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• Carcinoma papilífero da glândula tireoide: uma análise retrospectiva de 52 casos • Aspectos patológicos do carcinoma papilífero da tireoide em pacientes com hiperparatireoidismo primário • Mapeamento do linfonodo sentinela para carcinoma epidermoide de cavidade oral T1 e T2: a efi cácia é mesma do melanoma cutâneo? • Mortalidade por cancêr de laringe no Estado da Paraíba nos anos de 1996 a 2007 • Revisão do paradigma terapêutico do câncer da hipofaringe • Traqueostomia aberta à beira do leito da UTI em Hospital Universitário • Estudo do linfonodo cervical pela citologia do imprint • Conhecimento de acadêmicos de odontologia sobre Hepatite B • Fraturas do Complexo zigomático por acidentes de trânsito na cidade de São Paulo • Schwanoma do espaço parafaríngeo: Relato de caso • Ressecção de ameloblastoma utilizando prototipagem - relato de caso • Granuloma piogênico intraoral em gestante - relato de caso • Acessos cirúrgicos a articulação temporomandibular: revisão de literatura V O L U M E 40 – N Ú M E R O 1 J A N /F E V /M A R Ç O – 2011 Revista Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço ISSN 0100-2171 para a Revista Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (impressa). ISSN 1981-951X para a Revista Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (online). Registrada sob o nº 2080 P 209/73 na Divisão de Censura e Diversões Públicas do Departamento de Polícia Federal Órgão ofi cial da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço e da Federação Sul-Americana de Sociedades de Cirurgia de Cabeça e Pescoço SOCIEDADE BRASILEIRA DE CIRURGIA DE CABEÇA E PESCOÇO (DIRETORIA DO BIÊNIO 2009-2011) Presidente ..........................................Onivaldo Cervantes (SP) 1º Vice-Presidente .............................Jose Roberto Vasconcelos de Podesta (ES) 2º Vice-Presidente .............................Luís Eduardo Barbalho de Mello (RN) 3º Vice-Presidente .............................Gilberto Vaz Teixeira (SC) 4º Vice-Presidente .............................Leônidas Alves da Silva (AM) 5º Vice-Presidente .............................Márcio Roberto Barbosa da Silva (GO) 1º Secretário ......................................Fábio Luiz de Menezes Montenegro (SP) 2º Secretário ......................................Alfi o José Tincani (SP) 3º Secretário ......................................Paola Andrea Galbiatti Pedruzzi (PR) 1º Tesoureiro ......................................Sérgio Samir Arap (SP) 2º Tesoureiro ......................................Cláudio Rogério Alves de Lima (BA) 3º Tesoureiro ......................................Bartolomeu Cavalcanti de Melo Junior (PE) Diretor de Defesa Profi ssional ...........Fernando José Pinto de Paiva (RN) Diretor Científi co ................................Flavio Carneiro Hojaij (SP) Revista da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço www.revistabrasccp.org.br / www.sbccp.org.br Redação, assinaturas e administração: Av. Brigadeiro Luís Antonio, 278 - 6º andar - Sala 5 - Bela Vista - CEP 01318-901 - São Paulo - SP - Brasil - Tel./Fax: (11) 3107-9529 - e-mail: sbccp@sbccp.org.br Projeto Gráfi co: Vagner Bertaco Severino Impressão: H. Máxima Produtora Editora e Gráfi ca - (11) 3277-3314 A RBCCP é Distribuida gratuitamente aos sócios da SBCCP ou mediante assinatura anual de R$ 100,00; número avulso: R$ 35,00 Periodicidade: Trimestral - Tiragem: 1.000 exemplares É permitida a reprodução total ou parcial dos artigos desta revista, desde que citada a fonte. EDITORES ADJUNTOS André Lopes Carvalho, H. Cancer – Barretos / SP Elaine Stabenow, USP - São Paulo / SP EDITORES ASSOCIADOS Alvaro Nagib Attalah, UNIFESP - São Paulo / SP Medicina Baseada em Evidências Ana Paula Brandão Barros, H. Heliópolis – Santos / SP Fonoaudióloga Julio Morais Besteiro, USP - São Paulo / SP Cirurgia Plástica Reconstrutiva Maria Paula Curado, IARC – Lion – França Epidemiologia Nédio Steffen, PUCRS - Porto Alegre / RS Otorrinolaringologia Sergio Luis de Miranda, UNISA - São Paulo / SP Cirurgia Crânio-Maxilo-Facial Rui Maciel, UNIFESP - São Paulo / SP Endocrinologia Silvia Regina Rogatto, UNESP – Botucatu / SP Área Básica CORPO EDITORIAL / EDITORIAL BOARD BRAZIL Agrício Nubiato Crespo – UNICAMP – Campinas / SP, Alberto Rossetti Ferraz – USP - São Paulo / SP, Alfi o José Tincani – UNICAMP – Campinas / SP, Anói Castro Cordeiro – USP - São Paulo / SP, Antônio José Gonçalves – FCMSCSP - São Paulo / SP, Antônio Santos Martins – UNICAMP - Campinas / SP, Antônio Sérgio Fava – H.S.P.E. - São Paulo / SP, Carlos Neutzling Lehn – H.S.P.E. - São Paulo / SP, Cláudio Eduardo de Oliveira Cavalcanti – UFAL – Maceió - AL, Cláudio Roberto Cernea – USP - São Paulo / SP, Emílson de Queiroz Freitas – INCA - Rio de Janeiro / RJ, Fábio Luiz de Menezes Montenegro – USP - São Paulo / SP, Fátima Cristina Mendes de Matos – UFPe – Recife / PE, Fernando Luiz Dias – INCA - Rio de Janeiro / RJ, Flávio Carneiro Hojaij – UNIFESP - São Paulo / SP, Francisco Monteiro de Castro Júnior – UFC – Fortaleza / CE, Gerson Schullz Maahs – PUCRS - Porto Alegre / RS, Gilberto Vaz Teixeira - CECON - Florianópolis / SC, Gyl Henrique Albrecht Ramos – Hospital Erasto Gaertner - Curitiba / PR, Henrique Olavo de Olival Costa – FCMSCSP - São Paulo / SP, Jacob Kligerman – INCA - Rio de Janeiro / RJ, João Batista de Oliveira - Sta. Casa - Belo Horizonte / MG, Jorge Ferreira de Azevedo – SESA/SUS - Fortaleza / CE, Jorge Pinho Filho – Hospital Memorial São José - Recife / PE, José Antônio Pinto - Núcleo de Otorrinolaringologia - São Paulo / SP, José Carlos de Oliveira - Hospital Araujo Jorge - Goiânia / GO, José Francisco de Góis Filho – IAVC - São Paulo / SP, José Francisco de Sales Chagas – PUCCAMP – Campinas / SP, José Magrin – Hospital A.C. Camargo - São Paulo / SP, José Maria Porcaro Salles - UFMG - Belo Horizonte / MG, Jossi Ledo Kanda - Fundação ABC - São Paulo / SP, Lenine Garcia Brandão – USP - São Paulo / SP, Leonardo Haddad – UNIFESP - São Paulo / SP, Luiz Augusto do Nascimento – UNB – Brasília / DF, Luiz Paulo Kowalski – Hospital A.C. Camargo – São Paulo / SP, Marcelo Doria Durazzo – USP - São Paulo / SP, Marcílio Ferreira Marques Filho – U.E. Ilhéus – Itabuna / BA, Márcio Abrahão – UNIFESP - São Paulo / SP, Marcos Brasilino de Carvalho – Hospital Heliópolis - São Paulo / SP, Marcos Roberto Tavares – USP - São Paulo / SP, Mauro Becker Martins Vieira – Hospital Felício Rocho - Belo Horizonte / MG, Marcelo Lazzaron Lamers – UFRGS - Porto Alegre / RS, Marcelo Miguel Hueb – UFTM – Uberaba / MG, Marcus Lessa – UFBA – Salvador / BA, Mauro Marques Barbosa - INCA - Rio de Janeiro / RJ, Nilton Tabajara Herter – H. Sta. Rita - Porto Alegre / RS, Onivaldo Cervantes – UNIFESP - São Paulo / SP, Orlando Parise Jr. – Hospital Sírio Libanês - São Paulo / SP, Paola Andrea Galbiatti Pedruzzi - Hospital Erasto Gaertner - Curitiba / PR, Pedro Michaluart Junior – USP - São Paulo / SP, Roberto de Araújo Lima – INCA - Rio de Janeiro / RJ, Rui Celso Martins Mamede – USP/RP - Ribeirão Preto / SP, Silvia Dornelles – UFRGS - Porto Alegre / RS, Sylvio de Vasconcellos e Silva Neto - UFPe - Recife / PE. CORPO EDITORIAL INTERNACIONAL / INTERNATIONAL EDITORIAL BOARD Abél González – Universidad de Buenos Aires, Buenos Aires (Argentina); Ashok Shaha – Memorial Sloan Kettering Cancer Center, New York (Estados Unidos); Eugene N. Myers – Pittsburgh University, Pittsburgh (Estados Unidos); François Eschwege - Institut Gustave-Roussy, Villejuif (França); Jatin P. Shah - Memorial Sloan Kettering Cancer Center, New York (Estados Unidos); Jean Louis Lefebvre - Centre Oscar Lambret, Lille (França); Jonas T. Johnson – Pittsburgh University, Pittsburgh (Estados Unidos); Jose Luis Novelli, Centro de Tiroides - Rosário (Argentina); Jose Saavedra – Soc. Peruana de Cirurgia, Lima (Peru); Juan Postigo Díaz - Cirugiade Cabeza y Cuello – Oncologia, Lima (Peru); Luis Soto Díaz - CEAT, Santiago (Chile); Manuel Montesinos – Universidad de Buenos Aires, Buenos Aires (Argentina); Marcelo Figari – Hospital Italiano de Buenos Aires, Buenos Aires (Argentina); Osvaldo Gonzalez Aguilar – Universidad de Buenos Aires, Buenos Aires (Argentina); Paul J. Donald – University of California - Davis Health System, Sacramento (Estados Unidos); Pedro Sanchez e Ingunza - INEN, Lima (Peru). **** Indexada na Base de Dados Lilacs***** CONSELHO CIENTÍFICO DA SBCCP (EX-PRESIDENTES) Abrão Rapoport (São Paulo), Alberto Rossetti Ferraz (São Paulo), Anói Castro Cordeiro (São Paulo), Cláudio Roberto Cernea (São Paulo), Emílson de Queiroz Freitas (Rio de Janeiro), Fernando Luiz Dias (Rio de Janeiro), Francisco Monteiro de Castro Jr. (Fortaleza), Jacob Kligerman (Rio de Janeiro), Josias de Andrade Sobrinho (São Paulo), Lenine Garcia Brandão (São Paulo), Luiz Paulo Kowalski (São Paulo), Marcos Brasilino de Carvalho (São Paulo), Marcos Roberto Tavares (São Paulo), Maria Paula Curado (Goiânia), Mário Jorge Rosa de Noronha (Rio de Janeiro), Mauro Marques Barbosa (Rio de Janeiro), Ricardo Curioso (Natal), Roberto Araújo Lima (Rio de Janeiro). EX-EDITORES DA RBCCP Abrão Rapoport (1974-1986), Marcos Brasilino de Carvalho (1987-1989), Lenine Garcia Brandão (1989-1993), Fernando Luiz Dias (1994-1997), Fábio Luiz de Menezes Montenegro e Marcelo Doria Durazzo (1997-2001), Luiz Paulo Kowalski (2001-2003), Onivaldo Cervantes (2003-2005). EDITORES-CHEFES Geraldo Pereira Jotz, UFRGS e UFCSPA - Porto Alegre / RS Rogério Aparecido Dedivitis, FMUSP, UNILUS e UNIMES – Santos / SP Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, janeiro / fevereiro / março 2011 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Normas para publicação Orientação aos autores A Revista Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (ISSN 0100-2171), órgão científico oficial da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço e da Federação Sul-Americana de Sociedades de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, é um veículo multidisciplinar de publicação trimestral, em um único volume anual, com o objetivo de divulgar artigos originais de autores nacionais e estrangeiros, aprovados por pareceristas do Conselho Editorial, contendo informações clínicas e experimentais relacionadas com o segmento anatômico da cabeça e pescoço, interessando não só à Especialidade de Cirurgia de Cabeça e Pescoço como também às de Cirurgia Geral, Otorrinolaringologia, Cirurgia Crânio-Maxilo-Facial, Neurocirurgia e Ciências Básicas afins. O endereço editorial é: Revista Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Av. Brigadeiro Luís Antônio, 278 – 6º andar 01318-901 São Paulo SP. Telefax (11) 3107-9529. Todos os manuscritos e comunicações editoriais devem ser en- viados on-line. Veja a Submissão de Manuscritos, abaixo. Visite o site: http://www.sgponline.com.br/rbccp/sgp/ e http://www.sbccp.org.br Política editorial Todos os artigos são revisados por dois revisores. O Conselho Editorial é composto por especialistas, com publicações nas bases de dados, que recebem os textos de forma anônima e decidem por sua publicação. A aceitação é ba- seada na originalidade e significância do material apresentado. Somente serão submetidos à avaliação os trabalhos que estiverem dentro das normas para pu- blicação na Revista. A responsabilidade de conceitos ou asserções emitidos em trabalhos na Revista, bem como a exatidão das referências cabem inteiramente ao(s) autor(es). Não serão aceitos trabalhos já publicados ou simultaneamente enviados para avaliação em outros periódicos. Autoria Todas as pessoas designadas como autores devem responder pela autoria do manuscrito e ter participado suficientemente do trabalho para assumir respon- sabilidade pública pelo seu conteúdo. O crédito de autoria deve ser baseado apenas por contribuições substan- ciais durante: (a) concepção, planejamento, execução, análise e interpretação dos resultados; (b) redação e elaboração do artigo ou revisão de forma intelectu- almente importante; (c) aprovação final da versão a ser publicada. A participação limitada somente à obtenção de fundos, coleta de dados, supervisão geral ou chefia de um grupo de pesquisa não justifica autoria do ma- nuscrito. Os Editores podem solicitar justificativa para a inclusão de autores durante o processo de revisão do manuscrito, especialmente se o total de autores exceder seis. Categorias dos artigos Os seguintes tipos de artigos são publicados: – Artigos Originais: a) introdução com objetivo; b) método; c) resultados; d) dis- cussão; e) conclusões; f) referências bibliográficas. As informações contidas em tabelas e figuras não devem ser repetidas no texto. Estudos envolvendo seres humanos e animais devem fazer referência ao número do protocolo de aprova- ção pelo respectivo Comitês de Ética em Pesquisa da instituição à qual está vin- culada a pesquisa. Artigos originais são definidos como relatórios de trabalho ori- ginal com contribuições significativas e válidas. Os leitores devem extrair de um artigo geral conclusões objetivas que vão ao encontro dos objetivos propostos. – Artigos de Revisão da Literatura: a) introdução; b) revisão de literatura; c) discussão; d) comentários finais; e) referências bibliográficas. Artigos de revisão devem abranger a literatura existente e atual sobre um tópico específico. A revisão deve identificar, confrontar e discutir as diferenças de interpretação ou opinião. – Artigos de Atualização: a) introdução; b) revisão de um determinado tema; c) discussão; d) comentários finais; e) referências bibliográficas. O artigo de atu- alização é uma produção científica que explora um determinado tema, desen- volvido a partir de dados atuais disponíveis pelos autores. Tem por finalidade organizar um discurso explorando um assunto específico, com base em obras publicadas recentemente. – Artigos de Relato de Caso: a) introdução; b) revisão de literatura com diag- nóstico diferencial c) apresentação de caso clínico; d) discussão; e) comentários finais; f) referências bibliográficas. Relatos de caso deverão apresentar caracte- rísticas inusitadas ou cientificamente relevantes. Será dada prioridade a relatos de cunho multidisciplinar, interdisciplinar e/ou prático. – Artigos de Opinião e Carta ao Editor: deverão ser feitos sob convite do Editor. Preparação do manuscrito A Revista Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço adota as recomen- dações do Comitê Internacional de Editores de Revistas Médicas, conforme o site www.icmje.org (de outubro de 2007). A Revista Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço apoia as políticas para registro de ensaios clínicos da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do International Committee of Medical Journal Editors (ICMJE), reconhecendo a importância dessas iniciativas para o registro e divulgação internacional de informação sobre estudos clínicos, em acesso aberto. Assim, somente serão aceitos para publicação os artigos de pesquisas clínicas que tenham recebido um número de identificação em um dos Registros de Ensaios Clínicos validados pelos critérios estabelecidos pela OMS e ICMJE. Os endereços estão disponíveis no site do ICMJE http://www.icmje.org. O número de identificação deverá ser registrado ao final do resumo. Abreviações devem ser apresentadas por extenso na primeira vez em que aparecem no texto, sendo indicadas imediatamente depois entre parênteses. De- vem ser consistentemente utilizadas no corpo do manuscrito. Serão aceitos trabalhos em português e espanhol. Página do título. A página do título deve conter: (1) título em português e em inglês, devendo ser conciso e explicativo e representando o conteúdo do trabalho; (2) nome completo de todos os autores, com o mais elevado título acadêmico e afiliaçãoinstitucional de cada um; (3) instituição(ões) onde o ar- tigo foi desenvolvido; (4) nome, endereço completo, números de telefone/fax e endereço eletrônico (e-mail) do autor correspondente; o autor correspondente receberá toda correspondência relativa ao manuscrito, bem como a prova do artigo e solicitação de separatas; (5) congresso ou encontro onde o trabalho foi apresentado, se aplicável; e (6) patrocínios, assistência recebida e conflito de interesse, se aplicável. Resumo e Abstract. Artigos originais devem ter um resumo em português e um abstract em inglês, cada um com 200 a 250 palavras. Devem ser apresenta- dos em páginas separadas, em um parágrafo único e estruturados nas seguintes partes: Introdução; Objetivo; Casuística (ou Material) e Método; Resultados; e Conclusão. Três ou mais descritores em português e key words em inglês, em seguida, respectivamente, ao resumo e ao abstract devem ser apresentados, conforme padronização nos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) (http:// www.bireme.br) e Medical Subject Headings do Index Medicus (MeSH). Texto. Consulte “Categorias dos Artigos” para orientação sobre o tamanho do manuscrito. O texto deve ser claro e conciso. Recomenda-se subdividir os artigos originais em: Introdução; Métodos; Resultados; Discussão; e Conclusão. Use os nomes genéricos de drogas e equipamentos quando possível; cite os nomes do proprietário após a primeira menção. Identifique equipamentos pelo nome e local do fabricante. Aspectos éticos. Todos os artigos devem mencionar claramente a apro- vação pelo Comitê de Ética em Pesquisa do local onde o trabalho foi realiza- do ou equivalente, contendo o Consentimento Informado e com observação da Resolução do Conselho Nacional de Saúde nº 196, de 10 de outubro de 1996 (http://www.datasus.gov.br/conselho/resolucoes.htm ou http://www.resodic.org. br/rede8119.html); da Declaração de Helsinki, revisada em 2000 - WMA (World Medical Association), 2000. Declaration of Helsinki. Edinburgh, Scotland: 52nd General Assembly-WMA. 13 October 2000 (http://www.wma.net); e das Normas Internacionais de Proteção aos Animais. Agradecimentos. Registre agradecimento ao estatístico e qualquer outra pessoa que tenha contribuído para o trabalho e que não sejam co-autores, in- dicando os nomes e respectivas titulações acadêmicas e vínculo institucional. Referências. Os autores são responsáveis pela exatidão, acurácia e for- mato das referências. Comece a listagem das referências em uma página sepa- rada, logo após os Agradecimentos. As referências são identificadas no texto, nas tabelas e legendas através de algarismos arábicos colocados na mesma linha do período, na forma sobrescrita. As referências devem ser numeradas de forma consecutiva na ordem em que são citadas pela primeira vez no trabalho, não na ordem alfabética nem na cronológica. Siga o formato detalhado no Uni- form Requirements for Manuscripts Submitted to Biomedical Journals (JAMA. 1997;277:927-34). Mencionar todos os autores. Cite dados não publicados, co- municações pessoais e manuscritos submetidos (mas ainda não aceitos) como notas de rodapé, no texto. Serão aceitas no máximo 30 referências para artigos originais, 50 para artigos de revisão ou de atualização e 15 para relatos de casos. Exemplos de formas de referências: - em Revista: Alkureishi LW, Ross GL, MacDonald DG, Shoaib T, Gray H, ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, janeiro / fevereiro / março 2011 Robertson G, Soutar DS. Sentinel node in head and neck cancer: use of size criterion to upstage the no neck in head and neck squamous cell carcinoma. Head Neck. 2007;29(2):95-103. - livro: Carvalho MB. Tratado de Cirurgia de Cabeça e Pescoço e Otorrino- laringologia. Rio de Janeiro: Atheneu; 2001. - capítulo de livro: Barroso FL, Souza JAG. Perfurações pépticas gástricas e duodenais. In: Barroso FL, Vieira OM, editores. Abdome agudo não traumático - Novas propostas. 1ª ed. Rio de Janeiro: Robe Editora; 1995. p. 201-220. - tese e monografi a: Barros APB. Efetividade da comunicação oral, qualida- de de vida e depressão pós-faringolaringectomia e laringectomia total. [Disserta- ção]. São Paulo: Universidade de São Paulo; 2002. - Material Eletrônico: Artigo: Morse SS. Factors in the emergence of infectious diseases. Emerg Infect Dis [serial on the Internet]. 1995 jan/mar [cited 1996 jun 5]; 1(1):[24 telas]. Available from: http://www.cdc.gov/ncidod/EID/eid.htm. Arquivo de Computador: Hemodynamics III: The ups and downs of hemo- dynamics [computer program]. Version 2.2 Orlando (FL): Computerized Educa- tional Systems; 1993. Monografi a em formato eletrônico: CDI, Clinical dermatology illustrated [CD-ROM]. Reeves JRT, Maibach H. CMEA Multimedia Group, producers. 2nd ed. Version 2.0 San Diego: CMEA; 1965. Tabelas. As tabelas devem ser numeradas de forma consecutiva na ordem em que são citadas no texto. Devem ser colocadas em páginas separadas, logo após as Referências e numeradas na ordem em que elas são mencionadas no texto. Cada tabela deve ter um título conciso na parte superior e suas abreviações devem ser colocadas como notas de rodapé, escritas como Times New Roman 10. Figuras. As fi guras devem ser numeradas de modo consecutivo de acordo com a primeira citação no texto. A lista de legendas das fi guras deve ser remetida em folha separada logo após as tabelas. Cada fi gura deve ter uma legenda na sua parte inferior. Cada fi gura será impressa em preto e branco, a não ser que seja selecionada pelo Editor ou haja uma solicitação por parte dos autores para reprodução a cores. Figuras a cores são estimuladas, porém, os autores serão responsáveis pelas despesas para reprodução a cores, caso sejam os solicitantes. As fi guras podem aparecer no website da Revista sem custo adicional. Para repro- dução de fi guras já publicadas deve ser reconhecida a fonte e os autores devem encaminhar cópia da autorização escrita do proprietário para reprodução. Fotos envolvendo seres humanos devem observar os cuidados de privacidade do indi- víduo. Caso contrário, os autores devem providenciar uma autorização por escrito do paciente ou de seu responsável. As fi guras devem ser submetidas no formato eletrônico, em formato TIF ou JPEG. As fi guras devem ser enviadas separada- mente na submissão eletrônica. Todas as fi guras devem ser referidas no texto, sendo numeradas consecutivamente por algarismo arábico. Cada fi gura deve ser acompanhada de uma legenda descritiva colocada após as referências. Instruções para submissão on-line de manuscritos usando o sistema de gestão de publicações (sgp) Todo o processo de submissão deverá ser feito através do endereço de inter- net http://www.sgponline.com.br/rbccp/sgp/, que dá acesso ao nosso Sistema de Gestão de Publicações (SGP), onde é feita a submissão do artigo pelos autores e a avaliação por revisores do corpo editorial, em um processo onde os nomes dos autores do artigo em questão não são demonstrados em nenhuma instância. Quando acessar este link, o sistema irá pedir seu nome de usuário e senha, caso já esteja cadastrado. Caso contrário clique no botão “Quero me cadastrar” e faça seu cadastro. Ou ainda, caso tenha esquecido sua senha, use o mecanismo para lembrar sua senha, que gerará automaticamente um e-mail contendo a mesma. O (s) autor (es) deve (m) manter uma cópia de todo o material enviado para publicação, pois os editores não se responsabilizam pelo extravio do material. O processo de submissão é composto de oito passos, listados abaixo: 1º - Informar Classifi cação (Original, Revisão, Atualização, Relato de Caso) 2º - Envio de Imagens para o seu Artigo 3º - Cadastrar Co-autor (es) 4º - Informar Título e Descritores 5º - Informar Resumo e Comentários 6º - Montar Manuscrito 7º - Transferênciade Copyright (Cessão de Direitos) e Declaração de Confl itos de Interesse 8º - Aprovação do (s) Autor (es) Após a submissão, o sistema oferece a opção de salvar uma cópia de seu ma- nuscrito em formato PDF para seu controle. A Revista encoraja fortemente que os autores submetam eletronicamente ma- nuscritos preparados em WordPerfect ou Microsoft Word, pois no passo “Montar Manuscrito”, será exibida uma tela que simula o Word, onde é possível “copiar e colar” de qualquer editor de texto, inclusive as tabelas. O texto deverá ser digitado em espaço duplo, sendo que as margens não devem ser defi nidas, pois o sistema SGP as defi nirá automaticamente. Regras para imagens e gráfi cos estão descritas abaixo. Submissão on-line passo a passo 1º Passo: Informar Classifi cação Escolha uma das quatro opções: Artigo Original, Artigo de Revisão, Artigo de Atualização ou Relato de Caso. 2º Passo: Envio de imagens para o seu artigo: As imagens deverão obrigatoriamente estar em formato JPG. Caso necessite alterar o formato de suas imagens entre na seção DOWNLOADS no SGP em: http://www.sgponline.com.br/rbccp/sgp/naveg/downloads.asp e faça o download de algum dos programas freeware oferecidos para edição de imagens (requer senha de acesso). O sistema envia grupos de até cinco imagens por vez. Para submeter mais de cinco imagens, basta clicar no botão “Enviar mais imagens”. Logo após serão exibidas miniaturas das imagens, onde há um ícone (), que deverá ser clicado para editar o título e a legenda de cada imagem submetida. 3º Passo: Cadastrar Co-autor (es) Cadastre cada co-autor, informando nome completo, cargo e titulação obrigato- riamente. O CPF poderá ser informado posteriormente. A ordem dos co-autores pode ser alterada facilmente usando as “setas” exibidas na tela. 4º Passo: Informar Título e Descritore Informe o título do trabalho, em português e inglês, e as Descritore (Português) e Key words (Inglês), que deverão ter aproximadamente 2 a 6 palavras chaves pertinentes (ESTAS PALAVRAS DEVERÃO ESTAR CONTIDAS NO DECS E NO MESH que podem encontrados no SGP em todas as telas). 5º Passo: Informar Resumo e Comentários O Resumo/Abstract deverá obrigatoriamente conter no máximo 250 palavras cada. O autor deverá preencher os campos: Instituição, Nome e endereço para correspondência, suporte fi nanceiro (deverá ser provida qualquer informação sobre concessões ou outro apoio fi nanceiro) e a carta ao editor (opcional). Im- portante: o limite máximo aceito pelo sistema de submissão on-line para os re- sumos em português e inglês é de 250 palavras cada. O excedente será cortado automaticamente pelo sistema. 6º Passo: Montar Manuscrito Nesta tela é exibido um simulador do Word com todas as funcionalidades de for- matação de texto necessárias. Para inserir seu texto neste campo, simplesmente selecione todo seu trabalho e copie e cole no campo de montagem do manuscrito (artigo). Somente selecione textos e tabelas, pois as imagens já deverão ter sido enviadas no 1º passo e serão inseridas no fi nal do trabalho automaticamente. Importante: Nunca coloque neste campo os nomes de autores, co-autores, ou qualquer outra informação que possa identifi car onde o trabalho foi realizado. Tal exigência se deve ao fato de o processo de revisão transcorrer sem o conheci- mento destes dados pelo (s) revisor (es). A não observância deste detalhe fará com que seu trabalho seja devolvido como FORA DE PADRÃO para correções. 7º Passo: Copyright (Cessão de Direitos) e Declaração de Confl itos de Interesse Neste passo é exibida a tela com o termo de Copyright e outra com a Declaração de confl itos de Interesse, onde os autores deverão clicar nos boxes apropriados. 8º Passo (Último passo): Aprovação do Autor Este é o último passo para completar a submissão do artigo. Nesta tela o autor terá a opção de visualizar seu trabalho no sistema e também pode salvar uma versão em PDF de seu trabalho recém submetido. Importante: O autor deverá clicar no link “APROVAR MANUSCRITO” para que seu trabalho seja encami- nhado à Secretaria da Revista da SOCIEDADE BRASILEIRA DE CIRURGIA DE CABEÇA E PESCOÇO para conferência e confi rmação. Distribuição A Revista é distribuída gratuitamente a todos os membros da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, a bibliotecas da área de Saúde e mediante assinatura. Normas para publicação Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, janeiro / fevereiro / março 2011 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Instructions for authors Instructions for authors The Revista Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (Brazilian Journal of Head and Neck Surgery), ISSN 0100-2171 is the official scientific journal of the Brazilian Society for Head and Neck Surgery and the South Ameri- can Federation of Societies for Head and Neck Surgery. It is a multidisciplinary journal published quarterly, forming a single volume per year, with the aim of disseminating original articles by Brazilian and foreign authors that have been approved for publication by the Editorial Board’s specialist reviewers. The articles published contain clinical and experimental information relating to the anatomi- cal segment of the head and neck and are of interest not only to the specialty of Head and Neck Surgery but also to the specialties of General Surgery, Otorhi- nolaryngology, Cranio-maxillofacial Surgery and Neurosurgery and similar Basic Sciences. The editorial address is: Revista Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Av. Brigadeiro Luís Antônio, 278, 6º andar, 01318-901 São Paulo SP. Tel/fax: (55 11) 3107-9529. All manuscripts and communications with the Editorial Board must be sent online. See Submission of Manuscripts, below. Visit the website: http://www.sgponline.com.br/rbccp/sgp/ and http://www.sbccp.org.br Editorial policy All articles are appraised by two reviewers. The Editorial Board is com- posed of specialists with published work in indexed journals who receive submissions anonymously and decide whether these texts should be pub- lished. Acceptance is based on the originality and significance of the material presented. Only studies that conform to the Journal’s publication standards will be submitted for appraisal. The responsibility for concepts or assertions put forward in studies in the Journal, and for the accuracy of references, lies entirely with the author(s). Studies that have already been published or that have simultaneously been sent for appraisal by other periodicals will not be accepted. Authorship All persons named as authors are responsible for the authorship of the man- uscript and need to have participated in the study sufficiently for them to assume public responsibility for its content. Authorship credit must be based only on substantial contributions during the stages of (a) conceptualization, planning, execution and results analysis and interpretation; (b) compilation and writing of the article or review in an intellectually meaningful manner; (c) final approval of the version to be published. Participation that is limited only to fund-raising, data collection, general su- pervision or being the head of a research group does not justify authorship of the manuscript. The Editors may request justification for author inclusion, during the manu- script review process, especially if the total number of authors exceeds six. Article categories The following types of article are published: – Original articles: a) introduction with objective; b) method; c) results; d) discus- sion; e) conclusions; f)references. The information described in tables and graphs should not be repeated in the text. Studies involving human beings and animals should include the approval protocol number of the respective Ethics Committee on Research of the institution towhich the research is affiliated. Original articles are defined as reports of an original work with valid and significative results. The readers should extract from it objective conclusions that are related to the propo- sed objectives. – Literature review articles: a) introduction; b) review of literature; c) discussion; d) final comments; e) bibliographical references. Literature review articles should include the updated literature regarding an specific topic. The revision should identify and compare and discuss the different opinions and interpretations. – Update articles: a) introduction; b) review of a particular topic, c) discussion; d) final comments, e) references. The article is an update of scientific production that explores a particular theme, developed from current data available by the authors. Aims to organize a speech exploring a particular subject, based on recently published works. – Case report articles: a) introduction; b) review of literature with differential diagnosis; c) case report; d) discussion; e) final comments; f) references. Case report articles should present unusual characteristics or scientific relevant ones. Priority will be given to reports of multidisciplinary or interdisciplinary or practical approaches. – Opinion articles: Only by invitation from the Editorial Board. Preparation of the manuscript The Revista Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço adopts the recommendations of the International Committee of Medical Journal Editors (IC- MJE), as laid out on the ICMJE website: www.icmje.org (October 2007). The Revista Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço supports the policies of the World Health Organization (WHO) and ICMJE regarding the reg- istration of clinical trials and it recognizes the importance of these initiatives for registering and internationally disseminating information on clinical studies, with open access. Thus, clinical research articles will only be accepted for publication if they have received an identification number from one of the Clinical Trial Regis- ters that have been validated in accordance with the criteria established by WHO and ICMJE. The addresses of these registers are available on the ICMJE website: http://www.icmje.org. The identification number should be stated at the end of the Abstract and abstract. Abbreviations must be written out in full on the first occasion when they ap- pear in the text, such that the term is followed immediately by the abbreviation in parentheses. They must be used consistently in the body of the manuscript. Studies will be accepted in Portuguese and Spanish. Title page. The title page must contain: (1) the title in Portuguese and Eng- lish, which must be concise and explicative, representing the content of the study; (2) full names of all the authors, with their highest academic titles and institutional affiliations; (3) institution(s) where the article was developed; (4) name, full ad- dress, telephone/fax numbers and electronic address (e-mail) of the author for correspondence; this author will receive all correspondence relating to the manu- script, as well as the proof for the article and requests for reprints; (5) congress or meeting at which the study was presented, if applicable; and (6) sponsorship, assistance received and conflicts of interest, if applicable. Abstract and Abstract. Original articles must have a Abstract in Portuguese and an abstract in English, which should each consist of 200 to 250 words. They must be presented on separate pages, each as a single paragraph and struc- tured into the following parts: Introduction; Objective; Sample (or Material) and Method; Results; and Conclusion. Three or more descriptors in Portuguese must be presented following the Abstract, and three or more key words in English fol- lowing the abstract, as standardized in the Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) (http://www.bireme.br) and Medical Subject Headings of the Index Me- dicus (MeSH). Text. Consult “Article Categories” for instructions regarding the manuscript size. The text must be clear and concise. It is recommended that original articles should be subdivided into: Introduction; Methods; Results; Discussion; and Con- clusion. Use generic names for drugs and equipment whenever possible; cite the proprietary names after the first mention. Identify equipment by the name and the place of manufacture. Ethical matters. All articles must clearly mention that approval was obtained from the Research Ethics Committee at the place where the study was devel- oped, or its equivalent; that informed consent procedures were adopted; and that due regard was given to Resolution no. 196 of the National Health Board (Conselho Nacional de Saúde), dated October 10, 1996 (http://www.datasus.gov. br/conselho/resolucoes.htm or http://www.resodic.org.br/rede8119.html); to the Declaration of Helsinki, as revised in 2000: World Medical Association (WMA), 2000. Declaration of Helsinki. Edinburgh, Scotland: 52nd General Assembly-WMA. October 13, 2000 (http://www.wma.net); and to the International Animal Protec- tion Standards. Acknowledgements. Register acknowledgements to the statistician and any other persons who may have contributed towards the study but who are not co-authors, indicating the names and respective academic titles and institutional links. References. The authors are responsible for the exactness, accuracy and format of the references. Start to list the references on a separate page, just after the Acknowledgements. References are identified in the text, tables and legends by means of Arabic numerals placed on the same line of the sentence, in superscript form. The references must be numbered consecutively in the or- der in which they are cited for the first time in the study, and not in alphabetical or chronological order. Follow the format detailed in the Uniform Requirements for Manuscripts Submitted to Biomedical Journals (JAMA. 1997;277:927-34). Mention all authors. Cite unpublished data, personal communications and manu- scripts submitted (but not yet accepted), as footnotes in the text. There should be no more than 30 references for Original articles, 50 for Literature review ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, janeiro / fevereiro / março 2011 or update articles and 15 for Case report articles. Examples of forms of references: - Journal: Alkureishi LW, Ross GL, MacDonald DG, Shoaib T, Gray H, Rob- ertson G, Soutar DS. Sentinel node in head and neck cancer: use of size criterion to upstage the no neck in head and neck squamous cell carcinoma. Head Neck. 2007;29(2):95-103. - Book: Carvalho MB. Tratado de Cirurgia de Cabeça e Pescoço e Otorrino- laringologia. Rio de Janeiro: Atheneu; 2001. - Chapter of a book: Barroso FL, Souza JAG. Perfurações pépticas gástri- cas e duodenais. In: Barroso FL, Vieira OM, editores. Abdome agudo não trau- mático - Novas propostas. 1ª ed. Rio de Janeiro: Robe Editora; 1995. p. 201-220. - Thesis and monograph: Barros APB. Efetividade da comunicação oral, qualidade de vida e depressão pós-faringolaringectomia e laringectomia total. [Dissertation]. São Paulo: Universidade de São Paulo; 2002. - Electronic material: Article: Morse SS. Factors in the emergence of infectious diseases. Emerg Infect Dis [serial on the Internet]. 1995 Jan/Mar [cited 1996, Jun 5]; 1(1):[24 screens]. Available from: http://www.cdc.gov/ncidod/EID/eid.htm. Computer file: Hemodynamics III: The ups and downs of hemodynamics [computer program]. Version 2.2 Orlando (FL): Computerized Educational Sys- tems; 1993. Monograph in electronic format: CDI, Clinical dermatology illustrated [CD- ROM]. Reeves JRT, Maibach H. CMEA Multimedia Group, producers. 2nd ed. Version 2.0 San Diego: CMEA;1965. Tables. Tables must be placed on separate pages, just after the References, and must be numbered consecutively in the order in which they are cited in the text. Each table must have a concise title placed above it, and abbreviations used in the table must be defined as footnotes. Figures. Figures must be numbered consecutively starting with the first cita- tion in the text. A list of figure legends must be placed on a separate page just after the tables. Each figure must have a legend appearing below it. All figures will be printed in black and white, unless selected for color reproduction by the Editor or there is a request for this from the authors. Figures in color are encouraged, but the authors will be responsible for the expenses relating to color reproduction if they are the party requesting this. The figures may appear on the Journal’s web- site without additional cost. If it is desired to reproduce figures that have already been published, the source must be acknowledged and the authors must forward a copy of the owner’s written authorization of this reproduction. Photographs in- volving human beings must give due regard to the individual’s privacy. Otherwise, the authors must provide written authorization from the patient or from the person responsible for this patient. Figures must be submitted in electronic format, as TIF or JPEG files. The figures must be sent separately in the electronic submis- sion. All figures must be referred to in the text and be numbered consecutively in Arabic numerals. Each figure must be accompanied by a descriptive legend that is placed after the references. General instructions for on-line submission of manuscripts using the Mana- ger Publication System (MPS) All the submission process should be done through the internet address http://www.sgponline.com.br/rbccp/sgp/which gives access to our Manager Pu- blication System (MPS), where the submission of the article is done by the au- thors and the evaluation process is done by the reviewers of our editorial board in a process where the names of the authors are not displayed in any instance. When linked the system will ask for your user name and password in case you have already registered. On the contrary click on the link “Want to Register” and make your registration. In case you have forgotten your password, click on the appropriate link and the system will generate an automatic e-mail with the information. The author or authors should keep a copy of all submitted material for publication as the editor can not be held responsible for any lost material. The submission is an eight steps process as listed bellow: 1st Informing article classification (Original articles, Literature review articles, Update articles, Case report articles) 2nd Sending images for your article 3rd Registering co-authors 4th Informing title and key-words 5th Informing Abstract and comments 6th Preparing Manuscript 7th Filling, signing and sending Copyright and Conflicts of Interest forms 8th Author approval After submission, the system offers the option of saving a copy of your manuscript in PDF format for your control. The journal strongly recommends that the authors submit their electronic manus- cripts written in Microsoft Word or Word Perfect. In the “Preparing Manuscript” step a screen that simulates the word processor will be displayed, where it is possible to “copy and paste”, including tables. Rules for images and graphs are descried below. Step-by-step on-line submission 1st Step: Informing article classification Chose one from the three options: Original Article, Revision Article, Update Article or Case Report. 2nd step: Sending images for your article Images must be in JPG format. If your images need format changing access the section DOWNLOADS in SGP (Manager Publication System) on http://www. sgponline.com.br/rbccp/sgp/naveg/downloads.asp and download some freeware programs offered for image edition (password is required). The system accepts groups of five images at a time. In order to submit more than five images, click on “Send more images”. Soon after that it will be displayed miniatures of the images where there is an icon which must be clicked to edit the title and legend of each submitted image. 3rd Step: Registering co-authors Register each author informing his/her full name, function and position; CPF number (for Brazilians) or any ID (in case of a foreigner) could be send later on. Co-authors sequence can be easily changed using the “arrows” displayed on the screen. 4th Step: Informing title and key-words Inform the manuscript title and keyword in your native language and in English, using from 2 to 6 related words. (THESE WORDS MUST BE PART OF DECS AND MESH), which can be found on MPS (Manager Publication System)on all of the screens. 5th Step: Informing Abstract and comments Abstract/Abstract must have 250 words at its maximum. The author should fill the following fields: Institution, Name and Mail Address, Financial Support (any other information on concessions or other type of financial support), and Letter to the Editor (optional). Important: The limit accepted by the on-line submission system for the summaries in native language and English is 250 words. The exceeding words will be automatically cut off by the system. 6th Step: Preparing manuscript In this screen a Word simulator is displayed having all format text function nee- ded. In order to insert your text in this field, select your text and tables and copy and paste it on “Preparing Manuscript” field; Images should have already been sent on the 2nd step and they will be inserted automatically at the end of the work. Important: never fill these fields with the names of the authors, co-authors or any other information that can identify where the work was done. This is because the reviewer should not have access to this information. If this instruction is not follo- wed your work will return to you as OUT OF STANDARD in order to be correct. 7th Step: Filling, signing and sending Copyright and Conflicts of Interest forms In this step the Copyright and Conflict of Interest terms are displayed, clicking on the appropriate boxes. 8th Step: Author approval This is the last step to complete your manuscript submission. In this step the au- thor will have an option to visualize his work in the system and will also be able to save a PDF version of the newly submitted work. Important: author should click on “ APPROVE MANUSCRIPT” to have it send to the office of the BRAZILIAN HEAD AND NECK SOCIETY Journal for control and confirmation. Distribution The Journal is distributed free of charge to all members of the Brazilian Soci- ety for Head and Neck Surgery and to libraries within the field of healthcare, and is available on subscription. Instructions for authors Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, janeiro / fevereiro / março 2011 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Editorial I Revista da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço Editorial I - Volume 40 (1) – Jan/Fev/Mar – 2011 Prezado (a) Colega, Os investimentos na Ciência Mundial tem altos e baixos. Alan Leshner alertava, em seu artigo intitulado “Um sinal perigoso para a ciência” (Science volume 306 (5705) de 24/12/2004) que, os Estados Unidos estavam diminuindo os investimentos governamentais em 2005 para ciência, em nível das verbas introduzidas no mercado cientifica no ano de 2004, ou seja, sem nenhum investimento extra. É fato que a ciência faz parte da nossa vida de relação e que esta, muda a nossa maneira de pensar quase que diariamente. Na área de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, neste ano, a Sociedade Americana de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (AHNS) estará homenageando, na sua Reunião Anual, o Professor Jatin P. Shah,Chefe do Serviço do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center de New York, pela doação de U$ 100.000,00 (cem mil dólares) a Fundação de Ensino e Pesquisa da AHNS. Já no Brasil, o Atual Governo anunciou em janeiro de 2011 que a meta é passar dos atuais 1,25% do Produto Interno Bruto (PIB) para 2,5% do PIB na próxima década, aumentando substancialmente os investimentos em Ciên- cia e Tecnologia no Brasil (Fonte: Jornal Valor Online de 10/01/2011). Para isto acontecer, a comunidade acadêmica deve provocar sistematicamente, as agências de fomento com novos projetos de pesquisa básica e pesquisa clinica para que se justifique a curto, médio e longo prazo, estes investimentos. Na última década, a Revista da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço tem sofrido uma série de alterações visando sua qualificação, procurando colocá-la em condições de poder aspirar a indexação no sistema SciELO. Para tal, o ideal seria que os Serviços Formadores da nossa especialidade contribuíssem, de maneira sus- tentável, com estudos científicos a serem submetidos ao Conselho Editorial com fins de publicação (no mínimo três artigos originais por ano). Temos Serviços de excelência no país e um dos meios de divulgá-los seria prestigiando a própria Sociedade Brasileira. Para almejarmos impacto nas nossas publicações, precisamos dar o primeiro passo, valorizando o que é nosso, a Revista da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, seja nas publica- ções ou nos patrocínios, a exemplo do Professor Jatin P. Shah. O Professor Mauricio Rocha e Silva, Editor da Revista Clinics, do Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo faz um alerta no seu editorial publicado na primeira Revista Clinics de janeiro de 2011 e reproduzido na íntegra nesta edição com Editorial II, sob autorização direta do autor e expressa no próprio artigo. Sugerimos a sua leitura, pois o Professor Mauricio, de maneira espetacular, retrata a avaliação das revistas cientifi- cas nacionais pela CAPES, através da reflexão crítica dos três “erres” , procurando mostrar que devem também ser reconhecidos através do QUALIS, os fatores de impacto do SCImago e do SciELO. Se este feito for alcançado, todas as revistas que apresentam impacto no SCImago e na SciELO e que hoje se encontram fora do QUALIS, terão por justiça, suas qualidades e contribuições à ciência, valorizadas. Esperamos vê-los em breve na nossa revista, em futuras publicações. Um grande abraço, Geraldo Pereira Jotz Editor – Revista da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, janeiro / fevereiro / março 2011 Editorial IIEDITORIAL Reflexo˜es crı´ticas sobre os treˆs erres, ou os perio´dicos brasileiros excluı´dos Mauricio Rocha e Silva Recentemente CLINICS propoˆs para debate a ide´ia de que o QUALIS 2010 era passı´vel de aperfeic¸oamento, atrave´s do conceito dos treˆs erres (Remover perio´dicos de revisa˜o, Reconhecer outras me´tricas de avaliac¸a˜o, Reavaliar perio´d- icos brasileiros).1 Submetido ao debate por pares por ocasia˜o do II Semina´rio Sate´lite para Editores Plenos (ABEC Novembro de 2010), concluiu-se que idealmente haveria que focalizar num u´nico erre, a saber, o reconhecimento por parte da CAPES para 2013 das me´tricas de avaliac¸a˜o SCImago (cites/document) e SciELO (Impact Factor). Ja´ demonstramos anteriormente que o Impact Factor ISI THOMSON, u´nica me´trica reconhecida pela CAPES, e´ praticamente ideˆntico ao cites/document da SCImago. A correlac¸a˜o geral por amostragem entre os dois ı´ndices e´ maior que 0,9 e o coeficiente angular e´ indistinguı´vel da unidade. A recente divulgac¸a˜o da colec¸a˜o 2009 do SCImago Journal & Country Rank2 junta-se aos ja´ divulgados Fatores de Impacto JCR-ISI e SciELO para aquele ano e permite o cotejo em tempo real dos treˆs ı´ndices. Salientamos que este cotejo na˜o se aplica a qualquer tabela QUALIS, pois a Tabela 2010 ja´ e´ histo´ria e a Tabela 2013 sera´ decidida no futuro. Em outras palavras, o cotejo que se segue, relativo ao ano 2009, e´ oferecido como base argumentativa adequada para reivin- dicar a correc¸a˜o de curso relativa a` exclusa˜o dos ı´ndices SCImago e SciELO. Vamos pois ao cena´rio 2009 como simulac¸a˜o de uma hipote´tica tabela Qualis: na versa˜o 2009 do Journal of Citations Report – ISI a representac¸a˜o brasileira saltou de 31 a 71 perio´dicos; ja´ no SCImago Journal Ranking essa representac¸a˜o manteve-se constante em 235 perio´dicos. Existem, portanto 164 perio´dicos brasileiros (138 com impacto maior que zero) ausentes da tabela JCR-ISI. Mantida a norma Qualis aplicada em 2010, estes 138 perio´dicos cairiam nas categorias ‘‘sem fator de impacto’’. A Figura 1 mostra a identidade entre ISI e SCImago para as 64 revistas incluı´das nos dois ı´ndices: o coeficiente angular unita´rio e o elevado coeficiente de correlac¸a˜o significam que, conhecendo-se um dos ı´ndices, pode-se estimar o outro com 95% de probabilidade de errar por menos de 5%. Figura 1 - Correlac¸a˜o entre fatores do impacto J. Citation Reports (ISI – Thomson) e SCImago (2009) para 64 perio´dicos brasileiros representados nos dois ı´ndices com valores maiores que zero. A identidade entre me´tricas e´ praticamente absoluta. O coeficiente angular indica um aˆngulo de 45˚ (significando identidade) e a correlac¸a˜o (R2 = 0,932; p , 0.001) e´ quase perfeita. Copyright � 2011 CLINICS – This is an Open Access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution Non-Commercial License (http:// creativecommons.org/licenses/by-nc/3.0/) which permits unrestricted non- commercial use, distribution, and reproduction in any medium, provided the original work is properly cited. Rocha-e-Silva M. Hospital das Clı´nicas, Faculdade de Medicina, Univer- sidade de Sa˜o Paulo Email: mrsilva36@hcnet.usp.br Tel.: 55 11 3069-6235 CLINICS 2011;66(1):3-7 DOI:10.1590/S1807-59322011000100002 3 Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, janeiro / fevereiro / março 2011 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Tabela 1 - Cento e trinta e oito perio´dicos brasileiros excluı´dos do QUALIS com Fator de Impacto SCIMAGO (simulac¸a˜o 2009). Rank Tı´tulo cites/doc scimago 1 Acta Scientiarum – Agronomy 1,19 2 International Braz J Urol 1,09 3 Revista do Instituto de Medicina Tropical de Sao Paulo 1,08 4 Brazilian Journal of Plant Physiology 1,05 5 Annual Review of Biomedical Sciences 0,85 6 Jornal Brasileiro de Pneumologia 0,85 7 Revista Brasileira de Epidemiologia 0,73 8 Brazilian Journal of Cardiovascular Surgery 0,72 9 Acta Ortopedica Brasileira 0,71 10 Brazilian Journal of Biology 0,69 11 Brazilian Dental Journal 0,67 12 Ciencia e Saude Coletiva 0,58 13 Materials Research 0,55 14 Brazilian Oral Research 0,53 15 Arquivos de Gastroenterologia 0,49 16 Revista Brasileira de Saude Materno Infantil 0,49 17 Acta Botanica Brasilica 0,48 18 Phyllomedusa 0,48 19 Acta Scientiarum - Biological Sciences 0,46 20 Revista Brasileira de Medicina do Esporte 0,46 21 Revista Brasileira de Botanica 0,45 22 PRO-FONO: Revista de Actualizac¸a˜o Cientifica 0,44 23 Revista Brasileira de Engenharia Agricola e Ambiental 0,41 24 Engenharia Agricola 0,40 25 Arquivos Brasileiros de Oftalmologia 0,38 26 Biota Neotropica 0,38 27 Radiologia Brasileira 0,38 28 Revista Brasileira de Otorrinolaringologia (English ed.) 0,38 29 Revista Brasileira de Sementes 0,38 30 Acta Amazonica 0,37 31 Ciencia Rural 0,36 32 Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinaria e Zootecnia 0,35 33 Pan-American Journal of Aquatic Sciences 0,35 34 Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetricia 0,35 35 Acta Paulista de Enfermagem 0,34 36 Ecletica Quimica 0,34 37 PapeisAvulsos de Zoologia 0,33 38 Revista Brasileira de Plantas Medicinais 0,31 39 Bragantia 0,29 40 Revista Arvore 0,29 41 Revista Brasileira de Anestesiologia 0,29 42 Revista de Psiquiatria Clinica 0,29 43 Jornal Brasileiro de Psiquiatria 0,28 44 Journal of Microwaves and Optoelectronics 0,27 45 Pesquisa Operacional 0,27 46 Scientia Forestalis/Forest Sciences 0,27 47 Revista Brasileira de Ciencia Avicola 0,26 48 Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia 0,26 49 Revista de Economia Politica 0,26 50 Ceramica 0,25 51 Estudos Avancados 0,25 52 Interface: Comunicac¸a˜o, Saude, Educac¸a˜o 0,25 53 Online Brazilian Journal of Nursing 0,24 54 Boletim de Geociencias - Petrobras 0,23 55 HAHR - Hispanic American Historical Review 0,23 56 Opiniao Publica 0,23 57 Revista Brasileira de Ciencias Farmaceuticas 0,23 58 Cadernos de Pesquisa 0,22 59 Anais Brasileiros de Dermatologia 0,21 60 Journal of Public Child Welfare 0,21 61 Lundiana 0,21 62 Revista de Ciencias Farmaceuticas Basica e Aplicada 0,21 63 Tropical Plant Pathology 0,21 64 Jornal Vascular Brasileiro 0,20 65 Revista Brasileira de Enfermagem 0,20 66 Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial 0,19 67 Historia, Ciencias, Saude - Manguinhos 0,18 68 Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul 0,18 69 Geociencias 0,17 Reflexo˜es crı´ticas sobre os treˆs erres Rocha e Silva M CLINICS 2011;66(1):3-7 4 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, janeiro / fevereiro / março 2011 Rank Tı´tulo cites/doc scimago 70 Revista Brasileira de Reumatologia 0,17 71 Ararajuba 0,16 72 Revista Brasileira de Cardiologia Invasiva 0,16 73 Revista Brasileira de Economia 0,16 74 Revista Brasileira de Geofisica 0,16 75 Boletim de Ciencias Geodesicas 0,15 76 Controle E Automac¸a˜o 0,15 77 Geologia USP - Serie Cientifica 0,15 78 Economia Aplicada 0,14 79 Engenharia Sanitaria e Ambiental 0,14 80 IRRIGA 0,14 81 Psicologia e Sociedade 0,14 82 Revista do Colegio Brasileiro de Cirurgioes 0,14 83 Revista Gaucha de Enfermagem / EENFUFRGS 0,14 84 Educac¸a˜o e Pesquisa 0,13 85 Lua Nova - Revista de Cultura e Politica 0,13 86 Produc¸a˜o 0,13 87 Psicologia: Teoria e Pesquisa 0,13 88 Revista de Economia e Sociologia Rural 0,13 89 Educac¸a˜o e Sociedade 0,12 90 Physis: Revista de Saude Coletiva 0,12 91 Revista Brasileira de Ciencias Sociais 0,12 92 Sociologias 0,12 93 Ambiente & Sociedade 0,11 94 Brazilian Journal of Oral Sciences 0,11 95 Gesta˜o e Produc¸a˜o 0,11 96 Journal of Epilepsy and Clinical Neurophysiology 0,11 97 Psicologia em Estudo 0,11 98 Soils and Rocks 0,11 99 Archives of Veterinary Science 0,10 100 Estudos Feministas 0,10 101 Jornal Brasileiro de Reproduc¸a˜o Assistida 0,10 102 Psiquiatria Biologica 0,10 103 Anuario do Instituto de Geociencias 0,09 104 Acta Scientiarum - Health Sciences 0,08 105 Coluna/ Columna 0,08 106 GED - Gastrenterologia Endoscopia Digestiva 0,08 107 Revista de Administrac¸a˜o Publica 0,08 108 Revista Dental Press de Ortodontia e Ortopedia Facial 0,08 109 Saude e Sociedade 0,08 110 Summa Phytopathologica 0,08 111 Estudos de Psicologia (Campinas) 0,07 112 Cadernos CEDES 0,06 113 Revista Brasileira de Coloproctologia 0,06 114 Revista Brasileira de Educac¸a˜o 0,06 115 Revista Brasileira de Estudos de Populac¸a˜o 0,06 116 Revista Brasileira de Oftalmologia 0,06 117 Revista de Sociologia e Politica 0,06 118 Ensaio 0,05 119 Estudos Ibero-Americanos 0,05 120 Novos Estudos CEBRAP 0,05 121 Perspectivas em Ciencia da Informac¸a˜o 0,05 122 Revista Brasileira de Educac¸a˜o Especial 0,05 123 Revista Brasileira de Medicina 0,05 124 Revista de Economia Contemporanea 0,05 125 Alea 0,04 126 Horizontes Antropologicos 0,04 127 International Journal of Atherosclerosis 0,04 128 Revista Brasileira de Historia 0,04 129 Trans/Form/Ac¸a˜o 0,04 130 Cadernos Pagu 0,03 131 Historia 0,03 132 Medicina 0,03 133 Psicologia Clinica 0,03 134 Ciencia da Informac¸a˜o 0,02 135 Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental 0,02 136 Revista Neurociencias 0,02 137 Sociedade e Estado 0,02 138 Revista Brasileira de Gestao e Desenvolvimento Regional 0,01 Tabela 1 - Continued. CLINICS 2011;66(1):3-7 Reflexo˜es crı´ticas sobre os treˆs erres Rocha e Silva M 5 Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, janeiro / fevereiro / março 2011 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– A tabela 1 exibe a relac¸a˜o desses 138 perio´dicos brasileiros com Cites/Document SCImago . zero, mas sem Fator de Impacto JCR-ISI. Ressalte-se que na˜o sa˜o perio´dicos de impacto nitidamente mais baixo que os da colec¸a˜o JCR-ISI. Os quatro primeiros apresentam impacto . 1.00, o que os colocaria entre os 15 melhores do Brasil. Outros dez apresentam impacto maior que 0.50, acima da mediana dos perio´dicos brasileiros no JCR-ISI. Todos os 138 tı´tulos evidentemente fariam jus a` classificac¸a˜o ‘‘com fator de impacto’’. Outra correlac¸a˜o interessante ocorre entre SCImago e SciELO. Em primeiro lugar vale notar que existe extensa concordaˆncia: a colec¸a˜o SCImago contem 235 tı´tulos brasileiros e a colec¸a˜o SciELO contem 223. As incluso˜es na˜o sa˜o 100% concordante: a colec¸a˜o SCImago contem 69 perio´dicos ausentes da colec¸a˜o SciELO; reciprocamente a colec¸a˜o SciELO contem 56 perio´dicos ausentes da colec¸a˜o SCImago. Por si so´ esta convergeˆncia revela a consisteˆncia de qualidade dos perio´dicos incluı´dos na colec¸a˜o SciELO. E´ fa´cil intuir que, para qualquer perio´dico brasileiro incluı´do nas duas colec¸o˜es, ha´ que se esperar que o impacto SCImago seja maior que o SciELO, porque a colec¸a˜o SCImago contem 18.732 perio´dicos, contra apenas 759 na colec¸a˜o SciELO. Surpreendentemente, pore´m, o efeito dessa Figura 2 - Fatores de Impacto SCImago e SciELO (2009) para 142 perio´dicos brasileiros representados nos dois ı´ndices com valor maior que zero. Observe-se que quando SCImago. SciELO a diferenc¸a e´ frequentemente grande (como indicado pela seta vertical relativa a`s Memo´rias do Instituto Oswaldo Cruz), mas invariavelmente diminuta quando SciELO . SCImago. Figura 3 - Correlac¸a˜o entre fatores do impacto SciELO e SCImago (2009) para 142 perio´dicos brasileiros representados nos dois ı´ndices com valor maior que zero. O coeficiente angular indica um angulo de 28˚ e um impacto SciELO me´dio 40% menor que o SCImago. A correlac¸a˜o significativa indica que os dois paraˆmetros medem a mesma coisa sobre bases de dados dı´spares. Reflexo˜es crı´ticas sobre os treˆs erres Rocha e Silva M CLINICS 2011;66(1):3-7 6 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, janeiro / fevereiro / março 2011 enorme desproporc¸a˜o entre bases de dados e´ menor do que o esperado, como se pode ver a` figura 2: dentre os 142 perio´dicos brasileiros presentes nas duas colec¸o˜es apenas 88 (62%) apresentam SCImago. SciELO, enquanto 45 (32%) apresentam SciELO . SCImago e nove (6%) apresentam igualdade. Esta discrepaˆncia entre o esperado e o observado merece estudo bibliome´trico adicional, mas uma boa hipo´tese seria que artigos brasileiros citam outros artigos brasileiros com mais intensidade em virtude de um pronunciado interesse local especı´fico. A correlac¸a˜o entre os impactos (Figura 3) e´ igualmente reveladora: o coeficiente angular (0,54) sugere que o impacto me´dio SciELO e´ apenas 40% menor que o impacto SCImago. Ja´ o alto ı´ndice de correlac¸a˜o (r2 = 0.62; p ,0.01) demonstra que as duas me´tricas avaliam o mesmo paraˆmetro em bases de dados muito dı´spares. Caso a CAPES reconhec¸a o Cites/Document SCImago estara´ resgatada a maiorparte dos perio´dicos brasileiros com impacto . 0. Porem a Tabela 2 mostra que, se a decisa˜o fosse tomada neste momento restariam 35 perio´dicos brasileiros com impacto SciELO maior que zero mas ausentes do JCR-ISI e do SCImago. Aqui tambe´m encon- tramos impactos na˜o triviais: quatro perio´dicos apresentam impactos maiores que a mediana da colec¸a˜o ISI. Sem esquecer a forte possibilidade de que estes 35 impactos SciELO infra-estimem o que seriam seus impactos ISI ou SCImago. Desta simulac¸a˜o, podemos concluir que terı´amos 173 perio´dicos brasileiros com IMPACTO . ZERO tratados como ‘‘SEM FATOR DE IMPACTO’’ pelo QUALIS caso a avaliac¸a˜o fosse agora e caso os crite´rios 2010 fossem repetidos. Sabemos que esta ‘‘simulada exclusa˜o’’ na˜o e´ esta´tica: quando a tabela Qualis ‘‘fechar’’ para a pro´xima avaliac¸a˜o muita coisa tera´ mudado: dentre elas, com certeza, as tabelas ISI-JCR, SCImago e SciELO, bem como (esper- amos!) os crite´rios CAPES de avaliac¸a˜o. Mas defendemos a tese de que reconhecer ta˜o somente o Fator de Impacto ISI- JCR na˜o seria lo´gico. Por isso entendemos que esta simulac¸a˜o e´ a base racional para um alerta, em tempo, pela adoc¸a˜o de novos crite´rios. NOTA: este editorial e´ publicado por CLINICS livre de restric¸o˜es de copyright. Oferecemo-lo aos perio´dicos cientı´ficos brasileiros para reproduc¸a˜o integral ou parcial. Alternativamente sugerimos que apo´iem esta ide´ia, em editoriais originais. Tais ac¸o˜es sinalizara˜o nossa vontade polı´tica de exercer o direito republicano de peticionar perante o poder pu´blico em defesa desta que e´ uma reivindicac¸a˜o legı´tima e generalizada da comunidade editorial cientı´fica brasileira. REFEREˆNCIAS 1. Rocha e Silva M. Qualis 2011-2013: os treˆs erres. Clinics. 2010;65: 935-6. 2. SCImago. (2007). SJR — SCImago Journal & Country Rank. Retrieved January 26, 2011, from http://www.scimagojr.com. Tabela 2 - Trinta e cinco perio´dicos brasileiros excluı´dos do QUALIS com Fator de Impacto SciELO (simulac¸a˜o 2009). Rank Tı´tulo IF scielo 1 Revista da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia 0,81 2 Texto e Contexto Enfermagem 0,65 3 Revista CEFAC 0,64 4 Revista Brasileira de Educac¸a˜o Me´dica 0,58 5 Cieˆncia e Agrotecnologia 0,42 6 Avaliac¸a˜o: Revista da Avaliac¸a˜o da Educac¸a˜o Superior 0,28 7 Revista Paulista de Pediatria 0,28 8 Paide´ia (Ribeira˜o Preto) 0,27 9 RAE Electronica 0,21 10 Revista Brasileira de Terapia Intensiva 0,21 11 Psicologia & Sociedade 0,15 12 Revista Estudos Feministas 0,15 13 Economia e Sociedade 0,14 14 Revista Brasileira de Meteorologia 0,14 15 Cieˆncia da Informac¸a˜o 0,12 16 Psicologia Escolar e Educacional (Impresso) 0,12 17 Educac¸a˜o em Revista 0,11 18 Revista de Administrac¸a˜o Contemporaˆnea 0,11 19 Revista Brasileira de Ortopedia 0,10 20 Varia Historia 0,09 21 Mate´ria (Rio de Janeiro) 0,08 22 Psicologia USP 0,08 23 Caderno CRH 0,07 24 DELTA Documentacao de Estudos em Linguistica Teorica e Aplicada 0,07 25 Cieˆncia & Educac¸a˜o (Bauru) 0,06 26 Nova Economia 0,06 27 Religia˜o & Sociedade 0,06 28 Escola Anna Nery 0,05 29 Estudos Economicos 0,05 30 Revista Contabilidade & Financ¸as 0,05 31 Sba: Controle & Automac¸a˜o Sociedade Brasileira de Automatica 0,05 32 Contexto Internacional 0,04 33 Educar em Revista 0,04 34 Estudos de Psicologia (Natal) 0,03 35 Interac¸o˜es (Campo Grande) 0,03 CLINICS 2011;66(1):3-7 Reflexo˜es crı´ticas sobre os treˆs erres Rocha e Silva M 7 Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, janeiro / fevereiro / março 2011 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Índice Artigo Original Carcinoma papilífero da glândula tireoide: uma análise retrospectiva de 52 casos .......................................... 1 Thyroid papillary carcinoma: a retrospective analysis of 52 cases Marcos Antônio Nemetz, Ana Beduschi Nemetz, Marcela Bonalumi dos Santos. Aspectos patológicos do carcinoma papilífero da tireoide em pacientes com hiperparatireoidismo primário ...................................................................................................................................................................... 5 Pathological aspects of papillary thyroid cancer in patients with primary hyperparathyroidism Fabio Luiz de Menezes Montenegro, Carlos Eugênio Nabuco Araújo, Stênio Roberto Castro Lima Santos, Giovanna Perantoni, Sergio Samir Arap, Marcos Roberto Tavares, Gilberto de Brito e Silva Filho, Lenine Garcia Brandão. Mapeamento do linfonodo sentinela para carcinoma epidermoide de cavidade oral T1 e T2: a eficácia é mesma do melanoma cutâneo? .............................................................................................................. 9 Sentinel lymph node mapping for t1/t2 oral squamous cell carcinoma: does it have the same efficacy as for cutaneous melanoma? Marina Linek, José Higino Steck, Erivelto Martinho Volpi, Antonio Souza, Erlon Balielo. Mortalidade por cancêr de laringe no Estado da Paraíba nos anos de 1996 a 2007 ........................................ 12 Larynx cancer mortality in Paraíba during 1996 to 2007 Francisco Cristiano Soares Macena, Augusto César dos Santos Barbosa Gondim, Lorena Sousa Oliveira, Iselena Claudino Bernardes, Mônica Danielly de Oliveira Castelo Branco, Jamacir Ferreira Moreira. Revisão do paradigma terapêutico do câncer da hipofaringe ............................................................................ 17 New look on the therapeutical paradigm for hypopharyngeal cancer Abrão Rapoport, Otávio Alberto Curioni, Rogerio Aparecido Dedivitis, Helma Maria Chedid, Ali Amar, Claudio Roberto Cernea, Lenine Garcia Brandão. Traqueostomia aberta à beira do leito da UTI em Hospital Universitário .......................................................... 21 Open bedside tracheostosmy in the ICU of a University Hospital Mario Sérgio Rocha Macedo, Francisco Monteiro de Castro Junior, Francisco de Assis Castro Bomfim Júnior, Arnaldo Aires Peixoto Júnior, Selinaldo Amorim Bezerra, Igor Furtado Soares Melo, Jônatas Catunda de Freitas. Estudo do linfonodo cervical pela citologia do imprint ....................................................................................... 26 Cervical lymph node study by imprint cytology Rogerio Aparecido Dedivitis, Elio Gilberto Pfuetzenreiter Jr., Mario Augusto Ferrari de Castro. Conhecimento de acadêmicos de odontologia sobre Hepatite B ..................................................................... 30 Knowledge of students of dentistry on Hepatitis B Daniel Antunes Freitas, Carla Caribé Maurício, Alisson Luis D’Afonseca Santos, Antonio Diaz Caballero, Clara Inéz Vergara Hernandez, Mayane Moura Pereira. Fraturas do Complexo zigomático por acidentes de trânsito na cidade de São Paulo.................................... 34 Zygomatic Complex fractures by traffic accidents in the city of Sao Paulo Bruno Nifossi Prado, Paula Cristina Falchet Sobral, Luiz Fernando Lobo Leandro. Relato de Caso Schwanoma do espaço parafaríngeo: Relato de caso ........................................................................................ 37 Parapharyngeal schwannoma: A case report Vinicius Antunes Freitas, Roberto Marchetti Mesquita, Flávio Sirihal Werkema, João Batista de Oliveira, Caroline Cardoso Guimarães. Ressecção de ameloblastoma utilizando prototipagem - relato de caso .......................................................... 40 Ressection of ameloblastoma using prototyping - case report Darklilson Pereira Santos, Thyago Renzo Barros Loiola, Homero Costa Café de Oliveira, Sérgio Antônio Pereira Freitas, Julio César de Paulo Cravinhos, Walter Leal de Moura. Granuloma piogênico intraoral em gestante - relato de caso ............................................................................. 43 Pyogenic granuloma intraoralin pregnancy - case report Daniel Antunes Freitas, Antonio Diaz Caballero, Mayane Moura Pereira, Paulo Rogério Ferreti Bonan, Victor Comini Mol Artigo de Revisão Acessos cirúrgicos a articulação temporomandibular: revisão de literatura ................................................... 46 Surgical approaches to the temporomandibular joint: review Éllen Cristina Gaetti Jardim, Leonardo Perez Faverani, Gabriel Ramalho Ferreira, Cassiano Costa Silva Pereira, Walter Cristiano Gealh, Elio Hitoshi Shinohara. ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, janeiro / fevereiro / março 2011 Carcinoma papilífero da glândula tireoide: uma análise retrospectiva de 52 casos Marcos Antônio Nemetz 1 Ana Beduschi Nemetz 2 Marcela Bonalumi dos Santos 2 RESUMO Introdução: O carcinoma papilífero (CP) é o tumor mais frequente da glândula tireoide. Geralmente é um tumor curável, nos quais a análise dos fatores prognósticos é fielmente relacionada à evolução da doença. Forma de estudo: Retrospectivo. Método: Realizou-se um levantamento através de prontuários de arquivos médicos e laudos de Anatomia Patológica de todos os pacientes portadores de CP, que foram submetidos a tireoidectomia total, em Serviço de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, no período entre 1999 e 2009, totalizando-se 52 casos. Resultados: Verificou-se que 48 pacientes eram mulheres (92,3%), a idade variou de 14 a 80 anos, média de 48 anos; invasão capsular ocorreu em 19,2%; houve metástase regional em 10 pacientes e nenhuma metástase à distância foi registrada. Quanto ao diâmetro tumoral: 40 casos menores ou iguais a 2 cm; 11 casos maiores que 2 cm e menores ou iguais a 4 cm; 1 caso maior que 4cm. Padrão histológico predominante: papilífero clássico. Patologia mais comumente associada: tireoidite linfocitária. Predominou o estadio inicial I. Conclusões: A utilização dos fatores de risco no carcinoma papilífero da tireoide é de grande importância na projeção do prognóstico, tratamento e conduta desta doença. Descritores: Neoplasias da Glândula Tireoide; Tireoidectomia; Estadiamento de Neoplasias; Carcinoma Papilar. ABSTRACT Introduction: Papillary carcinoma (PC) is the most common tumor of the thyroid gland. Usually it is a curable tumor, in which the analysis of prognostic factors is closely related to disease progression. Study design: Retrospective. Method: We conducted a survey using medical files and reports of Pathology of all patients with CP who underwent total thyroidectomy, performed at the Head and Neck Surgery Service, between 1999 and 2009, totaling to 52 cases. Results: It was found that 48 patients were women (92.3%), age ranged 14-80 years, mean 48 years; capsular invasion occurred in 19.2%, there was regional metastasis in 10 patients and no distance metastases was reported. Regarding to tumor diameter: 40 cases smaller than or equal to 2 cm, 11 cases more than 2 cm and less than or equal to 4 cm; one case greater than 4cm. Predominant histologic type: papillary classic. Disease most commonly associated: lymphocytic thyroiditis. The predominant early stage I. Conclusions: The use of risk factors in papillary thyroid carcinoma is very important in the projection of prognosis, treatment and management of this disease. Key words: Thyroid Neoplasms; Thyroidectomy; Neoplasm Staging; Carcinoma, Papillary. 1) Médico Otorrinolaringologista e Cirurgião de Cabeça e Pescoço. Mestre em Ciências Médicas pela Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP. Doutorando em Ciências Médias pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP. Professor da Disciplina de Otorrinolaringologia do Curso de Medicina do Curso de Medicina da Fundação Universidade Regional de Blumenau – FURB. Chefe do Setor de Otorrinolaringologia, Cirurgia de Cabeça e Pescoço e Cirurgia Crânio-Maxilo - Facial do Hospital Santa Isabel - Blumenau / SC. 2) Acadêmica do Sexto Ano de Medicina da Universidade Regional de Blumenau – FURB. Instituição: Serviço de Cirurgia de Cabeço e Pescoço da Clínica Nemetz; Laboratório de Citologia, Imunopatologia e Anatomia Patológica (CIPAC). Blumenau / SC - Brasil. Correspondência: Marcos Antônio Nemetz - Rua Heloy Dalsasso, 345 – Blumenau / SC – Brasil - CEP: 89030-230. Recebido em 30/01/2011; aceito para publicação em 09/03/2011; publicado online em 20/03/2011. Conflito de interesse: não há. Fonte de fomento: não há. Artigo Original Thyroid papillary carcinoma: a retrospective analysis of 52 cases Código 148 INTRODUÇÃO O carcinoma papilífero da tireoide (CP), juntamente com o carcinoma folicular, correspondem à aproximada- mente 90% dos casos de todas as neoplasias malignas da tireoide1,2. Quando diagnosticado precocemente, ge- ralmente é um tumor curável. Além se ser o tumor mais frequente desta glândula, é, também, aquele em que a análise dos fatores prognósticos se mostra mais fielmen- te relacionada à evolução da doença. Nos últimos anos, a busca de fatores que possam influenciar o prognóstico deste tipo de neoplasia tireoi- diana têm sido uma constante, e demonstrada em gran- de número de trabalhos publicados na literatura médica. Através da análise dos fatores prognósticos, os pa- cientes podem ser divididos em grupos de baixo e de alto risco. São eles: gênero, idade, diâmetro tumoral, presença de extensão extratireoidiana do tumor, e de metástases à distância. Este trabalho tem por objetivo avaliar a influência dos fatores prognósticos nos casos de CP, uma vez que estes interferem diretamente na identificação dos pa- cientes que apresentam uma doença mais agressiva, assim como no seu tratamento e seguimento. Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 1-4, janeiro / fevereiro / março 2011 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 1 MÉTODO Realizou-se um levantamento dos registros de 52 casos de pacientes com CP, submetidos à tireoidecto- mia total, pelo Serviço de Cabeça e Pescoço de Clí- nica privada de Blumenau, no período compreendido entre julho de 1999 à maio de 2009. Foram incluídos no estudo os registros que continham os seguintes da- dos: gênero, idade ao diagnóstico, diâmetro tumoral, achados de cápsula tumoral, invasão extratireoidiana, multifocalidade, metástase locorregional, padrão histo- lógico, presença de patologias associadas e metásta- se à distância, esta avaliada após cirurgia por meio de pesquisa de corpo inteiro com iodo radioativo. Todos os pacientes foram submetidos à tireoidecto- mia total, com ou sem o esvaziamento cervical, e radio- iodoterapia. O esvaziamento cervical foi indicado para aqueles que apresentaram acometimento linfonodal clínico, suspeito em achado pré-operatório ultrassono- gráfico ou descobertos no intra-operatório. O diagnóstico de CP, e suas variantes, foi basea- do nos critérios definidos pela Organização Mundial da Saúde de 20043,4. O estadiamento tumoral e a es- tratificação de risco foram avaliados de acordo com a classificação do American Joint Committee on Cancer (AJCC) / Tumor Nodes Metastasis (TNM)5,6. Para gerenciamento do banco de dados, execu- ção dos cálculos estatísticos, e elaboração de tabelas e gráficos, utilizou-se o software Microsoft Excel® ver- são 2003. A metodologia do teste t de Student foi usada para comparar os grupos quanto às variáveis quanti- tativas; para a associação das variáveis qualitativas, foi aplicado o teste Qui-quadrado. Em todos os testes estatísticos foi adotado um nível de significância de 5% (p<0,05). O trabalho foi aprovado pelo comitê de ética da ins- tituição sob número 039/10. RESULTADOS A idade dos pacientes variou entre 14 e 80 anos. A média de idade foi de 40 anos. Predominou o gêne- ro feminino: 48 pacientes para 4 pacientes masculinos (Figura 1). Os resultados da análise multivariadade fatores prognósticos são apresentados na Tabela 1. Quanto a distribuição por diâmetro tumoral, encon- trou-se 40 casos (76,9%) menores ou iguais a 2 cm; 11 casos (21,2%) maiores que 2 cm e menores ou iguais a 4 cm. Em apenas um caso o tumor era maior do que 4 cm, em paciente do gênero feminino e de 23 anos. Trinta e quatro pacientes (65,4%) não apresentavam cápsula, enquanto 18 (34,6%) a possuíam. A maioria dos tumores era unifocal e não invadia a cápsula extratireoidiana. Ne- nhuma metástase à distância foi identificada. Segundo o padrão histológico, 39 casos (75%) eram CP clássico e 13 casos corresponderam às suas varian- tes. Verificou-se o predomínio da variante folicular, 12 Figura 1. Incidência quanto ao sexo e à idade. (Fonte: Seção de Cirur- gia de Cabeça e Pescoço – Clínica Nemetz, 1999/2009). Tabela 1. Incidência dos fatores prognósticos avaliados nos casos estudados. Diâmetro tumoral < 2 cm 40 (76,9%) > 2 e < 4 cm 11 (21,2%) > 4 cm 1 (1,9%) Cápsula tumoral Ausente 34 (65,4%) Presente 18 (34,6%) Multifocalidade Não 34 (65,4%) Sim 18 (34,6%) Invasão extratiroidiana Não 42 (80,8%) Sim 10 (19,2%) Metástase à distância Não 52 (100%) Sim - Metástase locorregional Não 42 (80,8%) Sim 10 (19,2%) Padrão histológico Papilífero padrão clássico 39 (75%) Papilífero variante folicular 12 (23,1%) Papilífero variante oxifílica 1 (1,9%) Variáveis do paciente Gênero Feminino 48 (92,3%) Masculino 4 (7,7%) Idade em anos < 45 anos 21 (40,4%) > 45 anos 31 (59,6%) Fonte: Seção de Cirurgia de Cabeça e Pescoço – Clínica Nemetz, 1999/2009. casos (23,1%), havendo apenas um registro da variante de células oxifílicas. Analisando-se as patologias associadas, essas es- tiveram presentes em 51,92% do casos estudados (Ta- bela 2). Em relação as patologias associadas, o bócio coloide uninodular esteve presente em 6 pacientes e o multinodular em 3. A tireoidite linfocitácia (TL) se apre- sentou de maneira isolada em 11 dos pacientes estuda- dos, em 1 paciente associada ao adenoma de células oxifílicas, e em 5 pacientes concomitante ao bócio coloi- de. Houve apenas 1 caso de bócio coloide associado ao adenoma folicular (Tabela 3). Na maioria dos casos predominou o estadio inicial I. (Tabela 4). Carcinoma papilífero da glândula tireoide: uma análise retrospectiva de 52 casos. Nemetz et al. 2 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 1-4, janeiro / fevereiro / março 2011 DISCUSSÃO Dentre as neoplasias malignas da tireoide, o CP é a forma mais comum, e geralmente está associado a um prognóstico favorável. No entanto, sua mortalidade e ris- co de recorrência dependem de características tumorais e do paciente, quando analisadas em conjunto7-9. O CP é diagnosticado 2 a 3 vezes mais frequente- mente em mulheres10-15. A frequência de pacientes do gênero feminino acometidas pelo CP foi de 92,3%. Valor superior aos publicados em outros estudos10-13,16. A literatura relata ainda que a idade média no mo- mento do diagnóstico do CP é de 45 anos. Idades mais avançadas apresentam um pior prognóstico para esse tipo de carcinoma9,12,13,17. A média da idade foi de 40 anos, sendo a maior incidência, 59,6%, observada entre os pacientes com idade maior ou igual a 45 anos. A maioria dos casos coletados entre os anos de 1999 a 2009 é composta por tumores unifocais, com diâme- tros menores que 2 cm, encapsulados e sem invasão da cápsula tireoidiana; determinando, assim, um melhor prognóstico para estes pacientes. A extensão locorregio- nal ocorreu em 19,2%. Em nenhum caso se encontrou metástase à distância. Sabe-se que a invasão da cáp- sula tireoidiana, assim como seu extravasamento, eleva a incidência de metástase linfonodal e metástase à dis- tância16,18-21. Estes dados confirmam uma tendência que vem ocorrendo em todo o mundo: o aumento no diagnóstico precoce desta doença. Fato similar é observado em ou- tros centros, sobretudo pela maior investigação por exa- mes de USG e punção aspirativa da glândula tireoide22,23. Aceita-se, hoje, a existência de variantes do carcino- ma papilífero tanto do ponto de vista morfológico quanto do evolutivo24. Por meio de critérios clínicos, e patoló- gicos, pode-se reconhecer que a variante folicular do carcinoma papilífero é de evolução mais agressiva25,26. Padrão histológico, esse, encontrado em 23,1% dos ca- sos aqui apresentados. Algumas patologias da tireoide são consideradas como fator de risco para o CP, como a presença prévia de bócio ou de nódulos benignos11,27,28. Estima-se que a incidência de malignidades em pacientes com bócio é de 10%, valor semelhante ao obtido no presente estudo. CONCLUSÃO O estudo realizado evidenciou que o perfil do pacien- te diagnosticado com CP é composto por mulheres com idade superior a 45 anos, e com características tumorais de prognóstico favorável: tamanho tumoral menor que 2 cm, presença de cápsula tumoral, tumor unifocal, ausên- cia de invasão extratireoidiana, sem metástases locorre- gionais e com padrão histológico papilífero clássico. Observou-se, ainda, estadios iniciais do CP na gran- de parte dos casos, dado que pode ser atribuído ao diag- nóstico precoce dessa patologia em função da evolução tecnológica dos exames por imagem, uma maior busca ativa, e interação entre as especialidades médicas. REFERÊNCIAS 1. Maia AL, Ward LS, Carvalho GA, Graf H, Maciel RMB, Maciel LMZ, et al. Nódulos de tireoide e câncer diferenciado de tireoide: consenso brasileiro. Arq Bras Endocrinol Metab [serial on the Internet]. 2007 July [cited 2009 Oct 25]; 51(5):867-893. Available from: http://www.scielo. br/scielo.php 2. Golbert L, Wajner SM, Rocha AP, Maia AL, Gross JL. Carcinoma diferenciado de tireóide: avaliação inicial e acompanhamento. Arq Bras Endocrinol Metab [serial on the Internet]. 2005 Oct [cited 2009 Oct 25] ; 49(5): 701-710. Available from: http://www.scielo.br/scielo. php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302005000500010&lng=en. doi: 10.1590/S0004-27302005000500010. 3. Chan JKC. Tumors of the thyroid and parathyroid glands. In: Fletch- er CDM editor. Diagnostic histophalogy of tumors. 3rd ed. London: Churchill Livingstone;2007. p 997-1068.3 4. Delellis RA, Willians ED. Tumours of thryroid and parathyroid. In: Delellis RA, Lloyd RV, Heitz PU, Eng C, editors. World Health Organiza- tion Classification of Tumors: Pathology and Genetics—Tumors of En- docrine Organs. World Health Organization. Lyon: International Agency for Research on Cancer; 2004.p 49-134. Tabela 2. Frequência de patologias associadas ao carci- noma papilífero nos pacientes estudados. Patologia associada Numero de Frequência Pacientes Patologias associadas presente 27 51,92% Patologias associadas ausente 25 48,08% Total 52 100.00% Fonte: Seção de Cirurgia de Cabeça e Pescoço – Clínica Nemetz, 1999/2009. Tabela 3. Relação das patologias associadas nos pa- cientes estudados. Patologia associada Numero de Frequência Pacientes Bócio Coloide Uninodular 6 11,54 % Bócio Coloide Multinodular 3 5,77% Tireoidite Linfocitária 11 21,15%% Tireoidite Linfocitária + Adenoma de Células Oxifílicas 1 1,92% Tireoidite Linfocitária + Bócio Coloide 5 9,61% Bócio Coloide + Adenoma Folicular 1 1,92% Total 27 100.00% Fonte: Seção de Cirurgia de Cabeça e Pescoço – Clínica Nemetz, 1999/2009. Tabela 4. TNM em pacientes com carcinoma papilífero de tireoide estudados. Classificação TNM Estágio I 41 (%) Estágio II 3 (%) Estágio III 2 (%) Estágio IV a 6 (%) TNM: Classificação proposta pelo American Joint Committee on Cancer (2002). Carcinoma papilífero da glândula tireoide: uma análise retrospectiva de 52 casos. Nemetz et al. Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 1-4, janeiro / fevereiro / março 2011 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––3 5. Sobin LH, Gospodarowicz, Wittekind CH, TNM Classification of Malignant Tummors. International Union Against Cancer. 7th ed. New Jersey: Jhon Wiley & Sons, 2007. Head and Neck Tummors; p 22-62. 6. Cooper DS, Doherty GM, Haugen BR, Kloos RT, Lee SL, Man- del SJ, et al; American Thyroid Association (ATA) Guidelines Task- force on Thyroid Nodules and Differentiated Thyroid Cancer,.Revised American Thyroid Association management guidelines for patients with thyroid nodules and differentiated thyroid cancer. Thyroid 2009 Nov;19(11):1167-214. PMID: 19860577. 7. Treseler PA, Clark OH. Prognostic factors in thyroid carcinoma. Surg. Oncol. Clin. North Am 1997, 6:555. 8. Jukkola A, Bloigu R, Ebeling T, Salmela P, Blanco G et al. 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Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 1-4, janeiro / fevereiro / março 2011 Aspectos patológicos do carcinoma papilífero da tireoide em pacientes com hiperparatireoidismo primário Fabio Luiz de Menezes Montenegro 1 Carlos Eugênio Nabuco Araújo 2 Stênio Roberto Castro Lima Santos 3 Giovanna Perantoni 4 Sergio Samir Arap 5 Marcos Roberto Tavares 6 Gilberto de Brito e Silva Filho 7 Lenine Garcia Brandão 8 RESUMO Introdução: O carcinoma papilífero da tireoide (CPT) é uma neoplasia de comportamento clínico variável. Existe dúvida se sua ocorrência em pacientes com hiperparatireoidismo primário (HPTp) seja fortuita ou uma entidade clínica distinta. Objetivo: Analisar a semelhança patológica entre os CPT achados inicidentalmente na glândula tireoide em doentes com bócio operados sem suspeita prévia de câncer e os dos casos com HTPp. Método: Análise retrospectiva da frequência de microcarcinomas, de multicentricidade e de metátases linfonodais em 184 pacientes operados por HPTp de 1986 a 2005, comparada às mesmas características encontradas em 89 pacientes operados por bócio compressivo sem suspeita prévia de câncer (Grupo CONTROLE). Resultados: A frequência de CPT em portadores de HPTp foi de 7,6% (14) e no grupo CONTROLE foi de 11,2% (10). O anatomopatológico pode ser analisado em 13 casos de HPT. O CPT foi menor que 10mm em 69,2% do casos de HPTp e 50% do grupo CONTROLE. A multicentricidade estava presente nos pacientes com HPTp em 76,9% e no grupo CONTROLE em 40%. As metástases linfonodais foram comprovadas em 23,1% dos casos de HPTp e em nenhum caso do CONTROLE. Conclusão: O CPT em pacientes com HPTp apresentou grande frequência de multicentricidade e metástases linfonodais, sem diferença estatisticamente significante aos achados em pacientes operados da tireoide sem suspeita prévia de câncer. Descritores: Hiperparatireoidismo; Glândulas Paratireoides; Glândula Tireoide; Paratireoidectomia; Tireoidectomia. ABSTRACT Introduction: Papillary thyroid cancer (PTC) is a neoplasia with variable clinical behavior. There is doubt if PTC in patients with primary hyperparathyroidism (pHPT) occurs by chance or is part of a defined clinical entity. Objective: To compare some pathological findings of PTC found incidentally in the thyroid of patients operated on for goiter without preoperative suspicion of cancer and those found in patients with pHPT. Method: Retrospective analysis of the frequency of microcarcinomas, multicentricity and lymph node metastases in 184 pHPT patients operated on, from 1986 to 2005,compared to the same aspects found in 89 patients operated on due to compressive goiter, without preoperative suspicion of thyroid cancer (CONTROL). Results: The frequency of PTC in pHPT was of 7.6% (14) and it was of 11.2% in the CONTROL group. Pathology report was available in 13 pHPT cases with PTC. The tumor was less than 10 mm in 69.2% of pHPT cases and 50% in CONTROL group. Multicentricity was found in 76.9% in pHPT and in 40% of the CONTROL. Lymph node metastases were documented in 23.1% of pHPT cases and in none of the CONTROL group. Conclusion: PTC in pHPT patients showed an elevated frequency of multicentricity and lymph node metastases, but without a significant difference with the findings of PTC found in thyroidectomy patients without preoperative suspicion of thyroid cancer. Key words: Hyperparathyroidism; Parathyroid Glands; Thyroid Gland; Parathyroidectomy; Thyroidectomy. 1) Doutor. Médico Assistente da Disciplina de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo LIM 28. 2) Especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço. Médico Cirurgião de Cabeça e Pescoço. Ex-Residente da DCCP HCFMUSP e LIM 28. 3) Médico Cirurgião de Cabeça e Pescoço. Pós-graduando da DCCP HCFMUSP e LIM 28. 4) Médica Residente de Cirurgia de Cabeça e Pescoço da DCCP HCFMUSP e LIM 28. 5) Doutor pela FMUSP. Médico Assistente da DCCP HCMUSP e LIM 28. 6) Livre-Docente pela FMUSP. Médico Assistente da DCCP HCMUSP e LIM 28. 7) Livre-Docente pela FMUSP. Professor Associado do Departamento de Cirurgia, DCCP HFCMUSP-LIM 28. 8) Professor Titular. Chefe da Disciplina de Cirurgia de Cabeça e Pescoço HCFMUSP. LIM 28 e ICESP. Instituição: Trabalho realizado na Disciplina de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Departamento de Cirurgia, Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Laboratório de Investigação Médica 28 e Instituto do Câncer de São Paulo (DCCP HFCMUSP-LIM 28-ICESP). São Paulo / SP - Brasil. Correspondência: Fábio Luiz de Menezes Montenegro - Avenida Dr. Enéas de Carvalho Aguiar, 255 - Instituto Central – 8º andar - sala 8174 - São Paulo / SP - Brasil - CEP: 05403-000 – Telefone: (+55 11) 3069-6425 - E-mail: fabiomonte@uol.com.br Recebido em 30/01/2011; aceito para publicação em 09/03/2011; publicado online em 20/03/2011. Conflito de interesse: não há. Fonte de fomento: não há. Pathological aspects of papillary thyroid cancer in patients with primary hyperparathyroidism Código 130 INTRODUÇÃO Há mais de 50 anos foi chamada a atenção para do- enças da glândula tireoide de interesse cirúrgico em por- tadores de hiperparatireoidismo primário (HPTp)1. Em estudo prévio foi descrita uma frequência de cerca de 40% de doenças da tireoide em portadores de HPTp2. Essa frequência é bastante variável na literatura (12,6 a 80,0%) e possivelmente afetada pela pesquisa ativa na tireoide desses pacientes3. Artigo Original Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 5-8, janeiro / fevereiro / março 2011 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 5 Entre esses achados concomitantes encontram-se os carcinomas bem diferenciados da glândula tireoide, principalmente do carcinoma papilífero da tireoide (CPT), conforme salientaram Ogburn and Black no relato de 4 casos, em 19564. Apesar de haver uma reconhecida associação de Carcinoma Medular de Tireoide com alguns casos de HPTp na Neoplasia Endócrina Múltipla do Tipo 2a, a associação de HPTp e carcinoma bem diferenciado da tireoide não é clara. LiVolsi e Feind afirmam haver uma frequência aumentada de CDT em pacientes com HPTp5. Outros autores acreditam que essa associação é fortuita, possivelmente influenciada pela maior atenção dispensada à glândula tireoide desses pacientes6. O CPT é uma neoplasia de comportamento clínico variável. Algumas lesões são indolentes, outras, porém, são mais agressivas, com invasão local ou dissemina- ção metastática7. Recentemente, Polyzos et al. relataram o achado de um CPT com características histopatológicas de agres- sividade, que diferiria dos relatos mais comuns que in- cluem doença microscópica unifocal e sem acometimen- to linfonodal8. Não está claro se o CPT encontrado em doentes com HTPp é semelhante ao encontrado casualmente em doentes operados por doença supostamente benigna. O presente estudo objetiva analisar algumas carac- terísticas patológicas do CPT encontrado em pacientes operados por HPTp e compará-las aos aspectos obtidos em CPT achados em pacientes submetidos a tireoidec- tomia por sintomas compressivos, sem evidência pré- operatória de malignidade. MÉTODO Estudo retrospectivo de doentes consecutivamente operados por HPTp de 1986 a 2005, comparados a um controle histórico de doentes operados na mesma insti- tuição por bócio multinodular com compressão ou mer- gulhante, denominado Grupo CONTROLE Os relatórios anatomopatológicos dos portadores de CPT foram revistos. Foram analisadas a proporção de microcarcinoma (lesão até 10mm), a proporção de lesões multicêntricas e de metástases linfonodais, com comprovação histológica. Os dados são apresentados pela estatística des- critiva, com emprego do Teste Exato de Fisher nas comparações de Multicentricidade e Metástases Lin- fonodais. RESULTADOS Observaram-se 184 casos operados por HPTp de 1986 a 2005 na Instituição, sendo a proporção de 2,8 mulheres:1 homem, com média etária de 50,3 anos (4 a 83 anos). No Grupo CONTROLE houve 89 pacientes, com a proporção de 4,9 mulheres: 1 homem e média de idade de 51,4 anos (19 a 85 anos). Nos pacientes com HPTp houve CPT em 14 (7,6%) e no Grupo CONTROLE o carcinoma papilífero foi encon- trado em 10 casos (11,2%). A análise dos dados histopatológicos dos carcino- mas de tireoide foi possível em 13 dos 14 casos encon- trados em HPTp e em todos os 10 casos de achados em bócios compressivos ou mergulhantes. Nos casos de HPTp, o carcinoma foi menor que 10mm em 69,2% (9 em 13 casos). No grupo controle isto ocorreu em 50% dos casos. No HPTp, a multicentricidade foi observada em 10 de 13 casos, enquanto no grupo CONTROLE esse acha- do foi de 4 em 10 casos. (Gráfico 1). Apesar da aparente diferença, ela não é estatisticamente significante pelo Teste Exato de Fisher (p=0,10) Quanto às metástases linfonodais do CPT desses pacientes, elas só foram encontradas nos pacientes com HPTp. Elas foram demonstradas em 3 casos as- sociados a HPTp (23,1%). (Gráfico 2) Essa aparente diferença também não foi estatisticamente significante (p=0,23) Gráfico 1. Análise da Proporção de Multicentricidade do Carcinoma Papilífero da Tireoide nos diversos grupos - HPTp - Hiperparatireoidis- mo primário. Gráfico 2. Proporção de Metástases Linfonodais em Carcinoma Papi- lífero nos diversos Grupos - N+= Linfonodos positivos, N- = Linfonodos negativos. Aspectos patológicos do carcinoma papilífero da tireoide em pacientes com hiperparatireoidismo primário. Montenegro et al. 6 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 5-8, janeiro / fevereiro / março 2011 DISCUSSÃO No presente estudo foram comparadas as caracte- rísticas patológicas de tamanho, multicentricidade e me- tástases linofonodais do CPT em casos de HPTp com as encontradas num grupo controle de pacientes sub- metidos a tireoidectomia, sem suspeita pré-operatória de malignidade. As diferenças aqui encontradas não foram estatisticamente significativas. Entretanto, o número reduzido de casos com o des- fecho de CPT em ambos grupos pode não permitir dis- criminar uma eventual diferença de comportamento da doença. Se do ponto de vista etiológico a questão está aberta, do ponto de vista prático, a atitude de maior cui- dado nos CPT achados em pacientescom HPTp não parece desprovida de sentido, até melhor entendimento da associação. A abordagem do HPTp frequentemente requer inter- venção cirúrgica, sendo esta a única terapêutica definiti- va da doença até o momento. Em alguns pacientes com HPTp que preenchem determinados requisitos, o acom- panhamento clínico pode ser permitido9. É importante lembrar que a indicação da exploração cervical pode advir da doença tireóideia simultânea ao HPTp. Assim, a investigação da tireoide é relevante nesses pacientes. No HPTp, ainda que a indicação do tratamento es- teja relacionada à resolução da disfunção metabólica do problema paratireoideo, nesse momento pode ser possí- vel o tratamento de doença tireóidea concomitante. O paradigma de tratamento do HPTp mudou no iní- cio deste século. Atualmente, a exploração bilateral tem sido reservada a alguns casos especiais, havendo pre- ferência pela abordagem seletiva, focalizada à possível paratireoide doente. Esse assunto é de interesse: essas “aparentemente” novas abordagens têm sido crescen- temente empregadas no tratamento do HPTp, com ex- ploração cervical unilateral e paratireoidectomias sele- tivas10. Apenas a título de esclarecimento e nos sendo concedida uma permissão para digressão, desejaríamos explicar por que essa abordagem é apenas “aparente- mente” nova. Mihai et al. afirmam que a alternativa de exploração unilateral foi proposta ao redor de 197010. Entretanto, antes de 1948, Fuller Albright já propunha ao seus cirurgiões em Harvard, a realização de explorações unilaterais. Albright procurava localizar a glândula doen- te através de deglutograma e radioscopia. Em alguns casos, a observação de compressão extrínseca do esô- fago permitia localizar o lado da doença e orientar o lado da exploração ao cirurgião. Numa época de adenomas grandes, isso ocorria de fato em alguns casos, conforme antevira Ivar Sandström. Mesmo sem a dosagem intra- operatória de paratormônio, Albright sugeria que, en- contrado o possível adenoma, a sua retirada permitiria terminar a operação sem pesquisar o outro lado. Caso o doente persistisse com HPTp, ele seria reconduzido ao tratamento cirúrgico, agora para uma exploração de todas as paratireoides11. Apesar dos poucos recursos tecnológicos da época, Albright antecipou o futuro e me- rece esse crédito, que não pode ser esquecido pelos le- vantamentos realizados nas cômodas, mas incompletas, bases de dados eletrônicas. Na abordagem seletiva, a glândula tireoide não é in- teiramente exposta, mas por vezes torna-se necessária a dissecção do nervo recorrente. Se posteriormente for detectado nódulo na tireoide, numa eventual tireoidecto- mia poderá haver tecido cicatricial e talvez maior dificul- dade técnica. Nesse sentido, a análise ultrassonográfica da tireoi- de em portadores de HPTp parece altamente recomen- dável12. Ela permitirá ao cirurgião decidir ou não a opor- tunidade de indicar uma exploração seletiva ou, ao contrário, recomendar a abordagem bilateral para trata- mento concomitante de tireoidopatia. Apesar da boa ul- trassonografia pré-operatória, o cirurgião pode detectar nódulos malignos no intra-operatório.13 Em algumas oca- siões, a própria ultrassonografia intra-operatória poderá ser utilizada, no auxílio à tomada de decisões. A exposi- ção de médicos residentes e especialistas em Cirurgia de Cabeça e Pescoço a essas considerações é muito importante14. Sem dúvida, a tireoidopatia de maior interesse prá- tico é o câncer da tireoide. Lever et al.15 sugeriram que a associação de doença tireoideia estava relacionada à prevalência das doenças em mulheres de meia ida- de, mas que ocorrência de carcinoma não-medular de tireoide foi superior aos achados num grupo controle de necropsia. Em concordância com estudo prévio na ins- tituição16, no presente estudo, a frequência de CPT em HPTp foi menor do que a observada em pacientes ope- rados por tireoidopatia supostamente benigna. Isso pode favorecer a ideia de que essa associação seja também casual. CONCLUSÃO O CPT apresentou grande frequência de multicen- tricidade e metástases linfonodais em portadores de HPTp tratados por cirurgia, porém sem diferença esta- tisticamente significante dos CPT achados em pacien- tes operados da tireoide, sem suspeita prévia de câncer. Entretanto, como as duas doenças podem ser tratadas simultaneamente, todos os esforços para detecção pré ou intra-operatória são recomendáveis em doentes por- tadores de HPTp. REFERÊNCIAS 1. Hellström J. 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Marina Linek 1 José Higino Steck 2 Erivelto Martinho Volpi 3 Antonio Souza 2 Erlon Balielo 4 RESUMO Introdução: O mapeamento do linfonodo sentinela (MLNS) é uma técnica valor no estadiamento linfático dos tumores sólidos e se tornou padrão no estadiamento do melanoma cutâneo não sendo ainda considerado padrão para estadiamento de carcinomas de cavidade oral. Objetivo: Estudar o MLNS como procedimento diagnóstico e de estadiamento e comparar sua acurácia à do MLNS para o melanoma cutâneo de Cabeça e Pescoço. Método: Foram analisados 104 MLNS, 32 com carcinoma de cavidade oral T1 ou T2N0 (grupo A) e 72 melanomas cutâneos estadiados T1b ou mais e N0 (grupo B). Foram analisados sensibilidade, especificidade valor preditivo positivo (VPP), valor preditivo negativo (VPN) e acurácia de ambos grupos. Resultados: A idade média do grupo A foi de 62 anos com 25 homens (77%). Para o grupo B, a mesma foi de 58 anos com 37 homens (51%). Pelo menos um Linfonodo Sentinela foi localizado em 31/32 pacientes no grupo A (96,8%) e 70/72 no Grupo B (97,2%). Tivemos 1 resultado falso negativo no grupo A com 83% de sensibilidade, 100% de especificidade VPP de 100% e VPN de 96,1%. A acurácia total foi de 96,7%. No grupo B houve 2 falso negativos, 88% de sensibilidade, 100% de especificidade, VPP de 100%, VPN de 96,4% com acurácia de 97,1% nesse grupo. Conclusão: A acurácia do MLNS para estadiamento de Carcinoma de cavidade oral T1:T2 é comparável ao método de MLNS para o melanoma cutâneo em Cabeça e Pescoço. Descritores: carcinoma epidermoide, cavidade oral, Linfonodo Sentinela, Estadiamento Cervical, melanoma cutâneo. Descritores: Boca; Melanoma; Biópsia de Linfonodo Sentinela; Carcinoma de Células Escamosas. ABSTRACT Background: The Sentinel Lymph Node Mapping (SLNM) is a useful technique to stage lymphatic bases in solid tumors and had become standard of care for staging Cutaneous Melanoma. It is not considered standard of care for oral cancer. Objective: To study the SLNM in oral cancer as a Diagnostic Staging procedure and compare its accuracy with SLNM for Head and Neck Cutaneous Melanoma. Method: We analyzed 104 consecutive SLNM, 32 with initial Oral Cancer staged T1 or T2 N0 (Group A), and 72 Cutaneous Melanoma from the Head and Neck Region staged T1b or more N0 (Group B). To compare the 2 Staging tests we analyzed the Sensitivity, Specificity, Positive Predictive Value (PPV), Negative Predictive Value (NPV) and overall Accuracy from both Groups. Results: The mean age of the Group A was 62, with 25 men (77%). For Group B it was 58, with 37 men (51%). At least 1 SLN was located in 31/32 patients in the Group A (96.8%), and 70/72 in Group B (97.2%). We had 1 False Negative in the Group A, with 83% Sensitivity, 100% Specificity, a PPV of 100% and NPV of 96.1%. The overall Accuracy was 96.7%. For the Group B there were 2 False Negatives, 88% Sensitivity, 100% Specificity, PPV of 100% and NPV of 96.4%. The Overall Accuracy for Group B was 97.1%. Conclusion: The Accuracy of SLNM to adequately stage T1/T2 Oral Squamous Cell Carcinoma is comparable to SLNM for Head and Neck Cutaneous Melanoma. Mesh terms: Squamous cell carcinoma, oral cancer, Sentinel Lymph Node, Cutaneous melanoma. Key words: Mouth; Melanoma; Sentinel Lymph Node Biopsy; Carcinoma, Squamous Cell. 1) Residência Medica Cirurgia Cabeça e Pescoço. 2) Cirurgião de Cabeça e Pescoço, Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço. 3) Cirurgião de Cabeça e Pescoço, Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Membro da American Academy of Otolaryngology Head and Neck Surgery. 4) Residente de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital Mário Gatti (Campinas / SP). Instituição: Hospital Municipal Dr. Mário Gatti Campinas / SP – Brasil. Correspondência: José Higino Steck – Rua Andrade Neves, 295/22 – Campinas / SP -Brasil - CEP: 13013-101 - Telefone: (+55 19) 3236-1224 - E-mail: higinosteck@gmail.com Recebido em 14/02/2011; aceito para publicação em 20/02/2011; publicado online em 20/03/2011. Conflito de interesse: não há. Fonte de fomento: não há. Sentinel lymph node mapping for T1/T2 oral squamous cell carcinoma: does it have the same efficacy as for cutaneous melanoma? Código 151 INTRODUÇÃO As metástases cervicais são fatores prognósticos im- portantes nos casos de carcinoma epidermoide de cavi- dade oral e melanoma cutâneo de cabeça e pescoço1,2. O mapeamento do linfonodo sentinela (MLNS) é a téc- nica de escolha no estadiamento dos linfonodos e com boa aceitação também no estadiamento do melanoma cutâneo e outros tumores sólidos. O uso do Linfonodo Sentinela (LNS) para carcino- ma de cavidade oral ainda é controverso e não pode ser considerado como padrão, apenas como investigação9. Algumas dificuldades técnicas são esperadas no mape- amento dos linfonodos devido à complexidade da drena- gem linfática do pescoço e a proximidade com o tumor primário podendo alterar os resultados do método. O objetivo do presente trabalho é o estudo do Mapea- mento do Linfonodo Sentinela no câncer de cavidade Artigo Original Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 9-11, janeiro / fevereiro / março 2011 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 9 oral como um procedimento diagnóstico de estadiamen- to e comparar sua acurácia com o MLNS no melanoma cutâneo de cabeça e pescoço determinando se a com- plexidade da anatomia linfática do sistema de drenagem do câncer de mucosa oral pode alterar sua eficácia. MÉTODO Foram analisados 104 mapeamentos de linfonodo sentinela da região da cabeça e pescoço, sendo 32 pa- cientes com câncer inicial de cavidade oral estadiados como T1 ou T2N0 (grupo A) e 72 pacientes com mela- noma cutâneo de cabeça e pescoço estadiados como T1bN0 ou mais (Grupo B). Todos os procedimentos fo- ram realizados pela mesma equipe cirúrgica. Como foi proposto o estudo do mapeamento do Lin- fonodo Sentinela como método diagnóstico, analisamos a sensibilidade, especificidade, valor preditivo positivo (VPP), valor preditivo negativo (VPN) e a acurácia de ambos os grupos. Não foram comparados o prognóstico e a evolução, pois se tratava de duas patologias diferen- tes. Em todos os pacientes foi realizada linfocintilografia pré-operatória com injeção de fitato marcado com Tecné- cio 99 em volta do tumor ou em torno da cicatriz quando já havia ressecção tumoral prévia. Na sala de cirurgia foram utilizados o azul patente V e o gama probe para localização do linfonodo senti- nela. Para o carcinoma de cavidade oral, os primeiros 18 pacientes foram submetidos a esvaziamento cervical supra-omohióideo (ECSOH) eletivo simultaneamente ao procedimento para validar a técnica do linfonodo senti- nela. O esvaziamento eletivo não foi realizado nos outros 14 pacientes com carcinoma de cavidade oral e, para aqueles com melanoma cutâneo, somente foi realizado após linfonodos sentinela positivos após uma segunda cirurgia. Foi realizada análise patológica em todos os linfono- dos sentinela, sendo os sentinelas patologicamente ne- gativos no exame de parafina submetidos ao estudo imu- nohistoquímico. Não foi realizado exame de congelação em nenhuma das peças. Foi considerado resultado falso- negativo quando o linfonodo sentinela foi negativo na pre- sença de outro linfonodo positivo na dissecção cervical, e quando havia recidiva cervicalna mesma topografia do mapeamento do linfonodo sentinela durante o seguimen- to. O tempo mínimo de follow-up foi de 14 meses. RESULTADOS O grupo A foi composto por 32 pacientes com car- cinoma epidermoide de cavidade oral estadiados como T1 ou T2 N0 (AJCC). A ausência de metástase cervical foi avaliada por exame clínico e tomografia computado- rizada. Todos os pacientes foram submetidos ao mapea- mento com idade média de 62 anos (28 a 80 anos), sen- do 7 mulheres (22%) e 25 homens (78%). Vinte pacien- tes foram estadiados como T1 e 12 pacientes estadiados como T2. A espessura média dos tumores era de 0,93 mm. Em 31 pacientes desse grupo (96.8%) pelo menos 1 linfonodo sentinela foi localizado, com 1 a 4 linfonodos sentinela por paciente (média de 2,03) e drenagem entre 1 e 3 diferentes níveis cervicais (média de 1,5). Apenas em um paciente não foi possível localizar o linfonodo sentinela e o mesmo apresentava múltiplas metástases na dissecção cervical durante a cirurgia. Todos os linfonodos sentinelas negativos foram sub- metidos a estudo imunohistoquímico com citoqueratina e dois pacientes foram subestadiados. No total, 5 pacien- tes apresentaram LNS positivos. Um paciente apresentou recidiva linfonodal no mes- mo leito linfático do mapeamento do sentinela, sendo considerado falso negativo e submetido à cirurgia de resgate com sucesso após. Durante o seguimento de 14 meses, 2 pacientes (6%) faleceram, ambos com LS positivo, um apresentan- do recorrência e outro, tumor primário secundário. A sensibilidade calculada para o grupo A foi de 83% com 100% de especificidade, valor preditivo positivo de 100% e valor preditivo negativo de 96.1%. A acurácia foi de 96.7%. O grupo B foi composto por 72 pacientes com mela- noma cutâneo de cabeça e pescoço com estádio T1b ou mais e N0 clinicamente. A idade média foi de 58 anos (13 a 81) com 37 homens (51%). Foi localizado pelo menos um Linfonodo Sentinela em 70/72 pacientes (97,2%) com 14 micrometástases (19,4%). Dois pacientes apresentaram metástases tardias na região do mapeamento do linfonodo sentinela e foram considerados falso negativos (3,5%). O valor preditivo negativo foi de 96,4%, o valor predi- tivo positivo foi de 100%. A sensibilidade apresentou valor de 85% e a especi- ficidade foi de 100%. A acurácia total foi de 97,1%. DISCUSSÃO A definição anatômica do Linfonodo Sentinela o classifica como o primeiro linfonodo que drena a região tumoral. A definição biológica se refere ao primeiro a apresentar doença linfonodal metastática (substituindo o conceito de skip metástase3. Desde as publicações de Morton et cols4,5 nos anos 90, o mapeamento do Linfonodo Sentinela (MLS) obteve grande aceitação para o melanoma cutâneo. As informa- ções obtidas com o mapeamento do Linfonodo Sentinela foram adicionadas ao sistema TNM do AJCC para mela- noma e, hoje em dia é considerado procedimento padrão no estadiamento do melanoma cutâneo para todas as regiões, inclusive as de cabeça e pescoço. Há algumas controvérsias na literatura médica a respeito da eficácia do mapeamento do pescoço para melanoma compara- Mapeamento do linfonodo sentinela para carcinoma epidermoide de cavidade oral T1 e T2: a eficácia é mesma do melanoma cutâneo? Linek et al. 10 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 9-11, janeiro / fevereiro / março 2011 do às outras regiões linfáticas. Em nosso serviço foram comparadas diferentes regiões e foi concluído que o mapeamento do linfonodo sentinela nos linfonodos cer- vicais assim como em outras regiões é um método con- fiável com igual eficácia6. O MLNS também foi usado para outros tumores sóli- dos assim como no câncer de mama7. Em alguns serviços tem sido utilizado o MLNS para carcinoma epidermoide de Cabeça e Pescoço, mas ain- da é considerado um método experimental8,9,10. Uma das razões para a controvérsia existente em relação ao seu uso é a complexidade de drenagem do sistema linfáti- co dos tumores de mucosa que dificulta o procedimento comparado com os tumores cutâneos nos quais a drena- gem linfática é mais previsível. A proposta do presente estudo é verificar que, se o MLNS não for confiável em carcinoma de cavidade oral, isso poderá ser refletido em pior sensibilidade, especi- ficidade, valores preditivos e acurácia do método como ferramenta diagnóstica quando comparado aos outros tumores. Decidimos realizar comparação com o mapeamento do linfonodo sentinela para melanoma cutâneo de cabe- ça e pescoço, onde o método e considerado padrão para estadiamento da doença. Em nosso serviço, usamos o mesmo protocolo de MLNS para melanoma de cabeça e pescoço e carcino- ma epidermoide de cavidade oral. Todos os pacientes foram previamente submetidos a linfocintilografia com fi- tato marcado com Tecnécio, uso intra-operatório do azul patente e gama probe. Alguns serviços não utilizam o azul patente, mas acreditamos que o mesmo ajuda na melhor identificação do LNS. No começo do estudo com câncer de cavidade oral, foi realizado esvaziamento supra-omohióideo para todos os pacientes, mas, após validação do método, com os primeiros 18 pacientes e consentimento informado de cada um deles, somente foi aplicado MLNS e espera- do o resultado anátomo patológico indicando ou não o esvaziamento supra-omohióideo. Somente utilizamos o método para tumores T1 ou T2N0 devido ao resultado falso negativo ser maior para tumores avançados. Foram analisados os aspectos diagnósticos do mé- todo para predizer o status linfonodal em pescoço N0 com sensibilidade, especificidade e valores preditivos. O valor preditivo negativo pode indicar um pescoço patoló- gico negativo8. Com nossas análises foi visto que para o diagnós- tico de micrometástases e para fins de estadiamento o MLNS para carcinoma epidermoide de cavidade oral apresenta quase os mesmos parâmetros que o MLNS para melanoma cutâneo. CONCLUSÃO A complexidade do sistema linfático de drenagem para os tumores de mucosa oral não afeta a acurácia do MLNS no presente estudo. A sensibilidade, especificida- de, valores preditivos e acurácia do método para esta- diar os tumores T1/ T2 N0 no carcinoma epidermoide de cavidade oral é comparável ao método para melanoma cutâneo em cabeça e pescoço. O MLNS para carcinoma epidermoide de cavidade oral é tão acurado quanto para o melanoma cutâneo para estadiamento. REFERÊNCIA 1. Kramer S, Marcial VA, Pajak TF, Maclean CJ, Davis LW. Prognostic factors for locorregional control and metastasis and the impact on sur- vival. Int J. Oncol Biol Phis. 1986;12:573-578. 2. Shah JP, Andersen PE. The Impact of patterns of nodal metastasis on modifications of neck dissections. Ann. Surg. Oncol. 1994;1:521- 532. 3. Zervos EE, Burak WE. Linphatic Mapping in Solid Neoplasms: states of the Art. Cancer Control. 2002;9(3)189-202. 4. Morton DL, Tompson JF, Essner R, et al. Validation of the accuracy or intraoperative linphatic mapping and sentinel linphadectomy for early – stage melanoma: A multicenter trial. Multicenter selective limphade- nectomy trial group. Ann. Surg. 1999;230:453-463. 5. Morton DL, Tompson JF, Cochran AJ, et al. Sentinel-node biopsy or nodal observation in melanoma. N. Eng. J. Med. 2006;355:1307-1317. 6. Steck JH, Amstalden Neto A, Bezerra E, Claro Jr F, Kalaf M, Fraia- nella L, Ferramola RB, Gomes de Souza A. Efficacy of cervical lymph node mapping for cutaneous melanoma compared with other regions. Otorinolaryngologie a foniatrie 2006; vol55-sup1: 62-63.] 7. Cody HS 3rd. Sentinel lymph node mapping in breast cancer. Breast Cancer. 1999;6(1):13-22. 8. Civantos FJ, Zitsch RP, Schuller DE, Agrawal A, Smith RB, Nason R, Petruzelli G, Gourin CG, Wong RJ, Ferris RL, El Naggar A, Ridge JA, Paniello RC, Owzar K,McCall L, ChepehaDB, Yarbrough WG, Myers JN. Sentinel lymph node biopsy accurately stages the regional lymph nodes for T1-T2 oral squamous cell carcinomas: results of a prospec- tive multi-institutional trial. J Clin Oncol. 2010 Mar 10;28(8):1395-400. 9. Kuriakose MA, Trivedi NP. Sentinel node biopsy in head and neck squamous cell carcinoma. Curr Opin Otolaryngol Head Neck Surg. 2009 Apr;17(2):100-10. Stoeckli SJ, Alkureishi LW, Ross GL. Sentinel node biopsy for early oral and oropharyngeal squamous cell carcino- ma. Eur Arch Otorhinolaryngol. 2009 Jun;266(6):787-93. Mapeamento do linfonodo sentinela para carcinoma epidermoide de cavidade oral T1 e T2: a eficácia é mesma do melanoma cutâneo? Linek et al. Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 9-11, janeiro / fevereiro / março 2011 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 11 Mortalidade por cancêr de laringe no Estado da Paraíba nos anos de 1996 a 2007 Francisco Cristiano Soares Macena 1 Augusto César dos Santos Barbosa Gondim 2 Lorena Sousa Oliveira 3 Iselena Claudino Bernardes 3 Mônica Danielly de Oliveira Castelo Branco 3 Jamacir Ferreira Moreira 3 RESUMO Introdução: Dentre os tumores de cabeça e pescoço, o câncer de laringe ocupa o primeiro lugar em ocorrência. Objetivo: A fim de descrever a evolução da mortalidade por câncer de laringe no estado da Paraíba durante o período de 1996 a 2007, foi realizado um estudo de séries temporais. Método: Os dados sobre os óbitos de homens e mulheres de todas as idades residentes no referido estado brasileiro, que faleceram no referido período e que tiveram como causa morte o câncer de laringe foram obtidos a partir do Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde. Os dados populacionais foram obtidos a partir do Censo Demográfico de 2000, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As taxas de mortalidade foram calculadas e padronizadas por método direto, tendo como referência a população brasileira. Resultados: No período estudado, a taxa bruta de mortalidade por câncer de laringe aumentou de 0,42/100.000 habitantes, no ano de 1996, para 1,48/100.000 habitantes, em 2007, representando uma variação de 249%. A análise de séries temporais através da regressão linear simples revelou tendência ascendente. Analisando a variável gênero, verifica-se maior incidência no sexo masculino. Em relação à escolaridade, os pacientes com no mínimo oito anos de estudo, somaram apenas 6% da amostra. Quanto à idade, revelou-se que a faixa etária entre 50-59 anos foi a mais acometida. Conclusão: Diante dos resultados, os autores discutem a magnitude do câncer de laringe como problema de saúde pública e revelam que estratégias de controle da doença são imprescindíveis. Descritores: Mortalidade; Laringe; Neoplasias de Cabeça e Pescoço. ABSTRACT Introduction: Among the head and neck tumors, larynx cancer is the first in occurrence. Objective: Trends on larynx cancer mortality on men and women, all ages, residents in the Paraíba were explored on the basis of all deaths by laryngeal cancer occurred during 1996 to 2007. Method: Data was obtained from the Ministry of Health and Populational Census of 2000, from Brazilian Geographical and Statistic Institute (IBGE). Larynx cancer mortality rates were calculated. Standardization was done by direct method and the Brazilian population was used as a standard. Results: In the period studied, the larynx cancer mortality rates ranges from 0,42/100.000 inhabitants, in 1996, to 1,48/100.000 inhabitants, in 2007, representing an increase of 249%. The standard larynx cancer mortality rate trends analyzed are increasing. There is a higher incidence in males. Patients with at least eight years of study comprised only 6% of the sample. The age group 50-59 years were the most affected. Conclusion: With those results, the authors discuss the larynx cancer of health’s problem and show that the disease control strategies are essential. Key words: Mortality; Larynx; Head and Neck Neoplasms. 1) Cirurgião de Cabeça e Pescoço. 2) Cirurgião Oncológico. 3) Acadêmica de Medicina. Instituição: Hospital Napoleão Laureano João Pessoa / PB – Brasil. Correspondência: Iselena Claudino Bernardes - Rua Enfermeira Ana Maria Barbosa de Almeida, 343 - Jardim Cidade Universitária - João Pessoa / PB - Brasil CEP: 58052-270. Recebido em 22/12/2010; aceito para publicação em 09/03/2011; publicado online em 20/03/2011. Conflito de interesse: não há. Fonte de fomento: não há. Larynx cancer mortality in Paraíba during 1996 to 2007 Código 136 INTRODUÇÃO Entende-se por transição epidemiológica as mudan- ças ocorridas, durante o tempo, nos padrões de morte, morbidade e invalidez que caracterizam uma população específica1-3. Este fenômeno engloba três mudanças básicas: substituição das doenças transmissíveis por doenças não-transmissíveis e causas externas; desloca- mento da carga de morbimortalidade dos grupos mais jovens aos grupos mais idosos; e transformação de uma situação em que predomina a mortalidade para outra na qual a morbidade é dominante1,3. Artigo Original 12 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 12-16, janeiro / fevereiro / março 2011 Embora as taxas de mortalidade por doenças infec- toparasitárias (DIPs) ainda constituam um problema de saúde pública, verifica-se que no Brasil ocorreu um au- mento no número de mortes por doenças e agravos não transmissíveis (DANTs). Este fato demonstra que o Brasil segue atualmente a tendência de transição epidemioló- gica, assim como os demais países da América Latina1-6. Atualmente, o câncer representa a segunda maior causa de morte na população brasileira, ficando atrás apenas das doenças cardiovasculares4,5. O câncer de laringe, especificamente, ocupa o primeiro lugar em ocorrência dentre os tumores de cabeça e pescoço e re- presenta, depois do câncer de pulmão, o tipo de câncer respiratório mais comum no mundo. Corresponde a déci- ma neoplasia mais frequente no sexo masculino6. Aproximadamente 6.600 novos casos de câncer de laringe são registrados por ano no Brasil, representando algo em torno de 5% de todos os novos casos de câncer, com exceção do câncer de pele. Cerca de 3.500 mortes decorrentes dessa doença são registradas por ano7. O câncer de laringe é primariamente uma doença da meia idade, com picos de incidência na quinta e sex- ta décadas. Predomina no sexo masculino, apesar de termos observado um aumento da incidência no sexo feminino, talvez devido a mudanças na exposição ao ta- baco2,4,5,6. Apesar da diversidade dos fatores de risco, o hábito de fumar é considerado o mais importante fator etiológico no câncer de laringe. O risco de desenvolvimento dessa neoplasia é 14,3 vezes maior em indivíduos que fumam em comparação com os que não fumam. O consumo de bebidas alcoólicas também contribui, significativamente, para o desenvolvimento desse tipo de câncer4,5,8. A taxa de mortalidade por câncer em um dado grupo populacional depende das taxas de incidência, da so- brevida após o diagnóstico, dos riscos competitivos de morte e da composição etária da população. Os estudos de mortalidade são úteis não só para avaliar o problema do câncer em uma dada região, mas também para ana- lisar a efetividade das estratégias de prevenção primária e secundária e a qualidade e impacto do tratamento na sobrevida dos doentes9. Este presente trabalho visa avaliar a evolução da mortalidade por câncer de laringe no Estado da Paraíba no período de 1996 a 2007. MÉTODO Foi realizado um estudo de séries temporais no Es- tado da Paraíba, situado na Região Nordeste do Brasil. Segundo o Censo Demográfico de 2000, a Paraíba apre- senta uma população residente de 3.443.825 habitantes,sendo 1.671.978 homens e 1.771.847 mulheres. Consideram-se, no presente estudo, os óbitos de homens e mulheres de todas as idades, residentes no referido estado brasileiro, que faleceram no período de janeiro de 1996 a dezembro de 2007 e que tiveram como causa básica de morte o câncer de laringe. Esse tipo de neoplasia maligna corresponde ao código C32, de acordo com a 10ª revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-10), incluindo todas as subcategorias: C32.0 – glote, C32.1 – região supraglótica, C32.2 – re- gião subglótica, C32.3 – cartilagens da laringe, C32.8 – lesão invasiva da laringe e, C32.9 – laringe sem outra especificação. A fonte de dados para a obtenção dos óbitos foi o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/SUS), disponível na homepage do Ministério da Saúde10. Para cada ano do estudo, foram calculadas as taxas brutas de mortalidade por 100.000 habitantes. As taxas foram padronizadas por método direto, usando-se como refe- rência a população padrão brasileira11. As estimativas da população, utilizadas como denominadores para o cál- culo desses indicadores, foram fornecidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se de um estudo de coorte contemporânea com corte transversal. Não foram incluídos pacientes as- sistidos, portanto, não foi necessário enviar este trabalho para apreciação do comitê de ética. Foi resguardado o direito de divulgação das fontes (SIM/SUS e IBGE), não existindo danos ou prejuízos à saúde dos indivíduos, considerando que toda a coleta foi em base secundária. A análise da tendência foi feita através da represen- tação gráfica da curva das taxas anuais de mortalida- de e pela sua comparação com outra curva delineada a partir do emprego da técnica estatística das médias mó- veis, integradas, auto-regressivas, de ordem 5.14. Esta técnica, denominada regressão linear simples, possibi- lita uma melhor visualização da tendência temporal do evento por suavizar oscilações porventura existentes na curva produzida pelas taxas anuais. Foram analisados ainda critérios relacionados ao es- tudo da mortalidade tais como gênero, escolaridade e faixa etária. O processamento dos dados e a produção de gráfi- cos foram realizados eletronicamente, com o auxílio do programa software Excel versão 2007, produzido pela Microsoft Office, e o software EpiInfo, versão 6.04b, pro- duzido pela Centers for Disease Control and Prevention. RESULTADOS A taxa bruta de mortalidade por câncer de laringe aumentou de 0,42/100.000 habitantes, no ano de 1996, para 1,48/100.000 habitantes, em 2007, conforme está representado no Gráfico 1. Esse aumento representa uma variação percentual de 249%, levando-se em conta os valores absolutos da mortalidade nos anos de início e término do período analisado. Nesse mesmo gráfico, visualiza-se que a menor taxa de mortalidade ocorreu no ano de 2000, com indicador de 0,32/100.000 habitantes, enquanto que o ano de 2005 apresentou o maior índice, com taxa de mortalidade de 1,59/100.000 habitantes. A análise de séries temporais através da técnica esta- tística das médias móveis, integradas, auto-regressivas Mortalidade por cancêr de laringe no Estado da Paraíba nos anos de 1996 a 2007. Macena et al. Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 12-16, janeiro / fevereiro / março 2011 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 13 e de ordem 5.14, demonstrou tendência a um aumento progressivo das taxas.A análise do Gráfico 2 demonstra as variações da taxa de mortalidade padronizadas a par- tir da população padrão brasileira. Evidencia-se que há manutenção na tendência de aumento na mortalidade por câncer de laringe como o gráfico anterior, entretanto com uma discreta redução de 60%, o que resulta numa variação de 189%. O Gráfico 3 representa a análise dos dados levando- se em consideração o gênero. Revela-se, assim, que a taxa de mortalidade por câncer de laringe é significativa- mente maior no sexo masculino do que no sexo femini- no, representados respectivamente, no último ano de es- tudo, 2007, por 2,58/100.000 habitantes e 0,42/100.000 habitantes. Entretanto, esse padrão se inverte quando é feita a análise da variação da taxa, com variação percen- tual de 264% no sexo feminino e de 245% no masculino. A análise do Gráfico 4 evidencia a descrição dos dados sob a variável escolaridade. Apesar da maioria (53%) ser descrita como ignorado, ainda é possível vi- sualizar que, nos 47% restantes descritos, a maioria dos pacientes apresentava nenhum grau de escolaridade (22%) ou no máximo três anos (11%). Os pacientes com no mínimo oito anos de estudos, somam apenas 6% da amostra. O Gráfico 5 demonstra a análise dos dados conside- rando-se a faixa etária. Observa-se que a mortalidade por câncer de laringe na Paraíba entre os anos de 1996 e 2007 foi mais frequente na faixa etária entre 50 e 79 anos, com maior porcentagem (26%) entre as idades de 50 a 59 anos. DISCUSSÃO É difícil mensurar tendências da mortalidade e a car- ga que representa o câncer em regiões com registros de morte com baixos padrões de qualidade6,12. Apesar da baixa precisão, a utilização de dados de mortalidade é a Gráfico 1. Taxa de mortalidade por câncer de laringe no Estado da Paraíba entre os anos de 1996 a 2007. Gráfico 2. Taxa de mortalidade padronizada a partir da população pa- drão brasileira no Estado da Paraíba entre os anos de 1996 a 2007. Gráfico 3. Evolução da taxa de mortalidade por câncer de laringe se- gundo gênero no Estado da Paraíba entre os anos de 1996 a 2007. Gráfico 4. Análise da escolaridade no Estado da Paraíba entre os anos de 1996 a 2007. Gráfico 5. Análise da faixa etária no Estado da Paraíba entre os anos de 1996 a 2007. Mortalidade por cancêr de laringe no Estado da Paraíba nos anos de 1996 a 2007. Macena et al. 14 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 12-16, janeiro / fevereiro / março 2011 única opção que resta a muitos pesquisadores em diver- sas circunstâncias. O número de mortes por câncer está subestimado quando as estatísticas de mortalidade são usadas como fonte de informação. A mortalidade propor- cional sofrerá mudanças significativas para câncer de uma maneira geral4,13. A Paraíba apresenta apenas um Centro de Alta Com- plexidade em Oncologia II (desenvolve ações de preven- ção, detecção precoce, diagnóstico e tratamento dos ti- pos de câncer mais frequentes no Brasil), dois Centros de Alta Complexidade em Oncologia I (faz o diagnóstico e tratamento dos tipos mais frequentes de câncer no Brasil) e um serviço de quimioterapia isolado10. A Paraíba demonstra índices de mortalidade, para câncer de laringe, com valores crescentes de 1997 a 2007, porém ainda bem abaixo da média brasileira. Acreditamos que esses dados não reflitam completa- mente a realidade, levando em consideração a falta de atendimento especializado em oncologia no estado, e um alto índice de subnotificação e de causas de morte mal definidas na certidão de óbito14. O principal fator de risco para câncer de laringe é o tabagismo4,5,8. O número de fumantes tem diminuído nos últimos anos (32% e 20%, em 198915 e 200116, respec- tivamente) contrapondo-se ao aumento na mortalidade por este câncer observada de 1997 a 2007. Este fato pode ser atribuído a uma consequência das altas preva- lências do tabagismo em décadas anteriores17,18. A mortalidade encontrada foi bem superior no sexo masculino como já é bem descrito na literatura4,6,19. Po- rém foi observado que o aumento na mortalidade por câncer de laringe no sexo feminino (264%) foi superior ao encontrado para o sexo masculino (245%) tomando- se como referência os anos de 1996 e 2007. Esses da- dos justificam-se pela tendência mundial deaumento da exposição ao tabagismo entre as mulheres, atribuídos a mudanças nos hábitos de vida e padrões comportamen- tais da sociedade2,4,5,6,12,16,19, 20. Observou-se na mortalidade por câncer de laringe na Paraíba apresentou frequência superior nos pacien- tes que não apresentavam nenhum grau de escolarida- de(22%), fato este atribuído à falta de esclarecimento sobre os riscos do tabagismo e alcoolismo dentre essa população6, visto que ela não é atingida pelas principais campanhas veiculadas através de cartazes, panfletos e frases escritas no maço de cigarros. Em 1987, Lolio et al investigaram em Araraquara, no estado de São Paulo, as diferenças na prevalência de fumantes entre estra- tos socioeconômicos. Entre homens analfabetos ou com menos de quatro anos de estudo formal, a prevalência de tabagismo atingiu 48,6%, enquanto nos indivíduos com curso superior completo a prevalência foi 35,7%16. Os resultados dos inquéritos populacionais brasileiros de 1989 e 2003 mostraram que em ambos os sexos a intensidade do declínio do tabagismo foi função direta da renda familiar. Inquérito populacional por telefone re- alizado em 2006 mostrou prevalência de tabagismo mais elevada nos indivíduos com menor nível educacional21. Considerando-se a escolaridade como um indicador in- direto de renda, esta população, já menos assistida, ten- derá a apresentar maior gravidade de saúde com inci- dências elevadas de doenças como câncer de laringe17. A mortalidade por câncer de laringe na Paraíba entre os anos de 1996 e 2007 foi mais frequente na faixa etária entre 50 e 79 anos correspondendo a 74% dos casos. Goiato et al observaram uma maior incidência do câncer de laringe em pacientes com idade entre 50 e 69 anos22. CONCLUSÃO Diante dos resultados encontrados para o Estado da Paraíba e a da magnitude do câncer de laringe como problema de saúde pública, faz-se necessário priorizar ações visando o controle da doença. Tal fato implica na adoção de estratégias relacionadas à cobertura assis- tencial e a investimentos com profilaxia, além de melhor estruturação das redes primária e secundária de aten- dimento para elevação da qualidade e efetividade da atenção. REFERÊNCIAS 1. Schramm JMA. et al. Transição epidemiológica e o estudo de carga de doença no Brasil. Ciênc. Saúde Coletiva [online]. 2004, 9(4):897- 908. ISSN 1413-8123. 2. Pitanga FJG. Epidemiologia, atividade física e saúde. Rev. Bras. Ciên. e Mov. 2002, 10(3):49 -54. 3. Prata PR. A transição epidemiológica no Brasil. Cad. Saúde Pública. 1992, 8(2). 4. Wünsch Filho V, Moncau JE. 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CEBRID, UNIFESP – Uni- Mortalidade por cancêr de laringe no Estado da Paraíba nos anos de 1996 a 2007. Macena et al. Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 12-16, janeiro / fevereiro / março 2011 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 15 versidade Federal de São Paulo. 2002. 17. Iglesias R, Jha P, Pinto M, Silva VLC, Godinho J. Documento de discussão - saúde, nutrição e população (HNP) Controle do tabagismo no Brasil: resumo executivo. Epidemiol. Serv. Saúde. 2008, 17(4):301- 304. 18. Instituto Nacional do Câncer, Ministério da Saúde. Inquérito domici- liar sobre comportamentos de risco e morbidade referida de doenças e agravos não transmissíveis. Brasil, 15 capitais e Distrito Federal, 2002- 2003. 2004. 19. Wünsch, V. The epidemiology of laryngeal cancer in Brazil. Sao Paulo Med. J. [online]. 2004, 122(5):188-194. 20. Araujo AJ. et al. Diretrizes para Cessação do Tabagismo. J. Bras. Pneumol. [online]. 2004, 30(2):S1-S76. 21. Wünsch Filho V, Mirra AP, Lopez RVM, Antunes LF. Tabagismo e câncer no Brasil: evidências e perspectivas. Rev. Bras. Epidemiol. [on- line]. 2010, 13(2):175-187 22. Goiato et al. Perfil de pacientes acometidos por câncer de laringe atendidos no Centro de Oncologia Bucal-UNESP. Rev. Odonto Ciênc. 2006, 21(51):3-8. Mortalidade por cancêr de laringe no Estado da Paraíba nos anos de 1996 a 2007. Macena et al. 16 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 12-16, janeiro / fevereiro / março 2011 Revisão do paradigma terapêutico do câncer da hipofaringe Abrão Rapoport 1 Otávio Alberto Curioni 2 Rogerio Aparecido Dedivitis 3 Helma Maria Chedid 4 Ali Amar 5 Claudio Roberto Cernea 6 Lenine Garcia Brandão 7 RESUMO Introdução: O câncer de hipofaringe é uma neoplasia diferenciada que acomete usualmente etilistas e tabagistas, sendo diagnosticado somente nos estádios III e IV. O tratamento dessa neoplasia constitui-se no grande desafio da especialidade, pelo baixo grau de sucesso alcançado nas terapêuticas indicadas. Método: No Departamento de Cabeça e Pescoço/ Otorrinolaringologia do Hospital Heliópolis e no Departamento de Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Faculdade de Medicina da USP foram atendidos e tratados 167 (1977 a 2007) pacientes portadores de carcinoma epidermoide de hipofaringe, sendo 164 nos estádios III e IV e 3 nos estádios I e II. A avaliação da casuística quanto à recidiva foi analisada pelo Teste de Mann-Whitney. Resultados: Dos pacientes submetidos à cirurgia associada ou não à quimioterapia, 87(52,2%) cursaram com recidiva local, regional ou metástase à distância enquanto que 45(26,9%) estão vivos assintomáticos. Quanto ao emprego da radioterapia e da quimioterapia complementar, a irradiação foi utilizada em 107 casos (88,3%) e a quimioterapia adjuvante em somente 4 casos (3,5%), o que demonstra que o estádio avançado é limitante do emprego das drogas antineoplásicas. Conclusão: O câncer de hipofaringe é o maior desafio em cabeça e pescoço, pois os protocolos vigentes utilizados não caracterizam resultados de sobrevida satisfatórios. Descritores: Neoplasias Hipofaríngeas; Carcinoma de Células Escamosas; Condutas Terapêuticas. ABSTRACT Introduction:The cancer of hypopharynx is a differentiated neoplasm with incidence in advanced stages (III and IV) in patients (alcoholic and tobacco users). The therapy for this tumor is a real challenge for the head and neck surgeon, due to the low success reached. Method: 167 patients were treated at Head and Neck Departments of Heliopolis Hospital and São Paulo School of Medicine, USP, being 164 on stages III and IV, 3 on stage I and II. The assessment of recurrence was performed through the Mann-Whitney Test. Results: From 167 cases submitted to surgery alone or associated to radio/chemotherapy, 87 (52.2%) recurred (local, regional or distant metastasis), and 45 (26.9%) were alive. Concerning irradiation and chemotherapy, the first one were associated in 107 cases (88.3%), and chemotherapy only in 4 cases (3.5%). These numbers showed that in advanced stages, the association of drugs is limited due to bad results. Conclusion: Hypopharynx cancer is the major challenge in head and neck cancer therapy, considered that the protocol employed showed poor survival rates results. Key words: Hypopharyngeal Neoplasms; Carcinoma, Squamous Cell; Therapeutical Approaches. 1) Professor Livre Docente pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Assistente do Departamento de Cirurgia de Cabeça e Pescoço e Otorrinolaringologia do Hospital Heliópolis, São Paulo / SP, Brasil. 2) Doutor em Patologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Chefe do Departamento de Cirurgia de Cabeça e Pescoço e Otorrinolaringologia do Hospital Heliópolis, São Paulo / SP, Brasil. 3) Professor Livre Docente do Departamento de Cirurgia da Fundação Lusíada Unilus. Chefe dos Serviços de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital Ana Costa e da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Santos. Médico Assistente do Departamento de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. 4) Mestre em Ciências pelo Hospital Heliópolis, São Paulo / SP, Brasil. Assistente do Departamento de Cirurgia de Cabeça e Pescoço e Otorrinolaringologia do Hospital Heliópolis, São Paulo/ SP, Brasil. 5) Doutor em Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço pela Universidade Federal de São Paulo. Assistente do Departamento de Cirurgia de Cabeça e Pescoço e Otorrinolaringologia do Hospital Heliópolis, São Paulo / SP, Brasil. 6) Professor Associado da Disciplina de Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, São Paulo / SP, Brasil. Professor Associado da Disciplina de Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, São Paulo / SP, Brasil. 7) Professor Titular da Disciplina de Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, São Paulo / SP, Brasil. Professor Titular da Disciplina de Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, São Paulo / SP, Brasil. Instituição: Departamentos de Cirurgia de Cabeça e Pescoço e Otorrinolaringologia do Hospital Heliópolis e Dept° de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. São Paulo / SP - Brasil. Correspondência: Abrão Rapoport - Rua Cônego Xavier, 276 - São Paulo / SP – Brasil – CEP: 04231-030 - E-mail: arapoport@terra.com.br Recebido em 14/02/2011; aceito para publicação em 20/02/2011; publicado online em 20/03/2011. Conflito de interesse: não há. Fonte de fomento: não há. New look on the therapeutical paradigm for hypopharyngeal cancer Código 152 Artigo Original Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 17-20, janeiro / fevereiro / março 2011 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 17 INTRODUÇÃO Aproximadamente 500 casos novos são matricula- dos e tratados anualmente nos Departamentos de Ci- rurgia de Cabeça e Pescoço e Otorrinolaringologia do Hospital Heliópolis e Faculdade de Medicina da USP em levantamento do Registro Hospitalar de Câncer no perí- odo de 2000 a 2010, dos quais 200 tratados por cirurgia isolada ou associada à quimioterapia e/ou radioterapia. Cerca de 70% são casos na faixa etária acima dos 60 anos, com taxa de sobrevida que varia em função da localização da lesão e da precocidade diagnóstica. O paradigma terapêutico é constantemente revisto, con- siderado a evolução insidiosa destas neoplasias, que habitualmente são diagnosticadas nas fases avançadas (estádios III e IV). O câncer da hipofaringe (predomínio do recesso pi- riforme) ocorre em 5 a 10% dos tumores malignos das vias aerodigestivas superiores, sendo que em 30% dos casos, o 1° sintoma é a adenopatia cervical metastáti- ca, pela proximidade do seio piriforme com o linfonodo júgulo-carotídeo médio satélite, precoce na patologia faríngea. Assim, em revisão do Registro Hospitalar de Câncer, dos 64 casos de câncer da hipofaringe dos anos 2008, 2009 e 2010, somente 3 eram estádios I e II, sen- do os demais III e IV. Por essas razões, invariavelmente comparecem à primeira consulta na fase avançada da doença, quan- do o padrão terapêutico envolve o monobloco cirúrgico associado à quimioradioterapia. Eventualmente, há ne- cessidade de reconstrução da via digestiva com retalho miocutâneo de grande peitoral ou retalho microvascular. Assim, há necessidade de re-adequação dos proto- colos terapêuticos, pois a limitação da sobrevida global e livre de doença nos impele a uma reflexão quanto ao real valor da terapêutica cirúrgica isolada ou associada, em contrapartida ao tratamento conservador com a quimio- terapia de indução e neoadjuvante a irradiação1. O diagnóstico e o estadiamento do câncer da hipo- faringe são pautados pelo exame loco-regional, biópsia, imagens com TC e RNM, associados à classificação TNM (UICC/AJC de 2009), aliados aos fatores de risco dos portadores do carcinoma epidermoide, onde todos são etilistas e tabagistas de longa data. Assim, após uma longa trajetória (quatro décadas) de tratamento desta neoplasia, duas escolas tradicionais aliam-se na discussão de novas propostas de mudança do paradigma terapêutica do carcinoma da hipofaringe, que se constitui em um dos maiores desafios para os oncologistas de cabeça e pescoço2. MÉTODO Foram diagnosticados e tratados de 1978 a 2008 167 pacientes com carcinoma epidermoide de hipofarin- ge (seio piriforme), todos os tabagistas e etilistas assim distribuídas por décadas – Quadro 1. Quanto ao estadiamento, dos 167 casos, somente três casos estavam nos estádios I e II, sendo tratados por ressecções parciais de faringe (faringolaringectomia parcial), enquanto 164 casos foram submetidos à farin- gogectomia total e esvaziamento cervical radical (clássi- co ou funcional), associado ou não à quimioradioterapia. Quanto ao tratamento irradiante, a dose de irradiação média foi de 5000 CGy e a quimioterapia adjuvante com Taxol, Cisplatinum e Fluoracil. RESULTADOS Quanto à evolução dos pacientes, tivemos a pre- sença de 15% de recidiva local (RL), 22,8% de recidiva regional (RR) e 14,4% de metástases à distância (M) – Quadro 2. Quanto à recorrência do câncer da hipofaringe, esta neoplasia recidiva localmente (Tabela 1), regionalmente (Tabela 2) e à distância (Tabela 3), de forma isolada ou simultânea; sendo avaliados os episódios referidos por meio do Teste de Whitney. Quanto à sobrevida (Quadro 3): Para avaliação da sobrevida em função da comple- mentação terapêutica à cirurgia, a radioterapia foi regra – Tabela 4. Quanto ao emprego da quimioterapia, esta foi utili- zada em poucos casos, considerado o predomínio dos estádios III e IV – Tabela 5. Quadro 1. Incidência de câncer da hipofaringe. Década Nº casos % 70 11 6,6 80 69 41,3 90 47 28,1 00 40 24,0 Total 167 100,0 Quadro 2. Evolução do câncer da hipofaringe. Recidivas PresenteAusente Sem informação RL (recidiva local) 25(15,0%) 103(61,6%) 39(23,4%) RR (recidiva regional) 38(22,8%) 94(56,3%) 35(56,3%) M(metástase) 24(14,4%) 103(61,6%) 40(24,0%) Total 87(52,2%) - - 18 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 17-20, janeiro / fevereiro / março 2011 Revisão do paradigma terapêutico do câncer da hipofaringe. Rapoport et al. plica a limitação da sobrevida livre de doença (SLD) e da sobrevida global (SG), justificando a necessidade de uma revisão imediata do protocolo terapêutico. Ao avaliarmos a recorrência da neoplasia (Tabelas 1, 2 e 3), aferimos que todos os eventos ocorrem no se- guimento de dois anos e meio, em cifras significativas, o que nos obriga a refletir sobre a mudança imediata da forma de associação terapêutica e do questionamento sobre a validade do modelo vigente, pois o mesmo se tem mostrado insuficiente na caracterização de bons re- sultados de sobrevida4. Isto leva a considerar no futuro próximo o emprego de quimio/radioterapia precedendo a cirurgia ou consti- tuindo-se na modalidade de tratamento inicial nos está- dios avançados (III e IV). Ao analisarmos a sobrevida (Quadro 3), dos 167 pa- cientes tratados, estão vivos 45(26,8%) em 30 meses (2 e ½ anos), o que permite afirmar que a sobrevida média de 30 meses no câncer da hipofaringe tratado pelo mo- nobloco cirúrgico associada à radioquimioterapia deve ser confrontado com o tratamento conservador de início, seguido ou não do resgate cirúrgico. Finalmente, quanto ao papel complementar da ra- dioterapia (Tabela 4) e da quimioterapia (Tabela 5), é necessário reconhecer sua ineficácia na melhora dos resultados. Em síntese, o câncer da hipofaringe é o desafio do oncologista de cabeça e pescoço. É uma neoplasia que acomete pacientes de baixa renda (etilistas e tabagis- tas), recidivante e que não permite à luz dos protocolos Quadro 3. Sobrevida*. Categoria Nº % MOAS 18 10,8 MOCA 88 52,7 Vivo assintomático 45 26,9 SI 16 9.6 Total 167 100,0 * MOAS = Morto assintomático; MOCA = Morto por câncer; MOAS = Vivo assintomático; SI = Sem informação. Tabela 1. Recidivas locais*. Categoria Nº % Mediana Sim 24 21,8 60 Não 86 72,2 79 *Teste Mann-Whitney p= 0,848 Tabela 2. Recidivas regionais*. Categoria Nº % Mediana Sim 35 30,7 59 Não 79 69,3 79 *Teste Mann-Whitney p= 0,102 Tabela 3. Metástases à distância*. Categoria Nº % Mediana Sim 23 21,1 75 Não 86 78,9 69 *Teste Mann-Whitney p= 0,657 Tabela 4. Radioterapia complementar*. Categoria Nº % Mediana Sim 107 88,3 67 Não 23 17,7 59 *Teste Mann-Whitney p= 0,560 Tabela 5. Quimioterapia complementar*. Categoria Nº % Mediana Sim 4 3,5 77 Não 111 96,5 67 *Teste Mann-Whitney p= 0,760 DISCUSSÃO O câncer da hipofaringe continua a ser o grande de- safio na especialidade. Por ser habitualmente uma neo- plasia altamente diferenciada (carcinoma espinocelular), recidivante local e regionalmente, em pacientes etilis- tas e tabagistas, de comportamento insidioso, tornam- se sintomáticos somente nos estádios III e IV. Quando avançados localmente, cursam com otalgia reflexa, odi- nofagia, disfagia e rouquidão, e quando o fazem de for- ma regional, surgem linfonodos como primeiro sintoma da doença em 30% dos casos, usualmente já fazendo continuidade com a lesão avançada do seio piriforme. Ao lado deste grave quadro clínico, trata-se de uma neopla- sia recidivante localmente no “follow-up” pós-tratamento nos 30 meses que se seguem, determinante de uma so- brevida livre de doença (SLD) pobre e que justifica um acompanhamento rígido para o estabelecimento rápido do resgate quando possível. As dificuldades dos estudos multicêntricos em nosso meio, ao lado da baixa de frequência do diagnóstico des- tas neoplasias (Quadro 1) não têm permitido reavalia- ções de grandes séries históricas3, estreitando em muito as chances de revisões críticas dos modelos terapêuti- cos, altamente necessários ao considerarmos as taxas de remissão e recidiva desta neoplasia maligna, somen- te diagnosticada nos estadios III e IV. Ao consideramos o seguimento dos pacientes (Qua- dro 2), trata-se de uma neoplasia altamente recidivante no prazo de 2 e meio anos (52,2%), o que por si só ex- Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 17-20, janeiro / fevereiro / março 2011 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 19 Revisão do paradigma terapêutico do câncer da hipofaringe. Rapoport et al. atuais, conferir sobrevida livre de doença que justifique uma radicalidade cirúrgica que não traz benefícios de longo prazo aos pacientes5-8. Torna-se imperioso enfren- tarmos esse desafio, incorporando métodos de auxílio diagnóstico e do estadiamento com as imagens (CT, RNM e PetCT) para melhor diagnosticar, estadiar e tra- tar estas neoplasias malignas, fica evidente que a doen- ça subclínica e molecular, comportam-se naturalmente como fatores limitantes do sucesso terapêutico do cân- cer da hipofaringe. REFERÊNCIAS 1. Wei WI. The dilemma of treating hypopharyngeal carcinoma: more or less: Hayes Martin Lecture. Arch Otolaryngol Head Neck Surg. 2002; 128(3):229-32. 2. Chedid HM, Franzi AS, Rapoport A, Curioni AO. Impacto da associa- ção terapêutica na sobrevida livre de doença no câncer da hipofaringe. Rev Col Bras Cir. 2010;37(6):385-9. 3. Hall SF, Groome PA, Irish J, OSullivan B. Towards further understan- ding of prognostic factors for head and neck cancer patients: the exam- ple of hypopharyngeal cancer. Laryngoscope. 2009;119(4):696-702. 4. Chu PY, Li WY, Chang SY. 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Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 17-20, janeiro / fevereiro / março 2011 Revisão do paradigma terapêutico do câncer da hipofaringe. Rapoport et al. Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 21-26, janeiro / fevereiro / março 2011 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 21 Traqueostomia aberta à beira do leito da UTI em Hospital Universitário Mario Sérgio Rocha Macedo 1 Francisco Monteiro de Castro Junior 2 Francisco de Assis Castro Bomfim Júnior 3 Arnaldo Aires Peixoto Júnior 4 Selinaldo Amorim Bezerra 5 Igor Furtado Soares Melo 6 Jônatas Catunda de Freitas 6 RESUMO Introdução: A traqueostomia é um procedimento cirúrgico eletivo realizado em pacientes graves que requerem suporte respiratório prolongado. O risco de transporte, os custos crescentes associados e a dificuldade em reservar uma sala de operações são obstáculos que favorecem sua realização à beira do leito da UTI. Objetivo: Analisar as indicações, a viabilidade e as complicações da traqueostomia realizada a beira do leito em UTI, bem como determinar se a traqueostomia precoce reduz o tempo de internação na UTI e a mortalidade geral, e comparar os resultados com a literatura. Método: Estudo retrospectivo em que foram analisados, no períodode janeiro de 2007 a julho de 2009, prontuários de 107 pacientes internados na UTI do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC) e que foram submetidos à traqueostomia. Os procedimentos foram realizados por residentes de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, sob a orientação de staff do Serviço. Resultados: A média de idade foi de 56 anos, sendo 60,7% pacientes do sexo feminino e 39,3% do sexo masculino. A insuficiência respiratória foi o motivo mais comum de internação na UTI, em 46,7% dos casos, e a perspectiva de intubação prolongada foi a indicação mais frequente de traqueostomia, em 70,1%. Houve cinco complicações descritas, três delas foram decanulações acidentais e duas foram hemorragia. 90 (84,1%) dos pacientes realizaram traqueostomia tardiamente (>7 dias) e 17 (15,2%) precocemente (≤7 dias). A traqueostomia realizada de forma precoce foi importante fator para a redução do tempo de internação na UTI (p=0,018). Conclusão: A traqueostomia aberta pode ser feita com segurança na UTI, desde que se possua material adequado bem como pessoal qualificado para sua realização e para o acompanhamento do paciente traqueostomizado. Descritores: Traqueostomia; Unidades de Terapia Intensiva; Cuidados Intensivos. ABSTRACT Introduction: Tracheostomy is a surgical procedure performed on critically ill patients requiring prolonged respiratory support. The risk of transporting, the increasing associated cost and operative room schedule are obstacles that lead it to be performed at the bedside in the ICU. Objective: To determine the indications, feasibility and complications of tracheostomy performed at the bedside in the ICU, and analyze ICU stay, hospital stay and overall mortality when it was done early or late. Method: The medical records of 107 patients submitted to tracheostomy in the ICU of a university hospital (HUWC) between January 2007 and July 2009 were evaluated retrospectively. The procedures were performed by Head and Neck Surgery residents under the supervision of Head and Neck surgeon. Results: The mean age of the patients was 56 years, 60.7% were females and 39.3% were male. Respiratory failure was the most common reason for ICU admission in 46.7%, and the prolonged need for intubation was the most common indication for tracheostomy, 70.1%. There were five complications, three were accidental tube removal and two were substantial bleending. 88 (84.6%) patients underwent late tracheostomy (> 7 days) and 16 (15.4%) early (≤ 7 days). The tracheotomy performed at an early stage was an important factor for reducing the length of stay in ICU (p = 0.018). Conclusion: The open tracheostomy in the ICU is feasible and presents low rate of complications, provided they have appropriate equipment and qualified personnel for make the procedure and monitor the patient during and after. Key words: Tracheostomy; Intensive Care Units; Intensive Care. 1) Médico. Cirurgião de Cabeça e Pescoço do Serviço de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital das Clínicas da UFC e do Hospital São Carlos, Fortaleza / CE. 2) Mestrado. Chefe do Serviço de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital das Clínicas da UFC. 3) Médico. Cirurgião de Cabeça e Pescoço do Serviço de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital das Clínicas da UFC. 4) Doutorando em Farmacologia – UFC. Título de Especialista em Medicina Intensiva (AMIB). Coordenador da Residência Medica em Medicina Intensiva do HUWC/UFC. 5) Médico. Residente de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital das Clínicas da UFC, Fortaleza / CE. 6) Acadêmico de Medicina da Faculdade de Medicina da UFC. Instituição: Serviço de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Ceará (Hospital Walter Cantídio), Fortaleza-CE. Endereço: Rua Alexandre Baraúna, 949, Rodolfo Teófilo, CEP: 60430-160, Fortaleza, Ceará. Correspondência: Dr. Mário Sérgio Rocha Macedo, Av. Pontes Vieira 2531, Hospital São Carlos, Fortaleza CE. E-mail: mariosergio.macedo@bol.com.br Recebido em 03/12/2010; aceito para publicação em 9/03/2011; publicado online em 20/03/2011. Conflito de interesse: não há. Fonte de fomento: não há. Open bedside tracheostosmy in the ICU of a University Hospital Código 129 Artigo Original INTRODUÇÃO A traqueostomia é um procedimento eletivo muito comum em hospitais de grande porte1,2. É considerada a cirurgia mais frequente nos pacientes internados nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI), pois eles geral- mente necessitam de ventilação mecânica por um tempo prolongado, e a traqueostomia possui vantagens sobre o tubo orotraqueal nessa situação³. Os benefícios vão des- de a redução da resistência de vias aéreas, dos riscos de ulcerações orais e labiais, até a agilizar o desmame da ventilação mecânica, permitir alimentação oral, pro- porcionar maior conforto e comunicação aos pacientes e facilitar os cuidados da enfermagem4,5. Tradicionalmente, a traqueostomia eletiva era reali- zada no centro cirúrgico. Porém, devido à melhor estru- turação das UTIs, ao surgimento de aparelhos menores e instrumentos mais práticos bem como de profissionais mais experientes, passou a ser realizada também à beira do leito. Todavia ainda não é consenso a sua realização nas UTIs, necessitando, assim, de um maior número de estudos para confirmar sua segurança6, apesar de evitar o transporte dos pacientes e suas consequências, visto que muitos deles não devem ser muito mobilizados, têm lesões graves e estão geralmente conectados a múlti- plos aparelhos, acessos venosos, drenos ou monitoriza- ções mais invasivas que podem sair do lugar durante o transporte, complicando ou ameaçando suas vidas7. Ainda não existe consenso sobre qual a época certa para realização da traqueostomia em pacientes sob re- gime de ventilação mecânica8. Alguns autores propõem a sua realização de forma precoce, pois esta medida pa- rece está associada à redução da ventilação mecânica, ao tempo de internação na UTI e ao tempo de internação hospitalar 9-11. O objetivo do estudo foi analisar a indicação, em que momento foi realizada e a técnica utilizada na traqueos- tomia, bem como o perfil do paciente traqueostomizado e a segurança do procedimento à beira do leito da UTI. Além disso, foram comparados os pacientes que se sub- meteram ao procedimento de forma precoce com os que a realizaram de forma tardia. MÉTODO Trata-se de um estudo retrospectivo em que foram analisados, no período de janeiro de 2007 a julho de 2009, prontuários de 107 pacientes internados na UTI do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC) que foram submetidos à traqueostomia. Os procedimentos constituíam conduta habitual do serviço para o tratamen- to dos pacientes, e, por isso, o consentimento livre pós- informado não foi obtido. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do HUWC. Os procedimentos foram realizados por residentes de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, sob a orientação de staff do Serviço. A técnica utilizada foi a da traqueosto- mia subtireóidea aberta, realizada à beira do leito, com incisão transversal na pele e na traqueia na segunda ou terceira membrana traqueal, colocando um ponto de re- paro em sua borda inferior. Foram analisadas variáveis como: idade, sexo, mor- talidade geral na UTI, escore do Acute Physiology and Chronic Health Evaluation II (APACHE II), mortalidade prevista segundo esse índice, mortalidade na UTI, tem- po de internação na UTI, tempo de internação hospitalar, tempo antes da traqueostomia, indicação de traqueos- tomia, e complicações da cirurgia. Os dados foram re- cuperados de um banco de dados alimentado prospec- tivamente. Os distúrbios que deram origem à internação na UTI foram padronizados como: insuficiência respiratória, distúrbio cardiovascular, sepse, disfunção neurológica, doença gastrointestinal eoutros. As indicações de tra- queostomia foram as seguintes: intubação prolongada (perspectiva de intubação > 14 dias), proteção da via aérea (em casos de pacientes com déficit neurológico grave), toalete pulmonar e obstrução das vias aéreas. Somente foram submetidos ao procedimento os pacien- tes que apresentavam coagulograma favorável: conta- gem de plaquetas maior que 50.000, tempo e atividade de protrombina (TAP) determinando INR <1,5 e tempo de tromboplastina parcial ativada adequada. Os pacientes foram divididos em dois grupos: o gru- po da traqueostomia precoce, no qual o procedimento foi realizado nos primeiros sete dias do início da ventilação mecânica, e o grupo da traqueostomia tardia, realizada após este período. As variáveis estudadas foram descritas utilizando médias e proporções. Os dados coletados foram classifi- cados e tabulados em um planilha eletrônica, utilizando- se o programa EpiInfo (versão 6.0). A análise estatísti- ca configurou-se pelo uso do teste do Qui-quadrado ou o teste Exato de Fisher para as sociação das variáveis qualitativas. Para as variáveis quantitativas utilizou-se o teste de Mann-Whitney. Fixou-se o risco ≤ 0,05 ou 5% como nível de rejeição da hipótese de nulidade. RESULTADOS Os dados epidemiológicos dos pacientes submeti- dos à traqueostomia foram descritos na Tabela 1. A mé- dia de idade foi de 56 anos, sendo 60,7% pacientes do sexo feminino e 39,3% do sexo masculino. A insuficiên- cia respiratória foi o motivo mais comum de internação na UTI, correspondendo a 46,7% dos casos. Disfunção neurológica e sepse vêm em segundo e terceiro lugar com 25,2% e 15,9%, respectivamente. A mortalidade ge- ral na UTI foi de 29,9%. A Tabela 2 mostra os dados relativos à traqueosto- mia. A intubação prolongada foi a indicação mais fre- quente de traqueostomia, em 70,1%. Proteção da via aé- rea veio em segundo lugar com 24,3%. Obstrução da via aérea e toalete pulmonar corresponderam a 2,8% dos casos cada. A cânula de traqueostomia mais utilizada foi a de número 7,5, correspondendo a 67,3% do total. 22 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 21-26, janeiro / fevereiro / março 2011 Traqueostomia aberta à beira do leito da UTI em Hospital Universitário. Macedo et al. Houve cinco complicações descritas (4,7%), três de- las foram decanulações acidentais e duas complicações foram de cunho hemorrágico. Em dois casos houve per- da de cânula no 1º dia de pós-operatório e outro caso com 36 horas de cirurgia. Esses pacientes foram sub- metidos à nova traqueostomia com fixação adequada do tubo. As outras duas complicações foram um sangra- mento de pequena monta, controlado adequadamente por compressas, e o outro um sangramento abundan- te decorrente de uma fístula carotídeo-traqueal. Neste caso, o paciente evoluiu com choque hipovolêmico, ne- cessitando de cervicotomia alargada de urgência para correção da fístula. No pós-operatório, evoluiu com um acidente vascular cerebral isquêmico. Posteriormente, recebeu alta da UTI. Não houve nenhum óbito relaciona- do ao procedimento cirúrgico. A comparação entre a traqueostomia realizada pre- cocemente (≤7 dias) e tardiamente (>7 dias) foi eviden- ciada na Tabela 3. 90 (84,1%) dos pacientes realizaram traqueostomia tardiamente e 17 (15,9%) precocemente. Da análise dos dados, podemos estimar que a traque- ostomia realizada de forma precoce foi um importante fator para a redução do tempo de internação na UTI. Não houve diferença estatística em relação ao tempo de in- ternação hospitalar e a mortalidade na UTI. DISCUSSÃO A traqueostomia feita à beira do leito na UTI já foi considerada um procedimento de alta morbidade e mor- talidade, e era realizada principalmente no centro cirúr- gico3. No entanto, diversos estudos mostram que esse procedimento pode ser realizado eficientemente na UTI, devido ao surgimento de aparelhos menores e mais prá- ticos e ao melhor treinamento dos profissionais6. Além disso, existem riscos durante o transporte de pacientes graves para o centro cirúrgico, o custo do procedimento é bem maior do que quando é feito na UTI, e geralmen- Tabela 1. Características epidemiológicas dos pacientes submetidos à traqueostomia. Variáveis N (%) ou Média ± DP Idade (anos) 56 ± 18,90 Sexo Feminino 65(60,7) Masculino 42(39,3) Mortalidade geral na UTI 32 (29,9) Média do APACHE II 20,19 ± 8,38 Mortalidade prevista 37,52 ± 21,40 Tempo de internação (UTI) 20,71± 10,55 Tempo de internação (hospitalar) 50,86 ± 35,00 Tempo de intubação orotraqueal 11,85 ± 3,70 Motivo da internação na UTI 107 Disfunção neurológica 27 (25,2) Disfunção cardiovascular 4 (3,7) Doença gastrointestinal 6 (5,6) Insuficiência respiratória 50 (46,7) Sepse 17 (15,9) Outros 3 (2,8) Tabela 2. Dados relativos à traqueostomia aberta. Variáveis Número de pacientes (%) Indicações Intubação prolongada 75 (70,1) Obstrução da via aérea 3 (2,8) Proteção de via aérea 26 (24,3) Toalete pulmonar 3 (2,8) Número da cânula utilizada Nº 6 1(0,9) Nº 7,5 72 (67,3) Nº 8 28 (26,2) Nº 8,5 6 (5,6) Complicações 5(4,7) Sangramento 2(1,9) Decanulações 3(2,8) Tabela 3. Comparação entre traqueostomia precoce e tardia . Variáveis n (%) ou Média ± DP Precoce (< 7 dias) Tardia ( > 7 dias) Valor – p* Número de pacientes 17(15,9) 90(84,1) Idade 58,23±19,07 55,77 ± 21,94 0,663 Sexo Feminino 13 (76,5) 52 (57,8) Masculino 4 (23,5) 38 (42,2) Escore do APACHE II 18,41 ± 5,23 20,53 ± 8,83 0,336 Mortalidade prevista 28,99 ± 20,07 39,17 ± 21,36 0,069 Tempo de internação (UTI) 16,58± 10,82 21,50 ± 10,37 0,0189* Tempo de internação (hospitalar) 41,68± 25,69 52,72 ± 36,46 0,263 Mortalidade geral na UTI 5 (15,6) 27 (84,4) 0,057 Complicações da cirurgia 2 (40) 3 (60) 0,177 *Valor estatisticamente significativo. Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 21-26, janeiro / fevereiro / março 2011 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 23 Traqueostomia aberta à beira do leito da UTI em Hospital Universitário. Macedo et al. te é difícil reservar uma sala de operações em grandes hospitais, devido às inúmeras cirurgias que ocorrem si- multaneamente, o que retarda o tempo da traqueostomia e leva a perda dos benefícios de quando é realizada pre- cocemente7, 12-14. Devido à descrição da técnica da traqueostomia per- cutânea por Ciaglia, a traqueostomia à beira do leito pas- sou a ser uma opção aceitável, pois aparentemente essa nova técnica é mais segura e mais fácil de ser realiza- da do que a aberta15. Porém, em estudos comparativos elas apresentaram resultados semelhantes em relação às complicações16-20. Delaney et al. , em uma metanáli- se, mostrou índices de complicação equivalente para as duas técnicas durante o procedimento e a longo prazo, porém com incidência de infecção da ferida operatória menor quando foi feita a traqueostomia percutânea2. Outras comparações, como custos, duração do procedi- mento e a utilização mínima de recursos mínimos ainda são controversos19, devido a falhas metodológicas nas pesquisas, como viés de seleção ou comparações entre grupos heterogêneos14. Com relação ao momento ideal de realização da tra- queostomia, as evidências são limitadas 21. Em 1989, um consenso organizado pela NAMDRC (National Associa- tion of Medical Directors of Respiratory Care) recomen- dou traqueostomia para os pacientes com necessidade prevista de via aérea artificial por mais de 21 dias. Quan- do houvesse incerteza na determinação dos dias de ne- cessidade de via aérea artificial, uma avaliação clínica diária deveria ser realizada22. Metanálise publicada em 2005 por Griffiths et al., concluiu que a realização mais precoce do que a atualmente praticada pode reduzir a duração de ventilação mecânicae o tempo de interna- ção na UTI1. Outros trabalhos ainda apontam como be- nefício à diminuição do tempo de internação hospitalar e da incidência de pneumonia relacionada à ventilação mecânica 10,11. Em nosso estudo comparamos a traqueostomia precoce e a tardia (Tabela 3). Diferindo dos dados da literatura 9-11, em que foi relatado diminuição significativa do tempo de internação na UTI, do tempo de interna- ção hospitalar, do APACHE II e da mortalidade geral, ob- servamos que, quando a traqueostomia foi realizada de forma precoce, houve uma diminuição de significância estatística apenas do tempo de internação na UTI. A Tabela 4 mostra que o número de complicações relacionadas à traqueostomia na UTI nesse estudo foi semelhante ao relatado na literatura, com resultados equivalentes aos procedimentos realizados em centro cirúrgico e em outras UTIs 3, 7, 16-20. Mesmo realizadas em pacientes críticos, não tivemos mortalidade relacio- nada às traqueostomias. Julgamos que tanto a baixa incidência de complicações como a ausência de óbito relacionado ao procedimento se deve principalmente ao preparo cuidadoso do local, com iluminação eficien- te, material adequado, profissionais qualificados e bom acompanhamento da enfermagem. A redução do tempo de internação na UTI traz inúmeros benefícios aos pacientes e ao hospital. Os pacientes ficam menos expostos as infecções hospi- talares, há uma redução de custos, pois o paciente per- manece menor tempo na UTI; o hospital pode dispor dos leitos da UTI no atendimento de outro paciente; e os pacientes podem receber visitas de familiares com maior frequência23-26. CONCLUSÃO Concluímos que a traqueostomia aberta pode ser feita com segurança na UTI, desde que esta possua material adequado bem como pessoal qualificado para sua realização e para o acompanhamento do paciente traqueostomizado. Apresenta baixo índice de complica- ções mesmo quando realizada em pacientes graves por cirurgiões em treinamento sob supervisão de um espe- cialista. Conforme a literatura, observamos também que a traqueostomia realizada precocemente foi um dos fa- tores responsáveis pela diminuição do tempo de interna- ção na UTI no nosso serviço. REFERÊNCIAS 1. Griffiths J, Barber VS, Morgan L, Young JD. Systematic review and meta-analysis of studies of the timing of tracheostomy in adult patients undergoing artificial ventilation. BMJ. 2005;330(7502):1243 2. Delaney A, Bagshaw SM, Nalos B. Percutaneous dilatational trache- ostomy versus surgical tracheostomy in critically ill patients: a systema- tic review and meta-analysis. Critical Care. 2006; 10:R55 3. 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Macedo et al. tomy associated with better outcomes for patients requiring long-term mechanical ventilation? Crit Care Med. 2007; 35: 802-807. 5. Groves DS, Durbin Jr. CG. Tracheostomy in the critically ill: indica- tions, timing and techniques. Curr Opin Crit Care. 2007;13:90–97. 6. Santosh UP, Patil BS, Bhat V, Pai S. Elective open tracheostomy for patients under prolonged mechanical ventilation—a study. Indian J Otolaryngol Head Neck Surg. 2009; 61(1): 44–46. 7. Perfeito JAJ, Mata CAS, Forte V, Carnaghi M, Tamura N, Leão LEV. Traqueostomia na UTI: vale a pena realizá-la? J Bras Pneumol. 2007;33(6):687-690. 8. Scales DC, Thiruchelvam D, Kiss A, Redelmeier DA. The effect of tracheostomy timing during critical illness on long-term survival. Crit Care Med. 2008;36(9):2547-2557. 9. Arabi YM, Alhashemi JA, Tamim HM, Esteban A, Haddad SH, Da- wood A, Shirawi N, Alshimemeri AA. 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Estudo do linfonodo cervical pela citologia do imprint Rogerio Aparecido Dedivitis 1 Elio Gilberto Pfuetzenreiter Jr. 2 Mario Augusto Ferrari de Castro 3 RESUMO Introdução: O estudo citológico do linfonodo pelo imprint é de grande importância para complementar o histopatológico, sendo superior ao obtido pela punção aspirativa por agulha fina. Método: Uma série consecutiva de 86 pacientes submetidos à ressecção de linfonodos cervical com a preparação de imprint foram avaliados retrospectivamente. O diagnóstico final foi determinado pelo exame histopatológico do espécime excisado. Sensibilidade, especificidade, valores preditivos e acurácia foram avaliados. Resultados: Houve o diagnóstico final de 54 casos de malignidade, oito casos de tuberculose e 24 casos de hiperplasia reativa não específica. A sensibilidade, especificidade, valores preditivos para os testes negativo e positivo e a acurácia do imprint foram 93,5%, 100%, 85,7%, 100% e 95,3%, respectivamente. Conclusão: O imprint positivo foi sempre coerente com o diagnóstico histopatológico final enquanto, com relação aos achados de negatividade, houve discordância 33% dos casos de linfoma não-Hodgkin e 25% nos casos de tuberculose ganglionar. Devido à sua alta acurácia, pode ser realizado como método auxiliar ao estudo histopatológico, que segue sendo o método- ouro. Descritores: Linfonodos; Citologia; Linfadenite; Transtornos Linfoproliferativos; Metástase Linfática ABSTRACT Introduction: The cytologic study of the lymph node by the imprint method is important as a complementary tool to the histopathologic examination, being more accurate than that obtained by the fine needle aspiration biopsy. Methods: A consecutive series of 86 patients who underwent excision of cervical lymph nodes with imprint preparation were retrospectively reviewed. Final diagnoses were determined by the histologic examination from excision biopsy. Sensitivity, specificity, predictive values and accuracy were evaluated. Results: There were the final diagnosis of 54 cases of malignancy, 8 cases of tuberculosis and 24 cases of nonspecific reactive hyperplasia. The sensitivity, specificity, negative and positive predictive values and accuracy of the imprint were 93.5%, 100%, 85.7%, 100% and 95.3%, respectively. Conclusion: The positive imprint was always coherent with the final histologic diagnosis, whereas regarding the negative findings, there was disagreement in 33% of the non-Hodgkin lymphomas cases and 25% of the ganglionar tuberculosis cases. The imprint can be done due to its high accuracy. However it is considered an auxiliary method to the histopathologic evaluation, which is the gold standard. Key words: Lymph Nodes; Cytology; Lymphadenitis; Lymphoproliferative Disorders; Lymphatic Metastasis. 1) Professor Livre Docente do Departamento de Cirurgia da Fundação Lusíada Unilus. Chefe dos Serviços de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital Ana Costa e da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Santos. 2) Mestre em Ciências pelo Curso de Pós-graduação do Hospital Heliópolis, São Paulo/SP. Professor do Departamento de Cirurgia da Fundação Lusíada UNILUS, Santos. Assistente dos Serviços de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital Ana Costa e da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Santos, Santos/SP, Brasil. 3) Mestre em Ciências pelo Curso de Pós-graduação da Fundação Lusíada UNILUS, Santos/SP, Brasil. Professor do Departamento de Cirurgia da Fundação Lusíada UNILUS, Santos. Assistente dos Serviços de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital Ana Costa e da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Santos, Santos/SP, Brasil. Instituição: Serviços de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital Ana Costa e da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Santos. Santos/SP, Brasil. Correspondência: Rogério A. Dedivitis - Rua Dr. Olinto Rodrigues Dantas, 343 conj. 92 - Santos / SP - Brasil - CEP: 11050-220 E-mail: dedivitis.hns@uol.com.br Recebido em 01/09/2010; aceito para publicação em 09/01/2011; publicado online em 20/03/2011. Conflito de interesse: não há. Fonte de fomento: não há. Artigo Original Cervical lymph node study by imprint cytology Código 138 INTRODUÇÃO A adenopatia cervical pode surgir como consequên- cia de doença benigna ou maligna. A punção aspirativa por agulha fina (PAAF) para sua avaliação é amplamen- te utilizada, no entanto, apresenta limitações devido a amostras inconclusivas e ao alto índice de falso-nega- tivo1. Quando a PAAF é empregada para o estudo de adenopatia cervical a esclarecer e resulta não diagnós- tica, pode haver a necessidade de biópsia a céu aber- to. Um dos diagnósticos diferenciais são os linfomas, sendo importante determinar a arquitetura nodal e ter amostra suficiente para realizar a imunofenotipagem, onde a PAAF encontra limitação2. O estudo citológico do linfonodo pelo imprint é de grande importância para complementar o histopatológico3, sendo o material para tal análise colhido após a ressecção do espécime ci- rúrgico. 26 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 26-29, janeiro / fevereiro / março 2011 Estudo do linfonodos cervical pela citologia do imprint. Dedivitis et al. O objetivo desse estudo é avaliar os achados da téc- nica de imprint em pacientes submetidos à biópsia de linfonodo cervical a céu aberto, correlacionando-a com os achados histopatológicos. MÉTODO Um total de 86 pacientes previamente não tratados foi submetido, no período de fevereiro de 1995 a feverei- ro de 2008, à biópsia de adenopatia cervical. Os dados de prontuário e os achados patológicos foram colhidos retrospectivamente. A idade dos pacientes variou de 7 a 90 anos, com mediana de 55 anos. Do total, 63 pa- cientes eram do gênero masculino. Todos os pacientes apresentaram-se com sintoma de adenopatia cervical, com tempo de história variando de um a seis meses (me- diana, três meses). Em nossa rotina diagnóstica, indica-se a realiza- ção da punção aspirativa por agulha fina em caso de adenopatia cervical com duração superior a um mês de causa inexplicada e medida, no maior eixo do linfo- nodo de, pelo menos, um centímetro de diâmetro. Em função da suspeição clínica de doença granulomatosa, linfoproliferativa ou metastática e de acordo com o re- sultado obtido na PAAF, indica-se a realização da bióp- sia de linfonodo a céu aberto. Sistematicamente, antes de qualquer abordagem diagnóstica invasiva em linfo- nodo cervical é realizado o exame loco-regional com- pleto, interessando a mucosa das vias aerodigestivas superiores. A critério clínico, a linfonodectomia cervical pode ser indicada sem a realização prévia da PAAF. Em todos os casos referenciados para linfonodectomia, realizamos como rotina o imprint imediatamente após a retirada do material, independente da realização pré- via e do resultado obtido pela PAAF. A técnica consiste em seccionar o linfonodo obtido sagitalmente enquanto seguro suavemente entre os dedos, secar a superfície obtida suavemente com uma gaze e realizar sucessi- vos decalques sobre duas lâminas de vidro, sendo as mesmas, a seguir, fixadas em álcool absoluto, para posterior coloração pelo HE. O material obtido pelo imprint foi assim classificado: a) aspecto reacional (Figura 1); b) tipo neoplásico, di- vidido em: doença de Hodgkin (Figura 2); linfoma não- Hodgkin; e metástase de carcinoma. O banco de dados constituiu-se dos dados demográ- ficos, clínicose patológicos. Os achados citopatológicos do imprint foram comparados com aqueles obtidos pelo exame histopatológico, considerado padrão-ouro. Sensi- bilidade, especificidade, valores preditivos para os tes- tes positivo e negativo e acurácia foram calculados. Os achados do imprint foram classificados em verdadeiro- negativo (ausência de malignidade corretamente diag- nosticada), verdadeiro-positivo (presença de malignida- de corretamente diagnosticada), falso-negativo (falha do método em diagnosticar malignidade) e falso-positivo (material incorretamente considerado maligno ou sus- peito de malignidade). RESULTADOS Um total de 86 pacientes foi incluído nesse estudo. A Tabela 1 mostra a distribuição dos casos de acordo com o resultado citopatológico do imprint e sua correla- ção com os achados finais, baseando-se nos achados histopatológicos. A Tabela 2 mostra a acurácia do imprint. Agruparam- se todos os casos de linfadenite crônica e, por outro lado, todos os casos de doenças neoplásicas e granulomato- sas. Com isso, foram obtidos: sensibilidade de 93,5%, especificidade de 100%, valores preditivos dos testes negativo e positivo de 85,7% e 100%, respectivamente e acurácia de 95,3%. Todos os 28 pacientes cujo imprint revelou tratar-se de carcinoma tiveram o diagnóstico confirmado. Des- tes, nove eram portadores de metástase cervical com tumor primário oculto; oito eram de recidiva linfonodal após tratamento oncológico prévio; seis eram portadores de tumor primário diagnosticado em sítio primário nas Figura 1. Linfadenite crônica de aspecto reacional, Papanicolaou, 400x. Figura 2. Doença de Hodgkin, Papanicolaou, 400x. Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 26-29, janeiro / fevereiro / março 2011 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 27 vias aerodigestivas superiores com pescoço estadiado clinicamente como N0 e com achado de adenopatia à tomografia computadorizada; e cinco foram achados ocasionais. Em 11 casos, o diagnóstico foi de carcino- ma papilífero de tireoide metastático. Destes, em oito, o paciente já havia sido tratado previamente e tratava- se de recidiva tardia, enquanto, em três, os pacientes eram virgens de tratamento e não tinham o diagnóstico da doença primária na glândula. Houve três casos com padrão de metástase de carcinoma, confirmando-se, à investigação, carcinoma de pequenas células lesão pri- mária pulmonar. Quanto aos casos confirmados de do- ença de Hodgkin, em todos, o imprint veio compatível, o que não ocorreu em dois de seis casos de linfoma não Hodgkin. Dos 24 casos diagnosticados como linfadenite crônica inespecífica (hiperplasia reacional) ao imprint, todos tiveram confirmação, não havendo falso-positivo pelo método. DISCUSSÃO Em pacientes com um único grupo linfonodal suge- rindo drenagem linfática a partir de um tumor sólido ou em pacientes com fatores de risco (uso de álcool e taba- co, por exemplo), recomenda-se fortemente a investiga- ção em busca do tumor primário antes da biópsia linfo- nodal. Tal recomendação é particularmente relevante na região cervical, onde são comuns metástase derivadas da mucosa das vias aerodigestivas superiores4. O exame de citopatologia por PAAF é um proce- dimento seguro e eficiente para o diagnóstico de ade- nopatia cervical. Entretanto, tem limitações, mesmo quando realizada sob condições ideais. Pode ser difícil distinguir linfoma de baixo grau de hiperplasia reacional e o diagnóstico de linfoma pode não ser definitivo5. Para a tuberculose ganglionar, a sensibilidade e a acurácia da PAAF não são muito elevadas, sobretudo devido a amostras inconclusivas6. A linfonodectomia, por sua vez, requer equipe e sala cirúrgicas e é passível de complicações, como seroma, linfoceles, necrose de borda dos retalhos, in- fecção de parede, edema e tromboflebite7. Além disso, podem ocorrer cicatriz pouco estética e dor residual, por vezes em doenças cujo tratamento não será cirúr- gico. O estudo citológico dos linfonodos pelo imprint é complementar ao exame histopatológico e superior a PAAF, com maior grau de citólise e mistura das células. Trata-se de um método de realização simples. O me- lhor imprint será aquele que obtiver um grande número de células, umas ao lado das outras, com o menor nú- mero de hemáceas3. No imprint de aspecto reacional, as células linfoi- des são de tamanho pequeno e aparência normal. No imprint neoplásico, as respectivas células são reconhe- cidas, como as células de Reed-Sternberg, no caso da doença de Hodgkin ou as células metastáticas de car- cinoma. Entretanto, a doença de Hodgkin (sobretudo no subtipo predomínio linfocitário) e o linfoma linfocítico bem diferenciado podem mimetizar processos reacio- nais3 devido ao predomínio de pequenos linfócitos sem morfologia alterada, o que explica nossos casos de falso-negativo. Por outro lado, não encontramos falso- positivo. Ao contrário da PAAF, o imprint não evita, em casos selecionados, a necessidade da biópsia do linfonodo, na medida em que é realizada simultane- amente à mesma. Em nosso estudo, consideramos o resultado histopatológico como padrão-ouro e o im- print não forneceu resultado falso-positivo e, com ex- ceção de alguns casos de linfoma não-Hodgkin e de tuberculose, apresentou acurácia excelente. Como método que preserva a arquitetura do linfonodo3 e é de confecção simples e de baixo custo, é um método recomendável imediatamente após a remoção do es- pécime cirúrgico, podendo complementar os achados histopatológicos. Estudo do linfonodos cervical pela citologia do imprint. Dedivitis et al. Tabela 1. Confirmação citopatológica do imprint dos resultados histopatológicos (primeira colu- na) nas adenopatias cervicais (n = 86). Diagnóstico citopatológico número de casos confirmação discordância Carcinoma epidermoide metastático 28 28 0 Tumor de tireoide metastático 11 11 0 Carcinoma de pequenas células metastático 3 3 0 Linfoma de Hodgkin 6 6 0 Linfoma não-Hodgkin 6 4 2 Doença granulomatosa 8 6 2 Linfadenite crônica inespecífica 24 24 0 Total 86 82 4 Tabela 2. Diferenciação da linfadenite crônica inespecífica dos demais diagnósticos ao imprint. Sensibilidade Especificidade VP - VP + Acurácia PAAF 93,5% 100% 85,7% 100% 95,3% VP -: valor preditivo para o teste negativo; VP +: valor preditivo para o teste positivo. 28 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 26-29, janeiro / fevereiro / março 2011 Estudo do linfonodos cervical pela citologia do imprint. Dedivitis et al. CONCLUSÃO O imprint positivo foi sempre coerente com o diag- nóstico histopatológico final. Enquanto, com relação aos achados de negatividade, houve discordância 33% dos casos de linfoma não-Hodgkin e 25% nos casos de tu- berculose ganglionar. Devido à sua alta acurácia, pode ser realizado como método auxiliar ao estudo histopato- lógico, que segue sendo o método-ouro. REFERÊNCIAS 1. Kim BM, Kim EK, Kim MJ, Yang WI, Park CS, Park SI. Sonographi- cally guided core needle biopsy of cervical lymphadenopathy in patients without known malignancy. J Ultrasound Med. 2007;26(5):585-91. 2. Hehn ST, Grogan TM, Miller TP. Utility of fine-needle aspiration as a diagnostic technique in lymphoma. J Clin Oncol. 2004;22(15):3046-52. 3. Famadas LC. Subsídios para o estudo citológico do linfonodo pelo “imprint” / Subsides for the cytological study of the lymph node using the imprint. Bol Soc Bras Hematol Hemoter. 1985;7(134):137- 45. 4. Jerjes W, Upile T, Petrie A, Riskalla A, Hamdoon Z, Vourvachis M, Karavidas K, Jay A, Sandison A, Thomas GJ, Kalavrezos N, Hopper C. Clinicopathological parameters, recurrence, locoregional and distant metastasis in 115 T1-T2 oral squamous cell carcinoma patients. Head Neck Oncol. 2010;2:9. 5. Layfield LJ. Fine-needle aspirationof the head and neck. Pathology (Phila). 1996;4(2):409-38. 6. Ammari FF, Bani Hani AH, Ghariebeh KI. Tuberculosis of the lymph glands of the neck: a limited role for surgery. Otolaryngol Head Neck Surg. 2003;128(4):576-80. 7. Picardi M, Gennarelli N, Ciancia R, De Renzo A, Gargiulo G, Ciancia G, Sparano L, Zeppa P, Martinelli V, Pettinato G, Lobello R, Pane F, Rotoli B. Randomized comparison of power Doppler ultrasound-direct- ed excisional biopsy with standard excisional biopsy for the character- ization of lymphadenopathies in patients with suspected lymphoma. J Clin Oncol. 2004;22(18):3733-40. Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 26-29, janeiro / fevereiro / março 2011 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 29 Conhecimento de acadêmicos de odontologia sobre Hepatite B Daniel Antunes Freitas 1 Carla Caribé Maurício 2 Alisson Luis D’Afonseca Santos 3 Antonio Diaz Caballero 4 Clara Inéz Vergara Hernandez 5 Mayane Moura Pereira 6 RESUMO Introdução: A Hepatite B é uma doença fatal e de risco para profissionais da Odontologia. Objetivo: O estudo teve como objetivo verificar se os acadêmicos obtiveram informações adequadas a respeito da doença. Método: realizou-se uma pesquisa através de questionário com uma amostra de 150 acadêmicos de odontologia das Faculdades Unidas do Norte de Minas (FUNORTE) na cidade de Montes Claros, Minas Gerais. Resultados: Constatou-se que a maioria considera os conhecimentos transmitidos na faculdade durante o curso de odontologia satisfatório, mas poucos sabem que a doença é fatal e mesmo sendo a maioria desses alunos vacinados contra a doença, muitos não sabem como contraí-la. Conclusão: Concluímos que, de acordo com o estudo, mesmo os acadêmicos tendo relatado que os conhecimentos são satisfatórios, ainda se faz necessário investir na área da educação e prevenção acerca desse assunto. Descritores: Hepatite B; Conhecimento; Odontologia. ABSTRACT Introduction: Hepatitis B is a fatal disease and risk for dental professionals. Objective: This study aimed to verify if the students had adequate information about the disease. Method: A survey was carried out through a questionnaire with a sample of 150 dental students of the Colleges of Northern Nations Mine (FUNORTE) in Montes Claros, Minas Gerais. Results: We found that the majority considers the knowledge imparted at the college during the course of dentistry satisfactory, but few know that the disease is fatal and even the majority of these students vaccinated against the disease, many do not know how to contract it. Conclusion: We conclude that, according to the study, even the academics have reported that the skills are satisfactory, it is still necessary to invest in education and prevention on this subject. Key words: Hepatitis B; Knowledge; Dentistry. 1) Mestre em Odontologia - Patologia e Diagnóstico Oral. Professor Titular de Semiologia e Diagnóstico das Faculdades Unidas do Norte de Minas - FUNORTE e Editor Científico da Revista AFROUNIMONTES. 2) Graduada em Odontologia pelas Faculdades Unidas do Norte de Minas - FUNORTE. Odontóloga. 3) Mestre em Odontologia. Professor das Faculdades Unidas do Norte de Minas - FUNORTE. 4) Especialista em Periodontia. Mestre em Educação. Doutorando em Ciências Biomédicas. Professor Titular do Curso de Odontologia da Universidade de Cartagena (Colombia). 5) Especialista em Patologia Bucal. Professora Titular/Dedicação Exclusiva e Vice-Decana da Faculdade de Odontologia da Universidade de Cartagena (Colombia). 6) Acadêmica do Curso de Odontologia das Faculdades Unidas do Norte de Minas-FUNORTE.Pesquisadora em Odontologia-FUNORTE. Instituição: FUNORTE - Faculdades Unidas do Norte de Minas. Montes Claros / MG - Brasil. Universidade de Cartagena. Cartagena - Colombia. Correspondência: Daniel Antunes Freitas - Avenida Osmane Barbosa, s/n - Bairro: JK - Montes Claros / MG - Brasil - CEP: 39400-000 - E-mail: danielmestradounincor@yahoo.com.br Recebido em 24/10/2010; aceito para publicação em 30/01/2011; publicado online em 20/03/2011. Conflito de interesse: não há. Fonte de fomento: não há. Artigo Original Knowledge of students of dentistry on Hepatitis B Código 110’ INTRODUÇÃO A Hepatite causada pelo vírus B é uma das principais causas de doença hepática no mundo. Estudos epide- miológicos revelaram forte relação entre a infecção pelo vírus da Hepatite B (VHB), a cirrose e o carcinoma he- patocelular1-4. O HBV é um risco ocupacional reconhecido para os profissionais da odontologia. Exposições percutâneas ou de mucosas do sangue de indivíduos infectados pelo HBV representam a principal fonte de transmissão ocu- pacional já que quantidades diminutas de sangue são suficientes para transmitir a infecção1,3,4-7. As principais finalidades da vacinação contra o HBV são prevenir a doença aguda, impedir cronificação da hepatopatia e sua evolução para cirrose e/ou hepatocar- cinoma e, ainda, contribuir para minimizar a transmissão viral1,2,5,8-11. A plena efetividade de um programa voltado à pre- venção e controle dessa doença está associada à mo- bilização dos sujeitos envolvidos, nas esferas individual e comunitária, além da garantia do acesso à tecnologia 30 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 30-33, janeiro / fevereiro / março 2011 Conhecimento de acadêmicos de odontologia sobre Hepatite B. Freitas et al. e tratamento dessas infecções1-3,6-10,12. Um programa de prevenção e controle das hepatites virais deve ser estru- turado dentro de um processo contínuo de estratégias que leve em conta as características sócio-culturais da população4,6,9,11-3. O profissional de saúde, hoje inserido no novo mode- lo de construção social identifica-se como principal ator para a veiculação de conhecimentos necessários para mudanças de condutas de prevenção e controle das he- patites virais1-4,7,8,12. A cobertura vacinal de adultos alcançada no Brasil pelos programas já existentes e com vacinação gratuita está longe de atingir a meta de vacinação de 100% de susceptíveis. Isso ocorre, em parte, porque a população desconhece as vacinas disponíveis, os riscos a que está exposta e muitas vezes as próprias doenças contra as quais estas vacinas são utilizadas3,6,8,13,14. Os conhecimentos e práticas dos profissionais da atenção à saúde devem contribuir para reduzir o impacto da disseminação da Hepatite B2,5,6,8,10,13,14. O presente artigo tem como objetivo apresentar os resultados de uma pesquisa onde foi avaliado o conhe- cimento dos acadêmicos do 1º ao 10º período do Curso de Odontologia da Funorte em Montes Claros-MG a res- peito da Hepatite B. Esperamos que nosso estudo contribua para sen- sibilizar e mobilizar todos os profissionais da área da saúde para a plena efetividade de um programa voltado para prevenção, diagnóstico e tratamento da Hepatite. MÉTODO No presente estudo descritivo transversal foi utiliza- do um questionário validado adaptado, como instrumen- to de coleta de dados. A população do estudo foi composta pelos 211 aca- dêmicos do curso de odontologia das Faculdades Unidas do Norte de Minas – Funorte que estiveram matriculados no 1º semestre de 2008; sendo os critérios de inclusão: estar matriculado e cursando qualquer período do curso de odontologia e desejar participar. 150 acadêmicos res- ponderam o questionário. O questionário era composto por perguntas que abrangeram o conhecimento dos acadêmicos sobre a doença. A coleta de dados foi feita através de uma visita a to- dos os períodos do Curso de Odontologia da Funorte e os questionários foram respondidos em sala de aula. Os alunos que se dispuseram a participar voluntariamente do estudo assinaram o termo de consentimento livre e es- clarecido, conforme osprincípios éticos contidos na re- solução do Conselho Nacional de Saúde (CNS nº 196/95 parecer nº 58/2000) do Ministério da Saúde do Brasil. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da FUNORTE / SOEBRAS com o protocolo nº 052/2010. Os dados foram processados e submetidos à análise estatística. RESULTADOS Dos acadêmicos que efetivamente participaram do estudo (N=150) 47 (31,3%) eram do sexo feminino e 103 (68,7%) do sexo masculino. Desses entrevistados 31 (20,7%) estudam no 3º período; 30 (20%) no 1º período; 23 (15,3%) no 5º período; 15 (10%) no 4º período; 13 (8,7%) no 9º período; 10 (6,7%) no 6º período; 9 (6%) no 2º período; 8 (5,3%) no 7º período; 7 (4,7%) no 10º perí- odo; e 4 (2,7%) no 8º período. Observa-se maior número de alunos matriculados nos 1os períodos do curso. Ao serem questionados sobre o conhecimento de casos de hepatite B na família, 25 acadêmicos (16,7%) responderam que alguns parentes já tiveram a doença e 125 (83,3%) afirmam que tais pessoas não tiveram a doença. Quando a pergunta procurou saber se os acadêmi- cos já tinham tido contato com pessoas com hepatites B a maioria 91 (60,7%) não sabiam; 43 acadêmicos (28,7%) não tinham tido contato; e 16 (10,7%) já tinham tido contato. Neste estudo, analisando a doença hepatite B e sua gravidade, os resultados obtidos mostram, conforme pode ser observado no Gráfico 1, que 87 acadêmicos (58,78%) relataram que acreditam que é uma doença muito comum; 27 (18, 24%) uma doença muito comum; 21 (14,19%) uma doença fatal; 8 (5,41%) não sabem o que é hepatite B; e 5 (3,38) acham que é uma doença rara. Desses entrevistados 86,7% são vacinados contra a hepatite B. O Gráfico 2 mostra os resultados em percentual dos acadêmicos quando questionados se acreditavam que algumas pessoas são mais susceptíveis a contraírem a hepatite B. Com relação à fonte através da qual o acadêmico obteve o conhecimento com relação à hepatite B, 77 (52, 38%) responderam na disciplina na universidade; 15 (10, 2%) televisão/rádio; 8,16% em cursos e seminários e o mesmo percentual em jornais e revista; 5,44% através; 4,76% televisão e outras fontes; 3,4 % jornais e outras fontes; 4 (2,72) amigos e outras fontes; e 2 (1,36%) ou- tras fontes, de acordo com o Gráfico 3. Gráfico 1. Acredita que a Hepatite B é? FONTE: Dados da Pesquisa, 2010 Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 30-33, janeiro / fevereiro / março 2011 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 31 Conhecimento de acadêmicos de odontologia sobre Hepatite B. Freitas et al. Gráfico 2. Indivíduos Susceptíveis à contaminação por Hepatite B FONTE: Dados da Pesquisa, 2010 Gráfico 3. Aquisição de conhecimento sobre Hepatite B. FONTE: Dados da Pesquisa, 2010 Quando o acadêmico foi questionado quanto às for- mas de transmissão da HEPATITE B, 70 acadêmicos (46,7%) responderam que era transmitida através de drogas injetáveis; 35 (23,3%) pelo beijo; 24 (16%) por transfusão de sangue; 8 (5,3%) por pingo de saliva na pele; 4 (2,7%) tratamento odontológico; 4 (2.7%) aci- dente profissional; 2 (2,3%) acham ser pelo ar; e 1 (0,7) acham ser hereditário. Os acadêmicos, quando questionados se as informa- ções recebidas no curso são satisfatórias, responderam: 37,41% acham que sim; 36,73% que mais ou menos; 23, 13% que não; e 2,72% consideram pouco satisfatórias. Com relação à prevenção, 61,3% responderam que a Hepatite B pode ser prevenida, 29,3% mais ou me- nos, e 7,3% que não há prevenção. Quanto à contami- nação 94% sabem que ocorre o contágio em consultório odontológico; 91,3% responderam que esse contágio também pode ocorrer em laboratórios; os mesmos 94% sabem que o contágio pode ocorrer em hospitais. Para 63,3% dos acadêmicos certos comportamentos podem aproximá-lo do contágio e 34% entendem que não. DISCUSSÃO Um importante resultado do presente estudo foi o percentual de 37,4% de alunos que relataram que o co- nhecimento sobre Hepatite B adquirido durante o curso de odontologia da Funorte foi satisfatório. Resultado se- melhante a outros estudos1,4,6,10,12,15. Reencape de agulha, pingo de saliva no olho nariz ou boca, pingo sangue em pele intacta foram citados como os maiores riscos de do profissional contrair o vírus da hepatite B. O contato direto de sangue ou saliva com a mucosa ocular ou bucal durante o atendimento odontoló- gico pode resultar na infecção pelo HBV, mas o respingo em pele intacta não causa qualquer infecção contrarian- do os resultados achados nesse estudo1-3,5,7-11,15. Foi observado que a maioria dos acadêmicos acre- dita que a hepatite B é transmitida em consultório odon- tológico, em âmbito hospitalar e em ambulatório. Nos acidentes perfuro cortantes com sangue sabidamente contaminado, o risco de transmissão do VHB varia de 6% a 30% sendo que uma pequena quantidade de san- gue contaminado (0,0001 ml) é suficiente para a trans- missão5,6,9,13,16. No presente estudo a maioria, 87 acadêmicos (58%), revela ser a hepatite B uma doença comum e 21 aca- dêmicos (14%) uma doença fatal. Preocupante esses resultados, pois, apenas 14% reconhecem a hepatite B como uma doença fatal, logo se eles preocupam pou- co, com isso podemos presumir que o risco de conta- minação dos alunos é maior. Alguns pesquisadores já notaram em seus estudos desinteresse de acadêmicos e profissionais de Odontologia no conhecimento da biossegurança; na prevenção da aquisição de doenças infecto-contagiosas como AIDS, Sífilis, Hepatite B e ou- tras4,6,10,15,17,18. Respondendo à pergunta de como proceder em caso de exposição com paciente VHB contaminado na prática profissional, 79 alunos (52,7%) disseram que procurariam um médico e 30 alunos (20%) o hospital. A avaliação de um médico especialista em infectologia é fundamental determinar a lesão e indicar ou não a profi- laxia pós exposição2,3,6,8,11,13,15,18. Um dado importante na pesquisa foi saber se os alu- nos eram vacinados e a grande maioria, 130 entrevis- tados responderam que sim. Acredita-se que diante do desconhecimento de 14% de que a hepatite B é uma do- 32 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 30-33, janeiro / fevereiro / março 2011 Conhecimento de acadêmicos de odontologia sobre Hepatite B. Freitas et al. ença fatal e de que 36,6% não sabem ou sabem mais ou menos como prevenir a doença podemos pensar que se realmente esses 130 alunos do 1º ao 10º período foram vacinado contra a hepatite B. um possível viés de falsa resposta pode ter afetado os resultados, o que ocorre quando os sujeitos respondem falsamente por temor de serem repreendidos. Ficou evidente a divergência entre falta de conhecimento e o comportamento adotado pe- los pesquisados1-4,7,9,16-19. A imunização em universidades antes da exposição clinica com pacientes, em estudan- tes de odontologia maximizará a eficácia da vacina e mi- nimizará o risco da infecção pelo VHB. A vacinação dos estudantes deve começar pelo menos sete meses antes do contato com os pacientes6,8,11. Os pacientes mais susceptíveis a contraírem o vírus são os usuários de drogas injetáveis, os homossexuais masculinos, prostitutas, hemodializados e profissionais de saúde. Nessa linha de raciocínio, de acordo com os resultados da pesquisa, os acadêmicos não dominam os conhecimentos sobre a hepatite B2-4,8,11-14,18. Focalizando a extensão do risco da infecção passada ou recente dos parentes e/ou pacientes ser transmitida aos alunos e também do alto percentual de alunos, 134 entrevistados (39,4%) que afirmam ter tido contato com pessoas com a doença e de não saberem se tiveram, vem afirmar mais uma vez a necessidade do conheci- mento da hepatite B (vacinação, uso de equipamentos de proteção individual) para diminuir o risco de contrair a doença3,7,13,16,17.CONCLUSÃO Os resultados permitiram concluir que, mesmo os acadêmicos tendo afirmado que os conhecimentos fo- ram suficientes no curso de odontologia, verificou-se que necessitam de um processo de educação permanente e continuada. Todas as disciplinas devem abordar o tema, enfo- cando práticas de biossegurança, não só para o curso de odontologia, mas também para os alunos dos demais cursos da área de saúde. REFERÊNCIAS 1. Pérez C, Cocozella D, Bosia D, Gonzalez JE, Castro R, Otegui L, Tonelli E, Fraquelli E, Curciarello JO. [The prevalence of antibodies against hepatitis B abs c virus in odontology students] Acta Gastroen- terol Latinoam. 2002;32(1):21-3. 2. Echeverría RF, Curciarello JO, Basualdo JA, Gómez JC, Corallini O, Pérez CA, Picinelli G, García C. [Prevalence of hepatitis B virus infection in dentists of District I of the province of Buenos Aires]. Acta Gastroenterol Latinoam. 1988;18(4):253-62. 3. Puriene A, Janulyte V, Musteikyte M, Bendinskaite R. General health of dentists. Literature review. Stomatologija. 2007;9(1):10-20. 4. Soares MSM, Ângelo AR, Queiroga AS, et. al. Hepatite B: Conhe- cimento e Prática dos Alunos de Odontologia da UFPB. Pesq Bras Odontoped Clin Integr. 2007;7(3): 211-216. 5. Bzowej NH. Hepatitis B Therapy in Pregnancy. Curr Hepat Rep. 2010;9(4):197-204. 6. Garcia LP, Blank VLG, Blank, N. Aderência a medidas de proteção individual contra a hepatite B entre cirurgiões-dentistas e auxiliares de consultório dentário. Rev. Bras. Epidemiol. 2007;10(4):525-36. 7. Wiwanitkit V. Hepatitis B, needle stick and medical workers. J Glob Infect Dis. 2010;2(3):311-2. 8. Alvarez-Suárez B, de-la-Revilla-Negro J, Ruiz-Antorán B, Calleja- Panero JL. Hepatitis B reactivation and current clinical impact. Rev Esp Enferm Dig. 2010;102(9):542-52. 9. Tura LFR, Madeira MC, Silva AO, et. al. Representações sociais de hepatites e profissionais de saúde: contribuições para um (re)pensar da formação. Cienc Cuid Saude. 2008;7(2):207-215. 10. Gaze R, Carvalho DM de, Tura LFR. Informação de profissionais de saúde sobre transmissão transfusional de hepatites virais. Rev. Saúde Pública. 2006;40(5): 859-864. 11. Garcia LP, Blank VLG. Condutas pós-exposição ocupacional a ma- terial biológico na odontologia. Rev. Saúde Pública. 2008;42(2):279-286. 12. Chaves PI, Links R, Galle TB. Verificação do conhecimento so- bre hepatite B: dos cirurgiões-dentistas e acadêmicos de odontologia. RGO. 2002;50(1):17-20. 13. Farias JG, Carneiro GGVS, Silva VCRS, et. al. Prevalência pre- sumível de hepatites virais e cobertura vacinal para hepatite do tipo b entre estudantes de odontologia da UFPB. Rev. ciênc. méd. biol. 2006;5(3):214-221. 14. Collier R. No end in sight for adult hepatitis B vaccine shortage. CMAJ. 2010;182(12):E580. 15. Chao J, Chang ET, So SK.Hepatitis B and liver cancer knowledge and practices among healthcare and public health professionals in Chi- na: a cross-sectional study. BMC Public Health. 2010;10:98. 16. Pinheiro J, Zeitoune RCG. Hepatite B: conhecimento e medidas de biossegurança e a saúde do trabalhador de enfermagem. Esc. Anna Nery Rev Enferm. 2008;12(2): 258-264. 17. 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Método: Foram avaliados 142 pacientes com fraturas do complexo zigomático na cidade de São Paulo entre o período de janeiro de 2008 a novembro de 2010. Resultados: A etiologia mais prevalente foi o acidente de trânsito com 72 fraturas, o gênero masculino em 87% casos e a faixa etária mais acometida foi dos 21 aos 30 anos. Conclusão: O acidente de trânsito é a principal causa das fraturas do complexo zigomático na cidade de São Paulo, principalmente os acidentes motociclísticos. O tratamento cirúrgico foi o mais prevalente nesse grupo de fraturas. Descritores: Fraturas Zigomáticas; Epidemiologia; Traumatologia. ABSTRACT Introduction: In maxillofacial fractures, the zygomatic complex is the most affected followed by nasal and mandible fractures3,4. Method: Sample consisted of 142 individuals in São Paulo between January 2008 to November 2010.Results: The most prevalent etiology was road traffic accident with 72 fractures, the males in 87% cases and the age group most affected was from 21 to 30 years. Conclusion: The traffic accident is the major cause of fractures of the zygomatic complex in São Paulo, especially motorcycle accidents. Surgical treatment was the most prevalent in this group of fractures Key words: Zygomatic Fractures; Epidemiology; Traumatology. 1) Especialista. Cirurgião Buco Maxilo Facial. 2) Especialista em Cirugia Buco Maxilo Facial Especialista em Disfunção de ATM e Dor Orofaical. Cirurgiã Buco Maxilo Facial do Hospital Santa Paula e Pirajussara. 3) Especialista em Cirurgia Buco Maxilo Facial. Chefe dos Hospitais Santa Paula, Santa Cecília e Paulistano. Instituição: Hospital Santa Paula. São Paulo / SP - Brasil. Correspondência: Bruno Prado - Rua Alvorada 64 cj 103 - Vila Olímpia - São Paulo / SP - Brasil - CEP: 04550-000 - Telefone: (+55 11) 3846-7885 - E-mail: brunoprado8@gmail.com Recebido em 31/01/2011; aceito para publicação em 09/03/2011; publicado online em 20/03/2011. Conflito de interesse: não há. Fonte de fomento: não há. Artigo Original Zygomatic Complex fractures by traffic accidents in the city of Sao Paulo Código 149’ INTRODUÇÃO O complexo zigomático é formado pelo osso zigomá- tico, arco zigomático e pelos processos frontal, temporal, maxilar e esfenoidal. A anatomia do complexo zigomático além de promover a estabilidade do terço médio da face promove também a harmonia facial representada pelas quatro projeções faciais - parede lateral da órbita, pilar zigomático, margem infra-orbitária e o arco zigomático7. Nas fraturas maxilofaciais, o complexo zigomático é o mais acometido seguido das fraturas nasais e das fraturas mandibulares 3,4. Em razão de sua projeção da facial impacto direto nessa região pode provocar fraturas em pilar zigomático, sutura frontozigomática, rebordo or- bital inferior e arco zigomático. O objetivo deste trabalho é apresentar a casuística de um serviço de cirurgia Buco-Maxilo-Facial da cidade de São Paulo frente às fraturas do complexo zigomático dando ênfase aos acidentes de trânsito. Através de um estudo retrospectivo de frequência foram avaliadas 142 fraturas do complexo zigomático sendo 72 por acidentes automobilísticos. Podendo assim estabelecer relações com outros autores de diversas regiões diferentes quan- to aos achados clínicos. MÉTODO Foram avaliados 142 pacientes com fraturas do com- plexo zigomático na cidade de São Paulo, de janeiro de 2008 a novembro de 2010, que passaram por nosso ser- viço de cirurgia Buco-Maxilo-Facial nos hospitais e am- bulatórios atendidos. Todos os pacientes atendidos foram submetidos a uma coleta de dados iniciais que contavam com identificação, etiologia do trauma, idade e lesões associadas. Posterior- mente se houvesse necessidade de um tratamentocirúrgi- co, os dados referentes ao procedimento foram coletados, entre eles os acessos utilizados e as fixações utilizadas. 34 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 34-36, janeiro / fevereiro / março 2011 Fraturas do complexo zigomático por acidentes de trânsito na cidade de São Paulo. Prado et al. Após a coleta, os dados foram tabulados e focados nos acidentes de trânsito, etiologia mais acometida na cidade de São Paulo, assim podemos identificar o gênero, a idade, as lesões associadas, os tipos de tratamento e dentro da etiologia acidentes de trânsito subdividindo em automobi- lísticos, motociclísticos, ciclísticos e atropelamentos. RESULTADOS Foram avaliados no nosso Serviço de Cirurgia Buco- Maxilo-Facial 142 pacientes com fraturas do complexo zigomático no período de janeiro de 2008 a novembro de 2010, na cidade de São Paulo. Os acidentes de trânsito, em nosso serviço repre- sentaram 51% (72 fraturas) das fraturas do comple- xo Zigomático, seguido das quedas com 28 fraturas (20%), agressões físicas com 20 fraturas (14%), aci- dentes esportivos com 14 fraturas (10%), acidentes de trabalho com 6 fraturas (4%), ferimento por arma de fogo com 1 fratura (1%) e outros com 1 fratura (1%) (Gráfico 1). Com relação às etiologias dentro do acidente de trânsito o mais prevalente foi o acidente motociclístico com 39 fraturas (54%), seguido do atropelamento com 14 fraturas (29%), acidentes automobilísticos com 14 fraturas (19%) e acidentes ciclísticos com 5 fraturas (6%) (Gráfico 2). O gênero masculino foi o mais prevalente, em 72 ca- sos (87%) (Gráfico 3) e a idade mínima de um paciente Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 34-36, janeiro / fevereiro / março 2011 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 35 foi 12 anos de idade e há máxima 70 anos, no entanto a faixa etária mais acometida foi dos 21 anos aos 30 anos com 50% dos casos (Gráfico 4). As fraturas associadas às fraturas do complexo zi- gomático, as ortopédicas foram as em maior número, 15 casos. Nelas estavam incluídas fraturas de fêmur, tíbia, braços, clavícula e mão. As fraturas faciais associadas mais acometidas foram mandíbula (10 fraturas), maxila (7 fraturas) e nariz (5 fraturas) (Tabela1). O tratamento utilizado em 90% dos casos foi o cirúr- gico (Gráfico5) todos os pontos do osso zigoma fixados com fixação interna rígida (mini placas, parafusos e telas de titânio). Gráfico 1. Etiologia das fraturas do complexo zigomático. Gráfico 2. Etiologia das fraturas do complexo zigomático provocadas por acidentes de trânsito. Gráfico 3. Gênero das fraturas de zigoma por acidentes de trânsito. Gráfico 4. Faixa etária dos pacientes com fratura de zigoma por aci- dente de trânsito. Gráfico 5. Tratamento dos pacientes com fratura do complexo zigomá- tico por acidentes de trânsito. DISCUSSÃO A etiologia das fraturas do complexo zigomático va- ria de cidade para cidade. Sua localização, população, meios de transporte utilizados e a violência urbana são fatores que influenciam diretamente nos resultados. A etiologia mais prevalente em nosso estudo foi o aci- dente de trânsito2,8,12. Dentre os acidentes de trânsito respectivamente o motociclístico, seguido de acidente automobilístico, atropelamentos e acidentes ciclísticos. Nossos dados diferiram de um estudo realizado em uma cidade no interior de São Paulo com 371 pacientes com fraturas do complexo zigomático onde a etiologia mais prevalente foi às quedas seguidas das agressões físicas e os acidentes causados por bicicletas, motos e carros respectivamente 5, isso se da pela grande quantidade de veículos e a violência do trânsito. O gênero masculino foi o mais prevalente em todos os estudos sobre fraturas maxilofaciais independen- te da região geográfica ou da etiologia mais acometi- da2,3,4,5,6,12. Estudos com mais de 2000 casos de fraturas ma- xilofaciais demonstrou que o complexo zigomático foi o mais acometido, seguido da fratura nasal e da fratura de mandíbula3,4. O tratamento dessas fraturas estava de acordo com a complexidade das fraturas11. Nas fraturas mais simples o acesso intra-oral foi utilizado com fixação interna rígi- da, quanto maior o deslocamento das fraturas e a redu- ção das mesmas os acessos supra-orbitais e sub-ciliar eram utilizados com a fixação da sutura frontozigomática e do rebordo infra orbitário. Em fraturas envolvendo ór- bita (blow out e blow in) telas de titânio foram colocadas e fixadas no rebordo infra-orbitário, nas fraturas de arco não possíveis de serem reduzidas com o acesso intra- oral um incisão sobre o arco foi utilizada para correta redução e em casos de fraturas cominutas o acesso des- crito por Al-Kayat foi utilizado1. Os acidentes motociclísticos são os que mais promo- vem fraturas associadas às fraturas do complexo zigo- mático, principalmente as ortopédicas (fêmur, tíbia, mão e clavícula), essas fraturas normalmente estão relacio- nadas nos levantamentos epidemiológicos de fratura do complexo zigomático 2,3. Estudos sobre o uso dos capacetes em acidentes motociclísticos 9,10 comprovaram sua eficiência e a re- dução nas fraturas a cabeça e a face em 69% porém há poucos dados para estudo quanto ao tipo de capacete utilizado. Nos acidentes ciclísticos os estudos mostra- ram que o uso do capacete reduz o índice de fraturas na cabeça e lesões ao cérebro, porém se mostraram pouco eficaz nas fraturas faciais principalmente as do terço in- ferior 8,13. CONCLUSÃO O acidente de trânsito é a principal causa das fra- turas do complexo zigomático na cidade de São Paulo, principalmente os acidentes motociclísticos. O gênero masculino e a faixa etária os 21 aos 30 foram os mais acometidos. O tratamento cirúrgico foi o mais prevalente nesse grupo de fraturas. REFERÊNCIAS 1. Al-Kayat A. A modified pre-auricular approach to the temporo- mandibular joint and malar arch. Br J Oral Surg. 1979; 17(2): 91- 103. 2. Brasileiro BF, Passeri LA. Epidemiological analysis of maxillofacial in Brazil: a 5-year prospective study. Oral Surg Oral Med Oral Pathol Oral Radiol Endod. 2006; 102(1): 28-34. 3. Ellis III E, El-Atar A, Francis K. An analysis of 2,067 cases of zygo- matico-orbital fracture. 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Liu BC, Ivers R, Norton R, Boufous S, Blows S, Lo SK. Helmets for preventing in motorcycle riders. Cochrane Database Syst Rev. 2008; 23(1): CD004333. 11. Manganello-Souza LC, Silva AAF, Pacheco DFS. Fraturas zigomá- ticas e orbitozigomáticas. Rev Soc Bras Cir Plást. 2003; 18(2): 17-30. 12. Motamedi MHK. An Assessment of maxillofacial fractures: a 5-year study of 237 patients. J Oral Maxillofac Surg. 2003; 61(1):61-4. 13. Thompson DC. Rivara FP, Thompson R. Helmets for preventing head and facial injuries in bicyclists. Cochrane Database Syst Rev. 2000; (2):CD001855. Tabela 1. Lesões associadas as fraturas de zigoma por acidentes de trânsito. Fraturas Associadas nº Lesões Ortopédicas 15 Maxila 10 Nariz 9 Mandíbula 8 Naso-Orbito-Etmoidal 2 Base de Crânio 2 Arcos Costais 2 Frontal 1 Total 49 36 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 34-36, janeiro / fevereiro / março 2011 Fraturas do complexo zigomático por acidentes de trânsito na cidade de São Paulo. Prado et al. Schwanoma do espaço parafaríngeo: Relato de caso Vinicius Antunes Freitas 1 Roberto Marchetti Mesquita 2 Flávio Sirihal Werkema 2 João Batista de Oliveira 3 Caroline Cardoso Guimarães 4 RESUMO Introdução: Os schwanomas são tumores raros que podem se originar de qualquer nervo periférico, cranial ou autonômico, sendo que cerca de 45% deles estão localizados na cabeça e/ ou no pescoço. Podem ser únicos, múltiplos (neurofibromas), benignos e até malignizarem. Objetivos: relatar um caso de exérese transoral com boa evolução pós-operatória. Relato de Caso: paciente jovem com abaulamento faríngeo submetido à ressecção transoral de schwannoma sem sequelas ou complicações. Comentários finais: O diagnóstico baseia-se na história clínica, no exame físico e em exames complementares como a Ressonância Nuclear Magnética (RNM) e PAAF. O único tratamento curativo é a excisão cirúrgica, embora o seguimento eventualmente seja necessário. Descritores: Neurilemoma; Células de Schwann; Neoplasias dos Nervos Cranianos. ABSTRACT Introduction: Schwannomas are uncommon tumors, being located in head and neck region in 45%. It can be solitary or multiple tumors, benign or become malignant. Objectives: report a case of transoral ressection of schwannoma without complications. Case Report: We reported a parapharyngeal schwannoma case excised through a transoral approach, without damage to the patient. Final Comments: The diagnosis is based on physical examination and imaging studies as magnetic resonance imaging and FNAB. Surgical excision is the treatment of choice. Key words: Neurilemmoma; Schwann Cells; Cranial Nerve Neoplasms. 1) Médico Especialista em Otorrinolaringologia. Médico Assistente da Residência de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Santa Casa de Belo Horizonte / MG. Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço. 2) Especialista em Otorrinolaringologia. Médico Assistente da residência de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Santa Casa de Belo Horizonte / MG. 3) Mestre. Chefe do Serviço de Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Santa Casa de Belo Horizonte / MG. 4) Bacharel em Medicina. Residente do Serviço de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Santa Casa de Belo Horizonte / MG. Instituição: Santa Casa de Belo Horizonte. Belo Horizonte / MG - Brasil. Correspondênica: Vinicius Antunes Freitas - Av. do Contorno, 1298 - Apto. 901 - Floresta - Belo Horizonte / MG - Brasil - CEP: 30110-008 - E-mail: vafreita@gmail.com Recebido em 04/06/2010; aceito para publicação em 14/02/2011; publicado online em 20/03/2011. Conflito de interesse: não há. Fonte de fomento: não há. Relato de Caso Parapharyngeal schwannoma: A case report Código 74 INTRODUÇÃO Os schwannomas são tumores raros que podem se originar de qualquer nervo periférico, cranial ou autonô- mico, sendo que cerca de 45% deles estão localizados na cabeça e/ou pescoço. Podem ser únicos, múltiplos (neurofibromas), benignos e até malignizarem1,2. O diagnóstico baseia-se na história clínica, no exame fí- sico e exames como a Ressonância Nuclear Magnética (RNM)1,3,4. O único tratamento curativo é a excisão cirúr- gica, embora o seguimento eventualmente seja neces- sário4,5. Nosso objetivo é relatar um caso de schwannoma do espaço parafaríngeo tratado cirurgicamente por via transoral, com evolução pós-operatória favorável, sem sequelas ou complicações para o paciente. RELATO DE CASO F.O., 29 anos, não-tabagista, com dor faríngea e odinofagia há 2 meses, sem febre ou emagrecimento. A oroscopia, abaulamento de parede lateral da orofaringe, com mucosa preservada. Realizado RM (Figuras 1 e 2) com lesão expansiva retroamigdaliana, redução da luz faríngea e plano de clivagem com a carótida interna sem separação da veia jugular interna; sinal intermediário e intensa captação de gadolíneo em T1 e hipersinal he- terogêneo em T2/STIR; tamanho de 2,4 x 3,5 x 5,4 cm. o paciente não foi submetido à biópsia prévia da lesão. Realizado ressecção transoral com disseção da lesão sem aderências às estruturas adjacentes e sem sangra- mento significativo. Fechamento primário com vicryl 3/o. O paciente recebeu alta sem sequelas neurológicas. O Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 37-39, janeiro / fevereiro / março 2011 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 37 Schwanoma do espaço parafaríngeo: Relato de caso. Freitas et al. anátomo-patológico mostrou nódulo de 4,0 x 3,5 x 2,0 cm (Figura 3) proliferação de células de schwan e fre- quentes corpos de verocay, sem sinais de malignidade. Em seguimento há quatro meses sem alterações neuro- lógicas e com melhora total da odinofagia. DISCUSSÃO Os schwannomas são lesões pouco comuns, de crescimento lento e progressivo, podendo ocorrer em todo o corpo, sendo que em 25 a 48% das vezes é visto na região da cabeça e do pescoço. Podem ocorrer em qualquer idade, sem apresentar diferença de incidência entre o sexo masculino e feminino3. Tumores de cres- cimento avançado originários de nervos cranianos po- dem manifestar com sintomas neurológicos importantes e sua ressecção ser indicada. Os Schwannomas podem se manifestar em qualquer nervo da região da cabeça e pescoço, sendo classificados por Moukarbel e cols de acordo com a estrutura nervosa acometida1. Podem ser classificados por espaço cervical (ex. parafaríngeo, ton- silar, retrofaríngeo,etc)3, 5. O espaço parafaríngeo abriga cerca de 0,5% dos tu- mors de cabeça e pescoço, sendo que a maioria dos schwannomas aqui localizados tem origem no nervo vago ou da cadeia simpática cervical.Tem como diag- nóstico diferencial tumores do lobo profundo da parótida, de pequenas glândulas salivares, cistos branquiais, lin- fomas, neurofibromas e aneurisma de carótida interna. A maioria dos tumores do espaço parafaríngeo (70-80%) são benignos4. A ressonância magnética (RM) é o exame de esco- lha para avaliação do espaço parafaríngeo pelo fato de não irradiar o paciente, definir melhor tecidos moles em relação à TC e por delinear as estruturas deste espaço. Alguns autores advogam o uso concomitante da RM e da TC, já que esta permite distinguir melhor os espa- ços pré- e pós-estiloide, favorecendo o diagnóstico da Figura 1. Peça cirúrgica. Figura 2. Ressonância magnética. Figura 3. Ressonância magnética. 38 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 40-42, janeiro / fevereiro / março 2011 lesão. Os Schwannomas se apresentam como massas bem delimitadas, homogêneas com alto sinal em T2 e baixo sinal em T1. Saito e Furukawa propuseram uma avaliação imaginológica usando a RM onde os schwan- nomas originados do nervo vago separam a veia jugular da carótida, enquanto que os da cadeia simpática des- Schwanoma do espaço parafaríngeo: Relato de caso. Freitas et al. locam ambos os vasos sem separá-los. Nosso paciente apresentou schwannoma em espaço parafaríngeo es- querdo. Os achados da RNM sugerem origem da cadeia simpática já que não há separação entre a veia jugular e a artéria carótida interna4. A evolução do paciente sem sequelas demonstra que a lesão se originava de ramos nervosos, sem atingir o tronco principal. Apesar de não ter sido feito neste paciente, a avaliação pré-operatóriacom PAAF deve ser realizada em todos os pacientes, pois pode favorecer a conduta diante da lesão, apesar de nem sempre ser conclusiva devido a dificuldades téc- nicas da anatomia local4,5. O tratamento de eleição para os schwanomas é a ressecção cirúrgica, uma vez que esses tumores não são radiossensíveis. Eventualmente, a possibilidade de lesão vascular ou mesmo a condição clínica do paciente, tendo em vista a evolução lenta da lesão, podem con- traindicar o procedimento. A Abordagem intraoral pode levar a ressecção incompleta da lesão, hemorragias im- portantes, infecções ou mesmo lesão inadvertida de ner- vos ou seus ramos, sendo defendida quando os tumores se localizam em espaço retrofaríngeo, devido à ausên- cia de estruturas nobres nessa localização. Nos tumores parafaríngeos, a abordagem é feita preferencialmente por via externa, ficando a via intraoral reservada para tumores menores que 3 cm4,5. No nosso paciente a abor- dagem transoral foi escolhida, apesar de ser maior que 3 cm, pela existência de plano de clivagem entre a caró- tida e o tumor e por não se evidenciar origem de tronco de nenhuma raiz nervosa, o que foi confirmada pela au- sência de sequelas no paciente4,5. Acredita-se que os schwannomas tenham origem ec- todérmica, sendo provenientes das células de schwann da bainha do nervo4. Histologicamente, são lesões en- capsuladas e bem delimitadas, podendo apresentar de- generação císitca, podendo ser de dois subtipos: Antoni A com áreas sólidas, feixes de células de schwann com núcleos em paliçada e os corpúsculos de Verocay que são patognomônicos, estando estes presentes na ava- liação histológica da nossa peça cirúrgica; Antoni B com células e fibras desordenadas. A transformação maligna é rara1,2,3. Os schwannomas devem ser avaliados por RNM e tratados cirurgicamente, podendo ser abordados por via cervical ou intraoral, dependendo da localização do tumor e do seu tamanho; apesar da literatura indicar o tamanho de 3 cm para ressecção transoral, a avaliação criteriosa pode permitir a exérese de lesões maiores. Deve-se ter atenção a estas lesões, pois podem malig- nizar. Acreditamos que, em casos selecionados, pode- mos abordá-los por via transoral sem comprometer o resultado cirúrgico. Um bom exame de imagem (resso- nância magnética) possibilita suspeitar o diagnóstico de schwannoma assim como prognosticar a evolução pós- operatória, embora seja necessária à avaliação através de PAAF. REFERÊNCIAS 1. Moukarbel RV, Sabri AN. Current Management of Head and Neck Schwannomas. Curr Opin Otolaryngol Head Neck Surg. 2005 Apr;13(2):117-22. 2. Freitas VA, Saliba MC, Moraes ECD, Teixeira GNM, Oliveira JB. Schwannoma Maligno em Pacientes com Doença de von Recklinghau- sen: Relato de Dois Casos. Rev Bras Otorrinolaringol. 2009;75(1): 160. 3. Lee BJ, Wang SG, Lee JC, Lee IW. Schwannoma of the Tonsil. Ear Nose Throat J. 2007 Jun;86(6):354-5. 4. Saito DM, Glastonbury CM, El-Sayed IH, Eisele DW. Parapha- ryngeal Space Schwannomas: Preoperative Imaging Determina- tion of the Nerve of Origin. Arch Otolaryngol Head Neck Surg. 2007 Jul;133(7):662-7. 5. Luna-Ortiz K, Navarrete-Alemán JE, Granados-Garcia M, Herrera- Gómez A. Primary parapharyngeal space tumors in a Mexican Cancer Center. Otolayngol Head Neck Surg. 2005 Apr; 132(4):587-91. Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 37-39, janeiro / fevereiro / março 2011 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 39 Ressecção de ameloblastoma utilizando prototipagem - relato de caso Darklilson Pereira Santos 1 Thyago Renzo Barros Loiola 2 Homero Costa Café de Oliveira 3 Sérgio Antônio Pereira Freitas 4 Julio César de Paulo Cravinhos 5 Walter Leal de Moura 6 RESUMO Introdução: O ameloblastoma é uma neoplasia benigna composta de epitélio odontogênico sem a participação de ectomesênquima odontogênico, representando 1% dos tumores maxilares e 11% de todos os tumores odontogênicos. A melhor forma de tratamento vem sendo motivo de controvérsias há vários anos. A ressecção segmentar ou a parcial produz bons resultados, especialmente quando realizada como tratamento principal. Uma vez que a lesão infiltra nos tecidos moles circundantes, a taxa de recidiva aumenta. A prototipagem rápida (PR) consiste em um grupo de processos utilizados para produzir objetos em três dimensões pela adição de camadas de material. Os biomodelos de PR são protótipos biomédicos obtidos a partir de imagens de tomografia computadorizada (TC), ressonância magnética e ultra-sonografia, podendo ser utilizados com objetivos didáticos, na fabricação de implantes protéticos personalizados, no diagnóstico precoce e, tratamento de deformidades. Isto tende a reduzir o tempo do procedimento cirúrgico e, consequentemente, o período de anestesia, bem como o risco de infecção, havendo ainda melhora no resultado e a diminuição no custo global do tratamento. Objetivo: Descrever um caso de ressecção de ameloblastoma utilizando a prototipagem rápida no planejamento cirúrgico. Relato de caso: Paciente do sexo masculino, 23 anos, com diagnóstico de ameloblastoma na mandíbula, submetido a ressecção da lesão com planejamento prévio por meio de prototipagem. Conclusão: A utilização da prototipagem é um ótimo recurso a ser utilizado para planejamento de cirurgias do complexo maxilo-facial, principalmente em lesões agressivas como o ameloblastoma, que necessitam de uma avaliação criteriosa e um bom planejamento. Descritores: Ameloblastoma; Tumores Odontogênicos; Neoplasias. ABSTRACT Introduction: Ameloblastoma is a benign tumor composed of odontogenic epithelium without the participation of odontogenic ectomesenchyma, representing 1% of jaw tumors and 11% of all tumors odontongenics. The best form of treatment has been the subject of controversy for years. Segmental resection or compound produces good results, especially when performed as the main treatment. Once the lesion infiltrates the surrounding soft tissues, the recurrence rate increases. Rapid prototyping (RP) consists of a group of processes used to produce objects in three dimensions by adding layers of material. The anatomical models of RP are biomedical prototypes made from images from computed tomography (CT), magnetic resonance and ultrasound can be used for didactic purposes, in the manufacture of customized prosthetic implants, early diagnosis and treatment of deformities. This tends to reduce the length of surgery and hence the period of anesthesia and the risk of infection, and there is improvement in the result and decrease the overall cost of treatment. Objective: to describe a case of resection of ameloblastoma using rapid prototyping to surgical planning. Case report: A male patient, 23 year-old, diagnosed with ameloblastoma in the mandible, underwent resection with pre-planning through prototyping. Conclusion: The use of prototyping is a great resource to be used for planning surgery of the maxillofacial complex, particularly in aggressive lesions such as ameloblastoma, which require a thorough evaluation and proper planning. Key words: Ameloblastoma; Odontogenic Tumors; Neoplasms. 1) Especialista em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial (HU-UFPI).Mestrando em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial FORP/USP. 2) Cirurgião-dentista.Residente em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial (HU-UFPI). 3) Cirurgião-dentista. 4) Mestre em Ciências e Saúde (UFPI). Doutorando em Ciência e Engenharia de Materiais (UFRN). 5) Mestre em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial (FOP/UNICAMP). Professor Assistente I - Área de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Faciais - Universidade Federal do Piauí (UFPI). 6) Professor Associado da área de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Faciais - UFPI. Chefe do Serviço de CTBMF do HU-UFPI Insituição: Hospital Universitário(HU) - Universidade Federal do Piauí (UFPI). Teresina - PI / Brasil. Correspondência: Universidade Federal do Piauí (UFPI) / Campus Ministro Petrônio Portella Curso de Odontologia - Bloco SG-10 - Departamento de Patologia e Clínica Odontológica - Teresina / PI - Brasil - CEP: 64049-550 - Telefone: (+55 86) 3215-5539 - E-mail: juliocravinhos@yahoo.com.br Recebido em 10/08/2010; aceito para publicação em 13/01/2011; publicado online em 20/03/2011. Conflito de interesse: não há. Fonte de fomento: não há. Relato de Caso Ressection of ameloblastoma using prototyping - case report Código 95 40 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 40-42, janeiro / fevereiro / março 2011 Ressecção de ameloblastoma utilizando prototipagem - relato de caso. Santos et al. INTRODUÇÃO O ameloblastoma é uma neoplasia benigna com- posta de epitélio odontogênico sem a participação de ectomesênquima odontogênico, representando 1% dos tumores maxilares e 11% de todos os tumores odonto- gênicos1. Pode ter origem de remanescentes celulares do órgão de esmalte, do revestimento epitelial de um cisto odontogênico ou das células da camada basal da mucosa oral. Estes tumores são de crescimento lento, indolores e localmente invasivos, provocando expan- são da cortical óssea, perfuração da cortical lingual e/ ou vestibular, e infiltração nos tecidos moles. Atualmen- te, os ameloblastomas são classificados como sólido convencional ou multicístico (86% dos casos), unicísti- co (13% dos casos) e periférico (extra-ósseo) (1% dos casos)2. Para o planejamento pré-operatório, a prototi- pagem pode propiciar um acesso privilegiado às áreas anatômicas de interesse, permitindo a mensuração de estruturas, simulação de osteotomias e de técnicas de ressecção, além de um completo planejamento dos mais diversos tipos de cirurgia da região bucomaxilofacial3. O presente trabalho tem o objetivo de relatar um caso de ressecção de ameloblastoma utilizando a pro- totipagem no planejamento cirúrgico, que foi conduzido pelo serviço de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo- Facial do Hospital Universitário – HU da Universidade Federal do Piauí - UFPI RELATO DO CASO Paciente H.F.S, 23 anos, sexo masculino, natural de Teresina, compareceu ao serviço de Cirurgia e Trauma- tologia Buco-Maxilo-Facial do Hospital Universitário – HU da Universidade Federal do Piauí - UFPI queixando-se de “aumento de volume na mandíbula”, há aproximada- mente 5 anos, sem queixa de dor. Ao exame extra-oral, observou-se assimetria facial do terço inferior da face e aumento de volume do lado di- reito. Ao exame intra-oral, verificou-se aumento de volu- me na região de trígono retromolar, ramo ascendente da mandíbula e corpo mandibular. Os exames complemen- tares de imagem, panorâmico e tomografia computado- rizada, apresentaram uma lesão radiolúcida, unilocular, com limites extensivos envolvendo a cortical basilar (Fi- gura 1). Em nível ambulatorial foi realizada biópsia inci- sional na região e o material coletado foi encaminhado ao laboratório para exame histopatológico, confirmando a hipótese diagnóstica de ameloblastoma. Para planejamento cirúrgico foi realizado prototipa- gem rápida. Através do protótipo, foram simuladas as os- teotomias e a placa de reconstrução, sistema 2.4 foi mol- dada obedecendo a anatomia da mandibula (Figura 2). O procedimento cirúrgico fora realizado sob anestesia geral e intubação nasotraqueal. Utilizou-se acesso extra- oral, através de acessos combinados submandibular e re- tromandibular. As osteotomias foram realizadas vertical- mente, na região na distal do elemento 45, e logo abaixo Figura 1. Reconstrução 3D. Figura 2. Protótipo da mandíbula, com planejamento de osteotomias e moldagem da placa de reconstrução. Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 40-42, janeiro / fevereiro / março 2011 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 41 do côndilo mandibular direto, uma osteotomia horizontal foi realizada, de forma que a peça cirúrgica pudesse ser removida por um todo, promovendo assim uma ressecção parcial. Como a placa de reconstrução fora previamente dobrada e adaptada em um protótipo, esta fora inicial- mente fixada antes da ressecção, a fim de proporcionar adequada manutenção do contorno mandibular. A fixação foi realizada com parafusos de titânio do sistema 2.4 mm e 1 placa de reconstrução (ENGIPLAN) (Figura 3). Foram utilizados 4 parafusos no segmento proximal e 3 no distal. A seguir, realizou-se a sutura através de planos muscu- lares, com fio Vicryl 4-0. Na pele, utilizou-se a técnica de sutura vertical em U de Donatti, com fio de Nylon 5-0, com a colocação de um dreno de penrose para diminuição de edema e evitar a formação de hematomas. O paciente foi submetido a acompanhamento am- bulatorial pós-operatório, com acompanhamento clínico Ressecção de ameloblastoma utilizando prototipagem - relato de caso. Santos et al. e radiográfico, tendo o mesmo apresentado alterações sensoriais na região de terço inferior da face do lado di- reito e não houvera distúrbios motores na área operada. DISCUSSÃO Ameloblastoma é a neoplasia odontogênica de maior significado clínico devido a sua prevalência, comporta- mento clínico e controvérsias relacionadas ao tratamen- to. Radiograficamente, o ameloblastoma apresenta-se como lesão radiolúcida uni ou multilocular, de caráter expansivo e com frequente perfuração das corticais ós- seas4. Os dentes envolvidos são normalmente desloca- dos e mostram reabsorção radicular de forma mais ro- tineira que as outras lesões que afetam os maxilares5. Os aspectos radiográficos do paciente deste estudo fo- ram avaliados através de radiografia panorâmica e TC, encontrando-se uma lesão com aspecto unilocular. Além dos exames de imagem descritos, foi solicitada prototi- pagem rápida para planejamento cirúrgico do caso. A uti- lização do protótipo serviu para simular as osteotomias a serem realizadas e moldar a placa de reconstrução de acordo com a anatomia da mandíbula do paciente. O tratamento do ameloblastoma é o aspecto mais discutido e controverso na literatura1,4,5. Há duas corren- tes principais que ditam a abordagem terapêutica desta lesão: o tratamento radical, que preconiza a remoção do tumor em bloco com margem de segurança, ocasio- nando ou não defeito de continuidade mandibular e o tratamento conservador, que se baseia na remoção do tumor, com preservação do osso adjacente. Esta técnica pode ou não ser associada a terapias adjuvantes1. De uma maneira geral, o tratamento radical é o que fornece maior índice de cura, mas trata-se de um procedimento mais invasivo, que frequentemente deve ser associado a cirurgias reconstrutivas4. CONCLUSÃO O ameloblastoma trata-se de uma lesão agressiva, na qual o cirurgião deverá realizar uma avaliação criteriosa e um bom planejamento cirúrgico. A utilização da prototipa- gem no planejamento é extremamente útil, pois é capaz de reproduzir as dimensões craniomaxilares com erro di- mensional mínimo e aceitável, diminuindo o tempo cirúr- gico e melhorando consideravelmente o resultado final. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Ghandhi D, Ayoub AF, Pogrel MA, MacDonald G, Brocklebank LM, Khursheed F. Ameloblastoma: A Surgeon’s Dilemma. J Oral Maxillofac Surg 64:1010-1014, 2006. 2. Neville BW, Damm DD, Allen CM, Bouquost JE. Patologia Oral & Maxilofacial. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2004. p. 586–94. 3. Meurer E, Oliveira MG, Meurer MI, Lopes JVL, Bárbara AS, Heitz C. Os Biomodelos de Prototipagem Rápida em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial. ATO 5:349-373, 2007. 4. Carlson ER, Marx RE. The Ameloblastoma: Primary, Curative Surgi- cal Management. J Oral Maxillofac Surg 64:484-494, 2006. 5. Nakamura N, Higuchi Y, Mitsuyasu T, Sandra F,OhIishi M. Com- parison of longterm results between different approaches to amelo- blastoma. Oral Surg Oral Med Oral Pathol Oral Radiol Endod 2002; 93:13–20. Figura 3. Ressecção da lesão. 42 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 40-42, janeiro / fevereiro / março 2011 Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 43-45, janeiro / fevereiro / março 2011 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 43 Granuloma piogênico intraoral em gestante - relato de caso Daniel Antunes Freitas 1 Antonio Diaz Caballero 2 Mayane Moura Pereira 3 Paulo Rogério Ferreti Bonan 4 Victor Comini Mol 5 RESUMO O granuloma piogênico consiste de uma reação excessiva do tecido conjuntivo frente a agentes irritantes, como cálculo dentário, corpos estranhos e trauma, que estimula a formação de um exuberante tecido altamente vascularizado. Ocorre com frequência na gengiva, mas pode surgir ocasionalmente em outras regiões da mucosa bucal e pele. É mais comum em maxila do que na mandíbula. Afeta indivíduos de idades variadas e de ambos os sexos, apresentando o pico de incidência na segunda e sexta décadas de vida, com uma ligeira preponderância pelo sexo feminino. O objetivo deste estudo é relatar um caso clínico de granuloma piogênico surgido durante gestação. Atualmente o paciente se encontra há 10 meses sem sinais de recidiva. Descritores: Granuloma; Granuloma Piogênico; Gestantes. ABSTRACT The pyogenic granuloma is an excessive reaction against tissue irritants, such as dental calculus, foreign bodies and trauma, which stimulates the formation of an exuberant highly vascularized tissue. Often occurs on the gums, but may occasionally arise in other regions of the oral mucosa and skin. It is more common in the maxilla than the mandible. It affects individuals of various ages and both genders, with the peak incidence in the second and sixth decades of life, with a slight preponderance for females. The aim of this study is to report a case of pyogenic granuloma arose during pregnancy. Currently the patient is 10 months without recurrence. Key words: Granuloma, Pyogenic; Granuloma; Pregnancy 1) Mestre em Odontologia - Patologia e Diagnóstico Oral. Professor Titular de Semiologia e Diagnóstico do Curso de Odontologia da Funorte. Editor Cientifico da Revista Afrounimontes - Montes Claros / MG. 2) Especialista em Periodontia. Mestre em Educação. Professor Titular do Curso de Odontologia da Universidade de Cartagena - Colombia. Conselheiro Internacional da Revista Afrounimontes. 3) Academica de Odontologia da Funorte - Montes Claros / MG. Jovem Pesquisadora da Soebrás/Funorte. 4) Doutor em Estomatologia.Professor Doutor do Mestrado em Ciências da Saúde da Unimontes - Montes Claros / MG. 5) Mestre em Odontologia. Professor do Curso de Odontologia da Funorte - Montes Claros / MG. Instituições: Faculdades Unidas do Norte de Minas - FUNORTE. Montes Claros / MG - Brasil. Universidade de Cartagena. Cartagena - Colombia. Correspondência: Daniel Antunes Freitas - Avenida Osmane Barbosa, s/n - Bairro: JK - Montes Claros / MG - Brasil - CEP: 39400-000 - E-mail: danielmestradounincor@yahoo.com.br Recebido em 29/09/2010; aceito para publicação em 22/01/2011; publicado online em 20/03/2011. Conflito de interesse: não há. Fonte de fomento: não há. Relato de Caso Pyogenic granuloma intraoral in pregnancy - case report Código 109 INTRODUÇÃO O granuloma piogênico consiste de uma reação ex- cessiva do tecido conjuntivo frente a agentes irritantes, como cálculo dentário, corpos estranhos e trauma, que estimula a formação de um exuberante tecido altamente vascularizado. Ocorre com frequência na gengiva, mas pode surgir ocasionalmente em outras regiões da muco- sa bucal e pele.1,2 Hartzell, de maneira equivocada, em 1904, nomeou a lesão como granuloma piogênico, pois acreditava se tratar de uma infecção por estreptococos, uma vez que estes organismos produzem colônias com característi- cas semelhantes a fungos. Diferente do que o nome in- dica, esta é uma lesão que não contêm o pus. Apresenta ampla sinonímia: epúlide vascular, tumor vascular benig- no, granuloma telangectásico, granuloma angiomatoso, doença de Crocker e Hartzells e granuloma hemangio- matoso. Durante a gestação, é comumente denominado granuloma gravidarum ou gravídico, epúlide ou tumor gestacional. 1,3 Ao exame clínico, observa-se como uma massa ele- vada de tecido mole, pediculada ou séssil, de superfície lisa, granular ou lobular e a cor varia do rosa ao verme- lho ou castanho. Ulceração da superfície e sangramento na área irritada estão frequentemente presentes. Depen- dendo do tempo da lesão, esta varia a sua coloração de rosa a vermelho ou roxo. Lesões novas tem aparência altamente vascular; as mais antigas tendem tornar-se mais colagenizadas e de coloração rosa. Tem por carac- terística ser indolor, embora sangre facilmente devido a alta vascularização.4 Aguardando reestruturação do resu- mo / Abstract É mais comum em maxila do que na mandíbula. Afe- ta indivíduos de idades variadas e de ambos os sexos, apresentando o pico de incidência na segunda e sexta décadas de vida, com uma ligeira preponderância pelo sexo feminino. O diagnóstico diferencial do granuloma piogênico é feito com a lesão periférica de células gigantes, hiperpla- sia fibroepitelial inflamatória e hemangiomas. Algumas vezes, o granuloma piogênico pode ser confundido com neoplasias malignas, pois pode apresentar, em algumas ocasiões, um crescimento rápido.1-4 Histologicamente, observa-se infiltrado celular in- flamatório crônico (linfócitos, plasmócitos), tendo como característica principal à proliferação endotelial e a for- mação de numerosos espaços vasculares.5 O tratamento inclui a excisão, curetagem, esclero- terapia, cauterização química e elétrica, a radioterapia e o uso do laser de CO2 para evitar a sua recidiva. A excisão cirúrgica conservadora e a remoção dos irritan- tes causas (placa, cálculo, trauma, etc) são tratamentos comuns para estas lesões. A excisão deve prolongar-se abaixo do periósteo e os dentes adjacentes devem ser limpos para eliminar as causas de irritação persistente.2,4 O objetivo deste estudo é relatar um caso clínico de granuloma piogênico surgido durante gestação. Atual- mente o paciente se encontra há 10 meses sem sinais de recidiva. RELATO DE CASO CLÍNICO Paciente do sexo feminino, melanoderma, 19 anos, compareceu à Clínica de Estomatologia da Faculdade de Odontologia - FUNORTE, Montes Claros-MG, com queixa principal de “crescimento na gengiva”. Na ana- mnese, a paciente relatou ter um bebé de dois meses e que durante a gravidez a gengiva tinha aumentado de tamanho. Relatou que, apesar de indolor, apresentava hemorragia durante a escovação. Ao exame extrabucal não foram observadas alterações. Ao exame intrabu- cal, observou-se lesão pediculada, superfície irregular, avermelhada com áreas brancas, localizada em maxila, recobrindo as coroas dos elementos dentais 22 e 23, ex- tendendo-se pela região palatina (Figura 1). A paciente foi submetida à biópsia excisional (Figura 2) e a peça foi encaminhada para análise anatomohistopatológica. Os cortes microscópicos revelaram tecido epitelial pavi- mentoso estratificado paraceratinizado revestindo tecido conjuntivo denso não modelado com intensa quantidade de vasos sanguíneos neoformados e infiltrado inflamató- rio misto (Figura 3). O diagnóstico conclusivo foi de gra- nuloma piogênico gestacional. DISCUSSÃO O granuloma piogênico é mais frequente em mu- lheres que em homens, podendo aparecer no período gestacional. Quando surge durante a gestação é inte- ressante aguardar o término da gravidez para avaliar a Figura 1. Granuloma piogênico - Aspecto inicial da lesão Figura 2.Granuloma piogênico - Lesão removida em biópsia excisional Figura 3. Granuloma piogênico - Aspecto microscópico da lesão Granuloma piogênico intraoral em gestante - relato de caso. Freitas et al. 44 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 43-45, janeiro / fevereiro / março 2011 Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 43-45, janeiro / fevereiro / março 2011 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 45 necessidade de excisão cirúrgica, pois em alguns casos há regressão espontânea.1,3 É comum que o paciente fique preocupado com a lesão, especialmente quando esta sangra com frequên- cia.2-4 O granuloma piogênico intraoral pode alcançar pro- porções grandes e ocupar espaços interdentais que pro- vocam desconforto aos pacientes durante o ato masti- gatório.3,5 A remoção cirúrgica é o tratamento mais indicado e deve-se acompanhar o caso para observação da ocor- rência ou não de recidiva.1-5 CONCLUSÃO O granuloma piogênico é uma lesão benigna que pode surgir na cavidade bucal de mulheres em período gestacional. A remoção cirúrgica é importante e sua reci- diva pode acontecer. REFERÊNCIAS 1. Gordón-Núñez MA, de Vasconcelos Carvalho M, Benevenuto TG, Lopes MF, Silva LM, Galvão HC. Oral pyogenic granuloma: a retro- spective analysis of 293 cases in a Brazilian population. J Oral Maxil- lofac Surg. 2010 Sep;68(9):2185-8. 2. de Waal J, Dreyer WP. Oral medicine case book 22. Pyogenic granu- loma. SADJ. 2009 Oct;64(9):412-3. 3. Rezvani G, Azarpira N, Bita G, Zeynab R. Proliferative activity in oral pyogenic granuloma: a comparative immunohistochemical study. Indian J Pathol Microbiol. 2010 Jul-Sep;53(3):403-7. 4. Jafarzadeh H, Sanatkhani M, Mohtasham N. Oral pyogenic granulo- ma: a review. J Oral Sci. 2006 Dec;48(4):167-75. 5. Pyogenic granuloma. Ramos O, Cortez AY, Vázquez PF, Herrera JC, Carrillo N. Med Oral Patol Oral Cir Bucal. 2006 Jul 1;11(4):E351. Granuloma piogênico intraoral em gestante - relato de caso. Freitas et al. Acessos cirúrgicos a articulação temporomandibular: revisão de literatura Éllen Cristina Gaetti Jardim 1 Leonardo Perez Faverani 2 Gabriel Ramalho Ferreira 2 Cassiano Costa Silva Pereira 3 Walter Cristiano Gealh 4 Elio Hitoshi Shinohara 5 RESUMO A escolha do acesso cirúrgico para as afecções que atingem a região pré-auricular tem sido motivo de bastante discussão na literatura. Acessos pré-auriculares vêm sendo usados com a observância de alta taxa de sucesso e, durante a história da cirurgia, diversas modificações nesta abordagem foram realizadas com o objetivo de redução das sequelas irreversíveis, sobretudo em fraturas condilares como paralisias e cicatrizes faciais. As opiniões vão desde a indicação do tratamento cirúrgico a todas as fraturas, até a convicção de que nenhuma fratura desse segmento ósseo deva ser abordada cirurgicamente. Portanto, o presente estudo reveste-se de relevância, uma vez que propõe alertar os cirurgiões quanto aos cuidados diante das estruturas anatômicas envolvidas nestes acessos cirúrgicos além de descrever, buscando uma comparação entre eles, as vantagens dos mesmos por meio de uma revisão de literatura que abrangerá desde os extensos acessos de Bellinger (1940) e Al- Kayat (1979) que promovem uma ampla visualização do campo operatório até acessos modificados e cada vez menores como o Endaural (2001) que não só possibilita um campo satisfatório como manutenção da estética do paciente, sem qualquer sinal de cicatriz. Descritores: Nervo Facial; Articulação Temporomandibular; Modelos Anatômicos. ABSTRACT The choice of surgical approach to diseases that affect the pre-auricular region has been subject of much discussion in the literature. Access pre-hearing, have been used with high compliance rate of success, and during the history of surgery, several modifications were made in this approach with the goal of reducing the irreversible consequences especially regarding common in condylar fractures as paralysis and facial scars. The views range from the indication of surgical treatment for all fractures, until the conviction that no fracture of the bone segment should be surgically treated. Therefore, this study is of relevance, since offers surgeons warn about the care on the anatomical structures involved in these surgical approaches and describe, seeking a comparison between them, the advantages of them by means of a literature review covering from the extensive bouts of Bellinger (1940) and Al-Kayat (1979) that provide a broad view of the surgical field to access modified and increasingly smaller as the endaural (2001) which not only allows a satisfactory field of aesthetics as maintenance the patient without any signs of scarring. Key words: Facial Nerve; Temporomandibular Joint; Models, Anatomic. 1) Mestre em Estomatologia. Mestranda em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial. 2) Especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial. Mestrando em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial. 3) Mestre e Especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial. Doutorando em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial. 4) Mestre e Especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial. Cirurgião Bucomaxilofacial. 5) Doutor em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial. Professor Doutor em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial da Pós Graduação da UNESP - Araçatuba e Cirurgião do Hospital Albert Einstein. Instituição: Universidade Estadual Paulista - Faculdade de Odontologia de Araçatuba. Araçatuba / SP – Brasil. Correspondência: Ellen Cristina Gaetti Jardim - Rua América do Norte, 373 - Bairro Jussara - Araçatuba / SP – Brasil – CEP: 16021-295 - Telefone: (+55 18) 9144-3348 - E-mail: e-jardim@bol.com.br. Recebido em 20/12/2010; aceito para publicação em 20/02/2011; publicado online em 20/03/2011. Conflito de interesse: não há. Fonte de fomento: não há. Artigo de Revisão Surgical approaches to the temporomandibular joint: review Código 74 INTRODUÇÃO A busca pelo melhor acesso cirúrgico para o trata- mento de fraturas do processo condilar da mandíbula, do arco zigomático e das afecções da articulação tempo- romandibular (ATM) ainda é sinônimo de controvérsias, particularmente, em relação a fraturas condilares. As opiniões vão desde a indicação do tratamento cirúrgico a todas as fraturas com deslocamento, até a convicção de que nenhuma fratura desse segmento ósseo deve ser abordada cirurgicamente1. Quando optamos pela cirurgia como terapêutica, dentre os diversos aspectos a serem considerados, estão principalmente as possíveis sequelas estético- funcionais pós-operatórias principalmente quando ob- servamos a abundante vascularização e inervação da 46 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 46-52, janeiro / fevereiro / março 2011 região supracitada em que artéria carótida externa pe- netra na glândula parótida e emite seus dois ramos ter- minais, a artéria maxilar e temporal superficial2-5. O nervo facial também percorre um trajeto no interior da glândula parótida, cruzando medialmente à artéria carótida externa e à veia retromandibular, dividindo-se nos ramos temporofacial e cervicofacial, originando ain- da no interior da glândula parótida os ramos terminais do nervo facial, o temporal, o zigomático, o bucal, o margi- nal da mandíbula e o cervical5-7. Diversas abordagens são descritas na literatura com o intuito de tratar as afecções desta região. Desde o ad- vento do acesso pré-auricular, este vem sendo utilizado com alta previsibilidade de sucesso e, durante a história da cirurgia, inúmeras modificações nesta abordagem fo- ram realizadas com o objetivo de redução das sequelas irreversíveis tais como paralisia facial, necrosestecidu- ais bem como formação de cicatrizes nada estéticas. Portanto, justifica-se o presente estudo por alertar os profissionais desta área quanto aos cuidados diante das estruturas anatômicas nobres envolvidas nestes aces- sos cirúrgicos. REVISÃO DA LITERATURA Aspectos Anatômicos O tratamento para esse tipo de fratura sempre foi um desafio para o cirurgião. Isso porque o acesso cirúrgico ao côndilo é dificultado pela presença de estruturas no- bres. Entre as estruturas intimamente relacionadas aos acessos pré-auriculares, destacam-se a artéria temporal superficial, artéria transversa da face, nervo auriculotem- poral e o nervo facial7. A artéria temporal superficial, um dos ramos da arté- ria carótida externa, inicia-se posteriormente ao colo do côndilo mandibular e após emergir da glândula parótida, ascende cruzando lateralmente à raiz posterior do arco zigomático em direção à superfície da fossa temporal, dentro do tecido subcutâneo denso, profundo à pele, po- rém lateralmente à fáscia temporoparietal8,9. Em relação ao nervo auriculotemporal, um ramo sensitivo da divisão mandibular do nervo trigêmio, o mesmo prossegue posteriormente ao colo da cabeça da mandíbula ao nível da cápsula articular. Ascende dentro do tecido subcutâneo denso em nível da raiz do arco zigomático, posteriormente à artéria temporal superficial para inervar a pele da região temporal, parotídea, parte da orelha e meato acústico externo7,9. O nervo facial (VII par craniano), após advir do fora- me estilomastóideo, emite fibras eferentes para inervar os músculos da expressão facial, o ventre occipital do músculo occipitofrontal, músculo estilo-hióideo e o ven- tre posterior do músculo digástrico. Ainda emite fibras eferentes viscerais parassimpáticas para as glândulas lacrimais, submandibulares e sublinguais9-11. Quanto à distribuição periférica extraparotídea do nervo facial, duas divisões primárias são citadas, uma temporofacial e uma cervicofacial, em que são emersos os ramos temporal, zigomático, bucal, marginal da man- díbula e cervical12. As divisões principais do nervo facial, a cranial e cau- dal são originadas no interior da glândula parótida. Po- rém, podem ocorrer variações como a trifurcação, qua- drifurcação e em casos raros, a presença de um padrão plexiforme. A divisão temporal possui entre 5 a 7 ramos, com anastomoses entre si; emite um ramo para a região frontal, dois para a região orbital, três para a região zigo- mática e dois para a região bucal13. Outro estudo anatômico, também consistente com a variedade da ramificação do ramo temporal em nível do arco zigomático, encontrou quatro ramos temporais em 13,33% e, ocasionalmente um ou mais finos ramos des- te nervo cruzam transversalmente a porção superior da região temporal para inervar o músculo frontal14 . Porém, foram descritos dois ramos zigomáticos, sen- do o cranial o mais delgado, cruzando superficialmente o terço superior do músculo zigomático maior, enquanto que o mais espesso, o ramo zigomático inferior, cruza profundamente o terço inferior do músculo zigomático maior e, a seguir se subdivide para inervar os músculos zigomático maior, levantador do lábio superior, bucina- dor e levantador do ângulo da boca15. Os ramos temporais do nervo facial possuem impor- tante relação com os acessos cirúrgicos pré-auriculares, uma vez tendo ocorrido sua lesão e consequente pare- sia (paralisia parcial com relaxamento muscular) ou pa- ralisia podem acarretar incompetência da musculatura da região frontal8,16,17. Quanto a estratificação anatômica da região tempo- ral, as camadas obedecem sucessiva e medialmente a seguinte ordem: a pele, o tecido subcutâneo denso, a fáscia temporoparietal (uma extensão lateral da gálea aponeurótica), tecido subaponeurótico frouxo, a fáscia temporal e o músculo temporal. A fáscia do músculo temporal é descrita como uma lâmina única e espessa, inserida em toda extensão da linha temporal superior, revestindo o músculo temporal. Na sua porção caudal, ela se divide em duas lâminas, cranialmente a aproxi- madamente 2 cm do arco zigomático. Caudalmente, estas lâminas revestem as margens lateral e medial do periósteo do arco zigomático. Neste nível, não apenas o periósteo se mescla firmemente com a lâmina lateral da fáscia temporal, mas também com as fáscias temporo- parietal e parotideomassetérica9-11,17. Foi estudada a distância entre o meato acústico ós- seo e diferentes pontos do nervo facial em 56 faces hu- manas, concluindo que a distância entre o ponto mais anterior do meato acústico e o ramo mais póstero-supe- rior do nervo facial é em média 2 +/- 0,5 cm e varia de 0,8 a 3,5 cm. E a distância entre a porção mais caudal do meato acústico e a bifurcação do nervo facial varia entre 1,5 e 2,8 cm e, em média 2,3 +/- 0,28 cm. Baseados nes- te estudo quantitativo, os autores sugeriram que estes resultados devem ser considerados diante de qualquer variação da técnica pré-auricular, para preservar a fun- ção dos músculos frontal e orbicular do olho8. Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 46-52, janeiro / fevereiro / março 2011 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 47 Acessos cirúrgicos a articulação temporomandibular: revisão de literatura. Jardim et al. Com o intuito de aprimorar as abordagens para pro- cedimentos cirúrgicos, principalmente para os acessos à ATM, arco zigomático e glândula parótida, um estudo morfométrico dos ramos terminais da artéria carótida ex- terna e do nervo facial, em relação ao côndilo mandibu- lar, foi realizado, por meio da dissecção, ao microscópio cirúrgico, 30 hemi-cabeças humanas para a observação das distâncias do pólo superior do côndilo mandibular à bifurcação da artéria carótida externa (em média 22,1 mm), ao ramo temporal do nervo facial (7,82 mm) e ao ramo zigomático do nervo facial (13,48 mm). Portanto, diante destes resultados, os cirurgiões se beneficiam pela sistematização das estruturas anatômicas dessa região, com finalidade cirúrgica18. Aspectos Cirúrgicos: A) Acesso pré-auricular de RISDON19. Inicialmente, com o intuito de tratar as anquiloses da articulação temporomandibular, o primeiro acesso pré-auricular foi descrito, com uma incisão partindo da região anterior ao meato externo do ouvido estendendo até a borda inferior da mandíbula. O autor declara que obtém excelentes resultados com a utilização deste tipo de abordagem, apresentando baixo risco cirúrgico. B) Acesso pré-auricular de BELLINGER20. A incisão começa anteriormente ao lóbulo da orelha e continua superiormente até a região acima do arco zi- gomático, curvando-se anteriormente ao hélice da ore- lha (Figura 1). O estudo afirma que com esse acesso, tomando-se cuidado com a dissecção, estruturas impor- tantes como os ramos do nervo facial e a artéria e veia temporal superficial, permanecerão preservadas. C) Acesso pré-auricular de ROWE21. Refere-se as indicações cirúrgicas para as afecções da articulação temporomandibular. A via de acesso cirúr- gico é a pré-auricular, com uma incisão de 3 cm partindo da região de fossa temporal inclinada em 45º no arco zi- gomático, alcançando o limite posterior na margem livre do hélix, continuando inferiormente até o limite posterior do hélix e borda superior do trágus (Figura 2). A exposi- ção do aspecto posterior da cápsula articular é atingida pela dissecção cuidadosa na margem do trágus, sepa- rando os tecidos da parte anterior da cartilagem do me- ato auditivo externo. Imediatamente, segue em direção anteromedial e inferior da glândula parótida e, os vasos temporais superficiais são identificados e retraídos. A extensão temporal da incisão é novamente atingi- da, observando a necessidade de laqueadura do ramo posterior da artéria temporal superficial. Neste estágio, incisa-se a fáscia temporale o periósteo do arco zigomá- tico é exposto, em que um elevador de periósteo é usado para dissecar desde o periósteo do arco zigomático até um ponto próximo ao aspecto lateral da cápsula articular, que é incisada e a cabeça e colo do côndilo mandibular é identificado. D) Acesso pré-auricular com extensão temporal de ÁL-KAYAT; BRAMLEY8. A incisão é iniciada na região temporal, anterosu- periormente à orelha externa e segue descrevendo um semicírculo até a base da orelha externa em uma dire- ção ínfero-posterior para evitar os ramos principais dos vasos temporais. Continua-se contornando a porção an- terior da orelha externa, cartilagem do trágus e até a in- serção do lóbulo. Na região temporal deve compreender pele e fáscia temporoparietal até a margem superficial da fáscia temporal. A divulsão é feita cuidadosamente, sendo toda a espessura desta fáscia refletida juntamen- te com o retalho de pele e tecido subcutâneo, uma vez que as fibras nervosas encontram-se no interior da fás- cia temporoparietal. Até 2,0 cm da margem superior do Figura 1. Acesso pré-auricular (BELLINGER20). Figura 2. Acesso pré-auricular (ROWE21). Fonte: Acessos Cirúrgicos ao Esqueleto Facial. 48 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 46-52, janeiro / fevereiro / março 2011 Acessos cirúrgicos a articulação temporomandibular: revisão de literatura. Jardim et al. arco zigomático, onde a fáscia temporal se bifurca, a dis- secção é prosseguida e a partir desta fase, uma incisão em 45º partindo da porção posterior do arco zigomático, em direção ântero-superior deverá ser realizada sobre a lâmina lateral da fáscia temporal até a margem posterior do processo frontal do osso zigomático. Seguramente agora o periósteo do arco zigomático pode ser incisado, descolado e incisado num retalho único, rebatendo as estruturas anatômicas nobres. A dissecção prossegue- se no sentido caudal, até o encontro com a cápsula ar- ticular e ligamento lateral da articulação temporomandi- bular. Se um procedimento intra-capsular for objetivado, uma incisão horizontal sobre a inserção superior da cáp- sula é realizada (Figura 3). E) Acesso pré-auricular, retalho cutâneo-fascial (KREUTZIGER7). Posterior e caudalmente à artéria temporal superfi- cial a incisão é confeccionada e se estende ínfero-poste- riormente descrevendo uma leve curva por 2,0 a 2,5 cm, gradualmente é convertida à direção vertical na junção superior do hélice da orelha. Este componente vertical é imediatamente pré-auricular e desce 2,5 a 3,0 cm até a inserção do lóbulo da orelha. A incisão da pele, de seu limite superior à margem superior da raiz do arco zigo- mático, transcorre no plano da fáscia temporal. A dissec- ção é realizada profundamente ao periósteo do arco e ao pericôndrio sobre a cartilagem do trágus por toda a extensão da abordagem. A fáscia temporal é incisada de 2,0 a 3,0 mm anteriormente à incisão curvilínea da pele. A porção superior inicial da incisão é levada completa- mente através da fáscia temporal. Portanto, o retalho denominado fáscio-cutâneo é rebatido ao longo de sua margem no sentido latero-anterior. A dissecção progride entre a lâmina superficial da fáscia temporal e o tecido adiposo, até o periósteo sobre o arco zigomático em sua raiz posterior, este é descolado em direção caudal até a margem inferior do arco zigomático, onde é contínuo a fáscia parotideomassetérica. À medida que a dissecção corre para anterior, a cápsula e o ligamento temporo- mandibular são visualizados, sendo possível acessar os espaços articulares ou o colo mandibular. F) Acesso pré-auricular com extensão serrilhada ou escalondada22,23. No tratamento da anquilose temporomandibular como consequência da presença de infecção ou fisio- terapia pós-operatória mal conduzida ou inexistente, pós-trauma, os autores descreveram uma incisão pré- auricular com extensão temporal de forma serrilhada ou em escalonamento, com o intuito de facilitar a exposição ampla e quebrar a tensão do retalho. A divulsão é reali- zada na região superior do campo cirúrgico para exposi- ção da fáscia do músculo temporal e, seguindo entre as fáscias superficial e profunda do músculo temporal, em direção ao arco zigomático (Figura 4). A partir deste pon- to, a área anquilosada é exposta e inicia-se a ostectomia para separação do arco zigomático e ramo ascendente mandibular. Finaliza-se com a interposição de lâmina de silicone estabilizada através de fios metálicos. G) Acesso pré-auricular17. Para a abordagem da articulação temporomandibu- lar, uma incisão foi proposta sendo desenhada na junção da pele com o hélix da orelha, em que uma prega natural da pele ao longo de todo o comprimento da orelha pode ser usada. Deve-se estender superiormente até o topo do hélix e feita através da pele e dos tecidos subcutâne- os, até a profundidade da camada superficial da fáscia temporal, devendo progredir com a dissecção profunda até o arco zigomático, ao nível da camada superficial da fáscia temporal. Neste ponto, uma incisão oblíqua é con- feccionada na fáscia temporal (Figura 5). Um elevador de periósteo é inserido abaixo desta fáscia para descolar Figura 3. Abordagem pré-auricular com extensão temporal (ÁL-KAYAT; BRAMLEY8). Fonte: Acessos Cirúrgicos ao Esqueleto Facial. Figura 4. Incisão pré-auricular22,23. Fonte: Figura extraída do livro: Traumatismo buco-maxilo-facial. Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 46-52, janeiro / fevereiro / março 2011 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 49 Acessos cirúrgicos a articulação temporomandibular: revisão de literatura. Jardim et al. o periósteo externo da parte lateral do arco zigomático. Segue-se com a dissecção romba, em direção inferior, superficialmente à cápsula da articulação temporoman- dibular e infiltra-se anestésico local com adrenalina dentro do espaço articular superior. Com um bisturi ou tesoura adentra-se à cápsula, logo abaixo do arco zigo- mático e incisa-se através da inserção lateral do disco articular, penetrando no espaço articular inferior. H) Acesso Endaural24,25. A abordagem endaural é iniciada no espaço articular posterior 1 a 1,5 mm medial à borda lateral do tragus através da porção avascular, anterior ao meato acústi- co externo. A divulsão é direcionada em sentido ântero- superior e ligeiramente medial até o arco zigomático. Os espaços articulares podem ser examinados com este acesso (Figura 6). Acessos ao Côndilo A) Acesso Retromandibular de HINDS26. Diferentemente dos acessos especificamente para a ATM, os acessos retromandibulares expõe todo o ramo mandibular por detrás da sua borda posterior, sendo as- sim pode ser útil para acesso a cabeça e pescoço con- dilar. A posição da incisão na região cutânea encontra-se aproximadamente 2 cm posteriormente ao ramo da man- díbula e cerca de 5 mm abaixo do lóbulo da orelha es- tendendo-se cerca de 3 a 3,5 cm. Nesta posição temos a vantagem teórica de distância dos ramos do nervo facial. Após a retração da pele, o músculo platisma torna- se visível, com um bisturi incisa-se o mesmo e o sistema músculo-aponeurótico superficial. A dissecação romba começa dentro da glândula parótida em direção Ante- ro-medial, direcionada a borda posterior da mandíbula. Uma pinça hemostática é aberta na direção esperada dos ramos do nervo facial. Após retração dos mesmos, a cinta pterigomassetérica é incisada prontamente com bisturi; por fim descola-se o músculo masseter (Figura 7). B) Acesso Submandibular O acesso submandibular é uma das mais úteis abor- dagens para o ramo mandibular e a região de corpo pos- terior. Esta abordagem pode ser utilizada também para uma serie de osteotomias mandibulares, além de anqui- lose da articulação temporomandibular. A incisãoé realizada de 1,5 a 2 cm inferiormente a mandíbula. A incisão é localizada dentro de uma ruga própria da pele na posição ântero-posterior, que é ne- cessária para exposição mandibular. A incisão inicial é conduzida através da pele e dos tecidos subcutâneos até o nível do músculo platisma. A pele é divulsionada por meio de tesouras rombas em to- das as direções. A porção superior é divulsionada cerca de 3 cm e a inferior cerca de 2 cm. Em seguida, realiza-se a divulsão das fibras do músculo platisma. Com um ins- trumento internamente ao músculo, o mesmo é incisado Figura 5. Aspecto da abordagem pré- auricular17. Fonte: Acessos Cirúrgicos ao Esqueleto Facial. Figura 6. Aspecto da abordagem Endaural24,25. Figura 7. Aspecto da abordagem Retromandibular26. Fonte: Acessos Cirúrgicos ao Esqueleto Facial. 50 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 46-52, janeiro / fevereiro / março 2011 Acessos cirúrgicos a articulação temporomandibular: revisão de literatura. Jardim et al. de uma extremidade a outra. Disseca-se a alça pterigo- massetérica e a veia e a artéria faciais bem como o ner- vo marginal da mandíbula são isolados. Maior retração da mandíbula é conseguida por meio de descolamento do músculo masseter e assim expor satisfatorimante o ramo assim como o processo condilar da mandíbula (Fi- gura 8). DISCUSSÃO Como demonstrado outrora, é indispensável ao ci- rurgião conhecer detalhadamente a anatomia local e a aplicação meticulosa da técnica cirúrgica, sobretudo no tocante a dissecção da região para adequada exposição das estruturas nobres pertencentes à área pré-auricular, sem quaisquer danos ao nervo facial e estruturas adja- centes. Para adequada exposição da região, diversos es- tudos foram confeccionados com o intuito de avaliar os padrões de ramificação e anastomose do nervo facial. Especulou-se que a baixa incidência de lesão do nervo facial no acesso pré-auricular se dá por conta de sua ramificação distal, em ramos que cruzam o arco zigo- mático12,16. Estes autores confirmaram que em 63% de neurotmese do ramo frontal do nervo facial, não houve perda da função do ventre frontal do músculo occipto- frontal, uma vez que existe mais de uma via de inerva- ção do mesmo. Neste contexto, os acessos pré-auriculares, diante da dissecção dos planos, a paralisia da musculatura en- volvida pode ocorrer e, se houver a paralisia das pálpe- bras, as consequências são graves, o que nos leva a crer que a proteção das estruturas durante a divulsão dos planos anatômicos no intento de não lesionamen- to das mesmas é fundamental. Fato este, evidenciado pela confecção do acesso endaural em detrimento de acessos maiores já que estes exigem maior dissecção e afastamento das estruturas adjacentes ao nervo facial. Na abordagem pré-auricular, os ramos temporais e raramente os ramos zigomáticos do facial, são os mais predominantemente lesionados. São fibras nervosas que cruzam o arco zigomático no sentido caudo-cefálico e se encontram imersas na condensação das camadas da fáscia temporoparietal, lâmina superficial da fáscia temporal, fáscia parotideomassetérica e do periósteo da porção lateral do arco zigomático. Estas estruturas po- dem ser lesadas em qualquer técnica de dissecção que viole a integridade desse tecido8,27. Situação que pode ser minimizada com o acesso endaural e muito mais pre- ocupante nos acessos com extensão temporal. Fica nítido na literatura, um consenso quanto a zona de condensação nervosa que dista de 0,8 a 3,5 cm da concavidade mais anterior do meato acústico interno, em média a 2,0 cm encontra-se o ramo temporal do nervo facial8. Fato importante durante a dissecção da aborda- gem pré-auricular, a incisão vertical da fáscia e periósteo sobre o arco zigomático deve ser realizada a uma dis- tância menor a 0,8 cm da concavidade mais anterior do meato acústico interno27. O mais seguro neste acesso, no plano subperios- tal para evitar a lesão do ramo temporal do nervo facial é na realização da incisão da lâmina lateral da fáscia temporal, uma vez que estes ramos são superficiais a este plano e encontram-se protegidos dentro do retalho durante uma retração anterior8. Há maior proteção aos ramos temporais e zigomáticos do nervo facial quando se obtém o retalho fáscio-cutâneo durante o acesso pré- auricular. Desta forma, para se evitar trações com forças ex- cessivas, com consequente neuropraxia28, é impres- cindível que este retalho acompanhe uma incisão com extensão temporal, descrito por diversos autores2,7,8,16,21. Esta extensão constitui uma manobra preventiva de le- são do nervo facial citada por estes autores, diante da redução da força de tração anterior do retalho, cuja in- tensidade certamente é transmitida às fibras nervosas. Com o acesso de ÁL-KAYAT e BRAMLEY, foi possível analisarem que as incisões pré-auriculares com exten- são temporal garantem uma maior previsibilidade de sucesso, quanto ao acesso a diversas regiões, com ma- nutenção da integridade das estruturas nobres desde de que seja confeccionada com a mais alta precisão e ha- bilidade cirúrgica. Em relação às lesões ao nervo facial neste tipo de acesso, com excessiva retração dos tecidos no transo- peratório tem sido descrita numa taxa entre 9 a 18 % dos casos28,29. Por isso, a sutura do retalho deve ser meti- culosa, para evitar a compressão indireta dos ramos do nervo facial. Ainda com estes cuidados, encontrou-se alto índice de paresia (20 a 32,5 %), resolucionado em três meses30,31. Todavia, em outro estudo, não houve ca- sos de lesão do nervo facial32. Também com relação ao Figura 8. Aspecto da abordagem Submandibular17. Fonte: Acessos Cirúrgicos ao Esqueleto Facial. Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, p. 46-52, janeiro / fevereiro / março 2011 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 51 Acessos cirúrgicos a articulação temporomandibular: revisão de literatura. Jardim et al. fechamento da área operada, é necessário que seja feito de forma cuidadosa, para não suturar inadvertidamente alguns dos ramos do nervo facial ou, numa sutura pro- funda, comprima uma fibra nervosa13. Outra possibilidade de lesão ao nervo facial é através da formação de hematoma e edema excessivos. Mesmo que transitória, medidas devem ser tomadas para a re- dução do edema, como a prescrição de antiinflamatórios esteroidais, além de uma boa hemostasia e fechamento por planos, não havendo formação de espaço morto. Ainda, o uso de anestésico com vasoconstritor para a hemostasia local, proporcionando um acesso exan- gue, pode ocasionar paresia de um ou mais ramos do nervo facial13, não sendo congruente com os autores deste estudo, que não utilizam anestésico para vaso- constrição, uma vez que o efeito vasoconstritor não é tão eficiente quanto o esperado, devido a presença de vasos de grande calibre, tornando assim mais indicado seu uso no caso de se obter uma analgesia no pós- operatório. Quanto ao melhor resultado estético diante das di- ferentes abordagens pré-auriculares, o acesso com en- daural, foi descrito como um acesso que traz ótimos re- sultados estéticos, pois há na incisão um desenho que orienta o cirurgião para o seu fechamento e provoca uma diminuição na tensão do retalho, diferentemente do ob- servado por alguns autores25,31,32. CONSIDERAÇõES FINAIS A partir da revisão de literatura pode-se concluir que as abordagens pré-auriculares quando bem indicadas e executadas podem e devem ser realizadas pois pro- pociam adequada exposição adequada a estruturas no- bres tornando os resultados mais previsíveis. O acesso endaural mostra-se eficaz já que foi descrito como um acesso que traz ótimos resultados estéticos. REFERÊNCIAS 1. Kermer GU, Undt G, Rasse M. Surgical reduction and fixationof intracapsular condylar fractures: a fellow up study. Int J Oral Maxillofac Surg. 1998; 27 (3): 191-4. 2. Dolwick MF. Temporomandibular Joint Surgery for Internal Derange- ment. Dent Clin N Am. 2007; 51: 195–208. 3. Ruíz CA, Guerrero JS. A new modified endaural approach for ac- cess to the temporomandibular joint. Brit J Oral Maxillof Surg. 2001; 39: 371–373. 4. Goffi FS, Tolosa EMC, Guimarães JS, Margarido NF, Lemos PCP. Técnica cirúrgica: bases anatômicas, fisiológicase técnicas de cirurgia. São Paulo: Atheneu, 2001. 822p. 5. 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Maiores informações e inscrições: (11) 3107-9529 ou sbccp@sbccp.org.br XXIII Congresso Brasileiro de Cirurgia de Cabeça e Pescoço de 3 a 6 de setembro de 2011, no Mendes Plaza Hotel, no bairro do Gonzaga, em Santos / SP. ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Rev. Bras. Cir. Cabeça Pescoço, v.40, nº 1, janeiro / fevereiro / março 2011 WWW.CCP2011.COM.BR XXIII CONGRESSO BRASILEIRO DE CIRURGIA DE CABEÇA E PESCOÇO Maiores Informações : SANTOS / SP - 3 A 6 DE SETEMBRO DE 2011 MENDES CONVENTION CENTER Apoio : Organização :Promoção :