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Oficinas do APSUS
Formação e Qualificação do Profisional
em Atenção Primária à Saúde
Março de 2014
Oficinas do APSUS
Formação e Qualificação do Profisional
em Atenção Primária à Saúde
O�cina 8
Saúde Mental
Oficina 8 - Saúde Mental
3
Secretaria de Estado da Saúde do Paraná
Michele Caputo Neto 
Secretário de Estado da Saúde
René José Moreira dos Santos
Diretor Geral
Márcia Huçulak
Superintendente de Atenção à Saúde
Márcia Huçulak
Maria Cristina Tanaka Arai 
Coordenação do APSUS 
Maria Emi Shimazaki
Consultora de Conteúdo
Elaboração
Este caderno é um dos resultados de um planejamento 
estratégico que iniciou em 2011 com a participação da equipe 
da Coordenação Estadual de Saúde Mental e colaboradores.
Oficina 8 - Saúde Mental
4
 1. OBJETIVOS
1.1 Objetivo Geral
Contribuir para o desenvolvimento de competência 
do corpo técnico e gerencial da Atenção Primária à 
Saúde (APS), nos municípios e no estado, para que 
cada equipe possa realizar ações em saúde mental 
para a população sob sua responsabilidade.
1.2 Objetivos Específicos
•	Compreender os fundamentos que norteiam a 
organização da Rede de Atenção à Saúde Mental 
no Paraná;
•	Compreender a competência da APS na Rede de 
Atenção à Saúde Mental;
•	Compreender os critérios, o instrumento e a 
metodologia para a estratificação de risco em 
saúde mental;
•	Compreender os fundamentos para a elaboração 
de um plano de cuidado;
•	Compreender os parâmetros assistenciais para 
o atendimento às pessoas com transtorno mental 
e/ou dependência de álcool e/ou de substân-
cias psicoativas;
 3.2. prOGramaçãO daS aTIVIdadES
prImEIrO dIa
HORÁRIO ATIVIDADES TEMAS
13:30 – 14:00 Abertura
14:00 – 15:30 Trabalho em grupos Avaliação dos produtos do período de dispersão
15:30 – 15:45 Intervalo
15:45 – 16:30 Plenário Relato das atividades dos grupos
16:30 – 17:30 Exposição Saúde Mental na APS
SEGUNdO dIa
08:00 – 08:30 Saudação
08:30 – 09:30 Exposição A estratificação de risco e o plano de cuidados em saúde mental
 4. rOTEIrO daS aTIVIdadES:
prImEIrO dIa
4.1 abertura
Objetivos:
•	Saudar os participantes;
•	Apresentar os objetivos da oficina;
•	Orientar sobre a programação e a metodologia 
da oficina;
•	Pactuar os compromissos com os participantes.
4.2 Estudo dirigido: a avaliação dos produtos do 
período de dispersão
Avaliar os produtos do período de dispersão da 
oficina Vigilância em Saúde.
4.2.1 Trabalho em grupos: orientação
•	Dividir em grupos, preferencialmente, por 
macrorregiões;
•	Eleger o coordenador e o relator de cada grupo;
•	Compreender a planilha de programação local 
para a saúde mental na APS;
•	Conhecer experiências exitosas em saúde mental 
na APS.
 2. prOdUTOS 
Ao final desta oficina, os participantes deverão de-
senvolver os seguintes produtos:
•	Identificação e estratificação de risco dos usuá-
rios com transtorno mental, dependência de álcool e 
outras drogas residentes no território de responsa-
bilidade de cada equipe de APS;
•	Programação local para a saúde mental – para 
cada equipe de APS – utilizando a planilha de pro-
gramação disponibilizada pela SESA;
•	Elaboração de agenda para atendimento em saúde 
mental, para cada equipe de APS.
 3. prOGrama GEral 
3.1 atividades educacionais
Esta oficina tem carga horária de dezesseis horas, 
realizada em três dias, e conta com as seguintes ati-
vidades educacionais: exposições dialogadas, traba-
lhos em grupos, atividades em plenário e painel.
Oficina 8 - Saúde Mental
5
09:30 – 11:00 Trabalho em grupos Estudos de caso
11:00 – 11:15 Intervalo
11:15 – 12:00 Plenário Relato das atividades dos grupos
12:00 – 13:30 Intervalo
13:30 – 14:30 Exposição A programação local em saúde mental
14:30 – 16:00 Trabalho em grupos Estudos de caso
16:00 – 16:15 Intervalo
16:15 – 17:30 Plenário Relato das atividades dos grupos
TErCEIrO dIa
08:00 – 09:45 Painel Experiências exitosas em saúde mental na APS
09:45 – 10:00 Intervalo
10:00 – 11:00 Trabalho em grupos As estratégias para o desenvolvimento dos produtos da oficina
11:00 – 12:00 Plenário Relato das atividades dos grupos
12:00 – 12:30 Plenário Avaliação e encerramento
 4. rOTEIrO daS aTIVIdadES:
prImEIrO dIa
4.1 abertura
Objetivos:
•	Saudar os participantes;
•	Apresentar os objetivos da oficina;
•	Orientar sobre a programação e a metodologia 
da oficina;
•	Pactuar os compromissos com os participantes.
4.2 Estudo dirigido: a avaliação dos produtos do 
período de dispersão
Avaliar os produtos do período de dispersão da 
oficina Vigilância em Saúde.
4.2.1 Trabalho em grupos: orientação
•	Dividir em grupos, preferencialmente, por 
macrorregiões;
•	Eleger o coordenador e o relator de cada grupo;
•	Avaliar os produtos do período de dispersão;
•	Utilizar a Matriz 1 – Pontuação dos produtos do pe-
ríodo de dispersão: 
•	Coluna 1: Listar os produtos do período 
de dispersão;
•	Coluna 2: Inserir em cada uma das colunas 
o nome dos municípios a serem avaliados.
Para avaliação de cada produto, pontuar:
•	0 = produto não desenvolvido;
•	20 = produto desenvolvido em no máximo 50% das 
equipes da APS; 
•	40 = produto desenvolvido em no máximo 70% das 
equipes da APS; 
•	60 = produto desenvolvido em mais de 70% das 
equipes da APS.
•	Utilizar a Matriz 2 – Avaliação dos produtos do 
período de dispersão: 
•	Coluna a: Inserir o nome dos municípios 
da região;
•	Coluna b: Inserir na coluna corresponden-
te a pontuação total de cada município utili-
zando a seguinte escala:
•	Vermelho: total de 0 pontos;
•	Laranja: total de 1 a 49 pontos; 
Oficina 8 - Saúde Mental
6
•	Amarelo: total de 50 a 85 pontos;
•	Verde: total de 86 a 110 pontos;
•	Azul: total de 111 a 120 pontos.
•	Relatar a atividade do grupo. Cada 
relator terá cinco minutos para apresen-
tar o relatório do grupo.
maTrIZ 1: aValIaçãO dOS prOdUTOS dO pErÍOdO dE dISpErSãO
REGIÃO: 
PRODUTOS 
(Coluna 1)
MUNICÍPIOS DA REGIÃO 
(Coluna 2)
1. Programação local para o 
enfrentamento da dengue
2. Programação local 
para a tuberculose
TOTAL DE PONTOS
maTrIZ 2: aValIaçãO dOS prOdUTOS dE dISpErSãO
MUNICÍPIO 
(Coluna a)
PONTUAÇÃO (Coluna b)
VERMELHO 
0 pontos
LARANJA 
1 a 49 pontos
AMARELO 
50 a 85 pontos
VERDE 
86 a 110 pontos 
AZUL 
111 a 120 pontos
4.3 Exposição: a saúde mental na apS
Objetivo: Compreender os fundamentos que nor-
teiam a organização da Rede de Atenção à Saúde 
Mental no Paraná e a competência da APS.
4.3.1 Texto de apoio
a rEdE dE aTENçãO À SaÚdE mENTal NO 
paraNÁ E a COmpETÊNCIa da apS*
a rede de atenção à Saúde mental no paraná
A Secretaria de Estado da Saúde incluiu no seu Mapa 
Estratégico a Rede de Atenção à Saúde Mental como 
* Todos os textos de apoio foram elaborados por Camila Del Tregio Esteves, Débora Guelfi, 
Larissa Sayuri Yamaguchi, Maristela da Costa Sousa e Rejane Tabuti.
uma das cinco redes prioritárias de implantação e 
implementação nesta gestão. 
Em 2011, com a publicação do Decreto Presidencial 
nº 7508/2011 – que regulamenta a Lei nº 8.080/1990 
e dispõe sobre a organização do SUS, o planejamen-
to da saúde, a assistência à saúde e a articulação in-
terfederativa – a atenção psicossocial passou a ser 
“uma rede indispensável nas regiões de saúde”. Para 
sua operacionalização, seguindo as diretrizes do Sis-
tema Único de Saúde (SUS) e da Política Nacional de 
Saúde Mental, a Portaria GM/MS nº 3088/2011** ins-
tituiu a Rede de Atenção Psicossocial – RAPS para 
pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com 
necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e 
outras drogas.Oficina 8 - Saúde Mental
7
Para a efetivação da Política Estadual de Saúde Men-
tal, a SESA redefiniu as diretrizes e estratégias por 
meio de um processo de Planejamento Estratégico, 
considerando a realidade do estado e procurando 
abranger o que a Política Nacional não contempla. 
Considerando que os serviços assistenciais são de 
responsabilidade do município, cabe ao estado, em 
seu papel regulador, estimular a criação de polí-
ticas municipais em consonância com a Reforma 
Psiquiátrica Brasileira, articular as negociações re-
gionalizadas, fiscalizar (controle, avaliação e acom-
panhamento) e oferecer suporte técnico às equipes. 
Assim, conforme as diretrizes e os objetivos da RAPS 
da Portaria GM/MS 3088/2011**, as ações de saúde 
mental devem ser estruturadas a partir da realidade 
municipal / microrregional / regional / macrorregio-
nal, considerando as necessidades e os recursos.
** Republicada por ter saído no DOU de 30/12/2011, Seção 1, página 59, com incorreções 
no original. 
A partir desse planejamento foi elaborado o Mapa 
Estratégico da Rede de Saúde Mental, que define a 
missão, a visão, os valores e as perspectivas para 
alcançar o resultado para a sociedade tendo como 
pressuposto o cuidado no território e a atenção pri-
mária como ordenadora da Rede de Atenção à Saúde, 
sempre em busca da articulação intra e intersetorial 
(Quadro 1).
Devido à transversalidade e à complexidade do cam-
po da saúde mental, bem como à abrangência dos 
pontos de atenção, é imprescindível que se tenha 
clareza das competências para organizar a Rede de 
Atenção à Saúde Mental. É importante também con-
siderar que o objetivo da rede sempre é a articulação 
entre estes pontos e a melhoria do acesso aos 
usuários, buscando promover o cuidado integral. 
Para tanto, foi elaborada a Matriz de Competência 
da Rede de Atenção à Saúde Mental do Estado do 
Paraná (Quadro 2).
QUadrO 1: 
mapa ESTraTÉGICO da rEdE dE aTENçãO À SaÚdE mENTal dO paraNÁ
mapa estratégico
Missão Formular e desenvolver a Política Estadual de Saúde Mental para organizar a Rede de Atenção à Saúde Mental, de forma articulada e resolutiva para toda a população paranaense.
Visão Desenvolver, até 2020, um modelo de gestão articulada com outras áreas governamentais e a sociedade civil que proporcione saúde mental para toda a população paranaense.
Valores Ética, solidariedade, comprometimento, competência e cidadania.
Resultado 
para a sociedade Reduzir os anos vividos com incapacidade por sofrimento ou transtorno mental e/ou com necessidades decorrentes do uso de drogas.
Perspectiva 
para o processo
• Melhorar o acesso aos diversos pontos de atenção, em especial na APS e situações de urgência e emergência;
• Melhorar a qualidade e resolubilidade em saúde mental nos diversos pontos de atenção da rede;
• Fomentar ações de promoção à saúde, prevenção de agravos em saúde mental e reabilitação psicossocial, por meio de ações 
intersetoriais e na sociedade civil;
• Viabilizar sistema de apoio (assistência farmacêutica, diagnóstico e informações) e logístico (transporte e regulação).
Perspectiva 
para a gestão
• Promover a articulação com outras áreas governamentais e com a sociedade civil;
• Desenhar/organizar a Rede de Atenção à Saúde Mental, com definição das competências de cada ponto de atenção, incluindo sistemas 
logísticos e de apoio;
• Implantar o plano de qualificação dos pontos de atenção na Rede de Atenção à Saúde Mental por meio de Política Estadual de Educação 
Permanente em Saúde;
• Implantar e implementar novas tecnologias de abordagem e cuidado na Rede de Atenção à Saúde Mental;
• Implantar o plano de monitoramento e avaliação da Rede de Atenção à Saúde Mental.
Perspectiva 
financeira
• Garantir recurso financeiro estadual para os serviços da Rede de Atenção à Saúde Mental, 
segundo critérios de qualidade preestabelecidos.
Oficina 8 - Saúde Mental
8
maTrIZ dE COmpETÊNCIa dOS pONTOS dE aTENçãO da rEdE dE 
aTENçãO À SaÚdE mENTal para Cada maCrOrrEGIãO dO ESTadO
NÍVEl dE aTENçãO pONTO dE aTENçãO COmpETÊNCIa dO pONTO dE aTENçãO TErrITÓrIO SaNITÁrIO
pr
Im
Ár
Ia
Domicílio
• Autocuidado
• Busca ativa
• Atenção domiciliar
• Identificação de fatores de risco e de proteção
Domicílio
Grupos de ajuda mútua
• Acolhimento
• Socialização/reinserção
• Ajuda entre pares
• Informação
• Compartilhamento de vivências
Comunidade
Consultório na rua
• Acolhimento
• Redução de danos
• Busca ativa
• Cadastramento
• Identificação de riscos
• Orientação e encaminhamentos
• Vínculo
Rua
UBS/ESF
• Acolhimento
• Estratificação de risco
• Ordenamento do cuidado
• Articulação da Rede Intra e Intersetorial
• Cadastramento
• Vínculo
• Responsabilidade pelos usuários de seu território
• Garantia do cuidado e da resolubilidade da atenção 
para o usuário de baixo e médio risco
• Compartilhamento com o CAPS do 
cuidado ao usuário de alto risco 
• Educação em saúde
• Atividades coletivas
Território de abrangência
Academia da Saúde
• Práticas corporais/atividades físicas
• Práticas artísticas
• Promoção de atividades de segurança alimentar e 
nutricional e de educação alimentar
• Planejamento das ações em conjunto com a 
equipe de APS
Território de abrangência
NASF/Equipe matricial
• Matriciamento
• Atendimento multiprofissional
• Compartilhamento do cuidado ao usuário de médio risco
• Compartilhamento do cuidado ao usuário de alto 
risco – para municípios que não possuem CAPS
• Educação permanente da APS
Território de abrangência
CRAS
• Identificação de fatores de risco e de proteção
• Encaminhamentos
• Promoção da saúde mental e prevenção de agravos
• Reinserção social
• Viabilização do acesso às condições de cidadania
• Atenção às famílias
Território de abrangência
Escolas
• Prevenção de agravos e promoção da saúde mental
• Identificação de fatores de risco e de proteção
• Encaminhamentos
• Inclusão
• Orientação familiar
• Programa Saúde na Escola (PSE)
Território de abrangência
Associações, ONGs, 
Centros de Convivência, 
Igrejas e similares
• Acolhimento
• Socialização
• Reinserção social
• Promoção da saúde
Comunidade
Oficina 8 - Saúde Mental
9
maTrIZ dE COmpETÊNCIa dOS pONTOS dE aTENçãO da rEdE dE 
aTENçãO À SaÚdE mENTal para Cada maCrOrrEGIãO dO ESTadO
NÍVEl dE aTENçãO pONTO dE aTENçãO COmpETÊNCIa dO pONTO dE aTENçãO TErrITÓrIO SaNITÁrIO
SE
CU
N
dÁ
r
Ia
CAPS
• Acolhimento
• Reabilitação psicossocial (reinserção social, assembleias, oficinas, 
atenção aos familiares, projeto de geração de renda, atividades em 
grupo ou coletivas, etc)
• Projeto Terapêutico Singular
• Matriciamento
• Compartilhamento com a APS do cuidado ao usuário de alto risco
• Atenção às situações de crises
• Hospitalidade noturna (CAPS III e ad III)
• Atendimento multiprofissional
• Articulação de redes intra e intersetoriais
• Redução de danos
• Acompanhamento de SRT – Serviço Residencial Terapêutico (caso 
tenha SRT vinculado)
• Definição de acolhimento na UA e no Serviço de Atenção em Regime 
Residencial (caso tenha estes serviços vinculados)
Território de abrangência
CREAS
• Ofertar e referenciar serviços especializados de caráter continuado 
para famílias e indivíduos em situação de risco pessoal e social, por 
ameaça e/ou violação de direitos
Território de abrangência
Unidade de Acolhimento 
ou Serviço de Atenção em 
Regime Residencial
• Acolhimento definido pelo CAPS
• Acompanhamento terapêutico e protetivo de caráter transitório
• Moradia transitória com saída programada
• Vinculação ao CAPS
• Projeto Terapêutico Singular em conjunto com o CAPS
• Atenção aos familiares
• Articulação com a Rede Intersetorial visando a reinserção social, 
familiar e laboral
Território de abrangênciaCentro Regional de 
Atenção Especializada
• Tutoria/Telessaúde
• Matriciamento (supervisão, capacitação, etc)
• Atenção ao usuário de médio risco referenciado pela APS
• Atenção ao usuário de alto risco referenciado pela APS – para 
municípios que não possuem CAPS
• Atendimento multiprofissional
• Ações de prevenção e promoção da saúde mental em conjunto com 
os municípios
• Compartilhamento com a APS do cuidado ao usuário de 
médio e alto risco
Regional de Saúde
Hospital Geral
• Atendimento aos usuários de médio e alto risco, após esgotados os 
outros recursos terapêuticos
• Atendimento à crise
• Internamento de curta permanência
• Atendimento às comorbidades clínicas
• Remissão de sintomas e estabilização do quadro clínico-psiquiátrico
• Referenciar para a continuidade do cuidado
• Orientação aos familiares
Território de abrangência
Hospital especializado 
em psiquiatria
• Atendimento aos usuários de alto risco, após esgotados os outros 
recursos terapêuticos
• Atendimento à crise
• Orientação aos familiares
• Remissão de sintomas e estabilização do quadro clínico-psiquiátrico
• Referenciar para continuidade do cuidado
• Internamento de curta permanência
Território de abrangência
Pronto Atendimento
• Atendimento à crise
• Classificação de risco (clínico/psiquiátrico)
• Orientação aos familiares
• Referenciar para continuidade do cuidado
Território de abrangência
SRT
• Atendimento de egressos de HP e HCTP de longa permanência e sem 
vinculo familiar
• Moradia
• Reinserção social e reabilitação psicossocial
• Vinculado ao CAPS
Comunidade
Oficina 8 - Saúde Mental
10
a COmpETÊNCIa da apS Na rEdE dE aTENçãO 
À SaÚdE mENTal NO paraNÁ
Saúde Mental na atenção primária é um tema que 
parece complexo, mas que já se encontra plenamen-
te presente no cotidiano efetivo de trabalho dos pro-
fissionais desta esfera de atendimento. As pessoas 
acometidas por sofrimento e/ou transtorno mental, 
decorrentes ou não do uso de substâncias psicoa-
tivas, desde alterações leves até as mais graves, 
merecem cuidado na APS como as que sofrem das 
demais condições crônicas de saúde.
Segundo Amarante & Lancetti (2009), promover 
saúde mental hoje é uma tarefa que compete a to-
dos os profissionais de saúde: médicos, enfermei-
ros, auxiliares de enfermagem, dentistas, agentes 
comunitários de saúde, assistentes sociais, terapeu-
tas ocupacionais, fonoaudiólogos, psicopedagogos e 
psicólogos. Cada vez menos se busca separar a saú-
de física da saúde mental. Os usuários são os mes-
mos e a experiência vem demonstrando que o traba-
lho conjunto é mais eficaz e menos danoso para os 
profissionais de saúde. 
Franco Basaglia, numa proposta de mudança de pa-
radigma no modelo assistencial psiquiátrico, citado 
por Amarante & Lancetti (2009), considerava que era 
preciso “colocar a doença entre parênteses para se 
tratar e lidar com os sujeitos concretos que sofrem e 
experimentam o sofrimento”. Seguindo este direcio-
namento, todas as ações desenvolvidas devem ser 
pautadas pelo conceito de cidadania – o usuário é, 
antes de tudo, um cidadão.
Com as novas diretrizes ocorridas na área da saúde 
nos últimos anos no plano mundial (por recomen-
dação da OMS), outros profissionais, especialmente 
os que operam na atenção primária, são convocados 
a intervir nos processos de reabilitação das pessoas 
que ouvem vozes, usam drogas de maneira suicida, 
sofrem angústias, violências e opressões graves. O 
hospital psiquiátrico deixou de ser o foco da assis-
tência, da organização das políticas e da formação 
profissional, da mesma maneira que não são con-
siderados eficientes para a recuperação das pesso-
as em grave sofrimento psíquico. Hoje, entende-se 
que o meio privilegiado para tratamento de pessoas 
com sofrimento mental, drogadictos, violentados e 
que sofrem de angústias profundas e intensas an-
siedades é o bairro, as famílias, as comunidades e, 
logicamente, as unidades de saúde encravadas nos 
territórios onde as pessoas residem. 
São muitos os benefícios da integração da saúde 
mental à Atenção Primária em Saúde (APS). Algu-
mas das vantagens principais são o acesso aos cui-
dados de saúde mental que a população precisa e 
o aumento da probabilidade de resultados positivos, 
tanto para problemas de saúde mental quanto para 
problemas de saúde física.
Abrangendo estes e outros benefícios, são enume-
radas, a seguir, sete razões principais para integrar 
a saúde mental à APS, em conformidade com o 
Relatório da OMS e da Organização Mundial de Mé-
dicos de Família – Wonca (2008):
1. a carga das perturbações mentais é grande. As 
perturbações mentais estão presentes em todas as 
sociedades. Elas criam uma carga pessoal substan-
cial para os indivíduos afetados e para as suas famí-
lias, e produzem dificuldades econômicas e sociais 
substanciais que afetam todas as pessoas;
2. Os problemas de saúde mental e física estão in-
terligados. Muitas pessoas sofrem tanto de proble-
mas de saúde física quanto mental. Os serviços de 
APS integrados podem ajudar a assegurar que os 
indivíduos serão tratados de uma maneira holísti-
ca, respondendo às necessidades de saúde mental 
de quem sofre com doenças físicas, assim como às 
Oficina 8 - Saúde Mental
11
necessidades de saúde física das pessoas com per-
turbações mentais;
3. O déficit de tratamento para perturbações men-
tais é enorme. Em todos os países, há uma diferen-
ça significativa entre a prevalência de perturbações 
mentais e o número de pessoas que recebem trata-
mento e cuidado. A saúde mental integrada à APS 
ajuda a diminuir este déficit;
4. atenção primária à saúde mental melho-
ra o acesso. Integrar a saúde mental à APS é a me-
lhor maneira de assegurar que as pessoas recebam 
os cuidados de que precisam. Quando a saúde men-
tal está integrada à APS, os indivíduos têm acesso a 
serviços de saúde mental mais perto das suas casas, 
o que os mantêm junto das suas famílias e conser-
vando as suas atividades diárias. Os serviços de APS 
também facilitam as iniciativas comunitárias junto 
à população e a promoção da saúde mental, assim 
como o monitoramento e a gestão a longo prazo dos 
indivíduos afetados;
5. a apS para a saúde mental promove o respei-
to pelos direitos humanos. Os serviços de saúde 
mental prestados em APS minimizam o estigma e 
a discriminação. Eles eliminam também o risco das 
violações dos direitos humanos que ocorrem em 
hospitais psiquiátricos;
6. Os cuidados para saúde mental na apS são bara-
tos e têm uma boa relação custo-benefício. Os ser-
viços de cuidados para a saúde mental em APS são 
menos caros que em hospitais psiquiátricos, tanto 
para os usuários, quanto para as comunidades e os 
governos. Além disso, os usuários e as suas famílias 
evitam os custos indiretos associados à procura de 
cuidados especializados em localizações distantes. 
O tratamento das perturbações mentais comuns 
tem uma muito boa relação custo-benefício, e até 
pequenos investimentos por parte dos governos po-
dem trazer vantagens importantes;
7. a saúde mental na apS gera bons resultados 
de saúde. A maioria das pessoas com perturbações 
mentais tratadas na APS têm bons resultados, par-
ticularmente quando estão ligadas a uma rede de 
serviços em nível secundário e na comunidade. 
rEfErÊNCIaS
AMARANTE, Paulo & LANCETTI, Antônio. Saúde 
mental e saúde coletiva. In: CAMPOS, Gastão Vagner 
de Sousa [et al.]. Tratado de saúde coletiva. São 
Paulo: Hucitec; Rio de Janeiro: Ed. Fiocruz, 2009, p. 
615-634.
Organização Mundial de Saúde e Organização 
Mundial de Médicos de Família (Wonca). Integração 
da saúde mental nos cuidadosde saúde primários: 
uma perspectiva global. Coordenação Nacional 
para a Saúde Mental. Portugal, 2008.
 5. rOTEIrO daS aTIVIdadES: 
SEGUNdO dIa 
5.1 Saudação
Objetivos:
•	Saudar os participantes;
•	Pactuar os compromissos com os participantes.
5.2 Exposição: a estratificação de risco e o plano de 
cuidados em saúde mental 
Esta atividade tem por objetivo compreender os cri-
térios e a metodologia para a estratificação de risco 
em saúde e a elaboração do plano de cuidados. 
Oficina 8 - Saúde Mental
12
5.2.1 Texto de apoio: a estratificação de risco em 
saúde mental
a ESTraTIfICaçãO dE rISCO dOS TraNSTOrNOS 
mENTaIS E dEpENdÊNCIa dE ÁlCOOl E OUTraS 
drOGaS
Em saúde mental, nem sempre os sinais e sintomas 
definidos como graves e persistentes em determi-
nado grupo exigem que a atenção em saúde ocor-
ra num nível secundário ou terciário, assim como 
os sinais e sintomas do grupo definidos como leves 
não necessariamente excluem a necessidade de um 
atendimento em nível secundário. Por se tratar de 
agravos complexos e de causa multifatorial, para 
definir sua gravidade ou risco faz-se necessário 
considerar a presença de outros fatores considera-
dos agravantes ou atenuantes. No cotidiano dos tra-
balhadores da APS, muitas vezes são identificadas 
nos usuários tristezas e/ou ansiedades importantes, 
ainda que não haja queixa explícita nesse sentido. 
Há ainda usuários que buscam ajuda profissional 
por causa do sofrimento mental. Também é comum 
observar-se a presença de sinais e sintomas de for-
ma inespecífica, isolada e/ou simultânea em patolo-
gias diversas.
Segundo a WHO (2004, tradução livre), o objetivo 
de todo planejamento para um sistema de assis-
tência em saúde deve ser a redução da incidência, 
prevalência e recorrência dos transtornos mentais, 
do tempo perdido com sintomas ou a redução das 
condições de risco, prevenindo ou impedindo recor-
rências, e diminuindo o impacto da doença sobre o 
indivíduo, seus familiares e a sociedade. 
Neste planejamento, a estratificação de risco da 
população alvo é realizada considerando a gravida-
de dos sinais e sintomas apresentados, sem a ne-
cessidade de firmar diagnóstico inicial, somada às 
condições de vida atual do usuário. Os transtornos 
mentais, assim como a dependência química, por 
sua característica de cronicidade, tendem a oscilar 
em sua necessidade de local de atenção ao longo da 
vida. Assim, a escolha dos parâmetros para a estra-
tificação de risco foi fundamentada, principalmente, 
na necessidade de definir o nível em que ocorrerá a 
assistência em saúde. Para tanto, os sinais e sinto-
mas foram divididos em seis grupos, de acordo com 
a frequência em que se apresentam nas respectivas 
síndromes psicopatológicas, e foram pontuados de 
acordo com o nível de gravidade.
descrição dos grupos:
1. GrUpO I – sintomas relacionados aos transtor-
nos mentais comuns (TmC): também caracterizados 
por englobar quadros mais leves, como os depres-
sivos, ansiosos e somatoformes classificáveis nos 
manuais diagnósticos, além de abranger múltiplos 
sintomas. Causam prejuízos e incapacidades fun-
cionais, sociais e físicas comparáveis ou mais gra-
ves que os transtornos crônicos, duas vezes mais 
queixas de doenças físicas, taxas de mortalidade al-
tas quando comparados com a população em geral, 
além de estarem entre as mais importantes causas 
de morbidade na atenção primária.
2. GrUpO II – sintomas relacionados aos transtor-
nos mentais severos e persistentes: definem-se por 
uma gama extensa e heterogênea de características 
e necessidades que impactam sobre os indivíduos, 
tendo em comum a duração do problema, o grau de 
sofrimento emocional, o nível de incapacidade que 
interfere nas relações interpessoais e nas compe-
tências sociais e o diagnóstico psiquiátrico. Grande 
parte dos indivíduos aqui agrupados são portadores 
de transtornos psicóticos – esquizofrenia, transtorno 
afetivo bipolar e outras psicoses.
Oficina 8 - Saúde Mental
13
3. GrUpO III – sintomas relacionados à dependên-
cia de álcool e outras drogas: englobam o abuso e 
dependência de substâncias psicoativas (drogas) 
que quando utilizadas alteram o funcionamento 
cerebral causando modificações no estado mental 
ou psiquismo. Inclui o uso de depressores do SNC 
(álcool, benzodiazepínicos, opiáceos e inalantes), 
os psicoestimulantes (anfetaminas e cocaína/cra-
ck) e os alucinógenos (maconha, LSD e êxtase). A 
dependência se caracteriza por reações físicas ou 
psíquicas que incluem ingestão excessiva de drogas 
psicoativas, de modo contínuo ou periódico, para ex-
perimentar seus efeitos psíquicos e/ou evitar o des-
conforto de sua falta (abstinência); abandono pro-
gressivo de prazeres e interesses; persistência do 
uso apesar dos prejuízos decorrentes.
4. GrUpO IV – sintomas relacionados a alterações 
na saúde mental que se manifestam na infância e/
ou na adolescência: grupo heterogêneo de transtor-
nos, ocorrendo durante a infância e/ou adolescên-
cia. Algumas destas afecções constituem síndromes 
bem definidas, enquanto outras são simples asso-
ciações de sintomas – devem ser identificadas em 
função de sua frequência e de sua associação com 
uma alteração do funcionamento psicossocial.
5. GrUpO V – sintomas relacionados a alterações 
na saúde mental que se manifestam nos idosos: 
englobam as demências e distúrbios transitórios 
orgânicos cerebrais comuns na população de faixa 
etária mais elevada. Apresentam em comum a de-
terioração e/ou a perda progressiva das capacidades 
intelectuais e do funcionamento psicossocial.
6. GrUpO VI – fatores que podem se constituir em 
fatores agravantes ou atenuantes de problemas de 
saúde mental já identificados: referem-se à condi-
ção de vida atual do usuário, sendo baseados nos 
fatores de risco e proteção.
CONdIçÕES ESpECIaIS: São circunstâncias consi-
deradas sentinelas porque exigem mais atenção e 
cuidado das equipes de saúde, além da aplicação da 
estratificação de risco. 
•	GESTaçãO
•	pOpUlaçãO INdÍGENa
•	dEfICIÊNCIa mENTal mOdErada 
OU SEVEra
EVENTOS aGUdOS: Nestes casos não se faz estrati-
ficação de risco, pois são consideradas situações de 
urgência para as quais deve ser aplicada a classifica-
ção de risco como em qualquer outro evento agudo.
•	OCOrrÊNCIa rECENTE dE TENTaTIVa 
dE SUICÍdIO
•	CrISE OU SUrTO pSICÓTICO
Na página 34 é possível encontrar o manual de 
estratificação de risco dos transtornos mentais e 
dependência de álcool e outras drogas.
Oficina 8 - Saúde Mental
14
ESTadO dO paraNÁ
Secretaria de Estado da Saúde – SESA
Superintendência de Atenção à Saúde – SAS
Departamento de Atenção as Condições Crônicas – DACC
Divisão de Saúde Mental – DVSAM
ESTraTIfICaçãO dE rISCO Em SaÚdE mENTal
Nome (com letra de forma e sem abreviaturas):
Nome e CBO do profissional (que realizou atendimento):
Número de prontuário na UBS/ESf: data:
INSTrUçÕES dE prEENChImENTO:
1) Circule o número correspondente ao sinal/sintoma; 
2) Realize a somatória dos números circulados; 
3) O total de pontos bruto será o escore para a Estratificação de Risco.
SINaIS E SINTOmaS NãO SIm
GrUpO I 
Sensação de morte iminente e/ou pânico 0 5
Medo intenso 0 2
Desrealização 0 3
Despersonalização 0 3
Crises conversivas 0 3
Crise dissociativa 0 3
Queixas somáticas persistentes e/ou hipocondríacas 0 1
Pensamentos ou comportamentos repetitivos e/ou conjunto de rituais 0 3
Pensamentos de inutilidade e/ou sentimento de culpa 0 4
Tristeza persistente acompanhada ou não de choro 0 2
GrUpO II
Ideação suicida e/ou tentativa de suicídio 0 9
Isolamento social0 6
Heteroagressividade e\ou autoagressividade 0 9
Desinibição social e sexual 0 7
Hiperatividade associada ou não a atos impulsivos 0 3
Euforia 0 4
Elevação desproporcional da autoestima 0 2
Delírio 0 8
Alucinação 0 10
Alteração do curso do pensamento 0 9
Perda do juízo crítico da realidade 0 10
Oficina 8 - Saúde Mental
15
GrUpO III
Delirium tremens 0 10
Tremor associado ao hálito etílico e sudorese etílica 0 3
Incapacidade de redução e controle do uso de drogas 0 6
Manifestação de comportamento de risco para si e para terceiros 0 6
Tolerância 0 3
GrUpO IV 
Dificuldade manifestada na infância e/ou adolescência de 
compreender e transmitir informação 0 3
Movimentos corporais ou comportamentais estereotipados 0 5
Desatenção manifestada na infância e/ou adolescência 0 4
Inquietação constante manifestada na infância e/ou adolescência 0 2
Regressão 0 1
GrUpO V
Perda da memória 0 3
Perda progressiva da capacidade funcional, ocupacional e social 0 4
Desorientação temporal e espacial 0 5
GrUpO VI
Resistência ao tratamento e/ou refratariedade 0 4
Recorrência ou recaída 0 9
Uso abusivo de substâncias psicoativas 0 10
Exposição continuada ao estresse 0 3
Precariedade de suporte social 0 3
Precariedade de suporte familiar 0 6
Testemunha de violência 0 4
Autor ou Vítima de violência 0 8
Perda da funcionalidade familiar e/ou afetiva 0 6
Vulnerabilidade econômica e ambiental 0 3
Comorbidade ou outra condição crônica associada 0 3
Faixa etária > 6 anos e < de 18 anos 0 10
Abandono e/ou atraso escolar 0 6
0 a 30 pontos – BaIXO rISCO
31 a 50 pontos – mÉdIO rISCO
51 a 236 pontos – alTO rISCO
pONTUaçãO TOTal: 
ESTraTIfICaçãO: 
rEfErÊNCIaS
MIGUEL, Eurípedes Constantino; GENTIL, Valentim & GATTAZ, 
Wagner Farid. Clínica psiquiátrica. Barueri, SP: Manole, 2011.
World Health Organization. mental health policy, plans and 
programmes – Rev. ed. (Mental health policy and service 
guidance package). Singapore, 2004. 
Oficina 8 - Saúde Mental
16
5.2.2 Texto de apoio
O plaNO dE CUIdadOS Em SaÚdE mENTal
Em busca da atenção integral, a Atenção Primária 
como ordenadora da rede deve “coordenar o cuida-
do, elaborando, acompanhando e criando projetos 
terapêuticos singulares, bem como acompanhando 
e organizando o fluxo dos usuários entre os pontos 
de atenção das Redes de Atenção à Saúde – RAS, 
assim como as outras estruturas das redes de saú-
de e intersetoriais, públicas, comunitárias e sociais” 
(Brasil, 2013). 
O acolhimento na apS
O acolhimento realizado nas UAPS (Unidades de 
Atenção Primária em Saúde) é um dispositivo po-
tente para a formação de vínculo e a prática de 
cuidado entre o profissional e o usuário. Segun-
do Chiaverini (2011), alguns princípios que devem 
ser observados são: 
•	Ouvir as queixas apresentadas sem menospre-
zá-las, compreendendo que os sintomas estão 
presentes no usuário; 
•	Mostrar-se disponível para conversar com o usu-
ário sobre sua vida naquele momento, exercitan-
do a empatia;
•	Proporcionar ao usuário um momento de reflexão 
sobre suas queixas e no que elas estão implicando 
em sua vida;
•	Discutir com o usuário/familiares sobre os recur-
sos que poderiam ser acionados para o enfrentamen-
to de suas queixas apresentadas, lembrando-o(s) de 
sua corresponsabilidade no processo.
Salientamos a importância da oferta deste espaço 
de escuta por meio do acolhimento, que pressupõe 
que o usuário fale de seu sofrimento e o profissio-
nal esteja disponível para ouvi-lo. Muitas vezes, esta 
atitude do profissional já é capaz de provocar mu-
danças na forma como o usuário reconhece seus 
próprios problemas, bem como os fatores desen-
cadeantes, além de desenvolver possibilidades para 
lidar com eles.
O plano de Cuidados na apS
Em relação à atenção à saúde mental, propõe-se 
para as equipes de atenção primária o Plano de 
Cuidados, o qual deve ser elaborado a partir da 
Estratificação de Risco em conjunto com o usuário 
e familiares, considerando a rede de apoio exis-
tente na comunidade. De acordo com Garcia e 
Santana (2012), deve-se considerar que:
1. Não existe modelo único para a saúde mental 
na APS. O programa certo é aquele desenvolvido 
de acordo com as necessidades e prioridades da 
comunidade a qual ele deve servir, não aquele que 
segue um modelo genérico. As prioridades devem 
levar em conta também a disponibilidade de su-
pervisão e o apoio de rede secundária e terciária; 
2. Todos os envolvidos devem ser considerados na 
organização do serviço (usuários, familiares, pro-
fissionais da APS, profissionais de saúde mental e 
gestores); 
3. A educação continuada (treinamento/supervi-
são) é amplamente recomendada, mas a nature-
za e a extensão podem variar muito. Os modelos 
efetivos são aqueles em que ocorre um processo 
de educação contínuo, interativo e relevante para 
o contexto do serviço. Ele deve focar não apenas o 
conhecimento, mas também as habilidades e ati-
tudes do generalista. Elementos da organização 
Oficina 8 - Saúde Mental
17
do serviço e atitudes pessoais são fatores im-
portantes a serem considerados no processo de 
capacitação, mais do que o conteúdo ou a meto-
dologia utilizados. 
Inicialmente, algumas atividades foram previstas na 
programação da UAPS, as quais se encontram des-
critas na ficha de apoio anexa. Lembrando que o 
plano de cuidados deve ser sempre conversado, re-
fletido, organizado e pactuado com o usuário, e, na 
maioria das vezes, também com os seus familiares. 
Visando contextualizar o plano de cuidados, a se-
guir o complementamos com algumas propostas de 
ações de acordo com a situação apresentada: 
Transtorno mental
Nas situações estratificadas como de baixo risco, 
como as que apresentam sintomas leves a mode-
rados de depressão, ansiedade e somatização, os 
sintomas tendem a se sobrepor, além de compar-
tilharem os mesmos fatores de risco e padrões de 
evolução. Nestes casos, os cuidados devem ser ofe-
recidos com intensidade progressiva e os grupos 
não devem ser direcionados nem divulgados apenas 
para pessoas portadoras de um diagnóstico. A estra-
tégia recomendada é iniciar com cuidados de baixa 
intensidade (atividade física em grupo, panfletos de 
autoajuda, grupos de apoio), passando por grupos 
psicoeducacionais e de apoio que explorem ques-
tões como autoestima ou resiliência, evoluindo para 
o uso de terapia medicamentosa com supervisão 
especializada e psicoterapia em grupo ou individual, 
caso necessário.
Nas situações estratificadas como de médio a alto 
risco, a APS desempenha papel importante no diag-
nóstico precoce, no início rápido do tratamento com 
intervenções rápidas e efetivas na crise, na manu-
tenção do tratamento farmacológico e nos progra-
mas de reabilitação psicossocial para os quadros 
psicóticos crônicos estáveis. Os atendimentos em 
domicílio e os vínculos com as famílias facilitam es-
tas intervenções. As equipes devem contar com ca-
pacitação, supervisão e apoio matricial (atendimento 
conjunto, se necessário) de profissionais do Núcleo 
de Apoio à Saúde da Família (NASF), e dos pontos 
de atenção secundária, como os Centros de Atenção 
Psicossocial (CAPS). O usuário, no entanto, sempre 
continuará vinculado a APS de referência em seu 
território, onde o cuidado compartilhado tem se 
mostrado mais eficaz. Um pacote mínimo de cuida-
dos na APS deve incluir intervenções psicoeducacio-
nais simples e intermediação de ações intersetoriais 
(moradia, trabalho, educação, cultura, etc.). Deve-se 
ainda prover o cuidado para as comorbidades clí-
nicas frequentes e não se limitar ao fornecimentode medicação.
Nos problemas de saúde mental que se manifes-
tam na infância e/ou na adolescência, a APS exerce 
importante função de proteção da vida, respeito à 
dignidade, à liberdade e à convivência familiar, social 
e cultural, através da integração da rede de saúde 
e da busca de recursos intersetoriais nas redes so-
ciais e comunitárias. As estratégias de intervenção 
na saúde destes usuários devem ser baseadas na 
promoção do desenvolvimento físico e psicológico 
saudável, pautado no apoio ao aleitamento materno, 
na orientação para os cuidados maternos primários, 
no reforço e estabelecimentos dos vínculos familia-
res, escolares e comunitários e no estímulo à prática 
de atividade física e alimentação saudável. As equi-
pes devem estar atentas para identificar os fatores 
de risco e proteção da saúde infanto-juvenil, como: o 
Oficina 8 - Saúde Mental
18
contato precoce com substâncias químicas, álcool e 
suas complicações, as doenças sexualmente trans-
missíveis e a gravidez precoce. As ações vão desde 
detecção dos sinais e sintomas precoces das pato-
logias mais frequentes, intervenções iniciais para 
estabilização e, se possível, reversão dos problemas, 
organização de grupos de educação em saúde, até 
o tratamento (nos limites dos recursos da equipe), 
apoiado por profissionais especializados dos CAPS 
e/ou dos NASFs. Considerando ainda a baixa utili-
zação das unidades de saúde pelos adolescentes, o 
desenvolvimento de ações coletivas de promoção da 
saúde mental e de atividades em grupos educativos 
deve ocorrer estrategicamente em locais frequenta-
dos por eles, como escolas, igrejas, ONGs e clubes. 
dependência de álcool e outras drogas
O álcool é a droga de abuso com maior prevalência 
em usuários atendidos na APS. Neste nível de cuida-
do, a detecção precoce de problemas relacionados 
ao álcool e outras drogas, além do tratamento de 
outras patologias e de sintomas de ansiedade e de-
pressão, contribui para evitar a evolução para qua-
dros crônicos de dependência ou outras consequ-
ências advindas da quebra dos vínculos familiares, 
sociais e profissionais.
A identificação do padrão de consumo da bebida 
alcoólica e de outras drogas possibilita reconhecer 
sinais e sintomas de seu uso abusivo. Mediante isto, 
os cuidados e ações propostas incluem intervenções 
no sentido de mostrar claramente as consequências 
clínicas, psicológicas e sociais do uso contínuo de ál-
cool e de outras drogas, discutir o risco envolvido, 
assim como encaminhar os usuários para serviços 
especializados, quando necessário. Além disso, tam-
bém podem ser programadas pela APS a formação 
ou encaminhamento para grupos de ajuda mútua e a 
promoção de ações intersetoriais, visando a redução 
de danos, bem como a manutenção da abstinência e 
prevenção de recaídas.
CONSIdEraçÕES fINaIS 
As práticas em Saúde Mental na APS podem e de-
vem ser realizadas por todos os profissionais de 
saúde, levando em consideração as atividades pro-
gramadas no serviço. Elas podem contemplar ações 
de promoção de saúde mental, evitando assim seg-
mentar o usuário devido a sua patologia.
Qualquer intervenção proposta deve ter a aceitação 
e o envolvimento de todos os integrantes das equi-
pes da atenção primária em papéis diversos, desde 
o simples monitoramento dos sintomas e aderência 
até o apoio nas tomadas de decisão relativas à medi-
cação e supervisão de especialistas.
O vinculo da equipe de saúde com os usuários de 
seu território advém mais do entendimento desta 
relação do que de um saber técnico específico para 
realizar uma intervenção. Isto determina que toda e 
qualquer demanda dirigida ao serviço de saúde do 
território deve ser recebida, ouvida e respondida, 
mesmo que não seja absorvida pelo setor. Assim, 
qualquer encaminhamento deve ser implicado, ou 
seja, a APS deve sempre se responsabilizar, além do 
encaminhamento, pelo estabelecimento de um en-
dereço para a demanda, o cadastramento e o acom-
panhamento de cada caso.
Existe ainda a possibilidade de desconstrução da 
demanda como necessidade de tratamento. Nes-
te caso, o serviço deverá realizar uma intervenção 
junto a outras instâncias, como órgãos da justiça, 
da educação (escolas), sociais, religiosos (igrejas), 
Oficina 8 - Saúde Mental
19
instituições de esporte, lazer e cultura. Ou seja, as 
ações levam em conta a realidade do dia a dia do 
território, as singularidades dos usuários e de suas 
comunidades. Aliás, os recursos comunitários po-
dem formar uma potente rede de apoio que pode ser 
acessada para compartilhar o cuidado.
rEfErÊNCIaS
ALMEIDA, Paulo Vicente Bonilha. Atenção Primária 
à Criança e ao Adolescente do século XXI: análise 
de situação e perspectivas. In: CAMPOS, Gastão 
Wagner de Sousa & GUERRERO, Andre Vinicius 
Pires (org.). manual de práticas de atenção básica: 
saúde ampliada e compartilhada. 2ª ed. São Paulo: 
Aderaldo & Rothschild, 2010. 
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção 
à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde 
Mental. Departamento de Ações Estratégicas. 
Cadernos de atenção Básica, n. 34. Brasília: 
Ministério da Saúde, 2013.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção 
à Saúde. Departamento de Ações Estratégicas. 
Caminhos para uma política de saúde mental 
infanto-juvenil. Série B. Textos Básicos em Saúde. 
Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2005.
CHIAVERINI, Dulce Helena (Organizadora)... [et al.]. 
Guia prático de matriciamento em saúde mental. 
Brasília, DF: Ministério da Saúde: Cento de Estudo e 
Pesquisa em Saúde Coletiva, 2011. 
GARCIA, Leon de Souza Lobo & SANTANA, Carmen 
Lucia Albuquerque. Saúde mental e atenção 
básica. In: FORTALEZA, Orestes Vicente & MIGUEL, 
Eurípedes Constantino (editores). Compêndio de 
clínica psiquiátrica. Barueri, SP: Manole, 2012.
Organização Mundial de Saúde e Organização 
Mundial de Médicos de Família (Wonca). Integração 
da saúde mental nos cuidados de saúde primários: 
uma perspectiva global. Coordenação Nacional 
para a Saúde Mental. Portugal, 2008.
5.3 Estudo de caso: a estratificação de risco e o 
plano de cuidados em saúde mental
Objetivo: Possibilitar que os participantes exercitem 
a estratificação de risco e a elaboração de um plano 
de cuidados.
5.3.1 atividade em grupo: orientação
•	Retornar aos grupos, eleger um coordenador e 
um relator;
•	Ler os textos de apoio – A estratificação de ris-
co em saúde mental; O plano de cuidados em 
saúde mental;
•	Ler os casos A, B, C, D e E;
•	Estratificar o risco dos casos A, B, C, D e E. Definir 
se os casos são: baixo risco, médio risco ou alto risco;
•	Para cada caso, elaborar um plano de cuidados. Uti-
lizar a matriz: Plano de Cuidados em Saúde Mental;
•	Relatar a atividade em plenário. Cada relator terá 
no máximo cinco minutos para apresentação.
5.3.2 Caso a
Identificação: Maurício, 41 anos de idade, casado, téc-
nico em eletrônica, natural do RS, há oito anos em SP.
Oficina 8 - Saúde Mental
20
Queixa atual: Há cinco meses, apareceu tristeza pro-
funda, desânimo, sentimento de inutilidade, ideias 
de suicídio, dor no peito, crises de choro e voltou a 
comer em excesso. Com medo de morrer, parou de 
trabalhar, fica dormindo quase o tempo todo. Apre-
senta dificuldade de concentração, autodepreciação, 
menos-valia, abandono, desesperança, apatia, inca-
pacidade de sentir prazer, queixa de passar a maior 
parte do tempo na cama, de cansaço e de fadiga. 
antecedentes: Aos 25 anos de idade, teve seu pri-
meiro episódio depressivo, quando tentou suicídio 
com substância de letalidade. Socorrido por seu pai,ficou seis dias na UTI, fez quadro de pneumonia aspi-
rativa. Foi levado ao psiquiatra no RS, que prescreveu 
terapia medicamentosa. Após dois meses, voltou ao 
trabalho, passados três meses, a empresa o demi-
tiu. Procurou trabalho, mas não encontrou. Come-
çou a dar aulas particulares em casa de matemática. 
Em pouco tempo, tinha muitos alunos. Fez curso de 
informática e passou a realizar diversos trabalhos na 
área. Ficou bem com a medicação por anos. Casou-
se e mudou para SP. Teve dois filhos. Parou a medi-
cação por conselho do endocrinologista. Apresenta-
va obesidade mórbida, cansaço e muita sonolência. 
Fez cirurgia bariátrica, havia emagrecido cerca de 20 
quilos, porém está recuperando o peso atualmente.
5.3.3 Caso B
Identificação: Roberto, 38 anos de idade, casado, 
eletricista, natural de Salvador, BA.
Queixa atual: sintomas depressivos, fóbicos, pa-
nicosos, obsessivo-compulsivos e hipocondríacos 
(sic). Há cerca de dezoito anos tem pensamentos 
obsessivos. De fato, ao exame, observa-se um usu-
ário ansioso, com ideias obsessivas de agressão, 
além de ideias de poder estar doente (o tempo todo, 
verifica com a mão sua temperatura corporal), com 
humor visivelmente depressivo. Não apresenta al-
terações do conteúdo do pensamento, o qual se 
mostra organizado, porém rapidamente acelerado 
(observa-se certa pressão por falar). Não apresenta 
alucinações. Juízo de realidade preservado e obser-
va-se que está estável no trabalho e no casamento.
antecedentes: Referiu na primeira consulta que 
vinha sofrendo desde os 20 anos de idade com pen-
samentos que diziam respeito a relações sexuais 
com a mãe e agressão ao pai. Relata que subita-
mente, “no dia 04/09/1996, às 21:30 h”, veio-lhe à 
cabeça um pensamento obsessivo intenso que teria 
de matar o seu genitor. Refere que para lidar com 
os seus pensamentos, resolvia se trancar no quarto 
e passar o dia rezando. Não podia dizer o que se 
passava com ele aos pais porque tinha medo do que 
eles poderiam pensar. Receava, também, perder o 
controle da situação e pensava que poderia fazer o 
que os seus pensamentos sugeriam.
Demorou cerca de oito anos para procurar ajuda 
médica e, quando o fez, referiu não ter logrado êxi-
to.Tentou psicoterapia inicialmente e ficou mais de 
um ano em vão nesse tratamento, pois o psicotera-
peuta chegou a lhe dizer que “se pensasse naque-
las coisas, elas acabariam acontecendo mesmo”. 
Desesperou-se e nunca mais quis fazer psicotera-
pia. Procurou outro medico. Foi-lhe prescrito anti-
depressivo, que só conseguia usar em doses baixas 
devido aos efeitos colaterais. Teve uma melhora 
pequena, porém não satisfatória, e antes de com-
pletar um ano de uso da medicação, interrompeu-o.
Oficina 8 - Saúde Mental
21
5.3.4 Caso C
Identificação: Patrícia, 16 anos de idade, solteira, 
católica, estudante do Ensino Fundamental (cursou 
até a 7ª série).
Queixa atual: Ao completar 14 anos, seu comporta-
mento começou a se modificar. Lia a Bíblia em voz 
alta, apresentava risos imotivados, não dormia e por 
vezes aparentava ansiedade, com sudorese intensa. 
Ficava aflita, dizia palavrões e atirava objetos contra 
a parede, dizendo que via pessoas conhecidas lhe 
fazendo propostas sexuais. Permanecia longos perí-
odos olhando para as paredes. Tornou-se agressiva 
com os familiares, reagia de maneira explosiva sem-
pre que julgava que o olhar ou o comportamento de-
les era diferente. O rendimento escolar decaiu, sua 
escrita se tornou quase incompreensível, escrevia 
nomes estranhos e fazia desenhos bizarros no chão. 
A família procurou tratamento ambulatorial psiqui-
átrico, que resultou em melhora parcial dos sinto-
mas, mas manteve o tratamento de forma irregular 
por oito meses e o interrompeu.
Já com 15 anos, houve piora progressiva e gradual 
dos sintomas, começou a apresentar rigidez muscu-
lar, conversava sozinha como se estivesse brigando 
com alguém, às vezes batia nas paredes, sendo en-
tão internada por quatro meses. Após a alta, apre-
sentava diminuição da iniciativa, certa apatia, fala-
va pouco, não saía sozinha, não recordava dos fatos 
ocorridos durante o surto (amnésia lacunar), per-
manecia ainda olhando para as paredes. Após a alta 
hospitalar fez uso da medicação por cerca de 20 dias 
e interrompeu novamente o seguimento. Segundo 
a mãe, atualmente não se alimenta, não fala e fica 
imóvel na cama ajoelhada e rindo, com os membros 
superiores e inferiores fletidos, mãos cerradas, fa-
zendo movimentos pendulares com o tronco, alheia 
ao meio. Apresenta fácies de estranheza, sem con-
tato verbal nem visual, sem cuidados próprios, com 
emagrecimento e escaras de decúbito. 
antecedentes: Sua gestação e parto foram sem 
intercorrências, aos dois anos de idade os pais se 
separaram e a usuária passou a residir com uma 
tia paterna. Com muita dificuldade para se adaptar, 
permanecia isolada, retraída. Após três meses, a 
família a levou para residir com a avó materna no 
Nordeste, com quem a usuária tinha melhor rela-
cionamento. Recebia apenas visitas anuais da mãe, 
e aos cinco anos recebeu a primeira visita do pai. 
Nesta época aprendeu a escrever seu nome, mas 
iniciou os estudos apenas aos oito anos. Era muito 
dedicada, dizia que gostava muito de estudar, tinha 
bom rendimento escolar. Aos nove anos os pais re-
ataram o casamento e retornaram à SP. Logo em 
seguida, nasceu seu irmão. Avô paterno etilista, 
epiléptico. Tia e tio maternos esquizofrênicos pa-
ranóides. Tio paterno com tumor cerebral e mani-
festações psicóticas. Tio paterno etilista, que foi as-
sassinado. O avô materno também é etilista e a avó 
é diabética e hipertensa. O pai já foi etilista e possui 
deficiência mental leve. A mãe, também deficien-
te mental leve, apresentou episódios depressivos e 
crises conversivas; é hepatopata grave por hepatite 
e aguarda transplante hepático. O irmão tem inteli-
gência limítrofe.
5.3.5 Caso d
Identificação: André, 47 anos de idade, brasileiro, 
professor, católico.
Oficina 8 - Saúde Mental
22
Queixa atual: Bebe abusivamente por vários dias in-
terrompendo um período de abstinência, isto é, cos-
tuma ficar sem usar a bebida alcoólica por alguns 
meses. Nega depressão ou ideias de suicídio. Associa 
sua relação com o álcool com situações de dificuldade 
financeira. Afirma que quando vem o desejo de beber, 
não tem como se controlar. O que mais teme é que 
esses abusos com álcool venham a prejudicar sua 
carreira de professor, já que é dedicado e bem concei-
tuado entre seus colegas de profissão.
antecedentes: Há dez anos fez estágio profissional 
em outra cidade, quando teve seus primeiros con-
tatos com bebida alcoólica. A primeira situação de 
abuso de bebidas alcoólicas ocorreu em janeiro de 
2004, a segunda, em fevereiro de 2005, e a terceira, 
em maio de 2005. Nesta última, necessitou de inter-
nação em hospital clínico para tratar os efeitos da 
intoxicação alcoólica. 
Está em seu segundo casamento. O primeiro ter-
minou após 16 anos por problemas de relaciona-
mento. Tem um filho de 20 e outro de 17 anos. É 
filho único. Sem antecedentes psiquiátricos na fa-
mília. É tabagista. 
5.3.6 Caso E
Identificação: Antonio, 24 anos de idade, brasileiro, 
separado, escolaridade média, trabalha na empresa 
da família, evangélico.
Queixa atual: Faz uso de cocaína aspirada a cada 30 
ou 60 dias. Nas ocasiões de uso da droga, fica fora 
de casa de um a dois dias. Anda de carro dia e noite 
usando a droga, e quando melhora volta para casa. 
No final de semana anterior a esta consulta, ficou 
três dias fora de casa usando a droga. Refereque 
quando sente vontade de usar a droga não consegue 
o controle e, nessas ocasiões, torna-se manipulador. 
Quando isso ocorre, há um descontrole total em 
sua vida. 
antecedentes: O primeiro contato com cocaína foi 
aos 16 anos. Acha que começou a usar droga por 
influencia de colegas. Aos 19 anos experimentou 
cannabis. Não consegue caracterizar o que o leva a 
procurar cocaína. Quer ficar bem, pois pretende fa-
zer um curso para piloto de avião.
Nos períodos de sobriedade, é trabalhador e cum-
pridor de suas obrigações, embora sem muita ini-
ciativa, ou seja, é preciso que alguém programe e 
determine o que tem de ser feito. Não tem distúrbios 
de conduta nos períodos de sobriedade. Não faz uso 
de bebida alcoólica. Já fez tratamento ambulatorial 
com tranquilizante e medicação de ação anticonvul-
sivante. Nessa ocasião, ficou seis meses abstêmio.
Seu casamento durou 6 meses, após três anos e 
meio de namoro. Para Antonio, a separação foi de-
corrente de frequentes intervenções da família da 
esposa no relacionamento conjugal.
Entretanto, para os pais dele, a questão do abuso de 
droga foi igualmente um dos fatores da separação. 
Tem um filho de cinco meses. É o filho do meio. Tem 
duas irmãs solteiras. Pais vivos. Os pais têm proble-
mas de relacionamento.
Oficina 8 - Saúde Mental
23
5.3.7 matriz: plano de cuidados em saúde mental
ESTadO dO paraNÁ
Secretaria de Estado da Saúde – SESA
Superintendência de Atenção à Saúde – SAS
Departamento de Atenção as Condições Crônicas – DACC
Divisão de Saúde Mental – DVSAM
plaNO dE CUIdadOS Em SaÚdE mENTal
Nome (com letra de forma 
e sem abreviaturas):
data: Nome e CBO do profissional 
(que realizou atendimento):
Número de prontuário na UBS/ESf:
Quadro psicopatológico Transtorno mental ( ) Dependência de álcool e outras drogas ( )
Estratificação de risco Baixo risco ( ) Médio risco ( ) Alto risco ( )
Obs. aGUdIZaçãO ou INTErNamENTO implica em reavaliação do Plano de Cuidado
aTIVIdadE pONTO dE aTENçãO
À QUEm SE 
dESTINa praZO rESpONSÁVEl mONITOramENTO
lEGENda
aTIVIdadE: Consultas, atendimentos, visitas domiciliares, atividades em grupo, acompanhamento compartilhado com Equipe do NASF, 
agendamento de atendimento em outros níveis de atenção ou serviços, outras atividades realizadas em Pontos de Atenção da Rede Intersetorial. 
pONTO dE aTENçãO: Serviços disponíveis à comunidade que estão na abrangência de uma determinada região e que de alguma forma podem contribuir no 
processo de reabilitação psicossocial dos usuários com transtornos mentais ou dependentes de álcool e outras drogas: 
•	Pontos	de	Atenção	da	Rede	de	Saúde 
•	Pontos	de	Atenção	da	Rede	Intersetorial:	Centros	de	Convivência;	Cooperativas;	Grupos	de	Trabalho;	Empresas;	Abrigos;	Associações	de	moradores	ou	 
comunitárias; Grupos de ajuda mútua; Oficinas Comunitárias; Igrejas; CRAS; CREAS; Escolas; Outros. 
À QUEm SE dESTINa: Qual pessoa será destinada a ação (por exemplo: usuário e/ou família e/ou comunidade). 
praZO: Tempo que será necessário ou previsto para executar a atividade, incluindo as contínuas. 
rESpONSÁVEl: Qual profissional será responsável pela atividade. 
mONITOramENTO daS aTIVIdadES: Especificar se atividade foi realizada e no prazo previsto. Caso não tenha sido realizada, justificar.
Obs. Considerar a possibilidade de outras atividades que possam ser realizadas ou programadas 
em outros pontos de atenção, tanto da Rede de Atenção à Saúde como da Rede Intersetorial.
Oficina 8 - Saúde Mental
24
5.4 Exposição: a planilha de programação local 
para a saúde mental 
Objetivo: Compreender os parâmetros assistenciais 
para a saúde mental, de acordo com a estratificação 
de risco. 
5.4.1 Texto de apoio: a planilha de programação 
para a saúde mental
A programação para a saúde mental deve ser reali-
zada seguindo a mesma operacionalização e os pas-
sos já apresentados na Oficina 6 – Programação da 
Atenção Primária à Saúde, pg. 24-27.
As ações programadas para o acompanhamento da 
população alvo estão divididas em: usuários com 
transtorno mental e usuários com dependência de 
álcool e outras drogas. Estão programadas a partir 
da estratificação de baixo, médio e alto risco. Nas 
planilhas, consta o mínimo de ações que devem 
ser realizadas.
Para o dimensionamento da população alvo, foram 
utilizados dados de prevalência de Transtornos Men-
tais divulgados pela OMS em 2002, a qual estimou 
que 12% da população geral seria acometida por 
Transtornos Mentais, classificados em baixo, médio 
e alto risco, para o planejamento dos atendimentos. 
Além destes, foram utilizados dados da prática clíni-
ca na assistência para estimar os casos de depen-
dência de álcool e outras drogas em 6% da popula-
ção geral, os quais foram priorizados devido a sua 
maior complexidade.
rEdE dE aTENçãO ÀS CONdIçÕES CrÔNICaS 
planejamento da atenção à Saúde mental
plaNIlha dE prOGramaçãO
Atenção primária à saúde, atenção secundária de referência e CAPS
prEENChImENTO:
data: responsável:
programação:
(marcar com “x”)
Equipe APS ( ) Município ( ) Região ( ) Macrorregião ( )
No de equipes de apS: 
IdENTIfICaçãO (registrar nome):
Equipe: município: 
região: macrorregião: 
Oficina 8 - Saúde Mental
25
rEdE dE aTENçãO ÀS CONdIçÕES CrONICaS – SaÚdE mENTal
dImENSIONamENTO da pOpUlaçãO alVO
BaSE dE dadOS para O dImENSIONamENTO
população total: 
ESTImaTIVa da pOpUlaçãO alVO
Geral e por estratificação de risco
Transtorno mental
Prevalência 12,0% da pop. geral 0
Transtornos mentais de baixo risco 50,0% da pop. prevalência 0
Transtornos mentais de médio risco 25,0% da pop. prevalência 0
Transtornos mentais de alto risco 25,0% da pop. prevalência 0
dependência de álcool e outras drogas*
Prevalência 6,0% da pop. geral 0
Baixo risco 30,0% da pop. prevalência 0
Médio risco 65,0% da pop. prevalência 0
Alto risco 5,0% da pop. prevalência 0
Total da população com transtorno mental e dependência de álcool e outras drogas 0
Oficina 8 - Saúde Mental
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Oficina 8 - Saúde Mental
31
5.5 Estudo de caso: a programação local para a 
saúde mental
Objetivo: Possibilitar aos participantes o exercício da 
aplicação da planilha de programação local para a 
saúde mental.
5.5.1 atividade em grupo: orientação
•	Retornar aos grupos, eleger um coordenador e 
um relator;
•	Ler o texto de apoio – A planilha de programação 
para a saúde mental;
•	Ler o estudo de caso: A Programação Local para a 
Saúde Mental na Unidade de APS Santa Terezinha;
•	Elaborar a programação local para a equipe de 
saúde da APS utilizando a planilha de programação 
apresentada no texto de apoio;
•	Responder as seguintes questões:
•	Quantas horas semanais por profissional e 
para a equipe serão consumidas para aten-
der a saúde mental?
•	Qual o % de comprometimento da car-
ga horária semanal por profissional com 
saúde mental?
•	Relatar em plenário a atividade. Cada relator terá 
no máximo cinco minutos para apresentação.
5.5.2 Estudo de caso: a programação local para a 
saúde mental na unidade de aps santa terezinha
A Unidade de APS Santa Terezinha se situa geogra-
ficamente na periferia do município de São Lucas, 
no bairro Coqueiral, distando-se do centro da cidade 
em aproximadamente dez quilômetros. 
Possui uma equipe de saúde da família (contando 
com um médico, um enfermeiro, dois técnicos de 
enfermagem e sete ACS), uma equipe de saúde bu-
cal (com um cirurgião dentista e um auxiliar de saú-
de bucal), e com os seguintes servidores de apoio 
administrativo: um auxiliar de serviços gerais, uma 
recepcionista e um vigia. A unidade funciona das 7h 
às 18h, ininterruptamente, e todos os profissionais 
têm jornada de trabalho de 40h semanais. O conse-
lho local é atuante, reúne-se mensalmente, e avalia 
o desempenho da equipe. 
A Unidade foi construída recentemente com re-
cursos do Ministério da Saúde. Segundo dados do 
cadastro familiar e do Sistema de Informação da 
Atenção Básica (SIAB), vive nesse território uma 
população de três mil habitantes, num total de mil 
domicílios. Após um levantamento local, a equipe 
de saúde identificou que no território o relevo é pla-
no, poucas ruas são pavimentadas, há ausência de 
rede pluvial e consequentes alagamentos. O bairro 
é servido por duas linhas de ônibus, uma ligando 
bairro a bairro, e a outra ligando bairro ao centro. A 
maioria dos domicílios é de alvenaria e tem acesso a 
energia elétrica. 80% têm água tratada, apenas 50% 
têm rede de esgoto sanitário e a coleta de lixo ocorre 
duas vezes por semana. Há no território uma equipe 
de NASF composta por Assistente Social, EducadorFísico e Farmacêutico um Centro de Referência em 
Assistência Social – CRAS e um Serviço Residencial 
Terapêutico – SRT, tipo 1, com oito moradores. Há 
uma escola pública de Ensino Fundamental e um 
campinho, onde as crianças costumam jogar bola. 
Há uma delegacia de polícia com capacidade para 
40 pessoas em privação de liberdade, no momento 
com 95; uma casa para idosos com 30 vagas; uma 
casa de apoio para pessoas vivendo com HIV/AIDS 
com 20 vagas sustentadas por uma igreja evangé-
lica; uma comunidade terapêutica para 30 adoles-
centes. Também existe uma igreja com a Pastoral da 
Oficina 8 - Saúde Mental
32
Sobriedade. Segundo dados do cadastro familiar e 
do SIAB, 51% da população é feminina e 49% é mas-
culina. A população dessa área é constituída por 3% 
de crianças menores de um ano, 7% de crianças de 
um a quatro anos, 12% na faixa etária de cinco a nove 
anos, 8% de dez a 14 anos, 11% de 15 a 19 anos, 52% 
de 20 a 59 anos e 7% de maiores de 60 anos. Aproxi-
madamente 250 famílias vivem com uma renda per 
capita inferior a R$ 70,00; 150 chefes de família são 
analfabetos; 30% das famílias apresentam risco so-
cial, econômico e cultural; e 10% da população têm 
plano de saúde.
 6. rOTEIrO daS aTIVIdadES:
TErCEIrO dIa
6.1 Saudação
Objetivos:
•	Saudar os participantes;
•	Pactuar os compromissos com os participantes.
6.2 painel: experiências exitosas em saúde mental 
na apS 
Objetivo: Conhecer experiências exitosas em saúde 
mental na APS. 
6.3 Estudo dirigido: as estratégias para o 
desenvolvimento dos produtos pelas equipes 
da apS 
Objetivo: Possibilitar aos participantes o desenvolvi-
mento das estratégias para a realização dos produ-
tos da oficina pelas equipes da APS.
6.3.1 atividade em grupo: orientação
•	Retornar aos grupos, eleger um coordenador e 
um relator;
•	Elaborar um cronograma para replicação das ofici-
nas para compartilhamentos com as equipes da APS;
•	Desenvolver estratégias para a realização dos pro-
dutos da oficina pelas equipes da APS:
•	Identificação e estratificação de risco dos 
cidadãos com transtorno mental, dependên-
cia de álcool e/ou substâncias psicoativas 
residentes no território de responsabilidade 
de cada equipe de APS;
•	Programação local para a saúde men-
tal, para cada equipe de APS, utilizando a 
planilha de programação disponibilizada 
pela SESA;
•	Elaboração de agenda para atendimento 
em saúde mental, para cada equipe de APS
•	Relatar a atividade em plenário. Cada relator terá 
no máximo cinco minutos para apresentação.
prazo:
•	Os produtos deverão ser desenvolvidos no período 
de: / / 
próxima oficina:
•	Tema: 
Oficina 8 - Saúde Mental
33
SUGESTãO dE CadaSTrO dE SaÚdE mENTal
ESTadO dO paraNÁ
Secretaria de Estado da Saúde – SESA
Superintendência de Atenção à Saúde – SAS
Departamento de Atenção as Condições Crônicas – DACC
Divisão de Saúde Mental – DVSAM
CadaSTrO dE SaÚdE mENTal (COmplEmENTar aO CadaSTrO GEral da UapS)
1. dadOS dE IdENTIfICaçãO dO USUÁrIO
Nome (com letra de forma e sem abreviaturas):
data de nascimento: Idade: Escolaridade:
Sexo: M ( ) F ( ) TM ( ) AD ( )
Número do prontuário na UBS/ESf:
profissão:
Está trabalhando atualmente? SIM ( ) NÃO ( ) 
Em caso negativo, está recebendo algum tipo de auxílio/benefício?
NÃO ( ) SIM ( ) Qual? Desde quando? 
Estratificação de risco: data:
Estratificação de risco: data:
Estratificação de risco: data:
2. hISTÓrIa prEGrESSa
Internamento: SIM ( ) NÃO ( ) 
local do último internamento: ( ) Hospital Geral ( ) Hospital Psiquiátrico
data e motivo do último internamento: 
Número de Internamentos psiquiátricos: 
Já utilizou serviço de Urgência/Emergência: NÃO ( ) SIM ( ) Quando? 
atendimentos anteriores em Saúde mental:
( ) UAPS ( ) Ambulatório ( ) Centro de Atenção Psicossocial – CAPS
( ) Atendimento Psicológico ( ) Atendimento Psiquiátrico
( ) CRAS/CREAS 
( ) Outro – Qual?
3. SINTOmaTOlOGIa
Sinais e sintomas e demais informações pertinentes (incluindo os aspectos sociais e familiares e em casos AD, especificar qual o tipo de droga utilizada):
Comorbidades (doenças associadas):
medicação atual:
adesão ao tratamento medicamentoso: SIM ( ) NÃO ( )
Nome e CBO do profissional (que realizou atendimento):
Oficina 8 - Saúde Mental
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ESTadO dO paraNÁ
Secretaria de Estado da Saúde – SESA
Superintendência de Atenção à Saúde – SAS
Departamento de Atenção as Condições Crônicas – DACC
Divisão de Saúde Mental – DVSAM
maNUal: Estratificação de risco dos Transtornos 
mentais e dependência de Álcool e outras drogas
dESCrITOrES
Com a finalidade de auxiliar na escolha dos parâme-
tros que vão definir o nível em que ocorrerá a assis-
tência em saúde e lembrando que o planejamento 
da estratificação de risco da população alvo foi re-
alizada considerando a gravidade dos sinais e sin-
tomas apresentados, sem a necessidade de firmar 
diagnóstico inicial, somada às condições de vida atu-
al do usuário; a seguir apresentamos os descritores 
dos sinais e sintomas identificados durante as en-
trevistas de acolhimento da demanda de assistência 
em saúde dos usuários.
GrUpO I – sintomas relacionados aos transtornos 
mentais comuns ou menores: também caracte-
rizados por englobar quadros mais leves como os 
depressivos, ansiosos e somatoformes classificá-
veis nos manuais diagnósticos, além de abranger 
múltiplos sintomas. Causam prejuízos e incapacida-
des funcionais, sociais e físicas comparáveis ou mais 
graves que os transtornos crônicos, duas vezes mais 
queixas de doenças físicas, taxas de mortalidade al-
tas quando comparados com a população em geral, 
além de ser uma das mais importantes causas de 
morbidade na atenção primária.
GrUpO II – sintomas relacionados aos transtornos 
mentais severos e persistentes que se definem por 
uma gama extensa e heterogênea de característi-
cas e necessidades que impactam sobre indivíduos 
tendo em comum a duração do problema, o grau de 
sofrimento emocional, o nível de incapacidade que 
interfere nas relações interpessoais e nas compe-
tências sociais e o diagnóstico psiquiátrico. Grande 
parte dos indivíduos aqui agrupados são portadores 
de transtornos psicóticos – esquizofrenia, transtorno 
afetivo bipolar e outras psicoses.
GrUpO III – sintomas relacionados à dependência 
de álcool e outras drogas que englobam o abuso 
e dependência de substâncias psicoativas (drogas) 
que quando utilizadas alteram o funcionamento 
cerebral causando modificações no estado mental 
ou psiquismo. Inclui o uso de depressores do SNC 
(álcool, benzodiazepínicos, opiáceos e inalantes), os 
psicoestimulantes (anfetaminas e cocaína/crack) e 
os alucinógenos (maconha, LSD, êxtase). A depen-
dência caracteriza-se por reações físicas ou psí-
quicas que incluem ingestão excessiva de drogas 
psicoativas, de modo contínuo ou periódico, para 
experimentar seus efeitos psíquicos e/ou evitar o 
desconforto de sua falta (abstinência); abandono 
progressivo de prazeres e interesses e persistência 
do uso apesar dos prejuízos decorrentes.
GrUpO IV - sintomas relacionados a alterações na 
saúde mental que se manifestam na infância e/ou 
na adolescência. Grupo heterogêneo de transtor-
nos, ocorrendo durante a infância e/ou adolescên-
cia. Algumas destas afecções constituem síndromes 
bem definidas, enquanto outras são simples asso-
ciações de sintomas; mas devem ser identificadas 
em função de sua frequência e de sua associação 
com uma alteração do funcionamento psicossocial.
GrUpO V – sintomas relacionados a alterações 
na saúde mental que se manifestamnos idosos. 
Englobam as demências e distúrbios transitórios 
orgânicos cerebrais comuns na população de faixa 
etária mais elevada e tem em comum a deterioração 
Oficina 8 - Saúde Mental
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e/ou a perda progressiva das capacidades intelectu-
ais e do funcionamento psicossocial.
GrUpO VI – fatores que podem se constituir em fa-
tores agravantes ou atenuantes de problemas de 
saúde mental já identificados. Refere-se à condição 
de vida atual do usuário sendo baseados nos fatores 
de risco e proteção.
GrUpO I
Sensação de morte iminente e/ou pânico: é um 
sentimento de medo extremo (diferente de medo 
intenso), agudo ou prolongado, acompanhado de 
sintomas e sinais físicos como sudorese e taquicar-
dia e de temor a um perigo imediato e não localizá-
vel ou identificável.
medo intenso: sentimento de temor intenso a algum 
perigo identificável ou não.
desrealização: sentimento desagradável de estra-
nheza, de mudança ou de irrealidade em relação ao 
mundo em sua volta.
despersonalização: sentimento desagradável de 
estranheza e novidade em relação a si próprio.
Crises conversivas: conjunto de manifestações de 
comportamento, das sensações em que o indivíduo 
pode ter movimentos corporais bizarros, parecidos 
com convulsões, imobilidade (paralisia) ou anestesia 
de membros e/ou sensação de perda de alguma fun-
ção como a fala, audição ou visão.
Crises dissociativas: semelhante a convulsões epi-
lépticas, manifesta-se por alteração da qualidade da 
consciência em que esta se estreita ou se rebaixa, 
porém sem uma causa biológica explicável, levando 
o indivíduo a fazer uma amnésia seletiva de fatos, de 
lugares, de si mesmo, de pessoas e/ou de fatos psi-
cologicamente significativos.
Queixas somáticas persistentes e/ou hipocondríacas: 
sensações corporais muito frequentes levando o in-
divíduo a obter atenção de terceiros ou outro ganho 
secundário e/ou sensações e sinais físicos triviais 
interpretados como anormais e perturbadores le-
vando a um temor de estar com alguma doença que 
não tenha causa biológica explicável.
pensamentos ou comportamentos repetitivos e/ou 
conjunto de rituais: pensamentos ou atos em geral 
incompreensíveis, inevitáveis e indesejáveis pelo 
próprio individuo, julgados por ele como absurdos 
e irracionais. São exemplos: a reflexão demorada e 
persistente de ideias, os rituais de verificação e os 
de limpeza, estes em geral realizados para aliviar 
algum desconforto emocional subjetivo.
pensamentos de inutilidade e/ou sentimentos de 
culpa: são crenças pessimistas em que o individuo 
se auto-acusa de ser responsável ou irresponsá-
vel por acontecimentos diversos os quais não tem 
responsabilidade direta. Em geral se acompanham 
de sentimentos depressivos e podem evoluir para 
ideias desconectadas da realidade, também chama-
das de delírio.
Tristeza persistente acompanhada ou não de 
choro: sentimentos de tristeza (humor rebaixado) 
observados ou referidos pelo individuo. Quando se 
acompanha de prolongada ausência (falta) de vonta-
des e desejos com inibição global do funcionamento 
mental, sem necessariamente ter uma causa defini-
da, pode ser denominado de depressão. 
GrUpO II 
Ideação e/ou tentativa de suicídio: é a intenção de 
matar-se. Tema que deve ser abordado em qual-
quer investigação de problemas mentais permitindo 
Oficina 8 - Saúde Mental
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ao usuário falar do assunto para que a intensida-
de desta idéia seja avaliada quanto ao risco real de 
ser cometida.
Isolamento social: tendência a manter-se afastado 
do convívio e/ou contato familiar ou social.
heteroagressividade e/ou autoagressividade: alte-
ração de conduta em que o indivíduo usa práticas de 
violência verbal ou física contra os outros, contra si 
ou contra objetos.
desinibição social e sexual: alteração de comporta-
mento em que o indivíduo perde a noção de moralida-
de e pudor, com atitudes exageradamente sedutoras 
ou consideradas imorais. Em geral se acompanham 
de sentimentos de euforia e/ou de grandeza.
hiperatividade associada ou não a atos impulsivos: 
aumento da atividade motora associada ou não a 
ações involuntárias, automáticas, sem reflexão ou 
ponderação, em geral incontroláveis, e sem objetivo 
específico, podendo levar a exaustão; que acompa-
nha estados de humor eufóricos. 
Euforia: elevação desproporcional do humor com-
preendida como uma alegria patológica em que o 
indivíduo está demasiado otimista, motivado, exal-
tado, comunicativo. Pode apresentar pressão para 
falar sem parar resultando num discurso acelerado, 
contagiante, repleto de brincadeiras e gesticulações.
Elevação desproporcional da autoestima: o indivi-
duo expressa vivências exageradas de qualidades 
pessoais, poder, ganho, grandeza e sucesso relacio-
nados a si mesmo.
delírio: distúrbio do conteúdo do pensamento em 
que o indivíduo tem ideias em desacordo com a 
realidade. Cria, distorce ou dá falso significado 
para a realidade, são crenças errôneas da qual 
ele tem absoluta convicção sendo irremovível e 
não influenciável.
alucinação: alteração da percepção visual, auditiva, 
olfativa, gustativa ou tátil que é clara e definida ape-
sar do objeto não estar presente na realidade.
alteração no curso do pensamento: alteração no 
curso do pensamento em que há uma sensação de 
interrupção, levando a crença de que outras pesso-
as ouvem ou percebem seus pensamentos e/ou que 
seu pensamento foi roubado da mente.
perda do Juízo Crítico da realidade: alteração do 
pensamento em que há um julgamento falso ou 
distorcido da realidade externa motivado por fato-
res patológicos psíquicos (realidade interna), que se 
evidencia principalmente quando há alucinações e 
delírios. Em geral se acompanha de perda das capa-
cidades de autogerenciamento. 
GrUpO III
delirium tremens: psicose orgânica reversível que 
dura de dois a dez dias e que resulta da interrupção 
da ingestão de bebida alcoólica. Inicia-se 72 horas 
após a ingestão da última dose de bebida alcoólica, 
e manifesta-se com diminuição do nível da consci-
ência, confusão mental, desorientação no tempo e 
espaço, tremores de extremidade e generalizados, 
insônia, febre, sudorese abundante, ilusões e alu-
cinações visuais e táteis (pequenos insetos e ani-
mais) podendo levar à morte pela desidratação e 
outras complicações.
Tremor associado, ao hálito etílico e sudorese etílica: 
tremores finos observáveis nas mãos, pernas e língua 
e hálito e/ou suor com cheiro de álcool.
Incapacidade de redução e controle do uso de drogas: 
situação em que o individuo, apesar dos prejuízos pes-
soais sofridos em decorrência da ingestão de álcool 
ou drogas, continua o uso.
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manifestação de comportamento de risco para si 
e para terceiros: atitudes pessoais que colocam o 
indivíduo em risco de morrer, de causar danos para 
outros, de sofrer prejuízo físico, emocional ou moral. 
Ex: dirigir embriagado, relação sexual desprotegida, 
intoxicação alcoólica aguda, coma alcoólico, abando-
no de higiene e alimentação.
Tolerância: necessidade de ingerir quantidades de 
substâncias psicoativas progressivamente maiores 
para obter o mesmo efeito observado inicialmente 
em pequenas quantidades.
GrUpO IV 
dificuldade manifesta na infância e/ou adolescên-
cia de compreender e transmitir informação: pode 
ser dificuldade da fala, da escrita, da expressão 
facial, da gesticulação corporal, do aprendizado e da 
compreensão observados com maior frequência no 
período escolar.
movimentos corporais ou comportamentais este-
reotipados: são gestos, trejeitos, tiques, maneiris-
mos,posturas que são repetidas ou, ao contrário, 
são mantidas por longos períodos, mas sem um 
propósito específico ou objetivo aparente.
desatenção manifesta na infância e/ou adolescência: 
padrão de comportamento caracterizado por dificul-
dade em iniciar, manter e terminar interação com ou-
tras pessoas e tarefas por falta de atenção, resultando 
em desorganização, distratibilidade, esquecimentos e 
dificuldade de planejamento; manifesta em indivídu-
os menores de 18 anos. 
Inquietação constante manifesta na infância e/ou 
adolescência: atividade excessiva em situações em 
que relativa tranquilidade é esperada, resultando 
em excesso de agitação e impulsividade que podem 
perturbar o ambiente e se associar a agressividade e 
comportamento opositor em indivíduos menores de 
18 anos.
regressão: tendência a apresentar comportamen-
tos ou reações afetivas características de épocas an-
teriores ao atual nível de desenvolvimento e experi-
ência pessoal. Também se denomina puerilismo ou 
infantilismo afetivo.
GrUpO V
perda da memória: dificuldade ou incapacidade 
para recordar fatos ocorridos antes, durante ou após 
um determinado ponto no tempo.
perda progressiva da capacidade funcional, ocu-
pacional e social: dificuldade ou incapacidade para 
exercer plenamente funções familiares, domicilia-
res, profissionais ou na sociedade; que se instalou 
de forma crescente e progressiva ao longo da vida e 
em consequência dos problemas de saúde mental.
desorientação temporal e espacial: prejuízo ou in-
capacidade de reconhecer a data (dia, mês e ano) 
atual e o local em que se encontra.
GrUpO VI
resistência ao tratamento e/ou refratariedade: é a 
não resposta efetiva a diversos tratamentos adminis-
trados de maneira adequada, seja por não aderência, 
por permanência dos sintomas, ou por evidência de 
fracasso nos tratamentos psiquiátricos anteriores.
recorrência ou recaída: é o retorno da atividade de 
uma doença após um período de pelo menos dois 
meses em que houve remissão (desaparecimento) 
completa dos sintomas. Pode ser uma manifestação 
clínica ou laboratorial. Um 1º episódio é considerado 
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único, episódios subsequentes são “recorrentes” ou 
“recidivantes”.
Uso abusivo de substâncias psicoativas: padrão de 
uso de psicofármacos, álcool ou outras drogas que 
causa prejuízo ou dano real à saúde, à vida social e 
profissional do usuário; sem que se observem tole-
rância, abstinência e sinais e sintomas de abstinên-
cia presentes em casos de dependência química.
Exposição continuada ao estresse: quando o indiví-
duo convive repetitivamente ou por tempo prolongado 
com eventos ou circunstâncias em sua vida pessoal, 
familiar, profissional ou social que gerem alteração, 
reação ou sofrimento emocional inevitável e acima 
do individualmente suportável.
precariedade de suporte social: quando não há 
pessoas de sua comunidade disponíveis para pres-
tar alguma assistência, supervisão, monitoramento 
ou encaminhamento para tratamento
precariedade de suporte familiar: quando não há 
familiares disponíveis para prestar alguma assistên-
cia, supervisão, monitoramento ou encaminhamento 
para tratamento.
Testemunha de violência: pessoa que assistiu de 
forma presencial ato de violência física contra ter-
ceiros ou contra objetos (patrimônio).
autor ou vítima de violência: pessoa que sofreu ou 
cometeu ato de violência física contra si, contra ter-
ceiros ou contra objetos (patrimônio).
perda da funcionalidade familiar e/ou afetiva: 
quando o indivíduo perdeu a capacidade de tomar 
decisões necessitando auxilio de outras pessoas 
para gerenciar sua vida.
Vulnerabilidade econômica e ambiental: conjunto 
de situações, mais ou menos problemáticas, que 
situam a pessoa numa condição de carente, ne-
cessitada, impossibilitada de responder com seus 
próprios recursos às exigências da vida nas áreas 
econômicas ou ambientais. Exemplo: desemprego, 
ausência de moradia, vitima de desastres naturais. 
Comorbidade ou outra condição crônica associada: 
quando uma ou mais doenças estão presentes ao 
mesmo tempo em que o transtorno mental.
faixa etária > 6 anos e < de 18 anos: pessoas com ida-
de superior a seis anos inferior a 18 anos. 
abandono e/ou atraso escolar: Quando o aluno dei-
xa de ir à escola ou está em atraso de no mínimo 
dois anos consecutivos do período escolar.
CONdIçÕES ESpECIaIS: São circunstâncias consi-
deradas sentinelas porque exigem maior atenção 
das equipes de saúde se fazendo indispensável, 
além da aplicação da estratificação de risco, uma 
maior atenção e cuidado. 
•	GESTaçãO
•	pOpUlaçãO INdÍGENa
•	dEfICIÊNCIa mENTal mOdErada OU 
SEVEra
EVENTOS aGUdOS: Nestas situações não se faz 
estratificação de risco, pois são consideradas situ-
ações de urgência para as quais deve ser aplicada 
a classificação de risco como em qualquer outro 
evento agudo.
•	OCOrrÊNCIa rECENTE dE TENTaTIVa 
dE SUICÍdIO
•	CrISE OU SUrTO pSICÓTICO
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ESTadO dO paraNÁ
Secretaria de Estado da Saúde – SESA
Superintendência de Atenção à Saúde – SAS
Departamento de Atenção as Condições Crônicas – DACC
Divisão de Saúde Mental – DVSAM
fICha dE apOIO plaNO dE CUIdadOS Em SaÚdE mENTal 
QUadrO 
pSICOpaTOlÓGICO
ESTraTIfICaçãO 
dE rISCO aTIVIdadE
pONTO dE aTENçãO
apS
TraNSTOrNO 
mENTal
BAIXO RISCO
Consulta médica 2 Consultas médicas
Consulta de enfermagem 1 Consulta de enfermagem
Atendimento de odontologia 1 Atendimento de odontologia
Atividades em Grupo 4 Atividades em Grupo
Visita Domiciliar 1 Visita Domiciliar ao mês
Acompanhamento Compartilhado com Equipe do NASF Quando necessário
MÉDIO RISCO
Consulta médica 1 Consulta médica 
Consulta de enfermagem 1 Consulta de enfermagem
Consulta de odontologia 1 Atendimento de odontologia
Atividades em Grupo 4 Atividades em Grupo
Visita Domiciliar 1 Visita Domiciliar ao mês
Acompanhamento Compartilhado com Equipe do NASF Quando necessário
ALTO RISCO
Consulta médica 1 Consulta médica 
Consulta de enfermagem 1 Consulta de enfermagem
Consulta de odontologia 1 Atendimento de odontologia
Visita Domiciliar 1 Visita Domiciliar ao mês
Acompanhamento Compartilhado com Equipe do NASF Quando necessário
Agendar atendimento no CAPS ou Centro Regional de 
Atenção Especializada para todos os usuários com 
Transtorno Mental 
dEpENdÊNCIa dE 
ÁlCOOl E OUTraS 
drOGaS
BAIXO RISCO
Consulta médica 2 Consultas médicas 
Consulta de enfermagem 1 Consulta de enfermagem
Consulta de odontologia 1 Consulta de odontologia
Acompanhamento Compartilhado com Equipe do NASF Quando necessário
Visita Domiciliar 1 Visita Domiciliar ao mês
MÉDIO RISCO
Consulta médica 1 Consultas médicas 
Consulta de enfermagem 1 Consulta de enfermagem
Consulta de odontologia 1 Consulta de odontologia
Acompanhamento Compartilhado com Equipe do NASF Quando necessário
Visita Domiciliar 1 Visita Domiciliar ao mês
Agendar atendimento no CAPS ou Centro Regional 
de Atenção Especializada para todos os usuários com 
Dependência de Álcool e outras Drogas
ALTO RISCO
Agendar atendimento no CAPS ou Centro Regional 
de Atenção Especializada para todos os usuários com 
Dependência de Álcool e outras Drogas
Visita Domiciliar 1 Visita Domiciliar ao mês
Obs. Considerar a possibilidade de outras atividades que possam ser realizadas ou programadas em outros 
pontos de atenção, tanto da Rede de Atenção à Saúde como da Rede Intersetorial.
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 aNOTaçÕES
 
 
 
 
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