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BEATRICE CONSTANCE TXX PATOLOGIA DO INTESTINO MÁ ABSORÇÃO/DIARREIA Má absorção é a causa mais comum de diarreia, caracterizada pela absorção deficiente (gorduras, CH, prot., água, eletrólitos). Sintomas – anorexia, perda de peso, distensão abdominal, borborigmos e perda muscular. A má absorção resulta de uma perturbação em uma das quatro fases de absorção de nutrientes, sendo elas: 1. Digestão intraluminal 2. Digestão terminal 3. Transporte transepitelial 4. Transporte linfático Os distúrbios crônicos de má absorção mais comuns são a doença celíaca e a doença de Crohn (discutida em doenças inflamatórias). DOENÇA CELÍACA (espru celíaco): é uma enteropatia sensível ao glúten. Ocorre principalmente na segunda porção do duodeno e jejuno proximal. Fisiopatologia: Glúten quando ingerido é quebrado até a molécula alfa-gliadina, que vai agir na mucosa intestinal estimulando a expressão de IL-15. Haverá ativação de linfócitos TCD8 e céls NK. Os linfócitos natural killers causarão dano epitelial. O aumento da quantidade de linfócitos acarretará no aumento da destruição do epitélio. Com a ação das céls NK, os vilos diminuem, reduzindo a capacidade absortiva do intestino. OBS.: Quanto mais vilos no intestino, melhor a absorção por causa da maior área de contato. Morfologia: relação vilo-cripta normalmente é 3:1. Na doença celíaca essa relação está alterada. A atrofia pode ser leve, moderada ou acentuada. Há uma hiperplasia de cripta e atrofia de vilosidades. Presença de linfocitose intraepitelial. Critério de Marsh para classificação: Consequências: anemia e mucosite (piridoxina, folato e B12), sangramento (vitamina K), osteopenia e tétano (cálcio), neuropatia periférica (vit A ou B12), distúrbios endócrinos e de pele. BEATRICE CONSTANCE TXX DOENÇA DE WHIPPLE É uma doença crônica multivisceral caracterizada por má absorção, linfoadenopatia e artrite. Sintomas de obstrução linfática (dificuldade de drenagem linfática devido à infecção levando à diarreia). Etiologia: infecciosa (Tropheryma whippelii) Patogenia: macrófagos carregados de organismos se acumulam na lâmina própria do ID e nos linfonodos mesentéricos, causando obstrução linfática. Morfologia: macrófago espumosos e distendidos, bacilos arginofílicos (PAS positivos) citoplasmáticos na lâmina própria. Os macrófagos podem se acumular dentro dos linfonodos mesentéricos, articulações sinoviais, válvulas cardíacas e cérebro. OBS.: para diferenciar de TB, fazer coloração ácido-resistente. As micobactérias se coram e o T. whippelii não. Clínica: diarreia, perda de peso e má absorção. Pode haver artrite, artralgia, febre, linfadenopatia, doença neurológica, cardíaca ou pulmonar. ENTEROCOLITES INFECCIOSAS ENTEROCOLITES INFECCIOSAS CÓLERA Gram negativa presente em água e alimentos Não invasivos, liberam enterotoxina Diarreia aquosa e vômitos, desidratação, hipotensão e choque AMEBÍASE Entamoeba hystolitica Transmissão fecal-oral Ceco e cólon ascendente. Úlceras penetrantes, infiltrado inflamatório, cistos do parasita Disenteria E. coli Bacilo Gram negativo Enterotoxigênica, enterohemorrágica, enteroinvasiva, enteroagregativa Clostridium difficile (enterocolite pseudomembranosa) Pós-antibióticos Ruptura da flora, toxinas, rompimento do citoesqueleto epitelial, perda de barreira das junções aderentes, citocinas e apoptose Diarreias de repetição. Intestino substituído por placas esbranquiçadas (inflamação serosa) BEATRICE CONSTANCE TXX BEATRICE CONSTANCE TXX DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL (DII) Conceito: condição crônica resultada da ativação imunológica inapropriada da mucosa. Os dois distúrbios que compreendem a DII são a doença de Crohn e a colite retocolite ulcerativa (RCU). Patogenia: ativação do SI contra a mucosa que leva a um processo inflamatório e dano, causando inflamação crônica do intestino. Resulta de defeitos na interação do hospedeiro com a microbiota, disfunção epitelial e resposta imunológica aberrante. • Genética – polimorfismos do gene NOD • Resposta imunológica – maior expressão de IL-23 e aparecimento de linfócitos T helper • Barreira epitelial – defeitos em áreas que transportam cátions levando a maior penetração de bactérias. Além disso, há alteração na síntese dos grânulos de Paneth • Microbiota – nos surtos agudos da DII, quando são adm antib (metronidazol), o surto diminui CROHN RCU LOCALIZAÇÃO Todo TGI, preferência íleo terminal IG e reto ACOMETIMENTO Múltiplas áreas de lesão em salto Segmentar LESÕES Múltiplas Localizadas ÚLCERAS Aftosas, múltiplas e serpenginosas Base larga MUCOSA Congesta, edemaciada Avermelhada, atrófica ASPECTO MUCOSO Pedra de calçamento Pseudopólios, pontes mucosas PAREDE Espessada Sem espessamento ESTENOSE Frequente Rara MORFOLOGIA - Neutrófilos abundantes que se infiltram e danificam a cripta (abcessos crípticos) - GRANULOMA NÃO CASEOSO MURAL - Distorção da arquitetura da mucosa (ficam retas e paralelas) - Metaplasia pseudopilórica - Abcessos crípticos - SEM GRANULOMA - Processo inflamatório limitado à mucosa - Metaplasia epitelial - Depleção de células caliciformes PROCESSO MUCOSO PÓLIPOS • HIPERPLÁSICO: proliferações epiteliais comuns em pcte de 60-70 anos. o Patogenia: resulta atraso de descamação de células superficiais, levando ao encalhamento de células caliciformes e absortivas. o Morfologia: protrusões lisas da mucosa nas cristas compostas de células caliciformes • PÓLIPOS NEOPLASICOS (ADENOMAS): neoplasias benignas precursoras da maioria dos adenocarcinomas colorretais. Sem predileção por gênero, comum a partir da 5ª década de vida. o Morfologia: São caracterizados pela presença de displasia epitelial com hipercromasia nuclear, alongamento e estratificação. BEATRICE CONSTANCE TXX NEOPLASIAS MALIGNAS ADENOCARCINOMA – malignidade mais comum do TGI. Pico de incidência entre 60 e 70 anos de idade, homens são mais afetados. Fatores de risco: baixa ingestão de fibras vegetais, alta ingestão de CH refinados, alta ingesta de gordura, baixa de vitaminas A, C, E (são antioxidantes); PAF. A mudança da microflora intestinal pode levar a produção de toxinas que agem como carcinogênicos. Patogenia: 1. Via APC/beta-catenina (adenoma/carcinoma): mutação da APC que culmina na perda da sua função gera um acúmulo de b-catenina (mucosa de risco). Esta, por sua vez, ativa fatores nucleares que induzem a proliferação celular. Com essa proliferação, diversas mutações se acumulam, dentre elas no gene KRAS, responsável pela formação de adenomas. A transformação maligna se da pela mutação no gene p53, fazendo com que o adenoma evolua para carcinoma. 2. Via da instabilidade de microssatélite (via de reparo): Pacientes com deficiência de reparo no DNA podem ter mutações acumuladas em repetições microssatélites, gerando a instabilidade. Em geral, são acometidos os genes codificantes da proteína BAX (pró-apoptótica) e o receptor TGF-b II (inibe proliferação de células epiteliais). Dessa forma, haverá proliferação e sobrevivência de clones anormais. Nesse cenário, o KRAS e o p53 não estão mutados. Morfologia • Cólon proximal: massas polipoides exofíticas, raramente causam obstrução • Cólon distal: lesões anulares que produzem constrições em forma de “argola de guardanapo”, gerando estreitamento do lúmen e podendo ocluí-lo Prognóstico: os fatores mais importantes são a profundidade da invasão e a presença ou ausência de metástases para linfonodos.Ambos são compostos de células colunares altas ou células em “anel de sinete”