangue é lançado em direção à placa coriônica, que forma o “teto” do espaço interviloso. *Assim que a pressão se dissipa, o sangue flui lentamente pelas ramificações das vilosidades, permitindo uma troca de produtos metabólicos e gasosos com o sangue fetal. *O sangue retorna pelas veias endometriais para a circulação materna. *O bem-estar do embrião/feto depende mais da irrigação adequada das ramificações das vilosidades com sangue materno que de qualquer outro fator. *Reduções da circulação uteroplacentária resultam em hipóxia fetal e em restrição do crescimento intrauterino (RCIU). Reduções severas da circulação podem resultar em morte do embrião/feto. *Funções da placenta: - Metabolismo (p. ex., síntese do glicogênio). - Transporte de gases e nutrientes. - Secreção endócrina (p. ex., gonadotrofina coriônica humana [hCG]). - Proteção. - Excreção (produtos residuais fetais). ➢ Metabolismo placentário *A placenta, particularmente durante a gestação inicial, sintetiza glicogênio, colesterol e ácidos graxos, que servem como fontes de nutrientes e energia para o embrião/feto. ➢ Transferência placentária *O transporte de substâncias, em ambas as direções, entre o sangue fetal e o materno é facilitado pela grande área de superfície da membranaplacentária. *Quase todos os materiais são transportados através dessa membrana por um dos quatro principais mecanismos de transportes que seguem: difusão simples (o transporte passivo por difusão simples é geralmente característico de substâncias que se movem de áreas de maior concentração para as de menor concentração até o equilíbrio ser estabelecido), difusão facilitada (há transporte através de gradientes elétricos e requer um transportador, mas não energia. Tais sistemas podem envolver moléculas carreadoras que temporariamente se combinam com as substâncias a serem transportadas), transporte ativo (passagem de íons ou moléculas através de uma membrana celular) e pinocitose (é uma forma de endocitose na qual o material que está sendo engolfado é uma pequena quantidade de líquido extracelular/moléculas grandes). ➢ Transferência de gases *Oxigênio, dióxido de carbono e monóxido de carbono atravessam a membrana placentária por difusão simples. *A quantidade de oxigênio que chega ao feto é primariamente limitada ao fluxo, em vez de limitada à difusão; logo, a hipóxia fetal (decréscimo dos níveis de oxigênio) resulta primariamente de fatores que diminuem ou o fluxo sanguíneo uterino ou o fluxo sanguíneo embrionário/fetal. *A falência respiratória materna (p. ex., devido à pneumonia) também reduzirá o transporte de oxigênio para o embrião/feto. ➢ Substâncias nutricionais *A água é rapidamente trocada por difusão simples e em quantidades crescentes conforme o avanço da gestação. *A glicose produzida pela mãe e pela placenta é rapidamente transferida para o embrião/feto por difusão facilitada (ativa) mediada primariamente por um transportador de glicose 1 (GLUT-1), um carreador de glicose independente de insulina. *O colesterol materno, os triglicerídeos e os fosfolipídios são transferidos. Embora exista transporte de ácidos graxos livres, a quantidade transferida parece ser relativamente pequena, com ácidos graxos poliinsaturados de cadeia longa; sendo o ácido graxo livre transportado em quantidades maiores. *Os aminoácidos são ativamente transportados através da membrana placentária e são essenciais para o crescimento fetal. Para a maioria dos aminoácidos, as concentrações plasmáticas no embrião/feto são maiores que na mãe. *As vitaminas atravessam a membrana placentária e são essenciais para o desenvolvimento normal. As vitaminas hidrossolúveis atravessam a membrana placentária mais rapidamente que as vitaminas lipossolúveis. ➢ Eletrólitos *Os eletrólitos são trocados livremente através da membrana placentária em quantidades significativas, cada tipo em sua própria taxa. ➢ Hormônios ● Âmnio *O fino, mas resistente âmnio forma um saco amniótico membranoso preenchido por líquido que circunda o embrião e mais tarde o feto. *O saco contém líquido amniótico. *Enquanto o âmnio aumenta em tamanho, ele gradualmente oblitera a cavidade coriônica e forma a cobertura epitelial do cordão umbilical. ● Cordão umbilical *A linha oval de reflexão entre o âmnio e o ectoderma embrionário (junção âmnio-ectodérmica) é o anel umbilical primitivo. *Na quinta semana do desenvolvimento, as seguintes estruturas passam pelo anel: (1) o pedúnculo embrionário, contendo o alantoide e os vasos umbilicais, que consistem em duas artérias e uma veia; (2) o pedúnculo vitelino (ducto vitelino), acompanhado dos vasos vitelinos; e (3) o canal que conecta as cavidades intraembrionária e extraembrionária. A própria vesícula vitelínica ocupa um espaço na cavidade coriônica, ou seja, o espaço entre o âmnio e a placa coriônica. *Com a progressão do desenvolvimento, a cavidade amniótica aumenta rapidamente à custa da cavidade coriônica e o âmnio começa a envolver os pedúnculos embrionários e da vesícula vitelínica, comprimindo-os e dando origem ao cordão umbilical primitivo. *Distalmente, o cordão contém o pedúnculo da vesícula vitelínica e os vasos umbilicais; mais proximalmente, ele contém algumas alças intestinais e o remanescente do alantoide . ● Alantoide ★ Tabagismo *De acordo Aleixo Neto (1990) as substâncias que compõe o cigarro são diversas. As principais, e mais maléficas, são: nicotina e o monóxido de carbono (CO). - Nicotina: um dos efeitos mais importantes é a vasoconstrição dos vasos uterinos, reduzindo-se assim a perfusão do espaço interviloso, com a conseqüente redução da disponibilidade de oxigênio para o feto. Déficits neurológicos, no pós nascimento, como cognição, desenvolvimento psicomotor e psicossexual também são relacionados à nicotina. Conforme os autores, estes déficits denotam a neurotoxicidade da nicotina que interage com os receptores nicotínicos colinérgicos em fase precoce e inadequada durante a gestação, prejudicando a neurogênese e a sinaptogênese. Compromete o crescimento dos pulmões e leva à redução das pequenas vias aéreas, implicando em alterações funcionais respiratórias na infância, que persistem ao longo da vida. O desenvolvimento pulmonar modificado pode estar associado ao aumento do risco futuro de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), câncer de pulmão e doenças cardiovasculares. A exposição prolongada da medula adrenal do feto à nicotina leva à perda de sua capacidade de responder reflexamente à hipóxia, levando a uma explicação para síndrome de morte súbita nos bebês. - Monóxido de carbono: o CO liga-se à hemoglobina materna e fetal no sítio onde se deveria ligar o oxigênio, com afinidade 200 vezes maior que este. O produto dessa ligação é a carboxihemoglobina (COHb). A hemoglobina fetal tem uma ligação com o CO mais forte que a hemoglobina materna, resultando em níveis de COHb mais elevados na circulação fetal. As altas concentrações de COHb provocam hipóxia tecidual, estimulando a eritropoiese e causando uma elevação do hematócrito da gestante fumante e de seu feto. Isto implica em hiperviscosidade sangüínea, aumento do risco de infarto cerebral no neonato, e mau desempenho da placenta, além de influenciar o crescimento do feto. No sistema nervoso do feto, o CO tem ação de uma potente toxina, e pode causar lesões neurológicas temporárias e/ou permanentes. No sistema cardiovascular, provoca elevação da freqüência cardíaca e hipertrofia miocárdica. - Outros efeitos tóxicos: é sabido que o tabagismo leva ao comprometimento do sistema imunológico, com diminuição da capacidade fagocitária dos macrófagos e alteração dos níveis de IgA nas mucosas. Isto pode explicar porque as gestantes fumantes têm maior risco de abortamento. Rotura prematura de membranas: Rocha (1996) apud Gondim et al (2006) traz uma relação da rotura prematura de membranas com a infecção de líquido amniótico, pois é dito que as substâncias contidas no cigarro atravessam a barreira útero-placentária, principalmente a nicotina. Placenta prévia: Aleixo Neto (1990) descreve que o aumento da resistência vascular materno-fetal dificulta troca de oxigênio pela placenta, contribuindo para o aumento de incidência de placenta prévia e deslocamento prematuro da placenta em mãesfumantes. Rocha apud Gondim et al (2006) afirma que o fumo acelera o desenvolvimento de lesões escleróticas na média das pequenas artérias e arteríolas uterinas, provocando uma redução do fluxo sangüíneo em muitas áreas do endométrio, podendo resultar em placenta prévia. Descolamento prematuro de placenta: Aleixo Neto (1990) justifica o índice elevado em gestantes fumantes, afirmando que as placentas de grávidas fumantes apresentam necrose na decídua basal com maior frequência. As malformações congênitas, como defeitos obstrutivos do ventrículo e átrio direitos, além de defeitos de septo. ★ Estresse *O estresse da gestante pode prejudicar o bebê devido às alterações que causa no organismo da mulher, como: mudanças no apetite, no sono, aumento da pressão arterial e enfraquecimento do sistema imunológico, o que aumenta as chances de infecções no útero, parto prematuro e nascimento de bebês com baixo peso. *Estas consequências podem acontecer porque o feto fica mais exposto ao hormônio cortisol e as citocinas inflamatórias que são produzido em excesso pela mãe e atravessa a placenta. *As principais consequências do estresse materno para o bebê incluem: - Aumento do risco de alergias porque o excesso de cortisol faz com que o bebê produza mais imunoglobulina E, uma substância ligada às alergias, como a asma, por exemplo; - Baixo peso ao nascer devido a diminuição da quantidade de sangue e oxigênio que chega ao bebê; - Aumento das chances de parto prematuro devido a maturação mais rápida dos sistemas e aumento da tensão muscular da mãe; - Maior resistência à insulina e maior risco de obesidade na vida adulta devido a exposição às citocinas inflamatórias; - Aumento do risco de doenças cardíacas devido ao desequilíbrio do sistema simpático adrenal; - Alterações cerebrais como dificuldade de aprendizagem, hiperatividade e aumento do risco de transtornos como depressão, ansiedade e esquizofrenia devido a exposição repetida de cortisol. ★ Direitos trabalhistas das gestantes *A legislação do País possui uma série de mecanismos para assegurar que as gestantes ou mães não sejam prejudicadas no mercado de trabalho em razão de sua condição. *A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) busca garantir que a mudança de rotina gerada pela gravidez e, posteriormente, pelo período pós-parto, não seja um empecilho para o desempenho normal da atividade laboral. *Além disso, uma das prioridades das leis do País é certificar que a saúde das gestantes e dos bebês em formação não seja afetada pelo trabalho. ● Diagnóstico da gravidez *Muitas empresas exigem que a mulher faça um exame para diagnosticar que está grávida. No entanto, essa prática não é legal. De acordo com o artigo 373-A da CLT nenhum patrão pode obrigar a empregada a se submeter ao teste, nem mesmo no exame admissional ou demissional. *Portanto, cabe à profissional ser honesta durante processos seletivos, contando de sua situação ao possível empregador. *Caso durante a seleção a mulher descobrir a gravidez é uma conduta ética informar aos responsáveis pelo recrutamento. ● Estabilidade no emprego *De acordo com a CLT, todas as mulheres grávidas que trabalham com carteira assinada não podem ser demitidas sem justa causa desde a data de concepção da gravidez (e não de sua descoberta) até cinco meses após o parto. *Se a mulher descobriu a gestação depois de já ter sido desligada da empresa, mas pode comprovar que a fecundação foi feita enquanto ainda era funcionária, ela tem direito à readmissão. *A lei garante imunidade a todas as mães com vínculos empregatícios ativos, o que inclui também o período de aviso prévio. *A demissão de gestantes só é válida se for por justa causa ou de iniciativa própria da futura mãe. ● Mudança de função ou setor *Se a atividade desempenhada pela mulher grávida ou lactante (isto é, que está amamentando) oferecer riscos a sua saúde ou à do bebê, ela pode pedir a mudança de cargo ou transferência de setor a qualquer momento – bastando apenas apresentar um atestado médico. *A lei diz que essas mulheres não podem estar sujeitas a funções ou ambientes insalubres. Ruído excessivo, poeira, radiação, vibração, tudo isso caracteriza insalubridade. ● Consultas e exames *A CLT também prevê que a gestante possa se ausentar do trabalho sem necessidade de justificativa por seis vezes para se submeter aos exames de rotina, como o pré-natal, por exemplo. *A mulher também tem liberdade para se consultar com seu médico quantas vezes forem necessárias durante a gestação, principalmente se sua gravidez for de alto risco. *Receber uma declaração de comparecimento todas as vezes em que for às consultas de pré-natal ou fizer algum exame. Apresentando esta declaração à sua chefia, as faltas ao trabalho serão justificadas. ● Licença-maternidade *Todas as mulheres que trabalham no país e que contribuem para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) têm direito à licença-maternidade. O auxílio também é assegurado àquelas que sofrem abortos espontâneos, dão à luz bebês natimortos, adotam ou obtêm a guarda judicial de uma criança. *De acordo com a CLT, toda gestante ou mãe adotante tem direito ao afastamento de pelo menos 120 dias nas organizações privadas e de 180 dias no serviço público federal (assim como no funcionalismo de muitos municípios e estados do país). *Em 2008, no entanto, entrou em vigor o Programa Empresa Cidadã, que permite às empresas privadas oferecer a prorrogação da duração do auxílio por mais 60 dias, igualando-o ao das funcionárias públicas. Esse bônus só é válido às empresas que aderirem ao programa por meio do Atendimento Virtual da Receita Federal. As gestantes e mães adotantes, por sua vez, devem solicitar a prorrogação do benefício até o final do primeiro mês após o parto ou finalização do processo de adoção ou guarda. *Em casos excepcionais, como aqueles em que há risco à vida da mãe ou do bebê, a licença pode ser prorrogada por mais 15 dias, bastando que a funcionária apresente um atestado assinado por seu médico que comprove o motivo do afastamento. Nessas situações, porém, o período longe do trabalho não é caracterizado como licença-maternidade, e sim auxílio-doença – um direito previsto a todos os funcionários que trabalham com carteira assinada, sem exceções. ● Amamentação *Após o período de licença-maternidade, a mãe tem garantido o direito de amamentar seu bebê mesmo em horário de trabalho. A regra é semelhante ao direito de todos os trabalhadores ao período de dela pode tirar até dois períodos de 30 minutos todos os dias para se dedicar à amamentaçãoescanso: se a funcionária tem uma jornada de trabalho de oito horas, . *Além disso, segundo a legislação trabalhista, todas as empresas que contam com mais de 30 funcionárias mulheres maiores de 16 anos têm que oferecer um ambiente adequado (como uma sala arejada e iluminada, por exemplo) para amamentação. *É importante lembrar que nenhuma mulher pode ser constrangida ao amamentar seubebê, em qualquer circunstância ou ambiente. A amamentação em público é um direito que ultrapassa as leis trabalhistas e prevê multa em cinco estados brasileiros: Mato Grosso, Minas Gerais, Santa Catarina, Rio de Janeiro e São Paulo.