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Psicologia Social II PSICOLOGIA SOCIAL II PROF. VILSON CARVALHO Divisão da Psicologia Social A psicologia social estuda a determinação mútua entre o indivíduo e o seu meio social. Área da Psicologia que analisa os aspectos sociais do comportamento e do funcionamento mental. Ela assume inicialmente duas perspectivas: 1) Perspectiva Pragmática (Sócio-Experimental); 2) Perspectiva Fenomenológica. Psicologia Social -“Estuda a subjetividade do indivíduo se manifestando no conjunto de suas relações sociais e no cotidiano de suas ações” (Lane, 2001) Psicologia Geral x Psicologia Social PSICOLOGIA GERAL PSICOLOGIA SOCIAL Objeto de Estudo - Comportamento; inconsciente, consciência. Objeto de Estudo - Relação indivíduo e sociedade. - Métodos = Introspecção, associação livre, experimental. Métodos = Observação participante, diálogo (entrevista), grupos. Como diz Gordon Allport: “A psicologia social tenta compreender e explicar como os pensamentos, sentimentos e comportamentos humanos influenciados por um outrem real, imaginário ou implícito”. - Tenta compreender e prever comportamentos. Perspectiva Pragmática (Sócio-Experimental); • Nasce nos EUA; • Influencia do Positivismo; • Raízes no Behaviorismo; • Busca intervir nos grupos para harmonizá-los e garantir a produtividade do grupo; • Após a II Grande Guerra Psicologia Social tem grande impulso nos EUA. Nome de destaque: Gordon Allport. • Visa minimizar os conflitos, tornando os homens “felizes” reconstrutores da humanidade que acabava de sair da destruição de uma II Guerra Mundial. A visão positivista dos fatos abandona as especulações metafísicas e teológicas e prioriza o conhecimento científico visando captar relações e constantes nos fenômenos observáveis; -Queria empregar nas ciências sociais os mesmos métodos utilizados nas ciências naturais como Física, Química, Astronomia e Biologia. - Como métodos de pesquisa para obtenção de dados defende a observação, a experimentação, a comparação, a classificação e a filiação histórica; - O espírito positivista tem a Ciência como investigação do Real. O positivismo teve grande repercussão na segunda metade do século XIX e, mas perdeu influência no século XX para outras correntes de pensamento. A FILOSOFIA POSITIVISTA Críticas ao Positivismo: • Na objetividade dos fatos, perde o ser humano; • Conhecimento minucioso enquanto descrição do comportamento, no entanto não dava conta do ser humano agente de mudança, sujeito da história; Tradição dicotômica, biológica ou sociológica; • Para a Psicologia Social, caberia recuperar esses indivíduos na intersecção de suas histórias com a historia de sua cultura e sociedade; Somente a descrição não capta a mediação ideológica e as reproduzem como fatos inerentes a natureza do homem. Críticas ao Positivismo: Críticas ao Positivismo: • Exemplos... Wundt => se preocupa em descrever processos psicofisiológicos em termos de estímulos e respostas de causas e efeitos. Nesta tradição os/as psicólogos/as esqueceram de que este homem, junto com outros, ao transformar a natureza, se transformava ao longo da história. • Skinner => questiona o reducionismo biológico e enfatiza a o controle que o meio exerce sobre o comportamento, homem produto das relações sociais, porém não chega a ver estas relações como produzidas a partir da condição histórica de uma sociedade. Críticas ao Positivismo (cont.): Críticas ao Positivismo: • Exemplos... Lewin => para ele o indivíduo e o meio são indissociáveis, e na medida em que o meio é social e se caracteriza pela complexidade de regiões e sub-regiões, considera um impasse a comprovação e previsão de comportamentos. Críticas ao Positivismo (cont.): Perspectiva Fenomenológica • Origem na Europa; • Raízes na Fenomenologia (Estudo no Fenômeno = aquilo que se mostra) e Gestalt (Forma+ Estrutura); • Busca conhecimentos que evitem novas catástrofes mundiais, segue a tradição filosófica européia; • Procura modelos totalizantes, como Lewin e sua teoria de Campo. Fenomenologia • Fenomenologia é o estudo dos fenômenos, tal como se apresentam à consciência, deixando de lado preconceitos, suposições ou generalizações sobre como sejam, buscando captar suas singularidades. • Para se aproximar das coisas fenomenologicamente, há o método de redução fenomenológica, que consiste no exercício de se distanciar das crenças, teorias, valores e experiências que temos sobre a coisa observada, colocando-as "entre parênteses", para observar o que percebemos, do modo como essa coisa se apresenta à nossa consciência, minimizando julgamentos prévios. • O conhecimento que temos de mundo é fruto de uma experiência de nossa consciência. Não é possível nos livrar de nossa subjetividade e ver as coisas em como são em si mesmas, pois em toda experiência de consciência estão envolvidos os nossos sentidos e o modo como percebemos aquilo que é observado, tem um significado especial para nossa consciência. Fenomenologia Fenomenologia De acordo com a fenomenologia aquilo que ocorre no plano da experiência está mais próximo do real, ou seja, do original. A experiência vivida e sentida é a que mais se ajusta ao conhecimento dos fatos. Existem diversas correntes dentro da fenomenologia, no entanto, a transcendental criada pelo filósofo Edmund Husserl é a mais conhecida e relacionada a esse conceito. Husserl (1859-1938) introduziu no século passado uma nova proposta na filosofia para servir de base em qualquer ciência natural e com a missão de exercer uma renovação no campo. Assim propôs o desenvolvimento de um método e de um programa para o momento da investigação. O método proposto por Husserl, denominado eidético, consiste na comparação de vários objetos para sobressaltar a essência compartilhada. Crise na Psicologia Social • Após a euforia dos anos 50 e 60; • Crise do conhecimento que não conseguia intervir nem explicar, muito menos prever comportamentos sociais. • Começa-se a questionar: • sua eficácia; • seu caráter ideológico de suas práticas; sua dicotomia entre o eu e a sociedade. Crise da Psicologia Social Crise na Psicologia Social A partir da década de 70 do século XX surge um movimento de crítica relacionado ao fato de que: - Esta não fazia qualquer tipo de intervenção social, não conseguindo atuar diretamente nos problemas sociais vigentes; - Não considerava em sua análise as condições socioculturais que influenciavam o comportamento social, ou seja, o conjunto de relações socioculturais que definiam o indivíduo na sociedade onde este se insere; - Não se considerava as ideologias dominantes levando a uma análise do comportamento considerando-o um fenômeno natural e muitas vezes universal ignorando a mediação de outros elementos socioculturais. - Era fundamentada em um modelo positivista de Ciência. Um modelo reducionista que busca dividir o objeto estudado em partes para conhecê-lo. No caso da Psicologia Social se reduzia o coletivo e o social a leis individuais; - Foco sempre no indivíduo e no Comportamento individual. Críticas a Psicologia Social Experimental Crise na Psicologia Social A crise da psicologia social é objeto de denúncia no Congresso de Psicologia Interamericana, realizado no ano de 1976 em Miami, com a participação de psicólogos sociais de vários países da América Latina. No Congresso posterior, que ocorreu em Lima, Peru, no ano de 1979, algumas diferenças expressivas puderam ser observadas, ou seja, as críticas à psicologiasocial norte-americana eram mais precisas e visavam uma redefinição da psicologia social. Durante este Congresso foi discutida a criação da Associação Latino- Americana de Psicologia social (ALAPSO), que tinha por objetivo promover o intercâmbio entre os psicólogos sociais latino-americanos. Movimento novo na Psicologia Social Crise na Psicologia Social Aroldo Rodrigues é certamente um dos mais importantes divulgadores desta psicologia social. Professor do Programa de Pós-Graduação da PUC-RJ constituiu-se em uma referência para a psicologia social no Rio de Janeiro, embora, posteriormente, tenha sido alvo de críticas por parte dos psicólogos sociais cariocas e brasileiros. Suas obras "Psicologia Social" de 1972 e "Estudos em Psicologia Social" de 1979 são, nos dias atuais, estudadas em muitos cursos de psicologia social no país. A contraposição de Rodrigues a uma psicologia social que começa a tomar corpo nas décadas de 60 e 70 no Brasil e na América Latina fica evidente com o episódio ABRAPSO. Movimento novo na Psicologia Social Crise na Psicologia Social Após ser convidado, em 1979, para participar da reunião que proporia a fundação da Associação Brasileira de Psicologia Social (ABRAPSO), não apenas se negou a discutir a proposta, mas discordou do projeto que orientaria esta mesma associação. Durante o XV Congresso Interamericano de Psicologia, realizado em dezembro de 1974, em Bogotá, Colômbia, Rodrigues proferiu uma conferência com o título "A Psicologia Social: problemas atuais e perspectivas para o futuro". Entre as questões analisadas destaca-se a crise vivida pela psicologia em geral e pela psicologia social, em particular. No Brasil, nesse mesmo período histórico, Silvia Lane já apontava para a necessidade de se buscar caminhos próprios para a psicologia social em nosso país. Movimento novo na Psicologia Social Crise na Psicologia Social - A Psicologia Sociohistórica surge como um novo paradigma para lidar com a realidade brasileira - Interesse pelo coletivo: Comunidades, movimentos sociais, minorias oprimidas, culturas populares, etc. visando: - Transformação social, empoderamento, elevar a participação social, contribuir para o desenvolvimento local e ao aumento da qualidade de vida. Críticas a Psicologia Social Experimental Contexto: DÉCADA DE 1960 no Brasil Regulamentação da profissão e criação de cursos de Psicologia (1962). Golpe Militar (1964):levou ao questionamento sobre as práticas psicológicas e a de metodologias que pudessem empreender a transformação da sociedade (ação em comunidades). Movimentos Universitários (1968): Questionamentos sobre o ensino e o papel da academia e contribuiu para uma reflexão crítica sobre a função da universidade em países de terceiro mundo. Crise da Psicologia Social: percepção da inviabilidade da tendência positivista, na análise dos fenômenos sociais. Surgimento da Psicologia Social Histórica Contexto: DÉCADA DE 1960 no Brasil Um dos sinais da crise da psicologia social a partir dos anos 60 foi a busca, por um lado, do atendimento da necessidade de intervenção social para a melhoria das condições de vida das sociedades, e por outro, a tendência de contrariedade ao rigor da metodologia experimental de laboratório. Este dilema colocava, de um lado, a psicologia social norte- americana que tinha a preocupação de reproduzir o modo de fazer ciência das ciências naturais, mas que a partir do final da década de 60, também buscava responder as necessidades de relevância em suas pesquisas; e em uma posição distinta, uma outra maneira de pensar a psicologia social, que se configurava a partir de críticas ao modelo positivista de ciência e que passou a sustentar como uma de suas preocupações a busca da relevância social. O Dilema DÉCADA DE 70 –REVISÃO CRÍTICA: : Como a psicologia social poderia ajudar a criar uma nova sociedade -movimento de resistência à ditadura militar. A Crise da Picologia Social na América Latina –“assume o caráter político, de militância e defesa dos menos favorecidos”(Silvia Lane,1984) . Prática nas comunidades: teoria ainda marcadamente de perspectiva individualista. Primeiro livro brasileiro de psicologia social (1972) é de Aroldo Rodrigues. Surgimento da Psicologia Social Histórica DÉCADA DE 70 – Contexto: : Este é um período em que os movimentos populares se fortalecem e vão aglutinando um grupo crescente de pessoas em torno da reivindicação do atendimento das necessidades básicas e da contestação ao regime político vigente. As greves se espalham em vários setores da produção, o desemprego e a inflação alcançam números assustadores. Esse também foi um período em que se debatiam diretamente a questão do subdesenvolvimento e das amarras estruturais que impediam mudanças mais significativas no sistema de poder, na economia e, principalmente, na situação de desigualdade reinante. A experiência da implantação de regimes socialistas na Europa e na América - Latina colocava em pauta a questão da revolução como solução dos problemas existentes. Surgimento da Psicologia Social Histórica DÉCADA DE 70 – REVISÃO CRÍTICA: Silvia Lane –Propõe uma nova Psicologia Social: Psicologia Social Crítica Só havia um livro de PSO em português (Otto Klinenberg). Propunha aos alunos ir a campo e fazer pesquisas de campo. Revisão críticas dos conceitos e preceitos da psicologia. Necessidade de superação da PSO tradicional também no plano teórico. Lane manifestava-se, então, contra uma perspectiva cientificista presente na Psicologia Social, e que lhe conferia um papel normativo e sistêmico ancorado na ideia de neutralidade, condenando-a. INFLUÊNCIAS DO MATERIALISMO HISTÓRICO DIALÁTICO Marx utiliza do materialismo histórico dialético. Dialética: confrontar termos para entender os conflitos multiplos dentro de uma ideia, movimento ou conceito, onde muitas vezes são contraditórias. conceituada da seguinte forma (tese primeira preposição ou ideia; antítese oposição a tese e esse duelo entre a duas resulta na síntese, que é a nova conclusão desse duelo, assim tornando-se uma nova tese ou ideia, ou seja; é um clico sem fim.) materialismo: vai além do raciocínio, em busca de uma concretude universal, entendendo a razão humana, como uma conquista histórica do homem. não se separa a razão da natureza e da pratica da vida. histórico: interação dos indivíduos como processo social que produzem suas condições reais de existência. DÉCADA DE 1980: Se caracterizou por dois aspectos: - Intercâmbio intenso entre os países da América Latina - intervenção não assistencialista e uma atuação que desenvolvesse a consciência e a autonomia de grupos marginalizados social e economicamente. - Melhor definição metodológica: melhor sistematização da Pesquisa Participante como método de estudo de processos psicossociais onde a história de indivíduos e grupo é registrada, é testada enquanto práxis científica. PSICOLOGIA SOCIAL LATINO AMERICANA Ruptura real com a visão de uma psicologia harmônica, adaptativa e individualista sobre o homem e a vida social. Compromisso com a transformação social da realidade. Congresso da Sociedade Interamericana de Psicologia - SIP (1979): críticas incisivas e propostas concretas de redefinição do modelo da PSO LA: Criação do Núcleo de Psicologia Comunitária (reuniu profissionais de toda a AL) e de Associações nacionais de PSO. PSICOLOGIA SOCIAL LATINO AMERICANA Entende o ser humano como um produto histórico e social, que é, por sua vez, a dialética entre a igualdade e a diferença, entre a individualidadee a coletividade. A concepção de ser humano expressada aqui é aquela em que este é produto e produtor de seu ambiente, de sua história, que pensa sobre sua ação, planeja e depois executa, retornando novamente ao processo inicial. Na Psicologia Social busca-se compreender as Relações históricas socias construídas nos Grupos e na Sociedade. O Homem É a síntese de múltiplas determinações, porque é Impossivel pesquisar e compreender o homem. PSICOLOGIA SOCIAL CRÍTICA Resultado de todo um movimento que se iniciou no Congresso da Sociedade Interamericana de Psicologia (SIP) em 1976, em Miami e que resultou na criação e desenvolvimento da Associação Brasileira de Psicologia Social – ABRAPSO, após julho de 1980. O marco histórico de proposição da Psicologia Social Crítica, inclusive, ocorrerá efetivamente na ocasião do 2ª 2o Simpósio Brasileiro de Pesquisa e Intercâmbio Científico da ANPEPP, ocorrido em Gramado/RS, em 1989, quando, a convite de Aroldo Rodrigues, Silvia Lane defende as bases científicas da Psicologia Social Marxista, com o trabalho intitulado "Uma Psicologia Social baseada no Materialismo Histórico e Dialético: da emoção ao inconsciente" (Lane, 1989b). O • Em São Paulo Silvia Lane defendeu uma posição diferente da sustentada por Aroldo Rodrigues. • O debate entre essas propostas foi registrado na revista "Ciência e Profissão" do ano de 1986, com o título: "A tecnologia social na psicologia: Controvérsias". • Se para Rodrigues a psicologia social é uma ciência básica que permitiria a solução de problemas sociais para Lane tal concepção poderia transformar o psicólogo em agente de adaptação. O Acirramento do Debate Institucionalização da Perspectiva Latino-Americana Anos 1960: Criação da Associação Latino-Americana de Psicologia Social (ALAPSO) por Varela e A. Rodriguez, formados nos EUA. O objetivo desses autores era aplicar e desenvolver o tipo de Psicologia Social aprendido por eles em seus estudos de doutorado realizados nos EUA. 1979 em Lima: a representatividade da ALAPSO foi questionada e proposta a criação de Associações Nacionais. Ano de 1980: Rompimento de um grupo de psicólogos com a ALAPSO e a criação da Associação Brasileira de Psicologia Social –ABRAPSO. Essa associação, juntamente com outras desenvolvidas no interior dos países latino-americanos, surgiu em contraposição à Psicologia Social veiculada na ALAPSO A Perspectiva Latino-Americana Socio Histórica Concepção: representa um conjunto de esforços de psicólogos sociais com a finalidade de desenvolver estudos sobre conceitos psicossociais(representações sociais, saúde mental, identidade, consciência social, subjetividade), em perspectiva universal e não dicotomizada. Objetivo:abrir caminhos teóricos e metodológicos comprometidos com os grandes problemas sociais vividos na América Latina, em busca da transformação da realidade. Principais Autores da PSLA na atualidade Inácio Martin-Baró–Esse autor defendia a não neutralidade da ciência e o compromisso político do pesquisador; Outros nomes no Brasil: Sílvia Lane; BaderSawaia; P. Guareschi; A. Ciampa; Tania Maciel, Maria Inácia D´Ávila Netto, LeoncioCamino. Áreas de Estudo que Permitiram o Desenvolvimento da PSLA: Psicologia Comunitária (da comunidade, na comunidade, com a comunidade) Psicologia Política. Quadro Comparativo Perspectivas em Psicologia Social Aspectos Comparáveis Perspectiva Americana Perspectiva Européia Perspectiva Latino- Americana Teórico Comportamento e Cognição dos Indivíduos Relações entre os grupos Manifestação da subjetividade do indivíduo Metodológico Defende a experimenta-ção e quantificação Adota postura multimetodo - lógica Nega a experimenta-ção e a quantificação. A perspectiva latino-americana crítica Concepção: busca compreender a subjetividade em interface com o contexto social, sob perspectiva universal e não dicotomizada. Objetivo:produzir conhecimento (teórico e metodológico) comprometido com os grandes problemas sociais vividos na América Latina, com a história dos sujeitos, em busca da transformação da realidade. Conceitos Centrais da PSLA Linguagem: É o pensamento em ação, promove a consciência e reproduz a ideologia(Psicologia Sócio-Históricade Vigotski). Identidade Social: Conceito inserido nas relações interpessoais, ao mesmo tempo reprodutor e transformador. Atividade: Práxis Social (Ação e Reflexão). Processo Grupal: Supera a concepção de grupo como algo estável e reificado -visão topológica. Análise de relações de dominação e de poder, busca ajudar os sujeitos a desenvolverem suas consciências e seus potenciais críticos e transformadores Que indivíduo é esse? Sujeito sócio-historicamenteconstituído–capaz de criar e recriar a sua história (criatividade/transformação). De materialidade histórica: sujeito concreto produzido pelos homens e ao mesmo tempo produtor dos homens. Papel da Psicologia Social:recuperar o indivíduo na intersecção de sua história com a história de sua sociedade, sujeito não natural. O Homem como sujeito concreto como sujeito constituinte e constituído socialmente. Superação da Visão Dualista do Homem (Psicologia Social Psicológica) ◦socialmente determinado (sociologismo) ◦ou causa de si mesmo (biologismo) Psicologia Social Sociológica versusPsicologia Social Psicológica A partir das críticas à Psicologia Social “tradicional” observa-se... Dois fatos fundamentais para o conhecimento do sujeito: 1.Ohomem não sobrevive a não ser em relação com outros homens -dicotomia indivíduo X grupo é falsa. 2.Asua participação, as suas ações, por estar em grupo, dependem fundamentalmente da aquisição da linguagem que preexiste ao indivíduo como código produzido historicamente pela sociedade. A partir das críticas à Psicologia Social “tradicional” observa-se... O psicólogo social analisa o indivíduo concreto, constituinte e constituído nas relações grupais, na linguagem, no pensamento e nas ações. A Psicologia Comunitária no Brasil Posicionamento MetodológicodaPSLA Comunitária Objetivo: Estudar a subjetividade do indivíduo se manifestando no conjunto de suas relações sociais e no cotidiano de suas ações. Meta: Superar a dicotomia entre a vida interna e externa, compreender o sujeito contextualizado (espaço social e histórico). Identidade da PSO latino-americana: Compromisso com os setores mais desfavorecido e com a busca pela mudança social, métodos participativos. Psicologia Social Comunitária Preocupa-se com acidadaniaefetiva(escolarização, saúde, trabalho, questõesde gênero) e auxiliaas políticaspúblicasnasproposiçõessubjetivase equitativas, nãoigualitárias. Psicologia Social Comunitária (PSC) no Brasil, nos últimos 50 anos: Marcada pela contraposição aos dispositivos conceituais, aos locais de trabalhado consagrados e às práticas da psicologia social norte-americana ao longo do século XX. Marcada pela inserção da noção de comunidade em seu conjunto de princípios. Novas diretrizes da Psicologia Social Comunitária Deselitizara Psicologia. Aproximar-se da realidade concreta da população. Historiciza a vidasocial –consciênciado sujeitoda ação. Trabalhacom osseguintesconceitos: Fortalecimentodos gruposminoritários, consciênciasocial e de classe, relaçõesde poder, identidadesocial, subjetividadeauntônoma. Histórico da aproximação da Psicologia aos setores denominados menos favorecidos ou populares Concretizou-se a partir do final da décadade 80 -processo de redemocratização do País, a promulgação da nova Constituição e a consolidação de um conjunto de políticas sociais. No setor de saúde -com a organização do SUS, a abertura dos campos de atuação foi favorecida pela abertura de campo de trabalho nas instituições públicas de saúde. A instituições públicas de saúde -atendiam, sob o primado das ações territoriais, a populações menos favorecidas economicamente. Críticas a Psicologia Social Sócio-Experimental - A partir da década de 70 do século XX surge um movimento de crítica relacionado ao fato de que: - Esta não fazia qualquer tipo de intervenção social, não conseguindo atuar diretamente nos problemas sociais vigentes; - Não considerava em sua análise as condições socioculturais que influenciavam o comportamento social, ou seja, o conjunto de relações socioculturais que definiam o indivíduo na sociedade onde este se insere; - Não se considerava as ideologias dominantes levando a uma análise do comportamento considerando-o um fenômeno natural e muitas vezes universal ignorando a mediação de outros elementos socioculturais. - Era fundamentada em um modelo positivista de Ciência. Um modelo reducionista que busca dividir o objeto estudado em partes para conhecê-lo. No caso da Psicologia Social se reduzia o coletivo e o social a leis individuais; - Foco sempre no indivíduo e no Comportamento individual. Psicologia Sociohistórica - - A Psicologia Sociohistórica surge como um novo paradigma para lidar com a realidade brasileira; - Interesse pelo coletivo: Comunidades, movimentos sociais, minorias oprimidas, culturas populares, etc. visando: - Transformação social, empoderamento, elevar a participação social, contribuir para o desenvolvimento local e ao aumento da qualidade de vida; Baseando-se no Materialismo Histórico Silvia Lane, adotou a psicologia com a intenção de desideologizá-la, esforço que, segundo ela, valia a pena pelo potencial político dessa ciência, o projeto de um psicologia social brasileira Psicologia e Materialismo Histórico - - Materialismo Histórico... - O Materialismo Histórico Dialético é uma teoria filosófica e científica; Construída por Marx e Engels no século XIX. - Compreende que os fenômenos materiais são processos. - Mundo não é uma realidade estática, é dinâmico, é um complexo de processos. - Considera as coisas na sua interdependência recíproca e não somente linear. Psicologia e Materialismo Histórico - - Psicologia Social influenciada pelo MH: - Consciência do homem mesmo sendo determinada pelo estado material, estando historicamente situada, na medida em que se faz também dialética; - O conhecimento do determinismo liberta o homem por meio da ação sobre o mundo, possibilitando inclusive as ações transformadoras; - Explicação da história por fatores materiais (econômicos, técnicos). Psicologia Sociohistórica - Desde os anos 80, ela e sua equipe foram elaborando, com clareza e convicção crescentes, o projeto de um psicologia social brasileira, superação da exploração, perpetrada pelas particularidades históricas da luta de classes em nossa sociedade, perversamente reproduzida e encoberta por mecanismos psicossociais que excluem do conhecimento psicológico o conhecimento da realidade social. Desde a década de 1980, urgia, portanto, a superação dos referencias teóricos e metodológicos que isolavam o psiquismo da sociedade e da história. Como primeiro passo, então, Lane e sua equipe propuseram a adoção obrigatória por parte da psicologia de uma teoria social e escolhe a marxista, pela sua crítica à neutralidade científica e à concepção idealista e ahistórica de homem e sociedade. Psicologia Sociohistórica - Também, porque esta teoria introduzia a suspeita em relação a concepção harmônica de sociedade, que sustentava a postura política da intervenção psicológica voltada à adaptação social. Quanto à teoria psicológica, buscou as referendadas nos mesmos pressupostos do materialismo-histórico e dialético como Leontiev e, depois, Vigotski. Psicologia Sociohistórica - um momento em que as principais escolas teóricas reduziam a psicologia a um único princípio explicativo (inconsciente, comportamento, reflexo condicionado, cognição), como se fossem excludentes uns aos outros. Assim, impõe-se a meta de construir “O Capital” da psicologia, criando conceitos como unidade de análise à semelhança da “mercadoria” - uma unidade mínima que preserva a as propriedades do todo -, um “coágulo concentrado” Psicologia Sociohistórica - Tal giro teórico, só seria possível, segundo Vigotski, pela substituição do método positivista pelo método dialético, uma vez que este permitiria à psicologia trabalhar com duas categorias de realidade aparentemente irredutíveis: subjetividade e objetividade, como unidade de contrários. demonstrar que as determinações sociais, embora constituintes da condição humana, não destroem a singularidade, a liberdade e a criação e que, portanto, o sujeito da necessidade estética, da criação e da liberdade não é subjugado, mas configurado socialmente. A dialética abriu inúmeras possibilidades analíticas para aquele que se entusiasmou e se comprometeu com os ideais da revolução russa, mas que por isso mesmo prezava a liberdade de refletir e pesquisar para fazer da psicologia uma verdadeira ciência. Mesmo recusando-se a rotulá-la formalmente de marxista, Vigotski recheou a psicologia de citações recortadas da obra de Marx, Lenin e Engels, objetivando reconstruir a psicologia como ciência, por meio da introdução do método marxista. Psicologia Sociohistórica - Lane e sua equipe inspiraram-se em sua teoria para configurar uma própria, comungando com a postura epitemológica . vigotskiana de fidelidade epistemológica ao marxismo, mas sem fundamentalismos e ordodoxias, permitindo a ampliação de horizontes analíticos. O conceito escolhido para nominar esta teoria foi a de psicologia sócio histórica, ao invés do comumente nome atribuído à escola russa liderada por Vigotski - histórico cultural. Lane considerou ser aquele o melhor conceito por julgar que a palavra social reforça a concepção marxista de sociedade atravessada pela luta de classes e a vigotskiana de materialidade e historicidade do fenômeno psicológico. Psicologia Sociohistórica - A Psicologia Sócio-Histórica tem como base a teoria de Vygotsky que afirma que o desenvolvimento humano se dá por meio das relações sociais em que o indivíduo mantêm no decorrer de sua vida. Neste contexto entende- se que o processo de ensino-aprendizagem também se desenvolve por meio das interações que vão se desenrolando no decorrer no decorrer da vida. Compreende-se que desde que nascemos somos dependentes socialmente das outras pessoas, e entramos em um processo histórico, que de um lado, nos oferece o que o mundo oferece e as visões sobre ele e, de outro, permite a construção de uma visão pessoal sobre este mundo que o cerca. Psicologia Sociohistórica - Hegel: Como busca da essência do mundo, do que é um ser, a síntese resulta sempre em DEUS. Marx * Materialismo histórico-dialético Na dialética marxista, o ser é o trabalhador e a sua realidade histórica e social. As diferentes maneiras de relação do trabalhador dão diferentes modos de realidade social Cada modo de produção determina um modo de sociedade. Classes sociais E a relação entre as classes determina o movimento social conseqüente A base material determina as condições de existência humana. Não éa consciência humana que determina os modos de existência, e sim a existência que determina sua consciência. Determina também a essência do homem. Ela é histórica. nova sociabilidade * Sócio-Histórica não trabalha com essa concepção de fenômeno psicológico. Acredita que o fenômeno psicológico: Não pertence à natureza humana Não é preexistente ao homem Reflete a condição social, econômica e cultural em que vivem os homens A Psicologia Sócio-Histórica compreende que o fenômeno psicológico envolve dois aspectos de um mesmo processo no qual o homem atua e constrói/modifica o mundo e este propicia os elementos para a constituição psicológica do homem construção no nível individual do mundo simbólico que é Social. Crítica à Psicologia Social Tradicional O homem não sobrevive a não ser em relação com outros homens, portanto ao rever a dicotomia Indivíduo X Grupo percebe-se que é falsa. A sua participação, as suas ações, por estar em grupo dependem fundamentalmente da aquisição da linguagem que preexiste ao indivíduo como código produzido historicamente pela sociedade. Para a Psicologia Social... O organismo é também uma infra-estrutura, que permite o desenvolvimento de uma super estrutura que é social, e portanto histórica. O perigo para a Psicologia é sustentar uma idéia de sociedade apenas baseada em descrições e freqüências e não romper este ciclo vicioso da reprodução da classe e da ideologia dominante.