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https://youtu.be/vBITTlPCwVQ 16/07/2020 Drª Patrícia Rocco - Professora Titular do IBCCF - UFRJ Diferentes fenótipos e estratégias terapêuticas da COVID-19 Na época em que a palestra foi ministrada pela Dra. Rocco, ainda se conheciam apenas 3 fenótipos do COVID-19, algo que recentemente há mudado diante do surgimento de novas variante. Porém, o conhecimento e estudo desses fenótipos primários se mantem relevante para a compreensão e tratamento da doença. O Fenótipo de tipo 1, é caracterizado por uma lesão focal e áreas perfundidas; nele se tem a complacência dos pulmões se encontram normais ou levemente aumentada, podendo causar hipoxemia, que pode ser decorrente do comprometimento alveolar ou pelo aumento de perfusão no mesmo. O de tipo 2 é caracterizado pela distribuição heterogênea da inflamação, levando ao colapso alveolar e opacidade peribronquicas. Nesse quadro se tem uma redução da complacência no pulmão, sendo necessária uma ventilação com pressão positiva um pouco maior ao final da expiração. Já o fenótipo de tipo 3 é parecido com a síndrome respiratória aguda, causando um comprometimento difuso do pulmão, tendo a ocorrência de edemas alveolares, comprometimento da relação ventilação/perfusão, hipoxemia consequente e complacência reduzida. Os estudos da doutora em parceria com pesquisadores italianos mostraram que no fenótipo de tipo 1 a ventilação com pressão positiva muito grande ao final da expiração, estava aumentando o grau de lesionamento pulmonar. Esse protocolo de ventilação errôneo é visto hoje como um ponto chave para a alta taxa de óbito de pacientes de COVID na Itália no início da pandemia. Além disso, a ventilação mecânica com alta pressão positiva pode estar associada aos problemas neurais decorrentes da doença, pois reduz o débito cardíaco e o retorno venoso, aumentando a pressão intracraniana. A doutora argumenta que diante do extenso comprometimento de diversos órgãos pela doença, o vírus não deveria ser denominado SARS-CoV 2 e sim MODS-CoV 2, isso é, Síndrome da Disfunção Orgânica Múltipla e não apenas respiratória. Na luta sem trégua contra essa doença desoladora, diversos tratamentos estão sendo utilizados, alguns de forma mais experimental do que outros. O medicamento Paviparivir tem se mostrado promissor na resposta para o controle de replicação viral, assim como o Remdesivir se mostrou interessante na redução da inflamação. Porém, o alto custo desses dificulta a sua aplicação. Corticoesteróides em associação com Tocilizumab se mostraram efetivos na diminuição da mortalidade causada pelo vírus, porém seu uso apresenta um risco alto de superinfecções associadas por bactérias e trás questões sobre seu momento ideal de introdução. A terapia celular com células tronco tem se mostrado positivas no combate à SARS-CoV2. Essa terapia tem a capacidade de reparar o epitélio e endotélio, além de apresentar alta atividade antiinflamatória e antifibrogênica. Adicionalmente, essas células não expressão o receptor ECA2, não sendo susceptíveis a infecções pelo SARS-Cov2. A palestra ministrada pela doutora foi incrivelmente elucidante e didática. Sua prática clinica como médica acrescentou muito na explicação de sua pesquisa, permitindo a fácil transmissão do seu conhecimento. Porém, apesar de ter sido ministrada apenas 6 meses atrás, sabemos que a ciência a cerca do SARS-Cov2 tem evoluído muito rapidamente e que muitas novas descobertas já foram feitas desde julho de 2020. Por esse motivo, se torna persistente ao longo da palestra a necessidade de averiguar o decorrer dos estudos que ela havia mencionado, principalmente a cerca dos medicamentos pesquisados para o tratamento de covid, uma vez que muitos podem ter se provado inadequados e até mesmo perigosos. O SARS-CoV2 é um vírus respiratório, que obtém acesso aos tecidos humanos por interações com os receptores de enzima conversora de angiotensina (ECA2), presentes nos epitélios e endotélios, assim como na região pulmonar, nos pneumócitos tipo 2. Uma vez absorvido pela célula, o vírus pode induzir a doença em sua forma mais branda, se expressa como tosse seca, dor de garganta e uma febre alta, sintomas comuns de uma virose. Porém, em sua forma mais agressiva, o vírus pode desencadear um quadro de pneumonia ou até uma pneupatia infecciosa, necessitando então serem admitidos para tratamento. As