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Mariana Andrade Guedes – 201504137124 Turma 3002 B – Quinta-feira CD TC - 2 Sobre os transtornos Descrever: O que é. Sinais e sintomas e intervenção. Transtornos de personalidade São "padrões de comportamento profundamente arraigados e permanentes, manifestando-se como respostas inflexíveis a uma ampla série de situações pessoais e sociais". Sinais e sintomas: Perda da capacidade de adaptação exigida pelas circunstancias do trabalho e da vida social, independentemente da situarão vivenciada. Em outras palavras, acorre perda da flexibilidade situacional. Mais conhecidos: • Paranoide: o indivíduo sempre interpreta de maneira errada ou distorce as ações das outras pessoas, demonstrando desconfiança sistemática e excessiva; • Dependente: o indivíduo torna-se incapaz de tomar, sozinho, decisões de alguma importância; • Esquizoide: a pessoa isola-se, busca atividades solitárias e introspectivas; não retribuí cumprimentos e mínimas manifestações de afeto. Seu comportamento apresentará tendência a um contato mais frio e distante com os demais; • De evitação: a pessoa também se isola, porém, sofre por desejar o relacionamento afetivo, sem saber como conquista-lo, O retraimento social, marca importante, vem acompanhado pelo medo de críticas, rejeição ou desaprovação; • Emocionalmente instável: este indivíduo oscila entre o melhor e o pior do mundo; cede a impulsos e prejudica-se; seus relacionamentos podem ser intensos, porém instáveis. Acessos de violência, falta de controle dos impulsos podem ser mareantes. Envolve-se em agressões; • Histriônica: manifesta-se no uso da sedução, na busca de atenção excessiva, na expressão das emoções de modo exagerado e inadequado. Procura a satisfação imediata, tem acessos de raiva e sente-se desconfortável quando não é o centro das atenções: os relacionamentos interpessoais, embora exagerados, não gratificam. E comum a presença de transtornos de ansiedade, depressão e conduta suicida, habitualmente sem risco de vida, além de alcoolismo e abuso de outras substancias psicoativas. Intervenção: Um especialista realiza uma avaliação mental e analisa o histórico médico e a gravidade dos sintomas do paciente. A psicoterapia, aliada ao tratamento medicamentoso, tem sido a principal opção para médicos e pacientes. No entanto, apesar de o foco do tratamento ser basicamente o mesmo (amenizar e controlar os sintomas), a abordagem tende a ser diferente para cada tipo de transtorno de personalidade. As pessoas doentes não costumam buscar ajuda médica por conta própria. Elas tendem a fazê-lo quando a doença já causou grandes problemas a suas vidas, tanto para os relacionamentos quanto ao emprego e em outros círculos sociais. Transtorno de personalidade antissocial Característica essencial: padrão invasivo de desrespeito e violação dos direitos dos outros, que inicia na infância ou começo da adolescência e continua na idade adulta. Sinônimos: psicopatia, sociopatia ou transtorno da personalidade dissocial. O indivíduo não se enquadra na categoria de portador de doença mental, porém encentra-se a margem da normalidade psicoemocional e comportamental. Requer dos profissionais de saúde e do direito cautela e parcimônia na avaliação e características típicas. Hilda Morana, relaciona psicopatia a defeito de caráter pelo grau de consideração aos outros. Sujeitos com deficiência de caráter são insensíveis as necessidades dos outros, condição que obedece a um espectro de manifestação: do sujeito ambicioso até o piar dos perversos cruéis. Processos mentais responsáveis pelas funções da sociabilidade não se estruturam de forma adequada nesses indivíduos. Enquanto criminosos comuns desejam riqueza, poder e prestígio, os psicopatas manifestam crueldade fortuita. A psicopatia é um conceito forense que na área de saúde é definido como transtorno de conduta. Sinais e sintomas: A definição de psicopatia oscila entre aspectos orgânicos e sociais. O consenso parece estar nas principais características que definem o transtorno, a seguir elencadas, de acordo com o checklist de pontuação do protocolo Hare (PCL-R): • loquacidade; charme superficial; • superestima; • estilo de vida parasitário; necessidade de estimulação: tendência ao tédio; • mentira patológica; vigarice; manipulação: • ausência de remorso ou culpa; • insensibilidade afetivo-emocional; indiferença: falta de empatia; • impulsividade: descontroles comportamentais; • ausência de metas realistas a longo prazo; • irresponsabilidade; incapacidade para aceitar responsabilidade pelos próprios atas; • promiscuidade sexual; • muitas relações conjugais de curta duração; • transpomos de conduta na infância; • delinquência juvenil; • revogação de liberdade condicional; • versatilidade criminal. Observam-se falhas na formação do superego (valores morais, éticos e sociais) e ausência de sentimentos de culpa, de remorso e de empatia, entre outros. Estatísticas apontam para influencias biológicas, ambientais e familiares, sugerindo, portanto, uma conjugação de fatores. Intervenção: O que torna a intervenção mais delicada é a dificuldade de essas pessoas aprenderem com a experiência, senda que a intervenção terapêutica, em geral, não alcança os valores éticos e morais comprometidos. Para alguns autores, pessoas que preenchem os critérios plenos para psicopatia não são tratáveis por qualquer tipo de terapia; Existe medicação que busca minimizar a excitabilidade do comportamento. Transtornos de ansiedade É um distúrbio que se caracteriza pela preocupação excessiva ou expectativa apreensiva. Estudos mostram que o transtorno está ligado aos neurotransmissores que proporcionam ao cérebro a sensação de bem-estar e felicidade, como serotonina, dopamina e norepinefrina. Mas não apenas isso. Fatores genéticos, qualidade de vida, alimentação e rotina de estresse também estão relacionados ao desenvolvimento da ansiedade. Síndrome do Pânico; Agorafobia; Estresse Pós-traumático; TOC e Fobias. São distúrbios estão ligados à ansiedade. Sinais e sintomas: • expectativa do pior ante qualquer notícia; • sensação de tensão, irritação, impossibilidade de relaxar; • dificuldade para conciliar o sono (insônia inicial); • dificuldade para se concentrar nas atividades; • alterações de memória. Intervenção: O que não é invulgar, conduzem a tratamentos apenas paliativos. Porem é essencial o acompanhamento de um psicólogo ao serem detectados os sintomas. Por meio de diferentes formas de terapia, o profissional poderá analisar o caso, identificar o fator desencadeador do distúrbio e combater as complicações que a doença pode causar. Em alguns casos, o especialista pode sentir necessidade do acompanhamento de um psiquiatra, que deverá analisar o paciente e receitar medicamentos que ajudem no tratamento. Uma mudança no estilo de vida também é essencial para combater a ansiedade e incluem atividades físicas, alimentação rica e balanceada, contatos sociais, momentos de lazer, entre outros. Transtorno obsessivo-compulsivo Obsessão é a persistência patológica de um pensamento (pensamento ruminativo) ou sentimento irresistível, sempre associado a ansiedade, que não pode ser eliminado da consciência pelo esforço da lógica. Compulsão é o comportamento ritualístico de repetir procedimento estereotipado, com o objetivo de prevenir um evento improvável. É comum entre pessoas que sofreram atos de violência a permanência da figura do estuprador, do sequestrador, do agressor que as persegue, repetindo o calvário em pensamento. O psiquismo desloca essa imagem para um ritual, na forma de mecanismo de defesa. O indivíduo reconhece o caráter intrusivo dos pensamentos; contudo, não consegue afastá-los, porque são involuntários, ainda que repugnantes e dolorosos. Sinais e sintomas: Pode haver sintomas de obsessões, compulsões ou ambos. Esses sintomas podem interferir em todos os aspectos da vida, como trabalho, escola e relacionamentos pessoais. Os sintomas envolvem alterações do comportamento (rituais ou compulsões, repetições, evitações), dos pensamentos (preocupaçõesexcessivas, dúvidas, pensamentos de conteúdo impróprio ou “ruim”, obsessões) e das emoções (medo, desconforto, aflição, culpa, depressão). Portadores da doença sofrem de muitos medos, como por exemplo, o de contrair doenças ou cometer alguma falha. Em virtude desses medos, evitam as situações que possam provocá-los – comportamento chamado de evitação. As evitações, embora não específicas do TOC, são, em grande parte, as responsáveis pelas limitações que o transtorno acarreta. Intervenção: É tipicamente tratado com medicação, psicoterapia ou uma combinação dos dois. A psicoterapia pode ser um tratamento eficaz para adultos e crianças. A terapia é eficaz na redução de comportamentos compulsivos no TOC, mesmo em pessoas que não respondem bem à medicação. Transtorno do estresse pós-traumático O transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) pode ser definido como um distúrbio da ansiedade caracterizado por um conjunto de sinais e sintomas físicos, psíquicos e emocionais. Esse quadro ocorre devido à pessoa ter sido vítima ou testemunha de atos violentos ou de situações traumáticas que representaram ameaça à sua vida ou à vida de terceiros. Quando ele se recorda do fato, revive o episódio como se estivesse ocorrendo naquele momento e com a mesma sensação de dor e sofrimento vivido na primeira vez. Essa recordação, conhecida como revivescência, desencadeia alterações neurofisiológicas e mentais. As causas do transtorno do estresse pós-traumático podem ser situações como atos violentos, situações traumáticas que representaram ameaça à vida da pessoa ou à de terceiros. Sinais e sintomas: • Súbita paralisação das atividades; • Alterações comportamentais; • Comprometimento financeiro; • Permanência de sinais físicos, de difícil recuperação; • Dificuldade de reiniciar a prática de suas tarefas. Como também: • Reexperiência traumática: pesadelos e lembranças espontâneas, involuntárias e recorrentes (flashbacks) do evento traumático- revivescência. • Fuga e esquiva: afastar-se de qualquer estímulo que possa desencadear o ciclo das lembranças traumáticas, como situações, contatos ou atividades que possam se ligar às lembranças traumáticas. • Distanciamento emocional: diminuição do interesse afetivo por atividades, pessoas, que anteriormente eram prazerosas, diminuição de afetividade. • Hiperexcitabilidade psíquica: reações de fuga exagerados, episódios de pânico (coração acelerado, transpiração, calor, medo de morrer...), distúrbios do sono, dificuldade de concentração, irritabilidade, hipervigilância (estado de alerta). • Sentimentos negativos: sentimentos de impotência e incapacidade em se proteger do perigo, perda de esperança em relação ao futuro, sensação de vazio. Intervenção: O tratamento preferencial é a Terapia cognitivo-comportamental (TCC) por seis meses a um ano, complementada, em algumas ocasiões, com o uso de fármacos como os ansiolíticos ou os antidepressivos de última geração. Quando os tratamentos são associados, psicoterapia e o uso adequado de psicofármacos, tem-se obtido melhores respostas terapêuticas. Os objetivos do tratamento do transtorno do estresse pós-traumático estão voltados a: Diminuir os sintomas; Prevenir complicações; Melhorar desempenho na escola ou no trabalho; Melhorar relacionamentos sociais e familiares; Tratar transtornos associados (como depressão e alcoolismo). Transtornos dissociativos Aqui acorre perda total ou completa da integração normal entre memórias do passado, consciência de identidade e sensações imediatas e controle dos movimentos corporais. Presume-se comprometimento da capacidade de exercer controle consciente e seletivo, senda "muito difícil avaliar a extensão de quanto a perda de funções pode estar sob controle voluntário". Acredita-se que sua origem deva-se a eventos traumáticos, problemas insolúveis e intoleráveis ou a relacionamentos perturbados. O organismo falha ao tentar integrar vários aspectos de identidade, memória e consciência. Sinais e sintomas: • Amnésia dissociativa; • Fuga dissociativa; • Transtornos de transe ou possessão; • Transtorno de personalidade múltipla; • Amnésia temporária, seja de eventos específicos ou de um período do passado, chamada de amnésia dissociativa; • Perda ou alteração dos movimentos de partes do corpo, chamado de transtorno dissociativo do movimento; • Lentificação dos movimentos e reflexos ou impossibilidade de se mover, semelhante a um desmaio ou um estado de catatonia, chamado de estupor dissociativo; • Perda da consciência de quem é ou de onde está; • Movimentos semelhantes a uma crise epiléptica, chamado de convulsão dissociativa; • Formigamentos ou perda da sensibilidade em um ou mais locais do corpo, como boca, língua, braços, mãos ou pernas, chamado de anestesia dissociativa; • Estado de extrema confusão mental; • Múltiplas identidades ou personalidades, que é o transtorno dissociativo de identidade. Em algumas culturas ou religiões, pode ser chamada de estado de possessão. Intervenção: A principal forma é a realização de psicoterapia, com um psicólogo, para ajudar o paciente a desenvolver estratégias para lidar com o estresse. As sessões são mantidas até que o psicólogo ache que o paciente é capaz de gerir as suas emoções e relações de forma segura. Também é recomendado um acompanhamento com o psiquiatra, que irá avaliar a evolução da doença e poderá prescrever medicamentos para aliviar os sintomas. Psicose puerperal Ou psicose pós-parto, trata-se de urna síndrome clínica caracterizada por "delírios e depressão graves; os pensamentos sobre a vontade de ferir o bebe recém-nascido não são incomuns e representam um perigo real". O risco aumenta se existe história de transtorno de humor na paciente ou na sua família e, segundo os autores, há sinais de que o transtorno encontra-se associado a "sentimentos conflitantes da mulher sobre sua experiência de vira ser mãe". Sinais e sintomas: São vários, e do ponto de vista da prática do delito, tem grande importância à possibilidade de ocorrerem alucinações auditivas, com vozes ordenando a paciente que esta mate o bebe. Ocorrendo a psicose completa, há risco de vida do bebe e da mãe. Demais Sintomas: Mudança de humor: Mulheres que apresentam a doença mudam de humor rapidamente. Em um momento estão super eufóricas, outra hora super tristes ou com raiva; Qualidade do sono: geralmente as mamães apresentam dificuldade em pegar no sono, elas desenvolvem insônia e lutam para não dormir; Hiperatividade: muito comum entre as mulheres com psicose pós-parto, elas ficam muito agitadas, com muita energia e não conseguem ficar paradas. Intervenção: Para muitas mulheres há necessidade de internação hospitalar, o tratamento é monitorado por médicos até que a doença se estabilize. Os medicamentos ajudam e devem ser prescritos pelo médico, já que são drogas antipsicóticas que ajudam a estabilizar a doença e melhorar o humor. Alguns médicos optam pelo tratamento de terapia eletroconvulsoterapia, que é uma terapia de choque para tratar transtornos psicóticos, onde é enviada uma corrente elétrica ao cérebro é realizada com anestesia. Episódios e transtornos depressivos (depressão) O fenômeno essencial, central, do estado depressivo é "um comprometimento profundo da antecipação". A visão de futuro fica prejudicada e desenvolve-se crescente "incapacidade de o individuo assumir seu destino, sua impotência de agir e a orientação negativa de sua antecipação", "senda o suicídio a mais drástica consequência de uma depressão não tratada". Sinais e sintomas: • A pessoa não sente prazer pelas atividades; • A visão de mundo é distorcida. O mundo é péssimo, horrível; • A pessoa aparenta, sem motivo perceptível, contínua tristeza e infelicidade; • Queixa-se de acordar cedo demais (insônia terminal); • Inicia o dia com humor péssimo, que melhora gradativamente; • Os movimentos tornam-se lentos; • O discurso torna-se limitado. Intervenção: Avaliação diagnóstica completa realizada por um psicólogo ou médico psiquiatra. Os antidepressivos podem ser prescritos para ajudara modificar a química do cérebro. Estes medicamentos não são sedativos, “superiores” ou tranquilizantes. Psicoterapia sozinha para o tratamento da depressão leve; para depressão moderada a grave, a psicoterapia é frequentemente usada junto com medicamentos antidepressivos. Terapia cognitivo comportamental (TCC) é uma das abordagens terapêuticas apontada como eficaz no tratamento da depressão. Drogadição Considera-se, ser "drogadição" o termo preferível para referir quer a dependência, quer a farmacodependência, quer a toxicomania, na hipótese de se poder inferir aí uma gradação, o que usualmente acontece, na maioria dos casos. Segundo a Organização Mundial da Saúde, "uma pessoa é dependente de uma droga quando seu uso torna-se mais importante do que qualquer outro comportamento considerado prioritário", A droga passa a controlara pessoa. a) Álcool Álcool e tabaco constituem as drogas mais consumidas, seguindo-se os inalantes, os ansiolíticos e as anfetaminas. O álcool, principal responsável pelos acidentes de transito, associa-se a diversas formas de violência. De acordo com o Código Penal, a embriaguez completa proveniente de caso fortuito ou forca maior isenta o agente do ilícito de sanção penal (art. 28, II). O álcool influencia todas as funções, orgânicas e mentais. As alterações cognitivas incluem: • Focalização da atenção na situação imediata, inibindo a avaliação de consequências futuras; • Deteriorização do processamento de experiências recentes; há prejuízo para a memória recente e a aprendizagem; • Redução da autopercepção que produz ilusória supressão da consciência de fracasso ou culpa; • Comprometimento da concentração, distúrbios do pensamento e ou da percepção. b) Outras substancias psicoativas Substancias psicoativas (o álcool é uma delas) alteram o estado de consciência e modificam o comportamento. Um sinal importante do uso de substancias psicoativas é a perda da memória recente, acompanhada de perturbações de orientação temporal e cronológica de eventos. Monteiro (2000) apresenta urna relação de indícios de uso de drogas: • mudanças bruscas de comportamento; • troca de amigos e ou de companhias; • queda repentina de rendimento nos estudos ou no trabalho; ausências incomuns; • falta ou excesso de apetite; • desorganização dos horários e do sono; • desordem; • alteração dos hábitos de higiene; • aparecimento de utensílios estranhos (espelho, seringa, canudos, comprimidos, cachimbos etc.), introduzidos de maneira fortuita na residência ou encontrados inadvertidamente em bolsas ou outros apetrechos pessoais; • pequenos grãos e/ ou rastros de folha seca moída com odor forte de relva; • olhos vermelhos, miúdos ou ejetados sem justificativa. Os reflexos sobre a personalidade dos dependentes são diversos: • o aumento de agressividade acompanha a redução da tolerância a frustração; • a autoestima diminuída provoca aumento da dependência em relação a terceiros; • o indivíduo manifesta dificuldade para assumir responsabilidades; • regressão e imaturidade acompanham crescentes imediatismo, indisciplina e desorganização; • sedução, dissimulação e mentira são instrumentos para obter vantagens; compulsividade; • insensibilidade e ausência de sentimentos, humor sempre oscilante, negação e pessimismo são outras características que se manifestam; • o sentimento de ser o anti-herói, a consciência limitada dos perigos e suas consequências acompanham a tendência a fantasia e superestimação fantasiosa de si; Transtornos de pensamento e de percepção Esquizofrenia, transtornos esquizotípicos e transtornos delirantes. Este agrupamento reúne a esquizofrenia, a categoria mais importante deste grupo de transtornos, o transtorno esquizotípico e os transtornos delirantes persistentes e um grupo maior de transtornos psicóticos agudos e transitórios. Os transtornos esquizoafetivos foram mantidos nesta seção, ainda que sua natureza permaneça controversa. Transtorno esquizotípico. Transtorno caracterizado por um comportamento excêntrico e por anomalias do pensamento e do afeto que se assemelham àquelas da esquizofrenia, mas não há em nenhum momento da evolução qualquer anomalia esquizofrênica manifesta ou característica. A sintomatologia pode comportar um afeto frio ou inapropriado, anedonia; um comportamento estranho ou excêntrico; uma tendência ao retraimento social; ideias paranóides ou bizarras sem que se apresentem ideias delirantes autênticas; ruminações obsessivas; transtornos do curso do pensamento e perturbações das percepções; períodos transitórios ocasionais quase psicóticos com ilusões intensas, alucinações auditivas ou outras e ideias pseudodelirantes, ocorrendo em geral sem fator desencadeante exterior. O início do transtorno é difícil de determinar, e sua evolução corresponde em geral àquela de um transtorno da personalidade. Transtornos delirantes persistentes. Esta categoria reúne transtornos diversos caracterizados única ou essencialmente pela presença de ideias delirantes persistentes e que não podem ser classificados entre os transtornos orgânicos, esquizofrênicos ou afetivos. Transtorno delirante. Transtorno caracterizado pela ocorrência de uma ideia delirante única ou de um conjunto de ideias delirantes aparentadas, em geral persistentes e que por vezes permanecem durante o resto da vida. O conteúdo da ideia ou das ideias delirantes é muito variável. A presença de alucinações auditivas (vozes) manifestas e persistentes, de sintomas esquizofrênicos tais como ideias delirantes de influência e um embotamento nítido dos afetos, e a evidência clara de uma afecção cerebral, são incompatíveis com o diagnóstico. Entretanto, a presença de alucinações auditivas ocorrendo de modo irregular ou transitório, particularmente em pessoas de idade avançada, não elimina este diagnóstico, sob condição de que não se trate de alucinações tipicamente esquizofrênicas e de que elas não dominem o quadro clínico. Transtornos psicóticos agudos e transitórios. Grupo heterogêneo de transtornos caracterizados pela ocorrência aguda de sintomas psicóticos tais como ideias delirantes, alucinações, perturbações das percepções e por uma desorganização maciça do comportamento normal. O termo “agudo” é aqui utilizado para caracterizar o desenvolvimento crescente de um quadro clínico manifestamente patológico em duas semanas no máximo. Para estes transtornos não há evidência de uma etiologia orgânica. Acompanham-se frequentemente de uma perplexidade e de uma confusão, mas as perturbações de orientação no tempo e no espaço e quanto à pessoa não são suficientemente constantes ou graves para responder aos critérios de um delirium de origem orgânica (F05.-). Em geral estes transtornos se curam completamente em menos de poucos meses, frequentemente em algumas semanas ou mesmo dias. Quando o transtorno persiste o diagnóstico deve ser modificado. O transtorno pode estar associado a um “stress” agudo (os acontecimentos geralmente geradores de “stress” precedem de uma a duas semanas o aparecimento do transtorno). Transtorno delirante induzido. Transtorno delirante partilhado por duas ou mais pessoas ligadas muito estreitamente entre si no plano emocional. Apenas uma dessas pessoas apresenta um transtorno psicótico autêntico; as ideias delirantes são induzidas na(s) outra(s) e são habitualmente abandonadas em caso de separação das pessoas. Transtornos esquizoafetivos. Trata-se de transtornos episódicos nos quais tanto os sintomas afetivos quanto os esquizofrênicos são proeminentes de tal modo que o episódio da doença não justifica um diagnóstico quer de esquizofrenia quer de episódio depressivo ou maníaco. Os sintomas psicóticos que não correspondem ao caráter dominante do transtorno afetivo, não justificam um diagnóstico de transtorno esquizoafetivo. Transtorno factício Consiste no comportamento de inventar sintomas, repetida e consistentemente. O indivíduo chega ao autoflagelo, por meio de cortes ou abrasões, e a injetar substancias tóxicas na tentativa de produzir sinais correspondentes aos sintomas. Seu objetivoaparente é assumir o papel de doente. A causa é desconhecida, mas estresse e um transtorno de personalidade grave podem contribuir. Sinais e os sintomas: Podem ser físicos, psicológicos ou ambos. Também são dramáticos e convincentes. É possível que a pessoa relate sintomas físicos que sugerem uma doença em particular. Ou ela pode relatar sintomas que poderiam ser causados por diversos tipos de doenças, como sangue em sua urina, diarreia ou febre. A pessoa geralmente tem bastante conhecimento sobre a doença que ela finge ter. Ela pode alterar seus prontuários médicos para fornecer evidência de que apresentam uma doença. Às vezes, ela faz algo a si mesma para causar o sintoma. Por exemplo, ela pode furar um dedo e colocar sangue em uma amostra de urina. Ou pode injetar bactérias sob a pele para produzir febre e feridas. Pessoas com esse transtorno são geralmente bastante inteligentes e habilidosas. Elas podem manipular quem as tenta ajudar para serem hospitalizadas e submetidas a intensos exames e tratamentos, incluindo intervenções relevantes. Suas mentiras são conscientes, mas a motivação e a busca de atenção são, fundamentalmente, inconscientes. Elas frequentemente mudam de um médico ou hospital para outro em busca de tratamento. O transtorno pode continuar por toda a vida. Intervenção: Não existem tratamentos claramente eficazes. Se a pessoa receber tratamento para o transtorno que está fingindo, ela pode até sentir alívio temporário, mas depois ela costuma relatar outros sintomas e exigir mais tratamento. Uma parte importante do tratamento é evitar tratamentos desnecessários. A psicoterapia, especialmente a terapia cognitivo-comportamental, pode ajudar. Ela dá enfoque à mudança do pensamento e do comportamento da pessoa. Ela também ajuda a pessoa a identificar e trabalhar com os problemas primários que estão causando o transtorno. Transtornos de preferência sexual (parafilias) Consiste em fantasias, anseios sexuais ou comportamentos recorrentes, intensos e sexua1mente excitantes envolvendo objetos não humanos ou situações incomuns. O desvio pode ser entendido quando se tratar de urna síndrome psicopatológica ou como urna perversão sexual isolada, e então é necessário estudar a personalidade, motivações e limites de reação do individuo. Algumas características de parafilias: » Incesto: ocorrência de relações sexuais entre parentes sanguíneos próximos. » Pedofilia: atração sexual por crianças » Exibicionismo: desejo contínuo de exibir os órgãos sexuais a uma pessoa estranha ou desprevenida » Sadomasoquismo: sente necessidade de criar na vítima uma sensação de terror (aplicação de sofrimentos aos outros) » Fetichismo: implica uma excitação sexual exclusiva com o uso de objetos inanimados pelo próprio indivíduo (por exemplo, roupas íntimas e sapatos femininos) » Masoquismo: obtém satisfação com o próprio sofrimento (aplicação de sofrimento a si mesmo) » Voyeurismo: obtém prazer observando, à distância, as pessoas despirem-se ou envolvidas em atividade sexual. » Frotteurismo ou frottage: a excitação sexual ocorre com a fricção do corpo do homem que apresenta este desvio noutra pessoa qualquer, geralmente em locais de grande concentração de pessoas, como no ônibus, metrô ou em meio à multidão. » Transtorno transvéstico: prazer em se vestir com roupa do outro gênero » Zoofilia: prazer em relação sexual com animais » Urofilia: excitação ao urinar no parceiro ou receber dele o jato urinário, ingerindo-o ou não. » Necrofilia: atração por ter relações sexuais com cadáver » Coprofilia: fetiche pela manipulação de fezes, próprias ou do parceiro. Intervenção: O tratamento deve incluir sempre uma psicoterapia baseada nas teorias do condicionamento e da aprendizagem (TCC) associado ao tratamento farmacológico (ISRR), que tem vindo a mostrar-se cada vez mais importante para qualquer tipo de parafilia, pois tem ainda uma vantagem suplementar, uma vez que permite tratar simultaneamente a parafilia e outras perturbações psicológicas que estão frequentemente associadas, como por exemplo, a depressão a obsessividade e a ansiedade. Transtornos mentais orgânicos Compreende uma série de transtornos mentais reunidos tendo em comum uma etiologia demonstrável tal como doença ou lesão cerebral ou outro comprometimento que leva à disfunção cerebral. A disfunção pode ser primária, como em doenças, lesões e comprometimentos que afetam o cérebro de maneira direta e seletiva; ou secundária, como em doenças e transtornos sistêmicos que atacam o cérebro apenas como um dos múltiplos órgãos ou sistemas orgânicos envolvidos. A demência é uma síndrome devida a uma doença cerebral, usualmente de natureza crônica ou progressiva, na qual há comprometimento de numerosas funções corticais superiores, tais como a memória, o pensamento, a orientação, a compreensão, o cálculo, a capacidade de aprendizagem, a linguagem e o julgamento. A síndrome não se acompanha de uma obnubilação da consciência. O comprometimento das funções cognitivas se acompanha habitualmente e é por vezes precedida por uma deterioração do controle emocional, do comportamento social ou da motivação. A síndrome ocorre na doença de Alzheimer, em doenças cerebrovasculares e em outras afecções que atingem primária ou secundariamente o cérebro. Alucinações são percepções que o cérebro desenvolve sem os estímulos ambientais correspondentes. Delírios são perturbações no pensamento; podem ou não ser provocados por alucinações. A causalidade orgânica deve ser confirmada. Esquizofrenia e transtornos delirantes Esquizofrenia Os transtornos esquizofrênicos se caracterizam em geral por distorções fundamentais e características do pensamento e da percepção, e por afetos inapropriados ou embotados. Usualmente mantém-se clara a consciência e a capacidade intelectual, embora certos déficits cognitivos possam evoluir no curso do tempo. Os fenômenos psicopatológicos mais importantes incluem o eco do pensamento, a imposição ou o roubo do pensamento, a divulgação do pensamento, a percepção delirante, ideias delirantes de controle, de influência ou de passividade, vozes alucinatórias que comentam ou discutem com o paciente na terceira pessoa, transtornos do pensamento e sintomas negativos. A evolução dos transtornos esquizofrênicos pode ser contínua, episódica com ocorrência de um déficit progressivo ou estável, ou comportar um ou vários episódios seguidos de uma remissão completa ou incompleta. Não se deve fazer um diagnóstico de esquizofrenia quando o quadro clínico comporta sintomas depressivos ou maníacos no primeiro plano, a menos que se possa estabelecer sem equívoco que a ocorrência dos sintomas esquizofrênicos fosse anterior à dos transtornos afetivos. Além disto, não se deve fazer um diagnóstico de esquizofrenia quando existe uma doença cerebral manifesta, intoxicação por droga ou abstinência de droga. Tipos de esquizofrenia: - Esquizofrenia paranóide - Esquizofrenia hebefrênica; - Esquizofrenia catatônica; - Esquizofrenia indiferenciada; - Depressão pós-esquizofrênica; - Esquizofrenia residual; - Esquizofrenia simples. Transtornos delirantes A questão central é a presença de delírios persistentes, que podem estar relacionados com litígios, ciúmes, por exemplo. O afeto, a fala e o comportamento são normais, excetuando-se as ações diretamente relaciona das com o delírio.