Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Blog do Enem Literatura – Literatura Brasileira: Quinhentismo. 
 
1 
 
Questão 01 - (ENEM/2014) 
 
Sermão da Sexagésima 
 
 Nunca na Igreja de Deus houve tantas pregações, nem tantos pregadores como hoje. Pois se tanto se 
semeia a palavra de Deus, como é tão pouco o fruto? Não há um homem que em um sermão entre em si e se 
resolva, não há um moço que se arrependa, não há um velho que se desengane. Que é isto? Assim como Deus 
não é hoje menos onipotente, assim a sua palavra não é hoje menos poderosa do que dantes era. Pois se a 
palavra de Deus é tão poderosa; se a palavra de Deus tem hoje tantos pregadores, por que não vemos hoje 
nenhum fruto da palavra de Deus? Esta, tão grande e tão importante dúvida, será a matéria do sermão. Quero 
começar pregando-me a mim. A mim será, e também a vós; a mim, para aprender a pregar; a vós, que 
aprendais a ouvir. 
VIEIRA, A. Sermões Escolhidos, v. 2. São Paulo: Edameris, 1965. 
 
No Sermão da sexagésima, padre Antônio Vieira questiona a eficácia das pregações. Para tanto, apresenta 
como estratégia discursiva sucessivas interrogações, as quais têm por objetivo principal 
 
a) provocar a necessidade e o interesse dos fiéis sobre o conteúdo que será abordado no sermão. 
b) conduzir o interlocutor à sua própria reflexão sobre os temas abordados nas pregações. 
c) apresentar questionamentos para os quais a Igreja não possui respostas. 
d) inserir argumentos à tese defendida pelo pregador sobre a eficácia das pregações. 
e) questionar a importância das pregações feitas pela Igreja durante os sermões. 
 
Questão 02 - (ENEM/2009) 
 
Texto 1 
 
José de Anchieta fazia parte da Companhia de Jesus, veio ao Brasil aos 19 anos para catequizar a população 
das primeiras cidades brasileiras e, como instrumento de trabalho, escreveu manuais, poemas e peças teatrais. 
 
Texto 2 
 
Todo o Brasil é um jardim em frescura e bosque e não se vê em todo ano árvore nem erva seca. Os arvoredos 
se vão às nuvens de admirável altura e grossura e variedade de espécies. Muitos dão bons frutos e o que lhes 
dá graça é que há neles muitos passarinhos de grande formosura e variedades e em seu canto não dão 
vantagem aos rouxinóis, pintassilgos, colorinos e canários de Portugal e fazem uma harmonia quando um 
homem vai por este caminho, que é para louvar o Senhor, e os bosques são tão frescos que os lindos e 
artificiais de Portugal ficam muito abaixo. 
ANCHIETA, José de. Cartas, informações, 
fragmentos históricos e sermões do Padre 
Joseph de Anchieta. Rio de Janeiro: S.J., 1933, 430-31 p. 
 
A leitura dos textos revela a preocupação de Anchieta com a exaltação da religiosidade. No texto 2, o autor 
exalta, ainda, a beleza natural do Brasil por meio 
 
a) do emprego de primeira pessoa para narrar a história de pássaros e bosques brasileiros, comparando-os 
aos de Portugal. 
b) da adoção de procedimentos típicos do discurso argumentativo para defender a beleza dos pássaros e 
bosques de Portugal. 
c) da descrição de elementos que valorizam o aspecto natural dos bosques brasileiros, a diversidade e a 
beleza dos pássaros do Brasil. 
d) do uso de indicações cênicas do gênero dramático para colocar em evidência a frescura dos bosques 
brasileiros e a beleza dos rouxinóis. 
e) do uso tanto de características da narração quanto do discurso argumentativo para convencer o leitor da 
superioridade de Portugal em relação ao Brasil. 
 
Questão 03 - (UNCISAL/2016) 
 
Chegança 
 
Sou Pataxó 
sou Xavante e Cariri 
Blog do Enem Literatura – Literatura Brasileira: Quinhentismo. 
 
2 
 
Ianonami, sou Tupi 
Guarani, sou Carajá 
Sou Pancaruru 
Carijó, Tupinajé 
Potiguar, sou Caeté 
Ful-ni-o, Tupinambá 
 
Depois que os mares dividiram os continentes 
quis ver terras diferentes 
Eu pensei: “vou procurar 
um mundo novo 
lá depois do horizonte 
levo a rede balançante 
pra no sol me espreguiçar” 
 
Eu atraquei 
Num porto muito seguro 
Céu azul, paz e ar puro 
Botei as pernas pro ar 
Logo sonhei 
Que estava no paraíso 
Onde nem era preciso 
Dormir para se sonhar 
 
Mas de repente 
Me acordei com a surpresa: 
Uma esquadra portuguesa 
Veio na praia atracar 
Da grande-nau 
Um branco de barba escura 
Vestindo uma armadura 
Me apontou pra me pegar 
 
E assustado 
Dei um pulo da rede 
Pressenti a fome, a sede 
Eu pensei: “vão me acabar” 
Me levantei de borduna já na mão 
Ai, senti no coração 
O Brasil vai começar 
NÓBREGA, Antônio. Chegança. Disponível em: <http://letras.mus.br 
/antonio-nobrega/68957/>. Acesso em: 30 out. 2015. 
 
O texto acima, letra de uma canção de Antônio Nóbrega, recupera um determinado período da história do Brasil 
ao qual corresponde, na historiografia da Literatura Brasileira, um período literário específico. São autores desse 
período: 
 
a) José de Alencar e Olavo Bilac. 
b) José de Alencar e Gonçalves Dias. 
c) José de Anchieta e Gonçalves Dias. 
d) Pero Vaz de Caminha e José de Anchieta. 
e) Padre Antônio Vieira e Oswald de Andrade. 
 
Questão 04 - (IFSP/2015) Analise as assertivas abaixo sobre a literatura produzida no primeiro seculo da vida 
colonial brasileira. 
 
I. Os textos que a constituem apresentam evidente preocupacao artistica e pedagogica ao relatar as 
condicoes encontradas no novo mundo. 
II. A “literatura jesuita”, nos primordios da historia brasileira, esta a servico do poder real e tem fortes doses 
nacionalistas. 
III. Anchieta escreveu cartas, sermoes, fragmentos historicos e informacoes. 
Blog do Enem Literatura – Literatura Brasileira: Quinhentismo. 
 
3 
 
IV. As primeiras manifestacoes literarias que se registram na literatura brasileira referem-se a poesia epica e a 
prosa de ficcao. 
V. A carta de Caminha e a mistura de ingenuidade e malicia na descricao dos indios e seus costumes. 
 
E correto o que se afirma em 
 
a) I e II, apenas. 
b) I e III, apenas. 
c) III e V, apenas. 
d) II e IV, apenas. 
e) IV e V, apenas. 
 
Questão 05 - (UFAM/2015) Leia os trechos abaixo, pertencentes à “Carta”, de Pero Vaz de Caminha: 
 
O Capitão, quando eles vieram, estava sentado em uma cadeira, bem vestido, com um colar de ouro mui 
grande ao pescoço, e aos pés uma alcatifa por estrado. Sancho de Tovar, Simão de Miranda, Nicolau Coelho, 
Aires Correa e nós outros que aqui na nau com ele vamos, sentados no chão, pela alcatifa. Acenderam-se 
tochas. Entraram. Mas não fizeram sinal de cortesia, nem de falar ao Capitão nem a ninguém. Porém um deles 
pôs olho no colar do Capitão, e começou de acenar com a mão para a terra e depois para o colar, como que nos 
dizendo que ali havia ouro. Também olhou para um castiçal de prata e assim mesmo acenava para a terra e 
novamente para o castiçal, como se lá também houvesse prata. 
Mostraram-lhes um papagaio pardo que o capitão traz consigo; tomaram-no logo na mão e acenaram para a 
terra, como quem diz que os havia ali. Mostraram-lhes um carneiro: não fizeram caso. Mostraram-lhes uma 
galinha; quase tiveram medo dela; não lhe queriam pôr a mão; e depois a tomaram como que espantados. 
Viu um deles umas contas de rosário, brancas; acenou que lhas dessem, folgou muito com elas e lançou-as 
ao pescoço. Depois tirou-as e enrolou-as no braço e acenava para a terra e de novo para as contas e para o 
colar do Capitão, como dizendo que dariam ouro por aquilo. 
 
Sobre o texto acima, fazem-se as seguintes afirmativas: 
 
I. O cronista procura valorizar o cristianismo, ideologia que seria um dos braços da colonização, mediante 
referência ao interesse do gentio pelo rosário. 
II. Caminha registra pormenores em ritmo sincopado (“Acenderam-se tochas. Entraram”), o que mostra o 
literato latente que havia nele. 
III. Com as referências à existência de ouro e prata em terra, Caminha procura despertar o interesse do rei de 
Portugal, D. Manuel. 
IV.O carneiro e a galinha eram animais que os portugueses traziam para a sua alimentação a bordo e que não 
existiam no Brasil. 
V. Como escrivão da frota de Cabral, a quem chama de Capitão, Caminha procurou ser fiel à realidade, a fim 
de bem informar a Coroa Portuguesa. 
 
Assinale a alternativa correta: 
 
a) Somente as afirmativas I, II e V estão corretas 
b) Somente as afirmativas I, III e IV estão corretas 
c) Somente as afirmativas II, III e IV estão corretas 
d) Somente as afirmativas II, III e V estão corretas 
e) Todas as afirmativas estão corretas 
 
Questão 06 - (UFSC/2015) 
 
A literatura de informação 
 
01
 Diversos viajantes europeus que aqui estiveram, no século XVI, registraram no papel suas 
02
 observações 
sobre a terra. Fizeram-no por obrigação profissional ou por motivos pessoais. Seus textos 
03
 são basicamente 
depoimentos e relatos de viagem, com a finalidade de apresentar aos compatriotas um 
04
 panorama do Novo 
Mundo. Sob a forma de cartas, diários, tratados ou crônicas, esses textos informativos 
05
 foram escritos 
principalmente por portugueses. 
OLIVIERI, A. C.; VILLA, M. A. (Org.). Cronistas do século XVI: o Brasil na visão dos descobridores. 
In: _____. Cronistas do descobrimento. São Paulo: Ática, 2013. p. 16. 
 
Blog do Enem Literatura – Literatura Brasileira: Quinhentismo. 
 
4 
 
Com base no texto e na leitura da obra Cronistas do descobrimento, uma seleção de textos do século XVI, 
organizada por Antonio Carlos Olivieri e Marco Antonio Villa, é CORRETO afirmar que: 
 
01. alguns dos textos reunidos são de autores que escreveram para narrar à Corte as dificuldades encontradas 
em alto-mar antes de chegarem à América, como é o caso de “Viagem ao Brasil”, de Hans Staden, e 
“Viagem à terra do Brasil”, de Jean de Léry. 
02. na “Carta do achamento do Brasil”, Pero Vaz de Caminha enaltece a bravura e a perspicácia dos índios 
encontrados aqui. Esse mesmo tratamento será retomado mais tarde pelos escritores românticos que se 
dedicaram a recriar uma identidade nacional retratando os índios como guerreiros e heróis, a exemplo de 
José de Alencar e Gonçalves Dias. 
04. o padre Fernão Cardim, em “Tratados da terra e gente do Brasil”, descreve as riquezas da flora e da fauna 
brasileiras utilizando-se de verbetes. Apesar das riquezas com as quais revela ter se deparado no Brasil, no 
final da crônica faz uma crítica à quantidade de insetos que encontrou aqui. 
08. em “Diário de navegação”, Pero Lopes de Sousa opta pelo diário, gênero textual caracterizado pela 
presença de data, vocativo e linguagem coloquial. O autor faz um relato pessoal em que conversa com o 
leitor insistentemente, dirigindo-se a este com o uso do pronome “vós”. 
16. nem todos os textos reunidos em Cronistas do descobrimento são crônicas. Alguns visavam levar 
ensinamentos sobre o Novo Mundo ao leitor da Corte, o que faziam por meio de personagens animais que, 
utilizando-se da linguagem coloquial, apresentavam a flora e a fauna brasileiras na forma de diálogo. 
32. os textos que compõem a coletânea subscrevem-se em pelo menos quatro gêneros textuais distintos, como 
revela o texto (Ref. 04). Apesar disso, foram agrupados em um único volume intitulado Cronistas do 
descobrimento tendo em vista seu valor estético e/ou histórico ao descrever o cotidiano no primeiro século 
de exploração do Brasil. 
 
Questão 07 - (ACAFE SC/2015) “Uma vida insignificante - a chegada ao Brasil, a morte do pai que vendia gravatas 
com o toco do braço que perdeu, um pai saudoso do conde Alexei, cujas botas ele consertava, em seguida o trabalho 
numa loja, da qual se torna proprietário, depois um casamento insosso, um filho, dois ou três conhecidos, afinal a 
solidão de sempre e a UTI – e no entanto, para o leitor, que vida trepidante! Atrás do balcão de sua nulidade, nosso 
herói imagina desvarios de alegria que se desdobram em castelos delirantes de uma outra vida, pontilhada tanto de 
aeromoças que o amam em bolhas plásticas em pleno céu quanto de um reencontro caloroso com um Noel Nutels 
que, nos sonhos, o reconheceria imediatamente mesmo anos depois. E o homem que conta vai promovendo também 
o sonho da comunhão universal, mental e geográfica, o sublime com o torpe, a confluência do índio com a civilização 
[...] Uma trajetória puramente mental de picos hilariantes, como o major Azevedo, militar da repressão, silenciado por 
uma inscrição de banheiro sobre sua mulher, ou a militante Sarita, na cidade, conclamando os índios contra o 
imperialismo do homem branco, de acordo com a orientação ideológica da célula stalinista.” 
(Cristóvão Tezza. Fragmento adaptado.) 
 
O texto acima tem como referência: 
 
a) O fantástico na Ilha de Santa Catarina, de Franklin Cascaes. 
b) A Hora da Estrela, de Clarice Lispector. 
c) A Majestade do Xingu, de Moacyr Scliar. 
d) Várias Histórias, de Machado de Assis. 
 
Questão 08 - (IFSP/2014) Leia um trecho do poema Ilha da Maré, do escritor brasileiro Manuel Botelho de Oliveira. 
 
 
E, tratando das próprias, os coqueiros, 
galhardos e frondosos 
criam cocos gostosos; 
e andou tão liberal a natureza 
que lhes deu por grandeza, 
não só para bebida, mas sustento, 
o néctar doce, o cândido alimento. 
De várias cores são os cajus belos, 
uns são vermelhos, outros amarelos, 
e como vários são nas várias cores, 
também se mostram vários nos sabores; 
e criam a castanha, 
que é melhor que a de França, Itália, Espanha. 
(COHN, Sergio. Poesia.br Rio de Janeiro: Azougue, 2012.) 
 
Blog do Enem Literatura – Literatura Brasileira: Quinhentismo. 
 
5 
 
Podemos relacionar os versos desse poema ao Quinhentismo Nacional, pois 
 
a) o eu lírico repudia a presença de colonizadores portugueses em nossa terra. 
b) a fauna e a flora tropicais são descritas de maneira minuciosa e idealizada. 
c) o poeta enriqueceu devido à exportação de produtos brasileiros para a metrópole. 
d) a exuberância e a diversidade da natureza tropical são exaltadas pelo poeta. 
e) a natureza farta e bela é o cenário onde ocorrem os encontros amorosos do eu lírico. 
 
Questão 09 - (IFSP/2014) Considere a tirinha. 
 
 
(Laerte, Folha de S. Paulo, 28.12.2011. Original colorido) 
 
Essa tirinha pode ser associada, corretamente, 
 
a) ao Quinhentismo no Brasil, pois as cartas escritas pelos jesuítas descreviam o trabalho dos missionários na 
preservação das crenças e da cultura nativas. 
b) ao Quinhentismo no Brasil, pois a literatura desse período tinha como um de seus objetivos informar 
Portugal sobre as novas terras e incentivar a vinda de colonos. 
c) a Os Lusíadas, pois Camões se utiliza de elementos da mitologia indígena para elaborar a parte ficcional de 
sua epopeia. 
d) a Os Lusíadas, visto que o foco central da narrativa são as viagens realizadas pelos portugueses para 
descobrir e colonizar terras nas Américas. 
e) ao Barroco, pois, em seus sonetos, Gregório de Matos valoriza a sensualidade da mulher indígena e 
menospreza a mulher europeia. 
 
Questão 10 - (IFSP/2013) A feição deles é serem pardos, um tanto avermelhados, de bons rostos e bons narizes, 
bem feitos. 
Andam nus, sem cobertura alguma. Nem fazem mais caso de encobrir ou deixa de encobrir suas vergonhas do 
que de mostrar a cara. Acerca disso são de grande inocência. Ambos traziam o beiço de baixo furado e metido 
nele um osso verdadeiro, de comprimento de uma mão travessa, e da grossura de um fuso de algodão, agudo 
na ponta como um furador. 
(Carta de Pero Vaz de Caminha. www.dominiopublico.com.br 
Acesso em: 04.12. 2012.) 
 
O trecho acima pertence a um dos primeiros escritos considerados como pertencentes à literatura brasileira. Do 
ponto de vista da evolução histórica, trata-se de literatura 
 
a) de informação. 
b) de cordel. 
c) naturalista. 
d) ambientalista. 
e) árcade. 
 
Questão 11- (UDESC SC/2012) O movimento literário que retrata as manifestações literárias produzidas no Brasil à 
época de seu descobrimento, e durante o século XVI, é conhecido como Quinhentismo ou Literatura de Informação. 
 
Analise as proposições em relação a este período. 
 
I. A produção literária no Brasil, no século XVI, era restrita às literaturas de viagens e jesuíticas de caráter 
religioso. 
II. A obra literária jesuítica, relacionada às atividades catequéticas e pedagógicas, raramente assume um 
caráter apenas artístico. O nome mais destacado é o do padre José de Anchieta. 
III. O nome Quinhentismo está ligado a um referencial cronológico – as manifestações literárias no Brasil 
tiveram início em 1500, época da colonização portuguesa – e não a um referencial estético. 
IV. As produções literárias neste período prendem-se à literatura portuguesa, integrando o conjunto das 
chamadas literaturas de viagens ultramarinas, e aos valores da cultura greco-latina. 
Blog do Enem Literatura – Literatura Brasileira: Quinhentismo. 
 
6 
 
V. As produções literárias deste período constituem um painel da vida dos anos iniciais do Brasil colônia, 
retratando os primeiros contatos entre os europeus e a realidade da nova terra. 
 
Assinale a alternativa correta. 
 
a) Somente as afirmativas I, IV e V são verdadeiras. 
b) Somente a afirmativa II e verdadeira. 
c) Somente as afirmativas I, II, III e V são verdadeiras. 
d) Somente as afirmativas III e IV são verdadeiras. 
e) Todas as afirmativas são verdadeiras. 
 
Questão 12 - (FMJ SP/2012) Leia o trecho d’A Carta, de Pero Vaz de Caminha. 
 
E dali avistamos homens que andavam pela praia. (...) Pardos, nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas 
vergonhas. Traziam arcos nas mãos, e suas setas. Vinham todos rijamente em direção ao batel. E Nicolau 
Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os depuseram. 
 
Glossário 
batel: pequena embarcação 
depuseram: abaixaram 
(Adaptado) 
 
O texto caracteriza-se como 
 
a) um diário pessoal tratando da recepção hostil que os descobridores portugueses tiveram logo que 
aportaram na costa brasileira. 
b) uma narrativa ficcional acerca da vinda da Família Real ao Brasil devido à ameaça de invasão do território 
português pelas tropas napoleônicas. 
c) um documento histórico relatando o primeiro contato entre os colonizadores portugueses e os nativos 
brasileiros, posteriormente chamados de índios. 
d) uma sátira bem-humorada descrevendo os costumes dos portugueses recém-chegados ao Brasil e as 
dificuldades de adaptação à nova terra. 
e) uma narrativa épica sobre o encontro da esquadra de Vasco da Gama com os habitantes nativos de 
Melinde, na costa oeste do Continente Africano. 
 
Questão 13 - (UFSC/2012) 
TEXTO 1 
 
1
A feição deles é serem pardos, um tanto avermelhados, de bons rostos e bons narizes, 
2
bem feitos. Andam 
nus, sem cobertura alguma. Nem fazem mais caso de encobrir ou deixar de 
3
encobrir suas vergonhas do que de 
mostrar a cara. Acerca disso são de grande inocência. 
4
Ambos traziam o beiço de baixo furado e metido nele um 
osso verdadeiro, de comprimento de 
5
uma mão travessa, e da grossura de um fuso de algodão, agudo na ponta 
como um furador. 
6
[...] 
7
Foram-se lá todos; e andaram entre eles. E segundo depois diziam, foram bem uma 
8
légua e meia a uma 
povoação, em que haveria nove ou dez casas, as quais diziam que eram 
9
tão compridas, cada uma, como esta 
nau capitânia. E eram de madeira, e das ilhargas de 
10
tábuas, e cobertas de palha, de razoável altura; e todas 
de um só espaço, sem repartição 
11
alguma, tinham de dentro muitos esteios; e de esteio a esteio uma rede 
atada com cabos em 
12
cada esteio, altas, em que dormiam. E de baixo, para se aquentarem, faziam seus fogos. 
E 
13
tinha cada casa duas portas pequenas, uma numa extremidade, e outra na oposta. E diziam 
14
que em cada 
casa se recolhiam trinta ou quarenta pessoas, e que assim os encontraram; e que 
15
lhes deram de comer dos 
alimentos que tinham, a saber muito inhame, e outras sementes que 
16
na terra dá, que eles comem. 
17
[...] 
18
Eles não lavram nem criam. Nem há aqui boi ou vaca, cabra, ovelha ou galinha, ou 
19
qualquer outro animal 
que esteja acostumado ao viver do homem. E não comem senão deste 
20
inhame, de que aqui há muito, e 
dessas sementes e frutos que a terra e as árvores de si deitam. 
21
[...] 
22
Até agora não pudemos saber se há ouro ou prata nela, ou outra coisa de metal, ou ferro; 
23
nem lha vimos. 
Contudo a terra em si é de muito bons ares frescos e temperados como os de 
24
Entre-Douro-e-Minho, porque 
neste tempo d'agora assim os achávamos como os de lá. Águas 
25
são muitas; infinitas. Em tal maneira é 
graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; 
26
por causa das águas que tem! 
A CARTA de Pero Vaz de Caminha. 
Blog do Enem Literatura – Literatura Brasileira: Quinhentismo. 
 
7 
 
Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/ 
download/texto/ua000283.pdf.> Acesso em: 03 set. 2011. 
 
 
TEXTO 2 
 
1
Nada mais bucólico que a cidadezinha de Chiloé. O tempo ali parece se arrastar. [...] As 
2
construções não 
ultrapassam três andares. São todas de madeira e ganharam uma suave pátina 
3
produzida pelo tempo. Casas 
com sótãos, janelas com cortinas delicadas, jardineiras floridas, 
4
pequenos objetos de decoração e penachos de 
fumaça saindo pelas chaminés indicam um 
5
interior aconchegante. Em toda parte, se sente o perfume da 
maresia trazida pelos ventos. 
6
Em Chiloé, os homens são do mar, rostos marcados pelo frio. Vestem-se com agasalhos 
7
surrados e usam 
boinas bascas, típicas dos marinheiros espanhóis. [...] 
8
A benevolência parece ser a marca registrada desses homens do mar. Nas comunidades 
9
persiste um dos 
principais legados da cultura chilote: a minga, uma forma de trabalho coletivo e 
10
solidário. [...] 
11
Dia de minga é um dia especial. Participei de um deles, quando um grande número de 
12
pessoas se reuniu 
e, com parelhas de bois, arrastaram e mudaram de lugar nada menos que a 
13
casa inteira de um morador. Falei 
dessa solidariedade com Efraim, velho pescador do vilarejo de 
14
Queilén, no momento em que ele pintava o 
barco do amigo doente. “O mar purifica a arrogância 
15
e lava a prepotência”, ensinou esse velho lobo do mar. 
REALI, H.; REALI, S. Igrejas de Chiloé. Planeta, p. 72-77, set. 2007. 
 
 
Nota: O texto 1 contém trechos da carta, datada de 1º de maio de 1500, que Pero Vaz de Caminha escreveu ao 
rei D. Manuel, relatando os primeiros contatos com a terra e os habitantes do que viria a ser o Brasil. O texto foi 
adaptado para a ortografia atual. O texto 2, extraído de uma reportagem de revista, trata de Chiloé, um 
arquipélago no sul do Chile. 
 
 
Com base na leitura dos textos 1, 2 e da nota ao pé da página anterior, assinale a(s) proposição(ões) 
CORRETA(S). 
 
01. Ambos os textos buscam mostrar aspectos da geografia, da arquitetura e da população local, em uma 
linguagem essencialmente objetiva, com adjetivação mínima. 
02. Tanto no texto 1 quanto no texto 2, a principal intenção é informar os leitores quanto ao potencial 
econômico do lugar descrito. 
04. Apesar da grande distância temporal e geográfica, há pelo menos uma importante semelhança entre as 
populações descritas nos textos 1 e 2, que é o forte senso de vida em comunidade, representada na 
habitação coletiva e na minga, respectivamente. 
08. No texto 1, os indígenas são retratados de forma depreciativa, como seres destituídos do senso de 
vergonha e incapazes de se engajar em atividades econômicas que lhes permitiriam um padrão de vida 
mais elevado, como a agricultura ea criação de animais. 
16. Na fala de Efraim, transcrita ao final do texto 2, temos uma prosopopeia: o mar, humanizado, é mostrado 
como arrogante e prepotente. 
 
Questão 14 - (CEFET PR/2009) Sobre a literatura dos jesuítas, pode-se afirmar que: 
 
a) visava catequizar. 
b) é rica de informação. 
c) não tinha, propriamente, grande valor literário. 
d) seus maiores expoentes são o Padre Anchieta e o Padre Vieira. 
e) tinha intenção pedagógica e moral. 
f) a obra de Anchieta é a mais importante. 
g) Nóbrega escreveu “De Beata Virgine”. 
 
Estão corretas somente as afirmativas: 
 
a) a, b, c, d, e 
b) a, b, d, e, f 
c) b, c, d, e, f 
d) a, b, c, e, f 
e) b, c, e, f, g 
 
Blog do Enem Literatura – Literatura Brasileira: Quinhentismo. 
 
8 
 
Questão 15 - (PUC SP/2008) Gil Vicente escreveu o Auto da Barca do Inferno em 1517, no momento em que 
eclodia na Alemanha a Reforma Protestante, com a crítica veemente de Lutero ao mau clero dominante na igreja. 
Nesta obra, há a figura do frade, severamente censurado como um sacerdote negligente. Indique a alternativa cujo 
conteúdo NÃO se presta a caracterizar, na referida peça, os erros cometidos pelo religioso. 
a) Não cumprir os votos de celibato, mantendo a concubina Florença. 
b) Entregar-se a práticas mundanas, como a dança. 
c) Praticar esgrima e usar armamentos de guerra, proibidos aos clérigos. 
d) Transformar a religião em manifestação formal, ao automatizar os ritos litúrgicos. 
e) Praticar a avareza como cúmplice do fidalgo, e a exploração da prostituição em parceria com a alcoviteira. 
 
Questão 16 - (UFAM/2008) Caracterizam a literatura dos viajantes as afirmativas abaixo, exceto: 
a) Os escritos dos viajantes refletem a visão, os conceitos e os interesses dos europeus em relação às terras do 
além-mar. 
b) Observa-se a necessidade de informar a Coroa Portuguesa sobre as potencialidades econômicas da nova 
terra. 
c) O conjunto do registro dos viajantes tem, sobretudo, valor documental e histórico. 
d) As crônicas dos viajantes surgiram como o desdobramento de um processo de mudanças estruturais na 
Europa. 
e) Havia, por parte dos cronistas, uma preocupação estética, um apuro literário formal. 
 
Questão 17 - (UFPA/2008) A propósito do Auto da Índia, farsa de Gil Vicente, é correto afirmar que 
a) a Moça acoberta a conduta infiel da Ama, na ausência do marido. 
b) a Ama entrega-se à hipocrisia de esposa infiel que se finge saudosa. 
c) a personagem principal, apaixonada, sofre com a ausência do marido, que partiu para a Índia. 
d) a fidelidade da Ama se comprova no momento tão esperado do reencontro com seu marido. 
e) a infidelidade da Ama provoca a indignação do marido que, ao retornar de viagem à Índia, a abandona. 
 
Texto comum às questões: 18, 19 
 
Anjo: Que mandais? 
Fidalgo: Que me digais, 
pois parti tão sem aviso, 
se a barca do paraíso 
é esta em que navegais. 
Anjo: Esta é; que lhe buscais? 
Fidalgo: Que me deixeis embarcar; 
sou fidalgo de solar, 
é bem que me recolhais. 
Anjo: Não se embarca tirania 
neste batel divinal. 
Fidalgo: Não sei por que haveis por mal 
que entre minha senhoria. 
Anjo: Pra vossa fantasia 
mui pequena é esta barca. 
Fidalgo: Para senhor de tal marca 
não há aqui mais cortesia? 
Venha prancha e atavio! 
Levai-me desta ribeira! 
Gil Vicente 
 
Questão 18 - (FGV /2008) Na obra de onde se extrai esse excerto, o autor faz: 
a) crítica restrita a um fidalgo que queria embarcar num batel; 
b) crítica indireta ao comportamento do povo português mais simples; 
c) sátira social: por meio do cômico, critica uma parte da sociedade; 
d) crítica direta à classe média portuguesa; 
e) crítica ironizada à crença nos destinos da alma, após a morte. 
 
Questão 19 - (FGV /2008) Nesse auto: 
a) o Anjo fala como se conduzisse um barco, que, na verdade, não existe; 
b) somente as almas dos humildes são julgadas; 
c) o Diabo tem a capacidade de julgar e perdoar; 
d) o Diabo e o Anjo fazem um acordo; 
Blog do Enem Literatura – Literatura Brasileira: Quinhentismo. 
 
9 
 
e) dois barcos esperam as almas: um, conduzido pelo Anjo, leva ao Paraíso; o outro, conduzido pelo Diabo e 
seu Companheiro, leva ao Inferno. 
 
Questão 20 - (PUC SP/2007) Considerando a peça Auto da Barca do Inferno como um todo, indique a alternativa 
que melhor se adapta à proposta do teatro vicentino. 
a) Preso aos valores cristãos, Gil Vicente tem como objetivo alcançar a consciência do homem, lembrando-lhe 
que tem uma alma para salvar. 
b) As figuras do Anjo e do Diabo, apesar de alegóricas, não estabelecem a divisão maniqueísta do mundo entre 
o Bem e o Mal. 
c) As personagens comparecem nesta peça de Gil Vicente com o perfil que apresentavam na terra, porém 
apenas o Onzeneiro e o Parvo portam os instrumentos de sua culpa. 
d) Gil Vicente traça um quadro crítico da sociedade portuguesa da época, porém poupa, por questões 
ideológicas e políticas, a Igreja e a Nobreza. 
e) Entre as características próprias da dramaturgia de Gil Vicente, destaca-se o fato de ele seguir 
rigorosamente as normas do teatro clássico. 
 
Questão 21 - (UFTM MG/2007) 
 
Que falta nesta cidade? ....... verdade. 
Que mais por sua desonra? ....... honra. 
Falta mais que se lhe ponha? ....... vergonha. 
 
O demo a viver se exponha 
Por mais que a fama a exalta 
Numa cidade onde falta 
Verdade, honra, vergonha. 
 
E que justiça a resguarda? ....... bastarda. 
É grátis distribuída? ....... vendida. 
Que tem, que a todos assusta? ....... injusta. 
 
Valha-nos Deus, o que custa 
O que El-Rei nos dá de graça, 
Que anda a justiça na praça 
Bastarda, vendida, injusta. 
(Gregório de Matos) 
 
 
De acordo com o texto, é correto afirmar que a obra satírica do autor 
a) traduz a sujeição do eu lírico à realidade que o cerca. 
b) representa o desengano barroco diante da consciência da transitoriedade da vida. 
c) marca a divisão do espírito humano entre a consciência de seu tempo e o temor do desconhecido. 
d) explicita a denúncia das contradições e da falsidade presentes na sociedade de então. 
e) sugere a revolta do eu lírico contra as condições desumanas em que vivia o povo baiano, no séc. XVII. 
 
Questão 22 - (UFPA/2006) Os temas do teatro vicentino são diversos, mas vale ressaltar que nada foi mais 
impressivo e atual, na obra de Gil Vicente, do que a crítica contundente à sociedade da época. O Auto da Índia é um 
exemplo disso e sobre a peça NÃO é correto afirmar: 
a) O motivo mais destacado da obra em questão é o da cobiça, que levou muitos portugueses ao Oriente, 
descuidados dos perigos das viagens marítimas. 
b) Embora o tema da peça trate de assunto sério e de grande relevância moral, Gil Vicente repassa-o por meio 
de uma sátira leve e muito divertida. 
c) “Virtuosa esta minha ama! Do triste dele hei dó”. Esses versos correspondem à fala da Moça, responsável 
pelos serviços domésticos da casa, e, por meio deles, é possível observar a carga de ironia com que Gil 
Vicente constrói os diálogos dos personagens. 
d) Lemos: “Que dizeis, senhora minha?” Ama: “Metei-vos nessa cozinha, Que m’ estão ali chamando “. Essas 
falas são uma amostra das atitudes da mulher que se cercava de amantes, na ausência do marido, e 
necessitava escondê-los para evitar encontros desagradáveis. 
e) O Auto da Índia consta sob a denominação de farsa. Essa categoria caracterizava-se por tratar dos vícios 
da sociedade quinhentista portuguesa. 
 
Blog do Enem Literatura – Literatura Brasileira: Quinhentismo. 
 
10 
 
Questão 23 - (UFRGS/2004) Assinale a alternativa INCORRETA em relação à obra "Os Lusíadas", de Luís de 
Camões. 
a) No Canto I, Vênus, no Concílio dos Deuses do Olimpo, adere à opinião de Júpiter e coloca-se em defesa da 
gente portuguesa. 
b) No Canto II, Vênus sobe ao Olimpo e queixa-se a Júpiterda falta de proteção dispensada pelos deuses aos 
portugueses. 
c) No Canto III, Gama explica ao rei melinde que a palavra 'Lusitânia' deriva de 'Luso' ou 'Lisa', filhos ou 
companheiros de Baco. 
d) No Canto IV, Gama dissipa a sua dúvida e supera o seu receio quando tem um sonho profético com a 
chegada dos portugueses à Índia. 
e) No Canto V, Gama pede a Deus que faça desaparecerem as tragédias antecipadas por Adamastor. 
 
Questão 24 - (FUVEST SP/2004) 
 
Tu, só tu, puro amor, com força crua, 
Que os corações humanos tanto obriga, 
Deste causa à molesta morte sua, 
Como se fora pérfida inimiga. 
Se dizem, fero Amor, que a sede tua 
Nem com lágrimas tristes se mitiga, 
É porque queres, áspero e tirano, 
Tuas aras banhar em sangue humano. 
 (Camões, Os Lusíadas - episódio de Inês de Castro) 
 
Molesta = lastimosa; funesta. 
Pérfida = desleal; traidora. 
Fero = feroz; sanguinário; cruel. 
Mitiga = alivia; suaviza; aplaca. 
Ara = altar; mesa para sacrifícios religiosos. 
 
a) Considerando-se a forte presença da cultura da Antigüidade Clássica em Os Lusíadas, a que se pode referir 
o vocábulo "Amor", grafado com maiúscula, no 5Ž verso? 
b) Explique o verso "Tuas aras banhar em sangue humano", relacionando-o à história de Inês de Castro. 
 
Questão 25 - (UNIFOR CE/2003) Nos séculos XVI e XVII, ocorreram no Brasil as chamadas “manifestações 
literárias”, representadas sobretudo por cartas, tratados descritivos, relatórios e textos categóricos. O conjunto 
dessas manifestações permite afirmar que, nessa época, 
a) já está constituído um sistema literário de alta expressão. 
b) os estilos barroco e o arcádico disputam a preferência do público leitor. 
c) a produção escrita é reveladora de nossa condição colonial. 
d) as teses do indianismo ganham força entre os escritores. 
e) os sentimentos nacionalistas representam-se em todos os gêneros literários. 
 
Questão 26 - (UFSCar SP/2003) 
 
Mas um velho, de aspeito venerando, 
Que ficava nas praias, entre a gente, 
Postos em nós os olhos, meneando 
Três vezes a cabeça, descontente, 
A voz pesada um pouco alevantando, 
Que nós no mar ouvimos claramente, 
C’um saber só de experiências feito, 
Tais palavras tirou do experto peito: 
 
"Ó glória de mandar, ó vã cobiça 
Desta vaidade a quem chamamos Fama! 
Ó fraudulento gosto, que se atiça 
C'uma aura popular, que honra se chama! 
Que castigo tamanho e que justiça 
Fazes no peito vão que muito te ama! 
Que mortes, que perigos, que tormentas, 
Que crueldades neles experimentas! 
Blog do Enem Literatura – Literatura Brasileira: Quinhentismo. 
 
11 
 
 
Dura inquietação d'alma e da vida 
Fonte de desamparos e adultérios, 
Sagaz consumidora conhecida 
De fazendas, de reinos e de impérios! 
Chamam-te ilustre, chamam-te subida, 
Sendo digna de infames vitupérios; 
Chamam-te Fama e Glória soberana, 
Nomes com quem se o povo néscio engana." 
 
Entre os versos "Chamam-te ilustre, chamam-te subida, / Sendo digna de infames vitupérios", a relação que se 
estabelece é de: 
a) oposição. 
b) explicação. 
c) causa. 
d) modo. 
e) conclusão. 
 
Questão 27 - (UFJF MG/2003) Com os versos "Cantando espalharei por toda a parte, / Se a tanto me ajudar o 
engenho e a arte.", Camões explica que o propósito de "Os Lusíadas" é divulgar os feitos portugueses. Sobre esse 
poema épico, só é INCORRETO afirmar que: 
a) se trata da maior obra literária do quinhentismo português. 
b) Camões sofre a clara influência dos clássicos greco-latinos. 
c) há forte presença do romantismo, devido ao nacionalismo. 
d) como epopéia moderna, há momentos de crítica à nação e ao povo. 
e) louva não apenas o homem português, mas o homem renascentista. 
 
Questão 28 - (FUVEST SP/2003) 
 
Oh! Maldito o primeiro que, no mundo, 
Nas ondas vela pôs em seco lenho! 
Digno da eterna pena do Profundo, 
Se é justa a justa Lei que sigo e tenho! 
Nunca juízo algum, alto e profundo, 
Nem cítara sonora ou vivo engenho, 
Te dê por isso fama nem memória, 
Mas contigo se acabe o nome e a glória. 
(Camões, "Os Lusíadas") 
 
a) Considerando este trecho da fala do velho do Restelo no contexto da obra a que pertence, explique os dois 
primeiros versos, esclarecendo o motivo da maldição que, neles, é lançada. 
b) Nos quatro últimos versos, está implicada uma determinada concepção da função da arte. Identifique essa 
concepção, explicando-a brevemente. 
 
Questão 29 - (UFJF MG/2002) Leia o fragmento a seguir e responda ao que se pede. 
 
"Amores da alta esposa de Peleu 
Me fizeram tomar tamanha empresa. 
Todas as deusas desprezei do céu, 
Só por amar das águas a princesa. 
Um dia a vi co'as filhas de Nereu, 
Sair nua na praia: e logo presa 
A vontade senti de tal maneira 
Que inda não sinto cousa que mais queira. 
Como fosse impossíbil alcançá-la 
Pela grandeza feia de meu gesto, 
Determinei por armas de tomá-la 
E a Dóris este caso manifesto. 
De medo a deusa então por mi lhe fala; 
Mas ela, c'um fermoso riso honesto, 
Respondeu: 'Qual será o amor bastante 
De ninfa, que sustente o dum gigante?" 
Blog do Enem Literatura – Literatura Brasileira: Quinhentismo. 
 
12 
 
Camões - "Os Lusíadas" 
 
Nas estrofes acima, extraídas do episódio do Adamastor, observamos o amor entre o Gigante e Tétis, a 
"Princesa das Águas". A partir disso, responda: 
a) Como se manifesta, no texto, o amor do gigante, e como Tétis reage a esse amor? 
b) Quem é, no poema de Camões, o gigante Adamastor? 
 
Questão 30 - (UFJF MG/2002) 
 
“CANTIGA” 
Vi chorar uns claros olhos 
Quando deles me partia. 
Oh! que mágoa! Oh! que alegria 
 
“VOLTAS” 
(...) 
O bem que Amor me não deu, 
No tempo que o desejei, 
Quando dele me apartei, 
Me confessou que era meu. 
Agora que farei eu, 
Se a fortuna me desvia 
De lograr esta alegria? 
 (Camões - "Lírica") 
 
Mudando andei costume, terra e estado, 
Por ver se se mudava a sorte dura; 
A vida pus nas mãos de um leve lenho. 
Mas, segundo o que o Céu me tem mostrado, 
Já sei que deste meu buscar ventura 
Achado tenho já que não a tenho. 
 (Camões - "Lírica") 
 
 
Em relação aos textos anteriores, SÓ SE PODE AFIRMAR que: 
a) o amor realizado é o tema do primeiro poema, e a harmonia entre o poeta e o mundo é o tema do segundo. 
b) as expressões "oh que alegria" e "achado tenho já" mostram que, finalmente, o poeta encontra a harmonia. 
c) as expressões "me partia" e "me apartei", no primeiro fragmento, são equivalentes, no plano semântico. 
d) a forma do segundo fragmento expressa a relação entre a lírica de Camões e o trovadorismo medieval. 
e) o verso "me confessou que era meu" indica que o poeta encontrou a felicidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Blog do Enem Literatura – Literatura Brasileira: Quinhentismo. 
 
13 
 
GABARITO: 
 
1) Gab: A 
2) Gab: C 
3) Gab: D 
4) Gab: C 
5) Gab: E 
6) Gab: 36 
7) Gab: C 
8) Gab: D 
9) Gab: B 
10) Gab: A 
11) Gab: C 
12) Gab: C 
13) Gab: 04 
14) Gab: D 
15) Gab: E 
16) Gab: E 
17) Gab: B 
18) Gab: C 
19) Gab: E 
20) Gab: A 
21) Gab: D 
22) Gab: A 
23) Gab: D 
24) Gab: 
a) "A" maiúsculo na palavra "amor" para divinizar, personificar o sentimento do amor. 
b) O amor exige sacrifício, sangue. Inês de Castro derramou sangue por causa do seu grande amor. 
25) Gab: C 
26) Gab: A 
27) Gab: C 
28) Gab: 
a) Trata-se de uma das estâncias do canto V de "Os Lusíadas", poema em que Camões engrandece as 
guerras de conquista portuguesas ao longo dos litorais da África e da Índia. Quem fala é o Velho do Restelo, 
e os dois primeiros versos que profere, na passagem, amaldiçoam quem primeiro içará velas a uma 
embarcação, para com ela se atirar aos mares da conquista e da aventura. Trata-se de uma condenação 
eloqüente a toda empreitada mercantil portuguesa, coisa que se opunha à "justalei" e que, com os 
pseudolemas da fama e da glória, só traria desgraça a Portugal. 
b) Os quatro últimos versos da estrofe, no mesmo tom condenatório, exprimem o desejo de que aquele que se 
aventurara aos mares jamais viesse a ter, por isso, recompensa da glória ou da posteridade, fosse por um 
pensamento alto, ou pela musicalidade, ou pela inspiração (ou seja, pela poesia elevada). Estes últimos 
dons nada valeriam quando isentos da moral e da virtude. Com isso, verifica-se que a concepção do valor 
da arte, para o Velho do Restelo, está intimamente ligada aos princípios éticos e à tradição. Trata-se da 
tópica da arte como poder eternizador de feitos e vultos valorosos. No caso, o Velho do Restelo se vale 
dessa tópica de acordo com uma visão conservadora, contrária à expansão mercantil, no contexto da 
história de Portugal. 
29) Gab: 
a) Há pelo gigante Adamastor um amor sem limites pela "Princesa das Águas". É capaz de forçá-la a amá-lo. 
Tétis, por sua vez, mensura quanto deve ser o amor para amar um gigante. 
b) No poema de Camões, o Cabo das Tormentas é personificado na figura do Gigante Adamastor. 
30) Gab: A

Mais conteúdos dessa disciplina