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TEORIA PSICANALÍTICA 
 
 
MÓDULO 0 
 
 
APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA 
 
Organização do material:
 
A disciplina contempla a apresentação dos fundamentos históricos e epistemológicos da 
teoria psicanalítica de Sigmund Freud. Serão transmitidos os pressupostos da teoria, da 
técnica e da investigação científica no campo da Psicanálise, assim como serão 
estudados os conceitos articulados ao método psicanalítico e à ética da psicanálise. Com 
isto, visa-se a compreensão das experiências humanas contemporâneas à luz da 
produção psicanalítica atual. 
 
O material poderá ser utilizado como orientação para seu estudo e como complemento 
das atividades realizadas nas aulas presenciais.
 
O programa da disciplina está distribuído em 8 módulos, que devem ser estudados ao 
longo do semestre letivo. Alguns tópicos serão objeto de avaliação na NP1 (Módulos 1 a 
4) e outros serão avaliados na NP2 (Módulos 5 a 8).
 
Sugerimos que você siga a ordem abaixo apresentada, ao planejar seu estudo, uma vez 
que os temas mantêm entre si uma relação lógica.
 
 
Modulo 1:
 
O nascimento da Psicanálise e a constituição de seu objeto de estudo.
Insuficiência do modelo médico no tratamento da histeria.
Os primórdios da psicanálise – do trauma à fantasia, da hipnose à associação livre e da 
catarse à elaboração psíquica. 
Módulo 2:
 
A descoberta do inconsciente: repressão; resistência e formação de sintomas.
A teoria dos sonhos e a psicopatologia da vida cotidiana. 
A primeira tópica freudiana - sistemas: Inconsciente, Pré-Consciente e Consciente.
Módulo 3:
 
A segunda tópica freudiana: id, ego e superego.
Teoria das Pulsões - Pulsões e sexualidade.
Pulsão de vida e pulsão de morte
 
Módulo 4:
 
A teoria da sexualidade.
A evolução da libido.
As zonas erógenas e as pulsões.
 
Módulo 5:
 
A teoria da sexualidade: o complexo de Édipo e a sua dissolução.
 
Módulo 6:
 
A psicanálise na clínica. 
O surgimento da transferência.
A descoberta do Narcisismo.
 
Módulo 7:
 
Psicanálise na clínica: a atitude frente à castração: neuroses, psicoses, perversões. 
O trabalho analítico - Considerações sobre o objetivo e o final de uma análise.
 
Módulo 8:
 
Psicanálise e sociedade: a psicologia das massas; a identificação; o ideal do ego.
A compreensão da vida em grupo a partir do referencial psicanalítico. 
 
Cada Módulo contempla a apresentação do tema a ser estudado, as leituras necessárias 
e exercícios de verificação da aprendizagem. Os temas só poderão ser minimamente 
apreendidos em sua complexidade se forem realizadas as leituras indicadas, pois este 
material servirá como um roteiro para organizar seus estudos e permitir que avance em 
sua formação acadêmica.
Nos textos apresentados em cada conteúdo, você encontrará exercícios que tem como 
função auxiliá-lo na compreensão do tema.
O presente conteúdo, por se tratar da apresentação do curso, não inclui exercícios. 
 
 
Bibliografia:
 
A Bibliografia apresentada a seguir relaciona as obras consideradas importantes para o 
estudo dos temas, assim como indicações de fontes eletrônicas que serão úteis em seus 
estudos. Em cada módulo, serão indicados os trechos específicos que devem ser lidos.
 
Bibliografia Básica:
FREUD, S. Edição Standard das Obras Completas. Rio de Janeiro: Ed. Imago, 1969.
KEHL, M. R. Sobre ética e psicanálise. São Paulo: Companhia das Letras, 
2002.
ROUDINESCO, E.; PLON, M. Dicionário de Psicanálise. Rio de Janeiro: Ed. 
Jorge Zahar, 1998.
 
Bibliografia Complementar:
GAY, P. Uma vida para nosso tempo. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.
MEZAN, R. Psicanálise e Psicoterapia. In: A Vingança da Esfinge, Ensaios de 
Psicanálise. São Paulo: Editora Brasiliense, 1988.
QUINODOZ, J. M. Ler Freud: guia de leitura da obra de S. Freud. Porto 
Alegre: Artmed, 2007.
ROUDINESCO, E. A sociedade depressiva, In: ROUDINESCO, E. Por que a 
psicanálise? São Paulo: Jorge Zahar Editor, 2000.
SOUZA, P. C. As palavras de Freud: o vocabulário freudiano e suas 
versões. São Paulo: Cia das Letras, 2010.
 
Endereços eletrônicos para pesquisa na área:
Scielo: http://www.scielo.br/scielo.php/script_sci_home/lng_pt/nrm_iso
Pepsic: http://pepsic.bvs-psi.org.br/scielo.php/lng_pt
SBPSP: http://www.sbpsp.org.br 
TEORIA PSICANALÍTICA 
MÓDULO 1
O nascimento da Psicanálise e a constituição de seu 
objeto de estudo.
A insuficiência do modelo médico no tratamento da 
histeria.
Os primórdios da psicanálise – do trauma à fantasia, 
da hipnose à associação livre e da catarse à 
elaboração psíquica.
 
Bibligrafia:
BRENNER, C. Duas hipóteses fundamentais. In: 
Noções Básicas de Psicanálise. Rio de Janeiro: Ed. 
Imago, 1975.
FREUD, S. História do Movimento Psicanalítico (1914). 
In: Obras Completas de S. Freud. (volume XIV) Rio de 
Janeiro: Imago Editora Ltda, 1969.
______. Cinco Lições de Psicanálise: Primeira Lição 
(1912). In: Obras Completas de S. Freud (volume XI), 
Rio de Janeiro: Imago Editora Ltda.GAY, P. Freud, uma 
vida para nosso tempo. São Paulo: Companhia das 
Letras, 1989.
QUINODOZ, J. M. Ler Freud: guia de leitura da obra 
de S. Freud. Porto Alegre: Artmed, 2007.
ROUDINESCO, E. ; PLON, M. Dicionário de 
Psicanálise. Rio de Janeiro: Ed. Jorge Zahar, 1998.
______. A sociedade depressiva. In: Por que a 
psicanálise? São Paulo: Jorge Zahar Editor, 2000. 
A Psicanálise constitui-se como um método de 
investigação dos processos inconscientes e foi criada no 
final do século XIX por Sigmund Freud. A construção, 
história e percurso desta teoria se mantêm ligada à vida 
de Freud, já que foi este neurologista austríaco o 
responsável por sua invenção e desenvolvimento 
(QUINODOZ, 2007).
Sua origem é decorrente de um momento histórico e 
social em que as circunstâncias permitiram o surgimento 
de uma teoria e de uma prática que tentasse abarcar os 
aspectos especificamente psicológicos de determinados 
fenômenos, dada a insuficiência de outras tentativas 
para explicá-los, ou seja, os fenômenos da conversão 
histérica representavam um desafio à ciência, já que a 
medicina não conseguia explicar sua origem, sendo de 
extrema importância compreender e tratar os fenômenos 
psicopatológicos. 
 
E, se estamos aqui fazendo uma constante ligação entre 
fenômenos históricos, sociais, culturais e psicológicos, 
há que se tomar como ponto pacífico o fato de a histeria, 
ou mesmo qualquer afecção, não ser considerada como 
um suposto mau funcionamento de um organismo, 
tomado isoladamente (é justamente de uma perspectiva 
organicista que se pretende distanciar-se). As oposições 
ou divergências entre um mundo interno (objeto de 
estudo da Psicanálise) e um externo não se restringem a 
buscar um argumento que justifique e comprove a 
supremacia de um sobre o outro, como em certas 
disputas estéreis sobre o que determinaria a vida 
humana: o dado objetivo ou o subjetivo.
O que se propõe aqui para pensar a questão da 
constituição de um conhecimento (investigação e 
tratamento) que tem como objeto o mundo interno será 
talvez algo mais próximo de uma constante reflexão, 
dado que no que diz respeito à condição humana o 
objeto, ao ser apreendido pela percepção, é 
transformado em realidade vivida subjetivamente e seria 
necessário elucidar que processos e elementos 
psíquicos estão em jogo nesta transformação. O que se 
coloca como ponto de partida para as investigações 
psicanalíticas é a ausência de uma compreensão dos 
aspectos especificamente psíquicos que permeiam a 
relação sujeito/objeto (ROUDINESCO, 2000).
 
A histeria faz parte de um grupo de acepções que estão 
diretamente ligadas ao nascimento da Psicanálise, pois 
a investigação e o tratamento deste tipo de neurose, a 
partir de uma compreensão dos fatores psíquicos, foi o 
ponto de partida de Freud na construção de um 
arcabouço teórico que permitisse escutar as histéricaspara além dos sintomas que tanto alarde causavam. 
Pela escuta das histéricas, Freud criou a psicanálise e 
desenvolveu a teoria que a sustenta, por meio de uma 
prática clínica que vai delineando seu método 
terapêutico e, assim, define sua ética. 
Ao pensar a questão do mundo interno estamos às 
voltas com o problema da dicotomia sujeito/objeto, que é 
tema ainda de discussões em diversas disciplinas, 
desde o século XVI com Descartes. 
A perspectiva científica que pretende colocar seus 
objetos de estudo como tendo uma realidade em si 
mesmos, constituídos como objetos da natureza, 
pensará o sujeito como aquele que é dotado de uma 
consciência e de uma razão que lhe conferem o poder 
de dominar e controlar (consciente e racionalmente) a 
Natureza e seus objetos e inclusive a si mesmo.
No entanto, como explicar quando este sujeito mostra 
falhas, justamente, nesta capacidade de dominar e 
controlar a realidade externa e a si mesmo? E mais: o 
que fazer quando os recursos científicos disponíveis 
(físico-químicos e anátomo-patológicos) não conseguem 
nem oferecer uma explicação, nem uma ação 
condizente com os problemas surgidos da relação de um 
dado sujeito com o mundo externo?
Será a partir de uma preocupação com os conflitos e 
sofrimentos que adquiriram uma conotação patológica 
que surgirá a Psicanálise, enquanto uma terapêutica e 
uma teorização capazes de oferecer uma nova visão 
sobre o homem, seu psiquismo e suas relações com o 
mundo externo.
A Psicanálise se colocará como um campo de 
conhecimento dedicado exclusivamente aos fenômenos 
psíquicos (o que não exclui as relações deste com o 
mundo externo), asseverando sempre a importância de 
se buscar uma explicação para aquelas manifestações 
propriamente humanas – comportamentos, afetos e 
pensamentos – que pareciam contradizer certa noção de 
homem como ser racional, capaz de dominar a si 
mesmo e ao mundo única e exclusivamente através da 
consciência (ROUDINESCO, 2000). 
É deste confronto entre uma concepção de homem dono 
e senhor de si mesmo e o que a experiência clínica com 
as histéricas mostrava sobre a fragilidade da condição 
humana, que tem origem o primeiro dos alicerces da 
teoria psicanalítica: o conceito de inconsciente. 
Com isto, Freud lança uma das primeiras polêmicas que 
a Psicanálise terá com o mundo científico e filosófico, 
pois aquilo sobre o que se julgava ter domínio, os 
próprios pensamentos, idéias e comportamentos e que 
serviam como instrumento para controlar o incontrolável 
– os afetos, afinal de contas, estaria determinado pelo 
inconsciente, por algo fora do controle consciente. 
Assim o psíquico não coincide, para a Psicanálise, com 
o consciente; a vida mental ou o mundo interno ganham 
uma nova acepção e uma nova dimensão, que exigiu 
uma teorização e abordagem dos fenômenos 
psicológicos específicas.
As idéias de Freud, desenvolvidas entre final do século 
19 e início do século 20 marcaram o pensamento 
contemporâneo. 
 
 
EXERCÍCIO
O trecho abaixo foi retirado do livro “Por que a 
Psicanálise?” de Elisabeth Roudinesco (2000): 
“Os cientistas sempre consideraram a 
psicanálise uma hermenêutica. Longe 
d e c o n s t r u i r u m m o d e l o d o 
comportamento humano, a doutrina 
freudiana seria, a acreditarmos neles, 
apenas um sistema de interpretação 
literária dos afetos e dos desejos. 
Conviria, portanto, quer excluí-la do 
campo da ciência, junto com as outras 
disciplinas que não dependem da 
experimentação, quer repensar a 
organização de todos esses campos 
(antropologia, sociologia, história, 
lingüística, etc.) em função de uma 
“ciência cognitiva”, a única capaz de 
fazê-los entrar na categoria de 
“ciência verdadeira” (ROUDINESCO, 
2000; P. 113)
 
Podemos dizer que a psicanálise:
A. É uma especialidade da medicina, uma vez que 
surgiu como tratamento alternativo para a cura da 
histeria.
B. É uma especialidade da psicologia, uma vez que 
surgiu como uma das técnicas possíveis de 
psicoterapia na área da psicologia clínica.
C. É uma teoria e uma prática sem caráter científico, 
uma vez que seus pressupostos não são 
comprováveis por pesquisas.
4. É uma teoria e uma prática que só poderá ser 
confiável quando seus pressupostos forem 
comprovados por pesquisas que incluam um 
número significativo de sujeitos.
5. É uma teoria construída a partir da experiência 
clínica e, ao mesmo tempo, uma prática de 
investigação e uma terapêutica, que encontra 
também um lugar como um saber que pode ser útil 
na leitura do social. 
 
Resposta E.
 
A Psicanálise é a primeira teoria sobre o psiquismo que 
se originou diretamente da prática clínica, fazendo 
coincidir investigação e tratamento. Foi com a 
descoberta da linguagem como instrumento primordial 
para a abordagem dos conflitos psíquicos e seus 
sintomas que dá à Psicanálise mais este caráter 
inovador na compreensão dos fenômenos psíquicos: ao 
oferecer a possibilidade de dar palavras ao afeto e, com 
isto, propondo que os sintomas poderiam ser 
substituídos por outras saídas, a Psicanálise propicia o 
surgimento de um novo objeto e campo de atuação para 
a Psicologia: o mundo interno e o trato com sofrimento 
psicológico, a partir de uma perspectiva estritamente 
psicológica sem intermediação de quaisquer recursos 
objetivos, contando explicitamente com as interações 
psíquicas humanas (GAY, 1989).
 Isto ocorre a partir de 1882 quando Freud estimulado 
pelo trabalho de Breuer interessa-se pela sugestão e 
hipnose no tratamento da sintomatologia atribuída à 
histeria. Joseph Breuer teve um papel fundamental no 
nascimento da psicanálise e forneceu a Freud a técnica 
que este utilizaria em sua clientela. Contudo, o espírito 
investigativo de Freud, fez com que logo se afastasse 
desta técnica, bem como do método catártico, 
substituindo-as pela técnica de associação livre.
Os “Estudos sobre a histeria” (1895) é o resultado de 10 
anos de trabalhos clínicos desenvolvidos de Freud e 
Breuer; neste trabalho os autores fazem descrição 
detalhada do tratamento de cinco pacientes. Com esta 
publicação encerra-se colaboração entre estes autores, 
em que o fator precipitante para o encerramento da 
parceria foi a discordância de Breuer em relação a 
Freud, já que este último insistia na importância de 
fatores sexuais na etiologia da histeria (QUINODOZ, 
2007). 
 
O que contribuiu, em grande parte para que a 
Psicanálise pudesse ser compreendida como um 
instrumento que pode explicar fenômenos psicológicos 
ditos normais foi o trabalho de análise dos sonhos. É 
com a “Interpretação dos sonhos”, publicada em 1900, 
que Freud com a sua Psicanálise pode pensar em 
chamar a atenção de pessoas interessadas não mais só 
em tratar neuroses, mas de todos que tivessem algum 
interesse na alma humana, agora vista sob uma 
perspectiva dos fenômenos psíquicos enquanto um 
campo aberto à investigação científica. Nesta obra Freud 
promove uma grande ruptura na forma de abordar e 
compreender o homem, pois a ciência apenas se 
preocupava com o homem em sua dimensão consciente. 
O próprio Freud refere o conceito de inconsciente e a 
formulação de que “o homem não é senhor em sua 
p róp r ia morada” equ ipa rando-a às quebras 
parad igmát icas decor rentes da mudança do 
teocentrismo ao heliocentrismo e ao choque da teoria 
evolucionista darwiniana. 
Um conceito central e seu correlato no campo da prática 
clínica - a transferência - junto com o conceito 
psicanalítico que articula num só termo o psíquico e o 
somático - a pulsão - formam as bases do pensamento 
freudiano que se construiu ao longo de quarenta anos de 
produção e sempre reconhecendo a necessidade de 
constantes revisões e ampliações. Podemos dizer que 
Freud descortinou um horizonte a partir do qual puderam 
surgir outras teorias psicológicas que, emdiferentes 
graus, procuraram rever, ampliar e mesmo modificar 
radicalmente (a ponto de não mais poderem ser 
designadas como psicanálise) os pressupostos teóricos 
e as técnicas que deles podem surgir. Os oponentes ou 
dissidentes da Psicanálise podem ser agrupados como 
aqueles que romperam formalmente com um ou mais 
dos alicerces da Psicanálise (inconsciente, transferência 
e pulsão), no entanto buscavam e ainda buscam 
confirmar a existência de um mundo interno, passível de 
investigação e intervenção.
 
Como podemos depreender de nossas afirmações, ao 
tomarmos o enfoque teórico psicanalítico enveredamos 
à invest igação do fenômeno psicológico em 
profundidade, indo além das explicações físico-químicas 
ou anátomo-patológicas para os fenômenos psíquicos, 
pelo reconhecimento de uma dimensão específica - a de 
mundo interno – desconhecido do próprio homem e não 
idêntica a si mesmo, em constante interação com o 
mundo externo, de forma que sujeito e objeto não mais 
se constituem isolados, mas suplementares. 
 
 
EXERCÍCIO
Anna O. era uma jovem de 21 anos, com altos dotes 
intelectuais, manifestou no curso de sua doença, que 
durou mais de dois anos, uma série de perturbações 
físicas e psíquicas mais ou menos graves, entre eles:- 
paralisia espástica de ambas as extremidades do lado 
direito; perturbações dos movimentos oculares e várias 
alterações da visão; tosse nervosa intensa; repugnância 
pelos alimentos e impossibilidade de beber durante 
várias semanas; redução da faculdade de expressão 
verbal, que chegou a impedi-la de falar ou entender a 
língua materna; e estados de “absence” (ausência), 
estados confusionais, delírios e alteração total da 
personalidade. 
O quadro histérico de Anna O. (Breuer, 1895) abriu 
caminhos para uma nova compreensão da histeria, pois 
por meio de seu quadro observou-se que:- 
I. O quadro mórbido encontrado em Anna O. revelava 
que os órgãos vitais internos (coração, rins etc.) 
tinham um funcionamento anormal, conseguindo ser 
detectados em exames objetivos.
II. A sintomatologia apresentada por Anna O. não 
mantinha correspondência a qualquer anormalidade 
orgânica, mas relacionava-se aos violentos abalos 
emocionais que vivera.
III. Breuer observa que depois de relatar certo número 
de fantasias a paciente experimentara sentimentos de 
alívio e se reconduzia à vida normal. 
IV. A hipnose e o método catártico impediram Breuer 
de melhorar sua compreensão a cerca do quadro de 
Anna O.
V. O saber médico torna-se fundamental na 
compreensão e estudo das lesões cerebrais 
orgânicas, mas diante da histeria o médico não sabe 
o que fazer, pois seu método objetivo, assentado em 
bases biológicas, carece de recursos para 
compreender e tratar tais quadros.
 
ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA 
A. São corretas as afirmações I, II e IV.
B. São corretas as afirmações I, II, III e IV.
C. São corretas as afirmações II, III e V.
D. São corretas as afirmações II, III e IV.
E. São corretas as afirmações I, II, III e V.
 
Resposta C. 
 
Apesar de sua evolução, a psicanálise tinha em sua 
construção e desenvolvimento uma tendência 
transgressora, que comportava em sua natureza uma 
inevitável e sofrida oposição, já que feria os preconceitos 
da humanidade c iv i l izada em alguns pontos 
especificamente sensíveis. (FREUD, 1924)
 
Em termos geográficos, a Psicanálise expandiu seus 
domínios e isto não se faz sem que, ao mesmo tempo 
em que produza modificações na concepção de homem, 
de relações e de tratamento para males psíquicos nos 
lugares onde é (ou parece ser) aceita, também “sofre” 
modificações, pois é um conhecimento dependente das 
possibilidades que cada cultura oferece em termos de 
assimilação de uma teoria que toca num dos pontos 
nevrálgicos da imagem “ilibada” que a humanidade 
pretende ter de si mesma: a sexualidade. Este ponto de 
apoio da teoria psicanalítica é tanto mal compreendido 
quanto rejeitado. 
Mal compreendido porque se toma o termo sexual como 
sinônimo de genital, dando importância e ênfase ao 
aspecto puramente biológico, como se para o homem a 
sexualidade estivesse presa à anatomia, sendo que esta 
é justamente a subversão fundamental da Psicanálise: o 
sexual é redefinido como uma disposição psíquica 
propriamente humana, desligada de seu fundamento 
biológico ou anatômico. E, para pensar esta nova 
concepção de sexualidade, e de toda atividade humana 
a ela ligada, são construídos conceitos e teorias que irão 
representar esta realidade: a pulsão, a libido, o apoio e a 
bissexualidade.
Freud não inventou uma terminologia particular para 
distinguir os dois grandes campos da sexualidade: a 
de te rminação anatômica , por um lado , e a 
representação social ou subjetiva, por outro. Não 
obstante, por sua nova concepção, ele mostrou que a 
sexualidade tanto era uma representação ou uma 
construção mental, quanto o lugar de uma diferença 
anatômica. Em conseqüência disso, sua doutrina 
transformou totalmente a visão que a sociedade 
ocidental tinha da sexualidade e da história da 
sexualidade em geral. (ROUDINESCO, 1998).
A rejeição tanto produziu movimentos dissidentes dentro 
da Psicanálise (Adler, Jung), quanto produziu uma 
infinidade de leituras distorcidas pelos preconceitos que 
tentavam minimizar a importância do conceito-chave – o 
inconsciente, supervalorizando o ego em função de seu 
papel de mediador entre o mundo externo e o interno, 
em detrimento das outras regiões do psiquismo (id e 
superego). É uma leitura da teoria psicanalítica que se 
mantém fiel às necessidades do homem de controle dos 
próprios conflitos, buscando meios de adaptá-lo à 
realidade externa. O mais curioso é buscar isto numa 
teoria que tem como objetivo expresso a confrontação 
do sujeito (do inconsciente) com seu desejo, com sua 
falta, com a necessidade imposta a cada um de resolver 
a interdição do incesto, tema representado na 
conceituação do complexo de Édipo.
Se, num primeiro momento, o inconsciente surge como 
uma abertura para as ciências psicológicas, encabeçada 
pela Psicanálise, a partir das décadas de 30-40 do 
sécu lo XX , com sua expansão geog rá f i ca , 
principalmente para os Estados Unidos, este mesmo 
conceito passará a ser um divisor de águas entre a 
Psicanálise e as Psicologias da Consciência. Estas, 
mobilizadas pela necessidade de fortalecer o “pobre” 
ego diante das exigências do mundo externo e do 
mundo interno, colocando como meta do tratamento a 
busca de uma relação harmônica, não conflituosa com o 
meio, do qual o terapeuta/analista seria a figura 
exemplar, criaram um novo campo de conhecimento, 
com novas teorias sobre o mundo interno, já não mais 
vinculado à idéia de inconsciente, com novas técnicas, 
agora mais atentos ao trabalho com os afetos, com a 
comunicação não-verbal, através de uma prática clínica 
em que a relação dual, interpessoal (não mais 
transferencial) entre paciente e terapeuta seria o norte 
do trabalho, o terapeuta buscando sempre uma aliança 
com o lado saudável do paciente para ajudá-lo a 
integrar-se psíquica e socialmente. 
Lembrando que, se para a Psicanálise o psíquico só 
ganha consistência de mundo interno a partir da noção 
de inconsciente, que mantém relação com as três 
instâncias – id, ego e superego – em maior ou menor 
grau; para as Psicologias da Consciência o importante 
será como a pessoa, identificada ao seu ego, centro de 
sua personalidade, já destituído de qualquer conotação 
inconsciente, enfrentará a luta pelo controle e dissolução 
de seus conflitos. A Psicanálise também espera que o 
ego possa ser um aliado na luta contra a neurose, no 
entanto isto não estaria a serviço de uma adaptação ao 
contexto social, só porque este coloca a “doença mental” 
como um desvio que não coincide com seus desígnios. A 
idéia principalé recolocar a noção de doença mental no 
âmago da condição humana e não fora dela, buscando 
responder antes quem é este que sofre e adoece, e 
esperando que a noção de mundo interno, que não 
precisa ser psicanalítica, possa oferecer um espaço de 
liberdade para o homem na sua relação com o mundo 
externo. 
 
EXERCÍCIO
Freud ao dissertar sobre a História do Movimento 
Psicanalítico comenta:- 
“Considerava minhas descobertas 
contribuições normais à ciência e 
esperava que fossem recebidas com 
esse mesmo espírito. Mas o silêncio 
p r o v o c a d o p e l a s m i n h a s 
comunicações, o vazio que se formou 
em torno de mim, as insinuações que 
me foram dirigidas, pouco a pouco me 
f i z e r a m c o m p r e e n d e r q u e a s 
a f i rmações sobre o pape l da 
sexualidade na etiologia das neuroses 
não podem contar com o mesmo tipo 
de tratamento dado ao comum das 
comunicações. Compreendi que 
daquele momento em diante eu 
passara a fazer parte do grupo 
daqueles que “perturbaram o sono 
do mundo”, como diz Hebbel e que 
não poderia contar com objetividade e 
tolerância.” (FREUD, 1914; p.31)
 
A frase destacada em negrito, representa que: 
 A. O autor ficou isolado por muito tempo, e as 
reações às suas descobertas estavam permeadas 
por pré-conceitos. 
B. Os opositores do autor ergueram severas 
resistências internas ao contato com as ideias 
apresentadas. 
C. O autor tem consciência da força de suas 
palavras, leva em consideração a opinião externa, 
adequando-se ao meio no qual se encontrava. 
D. O autor estaria sendo punido por ousar 
c o n t r a d i z e r a q u i l o q u e , a t é e n t ã o , e r a 
inquestionável. 
E. O autor sempre foi apoiado por ousar contradizer 
aquilo que, até então, era inquestionável.
 
Resposta C. 
 
A hipnose teve grande importância no início da 
psicanálise, pois pelo uso da hipnose Breuer favorecia a 
revivência de algumas cenas que estavam esquecidas 
pelo paciente, esta revivência provoca a "ab-reação", 
que consistia numa descarga afetiva emocional (reações 
com expressão de grande comoção, choro, lágrimas e 
sentimentos intensos) e desta forma inaugura o método 
catártico ou catarse. 
Para condução do método catártico Breuer supõe a ideia 
da ocorrência de um evento de grande força e impacto 
emocional, não manifesto em ações ou comportamentos 
verbais, que por fim eclodiria no trauma psíquico, este 
trauma desencadeia o mal psíquico (sintoma), 
originando-se da emoção reprimida, presente no 
inconsciente, sem o conhecimento consciente do sujeito 
sobre o evento traumático e, para lembrá-lo, conduz-se 
o paciente à hipnose.
Anna O. a famosa paciente de Breuer denominou este 
método de trabalho como chimney sweeping ("limpeza 
de chaminé") ou talking cure ("cura pela fala"). 
Resumidamente, método catártico ou catarse é o 
processo em que o paciente em estado hipnótico, fala 
tudo que lhe vem à mente e obtém grande alívio 
emocional.
 
A hipnose desperta o interesse de Freud por meio de um 
relato de Breuer, mas é com Charcot que busca 
melhorar seu aprendizado. Sua incredulidade com os 
métodos científicos o impulsionaram ao emprego da 
hipnose com suas pacientes histéricas, considerando a 
hipótese da sedução sexual. Pelo fato de ser um mau 
hipnotizador resolveu experimentar que a mesma 
liberdade em associar ideias, obtidas pela hipnose 
acontecesse com os pacientes despertos. A paciente 
Elizabeth Von R. foi a paciente que solicitou a Freud a 
liberdade para associar livremente, sem pressão, 
permitindo-lhe compreender que as barreiras contra o 
recordar provinham de forças mais profundas.
Freud no início da construção da psicanálise concebe a 
ocorrência do trauma sexual real acontecendo nos 
primórdios da infância, como uma forma de abuso 
sexual e que se mantinha reprimido no inconsciente. 
Aos poucos o autor vai se convencendo de que havia 
distorções importantes no relato de suas histéricas, que 
seriam decorrentes de suas “fantasias inconscientes”. 
Desta forma, na medida em que a “teoria do trauma” não 
dava conta de explicar a complexidade do sofrimento 
neurótico, Freud envereda para a teoria inicial da 
sedução e da importância das fantasias na produção do 
adoecimento psíquico.
 
O questionamento de Freud às dificuldades decorrentes 
da hipnose e método catártico faz entrar em cena a 
elaboração psíquica. Elaboração psíquica consiste no 
trabalho de integração das experiências vividas, 
independente de sua origem (excitações somáticas, 
estímulos externos ou informações, aspectos do mundo 
mental). O trabalho de elaboração possibilita a 
transformação da energia livre em energia ligada, 
abrindo caminho para o processo secundário e, 
consequentemente, o adiamento da descarga da tensão. 
Se o evento traumático supera a capacidade de 
assimilação e integração deste à mente, o processo de 
elaboração possibilita a “compreensão” interna que 
integra à vida do sujeito, contribuindo para integrar o que 
antes se mantinha dissociado, fora da consciência. 
 
 
TEORIA PSICANALÍTICA
 
 MÓDULO 2
 A descoberta do inconsciente: repressão; 
resistência e formação de sintomas.
A teoria dos sonhos e a psicopatologia da vida 
cotidiana. 
A primeira tópica freudiana - sistemas: Inconsciente, 
Pré-Consciente e Consciente.
 
Bibliografia: 
FREUD, S. Cinco Lições de Psicanálise: Segunda Lição 
(1912). In: Obras Completas de S. Freud. Rio de 
Janeiro: Imago Editora Ltda, 1969.
______. Cinco Lições de Psicanálise: Terceira Lição 
(1912). In: Obras Completas de S. Freud. Rio de 
Janeiro: Imago Editora Ltda, 1969.
______. Estudos sobre a Histeria – Caso Elizabeth Von 
R. (1895). In: Obras Completas de S. Freud. Rio de 
Janeiro: Imago Editora Ltda, 1969.
______. O esquecimento de nomes próprios – O Caso 
Signorelli. (1901) In: Obras Completas de S. Freud. Rio 
de Janeiro: Imago Editora Ltda, 1969.
______. Novas Conferências Introdutórias: Revisão da 
Teoria dos Sonhos (1932). In: Obras Completas de S. 
Freud. Rio de Janeiro: Imago Editora Ltda, 1969.
GARCIA ROZA, L.A. Freud e o Inconsciente. Rio de 
Janeiro: Editora Jorge Zahar, 2009. (pg 76 - 81)
MEZAN, R. Freud, A Trama dos Conceitos. São Paulo: 
Editora Perspectiva; 2001.
QUINODOZ, J. M. Ler Freud: guia de leitura da obra 
de S. Freud. Porto Alegre: Artmed, 2007.
 
A descoberta do inconsciente
Na Segunda Lição, Freud explica o porquê de seu 
distanciamento de Charcot e Janet; enquanto Freud 
concebia o fator psicológico e processos psíquicos 
envolvidos na histeria, Charcot rejeitava esta concepção 
e etiologia e Janet atribuía o fenômeno da histeria ao 
caráter degenerativo do sistema nervoso nas histéricas. 
No texto Freud mostra que as divergências com Janet 
advieram do trabalho prático desenvolvido na clínica, 
enquanto seu opositor desenvolvia seu trabalho no 
laboratório. Para Freud e Breuer interessava não só a 
origem, mas a melhora de seus pacientes, e para isso, 
apoiaram-se no método catártico propondo que, ao invés 
de haver degenerescência e falta de capacidade nas 
histéricas, há sim, uma divisão da consciência. 
Apesar de ser um avanço, Freud identifica limitações 
nesta técnica, em decorrência da impossibilidade de 
hipnotizar alguns pacientes, desencantando-se 
definitivamente após uma experiência de Berheim (este 
estúdio mostra que pessoas em sonambulismo hipnótico 
aparentemente perdiam a memória, mas, de fato, não 
perdiam e se forçando a memória lembrariam o ocorrido 
durante a hipnose). Passou então a de não mais 
hipnotizar os pacientes, considerando que seus 
pacientes não precisavam ser hipnotizados para lembrar 
dos eventos traumáticos causadores da histeria, embora 
esta técnica tenha sido exitosa, também a abandona. 
Apesar de abandonado o método catártico, passa a 
verificar que seus pacientes esquecempor completo o 
conteúdo traumático, tais recordações se mantinham em 
algum lugar. Assim, entende que uma força detinha o 
conteúdo fora da consciência e mantinha essas 
lembranças inconscientes. Esta força foi chamada - 
resistência. 
Com esta nova forma de funcionamento psíquico – 
resistência - formula o conceito de repressão. Pensa ele 
que, assim como existe uma força que mantém 
inconsciente a lembrança, pela força da resistência, 
deveria haver uma força que retirara esta mesma 
lembrança da consciência; para esta força inicial que, 
num primeiro momento, impede um conteúdo ascender 
à consciência dá o nome de repressão.
 
O conceito de Inconsciente
O conceito de Inconsciente ganha força com estas 
descobertas, expandindo aquilo que é psíquico para 
além da consciência. Os conteúdos de nossa 
consciência ocupam agora uma dimensão bem menor, 
com várias lacunas, não comportando mais a ideia de 
que tudo que acontece na mente deve ser conhecido 
pela consciência. 
No texto Sobre a psicopatologia da vida cotidiana (1901) 
Freud descreve o quanto os deslizes e lapsos do nosso 
dia a dia, sejam de linguagem, escritos, de memória 
entre outros acontecimentos, são atribuídos ao acaso, 
mas não têm nada de acaso e, embora os chamemos de 
acidentes, tais atos psíquicos estão, para sua realização, 
além de nossa capacidade consciente. Estes atos falhos 
ou parapraxias são como os sonhos e sintomas, revelam 
um processo inconsciente, que se desenvolve sem que 
o percebamos, a partir de conteúdos latentes que 
escapam ao controle consciente, apresentando-se em 
contradição à nossa consciência.
 
Repressão (ou Recalque) 
Repressão e recalque são conceitos utilizados por 
Freud, mas sua tradução perpetuou no campo 
psicanalítico divergências de significado e utilização 
desta terminologia. Mezan (2001) sobre esta questão, 
comenta que “repressão” (unterdrückung) refere-se ao 
processo que mantém as pulsões no pré-consciente, 
enquanto “recalque” (verdrängung) seria aquele que 
mantém as pulsões no inconsciente. Nesta perspectiva 
seriam lugares diferentes da constituição da psique, 
contudo este autor prefere o termo “repressão” já que 
em português o termo pode ter uma variedade de 
significados que engloba a violência implícita no conceito 
freudiano, ao invés de “recalque” que significa pisar os 
pés, calcar de novo.
A repressão tem como principal finalidade evitar que 
uma ideia inconcebível, decorrente de desejos proibidos 
conflite com aspirações morais, se torne consciente. 
Entretanto este mecanismo não é o bastante para 
exterminar a ideia, fazê-la desaparecer por completo, 
pois como ela representa um instinto, permanecerá 
neste reservatório inconsciente produzindo efeitos e 
eventualmente tentará contornar a barreira repressiva a 
fim de atingir a consciência, insistindo para possibilitar a 
satisfação da pulsão.
 
.EXERCÍCIO
Ao estabelecer o conceito de repressão/recalque, Freud 
coloca este processo na gênese das neuroses, e a partir 
deste conceito central da psicanálise, delimita o 
funcionamento psíquico, a formação dos sintomas. 
Sobre a forma como o recalque atua, identifique a 
alternativa correta: 
A. O objetivo da repressão/recalque é extinguir 
do inconsciente as representações perigosas 
originais.
B. Um mecanismo que opera no sentido de 
afastar da consciência uma idéia da ordem do 
insuportável às aspirações morais.
C. O recalque está na base dos sintomas 
neuróticos, que se formam independente da 
representação recalcada.
D. O recalque é um mecanismo que só se 
manifesta nos casos patológicos. 
E. O objetivo da repressão/recalque é manter 
no consciente as representações perigosas 
originais.
 
Resposta B.
 
 
 A interpretação dos sonhos 
Em A interpretação dos sonhos (1900), a obra mais 
importante de Freud com as ideias mais inovadoras de 
sua obra, desenvolve a explicação do funcionamento do 
pensamento e linguagem, bem como a concepção geral 
do funcionamento do psiquismo normal e patológico, 
estabelecendo os fundamentos clínicos, teóricos e 
técnicos e conferindo à interpretação dos sonhos um 
caráter científico. 
Nesta obra, o sonho é remontado à uma atividade 
psíquica organizada e diferente do que ocorre na vigília, 
abrindo caminho à uma nova forma de interpretação, 
que não a previsão do futuro, mostrando que o sonho é 
uma produção própria de quem sonha, provinda de uma 
fonte estranha ao próprio homem (QUINODOZ, 2007).
 
Para Freud, os sonhos são projeções do inconsciente, 
que expressam a vontade e o desejo humano, remetem, 
portanto ao desejo, revelando algo do passado e não a 
uma projeção do futuro. Nele dá-se a satisfação de 
desejos reprimidos no nosso inconsciente.
 
Contrariando alguns dos cientistas contemporâneos de 
sua época, que atribuíam somente uma função 
biológica, Freud buscava compreender seu significado 
psicológico, algo que só se tornou possível pelo “método 
da associação livre”, permitindo-lhe descobrir o sentido 
que o sonho tem para quem sonha, da mesma forma 
que os sintomas histéricos, as fobias, as obsessões e os 
delírios. 
Freud introduz e ideia de conteúdo manifesto e latente, o 
primeiro refere-se ao sonho tal como é relatado e, por 
vezes, de sentido obscuro; o conteúdo latente só 
aparece claramente depois de decifrado nas 
associações do paciente. Denomina como “trabalho do 
sonho” o conjunto de operações psíquicas que 
transformam o conteúdo latente em manifesto a fim de 
disfarçá-lo e “trabalho de análise” a operação inversa, 
que busca o sentido oculto a aprtir do conteúdo 
manifesto. Para Freud “O sonho é a realização 
( d i s s i m u l a d a ) d e u m d e s e j o ( r e p r i m i d o , 
recalcado)” (FREUD, 1900, p. 145).
Freud aponta os mecanismos que entram em ação na 
formação do sonho, como segue:
• Condensação – é um mecanismo psíquico 
fundamental que permite a reunião de vários 
elementos num único elemento: sejam imagens, 
pensamentos, eventos ou outro, pertencentes a 
diferentes cadeias associativas. Pode ocultar ou 
combinar algum acontecimento ou fragmento do 
sonho latente no manifesto. 
• Deslocamento – Mecanismo que permite substituir 
os conteúdos mais significativos de um sonho por 
um menos importante, desfocando e dissimulando a 
realização do desejo.
• Representabilidade – Operação que permite 
transformar os pensamentos dos sonhos em 
imagens visuais, construções oníricas. 
• Elaboração secundária – Permite a apresentação do 
conteúdo onírico num cenário coerente e inteligível, 
principalmente em estado de vigília.
• Dramatização – Permite a transformação de um 
pensamento numa dada situação do sonho.
 
Os sonhos se valem dos restos diurnos, ocorrências de 
nosso dia a dia e que mantêm alguma relação com o 
desejo inconsciente que se realiza no sonho. 
Para Freud, as deformações dos sonhos originam-se da 
censura, que se situa na fronteira entre consciente e 
inconsciente, permitindo passar somente o que lhe for 
agradável, retendo o resto sob repressão, constituindo o 
reprimido. O aprofundamento da análise de um sonho 
incidirá no conteúdo latente que revelam a realização de 
desejos eróticos. 
Os sonhos também se valem dos símbolos, pois permite 
ao sonhador driblar a censura ret irando das 
representações sexuais sua inteligibilidade, desta forma 
distingue dois tipos de símbolos – universais e 
individuais. 
 
 
Exercício
Mariana (17 anos) acorda muito assustada e 
culpabilizada com algo que sonhara, sonhou com sua 
irmã e sente-se envergonhada, levanta-se e vai pedir 
desculpas à irmã mais velha... Esta reação de Mariana 
pode ser explicada de acordo com o que aprendemos 
com a Teoria dos Sonhos em Freud, como:
A. Os sonhos geram sentimentos de culpa e 
remorso em Mariana em funçãode seu conteúdo 
manifesto. 
B. A culpa gerada em Mariana está ligada aos 
seus desejos proibidos associados a figura de sua 
irmã, como pessoa real que se mostra no sonho. 
C. Podemos afirmar que, caso Mariana 
estivesse em análise, o mecanismo psíquico 
da resistência interferiria em seus relatos, apesar 
de algumas de suas lembranças. 
D. O sonho de Mariana ao ser lembrado sofrerá 
interferências da elaboração secundária.
E. A lembrança imediata de Mariana indica que 
a versão lembrada de seu sonho não está sujeita 
às distorções da elaboração secndária. 
 
 
 
Resposta C. 
 
A primeira tópica freudiana - sistemas: Inconsciente, 
Pré-Consciente e Consciente.
Para explicar o fenômeno da não consciência, Freud 
elabora uma concepção do aparelho psíquico, 
explicando o funcionamento mental, normal e patológico, 
a partir de suas observações clínicas, seus estudos 
sobre os sonhos e neuroses. Para isso, utiliza a palavra 
“aparelho” a partir de um modelo espacial, onde 
identifica uma organização psíquica, dividida em três 
sistemas ou instâncias, com funções específicas, 
interligadas entre si, num dado lugar na mente. 
Este “modelo tópico” designa um modelo de lugares. 
Esta primeira tópica ficou conhecida como Teoria 
Topográfica. Nesta primeira tópica Freud divide o 
aparelho psíquico em três sistemas: o inconsciente, o 
pré-consciente e o consciente. 
O consciente ou sistema percepção-consciência 
representa apenas uma pequena parte da mente, em 
que se inclui tudo aquilo que conhecemos, isto é, que 
temos consciência. Enquanto localização o sistema 
percepção-consciência situa-se na periferia do aparelho 
psíquico, recebe simultaneamente informações do 
mundo exterior e do interior, sem, contudo, conservar 
nenhuma marca duradoura.
O pré-consciente articula-se com o consciente e 
funciona como uma espécie de barreira seletiva que 
elege o que pode ou não passar para o consciente. Do 
ponto de vista tópico, o pré-consciente seria uma parte 
do inconsciente, que, entretanto, pode recuperar seus 
conteúdos armazenados pela evocação da memória, ou 
seja, seus conteúdos tornam-se acessíveis, isto é, 
conscientes, com maior facilidade podem ser trazidos à 
consciência. O que caracteriza o pré-consciente é a 
possibilidade voluntária de se acessar seus conteúdos. 
O sistema inconsciente representa a parte mais arcaica 
do aparelho psíquico. Nele incluem-se, por herança 
genética, as pulsões e a energia correspondente a elas, 
que não são acessíveis à consciência; também todo 
conteúdo que foi excluído da consciência pelos 
processos psíquicos de censura e repressão, em que o 
conteúdo censurado, que não pode ser lembrado, não 
se perde, mas permanece abrigado no inconsciente. 
Freud refere que a maior parte do aparelho psíquico é 
inconsciente, onde situam-se os determinantes da 
personalidade, as fontes da energia psíquica e as 
pulsões (instintos). 
No inconsciente situam-se as “representações coisa” ou 
“traços mnêmicos”, que são fragmentos de reproduções 
de antigas percepções, dispostas e inscritas como se 
fosse um arquivo sensorial, formando nossos contornos 
psíquicos. Este conjunto que se refere às vivências, 
sentimentos, percepções, eventos provenientes de 
nossos sentidos (auditivo, gustativo, olfativo, tátil e 
visual) foram vividos num momento em que se 
prescindia da palavra, formando um arsenal de 
representações fantasmáticas carregadas de energia 
pulsional, que continuam habitando nosso universo 
inconsciente.
 
 
EXERCÍCIO
Freud concebeu sua teoria como uma forma específica 
de acesso a determinados conteúdos. Dentro desta 
perspectiva, o que podemos acessar em um processo 
de análise? 
A. As lacunas que faltavam para o preenchimento 
das falhas de memórias, na medida em que a 
narrativa baseia-se no modelo: percepção-registro-
evocação.
B. Os registros derivados de experiências reais 
vividas na infância.
C. O passado vivido tal como está narrado.
D. As profundezas do inconsciente que ficou retido 
e encapsulado na mente, independente de outras 
internalizações.
E. A forma como o sujeito internalizou suas 
experiências.
 
Resposta E. 
 
TEORIA PSICANALÍTICA
 
MÓDULO 3
A segunda Tópica freudiana: id, ego e superego. 
Pulsões e sexualidade; pulsão de vida e pulsão de 
morte. 
 
Bibliografia:
FREUD, S. Repetir, recordar e elaborar (1914). IN 
FREUD, S., Obras Completas de S. Freud, Rio de 
Janeiro: Imago Editora Ltda; 1969.
______. O Ego e o Id (1923) . IN FREUD, S., Obras 
Completas de S. Freud, Rio de Janeiro: Imago Editora 
Ltda; 1969.
______. Além do princípio do prazer (1920) . IN FREUD, 
S., Obras Completas de S. Freud, Rio de Janeiro: 
Imago Editora Ltda; 1969.
LAPLANCHE, Jean & PONTALIS, J.-B. Vocabulário da 
Psicanálise. São Paulo: Martins Fontes, 1992.
QUINODOZ, J. M. Ler Freud: guia de leitura da obra de 
S. Freud. Porto Alegre: Artmed, 2007.
ROUDINESCO, E, Dicionário de Psicanálise. Rio de 
Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998.
 
A partir de 1920 a conceituação freudiana sofre uma 
mudança, o psiquismo passa a ser concebido como 
três lugares (topos = lugar) que definiriam o aparelho 
psíquico e, consequentemente, o modo como se vai 
investigar, entender e trabalhar. Embora o nascimento 
desta nova tópica date do ano supracitado, sua 
elaboração surge de novas exigências teóricas e 
práticas; o subsistema defensivo ganha então muita 
importância nas observações de Freud em seu trabalho 
clínico pois, sendo o ego o responsável pela efetivação 
do subsistema defensivo e as defesas produtos 
inconscientes, torna-se necessário estender a amplitude 
do ego considerando-o não só equivalente à pré-
consciência e consciência, mas também com alguma de 
suas partes inconscientes. 
Esta nova designação - conhecida como segunda 
tópica – inclui as instâncias: id, ego e superego e vem 
substituir a primeira, sem, contudo, eliminá-la, onde 
figuravam as denominações: inconsciente, pré-
consciente e consciente, s. 
A diferença mais importante entre as duas tópicas é a de 
que, nesta segunda, não encontramos uma separação 
radical entre os diferentes lugares ora designados, ou 
seja, os limites entre id, ego e superego estarão na 
estrita dependência dos movimentos pulsionais, o que 
implicará uma nova forma de pensar as relações entre 
elas e do sujeito com a realidade.
 
Id
Conceito utilizado por Freud (1923), cuja origem é o 
pronome alemão neutro da terceira pessoa do singular 
(Es), para designar uma das três instâncias da segunda 
tópica freudiana, ao lado do ego e do superego. O id é 
concebido como um conjunto de conteúdos de natureza 
pulsional e de ordem inconsciente. Assim, o id irá ocupar 
o lugar do inconsciente na tópica anterior. Este conceito 
foi introduzido na teoria psicanalítica pela primeira vez 
no texto freudiano O ego e o id (1923) considerando 
absolutamente apropriado para definir o que seria uma 
vivência passiva do indivíduo, que se veria, assim, 
confrontado com forças desconhecidas e impossíveis de 
dominar.
A experiência clínica de Freud foi decisiva para que ele 
chegasse à conclusão que considerável porção tanto do 
ego quanto do superego era inconsciente, o que traz 
consequências importantes para o próprio estatuto e 
identidade do ego, não mais visto como correlato da vida 
consciente, assim como a identidade exclusiva entre 
inconsciente e recalcado seria colocada em xeque. Esta 
movimentação teórica exigiu uma revisão das relações 
entre a vida consciente e a dinâmica inconsciente; o id, 
associado às formações inconscientes será melhor 
de l im i t ado como um rese rva tó r i o pu l s i ona l 
desorganizado, sede de um verdadeiro “caos”ou de 
“paixões indomadas” que, sem a intervenção do ego, 
seria um joguete de suas aspiraçõespulsionais e 
caminharia inelutavelmente para sua perdição.
Com isto, o ego perde sua autonomia pulsional, já que 
será reservada ao id a designação de sede das pulsões 
- de vida e de morte. Esta abordagem dinâmica da 
segunda tópica representa uma fluidez maior nos limites 
entre as instâncias: os limites do id deixaram de ter a 
precisão dos que marcavam a separação entre o 
inconsciente e o sistema consciente-pré-consciente, e o 
ego deixou de ser estritamente diferenciado do id no 
qual o superego mergulha suas raízes. 
 
Ego
Este termo tem suas origens na filosofia e na psicologia 
para designar o ser humano consciente de si e objeto do 
pensamento.
Ao retomá-lo na primeira tópica, Freud também o 
tomará como sede da consciência, mas será a partir de 
1920, com a representação da segunda tópica que o ego 
mudará de estatuto, tornando-se também, em grande 
parte, inconsciente, posto que seus limites com as 
outras instâncias já não será o mesmo. 
 
“Agora vemos o ego com sua força e 
suas fraquezas. Ele é encarregado de 
funções importantes e, em virtude de 
sua relação com o sistema perceptivo, 
estabelece a ordenação temporal dos 
processos psíquicos e os submete à 
prova de realidade. Intercalando os 
processos de pensamento, consegue 
adiar as descargas motoras e domina 
os acessos à motilidade. Esta última 
dominação, entretanto, é mais formal 
do que efetiva, tendo o ego em sua 
relação com a ação, por assim dizer, a 
postura de um monarca constitucional 
s e m c u j a s a n ç ã o n a d a p o d e 
transformar-se em lei, mas que reflete 
longamente antes de opor seu veto a 
uma proposta do parlamento. (...) 
vemos esse mesmo mecanismo como 
uma pobre criatura que tem que servir 
a três perigos, por parte do mundo 
externo, da libido, do id e da severidade 
do superego” . (FREUD, 1923; p. 67)
 
 
O ego assume assim a instância central da 
personalidade, cuja origem remonta a parte do id que se 
mantém em contato com o mundo exterior, que além das 
funções pré-consciente e consciente, acumula também 
em sua constituição uma grande parte inconsciente com 
a responsabilidade de ser o centro defensivo da 
personalidade, e nesta perspectiva dinâmica torna-se o 
responsável por acionar seus mecanismos de defesa 
ante à percepção de um afeto desagradável. 
Além disso, o ego atua na conciliação das reivindicações 
do id, imperativos do superego e exigências da 
realidade. Enquanto fator econômico surge como um 
elemento de ligação dos processos psíquicos, atuando 
como uma organização que tende à unidade, permitindo 
a estabilidade e identidade ao sujeito.
 
 
EXERCÍCIO
Na segunda tópica freudiana as funções do ego no 
aparelho psíquico são apresentadas com algumas 
diferenças quando comparadas à primeira tópica. 
Identifique abaixo qual das afirmativas representa as 
funções do ego... 
:
A. A resistência - processo resistencial na 
clínica - é uma das evidências que Freud 
observa, conduzindo-o e orientando-o aos 
processos defensivos inconscientes do ego 
cont ra a emergênc ia dos conteúdos 
inconscientes que ameaçam a estabilidade 
psíquica.
B. Os acontecimentos externos, quando 
excessivamente intensos, são evitados pelo 
ego, produzindo modificações convenientes 
ao mundo externo, sem, contudo, obter 
benefícios ao próprio ego.
C. Quanto aos estímulos internos, o Ego 
controla absolutamente as exigências dos 
instintos, decidindo se podem ou não ser 
satisfeitas, adiando eventuais satisfações e 
suprimindo completamente suas excitações, 
inclusive aquelas posteriores.
D. A busca do ego é pela manutenção do 
desprazer, já que é função do superego 
manter a “ordem” e reprimir o Id e suas 
influências na busca do prazer.
E. O ego em sua origem não mantém 
relação com o id, mas sim do suprerego.
 
Resposta A.
 
Superego
É terceira instância da segunda tópica que exercerá as 
funções de juiz e censor em relação ao ego. Este 
conceito servirá para designar uma instância que age de 
maneira implacável: num primeiro tempo de sua 
instauração ele é representado pela autoridade parental 
que dá ritmo à evolução infantil, alternando as provas de 
amor com as punições, geradoras de angústia; num 
segundo tempo, quando a criança renuncia à satisfação 
edipiana, as proibições externas são internalizadas e 
esse é o momento em que o superego vem substituir a 
instância parental por intermédio de uma identificação. O 
que pode se destacar aqui é o fato de que esta 
instância, a despeito de sua ligação intrínseca com os 
modelos oferecidos pelos genitores, ele - o superego - 
constrói-se fundamentalmente pela identificação do 
superego dos pais, ou seja, pela transmissão dos 
valores e das tradições que perpetua-se, dessa maneira, 
por intermédio dos superegos, de uma geração para 
outra e, não, uma simples interiorização dos pais. O 
superego é particularmente importante no exercício das 
funções educativas. 
A nova instância passou a ser a sede da auto-
observação, o depositário da consciência moral; 
tornando-se a instância que resguarda em si os 
aspectos mais desejados do “ego ideal”, que assumidos 
por herança pelo “ideal do ego”, torna-se o guardião 
destes ideais, com os quais o ego se compara, aspira e 
se esforça para atender/cumprir as demandas de 
aperfeiçoamento do movimento identificatório. 
Compõe-se quase que totalmente de elementos 
inconscientes, guiado por objetos internos, tendo como 
principal efeito a culpa, com subsequentes de angústias 
e medo. É a instância modelo, o pólo psicossocial da 
personalidade e de fundamental importância para 
compreensão da conduta e da psicopatologia do 
indivíduo. 
 
EXERCÍCIO
De acordo com Freud, ao id cabe desejar (independente 
de qualquer aspecto), ao ego cabe mediar desejos e 
proibições entre as instâncias, enquanto ao superego 
cabe...
I. Desejar, mas proibir, visto que sua 
dimensão considera os valores éticos implícitos 
na cultura que se propagam pelo superego dos 
pais.
II. A formação de ideais almejados 
pelo id.
III. Substituir a instância parental e suas 
interdições por meio da identificação.
IV. Acordos complacentes para com o 
ego.
V. Desejar, independente, dos valores 
éticos implícitos na cultura. 
 
 ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA 
A. São corretas as afirmações I, II e V.
B. São corretas as afirmações I, II, III e IV.
C. São corretas as afirmações I, II e III.
D. São corretas as afirmações II, III e IV.
E. São corretas as afirmações II, III e V.
 
Resposta C. 
 
Pulsão
Se até aqui falamos da nova maneira de conceituar o 
aparelho psíquico a partir das três instâncias - id, ego e 
superego - não é menos importante aquilo que diz 
respeito à teoria pulsional de Freud, já que esta se 
insere na compreensão do funcionamento psíquico do 
ponto de vista dinâmico.
Freud afirma que o aparelho psíquico está à mercê, sob 
impacto e pressionado por estímulos externos e interno, 
dos quais o aparelho psíquico pode, mediante atividade 
muscular afastar-se dos estímulos externos, sem 
contudo exercer qualquer afastamento dos internos. 
Estas excitações internas denominam-se como pulsões 
ou instintos; o autor prefere o termo pulsão (trieb) por 
exprimir a ideia subjacente de urgência para 
descarregar, situando-se mais adequada ao psicológico, 
enquanto inst into ( inst inkt ) restr ingi r -se- ia a 
comportamentos hereditários, fixos de cada espécie. 
Pulsão será definida, já em 1905, como: 
 
“... a representação psíquica de uma 
fonte endossomática de estimulações 
que fluem continuamente, em contraste 
com a estimulação produzida por 
excitações esporádicas e externas. A 
pulsão, portanto,é um dos conceitos da 
demarcação entre o psíquico e o 
somático” (FREUD, 1905; p. 159).
. 
Assim, pulsão difere radicalmente de instinto e não se 
reduz às simples atividades sexuais que costumam ter 
bem delimitado tanto seus objetivos, quanto seus 
objetos; é um impulso, e a libido constitui-se em sua 
energia. 
Além desta diferença em relação ao instinto, a pulsão é 
formada, em seu caráter sexual, como um conjunto 
de pulsões parciais, cuja soma constitui a base da 
sexualidade infantil. Encontra inicialmente apoio em 
atividades somáticas, ligadas a determinadas zonas do 
corpo, as quais, dessa maneira, adquirem o estatuto 
de zonas erógenas. Este início da constituição pulsional 
é o que significa seu caráter limítrofe - seu limite está 
entre psíquico e o somático, sendo, assim, a pulsão é o 
representante psíquico das excitações provenientes do 
corpo e que chegam ao psiquismo. 
São quatro as características da pulsão: a fonte, a força, 
o alvo e o objeto.
· Fonte – A fonte das pulsões é o processo 
somático, localizado numa parte do corpo ou num 
órgão, cuja excitação é representada no psiquismo 
pela pulsão.
· Força – Força ou pressão constitui a própria 
essência da pulsão e a situa como o motor da 
atividade psíquica. 
· Alvo – Alvo ou satisfação, pressupõe a 
eliminação da excitação que se encontra na 
origem da pulsão; esse processo pode comportar 
alvos intermediários ou até fracassos, ilustrados 
pelas pulsões - chamadas de pulsões “inibidas 
quanto ao alvo” - que se desviam parcialmente de 
sua trajetória e, por último, o objeto da pulsão é o 
meio de ela atingir seu alvo, e nem sempre lhe 
está originalmente ligado, o que significa dizer que 
em termos de pulsão, o objeto é contingente. 
· Objeto - As pulsões sexuais podem ter quatro 
destinos: a inversão, a reversão para a própria 
pessoa, o recalque e a sublimação.
 
No início de sua obra Freud define dois grupos de 
pulsões – as sexuais e as de autoconservação – 
considerando que elas não se opõem, mas colaboram 
entre si, sendo que as pulsões sexuais se apóiam nas 
funções de autoconservação para descarga e 
extravasamento. Um exemplo é aquele em que o 
pequeno bebê depois de saciar sua fome (que enquanto 
pulsão de autoconservação refere-se à uma 
necessidade, que após satisfeita por um objeto 
específico – o leite/alimento - torna-se saciada) 
demonstra existir um excedente de energia, que 
continua existindo, mas não se sacia com o leite – objeto 
específico – por isso continua sugando, garantindo o 
extravasamento da excitação oral, e simultaneamente 
“sexualiza” ou “erotiza”, isto é “subverte” a função 
associada a esta. 
 
Pulsão de vida e pulsão de morte
No texto Além do princípio de prazer (1920), Freud 
delimitou um novo dualismo pulsional, opondo as 
pulsões de vida às pulsões de morte.
Seguindo Freud, trata-se justamente de um processo 
inconsciente no qual o sujeito se sente compelido a 
repetir atos, idéias, pensamentos e sonhos que, na sua 
origem, foram geradores de sofrimento e ao serem 
repetidos não perdem esta conotação, mas também não 
é possível abandoná-los por força da vontade.
E é particularmente no texto de 1914, Recordar, repetir e 
elaborar que podemos ver explicitada uma trama que 
liga repetição e transferência, na medida em que coloca 
que a repetição é a forma de o paciente recordar, ainda 
que sob o signo da resistência, daquilo que lhe é mais 
difícil, dado que está ligado às conotações sexuais que 
não passam pelo crivo da censura e, portanto, não 
podem ser rememoradas. E, assim, será o manejo da 
transferência que permitirá que se transforme a 
compulsão à repetição num motivo para recordar; é a 
partir da observação desta compulsão à repetição que 
Freud teorizou aquilo a que chamou pulsão de morte. 
Este processo, no entanto, não pode ser observado em 
estado puro, já que não é possível eliminar o vestígio 
que carrega de satisfação libidinal, mas, ao mesmo 
tempo, não é mais possível explicar tais ocorrências pelo 
simples princípio de prazer. 
Assim, a dualidade pulsional se manifestará como uma 
briga renhida entre uma força que puxaria para um 
estado de não-vida, buscaria um retorno do que está 
vivo ao estado inorgânico - definida, assim, grosso-modo 
como pulsão de morte; e as pulsões que antes estavam 
sob a denominação de pulsões sexuais e pulsões do 
ego, agora sob a égide de Eros – pulsão de vida. Uma 
“luta de titãs” que estará na origem de todas as 
mani festações humanas, t i rando-as de certo 
maniqueísmo de vida ou morte.
 
 
EXERCÍCIO
No início de seu trabalho (1895-1906), Freud concebia o 
conjunto da vida mental como constituída pela dualidade 
entre as pulsões sexuais e autoconservação. 
Posteriormente, englobou-as como pertencendo ao 
mesmo grupo, em oposição à pulsão de morte, este 
grupo foi denominado de: 
A. Pulsões sexuais, uma vez que estas visam a 
preservação da espécie.
B. Pulsões de autoconservação, visto que tendem a 
preservação do indivíduo.
C. Pulsões de vida, que visam a integração e a 
união.
D. Pulsões de morte, que visam o retorno ao estado 
anorgânico.
E. Pulsões eróticas, que visam a satisfação da 
pulsão sexual.
 
Resposta C.
 
Chegamos neste percurso a uma redefinição da 
sexualidade, proposta por Freud que teria a tarefa de 
traduzir, nomear ou até construir aquilo que os cientistas 
do final do século XIX já afirmavam sobre a 
determinação sexual da atividade humana. Através de 
sua teoria pulsional, Freud efetuou uma verdadeira 
ruptura teórica (ou epistemológica) com a sexologia, 
estendendo a noção de sexualidade a uma disposição 
psíquica universal e extirpando-a de seu fundamento 
biológico, anatômico e genital, para fazer dela a própria 
essência da atividade humana. Portanto, é menos a 
sexualidade em si mesma que importa na doutrina 
freudiana do que o conjunto conceitual que permite 
representá-la: a pulsão, a libido, o apoio e a 
bissexualidade.
 
  
TEORIA PSICANALÍTICA
 
MÓDULO 4
A teoria da sexualidade.
A evolução da libido.
As zonas erógenas e as pulsões.
 
Bibliografia:
FREUD, S. Cinco lições de Psicanálise. (1912) IN 
FREUD, S., Obras Completas de S. Freud, Rio de 
Janeiro: Imago Editora Ltda; 1969.
_ _ _ _ _ _ . T r ê s E n s a i o s s o b r e a t e o r i a d a 
sexualidade. (1905) IN FREUD, S., Obras Completas 
de S. Freud, Rio de Janeiro: Imago Editora Ltda; 1969.
 ______. A Pulsão e seus destinos. (1915) IN FREUD, 
S., Obras Completas de S. Freud, Rio de Janeiro: 
Imago Editora Ltda; 1969.
ROUDINESCO, E, Dicionário de Psicanálise. IN 
FREUD, S., Obras Completas de S. Freud, Rio de 
Janeiro: Imago Editora Ltda.
 
 
Sexualidade
Foi com a introdução da palavra libido que S. Freud 
construiu sua teoria da sexualidade, percurso teórico 
iniciado em 1905 com a publicação dos Três ensaios 
sobre a teoria da sexualidade (1905). É preciso enfatizar 
que este ponto de partida de sua teoria sobre a 
sexualidade sofreu várias modificações ao longo do 
tempo, seja a partir da reformulação teórica advinda em 
1914 a partir da conceituação sobre o narcisismo, seja à 
luz da teoria sobre o dualismo pulsional e da instauração 
da segunda tópica, em 1920, no texto Além do princípio 
de prazer, e, por último, em torno do texto Psicologia de 
grupo e análise do ego (1921). Isto quer dizer que a 
teoria sobre a sexualidade e o conceito que lhe é 
correlato - a libido - são construções realizadas ao longo 
do tempo, marcadas ou ritmadas pelas mudanças que a 
experiência clínica e o debate teórico impuseram ao 
pensamento freudiano. 
 
O termo libido designa a manifestação da pulsão sexual 
na vida psíquica e, por extensão, definindo a 
sexualidade humana em geral e a infantil em particular, 
entendidacomo causalidade psíquica (neurose), 
disposição polimorfa (perversão), amor próprio 
(narcisismo) e sublimação.
Esta reordenação das coisas, jogando luz sobre a vida 
psíquica (e não sobre a anatomia) faz da libido o 
componente básico e essencial da sexualidade, fonte 
do conflito psíquico. Isto permite que, ao longo do 
tempo, como dito anteriormente, seja possível integrar 
libido e pulsão, libido e objeto (na medida em que a 
energia é direcionada a e fixa-se em diferentes objetos) 
e, por fim, pode encontrar uma identidade narcísica (a 
libido do eu). A libido, identificada com a pulsão sexual 
tornou-se a pulsão de vida (Eros), em oposição à pulsão 
de morte (Thanatos) e com isto, a libido torna-se o 
principal determinante da psique humana.
 
Exercício
A primeira e a segunda tópica são assuntos que 
compõem a chamada metapsicologia freudiana. 
Correspondem a tentativas de sistematizar o aparelho 
psíquico, sugerindo a idéia de uma certa organização, 
onde cada sistema tem sua função. Tendo como base a 
primeira e a segunda tópica freudiana, julgue os itens 
abaixo:
 
 I. Com referência aos estímulos internos, o Ego ante 
as exigências das pulsões é inoperante na satisfação 
ou adiamento das exigências provenientes destas 
excitações.
II. Entre o inconsciente e o pré-consciente não existe 
barreira que impeça os conteúdos inconscientes 
ascender ao caminho para a consciência.
 III. O superego tem a função de juiz para o ego, 
apesar desta função específica, não podemos atribuir 
ao mesmo qualquer participação no surgimento do 
sentimento de culpa.
IV. Na primeira tópica; Freud divide o aparelho 
psíquico em inconsciente, pré–consciente e 
consciente. Estes três sistemas corresponderão 
respectivamente ao Id, Ego e Superego, propostos na 
segunda tópica.
 
ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA 
1. É correto o que se afirma em III e IV.
2. É correto o que se afirma em IV.
3. É correto o que se afirma em II e III.
4. É correto o que se afirma em I, II e III.
5. É correto o que se afirma em II.
 
Resposta B. 
 
Libido 
No início de sua teorização, Freud deu a esta libido um 
sentido psíquico, tornando-se, após o abandono da 
teoria da sedução, no motor do conflito psíquico que 
estaria na origem das neuroses: o histérico sofria de 
reminiscências e, depois, de fantasias e sonhos, cujo 
conteúdo seria explorado pela psicanálise, através do 
retorno à infância e, portanto, às primeiras experiências 
sexuais do sujeito. Com a publicação dos Três ensaios 
sobre a teoria da sexualidade (1905) este conceito 
tornou-se o eixo da sexualidade humana.
Primeiro a libido é uma “energia”, uma manifestação 
dinâmica, na vida psíquica, do impulso (ou pulsão) 
sexual e, se o que pesava, a partir de então, era a 
dimensão psíquica, redefine-se o estatuto da libido: não 
mais constituía uma atividade somática, mas era um 
desejo sexual que procurava satisfazer-se, fixando-se 
em objetos. É também neste tempo de sua teorização 
que se institui a noção de monismo sexual: a libido seria 
de natureza masculina, quer sua manifestação seja no 
homem ou na mulher. 
Esta libido - dimensão fundamental da pulsão - fixa-se 
em objetos e pode se deslocar em seus investimentos, 
mudando de objeto e de objetivo. É então sublimada, ou 
seja, derivada para objetivos não sexuais, investe em 
objetos socialmente valorizados: a arte, a literatura, 
atividades intelectuais, etc.
Esta maleabilidade libidinal, sua capacidade intrínseca 
de mudar tanto de objetos quanto de objetivos, permite 
igualmente um outro tipo de trânsito: também pode 
diversificar-se quanto à fonte de excitação. Há uma 
diversificação das zonas erógenas, que se distribuem 
por quatro regiões do corpo: oral, anal, uretro-genital e 
mamária. Dessa descrição da libido capaz de se 
diversi f icar em zonas erógenas decorreu um 
desdobramento teórico - a teoria dos estádios ou fases, 
tão central na reformulação freudiana quanto na relação 
objetal. Cada idade ou, cada fase, tem um tipo de 
relação de objeto que serão definidas em quatro: a fase 
oral, a fase anal, a fase fálica e a fase genital.
 
Fase Oral
É o momento em que o prazer sexual se dá, 
predominantemente, pela excitação da zona bucal e 
lábios, estando associado à alimentação. Neste 
momento precoce do desenvolvimento o bebê só espera 
a satisfação de suas necessidades, que asseguram a 
sobrevivência, assim quando tem fome ou sede busca a 
satisfação e à medida que esta necessidade é satisfeita, 
a pulsão a ela associada acaba por ser reduzida, com 
isto vivencia e sente prazer, o que restitui ao organismo 
o retorno ao seu estado de equilíbrio. 
O objeto da fase oral é o seio ou seu substituto, não só 
enquanto alimentação, nem como elemento anatômico, 
mas como objeto que permitirá as várias vivências e 
sensações de aconchego que envolve o acalento do 
colo materno. 
Nesta fase se dá a formação do ego, a princípio o bebê 
não percebe nem sente-se como separado do exterior, a 
não satisfação imediata da necessidade, conjugada à 
espera pelo alimento, a faz sentir-se como separado do 
ambiente e, neste espaço se dá o início da formação do 
ego, que ocorrerá durante o primeiro ano de vida.
 
Fase Anal
Por volta dos 12 meses de vida inicia-se a fase anal, que 
durará até os 36 e, apesar desta região anal estar em 
funcionamento desde o início da vida, será somente 
mediante o amadurecimento neurofisiológico aliado às 
demandas do ambiente, que incidirão para que 
musculatura voluntária torne-se o centro dos 
investimentos libidinais.
Assim, as crianças começam a desenvolver o controle 
muscular ligado aos esfíncteres – anal/defecação e 
uretral/controle urinário, em complementaridade às 
preocupações dos pais acerca do estabelecimento dos 
hábitos de higiene. Nesta fase, retenção ou expulsão 
tornam-se fontes de prazer, já que região anal é a zona 
erógena. O aprendizado da higiene e a consequente 
necessidade de controle esfincteriano são possíveis, 
pois o ego está caminhando à sua formação, permitindo 
à criança ser capaz de adiar a satisfação das pulsões. O 
objeto desta fase ainda é a mãe, contudo numa 
perspectiva de objeto total.
 
 Fase Fálica 
É o momento em que o prazer sexual se dá pela 
curiosidade e manipulação dos genitais. A obtenção de 
prazer se dá pela manipulação, masturbação infantil. 
Embora a criança tenha este interesse pelos genitais, 
ainda não se trata da verdadeira genitalidade, seu 
sentido é ambíguo, pois a criança ainda não sabe 
discriminar sobre a diferença sexual anatômica e 
considera que todos os seres são dotados de pênis – 
homens e mulheres. Após o período de negação das 
diferenças entre os sexos, meninos e meninas terão que 
conviver com o produto deste reconhecimento, cada um 
a sua maneira. 
A sexualidade, até aqui, é auto-erótica, mas começa a 
ser investida nos pais, porquanto o desejo libidinoso dos 
filhos é dirigido para o genitor do sexo oposto, 
resultando numa verdadeira batalha que estruturará o 
psiquismo do ser humano. 
 
Período de Latência 
Depois da turbulência decorrente da renúncia 
produto do complexo de Édipo e com um superego 
já formado, a criança entra num período de 
acalmamento e diminuição da atividade sexual. Esta 
etapa inicia-se por volta dos 5/6 anos e estende-se 
até à puberdade. 
Pela impossibilidade de efetivar se intento da 
satisfação das pulsões sexuais, a criança renuncia 
ao seu desejo incestuoso e volta-se para objetos 
não pertencentes à sua estrutura familiar primária. 
Há uma repressão das pulsões sexuais e sua 
energia é canalizada para atividades e interesses 
sociais.
Nesta fase são erigidos sentimentos contentores da 
sexualidade, entre eles a vergonha, o pudor, o nojo, 
a repugnância. 
 
Fase Genital 
Para Freud, na adolescência, éreativada toda 
sexualidade adormecida durante o período de latência; o 
reaparecimento dos impulsos sexuais reprimidos os 
dirige para o sexo oposto, numa perspectiva de 
sexualidade adulta e madura. Neste estágio o 
adolescente reativa seu Édipo e desencadeia-se uma 
maior independência e autonomia dos adolescentes em 
relação aos pais idealizados da infância, redundando em 
escolhas sexuais fora do mundo familiar e num processo 
de adaptação às exigências socioculturais. 
Este modo de conceber a sexualidade e a vida psíquica 
amplia a noção de sexualidade, até então vista pelos 
sexólogos, reduzida ao sentido genital. A libido, ligada 
que está à pulsão sexual, inscreve-se como componente 
c e n t r a l d e u m E r o s e n f i m r e e n c o n t r a d o , 
simultaneamente desejo, sublimação e sexualidade em 
todas as suas formas humanas. 
 
Em 1920, com Mais-além do princípio de prazer, o 
dualismo pulsional se realinha em torno de Eros (pulsão 
de vida) e Thânatos (pulsão de morte) e a libido foi, 
assim, assimilada a Eros: “A libido de nossas pulsões 
sexuais coincide com o Eros dos poetas de filósofos, 
que mantém a coesão de tudo aquilo que vive” (1920). 
E, no Esboço de psicanálise, os dois termos se 
fundiram: “toda energia de Eros, que doravante 
denominaremos de libido”.
“Freud fez da libido o móbil de um escândalo, que 
apareceria, a partir de 1910, nas múltiplas resistências à 
psicanálise em todos os países, sendo ela sempre e por 
toda parte qualificada de doutrina pansexualista: 
“germânica” demais aos olhos franceses, “latina” demais 
para os escandinavos, “judaica” demais para os nazistas 
e “burguesa” demais, enfim, para o comunismo, ou seja, 
sempre “sexual” em demasia” (Roudinesco, 1998).
 
 
EXERCÍCIO
Cada uma das fases descritas por Freud tem uma 
importância à constituição do sujeito psíquico, mas uma 
delas é marcada pela reativação da sexualidade, de 
forma organizada para a realização da sexualidade 
genital plena (adulta). Que momento é este e no que 
implica sua consecução? 
A. Fase fálica, que implica no reconhecimento anatômico 
do órgão sexual e aceitação das diferenças entre os 
sexos.
B. Fase oral, anal e fálica que pressupõem uma 
organização pré-genital.
C. Fase genital, que é um equivalente da fase fálica em 
seus desdobramentos mais específicos. 
D. Período de latência, que é o grande preparador à 
genitalidade adulta.
E. Fase genital, que implica na renúncia do desejo 
incestuoso, na plenitude fisiológica, na escolha sexual 
fora do mundo familiar, na assunção do sujeito 
autônomo. . 
 
Resposta E.
 
 
TEORIA PSICANALÍTICA
 
MÓDULO 5
O complexo de Édipo e a sua dissolução
 
Bibliografia:
FREUD, S. Cinco Lições de Psicanálise: Quarta Lição 
(1912). IN FREUD, S. Obras Completas de S. Freud, 
Rio de Janeiro: Imago Editora Ltda; 1969.
______. A dissolução do complexo de Édipo (1924). IN 
FREUD, S. Obras Completas de S. Freud, Rio de 
Janeiro: Imago Editora Ltda; 1969.
MEZAN, R. A querela das interpretações. IN: A 
Vingança da Esfinge, Ensaios de Psicanálise: Editora 
Brasiliense; 1988.
 
 
Complexo de Édipo
O complexo de Édipo (ou Édipo simplesmente, para 
abreviar) designa o complexo definido por Freud, assim 
como é um mito fundador, pois a partir deste conceito a 
teoria psiacanalítica procura elucidar as relações do ser 
humano com suas origens e sua genealogia familiar e 
histórica.
O Édipo responde a duas questões: 
1. Como se forma a identidade sexual de um homem e 
uma mulher;
2. Como uma pessoa torna-se neurótica. 
 
Serve-nos, assim, para compreender como um prazer 
(de ordem sexual) toma conta de uma criança - na 
idade entre 3 e 5 anos - e se transforma em um 
sofrimento neurótico que atormentará o sujeito na vida 
adulta.
Foi na escuta de seus pacientes neuróticos, adultos, que 
Freud, inicialmente, criou a teoria da sedução que, em 
seguida, foi substituída pela teoria da fantasia e no 
escopo desta movimentação teórica surge a invenção do 
complexo de Édipo (o mito de Édipo surge na teoria 
psicanalítica no exato momento do nascimento da 
psicanálise, consecutivo ao abandono da teoria da 
sedução). O que é relevante, apesar da mudança - da 
teoria da sedução para a da fantasia - é que o 
acontecimento, real ou fantasiado, é que tenha sido 
recalcado. A histeria é principalmente uma doença do 
esquecimento, já que não se quer lembrar do que foi 
doloroso. 
No entanto, a posição do sujeito é diferente no 
acontecimento real e no fantasiado: no primeiro, a 
criança da cena de sedução é vítima; no segundo, a 
criança da cena edipiana/fantasiada é atormentada entre 
o desejo de ser seduzida e o medo de sê-lo, entre o 
medo de sentir prazer e o medo de experimentá-lo. 
A identidade sexual de todo homem ou mulher tem como 
ponto de partida o complexo de Édipo e é por isto que o 
que se encontra na clínica, sob esta ótica, são pessoas 
adultas sofrendo, não raras vezes, pelas vicissitudes de 
um complexo não liquidado e que retorna à consciência, 
de forma compulsiva e repetitiva, delineando-se, assim, 
um sofrimento neurótico.
O Édipo é um esquema teórico que permite ao 
psicanalista esclarecer e compreender uma gama 
infindável de conflitos e sofrimentos psíquicos; é, do 
ponto de vista clínico, uma fantasia que atua desde o 
âmago de ser e o toma por inteiro. Quanto ao mito, sua 
força na cultura se explica porque através de uma fábula 
que traz à cena personagens familiares, o faz de tal 
forma que estes personagens verdadeiramente 
encarnam as forças do desejo humano e os seus 
interditos, suas proibições necessárias. 
Fantasia ou mito, o complexo edipiano é um conceito 
central, nuclear (acha-se presente em toda obra 
freudiana, desde 1897 até 1938), indispensável à 
consistência da teoria e à eficácia da prática 
psicanalítica. 
 
 
EXERCÍCIO
Uma das grandes contribuições de Freud em relação ao 
desenvolvimento do ser humano se refere à 
sexualidade, tomada aí numa dimensão muito mais do 
que a dimensão reprodutiva. Assinale a alternativa 
que corresponde aos achados de Freud sobre este 
tema. 
A. A vida sexual dos seres humanos começa na 
puberdade, o que ocorre logo após ao nascimento 
d e v e s e r e n t e n d i d a n u m a p e r s p e c t i v a 
desenvolvimentista sem associação à sexualidade.
B. Após o nascimento a única manifestação de 
sexualidade se refere ao ato de sugar o seio da 
mãe, portanto esta ação liga-se não a sexualidade, 
mas a al imentação como ação voltada a 
sobrevivência.
C. A vida sexual inclui a noção de que diferentes 
partes do corpo são reconhecidas como zonas 
erógenas, capazes de produzir prazer.
D. O conceito de sexual é um conceito amplo que 
inclui atividades têm que ver com os órgãos 
genitais.
E. O primeiro órgão a surgir como zona erógena e a 
fazer exigências libidinais à mente é, da época do 
nascimento em diante, os genitais.
 
Resposta C.
 
Dissolução do Complexo de Édipo
O complexo de Édipo é a representação inconsciente 
pela qual se exprime o desejo sexual ou amoroso da 
criança pelo genitor do sexo oposto e sua hostilidade 
para com o genitor do mesmo sexo. Essa representação 
pode se inverter e exprimir o amor pelo genitor do 
mesmo sexo e o ódio pelo do sexo oposto.
O complexo de Édipo está ligado à fase fálica da 
sexualidade infantil e surge quando o menino (por volta 
dos 2 ou 3 anos) começa a sentir sensações prazerosas 
e, apaixonado pela mãe, quer possuí-la, colocando-se 
como rival do pai, antes admirado. Uma posição inversa 
é adotada: ternura em relação ao pai e hostilidade em 
relação à mãe. Há, ao mesmo tempo, o complexo de 
Édipo e um complexo de Édipo invertido; estas duas 
posições - positiva e negativa - no contato com os pais 
são complementares e constituem o Édipocompleto.
Será, por volta dos cinco anos, com o complexo de 
castração que, no menino, o complexo desaparecerá: o 
menino reconhece a partir de então na figura paterna o 
obstáculo à realização de seus desejos, abandona o 
investimento na mãe e passa para uma identificação 
com o pai, que lhe permitirá, na vida adulta, uma outra 
escolha de objeto e novas identificações: ele se desliga 
da mãe (desaparecimento do complexo de Édipo) para 
escolher seu próprio objeto de amor. Seu declínio marca 
a entrada num período chamado de latência, e sua 
resolução após a puberdade concretiza-se num novo 
tipo de escolha de objeto. 
A tese da tese da libido única, de essência masculina, 
está ligada ao complexo de Édipo. O menino sai do 
Édipo através da angústia de castração, por seu lado, a 
menina ingressa nele pela descoberta da castração e 
pela inveja do pênis e, nela, o complexo se manifesta 
pelo desejo de ter um filho do pai. A dessimetria se 
apresenta no tocante ao fato de a menina desligar-se de 
um objeto do mesmo sexo (a mãe) por outro de sexo 
diferente (o pai). Não há um paralelismo exato entre o 
Édipo masculino e seu homólogo feminino, mas 
encontramos uma simetria: nos dois sexos a mãe é o 
primeiro objeto de amor, o elemento comum e primeiro.
 
 
EXERCÍCIO
Sobre o Complexo de Édipo na teoria de Freud, pode-se 
dizer que: 
I. A ameaça de castração é o principal fator que 
leva a dissolução do Complexo de Édipo e 
encontra-se na base do processo civilizatório.
II. O Complexo de Édipo é considerado um 
processo universal, que desempenha um papel 
estruturante no desenvolvimento do indivíduo.
III. A elaboração do Complexo de Édipo inclui o 
abandono dos aspectos mais passionais em relação 
aos pais e a consequente identificação com os 
progenitores.
IV. A ameaça de castração é uma teoria sexual 
infantil para explicar a diferença anatômica entre os 
sexos e só ocorre em casos extremos de confusão 
de identidade.
V. O Complexo de Édipo nunca se dissolve, e é 
predominante nos meninos.
 
Identifique qual das alternativas está correta:
A. É correto o que se afirma em I, II e, V.
B. É correto o que se afirma em II, III e IV.
C. É correto o que se afirma em I, II e III.
D. É correto o que se afirma em II, IV e V.
E. É correto o que se afirma em II e V.
 
Resposta C.
 
O complexo de Édipo liga-se desde o começo à dupla 
questão do desejo incestuoso e de sua proibição 
necessária, a fim de que nunca se transgrida o 
encadeamento das gerações.
Mantém uma ligação estreita com o complexo de 
castração e com a existência da diferença sexual e das 
gerações. 
Freud viu a tragédia Édipo rei (Sófocles) a revelação ou, 
em outras palavras, a simbolização, do universal do 
inconsciente que vinha disfarçado em destino, a lenda 
grega apoderou-se de uma compulsão que todos 
sentiram, por isto reconhecem-se, inconscientemente, 
na dramatização e se assombram diante da realização 
do sonho transposto para a realidade. 
A s s i m t a m b é m o c o r r e c o m o d r a m a 
de Hamlet (Shakespeare) que era, para Freud, o drama 
do recalcamento, através da história de uma 
subjetividade culpada.
Esta aproximação de ficções pode ser relacionada ao 
afã de Freud por entender as questões relativas ao 
destino, àquilo que a vida reserva e que se ignora. a isto 
podemos correlacionar o próprio conceito de 
inconsciente, ninguém o conhece e, igualmente, dele 
não pode se desvencilhar. O complexo de Édipo é, como 
foi dito inicialmente, a representação psíquica do desejo 
inconsciente e, como consequência, traz em seu bojo a 
iniciação em uma experiência de perda e de luto, 
referente aos pais como parceiros sexuais.
 
 
EXERCÍCIO
Um dos efeitos do complexo de Édipo na criança por 
volta dos 5 (cinco) ou 6 (seis) anos está relacionado com 
atitudes morais e regras que devem ser seguidas e que 
es tão su je i tas a pun ição, a lém de susc i ta r 
arrependimento que vem de dentro de si própria e não 
de outra pessoa, exigindo comportamento de 
obediência. Com base nestas afirmações identifique de 
que fase do desenvolvimento psicossexual trata-se este 
momento descrito e escolha a alternativa correta: 
A. O período descrito é o de latência e demonstra a 
formação do superego. 
B. A fase descrita é a anal e demonstra o contato do 
ego com o ambiente.
C. A fase descrita é a oral e os primórdios do princípio 
de prazer.
D. A fase descrita é a fálica e mostra a estruturação 
do superego, pela dissolução do Édipo.
E. A fase descrita é a fálica e mostra o início do 
complexo de Édipo.
 
Resposta D.
 
 
  
TEORIA PSICANALÍTICA
 
MÓDULO 6
A psicanálise na clínica
O surgimento da transferência
A descoberta do narcisismo.
 
Bibliografia:
FREUD, S. A dinâmica da transferência (1912). IN 
FREUD, S. Obras Completas de S. Freud, Rio de 
Janeiro: Imago Editora Ltda; 1969.
______. Sobre o Narcisismo: uma introdução (1914). IN 
FREUD, S. Obras Completas de S. Freud, Rio de 
Janeiro: Imago Editora Ltda; 1969.
______. Fragmentos da análise de um caso de histeria – 
O Caso Dora – Epílogo (1905). IN FREUD, S. Obras 
Completas de S. Freud, Rio de Janeiro: Imago Editora 
Ltda; 1969.
______. Recordar, repetir e elaborar - Novas 
recomendações sobre a técnica da Psicanálise II (1914). 
IN FREUD, S. Obras Completas de S. Freud, Rio de 
Janeiro: Imago Editora Ltda; 1969.
LAPLANCHE, J. Vocabulário da psicanálise - 
Laplanche e Pontalis. São Paulo: Martins Fontes, 1992.
 
 
A Psicanálise na clínica e a transferência
Quando Freud (1915[1914]) diz que só o analista pode 
tratar a neurose que, do contrário, sem o tratamento 
adequado (psicanalítico) está fadada a se repetir em 
seus sintomas ‘ad infinitum’, afirma que o psicanalista 
deve saber fazer algo que nenhum outro profissional ou 
pessoa terá condições de fazer. Este algo a ser feito 
depende de quem o faz, precisa ser feito no 
enfrentamento da neurose, e para isto é preciso que seja 
um psicanalista e refere-se diretamente à sua formação. 
E este deve estar capacitado a suportar o peso da 
repetição. E, o faz, através do manejo da transferência. 
A associação livre abre caminho para a investigação e 
para o tratamento psicanalíticos e coloca para o analista 
um novo horizonte a partir do qual poderá trabalhar e 
que diz respeito ao manejo da transferência. Para Freud, 
em seu texto Recordar, repetir e elaborar (1914), há uma 
relação estreita entre a compulsão à repetição e a 
transferência, afirmando uma estreita proximidade entre 
as duas: a transferência seria um fragmento da repetição 
e esta é uma transferência do passado, seja para o 
analista seja para diferentes aspectos da vida atual do 
paciente. 
Mas o que se repete? Seguindo Freud nos textos citados 
trata-se justamente de um processo inconsciente no qual 
o sujeito se sente compelido a repetir atos, ideias, 
pensamentos e sonhos que, na sua origem, foram 
geradores de sofrimento e ao serem repetidos não 
perdem esta conotação, mas também não é possível 
abandoná-los por força da vontade. E, como analistas, o 
que nos convoca a pensar, desde Freud, é justamente o 
caráter enigmático (ou sinistro) desta necessidade de 
repetição ao ser confrontada com o princípio de prazer. 
E é particularmente no texto de 1914, Recordar, repetir e 
elaborar que podemos ver explicitada uma trama que 
liga repetição e transferência, na medida em que coloca 
que a repetição é a forma de o paciente recordar, ainda 
que sob o signo da resistência, daquilo que lhe é mais 
difícil, dado que está ligado às conotações sexuais que 
não passam pelo crivo da censura e, portanto, não 
podem ser rememoradas. E, assim, será o manejo da 
transferência que permitirá que se transforme a 
compulsão à repetição num motivo para recordar: A 
transferência cria,assim, uma região intermediária entre 
a doença e a vida real, através da qual a transição de 
uma para outra é efetuada (Freud, 1914, p.201). 
 
 
EXERCÍCIO
O processo transferencial ocorrido durante a análise 
pode ser concebido como uma reatualização de 
experiências significativas da vida do paciente. Com 
base nas observações de Freud acerca da transferência, 
escolha a alternativa correta, assinalando-a. 
A. A transferência é a forma mais clara em análise 
da superação da resistência, pois viabiliza uma 
transmissão consciente de conteúdos reprimidos de 
um sujeito para o analista.
B. A resistência transferencial cria a possibilidade de 
uma manifestação menos crítica do sujeito durante a 
análise, especialmente pelo fato de que a relação 
com o terapeuta tem sempre referência do real.
C. A transferência torna-se recurso fundamental da 
análise, pois torna manifesto os impulsos eróticos 
esquecidos pelo paciente.
D. A transferência é um fenômeno que prejudica o 
desenvolvimento favorável na análise, pois 
apresenta significativa resistência, impedido clareza 
da dinâmica psíquica por parte do analista.
E. Sentimentos amistosos como confiança e 
amizade podem caracterizar uma forma de 
transferência positiva, que são sempre vistos como 
muito positivos.
 
Resposta C.
 
No entanto, transferência e repetição não são uma e 
mesma coisa, ainda que se refiram exatamente àquilo 
que está na visada principal do analista, a saber, o 
inconsciente. A primeira como uma técnica que serve de 
contrapeso ao que é própr io das formações 
inconscientes, a compulsão à repetição. E também está 
na visada do analista e da direção da análise trabalhar 
como isso pode ser “acolhido” na situação analítica de 
tal forma que, ao propiciar uma experiência abrandada 
de seus efeitos, aquilo que era um movimento repetitivo 
dê lugar a algo, se não radicalmente novo, pelo menos 
uma criação própria do sujeito na sua relação com seu 
inconsciente.
Transferência não é repetição e esta não aparece de um 
só jeito. Mas na transferência o lugar ocupado pelo 
analista revigora o status ficcional da transferência na 
medida em que, ao encarnar uma abertura, o analista 
remete o sujeito à sua própria errância, à suas 
infindáveis tentativas de criar algo a partir do nada, ou 
melhor, da falta – falta de sentido, falta de norte ou de 
rumo, que não se cansa de se repetir. A técnica que 
serve de contrapeso a esta exigência pulsional de 
repetição não exclui este movimento, mas permite que 
algo se produza, se crie nas movimentações possíveis a 
cada momento, para cada um e chega-se a um pouco 
de verdade.
 
A descoberta do narcisismo
As primeiras considerações de Freud sobre o narcisismo 
surgem por volta de 1909, época da segunda edição 
dos Três Ensaios..., em cartas (junho de 1913) e no 
artigo sobreLeonardo da Vinci (1910). Mas é somente 
com o texto de 1914 que a discussão sobre as relações 
entre o eu e os objetos externos culmina numa 
diferenciação entre duas formas dist intas de 
investimento libidinal: uma voltada para o próprio eu e 
outra voltada para os objetos. São desta mesma época 
também as indagações de Freud sobre a escolha da 
neurose e será em 1914 que afirmará o narcisismo como 
um conceito à parte, capaz de esclarecer uma forma de 
investimento libidinal que não diz respeito somente ao 
que podemos ver nas perversões, estendendo-se à 
totalidade do curso regular do desenvolvimento sexual 
humano, ou seja, passa a ser considerado como um 
estágio necessário entre o auto-erotismo e o amor 
objetal. Então, podemos situar o narcisismo como um 
conceito que auxilia tanto na compreensão da etiologia 
das neuroses, das psicoses e das perversões quanto na 
reformulação das noções anteriores sobre o curso dos 
investimentos libidinais.
 
Os dois narcisismos: primário e secundário
É certo que, num primeiro momento das investigações 
psicanalíticas, o narcisismo surge associado às 
disposições patológicas, porém ao longo do tempo e dos 
progressos teóricos, o narcisismo encontrado nas 
disposições patológicas seria mais adequadamente 
explicado como um fenômeno posterior a um ‘narcisismo 
primário’, este sim etapa necessária no desenvolvimento 
da vida psíquica. A partir disto pode-se falar numa 
relação diferente entre esta nova acepção de narcisismo 
e a constituição do psiquismo, pois com o texto de 1914, 
há um primeiro abalo nas construções psicanalíticas no 
que diz respeito à clássica oposição entre pulsões 
sexuais e pulsões do eu.
Antes de formular esta sua teoria sobre o narcisismo, 
acreditava-se que os investimentos no eu eram tão 
somente relacionados às necessidades de auto-
conservação, ficando reservada a libido para as relações 
objetais. Porém as invest igações poster iores 
demonstraram que esta ‘libido do eu’ estava sendo 
ocultada por esta pressuposição. A importância destas 
formulações acerca do narcisismo concentra-se no fato 
de estar diretamente vinculado à própria constituição do 
eu, pois num primeiro momento – anterior ao 
descobrimento do narcisismo como etapa necessária na 
formação da vida psíquica – acreditava-se que as 
pulsões do eu eram exclusivamente não-sexuais e que o 
auto-erotismo, enquanto estágio inicial da sexualidade, 
não teria nenhuma finalidade de sobrevivência, assim 
como seria anterior à formação do eu como uma 
unidade. Reconhecer que há um investimento libidinal 
no eu leva à ideia de que estão presentes na 
constituição deste diferentes energias psíquicas e que a 
passagem do estado do auto-erotismo para o narcisismo 
se dá quando se acrescenta ao auto-erotismo o eu, ou 
seja, quando este último passa a ser o objeto de amor. 
Assim é que o narcisismo ganha o estatuto de primário, 
perde sua conotação patológica e passa a ser um 
elemento fundamental na constituição da vida psíquica.
Porém esta libido dirigida ao eu é a mesma energia que 
se dirige para os objetos, trata-se nos dois casos da 
manifestação da mesma pulsão sexual, só que agora 
compreendida como capaz de investir em diferentes 
objetos: o próprio eu e os objetos externos. O eu seria 
então constituído por esta energia, estaria investido, 
desde o princípio da sua constituição, de pulsões de 
auto-conservação e de pulsões sexuais, o que significa 
dizer que é um ‘reservatório’ destas pulsões: dele tanto 
partem quanto retornam os investimentos sexuais.
 
O retorno e o represamento da libido no eu, num grau 
mais elevado, são experimentados como desagradáveis 
pelo sujeito, impelindo-o a ultrapassar os limites deste 
narcisismo e ligar-se a outros objetos – é assim que se 
processaria a transformação da libido narcísica em libido 
objetal ou, a passagem do narcisismo primário para a 
relação objetal propriamente dita. Portanto, o aparelho 
psíquico teria como tarefa elaborar as excitações para 
que não se tornem aflitivas, o que pode ocorrer tanto na 
sua relação com objetos reais quanto com imaginários.
Esta libido do eu, ou mais especificamente este 
narcisismo primário, é um conceito que ajudará na 
reformulação das disposições patológicas no tocante ao 
investimento do eu nele mesmo ou nos objetos, ou em 
outras palavras no modo como as relações do eu com 
os objetos ficam comprometidas quando há um retorno a 
um investimento no próprio eu que substitui o 
investimento objetal. Falar de narcisismo primário 
remete necessariamente à teoria da libido, podendo ser 
considerado como uma extensão desta última. 
Poderíamos assim considerar a palavra ‘retorno’ como 
tendo um duplo sentido: primeiro porque a libido 
desloca-se dos objetos para o próprio eu - se o seu 
destino natural e normal deve ser os objetos, a ideia de 
retorno tanto estaria ligada à noção de patologia (uma 
perversão, por exemplo) quanto de um caminhar para 
trás, retorno igual a movimento nadireção contrária e 
esta conotação se referiria ao narcisismo secundário. 
Um segundo sentido tomaria a palavra retorno 
focalizando o eu não só como seu ponto de partida, mas 
como também alvo inicial (original) deste investimento, 
este seria o narcisismo primário. A distinção 
entre narcisismo primário e secundário está relacionada 
com a necessidade de se distinguir entre o que seria um 
investimento no eu com ou sem conotação patológica, 
assim como com questões referentes ao próprio estatuto 
destes conceitos ao longo da obra freudiana e de alguns 
de seus seguidores, mais especificamente no que diz 
respeito à demarcação de modos de investimentos no 
eu, anteriores ou posteriores ao estabelecimento de 
relações de objeto.
 
No que concerne à primeira tópica, Freud adota uma 
concepção de narcisismo primário comportando uma 
dose de relação intersubjetiva, pois na medida em que o 
narcisismo dos pais é reavivado na relação com ‘sua 
majestade, o bebê’, pode-se afirmar que este narcisismo 
incipiente e contemporâneo da constituição do eu, não 
está situado nem no interior da criança, nem no interior 
dos pais, exclusivamente. Ele seria mais bem definido 
n e s t e m o m e n t o d a t e o r i a f r e u d i a n a c o m o 
uma identificação (narcísica) com o objeto e, por parte 
dos pais, uma projeção de seu próprio narcisismo 
decaído.
Mas esta concepção não se mantém assim ao longo da 
obra f reud iana - e mesmo os ps icana l is tas 
contemporâneos estão divididos quanto a esta questão – 
pois com a segunda tópica o narcisismo primário seria 
descrito como uma fase anobjetal, referindo-se a total 
ausência de intercâmbios com o meio e de 
indiferenciação entre o eu e o isso. Aqui, as analogias 
mais pertinentes a este estado da vida psíquica seriam a 
vida intra-uterina e o sono. 
A confluência destes dois fatores – a imagem unificada 
que a criança passa a ter do próprio corpo e a revivência 
do narcisismo dos pais incidindo sobre a criança – é que 
inaugura a constituição do Eu Ideal (Ideal Ich). É a 
imagem idealizada do eu, é a experiência de um eu real 
que tem exatamente os mesmos atributos que são 
percebidos pelos objetos de amor, no caso os pais.
Esta imagem unificada do próprio corpo tem o valor de 
passagem de um estado em que reinavam as pulsões 
parciais, para um estado mais organizado, que coincide 
com a constituição do eu enquanto entidade autônoma, 
e isto só se dá com a entrada no estágio do narcisismo, 
o narcisismo infantil que logo sofre um abalo, sua 
duração enquanto modo de ligação com os objetos é 
limitada e o fator principal de sua ‘queda’ provém do 
complexo de castração e também de outras situações 
que lhe são correlatas. A imagem idealizada de si 
mesmo não se mantém nos intercâmbios com o meio, a 
percepção de si como totalmente adequada ao desejo 
do outro e o objeto reconhecido na justa medida da 
identidade com o eu tem como destino, do ponto de vista 
psíquico, um refúgio, que ao mesmo tempo em que 
perpetua esta representação, desloca-a para o que vem 
a se chamar instância ideal.
 
EXERCÍCIO
O narcisismo não é um vilão da história do sujeito, mas 
um elemento que abre o caminho para a constituição do 
sujeito psíquico. Nesta perspectiva identifique a 
alternativa correta: 
A. O narcisismo primário resguarda em si certo grau 
de patologia. 
B. O narcisismo secundário é produto do investimento 
libidinal dos pais na criança.
C. A descoberta do narcisismo como etapa 
necessária na formação da vida psíquica reforça a 
ideia de seu aspecto patológico.
D. No narcisismo primário a criança toma a si mesma 
como objeto de amor, ao invés de escolher objetos 
exteriores.
E. No narcisismo secundário a criança investe sua 
libido nos objetos exteriores.
 
Resposta D.
 
 
 
TEORIA PSICANALÍTICA
 
MÓDULO 7
A psicanálise na clínica: a atitude frente à castração - 
neuroses, psicoses, perversões
Considerações sobre o objetivo e o final de uma 
análise
 
Bibliografia:
FREUD, S. A perda da realidade na neurose e na 
psicose (1924). IN FREUD,S. Obras Completas de S. 
Freud, Rio de Janeiro: Imago Editora Ltda.
______. Construções em Psicanálise (1937). IN FREUD, 
S. Obras Completas de S. Freud, Rio de Janeiro: 
Imago Editora Ltda; 1969.
MEZAN, R. Psicanálise e Psicoterapia. In A Vingança 
da Esfinge, Ensaios de Psicanálise. Editora 
Brasiliense, 1988.
 
Castração
Tanto quanto o complexo de Édipo é a representação 
psíquica de uma experiência, o complexo de castração 
também diz respeito a uma experiência psíquica vivida 
inconscientemente pela criança, por volta dos seus cinco 
anos de idade e que tem peso decisivo no tocante à 
identidade sexual, ou em outras palavras, à escolha de 
objeto de amor. É neste momento que a criança 
reconhece, tomada pela angústia, a diferença sexual, ou 
seja, que o mundo é composto por homens e mulheres e 
que o corpo tem seus limites e, para o menino, isto 
significa que, apesar de possuir o pênis, este não lhe 
permitirá realizar seus sonhos e desejos sexuais com 
sua mãe, pois até então vivia na ilusão da onipotência.
Apesar da ênfase atribuída à castração enquanto etapa 
da evolução da sexualidade infantil, é importante lembrar 
que sua relevância transcende o que seria uma 
significação cronológica, na medida em que é uma 
experiência re-vivida - inconscientemente - ao longo de 
toda a existência. A psicanálise - como prática clínica - é 
uma oportunidade para reativar esta experiência, 
possibilitando assim que, na vida adulta, retome-se o 
curso da vida sem desconsiderar os limites do corpo em 
relação à vastidão dos desejos, experiência vivida e 
sofrida desde tenra infância.
O complexo de castração para o menino assinala a 
saída do complexo de Édipo e a identificação com o pai 
(ou seu substituto) no núcleo do superego. A 
consequência da constatação da diferença sexual está 
relacionada à rememoração ou atualização de ameaça 
de castração - ouvida ou fantasiada - quando por 
ocasião de atividades masturbatórias e é o pai o agente 
desta ameaça.
O complexo de castração na menina passa-se de 
maneira distinta, pois é sob o efeito deste complexo que 
ela entrará no complexo de Édipo e se afastará da mãe, 
pois a esta última é atribuída a culpa pela privação do 
pênis. Afasta-se do objeto materno e orienta-se para o 
dese jo do pên is pa te rno e de sua p róp r ia 
heterossexualidade.
 
Além da importância deste conceito para a clínica - no 
que diz respeito ao diagnóstico e à direção de um 
tratamento psicanalítico -, o complexo de castração tem 
sua implicação na ordem cultural e social na medida em 
que nele estão representadas, junto com o complexo de 
Édipo, questões sobre a instituição das leis e proibições 
que regulam as relações e organizações humanas.
 
EXERCÍCIO 
A submissão à “castração” simbólica é sinônimo de 
crescimento e evolução psíquica, que repercute na 
dimensão da sociedade e cultura, pois a ela estão 
implícitos: 
A. O reconhecimento da diferença sexual que 
supõe o abandono de nossa ilusão de impotência 
infantil.
B. A irreverência aos limites de nosso corpo 
rumo a realização de nossos desejos.
C. Um elemento fundante da vida em 
sociedade, pois funciona como regulador das 
relações sociais. 
D. O desconhecimento da diferença sexual que 
nos mantém no patamar da onipotência infantil.
E. Por meio desta experiência vivida e sofrida 
desde a infância reagimos e podemos nos abster 
de submetermos a ela, mantendo-nos donos de 
nossas escolhas. 
 
Resposta C.
 
Neurose, psicose e perversão
 Neurose
Freud emprega o termo neurose para falar de uma 
doença nervosa, na qual os sintomas representam 
simbolicamente um conflito psíquico recalcado, de 
origem infantil e causa sexual. Em termosde uma 
classificação, designam-se os seguintes registros 
freudianos: neurose histérica, neurose obsessiva, 
neurose atual (neurose de angústia e neurastenia) e a 
psiconeurose (neurose de transferência e neurose 
narcísica).
A neurose advém como resultante de um mecanismo de 
defesa contra a angústia e de uma formação de 
compromisso, entre esta defesa e a possível realização 
de um desejo. Este desejo - e sua proibição - é aquele à 
que se refere o complexo de Édipo e o complexo de 
castração. Na neurose há um conflito entre o ego e o id, 
coexistindo, interna e inconscientemente, tanto impulsos 
que exigem satisfação quanto moções que levam em 
conta a realidade.
 
Psicose
Freud julgava a psicose quase sempre incurável e este 
era um dos motivos pelos quais não se dedicava ao seu 
tratamento. Definiu, inicialmente, em sua obra, a psicose 
como um distúrbio entre o ego e o mundo externo; no 
contexto da segunda tópica e com o desenvolvimento da 
teoria do narcisismo, a psicose foi explicada a partir da 
reconstrução de uma realidade alucinatória na qual o 
sujeito fica unicamente voltado para si mesmo, numa 
situação sexual auto-erótica em que toma literalmente o 
próprio corpo (ou parte deste) como objeto de amor 
(sem alteridade possível). Portanto aqui a castração, 
enquanto experiência psíquica, não pode ser 
experienciada.
 
Perversão
Tanto quanto na psicose, Freud caracterizou a perversão 
a partir de uma clivagem do ego, em que coabitam duas 
realidades distintas: a recusa e o reconhecimento da 
ausência do pênis na mulher. Assim, a perversão surge 
como renegação ou desmentido da castração, aliada à 
fixação da sexualidade infantil; trata-se dos efeitos sobre 
o sujeito da confrontação com a diferença sexual, 
existindo tanto no homem quanto na mulher.
 
EXERCÍCIO
O que faz com que cada uma das organizações – 
neurótica, perversa e psicótica – exija uma maneira de 
condução do trabalho psicanalítico, decorre das suas 
especificidades, o que equivale a dizer... 
I. Que a forma com que foi experienciada a castração, 
faz do perverso alguém rendido ao peso da realidade.
II. Que o conflito do psicótico consiste na fixação de 
uma sexualidade peverso-polimorfa e na rejeição do 
reconhecimento anatômico do órgão e consequente 
negação das diferenças. 
III. Que censura no neurótico é tão intensa que só 
consegue “viver” seu desejo pela via do sintoma.
IV. Que em cada uma das três organizações reside 
uma forma de funcionamento da mente, que 
determina um modo de relação do sujeito com o outro 
e seu desejo.
 
Identifique as alternativas e verifique a correta: 
A. É correto o que se afirma em I, II e III. 
B. É correto o que se afirma em III e IV. 
C. É correto o que se afirma em II e III. 
D. É correto o que se afirma em II, III e IV. 
E. É correto o que se afirma em I e III. 
 
 Resposta B.
 
Considerações sobre o objetivo e o final de uma 
análise
Uma análise se inicia e se mantém ao longo do tempo 
quando e se aquele que a procura apresente uma 
queixa (ou mais de uma), é preciso que se mostre, 
enfim, queixoso quanto ao sofrimento que seus 
sintomas lhe trazem e que aspire a algum tipo de 
mudança. Esta mudança, sonhada, mais ou menos 
explicitada nas entrevistas/consultas com um analista/
terapeuta são, por força da tradição e das origens, 
quase sempre associadas à ideia de cura, ideia esta que 
está ligada ao modelo médico e do qual o analista 
terapeuta deve fazer um esforço constante no sentido de 
se diferenciar.
Entende-se que, para a psicanálise, os sintomas são a 
expressão de um conflito inconsciente, uma luta entre o 
ego e um sofrimento inconsciente, por isto qualquer 
noção de cura que carregue a expectativa de eliminação 
ou desaparecimento dos sintomas não se justifica numa 
perspectiva psicanalítica. Mas, como os sintomas são a 
forma encontrada pelos sujeitos de enfrentar algo que 
pareceria insuportável - a dor e o sofrimento 
inconscientes - será através da relação transferencial, 
em que o analista/terapeuta será incluído como 
tes temunha des te so f r imento que se pode , 
psicanaliticamente falando, trabalhar para que as 
mudanças nas relações subjetivas com o mundo e 
consigo mesmo possam ocorrer.
Trabalha-se para dissipar a dor inconsciente, mas isto 
não pode ser feito pensando em eliminar sintomas, 
atitude mais relacionada a um “orgulho terapêutico” que 
acaba por privilegiar a figura do analista/terapeuta e 
seus sucessos ou fracassos. O objetivo de uma análise 
pode ser pensado como Freud o colocou em termos de 
uma reorganização ou ampliação do ego em benefício 
do id, na medida em que a escuta analítica, através da 
relação transferencial, serve de palco para o jogo de 
forças pulsionais que não desaparecerão ao fim de uma 
análise, mas se poderá dizer de uma experiência mais 
abrandada de seus efeitos na vida dos sujeitos.
 
EXERCÍCIO
Luís busca a análise em função dos sentimentos de 
confusão e vazio que vem vivenciando nos últimos 
meses e que o fazem sofrer muito, chegando a pensar 
em fugir de todas as suas obrigações. Neste caso, 
consideraríamos como principal objetivo de seu 
processo psicanalítico... 
A. A urgente necessidade de eliminação 
do sintoma.
B. A eliminação dos efeitos do jogo 
pulsional de seu psiquismo.
C. A dissipação da dor inconsciente e 
consequente eliminação do sintoma.
D. O abrandamento dos efeitos do jogo 
pulsional de seu psiquismo.
E. O reconhecimento de suas dificuldades 
e a medicalização de seus sintomas. 
 
Resposta D.
 
 
 
TEORIA PSICANALÍTICA
 
MÓDULO 8
Psicanálise e sociedade: a psicologia das massas, a 
identificação, o ideal do ego.
A compreensão da vida em grupo a partir do 
referencial psicanalítico.
 
Bibliografia:
FREUD, S. A Psicologia das Massas e a Análise do Ego, 
cap. IV a VIII e XII (1921). IN FREUD, S., Obras 
Completas de S. Freud, Rio de Janeiro: Imago Editora 
Ltda; 1969.
______. Mal estar na civilização, cap I (1930[1929]). IN 
FREUD, S., Obras Completas de S. Freud, Rio de 
Janeiro: Imago Editora Ltda; 1969.
 
 
Psicanálise e Sociedade
Depois de Mais-além do princípio de prazer (1920), o 
texto que trata das relações entre psicanálise e 
sociedade - Psicologia das massas e Análise do ego 
(1921) - é um outro marco importante na reformulação 
teórica freudiana, conhecida como a segunda tópica. 
Trata-se de um texto que explora os caminhos que vão 
da compreensão do indivíduo para a da sociedade. 
Freud refutou em seu texto uma oposição categórica 
entre uma psicologia do indivíduo e uma psicologia 
social e, seu ponto de partida para isto, é o fato inegável 
de que todo indivíduo está sempre referido a um outro 
na constituição mesma de seu psiquismo, o que leva à 
conclusão que toda psicologia individual é, desde 
sempre, social, por causa deste laço inerente à própria 
constituição do humano, ainda que uma não se 
confunda com a outra, na medida em que os efeitos de 
um narcisismo sempre presente, em que não há lugar 
para a diferença ou para a alteridade, não deixam de 
existir enquanto possibilidades individuais que se 
diferenciam de atos sociais.
Quais são e como se definem as relações dos indivíduos 
com a massa, foram as questões que nortearam as 
investigações freudianas neste texto, pensando nas 
mudanças evidenciadas nos indivíduos quando estão 
sós e quando estão fazendo parte de uma organização 
que os transcende.
Freud associa os movimentos de massa a partir do que 
definiu em sua teorização sobre o psiquismo individual 
como a fonte energética das pulsões - a libido - e que é 
o que move as relações amorosas e que será concebido 
também como o que estará operando nos movimentos 
de massa, inclusive quanto à relaçãoda massa com um 
líder. Neste aspecto, Freud irá diferenciar os 
agrupamentos sem e com líder, sendo estes últimos 
representados em seu texto pela igreja e pelo exército, 
instituições nas quais é possível identificar tanto as 
relações da massa com o líder, quanto as relações dos 
membros entre si, evidenciando estes laços como de 
natureza amorosa. 
No entanto será a relação - ou o investimento libidinal - 
com o líder uma espécie de protótipo das relações dos 
membros entre si e disto resulta um aspecto 
fundamental deste momento no pensamento freudiano, 
a saber, o desenvolvimento da teoria da identificação. 
De um lado tem-se a teorização de como a relação entre 
os membros se dá justamente pela identificação com o 
líder e, por outro lado, surge a distinção entre o ego e o 
ideal do ego (predecessor do superego). Os indivíduos 
têm no líder um objeto externo que ocupa o lugar de 
ideal do ego, assim como, identificam-se entre si por 
causa desta identificação ao líder, na qual a dimensão 
sexual seria sublimada.
Como este texto trata das relações entre o indivíduo e as 
organizações, não escapou à análise de muitos 
comentadores, as implicações do que Freud expõe com 
a própria institucionalização da psicanálise, dado que os 
psicanalistas não estão a salvo das mesmas vicissitudes 
pelas quais os indivíduos passam em seus embates 
mais ou menos conflituosos com as instituições.
 
EXERCÍCIO
A presença inequívoca do outro na constituição do 
psiquismo leva Freud à suas investigações sobre as 
relações entre psicologia individual e social, sobre este 
aspecto podemos afirmar que para Freud: 
A. A psicologia de grupo é uma categoria distinta da 
psicologia individual, não podem ser equiparadas.
B. A psicologia individual refere-se somente aos 
indivíduos, enquanto que a psicologia social não 
considera os indivíduos, mas apenas os aspectos 
dinâmicos das interações sociais.
C. A psicologia social é individual na medida em 
que os grupos são basicamente constituídos de 
indivíduos.
D. Não há oposição entre a psicologia individual e a 
psicologia social, pois a constituição do sujeito 
psíquico advém da trama que é tecida a partir do 
outro.
E. A tarefa dos pais é a de cuidar de seus filhos, o 
abandono destes cuidados iniciais gera um 
narcisismo pessoal e futuramente coletivo.
 
Resposta D.
 
Ego ideal e ideal do ego
As instâncias ego ideal e ideal do ego, tais como são 
conhecidas hoje em psicanálise, não se encontram de 
forma alguma claras e evidentes na obra de Freud. 
Remontam desde 1895 e desembocam na constituição 
do superego, porém a distinção clara entre estes dois 
conceitos só será proposta por sucedâneos do 
pensamento freudiano.
Apesar da não diferenciação no texto sobre o narcisismo 
(1914) entre as duas instâncias ideais - ego ideal e ideal 
do ego - é possível lá entrever a ideia de substituição do 
narcisismo como modo de ligação com os objetos pelo 
surgimento do ego ideal, que seria aquela imagem 
i d e a l i z a d a d e s i m e s m o q u e s e m a n t é m 
inconscientemente no psiquismo. Através das trocas 
com o mundo, particularmente da relação da criança 
com a mãe e desta com outros, a criança percebe que a 
mãe deseja algo fora dela. Isto leva a uma experiência 
em que a criança é atingida e ferida em seu narcisismo 
primário, sentindo uma importante frustração no que diz 
respeito à sua necessidade de ser amada pelo outro de 
forma absoluta: para voltar a ter o amor total do outro é 
preciso corresponder àquilo que o preencheria de tal 
forma que não precisaria amar outros. O ego bastaria e 
isto seria chegar à perfeição narcísica, esta 
corresponderia ao ego ideal.
Porém o desenvolvimento do ego só se dará a partir de 
um distanciamento do narcisismo primário e do 
estabelecimento de relações objetais; para se chegar a 
este seu objetivo é preciso que aquele desejo totalizante 
de ser amado leve em conta, por sua vez, as 
representações e os imperativos culturais, sociais e 
éticos que são transmitidos pelas figuras parentais e que 
funcionam como mediadores, representantes externos, 
constituídos pelo discurso dos pais. Ao assumir de uma 
certa forma como seus os valores e ideais que fariam 
parte de uma suposta demanda do outro e do desejo de 
satisfazê-la, inaugura o surgimento de uma outra 
instância ideal, o ideal do ego, que comporta uma 
imagem do objeto e uma imagem do eu, mantendo sua 
relação com a libido.
Na constituição do ego há, portanto, elementos tanto do 
ego ideal quanto do ideal do ego, devido a um 
deslocamento da libido em relação ao narcisismo 
primário, a partir do momento em que algo é imposto de 
fora - este ‘fora’ aqui se refere a fora do imaginário, 
refere-se à passagem da imagem para a ideia, mediada 
pela linguagem. 
 
EXERCÍCIO
Freud no texto Psicologia de Grupo e Análise de Ego 
parte do fato fundamental de que o indivíduo num grupo 
está sujeito, através da influência deste, ao que com 
frequência constitui profunda alteração em sua atividade 
menta l . Sua submissão à emoção to rna-se 
extraordinariamente intensificada, enquanto que sua 
capacidade intelectual é acentuadamente reduzida, com 
ambos os processos evidentemente dirigindo-se para 
uma aproximação com os outros indivíduos do grupo. 
Este fato só pode ser alcançado devido: 
A. A coerção apresentada pelo grupo; e a falta de 
convicção das crenças de inclinações pessoais.
B. A resignação das expressões de inclinações 
pessoais; e a remoção das inibições aos instintos 
que são peculiares a cada indivíduo.
C. A valorização dos valores sociais em detrimento 
dos valores peculiares de cada indivíduo.
D. A dificuldade de desenvolvimento psíquico; e à 
necessidade de apoiar-se em um grupo para a 
manutenção de sua existência.
E. A personalidade impulsiva; e um déficit 
intelectual que não permite o controle dos impulsos.
 
Resposta B.
 
Sobre a identificação
Uma teoria da identificação, tal como a encontramos em 
Freud, é um esforço conceitual para se compreender as 
formações inconscientes constitutivas da vida do sujeito, 
os conflitos que podem advir desta sua condição e em 
que situações estas identificações podem desempenhar 
um papel patológico.
No início de ‘A Identificação’ já encontramos uma 
referência a esta operação como um mecanismo que 
marca os primeiros passos da vida afetiva de um sujeito, 
ela é um modo de pensamento constituinte da vida 
psíquica e há uma importância particular no fato de estar 
relacionada ao complexo de Édipo. A ênfase das 
i n v e s t i g a ç õ e s d e v e r e c a i r m a i s s o b r e o s 
modos como ela se processa nas diferentes formações 
psíquicas, sem se prender na busca de suas causas.
A identificação da qual se trata em psicanálise refere-se 
à situação em que o sujeito confunde-se com outra 
pessoa, mas esta confusão não é percebida 
conscientemente pelo sujeito, na medida em que não 
tem o mesmo caráter de uma imitação ou de um 
disfarce. Nestes casos - da imitação ou do disfarce - 
sabe-se que se parece com um outro, mas isto não se 
confunde com o que se é. No caso da identificação 
propriamente dita - inconsciente - há um completo 
desconhecimento por parte do sujeito de que se atribuiu 
características de outro(s).
Estamos falando sobre as identificações de modo 
bastante generalizado, no entanto, existem algumas 
nuances que lhe são próprias, como por exemplo, se 
estão referidas a identificações com objetos ou com 
traços destes e que dizem respeito a modos 
diferenciados de se estabelecer laços afetivos ao longo 
do desenvolvimento da vida psíquica. 
 
No desenvolvimento do conceito de identificação dentro 
da teoria psicanalítica, desde Freud até seus 
sucessores, distinguem-se principalmente três tipos de 
identificação, a histérica, a primária e a secundária.A 
identificação histérica, a primeira a ser delineada, é 
aquela que se encontra mais visível no sintoma, isto 
porque através das manifestações histéricas exprime-se 
o elemento inconsciente a partir do qual ocorreu a 
identificação e o sintoma funciona como uma defesa 
contra os impulsos e fantasias sexuais que lhes são 
correlatos.
A identificação primária é aquela que antecede, em 
termos de estruturação do psiquismo, o estabelecimento 
de relações de objeto, e está relacionada aos primeiros 
investimentos no objeto, do qual o sujeito se torna 
dependente. Ela está estreitamente ligada à fase oral de 
incorporação, realçando aí a não diferenciação entre 
sujeito e objeto. Assim como no narcisismo primário, 
também cabe aqui ressaltar que é difícil conceber tal 
modo de ligação como totalmente indiferenciado ou 
anobjetal, mesmo sendo um momento em que não é 
possível para o sujeito conceber que o objeto exista 
independentemente dele.
Todas as outras identificações que se sobrepõem a esta 
identificação primária e têm sua ocorrência posterior ao 
estabelecimento de uma relação objetal, são chamadas 
identificações secundárias. O que as diferencia 
radicalmente é o fato de que na identificação primária 
ocorre uma modalidade de ligação com o objeto que 
supõe uma total alienação do sujeito neste, de tal forma 
que a imagem de um deveria ilusoriamente corresponder 
à imagem do outro. Na identificação secundária este tipo 
de ligação é abandonado a partir das trocas com o meio, 
nas quais o sujeito substitui a identificação e o desejo de 
posse do objeto pela identificação com alguns traços do 
objeto, que vão formando sua personalidade.
 
Um dos aspectos mais importantes das identificações, 
que se manifesta essencialmente pelo desejo de ser 
como o objeto, é a ambivalência. Há tanto intensos 
sentimentos de amor e admiração pelo objeto, que 
convergem para um ou outro traço deste, quanto há 
desde o princípio uma boa dose de agressividade, na 
medida em que, em certo sentido, identificar-se com 
alguém ou com algo significa querer incorporar em si 
mesmo este alguém ou algo, portanto destruí-lo ou 
despojá- lo de seu lugar. Nos pr imórdios do 
desenvolvimento psíquico, naquilo que é denominado 
sua fase oral, as identificações são precedidas por este 
desejo de incorporação, que é reconhecido como o 
protótipo primitivo das identificações.
O palco onde estas representações mostram-se 
evidentes é o das relações interpessoais, em que o 
sujeito ao identificar-se com um objeto desaparece sob a 
‘sombra’ deste, mas sem que possa, conscientemente, 
aperceber-se disto. 
A fase ou momento das primeiras identificações marca o 
início de um processo que transcorrerá ao longo de toda 
a vida, e que também estará ligado à formação dos 
sintomas, através das sucessivas identificações que vão 
sendo substituídas ao longo do tempo com maior ou 
menor êxito; como situação exemplar teríamos a própria 
formação e resolução do complexo de Édipo.
Neste processo, as identificações vão se sucedendo, 
elas mesmas não se mantêm, mas algum traço é 
mantido e quase poderíamos dizer que se trata de um 
jogo, onde se alternam momentos em que ocorrem as 
identificações e momentos em que algumas se 
desfazem e, ao se desfazerem, vão dando origem à 
própria constituição do ego.
 
EXERCÍCIO
Os povos primitivos acreditavam que ao devorar um 
animal (ou um outro homem, no caso dos canibais) 
incorporavam as características deste animal, 
características essas almejadas por eles (força, bravura, 
inteligência). Freud trará este exemplo para falar sobre 
relações objetais e sobre um conceito fundamental da 
psicanálise, a identificação. Sobre este tema, está 
correto o que se afirma em: 
I. A identificação com o mesmo sexo ou com o sexo 
oposto é um elemento do complexo de Édipo. Ao 
eleger um dos genitores como investimento objetal, 
a criança, concomitantemente, identifica-se com o 
outro.
II. A identificação é um processo de escolha de 
objeto, que se realiza de modo consciente na vida 
infantil do sujeito.
III. Poderíamos dizer que o processo de construção 
do ego tem na identificação um dos seus pilares.
IV. Em casos normais o menino sempre se 
identificará com o pai e a menina com a mãe. Em 
casos de homossexualidade, vemos a identificação 
ocorrer de modo invertido.
 
Identifique as alternativas e verifique a correta: 
A. É correto o que se afirma em I, II e III. 
B. É correto o que se afirma em III e IV. 
C. É correto o que se afirma em II e III. 
D. É correto o que se afirma em II, III e IV. 
E. É correto o que se afirma em I e III. 
 
Resposta E.

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