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2 
 
SUMÁRIO 
INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 4 
1 LEITURA ............................................................................................................. 5 
2 PRINCIPAIS TÉCNICAS DE LEITURA ............................................................... 8 
3 TIPOLOGIA E GÊNEROS TEXTUAIS .............................................................. 10 
3.1 Tipo Narrativo ............................................................................................. 10 
3.2 Tipo Descritivo ............................................................................................ 12 
3.3 Tipo Instrucional ou Injuntivo ...................................................................... 17 
3.4 Tipo Dialogal ............................................................................................... 19 
4 QUALIDADES DO TEXTO: COESÃO E COERÊNCIA ..................................... 23 
4.1 Coesão Textual ........................................................................................... 23 
4.2 Coerência Textual ....................................................................................... 25 
4.3 Diferença entre Coesão e Coerência .......................................................... 27 
5 INTERTEXTUALIDADE ..................................................................................... 27 
5.1 Intertextualidade explícita ........................................................................... 30 
5.2 Intertextualidade implícita ........................................................................... 31 
6 PRODUÇÃO ...................................................................................................... 32 
6.1 Estrutura da frase e do parágrafo ............................................................... 32 
7 A CONSTRUÇÃO DO TEXTO .......................................................................... 36 
8 TIPOS TEXTUAIS ............................................................................................. 37 
8.1 Texto Narrativo ........................................................................................... 38 
8.2 Texto Descritivo .......................................................................................... 38 
8.3 Texto Dissertativo ....................................................................................... 41 
8.4 Texto Expositivo.......................................................................................... 42 
8.5 Texto Injuntivo............................................................................................. 44 
 
 
 
 
3 
 
9 ANÁLISE TEXTUAL .......................................................................................... 46 
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................ 49 
BIBLIOGRAFIA ....................................................................................................... 50 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
INTRODUÇÃO 
Prezado aluno! 
 
A Rede Futura de Ensino, esclarece que o material virtual é semelhante ao da sala 
de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um aluno se levantar, 
interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma pergunta, para que seja 
esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta 
em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual, é a mesma 
coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de 
atendimento que serão respondidas em tempo hábil. 
Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa 
disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das 
avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que lhe 
convier para isso. 
A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser seguida e 
prazos definidos para as atividades. 
 
Bons estudos! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 
 
1 LEITURA 
 
Fonte:bedjoao2.blogspot.com.br 
A leitura é uma atividade absolutamente humana, que nos permite, graças a sua 
realização e posta em prática, por exemplo, e entre outras coisas, interpretar uma poesia, 
um conto, uma novela, isso quanto ao estritamente literário, mas também à leitura devemos 
a possibilidade de interpretar sinais movimentos do corpo, dar ou receber educação. 
Obviamente por conta do ensino, a leitura, está estreitamente vinculada ao processo de 
aprendizagem e claro, será elementar para nos levar a um destino. Conforme mencionam 
a linguística e a psicologia cognitiva, duas das disciplinas que se encarregam do estudo de 
como os seres humanos percebem e compreendem a escrita, o homem percebe o ambiente 
por visão com fixo e sacadas. Quando fixa a vista, finca-a num objeto ou ponto imóvel e as 
sacadas lhe permitem redirecionar o olhar de um ponto fixo a outro. Então, é isto mesmo 
que realiza o olho humano quando lê algum texto, receita, diário ou livro. 
 
 
Com prática e treinamento específico em leitura dinâmica, você habituará sua mente 
e seus olhos a percorrerem uma série de parágrafos rapidamente, concentrando-se 
nas palavras – guia, e no sujeito e nos predicados. Agindo dessa forma, você 
percorrerá um texto longo com um grau de compreensão bastante aceitável, 
enquanto um leitor comum ainda não saiu da primeira página. Caravantes, G. R. 
(2006). Leitura dinâmica e Aprendizagem. Porto Alegre: CIP-BRASIL. 
Pág95. 
 
 
 
 
6 
 
Em condições normais, uma pessoa pode ler até 250 palavras por minuto, no 
entanto, quando se encontra com um texto ambíguo ou com alguma parte ininteligível, os 
seres humanos abrem mão das regressões, que são feitas em sentido contrário da 
esquerda para a direita, que geralmente se usa para ler. 
Em educação, um dos temas importantes atualmente para o cidadão é a dificuldade 
que gira em torno do exercício da prática da leitura, da escrita e da oralidade na construção 
textual, razão pela qual os textos abaixo apresentados têm como objetivo o reconhecimento 
dos eventuais problemas decorrentes da aquisição e uso da linguagem seja na fala ou na 
escrita. Haja vista que o cidadão, leitor e escrevente que trabalha nas mais variadas 
situações da linguagem, deverá buscar atualizações constantes de acordo com as novas 
tecnologias para que de posse de novos conhecimentos proporcione maneiras de 
desenvolver habilidades e de adequar-se diante de situações diversas que envolvam o uso 
da linguagem falada e escrita como interação social. 
No Brasil, muitos estudantes possuem dificuldades na utilização da língua seja de 
forma oral ou escrita. No entanto, essa dificuldade não deve ser classificada como uma 
incapacidade de expressão desses estudantes, mas sim como uma incapacidade de 
sintetizar informações e juízos para transformá-los em sentenças linguísticas. 
 
 
Fonte: lendoeducandoaprendendo.blogspot.com.br 
 
 
 
 
 
7 
 
A importância do ato de ler 
 FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. 12a ed. São Paulo, Cortez, 1996. 
Parece-me indispensável, ao procurar falar de tal importância, dizer algo do 
momento mesmo em que me preparava para aqui estar hoje: dizer algo do processo em 
que me inseri enquanto ia escrevendo este texto queagora leio, processo que envolvia uma 
compreensão crítica do ato de ler que não se esgota na decodificação pura da palavra 
escrita ou da linguagem escrita, mas que se antecipa e se alonga na inteligência do mundo. 
A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa 
prescindir da continuidade da leitura daquele. 
Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A concepção do texto a ser 
alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto. 
Ao escrever sobre a importância do ato de ler, eu me senti levado e até gostosamente - a 
“reler” momentos fundamentais de minha prática, guardados na memória, desde as 
experiências mais remotas de minha infância, de minha adolescência, de minha mocidade, 
em que a compreensão crítica da importância do ato de ler se veio em mim constituindo. 
Ao ir escrevendo este texto, ia tomando distância dos diferentes momentos em que 
o ato de ler se veio dando na minha experiência existencial. Primeiro, a leitura do mundo, 
do pequeno mundo em que me movia; depois, a leitura da palavra que nem sempre, ao 
longo de minha escolarização, foi à leitura da “palavra mundo”. 
A retomada da infância distante, buscando a compreensão do meu ato de ler o 
mundo particular em que me movia - e até onde não sou traído pela memória - me é 
absolutamente significativa. Neste esforço a que me vou entregando, recrio, revivo no texto 
que escrevo, a experiência vivida no momento em que ainda não lia a palavra. 
Vejo-me então na casa mediana em que nasci, no Recife, rodeada de árvores, 
algumas delas como se fossem gente, tal a intimidade entre nós - à sua sombra brincava e 
em seus galhos mais dóceis à minha altura eu me experimentava em riscos menores que 
me preparavam para riscos e aventuras maiores. 
A velha casa, seus quartos, seu corredor, seu sótão, seu terraço - o sítio das avencas 
de minha mãe - o quintal amplo em que se achava, tudo isso foi meu primeiro mundo. Nele 
engatinhei, balbuciei, me pus de pé, andei, falei. Na verdade, aquele mundo especial se 
dava em mim como o mundo de minha atividade perceptiva, por isso mesmo como o mundo 
 
 
 
 
8 
 
de minhas primeiras leituras. Os “textos”, as “palavras”, as “letras” daquele contexto - em 
cuja percepção me experimentava e, quanto mais o fazia, mais aumentava a capacidade 
de perceber - se encarnavam numa série de coisas, de objetos, de sinais, cuja 
compreensão eu ia aprendendo no meu trato com eles, minhas relações com meus irmãos 
mais velhos e com meus pais. (...). Fonte:revistaeducacao.com.br 
2 PRINCIPAIS TÉCNICAS DE LEITURA 
Ler com atenção: para compreender melhor um texto é importante ressaltar que 
temos que ler com calma cada parágrafo. Se não compreender, volte e releia. E ainda, se 
aparecer algum termo que não saiba o significado, o importante é recorrer ao dicionário e 
voltar ao texto. 
Sintetizar as principais ideias do texto: tal qual um resumo, vale apontar os principais 
temas e/ou assuntos abordados pelo texto. Por isso, a técnica indicada acima é deveras 
importante e complementa esta técnica. Portanto, leia com atenção, e aos poucos vá 
assinalando as palavras-chave do texto. 
Ler nas entrelinhas: esse recurso é muito interessante perceber no momento em que 
estamos lendo o texto. Assim, o conceito de “ler nas entrelinhas” define a leitura que 
fazemos além do texto, ou seja, baseia-se nas adivinhações e inferências que realizamos 
e que não está escrito em palavras no texto. Por exemplo, podemos perceber a posição de 
um autor sem que esteja escrito. Essa estratégia é facilitada a partir dos conhecimentos 
prévios que já possuímos. 
Manter o hábito da leitura: além da importância da leitura na vida social e para 
ampliação do universo cognitivo, adquirir o hábito da leitura facilitará cada vez mais a 
compreensão dos textos. A partir disso, o vocabulário, a imaginação e a criatividade 
aumentam, e não somente o texto escrito, mas a produção de texto oral, melhora muito. 
Em resumo, quanto mais lemos, melhores leitores nos tornamos. 
Leitura em voz alta: se possível, realize a leitura do texto em voz alta e perceba toda 
sua estruturação, desde palavras, virgulas, discursos, etc. Em muitos casos, isso facilita a 
leitura e a compreensão dos textos. No entanto, algumas pessoas preferem ler em silêncio. 
Portanto, faça o teste e veja o que você prefere. 
 
 
 
 
9 
 
Tipos de textos: outra boa estratégia de leitura é variar o tipo de texto que se lê, de 
forma que a abordagem de cada um é diferente bem como seu conteúdo; e isso ampliará 
ainda mais sua compreensão. Assim, leia livros, jornais, revistas, quadrinhos, textos 
acadêmicos, etc. Isso também facilitará a interpretação, aumentando seu vocabulário. Note 
que a linguagem pode variar de formal para informal, e ainda de verbal e não-verbal 
(imagens, fotos, gráficos, etc) dependendo do tipo de texto. 
Produção de textos: não somente a leitura supre as necessidades de nosso cérebro 
de aumentar sua capacidade intelectual. É fato que uma pessoa que tem o hábito da leitura 
possui mais facilidade para produzir um texto. Isso ocorre justamente porque ao lermos 
estamos aumentando nossa capacidade de comunicação bem como nosso repertório 
interpretativo. Portanto, uma boa dica para facilitar cada vez mais a leitura é a escrita, ou 
seja, a produção de textos. 
Estar interessado no desenvolvimento da carreira, atento às tendências do mercado 
e às boas opções de formação são pressupostos essenciais para alcançar destaque na 
vida profissional, todavia, conhecer-se profundamente também é um processo 
indispensável. Os benefícios desse estado de autoconhecimento envolvem a segurança 
necessária para tomar decisões nas experiências pessoais e corporativas. A leitura é um 
instrumento importante para esse desenvolvimento, uma vez que oferece diversas 
possibilidades de vivência aos leitores, que poderão experimentar situações novas, a cada 
nova prosa. 
 
 
Fonte: sbcoaching.com.br 
 
 
 
 
10 
 
3 TIPOLOGIA E GÊNEROS TEXTUAIS 
Entende-se por tipologia textual uma espécie de construção teórica definida pela 
natureza linguística de sua composição (ou seja, os aspectos lexicais, sintáticos, tempos 
verbais, relações lógicas, estilo). Isso quer dizer o seguinte: a depender de como o texto se 
organiza informacional e linguisticamente, pode ser do tipo X ou do tipo Y. Há seis tipos 
textuais: 
Narrativo; 
Descritivo; 
Expositivo; 
Argumentativo; 
Instrucional ou injuntivo; 
Dialogal. 
3.1 Tipo Narrativo 
Na narração, há seres que participam de eventos em determinado tempo e espaço. 
Os participantes desses eventos são os personagens, os quais podem ser reais ou 
fictícios. O evento como uma espécie de ação é denotado por verbos nocionais, como 
cantar, correr, beijar, nadar, ouvir etc. 
O tempo da narrativa é tipicamente o passado, mas pode ser o presente como a 
narração de um jogo de futebol por exemplo ou o futuro como obras proféticas. 
Em uma narrativa, o espaço pode ser físico, uma cidade, uma casa, uma escola ou 
psicológico, mente do personagem ou do narrador. Quem conta a história é o narrador, que 
pode ser de primeira ou terceira pessoa: o narrador em primeira pessoa participa das ações; 
o narrador em terceira pessoa não está diretamente envolvido nas ações, podendo ser 
observador apenas relata os acontecimentos vistos a olhos nus, ou observador onisciente, 
aquele que tudo sabe, que tudo vê, inclusive os estados mentais das personagens. 
 
 
 
 
 
11 
 
 
Fonte: brasilescola.uol.com.br 
Linguisticamente, o tempo da narrativa é marcado pelas formas verbais: Flexão de 
passado, presente,futuro e por formas adverbiais (ontem, hoje etc.). O narrador é marcado 
pela flexão de número e pessoa do verbo (primeira ou terceira). 
Nesse texto, observamos um narrador em terceira pessoa, o qual introduz a fala da 
personagem Sahrazad. Essa personagem, por sua vez, é também uma narradora em 
terceira pessoa (ela fala sobre o mercador). O texto envolve personagens (Sahrazad, rei, 
mercador etc.) que realizam ações em determinado tempo (passado) e espaço (um reino). 
Discurso Direto e Discurso Indireto. 
 
Disse Sahrazad: conta-se, ó rei venturoso, de parecer bem orientado, 
que certo mercador vivia em próspera condição, com abundantes cabedais, 
dadivosos, proprietário de escravos e servos, de várias mulheres e filhos; 
em muitas terras ele investira, fazendo empréstimos ou contrariando dívidas. 
Em dada manhã, ele viajou para um desses países: montou um de seus 
animais, no qual pendurara um alforje com bolinhos e tâmaras que lhe 
serviriam como farnel, e partiu em viagem por dias e noites, e Deus já 
escrevera que ele chegaria bem e incólume à terra para onde rumava; [...]. 
(Mil e uma noites – volume I – ramo sírio) 
 
 
 
 
 
12 
 
O narrador possui dois papéis na narrativa: 
 Apresentar as personagens (via descrição); e 
 Trazer ao leitor as falas das personagens. 
 
 Vamos analisar com mais cuidado a função. O narrador pode trazer ao leitor as falas 
das personagens de duas maneiras: 
I. Diretamente, exatamente como a personagem falou: O Amanuense Belmiro disse 
ao colega: – Estou farto de tanta burocracia. • 
II. Indiretamente, “traduzindo” com suas próprias palavras o que o personagem falou: 
O Amanuense Belmiro disse ao colega que estava farto de tanta burocracia. 
Conseguiu perceber a diferença? No primeiro caso, há o chamado discurso direto. No 
segundo caso, há o discurso indireto. É simples diferenciar essa classificação: 
3.2 Tipo Descritivo 
Podemos agora falar da descrição, que pode ser objetiva ou subjetiva. Em uma 
descrição, apresentamos uma série de características de determinado ser/objeto/espaço, 
formando na memória do leitor/ouvinte a imagem do que está sendo descrito. Na descrição, 
essa apresentação de características é verbal (oral ou escrita). Linguisticamente, a 
descrição é tipicamente formada por predicações nominais (sujeito + verbo de ligação + 
predicativo) ou por adjetivação (substantivo + adjetivo (atributivo)). 
 A descrição pode ser objetiva ou subjetiva. Na descrição objetiva, o 
ser/objeto/espaço é descrito tal qual se apresenta ao mundo. 
Na descrição subjetiva, diferentemente, o ser/objeto/espaço é descrito a partir das 
impressões pessoais (subjetivas) de quem está realizando a caracterização. 
Vamos tentar diferenciar essas duas formas de descrição. Imagine a seguinte 
situação: eu peço a um botânico para descrever um açaizeiro. Muito provavelmente, a 
descrição será a seguinte: “o açaí é uma palmeira do gênero Euterpe que produz um fruto 
bacáceo de cor roxa”. Essa é uma descrição objetiva. 
Imagine agora que eu peça a alguém da região Norte que descreva um açaizeiro. É 
muito provável que a descrição envolva subjetividades do tipo: “o açaizeiro é nossa árvore 
guardiã, protetora de nossos irmãos” (lembra-se da música do Djavan: “açaí, guardiã”, que 
 
 
 
 
13 
 
traduz essa característica do açaizeiro como fonte de alimento e renda). Essa segunda 
descrição envolve, portanto, subjetividades as impressões pessoais/regionais das 
características do açaizeiro. 
Exemplo: 
No tipo textual dissertativo expositivo, o autor do texto expõe/apresenta ideias, fatos, 
fenômenos. Por ser de caráter expositivo, não se busca convencer o leitor em relação ao 
ponto de vista – pressupõe-se, assim, que a dissertação expositiva apenas apresenta a 
ideia, o fato ou o fenômeno. A dissertação expositiva é tipicamente em terceira pessoa (ou 
impessoal), uma vez que o autor discorre sobre algo. Em relação à exposição sem defesa 
de um ponto de vista, há a seguinte ilustração: pode-se discorrer (dissertar) sobre partidos 
políticos com absoluta isenção, apresentado os diversos partidos em totalidade, dando a 
eles a ideia exata, sem tentar convencer o meu leitor das qualidades ou falhas de partido A 
ou B. Não procuro, nesse caso, formar a opinião de meu leitor; ao contrário, deixo-o em 
inteira liberdade de se decidir por se filiar a determinado partido. 
No excerto a seguir, de Gilberto Amado (citado em Othon M. Garcia), observamos 
que o autor apenas mostra certas características do Brasil. Não há, em nenhuma parte do 
texto, recursos argumentativos que visam ao convencimento do leitor (característica da 
argumentação). Observe: 
 
Depois das propriedades dos camponeses, começava um barranco 
abrupto e escarpado, que terminava no rio; aqui e ali, no meio da argila, 
afloravam pedras enormes. Pelo declive, perto das pedras e das valas 
escavadas pelos ceramistas, corriam trilhas sinuosas, entre verdadeiras 
montanhas de cacos de louça, ora pardos, ora vermelhos, e lá embaixo se 
estendia um prado vasto, plano, verde-claro, já ceifado, onde agora vagava 
o rebanho de camponeses. 
(Anton Tchekhov, O assassinato e outras histórias) 
 
 
 
 
14 
 
 
Agora, observe como é o tipo textual dissertação argumentativa. Por ser mais 
complexa, de que nós é que estamos de posse da verdade. Imagine a seguinte situação: 
eu sou filiado a determinado partido político. Se eu produzir um texto em que o objetivo seja 
demonstrar as vantagens, a conveniência, a coerência, a qualidade, a verdade de meu 
partido (em oposição aos demais), estou argumentando. Em suma, argumentar é 
convencer ou tentar convencer mediante a apresentação de razões, em face da evidência 
de provas e à luz de um raciocínio coerente e consistente. 
O texto a seguir, de autoria de Sérgio Buarque de Holanda, é um excelente exemplar 
de texto argumentativo. Perceba que o autor se posiciona em relação aos fatos e defende 
uma tese. Sérgio Buarque claramente procura convencer o leitor. 
 
No seu aspecto exterior, na sua constituição geográfica, o Brasil é um 
todo único. Não o separa nenhum lago interior, nenhum mar mediterrâneo. 
As montanhas que se erguem dentro dele, em vez de divisão, são fatores 
de unidade. Os seus rios prendem e aproximam as populações entre si, 
assim os que correm dentro do país como os que marcam fronteiras. Por 
sua produção e por seu comércio, é o Brasil um dos raros países que se 
bastam em si mesmos, que podem prover ao sustento e assegurar a 
existência de seus filhos. De norte a sul e de leste a oeste, os brasileiros 
falam a mesma língua quase sem variações dialetais. Nenhuma memória de 
outros idiomas subjacentes na sua formação perturba a unidade íntima da 
consciência do brasileiro na enunciação e na comunicação do seu 
pensamento e do seu sentimento. 
 (Gilberto Amado, Três livros) 
 
 
 
 
15 
 
A grande questão envolvendo a argumentação é sua consistência, sua 
fundamentação. Os estudos clássicos defendem que a argumentação é fundamentada em 
dois elementos principais: a consistência do raciocínio e a evidência das provas. Vou expor, 
em mais detalhes, o segundo aspecto: a evidência das provas. 
Há cinco tipos mais comuns de evidência das provas: 
 Os fatos: Os fatos constituem o elemento mais importante da argumentação. 
São capazes de provar, de convencer. Porém, é importante lembrar que nem 
todos os fatos são irrefutáveis. O valor de prova de certos fatos está sujeito à 
evolução da ciência, da técnica e dos próprios conceitos utilizados. Além 
disso, há casos em que fatos são distorcidos. Há fatos que são evidentes ou 
 
O Estado não é uma ampliação do círculo familiar e, aindamenos, uma 
integração de certos agrupamentos, de certas vontades particularistas, de 
que a família é o melhor exemplo. Não existe, entre o círculo familiar e o 
Estado, uma gradação, mas antes uma descontinuidade e até uma 
oposição. A indistinção fundamental entre as duas formas é prejuízo 
romântico que teve os seus adeptos mais entusiastas durante o século 
décimo nono. De acordo com esses doutrinadores, o Estado e as suas 
instituições descenderiam em linha reta, e por simples evolução da Família. 
A verdade, bem outra, é que pertencem a ordens diferentes em essência. 
Só pela transgressão da ordem doméstica e familiar é que nasce o Estado 
e que o simples indivíduo se faz cidadão, contribuinte, eleitor, elegível, 
recrutável e responsável, ante as leis da Cidade. Há nesse fato um triunfo 
do geral sobre o particular, do intelectual sobre o material, do abstrato sobre 
o corpóreo e não uma depuração sucessiva, uma espiritualização de formas 
mais naturais e rudimentares, uma procissão das hipóstases, para falar 
como na filosofia alexandrina. A ordem familiar, em sua forma pura, é 
abolida por uma transcendência. 
 (Sérgio Buarque de Holanda, Raízes do Brasil) 
 
 
 
 
16 
 
notórios: esses são os que mais provam. Afirmar que no Brasil há 
desigualdade social é um fato, por exemplo. 
 Os exemplos: Os exemplos são caracterizados por revelar fatos típicos ou 
representativos de determinada situação. O fato de o motorista Fulano de Tal 
ter uma jornada de trabalho de 12 horas diárias é um exemplo típico dos 
sacrifícios a que estão sujeitos esses profissionais, revelando uma das falhas 
do setor de transporte público. 
 As ilustrações: A ilustração ocorre quando o exemplo se alonga em narrativa 
detalhada e entremeada de descrições. Observe que a ilustração é um 
recurso utilizado pela argumentação. Não deve, portanto, ser o centro da 
produção (a ilustração não deve ser predominante). Imagine um texto 
argumentativo que procura comprovar, por evidência, a falta de planejamento 
habitacional em algumas cidades serranas. Nessas cidades, há construções 
irregulares próximas a encostas. Essas encostas ficam frágeis em épocas 
chuvoas. É possível, assim, ilustrar essa situação com um caso hipotético ou 
real. No caso da ilustração hipotética, é necessário que haja verossimilhança 
e consistência no relato. Importante: o valor de prova da ilustração hipotético 
é muito relativo. Um caso real, o qual pode ser citado no texto-exemplo, é o 
da família do lavrador Francisco Edézio Lopes, de 46 anos. Edézio e seus 
familiares, moradores do distrito de Jamapará, em Sapucaia, no centro sul-
fluminense, procuraram abrigo no carro durante o temporal e acabaram 
arrastados pela enxurrada. Todos morreram. Observe, mais uma vez, que a 
ilustração tem a função de ilustrar a tese e deve ser clara, objetiva, sintomática 
e obviamente relacionada com a proposição. 
 Os dados estatísticos: Os dados estatísticos também são fatos, mas possuem 
uma natureza mais específica e grande valor de convicção, constituindo 
quase sempre prova ou evidência incontestável. Quanto mais específico e 
completo for o dado, melhor. Além disso, é importante que haja fonte, pois, os 
dados não surgem naturalmente. Assim, afirmar que o índice de 
analfabetismo por raça no Brasil é de 14% para os negros e 6,1% para os 
brancos é diferente de afirmar que a Pesquisa Nacional por Amostra de 
Domicílios (Pnad), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 
 
 
 
 
17 
 
(IBGE) em 2007, revela que índice de analfabetismo por raça no Brasil é de 
14% para os negros e 6,1% para os brancos. A segunda proposição é mais 
convincente, pois há referência explícita à fonte. 
 O testemunho: A evidência por testemunho é composta por uma afirmação 
fundamentada, por um depoimento, uma comprovação. É um fato trazido à 
composição por intermédio de terceiros. O testemunho por autoridade é um 
recurso que possui alto valor de prova. Se, em minha produção, defendo que 
o sistema de transporte público no Brasil precisa de planejamento estratégico 
(longo prazo), posso trazer a voz (realizações, propostas, ideias) de uma 
autoridade no assunto. No caso do tema proposto (transporte público), posso 
citar as propostas de Jaime Lerner, arquiteto e urbanista brasileiro que propôs, 
na década de 70, a abertura de vias exclusivas para os ônibus urbanos na 
cidade de Curitiba-PR. Muito bem, fechamos a análise do tipo textual 
dissertação argumentativa. Agora podemos falar brevemente do tipo textual 
instrucional ou injuntivo e do tipo dialogal. 
3.3 Tipo Instrucional ou Injuntivo 
O tipo textual instrucional ou injuntivo é muito comum em nosso dia a dia. Se você 
já assistiu a algum programa de culinária, certamente teve contato com o tipo textual 
instrucional ou injuntivo: o (a) apresentador (a) listou os ingredientes e deu orientações 
sobre como o preparo do prato deve ser feito. Ao dar orientações, o (a) apresentador (a) 
ensinou o espectador a realizar uma tarefa. Essa é a propriedade básica desse tipo textual: 
ensinar/orientar/instruir o leitor/ouvinte/ espectador a realizar uma tarefa. 
 
 
 
 
18 
 
 
 
As tarefas podem ser várias: usar um aparelho, jogar, cozinhar, tomar um remédio, 
consertar um objeto, conduzir um veículo etc. Os principais gêneros que se organizam no 
tipo textual instrucional (ou injuntivo) são os seguintes: receita culinária, manual de 
instruções, bula de remédio, regras de jogo, roteiro de viagem, mapas. Linguisticamente, o 
tipo textual instrucional (ou injuntivo) organiza-se da seguinte forma: 
I. Lista que denomina as partes que compõem o objeto, o aparelho, os ingredientes de 
um prato etc. 
II. Instruções a serem seguidas; essas instruções são apresentadas em verbos no 
imperativo ou no infinitivo. 
Atualmente, os gêneros que compõem o tipo textual instrucional ou injuntivo 
procuram utilizar uma linguagem objetiva, clara e didática. Isso porque, antigamente, muitos 
 
 
 
 
19 
 
não conseguiam compreender o conteúdo do texto, não seguindo corretamente as 
orientações. 
3.4 Tipo Dialogal 
Certamente você já leu ou assistiu a uma entrevista. Pois então, a entrevista é um 
gênero pertencente ao tipo textual dialogal, pois dois ou mais interlocutores participantes 
do evento de comunicação discutem algum assunto. A estrutura de um diálogo é 
relativamente simples: o interlocutor 1 interage verbalmente e, em seguida, o interlocutor 2 
também interage. A interação do interlocutor 2 pode ser espontânea ou induzida. 
 Na interação espontânea, o interlocutor concorda, complementa ou discorda em 
relação ao que é dito pelo interlocutor 1. 
Na interação induzida, o interlocutor 2 responde a uma pergunta realizada pelo 
interlocutor 1. 
Nós realizamos diálogos constantemente em nosso dia a dia. A maioria deles é 
espontânea e informal. Os diálogos induzidos, por sua vez, são mais comuns em 
entrevistas de emprego, jornalística etc. E têm caráter mais formal. 
1A seguir um exemplo de entrevista diálogo induzido, formal: 
Entrevista: Leila Velez – Empreendedora de Sucesso 
Por Karen Pegorari Silveira 
Para o Comitê de Jovens Empreendedores (CJE), da Federação das Indústrias do 
Estado de São Paulo (Fiesp), o empreendedor é aquele que aproveita a oportunidade para 
criar mudanças, considerado o principal promotor dos desenvolvimentos econômico e 
social de um país. 
Com essa visão e a oportunidade de alavancar um negócio criativo e lucrativo, a 
empresária Leila Velez entrou na Beleza Natural, empresa que criou produtos para hidratar 
cabelos crespos e ondulados em uma época em que a única opção eram os produtos para 
alisar esse tipode fio. 
 
1 Portal Fiesp > Índices, pesquisas e publicações > Entrevista: Leila Velez - Empreendedora de 
Sucesso. Fonte: http://www.fiesp.com.br 
 
 
 
 
20 
 
A executiva ajudou a profissionalizar o negócio da família Assis, que hoje conta com 
25 institutos em operação, sendo 14 no estado do Rio de Janeiro, dois no Espírito Santo, 
três na Bahia, três em São Paulo e três em Minas Gerais e tem apresentado um crescimento 
médio de 30% em faturamento ao ano. 
Conheça melhor a sócia-fundadora da Rede Beleza Natural: 
Conte-nos um pouco da sua história e quais os diferenciais do Beleza Natural 
no mercado? 
Leila Velez – Comecei no McDonald’s com 14 anos. Aos 16 anos, fui promovida a 
gerente mais jovem da empresa. Lá fiquei por quatro anos, onde aprendi os primeiros 
conhecimentos de processos, controles, atendimento e marketing. 
A história do Instituto Beleza Natural nasceu do empreendedorismo de seus quatro 
sócios, Zica Assis, seu marido Jair Conde, seu irmão Rogério Assis e eu, que já tinha muita 
amizade com a família. Zica Assis tinha uma insatisfação constante com seus cabelos, 
muito crespos e armados. Não queria alisá-los, mas não existiam produtos no mercado que 
“domassem” os seus cachos. Enquanto trabalhava em casas de família, fez um curso de 
cabeleireira e foi misturando produtos até chegar à famosa fórmula do Super-Relaxante, 
abrindo espaço para um nicho de mercado não muito explorado no início da década de 
90. Para abrir o primeiro salão, num fundo de quintal na localidade da Muda (Tijuca, Zona 
Norte do Rio de Janeiro), formamos uma sociedade. 
Ao longo de nossa trajetória e 21 anos de muito sucesso, temos comprovado que 
nossos clientes gostam de ser tratados e atendidos com carinho, cuidado e de forma 
personalizada. É fundamental conhecer o perfil e a história de cada cliente, pois as 
expectativas são sempre altas quando estamos falando de autoestima. Toda a equipe do 
Beleza Natural foi treinada para oferecer uma consultoria aos clientes, em relação ao 
melhor tratamento e linha de produtos, adequada às suas necessidades. O foco é gerar o 
laço de confiança que permite o relacionamento de longo prazo e, assim, gerar melhores 
resultados a cada ano. Por isso, a nossa responsabilidade é enorme! 
Qual foi o maior desafio encontrado até hoje como empreendedora? 
Leila Velez – Desafio é o que não faltou na nossa história. Na verdade, tudo é 
complicado para o pequeno empreendedor. Na medida em que a empresa cresce, tendo 
um pouco mais de escala, as coisas ficam mais fáceis. A questão da credibilidade é muito 
séria para qualquer empreendimento prosperar. Para nós, abrir uma conta no banco era 
 
 
 
 
21 
 
difícil, quem diria conseguir financiamento. Fornecedores também diziam que nossa ideia 
não interessava. Não tínhamos capital para fazer um salão grande ou para decorá-lo como 
gostaríamos, não tínhamos crédito em bancos ou financeiras, não tínhamos verba para 
publicidade, mas isso não nos impediu de prosperar. Usamos todas as economias no nosso 
primeiro salão e nosso sucesso se fez na boca a boca. Mas, desde o início nosso diferencial 
sempre foi um atendimento inovador e soluções pensadas a partir da necessidade de nosso 
público-alvo – tudo isso somado a muita criatividade. As dificuldades nunca fizeram com 
que desistíssemos do nosso sonho, pelo contrário. Sempre buscávamos um meio de 
solucionar o problema da maneira mais criativa e eficiente. 
Todos os produtos utilizados no salão são de fabricação própria? Como é a 
estrutura que vocês têm para a produção? 
Leila Velez – Desde 1993, o Beleza Natural fundou a Cor Brasil Cosméticos, seu 
braço industrial. Cansamos de brigar com terceristas pela qualidade que buscamos para os 
nossos produtos. Assim, os sócios decidiram abrir uma fábrica própria, certificando-se de 
que estamos oferecendo os melhores produtos (profissionais e para tratamento) para os 
clientes. 
A Cor Brasil Cosméticos tem laboratórios de pesquisa e desenvolvimento, de onde 
são criados os produtos que vão atender às reais necessidades dos clientes, e com uma 
planta onde são produzidas todos os meses 300 toneladas de cremes, bases, shampoos e 
condicionadores de uso doméstico e profissional. Atualmente a fábrica, localizada em 
Bonsucesso (RJ) passa por uma importante obra de expansão, que vai possibilitar o 
aumento da produção e a criação de novas linhas que, hoje, representa 60 produtos. 
O processo de desenvolvimento de produtos tem, além do foco constante nas 
sugestões e solicitações dos nossos clientes, um forte trabalho de pesquisa de matérias-
primas, tendências observadas em feiras e congressos nacionais e internacionais, e 
parcerias com universidades e centros de excelência. 
Duas dessas parcerias são com o Pólo de Biotecnologia do Rio de Janeiro (Bio Rio) 
e a outra com a Universidade Nacional de Brasília (UNB) e seu Instituto Nacional de Ciência 
e Tecnologia (INTC) – ambas para pesquisa e desenvolvimento de novos produtos e 
tratamentos. 
 
 
 
 
22 
 
Inovação ainda é um termo muito distante do cotidiano de milhões de 
pequenos empresários. Como é possível inovar sem recorrer a grandes parcerias? 
Qual sua recomendação ao pequeno empresário? 
Leila Velez – Muitas empresas de cosméticos “traduzem” suas formulações para o 
mercado brasileiro, mas não foram criadas pensando nas reais necessidades da 
consumidora brasileira, em qualidade e preço. 
O Beleza Natural conhece profundamente a mulher brasileira de classe C (maior 
mercado potencial de cosméticos no Brasil) e se aprofunda em pesquisa 
e desenvolvimento para oferecer produtos que não atenda aos apelos de curto prazo, 
quase modismos, muito comuns na indústria cosmética. Focamos em uma estratégia onde 
a maior frequência de lançamentos é substituída por lançamentos realmente relevantes 
para nossa consumidora, uma vez que atende a uma necessidade real apresentada por 
ela. Essa é a nossa vantagem competitiva de longo prazo. 
Quando fundamos o primeiro salão Beleza Natural conhecíamos muito bem os 
problemas que cada um de nossos clientes vive: uma batalha com o próprio cabelo, baixa 
autoestima, dificuldade para relacionar-se profissionalmente e socialmente. E isso fez toda 
a diferença. Além disso, a paixão pelo segmento é fundamental. Não adianta começar um 
negócio pensando apenas em ganhar dinheiro. O importante é entender do que se vai fazer 
e, principalmente, amar esta atividade verdadeiramente. 
Você faz parte de diferentes redes, como Endeavor, Sebrae, entre outras. Como 
essas redes ajudam seu negócio? 
Leila Velez – O Beleza Natural nasceu praticamente junto com o Plano Real e 
crescemos com essa parcela da população que vem ganhando poder de compra cada vez 
mais. Tivemos muita dificuldade em ter quem acreditasse que o negócio era promissor. 
Mas isso nos deu ainda mais força para construir nosso próprio caminho. Aos poucos, 
quando fomos crescendo, passamos a ter o apoio de outras pessoas também. Hoje, 
fazemos parte de uma ONG internacional, a Endeavor, que ajuda empreendedores no 
mundo todo. Eles nos ajudam dando aconselhamentos, nos aproximando de grandes 
consultores e outras grandes empresas. 
O empreendedor muitas vezes se sente muito sozinho nas suas decisões. Fazer 
parte de redes como essas nos dá oportunidade de trocar ideias com pessoas que tiveram 
 
 
 
 
23 
 
as mesmas dúvidas e angustias que nós em vários momentos do negócio. Não abrimos 
mão dessa ajuda e nem de ajudar a quem precise. 
Como você percebeu, há dois interlocutores no diálogo (entrevista) acima: o 
representante da revista é o interlocutor 1 e a Entrevistada Leila Velez é o interlocutor 2.Os diálogos estão muito presentes em narrativas e em textos teatrais. A marcação do 
diálogo, nesses casos, é feita pelo travessão (─). 
4 QUALIDADES DO TEXTO: COESÃO E COERÊNCIA 
 
Fonte: mariliafiuza.com 
A Coesão e a Coerência são mecanismos fundamentais na construção textual. 
Para que um texto seja eficaz na transmissão da sua mensagem é essencial que 
faça sentido para o leitor. 
Além disso, deve ser harmonioso, de forma a que a mensagem flua de forma segura, 
natural e agradável aos ouvidos. 
4.1 Coesão Textual 
A coesão é resultado da disposição e da correta utilização das palavras que 
propiciam a ligação entre frases, períodos e parágrafos de um texto. Ela colabora com sua 
organização e ocorre por meio de palavras chamadas de conectivos. 
Mecanismos de Coesão 
A coesão pode ser obtida através de alguns mecanismos: anáfora e catáfora. 
 
 
 
 
24 
 
A anáfora e a catáfora se referem à informação expressa no texto e, por esse motivo, 
são qualificadas como endofóricas. 
Enquanto a anáfora retoma um componente, a catáfora o antecipa, contribuindo com 
a ligação e a harmonia textual. 
Confira abaixo algumas regras que garantem a coesão textual: 
Referência 
 Pessoal: utilização de pronomes pessoais e possessivos. Exemplo: João e Maria 
casaram. Eles são pais de Ana e Beto. (Referência pessoal anafórica) 
 Demonstrativa: utilização de pronomes demonstrativos e advérbios. Exemplo: Fiz 
todas as tarefas, com exceção desta: arquivar a correspondência. (Referência 
demonstrativa catafórica) 
 Comparativa: utilização de comparações através de semelhanças. Exemplo: Mais 
um dia igual aos outros… (Referência comparativa endofórica) 
Substituição. 
Substituir um elemento (nominal, verbal, frasal) por outro é uma forma de evitar as 
repetições. 
Exemplo: Vamos à prefeitura amanhã, eles irão na próxima semana. 
Observe que a diferença entre a referência e a substituição está expressa 
especialmente no fato de que a substituição acrescenta uma informação nova ao texto. 
No caso de “João e Maria casaram. Eles são pais de Ana e Beto”, o pronome pessoal 
referência as pessoas João e Maria, não acrescentando informação adicional ao texto. 
Elipse 
Um componente textual, quer seja um nome, um verbo ou uma frase, pode ser 
omitido através da elipse. 
 
Exemplo: Temos ingressos a mais para o concerto. Você os quer? 
 
 
 
 
 
25 
 
(A segunda oração é perceptível mediante o contexto. Assim, sabemos que o que 
está sendo oferecido são ingressos para o concerto.) 
Conjunção 
A conjunção liga orações estabelecendo relação entre elas. 
 
Exemplo: Nós não sabemos quem é o culpado, mas ele sabe. (Adversativa) 
Coesão Lexical 
A coesão lexical consiste na utilização de palavras que possuem sentido aproximado 
ou que pertencem a um mesmo campo lexical. São elas: sinônimos, hiperônimos, nomes 
genéricos, entre outros. 
 
Exemplo: Aquela escola não oferece as condições mínimas de trabalho. A instituição 
está literalmente caindo aos pedaços. 
4.2 Coerência Textual 
Coerência é a relação lógica das ideias de um texto que decorre da sua 
argumentação - resultado especialmente dos conhecimentos do transmissor da mensagem. 
Um texto contraditório e redundante ou cujas ideias iniciadas não são concluídas, é 
um texto incoerente. A incoerência compromete a clareza do discurso, a sua fluência e a 
eficácia da leitura. 
Assim a incoerência não é só uma questão de conhecimento, decorre também do 
uso de tempos verbais e da emissão de ideias contrárias. 
Exemplos: 
O relatório está pronto, porém o estou finalizando até agora. (processo verbal 
acabado e inacabado) 
Ele é vegetariano e gosta de um bife muito mal passado. (os vegetarianos são assim 
classificados pelo fato de se alimentar apenas de vegetais) 
 
 
 
 
 
26 
 
Fatores de Coerência 
São inúmeros os fatores que contribuem para a coerência de um texto, tendo em 
vista a sua abrangência. Vejamos alguns: 
Conhecimento de Mundo 
É o conjunto de conhecimento que adquirimos ao longo da vida e que são arquivados 
na nossa memória. 
São os chamados frames (rótulos), esquemas (planos de funcionamento, como a 
rotina alimentar: café da amanhã, almoço e jantar), planos (planejar algo com um objetivo, 
tal como jogar um jogo), scripts (roteiros, tal como normas de etiqueta). 
Exemplo: Peru, Panetone, frutas e nozes. Tudo a postos para o Carnaval! 
Uma questão cultural nos leva a concluir que a oração acima é incoerente. Isso 
porque “peru, panetone, frutas e nozes” (frames) são elementos que pertencem à 
celebração do Natal e não à festa de carnaval. 
Inferências 
Através das inferências, as informações podem ser simplificadas se partimos do 
pressuposto que os interlocutores partilham do mesmo conhecimento. 
Exemplo: Quando os chamar para jantar não esqueça que eles são indianos. (ou seja, em 
princípio, esses convidados não comem carne de vaca) 
 
Fatores de contextualização 
Há fatores que inserem o interlocutor na mensagem providenciando a sua clareza, 
como os títulos de uma notícia ou a data de uma mensagem. 
Exemplo: 
— Está marcado para às 10h. 
— O que está marcado para às 10h? Não sei sobre o que está falando. 
 
Informatividade 
 
 
 
 
27 
 
Quanto maior informação não previsível um texto tiver, mais rico e interessante ele 
será. Assim, dizer o que é óbvio ou insistir numa informação e não desenvolvê-la, com 
certeza desvaloriza o texto. 
Exemplo: O Brasil foi colonizado por Portugal. 
Princípios Básicos 
Após termos visto os fatores acima, é essencial ter em atenção os seguintes 
princípios para se obter um texto coerente: 
 Princípio da Não Contradição - ideias contraditórias 
 Princípio da Não Tautologia - ideias redundantes 
 Princípio da Relevância - ideias que se relacionam 
4.3 Diferença entre Coesão e Coerência 
Coesão e coerência são coisas diferentes, de modo que um texto coeso pode ser 
incoerente. Ambas têm em comum o fato de estarem relacionadas com as regras 
essenciais para uma boa produção textual. 
A coesão textual tem como foco a articulação interna, ou seja, as questões 
gramaticais. 
A coesão nada mais é que a ligação harmoniosa entre os parágrafos, fazendo com 
que fiquem ajustados entre si, mantendo uma relação de significância. 
Já a coerência textual trata da articulação externa e mais profunda da mensagem. 
Nos referimos à lógica interna de um texto, isto é, o assunto abordado tem que se manter 
intacto, sem que haja distorções, facilitando, assim, o entendimento da mensagem. 
Estes são apenas alguns dos requisitos para a elaboração de um texto 
5 INTERTEXTUALIDADE 
Diálogo entre dois ou mais textos, que não precisam ser necessariamente de um 
mesmo gênero, a intertextualidade é um fenômeno que pode manifestar-se de diferentes 
maneiras. 
 
 
 
 
28 
 
A intertextualidade pode ser implícita ou explícita e manifestar-se por meio da 
paródia ou da paráfrase. O que esses variados tipos têm em comum? Todos eles resgatam 
referências nos chamados textos-fonte, que são aqueles textos considerados fundamentais 
em uma cultura. 
Vamos analisar a estrutura da palavra: inter é um sufixo de origem latina e faz 
referência à noção de relação. Por isso, é correto afirmar que a intertextualidade refere-se 
às relações entre os textos, assim como é correto afirmar que todo texto, em maior ou 
menor grau, é um intertexto, e isso acontece em virtude das relações dialógicas firmadas. 
 
Veja o exemplo: 
 
 
Bom conselho 
 
(Chico Buarque) 
 
Ouça um bom conselho 
Que eu lhe dou de graça 
Inútil dormir que a dor não passa 
Espere sentado 
Ou você se cansa 
Está provado,quem espera nunca alcança 
 
Venha, meu amigo 
Deixe esse regaço 
Brinque com meu fogo 
Venha se queimar 
Faça como eu digo 
Faça como eu faço 
Aja duas vezes antes de pensar 
 
Corro atrás do tempo 
Vim de não sei onde 
Devagar é que não se vai longe 
Eu semeio o vento 
Na minha cidade 
Vou pra rua e bebo a tempestade. 
 
O cantor e compositor apropriou-se de alguns ditados populares, mas em vez de 
citá-los, isto é, empregá-los como eles exatamente são, Chico optou por parodiá-los, 
invertendo seus significados e atribuindo-lhes novos sentidos, o que confere à música o 
 
 
 
 
29 
 
efeito de humor. Esse tipo de estratégia textual é muito comum na literatura brasileira, 
recorrente principalmente no gênero poema. 
 
Canção do Exílio 
(Gonçalves Dias) 
 
Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá; 
As aves, que aqui gorjeiam, 
Não gorjeiam como lá. 
 
Nosso céu tem mais estrelas, 
Nossas várzeas têm mais flores, 
Nossos bosques têm mais vida, 
Nossa vida mais amores. 
 
Em cismar, sozinho, à noite, 
Mais prazer encontro eu lá; 
Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá. 
 
Minha terra tem primores, 
Que tais não encontro eu cá; 
Em cismar — sozinho, à noite — 
Mais prazer encontro eu lá; 
Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá. 
 
Não permita Deus que eu morra, 
Sem que eu volte para lá; 
Sem que desfrute os primores. 
 
 
 
 
 
30 
 
 
Fonte: brasilescola.uol.com.br 
Mesmo quando não temos a intenção de utilizá-la, o fazemos inconscientemente, 
resgatando modelos e parâmetros estabelecidos nos chamados textos fontes, 
considerados fundamentais em uma determinada cultura por fazerem parte da memória 
coletiva de uma sociedade. 
A relações dialógicas entre textos é um conceito essencial à intertextualidade e que, 
quanto mais lemos e conhecemos os textos fontes, mais inferências somos capazes de 
realizar. Um texto pode apresentar diversas vozes, para as quais damos o nome de 
polifonia, que é as referências presentes nas entrelinhas do texto. Muitos escritores e 
compositores utilizaram esse recurso na construção de paródias, paráfrases ou citações. 
Como é um conceito amplo e passível de classificações, a intertextualidade pode ser 
classificada em dois tipos principais: intertextualidade explícita e intertextualidade implícita. 
5.1 Intertextualidade explícita 
Ocorre a citação da fonte do intertexto, encontrada principalmente nas citações, nos 
resumos, resenhas e traduções, além de estar presente também em diversos anúncios 
publicitários. Nesse caso, dizemos que a intertextualidade se localiza na superfície do texto, 
pois alguns elementos nos são fornecidos para que identifiquemos o texto fonte. Observe 
um exemplo: 
 
 
 
 
31 
 
 
 
Fonte: br.pinterest.com 
No anúncio publicitário utilizado no exemplo, há uma forte referência ao texto fonte, 
facilmente identificada pelo leitor através dos elementos fornecidos pela linguagem verbal 
e pela linguagem não verbal, fazendo menção ao quadro de Mona Lisa de Leonardo da 
Vinci 
A intertextualidade também poder trazer a combinação de textos com imagens, para 
ver o diálogo entre as peças diferentes que podem ter partido da mesma fonte de 
inspiração, que podem pertencer à mesma escola ou movimento literário, e assim por 
diante. Charges e cartoons também são muito utilizadas. 
5.2 Intertextualidade implícita 
Ocorre de maneira diferente, pois não há citação expressa da fonte, fazendo com 
que o leitor busque na memória os sentidos do texto. Geralmente está inserida nos textos 
do tipo paródia ou do tipo paráfrase, ganhando espaço também na publicidade. 
 
 
 
 
32 
 
 
 
Fonte: brasilescola.uol.com.br 
Há um elemento verbal que permite o entendimento do texto fonte, mas essa 
inferência depende de um conhecimento prévio do leitor: se ele não souber que há uma 
referência à música “Mania de você”, da cantora Rita Lee, provavelmente o texto não será 
compreendido em sua totalidade. 
Portanto, a intertextualidade é um elemento muito importante para a constituição de 
sentidos do texto, colaborando em muito para a coerência textual ao reforçar a ideia de que 
a competência linguística não depende apenas do conhecimento do código linguístico, mas 
também do conhecimento das relações intertextuais. 
6 PRODUÇÃO 
6.1 Estrutura da frase e do parágrafo 
Define-se como todo e qualquer enunciado de sentido completo, não importando se 
é formado por uma ou várias palavras, ou se possui verbos ou não; caso não os possua 
passa a ser chamada de frase nominal. 
 
 
 
 
33 
 
Frases têm como objetivo exprimir ideias, emoções, ordens, apelos etc. A entonação 
é responsável por indicar de maneira clara o início e o fim de uma frase, assim como é 
capaz de ajudar a dar sentido a ela. Através de gestos e expressões faciais e corporais, 
somados ao contexto em que a frase está sendo dita, uma curta frase pode ganhar extenso 
significado. Na língua escrita a entonação é garantida pela pontuação, ficando o próprio 
texto encarregado de munir a frase de contexto, o que traz a necessidade de frases mais 
completas, por isso algumas vezes mais extensas. 
Tipos de Frases 
 Frases interrogativas: ocorrem quando são empregadas com o intuito de obter 
alguma informação através de pergunta. A interrogação pode ser direta ou indireta, 
conforme os exemplos: 
 Você gostaria de dançar? (Interrogação direta) 
 Desejamos saber quando ocorrerá o pagamento da dívida (interrogação indireta) 
 Você tem alergia a algum tipo de medicação? (Interrogação direta) 
 Gostaríamos de saber se a senhora possui algum tipo de alergia a 
medicamentos (interrogação indireta) 
 
Frases imperativas: dá-se esse nome às frases em que existe uma ordem, pedido 
ou conselho sendo dado pelo emissor. Podem ser negativas ou afirmativas. Exemplos: 
 Cale-se! (Afirmativa) 
 Não deixe a porta aberta. (Negativa) 
 Jogue isto no lixo. (Afirmativa) 
 Nunca permita que falem dessa forma com você. (Negativa) 
 
Frases exclamativas: nesse tipo de frase o emissor demonstra um estado afetivo. 
Exemplos: 
 Que filme horrível! 
 A torta estava muito gostosa. 
 O dia de hoje foi super difícil. 
 Esse livro é interessantíssimo. 
 
 
 
 
34 
 
 
Frases declarativas: nesse tipo de frase o emissor constata um fato, informa ou 
declara alguma coisa. Podem ser afirmativas ou negativas. 
 Hoje é nosso último dia de aula. (Afirmativa) 
 Ontem a merenda escolar não foi servida. (Negativa) 
 Pedro jamais mentiria para mim. (Negativa) 
 
Frases optativas: nelas o emissor manifesta um desejo. Exemplos: 
 Deus te abençoe! 
 Espero que tudo dê certo 
 Que hoje seu dia seja muito feliz. 
 
No que diz respeito à classificação, as frases podem ser nominais ou verbais. 
Frase Nominal: a frase não possui verbos em sua construção. Exemplos: 
 Cuidado! 
 Credo! 
 Silencio! 
 Muito bonito isso, hein? 
 
Frase Verbal: a frase possui verbo em sua construção. Exemplos: 
 O bolo de Antônia ficará lindo. 
 Amanhã acordarei bem cedo. 
 Queremos lhe agradecer por tudo. 
 Pedimos desculpas pelo atraso. 
 
Frases que possuam sentido completo e verbo (ou locução verbal) são consideradas 
orações. Uma frase pode conter uma ou mais orações, a depender do número de verbos e 
que possua. Exemplos: 
 Murilo brincou no parquinho. (Uma oração) 
 Hoje levarei o Murilo ao parquinho, ele brincará bastante. (Duas orações) 
 
 
 
 
35 
 
 Amanhã levarei Murilo ao parquinho, ele brincará com a Carol, porém serei 
cuidadosa. (Três orações) 
 
O períodotrata-se de frases formadas por uma ou mais orações, tendo no seu todo 
um sentido completo. O período pode ser simples ou composto. 
Período simples: é formado por apenas uma oração, chamada de oração absoluta. 
 O almoço hoje será um assado. 
 Crianças precisam de amor e disciplina. 
 Ele me presenteou com um lindo anel. 
 Leandro é um menino encantador, porém levado. 
Período composto: é formado por duas ou mais orações. 
 Quando o demitiram sua vida ficou sem sentido. 
 Comprarei aquela bola para presentear meu filho. 
 Eu quero que todos saibam o que aconteceu ontem quando cheguei aqui. 
 Cheguei, dancei, bebi, namorei e mostrei a todos como se curte a vida. 
Costuma-se confundir “período” com “parágrafo”, o que é um erro. Numa redação, a 
estrutura e a composição de cada parágrafo se relacionam com as ideias ou as informações 
que o autor quer revelar ao leitor. 
Em um mesmo parágrafo, podem ser incluídas ideias diferentes, porém relacionadas 
entre si formando um conjunto com um mesmo sentido. Ou seja, na verdade não são ideias 
“diferentes”, e sim complementares” (cada uma é uma sequência ou complementação das 
anteriores. 
O período é um pensamento que pode ser expresso através de uma frase e que se 
relaciona com os períodos anteriores e pode ser ampliado pelos posteriores, formando um 
sentido completo. 
 
 
 
 
36 
 
7 A CONSTRUÇÃO DO TEXTO 
 
Fonte: booxs.com.br 
Os elementos que não podem faltar em uma boa redação, são dicas que servem 
para nortear os estudos: 
 
 Quem lê mais, escreve melhor: Não adianta querer escrever bem se você 
corre dos livros! Quando lemos, temos a oportunidade de observar a língua 
portuguesa em funcionamento, pois as palavras só ganham vida quando 
estão inseridas em um determinado contexto. Quando lemos, temos também 
a oportunidade de observar as regras gramaticais em ação. Portanto, nada de 
preguiça, escolha já a sua próxima leitura! 
 Pratique a escrita: Se você não praticar, como vai colocar em ação tudo aquilo 
que aprendeu na escola e nos livros? Treine, faça rascunhos e peça para que 
alguém corrija e aponte o que deve ser melhorado. Que tal pedir para o 
professor ou professora de língua portuguesa? 
 Respeite o número de linhas exigido: Nada de fazer um texto minúsculo e 
nada de fazer um texto enorme, porque certamente ele vai deixar seu leitor 
desanimado. Se a professora ou professor impor um limite de linhas, respeite. 
 
 
 
 
37 
 
 Releia seu texto: Não tenha pressa, pois como já diz o ditado, “a pressa é 
inimiga da perfeição”. Terminou de escrever seu texto? Releia-o. 
 Fique atento à estrutura do texto: Um bom texto deve conter todas as suas 
partes (introdução, desenvolvimento e conclusão) bem desenvolvidas e 
articuladas. O texto ideal deve ter por volta de quatro a cinco parágrafos, um 
tamanho razoável para explorar suas ideias. 
 Seja objetivo: o que significa não acrescentar em seu texto nada que não vá 
contribuir para a apresentação das ideias. Sabe aqueles chavões e clichês? 
Pois é, esqueça-os, pois normalmente eles são apenas a representação da 
falta de conteúdo das ideias. 
 Fique atento às margens e ao recuo dos parágrafos: Organize seu texto! Uma 
redação que não respeita as margens e os recuos dos parágrafos fica 
praticamente ininteligível! Não se esqueça também de caprichar na letra, 
lembre-se de que uma redação deve ser lida por alguém, e esse alguém 
precisa entender tudo que você escreveu. 
 Atenção com o título: Quando for dar um título para o seu texto, prefira frases 
curtas e, se possível, nominais, isto é, sem verbos. Não precisa pontuar ao 
final. 
 Evite períodos longos: Sabe quando você se anima e começa a escrever sem 
parar? Pois é, até nessa hora é preciso ficar atento, pois se você não tomar 
cuidado, seus períodos vão ficar longos e isso certamente prejudicará o 
desenvolvimento das ideias. Pontue seu texto com mais frequência, permita 
que seu leitor sinta prazer ao ler! 
8 TIPOS TEXTUAIS 
Os tipos de textos, são classificados de acordo com sua estrutura, objetivo e 
finalidade. 
De maneira geral, a tipologia textual é dividida em: texto narrativo, descritivo, 
dissertativo, expositivo e injuntivo. 
 
 
 
 
38 
 
8.1 Texto Narrativo 
Narrar fatos e acontecimentos é algo próprio do ser humano. Verdade ou ficção, a 
narrativa cumpre a função de preservar nossa cultura e hábitos, além de entreter e levar à 
reflexão sobre a vida. Quando a história é real, é chamada de relato; quando não, é ficção. 
Esse tipo de texto é marcado pela temporalidade. O fato e a ação ocorrem em uma 
linha de tempo, por isso, quase sempre, esse é um dos primeiros elementos a se apresentar 
na narrativa. Outro fator que logo aparece é o espaço, denominado cenário, que pode ser 
classificado em físico e psicológico. 
Quanto aos personagens, dois são os principais. O protagonista é quem mais se 
destaca, quase sempre encarna o bem, sendo o centro das atenções. Já o antagonista 
provoca o conflito, é a voz contrária. Dentre os personagens secundários, um costuma 
sobressair mais, geralmente o caricato, que dá humor e leveza ao texto. 
No primeiro caso, o narrador é personagem, narra na primeira pessoa do singular ou 
do plural e participa da história, normalmente como personagem protagonista. No segundo, 
pode ser narrador-observador, quando conta como se estivesse vendo os fatos 
acontecerem, mas sem participar da história, ou, narrador-onisciente, que fala como se 
estivesse no subconsciente do personagem, dentro do mesmo”. 
A narrativa também pode ser relatada por meio do discurso direto, quando dá-se voz 
ao personagem, é o mesmo quem fala. Nesse tipo de texto, há uso frequente de verbos 
dicendi2, que indicam que alguém vai se expressar, como falar, gritar, perguntar, e a 
pontuação utiliza parágrafo e travessão antes das falas. Outro modo de apresentar a fala 
pelo discurso direto é com o uso de dois pontos e aspas, sem o travessão. 
No discurso indireto, o autor narra com suas próprias palavras as falas dos 
personagens. Já o discurso indireto livre é uma mistura do discurso direto e indireto. 
8.2 Texto Descritivo 
O texto descritivo é caracterizado por descrever algo ou alguém detalhadamente, 
sendo possível ao leitor criar uma imagem mental do objeto ou ser descrito, de acordo com 
 
2 Os verbos dicendi ou “de dizer” são aqueles que usamos para introduzir um diálogo. Geralmente é 
utilizado em entrevistas jornalísticas, contos de ficção, como romances, e prosas. 
 
 
 
 
39 
 
a descrição efetuada. Descrição essa tanto dos aspectos mais importantes e característicos 
que generalizam um objeto ou ser, como dos pormenores e detalhes que os diferenciam 
dos outros. 
Não é, por norma, um tipo de texto autônomo, encontrando-se presente em outros 
textos, como o texto narrativo. Passagens descritivas ocorrem no meio da narração quando 
há uma pausa no desenrolar dos acontecimentos para caracterizar pormenorizadamente 
um objeto, um lugar ou uma pessoa, sendo um recurso útil e importante para capturar a 
atenção do leitor. 
Estrutura 
Introdução: Primeiramente é feita a identificação do ser ou objeto que será descrito, 
de moda que o leitor foque sua atenção nesse ser ou objeto. 
Desenvolvimento: Ocorre então a descrição do objeto ou ser em foco, apresentando seus 
aspectos mais gerais e mais pormenorizados, havendo caracterizações mais objetivas e 
outras mais subjetivas. 
A descrição está concluída quando a caracterização do objeto ou ser estiver 
terminada. 
O texto descritivo não se encontra limitado por noções temporais ou relações 
espaciais, visto descrever algoestático, sem ordem fixa para a realização da descrição. Há 
uma notória predominância de substantivos, adjetivos e locuções adjetivas, em detrimento 
de verbos, sendo maioritariamente necessária a utilização de verbos de estado, como ser, 
estar, parecer, permanecer, ficar, continuar, tornar-se, andar, e etc. 
O uso de uma linguagem clara e dinâmica, com vocabulário rico e variado, bem como 
o uso de enumerações e comparações, ou outras figuras de linguagem, servem para melhor 
apresentar o objeto ou ser em descrição, enriquecendo o texto e tornando-o mais 
interessante para o leitor. 
A descrição pode ser mais objetiva, focalizando aspectos físicos, ou mais subjetiva, 
focalizando aspectos emocionais e psicológicos. Nas melhores descrições, há um equilíbrio 
entre os dois tipos de descrição, sendo o objeto ou ser descrito apresentado nas suas 
diversas vertentes. 
Na descrição de pessoas, há a descrição de aspectos físicos, ou seja, aquilo que 
pode ser observado e a descrição de aspectos psicológicos e comportamentais, como o 
 
 
 
 
40 
 
caráter, personalidade, humor, apreendidos pelo convívio com a pessoa e pela observação 
de suas atitudes. 
 Na descrição de lugares ocorre tanto a descrição de aspectos físicos, como a 
descrição do ambiente social, econômico, político. Na descrição de objetos, embora 
predomine a descrição de aspectos físicos, pode ocorrer uma descrição sensorial, que 
estimule os sentidos do leitor. 
Tipos de descrição 
Embora seja possível distinguir tipos de descrição, é essencial que os três tipos 
estejam presentes numa descrição, de forma a torná-la completa, rica e interessante. 
 Descrição Objetiva 
Descrição exata e precisa do objeto ou ser; 
Maior aproximação possível da realidade; 
Isenta de opiniões e duplos sentidos; 
Descrição de aspectos físicos; 
Utilização de uma linguagem clara, direta e realista; 
Utilização de uma linguagem denotativa; 
Descrição que torna o texto mais verídico. 
 Descrição Subjetiva 
Confere um cunho pessoal ao objeto ou ser descrito; 
Transmissão de um estado de espírito e de sentimento; 
Descrição de aspectos emocionais; 
Utilização de uma linguagem simbólica e metafórica; 
Utilização de uma linguagem conotativa; 
Descrição que torna o texto mais interessante. 
 
 Descrição Sensorial 
 
Provoca sensações no leitor, explorando diversos sentidos): 
Sensações visuais: saia vermelha, mãos enormes, tecido florido, toalha redonda. 
 
 
 
 
41 
 
Sensações auditivas: crianças barulhentas, casa silenciosa, ruído ensurdecedor, 
sibilante som das sílabas. 
Sensações gustativas: resposta amarga, bolo delicioso, prazer agridoce, mar 
salgado. 
Sensações olfativas: cheiro nauseabundo, aroma agradável, odor fétido e pestilento, 
roupa perfumada. 
Sensações táteis: chão duro e áspero, seda macia, pele fria, tecido rugoso. 
Veja o exemplo a seguir: 
8.3 Texto Dissertativo 
O Texto Dissertativo é um tipo de texto argumentativo e opinativo, uma vez que 
expõe a opinião sobre determinado assunto ou tema, por meio de uma argumentação 
lógica, coerente e coesa. 
 
 
 
 
“O que surpreendia logo era o pátio, outrora tão lôbrego, nu, latejado 
de pedregulhos – agora resplandecente, com um pavimento quadrilhado de 
mármores brancos e vermelhos, plantas decorativas, vasos de Quimper, e 
dois longos bancos feudais que Carlos trouxera de Espanha, trabalhados em 
talha, solenes como coros de catedral. Em cima, na antecâmara, revestida 
como uma tenda de estofos do Oriente, todo o rumor de passos morria: e 
ornavam-na divãs cobertos de tapetes persas, largos pratos mouriscos com 
reflexos metálicos de cobre, uma harmonia de tons severos, onde destacava, 
na brancura imaculada do mármore, uma figura de rapariga friorenta, 
arrepiando-se, rindo, ao meter o pezinho na água. ” 
(Os Maias, Eça de Queirós) 
 
 
 
 
 
42 
 
Estrutura 
 
A estrutura de um texto dissertativo está baseada em três momentos: 
Introdução: Também chamada de "Tese", nesse momento, o mais importante é 
expor a ideia central sobre o tema de maneira clara. Importante lembrar que a Introdução 
é a parte mais importante do texto e por isso deve conter a informações que logo serão 
desenvolvidas. 
Desenvolvimento: Também chamada de "Anti-Tese" ou "Antítese", nessa parte do 
texto é que se desenvolve a argumentação por meio de opiniões, dados, levantamentos, 
estatísticas, fatos e exemplos sobre o tema, a fim de que sua tese (ideia central) seja 
defendida com propriedade. 
O próprio nome já supõe que é necessário concluir o texto. Em outras palavras, não 
deixamos um texto sem concluí-lo e, por isso, esse momento é chamado de "Nova Tese" 
por ser um momento de fechamento das ideias, e principalmente da inserção de uma nova 
ideia, ou seja, uma "nova tese". 
Existem dois tipos de dissertação: a Dissertação Argumentativa e a Dissertação 
Expositiva. 
Texto Dissertativo Argumentativo 
Nessa modalidade, a intenção é persuadir o leitor, convencê-lo de sua tese (ideia 
central) a partir de coerente argumentação, exemplos, fatos. 
Texto Dissertativo Expositivo 
É a exposição de ideias, teorias, conceitos sem necessariamente tentar convencer 
o leitor. 
8.4 Texto Expositivo 
O texto expositivo é um tipo de texto que visa a apresentação de um conceito ou de 
uma ideia. 
 
 
 
 
43 
 
Muito comum esse tipo de texto ser abordado no contexto escolar e acadêmico, uma 
vez que inclui formas de apresentação, desde seminários, artigos acadêmicos, congressos, 
conferências, palestras, colóquios, entrevistas, dentre outros. 
Recursos Linguísticos 
No texto expositivo, o objetivo central do locutor (emissor) é explanar sobre 
determinado assunto, a partir de recursos como a conceituação, a definição, a descrição, a 
comparação, a informação e enumeração. 
Classificação dos Textos Expositivos 
De acordo com seu objetivo central, os textos expositivos são classificados em dois 
tipos: 
Texto Expositivo-argumentativo 
Nesse caso, além de apresentar o tema, o emissor foca nos argumentos necessários 
para a explanação de suas ideias. 
Dessa forma, recorre aos diversos autores e teorias para comparar, conceituar e 
defender sua opinião. 
Texto Expositivo-informativo 
Nesta ocasião, o objetivo central do emissor é simplesmente transmitir as 
informações sobre determinado tema, sem grandes apreciações e, por isso, com o máximo 
de neutralidade. 
Podemos pensar numa apresentação sobre os índices de violência no país, de modo 
que o conjunto de informações, gráficos e dados sobre o tema, apresentam tão somente 
informações sobre o problema, sem defesa de opinião. 
Exemplo: Verbete de dicionário 
 
 
 
 
44 
 
 
8.5 Texto Injuntivo 
O texto injuntivo ou instrucional está pautado na explicação e no método para a 
concretização de uma ação. 
Ele indica o procedimento para realizar algo, por exemplo, uma receita de bolo, bula 
de remédio, manual de instruções, editais e propagandas. 
Com isso, sua função é transmitir para o leitor mais do que simples informações, visa 
sobretudo, instruir, explicar, todavia, sem a finalidade de convencê-lo por meio de 
argumentos. 
São textos o quais incitam a ação dos destinatários, controlando, assim, seu 
comportamento, ao fornecer instruções e indicações para a realização de um trabalho ou a 
utilização correta de instrumentos e/ou ferramentas. 
Texto Injuntivo e Prescritivo 
Há quem estabeleça uma relação entre os textos injuntivos e prescritivos e, por outro 
lado, há os que defendem que são textos sinônimos e pertencem à mesma categoria, 
compartilhando funções e finalidades. 
 
“Significado de Nostalgia (s.f). Tristezacausada pela saudade de sua 
terra ou de sua pátria; melancolia. Saudade do passado, de um lugar etc. 
Disfunções comportamentais causadas pela separação ou isolamento 
(físico) do país natal, pela ausência da família e pela vontade exacerbada 
de regressar à pátria. Saudade de alguma coisa, de uma circunstância já 
passada ou de uma condição que (uma pessoa) deixou de possuir. 
Condição melancólica causada pelo anseio de ter os sonhos realizados. 
Condição daquele que é triste sem motivos explícitos. (Etm. do francês: 
nostalgie)” Fonte: (Dicionário Online de Português- Dicio.com) 
 
 
 
 
45 
 
No entanto, os linguistas que preferem dividi-los em dois tipos de textos informam 
que o texto injuntivo, instrui sem uma atitude coercitiva, recurso marcante nos textos ditos 
prescritivos. 
Para esse grupo de estudiosos, um texto injuntivo pode ser um manual de instruções 
ou uma receita, enquanto os textos prescritivos asseguram um tipo de atitude coercitiva, 
por exemplo, os editais dos concursos, contratos e leis. 
Recursos Linguísticos 
A linguagem dos textos injuntivos é simples e objetiva. Um dos recursos linguísticos 
marcantes e recorrentes desse tipo de texto é a utilização dos verbos no imperativo, os 
quais indicam uma "ordem", por exemplo: 
 Na receita de bolo: “misture todos os ingredientes”; 
 Na bula de remédio: “tome duas cápsulas por dia”; 
 No manual de instruções: “aperte a tecla amarela”; 
 Nas propagandas: “vista essa camisa”. 
 
Exemplo de texto injuntivo: 
Manual de instruções 
Os manuais de instruções tem como objetivo instruir, ensinar e apresentar o produto 
de forma compreensível para o usuário menos experiente. 
Estrutura 
Os principais tópicos de um manual são: 
 
- Capa ou título especificando a marca e o modelo do produto. 
- Precauções de manuseio, armazenamento e segurança. 
-Índice especificando os principais tópicos. 
- Instruções de uso e manuseio. 
 
- Guia de instalação e/ou montagem 
 
 
 
 
46 
 
- Principais funções/configurações 
- Condições de garantia do fabricante 
Não há uma norma padrão no manual de instruções, mas há obrigatoriedade que 
todo equipamento deve ter um manual de instrução de acordo com o Artigo 50 do código 
de defesa do consumidor. (lei 8078/90) 
 
9 ANÁLISE TEXTUAL 
É a primeira forma de aproximação do leitor com o texto, por meio do qual o 
pensamento do autor será conhecido. Visa preparar para a análise temática 
Manual de Instruções 
Instalação: Prefira sempre os serviços da Rede de Assistência 
Técnica Brastemp para realizar desde a instalação até a manutenção de 
seus produtos com tranquilidade e segurança. 
1° passo: Veja se a tomada onde o produto será instalado tem o novo 
padrão plugue, segundo o INMETRO. 
2° passo: Verifique se a tensão da rede elétrica no local de instalação 
é a mesma indicada na etiqueta do plugue da sua lavadora. 
3° passo: Nunca altere ou use o cabo de força de maneira diferente 
da recomendada. Se o cabo de força estiver danificado, chame a Rede de 
Serviços Brastemp para substituí-lo. 
4° passo: Verifique se o local de instalação possui as condições 
adequadas indicadas no Manual do Consumidor: A pressão da água para 
abastecimento deve corresponder a um nível de 2 a 80 m acima do nível da 
torneira; 
- Recomenda-se que haja uma torneira exclusiva para a correta 
instalação da mangueira de entrada; 
 
 
 
 
 
47 
 
 
canaldoensino.com.br 
 “Todo texto é portador de uma mensagem, concebida e 
codificada por um autor, e destinada a um leitor, que, para 
apreendê-la, precisa decodificá-la.” (Severino, 2007 
pág.51) 
Entenda que a leitura mecânica é bem diferente da leitura interpretativa. Você deve 
se perguntar com que maneira tem lido um texto. A dificuldade de interpretação é geral e, 
com certeza, oriunda da falta de treinamento. 
Segundo a Hermenêutica, ramo da filosofia que estuda a teoria da interpretação, a 
leitura de um texto é composta de três fases: 
 Pré-compreensão: é importante ler o texto tendo uma ideia do que ele vai trazer. Por 
exemplo, se você é estudante de jornalismo do primeiro ano e ler um texto que é do 
terceiro ano, talvez vá ter sim mais dificuldade para ler o texto; 
 Compreensão: aqui o leitor se depara com ideias novas, ou algo que já conhece. É 
comum ler, mas não entender o que leu, porém, ter uma compreensão do que o texto 
está abordando. 
 Interpretação: depois de ter a pré-compreensão sobre o texto, e posteriormente a 
compreensão, é hora da interpretação. O leitor dá um sentido ao texto. Ele amplia o 
seu horizonte de conhecimento. 
Mas antes de você saber como interpretar um texto vamos relembrar os tipos textuais. 
 
 
 
 
48 
 
 Texto narrativo: romances: contos, fábulas, depoimentos, relatos… 
 Texto descritivo: folhetos turísticos, cardápios de restaurantes, classificados; 
 Texto dissertativo (expositivo e argumentativo) 
 
É necessário da nossa parte um espaço de tempo para que possamos decodificar e 
assimilar, o que foi revelado no texto. Deste modo, se quisermos descobrir a mensagem de 
um texto, de modo abrangente, temos de nos submeter a uma séria disciplina de trabalho: 
Delimitar a unidade de leitura que pode ser um capítulo, uma seção ou até mesmo 
um grande parágrafo. O que caracteriza a unidade de leitura é a apresentação do sentido 
de modo global. Só após o entendimento dessa unidade é possível prosseguir na 
investigação de novas unidades de leitura; 
Ler repetidas vezes o mesmo texto para certificar-se do alcance da compreensão 
verdadeira do assunto em pauta, grifando as ideias principais de cada parágrafo; ao lado, 
na margem, escrevendo uma frase-resumo. 
 
 
 Fonte: upf.br 
Para estudar um determinado texto, devemos fazê-lo como um todo até adquirir uma 
visão global, para que possamos dominar e entender a mensagem que o autor pretendia 
relatar quando escreveu. Os textos de estudos requerem reflexão por aqueles que os 
estudam e, portanto, a leitura dos mesmos exige um método de abordagem. Devemos 
compreender, analisar, interpretar e, para isso, temos que criar condições capazes de 
permitir a compreensão, a análise, a síntese e a interpretação de seu conteúdo. 
 
 
 
 
49 
 
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
PEREZ, Luana Castro Alves. "Tipos de intertextualidade"; Brasil Escola. Disponível em 
<https://brasilescola.uol.com.br/redacao/tipos-intertextualidade.htm>. Acesso em 26 de 
novembro de 2018. 
BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 37ª ed. Rio de Janeiro: Editoras 
Nova Fronteira e Lucerna, 2009. 574 p. 
CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. 
Companhia Editora Nacional. 695 p. 
 ANTUNES. Irandé Costa. Lutar com Palavras: coesão e coerência. - São Paulo: 
Parábola editorial , 2005 
BAGNO, Marcos. A norma oculta. Língua & poder na sociedade brasileira | São Paulo 
: Parábola Editorial. 2003. 7ª Ed. : setembro 2007. 
MARTINS, Dileta Silveira. ZILBERKNOP, Lúbia Scliar. Português Instrumental: de acordo 
com as normas atuais da ABNT – 25ª Ed.- São Paulo: Atlas, 2004. 
MEDEIROS, João Bosco. Redação Científica: A Prática de fichamentos, resumos. 
Resenhas. 11ª edição. São Paulo: Atlas, 2009. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
50 
 
BIBLIOGRAFIA 
KOCHE, Vanilda Salton; BENETII, Odete Maria; MARINELLO, Adiane Fogali, Leitura e 
Produção Textual: Gêneros Textuais de Argumentar e Expor. 6ª Ed – Petrópolis, RJ. 
Editora Vozes 2014. ISBN 978-85-326-3982-0. 
JÚNIOR, Rivaldo Capistrano; LINS, Maria da Penha; ELIAS, Vanda Maria, Linguística 
textual: Diálogos Interdisciplinares,1ª Ed- São Paulo 2017. ISBN 978-85-93058-34-9. 
SANTOS, Leonor Werneck; RICHE, Cuba Rosa, Leitura e Produção de Texto,1ª Ed – São 
Paulo 2012. ISBN 978-85-7244-718-8.

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