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Ane Caroline
2018.2 / Odonto
Neoplasias
- Uma das características principais das neoplasias é justamente proliferação celular descontrolada.
- Reprodução é atividade fundamental das células. Em geral, existe correlação inversa, de grau razoável, entre diferenciação e multiplicação celulares. Quanto mais avançado é o estado de diferenciação, mais baixa é a taxa de reprodução. Assim se entende que, em neoplasias, em geral ocorre, paralelamente ao aumento da proliferação, perda da diferenciação celular. Como resultado de tudo isso, as células neoplásicas progressivamente sofrem perda de diferenciação e tornam-se atípicas.
- A célula neoplásica sofre alteração nos seus mecanismos regulatórios de multiplicação, adquire autonomia de crescimento e torna-se independente de estímulos fisiológicos. As atividades celulares que se manifestam continuamente, sem regulação, são chamadas constitutivas; para a célula tumoral, proliferação é atividade constitutiva.
- Feitas essas considerações, neoplasia pode ser entendida como a lesão constituída por proliferação celular anormal, descontrolada e autônoma, em geral com perda ou redução de diferenciação, em consequência de alterações em genes e proteínas que regulam a multiplicação e a diferenciação das células. Nesse contexto, o que diferencia uma neoplasia de urna displasia e hiperplasia é exatamente a autonomia de proliferação. Quando ocorre em um órgão sólido, o maior número de células de uma neoplasia forma um tumor.
Tipos de Neoplasia 
Dos pontos de vista clínico, evolutivo e de comportamento, as neoplasias são divididas em duas grandes categorias: benignas e malignas.
Benignas: As benignas geralmente não são letais nem causam sérios transtornos para o hospedeiro; por isso mesmo, podem evoluir durante muito tempo e não colocam em risco a vida de seu portador.
Malignas: As malignas, ao contrário, em geral têm crescimento rápido, e muitas provocam perturbações homeostáticas graves que acabam levando o indivíduo à morte
Obs: Na grande maioria dos casos, as características macro e microscópicas das neoplasias permitem que sejam separadas em benignas e malignas. As neoplasias benignas e malignas têm dois componentes: (1) células neoplásicas (parênquima}; (2) estroma conjuntivovascular. As propriedades biológicas das neoplasias dependem das características desses componentes e das interações entre eles. 
Nomenclatura e Classificação das Neoplasias 
- Na prática, as neoplasias são chamadas de tumores. O termo "tumor" é mais abrangente, pois significa qualquer lesão expansiva ou intumescimento localizado, podendo ser causado por outras lesões (inflamações, hematomas etc.). O termo tumor, neste contexto, será empregado como sinônimo de neoplasia, ou seja, a lesão expansiva formada por aumento do número de células.
Os tumores podem ser classificados de acordo com vários critérios: 
 Pelo comportamento clínico (benignos ou malignos)
 Pelo aspecto microscópico (critério histormorfológico)
Pela origem da neoplasia (critério histogenético).
Histomorfolgia
- A neoplasia é identificada pelo tecido ou célula proliferante. 
- Nesse sentido, algumas regras são importantes:
(1) o sufixo –oma é empregado na denominação de qualquer neoplasia, benigna ou maligna; (2) a palavra carcinoma indica tumor maligno que reproduz epitélio de revestimento; se for usada como sufixo, sempre indica malignidade (p. ex., adenocarcinoma};
(3) o termo sarcoma refere-se a uma neoplasia maligna mesenquimal; usado como sufixo, indica tumor maligno de determinado tecido (p. ex., fibrossarcoma, lipossarcoma etc.}; 
(4) a palavra blastoma pode ser usada como sinônimo de neoplasia e, quando empregada corno sufixo, indica que o tumor reproduz estruturas com características embrionárias (nefroblastoma, neuroblastoma etc.). 
- Na forma mais usual de denominar um tumor, toma-se o nome da célula, do tecido ou do órgão reproduzido e acrescentam-se os sufixos -oma, 
-sarcoma ou -carcinoma: lipoma (tumor benigno que reproduz lipócitos }; 
- hemangioma (tumor que reproduz vasos sanguíneos}; 
- condrossarcoma (tumor maligno que forma cartilagem};
- hepatoblastoma (tumor maligno que reproduz hepatócitos com características embrionárias}; 
- Adenoma (tumor benigno que reproduz glândulas}; 
- Adenocarcinoma (tumor maligno que forma glândulas). 
- Além desses elementos básicos, o nome de um tumor pode conter outros termos para indicar certas propriedades da lesão ou sua diferenciação: carcinoma epidermóide (o epitélio neoplásico produz ceratina, tendo portanto diferenciação semelhante à da epiderme};
- Adenocarcinoma cirroso (o estroma do tumor é muito desenvolvido e duro, dando consistência muito firme à lesão}.
Teratoma: São tumores benignos ou malignos originados de células toti ou multipotentes que se formam nas gônadas (testículos ou ovários) e, menos frequentemente, em outras sedes, sobretudo em correspondência com a linha mediana do corpo. Como se originam de células pluripotentes, os teratomas são constituídos por tecidos derivados de mais de um folheto embrionário Em teratomas benignos, há diferenciação de tecidos, que formam estruturas organoides variadas (pele e anexos, ossos, dentes, olho etc.), porém misturados desordenadamente. 
Em teratomas maligno, a diferenciação é limitada, encontrando-se apenas raros esboços organoides de permeio com as células que sofreram transformação maligna.
Neoplasias Benigna 
As células das neoplasias benignas em geral são bem diferenciadas e podem até ser indistinguíveis das células normais correspondentes.
 As atipias celulares e arquiteturais são discretas, ou seja, o tumor reproduz bem o tecido que lhe deu origem. 
Como a taxa de divisão celular é pequena (baixo índice mitótico ), em geral o tumor tem crescimento lento. 
Em tumores benignos, as células crescem unidas entre si, não se infiltram nos tecidos vizinhos e formam uma massa geralmente esférica. Esse crescimento é do tipo expansivo e provoca compressão de estruturas adjacentes, que podem sofrer hipotrofia. 
Com frequência, forma-se uma cápsula fibrosa em torno do tumor, resultante de compressão do estroma adjacente. Por isso mesmo, a neoplasia fica mais ou menos bem delimitada e pode ser completamente removida por cirurgia.
 Em geral, tumores benignos não recidivam(reaparecem) após ressecção cirúrgica. O crescimento lento do tumor permite o desenvolvimento adequado de vasos sanguíneos, assegurando boa nutrição das células. Desse modo, degenerações, necroses e hemorragias são pouco comuns. Por essa razão e pelo fato de não se infiltrar nem destruir tecidos vizinhos, o tumor benigno não leva a ulceração. Além disso, não compromete a nutrição do hospedeiro e nem produz substâncias que podem produzir anemia ou caquexia.
Há exceções a essas regras. Apesar de bem delimitado, adenoma pleomórfico de glândulas salivares, por exemplo, com frequência recidiva após cirurgia. Por outro lado, células de tumores benignos não se disseminam espontaneamente, mas podem ser levadas a distância.
Os tumores benignos são geralmente bem delimitados dos tecidos adjacentes e frequentemente apresentam uma cápsula de tecido conjuntivo. Exceções existem, como alguns gliomas (tumores do sistema nervoso) e tumores vasculares, que têm limites pouco precisos e não possuem cápsula.
Neoplasias Malignas
As frentes mais importantes nessa batalha são o aprimoramento do diagnóstico (a detecção precoce permite maior chance de controle da doença), novas modalidades de tratamento (procedimentos menos agressivos e dirigidos essencialmente às células malignas) e medidas preventivas aplicáveis à população (para cuja adoção é essencial conhecer as causas e os mecanismos de aparecimento do câncer).
Os tumores malignos, em geral, são pouco delimitados e comumente invadem os tecidos e estruturas vizinhas.
As células das neoplasias malignas têm propriedades bioquímicas, morfológicas e funcionais diferentes. Como nelas a taxa de multiplicação é elevada (alto índice mitótico), seu crescimentoé em geral rápido; o mesmo não acontece com o estroma e os vasos sanguíneos, que se desenvolvem mais lentamente, resultando muitas vezes em degenerações, necroses, hemorragias e ulcerações. Por essa razão, as neoplasias malignas frequentemente sangram e apresentam áreas de necrose. Também devido ao crescimento infiltrativo, não apresentam cápsula.
As células malignas têm grande aptidão para captar aminoácidos e sintetizar proteínas, exercendo de certo modo ação espoliadora sobre o hospedeiro
Caracteristicas: Adesividade, Crescimento autônomo, Multiplicação e diferenciação celulares, Motilidade, Angiogênese, Capacidade de invasão e de originar metástases, Funções celulares inespecíficas
A propriedade mais importante das células é justamente sua capacidade de invadir localmente, de ganhar uma via de disseminação, de chegar a sítios distantes e de neles originar novos tumores (metástases).
Tipos de Tumores
Císticos 
Sólidos : Os tumores sólidos apresentam-se macroscopicamente sob quatro tipos, cujo conhecimento é útil para os diagnósticos anatômico, por imagens (radiologia, ultrassonografia, tomografia etc.) e clínico.
- tipo nodular: o tumor forma uma massa expansiva que tende a ser esférica. Esse tipo é visto caracteristicamente em tumores benignos e em malignos, originados em órgãos compactos (fígado, pulmões e rins)
- Tipo vegetante : é encontrado em tumores benignos ou malignos que crescem em superfície (pele ou mucosas). Forma-se uma massa de crescimento exofítico, que pode assumir vários tipos: poliposo, papilomatoso ou em couve-flor.
- Tipo Infiltrante: é praticamente exclusivo de tumores malignos. Embora em todos os cânceres haja infiltração de tecidos vizinhos (o tumor não respeita limites), o tipo infiltrativo é assim chamado para ressaltar o aspecto macroscópico predominante da lesão. Nele ocorre infiltração maciça da região acometida, mas sem formar nódulos ou vegetações. Por isso, o órgão torna-se espessado, mas fica menos deformado do que nas outras formas.
- Tipo ulcerado: é aquele que sofre ulceração precoce; é quase exclusivo de neoplasias malignas. A lesão cresce infiltrando-se nos tecidos adjacentes e ulcera-se no centro, formando uma cratera que geralmente tem bordas endurecidas, elevadas e irregulares
Propagação e disseminação de neoplasias
Invasão
Metástase: Em geral, as metástases apresentam-se macroscopicamente como nódulos numerosos, bem delimitados, de tamanhos diversos, na superfície ou na intimidade de órgãos. Metástase é a presença de células ou massas tumorais em tecidos que não apresentam continuidade com o tumor primário. É a principal característica das neoplasias malignas e a disseminação das células tumorais ocorre através dos vasos sangüíneos, linfáticos ou cavidades corporais.
- Podem se disseminar por vias linfáticas, sanguíneas,direto nas cavidades corporais e superfícies.
Vias de disseminação: 
Disseminação através de cavidades e superfícies corporais: Esse tipo de disseminação ocorre quando células neoplásicas penetram em uma cavidade natural, como a peritonial.
Disseminação linfática: As células tumorais são transportadas pelos vasos linfáticos. É a via preferencial dos carcinomas, e a menos freqüente nos sarcomas.
Disseminação hematogênica: É a via de disseminação mais utilizada pelos sarcomas, porém também pode ocorrer nos carcinomas.
ESTADIAMENTO (SISTEMA TNM) : O sistema TNM é a classificação mais usada para os tumores malignos. Este critério foi estabelecido pela UICC (União Internacional Contra o Câncer) para determinar a extensão do crescimento e disseminação das neoplasias malignas. 
O sistema TNM está baseado em três componentes: T- tamanho do tumor primário, N- nódulo regional comprometido, M- metástase.
 A classificação no sistema TNM tem como objetivos:
a) Ajudar no planejamento do tratamento; 
b) Dar alguma indicação no prognóstico; 
c) Ajudar na avaliação dos resultados do tratamento;
d) Facilitar a troca de informações entre os centros de tratamento.
A associação dos três fatores T, N e M permite classificar os tumores em 5 estádios clínicos (0, I, II, III e IV).
A formação de metástases envolve: 
(a) destacamento das células da massa tumoral original; 
(b) deslocamento dessas células através da matriz extracelular (MEC); 
(c) invasão de vasos linfáticos ou sanguíneos; 
(d) sobrevivência das células na circulação; 
(e) adesão ao endotélio vascular no órgão em que irão se instalar; 
(f) saída dos vasos nesse órgão (diapedese);
(g) proliferação no órgão invadido; 
(h) indução de vasos para o suprimento sanguíneo
Obs: As metástases apresentam-se macroscopicamente como nódulos numerosos, bem delimitados, de tamanhos diversos, na superfície ou na intimidade de órgãos.

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