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Oficinas do APSUS Formação e Qualificação do Profisional em Atenção Primária à Saúde Março de 2014 Oficinas do APSUS Formação e Qualificação do Profisional em Atenção Primária à Saúde O�cina 8 Saúde Mental Oficina 8 - Saúde Mental 3 Secretaria de Estado da Saúde do Paraná Michele Caputo Neto Secretário de Estado da Saúde René José Moreira dos Santos Diretor Geral Márcia Huçulak Superintendente de Atenção à Saúde Márcia Huçulak Maria Cristina Tanaka Arai Coordenação do APSUS Maria Emi Shimazaki Consultora de Conteúdo Elaboração Este caderno é um dos resultados de um planejamento estratégico que iniciou em 2011 com a participação da equipe da Coordenação Estadual de Saúde Mental e colaboradores. Oficina 8 - Saúde Mental 4 1. OBJETIVOS 1.1 Objetivo Geral Contribuir para o desenvolvimento de competência do corpo técnico e gerencial da Atenção Primária à Saúde (APS), nos municípios e no estado, para que cada equipe possa realizar ações em saúde mental para a população sob sua responsabilidade. 1.2 Objetivos Específicos • Compreender os fundamentos que norteiam a organização da Rede de Atenção à Saúde Mental no Paraná; • Compreender a competência da APS na Rede de Atenção à Saúde Mental; • Compreender os critérios, o instrumento e a metodologia para a estratificação de risco em saúde mental; • Compreender os fundamentos para a elaboração de um plano de cuidado; • Compreender os parâmetros assistenciais para o atendimento às pessoas com transtorno mental e/ou dependência de álcool e/ou de substân- cias psicoativas; 3.2. prOGramaçãO daS aTIVIdadES prImEIrO dIa HORÁRIO ATIVIDADES TEMAS 13:30 – 14:00 Abertura 14:00 – 15:30 Trabalho em grupos Avaliação dos produtos do período de dispersão 15:30 – 15:45 Intervalo 15:45 – 16:30 Plenário Relato das atividades dos grupos 16:30 – 17:30 Exposição Saúde Mental na APS SEGUNdO dIa 08:00 – 08:30 Saudação 08:30 – 09:30 Exposição A estratificação de risco e o plano de cuidados em saúde mental 4. rOTEIrO daS aTIVIdadES: prImEIrO dIa 4.1 abertura Objetivos: • Saudar os participantes; • Apresentar os objetivos da oficina; • Orientar sobre a programação e a metodologia da oficina; • Pactuar os compromissos com os participantes. 4.2 Estudo dirigido: a avaliação dos produtos do período de dispersão Avaliar os produtos do período de dispersão da oficina Vigilância em Saúde. 4.2.1 Trabalho em grupos: orientação • Dividir em grupos, preferencialmente, por macrorregiões; • Eleger o coordenador e o relator de cada grupo; • Compreender a planilha de programação local para a saúde mental na APS; • Conhecer experiências exitosas em saúde mental na APS. 2. prOdUTOS Ao final desta oficina, os participantes deverão de- senvolver os seguintes produtos: • Identificação e estratificação de risco dos usuá- rios com transtorno mental, dependência de álcool e outras drogas residentes no território de responsa- bilidade de cada equipe de APS; • Programação local para a saúde mental – para cada equipe de APS – utilizando a planilha de pro- gramação disponibilizada pela SESA; • Elaboração de agenda para atendimento em saúde mental, para cada equipe de APS. 3. prOGrama GEral 3.1 atividades educacionais Esta oficina tem carga horária de dezesseis horas, realizada em três dias, e conta com as seguintes ati- vidades educacionais: exposições dialogadas, traba- lhos em grupos, atividades em plenário e painel. Oficina 8 - Saúde Mental 5 09:30 – 11:00 Trabalho em grupos Estudos de caso 11:00 – 11:15 Intervalo 11:15 – 12:00 Plenário Relato das atividades dos grupos 12:00 – 13:30 Intervalo 13:30 – 14:30 Exposição A programação local em saúde mental 14:30 – 16:00 Trabalho em grupos Estudos de caso 16:00 – 16:15 Intervalo 16:15 – 17:30 Plenário Relato das atividades dos grupos TErCEIrO dIa 08:00 – 09:45 Painel Experiências exitosas em saúde mental na APS 09:45 – 10:00 Intervalo 10:00 – 11:00 Trabalho em grupos As estratégias para o desenvolvimento dos produtos da oficina 11:00 – 12:00 Plenário Relato das atividades dos grupos 12:00 – 12:30 Plenário Avaliação e encerramento 4. rOTEIrO daS aTIVIdadES: prImEIrO dIa 4.1 abertura Objetivos: • Saudar os participantes; • Apresentar os objetivos da oficina; • Orientar sobre a programação e a metodologia da oficina; • Pactuar os compromissos com os participantes. 4.2 Estudo dirigido: a avaliação dos produtos do período de dispersão Avaliar os produtos do período de dispersão da oficina Vigilância em Saúde. 4.2.1 Trabalho em grupos: orientação • Dividir em grupos, preferencialmente, por macrorregiões; • Eleger o coordenador e o relator de cada grupo; • Avaliar os produtos do período de dispersão; • Utilizar a Matriz 1 – Pontuação dos produtos do pe- ríodo de dispersão: • Coluna 1: Listar os produtos do período de dispersão; • Coluna 2: Inserir em cada uma das colunas o nome dos municípios a serem avaliados. Para avaliação de cada produto, pontuar: • 0 = produto não desenvolvido; • 20 = produto desenvolvido em no máximo 50% das equipes da APS; • 40 = produto desenvolvido em no máximo 70% das equipes da APS; • 60 = produto desenvolvido em mais de 70% das equipes da APS. • Utilizar a Matriz 2 – Avaliação dos produtos do período de dispersão: • Coluna a: Inserir o nome dos municípios da região; • Coluna b: Inserir na coluna corresponden- te a pontuação total de cada município utili- zando a seguinte escala: • Vermelho: total de 0 pontos; • Laranja: total de 1 a 49 pontos; Oficina 8 - Saúde Mental 6 • Amarelo: total de 50 a 85 pontos; • Verde: total de 86 a 110 pontos; • Azul: total de 111 a 120 pontos. • Relatar a atividade do grupo. Cada relator terá cinco minutos para apresen- tar o relatório do grupo. maTrIZ 1: aValIaçãO dOS prOdUTOS dO pErÍOdO dE dISpErSãO REGIÃO: PRODUTOS (Coluna 1) MUNICÍPIOS DA REGIÃO (Coluna 2) 1. Programação local para o enfrentamento da dengue 2. Programação local para a tuberculose TOTAL DE PONTOS maTrIZ 2: aValIaçãO dOS prOdUTOS dE dISpErSãO MUNICÍPIO (Coluna a) PONTUAÇÃO (Coluna b) VERMELHO 0 pontos LARANJA 1 a 49 pontos AMARELO 50 a 85 pontos VERDE 86 a 110 pontos AZUL 111 a 120 pontos 4.3 Exposição: a saúde mental na apS Objetivo: Compreender os fundamentos que nor- teiam a organização da Rede de Atenção à Saúde Mental no Paraná e a competência da APS. 4.3.1 Texto de apoio a rEdE dE aTENçãO À SaÚdE mENTal NO paraNÁ E a COmpETÊNCIa da apS* a rede de atenção à Saúde mental no paraná A Secretaria de Estado da Saúde incluiu no seu Mapa Estratégico a Rede de Atenção à Saúde Mental como * Todos os textos de apoio foram elaborados por Camila Del Tregio Esteves, Débora Guelfi, Larissa Sayuri Yamaguchi, Maristela da Costa Sousa e Rejane Tabuti. uma das cinco redes prioritárias de implantação e implementação nesta gestão. Em 2011, com a publicação do Decreto Presidencial nº 7508/2011 – que regulamenta a Lei nº 8.080/1990 e dispõe sobre a organização do SUS, o planejamen- to da saúde, a assistência à saúde e a articulação in- terfederativa – a atenção psicossocial passou a ser “uma rede indispensável nas regiões de saúde”. Para sua operacionalização, seguindo as diretrizes do Sis- tema Único de Saúde (SUS) e da Política Nacional de Saúde Mental, a Portaria GM/MS nº 3088/2011** ins- tituiu a Rede de Atenção Psicossocial – RAPS para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas.Oficina 8 - Saúde Mental 7 Para a efetivação da Política Estadual de Saúde Men- tal, a SESA redefiniu as diretrizes e estratégias por meio de um processo de Planejamento Estratégico, considerando a realidade do estado e procurando abranger o que a Política Nacional não contempla. Considerando que os serviços assistenciais são de responsabilidade do município, cabe ao estado, em seu papel regulador, estimular a criação de polí- ticas municipais em consonância com a Reforma Psiquiátrica Brasileira, articular as negociações re- gionalizadas, fiscalizar (controle, avaliação e acom- panhamento) e oferecer suporte técnico às equipes. Assim, conforme as diretrizes e os objetivos da RAPS da Portaria GM/MS 3088/2011**, as ações de saúde mental devem ser estruturadas a partir da realidade municipal / microrregional / regional / macrorregio- nal, considerando as necessidades e os recursos. ** Republicada por ter saído no DOU de 30/12/2011, Seção 1, página 59, com incorreções no original. A partir desse planejamento foi elaborado o Mapa Estratégico da Rede de Saúde Mental, que define a missão, a visão, os valores e as perspectivas para alcançar o resultado para a sociedade tendo como pressuposto o cuidado no território e a atenção pri- mária como ordenadora da Rede de Atenção à Saúde, sempre em busca da articulação intra e intersetorial (Quadro 1). Devido à transversalidade e à complexidade do cam- po da saúde mental, bem como à abrangência dos pontos de atenção, é imprescindível que se tenha clareza das competências para organizar a Rede de Atenção à Saúde Mental. É importante também con- siderar que o objetivo da rede sempre é a articulação entre estes pontos e a melhoria do acesso aos usuários, buscando promover o cuidado integral. Para tanto, foi elaborada a Matriz de Competência da Rede de Atenção à Saúde Mental do Estado do Paraná (Quadro 2). QUadrO 1: mapa ESTraTÉGICO da rEdE dE aTENçãO À SaÚdE mENTal dO paraNÁ mapa estratégico Missão Formular e desenvolver a Política Estadual de Saúde Mental para organizar a Rede de Atenção à Saúde Mental, de forma articulada e resolutiva para toda a população paranaense. Visão Desenvolver, até 2020, um modelo de gestão articulada com outras áreas governamentais e a sociedade civil que proporcione saúde mental para toda a população paranaense. Valores Ética, solidariedade, comprometimento, competência e cidadania. Resultado para a sociedade Reduzir os anos vividos com incapacidade por sofrimento ou transtorno mental e/ou com necessidades decorrentes do uso de drogas. Perspectiva para o processo • Melhorar o acesso aos diversos pontos de atenção, em especial na APS e situações de urgência e emergência; • Melhorar a qualidade e resolubilidade em saúde mental nos diversos pontos de atenção da rede; • Fomentar ações de promoção à saúde, prevenção de agravos em saúde mental e reabilitação psicossocial, por meio de ações intersetoriais e na sociedade civil; • Viabilizar sistema de apoio (assistência farmacêutica, diagnóstico e informações) e logístico (transporte e regulação). Perspectiva para a gestão • Promover a articulação com outras áreas governamentais e com a sociedade civil; • Desenhar/organizar a Rede de Atenção à Saúde Mental, com definição das competências de cada ponto de atenção, incluindo sistemas logísticos e de apoio; • Implantar o plano de qualificação dos pontos de atenção na Rede de Atenção à Saúde Mental por meio de Política Estadual de Educação Permanente em Saúde; • Implantar e implementar novas tecnologias de abordagem e cuidado na Rede de Atenção à Saúde Mental; • Implantar o plano de monitoramento e avaliação da Rede de Atenção à Saúde Mental. Perspectiva financeira • Garantir recurso financeiro estadual para os serviços da Rede de Atenção à Saúde Mental, segundo critérios de qualidade preestabelecidos. Oficina 8 - Saúde Mental 8 maTrIZ dE COmpETÊNCIa dOS pONTOS dE aTENçãO da rEdE dE aTENçãO À SaÚdE mENTal para Cada maCrOrrEGIãO dO ESTadO NÍVEl dE aTENçãO pONTO dE aTENçãO COmpETÊNCIa dO pONTO dE aTENçãO TErrITÓrIO SaNITÁrIO pr Im Ár Ia Domicílio • Autocuidado • Busca ativa • Atenção domiciliar • Identificação de fatores de risco e de proteção Domicílio Grupos de ajuda mútua • Acolhimento • Socialização/reinserção • Ajuda entre pares • Informação • Compartilhamento de vivências Comunidade Consultório na rua • Acolhimento • Redução de danos • Busca ativa • Cadastramento • Identificação de riscos • Orientação e encaminhamentos • Vínculo Rua UBS/ESF • Acolhimento • Estratificação de risco • Ordenamento do cuidado • Articulação da Rede Intra e Intersetorial • Cadastramento • Vínculo • Responsabilidade pelos usuários de seu território • Garantia do cuidado e da resolubilidade da atenção para o usuário de baixo e médio risco • Compartilhamento com o CAPS do cuidado ao usuário de alto risco • Educação em saúde • Atividades coletivas Território de abrangência Academia da Saúde • Práticas corporais/atividades físicas • Práticas artísticas • Promoção de atividades de segurança alimentar e nutricional e de educação alimentar • Planejamento das ações em conjunto com a equipe de APS Território de abrangência NASF/Equipe matricial • Matriciamento • Atendimento multiprofissional • Compartilhamento do cuidado ao usuário de médio risco • Compartilhamento do cuidado ao usuário de alto risco – para municípios que não possuem CAPS • Educação permanente da APS Território de abrangência CRAS • Identificação de fatores de risco e de proteção • Encaminhamentos • Promoção da saúde mental e prevenção de agravos • Reinserção social • Viabilização do acesso às condições de cidadania • Atenção às famílias Território de abrangência Escolas • Prevenção de agravos e promoção da saúde mental • Identificação de fatores de risco e de proteção • Encaminhamentos • Inclusão • Orientação familiar • Programa Saúde na Escola (PSE) Território de abrangência Associações, ONGs, Centros de Convivência, Igrejas e similares • Acolhimento • Socialização • Reinserção social • Promoção da saúde Comunidade Oficina 8 - Saúde Mental 9 maTrIZ dE COmpETÊNCIa dOS pONTOS dE aTENçãO da rEdE dE aTENçãO À SaÚdE mENTal para Cada maCrOrrEGIãO dO ESTadO NÍVEl dE aTENçãO pONTO dE aTENçãO COmpETÊNCIa dO pONTO dE aTENçãO TErrITÓrIO SaNITÁrIO SE CU N dÁ r Ia CAPS • Acolhimento • Reabilitação psicossocial (reinserção social, assembleias, oficinas, atenção aos familiares, projeto de geração de renda, atividades em grupo ou coletivas, etc) • Projeto Terapêutico Singular • Matriciamento • Compartilhamento com a APS do cuidado ao usuário de alto risco • Atenção às situações de crises • Hospitalidade noturna (CAPS III e ad III) • Atendimento multiprofissional • Articulação de redes intra e intersetoriais • Redução de danos • Acompanhamento de SRT – Serviço Residencial Terapêutico (caso tenha SRT vinculado) • Definição de acolhimento na UA e no Serviço de Atenção em Regime Residencial (caso tenha estes serviços vinculados) Território de abrangência CREAS • Ofertar e referenciar serviços especializados de caráter continuado para famílias e indivíduos em situação de risco pessoal e social, por ameaça e/ou violação de direitos Território de abrangência Unidade de Acolhimento ou Serviço de Atenção em Regime Residencial • Acolhimento definido pelo CAPS • Acompanhamento terapêutico e protetivo de caráter transitório • Moradia transitória com saída programada • Vinculação ao CAPS • Projeto Terapêutico Singular em conjunto com o CAPS • Atenção aos familiares • Articulação com a Rede Intersetorial visando a reinserção social, familiar e laboral Território de abrangênciaCentro Regional de Atenção Especializada • Tutoria/Telessaúde • Matriciamento (supervisão, capacitação, etc) • Atenção ao usuário de médio risco referenciado pela APS • Atenção ao usuário de alto risco referenciado pela APS – para municípios que não possuem CAPS • Atendimento multiprofissional • Ações de prevenção e promoção da saúde mental em conjunto com os municípios • Compartilhamento com a APS do cuidado ao usuário de médio e alto risco Regional de Saúde Hospital Geral • Atendimento aos usuários de médio e alto risco, após esgotados os outros recursos terapêuticos • Atendimento à crise • Internamento de curta permanência • Atendimento às comorbidades clínicas • Remissão de sintomas e estabilização do quadro clínico-psiquiátrico • Referenciar para a continuidade do cuidado • Orientação aos familiares Território de abrangência Hospital especializado em psiquiatria • Atendimento aos usuários de alto risco, após esgotados os outros recursos terapêuticos • Atendimento à crise • Orientação aos familiares • Remissão de sintomas e estabilização do quadro clínico-psiquiátrico • Referenciar para continuidade do cuidado • Internamento de curta permanência Território de abrangência Pronto Atendimento • Atendimento à crise • Classificação de risco (clínico/psiquiátrico) • Orientação aos familiares • Referenciar para continuidade do cuidado Território de abrangência SRT • Atendimento de egressos de HP e HCTP de longa permanência e sem vinculo familiar • Moradia • Reinserção social e reabilitação psicossocial • Vinculado ao CAPS Comunidade Oficina 8 - Saúde Mental 10 a COmpETÊNCIa da apS Na rEdE dE aTENçãO À SaÚdE mENTal NO paraNÁ Saúde Mental na atenção primária é um tema que parece complexo, mas que já se encontra plenamen- te presente no cotidiano efetivo de trabalho dos pro- fissionais desta esfera de atendimento. As pessoas acometidas por sofrimento e/ou transtorno mental, decorrentes ou não do uso de substâncias psicoa- tivas, desde alterações leves até as mais graves, merecem cuidado na APS como as que sofrem das demais condições crônicas de saúde. Segundo Amarante & Lancetti (2009), promover saúde mental hoje é uma tarefa que compete a to- dos os profissionais de saúde: médicos, enfermei- ros, auxiliares de enfermagem, dentistas, agentes comunitários de saúde, assistentes sociais, terapeu- tas ocupacionais, fonoaudiólogos, psicopedagogos e psicólogos. Cada vez menos se busca separar a saú- de física da saúde mental. Os usuários são os mes- mos e a experiência vem demonstrando que o traba- lho conjunto é mais eficaz e menos danoso para os profissionais de saúde. Franco Basaglia, numa proposta de mudança de pa- radigma no modelo assistencial psiquiátrico, citado por Amarante & Lancetti (2009), considerava que era preciso “colocar a doença entre parênteses para se tratar e lidar com os sujeitos concretos que sofrem e experimentam o sofrimento”. Seguindo este direcio- namento, todas as ações desenvolvidas devem ser pautadas pelo conceito de cidadania – o usuário é, antes de tudo, um cidadão. Com as novas diretrizes ocorridas na área da saúde nos últimos anos no plano mundial (por recomen- dação da OMS), outros profissionais, especialmente os que operam na atenção primária, são convocados a intervir nos processos de reabilitação das pessoas que ouvem vozes, usam drogas de maneira suicida, sofrem angústias, violências e opressões graves. O hospital psiquiátrico deixou de ser o foco da assis- tência, da organização das políticas e da formação profissional, da mesma maneira que não são con- siderados eficientes para a recuperação das pesso- as em grave sofrimento psíquico. Hoje, entende-se que o meio privilegiado para tratamento de pessoas com sofrimento mental, drogadictos, violentados e que sofrem de angústias profundas e intensas an- siedades é o bairro, as famílias, as comunidades e, logicamente, as unidades de saúde encravadas nos territórios onde as pessoas residem. São muitos os benefícios da integração da saúde mental à Atenção Primária em Saúde (APS). Algu- mas das vantagens principais são o acesso aos cui- dados de saúde mental que a população precisa e o aumento da probabilidade de resultados positivos, tanto para problemas de saúde mental quanto para problemas de saúde física. Abrangendo estes e outros benefícios, são enume- radas, a seguir, sete razões principais para integrar a saúde mental à APS, em conformidade com o Relatório da OMS e da Organização Mundial de Mé- dicos de Família – Wonca (2008): 1. a carga das perturbações mentais é grande. As perturbações mentais estão presentes em todas as sociedades. Elas criam uma carga pessoal substan- cial para os indivíduos afetados e para as suas famí- lias, e produzem dificuldades econômicas e sociais substanciais que afetam todas as pessoas; 2. Os problemas de saúde mental e física estão in- terligados. Muitas pessoas sofrem tanto de proble- mas de saúde física quanto mental. Os serviços de APS integrados podem ajudar a assegurar que os indivíduos serão tratados de uma maneira holísti- ca, respondendo às necessidades de saúde mental de quem sofre com doenças físicas, assim como às Oficina 8 - Saúde Mental 11 necessidades de saúde física das pessoas com per- turbações mentais; 3. O déficit de tratamento para perturbações men- tais é enorme. Em todos os países, há uma diferen- ça significativa entre a prevalência de perturbações mentais e o número de pessoas que recebem trata- mento e cuidado. A saúde mental integrada à APS ajuda a diminuir este déficit; 4. atenção primária à saúde mental melho- ra o acesso. Integrar a saúde mental à APS é a me- lhor maneira de assegurar que as pessoas recebam os cuidados de que precisam. Quando a saúde men- tal está integrada à APS, os indivíduos têm acesso a serviços de saúde mental mais perto das suas casas, o que os mantêm junto das suas famílias e conser- vando as suas atividades diárias. Os serviços de APS também facilitam as iniciativas comunitárias junto à população e a promoção da saúde mental, assim como o monitoramento e a gestão a longo prazo dos indivíduos afetados; 5. a apS para a saúde mental promove o respei- to pelos direitos humanos. Os serviços de saúde mental prestados em APS minimizam o estigma e a discriminação. Eles eliminam também o risco das violações dos direitos humanos que ocorrem em hospitais psiquiátricos; 6. Os cuidados para saúde mental na apS são bara- tos e têm uma boa relação custo-benefício. Os ser- viços de cuidados para a saúde mental em APS são menos caros que em hospitais psiquiátricos, tanto para os usuários, quanto para as comunidades e os governos. Além disso, os usuários e as suas famílias evitam os custos indiretos associados à procura de cuidados especializados em localizações distantes. O tratamento das perturbações mentais comuns tem uma muito boa relação custo-benefício, e até pequenos investimentos por parte dos governos po- dem trazer vantagens importantes; 7. a saúde mental na apS gera bons resultados de saúde. A maioria das pessoas com perturbações mentais tratadas na APS têm bons resultados, par- ticularmente quando estão ligadas a uma rede de serviços em nível secundário e na comunidade. rEfErÊNCIaS AMARANTE, Paulo & LANCETTI, Antônio. Saúde mental e saúde coletiva. In: CAMPOS, Gastão Vagner de Sousa [et al.]. Tratado de saúde coletiva. São Paulo: Hucitec; Rio de Janeiro: Ed. Fiocruz, 2009, p. 615-634. Organização Mundial de Saúde e Organização Mundial de Médicos de Família (Wonca). Integração da saúde mental nos cuidadosde saúde primários: uma perspectiva global. Coordenação Nacional para a Saúde Mental. Portugal, 2008. 5. rOTEIrO daS aTIVIdadES: SEGUNdO dIa 5.1 Saudação Objetivos: • Saudar os participantes; • Pactuar os compromissos com os participantes. 5.2 Exposição: a estratificação de risco e o plano de cuidados em saúde mental Esta atividade tem por objetivo compreender os cri- térios e a metodologia para a estratificação de risco em saúde e a elaboração do plano de cuidados. Oficina 8 - Saúde Mental 12 5.2.1 Texto de apoio: a estratificação de risco em saúde mental a ESTraTIfICaçãO dE rISCO dOS TraNSTOrNOS mENTaIS E dEpENdÊNCIa dE ÁlCOOl E OUTraS drOGaS Em saúde mental, nem sempre os sinais e sintomas definidos como graves e persistentes em determi- nado grupo exigem que a atenção em saúde ocor- ra num nível secundário ou terciário, assim como os sinais e sintomas do grupo definidos como leves não necessariamente excluem a necessidade de um atendimento em nível secundário. Por se tratar de agravos complexos e de causa multifatorial, para definir sua gravidade ou risco faz-se necessário considerar a presença de outros fatores considera- dos agravantes ou atenuantes. No cotidiano dos tra- balhadores da APS, muitas vezes são identificadas nos usuários tristezas e/ou ansiedades importantes, ainda que não haja queixa explícita nesse sentido. Há ainda usuários que buscam ajuda profissional por causa do sofrimento mental. Também é comum observar-se a presença de sinais e sintomas de for- ma inespecífica, isolada e/ou simultânea em patolo- gias diversas. Segundo a WHO (2004, tradução livre), o objetivo de todo planejamento para um sistema de assis- tência em saúde deve ser a redução da incidência, prevalência e recorrência dos transtornos mentais, do tempo perdido com sintomas ou a redução das condições de risco, prevenindo ou impedindo recor- rências, e diminuindo o impacto da doença sobre o indivíduo, seus familiares e a sociedade. Neste planejamento, a estratificação de risco da população alvo é realizada considerando a gravida- de dos sinais e sintomas apresentados, sem a ne- cessidade de firmar diagnóstico inicial, somada às condições de vida atual do usuário. Os transtornos mentais, assim como a dependência química, por sua característica de cronicidade, tendem a oscilar em sua necessidade de local de atenção ao longo da vida. Assim, a escolha dos parâmetros para a estra- tificação de risco foi fundamentada, principalmente, na necessidade de definir o nível em que ocorrerá a assistência em saúde. Para tanto, os sinais e sinto- mas foram divididos em seis grupos, de acordo com a frequência em que se apresentam nas respectivas síndromes psicopatológicas, e foram pontuados de acordo com o nível de gravidade. descrição dos grupos: 1. GrUpO I – sintomas relacionados aos transtor- nos mentais comuns (TmC): também caracterizados por englobar quadros mais leves, como os depres- sivos, ansiosos e somatoformes classificáveis nos manuais diagnósticos, além de abranger múltiplos sintomas. Causam prejuízos e incapacidades fun- cionais, sociais e físicas comparáveis ou mais gra- ves que os transtornos crônicos, duas vezes mais queixas de doenças físicas, taxas de mortalidade al- tas quando comparados com a população em geral, além de estarem entre as mais importantes causas de morbidade na atenção primária. 2. GrUpO II – sintomas relacionados aos transtor- nos mentais severos e persistentes: definem-se por uma gama extensa e heterogênea de características e necessidades que impactam sobre os indivíduos, tendo em comum a duração do problema, o grau de sofrimento emocional, o nível de incapacidade que interfere nas relações interpessoais e nas compe- tências sociais e o diagnóstico psiquiátrico. Grande parte dos indivíduos aqui agrupados são portadores de transtornos psicóticos – esquizofrenia, transtorno afetivo bipolar e outras psicoses. Oficina 8 - Saúde Mental 13 3. GrUpO III – sintomas relacionados à dependên- cia de álcool e outras drogas: englobam o abuso e dependência de substâncias psicoativas (drogas) que quando utilizadas alteram o funcionamento cerebral causando modificações no estado mental ou psiquismo. Inclui o uso de depressores do SNC (álcool, benzodiazepínicos, opiáceos e inalantes), os psicoestimulantes (anfetaminas e cocaína/cra- ck) e os alucinógenos (maconha, LSD e êxtase). A dependência se caracteriza por reações físicas ou psíquicas que incluem ingestão excessiva de drogas psicoativas, de modo contínuo ou periódico, para ex- perimentar seus efeitos psíquicos e/ou evitar o des- conforto de sua falta (abstinência); abandono pro- gressivo de prazeres e interesses; persistência do uso apesar dos prejuízos decorrentes. 4. GrUpO IV – sintomas relacionados a alterações na saúde mental que se manifestam na infância e/ ou na adolescência: grupo heterogêneo de transtor- nos, ocorrendo durante a infância e/ou adolescên- cia. Algumas destas afecções constituem síndromes bem definidas, enquanto outras são simples asso- ciações de sintomas – devem ser identificadas em função de sua frequência e de sua associação com uma alteração do funcionamento psicossocial. 5. GrUpO V – sintomas relacionados a alterações na saúde mental que se manifestam nos idosos: englobam as demências e distúrbios transitórios orgânicos cerebrais comuns na população de faixa etária mais elevada. Apresentam em comum a de- terioração e/ou a perda progressiva das capacidades intelectuais e do funcionamento psicossocial. 6. GrUpO VI – fatores que podem se constituir em fatores agravantes ou atenuantes de problemas de saúde mental já identificados: referem-se à condi- ção de vida atual do usuário, sendo baseados nos fatores de risco e proteção. CONdIçÕES ESpECIaIS: São circunstâncias consi- deradas sentinelas porque exigem mais atenção e cuidado das equipes de saúde, além da aplicação da estratificação de risco. • GESTaçãO • pOpUlaçãO INdÍGENa • dEfICIÊNCIa mENTal mOdErada OU SEVEra EVENTOS aGUdOS: Nestes casos não se faz estrati- ficação de risco, pois são consideradas situações de urgência para as quais deve ser aplicada a classifica- ção de risco como em qualquer outro evento agudo. • OCOrrÊNCIa rECENTE dE TENTaTIVa dE SUICÍdIO • CrISE OU SUrTO pSICÓTICO Na página 34 é possível encontrar o manual de estratificação de risco dos transtornos mentais e dependência de álcool e outras drogas. Oficina 8 - Saúde Mental 14 ESTadO dO paraNÁ Secretaria de Estado da Saúde – SESA Superintendência de Atenção à Saúde – SAS Departamento de Atenção as Condições Crônicas – DACC Divisão de Saúde Mental – DVSAM ESTraTIfICaçãO dE rISCO Em SaÚdE mENTal Nome (com letra de forma e sem abreviaturas): Nome e CBO do profissional (que realizou atendimento): Número de prontuário na UBS/ESf: data: INSTrUçÕES dE prEENChImENTO: 1) Circule o número correspondente ao sinal/sintoma; 2) Realize a somatória dos números circulados; 3) O total de pontos bruto será o escore para a Estratificação de Risco. SINaIS E SINTOmaS NãO SIm GrUpO I Sensação de morte iminente e/ou pânico 0 5 Medo intenso 0 2 Desrealização 0 3 Despersonalização 0 3 Crises conversivas 0 3 Crise dissociativa 0 3 Queixas somáticas persistentes e/ou hipocondríacas 0 1 Pensamentos ou comportamentos repetitivos e/ou conjunto de rituais 0 3 Pensamentos de inutilidade e/ou sentimento de culpa 0 4 Tristeza persistente acompanhada ou não de choro 0 2 GrUpO II Ideação suicida e/ou tentativa de suicídio 0 9 Isolamento social0 6 Heteroagressividade e\ou autoagressividade 0 9 Desinibição social e sexual 0 7 Hiperatividade associada ou não a atos impulsivos 0 3 Euforia 0 4 Elevação desproporcional da autoestima 0 2 Delírio 0 8 Alucinação 0 10 Alteração do curso do pensamento 0 9 Perda do juízo crítico da realidade 0 10 Oficina 8 - Saúde Mental 15 GrUpO III Delirium tremens 0 10 Tremor associado ao hálito etílico e sudorese etílica 0 3 Incapacidade de redução e controle do uso de drogas 0 6 Manifestação de comportamento de risco para si e para terceiros 0 6 Tolerância 0 3 GrUpO IV Dificuldade manifestada na infância e/ou adolescência de compreender e transmitir informação 0 3 Movimentos corporais ou comportamentais estereotipados 0 5 Desatenção manifestada na infância e/ou adolescência 0 4 Inquietação constante manifestada na infância e/ou adolescência 0 2 Regressão 0 1 GrUpO V Perda da memória 0 3 Perda progressiva da capacidade funcional, ocupacional e social 0 4 Desorientação temporal e espacial 0 5 GrUpO VI Resistência ao tratamento e/ou refratariedade 0 4 Recorrência ou recaída 0 9 Uso abusivo de substâncias psicoativas 0 10 Exposição continuada ao estresse 0 3 Precariedade de suporte social 0 3 Precariedade de suporte familiar 0 6 Testemunha de violência 0 4 Autor ou Vítima de violência 0 8 Perda da funcionalidade familiar e/ou afetiva 0 6 Vulnerabilidade econômica e ambiental 0 3 Comorbidade ou outra condição crônica associada 0 3 Faixa etária > 6 anos e < de 18 anos 0 10 Abandono e/ou atraso escolar 0 6 0 a 30 pontos – BaIXO rISCO 31 a 50 pontos – mÉdIO rISCO 51 a 236 pontos – alTO rISCO pONTUaçãO TOTal: ESTraTIfICaçãO: rEfErÊNCIaS MIGUEL, Eurípedes Constantino; GENTIL, Valentim & GATTAZ, Wagner Farid. Clínica psiquiátrica. Barueri, SP: Manole, 2011. World Health Organization. mental health policy, plans and programmes – Rev. ed. (Mental health policy and service guidance package). Singapore, 2004. Oficina 8 - Saúde Mental 16 5.2.2 Texto de apoio O plaNO dE CUIdadOS Em SaÚdE mENTal Em busca da atenção integral, a Atenção Primária como ordenadora da rede deve “coordenar o cuida- do, elaborando, acompanhando e criando projetos terapêuticos singulares, bem como acompanhando e organizando o fluxo dos usuários entre os pontos de atenção das Redes de Atenção à Saúde – RAS, assim como as outras estruturas das redes de saú- de e intersetoriais, públicas, comunitárias e sociais” (Brasil, 2013). O acolhimento na apS O acolhimento realizado nas UAPS (Unidades de Atenção Primária em Saúde) é um dispositivo po- tente para a formação de vínculo e a prática de cuidado entre o profissional e o usuário. Segun- do Chiaverini (2011), alguns princípios que devem ser observados são: • Ouvir as queixas apresentadas sem menospre- zá-las, compreendendo que os sintomas estão presentes no usuário; • Mostrar-se disponível para conversar com o usu- ário sobre sua vida naquele momento, exercitan- do a empatia; • Proporcionar ao usuário um momento de reflexão sobre suas queixas e no que elas estão implicando em sua vida; • Discutir com o usuário/familiares sobre os recur- sos que poderiam ser acionados para o enfrentamen- to de suas queixas apresentadas, lembrando-o(s) de sua corresponsabilidade no processo. Salientamos a importância da oferta deste espaço de escuta por meio do acolhimento, que pressupõe que o usuário fale de seu sofrimento e o profissio- nal esteja disponível para ouvi-lo. Muitas vezes, esta atitude do profissional já é capaz de provocar mu- danças na forma como o usuário reconhece seus próprios problemas, bem como os fatores desen- cadeantes, além de desenvolver possibilidades para lidar com eles. O plano de Cuidados na apS Em relação à atenção à saúde mental, propõe-se para as equipes de atenção primária o Plano de Cuidados, o qual deve ser elaborado a partir da Estratificação de Risco em conjunto com o usuário e familiares, considerando a rede de apoio exis- tente na comunidade. De acordo com Garcia e Santana (2012), deve-se considerar que: 1. Não existe modelo único para a saúde mental na APS. O programa certo é aquele desenvolvido de acordo com as necessidades e prioridades da comunidade a qual ele deve servir, não aquele que segue um modelo genérico. As prioridades devem levar em conta também a disponibilidade de su- pervisão e o apoio de rede secundária e terciária; 2. Todos os envolvidos devem ser considerados na organização do serviço (usuários, familiares, pro- fissionais da APS, profissionais de saúde mental e gestores); 3. A educação continuada (treinamento/supervi- são) é amplamente recomendada, mas a nature- za e a extensão podem variar muito. Os modelos efetivos são aqueles em que ocorre um processo de educação contínuo, interativo e relevante para o contexto do serviço. Ele deve focar não apenas o conhecimento, mas também as habilidades e ati- tudes do generalista. Elementos da organização Oficina 8 - Saúde Mental 17 do serviço e atitudes pessoais são fatores im- portantes a serem considerados no processo de capacitação, mais do que o conteúdo ou a meto- dologia utilizados. Inicialmente, algumas atividades foram previstas na programação da UAPS, as quais se encontram des- critas na ficha de apoio anexa. Lembrando que o plano de cuidados deve ser sempre conversado, re- fletido, organizado e pactuado com o usuário, e, na maioria das vezes, também com os seus familiares. Visando contextualizar o plano de cuidados, a se- guir o complementamos com algumas propostas de ações de acordo com a situação apresentada: Transtorno mental Nas situações estratificadas como de baixo risco, como as que apresentam sintomas leves a mode- rados de depressão, ansiedade e somatização, os sintomas tendem a se sobrepor, além de compar- tilharem os mesmos fatores de risco e padrões de evolução. Nestes casos, os cuidados devem ser ofe- recidos com intensidade progressiva e os grupos não devem ser direcionados nem divulgados apenas para pessoas portadoras de um diagnóstico. A estra- tégia recomendada é iniciar com cuidados de baixa intensidade (atividade física em grupo, panfletos de autoajuda, grupos de apoio), passando por grupos psicoeducacionais e de apoio que explorem ques- tões como autoestima ou resiliência, evoluindo para o uso de terapia medicamentosa com supervisão especializada e psicoterapia em grupo ou individual, caso necessário. Nas situações estratificadas como de médio a alto risco, a APS desempenha papel importante no diag- nóstico precoce, no início rápido do tratamento com intervenções rápidas e efetivas na crise, na manu- tenção do tratamento farmacológico e nos progra- mas de reabilitação psicossocial para os quadros psicóticos crônicos estáveis. Os atendimentos em domicílio e os vínculos com as famílias facilitam es- tas intervenções. As equipes devem contar com ca- pacitação, supervisão e apoio matricial (atendimento conjunto, se necessário) de profissionais do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), e dos pontos de atenção secundária, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). O usuário, no entanto, sempre continuará vinculado a APS de referência em seu território, onde o cuidado compartilhado tem se mostrado mais eficaz. Um pacote mínimo de cuida- dos na APS deve incluir intervenções psicoeducacio- nais simples e intermediação de ações intersetoriais (moradia, trabalho, educação, cultura, etc.). Deve-se ainda prover o cuidado para as comorbidades clí- nicas frequentes e não se limitar ao fornecimentode medicação. Nos problemas de saúde mental que se manifes- tam na infância e/ou na adolescência, a APS exerce importante função de proteção da vida, respeito à dignidade, à liberdade e à convivência familiar, social e cultural, através da integração da rede de saúde e da busca de recursos intersetoriais nas redes so- ciais e comunitárias. As estratégias de intervenção na saúde destes usuários devem ser baseadas na promoção do desenvolvimento físico e psicológico saudável, pautado no apoio ao aleitamento materno, na orientação para os cuidados maternos primários, no reforço e estabelecimentos dos vínculos familia- res, escolares e comunitários e no estímulo à prática de atividade física e alimentação saudável. As equi- pes devem estar atentas para identificar os fatores de risco e proteção da saúde infanto-juvenil, como: o Oficina 8 - Saúde Mental 18 contato precoce com substâncias químicas, álcool e suas complicações, as doenças sexualmente trans- missíveis e a gravidez precoce. As ações vão desde detecção dos sinais e sintomas precoces das pato- logias mais frequentes, intervenções iniciais para estabilização e, se possível, reversão dos problemas, organização de grupos de educação em saúde, até o tratamento (nos limites dos recursos da equipe), apoiado por profissionais especializados dos CAPS e/ou dos NASFs. Considerando ainda a baixa utili- zação das unidades de saúde pelos adolescentes, o desenvolvimento de ações coletivas de promoção da saúde mental e de atividades em grupos educativos deve ocorrer estrategicamente em locais frequenta- dos por eles, como escolas, igrejas, ONGs e clubes. dependência de álcool e outras drogas O álcool é a droga de abuso com maior prevalência em usuários atendidos na APS. Neste nível de cuida- do, a detecção precoce de problemas relacionados ao álcool e outras drogas, além do tratamento de outras patologias e de sintomas de ansiedade e de- pressão, contribui para evitar a evolução para qua- dros crônicos de dependência ou outras consequ- ências advindas da quebra dos vínculos familiares, sociais e profissionais. A identificação do padrão de consumo da bebida alcoólica e de outras drogas possibilita reconhecer sinais e sintomas de seu uso abusivo. Mediante isto, os cuidados e ações propostas incluem intervenções no sentido de mostrar claramente as consequências clínicas, psicológicas e sociais do uso contínuo de ál- cool e de outras drogas, discutir o risco envolvido, assim como encaminhar os usuários para serviços especializados, quando necessário. Além disso, tam- bém podem ser programadas pela APS a formação ou encaminhamento para grupos de ajuda mútua e a promoção de ações intersetoriais, visando a redução de danos, bem como a manutenção da abstinência e prevenção de recaídas. CONSIdEraçÕES fINaIS As práticas em Saúde Mental na APS podem e de- vem ser realizadas por todos os profissionais de saúde, levando em consideração as atividades pro- gramadas no serviço. Elas podem contemplar ações de promoção de saúde mental, evitando assim seg- mentar o usuário devido a sua patologia. Qualquer intervenção proposta deve ter a aceitação e o envolvimento de todos os integrantes das equi- pes da atenção primária em papéis diversos, desde o simples monitoramento dos sintomas e aderência até o apoio nas tomadas de decisão relativas à medi- cação e supervisão de especialistas. O vinculo da equipe de saúde com os usuários de seu território advém mais do entendimento desta relação do que de um saber técnico específico para realizar uma intervenção. Isto determina que toda e qualquer demanda dirigida ao serviço de saúde do território deve ser recebida, ouvida e respondida, mesmo que não seja absorvida pelo setor. Assim, qualquer encaminhamento deve ser implicado, ou seja, a APS deve sempre se responsabilizar, além do encaminhamento, pelo estabelecimento de um en- dereço para a demanda, o cadastramento e o acom- panhamento de cada caso. Existe ainda a possibilidade de desconstrução da demanda como necessidade de tratamento. Nes- te caso, o serviço deverá realizar uma intervenção junto a outras instâncias, como órgãos da justiça, da educação (escolas), sociais, religiosos (igrejas), Oficina 8 - Saúde Mental 19 instituições de esporte, lazer e cultura. Ou seja, as ações levam em conta a realidade do dia a dia do território, as singularidades dos usuários e de suas comunidades. Aliás, os recursos comunitários po- dem formar uma potente rede de apoio que pode ser acessada para compartilhar o cuidado. rEfErÊNCIaS ALMEIDA, Paulo Vicente Bonilha. Atenção Primária à Criança e ao Adolescente do século XXI: análise de situação e perspectivas. In: CAMPOS, Gastão Wagner de Sousa & GUERRERO, Andre Vinicius Pires (org.). manual de práticas de atenção básica: saúde ampliada e compartilhada. 2ª ed. São Paulo: Aderaldo & Rothschild, 2010. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde Mental. Departamento de Ações Estratégicas. Cadernos de atenção Básica, n. 34. Brasília: Ministério da Saúde, 2013. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Estratégicas. Caminhos para uma política de saúde mental infanto-juvenil. Série B. Textos Básicos em Saúde. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2005. CHIAVERINI, Dulce Helena (Organizadora)... [et al.]. Guia prático de matriciamento em saúde mental. Brasília, DF: Ministério da Saúde: Cento de Estudo e Pesquisa em Saúde Coletiva, 2011. GARCIA, Leon de Souza Lobo & SANTANA, Carmen Lucia Albuquerque. Saúde mental e atenção básica. In: FORTALEZA, Orestes Vicente & MIGUEL, Eurípedes Constantino (editores). Compêndio de clínica psiquiátrica. Barueri, SP: Manole, 2012. Organização Mundial de Saúde e Organização Mundial de Médicos de Família (Wonca). Integração da saúde mental nos cuidados de saúde primários: uma perspectiva global. Coordenação Nacional para a Saúde Mental. Portugal, 2008. 5.3 Estudo de caso: a estratificação de risco e o plano de cuidados em saúde mental Objetivo: Possibilitar que os participantes exercitem a estratificação de risco e a elaboração de um plano de cuidados. 5.3.1 atividade em grupo: orientação • Retornar aos grupos, eleger um coordenador e um relator; • Ler os textos de apoio – A estratificação de ris- co em saúde mental; O plano de cuidados em saúde mental; • Ler os casos A, B, C, D e E; • Estratificar o risco dos casos A, B, C, D e E. Definir se os casos são: baixo risco, médio risco ou alto risco; • Para cada caso, elaborar um plano de cuidados. Uti- lizar a matriz: Plano de Cuidados em Saúde Mental; • Relatar a atividade em plenário. Cada relator terá no máximo cinco minutos para apresentação. 5.3.2 Caso a Identificação: Maurício, 41 anos de idade, casado, téc- nico em eletrônica, natural do RS, há oito anos em SP. Oficina 8 - Saúde Mental 20 Queixa atual: Há cinco meses, apareceu tristeza pro- funda, desânimo, sentimento de inutilidade, ideias de suicídio, dor no peito, crises de choro e voltou a comer em excesso. Com medo de morrer, parou de trabalhar, fica dormindo quase o tempo todo. Apre- senta dificuldade de concentração, autodepreciação, menos-valia, abandono, desesperança, apatia, inca- pacidade de sentir prazer, queixa de passar a maior parte do tempo na cama, de cansaço e de fadiga. antecedentes: Aos 25 anos de idade, teve seu pri- meiro episódio depressivo, quando tentou suicídio com substância de letalidade. Socorrido por seu pai,ficou seis dias na UTI, fez quadro de pneumonia aspi- rativa. Foi levado ao psiquiatra no RS, que prescreveu terapia medicamentosa. Após dois meses, voltou ao trabalho, passados três meses, a empresa o demi- tiu. Procurou trabalho, mas não encontrou. Come- çou a dar aulas particulares em casa de matemática. Em pouco tempo, tinha muitos alunos. Fez curso de informática e passou a realizar diversos trabalhos na área. Ficou bem com a medicação por anos. Casou- se e mudou para SP. Teve dois filhos. Parou a medi- cação por conselho do endocrinologista. Apresenta- va obesidade mórbida, cansaço e muita sonolência. Fez cirurgia bariátrica, havia emagrecido cerca de 20 quilos, porém está recuperando o peso atualmente. 5.3.3 Caso B Identificação: Roberto, 38 anos de idade, casado, eletricista, natural de Salvador, BA. Queixa atual: sintomas depressivos, fóbicos, pa- nicosos, obsessivo-compulsivos e hipocondríacos (sic). Há cerca de dezoito anos tem pensamentos obsessivos. De fato, ao exame, observa-se um usu- ário ansioso, com ideias obsessivas de agressão, além de ideias de poder estar doente (o tempo todo, verifica com a mão sua temperatura corporal), com humor visivelmente depressivo. Não apresenta al- terações do conteúdo do pensamento, o qual se mostra organizado, porém rapidamente acelerado (observa-se certa pressão por falar). Não apresenta alucinações. Juízo de realidade preservado e obser- va-se que está estável no trabalho e no casamento. antecedentes: Referiu na primeira consulta que vinha sofrendo desde os 20 anos de idade com pen- samentos que diziam respeito a relações sexuais com a mãe e agressão ao pai. Relata que subita- mente, “no dia 04/09/1996, às 21:30 h”, veio-lhe à cabeça um pensamento obsessivo intenso que teria de matar o seu genitor. Refere que para lidar com os seus pensamentos, resolvia se trancar no quarto e passar o dia rezando. Não podia dizer o que se passava com ele aos pais porque tinha medo do que eles poderiam pensar. Receava, também, perder o controle da situação e pensava que poderia fazer o que os seus pensamentos sugeriam. Demorou cerca de oito anos para procurar ajuda médica e, quando o fez, referiu não ter logrado êxi- to.Tentou psicoterapia inicialmente e ficou mais de um ano em vão nesse tratamento, pois o psicotera- peuta chegou a lhe dizer que “se pensasse naque- las coisas, elas acabariam acontecendo mesmo”. Desesperou-se e nunca mais quis fazer psicotera- pia. Procurou outro medico. Foi-lhe prescrito anti- depressivo, que só conseguia usar em doses baixas devido aos efeitos colaterais. Teve uma melhora pequena, porém não satisfatória, e antes de com- pletar um ano de uso da medicação, interrompeu-o. Oficina 8 - Saúde Mental 21 5.3.4 Caso C Identificação: Patrícia, 16 anos de idade, solteira, católica, estudante do Ensino Fundamental (cursou até a 7ª série). Queixa atual: Ao completar 14 anos, seu comporta- mento começou a se modificar. Lia a Bíblia em voz alta, apresentava risos imotivados, não dormia e por vezes aparentava ansiedade, com sudorese intensa. Ficava aflita, dizia palavrões e atirava objetos contra a parede, dizendo que via pessoas conhecidas lhe fazendo propostas sexuais. Permanecia longos perí- odos olhando para as paredes. Tornou-se agressiva com os familiares, reagia de maneira explosiva sem- pre que julgava que o olhar ou o comportamento de- les era diferente. O rendimento escolar decaiu, sua escrita se tornou quase incompreensível, escrevia nomes estranhos e fazia desenhos bizarros no chão. A família procurou tratamento ambulatorial psiqui- átrico, que resultou em melhora parcial dos sinto- mas, mas manteve o tratamento de forma irregular por oito meses e o interrompeu. Já com 15 anos, houve piora progressiva e gradual dos sintomas, começou a apresentar rigidez muscu- lar, conversava sozinha como se estivesse brigando com alguém, às vezes batia nas paredes, sendo en- tão internada por quatro meses. Após a alta, apre- sentava diminuição da iniciativa, certa apatia, fala- va pouco, não saía sozinha, não recordava dos fatos ocorridos durante o surto (amnésia lacunar), per- manecia ainda olhando para as paredes. Após a alta hospitalar fez uso da medicação por cerca de 20 dias e interrompeu novamente o seguimento. Segundo a mãe, atualmente não se alimenta, não fala e fica imóvel na cama ajoelhada e rindo, com os membros superiores e inferiores fletidos, mãos cerradas, fa- zendo movimentos pendulares com o tronco, alheia ao meio. Apresenta fácies de estranheza, sem con- tato verbal nem visual, sem cuidados próprios, com emagrecimento e escaras de decúbito. antecedentes: Sua gestação e parto foram sem intercorrências, aos dois anos de idade os pais se separaram e a usuária passou a residir com uma tia paterna. Com muita dificuldade para se adaptar, permanecia isolada, retraída. Após três meses, a família a levou para residir com a avó materna no Nordeste, com quem a usuária tinha melhor rela- cionamento. Recebia apenas visitas anuais da mãe, e aos cinco anos recebeu a primeira visita do pai. Nesta época aprendeu a escrever seu nome, mas iniciou os estudos apenas aos oito anos. Era muito dedicada, dizia que gostava muito de estudar, tinha bom rendimento escolar. Aos nove anos os pais re- ataram o casamento e retornaram à SP. Logo em seguida, nasceu seu irmão. Avô paterno etilista, epiléptico. Tia e tio maternos esquizofrênicos pa- ranóides. Tio paterno com tumor cerebral e mani- festações psicóticas. Tio paterno etilista, que foi as- sassinado. O avô materno também é etilista e a avó é diabética e hipertensa. O pai já foi etilista e possui deficiência mental leve. A mãe, também deficien- te mental leve, apresentou episódios depressivos e crises conversivas; é hepatopata grave por hepatite e aguarda transplante hepático. O irmão tem inteli- gência limítrofe. 5.3.5 Caso d Identificação: André, 47 anos de idade, brasileiro, professor, católico. Oficina 8 - Saúde Mental 22 Queixa atual: Bebe abusivamente por vários dias in- terrompendo um período de abstinência, isto é, cos- tuma ficar sem usar a bebida alcoólica por alguns meses. Nega depressão ou ideias de suicídio. Associa sua relação com o álcool com situações de dificuldade financeira. Afirma que quando vem o desejo de beber, não tem como se controlar. O que mais teme é que esses abusos com álcool venham a prejudicar sua carreira de professor, já que é dedicado e bem concei- tuado entre seus colegas de profissão. antecedentes: Há dez anos fez estágio profissional em outra cidade, quando teve seus primeiros con- tatos com bebida alcoólica. A primeira situação de abuso de bebidas alcoólicas ocorreu em janeiro de 2004, a segunda, em fevereiro de 2005, e a terceira, em maio de 2005. Nesta última, necessitou de inter- nação em hospital clínico para tratar os efeitos da intoxicação alcoólica. Está em seu segundo casamento. O primeiro ter- minou após 16 anos por problemas de relaciona- mento. Tem um filho de 20 e outro de 17 anos. É filho único. Sem antecedentes psiquiátricos na fa- mília. É tabagista. 5.3.6 Caso E Identificação: Antonio, 24 anos de idade, brasileiro, separado, escolaridade média, trabalha na empresa da família, evangélico. Queixa atual: Faz uso de cocaína aspirada a cada 30 ou 60 dias. Nas ocasiões de uso da droga, fica fora de casa de um a dois dias. Anda de carro dia e noite usando a droga, e quando melhora volta para casa. No final de semana anterior a esta consulta, ficou três dias fora de casa usando a droga. Refereque quando sente vontade de usar a droga não consegue o controle e, nessas ocasiões, torna-se manipulador. Quando isso ocorre, há um descontrole total em sua vida. antecedentes: O primeiro contato com cocaína foi aos 16 anos. Acha que começou a usar droga por influencia de colegas. Aos 19 anos experimentou cannabis. Não consegue caracterizar o que o leva a procurar cocaína. Quer ficar bem, pois pretende fa- zer um curso para piloto de avião. Nos períodos de sobriedade, é trabalhador e cum- pridor de suas obrigações, embora sem muita ini- ciativa, ou seja, é preciso que alguém programe e determine o que tem de ser feito. Não tem distúrbios de conduta nos períodos de sobriedade. Não faz uso de bebida alcoólica. Já fez tratamento ambulatorial com tranquilizante e medicação de ação anticonvul- sivante. Nessa ocasião, ficou seis meses abstêmio. Seu casamento durou 6 meses, após três anos e meio de namoro. Para Antonio, a separação foi de- corrente de frequentes intervenções da família da esposa no relacionamento conjugal. Entretanto, para os pais dele, a questão do abuso de droga foi igualmente um dos fatores da separação. Tem um filho de cinco meses. É o filho do meio. Tem duas irmãs solteiras. Pais vivos. Os pais têm proble- mas de relacionamento. Oficina 8 - Saúde Mental 23 5.3.7 matriz: plano de cuidados em saúde mental ESTadO dO paraNÁ Secretaria de Estado da Saúde – SESA Superintendência de Atenção à Saúde – SAS Departamento de Atenção as Condições Crônicas – DACC Divisão de Saúde Mental – DVSAM plaNO dE CUIdadOS Em SaÚdE mENTal Nome (com letra de forma e sem abreviaturas): data: Nome e CBO do profissional (que realizou atendimento): Número de prontuário na UBS/ESf: Quadro psicopatológico Transtorno mental ( ) Dependência de álcool e outras drogas ( ) Estratificação de risco Baixo risco ( ) Médio risco ( ) Alto risco ( ) Obs. aGUdIZaçãO ou INTErNamENTO implica em reavaliação do Plano de Cuidado aTIVIdadE pONTO dE aTENçãO À QUEm SE dESTINa praZO rESpONSÁVEl mONITOramENTO lEGENda aTIVIdadE: Consultas, atendimentos, visitas domiciliares, atividades em grupo, acompanhamento compartilhado com Equipe do NASF, agendamento de atendimento em outros níveis de atenção ou serviços, outras atividades realizadas em Pontos de Atenção da Rede Intersetorial. pONTO dE aTENçãO: Serviços disponíveis à comunidade que estão na abrangência de uma determinada região e que de alguma forma podem contribuir no processo de reabilitação psicossocial dos usuários com transtornos mentais ou dependentes de álcool e outras drogas: • Pontos de Atenção da Rede de Saúde • Pontos de Atenção da Rede Intersetorial: Centros de Convivência; Cooperativas; Grupos de Trabalho; Empresas; Abrigos; Associações de moradores ou comunitárias; Grupos de ajuda mútua; Oficinas Comunitárias; Igrejas; CRAS; CREAS; Escolas; Outros. À QUEm SE dESTINa: Qual pessoa será destinada a ação (por exemplo: usuário e/ou família e/ou comunidade). praZO: Tempo que será necessário ou previsto para executar a atividade, incluindo as contínuas. rESpONSÁVEl: Qual profissional será responsável pela atividade. mONITOramENTO daS aTIVIdadES: Especificar se atividade foi realizada e no prazo previsto. Caso não tenha sido realizada, justificar. Obs. Considerar a possibilidade de outras atividades que possam ser realizadas ou programadas em outros pontos de atenção, tanto da Rede de Atenção à Saúde como da Rede Intersetorial. Oficina 8 - Saúde Mental 24 5.4 Exposição: a planilha de programação local para a saúde mental Objetivo: Compreender os parâmetros assistenciais para a saúde mental, de acordo com a estratificação de risco. 5.4.1 Texto de apoio: a planilha de programação para a saúde mental A programação para a saúde mental deve ser reali- zada seguindo a mesma operacionalização e os pas- sos já apresentados na Oficina 6 – Programação da Atenção Primária à Saúde, pg. 24-27. As ações programadas para o acompanhamento da população alvo estão divididas em: usuários com transtorno mental e usuários com dependência de álcool e outras drogas. Estão programadas a partir da estratificação de baixo, médio e alto risco. Nas planilhas, consta o mínimo de ações que devem ser realizadas. Para o dimensionamento da população alvo, foram utilizados dados de prevalência de Transtornos Men- tais divulgados pela OMS em 2002, a qual estimou que 12% da população geral seria acometida por Transtornos Mentais, classificados em baixo, médio e alto risco, para o planejamento dos atendimentos. Além destes, foram utilizados dados da prática clíni- ca na assistência para estimar os casos de depen- dência de álcool e outras drogas em 6% da popula- ção geral, os quais foram priorizados devido a sua maior complexidade. rEdE dE aTENçãO ÀS CONdIçÕES CrÔNICaS planejamento da atenção à Saúde mental plaNIlha dE prOGramaçãO Atenção primária à saúde, atenção secundária de referência e CAPS prEENChImENTO: data: responsável: programação: (marcar com “x”) Equipe APS ( ) Município ( ) Região ( ) Macrorregião ( ) No de equipes de apS: IdENTIfICaçãO (registrar nome): Equipe: município: região: macrorregião: Oficina 8 - Saúde Mental 25 rEdE dE aTENçãO ÀS CONdIçÕES CrONICaS – SaÚdE mENTal dImENSIONamENTO da pOpUlaçãO alVO BaSE dE dadOS para O dImENSIONamENTO população total: ESTImaTIVa da pOpUlaçãO alVO Geral e por estratificação de risco Transtorno mental Prevalência 12,0% da pop. geral 0 Transtornos mentais de baixo risco 50,0% da pop. prevalência 0 Transtornos mentais de médio risco 25,0% da pop. prevalência 0 Transtornos mentais de alto risco 25,0% da pop. prevalência 0 dependência de álcool e outras drogas* Prevalência 6,0% da pop. geral 0 Baixo risco 30,0% da pop. prevalência 0 Médio risco 65,0% da pop. prevalência 0 Alto risco 5,0% da pop. prevalência 0 Total da população com transtorno mental e dependência de álcool e outras drogas 0 Oficina 8 - Saúde Mental 26 aT EN çã O p r Im Á r Ia À S a Ú d E aT IV Id ad E m ET a pr OG r am ad a de sc ri çã o pa râ m et ro s re sp on sá ve l % U su ár io s at iv id ad es pr az o aC Om pa N h am EN TO d O U SU Ár IO C Om T r aN ST Or N O m EN Ta l Id en tifi ca r e c ad as tra r o s us uá rio s co m tr an st or no m en ta l d a ár ea d e ab ra ng ên ci a 10 0% d os u su ár io s co m tr an st or no m en ta l d a ár ea d e ab ra ng ên ci a ca da st ra do s na U BS . AC S 10 0% Tr an st or no m en ta l Ca da st ro 1 an o Id en tifi ca r e c ad as tra r e qu ip am en to s qu e po ss am se r u til iza do s co m o re de d e ap oi o na a te nç ão a os us uá rio s co m tr an st or no m en ta l 10 0% d os e qu ip am en to s id en tifi ca do s e ca da st ra do s. AC S 10 0% Eq ui pa m en to s re de d e ap oi o Ca da st ro 1 an o Re al iza r o p rim ei ro a te nd im en to p ar a os u su ár io s co m tr an st or no m en ta l c ad as tra do s 10 0% d os u su ár io s co m tr an st or no m en ta l r ealiz am o p rim ei ro at en di m en to p ar a: • av al ia çã o; • es tra tifi ca çã o de ri sc o; OB S: a e st ra tifi ca çã o de ri sc o de ve s er re al iza da e m to do s os a te nd im en to s su bs eq ue nt es . Pr ofi ss io na is d e ní ve l s up er io r 10 0% Tr an st or no m en ta l Pr im ei ro a te nd im en to 1 an o Re al iza r c on su lta s de a co m pa nh am en to p ar a to do s os u su ár io s co m tr an st or no s m en ta is de b ai xo ri sc o ca da st ra do s 10 0% d os u su ár io s co m tr an st or no s m en ta is d e ba ix o ris co c ad as tra do s re al iza m 4 c on su lta s su bs eq ue nt es d e ac om pa nh am en to p or a no , s en do : • 2 co ns ul ta s m éd ica s; • 1 co ns ul ta d e en fe rm ag em ; • 1 at en di m en to d e od on to lo gi a; OB S: a s co ns ul ta s de ve m s er d om ic ili ar es e m c as o de p ac ie nt es im po ss ib ili ta do s do a te nd im en to n a UB S. M éd ic o 10 0% Tr an st or no s m en ta is d e ba ix o ris co Co ns ul ta m éd ic a 1 an o En fe rm ei ro 10 0% Tr an st or no s m en ta is d e ba ix o ris co Co ns ul ta d e en fe rm ag em 1 an o Od on tó lo go 10 0% Tr an st or no s m en ta is d e ba ix o ris co At en di m en to o do nt ol óg ico 1 an o Re al iza r c on su lta s de a co m pa nh am en to p ar a to do s os u su ár io s co m tr an st or no s m en ta is de m éd io ri sc o ca da st ra do s 10 0% d os u su ár io s co m tr an st or no s m en ta is d e m éd io ri sc o ca da st ra do s re al iza m 3 c on su lta s su bs eq ue nt es d e ac om pa nh am en to p or a no , s en do : • 1 co ns ul ta m éd ic a • 1 co ns ul ta d e en fe rm ag em • 1 co ns ul ta d e od on to lo gi a OB S: a s co ns ul ta s de ve m s er d om ic ili ar es e m c as o de p ac ie nt es im po ss ib ili ta do s do a te nd im en to n a UB S. M éd ic o 10 0% Tr an st or no s m en ta is m éd io ri sc o Co ns ul ta m éd ic a 1 an o En fe rm ei ro 10 0% Tr an st or no s m en ta is d e m éd io ri sc o Co ns ul ta d e en fe rm ag em 1 an o Od on tó lo go 10 0% Tr an st or no s m en ta is d e m éd io ri sc o At en di m en to o do nt ol óg ico 1 an o Oficina 8 - Saúde Mental 27 Re al iza r c on su lta s de a co m pa nh am en to p ar a to do s os u su ár io s co m tr an st or no s m en ta is de a lto ri sc o ca da st ra do s 10 0% d os u su ár io s co m tr an st or no s m en ta is d e al to ri sc o ca da st ra do s re al iza m 3 c on su lta s su bs eq ue nt es d e ac om pa nh am en to p or a no , s en do : • 1 co ns ul ta m éd ica ; • 1 co ns ul ta d e en fe rm ag em ; • 1 co ns ul ta d e od on to lo gi a; As c on su lta s de ve m s er d om ic ili ar es e m c as o de p ac ie nt es im po ss ib ili ta do s de a te nd im en to n a UB S. OB S: E xc et o em ca so s d e te nt at iva d e su icí di o e pr im ei ro su rto p sic ót ico ou c ris e (e ve nt os a gu do s) , q ue n ec es si ta m d e at en di m en to im ed ia to e m Se rv iç os d e Ur gê nc ia e E m er gê nc ia . ( PT 3 08 8/ 20 13 re pu bl ic ad a) . M éd ic o 10 0% Tr an st or no s m en ta is d e al to ri sc o Co ns ul ta m éd ic a 1 an o En fe rm ei ro 10 0% Tr an st or no s m en ta is d e al to ri sc o Co ns ul ta d e en fe rm ag em 1 an o Od on tó lo go 10 0% Tr an st or no s m en ta is d e al to ri sc o Ae nd im en to o do nt ol óg ico 1 an o El ab or ar e a co m pa nh ar P la no d e Cu id ad os de fin id o pe la p ró pr ia A PS e /o u pe lo C en tro Re gi on al d e At en çã o Es pe ci al iza da e /o u pe lo C AP S 10 0% d os u su ár io s co m tr an st or no m en ta l a co m pa nh ad os d e ac or do co m a s m et as d efi ni da s no P la no d e Cu id ad os . OB S: o P la no d e Cu id ad os d ev e se r r ev is to e m to da s as co ns ul ta s su bs eq ue nt es . Eq ui pe 10 0% Tr an st or no m en ta l Pl an o de c ui da do s 1 an o Re al iza r a tiv id ad es e m g ru po p ar a to do s os us uá rio s co m tr an st or no m en ta l d e ba ix o e m éd io ri sc o ca da st ra do s 10 0% d os u su ár io s co m tr an st or no m en ta l d e ba ix o e m éd io ri sc o pa rti ci pa m d e at iv id ad es e m g ru po : • co nd uz id a pe la e nf er m ag em ; • pa rti cip an te s: no m áx im o 20 u su ár io s; • du ra çã o: 1 h or a; • pe rio di ci da de : 4 v ez es p or a no . Eq ui pe A PS + N AS F 10 0% Tr an st or no s m en ta is d e ba ix o ris co At iv id ad e em g ru po 1 an o 10 0% Tr an st or no s m en ta is d e m éd io ri sc o At iv id ad e em g ru po 1 an o Ag en da r a te ndim en to n o Ce nt ro R eg io na l d e At en çã o Es pe ci al iza da – p ar a to do s os u su ár io s co m tr an st or no m en ta l d e m éd io ri sc o 10 0% d os u su ár io s co m tr an st or no s m en ta is d e m éd io ri sc o co m at en di m en to a ge nd ad o no C en tro R eg io na l d e At en çã o Es pe ci al iza da , p ar a av al ia ça o e es ta be le ci m en to d e pl an o de c ui da do s co m a A PS . En fe rm ei ro * 10 0% Tr an st or no s m en ta is d e m éd io ri sc o Ag en da m en to d e at en di m en to 1 an o Ag en da r a te nd im en to n o CA PS p ar a to do s os us uá rio s co m tr an st or no m en ta l d e al to ri sc o Ob s: c as o o m un ic íp io n ão p os su a CA PS , e st e at en di m en to p od e se r a ge nd ad o no C en tro Re gi on al d e At en çã o Es pe ci al iza da 10 0% d os u su ár io s co m tr an st or no s m en ta is d e al to ri sc o co m at en di m en to a ge nd ad o no C AP S ou n o Ce nt ro R eg io na l d e At en çã o Es pe ci al iza da . En fe rm ei ro * 10 0% Tr an st or no s m en ta is d e al to ri sc o Ag en da m en to d e at en di m en to 1 an o Vi si ta D om ic ili ar 10 0% d os u su ár io s co m n o m ín im o 1 vi si ta d om ic ili ar m en sa l. OB S: C as o se ja n ec es sá rio p od er á so lic ita r o a ux íli o de o ut ro pr ofi ss io na l d a eq ui pe . AC S 10 0% Tr an st or no s m en ta is Vi si ta d om ic ili ar 1 an o Ac om pa nh am en to c om pa rti lh ad o co m a e qu ip e do N AS F pa ra u su ár io s co m tr an st or no m en ta l de m éd io ri sc o. S e nã o tiv er C AP S, in cl ui r o s us uá ri os c om tr an st or no m en ta l d e al to ri sc o 10 0% d os u su ár io s co m tr an st or no m en ta l d e m éd io ri sc o e ou tro s qu e ap re se nt ar em d ifi cu ld ad es d e m an ej o pe la e qu ip e da A PS . Eq ui pe 10 0% Tr an st or no s m en ta is d e m éd io ri sc o M at ric ia m en to 1 an o *O e nf er m ei ro p od e at rib ui r e st a at ivi da de a o ut ro té cn ico d a eq ui pe , d es de q ue e st e se re sp on sa bi liz e. Ca so n ão te nh a CA PS , p ro cu ra r i nc lu ir os T M d e al to ri sc o e AD d e m éd io e a lto ri sc o na s at ivi da de s em g ru po . T am bé m ve rifi ca r a p os si bi lid ad e de re al iza r m ai s at en di m en to s, p ar a um m el ho r a co m pa nh am en to . Oficina 8 - Saúde Mental 28 aT EN çã O p r Im Á r Ia À S a Ú d E aT IV Id ad E m ET a pr OG r am ad a de sc ri çã o pa râ m et ro s re sp on sá ve l % U su ár io s at iv id ad es pr az o aC Om pa N h am EN TO d O U SU Ár IO C Om d Ep EN d ÊN CI a d E Ál CO Ol E O U Tr aS d r OG aS Id en tifi ca r e c ad as tra r o s us uá rio s co m de pe nd ên ci a de á lc oo l e o ut ra s dr og as d a su a ár ea d e ab ra ng ên ci a 10 0% d os u su ár io s co m d ep en dê nc ia d e ál co ol e o ut ra s dr og as d a ár ea d e ab ra ng ên ci a ca da st ra do s na U BS . AC S 10 0% De pe nd en te d e ál co ol e ou tra s dr og as Ca da st ro 1 an o Id en tifi ca r e c ad as tra r e qu ip am en to s qu e po ss am se r u til iza do s co m o re de d e ap oi o na a te nç ão ao s us uá rio s co m d ep en dê nc ia d e ál co ol e ou tra s dr og as 10 0% d os e qu ip am en to s id en tifi ca do s e ca da st ra do s. AC S 10 0% Eq ui pa m en to s re de d e ap oi o Ca da st ro 1 an o Re al iza r o p rim ei ro a te nd im en to p ar a os us uá rio s co m d ep en dê nc ia d e ál co ol e o ut ra s dr og as c ad as tra do s 10 0% d os u su ár io s co m d ep en dê nc ia d e ál co ol e o ut ra s dr og as re al iza m o p rim ei ro a te nd im en to p ar a: • av al ia çã o; • es tra tifi ca çã o de ri sc o. OB S: a e st ra tifi ca çã o de ri sc o de ve s er re al iza da e m to da s as c on su l- ta s su bs eq ue nt es . Pr ofi ss io na is d e ní ve l s up er io r 10 0% De pe nd en te d e ál co ol e ou tra s dr og as Pr im ei ro a te nd im en to 1 an o Re al iza r c on su lta s de a co m pa nh am en to p ar a to do s os u su ár io s co m d ep en dê nc ia d e ál co ol e ou tr as d ro ga s de b ai xo ri sc o ca da st ra do s 10 0% d os u su ár io s co m d ep en dê nc ia d e ál co ol e o ut ra s dr og as d e ba ix o ris co c ad as tra do s re al iza m 4 c on su lta s de a co m pa nh am en to po r a no , s en do : • 2 co ns ul ta s m éd ica s; • 1 co ns ul ta d e en fe rm ag em ; • 1 at en di m en to d e od on to lo gi a. OB S: a s co ns ul ta s de ve m s er d om ic ili ar es e m c as o de p ac ie nt es im po ss ib ili ta dos do a te nd im en to n a UB S. M éd ic o 10 0% De pe nd en te d e ál co ol e o ut ra s dr og as d e ba ix o ris co Co ns ul ta m éd ic a 1 an o En fe rm ei ro 10 0% De pe nd en te d e ál co ol e o ut ra s dr og as d e ba ix o ris co Co ns ul ta d e en fe rm ag em 1 an o Od on tó lo go 10 0% De pe nd en te d e ál co ol e o ut ra s dr og as d e ba ix o ris co At en di m en to o do nt ol óg ico 1 an o Re al iza r c on su lta s de a co m pa nh am en to p ar a to do s os u su ár io s co m d ep en dê nc ia d e ál co ol e ou tr as d ro ga s de m éd io ri sc o ca da st ra do s 10 0% d os u su ár io s co m d ep en dê nc ia d e ál co ol e o ut ra s dr og as d e m éd io ri sc o ca da st ra do s re al iza m 3 c on su lta s de a co m pa nh am en to p or an o, s en do : • 1 co ns ul ta m éd ica ; • 1 co ns ul ta d e en fe rm ag em ; • 1 co ns ul ta d e od on to lo gi a. OB S: a s co ns ul ta s de ve m s er d om ic ili ar es e m c as o de p ac ie nt es im po ss ib ili ta do s do a te nd im en to n a UB S. M éd ic o 10 0% De pe nd en te d e ál co ol e ou tra s dr og as Co ns ul ta m éd ic a 1 an o En fe rm ei ro 10 0% De pe nd en te d e ál co ol e o ut ra s dr og as d e m éd io ri sc o Co ns ul ta d e en fe rm ag em 1 an o Od on tó lo go 10 0% De pe nd en te d e ál co ol e o ut ra s dr og as d e m éd io ri sc o At en di m en to o do nt ol óg ico 1 an o Oficina 8 - Saúde Mental 29 Re al iza r c on su lta s de a co m pa nh am en to p ar a to do s os u su ár io s co m d ep en dê nc ia d e ál co ol e ou tr as d ro ga s de a lto ri sc o ca da st ra do s 10 0% d os u su ár io s co m d ep en dê nc ia d e ál co ol e o ut ra s dr og as d e al to ri sc o ca da st ra do s re al iza m 3 c on su lta s de a co m pa nh am en to p or an o, s en do : • 1 co ns ul ta m éd ica ; • 1 co ns ul ta d e en fe rm ag em ; • 1 co ns ul ta d e od on to lo gi a. OB S: a s co ns ul ta s de ve m s er d om ic ili ar es e m c as o de p ac ie nt es im po ss ib ili ta do s do a te nd im en to n a UB S. M éd ic o 10 0% De pe nd en te d e ál co ol e o ut ra s dr og as d e al to ri sc o Co ns ul ta m éd ic a 1 an o En fe rm ei ro 10 0% De pe nd en te d e ál co ol e o ut ra s dr og as d e al to ri sc o Co ns ul ta d e en fe rm ag em 1 an o Od on tó lo go 10 0% De pe nd en te d e ál co ol e o ut ra s dr og as d e al to ri sc o Ae nd im en to o do nt ol óg ico 1 an o El ab or ar e a co m pa nh ar P la no d e Cu id ad os de fin id o pe la p ró pr ia A PS e /o u pe lo C en tro Re gi on al d e At en çã o Es pe ci al iza da e /o u pe lo C AP S 10 0% d os u su ár io s co m d ep en dê nc ia d e ál co ol e o ut ra s dr og as ac om pa nh ad os d e ac or do c om a s m et as d efi ni da s no P la no d e Cu id ad os OB S: o P la no d e Cu id ad os d ev e se r r ev is to e m to da s as co ns ul ta s su bs eq ue nt es . Eq ui pe 10 0% De pe nd en te d e ál co ol e ou tra s dr og as Pl an o de c ui da do s 1 an o Re al iza r a tiv id ad es e m g ru po p ar a to do s os us uá rio s co m d ep en dê nc ia d e ál co ol e o ut ra s dr og as d e ba ix o e m éd io ri sc o ca da st ra do 10 0% d os u su ár io s co m tr an st or no m en ta l d e ba ix o e m éd io ri sc o pa rti ci pa m d e at iv id ad es e m g ru po : • co nd uz id a pe la e nf er m ag em ; • pa rti cip an te s: no m áx im o 20 u su ár io s; • du ra çã o: 1 h or a; • pe rio di ci da de : 4 v ez es p or a no . Eq ui pe A PS + N AS F 10 0% De pe nd en te d e ál co ol e o ut ra s dr og as d e ba ix o ris co At iv id ad e em g ru po 1 an o 10 0% De pe nd en te d e ál co ol e o ut ra s dr og as d e m éd io ri sc o At iv id ad e em g ru po 1 an o Ag en da r a te nd im en to n o CA PS o u no C en tro Re gi on al d e At en çã o Es pe ci al iza da p ar a to do s os us uá rio s co m d ep en dê nc ia d e ál co ol e o ut ra s dr og as d e m éd io e a lto ri sc o 10 0% d os u su ár io s co m d ep en dê nc ia d e ál co ol e o ut ra s dr og as d e m éd io e al to ri sc o co m a te nd im en to a ge nd ad o no C AP S ou n o Ce nt ro R eg io na l d e At en çã o Es pe ci al iza da . En fe rm ei ro * 10 0% De pe nd en te d e ál co ol e o ut ra s dr og as d e m éd io ri sc o Ag en da m en to d e at en di m en to 1 an o 10 0% De pe nd en te d e ál co ol e o ut ra s dr og as d e m éd io ri sc o Ag en da m en to d e at en di m en to 1 an o Vi si ta D om ic ili ar 10 0% d os u su ár io s co m n o m ín im o1 vi si ta d om ic ili ar m en sa l OB S: C as o se ja n ec es sá rio p od e so lic ita r o a ux íli o de o ut ro p ro fis si on al da e qu ip e. OB S: C as o se ja n ec es sá rio p od e so lic ita r o a ux íli o de o ut ro pr ofi ss io na l d a eq ui pe . AC S 10 0% De pe nd en te d e ál co ol e o ut ra s dr og as d e al to ri sc o Vi si ta d om ic ili ar 1 an o Ac om pa nh am en to c om pa rti lh ad o co m a e qu ip e do N AS F pa ra u su ár io s co m d ep en dê nc ia d e ál co ol e o ut ra s dr og as q ue a pr es en te m di fic ul da de d e m an ej o 10 0% d os u su ár io s co m d ep en dê nc ia d e ál co ol e o ut ra s dr og as q ue ap re se nt ar em d ifi cu ld ad es d e m an ej o pe la e qu ip e da A PS . Eq ui pe 10 0% De pe nd en te d e ál co ol e ou tra s dr og as M at ric ia m en to 1 an o *O e nf er m ei ro p od e at rib ui r e st a at ivi da de a o ut ro té cn ico d a eq ui pe , d es de q ue e st e se re sp on sa bi liz e. Ca so n ão te nh a CA PS , p ro cu ra r i nc lu ir os T M d e al to ri sc o e AD d e m éd io e a lto ri sc o na s at ivi da de s em g ru po . T am bé m ve rifi ca r a p os si bi lid ad e de re al iza r m ai s at en di m en to s, p ar a um m el ho r a co m pa nh am en to . Oficina 8 - Saúde Mental 30 r Ed E d E aT EN çã O À S CO N d Iç Õ ES C r O N IC aS d Im EN SI O N a m EN TO d a N EC ES SI d a d E d E Sa Ú d E N a a TE N çã O p r Im Á r Ia À S a Ú d E CO N SO lI da d O d aS a TI VI d ad ES p r OG r am ad aS – a N O Ca r Ga h Or Ár Ia N EC ES SÁ r Ia (p ar a as a tiv id ad es p ro gr am ad as – a no ) Tr aN ST Or N OS m EN Ta IS (p or p re va lê nc ia ) d Ep EN d EN CI a d E Ál CO Ol OU O U Tr aS d r OG aS (p or p re va lê nc ia ) TO Ta l aT IV Id ad ES d U r aç ãO d a aT IV Id ad E em Ca r Ga h Or Ár Ia N EC ES SÁ r Ia (p ar a o to ta l d e at iv id ad es – e m h or as ) Ge ra l Ba ix o ri sc o m éd io ri sc o al to r is co Ge ra l Ba ix o ri sc o m éd io ri sc o al to r is co m in ut os h or as an o m ês Se m an a Co ns ul ta m éd ic a 0 0 0 0 0 0 0 0 0 15 0, 3 0, 0 0, 0 0, 0 Co ns ul ta d e en fe rm ag em 0 0 0 0 0 0 0 0 0 15 0, 3 0, 0 0, 0 0, 0 Co ns ul ta d e od on to lo gi a 0 0 0 0 0 0 0 0 0 15 0, 3 0, 0 0, 0 0, 0 at iv id ad e em gr up o – eq ui pe ap S + N aS f 0 0 0 – 0 0 0 – 0 45 0, 8 0, 0 0, 0 0, 0 aN Ál IS E d O aT EN d Im EN TO S Em aN al Ca pa CI d ad E Op Er aC IO N al Ca r Ga h Or Ár Ia p r OG r am ad a OU Tr aS a TI VI da d ES p r OG r am ad aS E d Em aN da E Sp ON Tâ N Ea pr ofi ss io na is Ca rg a ho rá ri a di sp on ív el (h or as /s em an a/ pr ofi ss io na l) N úm er os d e pr ofi ss io na is (c on tr at ad os ) Ca rg a ho rá ri a di sp on ív el to ta l (h or as /s em an a) at iv id ad es pr og ra m ad as (h or as /s em an a) % Ch % m éd ic o 40 1 40 ,0 0, 0 0, 0% 40 ,0 10 0, 0% En fe rm ei ro 40 1 40 ,0 0, 0 0, 0% 40 ,0 10 0, 0% Od on to lo go 40 1 40 ,0 0, 0 0, 0% 40 ,0 10 0, 0% Oficina 8 - Saúde Mental 31 5.5 Estudo de caso: a programação local para a saúde mental Objetivo: Possibilitar aos participantes o exercício da aplicação da planilha de programação local para a saúde mental. 5.5.1 atividade em grupo: orientação • Retornar aos grupos, eleger um coordenador e um relator; • Ler o texto de apoio – A planilha de programação para a saúde mental; • Ler o estudo de caso: A Programação Local para a Saúde Mental na Unidade de APS Santa Terezinha; • Elaborar a programação local para a equipe de saúde da APS utilizando a planilha de programação apresentada no texto de apoio; • Responder as seguintes questões: • Quantas horas semanais por profissional e para a equipe serão consumidas para aten- der a saúde mental? • Qual o % de comprometimento da car- ga horária semanal por profissional com saúde mental? • Relatar em plenário a atividade. Cada relator terá no máximo cinco minutos para apresentação. 5.5.2 Estudo de caso: a programação local para a saúde mental na unidade de aps santa terezinha A Unidade de APS Santa Terezinha se situa geogra- ficamente na periferia do município de São Lucas, no bairro Coqueiral, distando-se do centro da cidade em aproximadamente dez quilômetros. Possui uma equipe de saúde da família (contando com um médico, um enfermeiro, dois técnicos de enfermagem e sete ACS), uma equipe de saúde bu- cal (com um cirurgião dentista e um auxiliar de saú- de bucal), e com os seguintes servidores de apoio administrativo: um auxiliar de serviços gerais, uma recepcionista e um vigia. A unidade funciona das 7h às 18h, ininterruptamente, e todos os profissionais têm jornada de trabalho de 40h semanais. O conse- lho local é atuante, reúne-se mensalmente, e avalia o desempenho da equipe. A Unidade foi construída recentemente com re- cursos do Ministério da Saúde. Segundo dados do cadastro familiar e do Sistema de Informação da Atenção Básica (SIAB), vive nesse território uma população de três mil habitantes, num total de mil domicílios. Após um levantamento local, a equipe de saúde identificou que no território o relevo é pla- no, poucas ruas são pavimentadas, há ausência de rede pluvial e consequentes alagamentos. O bairro é servido por duas linhas de ônibus, uma ligando bairro a bairro, e a outra ligando bairro ao centro. A maioria dos domicílios é de alvenaria e tem acesso a energia elétrica. 80% têm água tratada, apenas 50% têm rede de esgoto sanitário e a coleta de lixo ocorre duas vezes por semana. Há no território uma equipe de NASF composta por Assistente Social, EducadorFísico e Farmacêutico um Centro de Referência em Assistência Social – CRAS e um Serviço Residencial Terapêutico – SRT, tipo 1, com oito moradores. Há uma escola pública de Ensino Fundamental e um campinho, onde as crianças costumam jogar bola. Há uma delegacia de polícia com capacidade para 40 pessoas em privação de liberdade, no momento com 95; uma casa para idosos com 30 vagas; uma casa de apoio para pessoas vivendo com HIV/AIDS com 20 vagas sustentadas por uma igreja evangé- lica; uma comunidade terapêutica para 30 adoles- centes. Também existe uma igreja com a Pastoral da Oficina 8 - Saúde Mental 32 Sobriedade. Segundo dados do cadastro familiar e do SIAB, 51% da população é feminina e 49% é mas- culina. A população dessa área é constituída por 3% de crianças menores de um ano, 7% de crianças de um a quatro anos, 12% na faixa etária de cinco a nove anos, 8% de dez a 14 anos, 11% de 15 a 19 anos, 52% de 20 a 59 anos e 7% de maiores de 60 anos. Aproxi- madamente 250 famílias vivem com uma renda per capita inferior a R$ 70,00; 150 chefes de família são analfabetos; 30% das famílias apresentam risco so- cial, econômico e cultural; e 10% da população têm plano de saúde. 6. rOTEIrO daS aTIVIdadES: TErCEIrO dIa 6.1 Saudação Objetivos: • Saudar os participantes; • Pactuar os compromissos com os participantes. 6.2 painel: experiências exitosas em saúde mental na apS Objetivo: Conhecer experiências exitosas em saúde mental na APS. 6.3 Estudo dirigido: as estratégias para o desenvolvimento dos produtos pelas equipes da apS Objetivo: Possibilitar aos participantes o desenvolvi- mento das estratégias para a realização dos produ- tos da oficina pelas equipes da APS. 6.3.1 atividade em grupo: orientação • Retornar aos grupos, eleger um coordenador e um relator; • Elaborar um cronograma para replicação das ofici- nas para compartilhamentos com as equipes da APS; • Desenvolver estratégias para a realização dos pro- dutos da oficina pelas equipes da APS: • Identificação e estratificação de risco dos cidadãos com transtorno mental, dependên- cia de álcool e/ou substâncias psicoativas residentes no território de responsabilidade de cada equipe de APS; • Programação local para a saúde men- tal, para cada equipe de APS, utilizando a planilha de programação disponibilizada pela SESA; • Elaboração de agenda para atendimento em saúde mental, para cada equipe de APS • Relatar a atividade em plenário. Cada relator terá no máximo cinco minutos para apresentação. prazo: • Os produtos deverão ser desenvolvidos no período de: / / próxima oficina: • Tema: Oficina 8 - Saúde Mental 33 SUGESTãO dE CadaSTrO dE SaÚdE mENTal ESTadO dO paraNÁ Secretaria de Estado da Saúde – SESA Superintendência de Atenção à Saúde – SAS Departamento de Atenção as Condições Crônicas – DACC Divisão de Saúde Mental – DVSAM CadaSTrO dE SaÚdE mENTal (COmplEmENTar aO CadaSTrO GEral da UapS) 1. dadOS dE IdENTIfICaçãO dO USUÁrIO Nome (com letra de forma e sem abreviaturas): data de nascimento: Idade: Escolaridade: Sexo: M ( ) F ( ) TM ( ) AD ( ) Número do prontuário na UBS/ESf: profissão: Está trabalhando atualmente? SIM ( ) NÃO ( ) Em caso negativo, está recebendo algum tipo de auxílio/benefício? NÃO ( ) SIM ( ) Qual? Desde quando? Estratificação de risco: data: Estratificação de risco: data: Estratificação de risco: data: 2. hISTÓrIa prEGrESSa Internamento: SIM ( ) NÃO ( ) local do último internamento: ( ) Hospital Geral ( ) Hospital Psiquiátrico data e motivo do último internamento: Número de Internamentos psiquiátricos: Já utilizou serviço de Urgência/Emergência: NÃO ( ) SIM ( ) Quando? atendimentos anteriores em Saúde mental: ( ) UAPS ( ) Ambulatório ( ) Centro de Atenção Psicossocial – CAPS ( ) Atendimento Psicológico ( ) Atendimento Psiquiátrico ( ) CRAS/CREAS ( ) Outro – Qual? 3. SINTOmaTOlOGIa Sinais e sintomas e demais informações pertinentes (incluindo os aspectos sociais e familiares e em casos AD, especificar qual o tipo de droga utilizada): Comorbidades (doenças associadas): medicação atual: adesão ao tratamento medicamentoso: SIM ( ) NÃO ( ) Nome e CBO do profissional (que realizou atendimento): Oficina 8 - Saúde Mental 34 ESTadO dO paraNÁ Secretaria de Estado da Saúde – SESA Superintendência de Atenção à Saúde – SAS Departamento de Atenção as Condições Crônicas – DACC Divisão de Saúde Mental – DVSAM maNUal: Estratificação de risco dos Transtornos mentais e dependência de Álcool e outras drogas dESCrITOrES Com a finalidade de auxiliar na escolha dos parâme- tros que vão definir o nível em que ocorrerá a assis- tência em saúde e lembrando que o planejamento da estratificação de risco da população alvo foi re- alizada considerando a gravidade dos sinais e sin- tomas apresentados, sem a necessidade de firmar diagnóstico inicial, somada às condições de vida atu- al do usuário; a seguir apresentamos os descritores dos sinais e sintomas identificados durante as en- trevistas de acolhimento da demanda de assistência em saúde dos usuários. GrUpO I – sintomas relacionados aos transtornos mentais comuns ou menores: também caracte- rizados por englobar quadros mais leves como os depressivos, ansiosos e somatoformes classificá- veis nos manuais diagnósticos, além de abranger múltiplos sintomas. Causam prejuízos e incapacida- des funcionais, sociais e físicas comparáveis ou mais graves que os transtornos crônicos, duas vezes mais queixas de doenças físicas, taxas de mortalidade al- tas quando comparados com a população em geral, além de ser uma das mais importantes causas de morbidade na atenção primária. GrUpO II – sintomas relacionados aos transtornos mentais severos e persistentes que se definem por uma gama extensa e heterogênea de característi- cas e necessidades que impactam sobre indivíduos tendo em comum a duração do problema, o grau de sofrimento emocional, o nível de incapacidade que interfere nas relações interpessoais e nas compe- tências sociais e o diagnóstico psiquiátrico. Grande parte dos indivíduos aqui agrupados são portadores de transtornos psicóticos – esquizofrenia, transtorno afetivo bipolar e outras psicoses. GrUpO III – sintomas relacionados à dependência de álcool e outras drogas que englobam o abuso e dependência de substâncias psicoativas (drogas) que quando utilizadas alteram o funcionamento cerebral causando modificações no estado mental ou psiquismo. Inclui o uso de depressores do SNC (álcool, benzodiazepínicos, opiáceos e inalantes), os psicoestimulantes (anfetaminas e cocaína/crack) e os alucinógenos (maconha, LSD, êxtase). A depen- dência caracteriza-se por reações físicas ou psí- quicas que incluem ingestão excessiva de drogas psicoativas, de modo contínuo ou periódico, para experimentar seus efeitos psíquicos e/ou evitar o desconforto de sua falta (abstinência); abandono progressivo de prazeres e interesses e persistência do uso apesar dos prejuízos decorrentes. GrUpO IV - sintomas relacionados a alterações na saúde mental que se manifestam na infância e/ou na adolescência. Grupo heterogêneo de transtor- nos, ocorrendo durante a infância e/ou adolescên- cia. Algumas destas afecções constituem síndromes bem definidas, enquanto outras são simples asso- ciações de sintomas; mas devem ser identificadas em função de sua frequência e de sua associação com uma alteração do funcionamento psicossocial. GrUpO V – sintomas relacionados a alterações na saúde mental que se manifestamnos idosos. Englobam as demências e distúrbios transitórios orgânicos cerebrais comuns na população de faixa etária mais elevada e tem em comum a deterioração Oficina 8 - Saúde Mental 35 e/ou a perda progressiva das capacidades intelectu- ais e do funcionamento psicossocial. GrUpO VI – fatores que podem se constituir em fa- tores agravantes ou atenuantes de problemas de saúde mental já identificados. Refere-se à condição de vida atual do usuário sendo baseados nos fatores de risco e proteção. GrUpO I Sensação de morte iminente e/ou pânico: é um sentimento de medo extremo (diferente de medo intenso), agudo ou prolongado, acompanhado de sintomas e sinais físicos como sudorese e taquicar- dia e de temor a um perigo imediato e não localizá- vel ou identificável. medo intenso: sentimento de temor intenso a algum perigo identificável ou não. desrealização: sentimento desagradável de estra- nheza, de mudança ou de irrealidade em relação ao mundo em sua volta. despersonalização: sentimento desagradável de estranheza e novidade em relação a si próprio. Crises conversivas: conjunto de manifestações de comportamento, das sensações em que o indivíduo pode ter movimentos corporais bizarros, parecidos com convulsões, imobilidade (paralisia) ou anestesia de membros e/ou sensação de perda de alguma fun- ção como a fala, audição ou visão. Crises dissociativas: semelhante a convulsões epi- lépticas, manifesta-se por alteração da qualidade da consciência em que esta se estreita ou se rebaixa, porém sem uma causa biológica explicável, levando o indivíduo a fazer uma amnésia seletiva de fatos, de lugares, de si mesmo, de pessoas e/ou de fatos psi- cologicamente significativos. Queixas somáticas persistentes e/ou hipocondríacas: sensações corporais muito frequentes levando o in- divíduo a obter atenção de terceiros ou outro ganho secundário e/ou sensações e sinais físicos triviais interpretados como anormais e perturbadores le- vando a um temor de estar com alguma doença que não tenha causa biológica explicável. pensamentos ou comportamentos repetitivos e/ou conjunto de rituais: pensamentos ou atos em geral incompreensíveis, inevitáveis e indesejáveis pelo próprio individuo, julgados por ele como absurdos e irracionais. São exemplos: a reflexão demorada e persistente de ideias, os rituais de verificação e os de limpeza, estes em geral realizados para aliviar algum desconforto emocional subjetivo. pensamentos de inutilidade e/ou sentimentos de culpa: são crenças pessimistas em que o individuo se auto-acusa de ser responsável ou irresponsá- vel por acontecimentos diversos os quais não tem responsabilidade direta. Em geral se acompanham de sentimentos depressivos e podem evoluir para ideias desconectadas da realidade, também chama- das de delírio. Tristeza persistente acompanhada ou não de choro: sentimentos de tristeza (humor rebaixado) observados ou referidos pelo individuo. Quando se acompanha de prolongada ausência (falta) de vonta- des e desejos com inibição global do funcionamento mental, sem necessariamente ter uma causa defini- da, pode ser denominado de depressão. GrUpO II Ideação e/ou tentativa de suicídio: é a intenção de matar-se. Tema que deve ser abordado em qual- quer investigação de problemas mentais permitindo Oficina 8 - Saúde Mental 36 ao usuário falar do assunto para que a intensida- de desta idéia seja avaliada quanto ao risco real de ser cometida. Isolamento social: tendência a manter-se afastado do convívio e/ou contato familiar ou social. heteroagressividade e/ou autoagressividade: alte- ração de conduta em que o indivíduo usa práticas de violência verbal ou física contra os outros, contra si ou contra objetos. desinibição social e sexual: alteração de comporta- mento em que o indivíduo perde a noção de moralida- de e pudor, com atitudes exageradamente sedutoras ou consideradas imorais. Em geral se acompanham de sentimentos de euforia e/ou de grandeza. hiperatividade associada ou não a atos impulsivos: aumento da atividade motora associada ou não a ações involuntárias, automáticas, sem reflexão ou ponderação, em geral incontroláveis, e sem objetivo específico, podendo levar a exaustão; que acompa- nha estados de humor eufóricos. Euforia: elevação desproporcional do humor com- preendida como uma alegria patológica em que o indivíduo está demasiado otimista, motivado, exal- tado, comunicativo. Pode apresentar pressão para falar sem parar resultando num discurso acelerado, contagiante, repleto de brincadeiras e gesticulações. Elevação desproporcional da autoestima: o indivi- duo expressa vivências exageradas de qualidades pessoais, poder, ganho, grandeza e sucesso relacio- nados a si mesmo. delírio: distúrbio do conteúdo do pensamento em que o indivíduo tem ideias em desacordo com a realidade. Cria, distorce ou dá falso significado para a realidade, são crenças errôneas da qual ele tem absoluta convicção sendo irremovível e não influenciável. alucinação: alteração da percepção visual, auditiva, olfativa, gustativa ou tátil que é clara e definida ape- sar do objeto não estar presente na realidade. alteração no curso do pensamento: alteração no curso do pensamento em que há uma sensação de interrupção, levando a crença de que outras pesso- as ouvem ou percebem seus pensamentos e/ou que seu pensamento foi roubado da mente. perda do Juízo Crítico da realidade: alteração do pensamento em que há um julgamento falso ou distorcido da realidade externa motivado por fato- res patológicos psíquicos (realidade interna), que se evidencia principalmente quando há alucinações e delírios. Em geral se acompanha de perda das capa- cidades de autogerenciamento. GrUpO III delirium tremens: psicose orgânica reversível que dura de dois a dez dias e que resulta da interrupção da ingestão de bebida alcoólica. Inicia-se 72 horas após a ingestão da última dose de bebida alcoólica, e manifesta-se com diminuição do nível da consci- ência, confusão mental, desorientação no tempo e espaço, tremores de extremidade e generalizados, insônia, febre, sudorese abundante, ilusões e alu- cinações visuais e táteis (pequenos insetos e ani- mais) podendo levar à morte pela desidratação e outras complicações. Tremor associado, ao hálito etílico e sudorese etílica: tremores finos observáveis nas mãos, pernas e língua e hálito e/ou suor com cheiro de álcool. Incapacidade de redução e controle do uso de drogas: situação em que o individuo, apesar dos prejuízos pes- soais sofridos em decorrência da ingestão de álcool ou drogas, continua o uso. Oficina 8 - Saúde Mental 37 manifestação de comportamento de risco para si e para terceiros: atitudes pessoais que colocam o indivíduo em risco de morrer, de causar danos para outros, de sofrer prejuízo físico, emocional ou moral. Ex: dirigir embriagado, relação sexual desprotegida, intoxicação alcoólica aguda, coma alcoólico, abando- no de higiene e alimentação. Tolerância: necessidade de ingerir quantidades de substâncias psicoativas progressivamente maiores para obter o mesmo efeito observado inicialmente em pequenas quantidades. GrUpO IV dificuldade manifesta na infância e/ou adolescên- cia de compreender e transmitir informação: pode ser dificuldade da fala, da escrita, da expressão facial, da gesticulação corporal, do aprendizado e da compreensão observados com maior frequência no período escolar. movimentos corporais ou comportamentais este- reotipados: são gestos, trejeitos, tiques, maneiris- mos,posturas que são repetidas ou, ao contrário, são mantidas por longos períodos, mas sem um propósito específico ou objetivo aparente. desatenção manifesta na infância e/ou adolescência: padrão de comportamento caracterizado por dificul- dade em iniciar, manter e terminar interação com ou- tras pessoas e tarefas por falta de atenção, resultando em desorganização, distratibilidade, esquecimentos e dificuldade de planejamento; manifesta em indivídu- os menores de 18 anos. Inquietação constante manifesta na infância e/ou adolescência: atividade excessiva em situações em que relativa tranquilidade é esperada, resultando em excesso de agitação e impulsividade que podem perturbar o ambiente e se associar a agressividade e comportamento opositor em indivíduos menores de 18 anos. regressão: tendência a apresentar comportamen- tos ou reações afetivas características de épocas an- teriores ao atual nível de desenvolvimento e experi- ência pessoal. Também se denomina puerilismo ou infantilismo afetivo. GrUpO V perda da memória: dificuldade ou incapacidade para recordar fatos ocorridos antes, durante ou após um determinado ponto no tempo. perda progressiva da capacidade funcional, ocu- pacional e social: dificuldade ou incapacidade para exercer plenamente funções familiares, domicilia- res, profissionais ou na sociedade; que se instalou de forma crescente e progressiva ao longo da vida e em consequência dos problemas de saúde mental. desorientação temporal e espacial: prejuízo ou in- capacidade de reconhecer a data (dia, mês e ano) atual e o local em que se encontra. GrUpO VI resistência ao tratamento e/ou refratariedade: é a não resposta efetiva a diversos tratamentos adminis- trados de maneira adequada, seja por não aderência, por permanência dos sintomas, ou por evidência de fracasso nos tratamentos psiquiátricos anteriores. recorrência ou recaída: é o retorno da atividade de uma doença após um período de pelo menos dois meses em que houve remissão (desaparecimento) completa dos sintomas. Pode ser uma manifestação clínica ou laboratorial. Um 1º episódio é considerado Oficina 8 - Saúde Mental 38 único, episódios subsequentes são “recorrentes” ou “recidivantes”. Uso abusivo de substâncias psicoativas: padrão de uso de psicofármacos, álcool ou outras drogas que causa prejuízo ou dano real à saúde, à vida social e profissional do usuário; sem que se observem tole- rância, abstinência e sinais e sintomas de abstinên- cia presentes em casos de dependência química. Exposição continuada ao estresse: quando o indiví- duo convive repetitivamente ou por tempo prolongado com eventos ou circunstâncias em sua vida pessoal, familiar, profissional ou social que gerem alteração, reação ou sofrimento emocional inevitável e acima do individualmente suportável. precariedade de suporte social: quando não há pessoas de sua comunidade disponíveis para pres- tar alguma assistência, supervisão, monitoramento ou encaminhamento para tratamento precariedade de suporte familiar: quando não há familiares disponíveis para prestar alguma assistên- cia, supervisão, monitoramento ou encaminhamento para tratamento. Testemunha de violência: pessoa que assistiu de forma presencial ato de violência física contra ter- ceiros ou contra objetos (patrimônio). autor ou vítima de violência: pessoa que sofreu ou cometeu ato de violência física contra si, contra ter- ceiros ou contra objetos (patrimônio). perda da funcionalidade familiar e/ou afetiva: quando o indivíduo perdeu a capacidade de tomar decisões necessitando auxilio de outras pessoas para gerenciar sua vida. Vulnerabilidade econômica e ambiental: conjunto de situações, mais ou menos problemáticas, que situam a pessoa numa condição de carente, ne- cessitada, impossibilitada de responder com seus próprios recursos às exigências da vida nas áreas econômicas ou ambientais. Exemplo: desemprego, ausência de moradia, vitima de desastres naturais. Comorbidade ou outra condição crônica associada: quando uma ou mais doenças estão presentes ao mesmo tempo em que o transtorno mental. faixa etária > 6 anos e < de 18 anos: pessoas com ida- de superior a seis anos inferior a 18 anos. abandono e/ou atraso escolar: Quando o aluno dei- xa de ir à escola ou está em atraso de no mínimo dois anos consecutivos do período escolar. CONdIçÕES ESpECIaIS: São circunstâncias consi- deradas sentinelas porque exigem maior atenção das equipes de saúde se fazendo indispensável, além da aplicação da estratificação de risco, uma maior atenção e cuidado. • GESTaçãO • pOpUlaçãO INdÍGENa • dEfICIÊNCIa mENTal mOdErada OU SEVEra EVENTOS aGUdOS: Nestas situações não se faz estratificação de risco, pois são consideradas situ- ações de urgência para as quais deve ser aplicada a classificação de risco como em qualquer outro evento agudo. • OCOrrÊNCIa rECENTE dE TENTaTIVa dE SUICÍdIO • CrISE OU SUrTO pSICÓTICO Oficina 8 - Saúde Mental 39 ESTadO dO paraNÁ Secretaria de Estado da Saúde – SESA Superintendência de Atenção à Saúde – SAS Departamento de Atenção as Condições Crônicas – DACC Divisão de Saúde Mental – DVSAM fICha dE apOIO plaNO dE CUIdadOS Em SaÚdE mENTal QUadrO pSICOpaTOlÓGICO ESTraTIfICaçãO dE rISCO aTIVIdadE pONTO dE aTENçãO apS TraNSTOrNO mENTal BAIXO RISCO Consulta médica 2 Consultas médicas Consulta de enfermagem 1 Consulta de enfermagem Atendimento de odontologia 1 Atendimento de odontologia Atividades em Grupo 4 Atividades em Grupo Visita Domiciliar 1 Visita Domiciliar ao mês Acompanhamento Compartilhado com Equipe do NASF Quando necessário MÉDIO RISCO Consulta médica 1 Consulta médica Consulta de enfermagem 1 Consulta de enfermagem Consulta de odontologia 1 Atendimento de odontologia Atividades em Grupo 4 Atividades em Grupo Visita Domiciliar 1 Visita Domiciliar ao mês Acompanhamento Compartilhado com Equipe do NASF Quando necessário ALTO RISCO Consulta médica 1 Consulta médica Consulta de enfermagem 1 Consulta de enfermagem Consulta de odontologia 1 Atendimento de odontologia Visita Domiciliar 1 Visita Domiciliar ao mês Acompanhamento Compartilhado com Equipe do NASF Quando necessário Agendar atendimento no CAPS ou Centro Regional de Atenção Especializada para todos os usuários com Transtorno Mental dEpENdÊNCIa dE ÁlCOOl E OUTraS drOGaS BAIXO RISCO Consulta médica 2 Consultas médicas Consulta de enfermagem 1 Consulta de enfermagem Consulta de odontologia 1 Consulta de odontologia Acompanhamento Compartilhado com Equipe do NASF Quando necessário Visita Domiciliar 1 Visita Domiciliar ao mês MÉDIO RISCO Consulta médica 1 Consultas médicas Consulta de enfermagem 1 Consulta de enfermagem Consulta de odontologia 1 Consulta de odontologia Acompanhamento Compartilhado com Equipe do NASF Quando necessário Visita Domiciliar 1 Visita Domiciliar ao mês Agendar atendimento no CAPS ou Centro Regional de Atenção Especializada para todos os usuários com Dependência de Álcool e outras Drogas ALTO RISCO Agendar atendimento no CAPS ou Centro Regional de Atenção Especializada para todos os usuários com Dependência de Álcool e outras Drogas Visita Domiciliar 1 Visita Domiciliar ao mês Obs. Considerar a possibilidade de outras atividades que possam ser realizadas ou programadas em outros pontos de atenção, tanto da Rede de Atenção à Saúde como da Rede Intersetorial. Oficina 8 - Saúde Mental 40 aNOTaçÕES aNOTaçÕES Oficina 8 - Saúde Mental 41 aNOTaçÕES Oficina 8 - SaúdeMental 42 aNOTaçÕES aNOTaçÕES Oficina 8 - Saúde Mental 43 aNOTaçÕES