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CAPÍTULO - IV
ESPECTROSCOPIA MOLECULAR
4.1 – O ESPECTRO ELETROMAGNETICO
Espectroscopia é o estudo da interação entre a matéria e a radiação eletromagnética. As
moléculas orgânicas são estruturas flexíveis. As ligações covalentes tem elasticidade e os átomos
ou grupos de átomos podem sofrer rotação em torno de ligações covalentes simples. Os elétrons
nas ligações podem se moverem de um nível de energia para outro como por exemplo os elétrons
de uma orbital molecular ligante pode ser promovido para um orbital molecular antiligante *.
Também certos núcleos comportam-se como partículas carregadas e podem trocar a energia do
spin nuclear de um nível para outro. Assim, devido sua flexibilidade, um átomo ou molécula pode
absorver freqüências de energia do espectro eletromagnético passando de um estado de energia
E1 para E2 e voltar ao estado fundamental emitindo o mesmo equivalente de energia absorvida. A
espectroscopia molecular é um processo experimental que mede as variações energéticas que
ocorrem numa molécula quando esta absorve ou emite frequências de radiação eletromagnética e
correlaciona estas variações com a estrutura molecular da substância em particular.
Radiação eletromagnética é a energia radiante que tem propriedades de partícula (fóton) e
de onda. A radiação eletromagnética tem diferentes intensidades de energia que no conjunto
constitui o que chamamos de espectro eletromagnético.
O Espectro Eletromagnético
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O espetro eletromagnético apresenta faixas de freqüência com propriedades
características e compõem os diferentes tipos de radiação eletromagnética que são conhecidas
com nomes distintos:
Raios , é a radiação eletromagnética de mais alta energia, alta freqüência e tem grande poder de
destruição. São as ondas emitidas na desintegração de núcleos de átomos radioativos, processos
sub-atomicos e por alguns fenômenos astrofísicos. Os raios gama têm alto poder de destruição da
matéria e causam graves danos aos organismos biológicos.
Raios-X, de grade utilidade na medicina na obtenção de imagens de tecidos das estruturas
internas dos organismos. A obtenção das imagens é devido as diferentes densidades dos tecidos
que bloqueiam em maior ou menor intensidade a passagem dos raios-X que irão sensibilizar uma
película fotossensível. Altas dosagem de Raios-X aos organismos biológicos pode causar sérios
danos celulares principalmente efeitos teratogênicos.
UV-VIS, é a faixa de radiação eletromagnética que promove as transições eletrônicas. Sua energia
é suficiente para promover a excitação eletrônica de um orbital molecular ligante para um orbital
molecular antiligante. A energia radiante na região do ultravioleta (UV) é responsável por
queimaduras e repetidas exposições pode causar câncer de pele devido a danos nas estruturas do
DNA da pele. A radiação na região do Visível é a radiação eletromagnética que podemos ver, são
as cores.
Infravermelho (IV), é a chamada radiação quente. Sua energia é suficiente para alterar o estado
vibracional e rotacional das moléculas o que resulta na liberação de calor.
Microondas, é a região do espectro eletromagnético utilizada em ondas de radar e em algumas
bandas de comunicação telefônica. São também utilizadas para o cozimento de alimentos, neste
caso, sua energia aumenta o grau de liberdade vibracional das moléculas de água, que a
transforma em calor, cozinhando os alimentos.
Ondas de radio, é a região do espectro eletromagnetico de mais baixa energia, baixa freqüência.
Usado nas comunicações de radio e televisão. Quando este tipo de irradiação incide em moléculas
orgânicas colocadas em um campo magnético é capaz de alterar o spin nuclear de um estado de
energia para outro em átomos como o H e o isótopo 13 do carbono. Este fenômeno resulta em
grande utilidade na determinação estrutural dos compostos orgânicos e em medicina na obtenção
de imagens de estruturas internas através da técnica de ressonância magnética de imagem,
Considerando que a radiação eletromagnética tem propriedades de onda e de partícula, a
onda pode ser descrita em termos de seu comprimento ou de sua freqüência.
(comprimento de onda) - O comprimento de onda é definido como a distância entre dois
máximos de uma onda medido em alguma unidade de comprimento tal como metro (m),
micrometro (m), angstron (A).
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(freqüência) – A freqüência é definida como o número de ciclos completos da onda que passa
em um determinado ponto a cada segundo, é medida em unidades Herts (Hz).
Toda a radiação eletromagnética tem a mesma velocidade no vácuo, que é a velocidade
da luz (c = 2,9979 . 1018 m/s), a qual está relacionada com o comprimento de onda e a freqüência:
c =
= c/ e =c
A energia de um quantum (fóton) de uma onda eletromagnética está diretamente
relacionada a sua freqüência através da equação:
E = h onde h= constante de Planck = 6,63.10-34 Js
e tem uma relação inversa com o comprimento de onda :
E = hc/ .
Assim a radiação eletromagnética de ondas largas (baixa freqüência) tem baixa energia e
as que de ondas curtas (alta freqüência) tem alta energia.
As diferentes regiões do Espectro Eletromagnético podem serem utilizadas na elucidação
estrutural das moléculas orgânicas, através da análise das trocas que ocorrem na estrutura
molecular quando a substância é submetida a determinadas freqüências do espectro
eletromagnético. Assim, uma molécula orgânica sob ação de raios UV-VIS, poderá apresentar
trocas na sua estrutura eletrônica como a excitação de um elétron de uma orbital ligante ou não
ligante para uma orbital antiligante. Na região do infravemelho, a energia absorvida resulta na
alteração do seu estado vibracional e na região de radiofrequência, a energia envolvida no
processo pode promover a inversão do spin nuclear de determinados átomos como por exemplo o
H e o isótopo 13 do átomo de carbono.
A Energia total de uma molécula é a somatória das energias eletrônica, vibracional e
rotacional:
Et = Ee + Ev + Er
Ee > Ev > Er Ee E da lig. quím.
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4.2 - ESPECTROSCOPIA UV-VIS
A energia associada a radiação eletromagnética na região do UV-VIS é suficiente para
promover uma transição eletrônica. Assim, quando um feixe de luz UV-VIS passa através de um
composto orgânico, pode ocorrer absorção de energia com a promoção de um elétron de um
orbital molecular ligante para um orbital molecular antiligante.
Para uma melhor compreensão das transições eletrônicas devemos relembrar a formação
dos Orbitais Moleculares (ligações covalentes). Do princípio da conservação dos orbitais, quando
dois Orbitais Atômicos se sobrepõem para formar uma ligação química covalente, ocorre a
formação de dois Orbitais Moleculares, um contendo o par de elétrons da ligação chamado de
Orbital Molecular Ligante e outro chamado de Orbital Molecular Antiligante.
Da teoria dos OM, devemos relembrar dois conceitos básicos:
HOMO = Orbital Molecular de mais alta energia ocupado por um par de elétrons e
LUMO = Orbital Molecular de mais baixa energia desocupado.
A transição eletrônica ocorre de um OM-HOMO para umOM-LUMO.
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Nos compostos orgânicos encontramos seis tipos básicos de transições eletrônicas
envolvendo a passagem de eletros de orbital σ para σ* ou π*, de orbital π para σ* ou π* e de orbital n
para σ* ou π*, como mostra o diagrama de energia abaixo.
A facilidade com que uma transição eletrônica ocorre está diretamente rlacionada a
diferença de energia dos orbitais envolvidos na transição eletrônica. A transição eletrônica mais
fácil de ocorrer é a entre os orbitais n e π* e as mais difíceis são as entre os orbitais σ e σ*. A
ordem de energia das transições eletrônicas são:
Uma transição eletrônica sempre resulta na absorção de energia na região do UV-VIS. A
freqüência (comprimento de onda) absorvida pelo composto que depende de sua estrutura
* > nn
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molecular. O espectro UV-VIS do composto é obtido na forma de um plote de intensidade de
absorção vs comprimento de onda em nm (nanometros).
A intensidade de absorção está relacionada a uma propriedade molecular chamada de
Absortividade Molar ou Coeficiente de Extinção Molar que é uma constante de proporcionalidade
que relaciona a absorbância num determinado comprimento de onda à concentração molar do
composto. Esta relação é conhecida como Lei de Lambert-Beer.
A= E.c.l A = absorção = log I0/I
I = intensidade do radiação que incide no composto
I0 = intensidade da radiação que emerge do composto
E = absortividade molar
c = concentração
l = caminho ótico
A absortividade molar (E) é uma constante característica de um composto em particular.
Ex. a acetona e a metilvinilcetona tem duas transições eletrônicas devido as ligações duplas:
ACETONA METILVINILCETONA
Transição -* = 187 nm (E = 900) 219 nm (E = 3600)
Transição n-* = 270 nm ( E = 15) 270 nm (E = 24)
Pequenas absorções molares são características de transições n-*
A freqüência de absorção (comprimento de onda) é determinada pela diferença de energia
entre os Orbitais Moleculares HOMO e LUMO
Quanto maior o número de ligações duplas conjugadas que um comporto tem, maior será
o em que o composto absorve a luz. Isto significa que a diferença de energia (E) da transição
eletrônica é menor. A medida que se aumenta a conjugação das ligações múltiplas diminui a
diferença de energia entre os Orbitais Moleculares HOMO e LUMO consequentemente as
transições eletrônicas tornan-se mais fáceis e o composto absorve a comprimentos de onda
maiores.
O O
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Assim quanto mais conjugado menor a energia necessária para que ocorra a transição
eletrónica. Se o composto tem suficiente ligações duplas conjugada absorverá a luz na região do
Visível (> 400 nm) e o composto tem cor.
Este fenômeno pode ser observado pelo aumento do comprimento de onda a medida que
se adiciona uma dupla conjugado no alceno. A cada ligação dupla adicional, temos um aumento de
aproximadamente 30 nm.
O -caroteno, precursor da vitamina A encontrado na cenoura, batata doce, damasco, etc.,
tem 11 ligações duplas conjugadas. Absorve radiação eletromagnética na região do visível no
comprimento de onda 497 nm que tem a cor verde azulado. Esta é a luz absorvida pelo caroteno,
porém nós percebemos a cor complementar do verde azulado que é o laranja.
O Licopeno, responsável pela cor vermelha do tomate, pimentão absorve luz de
comprimento de onda 505 nm.
H2C CH2
max
165
217
256
290
334
364
455
474
(nm)
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A luz branca é a mistura de todos os do espectro visível. Com a remoção de algum
(absorção), a luz remanescente, isto é, a luz transmitida aos nossos olhos tem a cor complementar
daquela que foi absorvida. A tabela dá a relação entre os da luz absorvida e a cor observada:
Comprimento de onda (nm) Cor da luz Cor complementar
400-435 Violeta Verde-amarelado
435-480 Azul Amarelo
480-490 Azul-esverdeado Laranja
490-500 Verde-azulado Vermelho
500-560 Verde Purpura
560-580 Verde-amarelado Violeta
580-595 Amarelo Azul
595-610 Laranja Azul-esverdeado
610-750 Vermelho Verde-azulado
Quando uma molécula orgânica é submetida a radiação eletromagnética na região do UV-VIS
, absorve energia (h) passando do estado fundamental (S0) para um estado excitado (S*). Para
voltar ao estado fundamental a molécula emite uma quantidade de energia (h’) levemente inferior
aquela absorvida.
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A volta ao estado fundamental pode se dar por quatro caminhos diferentes:
- “Quenching” volta ao estado fundamental sem emitir luz
- Fluorescência, volta ao estado fundamental emitindo luz
Os outros dois mecanismos pelos quais o eletros volta ao estado fundamental é a partir da
formação de um estado triplete. O elétron decai para um nível de energia levemente inferior ao
estado excitado (sem emitir luz), a este nível de energia se chama de estado triplete. A partir daí, o
elétron volta ao estado fundamental por:
- Fosforecência, decaimento lento do estado triplete ao estado fundamental emitindo luz
- Volta lentamente do estado triplete ao fundamental sem emitir luz.
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Desta forma a freqüência emitida é sempre menor que a freqüência absorvida. Podemos imaginar
que ao longo do tempo a matéria vai acumulando energia em seus níveis vibracionais a medida
que recebe radiação eletromagnética causando a sua deteriorização. Pode ser a causa do
envelhecimento e explica o porque do excesso de sol causa envelhecimento precoce da pele.
Cromóforo é aquela parte da molécula responsável pela absorção da luz no espetro do
UV-VIS. Carbonila, ligação dupla, núcleo aromático, são exemplos de grupos cromóforos.
Auxocromo é um grupo substituinte que unido ao cromóforo altera o máx+ e a intensidade
de absorção. Ex grupo OH, NH2
Considerando a molécula de fenol e anilina, em comparação com o benzeno, o par de
elétrons não ligantes sobre o oxigênio e nitrogênio estão disponíveis para interação com o anel
aromático, alterando máx e a absortividade molar da molécula. Note que a remoção de um próton
do fenol, formando o íon fenolato, aumenta a interação dos elétrons com o anel aromático
aumentando consequentemente o máx porque mais um par de elétrons não ligante está disponível
para interação, aumentando a conjugação do anel aromático. Por outro lado, quando se protona a
anilina, íon anilínium, não dispõe mais do par de elétrons não ligantes para interação com o anel
e consequentemente absorverá luz num comprimento de onda menor. Note que o máx do íon
anilinium é semelhante ao do benzeno que também não tem substituintes com par de elétrons
disponível para conjugação com o anel aromático.Este é o princípio de funcionamento dos indicadores de pH: Por Exemplo, o metil orange
é um indicador de pH que muda sua coloração em função da concentração hidrogenioiônica do
meio. Assim o metilorange passa da cor de laranja em pH<4 para vermelho em pH>4. O mesmo
acontece com a fenolftaleína que muda de incolor para rosa a pH=8,3. Com a formação do ânion
aumenta-se a conjugação com o anel aromático e consequentemente aumenta o max de absorção
OH O- NH2 NH3
+
máx = 255nm 270nm 287nm 280nm 254nm
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A espectroscopia UV-VIS tem pouco valor diagnóstico na elucidação estrutural. O mesmo
tipo de cromóforo pode estar presente em substâncias diferentes e por conseguinte elas terão o
mesmo espectro UV-VIS, pois o espectro depende do tipo de cromóforo presente na molécula.
Ex: O óxido de mesitil e o colesta-4-ene-3-ona tem o mesmo espectro de absorção no UV-VIS.
METILORANGE
amarelo vermelho
H+
-OH
N N
SO 3
- Na+
N
CH3
CH3
N N
SO 3H
N
CH3
CH3
incolor vermelho
H+
-O H
O
O
HO
O- Na+
O
O
HO
OH
FENOLFTALEÍNA
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A pesar de ter pouco valor diagnóstico na determinação estrutural, a Espectroscopia de
UV-VIS teve no passado utilidade no estudo das estruturas das moléculas orgânicas. Por outro
lado tem outras aplicações de grande valor analítico:
Na determinação da velocidade das reações através da medida do aparecimento de
alguma absorção devido a formação de um produto ou o desaparecimento da absorção devido um
dos reagentes, num determinado comprimento de onda, em função do tempo. Ex. A enzima lactato
desidrogenase catalisa a redução do piruvato pelo NADH para formar lactato. O NADH é a única
espécie no meio da reação que absorve a luz em 340 nm. Assim a velocidade da reação pode ser
determinada monitorando a diminuição da absorção a 340 nm do NADH.
Determinação do pKa de compostos orgânicos. Entre os métodos de determinar o pKa
de moléculas orgânicas destaca-se o método espectroscópico UV-VIS.
CH3CCOO
-
O
+ NADH H++
lactato
desidrogenase
CH3CHCOO
-
OH
+ NAD+
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Por ex. Considerando a determinação do pKa do fenol: o íon fenolato tem um max a 287
nm. Se a absorção a 287 nm for medida em função do pH, o pKa do fenol pode ser medido pela
determinação do pH onde a absorção for a metade da absorção final.
De modo geral, um ácido HÁ se dissocia conforme a equação:
AAHpHpKa log
Por definição o pKa é o pH no qual as concentrações das espécies dissociada (A-) e não
dissociada (AH) são idênticas. Se uma das espécies absorve radiação eletromagnética na região
do UV-VIS, a razão [AH]/[A-] pode ser medida como ilustrado na figura abaixo:
Análise colorimétrica. A proporcionalidade da variação da intensidade de cor de uma
substância com a sua concentração, estabelecida pela lei de Lambert-Beer, permite a utilização da
espectroscopia Vis na análise quantitativa cuja técnica é denominada de análise colorimétrica.
Substâncias incolores pode ser quantitativamente transformadas em produtos coloridos através de
reações de cor específicas e seletivas. Outras pode formar complexos coloridos (como os metais)
ou a variação no estado de oxidação pode também produzir espécies coloridas. Algumas
substâncias são sensíveis a mudanças do pH do meio resultando em soluções coloridas. Por outro
lado, a análise colorimétrica é um método de excelente reprodutibilidade a altamente sensível.
Alguns exemplos de aplicações práticas de análise colorimétrica:
AH A- H++
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Determinação de Amônia:
A amônia reage com tetraiodomercurato de potássio resultando num complexo de
coloração marrom-alaranjado mantido numa solução coloidal. É conhecido como método de
Nessler.
Determinação de Ferro:
O ferro (II) forma um complexo vermelho-alaranjado com 1-10-fenantrolina
Incolor vermelho-alaranjado
Determinação de Fenol
O fenol em meio básico e sob ação de uma agente oxidante hexacianoferrocianeto de
potássio reage com 4-aminofenazona produzindo uma tinta amarela que pode se extraída da
solução aquosa por extração com clorofórmio.
NH2Hg2I3 KI NH4I K2[HI4] NH32 + 2 + 4 +
N
N
N
N
Fe
N
N
N
N
3 + Fe
+2
N
N O
CH3
CH3 NH2
+
OH
K2Fe(CN)6
OH-
N
N O
CH3
CH3 N
O
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Desta forma muitos compostos orgânicos e inorgânicos podem resultar em reações
coloridas específicas e a intensidade de cor medida espectrofotometricamente. A
proporcionalidade entre a intensidade de cor e a concentração permite determinar com precisão a
concentração de uma amostra desconhecida através da comparação do valor da absorção medida
com uma curva padrão de calibração
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CAPÍTULO - V
ESPECTROSCOPIA DE INFRAVERMELHO
5.1 – INTRODUÇÃO
A radiação eletromagnética Infra-Vermelha compreende a região do Espectro
Eletromagnético de comprimentos de onda 7,8 x 10-6 m (imediatamente acima do visível) a 2,0 x
10-3 m (imediatamente abaixo da região de micro ondas). A região vibracional do espectro de Infra-
Vermelho, que estuda os modos de vibração molecular, compreende uma faixa de comprimento de
onda mais restrita do espectro eletromagnético que vai de 2,5 x 10-6 m a 2,5 x 10-5 m. Na região
vibracional do Infra Vermelho utiliza-se a unidade micro metros (m) para o comprimento de onda.
Porém o mais usual é referir-se ao número de ondas () em unidades centímetro recíproco (cm-1).
A vantagem do uso da unidade número de ondas em cm-1 é que, a exemplo da freqüência () ela é
diretamente proporcional a energia.
5.2 - VIBRAÇÃO MOLECULAR
Os compostos orgânicos são constituídos por átomos ligados entre si através de ligações
covalentes. As ligações entre os átomos são flexíveis, portanto quando falamos em comprimento e
ângulo de ligação, na verdade estamos nos referindo a uma média. Assim, os átomos unidos por
ligação covalente não estão fixos numa determinada posição estando em contínua vibração de tal
forma que existe, dentro de determinados limites variações no comprimento e ângulo das ligações.Um átomo em um sistema de eixos cartesianos apresenta três graus de liberdade representados
pelo seu movimento ao logo dos eixos x, y e z. Portanto, uma molécula com “n” átomos possui 3n
graus de liberdade incluindo translacional, rotacional e vibrações fundamentais. Numa molécula
linear existem 2 graus de liberdade rotacional e 3 translacional e nas moléculas não lineares são 3
graus de liberdade rotacional e translacional. Uma molécula não linear contendo “n” átomos,
existem 3n-6 vibrações fundamentais. Por ex. numa simples molécula de etanol, C2H6O, existem
21 vibrações fundamentais. Na molécula do ácido hexanoico, C6H12O2, existem 54 vibrações
fundamentais.
As vibrações fundamentais são agrupadas em dois tipos básicos que são estiramento e
deformação angular.
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Estiramento: é uma vibração que ocorre ao longo do eixo de ligação resultando em
contínuo alongamento e encurtamento da ligação. Podemos fazer analogia com uma mola em
espiral que se comprime e se estira aproximando e afastando os átomos envolvidos na ligação.
H CH C H C
Considerando uma molécula triatômica, o modo de vibração estiramento pode ser:
Estiramento simétrico: é um modo vibracional onde os dois átomos se afastam e se aproximam
do átomo central ao mesmo tempo.
Estiramento assimétrico: é o modo vibracional onde enquanto um átomo se afasta o outro átomo
se aproxima do átomo central e vice versa.
Deformação angular: é um modo de vibração onde os átomos se movimentam mudando
o ângulo de ligação entre três átomos. Considerando três átomos definindo um plano no espaço,
os átomos podem vibrar movimentando-se sem sair deste plano (deformação angular no plano); ou
podem vibrar movimentando-se para fora do plano (deformação angular fora do plano).
Deformação angular no plano: A vibração no plano pode ser simétrica ou assimétrica. A
deformação angular simétrica ocorre quando dois átomos ligados a um terceiro átomo central se
movimentam em direção oposta um do outro aumentando ou diminuindo o ângulo de ligação. Este
modo vibracional é denominado scissoring. Lembra o movimento de uma tesoura. A deformação
angular assimétrica no plano ocorre quando os átomos se movimentam angularmente no mesmo
sentido em relação a um átomo central. Este modo vibracional é denominado de rocking. É um
movimento análogo de um balanço.
C
H
H
C
H
H
estiramento simétrico estiramento assimétrico
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Deformação angular fora do plano: O modo de vibração angular fora do plano pode também ser
simétrico ou assimétrico. Considerando os três átomos contidos num plano, a deformação angular
simétrica se dá quando os átomos se movimentam um para frente e outro para trás do plano. Este
modo vibracional é denominado de twisting e lembra um movimento de torção. Quando ambos os
átomos se movimentam na mesma direção, para frente ou para trás do plano, a vibração é
assimétrica e denominamos de waging. É um movimento similar de uma trava. Observe que na
figura a seta positiva indica o movimento do átomo para frente do plano da folha e a seta negativa
indica o movimento para trás do plano.
Freqüência de vibração e intensidade de absorção: A energia associada às vibrações
moleculares é quantizada. Lembre que cada nível de energia eletrônica possui vários níveis de
energia vibracional e estas possuem vários níveis de energia rotacional:
C
H
H
C
H
H
scissoring rocking
C
H
H
C
H
H
waging twisting
+
+
+
_
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Assim a diferença de Energia entre dois níveis vibracionais é quantizada e é dada pela
equação E = hυ, onde h é a constante de Planck e υ é a frequência de vibração. As trocas de
energia durante as vibrações moleculares são da ordem de 2,0 a 10,0 Kcal/mol.
Nem toda vibração molecular resulta em absorção de energia Infra-Vermelha. Para que
uma vibração ocorra com absorção de energia IV, o momento dipolar da molécula deverá variar
durante a vibração. Por ex. na vibração de estiramento simétrico da ligação dupla C=C do eteno
não há variação de momento dipolo, portanto esta vibração não absorve radiação IV .
O espectro de Infra Vermelho de uma substância é um gráfico que relaciona a freqüência
de absorção expressa em numero de onda, na região de 4000 cm-1 a 400 cm-1 , das possíveis
vibrações de uma molécula, em função de suas intensidades de absorção. Assim, na interpretação
de um espectro na região do Infra-vermalho, dois parâmetros devem ser analisados: a posição
(freqüência de absorção) e a intensidade da absorção.
A intensidade de absorção no espectro de IV é expressa em % de transmissão da radiação
eletromagnética que atravessa a amostra e está diretamente relacionada com polaridade da
ligação. Portanto quanto mais polarizável for uma ligação, mais intensa será sua absorção. A
intensidade das absorções no espectro de IV depende fundamentalmente das trocas no momento
dipolar da ligação. Quanto maior for a troca no momento dipolar de uma ligação, mais intensa será
a respectiva absorção. Considerando a polaridade das ligações C-O < O-H < N-H < C-H, as
respectivas intensidades seguem a mesma ordem. Por ex. o estiramento da ligação O-H e da
ligação C=O tem alta intensidade porque estas ligações possuem momento dipolar alto. Ligação C-
H, cujo momento dipolar é pequeno, a intensidade do estiramento é muito fraca. Para efeitos de
análise de espectros de IV podemos classificar a intensidade das absorções como sendo forte,
média, fraca, larga e fina. A intensidade de uma absorção também depende do número de ligações
e da concentração da amostra.
A freqüência de absorção de uma determinada ligação química é determinada pela força
da ligação e pela massa reduzida do átomo envolvido na vibração. A equação derivada da lei de
Hooke calcula aproximadamente a freqüência da vibração:
N = número de Avogadro
NK
c.2
1 K = constante de força da ligação
= massa reduzida do átomo
A equação mostra que quanto mais forte for uma ligação e quanto mais leve os átomos envolvidos,
maior a freqüência de vibração de estiramento. Isto nos permite traçar algumas linhas gerais com
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respeito a posição no espectro de IV das bandas de absorção de estiramento das ligações,
considerando alguns efeitos que afetam a freqüência de estiramento das ligações:
1- Massa reduzida dos átomos envolvidos na ligação - Devido que o átomo de hidrogênio é o mais
leve, a vibração de estiramento de ligações com o hidrogênio absorve nas maiores freqüências do
espectro de IV.
2- Efeito da Ordem de Ligação - A ordem de ligação afeta a força de ligação, portanto a posição
(freqüência) de absorção:
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Assim, as bandas de absorção devido ao estiramento destas ligações são esperadas serem
encontradas nas seguintes faixas de freqüências:
C≡C → ~2200 cm-1; C=C → ~1650 cm-1; C-C → ~1200-800 cm-1
C≡N → ~2200 cm-1; C=N → ~1650 cm-1; C-N → ~1200-800 cm-1
C=O→ ~1650-1850 cm-1; C-O → ~1300-800 cm-13 – Efeitos eletrônicos de Ressonância e Indutivo - A deslocalização de elétrons, os efeitos
eletrônicos de grupos visinhos e ligações de hidrogênio afetam significativamente a ordem de uma
ligação covalente. Por ex. o grupo carbonila de uma cetona absorve tipicamente na freqüência de
1715 cm-1. Se, porém, esta carbonila estiver conjugada com uma ligação duplo ou a um anel
aromático, sua freqüência de vibração se desloca para aproximadamente 1690 cm-1. A
deslocalização eletrônica no sistema de elétrons π confere um menor caráter de dupla para a
ligação C=O, tornando-a mais fraca e consequentemente menos energia será necessário para seu
estiramento. Este efeito pode ser ilustrado com as formas de ressonância da butenona. Como uma
ligação simples é mais fraca que uma ligação dupla, um grupo carbonila (conjugado) com
significante caráter de ligação simples, terá freqüência de estiramento menor que uma carbonila
não conjugada.
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butanona for mas de ressonânci a da butenona
A ligação C-O de alcoóis e éteres tem caráter de pura ligação simples e sua freqüência de
estiramento é observada em torno de 1050 cm-1. A ligação C-O nos ácidos carboxílicos, devido o
efeito o efeito de ressonância do par de elétrons não compartilhado do oxigênio, possui um
significante caráter de ligação dupla e sua freqüência de estiramento é observada na região de
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1250 cm-1. A função éster possui dois tipos de ligação C-O, uma etérea (não conjugada) que
absorve em ~1050 cm-1 e uma conjugada a carbonila pela deslocalização do par de eletrons não
compartilhado do oxigenio cuja freqüência de absorção ocorre em torno de 1250 cm-1.
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CH3 O CH2 CH3 ?
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CH3 O CH2 CH3
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CH3 O CH2 CH3
1250 c m-1
4- Efeito da ligação de hidrogênio - O estiramento das ligações O-H e N-H são sensíveis a ligação
de hidrogênio. Por ex. a freqüência de estiramento da ligação O-H livre do 1 hexanol, no espectro
de IV obtido na fase gasosa, é de 3670 cm-1. Numa solução diluída (0,5 M em clorofórmio), parte
dos grupos O-H estão envolvidos em ligação de hidrogênio e a freqüência de estiramento é
deslocada para 3340 cm-1 com alargamento da banda de absorção. O estiramento de grupos O-H
livre residual é observado em 3640 cm-1. O espectro obtido com a amostra concentrada na forma
de filme líquido mostra a freqüência de estiramento do grupo O-H com ligação de hidrogênio em
3325 cm-1. A ligação de hidrogênio enfraquece a ligação O-H, portanto sua freqüência de
estiramento se desloca para valores menores.
A influencia da ligação de hidrogênio pode também ser observada em ouros grupos como por ex
em ácidos carboxílicos, diminuindo significativamente a freqüência de estiramento do grupo
carbonila devido a associação dimérica através de duas ligações de hidrogênio. Um outro exemplo
pode ser observado na molécula de 4-hidroxi-4-metil-2-pentanona.
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5.3 - INTERPRETAÇÃO DE ESPECTROS IV
Os tipos fundamentais de vibração molecular (estiramentos e deformações angulares)
absorvem a energia da radiação eletromagnética IV em distintas regiões de freqüência. Deste
modo, para efeitos de interpretação o espectro de IV pode ser dividido em três regiões:
a) Região dos Grupos Funcionais (4000 cm-1 a 1200 cm-1). Esta é a região onde ocorre a maioria
das vibrações de estiramento das ligações mais representativas dos grupos funcionais das
moléculas orgânicas. Podemos determinar a presença ou ausência de grupos funcionais
analisando essas freqüências de absorção.
b) Região da Impressão Digital (fingerprint) da molécula (1300 cm-1 a 900 cm-1). São absorções
características das deformações angulares. Essa região do espectro é bastante complexa por
apresentar um grande número de bandas de absorção, tal que cada molécula apresenta um
padrão de absorção característico e único, como se fosse uma impressão digital da substância.
Devido esta complexidade fica muito difícil identificar todas as bandas de absorção.
c) Região das deformações angulares fora do plano. É representada principalmente pela faixa de
freqüência que vai de 400 cm-1 a aproximadamente 1000 cm-1. Esta região é muito útil no
diagnostico de acenos e arenos.
A figura xx mostra uma panorâmica das faixas de freqüências usualmente observadas para
vibrações fundamental do tipo deformação angular e estiramento de diferentes ligações
químicas numa molécula orgânica.
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Para que o estudante possa tirar o maior número de informações estruturais na
interpretação de um espectro de IV, é importante seguir um roteiro estratégico como o apresentado
na seguência:
a- Observar primeiramente o grupo de absorções de maior número de onda (> 1600 cm-1) e
tentar propor os grupos funcionais presentes na molécula usando as tabelas de correlação
de frequências, fazendo uma pequena lista de possibilidades. A tabela ....apresenta um
resumo das freqüências de estiramento para os principais grupos funcionais. Listas mais
completas poderão ser consultadas nas referencias.
b- Analisar a região de deformação angular para confirmar ou descartar possibilidades
estruturais.
c- Checar cuidadosamente as informações cruzadas como por ex. uma absorção forte em
1690 cm-1 juntamente com uma absorção bastante larga na região de 3500-3000 cm-1
indica um grupo ácido carboxílico. Já a mesma absorção em 1690 cm-1 com ausência de
absorção na região de estiramento O-H, indica uma função carbonila α,β-insaturada (anel
aromático ou ligação dupla). Uma forte absorção em 1730 cm-1 aliada a uma pequena a
media absorção na região de 2700-2800 cm-1 é um bom diagnostico para a função aldeído.
d- Prestar atenção na ausência de bandas em determinadas regiões do espectro. Por ex. se
não for observada nenhuma absorção na região entre 3000-3700 cm -1 significa que na
molécula não tem grupos hidroxila. Pode também indicar ausência degrupo N-H e de
hidrogênio ligado a carbono sp2 . Ausência de absorções na região entre 1600-1850 cm-1
informa que a molécula não tem função carbonilada.
e- Levar em conta a intensidade da absorção. Sabe-se por exemplo que o estiramento da
ligação C-H resulta uma banda de absorção de fraca intensidade. Portanto se no espectro
for observado uma banda intensa na região de 2820-2990 cm-1 podemos concluir que
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estamos frente a uma porção estrutural hidrocarbonada, e quanto mais intensa for esta
absorção em relação a outras absorções, maior será a cadeia carbonada. Essa informação
tem elevado valor diagnostico na identificação de produtos naturais, onde se pode
distinguir entre as estruturas de um diterpeno e triterpeno através de um espectro de IV
observando as intensidades relativas do estiramento C-H, C=O ou O-H. Se a intensidade
da absorção C-H for maior que C=O ou O-H, trata-se de um triterpeno, se for menor, é um
diterpeno. No entanto, a intensidade das bandas de absorção deve ser analisada com
cautela, pois poder ocorrer consideráveis variações para um mesmo grupo.
f- Atenção a pequenas variações de freqüência. Elaspodem ser causadas pelo modo de se
obter o espectro tal como em filme, pastilha de KBr ou em solução, onde a freqüência de
absorção de alguns grupos são bastante sensíveis ao solvente.
g- Se o espectro for obtido em solução, não se esqueça de subtrair a absorção do solvente.
h- Finalmente, não espere ser capaz de assinalar muitas bandas de absorção no espetro.
Freqüências de absorção características de Grupos Funcionais
Grupo Funcional Ligação Escala de Freqüência cm-1 Intensidade
Hidróxido (álcool) O-H 3200-3700 Forte
Hidróxido
(ác. Carboxílico)
O-H 2500-3300 Forte e Larga
Amina N-H 3300-3500 Média
Alkinil C-H 3150-3300 Média
Alkenil =C-H 3030-3100 Média
Aromatico C-H 3010-3050 Média
Alkil C-H 2850-2980 Fraca
Aldeído =C-H 2680-2720 Média
Nitrilas CN 2200-2260 Média
Alkinil CC 2100-2260 Média
Carbonilas em geral C=O 1630-1850 Muito Forte
Cetonas C=O 1710-1720 Muito Forte
Esteres C=O 1735-1750 Muito Forte
Lactonas C=O 1740-1850 Muito Forte
Ácidos Carboxílicos C=O 1630-1690 Muito Forte
Alkenil C=C 1620-1680 Forte
Aromático C=C 1450-1630 Forte
Álcool, Éter, Ester, Ácido etc. C-O 1250-1050 Forte
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5.4 – ALCANOS
O Espectro de IV dos alcanos é bastante simples. A banda de absorção mais característica
é devido ao estiramento da ligação C-H observada na região entre 2850-2990 cm-1. Por ser uma
ligação de baixíssima polaridade, esta é uma absorção de baixa intensidade. Contudo se a
molécula tiver um grande número de ligações C-H, a intensidade de absorção observada será
maior devido à sobreposição e acúmulo das absorções. Assim, quanto maior o número de ligações
C-H (de grupos metil {CH3}, metileno {CH2} e metino {CH}) mais intensa será a absorção nesta
região. Outra banda de absorção importante observada na região de 1400 cm-1 é resultado das
vibrações tipo deformação angular.
O diagnostico de um alcano vem da observação de um grupo de absorções na região de
2830-2990 cm-1 com a ausência de outras absorções acima de 1500 cm-1. Observe no espectro IV
do n-hexano as múltiplas absorções entre 2850-2980 cm-1 característico do estiramento C-H, e em
1465 cm-1 absorção devido a deformação angular dos grupos metileno. A absorção em 1380 cm-1 é
atribuída a freqüência de deformação angular do grupo metil.
Todo o composto orgânico que possuir uma cadeia hidrocarbonada alifática em sua
estrutura irá apresentar em seu espectro de IV também as absorções características de alcanos.
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5.5 - ALCENOS
Os alcenos são identificados no espectro de IV através das freqüências de absorção
devidas ao estiramento das ligações C=C e =C-H. Analisando o espectro de IV do 2-ciclohexeno,
observam-se as freqüências de absorção características do estiramento da ligação =C-H
representada pela fina banda de absorção em 3040 cm-1 e da ligação C=C em 1640 cm-1. As
absorções em 995 cm-1 e 908 cm-1 são atribuídas a deformação angular fora do plano típicas de
alcenos monosubstituidos. Além disso, estão presentes as bandas de absorção na região do
estiramento e deformação angular C-H da porção saturada da molécula.
Uma análise cuidadosa das freqüências de absorção referente a deformação angular fora
do plano da ligação =C-H orienta na determinação do padrão de substituição dos alcenos:
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Padrão de
substituição do
alceno
monosubstituido di-geminal di-cis di-trans trisubstituido
Freqüência de
deformação
angular =C-H
905-920 cm-1
e
985-1000 cm-1
885-895 cm-1
680-730 cm-1
960-970 cm-1
790-840 cm-1
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Os espectros de IV do ciclohexeno e do 2-metil-2-buteno ilustram a deformação angular
fora do plano da ligação =C-H de alcenos cis-disubstituidos e trisubstituidos representados pelas
freqüências de absorção em 730 cm-1 e 802 cm-1 respectivamente.
5.6 - ALCINOS
O estiramento da ligação ≡C-H que caracteriza os alcinos terminais está representada por
uma intensa e fina banda de absorção próximo de 3300 cm-1. O estiramento da ligação C≡C pode
ser observado em 2150 cm-1 no espectro de IV do 1-hexino. Note que também são observadas as
freqüências de estiramento e deformação angular das ligações C-H dos carbonos sp3, absorções
características da porção saturada da cadeia.
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5.7 - HIDROCARBONETOS AROMÁTICOS
Os compostos aromáticos são caracterizados no espectro de IV pelas freqüências de
estiramento das ligações C-H e C=C aromática observadas nas regiões de 3000-3090 cm-1 (2 a 3
bandas de intensidade média) e 1500-1600 cm1 (2 a 3 bandas de intensidade média a alta)
respectivamente. Também é característico de compostos aromáticos fortes bandas de absorção
resultantes de deformação angular C-H fora do plano do anel aromático que são observadas a
baixas freqüências na região de 670-900 cm-1. O espectro de IV do tolueno mostra absorções
típicas de anel aromático representadas pelo estiramento C-H aromático em 3028 cm-1, 3060 cm-
1,3075 cm-1, C=C aromático em 1490 cm-1e 1605 cm-1, deformação angular fora do plano do anel
aromático em 696cm-1e 730 cm-1 , além de estiramentos e deformação angular das ligações C-H
do grupo metil.
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Uma análise cuidadosa da região de freqüência das deformações angulares fora do plano
do anel aromático fornece importantes informações na determinação do padrão de substituição dos
anéis aromáticos. Por exemplo, aromáticos monossubstituídos apresentam duas fortes bandas de
absorção entre 730-680 cm-1. Veja a indicação no espectro de IV do tolueno. Um aromático o-
dissubstituido, como por exemplo o orto-xileno, apresenta apenas uma forte absorção na região de
735-770 cm-1. Já num aromático p-dissubstituído, esta absorção é deslocada para a região de 790-
860 cm-1.
O espectro de IV da benzonitrila apresenta as bandas de absorção devidas aos
estiramentos C-h e C=C aromáticos, as duas bandas de deformação angular fora do plano do anel
aromático em 1770 cm-1 e 1690 cm-1 tipicas de um anel aromático monosubstituido. O espectro
também destaca o estiramento da ligação ≡C-H em 3300 cm -1 e C≡C em 2100 cm-1 caracteristicos
de Alcino termial.
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5.8 - ÁLCOOIS
As bandas de absorção que caracterizam os alcoóis são aquela devido ao estiramento da
ligação O-H na região de 3200-3700 cm-1 e da ligação C-O entre 1000 e 1280 cm-1. A posição e a
intensidade da absorção do estiramento da ligação O-H depende da extensão em que estes
grupos estão envolvidos em ligações de hidrogênio. Grupo OH livre de alcoóis e fenóis absorve em
3600-3650 cm-1 como uma banda fina e de média intensidade. A medida que o grupo OH compõe
um sistema com ligação de hidrogênio, a ligação O-H se torna mais fraca necessitando de menosenergia para o estiramento, que, portanto ocorre em menores freqüências. Outra conseqüência da
ligação de hidrogênio é o significativo alargamento e aumento de intensidade da respectiva banda
de absorção. Na pratica observa-se a variação de freqüência na banda de absorção do
estiramento OH em função da concentração e do solvente em que o espectro IV for obtido. Note
que quanto mais concentrada for a amostra maior a extensão de formação de ligações de
hidrogênio entre as moléculas de álcool. Solventes polares também fazem pontes de hidrogênio
com o álcool.
No espectro de IV do etanol, observa-se o estiramento OH em 3340 cm-1 como uma
banda larga e intensa. Este perfil indica que o espectro IV foi obtido com a amostra concentrada na
forma de filme líquido. O estiramento C-O aparece em 1050 cm-1. A banda pontilha em 3650 cm-1
ilustra a absorção do grupo OH livre do etanol na fase gasosa.
Uma análise comparativa dos espectros de IV do ciclohexanol e do fenol, obtidos na forma
de filme líquido, permite facilmente identificar as bandas de absorção de alto valor diagnóstico para
ambos compostos. Nos dois espectros, é inconfundível a banda larga e intensa do grupo O-H
envolvido em ligação de hidrogênio. O estiramento C-H já começa a fazer a diferença entre o
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composto alifático e aromático. O estiramento C-O também faz a diferença, no ciclohexanol é
observado tipicamente em 1050 cm-1. No entanto, no fenol, devido o envolvimento do par de
elétrons não compartilhado do oxigênio na ressonância do anel aromático, a ligação C-O adquire
certo caráter de ligação dupla, necessitando de uma maior freqüência de estiramento o que é
observado em 2220 cm-1. Além disso, o espectro de IV do fenol mostra claramente três bandas de
absorção de estiramento C=C aromática e duas bandas em 1690 e 1770 cm-1 resultantes de
deformações angulares fora do plano da ligação C-H aromática, diagnóstico de anel aromático
nonossubstituído.
OH OH OH OH OH
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lig. com carater "pi"
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5.9 - ÉTERES
Éteres são facilmente diagnosticados pela ausência de absorção devido ao estiramento
OH e a presença de uma forte absorção referente ao estiramento da ligação C-O que aparece em
1130 cm-1 no espectro de IV do éter etílico. Como em todo composto orgânico que possui cadeia
alifática, observa-se ainda as absorções referentes às freqüências de estiramento e deformação
angular da ligação C-H.
No espectro de infra-vermelho do éter dietilico podemos observar a forte banda de
absorção da ligação C-O na região de 1100 cm-1.
5.10 - ALDEÍDOS E CETONAS
O estiramento da ligação dupla C=O do grupo carbonila mostra uma forte absorção muito
característica na região de freqüência entre 1630-1810 cm-1. Absorção intensa nesta região é um
diagnóstico bastante seguro da presença do grupo carbonila na molécula. Várias funções da
química orgânica possuem em suas estruturas o grupo carbonila como cetonas, aldeídos, ácidos
carboxílicos e seus derivados (ésteres, amidas, lactonas, anidridos, haletos de ácido etc)
A freqüência de vibração da ligação C=O é muito sensível ao ambiente químico do grupo
carbonila. Assim cada função orgânica que tem o grupo carbonilada em sua estrutura absorve
numa região bastante restrita e específica de freqüência devido ao estiramento da ligação C=O da
carbonila. Cetonas alifáticas normais, como por exemplo a 2-pentatona, absorvem tipicamente em
1715 cm-1 devido ao estiramento da ligação C=O.
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A freqüência de estiramento do grupo carbonila é perturbada por três fatores: a)
incorporação da carbonila em pequenos anéis, tais como de cinco, quatro e três membros,
aumenta a freqüência de estiramento do grupo carbonila; b) conjugação com ligação dupla ou anel
aromático diminui a freqüência de estiramento do grupo carbonila; c) grupos substituintes
retiradores ou doadores de elétrons por efeito indutivo na posição α-carbonila perturbam a
freqüência de absorção de estiramento da carbonila. Grupos doadores de elétrons sobre a
carbonila estabilizam a estrutura iônica contribuidora de ressonância aumentando, assim o caráter
sigma da ligação dupla C=O o que diminui sua freqüência de estiramento. Grupos retiradores de
elétrons têm o efeito oposto. Para um maior entendimento destes efeitos, recordamos aqui alguns
aspectos estruturais. A estrutura do grupo C=O é um hibrido da contribuição de duas formas de
ressonância:
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A força da ligação C=O e consequentemente a freqüência de estiramento depende do quanto a
forma iônica (ligação simples C-O) contribui para o hibrido de ressonância em estruturas
carboniladas. Ou seja, quanto maior o caráter de ligação simples da carbonila (mais fraca a
ligação) menor a freqüência de estiramento.
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Em cetonas cíclicas com anéis menores de seis membros existe um aumento da tensão
angular tendo como conseqüência um encurtamento da ligação C=O. Um grupo carbonil normal
está sp2 hibridizado e o ângulo das ligações é de 1200. A ligação dupla C=O é constituída de uma
ligação “π” e uma ligação. A ligação “σ” C-O tem 33% de caráter “s”. Num anel de 5 membros o
ângulo de ligação é de 1080, no de quatro membros é de 900 e no de 3 membros é de 600. Com a
diminuição do ângulo a ligação C-C adquire maior caráter “p” e a ligação sigma C-O
corespondentemente um maior caráter “s”. Isto torna a ligação C=O mais curta e mais forte. O
resultado deste efeito é o deslocamento da absorção da carbonila para freqüências maiores. Veja
os valores referência para carbonilas em anel de sei, cinco, quatro e três membros:
O O O O
1715 cm-1 1748 cm-1 1783 cm-1 1850 cm-1
Quando o grupo carbonila está conjugado com uma ligação dupla ou anel aromático, a
freqüência de absorção se desloca para números de onda menores. Isto ocorre porque com a
conjugação, a ligação dupla C=O adquire certo caráter de ligação simples (torna-se mais fraca)
necessitando, portanto, uma menor freqüência de estiramento. As formas de ressonância da
estrutura de uma cetona conjugada ilustra este fenômeno mostrando a contribuição de uma
estrutura com ligação dupla C=O e de duas estruturas com ligação simples C-O:
Veja no exemplo do espectro de IV da 2-ciclohexenona onde a carbonila absorve em 1690 cm-1.
estão presentes também uma pequena absorção devido o estiramento C-H olefínico em 3070 cm-1
e o estiramento C=C em 1617 cm-1 que está quase encoberto pela banda da carbonila. No ciclo
pentenona e 1-indanona, por exemplo, observam-se os dois efeitos: por um lado a contração do
anel aumenta a freqüência de absorção da carbonila por outro a conjugação diminui a freqüência
de estiramento C=O. Uma extensão na conjugação da carbonila leva uma maior diminuição na sua
freqüência de absorção como ilustrado com o cinamaldeído onde o grupo C=O absorve em 1678
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cm-1. Porém, se a carbonila não estiver conjugada, sua posição no espectro de IV é determinada
somente pelo tamanho do anel como mostrado para 2-indanona e 2-tetralona:
O
OO O
O
1690 cm-1 1710 cm-1 1712 cm-1 1750 cm-1
ciclohexenona ciclopentenona 1-indanona 2-indanona
?
C ?
?
1715 cm-1 1683 cm-1 1678 cm-1
2-tetralona 1-tetralona cinamaldeido
Analisando agora o espectro de 1-fenil-2-butanona já podemos atribuir um maior número
de bandas de absorção as quais nos fornecem importes informações estruturais tais como a
presença de C-H aromático e alifático bem como as bandas aromáticas oriundas do estiramento
C=C indicando uma estrutura com anel aromático ligado a uma cadeia alifática saturada. As duas
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fortes bandas em 730 e 780 cm-1 indica que o anel aromático é monosubstituido e a carbonila em
1715 define a função cetona na cadeia alifática e que está a pelo menos um grupo metileno
distante do anel aromático.
Nos aldeídos o grupo carbonila absorve tipicamente em 1730 cm-1, 15 cm-1 a mais que nas
cetonas. Isto ocorre devido ao efeito doador de elétrons do grupo alquil: nas cetonas são dois
grupos alquila doando elétrons para a carbonila, nos aldeídos é apenas um grupo alquil. Portanto
nos aldeídos o contribuidor de ressonância estrutura iônica está menos estabilizado que nas
cetonas e sua freqüência de absorção será levemente maior. No entanto o diagnostico de aldeído
é feito pela presença da banda de absorção de carbonila juntamente com a presença de duas
bandas de absorção na região de 2680 cm-1 a 2820 cm-1 como resultado do estiramento da ligação
C-H do grupo aldeído. O espetro de IV do pentanal mostra as absorções de estiramento C=O em
1730 cm-1, C-H aldeído em 2725 cm-1 e 2827 cm-1 entre as absorções devido a cadeia alquilica
saturada como o estiramento da ligação C-H alifatica. No benzaldeído o estiramento da carbonila
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é observado em 1696 cm-1, 34 cm-1 a menos que o normal divido a conjugação da carbonila com o
anel aromático. As duas bandas em 2827 cm-1 e 2745 cm-1 são atribuídas ao estiramento da
ligação C-H aldeído. Observa-se também as demais absorções devidas as vibrações da estrutura
aromática.
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C=O em 1705 cm-1 e C-O em 1200
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5.11 - ÁCIDOS CARBOXÍLICOS E DERIVADOS
Os ácidos carboxílicos no estado sólido ou líquido ou mesmo em solução apresentam-se
na forma dimérica devido a formação de duas fortes ligações de hidrogênio intermolecular entre o
grupo hidróxi de uma molécula com a carbonila de outra. Deste arranjo geométrico resulta num
significativo alargamento e deslocamento da banda de absorção do estiramento da ligação O-H
para freqüências menores que aquelas dos alcoóis. Assim, o espectro de IV dos ácidos
carboxílicos tem como característica uma intensa e muito larga banda de absorção cobrindo a
região entre 2400 e 3400 cm-1, sobrepondo-se muitas vezes ao estiramento de ligações C-H de
grupos alquilas, aromáticos e olefinas. O mesmo ocorre com o estiramento da ligação C=O, que é
observado na região de 1680-1725 cm-1 sendo caracteristicamente mais larga que a de aldeídos e
cetonas. No entanto, na fase gasosa não ocorre o arranjo dimérico com os ácidos carboxílicos e o
estiramento dos grupos hidroxi e carbonila livres ocorrem em freqüências maiores como bandas
finas. O espectro de IV do ácido propanóico ilustra este fenômeno mostrando as largas bandas de
absorção dos grupos O-H centrado em 3000 cm-1 e C=O em 1695 cm-1 correspondente a forma
dimerica. Na fase gasosa onde temos somente monômeros, o estiramento O-H é observado em
3580 cm-1 e C=O em 1785 cm-1 em forma de bandas finas como mostra a parte pontilhada do
espectro. Observe que o estiramento C-H alifático está praticamente encoberto pela absorção O-H
do dímero. Nos ácidos carboxílicos o estiramento da ligação C-O também está deslocado para
uma freqüência maior em relação aos alcoóis e está representada no espectro IV do ácido
propiônico pela absorção em 1200 cm-1. O par de elétrons não compartilhado do oxigênio está em
ressonância com a carbonila deixando a ligação C-O com certo caráter de dupla.
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Entre os fatores que afetam a freqüência de estiramento do grupo carbonila está o efeito
eletrônico dos grupos substituintes. Um heteroátomo (O, N ou halogênio) ligado a carbonila pode
aumentar ou diminuir a freqüência de estiramento C=O dependendo se o efeito eletrônico
predominante for de retirar elétrons por efeito indutivo ou de doar elétrons por efeito de
ressonância. O efeito eletrônico predominante dos haletos nos haletos de ácidos é o forte efeito
indutivo de retirar elétrons. Considerando que na estrutura da carbonila existe a contribuição de
duas formas de ressonância, a presença do halogênio retirador de elétrons torna a forma iônica
menos estável (contribui menos) deixando a ligação C=O da carbonila com mais caráter de dupla
(comparado com a das cetonas), mais forte, necessitando de maior freqüência (energia) para o
estiramento. A freqüência de absorção devido ao estiramento da carbonila nos haletos de acido
segue a eletronegatividade do halogênio: 1860 cm-1 (Fluoretos), 1800 cm-1 (cloretos e brometos).
O efeito eletrônico predominante do oxigênio nos ésteres é também de retirar elétrons por
efeito indutivo, porém mais fraco que nos haletos. Isto resulta, como já sabemos, numa ligação
C=O com maior caráter de dupla (mais forte) e absorverá em freqüência maior que as
correspondentes cetonas. Por outro lado, considerando o efeito eletrônico do oxigênio de doar
elétrons por ressonância, a ligação C-OR terá um maior caráter de ligação dupla e sua freqüência
de estiramento se desloca para valores maiores que as correspondentes nos alcoóis e éteres.
Tipicamente a freqüência de estiramento da ligação C-OR nos alcoóis e éteres é 1050 cm-1 e a
correspondente nos ácidos carboxílicos e ésteres é 1250 cm-1. O espectro de IV do butanoato de
etila ilustra muito bem estas absorções característica de diagnostico de ésteres. Os estiramentos
da função éster são observados em 1740 cm-1 (C=O), 1200 cm-1 (O-CO) e 1100 cm-1 (C-OR).
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Com o átomo de nitrogênio ligado a carbonila acontece o contrário. Seu efeito
predominante é de doar elétrons por ressonância, estabiliza a forma iônica que contribuirá mais
para o hibrido de ressonância. Desta forma, nas amidas, a ligação C=O tem mais caráter de
simples, mais fraca, e sua freqüência de estiramento se desloca para valores menores (menos
energia de estiramento) em relaçãoàs cetonas. No espectro de IV da N,N-dimetil propanamida o
estiramento C=O é observado em 1648 cm-1. Semelhantemente aos ésteres, nas amidas são
observadas duas bandas de absorções de estiramento C-N, a conjugada NA REGIÃO DE 1090-
1230 cm-1. Também são observadas pequenas absorções na região de 3400 a 3700 cm-1 devido
ao estiramento das ligações N-H.
Observe que no espectro de IV de uma amida secunndária aparece apenas uma absorção
devido ao estiramento N-H, numa amida primária aparecem duas absorções devido aos
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estiramentos das ligações N-H do resíduo -NH2. Por outro lado, em amidas terciárias como no
espectro acima, não é observado nenhuma absorção na região de N-H.
5.12 - AMINAS