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1. INTRODUÇÃO Há muito tempo que o Governo Federal convivia com uma série de problemas de natureza administrativa que dificultavam a adequada gestão dos recursos públicos e a preparação do orçamento unificado. Alguns aspectos dificultavam a adequada coleta de dados e gestão dessas informações, como por exemplo, a utilização de métodos rudimentares e inadequados de trabalho, a inconsistência dos dados utilizados em razão da diversidade de fontes de informações e das várias interpretações sobre cada conceito, o despreparo técnico de parte do funcionalismo público e a inexistência de mecanismos eficientes que pudessem evitar o desvio de recursos públicos e permitissem a atribuição de responsabilidades aos maus gestores. Esses problemas eram o verdadeiro impasse à época para o Governo Federal. Em 1986 foi criada a Secretaria do Tesouro Nacional – STN, para auxiliar o Ministério da Fazenda na execução de um orçamento unificado a partir do exercício seguinte. Diante da necessidade de informações qualificadas que permitissem aos gestores agilizar o processo decisório, a STN optou pelo desenvolvimento e implantação de um sistema informatizado, que integrasse os sistemas de programação financeira, de execução orçamentária e de controle interno do Poder Executivo e que pudesse fornecer informações gerenciais, confiáveis e precisas para todos os níveis da Administração. Em janeiro de 1987 a STN em conjunto com o SERPRO, o Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal - implantou o SIAFI Sistema Integrado de Administração Financeira para suprir o Governo Federal de um instrumento moderno e eficaz no controle e acompanhamento dos gastos públicos. A partir de então o Governo Federal passou a ter uma Conta Única para gerir todas as saídas de dinheiro com o registro de sua aplicação e do servidor público que a efetuou. Tornou-se de instrumento valioso na execução, acompanhamento e controle da correta utilização dos recursos da União. Mais tarde, já em 2009, surgiu uma nova ferramenta que auxilia a União, o SIOP Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento que trouxe maior agilidade e integração dos processos de planejamento e orçamento. Durante o trabalho será abordado mais detalhadamente sobre esses dois sistemas já citados. 2. Noções sobre o SIAFI O SIAFI é o Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal, que, de maneira informatizada, uniformiza os registros contábeis e acompanha as atividades relacionadas com a administração financeira, processamento da execução orçamentária e conhecimento de bens patrimoniais. Foi a Secretaria do Tesouro Nacional, em 1986, que contratou o Serpro – Serviço Federal de Processamento de Dados, para o desenvolvimento do sistema conhecido como SIAFI, que passou a ser o principal instrumento utilizado para registro, acompanhamento e controle da execução orçamentária, financeira, patrimonial e contábil do Governo Federal. O SIAFI é hoje apontado como o principal instrumento disponível de controle das contas públicas por parlamentares e técnicos da Consultoria de Orçamento das Casas Legislativas encarregados de promover o controle externo do planejamento orçamentário do governo (VALENTE, 2002). Esse instrumento tornou-se um dos sistemas governamentais mais abrangentes do mundo para o acompanhamento e o controle da execução orçamentária, financeira e patrimonial. Segundo Ravyelle (2018), o SIAFI interliga, através de terminais de computador, milhares de unidades da Administração Federal em todo o País e é o principal instrumento utilizado para a movimentação do caixa único do Tesouro Nacional. Dessa forma o Manual do SIAFI, “o SIAFI é o sistema informatizado que contabiliza e controla toda a execução orçamentária e financeira da União, em tempo real”. Já a STN considera o SIAFI “como o sistema de teleinformática que processa a execução orçamentária, financeira, patrimonial e contábil dos órgãos e entidades da Administração Federal, com a utilização de técnicas eletrônicas de tratamento de dados, objetivando proporcionar eficiência e eficácia à gestão dos recursos alocados no Orçamento Geral da União”. “Com o SIAFI, o controle passou a ser feito através de uma conta contábil chamada de Disponibilidade por Fonte de Recurso, e os recursos financeiros passaram a ser geridos através da Conta Única do Tesouro Nacional.” (SILVA ET. AL, 2018, p.03). Esse aspecto auxilia tanto no controle externo, como no controle interno dos órgãos públicos. 2.1 Campo de Aplicação O SIAFI é utilizado pelos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, e pelos órgãos e entidades da Administração direta e indireta. Nos últimos anos, a Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO tem trazido também a determinação de que as empresas estatais dependentes passem a utilizar o SIAFI na modalidade total. A única exceção quanto à utilização do SIAFI, no âmbito da Administração Pública Federal, são as empresas estatais independentes. O SIAFI é utilizado no âmbito Federal. Nos estados e municípios ele se chama SIAFEM e é utilizado por alguns estados, de forma parcial. Dentre os principais objetivos do SIAFI destacam-se os seguintes: Prover de mecanismos adequados ao registro e controle diário da gestão orçamentária, financeira e patrimonial os órgãos central, setorial, seccional e regional do sistema de controle interno e órgãos executores; Padronizar métodos e rotinas de trabalho, sem implicar rigidez ou restrição ao gestor público, que permanece com o total controle da gestão dos recursos; Fornecer meios para agilizar a programação financeira, com vistas a otimizar a utilização dos recursos do Tesouro Nacional; Permitir que a Contabilidade Pública seja fonte segura e tempestiva de informações gerenciais destinada a todos os níveis da Administração Pública Federal; Integrar e compatibilizar as informações disponíveis nos diversos órgãos e entidades participantes do sistema; Permitir aos segmentos da sociedade obterem a necessária transparência dos gastos públicos; Permitir a programação e o acompanhamento físico-financeiro do orçamento, em nível analítico; Permitir o registro contábil dos balancetes dos estados, municípios e de suas supervisionadas; Permitir o controle da dívida interna e externa, do Governo Federal, bem assim a das transferências negociadas. O acesso ao sistema SIAFI para efetivação dos registros da execução orçamentária, financeira e patrimonial, pelas Unidades Gestoras, pode ocorrer de forma on-line ou off-line. Na modalidade on line, todos os documentos orçamentários e financeiros são emitidos diretamente pelo sistema, e a própria UG atualiza os arquivos digitando por meio de terminais conectados ao Siafi, dados relativos às suas operações. Na modalidade off line, a UG emite seus documentos orçamentários, financeiros, patrimoniais e contábeis, previamente à introdução dos dados no sistema, o que é feito por meio de uma outra unidade chamada de Pólo de Digitação. A forma de acesso ao sistema é feita por meio de senha, em níveis hierárquicos de pesquisa e introdução de dados e acesso a transações, permitindo ao usuário conforme seu perfil, ter acesso a outras UGS. 3. Noções sobre o SIOP O SIOP – Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento começou a ser desenvolvido em 2009 por iniciativa da SOF (Secretaria de Orçamento Federal do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão) em substituição ao antigo sistema usado para o Orçamento Federal, SIDOR. A primeira menção oficial ao SIOP foi o MTO de 2010. Depois desta data o SIOP é regularmente citado nas LOA's e LDOs como o sistema institucional de suporte ao orçamento federal. O SIOP vem a corresponder às funções mostradas do SIDOR e SIGPLAN. O SIDOR estava chegando ao final de sua vida útil em função das tecnologias usadas no seu desenvolvimento. Desta forma o novo SIOP tinha como prerrogativa usar tecnologias mais novas e que facilitassem o desenvolvimento e manutenção do mesmo. Hoje todos os módulos do SIDOR (e suas funcionalidades)já migraram para o SIOP. Por meio de acesso à internet, os usuários dos diversos Órgãos Setoriais, Unidades Orçamentárias e Agentes Técnicos integrantes do sistema, bem como outros sistemas automatizados, registram suas operações e efetuam consultas on-line. De modo geral, o SIOP atende os servidores da Administração Pública que exercem atividades nas áreas de planejamento, orçamento, compras, finanças, convênios e controle, além de cidadãos interessados nos temas de orçamento público e políticas públicas. As propostas orçamentárias são lançadas diretamente no novo sistema SIOP, e não mais no SIDOR e SIDORNet como vinha sendo feito. O cadastro de programas e ações e demais funcionalidades do SIDOR também migraram para o novo sistema SIOP. O SIGPLAN também já foi absorvido pelo SIOP. O novo PPA 2012-2015 já migrou integralmente para o SIOP tanto na fase qualitativa como na quantitativa. Segundo Paludo (2015), o SIOP é um moderno sistema de informação corporativa utilizado pelo MPDG que une os antigos sistemas SIDOR e SIGPLAN, proporcionando economia de recursos, consultas diversas, e maior agilidade e integração dos processos de planejamento e orçamento. Conforme o manual constante no site do planejamento federal, o Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento – SIOP – é o sistema informatizado que suporta os processos de Planejamento e Orçamento do Governo Federal. É o resultado da iniciativa de integração dos sistemas e processos a partir da necessidade de: Otimizar procedimentos; Reduzir custos; Integrar e oferecer informações para o gestor público e para os cidadãos. O SIOP é o primeiro sistema estruturante do Governo totalmente desenvolvido utilizando software livre. Seus objetivos eram garantir, nas atividades de Planejamento e Orçamento: Confiabilidade nos dados; Simplicidade na utilização; Integração e transparência; Visões diferenciadas da informação para níveis estratégicos e tático/operacional. O SIOP é um sistema estruturante composto por módulos, desenvolvido e implantado pela Secretaria de Orçamento Federal – SOF/MP, em parceria com a Secretaria de Planejamento e Investimentos Estratégicos – SPI/MP, e a Secretaria das Empresas Estatais – SEST/MP. De forma genérica, os seguintes assuntos/processos envolvidos no planejamento e orçamento da União são tratados no SIOP: Elaboração do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias – PLDO; Elaboração do Projeto de Lei Orçamentária Anual – PLOA; Alterações Orçamentárias/Créditos; Orçamento Impositivo; Acompanhamento das Estatais; Acompanhamento Orçamentário; Outras funcionalidades. Estas funcionalidades estão organizadas nos vários módulos do SIOP. Trata-se do SIOP-Operacional. É a parte do SIOP usada no dia a dia para realizar as operações comuns dentro dos processos envolvidos no ciclo orçamentário e de planejamento. Além dos módulos descritos, o SIOP possui facilidades de consulta e análise que são chamados de SIOP-Gerencial ou Consultas SIOP. 4. CONCLUSÃO Pode-se concluir que o SIAFI representou uma grande evolução no controle das informações geradas nos órgãos públicos e consequentemente controle das contas públicas. Sendo importante destacar que é necessário sempre evoluir e tentar integrar esse sistema com os demais utilizados no controle para uma maior transparência nas informações. Já o SIOP, representa uma importante ferramenta de planejamento, orçamento, compras, finanças, convênios e controle. É por meio deste que efetua-se a integração entre orçamento e execução e o fornecimento de informação tanto para servidores, como para os cidadãos. REFERÊNCIAS PALUDO, A. V. Orçamento Público, AFO e LRF. Elsevier, 4º edição. RAVYELLE, L. Administração financeira e orçamentária – AFO. Janeiro, 2018. Disponível em: < https://forumdeconcursos.com/wp-content/uploads/wpforo/attachments/2/1995-AFO-completo-2018-Prof-Leandro-Ravyelle.pdf>. Acesso em: 04 Dez. 2018. SILVA, G. L. C. ET. AL. Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal-SIAFI- Necessidade Criação e Evolução. Disponível em: <http://www.eumed.net/cursecon/ecolat/br/07/glcs.pdf> Acesso em: 03 Dez. 2018. VALENTE, A.P.M.A. Acesso à informação governamental: estudo exploratório do papel do Siafi na publicidade da execução do Orçamento Geral da União. Belo Horizonte, Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais, 2002.