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Psicologia Social II 
 PSICOLOGIA 
 SOCIAL II 
PROF. VILSON CARVALHO 
Divisão da Psicologia Social 
A psicologia social estuda a determinação mútua entre o 
indivíduo e o seu meio social. Área da Psicologia que analisa os 
aspectos sociais do comportamento e do funcionamento 
mental. 
Ela assume inicialmente duas perspectivas: 
 
 1) Perspectiva Pragmática (Sócio-Experimental); 
 2) Perspectiva Fenomenológica. 
Psicologia Social -“Estuda a subjetividade do 
indivíduo se manifestando no conjunto de suas 
relações sociais e no cotidiano de suas ações” (Lane, 
2001) 
Psicologia Geral x Psicologia Social 
PSICOLOGIA GERAL PSICOLOGIA SOCIAL 
 
Objeto de Estudo 
 
- Comportamento; 
inconsciente, consciência. 
 
Objeto de Estudo 
- Relação indivíduo e 
sociedade. 
 
 - Métodos = Introspecção, 
associação livre, 
experimental. 
Métodos = Observação 
participante, diálogo 
(entrevista), grupos. 
 
Como diz Gordon Allport: 
 
“A psicologia social tenta compreender e explicar como os 
pensamentos, sentimentos e comportamentos humanos influenciados 
por um outrem real, imaginário ou implícito”. 
- Tenta compreender e prever comportamentos. 
Perspectiva Pragmática (Sócio-Experimental); 
• Nasce nos EUA; 
• Influencia do Positivismo; 
• Raízes no Behaviorismo; 
• Busca intervir nos grupos para harmonizá-los e garantir a 
produtividade do grupo; 
• Após a II Grande Guerra Psicologia Social tem grande 
impulso nos EUA. Nome de destaque: Gordon Allport. 
• Visa minimizar os conflitos, tornando os homens “felizes” 
reconstrutores da humanidade que acabava de sair da 
destruição de uma II Guerra Mundial. 
A visão positivista dos fatos abandona as especulações metafísicas e 
teológicas e prioriza o conhecimento científico visando captar relações e 
constantes nos fenômenos observáveis; 
 
-Queria empregar nas ciências sociais os 
mesmos métodos utilizados nas ciências 
naturais como Física, Química, Astronomia 
e Biologia. 
 
- Como métodos de pesquisa para obtenção de dados defende a 
observação, a experimentação, a comparação, a classificação e a filiação 
histórica; 
 
- O espírito positivista tem a Ciência como investigação do Real. 
O positivismo teve grande repercussão na segunda metade do século 
XIX e, mas perdeu influência no século XX para outras correntes de 
pensamento. 
 
 
 
A FILOSOFIA POSITIVISTA 
Críticas ao Positivismo: 
• Na objetividade dos fatos, perde o ser humano; 
• Conhecimento minucioso enquanto descrição do 
comportamento, no entanto não dava conta do ser humano 
agente de mudança, sujeito da história; Tradição 
dicotômica, biológica ou sociológica; 
• Para a Psicologia Social, caberia recuperar esses indivíduos 
na intersecção de suas histórias com a historia de sua 
cultura e sociedade; Somente a descrição não capta a 
mediação ideológica e as reproduzem como fatos inerentes 
a natureza do homem. 
Críticas ao Positivismo: 
Críticas ao Positivismo: 
• Exemplos... Wundt => se preocupa em descrever processos 
psicofisiológicos em termos de estímulos e respostas de 
causas e efeitos. Nesta tradição os/as psicólogos/as 
esqueceram de que este homem, junto com outros, ao 
transformar a natureza, se transformava ao longo da 
história. 
• Skinner => questiona o reducionismo biológico e enfatiza a 
o controle que o meio exerce sobre o comportamento, 
homem produto das relações sociais, porém não chega a 
ver estas relações como produzidas a partir da condição 
histórica de uma sociedade. 
Críticas ao Positivismo (cont.): 
Críticas ao Positivismo: 
• Exemplos... Lewin => para ele o indivíduo e o meio são 
indissociáveis, e na medida em que o meio é social e se 
caracteriza pela complexidade de regiões e sub-regiões, 
considera um impasse a comprovação e previsão de 
comportamentos. 
Críticas ao Positivismo (cont.): 
Perspectiva Fenomenológica 
• Origem na Europa; 
• Raízes na Fenomenologia (Estudo no Fenômeno = aquilo 
que se mostra) e Gestalt (Forma+ Estrutura); 
• Busca conhecimentos que evitem novas catástrofes 
mundiais, segue a tradição filosófica européia; 
• Procura modelos totalizantes, como Lewin e sua teoria de 
Campo. 
Fenomenologia 
• Fenomenologia é o estudo dos fenômenos, tal como se apresentam à 
consciência, deixando de lado preconceitos, suposições ou 
generalizações sobre como sejam, buscando captar suas singularidades. 
• Para se aproximar das coisas fenomenologicamente, há o método de 
redução fenomenológica, que consiste no exercício de se distanciar das 
crenças, teorias, valores e experiências que temos sobre a coisa 
observada, colocando-as "entre parênteses", para observar o que 
percebemos, do modo como essa coisa se apresenta à nossa 
consciência, minimizando julgamentos prévios. 
• O conhecimento que temos de mundo é fruto de uma experiência de 
nossa consciência. Não é possível nos livrar de nossa subjetividade e ver 
as coisas em como são em si mesmas, pois em toda experiência de 
consciência estão envolvidos os nossos sentidos e o modo como 
percebemos aquilo que é observado, tem um significado especial para 
nossa consciência. 
 
Fenomenologia 
Fenomenologia 
De acordo com a fenomenologia aquilo que ocorre no plano da 
experiência está mais próximo do real, ou seja, do original. 
A experiência vivida e sentida é a que mais se ajusta ao 
conhecimento dos fatos. 
Existem diversas correntes dentro da fenomenologia, no 
entanto, a transcendental criada pelo filósofo Edmund Husserl é 
a mais conhecida e relacionada a esse conceito. 
Husserl (1859-1938) introduziu no século passado uma nova 
proposta na filosofia para servir de base em qualquer ciência 
natural e com a missão de exercer uma renovação no campo. 
Assim propôs o desenvolvimento de um método e de um 
programa para o momento da investigação. O método proposto 
por Husserl, denominado eidético, consiste na comparação de 
vários objetos para sobressaltar a essência compartilhada. 
 
Crise na Psicologia Social 
• Após a euforia dos anos 50 e 60; 
• Crise do conhecimento que não conseguia intervir nem 
explicar, muito menos prever comportamentos sociais. 
• Começa-se a questionar: 
• sua eficácia; 
• seu caráter ideológico de suas práticas; sua dicotomia entre 
o eu e a sociedade. 
Crise da Psicologia Social 
Crise na Psicologia Social 
A partir da década de 70 do século XX surge um movimento de crítica 
relacionado ao fato de que: 
- Esta não fazia qualquer tipo de intervenção social, não conseguindo 
atuar diretamente nos problemas sociais vigentes; 
- Não considerava em sua análise as condições socioculturais que 
influenciavam o comportamento social, ou seja, o conjunto de relações 
socioculturais que definiam o indivíduo na sociedade onde este se 
insere; 
- Não se considerava as ideologias dominantes levando a uma análise do 
comportamento considerando-o um fenômeno natural e muitas vezes 
universal ignorando a mediação de outros elementos socioculturais. 
- Era fundamentada em um modelo positivista de Ciência. Um modelo 
reducionista que busca dividir o objeto estudado em partes para 
conhecê-lo. No caso da Psicologia Social se reduzia o coletivo e o social 
a leis individuais; 
- Foco sempre no indivíduo e no Comportamento individual. 
Críticas a Psicologia Social Experimental 
Crise na Psicologia Social 
A crise da psicologia social é objeto de denúncia no Congresso de Psicologia 
Interamericana, realizado no ano de 1976 em Miami, com a participação de 
psicólogos sociais de vários países da América Latina. 
No Congresso posterior, que ocorreu em Lima, Peru, no ano de 1979, 
algumas diferenças expressivas puderam ser observadas, ou seja, as críticas 
à psicologiasocial norte-americana eram mais precisas e visavam uma 
redefinição da psicologia social. 
Durante este Congresso foi discutida a criação da Associação Latino-
Americana de Psicologia social (ALAPSO), que tinha por objetivo promover 
o intercâmbio entre os psicólogos sociais latino-americanos. 
Movimento novo na Psicologia Social 
Crise na Psicologia Social 
Aroldo Rodrigues é certamente um dos mais importantes 
divulgadores desta psicologia social. Professor do Programa de 
Pós-Graduação da PUC-RJ constituiu-se em uma referência 
para a psicologia social no Rio de Janeiro, embora, 
posteriormente, tenha sido alvo de críticas por parte dos 
psicólogos sociais cariocas e brasileiros. 
Suas obras "Psicologia Social" de 1972 e "Estudos em 
Psicologia Social" de 1979 são, nos dias atuais, estudadas em 
muitos cursos de psicologia social no país. 
A contraposição de Rodrigues a uma psicologia social que 
começa a tomar corpo nas décadas de 60 e 70 no Brasil e na 
América Latina fica evidente com o episódio ABRAPSO. 
Movimento novo na Psicologia Social 
Crise na Psicologia Social 
Após ser convidado, em 1979, para participar da reunião que 
proporia a fundação da Associação Brasileira de Psicologia 
Social (ABRAPSO), não apenas se negou a discutir a proposta, 
mas discordou do projeto que orientaria esta mesma 
associação. 
Durante o XV Congresso Interamericano de Psicologia, 
realizado em dezembro de 1974, em Bogotá, Colômbia, 
Rodrigues proferiu uma conferência com o título "A Psicologia 
Social: problemas atuais e perspectivas para o futuro". Entre as 
questões analisadas destaca-se a crise vivida pela psicologia 
em geral e pela psicologia social, em particular. 
No Brasil, nesse mesmo período histórico, Silvia Lane já 
apontava para a necessidade de se buscar caminhos próprios 
para a psicologia social em nosso país. 
Movimento novo na Psicologia Social 
Crise na Psicologia Social 
- A Psicologia Sociohistórica surge como um novo paradigma 
para lidar com a realidade brasileira 
- Interesse pelo coletivo: Comunidades, movimentos sociais, 
minorias oprimidas, culturas populares, etc. visando: 
- Transformação social, empoderamento, elevar a 
participação social, contribuir para o desenvolvimento local 
e ao aumento da qualidade de vida. 
Críticas a Psicologia Social Experimental 
Contexto: 
DÉCADA DE 1960 no Brasil 
 
Regulamentação da profissão e criação de cursos de Psicologia 
(1962). 
 
Golpe Militar (1964):levou ao questionamento sobre as práticas 
 
psicológicas e a de metodologias que pudessem empreender a 
transformação da sociedade (ação em comunidades). 
 
Movimentos Universitários (1968): Questionamentos sobre o 
ensino e o papel da academia e contribuiu para uma reflexão crítica 
sobre a função da universidade em países de terceiro mundo. 
 
Crise da Psicologia Social: percepção da inviabilidade da tendência 
positivista, na análise dos fenômenos sociais. 
Surgimento da Psicologia Social Histórica 
Contexto: 
DÉCADA DE 1960 no Brasil 
 
Um dos sinais da crise da psicologia social a partir dos anos 60 foi a 
busca, por um lado, do atendimento da necessidade de intervenção 
social para a melhoria das condições de vida das sociedades, e por 
outro, a tendência de contrariedade ao rigor da metodologia 
experimental de laboratório. 
 
Este dilema colocava, de um lado, a psicologia social norte-
americana que tinha a preocupação de reproduzir o modo de fazer 
ciência das ciências naturais, mas que a partir do final da década de 
60, também buscava responder as necessidades de relevância em 
suas pesquisas; e em uma posição distinta, uma outra maneira de 
pensar a psicologia social, que se configurava a partir de críticas ao 
modelo positivista de ciência e que passou a sustentar como uma de 
suas preocupações a busca da relevância social. 
O Dilema 
 
 
 
DÉCADA DE 70 –REVISÃO CRÍTICA: 
: 
 
Como a psicologia social poderia ajudar a criar uma nova 
sociedade -movimento de resistência à ditadura militar. 
 
A Crise da Picologia Social na América Latina –“assume o 
caráter político, de militância e defesa dos menos 
favorecidos”(Silvia Lane,1984) . 
 
Prática nas comunidades: teoria ainda marcadamente de 
perspectiva individualista. Primeiro livro brasileiro de 
psicologia social (1972) é de Aroldo Rodrigues. 
Surgimento da Psicologia Social Histórica 
 
 
 
DÉCADA DE 70 – Contexto: 
: 
Este é um período em que os movimentos populares se fortalecem 
e vão aglutinando um grupo crescente de pessoas em torno da 
reivindicação do atendimento das necessidades básicas e da 
contestação ao regime político vigente. 
 
As greves se espalham em vários setores da produção, o 
desemprego e a inflação alcançam números assustadores. Esse 
também foi um período em que se debatiam diretamente a questão 
do subdesenvolvimento e das amarras estruturais que impediam 
mudanças mais significativas no sistema de poder, na economia e, 
principalmente, na situação de desigualdade reinante. 
 
A experiência da implantação de regimes socialistas na Europa e na 
América - Latina colocava em pauta a questão da revolução como 
solução dos problemas existentes. 
Surgimento da Psicologia Social Histórica 
DÉCADA DE 70 – REVISÃO CRÍTICA: 
 
Silvia Lane –Propõe uma nova Psicologia Social: 
Psicologia Social Crítica 
 
Só havia um livro de PSO em português 
(Otto Klinenberg). 
 
Propunha aos alunos ir a campo e fazer pesquisas de campo. 
 
Revisão críticas dos conceitos e preceitos da psicologia. 
Necessidade de superação da PSO tradicional 
 também no plano teórico. 
 
Lane manifestava-se, então, contra uma perspectiva 
cientificista presente na Psicologia Social, e que lhe conferia 
um papel normativo e sistêmico ancorado na ideia de 
neutralidade, condenando-a. 
INFLUÊNCIAS DO MATERIALISMO HISTÓRICO DIALÁTICO 
Marx utiliza do materialismo histórico dialético. 
 
Dialética: confrontar termos para entender os conflitos multiplos 
dentro de uma ideia, movimento ou conceito, onde muitas vezes são 
contraditórias. conceituada da seguinte forma (tese primeira 
preposição ou ideia; antítese oposição a tese e esse duelo entre a 
duas resulta na síntese, que é a nova conclusão desse duelo, assim 
tornando-se uma nova tese ou ideia, ou seja; é um clico sem fim.) 
 
materialismo: vai além do raciocínio, em busca de uma concretude 
universal, entendendo a razão humana, como uma conquista 
histórica do homem. não se separa a razão da natureza e da pratica 
da vida. 
 
histórico: interação dos indivíduos como processo social que 
produzem suas condições reais de existência. 
DÉCADA DE 1980: 
 
Se caracterizou por dois aspectos: 
- Intercâmbio intenso entre os países da América Latina - 
intervenção não assistencialista e uma atuação que 
desenvolvesse a consciência e a autonomia de grupos 
marginalizados social e economicamente. 
 
- Melhor definição metodológica: melhor sistematização da 
Pesquisa Participante como método de estudo de processos 
psicossociais onde a história de indivíduos e grupo é registrada, é 
testada enquanto práxis científica. 
PSICOLOGIA SOCIAL LATINO AMERICANA 
 
Ruptura real com a visão de uma psicologia harmônica, 
adaptativa e individualista sobre o homem e a vida 
social. 
 
Compromisso com a transformação social da realidade. 
Congresso da Sociedade Interamericana de Psicologia -
SIP (1979): críticas incisivas e propostas concretas de 
redefinição do modelo da PSO LA: 
 
Criação do Núcleo de Psicologia Comunitária 
(reuniu profissionais de toda a AL) e de 
Associações nacionais de PSO. 
PSICOLOGIA SOCIAL LATINO AMERICANA 
Entende o ser humano como um produto histórico e 
social, que é, por sua vez, a dialética entre a igualdade e 
a diferença, entre a individualidadee a coletividade. 
 
A concepção de ser humano expressada aqui é aquela 
em que este é produto e produtor de seu ambiente, de 
sua história, que pensa sobre sua ação, planeja e depois 
executa, retornando novamente ao processo inicial. 
 
Na Psicologia Social busca-se compreender as Relações 
históricas socias construídas nos Grupos e na Sociedade. 
O Homem É a síntese de múltiplas determinações, 
porque é Impossivel pesquisar e compreender o homem. 
PSICOLOGIA SOCIAL CRÍTICA 
 
Resultado de todo um movimento que se iniciou no Congresso da 
Sociedade Interamericana de Psicologia (SIP) em 1976, em Miami e 
que resultou na criação e desenvolvimento da Associação Brasileira 
de Psicologia Social – ABRAPSO, após julho de 1980. 
 
O marco histórico de proposição da Psicologia Social Crítica, 
inclusive, ocorrerá efetivamente na ocasião do 2ª 2o Simpósio 
Brasileiro de Pesquisa e Intercâmbio Científico da ANPEPP, ocorrido 
em Gramado/RS, em 1989, quando, a convite de Aroldo Rodrigues, 
Silvia Lane defende as bases científicas da Psicologia Social Marxista, 
com o trabalho intitulado "Uma Psicologia Social baseada no 
Materialismo Histórico e Dialético: da emoção ao inconsciente" 
(Lane, 1989b). 
O 
 
• Em São Paulo Silvia Lane defendeu uma posição diferente da 
sustentada por Aroldo Rodrigues. 
 
• O debate entre essas propostas foi registrado na revista "Ciência 
e Profissão" do ano de 1986, com o título: "A tecnologia social na 
psicologia: Controvérsias". 
 
• Se para Rodrigues a psicologia social é uma ciência básica que 
permitiria a solução de problemas sociais para Lane tal 
concepção poderia transformar o psicólogo em agente de 
adaptação. 
O Acirramento do Debate 
Institucionalização da Perspectiva Latino-Americana 
Anos 1960: Criação da Associação Latino-Americana de 
Psicologia Social (ALAPSO) por Varela e A. Rodriguez, 
formados nos EUA. 
O objetivo desses autores era aplicar e desenvolver o tipo 
de Psicologia Social aprendido por eles em seus estudos de 
doutorado realizados nos EUA. 
 
1979 em Lima: a representatividade da ALAPSO foi 
questionada e proposta a criação de Associações Nacionais. 
Ano de 1980: Rompimento de um grupo de psicólogos com 
a ALAPSO e a criação da Associação Brasileira de Psicologia 
Social –ABRAPSO. 
 
Essa associação, juntamente com outras desenvolvidas no 
interior dos países latino-americanos, surgiu em 
contraposição à Psicologia Social veiculada na ALAPSO 
A Perspectiva Latino-Americana Socio Histórica 
 
Concepção: representa um conjunto de esforços de 
psicólogos sociais com a finalidade de desenvolver estudos 
sobre conceitos psicossociais(representações sociais, 
saúde mental, identidade, consciência social, 
subjetividade), em perspectiva universal e não 
dicotomizada. 
 
Objetivo:abrir caminhos teóricos e metodológicos 
comprometidos com os grandes problemas sociais vividos 
na América Latina, em busca da transformação da 
realidade. 
Principais Autores da PSLA na atualidade 
 
Inácio Martin-Baró–Esse autor defendia a não neutralidade 
da ciência e o compromisso político do pesquisador; 
Outros nomes no Brasil: Sílvia Lane; BaderSawaia; P. 
Guareschi; A. Ciampa; Tania Maciel, Maria Inácia D´Ávila 
Netto, LeoncioCamino. 
Áreas de Estudo que Permitiram o Desenvolvimento da 
PSLA: 
Psicologia Comunitária (da comunidade, na comunidade, 
com a comunidade) 
Psicologia Política. 
Quadro Comparativo 
Perspectivas em Psicologia Social 
Aspectos 
Comparáveis 
 
 
Perspectiva 
Americana 
 
 
Perspectiva 
Européia 
 
Perspectiva 
Latino-
Americana 
 
Teórico 
 
Comportamento 
e Cognição dos 
Indivíduos 
 
Relações entre os 
grupos 
 
Manifestação da 
subjetividade do 
indivíduo 
 
Metodológico
 
 
Defende a 
experimenta-ção 
e quantificação
 
 
Adota postura 
multimetodo -
lógica 
Nega a 
experimenta-ção 
e a quantificação. 
 
 
A perspectiva latino-americana crítica 
 
Concepção: busca compreender a 
subjetividade em interface com o contexto 
social, sob perspectiva universal e não 
dicotomizada. 
 
Objetivo:produzir conhecimento (teórico e 
metodológico) comprometido com os grandes 
problemas sociais vividos na América Latina, 
com a história dos sujeitos, em busca da 
transformação da realidade. 
Conceitos Centrais da PSLA 
 
 
Linguagem: É o pensamento em ação, promove a consciência e 
reproduz a ideologia(Psicologia Sócio-Históricade Vigotski). 
Identidade Social: Conceito inserido nas relações interpessoais, 
ao mesmo tempo reprodutor e transformador. 
Atividade: Práxis Social (Ação e Reflexão). 
Processo Grupal: Supera a concepção de grupo como algo estável 
e reificado -visão topológica. 
Análise de relações de dominação e de poder, busca ajudar os 
sujeitos a desenvolverem suas consciências e seus potenciais 
críticos e transformadores 
Que indivíduo é esse? 
Sujeito sócio-historicamenteconstituído–capaz de criar e recriar a sua história 
(criatividade/transformação). 
 
De materialidade histórica: sujeito concreto produzido pelos homens e ao mesmo 
tempo produtor dos homens. 
 
Papel da Psicologia Social:recuperar o indivíduo na intersecção de sua história com a 
história de sua sociedade, sujeito não natural. 
O Homem como sujeito concreto 
 
 
 
 
como sujeito constituinte e constituído socialmente. 
 
Superação da Visão Dualista do Homem (Psicologia Social 
Psicológica) 
◦socialmente determinado (sociologismo) 
◦ou causa de si mesmo (biologismo) 
 
Psicologia Social Sociológica versusPsicologia Social Psicológica 
A partir das críticas à Psicologia Social “tradicional” observa-se... 
 
 
Dois fatos fundamentais para o conhecimento do sujeito: 
 
1.Ohomem não sobrevive a não ser em relação com outros 
homens -dicotomia indivíduo X grupo é falsa. 
2.Asua participação, as suas ações, por estar em grupo, 
dependem fundamentalmente da aquisição da linguagem que 
preexiste ao indivíduo como código produzido historicamente 
pela sociedade. 
A partir das críticas à Psicologia Social “tradicional” observa-se... 
O psicólogo social analisa o indivíduo concreto, 
constituinte e constituído nas relações grupais, na 
linguagem, no pensamento e nas ações. 
A Psicologia Comunitária no Brasil 
 
Posicionamento MetodológicodaPSLA Comunitária 
Objetivo: Estudar a subjetividade do indivíduo se 
manifestando no conjunto de suas relações sociais e no 
cotidiano de suas ações. 
Meta: Superar a dicotomia entre a vida interna e externa, 
compreender o sujeito contextualizado (espaço social e 
histórico). 
Identidade da PSO latino-americana: Compromisso com os 
setores mais desfavorecido e com a busca pela mudança 
social, métodos participativos. 
Psicologia Social Comunitária 
 
 
Preocupa-se com acidadaniaefetiva(escolarização, saúde, 
trabalho, questõesde gênero) e auxiliaas 
políticaspúblicasnasproposiçõessubjetivase equitativas, 
nãoigualitárias. 
Psicologia Social Comunitária (PSC) no Brasil, nos últimos 50 
anos: 
Marcada pela contraposição aos dispositivos conceituais, aos 
locais de trabalhado consagrados e às práticas da psicologia 
social norte-americana ao longo do século XX. 
Marcada pela inserção da noção de comunidade em seu 
conjunto de princípios. 
Novas diretrizes da Psicologia Social Comunitária 
 
 
 
Deselitizara Psicologia. 
Aproximar-se da realidade concreta da população. 
Historiciza a vidasocial –consciênciado sujeitoda ação. 
Trabalhacom osseguintesconceitos: Fortalecimentodos 
gruposminoritários, consciênciasocial e de classe, relaçõesde 
poder, identidadesocial, subjetividadeauntônoma. 
Histórico da aproximação da Psicologia aos setores denominados menos 
favorecidos ou populares 
 
 
 
 
Concretizou-se a partir do final da décadade 80 -processo de 
redemocratização do País, a promulgação da nova Constituição 
e a consolidação de um conjunto de políticas sociais. 
No setor de saúde -com a organização do SUS, a abertura dos 
campos de atuação foi favorecida pela abertura de campo de 
trabalho nas instituições públicas de saúde. 
A instituições públicas de saúde -atendiam, sob o primado 
das ações territoriais, a populações menos favorecidas 
economicamente. 
Críticas a Psicologia Social Sócio-Experimental 
- A partir da década de 70 do século XX surge um movimento de crítica 
relacionado ao fato de que: 
- Esta não fazia qualquer tipo de intervenção social, não conseguindo 
atuar diretamente nos problemas sociais vigentes; 
- Não considerava em sua análise as condições socioculturais que 
influenciavam o comportamento social, ou seja, o conjunto de relações 
socioculturais que definiam o indivíduo na sociedade onde este se 
insere; 
- Não se considerava as ideologias dominantes levando a uma análise do 
comportamento considerando-o um fenômeno natural e muitas vezes 
universal ignorando a mediação de outros elementos socioculturais. 
- Era fundamentada em um modelo positivista de Ciência. Um modelo 
reducionista que busca dividir o objeto estudado em partes para 
conhecê-lo. No caso da Psicologia Social se reduzia o coletivo e o social 
a leis individuais; 
- Foco sempre no indivíduo e no Comportamento individual. 
Psicologia Sociohistórica 
- 
- A Psicologia Sociohistórica surge como um novo paradigma para lidar 
com a realidade brasileira; 
- Interesse pelo coletivo: Comunidades, movimentos sociais, minorias 
oprimidas, culturas populares, etc. visando: 
- Transformação social, empoderamento, elevar a participação social, 
contribuir para o desenvolvimento local e ao aumento da qualidade de 
vida; 
 
Baseando-se no Materialismo Histórico Silvia Lane, 
 adotou a psicologia com a intenção de desideologizá-la, esforço que, 
segundo ela, valia a pena pelo potencial político dessa ciência, 
 
 o projeto de um psicologia social brasileira 
 
Psicologia e Materialismo Histórico 
- 
- Materialismo Histórico... 
- O Materialismo Histórico Dialético é uma teoria filosófica e científica; 
Construída por Marx e Engels no século XIX. 
- Compreende que os fenômenos materiais são processos. 
- Mundo não é uma realidade estática, é dinâmico, é um complexo de 
processos. 
- Considera as coisas na sua interdependência recíproca e não somente 
linear. 
Psicologia e Materialismo Histórico 
- 
- Psicologia Social influenciada pelo MH: 
- Consciência do homem mesmo sendo determinada pelo estado 
material, estando historicamente situada, na medida em que se faz 
também dialética; 
- O conhecimento do determinismo liberta o homem por meio da ação 
sobre o mundo, possibilitando inclusive as ações transformadoras; 
- Explicação da história por fatores materiais (econômicos, técnicos). 
Psicologia Sociohistórica 
- 
 
 Desde os anos 80, ela e sua equipe foram elaborando, com clareza e convicção 
crescentes, o projeto de um psicologia social brasileira, 
 
 
 superação da exploração, perpetrada pelas particularidades históricas da luta 
de classes em nossa sociedade, perversamente reproduzida e encoberta por 
mecanismos psicossociais que excluem do conhecimento psicológico o 
conhecimento da realidade social. 
 
 
 Desde a década de 1980, urgia, portanto, a superação dos referencias teóricos 
e metodológicos que isolavam o psiquismo da sociedade e da história. Como 
primeiro passo, então, Lane e sua equipe propuseram a adoção obrigatória por 
parte da psicologia de uma teoria social e escolhe a marxista, pela sua crítica à 
neutralidade científica e à concepção idealista e ahistórica de homem e 
sociedade. 
 
Psicologia Sociohistórica 
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 Também, porque esta teoria introduzia a suspeita em relação a concepção 
harmônica de sociedade, que sustentava a postura política da intervenção 
psicológica voltada à adaptação social. 
 
 
 Quanto à teoria psicológica, buscou as referendadas nos mesmos 
pressupostos do materialismo-histórico e dialético como Leontiev e, 
depois, Vigotski. 
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 um momento em que as principais escolas teóricas reduziam a psicologia a 
um único princípio explicativo (inconsciente, comportamento, reflexo 
condicionado, cognição), como se fossem excludentes uns aos outros. 
Assim, impõe-se a meta de construir “O Capital” da psicologia, criando 
conceitos como unidade de análise à semelhança da “mercadoria” - uma 
unidade mínima 
 que preserva a as propriedades do todo -, um “coágulo concentrado” 
Psicologia Sociohistórica 
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 Tal giro teórico, só seria possível, segundo Vigotski, pela substituição do 
método positivista pelo método dialético, uma vez que este permitiria à 
psicologia trabalhar com duas categorias de realidade aparentemente 
irredutíveis: subjetividade e objetividade, como unidade de contrários. 
demonstrar que as determinações sociais, embora constituintes da condição 
humana, não destroem a singularidade, a liberdade e a criação e que, portanto, 
o sujeito da necessidade estética, da criação e da liberdade não é subjugado, 
mas configurado socialmente. 
A dialética abriu inúmeras possibilidades analíticas para aquele que se 
entusiasmou e se comprometeu com os ideais da revolução russa, mas que por 
isso mesmo prezava a liberdade de refletir e pesquisar para fazer da psicologia 
uma verdadeira ciência. Mesmo recusando-se a rotulá-la formalmente de 
marxista, Vigotski recheou a psicologia de citações recortadas da obra de Marx, 
Lenin e Engels, objetivando reconstruir a psicologia como ciência, por meio da 
introdução do método marxista. 
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Lane e sua equipe inspiraram-se em sua teoria para configurar uma 
própria, comungando com a postura epitemológica . 
vigotskiana de fidelidade epistemológica ao marxismo, mas sem 
fundamentalismos e ordodoxias, permitindo a ampliação de horizontes 
analíticos. 
O conceito escolhido para nominar esta teoria foi a de psicologia sócio 
histórica, ao invés do comumente nome atribuído à escola russa liderada 
por Vigotski - histórico cultural. Lane considerou ser aquele o melhor 
conceito por julgar que a palavra social reforça a concepção marxista de 
sociedade atravessada pela luta de classes e a vigotskiana de materialidade 
e historicidade do fenômeno psicológico. 
Psicologia Sociohistórica 
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A Psicologia Sócio-Histórica tem como base a teoria de Vygotsky que afirma 
que o desenvolvimento humano se dá por meio das relações sociais em 
que o indivíduo mantêm no decorrer de sua vida. Neste contexto entende-
se que o processo de ensino-aprendizagem também se desenvolve por 
meio das interações que vão se desenrolando no decorrer no decorrer da 
vida. 
 
Compreende-se que desde que nascemos somos dependentes socialmente 
das outras pessoas, e entramos em um processo histórico, que de um lado, 
nos oferece o que o mundo oferece e as visões sobre ele e, de outro, 
permite a construção de uma visão pessoal sobre este mundo que o cerca. 
 
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Hegel: Como busca da essência do mundo, do que é um ser, a síntese resulta 
sempre em DEUS. Marx * Materialismo histórico-dialético Na dialética marxista, 
o ser é o trabalhador e a sua realidade histórica e social. As diferentes maneiras 
de relação do trabalhador dão diferentes modos de realidade social Cada modo 
de produção determina um modo de sociedade. Classes sociais E a relação 
entre as classes determina o movimento social conseqüente A base material 
determina as condições de existência humana. Não éa consciência humana 
que determina os modos de existência, e sim a existência que determina sua 
consciência. Determina também a essência do homem. Ela é histórica. nova 
sociabilidade * Sócio-Histórica não trabalha com essa concepção de 
fenômeno psicológico. Acredita que o fenômeno psicológico: Não pertence à 
natureza humana Não é preexistente ao homem Reflete a condição social, 
econômica e cultural em que vivem os homens A Psicologia Sócio-Histórica 
compreende que o fenômeno psicológico envolve dois aspectos de um mesmo 
processo no qual o homem atua e constrói/modifica o mundo e este propicia os 
elementos para a constituição psicológica do homem construção no nível 
individual do mundo simbólico que é Social. 
Crítica à Psicologia Social Tradicional 
O homem não sobrevive a não ser em relação com outros homens, 
portanto ao rever a dicotomia Indivíduo X Grupo percebe-se que é falsa. A 
sua participação, as suas ações, por estar em grupo dependem 
fundamentalmente da aquisição da linguagem que preexiste ao indivíduo 
como código produzido historicamente pela sociedade. 
 
 Para a Psicologia Social... O organismo é também uma infra-estrutura, que 
permite o desenvolvimento de uma super estrutura que é social, e 
portanto histórica. O perigo para a Psicologia é sustentar uma idéia de 
sociedade apenas baseada em descrições e freqüências e não romper este 
ciclo vicioso da reprodução da classe e da ideologia dominante.

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