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MANUAT Como montar um plano de mídia Por Paulo Tamanaha Al TNTRODUçAO cl a Paulo Tamanaha, socio-diretor da AlídÌaResultado, tem largo e variado currículo na área de Mídia, onde despontam atuaçoes em corporaÇoes como a Gessy-Lever, em empresas de comunicaçao como a Ródio Eldorado e em agências de publrcÌdade como a Touché e a DPZ. E com essa experiëncÌa, mas a de docente de Mídra na graduaçao e MBA da ESPM e e nas Faculdades lntegradas Rto Branco, que ele ensìna como fazer um planejamento de mídÌa. O plano de mídia está para a midia assim como o comercìal de TV ou anúncio de revista está para a criação. lsso parece obvio para alguns, rnas para quem está em início de carreira na área de mídia ou está há pouco tempo na atividade é importante entender o porquê desta relação, pois ela pode ajudar de maneira mais correta e consistente na construção da trajetória profissional. Vamos à explicação: al Em um comercial de TV, por exemplo, o profissional de criação coloca em prática sua sensibilidade em elaborar uma peça que transmtta de forma tocante e persuasiva os aspectos relevantes do produto ou servìço. el Em um plano de mídia, o profissionai de mídia coloca enn prática sua visão estratégica em veicular o comercial de TV que atinja a quantidade adequada do público alvo e na intensídade necessárìa. O ponto comum nas duas atividades e o talento dos profÌssÌonais em desenvolver um trabalho que tem a sua assinatura. Como o artìsta com sua obra. O músico com sua canção. O arti heìro com o gol feito. A diferença entre um profìssÌonaÌ de mídia e outro está no estìlo. Ou seja, uns preferem apresentar o cronograma de veiculação, juntamente com as planìlhas de programação, como sendo plano de mídra. outros tomam por base os dados de pesquìsa e não ousam atravessar a linha que separa o quantitatÌvo do subjetrvo. Há, tambem, os que fundamentam seu plano nos pacotes de negociação, sendo que o desconto desempenha o papel princìpal. A variação sobre o tema é ampla e não importa o estilo de cada um, mas sim que o profissional tenha conscrência de que o plano de midìa é a causa e razão de sua existência. Cor.no o proposito deste texto é mostrar passo a passo como se monta um plano de mídia, vale ressaltar que o modelo abordado será completo, mas simples, e que talvez não seja dìferente daquele que você já observou na agência ou mesmo num curso de comunicação. Mas darei alqumas dicas para torná-lo interessante e até indispensável. Vamos a ele ANUÁRIO DE À4ÍDIA18 Para a construção do plano de mídia é necessário dispor das seguÌntes informaçoes: y' Briefing de mhÌa: documento emÌtido pelo cliente que contém a descrição do produto, mercado e concorrência; objetivos e estratégias de marketing e de comunicação;as praças, o período de veiculação e a verba dìsponível. Montar um plano de mídia efìciente sem um briefing e quase impossível e o profissional de mídÌa deveria seguìr o exemplo da crÌação, que só dá início ao trabalho após receber o documento Pedido de Criação, emitido pelo atendimento e que contém as principais informaçoes descritas no briefing de mídia. Para complementar, temos que visitar o site do cliente e o da concorrência; ir a alguns pontos-de-venda para verificar preço, embalagem e disposição do produto na gôndola e conversar com os consumidores, com pessoas de seu círculo de amìzades e com outros profissionais da agência, do proprio atendimento, da criação e da mídÌa. lsso porque montar um plano de mídÌa sem um mínimo de informação é correr um grande risco de montá-lo errado.É Dados de pesquisas, tais como os de audiência, penetração, perfil, hábitos de consumo e de investimento publìcitário da marca e da concorrência. f Propostas, projetos e informaçÕes atualizadas sobre os veículos. Além disso, o profissional de mídia deve dominar algumas técnicas, como: tl Análise de rentabilidade e de adequação, por exemplo: custo 1% e índice de afinidade.É Sistema GRP. A partìr deste momento, tem início o trabalho de preparação do plano de mídia. BI ROTEIRO DE UM PLANO DE MíDIA r - IRFCRËneçÂe Etrslcn lnformaçoes colhidas do briefing e transcritas com suas palavras. lsso funcìona como um check list e obrìga você a conhecer um pouco maÌs sobre o produto, o mercado e a concorrência. 1. Situoçoo do mercado ' Qual a situação de vendas do mercado como um todo, se está crescendo, caindo ou estável. Esse número poderá ser em valor, volume ou ambos. 'O mercado apresenta alguma peculiaridade que mereça ser destacada? Por exemplo: com a estabilidade do real, cresceu o consumo de produto com alto valor agregado. . Dados de vendas, distribuição e preços praticados pela empresa e concorrência. 2. Produto . Descrição física do produto. Principais atributos. . Análise dos dados de vendas. . Objetivos de marketing e de comunicação. . Estratégias de marketing e de comunicação. . Outras açÕes de comunicação. 3. Concorrência . Descrìção físÌca do(s) produto(s) concorrente(s). Principais diferenças. . AçÕes de comunicação. 4. Público-alvo 'Quem consome? . Por que consome? . Perfil psicográfico. 5. Praça de veiculação . Dados de vendas por praça. . lndicação de praças prioritárìas. 6. Período de veiculação . Dados de vendas por mês. . Períodos de maior e menor consumo. T.Verba disponível . Nesta primeira parte do plano, não é comum se fazer altas consideraçoes sobre as informaçoes citadas. Algumas delas poderão ser analÌsadas detalhadamente em outra parte do plano. DE MÍDIA19 ANUÁRro II . INVESTIMENTO PUBLICITÁRIO DA CONCORRÊNCIA Dados de investimento em mídia fornecidos pelo lbope Monitor, custo de tabela. 1. Investimento total em mídia Apresentação dos valores investìdos e a participação em porcentual das marcas. 2.lnvestimento por meio, por praça e por mês Apresentação em valor absoluto ou o porcentual sobre o total investido. 3.Volume de GRP de televisao por praço, veículo, gênero e por tamanho da peça Apresentação em número absoluto. 4. Número de inserções por veículo Seria interessante apresentar um historico de ìnvestimento total em midia das marcas concorrentes para se avaliar a tendência para o ano e, se possível, para os proxrmos. III - OBJETIVO DE MíD|A Capítulo fundamental do plano, pois e onde o profissional determina a linha mestra, de acordo com o briefing, que será seguida para a obtenção dos resultados de marketrng e de comunicação. A linha mestra pressupoe três variáveis: 1 - Alcance Signiflca quantificar o número de pessoas do público- alvo que se pretende atingir com a campanha. Expresso em porcentual. 2 - Freqüência-média Significa determinar quantas vezes em média o público-alvo deverá estar exposto à mensagem ou à programação. 3 - Continuidade Sìgnifica distrÌbuir o esforço durante o ano ou o período de veiculação. Podemos ter três formas de trabalhar a continuidade: a) Linear - quando o esforço é distribuído em pelo menos nove meses do ano. b) Onda quando o esforço é distribuído em dois momentos no ano, sendo um no primeiro semestre e outro no segundo semestre. c) Concentrada - por motivo de consumo sazonal ou para dar maior impacto à campanha concentramos o esforço em um único momento do ano. A verba desempenha papel importante na decisão sobre como se pretende trabalhar as três variáveis, o que evidencia o talento do mídia em lidar com as várÌas combinaçÕes possíveis. E cada combinação apresenta um resultado diferente. Por exemplo: 1. Alternativa A Alto alcance, média freqüência e continuidade em onda. 2. Alternativa B Médio alcance, alta freqüência e contÌnuidade em onda. 3. Alternativa C Alto alcance, alta freqüêncìa e contÌnuìdade concentrada. IV - ESTRATÉCN DE MíD|A É a fase de seleção dos meios que serão utilizados para atender o objetivo de mídÌa. Compete ao profissionalselecionar os meios de acordo com suas características intrínsecas e seus aspectos q ua ntitativos. Cada meio deve desempenhar uma função: a) Básico Meio único ou o princÌpal da campanha. É aquele que atende quase que plenamente o objetivo de mídia. b) Complementor Complementa o meìo básico na variável alcance de mídia, continuidãde lÌnear de veiculação ou no conteúdo da comunicacão. 2O ANUÁRIO DE MÍDIÁ c) Apoio Reforça o meio básico na variável freqüência. É imprescindvel o conhecimento dos meios, prÌncÌpalmente da sua relação com o públìco. O hábito determina o consumo. v - cRoNoGRAMA DE VETCULAçÃO Dìstribuição dos meÌos no período, de acordo com o papel que cada um desempenhará na campanha. Cronograma é um recurso visual de fácil entendimento do racional estratégico. vl - TÁflcA DE VETCULAçÃO Apresentação detalhada de como a veiculação será executada, e se compoe de: 1. Mapa de programação por meio. 2. Análise de rentabilidade dos veículos. 3. Resumo de verba. vil - ANEXOS Dados detaìhados de pesquisa, demonstrativo de negociação e propostas de patrocínio. Para finalizar, penso que conhecer um pouco da história do plano de mídia servirá para evidenciar sua importância e sua relação com o talento do profissional dessa área. Vamos começar com a década de 70: y' Com a introdução do GRP no mercado brasileiro, os profissionais de mídia passaram a ter um domínio mais técnico da atividade, pois foi possvel quantifÌcar o número de pessoas atingidas com a campanha e o número médio de vezes. Nesta ocasião, surgìram os Planos de Mídia com um racional estrategico de veiculação e calcados em conceitos de alcance, freqüência-medÌa e contìnuidade. y' Na década de B0 houve uma reviravolta no mercado em decorrência dos altos índices de inflação - que chegou a 500/o ao mês. Neste contexto, a negociação tornou-se o Ìtem relevante na mídia, já que planejar era algo impensável. O importante era ser rápìdo no fechamento da negociação com o veículo, que atualizava freqüentemente sua tabela de preços por causa da inflação. y' Com o Plano Real, na década de 90, tivemos o controle da ìnflação e isto causou um fato curioso: o real chegou a valer o mesmo que o dolar, ou seja, R$ 1 era igual a USS l.Tivemos que reaprender a planejaç mas sem abrir mão de uma boa negociação. Os institutos de pesquisa de mídia desenvolveram novos softwares, tais como o Sisem Consumer e o TGl. Surgiram novos meios, como a lnternet, e outros ascenderam, como a mídia exterior. A economia e a comunicação ficaram globais. O mercado passou a cobrar por um plano de mídia mais técnico e por uma visão de negócio. y' O início desta década foi um pouco atribulado, porque a velocidade dos acontecimentos andou no rìtmo da lnternet. Com a economia e a comunicação globalizadas, o mercado publicitário vem sofrendo os mais diversos tipos de mudanças. E tudo Ìndica que nos próxìmos anos ele será maìs movimentado ainda com a TV digital e quem sabe com a vinda dos bureaus de mídia. O plano de mídÌa será estratégico e uma boa negociação continuará sendo exigida. O item a ser agregado é a criatÌvidade, ou seja, o desenvolvimento de novas formas de chegar ao resultado pela via da diversidade e da impermanência, que será uma con sta nte. Neste contexto, entendo que o pefil do (novo) profissional de mídÌa deverá ser de estrategista para investir a verba de forma coerente, atento para perceber uma boa oBortunidade e crÌativo para propor ideias ousadas. 21 ANUÁRro DE rlríDlA