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Resumo Mecanismos de Agressão e 
Defesa - PROVA 3 
 
Autor: 
Ivson Lemos - turma 143 
 
Disciplinas abordadas: 
1. Patologia 
2. Microbiologia 
3. Parasitologia 
 
PATOLOGIA 
Fonte - Robbins + Slides da Professora 
 
● Visão geral da Inflamação 
 
Introdução 
 
A inflamação é uma resposta fundamentalmente protetora, destinada a livrar tanto da causa inicial da 
injúria celular quanto das consequências dessa injúria. Consiste principalmente nas respostas dos vasos 
sanguíneos e dos leucócitos. É um conjunto de envolve as principais defesas do organismo, as proteínas 
plasmáticas e os leucócitos , essas defesas devem ser rapidamente recrutadas para os espaços 
extravasculares. Sendo portanto, a resposta inflamatória o maestro que vai orquestrar para que os vaso, os 
leucócitos e as proteínas plasmáticas alcancem esses objetivos. 
A inflamação pode ser aguda ou crônica , isso vai depender da natureza do estímulo e da efetividade 
da resolução. A inflamação aguda é rápida e de curta duração, vai ter como um dos aspectos principais a 
exsudação de fluido e proteínas do plasma, causando dessa forma o edema, além disso irá possuir também 
uma migração leucocitária, principalmente de neutrófilos (chamadas de células polimorfonucleares). Se a 
resposta aguda falha pode-se desenvolver a fase crônica. 
Na inflamação crônica há uma longa duração da resposta, com presença principalmente de linfócitos e 
mácrofagos, angiogênese, fibrose e destruição tecidual. Vale ressaltar que nem sempre se faz necessário 
termos uma inflamação aguda primeiro para desenvolvermos posteriormente uma crônica, esta pode ser 
incisiva. 
A resposta inflamatória é intimamente entrelaçada com o processo de reparo . O processo de reparo 
pode se dar pela regeneração por células parenquimatosas, por deposição de fibras (fibrose) e mais comumente 
pela mesclagem desses dois processos. 
Outra informação importante é que a inflamação pode ser prejudicial, dessa formas temos a aplicação 
de fármacos anti-inflamatórios que teoricamente controlam as atividades nocivas da inflamação sem 
comprometer seus efeito benéficos. 
 
 
 
Sinais cardinais da inflamação 
 
Hoje classificamos os sinais cardinais em cinco principais, sendo: 
a) Dor; 
b) Rubor (vermelhidão, Hiperemia ativa); 
c) Tumor (Edema, Inchaçõ); 
d) Calor (Aquecimento); 
e) Perda de função. 
 
 
 
● Inflamação aguda 
 
Introdução 
 
A inflamação aguda tem três principais componentes, sendo: 
a) Alterações no calibre vascular 
b) Mudanças estruturais na microvasculatura 
c) Emigração, acúmulo e ativação de leucócitos. 
 
Principais estímulos da inflamação aguda 
Os principais estímulos da inflamação aguda são: 
a) Infecções, infestações e toxinas bacterianas; 
b) Necrose tecidual (DAMPS); 
c) Corpos estranhos; 
d) Reações imunes. 
 
Um ponto importante que está diretamente atrelado com a necrose tecidual é a questão da hipóxia. 
Vale ressaltar que a hipóxia também é, por si só, um indutor de inflamação. Isso é mediado por uma proteína 
chamada HIF-1𝝰 ( Fator induzido por hipóxia) que é produzida por células privadas de oxigênio, esta proteína vai 
ativar diversos genes de transcrição envolvidos na inflamação, incluindo o fator de crescimento endotelial 
vascular (VEGF) que aumenta a permeabilidade vascular. 
 
Reações dos vasos sanguíneos na inflamação aguda 
 
Essas mudanças que ocorrem nos vasos sanguíneos são destinadas a maximizar o movimento de 
proteínas plasmáticas e células circulantes para fora da circulação e para dentro do local da infecção ou injúria, 
processo esse denominado exsudação. O exsudato é o fluido extravascular que tem uma alta concentração 
proteica, e contém restos celulares e tem uma alta gravidade específica, muito relacionado com a reação 
inflamatória. Já um transudato, é um fluido com baixo conteúdo proteico, que geralmente resulta de um 
desbalanço osmótico ou hidrostático ao longo da parede do vaso sem uma aumento na permeabilidade vascular. 
O pus , é um exsudato purulento, é um exsudato inflamatório rico em leucócitos (principalmente neutrófilos), 
restos de células mortas (piócitos) e, em muitos casos micróbios. 
As reações vasculares da inflamação aguda consistem em mudanças no fluxo de sangue e na 
permeabilidade dos vasos. A proliferação de vasos sanguíneos (angiogênese) é proeminente durante o reparo e 
na inflamação crônica. 
 
 
Mudanças no fluxo e no calibre vascular 
As principais mudanças que ocorrem no fluxo e no calibre vascular se inicia logo após a injúria, 
ocorrendo em 4 passos: 
a) Vasodilatação: Uma das primeiras, fazendo com que haja um fluxo sanguíneo aumentado para o local, 
ocasionando calor e vermelhidão (eritema). A vasodilatação é induzida por diversos mediadores 
químicos, mas os mais importantes são a histamina e o NO. 
b) Essa vasodilatação é logo seguida por uma permeabilidade aumentada da microvasculatura, fazendo 
com que haja extravasamento de fluido e proteínas (exsudato). 
c) Com a perda de fluido e com o diâmetro aumentado vai haver uma lentificação do fluxo sanguíneo, 
assim como uma viscosidade aumentada. Essas mudanças resultam em dilatação dos pequenos 
vasos, gerando estase (congestão vascular). 
d) Devido a estase, os leucócitos que antes não tinham contato com o endotélio vascular, agora se 
acumulam ao longo deste. Ao mesmo tempo, as células endoteliais são ativadas por mediadores 
produzidos nos locais de infeção e tecidos danificados e expressam níveis aumentado de moléculas 
de adesão. 
 
 
 
Permeabilidade Vascular aumentada 
Existem diversos mecanismos que promovem esse aumento da permeabilidade vascular, causando 
edema, geralmente contribuem todos juntos em diferentes graus, sendo eles: 
a) Contração das células endoteliais: Realizado por alguns mediadores químicos, principalmente 
histamina, bradicinina, leucotrienos, substância P e outros. O conjunto destes são chamados de 
resposta transitória imediata. Apesar de serem liberados rapidamente, há uma exceção no caso de 
injúria branda (ex mais comum: banho de sol), onde a liberação pode se iniciar depois de 2 a 12 hoas e 
perdurar por vários dias devido a esse extravasamento atrasado e prolongado. 
b) Injúria endotelial: Resultando em necrose da célula endotelial e desprendimento. 
c) Transcitose: Transporte aumentado de fluidos e proteínas por organelas vesiculo-vacuolares. o VEGF 
tem relação com o aumento disso. 
 
 
Respostas dos vasos linfáticos 
 
Os vasos linfáticos, assim como os vasos sanguíneos, proliferam durante as reações inflamatórias para 
lidar com a carga aumentada. Os linfáticos podem se tornar secundariamente inflamados ( linfangite ), como 
podem os linfonodos de drenagem ( linfadenite ). A presença de listras vermelhas perto de um ferimento na pele 
é um sinal revelador de infecção no ferimento. 
 
 
 
Reações dos leucócitos na inflamação 
 
Os principais papéis dos leucócitos são ingerir e destruir bactérias e outros micróbios e eliminar o tecido 
necrótico e substâncias estranhas. Mas os leucócitos podem também produzir fatores de crescimento que 
ajudam no processo de reparo. Porém, o preço que se paga por essa potência defensivaé a capacidade de 
induzir dano tecidual e prolongar a inflamação que essas células possuem. Os processos que envolvem os 
leucócitos consistem em: Recrutamento, reconhecimento(ativação) e remoção do agente agressor. 
 
Recrutamento leucocitário 
Jornada dos leucócitos da luz até o tecido intersticial é chamada de extravasamento, podendo ser 
dividida nos seguintes passo: 
 
a) Marginação, rolamento e adesão 
A partir da estase anteriormente explicada, temos o evento chamado de marginação dos leucócitos, 
dessa forma promovendo um contato que anteriormente não existia com o endotélio vascular. Os leucócitos vão 
se ligar e desligar várias vezes, “rolando” na parede do vaso até que finalmente chegam ao repouso, aderindo 
firmemente. 
A adesão é mediada por moléculas de adesão complementares cuja expressão está aumentada na 
presença de citocinas, principalmente IL-1 e TNF. Essas moléculas são da família das selectinas , sendo uma 
no endotélio ( E- selectina ), uma no leucócito ( L- Selectina ), e outra nas plaquetas e no endotélio ( P-selectina ). 
Outras mediadores importantes são a histamina, trombina e o PAF (fator ativador de plaqueta ) que vão 
estimular a redistribuição de P - selectina na célula endotelial, tirando dos estoques e expondo na superfície da 
celular. 
Através das selectinas temos fracas interações de rolamento, reduzindo a velocidade do leucócito. Mas 
a ligação forte mesmo é mediada por outras proteínas presentes apenas no leucócito, chamadas de integrinas . 
TNF e IL-1 também induzem a expressão endotelial de ligantes para essas integrinas, principalmente a 
molécula-1 de adesão de célula vascular ( VCAM-1 que se liga a integrina VLA-4 ) e a molécula-1 de adesão 
intercelular ( ICAM-1 que se liga as integrinas LFA_1 e Mac-1 ). 
Normalmente, os leucócitos vão expressar as integrinas em um estado de baixa afinidade, precisando 
portanto que as quimiocinas os estimulem. Essas quimiocinas são produzidas nos locais da injúria, estimulam as 
células endoteliais que as expõe em altas concentrações e ativam os leucócitos. A ativação do leucócito é dada 
pela mudança da integrina VLA-4 para conformação LFA-1 através da quimiocina, essa nova conformação é dita 
como de maior afinidade. 
 
 
b) Migração através do endotélio vascular ou diapedese 
As quimiocinas liberadas no local da injúria, além de diferenciar as integrinas como dito anteriormente, 
tem como segunda função estimular a migração dos leucócitos através de um gradiente químico, ficando 
acumuladas na membrana basal. Várias moléculas presentes nas junções intercelulares estão envolvidas na 
diapedese, mas uma família em especial chamada PECAM-1 ou CD31 é a mais importante. Os leucócitos 
penetram na membrana basal provavelmente liberando colagenases. 
 
c) Migração para o local da injúria através de quimiotaxia. 
A quimiotaxia é definida como locomoção originada ao longo de um gradiente químico. Substâncias 
endógenas e exógenas podem agir como quimiotáticos, sendo um exemplo de exógenas os produtos 
bacterianos e de endógenos: Citocinas denominadas quimiocinas, produtos da cascata do complemento, 
metabólitos do ácido araquidônico principalmente LB4. Bom, essas quimiocinas vão se ligando através de 
receptores metabotrópicos presentes nos leucócitos e vão desencadeando uma cascata intracelular que resulta 
no influxo de Ca e na polimerização da actina, dessa forma vão induzindo o leucócito a se movimentar através 
de emissão de pseudópodes que vão carregando o “resto da célula” em direção às quimiocinas. 
 
 
Vale a pena ressaltar que na inflamação aguda os neutrófilos predominando no infiltrado inflamatório e 
são substituídos por monócitos em 24 a 48 horas. Existem várias razões para os neutrófilos chegarem primeiro, 
dentre elas: Os neutrófilos são mais numerosos no sangue, além disso respondem mais rapidamente às 
quimiocinas e podem se ligar mais firmemente às moléculas de adesão. 
 
 
 
Reconhecimento (ativação) dos microrganismos e tecidos mortos 
 
Bom, partindo do pressuposto que o leucócito já chegou no local da infecção ele precisa ser ativado 
para realizar suas funções. A resposta como um todo se dá através de dois processos: O reconhecimento 
propriamente dito e a ativação. 
 
a) Reconhecimento propriamente dito 
Os leucócitos reconhecem os antígenos através de diversos tipos de receptores que estudamos na 
imunologia, dentre eles: Receptores para produtos microbianos (TLRs- estão presentes tanto na superfície como 
nas vesículas endossômicas); Receptores acoplados a proteínas G; Receptores para opsoninas; Receptores 
para citocinas e etc. 
 
 
b) Ativação de leucócito 
A ativação é feita através dos receptores citados, resultando em aumento no Ca citosólico, passando 
por enzimas como PKC e fosfolipases, resultando em respostas funcionais como a fagocitose e a morte 
intracelular (mecanismos diferentes para cada tipo de leucócito). 
 
Fagocitose: Reconhecimento, Englobamento, Morte e Degradação 
 
A fagocitose é dada em 3 passos principais como o próprio tópico já diz, reconhecimento e ligação, 
ingestão e morte ou degradação do material ingerido. Os receptores de manose, os scavengers e os receptores 
de opsoninas funcionam para ligar-se ao ingerir os microrganismos. As principais opsoninas são os anticorpos 
IgG, o produto da quebra de C3b e certas lectinas do plasma. 
O englobamento é realizado através de pseudópodos que irão gerar os fagossosmos, que 
posteirormente se fundirão aos grânulos lisossômicos. A fagocitose por mexer na estrutura da membrana é 
dependente da polimerização de actina (parecido com o processo de movimentação por quimiotaxia). A 
diferença entre a fagocitase e a pinocitose é justamente essa polimerização, na pinocitose a invaginação é 
realizada através de clatrinas. 
A morte e degradação dos microrganismos dentro do fagolisossoma é feita através das espécies 
reativas de oxigênio (ERO ou ROS) e as espécies reativas de nitrogênio. A geração dos ERO é devido à um 
rápida ativação da chamada multicomponente oxidase ( fagócito oxidase ) que oxida o NADPH e no processo 
reduz o oxigênio a ânion superóxido. Essa rápida reação oxidativa é chamada de explosão (burst ou boom) 
respiratório . 
Além dessas espécies reativas temos inúmeras outras enzimas lisossômicas características de cada 
tipo de leucócito, exemplo: defensinas, lisozimas, lactoferrinas, hidrolases, elastases, Mieloperoxidases e etc. 
 
Outras respostas funcionais dos Leucócitos 
 
Além das funções descritas, temos a produção de fatores de crescimento que estimulam a proliferação 
das células endoteliais e fibroblastos e a síntese de colágeno, e enzimas que remodelam os tecidos conjuntivos, 
direcionando ao processo de reparo. Hoje, sabe-se que existem dois tipos de macrófagos, o M1 e o M2. O M1 
são chamados de classicamente ativados e desenvolvem as funções de fagocitose e combate, geralmente 
respondem ao th1. Já o M2, chamado também de macrófago “alternativamente ativados” respondem a produtos 
da via Th2 e estão envolvidos principalmente no reparo tecidual e fibrose. Sendo assim, o primeirodispara a 
inflamação e o último funciona para limitar as reações inflamatórias. 
 
Liberação de produtos dos Leucócitos e Injúria tecidal mediada 
 
Os leucócitos são importantes causas de dano às células normais sob várias circunstâncias, dentre 
elas: dano colateral (as vezes contribuindo mais para a patologia do que o próprio microrganismo), doença 
autoimune e Reações excessivas (principalmente nas doenças alérgicas). 
Durante a ativação e a fagocitose, os neutrófilos e macrófagos liberam microbicidas e outros produtos 
não somente dentro do fagolisossomo, mas também no espaço extravascular. As mais importantes dessas 
substâncias são as enzimas lisossômicas, presentes nos grânulos, e as espécies reativas de oxigênio e 
nitrogênio. Essas substâncias liberadas são capazes de danificar as células normais e o endotélio vascular e 
podem então amplificar os efeitos do agente injuriante inicial. Outro ponto importante é quando os fagócitos não 
conseguem realizar a fagocitose, processo esse denominado “fagocitose frustrada” , logo depois desse evento 
eles disparam uma forte ativação e liberação de grandes quantidades de enzimas lisossômicas no espaço 
extracelular. 
 
Defeitos nas funções dos leucócitos 
 
Devido aos leucócitos terem um papel central na defesa do hospedeiro, os defeitos nessas funções, 
tanto herdado como adquiridos, levam a uma vulnerabilidade aumentada a infecções. Os principais defeitos 
consistem em: 
a) Defeitos herdados na adesão dos leucócitos; 
b) Defeitos herdados na função do fagolisossoma; 
c) Defeitos herdados na atividade microbicida (principalmente por problemas nos genes que codificam 
componentes da fagócito oxidase); 
d) Deficiências adquiridas: Casos de supressão da medula e etc. 
 
Vale ressaltar que as células residentes nos tecidos também cumprem importantes funções na iniciação 
da inflamação aguda, justamente os mastócitos (sangue) e macrófagos teciduais, são como as sentinelas do 
nosso corpo. 
 
Padrões Morfológicos da Inflamação Aguda - Introdução 
 
As marcas morfológicas de todas as reações inflamatórias aguda são: dilatação de pequenos vasos 
sanguíneos, lentificação do fluxo sanguíneo e acúmulo de leucócitos (principalmente neutrófilos) e fluido no 
tecido extravascular. Existem três tipos principais de padrões morfológico: Seroso, fibrinoso e purulento. 
Podendo haver o mix desses três. 
 
Inflamação Serosa 
 
A inflamação serosa é marcada pelo derramamento de um fluido fino (exsudato citrino - com proteínas 
mas poucas) que pode ser derivado do plasma ou de secreções das células mesoteliais (componentes de um 
epitélio simples que reveste as cavidades corporais). O acúmulo desse tipo de líquido nas cavidades é 
chamado de efusão. A principal diferença é a não presença do fibrinogênio/fibrina . São bem características 
de queimaduras e bolhas cutâneas, além de infecções virais. 
 
 
Inflamação Fibrinosa 
 
A inflamação fibrinosa é marcada por um aumento ainda maior da permeabilidade vascular, passando 
grandes moléculas, tais como fibrinogênio. O exsudato fibrinoso é característico de inflamação no revestimento 
de cavidades do corpo, tais como meninges, pericárdio e pleura. Na microscopia vai apresentar uma rede de 
fibrina, parecendo como uma malha eosinofílica de fios. É famosa no pericárdio pois o coração fica com os 
aspecto de “pão com manteiga”. 
 
 
Inflamação Supurativa ou Purulenta: Abcessos 
 
A inflamação supurativa é caracterizada por grandes quantidades de pus ou exsudato purulento, 
consistindo em neutrófilos vivos e mortos (piócitos), necrose liquefativa e fluido de edema. Certas bactérias 
produzem essa supuração, são chamadas de bactérias piogênicas (pio é prefixo de pus). Muito frequentes em 
apendicites agudas. Abcessos são coleções localizadas de tecido inflamatório purulento. 
 
Tipos de Apresentação da Inflamação purulenta 
 
Podemos classificar clinicamente alguns aspectos importantes de apresentação da inflamação 
purulenta, dentre eles: 
a) Pústulas: Famosas espinhas, são de caráter circunscrito na camada superficial da derme 
 
b) Abscessos: Coleções localizadas de pus - formação de cavidade devido a presença de necrose 
liquefativa; 
 
c) Flegmão: Inflamação purulenta difusa 
d) Empiema: Inflamação purulenta na cavidade pleural 
 
e) Pioperitônio: Coleção purulenta no peritônio; 
 
Casos especiais de inflamação aguda: Inflamação Hemorrágica e Inflamação Necrosante 
 
Em casos de lesões graves à microcirculação como em queimaduras e exposição à radiação podemos 
ter a chamada inflamação hemorrágica, que é a presença de placas pretas em alguns órgãos, que é a 
exsudação rica em hemácias. Não é só uma hemorragia pois é desencadeada por uma inflamação aguda. 
 
A chamada Inflamação Necrosante se dá em casos bem específicos (geralmente em tecidos que tem 
contato com a superfície externa) como na difteria (Infecção bacteriana grave na garganta e no nariz). Nesse 
tipo de infecção ocorre o desprendimento de muito tecido necrótico contendo pouca células inflamatórias. 
 
Úlceras 
 
Consiste em um defeito local, ou escavação em um órgão ou tecido, contendo muito tecido necrótico 
inflamado. Local onde a inflamação aguda e crônica coexistem. Durante o estágio agudo, existe uma intensa 
infiltração polimorfonuclear e dilatação vascular nas margens do defeito. Com a cronicidade, as margens e a 
base da úlcera desenvolvem proliferação fibroblástica, cicatrização, e acúmulo de linfócitos, macrófagos e 
células do plasma. Há a esfoliação do tecido necrótico e recobrimento agudo de exsudato fibrino-purulento. 
 
 
 
Resultados da inflamação aguda 
 
Todas as reações inflamatórias agudas podem ter um de três resultados, sendo: 
a) Resolução completa: As células parenquimatosas danificadas podem se regenerar (Tecidos lábeis e 
quiescentes); 
b) Organização: Cura pela substituição por tecido conjuntivo (fibrose): Ocorre após grande destruição do 
tecido ou quando a injúria inflamatória envolve tecidos que são incapazes de regeneração (tecidos 
permanentes). O ponto de não retorno seria a exsudação abundante de fibrina no tecido e cavidades 
c) Progressão da resposta para inflamação crônica: resultado de persistência do agente injuriante ou de 
alguma interferência com o processo normal de cura. 
 
 
 
Efeitos Sistêmicos da Inflamação 
 
As mudanças sistêmicas associadas com a inflamação aguda são coletivamente chamadas de 
resposta de fase aguda , dentre elas temos: 
a) Febre: Ocasionada por substâncias chamadas de pirógenas, vão prover a síntese de prostaglandinas 
principalmente a PGE2; 
b) Proteínas de fase aguda: São as proteínas do plasma, na maior parte sintetizadas no fígado, cujas 
concentrações plasmáticas podem aumentar várias centenas de vezes como parte da resposta aos 
estímulos inflamatórios. Ex: Proteína C, Fibrinogênio, proteínas do complemento, Hepcidina. Vale 
lembrar que essas proteínas têm efeitos benéficos durante a inflamação aguda, mas sua persistência 
pode trazer complicações. 
Uma coisa interessante que vale ressaltar é o conceito de taxa de sedimentação do 
eritrócito (analisada em hamatócrito) . O fibrinogêniose liga às hemácias e as levam a formar pilhas 
(rolos) que sedimentam mais rapidamente a uma unidade de gravidade do que fazem as hemácias 
individuais. Outro peptídeo cuja produção é aumentada nas respostas de fase aguda é o peptídeo 
regulador de ferro, hepcidina. Concentrações plasmáticas cronicamente elevadas de hepcidina, 
reduzem a disponibilidade de ferro e são responsáveis pela anemia associada com a inflamação 
crônica. 
 
c) Leucocitose: A produção de leucócitos pela medula óssea é aumentada para compensar a perda 
dessas células na reação inflamatória. Lembrando que a maioria das infecções bacterianas causam 
neutrofilia, enquanto as virais causam um aumento absoluto do número de linfócitos (linfocitose). Já 
nas doenças alérgicas e infecções temos a eosinofilia. 
 
● Aspectos moleculares da Inflamação 
 
Mediadores da Inflamação 
 
Existem diversos mediadores de inflamação (ver quadro abaixo) mas antes precisamos fazer uma 
revisão de algumas das propriedades comuns a todos e os princípios gerais de sua produção e ações. 
 
a) Mediadores são gerados a partir de células ou de proteínas plasmáticas . Quando derivados de 
células são normalmente depositados em grânulos intracelulares e podem ser rapidamente secretados 
por exocitose do grânulo, ou ainda são sintetizados do início.Os mediadores das proteínas plasmáticas 
(do plasma) são produzidos principalmente no fígado e estão presentes na circulação inativos, 
geralmente sendo ativado s por uma série de clivagens proteolíticas. 
b) Mediadores são produzidos em resposta a vários estímulos, como produtos bacterianos, células 
necróticas ou até mesmo ativados pelos sistema complemento. Essa necessidade de um estímulo 
inicial garante que a inflamação normalmente seja disparada somente quando e onde ela é 
necessária. 
c) Um mediador pode estimular a liberação de outros mediadores, amplificando ou inibindo. 
d) Os mediadores variam em seus alcances e alvos moleculares. 
e) Uma vez ativados e liberados da célula, a maioria tem curta meia-vida. 
 
 
Mediadores Derivados de Células: Aminas Vasoativas - Histamina e Serotonina 
 
Essas duas aminas são armazenadas como moléculas pré-formadas nas células, esse armazenamento 
confere o pioneirismo na liberação durante a inflamação . A histamina tem fonte difusa, mas sua fonte mais 
rica são os mastócitos e basófilos no sangue. A histamina é liberada pela desgranulação de mastócitos em 
resposta a uma variedade de estímulos, incluindo injúria física, ligação de anticorpos aos mastócitos, 
anafilotoxinas (C3a e C5a), neuropeptídeos, citocinas e etc. A histamina causa dilatação das arteríolas e 
aumenta a permeabilidade das vênulas, atuando principalmente nos receptores H1. 
Já a Serotonina (5HT - 5-Hidroxitriptamina) tem ações similares àquelas da histamina. Está presente 
em plaquetas e em certas células neuroendócrinas. A liberação da serotonina (e histamina) das plaquetas é 
estimulada quando as plaquetas se agregam principalmente após contato com complexos antígeno-anticorpo ou 
com colágeno. 
 
Mediadores Derivados de Células: Metabólitos do ácido Araquidônico - Prostaglandinas, Leucotrienos e 
Lipoxinas 
 
O AA da membrana é rapidamente convertido pelas ações de enzimas para produzir as 
prostaglandinas e os leucotrienos. O AA é derivado de fontes da dieta e é esterificado nos fosfolipídios da 
membrana até que seja metabolizado pela fosfolipase A2. Os mediadores derivados do AA, também chamados 
de eicosanóides, são sintetizados principalmente pela ciclo-oxigenases e pelas lipo-oxigenases. Estes 
eicosanóides se ligam aos receptores acoplados à proteína G em vários tipos celulares. 
As prostaglandinas são produzidas pelas ações de duas ciclo-oxigenases, a constitutivamente 
expressa COX-1 e a induzida COX-2, as principais são PGE2, PGD2, PGF2alfa, PGI2 e o TXA2 . O TXA2, um 
potente agente agregante plaquetário e vasoconstritor, enquanto a PGI2 é vasodilatadora, um potente inibidor da 
agregação plaquetária e também potencializa marcademento o aumento na permeabilidade. O desequilíbrio 
tromboxano-prostaciclina tem sido implicado como um evento inicial da formação do trombo nos vasos 
sanguíneos. 
As enzimas lipoxigenases são responsáveis pela produção dos leucotrienos, são quimioatraentes para 
os leucócitos e também têm efeitos vasculares. As lipoxinas também são geradas pelas lipoxigenases, sendo 
estas inibidoras da inflamação, inibindo o recrutamento dos leucócitos e os componentes celulares da 
inflamação, são nossas reguladoras negativas endógenas. 
Muitos fármacos agem inibindo a síntese de eicosanoides, desde a inibição das COXs (AINES), 
inibindo as LOX (principalmente em asmáticos), inibindo em amplo espectro (caso dos corticoides). 
 
Mediadores Derivados de Células: Fator ativador de Plaquetas (PAF) 
 
O PAF é outro mediador derivado de fosfolipídio, tem múltiplos efeitos inflamatórios. É encontrado em 
diversos tipos celulare s, plaquetas, macrófagos e etc. Assim como em ambas as formas, secretada no 
plasma e ligado à célula . Em altas concentrações provoca vasoconstrição e broncoconstrição, já em baixas 
concentrações (que é o usual) induz vasodilatação e aumento da permeabilidade , mas possui uma potência 
de 100 a 10000 vezes maior do que a histamina. O PAF também aumenta adesão dos leucócitos ao 
endotélio, faz quimiotaxia, desgranulação e explosão oxidativa (é um pró-inflamatório realmente 
importante). Auxilia também na síntese de eicosanóides. 
 
Mediadores Derivados de Células: Espécies Reativas de Oxigênio 
 
Como dito anteriormente, são geralmente liberados extracelularmente dos leucócitos (em situações 
bem específicas). Quando isso ocorre propiciam dano celular endotelial, com resultante aumento na 
permeabilidade vascular, além de injúria a outros tipos celulares. Somado a isso, são responsáveis pela 
inativação de antiproteases , dessa forma as proteases ficam ativas e destroem a matriz extracelular. 
Como são potencial perigosos, soros, fluidos teciduais e células do hospedeiro possuem mecanismos 
antioxidantes que protegem contra esses radicais derivado do oxigênio. Assim, a influência em qualquer reação 
inflamatória depende do balanço entre a produção e a inativação desses metabólitos. 
 
Mediadores Derivados de Células: Óxido Nítrico (NO) 
 
Responsável principalmente pelo r elaxamento das células musculares lisas vasculares . O NO é 
sintetizado a partir da L-arginina pela enzima óxido nítrico sintase (NOS). Existem três tipos de NOS: endotelial 
(eNOS), neuronal (nNOS) e induzida (iNOS) . A eNOS e a nNOS são constitutivamente expressas em baixos 
níveis. A iNOS, em contraste é induzida quando os macrófagos e outras células são ativados pelas citocinas ou 
produtos bacterianos (é meio que um feedback negativo). 
O NO relaxa o músculo liso vascular e promove a vasodilatação, além de reduzir agregação e adesão 
plaquetária, inibe também várias características da inflamação induzida pelos mastócitos e inibe o recrutamento 
de leucócitos. Desta forma, a produção de NO é um mecanismo endógeno para o controle das respostas 
inflamatórias. O NO também é utilizado comomicrobicida. 
 
Mediadores Derivados de Células: Citocinas e Quimiocinas 
 
Citocinas são proteínas produzidas por muitos tipos celulares, que modulam as funções de outros tipos 
celulares. O Fator de Necrose Tumoral (TNF) e IL-1 são produzidos principalmente por macrófagos ativados , 
são bastante importante por seus efeitos inflamatórios agindo no endotélio, leucócitos e fibroblastos, e indução 
de reações sistêmicas de fase aguda. Eles induzem a expressão de moléculas de adesão, síntese de 
mediadores químicos, incluindo outras citocinas, quimiocinas, fatores de crescimento, eicosanóides e 
NO . 
A produção de IL-1 é controlada por um complexo celular denominado de inflamassoma , esse 
complexo ativa proteases membros da família caspase que viabilizam a produção. Mutações nos genes que 
codificam membros deste complexo de proteínas gera diversas doenças, dentre elas a mais famosa é a febre 
familiar do Mediterrâneo . As proteínas mutantes ativam constitutivamente as caspases inflamatórias ou 
interferem com a regulação negativa desse processo enzimático. O resultado final é a produção desregulada de 
IL-1, gerando principalmente febre e outras manifestações sistêmicas da inflamação, hoje já possuímos 
fármacos antagonistas de IL-1 para tratamento dessas doenças. 
A IL-1 e o TNF induzem as respostas de fase aguda sistêmicas. O TNF também regula o balanço de 
energia por promover a mobilização de lipídios e proteínas e por suprimir o apetite. Por esse motivo contribui 
para a caquexia , um estado patológico caracterizado por perda de peso e anorexia. 
As Quimiocinas são uma família de pequenas proteínas quimioatraentes para tipos específicos de 
leucócitos, classificadas em quatro tipos principais (de acordo com as posição dos resíduos de cisteína): CXC, 
CC, C e CX3C. Elas estimulam o recrutamento dos leucócitos na inflamação e controlam a migração normal das 
células através dos vários tecidos. Algumas são transitoriamente produzidas e promovem o recrutamento dos 
leucócitos, outras são constitutivas em diferentes regiões anatômicas. 
 
Mediadores Derivados de Células: Constituintes Lisossômicos dos Leucócitos 
 
Neutrófilos e monócitos contêm grânulos lisossômicos que quando liberados podem contribuir para a 
resposta inflamatória. Os neutrófilos têm dois principais tipos de grânulos, os específicos que contêm lisozima, 
colagenases, gelatinases, lactoferrina; e o grânulos azurófilos que contém a mieloperoxidase, fatores 
bactericidas. Algumas são proteases ácidas e ficam dentro do fagolisossoma, mas existem as proteases 
neutras que ficam extracelularmente, entretanto, como dito anteriormente essas proteases nocivas são 
mantidas por um sistema de antiproteases no soro e fluidos teciduais. 
 
Mediadores Derivados de Células: Neuropeptídeos 
 
Essa classe é produzida principalmente por nervos sensoriais, tendo a substância P e a neurocinina 
A como principais representantes. São produzidas tanto no sistema nervoso central como no periférico. A 
substância P tem diversas funções biológicas, incluindo a transmissão de sinais de dor, regulação da 
pressão sanguínea, estimulação da secreção de células endócrinas e aumento da permeabilidade 
vascular. 
 
 
Mediadores Derivados de Proteínas Plasmáticas: Sistema Complemento 
 
O sistema complemento funciona tanto na imunidade inata quanto na adaptativa. As proteínas do 
complemento estão presentes nas formas inativas no plasma e muitas delas são ativadas formando uma 
cascata enzimática. O passo crítico é a proteólise do terceiro componente C3. A quebra de C3 pode ocorrer por 
uma de três vias, a via clássica, a alternativa e a vida lectina, todas elas levam à formação de uma enzima ativa 
chamada C3 convertase e posteriormente a C5 convertase, culminando na formação do complexo de ataque à 
membrana (MAC). 
As principais funções dos sistema complemento são: 
a) Inflamação com C3a e C5a, estimulam a liberação de histamina dos mastócitos e assim aumentam a 
permeabilidade vascular causando vasodilatação, chamadas de anafilotoxinas ; O C5a é também um 
potente agente quimiotático . 
b) Fagocitose, agindo como opsoninas . 
c) Lise celular com a formação do MAC. 
 
Dessa C3a e C5a são os mediadores inflamatórios mais importantes. A ativação do complemento é 
firmemente controlada por proteínas associadas às células e proteínas regulatórias circulantes. 
. 
Mediadores Derivados de Proteínas Plasmáticas: Sistema das Cininas 
 
As cininas são peptídeos vasoativos derivados de proteínas plasmáticas, chamadas de cininogênio, 
pela ação de proteases específicas chamadas calicreínas ( sistema KKK ). A bradicinina aumenta a 
permeabilidade vascular e causa contração do músculo liso, dilatação dos vasos sanguíneos e dor . Tem 
curta duração porque é inativada por uma enzima chamada cininase. 
 
● Inflamação Crônica 
 
Introdução à Inflamação crônica 
 
A inflamação crônica é a inflamação de duração prolongada, onde a inflamação, a injúria tecidual e 
as tentativas de reparo coexistem em variadas combinaçõe s. Como dito anteriormente, pode se seguir à 
inflamação aguda, ou pode se iniciar insidiosamente. Este último tipo de é a causa de dano tecidual em algumas 
das mais comuns e incapacitantes doenças humanas, tais como a artrite reumatóide, aterosclerose, tuberculose 
e fibrose pulmonar. Ela também tem sido implicada na progressão do câncer e em doenças puramente 
degenerativas, tais como a doença de Alzheimer. 
 
 
Principais Causas da Inflamação crônica 
 
A inflamação crônica se instala nas seguintes situações: 
a) Infecções persistentes: Microrganismos difíceis de erradicar. Esses organismos frequentemente 
evocam uma reação imune chamada de hipersensibilidade tipo retardada . Algumas vezes pode se 
apresentar num padrão específico chamada de reação granulomatosa. 
b) Doenças Inflamatórias Imunomediadas: Ativação excessiva ou inapropriada do sistema imune como em 
doenças autoimunes, doenças alérgicas. Por vezes mostram padrões de inflamação aguda e crônica 
misturadas. 
c) Exposição prolonga a agentes potencialmente tóxicos, exógenos ou endógenos: Um exemplo é a sílica 
particulada que pode gerar uma doença pulmonar chamada de silicose (exógeno). Já a aterosclerose 
um processo endógeno também expõe o corpo a agentes tóxicos gradual e regularmente. 
 
Características morfológicas 
 
A inflamação crônica é caracterizada por: 
a) Infiltração com células mononucleares, incluindo macrófagos , linfócitos e células plasmáticas; 
b) Destruição tecidual; 
c) Tentativas de cura pela substituição do tecido danificado por tecido conjuntivo ( fibrose ), proliferação de 
vasos sanguíneos ( Angiogênese ). O crescimento de vasos sanguíneos e vasos linfáticos é 
frequentemente proeminente, principalmente pela ação de fatores de crescimento (VEGF). 
 
 
Participação dos Macrófagos 
 
O macrófago é o jogador celular predominante da inflamação crônica, é componente do sistema 
mononuclear fagocítico, sistema esse que tem sua origem na medula óssea e inclui também os monócitos 
sanguíneos. Bom, sabemos que o monócito está no sangue e migra para dentro dos tecidos formando osdiversos tipos de macrófagos (com nomes de acordo com o tecido residente). Esse extravasamento de 
monócitos é governado pelos mesmos fatores que estão envolvidos na emigração dos neutrófilos, que são 
aquelas moléculas de adesão e os mediadores químicos com propriedades quimiotáticas e ativadoras. 
Os macrófagos podem ser ativados por uma diversidade de estímulos, incluindo os produtos 
bacterianos, citocinas endógenas (LT/NK: IFNgama) e outros mediadores químicos. Lembrando que as 
principais funções do macrófago são: 
a) Eliminar o agente injuriante; 
b) Iniciação do processo de reparo; 
c) Injúria tecidual na inflamação crônica (efeitos colaterais). 
 
Bom, é justamente por causa dessas atividades dos macrófagos que temos a destruição tecidual como 
marca da inflamação crônica. A destruição tecidual por si só, durante o seu andamento, é capaz de ativar a 
cascata inflamatória, de modo que há um ciclo vicioso. Como sempre está havendo reagudização, podemos 
encontrar características da inflamação aguda e crônica em certas circunstâncias. 
Vale ressaltar a possibilidade de diferenciação do macrófago nos subtipos M1 e M2, que vão ter ações 
antagônicas, dependendo de que tipo de linfócito T os ative (se Th1 ou Th2), conforme imagem. 
 
 
Outras células na Inflamação Crônica 
 
Outros tipos celulares estão envolvidos na inflamação crônica, dentre eles: 
a) Os linfócitos: Os linfócitos T ativados produzem citocinas, algumas das quais recrutam os monócitos da 
circulação, e uma, o IFN-𝛶, é um potente ativador dos macrófagos. 
b) Os plasmócitos: Provenientes dos linfócitos B. Em alguma fortes reações inflamatórias crônicas, há o 
acúmulo de linfócitos, APCs e plasmócitos, podendo configurar características de órgãos linfóides (são 
os ditos órgãos linfóides terciários - Folículos linfoides) . É como se o exército se instalasse em uma 
nova área e começasse a chamar aquele local de lar. 
 
c) Os eosinófilos: Abundantes em reações mediadas por IgE e em infecções parasitárias. Uma quimiocina 
é bem importante na recrutação dos eosinófilo, chamada de eotaxina . Os eosinófilos vão possuir 
grânulos que contêm a proteína básica principa l, uma proteína altamente catiônica que é tóxica para 
parasitos, mas também causa lise das células epiteliais dos mamíferos. 
d) Mastócitos: Participam em ambas as reações inflamatórias, aguda e crônica. Sendo que na aguda é 
pela liberação de histamina e na crônica na produção de citocina fibrogênicas. 
e) Neutrófilos: Embora os neutrófilos sejam característicos da inflamação aguda, muitas formas de 
inflamação crônica, durando por meses, continuam a mostrar grande números de neutrófilos. 
 
Inflamação Granulomatosa 
 
Trata-se de um padrão distinto de inflamação crônica presente em um número limitado de condições. 
Um granuloma é um esforço celular para conter um agente agressor que é difícil de erradicar. Vale ressaltar que 
essa tentativa requer uma forte ativação dos linfócitos T, consequentemente uma ativação maior dos macrófagos 
levando uma maior injúria tissular. A tuberculose é o protótipo desse tipo de apresentação. 
O reconhecimento do padrão granulomatoso em uma amostra de biópsia é importante por causa do 
número limitado de condições possíveis que o causam e do significado do diagnóstico associado com as lesões. 
Um granuloma morfologicamente consiste em uma agregação microscópica de macrófagos que são 
transformados em células epitelióides , rodeadas por um colar (halo) leucocitár io. Essas células epitelióides 
parecem se fundir uma com a outra. Granulomas mais velhos desenvolvem um anel de envoltos com 
fibroblastos e tecido conjuntivo ( cápsula fibrosa ). 
 
As células epitelióides podem fundir-se para formar as chamadas células gigantes, podendo conter 20 
ou mais núcleos arranjados ou perifericamente (do tipo langhans - parece uma ferradura) ou irregularmente 
( tipo corpo estranh o). Não existe nenhuma diferença funcional entre esses dois tipos, os patologistas só 
botaram dois nomes pra dar um close. 
Os granulomas podem ser divididos em dois tipos, os de corpo estranho , são incitados por corpos 
estranhos relativamente inertes (tentativa de encapsular - ver imagem abaixo), e os granulomas imunes 
causados por uma variedade de agentes (tentativa de combater). O protótipo do granuloma imune é aquele 
causado por infecção com Mycobacterium tuberculosis. Nessa doença, o granuloma é referido como tubérculo. 
Ele frequentemente é caracterizado pela presença de necrose caseosa central (ver imagem abaixo). 
 
 
 
● Reparo e cicatrização 
 
Introdução 
 
O objetivo principal é restaurar o tecido. A regeneraçã o resulta na restituição completa do tecido 
perdido ou lesado. Já o reparo pode restaurar algumas estruturas originais, mas pode causar desarranjos 
estruturais. Ou seja, a regeneração refere-se à proliferação de células e tecidos para substituir estruturas 
perdidas e o reparo consiste em mais frequentemente uma combinação de regeneração e formação de cicatriz 
pela deposição de colágeno. Na verdade, em mamíferos a regeneração é muito rara, inclusive classificam 
erroneamente crescimento hepático após ressecção parcial como regeneração, mas na verdade consiste em 
crescimento compensatório. 
A formação de cicatriz constitui o processo predominante de reparo que ocorre quando a rede de matriz 
extracelular (MEC) é danificada por uma grave lesão. A inflamação crônica estimula também a formação de 
cicatriz. O termo fibrose é usado para descrever a extensa deposição de colágeno que ocorre sob essas 
condições. Os componentes da MEC são essenciais, eles fornecem a rede para a migração celular, mantém a 
correta polaridade celular para o rearranjo de estruturas estratificadas e participam da formação de novos vasos 
sanguíneos (angiogênese). Além disso, produzem fatores de crescimento, quimiocinas e citocinas. 
 
Atividade proliferativa dos tecidos 
 
Os tecidos do corpo são divididos em três grandes grupos de acordo com suas atividades proliferativas, 
sendo: 
a) Lábeis: Tecido de divisão contínua, as células teciduais maduras são derivadas de células-tronco 
adultas, as quais possuem uma enorme capacidade proliferação; (Epitélios superficiais, TGI e etc.) 
b) Quiescentes: Possuem um baixo nível de replicação, porém podem sofrer rápida divisão em resposta a 
estímulos. (Fígado, rins e pâncreas). 
c) Permanentes: O tecido não se divide, geralmente substituído pela proliferação dos elementos de 
suporte.( Músculos e Neurônios). 
 
Principais Causas e Consequências 
 
Os ferimentos na pele vão ter diferentes maneiras de comportamento, caso sejam superficiais 
(atingindo só a epiderme) temos as regeneração completa, mas caso seja um pouco mais profundo (por 
exemplo uma lesão dérmica) teremos a formação de cicatriz. 
 
 
 
Quando temos o acometimento de processos inflamatórios nos órgãos internos podemos ter diversas 
consequências, como no caso de pericardite, depois do reparo podemos ter uma pericardite constritiva e isso 
dificulta o batimento correto do coração. Temos os caso de úlceras gástricas que ultrapassa as camadas que 
normalmente serestauram no TGI e acabam formando uma cicatriz, já no caos do infarto do miocárdio é um 
tecido permanente e consequentemente a única saída é a cicatriz também. 
 
 
 
Reparo, formação de cicatriz e fibrose 
 
O reparo pela deposição de tecido conjuntivo inclui as seguintes características básicas: 
a) Inflamação (abordada mais abaixo) 
b) Angiogênese (abordada em um tópico isolada) 
c) Migração e proliferação de fibroblastos (abordada em um tópico isolada) 
d) Formação de cicatriz (abordada em um tópico isolada) 
e) Remodelamento do tecido conjuntivo.(abordada em um tópico isolada) 
 
Neste tópico resgataremos alguns conceitos para explicar os papéis de inflamação. A reação 
inflamatória induzida pela lesão contém a lesão, remove o tecido lesado e promove a deposição de 
componentes da MEC na área da lesão, ao mesmo tempo em que a angiogênese é estimulada. Contudo, se a 
lesão persiste, a inflamação torna-se crônica, levando a uma excessiva deposição de tecido conjuntivo 
conhecida como fibrose. A professora não incluiu a inflamação no esquema dado em aula, mas o Robbins 
trouxe. 
 
Mecanismos da Angiogênese 
 
A angiogênese afeta tanto reações fisiológicas (cura de feridas e etc.) como processos patológicos 
(tumores, metástase e etc.), dessa forma grandes esforços têm sido feitos para desenvolver agentes que 
possuam atividades pró ou antiangiogênicas. 
Bom, sabemos que os vasos sanguíneos são formados durante o desenvolvimento embrionário através 
do processo chamado de vasculogênese , formando uma rede vascular primitiva com as células precursoras 
endoteliais ( angioblastos ). Em adultos, a formação de vasos sanguíneos, conhecida como angiogênese , 
envolve a ramificação e extensão de vasos preexistentes. Basicamente existem dois tipos de angiogênese, a 
primeira a partir de vasos preexistentes e a segunda por células precursoras endoteliais (EPCs). 
No caso da angiogênese por vasos preexistentes, há vasodilatação e aumento da permeabilidade dos 
vasos existentes, degradação da MEC e migração de células endoteliais. 
 
 
As principais etapas estão listadas a seguir: 
a) Vasodilatação 
b) Degradação proteolítica da membrana basal: Através de metaloproteínas de matriz (MMP) 
c) Migração das células endoteliais 
d) Proliferação das células endoteliais 
e) Maturação das células endoteliais 
f) Recrutação de células periendoteliais (músculares e pericitos). 
 
Já no caso da Angiogênese a partir de células precursoras endoteliais, essas EPCs são recrutadas da 
medula óssea para os tecidos e iniciam a angiogênese. Existem um número de EPCs circulantes basal, e esse 
número aumenta grandemente em paciente com condições isquêmicas. 
 
Fatores de crescimento envolvidos na angiogênese . 
 
O VEGF (Fator de crescimento do endotélio vascular) é o fator de crescimento mais importante nos 
tecidos adultos que sofrem angiogênese fisiológica, assim como a angiogênese que ocorre na inflamação 
crônica, na cura de feridas, nos tumores e na retinopatia diabética. O VEGF induz a migração das EPC da 
medula óssea e aumenta a proliferação e diferenciação dessas células nos locais de angiogênese, além de 
iniciar o brotamento de novos capilares. 
Independente do processo que leva à formação de capilares, os vasos neoformados são frágeis e 
necessitam ser “estabilizados ”. A estabilização requer o recrutamento de pericitos e células musculares lisas 
(células periendoteliais) e a deposição de proteínas da MEC. 
A hipoxia tecidual pode influenciar a angiogênese . A transcriação do VEGF é regulada pelo fator de 
transcrição HIF (fator induzido por Hipóxia), o qual é induzido pela hipóxia. 
 
Cura de Feridas Cutâneas 
 
É dividida em três fases: Inflamação, proliferação e maturação . A lesão inicial provoca adesão e 
agregação de plaquetas, formando um coágulo na superfície da ferida, levando à inflamação. Na fase 
proliferativa, há a formação do tecido de granulação , proliferação e migração de células do tecido conjuntivo e 
reepitelização da superfície da ferida. A maturação envolve a deposição de MEC, o remodelamento do tecido e 
a contração da ferida. 
Temos a chamada cura por primeira intenção : A incisão provoca a morte de um número limitado de 
células epiteliais e células do tecido conjuntivo, bem como ruptura da continuidade da membrana basal. A 
reepitelização para fechar a ferida ocorrem com a formação de uma cicatriz relativamente fina. 
Temos a chamada cura por segunda intenção: O processo de reparo é mais complicado em feridas 
de excisão que criam grandes defeitos na superfície da pele, provocando perda excessiva de células e tecidos. 
A cura dessas feridas envolve uma reação inflamatória mais intensa, formação de abundante tecido de 
granulação e extensa deposição de colágeno levando à formação de cicatriz substancial que geralmente se 
contrai. 
 
Formação do tecido de granulação (cerca de 24 a 72h depois) 
 
Fibroblastos e as células endoteliais vasculares proliferam e formam o tecido de granulação, que é 
o ponto de referência do reparo tecidual, em suma, é um mix de angiogênese com proliferação de fibroblastos. 
Esses vasos neoformados são permeáveis, permitindo a passagem de líquido e proteínas plasmáticas para o 
espaço extravascular, dessa forma exibe frequentemente edema . A quantidade do tecido de granulação vai 
depender do tamanho do defeito no tecido criado pela ferida e da intensidade da inflamação. 
 
 
Proliferação celular e Deposição de Colágeno (cerca de 48 a 96h depois) 
 
Os neutrófilos são amplamente substituídos por macrófago s. Os macrófagos representam os 
constituintes celulares chave no reparo tecidual, removendo resíduos extracelulares, fibrina e outros materiais 
estranhos do local de reparo e promovendo a angiogênese e deposição de MEC. 
A migração de fibroblastos para o local da lesão é orientada por quimiocinas, principalmente a TGF-𝛃 
liberada pelos macrófagos. A proliferação é desencadeada por vários fatores de crescimento mas principalmente 
IL-1 e TNF. 
 
Formação da cicatriz (Segunda semana até o final do primeiro mês) 
 
O infiltrado leucocitário, o edema e o aumento da vascularização desaparecem, em grande parte, 
durante a segunda semana. Inicia-se o empalidecimento, devido ao aumento do acúmulo de colágeno na área 
da ferida e a regressão dos canais vasculares. Um cicatriz avascular e pálida, composta de fibroblastos, 
colágeno denso, framstos de tecido elástico e outros componentes da MEC. 
No fim do primeiro mês, a cicatriz consiste em tecido conjuntivo acelular destituído de infiltrado 
inflamatório e recoberto por epiderme intacta. 
 
 
 
 
Contração da ferida 
 
Ocorre geralmente em grandes feridas de superfície. A contração ajuda a fechar a ferida diminuindo a 
lacuna entre suas margens dérmicas e reduzindo a área de superfície da ferida. É uma característica importante 
na cura por união secundária. As etapas iniciais da contração da ferida envolvem a formação, na margem da 
ferida, de uma rede de miofibroblastos que possuem 𝝰-actina de músculo liso e vimentina. Essas células 
contraem-se na ferida e produzem grandes quantidades de componentes da MEC. Esses miofibroblastotem 
diversas origens, mas a principal é a partir de fibroblastos, fibrócitos e células epiteliais. 
A contração da ferida é um processo benigno, pois viabiliza o fechamento de grandes espaços, porém 
em excesso (feridas extensas) podem ocasionar contratura. 
 
Remodelação tecidual e Recuperação da força tênsil 
 
A substituição de tecido de granulação por uma cicatriz envolve alterações na composição da MEC. O 
equilíbrio entre síntese e degradação da MEC resulta no remodelamento da trama de tecido conjuntivo. A 
degradação do colágenos e de outras proteínas da matriz é realizada pelas metaloproteinases de matriz 
(MMP) . 
Os colágenos fibrilares (principalmente tipo 1) formam a principal porção do tecido conjuntivo 
essencial para o desenvolvimento da força tênsil nas feridas em cicatrização. A menor força tênsil na área da 
ferida curada pode persistir pelo resto da vida. A recuperação da força tênsil resulta do excesso da síntese de 
colágeno que ultrapassa a sua degradação durante os primeiros meses, e em tempos posteriores. 
 
Complicações da cicatrização 
 
Essas aberrações podem ser agrupadas em três categorias principais, sendo: 
a) Formação deficiente da cicatriz: 
A formação inadequada do tecido de granulação ou a organização da cicatriz pode levar a dois tipos de 
complicações: a deiscência da ferida e ulceração. A deiscência ou ruptura é mais comum em lesões no 
abdômen e abem devido a pressão abdominal. As feridas podem ulcerar em consequência de uma 
vascularização inadequada durante a cura. 
 
b) Formação excessiva dos componentes de reparo: 
Podem originar cicatrizes hipertróficas e quelóides. O acúmulo de quantidades excessivas de 
colágeno pode gerar uma cicatriz saliente conhecida como cicatriz hipertrófica; quando a cicatriz cresce além 
das margens da ferida original, sem regredir, é chamada de queloide. Na formação de quantidades excessivas 
de tecido de granulação, que fazem protrusão acima do nível da pele circundante e bloqueiam a reepitelização, 
temos a denominada granulação exuberante (carne esponjosa). 
 
 
c) Formação de contraturas 
Um exagero do processo de contração origina a contratura e resulta em deformidades da ferida e dos 
tecidos circundantes. São comumente observadas após queimaduras graves e podem comprometer o 
movimento das articulações. 
 
 
 
 
 
MICROBIOLOGIA 
Fonte: Áudios da Aula de Weber e Transcrições da 141 
 
● Fatores predisponentes das infecções fúngicas - candidíase 
 
Introdução 
 
Quando se fala de fatores predisponentes tem que se ter na cabeça que a infecção fúngica é diferente 
da bacteriana, o que isso quer dizer? As bactérias têm alto poder patogênico e você vai desenvolver uma 
infecção independente do seu estado imunológico, é claro que se você ainda estiver num estado debilitado à 
infecção pode agravar. O Stress do dia-a-dia, o estradiol e etc. interferem na resposta imunológica, mas na 
maioria dos casos se você teve contato com a bactéria você vai desenvolver uma infecção. Essa infecção pode 
ser aparente ou assintomática (latente – não aparecer sinais e sintomas). Já na micologia é diferente, na maioria 
das vezes eu preciso de além de entrar em contato com o agente agressor eu preciso de outros fatores 
chamados de predisposição. 
 
 
Os fatores de predisposição relacionados ao microrganismos 
 
Estão principalmente relacionados à virulência (capacidade de produzir casos graves da doença). Em 
relação a isso temos a virulência clássica , a maioria dos fungos vão apresentar essa, é o fato de ele só 
promover alguma lesão, alguma doença, desencadear sinais e sintomas se existir outros fatores de 
predisposição. Ex: ruptura da membrana, excesso de estradiol, imunodeficiência primária e etc. Existem também 
os de alta virulência e os de virulência nula. Os de alta virulência são parecidos com as bactérias, que 
independem do estado imunológico do paciente, exemplo o fungo da coccidiose. Já a virulência nula, mesmo 
que você tenha um paciente com baixíssima imunidade, você nunca vai ter sinais e sintomas graves. Virulência 
nula não significa patogenicidade nula, pode existir alguns casos em que pode ter alguma doença, mas nunca 
evolui para um caso grave, o uso de um antifúngico simples como Nistatina e cetoconazol já irão resolver o 
problema. 
 
Os fatores de predisposição relacionados ao hospedeiro 
 
 São os fatores internos e os fatores externos . Os fatores internos são lesões pré-existentes, 
alterações metabólicas, ciclo hormonal. Ex: diabetes, AIDS, HIV, Neoplasias. Já os fatores externos podem ser 
exemplificados pela dieta, consumo de gordura, a profissão da pessoa (atividade ocupacional) porque pode 
fazer com que o paciente entre em contato com determinada substâncias, exemplo candidíase urogenital em 
mulheres muito ocupadas (o dia inteiro sem tomar banho). 
 E porque eu preciso saber esses fatores? Simples, porque não adianta você fazer o tratamento 
farmacológico e não eliminar os fatores , para evitar a reinfecção. E aí algo que vem bem na cabeça é a 
questão de resistência aos medicamentos, vale ressaltar que no caso de fungos é bem baixa a incidência. É 
bem diferente das bactérias que sempre temos que estar desenvolvendo novos fármacos, a resistência fúngica 
existe mas temos uma quantidade limitada de micoses e pode facilitar o tratamento. O Alcoolismo também é um 
fator de predisposição, visto que você ocupa o fígado com a metabolização ao invés de, por exemplo, estar 
criando proteínas de fase aguda para combate. 
 
Candidíase 
 Esse fungo do gênero Candida sp . faz parte da nossa microbiota, todo mundo tem. Fora isso, existem 
uma diversidade de microrganismos desse gênero, isso pode trazer uma diversidade também de sinais e 
sintomas, vai depender muito do sítio anatômico. Ou seja uma infecção pela mesma espécie que acontece na 
boca vai trazer características químicas diferentes da virilha, embaixo da língua e etc. 
 Bom, porque essas manifestações são tão diferentes? Vai variar o poder patogênico de acordo com as 
seguintes características: 
a) Capacidade do fungo de se aderir aos tecidos; 
b) Temperatura: Fungo que cresce a mais ou menos 37 graus está adaptado a parasitar o homem pois 
essa é a nossa temperatura; 
c) Formação de estruturas filamentosas: Mesmo em leveduras (filamentos falsos), aumenta a capacidade 
de resistir à fagocitose , pois o macrófago não vai conseguir fagocitar um filamento todo. 
d) Produção de enzimas: Lipases e proteases, quanto mais, maior será a capacidade de lesionar; 
e) Produção de metabólitos: Reconhecidos como alérgenos disparando histamina, parecido com uma 
alergia, paciente se queixa de ardência, aparecimento de brotoejas. Nesses casos a pessoa tem uma 
micose e os fungos liberam metabólitos alérgenos. Se você não identifica a causa, você vai tratar a 
alergia, mas não vai ter resposta. É uma histamina liberada em grande escala, diferente das reações 
normais por anafilotoxinas comum de todos os fungos que são atingidos pelo sistema complemento. 
f) Infecções severas: Depressão da imunidadecelular (Conversão para resposta do tipo Th2). Inibição da 
via Th1 (inflamatória) que seria ideal pra matar os fungos. 
 
Principais causas para o aparecimento de manifestações clínicas da candidíase 
 
As principais manifestações clínicas são dadas pelos seguintes fatores: 
a) Mudança na hidratação: A quantidade de água que você ingere vai interferir na patogenicidade do 
fungo. Primeiro que quanto menos água você tem pra hidratar mais fácil ocorrer alguma lesão na pele e 
por isso o corpo produz mais sebo (compensação). O sebo além de alterar o pH da pele ainda é um 
fator de predisposição desses fungos (fonte de alimento). 
b) Mudança no pH: Sabemos que o pH ideal para os fungos é ácido, muitos fatores podem diminuir o pH 
do sítio por exemplo: o aumento da pCO2, então pacientes com ventilação mecânica tem que ter 
cuidado para não entrar em acidose, a diabetes também influencia. Dessa forma é muito importante 
verificar sempre o pH na UTI. 
c) Alteração da microbiota: Na mucosa vaginal, por exemplo, o aumento da quantidade de bacilos da 
microbiota pode viabilizar a infecção, somado a outros fatores como higiene, alteração hormonal 
(glicogênio para a mucosa vaginal) e etc. 
d) Concentração de nutrientes (alimentação): Quanto maior a quantidade de gorduras saturadas que você 
ingere, resultará num maior estímulo inflamatório e aumenta a produção de sebo na pele. O tecido 
adiposo é em si mesmo, produtor de citocinas inflamatórias, por isso a obesidade é considerada uma 
doença inflamatória. 
 
Tipos de Candidíase 
 
Abaixo segue um resumão dos principais tipos de candidíase, e seus principais fatores predisponentes: 
a) Candidíase Cutâneo-mucosa: Quer dizer que vai acometer pela e mucosas; 
 
b) Candidíase Intertriginosa: Nos sucos, obesidade pode aumentar as ocorrências pois além do processos 
inflamatório esticam a pele; 
 
c) Onicomicose Candidiásica: Acomete as unhas, relacionada muito à atividade ocupacional, contato com 
substâncias irritantes (água sanitária, detergentes), muito comum em mulheres, principalmente pela 
retirada da proteção ungueal (famosa cutícula). A região acometida é a periungueal (lesão perionix), 
não altera consistência nem coloração da unha, pois o fungo não tem queratinase. 
 
d) Candidíase Oral: Alimentos alteram o pH da boca (carboidratos – bactérias sacarolíticas). Cândida 
também atua na formação da cárie. Alcoolismo, hipovitaminose (C e A), dentifrícios abrasivos (micro 
lesões) principalmente por bochechos com substâncias oxidantes. Existem 4 tipos diferentes, a 
primeira é a pseudomembranosa (forma uma capa pseudomembrana – sapinho – Passa gaze e a 
membrana sai, se não sair não é sapinho), a segunda é a Queilite angular (boqueira) , a terceira é a 
Língua negra pilosa (tabagismo), e a quarta é a Candidíase Atrófica aguda : Secundária à 
Pseudomembranosa , geralmente proveniente de antibioticoterapia, o paciente relata ardência ao 
comer. ; 
 
e) Vulvovaginite: Alterações hormonais (gravidez, anticoncepcionais) alterando o teor de glicogênio na 
mucosa vaginal, tudo isso mexe com o pH. Uso de imunossupressores, candidíase por leveduras 
encontradas nas fezes ( maneira incorreta de se limpar ). Cônjuge também pode influenciar na 
reinfecção, muito forte a parte educativa de pacientes de baixa renda. A água pode conter cândida, 
então locais que não tem saneamento básico são mais propícios. 
 
f) Candidíase Mucocutânea Crônica: Atinge pele unha e mucosa simultaneamente. Vários sítios ao 
mesmo tempo. Primeiro coisa a atentar é saber se ele já fez algum tratamento, principalmente para 
não utilizar as mesmas drogas. Outra coisa, você tem que associar uso tópico e via oral . Associada a 
outras infecções, acomete muito crianças de até 3 anos, principalmente as que sofreram maus tratos 
(de 6 a 8 horas sem trocar uma fralda suja). Reincidência da cândida associada a outras doenças 
temos que d esconfiar de alterações imunológicas primárias , exemplo: displasia do timo (maturação 
do linfócito T mal realizada), hipoparatireoidismo (alteração da vitamina D, que vai estimular a função 
imunológica também, alteração de cortisol e etc.), diabetes (pH sanguíneo alterado). 
g) Candidíase sistêmica: Depende da Fungemia – fungo que caiu na corrente sanguínea – que irá atingir 
os órgãos internos. Geralmente em pacientes imunossuprimidos (candidíase albicans). Porque paciente 
de UTI têm mais disposição de desenvolver uma infecção fúngica? Ele pode estar usando corticoides, 
imunossupressores e antibioticoterapia (por causa do antagonismo microbiano ) - Princípio da 
citotoxicidade seletiva, selecionar para onde eu direciono a toxicidade, para não atingir alvos errados. 
 
Tratamento 
 
A conduta terapêutica tem a ver com a prescrição do medicamento (sem posologia por hora), uso 
tópico ou oral (ou associado), e dizer quais são os fatores de predisposição . Tem que se solicitar a 
investigação de alterações ou de hábitos. Checar sempre hormônios e glicemia. Principais drogas, na ordem 
utilizada: N ão I nventa de C omer FA ro F a 
a) Nistatina – Primeira Linha 
b) Itraconazol 
c) Cetoconazol 
d) Fluconazol 
e) Anfotericina B associado com flucitosina – Droga extremamente nefrotóxica, usada em último caso. Existe em 
duas formas, potássica (nefrotoxicidade altíssima) ou lipossomal (reduz a nefrotoxicidade, mas é o olho da cara). 
 
Uso tópico geralmente, mas se existe reinfecção tem que se tratar o paciente e identificar os fatores. Na 
prova sempre solicitar exames para checar as coisas. Geralmente quando eu tenho reinfecção se usa também 
por via oral os derivados do nidazol, o cetoconazol e o itraconazol. Agora quando temos a candidíase sistêmica 
a gente usa mais fluconazol (via oral) e em último caso Anfotericina B associado com flucitosina. Não existe o 
tratamento de micologia sem identificar os fatores de predisposição. 
 
● Micoses superficiais e cutâneas 
 
Introdução às micoses superficiais 
As micoses podem ser subdivididas de acordo com o sítio de atuação em superficiais, cutâneas, de 
implantação (antiga subcutânea) e sistêmicas. Outra classificação é anatopatológica, onde temos as 
patogênicas verdadeiras e a de caráter oportunista. 
Bom, as superficiais são chamadas dessa forma pois atuam principalmente na chamada camada 
córnea da pele (na epiderme), e isso impacta muito pois a epiderme não é vascularizada, portanto não haverá 
formação dos sinais da inflamação. Na micose superficial o fungo está restrito, tendo portanto baixo contágio e 
sendo até considerada uma micose estética. Quatro micoses superficiais foram abordadas em sala, sendo: 
Pitiríase Vesicolor, Tinea Nigra, Piedra nigra e Piedra Branca. As superficiais ainda podem ser divididas em 
micoses da pele e do pêlo. A tinea Nigra como veremos é uma lesão macular, mácula nada mais é que uma 
mancha. As micoses de pêlo, estritamente superficiais não vão causar a perda do pelo, a chamada alopécia. 
Elas podem ser uma piedra branca ou uma piedra nigra, restritas à camada mais externa do pêlo (cutícula). 
 
 
 
Micose superficial: Pitiríase VesicolorÉ uma mácula que dificilmente pode evoluir para quadros graves (malasseziose em pacientes 
imunodeprimidos), o gênero responsável é o Malassezia sp ., um conjunto de fungos pertencente a nossa 
microbiota. A infecção pode acontecer quando há fatores predisponentes envolvidos como vimos anteriormente. 
O fungo é polimórfico (na forma filamentosa ele é a Malassezia, na forma leveduriforme, Pityrosporum ovale) e 
lipofílico - justamente a pele oleosa (produção sebácea) pode predispor o desenvolvimento dele. Ele é bem 
parecido com a candida sp. mas enquanto este está disposto nas mucosas e TGI principalmente, o Malassezia 
está presente na pele. 
As lesões provenientes deste fungo podem ser hipocrômica ou hipercrômica , isso vai depender da 
espécie possuir ou não a produção de ácido azeláico. O ácido azeláico inibe uma enzima chamada 
tirosinase , que atua na conversão de tirosina em melanina. Então quando uma pessoa sofre exposição ao sol, 
a área sem ácido azeláico é bronzeada e a área com ácido ácido azeláico produzido pelo fungo fica 
hipocrômica. Já as manchas hipercrômicas trata-se do efeito rebote. Certas espécies desse gênero podem 
incentivar a produção de melanina. 
 
A micose superficial não sara apenas com o "descascamento da pele" . Na epiderme há o estrato 
germinativo, e a medida que essas células passam para superfície, elas vão ganhando a produção de queratina 
e perdendo metabolismo. Então ela passa pelo estrato espinhoso, granuloso e já não tem mais metabolismo, ela 
só tem a produção e o armazenamento de queratina, chegando no estrato lúcido e no estrato córneo são células 
mortas e queratinizadas; o fungo fica nos estratos mais profundos , então, apesar da descamação do estrato 
córneo, o movimento das células faz com que o fungo não seja eliminado completamente. Tratamentos estéticos 
não são suficientes para a eliminação do fungo, ou seja não pode ser por peeling, 
O diagnóstico diferencial é laboratorial, realizado pelo sinal de Besnie r (descamar mecanicamente, 
não é biosseguro) pois é uma lesão macular descamativa. Existe também o sinal de Zileri , sendo mais 
biosseguro, se estira a pele e observa-se o esfacelamento da queratina. Muito fácil confundir o sinal de Besnier 
positivo com o Dermografismo (ressecamento da pele), então para diferenciar realiza-se demarcação da área 
lesionada, se o sinal não ficar restrito a área trata-se de dermografismo. Outro método utilizado é a lâmpada de 
Wood, se depois que expormos o paciente a essa lâmpada a área ficar mais clara, conseguimos identificar o 
fungo. 
Desnutrição, calor, umidade, dermatite seborreica, assim como o suor são fatores predisponentes. 
Dermatite seborreica é diferente de pano branco e também é diferente da caspa. A caspa é apenas um tipo de 
dermatite seborreica, e nem toda dermatite seborreica está associada a um processo infeccioso, por exemplo na 
síndrome de Cushing onde há o excesso de cortisol e imunossupressão reduz a produção de peptídeos 
antimicrobianos do suor e predispõe a infecção.. 
Bom, geralmente o diagnóstico é feito pelo método de Besnier mesmo e usa-se uma fita gomada , logo 
depois se põe numa lâmina e leva-se para análise em exame direto . A maior incidência de reinfecção é em 
mulheres, visto que a pitiríase pode atacar o couro cabeludo na sua forma leviduriforme, e nesses casos se faz 
necessário o uso de shampoos contendo cetoconazol que resseca o cabelo. Não tratando, ao coçar os fungos 
são espalhados pelos ombros promovendo a reinfecção. Não dá pra fazer o tratamento via oral porque uma 
porcentagem ínfima do fármaco chega nos sítios. O tratamento é baseado no cetoconazol e compostos 
ceratolíticos tópicos. Um albino pode desenvolver a pitiríase, não haverão máculas nesse caso, só que vale 
lembrar que a produção de sebo nos albinos é diminuída o que acaba sendo uma proteção. 
Na malasseziose (pacientes acometidos por HIV) o fungo migra para o folículo piloso e causa uma 
secreção purulenta. O fungo deixa de ser mácula e forma uma pústula. 
 
Micose superficial: Tinea Nigra 
 
Se manifesta como uma mácula hipercrômica apenas, associada à região palmar e plantar. Trata-se de 
um fungo demáceo (Exophiala werneckii), ou seja, produz melanina, é amofílico, resiste a uma alta 
concentração de sal e é queratinolítico. A palma da mão e a planta dos pés possui muita queratina, sudorese e 
sebo e isso são fatores de predisposição. Muito cuidado para não confundir com melanoma (esse só dá nas 
mãos em situações muito raras), o diagnóstico diferencial se dá por exame direto por meio da raspagem 
(método de Besnier). O fungo vai apresentar crescimento centrífugo e radial. 
 
O tratamento é cetoconazol, isoconazol ou itraconazol, é o mesmo tratamento para todas a micoses 
superficiais. O cetoconazol tem boa resposta, o uso indiscriminado gerou linhagens resistentes. O tratamento 
superficial é rápido, mas veremos que os de unha demoram de 6 meses a 1 ano. Uma tendência ao vitiligo pode 
desencadear a doença após a despigmentação. 
 
 
 
Micose superficial: Piedra Nigra e Piedra Branca 
 
A principal diferença entre elas é a consistência, a branca é mucilaginosa e a negra é rígida . A cor 
não é o determinante na nomenclatura. A negra parece um nó de cabelo, se for retirada por ação mecânica 
pode partir o cabelo, a branca não. O tratamento é químico. É uma feohifomicose ou seja é um tipo filamentoso, 
é demáceo, predileção pelo fio de cabelo, esses agentes etiológicos estão no solo. Você pode fazer o exame 
direto, sem qualquer tipo de corante, mas o que a gente geralmente faz é colocar um clarificante, que é o 
hidróxido de potássio. A diferença da preta e da branca só vai ser a consistência. Além da consistência, a 
branca pode dar no couro cabeludo, na barba e nos pelos pubiano, lembra uma caspa. O tratamento aqui é um 
pouco mais simples, a própria ação mecânica junto com o xampu já elimina o fungo. 
 
 
 
Micoses cutâneas - Dermatofitoses 
 
As micoses classificadas como cutânea invadem a derme,um tecido vascularizado e portanto podem 
gerar processo inflamatório. Pode atingir pele, pêlo e unha, sendo esta última considerada uma das mais difíceis 
de tratar. A micose cutânea geralmente é restrita à camada queratinizada (a derme), exceto em pacientes HIV e 
imunodeprimidos, onde podem gerar uma micose sistêmica. Existem basicamente dois tipos de micose cutânea: 
ela pode ser dermatofitose , ou ela pode ser causada pela cândida (visto anteriormente). Nessa parte 
focaremos nas Dermatofitoses. 
As Dermatofitoses são causadas pelos fungos dermatófitos, tendo como principais gêneros 
representados: Trichophyton, Microsporum e Epidermophyton. O dermatófito é queratolítico, conseguem 
degradar queratina, consequentemente vai destruir o tecido queratinizado. 
A gente vai observar a chamada tríade da dermatofitose. Primeiro, elas são lesões secas e 
descamativas, elas são inflamatórias e tem uma tendência a ser bolhosa. Ou seja, primeiro fica bolhosa e depoisela estoura e fica seca e descamativa. 
 
Falando em unha (onicomicose) , como visto anteriormente, a cândida não tem queratinase , então 
vai destruir o tecido adjacente (periungueal ou perionix), principalmente destruição da lâmina ungueal 
(vulgarmente chamada de cutícula). No caso da dermatofitose a unha muda de cor e de consistência (é uma 
micose onix). A “unha de bruxa” é isso: mudança na coloração e na consistência. No caso da cândida o mais 
afetado é o tecido periungueal (ao redor da unha), gerando uma secreção purulenta, pus ao redor da unha, mas 
a unha em si não tem alteração de cor, nem de consistência. Vale ressaltar que o que pode acontecer é um 
ataque ao leito da lâmina (a unha está em cima e o leito está embaixo) esse leito ungueal que é prejudicado e 
por isso que a unha ela fofa e ela cai. 
 
 
Ainda falando sobre onicomicoses, o sítio de infecção ungueal também pode interferir no diagnóstico, 
ou seja, podemos classificar em distal, superficial e proximal. 
 
 
A distal é na borda livre da unha, a proximal na base da unha e a superficial é a que está na superfície. 
A onicomicose subungueal-distal , na ponta da unha em direção à cutícula. Já a onicomicose 
subungueal-proximal (causa pela Tinea unguium) está mais relacionada a pacientes com HIV. E existe a 
onicomicose superficial chamada de leuconimicose , esse tipo de micose ocorre apenas 10% dos casos de 
onicomicose, quando não tratada, as manchas tendem a se espalhar centrifugamente por toda a unha. Agora 
preste atenção, não é aquela mentira que aparece na unha não, aquilo está relacionado à diminuição de zinco e 
selênio. 
 
Bom, como a onicomicose dermatofítica é muito mais difícil de tratar, existem drogas que são usadas e 
que tem uma boa taxa de cura. Esse tratamento pode durar de seis meses a um ano. Antigamente, o tratamento 
feito era a retirada da unha, hoje não se faz mais isso. Hoje o tratamento consiste em Terbinafina e Itraconazol 
por via oral. Cetaconazol ainda pode ser usado. Mas os que tem mais taxa de cura são: griseofulvina e 
fluconazol. Então essas são as principais drogas usadas. O tratamento geralmente, é por via tópica associado 
por via oral , tem que ser desse jeito, porque a taxa de difusão da droga na unha para atingir o fungo é muito 
pequena, então além de colocar por via tópica, deve-se fazer via oral. Existem esmaltes antifúngicos, como o 
Ciclopirox , porém são caros. 
No caso da dermatofitose cutânea, um aspecto bem importante a ser ressaltado é que a lesão 
apresentada é circular, centrífuga (do centro para periferia) e a parte central é a primeira que se cura. Quando 
atinge a pele a área costuma ficar vermelha, toda cheia de bolha, mas tem uma parte já com aparência 
descamativa e essa parte central já está se curando, não está mais vermelha. Como é queratolítico, verificar um 
aspecto bem brilhoso. 
 
Quando as dermatofitoses acometem pêlo, acontece a mesma coisa que acontece na superficial. Só 
que a grande diferença é que a superficial fica só na parte da cutícula, ela não atinge a parte interna do pêlo 
(fica só no córtex), ou seja, a medula do fio não é atingida. Já aqui nas dermatofitoses o fungo vai sim para a 
medula e migra também para o folículo piloso, e lá começa a destruir o folículo piloso , isso vai gerar alopecia 
infecciosa, lembrar que é diferente da alopecia androgênica. 
 
Uma outra coisa importante na hora de fazer o exame clínico é identificar o grau de inflamação dessas 
lesões. Quanto mais distante for essa espécie, filogeneticamente , do seu hospedeiro, maior o grau de 
inflamação. Classificar em antropofílicas, zoofílicas ou geofílicas. Exemplo: Quando uma espécie geofílica 
começa a parasitar o homem ela gera um processo inflamatório muito maior, ou seja, as lesões são mais graves, 
isso tudo por que ela é um pouco mais distante. 
Outro conceito bem importante de diferenciarmos é a Dermatofítide . É uma reação alérgica ao 
metabolismo do fungo. O fungo estará produzindo metabólitos que são encarados como alérgenos e geram as 
brotoejas, as dermatites. Só se cura dermatofítide com antifúngico, então o ideal é prescrever um antifúngico 
para tratar. Lembrar do conceito de Querion , trata-se de uma dermatofitose em pele glabra (sem pêlos). 
Na Dermatofitose intertriginosa, aquele famoso pé de atleta ou frieira, bem parecida com a candidíase, 
tem a ver com a região entre os dedos os sulcos. 
 
 
 
● Micoses subcutâneas e sistêmicas 
 
Introdução às micoses subcutâneas 
 
A nova nomenclatura define as micoses subcutâneas como micose de implantação , isso devido a 
necessidade de um trauma pra se instalar. Ou seja, o paciente vai relatar um traumatismo numa área do corpo. 
Bom o sítio de implantação ultrapassa a epiderme e a derme, o microrganismo vai entrar e se instalar na tela 
subcutânea. 
Geralmente, para diagnosticar esse tipo de micose a gente precisa de um exame histopatológico. 
Assim, o padrão-ouro ainda é identificar o fungo, com o exame direto. A maioria das lesões não são acometidas 
somente pelos fungos. Na maior parte das vezes, por se tratar de uma inoculação, é uma infecção 
polimicrobiana: há tanto bactérias como fungos. E o que é que acontece? Na maioria das vezes, você trata a 
infecção bacteriana e se esquece da fúngica, isso principalmente porque o fungo necessita de maior tempo para 
se desenvolver. 
O desenvolvimento é classificado como insidioso e crônico , gerando reação inflamatória inicial, e 
depois o processo vai se desenvolvendo lentamente ao longo do tempo, quando as lesões começam a aparecer, 
com exceção do tempo de evolução para lesões mais graves que dura pouco. O tratamento é tão difícil quando 
o tratamento de uma onicomicose dermatofítica. Vale ressaltar que muitas vezes algumas doenças têm um 
padrão fibroso , que impede a difusão das drogas. 
As principais características desse grupo são: fungos de baixo potencial patogênico, não há 
transmissão de uma pessoa para outra e possui a capacidade de se espalhar. Algumas delas têm disseminação 
sistêmica, através da rede linfática e sanguínea, instalando-se em outros órgãos. 
A população mais acometida são pacientes trabalhadores braçais da área rural (o que a torna 
negligenciada), a principal que a gente tem na cidade é a esporotricose, porque como veremos é transmitida por 
gato (mordedura e arranhadura do gato). 
São as principais e mais frequentes: cromoblastomicose, esporotricose, feo-hifomicose subcutânea, 
micetoma. dica: C onselho E stadual e F ederal de M edicina 
 
Micose subcutânea: Cromoblastomicose 
 
Como o próprio nome já diz, cromo (cor) e blasto (proliferação). Essa infecção fúngica tem alto 
potencial proliferativo e produzem pigmentação, mas sua incidência é bem baixa. Não se trata de uma única 
espécie, na verdade são 7 espécies fúngicas proliferativas que o professor não pediu pra gente decorar, mas 
isso pode causar uma diversidade de apresentações. Mas como característico a gente tem uma hiperplasiado 
tecido, ao ponto de parecer uma verruga e também alteração na coloração. Apresentam lesões verrucosas, 
nodulares, tem as cicatriciais e as tumorais também. 
O tratamento geralmente é cirúrgico nos casos mais graves (debridamento), associado ao tratamento 
farmacológico, por via oral e também local, mas não é uso tópico , mas é uma injeção no local, no tecido,para 
que haja uma magnificação na proliferação. 
 
 
A infecção se inicia com a diminuição da espessura da pele, fica mais fina, você pode até confundir 
com erisipela, que é uma infecção causada por uma bactéria. E nesses casos iniciais, geralmente com lesão 
eritemo descamativa, sempre se faz necessária a investigação laboratorial. Para esse tipo de fungo se instalar 
se faz necessária inoculação repetida ou que o inóculo seja grande. O acometimento geralmente é unilateral. 
Mas a característica patognomônica é a presença dos corpos Escleróticos (São pequenos fragmentos do 
fungo que ficam localizados no tecido), identificados no histopatológico. 
 
 
Vale ressaltar que o exame é coletado antes de se iniciar o tratamento, pois pode dar falso negativo. Se 
um paciente chegar pra você com suspeita de micose e já tiver usado Itraconazol, você não poderá fazer uma 
coleta naquele momento, terá de se esperar cerca de 7 dias para se coletar (aumentar a possibilidade de 
aparecer algo no exame) e começar o tratamento. 
Após o diagnóstico pelos corpos escleróticos devemos identificar o agente etiológico (espécie), um 
exame da micromorfologia . Isso porque são sete espécies, cada uma com um quadro característico. Mas logo 
com o diagnóstico inicial você usa o antifúngico e, dificilmente, por serem fungos que estão presentes no 
ambiente, eles vão apresentar resistência. A conduta é iniciar o tratamento com antifúngicos e depois você tem 
que saber qual é a espécie, e verificar se existe resistência a algum medicamento. Caso descubra resistência, 
você vai ter que realizar um ajuste terapêutico. Nesse teste de resistência vai aparecer igual ao antibiograma , 
no nosso caso a gente usa o antifungigrama, onde eu identifico a espécie fúngica e vejo a resistência, 
resistência intermediária e sensibilidade de cada um. 
A gente não tem testes de sensibilidade e especificidade suficientes para fazer pela sorologia. Então 
sorologia para subcutâneo é ruim. Você pode fazer alguns testes sorológicos, mas vai dar muita reação cruzada. 
Caso haja acometimento sistêmico, se faz necessário o uso de drogas como: Anfotericina B (tóxica 
para o rim e para o fígado - usa-se em último caso), mas o ideal é que se trabalhe com o Itraconazol e a 
Terbinafina. 
 
Micose subcutânea: Esporotricose 
 
É causada principalmente por um fungo dimorfo chamado Sporothrix schencki mas na verdade é um 
grupo, o grupo Sporothrix . É uma micose subcutânea e que pode ser também uma micose sistêmica . 
Quando é de caráter subcutânea, ela inicia pela pele, pelo membro que foi inoculado, e ela pode evoluir de 
maneira sistêmica tornando-se linfocutânea . Pode portanto estar específica na mucosa ou invadir outros 
órgãos. 
Já quando ela é dada como uma micose sistêmica, ela é assintomática pois o fungo foi inalado, sendo 
o foco inicial o pulmão e depois dissemina. É considerada uma micose cosmopolita pois gatos também podem 
auxiliar na disseminação. 
Quando é subcutânea observa-se que eu tenho um trajeto dessa lesão, a primeira lesão, que é a da 
minha inoculação, ela é fixa, ela forma um nódulo e aí esse nódulo vai se desprender e ganha a rede linfática, e 
vai se desprendendo, ai aumenta e vai se distribuindo, formando um trajeto. Diferentemente da sistêmica, que é 
iniciada no pulmão e aí evolui para outros lugares. 
Caso você pegue um paciente logo no início da infecção quando ele apresenta uma única lesão, sendo 
que não disseminou ainda, como saber que se trata de esporotricose? Além do histórico de trauma, o nódulo 
formado é fixo , não se movimenta. Com o tempo ele vai se disseminando pela forma mucocutânea e esses 
outros nódulos são móveis. 
 
 
 
Para tratamento usa-se o Iodeto de Potássio saturado , só que presta atenção nele, porque ele não é 
usado para qualquer paciente. Pelo fato do Iodeto de Potássio ser um sal e reter líquido, ele não pode ser 
administrado a hipertenso. Agora, detalhe, é aquele hipertenso descompensado. Alguns efeitos colaterais são 
desconfortos como ardência na boca, cefaléia, insônia. Por via das dúvidas, no hipertenso, sendo 
descompensado ou não, evita, existem outros tratamentos, como o Itraconazol. Mas por ser um fármaco 
amplamente usado pode ter uma eventual resistência. E aí o uso da Anfotericina B é quando você não pode 
usar nem Iodeto de Potássio ou quando o Itraconazol é resistente. o Itraconazol também pode ser tópico ou por 
via oral. 
A evolução da doença é de dentro para fora , entende que o fungo ele foi implantado e ele está 
invadindo os tecidos mais externos. Então começa com uma hiperemia, começa com uma vermelhidão, tem 
paciente que tem dor e só depois é que ele evolui para essa úlcera. Só reforçando, a primeira, ela vai ser fixa 
porque ela foi inoculada neste local, aí depois ele se desprende mas isso não significa que ele está fortemente 
aderido aquele novo tecido, por isso é móvel. 
Só ressaltando que existem dois tipos de Anfotericina B, a clássica e a lipossomal. A lipossomal é 
envolvida por lipossomo que é uma membrana e isso faz com que ela passe pelos glomérulos sem causar muito 
estrago. E o excesso vai ser eliminado pelo rim. A eficácia das duas é a mesma, o que vai acontecer é que a 
lipossomal reduz os efeitos colaterais do indivíduo. 
 
Micose subcutânea: Feo-hifomicose subcutânea 
 
Qual é a diferença entre a feo-hifomicose subcutânea e a cromoblastomicose, como o próprio nome já 
diz a feo-hifomicose só tem pigmentaçã o, então ele não vai ter um processo hiperplásico, e geralmente é 
muito simples. O processo inflamatório, inclusive, é bem restrito, ele não se dissemina. 
O tratamento é cirúrgico, retirada do nódulo auxiliado de doses via oral de itraconazol. Também não há 
contaminação de um indivíduo para o outro. Feo-hifomicose, lembrem que é causada por um fungo filamentoso 
que é produtor de pigmento. E se for hialo-hifomicose, é um fungo filamentoso que não tem pigmento. 
 
 
Micose subcutânea: Micetoma 
 
Pode ser por dois tipos de infecção, classificada em eumicótico ou actinomicótico . O eumicótico (eu, 
verdadeiro) causado por um fungo verdadeiro. Já a actinomicótico é causado por uma bactéria filamentosa, as 
Actinomyces, que são seres procariotos, mas que formam filamentos. Porém a maior incidência e a maior 
prevalência de casos é de micetoma eumicótico. 
Temos a chamada tríade do micetoma : 
 
É um fitopatógeno, que pode acometer imunocompetentes , não sendo classificado dessa forma 
como um fungo oportunista. Tem intensa produção de melanina e outros pigmentos, e além disso, secreta 
toxinas bloqueadoras (que impedem a ação de uma resposta imunológica). Essatoxina inibe a ação de 
macrófagos e linfócito. Vai promover um comprometimento da rede vascular e inibição do processo inflamatório, 
assim como o comprometimento da rede linfática e da rede venosa (O que causa o Edema). O padrão de 
inflamação do nosso corpo é através da tumefação granulomatosa, que vai envolver uma série de grãos 
provenientes do próprio fungo. 
Após formado o edema e a resposta granulomatosa, ele forma fístula e xatamente para a secreção 
purulenta ser eliminada. Pode aparecer inicialmente como apenas um inchaçozinho. É muito parecido com a 
patogenia da filariose. 
O diagnóstico é através de biópsia, mas como você vai fazer a coleta? Você vai precisa esperar a 
formação da fístula, porém ela não pode ter “estourado”, justamente para não extravasar o fungo. A fístula 
rompida tem uma chance menor de ter agente etiológico. 
 
 
Quando o paciente chega com esse inchaço e histórico de trauma, apesar de ser bem evidente o 
diagnóstico, você vai ter que se precaver e a precaução é fazendo o exame laboratorial - o exame é o 
isolamento do fungo (cultura). 
O que se tem que ter em mente é que nunca é algo que o médico consegue dar o diagnóstico de 
imediato. Isso porque existe uma seleção de hipóteses diagnósticas (por exemplo, fazer o diferencial para 
filariose e outras infecções bacterianas). O tempo médio de estabelecimento de diagnóstico conclusivo é de 6 a 
8 meses. 
O tratamento é o mais diferente desse ramo de fungos. O Itraconazol, anfotericina B e cetoconazol 
não são utilizados , isso porque ele é um fungo fibrosante e a difusão dessas drogas no tecido fibroso é mais 
difícil. Então quais os medicamentos que tem resposta mais promissora no tratamento do micetoma? 
Terbinafina, voriconazol e posaconazol. A terbinafina se dá em média de 12/12h – necessário 2 vezes. O 
voriconazol e o posaconazol de são de 8/8h ou 6/6h, média de 4 vezes. O tratamento é igual o tratamento com 
antibiótico, é necessário manter o níveis da substância antifúngicas constantes na corrente sanguínea do 
paciente, se isso não acontecer o tratamento falha. 
 
Adendo sobre diferenças de testes laboratoriais 
 
[20:39, 5/11/2018] Weber: Histopatológico: identifica as variações no tecido e a presença de estrutura fúngica . 
Geralmente usa técnicas de Imunohistoquímica; 
[20:40, 5/11/2018] Weber: Exame direto processa rapidamente a amostra e leva ao microscópio, 
[20:40, 5/11/2018] Weber: Isolamento faz cultura , demora em média de 15 a 20 dias. Identifica o fungo. 
 
Introdução às micoses sistêmicas 
 
São cinco principais Histoplasmose, Blastomicose, Coccidiomicose, Paracoccidioifomicose e 
Criptococose ( H omem B i C ome P riquito e C u). E o que é que faz com que o mesmo agente etiológico cause 
uma infecção autolimitada ou grave? A imunidade. Existe a histoplasmose infecção e existe a histoplasmose 
doença. A blastomicose infecção e doença... e assim sucessivamente. Na infecção o paciente está infectado, 
tem proliferação, mas não tem sinais e sintomas. E ela é autolimitada. Pode apresentar uma pequena tosse, 
rouquidão, comprometimento da capacidade respiratória. Mas logo depois de 2 semanas tudo volta ao normal, 
ou seja, o paciente teve uma infecção e ela foi autolimitada. 2 semanas e acabou. 
Precisamos decorar os agentes etiológicos. São eles: 
a) Histoplasmose – Histoplasma capsulatum; 
b) Blastomicose – Blastomyces dermatitidis; 
c) Coccidiomicose – Coccidioides immitis; 
d) Paracoccidioidomicose – Paracoccidioides brasiliensis; 
e) Criptococose – Cryptococcus neoformans. 
 
Eles são dimórficos, o único que não é dimórfico é o Cryptococcus neoformans, que é uma 
levedura (leveduriforme), seja na forma parasitária ou no ambiente. Ele é o mais comum porque está presente 
nas fezes dos pombos. Eu posso solicitar um exame direto (micoses sistêmicas tem como foco principal o 
pulmão, então eu vou pedir escarro, lavado broncoalveolar e vou solicitar que façam o exame direto), pega a 
amostra coloca numa lâmina, cora e vai para o microscópio. 
 
 
 
O Histoplasma capsulatum é muito pequeno, não é visualizado no exame direto, porque esse fungo 
está no macrófago, entra e fica lá e se prolifera lá. Coccidioides immitis forma uma bolsa cheia de leveduras 
pequenas, então a maior parte das vezes essa bolsa não está estourada, não tá dispersa no tecido, eu não vou 
achar também. Para esses teremos outros métodos, principalmente histopatológico. 
 
Micoses sistêmicas: Histoplasmose 
 
Chamada também de “’micose das cavernas’’ ou ‘’micose dos morcegos”. Agora presta atenção, 
porque o fato de o paciente ter dito a você que visitou uma caverna, não faz com que ele tenha histoplasmose, é 
preciso avaliar. 
O fungo é filamentoso, vai ser inalado e vai habitar o sistema reticular endotelial , ou seja, macrófagos 
alveolares. Lá eles começam a ser fagocitados e não são destruídos, eles permanecem lá. Aí eu pergunto: O 
paciente que tá em fase crônica, eu consigo fazer exame direto? Não, porque eles estão dentro do macrófago e 
o que você vai ver são macrófagos. Não existe qualquer tipo de técnica que visualize a levedura dentro do 
macrófago. A histoplasmose tem a versão clássica e a africana (ele não especificou o que cada uma fazia). 
O ideal é que a gente faça cultura ou biópsia . Algumas vezes a cultura também vai ser dificultada, 
porque a levedura está dentro do macrófago, então eu preciso lisar o macrófago para poder expor essas 
leveduras. O exame direto eu não consigo fazer o tamanho dele é muito pequeno pra você visualizar pelo 
exame direto. É mais fácil você observar ele em cultura, no exame direto é mais difícil. 
 
Lembrar que a meningite é histoplasma e cryptococus, as principais. Histoplasma é mais raro. 
O tratamento é feito por Anfotericina B, Cetoconazol, Miconazol, Fluconazol e Itraconazol. São os 
principais utilizados. Então, se tiver que chutar, chute Itraconazol. 
 
Micoses sistêmicas: Blastomicose 
 
Se caracteriza por lesões deformantes aqui ela tem a proliferação. A blastomicose não tem muito 
aqui no Brasil, então o teste de intradermorreação é uma alternativa boa . Porém se você solicitar 
intradermorreação para Blastomyces, vão rir da sua cara (não temos o antígeno em estoque). Então na teoria 
acontece, seria o ideal, mas na prática, no SUS não tem. 
O ciclo dela é muito parecido com a paracoccidioidomicose, tá no ambiente, ele é filamentoso, inalação 
dos propágulos, e aí formação das leveduras. Estudos mostram que é mais comum em homem de 30-60 anos e 
negros. Ela pode ser disseminada, e ela sendo disseminada pela pele, atingindo ossos e outros órgãos, é 
aquela que lembra uma leishmaniose tegumentar. Ela é de fácil diagnóstico pelos exames diretos. Porque? 
Porque olha só como é característico a levedura dele, ela forma como se fosse uma membrana, uma dupla 
camada refringente. 
 
 
 
Sorologia não serve de nada. Diagnóstico feito por exame direto ou biópsia. Ou cultura, mas demora 
um tempão. Alguns pacientes podem ter febre e ainda pode ser confundido com tuberculose. Não tem comofazer diagnóstico só pela lesão. 
 
Micoses sistêmicas: Coccidiomicose 
 
Mais comum em Zonas desérticas e semiáridas. Assim como as outras é Predominante pulmonar, mas 
pode invadir pele, laringe, ossos, articulações. Raramente disseminação hematogênica (<1%). Diagnóstico é o 
de praxe Escarro, aspirado brônquico, LCR, raspados de lesões, secreções, biópsia e outros. Como dito 
anteriormente o Coccidioides immitis forma uma bolsa cheia de leveduras pequenas, então a maior parte das 
vezes essa bolsa não está estourada, não tá dispersa no tecido, eu não vou achar também. Para esses teremos 
outros métodos, principalmente histopatológico. 
 
 
 
Micoses sistêmicas: Paracoccidiomicose 
 
São ubíquos (presente em todos os lugares) e são inalados. Todo mundo é imunocompetente, então 
pode ter tido essa infecção limitada ou pode sequer ter iniciado o processo infeccioso. Mas, uma vez que se 
inicia o processo infeccioso, ele se transforma, deixa de ser filamentoso, por causa da temperatura e começa a 
produzir as leveduras. 
Pode gerar lesões tegumentares (na pele, na mucosa), certo? E essas lesões são ulcerativas, 
granulomas ulcerativos, tem uma grande quantidade de células de defesa nesse local e tem também o fungo. 
Eles fazem esporulação. A Paracoccidioides brasiliensis vai ter uma predileção por pacientes do sexo 
masculino . Já existem alguns estudos propondo que essa fase de transição entre o filamentoso e a levedura 
leva em média 18 horas e a presença de hormônios sexuais femininos podem inibir essa transição. Na verdade, 
não se tem estudos comprobatórios se tem a ver somente com a exposição ou se tem também influência de 
fatores hormonais da mulher. Além do exame direto tem-se o teste de intradermorreação. É o mesmo teste 
que se faz para tuberculose, o PPD ou teste de Mantoux. O princípio é: verificar se existe exposição prévia 
ao antígeno, ele vai gerar uma reação na derme porque é injetada a paracoccidioidina, uma substância isolada 
desse fungo,e por conta disso ele desenvolve uma resposta. 
Só que o que é ruim nesse teste de intradermorreação? Áreas endêmicas : quando um paciente vem 
de uma área endêmica pode ocorrer falso positivo. É algo que auxilia o diagnóstico porém não conclui 
diagnóstico. 
Ele é bem característico em exames diretos, pois as leveduras brotam e ficam presas, é a organização 
chamada em “roda de de leme” ou em “Mickey mouse”. 
 
 
 
Aí você pega a secreção, pus, exsudato, escarro e verifica diretamente na procura dessa morfologia. O 
que eu não posso fazer é intradermoreação numa população que está exposta ao fungo. E o teste sorológico eu 
posso usar também quando não tenho o recurso de biópsia ou do exame direto, mas também pode dar falso 
positivo, ele não pode ser usado para dar algum diagnóstico diferencial, pois pode dar reação cruzada com 
tuberculose, sarcoidose, histoplasmose, trombomicose e leishmaniose. 
Então se usa preferencialmente o exame direto ou a cultura, mas a cultura vai demorar 15 a 30 dias, e 
o exame direto é o que eu vou ter e a biópsia. Então eu tenho teste sorológico, cultura e biópsia. 
Lembrar que para fungo cultura é o padrão ouro, mas ela demora. Para evolução e controle da cura é 
o ELISA . Mas lembrar que o ELISA não serve pra diagnóstico, o ELISA serve para você verificar se o paciente 
está evoluindo bem ou não, o prognóstico dele, isso porque verifica-se os títulos de IgG. Os títulos de IGg vão 
estar altos na fase crônica. Os títulos de IGg vão estar altos, e tendem a diminuir se você tiver um tratamento 
eficiente. 
Quando a gente trabalha com infecção, podemos infecção latente e infecção crônica, que acomete 
depois de 20 anos. Pode ter infecção aguda? Pode, mas a infecção aguda geralmente é em crianças, então 
observa bem isso, porque nas provas de residência eles associam muito paracoccidioidomicose aguda em 
criança e imunodeprimidos. 
 
Micoses sistêmicas: Criptococose 
 
As criptococoses são mais fáceis de serem diagnosticadas. Elas estão associadas a criação de 
pombo. 
. 
Ele pega o escarro ou lavado bronca alveolar, bota numa lâmina e bota uma tinta escura chamada 
tinta nanquim e vai aparecer isso! Não existe nenhum outro micro-organismo com essa aparência de ‘’sol ”. 
Essa capa gelatinosa faz com que o criptococos não sejam fagocitados pelos macrófagos. Paciente HIV 
positivo, geralmente começa a dar sinais de criptococose, principalmente, a meningite por criptococos, 
O que o paciente vai ter: corrimento nasal, dispneia(respirar com dificuldade), a saturação de CO2 vai 
estar bem baixa, o que ratifica a dificuldade de respirar, espirros e dor de cabeça. Pode apresentar náusea, pois 
quando o paciente vai expectorar (soltar catarro) ele engole a secreção e essa secreção contendo o fungo vai 
para o estômago e tem suas ações locais lá também (náusea e vômito). Sensibilidade a luz , principalmente em 
pacientes com meningite, e febre (38- 40°). 
O tratamento é padrão, é a anfotericina B e fluorocitosina(flucitosina) ou itraconazol, fluconazol, mas 
levem em consideração que esses últimos não tem a resposta tão eficiente quanto a anfotericina B. 
 
● Aspectos macro e microscópicos dos fungos 
 
Resuminho básico da aula prática 
 
As micoses são doenças produzidas por fungos, sendo geralmente contraídas por contato direto, 
inalação ou lesão. Os fungos podem ser Bolores (filamentosos-pluricelulares) ou leveduras (unicelular) . 
Muitos participam da microbiota e só desenvolvem infecção em caso de oportunismo. 
O exame micológico é feito em secreções, urina, fezes, liquor e podem ser por diversas técnicas. A 
mais utilizada é o exame direto , que pode ser feito a seco, contrastado ou clarificado por KOH . Atentar-se 
para o uso de antimicrobianos a fim de não negativar o exame. O exame direto procura a forma fúngica mas 
não identifica a espécie. 
Para se descobrir a espécie se faz a cultivação em meio de cultura, classificando macroscopicamente. 
A cultura geralmente é feito em Meio Ágar com Sabourad dextrose, cloranfenicol e cicloheximida, são 
nutrientes para o fungo se proliferar e por vezes são associados a antibacterianos para evitar antagonismo. 
Existem diferentes técnicas de semeio, temos a técnica de 7 pontos distribuídos formalmente na 
placa. Vale ressaltar que o pH ideal para o fungo é ácido moderado. O resultado é demorado pois é necessário 
saber as características macroscópicas, cor, textura, consistência, contorno. comportamento de 
crescimento, características específicas bioquímica s. O processo pode demorar de 20 a 30 dias. Para 
fechar o laudo é necessário ser analisado o microscópico + macroscópico + utilização de alguns métodos 
bioquímicos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PARASITOLOGIA 
Fonte: Áudios da Aula, Slide dos Professores e Livro Neves. 
 
● Cestodas (Complexo Teníase e Cisticercose) 
 
Introdução 
 
São parasitoses causadas por helmintos, organismos pluricelulares. São classificados também como 
platelmintos pois são vermes achatados, em formato de fita. Além disso pertencema classe dos cestodas pois 
possuem uma estrutura de adesão (ventosas ), Considerados os maiores parasitas do intestino humano, temos 
a Taenia saginata (da vaca) e a Taenia solium (do porco) como os agentes etiológicos. A teníase é uma 
infecção intestinal humana, enquanto a cisticercose, primariamente, é uma parasitose sistêmica animal. 
No caso da teníase, teremos a ingestão do cisticerco (forma infectante) principalmente em carnes mal 
passadas. Esse cisticerco se desenvolve e vira a tênia adulta. Veremos que esses vermes possuem o corpo 
segmentado, chamado de anéis ou proglótides , onde quando desenvolvida temos o destacamento da 
proglótide terminal do corpo da tênia (processo chamado de Apólise ), nesta estarão contidas os ovos, e através 
dos processos peristálticos estarão nas fezes (tanto ovos como proglótides). Esses ovos vão para o ambiente 
para contaminar os animais. 
Temos a chamada espécie-especificidade, cada parasita vai ter seu hospedeiro ideal. Se o ovo liberado 
pelo humano é de Taenia Saginata apenas a vaca desenvolve, assim como a Taenia solium só se desenvolve no 
porco. Caso não achem o hospedeiro temos uma infecção abortada. 
Todos os sinais e sintomas da teníase são intestinais, por isso são considerados inespecíficos. 
 
Ciclo no animal (fase larval ou reprodução assexuada) 
 
O ovo ele é formado uma dupla membrana quetinosa que confere resistência (proteção) por anos até 
ser deglutido pelo bixo. Dentro do ovo vai existir um saquinho chamado oncosfera, ao chegar na região do 
intestino delgado, esse ovo eclode e libera a oncosfera. A oncosfera possui movimento próprio, ela vai possuir 
na região anterior ganchos, vai se fixar na mucosa. Libera enzimas proteolíticas e invade mucosa, submucosa, 
músculo até chegar nos vasos, sanguíneos ou linfáticos. 
 
 
 
 
Ocorre uma “viagem” no corpo do animal classificando uma patologia sistêmica, sinais de acordo com o 
local que ele vai parar. Quando ele chega no tecido ele vai sintetizar enzimas produzindo resposta imune, então 
e le vai se proteger (invaginando a região anterio r). Depois ele vai sintetizar ao seu redor proteínas 
semelhante ao colágeno (capa cístic a), chamado agora de cisticerco. Bovinos e suínos são hospedeiros 
intermediários. 
 
 
 
Ciclo no Homem Teníase (fase sexuada) 
 
Quando ele acha um ambiente propício (no caso quando ingerido pelo homem) ele se desfaz da parede 
cística, o cisticerco é liberado, ele tem movimento próprio, vai crescendo, adere ao epitélio intestinal, aumenta o 
número de proglótides e três meses depois ele é um verme adulto. O homem assume o papel de hospedeiro 
definitivo e obrigatório (não existe nenhum outro animal no mundo que albergue). 
 
 
 
 
Cisticercose humana 
 
O homem vai ter o mesmo ciclo de bovino e suínos, só que ele precisa ingerir ovos da Taenia solium . 
No homem geralmente ele se instala preferencialmente no sistema nervoso, ocular, língua, músculo cardíaco, 
músculos longos e etc. 
O homem é classificado como hospedeiro acidental , isso quer dizer que não tem como dar 
continuidade ao ciclo, perpetuar a espécie na natureza. 
 
Morfologia: Estrutura semelhantes às espécies 
 
O verme é dividido igualmente: Cabeça ( escólex ), colo ou pescoço onde vai ocorrer alta taxa de mitose 
para a produção de anéis e o estróbilo ( corpo ) é o conjunto de proglótides. Taenia é hermafrodita. Cada anel 
tem sua unidade sexual distinta. O que diferencia uma proglótide jovem para uma madura? A presença do 
aparelho reprodutor feminino. Na proglótide jovem só tem o masculino ( processo de protandria ), já as maduras 
possuem os dois. Quando é fecundado, os aparelhos são degenerados pra dar. Os ovos são semelhantes. O 
ovo é formado pela dupla camada espessa chamada de embrióforo, com seis pares de acúleos. 
 
Morfologia: Estrutura diferentes às espécies 
 
a) Taenia Saginata: Destaca 5 a 8 proglótides por dia. É maior que a taenia solium (pode chegar a 20 
metros), gera mais ovos pois possue mais ramos uterinos. Proglótide tem uma parede mais espessa do 
que a taenia solium. Forma ativa (devido ao engrossamento da parede proglótide e movimentação 
própria para fora do intestino) e forma passiva . Tem mais testículos, mais ovários com mais 
bifurcações, mais ovos. 
b) Taenia Solium: Destaca de 3 até 5 proglótides. Apenas forma passiva 
 
No escólex, ambas terão 4 ventosas. O escólex da saginata é plano (tem mais facilidade de se fixar) 
enquanto o da solium é menor e é globoso . Aí a natureza deu a solium acúleos (ganchos) para fixar. O 
espaço entre acúleos e o epitélio é chamado de rostro. A saginata portanto não tem rostro. 
 
Tegumento e nutrição 
 
O habitat natural das taenias é o intestino delgado, o aparelho digestivo é bem primitivo e por isso ele 
fica nessa região. A alimentação é por absorção, por todo corpo do bixo. Além de ter todo esse tamanho, todo 
corpo do verme é formado por cílios, aumentando a absorção. 
 
Transmissão da cisticercose humana 
 
a) Autoinfecção externa: O portador de taenia solium vai no banheiro e põe na boca kkkk dlç 
b) Autoinfecção interna: Movimento retrógrado peristáltico (vômito), ovos voltam do esôfago. 
c) Heteroinfecção ou primoinfecção: Alimentos ou água contaminados. 
d) Sexo anal/oral: beijo grego rss. 
 
Patogenia Teníase 
 
Maioria são assintomáticos, atingindo principalmente crianças e imunodeprimidos. Alterações de 
motricidade e secreções digestivas (70% dos casos). Temos a chamada dor da fome (dor abdominal e 
epigástrica). Além, de náusea, astenia (pressiona o nervos), prurido anal, constipação (novelo). 
Vale ressaltar que só temos a infecção de uma taenia saginata por vez, pois além da imunidade 
adquirida, temos a taena liberando enzimas que impedem. 
 
 
 
Patogenia cisticercose humana 
 
Sinais e sintoma de acordo com o órgão atingido (patologia sistêmica). Nosso sistema começa por Th1 
com alta infiltração de macrófagos, cronifica, polariza Th2 e combate. Ocorre a cicatrização com depósito de 
cálcio , gerando um nódulo e dessas formas podemos detectar pelo RX . Enquanto tá vivo é melhor (aqui usa-se 
TC e ressonância pra ver) pra ser tratado pois apenas um antiparasitário resolve, o problema é quando cicatriza 
em um órgão essencial, pesar se vale a pena fazer cirurgia. 
Existe outro cisticerco chamado de cysticercus racemosus, não se sabe nada sobre ele, onde 
temos grande invasão, e preferência para a base do tecido nervoso. 
 
Diagnóstico 
 
O padrão ouro para teníase é o parasitológico de feze s em 3 amostras, detecção de ovos de taenia 
sp (porque são iguais). O diagnóstico diferencial é por tamisação onde temos a pesquisa de proglótides e é 
analisado a espessura do tegumento. 
O diagnóstico da cisticercose é clínica, na procura dos sinais dos órgãos através de exames 
complementares. 
 
Tratamento 
 
Primeiro se mata a tênia para evitar autoinfecção, antes do cisticerco (caso você tenha os dois), pois o 
medicamento dá ânsia. No caso de cisticercose é necessária internação, pois o fármaco rompe a membrana 
docisticerco, com isso libera uma grande quantidade de antígenos e a pessoa pode ter uma super expressão do 
sistema inflamatório (CIV e choque hipovolêmico). Nestes casos se faz necessária altas doses de corticoide 
assim como aplicação de anticonvulsivantes, por isso é necessário acompanhamento especializado durante e 
após o tratamento. 
Medicamentos utilizados teníase e cisticercose: Praziquanol e Albendazol (se evita em caso de 
suspeita de cisticercose. 
Medicamentos utilizados apenas para teníase: niclosamida mebendazol. 
 
● Esquistossomose 
 
Introdução 
 
A esquistossomose, também chamada de barriga d’água, é uma parasitose causada pelo helminto 
chamado Schistosoma mansoni . É um platelminto (achatado) de ciclo heteroxênico, ou seja, haverá um 
hospedeiro intermediário (caramujo do gênero Biomphalaria ). Uma das coisas que caracteriza esse verme é a 
presença de uma falsa fenda, que na verdade é um canal ginecóforo (a fêmea se aloja e eles ficam fazendo 
amor). 
É uma parasitose de epidemiologia mundial, sendo mais presente no nordeste brasileiro e na áfrica, o 
que a classifica como uma doença negligenciada. É geralmente relacionada a ambientes de lagos e lagoas já 
que o caramujo gosta desses ambientes úmidos, porém, com a falta de saneamento básico os córregos se 
tornaram grandes focos urbanos. 
 
Conhecendo o Hospedeiro intermediário 
 
Como dito previamente, os hospedeiros intermediários serão caramujos do gênero Biomphalaria, hoje 
sabemos que cerca de 10 espécies têm potencial de exercer essa função, porém 3 são mais usuais, sendo a B. 
glabrata, a B. tenagophila e a B. straminea . Dessas, merece um destaque a glabrata, onde ocorrem cerca de 
85% dos casos registrados. 
 
Mas como podemos diferenciar esses caramujos dos que usualmente encontramos nos nossos jardins 
(até parece que eu tenho jardim). Bom, o s giros desses caramujos são em volta do mesmo plano. Vale 
ressaltar também que esses hospedeiros intermediários conseguem sobreviver a alguns períodos de secas, 
através de um processo chamado Anidrobiose , onde o caramujo faz uma redução do seu metabolismo de 
forma drástica. 
 
Habitat e formas evolutivas 
 
O habitat do verme adulto é o sistema porta-hepático humano . A espécie apresenta dimorfismo 
sexual, ou seja, teremos um representante macho e outro fêmea, sendo esta muito maior que o macho. O ovo é 
o grande vilão da história. Esse ovo vai possuir um espículo lateral que vai possibilitar fixação e movimento 
próprio. Uma ideia que já temos que ter na cabeça é que nem todos os ovos saem pelas fezes. 
Outra forma evolutiva é o chamado miracídio , essa é a forma infectante para o hospedeiro 
intermediário. É a primeira forma larval nadante, desenvolvida a partir do ovo com uma série de novas 
estruturas, uma na região anterior chamada Terebratorium, vai possuir cílios e etc. Já trás o sexo pré-definido 
nessa forma evolutiva. 
 
 
Quando esses miracídios penetram no caramujo, migram para as glândulas digestivas do animal se 
maturando. Mudam de estrutura para o esporocisto primário . Esse esporocisto primário se organizada em 
camadas, quando assumem essa conformação de camadas germinativas podem ser considerados 
esporocistos secundários . Estes gerarão cercárias do mesmo sexo. Vale ressaltar que ele pode infectar outro 
gênero de espécies, mas serão infecções abortadas. Todo esse ciclo desde a infecção até a formação da 
cercária dura 30 dias. 
 
 
A cercária é a forma infectante para o humano, também chamada de 2ª larva de vida livre aquática, 
pode infectar aves e alguns mamíferos. Quando a cercária penetra a pele humana (ela não vai precisar de 
nenhum tipo de fissura) ela perde a cauda bifurcada e penetra apenas a cabecinha, rs. Isso porque ela vai 
possuir mecanismos químicos. 
 
A próxima fase evolutiva é basicamente a cabeça da cercária chamada de Esquistossômulo , há uma 
diferenciação nesse meio tempo promovido tanto por contato com estímulos endógenos do hospedeiro quanto 
da perda da cauda. Ele ganha a corrente sanguínea e vira o verme adulto. 
O macho e a fêmea, com exceção do aparelho reprodutivos, são muito parecidos. Eles vão possuir sim 
um tegumento diferente e claro, o macho vai possuir o canal ginecóforo onde a fêmea se deposita. Para a 
passagem desses vermes há um “afrouxamento dos vasos”, a saída e passagem é realizada quase de modo 
natural. 
 
 
Ciclo Biológico 
 
Devido a não sabermos o local da infecção, pode ocorrer a passagem pelo pulmão o que causa 
sintomas rápidos. Assim que os vermes adultos se encontram e começam a copular, os vermes migram para as 
veias sigmóides e depositam seus ovos. Os osvos ficam naquele local maturando 7 dias, é justamente o tempo 
deles saírem dos vasos para a luz intestinal. 30% consegue sair, mas 70% volta arrastado pelo fluxo 
sanguíneo. Além disso, nem todo verme vai “se dar o trabalho “ de ir até as vias sigmóides. Quando eles caem 
na corrente sanguínea, geralmente acabam parando no fígado, onde encontram os capilares e ficam presos. 
Nosso corpo reage formando uma série de granulomas no fígado. 
 
Patogenia 
 
A patogenia vai depender (como sempre) do perfil imunológico do hospedeiro, da carga parasitária, do 
estado nutricional, infecções paralelas, idade e etc. 
Podemos dividir em duas fases, a pré-postural e a postura l, tendo as seguintes características: 
a) Fase pré-postural: Da infecção até a primeira oviposição. Não é uma fase de diagnóstico. O máximo 
que o paciente pode ter é a sensação de prurido, as vezes uma dermatite cercariana mas não é 
sempre. Os esquistossômulos podem passar pelo baço onde os macrófagos residentes podem capturar 
e gerar uma linfademia generalizada (quando ocorrer hiperplasia e hipertrofia dos linfonodos). 
b) Fase postural: É a fase crônica da doença, quando os ovos nadam contra a maré e se depositam nos 
tecidos. Como dito anteriormente, f ormam granulomas hepáticos e a fibrose periportal . Vão 
apresentar aquelas células gigantócitos, onde os macrófagos se unem em uma única célula com até 20 
núcleos. Vai haver congestão sanguínea. Contendo uma fase pré-granulomatosa (formação), uma 
granulomatosa (acúmulo de hialina) e a fase involutiva. 
 
Bom os sinais e sintomas vão depender de onde os ovos e o granuloma se instalarem. As duas formas 
mais comuns são: 
a) Entero-hepática : Fibrose da alça retossigmoidal, pseudotumores intestinais 
b) Hepatoesplênica : Esplenomegalia, Hepatomegalia, Ascite 
 
Mais raramente, os granulomas podem se instalar na medula do SNC, nos vasos pulmonares...O 
fígado vai ficar em aspecto de casco de tartaruga , geralmente há a formação de circulação colateral para 
compensar. A ascite é proveniente da transudação para a cavidade peritoneal devido à hipertensão portal. 
Assim como podemos ter varizes esofágicas, problemas no coração direito. Pode ocorrer a formação de 
imunocomplexos o que prejudica a função renal e pode agravar pra nefropatia. 
 
Mecanismos de escape do parasita 
 
O parasita lança mão de uma diversidadede mecanismos para escapar da nossa defesa. Dentre elas: 
a) Anexação de antígenos do hospedeiro vertebrado à própria membrana plasmática; 
b) Renovação do tegumento; 
c) Indução da Th2, levando à produção de IL-10, inativadora de macrófagos. (ainda vou confirmar isso); 
d) Inversão dos anticorpos. 
 
Diagnóstico e Tratamento 
 
O exame clínico não consegue fechar um diagnóstico, sendo necessário um parasitológico de fezes. 
Esse exame direto das fezes é feito pelo método Hoffman (sedimentação espontânea +confirmação), mas o 
mais comum é Kato-katz que vai ser qualitativo e quantitativo. 
O tratamento é Praziquantel, que vai ter uma ação tegumentar, inibindo a bomba Na+/ K+dos 
vermes , aumentando a permeabilidade da membrana do helminto ao cálcio. 
 
 
● Tricuríase 
 
Introdução 
 
A tricuríase é uma parasitose negligenciada causada por um Geo-helminto (ciclo evolutivo, em parte, 
presente no solo) de formato cilíndrico. O agente etiológico é chamado de Trichuris Trichiura , um verme que 
vai possuir dimorfismo sexual. 
 
Morfologia do verme 
 
Existem algumas características em comum do macho e da fêmea, dentre elas a forma parecida com 
um chicote e a presença de um esôfago bastante longo, com células chamadas esticócitos que irão produzir 
enzimas proteolíticas responsável por digerir muco e células do hospedeiro (ação espoliativa). Vão ter um 
alargamento abrupto da porção posterior 
A fêmea é maior (pois tem o ovário cheio de óvulos não embrionados) e vai possuir a extremidade 
posterior reta. O macho é curvado ventralmente e vai possuir uma estrutura pequena chamada espéculo (para 
cópula) 
 
Os ovos são bastante característicos, terão formato elíptico com dois poros transparentes em cada 
extremidade chamado de opérculos, essas estruturas que vão se romper para liberar a larva. Além disso vai 
possui três camadas distintas (lipídica, quitinosa e vitelínica). 
 
 
Ciclo biológico 
 
O ciclo é monoxênico tendo o homem como hospedeiro definitivo. A embriogênese se dá 
necessariamente no ambiente, onde o ovo fica viável por até 1 ano nas condições adequadas. O Habitat do 
verme adulto é no intestino grosso , o verme fica fixado através da sua porção anterior que penetra no epitélio 
intestinal e a porção posterior fica solta no lúmen. A transmissão é fecal-oral. 
 
Patogenia,Tratamento e Diagnóstico 
 
Assim como a grande parte das parasitoses vai depender da carga parasitária e dos fatores 
relacionados ao hospedeiro. A maioria dos pacientes com infecções leves é assintomática ou apresenta 
sintomatologia intestinal discreta ou pouco específica. Hoje é uma política do SUS fazer um tratamento 
preventivo com albendazol e mebendazol para evitar esses vermes. 
Porém, quando temos uma carga parasitária muito grande podemos ter o chamado prolapso retal , 
devido ao tenesmo (espasmo do esfíncter anal com uma vontade urgente de defecar) causado pela presença 
dos parasitas na mucosa. Além disso, podem causar uma leve anemia pela quantidade de destruição. 
 
 
O diagnóstico é pelo parasitológico de fezes, usando principalmente o método de Hoffman 
(sedimentação espontânea). 
 
● Enterobíase 
 
Introdução, morfologia e aspectos gerais 
 
É a parasitose popularmente conhecida como oxiúros . O agente etiológico é Enterobius 
vermiculares. Existe um nítido dimorfismo sexual. Ambos os sexos tem cor branca e corpo de caráter filiforme, 
além de um par de asas cefálicas anterior e um esôfago claviforme bem desenvolvido. A fêmea é maior que o 
macho e assim como a tricuríase vai ter a cauda reta enquanto a do macho é curvada. O macho vai ter o 
minipênis chamado de espículo também. 
Um aspecto bem importante é que a fêmea faz pouca oviposição e geralmente ela quebra no meio no 
ato. 
 
 
Os ovos são de bem característicos, são transparentes e num formato grosseiro de D. No seu interior já 
haverá a larva formada. 
 
Ciclo biológico 
 
É monoxênico tendo homem como hospedeiro definitivo. O ciclo é considerado como “Noturno” pois é 
nesse horário que ocorre a oviposição. O habitat natural do verme adulto é o apêndice cecal , porém existe a 
migração da fêmea para a região perianal para oviposição, o macho morre na cópula e ela geralmente morre 
ao dar a luz. Se não houver a reinfecção é autolimitada. 
 
 
Transmissão 
 
A transmissão é dada por 5 formas, sendo: 
a) Heteroinfecção: Atingindo um novo hospedeiro, contato do TGI com os ovos. Alimentos ou água 
contaminados. 
b) Indireta: Fômites e ambiente, proporcionando o indivíduo a se infectar novamente. 
c) Autoinfecção externa: Levar a mão ao ânus, coçar e levar a boca. 
d) Autoinfecção interna: Processo raro no qual as larvas eclodem ainda dentro do reto e depois migram 
até o ceco, transformando-se em vermes adultos. 
e) Retroinfecção: Quando os ovos são maturados na região perianal, as larvas eclodem e migram 
novamente para o intestino grosso. 
 
Patogenia 
 
Usualmente baixa, ausência de sintomatologia ou manifestações clínicas leves na maior parte das 
pessoas infectadas. Vai depender muito da carga parasitária. Pode ocorrer casos de parasitismo ectópico, por 
exemplo em vaginites. Quando temos uma alta CP pode-se ter prurido anal. 
Alterações neurocomportamentais: insônia, bruxismo, irritabilidade, vertigem, aumento da frequência de 
crises convulsivas. Muito raramente pode ocorrer localização ectópica – fígado, baço e pulmões (infiltrado 
inflamatório rico em linfócitos e formação de granulomas). Possibilidade de estar positivamente associado à 
ocorrência de apendicite. 
 
Diagnóstico 
 
Clinicamente temos o prurido anal como um sinal muito característico. Liga-se aos outros fatores 
clínicos e solicita-se um método de Graham ou fita gomada , depois exame direto para checar os ovos. 
O tratamento é clássico com o albendazol, porém os fármacos não apresentam efeitos sobre os ovos 
do parasito.

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