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RESUMO ILAE 2017 - PARTE 1 quarta-feira, 1 de maio de 2019 20:29 Conceitos: Crise epiléptica: Descarga anormal e excessiva do tecido cerebral, causada por uma descarga elétrica hipersíncrona, autolimitada e anormal dos neurônios corticais Status epilepticus tem sido tradicionalmente definida como atividade convulsiva contínua por 30 minutos ou mais Crise sintomática aguda (ou crise provocada): crise epiléptica decorrente de uma causa imediata identificada, como distúrbio metabólico, intoxicação exógena, abstinência de drogas sedativas ou dano neurológico agudo. Epilepsia: doença neurológica caracterizada por ocorrência de crises espontâneas recorrentes. Etiologia: Estrutural, genética, infecciosa, metabólica, imune e desconhecida. É importante notar que essas categorias não são exclusivas. Classificação das crises: Focais: Descargas elétricas anormais ocorrem em áreas circunscritas de um hemisfério cerebral levando a manifestações decorrentes da disfunção da região cerebral acometida. Crises focais podem propagar-se levando ao acometimento de outras áreas do córtex cerebral. Podem ocorrer com ou sem perda de contato com o meio. Muitas vezes as crises focais sem perda de consciência são descritas com o termo “aura”, que descreve a ocorrência de iminência de crise e, na realidade, nada mais representa que o fenômeno consciente associado à crise. Com sintomas motores: Automatismos são movimentos repetitivos coordenados, como mastigar, lamber, estalar os lábios, atrapalhar, rir ou chorar, o que pode parecer um tanto intencional, mas fora do contexto situacional. Manifestações hipercinéticas são movimentos balísticos proximais, como socos e chutes. Um movimento mioclônico é uma breve contração de um músculo ou de um grupo muscular, geralmente menos de 50 ms Os movimentos clônicos são aqueles gerados por sacudidelas estereotípicas rítmicas repetitivas. Os movimentos tônicos são caracterizados pelo endurecimento sustentado de um músculo ou de um grupo muscular. O comportamento atônico reflete a perda súbita de tônus em um músculo ou em um grupo muscular. Os espasmos epilépticos são um tipo de crise que ocorre na infância (3 meses - 12 meses). É caracterizada por flexão tônica da cabeça, pescoço e tronco, com circunflexão das extremidades superiores. Pode estar presente em crises generalizadas ou de início desconhecido. Com sintomas não motores: Com sintomas sensitivos: Os fenômenos experimentados durante as convulsões são sensações visuais (sugerem acometimento do córtex oc-cipital,) ou auditivas (sugerem acometimento de regiões vizinhas ao giro temporal superior.), somatossensoriais (cometimento do córtex sensitivo pri-mário, localizado no giro pós-central, lobo parietal), olfativas ( envolvimento de estru-turas temporais mesiais (úncus) ou frontais-basais.), gustativas, vestibulares ou elementares. Com sintomas autonômicos: As alterações observadas nas convulsões são sensações gastrointestinais, como náuseas, sensação de calor ou frio, rubor, piloereção, taquicardia, sudorese, palidez e sugere acometimento de estruturas límbicas e para-límbicas, especialmente estruturas temporais mesiais, como amígdala, hipocampo e giro para-hipocampal. Com sintomas cognitivos: Podem se apresentar como déficits na linguagem ou em outras funções corticais superiores, ou como alucinações, ilusões, pensamentos forçados, déjà vu e experiências sem vu. Sugere acometimento de estruturas límbicas e para-límbicas, especialmente estruturas temporais mesiais, como amígdala, hipocampo e giro para-hipocampal. Crises emocionais (gelásticas e dacrística): ansiedade, medo, agitação, raiva, prazer, alegria, riso (gelástico) ou choro (dacristica). Sugerem o diagnóstico de hamar-toma de hipotálamo. Generalizadas: alteração elétrica que acomete um ponto determinado de uma rede neural, com rápido acometimento de amplas redes neurais em ambos os hemisférios cerebrais, podendo incluir estruturas subcorticais. Motoras: Tonico-clônico: perda da consciência seguida de contração muscular em extensão dos MM, supraversão ocular e gritos (contração diafragmática), duração de 30s FASE TONICA, depois abalos musculares ritmados com duração de 90s, associado à apneia sialorreia e incontinência urinaria e fecal FASE CLONICA. Ocorrem durante a vigília próximo ao período de despertar geralmente Tonico: perda abrupta de consciência, contração tônica, habitualmente simétrica, com elevação dos braços, anteflexão da musculatura do pescoço e supraversão ocular. Ocorrem durante o período de sono geralmente Mioclônico: abalos musculares rápidos, em choque, simétricos ou assimétricos, síncronos ou assíncronos, que podem envolver tanto as extremidades quando a porção mais proximal MM. Pode haver queda por acometimento dos músculos posturais e não há perda da consciência. podem ser desencadeadas por estímulo luminoso repetido, pela privação de sono ou pelo uso de bebidas alcoólicas Atônico: perda abrupta do tônus axial, e caracterizam-se por queda abrupta da cabeça, da cabeça e do tronco ou de toda a musculatura axial, de curta duração, que, frequentemente levam à queda, com ferimentos. Ausência: perda de contato com o meio externo, perda da consciência por curto período de tempo, geralmente, e associada a automatismos discretos, como piscamentos. início e término abruptos e podem ser desencadeadas por manobra de hiperpneia Típica: Atípica: Mioclônica atípica Mioclônia Palpebral Situações especiais: Crises febris: ocorrem em uma faixa etária específica – entre 3 meses e 5 anos de idade e podem se manifestar como abalos generalizados de duração menor que 15 minutos ou como crises febris complicadas, que apresentem algumas das seguintes características: duração maior que 15 minutos, Crises reflexas: desencadeadas por estímulos específicos, estímulos simples (como estímulos visuais – estimulação luminosa intermitente, táteis, auditivas etc.) ou complexos (alimentação, padrões visuais complexos, leitura, atividades mentais complexas, como tarefas vísuo-espaciais) Classificação da Epilepsia: Com base na classificação de convulsões discutida acima, ela distingue quatro tipos de epilépticos: focal (incluindo multifocal), generalizada, combinada focal e generalizada e desconhecida. O tipo de epilepsia de um paciente pode ser classificado em uma dessas categorias pelo conhecimento (ou falta dele) dos tipos de crises e dos achados do EEG interictal.