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DIREITO EMPRESARIAL 
Resumão Estratégico para o XXVII Exame da OAB 
Prof. Renato Borelli 
 
 
 
1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 DIREITO EMPRESARIAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DIREITO EMPRESARIAL 
Resumão Estratégico para o XXVII Exame da OAB 
Prof. Renato Borelli 
 
 
 
2 
 
 
1 - Considerações iniciais ..................................................................................................... 5 
2 - Histórico do Direito Empresarial no Brasil .......................................................................... 5 
2.1 Origem do Direito Comercial .................................................................................... 6 
2.2 Evolução Histórica .................................................................................................. 7 
2.3 Autonomia ........................................................................................................... 11 
2.4 Fontes ................................................................................................................. 14 
2.5 Características do Direito Comercial ........................................................................ 14 
2.6 Os quatro perfis de Asquini – a empresa como fenômeno econômico poliédrico ............ 15 
3 - Empresário ................................................................................................................... 17 
3.1 Conceito de empresário ................................................................................................. 17 
3.2 - Requisitos para o exercício da atividade empresarial ....................................................... 19 
3.3 - Obrigações do empresário ............................................................................................ 22 
3.3.1 - Registro – art. 967 do CC .......................................................................................... 22 
3.3.2 - Escrituração dos livros comerciais .............................................................................. 24 
3.3.3 - Demonstrativos contábeis ......................................................................................... 26 
4 - Estabelecimento empresarial ........................................................................................... 26 
4.1 - Conceito de estabelecimento – art. 1142 do CC .............................................................. 26 
4.2 - Ponto Comercial ......................................................................................................... 28 
5 - Nome empresarial ......................................................................................................... 33 
5.1 - Firma ........................................................................................................................ 33 
5.2 - Denominação ............................................................................................................. 34 
5.3 - Nome empresarial X marca .......................................................................................... 34 
5.4 - Princípios do nome empresarial .................................................................................... 36 
5.4.1 - Bens patenteáveis .................................................................................................... 38 
5.4.2 - Bens registráveis ..................................................................................................... 41 
6 - Direito Societário ........................................................................................................... 47 
6.1 - Elementos específicos de uma sociedade ....................................................................... 47 
6.2 - Visão geral das sociedades ........................................................................................... 48 
6.3 - Sociedades não personificadas ..................................................................................... 48 
6.3.1 - Sociedade em Comum .............................................................................................. 48 
6.3.2 - Responsabilidade do sócio na Sociedade em Comum .................................................... 49 
6.3.3 - Características especiais ........................................................................................... 49 
6.3.4 - Sociedade em conta de participação ........................................................................... 50 
6.3.5 - Modalidades de sócios nas Soc. em Conta de Participação ............................................. 51 
6.3.6 - Impossibilidade de registro da Soc. em Conta de Participação ....................................... 51 
6.4 - Sociedades personificadas............................................................................................ 52 
6.4.1 - Sociedade empresária – art. 982 do CC ...................................................................... 52 
6.4.2 - Sociedade simples .................................................................................................... 52 
DIREITO EMPRESARIAL 
Resumão Estratégico para o XXVII Exame da OAB 
Prof. Renato Borelli 
 
 
 
3 
 
6.4.3 - Classificação das sociedades personificadas ................................................................. 54 
6.4.4 - Sociedade em Nome Coletivo (art. 1.039) ................................................................... 55 
6.4.5 - Sociedade em Comandita Simples (art. 1.045 do CC) ................................................... 55 
6.4.6 - Sociedade Limitada .................................................................................................. 56 
6.4.7 - Sociedade Anônima .................................................................................................. 72 
6.4.8 - Reorganização societária ........................................................................................... 88 
6.4.9 - Sociedades coligadas (“ligações societárias”) ............................................................... 93 
6.4.10 - Sociedade dependente de autorização ...................................................................... 94 
7 - Títulos de crédito ........................................................................................................... 96 
7.1 - Conceito .................................................................................................................... 97 
7.2 - Função dos títulos de crédito ........................................................................................ 99 
7.3 - Princípios do Direito Cambiário ................................................................................... 100 
7.4 - Natureza da obrigação cambial ................................................................................... 102 
7.5 - Classificação dos títulos de crédito .............................................................................. 104 
7.5.1 - Títulos cambiais e títulos cambiariformes .................................................................. 105 
7.6 - A informática e o futuro do Direito Cambiário ............................................................... 106 
7.7 - Rigor cambiário ........................................................................................................ 106 
7.8 - Títulos de crédito em espécie ..................................................................................... 107 
7.8.1 - Letra de Câmbio .................................................................................................... 107 
7.8.2 - Nota promissória .................................................................................................... 117 
7.8.3 - Duplicata ..............................................................................................................119 
7.8.4 - Cheque ................................................................................................................. 123 
7.9 - Títulos de crédito e financiamento rural, industrial, comercial e imobiliário ....................... 128 
7.10 - Protesto ................................................................................................................. 131 
7.10.1 - Conceito de protesto (art. 1º, da Lei nº 9.492/1997) ................................................ 131 
7.10.2 - Finalidade do Protesto ........................................................................................... 131 
7.10.3 - Documentos protestáveis ...................................................................................... 133 
7.10.4 - Competência funcional do Protesto ......................................................................... 134 
7.10.5 - Competência Territorial ......................................................................................... 135 
7.10.6 - Natureza jurídica do Protesto ................................................................................. 136 
7.10.7 - Motivos do protesto .............................................................................................. 138 
7.10.8 - Prazo para o protesto ........................................................................................... 139 
7.10.9 - Prática do protesto ............................................................................................... 140 
7.10.10 - Prazo para pagamento/sustação/desistência .......................................................... 143 
7.11 - Ação Cambial ......................................................................................................... 145 
8 - Nova Lei de Falências – Lei nº 11.101/2005 .................................................................... 151 
8.1 - Noções introdutórias ................................................................................................. 151 
8.2 - Recuperação de empresas ......................................................................................... 153 
8.3 - Recuperação judicial ................................................................................................. 153 
8.3.1 - Legitimidade ativa .................................................................................................. 154 
DIREITO EMPRESARIAL 
Resumão Estratégico para o XXVII Exame da OAB 
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4 
 
8.3.2 - Petição inicial do pedido de recuperação judicial......................................................... 155 
8.3.3 - Questões genéricas ................................................................................................ 165 
8.4 - Recuperação especial – microempresas e empresas de pequeno porte ............................ 165 
8.5 - Recuperação Extrajudicial .......................................................................................... 167 
8.6 - Falência ................................................................................................................... 167 
8.6.1 - Conceito de Falência ............................................................................................... 168 
8.6.2 - Legitimidade ativa na Falência ................................................................................. 168 
8.6.3 - Pressupostos da Falência ........................................................................................ 170 
8.6.4 - Princípios informadores do processo falimentar .......................................................... 170 
8.6.5 - Legitimidade passiva na Falência ............................................................................. 171 
8.6.6 - Juízo competente da Falência .................................................................................. 172 
8.6.7 - Fases do processo falimentar ................................................................................... 173 
8.6.8 - Fundamentos jurídicos do pedido de falência ............................................................. 173 
8.6.9 - Insolvência do devedor ........................................................................................... 174 
8.6.10 - Hipóteses de manifestação do devedor após sua citação ........................................... 174 
8.6.11 - Decisão judicial .................................................................................................... 176 
8.6.12 - Atos ineficazes ..................................................................................................... 179 
8.6.13 - Atos revogáveis ................................................................................................... 180 
8.6.14 - Efeitos da sentença declaratória ............................................................................. 181 
7.6.15 - Arrecadação dos bens ........................................................................................... 183 
7.6.16 - Da realização do ativo ........................................................................................... 184 
8.6.17 - Aspectos criminais na Falência ............................................................................... 187 
8.7 - Disposições transitórias da NLFR ................................................................................. 194 
9 - Microempresa e empresa de pequeno porte – LC 123/2006 .............................................. 195 
9.1 - Caracterização das microempresas e empresas de pequeno porte ................................... 196 
9.2 - Do pequeno empresário ............................................................................................. 201 
9.3 - Enquadramento e desenquadramento ......................................................................... 201 
9.4 - Tratamento jurídico diferenciado – art. 179 da CRFB ..................................................... 202 
9.5 - Deliberações sociais nas ME e EPP .............................................................................. 203 
9.6 - ME ou EPP na Justiça do Trabalho ............................................................................... 204 
9.7 - ME ou EPP podem ter o benefício dos Juizados Especiais (comum ou federal) ................... 204 
9.8 - Protesto e as ME ou EPP ............................................................................................ 204 
9.9 - Regras especiais de participação em licitações .............................................................. 206 
8.9.1 - A comprovação de regularidade fiscal e outros requisitos formais de habilitação ............ 206 
10 - Contratos mercantis ................................................................................................... 211 
10.1 - Contratos de troca .................................................................................................. 213 
10.1.1 - Compra e venda mercantil ..................................................................................... 213 
10.1.2 - Alienação fiduciária em garantia ............................................................................. 228 
10.1.3 - Arrendamento mercantil ........................................................................................ 247 
10.2 - Contratos de colaboração ......................................................................................... 250 
DIREITO EMPRESARIAL 
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5 
 
10.2.1 - Comissão Mercantil ............................................................................................... 252 
10.2.2 - Representação comercial (ou AGÊNCIA) .................................................................. 256 
10.2.3 - Concessão comercial.............................................................................................261 
10.2.4 - Franquia (franchising) ........................................................................................... 263 
10.2.5 - Distribuição ......................................................................................................... 264 
10.2.6 - Faturização (factoring) .......................................................................................... 266 
10.3 - Contratos de prevenção de riscos .............................................................................. 268 
10.3.1 - Contrato de seguro ............................................................................................... 268 
10.4 - Contratos bancários ................................................................................................ 287 
10.4.1 - Cofres de aluguel ................................................................................................. 291 
10.4.2 - Depósitos especiais .............................................................................................. 291 
10.4.3 - Desconto e repasse .............................................................................................. 292 
10.5 - Contrato de cartão de crédito ................................................................................... 294 
10.6 - Contrato de conta corrente ....................................................................................... 295 
 
 
1 - CONSIDERAÇÕES INICIAIS 
Olá, prezados alunos! 
Conforme combinado, segue um “resumão” de Direito 
Empresarial para facilitar os estudos. Para quem tiver 
tempo, minha sugestão é a leitura integral! Àqueles que 
estiverem com o tempo escasso, estudem os pontos com 
maior deficiência, seguindo o nosso combinado em aula: 
dispositivos legais marcados na lei e resolução de questões. 
Tenho certeza que ajudará na aprovação de vocês para 
o XXVII Exame da OAB!  
Prontos? Bons estudos! 
2 - HISTÓRICO DO DIREITO EMPRESARIAL NO BRASIL 
O Código Comercial de 1850 foi dividido em três partes: 
Parte I – “Do Comércio em Geral”. Teoria dos Atos de Comércio (origem 
francesa). COMERCIANTE e SOCIEDADE COMERCIAL. Comerciante era a pessoa 
física. Sociedade comercial era a pessoa jurídica. Era necessário observar a 
DIREITO EMPRESARIAL 
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6 
 
atividade desempenhada. A análise era objetiva, ou seja, verificava-se a 
atividade realizada pela pessoa física ou pessoa jurídica. 
PROBLEMA: os atos de comércio estavam elencados no Regulamento 
737/1850. Esse regulamento trazia poucas situações de “atos de comércio” 
(exemplos: atividade de transporte, atividade de indústria, contratos marítimos, 
fretamentos de navios, espetáculos públicos, títulos de crédito em geral, etc.). 
A problemática maior era que a empresa, à época (antes do NCC), só podia 
pedir concordata se sua atividade estivesse elencada no Regulamento citado. 
Art. 2045 do CC: revogou apenas a Parte I do Código Comercial. Assim, a 
Parte II – que trata do Comércio Marítimo – ainda está em vigor. 
“Art. 2.045. Revogam-se a Lei no 3.071, de 1o de janeiro de 1916 - 
Código Civil e a Parte Primeira do Código Comercial, Lei no 556, de 25 
de junho de 1850.” 
QUESTÃO DE PROVA: ainda é cobrada a questão da arribada forçada. O 
que é esse instituto? Quando o navio sai do porto, seu trajeto deve estar pré-
definido. Se o navio para em um porto que não estava definido, essa parada é 
chamada de “arribada forçada”. A arribada forçada só é admitida quando 
presente uma justa causa (art. 741 do Código Comercial) - temor fundado de 
ataque pirata. 
Parte II – “Do Comércio Marítimo” 
Parte III – “Das Quebras” (em relação à falência) revogada pelo DL 
7661/1945 revogado pela Lei 11101/2005 (LRE). 
Com a revogação da Parte I do Código Comercial, passamos a adotar a 
Teoria da Empresa (origem italiana). 
Nessa teoria, chama-se de empresário a pessoa física e de sociedade 
empresária (= empresário coletivo) a pessoa jurídica. A análise agora não é 
meramente objetiva. Deve-se observar, também, quem pratica a atividade. 
2.1 ORIGEM DO DIREITO COMERCIAL 
Intuitivamente, poder-se-ia afirmar que o Direito Comercial é o direito do 
comércio, entendido nas palavras de Joaquin Garrigues: 
DIREITO EMPRESARIAL 
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7 
 
“Comércio é o conjunto de atividades que efetuam a circulação dos 
bens entre produtores e consumidores.” 1 
Já nas palavras de João Eunápio Borges, o comércio é “o ramo da atividade 
humana que tem por objeto a aproximação de produtores e consumidores, para 
a realização ou facilitação de trocas” 2. 
Embora o comércio já existisse, o Direito Comercial surge como sistema na 
Idade Média, por meio do desenvolvimento das “corporações de ofício”, 
formadas pela burguesia que vivia do comércio junto aos feudos, e que 
estipulava regras jurídicas mais dinâmicas e próprias de suas atividades - 
diferente das regras do Direito Romano e Canônico. 
2.2 EVOLUÇÃO HISTÓRICA 
São três as fases da evolução do Direito Empresarial: 
 Sistema subjetivista: Corporações de ofício - jurisdição própria e regras 
baseadas nos usos e nos costumes. O Direito comercial é o direito 
aplicável aos integrantes de uma específica corporação de ofício. 
Possuía o caráter classista e corporativo. 
Numa primeira fase era o direito dos comerciantes (atos de comércio 
subjetivos). Havia o chamado critério corporativo, pelo qual se o sujeito fosse 
membro de determinada corporação de ofício, o direito a ser aplicado seria o da 
corporação. 
Tratava-se de “um direito criado pelos mercadores para regular as suas 
atividades profissionais e por eles aplicado”3. 
Fala-se aqui em sistema subjetivo, porquanto havia a aplicação do 
chamado critério corporativo, pelo qual se o sujeito fosse membro de 
determinada corporação de ofício, o direito a ser aplicado seria o da corporação, 
vale dizer, era a matrícula na corporação que atraía o direito costumeiro e a 
jurisdição consular. Entretanto, não era suficiente o critério corporativo, era 
 
1 GARRIGUES, Joaquin. Curso de Derecho Mercantil. 7ª. Ed. Bogotá: Temis, 1987, v. 01, p. 09. 
2 BORGES, João Eunápio. Curso de Direito Comercial Terrestre. Rio de Janeiro: Forense, 1959, v. 01, p. 
11. 
3 ABREU, Jorge Manuel Coutinho de. Curso de Direito Comercial. Coimbra: Almedina, 1999, v. 01, p. 03. 
DIREITO EMPRESARIAL 
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8 
 
necessário que a questão também fosse ligada ao exercício do comércio 4 . 
Tratava-se de um direito eminentemente profissional5. 
 Sistema objetivista: iniciado com o liberalismo econômico preconizado 
pela burguesia, consolida-se com o Código Comercial francês, que 
influencia a criação do Código Comercial brasileiro. 
Com o decorrer do tempo os comerciantes passaram a praticar atos 
acessórios, que surgiram ligados à atividade comercial, mas logo se tornaram 
autônomos (títulos cambiários). 
Já não era suficiente a concepção de direito comercial como direito dos 
comerciantes; era preciso estender seu âmbito de aplicação para disciplinar as 
relações que não envolviam comerciantes. Desenvolve-se a partir desse 
momento o sistema objetivista, o qual desloca o centro do direito comercial 
para os chamados atos de comércio. 
Sistema francês (atos de comércio) – houve “a objetivação do direito 
comercial, isto é, a sua transformação em disciplina jurídica aplicável a 
determinados atos e não a determinadas pessoas, relacionando-se não apenas 
com o princípio da igualdade dos cidadãos,mas também com o fortalecimento 
do estado nacional ante os organismos corporativos” (Curso de Direito 
Comercial, Fábio Ulhoa Coelho, pg. 14). "Qualquer cidadão pode exercer a 
atividade mercantil e não apenas ao aceitos em determinada associação 
profissional (a corporação de ofício dos comerciantes)" (Idem, pg. 14). As 
corporações de ofício foram extintas durante este período - implicou na abolição 
do corporativismo, pois deixou de ficar restrito a determinado grupo. O sistema 
francês é baseado nos atos de comércio – grupo de atos, sem que entre eles 
se possa encontrar qualquer elemento interno de ligação, o que acarretaria 
indefinições no tocante a natureza mercantil de algumas delas. Implicou um 
fracionamento nas atividades civis e comerciais pela natureza do 
objeto. 
Analisando o conjunto de atos, o comercialista Alfredo Rocco identificou a 
intermediação ou interpolação como elemento comum. Entre o produtor e o 
consumidor, haveria a interposição do comerciante que buscaria o lucro. 
 
4 FRANCO, Vera Helena de Mello. Manual de direito comercial. São Paulo: RT, 2001, v. 01, p. 19. 
5 ROCCO, Alfredo. Princípios de Direito Comercial. Tradução de Ricardo Rodrigues Gama. Campinas: LZN, 
2003, p. 21. 
DIREITO EMPRESARIAL 
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9 
 
Estariam excluídas as atividades imobiliárias (bens imóveis ou de raiz) diante do 
caráter sacro da propriedade. OBS: Essa visão não é compartilhada por Fábio 
Ulhoa, conforme demonstra a seguinte passagem: “A teoria dos atos de 
comércio resume-se, rigorosamente falando, a uma relação de atividades 
econômicas, sem que entre elas se possa encontrar qualquer elemento interno 
de ligação, o acarreta indefinições no tocante à natureza mercantil de algumas 
delas” (Idem, pág. 15). 
Embora o Código Comercial brasileiro de 1850 se baseasse no sistema 
francês, não adotou expressamente a nomenclatura atos de comércio, 
utilizando-se do vocábulo “mercancia” (art. 4º do Código Comercial). Em 
complemento a este diploma, foi editado o Regulamento 737 (art. 19) que 
enumerou atividades consideradas como mercancia: Compra e venda ou troca 
de bens móveis ou semoventes, no atacado ou varejo, para revenda ou aluguel; 
operações de câmbio, banco, corretagem, expedição, consignação e transporte 
de mercadorias; espetáculos públicos; indústrias, seguro, fretamento e 
quaisquer contratos relacionados a comércio marítimo, além de armação e 
expedição de navios. 
O professor Alexandre Gialucca destaca uma problemática ainda maior: a 
empresa, à época, só podia pedir concordata se sua atividade estivesse 
elencada no Regulamento citado6. 
A Teoria dos atos de Comércio não conseguiu acompanhar a dinâmica 
econômica, porque surgiu uma série de atividades que não se enquadrariam no 
seu conceito como a prestação de serviços em massa e as atividades agrícolas. 
 Sistema subjetivo moderno (=período correspondente ao Direito 
Empresarial): em evolução e abraçado pelo novo Código Civil, leva em 
conta a organização e efetivo desenvolvimento de atividade 
econômica organizada (vide Enunciado n. 54 do CJF citado acima). 
 
6 “FALÊNCIA. EMPRESA PRESTADORA. SERVIÇOS. 
Em retificação à notícia do REsp 198225 (v. Informativo n. 137), leia-se: no caso, a empresa ré é uma 
empresa prestadora de serviço organizada como sociedade por cotas de responsabilidade limitada, com 
seus atos arquivados na Junta Comercial, ou seja, como sociedade comercial. Não se trata, portanto, 
de sociedade civil que, mesmo adotando a forma estabelecida no Código Comercial, está inscrita no 
registro civil, como determina o art. 1.364 do CC. Assim sendo, é eficaz o pedido de falência instruído com 
duplicatas de prestação de serviços, que preenchem todos os requisitos previstos em lei para legitimar a 
ação executiva, quais sejam, o protesto e a comprovação da prestação de serviços. Prosseguindo o 
julgamento, a Turma, por maioria, não conheceu do recurso. Precedentes citados: REsp 160.914-SP, DJ 
1º/3/1999, e REsp 214.681-SP, DJ 16/11/1999.” REsp 198.225, Rel. originário Min. Ari Pargendler, 
Rel. para acórdão Min. Carlos Alberto Menezes Direito, julgado em 6/6/2002. 
DIREITO EMPRESARIAL 
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A concepção passa a ser centrada em um sujeito, o empresário (que é 
aquele que exerce atividade econômica organizada para a produção ou 
circulação de bens e serviços para o mercado). Daí falar-se em Direito 
Empresarial hoje em dia. 
É oportuno ressaltar que toda essa evolução tem um traço de continuidade, 
na medida em que em todas as fases foram duas as exigências constantes do 
direito mercantil. A primeira exigência diz respeito à tutela do crédito, e a 
segunda à melhor alocação dos recursos, que se faz presente com a facilitação 
da circulação dos bens e da conclusão dos negócios. 
Sistema italiano (teoria da empresa) - O foco passa do ato para a 
atividade. “Vista como a consagração da tese da unificação do direito privado, 
essa teoria, contudo, bem examinada, apenas desloca a fronteira entre 
os regimes civil e comercial. No sistema francês, excluem-se atividades de 
grande importância econômica – como a prestação de serviços, agricultura, 
pecuária, negociação imobiliária – do âmbito de incidência do direito mercantil, 
ao passo, que, no italiano, cria-se um regime geral para o exercício da 
atividade economia, excluindo-se determinadas atividades de menor 
expressão, tais as dos profissionais liberais ou dos pequenos comerciantes” 
(Idem, pg. 17). A consagração legislativa da “Teoria da Empresa” ocorreu com a 
promulgação do Códice Civile em 1942. 
“Conceitua-se empresa como sendo atividade, cuja marca essencial é a 
obtenção de lucros com o oferecimento ao mercado de bens ou serviços, 
gerados estes mediante a organização dos fatores de produção (força de 
trabalho, matéria-prima, capital e tecnologia)” (Idem, pg. 18). O empresário é 
identificado levando-se em conta a atividade por ele desempenhada. Portanto, o 
foco do direito comercial atual é a empresa, entendida esta como uma 
atividade profissional, econômica e organizada, voltada à obtenção de 
lucros. Para tanto, o empresário ou a sociedade que a desenvolvem assumem 
riscos e colocam à disposição do consumidor produtos ou serviços. 
“A ‘Teoria da Empresa’, que inspirou a reforma legislativa comercial de 
diversos países, teve sua efetiva inserção no ordenamento nacional somente 
com o advento do Código Civil de 2002. A Primeira Parte do Código Comercial 
de 1850 foi expressamente derrogado pelo Código Civil (art. 2045), que em seu 
Livro II tratou do “direito de empresa” (arts. 966 a 1195). Atualmente, somente 
DIREITO EMPRESARIAL 
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a parte referente ao comércio marítimo (arts. 457 a 796) continua vigente no 
Código Comercial. 
O Novo Código Civil, então, revogando parcialmente o Código Comercial, 
consagrou o regime jurídico do empresário e da sociedade empresária. Além 
disso, cuidou também de contratos comerciais e títulos de crédito (arts. 887 a 
926). 
Antes mesmo da sua efetiva incorporação ao sistema pátrio, o direito 
brasileiro já vinha se aproximando gradualmente da teoria da empresa através 
da edição de alguns diplomas legislativos: 
 CDC – definiu fornecedor independente do gênero de atividade 
econômica desenvolvida; 
 Lei nº 8.245/1991 (Lei de Locações) – dispôs sobre a 
renovação compulsória independentemente da qualidade de empresário 
ao estendê-loàs sociedades civis com fim lucrativo (§ 4º do art. 51), 
eliminando o privilégio que a Lei de Luvas havia estabelecido em favor 
apenas dos exercentes de atividade comercial 
 Lei nº 8.934/1994 (Registro Público de Empresas Mercantis 
e atividade Afins) – Art. 2º Os atos das firmas mercantis individuais e 
das sociedades mercantis serão arquivados no Registro Público de 
Empresas Mercantis e Atividades Afins, independentemente de seu 
objeto, salvo as exceções previstas em lei. 
2.3 AUTONOMIA 
O fato de grande parte da disciplina do direito comercial encontrar-se 
inserida no Código Civil não significa que houve confusão ou unificação do 
direito comercial ao civil. Tais ramos do direito são autônomos e independentes, 
com regras, princípios e estrutura próprios. 
A divisão do direito privado se deu em virtude da necessidade de uma 
regulamentação especial da matéria mercantil, tendo em vista que as 
características peculiares ao direito civil não se prestavam a atender os fins 
ligados especificamente ao direito comercial. Este exige um reforço ao crédito, 
uma disciplina mais célere dos negócios, a tutela da boa fé, e a simplificação da 
movimentação de valores, tendo em vista a realização de negócios em massa. 
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Em função disso, não podemos negar a autonomia do direito empresarial, o 
qual possui princípios e características próprias, além de possuir um método 
próprio e de ser vasto o suficiente para merecer um estudo adequado e 
particular. 
O Direito comercial é dotado de autonomia: 
legislativa – CF/88, Art. 22. Compete privativamente à União legislar 
sobre: (...) I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, 
marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho; 
 científica ou profissional – o direito comercial detém algumas 
características que lhe são peculiares, possuindo princípios próprios, o 
que lhe confere um campo de atuação profissional específico; 
 didática – constitui uma disciplina curricular autônoma e essencial 
nas Faculdades de Direito 
“Note-se que não compromete a autonomia do direito comercial a opção do 
legislador brasileiro de 2002, no sentido de tratar a matéria correspondente ao 
objeto desta disciplina no Código Civil (Livro II da Parte Especial), já que a 
autonomia didática e profissional não é minimamente determinada pela 
legislativa” (Idem, pg. 27). 
Enunciado 75 do CJF – Art. 2.045: a disciplina de matéria mercantil no 
novo Código Civil não afeta a autonomia do Direito Comercial. 
Para Fábio Ulhoa Coelho, “o Direito Comercial (Mercantil, Empresarial 
ou de Negócios) é área especializada do conhecimento jurídico. Sua 
autonomia, como disciplina curricular ou campo de atuação profissional 
específico, decorre dos conhecimentos extrajurídicos que professores e 
advogados devem buscar, quando o elegem corno ramo jurídico de 
atuação. Exige-se do comercialista não só dominar conceitos básicos de 
economia, administração de empresas, finanças e contabilidade, como 
principalmente compreender as necessidades próprias do empresário e 
a natureza de elemento de custo que o direito muitas vezes assume 
para este. Quem escolhe o Direito Comercial como sua área de estudo 
ou trabalho deve estar disposto a contribuir para que o empresário 
alcance o objetivo fundamental que o motiva na empresa: o lucro. Sem 
tal disposição, será melhor — para o estudioso e profissional do direito, 
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para os empresários e para a sociedade — que ele dedique seus 
esforços a outra das muitas e ricas áreas jurídicas. 
No Brasil, a autonomia do Direito Comercial é referida até mesmo 
na Constituição Federal, que, ao listar as matérias da competência 
legislativa privativa da União, menciona "direito civil" em separado de 
"comercial" (CF, art. 22,1). 
Não compromete a autonomia do Direito Comercial a opção do 
legislador brasileiro de 2002 no sentido de tratar a matéria 
correspondente ao objeto desta disciplina no Código Civil (Livro II da 
Parte Especial). A autonomia didática e profissional não é minimamente 
determinada pela legislativa. Afinal, Direito Civil não é Código Civil; 
assim como Direito Comercial não é Código Comercial. À forma 
considerada mais oportuna de organizar os textos e diplomas legais 
não corresponde necessariamente a melhor de estudar e ensinar o 
direito. 
Também não compromete a autonomia da disciplina a adoção, no 
direito privado brasileiro, da Teoria da Empresa. Como visto, a 
bipartição dos regimes jurídicos disciplinadores de atividades 
económicas não deixa de existir, quando se adota o critério da 
empresarialidade para circunscrever os contornos do âmbito de 
incidência do Direito Comercial. Aliás, a Teoria da Empresa não importa 
nem mesmo a unificação legislativa do direito privado. Na Espanha, 
desde 1989, o Código do Comércio incorpora os fundamentos desta 
teoria, permanecendo diploma separado do Código Civil. 
A demonstração irrespondível de que a autonomia do Direito 
Comercial não é comprometida nem pela unificação legislativa do 
direito privado nem pela Teoria da Empresa encontra-se nos currículos 
dos cursos jurídicos de faculdades italianas. Já se passaram 60 anos da 
unificação legislativa e da adoção da Teoria da Empresa na Itália, e 
Direito Comercial continua sendo tratado lá como disciplina autónoma, 
com professores e literatura especializados. Até mesmo em reformas 
curriculares recentes, como a empreendida na Faculdade de Direito de 
Bolonha a partir do ano letivo de 1996/1997, a autonomia do Direito 
Comercial foi amplamente prestigiada.” (Idem, pg. 24) 
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2.4 FONTES 
O Direito Empresarial representa o conjunto de regras que regula a 
atividade empresarial e os atos singulares que compõem essa atividade. Essas 
regras que formam o direito empresarial podem advir de várias fontes. As 
fontes são os diversos modos pelos quais se estabelecem as regras jurídicas. 
Considerando que as fontes do direito empresarial são as formas pelas 
quais se manifestam as regras jurídicas que regulam a atividade empresarial, 
entende-se que são fontes primárias do Dir. Empresarial as leis e são fontes 
secundárias os costumes, a analogia e os princípios gerais de direito. 
Jurisprudência e doutrina não são formas de manifestação das regras jurídicas, 
mas formas de interpretação ou aplicação destas. Para Alfredo ROCCO, a 
atividade dos juristas não tem, na verdade, por fim a criação de novas normas 
jurídicas, mas o estudo, a interpretação e a aplicação do direito vigente. 
Pode-se afirmar que seriam fontes do Dir. Empresarial a CRFB, as leis em 
sentido estrito, as medidas provisórias, os regulamentos – desde que 
contenham regras que se apliquem à atividade empresarial. A título meramente 
exemplificativo, pode-se indicar como fontes do Direito Empresarial o Código 
Civil, a lei de falências, a LUG, a lei das SA, dentre outras. 
Não se deve mais falar em distinção entre leis civis e comerciais, na 
medida em que não importa a natureza da lei, mas sim o âmbito de sua 
aplicação. Se a norma se aplica à atividade empresarial ela é fonte do direito 
empresarial, não tendo qualquer influência o nome que se dá à lei. 
2.5 CARACTERÍSTICAS DO DIREITO COMERCIAL 
Enquanto ramo com natureza e estrutura de direito privado, o direito 
comercial detém algumas características que são peculiares, destacando-se, 
dentre elas: 
 “cosmopolitismo” – porquecriado e renovado constantemente 
pela dinâmica econômica mundial. Por essa razão, a legislação comercial 
esta repleta de leis e convenções internacionais. Por exemplo, em 
relação à propriedade industrial, o Brasil é unionista, signatário da 
Convenção de Paris para a Proteção da Propriedade Industrial, em vigor 
desde 1883, Leis Uniformes de Genebra sobre letra de câmbio, nota 
promissória e cheque (Decretos n.º 57.595/66 e 57.663/66) 
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 “menos formal” ou informalismo – é mais simples sem ser, 
contudo, simplista. Decorre da própria natureza do comércio atual 
realizado através de operações em massa (contratos de adesão), 
transações eletrônicas e globalizadas que não admitem o sistema seja 
lapidado com formalismo e exigência excessivas. 
 mais “elástico” – exige maior dinâmica ante as inovações que 
diuturnamente se operam no comércio, seu objeto 
 fragmentarismo – não é composto por um sistema fechado de 
normas [a semelhança do Código Civil de 1916 que possuía as 
características de centralidade, completude e exclusividade], mas sim 
por com um complexo de leis. A matéria não está reunida num único 
Código. 
 onerosidade – busca do lucro. Os atos se presumem onerosos 
(ex.: mandato comercial é presumivelmente oneroso e não gratuito, 
como no mandato civil). Essa característica não impede, contudo, que as 
empresas pratiquem atos gratuitos no contexto da responsabilidade 
social. 
 Art. 154, Lei n. 6404/1976. O administrador deve exercer as 
atribuições que a lei e o estatuto lhe conferem para lograr os fins e no 
interesse da companhia, satisfeitas as exigências do bem público e da 
função social da empresa. 
§ 4º O conselho de administração ou a diretoria podem autorizar a 
prática de atos gratuitos razoáveis em benefício dos empregados ou 
da comunidade de que participe a empresa, tendo em vista suas 
responsabilidades sociais. 
2.6 OS QUATRO PERFIS DE ASQUINI – A EMPRESA COMO FENÔMENO ECONÔMICO 
POLIÉDRICO 
A empresa, do ponto de vista econômico, nada mais é que o conjunto 
organizado de meios ou fatores de produção ou intermediação (capital, mão de 
obra, insumos e tecnologia) direcionada para a criação ou troca de bens ou 
serviços objetivando um fim lucrativo. 
Tal conceito, outrora relegado pelo Direito, serviu de base para a definição 
de empresário no Código Civil Brasileiro, conforme a dicção do artigo 966 
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(“considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica 
organizada para a produção de bens ou de serviços”). 
Esta redação foi resgatada da doutrina italiana, de onde surgiu um dos 
expoentes da Teoria da Empresa, Alberto Asquini, que viveu em uma época em 
que os conceitos de empresa, empresário e estabelecimento eram confusos e 
imprecisos, variando conforme a teoria ou escola adotada. Com o objetivo de 
compilar os diversos entendimentos da época, sem fugir à definição dada pela 
Ciência Econômica, uma das principais fontes do Direito Comercial, Asquini 
passou a entender a empresa como um fenômeno econômico poliédrico. 
Desta forma, a empresa é o conceito multifacetado, o qual tem quatro 
perfis em relação aos diversos elementos que a integram. As definições de 
empresa podem, portanto, ser diversas, segundo o diferente perfil, pelo qual o 
fenômeno econômico é encarado (Alberto Asquini in Perfis da Empresa, 
tradução de Fábio Comparato, Revista de Direito Mercantil). 
A partir desta visão poliédrica, Asquini definia os quatro perfis para a 
empresa como sendo subjetivo, objetivo (ou patrimonial), funcional e 
corporativo. 
Pelo perfil subjetivo, a empresa é vista como sujeito de direito, ou seja, o 
próprio empresário, aquele que exerce a atividade econômica, de forma 
habitual, em nome próprio, assumindo os riscos desta atividade, independente 
de se tratar de pessoa física (singular) ou jurídica (plural). A empresa, neste 
perfil, confunde-se com o conceito de empresário, que se encontra definido no 
art. 966 do Código Civil Brasileiro. É utilizada neste sentido quando ouvimos 
alguém falar “a empresa faliu” ou “a empresa está contratando um gerente”. 
O perfil objetivo, também conhecido como patrimonial, está relacionado 
aos bens da empresa, sejam estes materiais ou imateriais. O Direito 
Empresarial pátrio o reconhece como sendo o estabelecimento definido no art. 
1.142 do Código Civil Brasileiro (“considera-se estabelecimento todo complexo 
de bens organizado, para exercício da empresa, por empresário, ou por 
sociedade empresária”). Neste sentido, ouvimos as pessoas falarem: “a 
empresa está pegando fogo!” ou “a empresa está fechada”. Asquini reconhece 
neste perfil um “patrimônio especial distinto, por seu escopo, do restante 
patrimônio do empresário”. Esta afirmação, entretanto, só vale para o 
empresário individual, já que na sociedade empresária, o patrimônio deverá 
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sempre estar vinculado à atividade econômica organizada (patrimônio afetado à 
empresa). 
Pelo perfil funcional, a empresa confunde-se com a própria atividade 
econômica, sendo um sinônimo de empreendimento que objetiva um lucro, 
utilizando-se, para tanto, de uma organização de diversos fatores de produção 
ou circulação. Asquini a chama de “força em movimento (...) dirigida para um 
determinado escopo produtivo”. O conceito pode ser deduzido pela própria 
redação do art. 966 do Código Civil Brasileiro. Na linguagem do dia-a-
dia, ouvimos as pessoas utilizarem este sentido quando falam: “a 
empresa está dando lucro” ou “a sociedade optou por continuar a 
empresa”. 
Por fim, o perfil corporativo vê na empresa uma instituição, tal como a 
família, que busca reunir o empresário e empregados com objetivos comuns. 
Pela teoria asquiniana, “o empresário e os seus colaboradores dirigentes, 
funcionários, operários, não são de fato, simplesmente, uma pluralidade de 
pessoas ligadas entre si por uma soma de relações individuais de trabalho, com 
fim individual; mas formam um núcleo social organizado, em função de um fim 
econômico comum, no qual se fundem os fins individuais do empresário e dos 
singulares colaboradores: a obtenção do melhor resultado econômico na 
produção”. 
É importante ressaltar que este último perfil é oriundo de uma ideologia 
fascista, predominante em 1943, de forma que não encontra paralelo no direito 
positivado brasileiro. Com o fim de adaptar o conceito ao ordenamento jurídico 
vigente, desvirtuando um pouco do sentido original, este perfil também é 
chamado de hierárquico, considerando-se a empresa como uma estrutura 
piramidal, na qual o empresário ocupa o topo, seguido pelos demais prepostos, 
conforme a hierarquia definida nos quadros funcionais da empresa. 
3 - EMPRESÁRIO 
3.1 CONCEITO DE EMPRESÁRIO 
(Art. 966 do CC) 
Aplicável à pessoa física, bem como à pessoa jurídica. 
*Pessoa física = empresário individual. 
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*Pessoa jurídica = sociedade empresária. 
ATENÇÃO: o empresário individual tem CNPJ com o objetivo de receber o 
mesmo tratamento fiscal de uma pessoa jurídica. Não significa que possuir 
CNPJ implica ser sociedade empresária. 
Os sócios da sociedade empresária não são empresários individuais, mas 
SÓCIOS DE UMA SOCIEDADE EMPRESÁRIA. 
“Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente 
atividadeeconômica organizada para a produção ou a circulação 
de bens ou de serviços.” 
- profissionalmente é necessário que seja habitual. Imprescindível o 
requisito da habitualidade. 
- exerce uma atividade econômica a atividade econômica deve ser 
organizada. Atividade econômica está relacionada com a finalidade lucrativa. 
ORGANIZAÇÃO para Fábio Ulhoa Coelho: “organização é a reunião dos quatro 
fatores de produção, quais sejam: a) mão de obra; b) matéria-prima; c) 
capital; d) tecnologia.” Na ausência de um dos fatores de produção, não há se 
falar em organização. Assim, não havendo organização, não podemos falar em 
empresário individual ou sociedade empresária. 
- para a produção ou circulação lembrar que empresário/sociedade 
empresária não é apenas aquele que produz bens ou serviços, mas, também, 
circula bens ou serviços. 
- de bens ou serviços 
*Não se considera empresário: par. único do art. 966 do CC. 
“Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente 
atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de 
bens ou de serviços. 
Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce 
profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda 
com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da 
profissão constituir elemento de empresa.” (grifei) 
 Profissão intelectual: de natureza científica, literária ou artística. 
“Profissional liberal”. 
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CIENTÍFICA – é o caso do médico (ciências médicas). É a mesma situação 
do contador (ciências contábeis), do arquiteto, do engenheiro, do advogado, e 
outras tantas profissões. 
LITERÁRIA – escritor. E o jornalista (TJRJ)? É, também, produção 
intelectual literária. 
ARTÍSTICA – desenhista, artista plástico, cantor, ator, dançarino. 
Obs.: o mesmo do que foi descrito acima se aplica às sociedades 
empresárias. 
IMPORTANTE: clínica veterinária formada por dois veterinários sociedade 
de veterinários. Não é pelo simples fato de se utilizar um “nome fantasia” que a 
clínica veterinária será considerada uma atividade empresária. 
Ainda analisando o par. único do art. 966 do CC: “... salvo se o exercício 
da profissão constituir elemento de empresa.” A parte final do par. único do 
art. 966 do CC está relacionada com o exercício de outras atividades. Exemplo: 
quando a clínica médica instala uma UTI (serviço de hospedagem); quando uma 
clínica odontológica vende planos de saúde, etc. Quando a clínica veterinária 
possui pet shop, pode-se falar, também, em exercício de atividade empresária. 
3.2 - REQUISITOS PARA O EXERCÍCIO DA ATIVIDADE EMPRESARIAL 
“Art. 972. Podem exercer a atividade de empresário os que estiverem 
em pleno gozo da capacidade civil e não forem legalmente impedidos.” 
 Pleno gozo da capacidade civil 
 Não for legalmente impedido 
 
Observação: legalmente impedido juiz, promotor, delegado, servidor 
público e militar na ativa -- não pode ser empresário individual, MAS pode ser 
sócio de uma sociedade empresária, DESDE QUE não exerça a administração. 
*Art. 31 da LOMAN. 
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*STJ: quem está exercendo a atividade de farmacêutico não pode exercer 
a atividade de médico concomitantemente, e vice-versa (REsp 7965607). 
CAPACIDADE CIVIL – pode o menor ser empresário individual? Se o menor 
estiver enquadrado em uma das hipóteses de emancipação, estará em pleno 
gozo da capacidade civil, podendo, assim, exercer atividade empresarial. 
Contudo, se o menor não estiver enquadrado nas hipóteses de emancipação, a 
situação é diferente. O menor, em casos que tais, não poderá iniciar a atividade 
empresarial. Situação diversa: o pai do menor tem uma distribuidora de 
bebidas e vem a falecer. Pergunta-se: pode o menor continuar a atividade? 
SIM! Pode o menor continuar uma empresa antes exercida por seus pais ou por 
autor de herança. Isso não é questão de proteção ao menor, MAS preservação 
da empresa. E se o menor já possuía bens antes de continuar a atividade 
empresarial? O art. 974 do CC, em seu parágrafo 2º, traz certa “proteção” a 
esses bens. Temos, portanto, uma exceção ao Princípio da Unidade Patrimonial. 
“§ 2o Não ficam sujeitos ao resultado da empresa os bens que o incapaz 
já possuía, ao tempo da sucessão ou da interdição, desde que 
estranhos ao acervo daquela, devendo tais fatos constar do alvará que 
conceder a autorização.” 
ATENÇÃO: “Princípio da Unidade Patrimonial” – tanto a pessoa física, 
quanto a pessoa jurídica só possuem um patrimônio. Assim, o empresário 
individual, na qualidade de pessoa física, só possui um patrimônio, sendo 
vedada a sua diferenciação entre patrimônio pessoal e patrimônio destinado à 
 
7 “ADMINISTRATIVO – CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA - LEGITIMIDADE PARA FISCALIZAR O 
CUMPRIMENTO OU APLICAR PENALIDADES BASEADAS NO CÓDIGO DE ÉTICA MÉDICA – 
INAPLICABILIDADE DO ART. 16, ALÍNEA "H", DO DECRETO 20.931/32. 
1. Não se conhece de recurso especial para exame de supostas violações a dispositivos constitucionais. 
2. É inviável o recurso especial articulado sob alegação de ofensa a Resolução do Conselho Federal de 
Farmácia, uma vez que não se enquadra no conceito de lei federal, conforme disposto no permissivo 
constitucional. 
3. O Conselho Regional de Farmácia é entidade com atribuição legal para fiscalizar o registro do 
profissional de farmácia na hipótese de ocorrência do exercício concomitante das profissões de médico e 
de farmacêutico. 
4. Nos termos do no art. 16, alínea "h", do Decreto 20.931/32, é vedado o exercício concomitante das 
profissões de médico e de farmacêutico, devendo o interessado fazer a opção por uma dessas profissões, 
solicitando o seu licenciamento ou o cancelamento de seu registro perante o conselho profissional 
respectivo. 
5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido.” REsp 796560, Rel. Min. Eliana 
Calmon, julgado em 14/08/2007. 
 
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atividade empresarial. Concurso MPSP: os bens individuais do empresário 
respondem pela dívida empresarial? SIM! Nesses casos não se pode separar 
bens pessoais e bens da atividade empresarial. 
Não se pode falar, assim, em desconsideração da personalidade jurídica 
para o empresário individual. Primeiramente, o empresário não é pessoa 
jurídica. Além disso, não existe separação (ou divisão) de bens (bens do 
empresário e bens da empresa). 
INCAPACIDADE SUPERVENIENTE – mesma regra que se aplica ao menor 
(art. 974, caput, do CC). 
“Art. 974. Poderá o incapaz, por meio de representante ou devidamente 
assistido, continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz, 
por seus pais ou pelo autor de herança.” 
OBS.: para que o menor ou incapaz continuem a empresa é necessário: 
a) Que esteja devidamente assistido ou representado, e 
b) Autorização judicial (art. 974, §1º, do CC8). 
QUESTÃO IMPORTANTE: empresário casado precisa de autorização do 
cônjuge para alienar bens da empresa? 
A regra geral é do artigo 1647 CC. EXCEÇÃO - não precisa de autorização 
do cônjuge para vender ou gravar com ônus real bem imóvel que integre 
patrimônio da empresa, qualquer que seja o regime de bens. 
“Art. 978. O empresário casado pode, sem necessidade de outorga 
conjugal, qualquer que seja o regime de bens, alienar os imóveis que 
integrem o patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus real.” 
O art. 1647 do CC é utilizado parao Direito Civil. No Dir. Empresarial 
aplica-se a regra do art. 978. 
Ainda sobre a figura do empresário casado divisão de imóvel (parte da 
frente é exercida atividade empresarial e nos fundos tem-se a residência 
 
8 § 1o Nos casos deste artigo, precederá autorização judicial, após exame das circunstâncias e dos riscos 
da empresa, bem como da conveniência em continuá-la, podendo a autorização ser revogada pelo juiz, 
ouvidos os pais, tutores ou representantes legais do menor ou do interdito, sem prejuízo dos direitos 
adquiridos por terceiros. 
 
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familiar). Pode-se penhorar esse imóvel? STJ: se o imóvel estiver registrado em 
nome do empresário individual, não se pode falar em penhora (Lei nº 
8.009/1990). Contudo, se estivermos diante de uma sociedade empresária 
(constituída pelos cônjuges), e o imóvel se encontrar registrado em nome da 
pessoa jurídica, o imóvel em questão é penhorável. 
3.3 - OBRIGAÇÕES DO EMPRESÁRIO 
3.3.1 - Registro – art. 967 do CC 
“Art. 967. É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de 
Empresas Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade.” 
Registro público de empresas mercantis – Lei nº 8.934/1994. 
=> SINREM (Sistema Nacional de Registro de Empresas Mercantis). O 
SINREM está dividido em dois órgãos, quais sejam: 
-DREI (Departamento de Registro Empresarial e Integração). O DREI é um 
órgão federal. É órgão normatizador e fiscalizador. 
-Junta Comercial. A Junta Comercial é um órgão estadual. Cada unidade da 
federação possui uma Junta Comercial. É órgão executor. É na Junta Comercial 
que se faz o registro do empresário. 
*OBS.: e se o empresário não se registra? CONSEQUÊNCIAS DA AUSÊNCIA 
DE REGISTRO: 
- não poderá pedir falência de terceiros (pode sofrer pedido de falência); 
- não poderá pleitear recuperação judicial, nem autofalência; 
- não pode participar de licitação; 
- tratando-se de sociedade, a responsabilidade dos sócios será ilimitada. 
*Qual a natureza jurídica do registro do empresário comum? Enunciado 
198 do CJF – é meramente declaratório; não possui natureza constitutiva (vide, 
também, Enunciado 199 do CJF). 
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“Enunciado 198 do CJF – Art. 967: A inscrição do empresário na Junta 
Comercial não é requisito para a sua caracterização, admitindo-se o 
exercício da empresa sem tal providência. O empresário irregular reúne 
os requisitos do art. 966, sujeitando-se às normas do Código Civil e da 
legislação comercial, salvo naquilo em que forem incompatíveis com a 
sua condição ou diante de expressa disposição em contrário.” 
 
“Enunciado 199 do CJF – Art. 967: A inscrição do empresário ou 
sociedade empresária é requisito delineador de sua regularidade, e não 
da sua caracterização.” 
Exceção para a obrigação do registro: art. 971 do CC. 
“Art. 971. O empresário, cuja atividade rural constitua sua principal 
profissão, pode, observadas as formalidades de que tratam o art. 968 e 
seus parágrafos, requerer inscrição no Registro Público de Empresas 
Mercantis da respectiva sede, caso em que, depois de inscrito, ficará 
equiparado, para todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro.” 
Para o empresário rural o registro é de caráter facultativo, e não 
obrigatório (questão do pequeno produtor e a agroindústria). Se o empresário 
rural fizer o registro, as regras de Dir. Empresarial serão válidas para ele (= se 
o empresário rural fizer o registro será considerado empresário, pois terá as 
mesmas obrigações do empresário). Aqui, o registro tem natureza jurídica 
distinta! Para o empresário rural, o registro tem natureza jurídica 
constitutiva. 
“Enunciado 202 do CJF 202 – Arts. 971 e 984: O registro do empresário 
ou sociedade rural na Junta Comercial é facultativo e de natureza 
constitutiva, sujeitando-o ao regime jurídico empresarial. É inaplicável 
esse regime ao empresário ou sociedade rural que não exercer tal 
opção.” 
Pergunta: cabe MS contra ato de Presidente de Junta Comercial? Sim, é 
cabível MS nesses casos. E de quem é a competência para apreciar o pedido da 
impetração? 
Junta Comercial – duas subordinações. São elas: 
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i) Administrativa, e 
ii) Técnica. 
No âmbito administrativo, a Junta está subordinada à unidade federativa. 
No âmbito técnico, a Junta está subordinada ao DREI. 
Analisando o que foi dito, o MS deverá ser impetrando junto à Justiça 
Federal (RExt 199.7939). 
3.3.2 - Escrituração dos livros comerciais 
Pergunta-se: ¿qual é o livro obrigatório comum (livro que todo 
empresário, a princípio, deve escriturar)? Art. 1180 do CC. 
“Art. 1.180. Além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o 
Diário, que pode ser substituído por fichas no caso de escrituração 
mecanizada ou eletrônica. 
Parágrafo único. A adoção de fichas não dispensa o uso de livro 
apropriado para o lançamento do balanço patrimonial e do de resultado 
econômico.” 
Há alguma exceção quanto à obrigatoriedade de escrituração? SIM! Art. 
1179, §2º, do CC. “Pequeno empresário”. 
“Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a 
seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na 
escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a 
documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço 
patrimonial e o de resultado econômico. 
§ 1o Salvo o disposto no art. 1.180, o número e a espécie de livros 
ficam a critério dos interessados. 
§ 2o É dispensado das exigências deste artigo o pequeno empresário a 
que se refere o art. 970.” 
 
9 EMENTA – “Juntas Comerciais. Órgãos administrativamente subordinados ao Estado, mas tecnicamente 
à autoridade federal, como elementos do sistema nacional dos Serviços de Registro do Comércio. 
Consequente competência da Justiça Federal para o julgamento de mandado de segurança contra ato do 
Presidente da Junta, compreendido em sua atividade fim.” 
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25 
 
E o que é o pequeno empresário? Art. 3º da LC 126/2003 (empresário 
individual, sociedade empresária, sociedade civil): 
- Se o faturamento anual é igual ou inferior a 240 mil reais 
microempresa. 
- Se o faturamento anual é superior a 240 mil reais, porém inferior ou igual 
a dois milhões e quatrocentos mil reais empresa de pequeno porte. 
E o pequeno empresário? Art. 68, da LC nº 123/2006. SÓ PODE SER 
PEQUENO EMPRESÁRIO A PESSOA FÍSICA. A sociedade não pode ser 
classificada como pequeno empresário. 
O que acontece se o empresário não escriturar os livros? Art. 78, da LRE. 
Se estivermos diante de uma situação de falência, será caso de crime 
falimentar (omissão dos documentos contábeis obrigatórios). 
“Art. 178. Deixar de elaborar, escriturar ou autenticar, antes ou depois 
da sentença que decretar a falência, conceder a recuperação judicial ou 
homologar o plano de recuperação extrajudicial, os documentos de 
escrituração contábil obrigatórios: 
Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos, e multa, se o fato não 
constitui crime mais grave.” 
Qual é o princípio que rege a escrituração dos livros empresariais? Princípio 
da Sigilosidade – art. 1190 do CC. 
“Art. 1.190. Ressalvados os casos previstos em lei, nenhuma 
autoridade, juiz ou tribunal, sob qualquerpretexto, poderá fazer ou 
ordenar diligência para verificar se o empresário ou a sociedade 
empresária observam, ou não, em seus livros e fichas, as formalidades 
prescritas em lei.” 
Os livros do empresário são sigilosos. São exceções ao Princípio da 
Sigilosidade: 
a) EXIBIÇÃO PARCIAL DOS LIVROS – é possível em qualquer 
hipótese; em qualquer ação judicial. 
“260, STF: O exame de livros comerciais, em ação judicial, fica limitado 
às transações entre os litigantes.” 
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26 
 
 
b) EXIBIÇÃO TOTAL DOS LIVROS – o juiz só poderá ordenar a 
exibição total nos casos do art. 1191 do CC: 
 Em caso de sucessão; 
 Sociedade/Comunhão; 
 Administração/Gestão à conta de outrem, e 
 Falência. 
 
c) Art. 1193 do CC – não se aplica a sigilosidade às Autoridades 
Fazendárias quando do exercício da arrecadação tributária. 
3.3.3 - Demonstrativos contábeis 
*Balanço patrimonial (art. 1188 do CC) 
*Balanço de resultado econômico (art. 1189 do CC) 
4 - ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL 
Estabelecimento empresarial (= estabelecimento comercial) – arts. 1142 
ao 1149 do CC. 
4.1 - CONCEITO DE ESTABELECIMENTO – ART. 1142 DO CC 
“Art. 1.142. Considera-se estabelecimento todo complexo de bens 
organizado, para exercício da empresa, por empresário, ou por 
sociedade empresária.” 
CONJUNTO DE BENS – bens materiais (utensílios, mercadorias, veículo, 
imóvel) e bens imateriais (ponto comercial, marca, patente, nome empresarial). 
Exemplo: estabelecimento de um supermercado => IMÓVEL, 
PRATELEIRAS, CARRINHOS DE COMPRAS, CAMINHÕES PARA ENTREGA, CAIXA 
REGISTRADORA, ETC. O estabelecimento é o complexo de bens. 
O estabelecimento é indispensável para o exercício da atividade 
empresarial. Os bens só serão elementos integrantes do estabelecimento se 
estiverem diretamente ligados ao exercício da atividade. TRF5ª: valores 
recebidos a título de aluguéis e aplicados no ativo patrimonial da sociedade 
empresária – o imóvel destinado à locação não faz parte do estabelecimento, 
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27 
 
pois não está diretamente relacionado à atividade empresarial. Esse imóvel faz 
parte do patrimônio, mas não do estabelecimento. 
Pergunta: por ser um conjunto de bens, o estabelecimento é uma 
universalidade? SIM, o estabelecimento é considerado uma universalidade. É 
uma universalidade de fato ou universalidade de direito? CUIDADO: há autores 
que defendem ser uma universalidade de direito, pois o estabelecimento está 
previsto de forma expressa no Código Civil (art. 1142). Contudo, a posição 
majoritária é oposta. Afirma a corrente majoritária que o estabelecimento é 
uma universalidade de fato, pois decorre da vontade do empresário. A 
universalidade de direito é quando a reunião de bens decorre de uma imposição 
legal (da vontade do legislador). 
Estabelecimento é sujeito de direito? NÃO! Quem é sujeito de direito é a 
sociedade empresarial ou o empresário. O estabelecimento é objeto de direito 
(pode ser vendido, arrendado, dado como usufruto). Quem explora a 
atividade é o empresário ou a sociedade empresária (art. 1143 do CC). 
Alienante-----Adquirente 
*Contrato: trespasse (compra e venda de estabelecimento empresarial) 
Art. 1144, CC – para que o contrato de trespasse produza efeitos perante 
terceiros é necessária sua averbação diante a Junta Comercial e publicação na 
Imprensa Oficial. 
“Art. 1.144. O contrato que tenha por objeto a alienação, o usufruto ou 
arrendamento do estabelecimento, só produzirá efeitos quanto a 
terceiros depois de averbado à margem da inscrição do empresário, ou 
da sociedade empresária, no Registro Público de Empresas Mercantis, e 
de publicado na imprensa oficial.” 
Pergunta-se: ¿o contrato que não tem averbação na Junta 
Comercial produz efeitos? SIM! Produz efeitos perante as partes. A 
averbação é necessária para a produção de efeitos perante terceiros. 
Da realização do contrato em diante, todas as dívidas do estabelecimento 
são de responsabilidade do adquirente. 
Pergunta-se: ¿e as dívidas anteriores? O adquirente responde pelas 
dívidas anteriores? Art. 1146, CC. 
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28 
 
“Art. 1.146. O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento 
dos débitos anteriores à transferência, desde que regularmente 
contabilizados, continuando o devedor primitivo solidariamente 
obrigado pelo prazo de um ano, a partir, quanto aos créditos vencidos, 
da publicação, e, quanto aos outros, da data do vencimento.” 
OBS.: se a dívida não estiver devidamente contabilizada, o adquirente não 
responderá pela sua solvência. 
OBS.1: dívida trabalhista arts. 10 e 448 da CLT. 
OBS.2: dívida tributária art. 133 do CTN. 
Pergunta-se: ¿e o alienante? Não responde? O alienante responderá de 
forma solidária pelo prazo de 1 (um) ano. 
 -Vencida 1 (um) ano contado da data da publicação. 
 -Vincenda 1 (um) ano contado da data do vencimento. 
*concorrência: antes do NCC não havia previsão legal quanto a isso. Era 
necessária a inclusão de uma cláusula no contrato de trespasse proibindo que o 
alienante fizesse concorrência (cláusula de não restabelecimento). 
E atualmente? Art. 1147, CC. A cláusula de não restabelecimento está 
implícita aos contratos de trespasse. 
“Art. 1.147. Não havendo autorização expressa, o alienante do 
estabelecimento não pode fazer concorrência ao adquirente, nos cinco 
anos subseqüentes à transferência. 
Parágrafo único. No caso de arrendamento ou usufruto do 
estabelecimento, a proibição prevista neste artigo persistirá durante o 
prazo do contrato.” 
4.2 - PONTO COMERCIAL 
Proteção ao ponto comercial – 
OBS.: freguesia X clientela - freguês é aquele que procura o empresário 
em razão de sua localização (ex.: lanchonete no aeroporto). Cliente é aquele 
que procura o empresário em razão de suas qualificações. 
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29 
 
No aspecto prático não há diferença alguma. Cliente e freguês possuem o 
mesmo tratamento. 
*O ponto comercial faz diferença à vida do empresário, por isso a lei o 
protege. 
*Ação renovatória (Lei nº 8.245/1991) – finalidade: é a renovação 
compulsória do contrato de locação empresarial. 
Para ajuizar a ação renovatória faz-se necessário o preenchimento de 
determinados requisitos. Art. 51 da Lei 8245/1991 (requisitos cumulativos). 
“Art. 51. Nas locações de imóveis destinados ao comércio, o locatário 
terá direito a renovação do contrato, por igual prazo, desde que, 
cumulativamente: 
I - o contrato a renovar tenha sido celebrado por escrito e com prazo 
determinado; 
II - o prazo mínimo do contrato a renovar ou a soma dos prazos 
ininterruptos dos contratos escritos seja de cinco anos; 
III - o locatário esteja explorando seu comércio, no mesmo ramo, pelo 
prazo mínimo e ininterrupto de três anos. 
1º O direito assegurado neste artigo poderá ser exercido pelos 
cessionários ou sucessores da locação; no caso de sublocação total do 
imóvel, o direito a renovação somente poderá ser exercido pelo 
sublocatário. 
2º Quando o contrato autorizar que o locatário utilize o imóvel para as 
atividades de sociedade de que faça parte e que a esta passe a 
pertencer o fundo de comércio, o direito a renovação poderá ser 
exercido pelo locatário ou pela sociedade. 
3º Dissolvida a sociedade comercial por morte de um dos sócios, o 
sócio sobrevivente fica sub - rogadono direito a renovação, desde que 
continue no mesmo ramo. 
4º O direito a renovação do contrato estende - se às locações 
celebradas por indústrias e sociedades civis com fim lucrativo, 
regularmente constituídas, desde que ocorrentes os pressupostos 
previstos neste artigo. 
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30 
 
5º Do direito a renovação decai aquele que não propuser a ação no 
interregno de um ano, no máximo, até seis meses, no mínimo, 
anteriores à data da finalização do prazo do contrato em vigor.” 
 REQUISITOS CUMULATIVOS: 
-contrato escrito e por prazo determinado. Concurso: e o contrato verbal 
com duas testemunhas? Também não é válido. 
-o contrato, ou a soma ininterrupta dos contratos, tem que totalizar prazo 
contratual mínimo de 5 (cinco) anos. 
Concurso: NÃO é requisito da renovatória - prazo do último contrato de 5 
anos. Na questão é cabível a renovatória, mas isso não é requisito do art. 51 da 
Lei 8245/1991. 
-é necessário que o locatário esteja explorando o mesmo ramo de 
atividade nos últimos 3 (três) anos. 
*fundo de comércio: a posição minoritária da doutrina entende que fundo 
de comércio é diferente de estabelecimento (Fábio Ulhoa Coelho). A doutrina 
majoritária entende que fundo de comércio é o mesmo que estabelecimento. 
*aviamento (“goodwill”) – potencial de lucratividade do estabelecimento. 
Oscar Barreto Filho diz que aviamento é atributo do estabelecimento. Esse 
autor cita o seguinte exemplo: o aviamento está para o estabelecimento, assim 
como a saúde está para o corpo. 
 O ramo de atividade está relacionado ao ponto comercial. O ponto 
comercial que é protegido na Lei 8245/1991. Assim, se a atividade não é a 
mesma nos últimos três anos, não se pode falar em ação renovatória. 
*na contestação da renovatória o proprietário pode arguir exceção de 
retomada. Hipóteses de exceção de retomada (art. 52 c/c art. 72 da Lei 
8245/199110): 
 
10 “Art. 52. O locador não estará obrigado a renovar o contrato se: 
I - por determinação do Poder Público, tiver que realizar no imóvel obras que importarem na sua radical 
transformação; ou para fazer modificações de tal natureza que aumente o valor do negócio ou da 
propriedade; 
II - o imóvel vier a ser utilizado por ele próprio ou para transferência de fundo de comércio existente há 
mais de um ano, sendo detentor da maioria do capital o locador, seu cônjuge, ascendente ou descendente. 
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31 
 
 quando o poder público solicitar reforma no imóvel que implique 
em sua radical transformação; 
 quando o próprio locador realizar reforma no imóvel que resulte 
em sua valorização; 
 proposta melhor de terceiro. O terceiro tem que dar uma 
declaração por escrito com firma reconhecida. O terceiro, ainda, tem que 
designar qual é a atividade desenvolvida por ele. Não pode estar no 
mesmo ramo de atividade econômica. Se for para o mesmo ramo, o 
locatário tem direito a uma indenização (são devedores dessa indenização 
o proprietário e o terceiro interessado). 
 
1º Na hipótese do inciso II, o imóvel não poderá ser destinado ao uso do mesmo ramo do locatário, salvo 
se a locação também envolvia o fundo de comércio, com as instalações e pertences. 
2º Nas locações de espaço em shopping centers , o locador não poderá recusar a renovação do contrato 
com fundamento no inciso II deste artigo. 
3º O locatário terá direito a indenização para ressarcimento dos prejuízos e dos lucros cessantes que tiver 
que arcar com mudança, perda do lugar e desvalorização do fundo de comércio, se a renovação não 
ocorrer em razão de proposta de terceiro, em melhores condições, ou se o locador, no prazo de três 
meses da entrega do imóvel, não der o destino alegado ou não iniciar as obras determinadas pelo Poder 
Público ou que declarou pretender realizar. 
“Art. 72. A contestação do locador, além da defesa de direito que possa caber, ficará adstrita, quanto à 
matéria de fato, ao seguinte: 
I - não preencher o autor os requisitos estabelecidos nesta lei; 
II - não atender, a proposta do locatário, o valor locativo real do imóvel na época da renovação, excluída a 
valorização trazida por aquele ao ponto ou lugar; 
III - ter proposta de terceiro para a locação, em condições melhores; 
IV - não estar obrigado a renovar a locação (incisos I e II do art. 52). 
1° No caso do inciso II, o locador deverá apresentar, em contraproposta, as condições de locação que 
repute compatíveis com o valor locativo real e atual do imóvel. 
2° No caso do inciso III, o locador deverá juntar prova documental da proposta do terceiro, subscrita por 
este e por duas testemunhas, com clara indicação do ramo a ser explorado, que não poderá ser o 
mesmo do locatário. Nessa hipótese, o locatário poderá, em réplica, aceitar tais condições para obter a 
renovação pretendida. 
3° No caso do inciso I do art. 52, a contestação deverá trazer prova da determinação do Poder Público ou 
relatório pormenorizado das obras a serem realizadas e da estimativa de valorização que sofrerá o imóvel, 
assinado por engenheiro devidamente habilitado. 
4° Na contestação, o locador, ou sublocador, poderá pedir, ainda, a fixação de aluguel provisório, para 
vigorar a partir do primeiro mês do prazo do contrato a ser renovado, não excedente a oitenta por cento 
do pedido, desde que apresentados elementos hábeis para aferição do justo valor do aluguel. 
5° Se pedido pelo locador, ou sublocador, a sentença poderá estabelecer periodicidade de reajustamento 
do aluguel diversa daquela prevista no contrato renovando, bem como adotar outro indexador para 
reajustamento do aluguel. 
 
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 proposta insuficiente; 
 para transferência de fundo de comércio (estabelecimento 
empresarial) existente há mais de um ano, sendo detentor da 
maioria do capital o locador, seu cônjuge, ascendente ou 
descendente. 
 uso próprio. 
OBS.: os dois últimos casos são os mais cobrados em concursos. 
OBS.2: posso ajuizar ação renovatória contra shopping center? SIM! O 
shopping pode alegar exceção de retomada? SIM! Contudo, só poderá alegar a 
exceção com base nas 4 (quatro) primeiras hipóteses. 
*prazo de ajuizamento da ação renovatória – é prazo decadencial (art. 51, 
§5º, da Lei 8245/1991). 
É preciso saber o início e o término do contrato de locação. 
Faltando um ano para o fim do contrato já é possível ajuizar a ação 
renovatória. Mas atenção: faltando 6 meses para o término do contrato não se 
pode falar em renovatória! 
“Art. 51. Nas locações de imóveis destinados ao comércio, o 
locatário terá direito a renovação do contrato, por igual prazo, 
desde que, cumulativamente: 
(...) 
5º Do direito a renovação decai aquele que não propuser a ação 
no interregno de um ano, no máximo, até seis meses, no mínimo, 
anteriores à data da finalização do prazo do contrato em vigor.” 
OBS.: sublocação – para ser feita é necessária a anuência do proprietário. 
Exemplo: o locatário tinha uma locadora de vídeo. Retira-se do imóvel para 
que um sublocatário explore atividade de lan house. Pergunta-se: ¿cabe ação 
renovatória? SIM! Se o sublocatário preencher todos os requisitos ele poderá 
ajuizar a ação renovatória - é o sublocatário, pois a ação visa proteger quem 
temo ponto remoto (art. 51, §1º, da Lei 8245/1991). 
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5 - NOME EMPRESARIAL 
É elemento de identificação do empresário ou da sociedade empresária. 
A proteção ao nome empresarial tem previsão constitucional (art. 5º, XXIX, 
da CF/1988): 
“XXIX - a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio 
temporário para sua utilização, bem como proteção às criações 
industriais, à propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a 
outros signos distintivos, tendo em vista o interesse social e o 
desenvolvimento tecnológico e econômico do País;” 
*Modalidades de nome empresarial – art. 1155, CC. 
 
-Firma (a firma será individual ou social). *Razão social é o mesmo que 
firma social. 
-Denominação. 
5.1 - FIRMA 
a. Individual – só se aplica para o empresário individual (só a pessoa 
física - art. 1156 CC11). É o nome do empresário, que pode ser completo 
ou abreviado. É facultado ao empresário acrescentar uma designação 
mais precisa de sua pessoa ou do gênero de atividade. Exemplo: André 
Barreto; A. Barreto; A. Barreto, o Gigante. 
b. Social ou razão social – somente para as sociedades empresariais. Só 
se aplica para a sociedade que tem sócio ou sócios com responsabilidade 
ilimitada (art. 1157 CC). Ex. sociedade em comandita simples e a sociedade em 
nome coletivo. É composta pelo nome (s) do (s) sócio (s). O nome 
poderá ser completo ou abreviado. 
Firma social é utilizada para sociedades com sócio respondendo 
ilimitadamente (só os que possuem responsabilidade ilimitada é que 
podem estar no nome empresarial). 
 
11 “Art. 1.156. O empresário opera sob firma constituída por seu nome, completo ou abreviado, aditando-
lhe, se quiser, designação mais precisa da sua pessoa ou do gênero de atividade.” 
 
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Quando o sócio tem responsabilidade limitada, será o caso de 
aplicação de denominação (SA e LTDA). 
5.2 - DENOMINAÇÃO 
Somente para as sociedades. Aplicada para sociedades que têm 
responsabilidade limitada. Na denominação é possível utilizar o nome de um 
sócio como forma de homenagem. 
Na designação é obrigatória a descrição do ramo explorado. 
Exemplos de soc. empresárias que usam denominação: sociedade anônima 
e sociedade limitada. EXCEÇÃO – art. 1158, CC12 – sociedade limitada pode ter 
também firma social, desde que tenha a palavra limitada abreviada na parte 
final, por extenso ou abreviado. 
A proteção ao nome empresarial decorre automaticamente do registro do 
empresário ou da sociedade empresária na junta comercial. 
5.3 - NOME EMPRESARIAL X MARCA 
NOME EMPRESARIAL X MARCA – o nome identifica um empresário ou uma 
soc. empresária. A marca identifica o produto ou o serviço. 
 A marca, para ser protegida, precisa de registro no INPI, ao passo que o 
nome empresarial precisa de registro na Junta Comercial. 
Por vezes, determinadas marcas são idênticas ou muito similares a 
nomes empresariais, havendo um conflito, cuja solução demanda certa 
dificuldade, na medida em que são bens registrados em órgãos 
diferentes, e com fins diversos. 
 
12 “Art. 1.158. Pode a sociedade limitada adotar firma ou denominação, integradas pela palavra final 
"limitada" ou a sua abreviatura. 
§ 1o A firma será composta com o nome de um ou mais sócios, desde que pessoas físicas, de modo 
indicativo da relação social. 
§ 2o A denominação deve designar o objeto da sociedade, sendo permitido nela figurar o nome de um ou 
mais sócios. 
§ 3o A omissão da palavra "limitada" determina a responsabilidade solidária e ilimitada dos 
administradores que assim empregarem a firma ou a denominação da sociedade.” 
 
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35 
 
Em primeiro lugar, há que se indagar se a marca é notória ou de 
alto renome. Em caso afirmativo, prevalece a marca, não importando o 
ramo de atuação do titular do nome comercial conflitante, ou até 
mesmo de outra marca conflitante. Nesse caso, a notoriedade da marca 
traz consigo uma boa reputação e um prestígio, que não podem ser 
colocados em jogo. 
Não se tratando de uma marca notória, incide o Princípio da 
Especificidade, vale dizer, deve-se determinar o ramo de atuação das 
empresas litigantes, e caso não haja confusão permitir a convivência. 
Conforme já afirmou o STJ, “se distintos, de molde a não importar 
confusão, nada obsta possam conviver concomitantemente no universo 
mercantil.” 
Caso atuem no mesmo ramo, havendo uma confusão pela 
convivência da marca e do nome, prevalece o princípio da novidade, ou 
seja, prevalece a anterioridade do registro. OBS.: esse mesmo princípio 
tem sido adotado para o conflito entre marcas e nomes de domínio. 
Qual é o âmbito de proteção do nome empresarial? Como o nome é 
registrado na Junta - órgão estadual -, a proteção é regional, e não federal (art. 
1166, CC). 
Vide REsp 758.59713: 
 
13 “MARCA. ALTO RENOME. PROTEÇÃO. DENOMINAÇÃO. ASSOCIAÇÃO. 
A recorrente, associação civil sem fins lucrativos voltada para a defesa dos ex-distribuidores de conhecida 
montadora de automóveis, buscava, com o especial, ver mantida, em sua denominação social, a marca 
utilizada por aquela sociedade. Diante disso, a Turma, ao prosseguir o julgamento, após o voto de 
desempate do Min. Jorge Scartezzini (convocado da Quarta Turma), entendeu, por maioria, não conhecer 
do especial. O Min. Ari Pargendler, Relator para o acórdão, aduziu que, sendo a marca objeto de 
propriedade, seu titular tem o direito exclusivo de seu uso quando, registrada no país, for considerada de 
alto renome (art. 125 da Lei n. 9.279/1996) ou for de notório conhecimento em seu ramo de atividade 
(art. 126 do mesmo diploma), tal como se dá na hipótese. Assim, desinfluente apurar se o uso por terceiro 
desautorizado deu-se com objetivos comerciais ou não, pois, em qualquer dos casos, o uso é 
resguardado. O Min. Jorge Scartezzini, por sua vez, anotou que há a extensão da proteção denominativa às 
sociedades simples, associações e fundações frente a quaisquer sociedades, empresárias ou não (art. 5º, 
XXIX, da CF/1988 e art. 1.155, parágrafo único, do CC/2002). Assim, em respeito ao princípio 
constitucional da isonomia, é forçoso reconhecer-se a veracidade da recíproca, o imprescindível resguardo 
legal do nome das sociedades empresárias frente à denominação de uma sociedade simples, associação ou 
fundação. Asseverou, também, que, quanto às marcas notórias, há que se resguardar, também, sua 
reputação (GOODWILL), elemento essencial que pode ser violado pelas atividades associativas da 
recorrente, mesmo que desprovidas de caráter lucrativo. REsp 758.597-DF, Rel. originário Min. Castro 
Filho, Rel. para acórdão Min. Ari Pargendler, julgado em 18/4/2006.” (Info 281) 
 
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36 
 
“MARCA. USO INDEVIDO, POR ASSOCIAÇÃO DE EX-REVENDEDORES, DA 
MARCA “FORD”. Sendo a marca objeto de propriedade, seu titular tem o 
direito exclusivo ao respectivo uso em qualquer âmbito, sempre que, 
registrada no Brasil, for considerada de alto renome (Lei nº 9.279/96, art. 
125) ou for notoriamente conhecida em seu ramo de atividade (art. 126); 
quem a usa para reunir forças contra o seu titular viola a proteção que a 
lei confere à marca. Recurso especial não conhecido.” 
5.4 - PRINCÍPIOS DO NOMEEMPRESARIAL 
Veracidade e novidade. 
Veracidade (art. 1163, CC) TJMG: autenticidade. Impõe que a firma 
individual, ou firma social, seja composta a partir do nome do empresário ou do 
sócio. 
OBS.: em caso de falecimento do sócio, o nome do sócio falecido tem que 
ser retirado do nome empresarial (art. 1165, CC). 
A jurisprudência tem proibido nome empresarial que não corresponde à 
verdade dos fatos (objeto social explorado). Isso tudo objetiva a proteção do 
consumidor (evitar o induzimento do consumidor a erro). 
Pergunta-se: ¿o nome empresarial é alienável? Não! O nome 
empresarial é inalienável (art. 1164, CC). 
OBS.: nome empresarial não é o “apelido comercial” do estabelecimento. 
Exemplo: CIA Brasileira de Distribuição é nome empresarial. Pão de Açúcar é o 
Título de Estabelecimento. 
OBS.: propriedade industrial – a propriedade industrial está prevista na Lei 
9279/1996. Da mesma forma, a CF/1988 prevê sua proteção no art. 5º, XXIX, 
CF/1988 (“privilégio temporário”). 
A prop. intelectual está dividida em direito autoral (matéria de Direito Civil) 
e propriedade industrial. 
Objetivo da Lei de Prop. Industrial: garantir a exclusividade de uso. 
Pergunta-se: garantir a exclusividade de uso de quê? Quais os bens protegidos 
por essa lei? SÃO BENS MÓVEIS. 
Frase mnemônica: “Pa/re! Ih, me dei mal. Caiu propriedade industrial.” 
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I- Invenção 
 PATENTE 
M- Modelo de utilidade 
 
D- Desenho industrial 
 REGISTRO 
M- Marca 
 
ATENÇÃO: programa de computador é protegido por Direitos Autorais, e 
não propriedade industrial. 
Tanto a patente, quanto o registro, só serão obtidos no INPI – Instituto 
Nacional de Propriedade Industrial. 
*Prazo da exclusividade: INVENÇÃO (‘invenção, cadê você? Vim te ver, 
vim te ver!’ 20 ANOS) 
MODELO (‘via de regra, com quantos anos uma modelo começa sua 
carreira?’ 15 ANOS) 
 DESENHO e MARCA – 10 ANOS 
*Todos os prazos (20, 15 e 10 anos – invenção, modelo e desenho 
industrial) são contados da data do depósito. O prazo da marca é contado da 
concessão. 
Invenção e modelo são improrrogáveis. PATENTE é IMPRORROGÁVEL. 
Exemplo: quebra de patente de remédio. 
O REGISTRO admite PRORROGAÇÃO. O desenho industrial pode ser 
prorrogado por até 3 (três) vezes. Cada vez que se prorroga, equivale a 5 anos 
de prorrogação. Após a terceira prorrogação, “cai em domínio público”. 
A MARCA não tem limite de prorrogação. A prorrogação será, sempre, por 
igual período (de dez em dez anos). 
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5.4.1 - BENS PATENTEÁVEIS 
BENS PATENTEÁVEIS 
Invenção - requisitos da invenção (art. 8º): a)NOVIDADE 
 b)ATIVIDADE INVENTIVA 
 c)APLICAÇÃO INDUSTRIAL 
 d) NÃO IMPEDIMENTO 
 
NOVIDADE: art. 11 da Lei 9279/199614. 
É aquilo que não está compreendido no estado da técnica. 
ATIVIDADE INVENTIVA: art. 13 da Lei 9279/199615. 
Sempre que para um especialista no assunto não decorra, de maneira 
óbvia e evidente, do estado da técnica. 
Exemplo: liquid paper. Não existia nada parecido, apenas a borracha. 
APLICAÇÃO INDUSTRIAL 
NÃO IMPEDIMENTO: art. 18 da Lei 9279/199616. 
 
14 “Art. 11. A invenção e o modelo de utilidade são considerados novos quando não compreendidos no 
estado da técnica. 
§ 1º O estado da técnica é constituído por tudo aquilo tornado acessível ao público antes da data de 
depósito do pedido de patente, por descrição escrita ou oral, por uso ou qualquer outro meio, no Brasil ou 
no exterior, ressalvado o disposto nos arts. 12, 16 e 17. 
§ 2º Para fins de aferição da novidade, o conteúdo completo de pedido depositado no Brasil, e ainda não 
publicado, será considerado estado da técnica a partir da data de depósito, ou da prioridade reivindicada, 
desde que venha a ser publicado, mesmo que subseqüentemente. 
§ 3º O disposto no parágrafo anterior será aplicado ao pedido internacional de patente depositado 
segundo tratado ou convenção em vigor no Brasil, desde que haja processamento nacional.” 
15 “Art. 13. A invenção é dotada de atividade inventiva sempre que, para um técnico no assunto, não 
decorra de maneira evidente ou óbvia do estado da técnica.” 
16 “Art. 18. Não são patenteáveis: 
I - o que for contrário à moral, aos bons costumes e à segurança, à ordem e à saúde públicas; 
II - as substâncias, matérias, misturas, elementos ou produtos de qualquer espécie, bem como a 
modificação de suas propriedades físico-químicas e os respectivos processos de obtenção ou modificação, 
quando resultantes de transformação do núcleo atômico; e (evitar bomba atômica) 
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39 
 
 
OBS.: Decreto 6108/2007 – “quebra de patente”. É errado utilizar essa 
expressão. O correto é: “licença compulsória”, com previsão no art. 71 da Lei 
9279/1996. 
Invenção: 
-Requisitos da invenção: 
a) novidade – art. 11 da L. 9279/1996. 
É aquilo que não está compreendido no estado da técnica. 
“Art. 11. A invenção e o modelo de utilidade são considerados novos 
quando não compreendidos no estado da técnica. 
§ 1º O estado da técnica é constituído por tudo aquilo tornado acessível 
ao público antes da data de depósito do pedido de patente, por 
descrição escrita ou oral, por uso ou qualquer outro meio, no Brasil ou 
no exterior, ressalvado o disposto nos arts. 12, 16 e 17. 
§ 2º Para fins de aferição da novidade, o conteúdo completo de pedido 
depositado no Brasil, e ainda não publicado, será considerado estado da 
técnica a partir da data de depósito, ou da prioridade reivindicada, 
desde que venha a ser publicado, mesmo que subseqüentemente. 
§ 3º O disposto no parágrafo anterior será aplicado ao pedido 
internacional de patente depositado segundo tratado ou convenção em 
vigor no Brasil, desde que haja processamento nacional. 
b) atividade inventiva – sempre que, para um especialista do assunto, não 
decorra de maneira óbvia, ou evidente, do estado da técnica. 
c) aplicação industrial – só quando é possível a industrialização. 
 
III - o todo ou parte dos seres vivos, exceto os microorganismos transgênicos que atendam aos três 
requisitos de patenteabilidade - novidade, atividade inventiva e aplicação industrial - previstos no art. 8º e 
que não sejam mera descoberta. 
Parágrafo único. Para os fins desta Lei, microorganismos transgênicos são organismos, exceto o todo ou 
parte de plantas ou de animais, que expressem, mediante intervenção humana direta em sua composição 
genética, uma característica normalmente não alcançável pela espécie em condições naturais.” 
 
 
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d) não pode ter impedimento legal – os impedimentos para a invenção 
estão no art. 18 da L. 9279/1996. 
“Art. 18. Não são patenteáveis: 
I - o que for contrário à moral, aos bons costumes e à segurança, 
à ordem e à saúde públicas; 
II - as substâncias, matérias, misturas, elementos ou produtos de 
qualquer espécie, bem como a modificação de suas propriedades 
físico-químicas e os respectivos processos de obtenção ou 
modificação, quando resultantes de transformação do núcleo 
atômico; e (evitar a criação de armas atômicas) 
III- o todo ou parte dos seres vivos, exceto os 
microorganismos transgênicos que atendam aos três 
requisitos de patenteabilidade - novidade, atividade 
inventiva e aplicação industrial - previstos no art. 8º e que 
não sejam mera descoberta. (microorganismo transgênico 
pode ser patenteável) 
Parágrafo único. Para os fins desta Lei, microorganismos 
transgênicos são organismos, exceto o todo ou parte de plantas ou 
de animais, que expressem, mediante intervenção humana direta 
em sua composição genética, uma característica normalmente não 
alcançável pela espécie em condições naturais.” 
ATENÇÃO: QUEBRA DE PATENTE DE REMÉDIO - está correta essa 
expressão? NÃO! O que ocorre, na verdade, é a chamada licença compulsória 
– previsão no art. 71 da L. 9279/1996. (ver D. 6108/2007) 
“Art. 71. Nos casos de emergência nacional ou interesse público, 
declarados em ato do Poder Executivo Federal, desde que o titular da 
patente ou seu licenciado não atenda a essa necessidade, poderá ser 
concedida, de ofício, licença compulsória, temporária e não exclusiva, 
para a exploração da patente, sem prejuízo dos direitos do respectivo 
titular. (Regulamento) 
Parágrafo único. O ato de concessão da licença estabelecerá seu prazo 
de vigência e a possibilidade de prorrogação.” 
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-> Outro laboratório pode produzir, uma vez que aquele que possuía a 
patente não estava conseguindo atender a demanda (interesse público ou 
emergência nacional). 
-> A licença compulsória é não-exclusiva. 
-> Declaração por ato do Poder Executivo Federal. 
-> Não haverá prejuízo do titular da patente. 
*Modelo de utilidade: 
Art. 9º da L. 9279/1996: 
“Art. 9º É patenteável como modelo de utilidade o objeto de uso 
prático, ou parte deste, suscetível de aplicação industrial, que 
apresente nova forma ou disposição, envolvendo ato inventivo, que 
resulte em melhoria funcional no seu uso ou em sua fabricação.” 
Algo é criado para melhorar um invento já existente (= melhoria 
funcional). 
 
 
5.4.2 - BENS REGISTRÁVEIS 
BENS REGISTRÁVEIS 
*Desenho Industrial: 
Art. 95 da L. 9279/1996: 
“Art. 95. Considera-se desenho industrial a forma plástica 
ornamental de um objeto ou o conjunto ornamental de linhas e 
cores que possa ser aplicado a um produto, proporcionando 
resultado visual novo e original na sua configuração externa e 
que possa servir de tipo de fabricação industrial.” (grifos) 
A doutrina chama o desenho industrial de “desenho fútil”. É o que 
convencionalmente se chama de design. 
O desenho industrial não traz uma utilidade. É referente à estética. 
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42 
 
*Marca: 
Art. 122 da L. 9279/1996 
“Art. 122. São suscetíveis de registro como marca os sinais distintivos 
visualmente perceptíveis, não compreendidos nas proibições legais.” 
A marca está relacionada com diferenciação. 
A finalidade da marca é provocar a distinção entre produtos e serviços. 
A marca é um sinal distintivo visualmente perceptível! Assim, um sinal 
sonoro não pode ser registrado como marca. 
-Requisitos da marca: 
a) novidade – é novidade relativa, e não absoluta. 
b) não colidência com marca notória. 
¿O que é marca notória? É aquela de reconhecimento de todos; dotada de 
reconhecimento internacional. 
OBS.: da mesma forma que no Processo Civil, no Dir. Empresarial a marca 
notória independe de registro. 
A marca notória independe de registro no país. Isso porque o Brasil é 
signatário da Convenção da União de Paris (art. 6º da Convenção – os países 
signatários devem proteger as marcas notórias). 
Art. 126 da L. 9279/1996: 
“Art. 126. A marca notoriamente conhecida em seu ramo de 
atividade nos termos do art. 6º bis (I), da Convenção da União de 
Paris para Proteção da Propriedade Industrial, goza de proteção 
especial, independentemente de estar previamente depositada ou 
registrada no Brasil. 
§ 1º A proteção de que trata este artigo aplica-se também às 
marcas de serviço. 
§ 2º O INPI poderá indeferir de ofício pedido de registro de marca 
que reproduza ou imite, no todo ou em parte, marca 
notoriamente conhecida.” 
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43 
 
 ATENÇÃO: marca de alto renome – art. 125 da L. 9279/1996. 
“Art. 125. À marca registrada no Brasil considerada de alto 
renome será assegurada proteção especial, em todos os ramos de 
atividade.” 
 
MARCA NOTÓRIA X MARCA DE ALTO RENOME: 
Marca notória Alto renome 
-Internacional -Nacional 
-Só para o ramo de atividade -Em todos os ramos de 
atividade 
-Não precisa de registro -Precisa de registro 
 
c) não impedimento – art. 124 da L. 9279/1996. 
“Art. 124. Não são registráveis como marca: 
I - brasão, armas, medalha, bandeira, emblema, distintivo e 
monumento oficiais, públicos, nacionais, estrangeiros ou internacionais, 
bem como a respectiva designação, figura ou imitação; (é possível 
utilizar para o marketing) 
II - letra, algarismo e data, isoladamente, salvo quando revestidos de 
suficiente forma distintiva; 
III - expressão, figura, desenho ou qualquer outro sinal contrário à 
moral e aos bons costumes ou que ofenda a honra ou imagem de 
pessoas ou atente contra liberdade de consciência, crença, culto 
religioso ou ideia e sentimento dignos de respeito e veneração; 
IV - designação ou sigla de entidade ou órgão público, quando não 
requerido o registro pela própria entidade ou órgão público; (v.g.: curso 
jurídico STF) 
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44 
 
V - reprodução ou imitação de elemento característico ou diferenciador 
de título de estabelecimento ou nome de empresa de terceiros, 
suscetível de causar confusão ou associação com estes sinais 
distintivos; 
VI - sinal de caráter genérico, necessário, comum, vulgar ou 
simplesmente descritivo, quando tiver relação com o produto ou serviço 
a distinguir, ou aquele empregado comumente para designar uma 
característica do produto ou serviço, quanto à natureza, nacionalidade, 
peso, valor, qualidade e época de produção ou de prestação do serviço, 
salvo quando revestidos de suficiente forma distintiva; 
VII - sinal ou expressão empregada apenas como meio de propaganda; 
VIII - cores e suas denominações, salvo se dispostas ou combinadas de 
modo peculiar e distintivo; 
IX - indicação geográfica, sua imitação suscetível de causar confusão ou 
sinal que possa falsamente induzir indicação geográfica; (v.g.: não 
posso chamar um perfume de Santo André, de perfume francês) 
X - sinal que induza a falsa indicação quanto à origem, procedência, 
natureza, qualidade ou utilidade do produto ou serviço a que a marca 
se destina; 
XI - reprodução ou imitação de cunho oficial, regularmente adotada 
para garantia de padrão de qualquer gênero ou natureza; 
XII - reprodução ou imitação de sinal que tenha sido registrado como 
marca coletiva ou de certificação por terceiro, observado o disposto no 
art. 154; 
XIII - nome, prêmio ou símbolo de evento esportivo, artístico, cultural, 
social, político, econômico ou técnico, oficial ou oficialmente 
reconhecido, bem como a imitação suscetível de criar confusão, salvo 
quando autorizados pela autoridade competente ou entidade promotora 
do evento; 
XIV - reprodução ou imitação de título, apólice, moeda e cédula da 
União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios, dos Municípios, 
ou de país; 
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45 
 
XV - nome civil ou sua assinatura, nome de família ou patronímico e 
imagem de terceiros, salvo com consentimento do titular, herdeiros ou 
sucessores; 
XVI - pseudônimo ou apelido notoriamente conhecidos, nome artístico 
singular ou coletivo, salvo com consentimento do titular, herdeiros ou 
sucessores; 
XVII - obra literária, artística ou científica, assim como os títulos que 
estejam protegidos pelo direito autoral e sejam suscetíveis de causar 
confusão ou associação, salvo com consentimento do autor ou titular; 
XVIII - termo técnico usado na indústria, na ciência e na arte, que 
tenha relação com o produto ou serviço a distinguir; 
XIX - reprodução ou imitação, no todo ou em parte, ainda que com 
acréscimo, de marca alheia registrada, para distinguir ou certificar 
produto ou serviço idêntico, semelhante ou afim, suscetível de causar 
confusão ou associação com marca alheia; 
XX - dualidade de marcas de um só titular para o mesmo produto ou 
serviço, salvo quando, no caso de marcas de mesma natureza, se 
revestirem de suficiente forma distintiva; 
XXI - a forma necessária, comum ou vulgar do produto ou de 
acondicionamento, ou, ainda, aquela que não possa ser dissociada de 
efeito técnico; 
XXII - objeto que estiver protegido por registro de desenho industrial de 
terceiro; e 
XXIII - sinal que imite ou reproduza, no todo ou em parte, marca que o 
requerente evidentemente não poderia desconhecer em razão de sua 
atividade, cujo titular seja sediado ou domiciliado em território nacional 
ou em país com o qual o Brasil mantenha acordo ou que assegure 
reciprocidade de tratamento, se a marca se destinar a distinguir 
produto ou serviço idêntico, semelhante ou afim, suscetível de causar 
confusão ou associação com aquela marca alheia.” 
*Formas de extinção da propriedade industrial: 
1) Expiração do prazo de vigência; 
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46 
 
2) Caducidade 17 – (muito cobrado em concurso). Se o titular da 
marca deixar de usá-la por mais de 5 anos, há configuração de 
caducidade da marca; 
3) Falta de pagamento de retribuição anual; 
4) Renúncia; 
5) Inobservância do art. 217 (“A pessoa domiciliada no exterior 
deverá constituir e manter procurador devidamente qualificado e 
domiciliado no País, com poderes para representá-la administrativa e 
judicialmente, inclusive para receber citações.”) 
OBS.: aspectos processuais – 
PATENTE 
-nulidade no âmbito administrativo – prazo de 06 meses da concessão da 
patente. 
-nulidade no âmbito judicial – enquanto a patente for vigente. 
DESENHO INDUSTRIAL 
-nulidade no âmbito administrativo – prazo de 05 anos da concessão. 
-nulidade no âmbito judicial – enquanto for vigente o desenho industrial. 
MARCA 
 
17 
 “PROPRIEDADE INTELECTUAL, INDUSTRIAL E PROCESSUAL CIVIL. MARCAS E PATENTES . "JUEGO DEL 
MILLION" X "JOGO DO MILHÃO". FATO SUPERVENIENTE. ART. 462 DO CPC. CADUCIDADE. ARTS. 142 E 
143 DA LEI DE PROPRIEDADE INDUSTRIAL. SISTEMA DECLARATIVO. CADUCIDADE. EFEITOS EX TUNC. 
RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. 
1. Após a propositura da ação, se algum fato constitutivo, modificativo ou extintivo do direito influir no 
julgamento do litígio, compete ao magistrado apreciá-lo, até de ofício, no momento do julgamento (art. 
462 do Código de Processo Civil). 
2. O detentor da marca registrada perderá o registro, por caducidade, se a requerimento de qualquer 
pessoa com legítimo interesse e decorridos 5 (cinco) anos da sua concessão, o uso da marca não tiver sido 
iniciado no Brasil ou se o uso tiver sido interrompido por mais de 5 (cinco) anos consecutivos, ou, ainda, 
se, no mesmo prazo, a marca tiver sido usada com modificação, que implique alteração de seu caráter 
distintivo original, tal como constante do certificado de registro (Lei de Propriedade Industrial, art. 143, 
incisos I e II). 
3. Vige no Brasil o sistema declarativo de proteção de marcas e patentes, que prioriza aquele que primeiro 
fez uso da marca, constituindo o registro no órgão competente mera presunção, que se aperfeiçoa pelo 
uso. 
4. Recurso especial conhecido e provido.” (STJ, REsp 964780, Min. Rel. Hélio Quaglia Barbosa, T4, DJU 24 
SET 2007) 
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-anulação no âmbito administrativo – 180 dias (art. 169 da L. 9279/1996) 
da expedição do certificado de registro. 
-nulidade no âmbito judicial – 05 anos a contar da data da concessão. 
IMPORTANTE: 
*Competência da Justiça Federal para analisar o pedido de nulidade de 
patente. Se o INPI não for o autor da ação, deverá intervir no processo. 
*Prazo de contestação de uma ação de nulidade de patente: 60 dias. 
6 - DIREITO SOCIETÁRIO 
6.1 - ELEMENTOS ESPECÍFICOS DE UMA SOCIEDADE 
(art. 981 CC): 
“Art. 981. Celebram contrato de sociedade as pessoas que 
reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o 
exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados. 
Parágrafo único. A atividade pode restringir-se à realização de um ou 
mais negócios determinados.” 
i. Pluralidade de sócios – só pode ter sociedade com dois ou mais 
sócios. 
EXCEÇÃO – sociedade unipessoal (1 sócio): 
 Unipessoalidade originária – art. 251 S/A – subsidiária integral – 
1 acionista necessariamente brasileiro. 
 Unipessoalidade incidental – prazo de 180 dias para colocar outro 
sócio em uma limitada. Na SA é entre uma assembleia e outra. (art. 
1033, IV, CC e art. 206 SA). 
 
ii. Affectio societatis – ajuste de vontade entre os sócios. 
iii. Partilha dos resultados (art. 1008 CC) – é nula a cláusula que 
exclui um dos sócios da partilha dos lucros e perdas. 
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48 
 
iv. Os sócios devem contribuir com a formação do capital social – 
valor destinado para a exploração da atividade eocnomica da 
sociedade, provindo dos sócios. 
 
6.2 - VISÃO GERAL DAS SOCIEDADES 
*Sociedades personificadas – possuem personalidade jurídica. 
Ao adquirir pers. jurídica, a sociedade passa a ter 03 (três) atributos, quais 
sejam: 
i) Titularidade negocial – realizar negócio jurídico; 
ii) Titularidade processual, e 
iii) Autonomia patrimonial – patrimônio próprio, distinto do 
patrimônio dos sócios. 
*Sociedades não personificadas – não possuem personalidade jurídica. 
6.3 - SOCIEDADES NÃO PERSONIFICADAS 
6.3.1 - SOCIEDADE EM COMUM 
 
É aquela que não teve inscrito seu ato constitutivo; não foi levada a 
registro. 
“Art. 986. Enquanto não inscritos os atos constitutivos, reger-se-á 
a sociedade, exceto por ações em organização, pelo disposto 
neste Capítulo, observadas, subsidiariamente e no que com ele 
forem compatíveis, as normas da sociedade simples. 
Art. 987. Os sócios, nas relações entre si ou com terceiros, 
somente por escrito podem provar a existência da sociedade, mas 
os terceiros podem prová-la de qualquer modo. 
Art. 988. Os bens e dívidas sociais constituem patrimônio 
especial, do qual os sócios são titulares em comum. 
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Art. 989. Os bens sociais respondem pelos atos de gestão 
praticados por qualquer dos sócios, salvo pacto expresso 
limitativo de poderes, que somente terá eficácia contra o terceiro 
que o conheça ou deva conhecer. 
Art. 990. Todos os sócios respondem solidáriae ilimitadamente 
pelas obrigações sociais, excluído do benefício de ordem, previsto 
no art. 1.024, aquele que contratou pela sociedade.” 
6.3.2 - RESPONSABILIDADE DO SÓCIO NA SOCIEDADE EM COMUM 
A responsabilidade é ilimitada e solidária: 
“Art. 990. Todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas 
obrigações sociais, excluído do benefício de ordem, previsto no art. 
1.024, aquele que contratou pela sociedade.” 
ATENÇÃO: 
Responsabilidade do SÓCIO perante a SOCIEDADE – a 
responsabilidade, aqui, é subsidiária. É essa a regra do art. 1024 do CC (“Os 
bens particulares dos sócios não podem ser executados por dividas da 
sociedade, senão depois de executados os bens sociais”). 
Responsabilidade do SÓCIO perante os demais SÓCIOS – a 
responsabilidade, aqui, é solidária. 
 
6.3.3 - CARACTERÍSTICAS ESPECIAIS 
Patrimônio especial – art. 988 do CC. Os bens e dívidas sociais 
constituem patrimônio especial, do qual os sócios são titulares em comum. 
“Art. 988. Os bens e dívidas sociais constituem patrimônio especial, do 
qual os sócios são titulares em comum.” 
Possibilidade de posterior registro – art. 985 do CC. 
“Art. 985. A sociedade adquire personalidade jurídica com a 
inscrição, no registro próprio e na forma da lei, dos seus atos 
constitutivos (arts. 45 e 1.150).” 
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6.3.4 - SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO 
“Art. 991. Na sociedade em conta de participação, a atividade 
constitutiva do objeto social é exercida unicamente pelo sócio 
ostensivo, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva 
responsabilidade, participando os demais (sócios participantes) 
dos resultados correspondentes. 
Parágrafo único. Obriga-se perante terceiro tão-somente o sócio 
ostensivo; e, exclusivamente perante este, o sócio participante, 
nos termos do contrato social.” 
“Art. 992. A constituição da sociedade em conta de participação 
independe de qualquer formalidade e pode provar-se por todos os 
meios de direito.” 
“Art. 993. O contrato social produz efeito somente entre os 
sócios, e a eventual inscrição de seu instrumento em qualquer 
registro não confere personalidade jurídica à sociedade. 
Parágrafo único. Sem prejuízo do direito de fiscalizar a gestão dos 
negócios sociais, o sócio participante não pode tomar parte nas 
relações do sócio ostensivo com terceiros, sob pena de responder 
solidariamente com este pelas obrigações em que intervier.” 
“Art. 994. A contribuição do sócio participante constitui, com a do 
sócio ostensivo, patrimônio especial, objeto da conta de 
participação relativa aos negócios sociais. 
§ 1o A especialização patrimonial somente produz efeitos em 
relação aos sócios. 
§ 2o A falência do sócio ostensivo acarreta a dissolução da 
sociedade e a liquidação da respectiva conta, cujo saldo 
constituirá crédito quirografário. 
§ 3o Falindo o sócio participante, o contrato social fica sujeito às 
normas que regulam os efeitos da falência nos contratos bilaterais 
do falido.” 
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“Art. 995. Salvo estipulação em contrário, o sócio ostensivo não 
pode admitir novo sócio sem o consentimento expresso dos 
demais.” 
“Art. 996. Aplica-se à sociedade em conta de participação, 
subsidiariamente e no que com ela for compatível, o disposto 
para a sociedade simples, e a sua liquidação rege-se pelas 
normas relativas à prestação de contas, na forma da lei 
processual. 
Parágrafo único. Havendo mais de um sócio ostensivo, as 
respectivas contas serão prestadas e julgadas no mesmo 
processo.” 
6.3.5 - MODALIDADES DE SÓCIOS NAS SOC. EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO 
Sócio ostensivo – é o único que exerce o objeto social. Possui 
responsabilidade exclusiva. Age em seu nome individual. 
Somente o sócio ostensivo responde perante terceiros. 
-Sócio participante (a doutrina também chama de sócio oculto) – é 
aquele que participa dos resultados correspondentes. 
Não tem nenhum tipo de responsabilidade. 
ATENÇÃO – quem figura no polo passivo ou ativo é o sócio ostensivo, que 
pode ser pessoa física ou pessoa jurídica. 
6.3.6 - IMPOSSIBILIDADE DE REGISTRO DA SOC. EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO 
Art. 993 do CC: 
“Art. 993. O contrato social produz efeito somente entre os 
sócios, e a eventual inscrição de seu instrumento em qualquer 
registro não confere personalidade jurídica à sociedade. 
Parágrafo único. Sem prejuízo do direito de fiscalizar a gestão dos 
negócios sociais, o sócio participante não pode tomar parte nas 
relações do sócio ostensivo com terceiros, sob pena de responder 
solidariamente com este pelas obrigações em que intervier.” 
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52 
 
Observações: 
-O contrato social produz efeito somente entre os sócios. 
-Eventual inscrição de seu instrumento em qualquer registro não confere 
personalidade jurídica à sociedade. 
6.4 - SOCIEDADES PERSONIFICADAS 
6.4.1 - SOCIEDADE EMPRESÁRIA – ART. 982 DO CC 
É aquela que tem por objeto o exercício da atividade própria de empresário 
sujeito a registro. 
ORGANIZAÇÃO - art. 966 do CC – reunião dos quatro fatores de produção 
(mão de obra, matéria prima, tecnologia e capital). 
6.4.2 - SOCIEDADE SIMPLES 
É a sociedade tida por não empresária. 
Aqui, por exclusão, devemos observar a organização empresarial já citada 
no item acima. 
Art. 966, p. único do CC: 
“Art. 966. Considera-se empresário quem exerce 
profissionalmente atividade econômica organizada para a 
produção ou a circulação de bens ou de serviços. 
Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce 
profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, 
ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o 
exercício da profissão constituir elemento de empresa.” 
De acordo com o art. 983 do CC, a sociedade empresária deve 
constituir-se segundo um dos seguintes tipos: 
1) Sociedade em nome coletivo 
2) Sociedade em comandita simples 
3) Sociedade em comandita por ações 
4) Sociedade Anônima 
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5) Sociedade Limitada 
“Art. 983. A sociedade empresária deve (norma cogente) constituir-se 
segundo um dos tipos regulados nos arts. 1.039 a 1.092; a sociedade 
simples pode constituir-se de conformidade com um desses tipos, e, 
não o fazendo, subordina-se às normas que lhe são próprias. 
Parágrafo único. Ressalvam-se as disposições concernentes à sociedade 
em conta de participação e à cooperativa, bem como as constantes de 
leis especiais que, para o exercício de certas atividades, imponham a 
constituição da sociedade segundo determinado tipo.” 
 
A redação do art. 983, caput, in fine, do CC traz que a soc. simples pode 
constituir-se de qualquer um dos tipos. Mas CUIDADO, pois as sociedades por 
ações serão sempre empresárias (art. 982, p. único, CC). 
Sociedade simples 
1) Sociedade em nome coletivo 
 2) Sociedade em comandita simples 
 3) Sociedade limitada 
 4) Cooperativas 
 5) Sociedade simples pura (é aquela que observa as regras das soc. simples) 
Se a soc. simples não escolher uma das formas acima, atenderá aos 
dispostos do Capítulo das Sociedades Simples (art. 997 e seguintes do CC). 
OBS.: as regras da sociedade simples são chamadas pela doutrina de 
“Teoria Geral do Direito Societário” (ver art. 1040 e art. 1053 do CC). 
*Art. 1150 do CC – registro das sociedades. 
Se for uma sociedadeempresária, o registro tem que ser na junta 
comercial. 
Se for uma sociedade simples, o registro deve ser no Registro Civil de 
Pessoa Jurídica. 
EXCEÇÕES: sociedade de advogados – o registro deve ser feito na OAB. A 
cooperativa, mesmo sendo soc. simples, deve ser registrada na Junta 
Comercial. 
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54 
 
6.4.3 - CLASSIFICAÇÃO DAS SOCIEDADES PERSONIFICADAS 
1) Sociedade de pessoa ou sociedade de capital – critério: 
Leva-se em conta o grau de dependência da sociedade em relação às 
qualidades subjetivas dos sócios. 
*capital 
*affectio societatis 
 
2) Sociedade contratual ou sociedade institucional – critério: 
Regime de constituição e dissolução do vínculo societário. 
CONTRATO SOCIAL - LTDA 
ESTATUTO SOCIAL - S/A 
*Estatuto social - aplicação da L. 6404/1976. 
*Contrato social - aplicação dos princípios contratuais do Código Civil. 
3) Sociedade com responsabilidade ilimitada, soc. com respons. limitada e 
soc. com respons. mista – critério: 
Responsabilidade do sócio pelas obrigações da sociedade. 
*Ilimitada – o sócio responderá de forma ilimitada (responde com seu 
patrimônio pessoal pelas dívidas da pessoa jurídica). 
*Limitada – o patrimônio pessoal do sócio não responde pelas dívidas 
sociais. 
*Mista – são tipos societários em que alguns sócios têm responsabilidade 
ilimitada e outros sócios têm responsabilidade limitada. 
4) Sociedade nacional ou estrangeira – critério: 
Art. 1126 do CC - requisitos cumulativos para caracterizar a sociedade 
nacional. 
i) A sociedade tem que ser organizada de acordo com a lei 
brasileira 
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ii) A sede de administração tem que ser no país. 
 
OBS.: pouco importa a nacionalidade dos sócios. 
“Art. 1.126. É nacional a sociedade organizada de conformidade 
com a lei brasileira e que tenha no País a sede de sua 
administração. 
Parágrafo único. Quando a lei exigir que todos ou alguns sócios 
sejam brasileiros, as ações da sociedade anônima revestirão, no 
silêncio da lei, a forma nominativa. Qualquer que seja o tipo da 
sociedade, na sua sede ficará arquivada cópia autêntica do 
documento comprobatório da nacionalidade dos sócios.” 
6.4.4 - SOCIEDADE EM NOME COLETIVO (ART. 1.039) 
“Art. 1.039. Somente pessoas físicas podem tomar parte na 
sociedade em nome coletivo, respondendo todos os sócios, 
solidária e ilimitadamente, pelas obrigações sociais.” 
Todos os sócios respondem de forma ilimitada e solidária. 
São dois os tipos de responsabilidade: perante os sócios e a sociedade, tal 
como ocorre na sociedade em comum. 
Esta do art. 1.039 é entre os sócios. 
Só pode ser sócio ‘pessoa física’. É rara no Brasil, em razão da 
responsabilidade dos sócios. Em 2004 havia apenas três delas (razões de ordem 
familiar e superstição). 
 
6.4.5 - SOCIEDADE EM COMANDITA SIMPLES (ART. 1.045 DO CC) 
“Art. 1.045. Na sociedade em comandita simples tomam parte sócios de 
duas categorias: os comanditados, pessoas físicas, responsáveis 
solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais; e os comanditários, 
obrigados somente pelo valor de sua quota.” 
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Existem, assim, os sócios comanditados e comanditários. 
O sócio comanditado tem responsabilidade ilimitada e só pode ser pessoa 
física (pessoa jurídica não pode ser sócio comanditado). 
O sócio comanditário tem responsabilidade limitada e pode ser tanto 
pessoa física como pessoa jurídica. 
6.4.6 - SOCIEDADE LIMITADA 
Mais de 90% das sociedades empresárias registradas nas juntas comerciais 
são limitadas. Daí, a grande importância nos concursos públicos. 
É uma sociedade contratual, ou seja, o seu ato constitutivo é um 
contrato social. 
Tal sociedade contratual tem como legislação aplicável o CC, arts. 1.052 e 
seguintes. Alguns temas, entretanto, não são tratados nestes dispositivos, 
como, p.ex., deliberações da sociedade, responsabilidades do administrador, 
etc. O art. 1.053, então, determina que, nas omissões da lei, se aplique as 
regras das sociedades simples. 
É possível, entretanto, que a sociedade limitada estabeleça, no contrato 
social, a regência supletiva da Lei da S/A. 
No silêncio do contrato aplicam-se, supletivamente, as regras das 
sociedades simples (atenção). 
Requisitos de Validade do Contrato Social da Ltda 
Agente capaz: tanto a pessoa física, bem como a pessoa jurídica, pode 
figurar como sócio de sociedade LTDA. 
Pergunta-se: ¿pode o menor pode ser sócio de LTDA? Sim! O STF (RE 
82.433) já decidiu que pode. Para que o menor seja sócio de LTDA são 
necessários três requisitos, quais sejam: 
i) deve estar devidamente assistido ou representado; 
ii) não pode exercer administração, e 
iii) o capital social deve estar totalmente integralizado. 
Objeto lícito: 
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57 
 
Forma legal: o contrato social pode ser lavrado por meio de 
instrumento público (escritura pública lavrada no cartório de notas) ou 
particular (minuta contratual = instrumento particular). 
Observação: de acordo com a L. 8.906/1994, tanto um como outro 
necessitam de visto de advogado, sob pena de nulidade (= é NULO o ato 
constitutivo). Exceção: quando se tratar de microempresa ou empresa de 
pequeno porte. 
 
Requisitos especiais do contrato social 
Contribuição dos Sócios 
Suponha uma LTDA, cujo objeto seja uma farmácia, com capital social de 
R$ 100.000,00. 
A – 40%; B – 30%; C – 20% e D – 10%. 
O ato de comprometimento do sócio de contribuir para o contrato social é 
chamado de subscrição. 
Quando efetivamente ele contribui com o valor ajustado, dá-se a 
integralização. 
Subscrição => comprometimento. 
Integralização => pagamento. 
Definição de capital social = é o valor destinado para a exploração da 
atividade econômica provindo da contribuição dos sócios. São os sócios que 
vão contribuir para a formação do capital social. 
 
Distribuição dos Resultados 
Todo sócio tem que participar da distribuição dos resultados! 
“Art. 1.008. É nula a estipulação contratual que exclua qualquer 
sócio de participar dos lucros e das perdas.” 
É possível a limitação, mas não a exclusão. 
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Pressupostos de existência da LTDA 
Pluralidade de Sócio: 
A sociedade, para sua existência, precisa de dois ou mais sócios. É uma 
sociedade pluripessoal. 
Quando a sociedade possui uma única pessoa como sócio, é chamada de 
unipessoal. 
Pergunta-se: ¿a LTDA pode ser sociedade unipessoal? A unipessoalidade, 
dentro da LTDA, pode ser originária ou incidental. Na soc. LTDA não é possível 
unipessoalidade LTDA. Não se admite a constituição da LTDA com um único 
sócio. 
Lembre-se, antes, que a unipessoalidade pode ser originária ou 
incidental. Na Ltda, não é possível a unipessoalidade originária, ou seja, 
constituí-la com apenas um sócio. 
Exemplo: agora, suponha uma LTDA com dois sócios A e B; falecendo 
este último, a sociedade passará a ser unipessoal (unipessoalidade incidental é 
possível). Essa hipótese é admitida pelo prazo de 180 dias. 
Ultrapassado esse prazo, a sociedade será encerrada (dissolução total). 
Isso ocorre com frequência nas sociedades entre marido e mulher, após a 
separação judicial. 
Pergunta-se: ¿é possível sociedade entre cônjuges (sociedademarital)? 
SIM! Art. 977 do CC. Em duas situações, o legislador não a admite, ou seja, 
quando se tratar de comunhão universal de bens e regime de separação 
obrigatória. 
“Art. 977. Faculta-se aos cônjuges contratar sociedade, entre si 
ou com terceiros, desde que não tenham casado no regime 
da comunhão universal de bens, ou no da separação 
obrigatória.” 
Em relação ao regime da comunhão universal de bens, o impedimento se 
justifica porque o bem de um é também de outro, e vice-versa. Assim, tanto 
um como outro são donos da totalidade, ou seja, não se identifica o patrimônio 
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de cada um dos sócios. Da mesma forma, há confusão patrimonial, também, 
em relação ao patrimônio da empresa (= confusão de patrimônio). 
Já na separação obrigatória, o impedimento ocorre para se evitar o ‘golpe 
do baú’. 
Exemplo: casamento de homem maior de 60 anos (separação obrigatória) 
com jovem de 20 anos. Ele constitui a sociedade com 99% dos bens e ela com 
1%. Falecido o homem, após 180 dias, a sociedade se dissolve e a mulher fica 
com todo o patrimônio da sociedade. 
Affectio societatis: 
É a disposição dos sócios em formar e manter a sociedade uns com 
os outros. Quando não existe ou desaparece esse ânimo, a sociedade não se 
constitui ou deve ser dissolvida (FUC). 
Cláusulas contratuais 
Essenciais: são aquelas indispensáveis para a constituição da sociedade 
(art. 997 do CC). 
“Art. 997. A sociedade constitui-se mediante contrato escrito, particular 
ou público, que, além de cláusulas estipuladas pelas partes, 
mencionará: 
I - nome, nacionalidade, estado civil, profissão e residência dos sócios, 
se pessoas naturais, e a firma ou a denominação, nacionalidade e sede 
dos sócios, se jurídicas; 
II - denominação, objeto, sede e prazo da sociedade; 
III - capital da sociedade, expresso em moeda corrente, podendo 
compreender qualquer espécie de bens, suscetíveis de avaliação 
pecuniária; 
IV - a quota de cada sócio no capital social, e o modo de realizá-la; 
V - as prestações a que se obriga o sócio, cuja contribuição consista em 
serviços; 
VI - as pessoas naturais incumbidas da administração da 
sociedade, e seus poderes e atribuições; 
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VII - a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas; 
VIII - se os sócios respondem, ou não, subsidiariamente, pelas 
obrigações sociais. 
Parágrafo único. É ineficaz em relação a terceiros qualquer pacto 
separado, contrário ao disposto no instrumento do contrato.” 
Pergunta-se: ¿vimos que pessoa jurídica pode ser sócia de LTDA, mas pode 
ser também administrador? 
1ª corrente: sim, pois não há vedação legal expressa (minoritária). 
2ª corrente: não é possível em razão do inc. VI do art. 997 do CC e 
também em razão do art. 1.062, §2º (majoritária). 
“Art. 1.062. O administrador designado em ato separado investir-se-á 
no cargo mediante termo de posse no livro de atas da administração. 
§ 1o Se o termo não for assinado nos trinta dias seguintes à 
designação, esta se tornará sem efeito. 
§ 2o Nos dez dias seguintes ao da investidura, deve o administrador 
requerer seja averbada sua nomeação no registro competente, 
mencionando o seu nome, nacionalidade, estado civil, residência, 
com exibição de documento de identidade, o ato e a data da 
nomeação e o prazo de gestão.” 
As características acima grifadas não são compatíveis com a pessoa 
jurídica, que, de acordo com a 2ª parte do inc. I do art. 997, se identificam por 
firma ou denominação e nacionalidade. Logo, somente pessoa física poderá 
administrar a Ltda. 
Acidentais: não são necessárias para sua constituição. Ex. cláusula que 
estabelece recebimento de pro labore. 
Pro labore é diferente de lucro. Todo sócio tem direito de participar dos 
lucros, mas nem todos recebem pro labore. 
*Pro labore: remunera o trabalho pela administração da sociedade. Já o 
lucro remunera o investimento feito pelo sócio. 
Responsabilidade dos sócios na LTDA 
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A regra está no art. 1.052 do CC. 
Na LTDA, a responsabilidade do sócio está restrita ao valor de suas cotas, 
mas todos os sócios respondem de forma solidária pelo que falta para a 
integralização do capital social. 
“Art. 1.052. Na sociedade limitada, a responsabilidade de cada sócio é 
restrita ao valor de suas quotas, mas todos respondem solidariamente 
pela integralização do capital social.” 
Suponha que a sociedade tenha uma dívida de R$ 150.000,00 junto a um 
banco e seu capital social seja de apenas 100.000. O banco, a princípio, terá 
um prejuízo de R$ 50.000, pois não poderá alcançar os bens particulares dos 
sócios. 
Hipótese diversa ocorre quando um dos sócios não tenha integralizado o 
capital social subscrito. Ainda utilizando o caso acima, suponhamos que um dos 
sócios não tenha integralizado R$ 20.000,00 que havia subscrito. Neste caso, 
todos os sócios responderão de forma solidária pelos R$ 20.000,00 faltantes da 
integralização do capital social. 
A solidariedade, portanto, é tão somente em relação ao valor do capital 
social não integralizado (isso não ocorre na S/A). 
**Exceções (o sócio deixa de ter responsabilidade limitada e passa a ter 
responsabilidade ilimitada): 
Dívida trabalhista: repercutem no patrimônio particular dos sócios 
independentemente do tipo societário. 
Se a sociedade não for levada a registro: 
Violação da regra do art. 977 do CC: é possível sociedade entre cônjuges 
desde que não seja sob o regime da comunhão universal ou separação 
obrigatória. Caso essa regra seja violada a responsabilidade será ilimitada. 
Já as sociedades entre marido e mulher, casados no regime da comunhão 
universal de bens, constituídas antes do CC (era possível), prevalece a posição 
adotada no Parecer no 125/03 do extinto DNRC (substituído pelo DREI), 
que entende que as sociedade constituídas antes do CC permanecerão como 
estão em razão do ato jurídico perfeito e do direito adquirido (não há 
necessidade de se adaptar ao NCC). 
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62 
 
Desconsideração da personalidade jurídica: 
 Observação: Enunciado 229 do CJF: Art. 1.080. A 
responsabilidade ilimitada dos sócios pelas deliberações 
infringentes da lei ou do contrato torna desnecessária a 
desconsideração da personalidade jurídica, por não constituir a 
autonomia patrimonial da pessoa jurídica escudo para a 
responsabilização pessoal e direta. 
 
Foi criada para evitar que houvesse abuso de direito da forma ou fraude, que 
são os seus pressupostos. Sempre que a pessoa jurídica fosse utilizada para 
fraude contra os credores ou abuso de direito de forma poderia afastar-se a 
personalidade jurídica, para alcançar os bens dos sócios. A teoria é episódica 
porque ela não acaba com a personalidade, somente a afasta naquele 
momento. Sempre que couber responsabilização civil, não se aplica a teoria da 
desconsideração; ex.: sócio praticou ato de sonegação, não é desconsideração, 
mas, sim responsabilidade civil. 
A teoria está positivada: CDC, Lei Ambiental, na Lei de Concorrência e CC/02 
(artigo 50). O CC/02 estabelece dois pressupostos para aplicação da teoria: 
Desvio da finalidade (abuso de direito da forma). 
Confusão patrimonial (como forma de exteriorização da fraude, já que a fraude 
é muito difícil de comprovar; há confusão patrimonial entre os bens da 
sociedadee os dos sócios). 
 
Dívida com o INSS: era uma exceção (art. 13 da Lei 8.620/93), mas tal 
dispositivo foi revogado (MP 449/2008) e essa hipótese deixou de ser uma 
exceção. 
Débito Tributário (art. 135, III, CTN): são pessoalmente responsáveis pelos 
créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de atos 
praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou 
estatutos. 
Assim, mesmo que a sociedade tenha 5 sócios, apenas o administrador 
terá responsabilidade solidária. 
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OBS.: diz o STJ que há duas situações diversas: 
Inadimplência: sociedade deixa de pagar impostos porque a empresa não 
possui condições de fazê-lo. 
Sonegação: a sociedade tinha o dinheiro, mas não pagou o imposto para 
fazer investimentos diversos. 
Nessa última hipótese (sonegação) o administrador responderá de forma 
solidária pelos débitos tributários e não todos os sócios. O mesmo não ocorre 
com a inadimplência. 
Art. 1080 do CC: as deliberações infringentes do contrato ou da lei tornam 
ilimitada a responsabilidade dos que expressamente a aprovaram. 
“Art. 1.080. As deliberações infringentes do contrato ou da lei 
tornam ilimitada a responsabilidade dos que expressamente as 
aprovaram.” 
O sócio que resolve deixar a sociedade (art. 1003, p. único, do CC) ainda 
será responsável pelo prazo de 2 anos pelas obrigações que tinha na qualidade 
de sócio. Tal prazo é contado a partir da averbação da saída no contrato social. 
ATENÇÃO: o sócio que ingressa em pessoa jurídica não se exime das 
dívidas anteriores à sua admissão (art. 1025 do CC). Eventual cláusula em 
contrário será ineficaz, porque essa norma do art. 1025 é de ordem pública. 
Cotas Sociais 
A sociedade limitada é uma sociedade cujo capital social está dividido em 
cotas sociais, que conferem ao seu titular direito de sócio da Ltda. 
Natureza Jurídica das Cotas Sociais 
Segundo Rubens Requião, a cota social é um direito de duplo aspecto, 
porque confere um direito patrimonial e um direito pessoal. 
Direito patrimonial: Identificado como um crédito consistente em 
percepção de lucros durante a existência da sociedade e em particular na 
partilha da massa residual, decorrendo de sua liquidação final. 
Direito Pessoal: os direitos pessoais estariam revelados como aqueles 
que decorrem do status de sócio. Nessa ordem, poderíamos alinhar o direito de 
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participar nas deliberações sociais, fiscalização dos atos da administração, 
preferência na subscrição de cotas do aumento de capital social, etc. 
OBS.: as cotas sociais são bens móveis. 
Formas de integralização da cotas 
Dinheiro; bens móveis ou imóveis; créditos (ex. nota promissória, 
duplicata, etc.). Não é possível, na sociedade LTDA, a integralização do capital 
social com a prestação de serviços. 
Quem integraliza com bens responde pela evicção e quem integraliza com 
créditos responde pela solvência (= pagamento - art. 1005, CC). 
Capital aguado: os sócios supervalorizam os bens utilizados como forma de 
integralização; é aquele que não corresponde com o efetivo aporte patrimonial 
efetivado pelos sócios. Assim, o capital social não é real (questão cobrada no 
TJMG). 
Dispositivo legal de proteção ao “capital aguado” – o art. 1055, §1º, diz 
que os sócios responderão solidariamente pela exata estimação dos bens. 
“Art. 1.055. O capital social divide-se em quotas, iguais ou 
desiguais, cabendo uma ou diversas a cada sócio. 
§ 1o Pela exata estimação de bens conferidos ao capital social 
respondem solidariamente todos os sócios, até o prazo de cinco anos da 
data do registro da sociedade. 
§ 2o É vedada contribuição que consista em prestação de serviços.” 
ATENÇÃO: na transferência de imóveis incide sobre a operação o ITBI (art. 
156, II, CF). Tal imposto não incide sobre a transmissão de bens ou direitos 
incorporados ao patrimônio de pessoa jurídica em realização de capital. Dessa 
forma, em relação ao imóvel objeto de integralização de capital social, o sócio 
não precisa recolher ITBI. 
**Holding: pode ser uma LTDA, uma S/A. Não é tipo societário, mas uma 
sociedade que tem como objeto social participar de outras sociedades (= “ser 
sócia de outras sociedades). 
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A holding pode ser pura (só tem por objeto a participação em outras 
sociedades) ou mista (tem também uma atividade empresarial, além de 
participar de outras sociedades). 
É muito comum a chamada holding familiar. Os pais transferem seus bens 
para uma pessoa jurídica e colocam os filhos como sócios. Caso um deles venha 
a falecer, o único imposto a ser pago é aquele referente à transmissão das 
cotas. 
OBS.: as cotas sociais podem ser iguais ou desiguais, diz o art. 1055, 
caput, CC. É possível, portanto, uma ltda com cotas de valores nominais 
específicos. Ex. cota com valor de R$ 1,00 e de R$ 2,00. 
Normalmente, na prática, as cotas possuem um único valor nominal. 
Transferência de cotas 
Ocorre por meio de cessão de cotas. A efetivação dessa transferência deve 
ser prevista no contrato social. 
Há contratos sociais em que não se permite transferência de cotas para 
herdeiros. E isso é muito comum. 
Se o contrato for omisso, aplica-se a regra do art. 1057 do CC. 
“Art. 1.057. Na omissão do contrato, o sócio pode ceder sua quota, 
total ou parcialmente, a quem seja sócio, independentemente de 
audiência dos outros, ou a estranho, se não houver oposição de 
titulares de mais de um quarto do capital social. 
Parágrafo único. A cessão terá eficácia quanto à sociedade e terceiros, 
inclusive para os fins do parágrafo único do art. 1.003, a partir da 
averbação do respectivo instrumento, subscrito pelos sócios anuentes.” 
Se a transferência das cotas for para quem já é sócio não há necessidade 
de anuência dos demais. Agora, se a transferência for para terceiros, só será 
possível se não houver a oposição de mais de ¼ do capital social (= aprovação 
de ¾ do capital). 
Pergunta-se: ¿é possível penhora de cotas sociais? Atenção, pois a 
doutrina diz que vai depender se a sociedade é de pessoa (não é possível) ou 
de capital (é possível). Normalmente, nas sociedades de pessoas, há cláusula 
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no contrato social dizendo que as cotas são impenhoráveis ou que não é 
possível a cessão a terceiros estranhos. É que a penhora vai a leilão e um 
terceiro estranho poderá arrematá-las, passando a ser sócio da sociedade. 
Contudo, prevalece o entendimento do STJ. Assim, tanto faz se a sociedade é 
de pessoas ou de capital, pois a cota sempre será penhorável. Isso porque, não 
há vedação legal. 
Dos deveres dos sócios na LTDA 
Contribuição com a formação do capital social: esse é o principal 
dever do sócio. 
É dever do sócio integralizar o capital subscrito. 
Quando um sócio deixa de pagar total ou parcialmente o valor de suas 
cotas, é considerado sócio remisso. 
O sócio remisso poderá (art. 1004, p. ú, CC): ser excluído, executado 
(os demais sócios podem ser indenizados) ou ter suas cotas reduzidas (=> 
reduzir quota significa que ele só ficará na sociedade com o percentual que foi 
por ele integralizado). 
“Art. 1.004. Os sócios são obrigados, na forma e prazo previstos, às 
contribuições estabelecidas no contrato social, e aquele que deixar de 
fazê-lo, nos trinta dias seguintes ao da notificaçãopela sociedade, 
responderá perante esta pelo dano emergente da mora. 
Parágrafo único. Verificada a mora, poderá a maioria dos demais 
sócios preferir, à indenização, a exclusão do sócio remisso, ou 
reduzir-lhe a quota ao montante já realizado, aplicando-se, em 
ambos os casos, o disposto no § 1o do art. 1.031.” 
Dever de lealdade: segundo FUC, é dever do sócio colaborar com o 
desenvolvimento da sociedade, abstendo-se de praticar atos que possam 
prejudicar a sociedade. Ele deve portar-se, em outras palavras, com lealdade 
em relação à Ltda. Não pode, por exemplo, tumultuar o ambiente de trabalho, 
desautorizar atos de gerência ou, de modo geral, concorrer com a sociedade. 
Direitos dos sócios da LTDA 
Participação nos lucros: (art. 1008, CC). 
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Participar das deliberações sociais: na LTDA, as decisões são tomadas 
em assembléia ou em reunião (art. 1072 do CC). 
“Art. 1.072. As deliberações dos sócios, obedecido o disposto no art. 
1.010, serão tomadas em reunião ou em assembléia, conforme previsto 
no contrato social, devendo ser convocadas pelos administradores nos 
casos previstos em lei ou no contrato. 
§ 1o A deliberação em assembléia será obrigatória se o número dos 
sócios for superior a dez. 
§ 2o Dispensam-se as formalidades de convocação previstas no § 3o do 
art. 1.152, quando todos os sócios comparecerem ou se declararem, 
por escrito, cientes do local, data, hora e ordem do dia. 
§ 3o A reunião ou a assembléia tornam-se dispensáveis quando todos 
os sócios decidirem, por escrito, sobre a matéria que seria objeto delas. 
§ 4o No caso do inciso VIII do artigo antecedente, os administradores, 
se houver urgência e com autorização de titulares de mais da metade 
do capital social, podem requerer concordata preventiva. 
§ 5o As deliberações tomadas de conformidade com a lei e o contrato 
vinculam todos os sócios, ainda que ausentes ou dissidentes. 
§ 6o Aplica-se às reuniões dos sócios, nos casos omissos no contrato, o 
disposto na presente Seção sobre a assembléia.” 
Quadro dos quoruns para deliberações na LTDA 
IMPORTANTE - LTDA: em geral, os sócios deliberam por maioria de votos 
dos sócios (art. 1076, CC) presentes à assembleia ou reunião, computados 
proporcionalmente ao valor das quotas que titularizam. Quem subscrever maior 
parte do capital social, portanto, tem maior poder de interferência nas decisões 
de interesse da sociedade. Em certos casos, porém, a maioria do capital social 
não é suficiente para aprovar a matéria, devendo observar-se, então, o quorum 
deliberativo exigido por lei. 
Se a Ltda é formada por mais de 10 sócios, é obrigatória a realização de 
assembleia. 
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As formalidades da assembleia estão todas no CC. É possível, entretanto, 
simplificar essas formalidades, nos casos de reunião (até 10 sócios) desde que 
conste as respectivas regras no contrato social (art. 1079 do CC). 
“Art. 1.079. Aplica-se às reuniões dos sócios (até 10 sócios), nos casos 
omissos no contrato, o estabelecido nesta Seção sobre a assembléia, 
obedecido o disposto no § 1o do art. 1.072.” 
Formalidades da Assembléia 
Edital de Convocação: deve ter publicação na imprensa oficial e em 
jornal de grande circulação. 
Deve ser publicado três vezes. 
Entre a data da 1ª publicação e a data da assembleia deve ter um prazo 
mínimo de 8 dias, sob pena de nulidade. Pouco importa a data da 2ª e 3ª 
publicações. 
Deve-se atender, ainda, ao quorum de instalação, que é a presença de ¾ 
(três quartos) do capital social. 
Sem a presença de ¾, será necessário uma 2ª convocação. 
Repetem-se as publicações exatamente na forma acima, com apenas uma 
diferença: entre a data da 1ª publicação e a data da realização da assembleia 
deve ter um prazo mínimo de 5 dias. 
Na 2ª convocação, o quorum de instalação é por qualquer número de 
presentes. 
IMPORTANTE: o §2º do art. 1.072, diz que as formalidades de 
convocação podem ser dispensadas quando todos os sócios comparecerem ou 
se declararem cientes do local, data, hora e ordem do dia. 
“Art. 1.072. § 2o Dispensam-se as formalidades de convocação 
previstas no § 3o do art. 1.152, quando todos os sócios 
comparecerem ou se declararem, por escrito, cientes do local, 
data, hora e ordem do dia.” 
Decisões da Assembléia: as decisões da assembleia são tomadas nos 
termos do art. 1072, caput, CC, que nos remete ao art. 1010. 
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“Art. 1.010. Quando, por lei ou pelo contrato social, competir aos 
sócios decidir sobre os negócios da sociedade, as deliberações 
serão tomadas por maioria de votos, contados segundo o 
valor das quotas de cada um. 
§ 1o Para formação da maioria absoluta são necessários votos 
correspondentes a mais de metade do capital. 
§ 2o Prevalece a decisão sufragada por maior número de sócios 
no caso de empate, e, se este persistir, decidirá o juiz. 
§ 3o Responde por perdas e danos o sócio que, tendo em alguma 
operação interesse contrário ao da sociedade, participar da 
deliberação que a aprove graças a seu voto.” 
 
Direito de Fiscalização: o conselho fiscal na LTDA é facultativo (art. 
1066), diferente da S/A, onde é obrigatório. 
“Art. 1.066. Sem prejuízo dos poderes da assembléia dos sócios, pode o 
contrato instituir conselho fiscal composto de três ou mais membros e 
respectivos suplentes, sócios ou não, residentes no País, eleitos na 
assembléia anual prevista no art. 1.078.” 
Caso o contrato social preveja o conselho fiscal, será composto de três ou 
mais membros e respectivos suplentes, sócios ou não, residentes no país. 
São eleitos em assembleia anual. 
Direito de Preferência (art. 1081 do CC): caso a LTDA resolva aumentar 
o capital social, deve-se dar preferência a quem já é sócio. 
Direito de Retirada (art. 1.02918 do CC): possibilidade que o sócio tem 
de se retirar da sociedade. 
 
18 “Art. 1.029. Além dos casos previstos na lei ou no contrato, qualquer sócio pode retirar-se da 
sociedade; se de prazo indeterminado, mediante notificação aos demais sócios, com antecedência mínima 
de sessenta dias; se de prazo determinado, provando judicialmente justa causa. 
Parágrafo único. Nos trinta dias subseqüentes à notificação, podem os demais sócios optar pela dissolução 
da sociedade.” 
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70 
 
Soc. por prazo determinado => JUSTA CAUSA COMPROVADA 
JUDICIALMENTE. 
Soc. por prazo indeterminado => NOTIFICAÇÃO DOS DEMAIS SÓCIOS 
COM ANTECEDÊNCIA MÍNIMA DE 60 DIAS. 
Administrador: art. 1060 do CC. 
“Art. 1.060. A sociedade limitada é administrada por uma ou mais 
pessoas designadas no contrato social ou em ato separado. 
Parágrafo único. A administração atribuída no contrato a todos os sócios 
não se estende de pleno direito aos que posteriormente adquiram essa 
qualidade.” 
Nomeado por contrato social ou em ato separado. 
Obs.: art. 1061 do CC: 
“Art. 1.061. Se o contrato permitir administradores não sócios, a 
designação deles dependerá de aprovação da unanimidade dos 
sócios, enquanto o capital não estiver integralizado, e de dois 
terços, no mínimo, após a integralização.” 
No caso de administrador não sócio, faz-se necessária a comunhão de dois 
requisitos de forma cumulativa. Vejamos: 
-previsão em contrato social; 
-aprovação dos sócios. - QUORUM: seo capital social está totalmente 
integralizado, são necessários 2/3 do capital social. Caso o capital social não 
esteja integralizado, será necessária a aprovação por unanimidade. 
Obs.: “Teoria Ultra Vires” = pergunta-se: ¿o CC adotou a Teoria Ultra 
Vires? Ato ultra vires é aquele praticado pelo administrador, além das forças a 
ele atribuídas pelo contrato social, ou seja, com extrapolação dos limites. 
Segundo esta teoria, não é imputável à sociedade o ato ultra vires. O CC 
adotou a Teoria dos atos ultra vires, conforme se verifica da redação do par. 
único do art. 1015: 
“Art. 1.015. No silêncio do contrato, os administradores podem praticar 
todos os atos pertinentes à gestão da sociedade; não constituindo 
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71 
 
objeto social, a oneração ou a venda de bens imóveis depende do que a 
maioria dos sócios decidir. 
Parágrafo único. O excesso por parte dos administradores somente 
pode ser oposto a terceiros se ocorrer pelo menos uma das seguintes 
hipóteses: 
I - se a limitação de poderes estiver inscrita ou averbada no registro 
próprio da sociedade; 
II - provando-se que era conhecida do terceiro; 
III - tratando-se de operação evidentemente estranha aos negócios da 
sociedade.” 
Em oposição à Teoria Ultra Vires, temos a teoria da aparência19. Destaque, 
nesse ponto, que essa é a teoria adotada pela jurisprudência pátria (a 
sociedade é que responde pelos atos praticados pelo administrador; culpa in 
eligendo). 
Dissolução da soc. LTDA 
PARCIAL => a sociedade será preservada. 
TOTAL => extinção da sociedade. 
São hipóteses de dissolução parcial: 
i) Direito de retirada; 
ii) Falecimento do sócio; 
iii) Falência do sócio (OBS.: falência da soc. é caso de 
dissolução total), e 
iv) Exclusão20 de sócio. 
 
19 Para o Prof. Sérgio Campinho, a Teoria Ultra Vires é aplicada para fornecedores e instituições 
financeiras. Ex.: banco que realiza empréstimo bancário para um restaurante. No momento da abertura da 
conta, será necessária a apresentação do contrato social. 
O mesmo doutrinador afirma que nas relações de consumo é aplicada a Teoria da Aparência. 
 
20 A exclusão pode ser judicial ou extrajudicial. Exemplo de exclusão extrajudicial pode ser visualizado no 
art. 1030, p. único do CC (“Será de pleno direito excluído da sociedade o sócio declarado falido, ou aquele 
cuja quota tenha sido liquidada nos termos do parágrafo único do art. 1.026.”). Outra forma de exclusão 
extrajudicial tem previsão no art. 1085 do CC (“Ressalvado o disposto no art. 1.030, quando a maioria dos 
sócios, representativa de mais da metade do capital social, entender que um ou mais sócios estão pondo 
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72 
 
 
Hipóteses de dissolução total: 
i) Vontade dos sócios; 
ii) Decurso do prazo (se a soc. continuar em atividade e 
nenhum sócio pedir o encerramento, a soc. será prorrogada por prazo 
indeterminado); 
iii) Falência da sociedade; 
iv) Extinção de autorização para funcionamento21; 
v) Unipessoalidade por mais de 180 dias; 
vi) Inexequibilidade do objeto social (concurso da PFN = 
exaurimento do objeto social; TJSE = de forma errada cobrou como 
exaustão do objeto social). Exemplo de inexequibilidade: ausência de 
mercado. 
vii) Anulação do ato constitutivo. 
6.4.7 - SOCIEDADE ANÔNIMA 
L. 6404/1976 – disciplina as S/A. 
Conceito de S/A: é a sociedade cujo capital social está dividido em ações. 
Características das Soc. Anônimas: 
-A S/A sempre será uma sociedade empresária. 
 
em risco a continuidade da empresa, em virtude de atos de inegável gravidade, poderá excluí-los da 
sociedade, mediante alteração do contrato social, desde que prevista neste a exclusão por justa causa. ... 
A exclusão somente poderá ser determinada em reunião ou assembléia especialmente convocada para 
esse fim, ciente o acusado em tempo hábil para permitir seu comparecimento e o exercício do 
direito de defesa.”) – grifos. 
Há doutrinadores que admitem, como forma de exclusão extrajudicial, os casos de sócio remisso. Crítica: 
isso não é unânime na doutrina. 
Exclusão judicial: a) ausência de requisito do art. 1085 do CC – sócio minoritário; b) sócio majoritário, e c) 
falta grave no cumprimento de suas obrigações ou por incapacidade superveniente - caput do art. 1030 do 
CC. 
21 “Art. 1.037. Ocorrendo a hipótese prevista no inciso V do art. 1.033, o Ministério Público, tão logo lhe 
comunique a autoridade competente, promoverá a liquidação judicial da sociedade, se os administradores 
não o tiverem feito nos trinta dias seguintes à perda da autorização, ou se o sócio não houver exercido a 
faculdade assegurada no parágrafo único do artigo antecedente. 
Parágrafo único. Caso o Ministério Público não promova a liquidação judicial da sociedade nos quinze dias 
subseqüentes ao recebimento da comunicação, a autoridade competente para conceder a autorização 
nomeará interventor com poderes para requerer a medida e administrar a sociedade até que seja 
nomeado o liquidante.” 
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73 
 
-A S/A é institucional (não tem contrato social; seu ato constitutivo é um 
estatuto social). Os sócios não podem definir direitos e obrigações por meio 
de contrato social. 
Atenção: ante o falecimento de um sócio, os herdeiros automaticamente 
passam a ser sócios. 
A DENOMINAÇÃO é o nome empresarial de uma S/A. 
Espécies de Soc. Anônimas (art. 4º da LSA) 
“Art. 4o Para os efeitos desta Lei, a companhia é aberta ou fechada 
conforme os valores mobiliários de sua emissão estejam ou não 
admitidos à negociação no mercado de valores mobiliários. (Redação 
dada pela Lei nº 10.303, de 2001) 
§ 1o Somente os valores mobiliários de emissão de companhia 
registrada na Comissão de Valores Mobiliários podem ser negociados no 
mercado de valores mobiliários. (Redação dada pela Lei nº 10.303, de 
2001) 
§ 2o Nenhuma distribuição pública de valores mobiliários será efetivada 
no mercado sem prévio registro na Comissão de Valores Mobiliários. 
(Incluído pela Lei nº 10.303, de 2001) 
§ 3o A Comissão de Valores Mobiliários poderá classificar as companhias 
abertas em categorias, segundo as espécies e classes dos valores 
mobiliários por ela emitidos negociados no mercado, e especificará as 
normas sobre companhias abertas aplicáveis a cada categoria. (Incluído 
pela Lei nº 10.303, de 2001) 
§ 4o O registro de companhia aberta para negociação de ações no 
mercado somente poderá ser cancelado se a companhia emissora de 
ações, o acionista controlador ou a sociedade que a controle, direta ou 
indiretamente, formular oferta pública para adquirir a totalidade das 
ações em circulação no mercado, por preço justo, ao menos igual ao 
valor de avaliação da companhia, apurado com base nos critérios, 
adotados de forma isolada ou combinada, de patrimônio líquido 
contábil, de patrimônio líquido avaliado a preço de mercado, de fluxo de 
caixa descontado, de comparação por múltiplos, de cotação das ações 
no mercado de valores mobiliários, ou com base em outro critério aceito 
pela Comissão de Valores Mobiliários, assegurada a revisão do valor da 
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74oferta, em conformidade com o disposto no art. 4o-A. (Incluído pela Lei 
nº 10.303, de 2001) 
§ 5o Terminado o prazo da oferta pública fixado na regulamentação 
expedida pela Comissão de Valores Mobiliários, se remanescerem em 
circulação menos de 5% (cinco por cento) do total das ações emitidas 
pela companhia, a assembléia-geral poderá deliberar o resgate dessas 
ações pelo valor da oferta de que trata o § 4o, desde que deposite em 
estabelecimento bancário autorizado pela Comissão de Valores 
Mobiliários, à disposição dos seus titulares, o valor de resgate, não se 
aplicando, nesse caso, o disposto no § 6o do art. 44. (Incluído pela Lei 
nº 10.303, de 2001) 
§ 6o O acionista controlador ou a sociedade controladora que adquirir 
ações da companhia aberta sob seu controle que elevem sua 
participação, direta ou indireta, em determinada espécie e classe de 
ações à porcentagem que, segundo normas gerais expedidas pela 
Comissão de Valores Mobiliários, impeça a liquidez de mercado das 
ações remanescentes, será obrigado a fazer oferta pública, por preço 
determinado nos termos do § 4o, para aquisição da totalidade das ações 
remanescentes no mercado. (Incluído pela Lei nº 10.303, de 2001)” 
 
-CIA aberta – é aquela em que seus valores mobiliários são admitidos à 
negociação no mercado de valores mobiliários. 
-CIA fechada – é aquela em que seus valores mobiliários NÃO são 
admitidos à negociação no mercado de valores mobiliários. 
Importante: não existe S/A mista! Isso é muito cobrado em concursos. 
¿O que são valores mobiliários? São títulos de investimento que a 
sociedade anônima emite para a obtenção dos recursos que necessita. Exemplo 
típico: ações. 
¿O que é um mercado de valores mobiliários? O mercado de valores 
mobiliários está dividido em bolsa de valores e mercado de balcão. A bolsa de 
valores pode ser uma associação civil ou uma S/A. Sua finalidade é aumentar o 
fluxo de negociação de valores mobiliários. 
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75 
 
Mercado de balcão é onde se realiza operações que não são feitas na bolsa 
(instituições financeiras e sociedade corretora). Exemplo: entrar no sítio do BB 
e compra ações da Petrobrás. 
*Mercado primário e mercado secundário => a compra direta de 
ações da CIA é chamada de mercado primário. Em caso de já ser acionista e a 
relação é tomada com investidor, temos caso de mercado secundário. 
ATENÇÃO: na bolsa de valores ocorre o mercado secundário22 (acionistas e 
investidores). Para se comprar diretamente da S/A é preciso mercado de 
balcão. 
 
Constituição da S/A 
-Requisitos preliminares: art. 80 da LSA. 
“Art. 80. A constituição da companhia depende do cumprimento 
dos seguintes requisitos preliminares: 
I - subscrição, pelo menos por 2 (duas) pessoas, de todas as 
ações em que se divide o capital social fixado no estatuto; 
II - realização, como entrada, de 10% (dez por cento), no 
mínimo, do preço de emissão das ações subscritas em dinheiro; 
III - depósito, no Banco do Brasil S/A., ou em outro 
estabelecimento bancário autorizado pela Comissão de Valores 
Mobiliários, da parte do capital realizado em dinheiro. 
Parágrafo único. O disposto no número II não se aplica às 
companhias para as quais a lei exige realização inicial de parte 
maior do capital social.” 
 
a) pluralidade de sócios (2 ou mais sócios para sua constituição). Poderá 
ser unipessoal nos casos de empresa pública e subsidiária integral => 
necessariamente uma soc. brasileira (art. 251 da LSA); 
 
22 Bolsa de valores só tem mercado de balcão. 
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76 
 
b) entrada de 10%, no mínimo, do preço de emissão das ações subscritas, 
em dinheiro. 
ATENÇÃO: tratando-se de instituição financeira, o percentual é aumentado 
para 50%. 
c) depósito no Banco do Brasil, ou em outro estabelecimento bancário 
autorizado pela CVM, do valor realizado em dinheiro. 
-Constituição propriamente dita (etapa posterior ao preenchimento dos 
requisitos preliminares). 
Nessa etapa é importante observar se é CIA aberta ou CIA fechada. 
Na CIA aberta, essa constituição propriamente dita é chamada de 
subscrição pública (= subscrição sucessiva). São etapas da constituição: 
1) Registro das ações na CVM; 
2) Contratação de instituição financeira para colocar as ações em 
mercado, e 
3) Realização de assembleia de fundação. 
Na CIA fechada, a constituição propriamente dita é chamada de subscrição 
particular (= simultânea). 
1) Assembleia de fundação, ou 
2) Escritura pública (feita por um tabelião de notas). 
Obs.: nos casos de CIA fechada, o ato é único. 
 
Valores Mobiliários de uma S/A 
-ações; 
-debêntures; 
-commercial paper; 
-bônus de subscrição, e 
-partes beneficiárias. 
 
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77 
 
*AÇÕES = são frações do capital social que conferem ao seu titular direito 
de sócio de uma S/A. 
Integralização das ações: dinheiro, bens e créditos. 
Não é possível a integralização com prestação de serviços (exatamente 
como ocorre com a LTDA). 
São espécies de ações: a)ordinárias, b)preferenciais e c)de gozo e fruição. 
ORDINÁRIAS - conferem direitos comuns ao acionista (direito de 
fiscalização, direito de participação nos lucros, etc.). As ações ordinárias dão, 
sempre, direito de voto (art. 110 da LSA23). 
 V 
 Ordinária 
 T 
 O 
 
Obs.: a emissão de ações ordinárias é obrigatória para todas as S/A, 
diferentemente do que ocorre com as ações preferenciais. 
PREFERENCIAIS - são traduzidas em vantagens econômicas e vantagens 
políticas (exemplo de vantagem econômica é a prioridade de recebimento – 
insculpida no art. 17 da LSA). A ação preferencial pode trazer como vantagem 
ao seu titular um mínimo de 10% a mais que nas ações ordinárias. 
Nas ações preferenciais não há direito ao voto, ou o seu exercício será 
limitado. 
Obs.: ¿qual é o número máximo de ações preferenciais sem voto 
que uma CIA pode emitir? 50% do total de ações. 
Obs.2: vantagens políticas nas ações preferenciais => grande importância 
no caso de desestatização. 
 
23 “Art. 110. A cada ação ordinária corresponde 1 (um) voto nas deliberações da assembléia-geral. 
§ 1º O estatuto pode estabelecer limitação ao número de votos de cada acionista. 
§ 2º É vedado atribuir voto plural a qualquer classe de ações.” 
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78 
 
Antes das privatizações, o Estado possuía o controle. Com a 
desestatização, o controle foi alienado. Contudo, o ente desestatizante possui 
preferenciais de classe especial, que refletem caráter político (art. 17, §7º, da 
LSA). 
“§ 7o Nas companhias objeto de desestatização poderá ser criada ação 
preferencial de classe especial, de propriedade exclusiva do ente 
desestatizante, à qual o estatuto social poderá conferir os poderes que 
especificar, inclusive o poder de veto às deliberações da assembléia-
geral nas matérias que especificar.(Incluído pela Lei nº 10.303, de 
2001)” 
 
As ações preferenciais com vantagem política recebem o nome de golden 
share (= ação com poder político de veto). Tais ações constituem instrumento 
de defesa dos interesses nacionais efetivamente relevantes, possibilitando, 
desta forma, a retirada do Estado da atuação direta na atividade econômica. 
Questão prática:A 30% de ações ordinárias 
B 20% de ações ordinárias 
C 40% de ações preferenciais 
D 10% de ações preferenciais 
 
Quem é o acionista majoritário? C. Quem é o acionista controlador? A, pois 
tem o maior poder de voto. 
 
DE GOZO E FRUIÇÃO art. 44, §5º, da LSA. 
“Art. 44. O estatuto ou a assembléia-geral extraordinária pode 
autorizar a aplicação de lucros ou reservas no resgate ou na 
amortização de ações, determinando as condições e o modo de 
proceder-se à operação. 
(...) 
DIREITO EMPRESARIAL 
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79 
 
§ 5º As ações integralmente amortizadas poderão ser substituídas 
por ações de fruição, com as restrições fixadas pelo estatuto ou 
pela assembléia-geral que deliberar a amortização; em qualquer 
caso, ocorrendo liquidação da companhia, as ações amortizadas 
só concorrerão ao acervo líquido depois de assegurado às ações 
não a amortizadas valor igual ao da amortização, corrigido 
monetariamente.” 
 
Palavra chave das ações de gozo e fruição = amortização. 
Amortização: é antecipação de pagamento. 
Quando a companhia passa por uma dissolução total, ou seja, 
encerramento de suas atividades, ela passará por processo denominado de 
LIQUIDAÇÃO. Será nomeando um LIQUIDANTE, que deverá arrecadar todos os 
bens da S/A, com a finalidade de vendê-los. Com a venda, o próximo passo é 
pagar os credores. 
Se tiver ativo superior ao passivo, o patrimônio remanescente se chama 
ACERVO. O acervo será repartido entre os acionistas, de acordo com a 
participação de cada um. 
Atenção: isso só ocorrerá se a S/A encerrar as suas atividades. 
No entanto, a S/A pode fazer o seguinte: com a ocorrência de lucro 
inesperado, há “sobra” de dinheiro. Em casos que tais, poderá ocorrer uma 
reunião - com as operações narradas acima -, em suposição, para fazer uma 
divisão em forma de prêmio aos acionistas (seria um pagamento de forma 
antecipada aos acionistas; recebimento daquilo que só receberiam ao final). 
Atenção: deve ficar claro que certas ações já participaram do acervo e que 
quando a companhia passar realmente pelo processo de encerramento, não 
receberão novamente, senão após as demais ações. Haverá substituição da 
ação ordinária ou preferencial em ação de gozo ou fruição. 
*Direitos essenciais do acionista: nem a Assembleia Geral, nem o estatuto 
social, podem privar o acionista dos direitos essenciais. Art. 109 da LSA: 
i) Participação nos lucros da CIA; 
ii) Participação no acervo da CIA em caso de liquidação; 
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80 
 
iii) Direito de preferência (= na subscrição de novas ações, 
debêntures conversíveis em ações, partes beneficiárias conversíveis 
em ações e bônus de subscrição); 
iv) Direito de retirada, e 
v) Direito de fiscalização. 
Obs.: para se haver estabilidade entre os acionistas é possível a vinculação 
por um contrato/acordo. 
“Art. 118. Os acordos de acionistas, sobre a compra e venda de 
suas ações, preferência para adquiri-las, exercício do direito a 
voto, ou do poder de controle deverão ser observados pela 
companhia quando arquivados na sua sede.(Redação dada pela 
Lei nº 10.303, de 2001) 
§ 1º As obrigações ou ônus decorrentes desses acordos somente 
serão oponíveis a terceiros, depois de averbados nos livros de 
registro e nos certificados das ações, se emitidos. 
§ 2° Esses acordos não poderão ser invocados para eximir o 
acionista de responsabilidade no exercício do direito de voto 
(artigo 115) ou do poder de controle (artigos 116 e 117). 
§ 3º Nas condições previstas no acordo, os acionistas podem 
promover a execução específica das obrigações assumidas. 
§ 4º As ações averbadas nos termos deste artigo não poderão ser 
negociadas em bolsa ou no mercado de balcão. 
§ 5º No relatório anual, os órgãos da administração da companhia 
aberta informarão à assembléia-geral as disposições sobre política 
de reinvestimento de lucros e distribuição de dividendos, 
constantes de acordos de acionistas arquivados na companhia. 
§ 6o O acordo de acionistas cujo prazo for fixado em função de 
termo ou condição resolutiva somente pode ser denunciado 
segundo suas estipulações. (Incluído pela Lei nº 10.303, de 2001) 
§ 7o O mandato outorgado nos termos de acordo de acionistas 
para proferir, em assembléia-geral ou especial, voto contra ou a 
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81 
 
favor de determinada deliberação, poderá prever prazo superior 
ao constante do § 1o do art. 126 desta Lei.(Incluído pela Lei nº 
10.303, de 2001) 
§ 8o O presidente da assembléia ou do órgão colegiado de 
deliberação da companhia não computará o voto proferido com 
infração de acordo de acionistas devidamente arquivado.(Incluído 
pela Lei nº 10.303, de 2001) 
§ 9o O não comparecimento à assembléia ou às reuniões dos 
órgãos de administração da companhia, bem como as abstenções 
de voto de qualquer parte de acordo de acionistas ou de membros 
do conselho de administração eleitos nos termos de acordo de 
acionistas, assegura à parte prejudicada o direito de votar com as 
ações pertencentes ao acionista ausente ou omisso e, no caso de 
membro do conselho de administração, pelo conselheiro eleito 
com os votos da parte prejudicada.(Incluído pela Lei nº 10.303, 
de 2001) 
§ 10. Os acionistas vinculados a acordo de acionistas deverão 
indicar, no ato de arquivamento, representante para comunicar-
se com a companhia, para prestar ou receber informações, 
quando solicitadas.(Incluído pela Lei nº 10.303, de 2001) 
§ 11. A companhia poderá solicitar aos membros do acordo 
esclarecimento sobre suas cláusulas.(Incluído pela Lei nº 10.303, 
de 2001)” 
 
ATENÇÃO: o acordo, para ser observado e respeitado, deverá ser 
arquivado na sede da CIA. 
* DEBÊNTURES = são títulos representativos em que a CIA é a mutuaria 
e o debenturista é o mutuante. 
As debêntures são consideradas títulos executivos extrajudiciais. 
As debêntures conferem direito de crédito. 
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“Art. 52. A companhia poderá emitir debêntures que conferirão 
aos seus titulares direito de crédito contra ela, nas condições 
constantes da escritura de emissão e, se houver, do certificado.” 
A Lei não delimita prazo de debênture. Ocorre que ela só cumprirá sua 
função se for reembolsada a um médio ou longo prazo. Na debênture, pode-se 
estipular condições e encargos do pagamento (juros, correção) e período de 
reembolso, se será conversível ou não. 
Cuida-se, na verdade de um empréstimo, de um mútuo. Ocorre que na 
debênture, é a S/A quem estipula prazo, juros, correção monetária; e não um 
banco. Debênture é titulo executivo extrajudicial. Em suma, é um direito de 
crédito e se não pagar no tempo pode ser executado. 
 
A debênture PODERÁ ser convertida em ações. Isso não significa que toda 
debênture é convertida em ação. 
Debênture x “Commercial paper”: na debênture a lei não delimita prazo 
(mas é a longo ou médio prazo). Na “commercial paper”, conforme instrução 
normativa da CVM (134), a companhia deve fazer o reembolso no prazo de 30 a 
180 dias, se CIA aberta, ou de 30 a 360 dias, se CIA fechada. A “commercial” 
não é debênture, é um título específico. 
* BÔNUS DE SUBSCRIÇÃO: direito de preferência na aquisição de novas 
ações. 
“Art. 75. A companhia poderá emitir, dentro do limite de aumento de 
capital autorizado no estatuto (artigo 168), títulos negociáveisdenominados "Bônus de Subscrição". 
Parágrafo único. Os bônus de subscrição conferirão aos seus titulares, 
nas condições constantes do certificado, direito de subscrever ações do 
capital social, que será exercido mediante apresentação do título à 
companhia e pagamento do preço de emissão das ações.” 
A sociedade de capital autorizado que pode emitir bônus de subscrição (= 
direito de preferência; direito dos titulares de subscrever ações do capital 
social, exercido mediante apresentação do título e pagamento do valor das 
ações). 
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 E o acionista, já não tem direito de preferência? E o detentor do 
bônus, também não tem preferência? Qual é o mais forte? Na S/A, é mais forte 
o direito de preferência do detentor do bônus de subscrição. 
 A S/A terá que, primeiro, oferecer o bônus de subscrição aos seus 
acionistas, para depois oferecê-los a não-acionistas. 
“Art. 109. Nem o estatuto social nem a assembléia-geral poderão 
privar o acionista dos direitos de: 
I - participar dos lucros sociais; 
II - participar do acervo da companhia, em caso de liquidação; 
III - fiscalizar, na forma prevista nesta Lei, a gestão dos negócios 
sociais; 
IV - preferência para a subscrição de ações, partes beneficiárias 
conversíveis em ações, debêntures conversíveis em ações e 
bônus de subscrição, observado o disposto nos artigos 171 e 172; 
V - retirar-se da sociedade nos casos previstos nesta Lei. 
§ 1º As ações de cada classe conferirão iguais direitos aos seus 
titulares. 
§ 2º Os meios, processos ou ações que a lei confere ao acionista 
para assegurar os seus direitos não podem ser elididos pelo 
estatuto ou pela assembléia-geral. 
§ 3o O estatuto da sociedade pode estabelecer que as 
divergências entre os acionistas e a companhia, ou entre os 
acionistas controladores e os acionistas minoritários, poderão ser 
solucionadas mediante arbitragem, nos termos em que 
especificar.” 
 
*PARTES BENEFICIÁRIAS: são títulos negociáveis, sem valor nominal, e 
estranhos ao capital social, que conferirão ao seu titular direito de crédito 
eventual contra a CIA, consistente na participação dos lucros anuais por um 
determinado tempo. 
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Qual a diferença entre parte beneficiária e ação? A diferença reside 
justamente na expressão “estranhos ao capital social”. Há participação nos 
lucros, MAS NÃO É ACIONISTA (não terá direito de voto, de preferência, de 
participação de acervo. 
É direito de crédito é eventual: o lucro é incerto! Assim, se tem lucro 
recebe, mas se não tiver não recebe nada. 
 
Órgãos da S/A 
Órgãos da S/A: (A.C. D.C.) 
i) Assembléia Geral 
ii) Conselho de Administração 
iii) Diretoria 
iv) Conselho Fiscal 
 
i) É o órgão deliberativo máximo da S/A. As principais decisões 
são tomadas na Assembléia Geral. 
-Assembléia Geral ordinária = art. 132 da LSA. 
a) destinação de lucros; 
b) eleição de administradores e membros do Conselho Fiscal; 
c) tomar as contas dos administradores; 
d) aprovação da correção da expressão monetária do capital 
social. 
Obs.: todo e qualquer tema que não for um dos itens listados 
acima, será discutido na assembléia geral extraordinária. 
ii) Conselho de Administração é o órgão mais cobrado em 
prova. Isso se justifica pelo fato de ser órgão facultativo. 
O Cons. de Administração será obrigatório nas seguintes ocasiões: 
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a) Quando se tratar de uma CIA aberta (art. 138 da LSA24) 
b) Quando se tratar de uma sociedade de capital autorizado25 
(art. 138 da LSA) 
c) Soc. de economia mista (art. 238 da LSA) 
Obs.: nas três hipóteses acima, a obrigatoriedade se justifica pelo 
interesse público. 
Competência do Cons. de Administração: art. 142 da LSA: 
“Art. 142. Compete ao conselho de administração: 
I - fixar a orientação geral dos negócios da companhia; 
II - eleger e destituir os diretores da companhia e fixar-lhes as 
atribuições, observado o que a respeito dispuser o estatuto; 
III - fiscalizar a gestão dos diretores, examinar, a qualquer tempo, os 
livros e papéis da companhia, solicitar informações sobre contratos 
celebrados ou em via de celebração, e quaisquer outros atos; 
 
24 “Art. 138. A administração da companhia competirá, conforme dispuser o estatuto, ao conselho de 
administração e à diretoria, ou somente à diretoria. 
 § 1º O conselho de administração é órgão de deliberação colegiada, sendo a representação da 
companhia privativa dos diretores. 
 § 2º As companhias abertas e as de capital autorizado terão, obrigatoriamente, conselho de 
administração. 
25 “Art. 168. O estatuto pode conter autorização para aumento do capital social independentemente 
de reforma estatutária. 
 § 1º A autorização deverá especificar: 
 a) o limite de aumento, em valor do capital ou em número de ações, e as espécies e classes das 
ações que poderão ser emitidas; 
 b) o órgão competente para deliberar sobre as emissões, que poderá ser a assembléia-geral ou o 
conselho de administração; 
 c) as condições a que estiverem sujeitas as emissões; 
 d) os casos ou as condições em que os acionistas terão direito de preferência para subscrição, ou de 
inexistência desse direito (artigo 172). 
 § 2º O limite de autorização, quando fixado em valor do capital social, será anualmente corrigido 
pela assembléia-geral ordinária, com base nos mesmos índices adotados na correção do capital social. 
 § 3º O estatuto pode prever que a companhia, dentro do limite de capital autorizado, e de acordo 
com plano aprovado pela assembléia-geral, outorgue opção de compra de ações a seus administradores 
ou empregados, ou a pessoas naturais que prestem serviços à companhia ou a sociedade sob seu 
controle.” 
 
 
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IV - convocar a assembléia-geral quando julgar conveniente, ou no caso 
do artigo 132; 
V - manifestar-se sobre o relatório da administração e as contas da 
diretoria; 
VI - manifestar-se previamente sobre atos ou contratos, quando o 
estatuto assim o exigir; 
VII - deliberar, quando autorizado pelo estatuto, sobre a emissão de 
ações ou de bônus de subscrição; 
VIII - autorizar, se o estatuto não dispuser em contrário, a alienação de 
bens do ativo não-circulante, a constituição de ônus reais e a prestação 
de garantias a obrigações de terceiros; 
IX - escolher e destituir os auditores independentes, se houver. 
§ 1o Serão arquivadas no registro do comércio e publicadas as atas das 
reuniões do conselho de administração que contiverem deliberação 
destinada a produzir efeitos perante terceiros. 
§ 2o A escolha e a destituição do auditor independente ficará sujeita a 
veto, devidamente fundamentado, dos conselheiros eleitos na forma do 
art. 141, § 4o, se houver.” 
 
Obs.: órgão de administração = Conselho de Administração 
e Diretoria; ou somente a Diretoria. 
 
Composição do Cons. de Administração: mínimo de três membros 
(todos devem ser pessoal natural e acionista). 
 
iii) Diretoria – os atos de administração são praticados pela 
diretoria. 
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Composição da diretoria – mínimo de 2 membros (admite-se a 
possibilidade do não acionista integrar a diretoria). Deve ser 
residenteno país. 
iv) Conselho Fiscal – a CIA terá um conselho fiscal e o estatuto 
disporá sobre seu funcionamento, de modo permanente ou nos 
exercícios sociais em que for instalado a pedido de acionista. 
“Art. 161. A companhia terá um conselho fiscal e o estatuto disporá 
sobre seu funcionamento, de modo permanente ou nos exercícios 
sociais em que for instalado a pedido de acionistas. 
§ 1º O conselho fiscal será composto de, no mínimo, 3 (três) e, no 
máximo, 5 (cinco) membros, e suplentes em igual número, acionistas 
ou não, eleitos pela assembléia-geral. 
§ 2º O conselho fiscal, quando o funcionamento não for permanente, 
será instalado pela assembléia-geral a pedido de acionistas que 
representem, no mínimo, 0,1 (um décimo) das ações com direito a 
voto, ou 5% (cinco por cento) das ações sem direito a voto, e cada 
período de seu funcionamento terminará na primeira assembléia-geral 
ordinária após a sua instalação. 
§ 3º O pedido de funcionamento do conselho fiscal, ainda que a matéria 
não conste do anúncio de convocação, poderá ser formulado em 
qualquer assembléia-geral, que elegerá os seus membros. 
§ 4º Na constituição do conselho fiscal serão observadas as seguintes 
normas: 
a) os titulares de ações preferenciais sem direito a voto, ou com voto 
restrito, terão direito de eleger, em votação em separado, 1 (um) 
membro e respectivo suplente; igual direito terão os acionistas 
minoritários, desde que representem, em conjunto, 10% (dez por 
cento) ou mais das ações com direito a voto; 
b) ressalvado o disposto na alínea anterior, os demais acionistas com 
direito a voto poderão eleger os membros efetivos e suplentes que, em 
qualquer caso, serão em número igual ao dos eleitos nos termos da 
alínea a, mais um. 
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§ 5º Os membros do conselho fiscal e seus suplentes exercerão seus 
cargos até a primeira assembléia-geral ordinária que se realizar após a 
sua eleição, e poderão ser reeleitos. 
§ 6o Os membros do conselho fiscal e seus suplentes exercerão seus 
cargos até a primeira assembléia-geral ordinária que se realizar após a 
sua eleição, e poderão ser reeleitos. 
§ 7o A função de membro do conselho fiscal é indelegável.” 
 
O Cons. Fiscal é órgão de existência obrigatória, mas de 
funcionamento facultativo. A principal função do Cons. Fiscal é 
fiscalizar as contas da administração. 
 
6.4.8 - REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA 
1) Transformação = a transformação é a operação pela qual uma 
sociedade modifica seu tipo societário, sem que com isso haja dissolução 
e liquidação (NÃO HÁ EXTINÇÃO DA PESSOA JURÍDICA). 
Ex.: Soc. LTDA S/A 
 Ocorre quando há mudança de tipo societário, ou seja, de 
uma S/A para LTDA ou vice-versa. Também há transformação caso 
haja alteração de aberta para fechada ou vice-versa. Não ocorre a 
dissolução ou liquidação da sociedade (extinção), já que permanece a 
mesma pessoa jurídica, porém, submetida ao regime do novo tipo 
adotado. Não há qualquer prejuízo ao direito dos sócios. Em regra, 
depende do consentimento de todos os sócios, salvo se for previsto no 
ato constitutivo, caso em que o sócio dissidente terá o direito de 
retirada ou recesso da sociedade. 
 CC/02, Art. 1.113. O ato de transformação independe de 
dissolução ou liquidação da sociedade, e obedecerá aos 
preceitos reguladores da constituição e inscrição próprios do 
tipo em que vai converter-se. 
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 CC/02, Art. 1.114. A transformação depende do 
consentimento de todos os sócios, salvo se prevista no ato 
constitutivo, caso em que o dissidente poderá retirar-se da sociedade, 
aplicando-se, no silêncio do estatuto ou do contrato social, o disposto 
no art. 1.031. 
 CC/02, Art. 1.115. A transformação não modificará nem 
prejudicará, em qualquer caso, os direitos dos credores. 
Parágrafo único. A falência da sociedade transformada somente 
produzirá efeitos em relação aos sócios que, no tipo anterior, a eles 
estariam sujeitos, se o pedirem os titulares de créditos anteriores à 
transformação, e somente a estes beneficiará. 
 
2) Fusão = É a operação pela qual duas ou mais sociedades se 
unem, dando origem a uma nova sociedade, que lhes sucederá em todos 
os direitos e obrigações. (SURGIMENTO DE UMA NOVA SOCIEDADE – 
EXTINÇÃO DE TOAS AS SOCIEDADES QUE SE UNEM) 
 Ocorre quando duas ou mais sociedades se fundem para formar 
uma NOVA sociedade. Se gerar concentração de mercado, haverá 
apreciação do CADE (20% do mercado relevante) - vide Enunciado 232 do 
CJF26. 
 CC/02, Art. 1.119. A fusão determina a extinção das 
sociedades que se unem, para formar sociedade nova, que a elas 
sucederá nos direitos e obrigações. 
 CC/02, Art. 1.120. A fusão será decidida, na forma estabelecida 
para os respectivos tipos, pelas sociedades que pretendam unir-se. 
§ 1o Em reunião ou assembléia dos sócios de cada sociedade, 
deliberada a fusão e aprovado o projeto do ato constitutivo da nova 
sociedade, bem como o plano de distribuição do capital social, serão 
nomeados os peritos para a avaliação do patrimônio da sociedade. 
 
26 “NAS FUSÕES E INCORPORAÇÕES ENTRE SOCIEDADES REGULADAS PELO CÓDIGO CIVIL, É 
FACULTATIVA A ELABORAÇÃO DE PROTOCOLO FIRMADO PELOS SÓCIOS OU ADMINISTRADORES DAS 
SOCIEDADES; HAVENDO SOCIEDADE ANÔNIMA OU COMANDITA POR AÇÕES ENVOLVIDA NA 
OPERAÇÃO, A OBRIGATORIEDADE DO PROTOCOLO E DA JUSTIFICAÇÃO SOMENTE A ELA SE APLICA.” 
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§ 2o Apresentados os laudos, os administradores convocarão 
reunião ou assembléia dos sócios para tomar conhecimento deles, 
decidindo sobre a constituição definitiva da nova sociedade. 
§ 3o É vedado aos sócios votar o laudo de avaliação do patrimônio 
da sociedade de que façam parte. 
 CC/02, Art. 1.121. Constituída a nova sociedade, aos 
administradores incumbe fazer inscrever, no registro próprio da sede, os 
atos relativos à fusão. 
 
3) Incorporação = as sociedades incorporadas serão absorvidas pela 
sociedade incorporadora. Diferentemente do que ocorre na fusão, na 
incorporação não há o surgimento de uma nova sociedade. “A sociedade 
incorporadora será ‘aumentada’”. 
É a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por 
outra, que lhes sucederá em todos os direitos e obrigações. 
 
**Apenas uma sociedade que incorpora as demais. 
 
 Uma ou mais sociedades desaparecem para integrar uma 
sociedade que já existente, vale dizer, uma sociedade (incorporada) é 
absorvida pela outra (incorporadora). Ex.: Nestlé incorporando a 
Garoto. Se houver concentração de mercado, haverá apreciação do 
CADE (20% do mercado relevante). 
 CC/02, Art. 1.116. Na incorporação, uma ou várias sociedades 
são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e 
obrigações, devendo todas aprová-la, na forma estabelecida para os 
respectivos tipos. 
 CC/02, Art. 1.117. A deliberação dos sócios da sociedade 
incorporada deverá aprovar as bases da operação e o projeto de 
reforma do ato constitutivo. 
§ 1o A sociedade que houver de ser incorporada tomará 
conhecimento desse ato, e, se o aprovar, autorizará os administradores 
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a praticar o necessário à incorporação, inclusive a subscrição em bens 
pelo valor da diferença que se verificar entre o ativo e o passivo. 
§ 2o Adeliberação dos sócios da sociedade incorporadora 
compreenderá a nomeação dos peritos para a avaliação do patrimônio 
líquido da sociedade, que tenha de ser incorporada. 
 CC/02, Art. 1.118. Aprovados os atos da incorporação, a 
incorporadora declarará extinta a incorporada, e promoverá a 
respectiva averbação no registro próprio. 
 Enunciado 232 do CJF – Arts. 1.116, 1.117 e 1.120: Nas 
fusões e incorporações entre sociedades reguladas pelo Código 
Civil, é facultativa a elaboração de protocolo firmado pelos sócios ou 
administradores das sociedades; havendo sociedade anônima ou 
comandita por ações envolvida na operação, a obrigatoriedade 
do protocolo e da justificação somente a ela se aplica. 
 
4) Cisão = há duas formas de ocorrer a cisão, quais sejam: PARCIAL 
ou TOTAL. 
Obs.: na prova do concurso, identifica-se a cisão pela expressão 
venda de patrimônio. A venda de uma parcela do patrimônio é cisão 
parcial. Por seu turno, a venda total do patrimônio é uma cisão total. 
Na cisão parcial não ocorre extinção. Contudo, na cisão total (venda 
integral do patrimônio) há extinção da sociedade cindida. 
 Operação pela qual a sociedade transfere parcelas do seu 
patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim 
ou já existentes, podendo ocorrer ou não a sua extinção. Se for 
total, a sociedade desaparece formando duas ou mais sociedades. Se 
for parcial, a sociedade continua existindo, mas, parte dela ou se 
incorpora à outra sociedade que já existe ou forma uma nova 
sociedade. 
Embora prevista no Título do Capítulo X (“Da Transformação, da 
incorporação, da fusão e da cisão das sociedades), a cisão não foi regulada 
expressamente no Código Civil, aplicando-se a disciplina prevista na Lei 
6.404/76. 
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 Enunciado 231 do CJF – Arts. 1.116 a 1.122: A cisão de 
sociedades continua disciplinada na Lei n. 6.404/76, aplicável a todos 
os tipos societários, inclusive no que se refere aos direitos dos 
credores. Interpretação dos arts. 1.116 a 1.122 do Código Civil. 
 Lei 6.494/76, Art. 233. Na cisão com extinção da companhia 
cindida, as sociedades que absorverem parcelas do seu 
patrimônio responderão solidariamente pelas obrigações da 
companhia extinta. A companhia cindida que subsistir e as que 
absorverem parcelas do seu patrimônio responderão solidariamente 
pelas obrigações da primeira anteriores à cisão. 
Parágrafo único. O ato de cisão parcial poderá estipular que as 
sociedades que absorverem parcelas do patrimônio da companhia 
cindida serão responsáveis apenas pelas obrigações que lhes forem 
transferidas, sem solidariedade entre si ou com a companhia cindida, 
mas, nesse caso, qualquer credor anterior poderá se opor à 
estipulação, em relação ao seu crédito, desde que notifique a sociedade 
no prazo de 90 (noventa) dias a contar da data da publicação dos atos 
da cisão. 
Observação: Como a fusão, a incorporação e a cisão podem prejudicar os 
direitos dos credores, o art. 1122 do CC assegura aos credores o direito de 
pedir a anulação destes atos. Trata-se de um prazo decadencial. Caso a 
sociedade deposite o seu valor ou garanta a sua execução, fica obstada a 
pretensão anulatória, prosseguindo a ação de cobrança, pois a sociedade pode 
reputar a dívida indevida. 
 
Art. 1.122. Até noventa dias após publicados os atos relativos à 
incorporação, fusão ou cisão, o credor anterior, por ela prejudicado, 
poderá promover judicialmente a anulação deles. 
§ 1o A consignação em pagamento prejudicará a anulação pleiteada. 
§ 2o Sendo ilíquida a dívida, a sociedade poderá garantir-lhe a 
execução, suspendendo-se o processo de anulação. 
§ 3o Ocorrendo, no prazo deste artigo, a falência da sociedade 
incorporadora, da sociedade nova ou da cindida, qualquer credor 
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anterior terá direito a pedir a separação dos patrimônios, para o fim de 
serem os créditos pagos pelos bens das respectivas massas. 
Transformação não há extinção. 
Incorporação há extinção da incorporada. 
Cisão na cisão parcial não há extinção. Na cisão total, por outra 
banda, há extinção. 
Fusão extinção de todas as sociedades. 
 
6.4.9 - SOCIEDADES COLIGADAS (“LIGAÇÕES SOCIETÁRIAS”) 
Arts. 1097 e ss. do Código Civil. 
“Art. 1.097. Consideram-se coligadas as sociedades que, em suas 
relações de capital, são controladas, filiadas, ou de simples 
participação, na forma dos artigos seguintes. 
Art. 1.098. É controlada: 
I - a sociedade de cujo capital outra sociedade possua a maioria 
dos votos nas deliberações dos quotistas ou da assembléia geral e 
o poder de eleger a maioria dos administradores; 
II - a sociedade cujo controle, referido no inciso antecedente, 
esteja em poder de outra, mediante ações ou quotas possuídas 
por sociedades ou sociedades por esta já controladas. 
Art. 1.099. Diz-se coligada ou filiada a sociedade de cujo capital 
outra sociedade participa com dez por cento ou mais, do capital 
da outra, sem controlá-la. 
Art. 1.100. É de simples participação a sociedade de cujo capital 
outra sociedade possua menos de dez por cento do capital com 
direito de voto. 
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Art. 1.101. Salvo disposição especial de lei, a sociedade não pode 
participar de outra, que seja sua sócia, por montante superior, 
segundo o balanço, ao das próprias reservas, excluída a reserva 
legal. 
Parágrafo único. Aprovado o balanço em que se verifique ter sido 
excedido esse limite, a sociedade não poderá exercer o direito de 
voto correspondente às ações ou quotas em excesso, as quais 
devem ser alienadas nos cento e oitenta dias seguintes àquela 
aprovação.” 
a) Sociedade filiada – art. 1.099 do CC. CUIDADO: a sociedade coligada 
pode ser gênero ou então a filiada, conforme disposição no Código Civil. Ocorre 
quando uma sociedade participa do capital social da outra, com 10% ou 
mais, sem controle. 
b) Sociedade de simples participação – art. 1.100 do CC. Ocorre 
quando uma sociedade participa do capital social da outra com menos 
de 10% com voto. 
c) Sociedade controladora – art. 1.098 do CC. Maioria de votos da 
outra sociedade E o poder de eleger a maioria dos administradores da 
outra sociedade. 
 
Mnemônica: 
Filiada MARIDO 
Simples participação ESPOSA 
Controladora SOGRA 
 
6.4.10 - SOCIEDADE DEPENDENTE DE AUTORIZAÇÃO 
“Art. 1.123. A sociedade que dependa de autorização do 
Poder Executivo para funcionar reger-se-á por este título, sem 
prejuízo do disposto em lei especial. 
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Parágrafo único. A competência para a autorização será sempre 
do Poder Executivo federal.” 
 Além da sociedade estrangeira (Art. 1.134 do CC/02), 
necessita de autorização: Operadora de Plano de 
Assistência à Saúde (autorizada pela ANS – Art. 8º da Lei 
9.656/98 com alterações da MP n.º 2.177-44, de 2001)), 
Instituição financeira (autorizada pelo Banco Central - Art. 
10, X da Lei 4595/64), Sociedades seguradoras 
(autorizada pela SUSEP – Art. 36, al. “a” do DL 73/66) 
“Art. 1.124. Na falta de prazo estipulado em lei ou em ato 
do poder público, será considerada caduca a autorização se a 
sociedade não entrar em funcionamento nos doze meses 
seguintes à respectiva publicação.” 
“Art. 1.125. Ao Poder Executivo é facultado, a qualquer tempo, 
cassar a autorização concedidaa sociedade nacional ou 
estrangeira que infringir disposição de ordem pública ou 
praticar atos contrários aos fins declarados no seu 
estatuto.” 
“Art. 1.134. A sociedade estrangeira, qualquer que seja o seu 
objeto, não pode, sem autorização do Poder Executivo, 
funcionar no País, ainda que por estabelecimentos 
subordinados, podendo, todavia, ressalvados os casos expressos 
em lei, ser acionista de sociedade anônima brasileira.” 
“Art. 1.137. A sociedade estrangeira autorizada a funcionar 
ficará sujeita às leis e aos tribunais brasileiros, quanto aos 
atos ou operações praticados no Brasil. 
Parágrafo único. A sociedade estrangeira funcionará no território 
nacional com o nome que tiver em seu país de origem, podendo 
acrescentar as palavras "do Brasil" ou "para o Brasil”. 
 
“Art. 1.138. A sociedade estrangeira autorizada a funcionar é 
obrigada a ter, permanentemente, representante no Brasil, 
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96 
 
com poderes para resolver quaisquer questões e receber 
citação judicial pela sociedade. 
Parágrafo único. O representante somente pode agir perante 
terceiros depois de arquivado e averbado o instrumento de sua 
nomeação.” 
“Art. 1.139. Qualquer modificação no contrato ou no estatuto 
dependerá da aprovação do Poder Executivo, para produzir 
efeitos no território nacional.” 
7 - TÍTULOS DE CRÉDITO 
-Legislação aplicável: 
 a) Letra de câmbio e nota promissória – Decreto 57663/1966 (“Lei 
Uniforme”); 
b) Cheque – Lei 7357/1985, e 
c) Duplicata – Lei 5474/1968. 
Pergunta-se: ¿e as regras do Código Civil? A aplicação do CC aos 
títulos de crédito é subsidiária (art. 903 do CC27). 
Representam obrigações de natureza pecuniária. Não se confundem com a 
própria obrigação. As obrigações representadas em um título de crédito ou têm 
origem extracambial, como é o caso das originadas de contratos, ou têm 
origem exclusivamente cambial, como na obrigação do avalista. 
O credor de uma obrigação representada por um título de crédito tem 
direitos, de conteúdo operacional, diversos do que teria se a mesma obrigação 
não se encontrasse representada por um título de crédito. Além do título de 
crédito possibilitar uma negociação mais fácil do crédito decorrente da 
obrigação representada, sua cobrança judicial é mais eficiente e célere. A estas 
circunstâncias especiais costuma a doutrina se referir como os atributos dos 
 
27 “Art. 903. Salvo disposição diversa em lei especial, regem-se os títulos de crédito pelo disposto neste 
Código.” 
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títulos de crédito, chamados, respectivamente, de negociabilidade, (facilidade 
de negociação), e executividade (maior eficiência na cobrança). 
Ou seja, há um regime jurídico-cambial, que estabelece regras que dão à 
pessoa que detém inicialmente o crédito (ou para quem o crédito é transferido), 
maiores garantias do que as do regime civil. 
Quatro são as fases do Direito Cambiário: 
 Período Italiano – até 1650: mercadores das cidades italianas 
/ necessidade de operar com moedas diferentes em praças diversas 
(letras de câmbio); 
 Período francês: (1650 até 1848): surge o endosso / a letra 
de câmbio deixou de ser instrumento de pagamento para 
instrumento de crédito 
 Período Germânico: (1848=1930): codificadas as normas 
disciplinadoras da cambial, separando-as das normas de direito 
comum / proteção especial ao terceiro adquirente de boa-fé, como 
forma de garantir a circulação do título. 
 Período Uniforme: aprovação, em 1930, das leis uniformes 
genebrinas sobre letras de câmbio e notas promissórias, e, em 
1931, sobre cheques. 
7.1 - CONCEITO 
"Documento necessário para o exercício do direito literal e autônomo nele 
contido ou mencionado.” (Vivante) 
VER ART. 887 CÓDIGO CIVIL 
“Art. 887. O título de crédito, documento necessário ao exercício do 
direito literal e autônomo nele contido, somente produz efeito quando 
preencha os requisitos da lei.” 
Obs.: O CC/02 não está valendo para: letra de câmbio, nota promissória, 
cheque e duplicata, porque o artigo 903 fala que estão ressalvadas as leis 
especiais. As regras do CC/02 são supletivas às leis especiais. Exemplo: aval 
parcial é dito que no CC/02 não é possível, mas a lei especial permite. 
Entendemos, ainda, que as normas do CC, de 2002, aplicam-se: 
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 a) aos títulos de crédito cuja legislação de regência não determine 
a aplicação subsidiária da legislação sobre letra de câmbio e nota promissória 
ou de qualquer outra lei sobre determinado título; 
 b) aos títulos nominados, quando a lei de regência for silente sobre 
determinada matéria, como, por exemplo, título escritural (art. 889, § 3º). 
Comentando o art. 903 do CC, Gustavo Tepedino (Código Civil 
Interpretado), afirma que há duas possibilidades para interpretação do presente 
artigo: 
1) o CC pretendeu regular os chamados títulos de 
crédito atípicos ou inominados, isto é, aqueles que não 
encontram regulamentação expressa nas leis, fixando 
requisitos mínimos dos títulos de crédito (na realidade 
quer o autor referir-se aos títulos não regulados, na 
conceituação de Fabio Ulhoa Coelho); 
2) o CC quis estabelecer uma teoria geral dos títulos 
de crédito, de modo que, quando não são aplicáveis as 
normas constantes da legislação especial, seriam 
aplicáveis as normas do CC. Crítica: quase todas as 
matérias que o CC regula já se encontram previstas em 
leis especiais; regulou de forma contraditória em relação, 
por exemplo, à proibição de aval parcial. 
 
Fabio Ulhoa Coelho sustenta que as normas sobre títulos de crédito 
encontradas no CC aplicam-se apenas aos títulos que não possuírem na lei 
específica a definição das regras a aplicar (art. 903). È o que ele chama de 
título de crédito não regulado. Observa, contudo, que não há atualmente no 
direito brasileiro nenhum título em tais condições. 
Para alguns tecnólogos (continua Fabio Ulhoa Coelho), encontra-se no art. 
903 do CC a disciplina dos títulos de crédito atípicos ou inominados. Ocorre 
que referidos títulos são os criados pelos particulares independentemente de 
específica previsão em lei, como o FICA ou vaca-papel. A maior dificuldade que 
a tese da introdução dos títulos atípicos no direito positivo nacional enfrenta é a 
da identificação desses títulos. Como saber, diante da declaração de vontade de 
pagar quantia líquida, se o instrumento que a materializa é um título de crédito 
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atípico ou um contrato atípico? A cláusula cambiária identifica o documento 
como título de crédito, nomeando-o; mas, para os títulos de crédito 
inominados, é evidente que não se pode estabelecer uma formalidade 
equivalente, porque eles costumam surgir de hábitos informais na prática 
cotidiana dos negócios. O CC não introduziu a disciplina dos títulos de crédito 
inominados. Eles continuam regidos pelas respectivas normas consuetudinárias. 
As normas do CC sobre títulos de crédito diferem-se das aplicáveis às 
letras de cambito quanto ao seguinte: 1) proibição das cláusulas de juros, “não 
á ordem”, e exoneração de despesas; 2) admissibilidade de títulos ao portador, 
se autorizado pela lei específica; 3) não-vinculação do endossante ao 
pagamento do título como regra; 4) não cabimento de avalparcial; 5) títulos 
nominativos são os emitidos em favor de pessoa cujo nome conste do registro 
do emitente (art. 921), não se cuidando de identificação do credor no próprio 
título, como ocorre com a letra de cambito, mas sim em assentamento externos 
à cártula. 
7.2 - FUNÇÃO DOS TÍTULOS DE CRÉDITO 
A função primordial dos títulos de crédito é a mobilização do crédito. Sua 
finalidade é a circulação. O título de crédito só é verdadeiramente tal quando 
circula. Fora daí ele deve ser visto mais como documento, do que como título 
propriamente dito. Essa visão, aliás, vem sido tida pela jurisprudência, que não 
mais aceita o documento formal, como meio de o credor se beneficiar de uma 
situação de abstração ou autonomia. Assim é que em muitos casos, 
demonstrado que o título foi criado não para atender sua função primordial de 
circulação e mobilização do crédito, tem-se deixado de aplicar certos princípio 
favoráveis ao credor. 
São conhecidos acórdãos que veem em notas promissórias emitidas 
unicamente como garantia de certos contratos de financiamento, ou de 
abertura de crédito, não mais um título abstrato, mas um documento 
representativo de um direito, para cujo exercício se impõe a demonstração da 
origem do débito. Por exemplo: as notas promissórias emitidas em branco pelos 
titulares de contas com cheque especial, modalidade do contrato de abertura de 
crédito. A cártula é preenchida pela instituição financeira (tal prática é vedada – 
ver Súmula 60 do STJ), englobando todos os débitos constantes da conta, com 
os encargos contratuais. Ao executar apenas o título, está na verdade o banco 
não se utilizando do mesmo em sua função, mas com forma de impedir ou 
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dificultar ao extremo a defesa do executado, pois se executasse o contrato teria 
de anexar os demonstrativos contábeis. 
Por isso, muitos comercialistas não veem como incorretas decisões que não 
aceitam o título para execução, exigindo a comprovação dos débitos mediante a 
anexação do contrato e dos demonstrativos contábeis. 
7.3 - PRINCÍPIOS DO DIREITO CAMBIÁRIO 
Cartularidade (ou documentalidade) (cártula = documento = título) - 
“O que importa é a cártula!” 
O exercício dos direitos representados por um título de crédito pressupõe 
sua posse. Quem não se encontra com o título em sua posse, não se presume 
credor. O princípio da cartularidade é garantia de que o sujeito que postula a 
satisfação do crédito é mesmo o seu titular (é uma garantia de que o credor 
não negociou o seu crédito). Cópias autênticas não conferem a mesma 
garantia. Um exemplo de sua aplicação é a exigência da exibição do original do 
título na petição inicial de execução. 
Obs.: mais recentemente, algumas exceções ao princípio da cartularidade: 
- nos negócios mercantis, necessidade de maior informalidade: possível 
executar o crédito representado pela duplicata, em alguns casos, mesmo sem 
apresentação da cártula; 
- informática, disseminação dos títulos de crédito não cartularizados – NCC 
admite o título de crédito virtual: art. 889, §3º - O título poderá ser emitido a 
partir dos caracteres criados em computador ou meio técnico equivalente e que 
constem da escrituração do emitente, observados os requisitos mínimos 
previstos neste artigo. 
Literalidade 
Somente produzem efeitos jurídicos-cambiais os atos lançados no próprio 
título de crédito. A quitação deve estar representada por título. Atos 
documentados em instrumentos apartados, ainda que válidos e eficazes entre 
os sujeitos diretamente envolvidos (ex. aval concedido fora do título poderá ser 
tido como fiança), não produzirão efeitos perante o portador do título. 
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Obs.: algumas exceções: ex. a quitação da duplicata pode ser dada em 
documento em separado. 
Autonomia (Abstração e inoponibilidade de exceções a terceiros de boa-
fé). 
Quando um único título representa mais de uma obrigação (do emitente, 
do avalista, do endossante e outros) a eventual invalidade de qualquer delas 
não prejudica as demais. Assim, por exemplo, a obrigação do avalista subsiste 
ainda que seja nula a obrigação do avalizado, salvo se a nulidade decorrer de 
vício de forma, porque o avalista não tem a mesma obrigação do avalizado mas 
obrigação autônoma, com existência própria. 
As implicações do princípio da autonomia representam a garantia efetiva 
de circulabilidade do título de crédito. O terceiro descontador não precisa 
investigar as condições em que o crédito foi transacionado. 
O princípio da autonomia desdobra-se em dois sub-princípios: 
Abstração – O título de crédito se desvincula da relação fundamental que 
lhe deu origem. Se houve algum vício na causa que originou o título, não 
haverá prejuízo às obrigações nele constantes. A abstração somente se verifica 
quando o título circula para um terceiro de boa-fé, que não tem ciência do 
defeito existente no negócio que originou o título. 
Obs.: Relação causal e cartular não se confundem, embora coexistam 
harmonicamente porque a criação do título de crédito não implica novação no 
que se refere à relação causal, vez que esta não se extingue. A relação causal 
enseja uma ação extracambiária, ao passo que a relação cartular enseja uma 
ação cambiária. 
Obs.: todos os títulos são autônomos. Mas, alguns títulos não são 
abstratos: determinados títulos de crédito podem resultar de qualquer causa, 
mas dela se libertam após a sua criação, o que não ocorre com os títulos 
causais (duplicata), que, embora circulem, mantêm vínculo com a causa que os 
gerou. 
Inoponibilidade de Exceções a Terceiros de Boa-fé – O executado em 
virtude de um título de crédito não pode alegar matéria de defesa estranha à 
sua relação direta com o exeqüente, salvo, provando a má-fé dele. Ou seja, não 
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pode lhe opor exceções pessoais (que tinha contra o antigo credor), salvo se o 
terceiro for adquirente de má-fé. 
Não pode ser oposto vício da relação causal contra o terceiro de boa-fé. Se 
o título não circular, ele está preso à relação causal. Mas pode ser oposto o 
vício formal. 
7.4 - NATUREZA DA OBRIGAÇÃO CAMBIAL 
A obrigação cambiária resulta de declaração unilateral de vontade por 
parte do subscritor do título e não de contrato celebrado com o beneficiário. 
Os devedores de um título de crédito são solidários. Esta regra encontra-se 
no artigo 47 da Lei Uniforme de Genebra. O devedor solidário que paga ao 
credor a totalidade da dívida pode exigir, em regresso, dos demais devedores a 
quota-parte cabível a cada um. 
Na obrigação cambial há, todavia, hierarquia entre os devedores de um 
mesmo título. Em relação a cada título, a lei irá escolher um para a situação 
jurídica de devedor principal, reservando aos demais a de codevedores. Mesmo 
os codevedores só terão direito de cobrar dos codevedores que lhes 
antecederam. 
Várias teorias tentam explicar a natureza dos títulos de crédito. Ex. teorias 
contratualistas (existem contratos entre os envolvidos na relação cambiária) vs. 
teorias da declaração unilateral de vontade (A fonte da obrigação cambiária 
reside na mera declaração unilateral de vontade de quem apõem sua 
assinatura no título). 
Teoria do Contrato com Incerta Pessoa: Esta teoria foi adotada por 
Savigny, seguido por Jolly, Goldschmidt e Unger. Conforme seu enunciado, se 
contrata com alguém que não se sabe quem é, só o vindo a saber no momento 
da apresentação do título,ou seja, quando da sua exigibilidade. Nesse 
momento se descobrirá quem é o credor do título. Parte Savigny da ideia de 
que quem emite o título geralmente o faz em massa, estando a posse de fato 
sempre unida à presunção de propriedade. 
 
Teoria do Germe: enunciada pelo famoso jurista Von Ihering, para esta 
teoria, o título seria como um germe que surge em mãos do devedor, mas que 
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103 
 
se formava quando circulava, essa era o momento da concepção do germe. O 
título só tem sentido para circular, é esse o seu objetivo, sua razão. O credor é 
o último portador. Rubens Requião, ao comentar a teoria do germe, afirma: “a 
declaração de vontade do emissor produz imediatamente um vínculo passivo da 
obrigação, porém não o direito de crédito correspondente; durante a circulação 
este existe em germe, em potencial, não pertence, porém, ao patrimônio de 
ninguém. Amadurece quando deixa de circular. Vivante a classificou como 
artificiosa, e pergunta: os milhões de títulos nas Bolsas, objeto do comércio, 
não existem?”. 
Teoria da Personificação do Título: formulada por Schweppe e Bekker, 
declara que o título é bastante em si, como se ele mesmo fosse o credor. 
Quando se assina um título, o devedor passa para ele um pouco de si, de sua 
personalidade, credibilidade, imagem. Como o título personifica o credor, quem 
vai pagá-lo, paga a ele mesmo, ou seja, quando se paga o título é porque se 
quer resgatá-lo, não importando nas mãos de quem ele esteja. A pessoa se 
reintegrava com a aquisição do título que emitiu. Essa teoria foi contestada sob 
o argumento de que não pode haver crédito sem credor, uma vez que as coisas 
materiais não podem ser sujeito de direitos. 
Teoria da Promessa Unilateral: segundo essa teoria, que tem como 
precursores Einnert e Kuntze, o devedor promete sozinho, unilateralmente. 
Essa teoria inspirou um pouco o pensamento moderno no sentido de que o 
título não é simples documento probatório: a) é veículo de promessa; b) a 
promessa de pagamento é abstrata; independe da relação fundamental; c) não 
se trata de contrato, mas de promessa unilateral. Assim, surgiu a dúvida se o 
título é válido quando é emitido ou quando é criado, pois ele poderia ser 
extorquido. 
As próximas teorias são as mais expressivas: 
Teoria da Emissão: abraçada por Stobbe e Windscheid, preconiza que o 
emitente do título se desvincula do mesmo quando o põe em circulação. Só 
após o abandono voluntário da posse, seja por ato unilateral, seja por tradição, 
é que nasce a obrigação do subscritor. Sem emissão voluntária não se forma o 
vínculo. 
Teoria da Criação: formulada por Siegel e Kuntze, defende que o direito 
deriva da criação do título. A vontade do devedor já não importa para tal efeito 
obrigacional. É o título que cria a dívida. Observa Rubens Requião que “a 
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consequência da teoria da criação é severa e grave. O título roubado ou 
perdido, antes da emissão, mas após a criação, leva consigo a obrigação do 
subscritor”. 
Teoria do duplo sentido da vontade: segundo Vivante, autor desta teoria, 
há dois mundos, que não se comunicam: o mundo dos contratos e o mundo dos 
títulos. O devedor fica no meio dos dois. Não se pode trazer o fato de um 
contratante ter deixado de cumprir sua obrigação (no mundo dos contratos) 
para não pagar aquele que lhe apresentou o título (no mundo dos títulos). 
Assim, em relação ao seu credor, o devedor do título se obriga por uma relação 
contratual, motivo por que contra ele mantém intatas as defesas pessoais que o 
direito comum lhe assegura; em relação a terceiros, o fundamento da obrigação 
está na sua firma (do emissor), que expressa sua vontade unilateral de obrigar-
se, e essa manifestação não deve defraudar as esperanças que desperta em 
sua circulação. 
Direito Brasileiro: O Código Civil Brasileiro incluiu os títulos ao portador 
entre as Obrigações por Declaração Unilateral de Vontade. Resta saber se foi 
adotada a sub-teoria da emissão (exige para a perfeição do vínculo cambiário 
que o título saia voluntariamente das mãos do subscritor) ou da criação 
(obrigação cambiária do sacador nasce no momento em que apõe sua 
assinatura no título). O art. 896 do CC reza que “o título de crédito não pode 
ser reinvindicado do portador que o adquiriu de boa-fé e na conformidade das 
normas que disciplinam a sua circulação. Essa norma adota a teoria da 
criação porque considera legitimado o portador ainda que o título tenha sido 
posto em circulação sem ou contra a vontade do emitente, dispondo da mesma 
maneira que o artigo 26, al.2a da LUG 
7.5 - CLASSIFICAÇÃO DOS TÍTULOS DE CRÉDITO 
a) Quanto ao Modelo: 
- Livre: podem dispor dos requisitos da melhor forma que aprovem. Ex.: 
nota promissória no caderno. 
- Vinculado: além dos requisitos, existe padronização (padrão 
normativamente estabelecido). Ex.: cheque, duplicata. 
b) Quanto à Estrutura: 
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- Ordem de Pagamento: ordem dada por uma pessoa (sacador) para que 
outro (sacado) pague ao beneficiário (tomador). Ex.: letra de câmbio. 
- Promessa de Pagamento: relação direta entre o emitente e o beneficiário. 
Ex.: nota promissória. 
c) Quanto à hipótese de emissão: 
- Causal: somente pode ser emitido para documentar determinadas 
operações. Duplicata (prestação de serviço e compra e venda). 
- Não-Causal (ou abstratos): pode ser emitido por qualquer causa. Ex.: 
cheque. 
d) Quanto à Circulação: 
- Ao Portador: transmitidos por mera tradição 
- Nominativo: - à ordem (transmitidos por endosso) ou - não à ordem 
(transmitidos por cessão de crédito) 
7.5.1 - TÍTULOS CAMBIAIS E TÍTULOS CAMBIARIFORMES 
Títulos cambiais, genuínos, são a letra de câmbio e a nota promissória. 
Todos os demais títulos de créditos, como o cheque, a duplicata etc., são 
considerados apenas assemelhados ou cambiariformes, conforme leciona Pontes 
de Miranda. Contudo, as regras da letra de câmbio e da nota promissória 
aplicam-se aos títulos cambiariformes, em tudo que lhes for adequado, inclusive 
a ação de execução. 
No direito brasileiro, leis especiais regulam os títulos de crédito, alguns 
usados em larga escala, outros sem grande utilização nas práticas comerciais. 
Podem ser mencionados: a letra de câmbio; a nota promissória; o cheque; a 
duplicata; os títulos de crédito rural (nota promissória rural, duplicata rural, 
cédula rural pignoratícia, cédula rural hipotecária, cédula rural pignoratícia e 
hipotecária e nota de crédito rural); os títulos de crédito industrial (cédula de 
crédito industrial e nota de crédito industrial); as debêntures; o warrant; o 
conhecimento de transportes; as ações; os títulos da dívida pública; a letra 
imobiliária; e a cédula hipotecária. Alguns destes são civis e outros 
empresariais. 
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7.6 - A INFORMÁTICA E O FUTURO DO DIREITO CAMBIÁRIO 
O meio magnético vem substituindo paulatina e decisivamente o meio 
papel como suporte de informações. O registro da concessão, cobrança e 
cumprimento do crédito comercial não fica, por evidente, à margem desse 
processo, ao qual se refere a doutrina pela noção de desmaterialização do título 
de crédito. 
É certo que as informações arquivadas em banco de dados magnéticos são 
a base para a expedição de alguns documentos (em papel) relativos à operação 
(os bancosemitem documentos de quitação de dívida; os cartórios de protesto 
geram intimação ao devedor e lavram o instrumento de protesto). 
Contudo, nenhum desses papéis é título de crédito. 
Diante desse quadro, vale a pena conferir se são compatíveis os princípios 
do direito cambiário com o processo de desmaterialização do título de crédito. 
O princípio da cartularidade: se o documento nem sequer é emitido, não há 
sentido algum em se condicionar a cobrança de crédito à posse de um papel 
inexistente. 
O princípio da literalidade: não se pode prestigiá-lo, na medida em que não 
existe mais o papel, a limitar fisicamente os atos de eficácia cambial. 
O princípio da autonomia das obrigações cambiais: apresenta-se 
compatível. Será a partir dele que o direito poderá reconstruir a disciplina da 
ágil circulação do crédito, quando não existirem mais registros de sua 
concessão em papel. 
7.7 - RIGOR CAMBIÁRIO 
A lei enumera os requisitos que devem constar de cada título. Os títulos de 
crédito para valerem como tal devem obedecer a certos requisitos legais. 
A Súmula 387 do Supremo Tribunal Federal diz que “a cambial emitida 
ou aceita com omissões, ou em branco, pode ser completada pelo 
credor de boa-fé antes da cobrança ou do protesto.” 
ART. 891 CCIVIL 
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O Novo Código Civil adotou o princípio da liberdade de criação e emissão 
de títulos atípicos ou inominados, resultantes da criatividade da praxe 
empresarial, com base no princípio da livre iniciativa, pedra angular da ordem 
econômica (Constituição de 1988, arts. 1º e 170), visando a atender às 
necessidades econômicas e jurídicas do futuro, tendo em vista a origem 
consuetudinária da atividade mercantil. 
7.8 - TÍTULOS DE CRÉDITO EM ESPÉCIE 
7.8.1 - LETRA DE CÂMBIO 
É um título de crédito clássico e comporta todas as características dos 
títulos de crédito. É mais utilizada em negócios internacionais (comércio 
exterior) e no Brasil é substituída pela duplicata. Está prevista no Decreto 
57663/1966 (Lei Uniforme de Genebra). 
ATENÇÃO: ler a lei com calma, ler o anexo I que está em vigor, sendo que 
o anexo II estabelece as reservas do que não vige no Brasil, devendo ser 
aplicado o Decreto 2044/1908. 
 
Conceito 
Ordem dada, por escrito, a uma pessoa, para que pague a um beneficiário 
indicado, ou à ordem deste, uma determinada importância em dinheiro. 
Saque – é a criação da letra de câmbio 
Aceite – na época do saque, o ato ainda não vincula o sacado, vincula 
somente o sacador. O aceite é o ato que vincula o sacado. É o ato formal 
segundo o qual o sacado se obriga a efetuar, no vencimento, o pagamento da 
ordem que lhe é dada (art. 28). O aceite é formalizado com a assinatura do 
sacado no título (art.25). 
Aceite é o ato de vinculação do sacado à letra de câmbio. Quando o sacado 
aceita pagar, ele passa a ser o devedor principal, denominado de aceitante, o 
sacador continua sendo devedor, mas não o principal. O aceite pode ser parcial 
ou total. O aceite parcial equivale a uma recusa parcial. O aceite parcial pode 
ser limitativo (do valor constante do título) ou modificativo (aceita pagar mas 
modifica alguns requisitos, ex.: dia de pagamento, também pode condiciona-lo 
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a algum fato). O sacado pode recusar o aceite, que na LC é facultativo, 
podendo ser uma recusa total ou parcial. Isso vai gerar o vencimento 
antecipado da LC, podendo o tomador cobrar tudo imediatamente do devedor 
(sacador), mesmo com o aceite parcial. Mas, no caso de aceite parcial, o credor 
não tem que se submeter a condições, restando ao sacador cobrar do sacado, 
nos termos do seu aceite. O credor não tem que ficar submetido a condições 
impostas pelo sacado. 
A recusa do aceite deve ser comprovada pelo protesto do título (art.14). 
Aceite por procuração – cláusula-mandato – Código de Defesa do 
Consumidor, art. 51, VIII (São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas 
contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que: VIII - 
imponham representante para concluir ou realizar outro negócio jurídico pelo 
consumidor). 
O ato de submeter a letra ao reconhecimento do sacado chama-se 
apresentação. Se o sacado reconhecê-la, assinando a letra, torna-se aceitante, 
obrigado principal pelo pagamento. 
O sacado somente vai assinar a letra se houver uma relação jurídica entre 
ele e o sacador. 
Vencida a letra, a apresentação não se faz mais para o aceite, mas 
simplesmente para o pagamento, se o portador não decaiu de seus direitos. 
A recusa total ou parcial do aceite acarreta o vencimento antecipado da 
letra, provado pelo protesto (artigo 43 da Lei Uniforme). Neste caso, o portador 
do título pode se voltar contra o sacador, é dizer, contra o emitente da letra. 
O sacador, destarte, ao emiti-la, pode proibir a apresentação do título para 
aceite. Se o portador não pode apresentá-la para aceite (e, conseqüentemente, 
não pode protestar por falta de aceite), fica afastada a possibilidade de 
vencimento antecipado. 
A letra sacada à vista se vence no ato em que o portador a apresenta ao 
sacado. 
Ao sacado é lícito pedir ao portador ou detentor que a letra lhe seja 
reapresentada uma segunda vez no dia seguinte ao da primeira apresentação. 
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109 
 
Limitação do aceite - o aceite, em princípio, é puro e simples, mas admite 
que o sacado o limite a uma parte da importância sacada. Assim, se o sacado 
aceita uma letra pela metade de seu valor, a limitação resulta em recusa do 
aceite, mas o aceitante se vincula cambiariamente ao pagamento da 
importância reduzida. É o aceite parcial, e o sacador é o responsável pelo saldo 
não aceito. 
Cancelamento – a Lei Uniforme admite o cancelamento do aceite, antes da 
restituição da letra, o que é considerado, então, aceite recusado. 
Prisão – é inconstitucional a prisão prevista no artigo 885 do Código de 
Processo Civil, onde se determina a citada medida para os casos de recusa na 
entrega da letra. 
Aceite por intervenção – a Lei Uniforme admite que, em certas condições, 
um estranho à relação cambiária nela intervenha, para firmar o aceite pelo 
sacado. Esclareçamos a utilidade da intervenção: é que a recusa do aceite pelo 
sacado pode criar embaraçosas situações para o sacador e os endossadores, 
pois o portador, em consequência da recusa do aceite pelo sacado, tem o 
direito de usar do regresso contra o sacador ou endossantes, exigindo deles o 
pagamento da letra, antes mesmo do vencimento. 
Prorrogação do prazo de apresentação para aceite – a decadência ou perda 
de certos direitos cambiários decorrem da não apresentação ou da tardia 
apresentação da letra. A Lei Uniforme admite, assim, que, havendo caso 
fortuito ou força maior, possa ser prorrogado o prazo de apresentação para 
aceite. Cessado o caso fortuito ou força maior, o portador deve apresentar sem 
demora a letra para aceite, ou para pagamento. 
Elementos pessoais da Letra de Câmbio 
 
o SACADOR - eminente da letra de câmbio / quem dá a ordem de 
pagamento; 
o SACADO - quem recebe a ordem de pagamento; 
o TOMADOR - o beneficiário da ordem de pagamento. 
 
Requisitos da Letra de Câmbio 
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110 
 
A letra de câmbio é um título de crédito de modelo livre, isto é, pode ser 
emitida em qualquer papel, de todos os tamanhos, porquanto não há modelode 
padronização previsto na legislação de regência. Basta, portanto, o 
cumprimento dos requisitos legais para a transformação de um simples papel 
em letra de câmbio. Os requisitos ou elementos da letra de câmbio estão 
arrolados no artigo 1º da L.U.: 
“Art. 1º - A letra contém: 
1 - A palavra "letra" inserta no próprio texto do título é expressa na 
língua empregada 
para a redação desse título; 
2 - O mandato puro e simples de pagar uma quantia determinada; 
3 - O nome daquele que deve pagar (sacado); 
4 - A época do pagamento; 
5 - A indicação do lugar em que se deve efetuar o pagamento; 
6 - O nome da pessoa a quem ou a ordem de quem deve ser paga; 
7 - A indicação da data em que, e do lugar onde a letra é passada; 
8 - A assinatura de quem passa a letra (sacador).” 
 
A doutrina divide os requisitos em: 
-Essenciais; 
-Não Essenciais. 
Formas de vencimento da Letra de Câmbio - art. 33 
a) à vista: Vence contra a apresentação 
b) a dia certo: no dia que consta no título, que já está ali fixado. 
c) a tempo certo da data (DO SAQUE): a data do vencimento será 
contada a partir do saque (emissão) 
d) a tempo certo da vista (DO ACEITE): o marco inicial é o aceite 
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111 
 
A letra de câmbio deve ser apresentada para pagamento no dia do seu 
vencimento. Se for apresentada depois do vencimento ocorrerão as seguintes 
consequências (Decreto não está vigendo nesse sentido): 
Protesto extemporâneo – dois dias úteis seguintes ao pagamento. Para 
execução dos co-obrigados é necessário o protesto do título. Se o protesto não 
for feito nesse prazo, o credor perde o direito de cobrança em relação aos co-
obrigados, na verdade, hoje em dia, o protesto assumiu um papel muito maior 
de meio de coerção extrajudicial. Mas, juridicamente a sua finalidade é permitir 
a cobrança principal não precisa de protesto. 
Artigo 70, da lei uniforme, estabelece 03 prazos prescricionais: 
a) 03 anos contra o devedor principal, o aceitante e seu analista ; 
senão houver aceite, será o sacador. Prazo contado do vencimento da 
letra. 
b) 01 ano contra o sacador, endossantes e avalistas, contando do 
protesto. 
c) 06 meses para o regresso entre endossantes e sacador, contados 
de quando foi efetuado o pagamento. 
 
Endosso 
O endosso é ato unilateral de vontade de transferência dos direitos 
referentes aos títulos de crédito à ordem (artigo 14, primeiro parágrafo, da LU). 
Não obstante, a transferência por endosso só é completa quando há a tradição 
do título (artigo 910, §2º, do CC). 
Ato cambiário que opera a transferência e vinculação dos direitos inerentes 
ao título de crédito. Não pode ser parcial. Não existe endosso parcial. 
O endosso deve sempre constar do título (cartularidade - art.13, Lei 
Uniforme). O local próprio é o verso do título, não precisando de indicação do 
ato. Se for feito na frente tem que constar como endosso. 
Endossante – aquele que transfere por endosso. 
Endossatário – aquele que recebe o título por endosso. 
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112 
 
O endosso pode ser em preto (indicando a pessoa a quem é transferido o 
título) ou em branco (não indicando a pessoa a quem é transferido o título). 
Responsabilidade do endossante – o endossante é responsável pelo aceite 
e pagamento do título, salvo se registrar que endosso é sem garantia – art. 15, 
da Lei Uniforme. O endosso vincula o endossante ao pagamento do título de 
crédito, pois ele também vincula o endossante ao pagamento; existe uma 
solidariedade cambial, que consiste no fato de quem paga poder cobrar tudo do 
devedor principal, não participação da obrigação. 
Endosso pleno – transferência e vínculo. 
Endosso sem garantia – transferência, mas sem o vínculo do 
pagamento, que consta no título: “pague-se sem garantia”. 
Endossos impróprios: 
Endosso caução – títulos de crédito dados em garantia a outro negócio. 
Não há a transferência do crédito. Trata-se de garantia. “Pague-se em garantia” 
Endosso mandato – quando o credor não tem disponibilidade para exigir 
o crédito, então ele transfere para outra pessoa a titularidade para receber em 
seu nome: “Pague-se por procuração”; o mandatário somente vai receber o 
valor e passar para o credor. Não houve transferência do crédito. O 
endossatário-mandatário não tem legitimidade para ingressar em juízo 
cobrando o crédito. 
O protesto é ato necessário para garantir o direito de regresso contra os 
endossantes e seus avalistas. 
O endosso é o meio pelo qual se processa a transferência do título de um 
credor para outro. 
“A transferência do título de crédito implica a de todos os direitos que lhe 
são inerentes” (Art. 893 CC). 
Não se confunde com a cessão de crédito, tendo em vista apresentarem as 
seguintes distinções: 
a) o endosso é ato unilateral de declaração de vontade, enquanto a cessão 
é um contrato bilateral; 
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113 
 
b) a nulidade de um endosso não afeta os endossos posteriores; na cessão, 
a nulidade de uma acarreta a das posteriores; 
c) o endossatário não pode opor exceção senão diretamente contra o 
endossante que lhe transferiu o título; na cessão, o devedor pode opor ao 
cessionário a mesma defesa que teria contra o cedente (de acordo com o art. 
294 do Código Civil, o devedor pode opor tanto ao cessionário como ao cedente 
as exceções que lhe competirem no momento em que tiver conhecimento da 
cessão). 
 
Aval 
Obrigação cambiária assumida por alguém no intuito de garantir o 
pagamento de título de crédito nas mesmas condições de outro obrigado. Ato 
cambial de garantia. Somente há em título de crédito; em contratos, a garantia 
é a fiança. 
Avalista – aquele que oferece a garantia. 
Avalizado – aquele que recebe a garantia, é o devedor original do título de 
crédito. 
Aval pode ser total ou parcial (art.30). 
Pode-se indicar a quem é dada a garantia – aval em preto (identifica o 
avalizado) – ou não – aval em branco (não identifica o avalizado). O aval em 
branco deve ser lançado na frente do título e é oferecido em favor do sacador 
(art.31). 
O local apropriado é na frente da LC. Se for no verso deve identificar o ato. 
Sendo feito em branco na frente do título, o sacador é o avalizado. Para avalizar 
o sacado, deve ser em preto. 
 
O avalista responde da mesma forma que o avalizado (art.32). 
Características do aval 
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a. Equivalência – o avalista é obrigado nos mesmos termos que o 
avalizado (exceto se o aval for parcial). Não há benefício de ordem e pode 
ser acionado isoladamente. 
b. Autonomia – a obrigação do avalista independe da obrigação do 
avalizado. Mesmo que a relação do avalizado for nula, a do avalista 
permanece, mesmo que a do avalizado não. 
 
AVAL FIANÇA 
É autônomo. A obrigação do 
avalista persiste mesmo com a 
nulidade do avalizado. 
É acessória. A nulidade da 
obrigação do afiançado abrange a 
obrigação do fiador. 
Não há benefício de ordem. 
Há benefício de ordem (fiador 
indica bens livres e desembaraçados 
do afiançado). 
Não era necessária a outorga 
uxória. Com o novo CC/02 exige a 
outorga, exceto se houver o regime de 
separação de bens. 
Antes existia a necessidade de 
outorga uxória. Com o novo CC/02 
permanece a exigência da outorga 
uxória. 
 
Art. 897 CC: O pagamento de título de crédito, que contenhaobrigação de 
pagar soma determinada, pode ser garantido por aval. 
Súmula nº 26 do Superior Tribunal de Justiça – “O avalista do título de 
crédito vinculado a contrato de mútuo também responde pelas obrigações 
pactuadas, quando no contrato figurar como devedor solidário”. 
O aval é a garantia de pagamento da letra de câmbio, dada por um terceiro 
ou mesmo por um de seus signatários. O aval é materialmente autônomo, mas 
formalmente dependente. 
O avalista, se executado, não pode se opor ao pagamento, fundado em 
matéria atinente à origem do título. Recorde-se que nenhum obrigado pode 
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opor ao exeqüente as exceções pessoais de outro devedor. O Supremo Tribunal 
Federal já afirmou que “não cabe ao avalista defender-se com exceções 
próprias do avalizado, esclarecendo que sua defesa, quando não se funda em 
defeito formal do título, ou em falta de requisito para o exercício da ação, 
somente pode assentar em direito pessoal seu” (RE nº 67.378, in RTJ 57/474). 
Observe-se, ainda, a seguinte ementa, constante da Revista dos Tribunais: 
“Execução proposta contra o avalista – Pagamento parcial da dívida alegado em 
embargos – Exceção respeitante às condições objetivas e materiais do direito 
de crédito – Oposição admissível, eis que equiparado ao coobrigado – 
Incomunicabilidade apenas das que respeitem à pessoa do avalizado. (...) Se 
isso lhe fosse vedado [ao avalista], ficaria em posição inferior ao do avalizado”. 
Mulher casada e embargos de terceiro em defesa de sua meação – aval 
prestado pelo marido: a meação da mulher não responde pela dívida contraída 
pelo marido, salvo se avalizada era a empresa deste e se o empréstimo 
reverteu em benefício da família. 
Da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: aval prestado com 
infringência do contrato social – Validade perante terceiros de boa fé. (...) A 
proibição de prestar aval, estabelecida no contrato, é válida somente entre 
sócios e obrigados, não sendo oponível a terceiros de boa-fé. 
Aval antecipado – o aval pode anteceder o aceite ou o endosso, ainda não 
lançados no título. A respeito do aval aposto antes do aceite, cumpre salientar 
que a recusa total ou parcial do aceite nenhuma influência exercerá sobre a 
responsabilidade do avalista, que independentemente do aceite assumiu a 
obrigação de garantir o pagamento do título. Diferentemente ocorre com o 
avalista antecipado de endosso: se o endosso não se realizar, nenhuma 
obrigação se originou para o avalista do endossante. 
Pagamento da Letra de Câmbio 
A letra de câmbio é uma obrigação quérable por natureza, pois o devedor, 
no dia do vencimento, não sabe nas mãos de quem e onde se encontra o título. 
O portador deve ir ao devedor apresentar o título para pagamento. 
 
A Lei Uniforme dispõe que a letra deve ser apresentada para pagamento no 
dia do vencimento ou em um dos dois dias subseqüentes. O Brasil, todavia, 
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116 
 
usou da reserva, razão pela qual, em relação às letras pagáveis em seu 
território, deverá o portador fazer a apresentação no próprio dia do vencimento. 
Tal regra, evidentemente, não se aplica às letras à vista, as quais podem 
ser apresentadas em qualquer momento, no prazo de um ano. 
Efeitos da não-apresentação – O portador que não apresentar a letra para 
pagamento, seja qual for a modalidade de prazo de vencimento, na época 
determinada, perde, em consequência, o direito de regresso contra o sacador, 
endossadores e respectivos avalistas. Expirado o prazo de apresentação para 
pagamento, o portador somente terá direito de ação contra o aceitante (e 
respectivo avalista). 
Em consequência de o título ser documento essencial para o exercício do 
direito, a sua posse em mãos do devedor presume o pagamento. Tal presunção, 
contudo, admite prova em contrário (pode ser que haja o título sido roubado ou 
extraviado). 
O portador não pode recusar o pagamento que se lhe queira efetuar, seja 
total ou parcial, se for oferecido no dia do vencimento (no direito civil, o credor 
pode recusar o pagamento parcial). Art. 902, § 1°, CC: no vencimento, não 
pode o credor recusar pagamento, ainda que parcial. 
O pagamento antecipado, seja total ou parcial, pode ser recusado. Art. 902 
CC: não é o credor obrigado a receber o pagamento antes do vencimento do 
título, e aquele que o paga, antes do vencimento, fica responsável pela validade 
do pagamento. 
Verificação dos endossos – Aquele que paga a letra é obrigado a verificar a 
regularidade da sucessão dos endossos, mas não a assinatura dos endossantes. 
A cadeia de endossos em preto deve estar perfeita, com as assinaturas dos 
endossantes se encadeando, um a um. 
Supremo Tribunal Federal – Somente se caracteriza a recusa do 
pagamento de título cambial pela sua apresentação ao devedor, demonstrada 
pelo protesto. Até este momento, o devedor não é culpado pelo atraso na 
liquidação da dívida (até porque pode nem saber quem é o portador do título). 
Não se olvide que a cambial é um título de apresentação. 
Lugar do pagamento – Na falta de menção no título, prevalece o lugar que 
constar ao lado do nome do sacado. 
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Aquele que paga a letra antes do respectivo vencimento fica responsável 
pela validade desse pagamento. Assim é porque pode ocorrer que o título tenha 
sido extraviado, e se encontre na posse ilegítima do portador. Art. 902 CC: não 
é o credor obrigado a receber o pagamento antes do vencimento do título, e 
aquele que o paga, antes do vencimento, fica responsável pela validade do 
pagamento. 
O credor pode fazer uma oposição ao pagamento, nos casos em que o 
título estiver na posse ilegítima de outra pessoa. Esta oposição deve ser dirigida 
ao devedor por carta registrada. 
Efeitos do pagamento – Há que se distinguir duas situações: 
a) o pagamento efetuado pelo aceitante (obrigado principal) ou pelos 
respectivos avalistas desonera da responsabilidade cambial todos os 
coobrigados; 
b) o pagamento feito pelo sacador, endossantes ou respectivos avalistas 
desonera da responsabilidade apenas os coobrigados posteriores. 
Pagamento por intervenção: o que paga por intervenção (a intervenção é 
sempre voluntária) fica sub-rogado nos direitos emergentes da letra. 
Se a apresentação da letra ou o seu protesto não puder ser feito dentro 
dos prazos indicados por motivo insuperável (caso fortuito ou força maior), 
esses prazos serão prorrogados. É a mesma regra da apresentação para aceite. 
7.8.2 - NOTA PROMISSÓRIA 
 Está prevista na mesma legislação da letra de câmbio, por isso 
haverá várias regras em comum. Contudo, deve-se observar que a nota 
promissória é promessa de pagamento. 
Emitente ou subscritor – quando emite a nota, já está se obrigando. É o 
devedor. 
Beneficiário – é o credor 
Como o devedor já está se submetendo diretamente ao pagamento, não é 
necessário o aceite, pois é ele que emite o próprio título. 
Legislação aplicável à Nota Promissória 
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Decreto 57663/1966 – Lei Uniforme de Genebra 
Conceito de Nota Promissória 
Promessa de pagamento de certa quantia em dinheiro feita, por 
escrito, por uma pessoa, em favor de outra ou à sua ordem. 
Elementos pessoais da Nota Promissória 
o EMITENTE ou SUBSCRITOR – aquele que faz a promessa de 
pagamento; 
o BENEFICIÁRIO – o favorecido na promessa de pagamento.Aplicação das regras da Letra de Câmbio à Nota Promissória 
Artigo 77 
 Endosso (ato de transferência dos direitos inerentes ao título de 
crédito). Somente o títular do crédito pode endossar, ou seja, o credor ou 
beneficiário. Quem endossa é o endossante, quem recebe e endossatário. O 
novo credor pode cobrar de todos os anteriores, até do endossante, que não é o 
devedor principal, mas também é devedor. 
 Aval (ato de garantia cambial) quem presta o aval é o avalista, quem 
é garantido é o avalizado. Os dois são equiparados, pois, respondem da 
mesma forma, não há benefício de ordem; ou seja, tanto um, quanto outro 
pode ser cobrado indistintamente. 
As duas obrigações são distintas, mesmo que haja nulidade na relação 
jurídica do avalizado em relação ao credor, não implicará na nulidade da 
obrigação do avalista; são obrigações autônomas. As exceções pessoais do 
avalizado, também não alcançam o avalista. 
Somente o devedor pode ser avalizado, na NP são devedores: o emitente e 
os endossantes. 
Vencimento e pagamento da Nota Promissória 
Seguem as mesmas regras da letra câmbio, somente retirando a existência 
do vencimento até certo termo da vista, pois, não existe aceite. 
O prazo do protesto também é de 02 dias úteis subseqüentes ao 
vencimento, para garantir a possibilidade de cobrança dos co-obrigados. 
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Prazos prescricionais da nota promissória são os mesmos da letra de 
câmbio, com a única diferença a de que no lugar do aceitante entra o eminente 
e é retirada a figura do sacado. 
a) 03 anos contra o devedor principal, o eminente e seu avalista, a 
partir do vencimento da promissória 
b) 01 ano contra endossantes e seus avalistas, contado do protesto. 
c) 06 meses para regresso entre endossante, contados de quando 
foi efetuado o pagamento. 
 
7.8.3 - DUPLICATA 
É título príncipe do direito brasileiro e é muito utilizada em substituição à 
letra de câmbio. 
É um título causal que somente pode ser emitido por: compra e venda 
(empresários) e prestação de serviço. 
É uma ordem de pagamento sempre vinculada ao contrato de compra e 
venda ou de prestação de serviços. 
Existe o sacador ou emitente (é o que emite a duplicata; ele é o vendedor) 
e o sacado (que é o comprador), que paga para o beneficiário, que é o próprio 
vendedor. 
 
 Sacado é o devedor 
 Beneficiário é credor 
 Sacador é credor 
 
Observação: a duplicata praticamente não é emitida, sendo substituída 
pelo boleto bancário. 
Trata-se de criação brasileira. O motivo real de implantação da duplicata 
de fatura foi o interesse tributário do Governo (à época em que o imposto sobre 
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vendas mercantis cabia à União). Era título de emissão obrigatória, porquanto 
constituía o veículo de arrecadação e fiscalização do imposto. Hoje, sua emissão 
é uma faculdade do credor. 
É um título emitido juntamente com a fatura. 
A fatura não é, evidentemente, título representativo de mercadorias, mas é 
o documento do contrato de compra e venda mercantil, que enseja a emissão 
da duplicata, esta sim um título de crédito. O Prof. Waldemar Ferreira se refere 
à duplicata como “título de crédito, representativo da venda de mercadorias 
efetivamente entregues”. 
A jurisprudência não aceita a emissão de nova duplicata apenas para 
correção monetária e juros de mora. 
Uma duplicata só pode corresponder a uma única fatura (artigo 2°, § 2°, 
da Lei). 
Legislação aplicável à Duplicata 
Lei 5474/1968 (alterada pelo D.L. 436/1969). 
Características das Duplicatas 
Título causal. Título de crédito que emerge de uma compra e venda 
mercantil ou prestação de serviço. 
Ordem de pagamento. 
Título de modelo vinculado. 
Elementos pessoais das Duplicatas 
a) SACADOR - quem dá a ordem de pagamento/aquele que vende a 
mercadoria ou serviço; 
b) SACADO - quem recebe a ordem de pagamento/aquele que compra a 
mercadoria ou serviço; 
A Duplicata e o Princípio da Cartularidade 
O regramento da duplicata em alguns momentos não age em observância 
ao princípio da cartularidade. 
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121 
 
Após a emissão da duplicata pelo sacador/vendedor, ela deveria ser 
remetida para o sacado/comprador para o lançamento do aceite. Veja as regras 
no art. 6o e seguintes da Lei das Duplicatas. 
Esse procedimento gera um risco para o sacador/vendedor, pois a 
duplicata pode extraviar ou não ser devolvida pelo sacado/comprador. 
Ocorrendo uma dessas hipóteses, ficaria o sacador/vendedor impossibilitado de 
fazer a cobrança, por não possuir o título, se a Lei das Duplicatas não tivesse 
criado alternativas para substituí-la. 
Em caso de perda ou extravio da duplicata, poderá o sacador/vendedor 
emitir triplicata para substituí-la (art. 23 da Lei das Duplicatas). 
Em caso de retenção da duplicata pelo sacado/comprador, poderá ser 
protestado o título por simples indicações do portador do título. 
O aceite e a recusa 
O aceite na duplicata é obrigatório, por tratar-se de título causal. O aceite 
só poderá ser recusado de acordo com os arts. 8o e 21: 
a) Defeito na mercadoria 
b) Mercadoria entregue diferentemente do que foi acertado 
c) Avaria 
d) Divergência nos prazos e nos preços ajustados. 
Em função do seu caráter obrigatório, o aceite da duplicata mercantil pode 
ser discriminado em três categorias: 
a) aceite ordinário – aquele em que o sacado lança sua assinatura 
no título; 
b) aceite por comunicação – aquele em que o sacado retém o 
título e expressa o aceite em carta/comunicado apartado; 
c) aceite por presunção – caracteriza aceite presumido quando o 
sacado/ comprador recebe a mercadoria e não reclama e quando o título é 
protestado, sem que haja obstáculo – art. 15 da Lei das Duplicatas (ver item 
7.6) 
 
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122 
 
Princípio do suprimento do aceite – Ainda que não haja aceite, o título 
pode ser utilizado para ação executiva (constitui título executivo, portanto) nas 
seguintes hipóteses legais: 
a) quando o sacado, recebendo a duplicata, a retém com o consentimento 
do credor, tendo comunicado por escrito que a aceitou e a reteve (esta 
comunicação seria o título executivo); 
b) quando a duplicata ou triplicata não aceita, mas protestada, vem 
acompanhada de qualquer documento comprobatório da remessa ou da entrega 
da mercadoria (artigo 15). O título executivo seria a duplicada acompanhada da 
prova da remessa ou entrega da mercadoria; 
c) quando a duplicata ou triplicata não é aceita nem devolvida, mas o 
protesto (por falta de aceite ou de devolução) é tirado mediante indicações do 
credor, o qual deve provar que o devedor recebeu o título. Neste caso, como na 
situação de ‘b’, deve-se comprovar a remessa ou entrega da mercadoria. O 
título executivo seria o instrumento do protesto tirado mediante indicações, 
acompanhado da prova de remessa ou entrega da mercadoria. 
Observe-se que há um abrandamento do princípio da cartularidade. 
Se a duplicata não é aceita, mas o credor não dispõe de prova da remessa 
ou entrega da mercadoria, deverá mover ação de cobrança (ação de rito 
ordinário; não poderá se valer de ação executiva). 
 
O protesto da Duplicata 
Tem a mesma finalidade que dos outros títulos de crédito, ou seja, poder 
cobrar os demais co-obrigados. 
A duplicatapode ser protestada - por falta de aceite; 
 - por falta de devolução; 
 - por falta de pagamento. 
 
- PROTESTO POR INDICAÇÃO (art. 13, parágrafo 1o da Lei das Duplicatas) 
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123 
 
O protesto da duplicata pode ser solicitado sem que o sacador a tenha em 
mãos. Se a duplicata foi remetida para aceite e não foi devolvida, poderá haver 
protesto mediante simples indicações dos dados do título (retirados do livro de 
emissão de duplicatas – obrigatório para os empresários que emitem tais 
títulos) ao Cartório de Protestos. 
- Para garantir o direito de regresso contra os endossantes e seus 
avalistas, o protesto deve ser feito até 30 dias após o vencimento do título. – 
art. 13, par. 4o Lei das Duplicatas. 
 
A execução da Duplicata – art. 15 
Título Executivo 
1) duplicata aceite, protestado ou não 
2) duplicata não aceita (triplicata ou por indicação) + protesto + 
documento de comprovação da entrega da mercadoria – recusa justificada 
 pode ser feita quando for duplicata ou triplicata (cópia da duplicata em 
caso de perda ou extravio) aceita, protestada ou não. 
Em caso de aceite ordinário ou por comunicação. 
Também pode ser executada a duplicata não-aceita (não teve o aceite 
ordinário e nem por comunicação), que inicialmente pensou-se em aceite por 
presunção, que não foi confirmado pelo pagamento. Nesse caso são requisitos 
cumulativos: 
a) protesto (até contra o devedor principal; mesmo que o protesto 
seja por indicação) 
b) comprovante de entrega da mercadoria. 
Que o sacado não tenha comprovadamente recusado o aceite. 
 
7.8.4 - CHEQUE 
 Está na lei 7357/85 Cheque é uma ordem de pagamento à vista 
(artigo32). Quem ordena é a emitente ou devedor. A ordem é dirigida ao 
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124 
 
banco (instituição financeira) que é o sacado, é o que cumpre a ordem de 
pagamento. Aquele que recebe o cheque é o beneficiário, o credor da 
importância. O banco não tem qualquer responsabilidade pelo pagamento 
imediato de cheques pós-datados. 
Foi elaborada, também na Convenção de Genebra, uma Lei Uniforme 
apenas para a disciplina dos cheques, a qual foi inserida no ordenamento 
jurídico brasileiro através do Decreto nº 57.595, de 7 de janeiro de 1966. 
O Brasil, todavia, posteriormente, editou sua própria lei sobre cheques – a 
Lei nº 7.357, de 2 de setembro de 1985. Referida lei, no entanto, respeitou as 
normas da Lei Uniforme; seu escopo foi apenas de assegurar uma redação mais 
condizente com as peculiaridades da legislação interna e de melhor harmonizar 
certos dispositivos a outros existentes na praxe doméstica. 
Alguns levantam dúvidas quanto à sua caracterização como título de 
crédito. O cheque – é bem verdade – é um instrumento de pagamento, na sua 
forma mais simples. Todavia, ele também toma a feição de título de crédito, 
quando se apresenta com endosso e aval, pondo-se em circulação. Aplicam-se-
lhe, portanto, os institutos próprios aos títulos de crédito. 
Visto – Aposto pelo sacado, obriga-o a debitar à conta do emitente a 
quantia indicada no cheque e a reservá-la em benefício do portador legitimado, 
durante o prazo de apresentação, sem que fiquem exonerados o emitente, 
endossante e demais coobrigados. Visto não é aceite. 
Provisão de fundos – O emitente deve ter fundos disponíveis em poder do 
sacado (artigo 4°). A infração deste preceito não acarreta a nulidade do 
cheque; este, todavia, não é pago pelo sacado. 
Quanto aos cheques “pós-datados” (os chamados pré-datados), deve ser 
feita a seguinte observação: o artigo 28 da Lei Uniforme determina que “o 
cheque apresentado a pagamento antes do dia indicado como data de emissão 
é pagável no dia da apresentação”. A data futura, ou a pré-data, é pela Lei 
Uniforme considerada como inexistente, e o beneficiário pode apresentá-la 
imediatamente ao sacado. Assim, não havendo provisão, caracteriza-se o 
cheque sem fundos. 
Desapossamento – o artigo 24 da Lei Uniforme esclarece que desapossado 
alguém de um cheque, o novo portador legitimado não está obrigado a restituí-
lo, se não o adquiriu de má-fé. 
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125 
 
 
 
Legislação aplicável ao Cheque 
Lei 7357/1985. 
Conceito de Cheque 
Ordem de pagamento, à vista, dada a um banco ou instituição 
assemelhada, por alguém que tem fundos disponíveis no mesmo, em favor 
próprio ou de terceiro. 
Elementos pessoais do Cheque 
a) EMITENTE ou SACADOR – aquele que dá a ordem de pagamento; 
b) BENEFICIÁRIO ou TOMADOR– o favorecido da ordem de pagamento; 
c) SACADO – aquele que recebe a ordem de pagamento – o banco. 
Tipos de Cheque 
a) Cheque Cruzado – Recebe na frente (anverso) dois traços 
paralelos e transversais. O cruzamento do cheque faz com que ele só possa 
ser pago a um banco, para tanto deverá ser depositado em um conta. Há 
cruzamento em branco (quando não se indica em que banco deve ser 
depositado) e em preto (quando, entre os traços, é feita indicação do banco 
em que deve ser depositado). – art.44 da Lei do Cheque. 
b) Cheque Para Ser Levado Em Conta – Quando o emitente 
proíbe o pagamento do título em dinheiro exigindo que seja depositado em 
conta. Não tem utilização atualmente, pois o cheque cruzado é mais 
conhecido e atende ao mesmo objetivo. – art. 46 da Lei do Cheque. 
c) Cheque Administrativo – É o emitido pelo banco. Será 
necessariamente nominal. É usado em casos em que se quer ter certeza de 
que tem fundos. – art. 9o , III da Lei do Cheque. 
d) Cheque Visado – Aquele em que o banco, a pedido do emitente, 
declara no verso a existência de fundos. Cabe ao banco reservar o valor 
visado na conta do emitente para que não sirva ao pagamento de outro 
cheque. – art. 7o Lei do Cheque 
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126 
 
Prazo para apresentação do Cheque – Art. 33 da Lei do Cheque 
não é o prazo prescricional do cheque. A perda tem uma consequência, 
mas que não são as mesmas da prescrição: 
- 30 dias – mesma praça. 
- 60 dias – praças diversas. 
A não apresentação do cheque no prazo de apresentação acarreta a perda 
do direito de regresso contra os endossantes e seus avalistas. Continua 
podendo cobrar do emitente. 
Obs.: por conta da CPMF, o legislador estabeleceu que o cheque somente 
pode ser endossado uma única vez. 
A apresentação no prazo de pagamento deve ser comprovada para que 
permaneça o direito de regresso contrato endossantes e seus avalistas. Quando 
se tratar de cheque a comprovação pode ser feita alternativamente: 
a) protesto; 
b) declaração do sacado, escrita e datada, com indicação do dia de 
apresentação (carimbo de devolução do cheque). Ver art. 47 da Lei do 
Cheque. 
 Obs.: Protesto – não precisa para cobrar de co-obrigados, por que 
basta o carimbo do banco de que o cheque não tinha fundos, para suprir a 
necessidade de protesto. Se o cheque, por falta de fundos, voltar por duas 
vezes, não podem mais ser emitidos cheques e o nome do emitente vai para o 
rol dos emitentes de cheques sem fundos. 
Sustação do Cheque 
Objetiva impedir a liquidação do cheque pelo banco sacado. 
a) Revogação ou Contra-ordem – art. 35 da Lei do Cheque 
Ato exclusivo do emitente. Somente pode ser manifestada após o fim do 
prazo de apresentação. Deverá o emitente apresentar as razões motivadoras do 
ato. 
b) Oposição – art. 36 da Lei do Cheque 
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127 
 
Ato de emitente ou portador legitimado. Pode ser manifestada mesmo 
antes do término do prazo de apresentação. Deverá apresentar relevante razão 
de direito. Não cabe ao banco julgar a relevância da razão invocada para a 
oposição. 
 Prescrição – o prazo é de 6 meses após o prazo de apresentação do 
cheque; uns dizem que seria após o término do prazo e outros que seria a 
partir do dia da apresentação (essa é majoritária na jurisprudência), tendo 
como marco final os trinta ou sessenta dias. 
Este é o dies a quo para quando o cheque não for apresentado. Se for 
apresentado e não pago, por qualquer motivo, inclusive falta de provisão de 
fundos, a prescrição começa a contar a partir do dia da primeira apresentação. 
 Ações cabíveis para cobrança do cheque: 
a) Execução (prescrição de 6 meses) 
b) Ação de enriquecimento ou locupletamento indevido – está 
prevista na lei de cheque (artigo 61); é uma ação de conhecimento e 
somente pode ser ajuizada depois de prescrito o cheque. Ela somente é 
cabível no prazo de 2 anos após a consumação da prescrição. Sobre a 
discussão da causa do cheque, há divergência jurisprudencial. 
c) A monitória (para qualquer título de crédito) 
Aspectos criminais envolvendo o Cheque 
Fraude no pagamento por meio de cheque (art. 171, §2°, VI, CP): 
- o cheque é do emitente 
- a consumação ocorre com a recusa do pagamento 
- o foro competente é o do local onde se deu a recusa do pagamento pelo 
sacado (Súmula 521 STF) 
- se o pagamento ocorre antes do recebimento da denúncia, a pena será 
reduzida de um a dois terços, em face do arrependimento posterior (art. 16 do 
CP, após reforma de 1984) 
- antes da reforma não existia tal instituto e nos termos da Súmula 554 do 
STF, o pagamento efetuado antes do recebimento da denúncia retirava a justa 
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128 
 
causa para a ação penal (554 - O pagamento de cheque emitido sem provisão 
de fundos, após o recebimento da denúncia, não obsta ao prosseguimento da 
ação penal. (D. Pen .)) 
Estelionato comum mediante falsificação de cheque (art. 171, “caput”): 
- o cheque não é do emitente 
- a consumação ocorre no momento em que o agente obtém a vantagem 
ilícita 
- compete ao juízo do local da obtenção da vantagem ilícita processar e 
julgar (Súmula 48 STJ) 
7.9 - TÍTULOS DE CRÉDITO E FINANCIAMENTO RURAL, INDUSTRIAL, COMERCIAL E 
IMOBILIÁRIO 
Além dos títulos de crédito próprios já estudados, há outros títulos de 
crédito também importantes para o mercado. 
Costumam-se denominar tais instrumentos pela expressão “títulos de 
crédito impróprios”, da qual são espécies: 
- título de financiamento 
- título de legitimação 
- títulos representativos 
- títulos de investimentos 
 
Título de financiamento são títulos que asseguram ao seu portador a 
prestação de um serviço ou acesso a prêmios em certame promocional ou 
oficial. Ex.: bilhete do metrô, passe de ônibus, ingresso em cinema, volante 
sorteado de loteria. Aplicam-se os princípios da cartularidade, da literalidade e 
da autonomia, mas não são títulos executivos. 
Títulos de investimento destinam-se à captação de recursos pelo 
emitente. Representam-se a parcela de um contrato de mútuo celebrado entre 
o sacador do título e os seus portadores. Ex.: letras imobiliárias; certificado de 
depósito bancário. Há alguns tipos de títulos com esse perfil econômico 
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129 
 
(captação e investimento), mas enquadrados em conceito jurídico distinto. É o 
caso das debêntures, que são valores imobiliários. 
Títulos representativos representam a titularidade de mercadorias 
custodiadas por terceiro não-proprietário. Podem tais instrumentos exercer, 
além dessa função meramente documental, a de título de crédito, na medida 
em que possibilitam ao proprietário da mercadoria custodiada a negociação 
dela, sem prejuízo da custódia. Ex.: conhecimento de frete; warrant e 
conhecimento de depósito. 
Títulos de financiamento. Há alguns instrumentos cedulares 
representativos de crédito decorrente de financiamento aberto por uma 
instituição financeira. Se houver garantia de direito real do pagamento do valor 
financiado, por parte do mutuário, esta garantia é constituída no próprio título, 
independentemente de qualquer outro instrumento jurídico. 
Os títulos de financiamento são, também, importantes meios de 
incrementos de atividades econômicas, sendo também utilizados para 
financiamento da aquisição da casa própria. 
Tais títulos costumam chamar-se “Cédula de Crédito” quando o 
pagamento do financiamento a que se referem é garantido por hipoteca ou 
penhor (direito real de garantia sobre bom imóvel ou móvel). Inexistindo 
garantia de direito real, o título é comumente denominado “Nota de 
Crédito”(apenas gozam de privilégio especial sobre bens livres do devedor, em 
caso de sua insolvência ou falência). 
Os títulos de financiamento não se enquadram, completamente, no regime 
jurídico-cambial, por força de algumas particularidades: 
- possibilidade de endosso parcial, e 
- aplicação do princípio da cedularidade (estranho ao direito cambiário), 
segundo o qual a constituição dos direitos reais de garantia se faz no próprio 
instrumento de crédito, na própria cédula. 
Nesta categoria de títulos de crédito impróprios se esquandram: 
a) cédula e nota de crédito rural (D.L. 167/1967), relacionadas com o 
financiamento de atividades agrícolas e pecuárias; 
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130 
 
Os títulos de crédito rural são vários. Em primeiro lugar, temos a 
cédula de crédito rural e a nota de crédito rural, disciplinadas pelo D.L. 
167/1967. Trata-se de títulos causais, de natureza civil, resultantes de 
financiamento a cooperativa, empresa ou produtor rural. 
Outros títulos de crédito rural são a nota promissória rural e a 
duplicata rural, também disciplinadas pelo mesmo D.L.. São títulos 
causais, fundados em operações de compra e venda de natureza rural, 
contratadas a prazo, não constitutivas de financiamento no âmbito do 
crédito rural. 
Por fim, há também a cédula de produto rural, disciplinada pela L. 
8924/1994. Trata-se de título de natureza causal, emitido por produtor 
ou cooperativa rural, como promessa de entrega de produtos rurais, 
podendo conter garantia hipotecária, pignoratícia ou fiduciária. 
b) cédula e nota de crédito industrial (Dec.Lei 413/1969), referentes ao 
financiamento da indústria; 
c) cédula e nota de crédito comercial (Lei 8.640/1980), destinadas ao 
financiamento de atividade comercial ou de prestação de serviços; 
Dentre os títulos de crédito comercial, destacam-se o conhecimento de 
depósito e o warrant, disciplinados pelo D. 1102/1903. Trata-se de títulos 
emitidos pelos armazéns gerais, referentes 
d) cédula e nota de crédito à exportação (Lei 6.313/1975), pertinentes ao 
financiamento de produção de bens para exportação, da própria exportação e 
de atividades complementares; 
e) cédula hipotecária (Dec Lei 70/1966), destinada ao financiamento da 
casa própria pelo Sistema Financeiro da Habitação; 
f) cédula e letra de crédito imobiliário (Lei 10.931/2004); 
g) cédula de crédito bancário (Lei 10.931/2004); 
Súmulas STJ: 
16 - A legislação ordinária sobre crédito rural não veda a incidência da 
correção monetária. 
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13193 - A legislação sobre cédulas de crédito rural, comercial e industrial 
admite o pacto de capitalização de juros. 
7.10 - PROTESTO 
(Lei nº 9.492/1997) - O protesto constitui elemento fundamental 
para o exercício do direito de regresso. 
7.10.1 - CONCEITO DE PROTESTO (ART. 1º, DA LEI Nº 9.492/1997) 
É o ato formal e solene pelo qual se prova a inadimplência e o 
descumprimento de obrigação originada em títulos e outros documentos de 
dívida. 
“Art. 1º Protesto é o ato formal e solene pelo qual se prova a 
inadimplência e o descumprimento de obrigação originada em títulos e 
outros documentos de dívida.” 
Crítica: quando se trata de letra de câmbio (ordem de pagamento), onde 
se tem o sacador (quem dá a ordem), o sacado (quem recebe a ordem) e o 
tomador/beneficiário (credor), o sacado, caso concorde com a ordem de 
pagamento, dará o ato cambial chamado de aceite – que é ato de concordância 
(o aceite é facultativo). Dessa forma, quando o sacado não dá o aceite, ele não 
está descumprindo nenhuma obrigação, pois o aceite, nessas situações, é 
facultativo. Daí, pergunta-se: ¿como fica o protesto por falta de aceite? O 
sacado, que não dá o aceite, não estará descumprindo obrigação 
alguma. 
Observação: cláusula “sem protesto” (ou “sem despesa”) – é possível 
inseri-la no título. Caso o seja, o portador pode exercer o seu direito de ação 
contra os coobrigados independentemente de protesto do título. 
Conceito de Protesto para F.U.C. 
Protesto é o ato praticado pelo credor, perante o competente cartório, para 
fins de incorporar ao título de crédito a prova de fato relevante para as relações 
cambiais. 
7.10.2 - FINALIDADE DO PROTESTO 
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132 
 
Da jurisprudência do STF – Para o credor exigir judicialmente do 
aceitante ou do seu avalista a dívida cambiária, não é necessário o 
prévio protesto do título. O protesto é exigido “só para os casos de ação 
regressiva do portador contra o sacador, endossador e avalista” (in RTJ 
57/469). 
-Comprovar a falta de pagamento; 
-Comprovar a falta ou recusa do aceite; 
-Art. 202, inciso III, do CC (“o protesto interrompe o prazo prescricional” – 
não se aplica mais a Súmula 153 do STF28); 
-‘Constranger’ legalmente o devedor. 
-O protesto é o termo inicial da incidência de juros, em não havendo outro 
prazo assinado (art. 40 da Lei nº 9.492/199729). 
-É necessário para fins falimentares (art. 94, inciso I, da NLFR) – 
‘impontualidade injustificada’ só é válida se o título for protestado. 
-Constituir em mora o devedor de alienação fiduciária (art. 2º, §2º, do D.L. 
911/1969) – “a mora decorre do simples vencimento do prazo para pagamento 
e poderá ser comprovada por carta registrada expedida por intermédio de 
Cartório de Títulos e Documentos ou pelo protesto do título, a critério do 
credor.” 
-Importante para definir o efeito do endosso póstumo (é aquele dado após 
o vencimento do título). Se o endosso é dado após o protesto ou quando 
expirado o prazo do protesto, o endosso terá efeitos de cessão civil. 
-Fixação do termo legal da falência (=termo legal é o lapso temporal que 
antecede a falência. Os atos praticados pelo falido dentro do termo legal serão 
considerados ineficazes pelo magistrado). Da data do primeiro protesto é que 
se conta o termo legal. 
 
28 “Simples protesto cambiário não interrompe a prescrição.” 
29 “ART. 40. NÃO HAVENDO PRAZO ASSINADO, A DATA DO REGISTRO DO PROTESTO É O TERMO 
INICIAL DA INCIDÊNCIA DE JUROS, TAXAS E ATUALIZAÇÕES MONETÁRIAS SOBRE O VALOR DA 
OBRIGAÇÃO CONTIDA NO TÍTULO OU DOCUMENTO DE DÍVIDA.” 
 
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133 
 
7.10.3 - DOCUMENTOS PROTESTÁVEIS 
-contrato de aluguel 
-contrato de alienação fiduciária 
-cheque 
-confissão de dívida 
-certidão de dívida ativa 
-contrato de locação 
-contrato de mútuo 
-contrato de prestação de serviços 
-duplicatas 
-letra de câmbio 
-sentença judicial 
-termo de acordo 
-termo de conciliação da Justiça Laboral 
 
Obs.: tanto o título, como o documento de dívida levado a protesto, deve 
ser certo, líquido e exigível. 
**Título em moeda estrangeira e emitido fora do Brasil pode ser 
protestado? SIM! O art. 10 da Lei nº 9.492/1997 diz que pode, desde que o 
documento de dívida esteja acompanhado de tradução elaborada por 
tradutor/intérprete juramentado (“Art. 10. Poderão ser protestados títulos e 
outros documentos de dívida em moeda estrangeira, emitidos fora do Brasil, 
desde que acompanhados de tradução efetuada por tradutor público 
juramentado.”). Vide art. 148 da L.R.P. (L. 6015/1963) o documento deve 
ser registrado no Cartório de Títulos e Documentos e, posteriormente, levado 
ao Tabelionato de protestos. 
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Pergunta-se: ¿é possível o protesto de boleto bancário? O STJ entende 
que boleto bancário não é título de crédito (REsp 36980830 e REsp 827856). 
ATENÇÃO: alguns estados não admitem o protesto da C.D.A. Contudo, 
existem outros que já editaram leis admitindo o protesto da C.D.A. (ex.: lei 
13160/2008, de São Paulo). Para os estados que admitem, a fundamentação 
jurídica encontra-se no D. 3048/1999 (art. 245). 
Obs.: Portaria 321/2006 da PGFN – recomendação de protesto da C.D.A. 
Cheque: há cheque que não pode ser protestado: furtado, extraviado, 
cancelamento de conta, etc. (motivos XX, XXV, XXVIII, XXX e XXXV). 
Obs.: motivo XXI de devolução do cheque ‘desacordo comercial’: o STJ 
entende que é admissível o protesto de cheque por desacordo comercial. 
Cheque prescrito: ¿é possível o protesto de cheque prescrito? Luiz 
Emygdio entende que não é possível, pois o título prescrito não é mais exigível. 
Contudo, a posição majoritária (seguida pelo STJ) é que o título prescrito não 
pode ser objeto de execução, mas é exigível por ação monitória, cabendo, 
dessa forma, o protesto de título prescrito (REsp 671.486). 
Há, ainda, um posicionamento intermediário, qual seja: o cheque prescrito 
perde a característica cambial, mas passa a ser documento de dívida. Assim, 
como o documento de dívida é protestável, o cheque prescrito pode ser 
protestado (não como cheque, mas como documento de dívida), atendendo o 
prazo de prescrição da relação causal. 
 
7.10.4 - COMPETÊNCIA FUNCIONAL DO PROTESTO 
 
30 “FALÊNCIA – DUPLICATA MERCANTIL – COMPROVAÇÃO – REMESSA PARA ACEITE - PROTESTO DE 
BOLETOS BANCÁRIOS – IMPOSSIBILIDADE – EXTRAÇÃO DE TRIPLICATAS FORA DAS HIPÓTESES LEGAIS. 
 I – Para amparar o pedido de falência, é inservível a apresentação de triplicatas imotivadamente 
emitidas, eis que não comprovados a perda, o extravio ou a retenção do título pelo sacado. 
 II – A retenção da duplicata remetida para aceite é condição para o protesto por indicação, 
inadmissível o protesto de boletos bancários. 
 Recurso não conhecido.” 
 
 
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“Art. 3º Compete privativamente ao Tabelião de Protesto de Títulos, 
na tutela dos interesses públicos e privados, a protocolização, a 
intimação, o acolhimento da devolução ou do aceite, o recebimento do 
pagamento, do título e de outros documentos de dívida, bem como 
lavrar e registrar o protesto ou acatar a desistência do credor em 
relação ao mesmo, proceder às averbações, prestar informações e 
fornecer certidõesrelativas a todos os atos praticados, na forma desta 
Lei.” 
 
É de competência privativa do Tabelião de Protesto de Títulos. É serviço de 
caráter privado, por delegação do Poder Público, e fiscalizado pelo Judiciário. 
 
7.10.5 - COMPETÊNCIA TERRITORIAL 
Regra geral: local do pagamento do título ou do documento de dívida. 
Na ausência do lugar de pagamento, será competente o lugar do domicílio 
do devedor. 
Exemplo: sentença condenatória transitada em julgado como, via de 
regra, não traz o local de pagamento, será competente o domicílio do devedor. 
**Competência para o protesto de cheque - art. 6º, da Lei nº 9.492/1997: 
“Art. 6º Tratando-se de cheque, poderá o protesto ser lavrado no lugar do 
pagamento ou do domicílio do emitente, devendo do referido cheque constar a 
prova de apresentação ao Banco sacado, salvo se o protesto tenha por fim 
instruir medidas pleiteadas contra o estabelecimento de crédito.” 
 
**E se em uma determinada comarca tiver mais de um Tabelionato de 
Protesto? É necessário o chamado “Cartório Distribuidor” (redação do p. único 
do art. 7º): 
“Art. 7º Os títulos e documentos de dívida destinados a protesto 
somente estarão sujeitos a prévia distribuição obrigatória nas 
localidades onde houver mais de um Tabelionato de Protesto de Títulos. 
Parágrafo único. Onde houver mais de um Tabelionato de Protesto de 
Títulos, a distribuição será feita por um Serviço instalado e mantido 
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136 
 
pelos próprios Tabelionatos, salvo se já existir Ofício Distribuidor 
organizado antes da promulgação desta Lei.” 
Pergunta-se: o que ocorre se eu levar para um Cartório sem ser o 
distribuidor? Caso o Tabelião receba o título, ele cometerá o crime de 
prevaricação. 
7.10.6 - NATUREZA JURÍDICA DO PROTESTO 
O protesto tem natureza jurídica probatória e de pressuposto processual. 
Obs.: só é possível a execução de codevedor de título de crédito se o título 
for protestado EM TEMPO HÁBIL. 
A doutrina, ao classificar o protesto, diz que o protesto pode ser: 
 Necessário: é aquele protesto na sua concepção mais ampla, ou 
seja, protesto com natureza jurídica de ato probatório e de pressuposto 
processual. É o protesto indispensável para que o portador assegure o seu 
direito de regresso contra todos os codevedores do título, desde que 
apresentado de forma legal, regular e tempestiva. 
 Facultativo: é aquele tirado para outra finalidade que não a de 
promover a ação regressiva contra os codevedores. O protesto é facultativo 
quando o credor pode exigir o cumprimento da obrigação, sem ele, em 
juízo. 
 
Obs.: se se pretende executar o devedor principal de um título, não há 
necessidade de protesto (o protesto, aqui, é facultativo). 
 
Exemplos: 
-Letra de câmbio sacador 
 sacado – emite o aceite 
 tomador beneficiário 
Quando o sacado dá o aceite, ele se torna o devedor principal do título. O 
protesto será facultativo se a intenção é executar o sacador. Será necessário, 
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137 
 
contudo, se a intenção é executar o sacador ou endossante. O avalista do 
sacado fica na mesma situação: facultativo. O avalista do sacador/endossante 
é, por sua vez, necessário. 
-Duplicata sacador 
 sacado – emite o aceite (é devedor principal) 
 tomador 
Será facultativo para se executar o sacado. Contudo, se a intenção for de 
executar os demais, o protesto será necessário. 
-Nota promissória emitente (promete pagar a nota) 
 tomador/beneficiário (pode realizar endosso) 
O emitente é o devedor principal. O credor, se quiser, pode endossar (no 
caso de transferência do título). O protesto será facultativo se a intenção for de 
executar o emitente. Se a vontade for de executar o endossante, o protesto 
será necessário. 
 
-Cheque sacador (é o correntista) 
 sacado (é o banco) 
 tomador/beneficiário (é o credor) 
 
O devedor principal é o sacador. Se o credor quiser, poderá dar endosso do 
cheque. 
O protesto será facultativo se a intenção for de executar o sacador-
emitente. Pergunta-se: ¿será o protesto necessário para executar o 
endossante? O art. 47, inciso II, da Lei de Cheques (L. 7357/1985) diz que 
não é obrigatório. O protesto, no cheque, até para o endossante é facultativo: 
“Art. 47. Pode o portador promover a execução do cheque: 
(...) 
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138 
 
II - contra os endossantes e seus avalistas, se o cheque é apresentado 
em tempo hábil e a recusa do pagamento é comprovada pelo protesto 
ou por declaração do sacado, escrita e datada sobre o cheque, com 
indicação do dia de apresentação, ou, ainda, por declaração escrita e 
datada por câmara de compensação.” 
Obs.: L. 10931/2004, art. 44 – cédula de crédito bancário. O protesto 
sempre será facultativo. Observe a leitura do dispositivo: 
“Art. 44. Aplica-se às Cédulas de Crédito Bancário, no que não 
contrariar o disposto nesta Lei, a legislação cambial, dispensado o 
protesto para garantir o direito de cobrança contra endossantes, seus 
avalistas e terceiros garantidores.” 
 
7.10.7 - MOTIVOS DO PROTESTO 
-Protesto por falta de aceite 
-Protesto por falta de devolução 
-Protesto por falta de pagamento 
-Protesto para fins falimentares 
(i) Por falta de aceite. Requisitos: 
- o título deve admitir o aceite. Exemplo: letra de câmbio e duplicata. 
Cheque não admite aceite, da mesma forma que a nota promissória. 
- deve ser feito antes do vencimento. Após o vencimento do título, o único 
protesto cabível é aquele “por falta de pagamento”. 
- decurso do prazo para o aceite. 
(ii) Por falta de devolução. É também chamado de protesto por 
indicações, pois não há mais a duplicata, que foi retida. Serão “indicados” os 
elementos mais relevantes da duplicata para o Tabelionato de Protestos. 
O protesto por indicações só é admissível para a duplicata. A letra de 
câmbio não admite o protesto por indicações, uma vez que é possível a emissão 
de segunda via. Vide a redação do art. 21, §3º, da Lei nº 9.492/1997. 
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139 
 
“§ 3º Quando o sacado retiver a letra de câmbio ou a duplicata enviada 
para aceite e não proceder à devolução dentro do prazo legal, o 
protesto poderá ser baseado na segunda via da letra de câmbio ou 
nas indicações da duplicata, que se limitarão a conter os mesmos 
requisitos lançados pelo sacador ao tempo da emissão da duplicata, 
vedada a exigência de qualquer formalidade não prevista na Lei que 
regula a emissão e circulação das duplicatas.” 
E a segunda via da duplicata? Só é possível nos casos de furto ou extravio 
(é a chamada “triplicata”). 
Obs.: cédula de crédito bancário também admite protesto por indicações 
(art. 41 da L. 10931/2004): 
“Art. 41. A Cédula de Crédito Bancário poderá ser protestada por 
indicação, desde que o credor apresente declaração de posse da sua 
única via negociável, inclusive no caso de protesto parcial.” 
(iv) Para fins falimentares – art. 23, p. único, da Lei nº 9.492/1997: 
“Somente poderão ser protestados, para fins falimentares, os títulos ou 
documentos de dívida de responsabilidade das pessoas sujeitas às 
consequências da legislação falimentar.” 
 
Só é admissível se o devedor principal puder ter sua falência decretada (o 
devedor deve ser empresário ou soc. empresária). 
 
7.10.8 - PRAZO PARA O PROTESTO 
 
A observância do prazo parao protesto é importante como pressuposto 
processual, nos casos de execução contra o co-devedor. 
 
 Do prazo para o protesto por falta de pagamento: 
 
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140 
 
Título Prazo 
-Letra de câmbio - 02 (dois) dias úteis seguintes 
ao vencimento do título (art. 44 do 
D. 57663/1966) – Fran Martins e 
F.U.C. 
Concurso TJMG: o prazo era 
aquele do 1º dia útil após o 
vencimento (Rubens Requião, Luiz 
Emygdio, Dilson Doria, Amador Paes 
de Almeida – entendem que o art. 
44 do D. não foi recepcionado pelo 
Brasil, devendo prevalecer, portanto, 
o art. 28 do D. 2044/1908 – ‘Lei 
Saraiva’. Essa é a posição 
majoritária da doutrina! 
-Nota promissória -o prazo é o mesmo da letra de 
câmbio (art. 77 do D. 57663/1966). 
-Duplicata -30 (trinta) dias contados do 
vencimento (art. 13, §4º, da L. 
5474/1968. 
-Cheque -antes do prazo de 
apresentação – 30 dias se na mesma 
praça, ou 60 se em praça diferente 
(art. 48 da L. 7357/1985). Se a 
apresentação ocorrer no último dia 
do prazo, o protesto pode ser feito 
no primeiro dia útil seguinte. 
 
7.10.9 - PRÁTICA DO PROTESTO 
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141 
 
O título, inicialmente, é protocolizado. Após, o Tabelião de Protesto, na 
posse do título, deve analisar o título ou o documento da dívida (art. 9º da Lei 
nº 9.492/1997): 
“Art. 9º Todos os títulos e documentos de dívida protocolizados serão 
examinados em seus caracteres formais e terão curso se não 
apresentarem vícios, não cabendo ao Tabelião de Protesto 
investigar a ocorrência de prescrição ou caducidade. 
Parágrafo único. Qualquer irregularidade formal observada pelo 
Tabelião obstará o registro do protesto.” 
 
Pergunta-se: ¿pode o Tabelião fazer protesto de título que não seja 
de sua ‘competência territorial’? Não, mas se isso ocorrer o protesto é 
anulável a pedido da parte interessada. 
Após a análise dos caracteres formais do título, o Tabelião providenciará a 
intimação do devedor: 
“Art. 14. Protocolizado o título ou documento de dívida, o Tabelião de 
Protesto expedirá a intimação ao devedor, no endereço fornecido 
pelo apresentante do título ou documento, considerando-se 
cumprida quando comprovada a sua entrega no mesmo endereço. 
§ 1º A remessa da intimação poderá ser feita por portador do próprio 
tabelião, ou por qualquer outro meio, desde que o recebimento fique 
assegurado e comprovado através de protocolo, aviso de recepção (AR) 
ou documento equivalente. 
§ 2º A intimação deverá conter nome e endereço do devedor, 
elementos de identificação do título ou documento de dívida, e prazo 
limite para cumprimento da obrigação no Tabelionato, bem como 
número do protocolo e valor a ser pago.” 
 
Quem apresenta o título para protesto deve informar onde o devedor se 
encontra. 
 
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142 
 
Obs.: pela leitura do art. acima, verifica-se que é suficiente a comprovação 
da entrega no endereço. Porém, no caso de protesto para fins falimentares, 
observando-se o teor da Súmula 361, STJ percebe-se que é necessário se 
comprovar que entregou no endereço e demonstrar quem recebeu a 
identificação. 
Pergunta-se: ¿é possível a intimação via eletrônica? Para o doutrinador 
Carlos Henrique Abrão é possível a intimação eletrônica. Porém, a doutrina 
majoritária (Walter Cene Viva) entende que mesmo não havendo impedimento 
legal, a intimação eletrônica só seria possível se houvesse previsão legal. 
Obs.: intimação por edital (art. 15 da Lei nº 9.492/1997) – Hipóteses que 
permitem a intimação por edital: 
(a) Se a pessoa indicada for desconhecida; 
(b) Se a sua localização foi certa ou ignorada; 
(c) Se ninguém se dispuser a receber a intimação no endereço 
fornecido, e 
(d) Se a pessoa indicada for domiciliada fora da competência 
territorial do Tabelionato. A jurisprudência, principalmente nos casos 
de contrato de alienação fiduciária, só entende possível a intimação por 
edital nos casos de competência territorial, quando o Tabelião esgotou 
todos os meios de intimação (TJRJ – ‘Agravo de Instrumento 
20040020428431). 
“Art. 15. A intimação será feita por edital se a pessoa indicada para 
aceitar ou pagar for desconhecida, sua localização incerta ou ignorada, 
for residente ou domiciliada fora da competência territorial do 
Tabelionato, ou, ainda, ninguém se dispuser a receber a intimação no 
endereço fornecido pelo apresentante. 
§ 1º O edital será afixado no Tabelionato de Protesto e publicado pela 
imprensa local onde houver jornal de circulação diária. 
§ 2º Aquele que fornecer endereço incorreto, agindo de má-fé, 
responderá por perdas e danos, sem prejuízo de outras sanções civis, 
administrativas ou penais.” 
 
31 “Alienação fiduciária. Comprovação da Mora. Protesto. Requisitos. 
 Em se tratando de 
 
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143 
 
 
Quem deve ser indicado para ser intimado? 
No caso de protesto por falta de aceite, deverá ser indicado o sacado. No 
protesto por falta de devolução, também deverá ser indicado o sacado. Já no 
protesto por falta de pagamento, é o devedor principal do título quem deve ser 
indicado. 
 
7.10.10 - PRAZO PARA PAGAMENTO/SUSTAÇÃO/DESISTÊNCIA 
 
“Art. 12. O protesto será registrado dentro de três dias úteis contados 
da protocolização do título ou documento de dívida. 
§ 1º Na contagem do prazo a que se refere o caput exclui-se o dia da 
protocolização e inclui-se o do vencimento. 
§ 2º Considera-se não útil o dia em que não houver expediente 
bancário para o público ou aquele em que este não obedecer ao horário 
normal.” 
“Art. 13. Quando a intimação for efetivada excepcionalmente no último 
dia do prazo ou além dele, por motivo de força maior, o protesto será 
tirado no primeiro dia útil subseqüente.” 
 
O protesto é feito no 3º dia útil após a protocolização do título ou do 
documento de dívida. Nesse prazo, da data do protocolo até o protesto (tríduo 
legal), o Tabelião faz a intimação do devedor. Porém, se a intimação foi feita no 
último dia útil, o protesto será feito no primeiro dia útil seguinte (redação do 
artigo 13 da Lei nº 9.492/1997). 
O prazo da data do protocolo até o protesto é para se pagar ou ajuizar uma 
ação de sustação de protesto (ação declaratória de inexigibilidade de título ou 
medida cautelar de sustação de protesto). Após o protesto, só é cabível ação de 
cancelamento de protesto. 
Obs.: pagamento deve ser feito diretamente no Tabelionato de 
Protestos, lembrando que cada estado tem um tratamento distinto. 
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144 
 
 
Obs.2: sustação de protesto art. 17 da Lei nº 9.492/1997: “Art. 17. 
Permanecerão no Tabelionato, à disposição do Juízo respectivo, os 
títulos ou documentos de dívida cujo protesto for judicialmente 
sustado.” O título do documento de dívida, cujo protesto tiver sido sustado 
judicialmente, só poderá ser pago, protestado ou retirado com autorização 
judicial: “§ 1º O título do documento de dívida cujo protesto tiver sido 
sustado judicialmente só poderá ser pago, protestado ou retirado com 
autorização judicial.” 
Obs.3: é possível a desistência do protesto – deve ser feita pelo 
apresentante, que não será, necessariamente, o credor. Vejaa redação do 
artigo 16: 
“Art. 16. Antes da lavratura do protesto, poderá o apresentante retirar 
o título ou documento de dívida, pagos os emolumentos e demais 
despesas.” 
 
Obs.4: cancelamento do protesto – com o protesto registrado, só é 
possível seu cancelamento. É necessário o pagamento do valor da dívida, bem 
como dos emolumentos administrativos. Qualquer outra forma de protesto que 
não seja pelo pagamento da dívida, só pode ser feito por ordem judicial. 
“Art. 26. O cancelamento do registro do protesto será solicitado 
diretamente no Tabelionato de Protesto de Títulos, por qualquer 
interessado, mediante apresentação do documento protestado, cuja 
cópia ficará arquivada. 
§ 1º Na impossibilidade de apresentação do original do título ou 
documento de dívida protestado, será exigida a declaração de 
anuência, com identificação e firma reconhecida, daquele que figurou 
no registro de protesto como credor, originário ou por endosso 
translativo. 
§ 2º Na hipótese de protesto em que tenha figurado apresentante por 
endosso-mandato, será suficiente a declaração de anuência passada 
pelo credor endossante. 
§ 3º O cancelamento do registro do protesto, se fundado em outro 
motivo que não no pagamento do título ou documento de dívida, será 
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145 
 
efetivado por determinação judicial, pagos os emolumentos devidos ao 
Tabelião. 
§ 4º Quando a extinção da obrigação decorrer de processo judicial, o 
cancelamento do registro do protesto poderá ser solicitado com a 
apresentação da certidão expedida pelo Juízo processante, com menção 
do trânsito em julgado, que substituirá o título ou o documento de 
dívida protestado. 
§ 5º O cancelamento do registro do protesto será feito pelo Tabelião 
titular, por seus Substitutos ou por Escrevente autorizado. 
§ 6º Quando o protesto lavrado for registrado sob forma de microfilme 
ou gravação eletrônica, o termo do cancelamento será lançado em 
documento apartado, que será arquivado juntamente com os 
documentos que instruíram o pedido, e anotado no índice respectivo.” 
 
Emolumentos: valor destinado ao estado e valor destinado ao 
Tabelião. 
Quando o cancelamento é pelo pagamento, há os valores do estado e do 
Tabelião. Nos casos de cancelamento por ordem judicial, não há cobrança de 
valores do estado, mas apenas do Tabelião (art. 26, §3º). 
7.11 - AÇÃO CAMBIAL 
É, no direito brasileiro, uma ação executiva típica. 
O portador pode acionar qualquer obrigado, sem estar adstrito à ordem, ou 
pode mover a ação contra todos, citando-os solidariamente. 
O prazo para o protesto é decadencial; o da ação, prescricional. 
Prescrição da ação cambial: 
a) contra o aceitante – prescreve em três anos a contar do vencimento; 
b) do portador contra os endossantes e contra o sacador – prescreve em 
um ano, a contar do protesto feito em tempo útil, ou da data do vencimento, se 
fora aposta a cláusula “sem protesto”; 
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146 
 
c) dos endossantes contra os outros e contra o sacador – prescreve em 
seis meses, a contar do dia em que o endossante pagou a letra ou, se for o 
caso, do dia em que ele foi acionado. 
 
A prescrição pode ser interrompida, mas só produz efeitos em relação à 
pessoa contra quem foi dirigida (artigo 71 da Lei Uniforme). 
Ação de enriquecimento ilícito (ação de in rem verso) – o próprio artigo 15 
do Anexo II da Convenção de Genebra facultou aos países signatários a 
previsão da citada ação. Baseia-se na eqüidade, e não no direito creditório, que 
já está prescrito. A sua causa de pedir não é a existência do crédito (que já 
prescreveu), mas o locupletamento ilícito. Segundo o § 3° do art. 206 do CC, o 
prazo é de 3 anos. 
Em tais ações, há julgados que se contentam com a juntada do título, 
entendendo caracterizado o prejuízo. Há, todavia, controvérsias a este respeito. 
-Legislação aplicável: 
a) Letra de câmbio e nota promissória – Decreto 57663/1966 (“Lei 
Uniforme”) 
b) Cheque – Lei 7357/1985 
c) Duplicata – Lei 5474/1968 
Pergunta-se: e as regras do Código Civil? A aplicação do CC aos títulos de 
crédito é subsidiária (art. 903 do CC32). 
-Princípios dos títulos de crédito: 
a) Cartularidade – cártula = pequeno papel. 
Pelo pcp. da cartularidade, o crédito deve estar materializado 
(representado) em um documento (título). Para a transferência do crédito, é 
 
32 
 “Art. 903. Salvo disposição diversa em lei especial, regem-se os títulos de crédito pelo disposto 
neste Código.” 
 
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147 
 
necessária a transferência do título. Não há que se falar em exigibilidade do 
crédito sem a apresentação do documento. 
**hear 
Obs.: há uma presunção de que o portador do título será o credor (aquele 
que tem o título é o credor) – presunção juris tantum. Pergunta-se: o pcp. da 
cartularidade está mitigado? SIM! A regra do art. 889, §3º, do CC traz essa 
mitigação, senão vejamos: 
“§ 3o O título poderá ser emitido a partir dos caracteres criados em 
computador ou meio técnico equivalente e que constem da escrituração do 
emitente, observados os requisitos mínimos previstos neste artigo.” 
Para Luiz Emydio Franco da Rosa Junior, o pcp. da cartularidade é 
chamado de Princípio da Incorporação (o crédito deve ser “incorporado” em 
um documento; não necessariamente em um “pequeno papel”). Ao se adotar o 
pcp. da incorporação, não há se falar em mitigação. 
 b) Literalidade – pelo princípio da literalidade, só terá validade para o 
Direito Cambiário aquilo que está literalmente escrito no título de crédito. 
TJMG – promissória sem espaço para colocar endosso => realizar o 
prolongamento do título de crédito para fazer o endosso. 
c) Autonomia – as relações jurídico-cambiais são autônomas e 
independentes entre si. O devedor não poderá opor exceções pessoais a 
terceiros de boa-fé. 
Exemplo: João resolve vender seu celular para Maria. Maria emite nota 
promissória para João. A causa da nota foi uma compra e venda de celular (é a 
CAUSA DEBENDI ou CAUSA SUBJACENTE – a causa que deu origem). Se o 
celular estiver quebrado, poderá não pagar a nota provisória, já que tem uma 
exceção que abrange essa relação (primeira relação jurídica cambial – para o 
credor primitivo é possível se apresentar uma exceção pessoal); aqui há relação 
CAUSAL e CARTULAR. Caso João transfira a NP para um terceiro de boa-fé, 
nessa segunda relação jurídico-cambial não será possível que Maria oponha 
exceções pessoais contra o terceiro. 
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148 
 
Pergunta-se: se o título foi emitido para negócio jurídico ilícito? Pouco 
importa a causa que deu origem! 
 
F.U.C. entende que a autonomia tem um subprincípio, qual seja a 
abstração (= ao ser colocado em circulação, o título se desprende de sua 
causa de origem). 
Obs.: quando a nota promissória está vinculada a contrato, ela não goza 
de autonomia. 
Obs.2: possibilidade de assinatura de título em branco 387, STF: “A 
cambial emitida ou aceita com omissões, ou em branco, pode ser completada 
pelo credor de boa-fé antes da cobrança ou do protesto.” 
Obs.3: quando se tratar de nota promissória, vinculada a contrato de 
abertura de crédito, essa nota não goza de autonomia 258, STJ: “A nota 
promissória vinculada a contrato de abertura de crédito não goza de autonomiaem razão da iliquidez do título que a originou.” 
 
-Conceito de título de crédito: art. 887 do CC. 
“Art. 887. O título de crédito, documento necessário ao 
exercício do direito literal e autônomo nele contido, somente 
produz efeito quando preencha os requisitos da lei. 
Vivante conceito de título de crédito: é o documento necessário para o 
exercício do direito, literal e autônomo, nele mencionado. 
Mnemônica: CC Contido. Vivante nele mencionado. 
-Classificações dos títulos de crédito: 
1) Quanto ao modelo: 
1.1) vinculado – é aquele cuja forma/formatação está definido em 
legislação (padronização obrigatória que deve ser observada). Ex.: duplicata e 
cheque. 
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149 
 
1.2) livre – é aquele cuja forma não precisa seguir uma padronização 
obrigatória. Exemplo: nota promissória (“qualquer pedaço de papel pode ser 
uma nota promissória”). 
2) Quanto às hipóteses de emissão: 
2.1) causal – é aquele que só pode ser emitido mediante a ocorrência de 
uma causa específica definida em lei. Exemplo: duplicata (só pode ser emitida 
em compra e venda mercantil ou prestação de serviços). 
2.2) não causal – é aquele que não necessita de uma causa específica para 
sua emissão. Exemplo: cheque. 
3) Quanto à sua circulação: 
3.1) ao portador – é aquele que não identifica o beneficiário. O título ao 
portador circula por mera tradição (simples entrega). 
3.2) nominativo – é aquele que identifica o beneficiário. A circulação vai 
depender se o título nominativo é “à ordem” ou “não à ordem”. 
Se o titulo for “à ordem”, circulará por endosso. Se for “não à ordem”, 
circulará por cessão civil. 
Quem transfere por endosso, responde pela existência do título e pela sua 
solvência. 
No título transferido por cessão civil não se fala em solvência, mas apenas 
na sua existência. 
3.3) nominativo – (classificação mais moderna, usada em concursos 
federais) arts. 921 e 922 do CC. Livro de registro do emitente. A transferência é 
mediante termo. 
Nessa classificação moderna, tem-se: AO PORTADOR, NOMINAL e 
NOMINATIVO. 
Obs.: no Brasil, não se admite mais título ao portador, exceto se houver 
previsão expressa em lei especial (art. 69 da L. 9069/1995 => cheque até R$ 
100,00). 
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150 
 
Obs.2: presunção que os títulos são “à ordem”. ATENÇÃO: não basta riscar 
a expressão “à ordem” para que o título seja não à ordem. É necessária a 
menção expressa no título: “NÃO À ORDEM”. 
Obs.3: o CC trata o endosso de outra forma. No CC, o efeito do endosso é 
idêntico ao da cessão civil. 
4) Quanto à estrutura: 
4.1) ordem de pagamento – duplicata, cheque e letra de cambio. 
i) Dá a ordem, ii) recebe a ordem, iii) tomador/beneficiário. 
4.2) promessa de pagamento – a nota promissória é o único título que é 
promessa de pagamento. 
Promitente e tomador/beneficiário. 
Obs.: o título de crédito é uma obrigação querable ou portable? O título de 
crédito é quesível (QUERABLE), pois cabe ao credor dirigir-se ao devedor para 
exigir o pagamento. 
Obs.2: o título de crédito, geralmente uma NP, pode ser pro solvendo ou 
pro soluto. Qual a diferença entre título pro solvendo e título pro soluto? O 
primeiro significa “para pagamento”. O segundo significa “em pagamento”. HÁ 
UMA PRESUNÇÃO QUE OS TÍTULOS SÃO PRO SOLVENDO. ASSIM, PARA 
QUE O TÍTULO SEJA PRO SOLUTO É NECESSÁRIA MENÇÃO EXPRESSA 
NO TÍTULO DE CRÉDITO. 
TJMG compra e venda de imóvel paga com nota promissória. Qual a 
diferença do pagamento feito pro solvendo e pro soluto? No pagamento pro 
solvendo, a entrega da nota promissória não provoca a novação. Assim, a 
relação causal de compra e venda não será extinta com a entrega da nota 
promissória. Só haverá extinção da relação de compra e venda quando o 
devedor efetuar o pagamento da nota promissória. Se o pagamento é pro 
soluto, a entrega da nota promissória opera novação (a obrigação de pagar a 
compra e venda foi extinta). Em casos que tais, o vendedor só poderá executar 
a nota, não podendo rescindir o contrato como no caso do pagamento pro 
solvendo. 
 
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151 
 
8 - NOVA LEI DE FALÊNCIAS – LEI Nº 11.101/2005 
8.1 - NOÇÕES INTRODUTÓRIAS 
O instrumento legislativo é a L. 11.101, de 09/02/05. 
Seu prazo de vacatio é de 120 dias – vigência a parir de 09/06/2005. Note-
se que a lei antiga é aplicável ainda aos processos em que tenha sido decretada 
a falência com base nela, ou seja, a lei nova não será aplicada aos processos 
em curso. 
Obs.: Até 09/06/05, podia-se pedir concordata. Se, nesse período, 
houvesse uma concordata em trâmite (não irá se transformar em recuperação), 
ela continuaria sendo regida pelo DL 7661. É possível se convolar A 
CONCORDATA EM FALÊNCIA, ou seja, será decretada a falência. QUESTÃO: a 
falência que for decretada depois da vigência da lei nova será por ela regulada, 
isto é, todas as falências decretadas depois de 09/06/05 obedecerão à lei nova, 
mesmo que resultante de uma convolação de concordata em falência. 
Obs.2: a importância da lei (mídia e Executivo) se justifica pela defasagem 
e problemas da legislação anterior. Problemas da antiga: 
Decretação de falência em duas hipóteses: IMPONTUALIDADE (artigo 1o33) 
e ATOS DE FALÊNCIA (artigo 2o) (enumerados em lei). Pela impontualidade era 
 
33 
 “Art. 1º Considera-se falido o comerciante que, sem relevante razão de direito, não paga no vencimento 
obrigação líquida, constante de título que legitime a ação executiva. 
 § 1.º Torna-se líquida, legitimando a falência, a obrigação provada por conta extraída dos livros 
comerciais e verificada, judicialmente, nas seguintes condições: 
 I - a verificação será requerida pelo credor ao juiz competente para declarar falência do devedor 
(art. 7º) e far-se-á nos livros de um ou de outro, por dois peritos nomeados pelo juiz, expedindo-se 
precatória quando os livros forem de credor domiciliado em comarca diversa; 
 II - se o credor requerer a verificação da conta nos próprios livros, estes deverão achar-se 
revestidos das formalidades legais intrínsecas e extrínsecas e a conta comprovada nos têrmos do art. 23, 
nº 2, do Código Comercial; se nos livros do devedor, será êste citado para, em dia e hora marcados, exibí-
los em juízo, na forma do disposto no art. 19, primeira alínea, do Código Comercial; 
 III - a recusa de exibição ou a irregularidade dos livros provam contra o devedor, salvo a sua 
destruição ou perda em virtude de fôrça maior; 
 IV - os peritos apresentarão os laudos dentro de três dias e, julgado por sentença o exame, os 
respectivos autos serão entregues ao requerente, independentemente de traslado, não cabendo dessa 
sentença recurso algum; 
 V - as contas assim verificadas consideram-se vencidas desde a data da sentença que julgou o 
exame. 
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entendido o seguinte: quando o empresário não paga no vencimento a 
obrigação é considerado falido. Não pagamento no vencimento, há a falência 
técnica. Isso é complicado, pois poucos empresários, no Brasil, não têm alguma 
dívida sem pagamento no vencimento; isso significaria a quebra de todo 
mundo, inclusive dos pequenos e médios empresários. Assim, a aplicação na 
íntegra do DL traria um sério problema social e econômico; não há interesse 
público ou socialna quebradeira geral. EXEMPLO: cidade inteira que girava em 
torno de uma única indústria, não interessa para a cidade, nem para o próprio 
credor. O credor somente pediu a falência para pressionar porque é muito mais 
séria a falência (possibilidade de decretação da quebra) ou a execução 
(somente penhora de bens). Isto é, tecnicamente a falência não interessa, ela 
somente é um instrumento de pressão para determinar o pagamento. Inclusive, 
por conta dessa situação de fato, houve a construção de uma corrente 
jurisprudencial defendendo que a falência não seria meio de cobrança de dívida; 
a falência somente poderia ser utilizada quando a empresa não tinha condições 
de se sustentar, protegendo-se a economia (esse credor somente está 
querendo receber a sua dívida). Os tribunais passaram a acolher essa teoria 
para justificar o afastamento da falência nos casos em que o interesse público 
ou social não a justificassem. 
O sistema anterior é LIQUIDATÓRIO, ou seja, tinha o objetivo de liquidar a 
empresa: fechar a porta e vender o patrimônio. Atualmente, isso já não se 
justifica. O importante é a RECUPERAÇÃO DA EMPRESA e não a sua liquidação, 
porque assim, permanece uma unidade produtiva, um centro de pagamento de 
tributos e produção de empregos. Tanto que a nova lei traz na sua introdução: 
regula a recuperação judicial, a extrajudicial e a falência do empresário 
e da sociedade empresária. 
A CONCORDATA (benefício que os empresários têm, que consiste em ter 
até 02 anos34 para pagar as dívidas quirografárias, uma parcela no final do 
 
 § 2º Ainda que líquidos, não legitimam o pedido de falência os créditos que não se possam na 
mesma reclamar. 
 § 3º - Para os efeitos desta Lei, considera-se obrigação líquida, legitimando o pedido de 
falência, a constante dos títulos executivos extrajudiciais mencionados no art. 15 da Lei nº 5.474, de 18 
de julho de 1968. (Incluído pela Lei nº 6.458, de 1º.11.1977)” 
 
 
34 Se escolhesse o pagamento à vista, o devedor teria um desconto de 50%. 
 
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153 
 
primeiro ano = 40% e no final do segundo ano 60%), de uma certa forma, era 
um meio de recuperação, mas estava longe de atingir o objetivo de recuperação 
da atividade empresarial. ¿Quem foi que disse que quem pede concordata 
irá conseguir pagar em até 02 anos? Não se atingia os objetivos da 
recuperação, por que: se a empresa estivesse em dificuldades econômicas 
deveria ser “tratada” (localizada a causa do problema e ataque à causa do 
problema). Normalmente, os credores quirografários eram os fornecedores, que 
possivelmente não eram os causadores do problema. O problema poderia ser: 
carga tributária, má administração e outros. A concordata correspondia ao 
seguinte: um único remédio aplicado a qualquer doença. Quando a empresa 
pedia concordata, o fornecedor simplesmente parava de fornecer. Ao fim do 
primeiro ano, se não houvesse pagamento, o juiz poderia, até mesmo de ofício, 
decretar a falência, ou por pedido do MP ou do interessado. A concordata era 
um instrumento totalmente ineficaz. 
 
8.2 - RECUPERAÇÃO DE EMPRESAS 
É o instituto que substituiu a concordata (que não existe mais). A 
recuperação pode ser: judicial ou extrajudicial. 
8.3 - RECUPERAÇÃO JUDICIAL 
A concordata era considerada como ante-sala da falência, já que, ao invés 
de ajudar o empresário, só fazia piorar a sua situação. 
Se o empresário estava em crise, e buscava o benefício da concordata, ele 
só podia pagar os créditos quirografários. Assim, por meio de concordata, o 
empresário não podia pagar crédito trabalhista, crédito com garantia real. 
Se o empresário buscasse concordata, havia apenas duas hipóteses: (i) 
remissão parcial da dívida (exemplo: pago 50% à vista se perdoar o restante); 
e (ii) dilação de prazo (parcelamento da dívida). Não havia outra hipótese de 
superação da crise. 
A doutrina denominava a concordata de “favor legal” (o credor não 
participava da concordata). Se o empresário fizesse pedido de concordata, e 
preenchesse todos os requisitos legais, o juiz concedia a concordata ainda que 
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154 
 
os credores não concordassem com ela. Os credores, portanto, nem eram 
consultados sobre a concordata. 
 Histórico: a concordata iniciou-se na Idade Média. O pai de família 
que morresse com dívidas “não ia para o céu”. Os familiares próximos 
procuravam os credores a fim de pagar, para deixar que a alma fosse para o 
céu. 
 
Fazendo uma análise econômica do instituto, conclui-se que está sendo 
dividido o risco com os credores. Assim deve haver muito cuidado com essa 
possibilidade, para evitar a sua utilização para fim de prazos. 
Está prevista no artigo 47 da NLFR: 
“Art. 47. A recuperação judicial tem por objetivo viabilizar a superação 
da situação de crise econômico-financeira do devedor, a fim de permitir 
a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores e dos 
interesses dos credores, promovendo, assim, a preservação da 
empresa, sua função social e o estímulo à atividade econômica.” 
 
8.3.1 - LEGITIMIDADE ATIVA 
Previsão no artigo 48: 
“Art. 48. Poderá requerer recuperação judicial o devedor que, no 
momento do pedido, exerça regularmente suas atividades há mais de 2 
(dois) anos e que atenda aos seguintes requisitos, cumulativamente: 
I – não ser falido e, se o foi, estejam declaradas extintas, por sentença 
transitada em julgado, as responsabilidades daí decorrentes; 
II – não ter, há menos de 5 (cinco) anos, obtido concessão de 
recuperação judicial; 
III – não ter, há menos de 8 (oito) anos, obtido concessão de 
recuperação judicial com base no plano especial de que trata a Seção V 
deste Capítulo; 
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155 
 
IV – não ter sido condenado ou não ter, como administrador ou sócio 
controlador, pessoa condenada por qualquer dos crimes previstos nesta 
Lei. 
Parágrafo único. A recuperação judicial também poderá ser requerida 
pelo cônjuge sobrevivente, herdeiros do devedor, inventariante ou sócio 
remanescente.” 
 
Quem pode pedir a recuperação: EMPRESÁRIO que preencha os seguintes 
requisitos: 
 
o Ser REGULAR HÁ MAIS DE 02 ANOS. Ou seja, todo 
empresário para ser regular deve estar registrado na Junta 
Comercial. O prazo de 02 anos de atividade regular se 
justifica pelo exercício que demande uma recuperação. 
o Não ter sido CONDENADO POR CRIME FALIMENTAR, 
mas, se já se reabilitou não há problema. 
o NÃO TER UTILIZADO A RECUPERAÇÃO nos últimos 
05 anos (recuperação normal) e 08 anos (recuperação de 
pequena e micro empresa) 
o Não pode ter falido, ou se foi, as dívidas devem 
estar extintas. 
 
Na concordata, havia mais um requisito que não existe na lei nova: relação 
entre ATIVO e PASSIVO, pelo menos, 50% das dívidas quirografárias deveriam 
estar garantidas pelo patrimônio. 
 
8.3.2 - PETIÇÃO INICIAL DO PEDIDO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL 
Está prevista no artigo 51, com vários requisitos e documentos que devem 
ser juntados. 
“Art. 51. A petição inicial de recuperação judicial será instruída com: 
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156 
 
I – a exposição das causas concretas da situação patrimonialdo 
devedor e das razões da crise econômico-financeira; 
II – as demonstrações contábeis relativas aos 3 (três) últimos 
exercícios sociais e as levantadas especialmente para instruir o pedido, 
confeccionadas com estrita observância da legislação societária 
aplicável e compostas obrigatoriamente de: 
a) balanço patrimonial; 
b) demonstração de resultados acumulados; 
c) demonstração do resultado desde o último exercício social; 
d) relatório gerencial de fluxo de caixa e de sua projeção; 
III – a relação nominal completa dos credores, inclusive aqueles por 
obrigação de fazer ou de dar, com a indicação do endereço de cada um, 
a natureza, a classificação e o valor atualizado do crédito, discriminando 
sua origem, o regime dos respectivos vencimentos e a indicação dos 
registros contábeis de cada transação pendente; 
IV – a relação integral dos empregados, em que constem as respectivas 
funções, salários, indenizações e outras parcelas a que têm direito, com 
o correspondente mês de competência, e a discriminação dos valores 
pendentes de pagamento; 
V – certidão de regularidade do devedor no Registro Público de 
Empresas, o ato constitutivo atualizado e as atas de nomeação dos 
atuais administradores; 
VI – a relação dos bens particulares dos sócios controladores e dos 
administradores do devedor; 
VII – os extratos atualizados das contas bancárias do devedor e de suas 
eventuais aplicações financeiras de qualquer modalidade, inclusive em 
fundos de investimento ou em bolsas de valores, emitidos pelas 
respectivas instituições financeiras; 
VIII – certidões dos cartórios de protestos situados na comarca do 
domicílio ou sede do devedor e naquelas onde possui filial; 
IX – a relação, subscrita pelo devedor, de todas as ações judiciais em 
que este figure como parte, inclusive as de natureza trabalhista, com a 
estimativa dos respectivos valores demandados. 
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157 
 
§ 1o Os documentos de escrituração contábil e demais relatórios 
auxiliares, na forma e no suporte previstos em lei, permanecerão à 
disposição do juízo, do administrador judicial e, mediante autorização 
judicial, de qualquer interessado. 
§ 2o Com relação à exigência prevista no inciso II do caput deste artigo, 
as microempresas e empresas de pequeno porte poderão apresentar 
livros e escrituração contábil simplificados nos termos da legislação 
específica. 
§ 3o O juiz poderá determinar o depósito em cartório dos documentos a 
que se referem os §§ 1o e 2o deste artigo ou de cópia destes.” 
 
Requisitos mais importantes na recuperação judicial 
 
-Demonstrar para o juiz a dificuldade econômica (na lei antiga, isso 
não era necessário, ou seja, não era preciso tocar nesse assunto); 
-Instrumentos de natureza contábil: 
balanços contábeis dos últimos 03 exercícios – balanço anual; 
balanços de determinação – é o balanço compreendido desde 01/01 até a 
data que se está pedindo a recuperação, é um balanço especial fechado durante 
o ano; 
relação nominal dos credores e qual o valor dos seus créditos; 
 
Obs.: requisitos novos: 
*relação nominal dos bens particulares dos administradores da sociedade 
em recuperação; a princípio o patrimônio do sócio não tem correlação com o 
patrimônio da empresa, mas, é para garantir mais transparência. Essa 
exigência é muito defendida por aqueles que defendem a interpretação 
econômica do direito, já que permite maior transparência para os credores, que 
afinal de contas está dividindo a responsabilidade para recuperação da 
empresa; também facilita a possibilidade de desconsituição da personalidade 
jurídica; 
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158 
 
*extrato de todas as contas correntes e das aplicações financeiras, ou seja, 
há a quebra do sigilo bancário. 
Como se pode constatar, com a exigência dos documentos acima, afasta-
se a possibilidade de fraude, garantido maior lisura ao procedimento. Se o 
empresário levar algum documento falso estará submetido à pena prevista no 
artigo 171, da lei. 
 
Indeferimento da petição inicial na Falência 
A ausência de algum dos requisitos ocasiona o indeferimento liminar da 
petição inicial, com a prolação de sentença terminativa. Com efeito, trata-se de 
sentença terminativa, porquanto a hipótese não se enquadra no art. 73 da 
NLFR, quando há a prolação de decisão interlocutória (agravável) de decretação 
de falência, em razão da convolação da recuperação judicial, por improcedência 
da mesma (art. 72, p. único). No caso sob comento, todavia, não há convolação 
da recuperação em falência, mas, sim, mera extinção do processo de 
recuperação judicial por carência da ação, com prolação de sentença. 
Da sentença cabe apelação. Diante da natureza terminativa da sentença, 
nada impede a propositura de nova ação de recuperação judicial, tão logo 
esteja satisfeito o requisito formal antes ausente. 
 
Despacho que autoriza o prosseguimento 
Está previsto no artigo 52 e permite o seguimento da recuperação judicial. 
“Art. 52. Estando em termos a documentação exigida no art. 51 desta 
Lei, o juiz deferirá o processamento da recuperação judicial e, no 
mesmo ato: 
I – nomeará o administrador judicial, observado o disposto no art. 21 
desta Lei; 
II – determinará a dispensa da apresentação de certidões negativas 
para que o devedor exerça suas atividades, exceto para contratação 
com o Poder Público ou para recebimento de benefícios ou incentivos 
fiscais ou creditícios, observando o disposto no art. 69 desta Lei; 
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159 
 
III – ordenará a suspensão de todas as ações ou execuções contra o 
devedor, na forma do art. 6o desta Lei, permanecendo os respectivos 
autos no juízo onde se processam, ressalvadas as ações previstas nos 
§§ 1o, 2o e 7o do art. 6o desta Lei e as relativas a créditos excetuados 
na forma dos §§ 3o e 4o do art. 49 desta Lei; 
IV – determinará ao devedor a apresentação de contas demonstrativas 
mensais enquanto perdurar a recuperação judicial, sob pena de 
destituição de seus administradores; 
V – ordenará a intimação do Ministério Público e a comunicação por 
carta às Fazendas Públicas Federal e de todos os Estados e Municípios 
em que o devedor tiver estabelecimento. 
§ 1o O juiz ordenará a expedição de edital, para publicação no órgão 
oficial, que conterá: 
I – o resumo do pedido do devedor e da decisão que defere o 
processamento da recuperação judicial; 
II – a relação nominal de credores, em que se discrimine o valor 
atualizado e a classificação de cada crédito; 
III – a advertência acerca dos prazos para habilitação dos créditos, na 
forma do art. 7o, § 1o, desta Lei, e para que os credores apresentem 
objeção ao plano de recuperação judicial apresentado pelo devedor nos 
termos do art. 55 desta Lei. 
§ 2o Deferido o processamento da recuperação judicial, os credores 
poderão, a qualquer tempo, requerer a convocação de assembléia-geral 
para a constituição do Comitê de Credores ou substituição de seus 
membros, observado o disposto no § 2o do art. 36 desta Lei. 
§ 3o No caso do inciso III do caput deste artigo, caberá ao devedor 
comunicar a suspensão aos juízos competentes. 
§ 4o O devedor não poderá desistir do pedido de recuperação judicial 
após o deferimento de seu processamento, salvo se obtiver aprovação 
da desistência na assembléia-geral de credores.” 
 
No despacho, o juiz irá: 
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160 
 
a) Determinar liminarmente a suspensão de todos os processos de 
execução, EXCETO: as execuções fiscais. Isso se justifica porque, se as 
execuções não forem suspensas, os credores continuam executando, daí, a 
recuperação seria ineficaz. É UMA LIMINAR COM NATUREZA CAUTELAR, que irá 
garantir a eficácia da futura sentença. 
b) Nomear o ADMINSITRADOR JUDICIAL. Na falência, existia o SÍNDICO 
(administrador da massa falida). Na concordata, o COMISSÁRIO (não 
administra a empresa, que é administrada pelo próprio empresário, o 
comissário somente fiscaliza a administração da empresa em concordata). A 
nova lei não fala mais nem em síndico ou em comissário, trata-se somente do 
ADMINISTRADOR JUDICIAL tanto para a falência quanto para a recuperação, 
mas NOTE-SE que as funções permanecem distintas entre si e idênticas às 
antigas atribuições. Entretanto houve a modificação do critério de escolha, na 
lei antiga era: a ordem de maiores credores do primeiro ao terceiro, depois a 
nomeação de uma pessoa de confiança do juiz35. Atualmente, será escolhido 
pelo juiz, não tem que ser credor, mas deve ter formação, 
PREFERENCIALMENTE, em uma dessas áreas: DIREITO, ECONOMIA, 
ADMINISTRAÇÃO ou CONTABILIDADE. NOVIDADE: há a possibilidade de 
nomeação de PESSOA JURÍDICA ESPECIALIZADA (artigo 21). 
 
“Art. 21. O administrador judicial será profissional idôneo, 
preferencialmente advogado, economista, administrador de empresas 
ou contador, ou pessoa jurídica especializada. 
Parágrafo único. Se o administrador judicial nomeado for pessoa 
jurídica, declarar-se-á, no termo de que trata o art. 33 desta Lei, o 
nome de profissional responsável pela condução do processo de falência 
ou de recuperação judicial, que não poderá ser substituído sem 
autorização do juiz.” 
ATENÇÃO: intimação do Ministério Público – isso é importante. CONCURSO 
PÚBLICO: qual é a função do MP no processo de falência, que provocou grande 
discussão no Congresso Nacional, tendo sido o artigo 4o vetado, que dizia que a 
 
35 
 Havia uma discussão muito grande na lei antiga, inclusive, com corrente que exigia concurso 
público para ser síndico ou comissário. 
 
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161 
 
participação do MP era obrigatória em todos os atos no processo de falência? O 
PR vetou por pressão do MP, que fundamentou no seguinte: retardamento do 
processo; ausência de pessoal suficiente; desnecessária a atuação do MP. 
Assim, o MP somente será intimado: da recuperação ou da decretação da 
falência. Desta forma, o MP PODE intervir, salvo nos casos em que a lei 
estabelece a obrigatoriedade de participação do MP. 
Art. 4o (VETADO) 
 
Verificações de crédito e plano de recuperação 
Com a publicação do despacho, o processo será bifurcado: 
 
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I – VERIFICAÇÕES DE CRÉDITO: consistem nos procedimentos 
necessários para a verificação do passivo do empresário. Comportam os 
procedimentos realizados desde as habilitações de crédito até o momento de 
elaboração do Quadro Geral de Credores. 
HABILITAÇÕES DE CRÉDITO: é o ato pelo qual o credor se apresenta e 
requer o pagamento do seu crédito. Houve grave alteração com a nova 
legislação. Pela lei anterior, era feita por meio da protocolização de uma petição 
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162 
 
com comprovante de crédito. Atualmente, é feita por meio extrajudicial junto ao 
ADMINISTRADOR JUDICIAL, que terá o prazo de 45 dias para publicar a relação 
de credores (os que constavam com a relação que veio na inicial e publicada no 
despacho e os demais credores que se habilitaram no prazo). 
 
**PUBLICAÇÃO = CREDORES DA INICIAL + CREDORES 
HABILITADOS 
DÚVIDA: se é extrajudicial não tem protocolo, o credor entrega para o 
administrador e se some? A lei não obriga a entrega de contra-recibo, mas é 
interessante pedir o protocolo. 
Feitas as habilitações abre o prazo de 10 dias para as IMPUGNAÇÒES DE 
CRÉDITO, que são as ações judiciais interpostas contra as habilitações de 
crédito. Podem impugnar: i. qualquer credor; ii. o MP, iii. o administrador, iv. o 
próprio devedor. 
Julgadas essas ações de impugnação, será formado o QUADRO GERAL DE 
CREDORES. 
II – PLANO DE RECUPERAÇÃO – o devedor definirá qual o benefício que 
terá com a recuperação. Na verdade, no plano, o devedor analisa as suas 
dificuldades e apresenta as soluções. 
O correto seria que o plano fosse apresentado na petição inicial, porque 
não é razoável que o indivíduo venha a juízo pedir a recuperação e somente 
depois apresente o plano. 
A lei deixou de ser um empecilho para a recuperação. Para a recuperação é 
importantíssimo que seja feito um bom plano de recuperação. 
O plano de recuperação NÃO é um documento jurídico, deve ser elaborado 
por uma equipe multidisciplinar. 
Limites impostos ao Plano de Recuperação: 
i. Possibilidade de mexer nos valores e prazos dos débitos, o que 
será analisado pelos credores; 
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163 
 
ii. Impossibilidade de modificação dos débitos tributários; 
iii. Possibilidade alteração dos créditos trabalhistas que já existiam 
no momento do pedido da recuperação. Pode deixar de pagar em até 01 
ano (há ADI questionando esse dispositivo). O empresário tem o prazo de 
30 dias para pagar até 05 SM por trabalhador se tiver com os salários 
atrasados. Os novos débitos trabalhistas não entram na recuperação, 
devem ser cumpridos normalmente; 
iv. Impossibilidade de afetação de alguns créditos com natureza 
real: ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA, RESERVA DE DOMÍNIO, LEASING e 
CONTRATO DE COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA. Algumas das 
medidas com nítido interesse de recuperação dos bancos 
No prazo de 30 dias, os credores podem apresentar OPOSIÇÃO (peça que 
não demanda justificativa ou motivação). Se não for apresentada a oposição 
será homologado o plano. 
Se for apresentada oposição, o juiz irá convocar uma ASSEMBLÉIA GERAL 
DE CREDORES, no prazo de 150 dias. 
 
CONCORDATA PREVENTIVA RECUPERAÇÃO JUDICIAL 
Benefício do empresário é 
definido: 02 anos para pagamento 
Benefício será escolhido pelo 
empresário: depois de verificada a real 
situação de risco, propõe a solução no 
plano de recuperação. 
Não era uma concordância, não 
tem natureza jurídica contratual. 
Somente ocorrerá se os credores 
concordarem, tem natureza jurídica 
contratual. 
Não há possibilidade de 
concordância dos credores, o 
devedor pede e o juiz defere. É uma 
ORDEM JUDICIAL. 
O juiz não defere a recuperação, 
quem defere são os credores. 
 
ASSEMBLÉIA GERAL DE CREDORES será presidida pelo ADMINISTRADOR 
JUDICIAL, a assembléia é ato extra-judicial. Todos os credores irão comparecer, 
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164 
 
exceto os que estejam fora da afetação do plano de recuperação. Os credores 
serão divididos em 03 grupos:GRUPO DOS 
CREDORES 
TRABALHISTAS 
GRUPO DOS 
CREDORES COM 
GARANTIA REAL 
GRUPO DOS 
CREDORES 
QUIROGRAFÁRIO
S 
FOR
MAÇÃO 
Os empregados 
Normalmente, os 
bancos 
Normalmente, 
os fornecedores 
VOT
AÇÕES 
Por cabeça 
Por cabeça 
Por valor do crédito 
 
O plano estará aprovado nas 05 votações com mais da metade dos votos. 
Se ocorrer a homologação, o plano valerá para todos. 
Se uma das classes NÃO aprova, o juiz de ofício DECRETA A FALÊNCIA DO 
DEVEDOR, em princípio. 
Dependendo das circunstâncias de não aprovação do plano, o juiz poderá 
adotar uma medida que BRINCAS denominou de um PLANO QUASE APROVADO, 
para o plano estar nessa situação deve obedecer aos seguintes requisitos: 
a) duas classes aprovaram; 
b) na classe que não aprovou, o plano teve votos favoráveis de pelo 
menos 1/3, ou seja, de 1/3 a ½; 
c) os credores que representam mais da metade dos créditos 
tenham aprovado o plano. 
Se isso tudo ocorreu, a lei diz que o plano “quase aprovado” vai para a 
decisão do juiz. O juiz PODE ou DEVE deferir o plano? A lei diz que o juiz PODE. 
ATENÇÃO: em que pese a lei dizer isso, o juiz não tem escolha, ele DEVE 
aprovar. O juiz tem qualificação técnica para avaliar o PLANO DE 
RECUPERAÇÃO? É evidente que não, o juiz não tem formação técnica. 
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165 
 
Depois de aprovado o plano, antes de o juiz dar a sentença homologando-
o, há uma etapa no processo, que foi objeto de muita discussão no CN, qual 
seja: apresentação das CND federal, estadual, municipal e INSS. Isso é um 
absurdo, pelo seguinte motivo: quando o empresário está em situação difícil, a 
primeira dívida que deixa de pagar é a do fisco. 
 
8.3.3 - QUESTÕES GENÉRICAS 
Não cumprimento das obrigações previstas no plano; o juiz decreta a 
falência. 
Relação definitiva de credores está no quadro definitivo de credores, que 
sairá somente depois da assembléia geral de credores. Prevendo isso, a lei 
proibiu, em seu artigo 40, que a assembléia está impedida de ocorrer antes de 
o quadro ficar pronto. 
“Art. 40. Não será deferido provimento liminar, de caráter cautelar ou 
antecipatório dos efeitos da tutela, para a suspensão ou adiamento da 
assembléia-geral de credores em razão de pendência de discussão 
acerca da existência, da quantificação ou da classificação de créditos.” 
Obs.: se o credor entrou no plano, não fica inibido de cobrar dos fiadores e 
dos avalistas (fiadores e avalistas não se submetem ao plano de recuperação). 
8.4 - RECUPERAÇÃO ESPECIAL – MICROEMPRESAS E EMPRESAS DE PEQUENO 
PORTE 
As microempresas e empresas de pequeno porte podem utilizar-se da 
recuperação geral ou da recuperação específica, que consiste na possibilidade 
de pagamento dos débitos no prazo de 36 meses. 
Essa modalidade “especial” é muito parecida com a concordata. 
O artigo 71 afirma que a recuperação judicial especial só abrangerá os 
créditos quirografários. 
Segue o mesmo procedimento da recuperação judicial comum. 
Peculiaridades: 
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166 
 
(i) a relação de credores e a habilitação de novos credores 
só abrangem os quirografários; 
(ii) o plano já está pré-pronto, ou o credor adere ao plano, 
ou busca o benefício de uma recuperação comum. 
(iii) Não tem assembléia nessa recuperação 
 
Plano: pagamento em até 36 parcelas mensais, iguais e sucessivas, com 
correção e juros de 12% ao ano, sendo que a primeira parcela deverá ser paga 
em até 180 dias. 
Os credores podem apresentar objeção. Na comum, o juiz convoca 
Assembléia Geral de Credores. Na especial, apresentada objeção, o juiz não 
convoca Assembléia. Ao invés de convocação de Assembléia, o juiz concede a 
recuperação ainda que os credores não tenham concordado com o plano. Mas 
CUIDADO, pois no caso de mais da metade dos créditos quirografários 
apresentarem objeção, o juiz decretará a falência (art. 72, p. único, da NLFR). 
O juiz deverá julgar improcedente a recuperação judicial e decretar a 
falência se houver objeções de credores titulares de mais da metade dos 
créditos quirografários. Se decretada a falência, pior para os credores 
quirografários (art. 72). 
A doutrina critica: será que a recuperação judicial especial atende ao 
princípio da conservação da empresa, será que ela realmente favorece 
a microempresa e a empresa de pequeno porte?36 
Art. 192, §2º - mesmo se está em concordata anterior, a lei determina que 
pode pedir recuperação. Vedado contudo o pedido baseado no plano especial de 
recuperação. É vedado pois é igual a concordata. Ao deferir a recuperação 
extingue a concordata. 
Formas de convolação em falência (artigo 73): 
1 – por deliberação da assembléia geral de credores (quorum geral do 
artigo 42). 
 
36 A Lei viola a necessidade de tratamento diferenciado ao exigir requisito prazo superior a 
oito anos para se ajuizar a recuperação especial (artigo 48). 
 
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167 
 
2 – se perder o prazo improrrogável de 60 dias para apresentar o plano. 
3 – quando houver sido rejeitado o plano pela Assembléia. 
4 – por descumprimento de qualquer obrigação assumida no plano. 
 
8.5 - RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL 
A recuperação extrajudicial é o processo no qual o empresário individual ou 
a sociedade empresária em crise econômico-financeira busca a homologação 
judicial do plano de recuperação proveniente de prévia negociação extrajudicial 
com os respectivos credores, a fim de que as dívidas possam ser pagas em prol 
dos credores, mas em condições também favoráveis ao devedor. 
É um procedimento muito semelhante à CONCORDATA BRANCA (devedor 
negocia diretamente com os credores). O devedor elabora um plano de 
recuperação, no qual não podem entrar: 
 Créditos tributários e 
 Créditos trabalhistas 
O devedor chama os credores em uma assembléia, mas a regra é 
diferente. Os credores que concordarem irão aderir ao plano que terá validade 
para eles, entretanto, os credores que não concordarem não terão aplicado o 
plano para si. Se mais de 3/5 dos credores aderirem, o devedor leva o plano 
para ser homologado judicialmente, nessa hipótese, o plano passa a ter efeito 
erga omnes, inclusive para o 1/5 que discordou. 
 
8.6 - FALÊNCIA 
É chamada pelos doutrinadores de “execução coletiva” ou “execução 
concursal”. 
‘Par conditio creditorum’ – é a igualdade de condições entre os credores. 
Igualdade de tratamento entre os credores. 
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168 
 
Todos os credores irão concorrer com uma parcela do patrimônio do falido. 
 
8.6.1 - CONCEITO DE FALÊNCIA 
É o processo de execução coletiva, no qual todo o patrimônio de um 
empresário declarado falido (pessoa física ou jurídica) é arrecadado, visando o 
pagamento da universalidade de seus credores, de forma completa ou 
proporcional. É um ato judicial complexo, que compreende arrecadação dos 
bens, sua administração e conservação, bem como a verificação e o 
acertamento dos créditos, para posterior liquidação dos bens e rateio entre os 
credores. Compreende também a punição de atos criminosos praticados pelo 
devedor falido (conceito para Ricardo Negrão). 
 
8.6.2 - LEGITIMIDADE ATIVA NA FALÊNCIA 
1. Autofalência – o próprio empresário pede sua falência. Art. 105 da 
NLFR. 
“Art. 105. O devedor em crise econômico-financeira(PRESSUPOSTO DA 
INSOLVÊNCIA) que julgue não atender aos requisitos para pleitear sua 
recuperação judicial (O OBJETIVO DA NOVA LEI DE FALÊNCIA É 
PRESERVAR A EMPRESA, HAJA VISTA A SUA FUNÇÃO SOCIAL – 
MANUTENÇÃO DA FONTE PRODUTORA, DE EMPREGO, RECOLHIMENTO 
DE IMPOSTOS E DESENVOLVIMENTO DA ATIVIDADE EMPRESARIAL NA 
REGIÃO) deverá (É OBRIGATÓRIO, E NÃO FACULDADE) requerer ao 
juízo sua falência, expondo as razões da impossibilidade de 
prosseguimento da atividade empresarial, acompanhadas dos seguintes 
documentos: 
I – demonstrações contábeis referentes aos 3 (três) últimos exercícios 
sociais e as levantadas especialmente para instruir o pedido, 
confeccionadas com estrita observância da legislação societária 
aplicável e compostas obrigatoriamente de: 
a) balanço patrimonial; 
b) demonstração de resultados acumulados; 
c) demonstração do resultado desde o último exercício social; 
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169 
 
d) relatório do fluxo de caixa; 
II – relação nominal dos credores, indicando endereço, importância, 
natureza e classificação dos respectivos créditos; 
III – relação dos bens e direitos que compõem o ativo, com a respectiva 
estimativa de valor e documentos comprobatórios de propriedade; 
IV – prova da condição de empresário, contrato social ou estatuto em 
vigor ou, se não houver, a indicação de todos os sócios, seus endereços 
e a relação de seus bens pessoais; 
V – os livros obrigatórios e documentos contábeis que lhe forem 
exigidos por lei; 
VI – relação de seus administradores nos últimos 5 (cinco) anos, com 
os respectivos endereços, suas funções e participação societária.” 
 
**A INSOLVÊNCIA PODE SER CONFESSADA OU PRESUMIDA. NO CASO DA 
AUTOFALÊNCIA, TEM-SE INSOLVÊNCIA CONFESSADA. 
2. Sócio ou acionista 
3. Empresário individual – se o empresário individual estiver em crise, e 
vier a falecer, é possível que o cônjuge sobrevivente, herdeiro ou inventariante 
peçam a falência. 
4. Qualquer credor, empresário ou não. Duas observações: 
 a) se o credor for empresário, deverá estar devidamente registrado. A 
sociedade em comum, assim, não pode pedir a falência de outrem (pode pedir 
apenas sua autofalência). 
 b) se o credor não tiver domicílio no país, poderá pedir falência de 
sociedade empresária ou de empresário individual, desde que preste caução. 
 Vide artigo 101 da Lei. 
Art. 101. Quem por dolo requerer a falência de outrem será condenado, 
na sentença que julgar improcedente o pedido, a indenizar o 
devedor, apurando-se as perdas e danos em liquidação de sentença. 
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170 
 
§ 1o Havendo mais de 1 (um) autor do pedido de falência, serão 
solidariamente responsáveis aqueles que se conduziram na forma 
prevista no caput deste artigo. 
§ 2o Por ação própria, o terceiro prejudicado também pode reclamar 
indenização dos responsáveis. 
 
Pergunta-se: ¿A SOCIEDADE EM COMUM (ANTIGA SOCIEDADE DE 
FATO) PODE PEDIR AUTOFALÊNCIA? VIDE ARTIGO 105, IV. A SOCIEDADE 
EM COMUM PODE SIM PEDIR AUTOFALÊNCIA, DESDE QUE INDIQUE TODOS OS 
SÓCIOS, SEUS ENDEREÇOS E A RELAÇAO DE SEUS BENS PESSOAIS. Atenção: 
não poderá pedir falência de terceiro, pois não está registrada. 
5. Pedido de falência do espólio (somente para o empresário 
individual). Só podem pedir a falência do espólio o cônjuge sobrevivente, o 
herdeiro e o inventariante – prazo de um ano da morte. 
 Obs.: e se o credor não tem domicílio no país? Só pode pedir a falência se 
prestar caução. EXPLICAÇÃO: questão do dolo no pedido de falência. 
 
8.6.3 - PRESSUPOSTOS DA FALÊNCIA 
A) CRISE ECONÔMICO-FINANCEIRA. 
B) JULGUE NÃO ATENDER OS REQUISITOS DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL. 
C) DEVERÁ PEDIR A AUTOFALÊNCIA (EMPRESÁRIO OU SOCIEDADE 
EMPRESÁRIA). 
 
8.6.4 - PRINCÍPIOS INFORMADORES DO PROCESSO FALIMENTAR 
Artigo 75, parágrafo único: CELERIDADE e ECONOMIA PROCESSUAL. 
“Art. 75. A falência, ao promover o afastamento do devedor de suas 
atividades, visa a preservar e otimizar a utilização produtiva dos bens, 
ativos e recursos produtivos, inclusive os intangíveis, da empresa. 
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171 
 
Parágrafo único. O processo de falência atenderá aos princípios da 
celeridade e da economia processual.” 
 
8.6.5 - LEGITIMIDADE PASSIVA NA FALÊNCIA 
O artigo 1º: 
“Art. 1o Esta Lei disciplina a recuperação judicial, a recuperação 
extrajudicial e a falência do empresário e da sociedade empresária, 
doravante referidos simplesmente como devedor.” 
Não é possível falência de sociedade simples, por exemplo, já que é tida 
como não empresária. 
O artigo 982, parágrafo único, do CC: as cooperativas sempre serão 
sociedades simples, de modo que não podem falir. 
Alguns empresários estão excluídos do processo falimentar (artigo 2º). 
“Art. 2o Esta Lei não se aplica a: 
I – empresa pública e sociedade de economia mista; 
SÃO OS TOTALMENTE EXCLUÍDOS. 
II – instituição financeira pública ou privada, cooperativa de crédito, 
consórcio, entidade de previdência complementar, sociedade operadora 
de plano de assistência à saúde, sociedade seguradora, sociedade de 
capitalização e outras entidades legalmente equiparadas às anteriores. 
SÃO OS PARCIALMENTE EXCLUÍDOS. 
 
EXCLUÍDOS TOTALMENTE: empresa pública e sociedade de economia 
mista. O artigo 193 traz mais uma hipótese: Câmara ou prestadora de 
serviço de compensação bancária. 
“Art. 193. O disposto nesta Lei não afeta as obrigações 
assumidas no âmbito das câmaras ou prestadoras de serviços 
de compensação e de liquidação financeira, que serão 
ultimadas e liquidadas pela câmara ou prestador de serviços, na 
forma de seus regulamentos.” 
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172 
 
EXCLUÍDOS PARCIALMENTE: instituição financeira pública ou privada; 
cooperativa de crédito; consórcio; entidade de previdência complementar; 
operadora de plano de saúde; sociedade de capitalização; e outras entidades 
legalmente equiparadas (exemplo: sociedade de arrendamento 
mercantil/leasing). 
A princípio, nenhuma dessas entidades do inciso II pode passar pelo 
procedimento de falência. Entretanto, todas podem passar por liquidação 
extrajudicial, em que será nomeado liquidante, que, ele sim, poderá pedir a 
falência. 
 Completando os pressupostos: 
 Insolvência (confessada ou presumida). 
 Condição de empresário ou de sociedade empresária. 
8.6.6 - JUÍZO COMPETENTE DA FALÊNCIA 
Não é na Justiça Federal! É na Justiça comum estadual 
“Art. 3o É competente para homologar o plano de recuperação 
extrajudicial, deferir a recuperação judicial ou decretar a 
falência o juízo do local do principal estabelecimento do 
devedor ou da filial de empresa que tenha sede fora do 
Brasil.” 
Pergunta-se: ¿qual critério é usado para se definir o estabelecimento 
principal? Três correntes: 
 a) sede estatutária ou contratual. 
 b) sede administrativa (Miranda Valverde). 
 c) critério econômico – é corrente majoritária (defendida por Oscar 
Barreto Filho). É o estabelecimento que possui maior complexo de bens (é a 
posição que procura evitar fraudes). A finalidade da falência é justamente 
arrecadar os bens, vendê-los, e pagar os credores. É a posição defendida 
também por Fábio Ulhoa Coelho. É o que se chama de domicílio real (centro 
vital das principais atividades do empresário ou da sociedade empresária). 
CORRENTE ADOTADA PELO STJ. 
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173 
 
8.6.7 - FASES DO PROCESSO FALIMENTAR 
1ª fase – fase pré-falimentar. 
Início: pedido de falência. 
Término: sentença declaratória. 
2ª fase – fase falimentar. 
Início: sentença declaratória. 
Término: sentença de encerramento. 
3ª fase – fase de reabilitação. 
Início: sentença de extinção das obrigações do falido. 
8.6.8 - FUNDAMENTOS JURÍDICOS DO PEDIDO DE FALÊNCIA 
a) Art. 94, inciso I, da L. 11101/200537 – é o que a doutrina chama 
de ‘impontualidade injustificada’. 
b) Art. 94, inciso II, da L. 11101/200538 – chamado de execução 
frustrada ou “tríplice omissão”. 
Ocorre quando o devedor é executado por qualquer quantia líquida 
(QUALQUER QUANTIA), e não paga, não deposita e nem nomeia bens 
suficientes para a penhora dentro do prazo legal. 
c) Art. 94, inciso III, da L. 11101/200539 – são os “atos de falência”. 
 
37 “Art. 94. Será decretada a falência do devedor que: 
I – sem relevante razão de direito, não paga, no vencimento, obrigação líquida materializada em título 
ou títulos executivos protestados – PROTESTO ESPECIAL PARA FINS FALIMENTARES, DO ARTIGO 
94, §3º - (NÃO SÓ QUANDO SE TRATAR DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL; NADA IMPEDE O PEDIDO 
DE FALÊNCIA COM BASE EM SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO, mesmo que oriunda da 
Justiça do Trabalho, desde que o título seja protestado) cuja soma ultrapasse o equivalente a 
40 (quarenta) salários-mínimos na data do pedido de falência (A LEI PERMITE 
LITISCONSORTES, A FIM DE SOMAR O VALOR – ARTIGO 94, §1º);” 
38 “II – EXECUTADO POR QUALQUER QUANTIA LÍQUIDA, NÃO PAGA, NÃO DEPOSITA E NÃO NOMEIA 
À PENHORA BENS SUFICIENTES DENTRO DO PRAZO LEGAL;” 
39 “III – pratica qualquer dos seguintes atos, exceto se fizer parte de plano de recuperação judicial: 
a) procede à liquidação precipitada de seus ativos ou lança mão de meio ruinoso ou fraudulento para 
realizar pagamentos; 
É O CASO DA LIQUIDAÇÃO PRECIPTADA. É QUANDO O EMPRESÁRIO SE DESFAZ DOS SEUS BENS, SEM 
REPOSIÇÃO (“a mercadoria vai sumindo aos poucos”). 
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174 
 
São atos, condutas, comportamentos que estão previamente elencados na 
Lei. Há presunção de que estão em estado de insolvência. 
Caso do art. 94, III, ‘g’ A NOVA LEI DE FALÊNCIA PREVÊ QUE NA 
RECUPERAÇÃO JUDICIAL SE TEM O PRAZO DE DOIS ANOS PARA CUMPRI-LA 
(ARTIGO 61). 
SE O DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ASSUMIDA OCORREU DENTRO 
DESSE PRAZO DE DOIS ANOS (ARTIGO 73, IV), HAVERÁ A CONVOLAÇÃO (A 
RECUPERAÇÃO JUDICIAL SERÁ CONVOLADA EM FALÊNCIA). 
SE O PRAZO DA RECUPERAÇÃO FOR DE CINCO ANOS (PODERÁ TER PRAZO 
SUPERIOR A DOIS ANOS, DESDE QUE OS CREDORES ACEITEM), E O 
DESCUMPRIMENTO OCORREU DEPOIS DO PRAZO DE DOIS ANOS, MAS DENTRO 
DO PRAZO DE CINCO, O JUIZ NÃO DECRETARÁ A FALÊNCIA (A NÃO SER QUE O 
CREDOR PREJUDICADO PROPONHA AÇÃO DE FALÊNCIA, QUE PODE TER 
FUNDAMENTO NO ARTIGO 94, III, “g”). 
8.6.9 - INSOLVÊNCIA DO DEVEDOR 
A L. 11101/2005 não exige um passivo maior que ativo. Trata-se de 
insolvência jurídica, e não econômica. 
Ocorrendo qualquer um dos casos em lei (insolvência confessada ou 
presumida), o juiz decretará a falência. 
8.6.10 - HIPÓTESES DE MANIFESTAÇÃO DO DEVEDOR APÓS SUA CITAÇÃO 
A citação na falência é realizada tanto por oficial de justiça quanto por 
edital. 
 
b) realiza ou, por atos inequívocos, tenta realizar, com o objetivo de retardar pagamentos ou fraudar 
credores, negócio simulado ou alienação de parte ou da totalidade de seu ativo a terceiro, credor ou não; 
c) transfere estabelecimento a terceiro, credor ou não, sem o consentimento de todos os credores e sem 
ficar com bens suficientes para solver seu passivo; 
d) simula a transferência de seu principal estabelecimento com o objetivo de burlar a legislação ou a 
fiscalização ou para prejudicar credor; 
e) dá ou reforça garantia a credor por dívida contraída anteriormente sem ficar com bens livres e 
desembaraçados suficientes para saldar seu passivo; 
f) ausenta-se sem deixar representante habilitado e com recursos suficientes para pagar os credores, 
abandona estabelecimento ou tenta ocultar-se de seu domicílio, do local de sua sede ou de seu principal 
estabelecimento; 
g) deixa de cumprir, no prazo estabelecido, obrigação assumida no plano de recuperação judicial.” 
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175 
 
Distribuída a ação de falência, o devedor é citado para se manifestar. 
“Art. 98. Citado, o devedor poderá apresentar contestação no prazo de 
10 (dez) dias. 
Parágrafo único. Nos pedidos baseados nos incisos I e II do caput do 
art. 94 desta Lei, o devedor poderá, no prazo da contestação, depositar 
o valor correspondente ao total do crédito, acrescido de correção 
monetária, juros e honorários advocatícios, hipótese em que a falência 
não será decretada e, caso julgado procedente o pedido de falência, o 
juiz ordenará o levantamento do valor pelo autor.” 
 
Além da contestação, poderá o devedor apresentar o depósito elisivo 
(significa impedir). 
Se o devedor apresentar depósito elisivo, o juiz está impedido de decretar 
a falência. 
Requisitos do depósito elisivo: 
 OBS. 1: o depósito elisivo deve ser efetuado dentro do prazo de 
contestação. 
 OBS. 2: artigo 98, parágrafo único 40: o depósito elisivo é o valor 
principal, acrescido de correção monetária, juros e honorários advocatícios. 
 OBS. 3: só é possível do depósito elisivo nos casos dos incisos I e II 
do artigo 94. Assim, não cabe o depósito quando a falência tiver fundamento 
nos atos de falência (resposta de primeira fase de concurso). Acontece que a 
doutrina é majoritária no sentido de que também é pertinente depósito elisivo, 
mesmo quando se tratar de atos de falência. Não há incompatibilidade, de 
modo que deve ser aceito (resposta de segunda fase de concurso). 
 O devedor poderá, além de depositar, apresentar a contestação. 
 
40 “PARÁGRAFO ÚNICO. NOS PEDIDOS BASEADOS NOS INCISOS I E II DO CAPUT DO ART. 94 DESTA 
LEI, O DEVEDOR PODERÁ, NO PRAZO DA CONTESTAÇÃO, DEPOSITAR O VALOR CORRESPONDENTE 
AO TOTAL DO CRÉDITO, ACRESCIDO DE CORREÇÃO MONETÁRIA, JUROS E HONORÁRIOS 
ADVOCATÍCIOS, HIPÓTESE EM QUE A FALÊNCIA NÃO SERÁ DECRETADA E, CASO JULGADO 
PROCEDENTE O PEDIDO DE FALÊNCIA, O JUIZ ORDENARÁ O LEVANTAMENTO DO VALOR PELO 
AUTOR.” 
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176 
 
O art. 95 da NLFR traz, ainda, a possibilidade de, dentro do prazo de 
contestação, o devedor pedir recuperação judicial. 
8.6.11 - DECISÃO JUDICIAL 
Na prática, todo juiz marca audiência de conciliação. É um modo de fugir 
da falência. O juiz homologa o acordo que, uma vez descumprido, dá ensejo à 
execução de seu teor, sem que tenha sido decretada a falência. 
O juiz proferirá sentença: a sentença pode ser PROCEDENTE (denomina-
se declaratória) ou IMPROCEDENTE (denomina-se denegatória). 
Pergunta-se: ¿quais são os recursos cabíveis para cada uma dessas 
sentenças? (Artigo 100 da L. 11101/2005). Se a sentença for declaratória, 
comportará recurso de AGRAVO DE INSTRUMENTO. Se a sentença for 
denegatória, comportará recurso de APELAÇÃO. 
Pergunta-se: ¿o devedor tem interesse em apelar? Sim! Nos casos de 
autofalência, o devedor tambémtem interesse em apelar. 
Esquematização: pedido da falência juiz sentencia Declaratória, 
decreta a falência Posteriormente, haverá outra sentença, de encerramento. 
Artigo 102 da L. 11101/2005: quando o juiz decretar a falência, o 
empresário fica inabilitado para exercer atividade empresarial. A reabilitação 
ficará dependente de outra sentença, denominada de sentença de extinção das 
obrigações do falido. 
O agravo de instrumento pode ser interposto pelo devedor, pelo MP (fiscal 
da lei) e também pelo credor. 
Diante de sentença denegatória, a apelação pode ser interposta pelo 
credor, pelo MP e também pelo devedor (quando o devedor pedir a 
autofalência). 
 
SENTENÇA DECLARATÓRIA: 
Requisitos: artigo 99 da Lei. 
“Art. 99. A sentença que decretar a falência do devedor, dentre outras 
determinações: 
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177 
 
I – conterá a síntese do pedido, a identificação do falido e os nomes dos 
que forem a esse tempo seus administradores; 
II – fixará o termo legal da falência, sem poder retrotraí-lo por mais 
de 90 (noventa) dias contados do pedido de falência, do pedido de 
recuperação judicial ou do 1o (primeiro) protesto por falta de 
pagamento, excluindo-se, para esta finalidade, os protestos que 
tenham sido cancelados; 
III – ordenará ao falido que apresente, no prazo máximo de 5 (cinco) 
dias, relação nominal dos credores, indicando endereço, importância, 
natureza e classificação dos respectivos créditos, se esta já não se 
encontrar nos autos, sob pena de desobediência; 
IV – explicitará o prazo para as habilitações de crédito, observado o 
disposto no § 1o do art. 7o desta Lei; 
V – ordenará a suspensão de todas as ações ou execuções contra o 
falido, ressalvadas as hipóteses previstas nos §§ 1o e 2o do art. 6o desta 
Lei; 
VI – proibirá a prática de qualquer ato de disposição ou oneração de 
bens do falido, submetendo-os preliminarmente à autorização judicial e 
do Comitê, se houver, ressalvados os bens cuja venda faça parte das 
atividades normais do devedor se autorizada a continuação provisória 
nos termos do inciso XI do caput deste artigo; 
VII – determinará as diligências necessárias para salvaguardar os 
interesses das partes envolvidas, podendo ordenar a prisão preventiva 
do falido ou de seus administradores quando requerida com 
fundamento em provas da prática de crime definido nesta Lei; 
VIII – ordenará ao Registro Público de Empresas que proceda à 
anotação da falência no registro do devedor, para que conste a 
expressão "Falido", a data da decretação da falência e a inabilitação de 
que trata o art. 102 desta Lei; 
IX – nomeará o administrador judicial, que desempenhará suas funções 
na forma do inciso III do caput do art. 22 desta Lei sem prejuízo do 
disposto na alínea a do inciso II do caput do art. 35 desta Lei; 
X – determinará a expedição de ofícios aos órgãos e repartições 
públicas e outras entidades para que informem a existência de bens e 
direitos do falido; 
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XI – pronunciar-se-á a respeito da continuação provisória das 
atividades do falido com o administrador judicial ou da lacração dos 
estabelecimentos, observado o disposto no art. 109 desta Lei; 
XII – determinará, quando entender conveniente, a convocação da 
assembléia-geral de credores para a constituição de Comitê de 
Credores, podendo ainda autorizar a manutenção do Comitê 
eventualmente em funcionamento na recuperação judicial quando da 
decretação da falência; 
XIII – ordenará a intimação do Ministério Público e a comunicação por 
carta às Fazendas Públicas Federal e de todos os Estados e Municípios 
em que o devedor tiver estabelecimento, para que tomem 
conhecimento da falência. 
Parágrafo único. O juiz ordenará a publicação de edital contendo a 
íntegra da decisão que decreta a falência e a relação de credores.” 
 
**Art. 99, inciso II – termo legal CARVALHO DE MENDONÇA CHAMA 
TERMO LEGAL DE “PERÍODO SUSPEITO”. É LAPSO TEMPORAL QUE ANTECEDE A 
FALÊNCIA. 
SE O EMPRESÁRIO FALIDO PRATICAR ATOS ELENCADOS NO ARTIGO 129 
NO PERÍODO SUSPEITO, ESSES ATOS SERÃO CONSIDERADOS INEFICAZES. 
FÁBIO UHOA COELHO CHAMA DE INEFICÁCIA OBJETIVA (NÃO SE APURA A 
INTENÇÃO DO DEVEDOR). 
O TERMO LEGAL É FIXADO DENTRO DA SENTENÇA DECLARTÓRIA. O 
TERMO LEGAL NÃO PODE RETROTRAIR POR MAIS DE 90 DIAS. 
CONTA-SE 90 DIAS A PARTIR OU DO PEDIDO DA FALÊNCIA, OU DO 
PEDIDO DA RECUPERAÇÃO JUIDICIAL, OU DA DATA DO PRIMEIRO PROTESTO. 
ARTIGO 94, III – PEDIDO A PARTIR DA FALÊNCIA. 
ARTIGO 94, I E II – DATA DO PRIMEIRO PROTESTO. 
CASO DE CONVOLAÇÃO DA RECUPERÇÃO JUDICIAL EM FALÊNCIA - DATA 
DO PEDIDO DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL. 
 
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**Art. 99, IX nomeação de administrador judicial. O juiz, diretamente, 
nomeia o administrador judicial, que representa a massa falida e serve como 
“auxiliar do juízo”. 
 
Vide art. 21 da L. 11101/2005: -preferência e ordem obedecidas- 
“Art. 21. O administrador judicial será profissional idôneo, 
preferencialmente advogado, economista, administrador de empresas 
ou contador, ou pessoa jurídica especializada. 
Parágrafo único. Se o administrador judicial nomeado for pessoa 
jurídica, declarar-se-á, no termo de que trata o art. 33 desta Lei, o 
nome de profissional responsável pela condução do processo de falência 
ou de recuperação judicial, que não poderá ser substituído sem 
autorização do juiz.” 
 
Cuidado: questão de prova CESPE – art. 22, inciso III, letra ‘d’: 
“Art. 22. Ao administrador judicial compete, sob a fiscalização do juiz e 
do Comitê, além de outros deveres que esta Lei lhe impõe: 
(...) 
III – na falência: 
(...) 
d) receber e abrir a correspondência dirigida ao devedor, entregando a 
ele o que não for assunto de interesse da massa; 
(...)” 
 
Obs.: a doutrina critica esse dispositivo – alegação de 
inconstitucionalidade. 
8.6.12 - ATOS INEFICAZES 
“Art. 129. São ineficazes em relação à massa falida, tenha ou não o 
contratante conhecimento do estado de crise econômico-financeira do 
devedor, seja ou não intenção deste fraudar credores: 
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I – o pagamento de dívidas não vencidas realizado pelo devedor dentro 
do termo legal, por qualquer meio extintivo do direito de crédito, ainda 
que pelo desconto do próprio título; 
II – o pagamento de dívidas vencidas e exigíveis realizado dentro do 
termo legal, por qualquer forma que não seja a prevista pelo contrato; 
III – a constituição de direito real de garantia, inclusive a retenção, 
dentro do termo legal, tratando-se de dívida contraída anteriormente; 
se os bens dados em hipoteca forem objeto de outras posteriores, a 
massa falida receberá a parte que devia caber ao credor da hipoteca 
revogada; 
IV – a prática de atos a título gratuito, desde 2 (dois) anos antes da 
decretação da falência; 
V – a renúncia à herança ou a legado, até 2 (dois) anos antes da 
decretação da falência; 
VI – a venda ou transferência de estabelecimento feita sem o 
consentimento expresso ou o pagamento de todos os credores, a esse 
tempo existentes, não tendo restado ao devedor bens suficientes para 
solver o seu passivo, salvo se, no prazo de 30 (trinta) dias, não houver 
oposição dos credores, após serem devidamente notificados, 
judicialmente ou pelo oficial do registro de títulos e documentos;VII – os registros de direitos reais e de transferência de propriedade 
entre vivos, por título oneroso ou gratuito, ou a averbação relativa a 
imóveis realizados após a decretação da falência, salvo se tiver havido 
prenotação anterior. 
Parágrafo único. A ineficácia poderá ser declarada de ofício pelo juiz, 
alegada em defesa ou pleiteada mediante ação própria ou 
incidentalmente no curso do processo.” 
 
A doutrina afirma que o juiz pode, de ofício, decretar a ineficácia dos atos, 
pois não se apura a intenção do devedor. 
8.6.13 - ATOS REVOGÁVEIS 
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181 
 
Fábio Ulhôa Coelho chama de atos de ineficácia subjetiva, pois só serão 
revogados se verificada a intenção do devedor (apura-se o ânimo do devedor – 
conluio fraudulento). 
“Art. 130. São revogáveis os atos praticados com a intenção de 
prejudicar credores, provando-se o conluio fraudulento entre o devedor 
e o terceiro que com ele contratar e o efetivo prejuízo sofrido pela 
massa falida.” 
 
ATENÇÃO: a ineficácia subjetiva não pode ser decretada de ofício pelo juiz 
– tem que ser por ação própria. Por seu turno, a eficácia objetiva pode ser 
declarada de ofício (art. 129, p. único, da L. 11101/2005). 
 
Obs.: F.U.C. diz que a ação própria é inominada (A LEI NÃO DEU NOME). 
NOS CASOS DO ARTIGO 130, A AÇÃO SE DENOMINA REVOCATÓRIA. É 
POSIÇÃO MINORITÁRIA. 
DOUTRINA MAJORITÁRIA: TANTO OS CASOS DO ARTIGO 129 
QUANTO OS CASOS DO ARTIGO 130, A AÇÃO É REVOCATÓRIA. POSIÇÃO 
DE RICARDO NEGRÃO, AMADOR PAES DE ALMEIDA, SÉRGIO CAMPINHO. 
“Art. 132. A ação revocatória, de que trata o art. 130 desta Lei, deverá 
ser proposta pelo administrador judicial, por qualquer credor ou pelo 
Ministério Público no prazo de 3 (três) anos contado da decretação da 
falência.” 
 
O PRAZO FOI AMPLIADO DE UM PARA TRÊS ANOS, A CONTAR DA 
DECRETAÇÃO DA FALÊNCIA. 
O MP NÃO TINHA LEGITIMIDADE – AGORA PASSOU A TER. 
A ação revocatória deve observar o rito ordinário. 
ATENÇÃO: o termo legal não poderá RETROTRAIR por mais de 90 
(noventa) dias. 
8.6.14 - EFEITOS DA SENTENÇA DECLARATÓRIA 
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182 
 
Efeitos da sentença declaratória quanto ao falido 
Vide art. 102: 
“Art. 102. O falido fica inabilitado para exercer qualquer atividade 
empresarial a partir da decretação da falência e até a sentença que 
extingue suas obrigações, respeitado o disposto no § 1o do art. 181 
desta Lei. 
Parágrafo único. Findo o período de inabilitação, o falido poderá 
requerer ao juiz da falência que proceda à respectiva anotação em seu 
registro.” 
 
-O empresário fica inabilitado para exercer a atividade empresarial. Só 
após a sentença de extinção das obrigações do falido é que o empresário pode 
exercer atividade empresarial. 
Pergunta-se: ¿e se for uma sociedade empresária? Se a soc. for LTDA ou 
se for uma S.A., somente a sociedade terá a inabilitação decretada, e não a 
pessoa dos sócios. 
Obs.: se o juiz decretar a falência das concessionárias de serv. públicos, 
deve haver extinção da concessão (art. 195 da NLFR41). 
 
Efeitos da sentença declaratória quanto aos credores 
Constituição da massa falida – só há que se falar em massa falida após 
uma sentença declaratória. 
Pergunta-se: ¿o que é massa falida? Há doutrina que divide a massa falida 
em objetiva e subjetiva. Esta seria a reunião dos credores, ao passo que aquela 
se configuraria como o patrimônio reunido do devedor. 
Com a decretação da falência, deve haver o vencimento antecipado da 
dívida. 
 
41 “ART. 195. A DECRETAÇÃO DA FALÊNCIA DAS CONCESSIONÁRIAS DE SERVIÇOS PÚBLICOS 
IMPLICA EXTINÇÃO DA CONCESSÃO, NA FORMA DA LEI.” 
 
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183 
 
Há, também, ao se decretar a falência, a suspensão da fluência de juros e 
a suspensão de todas as ações e execuções contra o falido. 
O juízo da falência é o juízo universal, ou seja, atrai para si todas as ações 
e execuções contra o falido (vis attrativa). 
Haverá um único processo de falência para o mesmo devedor, o que além 
de evitar repetição de atos (economia processual) e decisões contraditórias, dá 
tratamento isonômico aos credores que venham a ostentar uma mesma 
condição jurídica em relação aos bens que compõem a massa, assegurando 
maior celeridade e eficiência ao processo falimentar. 
Obs.: exceções ao juízo universal – 
a) Ação trabalhista; 
b) Ações fiscais; 
c) Ações que demandem quantia ilíquida; 
d) Ações em que o falido for autor ou litisconsorte ativo, e 
e) Os casos do art. 109, inciso I, da CRFB42. 
 
Com a decretação de falência, há ainda a suspensão do curso da prescrição 
das obrigações do falido (encerra com o trânsito em julgado da sentença de 
encerramento). 
Pergunta-se: ¿qual é a natureza jurídica da sentença declaratória de 
falência? É constitutiva (constitui a massa falida, nomeia administrador 
judicial, provoca o vencimento antecipado da dívida, etc.). 
7.6.15 - ARRECADAÇÃO DOS BENS 
Serão arrecadados todos os bens que estão na posse do falido, não 
necessitando o administrador judicial de verificar quais são realmente os bens 
do falido. 
 
42 “I - AS CAUSAS EM QUE A UNIÃO, ENTIDADE AUTÁRQUICA OU EMPRESA PÚBLICA FEDERAL 
FOREM INTERESSADAS NA CONDIÇÃO DE AUTORAS, RÉS, ASSISTENTES OU OPONENTES, EXCETO 
AS DE FALÊNCIA, AS DE ACIDENTES DE TRABALHO E AS SUJEITAS À JUSTIÇA ELEITORAL E À 
JUSTIÇA DO TRABALHO;” 
 
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184 
 
Como deve proceder o proprietário? O proprietário vai habilitar o 
crédito na falência? Não! O credor tem a seu favor o pedido de restituição 
(artigo 85). 
“Art. 85. O proprietário de bem arrecadado no processo de falência ou 
que se encontre em poder do devedor na data da decretação da falência 
poderá pedir sua restituição. 
Parágrafo único. Também pode ser pedida a restituição de coisa 
vendida a crédito e entregue ao devedor nos 15 (quinze) dias anteriores 
ao requerimento de sua falência, se ainda não alienada.” 
 
Os bens são arrecadados para posterior avaliação. 
Após a avaliação dos bens, será realizado o ativo (‘venda judicial dos 
bens’). 
7.6.16 - DA REALIZAÇÃO DO ATIVO 
É a venda judicial de bens. 
Findas a arrecadação e a avaliação de bens, e juntados o auto de 
arrecadação e o laudo de avaliação aos autos do processo falimentar, tem início 
a realização do ativo, com a alienação dos bens arrecadados e o pagamento dos 
credores (art. 139 da NLFR). 
 
Modalidades de realização do ativo 
a) Leilão, 
b) Proposta fechada, e 
c) Pregão. 
 
O pregão é modalidade híbrida, pois mistura o leilão e a proposta fechada. 
Obs.: qualquer uma das modalidades acima necessita de intimação do MP, 
sob pena de nulidade. 
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185 
 
Obs.2: dívida tributária, dívida trabalhista e dívida de acidente de trabalho 
– o arrematante fica livre de qualquer ônus43. 
 
Pagamento dos credores 
Sentença declaratória publicação da sentença em Edital arrecadação 
dos bens r. do ativo 15 dias para o credor habilitar crédito 
Obs.: a habilitação de créditos deve ser encaminhada ao administrador 
judicial. 
A relação dos credores deve ser publicada no prazo de 45 dias. 
Com a publicaçãoda relação de credores, é aberto prazo de 15 dias para a 
impugnação dessa relação. ATENÇÃO: só haverá pagamento de credores, nos 
casos de impugnação, após o trânsito em julgado da última impugnação. Após o 
trânsito em julgado da última impugnação, é formado o quadro geral de 
credores. 
Com a realização do ativo, deve ocorrer o pagamento dos credores. 
O pagamento dos credores deve obedecer a seguinte ordem: 
1- Despesas da administração da falência (Art. 150 da NLFR). 
2- Créditos trabalhistas de natureza estritamente salarial vencidos três 
meses anteriores à decretação da falência (art. 151 da NLFR). 
Obs: os créditos acima são pagos tão logo haja disponibilidade de caixa. 
3- Restituições (art. 149 da NLFR). 
4- Crédito extraconcursal (art. 84 da NLFR). A dívida é da massa falida. 
5- Art. 83 da NLFR (ordem de classificação dos créditos na falência). São 
créditos do falido. 
 
43 “Art. 141. Na alienação conjunta ou separada de ativos, inclusive da empresa ou de suas filiais, 
promovida sob qualquer das modalidades de que trata este artigo: 
(...) 
II – o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas 
obrigações do devedor, inclusive as de natureza tributária, as derivadas da legislação do trabalho e as 
decorrentes de acidentes de trabalho.” 
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186 
 
a) crédito trabalhista até 150 SM por credor e acidente de trabalho (todo 
crédito trabalhista que exceder a 150 SM será considerado crédito 
quirografário44); 
Obs.: a comissão do representante comercial é equiparada a crédito 
trabalhista para fins falimentares. 
b) crédito com garantia real; 
c) crédito tributário (obs.: excetuadas as multas tributárias); 
d) crédito com privilégio especial; 
e) crédito com privilégio geral (caso do art. 965 do CC); 
f) crédito quirografário (títulos de crédito e contratos em geral); 
g) multas (inclusive as multas de natureza tributária), e 
h) subordinados. 
 
Reabilitação 
O empresário só estará reabilitado com a sentença de extinção das 
obrigações do falido. 
“Art. 158. Extingue as obrigações do falido: 
I – o pagamento de todos os créditos; 
II – o pagamento, depois de realizado todo o ativo, de mais de 50% 
(cinqüenta por cento) dos créditos quirografários, sendo facultado ao 
falido o depósito da quantia necessária para atingir essa porcentagem 
se para tanto não bastou a integral liquidação do ativo; 
III – o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado do encerramento da 
falência, se o falido não tiver sido condenado por prática de crime 
previsto nesta Lei; 
IV – o decurso do prazo de 10 (dez) anos, contado do encerramento da 
falência, se o falido tiver sido condenado por prática de crime previsto 
nesta Lei.” 
 
44 ATENÇÃO: todo crédito trabalhista cedido a terceiro é considerado quirografário. 
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187 
 
8.6.17 - ASPECTOS CRIMINAIS NA FALÊNCIA 
Condição objetiva de punibilidade 
As mudanças processuais penais foram muitas. 
“Art. 180. A sentença que decreta a falência, concede a recuperação 
judicial ou concede a recuperação extrajudicial de que trata o art. 163 
desta Lei é condição objetiva de punibilidade das infrações penais 
descritas nesta Lei.” 
 
**Condição objetiva de punibilidade: é a condição exterior à conduta 
delituosa, não abrangida pelo elemento subjetivo do agente, que, como regra, 
está fora do tipo penal, tornando-se requisito para a punição efetivar-se. Ela 
não necessita ser coberta pelo dolo do autor da infração penal. Por isso, a 
generalização empregada no art. 180 desta Lei não compreende à realidade dos 
seus tipos penais. Pode ser, em algumas situações. Noutras, não. Tomemos 
exemplos: a) se o empresário pratica atos fraudulentos, em prejuízo de 
credores, obtendo vantagem indevida para si, antes da falência, não pode ser 
processado pelo crime descrito no art. 168, devendo se aguardar a condição 
objetiva de punibilidade, consistente no advento da sentença de quebra, para 
que o fato se torne penalmente relevante; b) entretanto, ainda no contexto do 
art. 168, se o empresário falido, portanto, com sentença de quebra existente, 
pratica ato fraudulento, em detrimento de credores, beneficiando-se, comete 
automaticamente o crime, sem necessidade de nenhuma condição objetiva de 
punibilidade. Nesse caso, a existência de falência foi somente um pressuposto 
para o seu ato criminoso, mas não funciona como condição objetiva para 
punição. Aliás, se o empresário assim age, é natural que o dolo envolva o seu 
estado de falido, outra razão pela qual não se pode considerar a decisão de 
quebra como condição objetiva de punibilidade. Na primeira situação, ao 
cometer atos fraudulentos em seu benefício, o empresário não necessita nem 
mesmo imaginar que tal conduta poderá levar sua empresa à falência. Por isso, 
a decisão de quebra está fora do seu dolo e funciona, agora sim, como condição 
objetiva de punição. 
A sentença de falência é uma condição genérica da ação: possibilidade 
jurídica do pedido. Muitos doutrinadores afirmam que se trata de uma 
CONDIÇÃO OBJETIVA DE PUNIBILIDADE por EQUIPARAÇÃO LEGAL. 
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188 
 
Condição objetiva de punibilidade é a condição exigida em DIREITO PENAL, 
para que o fato se torne punível (ciência penal). A sentença de falência não é 
da ciência criminal, sempre foi CONDIÇÃO DE PROSSEGUIBILIDADE. 
Assim, a natureza jurídica desse artigo 180 é de CONDIÇÃO OBJETIVA DE 
PUNIBILIDADE POR EQUIPARAÇÃO LEGAL, porque não é um instituto de 
natureza penal, é processual penal, mas que o legislador equiparou à condição 
objetiva de punibilidade. 
JAIME WALMER FREITAS: As sentenças de quebra, concessiva de 
recuperação judicial ou extrajudicial homologada (LFRE, art. 163) são 
pressupostos da ação penal por crime falimentar. A discussão sobre sua 
natureza jurídica: condição específica de procedibilidade, condição objetiva de 
punibilidade ou elemento constitutivo do tipo falimentar fez com que o 
legislador tentasse por fim à controvérsia, optando por defini-la como condição 
objetiva de punibilidade. Contudo, se é condição de punibilidade quanto aos 
crimes ante-falimentares ou ante-recuperação judicial, qual será sua natureza 
em face dos crimes pós-falimentares ou pós-recuperação judicial? Sem dúvida, 
constituirá elemento constitutivo do tipo. 
 
Prescrição dos crimes falimentares 
Na lei antiga o prazo era BIENAL. 
Duas súmulas do STF tratavam do assunto e deverão ser canceladas (147), 
por conta da nova redação da LEI DE FALÊNCIA. 
“147 - A prescrição de crime falimentar começa a correr da data em 
que deveria estar encerrada a falência, ou do trânsito em julgado da 
sentença que a encerrar ou que julgar cumprida a concordata.” 
De relevo acrescentar que o legislador falimentar deixou de criar regras de 
direito material sobre os crimes falimentares, remetendo o aplicador do direito 
ao CP, o que deve ser elogiado, porquanto as diversas interpretações geradas 
por Súmulas do STF tornavam o tema sempre polêmico. 
Para espancar dúvidas, quanto ao termo a quo da fluência do lapso 
temporal da prescrição, foi categórico no art. 182 da LFRE. 
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“Art. 182. A prescrição dos crimes previstos nesta Leireger-se-á pelas 
disposições do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 
1940 - Código Penal, começando a correr do dia da decretação da 
falência, da concessão da recuperação judicial ou da homologação do 
plano de recuperação extrajudicial. 
Parágrafo único. A decretação da falência do devedor interrompe a 
prescrição cuja contagem tenha iniciado com a concessão da 
recuperação judicial ou com a homologação do plano de recuperação 
extrajudicial.” 
 
Significa que o lapso prescricional é regulado pelos prazos e regras 
constantes dos arts. 109 e seguintes do CP. 
Se assim é, a contagem se inicia na data do fato e, em não sendo apurada, 
começará a fluir do dia da decretação da falência, da concessão da recuperação 
judicial ou da homologação do plano de recuperação extrajudicial. 
Caso tenha o devedor, a princípio, se beneficiado com a concessão da 
recuperação judicial ou de homologação do plano de recuperação extrajudicial 
e, posteriormente, é decretada sua quebra, temos dois marcos prescricionais, 
aquele e este como causas interruptivas. 
Não se olvide que as demais causas interruptivas previstas no art. 117 do 
CP incidem nos crimes falimentares, conforme Súmula 592 do STF, em especial 
o recebimento da denúncia e a data de publicação da sentença condenatória por 
crime falimentar. 
 
“592 - Nos crimes falimentares, aplicam-se as causas interruptivas da 
prescrição, previstas no Código Penal.” 
 
A sentença penal 
Reza o art. 181 da LFRE que os efeitos da condenação são os seguintes: 
“Art. 181. São efeitos da condenação por crime previsto nesta Lei: 
I – a inabilitação para o exercício de atividade empresarial; 
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190 
 
II – o impedimento para o exercício de cargo ou função em conselho de 
administração, diretoria ou gerência das sociedades sujeitas a esta Lei; 
III – a impossibilidade de gerir empresa por mandato ou por gestão de 
negócio. 
§ 1o Os efeitos de que trata este artigo não são automáticos, devendo 
ser motivadamente declarados na sentença, e perdurarão até 5 
(cinco) anos – pode o juiz impor prazo menor que esse, desde 
que entenda de pouca gravidade o delito cometido – após a 
extinção da punibilidade, podendo, contudo, cessar antes pela 
reabilitação penal. 
§ 2o Transitada em julgado a sentença penal condenatória, será 
notificado o Registro Público de Empresas para que tome as medidas 
necessárias para impedir novo registro em nome dos inabilitados.” 
 
I – inabilitação para o exercício de atividade empresarial; 
II – o impedimento para o exercício de cargo ou função em conselho de 
administração, diretoria ou gerência das sociedades sujeitas à Lei de Falências; 
III – impossibilidade de gerir empresa por mandato ou por gestão de 
negócio. 
Tais efeitos não são automáticos, devendo ser declarados 
motivadamente na sentença, pois perdurarão por cinco anos após a 
extinção da punibilidade, salvo se anteriormente foi o condenado beneficiado 
por reabilitação criminal. 
**Obs.: embora o magistrado deva impor, expressamente, na sentença, 
tais efeitos, justificando e motivando sua decisão, pode haver cumulação. 
Guilherme de Souza Nucci entende que o juiz deve impor, na maioria das 
vezes, todos os efeitos cumulados, evitando-se qualquer dúvida ou falsa 
interpretação. 
Lembre-se que transitada em julgado a sentença penal condenatória, deve 
o juiz determinar notificação ao Registro Público de Empresas para que 
tome as providências cabíveis de molde a impedir novo registro em nome dos 
inabilitados. 
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191 
 
 
O procedimento penal 
“Art. 183. Compete ao juiz criminal da jurisdição onde tenha sido 
decretada a falência, concedida a recuperação judicial ou homologado o 
plano de recuperação extrajudicial, conhecer da ação penal pelos crimes 
previstos nesta Lei. 
 
Art. 184. Os crimes previstos nesta Lei são de ação penal pública 
incondicionada. 
Parágrafo único. Decorrido o prazo a que se refere o art. 187, § 1o, sem 
que o representante do Ministério Público ofereça denúncia, qualquer 
credor habilitado ou o administrador judicial poderá oferecer ação penal 
privada subsidiária da pública, observado o prazo decadencial de 6 
(seis) meses. 
 
Art. 185. Recebida a denúncia ou a queixa, observar-se-á o rito previsto 
nos arts. 531 a 540 do Decreto-Lei no 3.689, de 3 de 
outubro de 1941 - Código de Processo Penal. 
 
Art. 186. No relatório previsto na alínea e do inciso III do caput do art. 
22 desta Lei, o administrador judicial apresentará ao juiz da falência 
exposição circunstanciada, considerando as causas da falência, o 
procedimento do devedor, antes e depois da sentença, e outras 
informações detalhadas a respeito da conduta do devedor e de outros 
responsáveis, se houver, por atos que possam constituir crime 
relacionado com a recuperação judicial ou com a falência, ou outro 
delito conexo a estes. 
Parágrafo único. A exposição circunstanciada será instruída com laudo 
do contador encarregado do exame da escrituração do devedor. 
Art. 187. Intimado da sentença que decreta a falência ou concede a 
recuperação judicial, o Ministério Público, verificando a ocorrência de 
qualquer crime previsto nesta Lei, promoverá imediatamente a 
competente ação penal ou, se entender necessário, requisitará a 
abertura de inquérito policial. 
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§ 1o O prazo para oferecimento da denúncia regula-se pelo art. 46 do 
Decreto-Lei no 3.689, de 3 de outubro de 1941 - Código de 
Processo Penal, salvo se o Ministério Público, estando o réu solto ou 
afiançado, decidir aguardar a apresentação da exposição 
circunstanciada de que trata o art. 186 desta Lei, devendo, em seguida, 
oferecer a denúncia em 15 (quinze) dias. 
§ 2o Em qualquer fase processual, surgindo indícios da prática dos 
crimes previstos nesta Lei, o juiz da falência ou da recuperação judicial 
ou da recuperação extrajudicial cientificará o Ministério Público. 
 
Art. 188. Aplicam-se subsidiariamente as disposições do Código de 
Processo Penal, no que não forem incompatíveis com esta Lei.” 
 
**Juízo competente – o correto e ideal é, sem dúvida o juízo criminal ser o 
competente para processar e julgar os delitos ligados a falências, recuperações 
judiciais e extrajudiciais. Ele tem melhor técnica e instrução penal especializada 
suficientes para analisar os elementos do tipo penal (objetivo e subjetivo), 
aplicando e individualizando, corretamente, a pena. NOTA: não se compreende, 
pois, a insistência, ao menos no Estado de São Paulo, de manter o juízo cível, 
onde se decreta a falência (ou se concede a recuperação), como competente 
para apreciar os feitos criminais. O STF já considerou válida essa disposição, 
valendo-se do argumento de que cabe ao Estado-membro a fixação das suas 
próprias e peculiares normas de organização judiciária. 
**Ação pública incondicionada – o MP é o titular da ação penal no tocante 
à ocorrência de qualquer das figuras típicas do art. 168 a 178 da NLFR. Não 
haveria nem mesmo necessidade de constar essa norma, pois em todos os 
casos, inclusive quando aos delitos previstos no CP, quando nada se 
excepciona, a ação é pública incondicionada. 
**Ação privada subsidiária da pública – aplica-se o disposto no art. 29 do 
CPP, com a diferença de que não se trata de ação proposta, necessariamente, 
pela vítima do crime cometido, uma vez que a legitimação,no caso da NLFR, 
recai sobre o administrador judicial e em relação a qualquer credor habilitado. 
Logo, não pode ser qualquer pessoa que se julgue credora do falido ou devedor, 
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193 
 
mas as que forem reconhecidas pelo administrador judicial como tal (art. 7º, 
§2º) ou, posteriormente, reconhecidas pelo juiz (art. 10). 
**Procedimento – seguia-se o rito previsto para os crimes apenados com 
detenção, o que se afigurava incompreensível, pois os delitos descritos na NLFR 
são quase todos (exceto o crime do art. 178) apenas com reclusão. A alteração 
implementada pela L. 11719/2008 prevê o procedimento comum, pelo rito 
ordinário, para os delitos cuja sanção máxima cominada seja igual ou superior a 
quatro anos de pena privativa de liberdade (art. 394, §1º, I, CPP). É o caso da 
maioria dos crimes falimentares. Por outro lado, prevê-se, ainda, o 
procedimento comum, pelo rito sumário, aos delitos cuja sanção máxima 
cominada seja inferior a quatro anos de pena privativa de liberdade (art. 394, 
§1º, II, CPP) – é o caso do crime previsto no art. 178 da NLFR. 
**Atuação do MP – art. 187 da NLFR. Qualquer denúncia deve ser instruída 
com provas pré-constituídas, legalmente colhidas. Portanto, na ausência de IP, 
o órgão acusatório pode valer-se de provas documentais e outros elementos. 
NOTA: Guilherme de Souza Nucci entende que, cientificado da falência ou da 
recuperação judicial, o membro do MP deve sempre aguardar o relatório do 
administrador judicial, pois dificilmente terá, em outra fonte, elementos para a 
propositura imediata de ação penal. Por outro lado, como o referido relatório 
tem um prazo de 40 dias para ser apresentado, pode o órgão acusatório, desde 
logo, requisitar a abertura de IP. 
 
Juizado Especial Criminal 
O crime de omissão de documentos contábeis consiste em: 
“Art. 178. Deixar de elaborar, escriturar ou autenticar, antes ou depois 
da sentença que decretar a falência, conceder a recuperação judicial ou 
homologar o plano de recuperação extrajudicial, os documentos de 
escrituração contábil obrigatórios: 
Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos, e multa, se o fato não 
constitui crime mais grave.” 
Sem discutir seu aspecto subsidiário, é o único apenado com detenção 
e cuja pena o coloca no patamar das infrações de menor potencial 
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ofensivo, consoante os ditames da Lei 9099/95, já que todos os demais 
possuem pena máxima superior a um biênio e reclusiva. 
Entendemos que a infração em tela dificilmente permanecerá no 
JECrim, eis que o processo que origina a quebra ou a recuperação judicial ou 
extrajudicial é de razoável complexidade, o que contraria os critérios da 
celeridade e da simplicidade preconizados nos Juizados (Lei 9099/95, arts. 3º e 
62). 
 Assim, afigura-se adequada a modificação da competência se o Juiz 
competente decidir, a pedido do MP, pela remessa dos autos à Justiça Comum 
(Lei 9099/95, art. 77, § 2º). 
Obs.: susbsidiariedade explícita (art. 178 da NLFR) => o tipo penal se 
auto-intitula “tipo de reserva”, vale dizer, somente se utiliza o disposto no art. 
178, caso não se encontre outro delito, previsto na NLFR, mais grave. Exemplo: 
se não se anota determinado negócio para acobertar o envolvimento do juiz da 
falência, que adquiriu bem da massa falida, deve-se usar o disposto no art. 
177, deixando-se de lado o mencionado no art. 178. 
8.7 - DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS DA NLFR 
Pergunta-se: ¿se houver concordata em andamento, pode-se pedir 
recuperação judicial (concurso da magistratura/PR)? O artigo 192, §2º, diz 
que a existência de concordata não obsta o pedido de recuperação 
judicial, exceto se for recuperação judicial especial, já que na prática é 
a mesma coisa (mesmo efeitos). 
Artigo 192, §3º: se deferido o processamento da recuperação judicial, o 
processo de concordata será extinto. 
ATENÇÃO: pedido anterior à nova lei de falências, e sentença declaratória 
também anterior à nova lei, todo o processo observará o D.L. 7661/1945. 
Se o pedido foi distribuído antes da nova lei de falências, mas a sentença 
declaratória é posterior, do momento da decretação em diante se observa a 
nova lei. O que é importante, nessas situações, é o momento da sentença 
declaratória. 
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Pergunta-se: ¿como fica o pedido de concordata preventiva feito na 
vigência do antigo DL 7661/45, mas ainda não analisado? Nessas 
situações, poderia haver migração para a recuperação judicial, com 
base no que dispõe o art. 192, §2º, da NLFR45? Embora a redação não 
ajude, parte da doutrina entende que a resposta deve ser afirmativa! A 
concordata é instituto ultrapassado. Assim, se o devedor preencher os 
requisitos para a obtenção da recuperação judicial, deve o juiz admitir a 
migração. 
 
9 - MICROEMPRESA E EMPRESA DE PEQUENO PORTE – LC 123/2006 
 
“Art. 1o Esta Lei Complementar estabelece normas gerais relativas ao 
tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às 
microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da 
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, especialmente 
no que se refere: 
I – à apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, 
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime 
único de arrecadação, inclusive obrigações acessórias; 
II – ao cumprimento de obrigações trabalhistas e previdenciárias, 
inclusive obrigações acessórias; 
III – ao acesso a crédito e ao mercado, inclusive quanto à preferência 
nas aquisições de bens e serviços pelos Poderes Públicos, à tecnologia, 
ao associativismo e às regras de inclusão. 
§ 1o Cabe ao Comitê Gestor de que trata o inciso I do caput do art. 2o 
desta Lei Complementar apreciar a necessidade de revisão dos valores 
expressos em moeda nesta Lei Complementar. 
 
45 “Art. 192. Esta Lei não se aplica aos processos de falência ou de concordata ajuizados anteriormente ao 
início de sua vigência, que serão concluídos nos termos do Decreto-Lei no 7.661, de 21 de junho de 1945. 
(...) 
§ 2o A existência de pedido de concordata anterior à vigência desta Lei não obsta o pedido de recuperação 
judicial pelo devedor que não houver descumprido obrigação no âmbito da concordata, vedado, contudo, o 
pedido baseado no plano especial de recuperação judicial para microempresas e empresas de pequeno 
porte a que se refere a Seção V do Capítulo III desta Lei.” 
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§ 2o (VETADO).” 
9.1 - CARACTERIZAÇÃO DAS MICROEMPRESAS E EMPRESAS DE PEQUENO PORTE 
“Art. 3º Para os efeitos desta Lei Complementar, consideram-se 
microempresas ou empresas de pequeno porte, a sociedade 
empresária, a sociedade simples, a empresa individual de 
responsabilidade limitada e o empresário a que se refere o art. 
966 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), 
devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou 
no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde 
que: 
I - no caso da microempresa, aufira, em cada ano-calendário, 
receita bruta igual ou inferior a R$ 360.000,00 (trezentos e 
sessenta mil reais); e 
II -
 no caso de empresa de pequeno porte, aufira, em cada ano-
calendário, receita bruta superior a R$ 360.000,00 (trezentos e 
sessenta mil reais) e igual ou inferior

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