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1 1. Problema Proposto 1.1. Calcular e detalhar a cortina de estacas Figura 1: Desenho simplificado Fonte: Autor, 2018 2. Cálculos 2.1.Coeficiente de atrito ∅ = 28 + 0,4 ∙ 𝑁𝑠𝑎𝑡,𝑚𝑒𝑑 Onde, 𝑁𝑠𝑎𝑡,𝑚𝑒𝑑 ≅ 7 Então, ∅ = 28 + 0,4 ∙ 7 ≅ 30,8° 2.2.Coeficientes de empuxo 2.2.1. Ativo (Ka) 𝐾𝑎 = 1 − sin∅ 1 + sin∅ = 1 − sin 30,8 1 + sin 30,8 = 0,3227 2.2.2. Passivo (Kp) 𝐾𝑎 = 1 𝐾𝑝 = 1 0,3227 ≅ 3,10 2 2.3.Tensões 2.3.1. Sobrecarga 𝑞 = ∑ 𝑅𝐴𝑖 𝑛 𝑖=1 35000 = 95613 35000 = 2,73𝑘𝑁/𝑚² 2.3.2. Tensões Ativas Considerando o marco zero como um ponto localizado no topo do terreno do lado direito da figura 1, tem-se: Tensões Ativas (kN/m²) Prof. (m) Sobrecarga Verticais Ka Horizontal 0 2,73 0 0,3227 0,88 3,5 2,73 63 0,3227 21,21 3,5 + y1 2,73 (3,5+y1)x18 0,3227 (3,5+y1)x5,81 + 0,88 3,5 + y1 + y2 2,73 (3,5+y1+ y2)x18 0,3227 (3,5+y1 + y2)x5,81 + 0,88 2.3.3. Tensões Passivas Considerando o ponto inicial sobre a superfície do terreno do lado esquerdo da figura 1, tem-se: Tensões Passivas (kN/m²) Prof. (m) Verticais Kp Horizontal 3,5 + y1 (3,5+y1)x18 3,10 (3,5+y1)x55,8 3,5 + y1 + y2 (3,5+y1+ y2)x18 3,10 (3,5+y1 + y2)x55,8 Sabe-se que as tensões ativas se igualam as tensões passivas num determinado ponto y1, portanto: (3,5 + y1) × 5,81 + 0,88 = (3,5 + y1) × 55,8 y1 = 0,42 𝑚 Com o valor de y1, é possível calcular y2 em função da tensão horizontal no ponto mais profundo da estaca. σℎ𝑜𝑟𝑖𝑧𝑜𝑛𝑡𝑎𝑙 = (3,5 + y1 + y2)x55,8 − [(3,5 + y1 + y2)x5,81 + 0,88] σℎ𝑜𝑟𝑖𝑧𝑜𝑛𝑡𝑎𝑙 = (3,5 + 0,42 + y2)x55,8 − [(3,5 + 0,42 + y2)x5,81 + 0,88] σℎ𝑜𝑟𝑖𝑧𝑜𝑛𝑡𝑎𝑙 = 50y2 − 2,23 Montando o gráfico de momento, tem-se: Figura 2: Empuxo 3 Fonte: Autor, 2018 Para determinar o valor de y2, será considerado a condição de equilíbrio no ponto “C” onde a somatória do momento será zero, portanto: ∑𝑀𝑐 𝑛 𝑖=1 = 0 (21,21 − 0,88) ∙ 3,5 2 ∙ ( 3,5 2 + 0,42 + y2) + 0,88 ∙ 3,5 + 0,42 + y2 2 + 21,21 ∙ 0,42 2 ∙ (0,42 ∙ 2 3 + y2) − (50y2 − 2,23)y2 2 6 = 0 y2 = 2,75 𝑚 Portanto, y𝑇 = y2 + y1 = 2,75 + 0,42 = 3,17 𝑚 A ficha será 20% a mais do valor de y𝑇 𝑓 = 1,2 ∙ y𝑇 = 1,2 ∙ 3,17 = 3,80 𝑚 𝑓𝑎𝑑𝑜𝑡𝑎𝑑𝑜 = 4,00 𝑚 2.4.Verificação do fator de segurança devido ao tombamento 𝐹𝑆 = (3,1 ∙ 18 ∙ 4 2 ∙ 4 3) 0,337 ∙ (2,73 ∙ 7,5 ∙ 7,5 2 + 18 ∗ 7,5 2 ∙ 7,5 3 = 1,89 > 1,50 (𝑜𝑘!) 2.5. Diâmetro das estacas e espaçamento 4 Para o pré-dimensionamento do diâmetro das estacas, será adotado o critério de pré- dimensionamento de pilares, sendo dado por 𝑙/10. ∅𝑒𝑠𝑡 = 𝑙 10 = 3,5 10 = 0,35 𝑚 Através do software Ftool, o deslocamento na ponta da estaca foi de 𝛿 = 9,1 𝑐𝑚, para o diâmetro de 35 cm Figura 3: Deslocamento ∅𝑒𝑠𝑡 = 35 𝑐𝑚 Fonte: Autor, 2018. Em virtude de estabelecer um menor deslocamento da estaca, foi adota o ∅𝑒𝑠𝑡 = 50 𝑐𝑚, obtendo-se 𝛿 = 2,2 𝑐𝑚, considerando prédios afastados ou que sofrem influência pequenas.. Em relação a ao espaçamento será adotado 𝑠 = 2 ∙ ∅𝑒𝑠𝑡, isto é, 𝑠 = 100 𝑐𝑚. Figura 4: Deslocamento ∅𝑒𝑠𝑡 = 50 𝑐𝑚 Fonte: Autor, 2018 5 2.6. Dimensionamento da armadura 2.6.1. Armadura longitudinal 2.6.1.1.Área mínima e máxima 𝐴𝑚𝑖𝑛 = 0,004𝐴𝑚𝑖𝑛 = 7,85 𝑐𝑚² 𝐴𝑚á𝑥 = 0,08𝐴𝑚á𝑥 = 157,08 𝑐𝑚 2 2.6.1.2.Cálculo do Momento máximo O momento será máximo no ponto em que a força cortante for nula, portanto: ∑𝐹ℎ = 0 𝛾 ∙ 𝑘𝑝 ∙ 𝑍 ∙ ( 𝑧 2 ) = 𝛾 ∙ 𝑘𝑎 ∙ (3,5 + 𝑍) ∙ ( 3,5 + 𝑧 2 ) + 𝑞 ∙ (3,5 + 𝑧) Onde Z representa um ponto da estaca aterrada ao solo 18 ∙ 3,1 ∙ 𝑍 ∙ ( 𝑧 2 ) = 18 ∙ 0,3227 ∙ (3,5 + 𝑍) ∙ ( 3,5 + 𝑧 2 ) + 2,73 ∙ (3,5 + 𝑧) 𝑧 = 1,88 𝑚 Portanto o momento máximo será: 𝑀𝑚á𝑥 = 18 ∙ 3,1 ∙ 𝑍 ∙ ( 𝑧 2 ) ∙ ( 𝑧 3 ) − 18 ∙ 0,3227 ∙ (3,5 + 𝑍) ∙ ( (3,5 + 𝑧)2 2 ∙ 3 ) + 2,73 ∙ (3,5 + 𝑧)2 2 Substituindo o valor de 𝑧 = 1,88 𝑚, tem-se: 𝑀𝑚á𝑥 = 101,05 𝑘𝑁 ∙ 𝑚 Através do software Ftool, também, calculou-se o valor máximo do momento obtivendo-se 𝑀𝑘 = 101,3 𝑘𝑁 ∙ 𝑚. Figura 5: Momento máximo Fonte: Autor, 2018 6 Então, 𝑀𝑑 = 1,4 ∙ 101,3 = 141,82 𝑘𝑁 ∙ 𝑚 2.6.1.3. Cálculo da armadura por simplificação Como a secção da estaca é circular com diâmetro de 50 cm, adotaremos uma simplificação considerando a estaca como um pilar quadrado de lado 𝐿 = 0,7∅𝑒𝑠𝑡 = 35 𝑐𝑚 𝑑 = ℎ − 𝑐 − ∅𝑙𝑜𝑛𝑔 2 − ∅𝑡𝑟𝑎𝑛𝑠𝑣. = 35 − 3,5 − 1,6 2 − 0,63 = 30,07 𝑐𝑚 𝑥23 = 0,259 ∙ 𝑑 = 0,259 ∙ 30,07 = 7,79 𝑐𝑚 𝑥34 = 0,628 ∙ 𝑑 = 0,628 ∙ 30,07 = 18,88 𝑐𝑚 𝑥 = 1,25 ∙ 𝑑 (1 − √1 − 𝑀𝑑 0,425 ∙ 𝑏𝑤 ∙ 𝑑2 ∙ 𝑓𝑐𝑑 ) 𝑥 = 1,25 ∙ 30,07 ( 1 − √1 − 141,82 0,425 ∙ 0,35 ∙ 30,072 ∙ 2 1,4 ) 𝑥 = 18,35 < 𝑥34 = 18,88 (𝑜𝑘!) Então, a área do aço será dada por: 𝐴𝑠 = 𝑀𝑑 𝜎𝑠 ∙ (𝑑 − 0,4𝑥) = 141,82 50 1,15 (30,07 − 0,4 ∙ 18,35) 𝐴𝑠 = 14,35 𝑐𝑚² Isto é, 8 ∅16mm 2.6.1.4. Cálculo da armadura com auxílio do software Oblíqua 1.0 Através do programa Oblíqua 1.0 para dimensionamento de armadura e considerando o diâmetro da estaca como um polígono de 12 lados com diâmetro de 50 cm e cobrimento de 3,5 cm, obteve-se: Para a situação da Figura 6, a configuração da zona tracionada mostrou-se segura com 6 ∅16mm, isto é, com 𝐴𝑠 = 12 𝑐𝑚 2. Já era de se esperar uma quantidade de aço menor que o calculado no item anterior, visto que na situação simplificada, a área da secção é menor que a área do polígono. 7 Figura 6: Dimensionamento de armadura Fonte: Autor, 2018 Para situação de projeto, ajustou-se o software, afim de representar uma solução mais segura e mais próxima da secção circular da estaca. Figura 7: Ajuste da armadura Fonte: Autor, 2018 Portanto para situação de projeto, a secção da estaca terá 6 barras com ∅ = 16 𝑚𝑚 como armadura positiva e 4 barras com ∅ = 16 𝑚𝑚 na armadura negativa, tendo uma área de aço na secção de: 8 𝐴𝑎ç𝑜 = 6 ∙ 2 + 6 ∙ 0,5 = 15 𝑐𝑚² A área calcula está no intervalo de mínimo e máximo 2.6.2. Armaduras transversais (estribos) 2.6.2.1. Determinação da força cortante máxima Sabe-se que a força cortante será máxima quando a derivada for zero. Através do item 2.6.1.2., tem-se a equação da cortante: 𝑉(𝑧) = 18 ∙ 0,3227 ∙ (3,5 + 𝑍) ∙ ( 3,5 + 𝑧 2 ) + 2,73 ∙ (3,5 + 𝑧) − 18 ∙ 3,1 ∙ 𝑍 ∙ ( 𝑧 2 ) Derivando, tem-se: 𝑑 𝑑𝑧 𝑉(𝑧) = 𝑞(𝑧) = 0 2,9041𝑧2 − 32,7399𝑧 + 45,132675 = 0 Portanto z = 1,61 m, substituindo na equação da força cortante, tem-se que: 𝑉𝑚á𝑥 = 𝑉(1,61𝑚) = 92,50 𝑘𝑁 2.6.2.2. Área mínima pela área da secção 𝐴𝑚𝑖𝑛 = 0,10%𝐴𝑆𝑒𝑐çã𝑜 𝐴𝑚𝑖𝑛 = 0,10 100 ∙ 502 ∙ 𝜋 4 = 1,963 𝑐𝑚2 Para a área mínima será ∅6,3 c/ 15 cm 2.6.2.3. Área mínima NBR 6118 (17.1.1.1) 𝑉𝑘 = 38,7 𝑘𝑁 𝜌𝑠𝑤 = 𝐴𝑠𝑤 𝑏𝑠𝑤 ∙ 𝑠 ≥ 0,2 ∙ 𝑓𝑐𝑡,𝑚 𝑓𝑦𝑤𝑘 Sabendo que 𝑓𝑐𝑡,𝑚 = 0,3 ∙ 𝑓𝑐𝑘 2 3 = 0,3 ∙ 20 2 3 = 2,21 𝑀𝑃𝑎 E 𝑓𝑦𝑤𝑘 = 50 𝑀𝑃𝑎, tem-se 𝐴𝑠𝑤 = 0,2 ∙ 100 ∙ 2,21 50 = 0,884 𝑐𝑚² Para a área mínima será ∅5,0 c/ 20 cm 2.6.2.4. Verificação da compressão diagonal do concreto 𝑉𝑅𝑑2 = 0,27 ∙ 𝛼𝑉2 ∙ 𝑓𝑐𝑑 ∙ 𝑏𝑤 ∙ 𝑑 9 Considerando 𝑏𝑤 e 𝑑 como sendo 0,6 ∙ ∅𝑒𝑠𝑡𝑎𝑐𝑎, tem-se também que: 𝛼𝑉2 = 1 − 𝑓𝑐𝑘 250 = 1 − 20 250 = 0,92 𝑓𝑐𝑑 = 0,7𝑓𝑐𝑡,𝑚 1,4= 0,7 ∙ 2,21 1,4 = 1,11 𝑀𝑃𝑎 Portanto a cortante resistente de cálculo, será: 𝑉𝑅𝑑2 = 0,27 ∙ 0,92 ∙ 2,0 1,4 ∙ (0,6 ∙ 50) ∙ (0,6 ∙ 50) = 319,37 𝑘𝑁 Sabendo que 𝑉𝑚á𝑥 vale 92,50 kN, tem-se: 𝑉𝑑 = 1,4 ∙ 92,5 = 129,5 𝑘𝑁 < 𝑉𝑅𝑑2 = 319,37 𝑘𝑁 (𝑜𝑘!) Considerando flexão simples na secção da estaca, tem-se: 𝑉𝐶 = 0,6 ∙ 𝑓𝑐𝑡𝑑 ∙ 𝑏𝑤 ∙ 𝑑 = 0,6 ∙ 0,111 ∙ (0,6 ∙ 50) ∙ (0,6 ∙ 50) = 59,94 𝑘𝑁 2.6.2.5. Dimensionamento dos estribos acima da superfície mais baixa do terreno A cortante num ponto a 3,5m da cortina, isto é, nas estacas que estarão a mostra do outro lado do terreno será: 𝑉3,5𝑚 = 21,21 ∙ 3,5 2 + 0,88 ∙ 3,5 = 40,2 𝑘𝑁 < 𝑉𝑐 Como todo o esforço da cortante será absorvido pelo concreto da estaca, então adotou-se a armadura mínima de ∅6,3 c/ 15 cm. 2.6.2.6. Dimensionamento dos estribos abaixo da superfície mais baixo do terreno A força cortante máxima se deu abaixo da superfície mais baixo do terreno, isto é, na parte completamente enterrada da estaca, como já foi calculado no item 2.6.2.1., tem-se: Portanto há uma fração que será suportada pelos estribos 𝑉𝑠𝑤 = 𝑉𝑑 − 𝑉𝑐 = 129,5 − 59,94 = 69,56 𝑘𝑁 𝑉𝑠𝑤 = 69,56 𝑘𝑁 Sabendo que para estribos a 90° das armaduras longitudinais: 𝑉𝑠𝑤 = ( 𝐴𝑠𝑤 𝑠 ) 0,9 𝑑 𝑓𝑦𝑤𝑑 Tem-se: 10 𝐴𝑠𝑤 𝑠 = 69,56 ∙ 100 0,9 ∙ 30,07 ∙ ( 50 1,15) = 5,9 𝑐𝑚2/𝑚 Portanto será adotado 10∅10,0 c/ 10 para os estribos. 3. Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 6118. Projeto de estruturas de concreto – Procedimento. Rio de Janeiro, 2014. GERSCOVICH, D.; DANZIGER, B. R.; SAMAROMAGO, R. Contenções: teoria e aplicações em obras. São Paulo: Oficina de textos, 2016. 11 PROJETO