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Resumo Mecanismos de Agressão e Defesa - PROVA 3 Autor: Ivson Lemos - turma 143 Disciplinas abordadas: 1. Patologia 2. Microbiologia 3. Parasitologia PATOLOGIA Fonte - Robbins + Slides da Professora ● Visão geral da Inflamação Introdução A inflamação é uma resposta fundamentalmente protetora, destinada a livrar tanto da causa inicial da injúria celular quanto das consequências dessa injúria. Consiste principalmente nas respostas dos vasos sanguíneos e dos leucócitos. É um conjunto de envolve as principais defesas do organismo, as proteínas plasmáticas e os leucócitos , essas defesas devem ser rapidamente recrutadas para os espaços extravasculares. Sendo portanto, a resposta inflamatória o maestro que vai orquestrar para que os vaso, os leucócitos e as proteínas plasmáticas alcancem esses objetivos. A inflamação pode ser aguda ou crônica , isso vai depender da natureza do estímulo e da efetividade da resolução. A inflamação aguda é rápida e de curta duração, vai ter como um dos aspectos principais a exsudação de fluido e proteínas do plasma, causando dessa forma o edema, além disso irá possuir também uma migração leucocitária, principalmente de neutrófilos (chamadas de células polimorfonucleares). Se a resposta aguda falha pode-se desenvolver a fase crônica. Na inflamação crônica há uma longa duração da resposta, com presença principalmente de linfócitos e mácrofagos, angiogênese, fibrose e destruição tecidual. Vale ressaltar que nem sempre se faz necessário termos uma inflamação aguda primeiro para desenvolvermos posteriormente uma crônica, esta pode ser incisiva. A resposta inflamatória é intimamente entrelaçada com o processo de reparo . O processo de reparo pode se dar pela regeneração por células parenquimatosas, por deposição de fibras (fibrose) e mais comumente pela mesclagem desses dois processos. Outra informação importante é que a inflamação pode ser prejudicial, dessa formas temos a aplicação de fármacos anti-inflamatórios que teoricamente controlam as atividades nocivas da inflamação sem comprometer seus efeito benéficos. Sinais cardinais da inflamação Hoje classificamos os sinais cardinais em cinco principais, sendo: a) Dor; b) Rubor (vermelhidão, Hiperemia ativa); c) Tumor (Edema, Inchaçõ); d) Calor (Aquecimento); e) Perda de função. ● Inflamação aguda Introdução A inflamação aguda tem três principais componentes, sendo: a) Alterações no calibre vascular b) Mudanças estruturais na microvasculatura c) Emigração, acúmulo e ativação de leucócitos. Principais estímulos da inflamação aguda Os principais estímulos da inflamação aguda são: a) Infecções, infestações e toxinas bacterianas; b) Necrose tecidual (DAMPS); c) Corpos estranhos; d) Reações imunes. Um ponto importante que está diretamente atrelado com a necrose tecidual é a questão da hipóxia. Vale ressaltar que a hipóxia também é, por si só, um indutor de inflamação. Isso é mediado por uma proteína chamada HIF-1𝝰 ( Fator induzido por hipóxia) que é produzida por células privadas de oxigênio, esta proteína vai ativar diversos genes de transcrição envolvidos na inflamação, incluindo o fator de crescimento endotelial vascular (VEGF) que aumenta a permeabilidade vascular. Reações dos vasos sanguíneos na inflamação aguda Essas mudanças que ocorrem nos vasos sanguíneos são destinadas a maximizar o movimento de proteínas plasmáticas e células circulantes para fora da circulação e para dentro do local da infecção ou injúria, processo esse denominado exsudação. O exsudato é o fluido extravascular que tem uma alta concentração proteica, e contém restos celulares e tem uma alta gravidade específica, muito relacionado com a reação inflamatória. Já um transudato, é um fluido com baixo conteúdo proteico, que geralmente resulta de um desbalanço osmótico ou hidrostático ao longo da parede do vaso sem uma aumento na permeabilidade vascular. O pus , é um exsudato purulento, é um exsudato inflamatório rico em leucócitos (principalmente neutrófilos), restos de células mortas (piócitos) e, em muitos casos micróbios. As reações vasculares da inflamação aguda consistem em mudanças no fluxo de sangue e na permeabilidade dos vasos. A proliferação de vasos sanguíneos (angiogênese) é proeminente durante o reparo e na inflamação crônica. Mudanças no fluxo e no calibre vascular As principais mudanças que ocorrem no fluxo e no calibre vascular se inicia logo após a injúria, ocorrendo em 4 passos: a) Vasodilatação: Uma das primeiras, fazendo com que haja um fluxo sanguíneo aumentado para o local, ocasionando calor e vermelhidão (eritema). A vasodilatação é induzida por diversos mediadores químicos, mas os mais importantes são a histamina e o NO. b) Essa vasodilatação é logo seguida por uma permeabilidade aumentada da microvasculatura, fazendo com que haja extravasamento de fluido e proteínas (exsudato). c) Com a perda de fluido e com o diâmetro aumentado vai haver uma lentificação do fluxo sanguíneo, assim como uma viscosidade aumentada. Essas mudanças resultam em dilatação dos pequenos vasos, gerando estase (congestão vascular). d) Devido a estase, os leucócitos que antes não tinham contato com o endotélio vascular, agora se acumulam ao longo deste. Ao mesmo tempo, as células endoteliais são ativadas por mediadores produzidos nos locais de infeção e tecidos danificados e expressam níveis aumentado de moléculas de adesão. Permeabilidade Vascular aumentada Existem diversos mecanismos que promovem esse aumento da permeabilidade vascular, causando edema, geralmente contribuem todos juntos em diferentes graus, sendo eles: a) Contração das células endoteliais: Realizado por alguns mediadores químicos, principalmente histamina, bradicinina, leucotrienos, substância P e outros. O conjunto destes são chamados de resposta transitória imediata. Apesar de serem liberados rapidamente, há uma exceção no caso de injúria branda (ex mais comum: banho de sol), onde a liberação pode se iniciar depois de 2 a 12 hoas e perdurar por vários dias devido a esse extravasamento atrasado e prolongado. b) Injúria endotelial: Resultando em necrose da célula endotelial e desprendimento. c) Transcitose: Transporte aumentado de fluidos e proteínas por organelas vesiculo-vacuolares. o VEGF tem relação com o aumento disso. Respostas dos vasos linfáticos Os vasos linfáticos, assim como os vasos sanguíneos, proliferam durante as reações inflamatórias para lidar com a carga aumentada. Os linfáticos podem se tornar secundariamente inflamados ( linfangite ), como podem os linfonodos de drenagem ( linfadenite ). A presença de listras vermelhas perto de um ferimento na pele é um sinal revelador de infecção no ferimento. Reações dos leucócitos na inflamação Os principais papéis dos leucócitos são ingerir e destruir bactérias e outros micróbios e eliminar o tecido necrótico e substâncias estranhas. Mas os leucócitos podem também produzir fatores de crescimento que ajudam no processo de reparo. Porém, o preço que se paga por essa potência defensivaé a capacidade de induzir dano tecidual e prolongar a inflamação que essas células possuem. Os processos que envolvem os leucócitos consistem em: Recrutamento, reconhecimento(ativação) e remoção do agente agressor. Recrutamento leucocitário Jornada dos leucócitos da luz até o tecido intersticial é chamada de extravasamento, podendo ser dividida nos seguintes passo: a) Marginação, rolamento e adesão A partir da estase anteriormente explicada, temos o evento chamado de marginação dos leucócitos, dessa forma promovendo um contato que anteriormente não existia com o endotélio vascular. Os leucócitos vão se ligar e desligar várias vezes, “rolando” na parede do vaso até que finalmente chegam ao repouso, aderindo firmemente. A adesão é mediada por moléculas de adesão complementares cuja expressão está aumentada na presença de citocinas, principalmente IL-1 e TNF. Essas moléculas são da família das selectinas , sendo uma no endotélio ( E- selectina ), uma no leucócito ( L- Selectina ), e outra nas plaquetas e no endotélio ( P-selectina ). Outras mediadores importantes são a histamina, trombina e o PAF (fator ativador de plaqueta ) que vão estimular a redistribuição de P - selectina na célula endotelial, tirando dos estoques e expondo na superfície da celular. Através das selectinas temos fracas interações de rolamento, reduzindo a velocidade do leucócito. Mas a ligação forte mesmo é mediada por outras proteínas presentes apenas no leucócito, chamadas de integrinas . TNF e IL-1 também induzem a expressão endotelial de ligantes para essas integrinas, principalmente a molécula-1 de adesão de célula vascular ( VCAM-1 que se liga a integrina VLA-4 ) e a molécula-1 de adesão intercelular ( ICAM-1 que se liga as integrinas LFA_1 e Mac-1 ). Normalmente, os leucócitos vão expressar as integrinas em um estado de baixa afinidade, precisando portanto que as quimiocinas os estimulem. Essas quimiocinas são produzidas nos locais da injúria, estimulam as células endoteliais que as expõe em altas concentrações e ativam os leucócitos. A ativação do leucócito é dada pela mudança da integrina VLA-4 para conformação LFA-1 através da quimiocina, essa nova conformação é dita como de maior afinidade. b) Migração através do endotélio vascular ou diapedese As quimiocinas liberadas no local da injúria, além de diferenciar as integrinas como dito anteriormente, tem como segunda função estimular a migração dos leucócitos através de um gradiente químico, ficando acumuladas na membrana basal. Várias moléculas presentes nas junções intercelulares estão envolvidas na diapedese, mas uma família em especial chamada PECAM-1 ou CD31 é a mais importante. Os leucócitos penetram na membrana basal provavelmente liberando colagenases. c) Migração para o local da injúria através de quimiotaxia. A quimiotaxia é definida como locomoção originada ao longo de um gradiente químico. Substâncias endógenas e exógenas podem agir como quimiotáticos, sendo um exemplo de exógenas os produtos bacterianos e de endógenos: Citocinas denominadas quimiocinas, produtos da cascata do complemento, metabólitos do ácido araquidônico principalmente LB4. Bom, essas quimiocinas vão se ligando através de receptores metabotrópicos presentes nos leucócitos e vão desencadeando uma cascata intracelular que resulta no influxo de Ca e na polimerização da actina, dessa forma vão induzindo o leucócito a se movimentar através de emissão de pseudópodes que vão carregando o “resto da célula” em direção às quimiocinas. Vale a pena ressaltar que na inflamação aguda os neutrófilos predominando no infiltrado inflamatório e são substituídos por monócitos em 24 a 48 horas. Existem várias razões para os neutrófilos chegarem primeiro, dentre elas: Os neutrófilos são mais numerosos no sangue, além disso respondem mais rapidamente às quimiocinas e podem se ligar mais firmemente às moléculas de adesão. Reconhecimento (ativação) dos microrganismos e tecidos mortos Bom, partindo do pressuposto que o leucócito já chegou no local da infecção ele precisa ser ativado para realizar suas funções. A resposta como um todo se dá através de dois processos: O reconhecimento propriamente dito e a ativação. a) Reconhecimento propriamente dito Os leucócitos reconhecem os antígenos através de diversos tipos de receptores que estudamos na imunologia, dentre eles: Receptores para produtos microbianos (TLRs- estão presentes tanto na superfície como nas vesículas endossômicas); Receptores acoplados a proteínas G; Receptores para opsoninas; Receptores para citocinas e etc. b) Ativação de leucócito A ativação é feita através dos receptores citados, resultando em aumento no Ca citosólico, passando por enzimas como PKC e fosfolipases, resultando em respostas funcionais como a fagocitose e a morte intracelular (mecanismos diferentes para cada tipo de leucócito). Fagocitose: Reconhecimento, Englobamento, Morte e Degradação A fagocitose é dada em 3 passos principais como o próprio tópico já diz, reconhecimento e ligação, ingestão e morte ou degradação do material ingerido. Os receptores de manose, os scavengers e os receptores de opsoninas funcionam para ligar-se ao ingerir os microrganismos. As principais opsoninas são os anticorpos IgG, o produto da quebra de C3b e certas lectinas do plasma. O englobamento é realizado através de pseudópodos que irão gerar os fagossosmos, que posteirormente se fundirão aos grânulos lisossômicos. A fagocitose por mexer na estrutura da membrana é dependente da polimerização de actina (parecido com o processo de movimentação por quimiotaxia). A diferença entre a fagocitase e a pinocitose é justamente essa polimerização, na pinocitose a invaginação é realizada através de clatrinas. A morte e degradação dos microrganismos dentro do fagolisossoma é feita através das espécies reativas de oxigênio (ERO ou ROS) e as espécies reativas de nitrogênio. A geração dos ERO é devido à um rápida ativação da chamada multicomponente oxidase ( fagócito oxidase ) que oxida o NADPH e no processo reduz o oxigênio a ânion superóxido. Essa rápida reação oxidativa é chamada de explosão (burst ou boom) respiratório . Além dessas espécies reativas temos inúmeras outras enzimas lisossômicas características de cada tipo de leucócito, exemplo: defensinas, lisozimas, lactoferrinas, hidrolases, elastases, Mieloperoxidases e etc. Outras respostas funcionais dos Leucócitos Além das funções descritas, temos a produção de fatores de crescimento que estimulam a proliferação das células endoteliais e fibroblastos e a síntese de colágeno, e enzimas que remodelam os tecidos conjuntivos, direcionando ao processo de reparo. Hoje, sabe-se que existem dois tipos de macrófagos, o M1 e o M2. O M1 são chamados de classicamente ativados e desenvolvem as funções de fagocitose e combate, geralmente respondem ao th1. Já o M2, chamado também de macrófago “alternativamente ativados” respondem a produtos da via Th2 e estão envolvidos principalmente no reparo tecidual e fibrose. Sendo assim, o primeirodispara a inflamação e o último funciona para limitar as reações inflamatórias. Liberação de produtos dos Leucócitos e Injúria tecidal mediada Os leucócitos são importantes causas de dano às células normais sob várias circunstâncias, dentre elas: dano colateral (as vezes contribuindo mais para a patologia do que o próprio microrganismo), doença autoimune e Reações excessivas (principalmente nas doenças alérgicas). Durante a ativação e a fagocitose, os neutrófilos e macrófagos liberam microbicidas e outros produtos não somente dentro do fagolisossomo, mas também no espaço extravascular. As mais importantes dessas substâncias são as enzimas lisossômicas, presentes nos grânulos, e as espécies reativas de oxigênio e nitrogênio. Essas substâncias liberadas são capazes de danificar as células normais e o endotélio vascular e podem então amplificar os efeitos do agente injuriante inicial. Outro ponto importante é quando os fagócitos não conseguem realizar a fagocitose, processo esse denominado “fagocitose frustrada” , logo depois desse evento eles disparam uma forte ativação e liberação de grandes quantidades de enzimas lisossômicas no espaço extracelular. Defeitos nas funções dos leucócitos Devido aos leucócitos terem um papel central na defesa do hospedeiro, os defeitos nessas funções, tanto herdado como adquiridos, levam a uma vulnerabilidade aumentada a infecções. Os principais defeitos consistem em: a) Defeitos herdados na adesão dos leucócitos; b) Defeitos herdados na função do fagolisossoma; c) Defeitos herdados na atividade microbicida (principalmente por problemas nos genes que codificam componentes da fagócito oxidase); d) Deficiências adquiridas: Casos de supressão da medula e etc. Vale ressaltar que as células residentes nos tecidos também cumprem importantes funções na iniciação da inflamação aguda, justamente os mastócitos (sangue) e macrófagos teciduais, são como as sentinelas do nosso corpo. Padrões Morfológicos da Inflamação Aguda - Introdução As marcas morfológicas de todas as reações inflamatórias aguda são: dilatação de pequenos vasos sanguíneos, lentificação do fluxo sanguíneo e acúmulo de leucócitos (principalmente neutrófilos) e fluido no tecido extravascular. Existem três tipos principais de padrões morfológico: Seroso, fibrinoso e purulento. Podendo haver o mix desses três. Inflamação Serosa A inflamação serosa é marcada pelo derramamento de um fluido fino (exsudato citrino - com proteínas mas poucas) que pode ser derivado do plasma ou de secreções das células mesoteliais (componentes de um epitélio simples que reveste as cavidades corporais). O acúmulo desse tipo de líquido nas cavidades é chamado de efusão. A principal diferença é a não presença do fibrinogênio/fibrina . São bem características de queimaduras e bolhas cutâneas, além de infecções virais. Inflamação Fibrinosa A inflamação fibrinosa é marcada por um aumento ainda maior da permeabilidade vascular, passando grandes moléculas, tais como fibrinogênio. O exsudato fibrinoso é característico de inflamação no revestimento de cavidades do corpo, tais como meninges, pericárdio e pleura. Na microscopia vai apresentar uma rede de fibrina, parecendo como uma malha eosinofílica de fios. É famosa no pericárdio pois o coração fica com os aspecto de “pão com manteiga”. Inflamação Supurativa ou Purulenta: Abcessos A inflamação supurativa é caracterizada por grandes quantidades de pus ou exsudato purulento, consistindo em neutrófilos vivos e mortos (piócitos), necrose liquefativa e fluido de edema. Certas bactérias produzem essa supuração, são chamadas de bactérias piogênicas (pio é prefixo de pus). Muito frequentes em apendicites agudas. Abcessos são coleções localizadas de tecido inflamatório purulento. Tipos de Apresentação da Inflamação purulenta Podemos classificar clinicamente alguns aspectos importantes de apresentação da inflamação purulenta, dentre eles: a) Pústulas: Famosas espinhas, são de caráter circunscrito na camada superficial da derme b) Abscessos: Coleções localizadas de pus - formação de cavidade devido a presença de necrose liquefativa; c) Flegmão: Inflamação purulenta difusa d) Empiema: Inflamação purulenta na cavidade pleural e) Pioperitônio: Coleção purulenta no peritônio; Casos especiais de inflamação aguda: Inflamação Hemorrágica e Inflamação Necrosante Em casos de lesões graves à microcirculação como em queimaduras e exposição à radiação podemos ter a chamada inflamação hemorrágica, que é a presença de placas pretas em alguns órgãos, que é a exsudação rica em hemácias. Não é só uma hemorragia pois é desencadeada por uma inflamação aguda. A chamada Inflamação Necrosante se dá em casos bem específicos (geralmente em tecidos que tem contato com a superfície externa) como na difteria (Infecção bacteriana grave na garganta e no nariz). Nesse tipo de infecção ocorre o desprendimento de muito tecido necrótico contendo pouca células inflamatórias. Úlceras Consiste em um defeito local, ou escavação em um órgão ou tecido, contendo muito tecido necrótico inflamado. Local onde a inflamação aguda e crônica coexistem. Durante o estágio agudo, existe uma intensa infiltração polimorfonuclear e dilatação vascular nas margens do defeito. Com a cronicidade, as margens e a base da úlcera desenvolvem proliferação fibroblástica, cicatrização, e acúmulo de linfócitos, macrófagos e células do plasma. Há a esfoliação do tecido necrótico e recobrimento agudo de exsudato fibrino-purulento. Resultados da inflamação aguda Todas as reações inflamatórias agudas podem ter um de três resultados, sendo: a) Resolução completa: As células parenquimatosas danificadas podem se regenerar (Tecidos lábeis e quiescentes); b) Organização: Cura pela substituição por tecido conjuntivo (fibrose): Ocorre após grande destruição do tecido ou quando a injúria inflamatória envolve tecidos que são incapazes de regeneração (tecidos permanentes). O ponto de não retorno seria a exsudação abundante de fibrina no tecido e cavidades c) Progressão da resposta para inflamação crônica: resultado de persistência do agente injuriante ou de alguma interferência com o processo normal de cura. Efeitos Sistêmicos da Inflamação As mudanças sistêmicas associadas com a inflamação aguda são coletivamente chamadas de resposta de fase aguda , dentre elas temos: a) Febre: Ocasionada por substâncias chamadas de pirógenas, vão prover a síntese de prostaglandinas principalmente a PGE2; b) Proteínas de fase aguda: São as proteínas do plasma, na maior parte sintetizadas no fígado, cujas concentrações plasmáticas podem aumentar várias centenas de vezes como parte da resposta aos estímulos inflamatórios. Ex: Proteína C, Fibrinogênio, proteínas do complemento, Hepcidina. Vale lembrar que essas proteínas têm efeitos benéficos durante a inflamação aguda, mas sua persistência pode trazer complicações. Uma coisa interessante que vale ressaltar é o conceito de taxa de sedimentação do eritrócito (analisada em hamatócrito) . O fibrinogêniose liga às hemácias e as levam a formar pilhas (rolos) que sedimentam mais rapidamente a uma unidade de gravidade do que fazem as hemácias individuais. Outro peptídeo cuja produção é aumentada nas respostas de fase aguda é o peptídeo regulador de ferro, hepcidina. Concentrações plasmáticas cronicamente elevadas de hepcidina, reduzem a disponibilidade de ferro e são responsáveis pela anemia associada com a inflamação crônica. c) Leucocitose: A produção de leucócitos pela medula óssea é aumentada para compensar a perda dessas células na reação inflamatória. Lembrando que a maioria das infecções bacterianas causam neutrofilia, enquanto as virais causam um aumento absoluto do número de linfócitos (linfocitose). Já nas doenças alérgicas e infecções temos a eosinofilia. ● Aspectos moleculares da Inflamação Mediadores da Inflamação Existem diversos mediadores de inflamação (ver quadro abaixo) mas antes precisamos fazer uma revisão de algumas das propriedades comuns a todos e os princípios gerais de sua produção e ações. a) Mediadores são gerados a partir de células ou de proteínas plasmáticas . Quando derivados de células são normalmente depositados em grânulos intracelulares e podem ser rapidamente secretados por exocitose do grânulo, ou ainda são sintetizados do início.Os mediadores das proteínas plasmáticas (do plasma) são produzidos principalmente no fígado e estão presentes na circulação inativos, geralmente sendo ativado s por uma série de clivagens proteolíticas. b) Mediadores são produzidos em resposta a vários estímulos, como produtos bacterianos, células necróticas ou até mesmo ativados pelos sistema complemento. Essa necessidade de um estímulo inicial garante que a inflamação normalmente seja disparada somente quando e onde ela é necessária. c) Um mediador pode estimular a liberação de outros mediadores, amplificando ou inibindo. d) Os mediadores variam em seus alcances e alvos moleculares. e) Uma vez ativados e liberados da célula, a maioria tem curta meia-vida. Mediadores Derivados de Células: Aminas Vasoativas - Histamina e Serotonina Essas duas aminas são armazenadas como moléculas pré-formadas nas células, esse armazenamento confere o pioneirismo na liberação durante a inflamação . A histamina tem fonte difusa, mas sua fonte mais rica são os mastócitos e basófilos no sangue. A histamina é liberada pela desgranulação de mastócitos em resposta a uma variedade de estímulos, incluindo injúria física, ligação de anticorpos aos mastócitos, anafilotoxinas (C3a e C5a), neuropeptídeos, citocinas e etc. A histamina causa dilatação das arteríolas e aumenta a permeabilidade das vênulas, atuando principalmente nos receptores H1. Já a Serotonina (5HT - 5-Hidroxitriptamina) tem ações similares àquelas da histamina. Está presente em plaquetas e em certas células neuroendócrinas. A liberação da serotonina (e histamina) das plaquetas é estimulada quando as plaquetas se agregam principalmente após contato com complexos antígeno-anticorpo ou com colágeno. Mediadores Derivados de Células: Metabólitos do ácido Araquidônico - Prostaglandinas, Leucotrienos e Lipoxinas O AA da membrana é rapidamente convertido pelas ações de enzimas para produzir as prostaglandinas e os leucotrienos. O AA é derivado de fontes da dieta e é esterificado nos fosfolipídios da membrana até que seja metabolizado pela fosfolipase A2. Os mediadores derivados do AA, também chamados de eicosanóides, são sintetizados principalmente pela ciclo-oxigenases e pelas lipo-oxigenases. Estes eicosanóides se ligam aos receptores acoplados à proteína G em vários tipos celulares. As prostaglandinas são produzidas pelas ações de duas ciclo-oxigenases, a constitutivamente expressa COX-1 e a induzida COX-2, as principais são PGE2, PGD2, PGF2alfa, PGI2 e o TXA2 . O TXA2, um potente agente agregante plaquetário e vasoconstritor, enquanto a PGI2 é vasodilatadora, um potente inibidor da agregação plaquetária e também potencializa marcademento o aumento na permeabilidade. O desequilíbrio tromboxano-prostaciclina tem sido implicado como um evento inicial da formação do trombo nos vasos sanguíneos. As enzimas lipoxigenases são responsáveis pela produção dos leucotrienos, são quimioatraentes para os leucócitos e também têm efeitos vasculares. As lipoxinas também são geradas pelas lipoxigenases, sendo estas inibidoras da inflamação, inibindo o recrutamento dos leucócitos e os componentes celulares da inflamação, são nossas reguladoras negativas endógenas. Muitos fármacos agem inibindo a síntese de eicosanoides, desde a inibição das COXs (AINES), inibindo as LOX (principalmente em asmáticos), inibindo em amplo espectro (caso dos corticoides). Mediadores Derivados de Células: Fator ativador de Plaquetas (PAF) O PAF é outro mediador derivado de fosfolipídio, tem múltiplos efeitos inflamatórios. É encontrado em diversos tipos celulare s, plaquetas, macrófagos e etc. Assim como em ambas as formas, secretada no plasma e ligado à célula . Em altas concentrações provoca vasoconstrição e broncoconstrição, já em baixas concentrações (que é o usual) induz vasodilatação e aumento da permeabilidade , mas possui uma potência de 100 a 10000 vezes maior do que a histamina. O PAF também aumenta adesão dos leucócitos ao endotélio, faz quimiotaxia, desgranulação e explosão oxidativa (é um pró-inflamatório realmente importante). Auxilia também na síntese de eicosanóides. Mediadores Derivados de Células: Espécies Reativas de Oxigênio Como dito anteriormente, são geralmente liberados extracelularmente dos leucócitos (em situações bem específicas). Quando isso ocorre propiciam dano celular endotelial, com resultante aumento na permeabilidade vascular, além de injúria a outros tipos celulares. Somado a isso, são responsáveis pela inativação de antiproteases , dessa forma as proteases ficam ativas e destroem a matriz extracelular. Como são potencial perigosos, soros, fluidos teciduais e células do hospedeiro possuem mecanismos antioxidantes que protegem contra esses radicais derivado do oxigênio. Assim, a influência em qualquer reação inflamatória depende do balanço entre a produção e a inativação desses metabólitos. Mediadores Derivados de Células: Óxido Nítrico (NO) Responsável principalmente pelo r elaxamento das células musculares lisas vasculares . O NO é sintetizado a partir da L-arginina pela enzima óxido nítrico sintase (NOS). Existem três tipos de NOS: endotelial (eNOS), neuronal (nNOS) e induzida (iNOS) . A eNOS e a nNOS são constitutivamente expressas em baixos níveis. A iNOS, em contraste é induzida quando os macrófagos e outras células são ativados pelas citocinas ou produtos bacterianos (é meio que um feedback negativo). O NO relaxa o músculo liso vascular e promove a vasodilatação, além de reduzir agregação e adesão plaquetária, inibe também várias características da inflamação induzida pelos mastócitos e inibe o recrutamento de leucócitos. Desta forma, a produção de NO é um mecanismo endógeno para o controle das respostas inflamatórias. O NO também é utilizado comomicrobicida. Mediadores Derivados de Células: Citocinas e Quimiocinas Citocinas são proteínas produzidas por muitos tipos celulares, que modulam as funções de outros tipos celulares. O Fator de Necrose Tumoral (TNF) e IL-1 são produzidos principalmente por macrófagos ativados , são bastante importante por seus efeitos inflamatórios agindo no endotélio, leucócitos e fibroblastos, e indução de reações sistêmicas de fase aguda. Eles induzem a expressão de moléculas de adesão, síntese de mediadores químicos, incluindo outras citocinas, quimiocinas, fatores de crescimento, eicosanóides e NO . A produção de IL-1 é controlada por um complexo celular denominado de inflamassoma , esse complexo ativa proteases membros da família caspase que viabilizam a produção. Mutações nos genes que codificam membros deste complexo de proteínas gera diversas doenças, dentre elas a mais famosa é a febre familiar do Mediterrâneo . As proteínas mutantes ativam constitutivamente as caspases inflamatórias ou interferem com a regulação negativa desse processo enzimático. O resultado final é a produção desregulada de IL-1, gerando principalmente febre e outras manifestações sistêmicas da inflamação, hoje já possuímos fármacos antagonistas de IL-1 para tratamento dessas doenças. A IL-1 e o TNF induzem as respostas de fase aguda sistêmicas. O TNF também regula o balanço de energia por promover a mobilização de lipídios e proteínas e por suprimir o apetite. Por esse motivo contribui para a caquexia , um estado patológico caracterizado por perda de peso e anorexia. As Quimiocinas são uma família de pequenas proteínas quimioatraentes para tipos específicos de leucócitos, classificadas em quatro tipos principais (de acordo com as posição dos resíduos de cisteína): CXC, CC, C e CX3C. Elas estimulam o recrutamento dos leucócitos na inflamação e controlam a migração normal das células através dos vários tecidos. Algumas são transitoriamente produzidas e promovem o recrutamento dos leucócitos, outras são constitutivas em diferentes regiões anatômicas. Mediadores Derivados de Células: Constituintes Lisossômicos dos Leucócitos Neutrófilos e monócitos contêm grânulos lisossômicos que quando liberados podem contribuir para a resposta inflamatória. Os neutrófilos têm dois principais tipos de grânulos, os específicos que contêm lisozima, colagenases, gelatinases, lactoferrina; e o grânulos azurófilos que contém a mieloperoxidase, fatores bactericidas. Algumas são proteases ácidas e ficam dentro do fagolisossoma, mas existem as proteases neutras que ficam extracelularmente, entretanto, como dito anteriormente essas proteases nocivas são mantidas por um sistema de antiproteases no soro e fluidos teciduais. Mediadores Derivados de Células: Neuropeptídeos Essa classe é produzida principalmente por nervos sensoriais, tendo a substância P e a neurocinina A como principais representantes. São produzidas tanto no sistema nervoso central como no periférico. A substância P tem diversas funções biológicas, incluindo a transmissão de sinais de dor, regulação da pressão sanguínea, estimulação da secreção de células endócrinas e aumento da permeabilidade vascular. Mediadores Derivados de Proteínas Plasmáticas: Sistema Complemento O sistema complemento funciona tanto na imunidade inata quanto na adaptativa. As proteínas do complemento estão presentes nas formas inativas no plasma e muitas delas são ativadas formando uma cascata enzimática. O passo crítico é a proteólise do terceiro componente C3. A quebra de C3 pode ocorrer por uma de três vias, a via clássica, a alternativa e a vida lectina, todas elas levam à formação de uma enzima ativa chamada C3 convertase e posteriormente a C5 convertase, culminando na formação do complexo de ataque à membrana (MAC). As principais funções dos sistema complemento são: a) Inflamação com C3a e C5a, estimulam a liberação de histamina dos mastócitos e assim aumentam a permeabilidade vascular causando vasodilatação, chamadas de anafilotoxinas ; O C5a é também um potente agente quimiotático . b) Fagocitose, agindo como opsoninas . c) Lise celular com a formação do MAC. Dessa C3a e C5a são os mediadores inflamatórios mais importantes. A ativação do complemento é firmemente controlada por proteínas associadas às células e proteínas regulatórias circulantes. . Mediadores Derivados de Proteínas Plasmáticas: Sistema das Cininas As cininas são peptídeos vasoativos derivados de proteínas plasmáticas, chamadas de cininogênio, pela ação de proteases específicas chamadas calicreínas ( sistema KKK ). A bradicinina aumenta a permeabilidade vascular e causa contração do músculo liso, dilatação dos vasos sanguíneos e dor . Tem curta duração porque é inativada por uma enzima chamada cininase. ● Inflamação Crônica Introdução à Inflamação crônica A inflamação crônica é a inflamação de duração prolongada, onde a inflamação, a injúria tecidual e as tentativas de reparo coexistem em variadas combinaçõe s. Como dito anteriormente, pode se seguir à inflamação aguda, ou pode se iniciar insidiosamente. Este último tipo de é a causa de dano tecidual em algumas das mais comuns e incapacitantes doenças humanas, tais como a artrite reumatóide, aterosclerose, tuberculose e fibrose pulmonar. Ela também tem sido implicada na progressão do câncer e em doenças puramente degenerativas, tais como a doença de Alzheimer. Principais Causas da Inflamação crônica A inflamação crônica se instala nas seguintes situações: a) Infecções persistentes: Microrganismos difíceis de erradicar. Esses organismos frequentemente evocam uma reação imune chamada de hipersensibilidade tipo retardada . Algumas vezes pode se apresentar num padrão específico chamada de reação granulomatosa. b) Doenças Inflamatórias Imunomediadas: Ativação excessiva ou inapropriada do sistema imune como em doenças autoimunes, doenças alérgicas. Por vezes mostram padrões de inflamação aguda e crônica misturadas. c) Exposição prolonga a agentes potencialmente tóxicos, exógenos ou endógenos: Um exemplo é a sílica particulada que pode gerar uma doença pulmonar chamada de silicose (exógeno). Já a aterosclerose um processo endógeno também expõe o corpo a agentes tóxicos gradual e regularmente. Características morfológicas A inflamação crônica é caracterizada por: a) Infiltração com células mononucleares, incluindo macrófagos , linfócitos e células plasmáticas; b) Destruição tecidual; c) Tentativas de cura pela substituição do tecido danificado por tecido conjuntivo ( fibrose ), proliferação de vasos sanguíneos ( Angiogênese ). O crescimento de vasos sanguíneos e vasos linfáticos é frequentemente proeminente, principalmente pela ação de fatores de crescimento (VEGF). Participação dos Macrófagos O macrófago é o jogador celular predominante da inflamação crônica, é componente do sistema mononuclear fagocítico, sistema esse que tem sua origem na medula óssea e inclui também os monócitos sanguíneos. Bom, sabemos que o monócito está no sangue e migra para dentro dos tecidos formando osdiversos tipos de macrófagos (com nomes de acordo com o tecido residente). Esse extravasamento de monócitos é governado pelos mesmos fatores que estão envolvidos na emigração dos neutrófilos, que são aquelas moléculas de adesão e os mediadores químicos com propriedades quimiotáticas e ativadoras. Os macrófagos podem ser ativados por uma diversidade de estímulos, incluindo os produtos bacterianos, citocinas endógenas (LT/NK: IFNgama) e outros mediadores químicos. Lembrando que as principais funções do macrófago são: a) Eliminar o agente injuriante; b) Iniciação do processo de reparo; c) Injúria tecidual na inflamação crônica (efeitos colaterais). Bom, é justamente por causa dessas atividades dos macrófagos que temos a destruição tecidual como marca da inflamação crônica. A destruição tecidual por si só, durante o seu andamento, é capaz de ativar a cascata inflamatória, de modo que há um ciclo vicioso. Como sempre está havendo reagudização, podemos encontrar características da inflamação aguda e crônica em certas circunstâncias. Vale ressaltar a possibilidade de diferenciação do macrófago nos subtipos M1 e M2, que vão ter ações antagônicas, dependendo de que tipo de linfócito T os ative (se Th1 ou Th2), conforme imagem. Outras células na Inflamação Crônica Outros tipos celulares estão envolvidos na inflamação crônica, dentre eles: a) Os linfócitos: Os linfócitos T ativados produzem citocinas, algumas das quais recrutam os monócitos da circulação, e uma, o IFN-𝛶, é um potente ativador dos macrófagos. b) Os plasmócitos: Provenientes dos linfócitos B. Em alguma fortes reações inflamatórias crônicas, há o acúmulo de linfócitos, APCs e plasmócitos, podendo configurar características de órgãos linfóides (são os ditos órgãos linfóides terciários - Folículos linfoides) . É como se o exército se instalasse em uma nova área e começasse a chamar aquele local de lar. c) Os eosinófilos: Abundantes em reações mediadas por IgE e em infecções parasitárias. Uma quimiocina é bem importante na recrutação dos eosinófilo, chamada de eotaxina . Os eosinófilos vão possuir grânulos que contêm a proteína básica principa l, uma proteína altamente catiônica que é tóxica para parasitos, mas também causa lise das células epiteliais dos mamíferos. d) Mastócitos: Participam em ambas as reações inflamatórias, aguda e crônica. Sendo que na aguda é pela liberação de histamina e na crônica na produção de citocina fibrogênicas. e) Neutrófilos: Embora os neutrófilos sejam característicos da inflamação aguda, muitas formas de inflamação crônica, durando por meses, continuam a mostrar grande números de neutrófilos. Inflamação Granulomatosa Trata-se de um padrão distinto de inflamação crônica presente em um número limitado de condições. Um granuloma é um esforço celular para conter um agente agressor que é difícil de erradicar. Vale ressaltar que essa tentativa requer uma forte ativação dos linfócitos T, consequentemente uma ativação maior dos macrófagos levando uma maior injúria tissular. A tuberculose é o protótipo desse tipo de apresentação. O reconhecimento do padrão granulomatoso em uma amostra de biópsia é importante por causa do número limitado de condições possíveis que o causam e do significado do diagnóstico associado com as lesões. Um granuloma morfologicamente consiste em uma agregação microscópica de macrófagos que são transformados em células epitelióides , rodeadas por um colar (halo) leucocitár io. Essas células epitelióides parecem se fundir uma com a outra. Granulomas mais velhos desenvolvem um anel de envoltos com fibroblastos e tecido conjuntivo ( cápsula fibrosa ). As células epitelióides podem fundir-se para formar as chamadas células gigantes, podendo conter 20 ou mais núcleos arranjados ou perifericamente (do tipo langhans - parece uma ferradura) ou irregularmente ( tipo corpo estranh o). Não existe nenhuma diferença funcional entre esses dois tipos, os patologistas só botaram dois nomes pra dar um close. Os granulomas podem ser divididos em dois tipos, os de corpo estranho , são incitados por corpos estranhos relativamente inertes (tentativa de encapsular - ver imagem abaixo), e os granulomas imunes causados por uma variedade de agentes (tentativa de combater). O protótipo do granuloma imune é aquele causado por infecção com Mycobacterium tuberculosis. Nessa doença, o granuloma é referido como tubérculo. Ele frequentemente é caracterizado pela presença de necrose caseosa central (ver imagem abaixo). ● Reparo e cicatrização Introdução O objetivo principal é restaurar o tecido. A regeneraçã o resulta na restituição completa do tecido perdido ou lesado. Já o reparo pode restaurar algumas estruturas originais, mas pode causar desarranjos estruturais. Ou seja, a regeneração refere-se à proliferação de células e tecidos para substituir estruturas perdidas e o reparo consiste em mais frequentemente uma combinação de regeneração e formação de cicatriz pela deposição de colágeno. Na verdade, em mamíferos a regeneração é muito rara, inclusive classificam erroneamente crescimento hepático após ressecção parcial como regeneração, mas na verdade consiste em crescimento compensatório. A formação de cicatriz constitui o processo predominante de reparo que ocorre quando a rede de matriz extracelular (MEC) é danificada por uma grave lesão. A inflamação crônica estimula também a formação de cicatriz. O termo fibrose é usado para descrever a extensa deposição de colágeno que ocorre sob essas condições. Os componentes da MEC são essenciais, eles fornecem a rede para a migração celular, mantém a correta polaridade celular para o rearranjo de estruturas estratificadas e participam da formação de novos vasos sanguíneos (angiogênese). Além disso, produzem fatores de crescimento, quimiocinas e citocinas. Atividade proliferativa dos tecidos Os tecidos do corpo são divididos em três grandes grupos de acordo com suas atividades proliferativas, sendo: a) Lábeis: Tecido de divisão contínua, as células teciduais maduras são derivadas de células-tronco adultas, as quais possuem uma enorme capacidade proliferação; (Epitélios superficiais, TGI e etc.) b) Quiescentes: Possuem um baixo nível de replicação, porém podem sofrer rápida divisão em resposta a estímulos. (Fígado, rins e pâncreas). c) Permanentes: O tecido não se divide, geralmente substituído pela proliferação dos elementos de suporte.( Músculos e Neurônios). Principais Causas e Consequências Os ferimentos na pele vão ter diferentes maneiras de comportamento, caso sejam superficiais (atingindo só a epiderme) temos as regeneração completa, mas caso seja um pouco mais profundo (por exemplo uma lesão dérmica) teremos a formação de cicatriz. Quando temos o acometimento de processos inflamatórios nos órgãos internos podemos ter diversas consequências, como no caso de pericardite, depois do reparo podemos ter uma pericardite constritiva e isso dificulta o batimento correto do coração. Temos os caso de úlceras gástricas que ultrapassa as camadas que normalmente serestauram no TGI e acabam formando uma cicatriz, já no caos do infarto do miocárdio é um tecido permanente e consequentemente a única saída é a cicatriz também. Reparo, formação de cicatriz e fibrose O reparo pela deposição de tecido conjuntivo inclui as seguintes características básicas: a) Inflamação (abordada mais abaixo) b) Angiogênese (abordada em um tópico isolada) c) Migração e proliferação de fibroblastos (abordada em um tópico isolada) d) Formação de cicatriz (abordada em um tópico isolada) e) Remodelamento do tecido conjuntivo.(abordada em um tópico isolada) Neste tópico resgataremos alguns conceitos para explicar os papéis de inflamação. A reação inflamatória induzida pela lesão contém a lesão, remove o tecido lesado e promove a deposição de componentes da MEC na área da lesão, ao mesmo tempo em que a angiogênese é estimulada. Contudo, se a lesão persiste, a inflamação torna-se crônica, levando a uma excessiva deposição de tecido conjuntivo conhecida como fibrose. A professora não incluiu a inflamação no esquema dado em aula, mas o Robbins trouxe. Mecanismos da Angiogênese A angiogênese afeta tanto reações fisiológicas (cura de feridas e etc.) como processos patológicos (tumores, metástase e etc.), dessa forma grandes esforços têm sido feitos para desenvolver agentes que possuam atividades pró ou antiangiogênicas. Bom, sabemos que os vasos sanguíneos são formados durante o desenvolvimento embrionário através do processo chamado de vasculogênese , formando uma rede vascular primitiva com as células precursoras endoteliais ( angioblastos ). Em adultos, a formação de vasos sanguíneos, conhecida como angiogênese , envolve a ramificação e extensão de vasos preexistentes. Basicamente existem dois tipos de angiogênese, a primeira a partir de vasos preexistentes e a segunda por células precursoras endoteliais (EPCs). No caso da angiogênese por vasos preexistentes, há vasodilatação e aumento da permeabilidade dos vasos existentes, degradação da MEC e migração de células endoteliais. As principais etapas estão listadas a seguir: a) Vasodilatação b) Degradação proteolítica da membrana basal: Através de metaloproteínas de matriz (MMP) c) Migração das células endoteliais d) Proliferação das células endoteliais e) Maturação das células endoteliais f) Recrutação de células periendoteliais (músculares e pericitos). Já no caso da Angiogênese a partir de células precursoras endoteliais, essas EPCs são recrutadas da medula óssea para os tecidos e iniciam a angiogênese. Existem um número de EPCs circulantes basal, e esse número aumenta grandemente em paciente com condições isquêmicas. Fatores de crescimento envolvidos na angiogênese . O VEGF (Fator de crescimento do endotélio vascular) é o fator de crescimento mais importante nos tecidos adultos que sofrem angiogênese fisiológica, assim como a angiogênese que ocorre na inflamação crônica, na cura de feridas, nos tumores e na retinopatia diabética. O VEGF induz a migração das EPC da medula óssea e aumenta a proliferação e diferenciação dessas células nos locais de angiogênese, além de iniciar o brotamento de novos capilares. Independente do processo que leva à formação de capilares, os vasos neoformados são frágeis e necessitam ser “estabilizados ”. A estabilização requer o recrutamento de pericitos e células musculares lisas (células periendoteliais) e a deposição de proteínas da MEC. A hipoxia tecidual pode influenciar a angiogênese . A transcriação do VEGF é regulada pelo fator de transcrição HIF (fator induzido por Hipóxia), o qual é induzido pela hipóxia. Cura de Feridas Cutâneas É dividida em três fases: Inflamação, proliferação e maturação . A lesão inicial provoca adesão e agregação de plaquetas, formando um coágulo na superfície da ferida, levando à inflamação. Na fase proliferativa, há a formação do tecido de granulação , proliferação e migração de células do tecido conjuntivo e reepitelização da superfície da ferida. A maturação envolve a deposição de MEC, o remodelamento do tecido e a contração da ferida. Temos a chamada cura por primeira intenção : A incisão provoca a morte de um número limitado de células epiteliais e células do tecido conjuntivo, bem como ruptura da continuidade da membrana basal. A reepitelização para fechar a ferida ocorrem com a formação de uma cicatriz relativamente fina. Temos a chamada cura por segunda intenção: O processo de reparo é mais complicado em feridas de excisão que criam grandes defeitos na superfície da pele, provocando perda excessiva de células e tecidos. A cura dessas feridas envolve uma reação inflamatória mais intensa, formação de abundante tecido de granulação e extensa deposição de colágeno levando à formação de cicatriz substancial que geralmente se contrai. Formação do tecido de granulação (cerca de 24 a 72h depois) Fibroblastos e as células endoteliais vasculares proliferam e formam o tecido de granulação, que é o ponto de referência do reparo tecidual, em suma, é um mix de angiogênese com proliferação de fibroblastos. Esses vasos neoformados são permeáveis, permitindo a passagem de líquido e proteínas plasmáticas para o espaço extravascular, dessa forma exibe frequentemente edema . A quantidade do tecido de granulação vai depender do tamanho do defeito no tecido criado pela ferida e da intensidade da inflamação. Proliferação celular e Deposição de Colágeno (cerca de 48 a 96h depois) Os neutrófilos são amplamente substituídos por macrófago s. Os macrófagos representam os constituintes celulares chave no reparo tecidual, removendo resíduos extracelulares, fibrina e outros materiais estranhos do local de reparo e promovendo a angiogênese e deposição de MEC. A migração de fibroblastos para o local da lesão é orientada por quimiocinas, principalmente a TGF-𝛃 liberada pelos macrófagos. A proliferação é desencadeada por vários fatores de crescimento mas principalmente IL-1 e TNF. Formação da cicatriz (Segunda semana até o final do primeiro mês) O infiltrado leucocitário, o edema e o aumento da vascularização desaparecem, em grande parte, durante a segunda semana. Inicia-se o empalidecimento, devido ao aumento do acúmulo de colágeno na área da ferida e a regressão dos canais vasculares. Um cicatriz avascular e pálida, composta de fibroblastos, colágeno denso, framstos de tecido elástico e outros componentes da MEC. No fim do primeiro mês, a cicatriz consiste em tecido conjuntivo acelular destituído de infiltrado inflamatório e recoberto por epiderme intacta. Contração da ferida Ocorre geralmente em grandes feridas de superfície. A contração ajuda a fechar a ferida diminuindo a lacuna entre suas margens dérmicas e reduzindo a área de superfície da ferida. É uma característica importante na cura por união secundária. As etapas iniciais da contração da ferida envolvem a formação, na margem da ferida, de uma rede de miofibroblastos que possuem 𝝰-actina de músculo liso e vimentina. Essas células contraem-se na ferida e produzem grandes quantidades de componentes da MEC. Esses miofibroblastotem diversas origens, mas a principal é a partir de fibroblastos, fibrócitos e células epiteliais. A contração da ferida é um processo benigno, pois viabiliza o fechamento de grandes espaços, porém em excesso (feridas extensas) podem ocasionar contratura. Remodelação tecidual e Recuperação da força tênsil A substituição de tecido de granulação por uma cicatriz envolve alterações na composição da MEC. O equilíbrio entre síntese e degradação da MEC resulta no remodelamento da trama de tecido conjuntivo. A degradação do colágenos e de outras proteínas da matriz é realizada pelas metaloproteinases de matriz (MMP) . Os colágenos fibrilares (principalmente tipo 1) formam a principal porção do tecido conjuntivo essencial para o desenvolvimento da força tênsil nas feridas em cicatrização. A menor força tênsil na área da ferida curada pode persistir pelo resto da vida. A recuperação da força tênsil resulta do excesso da síntese de colágeno que ultrapassa a sua degradação durante os primeiros meses, e em tempos posteriores. Complicações da cicatrização Essas aberrações podem ser agrupadas em três categorias principais, sendo: a) Formação deficiente da cicatriz: A formação inadequada do tecido de granulação ou a organização da cicatriz pode levar a dois tipos de complicações: a deiscência da ferida e ulceração. A deiscência ou ruptura é mais comum em lesões no abdômen e abem devido a pressão abdominal. As feridas podem ulcerar em consequência de uma vascularização inadequada durante a cura. b) Formação excessiva dos componentes de reparo: Podem originar cicatrizes hipertróficas e quelóides. O acúmulo de quantidades excessivas de colágeno pode gerar uma cicatriz saliente conhecida como cicatriz hipertrófica; quando a cicatriz cresce além das margens da ferida original, sem regredir, é chamada de queloide. Na formação de quantidades excessivas de tecido de granulação, que fazem protrusão acima do nível da pele circundante e bloqueiam a reepitelização, temos a denominada granulação exuberante (carne esponjosa). c) Formação de contraturas Um exagero do processo de contração origina a contratura e resulta em deformidades da ferida e dos tecidos circundantes. São comumente observadas após queimaduras graves e podem comprometer o movimento das articulações. MICROBIOLOGIA Fonte: Áudios da Aula de Weber e Transcrições da 141 ● Fatores predisponentes das infecções fúngicas - candidíase Introdução Quando se fala de fatores predisponentes tem que se ter na cabeça que a infecção fúngica é diferente da bacteriana, o que isso quer dizer? As bactérias têm alto poder patogênico e você vai desenvolver uma infecção independente do seu estado imunológico, é claro que se você ainda estiver num estado debilitado à infecção pode agravar. O Stress do dia-a-dia, o estradiol e etc. interferem na resposta imunológica, mas na maioria dos casos se você teve contato com a bactéria você vai desenvolver uma infecção. Essa infecção pode ser aparente ou assintomática (latente – não aparecer sinais e sintomas). Já na micologia é diferente, na maioria das vezes eu preciso de além de entrar em contato com o agente agressor eu preciso de outros fatores chamados de predisposição. Os fatores de predisposição relacionados ao microrganismos Estão principalmente relacionados à virulência (capacidade de produzir casos graves da doença). Em relação a isso temos a virulência clássica , a maioria dos fungos vão apresentar essa, é o fato de ele só promover alguma lesão, alguma doença, desencadear sinais e sintomas se existir outros fatores de predisposição. Ex: ruptura da membrana, excesso de estradiol, imunodeficiência primária e etc. Existem também os de alta virulência e os de virulência nula. Os de alta virulência são parecidos com as bactérias, que independem do estado imunológico do paciente, exemplo o fungo da coccidiose. Já a virulência nula, mesmo que você tenha um paciente com baixíssima imunidade, você nunca vai ter sinais e sintomas graves. Virulência nula não significa patogenicidade nula, pode existir alguns casos em que pode ter alguma doença, mas nunca evolui para um caso grave, o uso de um antifúngico simples como Nistatina e cetoconazol já irão resolver o problema. Os fatores de predisposição relacionados ao hospedeiro São os fatores internos e os fatores externos . Os fatores internos são lesões pré-existentes, alterações metabólicas, ciclo hormonal. Ex: diabetes, AIDS, HIV, Neoplasias. Já os fatores externos podem ser exemplificados pela dieta, consumo de gordura, a profissão da pessoa (atividade ocupacional) porque pode fazer com que o paciente entre em contato com determinada substâncias, exemplo candidíase urogenital em mulheres muito ocupadas (o dia inteiro sem tomar banho). E porque eu preciso saber esses fatores? Simples, porque não adianta você fazer o tratamento farmacológico e não eliminar os fatores , para evitar a reinfecção. E aí algo que vem bem na cabeça é a questão de resistência aos medicamentos, vale ressaltar que no caso de fungos é bem baixa a incidência. É bem diferente das bactérias que sempre temos que estar desenvolvendo novos fármacos, a resistência fúngica existe mas temos uma quantidade limitada de micoses e pode facilitar o tratamento. O Alcoolismo também é um fator de predisposição, visto que você ocupa o fígado com a metabolização ao invés de, por exemplo, estar criando proteínas de fase aguda para combate. Candidíase Esse fungo do gênero Candida sp . faz parte da nossa microbiota, todo mundo tem. Fora isso, existem uma diversidade de microrganismos desse gênero, isso pode trazer uma diversidade também de sinais e sintomas, vai depender muito do sítio anatômico. Ou seja uma infecção pela mesma espécie que acontece na boca vai trazer características químicas diferentes da virilha, embaixo da língua e etc. Bom, porque essas manifestações são tão diferentes? Vai variar o poder patogênico de acordo com as seguintes características: a) Capacidade do fungo de se aderir aos tecidos; b) Temperatura: Fungo que cresce a mais ou menos 37 graus está adaptado a parasitar o homem pois essa é a nossa temperatura; c) Formação de estruturas filamentosas: Mesmo em leveduras (filamentos falsos), aumenta a capacidade de resistir à fagocitose , pois o macrófago não vai conseguir fagocitar um filamento todo. d) Produção de enzimas: Lipases e proteases, quanto mais, maior será a capacidade de lesionar; e) Produção de metabólitos: Reconhecidos como alérgenos disparando histamina, parecido com uma alergia, paciente se queixa de ardência, aparecimento de brotoejas. Nesses casos a pessoa tem uma micose e os fungos liberam metabólitos alérgenos. Se você não identifica a causa, você vai tratar a alergia, mas não vai ter resposta. É uma histamina liberada em grande escala, diferente das reações normais por anafilotoxinas comum de todos os fungos que são atingidos pelo sistema complemento. f) Infecções severas: Depressão da imunidadecelular (Conversão para resposta do tipo Th2). Inibição da via Th1 (inflamatória) que seria ideal pra matar os fungos. Principais causas para o aparecimento de manifestações clínicas da candidíase As principais manifestações clínicas são dadas pelos seguintes fatores: a) Mudança na hidratação: A quantidade de água que você ingere vai interferir na patogenicidade do fungo. Primeiro que quanto menos água você tem pra hidratar mais fácil ocorrer alguma lesão na pele e por isso o corpo produz mais sebo (compensação). O sebo além de alterar o pH da pele ainda é um fator de predisposição desses fungos (fonte de alimento). b) Mudança no pH: Sabemos que o pH ideal para os fungos é ácido, muitos fatores podem diminuir o pH do sítio por exemplo: o aumento da pCO2, então pacientes com ventilação mecânica tem que ter cuidado para não entrar em acidose, a diabetes também influencia. Dessa forma é muito importante verificar sempre o pH na UTI. c) Alteração da microbiota: Na mucosa vaginal, por exemplo, o aumento da quantidade de bacilos da microbiota pode viabilizar a infecção, somado a outros fatores como higiene, alteração hormonal (glicogênio para a mucosa vaginal) e etc. d) Concentração de nutrientes (alimentação): Quanto maior a quantidade de gorduras saturadas que você ingere, resultará num maior estímulo inflamatório e aumenta a produção de sebo na pele. O tecido adiposo é em si mesmo, produtor de citocinas inflamatórias, por isso a obesidade é considerada uma doença inflamatória. Tipos de Candidíase Abaixo segue um resumão dos principais tipos de candidíase, e seus principais fatores predisponentes: a) Candidíase Cutâneo-mucosa: Quer dizer que vai acometer pela e mucosas; b) Candidíase Intertriginosa: Nos sucos, obesidade pode aumentar as ocorrências pois além do processos inflamatório esticam a pele; c) Onicomicose Candidiásica: Acomete as unhas, relacionada muito à atividade ocupacional, contato com substâncias irritantes (água sanitária, detergentes), muito comum em mulheres, principalmente pela retirada da proteção ungueal (famosa cutícula). A região acometida é a periungueal (lesão perionix), não altera consistência nem coloração da unha, pois o fungo não tem queratinase. d) Candidíase Oral: Alimentos alteram o pH da boca (carboidratos – bactérias sacarolíticas). Cândida também atua na formação da cárie. Alcoolismo, hipovitaminose (C e A), dentifrícios abrasivos (micro lesões) principalmente por bochechos com substâncias oxidantes. Existem 4 tipos diferentes, a primeira é a pseudomembranosa (forma uma capa pseudomembrana – sapinho – Passa gaze e a membrana sai, se não sair não é sapinho), a segunda é a Queilite angular (boqueira) , a terceira é a Língua negra pilosa (tabagismo), e a quarta é a Candidíase Atrófica aguda : Secundária à Pseudomembranosa , geralmente proveniente de antibioticoterapia, o paciente relata ardência ao comer. ; e) Vulvovaginite: Alterações hormonais (gravidez, anticoncepcionais) alterando o teor de glicogênio na mucosa vaginal, tudo isso mexe com o pH. Uso de imunossupressores, candidíase por leveduras encontradas nas fezes ( maneira incorreta de se limpar ). Cônjuge também pode influenciar na reinfecção, muito forte a parte educativa de pacientes de baixa renda. A água pode conter cândida, então locais que não tem saneamento básico são mais propícios. f) Candidíase Mucocutânea Crônica: Atinge pele unha e mucosa simultaneamente. Vários sítios ao mesmo tempo. Primeiro coisa a atentar é saber se ele já fez algum tratamento, principalmente para não utilizar as mesmas drogas. Outra coisa, você tem que associar uso tópico e via oral . Associada a outras infecções, acomete muito crianças de até 3 anos, principalmente as que sofreram maus tratos (de 6 a 8 horas sem trocar uma fralda suja). Reincidência da cândida associada a outras doenças temos que d esconfiar de alterações imunológicas primárias , exemplo: displasia do timo (maturação do linfócito T mal realizada), hipoparatireoidismo (alteração da vitamina D, que vai estimular a função imunológica também, alteração de cortisol e etc.), diabetes (pH sanguíneo alterado). g) Candidíase sistêmica: Depende da Fungemia – fungo que caiu na corrente sanguínea – que irá atingir os órgãos internos. Geralmente em pacientes imunossuprimidos (candidíase albicans). Porque paciente de UTI têm mais disposição de desenvolver uma infecção fúngica? Ele pode estar usando corticoides, imunossupressores e antibioticoterapia (por causa do antagonismo microbiano ) - Princípio da citotoxicidade seletiva, selecionar para onde eu direciono a toxicidade, para não atingir alvos errados. Tratamento A conduta terapêutica tem a ver com a prescrição do medicamento (sem posologia por hora), uso tópico ou oral (ou associado), e dizer quais são os fatores de predisposição . Tem que se solicitar a investigação de alterações ou de hábitos. Checar sempre hormônios e glicemia. Principais drogas, na ordem utilizada: N ão I nventa de C omer FA ro F a a) Nistatina – Primeira Linha b) Itraconazol c) Cetoconazol d) Fluconazol e) Anfotericina B associado com flucitosina – Droga extremamente nefrotóxica, usada em último caso. Existe em duas formas, potássica (nefrotoxicidade altíssima) ou lipossomal (reduz a nefrotoxicidade, mas é o olho da cara). Uso tópico geralmente, mas se existe reinfecção tem que se tratar o paciente e identificar os fatores. Na prova sempre solicitar exames para checar as coisas. Geralmente quando eu tenho reinfecção se usa também por via oral os derivados do nidazol, o cetoconazol e o itraconazol. Agora quando temos a candidíase sistêmica a gente usa mais fluconazol (via oral) e em último caso Anfotericina B associado com flucitosina. Não existe o tratamento de micologia sem identificar os fatores de predisposição. ● Micoses superficiais e cutâneas Introdução às micoses superficiais As micoses podem ser subdivididas de acordo com o sítio de atuação em superficiais, cutâneas, de implantação (antiga subcutânea) e sistêmicas. Outra classificação é anatopatológica, onde temos as patogênicas verdadeiras e a de caráter oportunista. Bom, as superficiais são chamadas dessa forma pois atuam principalmente na chamada camada córnea da pele (na epiderme), e isso impacta muito pois a epiderme não é vascularizada, portanto não haverá formação dos sinais da inflamação. Na micose superficial o fungo está restrito, tendo portanto baixo contágio e sendo até considerada uma micose estética. Quatro micoses superficiais foram abordadas em sala, sendo: Pitiríase Vesicolor, Tinea Nigra, Piedra nigra e Piedra Branca. As superficiais ainda podem ser divididas em micoses da pele e do pêlo. A tinea Nigra como veremos é uma lesão macular, mácula nada mais é que uma mancha. As micoses de pêlo, estritamente superficiais não vão causar a perda do pelo, a chamada alopécia. Elas podem ser uma piedra branca ou uma piedra nigra, restritas à camada mais externa do pêlo (cutícula). Micose superficial: Pitiríase VesicolorÉ uma mácula que dificilmente pode evoluir para quadros graves (malasseziose em pacientes imunodeprimidos), o gênero responsável é o Malassezia sp ., um conjunto de fungos pertencente a nossa microbiota. A infecção pode acontecer quando há fatores predisponentes envolvidos como vimos anteriormente. O fungo é polimórfico (na forma filamentosa ele é a Malassezia, na forma leveduriforme, Pityrosporum ovale) e lipofílico - justamente a pele oleosa (produção sebácea) pode predispor o desenvolvimento dele. Ele é bem parecido com a candida sp. mas enquanto este está disposto nas mucosas e TGI principalmente, o Malassezia está presente na pele. As lesões provenientes deste fungo podem ser hipocrômica ou hipercrômica , isso vai depender da espécie possuir ou não a produção de ácido azeláico. O ácido azeláico inibe uma enzima chamada tirosinase , que atua na conversão de tirosina em melanina. Então quando uma pessoa sofre exposição ao sol, a área sem ácido azeláico é bronzeada e a área com ácido ácido azeláico produzido pelo fungo fica hipocrômica. Já as manchas hipercrômicas trata-se do efeito rebote. Certas espécies desse gênero podem incentivar a produção de melanina. A micose superficial não sara apenas com o "descascamento da pele" . Na epiderme há o estrato germinativo, e a medida que essas células passam para superfície, elas vão ganhando a produção de queratina e perdendo metabolismo. Então ela passa pelo estrato espinhoso, granuloso e já não tem mais metabolismo, ela só tem a produção e o armazenamento de queratina, chegando no estrato lúcido e no estrato córneo são células mortas e queratinizadas; o fungo fica nos estratos mais profundos , então, apesar da descamação do estrato córneo, o movimento das células faz com que o fungo não seja eliminado completamente. Tratamentos estéticos não são suficientes para a eliminação do fungo, ou seja não pode ser por peeling, O diagnóstico diferencial é laboratorial, realizado pelo sinal de Besnie r (descamar mecanicamente, não é biosseguro) pois é uma lesão macular descamativa. Existe também o sinal de Zileri , sendo mais biosseguro, se estira a pele e observa-se o esfacelamento da queratina. Muito fácil confundir o sinal de Besnier positivo com o Dermografismo (ressecamento da pele), então para diferenciar realiza-se demarcação da área lesionada, se o sinal não ficar restrito a área trata-se de dermografismo. Outro método utilizado é a lâmpada de Wood, se depois que expormos o paciente a essa lâmpada a área ficar mais clara, conseguimos identificar o fungo. Desnutrição, calor, umidade, dermatite seborreica, assim como o suor são fatores predisponentes. Dermatite seborreica é diferente de pano branco e também é diferente da caspa. A caspa é apenas um tipo de dermatite seborreica, e nem toda dermatite seborreica está associada a um processo infeccioso, por exemplo na síndrome de Cushing onde há o excesso de cortisol e imunossupressão reduz a produção de peptídeos antimicrobianos do suor e predispõe a infecção.. Bom, geralmente o diagnóstico é feito pelo método de Besnier mesmo e usa-se uma fita gomada , logo depois se põe numa lâmina e leva-se para análise em exame direto . A maior incidência de reinfecção é em mulheres, visto que a pitiríase pode atacar o couro cabeludo na sua forma leviduriforme, e nesses casos se faz necessário o uso de shampoos contendo cetoconazol que resseca o cabelo. Não tratando, ao coçar os fungos são espalhados pelos ombros promovendo a reinfecção. Não dá pra fazer o tratamento via oral porque uma porcentagem ínfima do fármaco chega nos sítios. O tratamento é baseado no cetoconazol e compostos ceratolíticos tópicos. Um albino pode desenvolver a pitiríase, não haverão máculas nesse caso, só que vale lembrar que a produção de sebo nos albinos é diminuída o que acaba sendo uma proteção. Na malasseziose (pacientes acometidos por HIV) o fungo migra para o folículo piloso e causa uma secreção purulenta. O fungo deixa de ser mácula e forma uma pústula. Micose superficial: Tinea Nigra Se manifesta como uma mácula hipercrômica apenas, associada à região palmar e plantar. Trata-se de um fungo demáceo (Exophiala werneckii), ou seja, produz melanina, é amofílico, resiste a uma alta concentração de sal e é queratinolítico. A palma da mão e a planta dos pés possui muita queratina, sudorese e sebo e isso são fatores de predisposição. Muito cuidado para não confundir com melanoma (esse só dá nas mãos em situações muito raras), o diagnóstico diferencial se dá por exame direto por meio da raspagem (método de Besnier). O fungo vai apresentar crescimento centrífugo e radial. O tratamento é cetoconazol, isoconazol ou itraconazol, é o mesmo tratamento para todas a micoses superficiais. O cetoconazol tem boa resposta, o uso indiscriminado gerou linhagens resistentes. O tratamento superficial é rápido, mas veremos que os de unha demoram de 6 meses a 1 ano. Uma tendência ao vitiligo pode desencadear a doença após a despigmentação. Micose superficial: Piedra Nigra e Piedra Branca A principal diferença entre elas é a consistência, a branca é mucilaginosa e a negra é rígida . A cor não é o determinante na nomenclatura. A negra parece um nó de cabelo, se for retirada por ação mecânica pode partir o cabelo, a branca não. O tratamento é químico. É uma feohifomicose ou seja é um tipo filamentoso, é demáceo, predileção pelo fio de cabelo, esses agentes etiológicos estão no solo. Você pode fazer o exame direto, sem qualquer tipo de corante, mas o que a gente geralmente faz é colocar um clarificante, que é o hidróxido de potássio. A diferença da preta e da branca só vai ser a consistência. Além da consistência, a branca pode dar no couro cabeludo, na barba e nos pelos pubiano, lembra uma caspa. O tratamento aqui é um pouco mais simples, a própria ação mecânica junto com o xampu já elimina o fungo. Micoses cutâneas - Dermatofitoses As micoses classificadas como cutânea invadem a derme,um tecido vascularizado e portanto podem gerar processo inflamatório. Pode atingir pele, pêlo e unha, sendo esta última considerada uma das mais difíceis de tratar. A micose cutânea geralmente é restrita à camada queratinizada (a derme), exceto em pacientes HIV e imunodeprimidos, onde podem gerar uma micose sistêmica. Existem basicamente dois tipos de micose cutânea: ela pode ser dermatofitose , ou ela pode ser causada pela cândida (visto anteriormente). Nessa parte focaremos nas Dermatofitoses. As Dermatofitoses são causadas pelos fungos dermatófitos, tendo como principais gêneros representados: Trichophyton, Microsporum e Epidermophyton. O dermatófito é queratolítico, conseguem degradar queratina, consequentemente vai destruir o tecido queratinizado. A gente vai observar a chamada tríade da dermatofitose. Primeiro, elas são lesões secas e descamativas, elas são inflamatórias e tem uma tendência a ser bolhosa. Ou seja, primeiro fica bolhosa e depoisela estoura e fica seca e descamativa. Falando em unha (onicomicose) , como visto anteriormente, a cândida não tem queratinase , então vai destruir o tecido adjacente (periungueal ou perionix), principalmente destruição da lâmina ungueal (vulgarmente chamada de cutícula). No caso da dermatofitose a unha muda de cor e de consistência (é uma micose onix). A “unha de bruxa” é isso: mudança na coloração e na consistência. No caso da cândida o mais afetado é o tecido periungueal (ao redor da unha), gerando uma secreção purulenta, pus ao redor da unha, mas a unha em si não tem alteração de cor, nem de consistência. Vale ressaltar que o que pode acontecer é um ataque ao leito da lâmina (a unha está em cima e o leito está embaixo) esse leito ungueal que é prejudicado e por isso que a unha ela fofa e ela cai. Ainda falando sobre onicomicoses, o sítio de infecção ungueal também pode interferir no diagnóstico, ou seja, podemos classificar em distal, superficial e proximal. A distal é na borda livre da unha, a proximal na base da unha e a superficial é a que está na superfície. A onicomicose subungueal-distal , na ponta da unha em direção à cutícula. Já a onicomicose subungueal-proximal (causa pela Tinea unguium) está mais relacionada a pacientes com HIV. E existe a onicomicose superficial chamada de leuconimicose , esse tipo de micose ocorre apenas 10% dos casos de onicomicose, quando não tratada, as manchas tendem a se espalhar centrifugamente por toda a unha. Agora preste atenção, não é aquela mentira que aparece na unha não, aquilo está relacionado à diminuição de zinco e selênio. Bom, como a onicomicose dermatofítica é muito mais difícil de tratar, existem drogas que são usadas e que tem uma boa taxa de cura. Esse tratamento pode durar de seis meses a um ano. Antigamente, o tratamento feito era a retirada da unha, hoje não se faz mais isso. Hoje o tratamento consiste em Terbinafina e Itraconazol por via oral. Cetaconazol ainda pode ser usado. Mas os que tem mais taxa de cura são: griseofulvina e fluconazol. Então essas são as principais drogas usadas. O tratamento geralmente, é por via tópica associado por via oral , tem que ser desse jeito, porque a taxa de difusão da droga na unha para atingir o fungo é muito pequena, então além de colocar por via tópica, deve-se fazer via oral. Existem esmaltes antifúngicos, como o Ciclopirox , porém são caros. No caso da dermatofitose cutânea, um aspecto bem importante a ser ressaltado é que a lesão apresentada é circular, centrífuga (do centro para periferia) e a parte central é a primeira que se cura. Quando atinge a pele a área costuma ficar vermelha, toda cheia de bolha, mas tem uma parte já com aparência descamativa e essa parte central já está se curando, não está mais vermelha. Como é queratolítico, verificar um aspecto bem brilhoso. Quando as dermatofitoses acometem pêlo, acontece a mesma coisa que acontece na superficial. Só que a grande diferença é que a superficial fica só na parte da cutícula, ela não atinge a parte interna do pêlo (fica só no córtex), ou seja, a medula do fio não é atingida. Já aqui nas dermatofitoses o fungo vai sim para a medula e migra também para o folículo piloso, e lá começa a destruir o folículo piloso , isso vai gerar alopecia infecciosa, lembrar que é diferente da alopecia androgênica. Uma outra coisa importante na hora de fazer o exame clínico é identificar o grau de inflamação dessas lesões. Quanto mais distante for essa espécie, filogeneticamente , do seu hospedeiro, maior o grau de inflamação. Classificar em antropofílicas, zoofílicas ou geofílicas. Exemplo: Quando uma espécie geofílica começa a parasitar o homem ela gera um processo inflamatório muito maior, ou seja, as lesões são mais graves, isso tudo por que ela é um pouco mais distante. Outro conceito bem importante de diferenciarmos é a Dermatofítide . É uma reação alérgica ao metabolismo do fungo. O fungo estará produzindo metabólitos que são encarados como alérgenos e geram as brotoejas, as dermatites. Só se cura dermatofítide com antifúngico, então o ideal é prescrever um antifúngico para tratar. Lembrar do conceito de Querion , trata-se de uma dermatofitose em pele glabra (sem pêlos). Na Dermatofitose intertriginosa, aquele famoso pé de atleta ou frieira, bem parecida com a candidíase, tem a ver com a região entre os dedos os sulcos. ● Micoses subcutâneas e sistêmicas Introdução às micoses subcutâneas A nova nomenclatura define as micoses subcutâneas como micose de implantação , isso devido a necessidade de um trauma pra se instalar. Ou seja, o paciente vai relatar um traumatismo numa área do corpo. Bom o sítio de implantação ultrapassa a epiderme e a derme, o microrganismo vai entrar e se instalar na tela subcutânea. Geralmente, para diagnosticar esse tipo de micose a gente precisa de um exame histopatológico. Assim, o padrão-ouro ainda é identificar o fungo, com o exame direto. A maioria das lesões não são acometidas somente pelos fungos. Na maior parte das vezes, por se tratar de uma inoculação, é uma infecção polimicrobiana: há tanto bactérias como fungos. E o que é que acontece? Na maioria das vezes, você trata a infecção bacteriana e se esquece da fúngica, isso principalmente porque o fungo necessita de maior tempo para se desenvolver. O desenvolvimento é classificado como insidioso e crônico , gerando reação inflamatória inicial, e depois o processo vai se desenvolvendo lentamente ao longo do tempo, quando as lesões começam a aparecer, com exceção do tempo de evolução para lesões mais graves que dura pouco. O tratamento é tão difícil quando o tratamento de uma onicomicose dermatofítica. Vale ressaltar que muitas vezes algumas doenças têm um padrão fibroso , que impede a difusão das drogas. As principais características desse grupo são: fungos de baixo potencial patogênico, não há transmissão de uma pessoa para outra e possui a capacidade de se espalhar. Algumas delas têm disseminação sistêmica, através da rede linfática e sanguínea, instalando-se em outros órgãos. A população mais acometida são pacientes trabalhadores braçais da área rural (o que a torna negligenciada), a principal que a gente tem na cidade é a esporotricose, porque como veremos é transmitida por gato (mordedura e arranhadura do gato). São as principais e mais frequentes: cromoblastomicose, esporotricose, feo-hifomicose subcutânea, micetoma. dica: C onselho E stadual e F ederal de M edicina Micose subcutânea: Cromoblastomicose Como o próprio nome já diz, cromo (cor) e blasto (proliferação). Essa infecção fúngica tem alto potencial proliferativo e produzem pigmentação, mas sua incidência é bem baixa. Não se trata de uma única espécie, na verdade são 7 espécies fúngicas proliferativas que o professor não pediu pra gente decorar, mas isso pode causar uma diversidade de apresentações. Mas como característico a gente tem uma hiperplasiado tecido, ao ponto de parecer uma verruga e também alteração na coloração. Apresentam lesões verrucosas, nodulares, tem as cicatriciais e as tumorais também. O tratamento geralmente é cirúrgico nos casos mais graves (debridamento), associado ao tratamento farmacológico, por via oral e também local, mas não é uso tópico , mas é uma injeção no local, no tecido,para que haja uma magnificação na proliferação. A infecção se inicia com a diminuição da espessura da pele, fica mais fina, você pode até confundir com erisipela, que é uma infecção causada por uma bactéria. E nesses casos iniciais, geralmente com lesão eritemo descamativa, sempre se faz necessária a investigação laboratorial. Para esse tipo de fungo se instalar se faz necessária inoculação repetida ou que o inóculo seja grande. O acometimento geralmente é unilateral. Mas a característica patognomônica é a presença dos corpos Escleróticos (São pequenos fragmentos do fungo que ficam localizados no tecido), identificados no histopatológico. Vale ressaltar que o exame é coletado antes de se iniciar o tratamento, pois pode dar falso negativo. Se um paciente chegar pra você com suspeita de micose e já tiver usado Itraconazol, você não poderá fazer uma coleta naquele momento, terá de se esperar cerca de 7 dias para se coletar (aumentar a possibilidade de aparecer algo no exame) e começar o tratamento. Após o diagnóstico pelos corpos escleróticos devemos identificar o agente etiológico (espécie), um exame da micromorfologia . Isso porque são sete espécies, cada uma com um quadro característico. Mas logo com o diagnóstico inicial você usa o antifúngico e, dificilmente, por serem fungos que estão presentes no ambiente, eles vão apresentar resistência. A conduta é iniciar o tratamento com antifúngicos e depois você tem que saber qual é a espécie, e verificar se existe resistência a algum medicamento. Caso descubra resistência, você vai ter que realizar um ajuste terapêutico. Nesse teste de resistência vai aparecer igual ao antibiograma , no nosso caso a gente usa o antifungigrama, onde eu identifico a espécie fúngica e vejo a resistência, resistência intermediária e sensibilidade de cada um. A gente não tem testes de sensibilidade e especificidade suficientes para fazer pela sorologia. Então sorologia para subcutâneo é ruim. Você pode fazer alguns testes sorológicos, mas vai dar muita reação cruzada. Caso haja acometimento sistêmico, se faz necessário o uso de drogas como: Anfotericina B (tóxica para o rim e para o fígado - usa-se em último caso), mas o ideal é que se trabalhe com o Itraconazol e a Terbinafina. Micose subcutânea: Esporotricose É causada principalmente por um fungo dimorfo chamado Sporothrix schencki mas na verdade é um grupo, o grupo Sporothrix . É uma micose subcutânea e que pode ser também uma micose sistêmica . Quando é de caráter subcutânea, ela inicia pela pele, pelo membro que foi inoculado, e ela pode evoluir de maneira sistêmica tornando-se linfocutânea . Pode portanto estar específica na mucosa ou invadir outros órgãos. Já quando ela é dada como uma micose sistêmica, ela é assintomática pois o fungo foi inalado, sendo o foco inicial o pulmão e depois dissemina. É considerada uma micose cosmopolita pois gatos também podem auxiliar na disseminação. Quando é subcutânea observa-se que eu tenho um trajeto dessa lesão, a primeira lesão, que é a da minha inoculação, ela é fixa, ela forma um nódulo e aí esse nódulo vai se desprender e ganha a rede linfática, e vai se desprendendo, ai aumenta e vai se distribuindo, formando um trajeto. Diferentemente da sistêmica, que é iniciada no pulmão e aí evolui para outros lugares. Caso você pegue um paciente logo no início da infecção quando ele apresenta uma única lesão, sendo que não disseminou ainda, como saber que se trata de esporotricose? Além do histórico de trauma, o nódulo formado é fixo , não se movimenta. Com o tempo ele vai se disseminando pela forma mucocutânea e esses outros nódulos são móveis. Para tratamento usa-se o Iodeto de Potássio saturado , só que presta atenção nele, porque ele não é usado para qualquer paciente. Pelo fato do Iodeto de Potássio ser um sal e reter líquido, ele não pode ser administrado a hipertenso. Agora, detalhe, é aquele hipertenso descompensado. Alguns efeitos colaterais são desconfortos como ardência na boca, cefaléia, insônia. Por via das dúvidas, no hipertenso, sendo descompensado ou não, evita, existem outros tratamentos, como o Itraconazol. Mas por ser um fármaco amplamente usado pode ter uma eventual resistência. E aí o uso da Anfotericina B é quando você não pode usar nem Iodeto de Potássio ou quando o Itraconazol é resistente. o Itraconazol também pode ser tópico ou por via oral. A evolução da doença é de dentro para fora , entende que o fungo ele foi implantado e ele está invadindo os tecidos mais externos. Então começa com uma hiperemia, começa com uma vermelhidão, tem paciente que tem dor e só depois é que ele evolui para essa úlcera. Só reforçando, a primeira, ela vai ser fixa porque ela foi inoculada neste local, aí depois ele se desprende mas isso não significa que ele está fortemente aderido aquele novo tecido, por isso é móvel. Só ressaltando que existem dois tipos de Anfotericina B, a clássica e a lipossomal. A lipossomal é envolvida por lipossomo que é uma membrana e isso faz com que ela passe pelos glomérulos sem causar muito estrago. E o excesso vai ser eliminado pelo rim. A eficácia das duas é a mesma, o que vai acontecer é que a lipossomal reduz os efeitos colaterais do indivíduo. Micose subcutânea: Feo-hifomicose subcutânea Qual é a diferença entre a feo-hifomicose subcutânea e a cromoblastomicose, como o próprio nome já diz a feo-hifomicose só tem pigmentaçã o, então ele não vai ter um processo hiperplásico, e geralmente é muito simples. O processo inflamatório, inclusive, é bem restrito, ele não se dissemina. O tratamento é cirúrgico, retirada do nódulo auxiliado de doses via oral de itraconazol. Também não há contaminação de um indivíduo para o outro. Feo-hifomicose, lembrem que é causada por um fungo filamentoso que é produtor de pigmento. E se for hialo-hifomicose, é um fungo filamentoso que não tem pigmento. Micose subcutânea: Micetoma Pode ser por dois tipos de infecção, classificada em eumicótico ou actinomicótico . O eumicótico (eu, verdadeiro) causado por um fungo verdadeiro. Já a actinomicótico é causado por uma bactéria filamentosa, as Actinomyces, que são seres procariotos, mas que formam filamentos. Porém a maior incidência e a maior prevalência de casos é de micetoma eumicótico. Temos a chamada tríade do micetoma : É um fitopatógeno, que pode acometer imunocompetentes , não sendo classificado dessa forma como um fungo oportunista. Tem intensa produção de melanina e outros pigmentos, e além disso, secreta toxinas bloqueadoras (que impedem a ação de uma resposta imunológica). Essatoxina inibe a ação de macrófagos e linfócito. Vai promover um comprometimento da rede vascular e inibição do processo inflamatório, assim como o comprometimento da rede linfática e da rede venosa (O que causa o Edema). O padrão de inflamação do nosso corpo é através da tumefação granulomatosa, que vai envolver uma série de grãos provenientes do próprio fungo. Após formado o edema e a resposta granulomatosa, ele forma fístula e xatamente para a secreção purulenta ser eliminada. Pode aparecer inicialmente como apenas um inchaçozinho. É muito parecido com a patogenia da filariose. O diagnóstico é através de biópsia, mas como você vai fazer a coleta? Você vai precisa esperar a formação da fístula, porém ela não pode ter “estourado”, justamente para não extravasar o fungo. A fístula rompida tem uma chance menor de ter agente etiológico. Quando o paciente chega com esse inchaço e histórico de trauma, apesar de ser bem evidente o diagnóstico, você vai ter que se precaver e a precaução é fazendo o exame laboratorial - o exame é o isolamento do fungo (cultura). O que se tem que ter em mente é que nunca é algo que o médico consegue dar o diagnóstico de imediato. Isso porque existe uma seleção de hipóteses diagnósticas (por exemplo, fazer o diferencial para filariose e outras infecções bacterianas). O tempo médio de estabelecimento de diagnóstico conclusivo é de 6 a 8 meses. O tratamento é o mais diferente desse ramo de fungos. O Itraconazol, anfotericina B e cetoconazol não são utilizados , isso porque ele é um fungo fibrosante e a difusão dessas drogas no tecido fibroso é mais difícil. Então quais os medicamentos que tem resposta mais promissora no tratamento do micetoma? Terbinafina, voriconazol e posaconazol. A terbinafina se dá em média de 12/12h – necessário 2 vezes. O voriconazol e o posaconazol de são de 8/8h ou 6/6h, média de 4 vezes. O tratamento é igual o tratamento com antibiótico, é necessário manter o níveis da substância antifúngicas constantes na corrente sanguínea do paciente, se isso não acontecer o tratamento falha. Adendo sobre diferenças de testes laboratoriais [20:39, 5/11/2018] Weber: Histopatológico: identifica as variações no tecido e a presença de estrutura fúngica . Geralmente usa técnicas de Imunohistoquímica; [20:40, 5/11/2018] Weber: Exame direto processa rapidamente a amostra e leva ao microscópio, [20:40, 5/11/2018] Weber: Isolamento faz cultura , demora em média de 15 a 20 dias. Identifica o fungo. Introdução às micoses sistêmicas São cinco principais Histoplasmose, Blastomicose, Coccidiomicose, Paracoccidioifomicose e Criptococose ( H omem B i C ome P riquito e C u). E o que é que faz com que o mesmo agente etiológico cause uma infecção autolimitada ou grave? A imunidade. Existe a histoplasmose infecção e existe a histoplasmose doença. A blastomicose infecção e doença... e assim sucessivamente. Na infecção o paciente está infectado, tem proliferação, mas não tem sinais e sintomas. E ela é autolimitada. Pode apresentar uma pequena tosse, rouquidão, comprometimento da capacidade respiratória. Mas logo depois de 2 semanas tudo volta ao normal, ou seja, o paciente teve uma infecção e ela foi autolimitada. 2 semanas e acabou. Precisamos decorar os agentes etiológicos. São eles: a) Histoplasmose – Histoplasma capsulatum; b) Blastomicose – Blastomyces dermatitidis; c) Coccidiomicose – Coccidioides immitis; d) Paracoccidioidomicose – Paracoccidioides brasiliensis; e) Criptococose – Cryptococcus neoformans. Eles são dimórficos, o único que não é dimórfico é o Cryptococcus neoformans, que é uma levedura (leveduriforme), seja na forma parasitária ou no ambiente. Ele é o mais comum porque está presente nas fezes dos pombos. Eu posso solicitar um exame direto (micoses sistêmicas tem como foco principal o pulmão, então eu vou pedir escarro, lavado broncoalveolar e vou solicitar que façam o exame direto), pega a amostra coloca numa lâmina, cora e vai para o microscópio. O Histoplasma capsulatum é muito pequeno, não é visualizado no exame direto, porque esse fungo está no macrófago, entra e fica lá e se prolifera lá. Coccidioides immitis forma uma bolsa cheia de leveduras pequenas, então a maior parte das vezes essa bolsa não está estourada, não tá dispersa no tecido, eu não vou achar também. Para esses teremos outros métodos, principalmente histopatológico. Micoses sistêmicas: Histoplasmose Chamada também de “’micose das cavernas’’ ou ‘’micose dos morcegos”. Agora presta atenção, porque o fato de o paciente ter dito a você que visitou uma caverna, não faz com que ele tenha histoplasmose, é preciso avaliar. O fungo é filamentoso, vai ser inalado e vai habitar o sistema reticular endotelial , ou seja, macrófagos alveolares. Lá eles começam a ser fagocitados e não são destruídos, eles permanecem lá. Aí eu pergunto: O paciente que tá em fase crônica, eu consigo fazer exame direto? Não, porque eles estão dentro do macrófago e o que você vai ver são macrófagos. Não existe qualquer tipo de técnica que visualize a levedura dentro do macrófago. A histoplasmose tem a versão clássica e a africana (ele não especificou o que cada uma fazia). O ideal é que a gente faça cultura ou biópsia . Algumas vezes a cultura também vai ser dificultada, porque a levedura está dentro do macrófago, então eu preciso lisar o macrófago para poder expor essas leveduras. O exame direto eu não consigo fazer o tamanho dele é muito pequeno pra você visualizar pelo exame direto. É mais fácil você observar ele em cultura, no exame direto é mais difícil. Lembrar que a meningite é histoplasma e cryptococus, as principais. Histoplasma é mais raro. O tratamento é feito por Anfotericina B, Cetoconazol, Miconazol, Fluconazol e Itraconazol. São os principais utilizados. Então, se tiver que chutar, chute Itraconazol. Micoses sistêmicas: Blastomicose Se caracteriza por lesões deformantes aqui ela tem a proliferação. A blastomicose não tem muito aqui no Brasil, então o teste de intradermorreação é uma alternativa boa . Porém se você solicitar intradermorreação para Blastomyces, vão rir da sua cara (não temos o antígeno em estoque). Então na teoria acontece, seria o ideal, mas na prática, no SUS não tem. O ciclo dela é muito parecido com a paracoccidioidomicose, tá no ambiente, ele é filamentoso, inalação dos propágulos, e aí formação das leveduras. Estudos mostram que é mais comum em homem de 30-60 anos e negros. Ela pode ser disseminada, e ela sendo disseminada pela pele, atingindo ossos e outros órgãos, é aquela que lembra uma leishmaniose tegumentar. Ela é de fácil diagnóstico pelos exames diretos. Porque? Porque olha só como é característico a levedura dele, ela forma como se fosse uma membrana, uma dupla camada refringente. Sorologia não serve de nada. Diagnóstico feito por exame direto ou biópsia. Ou cultura, mas demora um tempão. Alguns pacientes podem ter febre e ainda pode ser confundido com tuberculose. Não tem comofazer diagnóstico só pela lesão. Micoses sistêmicas: Coccidiomicose Mais comum em Zonas desérticas e semiáridas. Assim como as outras é Predominante pulmonar, mas pode invadir pele, laringe, ossos, articulações. Raramente disseminação hematogênica (<1%). Diagnóstico é o de praxe Escarro, aspirado brônquico, LCR, raspados de lesões, secreções, biópsia e outros. Como dito anteriormente o Coccidioides immitis forma uma bolsa cheia de leveduras pequenas, então a maior parte das vezes essa bolsa não está estourada, não tá dispersa no tecido, eu não vou achar também. Para esses teremos outros métodos, principalmente histopatológico. Micoses sistêmicas: Paracoccidiomicose São ubíquos (presente em todos os lugares) e são inalados. Todo mundo é imunocompetente, então pode ter tido essa infecção limitada ou pode sequer ter iniciado o processo infeccioso. Mas, uma vez que se inicia o processo infeccioso, ele se transforma, deixa de ser filamentoso, por causa da temperatura e começa a produzir as leveduras. Pode gerar lesões tegumentares (na pele, na mucosa), certo? E essas lesões são ulcerativas, granulomas ulcerativos, tem uma grande quantidade de células de defesa nesse local e tem também o fungo. Eles fazem esporulação. A Paracoccidioides brasiliensis vai ter uma predileção por pacientes do sexo masculino . Já existem alguns estudos propondo que essa fase de transição entre o filamentoso e a levedura leva em média 18 horas e a presença de hormônios sexuais femininos podem inibir essa transição. Na verdade, não se tem estudos comprobatórios se tem a ver somente com a exposição ou se tem também influência de fatores hormonais da mulher. Além do exame direto tem-se o teste de intradermorreação. É o mesmo teste que se faz para tuberculose, o PPD ou teste de Mantoux. O princípio é: verificar se existe exposição prévia ao antígeno, ele vai gerar uma reação na derme porque é injetada a paracoccidioidina, uma substância isolada desse fungo,e por conta disso ele desenvolve uma resposta. Só que o que é ruim nesse teste de intradermorreação? Áreas endêmicas : quando um paciente vem de uma área endêmica pode ocorrer falso positivo. É algo que auxilia o diagnóstico porém não conclui diagnóstico. Ele é bem característico em exames diretos, pois as leveduras brotam e ficam presas, é a organização chamada em “roda de de leme” ou em “Mickey mouse”. Aí você pega a secreção, pus, exsudato, escarro e verifica diretamente na procura dessa morfologia. O que eu não posso fazer é intradermoreação numa população que está exposta ao fungo. E o teste sorológico eu posso usar também quando não tenho o recurso de biópsia ou do exame direto, mas também pode dar falso positivo, ele não pode ser usado para dar algum diagnóstico diferencial, pois pode dar reação cruzada com tuberculose, sarcoidose, histoplasmose, trombomicose e leishmaniose. Então se usa preferencialmente o exame direto ou a cultura, mas a cultura vai demorar 15 a 30 dias, e o exame direto é o que eu vou ter e a biópsia. Então eu tenho teste sorológico, cultura e biópsia. Lembrar que para fungo cultura é o padrão ouro, mas ela demora. Para evolução e controle da cura é o ELISA . Mas lembrar que o ELISA não serve pra diagnóstico, o ELISA serve para você verificar se o paciente está evoluindo bem ou não, o prognóstico dele, isso porque verifica-se os títulos de IgG. Os títulos de IGg vão estar altos na fase crônica. Os títulos de IGg vão estar altos, e tendem a diminuir se você tiver um tratamento eficiente. Quando a gente trabalha com infecção, podemos infecção latente e infecção crônica, que acomete depois de 20 anos. Pode ter infecção aguda? Pode, mas a infecção aguda geralmente é em crianças, então observa bem isso, porque nas provas de residência eles associam muito paracoccidioidomicose aguda em criança e imunodeprimidos. Micoses sistêmicas: Criptococose As criptococoses são mais fáceis de serem diagnosticadas. Elas estão associadas a criação de pombo. . Ele pega o escarro ou lavado bronca alveolar, bota numa lâmina e bota uma tinta escura chamada tinta nanquim e vai aparecer isso! Não existe nenhum outro micro-organismo com essa aparência de ‘’sol ”. Essa capa gelatinosa faz com que o criptococos não sejam fagocitados pelos macrófagos. Paciente HIV positivo, geralmente começa a dar sinais de criptococose, principalmente, a meningite por criptococos, O que o paciente vai ter: corrimento nasal, dispneia(respirar com dificuldade), a saturação de CO2 vai estar bem baixa, o que ratifica a dificuldade de respirar, espirros e dor de cabeça. Pode apresentar náusea, pois quando o paciente vai expectorar (soltar catarro) ele engole a secreção e essa secreção contendo o fungo vai para o estômago e tem suas ações locais lá também (náusea e vômito). Sensibilidade a luz , principalmente em pacientes com meningite, e febre (38- 40°). O tratamento é padrão, é a anfotericina B e fluorocitosina(flucitosina) ou itraconazol, fluconazol, mas levem em consideração que esses últimos não tem a resposta tão eficiente quanto a anfotericina B. ● Aspectos macro e microscópicos dos fungos Resuminho básico da aula prática As micoses são doenças produzidas por fungos, sendo geralmente contraídas por contato direto, inalação ou lesão. Os fungos podem ser Bolores (filamentosos-pluricelulares) ou leveduras (unicelular) . Muitos participam da microbiota e só desenvolvem infecção em caso de oportunismo. O exame micológico é feito em secreções, urina, fezes, liquor e podem ser por diversas técnicas. A mais utilizada é o exame direto , que pode ser feito a seco, contrastado ou clarificado por KOH . Atentar-se para o uso de antimicrobianos a fim de não negativar o exame. O exame direto procura a forma fúngica mas não identifica a espécie. Para se descobrir a espécie se faz a cultivação em meio de cultura, classificando macroscopicamente. A cultura geralmente é feito em Meio Ágar com Sabourad dextrose, cloranfenicol e cicloheximida, são nutrientes para o fungo se proliferar e por vezes são associados a antibacterianos para evitar antagonismo. Existem diferentes técnicas de semeio, temos a técnica de 7 pontos distribuídos formalmente na placa. Vale ressaltar que o pH ideal para o fungo é ácido moderado. O resultado é demorado pois é necessário saber as características macroscópicas, cor, textura, consistência, contorno. comportamento de crescimento, características específicas bioquímica s. O processo pode demorar de 20 a 30 dias. Para fechar o laudo é necessário ser analisado o microscópico + macroscópico + utilização de alguns métodos bioquímicos. PARASITOLOGIA Fonte: Áudios da Aula, Slide dos Professores e Livro Neves. ● Cestodas (Complexo Teníase e Cisticercose) Introdução São parasitoses causadas por helmintos, organismos pluricelulares. São classificados também como platelmintos pois são vermes achatados, em formato de fita. Além disso pertencema classe dos cestodas pois possuem uma estrutura de adesão (ventosas ), Considerados os maiores parasitas do intestino humano, temos a Taenia saginata (da vaca) e a Taenia solium (do porco) como os agentes etiológicos. A teníase é uma infecção intestinal humana, enquanto a cisticercose, primariamente, é uma parasitose sistêmica animal. No caso da teníase, teremos a ingestão do cisticerco (forma infectante) principalmente em carnes mal passadas. Esse cisticerco se desenvolve e vira a tênia adulta. Veremos que esses vermes possuem o corpo segmentado, chamado de anéis ou proglótides , onde quando desenvolvida temos o destacamento da proglótide terminal do corpo da tênia (processo chamado de Apólise ), nesta estarão contidas os ovos, e através dos processos peristálticos estarão nas fezes (tanto ovos como proglótides). Esses ovos vão para o ambiente para contaminar os animais. Temos a chamada espécie-especificidade, cada parasita vai ter seu hospedeiro ideal. Se o ovo liberado pelo humano é de Taenia Saginata apenas a vaca desenvolve, assim como a Taenia solium só se desenvolve no porco. Caso não achem o hospedeiro temos uma infecção abortada. Todos os sinais e sintomas da teníase são intestinais, por isso são considerados inespecíficos. Ciclo no animal (fase larval ou reprodução assexuada) O ovo ele é formado uma dupla membrana quetinosa que confere resistência (proteção) por anos até ser deglutido pelo bixo. Dentro do ovo vai existir um saquinho chamado oncosfera, ao chegar na região do intestino delgado, esse ovo eclode e libera a oncosfera. A oncosfera possui movimento próprio, ela vai possuir na região anterior ganchos, vai se fixar na mucosa. Libera enzimas proteolíticas e invade mucosa, submucosa, músculo até chegar nos vasos, sanguíneos ou linfáticos. Ocorre uma “viagem” no corpo do animal classificando uma patologia sistêmica, sinais de acordo com o local que ele vai parar. Quando ele chega no tecido ele vai sintetizar enzimas produzindo resposta imune, então e le vai se proteger (invaginando a região anterio r). Depois ele vai sintetizar ao seu redor proteínas semelhante ao colágeno (capa cístic a), chamado agora de cisticerco. Bovinos e suínos são hospedeiros intermediários. Ciclo no Homem Teníase (fase sexuada) Quando ele acha um ambiente propício (no caso quando ingerido pelo homem) ele se desfaz da parede cística, o cisticerco é liberado, ele tem movimento próprio, vai crescendo, adere ao epitélio intestinal, aumenta o número de proglótides e três meses depois ele é um verme adulto. O homem assume o papel de hospedeiro definitivo e obrigatório (não existe nenhum outro animal no mundo que albergue). Cisticercose humana O homem vai ter o mesmo ciclo de bovino e suínos, só que ele precisa ingerir ovos da Taenia solium . No homem geralmente ele se instala preferencialmente no sistema nervoso, ocular, língua, músculo cardíaco, músculos longos e etc. O homem é classificado como hospedeiro acidental , isso quer dizer que não tem como dar continuidade ao ciclo, perpetuar a espécie na natureza. Morfologia: Estrutura semelhantes às espécies O verme é dividido igualmente: Cabeça ( escólex ), colo ou pescoço onde vai ocorrer alta taxa de mitose para a produção de anéis e o estróbilo ( corpo ) é o conjunto de proglótides. Taenia é hermafrodita. Cada anel tem sua unidade sexual distinta. O que diferencia uma proglótide jovem para uma madura? A presença do aparelho reprodutor feminino. Na proglótide jovem só tem o masculino ( processo de protandria ), já as maduras possuem os dois. Quando é fecundado, os aparelhos são degenerados pra dar. Os ovos são semelhantes. O ovo é formado pela dupla camada espessa chamada de embrióforo, com seis pares de acúleos. Morfologia: Estrutura diferentes às espécies a) Taenia Saginata: Destaca 5 a 8 proglótides por dia. É maior que a taenia solium (pode chegar a 20 metros), gera mais ovos pois possue mais ramos uterinos. Proglótide tem uma parede mais espessa do que a taenia solium. Forma ativa (devido ao engrossamento da parede proglótide e movimentação própria para fora do intestino) e forma passiva . Tem mais testículos, mais ovários com mais bifurcações, mais ovos. b) Taenia Solium: Destaca de 3 até 5 proglótides. Apenas forma passiva No escólex, ambas terão 4 ventosas. O escólex da saginata é plano (tem mais facilidade de se fixar) enquanto o da solium é menor e é globoso . Aí a natureza deu a solium acúleos (ganchos) para fixar. O espaço entre acúleos e o epitélio é chamado de rostro. A saginata portanto não tem rostro. Tegumento e nutrição O habitat natural das taenias é o intestino delgado, o aparelho digestivo é bem primitivo e por isso ele fica nessa região. A alimentação é por absorção, por todo corpo do bixo. Além de ter todo esse tamanho, todo corpo do verme é formado por cílios, aumentando a absorção. Transmissão da cisticercose humana a) Autoinfecção externa: O portador de taenia solium vai no banheiro e põe na boca kkkk dlç b) Autoinfecção interna: Movimento retrógrado peristáltico (vômito), ovos voltam do esôfago. c) Heteroinfecção ou primoinfecção: Alimentos ou água contaminados. d) Sexo anal/oral: beijo grego rss. Patogenia Teníase Maioria são assintomáticos, atingindo principalmente crianças e imunodeprimidos. Alterações de motricidade e secreções digestivas (70% dos casos). Temos a chamada dor da fome (dor abdominal e epigástrica). Além, de náusea, astenia (pressiona o nervos), prurido anal, constipação (novelo). Vale ressaltar que só temos a infecção de uma taenia saginata por vez, pois além da imunidade adquirida, temos a taena liberando enzimas que impedem. Patogenia cisticercose humana Sinais e sintoma de acordo com o órgão atingido (patologia sistêmica). Nosso sistema começa por Th1 com alta infiltração de macrófagos, cronifica, polariza Th2 e combate. Ocorre a cicatrização com depósito de cálcio , gerando um nódulo e dessas formas podemos detectar pelo RX . Enquanto tá vivo é melhor (aqui usa-se TC e ressonância pra ver) pra ser tratado pois apenas um antiparasitário resolve, o problema é quando cicatriza em um órgão essencial, pesar se vale a pena fazer cirurgia. Existe outro cisticerco chamado de cysticercus racemosus, não se sabe nada sobre ele, onde temos grande invasão, e preferência para a base do tecido nervoso. Diagnóstico O padrão ouro para teníase é o parasitológico de feze s em 3 amostras, detecção de ovos de taenia sp (porque são iguais). O diagnóstico diferencial é por tamisação onde temos a pesquisa de proglótides e é analisado a espessura do tegumento. O diagnóstico da cisticercose é clínica, na procura dos sinais dos órgãos através de exames complementares. Tratamento Primeiro se mata a tênia para evitar autoinfecção, antes do cisticerco (caso você tenha os dois), pois o medicamento dá ânsia. No caso de cisticercose é necessária internação, pois o fármaco rompe a membrana docisticerco, com isso libera uma grande quantidade de antígenos e a pessoa pode ter uma super expressão do sistema inflamatório (CIV e choque hipovolêmico). Nestes casos se faz necessária altas doses de corticoide assim como aplicação de anticonvulsivantes, por isso é necessário acompanhamento especializado durante e após o tratamento. Medicamentos utilizados teníase e cisticercose: Praziquanol e Albendazol (se evita em caso de suspeita de cisticercose. Medicamentos utilizados apenas para teníase: niclosamida mebendazol. ● Esquistossomose Introdução A esquistossomose, também chamada de barriga d’água, é uma parasitose causada pelo helminto chamado Schistosoma mansoni . É um platelminto (achatado) de ciclo heteroxênico, ou seja, haverá um hospedeiro intermediário (caramujo do gênero Biomphalaria ). Uma das coisas que caracteriza esse verme é a presença de uma falsa fenda, que na verdade é um canal ginecóforo (a fêmea se aloja e eles ficam fazendo amor). É uma parasitose de epidemiologia mundial, sendo mais presente no nordeste brasileiro e na áfrica, o que a classifica como uma doença negligenciada. É geralmente relacionada a ambientes de lagos e lagoas já que o caramujo gosta desses ambientes úmidos, porém, com a falta de saneamento básico os córregos se tornaram grandes focos urbanos. Conhecendo o Hospedeiro intermediário Como dito previamente, os hospedeiros intermediários serão caramujos do gênero Biomphalaria, hoje sabemos que cerca de 10 espécies têm potencial de exercer essa função, porém 3 são mais usuais, sendo a B. glabrata, a B. tenagophila e a B. straminea . Dessas, merece um destaque a glabrata, onde ocorrem cerca de 85% dos casos registrados. Mas como podemos diferenciar esses caramujos dos que usualmente encontramos nos nossos jardins (até parece que eu tenho jardim). Bom, o s giros desses caramujos são em volta do mesmo plano. Vale ressaltar também que esses hospedeiros intermediários conseguem sobreviver a alguns períodos de secas, através de um processo chamado Anidrobiose , onde o caramujo faz uma redução do seu metabolismo de forma drástica. Habitat e formas evolutivas O habitat do verme adulto é o sistema porta-hepático humano . A espécie apresenta dimorfismo sexual, ou seja, teremos um representante macho e outro fêmea, sendo esta muito maior que o macho. O ovo é o grande vilão da história. Esse ovo vai possuir um espículo lateral que vai possibilitar fixação e movimento próprio. Uma ideia que já temos que ter na cabeça é que nem todos os ovos saem pelas fezes. Outra forma evolutiva é o chamado miracídio , essa é a forma infectante para o hospedeiro intermediário. É a primeira forma larval nadante, desenvolvida a partir do ovo com uma série de novas estruturas, uma na região anterior chamada Terebratorium, vai possuir cílios e etc. Já trás o sexo pré-definido nessa forma evolutiva. Quando esses miracídios penetram no caramujo, migram para as glândulas digestivas do animal se maturando. Mudam de estrutura para o esporocisto primário . Esse esporocisto primário se organizada em camadas, quando assumem essa conformação de camadas germinativas podem ser considerados esporocistos secundários . Estes gerarão cercárias do mesmo sexo. Vale ressaltar que ele pode infectar outro gênero de espécies, mas serão infecções abortadas. Todo esse ciclo desde a infecção até a formação da cercária dura 30 dias. A cercária é a forma infectante para o humano, também chamada de 2ª larva de vida livre aquática, pode infectar aves e alguns mamíferos. Quando a cercária penetra a pele humana (ela não vai precisar de nenhum tipo de fissura) ela perde a cauda bifurcada e penetra apenas a cabecinha, rs. Isso porque ela vai possuir mecanismos químicos. A próxima fase evolutiva é basicamente a cabeça da cercária chamada de Esquistossômulo , há uma diferenciação nesse meio tempo promovido tanto por contato com estímulos endógenos do hospedeiro quanto da perda da cauda. Ele ganha a corrente sanguínea e vira o verme adulto. O macho e a fêmea, com exceção do aparelho reprodutivos, são muito parecidos. Eles vão possuir sim um tegumento diferente e claro, o macho vai possuir o canal ginecóforo onde a fêmea se deposita. Para a passagem desses vermes há um “afrouxamento dos vasos”, a saída e passagem é realizada quase de modo natural. Ciclo Biológico Devido a não sabermos o local da infecção, pode ocorrer a passagem pelo pulmão o que causa sintomas rápidos. Assim que os vermes adultos se encontram e começam a copular, os vermes migram para as veias sigmóides e depositam seus ovos. Os osvos ficam naquele local maturando 7 dias, é justamente o tempo deles saírem dos vasos para a luz intestinal. 30% consegue sair, mas 70% volta arrastado pelo fluxo sanguíneo. Além disso, nem todo verme vai “se dar o trabalho “ de ir até as vias sigmóides. Quando eles caem na corrente sanguínea, geralmente acabam parando no fígado, onde encontram os capilares e ficam presos. Nosso corpo reage formando uma série de granulomas no fígado. Patogenia A patogenia vai depender (como sempre) do perfil imunológico do hospedeiro, da carga parasitária, do estado nutricional, infecções paralelas, idade e etc. Podemos dividir em duas fases, a pré-postural e a postura l, tendo as seguintes características: a) Fase pré-postural: Da infecção até a primeira oviposição. Não é uma fase de diagnóstico. O máximo que o paciente pode ter é a sensação de prurido, as vezes uma dermatite cercariana mas não é sempre. Os esquistossômulos podem passar pelo baço onde os macrófagos residentes podem capturar e gerar uma linfademia generalizada (quando ocorrer hiperplasia e hipertrofia dos linfonodos). b) Fase postural: É a fase crônica da doença, quando os ovos nadam contra a maré e se depositam nos tecidos. Como dito anteriormente, f ormam granulomas hepáticos e a fibrose periportal . Vão apresentar aquelas células gigantócitos, onde os macrófagos se unem em uma única célula com até 20 núcleos. Vai haver congestão sanguínea. Contendo uma fase pré-granulomatosa (formação), uma granulomatosa (acúmulo de hialina) e a fase involutiva. Bom os sinais e sintomas vão depender de onde os ovos e o granuloma se instalarem. As duas formas mais comuns são: a) Entero-hepática : Fibrose da alça retossigmoidal, pseudotumores intestinais b) Hepatoesplênica : Esplenomegalia, Hepatomegalia, Ascite Mais raramente, os granulomas podem se instalar na medula do SNC, nos vasos pulmonares...O fígado vai ficar em aspecto de casco de tartaruga , geralmente há a formação de circulação colateral para compensar. A ascite é proveniente da transudação para a cavidade peritoneal devido à hipertensão portal. Assim como podemos ter varizes esofágicas, problemas no coração direito. Pode ocorrer a formação de imunocomplexos o que prejudica a função renal e pode agravar pra nefropatia. Mecanismos de escape do parasita O parasita lança mão de uma diversidadede mecanismos para escapar da nossa defesa. Dentre elas: a) Anexação de antígenos do hospedeiro vertebrado à própria membrana plasmática; b) Renovação do tegumento; c) Indução da Th2, levando à produção de IL-10, inativadora de macrófagos. (ainda vou confirmar isso); d) Inversão dos anticorpos. Diagnóstico e Tratamento O exame clínico não consegue fechar um diagnóstico, sendo necessário um parasitológico de fezes. Esse exame direto das fezes é feito pelo método Hoffman (sedimentação espontânea +confirmação), mas o mais comum é Kato-katz que vai ser qualitativo e quantitativo. O tratamento é Praziquantel, que vai ter uma ação tegumentar, inibindo a bomba Na+/ K+dos vermes , aumentando a permeabilidade da membrana do helminto ao cálcio. ● Tricuríase Introdução A tricuríase é uma parasitose negligenciada causada por um Geo-helminto (ciclo evolutivo, em parte, presente no solo) de formato cilíndrico. O agente etiológico é chamado de Trichuris Trichiura , um verme que vai possuir dimorfismo sexual. Morfologia do verme Existem algumas características em comum do macho e da fêmea, dentre elas a forma parecida com um chicote e a presença de um esôfago bastante longo, com células chamadas esticócitos que irão produzir enzimas proteolíticas responsável por digerir muco e células do hospedeiro (ação espoliativa). Vão ter um alargamento abrupto da porção posterior A fêmea é maior (pois tem o ovário cheio de óvulos não embrionados) e vai possuir a extremidade posterior reta. O macho é curvado ventralmente e vai possuir uma estrutura pequena chamada espéculo (para cópula) Os ovos são bastante característicos, terão formato elíptico com dois poros transparentes em cada extremidade chamado de opérculos, essas estruturas que vão se romper para liberar a larva. Além disso vai possui três camadas distintas (lipídica, quitinosa e vitelínica). Ciclo biológico O ciclo é monoxênico tendo o homem como hospedeiro definitivo. A embriogênese se dá necessariamente no ambiente, onde o ovo fica viável por até 1 ano nas condições adequadas. O Habitat do verme adulto é no intestino grosso , o verme fica fixado através da sua porção anterior que penetra no epitélio intestinal e a porção posterior fica solta no lúmen. A transmissão é fecal-oral. Patogenia,Tratamento e Diagnóstico Assim como a grande parte das parasitoses vai depender da carga parasitária e dos fatores relacionados ao hospedeiro. A maioria dos pacientes com infecções leves é assintomática ou apresenta sintomatologia intestinal discreta ou pouco específica. Hoje é uma política do SUS fazer um tratamento preventivo com albendazol e mebendazol para evitar esses vermes. Porém, quando temos uma carga parasitária muito grande podemos ter o chamado prolapso retal , devido ao tenesmo (espasmo do esfíncter anal com uma vontade urgente de defecar) causado pela presença dos parasitas na mucosa. Além disso, podem causar uma leve anemia pela quantidade de destruição. O diagnóstico é pelo parasitológico de fezes, usando principalmente o método de Hoffman (sedimentação espontânea). ● Enterobíase Introdução, morfologia e aspectos gerais É a parasitose popularmente conhecida como oxiúros . O agente etiológico é Enterobius vermiculares. Existe um nítido dimorfismo sexual. Ambos os sexos tem cor branca e corpo de caráter filiforme, além de um par de asas cefálicas anterior e um esôfago claviforme bem desenvolvido. A fêmea é maior que o macho e assim como a tricuríase vai ter a cauda reta enquanto a do macho é curvada. O macho vai ter o minipênis chamado de espículo também. Um aspecto bem importante é que a fêmea faz pouca oviposição e geralmente ela quebra no meio no ato. Os ovos são de bem característicos, são transparentes e num formato grosseiro de D. No seu interior já haverá a larva formada. Ciclo biológico É monoxênico tendo homem como hospedeiro definitivo. O ciclo é considerado como “Noturno” pois é nesse horário que ocorre a oviposição. O habitat natural do verme adulto é o apêndice cecal , porém existe a migração da fêmea para a região perianal para oviposição, o macho morre na cópula e ela geralmente morre ao dar a luz. Se não houver a reinfecção é autolimitada. Transmissão A transmissão é dada por 5 formas, sendo: a) Heteroinfecção: Atingindo um novo hospedeiro, contato do TGI com os ovos. Alimentos ou água contaminados. b) Indireta: Fômites e ambiente, proporcionando o indivíduo a se infectar novamente. c) Autoinfecção externa: Levar a mão ao ânus, coçar e levar a boca. d) Autoinfecção interna: Processo raro no qual as larvas eclodem ainda dentro do reto e depois migram até o ceco, transformando-se em vermes adultos. e) Retroinfecção: Quando os ovos são maturados na região perianal, as larvas eclodem e migram novamente para o intestino grosso. Patogenia Usualmente baixa, ausência de sintomatologia ou manifestações clínicas leves na maior parte das pessoas infectadas. Vai depender muito da carga parasitária. Pode ocorrer casos de parasitismo ectópico, por exemplo em vaginites. Quando temos uma alta CP pode-se ter prurido anal. Alterações neurocomportamentais: insônia, bruxismo, irritabilidade, vertigem, aumento da frequência de crises convulsivas. Muito raramente pode ocorrer localização ectópica – fígado, baço e pulmões (infiltrado inflamatório rico em linfócitos e formação de granulomas). Possibilidade de estar positivamente associado à ocorrência de apendicite. Diagnóstico Clinicamente temos o prurido anal como um sinal muito característico. Liga-se aos outros fatores clínicos e solicita-se um método de Graham ou fita gomada , depois exame direto para checar os ovos. O tratamento é clássico com o albendazol, porém os fármacos não apresentam efeitos sobre os ovos do parasito.