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CEEBJA - CENTRO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO BÁSICA PARA JOVENS E ADULTOS DE MATELÂNDIA/PR PLANO DE AÇÃO EQUIPE MULTIDISCIPLINAR MATELÂNDIA -PR 2015� Sumário 1. IDENTIFICAÇÃO DA EQUIPE MULTIDISCIPLINAR ....................................3 1.1 INSTITUIÇÃO....................................................................................................3 1.2 MUNICÍPIO........................................................................................................3 1.3 NÚCLEO REGIONAL DE EDUCAÇÃO............................................................3 1.4 INTEGRANTES..................................................................................................3 2. OBJETIVOS........................................................................................................4 2.1 OBJETIVO GERAL.............................................................................................4 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS................................................................................4 3. JUSTIFICATIVA................................................................................................5 4. AÇÕES................................................................................................................6 4.1 DIAGNÓSTICO ETNICORRACIAL DA ESCOLA............................................6 4.2 NECESSIDADES FORMATIVAS......................................................................6 4.3 ANÁLISE DOS INSTRUMENTOS INTERNOS DA ESCOLA (PPP, PPC, ETC) E INSERÇÃO DA ERER...........................................................................................7 4.4 ANÁLISE DO PLANO DE TRABALHO DOCENTE (PTD) E INSERÇÃO DA ERER .........................................................................................................................7 4.5 ANÁLISE E ORIENTAÇÕES AS POSSÍVEIS SITUAÇÕES DE DISCRIMINAÇÃO ÉTICO-RACIAL......................................................................15 4.6 ANÁLISE DOS MATERIAIS DIDÁTICOS UTILIZADOS PELA ESCOLA .............................................................................................................................15 5. CRONOGRAMA ..............................................................................................16 6 AVALIAÇÕES DAS AÇÕES REALIZADAS PELA EQUIPE.............................17 REFERÊNCIAS.......................................................................................................18 � 3 1. IDENTIFICAÇÃO DA EQUIPE MULTIDISCIPLINAR 1.1 INSTITUIÇÃO CEEBJA – Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos de Matelândia – PR. 1.2 MUNICÍPIO Matelândia - PR 1.3 NÚCLEO REGIONAL DE EDUCAÇÃO Foz do Iguaçu 1.4 INTEGRANTES PROFESSOR PEDAGOGO: AGENTE EDUCACIONAL I: AGENTE EDUCACIONAL II: REPRESENTANTE DAS INSTÂNCIAS COLEGIADAS: PROFESSORES Arte e Educação Física: Química: Ciências e Biologia: História e Geografia: Língua Portuguesa e Língua Inglesa: Matemática e Física: COORDENAÇÃO: Luci Meri Fontana � 4 2. OBJETIVOS A composição da equipe multidisciplinar tem como principais objetivos: 2.1 OBJETIVO GERAL Atender ao disposto na Instrução nº 010/2010 – SUED/SEED, que prevê as competências das Equipes Multidisciplinares das Escolas Estaduais e sua organização de trabalho; Possibilitar Capacitação sobre a temática da História e Cultura Africana, Afrobrasileira e Indígena para a Equipe Multidisciplinar, possibilitando discussões sobre os temas que estão contemplados no Plano de Ação; Mobilizar e sensibilizar os profissionais da educação para o olhar sobre as contribuições próprias da História e Cultura Africana, Afrobrasileira e Indígena que contribuíram para o desenvolvimento de uma sociedade diversificada; Compreender que as condições de preconceito, racismo, discriminação em relação à população negra e indígena provocaram desvantagem, fragilidade e vulnerabilidade aos sujeitos históricos segregados ao longo da organização do projeto de nação brasileira; Compreender e educar os alunos no sentido de valorizar a igualdade, respeitando a diversidade, seja ela étnica ou de gênero; Sensibilizar a comunidade escolar para a importância da temática étnico-racial oportunizando discussões sobre o reconhecimento e valorização das diversidades culturais. 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS a) Propiciar reflexões que favoreçam a formação integral do indivíduo reflexivo, ativo e responsável tendo em vista a construção de um mundo mais humanizado. b) Identificar e analisar de forma crítica os elementos geradores das diferenças, objetivando o combate ao preconceito, ao racismo e a exclusão que tanto os negros e indígenas sofreram ao longo da história do Brasil. c) Promover a análise de textos literários afro-brasileiros para a reflexão sobre conceitos e estereótipos acerca do negro. d) Garantir um ambiente escolar compatível com uma sociedade democrática e multicultural. e) Possibilitar a construção de “nós” entre a cultura africana e indígena, de uma história e de uma identidade, possibilitando a releitura e a valorização das mesmas. � 5 3. JUSTIFICATIVA O presente plano de ação atende os dispositivos da Lei 10.639/2003 e da Lei 11.645/2008, que determinou a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena” no currículo oficial da rede de ensino fundamental e médio nas escolas públicas e privadas do Paraná. Visto que a instituição escolar é um espaço de formação de cidadãos e cidadãs, tal medida é de suma importância para valorizar e respeitar a diversidade ética e cultural da história dos povos africanos, indígenas e da cultura afro-brasileira. Este Plano de Ação propõe construir uma reflexão sobre a identidade cultural entre culturas diferentes, dentro de uma perspectiva de entrelaçamento nas diversas linhas do conhecimento. Trata-se principalmente de desenvolver na prática pedagógica, ações que estabeleçam o respeito entre os seres humanos, pois as relações humanas transformam as sociedades e essas mudanças também passam pelo conhecimento da diversidade do nosso país, enriquecendo o currículo das diversas disciplinas, abordando conteúdos que visam conhecer, valorizar e divulgar aspectos relevantes da história dos povos africanos e indígenas no Brasil, visando a construção da sociedade brasileira. Incentivar a reflexão constante quanto à discriminação racial, a valorização da diversidade étnica, gerar debates, estimular valores e comportamentos de respeito mútuo, solidariedade e tolerância. Com isto, podemos transformar o aluno, através do conhecimento dos significados das diversas culturas destacando seu valor, sabendo julgar a qualidade artística e estética das produções, estudando-as e expandindo seus estudos na vertente da interculturalidade, incluindo os conteúdos da arte produzida em diferentes tempos e lugares, consciente de seus direitos de aluno ao conhecimento e a participação social investigativa e transformadora. � 6 4. AÇÕES 4.1 DIAGNÓSTICO ETNICORRACIAL DA ESCOLA A escola deve estar atenta para seu papel sociocultural abordando a vivência entre alunos e professores com permanente debate acerca de temas de interesse comum a todos e que os mesmos entendam a sociedade em que estão inseridos como um processo contínuo de reconstrução humana ao longo das gerações, respeitando e valorizando a historicidade das individualidades, para que cada um construa a si próprio como agente social, alcançando o bem da coletividade. Buscando uma educação antirracista, com a formação continuadados professores tendo este conhecimento claro das Leis nº 10.639/03 e 11.645/08 de maneira a inserir nos conteúdos das disciplinas temas pertinentes a etnia afro-brasileira e indígena que supere as práticas preconceituosas acompanhadas de racismo e de discriminação no espaço escolar e da sociedade em geral. 4.2 NECESSIDADES FORMATIVAS Conteúdos e conhecimentos que devem ser elencados e que pautarão os estudos da Equipe Multidisciplinar. A equipe multidisciplinar nas atribuições a si concedida estará promovendo a mediação das atividades pedagógicas no que diz respeito aos conteúdos e metodologias sobre a Educação das Relações Étnico-Racial ERER e o Ensino de História e Cultura Afro Brasileira, Africana e Indígena junto da equipe pedagógica da escola bem como dos professores na incorporação da temática de forma efetiva no Projeto Político-Pedagógico e na elaboração do Plano de Trabalho Docente. Nos encontros e seminários promovidos pela Equipe multidisciplinar será abordados os seguintes temas: a) Leis nº 10.639/03 e 11.645/08; b) Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro—Brasileira e Africana; c) Plano Nacional para Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana; d) Diversidade Cultural e a Educação Básica; e) Comunidades Quilombolas e remanescentes no Paraná; f) Poesias, Poetas e Poetizas afro brasileira; g) O negro e literatura brasileira; h) História Indígena, Legislação e demografia; i) As terras indígenas no Brasil; j) Patrimônio Cultura Indígena; k) Os grupos indígenas do Paraná. � 7 4.3 ANÁLISE DOS INSTRUMENTOS INTERNOS DA ESCOLA (PPP, PPC, ETC) E INSERÇÃO DA ERER Serão incorporados aos instrumentos internos da escola, os conteúdos multiculturalistas verdadeiramente crítico, político que de prioridade a diversidade como questão essencial de uma educação que vivencie e debata problemas como preconceito e discriminação. Assumindo como responsabilidade e compromisso novas práticas que apontem para a necessidade de mudanças profundas na forma de ver o papel da escola atual, redescobrindo assim, novos horizontes referentes a diversidade cultural. 4.4 ANÁLISE DO PLANO DE TRABALHO DOCENTE (PTD) E INSERÇÃO DA ERER. Ao elaborar seu PTD cabe aos professores reverem o saber escolar e sua formação como educador. Partindo deste pressuposto será necessário incorporar as diferenças étnico-culturais na realidade a qual seu educando encontra-se inserido. Os professores após formação em seminário realizado pela Equipe Multidisciplinar, reuniram-se e elaboraram uma listagem de conteúdos e possíveis metodologias a serem desenvolvidas em suas disciplinas. Arte Cultura Afro-brasileira A áfrica caracteriza-se pela diversidade cultural. Sua história é rica e está intimamente ligada a história do Brasil. Os negros são parte integrante do povo brasileiro, não dá para falar de formação do povo brasileiro sem os negros, pois, a nossa cultura está alicerçada nas tradições africanas. A disciplina de arte busca resgatar alguns aspectos da cultura africana, através de textos informativos, slides, apreciação de imagens, vídeos, reprodução e releitura de obras relacionadas a cultura africana como por exemplo as obras de Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral... Produções Plásticas: a) Reprodução de imagens; b) Confecção de máscaras; c) Elaboração de cartazes; d) Criação de composições figurativas, aplicando a elas texturas; e) Apreciação de vídeo e músicas... f) Tecelagem; Cultura Indígena A arte está presente em cada momento da vida dos povos indígenas do mundo todo. Em cada objeto, em cada ritual, em cada gesto, a arte surge, expressão de força e conexão com o mundo místico e espiritual. a) Apreciação de slides; b) Aplicação de grafismo indígena em composições figurativas; c) Arte plumária: cocar; d) Pintura corporal: pigmentos naturais; e) Composição tridimensional: Oca; f) Música e dança: Iaiá g) Dobradura. h) Tecelagem. Ciências/Biologia Ambas as disciplinas contemplam as relações étnico-raciais e o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana e indígena as possíveis temáticas. a) Estudo sobre as teorias antropológicas; b) Desmistificação as teorias racistas, destituindo de significado a pseudo-superioridade racial; c) Contribuição dos povos da África e seus descendentes para os avanços da Ciência e da Tecnologia e do indígena no uso das ervas medicinais; d) Análise de doenças mais comuns entre os afrodescendentes e os indígenas e o índice de desenvolvimento humano entre esses grupos étnicos. Educação Física Na disciplina de Educação Física pode ser trabalhada os seguintes temas sobre a Cultura Afro-Brasileira, Africana e Indígena: a) Descrever o que é e quais são as danças afro-brasileira e indígenas; b) Investigar a dança afro-brasileira, usada pra promover a identidade racial; c) A dança afro-brasileira e suas vertentes: ritmos, instrumentos, movimentos e símbolos próprios. A força dos seus movimentos; d) Apresentar a dança afro-brasileira como capaz de resgatar a identidade cultural e promover a interdisciplinaridade; e) Origem e aspectos históricos da capoeira bem como a contextualização da cultura afro-brasileira e o conteúdo do tráfico negreiro; f) Apresentação de manifestações afro-brasileira e indígenas dançantes; g) O jogo é jogado e a cidadania é negada; os segredos do corpo; Capoeira: jogo, luta ou dança? h) Corpo: Som e movimento – redescobrir brinquedos cantados na africanidade brasileira; i) A desconstrução do preconceito racial presente nos esportes provocar a desconstrução do mesmo a partir das vozes, dos gestos, olhares e performances dos alunos; � 9 j) Atividades relacionadas a cultura afro-brasileira e indígenas importantes que contribuem para o rompimento de barreiras sociais, a autonomia dos indivíduos através do conhecimento sobre suas raízes, sua história e suas linguagens. k) As formas culturais relacionadas aos conflitos, a resistência, a rejeição, a superação e a exclusão, próprios do seu passado histórico e de suas vivências culturais; l) A cultura afro-brasileira através de aulas de Capoeira, Dança afro-brasileira, filmes, textos, canções populares e reportagens; m) Atividades que promovam a preservação dos valores culturais e sociais decorrentes da influência negra na formação da sociedade brasileira, potencialização no processo de desenvolvimento social, político e econômico da sociedade tornando-os capazes de identificar, compreender e assumir suas origens, e a partir delas afirmar sua identidade. � FILOSOFIA Enquanto o povo brasileiro não tiver acesso ao conhecimento de sua própria história, a escravidão intelectual e a cultural se manterão no país. A história e a cultura dos povos indígenas, europeus e africanos precisam ser mostradas com enfoque onde o respeito, A valorização humana, o reconhecimento das contribuições fornecidas a este país, seus trabalhos e suas lutas sejam realçados, valorizadas, trabalhadas e principalmente, compreendidas. A participação do negro na construção da história e da cultura riquíssima desta nação está registrada em livros. A mão de obra escrava, indígena, mestiça e imigrante na produção de riquezas, nas construções das vilas, na luta, e conquista em diferentes fases históricas deste país, é ignorada ou desprezada. A diversidade religiosa contempla todas as religiões, cultos e seitas. É comum encontrar em famílias numerosas, diversas filosofias religiosas de diferentes credos. Todos convivem em harmonia, respeito ou tolerância.Nos quilombos muitos índios se juntaram aos africanos para se protegerem da dominação do “homem branco”. Novamente mais um elemento se une a esta cultura em formação, pois a religiosidade africana é manifestada no culto a natureza, o que não difere muito das religiosidade indígena. Além disso, o índio conhece o território, bem como sua flora e fauna, sendo grande conhecedor da medicina natural. Tudo favoreceu mais um sincretismo, porque o africano precisa cultuar a natureza local com elementos locais que forma integrados através do índio. Surge o culto a natureza brasileira com rituais africanos. Toda essa história envolve a filosofia do trabalho no decorrer do ano onde os temas: as crenças, as imaginações, a religião e o pensamento, o conhecimento empírico e as ciências, a ética, a razão, a ignorância e a verdade e a liberdade, reconstruindo padrões de beleza na estética, a cultura e as artes deste povo. Estes temas serão trabalhados em forma de pesquisa, teatro, danças e canções, seminários e filmes. Geografia A geografia como ciência cujo objetivo é o espaço geográfico e suas inter-relações, cabe ao professor desta disciplina tratar também dos seguintes contextos: a) A África, os africanos e a população brasileira hoje; b) Estudos de legenda, orientação, escala; no globo e nos mapas, sobretudo no qual se refere ao continente africano; c) Estudos da distribuição do ser humano na terra, no Brasil e no mundo; d) Como foi a chegada dos portugueses ao Brasil; e) Como os negros foram trazidos para cá (os portos de chegada); � 11 f) Qual o caminho marítimo percorrido pelos negros na trajetória que fizeram da África ao Brasil; g) Como estão organizados hoje os Quilombos no Brasil, mapeando das principais aglomerações indígenas e negras no Brasil. Os quilombos, as tribos e comunidades negras, os remanescentes quilombolas, suas reservas, as reservas indígenas e afro-indígenas. “Os estudos dos espaços físicos e dos espaços humanos que se constroem a partir dele, requer que se tenha como referencia o Espaço do Cidadão e a Natureza do Espaço, pois a Geografia sob o ponto de vista dos empobrecidos e marginalizados e, no caso do Brasil, a maioria dos descendentes de africanos se encontram entre eles”. História Na disciplina de História destacaremos a valorização da cultura afro-brasileira e indígena, suas contribuições ao povo brasileiro. a) Ressaltando as visões equivocadas atribuídas a personagens da história africana e indígena; b) Relacionar a importância dos personagens ontem e hoje no contexto histórico. Divulgando as ideias dos personagens que viveram em determinada época (pensamentos filosóficos). c) Pesquisa historiográfica de acontecimentos que marcaram a cultura dos povos africanos (Revolta da Chibata, história dos povos africanos, abolição da escravatura – 1888) d) Utilizar recursos audiovisuais, como recorte de filmes, música e imagem, para melhorar o processo de ensino aprendizagem. e) Produção de textos e poesias com referência aos temas trabalhados. Língua Portuguesa / Língua Estrangeira a) Estudo e pesquisa sobre os países que falam a língua portuguesa; b) Comparação e diferenças do português falado e escrito; c) Tipos de alimentação de origem africana; d) Vocábulos de origem africana; e) Ritmos musicais; f) Influência religiosas; g) Estudos das Leis 10.639/03 e 11.645/08; h) Poesias que enfoquem o racismo; i) Contos de origem africana;/ j) Debates: o racismo no Brasil; a presença dos negros na mídia; cotas raciais; mercado de trabalho. k) Termo pejorativo atribuído ao negro; l) Estudo de obras literárias de escritores negros: Cruz e Souza; Lima Barreto; Machado de Assis; Castro Alves. m) Ler e interpretar músicas relacionadas a questão racial; � 12 n) Produção de poesias e de texto dissertativo/argumentativo relacionado ao povo afrodescendente e sua cultura; o) Análise de pinturas de obras que retratam a figura do negro. p) Sugestões de filmes: O jardineiro fiel; Para salvar uma vida; Um sonho possível; Escritores da Liberdade; O poder de um jovem; No balanço do amor; Meu mestre, minha vida; Vista a minha pele. Matemática Na disciplina de Matemática a sugestão de trabalho são jogos praticados pelos índios ou africanos que envolvam o raciocínio lógico e explorem a geometria (ângulos, rotação, translação, simetria, figuras), que poderão ser trabalhados abordando os temas da cultura afrodescendente e indígena, ale, da estatística na pesquisa de dados, construção de tabelas e análise de gráficos. É necessário que os estudantes sejam capazes de analisar e refletir sobre a cultura afro-brasileira e indígena e as situações de desigualdade vivenciadas pelos negros e pelos índios no Brasil. É através de informações e dados que lhes serão reveladas as causas e como se originou essa cultura discriminatória. Os jogos deverão ser trabalhados dentro do contexto histórico como exemplo: O jogo Shisima, um jogo de três alinhados, jogado pelas crianças da parte ocidental do Quênia. Na língua tiriki, a palavra shisima quer dizer “extensão de água”, eles chamam as peças de imbalavali ou pulgas d’água. Além da investigação sobre o jogo (histórico, regras...) como a construção do tabuleiro é possível explorar conceitos matemáticos de geometria (raio, diâmetro, círculo, circunferência...) frações, medidas. O jogo da onça conhecido pelos Baroros como adugo e pelos Guaranis com jaguá ixive, é um jogo de estratégia conhecido em várias partes do mundo, o aluno poderá construir o jogo usando seus conhecimentos na área da geometria. Nos países nórdicos, ele é chamado de “raposas e gansos”, no Nepal, bhaga chal; na Índia Lau kati kata. Aqui na América, ele era jogado pelo antigo poço Inca, no Peru. A diferença básica entre todos eles são as peças do jogo. No Peru, as peças representam o puma (uma onça muito comum nos Andes) e os carneiros. Na Índia, tigre e cabras. E aqui no Brasil, a onça e os cachorros. Segundo alguns historiadores esse jogo já era conhecido pelos índios brasileiros antes da chegada de Cabral ao Brasil. É um jogo para duplas: um fica com a peça que representa a onça e outros com as � 13 14 peças dos cachorros. Para vencer o jogador com a onça deve capturar cinco cachorros e o jogador com os cachorros deve encurralar a onça. Jogo: Use dois tipos de peças, uma representando a onça e 14 peças para os cachorros. Um jogador fica com a onça e o outro com os cachorros; O jogador com a onça deve capturar cinco cachorros. O jogador com os cachorros deve encurralar a onça, deixando-a sem possibilidade de se mover no tabuleiro. O jogador com os cachorros não pode capturar a onça, deve apenas imobilizá-la. O jogador com a onça inicia a partida movendo sua peça para qualquer casa adjacente que esteja vazia. Em seguida, o jogador com os cachorros deve mover qualquer uma de suas peças também para uma casa adjacente que esteja vazia. As peças podem se mover em qualquer direção. A onça deve tomar cuidado para não entrar em sua toca (parte triangular do tabuleiro). Caso isso aconteça, ela será encurralada pelos cachorros. A onça captura um cachorro quando salta sobre ele para uma casa vazia (como no jogo de damas). A captura pode ocorrer em qualquer sentido. O jogador pode fazer mais de uma captura se for possível (também como no jogo de damas). Os jogadores alternam as jogadas até um dos dois vender a partida. Vence a partida quando o jogador com a onça captura cinco cachorros e quando o jogador com os cachorros consegue imobilizar a onça. Química Cultura Indígena Trabalhando o conteúdo História da Química onde faz-se a relação entre a diferença do conhecimento cientifico e o senso comum. Para que os alunos saibam diferenciar os conhecimentos, é citado o uso de ervas, plantadas pelos índios, conhecimento esseadquirido de geração em geração. Propõem-se a partir desse conteúdo, senso comum, uma pesquisa sobre uma das tribos indígenas do Paraná seus costumes e o uso dessas plantas como medicamentos. � 14 Após o desenvolvimento da pesquisa o trabalho pode ser apresentado em forma de seminário em sala de aula, e será feito uma amostragem com as ervas mais utilizadas pelas tribos e que perduram até hoje. Sociologia Negros e índios: impossível pensar o Brasil sem essas duas origens. Suas marcas estão na constituição física do brasileiro e também na sua cultura, sobressaindo-se a música e a religião, mas incluindo também dimensões como língua, culinária, estética, valores sociais e estruturas mentais. Mas é nas religiões afro-brasileiras que estão registradas a presença decisiva e a diversidade da contribuição negra. A chegada dos europeus representou um cataclismo para essas pequenas comunidades, iniciando-se, então, um dos mais terríveis genocídios da história humana. Primeiro, a doença – os índios não tinham resistência a algumas moléstias, como a gripe e o sarampo. Não mais do que um incômodo passageiro para os portugueses, representavam, para os índios, a morte em larga escala e o fim de sociedades inteiras, algo semelhante a peste negra que dizimou a Europa medieval. Pequenas aldeias espalhadas, com a população dispersa, eram mais protegidas contra essas epidemias. A prática de “aldear” dos índios, em grandes reduções, para sua catequese acabou por facilitar a transmissão de doenças e contribuir para o seu extermínio. Os indígenas assim concentrados tornavam-se presas mais fáceis para bandeirantes em busca de escravos. Mesmo quando o índio escapava da escravidão e da doença, a desorganização de sua cultura levava a miséria material e moral. A destruição sistemática de valores morais e religiosos e de costumes tradicionais desestruturava identidade coletiva e individual, criando um novo índio, bêbado e maltrapilho que não encontrava qualquer razão para continuar vivendo. O negro... Trezentos anos de escravidão africana no Brasil representada pelo cruel regime social de sujeição do negro e utilização de sua força, explorada para fins econômicos, como propriedade privada do homem branco, criaram problemas bem mais graves e profundos do que geralmente se imagina. Impactou-se a comunidade negra, impondo-lhe índices de desenvolvimento humano mais baixo do país, afetou também o etos da população branco, com sutis sentimentos contra afrodescendentes. A discriminação ao negro no Brasil se dá com o encobrimento com subterfúgios como se percebe nas análises de dados socioeconômicos. De fato, embora esteja provada e comprovada a enorme desigualdade pelos índices socioeconômicos oficiais entre brancos e negros, ela continua ser olimpicamente ignorada pela cultura “branca”. Por significativo exemplo, quando se trata da “dívida social” ela é generalizada para todos os segmentos da população do país, esquecendo-se de seu principal credor, a população negra. A história nos revela claramente qual é o segmento dos injustiçados e dos desprezados do nosso país, com que, afinal, toda a população contraiu a sua “dívida social”. � 15 A sociologia vem ao encontro desses temas e questiona o trabalho exploratório no Brasil, a pobreza e a exclusão, os projetos e questões sociais, as instituições sociais como família e estado, a estratificação social, a educação, a integração e complexidade. Esses tópicos nortearão os estudos dos próximos anos direcionando a questão indígena e afrodescendente através de pesquisas, relatórios, documentários, filmes, palestras e seminários. 4.5 ANÁLISE E ORIENTAÇÕES AS POSSÍVEIS SITUAÇÕES DE DISCRIMINAÇÃO ÉTICO-RACIAL Nas possíveis ocorrências de discriminação étnico-racial, faremos um enfrentamento dos problemas ao invés de negligenciá-los. Utilizando de várias estratégias como: leitura para reflexão, diálogo aberto, análise de filmes sobre a temática, palestras. 4.6 ANÁLISE DOS MATERIAIS DIDÁTICOS UTILIZADOS PELA ESCOLA Nos materiais didáticos utilizados pela escola e até mesmo no acervo de sua biblioteca pouco ou quase nada se encontra em relação ao cultura afro-brasileira e indígena. Faz-se necessário a aquisição de novos referenciais voltados para um ensino que reconheça o pluralismo cultural brasileiro. � 16 5. CRONOGRAMA 1º semestre de 2015 Assessoria aos professores na elaboração do Plano de Trabalho Docente; Filme sobre aldeias indígenas; Seminário Palestra: Diversidade Cultural na Escola Pública; 2º semestre de 2015 Incentivo a equipes que participarão da CEEBJARTES – Feira de Artes e do Conhecimento com temas que envolva os grupos étnicos brasileiros; Seminário Poesias, Poetas e Poetisas Afro Brasileiros O negro e literatura brasileira. Promoção do dia étnico racial (penteados afro, desfile de trajes afrodescendentes); � 17 6 AVALIAÇÕES DAS AÇÕES REALIZADAS PELA EQUIPE A avaliação será efetivada no decorrer de todo o processo, em entrevistas e enquetes com os alunos, pais e funcionários de forma a concluir se, as ações estão surtindo o efeito desejado, que é o de tornar o CEEBJA um local onde toda e qualquer diversidade, seja ela de raça ou gênero é entendida como sujeita de direitos igualitários. Será avaliado se, dentro do espaço escolar, todo e qualquer cidadão, seja ele do corpo discente, docente, funcionários ou comunidade é visto como igual em seus direitos e diferente em suas necessidades, valorizando assim o convívio social harmônico e livre de toda e qualquer discriminação. � 18 REFERÊNCIAS BRASIL. Lei no 10.639, de 09 de janeiro de 2003. Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira", e dá outras providências. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2003/L10.639.htm >. Acesso em: 25 abril de 2013. Brasil; Lei n.° 11. 645, de 10 de março de 2008. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e indígena”. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm>. Acesso em: 25 abril 2013. Paraná, Secretaria de Estado de Educação. Superintendência de Educação. Departamento de Ensino Fundamental. Cadernos Temáticos: Inserção dos conteúdos de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana nos currículos escolares. Curitiba: SEED – PR, 2005. Paraná, Secretaria de Estado de Educação. Superintendência de Educação. Departamento de Ensino Fundamental. Cadernos Temáticos: Educando para as Relações Étnico- Raciais. Curitiba: SEED – PR, 2006. PARELLADA, Cláudia Inês. et al. Vida indígena no Paraná: memória, presença, horizontes. Curitiba: PROVOPAR Ação Social, 2006. SANTOS, Gislene Aparecida de. A invenção do “Ser Negro”, um pequeno percurso das ideias que naturalizam a inferioridade dos negros. São Paulo: Educ/FAPESP; Rio de Janeiro Pallas. 2002. SANTOS, Claudilene. A questão étnico-racial na Sala de aula: ANPED, 2006, Reltório de pesquisa. SOUZA, Marina M. África e Brasil africano. São Paulo: Ática, 2008. TIRAPELI, Percival. Arte indígena: do pré-colonial à contemporaneidade. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2006. Sites: http://www.diaadia.pr.gov.br/dedi/ http://www.diaadia.pr.gov.br/nerea/ http://www.diaadia.pr.gov.br/dedi/ceei/