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BEATRIZ CARNEIRO XXXIII MEDICINA UCB
Termos clínicos 
1. Disúria ou algúria: dor ou ardor ou desconforto ao urinar. Ocorre mais comumente em 
mulheres, especialmente em mulheres jovens e em pessoas que são sexualmente ativas. Na 
maioria das vezes, a disúria é causada por uma infecção urinária simples. NÃO tem relação 
com o jato. Saindo a urina doí, não ao iniciar.
2. Anúria: diminuição ou ausência da excreção urinária.Débito urinário menor que <100 ml em 
24 horas. Pode ser de causa pré-renal (choque com diminuição da irrigação sanguínea); renal 
(glomerulonefrite aguda, necrose tubular, enfarte renal); ou pós-renal (obstrução dos canais ou 
vias excretoras). Bexiga está vazia e o cateterismo
3. Mácula: mancha hipocrônica, leucodérmica
4. Leucotricose: cabelo branco.
5. Canície: embranquecimento dos cabelos, a medula dos cabelos se enche de ar e o córtex 
perde o pigmento. 
6. Hematúria: presença de sangue na urina. Em exames de urina, considera-se hematúria na 
presença de ≥5 eritrócitos por campo de 400x ampliação. Relacionados à distúrbios no trato 
urinário e no sangue(coagulação, plaquetopenia, anemia falciforme) Tipos:
1. Hematúria microscópica: só é detectada pelo exame de urina EAS (elementos anormais e 
sedimentos)
2. Hematúria macroscópica: quando há sangue suficiente na urina para ser visto a olho nu. 
3. Púrpura : tipo hemorrágica, Às manchas( lesão sem elevação) roxas ou avermelhadas 
indicativas de sangramentos subcutâneos que aparecem na pele e/ou submucosas. Pode ser 
causada por baixa contagem de plaquetas( trombocitopenia) ou púrpuras não-
trombocitopênicas. (escorbuto, amiloidose, coagulopatias, síndrome de rubéola congênita, 
uso de medicamentos esteroides, vasos sanguíneos frágeis/púrpura senil). Dois tipos:
1. Petéquias: menores que um diâmetro, bem pequenas, mas visíveis.
2. Equimoses: maior que 1 cm de diâmetro, trauma 
3. Heterocromia: diferença de cor dos dois olhos. Podendo ser total ou parcial. Sendo parcial, 
um dos olhos terá mais de uma cor. Pode ser de caráter genético (modificação no gene 
EYCL3, responsável pela quantidade de melanina nos olhos) ou patológico ( síndrome de 
Waardenburg, lesões, tumores, derrames, glaucoma).
4. Hemoptise: escarro, expectoração com 
presença de sangue originado dos pulmões ou 
da árvore traqueobrônquica. Pode ser dividida 
em leve (menos de 100 mL/24 h) , moderada 
(entre 100-600 mL/24 h) e maciça (cursa 
instabilidade hemodinâmica ou ameaça a 
ventilação, tem como critério volume de 
sangue eliminado maior que 600 ml em 24 
horas). As principais causas das hemoptises 
foram as bronquiectasias, colonização 
intracavitária pulmonar aspergilar (CIPA), o 
câncer de pulmão, a tuberculose ativa e a 
pneumonia. O destaque de CIPA talvez seja 
explicado pelo fato de serem doentes 
internados em enfermarias de referência em 
pneumologia e portadores de sequelas de tuberculose.
BEATRIZ CARNEIRO XXXIII MEDICINA UCB
5. Hematêmese: saída de sangue pela boca de origem , geralmente, do sistema gastro-
intestinal acima do ângulo de Treitz(Esôfago ou estômago). Se o vômito aparecer logo após o 
início da hemorragia, é bem provável que seja vermelho; se existir um retardo na sua 
apresentação, terá aparência vermelho-escuro, preto ou de "borra de café". Causas 
frequentes: lesão agudas da mucosa gastroduodenal (úlcera de estresse, gastrite 
hemorrágica), úlcera péptica (mais frequente, 20% dos pacientes apresentam), varizes 
esofagianas (associada à hipertensão portal),cirrose, câncer gástrico. Associada à 
hematêmese podem ocorrer hipertermia e aumento da uréia sanguínea. A uremia geralmente 
ocorre 24 a 48 horas após a hemorragia devido ao desdobramento das proteínas sanguíneas 
até uréia, pelas bactérias intestinais.
* Ângulo de Treitz: entre duodeno e jejuno.
* Digestiva alta: acima do ângulo de Treitz.
* Digestiva baixa: baixa do ângulo de Treitz.
6. Epistaxe: sangramento proveniente da mucosa nasal. Pode ser originada da porção anterior 
(o plexo de Kiesselbach ou área de Little) ou posterior (plexo de Woodruffl). Anterior é mais 
comum em crianças e jovens, já a posterior ocorre mais em pacientes hipertensos e com 
mais de 40 anos. Pode ser ocasionada por hipertensão arterial, coagulopatias, doença 
hematológicas, medicamentos anticoagulantes e anti-agregantes, trauma, infecções, tempo 
alergia. A doença de Osler-Rendu-Weber ou telangectasia hemorrágica hereditária é uma das 
principais doenças vasculares que causam epistaxe intermitente, caráter de herança 
autossômica dominante, com perda da capacidade de contração da camada muscular dos 
vasos sangüíneos e formação de fístulas arteriovenosas.
7. Orquite: infecção nos testículos, normalmente pelo vírus caxumba. Os sintomas testiculares 
incluem dor e edema. A orquite unilateral por caxumba se desenvolve agudamente entre 4 e 
7 dias depois do aumento de volume das parótidas na caxumba. Em 30% dos casos, a 
doença se estende para o outro testículo em 1 a 9 dias. O exame testicular revela dor, 
aumento e enduração dos testículos e edema e eritema da pele escrotal.
8. Parosmia: sensação distorcida do olfato, geralmente resultando em sensação de cheiros que 
não existem ou cheiros desagradáveis. Causada devido à danos nos neurônios associados ao 
olfato (trauma, infecção, fumar, tratamento de câncer, Parkinsons, Huntingtons, tumor).
9. Anosmia: dimiuição ou perda total do olfato. Causada por degeneração das células 
responsáveis pela percepção do olfato (sinusite, tumor).
10. Mastodinia: dor nas mamas que precede a menstruação.
11. Mastalgia: dor nas mamas.
BEATRIZ CARNEIRO XXXIII MEDICINA UCB
12. Icterícia: coloração amarelada da pele, das mucosas e da parte branca dos olhos, chamadas 
de escleras, devido ao aumento da bilirrubina na corrente sanguínea, um pigmento de cor 
amarela resultante da destruição dos glóbulos vermelhos no sangue
13. Postectomia: conhecida como cirurgia de fimose. Retirada do prepúcio da glande.
14. Cianose: eritema de coloração azulada da pele ou das mucosas, comumente ocorre na 
extremidade dos dedos e nos lábios e é causada quando os tecidos não recebem a 
quantidade adequada de oxigênio. Hemoglobina reduzida Pode ser dois tipos
- Central: quando o sangue é pouco oxigenado. Causado por doenças do pulmão e/ou coração.
- Periférica: sangue oxigenado, mas há lentificação da circulação ou não chega no local por 
causa de trombos.
15. Xantelasma: pequeno depósito de gordura 
que ocorre logo abaixo da superfície da 
pele da pálpebra superior e inferior (ao redor 
dos olhos). Estão, normalmente, associados 
a níveis elevados de colesterol. Afeta 
principalmente mulheres na fase do 
climatério. Características: planas ou um 
pouco salientes, cor amarelada e formato 
ovalado, possuem bordas bem definidas. 
16. Xantoma: tumor benigno da pele ligado a 
um distúrbio do metabolismo dos lipídios. 
Podem surgir em qualquer parte do corpo, mais frequentes em joelhos, mãos, pés, coxas, 
tendões(xantoma tendinoso) e glúteos. A lesão se forma quando os macrófagos envolvem o 
excesso de gordura depositado nos tecidos, mas não consegue fagocitar. Características: 
forma de nódulos, placas, manchas em alto relevo ou como erupções na pele e nos tendões. 
De coloração amarelo-acastanhada, possuem superfície plana, são macios e perceptíveis ao 
toque.
BEATRIZ CARNEIRO XXXIII MEDICINA UCB
17. Pelagra ou Deficiência de niacina: deficiência nutricional de B3 (ácido nicotínico) ou falta de 
triptofano. Comum em países subdesenvolvidos, pessoas com AIDS. Sinais clássicos: 
diarreia, demência, dermatite áspera e pigmentada, depressão, distúrbios motores, dores 
abdominais, fraqueza. Sendo três elementos essenciais: fenômenos cutâneos, nervosos e 
digestivos.
- Niacina participa na formação de sais biliares, os quais atuam na digestão dos ácidosgraxos e 
melhor absorção das vitaminas lipossolúveis
18. Eritema: rubor da pele devido à vasodilatação capilar. Causas: exposição ao sol, reações de 
medicamentos( bloqueadores dos canais de cálcio), casos de alergia, pavovirus B19. 
Desaparece por pressão digital ou vitropressão.
19. Víbices: hemorragias intracutâneas que se revelam sob a forma de estrias. Formam uma 
linha. Esse termo também é empregado para lesão atrófica linear.
20. Exantema: conhecido como rash cutâneo. Eritema generalizado, agudo. Pode aparecer 
pápulas( elevação da lesão) e pústulas (supuração com pus as causas mais comuns sarampo, 
escarlatina, rubéola.
Tipos
a) Morbiliforme: pequenas maculo-pápulas eritematosas avermelhas ( 3-10 mm). Ex: sarampo, 
súbito, mononucleose.
BEATRIZ CARNEIRO XXXIII MEDICINA UCB
b) Escarlatiniforma: eritema difuso, puntiforme, vermelho vivo, Ex: escalartina, eritema solar.
c) Rubeoliforme: semelhante ao MORBILIFORME, entretanto de coloração rósea com pápulas 
um pouco menores. Ex: rubéola.
d) Urticariforme: erupção papuloeritematosa de contornos irregulares. Ex: típico de reações a 
medicamentos, alergias, mononucleose e malária.
OBS: podem ser febris ou afebris.
21. Enantema: eritema de mucosas. Pode ser encontrada no sarampo, escarlatina, reação de 
hipersensibilidade.
BEATRIZ CARNEIRO XXXIII MEDICINA UCB
22. Presbiopia: problema ocular relacionada ao envelhecimento que causa diminuição 
progressiva da capacidade de focar nitidamente objetos a curta distância, causada por perda 
de elasticidade e acomodação do cristalino. A idade comum é +40 anos.
23. Salpingectomia: extirpação completa ou parcial da tuba uterina/trompas de Falópio. É 
indicada para gestação ectópica, hidrossalpinge ( trompa não consegue transportar o óvulo e 
enche de líquido), tumores.
24. Disfagia: dificuldade ou impedimento de deglutição. Causada por AVC, derrame, tumores de 
esôfago. Temporária é comumente observada da coluna cervical via anterior.
Tipos 
a) Orogaríngea: alterações da fase oral e faríngea, principalmente com líquidos. Principalmente, 
em casos de AVC.
b) Esofágica: obstrução mecânica, neoplasias do esôfago.
c) Cardíaca: aurícula esquerda dilatada pode comprimir o esôfago. Ex: Angina.
d) Botulínica: durante o tratamento com toxina botulínica, pode ocorrer penetração nos 
músculos da faringe. 
25. Odinofagia: dor durante a deglutição, conhecida como dor de garganta. Sintoma 
predominante na monilíase do esôfago(candidíase esofágica), na esofagite actínica, na 
esofagite herpética, ulcerações agudas produzidas por medicamentos(cloreto de potássio, 
brometo de emeprônio (Cetiprin®), alendronato de sódio, anti-inflamatórios e alguns 
antibióticos, como doxiciclina, tetraciclina e clindamicina.), distúrbios motores esofágicos.
26. Pirose: conhecida como azia. Sensação de ardor (queimação) na região epigástrica pode se 
irradiar para mandíbula, membros superiores, .Além disso, pode estar acompanhada de 
regurgitação de suco gástrico para dentro do esôfago. Principal queixa de sintoma do refluxo 
gastresofágico. Localização retroestemal, sendo percebida no nível do apêndice xifoide, 
podendo propagar-se para a região epigástrica, para ambos os lados do tórax ou, mais 
comumente, em direção ascendente, até o nível do manúbrio estemal. 
27. Disacusia: perda da capacidade auditiva. Dividida em: leve ou moderada (hipoacusia), 
acentuada (surdez) ou total (anacusia ou cofose).
28. Anacusia ou cofose: perda total da audição.
29. Afonia: perda da voz.
30. Disfonia: alteração do timbre da voz causada 
por algum problema no órgão fonador. A voz 
pode tornar-se rouca, fanhosa ou bitonal(cada 
corda vocal vibra com uma tensão distinta.)
31. Fístula: comunicação anormal entre duas ou 
mais vísceras (fístula interna) ou víscera e a pele 
(fístula externa) ou entre vasos sanguíneos.
BEATRIZ CARNEIRO XXXIII MEDICINA UCB
32. Regurgitação: volta à cavidade bucal alimento ou de secreções contidas no esôfago ou no 
estômago. Não tem uso da musculatura abdominal, só volta. 
33. Acalasia: qualquer incapacidade de relaxamento de qualquer músculo circular, como 
esfíncter anal, piloro. Exemplo: caracterizada por incapacidade do esfíncter do esôfago 
relaxar. Pode causar disfagia, dor no peito (retroesternal) e refluxo gastroesofágico.
34. Acolia: ausência de bile. Resulta em fezes 
brancas por falta de estercobilina(derivado 
da bilirrubina) que faz parte da bile. Bile 
pode ser reabsorvida pelo sangue e 
causar prurido (coceira) e icterícia. 
35. Colúria: urina escura com cor parecida 
com café, vinho-do-porto ou coca-cola, 
normalmente com espuma amarela. Essa 
cor ocorre devido à acumulação de 
bilirrubina no sangue. Relacionada a colestase (a bile não consegue sair do fígado para o 
duodeno).
BEATRIZ CARNEIRO XXXIII MEDICINA UCB
36. Nistagmo: movimentos repetitivos rítmicos dos olhos. Ele pode ser caracterizado por sua 
frequência (rápido ou lento), pela amplitude (amplo ou estreito), pela direção (horizontal, 
vertical, rotacional) e pelo tipo de movimento (pendular, jerk). No pendular, o movimento do 
olho em cada direção é igual. No jerk, há um componente lento em uma direção e um rápido 
em outra. Causado por impulsos motores irregulares. Doenças: estrabismo, cataratas, 
coriorretinite, disfunções neurológicas, labirintites. Acompanhada de acuidade 
37. Hordéolo: conhecido como terçol(pequeno) ou terçolho. 
É uma infecção estafilocócica das glândulas palpebrais, 
tipo um abscesso, pois há pus dentro. Existem os 
hordéolos internos que afetam as glândulas 
meibomianas.
38. Calázio: não surge de uma infecção bacteriana, tratra-
se de um processo inflamatório granulomatosa crônica 
de uma glândula sebácea da pálpebra. Edema localizado, sem 
sinais inflamatórios.
21 I Doenças dos Olhos 
Na lagoftalmia pode haver complicações corneanas graves, 
mesmo havendo a ação protetora do fenômeno de Bell (eleva-
ção do globo ocular ao fechar as pálpebras, fazendo com que a 
córnea fique protegida pela pálpebra superior). 
....- Blefa rites 
As blefarites podem apresentar-se sob duas formas: a infec-
ciosa (ulcerativa) e a seborreica (não ulcerativa). 
Na forma infecciosa, geralmente causada por estafilococos, 
observam-se pálpebras vermelhas, áreas ulceradas ao longo 
das bordas e queda de cílios. 
A forma seborreica, na maioria das vezes, encontra-se asso-
ciada à dermatite seborreica do couro cabeludo, das sobrance-
lhas e da pele atrás das orelhas. No início, o paciente apresenta 
hiperemia e prurido nas bordas palpebrais, com sensação de 
peso, fotofobia e lacrimejamento; posteriormente, formam-se 
pequenas escamas que se depositam entre os cílios; final-
mente, aparecem crostas amareladas que caracterizam a ble-
farite seborreica. 
....- Hordéolo 
O hordéolo é uma infecção estafilocócica das glându-
las palpebrais caracterizada por dor, hiperemia e edema. O 
hordéolo é, na verdade, um abscesso, pois há formação de 
pus dentro da glândula afetada. Quando afeta as glândulas 
meibomianas, tem tamanho relativamente grande, sendo 
conhecido como hordéolo interno (Figura 21.3). O hordéolo 
externo (terçol), menor e mais superficial, é uma infecção 
das glândulas de Zeis ou Moll. Um hordéolo interno pode 
salientar-se no lado da pele ou da conjuntiva palpebral, 
enquanto os hordéolos externos sempre afloram do lado da 
pele, na borda palpebral. 
....- Calázio 
O calázio constitui a causa mais comum de tumoração 
palpebral. É uma inflamação granulomatosa crônica da glân-
dula meibomiana, de causa desconhecida. Caracteriza-se por 
Figura 21 .3 Hordéolo interno da pálpebra. 
253 
edema localizado na pálpebra superior ou inferior, sem sinais 
inflamatórios. 
Quase sempre se projeta para o lado conjuntiva! da pál-
pebra. Quando apálpebra é invertida, a conjuntiva sobre o 
calázio mostra-se elevada e avermelhada 
....- Xantelasma 
Xantelasma são placas amareladas, localizadas no canto 
interno das pálpebras superiores, sendo constituídas por depó-
sitos lipídicos. O xantelasma não é uma neoplasia. Costuma 
ser uma manifestação de dislipidemia (hipercolesterolemia 
com ou sem aumento dos triglicerídios). 
....- Tumores palpebrais, das glândulas 
lacrimais e pseudotumor da órbita 
Os carcinomas constituem as principais neoplasias malig-
nas da pálpebra, podendo ter origem nas células basais, nas 
células escamosas e nas glândulas sebáceas . 
Os carcinomas de células basais (carcinoma basocelular) 
são responsáveis por mais de 90% das neoplasias malignas 
desta região, sendo mais frequentes em homens com idade 
superior a 50 anos (Figura 21.4). 
A localização mais comum é na pálpebra inferior e no 
canto interno do olho. A lesão começa como um pequeno 
nódulo, ligeiramente elevado, com borda irregular e apero-
lada. Quando atípico, pode ser confundido com verruga, papi-
loma ou nevus. 
Os carcinomas de células basais podem aumentar por 
extensão direta e ser altamente invasores, mas praticamente 
não provocam metástase. É comum sua ulceração. 
Os carcinomas de células escamosas (carcinoma espinoce-
lular) são mais agressivos do que os basocelulares e responsá-
veis por menos de 5% das neoplasias malignas da pálpebra. 
Ocorrem predominantemente em homens e localizam-se, 
de preferência, na pálpebra inferior. Começam como uma 
verruga que pode lembrar o carcinoma de células basais. À 
medida que a lesão aumenta, tomam o aspecto de uma ulce-
ração rasa, granular e com base vermelha. Podem ocorrer 
metástases pelos canais de drenagem linfática. 
Figura 21.4 Carcinoma de células basais. 
BEATRIZ CARNEIRO XXXIII MEDICINA UCB
39. Blefarite: inflamação das bordas das pálpebras. Ocorre em duas formas:a infecciosa 
(ulcerativa) e a seborreica (não ulcerativa). 
a) Infecciosa:causada por estafilococos, observam-se pálpebras vermelhas, áreas ulceradas ao 
longo das bordas e queda de cílios.
b) No início, hiperemia e prurido nas bordas palpebrais, com sensação de peso, fotofobia e 
lacrimejamento; posteriormente, formam-se pequenas escamas que se depositam entre os 
cílios; finalmente, aparecem crostas amareladas que caracterizam a blefarite seborreica. 
40. Hesitação urinária ou micção adiada:há um intervalo maior para que apareça o jato urinário. 
Indica geralmente obstrução do trato de saída da bexiga. Para conseguir urinar, o paciente 
fazer esforço maior que em condições normais. Pode ocorrer em obstruções prostática 
(câncer).
41. Torcicolo: contração mantida do músculo 
esternocleidomastoideo, localizado na face 
lateral do pescoço. Causa dor no pescoço e 
dificuldade de movimentos da coluna cervical.
42. Vasectomia: interrompe a circulação dos 
espermatozoides que são produzido nos 
testículos. A cirurgia corta o canal 
deferente, o qual leva os espermatozoides 
para a uretra. 
‘
BEATRIZ CARNEIRO XXXIII MEDICINA UCB
43. Astenia: sensação subjetiva de mal-estar ou fraqueza sem relação com trabalho e/ou esforço, 
sem achados objetivos ao exame físico. SINTOMA.
44. Inapetência: diminuição da fome.
45. Cansaço: sentimento de esgotamento e uma sensação de desgate, que pode ou não ter 
relação com tarefas. Quando a força motora é testada, tende a estar normal.
46. Fraqueza: ausência de força motora e redução da capacidade de desempenhar 
determinadas tarefas físicas
47. Alodínia: é uma sensação desagradável, dolorosa, provo- cada pela estimulação tátil, 
sobretudo se repetitiva, de uma área com limiar aumentado de excitabilidade (região parcial- 
mente desaferentada, hipoestésica). Muitas vezes, os pacientes trazem o seguinte relato 
sobre esta sensação: "O mero contato da roupa ou do lençol é extremamente doloroso:' 
48. Fadiga: mal-estar devido à esforço seguido de diminuição do desempenho.
49. Estomatite: processo inflamatório da mucosa da boca, pode aparecer em forma de edema, 
úlceras, vermelhidão. Exemplo: estomatite aftosa. Pode ser causada por infecção(herpes/
varicella HIV), doença sistêmica, reações alérgicas, xerostomia( saliva protege a mucosa)
50. Neuropatia: lesão de qualquer tipo infligida ao sistema nervoso periférico ou central, e pode 
apresentar-se de três formas: 
a) Constante: dor em queimação ou dormente ou em formigamento.
b) Intermitente: dor em choque, aguda. Relacionada a lesões nervosas periféricas e da medula 
espinal.
c) Evocada: manifesta sob forma de alodínia(sensação desagradável, dolorosa, provocada pela 
estimulação tátil (paciente fala que ao encostar em algo sente dor) ou hiperpatia (estimulação 
nóxica (mecânica, térmica ou química), sobretudo a repetitiva, de uma área com limiar de 
excitabilidade aumentado).
49. Tonsilite: inflamação das amígdalas. Um tipo de faringite. Sintomas: febre, inflamação da 
garganta, disfagia. Causa mais comum são as virais, seguidas de bacterianas( estreptococo 
do grupo A).
CIM
formando
CRF-PR
®
Publicações 
Informação
Ensino
Assessoria
BOLETIM DO CENTRO DE INFORMAÇÃO SOBRE MEDICAMENTOS
Estomatite
Estomatite é o nome dado à inflamação da mucosa bucal. Ela pode causar edema e vermelhidão ou surgir de forma mais discreta, como uma única úlcera ou como úlceras múltiplas. Menos comum é o aparecimento de lesões esbranquiçadas e, em casos raros, o paciente pode relatar sintomas mesmo sem que haja lesões aparentes.
Além da incômoda dor, a estomatite ainda pode prejudicar a ingestão de alimentos e líquidos. Infecções secundárias também 
podem ocorrer ocasionalmente. Em certos pacientes a estomatite aftosa ocorre de maneira praticamente contínua, em que novas úlceras 
surgem ao mesmo tempo que as antigas estão desaparecendo.
Figura 1 – Representação de um paciente com estomatite aftosa. Podem ser observadas lesões de centro amarelado e bordas 
eritematosas.
A estomatite pode ser causada por infecções, doenças sistêmicas, irritantes químicos ou físicos e reações alérgicas. Muitos 
casos, porém, são idiopáticos, ou seja, não há uma causa conhecida. Como a produção de saliva protege a mucosa oral, a xerostomia (boca 
seca) é um fator predisponente para a estomatite.
Entre as causas infecciosas de estomatite, as virais são as mais comuns. Exemplos são as infecções causadas pelos vírus da 
herpes simples, varicella zoster, imunodeficiência humana e influenza. Doenças sexualmente transmissíveis como gonorreia e sífilis 
eventualmente também podem causar estomatite. Em pacientes debilitados ou naqueles que fizeram uso de antibióticos ou 
corticosteroides pode ocorrer supercrescimento de Candida albicans com formação de uma pseudomembrana na mucosa oral.
Síndrome de Behçet, síndrome de Stevens-Johnson e doenças inflamatórias intestinais são exemplos de patologias em que pode 
ocorrer estomatite. Lesões hemorrágicas orais podem surgir em situações como eritema multiforme, escorbuto, leucemia, púrpura 
trombocitopênica e distúrbios plaquetários. A estomatite também pode ser consequência de hipovitaminose (principalmente vitaminas B 
e C) e agranulocitose.
Etiologia
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24 CIM FORMANDO - Edição nº 1 - Ano X - março/abril 2012
BEATRIZ CARNEIRO XXXIII MEDICINA UCB
50. Obstipação intestinal (prisão de vento ou intestino preso): conhecida como constipação 
intestinal ou prisão de ventre, dor, normalmente, no quadrante superior esquerdo. Nos 
pacientes chagásicos pode caracterizar manifestação de megacólon. Em crianças, grave 
pode ser diagnóstico de megacólon congênito.Quando as fezes ficam retidaspor mais de 48 
horas, diz-se que há obstipação ou constipação intestinal.
Normal: desde três evacuações por dia até uma evacuação a cada 2 dias 
8 grupos de causas de obstipação:
1- Mecânicas, quando há lesões que ocluem o 
lúmen ou impedem a contração das paredes 
intestinais (malformações, impactação fecal, 
oclusão tumoral, processos inflamatórios).
2- Neurogênica, comprometimento dos 
componentes nervosos(aganglionose ou doença 
de Hirschsprung, megacólon chagásico, 
paraplegia).
3- Metabólico-hormonais: hipotireoidismo, 
uremia, hiperparatireoidismo, porfiria(distúrbio 
que afeta a síntese da heme, parte da 
hemoglobina sanguínea).
4- Psicogênicas: traumas, emoções.
5- Medicamentosas:antiácidos, anticolinérgicos, 
opiáceos.
6- Alimentação inadequada (dieta pobre em fibras).
7- Inibição reiterada do reflexo da evacuação.
8- Hipossensibilidade senil.
51. Celulite: Infecção cutânea e de tecido celular subcutâneo, mais profunda que a erisipela e 
com infiltração inflamatória de partes moles com bordas mal definidas, frequentemente 
causada pelo estafilococo. Sinais e sintomas incluem uma área de vermelhidão, que aumenta 
de tamanho ao longo de alguns dias. Os limites da área de vermelhidão geralmente não são 
nítidos e a pele pode ficar inchada. Enquanto em uma vermelhidão muitas vezes fica branca 
quando a pressão é aplicada, este não é sempre o caso. A área de infecção é geralmente 
dolorosa.
52. Ooforectomia ou ovariectomia: remoção de um ou ambos os ovários. Indicada para 
tratamento de câncer, reduzir risco de câncer, abscesso ovariano, cistos.
53. Orquiectomia: remoção dos testículos, os quais produzem a maior parte da testosterona. É 
considerada uma terapia hormonal. Indicações: tumores, transexuais.
54. Diarreia: Mais de três evacuações. Aspectos importantes: Duração; volume; consistência, 
aspecto e cheiro das fezes. Dividida em 
a) Alta (Intestino delgado): 
OBS: O cólon dorme à noites. Se o paciente apresenta diarreia contínua (dia e noite), deve-se 
considerar que não é exclusivamente colônica.
b) Baixa (Cólon): 
- Aguda: retocolite ulcerativa, doença de Crohn, retite actínicas, câncer do intestino grosso. 
Fezes amolecidas com sangue e eventualmente com pus.
- Crônica: a aguda pode virar crônica, cólon irritável.
55. Disenteria: diarreia acompanhada de cólicas intensas e fezes mucossanguinolentas. 
Tenemos ao final de cada evacuação pode indicar origem amebiana ou bacilar (shigellose).
56. Esteatorréia: aumento da quantidade de gordura nas fezes.
57. Retenção urinária: incapacidade total ou parcial de esvaziar a bexiga com o esforço urinário, 
apesar de os rins estarem produzindo urina normalmente e o indivíduo apresentar desejo de 
esvaziá-la. Pode ser aguda ou crônica.
a) Aguda: passa a sentir subitamente a bexiga distendida, tensa e dolorosa. 
b) Crônica: gradual dilatação da bexiga, pode não ocorrer dor. Paciente queixa polaciúria, 
hesitação, gotejamento e não tem consciência da distensão vesical. 
58. Perineoplastia: reconstrução do períneo. Indicado para mulheres multíparas, dificuldade para 
evacuar e incontinência urinária. Nervo pudendo afetado por conta dos partos prolongados.
BEATRIZ CARNEIRO XXXIII MEDICINA UCB
59. Colpoperineoplastia: É a cirurgia que corrige as distopias genitais femininas. No caso de 
prolapso da parede vaginal anterior (popularmente chamada de bexiga caida) é indicada a 
colpoperineoplastia anterior. No caso de prolapso da parede vaginal posterior a perineoplastia 
posterior. Não é indicada para incontinência urinária.
60. Polaciúria: caracteriza-se pelo aumento da frequência miccional, com intervalo entre as 
micções inferior a 2 h e sem que haja concomitante aumento do volume urinário; traduz 
irritação vesical. Redução da capacidade da bexiga, dor à distensão vesical ou por 
comprometimento da uretra posterior. Causas:infecção urinária, cálculo, obstrução, 
alterações neurológicas e em várias condições psicológicas e fisiológicas, principalmente o 
frio e a ansiedade.
61. Estrangúria ou tenemos vesical: emissão lenta e dolorosa da urina por espasmo do trígono 
vesical. Comum em homens idosos devido à uretra longa (uretra prostática), prostatites. 
Paciente tem que fazer força.
62. Diaforese ou sudação: transpiração intensa devido à  hiperactividade do sistema nervoso 
simpático. Causas: exercício físico, menopausa, hiperhidrose.
63. Espondiloartrose: alteração na coluna tipo de artrose(doença crônica em que há perda da 
cartilagem articular e degeneração dos ossos que fazem parte da articulação) na coluna 
lombar, cervical ou dorsal. Pode causar dor torácica não cardíaca.
64. Nictúria ou noctúria: o ritmo de diurese se altera, havendo necessidade de esvaziar a bexiga 
durante a noite. 
65. Polidipsia: aumento da sede.
66. Polifagia ou hiperfagia: fome excessiva e ingestão anormal alta de sólidos pela boca. 
Causas: diabetes, hipoglicemia, hiperglicemia, ansiedade, estresse, depressão, bulimia, 
hipertireoidismo, sintomas pré-menstruais.
67. Escoliose: Curvatura anormal da coluna vertebral, forma C ou S. Sinais: ombros 
desnivelados, tronco inclinado para um lado. Sendo mais comum na coluna lombar ou 
lombodorsal.
68. Hiperpneia: amplitude (volume) aumentada da respiração, respiração rápida e profunda. 
Causas: exercício intenso, ansiedade, acidose metabólica. Não necessariamente muda a FR. 
Caso de acidose metabólica, pode apenas hiperpneia. 
69. Apneia: ausência de movimento respiratório.
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70. Respiração de Kussmaul: é a respiração profunda; sua frequência pode ser rápida, normal 
ou lenta. Caracteriza-se por inspirações rápidas e amplas, intercaladas por inspirações 
rápidas com pouca amplitude e curtos períodos de apneia em inspiração e expirações 
profundas e ruidosas e períodos de apneia expiratória. Está associada a acidose metabólica, 
cetoacidose diabética e insuficiência renal com uremia.
A. Inspirações ruidosas, gradativamente mais amplas, alternadas com inspirações rápidas e de 
pequena amplitude; 
B) Apneia em inspiração.
C) Expirações ruidosas gradativamente mais profundas alternadas com inspirações rápidas e de 
pequena amplitude.
D) Apneia em expiração.
70. Madarose: queda dos cílios e/ou sobrancelha. 
71. Poliose ciliar: cílios brancos.
72. Triquíase: cílios voltados para dentro. Desenvolve depois da blefarite crônica ou dando à 
pálpebra ou conjuntiva.
73. Tiques: movimentos involuntários repetidos sucessivas vezes, são domináveis. Podem ser 
funcionais ou orgânicos. 
Motores
a) Simples: grupos musculares simples. Exemplo: 
piscamento, elevação de ombros, fechamento de punho
b) Complexos: padrões elaborados. Exemplo: desvio oculares, pequenos pulos, tocar ou cheirar 
objetos, gesticulação obscena.
Vocais
a) Simples: limpar a garganta, grunhidos, estalos com a língua e/ou lábios.
b) Complexos: repetir palavras.
75. Andropausa ou climatério masculino: conhecido como PADAM. Laboratorialmente, 
diminuição da testosterona. Pode ser assintomática, os sintomas/sinais são diminuição do 
desejo sexual, dificuldade de ereção, perda de massa muscular, aumento da gordura.
76. Colecistecmia: retirada de vesícula biliar. 
77. Andrenalectomia: retirada da glândula suprarrenal.
39 I Exame Clínico 
ou um sino. É encontrado nas hepatoesplenomegalias e ascites 
volumosas. 
O tórax cifótico tem como característica principal a curva-
tura da coluna dorsal, formando uma gibosidade. Pode ser de 
origem congênita ou resultar de postura defeituosa. Também 
a tuberculose óssea (mal de Pott), a osteomielite ou as neopla-
sias podem ser responsáveis por essa deformidade. 
O tórax cifoescoliótico apresenta, além da cifose, um desvio 
da coluna para o lado (escoliose). As formas leves dessas duasúltimas deformidades são comuns e desprovidas de signifi-
cado patológico. Ao se examinar uma radiografia de um indi-
víduo com cifose discreta, que não tenha sido feita em posição 
posteroanterior correta, a sombra traqueal aparece com um 
desvio que, na realidade, não existe. 
Após a inspeção estática do tórax, passaremos a observar 
sua dinâmica. Como se apresenta o paciente? Está em ortop-
neia, preferindo, portanto, ser examinado na posição sentada? 
Sua recusa em deitar-se é um dado que sugere insuficiên-
cia cardíaca. Existe taquipneia, bradipneia ou trepopneia? 
Batimentos das asas do nariz sugerem pneumonia grave, e não 
processo pulmonar obstrutivo. Quando não houver sincro-
nismo entre os movimentos respiratórios abdominais e toráci-
cos, suspeitar de fadiga muscular. 
No início das pleuropneumopatias, antes mesmo que sur-
jam os sinais radiológicos da doença, os movimentos respira-
tórios deixam de ser simétricos, podendo-se observar redução 
ou até imobilidade do hemitórax comprometido. Tal imobili-
dade significa que há doença subjacente. Ambos os hemitórax 
podem estar totalmente paralisados na espondilite anquilo-
sante. 
Nos pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica 
(DPOC) grave, cujas pequenas vias estão muito comprome-
tidas, a expiração, além de prolongada, é difícil, o que os obriga 
a manter os lábios semicerrados durante a expiração. As fossas 
supraclaviculares e os espaços intercostais se retraem, durante 
a inspiração, em decorrência da contração dos músculos res-
piratórios acessórios. Movimentos respiratórios paradoxais 
(retração do gradil costal), durante a inspiração, são observa-
dos nos casos de traumatismo torácico . 
... Tipo respiratório. Para o reconhecimento do tipo respiratório, 
observar a movimentação do tórax e do abdome, com o objeti-
vo de reconhecer em que regiões os movimentos são mais am-
plos. Em pessoas sadias, na posição de pé ou na sentada, quer 
no sexo masculino quer no feminino, predomina a respiração 
torácica ou costal, caracterizada pela movimentação predomi-
nantemente da caixa torácica. Em decúbito dorsal, também 
em ambos os sexos, a respiração é predominantemente dia-
fragmática, prevalecendo a movimentação da metade inferior 
do tórax e do andar superior do abdome. 
A observação do tipo respiratório tem importância no 
diagnóstico da fadiga e da paralisia diafragmática, condições 
em que a parede abdominal tende a se retrair na inspiração, ao 
contrário do que ocorre na respiração diafragmática normal. 
Nestas situações pode haver também alternância da respiração 
torácica e da abdominal, e os músculos da caixa torácica pas-
sam a ser recrutados devido à "fraquezà' do diafragma ou ao 
aumento anormal do trabalho respiratório por alguma doença 
que dificulta a respiração . 
... Ritmo respiratório. Normalmente a inspiração dura quase o 
mesmo tempo que a expiração, sucedendo-se os dois movi-
mentos com a mesma amplitude, intercalados por leve pausa. 
Quando uma dessas características se modifica, surgem os rit-
mos respiratórios anormais: respiração de Cheyne-Stokes, res-
piração de Biot, respiração de Kussmaul, respiração suspirosa. 
337 
Respiração de Cheyne-Stokes. As causas mais frequentes deste tipo 
de respiração são a insuficiência cardíaca, a hipertensão intra-
craniana, os acidentes vasculares cerebrais e os traumatismos 
cranioencefálicos. Tal ritmo caracteriza-se por uma fase de 
apneia seguida de incursões inspiratórias cada vez mais pro-
fundas até atingir um máximo, para depois vir decrescendo 
até nova pausa. Isto ocorre devido a variações da tensão de 0 2 
e C02 no sangue. Assim, o excesso de C02 durante o período 
de apneia obriga os centros respiratórios bulbares a enviarem 
estímulos mais intensos que resultam em aumento da ampli-
tude dos movimentos respiratórios; com isto haverá maior 
eliminação de C02, e sua concentração no sangue cai. Con-
sequentemente, não havendo estímulos exagerados dos cen-
tros respiratórios, diminui a amplitude dos movimentos res-
piratórios e assim sucessivamente. Nesse ritmo respiratório, 
a percepção "auditivà' do fenômeno é maior que a "visual": 
a respiração de Cheyne-Stokes é "ouvida" melhor do que é 
vista (Figura 39.4). 
Respiração de Biot. As causas desse ritmo são as mesmas da res-
piração de Cheyne-Stokes. No ritmo de Biot, a respiração 
apresenta-se com duas fases. A primeira, de apneia, seguida 
de movimentos inspiratórios e expiratórios anárquicos quanto 
Respiração 
dispneica 
Respiração de Cheyne-Stokes 
Respiração 
superficial Apneia 
Respiração 
aumentando de 
amplitude 
Respiração de Biot 
Respiração 
diminuindo de 
amplitude 
Respiração de amplitude variável - períodos de apneia 
Respiração de Kussmaul 
Inspirações profundas seguidas de pausas - expirações curtas também 
seguidas de pausas 
- .....-- -
- _.._ __ .__._ __ 
Respiração suspirosa 
Movimentos respiratórios interrompidos por "suspiros" 
Dispneia 
Movimentos respiratórios amplos e rápidos 
Figura 39.4 Representação esquemática de ritmos respiratórios e tipos 
de dispneia. 
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78. Hirsutismo: aumento da quantidade de pelos na mulher em locais comuns ao homem. 
Embora seja raro, costuma afetar as mulheres durante os anos férteis e após a menopausa. 
Pode ser constitucional, idiopático ou androgênico. Provocado por níveis elevados de 
testosterona, observa-se calvície temporal. Associado à acnes.
79. Hipertricose: consiste no aumento exagerado de pelos terminais, sexuais e bissexuais ou 
não sexuais, em relação ao indivíduo. Pode ser congênita ou adquirida, difusa ou localizada 

Síndrome de Ambras: hipertricose congênita 
generalizada com pelo excessivo ao nascer.
Hipertricose Lanuginosa Congênita: o cabelo é 
relativamente fino e felpudo e pode chegar a 25 cm de 
comprimento.
80. Hipoacusia: diminuição da audição, não perda total. Dividida em leve e moderada. Causas: 
otite
81. Presbiacusia: audição do idoso. Deficiência auditiva surge com a idade, decorre 
essencialmente de alterações da orelha interna e das vias nervosas auditivas centrais.
82. Gastrectomia: ressecção parcial ou total do estômago.
83. Coréia ou choreia: movimentos involuntários, fazem parte da discinesia (desordem 
neurológica). Parecem com dança. Causas: Huntington
84. Hemicoreia: movimento em uma parte específica do corpo, como, o braço direito.
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85. Convulsão: movimentos musculares súbitos e incoordenados, involuntários e paroxístico (em 
crises). Surgem em epilepsias, tétano, hipoglicemia, intoxicação exógena, tumores, 
meningites, episódios febrir. Entretanto, todos tem algo em comum: descarga bioelétricas 
originadas em alguma área cerebral.
Tipos:
a) Tônica: mantidas permanentes e imobilizam as articulações
b) Clônica: rítmicas, alterando-se contrações e relaxamentos musculares.
c) Tônico-clônica: soma das duas.
85. Síncope ou desmaio: perda súbita e transitória, parcial ou total, da consciência.
86. Quelite ou queilite angular (boqueira): lesão ulcerada das comissuras labiais. Amolecimento 
da pele nos cantos da boca, logo acompanhado de fissuras. Causada por infecções( Candida 
ou Staphylococcus aureus), irritação(saliva-sialorréia), protétese dentárias mal encaixadas, 
fumar. Pode ser sinal secundária à deficiência nutricional com hipovitaminose do complexo 
B, particularmente riboflavina. 
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87. Erisipela: doença infecciosa produzida por estreptococo do grupo Streptococcus pyogenes. 
Sinais e sintomas: febre elevada, cefaleia, náusea, vômito e sinais inflamatórios (calor, rubor, 
edema e dor.) Quase sempre há comprometimento de vasos linfáticos (linfangite) e de 
linfonodos (adenites).
88. Polineuropatia: distúrbio simultâneo de diversos nervos periféricos,geralmente do 
autônomo(funções involuntárias do organismo) no organismo todo. Pode ser dividida em:
• Aguda: fraqueza e uma sensação de formigamento ou perda da sensibilidade. Os músculos 
que controlam a respiração podem ser afetados, causando insuficiência respiratória.
Causas: infecções toxina(difteria),síndrome de Guillain-Barré (reação autoimune), medicamentos 
[fenitoína, alguns antibióticos (como o cloranfenicol, a nitrofurantoína e as sulfonamidas), alguns 
medicamentos quimioterápicos (como a vimblastina e a vincristina) e alguns sedativos (como o 
barbital e o hexobarbital) ], câncer(mieloma múltiplo).
• Crônica: somente a sensibilidade é afetada.Sensação de formigamento, perda de 
sensibilidade, dor e perda do sentido de vibração e de posição (saber onde se encontram os 
braços e as pernas). Com o tempo os músculos podem atrofiar. Em casos severos, músculos 
podem ficar rígidos e permanentemente mais curtos(contraturas).
Causas: diabetes, uso excessivo de álcool, deficiência a vitamina B12, deficiência tiamina, 
hipotireoidismo, IR, câncer de pulmão, piridoxina(B6) em altas doses.
• Neuropatia diabética: polineuropatia causada pela diabetes. Sensações dolorosas de 
formigamento ou de ardor nas mãos e nos pés, um quadro denominado polineuropatia 
periférica. Dor piora durante a noite. Pode se perder a sensibilidade a temperatura. Sem dor, 
como um aviso de muito estresse, as juntas ficam suscetíveis a lesões. Esse tipo de lesão é 
chamada de artropatia neurogênica.
Observação: nervos do sistema autônomo afetados causamconstipação, disfunção sexual e 
pressão arterial oscilante, hipotensão ortostática. A pele pode ficar pálida e seca e a transpiração 
pode diminuir. Muito menos frequente, perda do controle de movimentos intestinais ou urinação, 
levando a incontinência fecal ou urinária.
64 
Doenças dos 
Linfáticos 
Edvaldo de Paula e Silva, Yosio Nagato e Charles Esteves Pereira 
..,. Introdução 
As doenças primárias do sistema linfático, em geral, estão 
relacionadas com malformações congênitas, como os higro-
mas císticos e os linfedemas primários, ou com neoplasias 
próprias do sistema linfático, como a doença de Hodgkin. 
As doenças secundárias podem ser resultantes do com-
prometimento ganglionar por células neoplásicas das mais 
diversas origens, por bactérias ou fungos, radioterapia ou 
cirurgia de esvaziamento ganglionar. Podem decorrer tam-
bém do comprometimento dos coletores linfáticos por bacté-
rias (estreptococos), nematoides (filária), de complicações de 
cirurgia de varizes e retirada de veias safenas para enxertos 
arteriais e cardíacos. 
..,. Erisipela 
A erisipela é uma doença infecciosa produzida por estrep-
tococo (Streptococcus pyogenes) do grupo A e raramente do 
grupo C. 
Caracteriza-se clinicamente por febre elevada, cefaleia, 
náusea e vômito, concomitantemente com sinais inflamatórios 
na área afetada (calor, rubor, edema e dor) (Figura 64.1). 
Figura 64.1 Erisipela na perna esquerda. 
Pode comprometer a pele e o tecido celular subcutâneo de 
qualquer parte do corpo, porém é mais frequente nos mem-
bros inferiores. Quase sempre se observa comprometimento 
de vasos linfáticos (linfangite) e de linfonodos (adenites). 
A porta de entrada das bactérias são pequenas escoriações 
ou ferimentos da pele. No caso dos membros inferiores, a 
porta de entrada costuma ser as lesões produzidas por mico-
ses interdigitais. 
Na maioria dos casos, ocorre processo inflamatório difuso 
da pele e do tecido subcutâneo, caracterizando uma celulite 
extensa. Podem aparecer lesões bolhosas, semelhantes às pro-
duzidas por queimaduras, ou áreas de necrose. 
Como os principais coletores superficiais dos membros 
inferiores acompanham a veia safena interna, é necessário o 
diagnóstico diferencial entre trombose da safena interna e lin-
fangite. Na trombose, palpa-se um cordão duro no trajeto da 
veia, raramente há febre ou, se existe, é baixa e não há enfar-
tamento ganglionar inguinal. Na linfangite, observam-se faixa 
avermelhada e dolorosa no trajeto linfático, adenomegalia 
inguinal dolorosa, acompanhada quase sempre de febre ele-
vada. 
..,. linfedema 
Linfedema é o edema resultante do comprometimento do 
sistema linfático. Suas características dependem da etiologia, 
do tempo de evolução e das complicações (Quadro 64.1). 
Em sua fase inicial, o linfedema é mole, depressível, frio, 
indolor e regride com o repouso. O de longa duração costuma 
ser duro, não depressível, frio, indolor e não regride com o 
repouso. 
O linfedema congênito é o que se observa desde o nasci-
mento. Nesse grupo se enquadram o linfedema primário con-
gênito propriamente dito, o linfedema por brida amniótica e o 
linfedema familiar ou doença de Milroy. 
O linfedema congênito acomete qualquer parte do orga-
nismo, toda a extensão ou parte de um membro, podendo estar 
Quadro64.1 aassificação do linfedema. 
1. Primário 
• Congênito (brida amniótica, doença de Milroy) 
• Precoce 
• Tardio 
2. Secundário 
A. Alteração dos vasos linfáticos 
• Pós-surtos de erisipela 
• Pós-estase venosa crônica 
• Pós-traumatismo 
• Filariose 
• latrogênico 
o Pós-cirurgia de varizes 
o Pós-safenectomia para revascularização arterial 
o Pós-dissecção inguina I para circulação extracorpórea 
B. Alteração doslinfonodos 
• Neoplasia 
• Fibrose pós-radioterapia 
• Esvaziamento ganglionar 
• Tuberculose 
• Medicamentos 
15 I Exame Clínico 
Figura 15.23 Edema e e ri tema (erisipela). 
Figura 15.24 Atrofia da pele com lesão eritematocrostosa decorrente de 
biopsia. 
Perdas e reparações teciduais 
Lesões provocadas por eliminação ou destruição patológi-
cas e de reparações dos tecidos cutâneos. Abrangem: escama, 
erosão ou exulceração, úlcera ou ulceração, fissura ou rágade, 
crosta, escara e cicatriz. 
Escamas 
Lâminas epidérmicas secas que tendem a desprender-se 
da superfície cutânea. Se apresentarem o aspecto de farelo são 
denominadas furfuráceas, e, quando em tiras, laminares ou 
foliáceas (Figura 15.25). 
Muitas afecções manifestam-se por descamação, como a 
caspa, a pitiríase versicolor, a psoríase e a queimadura da pele 
por raios solares. 
Erosão ou exulceração 
Simples desaparecimento da parte mais superficial da pele, 
atingindo apenas a epiderme (Figura 15.26). Pode ser traumá-
217 
A 
o O 00 
'- ,l 
Figura 15.25 Escamas. A. Alergia a medicamento (em fase regressiva). B. 
Eritrodermia. C. Corte esquemático de escama, mostrando desprendimento 
de lâminas corticais. 
tica, quando recebe o nome de escoriação, ou não traumática. 
Neste caso, são secundárias à ruptura de vesículas, bolhas e 
pústulas. Ao regenerarem-se, não deixam cicatrizes. 
Úlcera ou ulceração 
Perda delimitada das estruturas que constituem a pele, 
atingindo a derme. Tal fato a diferencia da escoriação. Outra 
diferença entre essas duas lesões é que a ulceração deixa cica-
triz. Exemplos: úlcera crônica, lesões malignas da pele, leish-
maniose (Figura 15.27). 
Fissuras ou rágades 
Perda de substância linear, superficial ou profunda não cau-
sada por instrumento cortante. Comprometem a epiderme e a 
derme e situam-se mais frequentemente no fundo de dobras 
cutâneas ou ao redor de orifícios naturais (Figura 15.28). 
BEATRIZ CARNEIRO XXXIII MEDICINA UCB
89. Mal perfurante plantar: ulceração crônica que ocorre em 
áreas onde há a diminuição da sensibilidade protetora dos 
pés( localizam-se de preferência nas polpas digitais e nas 
áreas de pressão da planta dos pés). Apresentam contornos 
nítidos, bordas circulares e hiperqueratósica. Em geral, são 
indolores e podem conter secreção purulenta, sinal comum 
em pacientes diabéticos ou com hanseníase. O sistema 
nervoso sensitivo está afetado e por isso as lesões passam 
despercebidas pelo paciente. Inicialmente, surge uma 
calosidade, masse essa alteração não for percebida logo no 
início, o caso pode evoluir para uma ulceração, deixando o 
paciente muito mais vulnerável.
90. Hálux Valgo: conhecido como 
joanete. Desvio do dedão 
(hálux) para fora. Principal 
sintoma é a presença de 
uma protuberância óssea 
dolorosa na parte interna do 
pé. O hálux valgo afeta 
principalmente as mulheres e 
tem como principais causas 
fatores genéticos e uso de 
sapatos de salto alto e bico 
fino. Muitas vezes a joanete 
também pode estar associada 
ao pé plano.
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91. Miosite: É uma miopatia(mio= músculo) inflamatória com sintomas e sinais de dores 
musculares com atrofia, fraqueza, perda da força e da mobilidade.
A. Miosites por agente conhecido: Doenças virais costumam comprometer músculos e 
determinar algum grau de fraqueza, às vezes com dor associada. Isso pode ser visto 
em infecções por influenza, Coxsackie e HIV. Bactérias podem determinar piomiosites 
ou granulomas, que também podem ser provocados pela sarcoidose. Algumas 
infecções parasitárias têm até certa predileção pelo sistema muscular, como a 
cisticercose, a toxoplasmose e a triquinose.
B. Miosites idiopáticas: As doenças inflamatórias dos músculos são divididas 
inicialmente em esporádicas e em hereditárias; as primeiras englobam as polimiosites 
e as dermatomiosites, enquanto, entre as últimas, encontram-se as miopatias 
hereditárias por corpos de inclusão. Estas podem iniciar-se na vida adulta ou ser 
precoces e existem pelo menos oito fenótipos diferentes:
1-Miopatia poupando quadríceps.
2-Miopatia, oftamoplegia e contratura articular.
3-Miopatia distal de início na infância ou na vida adulta 
4-Miopatia e doença da substância branca, de início na infância e na vida adulta.
5- Miopatia distal e oculofaríngea.
6-Miopatia e diplegia facial
7-Neuromiopatia e fraqueza bulbar 
8- Fraqueza proximal.


Quadro clínico: fraqueza muscular proximal, comprometimento particular dos músculos 
do pescoço, disfagia e disfonia. Embora muito valorizada, a dor muscular, espontânea ou 
à palpação, não é frequente, ocorrendo em torno de 15% dos casos. É notável a 
desproporção entre o grau de fraqueza muscular e praticamente nenhuma atrofia. A pele 
pode apresentar-se com eritema difuso ou localizado, com erupção maculopapular e 
com dermatite eczema- tosa ou esfoliativa. A localização no rosto é característica, como 
erupção rósea ou violácea, o heliotrópio. Edemas periorbitário e peribucal podem estar 
presentes. Os músculos oculares e faciais quase nunca são afetados. A evolução 
costuma ser subaguda; o início é insidioso e ocorre em qualquer idade ou sexo. 
92.Agalactia ou agalaxia: ausência de produção de leite após o parto.
93.Poliúria: >2500 ml/dia. Causas: diurese 
osmótica(aumento de solutos o que causa maior 
excreção de água. Diabetes melito 
descompensado) e da incapacidade de 
concentração da urinária (diabetes insípido, 
hipopotassemia).
94.Lordose: é um transtorno devido a uma curvatura 
excessiva da coluna para dentro. A lordose 
lombar pode estar aumentada nos processos 
degradativos dos discos lombares inferiores, 
especialmente em L4 e L5 e no sacro (SI), na 
ausência de equilíbrio pélvico por fraqueza dos 
músculos abdominais e glúteos ou por 
encurtamento dos músculos ileopsoas e 
isquiossurais. O aumento da lordose lombar 
projeta o centro de gravidade para frente, 
agravando a instabilidade lombossacral, a qual, 
por sua vez, piora as enfermidades que a 
165 I Noções de Anatomia e Fisiologia 
nar lesão medular. Na coluna dorsal, como a movimentação é 
menor, o canal vertebral também é pequeno. A medula espinal 
se estende até o nível da primeira vértebra lombar e, a par-
tir daí, o canal vertebral está preenchido pela cauda equina. 
Envolvendo a medula estão a pia-máter com seu prolonga-
mento, o ligamento denteado; a membrana aracnoide com os 
seus 2 folhetos e, mais externamente, a dura-máter. A irrigação 
é feita pelos vasos que passam pela massa gordurosa do espaço 
epidural, entre a dura-máter e a vértebra. Da medula, saem 
prolongamentos, que são as raízes nervosas: a raiz anterior, 
que é motora, e a posterior sensorial, com seu gânglio corres-
pondente. Ambas se unem na saída do buraco de conjugação . 
..,. Postura humana 
A postura humana depende da coluna vertebral e está 
ligada à evolução da espécie. Da evolução do símio ao homem 
moderno, fatos curiosos podem ser observados. A postura 
ficou intimamente ligada à função da mão, pois, à medida que 
esta se aperfeiçoava para a preensão, no início, e à oponência, 
no final, o corpo se vertica1izava. 
Conforme o tronco se elevava, as extremidades passavam a 
ter uma função definida: os membros inferiores para locomo-
ção e os membros superiores para a preensão e a oponência. 
O tronco passou a ser instrumento de equilíbrio. Entretanto, 
nesta passagem para a vertical, a bacia, que é o alicerce da 
coluna vertebral, não conseguiu horizontalizar-se com o solo, 
mantendo uma obliquidade que obrigou à formação das cur-
vas de compensação, vistas no plano sagital (lordose e cifose). 
No plano frontal, ela se manteve ereta. A menor ou maior obli-
quidade pélvica é responsável pelos diferentes tipos posturais 
observados no homem. 
.,. Postura normal. Tempos atrás, definia-se postura normal como 
a linha de prumo que passava pelo lóbulo da orelha, terço an-
terior do ombro, região trocantérica, terço anterior do joelho e 
adiante do maléolo lateral. Entretanto, após extensos estudos, 
verificou-se que o homem ainda não tem uma postura padrão. 
A postura sofre influência hereditária, profissional, e é dife-
rente nas várias faixas etárias (Figura 165.7), além de depender 
do estado psicológico ou do humor (euforia ou depressão). 
O centro de gravidade do corpo está um pouco atrás e 
abaixo do umbigo. Portanto, a tendência do corpo é cair para a 
frente, forçando o trabalho dos músculos posteriores, chama-
dos de antigravitários. Os músculos anteriores, especialmente 
os abdominais, agem em favor da gravidade, daí sua menor 
função e, consequentemente, maior flacidez, com facilidade 
em adquirir protrusão abdominal. Daí a razão de iniciar a cor-
reção postura! com exercícios abdominais (Figura 165.8). 
Outros músculos participam também deste controle. Os que 
aumentam a lordose lombar e, em consequência, as outras curvas 
são o psoas ilíaco e os flexores do quadril Os músculos que redu-
zem a lordose lombar são os abdominais, os glúteos e o erector 
spinae. Pelo que se vê, os músculos que agem sobre o quadril têm 
também participação muito ativa na postura. Qualquer contra-
tura muscular no nível das coxofemorais irá interferir automati-
camente na postura. Assim, é importante conhecer os músculos 
posturais, com o objetivo de evitar contraturas e má posição pél-
vica. Portanto, é necessário analisar a postura correta, tanto a está-
tica como a dinâmica, ambas com grande implicação da coluna 
vertebral e os músculos relacionados. 
.,. Postura estática. Postura militar ou atlética é aquela assumida 
pelos militares e atletas quando estão na posição de sentido ou 
1135 
A B 
Figura 1 65.7 Postura humana. A. Pessoa jovem. 8. Pessoa idosa com mo-
dificações nas curvaturas da coluna. 
alerta. O centro de gravidade é projetado para a frente, com 
grande sobrecarga dos músculos posteriores dos membros in-
feriores, especialmente do tríceps sural. A sobrecarga pode ser 
tão grande, com exigência de maior volume sanguíneo, que 
poderá ocasionar lipotimia, comum nas paradas militares ou 
atléticas. Esta postura favorece a lordose; sapatos de salto alto 
comumente utilizados pelas mulheres, além de maléficos para 
T1 
A B 
Figura 165.8 Músculos controladores da obliquidade pélvica. A. Domínio 
dos músculos que diminuem a obliquidade, reduzindo as curvaturas da 
coluna. 8. Aumentoda obliquidade pélvica com acentuação das curva-
turas da coluna. 
BEATRIZ CARNEIRO XXXIII MEDICINA UCB
produziram, formando um círculo vicioso. 
95.Canície: despigmentação capilar, que surge gradualmente após a terceira década de 
vida culminando com a idade avançada, mas que, no entanto, pode estar presente 
desde muito cedo. Geralmente surge entre 35 e 45 anos. Pode surgir antes por 
questões genéticas e patológicas(albinismo).Outras causas para o aparecimento 
precoce de fios brancos estão relacionadas a fatores como: exposição excessiva ao 
sol, doenças graves (câncer, diabetes, problemas cardíacos, hipertensão, colesterol), 
e o estresse que é comum 
96.Orquite: é a inflamação aguda ou crônica do testículo. 
Tipos:
Aguda: Rara e quase sempre é consequência da extensão de um processo inflamatório 
epididimário, o que caracteriza a epidídimo-orquite. 
Orquite piogênica: formação de abscesso, o qual, quando roto, dá origem à chamada 
piocele. 
Orquite aguda: aparece de modo súbito e, na maioria das vezes, é acompanhada de 
febre alta, náuseas e vômitos. A dor testicular é intensa e irradia-se para a virilha; a pele 
escrotal apresenta-se avermelhada e edemaciada. O testículo comprometido aumenta de 
volume e fica doloroso à palpação; a elevação manual do testículo reduz a dor. Este sinal 
não é infalível - nota-se frequentemente hidrocele aguda concomitante. Muitas vezes, 
não é fácil distinguir a epidídimo-orquite aguda da torção testicular. 
Orquite traumática: pode aparecer após vasectomia, traumatismo, manipulação cirúrgica 
sem história prévia de infecção, verifica-se uma reação granulomatosa testicular 
provavelmente resultante do extravasamento de proteínas e espermatozoides destruídos. 
Os testículos apresentam-se aumentados de volume e dolorosos.
Orquite da caxumba: o testículo apresenta-se aumentado e hipersensível em 
consequência do edema intersticial.Pode haver fibrose dos túbulos seminíferos, com 
lesões irreversíveis das células germinativas e consequente esterilidade; contudo, as 
células intersticiais de Leydig, responsáveis pela produção de testosterona, são 
preservadas.
Orquite luética ou sifílica:  O padrão morfológico da reação toma duas formas: a 
produção de gomas ou uma inflamação intersticial difusa caracterizada por edema e 
infiltração linfocitária e de células plasmáticas com a marca característica das infecções 
sifilíticas (endarterite obliterante com tamponamento perivascular com linfócitos e células 
plasmáticas, que pode comprometer a microvascularização testicular e levar à uma 
destruição testicular difusa). Não é possível diferenciar orquite gomosa ulcerada da 
neoplasia testicular fagedênica que também ulcera a pele do escroto. Nestes casos, a 
biopsia é indispensável.
97.Orquiepididimite: processo 
inflamatório envolvendo os 
testículos e o epidídimo. Pode ser 
causado por bactérias e vírus, 
sendo comum na caxumba, 
gonorreia, clamídia. Sinais: 
aumento doloroso, febre, sinais 
flogísticos
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98.Paralisia ou plegia: diminuição 
ou abolição da motricidade devido 
a lesões dos centros nervosos ou 
vias motoras ou lesões no sistema 
muscular.
99.Paresia: diminuição da força 
muscular. Perda de parte da 
motricidade de um ou mais 
músculos do corpo de forma 
temporária ou permanente, causa 
limitação.
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100.Vômica: eliminação brusca e súbita 
através da glote de quantidade 
abundante de pus ou líquido de 
aspecto mucoide ou seroso. 
Proveniente do tórax ou do abdome, 
causadas por abscesso pulmonar, 
empiema, mediastinites supuradas e 
abscessos subfrênicos.
101.Oligúria: diminuição do débito 
urinário. Clinicamente <400mL/24 horas ou <20 mL/h. Causas: necrose tubular, IRA, 
desidratação, hemorragia, IC.
102.Tendinite: inflamação de um tendão(tecido fibroso pelo qual um músculo se prende a um 
osso). Sintomas:dor localizada ou com irradiação, aumento de volume local, eritema e calor 
na pele sobrejacente. Causas: lesão por esforço repetitivo, neuropatias, processos 
degenerativos, infecções, doença reumatoide, de artrite psoriásica, de síndrome de Reiter, de 
gota, de hipercolesterolemia familiar,de amiloidose, epicondilite ou cotovelo do 
tenista(degeneração dos tendões que se originam no cotovelo). As localizações mais 
frequentes das tendinites são os ombros, as mãos, os punhos, os cotovelos, os pés e os 
tornozelos.
103.Bursite: são a inflamação das bursas ou bolsas sinoviais com deposição de cálcio 
normalmente. Mais comuns são a subdeltoide e a subacromial no ombro, a olecraniana, a 
trocanteriana, a anserina, a da tuberosidade isquiática, a do iliopsoas, a do gastrocnêmio, a 
do semimembranoso, a do tendão do calcâneo, a pré-patelar e a da primeira articulação 
metatarsofalangeana. Quadro clínico comum, dor, aumento de volume e limitação de 
movimento.O diagnóstico das bursites é essencialmente clínico, mas pode ser conveniente 
realizar alguns exames complementares, como hemossedimentação e análise do líquido 
sinovial. A ultrassonografia pode evidenciar alterações nas partes moles. A tomografia 
computadorizada e a ressonância magnética podem ser necessárias em casos especiais. 
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Tipos
a) Bursite subacromial: tendão do supraespinhoso inflama-se na sua passagem pela bursa 
subacromial. Calcificações podem ser observadas; contudo, isso não significa que sua 
presença seja sempre acompanhada de sintomas 
b) Bursite trocanteriana: causa tumefação localizada e dor no grande trocanter do fêmur. A 
abdução contra resistência e a rotação do quadril agravam a dor, localizada na face lateral do 
terço proximal da coxa até o joelho. 
c) Bursite do olécrano: geralmente é unilateral, com dor leve ou ausente, com derrame, mas 
sem limitação dos movimentos do cotovelo. Maioria dos causos traumáticaA gota, a doença 
reumatoide e as infecções podem levar a esse quadro, acentuando as manifestações.
d) Bursite iliopectínea: inflamação da bursa do psoas ilíaco e manifesta-se por dor e por 
aumento de volume no terço médio do ligamento inguinal, lateral ao pulso femoral. Piora com 
a extensão e melhora com a flexão do quadril. 
e) Bursite isquiática ou isquioglútea: causa dor e, às vezes, tumefação sobre a tuberosidade 
do ísquio. É conhecida como "nádega de tecelão" (weavers bottom), em virtude de ser 
desencadeada pela permanência na posição sentada por tempo prolongado em superfície 
dura. 
f) Bursite pré-patela: doença ocupacional, surgindo em pessoas que têm o hábito de se 
ajoelhar. Religiosos e empregadas domésticas são os mais acometidos. Quando a doença de 
base é a gota, o quadro doloroso pode ser mais intenso. Geralmente a marcha é normal. 
g) Bursite anserina: dor na face mediai da tíbia e na inserção dos tendões dos músculos 
sartório, gracilis e semitendinoso. 
h) Pé: (1) entre a pele e o tendão do calcâneo; (2) entre o tendão do calcâneo e o calcâneo; e (3) 
entre a pele na região plantar e o calcâneo, na inserção da fáscia plantar. 
104.Metrorragia: sangramento intermenstrual, conhecido como sangramento de escape. 
Sangramento que não é proveniente do ciclo menstrual. Causas: ulcerações, neoplasias, 
inflamações.
105.Climatério: engloba a menopausa e um período de 5 a 10 anos em que podem ocorrer 
sintomas menopáusicos, ou seja, estar entre a menacme(período reprodutivo) e a 
senectudo(período não-reprodutivo). Marcado pelo FSH de 40 mUI/ml
a- Climatério precoce: abaixo dos 40 anos
b- Climatério tardio: acima dos 52 anos
106.Menopausa: ocorre a partir do 50 anos, normalmente. Elevação dos níveis séricos do 
hormônio foliculoestimulante (FSH>25 mUI/mL). A depleção folicular do ovário resulta em 
diminuição de 95% na produção de estradiol. 
107.Menarca: idade da primeira menstruação.108.Sexarca: idade da primeira relação sexual.
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109.Ascite: é a acumulação de fluidos na membrana que envolve os órgãos abdominais, o 
peritônio. A causa mais comum são as doenças graves do fígado, como cirrose hepática e 
neoplasias. Usa-se a percussão por piparote (com uma das mãos o examinador golpeia o 
abdome com piparotes, enquanto a outra, espalmada na região contralateral, procura captar 
ondas líquidas chocando-se contra a parede abdominal.)
110.Aerofagia: deglutição voluntária ou involuntária de grande quantidade de ar, pode causar 
dor, gases, flatulência, eructação. Comum ao se comer rápido ou/e ansiosos.
111.Postectomia: cirurgia de fimose. Fimose é a dificuldade ou até impossibilidade de expor a 
glande (ou cabeça do pênis) porque o prepúcio (prega de pele que envolve a glande) estreita 
a passagem.
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112.Anasarca: edema generalizado pelo corpo, geralmente causado por insuficiência cardíaca 
ou renal (fáscie renal), hidropisia(anasarca fetal). Diagnosticado pelo sinal de Cacifo ou de 
Godet: pressão digital sobre a pele por pelo menos 5 segundos, positivo quando a depressão 
formada não desfaz após descompressão.
113.Incontinência urinária: eliminação involuntária de urina, sendo normal em criança até 1 ano 
e meio. Causas: bexiga neurogênica, cistites, problemas neurológicos, hipertrofia prostática, 
distensibilidade da bexiga.
114.Enurese: perda involuntária de urina durante o sono após 5 anos, idade que o indivíduo já 
possui controle vesical voluntário. Causas: diabetes insipidus, síndrome das pernas inquietas, 
infecções.
115.Hipermenorréia: menstruação dura mais de 8 dias.
116.Menorragia: sangramento excessivo e prolongado durante o fluxo 
117.Oligomenorreia: ciclos menstruais superiores a 35 dias.
118.Polimenorreia: ciclos menstruais inferiores a 21 dias.
119.Amenorreia: falta de mesntruação por um período de tempo maior do que três ciclos 
prévios.
120.Telangiectasias: dilatações dos vasos terminais, ou seja, arteríolas, vênulas e capilares. As 
telangiectasias venocapilares são comuns nas pernas e nas coxas das pessoas do sexo 
feminino e se denominam varículas ou microvarizes. Podem ser vistas, também, no tórax de 
pessoas idosa Na sua maioria, têm poucos milímetros de comprimento e cobrem as pernas e 
as coxas como um mapa. Ninhos de telangiectasias podem sugerir lipedema(síndrome 
gordurosa dolorosa). Causas: hereditárias, tumores, injúrias, rosácea, uso de corticoídes.
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121. Spiders ou aranha vasculares: tipo de 
telagiectasia. Formato lembra um aracnídeo 
(corpo central com várias pernas). Localizam-se 
na região superior do corpo - face, pescoço, 
terço superior do tórax, braços e mãos, para 
fazê-las desaparecer basta fazer uma 
puntipressão exatamente sobre seu ponto mais 
central. Desaparecem porque esta manobra 
oclui a arteríola central, alimentadora dos vasos 
ectasiados. Causas:doenças hepáticas crônicas 
como a cirrose.
122. Asterix ou Flapping: movimentos rápidos de amplitude variável que ocorrem em segmentos 
distais (DEDOS) e apresentam semelhança com o bater de asas. Manobra: paciente estende 
o braço e superintende as mãos para trás( dorsiflexão) com um angulo de 90° e o médico 
empurra os dedos. O paciente começa a tremer e levar as mãos como um bater de asas.
123. Hipocratismo digital ou baqueamento digital: conhecida como unhas em vidro de relógio, 
hipertrofia das falanges distais da mão. Causas supuração pulmonar não tuberculosa, 
endocardite infecciosa, osteoartropatia hipertrófica pnêumica, síndrome de Bamberg-Marie 
(neoplasia maligna do tórax), artrites (sarcoidose), doença cardíaca cianótica congênita, 
hipertireoidismo, cirrose, cor pulmonale.
96 I Doenças do Fígado e das Vias Biliares 
tases hepáticas, nas quais a colestase só ocorre quando gran-
de parte do parênquima está invadido e os nódulos tumorais 
comprimem os duetos biliares; (3) na doença de Hodgkin, por 
lesão destrutiva dos duetos biliares, lesão centrolobular e for-
mação de cicatrizes fibróticas; ( 4) no câncer da bifurcação do 
hepático comum, a icterícia tem característica de extra-hepá-
tica, com dilatação ductal a montante; (5) a atresia dos duetos 
(intra e/ou extra-hepática), assim como a dilatação congênita 
dos duetos intra-hepáticos (doença de Caroli), manifesta-se 
com icterícia desde os primeiros meses de nascimento e pode 
estar associada à cirrose; (6) cálculos intra-hepáticos provo-
cam icterícia, quando numerosos e disseminados. 
• Colestase extra-hepática 
Na obstrução extra-hepática, geralmente não há lesão 
hepatocitária, e a icterícia é produzida por um obstáculo 
situado entre a bifurcação do hepático comum e a papila de 
Vater, dentro ou fora do tronco biliar. Quando a obstrução é 
prolongada, as estruturas acima dela tornam-se dilatadas, e o 
colédoco e os duetos biliares podem aumentar até 10 vezes o 
seu diâmetro. 
As causas mais comuns de obstrução extra-hepática são 
coledocolitíase e câncer (papila, pâncreas). 
Outras causas pouco comuns são: obstrução das vias bilia-
res devido à penetração de áscaris no colédoco, carcinoma 
da vesícula e blastomicose sul-americana cuja adenomegalia 
parasitária comprime as estruturas do hilo hepático. 
• Manifestações clínicas e bioquímicas 
A icterícia é o dado clínico dominante e a cor da pele vai de 
amarelo-pálido até verde intenso (icterícia verdínica). 
Em geral, há prurido e este pode alcançar tal intensidade 
que o paciente se coça dia e noite, tornando-se profundamente 
irritado. As coçaduras deixam marcas na pele e comumente 
ficam infectadas. Não se conhece ainda seu mecanismo de 
produção. Provavelmente está relacionado com os sais biliares, 
ou um fator produzido no fígado. Cumpre lembrar que nem 
sempre sua intensidade é proporcional à icterícia. 
Os xantomas, pequenas elevações elásticas e amareladas na 
pele, aparecem nas colestases muito prolongadas. Localizam -se 
no pescoço, nas mãos e pálpebras, ocupando quase todas as 
superfícies extensoras na fase final. Estão relacionados com a 
hiperlipemia com mais de 3 meses de duração. 
A febre ocorre em colangites, neoplasias e infecções 
secundárias. A ausência de sais biliares no intestino leva a 
má absorção secundária de vitaminas lipossolúveis. O qua-
dro clínico pode associar-se a hipoprotrombinemia, osteo-
malacia, osteoporose e desnutrição com grande perda de 
peso. A incidência de úlcera duodenal está aumentada nas 
colestases crônicas. 
As bilirrubinas conjugada e não conjugada ficam elevadas, 
com predomínio da primeira. 
A fosfatase alcalina sempre se eleva, sendo um bom "mar-
cador" de colestase, pois está aumentada mesmo nas formas 
anictéricas. A dosagem das isoenzimas da fosfatase alcalina 
tem mostrado que a fração intestinal só ocorre nas colestases 
intra-hepáticas. 
A 5' -nucleotidase eleva-se da mesma maneira que a fosfa-
tase alcalina, sendo, entretanto, específica das afecções hepá-
ticas, sem se relacionar com alterações ósseas ou gravídicas. 
As transaminases apresentam valores baixos, a não ser que 
lesões hepatocitárias estejam associadas. 
751 
A gamaglutamil transpeptidase (GT) mostra sua atividade 
elevada em todas as formas de colestase, com exceção das for-
mas gravídicas e por anticoncepcionais. 
As frações lipídicas elevam-se paralelamente ao colesterol. 
As proteínas séricas não se alteram, mas a albumina diminui 
quando há insuficiência hepática. 
Anticorpos antimitocondriais estão presentes na cirrose 
biliar primária em até 98% dos casos. 
• Sinais que devem ser avaliados 
no paciente ictérico 
As aranhas vasculares, púrpuras, eritema palmar, dedos em 
baqueta de tambor, alterações dos pelos, ginecomastia, atro-
fia testicular e fetor hepaticus são encontradosna insuficiência 
hepática, principalmente devido à cirrose. 
As aranhas vasculares são formações arteriolares que apa-
recem na região superior do corpo - face, pescoço, terço supe-
rior do tórax, braços e mãos. Estas formações têm um dimi-
nuto ponto central e finas ramificações que se assemelham às 
pernas das aranhas. 
Comprimindo-as no centro com a ponta do dedo 
observa-se seu momentâneo desaparecimento ou desvane-
cimento, e, ao retirá-lo rapidamente, o desenho aracniforme 
volta à situação anterior (pulso arteriovenoso). São frequen-
temente observadas em doenças hepáticas crônicas como a 
cirrose, e o aumento progressivo de seu número sugere dete-
rioração da função hepática. 
As púrpuras e equimoses associadas a uma hepatopatia 
traduzem alterações na crase sanguínea, principalmente hipo-
protrombinemia, decorrente da insuficiência hepática. 
O eritema palmar é um conjunto de pequenas manchas 
vermelhas (eritema), que forma uma coloração vinhosa nas 
eminências tenar ou hipotenar, ou em ambas. Também pode 
ser encontrado na planta dos pés. Está presente na cirrose, mas 
é menos frequente do que as aranhas vasculares. 
Nos dedos em baqueta de tambor, também chamados de 
hipocráticos, suas extremidades distais apresentam-se arre-
dondadas, com um diâmetro maior do que o resto do dedo, 
assemelhando-se às baquetas com que se percutem os tam-
bores. O leito ungueal modifica-se, provocando um grande 
abaulamento das unhas, cuja superfície torna-se convexa, 
formando um ângulo basal igual a 180°. Não se observam as 
lúnulas. As unhas tornam-se sem brilho, opacas e de cor per-
lácea (Figura 96.1). 
O hipocratismo digital é encontrado com frequência nas 
formas avançadas de cirrose e doença pulmonar crônica obs-
trutiva. 
A distribuição de pelos altera-se em insuficiência hepática 
crônica, como a cirrose, tanto no homem como na mulher. 
No homem, os pelos pubianos adquirem forma ginecoide e, 
na mulher, tendem a desaparecer. Em ambos os sexos os pelos 
axilares tornam-se escassos. 
Figura 96.1 Dedo hipocrático ou em baqueta de tambor, observado nas 
cirroses. O leito ung ueal é convexo e o ângulo basal é de 180°. As lúnulas 
desaparecem. 
BEATRIZ CARNEIRO XXXIII MEDICINA UCB
124.Fenômeno de Raynaud: é uma alteração da coloração da pele caracterizada por palidez, 
cianose e rubor de aparecimento sequencia l. Ocorre um exagero na resposta à temperatura 
fria ou emoção. As manifestações clínicas do fenômeno de Raynaud são causadas pela 
vasoconstrição (estreitamento) dos vasos sanguíneos (artérias e arteríolas), que resulta na 
redução do fluxo sanguíneo para a pele (isquemia), enquanto a cianose (arroxeamento da 
pele) é causada pela diminuição da oxigenação nos pequenos vasos sanguíneos (arteríolas e 
capilares) da pele. A pele fica fria e gera uma área empalidecida bem demarcada ou uma 
cianose em dedos de mãos e pés. Algumas pessoas também sentirão a pele pálida e fria em 
orelhas, nariz, face, joelhos, e qualquer área exposta.
Causas: primária (idiopático ou genético) e secundária( associadas ao dano aos vasos 
sanguíneos, alteração do controle nervoso dos vasos sanguíneos, ou associação com fatores 
circulantes anormais- doenças reumáticas, especialmente esclerose sistêmica, doença mista do 
tecido conjuntivo, lupus eritematoso sistêmico, síndrome de Sjogren, e dermatomiosite)
334 
por vários motivos: ( 1) nesse momento o ambiente costuma 
estar mais silencioso; (2) a posição deitada pode reduzir os 
volumes pulmonares e o diâmetro das vias respiratórias; (3) 
sempre ocorre redução fisiológica da produção de corticoide 
e de catecolaminas endógenas no período noturno. Apesar 
de todos esses fatores favorecerem a ocorrência de sibilância, 
deve-se sempre tentar excluir a possibilidade de refluxo gastre-
sofágico e de haver alergênios no local de dormir. 
O chiado resulta da redução do calibre da árvore brôn-
quica, devida principalmente a espasmo. Dependendo de seu 
grau, pode ser o prenúncio da crise asmática ou a própria 
crise. Na infância costuma aparecer durante um resfriado. Na 
maioria das vezes, constitui episódios isolados, sem maior sig-
nificado. No adulto, contudo, pode ser a primeira manifesta-
ção de asma infecciosa, não atópica, que vai perpetuar-se por 
meio de repetidas crises paroxísticas. Quando a sibilância for 
persistente, localizada ou unilateral, pode indicar neoplasia ou 
corpo estranho. 
As principais causas brônquicas e pulmonares de sibilos 
são a asma, a bronquite aguda e crônica, os infiltrados eosi-
nofílicos, a tuberculose brônquica, as neoplasias malignas e 
benignas, as embolias pulmonares, certos fármacos colinér-
gicos, bloqueadores beta-adrenérgicos, inalantes químicos, 
vegetais e animais. 
A insuficiência ventricular esquerda é a causa não pul-
monar que mais provoca chiado. Daí a denominação "asma 
cardíaca" dada a este tipo de dispneia de origem cardíaca. 
.,. Rouquidão ou disfonia. Rouquidão ou mudança do timbre da 
voz traduz alteração na dinâmica das cordas vocais (ver Ca-
pítulos 35, Exame Clfnico, e 37, Doenças da Laringe). Quando 
for aguda, de curta duração, não tem maior significado, ocor-
rendo com frequência nas laringites virais comuns. Em con-
trapartida, desde que tal sintoma se prolongue, é necessária 
investigação detalhada. 
As lesões das cordas vocais podem ser laríngeas ou extrala-
ríngeas. Entre as primeiras citam -se a tuberculose, a paracoc-
cidioidomicose, os pólipos e as neoplasias benignas e malig-
nas. Entre as que se situam fora da laringe, por envolvimento 
do recorrente esquerdo, estão os tumores localizados no 
mediastino médio inferior, e entre eles incluem-se as neopla-
sias malignas, as adenomegalias, o aneurisma do arco aórtico 
e a estenose mitral. 
Difteria, mononucleose infecciosa e neurite diabética 
podem também causar disfonia. Nas doenças sistêmicas, sem-
pre considerando sua menor incidência, lembrar que as cordas 
vocais podem estar comprometidas. É o que ocorre no mixe-
dema, na mucoviscidose e no lúpus eritematoso. 
.,. Cornagem. A comagem é a dificuldade inspiratória por redu-
ção do calibre das vias respiratórias superiores, na altura da 
laringe, e que se manifesta por um ruído ( estridor) e tiragem. 
O paciente, para facilitar a entrada do ar, desloca a cabeça para 
trás, em extensão forçada. As causas mais comuns são a larin-
gite, a difteria, o edema da glote e os corpos estranhos. 
.... Exame físico 
Antes de iniciar o exame físico do tórax, o médico já deve 
ter feito o exame físico geral, incluindo cabeça, tronco e mem-
bros, observando eventuais alterações para correlacioná-las 
com uma afecção pulmonar. Nesta avaliação destacam-se os 
aspectos a seguir. 
.,. Crânio. Depressões e nódulos (mieloma múltiplo, metástases). 
Parte 7 I Sistema Respiratório 
.,. Face. Área de hiperpigmentação simétrica (lúpus eritemato-
so ); lesões descamativas, nódulos, gânglios retroauriculares, 
paralisia facial (sarcoidose). 
.,. Nariz. Sinusite (bronquiectasias), rinite alérgica (asma), lesão 
mucosa, paracoccidioidomicose. 
.,. Ouvido. Otite média. 
.,. Boca, garganta e laringe. Dentes em más condições e alterações 
gengivais (pneumonias aspirativas), lesões ulceradas ou mo-
riformes das gengivas e mucosas, lesões labiais ("boca de ta-
pir': paracoccidioidomicose), disfonia (comprometimento do 
recorrente por neoplasia do mediastino ou paracoccidioido-
micose). 
.,. Olho. Síndrome de Claude-Bernard-Horner (compressão do 
simpático, tumor de Pancoast), estrabismo (metástase cere-
bral), uveíte, coriorretinite, conjuntivite flictenular, cegueira 
(tuberculose, sarcoidose), edema de papila (hipertensão cra-
niana, narcose por COJ , retinopatias (glomerulonefrite da 
síndrome de Goodpasture). 
.,. Pescoço. Nódulos na tireoide (metástase pulmonar), bócio 
mergulhante (tumor do mediastino), desvio lateral da traqueia 
(fibrose pulmonar,atelectasia e grande derrame pleural), redu-
ção do espaço entre a cartilagem cricoide e a fúrcula estemal 
(enfisema avançado), turgência das veias jugulares (síndrome 
da veia cava superior e insuficiência cardíaca congestiva). Nos 
pacientes enfisematosos, a turgência se acentua com a expira-
ção, o que não acontece na insuficiência cardíaca. 
.,. linfonodos. Pesquisá-los nas regiões cervicais, fossas supra e 
infraclaviculares e axilas . 
.,. Abdome. No abdome, verificar se existe hepatoesplenomega-
lia, líquido na cavidade ou circulação colateral. 
.,. Membros superiores e inferiores. Baqueteamento (hipocratismo) 
digital (Figura 39.1) (supuração pulmonar não tuberculosa), 
osteoartropatia hipertrófica pnêumica, síndrome de Bam-
berg-Marie (neoplasia maligna do tórax), artrites (sarcoido-
Normal 
I 
I •X 
I 
I 
I 
XIY s 1 
I 
I Y• I 
I 
I 
Presença de losango 
Baqueteamento digital 
I :v I I X• I 
I 
I 
I 
I 
I 
I 
I 
XIY> 1 
Ausência de losango 
(sinal de Shamroth) 
Figura 39.1 Representação esquemática comparando dedo normal com 
baqueteamento digital. O baqueteamento digital é estabelecido quando 
a razão de profundidade interfalangeana (X!Y) é maior que 1, o ângulo da 
base da unha é maior que 190° ou quando o sinal de Schamroth é positivo 
(ausência de janela em forma de losango quando os dedos estão unidos 
pela face dorsal). 
222 
dos hormônios sexuais, os pelos adquirem as características e 
a distribuição do adulto, próprias de cada sexo, havendo gran-
des variações raciais e individuais. 
No homem aparecem barba, pelos nos troncos, e os pelos 
pubianos formam um losango. 
Na mulher não aparecem barba, nem pelos no tronco; os 
pelos pubianos têm forma de triângulo de vértice voltado para 
baixo. 
Quanto à espessura, consistência, brilho e comprimento, da 
mesma maneira que os cabelos podem tornar-se secos, que-
bradiços e sem brilho, pelos mesmos motivos assinalados. As 
alterações de distribuição e de quantidade costumam ocorrer 
associadamente e obedecem aos mesmos mecanismos. 
O principal achado clínico é o hirsutismo e a hipertricose: 
• Hipertricose: consiste no aumento exagerado de pelos ter-
minais, sexuais e bissexuais ou não sexuais, em relação ao 
indivíduo. Pode ser congênita ou adquirida, difusa ou loca-
lizada 
• Hirsutismo: é o aumento exagerado de pelos sexuais 
masculinos na mulher. Pode ser constitucional, idiopático 
ou androgênico. 
No hirsutismo provocado por níveis elevados de testos-
terona, observam-se implantação tipo masculina e calvície 
temporal. 
Ainda quanto à distribuição, há que se referir ao tempo de 
aparecimento da pilosidade adulta, que pode ser precoce ou 
com atraso. 
Todas essas alterações (hirsutismo, atraso ou precocidade 
no aparecimento de pelos) costumam estar relacionadas com 
distúrbios endócrinos, seja da suprarrenal, dos testículos, do 
ovário, da hipófise ou metabólicos. 
A virilização é o hirsutismo associado ao aprofunda-
mento da voz e aumento do clitóris. O aumento da produção 
de androgênios pelas suprarrenais ou pelos ovários pode ser 
responsável por estes fenômenos. Os tumores do ovário estão 
geralmente associados à amenorreia, com hirsutismo e virili-
zação. 
Sabe-se que os pelos finos e em pequena quantidade no 
lábio superior, nas regiões genianas, área intermamária e 
periareolar, linha média abdominal e nos membros superio-
res e inferiores podem ser observados em mulheres saudá-
veis. 
Referência especial precisa ser feita à queda dos pelos, espe-
cialmente os axilares e os pubianos. Tal informação aparece na 
anamnese e deve ser comprovada ao exame físico. As condi-
ções mais frequentemente causadoras da queda de pelos são: 
desnutrição, hepatopatias crônicas, mixedema, colagenoses, 
quimioterapia e certas dermatoses. 
• Unhas 
Formadas de células queratinizadas que se originam na 
matriz, são constituídas de epiderme com as suas diversas 
camadas, exceto a granular. 
As seguintes características devem ser analisadas: 
• Forma ou configuração 
• Tipo de implantação 
• Espessura 
• Superfície 
• Consistência 
• Brilho 
• Coloração. 
Parte 5 I Sistema Tegumentar 
A B 
,-- , 160° 
\ 
c D 
,--, 180° ' \ 
Figura 15.33 Ângulo de implantação da unha. Conquanto haja pequenas 
diferenças entre os dedos A, B e C, todos são normais, estando o ângulo 
de implantação em torno de 160°. No hipocratismo digital (O e E), o ângulo 
está em torno de 180°. 
A unha normal forma um ângulo menor que 160°, apre-
senta apenas uma curvatura lateral nítida, a superfície é lisa, 
brilhante, tem cor róseo-avermelhada, a espessura e a con-
sistência são firmes. No hipocratismo digital, o ângulo de 
implantação é de aproximadamente 180° (Figura 15.33). As 
unhas dos pés têm configuração variada. 
Quanto à coloração, podem ser pálidas (anêmicas), ou 
adquirir uma tonalidade azulada, ou seja, cianótica. 
A superfície pode tornar-se irregular, a espessura aumentar 
ou diminuir, o brilho pode desaparecer, e a consistência estar 
diminuída. 
A ocorrência de manchas brancas é comum em pessoas 
sadias e são chamadas leuconíquias. 
As unhas podem estar parcialmente descoladas do leito, 
denotando onicólise. São as unhas de Plummer, observadas 
no hipertireoidismo. 
Unhas distróficas são espessadas, rugosas e de formato irre-
gular. Frequentes em pessoas que trabalham descalças, sujeitas 
a repetidos traumatismos, em portadores de isquemia crônica 
dos membros inferiores ou de onicomicose (Figura 15.34). 
Alterações da forma podem ser notadas em estados caren-
dais, onicomicoses (Figura 15.34), nefropatias crônicas, hepa-
Figura 15.34 Unhas distróficas em um caso de onicomicose. 
BEATRIZ CARNEIRO XXXIII MEDICINA UCB
125.Tremor: são movimentos alternantes, mais ou menos 
rápidos e regulares, de pequena ou média amplitude, 
que afetam principalmente as partes distais dos 
membros. 
Duas manobras
1) Solicita-se ao paciente que estenda as mãos com as 
palmas voltadas para baixo e com os dedos 
separados. Essa manobra pode ser completada 
colocando-se uma folha de papel sobre o dorso de 
uma das mãos. Isso provocará uma ampliação dos 
movimentos 
2) Ordena-se que o paciente leve um copo, em uma das 
mãos, da mesa à boca. Pode ser substituído pela 
execução de um movimento, qual seja tocar o próprio 
nariz com a ponta do indicador. Essa manobra é 
indispensável para bem caracterizar os tremores de 
repouso e os de ação. 
Tipos: 
9 I Exame Físico Geral 
A 
B 
Figura 9.18 A e B. Manobras para pesquisa de tremores. 
• Ordena-se que o paciente leve um copo, em uma das mãos, 
da mesa à boca. Pode ser substituído pela execução de um 
movimento, qual seja tocar o próprio nariz com a ponta do 
indicador. Essa manobra é indispensável para bem caracte-
rizar os tremores de repouso e os de ação. 
Os tremores diferenciam-se em: 
• Tremor de repouso: surge durante o repouso e desaparece 
com os movimentos e o sono; é um tremor oscilatório, em 
regra mais evidente nas mãos, simulando o gesto de «enro-
lar Ocorre no parkinsonismo 
• Tremor de atitude ou postura: surge quando o membro 
é colocado em uma determinada posição, não sendo 
muito evidente no repouso ou no movimento. Ocorre no 
pré-coma hepático, quando é designado jlapping ou aste-
rix, e na doença de Wilson. Contudo, o tremor de atitude 
mais frequente é o tremor familiar, que é regular, não 
muito grosseiro, acentuado pelas emoções e, como sua 
própria designação indica, acomete vários membros de 
uma família 
• Tremor de ação: é o que surge ou se agrava quando um 
movimento é executado. Aparece nas doenças cerebelares 
• Tremor vibratório: é fino e rápido como se fosse uma 
vibração. Pode surgir no hipertireoidismo, no alcoolismo 
e na neurossífilis, mas a grande maioria é de origem emo-
cional. 
109 
Movimentoscoreicos 
Movimentos coreicos (coreia) são movimentos involuntá-
rios, amplos, desordenados, de ocorrência inesperada e arrít-
micos, multiformes e sem finalidade. Localizam-se na face, 
nos membros superiores e inferiores. 
Quando muito frequentes, são surpreendidos sem dificul-
dade pelo examinador, mas em algumas ocasiões são raros, e o 
próprio paciente procura escondê-los ou disfarçá-los. 
Para melhor observá-los, solicita-se ao paciente que se 
deite o mais relaxado possível ou que fique sentado à beira do 
leito com as pernas pendentes. 
Os movimentos coreicos são as manifestações principais da 
síndrome coreica, cumprindo lembrar os dois tipos clínicos 
mais encontrados: 
• Coreia de Sydenham: também denominada coreia infan-
til ou dança de São Guido, tem etiologia infecciosa e rela-
ciona-se estreitamente com a moléstia reumática 
• Coreia de Huntington: é um distúrbio neurológico here-
ditário raro que se caracteriza por movimentos corporais 
anormais e incoordenação, também afetando habilidades 
mentais e aspectos de personalidade. 
Movimentos atetósicos 
Movimentos atetósicos (atetose) são movimentos involun-
tários que ocorrem nas extremidades e apresentam caracterís-
ticas muito próprias: são lentos e estereotipados, lembrando 
um movimento reptiforme ou os movimentos dos tentáculos 
do polvo. Podem ser uni ou bilaterais (Figura 9.19). 
Determinam a atetose as lesões dos núcleos da base. 
Frequentemente ocorrem como sequela de impregnação cere-
bral por hiperbilirrubinemia do recém-nascido (kernicterus). 
Hem i batismo 
São movimentos abruptos, violentos, de grande amplitude, 
rápidos e geralmente limitados a uma metade do corpo. São 
extremamente raros e decorrem de lesões extrapiramidais. 
Mioclonias 
São contrações musculares breves, rítmicas ou arrítmicas, 
localizadas ou difusas, que acometem um músculo ou um 
grupo muscular. Geralmente são relatadas como ((abalos': 
"sacudidas" e "trancos". 
Devem-se a descargas de neurônios subcorticais e podem 
ocorrer em diversas situações patológicas, dentre as quais se 
destaca a epilepsia tipo pequeno mal. 
Mioquinias 
São contrações fibrilares de tipo ondulatório que surgem 
em músculos íntegros, principalmente no orbicular das pálpe-
bras, quadríceps e gêmeos. 
Os próprios pacientes costumam comparar as mioquinias 
às contrações das carnes penduradas nos açougues ("tremor 
na carne"). 
Não apresentam significado patológico, surgindo em pes-
soas normais, talvez com maior frequência nos pacientes neu-
róticos e em pessoas fatigadas. 
Asterix 
Asterix (jlapping) são movimentos rápidos, de amplitude 
variável, que ocorrem nos segmentos distais e apresentam 
certa semelhança com o bater de asas das aves. 
Para melhor notar o jlapping, deve-se realizar a seguinte 
manobra: o paciente estende os braços e superestende as mãos 
9 I Exame Físico Geral 
A 
B 
Figura 9.18 A e B. Manobras para pesquisa de tremores. 
• Ordena-se que o paciente leve um copo, em uma das mãos, 
da mesa à boca. Pode ser substituído pela execução de um 
movimento, qual seja tocar o próprio nariz com a ponta do 
indicador. Essa manobra é indispensável para bem caracte-
rizar os tremores de repouso e os de ação. 
Os tremores diferenciam-se em: 
• Tremor de repouso: surge durante o repouso e desaparece 
com os movimentos e o sono; é um tremor oscilatório, em 
regra mais evidente nas mãos, simulando o gesto de «enro-
lar Ocorre no parkinsonismo 
• Tremor de atitude ou postura: surge quando o membro 
é colocado em uma determinada posição, não sendo 
muito evidente no repouso ou no movimento. Ocorre no 
pré-coma hepático, quando é designado jlapping ou aste-
rix, e na doença de Wilson. Contudo, o tremor de atitude 
mais frequente é o tremor familiar, que é regular, não 
muito grosseiro, acentuado pelas emoções e, como sua 
própria designação indica, acomete vários membros de 
uma família 
• Tremor de ação: é o que surge ou se agrava quando um 
movimento é executado. Aparece nas doenças cerebelares 
• Tremor vibratório: é fino e rápido como se fosse uma 
vibração. Pode surgir no hipertireoidismo, no alcoolismo 
e na neurossífilis, mas a grande maioria é de origem emo-
cional. 
109 
Movimentos coreicos 
Movimentos coreicos (coreia) são movimentos involuntá-
rios, amplos, desordenados, de ocorrência inesperada e arrít-
micos, multiformes e sem finalidade. Localizam-se na face, 
nos membros superiores e inferiores. 
Quando muito frequentes, são surpreendidos sem dificul-
dade pelo examinador, mas em algumas ocasiões são raros, e o 
próprio paciente procura escondê-los ou disfarçá-los. 
Para melhor observá-los, solicita-se ao paciente que se 
deite o mais relaxado possível ou que fique sentado à beira do 
leito com as pernas pendentes. 
Os movimentos coreicos são as manifestações principais da 
síndrome coreica, cumprindo lembrar os dois tipos clínicos 
mais encontrados: 
• Coreia de Sydenham: também denominada coreia infan-
til ou dança de São Guido, tem etiologia infecciosa e rela-
ciona-se estreitamente com a moléstia reumática 
• Coreia de Huntington: é um distúrbio neurológico here-
ditário raro que se caracteriza por movimentos corporais 
anormais e incoordenação, também afetando habilidades 
mentais e aspectos de personalidade. 
Movimentos atetósicos 
Movimentos atetósicos (atetose) são movimentos involun-
tários que ocorrem nas extremidades e apresentam caracterís-
ticas muito próprias: são lentos e estereotipados, lembrando 
um movimento reptiforme ou os movimentos dos tentáculos 
do polvo. Podem ser uni ou bilaterais (Figura 9.19). 
Determinam a atetose as lesões dos núcleos da base. 
Frequentemente ocorrem como sequela de impregnação cere-
bral por hiperbilirrubinemia do recém-nascido (kernicterus). 
Hem i batismo 
São movimentos abruptos, violentos, de grande amplitude, 
rápidos e geralmente limitados a uma metade do corpo. São 
extremamente raros e decorrem de lesões extrapiramidais. 
Mioclonias 
São contrações musculares breves, rítmicas ou arrítmicas, 
localizadas ou difusas, que acometem um músculo ou um 
grupo muscular. Geralmente são relatadas como ((abalos': 
"sacudidas" e "trancos". 
Devem-se a descargas de neurônios subcorticais e podem 
ocorrer em diversas situações patológicas, dentre as quais se 
destaca a epilepsia tipo pequeno mal. 
Mioquinias 
São contrações fibrilares de tipo ondulatório que surgem 
em músculos íntegros, principalmente no orbicular das pálpe-
bras, quadríceps e gêmeos. 
Os próprios pacientes costumam comparar as mioquinias 
às contrações das carnes penduradas nos açougues ("tremor 
na carne"). 
Não apresentam significado patológico, surgindo em pes-
soas normais, talvez com maior frequência nos pacientes neu-
róticos e em pessoas fatigadas. 
Asterix 
Asterix (jlapping) são movimentos rápidos, de amplitude 
variável, que ocorrem nos segmentos distais e apresentam 
certa semelhança com o bater de asas das aves. 
Para melhor notar o jlapping, deve-se realizar a seguinte 
manobra: o paciente estende os braços e superestende as mãos 
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126.Dismenorréia ou cólica menstrual: significa menstruação dolorosa, podendo ser primária 
ou secundária. Na dismenorreia primária não se consegue demonstrar a existência de uma 
afecção pélvica(prostaglandinas). O tipo secundário pode ser causado por doença 
inflamatória pélvica crônica, endometriose e liomiomas uterinos. A dor localiza-se na porção 
inferior do abdome, sendo mais intensa na linha média, iniciando juntamente com a 
menstruação e dura de 12 h a 72 h. Pode ter características de cólica.

127.Micrognatia: é a hipoplasia da mandíbula ou do maxilar supe- rior. Na síndrome de Pierre-
Robin, está associada à fenda palatina e à glossoptose. Pode ser congênita ou adquirida; o 
tipo adquiridoé de origem pós-natal, sendo, em geral, resultante de distúrbio da articulação 
temporomandibular.

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128.Virilismo: fêmea que apresenta características somáticas ou sexuais secundárias de tipo 
masculino. Engrossamento da voz, hipertrofia muscular, recesso temporal na implantação dos 
cabelos(hirsutismo), calvície, barba espessa, acne, seborreia e hipertrofia do clitóris. Causas: 
aumento dos angrogênios(hiperplasia da adrenal, tumores secretores, exógena) ,neoplasias 
ovarianas como arenoblastoma, disgerminomas e gonadoblastomas.
129.Gastrotomia: formação cirúrgica de fístula gástrica para introdução de alimentos ou 
esvaziamento do estômago. Indicações: não conseguir comer o suficiente para se sustentar, 
como em condições em que você pode estar incapacitado de engolir os alimentos de 
maneira segura.
130.Sialosquese: diminuição ou ausência da saliva.
131.Artrose ou osteoartrite: quando a cartilagem de proteção nas extremidades de seus ossos 
se desgasta com o tempo.O desgaste da cartilagem articular acontece porque os 
condrócitos, células formadoras do tecido cartilaginoso, não se regeneram. Assim, uma vez 
destruídos, não há peças sobressalentes para reparar a cartilagem. Além disso, a cartilagem 
articular não é vascularizada. Não ocorrendo fenômenos inflamatórios sistêmicos, nem 
comprometimento do estado geral. Clinicamente, a artrose manifesta-se por dor, que varia de 
leve a muito intensa, piorando com os movimentos e ao levantar peso; rigidez articular, que se 
agrava pelo repouso; limitação de movimentos e crepitação. 
*Artrose nas articulações interfalangeanas distais(nódulos de Heberden) e proximais(nódulos de 
Bouchard caracteriza os tipos hereditários da artrose, mais frequentes nas mulheres. A hipertrofia 
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decorrente desses níveis configura os denominados "nódulos" de Heberden e de Bouchard, 
respectivamente 
132.Hiperhidrose: é um distúrbio somático decorrente da hiperestimulação do sistema nervoso 
simpático, resultando em suor excessivo.As regiões axilar, palmar e plantar são os locais 
frequentemente envolvidos.
1128 
Figura 164.4 Artrose. Nódulos de Heberden e de Bouchard. 
O diagnóstico baseia-se nos dados clínicos, auxiliados 
pelo exame radiológico, que evidencia diminuição do espaço 
articular (pinçamento articular), proliferação óssea marginal 
(osteofitose) e esclerose do osso subcondral. Os exames labo-
ratoriais (hematológicos, bioquímicas e imunológicos) mos-
tram -se normais . 
..,. Gota 
A gota é um transtorno metabólico caracterizado por hipe-
ruricemia e crises recidivantes de artrite aguda. Com o passar 
dos anos, a artrite torna-se crônica e surgem tofos, que são 
acúmulos de monourato de sódio. A deposição desta substân-
cia nos rins pode provocar insuficiência renal. 
A gota pode ser primária (genética), quando os pacien-
tes são primariamente hiperprodutores ou hipoexcretores de 
ácido úrico, tendo como substrato uma anomalia metabólica, 
cujo mecanismo íntimo ainda é desconhecido; ou secundária, 
quando há superprodução de ácido úrico como decorrência 
de uma enfermidade (leucemia, policitemia, mieloma múl-
tiplo) que transtorna o metabolismo das purinas. Dentre as 
causas de gota secundária, incluem-se também o uso de diuré-
ticos tiazídicos e a insuficiência renal crônica. 
A gota ocorre com maior frequência no sexo masculino, na 
proporção de 10 homens para 1 mulher, predominando em 
torno da quinta década da vida. As mulheres sofrem de gota 
após a menopausa. 
O fator hereditário na gota é de caráter autossômico domi-
nante e 25% dos familiares dos pacientes gotosos apresentam 
hiperuricemia. 
De maneira clínica, manifesta-se por episódios de artrite 
aguda que ocorrem, na maioria das vezes, de madrugada, 
localizando-se preferencialmente na articulação metatarsofa-
langeana do primeiro dedo (podagra). Sua localização pode 
ser nos joelhos (gonagra) e mais raramente nos punhos (qui-
ragra). Quando acomete as mãos, a articulação mais afetada é 
a interfalangeana do dedo mínimo. 
Após a primeira crise (monoartrite aguda), passam a surgir 
crises poliarticulares com intervalos assintomáticos cada vez 
mais curtos. Após algum tempo, instala-se uma artrite crô-
nica com crises de agudização e aparecem os tofos em tecidos 
moles, principalmente nos pavilhões auriculares e primeiro 
dedo do pé (Figuras 164.5 e 164.6). 
O diagnóstico de gota é feito pelas crises típicas de artrite 
aguda, com antecedentes familiares da doença e a ocorrência 
de hiperuricemia e tofos. A boa resposta ao tratamento pela 
colchicina constitui uma ajuda diagnóstica. 
Parte 14 I Sistema Locomotor 
Figura 164.5 Tofo gotoso na orelha. 
Figura 164.6 Tofo gotoso na articulação metatarsofalangeana do primeiro 
dedo (podagra). 
As radiografias podem mostrar lesões de reabsorção osteo-
cartilaginosa no nível das articulações comprometidas. São 
denominadas lesões em saca-bocado. 
..,. Reumatismos extra-articulares 
Os reumatismos extra-articulares, também chamados reu-
matismos de partes moles, constituem um grupo de afecções 
nas quais ocorre comprometimento dos elementos que consti-
tuem a unidade anatomofuncional do aparelho locomotor -
o cinésion -, incluindo os tendões, as bainhas tendinosas, as 
bursas, os músculos, as fáscias e os nervos. 
Basicamente, todas essas afecções caracterizam-se pela pre-
sença de processo inflamatório, podendo evoluir para forma-
ção de fibrose e calcificação. 
Fazem parte deste grupo: ten dinites, tenossinovites, bursi-
tes, capsulites ou periartrites, miosites, fibrosites e paniculites. 
Traduzem -se clinicamente pelo aparecimento de dor na 
região afetada, com ou sem fenômenos flogísticos (calor, 
rubor e edema) e quase sempre com limitação dos movimen-
tos da articulação comprometida; às vezes, o quadro pode ser 
desencadeado por traumatismos repetidos. 
As tendinites e as tenossinovites definem-se como infla-
mação dos tendões ou das bainhas tendinosas. Bursites são 
a inflamação das bursas ou bolsas sinoviais. A inflamação da 
cápsula articular e dos tecidos adjacentes determina as cap-
sulites ou periartrites. Miosite é a inflamação do músculo; 
paniculite é a denominação que se dá à sensibilidade dolorosa 
do tecido adiposo (ver Capítulo 169, Bursas, e Capítulo 170, 
Tendões). 
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133.Hipertelorismo: aumento da 
distância entre as órbitas, ou 
distância interorbital aumentada. 
Relacionado a malformações 
congênitas, seja por fatores 
genéticos ou extrínsecos. As 
principais causas de hipertelorismo 
são: fissuras raras de face, como a 
fissura 14 de Tessier, síndrome de 
Edwards (trissomia 18), displasia 
frontonasal, displasia 
craniofrontonasal (componente 
genético), encefaloceles frontais, 
naso-etmoidais, síndromes de Apert 
e Crouzon.
Leve: entre 30 e 34mm
Moderado: >34 e <40mm
Grave: acima de 40mm
134.Criptorquidia: os testículos não descem para a bolsa escrotal, pode ser unilateral ou 
bilateral.
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135.Hipogonadismo: estradiol ou testosterona baixos com gonadotrofinas (LH e FSH) 
aumentadas levam ao diagnóstico de hipogonadismo primário [síndrome de Klinefelter, de 
Noonan, e de Turner mas- culina, criptorquidismo) ou adquiridas (orquite, irradiação, 
traumatismo, medicamentos e causas autoimunes.]Enquanto gonadotrofinas diminuídas 
indicam hipogonadismo secundário(incluindo afecções hipotalâmicas e hipofisárias 
(neoplasias, lesões infiltrativas, anomalias congênitas, cirurgia, irradiação).

Hipogonadismo não tratado impede o desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários. 
Quando adultos, os pacientes afetados apresentam mau desenvolvimento muscular, voz 
aguda, escroto pequeno, pelos púbicos e axilares raros e ausência de pelos corporais. 
Podemdesenvolver ginecomastia e proporções eunucoides (envergadura > altura em 5 cm e 
distância do púbis ao chão > da cabeça ao púbis em > 5 cm) em decorrência de fusão 
retardada das epífises e continuação do crescimento dos ossos longos. Vida adulta:Libido 
diminuída; disfunção erétil; declínio das habilidades cognitivas, como interpretação visual-
espacial; distúrbios do sono; instabilidade vasomotora (no hiponogadismo masculino grave) e 
alterações do humor, como depressão e raiva, são comuns. Perda da massa corporal magra, 
aumento da gordura visceral, atrofia testicular, osteopenia, ginecomastia e pelos corporais 
esparsos geralmente demoram meses para se desenvolverem. A deficiência 
de testosterona pode aumentar o risco de doença arterial coronariana.
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136.Vólvulo ou volvo: é a torção de um órgão oco em torno de seu ponto de inserção.
137.Hematoquezia: sangramento retal com presença de sangue vivo em pequena ou moderada 
quantidade e só aparece quando o paciente evacua. Sinal típico de sangramento digestivo 
baixo. Principais causas: hemorroidas + fissuras anais(90% dos casos), pólipos intestinais, 
úlceras no reto, câncer retal ou anal, endometriose 
intestinal, proctites.
138.Brida: são membranas ou cordões de tecido 
cicatricial que, geralmente, se formam após uma 
cirurgia ou inflamação abdominal. Estas cicatrizes 
são capazes de unir diferentes órgãos ou partes do 
intestino entre si, provocando, assim, casos de 
oclusão intestinal, dor abdominal, 
infertilidade ou dor durante o contato íntimo. 
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139.Enterorragia: presença de sangue vivo em grande volume pelo reto, geralmente associada à 
dor abdominal. O paciente pode evacuar somente sangue, sem a presença de fezes. É um 
sinal de hemorragia digestiva grave. Maior causa: doença diverticular do cólon,
140.Melena: fezes negras(borra de café ou piche- resultante de decomposição bacteriana da 
hemoglobina na luz intestinal),habitualmente pastosas e com odor muito forte, que surgem 
nos sangramentos digestivos altos, geralmente do estômago ou duodeno. OBS: Fezes negras 
e formadas, perguntar se paciente toma sulfato ferroso.
141.Meteorismo: excesso de gases no trato gastrointestinal. Pode causar distensão.
142.Amaurose: cegueira total unilateral ou bilateral.
143.Pinguécula: é um tumor, degeneração da conjuntiva que se manifesta como um depósito de 
cor amarela esbranquiçada na junção entre a córnea e a esclera.
144.Pterígio: é um tumor, resultado de um crescimento anormal da 
conjuntiva , devido a um processo inflamatório.
145.Fogachos ou afrontamentos: conhecida como ondas de calor do climatério ou da 
andropausa. Não se sabe a causa ao certo, mas acredita-se que seja por diferenças de 
sensibilidade dos centros de regulação térmica do hipotálamo. Remédios podem causar 
também, Tamoxifeno e Anastrozol.
146.Anorexia: completa perda de apetite.
147.Hiporexia ou inapetência: diminuição do apetite.
BEATRIZ CARNEIRO XXXIII MEDICINA UCB
148.Caquexia: designação dada ao estado de extrema magreza com comprometimento do 
estado geral do paciente. Síndrome de atrofia muscular, fraqueza, inapetência e perda de 
peso. Causas: IC,câncer terminal, AIDS, tuberculose, IR, doenças consumptiva.
149.Hipotermia: temperatura abaixo de 35,5°C na região axilar ou de 36°C no reto. Causas: 
artificialmente durante cirurgia ou congelamento acidental, choque, síncope, doenças 
consustivas, hemorragias graves e súbitas, coma diabético e estágios terminais.
150.Dispneia paroxística noturna: é um sintoma no qual a pessoa desenvolve dificuldades de 
respiração após deitar-se para dormir. Sua característica principal consiste no fato de o 
paciente acordar com intensa dispneia, a qual se acompanha de sufocação, tosse seca e 
opressão torácica, sendo obrigado a sentar-se na beira do leito ou levantar-se da cama. 
Durante a crise dispneica, pode haver broncospasmo, responsável pelo aparecimento de 
sibilos, cuja causa provável é a congestão da mucosa brônquica. Nessas condições, costuma 
ser chamada de asma cardíaca. Durante a crise dispneica, nota-se pele fria e pálida, às vezes 
cianótica, tórax expandido, sudorese e taquicardia. Causa:Congestão passiva dos pulmões, 
edema agudo pulmonar. Adota atitude ortopneica.
151.Ectrópio: doença em que a pálpebra se dobra para fora (evertida) de modo que sua borda 
não entra em contato com o globo ocular. Comuns nos idosos (geralmente como resultado do 
aumento do relaxamento dos tecidos, próprio da idade), em pessoas com alterações oculares 
causadas por infecção, cirurgia ou lesão, e em pessoas que têm blefaroespasmo. Ectrópio 
também pode ocorrer em pessoas com paralisia de Bell.
BEATRIZ CARNEIRO XXXIII MEDICINA UCB
152.Entrópio: pálpebra se dobra para dentro 
(invertida), fazendo com que os cílios irritem o 
globo ocular. Comuns nos idosos (geralmente 
como resultado do aumento do relaxamento 
dos tecidos, próprio da idade), em pessoas 
com alterações oculares causadas por 
infecção, cirurgia ou lesão, e em pessoas que 
têm blefaroespasmo.
153.Claudicação intermitente: dor diretamente 
relacionada com a realização de exercício; relatada como 
dor, aperto, cãibra ou queimação, ela surge após a 
realização de um exercício e vai aumentando de 
intensidade com sua continuação, podendo obrigar o 
paciente a interromper o que estiver fazendo. Com a 
interrupção do exercício, a dor desaparece rapidamente, 
de modo a possibilitar que o paciente volte a fazê-lo por 
período de tempo correspondente ao anterior, levando à 
dor novamente, fazendo-o parar outra vez. Relacionado 
enfermidade arterial isquêmica crônica.Se a isquemia 
agravar-se ainda mais, a dor, que aparecia apenas 
durante a deambulação, passa a surgir em repouso. (dor 
em repouso).
154.Coma: o estado de inconsciência de si mesmo e do 
ambiente, mesmo após estímulos de diversas modalidades e intensidades, em que o paciente 
permanece de olhos fechados.
 129
Rev Med (São Paulo). 2007 jul.-set.;86(3):123-31. 
Devemos ficar atentos para as causas 
estruturais que podem mimetizar alterações difusas 
tóxico-metabólicas como: hemorragia subaracnóide, 
trombose venosa cerebral, hematoma subdural crôni-
Tabela 1. Causas de alterações do nível de consciência e coma
Supratentoriais TCE 
 Tumor ou abscesso cerebral
 AVC
 Hematoma Epidural ou Subdural 
Infratentoriais AVC isquêmico ou hemorrágico de tronco ou cerebelo, 
 tumor, trauma ou hemorragia 
Desordens cerebrais difusas e metabólicas Anóxia ou isquemia (síncope, arritmia cardíaca, tromboembolismo
 pulmonar, insufi ciência respiratória, intoxicação por monóxido de 
 carbono)
 Distúrbio hidroeletrolítico (uremia, insufi ciência hepática, cetoacidose
 diabética, hipoglicemia, hiponatremia)
 Intoxicação exógena (barbitúricos, etanol, metanol, morfi na, heroína, 
 hipotermia)
 Epilepsia
 Estado pós-ictal 
Distúrbios psiquiátricos Catatonia
 Histeria 
co bilateral e meningite1,3. Causas tóxico-metabólicas 
também podem simular causas estruturais focais, 
como por exemplo, intoxicações por barbitúricos, hipo-
glicemia, encefalopatia hepática e hiponatremia1,3. 
1. Abertura ocular: espontânea.................................. 4
 ao som......................................... 3
 à dor............................................. 2
 não abre....................................... 1
2. Resposta verbal: orientado...................................... 5
 confuso......................................... 4
 fala inapropriada........................... 3
 fala incompreensível..................... 2
 sem manifestação verbal.............. 1
3. Resposta motora: obedece a comandos................... 6
 localiza estímulo doloros.............. 5
 faz fl exão com retirada..................4
 faz fl exãoanormal.........................3
 faz extensão..................................2
Figura 1. Escala de Coma de Glasgow
130
Andrade AF de et al. Coma e outros estados de consciência. 
Tabela 2. Escala de Coma de Jouvet modifi cada
Lúcido, obedece a ordens complexas, até escritas P1
Desorientado (obnubilado) e não obedece a 
comandos escritos P2
Obedece apenas ordem verbal (estado de torpor) P3
Apresenta apenas piscamento à ameaça (blinking) P4
Sem resposta P5
REATIVIDADE INESPECÍFICA
(refl exo cócleo-palpebral)
Aos estímulos verbais, acorda e orienta R1
Aos estímulos verbais, só acorda R2
Sem resposta R3
REATIVIDADE ESPECÍFICA (à dor)
Acorda, retira, mímica, vocaliza D1
Acorda e retira, sem mímica e vocalização D2
Retirada inespecífi ca D3
Padrão decorticação D4
Padrão descerebração D5
Sem resposta D6
REATIVIDADE AUTONÔMICA (à dor)
Taquicardia, taquipnéia, midríase V1
Sem resposta V2
P4 - R2-D4 a D6-V1 = Estado Vegetativo Persistente
P5 – R3 – D6 - V1 = Coma 3 pontos não apneico
P5 – R3 – D6 - V2 = Coma 3 pontos apneico (morte
encefálica ?)
Figura 2. Padrões respiratórios no coma
Andrade AF de, Carvalho RC, Amorim RLO de, Paiva, WS, Figueiredo EG, Teixeira MJ. Coma 
and other consciousness disorders. Rev Med (São Paulo). 2007 jul.-set.;86(3):123-31.
ABSTRACT: The alterations of the level of conscience can vary among two ends, from 
a mental confusion to a state of deep coma. In clinical practice it is extremely common a 
patient with alteration of the level of conscience without diagnosis. In general hospitals, 
studies indicate that the alcoholism, the brain trauma and the cardiovascular diseases are 
the main causes of coma (82%). Its necessary know how to recognize the main causes of 
unconsciousness of and their differential diagnosis, aimed to identify the severe ill patient and to treat the
possible emergency states that take to a secondary neurological damage. In this revision, we 
emphasized the key points in the neurological exam to determine the different alterations of 
the level of consciousness.
KEY WORDS: Coma/diagnosis. Coma/physiopathology. Brain injuries/etiology. 
Consciousness/classifi cation. Diagnosis, differential. 
Figura 3. Aspectos patológicos das pupilas no coma
BEATRIZ CARNEIRO XXXIII MEDICINA UCB
155.Epicanto ou dobra/prega epicântrica: prega de pele da pálpebra superior (do nariz até o 
lado interior da sobrancelha, cobre o canto interior(medial) do olho. Comum dos orientais, 
mas pode ser sinal de patologias, como, Síndrome de Down, fenilcetonúria, síndrome de 
Turner, síndrome álcoolico fetal.
156.Zumbido ou acufeno: sensação de som na ausência de estímulo externo. Causas: 
estimulação anormal do ramo coclear do VIII nervo craniano
157.Exoftalmia ou proptose ocular: protusão do bloco ocular. Causas: hipertireoidismo, 
neoplasia(normalmente, unilateral), anormalidade vascular, processo inflamatório.
BEATRIZ CARNEIRO XXXIII MEDICINA UCB
158.Equimose: lesões hemorrágicas em placas, maiores que 1 cm. Mudança de coloração:
a) Até 48 horas avermelhadas.
b) 48-96 horas arroxeadas.
c) Do 5° ao 6° dia: ficam azuladas.
d) Do 6° ao 8°amareladas.
e) Após o 9° dia a pele volta a coloração normal.

158.Parestesia:  sensações cutâneas subjetivas (ex., frio, calor, formigamento, agulhadas, 
adormecimento, pressão etc.) que são vivenciadas espontaneamente na ausência de 
estimulação. Causada por problemas em nervos, após efeito de anestésicos.
159.Afasia ou disfasia: casos de perda total da linguagem(escrita, fala).
Afasia motora ou verbal ou de Broca:há dificuldade de variável intensidade para expressar-se pela 
fala ou escrita e, habitualmente, associa-se a hemiparesia ou hemiplegia direita, por lesão do 
opérculo frontal e da área motora adjacente do hemisfério esquerdo. 
Afasia receptiva ou sensorial ou de Wenicke: o paciente apresenta de leve a extrema dificuldade 
para a compreensão da fala e da escrita desacompanhada de outro déficit motor, por 
comprometimento do giro superior e posterior do lobo temporal esquerdo. Nessa forma clínica, o 
paciente pode apresentar parafasia, na qual os vocábulos ou as frases estão erroneamente 
colocados; perseveração, que é a repetição de um mesmo vocábulo; jargonofasia, cuja 
manifestação é o uso de palavras novas e incompreensíveis. 
Afasia global: Decorrente de lesão das duas regiões anteriormente mencionadas, constitui-se na 
forma mais importante de afasia, em virtude de sua gravidade. A compreensão e a expressão da 
linguagem ficam amplamente reduzidas . A hemiparesia ou herniplegia direita está presente. 
21 2 Parte 5 I Sistema Tegumentar 
A B 
Figura 1 s. 1 1 Manchas hemorrágicas. A e B. Petéq ui as (púrpura trombocitopênica). C. Equimose e exulceração da pele (púrpura senil). 
• Do 5° ao 6Q dia ficam azuladas 
• Do ao 8Q dia passam a ser amareladas 
• Após o 911 dia a pele volta à coloração normal. 
Nas pequenas equimoses o tempo de duração é menor. 
Deve-se ressaltar que as grandes e médias equimoses são visí-
veis mesmo nas pessoas negras. 
As manchas hemorrágicas são causadas por traumatismos, 
alterações capilares e discrasias sanguíneas. Nas duas últimas 
condições recebem o nome de púrpura. 
Se o extravasamento sanguíneo for suficiente para produzir 
elevação da pele, é designado hematoma. Equimose e hema-
toma se associam frequentemente. 
Deposição pigmentar 
Pode ser por deposição de hemossiderina, bilirrubina (icte-
rícia), pigmento carotênico (ingestão exagerada de mamão, 
cenoura), corpos estranhos (tatuagem) e pigmentos metálicos 
(prata, bismuto). 
Elevações edematosas 
Elevações causadas por edema na derme ou hipoderme. 
Enquadra-se a lesão urticada ou tipo urticária, que corres-
pende a formações sólidas, uniformes, de formato variável 
(arredondados, ovalares, irregulares), em geral eritematosas, e 
quase sempre pruriginosas, resultando de um edema dérmico 
circunscrito. 
A afecção mais frequentemente responsável por este tipo de 
lesão é a própria urticária (Figura 15.12). 
Formações sólidas 
As formações sólidas abrangem pápulas, tubérculos, nódu-
los, nodosidades, gomas e vegetações. 
Tatuagens 
As tatuagens são marcas indeléveis feitas na pele pela introdução de pig-
mentos, geralmente, formando desenhos, figuras, nomes, datas ou frases. As 
tatuagens, em princípio, sempre foram consideradas como manifestação cul-
tural, desde longa data, nos mais diversos agrupamentos populacionais, sendo 
a pele utilizada para expressar sentimentos, posições políticas, religiosas ou, 
simplesmente, para acompanhar um "modismo". No entanto, podem consti-
tuir problema clínico, pela possibilidade de transmissão de hepatite e AIDS, ou 
dermatológico, quando há o desejo de removê-las. Podem, também, originar 
conflitos familiares e sociais, quando agridem valores morais. De qualquer 
maneira, não podem ser ignoradas ao se fazer o exame da pele. 
Figura 1 5.12 Lesão urticada (urticária). 
Pá pulas 
Elevações sólidas da pele, de pequeno tamanho (até 1,0 em 
de diâmetro), superficiais, bem delimitadas, com bordas facil-
mente percebidas quando se desliza a polpa digital sobre a 
lesão. Podem ser puntiformes, um pouco maiores ou lenticula-
das, planas ou acuminadas, isoladas ou coalescentes, da cor da 
pele normal ou de cor rósea, castanha ou arroxeada. Inúmeras 
dermatoses se evidenciam por lesões papulares; exemplos: 
picada de inseto, leishmaniose, blastomicose, verruga, erup-
ções medicamentosas, acne, hanseníase (Figuras 15.13 e 
15.14). 
Tubérculos 
Elevações sólidas, circunscritas, de diâmetro maior que 
1,0 em, situadas na derme. A consistência pode ser mole ou 
firme. A pele circunjacente tem cor normal ou pode estar 
eritematosa, acastanhada ou amarelada (Figura 15.15); geral-
mente desenvolvem cicatriz. São observadas na sífilis, tuber-
culose,hanseníase, esporotricose, sarcoidose e tumores. 
Nódulos, nodosidade e goma 
Formações sólidas localizadas na hipoderme, mais per-
ceptíveis pela palpação do que pela inspeção (Figura 15.16). 
Quando de pequeno tamanho - grão de ervilha, por exem-
plo - são os nódulos. Se mais volumosas, são as nodosidades. 
Gomas são nodosidades que tendem ao amolecimento e ulce-
ração com eliminação de substância semissólida. Os limites 
dessas lesões em geral são imprecisos, e a consistência pode 
ser firme, elástica ou mole. Ora estão isoladas, ora agrupadas 
15 I Exame Clínico 211 
8 
Figura 15.8 A. Telangiectasia. B. Pele senil. 
extravasado. De acordo com a forma e o tamanho, subdivi-
dem-se em três tipos (Figura 15.10): 
• Petéquias: quando puntiformes (Figura 15.11A e B) e com 
até 1 em de diâmetro 
• Víbices: quando formam uma linha. Esse termo também é 
empregado para lesão atrófi.ca linear 
• Equimoses: quando são em placas (Figura 15.11C), maio-
res que 1 em de diâmetro. 
A coloração das manchas hemorrágicas varia de verme-
lho-arroxeada a amarela, dependendo do tempo de evolução, 
dado muito usado em medicina legal para se avaliar o tempo 
decorrido entre o aparecimento da lesão e o momento do exame. 
Nas grandes e médias equimoses, as mudanças de colora-
ção acontecem nos seguintes períodos: 
• Até 48 h são avermelhadas 
Figura 15.9 Manchas eritematosas (eritema polimorfo). • De 48 a 96 h tornam-se arroxeadas 
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A B c 
Figura 1 S. 1 O Manchas hemorrágicas. A. Petéquias. B. Víbices. C. Equimoses. 
BEATRIZ CARNEIRO XXXIII MEDICINA UCB
Afasia de condução: maior dificuldade é a repetição de palavras. Embora consiga ler e falar 
razoavelmente, o paciente não é capaz de repetir frases que lhe são ditas. Há também 
componente amnéstico. Ocorre ,geralmente, por comprometimento do giro supramarginal 
dominante.
Afasia amnéstica: admite-se que decorra de lesão de pequena área na junção dos lobos parietal, 
temporal e occipital esquerdos. O paciente apresenta incapacidade para designar ou nomear os 
vocábulos ou o nome de objetos, conservando, contudo, sua finalidade. Assim, o indivíduo sabe 
para que se destina o pente, por exemplo, mas não consegue lembrar-se da palavra pente nem 
expressá-la.
Afasia transcortical: Nas afasias transcorticais, o achado mais relevante é uma repetição 
conservada, apesar de existirem outros sintomas de afasia. 
160.Prostatectomia: extirpação total ou parcial da próstata.
161.Hipopneia: redução de 30% a 50% do fluxo de ar através do nariz ou da boca por um 
período de pelo menos dez segundos associada à dessaturação da oxihemoglobina > 4%, ou 
SaO2 < 90% e/ou despertar. Comum ser acompanhada de roncos. Causas:obesidade, 
crescimento das amígdalas, malformações da mandíbula ou da faringe, hipertrofia 
da língua(como ocorre na síndrome de Down), tumores, hipotonia dos músculos da faringe ou 
falta de coordenação dos músculos respiratórios.
162.Enoftalmia: retração ou deslocamento posterior do globo ocular. Causas: congênita, 
desidratação, terminal (fácie hipocrática).
163.Epífora ou lacrimejamento: excesso de secreção de lágrimas ou defeito na drenagem. O 
estímulo aferente é feito pelo ramo oftálmico do nervo trigêmeo e o eferente (secretora) nervo 
facial. Causas: inflamações da conjuntiva ou córnea, obstrução da via lacrimal, emoções, 
hipertireoidismo, glaucoma.
164.Paroníquia: infecção das dobras de tecido 
ao redor das unhas. Na paroníquia aguda, os 
organismos causais são 
habitualmente Staphylococcus aureus ou 
estreptococos e, menos 
comumente, Pseudomonas ou Proteus spp.
165. Dacriocistite: inflamação do saco lacrimal costuma ocorrer devido à obstrução do canal 
nasolacrimal (dacriostenose).
BEATRIZ CARNEIRO XXXIII MEDICINA UCB
166. Facectomia: extração do cristalino e colocação de uma lente artificial no local. Feito para 
pacientes com catarata, opacidade do cristalino.
167.Tenossinovite: é a tendinite acompanhada por uma inflamação da cobertura protetora sobre 
o tendão (bainha do tendão).
168.Dorsalgia: dor localiza-se 
predominantemente no dorso, especialmente 
na área correspondente aos metâmeros C6, 
C7, C8 e TI, na altura dos músculos trapézios 
e da grande dorsal. Ela costuma acompanhar 
a cervicalgia ou a braquialgia, quando as 
lesões predominam nas últimas vértebras 
cervicais (CS, C6 e C7). De fato, são 
frequentes estas associações: 
cervicobraquialgia, dorsobraquialgia e 
cervico- dorsobraquialgia. Em alguns 
pacientes. No exame físico são observadas 
contratura muscular e limitação dos 
movimentos. As causas mais comuns são as 
alterações da mecânica da coluna (desvios), 
as alterações degenerativas do disco 
intervertebral e as posturas defeituosas. A 
tensão nervosa também pode ser 
acompanhada de dorsalgia.
336
Stump, P. et. al. Dorsalgias. Rev. Med. (São Paulo), 80(ed. esp. pt.2):335-40, 2001.
Edição Especial
firmemente aderidos aos discos intervertebrais, estes, por
sua vez, constituídos pelo núcleo pulposo envolvido pelo
ânulo fibroso. Na linha média, o ligamento é mais frágil
do que na região lateral. Os ligamentos amarelo,
interespinhosos e supraespinhosos apresentam relação com
os arcos vertebrais, com os processos espinhosos das
vértebras e com as apófises espinhosas, respectivamente.
As costelas são fixadas nos corpos vertebrais pelos
ligamentos costotransversos laterais e pela cápsula
articular; entre elas há uma camada muscular (espaço
intercostal) e os nervos intercostais. A coluna torácica
apresenta amplitude do movimento (ADM) menor que de
outras regiões vertebrais: a extensão-flexão anterior varia
de 0 a 55 graus, a flexão lateral de 0 a 20 graus e a rotação
de 0 a 35 graus. Os músculos (m.) espinhais torácicos estão
dispostos em três camadas: a superficial, a intermediária
e a profunda (Quadro 1). Além destes, alguns músculos
originam-se na região dorsal e inserem-se em outras
regiões (m. trapézio, m. grande dorsal, m. elevador da
escápula, m. esplênio do pescoço)8.
recorrentes anteriores suprem o ligamento longitudinal
anterior, periósteo vertebral, porções externas do ânulo
fibroso; ramos semi-vertebrais inervam o compartimento
intravertebral (ligamento longitudinal posterior, meninges,
vasos sangüíneos espinais) e os nervos intercostais cursam
sob a costela correspondente e suprem o tegumento da
parede torácica e abdominal, musculatura intercostal e
abdominal.
ETIOLOGIAS
As dorsalgias apresentam diversas etiologias,
muitas vezes associadas no mesmo paciente. No Quadro
2 estão apresentadas algumas das principais causas das
dorsalgias. A grande maioria das condições é funcional e
mecânica4.
Quadro 1 - Músculos da região dorsal sacinâceM
siaicsafoimsasorolodsemordnís
siacsidsainréh
esortraoetso/etirtraoetso
larbetrevlanacodesonetse
sarutarf
sacilóbateM
sutillemetebaid
tegaPedacneod
esoropoetso
siaromuT ocitátsatemuosoirámirpsoessóseromut
sasoiccefnI
etileimoetso
siacsidseõçcefnilarbetrevesolucrebut
retsozrepreh
saitaporecsiV
,etidracirep.siaruelpuoeseranomlupseõçcefa
seõçcefaoidrácoimododugaotrafni
,sianimodbauo,sacicárotesacigóloretneortsag
sacigóloru
atroaedamsiruena
acinêgocisproD
Quadro 2 - Principais etiologias das dorsalgias
O canal raquidiano torácico contém do segundo
segmento torácico ao primeiro segmento sacral da medula
espinal que ocupa mais de 2/3 do volume raquidiano, 12
pares de raízes torácicas. As raízes motoras
neurovegetativas, neurovegetativas simpáticas são pré-
ganglionares mielimizadas (ramos comunicantes brancos)
que constituem a cadeia simpática que supre as vísceras
cranianas, cervicais, torácicas e abdominais1. As raízes
sensitivas fundem-se com as motoras e originam ramos
recorrentes posteriores que inervam a musculatura
paravertebral, ligamentos interespinhosos e
intertransversários, as facetas articulares, o periósteo das
lâminas, as apófises espinhosas e transversas. Os ramos
Afecções músculo-esqueléticas
· Síndromes dolorosas miofasciais (SDMs). São uma
das causas mais comuns de dorsalgias. A SDM dos
músculos rombóide, longo dorsal, multífidos, serrátil
posterior e superior e iliocostal torácico é causa de dor
em áreas que variam de acordo com a localização dos
pontos gatilhos (PG), se agravando durante a execução
de atividades musculares. Ao exame físico evidenciam-
se PGs e dor no local acometido8.
Contraturas musculares. Causa de dor profunda,
freqüentemente associada a espondilose. Ao exame
observa-se dor e espasmo na musculatura onde a dor é
referida8.
Traumatismos. A principal conseqüência grave de
 Músculos com inserção extra dorsal
m. trapézio cervical
m. esplênio do pescoço cervical
m. elevadores da escápula cervical
m. grande dorsal úmero
 Camada superficial
m. rombóide
 Camada intermediária
m. serrátil posterior
 Camada profunda
m. espinhal longo
m. eretores da coluna
m. iliocostal
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169.Neurite ou nevrite: lesão inflamatória ou 
degenerativa dos nervos.
170.Otorréia: saída de líquidos pelo ouvido pode ser 
água, seroso, mucoso, purulento ou 
sanguinolento. Causas: líquido 
cefalorrraquidiano(água e as vezes sangue), 
sanguinolentos (pólipos, otite, traumatismo), 
seroso/purulentos ( origem na orelha externa, 
otite externa, furúnculos, eczemas).
171.Otalgia: dor de ouvido pode ser na orelha 
externa ou média ou dor irradiada. Causas de dor 
reflexa: cárie dentária, sinusite, amigdalite, 
faringite aguda.
172.Vertigem: caráter rotatório subjetivo.
173.Tontura: sensação de instabilidade do equilíbrio 
e a insegurança durante a marcha.
a) Tontura com nítida sensação de rotação: representada pela vertigem, na qual o paciente tem 
a sensação de girar em torno do ambiente, ou vice-versa. Acompanhada de náuseas, 
vômitos, desequilíbrio, palidez e sudorese. A vertigem decorre predominantemente de lesão 
ou disfunção das vias vestibulares, em especial de sua porção periférica (canais 
semicirculares e ramo vestibular do VIII nervo craniano), constituindo a síndrome vestibular 
periférica. Suas causas principais são infecções, intoxicações, neoplasias e edema do 
labirinto. 
b) Tontura com sensação de iminente desmaio: pálido, escurecimento visual e transpiração 
profunda. Sintomas regridem ao se deitar. Causas: Em casos cardiovasculares, súbito e curta 
duração. Queda do fluxo sanguíneo cerebral por mecanismo reflexo de vasodilatação 
periférica (síncope reflexa ou vasovagal), sintomas graduais e persistentes.
c) Tontura com sensação desagradável na cabeça: 
cabeça oca, leve ou grande. Presença de 
hiperventilação, depressão e ansiedade.
174.Calvície: Tem uma história familiar. Segue um 
padrão familiar. Quantidade de bulbos capilares 
diminui.
175.Alopecia: Áreas isoladas, soltas, 
areada. Causada por quimioterapia, 
estresse. Área lisa, sem hiperemia.
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176.Tricotilomania: manía de puxar o cabelo. Percebe-se no couro cabeludo resto de cabelos.
177.Síndrome de Stokes-Adams ou 
síncope bradicárdica clássica: 
caracteriza-se por síncope súbita, 
acompanhada de convulsões. É 
provocada por parada cardíaca, 
bradicardia acentuada, taquicardia 
intensa, flutter ou fibrilação 
ventricular, que impossibilitam uma 
adequada perfusão cerebral. A 
síndrome de Stokes-Adams é muito 
frequente nos portadores de 
cardiopatia chagásica crônica com 
bloqueio atrioventricular de 2o ou 3o 
grau. A síndrome pode ter início 
com tonturas, sensação vertiginosa 
e escurecimento visual, sobrevindo 
a seguir perda da consciência, 
convulsões, eliminação involuntária 
de fezes e urina, podendo ocorrer 
parada respiratória. Às vezes, a 
função circulatória se recupera em 
alguns segundos, mas tal não 
ocorrendo, a morte sobrevém. A 
sequência cronológica dos eventos 
nesta síndrome costuma ser da 
seguinte maneira: a tontura surge 2 
a 5 segundos após a ocorrência da 
arritmia; 10 a 15 segundos após, ocorre perda da consciência; 20 a 40 segundos depois, as 
convulsões. Se a parada cardíaca dura mais de 1 min, ocorre parada respiratória, sobrevindo 
a morte em 1 a 3 min após o início do quadro. 
BEATRIZ CARNEIRO XXXIII MEDICINA UCB
178.Deferentectomia ou vasectomia: é um método contraceptivo cirúrgico através da ligadura 
dos canais deferentes no homem.
179.Coitarca: relação sexual que se faz pela primeira vez; efeito de perder a virgindade ou 
primeira relação sexual.
180.Ginecomastia ou crescimento glandular benigno da mama do homem: é o crescimento 
de mamas de tamanho fora do normal em homens. Causas: obesidade, carcinoma brônquico 
(manifestação paraneoplástica), síndromes de Klinefelter e Down, espironolactona (diurético), 
cirrose(é doloroso),aumento da relação estrogênio-androgênio(exógeno ou endógeno), 
aumento da prolactina.


181.Cacosmia: sentir mau cheiro Duas formas:
- Subjetiva: só o indivíduo percebe. Ex: sinusite purulenta crônica.
- Objetiva: tanto o indivíduos como as pessoas ao redor sentem. Ex: sífilis nasal, tumores e 
corpo estanho. No caso da rinite atrófica ou ozena, apenas as pessoas ao redor sentem, não o 
afetado.
840 
Figura 120.1 Ginecomastia. 
mente. Não obstante, pode também ser encontrado em adul-
tos aparentemente saudáveis em uma incidência de 30%. 
A ginecomastia é observada em muitos pacientes com 
várias enfermidades que nada têm em comum (cirrose, hiper-
tireoidismo, insuficiência renal). 
A associação a obesidade é frequente. 
Geralmente é assintomática, mas, principalmente quando 
se desenvolve de maneira rápida, as mamas podem revelar-se 
dolorosas e hipersensíveis à palpação. 
Os principais hormônios relacionados com a ginecomastia 
são os estrogênios, os androgênios e a prolactina. 
A administração de estrogênios, substâncias antiandrogê-
nicas ou estimuladoras da liberação de prolactina pode cau-
sar ginecomastia. Doenças crônicas como a cirrose hepática 
Parte 10 I Sistema Endócrino e Metabolismo 
Ginecomastia fisiológica 
A ginecomastia pode ser considerada fisiológica no sexo masculino em três 
períodos da vida: neonatal, puberdade e velhice. 
No período neonatal, a ginecomastia é decorrente do excesso de estrogênio 
circulante de origem materna e placentária. Pode estar associada à produção 
de leite. Ocorre involução entre 6 e 12 meses. 
A ginecomastia puberal é de origem incerta, mas pode estar relacionada 
com níveis plasmáticos elevados de estradiol. Há regressão espontânea em um 
período de 8 a 24 meses. 
A ginecomastia que ocorre em homens idosos está relacionada com a dimi-
nuição dos níveis de testosterona livre. Nesta fase é comum a ginecomastia 
decorrente da ação de medicamentos. 
e diversas anomalias genéticas também podem coexistir com 
ginecomastia. 
Outras causas incluem medicamentos não hormonais 
(digitálicos, espironolactona, cimetidina, cetoconazol, agentes 
citotóxicos, antidepressivos, anfetaminas e similares). O uso 
de maconha tem sido associado à ginecomastia. 
..,. Bibliografia 
Bonacorsi AC. Andropausa: insuficiência androgênica parcial do homem idoso. 
Arq Brasil Endocrinol Metab. 45:123-133,2001. 
Carakushansky G. Doenças genéticas em pediatria. Guanabara Koogan, 2001. 
Coronha V et ai. Tratado de endocrinologia e cirurgia endócrina. Guanabara 
Koogan, 2001. 
Mandei S. Clinicai endocrinological update 2000 syllabus. The Endocrine So-
ciety Press, 2000. 
Porto CC, Porto AL. Vademecum de clínica médica. 3a ed. Guanabara Koo-
gan, 2010. 
Vilar L et ai. Endocrinologia clínica. Rio de Janeiro: Medsi, 2001. 
840 
Figura 120.1 Ginecomastia. 
mente. Não obstante, pode também ser encontrado em adul-
tos aparentemente saudáveis em uma incidência de 30%. 
A ginecomastia é observada em muitos pacientes com 
várias enfermidades que nada têm em comum (cirrose, hiper-
tireoidismo, insuficiência renal). 
A associação a obesidade é frequente. 
Geralmente é assintomática, mas, principalmente quando 
se desenvolve de maneira rápida, as mamas podem revelar-se 
dolorosas e hipersensíveis à palpação. 
Os principais hormônios relacionados com a ginecomastia 
são os estrogênios, os androgênios e a prolactina. 
A administração de estrogênios, substâncias antiandrogê-
nicas ou estimuladoras da liberação de prolactina pode cau-
sar ginecomastia. Doenças crônicas como a cirrose hepática 
Parte 10 I Sistema Endócrino e Metabolismo 
Ginecomastia fisiológica 
A ginecomastia pode ser considerada fisiológica no sexo masculino em três 
períodos da vida: neonatal, puberdade e velhice. 
No período neonatal, a ginecomastia é decorrente do excesso de estrogênio 
circulante de origem materna e placentária. Pode estar associada à produção 
de leite. Ocorre involução entre 6 e 12 meses. 
A ginecomastia puberal é de origem incerta, mas pode estar relacionada 
com níveis plasmáticos elevados de estradiol. Há regressão espontânea em um 
período de 8 a 24 meses. 
A ginecomastia que ocorre em homens idosos está relacionada com a dimi-
nuição dos níveis de testosterona livre. Nesta fase é comum a ginecomastia 
decorrente da ação de medicamentos. 
e diversas anomalias genéticas também podem coexistir com 
ginecomastia. 
Outras causas incluem medicamentos não hormonais 
( digitálicos, espironolactona, cimetidina, cetoconazol, agentes 
citotóxicos, antidepressivos, anfetaminas e similares). O uso 
de maconha tem sido associado à ginecomastia. 
..,. Bibliografia 
Bonacorsi AC. Andropausa: insuficiência androgênica parcial do homem idoso. 
Arq Brasil Endocrinol Metab. 45:123-133,2001. 
Carakushansky G. Doenças genéticas em pediatria. Guanabara Koogan, 2001. 
Coronha V et ai. Tratado de endocrinologia e cirurgia endócrina. Guanabara 
Koogan, 2001. 
Mandei S. Clinicai endocrinological update 2000 syllabus. The Endocrine So-
ciety Press, 2000. 
Porto CC, Porto AL. Vademecum de clínica médica. 3a ed. Guanabara Koo-
gan, 2010. 
Vilar L et ai. Endocrinologia clínica. Rio de Janeiro: Medsi, 2001. 
BEATRIZ CARNEIRO XXXIII MEDICINA UCB
182.Flatulência ou flato:  flatulência resulta dos gases hidrogênio, metano e dióxido de carbono 
produzidos pelas bactérias normalmente presentes no intestino grosso. Essas bactérias 
sempre produzem gases, mas pode ocorrer a produção de excesso de gás. Causas: 
alimentos, síndrome da má absorção.
183.Soluço: contrações clônicas/espasmódicas do diafragma, concomitantes com o fechamento 
da glote, acompanhadas de um ruído rouco. Isolados ou em crises. Causas: patologia 
esofágica, doenças do sistema nervoso central, irritação do nervo frênico ou do diafragma, 
estimulação reflexa, doenças que comprometem o mediastino, pleura e órgãos intra-
abdominais. Contudo, pode ser considerado como parte da sintomatologia esofágica em 2 
condições: na hérnia hiatal e no megaesôfago. Na hérnia hiatal, pode manifestar-se 
episodicamente ou tornar-se persistente e intratável pelas medidas clínicas habituais. No 
megaesôfago, o soluço é relativamente frequente durante as refeições. 
184.Otorragia: traumatismo do meato acústico externo no ato de coçá-lo com algo há ruptura do 
tímpano.
185.Pústula: vesícula de conteúdo 
purulento, menos de um centímetro. 
Causas: varicela, hepes-zóster, 
queimaduras, piodermites, acne 
pustulosa.
186.Nódulos: Conhecida como íngua. 
Lesão sólida, circunscrita, elevada ou não, de 1 a 3 cm de tamanho. Processo patológico que 
localiza-se na epiderme, derme e/ou hipoderme.
15 I Exame Clínico 215 
A 
e .L.-__ ._ __ ................ 
• 
o o - .......... 
c 
Figura 15.18 Vesículas, bolhas e pústulas. A. Alergia medicamentosa. B. Penfigoide bolhoso. C. Dermatite herpetiforme. O. Corte esquemático de vesícula 
mostrando coleção líquida intraepidérmica. E. Corte esquemático de bolha mostrando coleção líquida entre epiderme e a derme. F. Corte esquemático 
de pústula mostrando coleção de líquido purulento em epiderme. 
Hematomas 
Formações circunscritas, de tamanhos variados, decorren-
tes de derrame de sangue na pele ou nos tecidos subjacentes. 
Alterações da espessura 
As alterações da espessura abrangem queratose, espessa-
mento ou infiltração, liquenificação, esclerose, edema e atrofias. 
Queratose 
Modificação circunscrita ou difusa da espessura da pele, 
que se torna mais consistente, dura e inelástica, em conse-
quência de espessamento da camada córnea. 
O exemplo mais comum é o calo. Quando se localiza nas 
palmas das mãos e nas plantas dos pés chama-se, respectiva-
mente, queratose palmar e plantar. 
Principais afecções que se manifestam por essa lesão: 
queratose senil, queratodermia palmoplantar, ictiose 
(Figura 15.20). 
Espessamento ou infiltração 
Traduz-se por aumento da consistência e da espessura da 
pele que se mantém depressível, menor evidência dos sulcos 
da pele, limites imprecisos. O exemplo mais sugestivo é a 
hanseníase virchowiana (Figura 15.21). 
214 
A 
() 
B L.... ..... --..... 
Figura 15.15 A. Tubérculo (fibroma). B. Tubérculo em corte esquemático 
mostrando proliferação celular na derme. 
A 
Parte 5 I Sistema Tegumentar 
Figura 15.16A. Nódulo em corte esquemático, mostrando lesão sólida em 
derme profunda. B. Nódulo eritematoso em região nasal. 
B 
Figura 1 S. 1 7 Vegetações. A. Carcinoma espinocelular. B. Cromomicose. 
As bolhas podem ter conteúdo claro, turvo amarelado 
(bolha purulenta) ou vermelho-escuro (bolha hemorrágica). 
Pústula 
Vesícula de conteúdo purulento. Surge na varicela, no her-
pes-zóster, nas queimaduras, nas piodermites, na acne pustu-
losa (Figura 15.18). 
Abscessos 
Coleções purulentas, mais ou menos proeminentes e cir-
cunscritas, de proporções variáveis, flutuantes, de localização 
dermo-hipodérmica ou subcutânea. Quando há sinais inflama-
tórios, são chamados abscessos quentes. A ausência de sinais 
flogísticos caracteriza os abscessos frios. Exemplos: furunculose, 
hidradenite, blastomicose, abscesso tuberculoso (Figura 15.19). 
BEATRIZ CARNEIRO XXXIII MEDICINA UCB
187. Goma: nódulo ulcerado.
188.Rinorreia: escoamento abundante de fluido pelo nariz(muco). Pode ser serosa, seromucosa, 
mucopurulenta, purulenta, fragmentos de falsas membranas (difteria nasal). Ex: sarampo, 
alergia, rinite.
a) Corrimento purulento em uma única narina: supuração de um seio acessório (sinusite) ou 
que há um corpo estranho.
b) Fétida: sílifis nasal, neoplasias, corpo estranha, ozena (caracterizado por atrofia osteomucosa 
progressiva sem ulceração, crostas amarelo-esverdeadas, sensação de obstrução nasal e 
fetidez intensa.).
c) Serosa: própria mucosa ou pelo líquido cefalorraquidiado (hidrorreia cefálica) por causa de 
traumas na lâmina crivada do etmoide.
d)Seropurulento: rinite diftérica(bacilo), geralmente acompanhado de hipertrofia dos linfonodos 
submandibulares. O diagnóstico é confirmado pelo exame microscópico do exsudato nasal. 
Pode ser causada também por câncer.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4. Coleções Líquidas 
Lesões de conteúdo líquido que pode ser serosidade, sangue ou pus. 
Vesícula: elevação circunscrita de até 1cm, com conteúdo claro (seroso) que pode se tornar 
turvo (purulento) ou rubro (hemorrágico). 
Bolha ou Flictena: difere-se da vesícula apenas pelo tamanho, que é maior que 1cm. 
Pústula: elevação de até 1cm e de conteúdo purulento. 
Abscesso:possui tamanho variável, é formado por coleção purulenta da pele ou tecidos 
subjacentes. Sinais flogísticos podem estar presentes:edema, dor, rubor, calor. 
Hematoma: formada por derrame de sangue na pele ou tecidos subjacentes, difere-se da 
equimose por haver alteração de espessura. Pode infectar e haver presença de sinais flogísticos, 
e o conteúdo hemorrágico pode tornar-se purulento. 
 
 
 
 
 
Goma:Sífilis terciária 
Vegetação: Condiloma acuminado Verrucosidade: Nevo epidérmico verrucoso 
Vesículas: Herpes Simples Bolhas: Penfigóide bolhoso Pústulas: Acne 
Placa: Líquen Plano 
BEATRIZ CARNEIRO XXXIII MEDICINA UCB
188.Leucorréia : conhecido como corrimento. Alteração da secreção normal para aspecto de 
clara de ovo, mucosa esbranquiçada ou amarelada, de origem vulvovaginal, por vezes 
purulento.
É o principal sintoma das vulvovaginites e das cervicites.
- Fisiológico: estímulo estrogênio (pico ouvulatório e 
terapêutica hormonal), secreção excitação sexual 
(glândulas vestibulares maiores ou de Bartholin).
- Patológico:
a) Corrimento aquoso, abundante, como fosse 
normal (HIDRORREIA): varicolece pélvica, 
retroversão uterina ou uso de pílulas 
anticoncepcionais.
b) Amarelo, espesso, fétido e espumosa: tricomonas 
e/ou gonococos.
c) Branco, em grumos, como nata de leite ou coco 
ralado: fungos, tipo Candida.
d) Aspecto de água de carne: neoplasias e 
inflamações graves.
189.Tenesmo: dor intensa no reto e no períneo e desejo de defecar. Paciente sente que será 
abundante as fezes, mas apenas elimina pequena quantidade de fezes ou de muco. 
Causas:processos inflamatórios agudos, na síndrome disentérica, proctite gonocócica e 
miomas.
BEATRIZ CARNEIRO XXXIII MEDICINA UCB
190.Urticária: irritação cutânea desencadeada por uma reação a alimentos, medicamentos ou 
outros agentes irritantes. Formação de urticas ou pápulas (elevações circulares, salientes e 
bem demarcadas), circundadas por vergões vermelhos (eritema) e inchaço (edema). As placas 
de urticária costumam coçar muito.
191.Atitude ortopneica :Na atitude ortopneica (ortopneia), o paciente adota essa posição para 
aliviar a falta de ar decorrente de insuficiência cardíaca, asma brônquica e ascites volumosas. 
Ele permanece sentado à beira do leito com os pés no chão ou em uma banqueta, e as mãos 
apoiadas no colchão para melhorar um pouco a respiração, que se faz com dificuldade. Nos 
pacientes em estado grave, costuma-se ver uma posição ortopneica diferente, quando, 
então, o paciente permanece deitado com os pés estendidos ao longo da cama, mas recosta-
se com a ajuda de dois ou mais travesseiros, na tentativa de colocar o tórax o mais ereto 
possível. 
192.Ortopneia ou atitude ortopneica: dispneia em decúbito dorsal, melhora ao sentar-se ou 
levantar-se. Causas: IC, asma, ascite volumosa, doenças neuromusculares. 
* ICD: ascite, hepatomegalia, anasarca, pouca dispnéia.
* ICE: tosse seca, ortopnéia.
193.Dislexia: alteração congênita, frequente em crianças na idade escolar que apresentam 
dificuldade na leitura, muitas vezes acompanhada de distúrbios de lateralização e de escrita 
em espelho. O grau máximo dessa condição denomina-se alexia.
194.Glossite: inflamação da língua, a qual fica hipercorada.
195.Leucoplasia: área 
esbranquiçadas nas 
mucosas por 
espessamento do epitélio 
(queratose, paraquetose, 
hiperplasia, neoplasia, 
fibroesclerose, 
diminuição da 
vascularização. 
Apresentam aspectos 
clínicos variados, 
ocorrendo desde as 
planas e translúcidas até 
as rugosas, verrucosas, 
papilares, nodulares e 
manchadas (áreas 
brancas e vermelhas).
BEATRIZ CARNEIRO XXXIII MEDICINA UCB
196.Efélides: conhecida como sarna. Manchas hipercrômicas, dependem do aumento de 
pigmento melânico. Causas: familiar, exposição ao sol.
197.Coriza: inflamação da mucosa nasal que engloba o conjunto de patologias, as rinofaringites 
(infecções virais, bacterianas e alergias.). Conhecida como nariz entupido.
OBS: A rinorréia é um dos sinais da coriza.
198.Halitose: mau hálito. Causas: jejum, acidose metabólica, estresse, xerostomia 
199.Miose: constrição da pupila (diminuição do diâmetro). O diâmetro da pupila normal varia de 3 
a 5 mm em um ambiente iluminado. Quando está menor que 3 mm caracte- riza miose. 
Causas: álcool, síndrome de Horner (lesões no sistema simpático), hemorragia, tumor de 
Pancoast, antipsicóticos, opióides.
200.Estrabismo: desalinhamento intermitente ou 
constate de um olho. Pode ser causada por erro de 
refração(miopia,hipermetropia ou astigmatismo) ou 
por um desequilíbrio na força dos músculos. 
Tipos:esotropia (estrabismo convergente), a imagem é 
nasal à fóvea e é interpretada como vindo do lado 
temporal. Já naqueles com exotropia (estrabismo 
divergente).
252 
Figura 21.2 Epicanto. Observa-se a dobra de pele no canto interno do olho. 
O nistagmo é em geral horizontal e diminui em convergên-
cia, podendo ocorrer pequena hipermetropia. 
Um esodesvio acomodativo está associado à ativação do 
reflexo de acomodação. Começa entre o 3º e o 4º ano de idade 
e é devido à alta hipermetropia com relação CA/ A normal, em 
que CAl A representa convergência acomodativa/acomoda-
ção. Quando usam óculos, os olhos se alinham para longe e 
perto. 
Pode ser ainda, causada por uma relação CA/ A elevada, e a 
refração é em geral normal. Há pouco ou nenhum desvio para 
longe, porém, existe para perto. 
A forma mista é causada por uma combinação de hiper-
metropia e relação CA/ A elevada. Um paciente com hiperme-
tropia elevada e relação CA/ A baixa pode ter olhos alinhados, 
enquanto um paciente com relação CA/ A elevada combinada 
com hipermetropia está particularmente pronto a desenvolver 
esotropia para longe e marcada esotropia para perto. 
O esodesvio não acomodativo é devido ao estresse ou à pri-
vação sensorial (catarata, atrofia óptica e retinoblastoma). 
A exotropia intermitente se deve à flutuação entre foria e 
tropia e começa aos 2 anos de idade. 
As diferenças entre estrabismo paralítico e estrabismo con-
comitante estão resumidas no Quadro 21.1. 
.- Entrópio 
O entrópio (reversão), ou pálpebra virada para dentro, 
pode ser congênito, espasmódico ou cicatricial. 
Diferenças entre estrabismo paralftico e 
estrabismo concomitante. 
Estrabismo paralítico 
Início rápido 
Há diplopia 
Limitação dos movimentos oculares 
Desvio do eixo visual varia com a 
direção do olhar 
Não ambliopia 
Falsa projeção 
Vertigem pode ocorrer 
Estrabismo concomitante 
Início lento 
Não há diplopia 
Não há limitação dos movimentos oculares 
Desvio do eixo visua I não varia com a 
direção do olhar 
Ambliopia pode ocorrer 
Não há falsa projeção 
Não há vertigem 
Parte 5 I Olhos 
O entrópio congênito raramente ocorre como enfermidade 
isolada. Em geral situa-se na pálpebra inferior, mas pode sur-
gir na pálpebra superior. 
O entrópio espasmódico é provocado pela contração exces-
siva das fibras marginais do músculo orbicular do olho, as quais 
mantêm a borda palpebral em contato contínuo com o olho. 
O entrópio espasmódico se localiza quaseexclusivamente na 
pálpebra inferior. É característico da atrofia do olho, porém 
pode ocorrer quando o tecido da borda palpebral perde sua 
resistência e elasticidade, o que é observado principalmente 
nas pessoas idosas. 
O entrópio cicatricial ocorre na retração cicatricial do tarso 
ou nos processos destrutivos da conjuntiva tarsal, cuja causa 
principal é o tracoma. A retração do tarso provoca uma cur-
vatura do dorso palpebral de tal modo que toda a superfície 
interna da pálpebra comprime o olho nos movimentos de 
fechamento, fazendo com que ele se tome hiperemiado e com 
secreção. 
O entrópio pode complicar-se com triquíase, isto é, desvio 
dos cílios para a córnea, causando irritação capaz de produzir 
até ulceração corneana. 
.- Ectrópio 
O ectrópio ( eversão) é o oposto do entrópio, surgindo 
quando a borda palpebral está evertida, com a consequente 
exposição da conjuntiva palpebral. A exposição conjuntiva! 
determina queratinização e hipertrofia, as quais muitas vezes 
provocam um círculo vicioso, e a conjuntiva hipertrofiada 
vem a separar a pálpebra do globo ocular. Outra complicação 
é a eversão do ponto lacrimal, principalmente o inferior, justa-
mente porque o ectrópio é mais frequente na pálpebra inferior. 
A eversão do ponto lacrimal tem como consequência a inca-
pacidade de coletar lágrima, aparecendo, então, epífora, que, 
por sua vez, provoca eczematização da pele em decorrência do 
uso excessivo de lenço para secar a face. 
O ectrópio pode ser classificado em senil, cicatricial, espas-
módico e paralítico. 
O senil é um achado comum e deve-se ao músculo orbi-
cular pré-tarsal não conseguir manter a borda palpebral em 
contato com o globo ocular. 
O cicatricial surge sempre que se destrói a pele palpebral. 
As causas mais comuns são as queimaduras com álcalis, ácidos 
ou térmicas e os processos inflamatórios. 
O espasmódico depende do espasmo dos fascículos 
musculares pré-marginais, sendo a pálpebra impulsionada 
para baixo e para fora. 
O paralítico ocorre na pálpebra inferior e é causado por 
lesão do nervo facial. 
.- Lagoftalmia 
Lagoftalmia é um defeito de fechamento das pálpebras, 
cujas bordas não se encontram. Pode ser cicatricial ou para-
lítico. A lagoftalmia cicatricial ocorre como consequência 
de grandes retrações palpebrais ou perda de substância. 
Lagoftalmia paralítica surge na paralisia facial periférica. 
No exoftalmo observa-se lagoftalmia, isso porque as pálpe-
bras não conseguem cobrir o globo ocular. 
BEATRIZ CARNEIRO XXXIII MEDICINA UCB
201.Hemianopsia: perda parcial ou completa da visão em uma das metades do campo visual de 
um ou ambos os olhos. Causas: lesão no quiasma óptico(neoplasia, aracnoidite) e lesão via 
óptica retroquiasmática (distúrbios vasculares, infecções, neoplasias, doenças 
desmielinizantes.)
202.Dispepsia: relacionado à dor epigástrica e/ou do hipocôndrio conjunto de sintomas 
constituído de desconforto epigástrico, empanzinamento, sensação de distensão por gases, 
náuseas, intolerância a determinados alimentos.
203.Hérnia: é o escape parcial ou total de um ou mais órgãos por um orifício que se abriu por má 
formação ou enfraquecimento nas camadas de tecido protetoras dos órgãos internos do 
abdome.As hérnias diafragmáticas compreendem as hérnias de hiato, de Bochdalek, de 
Morgagni e traumáticas. 
204.Bradicinesia: é a lentificação dos movimentos voluntários. Ela atinge pernas e braços, assim 
como mãos e rosto. Até a velocidade do piscar de olhos fica reduzida. Causas: Parkinson, 
envelhecimento
205.Escrofulose: tuberculose ganglionar/linfática. 
Produz escrófulas, ingurgitamento dos glânglios 
linfáticos
206.Tetania: movimentos involuntários 
caraterizados por crises exclusivamente 
tônicas, localizadas nas mãos e 
pés(denominado estamos carpopodais). 
Pode ser desencadeada por compressão 
do braço com o manguito do 
esfigmomanômetro, comprimir até o nível 
intermediário entre a máxima e mínima do 
paciente. Exemplo: pressão 140/90 mmHg, 
insuflar para 110 mmHg durante 3 minutos, 
aparecerá um movimento na extremidade 
chamado de espamo carpal (mão de 
parteiro), conhecido como sinal de 
Trousseau. Sinal de Chvostek Causas: 
hipocalcemias(hipoparatireodismo) e 
alcalose respiratória por hiperventilação.
9 I Exame Físico Geral 
A 
B 
Figura 9.20 A e B. Tetania desencadeada pela compressão da artéria 
braquial (sinal de Trousseau). 
protrusão da língua, abertura e fechamento da boca e desvios 
da mand.fbula. Ocorrem em psicoses de longa evolução, uso 
prolongado de fenotiazinas e em pessoas idosas, em geral des-
dentadas. 
Distonias 
Os movimentos distônicos são parecidos com os ate-
toides, mas costumam envolver porções maiores do corpo, 
inclusive tronco, podendo resultar em posturas grotescas e 
contorcidas. 
Veia temporal superior 
111 
• Enfisema subcutâneo 
A existência de bolhas de ar debaixo da pele recebe a deno-
minação de enfisema subcutâneo. 
A técnica para reconhecê-lo é apalpação, deslizando-se a 
mão sobre a região suspeita. A existência de bolhas de ar pro-
porcionará ao examinador uma sensação de crepitação muito 
característica. 
O ar pode ser procedente do tórax, em decorrência de um 
pneumotórax, ou ter origem em processo local por ação de 
bactérias produtoras de gás; isso é o que ocorre nas gangrenas 
gasosas. 
• Circulação colateral 
Circulação colateral, do ponto de vista semiológico, signi-
fica a presença de circuito venoso anormal visível ao exame 
da pele. 
Em pessoas de cor branca e de pele clara e delgada (crian-
ças, velhos, pacientes emagrecidos), pode-se ver com certa 
facilidade uma rede venosa desenhada no tronco ou nos mem-
bros. Isso não é circulação colateral; trata-se, simplesmente, 
do que se pode designar desenho venoso (Figuras 9.21 a 9.24) 
Distinguir desenho venoso de circulação colateral é fácil 
na maioria das vezes: a rede visível está na topografia normal, 
simétrica, não é intensa, e as veias não são sinuosas. 
Circulação colateral indica dificuldade ou impedimento 
do fluxo venoso através dos troncos venosos principais (cava 
inferior, cava superior, tronco venoso braquicefálico, ilíacas 
primitivas, veia cava). Por causa desse obstáculo, o sangue se 
desvia para as colaterais previamente existentes, tornando-se 
um caminho vicariante capaz de contornar o local ocluído, 
parcial ou totalmente. 
A circulação colateral deve ser analisada sob os seguintes 
aspectos: 
• Localização 
• Direção do fluxo sanguíneo 
• Existência de frêmito e/ou sopro. 
Veia temporal média 
Veia frontal 
Veia palpebral superior 
Veia oftálmica superior 
Veias nasais 
Veia angular 
Veia facial posterior 
Ramo anastomótico 
Veia jugular externa 
Artéria maxilar externa 
Veia jugular interna -+--------f'-"--:>1...-f 
Veia jugular anterior 
Figura 9.21 Veias superficiais da cabeça e do pescoço. 
BEATRIZ CARNEIRO XXXIII MEDICINA UCB
207.Bradipsiquismo: lentificação de todas as atividades mentais, muito comum em estados 
depressivos, nos quais a passagem do tempo é percebida de modo lento e vagaroso.
208.Taquipsiquismo: aceleração do pensamento, transtorno bipolar.O taquipsiquismo é o estado 
de euforia e que se exprime pela dificuldade para interromper o discurso e a aceleração do 
débito verbal faz-se acompanhar por uma dificuldade em se centrar num tema, com 
tendência para passar rapidamente de tema para tema.
209.Artrite: é inflamação( dor, edema e calor) das articulações. 
210.Ambliopia: redução da acuidade visual.
211.Reumatismo: conjunto de doenças que atingem as articulações (juntas).
212.Neuralgia ou nevralgia: dor em um ou mais nervos provocada por mudança na estrutura ou 
função neurológica. Central, dor na medula espinal ou cerebral, neuralgia periférica.
a) Nevralgia trigeminal ou nevralgia do trigêmeo(TN):tique doloroso) é uma disfunção do nervo 
trigêmeo que produz uma dor forte, aguda e em pontada na distribuição de um ou mais 
ramos do nervo trigêmeo (oftálmico, mandibular e maxilar).
b) Nevralgia trigeminal atípica:uma dor facial unilateral, quase contínua e que às vezes se 
estende para o pescoço. Dor constante, queimação.É comum em mulheres de meia-idade, 
deprimidas.
c) Nevralgia occipital: é caracterizada por dor persistente na base do crânio com ocasionais 
súbitas, parestesias semelhante ao choque elétrico para os nervos occipitais.
d) Nevralgia do glossofaríngeo: dor pode persistir entre os paroxismos álgidos e pode existir um 
déficit de sensibilidade na área abastecida por nervos glossofaríngeos.
e) Nevralgia pós-herpética: o ramo oftálmico é o frequentemente acometido e as lesões podem 
tomar-se hemorrágico-necróticas.
213.Lipotimia ou pré-síncope: é a perda de força muscular, sem perda de consciência.
214.Disartria: decorre de alterações nos músculos da fonação, incoordenação cerebral (voz 
arrastada, escandida), hipertonia no parkinsonismo (voz baixa, monótona e lenta) ou 

perda do controle piramidal (paralisia pseudobulbar) 
215.Trismo: paciente não consegue abrir a boca. Contrai os masseter.
216.Dislalia: é o termo que se usa para designar alterações menores da fala, comuns em 
crianças, como a troca de letras ("tasa" por "casa''). Uma forma especial é a disritmolalia, que 
compreende distúrbios no ritmo da fala, tais como a gagueira e a taquilalia 
217.Galactorreia: A secreção de leite ou de colostro fora 
do ciclo grávido-puerperal.Causas: alguns 
medicamentos (opioides, antidepressivos tricíclicos, 
metoclopramida, verapamil, fenotiazina, 
alfametildopa, isoniazida, estrogênios, sulpirida, 
butirofenonas) podem provocar galactorreia. Quando 
associada à amenorreia, constitui a síndrome 
amenorreia-galactorreia, que obriga à investigação 
de possíveis neoplasias hipofisárias produtoras de 
prolactina (síndrome hiperprolactinêmica). Outros 
distúrbios endócrinos também podem desencadear a 
produção de leite. 
218.Sialorréia ou hipersalivação ou ptialismo ou polissialia: secreção abundante de saliva. 
Causas: emoções, esofagite, inflamação, envenenamento.
219.Xeroftalmia: ressecamento patológico da conjuntiva do olho por diminuição da produção de 
lágrimas. Causas: avitaminose A, síndrome de Sjörgren.
220.Disgeusia: distorção ou diminuição do senso do paladar. Causas: deficiência de zinco, 
medicamentos( hipertensão e ansiedade), IRS, sequelas de algumas paralisias faciais, 
infecções respiratórias.
221.Hiperestesia: hipersensibilidade aos estímulos táteis. Exame: pesquisada deslizando-se 
suavemente as pontas dos dedos ou um objeto pontiagudo sobre a pele. 
104 I Doenças do Complexo Hipotálamo-Hipófise 
..,. Síndrome de Cushing 
A síndrome de Cushing é um conjunto de sinais e sintomas 
resultantes de exposição inadequada, excessiva e prolongada 
ao cortisol ou a corticoides. Há duas formas clínicas: sín-
drome do Cushing ACTH-dependente e síndrome de Cushing 
ACTH-independente. 
A síndrome de Cushing ACTH -dependente compreende 
três condições clínicas: 
• Doença de Cushing, que corresponde a 70 a 80% dos casos, 
sendo o adenoma hipofisário produtor de ACTH a princi-
pal causa 
• Síndrome do ACTH ectópica, resultante da produção 
excessiva de ACTH por tumores não hipofisários (carci-
noides brônquicos e câncer pulmonar de células pequenas 
ou alveolares) 
• Síndrome do CRH ectópico, decorrente da produção de 
hormônio hipotalâmico liberador de ACTH ectopica-
mente, sendo o carcinoide a causa mais frequente. 
A síndrome de Cushing ACTH-independente será anali-
sada no Capítulo 116, Doenças das Suprarrenais. 
Para determinar a origem do ACTH (hipofisário ou ectó-
pico), é feito o teste de estimulação com CRH e o de estimula-
ção com desmopressina (DDAVP). 
Para definir se a síndrome Cushing é ACTH -dependente ou 
não, faz-se a dosagem de ACTH plasmático e o teste de supres-
são com dose alta de dexametasona. Por serem pequenas, essas 
neoplasias não provocam manifestações neurológicas. 
..,. Síndromes hiperprolactinêmicas 
A fisiopatologia dessas síndromes deve-se à ação direta da 
prolactina sobre as mamas e à inibição da produção de FSH, 
LH, progesterona e testosterona. São provocadas, na maioria 
das vezes, por pequenas neoplasias hipofisárias secretoras de 
prolactina (PRL), não acompanhadas de alterações neuroló-
gicas. Predominam nas mulheres e se manifestam por esteri-
lidade, irregularidade menstrual, amenorreia e galactorreia. 
Daí, a antiga denominação de síndrome amenorreia-galactor-
reia (Figura 104.5). 
A galactorreia, produção de leite por mulheres que não são 
puérperas, é observada em 30 a 40% das mulheres com hiper-
prolactinemia. Deve-se suspeitar dessa condição clínica em 
todas as mulheres com amenorreia. 
Figura 104.5 Galactorreia. Sinal clínico mais importante da síndrome hi-
perprolactinêmica. 
789 
Nos homens, o excesso de prolactina resulta em impotên-
cia, diminuição da libido, infertilidade e hipogonadismo. 
Cumpre ressaltar que são inúmeras as causas de hiperpro-
lactinemia, incluindo vários tipos de medicamentos (fenotia-
zina, butirofenona, metoclopramida, tioxantinas, metildopa, 
antidepressivos tricíclicos, estrogênios e inibidores da síntese 
de dopamina). 
O diagnóstico é feito com a dosagem de prolactina ( < 100 
ng/df sugere afecção hipofisária; 100 a 200 ng/gl, microade-
nomas, e> 200 ng/df, macroadenoma). É necessária a dosa-
gem de GH para identificar tumores mistos, produtores de 
prolactina e GH. 
..,. Puberdade precoce 
A puberdade precoce caracteriza-se pelo surgimento de 
caracteres sexuais secundários em idade inferior a 8 anos, no 
sexo feminino, e 9 anos, no sexo masculino (ver Capítulo 11, 
Semiologia da Adolescência). Geralmente não é acompanhada 
de neoplasias da hipófise; contudo, é preciso ter o cuidado de 
excluir tal possibilidade com exames radiológicos e tomográ-
ficos. 
A puberdade precoce é classificada em puberdade precoce 
gonadotrofina-dependente, também denominada verdadeira 
ou central, e puberdade precoce independente de gonadotrofi-
nas, denominada periférica. 
Nas meninas, ocorre inicialmente um arredondamento das 
formas corporais, seguindo-se o aparecimento de pelos pubia-
nos e axilares, juntamente com o desenvolvimento das mamas 
e da menarca. Variam muito a velocidade e a ordem de surgi-
mento dessas alterações. Além disso, sudorese axilar com odor 
forte é frequente, inclusive como primeira queixa. 
Em meninos, a puberdade precoce é denunciada pelo nítido 
delineamento muscular, desenvolvimento da pilificação axilar 
e pubiana, aumento do pênis e dos testículos (Figuras 104.6 e 
104.7). 
Figura 104.6 Puberdade precoce verdadeira isossexual {criança de 8 anos). 
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222.Verrucosidades: 
Lesões sólidas, 
salientes, lobulares, 
filiformes ou em 
couve-flor, de 
consistência mole e 
agrupadas em maior 
ou menor quantidade. 
Quando a camada 
córnea é mais 
espessa, a lesão 
apresenta consistência 
endurecida.
223.Escotomas: lacunas no 
campo visual rodeado por uma região em que a visão está preservada. Pode ocorres 
escotomas cintilantes, crise de enxaqueca. 
224.Cefaléia: dor de intensidade variável, localizada ou difusa, em qualquer parte da cabeça; 
Tensional(sensação de cabeça pesada, apertada ou pressionada) e salvas (ao redor dos 
olhos).Causas: glaucoma, aumento de produção de catecolamina, neoplasia, TPM
225.Enxaqueca ou migrânea: cefaleia crônica que dura mais de 4 h e menos de 72 h. Uma dor 
latejante em um dos lados, que aumenta aos poucos. Além da dor, você pode sentir fotofobia 
(aversão a luz) e fonofobia (aversão ao som). Em alguns casos, ficar com a visão turva ou 
enxergar pontos luminosos podeindicar uma crise, que pode provocar náuseas e vômitos.

226.Rinofima ou elefantíase nasal ou acne hiperplásica: 
hipertrofia e hiperplasia das glândulas sebáceas, 
proliferação fibrovascular da derme e acantose do epitélio. 
Caracterizado clinicamente por eritema cutâneo, contendo 
grosseiras glândulas sebáceas hiperplásicas, sendo mais 
comum no sexo masculino numa proporção de 12 para 1, 
em pacientes caucasianos, com média de 60 anos de 
idade.
214 
A 
() 
B L.... ..... --..... 
Figura 15.15 A. Tubérculo (fibroma). B. Tubérculo em corte esquemático 
mostrando proliferação celular na derme. 
A 
Parte 5 I Sistema Tegumentar 
Figura 15.16A. Nódulo em corte esquemático, mostrando lesão sólida em 
derme profunda. B. Nódulo eritematoso em região nasal. 
B 
Figura 1 S. 1 7 Vegetações. A. Carcinoma espinocelular. B. Cromomicose. 
As bolhas podem ter conteúdo claro, turvo amarelado 
(bolha purulenta) ou vermelho-escuro (bolha hemorrágica). 
Pústula 
Vesícula de conteúdo purulento. Surge na varicela, no her-
pes-zóster, nas queimaduras, nas piodermites, na acne pustu-
losa (Figura 15.18). 
Abscessos 
Coleções purulentas, mais ou menos proeminentes e cir-
cunscritas, de proporções variáveis, flutuantes, de localização 
dermo-hipodérmica ou subcutânea. Quando há sinais inflama-
tórios, são chamados abscessos quentes. A ausência de sinais 
flogísticos caracteriza os abscessos frios. Exemplos: furunculose, 
hidradenite, blastomicose, abscesso tuberculoso (Figura 15.19). 
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227.Disestesia: distúrbio da qualidade da percepção sensitiva. Pode-se utilizar o termo para 
exprimir distúrbios quantitativos (hipoestesia, hiperestesia), sendo mais frequentemente 
utilizado em referência à sensibilidade tátil. Quando é neuropática, a dor constante é mais 
comumente descrita como em queimação ou dormência, formigamento 
228.Narcolepsia: ataques irresistíveis de sono. Pode ser desencadeada por fortes emoções e se 
manifesta com perda súbita do tônus muscular, de curta duração, sem comprometer a 
consciência, a memória ou a respiração. Alucinações hipnagógicas, paralisia do sono, 
cataplexia e sonolência excessiva compõem a tétrade da narcolepsia (tétrade de Gelineau). 
De caráter familiar, não tem preferência por sexo. O diagnóstico inicial é clínico e a 
confirmação pode ser feita pela poligrafia, com teste de latência múltipla reali3zado no dia 
seguinte. Esta passagem anormal da vigília para o sono REM, ou o primeiro período do sono 
REM em menos de 10 min, denomina-se início súbito de sono REM (ISREM), que caracteriza 
a narcolepsia. 
229.Perineoplastia ou Plicatura de Kelly-
Kennedy: consiste na retirada de uma parte 
da parede vaginal anterior que desceu e o 
reposicionamento dos órgãos pélvicos que 
saíram do lugar, "estreitando" a entrada do 
canal vaginal. É uma cirurgia plástica íntima, 
em que se reconstrói a região do períneo. 
Indicado para mulheres com laceração das 
paredes vaginais devido à partos normais, 
dificuldade para urinar, dificuldade nas 
relações sexuais.
230.Ninfoplastia ou labioplastia: diminuição 
dos pequenos lábios.
231.Proptose: protrusão do globo ocular. É a mesma coisa que exoftalmia, mas esse termo é 
utilizado para doença de Graves (autoanticorpos contra o receptor de TSH; diferente da 
maioria dos anticorpos, que são inibitórios, este autoanticorpo é estimulador, promovendo 
síntese contínua e secreção excessiva de T4 e T3.).
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232.Bolha ou flictena: elevação da pele contendo líquido. Acima de 1 centímetro de coleção de 
líquido. Causas: queimaduras de 2 grau, piodermites, alergias.
233.Vesícula: elevação circunscrita da pele que contém líquido em seu interior com diâmetro de 
até 1 centímetro. 
234.Afta: úlcera aftosa redundante. As áreas mais acometidas são: mucosas labial e oral, língua, 
assoalho da boca, palato mole e mucosa da orofaringe. As únicas áreas que não são afetadas 
pelas UAR são o palato duro e a gengiva.
- Tipos e locais:
a) Afta de Mikulicz e Kümmel ou úlcera aftosa 
minor 
Estas lesões se apresentam como ulcerações 
erosivas superficiais, dolorosas, circulares ou 
ovóides, recobertas por uma membrana 
amarelo-acinzentada, circundada por uma halo 
eritematoso.É a forma mais comum da lesão, 
correspondendo 80% a 90% dos casos(18). 
Aparece como ulceração única ou múltipla, 
com diâmetro geralmente menor do que 10 
mm, situando-se sempre na porção não 
queratinizada da mucosa bucal. A reparação 
tecidual inicia-se entre 4 e 7 dias a partir do 
aparecimento clínico da lesão e, em geral, 
completa-se entre 10 e 14 dias, sem 
evidências de cicatrização.
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b) Periadenite mucosa necrótica recorrente, doença de 
Sutton ou úlcera aftosa major 
Considerada uma forma mais agressiva, não pode ser 
diferenciada da afta minor por critérios histológicos, 
imunológicos ou por microscopia eletrônica. São menos 
comuns (10% a 15% de todas UAR). Clinicamente são 
maiores do que 10 mm, mais dolorosas, mais profundas e, 
muitas vezes, apresentam-se crateriformes. São mais 
proeminentes e podem estender-se a mucosa mais 
queratinizada, persistindo por três a oito semanas. Evoluem 
para cicatrização e deixam como seqüela uma fibrose da 
mucosa bucal. Os locais em que aparecem mais 
freqüentemente são: lábios, língua, palato mole, istmos das 
fauces e causam dor importante e disfagia. São 
freqüentemente encontradas em pacientes infectados pelo 
HIV provavelmente pelo desequilíbrio imunológico local 
secundário à doença.
c) Afta herpetiforme ou úlcera aftosa 
herpetiforme 
É a forma menos comum, acometendo 5% a 
10% dos pacientes com UAR. Envolvem 
indivíduos geralmente a partir da sexta 
década de vida. É uma ulceração rasa, com 
cerca de 3 mm de diâmetro e múltipla 
(variando de 10 a 100 lesões), mas podem 
confluir produzindo placas irregulares. 
Repara-se entre 7 e 30 dias, ocasionalmente 
com cicatrização. Lembra, clinicamente, as 
lesões bucais do herpes simples, ocorrendo, 
contudo, em qualquer região da mucosa 
bucal inclusive aquela não queratinizada. O 
nome se deve apenas à semelhança da lesão 
herpética, pois o vírus do herpes simples 
(HSV) nunca foi isolado nesta lesão.
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235.Discoria: formas ou 
dimensões anormais da pupila.
236.Blefaroptose ou ptose palpebral: 
queda da pálpebra superior pode ser 
congênita(atrofia músculo levantador 
da pálpebra superior) ou adquirida. 
Causas: paralisia/lesão no nervo 
oculomotor, miastenia gravis,irritação 
simpática cervical de Claude Bemard 
237.Demência: é uma síndrome 
caracterizada por diminuição 
persistente e geralmente 
progressiva das funções 
cognitivas. Difere do delirium 
por apresentar início insidioso e 
não comprometer a consciência 
182 
O delirium precisa ser prontamente reconhecido e adequa-
damente tratado, pois pode levar a inúmeras complicações, 
como quedas, traumas, incontinência, retenção urinária, feca-
loma, pneumonia por aspiração, úlceras por pressão, distúr-
bios hidreletrolíticos, desnutrição, hospitalização prolongada, 
e até mesmo à morte. Sua fisiopatologia ainda é desconhecida, 
mas admite-se que a redução na transmissão colinérgica, que 
acompanha o envelhecimento, tenha papel primordial. Por 
isso, a etiologia medicamentosa deve ser sempre lembrada, 
principalmente com relação aos fármacos com efeito anticoli-
nérgico ( antidepressivos, antiparkinsonianos, antiarrítmicos, 
antialérgicos, antigripais, antiespasmódicos e até o digital). 
Pode ser causado por inúmeras afecções e deve-se buscar sem-
pre o diagnóstico etiológico, pois o tratamento baseia-se na 
correção do fator causal, já que é uma condição totalmente 
reversível. Em alguns casos, ele pode não revertercomple-
tamente. Quando isso acontece, é provável que o paciente 
seja portador de uma síndrome demencial subjacente. O 
Quadro 12.29 mostra as principais causas de delirium. 
A avaliação do paciente com delirium geralmente é difícil, 
sendo a história clínica obtida por meio das informações dos 
familiares e/ou dos cuidadores. O exame físico é dificultado 
pela agitação e pela incapacidade do paciente em cooperar. 
Deve-se afastar de imediato a possibilidade de um medica-
mento ser o causador da síndrome. Exames complementares, 
como o hemograma, radiografia do tórax, eletrocardiograma, 
ureia, creatinina, cálcio, sódio, potássio, exame simples de 
urina e provas de função hepática são solicitados inicialmente. 
O exame clínico irá nortear a solicitação de outros exames, 
tais como tomografia do crânio, reações sorológicas, dosagens 
hormonais e exame do liquor . 
.,.. Demência. Pode ser considerada um problema de saúde pú-
blica, pois acomete aproximadamente 10% das pessoas com 
mais de 60 anos. A prevalência aumenta progressivamente 
com a idade, chegando a acometer 30 a 40% das pessoas com 
mais de 85 anos. Assim como o delirium, pode ser causada 
por várias doenças, e o diagnóstico etiológico é essencial para 
o tratamento, sendo sempre necessário afastar a possibilida-
de de uma causa potencialmente reversível, mesmo que isso 
corresponda apenas a 10 a 20% dos casos. A principal causa 
Quadro 12.29 Causas mais comuns de deJirium. 
• Medicamentos (principalmente com efeito anticolinérgico) 
• Bebidas alcoólicas 
• Síndrome da abstinência alcoólica (delirium tremens) 
• Síndrome da abstinência de sedativos 
• Distúrbios hidreletrolíticos (hipo e hipernatremia, hipercalcemia, desidratação) e 
acidobásicos 
• Hipoxemia 
• Hipoglicemia 
• Crise tireotóxica 
• Infecções (principalmente meningite, pneumonia ou infecção urinária) 
• Infarto agudo do miocárdio 
• Embolia pulmonar 
• Acidente vascular cerebral 
• Arritmias cardíacas 
• Insuficiência cardíaca, hepática ou renal 
• Anemia 
• Fecaloma 
• Transferência para ambiente não famil iar 
Parte 2 I Semiologia da Infância, da Adolescência e do Idoso 
dessa síndrome é a doença de Alzheimer, afecção degenerativa 
cerebral incurável e de etiologia ainda desconhecida. Outras 
causas são descritas no Quadro 12.30. 
Demência é uma síndrome caracterizada por diminuição 
persistente e geralmente progressiva das funções cognitivas. 
Difere do delirium por apresentar início insidioso e não com-
prometer a consciência (Quadro 12.31). 
O diagnóstico da síndrome demencial é clínico e tem base 
nos critérios do DSM IV. A deficiência de memória não é 
suficiente para o diagnóstico, pois são necessárias alterações 
em pelo menos dois domínios diferentes da cognição (p. ex., 
memória e linguagem, memória e funções executivas) e de 
tal intensidade que levem prejuízo funcional para o paciente. 
Nunca se faz o diagnóstico de demência na vigência do deli-
rium; corrige-se o último para depois pesquisar a primeira. 
Nas fases iniciais, as alterações podem ser tão sutis que pas-
sam despercebidas, e os testes para avaliação mental, como o 
miniexame do estado mental de Folstein et al. (1975), podem 
apresentar resultados normais. Nesses casos, quando a sus-
peita é grande, em geral embasada em relatos dos familiares, 
pode-se solicitar testes mais sofisticados para avaliação neu-
ropsicológica. Os exames complementares hematológicos, 
bioquímicos e de imagem são necessários para fazer o diag-
nóstico etiológico . 
.,.. Depressão. É um problema pouco reconhecido nas faixas etá-
rias mais elevadas. Muitos fatores contribuem para isso. Entre 
eles, o fato de que alguns sintomas depressivos, como desinte-
resse, diminuição da psicomotricidade e da memória, são, com 
frequência, erroneamente considerados pelo paciente, pelos 
familiares, e até mesmo pelo médico, como consequências ine-
xoráveis do envelhecimento. É comum os pacientes procura-
rem assistência não por apresentarem humor deprimido, mas 
principalmente por apresentarem diminuição da memória e, 
eventualmente, sintomas psicóticos, como alucinações, ilusões 
e paranoia. Durante muito tempo, esse quadro foi conhecido 
como pseudodemência depressiva. Ultimamente, essa deno-
minação vem sendo abandonada. O diagnóstico diferencial 
entre essas duas síndromes costuma ser dificultado pelo fato 
de que indivíduos portadores de demência podem apresentar, 
Quadro 12.30 Causas mais frequentes de demência. 
Irreversíveis 
• Doença de Alzheimer 
• Doença de Pick 
• Demência por corpúsculos de lewy 
• Doença de Huntington 
• Demência por príons (doença de 
Creutzfeldt-Jakob, kuru, Gerstmann-
Straussler-Shenker) 
• Doença de Parkinson 
• Esclerose múltipla 
• Demências vasculares (cortical, 
subcortical e doença de Binswanger) 
• Traumatismos cranianos repetidos 
(demência pugilística) 
• Calcificações idiopáticas dos núcleos da 
base (doença de Fahr) 
• Paralisia supranuclear progressiva 
• Atrofias multissistêmicas 
• Anoxia cerebral 
Potencialmente reversíveis 
• Hidrocefalia de pressão normal 
• Tumores intracranianos 
• Hematoma subdural crônico 
• Encefalites 
• Neurossífilis 
• Demência relacionada com o HIV 
• Anemia 
• Hipoxemia 
• Hipercalcemia 
• Disfunções tireoidianas 
• Deficiências vitamínicas (Bw B1 e 
ácido fólico) 
• Encefalopatia hepática 
• Encefalopatia urêmica 
• Medicamentos 
• Uso de drogas ilícitas 
• Bebidas alcoólicas 
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238.Mucocele: lesão cística benigna na região bucal, assintomática. Mordida no lábio, trauma no 
rosto ou na boca e obstrução da glândula salivar. são causas comuns. Normalmente, contém 
saliva 
239.Rânula: é um tipo de mucocele, tumor 
cístico sublingual, proveniente da obstrução 
e dilatação do canal excretor de alguma 
glândula mucosa ou salivar. 
240.Artralgia: não tem inflamação, só tem dor 
articular.
12 I Semiologia do Idoso 
Diferenças drnicas entre delirium e demênda 
(Upowski, 198n. 
Delirium 
Aguda 
Horas - semanas 
Flutuante 
Comprometida 
Muito comprometida 
Distração 
Demênda 
Insidiosa 
Meses - anos 
Estável 
Preservada até as fases finais 
Pouco comprometida 
Normal 
Variáveis 
Instalação 
Duração 
Curso 
Consciência 
Atenção 
Alerta 
Memória Diminuída (principalmente a 
imediata) 
Diminuída (principalmente a 
recente) 
Pensamento 
Fala 
Desorganizado 
Incoerente, hesitante, rápida 
ou lenta 
Pobre 
Dificuldade em encontrar 
palavras 
Sono Sempre alterado, inversão do 
padrão com insônia à noite e 
sonolência diurna 
Fragmentado 
principalmente nas fases iniciais, síndrome depressiva. Dian-
te de um paciente com distúrbio do humor e diminuição da 
memória, muitas vezes é impossível distinguir se o caso é de 
depressão pura ou de demência acompanhada da síndrome 
depressiva. Quando o exame clínico não for suficiente para o 
esclarecimento, pode-se iniciar prova terapêutica com antide-
pressivos. O Quadro 12.32 mostra algumas diferenças clínicas 
entre depressão e demência. 
O diagnóstico de depressão, assim como o de demência 
e de delirium, é essencialmente clínico e requer, no mínimo, 
cinco dos seguintes sinais e sintomas, por pelo menos 2 sema-
nas consecutivas: humor deprimido, perda do interesse (sendo 
obrigatória a presença destes dois), aumento ou diminuição 
do apetite, perda ou ganho de peso, insônia ou sonolência, 
agitação ou diminuição da psicomotricidade, fadiga ou perda 
Diferenças drnicas entre depressão e demência 
(Lippmann, 1985). 
Demênda 
Deterioração cognitiva precede a depressão 
(quando a última ocorre) 
História de doença clínica predisponente 
é comum 
Pode queixar-se mais de tristeza que de 
memória fraca 
Mau fornecedor de dados históricos 
Costuma responder de modo incorreto às 
perguntas 
Nega ou esconde os problemas 
Menosincomodado pela disfunção 
Esforça-se muito para executar tarefas 
simples 
Pior à noite 
Amor-próprio intacto 
Apetite frequentemente normal 
Sono varia de normal a inquieto 
Depressão 
Depressão precede a deterioração 
cognitiva 
História de depressão é comum 
Frequentemente se queixa de 
memória fraca e tristeza 
Razoável fornecedor de dados 
históricos 
Pode evitar responder às perguntas 
(prefere dizer não sei) 
Exagera os problemas 
Parece angustiado com a disfunção 
Desiste muito facilmente 
Pior pela manhã 
Baixo amor-próprio 
Apetite frequentemente diminuído 
Despertar precoce é um problema 
comum 
183 
da energia, diminuição da concentração e/ ou da memória, 
sentimento de inutilidade ou culpa excessiva e pensamentos 
recorrentes de morte ou ideação suicida. Tais sintomas devem 
causar prejuízo ao funcionamento social, ocupacional ou em 
outras áreas importantes da vida do indivíduo e não resulta-
rem do efeito de alguma substância, doença ou luto. Já que 
o envelhecimento resulta em maior vulnerabilidade às doen-
ças, diante de um idoso com esses sintomas deve-se pensar 
em depressão, mas é importante afastar outras afecções como 
hipotireoidismo, hipercortisolismo, doenças hepática, renal, 
pancreática e cardiovascular. Medicamentos potencialmente 
causadores de distúrbio do humor, como a metildopa e outros 
anti-hipertensivos, devem ser suspensos. 
Outras doenças psiquiátricas, como a esquizofrenia e algu-
mas psicoses, apesar de raramente se iniciarem na velhice, 
devem ser lembradas como causa de perda cognitiva nessa 
faixa etária. Assim também, as deficiências auditiva e/ ou 
visual podem estar causando ou agravando o distúrbio mental. 
Incontinência urinária e/ou fecal 
A incontinência é um dos problemas médicos que mais afe-
tam a dignidade do paciente idoso, e, não raro, é escondida, 
em especial pelas mulheres, que se conformam com tal situa-
ção, como um preço a ser pago por terem tido filhos. 
Incontinência refere-se à perda involuntária de urina e/ou 
de fezes em quantidades suficientes e com a frequência neces-
sária para se transformar em problema social ou de saúde. Ela 
é anormal em qualquer idade e deve ser tratada, podendo ser 
curada mesmo nos idosos mais debilitados. 
A incidência da incontinência urinária aumenta com a 
idade. Ocorre em 30% dos idosos da comunidade e em 60 a 
70% dos residentes em asilos, sendo duas vezes mais comuns 
nas mulheres. A incidência da incontinência fecal também 
aumenta com a idade, ocorrendo em 10% dos idosos da comu-
nidade e em 50% dos residentes em asilos. Está associada à 
incontinência urinária em 75% dos casos. 
Suas consequências são sérias, e entre elas destacamos: fis-
suras perineais, úlceras por pressão, infecções urinárias repe-
tidas, sepse, quedas, fraturas, constrangimento, isolamento, 
depressão, além de tensão e angústia para o cuidador. A incon-
tinência é um dos principais motivos que levam os familiares a 
colocar o idoso em uma instituição asilar. 
Suas causas são complexas e muitas vezes múltiplas, e há 
uma tendência por parte dos médicos de rotular os idosos que 
sofrem desse mal como incuráveis, deixando de fazer uma 
investigação diagnóstica adequada. Na maioria dos casos, a 
incontinência urinária e/ou fecal é transitória e causada por 
problemas potencialmente reversíveis. 
O Quadro 12.33 mostra as principais causas de incontinên-
cia transitória para as quais devemos estar atentos. 
Instabilidade postura/ e quedas 
O equih'brio e a marcha dependem de uma complexa inte-
ração das funções nervosas, osteomusculares, cardiovascula-
res e sensoriais, além da capacidade de adaptar-se rapidamente 
às mudanças ambientais e posturais. O controle do equih'brio 
altera-se com a idade e a marcha torna-se instável, de modo 
que, diante de uma agressão adicional a qualquer uma das 
funções supracitadas, o idoso pode cair. No entanto, as que-
das geralmente resultam da interação de inúmeros fatores 
relacionados com o paciente e com o ambiente. Dificuldades 
visuais, problemas vestibulares, doenças neurológicas e car-
diovasculares, deformidades osteoarticulares associadas às 
barreiras arquitetônicas (escadas inadequadas, pisos irregu-
BEATRIZ CARNEIRO XXXIII MEDICINA UCB
241.Dispneia: dificuldade respiratória. Sucessão de movimentos respiratórios amplos e quase 
sempre desconfortáveis
242.Hematoma: coleção de sangue. Diferencia da equimose por apresentar elevação.
243.Macroglossia:Pode ser congênita ou adquirida. A macroglossia congênita resulta de um 
crescimento da musculatura, que pode ou não estar associado a hipertrofia generalizada 
muscular ou hipertrofia unilateral do corpo ou face. A macroglossia adquirida pode ocorrer em 
consequência de neoplasia na língua (hemangioma ou linfangioma difusos), neurofibromatose, 
bloqueio dos vasos linfáticos, acromegalia, cretinismo e neoplasma maligno. Deslocamento 
dos dentes e maloclusão, dificuldade para pronunciar certas palavras e indentações nas 
margens da língua pela pressão desta nos espaços interproximais dos dentes são 
consequências da macroglossia. 
244.Fecaloma ou coproma: massa 
volumosa e dura constituída de matéria 
fecal desidratada que fica estagnada no 
reto
Local de apalpação: deslocada da fossa 
ilíaca esquerda para a direita.
Sintomas e sinais:distensão aguda e 
volumosa abdome, diarreia paradoxal ( falsa 
diarreia, sai só muco.
Causas: Neoplasias no reto, megacólon 
chagásico 
Sinal de Gersuny: consiste em fazer uma 
palpação profunda com a mão espalmada 
sobre a massa tumoral (fecaloma) até que 
haja contato com a mesma. Em seguida, 
solta-se a mão com suavidade, voltando a 
comprimi-la ritmicamente. Pode-se 
perceber, então, um crepitar típico, 
provocado pela passagem de ar entre a 
parede do cólon e a massa fecal.
245.Fotofobia: hipersensibilidade à luz. Causas: desnutrição, sequidão da conjuntiva bulbar, 
inflamação corneana, afacia (ausência de cristalino), irite e albinismo ocular. Algumas 
substâncias podem aumentar a sensibilidade à luz. como a cloroquina e a acetazolamida. 
246.Anisocoria: na pupila estática, à desigualdade 
de diâmetros. Causas: comprometimento do III 
nervo craniano do mesmo lado da pupila 
dilatada por provável hérnia 
transtentoriallateral ou do úncus. 
39 I Exame Clínico 
ou um sino. É encontrado nas hepatoesplenomegalias e ascites 
volumosas. 
O tórax cifótico tem como característica principal a curva-
tura da coluna dorsal, formando uma gibosidade. Pode ser de 
origem congênita ou resultar de postura defeituosa. Também 
a tuberculose óssea (mal de Pott), a osteomielite ou as neopla-
sias podem ser responsáveis por essa deformidade. 
O tórax cifoescoliótico apresenta, além da cifose, um desvio 
da coluna para o lado (escoliose). As formas leves dessas duas 
últimas deformidades são comuns e desprovidas de signifi-
cado patológico. Ao se examinar uma radiografia de um indi-
víduo com cifose discreta, que não tenha sido feita em posição 
posteroanterior correta, a sombra traqueal aparece com um 
desvio que, na realidade, não existe. 
Após a inspeção estática do tórax, passaremos a observar 
sua dinâmica. Como se apresenta o paciente? Está em ortop-
neia, preferindo, portanto, ser examinado na posição sentada? 
Sua recusa em deitar-se é um dado que sugere insuficiên-
cia cardíaca. Existe taquipneia, bradipneia ou trepopneia? 
Batimentos das asas do nariz sugerem pneumonia grave, e não 
processo pulmonar obstrutivo. Quando não houver sincro-
nismo entre os movimentos respiratórios abdominais e toráci-
cos, suspeitar de fadiga muscular. 
No início das pleuropneumopatias, antes mesmo que sur-
jam os sinais radiológicos da doença, os movimentos respira-
tórios deixam de ser simétricos, podendo-se observar redução 
ou até imobilidade do hemitórax comprometido. Tal imobili-
dade significaque há doença subjacente. Ambos os hemitórax 
podem estar totalmente paralisados na espondilite anquilo-
sante. 
Nos pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica 
(DPOC) grave, cujas pequenas vias estão muito comprome-
tidas, a expiração, além de prolongada, é difícil, o que os obriga 
a manter os lábios semicerrados durante a expiração. As fossas 
supraclaviculares e os espaços intercostais se retraem, durante 
a inspiração, em decorrência da contração dos músculos res-
piratórios acessórios. Movimentos respiratórios paradoxais 
(retração do gradil costal), durante a inspiração, são observa-
dos nos casos de traumatismo torácico . 
... Tipo respiratório. Para o reconhecimento do tipo respiratório, 
observar a movimentação do tórax e do abdome, com o objeti-
vo de reconhecer em que regiões os movimentos são mais am-
plos. Em pessoas sadias, na posição de pé ou na sentada, quer 
no sexo masculino quer no feminino, predomina a respiração 
torácica ou costal, caracterizada pela movimentação predomi-
nantemente da caixa torácica. Em decúbito dorsal, também 
em ambos os sexos, a respiração é predominantemente dia-
fragmática, prevalecendo a movimentação da metade inferior 
do tórax e do andar superior do abdome. 
A observação do tipo respiratório tem importância no 
diagnóstico da fadiga e da paralisia diafragmática, condições 
em que a parede abdominal tende a se retrair na inspiração, ao 
contrário do que ocorre na respiração diafragmática normal. 
Nestas situações pode haver também alternância da respiração 
torácica e da abdominal, e os músculos da caixa torácica pas-
sam a ser recrutados devido à "fraquezà' do diafragma ou ao 
aumento anormal do trabalho respiratório por alguma doença 
que dificulta a respiração . 
... Ritmo respiratório. Normalmente a inspiração dura quase o 
mesmo tempo que a expiração, sucedendo-se os dois movi-
mentos com a mesma amplitude, intercalados por leve pausa. 
Quando uma dessas características se modifica, surgem os rit-
mos respiratórios anormais: respiração de Cheyne-Stokes, res-
piração de Biot, respiração de Kussmaul, respiração suspirosa. 
337 
Respiração de Cheyne-Stokes. As causas mais frequentes deste tipo 
de respiração são a insuficiência cardíaca, a hipertensão intra-
craniana, os acidentes vasculares cerebrais e os traumatismos 
cranioencefálicos. Tal ritmo caracteriza-se por uma fase de 
apneia seguida de incursões inspiratórias cada vez mais pro-
fundas até atingir um máximo, para depois vir decrescendo 
até nova pausa. Isto ocorre devido a variações da tensão de 0 2 
e C02 no sangue. Assim, o excesso de C02 durante o período 
de apneia obriga os centros respiratórios bulbares a enviarem 
estímulos mais intensos que resultam em aumento da ampli-
tude dos movimentos respiratórios; com isto haverá maior 
eliminação de C02, e sua concentração no sangue cai. Con-
sequentemente, não havendo estímulos exagerados dos cen-
tros respiratórios, diminui a amplitude dos movimentos res-
piratórios e assim sucessivamente. Nesse ritmo respiratório, 
a percepção "auditivà' do fenômeno é maior que a "visual": 
a respiração de Cheyne-Stokes é "ouvida" melhor do que é 
vista (Figura 39.4). 
Respiração de Biot. As causas desse ritmo são as mesmas da res-
piração de Cheyne-Stokes. No ritmo de Biot, a respiração 
apresenta-se com duas fases. A primeira, de apneia, seguida 
de movimentos inspiratórios e expiratórios anárquicos quanto 
Respiração 
dispneica 
Respiração de Cheyne-Stokes 
Respiração 
superficial Apneia 
Respiração 
aumentando de 
amplitude 
Respiração de Biot 
Respiração 
diminuindo de 
amplitude 
Respiração de amplitude variável - períodos de apneia 
Respiração de Kussmaul 
Inspirações profundas seguidas de pausas - expirações curtas também 
seguidas de pausas 
- .....-- -
- _.._ __ .__._ __ 
Respiração suspirosa 
Movimentos respiratórios interrompidos por "suspiros" 
Dispneia 
Movimentos respiratórios amplos e rápidos 
Figura 39.4 Representação esquemática de ritmos respiratórios e tipos 
de dispneia. 
176 I Exame Clínico 
D 
D 
Pupilas normais 
(circulares, centradas e 
diàmetros normais) 
lsocoria e midríase 
bilateral 
E 
E 
D 
D 
Anisocoria 
com miose à direita 
Discoria à esquerda 
1211 
E 
E 
Figura 176.23 Forma das pupilas. 
.,.. V Nervo trigêmeo. O trigêmeo é nervo misto, constituído de vá-. ' nas rcuzes: 
• Raiz motora, representada pelo nervo mastigador, que 
inerva os músculos destinados à mastigação (temporal, 
masseter e pterigóideos). Avalia-se a lesão unilateral da raiz 
motora pela observação dos seguintes elementos: 
o atrofia das regiões temporais e masseterinas 
o a abertura da boca promove desvio da mandíbula para 
o lado da lesão 
o ao trincar os dentes, nota-se debilidade do lado parali-
sado 
o há dificuldade do movimento de lateralização da mand.Ibula 
• Raízes sensoriais que compreendem os nervos oftálmico, 
maxilar e mandibular, cuja distribuição na face se vê na 
Figura 176.24. 
11 
Figura 176.24 Representação esquemática da distribuição sensorial do 
nervo trigêmeo. Ramos: (I) oftálmico; (li) maxilar; (111) mandibular. 
As raízes sensoriais responsabilizam-se pela sensibilidade 
geral da metade anterior do segmento cefálico. 
O exame dessas raízes é semelhante ao da sensibilidade 
superficial, estudada anteriormente, cabendo apenas acrescen-
tar a pesquisa da sensibilidade comeana, feita com uma mecha 
de algodão que toca suavemente entre a esclerótica e a córnea. 
O paciente deve estar com os olhos virados para o lado oposto, 
a fim de perceber o menos possível a prova. A resposta normal 
é a contração do orbicular das pálpebras, daí a denominação 
de reflexo cómeo-palpebral. 
As alterações do trigêmeo podem ser consequência de her-
pes-zóster, traumatismo e neoplasias. 
Comprometida a raiz sensorial, o paciente vai referir dor, 
limitada à área correspondente à sua distribuição. Em tais 
casos, usa-se a designação de neuralgia do trigêmeo ou de 
trigeminalgia. Cumpre diferenciar a trigeminalgia secundária 
da essencial ou idiopática. Entre as características que as dife-
renciam, sobressai o fato de que, na essencial, não se encon-
tram alterações objetivas deficitárias de sensibilidade da face, 
enquanto, na secundária, tais alterações estão presentes . 
.,.. VIl Nervo facial. Do ponto de vista semiológico, interessa a parte 
motora do nervo facial, a qual se divide anatomoclinicamente 
em dois ramos - temporofacial e cervicofacial - , os quais se 
distribuem para a musculatura da mímica facial. 
Para fazer o exame do nervo facial, solicita-se ao paciente 
enrugar a testa, franzir os supercílios, fechar as pálpebras, 
mostrar os dentes, abrir a boca, assobiar, inflar a boca e con-
trair o platisma ou músculo cutilar do pescoço. 
Na paralisia unilateral, observam-se lagoftalmia (o olho 
permanece sempre aberto); ausência do ato de piscar; epífora 
(lacrimejamento ); desvio da boca para o lado normal, sobre-
tudo quando se pede ao paciente que mostre os dentes ou abra 
amplamente a boca, e incapacidade para contrair o platisma, 
assobiar e manter a boca inflada. 
A paralisia da face se chama prosopoplegia e, quando bila-
teral, fala-se em diplegia facial. 
Cerca de 80% dessas paralisias são chamadas a frigore e 
têm caráter benigno. Admite-se, atualmente, que essas parali-
sias sejam provocadas por infecções virais, acompanhadas de 
reação edematosa do nervo. Outras causas incluem o diabetes 
BEATRIZ CARNEIRO XXXIII MEDICINA UCB
247.Delirium: redução aguda ou subaguda da capacidade intelectual, em geral acompanhada de 
incapacidade de manter a atenção e com flutuações do nível de consciência, intercalando 
períodos de sonolência com momentos de agitação. pode levar a inúmeras complicações, 
como quedas, traumas, incontinência, retenção urinária, fecaloma, pneumoniapor aspiração, 
úlceras por pressão, distúrbios hidreletrolíticos, desnutrição, hospitalização prolongada, e até 
mesmo à morte
248.Lagoftalmo: incapacidade total ou parcial de fechar a pálpebra.Pode ser cicatricial ou para- 
lítico. A lagoftalmia cicatricial ocorre como consequência de grandes retrações palpebrais ou 
perda de substância. Lagoftalmia paralítica surge na paralisia facial periférica. Causas dano 
no nervo facial, exoftalmia, paralisia de Bell.
182 
O delirium precisa ser prontamente reconhecido e adequa-
damente tratado, pois pode levar a inúmeras complicações, 
como quedas, traumas, incontinência, retenção urinária, feca-
loma, pneumonia por aspiração, úlceras por pressão, distúr-
bios hidreletrolíticos, desnutrição, hospitalização prolongada, 
e até mesmo à morte. Sua fisiopatologia ainda é desconhecida, 
mas admite-se que a redução na transmissão colinérgica, que 
acompanha o envelhecimento, tenha papel primordial. Por 
isso, a etiologia medicamentosa deve ser sempre lembrada, 
principalmente com relação aos fármacos com efeito anticoli-
nérgico ( antidepressivos, antiparkinsonianos, antiarrítmicos, 
antialérgicos, antigripais, antiespasmódicos e até o digital). 
Pode ser causado por inúmeras afecções e deve-se buscar sem-
pre o diagnóstico etiológico, pois o tratamento baseia-se na 
correção do fator causal, já que é uma condição totalmente 
reversível. Em alguns casos, ele pode não reverter comple-
tamente. Quando isso acontece, é provável que o paciente 
seja portador de uma síndrome demencial subjacente. O 
Quadro 12.29 mostra as principais causas de delirium. 
A avaliação do paciente com delirium geralmente é difícil, 
sendo a história clínica obtida por meio das informações dos 
familiares e/ou dos cuidadores. O exame físico é dificultado 
pela agitação e pela incapacidade do paciente em cooperar. 
Deve-se afastar de imediato a possibilidade de um medica-
mento ser o causador da síndrome. Exames complementares, 
como o hemograma, radiografia do tórax, eletrocardiograma, 
ureia, creatinina, cálcio, sódio, potássio, exame simples de 
urina e provas de função hepática são solicitados inicialmente. 
O exame clínico irá nortear a solicitação de outros exames, 
tais como tomografia do crânio, reações sorológicas, dosagens 
hormonais e exame do liquor . 
.,.. Demência. Pode ser considerada um problema de saúde pú-
blica, pois acomete aproximadamente 10% das pessoas com 
mais de 60 anos. A prevalência aumenta progressivamente 
com a idade, chegando a acometer 30 a 40% das pessoas com 
mais de 85 anos. Assim como o delirium, pode ser causada 
por várias doenças, e o diagnóstico etiológico é essencial para 
o tratamento, sendo sempre necessário afastar a possibilida-
de de uma causa potencialmente reversível, mesmo que isso 
corresponda apenas a 10 a 20% dos casos. A principal causa 
Quadro 12.29 Causas mais comuns de deJirium. 
• Medicamentos (principalmente com efeito anticolinérgico) 
• Bebidas alcoólicas 
• Síndrome da abstinência alcoólica (delirium tremens) 
• Síndrome da abstinência de sedativos 
• Distúrbios hidreletrolíticos (hipo e hipernatremia, hipercalcemia, desidratação) e 
acidobásicos 
• Hipoxemia 
• Hipoglicemia 
• Crise tireotóxica 
• Infecções (principalmente meningite, pneumonia ou infecção urinária) 
• Infarto agudo do miocárdio 
• Embolia pulmonar 
• Acidente vascular cerebral 
• Arritmias cardíacas 
• Insuficiência cardíaca, hepática ou renal 
• Anemia 
• Fecaloma 
• Transferência para ambiente não famil iar 
Parte 2 I Semiologia da Infância, da Adolescência e do Idoso 
dessa síndrome é a doença de Alzheimer, afecção degenerativa 
cerebral incurável e de etiologia ainda desconhecida. Outras 
causas são descritas no Quadro 12.30. 
Demência é uma síndrome caracterizada por diminuição 
persistente e geralmente progressiva das funções cognitivas. 
Difere do delirium por apresentar início insidioso e não com-
prometer a consciência (Quadro 12.31). 
O diagnóstico da síndrome demencial é clínico e tem base 
nos critérios do DSM IV. A deficiência de memória não é 
suficiente para o diagnóstico, pois são necessárias alterações 
em pelo menos dois domínios diferentes da cognição (p. ex., 
memória e linguagem, memória e funções executivas) e de 
tal intensidade que levem prejuízo funcional para o paciente. 
Nunca se faz o diagnóstico de demência na vigência do deli-
rium; corrige-se o último para depois pesquisar a primeira. 
Nas fases iniciais, as alterações podem ser tão sutis que pas-
sam despercebidas, e os testes para avaliação mental, como o 
miniexame do estado mental de Folstein et al. (1975), podem 
apresentar resultados normais. Nesses casos, quando a sus-
peita é grande, em geral embasada em relatos dos familiares, 
pode-se solicitar testes mais sofisticados para avaliação neu-
ropsicológica. Os exames complementares hematológicos, 
bioquímicos e de imagem são necessários para fazer o diag-
nóstico etiológico . 
.,.. Depressão. É um problema pouco reconhecido nas faixas etá-
rias mais elevadas. Muitos fatores contribuem para isso. Entre 
eles, o fato de que alguns sintomas depressivos, como desinte-
resse, diminuição da psicomotricidade e da memória, são, com 
frequência, erroneamente considerados pelo paciente, pelos 
familiares, e até mesmo pelo médico, como consequências ine-
xoráveis do envelhecimento. É comum os pacientes procura-
rem assistência não por apresentarem humor deprimido, mas 
principalmente por apresentarem diminuição da memória e, 
eventualmente, sintomas psicóticos, como alucinações, ilusões 
e paranoia. Durante muito tempo, esse quadro foi conhecido 
como pseudodemência depressiva. Ultimamente, essa deno-
minação vem sendo abandonada. O diagnóstico diferencial 
entre essas duas síndromes costuma ser dificultado pelo fato 
de que indivíduos portadores de demência podem apresentar, 
Quadro 12.30 Causas mais frequentes de demência. 
Irreversíveis 
• Doença de Alzheimer 
• Doença de Pick 
• Demência por corpúsculos de lewy 
• Doença de Huntington 
• Demência por príons (doença de 
Creutzfeldt-Jakob, kuru, Gerstmann-
Straussler-Shenker) 
• Doença de Parkinson 
• Esclerose múltipla 
• Demências vasculares (cortical, 
subcortical e doença de Binswanger) 
• Traumatismos cranianos repetidos 
(demência pugilística) 
• Calcificações idiopáticas dos núcleos da 
base (doença de Fahr) 
• Paralisia supranuclear progressiva 
• Atrofias multissistêmicas 
• Anoxia cerebral 
Potencialmente reversíveis 
• Hidrocefalia de pressão normal 
• Tumores intracranianos 
• Hematoma subdural crônico 
• Encefalites 
• Neurossífilis 
• Demência relacionada com o HIV 
• Anemia 
• Hipoxemia 
• Hipercalcemia 
• Disfunções tireoidianas 
• Deficiências vitamínicas (Bw B1 e 
ácido fólico) 
• Encefalopatia hepática 
• Encefalopatia urêmica 
• Medicamentos 
• Uso de drogas ilícitas 
• Bebidas alcoólicas 
12 I Semiologia do Idoso 
Diferenças drnicas entre delirium e demênda 
(Upowski, 198n. 
Delirium 
Aguda 
Horas - semanas 
Flutuante 
Comprometida 
Muito comprometida 
Distração 
Demênda 
Insidiosa 
Meses - anos 
Estável 
Preservada até as fases finais 
Pouco comprometida 
Normal 
Variáveis 
Instalação 
Duração 
Curso 
Consciência 
Atenção 
Alerta 
Memória Diminuída (principalmente a 
imediata) 
Diminuída (principalmente a 
recente) 
Pensamento 
Fala 
Desorganizado 
Incoerente, hesitante, rápida 
ou lenta 
Pobre 
Dificuldade em encontrar 
palavras 
Sono Sempre alterado, inversão do 
padrão com insônia à noite e 
sonolência diurna 
Fragmentado 
principalmente nas fases iniciais, síndrome depressiva. Dian-
te de um paciente com distúrbio do humor e diminuição da 
memória, muitas vezes é impossível distinguir se o caso é de 
depressão pura ou de demência acompanhada da síndrome 
depressiva. Quando o exame clínico não forsuficiente para o 
esclarecimento, pode-se iniciar prova terapêutica com antide-
pressivos. O Quadro 12.32 mostra algumas diferenças clínicas 
entre depressão e demência. 
O diagnóstico de depressão, assim como o de demência 
e de delirium, é essencialmente clínico e requer, no mínimo, 
cinco dos seguintes sinais e sintomas, por pelo menos 2 sema-
nas consecutivas: humor deprimido, perda do interesse (sendo 
obrigatória a presença destes dois), aumento ou diminuição 
do apetite, perda ou ganho de peso, insônia ou sonolência, 
agitação ou diminuição da psicomotricidade, fadiga ou perda 
Diferenças drnicas entre depressão e demência 
(Lippmann, 1985). 
Demênda 
Deterioração cognitiva precede a depressão 
(quando a última ocorre) 
História de doença clínica predisponente 
é comum 
Pode queixar-se mais de tristeza que de 
memória fraca 
Mau fornecedor de dados históricos 
Costuma responder de modo incorreto às 
perguntas 
Nega ou esconde os problemas 
Menos incomodado pela disfunção 
Esforça-se muito para executar tarefas 
simples 
Pior à noite 
Amor-próprio intacto 
Apetite frequentemente normal 
Sono varia de normal a inquieto 
Depressão 
Depressão precede a deterioração 
cognitiva 
História de depressão é comum 
Frequentemente se queixa de 
memória fraca e tristeza 
Razoável fornecedor de dados 
históricos 
Pode evitar responder às perguntas 
(prefere dizer não sei) 
Exagera os problemas 
Parece angustiado com a disfunção 
Desiste muito facilmente 
Pior pela manhã 
Baixo amor-próprio 
Apetite frequentemente diminuído 
Despertar precoce é um problema 
comum 
183 
da energia, diminuição da concentração e/ ou da memória, 
sentimento de inutilidade ou culpa excessiva e pensamentos 
recorrentes de morte ou ideação suicida. Tais sintomas devem 
causar prejuízo ao funcionamento social, ocupacional ou em 
outras áreas importantes da vida do indivíduo e não resulta-
rem do efeito de alguma substância, doença ou luto. Já que 
o envelhecimento resulta em maior vulnerabilidade às doen-
ças, diante de um idoso com esses sintomas deve-se pensar 
em depressão, mas é importante afastar outras afecções como 
hipotireoidismo, hipercortisolismo, doenças hepática, renal, 
pancreática e cardiovascular. Medicamentos potencialmente 
causadores de distúrbio do humor, como a metildopa e outros 
anti-hipertensivos, devem ser suspensos. 
Outras doenças psiquiátricas, como a esquizofrenia e algu-
mas psicoses, apesar de raramente se iniciarem na velhice, 
devem ser lembradas como causa de perda cognitiva nessa 
faixa etária. Assim também, as deficiências auditiva e/ ou 
visual podem estar causando ou agravando o distúrbio mental. 
Incontinência urinária e/ou fecal 
A incontinência é um dos problemas médicos que mais afe-
tam a dignidade do paciente idoso, e, não raro, é escondida, 
em especial pelas mulheres, que se conformam com tal situa-
ção, como um preço a ser pago por terem tido filhos. 
Incontinência refere-se à perda involuntária de urina e/ou 
de fezes em quantidades suficientes e com a frequência neces-
sária para se transformar em problema social ou de saúde. Ela 
é anormal em qualquer idade e deve ser tratada, podendo ser 
curada mesmo nos idosos mais debilitados. 
A incidência da incontinência urinária aumenta com a 
idade. Ocorre em 30% dos idosos da comunidade e em 60 a 
70% dos residentes em asilos, sendo duas vezes mais comuns 
nas mulheres. A incidência da incontinência fecal também 
aumenta com a idade, ocorrendo em 10% dos idosos da comu-
nidade e em 50% dos residentes em asilos. Está associada à 
incontinência urinária em 75% dos casos. 
Suas consequências são sérias, e entre elas destacamos: fis-
suras perineais, úlceras por pressão, infecções urinárias repe-
tidas, sepse, quedas, fraturas, constrangimento, isolamento, 
depressão, além de tensão e angústia para o cuidador. A incon-
tinência é um dos principais motivos que levam os familiares a 
colocar o idoso em uma instituição asilar. 
Suas causas são complexas e muitas vezes múltiplas, e há 
uma tendência por parte dos médicos de rotular os idosos que 
sofrem desse mal como incuráveis, deixando de fazer uma 
investigação diagnóstica adequada. Na maioria dos casos, a 
incontinência urinária e/ou fecal é transitória e causada por 
problemas potencialmente reversíveis. 
O Quadro 12.33 mostra as principais causas de incontinên-
cia transitória para as quais devemos estar atentos. 
Instabilidade postura/ e quedas 
O equih'brio e a marcha dependem de uma complexa inte-
ração das funções nervosas, osteomusculares, cardiovascula-
res e sensoriais, além da capacidade de adaptar-se rapidamente 
às mudanças ambientais e posturais. O controle do equih'brio 
altera-se com a idade e a marcha torna-se instável, de modo 
que, diante de uma agressão adicional a qualquer uma das 
funções supracitadas, o idoso pode cair. No entanto, as que-
das geralmente resultam da interação de inúmeros fatores 
relacionados com o paciente e com o ambiente. Dificuldades 
visuais, problemas vestibulares, doenças neurológicas e car-
diovasculares, deformidades osteoarticulares associadas às 
barreiras arquitetônicas (escadas inadequadas, pisos irregu-
BEATRIZ CARNEIRO XXXIII MEDICINA UCB
249.Clônus: série de contrações musculares(espasmos) involuntárias devido a estiramento 
muscular. Verificada ao dorsifletir o pé do paciente. Causas: paralisia cerebral, esclerose, 
AVC, lesão edular.
250.Queratose: modificação circunscrita ou difusa da espessura da pele. Consistente, dura e 
inelástica. Exemplo: calo, senil, queratodermia, ictiose (pele extremamente seca).
251.Onicomicose: é uma infecção causada por fungos que se alimentam da queratina.O aspecto 
é amarelado ou esbranquiçado. Espessamento: ocorre quando as unhas ficam mais duras, 
grossas e, geralmente, também escurecidas, podendo até doer. A micose pode levar a unha a 
adquirir um aspecto grosso, chamado popularmente de “unha de telha” ou “unha de gavião”.
Aspectos:
a) Leuconíquia: descoloração esbranquiçada na superfície das unhas. Pode ser o início de uma 
micose ou decorrente do envelhecimento dos esmaltes sobre as unhas.
b) Paroníquia: Infecção das dobras de tecido ao redor das unhas. conhecida popularmente 
como “unheiro” ou “mão de lavadeira”, geralmente causada por um tipo de fungo, a Candida, 
mesma que pode surgir em pacientes com corrimento vaginal. Inicialmente há inflamação, 
com dor e vermelhidão da pele ao redor da unha. Isso acaba se tornando crônico e leva à 
perda da cutícula, que deixa de nascer. Com o tempo, a inflamação cede e há um aumento 
da pele dessa região, que se torna espessada e endurecida. Nesse momento, começa a 
ocorrer uma alteração no formato da unha que passa a crescer ondulada e com alterações na 
superfície e na cor.
216 
Figura 1 5.19 Abscesso (furúnculo). 
liquenificação 
Espessamento da pele com acentuação das estrias, resul-
tando em um quadriculado em rede como se a pele estivesse 
sendo vista através de uma lupa. A pele circundante toma-se, 
em geral, de cor castanho-escura (Figura 15.22). É encontrada 
nos eczemas liquenificados ou em qualquer área sujeita a 
coçaduras constantes. 
Esclerose 
Aumento da consistência da pele, que se toma mais firme, 
aderente aos planos profundos e difícil de ser pregueada entre 
os dedos. O exemplo típico é a esclerodermia. 
Edema 
Acúmulo de líquido no espaço intersticial. A pele torna-se 
lisa e brilhante (Figura 15.23). O edema deve ser analisado 
conforme o roteiro para o exame da pele, das mucosas e dos 
fâneros. 
Atrofias 
Adelgaçamentos da pele, tornando-a fina, lisa, translúcida 
e pregueada. 
Figura 15.20 Queratose (queratodermia palmar). 
Parte 5 I Sistema Tegumentar 
Figura 15.21 Lesão infiltrada (hanseníase). 
Podem ser fisiológicas, como na atrofia senil, ou provoca-
das por agentes mecânicosou físicos (estrias atróficas, radio-
dermite) (Figura 15.24). 
As estrias são linhas de atrofia de cor acinzentada ou 
róseo-avermelhada. Aparecem em qualquer parte do corpo na 
qual a pele tenha sido mecanicamente forçada. São observa-
das no abdome de mulheres grávidas e em pessoas cuja parede 
abdominal esteve distendida (ascite, obesidade). 
A 
o o 
Figura 15.22 Liquenificação. A. Líquen simples e espessamento da pele 
no dorso do pé. B. Corte esquemático de liquenificação mostrando espes-
samento das camadas da pele. 
BEATRIZ CARNEIRO XXXIII MEDICINA UCB
251.Onicólise: desprendimento da unha do leito da unha a partir da ponta(distal) ou dos lados. 
Causas: psoríase, hipertireoidismo(unhas de Plummer),
252.Mioclonias: contrações musculares breves, rítmicas ou arrítmicas, localizadas ou difusas. 
Relatadas como abalos, choques, sacudidas e trancos. Devem-se a descargas de neurônios 
subcorticais e podem ocorrer em diversas situações patológicas. Causa: epilepsia, 
opsoclono(encefalite), doença de Creutzfeldt-Jakob
253.Miofasciculações ou fasciculação: são contrações visíveis, pequenas, involuntárias e 
rápidas, algumas vezes vermiculares, espontâneas e intermitentes das fibras musculares. 
Causas: excesso de cafeína, stress, poucas horas de sono, má nutrição, intoxicação,
254.Diplopia: visão dupla de uma imagem. Pode ser monocular( cristalino subluxado, catarata 
nuclear, coloboma da íris, deslocamento da retina) ou binocular (paralisia de músculos extra-
osculares, restrição mecânica).
255.Taquipneia: aumento da frequência respiratória (>20 ipm em adultos)
256.Anotia: orelha completamente subdesenvolvida. Ausência total de orelha e canal auditivo
106 I Exame Clínico 
ção, o trabalho cardíaco exagerado, o aumento do consumo 
de oxigênio e as lesões das miofibrilas ocasionam a chamada 
miocardiopatia tireotóxica, cujas características clínicas são 
semelhantes às das outras miocardiopatias (ver Capítulo 52, 
Doenças do Coração e da Aorta). 
As ações inotrópicas e cronotrópicas dos hormônios 
tireoidianos provocam aumento do volume de ejeção e da 
frequência cardíaca, assim como vasodilatação periférica, 
reproduzindo o quadro da síndrome hipercinética, ou seja, 
hiperatividade cardíaca, bulhas hiperfonéticas, aumento da 
pressão arterial sistólica e queda da diastólica (pressão dife-
rencial aumentada), pulso rápido, com frequência entre 100 e 
160 bpm. É comum o encontro de ritmo irregular causado por 
fibrilação atrial e de sopro sistólico na área pulmonar . 
.,. Sistema digestivo. Na hiperfunção tireoidiana, há aumento da 
motllidade intestinal, ocasionando maior número de dejeções 
diárias ou diarreia franca. Pacientes com constipação intesti-
nal anterior podem experimentar "melhorà' da função intes-
tinal. 
.,. Sistema reprodutor. Nas mulheres, a hiperfunção tireoidiana 
provoca alterações menstruais, provavelmente por causa do 
aumento da velocidade de metabolização dos esteroides ou à 
degradação de proteínas transportadoras dos hormônios se-
• xuru.s. 
Pode haver oligomenorreia (mais frequente), amenorreia 
ou polimenorreia. Abortos repetidos são registrados. 
No homem, perda da libido e impotência podem ocorrer. 
A ginecomastia, um achado frequente, é explicada pelo 
aumento da relação estrogênio-androgênio. 
.,. Sistema musculoesquelético. Uma das queixas mais frequentes no 
hipertireoidismo é a fraqueza muscular. Acomete principal-
mente musculatura proximal, cinturas pélvica e escapular. O 
paciente refere dificuldade para levantar-se sem o auxílio das 
mãos e subir escadas; em graus extremos, até pentear os cabe-
los torna-se difícil. Quando o comprometimento muscular é 
muito intenso, compromete a deambulação (miopatia tireotó-
xica). Tais alterações são provocadas por intenso catabolismo 
e consequente atrofia muscular, sendo mais grave nos homens 
(ver Capítulo 174, Doenças dos Músculos e da ]unção Neuro-
muscular). 
No aparelho locomotor, observa-se atrofia muscular facil-
mente detectável ao exame da musculatura peitoral, da região 
escapular e da cintura pélvica, e, às vezes, nos músculos faciais 
e das mãos. Esses achados são comuns nos homens e raros nas 
mulheres. 
Em 1% dos casos, pode-se encontrar acropatia, que não é 
diferente da encontrada em outras doenças (baqueteamento 
dos dedos e artelhos, edema do tecido subcutâneo e um tipo 
peculiar de proliferação do periósteo nas extremidades). Pelo 
aspecto radiológico, pode ser diferenciada da osteoartropatia 
hipertrófica pulmonar . 
.,. Sintomas oculares. O principal sintoma ocular do hipertireoi-
dismo é a exoftalmia com exoftalmopatia (Figura 106.2). 
A exoftalmopatia é uma condição de fundo autoimune, 
quase sempre acompanhada de disfunção tireoidiana, mas não 
é manifestação de doença da tireoide. Em geral, ao deflagrar 
o distúrbio tireoidiano, há também produção de anticorpos 
antitecido retro-orbitário, com infiltração do espaço retrobul-
bar e dos músculos motores extraoculares por uma substân-
cia mucopolissacarídica, edema e células inflamatórias. Com 
isso, o globo ocular é empurrado para fora. O paciente relata 
lacrimejamento, fotofobia, sensação de areia nos olhos, dor 
retro-ocular, edema subpalpebral e diplopia, esta causada pela 
infiltração e paralisação dos músculos extraoculares. 
799 
Figura 106.2 Exoftalmia. 
Além da exoftalmopatia, encontram-se olhar brilhante, 
retração palpebral superior e manifestações adrenérgicas 
(aumento do tônus simpático). 
Na retração da pálpebra superior, a esclera aparece acima 
da íris, tornando os olhos "abertos" e produzindo o "olhar de 
medo ou de o que configura a fácies basedowiana 
(Figura 106.2). 
.,. Sistema nervoso. O paciente mostra-se irrequieto, hipercinéti-
co, fala rapidamente, demonstra apreensão e costuma segu-
rar firmemente as mãos entre os joelhos, além de apresentar 
tremores finos nas mãos. Observa-se também hiper-reflexia, 
sendo o reflexo aquileu o que melhor traduz essa alteração. 
.,. Pele e fâneros. A pele do paciente com hipertireoidismo é fina, 
sedosa, úmida e quente, devido à vasodilatação (por isso, cos-
tuma-se dizer que o médico começa a reconhecer o hiperti-
reoidiano no aperto de mão). As mãos são quentes e úmidas, 
diferentes das mãos úmidas e frias do estado de ansiedade. 
As unhas podem apresentar-se descoladas do leito, deno-
tando onicólise (unhas de Plummer) (Figura 106.3). 
Os cabelos são finos e lisos. O tecido adiposo escasso é 
consequência do emagrecimento, geralmente intenso. Nos 
casos mais graves, há ausência da bola de Bichat e aparência 
caquética. 
Outros sintomas são o vitiligo, os sintomas produzidos pela 
doença de Addison, a anemia perniciosa e a miastenia gravis. 
• Sintomas e sinais de hipofunção tireoidiana 
No hipotireoidismo, a diminuição do metabolismo inter-
mediário condiciona manifestações clínicas, cuja intensidade 
depende do grau da hipofunção. Cansaço, hipersensibllidade 
ao frio e tendência para engordar são as principais queixas, 
que podem evoluir para intenso cansaço, desânimo e dificul-
dade de raciocínio. 
Figura 106.3 Unhas descoladas do leito, denotando onicólise (unhas de 
Plummer). 
BEATRIZ CARNEIRO XXXIII MEDICINA UCB
257.Microtia: deformidade 
congênita, na qual o 
pavillhão auricular(orelha 
externa) é 
subdesenvolvidoGrau I: 
Desenvolvimento 
incompleto do pavilhão 
auricular com estruturas 
identificáveis e um canal 
auditivo pequeno, mas 
existente.
- Grau I: Desenvolvimento 
incompleto do pavilhão 
auricular com estruturas 
identificáveis e um canal 
auditivo pequeno, mas 
existente.
- Grau II: Orelha 
parcialmente 
desenvolvida (geralmente 
a parte superior é 
subdesenvolvida) com 
canal auditito fechado 
[estenótico] resultando 
em perda auditiva 
considerável.
- Grau III: Ausência do pavilhão auricular, apenas com uma pequenaestrutura vestigial 
semehante a um amendoim, além de ausência do canal auditivo e do tímpano. A microtia de 
grau III é a forma mais comum.
258.Cifose: é uma alteração da forma da coluna dorsal com concavidade anterior, vulgarmente 
designada “corcunda’. A causa mais comum é o vício de postura. Pode ser consequência de 
tuberculose da coluna (mal de Pott), osteomielite, neoplasias, ou ser de origem congênita 
259.Colpoperineoplastia: cirurgia plástica da vagina e do períneo.
260.Bradipneia: taxa reduzida de respiração, lenta, sem alteração de amplitude. Sinais de 
hipóxia: tontura, fraqueza, dor no peito, confusão mental, desmaiar. Ocorre fisiologicamente 
durante o sono e em atletas. Pode ser secundária ao coma diabético e a depressão do centro 
respiratório, devido ao aumento da pressão intracraniana e a intoxicações exógenas.
• Crianças menores de 2 meses: menos de 35 respirações 
por minuto.
• Crianças de 2 meses a 11 meses : menos de 30 
respirações por minuto.
• Crianças de 1 a 5 anos: menos de 20 respirações por 
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minuto.
• Crianças entre 6 a 12 anos: menos de 12 respirações por minuto.
• Adolescentes e adultos: menos de 10 respirações por minuto.
261.Histerectomia: remoção de parte ou da totalidade do útero, por via abdominal ou vaginal.
262.Trepopnéia: dificuldade de respiração que aparece ou piora em decúbito lateral, não sendo 
sentida no decúbito contralateral. Trepo: girar. Causas: derrame pleural, obstrução brônquio 
parcial, pleurite, 
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263.Midríase: dilatação da pupila.O diâmetro da pupila normal varia de 3 a 5 mm em um 
ambiente iluminado. Quando é maior que 7mm, está em midríase, a qual pode ocorrer em 
contusões oculares e em algumas doenças cerebrais. As fibras dilatadoras ou simpáticas 
originam-se da medula cervical inferior. 
a) Pupila tóxica:atropina, escopolamina, sulfato de anfetamina, maconha e dietilamida do ácido 
lisérgico - LSD) 
b) Pupila de Adie: Normalmente, unilateral. Midríase, visão turva e ausência da resposta à luz; 
suspeita-se de pupila tônica pela lenta constrição com fixação de objetos de perto e nova 
dilatação tônica, enquanto a fixação é dirigida a um objeto distante, os reflexos tendinosos 
profundos estão diminuídos ou ausentes. 
c) Pupila paralítica: acompanhada ou não de lesão completa do nervo oculomotor. Se houver 
midríase, a lesão é compressiva; se não houver midríase, a lesão é um infarto microvascular 
(hipertensão arterial, diabetes). 
d) Síndrome de Pourfor du Petit: processos benignos como inflamações e adenopatias 
sistêmicas e resulta da hiperatividade simpática, pode ser causada por estreitamento da 
coluna. Caracterizada por midríase, exoftalmia e aumento da fenda palpebral. 
262.Otorreia: é definida como a presença de qualquer tipo de secreção do conduto auditivo 
externo (CAE). . Ela pode ser serosa, serossanguinolenta ou purulenta. Os sintomas 
associados podem incluir dor de ouvido, febre, prurido, vertigem, zumbido e perda auditiva 
Causas comuns: otite média aguda com perfura, otite média crônica e otite externa.O 
exemplo mais típico de início rápido é a otite externa difusa, a otorreia de início lento e 
intermitente é a da otomicose e a otorreia de início lento e persistente pode ser observada em 
um tumor do CAE ou em uma otite média crônica reagudizada
19 I Exame Clínico 
Figura 19.1 O Gravuras do atlas de lshihara para análise de visão das cores. 
letras podem ser percebidos pelas pessoas sem afecções e não 
são notados pelos portadores de discromatopsias. 
A hipótese tricromática de Young é uma entre várias teo-
rias que procuram explicar o complexo mecanismo da visão 
de cores. Em resumo, ela postula a existência, na retina, de 
somente três tipos de receptores cromáticos. Cada um desses 
receptores (cones) contém uma substância fotossensível espe-
cífica: uma que absorve a luz vermelha, outra que absorve a luz 
verde e a terceira, sensível à luz azul. 
..,. Exame neuroftalmológico 
A história do paciente é de grande importância no exame 
neuroftalmológico. Ele demonstra se a acuidade visual está 
Dlstúbios da visão de cores 
Chama-se discromatopsia qualquer distúrbio do senso cromático, tanto os con-
gênitos como os adquiridos. 
A acromatopsia é uma variedade excepcional (0,003%). As discromatopsias 
congênitas são de origem genética: os déficits protan e deutan são transmiti-
dos de maneira recessiva ligada ao sexo; a herança da acromatopsia é autossô-
mica recessiva. 
As discromatopsias congênitas são irreversíveis, ou seja, não são passíveis 
de tratamento nem profilaxia, e não têm qualquer caráter progressivo. 
As adquiridas são perturbações da visão de cores secundárias a doen-
ças oculares. Algumas características separam este grupo das congênitas: 
(1) o déficit cromático pode ser unilateral e limitado; (2) a discromatopsia 
adquirida não está isolada, mas frequentemente se encontra em estreita 
relação com o comprometimento de outras funções visuais (acuidade visual, 
adaptação), as quais podem deslocar o déficit cromático para um segundo 
plano; (3) a deficiência pode evoluir com a lesão ocular que a condiciona, 
seja para agravamento ou melhoria e a regressão; (4) a discromatopsia 
adquirida ocorre, em geral, no amarelo e azul, enquanto a congênita ocorre 
com vermelho e verde. 
Além das discromatopsias (congênitas e adquiridas), há ainda as croma-
topsias e as agnosias cromáticas. 
Cromatopsia é a visão colorida de superfícies que são vistas brancas por 
pessoas normais. Pode ser de origem óptica (alterações dos meios em caso de 
catarata, hemorragia vítrea ou na afada) e de origem tóxica (intoxicação por 
cogumelos, digitálicos e estricnina). A cianopsia (azul) e a eritropsia (vermelho) 
são dois exemplos dessa afecção. 
As agnosias cromáticas são de origem central e se caracterizam pelo não 
reconhedmento das cores, na ausência de todo e qualquer comprometimento 
dos receptores. São causadas por lesões do córtex, principalmente as do lado 
direito. Podem estar associadas a desorientação espacial e disfasia. 
243 
normal ou alterada, como nas doenças do nervo óptico. 
A visão de cor é determinada pelos testes de Ishihara, de 
Hardy-Rand-Rittler e de Farnsworth-Munsell15 Hue ou 100 
Hue. 
Para examinar a pupila, é possível fazê-lo à luz ambiente ou 
à iluminação oblíqua, sendo aconselhável o uso de uma lupa 
binocular. 
Os dois estímulos que podem alterar a pupila são a luz e 
a acomodação. À luz ambiente e com o doente olhando ao 
longe, é possível examinar a chamada pupila estática: diâme-
tro, igualdade (isocoria), regularidade, forma e situação. 
Deve-se dar muita ênfase, na pupila estática, à desigual-
dade de diâmetros (anisocoria), que nos possibilita, desde 
logo, afirmar uma miose (pupila estreita) ou uma midríase 
(pupila aumentada). Temos miose nas irites e na pupila de 
Argyll-Robertson e midríase nos glaucomas congestivos. É 
preciso lembrar que a miose é fisiológica na velhice e durante 
o sono. Nos traumas cranianos, o diâmetro pupilar pode for-
necer dados semióticos importantes: 
• midríase unilateral - hematoma extradural 
• midríase bilateral - comoção grave 
• maior midríase - lado lesado 
• miose bilateral - hemorragia parenquimatosa progressiva 
• rigidez pupilar - êxito letal. 
Se a pupila estática pode fornecer tantos dados importan-
tes, não menos eloquente é o estudo da pupila dinâmica, sob a 
ação da luz e da acomodação. 
Quando se lança sobre a retina um feixe de luz, contrai-se 
não só a pupila do olho iluminado (reflexo fotomotor direto), 
como também a do outro olho (reflexo fotomotor consensual). 
Ao solicitar ao paciente que olhe para um ponto próximo, será 
possível ver sua pupila contrair-se, em uma reação pupilar à 
acomodação-convergência. 
Ainterpretação do campo visual é de grande importân-
cia. A perda relativa deste campo é denominada depressão, 
nela, alguns estímulos são vistos enquanto outros, não. Já 
a contração é a perda absoluta do campo visual, em geral 
periférica, de modo que nenhum estímulo é observado na 
área afetada. 
O escotoma é uma área anormal do campo visual cercada 
por outra normal. Pode ser absoluto, ou seja, aquele no qual 
nenhum estímulo é percebido, ou relativo, no qual alguns estí-
mulos são apreciados enquanto outros, não. 
Preservação macular é um termo aplicado para os defei-
tos homônimos do campo visual nos quais a representação 
macular no lado envolvido é completa ou parcialmente não 
afetada. 
O defeito de feixe de fibras se dá no campo visual, ocor-
rendo ou em uma lesão retiniana ou no nervo óptico, que 
segue o padrão de perda de fibras nervosas. Pode ser: esco-
toma arqueado nasal, degraus e defeitos altitudinais e no setor 
temporal. 
A observação do campo visual torna possível localizar o 
nível da lesão da via óptica. A representação esquemática a 
seguir demonstra os locais mais comumente afetados e suas 
respectivas alterações no campo visual (Figura 19.11). 
A oftalmoscopia é o exame de fundo do olho, e pode ser 
direta ou indireta. A angiografia fluoresceínica é uma técnica 
que possibilita examinar melhor as estruturas fundoscópi-
cas por meio de um contraste (fluoresceína) injetado por via 
intravenosa. Atualmente temos a angiografia com indocianina 
verde, que estuda melhor os vasos da coroide. 
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263.Vômito ou êmese: ato involuntário que consiste na expulsão perorar forçada do conteúdo 
gástrico.
264.Hemartrose: derrame de sangue no interior de uma articulação. Em homens, pode ser 
hemofilia (existe apenas em homens).
265.Narcolepsia: distúrbio do sono.
266.Palpitação: percepção dos batimentos cardíacos.
267.Pneumotórax: ar entre as duas pleuras visceral e parietal.
268.Hemotórax: sangue dentro da cavidade das duas pleuras visceral e parietal.
269.Piotórax ou empiema pleural ou pleurite purulenta: acúmulo de pús na cavidade pleural 
principalmente por via linfática, hematogênica ou direta. Surgem devido à 
infecções(pneumonia), derrames pleurais, 
manipulação cirúrgica. Existem três estágios: 
exsudativo, fibrinopurulento e de organização.
a) Exsudativo: líquido fluido, livre e não septado na 
cavidade pleural.
b) Fibrino-purulento: secreção purulenta espessa, rica 
em polimorfonucleares e fibrina que se organiza 
produzindo septações.
c) Organização: proliferação dos fibroblastos que torna 
o líquido denso e cremoso, limitado as septações. 
Restringe a expansão do pulmão.
Sintomas: em geral, na fase aguda, o empiema pleural 
manifesta-se com tóraco algia, dispneia, tosse e quadro 
toxicêmico geral mais ou menos intenso. Abaulamento 
do hemitórax [termo usado para indicar uma das 
metades (hemisférios) do tórax, esquerdo ou direito.]
- O líquido pleural, na grande maioria dos derrames, é 
inodoro. Só os empiemas pútridos de natureza 
estreptocópica ou que contenham germes anaeróbicos apresentam odor intenso. O empiema 
tuberculoso, não contaminado por outros germes, é sempre inodoro. 
271.Bronquiectasia: doença com aumento permanente de partes das porções dos brônquios 
pulmão. Sintomas: tosse com muco, dispneia, hemoptise, dor no peito, sibilos. Essa doença 
resulta de infecções, como pneumonia, tuberculose, fibrose cística, problemas no sistema 
261 !XIII MANUAL DE OTORRINOLARINGOLOGIA PEDIÁTRICA DA IAPO
Figura 29. Tipos de otorreia.
Em resumo: apresentamos aqui, neste capítulo, os tipos mais frequentes de 
otorreia, entretanto existem outras causas que merecem atenção especial. Se elas 
são da orelha externa, eventualmente devemos nos lembrar da possibilidade de 
uma otite externa necrosante aguda maligna ou de uma neoplasia. Se a otorreia 
vier da orelha média, pode-se suspeitar de colesteatoma não diagnosticado, tuber-
culose ou doença granulomatosa, como a doença conhecida como granulomatose 
de Wegener. Outras causas infrequentes de otorreia são a queratose, a dermatite de 
contato, a miringite bolhosa, as doenças granulomatosas, e as fi stulas do primeiro 
arco branquial ligadas ao CAE. 
Conclusões
1.- A história clínica é fundamental para o diagnóstico diferencial. 
2.- A presença da otorreia é sempre anormal. 
3.- A otoscopia é fundamental no diagnóstico.
4.- A otorreia associada com otalgia sugere um processo infeccioso. 
5.- Dar atenção a um processo infeccioso persistente que não responde a trata-
mento convencional. 
6.- A otorreia sem otalgia poderá ser sugestiva de otomicose ou de otite média 
crônica supurada.
7.- A avaliação clínica do paciente, como um todo, é fundamental no diagnostico 
das otites. 
8.- A otite externa e a otite média aguda supurada são as causas mais comuns de 
otorreia. 
9.- Devemos sempre ter atenção e levantar suspeitas nos casos de otorreia persis-
tente nos imunocomprometidos, nos idosos e nos lactentes, naqueles que têm 
lesões neurais associadas, na otorreia com secreção hemática, na otalgia muito 
grave e nos sintomas sistêmicos ou nos tecidos de granulação do CAE.
Tipos de Otorreia
Mucopurulenta Purulenta 
fétida
Cremosa Verde
amarelo
Aquosa Vermelho/
Laranja 
Otomicose
Infecão por
Pseudomonas 
TCAudição 
Normal
Perda auditiva
perda auditiva
condutiva
Audição
Normal
Perda auditiva
perda auditiva
condutiva
OE Difusa
Corpo 
Estranho
OMA
OMC
Corpo 
estranho
OE crônica 
pólipo 
Colesteatoma 
CAE
OMC
Colesteat
Fístula
LCR post 
trauma
cranial
MEC
Trauma
cranial
Barotrauma
Tu CAE 
ou OM
TC: tomografi a computadorizada; LCR:líquor céfaloraquidiano; CAE:conduto auditivo externo; 
OE:Otite externa; OMA: Otite média aguda; OMC: otite média crônica; Colesteat:colesteotoma
XIII Manual IAPO_pt.indb 261 5/29/15 12:55 PM
BEATRIZ CARNEIRO XXXIII MEDICINA UCB
imunológico, aspergilose broncopulmonar alérgica. Ocorre principalmente na primeira 
infância.

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