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Mutação e Reparo Prof. Fabricio Fernandes Mutação • Conceito: processo que produz um gene ou um conjunto de cromossomos diferente do tipo selvagem. • A mutação é especialmente significativa porque é fonte primaria da mudança evolutiva; novos alelos surgem em todos os organismos, alguns espontaneamente e outros resultantes de exposição à radiação ou substâncias químicas no ambiente. • Nosso foco será em eventos mutacionais que ocorrem dentro de genes individuais. • Chamaremos esses eventos de mutações gênicas. Mutações de ponto • O termo mutação de ponto (mutação pontual) refere-se tipicamente à alteração de um único par de bases do DNA ou de um pequeno número de pares de bases adjacentes. • Os dois principais tipos de mutação de ponto no DNA são substituições de bases (Transição ou transversão) e inserções ou deleções (Indel). – Indel: adição ou deleção de um único par de bases. – Transição: é a substituição de uma base por outra da mesma categoria química. – Transversão: substituição de uma base de uma categoria química por uma base de outra categoria. Mutações de ponto dentro de genes Mutações de ponto alterando recomposição • É importante ter em mente a distinção entre a ocorrência de uma mutação gênica – isto é, uma mudança na sequência de DNA de determinado gene – e a detecção de tal evento no nível fenotípico. Consequências das mutações de ponto Mutações espontâneas • As mutações gênicas podem surgir espontaneamente ou ser induzidas. • As mutações espontâneas são aquelas de ocorrência natural e surgem em todas as células. A mutação é um processo aleatório. Qualquer alelo em qualquer célula pode sofrer mutação a qualquer momento. Mecanismos de mutações espontâneas Erros na replicação do DNA • Embora a replicação do DNA seja um processo muito acurado, são cometidos erros na cópia de milhões (e mesmo bilhões) de pares de bases em um genoma. • Um erro na replicação do DNA pode ocorrer quando se forma um par errado de nucleotídeos (digamos, A–C) na síntese de DNA, levando a uma substituição de bases que pode ser uma transição ou uma transversão. Outros erros podem adicionar ou subtrair pares de bases, de modo que é criada uma mudança de matriz de leitura. Mecanismos de mutações espontâneas Transições • Cada base no DNA é capaz de aparecer em uma ou várias formas, chamadas de tautômeros, que são isômeros que diferem nas posições de seus átomos e nas ligações entre os átomos, podendo parear de forma indevida. Mecanismos de mutações espontâneas Transversões • A criação de uma transversão por um erro de replicação exigiria, em algum ponto no curso da replicação, o pareamento errado de uma purina com uma purina, ou uma pirimidina com uma pirimidina. Mecanismos de mutações espontâneas Mudanças de matriz de leitura • O modelo que prevalece sugere que as indels surgem quando são estabilizadas alças nas regiões unifilamentares por “pareamento deslocado” (slipped) de sequências repetidas no curso da replicação. Esse mecanismo às vezes é chamado de replicação deslocada. Mecanismos de mutações espontâneas Mudanças de matriz de leitura Mecanismos de mutações espontâneas Lesões espontâneas • São danos de ocorrência natural no DNA, podendo gerar mutações. Duas das mais frequentes lesões espontâneas resultam de depurinação e desaminação. • Depurinação: consiste na interrupção da ligação glicosídica entre a base e a desoxirribose e a perda subsequente de uma guanina ou uma adenina do DNA. Se essas lesões persistissem, resultariam em um dano genético significativo porque, na replicação, os sítios apurínicos resultantes não conseguem especificar uma base complementar à purina original. Mecanismos de mutações espontâneas Lesões espontâneas • Desaminação: a desaminação de citosina produz uracila. Resíduos de uracila não reparados irão parear-se com adenina na replicação, resultando na conversão de um par G.C em um par A.T (uma transição G.C para A.T). As mutações espontâneas podem ser geradas por processos diferentes. Os erros de replicação e as lesões espontâneas geram a maioria das substituições de bases espontâneas. Os erros de replicação podem causar também deleções que levam a mudanças de matriz de leitura. Mutações induzidas • As mutações induzidas surgem pela ação de alguns agentes, chamados de mutagênicos, que aumentam a taxa de ocorrência das mutações. • Eles podem substituir uma base no DNA, alterar uma base de modo que ela faça um pareamento especificamente errado com outra base, ou danificar uma base de modo que ela não possa mais parear com qualquer base em condições normais. • Provocar mutações em genes e observar as consequências fenotípicas é uma das estratégias experimentais primárias usadas pelos geneticistas. Mutações induzidas Incorporação de análogos de bases • Alguns compostos químicos são suficientemente similares às bases nitrogenadas normais do DNA, de modo que são ocasionalmente incorporados ao DNA no lugar das bases normais. • Podem produzir mutações fazendo com que nucleotídeos incorretos sejam inseridos em oposição a eles na replicação. • Ex.: um análogo da adenina Mutações induzidas Mal pareamento específico • Alguns mutagênicos não são incorporados no DNA, mas alteram uma base de tal modo que se forma um mal pareamento específico. Alguns agentes alquilantes, como o etilmetanossulfato (EMS) e a amplamente usada nitrosoguanidina (NG), operam por essa via. • Tais agentes adicionam grupos alquila (um grupo etila em EMS e um grupo metila em NG). Mutações induzidas Agentes intercalares • Esses agentes são moléculas que mimetizam pares de bases e são capazes de inserir-se (intercalar-se) entre bases nitrogenadas empilhadas no cerne da dupla hélice de DNA. Nessa posição intercalada, tal agente pode causar uma inserção ou deleção de um único par de nucleotídeos. Mutações induzidas Danos a bases • Um grande número de mutagênicos danifica uma ou mais bases, e, assim, não é possível um pareamento específico de bases. O resultado é um bloqueio da replicação. • Luz ultravioleta: As mutações com maior probabilidade de serem causadas por esses produtos são lesões que unem resíduos de pirimidinas adjacentes no mesmo filamento. Mecanismos de Reparo • Após o levantamento dos numerosos modos pelos quais o DNA pode ser danificado, você deve estar imaginando como a vida conseguiu superar todos esses obstáculos e evoluir por bilhões de anos. • A sobrevivência de um indivíduo está diretamente relacionada à sua estabilidade genética. • O fato é que os organismos, de bactérias a seres humanos ou plantas, conseguem reparar eficientemente seu DNA. Mecanismos de Reparo Reversão direta de DNA danificado • Um exemplo é o dano causado por luz UV. Uma enzima chamada CPD fotoliase liga-se ao fotodímero e o divide para regenerar as bases originais. Mecanismos de Reparo Reparo por excisão de base • Após a revisão do DNA pela DNA polimerase, o reparo por excisão de base é o mecanismo mais importante usado para remover bases incorretas ou danificadas. • Como esses sistemas dependem de complementaridade, ou homologia, do filamento-molde com o filamento que está sendo reparado, eles são chamados de sistemas de reparo dependentes de homologia. Desoxirribofosfodiesterase (dRpase) Mecanismos de Reparo Reparo por excisão de nucleotídeo • O reparo por excisão de nucleotídeo é uma via versátil que reconhece e corrige o dano do DNA consequente sobretudo a danos causado por UV e, ao fazer isso, alivia forquilhas de replicaçãoe complexos de transcrição parados. • É um processo complexo, que requer dúzias de proteínas. Apesar dessa complexidade, o processo de reparo pode ser dividido em quatro fases: 1. Reconhecimento da(s) base(s) danificada(s). 2. Montagem de um complexo multiproteico no local. 3. Corte do filamento danificado alguns nucleotídeos antes e depois do sítio danificado e remoção dos nucleotídeos (cerca de 30) entre os cortes. 4. Uso do filamento não danificado como molde para a DNApolimerase, seguido de ligação do filamento. Mecanismos de Reparo Reparo pós-replicação: reparo de mal pareamento • Os sistemas de reparo de mal pareamento devem agir pelo menos de três maneiras: 1. Reconhecer pares de bases mal pareadas. 2. Determinar que base é a incorreta no mal pareamento. 3. Remover a base incorreta e fazer a síntese de reparo. O sistema de reparo de mal pareamento corrige erros na replicação que não são corrigidos pela função de revisão da DNA polimerase replicativa. O reparo é restrito ao filamento recém sintetizado, que é reconhecido pela maquinaria de reparo em procariotos porque não tem um marcador de metilação. Mecanismos de Reparo Reparo de quebras bifilamentares • O que ocorreria se ambos os filamentos da dupla hélice fossem danificados de tal modo que a complementaridade não pudesse ser explorada? • Por exemplo, a exposição aos raios X geralmente faz com que ambos os filamentos da dupla hélice sejam quebrados em sítios bem próximos. Esse tipo de mutação é chamado de quebra bifilamentar. • Se não for reparada, a quebra bifilamentar pode causar inúmeras anomalias cromossômicas, que resultam em morte celular ou estado pre ́-canceroso. Mecanismos de Reparo Reparo de quebras bifilamentares