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Avaliação em 
Estética 
 
Heloísa Caires 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 
 
 
BLOCO 2: INTRODUÇÃO À AVALIAÇÃO EM ESTÉTICA 
2.1. Avaliação estética propriamente dita: princípios gerais 
Nos vídeos indicados, você encontrará informações importantes sobre como proceder 
uma anamnese qualificada de modo a reconhecer as reais necessidades do cliente 
para indicar o tratamento mais adequado. Acompanhe os links a seguir: 
 
https://www.youtube.com/watch?v=QzPqELWcZmc 
https://www.youtube.com/watch?v=t8lGffFSA_8 
 
2.2. Cicatrização e suas características 
Cicatrização é o nome dado ao processo de reparação tecidual que substitui 
o tecido lesado por um tecido novo. A reparação envolve a regeneração de 
células especializadas, a formação de tecido de granulação e a reconstrução 
do tecido. Esses eventos não acontecem isoladamente, e sim, sobrepondo e 
se completando. 
A cicatriz é o tecido novo que se forma durante o processo de cura de uma 
ferida. A natureza a utiliza como um meio para fechar as lesões do 
organismo quando não é possível a regeneração perfeita dos tecidos. 
(PORTAL EDUCAÇÃO, 2013). 
 
2.2.1. O processo de cicatrização pode ocorrer de duas formas: 
• Primária: acontece quando um ferimento não contaminado possui bordas 
lisas e próximas, sem perda tecidual, como ocorre em cortes cirúrgicos. 
Normalmente, não há infecções, necrose cutânea, presença de hematomas 
ou seromas. 
 
• Secundária: caracterizada por afastamento entre as bordas do ferimento e 
presença de uma lacuna tecidual preenchida por tecido de granulação. 
Ocorre em decorrência do tipo de ferimento ou por distúrbios na 
cicatrização. Normalmente, resultam em cicatrizes com estética 
desfavorável. (PORTAL EDUCAÇÃO, 2013). 
 
 
 
3 
 
 
2.2.2. Etapas da cicatrização 
A cicatrização normal é um processo dirigido a um objetivo, que ocorre 
segundo leis próprias e leva ao fechamento da ferida por meio de 
sequências bioquímicas e histológicas, no menor prazo possível. 
Dependendo dos processos predominantes em cada caso, distinguem-se 
três etapas na cicatrização que ocorrem de forma sobreposta: 
 
• Etapa inflamatória: dura entre 48 e 72 horas e é caracterizada pela 
presença dos sinais da inflamação: dor, calor, rubor e edema. O processo 
inflamatório combate os agentes agressores e deflagra uma série de 
acontecimentos que reconstituem o tecido lesado e possibilitam o retorno 
da função fisiológica ou a formação de tecido cicatricial para restituir o que 
não pôde ser reparado. No caso da cirurgia plástica, o agente agressor é o 
trauma mecânico causado pelo instrumental. A inflamação começa no exato 
momento da lesão. 
 
• Etapa proliferativa: dura entre 12 e 14 dias e é caracterizada pela 
reconstituição de vasos sanguíneos e linfáticos, pela produção de colágeno e 
pela intensa migração celular, principalmente de queratinócitos, 
promovendo a reepitelização. A cicatriz possui aspecto avermelhado. 
 
• Etapa de maturação (remodelação): tem duração indeterminada e é 
caracterizada pela reorganização do colágeno, que adquire maior força 
tênsil e empalidece. A cicatriz assume a coloração semelhante à da pele 
adjacente. O resultado final do tecido de granulação é uma cicatriz 
composta de fibroblastos de aspecto inativo e fusiforme, colágeno denso, 
fragmentos de tecido elástico, matriz extracelular e relativamente poucos 
vasos. A fase final da etapa de maturação representa a evolução da cicatriz 
constituída, podendo durar anos. Há diminuição do número de fibroblastos 
e de macrófagos e aumento do conteúdo de colágeno, cujas fibras 
progressivamente se alinham na direção de maior tensão da ferida. O 
conteúdo fibroso da cicatriz está relacionado à tensão que incide sobre as 
suas bordas. (PORTAL EDUCAÇÃO, 2013) 
 
 
 
 
 
 
4 
 
2.2.3. Fatores que interferem na cicatrização 
Existem fatores locais (ligados diretamente à ferida) e sistêmicos (ligados ao 
indivíduo) que podem influenciar o processo cicatricial, ocasionando 
complicações e sequelas e causando prejuízos estéticos e funcionais à 
cicatriz. 
 
Fatores locais: 
• Dimensão e profundidade da lesão 
• Grau de contaminação 
• Presença coleções líquidas (hematomas, equimoses, edemas) 
• Necrose tecidual e infecção local 
• Suprimento vascular deficiente 
• Técnica cirúrgica utilizada, material e técnica de sutura, tipos de curativos 
• Tração ou pressão mecânica sobre a cicatriz 
 
Fatores sistêmicos: 
• Faixa etária 
• Raça 
• Estado nutricional 
• Presença de doenças crônicas 
• Uso de medicamentos (PORTAL EDUCAÇÃO, 2013) 
 
2.2.4. Distúrbios da cicatrização 
Quando ocorre alguma alteração nos mecanismos fisiológicos de 
cicatrização, há como resultado uma cicatriz patológica, que poderá 
ocasionar deficiências funcionais e estéticas. Dentre as cicatrizes 
patológicas, se destacam as cicatrizes hipertróficas e as cicatrizes 
queloideanas, com início de manifestação cerca de 30 dias após a lesão e 
cuja diferenciação muitas vezes é difícil. Algumas diferenças histológicas 
comprovadas entre a cicatriz hipertrófica e o queloide indicam que estas são 
duas disfunções diferentes e que, como tal, merecem diferentes 
tratamentos. 
O queloide é uma manifestação exagerada na cicatrização de lesões na pele. 
Esse fenômeno inicia como placas rosadas bem definidas, de consistência 
firme e elástica. Um crescimento excessivo e descontrolado faz com que a 
cicatriz cresça além dos limites da lesão original, se torne lisa, irregular, 
hiperpigmentada e de consistência rígida. Os queloides são mais elevados 
 
 
 
5 
 
que as cicatrizes hipertróficas. Possuem coloração violácea, invadindo 
tecidos vizinhos. Podem ou não apresentar prurido, dor e ardor, não 
regredindo espontaneamente. 
As cicatrizes hipertróficas são ligeiramente elevadas com coloração rósea, 
limitadas às bordas da ferida. Geralmente, são dolorosas e provocam 
prurido, podendo regredir com o tempo. Respondem bem ao tratamento 
com compressão e massagens. (PORTAL EDUCAÇÃO, 2013) 
 
2.3. Tipos de pele e classificação Fitzpatrick 
2.3.1. Classificação Fitzpatrick (Histórico) 
Em 1986, Fitzpatrick distribui a classificação de pele em seis tipos diferentes. Branca 
que sempre queima e nunca bronzeia, branca e geralmente queima e bronzeia com 
dificuldade, branca que queima pouco mas bronzeia moderadamente, parda-clara que 
raramente queima mas bronzeia com facilidade e pele negra que nunca queima mas 
bronzeia facilmente. Já em 1988, Fitzpatrick valida a resposta da pele ao sol do tipo I 
ao VI apresentando estudos realizados também por outros autores. Desta maneira 
consolidou sua classificação e coloca que a Dose Mínima de Eritema é o melhor critério 
de laboratório para estimar a sensibilidade da queimadura solar. Essa classificação é 
vastamente utilizada, inclusive pela FDA dos Estados Unidos em seus princípios para 
especificações de protetores solares em seres humanos. 
Link do vídeo que complementa o tópico: 
http://biblioteca.univap.br/dados/000001/000001C2.pdf (p. 20 a 23) 
 
Fototipo I 
Explicação: Indivíduo extremamente branco, com pele clara, olhos azuis e cabelos 
loiros. Podem ser sardentos. Quando expostos ao sol se queimam com muita facilidade 
e nunca se bronzeiam. Pele considerada muito sensível. 
 
Fototipo II 
Explicação: Indivíduo branco, com pele clara, olhos azuis, verdes ou castanhos claros e 
cabelos loiros ou ruivos. Quando expostos ao sol se queimam com facilidade e 
bronzeiam muito pouco. Pele considerada sensível. 
 
 
 
 
6 
 
Fototipo III 
Explicação: Indivíduo moreno claro. Pode possuirolhos claros ou não, porém sempre 
com cabelos um pouco mais escuros que o fototipo anterior. Quando expostos ao sol, 
queimam e bronzeiam moderadamente. Pele com sensibilidade considerada normal. 
Link do vídeo que complementa o tópico: 
https://www.youtube.com/watch?v=FpPnq5WvN1s (a partir do min 4) 
 
Fototipo IV 
Explicação: Indivíduo moreno moderado. Possui pele clara ou morena clara, cabelos 
castanhos escuros e olhos escuros. Quando expostos ao sol queimam-se pouco e 
bronzeiam-se com facilidade. Pele com sensibilidade considerada normal. 
 
Fototipo V 
Explicação: Indivíduo moreno escuro. Possui pele morena escura, cabelos escuros e 
cacheados. Quando expostos ao sol raramente se queimam e se bronzeiam bastante. 
Pele com sensibilidade considerada baixa (pouco sensível). 
Link do vídeo que complementa o tópico: 
https://www.youtube.com/watch?v=FpPnq5WvN1s (a partir do min 4) 
 
Fototipo VI 
Explicação: Indivíduo negro. Possui pele e olhos negros. Cabelos negros e crespos 
(étnicos). Quando expostos ao sol nunca se queimam uma vez que a sua pele é 
totalmente pigmentada. Pele considerada insensível. 
Link do texto que complementa o tópico: 
http://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?id_materia=4318&fase=imprime 
 
2.3.2. Tipos de pele 
Quanto ao grau de oleosidade, a pele pode ser normal, seca ou oleosa. Mas, 
apesar dessa divisão, todas as peles têm uma concentração maior de 
glândulas sebáceas na zona T do que nas regiões laterais da face. Assim, 
todas as peles secas são menos secas na região médio-facial, o que também 
ocorre com as peles normais e oleosas. A pele acneica não corresponde a 
 
 
 
7 
 
um tipo especial de pele, e sim uma doença ‒ ou predisposição a ela ‒ 
própria das pessoas de pele oleosa: a acne. 
Cada pessoa tem seu próprio metabolismo, que varia de acordo com a 
herança genética, os hábitos alimentares, os ambientes em que vive, entre 
outros fatores. A pele reage a essas condições biológicas e climáticas e se 
constitui de formas distintas: pode ser seca, oleosa, normal, acneica, ou 
sensível. (PORTAL EDUCAÇÃO, 2008). 
 
Link do texto que complementa o tópico: 
http://biblioteca.univap.br/dados/000001/000001C2.pdf (p. 24 e 25) 
 
Vejamos a seguir a classificação existente: 
 
Pele oleosa: 
É a pele que produz maior quantidade de secreções sebáceas e sudoríparas 
e, por isso, tem aparência espessa, brilhante e úmida. Seus poros são 
visíveis, pois estão sempre dilatados, o que facilita o aparecimento de 
cravos, principalmente no rosto, e cistos em algumas regiões do corpo. 
Seu pH é alcalino. Devido à superatividade das glândulas, esse tipo de pele 
suporta melhor as ações de agentes externos e resiste mais à ação do 
tempo. 
É importante saber que é comum as pessoas com pele oleosa ou normal 
terem algumas partes do corpo ressecadas, como os pés, joelhos e 
cotovelos. (PORTAL EDUCAÇÃO, 2008) 
 
Link do vídeo que complementa o tópico: 
https://www.youtube.com/watch?v=yq5yquUuP6I (a partir do min 2) 
 
Pele normal: 
Sua aparência é saudável, pois produz gordura na quantidade certa, e 
apresenta um tônus adequado de elasticidade. Como resultado, é uma pele 
lisa, aveludada e viçosa, com elasticidade e brilho natural, o que torna os 
poros imperceptíveis. Por estar equilibrada e naturalmente hidratada, ela 
possui a quantidade ideal de oleosidade. Raramente, apresenta espinhas e 
cravos, nem qualquer sensação de incômodo. Seu pH é fisiológico. (PORTAL 
EDUCAÇÃO, 2008) 
 
 
 
8 
 
 
Pele acneica: 
A pele acneica é muito oleosa e brilhante. Costuma apresentar áreas 
inflamadas e com pontos avermelhados, em decorrência da presença de 
cravos e espinhas. O rosto, o peito e as costas costumam ser as áreas mais 
afetadas - devido ao número maior de glândulas sebáceas que possuem. 
Mais do que um problema estético, os cravos e espinhas normalmente 
sinalizam um desequilíbrio orgânico e, portanto, exigem cuidados 
específicos. (PORTAL EDUCAÇÃO, 2008) 
 
Pele sensível: 
É o tipo de pele frágil, fina e bastante irritável. Fica avermelhada com 
facilidade, pois reage facilmente ao contato com agentes externos, como 
sol, cosméticos inadequados, variações climáticas etc. 
Muitas vezes responde com ardor ou prurido ao contato com algum 
cosmético ou medicamento, estimando-se que este tipo de pele ocorra em 
10% dos usuários de cosméticos. Tal reação negativa não se caracteriza 
como alergia, pois, ao utilizar o mesmo produto em outra parte do corpo 
não há reação de intolerância. De modo geral, as peles claras têm maior 
tendência a apresentar sensibilidade. (PORTAL EDUCAÇÃO, 2008) 
 
Pele seca: 
Mais comum a partir dos 35 anos de idade. É mais fina e sensível, com 
tendência a escamações. Tem pouco brilho, devido a falta de umidade 
natural, com tendência a apresentar rugas precoces ao redor de olhos e 
boca. 
Se pH é ácido. Tem como características: fina, opaca, poros invisíveis, rugas 
finas, descama fácil, sensível e mais sujeita ao envelhecimento precoce. A 
pele seca é pouco hidratada, sofrendo muito com a ação do sol, do vento e 
do frio. Necessita de cuidados especiais. Devido a falta de gordura (o 
elemento de lubrificação e proteção), a pele entra em processo de 
envelhecimento precoce. (PORTAL EDUCAÇÃO, 2008) 
 
Pele Mista: 
Possui características da pele seca e da pele oleosa. Deve-se tomar cuidado 
para não confundir a pele mista com a pele seca, evitando-se assim o uso de 
 
 
 
9 
 
produtos oleosos, que aumentam o seu problema, principalmente na Zona 
T. 
pH Alcalino – Zona T (testa, nariz e queixo); 
pH Ácido – Laterais da Face. 
 
Características: 
Zona T – pele com brilho, com poros dilatados, espessa e resistente aos 
agentes externos, presença de cravos, espinhas e rugas. 
Laterais – pele opaca, com poros pouco visíveis, fina, envelhecimento 
precoce e rugas finas. (PORTAL EDUCAÇÃO, 2008) 
 
 
2.4. Principais distúrbios hemodinâmicos (Edema, Hemorragia, Aterosclerose, 
Trombose, Embolia e Infarto) 
Esta seção é importante para conseguirmos identificar e classificar os principais 
distúrbios que acometem a irrigação sanguínea e o equilíbrio hídrico do corpo, como 
também compreender as patologias envolvidas. 
O edema é uma alteração hídrica intersticial, a hemorragia é uma alteração no volume 
sanguíneo, e trombose, embolia e infarto são alterações por obstrução intravascular. 
A circulação do sangue e a distribuição de líquidos são feitas pelo coração e vasos 
sanguíneos, e o sistema linfático é responsável por reabsorver o excesso de líquidos 
filtrados na microcirculação e o acúmulo de líquido no interstício ou em cavidades do 
organismo. 
O edema ocorre a partir de aumento da pressão hidrostática intravascular e 
diminuição da pressão oncótica do plasma. A obstrução linfática e o aumento da 
permeabilidade capilar são fatores que originam o edema. Quando há o aumento da 
pressão hidrostática sanguínea, a pressão aumenta, ocorre saída excessiva de líquido 
do vaso, situação comum em estados de hipertensão e drenagem venosa defeituosa 
(por exemplo, em casos de varizes, insuficiência cardíaca etc.). 
A hemorragia é a saída do sangue do espaço vascular para o compartimento 
extravascular (cavidades ou interstício) ou para fora do organismo. Pode ser 
classificada quanto ao local, podendo ser interna, quando o sangue perdido não é 
visível, e pode ser devido a lesões traumáticas de vísceras internas ou grandes vasos; 
 
 
 
10 
 
ou externa quando ocorre em uma região exposta do corpo. Os sintomas da 
hemorragia são: fraqueza, sede, frio, ansiedade ou indiferença. 
Ainda sobre a classificação dashemorragias, quanto à morfologia, podem ser: 
 Petéquias: hemorragia puntiforme (1 a 2 mm de diâmetro, são esparsas). 
 Púrpuras: até aproximadamente 1 cm de diâmetro, ou reunião de petéquias; o 
termo é utilizado também para descrever quadro hemorrágico generalizado. 
 Sufusões ou máculas hemorrágicas: manchas difusas, planas e irregulares 
(“equimose”). 
 Hematoma: sangramento circunscrito formando coleção volumosa. 
 Apoplexia: hemorragia maciça grave, intensa, com destruição orgânica e 
manifestações gerais graves. 
 
A aterosclerose é uma lesão endotelial caracterizada pelo acúmulo de material 
gorduroso nas paredes das artérias, que muitas vezes, engrossa e endurece até causar 
a completa obstrução de uma artéria, podendo levar à obstrução de diversas artérias 
do nosso corpo, impedindo a chegada do sangue rico em oxigênio e nutrientes ao 
tecido, e pode levar ao infarto. É ocasionada pelo tabagismo, diabetes, pressão arterial 
elevada, níveis altos de colesterol no sangue, dieta com alto teor de gordura, idade 
avançada, obesidade, histórico pessoal ou familiar de doença aterosclerótica. Seus 
sintomas são variáveis. 
A trombose é um processo patológico caracterizado pela solidificação do sangue 
dentro de vasos ou do coração, no indivíduo vivo. Trombos podem ser venosos ou 
arteriais e suas causas geralmente são genéticas por mutações do gene do fator V 
(mutação de Leiden) ou adquiridas em virtude de fumo, obesidade, câncer 
disseminado, idade, anticoncepcional. 
Embolia é a existência de um corpo sólido, líquido ou gasoso (êmbolo) transportado 
pelo sangue e capaz de obstruir um vaso. Pode alojar-se em vasos estreitos causando 
oclusão e subsequentemente isquemia do tecido distal, conhecida como infarto. Pode 
ser sólido como placa de ateroma ou líquido com gorduras ou fraturas generalizadas, 
ou até mesmo gasoso quando as bolhas de ar dentro da circulação podem obstruir o 
fluxo (mais de 100 mL). 
 
 
 
11 
 
A área circunscrita de necrose tecidual causada por isquemia absoluta prolongada 
devido a distúrbio de circulação arterial ou venosa é o infarto. 
 
2.5. Alterações de Vasos Sanguíneos (Microvarizes e Varizes) 
As varizes constituem uma das doenças mais antigas de que se tem relato e, 
atualmente, estão presentes, em média, em torno de 30% a 40% da 
população brasileira. Alguns fatores de riscos são considerados, tais como 
ocupação, gravidez, dieta, obesidade, hereditariedade e etnia, sendo as 
mulheres as mais afetadas, numa razão de 4:1. Acredita-se que 70% das 
mulheres com idade acima de 40 anos apresentem veias varicosas. 
Existem dois tipos de varizes: as chamadas primárias, que aparecem 
influenciadas pela tendência hereditária, e as chamadas secundárias, que 
aparecem por doenças adquiridas no decorrer da vida, sendo de tratamento 
mais difícil. 
As varizes primárias são as responsáveis pelas antiestéticas linhas vermelhas 
e azuis, de diversos tamanhos, que aparecem especialmente nas pernas das 
mulheres e também pelas varizes de maior calibre, que são as mais 
frequentes. As varizes secundárias são causadas por uma doença 
preexistente, como fístulas arteriovenosas (congênitas ou adquiridas), 
traumas, angiodisplasias, síndrome pós-flebítica, compressões extrínsecas 
etc. 
As principais teorias sobre a origem das varizes primárias ou essenciais dos 
membros inferiores estão relacionadas com alterações na parede da veia, 
com modificação na estrutura do colágeno e/ou elastina, aumentando a 
presença de material elástico com o espessamento do vaso, incompetência 
valvar localizada ou segmentar e presença de fístulas arteriovenosas no 
nível da microcirculação. As varizes secundárias estão relacionadas com a 
síndrome pós-flebítica, gravidez, fístulas arteriovenosas traumáticas, 
angiodisplasias e compressões externas. (OLIVEIRA, 2007) 
 
Outras causas possíveis são os hormônios, é comum observarmos o aparecimento ou 
piora de varizes com o uso de pílulas anticoncepcionais, durante as menstruações e 
gravidez, bem com durante a reposição hormonal pós-menopausa; a longa 
permanência de pé parado, ou sentado com as pernas pendentes, como é solicitado, 
por exemplo, dos garçons, dentistas, barbeiros, secretárias, balconistas, cirurgiões e 
 
 
 
12 
 
donas de casa, a obesidade, o sedentarismo, tosse crônica e prisão de ventre também 
influenciam para a piora do quadro. 
Com os avanços no conhecimento da doença venosa crônica, houve necessidade de se 
expandir as definições com essa finalidade, foi elaborado, em 1994, pelo Comitê 
Internacional do Fórum Venoso Americano, um documento de consenso para a 
classificação da doença venosa, que se baseia no quadro clínico, nos fatores 
etiológicos, na distribuição anatômica e nos achados fisiopatológicos, denominado de 
classificação clínica, etiológica, anatômica e fisiopatológica. CEAP é uma classificação 
bastante trabalhosa para alguns profissionais quando utilizada na sua forma completa, 
não costuma ser utilizada nos atendimentos de pacientes médicos. Porém é possível 
identificar em estudos uma prevalência de 82% de telangiectasia, o que leva a 
acreditar que é uma característica da humanidade! Tornando-se uma doença quando 
se torna muito extensa, representando, dessa forma, um risco para o portador que se 
queixa de dor ou queimação na região, especialmente mulheres no período menstrual. 
As telangiectasias são pequenos capilares localizados na pele, muito finos, ramificados, 
em geral de coloração avermelhada, constituídos de microfístulas arteriovenosas. São 
também chamadas spider veins, pelo padrão tipo teias de aranha, e, na grande maioria 
das vezes, causam distúrbios apenas do ponto de vista estético. Podemos afirmar que 
as telangiectasias são definidas como dilatações intradérmicas das veias, seu diâmetro 
estimado é de aproximadamente 1 mm. 
O sangue que é bombeado pelo coração para todo o corpo é rico em oxigênio e 
nutrientes. O oxigênio e os nutrientes são utilizados por todas as células do nosso 
organismo, e o sangue que volta pelas veias para o coração é pobre em oxigênio e em 
nutrientes. 
Quando temos varizes, este sangue tende a ficar represado nas pernas. Em 
consequência, com o passar do tempo, os tecidos das pernas passam a ser menos 
oxigenados e menos nutridos. 
Quando não tratadas de forma correta, as varizes podem progredir e desenvolver 
severas complicações. 
É necessário encaminhar a cliente para o médico para o controle deste quadro e 
acompanhamento. Na terapêutica clínica das varizes, tornam-se necessárias medidas 
 
 
 
13 
 
gerais como: combater o excesso de peso corporal, estimular a atividade física, evitar o 
ortostatismo prolongado e o uso de fármacos como estrogênio/ progesterona, 
tireotrófico e bloqueadores do canal de cálcio (OLIVEIRA, 2007). 
A escleroterapia, conhecida como “aplicação”, é, no momento, o tratamento de 
escolha destinado às pessoas acometidas de telangiectasias. É um procedimento 
médico com a finalidade de ocluir o tronco varicoso em questão. A ideia é introduzir na 
veia uma substância irritante, que induza um processo inflamatório, levando à fibrose, 
fazendo com que o vaso perca seu caráter cilíndrico e excluindo-o do caminho da 
circulação. 
A vantagem do tratamento com escleroterapia é que pode ser feito em sessões no 
consultório médico, e o paciente pode exercer suas atividades normais em poucos 
dias. 
Desvantagem: seus efeitos colaterais ainda são um desafio para os angiologistas, 
dentre os quais destacam-se: coágulos dentro de veias tratadas, hipercromia, úlcera 
química, dor persistente, dispneia e urticária. 
Outras formas de tratar varizes são as cirurgias e para microvarizese telangiectasias 
também se utiliza o laser transdérmico. As meias de compressão também são bastante 
utilizadas, sempre sob indicação médica para saber exato o tipo e pressão ideal para 
cada paciente. 
Drenagem Linfática como artifício terapêutico médico/fisioterápico capaz de 
compensar estas mazelas da modernidade e minimizar estas carências e tentar 
devolver a normalidade da dinâmica dos fluidos corporais de forma generalizada, 
resgatando a capacidade das células interagirem mais satisfatoriamente. 
Promove uma verdadeira facilitação das trocas de informações entre as células, que 
ficam com a melhora do fluxo linfático mais vitalizadas, ou seja, menos intoxicadas e 
com um sistema imunológico mais ativo. Prevenindo assim a instalação de inchaços 
nos membros, perda de vitalidade, distúrbios circulatórios e retenção de líquidos que 
favoreceriam a formação de celulite e flacidez. 
Mais para frente no curso vocês vão ver e entender melhor sobre esta técnica, mas por 
agora, para poder entender as afecções do sistema circulatório, vamos finalizar com 
esta dica de tratamento. Estudem bastante sobre o assunto e leiam materiais 
 
 
 
14 
 
complementares. Devemos nos embasar teoricamente para que possamos aplicar a 
técnica em nossas clientes como melhor indicação possível dentro do quadro que ela 
se encontra. 
 
Conclusão do bloco 2 
Entender e compreender a fisiologia humana é sempre estar atento ao seu cliente, é 
estar inserido na área de responsabilidade do âmbito profissional estético, que é a da 
saúde. A compreensão de fatores etiopatológicos e distúrbios da circulação em geral 
trará maior conhecimento de causa e efeito até mesmo de situações estéticas onde a 
esteticista muitas vezes não atua, mas que pode, com o conhecimento, fazer uma 
consultoria mais assertiva para a cliente, podendo muitas vezes encaminhá-la ao 
médico responsável para cuidar de quadros para os quais a cliente pode não dar sua 
devida importância. Nós, como esteticistas, temos o dever de informar a necessidade 
de um tratamento concomitante ao estético para além de se ter mais resultados 
estéticos, também cuidar dessa cliente como um todo, trazendo de forma holística sua 
saúde plena e completa. 
 
Referências do Bloco 2 
BORELLI, S. As idades da pele: orientação e prevenção. 2. ed. São Paulo: Senac, 2004. 
OLIVEIRA, R. R. et al. Terapia alternativa para microvarizes e telangiectasias com uso de 
agulha. J Vasc Bras, v. 6, n. 1, p. 17-24, 2007. 
PORTAL EDUCAÇÃO. Processo de cicatrização e reparo tecidual. 13 mar. 2013. 
Disponível em: < 
https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/estetica/processo-de-
cicatrizacao-e-reparo-tecidual/38373>. Acesso em: 3 dez. 2018. 
PORTAL EDUCAÇÃO. Tipos de Pele. 27 set. 2008. Disponível em: 
<https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/idiomas/tipos-de-
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PRESTI, C. et al. Insuficiência venosa crônica diagnóstico e tratamento. Disponível em: 
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